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MULHERES EM DISCURSO:

LUGARES DE ENUNCIAÇÃO E CORPOS EM DISPUTA - VOL. 3

EFEITOS DA SINTAXE NA CONST|TUtÇAO DE


LUCARES DE ENU NCIAÇÃO

Mónica Graciela Zoppi Fontanal

Ela nte encontrard pacífico, desvendável


Venddvel, venal e de automóvel.
Ela me encontrqrd grove, sem mistérios, duro
Sério, claro cotl'to o sol sobre o muro.
Ela me encontrard bruto, burguês, imoral,
Capaz de defendê-la, de ofendêJo e perdod-la;
Capaz de ntorrer por ela (ou então de ntatdJa)
Sem deixar bilhete literário no jornal.
Ela me encontrard sadio, apolítico, antiapocalíptico
Anticristão e, talvez, campeão de xadrez.
Ela me encontraró forte, primitivo, animal
Como plonta, cavalo, como ógua mineral.
(Manoel de Barros, )de vingativa\

rNrRoDUÇÃO

os últimos anos os movimentos feministas têm se firmaclo


como práticas de resistência com imenso poder de mobili-
zação, tanto no Brasil quanto em outros países. Na construção
(lesses movimentos a linguagem participa de maneira central
na produção de sentidos que legitimam discursos e ações de
cmbate ideológico. Nomear os sujeitos, os objetos e os proces-
I O presentc trabalho lbi rcalizado cotu apoio do CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvi-
nrcnto CionlJlico c l'ccnoltltrticu. - []rnsil, proccsso t"r" 3(\7842/2017-7. O aítigo retoma análises
aprescntodas cnr Zoppi lrorrtlrrl (20? I l. 202 I h),
MULHERES EM DISCURSO: MULHERES EM DISCURSO:

- VOL. 3 - VOL. 3
-, LUGARES DE ENUNCIAÇÃO E CORPOS EM DISPUTA LUGARES Oe EruUllCnçAO E CORPOS EM DISPUTA

sos envolvidos; legitimar lugares de enunciação e espaÇos d§ Em primeiro lugar, a convocação para uma greve de mulheres
circulação para os enunciados militantes; configurar coletivol e a nova circulação dessa designação assim redefinida é in- - -
de identificação que permitam a adesão ao movimento, sã0 [0. terpretada como um acontecimento, particularmente no interior
das ações inteiramente atravessadas pela linguagem, tanto nB das lutas feministas. Por outro lado, essa designação se inscreve
funcionamento da língua quanto na prática social da enunciaçto, na memória de forma equívoca e ganha nos novos movimentos
Nesse texto analisamos dois momentos recentes das mobilizaç6el feministas impulso e investimento direcionados à construção de
feministas: a convocação à Greve feminista ou Greve das mulhr,rert uma nova memória. Observemos as condições de produção e
a partir de 2016, e o Manifesto Feminismo pora o 997o,lançaclo effi circulação dessa designação em algumas convocações ocorridas
2019.4 análise se debruça tanto sobre a descrição dos procellol recentemente, principalmente no espaço dos feminismos argen-
de nomeação e definição dos sujeitos e objetos dessas prátlcül tinos e do movimento de mulheres na Polônia.
quanto sobre os processos de agenciamento enunciativo qUü
No dia 19 de outubro de 2016, milhares de mulheres argen-
representam o lugar de enunciação dos novos feminismos, Ncgll
tinas vestiram preto e pararam de trabalhar durante uma hora (de
sentido, desenvolvemos uma reflexão sobre os efeitos da sinta*í
13h a 14h) nos seus postos detrabalho, em suas casas ou onde
na produção de lugares de enunciação, nos detendo especlflc§.
se encontrassem no momento. O protesto foi organizado pelo
mente sobre o funcionamento da determinação discursiva e dã
movimento Ni llna Menosz, que luta pela prevenção e combate
escrita por desligação. Para tanto, assumimos, junto com Mlchd
à violência contra a mulher. A mobilização foi convocada como
Pêcheux, que
um Paro de mujeres (Greve de mulheres) e contou com o apoio de
O essencial da discursividade seria compreendüí
mais de 300 partidos, organizações e coletivos desse país3. De
na tensão contraditória entre a relação parndllr acordo com as reportagens publicadas sobre a mobilização, "ao
mática de substituição que tende em clireçto I promover a manifestação, as argentinas inspiraram-se nas polo-
estabilização da forma lógica e a existêncln dt nesas", que em 3 de outubro de 2016 decretaram greve geral para
relações de deriva e de alteração entre seqr,rênctl* protestar contra um projeto de lei que poderia impedir o aborto
que poclem, ao mesmo tempo, conectafem.iÊ pât
legal. Outro antecedente mencionado pelos jornais é a greve de
sintagmatização ou substituírem-se sob o bgtf
trabalho convocada em24 de outubro de 1975 na Islândia com
das ligações evocadas. (LEON; PÊCHEUX, 201lr
o mote de Dia de Folga das Mulheres, durante a qual milhares de
[1982], p. 172).
islandesas suspenderam todas as atividades exigindo igualdade
GREVE DE MULHERES de direitos. Para nossa pesquisa, essas narrativas jornalísticas
são reveladoras, porque fazem trabalhar discursivamente o
O que é uma greve de ntulheres? Estamos face a um nignlfl. acontecimento em um espaço de memória, traçando trajetos de
cante - greve - guê, embora já estabilizado na memória clas lutal Íiliação ideológica e produzindo, por meio da detxis discursivaa,
operárias, ganha novas inflexões nas condições de proclurçâo dl
2 Cf. lrttps://www.iust08râlr,0ol11/-niunantenos /. Acesso etn: 1l ago.2017.
convocação endereçada globalmente às mulheres por ocâsins dC ] Cf. mattlrra do jornal digi[ul Ncxo tlc l9 do otttutrro de 2016. Linkpara arnatéria: https:i/
www,ncxojornal, oorn.hr/exprcsso/Z0 I 6/ I 0/ I 9,411 iunâlnenos-por-que-as-mulheres-argentinas-
8 de março de 2A17.
elltrorârn-cm-grcvc-c-lirt"utn-rls-ttlttl, t\oesto ctn: I I ago, 2017,
Cl Mringucncuu (lq8q); Orlotxli (l(it)írl,
, ,,(,A,,, .. ,,, , N,r:l: l,ll ,l;, , ,1,,1,1, ,i",' ,,,..,,, ,^ - v( ), I
^' LUGARE' TT T-rHffi:'I*J",ffirspurA - vol.3
um cliscurso cre regitinr;rç:ro. As rrarr-ativas.jor-,arísti(...s
também' o efeito nretafóric,,ero s.\r(.rr.rrr Uma primeira direção de resposta está dada pelo
cluar criversos -sigrriÍit ;rr rr (.\,,,r,, apelo que
mutuamente substituícros a greve faz às mulheres para paralisar as atividacles
e substitiríveis: grevc.rertrirtisrtt, de pioclução,
,tttlheres, greve das ntulheres, ,v.rt,t,r.rr, consumo e cuidado das quais são agentes: não procruzir,
greve geral, gn* iurr;_rr,r:,,r,,,,i,'
1,,,,,,,,,,,,,, consumir e não cuidar (ou seja não atuar na reprocrução
não
O movimento cle ,,greve sociar)
de mulheres,, gan^ou Íirr.ç..r (. (.\ aparecem como predicações que definem a greve cre
são por ocasião cras mobirizações tr., murheres
cro dia ã.r" n*rrr,l',,,. .,,,,,. pela negação. Nessa direção, bascr-rrhamos o corpils
quando o coletivo argentino para crescre-
Ni ttna o menos,em artit-rrr:r(,r. ( ver o trabalho intenso na língua e sobre a língua que
o coletivo poronês e a Marcha rlrrl faz essa
das Murheres dos Est;r«rr.s clesignação deslizar, e delimitamos três ftrncionamentos:
lançOU uma Convocacãn,rr", ,,,,*^ ,rrrrr,r., a- a
^- ,egação, b- um esqLrema argumentativo adversativo
res,, o u,, um d i a,:Ttl,ff ::; J,,:f,:.ffi 5.Jliil,:;l topicarizado
:ll; i: : I i:: . e c- a definição.
aderiram ao movimento, se
iaentincando com o crrarrrirtro
"se apropriar cra greve rr,rr,r
como ferramenta porítica par.a a. A negação: a emergência clo impensaclo
nossas demandas e para í.zt.r ,rr'rr
intervir concretamente ,il .r«rr,rrr Imaginemos um dia em que as mulheres não vão
ao
produção", conforme crecraração rr,r
de uma riderança ar.g,(.rrrrr,r rr, supermercado, não vão trabalhar, não vão à escola,
movimento Niuna o menoss. não vão à faculdade, não fazem tarefas clomésticas,
um dia de greve feminista (Coletanea8M, organizada
o que é uma "greve de murheres,,? por MES/pSOL. Disponível em https://portalclelai_
ato político traz para os discursos eue novas inr.rcxor.s r.,,,,r.
e práticas cros crrarr;rtrr.. rr,, z q u i e rd a. co m/ pt
_b r /20 19/03/co le ta n e a_ g m_20 I 9/.
vos feminismos? C Acesso em: 24 maio 2021).
p o r ít ic a, r.
mulheres enquanto sujeitos
t, o, r-,::.x,'j; i I :'Iffi ..r"# il..
.1 ; I, i I ; I I il I
j,
A cobertura jornalística sobre a "greve de mulheres,,se
polrticás, em tocla a erlrrivr»r carac-
contradição das interpelaçOeiZ irl,rrl. r,
novos senticlos :r <lt,si1irr,rr,,l, terizou por produzir narrativas nas quais o estlrpor e a surpresa
greve ganha quando.interpretadi
eue
a partir das cretenrr",,,rr,,.., são explicitados e sinalizam a reação da mídia face
,,, à convocação
gênero e sexualidad.?.C:.r9 e à realização dessa mobilização:
tervir paralisando as atividades"rr"
,f"fo às mr_rlher.t.s l),u.r rr
f,oiinterpretada como cla ordem
de pioauçao, cotlsrrto t, ttrtrrrtrrt clo inimaginável. Não porque não houvesse greves femininas
das quais são agentes, pode antes na história, mulheres parando em seus locais
afetar á dfuirao sexuar (rír.s r.r.r,rr,r,r.,. de trabalho,
de trabalho em formações contra a exploração e por direitos trabarhistas. Também
sociais atravessacras p.r- não é
opressão de gênero? 1lr..iÍir,r,, ,r,. inédito o modo de conduzir o protesto como uma marcha peras
Essas são argumas cras qr-restões ruas reivindicando direitos. porém, uma "greve feminista,,,
que as práricas que
râneas de mobirização crrÍt.rrr;r, aparece tan-rbém formulada como "dia sem mulher,,,
cre ,,ir',.r., no, .oro.o, ressignifica
apresentamos argumas respostas e l)ar..r ir\ (rr,r., esses movimentos de greve históricos. senticlos filiados
nesse trabarho. a dife-
rentes memórias se entrelaçam no acontecimento
discursivo
constituindo unra nova trar.r-rÍr: se fetoma a filiação ao movimento
operário intcrnat'iorr;rl, ;rs Íicntcs internacior-rais cle mulheres,
Declaraçào rlc (-ccilia l)altrrciro à
it().,{)rÍt:ll l.,ll 1trí.r. rtltttl;ty,.r-.lp rlr l0 Íi.r, .)0t / ;lrír1ica sintlical rl:t rrçvt', .to rrroyillcrrt«r fbpripista, à grrerra cle
MULHERES EM DISCURSO:
,,(;A,tr:\ ,,,, ,-,[;::i],1 ,T,ill,;,'i*l',,,u,,,n - vo,. r
LUGARES oe enuNcrRçRo E coRpos EM DrspurA - vol. 3

sexos, porém ressig,ificacras, «r clre Íica nrarcarro


Pcr:r prt,s.rrr,ir cnunciação por efeito da luta política e que instaura Llma nova
da negação estruturancro as secluê,cias crisctrr-sivas.
A gr.t,v., r. , r,, série parafrástica: "não só paramos a produção, mas também a
finida pela negação: as nturheres não vão cto sltpermcr.ctckt,
rtri, t,íttt reprodução".
trabalhar, não vão à escora, não vão à
facurctade, não fozcrt, r(rrrtt\ O movimento feminista está criando suas próprias
dontésticas. As preclicações seguem o esqlrema
os ntuiltct rs Ntrtl ferramentas e se apropriando de outras, como a
SV * locotivolobjeto.
greve: não só paramos a produção, mas também a
As predicações retomam atribuições estabilizaclas reprodução. Paramos todo o sistema e não apenas
rr:r rr(.r r )
ria social como tarefas consideradas "femininas,,; uma parte, colocando a vida, o cuidado no centro,
a rista rr. ,,r.rr diante da lógica da acumulação de capital(Coletânea
conjunto descreve as predicações que definem o que
scr iir r.r 8M-MES-PSOL. Disponível em https://portaldelai-
mulher na sociedade. As negações rompem com
essa ,rcrrorrr, z q u i e rd a. co m/ pt
_br /2O19l03/co leta ne a-8 m-2 0.l 9/.
criando o efeito de ineditismo e desrocando os senticros. Acesso em:24 maio 2021).

b. Enunciado dividido e os deslocamentos ideológicos Em textos produzidos por coletivos que organizam o
Não são apenas mulheres no laclo de clc,ntrrr rlrrq paro/greve de #8M em diversos países, observamos assim um
ruas, mas mulheres fora da produção. Ao rt.l,rr lo
trabalho na língua e sobre a língua que produz um redizer que
nar corpos violados com corpos que se rccusirrr ir
produziç pela declaração de greve geral, o clesestabiliza sentidos ao confrontá-los a outros novos.
l)ot(.n
cial cle questionamento e de rebeiião aurplirr re
Não é uma fagulha, mas um incêndio. Estc rr;ro r c. Definição e normalização dos sentidos
um outubro qualquer no campo clos fenrinisrrror Uma greve de rnulheres é diferente cle uma greve
(BRUM, Eliane. El país, 24 out.20l6, Disporrivr.l geral. A greve das mulheres surge da reflexão polÊ
e m : https ://bra s i l. e I pa i s. co m/bras tica e teórica sobre as formas coltcretas do trabalho
i l/ZO 1 6;, I I o I ) 4 t
opinio n/1 47 7 3 13842_gO5 78 5. htm l. Acess feminino nas sociedades capitalistas. A greve das
o c r Ir :,t.1
maio 2021, grifos nossos). mulheres destina-se a tornar este trabalho não
remunerado visível e enfatizar que a reprodução
Observe-se o funcionamento da argumentação, q,e socialé também um localde h.rta. (ARRUZA, Cinzia;
sc ,t BHATTACHARYA, Thithi. 0 signíficado da greve das
ganiza segundo o esquema recorrente NÃO
é @penaslsó) X, MA.\ mulheres neste B de morço - Blog da Boitempo, 3 mar.
Y (tantbém), ou na sua forma reversa é X,
MAS NÃO so,;tel<l rlrr.rl 20 1 7. Disponível em: https://blogd aboite mpo.com.
se apresenta um argumento que mantém sua varicracre, br. Acesso em 24 maio 2021).
mas (r.(.
é apresentado como insuficiente, sendo reformuracro
por .ov()s
argumentos que orientam para conclusões cliflerentes. Perceba-se o trabalho definicional investido nas formulações:
A estrrrtrr
ra clivada das sequências discursivas sustenta o funcionarrcrto se diz o que a greve não é, o que ela é e ao que ela se destina. Há
discursivo do enunciaclo clividido (couRTINE, 2009 rrrn investimento na produçao de conhecimento a partir da posição
que opõe um elemento presente no irtercriscurso
[r9till),
firiario a llr- I'cntinista que está sendo construída. Assim, a partir do funcio-
sições ideológicas antagô,icas a r*1 ererrerrt. clue ir.ro,rpc namento cla clcÍiuiçào l)os tcxtos clo que seria uma "greve de
rrir
l lrt,/\l(l I l,l | \rrr\r r/rl,ír"

Í Ç
llltllhcrcs" se (lcscl)volvt',
sitttrtlt;urcillllcntc, trnrir ltriitit ,r pullllr rt v. (,ol«ltltlc l)itllos l'()x(ls ll(,s ( ill.l os (' llíls casils;
Lll'n plocc'sso cle strll.jctiv;tç;r<l c constnrçiio rlc rrovtls t 6lt.trv1q rle
Ii
identificação, um esforço rlc rc,invençào cle Íbrnrirs tlt. prrrr.qr, rr vi. Boicotc locais tttacltist:ts;
exercício da resistência ao pocler, e a prorluçào rlc t.onlrr.( rn.,nt*
imbricado em dois espaços: o cla militância e o rla at.irrk.rrrr,r I :1r,r vii. Não compre nacla neste clia;

ços que não podem ser separados e que permeiarrr inlr.rr,rrrr.rrr:=


o conhecimento assim produzido. #NasRedes

o ineditismo da prática se manifesta, tarnbérr, ,irs t .rr rrllr;re i. Participe do twitaço às 12h00 do dia 8 de março usando as
e folhetos divulgados pelas diversas organizações (lu(, s(, \,nr.r hashtags:#8m #Smbrasil #paradabrasileirademulheres #euparo
ram à convocação de uma greve internacional cle mrillrrr tt nu H
de março de 2017. se os sentidos da designação sa, rrrvr'. ts ii. Participe do APitaço às12h30

deslocam filiações na memória, a prática que essa rlt'si1irr,rr,;r, Grave vícleos cle tocla a intervenção que fizerem no 8
cle
iii.
nomeia também o é, portanto é necessário orientar as rrrrrllrcrr,e março com aS hashtags: #Bm #Smbrasil #paradabrasileirade-
sobre cdmo participar e se manifestar. o recorte mulheres #euParo
Çue sr,!,ur,rrrr: Dispo-
algumas das instruções que circularam na época;atentc-st,,rrrrrlr (PORTELA, Laeicio./orn al Marco Zero, Recife, 18 mar' 2019'
ao título da matéria: I de março de 20lz: uma jornaclo histttr tr rt tht nível em: http://marcozero.org/8-de-marco-de-20-l 7-uma-jornada-
movint ento fentinista. historica-do-movimento-feminist. Acesso em:1 9 maio 2021 ).

A organização das manifestações em pernambuco tlivrrrp,rrr


Nessa lista de instruções clestacamos o fato cle aparecer
algumas sugestões de como protestar neste g de março:
enumeradas6 Como elementos similares duas recomendações:
de trabalhar (parada total on em tempo parcíal no trab(tlho
ott
parar
'nas
neste
No trabalho: tarefas dotnésticas) e parar cle consumir (não cotllpre nada
para o agir/
ríia). Por outro lado, o texto diferencia dois espaços
i. Parada total no trabalho ou nas tarefas cromésticas e/.tr rk.
intervenção das mulheres: no trabalho oLt nas tarefos dotttésticas,
cr-ridado;
que são apresentaclos como opostos e não complementares' o
ii. Parada de tempo parcial no trabalho ou nas tarefas clonréstit que atualiza as eviclências do discurso patriarcal que interpreta
i*
e/ou de cuidado por meia hora ou uma hora, cle acorclo co.r (l t'arefas dontésticas como não trabalho. Esse modo de textualizar
possibilidade de cada uma; , .ãnuo..ção na forma cle uma cartilha ou manual de instru-
os efeitos de um processo
ções projeta sobre o acontecimento
iii.
use elementos ou acessórios da cor roxa ou lilás na ve-sri- de mànualização7: uniformizar sentidos e práticas, estabilizar
menta, como fitas ou qualquer elemento que destaque; tta
interpretações, antecipar identificações e reconhecimentos
para clerivas
iv. use as pragr'rinhas que estaremos distrib,inclo nesse clia crr relação com o outro, delimitar e restringir o espaço
apoio à luta pelos direitos das mulheres. 6 [il1r*ãt abalho de Guimarães (2009) sobre o funcionamento da
enutnetaçii.'
de manualização c-nt rclitç:l I
7 Cf-García (201 S), que descreve o funciônamónto dos processos
destinadas a promoveÍ o uso de utna linguagent niio scxlslil
ulii fun.ioràrrlento áe cartilhas

442 4 '..\
vÍt Jlt.ltiRtis EM D|SCLjRSü!
LUÇÂ&.E§ DE ENUNCTÂÇÂo MULHERES EM DISCURSO:
E CORpOs EM DÍSpuTA - vot. 3
LUGÁRES or Eruuncnçao E coRpos EM DISpurA - vol. 3

possíveis' Ti'ata-se cre um esforço pecragógico que tenta


co Ltui novas especificações: greve das mulheres se distingu e de greve dos
forma eficiente Jrromogênea,
::.:::f1,1,::.0,. de mocto
mulheres.
;;il:;;.,wO: A greve
trobslhqdores, greve operdria, greve geral.

Tiazemos ainda um último recorte, para analisar o funcio-


A convocação a uma greve namento da definição, que acontece por meio de processos de
cle mulh

: :::(::*
de i
? conhecimento: sobre
! "':' :
u

, práti.,
mp r:

,o.iui.
to o,,,,iÍf ii"# ;,ilT
?,Íffi
poffiíãjIrrr*;;
reformulação, que interpretam o gesto do corpo como a enunciação
de uma tomada de posição:

de conhàcimenro;;;r. a ríngua,
lÍ:::::*rf
na relação do léxico com a significação.;;;,,;;;;;Jr*;,em parricu Retirar o corpo da esfera concreta da produção e
enunciados definidores expricita colocá-lo nas ruas é dizer muito claramente que
o esforço por derimitar no lul aquele que assim se enuncia não é objeto em ne_
sentidos por oposição com sentidos já
estabiiizad or,rn ígruuu nhuma posição. É dizer também que o corpo com
mulheres é diferente de uma grev,
grrrt.No entanto, ,ão desejo jamais será só objeto, nem mesmo na linha
mos no texto uma definição strictosensu "naont de proclução capitalista. O qr-re não há no estupro é
do qu" ,.1, u**
de mulheres nem do que ela justamente desejo. O que havia nas ruas da Argenti_
significa: se diz o cue nãn r

::.ffi 3:: * Ti: :3.1?"ffi :# ffi ;:'Tí": J li xi"x Í ;#:l na eram corpos desejantes (BRUM, Eliane. El país,24
out. Disponível em: https://brasil.elpais.com/
para a r"r;;;;;ü;;;;;#lT
estabilização 20 1 G.
dos senridos
prática se dão por meio dà bras i l/20.l pinio nl 1 47 7 3 1 3542 8 0 5 7B 5.
6 / 1 0 /24 / o
uma caracterização que envolyc html . Acesso em: 19 maio 2021, grifos nãssos).
representação de uma rinha
temporar na enunciação. Agrerre
ft
p:. ,.r, inscriçao em uma história particut$r
::,::::
a partir da qual se diz de onde u.rn .rr.
A primeira frase do recorte se mostra como reescritura cla
^t:T]-fi,..
para ela onde vai (seu futuro): fil;ü;.",;r#
\vLu Hqrrct designação greve de mulheres, ou seja, ao redizer explicita seu
sentido: a greve de mulheres consiste em retirar o corpo da esfera
. clncrets do produçdo e colocá-lo nas ruos. Mas esta formulação é
A greve das mulheres syrgS
da reJlexão política e teóriccr ainda retomada e reinterpretada por meio de duas definições;
sobre ac
formos concretos ao tratãno
.e*írirr7o, sociedades capitaristos, 1- é dizer muito claramente que aquele que assim se enuncia não é
'A greve das murheres destina-se
a torrrar este trobarho não
objeto em nenhuma posição. 2- é dizer também que o corpo com desejo
n,erydo visíver e enfotizar que remu. jamais serd só objeto, nem mesmo na linha de produção capitalista.
a reproduç:ao sorial é tqmbém
de luta. um rocar
Assim, o texto da matéria assinada por Eliane Brum destaca a
existência de corpos fora da produção que enunciam o desejo. Neste
Dessa forma,
a prática teórica se mostra trabalho interpretamos esse modo de clizerlfazer como um gesto
to para a prática porítica, dando visibiridade como fundamen. de interpretação: a prática da greve e os dizeres que ela convoca
às dimensões dg
sentido apagadas pera naturarização instauram um lugar de enunciaçõo, a partir do quar o sujeito se faz
cros criscursos crominante,
(patriarcal e capitalista) e deslocando no ato de sua recusa e de sua demancla, urgente e necessária. um
na língr"ra os sentidos cla§
palavras, por serem creterminacr* ato irredutível, como nos lembra Foucaulr (2017
nu ,aq,,ência criscrrrsiva por 119791)t
MULHERES EM DISCURSO: MULHERES EM DISCURSO:

LUGARES DE ENUNCIAÇÂO E CORPOS EM D|SPUTA - VOL. 3 LUGARES »S EIVUNCIRçIO E CORPOS EM DISPUTA. VOL. 3

As insurreições pertencem à história. Mtrs, tlr. r rrt,r designação, ao fornecer os pontos de estabilização referencial
forma, lhe escapam. O movimento conr (lu(, ulr ',', necessários para a prática enunciativa do sujeito na sLla relação
homem, um grupo, uma minoria ou torl«r uul p.\,r
contraditória com o real que o afeta, se constituem como p rocessos
diz: "Não obedeço mais", e joga na cara {lt.rrrrr ;r.rll
de subjetivaçôo, em relação a todas as construções (morf,os)sintáti-
que ele considera injusto o risco cle sua virl,r .i,jr
rnovimento me parece irredutível. Porrprt. nr.rrlrrrtrr cas que referem a/predicam de o sujeito do discurso, delimitando
poder é capaz de torná-lo absolutamentc irrrpo.,',tr r.l assim lugares de enunciaçãoe. Para tanto, entendemos:
(FOUCAULI 2017 119791, s.n.).
O sujeito como processo (de representação) interior
A convocação a uma greve internacional de nlulheres rcssilirr rlrr ao não sujeito constituído pela rede de significantes:
,r
o sujeito é "preso" nessa rede - "nomes comuns" e
velhas práticas, num esforço de reposicionamento icleokilirr o r l,r=
"nomes próprios", efeitos cle shifting, construções
lutas dos feminismos. Nesse movimento de atualizaç:ll t' rk.,,ll
sintáticas, etc. - de modo que o sujeito resulta dessa
camento há um trabalho na língua e sobre a língua {1ut'irÍr.t,r u'. rede como "caLrsa de si" no senticlo espinosano da
processos de textualizaçáo que interpretam o acolttc('int('ntl expressão (PÊCHEUX, 1975, p. 157).
Neste trabalho analisamos os modos como os efeitos tl;l srrrt,rrr.
intervêm na produção da discursividade e dos lugares (lt't'rrrrrrr l,r Ao convocar a uma greve internocionol de mulheres ou greve
ção: os processos de nomeação;os processos de articulirqrlír rlur. feminista, os diversos movimentos sociais envolvidos na sua orga-
constituem as sequências discursivas, produzindo encarlt.iun(.1 rt,5 nização investiram na reconflguração do espaço simbólico a partir
argumentativos recorrentes e a clivagem sintática que ciu .t( tr.t t; ir do qual um dizer legítimo sobre e das mulheres pôde irromper
o enunciado dividido; a textualização na forma cle cartillr,r r nr no discurso social e circular com força de ruptura e deslocamento
efeitos desse processo de manualização; a presença (lt' t.rrurtr t,r em relação aos sentidos já estabilizados como evidência na me-
dos definidores e o investimento em Llm discurso (lr.rc tr,rlr,rllr,r mória discursiva. Assim, ao enunciar a denúncia por meio de uma
simbolicamente para fixar os novos sentidos clas clesign,r(,o(..t prática de manifestação pública e de greve geral, os movimentos
Nas análises apresentadas observamos qlle a clcsigrr;rr,.ro r. l de mulheres ocuparam um lugar de enunciaçâo, a partir do qual
objeto de referência são produzidos ao mesmo tenrpo, ,r p,rrlr o discurso contra o feminicídio e pela equidade de gênero nas
de gestos de interpretação (ORLANDI, 1996). Norncar r.prorlrrrtr relações sociais pôde se aliar a um discurso que ousou nomear
os objetos e os sujeitos discursivos a partir clos erub;rl(.s rrlr.,r e dessa maneira deu visibilidade ao trabalho reprodutivo e de
lógicos que atravessam o interdiscurso. É en'r relaç;io its orrtr;r= cr-ridado que o sistema patriarcal atribui às mulheres de forma
designações com as quais se encontrarl em relaçào p;tr,rÍr,r.,ttr ,t naturalizada. Convocar a uma greve só de mulheres em que elas
no arquivo que as designações fixam seu oltieto clc rt.Ír.rr.rrr tir parem absolutamente todas as tarefas que realizam em todos
e seus sentidoss. Assim, a designação greve dc nnillrt'tr:s srlqrrrlrr,t os espaços em que circulam produz o escândalo de nomear o
pelas operações de reescritura e de reforrnr.rlaç;io t;rrt, irlorrr;rr,rrr silenciado, ao ousar dizer o que todo mundo sabe, mas ninguém
com o acontecimento discursivo. Por outro lacl<1, «rs pror t.sro., rlr. cnuncia. Como afirma Delphy (2008), o "escândalo não é que o
inrperaclor esLc'ja nu, r))as cluc' algr.rérn oLrse dizê-1o". Tiata-se
('1. Zoppi lr()r)l:lr)r ( I(x)()) ('l /,oPpr I ()nlirrit (.)(10 l)
MULHERES EM DISCURSO: MULHERES EM DISCURSO:

LUGARES DE ENUNCHÇÃO E CORPOS EM DISPUTA - VOL. 3 LUGARES ne eNuNcrnçÀo E coRPos EM DISPUTA - vol. 3

de um ponto de inflexão, de não-retorno; essa é a dimcns,ro rl,. Tiata-se de superar o feminismo corporativo de elite,
acontecimento discursivo da greve de ntulheres. substituinclo-o por um que fala pela esmagadora
maioria das mulheres, captando as preocupações dos
É também com base nesse ponto de vista êpistenrokrlirr o pobres, da classe trabalhadora, das mulheres racializa-
filiado explicitamente à luta teórica e política feminista, (lu(, nr das, clas queer, trans, lésbicas, profissionais do sexo,
telectuais feministas estadunidenses lançaram em início <lt' .r0 l,l donas de casa, mulheres com empregos precários...
o Manifesto Feminismo para o 99%. Estamos falando de grupos sociais muito maiores, com
muito mais preocupações que as do feminismo liberal,
FEMINISMO PARA OS 99% motivo pelo qualpoderíamos chamá-lo de feminismo
das classes trabalhadoras, desde que entendamos essa
ideia de uma maneira muito ampla. ("Nancy Fraser
O Feminisnto para os 99%, um manifesfo, de autoria clc ( in;r,r propõe o Ferninismo para 99%", entrevista de Isabel
Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nanry Fraser, lançado em 20 I () ;rr.l,r Valdés, republicada por )utras Palavras,29 mar. 20.19.
editora Boitempo, representa um marco no investimeltto n,t ,tnr Disponível em: https://outraspalavras.neVfeminismos/
pla divulgação da produção teórica E militante dos fenrirrisrrr,,,. na ncy-frase r-p ro poe- o -fe m i n is mo- pa r a-99 / . Acess o

atuais. A edição brasileira conta com a participação clc 'l,rlrrr,r em:24 maio 2021).
Petrone, deputada federal e militante feminista negra, (lur: ils\ln,r
O feminismo dos 99% é uma alternativa ao feminismo
o preflácio, eJoênia Wapichana, primeira mulher indígena ,r .,r.r liberal, já que é abertamente anticapitalista e antirra-
eleita deputada federal, advogada, militante das causas inrlígt,rr,r', cista: não separa a igualdade formal e a emancipação
e dos direitos humanos, no texto de orelha. O Manifesto Íàrrrirrrrt,r cla necessidade de transformar a sociedade e as
faz parte de um movimento globale foi lançado no 8 de ltrarq.o rL, relações sociais na sua totalidade, da necessidade
2019 em diversos países, como ltália, França, Espanha, llsl,rrhr', de superar a exploração do trabalho, o saque da
natureza, o racismo, a guerra e o imperialismo.
Unidos, Inglaterra, Argentina e Suécia. A repercussão ntirli,rtrr,r
Finalmente, posiciona-se diretamente como parte
foi imediata e no Brasil deu lugar a inúmeras entrevistas conl \n.r,,
do trasnfeminismo, defende os direitos e as neces-
autoras, principalmente com Ângela Davis que visitou o país rrt.rrr siclades das trabalhadoras sexuais e procura alianças
ano. Nesse manifesto se redefine o feminismo a partir tlt' rrnr,r sociais e polícias com todos os movimentos que lu-
oposição interna com os feminismos considerados neolilrt.r,rr,, tam por um mundo melhor para os 99%. (entrevista a
Essa redefinição se marca linguisticamente por meio clo l)to( (.,, CinziaArruzza,"'O feminismo dos 99%é a alternativa
anticapitalista ao feminismo liberal"', Carta Maior,20
so de determinação discursiva'í0, Çuê se materializa en-r Íirr.rrr,r rll
ago. 2019. Disponível em: https:/Áruww.cartamaior.
adjuntos adnominais (adjetivos, complementos preposiciorr,rrsl,
com. bl [/Eclitoria/Sociedade-e-Cultura/- O-feminismo-
de enumerações e também por meio das predicaçõc-s. Vt,j;urro., dos-99-e-a-alternativa-anticapitalista-ao-feminismo-
alguns recortes: liberal-152141466. Acesso em 24 maio 2021).

O nov«r nr<lvin'rcrrto feminista transnacional é mol-


<l;rrlo pt'l«r srrl, n:io só tro scutirlo geográfico, Iras
('1. Indrrrsky ( It)t)71 l;rrrlltinr l'r() s('nlitlo político, c ci tttltt'iclo por cada
MULHERES EM DISCURSO: MULHERES EM DISCURSO:

LUCARES DE ENUNCIAÇÃO E CORPOS EM DTSPUTA - VOL. 3 LUGARES or euuxclRçÃo E coRPos EM DISPUTA - vol. 3

região em conflito. Essa é a razão de ele ser anticolor "Não é possívelque nosso feminismo deixe corpos pelo caminho"
nial, antirracista e anticapitalista [. . .] O movinrentg "Não há liberdade possívelse a maioria das mulheres não couber
feminista também está redescobrindo o signifielde nela"
da solidariedade internacional e da iniciativa trtn&
nacional. Nos últimos meses o movimento feminlfH
As formulações apontam por efeito cle pró-construído para
argentino usou o evocativo nome de',lnternâciqndr
Feminista" para se referir à prática da solidariedadl a existência de um feminismo não libertário, que deixa corpos
internacional reinventada pela nova onda feminiltl, pelo caminho, que exclui mulheres; um feminismo delimitado
e em alguns países, como a Itália, o movimento çl!á pela determinação discursiva como o adversário político e des-
discutindo a necessidades de encontros transnaclor crito como um "feminismo neoliberal, corporativo, capitalista,
nais para melhor coordenar e compartilhar vieütt1 um feminismo do microcrédito, um falso empoderamento pelo
análises e experiências práticas. (para alént do S &
sucesso financeiro individual". Assim, se instaura uma fratura
Março: rumo a uma lnternacional Fentinista, 7 mlt|
20.1 9. Disponível em https://esquerdaonline,cotfli
interna na representação do nós mulheres, que aparece dividido
br /201 9 /O3 lo7lma nifesto -femi ni sta-i nte rnacionllÁ pela contradição ideológica entre feminismos antagônicos: já não
Acesso em: 24 maio 2021). se fala DAS mulheres ou DE mulheres, nas suas leituras genéricas
e universalizantes, mas DA MAIORIA das mulheres. Destacamos
Pela determinação discursiva se opõe "o feminismo cofp.or ainda a identificação dessa maioria com um posicionamento
rativo de elite/o feminismo liberal" a "o feminismo das cla3til geopolítico: são mulheres do Su/, uma associação transnacional
trabalhadoras/o feminismo dos 99%lo movimento feminlrte cle mulheres identificadas com a luta às formas de exploração
transnacional/nova onda feminista/lnternacional Feministtrsl impostas pelo capitalismo das grandes corporações sobre os
interpretado como seu outro antagônico; pela determinâçlg países periféricos. Uma luta anticolonial e anti-imperialista. O que
discursiva se delineia uma fronteira ideológica e uma fratuil I nos leva a analisar como aparece representado em nosso corpus
divisão desigual no interior dos feminismos, ao apresentar tíl esse coletivo feminista ao qual se atribui a descrição de ser "um
alternativa anticapitalista", que "fala pela esmagadora maiofl0 novo movimento feminista transnacional".
das mulheres". Na descrição desse novo feminismo, reforçandq
ENUMERAçÃO, ARTICULAÇÃO DE ENUNCIADOS E AS LUTAS
o funcionamento da determinação discursiva que desenha a llnhl
de ruptura ideológica, observamos novamente o funcionamentê
DOS NOVOS FEMINISMOS
da negação11. tazemos a seguir algumas formulações presentll
no corpus que analisamos: No colóquio "Materialidades discursivas", cujas apresen-
tações foram reunidas e publicadas posteriormentel2, Michel
"Nem todo feminismo liberta, emancipa, acolhe o conjunto cle
Pêcheux apresenta um texto breve no qual reflete sobre as
mulheres que carregam tantas dores nas costas" relações sintáticas entre enunciados e os efeitos de sentido
produzidos pela formulação das sequências no intradiscurso;
11 consideramos todas as formas linguísticas pelas quais o negativo se materialica nnl'lt)Ê o autor trata de clois tipos cle funcionamento na produção da
mulações no discurso: os advérbios (não, nem, nunca, jamais, contra); morfemas corn TdS!
legativo (anti-, des-, pseudo-) e substantivos e acljetivos com valor scnrántioo ng$tlvo
(destruiçâo, falso). C( Fedatlo (2015). 12 Concin et al. (20 I 6 | I 98 I l)
.ffitl
MULHERES EM DISCURSO: I\4ULHERES EM DISCURSO:

LUGARES DE ENUNCTAÇ4O E CORPOS EM DISPUTA - VOL. 3 LUCARES ne eNuncnçÃo E coRpos EM DrspurA - vol. 3

sequencialidade que descreve como: articulação por inscr r,,ro , rr r e acesso ao aborto segllro e legal; por igr.raldade
encaixe, e articulação por desencaixe e conjunção. salarial para trabalhos iguais; pela livre sexualidade.
Se mobilizam também contra os muros e fronteiras;

Pareceu-me necessário considerar ao nresr)l() lt'nr;rrr


o encarceramento em massa; o racismo, a islamo-
as condições nas quais um enunciado pork' ( ()ntr'l
fobia e o anti-semitismo; a desapropriação das
terras de comunidades indígenas; a destruição de
outro (suscetível de se liberar dele), e ar;rrt.l.r., rr,r',
ecossistemas e a mudança climática . (Para alént do B
quais dois enunciados podem se corrjugirr p,rr,r
de Março: rumo a uma Internacional Femhista, T man
formar uma sequência enunciativa: é, pois, r oLrr ,u
simultaneamente questões de inserção (o t;rrc lrrtr ,r
20-l 9. Dis ponível em: https://esquerdaonline.com.
b r /20 1 9 I 03 / 07 I m ani fe s to -fe m i n i s ta - i n te rn a ci o n a l/.
em quê?), de desencaixe (o que sai e se {lcslirr.r '1 r'
Acesso em 24 maio 202.1).
de conjr.rnção (há algo que regula a compatilrilirl,rrll
dos "conjugados"?). (PÊCHEUX,2016 [198 ] l, p, .,.'i')
Anticapitalista, feminista, antirracista e abolicionista,
Davis diz que suas "rubricas" são muitas e incluem a
Para desenvolver nossa análise vamos nos conceulrirr rr, militância antiguerra e antimilitarização, a luta pelos
funcionamento da coordenação, ou seja, em como os enurrt'i,rrlo', direitos das pessoas LGBT e das pessoas com defici-
(ou partes deles) podem se conjugar para formar uma sr'(lu('n ências, além do ativismo ambiental, "especialmente
cia discursiva. No corpus que nos ocupa, a definição (los novo,, importante diante da crise da Amazônia". Para ela,
não existe bandeira mais importante que outra por-
feminismos se materializa nas formulações na forma rlc lorr1i,r.,
que todas se relacionam, numa interseccionalidade
enumerações, em que elementos diferentes se conjug;rnr ;ror que precisa ser reconhecida. "Não posso participar
coordenação explícita ou por justaposição. Vejamos Llr.lr t'('( ottt' efetivamente de um movimento contra o racismo sem
organizar sua dimensão heteropatriarcal, sefir leco-
Estou muito preocupada que a reação a lrrl,r rl.r., nhecer que o capitalismo teve um papel importante
mulheres por mais autonomia, maiol t'orrlr,lr' em estruturá-lo e sem observar o impacto da colo-
sobre nossas próprias vidas, em defesa rl;rs rrr,rl,r.,, nização sobre os povos originários", disse. (MENA,
das ágr.ras, dos campos, contra a l'nincraqrro ,' ,r Fernanda. FOLHAPRESS, 2.1 out. 201 9. Disponível em:
extração de recursos naturais seja de novo o rclor https:/Ánr,vw.acidadeon.comAlOI0,0, 1 457892,lcone-
no à caça às bruxas. (Silvia Federici eul ('lltr('vr1t'r da-contracultura-Angela-Davis-diz-nao-gostar-de-ser-
à #4í|-Quatro cinco wn,25 set. 2019. Disporrivcl nrr icone.aspx. Acesso em 24 maio 2021).
htt ps ://wr,vw. qu a tro ci n c o u m. c o m. b r /b r'lc r r I r t' v r,, I, r,'

ciencias-sociais/caca-as-brtrxas-aj r.rcla-a-t' rr t r, r rr I r, r "Eu não posso ser uma n-rilitante antirracista sem
aumento-de-feminicidios-d iz-s i lvia-ferl c' r'i ci. Ar r'.,',, r pensar na climensão heteropatriarcal do racismo.
em:24 maio 2021). Eu não posso ser feminista sem reconhecer o
papel que o capitalismo e o racismo tiveram em
Pelo terceiro ano consecutivo urrrlhclcs (' l)('\\r.r', moldar o patriarcado", completou. (Entrevista com
qlleer poÍ todo o mundo cstão sc nrobilrz.rrrrl,, Ârrgela Davis, HtfJPost,2l out. 2019. Disponível
contra os feutitticíclios c tocla Íillnra rlt' violt'rrr r,r c ur : Ir t t ps ://a patri ci a ga lva o. o rg. b r/d e sta q ues/
gc nc i a

dc gôttct'o; pcla atttorlctclrttin:rçao tlt' scrrs ( ()rl)o,, a rrgc l;r-tlirvis-<1u a ttrlo -;t s-rtt u lltc res-ncgt'as-fo re t.n-
I I NlrN( lA(,40 I ( ()lil,(,\ I t\ E lll(,Alil\ lll lNlrllr l/\r/\r rl rol'l'( l', llvl l)l"l'lllA- V{}l . í

Íi nrt lrut' Itl t'-livlt's-o-nttttt<l«r-sc t'lt-l ivlr'/. Âr r",',o c r r r livrc st'xtutlitllrtlr', 1rtl.r .trtlotlt'tt't lttittit<,lto <lc sctts ('ol'l)os ('il('('sso
24 trtaio 2019). ao altot't«r s('ll(lt() t'k'g,rl; pt'lo tolttttllc tla tcrra.

Pela operação cle coordenaçào por justaposiçiro s.r() prorlrr Pêcheux aÍlrttra (lue a problemática cla coorcletlaçao tlos
zidas longas enumerações cle cleterminações ort prt'tlrtrl(,o{'i enLrnciados oll de cláusulas no interior de constrllçÔes lloll)i-
pelas quais as formulações feministas contonraur ;1 ('r)nIr,trlrr,,rl nais ou predicativas é um problema-limite para o pel)sitlllellto ('
e o equívoco dos processos de identificação clue intt'rv('nr n,r clescrição gramatical, porque faz intervir um elemento cxtcrior,
interpelação feminista, visando à constituição clc, urrr ;rlrrrt,;.rrll interdiscursivo, que tem aver com o funcionamento cla icleologia.
sujeito coletivo pluralí3. Vamos nos deter no funcionan)cnto tlcr.,,rr Tiata-se justamente do efeito do interdiscurso sobre a silltax(',
enumerações, que interpretamos discursivamente a p;rrlrr rlo agindo como "cola interdiscursiva" que organiza o fio clo cliscttrso;
processo discursivo que Michel Pêcheux denominou "cst'r'it,r por como afirma o autor, "é necessário que do exterior cla granr:lLic:r
desligação"; para isso reunimos a seguir algumas (las rlivt'r..,r., interviesse um saber que constittli (na forma de enunciaclos tlc
enumerações que encontramos dispersas no corpís e' rlrrt' rlt.lt evidência, aforismos, provérbios, etc.) uma espéci e cl e cli sllos i t ivtr
nem nos textos as ações (na forma predicações) e os:rtlilrulo,, cle articulação cle enLrnciados" (PÊCHEUX ,2076 [198I l, p. 2.] I ).
(na forma de determinações) dos novos feminismos. Pêcheux insiste nesse ponto, em que "parece que o clttc'rcgtt/rt;t
própria possibilidade de colocar em sequência são apen.ls;ttr;tlo-
1 . anticapitalista, antirracista, anti-imperialista, anti-LGB'l'Íolrr,r gias, compatibilidades e implicações vagas demais para atttot iz:tt
ecossocialista, internacionalista; uma interpretação sintática; é nesse ponto qLle as cotrtliçocs tlt'
colinearidade dos enunciados parecem escapar da grarniit it'it" (op.
2. anticolonial, antirracista e anticapitalista;
cit.: p. 232). Apartir dessas considerações e com base Ila olrt'it tlt'
3. a luta das mulheres por mais autonomia, maior controk' so .JamesJoyce, o autor propõe pensar em uma escrita por clcsli.qpçurt '
bre nossas próprias vidas, em defesa das matas, das águas, rlor que ele caracteriza como "feita de enunciados justalrt)stos its
campos, contra a mineração e a extração de recursos natrrr';ris, conexões implícitas, de frases nominais, de frases interrorlrpitl:ts
ou parcialmente apagadas, de acúmulos e de enumeraçÔes gr«r-
4. contra os feminicídios e toda forma de violência de gônt'ro; tescas em que pululam os'conjuntos mal reunidos"'(op. cit.:1r.
contra os muros e fronteiras; o encarceramento em massa; ()
234). Um tipo de escrita que não poderia ser formulacla cle otttr<r
racismo, a islamofobia e o antissemitismo; a desapropriação tlirr
modo, porque a forma aí é indiscernível do conteúdo; tratil-sc,
terras de comunidacles indígenas; a destruição de ecossistcrrrirs
e a mudança climática; contra a mineração, contra a extraçao conforme aponta o autor, de uma série de deslocamentos c tlt'
petroleira, contra o agronegócio e contra a monocultura e contt,r apagamentos que afetam o ponto de enunciação e sinalizalll l)iu'il
toda a porcaria que estão usando na comida; a escrita de um s{eito dividido.

Assim, as longas enumerações que aparecem de forttta tt'-


5. pela autodeterminação de seus corpos e acesso ao abor(o
seguro e legal; por igualdade salarial para trabalhos iguais; pcl.r corrente no corpus podem ser interpretadas como efeito clc ttttt;t
escritalfala por desligaçãot a sintaxe desajeitada materializa rt:r
l3 A designação "sujeito coletivo plural" aparece formulada por Silvia Federici crn rrrrrrr rlrr,
entrevistas realizadas durante sua última visita ao Brasil em 20I9. enunciação o movimento provisório e ainda não estabilizaclrt <lt'

454 455
LUoARBS Dt ENUNCTÂÇ4O E C0ep0§ tM atspur,4 . vü1, 3 LU6ÂRB3 Dl It{tsl€t@lg I c0tr0É EM Dl§FUrÀ'vcrL' r

um sujeito clividiclo às voltas com o real histórico que clem reverhernr, em um só movimento' tanto a luta contra
corpos
uma tomada de posição na luta icleológica. A sintaxe não clá eontg clisciplinas naturalizadas na colonização dos
quanto
de organizar os sentidos que escapam ao sujeito, afetaclo pOh e na clefinição cle §eus pretensos lugares
contra macroestruturas de espoliação do trabalho'
dispersão contraditória de elementos no interdiscurso. coqjunt0l
São sublevações que operam transversalmente'
malreunidos de palavras, enunciados e sujeitos que respondllB colocanclo em questão, de forma não hierárquica'
à urgência histórica de lutar e resistir. Uma enunciação prodtF todos os níveis das estruturas de reprodução da
zida no fogo da luta ideológica e da prática teórica, incenclhdl, vida social. (SAF'{ILE, Uma revolução molecular
assombra a Àmérica Latina, EL PAíS - Opinião'
19
pelos esforços de militância política e teorização engajada,
merações que amalgamam na sequência dos enunciados maio 2021. Disponível em: https://brasil'elpais'
com/opiniao/2021-05-19/uma-revolucao-molecular.
arranjos possíveis entre posições políticas e movimento
clissipacla.html' Acesso em:24 maio 2021)'
entre sujeitos diversos e demandas específicas, numa
de produzir laço e identificações convergentes que possam ã! Os movimentos feministas e as marchas de mulheres
repre-
campar uma prática de emancipação. Na
sentam uma dessas insurreições que operam transversalmente.
que nomeiam de
EFE|TOS DA STNTAXE NA ENUNCIAÇÃO DA RESTSTÊruCI* materialidacle discursiva clas longas enumerações
de identifi-
maneira recorrente e heterogênea os novos coletivos
Em uma coluna jornalística publicada recentemente, Vladtmlü
caçãoqueinterpelamparaalutafeministaháumrealqueinsiste
físico e social'
e resiste, que faz corpo e põe o corpo, simbólico'
Safatle analisa as diversas insurreições acontecidas em social,
que produz ressonância e atrito na circulação do discurso
Latina na segunda década do séc. XXI e as interpreta como de
na distribuição dos pocleres cle estado e na divisão desigual
revolução molecular" em curso. formação social'
lugares e espaços de legitimação e ação na nossa

AAmérica Latina, ou ao menos uma parte substofi& A escritalfola por se apresenta assim como um
destigação
que não são
va do continente, está a passar por um conjunto dO sintoma na ordem simbólica do real dos corpos,
categoria
levantes populares cuja força vem de articulaçüll homogêneos nem podem ser totalizados em uma
inéditas entre recusa radical da ordem econômiG1 fazeres
que re-duziria o inteligível a um conceito universal. Há
neoliberal, sublevações que tensionam, ao megnl6 ea
tempo, todos os níveis de violência que compõeÍll e agires, que na contradição, lutam contra o silenciamento
laços
nosso tecido social e modelos de organização ilh invisibilidade impostas historicamente, e lutam produzindo
surrecional de larga extensão. As imagens de lutfl eafetosnadiferençaediversidade.Modosdeconstruçãodeum
na linha de frente
contra a reforma tributária que tem à frente sujeitOf agir político e coletivo que conseguiu se colocar
contra
trans em afirmação de sua dignidade social ou dc" dos protestos contemporâneos, articulando a denúncia
sempregados a fazer barricadas juntamente com fÊ. modos atuais
u, piá,i.., neoliberais a uma crítica renovada dos
ministas explicam bem o que "revolução molecularH determinar,
de diüsão sexual do trabalho .Nomear, definit enumerar,
significa nesse contexto. Ela significa que estamoa por efeito da
diante de insurreições não centralizadas em umg predicar:jogos da língua e na língua que permitem'
a emergêncià de lugares de enunciação a
partir dos quais
linha de comando e que criam situações que podem ,intr*.,

457
4s6
lE
MULHERES EM DISCURSO: MULHERES EM DISCURSO:
LUCARES DE ENUNCTAÇÃO E CORPOS EM DrSpLrIA - VOL. 3 LUGARES os eruuNcrnçÃo E coRpos EM DISpurA - vol. 3

se produzem as identificações (de gênero, raça, classe, sexualida- GARCIA, Dantielli Assumpção. Sexisme et féminisation de la langue:
de) que constituem os sujeitos do discurso.Ti'apacear a línguata, un processus de manuélisation. Linguagem em (Dis)curso, 1B(3), p.
pela força disruptiva do acontecimento discursivo, que produz 47 1 -484, 20.l 8. DO I : https ://d o i.o rgl 1 0.1 590/ 1 982-401 7 -1 80302-1 1117.

Acesso em:
equívoco nos pontos de deriva que atravessam os enunciados.
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