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PRODKAO E CRESCIMENTO

Quando viajamos através do mundo, vemos tremendas variacoes nos padroes de


vida. A pessoa media de urn pais rico, como os Estados Unidos, o Japao ou a
Alemanha, tern uma renda mais de dez vezes major do que a da pessoa media em
urn pais pobre como a tndia, a Indonesia ou a Nigeria. Essas grandes diferencas de
renda se refletem em grandes disparidades na qualidade de vida. Os Raises mais
ricos tern mais carros, mais telefones, mais televisores, melhor nutricao, moradia
mais seg-ura, melhor atendimento de saUde e major expectativa de vida.
Mesmo dentro de urn so pais, ha grandes variacoes no padrao de vida ao longo
do tempo. Nos Estados Unidos, durante o seculo passado, a renda media medida
pelo PIB real per capita aumentou cerca de 2% ao ano. Embora 2% possam parecer
pouco, essa taxa de crescimento significa que a renda media dobra a cada 35 anos.
Por causa desse crescimento, a renda media de hoje é cerca de oito vezes major do
que a renda media de um sec-ulo atras. Corn isso, o norte-americano tipico desfru-
ta de major prosperidade economica do que seus pais, avos ou bisavos desfrutaram.
As taxas de crescimento variam substancialmente de pais para pais. Em alguns
paises do Leste Asiatico, como Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan, a renda media
tern aumentado cerca de 7% ao ano nas Ultimas decadas. A essa taxa, a renda
media dobra a cada dez anos. Esses paises, no espaco de uma geracao, deixaram de
fig,urar entre os mais pobres do mundo e passaram a se encontrar entre os mais
538 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

ricos. Por outro lado, em alg-uns paises da Africa, como o Chade, a EtiOpia e a
Nigeria, a renda media encontra-se estagnada há muitos anos.
essas difereny-is? garantir a manu-
t odeseus elevados .padrOes de vida? •uais oliticas os aises mais pobres
devem adotar -p_ara_piomover crescimento mais rápo, a fim de ing,re- ssar no
mundo desenvol_y ? Essa es esto entre as maisim ortantes da macroe-
conomia Como declarou o economista Robert Lucas, "As conseqiiencias para o
bem-estar humano em questOes como estas s"a'o simplesmente inacreditveis:
Quando se comea a pensar nelas, e difícil pensar em qualquer outra coisa".
Nos dois últimos capitulos, vimos como os economistas medem as quantidades
e pre9p s do ponto de vista macroeconOmico. Neste capitulo, comearemos a estu-
dar as foras que determinam essas varffiTeis. Como vimos, o produto intemo bruto
(PIB) de um pais mede tanto a renda total auferida na economia quanto o gasto
total em bens e servi.93s nessa economia. 0 nivel do PIB real é uma boa me.dida da
prosperidade econOmica, e o crescimento do PIB real e uma boa medida do_ pro-
a
resso econOmico. A ui, vamos nos concentrar nos determinantes de lon a o ->razo
do nivel e do crescimento do PIB real. Mais adiante, estudaremos as flutugOes de
curto prazo do PIB real em torno de sua tendencia de longo prazo.
Prosseguiremos em tres etapas. Primeiro, examinaremos dados internacionais
sobre o PIB real per capita. Esses dados nos dar - o uma ideia do quanto o nivel e o
( n, creseimento dos padrOes de vida variam em torno do mundo. Segundo, examina-
n*')'s%
remos o papel da produtividade — a quantidade de bens e servios F)roduzida por
cada hora de trabalho. Mais especificamente, veremos que o padro de vida de uma
I 4) na(;:a-o e determinado pela produtividade de seus trabalhadores e examinaremos os
-
fatores que determinam a produtividade cle uma ng a"o. Terceiro, examinaremos a
_\ • ligaio entre a produtividade e as politicas econOmicas adotadas por uma nação.
V

CRESCIMENTO ECONMiCO AO REDOR DO MUNDO


Como ponto de partida para nosso estudo do crescimento no longo prazo, vamos
verificar as experiencias de algumas das economias do mundo. A Tabela 1 mostra
dados sobre o PIB real per capita em 13 paises. Para cada pais, os dados abrangem
cerca de um seculo de histOria. A primeira e a seg-unda colunas da tabela apresen-
tam os paises e os periodos de tempo (os periodos de tempo diferem um pouco de
pais para pais por causa de diferenyis quanto à disponibilidade de dados). A ter-
ceira e a quarta colunas mostram estimativas de PIB real per capita há cerca de um
seculo e em um ano recente.
Os dados sobre o PIB real per capita mostram que os padrOes de vida variam
consideravelmente de pais para pais. A renda per capita nos Estados Unidos, por
exemplo, e cerca de nove vezes a da China e de 14 vezes a da India. Os paises mais
pobres tem niveis de renda media que há muitas decadas não s'a- o vistos no mundo
desenvolvido. 0 cidaffio chines tipico tinha, em 2000, renda real aproximadamen-
te semelhante à do cidado tipico da Inglaterra em 1870. Um cidafflo paquistanes
tipico tinha, em 2000, cerca de metade da renda real de um norte-americano tipi-
co de um seculo atths.
A últirna coluna da tabela mostra a taxa de crescimento de cada pais. A taxa de
crescin-iento mede a velocidade com que o PIB real aTcity_p_itg cresceu emumao
Nos Estados Unidos, por exemplo, o PIB real per capita foi de $ 3.347, em
1870, e de $ 34.260, em 2000. A taxa de crescimento foi de 1,81% ao ano. Isso sig-
nifica que, se o PIB real per capita, partindo de $ 3.347, aumentasse 1,81°/0 ao ano
durante 130 anos, acabaria em $ 34.260. E- claro que o PIB real per capita não aumen-
tou exatamente 1,81% em todos os anos: em alguns anos, aumentou mais e, em
CAPITULO 25 PRODUcA0 E CRESCIMENTO 539

TABELA 1

Pais Period° PIB real per PIB real Taxa de


capita no inicio per capita no fim crescimento As Variedades de
do periodo* do periodo* (por ano) Experiencias de Crescimento
Japao 1890-2000 $ 1.2561.1640 $ 26.460 '0()c 2,81% Fonte: Robert J. Barro e Xavier
Brasil 1900-2000 650 7.320 2,45 Sala-i-Martin, Economic growth.
Mexico 1900-2000 968 8.810 2,23 Nova York: McGraw-Hill, 1995,
Canada 1870-2000 .984 tabelas 10.2 e 10.3; World
27.330 2,04 Development Report 2002,
Alemanha 1870-2000 .825 25.010 2,03 Tabela 1; e calculos do autor.
China 1900-2000 598 3.940 1,90
Argentina 1900-2000 .915 12.090 1,86
Estados Unidos 1870-2000 3.347 34.260 1,81
India 1900-2000 564 2.390 1,45
Indonesia 1900-2000 743 2.840 1,35
Reino Unido 1870-2000 4.107 23.550 1,35
Paquistao 1900-2000 616 1.960 1,16
U 16
Bangladesh 1900-2000 520 1.650
1
* PIB real medido em Mares americanos de 2000.
? rf\E E A %)et-toc-IDP, G c qt..K o ?1c3
9....E1 c3EV.C-AC:111-,', QIZE5C.E.0 Ely\

rPiaUcs,U
outros, aumentou menos. A taxa de crescimento de 1,81% ao ano desconsidera as 40 Ida,
flutuacLes de curto prazo_gm tomb da tendencia de long° prazo e re resenta uma
(1,1-6)01\).i titA) W
taxa media de crescimento do PIB real per capita no decorrer de muitos anos.
Os liaises da Tabela 1 estao ordenados segundo a taxa de crescimento, da major
para a menor. 0 Japao encabeca a lista, corn uma taxa de crescimento de 2,81% ao
ano. Cern anos atras, o Japao nao era urn pais rico. A renda media do Japao era
pouco major que a do Mexico e estava bem atras da renda media da Argentina. ,APCAAA (rtle hrAC41
Colocando de uma outra maneira, a renda do Japao em 1890 era inferior a da india
em 2000. Mas, por causa de seu crescimento espetacular, o japao é hoje uma
superpotencia econornica, corn renda media apenas urn pouco menor que a dos
Estados Unidos. Os tiltimos da lista sao Bangladesh e Paquistao, que tiveram cres-
cimento de somente 1,16°/0 ao ano durante o Ultimo seculo. Como resultado, o
morador tipico desses 'Daises continua a viver na maior pobreza.
Por causa dessas diferentes taxas de crescimento, a classificacao dos paises em
termos de renda muda substancialmente ao longo do tempo. Como vimos, o Japao
é urn pais que cresceu ern relacao aos outros. Urn que perdeu posicao na classifi-
cacao é o Reino Unido. Em 1870, o Reino Unido era o pais mais rico do mundo,
corn renda media cerca de 20°/0 maior do que a dos Estados Unidos e mais que
duas vezes major do que a do Canada. Hoje, a renda media do Reino Unido esta
abaixo da encontrada nessas suas duas antigas colonias.
Esses dados mostram que os paises mais ricos do mundo nao tern garantia de
que continuarao sendo os mais ricos e que os maispobres nao estao condenados
a permanecer na pobreza sara sem ore. Mas o sue explica essas mudancas ao longo
do tempo? Por que alguns paises avancam rapidamente, enquanto outros ficam
para tras? Sao ex er ntas que abordaremos em seguida.
540 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

avik e rik tinha como telefonar a seus parentes e amigos. Se ficas-


se doente, não poderia se beneficiar de muitos rernlios, como os
antibi6ticos, que os rn&licos hoje usam rotineiramente para prolon-
gar e melhorar a vida.
Agora pense:iQuanto teriam de Ihe pagar para que você abris-
SAIBA MAIS SOBRE... se mk, pelo resto da vida, de todos os confortos modernos que
Rockefeller desconhecia? Você o faria por $ 200 bilh6es? Talvez nk.
E se não o fizesse, seria correto dizer que você está em melhor
vocË É MAIS RICO DO QUE 0 NORTE- situack do que John D. Rockefeller, considerado o norte-americano
AMERICANO MAIS RICO? mais rico de todos os tempos?
0 ca itulo anterior discutiu como os indices de reco padrk,
A revista American Heritage publicou, em outubro de 1998, uma usac aa=ai etbas de diferentes épocas,
lista dos norte-americanos mais ricos de todos os tempos. 0 primei-
conse plenamente a introduck de novos bens na eco-
ro lugar coube a John D. Rockefeller, o empres o do petr6leo que ,
nomia. Como resultado, a taxa deinflack
viveu de 1839 a 1937. De acordo com os dlculos da
restimada. 0 outro lado dessa moeda é iue a taxa
revista, sua fortuna equivaleria hoje a $ 200 bilh6es, mais
e crescimento econ6mico real é subestimada.
de duas vezes a de Bill Gates, o empreendedor do soft-
Pensar na vida de Rockefeller mostra como esse
ware que é o americano mais rico de hoje.
problema pode ser significativo. Por causa dos tre-
Apesar de sua grande fortuna, Rockefeller n'k desfru- -
rnendos avancos da tecnolo ia, o norte-american6
tava de muitos dos confortos a que estamos habituados.
mklio de hoie pode ser considerado "mais rico"
Ele não podia assistir à TV, jogar videogames, navegar pela
clogue_cLaarte:americano mais rico há cem anos,
Internet ou enviar e-mails. No calor intenso do verk, ele
:muito embora essefatoestejap as atis:
rik podia refrescar sua casa com ar-condicionado. Por John D. Rockefeller
- ticas econ6micas comuns.
grande parte de sua vida, n k podia viajar de carro ou de

Teste R4ido Qual a taxa aproximada de crescimento do PIB real per capita nos Estados Unidos? Indique
um pais com crescimento mais rkido e outro com crescimento mais lento.

PRODUTIV1DADE: SEU PAPEL E SEUS DETERMINANTES


Explicar as grandes vições dos padr"Oes de vida por todo o mundo é de certa
forma, muito fácil. Como veremos, a explica oyode ser resumida em uma só pala-
v__La rodutividade. Em outro sentido, contudo, as varig^Oes internacionais s"a"o pro-
fundamente complicadas. Para explicar por que as rendas s"a"o mais altas em alg,uns
paises do que em outros, precisamos analisar os muitos fatores que determinam a
produtividade de uma na"a-o.

Por Que a Produtividade É Tão Importante


Vamos comear nosso estudo da produtividade e do crescimento econ mico desen-
volvendo um modelo simples baseado no famoso romance Robinson Cruso£'?, de
Daniel Defoe. Como voc"e pode recordar, Robinson Crusoe é um marinheiro que
naufragou e está preso em uma ilha deserta. Como vive sO, Crusoe pesca seu prO-
prio peixe, cultiva seus legumes e faz suas prOprias roupas. Podemos pensar nas ati-
.
vidades dele — sua producfa o e seu consumo de peixes, legumes e roupas — como
sendo uma economia simples. Examinando a economia de Crusoe, podemos apren-
der alg-,umas coisas que tambem se aplicam a economias mais complexas e realistas.
CAPITULO 25 PROMO° E CRESCIMENTO 541

O que determina o padrao de vida de Crusoe? A resposta é obvia: se ele for


habil cm pescar, cultivar legumes e fazer roupas, vivera bem. Se nao tiver compe-
tencia para realizar essas atividades, vivera mal. Como ele so pocle consun-iir o
Iroduz, seu adrao de vida esta li ado a sua ca.—aCTE—ala ro
O termp produtividade se refere Lqusult..c lialle de bens e servicos que urn tra-.
balhador o • • • • cada hora de trabalho: No caso da economia de a quantidade de bens e
Crusoe, é facil perceber que_lprodutividade é o determinantc-chave do -)adrao de _servicos produzida em_cada
vida e que o crescimento da produtividade é o determinante-chave do crescimen- hora de trabalho de urn
to do 1.-)adrao de vida. Quanto mais peixes Crusoe puder pescar por hora, mais trabalhador
podera corner ao jantar. Se ele encontrar urn lugar melhor para pescar, sua produ-
tividade aumentara. 0 aumento da produtividade o deixara em melhor situacao:
ele pode corner mais peixe ou despender menos tempo pescando e dedicar mais
tempo a producao de outros bens que deseje.
O papel-chave da produtividade na determinacao dos padraes de vida é tao
verdadeiro para as nacoes quanto para os marinheiros presos em uma ilha.
Lembre-se de gue o lroduto intern° bruto (FIB) de urn pais mede duas coisas ao
mesmo tempo: a renda total auferic iap_oIcA
r as as pessoas da economia e a despe-
sa total corn os bens e servicos produzidos na economia. A razao -)elaqua! o PIB
capaz de medir duas coisas simultaneamente ue, para a economia como urn
todo, elas precisam ser iguais. Dito de maneira mais simples, a renda de uma eco-
nomia é ig-u_ala_Rroc
iao iaecoaomia.
c
Da mesma forma que Crusoe, uma . de vida
_
elevado se uder roduzir uma o-rande uantidade de bens e seivi -Os. Os america-
nos vivem melhor do que os nigerianos 1.-)orque os trabalhadores americanos sao
mais produtivos do que os trabalhadores nigerianos. Os japoneses desfrutaram de
urn crescimento mais rEipido de seu padrao de vida do que os argentinos porque a
produtividade dos trabalhadores japoneses cresceu mais rapiclamente. De fato, urn
dos Dez PrincOos de Economia do, Capitulo 1_6 o de tcueopac h-ao vidkde um
pais de ende cidade de_42Loduzir bens e serv
icos_._
Assim, -)ara entender as grandes diferencas entre os padraes de vida que obser-
vamos em diversos paises, ou em diferente r
—r Mas perceber a ligacao entre padraes de vida e pro-
e servicos.
dutividade é apenas o primeiro passo. E nos leva naturalmente a proxima perg,un-
ta: For que alg-umas economias sao tao melhores do que outras na producao de
bens e servicos?

Como a Produtividade E Determinada

Embora a produtividade tenha uma importancia singular para determinar o padrao


de vida de Robinson Crusoe, sao muitos os fatores que a deterrninam. Crusoe pes-
card melhor, por exemplo, se tiver mais varas de pesca, se tiver sido treinado nas
melhores tecnicas de pesca, se sua ilha tiver uma oferta abundante de peixes e se
ele inventar uma isca de pesca melhor. Cada urn desses determinantes da produti-
vidade de Crusoe — que podemos chamar de (-2E/1E1f/sic°, capital human°, recursos
paturais e conhecimento tecno16 rico — tem sua contraparte em economias mais corn-
plexas e realistas.Vamos considerar cada um desses fatores.
• Capital Fisico Os trabalhadores sao mais produtivos se dispaem de ferramentas capital fisi co
_
para trabalhar. 0 estoque de equi lamentos e estruturas usado para. produzir bens o esto ue de equipamento e
, .
e servicos chamado d • • ou, simplesmente, capital. Por exemplo, _estruturas usado paiia_z_oc
luziL
quando os marceneiros fabricam moveis, usam serrotes, tornos e brocas de perfu- bens e servicos
542 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

rar. Uma quantidade maior de ferramentas permite que o trabalho seja realizado
com maior rapidez e precisk). Ou seja, um trabalhador que tenha apenas ferra-
mentas manuais 13sicas fahricará menos mOveis por semana do que outro que
tenha equipamento de marcenaria sofisticado e especializado.
Como vimos no Capitulo 2, os insumos usados para produzir bens e serviQc)s —
trabalho, capital etc. — são chamados de fi1tores de i_g roduffio. Uma caracteristica
importante do capital e ser um fator de produ o produzido. Ou seja, o capital e um
insumo do rocesso rodutivo ue foi, no passado, o -)roduto de outro i_-)rocesso
-
0 marceneiro usa um torno para azer a perna de uma mesa. Antes
r oc
p_it_Iti
disso, o prOprio torno foi produk) de uma empresa que fabrica tornos. 0 fabrican-
te de tornos, por sua vez, usou outro equipamento para fazer seu produto. Assim,
o capital é um fator cle produ o usado 1.-)ara produzir todos os tipos de bens e ser-
vicos, incluindo mais capital.
• Capital Humano Um segundo determinante da produtividade é o capital
\tcapital humano humano. 0 capital humano e o termo utilizad lesipar o
o conhecimento e as, conhecin e as os trabJhadores_aç irern por meio de educa-
habilidades que os_. 0 capital humano inclui as habilidades adquiridas
trabalhadores adquirem por nos programas de primeira inffincia, no ensino fundamental e medio, na universi-
..
meto da educaca-o,
dade e no treinamento no emprego para trabalhadores adultos.
Embora educKk), treinamento e experi'encia sejam menos tangi:veis do que tor-
reinamento e experkicia
nos, escavadeiras e predios, o capital humano e semelhante ao capital ffsico em
muitos aspectos. Assim como o capital fisico, o capital hun-iano aumenta a
da naç ra a roduço de bens e serviços. Darnesma forrna qie o capital_

I
fis_Lojosa.pltaLimano e um fator de produ o produzido. Produzir capital huma-
no exige insumos sob a forma de professores, bibliotecas e tempo dos estudantes.
De fato, os estudantes podem ser vistos como "trabalhadores"que t'ern a importan-
te tarefa de produzir o capital humano que sera usado na produ o futura.
-
recursos naturais_ • Recursos Naturais Um terceiro determinante da produtividade s a'o os_recursos
os insumos ara a produck naturals. Recursos naturais sk) os insumos proporcionados ela
de bens e servicos due terra • de ó s minerais. 0 sos naturais se a resentam sob duas for;_-
mas: re_pc _21_74yeise nk)-renowlveis. Uma floresta é um exemplo d Ei natura1
fornecidos pela natureza,
renovvel. Quando uma th-vore é dernibada, uma muda pode ser plantada em seu
como terra, rios e dep6sitos -
lugar para ser utilizada no futuro. 0 petrOleo e um exemplo de recurso natural n'a o-
minerais
renowivel. Como ele e produzido pela natureza ao longo de milhares de anos, sua
oferta é limitada. Uma vez esgotadas as reservas de petrOleo, é impossivel criar mais.
As difereNas quanto a recursos naturais sk) responsveis por alg,umas das dife-
renas entre os paclffies de vida pelo mundo. 0 sucesso histOrico dos Estados
Unidos foi impulsionado, em parte, pela grande oferta de terras adequadas para a
ag,ricultura. Hoje, alguns paises do Oriente Medio, como Kuwait e Ar. bia Saudita,
s a. - o ricos simplesmente porque estio localizados sobre algumas das maiores reser-
vas de petrOleo do mundo.
Embora os recursos naturais sejam importantes, n'. To s'a'o necessrios para que
uma economia seja altamente eficiente na j_-)rodu o de bens e servios. 0 Japk),
.
por exen-iplo, e um dos paises mais ricos do mundo, apesar de ter poucos recursos
naturais. 0 comercio intemacional toma F)ossivel seu sucesso. 0 Jaj_-)k) importa
muitos dos recursos naturais de que necessita, como petrOleo, e exporta bens
conhecin _ manufaturados para economias ricas em recursos naturais.
o conhecimento que a Conhecimento Tecnoi6gico Um quarto determinante da produtividade é o
sociedade tem das melhores conhecimento tecno1gico — conhecer as melhores •• s de roduzir bens e
manelras de produzir bens e seri s.Hó cem anos, a maioria dos norte-americanos trabalhava em fazendas
servicos porque a tecnologia agropecuria exig,ia uma grande quantidade do insumo traba-
CAPITULO 25 PR0DUcii0 E CRESCIMENTO 1543

lho para alimentar toda a populacao. Hoje, g,racas aos avancos da tecnologia agro-
pecuaria, uma pequena fracao da populacao é capaz de produzir alimento suficien-
te para 0 pais talc). Essa mudanca tecnologica disponibilizou ma-o-de-obra para a
produc5o de outros bens e servicos.
0 conhecimento tecnologico assume diversas formas. Algumas tecnologias sdo
de conhecimento comum — depois que alguem as utiliza, todos ficam a par delas.
Por exemplo, depois que Henry Ford introduziu corn exito a producao em linhas de
montagem, outros fabricantes de automoveis rapidamente seguiram seu exemplo.
Outras tecnologias sao proprietarias — sao conhecidas apenas pela empresa que as
descobriu. Por exemplo, apenas a Coca-Cola Company conhece a receita secreta
para produzir seu famoso refrigerante. Outras tecnolog,ias ainda sao proprietarias
por urn curto period() de tempo. Quando uma empresa farmaceutica descobre uma
nova droga, o sistema de patentes lhe confere urn direito temporario de fabricacdo
exclusiva. Mas quando a patente expira, outras empresas podem fabricar a droga.
Todas essas formas de conhecimento tecnolog,ico sac) importantes para a producao
de bens e servicos da economia.
Vale a •ena distinauir entre conhecimento tecnoloaico e ca ital humano.
Embora este-am estreitamente relacionados, ha uma diferenca importante. 0
.conhecime.nto tecnologico se refere ao conhecimento ue a sociedade tern de como
o mundo tunciona. 0 capital human° se refere aos recursos gastos para transmitir
esse conhecimento a forca de trabalho. Fazendo uso de uma metafora relevante, o
conhecimento é a qualidade dos livros-texto da sociedade, enquanto o capital
human° é a quantidade de tempo que a populacao dedica a sua leitura. A produ-
tividade dos trabalhadores depende tanto da qualidade dos livros-texto disponiveis
quanto do tempo despendido estudando-os.

nos constantes de escala, entao a duplicacao de todos os insumos


faz 44aiclade_42nduzida tam1._&Laelliil p FE:a.
Matematicamente, podemos dizer que uma func-jo de producao tern
retornos constantes de escala se, para qualquer valor positivo de x,

SAIBA MAIS SOBRE... xY = A F(xL, xK, xH, xN)

A duplicacao de todos os insumos e representada nessa equa-


A FUNcii0 DE PRODUcil0 cao por x = 2. 0 lado direito mostra a duplicacao dos insumos, e o
lado esquerdo mostra a duplicacao da producao.
Os economistas usam uma funcOo de trot CO ara descrever a
..v? As funcOes de producao corn retornos constantes de escala tra-
celacao entre a quantidade de insumos utilizados na producao e a,
zem uma implicacao interessante. Para ver qual é, facamos x = 1/L.
quantidade de prodtitos obtida. Por exemplo, suponha que Y repre-
Entao, a equacao acima passaria a ser
sente a quantidade produzida, L a quantidade de trabalho, K a quan-
tidade de capital fisico, H a quantidade de capital. humano e N a
Y/L = A F(1, K/L, H/L, N/L)
quantidade de recursos naturals. Entao, poderiamos escrever

Y= A F(L, K, H, N), Observe que Y/L é a producao por trabalhador, que é uma- ,
medida de produtividade. Essa equacao diz que a produtividade
onde F() e uma funcao que mostra como os insumos sao combi-
depende do capital fisico por trabalhador (K/L), do capital humano
naclapara eraroproduto. A e u ta
por trabalhador (H/L) e dos recursos naturals por trabalhador (NIL).
nologia produtiva disponiv ologileakerfei-
coada, A aumenta, de modo que a economia produz mais a partir A produtividade depende ainda do estado da tecnologia, represen-
de qualquer combinacao de insumos dada. tado pela variavel A. Assim, essa equacao proporciona urn resumo
Muitas funcOes de roducaa_temina_pmpriedide chamada de matematico dos quatro determinantes da produtividade que acaba-
retomo constante de escala. Se uma funcao de produçao tern retor- mos de discutir.
544 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

Estudo de Caso
OS RECURSOS NATURAIS Sik0 UMA LIMITACAO AO CRESCIMENTO?
A populaao do mundo e hoje muito maior do que ha um seculo e muitas pessoas
desfrutam de um padrao de vida mais elevado. 1-la um debate constante sobre se
esse crescimento da populgao e dos padres de vida pode continuar no futuro.
Muitos comentaristas tem argumentado que os recursos naturais estabelecem
um limite em relgao a quanto as economias cio mundo podem crescer. A primeira
vista, esse argumento pode parecer difícil de ig,norar. Se o mundo tem uma oferta
fixa de recursos naturais nao-renovaveis, como a populaao, a produ ao e os pa- -

dres de vida podem continuar a crescer ao longo do tempo? Conseqentemente,


os depOsitos de petr(51eo e minerais nao comearao a se esgotar? Quando essas
carencias comearem a surg,ir, nao irao interromper o crescimento econ mico e, tal-
vez, fazer ate com que os padres de vida decaiam?
Apesar do apelo aparente de tais arg,umentos, a maioria dos economistas nao
esta tao preocupada com esses limites ao crescimento quanto se poderia imaginar.
Eles argumentam que o progresso tecnoli3gico freqentemente revela meios para
evitar esses limites. Se compararmos a economia de hoje corn a do passado, vere-
n-los diversas maneiras em que houve uma melhora no uso de recursos naturais.
Os carros modemos sao mais econOmicos. As casas novas tem melhor isolamen-
to termico e precisam de menos energia para aquecimento ou refrigeraao. Equi-
pamentos mais eficientes desperdiam menos petn5leo durante o processo de
extraao. A reciclagem permite que alguns recursos nao-renovaveis sejam reutili-
zados. O desenvolvimento de combustiveis altemativos, como o alcool em vez da
gasolina, nos permite substituir recursos nao-renovaveis por outros renovaveis.
Ha 50 anos, alg,uns conservacionistas estavam preocupados com o uso excessivo
de estanho e cobre. Na epoca, esses metais eram commodities cruciais: o estanho era
usado para fabricar recipientes para alimentos e o cobre era utilizado para fazer
cabos telefnicos. Algumas pessoas defendiam a reciclagem obrigatffla e o raciona-
n-iento do estanho e do cobre, a fin-t de manter a oferta disponivel para as gera95es
futuras. Hoje, contudo, o plastico substituiu o estanho na fabricgao de muitos reci-
pientes de comida e as chamadas telefnicas freqiientemente percorrem cabos de
fibra Optica, que sao feitos a partir da areia. 2_progresso tecno recur-
sos naturais41Ie uciais, menos necessarios.
_Mass_eth4u.e._tados esses esforos sao suficientes para 422L-mitir o crescimento
econmi ntinuado? U eira de responder a essa questk é olharjara os
pre_552.5_du.s...recursos naturais m uma _econ omia de mercado, a escassez se refiete
nos precos de_mercado. Se o mundo estivesse fica - ndo sem recursos naturais,_ entk_
s preos de mau
o o osto est: • • • . a • a_yerciade. Os ços da maioria dos recursos naturais
(corri estao estáveisou Parece que nossa capa_ cidade_
depreservar esses recursos está ciesç ndoj-naisrpidançntedo
caindo. Os prey:ps de mercado na o nos d'ao qualquer motivo para acreditar que os
-

recursos naturais sejam uma limitgao ao crescimento econ(imico. @

Teste R4ido Liste e descreva quatro determinantes da produtividade de um pais.


NNL
(\f\ l
C- 0 NJ !.\ V`VeX\)\-'0' C NOLO
\
(; ) S --5 0 L) 1\-3 \\-) P,S\ (`)
CAPITULO 25 PRODUCAO E CRESCIMENTO 545

CRESCIMENTO ECONOMIC° E POLiTICAS POBLICAS


Ate aqui, cieterminamos que o padrao de vida de uma sociedade depende de sua
capacidade de produzir bens e servicos e que sua produtividade depende do capi-
tal fisico, do capital human°, dos recursos naturais e do conhecimento tecnologi-
co.Vamos agora nos voltar para a questao corn que se deparam os formuladores de
politicas de todo o mundo: gue apolItica govemarnentalpode fazerparaaumen-
tar a produtividade e os Eadroes de vida?

A Importancia da Poupanca e do Investimento


Como o capital 6 urn fator de produced° produzido, uma sociedade pode alterar a
quantidade de capital de que dispoe. Se hoje a economia produz uma g,rande
quantidade de novos bens de capital, amanha ela tere urn major estoque de capi-
tal e podere produzir mais de todos os tipos de bens e servicos. Portant°, uma
maneira de aumentar a produtividade futura 6 investir mais recursos correntes na
zoducao de capital,
Urn dos Dez Principios de Economia do Capitulo 1 é o de que as pessoas enfren-
tarn tradeoffs. Esse principio é particularmente importante quando consideramos a
acumulacdo de capital. Como os recursos sao escassos dedicar mais recursos a
producao de capital implica dedicar menos recurs_os a producao de bens e servic_o_s_
47c
ara consumo corrente. Ou seja, para que uma sociedade invistamaiserncapita1
ela deve c_onsumir .p ar maisdesua renda corrente. 0 crescimento que
ia...acumulacao de capital ndo 6 aratuito:_ele exige q_ue_a_ sociedade
_ sacrifr-
que o consumo de_b_ens a_s_ervicos_no_p_r_esente_p_ara desfrutar de maior consumo_
no futuro.
No proximo capitulo, examinaremos corn mais detalhes como os mercados
financeiros da economia coordenam a poupanca e o investimento.Tambem exami-
naremos como as politicas governamentais influenciam as quantidades de poupan-
ca e investimento que ocorrem. Nesse ponto, é importante_observar quo incentivar
_._p_OL112/21:1c P o investimento_ uma das maneiras pelas quais o_governo pode esti-
mular o crescimento e, no longo prazo, aun-Leztar_o_pa_drdo de_ vida da economia.
Para entender a importancia do investimento para o crescimento economic°,
examine a Figura 1, que apresenta dados sobre 15 paises. 0 painel (a) mostra a taxa
de crescimento de cada pais em urn period° de 31 anos. Os paises estao ordena-
dos por ordem decrescente da taxa de crescimento. 0 painel (b) mostra o percen-
tual do PIB que cada pais dedica ao investimento. A correlacao entre crescimento
e investimento 6 forte, embora nao seja perfeita. Os paises_gue dedican_ m_maa_a_an-
clepa_rcela de seu PIB a_o_imaatimeats ingapura e Japao, tendem a ter altas
iLescimento. Os que dedicam parcelas peque—nas do FIB aoinvestimento,
como Ruanda e Bangladesh, tendem a ter baixas taxas de crescimento. Os estudos
que examinam uma lista mais abrangente de 'Daises confirmam essa forte correla-
cao entre investimento e crescimento.
He, entretanto, urn problema na interpretacao desses dados. Como vimos no
apendice do Capitulo 2,..aco!_c -rela ao entre duas variaveis nao estabelece qua' delas
6 a cause e ual é o efeito. E possivel quo urn elevado investimento sere urn alto
crescimento, mas tambem ossivel sue urn alto crescimentsLgere_um eleyacio,
investimento. (Ou, talvez, que tanto urn elevado crescimento quanto urn alto in-
vestimento sejam causados por uma terceira variavel que foi omitida da analise.)
Os dados, por si sos, nao nos dizem qual a direcao da causa. Ainda assim, como a
acumulacao de capital afeta a produtividade de maneira clara e direta, muitos eco-
nomistas interpretam esses dados como mostra de que o investimento leva a urn
crescimento econamico mais rapid°.
546 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

FIGURA 1
_

Crescimento e Investimento

0 poinel (a) mostra a taxa de crescimento do P18 per capita de 15 polses no pedodo 1960-1991. 0 painel (b) mostra o percentual do PIB que cada pais
dedicou ao investimento nesse pedodo. A figura mostra que 1-1O uma correlacCio positiva entre investimento e crescimento.
Fonte: Robert Summers e Alan Heston, The Penn World Tables e calculos do autor.

(a) Taxa de Crescimento 1960-1991 (b) Investimento 1960-1991

Cor&a do Sul Coria do Sul


Cingapura Cingapura
Japo Japo
Israel Israel
Canach Canaci,j
Brasil Brasil
Alemanha Ocidental Alemanha Ocidental
Me'xico Wxico 1
Reino Unido Reino Unido
Nig&ia Nigéria
Estados Unidos Estados Unidos 1
kldia frldia
Bangladesh Bangladesh 1
Chile Chile
Ruanda Ruanda
o 2 3 4 5 6 7 0 10 20 30 40
Taxa de Crescimento ( %) Investimento ( % do PI13)

Retornos Decrescentes e o Efeito de Alcance


um 0-ovemo, convencido pelas evidencias da Fig-ura 1, adote eoliticas
-
.que aumentem a taxade pou ana da ng ao — o percentual do PIB destinado à pou-_
pa
225.L_I, a consi_ji we aconteceria? Quando a na o poupa mais, mengs
recursos são necessarios para -)roduzir bens de consumo e ha mais recursos _
nlv_e_i_.sEa_ra__p_roduzLLD _l_cjilpffl_11Como resultado, o estoque de ca ital aumen-
r ens cl(
ta, levando a uma Rrodutividade crescente e a um crescimento do do—f113.
Mas quanto tempo dura essa alta taxa de crescimento? Na hipOtese de que a taxa
<- .) k

de poupaNa permanea nesse novo nivel elevado, a taxa de crescimento do PIB se


mantera elevada indefinidamente ou apenas por um periodo de tempo?
)
A visão tradicional sobre o 13rocesso cie produ o e de que o capital esta sujeito
retornos decrescentes a retornos decrescentes: com o_aumentojc)._e_st c e
a propriedade segundo a qual nal gerado 1.-)or uma unidade adicional de capital cai. Em outras palavras, quando os
o beneficio de uma unidade trabalh ores dispO- t-n-Lde uma grande_quantidade de c ital para utilizar na pro-
äicional de um insumo
duo de bens e _ hes uma unidade adicional de capital aumenta muito
pouco sua produtividade. Por causa dos retornos a
diminui à medida que a
ae poupanp leva a um maior crescimento =d po. kmedida
quantidade do insumo
que a maior taxa depoupança rmite rnaior acumulação de capital, os beneficips
aumenta do capital adicional se tarnanainen do tem_po e o crescimento_
desaselera..No rrgo_l
lo p:aw, uma maior taxa de poupanp leva a um maiornível de_pro:
dutividade erenda, mas ndo..a_um..maior erescinzento dessas varidveis. Ating,ir esse longo
prazo, porem, pode levar bastante tempo. De acordo com estudos de dados inter-
nacionais sobre crescimento econOmico, aumentar a taxa cle poupaNa pode levar a
um crescimento substancialmente mais alto por um periodo de diversas decadas.
CAPITULO 25 PRODUCAO E CRESCIMENTO 547

Os retornos decrescentes ao capital tem outra implicacao importante: corn tudo


o mais permanecendo constante, mais facil para um -)als crescer rapidamente se
ele for relativan obr_e_no inicio sse efeito das condicOes iniciais
sobre o crescimento subseqUente é por vezes chamado de efeito de alcance. Em efeito de alcance
'Daises pobres, faltam aos trabalhadores ate as ferramentas mais rudimentares e, a propriedade pela qual pai-
como resultado, a produtividade é baixa. _Pequenos investimentos _em capital au-,
ses que partem de urn pate-
mentariam substancialmente a produtividade desses trabalhadores. Por outro lado, -- •
mar pobre crescem mais rapi-
adores de paises ricos tem grandes quantidades de capital a sua disposi-
damente do que poises gue
ca-o e isso exalica..e - ta lrodutividade. Mas se a quantidade de capital
por trabalha r iLe tao elevada, investimentos adicionais de capita tenTere Hto rela- pattern de urn patamar rico
tivamente pequeno sobre a prostuthida studos de dados intemacionais sobre
crescimento economic°confirmam
. _ o efeito de alcance: controlando as demais
variaveis, tais cII I Al • centual do PIB oskajse,,s
pobres tendem a creacer ajim ritmo n-1E_I s_r:a2ido do que_ospaises, ricos.
Esse efeito de alcance pode ajudar a explicar alguns dos resultados confusos da
Figura 1. Durante esse period° de 31 anos, os Estados Unidos c a Coreia do Sul
destinaram parcelas semelhantes de PIB ao investimento. Mas os Estados Unidos
tiveram urn crescimento apenas mediocre, de cerca de 2%, enquanto a Coreia apre-
sentou urn crescimento espetacular de mais de 6%. A explicac5o esti no efeito de
alcance. Em 1960, o PIB per capita da Coreia era menos do que urn decimo do nivel
dos Estados Unidos, ern parte porque o investimento anterior tinha sido muito
baixo. Corn urn c)equeno estoque inicial de capital, os beneficios da acumulac:ao de
capital foram muito maiores na Coreia, o que lhe proporcionou uma major taxa
de crescimento subsequente.
0 efeito de alcance surge tambem em outros aspectos da vida. Quando uma
escola concede urn premio no final do ano ao aluno que apresentou "melhor apro-
veitamento", o aluno ag,raciaclo costuma ser alguem que comecou o ano com
desempenho relativamente fraco. Os alunos que comecam o ano sem estudar tern
maior facilidade para melhorar do que os que sempre estudaram muito. Observe
que é born ser o aluno de "melhor aproveitamento", dado o ponto de partida, mas
ainda melhor ser o "melhor aluno". De forma similar, o crescimento economic°
nas ultimas decadas foi muito mais rapid() na Coreia do Sul do que nos Estados
Unidos, mas o PIB per capita ainda é major nos Estados Unidos.

lnvestimento Estrangeiro
Ate aqui, discutimos como as politicos que tern por objetivo aumentar a taxa de
poupanca de um pais podem aumentar o investimento e, corn isso, o crescimento
econOmico de longo prazo. Mas a poupanca dos residentes nao é a tinica maneira
pela qual urn pais pode investir em novo capital. A outra maneira é o investimen-
to estrangeiro.
0 investimento estrangeiro assume varias formas. A Ford Motor Company pode-
ria construir uma fabrica de carros no Mexico. Urn investimento de capital que
possuido e operado por uma entidade estrangeira é chamado de investimento estran-
geiro direto. Altemativamente, um norte-americano poderia comprar acoes de uma
empresa mexicana (ou seja, comprar uma participacao na propriedade da empresa);
a empresa mexicana poderia, entao, usar os recursos obtidos corn a venda de acaes
para construir uma nova fabrica. Urn investimento financiado corn dinheiro estran-
aeiro, or re*lentes, é charnado_de investimento estrangeiro de portfolio.
Nos dois casos, os norte-americanos proporcionam os recursos necessarios para'
aumentar o estoque de capital do Mexico. Ou seja, a poupanca norte-americana esta
sendo usada para financiar investimento mexicano.
Quail& estrangeiros investem em urn pais, eles o fazem porque esperam obter
um retorno sobre seu investimento. A fabrica de carros da Ford aumenta o estoque
548 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

de capital mexicano e, com isso, aumenta a produtividade e o PIB do Mexico. Mas


a Ford leva parte dessa renda adicional de volta aos Estados Unidos, sob a forn-ia
-
de lucros. De forma similar, quando um investidor americano compra g 6es mexi-
canas, tem direito a uma parte do lucro obtido pela empresa mexicana.
Assim, as medidas de prosperidade econ6n-lica — o PIB e o PNB — s" .o afetadas
de forma diferenciada pelo investimento estrangeiro. Lembre-se de que o produto
interno bruto (PIB) é a renda obtida dentro de um pais tanto por residentes quan-
to por n'« o-residentes, enquanto o produto nacional bruto (PNB) e a renda obtida
pelos residentes de um pais tanto dentro do pais quanto no exterior. Quando a
Ford ab sua Qi_parte da renda g_e_rAdaiatpar_a ue n^k)
vivem no Mexico. Como resultado, investimento
o ,eiro no Mexico_aumen.:
ta a renda dos mexicanos bedida ei -615-&- B) _em menor medida_do_que_aunienta_
PIB).-
Ainda assim, o investimento estrangeiro é uma maneira pela qual os paises
podem crescer. Mesmo que parte dos beneficios desse investimento retome ao pro-
prietrio estrangeiro, o investimento aumenta o estoque de capital da economia,
levando a maior produtividade e maiores salários. Alem disso, o investimento
estrangeiro é uma maneira pela qual os paises pobres poden-i aprender tecnolog-ias
avanadas desenvolvidas e usadas por paises mais ricos. Por essas razes, muitos
economistas que assessoram govemos de paises n-ienos desenvolvidos apc5iam
politicas que incentivan-i o investimento estrangeiro. Isso n-luitas vezes sig,nifica

NOTkIAS

PROMOVENDO 0 CAPITAL HUMANO


Gary Becker ganhou o Premio Nobel de Economia em parte por causa de seu trabalho pioneiro sobre o capital humano. Para muitos paises, ele argu-
menta, esta é a chave para o crescimento econO'mico.

Subornar os Pais do Terceiro za, nao na ganancia dos empregadores o resultado de um conflito entre os inte-
estrangeiros e locais. Para combater os efei- resses econ6micos de curto prazo dos pais
Mundo para Que Mantenham
tos da pobreza, as maes pobres devem ser e os interesses econ6micos de longo prazo
Seus Filhos na Escola "subornadas" para manter seus filhos na dos filhos.
Por Gary Becker 0 crescimento econ6mico adequado
escola por mais tempo.
Realmente, as familias pobres do Brasil, sempre elimina o trabalho infantil, mesmo
Muitos norte-americanos bem-intenciona- quando nao ha leis que o proibam. Mas as
do Maxico, do Zaire, da hdia e de muitas
dos, incluindo estudantes universitarios e nac6es pobres nao precisam esperar ata
outras nac6es colocam seus filhos para tra-
organizac6es religiosas, atacaram a Nike Inc. enriquecerem. Ha soluc6es de curto prazo.
balhar porque suas pequenas rendas aju-
e outras empresas acusadas de utilizar mk- dam a comprar alimento e remadios para Muitos paises tam leis que tornam obrigat6-
de-obra infantil em suas fabricas localizadas eles mesmos e para seus irmaos maiS rio o ensino ata os 15 anos de idade, aproxi-
em paises pobres. Concordo que alguma novos. Embora os pais possam reconhecer madamente, mas essas leis sao de
coisa deveria ser feita para salvar as criancas que a escola melhoraria as habilidades de aplicack, principalmente nas areas rurais e
das desanimadoras perspectivas econ6mi- trabalho comerciaveis de seus filhos mais nas zonas pobres das grandes cidades. As
cas de longo prazo. Entretanto, politicas efi- adiante, em suas vidas, eles não podem se familias que querem que seus filhos traba-
cazes precisam reconhecer que a causa fun- dar ao "luxo" de retira-los do mercado de lhem simplesmente deixam de manda-los
damental do trabalho infantil esta na pobre- trabalho. Essencialmente, o trabalho infantil para a escola, ou as criancas apresentam
CAPiTULO 25 PRODUCAO E CRESCIMENTO 549

remover restricoes que esses govemos impuseram anteriormente a propriedacie


estrangeira do capital.
LTma organizacao que procura incentivar o fluxo de capital para os paises
pobres é o Banco Mundial. Essa organiza0o internacional capta recursos dos pal-
ses avancaclos, como os Estados Unidos, e os utiliza para conceder emprestimos a
paises menos desenvolvidos, de forma que eles possam investir em estradas,
saneamento basic°, escolas e outros tipos de capital. E tambem oferece a esses pal-
ses assessoria sobre corn° empregar melhor os recursos. 0 Banco Mundial, junto
corn sua instituicao co-irma, o Fund° Monetario Internacional, foi estabeleciclo
apOs a Segunda Guerra Mundial. Uma HO° aprendida corn a guerra foi a de que
as dificuldades econOmicas muitas vezes levam a turbulencias politicas, tensaes
militares e conflitos intemacionais. Portant°, todos os 'Daises Cern interesse em pro-
mover a prosperidade economica em todo o mundo. 0 Banco Mundial e o Fund°
Monetario Internacional visam ating,ir esse objetivo comum.

Educacao
A educacao — o investimento em capital human° — é pelo menos tao importante
quanto o investimento em capital fisico para o sucesso economic° de longo prazo
de urn pais. Historicamente, nos Estados Unidos, cada ano de estudo eleva o sale-
ri° de uma pessoa em 10°/0, em media. Em paises menos desenvolvidos, onde o

altos indices de absenteismo. As autoridades familias pobres do Mexico ganha apenas reconhecer que o Mexico e muitos outros
relutam em punir os pais das criancas traba- cerca de $ 100 por mes. Urn aumento per- paises subdesenvolvidos costumam gastar
lhadoras, talvez porque reconhecam que o centual tao grande deve ter urn efeito muito corn as universidades e outras insti-
problema nao e egoism°, mas pobreza. perceptive' sobre seu comportamento. tuicbes de ensino dedicadas as elites. A
Proponho um caminho melhor: dar aos As familias pobres de Raises subdesen- redistribuicao de parte desses gastos em
pais urn incentivo financeiro para manter volvidos cujos filhos estudam costumam favor dos pobres reduziria a desigualdade e
seus filhos na escola por mais tempo. As retirar suas filhas da escola quando elas estimularia urn crescimento econOrnico
maes pobres deveriam receber algo se as ficam adolescentes. lsso tende a perpetuar mais rapido. Uma educacao basica generali-
escolas atestassem que seus filhos frequen- desigualdades econornicas, ja que os filhos zada e mais eficaz na promocao do desen-
tarn regularmente as aulas. Os pais deve- de mulheres que receberam pouca educa- volvimento econOrnico do que subsidios
ria m ser fortemente motivados a mandar cao tendem tambem a ter educacao ruim. generosos para os estudantes mais ricos
seus filhos para a escola — mesmo quando 0 Progresa procura combater essa tenden- que frequentam a universidade.
as criancas nao quiserem ir —, se esses cia ao favorecimento da educacao dos filhos Os criticos da mao-de-obra infantil gasta-
pagamentos nao forem muito menores do homens mais velhos pagando urn pouco riam melhor seu tempo se atacassem nao as
que aquilo que as criancas ganhariam traba- mais as familias que mantem suas filhas politicas de emprego estrangeiro das multi-
lhando. A maioria dos pais pobres contribui- adolescentes matriculadas. nacionais, mas as politicas sociais dos gover-
ria corn prazer corn algo para aumentar as Essa abordagem pioneira do Mexico nos dos Raises pobres, que sao as verdadei-
chances de seus filhos no longo prazo, mas parece ser muito bem-sucedida. Uma avalia- ras responsaveis pela existencia do trabalho
reluta em suportar toda a responsabilidade. cao preparada para uma conferencia econO- infantil nesses paises. Esses governos, e tal-
Venho propondo isso ha algum tempo, mica realizada no Chile em outubro mostra vez organizacOes internacionais como o
e o governo mexicano deu inicio a urn pro- que, apos poucos anos, o Progresa melho- Banco Mundial, deveriam seguir o exemplo
grama assim, chamado Progresa, que abran- rou significativamente a educacao dos filhos do Mexico e introduzir programas que
ge 2 milhOes de familias muito pObres em de familias mexicanas muito pobres. E redu- paguem as maes pobres para que mante-
Chiapas e outras areas rurais. As maes cujos ziu a disparidade educacional entre meninas nham seus filhos e filhas na escola e fora da
filhos freqUentam as aulas regularmente, e meninos e a participacao de criancas na forca de trabalho.
passam de ano e por exames medicos regu- forca de trabalho.
Fonte: Business Week, 22 nov. 1999, p. 15. ©
lares recebem urn pagamento mensal do E claro que os governos precisam de
Business Week, 22 de novembro de 1999. Reimpresso
governo central. Esses pagamentos sao, em receita fiscal para financiar programas como corn permissao de McGraw-Hill Companies, Inc. Todos
media, de $ 25 por familia. A maioria das o Progresa. Urn born ponto de partida seria os direitos reservados.
550 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

capital humano e especialmente escasso, o hiato entre os salarios dos trabalhado-


res instruidos e nao-instruidos é ainda maior. Assim, un-ia maneira pela qual a
politica govemamental pode elevar o padrao de vida e oferecer boas escolas e
incentivar a populgao a utiliza-las.
0 investimento em capital humano, assim como o investimento em capital
co, tem um custo de oportunidade. Quando os estudantes estao na escola, abrem
mao dos salarios que poderiam ganhar. Ern paises menos desenvolvidos, as crian-
as freqentemente abandonam a escola muito jovens, ainda que o beneficio da
educgao seja muito alto, simplesmente porque seu trabalho é necessario para aju-
dar a manter a familia.
Alg,uns economistas argumentam que o capital humano e particularmente
importante para o crescimento econ6mico porque propaga externalidades positi-
vas. Un-la externalidade é o efeito das ac6es de uma pessoa sobre o bem-estar de
quem esteja prOximo. Uma pessoa instruida, por exemplo, poderia gerar novas
o
fY 4k9P,i),(
ideias sobre a melhor forrna de produzir bens e servios. Se essas ideias entraren-1
para o conjunto de conhecimentos de uma sociedade, de modo que todos possam
jk,< CN oCC.
usa-las, entao essas idelas serao uma extemalidade cla educKao. Nesse caso, o
C('`ILkie> retorno da instruao para a sociedade é ainda maior do que o retorno para o indi-
vicluo. Esse arg,umento justificaria os grandes subsidios ao investimento em capital
humano que observamos sob a forma de educgao
Um problema que alguns paises pobres enfrentam é a fuga de c&ebros — a emi-
g-rgao de n-mitos dos trabalhadores mais instruidos para paises ricos, onde eles
podem desfrutar de um padrao de vida mais elevado. Se o capital humano tem
externalidades positivas, essa fuga de cerebros cleixaria as pessoas que ficam para
tras ainda mais pobres do que antes. Esse problema cria um dilerna para os formu-
ladores de politicas. Por um lado, os Estados Unidos e outros paises ricos t&ri os
melhores sistemas de educgao superior e seria natural que os paises mais pobres
enviassem seus melhores alunos para o exterior, a fim de melhorar sua instniao.
Por outro lado, esses alunos que passaram algum tempo fora podem decidir nao
voltar para seus paises de origem, e essa fuga de cerebros reduzira ainda mais o
estoque de capital humano da naao pobre.

Direitos de Propriedade e Estabilidade Politica


Outra maneira pela qual os forrnu1a jíticaspúblicaspodem incentivar o
crescimento econ6mico_e . protegendo os direitos de pro_priedade e promovendo a
-
estabilidade politica. Como observamos ao discutir a interdependencia econOnTS
no Capitulo 3, a produc;ao nas economias de mercado resulta das intera es entre
milh5es de indivicluos e empresas. Quando você compra um carro, por exemplo,
esta comprando a produao de uma concessionaria de carros, de um fabricante de
carros, de uma sidering,ica, de uma mineradora de ferro, e assim por diante. Essa
divisao da produao entre muitas empresas permite que os fatores de produao da
economia sejam usados da maneira mais eficaz possivel. Para atingir esse resulta-
do, a economia tem de coordenar as transa6es entre as empresas e entre elas e os
consumidores. As economias de mercado alcaNam essa coordenaao por meio dos
preos de mercado. Ou seja, os preos de mercado sao o instrun-iento com que a
mao invisivel do mercado equilibra a oferta e a demanda.
Um pre-requisito importante para o funcionamento do sistema de pre9os e um
respeito amplo na economia pelos direitos de propriedade. Os direitos de proprieda-
de referem-se a capacidade das pessoas de exercer autoridade sobre os recursos
que possuem. Uma empresa mineradora nao se dara ao trabalho de extrair min&
rio de ferro se achar que esse minério sera roubado. Ela só ira operar se tiver cer-
teza de que ira se beneficiar da venda subseqente do minerio extraido. Por isso, os
tribunais desempenham um papel importante nas economias de mercado: eles
CAPITULO 25 PRODUcA0 E CRESCIMENTO 551

fazem corn que os direitos de propriedade sejam cumpridos. Por meio do sistema
de justica penal, os tribunais desencorajam o roubo.Alem disso, por meio do siste-
ma de justica civel, os tribunals garantem que compradores e vendedores respei-
tern os contratos.
Embora nos paises desenvolvidos os direitos de propriedade sejam consiciera-
dos garantidos, aqueles que vivem nos paises menos desenvolvidos sabem que a
ausencia dos direitos de propriedade pode representar urn problema. Em muitos
paises, o sistema de justica no funciona bem. E dificil fazer corn que os contratos
sejam cumpridos, e fraudes freqidentemente ficam impunes. Em casos mais extre-
mos, o govern() nao somente falha ao fazer corn que os direitos de propriedade
sejam cumpridos, como tambem os infringe. Para fazer negOcios em alg,uns 'Daises,
a expectativa 6 de que as empresas precisem subornar funcionarios priblicos im-
portantes. Essa corrupcdo impede o poder de coordenacdo dos mercaclos. E tarn-
hem desestimula a poupanca intema e o investimento estrangeiro.
Uma ameaca aos direitos de propriedade 6 a instabilidade politica. Quando revo-
lucoes e golpes de Estado ocorrem corn frequencia, ndo se sabe se os ciireitos de pro-
priedade sera° respeitados no futuro. Se urn governo revolucionario confiscar o
capital de alg,umas empresas, como aconteceu corn freqUencia apOs revolucaes
comunistas, os residentes terao menos incentivos para poupar, investir e iniciar
novos negocios. Ao mesmo tempo, os estrangeiros terao menos incentivos para
investir no pais. Ate uma ameaca de revolucdo pode servir para cieprimir o padrdo
de vida de urn pais.
,Portanto, a prosas-idade economica de em parte, eridade
ca. Urn )ais ue tenha urn sistema *udicigrio eficiente, funci • -rios •tiblicos
onestos e uma const -)adrdo de v
_______i_da_ecan:omi-
ca mais eleva o do que_auirsLq.ue...tealaa_um sistema judiciiirio_fraco,fi incionarios
corruptos e revolucoes _,41Res
e0 freqUentes.

Livre-Comercio
Alg,uns dos paises mais pobres do mundo tentaram ating,ir urn crescimento econ6-
mico mais rapid° adotando politicos voltadas para dcntro. Essas politicas tem por
g artils o c4
objetivo aumentar a produtividade e os padroes de vida dentro do pais, evitando tkkot4
interacao corn o resto do mundo. Essa aborciagem obtem o apoio de algumas
empresas locais, que reivindicam protecao contra concorrentes estrangeiros para 'asal,itatc„,rr.
competir e crescer. 0 argument° da inchistria nascente, juntamente corn uma des- Ed:). vixa: ck5--
confianca generalizada em relacdo aos estrangeiros, por vezes tem levado os formu-
ladores de politicas de paises menos desenvolviclos a impor tarifas e outras restricoes
ao comercio.
A maioria dos economistas de hoje acredita que os 'Daises pobres se do melhor
quando adotam politicos voltadas para fora, que os integrem a economia mundial.
Quando estudamos o comercio internacional no inicio do livro, vimos como ele
pode melhorar o bem-estar econ3mico dos cidaddos de urn pais. 0 comercio 6, de
certa forma, urn tipo de tecnologia. Quando urn pais exporta trigo e importa aco,
beneficia-se da mesma forma que se tivesse inventado uma tecnologia capaz de
transformar trigo em ago. Portanto, urn pais que elimine as restricoes ao comercio
experimentara o mesmo tipo de crescimento econOmico que ocorreria apos um
gr, ande avanco tecnologico.
0 impact° negativo da orientacdo para cientro torna-se claro quando se leva em
consideracao o pequeno tamanho de muitas economias menos desenvolvidas. 0
PIB total da Argentina, por exemplo, 6 proximo do da cidacie de Filadelfia. Imagine
o que aconteceria se a camara municipal da Filadelfia proibisse os seus habitantes
de comerciar corn pessoas de fora dos limites da cidade. Sem poder tirar vantagens
dos ganhos comerciais, a cidade precisaria produzir tudo o que consumisse.
Tambern teria de produzir todos os seus bens de capital, em vez de importar equi-
552 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

pamentos de ponta de outras cidades. Os padres de vida da Filadelfia cairiam


imediatamente e o problema provavelmente só pioraria com o tempo. Foi exata-
mente o que aconteceu quando a Argentina adotou politicas voltadas para dentro,
durante grande parte do seculo XX. Por outro lado, paises que adotaram politicas
voltadas para fora, como Coreia do Sul, Cingapura e Taiwan, tem desfrutado de
taxas elevadas de crescimento econOmico.
-
0 montante do comercio de uma nação com outras é determinado n o só pela
politica do governo, mas tambem pela geografia. Paises com bons portos maritimos
naturais tem mais facilidade para comerciar com outros paises do que aqueles que
-
não dispem desse recurso. N o e coincidencia que muitas das grandes cidades do
mundo, como Nova York, S" To Francisco e Hong Kong, estejam perto dos oceanos.
De forma similar, como os paises sem saida para o mar tem maior dificuldade para
comerciar internacionalmente, tendem a ter niveis de renda menores do que os
paises que tern fácil acesso às vias maritimas.

Pesquisa e Desenvolvimento
A principal razo pela qual os padres de vida sk, mais elevados hoje do que
um seculo é o avallo do conhecimento tecnolOgico. 0 telefone, o transistor, o
computador e o motor de combusth"o interna est:o entre os milhares de inovg-(5es
que melhoraram a capacidade de produzir bens e servios.
Embora a maior parte dos avallos tecnolOgicos venha de pesquisas realizadas
por empresas privadas e inventores individuais, há tambem um interesse pUblico
em promover esses esforos. Em grande medida, o conhecimento é um bem
uma vez que alguem tenha uma ideia, essa ideia entra para o conjunto de
conhecimentos da sociedade e outras pessoas podem fazer livre uso dela. Da
mesma forma que o governo tem um papel na oferta de bens pUblicos como a defe-
sa nacional, tambem tem um paj.-)el a desempenhar no incentivo à pesquisa e ao
desenvolvimento de novas tecnologias.
0 governo americano há tempos desempenha um papel importante na crig-a"o
e dissemingo do conhecimento tecnolOgico. Há um seculo, o govemo patrocina-
va pesquisa de metodos de produ o agricola e aconselhava os agricultores sobre
como usar melhor a terra. Mais recentemente, o governo americano, por meio da
Fora Aerea e da Nasa, sustentou a pesquisa aeroespacial; como resultado, os Esta-
dos Unidos tornaram-se lideres na produ o de foguetes e aviões. 0 governo con-
tinua a incentivar o avallo do conhecimento com bolsas de pesquisa da Nationa
-
Scieps.e_\Found, ation e do Najioal Institutes of alem de dedu O'es' de
-
impostos para as empre 7§ Clue se a \fuisa e desenvolvimento.
Outra maneira pela qual a politica governamental incentiva a pesquisa é por
meio do sistema de patentes. Quando uma pessoa ou empresa inventa um novo
produto, como uma nova droga, por exemplo, o inventor pode solicitar uma paten-
te. Se o produto for considerado realmente original, o govemo concede a patente,
que dá ao inventor direito exclusivo de fabrica o do produto por um nUmero
determinado de anos. Em essencia, a patente dá ao inventor direito de proprieda-
de sobre sua inven o, tornando a nova ideia um bem privado, em vez de um bem
Ao permitir que os inventores lucrem com seus inventos — ainda que
temporariamente o sistema de patentes aumenta o incentivo para que individuos
e empresas se dediquem à pesquisa.

Estudo de Caso
-
A DESACELERA00 E A ACELERAC A0 DA PRODUTMDADE
A taxa de crescin-iento da produtividade não e nada estvel e confivel. Medida pela
produo por hora trabalhada nas empresas americanas, a produtividade cresceu a
CAPiTULO 25 PRODUCAO E CRESCIMENTO 553

uma taxa media de 3,2% ao ano de 1959 a 1973. Depois disso, a produtiviciade dimi-
nuiu a velocidade e, de 1973 a 1995, cresceu apenas 1,5% ao ano. A produtividade vol-
tou a acelerar em 1995, crescendo 2,6°/0 ao ano em media pelos seis anos seguintes.
Os efeitos dessas mudancas no crescimento cia produtividade podem ser vistos
facilmente. AEL lutividade se reflete nos salarios reais e na renda
-o.c _ das
Quando o crescimento da produtividade desacelerou, o trabalhador tipico passou a
receber aumentos menores (ajustados pela inflac5o) e muitas pessoas experimenta-
ram uma sensacdo geral de ansiedade econemica. Acumulada ao longo de muitos
anos, ate uma pequena variacao do crescimento da produtiviciade tern urn efeito
profundo. Se nao tivesse ocorrido a desaceleracao de 1973, a renda do norte-ame-
ricano medio seria, hoje, cerca de 50% mais elevada. De forma similar, a acelera .
no crescimento da rodutividade - ii 1995 C elevou a renda real em cerca
As causas dessas variacoes do crescimento da produtividade sao mais dificeis de
se compreender. Urn fato esta bem estabelecido: essas alteracoes ride, podem ser
atribuidas aos fatores de producdo que sao mais facilmente mensuraveis. Os eco-
nomistas podem medir diretamente a quanticiade de capital fisico disponivel para
os trabalhadores. Tambem podem medir o capital human° sob a forma de anos de
Pa
instrucao. ress.c.:Eelsiesac_eleracaa_e-a-aceleracda_dsLcrescimerlos_4 1a 2rodutivi.-
da tribuidasiundarraentalmenie_a va ria caps ciessesins_unao,5..
A tecnologia é urn dos poucos culpados restantes. Ou seja, tendo sido excluidas
as demais explicacoes, muitos economistas atribuem a desaceleracao e a aceleracao
do crescimento economic° a mudancas na criactc-io de novas ideias sobre como pro-
duzir bens e senricos. Essa explicacao é dificil de confirmar ou refutar porque a
quantidade de "ideias" é diflcil de medir, mas a hipOtese é plausivel. A aceleracao
do crescimento da produtividade em 1995 coincidiu corn o rapid° crescimento da
tecnologia da informacao e da Internet.
0 que o futuro reserva para o progresso tecnolOgico e o crescimento econOmi-
co? A historia nos (la poucos motivos para confiar em qualquer previsao. Nem a
desaceleracao nem a aceleracao da produtividade foram previstas por muitos ana-
listas antes de terem ocorrido.

FIGURA 2

Taxa de
Crescimento do PIB Real Per
Crescimento
( % ao ano) Capita
4,0
Esta figura mostra a taxa media de
crescimento do P1B real per capita dos
3,5 economias avancadas, incluindo as
principals poises do Europa, o Canadd,
3,0 as Estados Unidos, o Japao e a AustrOlia.
Observe que a taxa de crescimento
2,5 aumentou substancialmente apcis 7950
e caiu apos 7970.
2,0
Fonte: Robert J. Barro e Xavier Sala-i-Martin,
Economic Growth. Nova York: McGraw-Hill,
1,5 1995, p. 6. Dados de 1990 a 2000 do World
Development Report, 2002.

1,0

0 1870 1890 1910— 1930— 1950— 1970— 1990—


1890 1910 1930 1950 1970 1990 2000
554 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

-
A histOria, entretanto, pode nos dar uma perceN ao do que é uma taxa normal
de progresso tecnolOgico. A Fig,ura 2 mostra o crescimento medio do PIB real per
-
capita no mundo desenvoh4do desde 1870.A desacelera ao da produtividade é evi-
dente: por volta de 1970, a taxa de crescimento caiu de 3,7% para 2,2% (a acelera-
ao da produtividade esta ausente desses dados porque é breve e é um fenOmeno
que ocorreu principalmente nos Estados Unidos). Essa fig-ura mostra uma impor-
tante se comparada à maior parte da histOria, a anomalia é o crescimento ace-
lerado durante as decadas de 50 e 60. Talvez as decadas que se seg-uiran-i a Segunda
Guerra Mundial tenham sido um periodo de avanço tecnolOgico anormalmente
acelerado e o crescimento tenha desacelerado em 1973 simplesmente porque o
progresso tecnolOg,ico estava retomando a uma taxa mais normal. •

Crescimento Populacionai
Os economistas e outros cientistas sociais ha muito debatem sobre os efeitos do
crescimento populacional em uma sociedade. 0 efeito mais direto se da sobre o
tamanho da foNa de trabalho: uma grande populaio sig,nifica que ha mais traba-
lhadores para produzir bens e servios. Ao mesmo tempo, significa que ha mais
pessoas para consumir esses bens e servios. Alem desses efeitos Obvios, o cresci-
-
mento populacional interage com outros fatores de produc; ao de maneiras menos
evidentes e mais abertas ao debate.
Expandindo o Aproveitamento dos Recursos Naturais Thomas Robert
Malthus (1766-1834), um pastor e pensador econOn-lico ingles, é famoso por seu
livro Ensaio sobre o Principio da Popula(co. Nele, Malthus apresentou o que pode ser
-
a previs ao mais aterradora da histOria. Malthus arg-umentou que um crescimento
.
constante da populac; ao sobrecarregaria cada vez mais a capacidade da sociedade
de se prover. Como resultado, a humanidade estaria condenada a viver para sem-
pre na pobreza.
A lOgica de Malthus era sirnples. Ele comeou pela observaio de que "o ali-
mento e necessario para a existencia do homen-i" e de que "a paixa- o entre os sexos
necessaria e continuara prOxima de seu estado atual". E concluiu que "o vigor da
populac;c:--io é infinitamente maior do que a capacidade que a terra tem de produzir
subsistencia para o homem". De acordo com Malthus, os únicos controles sobre o
crescimento populacional seriam "a miseria e o vicio". As tentativas das institui5es
de caridade e dos governos c-le atenuar a pobreza eram contraproducentes, argu-
mentava ele, porque simplesmente permitiam que os pobres tivessem mais filhos,
colocando um peso ainda maior sobre a capacidade produtiva da sociedade.
-
Felizmente, a terrivel previs ao de Malthus estava longe de se concretizar.
Embora a populK5o mundial tenha se multiplicado por seis nos dois últirnos secu-
los, os padrOes de vida em tomo do mundo est'ao mais altos, em media. Por causa
do crescimento econOmico, a fome e a desnutric;a'o crOnicas sa- o menos comuns
hoje do que nos tempos de Malthus. A fome ainda ocorre, porem ela é mais fre-
-
qentemente o resultado da ma distribui ao de renda ou da instabilidade politica
-
do que de uma produa o inadequada de alimentos.
Onde Malthus errou? Como vimos num estudo de caso cleste capitulo, o cres-
cimento da capacidade de inveN'ao da humanidade contrabalan os efeitos de
uma populao maior. Os pesticidas, os fertilizantes, as fazendas com equipamen-
tos n-lecanizados, as novas variedades de cultivo e outros avanos tecnolOg,icos que
Malthus jan-iais imaginou permitiram que cada agricultor alimentasse um niimero
crescente de 13essoas. Mesn-io con-i mais bocas para alimentar, s'ao necessarios
menos fazendeiros, porque cada um deles é altamente produtivo.
Diluindo o Estoq ue de Capitai Enquanto Malthus se preocupou com os
efeitos da população sobre o uso dos recursos naturais, alg,umas teorias modemas
CAPITULO 25 PRODUcA0 E CRESCIMENTO 555

do crescimento economic° enfatizam seus efeitos sobre a acumulacao de capital.


De acordo corn essas teorias, urn crescimento o ulacional elevado ed
trabalhador por ue o crescimento ra ido do numero de trabalhadores faz corn que
o estoc ue stribuida_entre av mn -
ssoas_Eniaaras,4/aLras_sal_..., 44v
do o crescimento -)o uI lonal é rá ido cada tra dor _Lica es_i_lipado corn
menos capital. Uma menor_wantidade de cap. Lpor trabalhadorieva_a_uma
menor arochttiyidactee_A_Lim menor PIB por trabalhador.
Esse problema é mais aparente no caso do capital human°. Paises corn alto cres-
cimento populacional tern urn gr, ande mimero de criancas em idade escolar. Isso
impoe um peso maior sobre o sistema educacional. Nao é de surpreender, portan-
to, que a escolaridade seja menor em paises corn alto crescimento populacional.
As diferencas de crescimento populacional em torno do mundo sac) grandes.
Nos paises desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Europa Ocidental, a popu-
lacdo tern crescido somente cerca de 1% ao ano nas Ultimas decacias e espera-se
que cresca ainda mais lentamente no futuro. Por outro lado, em muitos paises
pobres da Africa, a populacao cresce cerca de 3c1/0 ao ano. A essa taxa, a populacao
dobra a cada 23 anos. Esse rapid° crescimento populacional faz corn que seja mais
dificil dotar os trabalhadores corn as ferramentas e habilidades de que precisam
para atingir niveis mais elevados de produtividade.
Embora ido crescimento o oulacional nao seiLLEr_incipal razdo pela qual
2.L2 Is es menos desenvolvidos_sao al insanalistas acreditam que_..aiedu-
c5o na taxa de crescimento o tp_p_ilacioaal_poderia ajudar e s
padroes de vida. Em alg,uns 'Daises, esse objetivo esta sendo atingido diretamente
corn leis que regulamentam o mimero de filhos que cada familia pode ter. A China,
por exemplo, so permite urn filho por familia; os casais que infringem essa lei estao
sujeitos a multas substanciais. Em poises corn major grau de liberdade, o objetivo
de reducao do crescimento populacional é ating,ido menos diretamente, por meio de
uma major conscientizacao das tecnicas de controle de natalidade.
Outra maneira ela qual os -)aises odem influenciar o crescimento o ulacio-
nal 6 aplicar urn dos_Dez rinci zos de Economia: as essoas respondem a incentivos.
Ter urn filho, como qualquer decis5o, tern urn custo de oportunis a. e. Suando o
custo de oportunidade aumentar, as pessoas optardo por ter familias menores. Mais
especificamente, as mulheres que tem a oportunidade de receber uma boa educa-
cdo e empregos desejaveis tendem a querer menos filhos do que as que tern menos
oportunidades de trabalho fora de casa. Assim, politicas que promovem tratamen-
ual -)ara as mulheres sao urn meio pelo qual as economias menos
das podem reduzir a taxa de crescimento o ulacional e, talvez, aumentar seus
padrOes e vida.

Promovendo o Progresso Tecnologico Embora o rapid° crescimento popu-
lacional possa deprimir a prosperidade econ6mica, reduzindo o capital disponivel
para cada trabalhador, ele tambem pode trazer alguns beneficios. Alguns economis-
tas sugeriram que o crescimento populacional mundial tern sido urn mecanismo de
progress° tecnologico e prosperidade economica. 0 mecanismo 6 simples: se ha
mais pessoas, entao ha mais cientistas, inventores e engenheiros para contribuir para
o avanco tecnologico, o que beneficia a todos.
0 economista Michael Kremer proporcionou alg,uma sustentacao a essa hip&
tese em urn artigo intitulado "Population Growth and Technological Change: One
Million B.C. to 1990", publicado no Quarterly Journal of Economics, em 1993. Kremer
comeca por observar que durante a longa histaria da humanidade, as taxas de cres-
cimento mundial aumentaram juntamente corn a populacao do mundo. Por exem-
plo, o crescimento mundial foi mais rapid° quando a populacao estava em 1 bilhao
de pessoas (o que se deu em tomo de 1800) do que quando a populacao era de
556 i PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

apenas 100 mi1hes (por volta de 500 a.C.). Esse fato é consistente com a hipOtese
de que ter um maior nUmero de 1.-)essoas leva a um maior progresso tecnolOg,ico.
A segunda parte da evidencia de Kremer vem de uma compara o de diferen-
tes regi6- es do mundo. O derretimento das calotas polares no fim da idade do gelo,
em torno de 10000 a.C., fez submergir as pontes terrestres e separou o mundo em
diversas regi es distintas que rth- o puderam se comunicar umas com as outras por
milhares cle anos. Se o progresso tecnolOgico é mais rápido quando ha mais pes-
soas para descobrir coisas, ent'a'o as reg,i es maiores devem ter experimentado um
crescimento mais rapido.
Segundo Kremer, foi exatamente isso que ocorreu. A regi'ao mais bem-sucedida
do mundo em 1500 (quando Colombo restabeleceu o contato tecnolOgico) abran-
g,ia as civilizKrOes do "Velho Mundo" da grande regio da Eurasia—ikfrica. Depois

(
NOTIICIAS

UMA SOLKAO PARA OS PROBLEMAS DA AFRICA


Em 2000, o renda média na Nrica subsoariona foi de $ 480. Por que Eis uma andlise de leffrey Sachs, assessor de govemos de todo o mundo e
co do Banco Mundial e do Fundo Monetdrio Intemacional (FMO, os organizacdes internocionais que concedem conselhos e financiamentos o paises em
dificuldades.

Crescimento na Africa: 1980, esse aconselhamento virou uma extensk da orientack geral para o
especie de curadoria econ mica, em que as mercado, incluindo abertura comercial,
Possivel
politicas de muitas nacrsies africanas li beralizack do mercado interno, pro-
Por Jeffrey Sochs
decididas em um ciclo aparentemente inter- priedade privada em vez de estatal,
mirvel de reuni es com o FMI, o Banco proteck dos direitos de propriedade
Na velha hist6ria, o campons vai ao padre
Mundial e os doadores e credores. privada e baixas aliquotas marginais de
pedir conselhos para salvar suas galinhas,
Que pena. Tantas id6as boas e th- o pou- imposto;
que est k- morrendo. 0 padre recomenda
cos resultados... • à taxa de poupanca nacional, que por
oraces, mas as galinhas continuam a mor-
0 FMI e o Banco Mundial poderiam ser sua vez é fortemente afetada pela taxa
rer. Entk o padre recomenda msica no
absolvidos da responsabilidade pelo lento de poupanca do pr q prio governo; e
galinheiro, mas as mortes prosseguem.
crescimento se a Africa fosse estruturalmen- • à estrutura geograca e de recursos da
Ponderando novamente, o padre recomen-
te incapaz de crescer a taxas vistas em economia. (...)
da pintar o galinheiro em cores alegres. Final-
outras partes do mundo ou se o baixo cres-
mente, todas as galinhas morrem. "Que Esses quatro fatores podem explicar,
cimento do continente fosse um mist&io
pena", diz o padre ao campor6, "eu ainda amplamente, as dificuldades que a Africa tem
insonchvel. Mas as taxas de crescimento da
tinha tantas boas id6as". de crescer no longo prazo. Embora devesse
Africa nk t-n nada de misterioso. (...)
Desde sua indepen&ncia, os paises ter crescido mais rapidamente do que outras
africanos t&n se voltado , s naci5es doado- Estudos comparativos de crescimento entre
-eas em desenvolvimento'por causa de sua
paises mostram que o crescimento per
ras — freqentemente seus antigos senho- renda per copito relativamente baixa (e, por-
copita esth ligado:
res coloniais — e , s instituices financeiras tanto, maior oportunidade de obter um "efei-
internacionais para obter orientack sobre • ao nivel de renda inicial do pais, com os to de alcance"), a Africa cresceu mais lenta-
crescimento. De fato, desde o inicio da crise paises pobres tendendo a crescer mais mente. Isso se deve principalmente a altissi-
do endividamento africano, na dcada de rapidamente do que os paises mais ricos, mas barreiras ao com6 .cio; a aliquotas exces-
CAPiTULO 25 PRODUcA0 E CRESCIMENTO 557

vinham as civilizacoes asteca e maia das Americas, seguidas dos cacadores da


Australia e, finalmente, os povos primitivos da Tasmania, a quern faltavam ate
mesmo o fogo e a maioria das ferramentas de pedra e osso.
A menor regido isolada era a Ilha Flinders, uma mintiscula ilha entre a Tasmania
e a Australia. Corn a menor populacdo, a Ilha Flinders teve urn minim() de oportu-
nidades de avanco tecnolOgico e, de fato, parece ter regredido. Ern torno de 3000
a.C., a sociedade humana da ilha desapareceu completamente. Uma numerosa
populacdo, concluiu Kremer, é urn pre-requisito para o avanco tecnologico.

Teste Rapido Descreva tres maneiras pelas quais urn formulador de politicas do governo pode tentar
aumentar o crescimento dos padroes de vida de uma sociedade. Essas politicas apresentam alguma desvan-
tagem?

sivas; a baixas taxas de poupanca e a condi- mento, como na Liberia, em Ruanda e na


coes estruturais adversas, incluindo uma alta Somalia, teriam sido melhor contidos se o
incidencia de falta de acessos para o mar (15 Ocidente estivesse disposto a oferecer urn
dos 53 parses nao os tern). (...) modesto apoio a esforcos de manutencao
Se as politicas detem grande parte da da paz baseados em iniciativas africanas.
culpa, entao por que foram adotadas? Nao é "I mpostos simples" estao dentro do
dificil discernir as origens historicas da orien- ambito do FMI e do Banco Mundial. Aqui,
tacao antimercado da Africa. Ai:6s quase urn contudo, o FMI pode ser considerado culpa-
seculo de depredacbes colonials, é corn- do de negligencia. As nacoes africanas pre-
preensivel que as nacoes africanas enxer- cisam de impostos simples, baixos, e corn
guem, ainda que erroneamente, o livre-co- metas modestas de receita como percen-
mercio e o capital estrangeiro como ameacas tual do PIB. lmpostos simples sao essenciais
a soberania nacional. Como na Indonesia de para o comercio internacional, ja que o cres-
Sukarno, na India de Nehru e na Argentina cimento prosper° dependera, mais do que
de Peron, a "auto-suficiencia" e a "lideranca tudo, da integracao econOmica corn o resto
do Estado", incluindo a propriedade estatal do mundo. 0 exilio, em grande parte auto- Tudo isso somente sera possivel se o
de grande parte da industria, tornaram-se os imposto, da Africa em relacao aos mercados proprio governo mantiver suas despesas
orientadores da economia. Como resultado, mundiais pode terminar rapidamente, bas- num minim° necessario. (...) Os subsidios a
grande parte da Africa entrou em urn exilio tando cortar as tarifas de importacao e aca- empresas estatais e juntas de comercializa-
economic° auto-imposto. (...) bar corn os impostos sobre a exportacao de cao deveriam ser abolidos. Os subsidios a
Em 1775, Adam Smith fez uma famosa proclutos agricolas. As aliquotas do impost° ali mentacao e a moradia de trabalhadores
observacao: "Pouco mais é exigido para que sobre a renda das empresas deveriam ser urbanos nao podem ser financiados. E,
urn estado, saindo do maior barbarismo, seja reduzidas. (...) especialmente, os pagamentos de juros da
levado ao mais alto grau de opulencia, do Adam Smith falou de uma administra-
divida externa nao devem estar no orca-
que paz, impostos simples e uma toleravel cao "toleravel" da justica, nao de justica per-
mento. Isso porque a maioria dos estados
administracao da justica". Uma agenda para o feita. A liberalizacao do mercado e a princi-
africanos falidos precisa comecar novamen-
crescimento nao precisa ser longa e comple- pal chave pare reforcar a lei. 0 livre-comer-
te corn base numa profunda reducao da
xa. Vamos analisar cada urn desses pontos. cio, a conversibilidade da rribeda e a Incor-
divida, que deve ser implementada junta-
A paz, é claro, nao e tao facil de se poracao automatica de empresas reduzem
mente corn reformas internas amplas.
garantir, mas as condicoes para a paz no enormemente as oportunidades de corrup-
continente sao melhores do que sugerem cao oficial e permitem que o governo se Fonte: The Economist, 29 jun. 1996, p, 19-21. ©
as manchetes assustadoras de hoje. concentre no que sao, realmente, bens 1996 The Economist Newspaper Ltd. Todos os direitos
Diversos dos grandes conflitos que assola- publicos — ordem publica interna, sistema reservados. Reimpresso corn permissao. Proibida a
reproducao. http://wvvw.economist.com
ram o continente terminaram ou estao pro- judiciario, saude e educacao p6blicas basi-
xi mos disso. (...) Os desastres em anda- cas e estabilidade monetaria. (...)
558 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

CONCLUSA- 0: A IMPORTANCIA
DO CRESCIMENTO NO LONGO PRAZO
Neste capitulo, discutimos o que determina o padro de vida de un-ia ngo e como
-
os formuladores de politicas pUblicas podem tentar elevar o padr o de vida por
meio de politicas que promovam o crescimento econOmico. A maior parte deste
9‘. capitulo se resume em um clos Dez padrk) de vida de um
pais depende de sua capacidade de produzir bens e servios. Os formuladores de
politicas que queiram incentivar a eleva o dos padres de vida devem _procurar
aumentar a capacidade produtiva danaã estimulan arpjda acumulgo de
tatores de p.mch4o_e_g,21
. -antindo
. r los da maneira_mais_e_fiL-
caz_possjvel..
Os economistas divergem quanto à visão que tem do papel do governo na pro-
rnoção do crescimento econ6mico. de1 no rnínirno, auxiliar a m"a"o
mantendo os direitos de prçpriedade idade politica. Uma questh'o
,
mais controversa se o governo deve ou visar a setores mais especificos, que
podem ser de especial importffilcia para o progr, esso tecnológico. Não há dilvidas de
que essas questes esto entre as mais importantes da economia. 0 sucesso de uma
gera o de formuladores de politicas pUblicas no aprendizado e na aplica o das
lições fundamentais sobre crescimento econOmico determina o tipo de mundo que
a prxima gera o herdar.

RESUMO
• A prosperidade econOmica, medida pelo PIB per venç10 a e,clucacao, mantendo os direitos
capita, varia su—bstancialmente ao redor do mundo. r
piecia de e a çpç.iític permitindQ
A renda media dos paises mais ricos do mundo r is_Q mercio romovendo p_e~esenyol-
li2L2
mais de dez vezes maior do que a dos paises mais virri le_flovas tecnoloas e wairolando_Q_
pobres. Como as taxas de crescimento do PIB real cr •
tan-ibem variam substancialmente, as posib-es • Aacuniui o_lecapital c est stijeita a retornos
relativas dos paises podem mudar drasticamente decre_scentes: lq_Lanto_maissapitalh. em uma eco-
ao longo do tempo. no_nliad_ l o adicional ~ uma
-nejiQL.,421Qcs
clas_e_2
uni 1 aos retornos
• 0 padro de vida em uma economia depende da y
decrescentes maiores pou_pan_os_le a.n-i a um maior
ca acidade ue a economia tem de produzir bens e
nta_por um determinado periodo de tem-
servios. A produtividade,por sua vez, depende das crescimento acabapQL - desacelerar
,
quantidades de capitalfisico„ca2ital humano,
recursos naturais e conhecimento tecnolOoico elevados de ca ital, produtMda le e renda.Tamb&n
para os trabalhadores. por causa decrescentes, o retorno so.
• As politicas do governo podem tentar influenciar a l
bre_o_capita____Le~rnente lo
taxa de crescimento da economia de muitas ma- pol)res.. Cona_tuda_o_maispermanecendo constan-
neiras: incentiyando a pouparia e o investimento, te, esses paises crescer mais e
estimulandoolnye.sti=to estrai prqmo- por causa do efeito de alcance.

CONCEITOS-CHAVE

produtividade, p. 541 recursos naturais, p. 542 efeito de alcance, p. 547


capital fisico, p. 541 conhecimento tecnol6gico, p. 542
capital humano, p. 542 retornos decrescentes, p. 546
CAPITULO 25 PRODUCAO E CRESCIMENTO 559

QUESTOES PARA REVISAO


1. 0 que o nivel do PIE de uma nac5o mede? 0 que dir urn formulador de politicas palicas de tentar
a taxa de crescimento do PIB mede? Voce preferi- elevar a taxa de poupanca?
ria viver em uma nacao corn nivel do PIB elevado 5. Urn aumento na taxa de poupanca acarreta urn
e baixa taxa de crescimento ou corn baixo nivel do maior crescimento temporaria ou indefinidamente?
PIB e elevada taxa de crescimento? 6. Por que remover uma restricao ao comercio, tal
2. Liste e descreva quatro determinantes da produti- como uma tarifa, poderia levar a urn crescimento
vidade. economic° mais rapido?
3. De que maneira um diploma universitario é uma 7. Como a taxa de crescimento populacional influen-
forma de capital? cia o nivel do PIB per capita?
8. Descreva duas maneiras pelas quais o govemo
4. Explique como uma maior poupanca leva a urn
norte-americano tenta estimular avancos no co-
padrao de vida mais elevado. 0 que poderia impe-
nhecimento tecnologico.

PROBLEMAS E APLICACOES

1. A maioria dos paises, incluindo os Estados Uni- h. Quais grupos da sociedade se beneficiariam
dos, importa quantidades substanciais de bens e dessa mudanca? Quais g-rupos poderiam ser
servicos de outros 'Daises. Entretanto, o capitulo prejudicados?
diz que urn pais so pode desfrutar de urn padrao 6. As sociedades escolhem qual parcela de seus
de vida elevado se puder produzir ele mesmo uma recursos deve ser destinada ao consumo e qual
grande quantidade de bens e servicos. Como con- deve ser destinada ao investimento. Algurnas des-
ciliar esses dois fatos? sas decisoes envolvem as despesas privadas;
2. Indique os insumos de capital necessarios para outras envolvem as despesas do govern°.
produzir cada urn dos seg,uintes itens: a. Descreva algumas formas de despesa privada
a. carros que representam consumo e algumas formas que
b. educacao de nivel medio representam investimento.
c. viagens aereas b. Descreva alg,umas formas de despesa do gover-
d. frutas e legumes no que representam consumo e algumas formas
que representam investimento.
3. A renda per capita nos Estados Unidos é hoje cerca
de oito vezes major do que ha urn seculo. Muitos 7. Qual o custo de oportunidacie do investimento em
outros paises tambern passaram por crescimento capital? Em sua opiniao, urn pais pode investir
sig,nificativo nesse period°. Indique alg,uns aspec- "excessivamente" em capital? Qual o custo de
tos especificos em que seu padrao de vida difere oportunidade do investirnento em capital huma-
do de seus bisavos. no? Em sua opinido, urn pais pode investir "exces-
sivamente"em capital humano? Explique.
4. 0 capitulo discute como o emprego diminuiu em
relacao a producao no setor agropecuario. Voce' 8. Suponha que uma empresa fabricante de carros,
consepe pensar em algum outro setor da econo- inteiramente de propriedade de cidadaos alemaes,
n-iia em que o mesmo fenOmeno tenha ocorrido abra uma nova fabrica na Carolina do Sul, Estados
mais recentemente? Em sua °pinta°, a rnudanca Unidos.
do emprego nesse setor representa urn sucesso ou a. Que tipo de investimento estrangeiro isso re-
urn fracasso, do ponto de vista da sociedade como presenta?
urn todo? b. Qual seria o impact° desse investimento sobre
5. Suponha que a sociedade decida reduzir o consu- o PIB norte-americano? 0 impacto sobre o PNB
mo e aumentar o investimento. norte-americano seria major ou menor?
a. Como essa mudanca afetaria o crescimento eco- 9. Na decada de 1980, investiclores japoneses fize-
nomico? ram sig,nificativos investimentos diretos e de car-
560 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

teira nos Estados Unidos. Na epoca, muitos norte- maneiras pelas quais maiores oportunidades de
americanbs ficaram insatisfeitos com esses inves- ensino para as mulheres poderiam levar a um
timentos. rapido crescimento econ3mico nesses paises.
a. Em que sentido teria sido melhor para os Es- 11. Dados internacionais mostram uma correlaao
tados Unidos receber esses investimentos japo- positiva entre a estabilidade politica e o cresci-
-
neses do que n ao receb&lo,s? mento econ3mico.
b. Em que sentido teria sido ainda melhor se os a. Por meio de qual mecanismo a estabilidade
investimentos tivessem sido realizados por politica poderia levar a um s6lido crescimento
norte-an-lericanos? econOmico?
10. Nos paises do Sul da Asia, em 1992, havia apenas b. Por meio de qual mecanismo um s3lido cresci-
56 mulheres jovens matriculadas no nivel mklio mento econ6mico poderia levar à estabilidade
para cada cem homens jovens. Descreva diversas politica?
POUPAKA, INVESTIMENTO E
SISTEMA FINANCEIRO
I magine que voce tenha acabado de se formar na faculdade (em economia, é claro)
e decida iniciar seu prOprio negOcio — uma empresa de previsoes economicas.
Antes de ganhar qualquer dinheiro vendendo suas previsoes, voce precisa incorrer
em custos substanciais para montar a empresa. Precisa comprar computadores corn
os quais ira fazer suas previsoes, assim como mesas, cadeiras e arquivos para equi-
par seu novo escritorio. Cada urn desses itens é urn tipo de capital que sua empre-
sa usard para produzir e vender seus servicos.
Como voce obtera os recursos para investir nesses bens de capital? Talvez voce
possa pagar por eles utilizando sua propria poupanca. Entretanto, o mais provavel
é que, como a maioria dos empreendedores, voce nao disponha de recursos pro-
prios suficientes para financiar o inicio de seu negocio. Como resultado, voce tera
de obter o dinheiro de que precisa de outras fontes.
Ha muitas maneiras de voce financiar esses investimentos de capital. Voce
poderia tomar urn emprestimo de urn banco, um amigo ou urn parente. Nesse caso,
voce se comprometeria na-o so a devolver o dinheiro em uma data futura, mas tarn-
bem a pagar juros pelo uso dele. Altemativamente, voce poderia convencer alguem
a lhe fornecer o dinheiro necessario para o seu negOcio em troca de uma participa-
cao nos seus lucros futuros, quaisquer que sejam. Em qualquer urn desses casos,
562 PARTE 9 A ECONOMIA REAL NO LONGO PRAZO

seu investimento em computadores e equipamentos de escritc5rio estath sendo


financiado pela poupaNa de outra pessoa.
0 sistema financeiro consiste daquelas institui5es presentes na economia
sistema financeiro que ajudam a promover o encontro das pessoas que poupam com as pessoas que
o grupo de instituices da investem. Como vimos no capitulo anterior, poupaNa e investimento são elemen-
economia que ajuda a tos-chave do crescimento econ6mico de longo prazo: quando um pais poupa un-ia
promover o encontro da grande parte de seu PIB, há mais recursos disponiveis para investimento em capi-
poupanca de uma pessoa tal, e uma maior quantidade de capital aumenta a produtiviciade e o padro de vida
com o investimento de outra de um pais. Mas o capitulo anterior não explicou como a economia coordena pou-
pessoa paNa e investimento. Em um dado momento qualquer, 1-1á pessoas que querem
poupar uma parte de sua renda para uso no futuro e há outras que querem tomar
emprestimos para financiar investimentos em novos negOcios e o crescimento dos
negOcios existentes. 0 que reime esses dois gnipos de pessoas? 0 que garante que
a oferta de fundos daqueles que querem poupar seja igual à demanda por fundos
daqueles que querem investir?
Este capitulo examina o funcionamento do sistema financeiro. Primeiro, discu-
tiremos a grande variedade de institui5es que comp5em o sistema financeiro dos
Estados Unidos. Seg-undo, discutiremos a rela o entre o sistema financeiro e algu-
mas vari veis macroecon6micas fundamentais — principalmente poupana e inves-
timento. Terceiro, desenvolveremos um modelo de oferta e demanda de fundos nos
mercados financeiros. No modelo, a taxa de juros é o preo que se ajusta para equi-
librar oferta e demanda. 0 modelo mostra como diversas politicas govemamentais
afetam a taxa de juros e, portanto, a aloca o dos recursos escassos da sociedade.

INSTITUIOES FINANCEIRAS NA ECONOMIA


DOS ESTADOS UN1DOS
No nivel mais amplo, o sistema financeiro move os recursos escassos da economia
dos putipadores (as pessoas que gastam menos do que ganham) para os tomado-
res (as pessoas que gastam mais do . que ganham). Os poupadores poupam por
vffi-ias raz5es — para financiar o estudo dos filhos ate a universidade daqui a alguns
anos ou para ter uma aposentadoria confortvel daqui a alg-umas decadas. De
forma similar, os tomadores tambem tomam emprestimos por .‘T rias raz5es — para
comprar uma casa onde morar ou para iniciar um negOcio. Os poupadores ofertam
seu dinheiro ao sistema financeiro com a expectativa de recebe-lo de volta com
juros em uma data futura. Os tomadores demandam dinheiro do sistema financei-
ro conscientes de que ter^a"o de devolv'e-lo com juros em uma data futura.
0 sistema financeiro se comp5e de diversas institui0es financeiras que ajudam
a coordenar poupadores e tomadores. Como prelUdio à análise das foNas econOmi-
cas que movem o sisten-ia financeiro, vamos discutir as institui0es financeiras mais
importantes. Elas podem ser agrupadas em duas categorias — mercados financeiros
e intermedirios financeiros.Vamos tratar de cada uma dessas categorias a seguir.

Mercados Financeiros
mercados financeiros Os mercados financeiros s' e c) as institui5es por meio das quais uma pessoa que
instituic es financeiras por quer poupar pode oferecer fundos diretamente a uma pessoa que deseje tomar
meio das quais os
emprestimo. Os dois mercados financeiros mais importantes da economia ameri-
cana s^. " o o mercado de titulos e o mercado de a5es.
poupadores podem fornecer
fundos diretamente aos 0 Mercado de Titulos Quando a Intel, a gigante dos chips de computadores,
tomadores de emprestimos quer tomar um emprestimo para financiar a constn o de uma nova fbrica, pode
CAPITULO 26 POUPANCA, INVESTIMENTO E SISTEMA FINANCEIRO 563

tomar dinheiro diretamente do public°. E o faz corn a venda de tftulos. Urn titulo titulo
urn certificado de divida que especifica as obrigacoes do tomador do emprestimo um certificado de divida
para corn o detentor do tftulo. Dito de maneira mais simples, urn tftulo é urn acor-
do escrito para a devolucao de uma divida (IOU — I Owe You) . Ele identifica o perfo-
do de tempo em que o emprestimo sera pago, chamado de data de vencimento, e a
taxa dos juros que sera() pagos periodicamente ate o vencimento do emprestimo.
0 comprador de urn tftulo entrega seu dinheiro a Intel em troca da promessa de
pagamento de juros e eventual pagamento do valor dado em emprestimo (chama-
do de principal). 0 comprador pode ficar corn o tftulo ate seu vencimento ou
vende-lo antes a outra pessoa.
literalmente mill-toes de tftulos diferentes na economia americana. Quando
grandes empresas, o governo federal ou govemos estaduais e locais precisam
tomar emprestimos para financiar a compra de uma nova fabrica, urn novo born-
bardeiro a jato ou uma nova escola, costumam faze-10 por meio da emissao de titu-
los. Sc voce procurar no Wall Street Journal ou na secao de negocios de seu jornal
local, encontrara uma lista dos precos e taxas de juros de algumas das principais
emissoes de titulos. Embora esses tftulos possam diferir uns dos outros de diversas
maneiras, ha tres caracteristicas dos tftulos que sao muito importantes.
A primeira caracterfstica é o prazo do tftulo — a cluracao do tempo ate o vencimen-
to do tftulo.Alguns tftulos tern prazo curto — alguns meses — e outros podem ter pra-
zos longos, de ate 30 anos. (0 govemo britanico ja emitiu urn tftulo que nunca vence,
chamado de perpetuidade. Esse tftulo paga juros para sempre, mas o principal nunca
reembolsado.) A taxa de juros de urn tftulo depende, em parte, do seu prazo. Thulos
de bongo prazo apresentam maior risco do que os de curto prazo porque os deten-
tores de tftulos de longo prazo precisam esperar mais pelo reembolso do principal.
Se o detentor de um tftulo de bongo prazo precisar de seu dinheiro antes da data de
vencimento, nao tera escolha, a nao ser vender o titulo a outra pessoa, talvez a urn
preco reduzido. Para compensar esse risco, os tftulos de longo prazo em geral costu-
mam pagar taxas de juros mais elevadas do que os de curto prazo.
A seg-unda caracterlstica importante de urn tftulo é seu risco de credito — a pro-
babilidade de que o tomador deixe de pagar parte dos juros ou do principal. Esse
nao-pagamento é chamado de inadimplencia. Os tomadores podem (e as vezes o
fazem) deixar de pagar seus emprestimos, declarando falencia. Quando os corn-
pradores de tftulos percebem que a probabilidade de inadimplencia é elevada,
gem uma taxa de juros mais alta para compensar esse risco. Como o governo
norte-americano é considerado urn risco de credit° seguro, os tftulos do governo
tendem a pagar uma taxa de juros baixa. Por outro lado, empresas em dificuldades
financeiras levantam recursos corn a emissao dos chamados tftulos podres (junk
bonds), que pagam taxas de juros muito elevadas. Os compradores de tftulos
podem julgar o risco de credit° por meio de diversas agencias privadas, como a
Standard & Poor's, que classificam o risco de credit() de diferentes tftulos.
A terceira caracteristica importante dos tftulos é o tratamento tributdrio — a ma-
neira como a legislacao tributaria trata os juros ganhos sobre o titulo. Os juros da
maioria dos tftulos sao renda tributavel, de modo que o detentor precisa pagar
parte dos juros recebidos como imposto de renda. Por outro lado, quando os gover-
nos estaduais e locais emitem tftulos, chamados de tftulos municipals, os detento-
res nao devem imposto de renda federal sobre os juros ganhos. Por causa dessa
vantagem tributaria, o,. tftulos emitidos pelossovernos estaduais e locals pagam
juros menores do que titi )e as empresas ou pelo governo federaT:
ni'll-d—o'cri

0 Mercado de AcOes Outra maneira de a Intel levantar fundos para a cons-


trucao de uma nova fabrica de semicondutores é a venda de acoes da empresa. As aches
acoes representam propriedade da empresa e, portanto, urn direito sobre os lucros
direito a uma parte da
que a empresa obtiver. Por exemplo, se a Intel vender urn total de 1 milhao de
propriedade de uma empresa
acoes, cada acao representard propriedade de 1/1 milhao da empresa.

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