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Português

Capítulo 1: Pontuação
Capítulo 2: Leitura e interação
Capítulo 3: Argumentação

Lei nº 9.610/98.
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autorizada previamente e por escrito. Todos os direitos reservados.
Violação de direito autoral cabe detenção de três meses a um ano, ou multa. Caracterização da
violação: reprodução por qualquer meio, de obra intelectual, no todo ou em parte.
Português: ensino médio, 1ª série. Alagoas: Dinamus
Sistema de Ensino, 2022.

Obra em 1 v.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO.


CNPJ: 11.582.953/0001-21
Rua Dr. Eurico Ayres, 53 - Tabuleiro do Martins
Maceió – AL.

Obra editada segundo a Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio, homo-
logado pela Portaria nº 1.570, publicada no D.O.U. de 2017.
1 Pontuação

Til é acento?
Aliás: se escreve “acento” ou “assento”?
Se você também se confunde, atenção: ASSENTO é lugar que utilizamos para
sentar; ACENTO é sinal gráfico utilizado nas sílabas tônicas das palavras.
Agora que você não vai mais se confundir, vamos à questão inicial (til é um acen-
to?) que é outra dúvida preliminar que precisamos resolver ao falar de acentu-
ação gráfica.
Desde já fique sabendo que os acentos só podem recair na sílaba tônica da pala-
vra. Sílaba tônica é a famosa sílaba “mais forte” da palavra, aquela que tem um
som mais marcante.
Existem palavras com sílabas onde o til está presente e ela não é a tônica, como
nas palavras “órgão” e “sótão”. Isso ocorre por que o til é considerado como “in-
dicativo de nasalização” da palavra, e não acento.
Sendo assim, embora modifique foneticamente a palavra, a presença do til não
indica, necessariamente, sílaba tônica. Ou seja: o til não é um acento!
Estudar acentuação gráfica pode parecer bobagem, mas quem sabe utilizar cor-
retamente os sinais gráficos com certeza se destaca: saber a tonicidade da sílaba
das palavras garante que tenhamos uma pronúncia adequada de cada vocábulo.
Com isso, evitamos gerar confusão na comunicação. Por exemplo: a palavra
“maiô” (roupa de banho), se for utilizada sem o acento, passa a ser entendida
como “maio” (o mês).
Com o acento circunflexo, a pronúncia fica completamente distinta, tornando a
última sílaba da palavra tônica. Da mesma forma ocorre com o emprego do til.
FONTE: Dinamus Sistema de Ensino.

Lei nº 9.610/98.
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Sumário
Notações léxicas_03
Acentuação gráfica_05
Emprego dos porquês_06
Sinais de pontuação_08
Referências_14

Port. _Contexto

01. De acordo com a leitura inicial, o til é acento? Explique.


02. Ainda de acordo com o texto, qual é a importância de estudar acentuação gráfica?
03. O que é a sílaba tônica?
04. Assinale, dentre as alternativas a seguir, aquela em que a sílaba tônica está corretamente desta-
cada em todas as palavras:

(A) Nobel, abacaxi, ímã.


(B) tulipa, chuchu, funil.
(C) ínterim, bênção, item.
(D) rubrica, pudico, tórax.
(E) anel, ácaro, bússola.

05. Assinale a alternativa em que há um erro de acentuação, corrigindo-o:


(A) chapéu, hífen, idéia.
(B) lápis, rainha, egoísta.
(C) tatuí, régua, taxista.
(D) maracujá, rapé, cipó.
(E) ruim, órgão, túnel.
Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Pontuação
Notações léxicas
Introdução

A língua portuguesa utiliza alguns sinais gráficos para indicar a pronúncia correta das palavras e au-
xiliar na escrita. Esses sinais recebem o nome de notações léxicas. São utilizadas as seguintes notações
léxicas na escrita da língua portuguesa.

Acento agudo (´)

Emprega-se sobre as vogais tônicas a, e e o, para indicar o som aberto; sobre as vogais fechadas i e u,
se forem tônicas; e sobre o e fechado de alguns ditongos nasais em e ens:

As palavras aí estão, uma por uma:


porém minha alma sabe mais.
MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1972

Acento grave (`)

O acento grave indica unicamente a crase, ou seja, a fusão do artigo a com a preposição a:

Certo não, quando ao catar palavras:


a pedra dá à frase seu grão mais vivo.
NETO, João Cabral de Melo. Antologia poética. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979

Acento circunflexo (ˆ)

É empregado sobre as vogais tônicas a, e e o para indicar o timbre fechado:

PORTUGUÊS
Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar [...]
MORAES e POWELL; Vinicius de e Baden. Samba em prelúdio. São Paulo: BMG/RCA, s/d.

Til (˜)

O til indica a nasalidade das vogais a e o:

Pelo sertão não se tem como


não se viver sempre enlutado
NETO, João Cabral de Melo. Agreste: poesia (1981-1985). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

Apóstrofo (')

É empregado para indicar a supressão de um fonema em uma palavra, com a finalidade de evitar ca-
cofonia (sonoridade desagradável, sentido ridículo à expressão ou confusão com a palavra seguinte) ou
repetição:

Mas na minh'alma tudo se derrama...


Entanto nada foi só ilusão

Emprego do hífen

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo Acordo Ortográfico de 1990 (o mais atual, vigente
desde 2009).

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 3


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos, para facilitar a compreensão,
apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim
como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.
As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elemen-
tos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co,
contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri,
proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.

A) Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos: anti-hi-
A palavra sub-humano, no giênico, anti-histórico, co-herdeiro, macro-história, mini-hotel, proto-história, sobre-humano,
acordo ortográfico atual, super-homem, ultra-humano;
se escreve subumano
(nesse caso, a palavra
humano perde o h). B) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia
o segundo elemento. Exemplos: aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, antieduca-
tivo, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, coedição, extraesco-
lar, infraestrutura, plurianual, semiaberto, semianalfabeto, semiesférico, semiopaco;

C) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante
diferente de r ou s. Exemplos: anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoproteção, coprodução, geopo-
lítica, microcomputador, pseudoprofessor, semicírculo, semideus, seminovo, ultramoderno;

Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante, vice-presidente,
vice-campeão etc;

D) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa
Exceção ao emprego do por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos: antirrábico, antirracismo, antir-
hífen, o prefixo co agluti- religioso, antirrugas, antissocial, biorritmo, contrarregra, contrassenso, cosseno, infrassom,
na-se em geral com o se-
gundo elemento, mesmo microssistema, minissaia, multissecular, neorrealismo, neossimbolista, semirreta, ultrarre-
quando este se inicia por sistente, ultrassom;
o: coobrigar, coobriga-
ção, coordenar, cooperar, E) Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar
cooperação, cooptar,
coocupante etc.
pela mesma vogal. Exemplos: anti-ibérico, anti-imperialista, anti-inflacionário, anti-infla-
matório, auto-observação, contra-almirante, contra-ataque, micro-ondas, micro-ônibus,
semi-internato, semi-interno;
PORTUGUÊS

F) Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mes-
ma consoante. Exemplos: hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, sub-bibliotecário, super-racista,
super-reacionário, super-resistente, super-romântico.

Atenção: nos demais casos não se usa o hífen. Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressan-
te, superproteção.

Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.
Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navega-
ção, pan-americano etc.

G) Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por
vogal. Exemplos: hiperacidez, hiperativo, interescolar, interestadual, interestelar, interestudantil, supera-
migo, superaquecimento, supereconômico, superexigente, superinteressante, superotimismo;

H) Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos: além-
-mar, além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, ex-diretor, ex-hospedeiro, ex-prefeito, ex-presidente, pós-
-graduação, pré-história, pré-vestibular, pró-europeu, recém-casado, recém-nascido, sem-terra;

I) Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani (açu, guaçu e mirim). Exemplos: amoré-
-guaçu, anajá-mirim, capim-açu;

J) Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando
não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-
-São Paulo;

K) Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Exemplos: giras-
sol, madressilva, mandachuva, paraquedas, paraquedista, pontapé;

L) Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coin-
cidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte.

4 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Fixando conceitos

01. Comente a função dos sinais gráficos na língua portuguesa.


02. Quais são as exceções ao uso do hífen?
03. O sinal gráfico til (˜) é considerado acento?

Pratique

01. Assinale a opção em que o uso do hífen está empregado corretamente.


(A) ultra-som. (B) auto-escola. (C) co-fundador. (D) peixe-espada. (E) super-interessante.

02. Considere duas orientações estabelecidas pelo Novo Acordo Ortográfico quanto ao emprego do hífen.
• Se o primeiro elemento terminar por vogal diferente daquela que inicia o segundo elemento, escreve-se junto,
sem hífen. Portanto, se as vogais forem iguais, emprega-se hífen.

• Emprega-se o hífen quando o primeiro elemento terminar por consoante igual à que inicia o segundo elemento.

As frases que exemplificam, correta e respectivamente, as orientações são:

(A) O Brasil tem regiões de clima semi-árido. / O serviço de entregas desta empresa é super-rápido.
(B) Este remédio não tem contraindicação. / O Congresso discutirá questões inter-raciais.
(C) A mensagem do presidente foi extra-oficial. / As equipes participaram de um torneio inter-regional.
(D) É necessário repensar a infra-estrutura dos portos. / Ele exerce a função de sub-bibliotecário.
(E) A Europa enfrenta problemas socioeconômicos. / A loja inaugurada recentemente é hiperrequintada.

PORTUGUÊS
Acentuação gráfica
Introdução

O uso dos acentos gráficos nas palavras da língua portuguesa obedece às regras apresentadas a seguir.

Oxítonas

Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em -a(s), -e(s), -o(s). Exemplos: vatapá(s), jacaré(s), rês,
maiô(s), cós.
Também são acentuadas as palavras oxítonas com mais de uma sílaba terminadas em -em, -ens.
Exemplos: vintém, parabéns.

Acentuam-se, ainda, as palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éu(s), -éi(s) e -ói(s).
Exemplos: troféu(s), anéis e herói(s).

Paroxítonas

Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em -l, -n, -r, -x, -ei(s), -i(s), -us, -ão(s), -ã(s), -on(s),
-um, -uns e -ps.
Exemplos: difícil, sêmen, caráter, fênix, pônei(s), táxi(s), vírus, órgão(s), órfã(s), próton(s), álbum, fóruns,
bíceps, aéreo(s).

Nas palavras paroxítonas, não se acentuam mais os ditongos abertos -ei e -oi. Exemplos: geleia, cento-
peia, androide, joia.
As palavras paroxítonas terminadas em -n não são acentuadas no plural (-ns). Exemplos: hifens, polens,
semens.
As palavras paroxítonas terminadas em -em, -ens, não são acentuadas. Exemplos: item, mentem, jovens,
imagens.

Proparoxítonas

Acentuam-se todas as palavras proparoxítonas. Exemplos: álgebra, pólvora, lúcido, relâmpago, trânsito.
Também são acentuadas as palavras terminadas em ditongo crescente (seguido ou não de -s) que pode
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Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

ser pronunciado como hiato. Exemplos: área, idôneo, glórias, espécies, mágoa, trégua, vácuo.

Hiatos

Acentuam-se as vogais -i e -u tônicas dos hiatos quando ficam sozinhas na sílaba ou são seguidas de s.
Exemplos: paraíso, uísque, ciúme, balaústre.
As vogais -i e -u não são acentuadas quando:

• Embora fiquem sozinhas na sílaba, são seguidas de -nh. Exemplos: rainha, ventoinha;

• Embora fiquem sozinhas na sílaba, em palavras paroxítonas, são antecedidas por ditongos.
Exemplos: taoismo, baiuca, feiura;

• Não se acentua a primeira vogal tônica dos hiatos oo e ee. Exemplos: coo, enjoo, veem, leem.

Acento diferencial

É empregado para diferenciar apenas as seguintes palavras paroxítonas: pôde (verbo por na 3ª pessoa
do singular do pretérito perfeito do indicativo) para distingui-la de pode (3ª pessoa do singular do presente
do indicativo).
Não são diferenciadas por acento as palavras: para (preposição) e para (verbo parar); pelo (substanti-
vo), pelo (verbo pelar) e pelo (antiga preposição per + o).

Verbos

Os verbos ter e vir são acentuados, no presente do indicativo, na forma da terceira pessoa do plural,
para diferenciá-la da forma da terceira pessoa do singular. Exemplos: ele tem – eles têm; ele vem – eles
vêm.
Os verbos derivados de ter e vir seguem a regra de acentuação das oxítonas terminadas em -em; a ter-
ceira pessoa do plural tem acento circunflexo para diferenciar-se da terceira pessoa do singular (acento
agudo). Exemplos: ele mantém – eles mantêm; ele provém – eles provêm.

Emprego dos porquês


Introdução
PORTUGUÊS

Na tira, Helga chama o marido para


uma conversa, em tom nada amistoso,
segundo Hagar. Enquanto ela faz uma
severa crítica ao marido, ele mantém-
-se quieto e assustado. É somente após
a crise final da mulher que ele se indaga
a razão de ela aturá-lo. Apesar de seus
defeitos, Hagar parece reagir de forma
diferente.
Observe, na pergunta feita a Helga,
agora em meditação, que ele “sugere”
uma possível resposta para o impasse
dela. O humor reside na atitude ausente
de Hagar, que não compreende as queixas
da mulher e lhe faz uma pergunta evasi-
Figura 1. Hagar.
va, o que deixa Helga confusa. No texto, a
Fonte: SARMENTO 92006, p.71). palavra porque é empregada com senti-
dos e grafias diferentes.
No segundo quadrinho da tira, Hagar empregou a palavra porque, ao explicar que o tom de voz de Helga
sugeria-lhe problemas. Já no penúltimo quadro, Helga usa por que, no início de uma pergunta, e por quê
no final. Observe ainda, no último quadrinho, que Hagar também emprega por que na pergunta dirigida a
Helga.

Por que (separado e sem acento)

(A) por (preposição) + que (advérbio interrogativo): usa-se em perguntas diretas e indiretas e equivale
a por qual motivo ou por qual razão;

Por que (por qual motivo) a água do mar é salgada?


Não sei por que (por qual razão) o setor da saúde no país é tão precário.

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Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

(B) por (preposição) + que (pronome relativo): substitui pelo qual e suas flexões;

O bancário obteve a promoção por que (pela qual) tanto lutou.

(C) por (preposição) + que (conjunção subordinativa integrante): inicia oração subordinada substantiva
e equivale a para que;

O escritor mostrou-se interessado por que (para que) lêssemos seu livro.

Por quê (separado e com acento)

É utilizado somente no final das frases, conforme exemplo a seguir:

A matéria jornalística não ficou pronta por quê? (por qual razão).

Porque (junto e sem acento)

Funciona como conjunção coordenativa explicativa, subordinativa adverbial causal ou final, e equivale a
pois, uma vez que, já que, como, para que, a fim de que.

Leve-lhe um agasalho, porque (conjunção coordenativa explicativa = pois) a noite está fria.
A economia está em crise porque (conjunção subordinada adverbial causal = já que) o preço do
petróleo aumentou.

PORTUGUÊS
Não fales alto porque (conjunção subordinativa adverbial final = para que) eles não te escutem.

Porquê (junto e com acento)

Emprega-se como substantivo, precedido de artigo ou pronome. Equivale a motivo, causa, razão.

Ignoro o porquê (motivo) de sua partida.


A ministra mencionou outro porquê (motivo) da mudança de horário.

Pratique
01. Considere a tirinha a seguir: (A) O setor agrícola brasileiro se desenvolve
__________ investe em novas tecnologias.
(B) Sua ausência revelou-se o __________ de tanta
saudade.
(C) __________ o homem interfere cada vez mais no
meio ambiente?
(D) As passagens para Maceió não foram compradas
__________ ?
(E) Indaguei-lhe __________ aquela viagem lhe faria
(A) A pergunta de Hagar, no primeiro quadrinho, não foi bem.
bem compreendida por seu receptor. Explique por quê. (F) A apresentação do Show __________ aguardáva-
(B) Observe a palavra porque na tira e explique seu em- mos há tempos será neste fim de semana.
prego nos dois casos. (G) A última eleição para prefeito foi anulada
__________ houve fraude.
02. Reescreva as frases, completando-as adequada-
mente com porque, por que, porquê ou por quê.

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Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Sinais de pontuação
Introdução

Os sinais de pontuação são recursos próprios da língua escrita: representam as pausas e entoações da
linguagem oral.
Com acentuada característica subjetiva, a pontuação não possui critérios rígidos a serem seguidos, mas
requer atenção, porque qualquer deslize pode prejudicar a clareza do texto.
Vamos aos principais sinais de pontuação e respectivos empregos.

Vírgula
A pontuação indica na
escrita as várias possi-
A vírgula tem regras de aplicação distintas de acordo com o período em questão (simples ou
bilidades de entonação
da fala, além de ajudar a composto), conforme se verá a seguir:
expressão de pensamen-
tos, sentidos e emoções, (A) Período simples: emprega-se a vírgula no período simples para:
tornando mais clara e
precisa a compreensão do
texto. 1. separar, em uma enumeração, os termos com a mesma função sintática:

Sua observação foi inconveniente, agressiva, irônica, antipática.

Observação: não se usa vírgula se, antes do último termo da enumeração, houver conjunção aditiva e:

Ofereceu-lhe casa, comida e emprego.

2. separar o aposto:
PORTUGUÊS

Fernanda Montenegro, atriz talentosa, recebeu homenagens da imprensa mundial.

3. separar o vocativo:

Bom dia, sr. Hagar.

4. separar adjuntos adverbiais antepostos:

Durante o carnaval, na Bahia, não choveu.

5. separar nomes de lugar, em datas e endereços:

Maceió, 04 de maio de 2022.


Rua do Ouro, número 280.

6. separar palavras ou expressões explicativas:

O diretor titubeou, isto é, não concordou de pronto com a decisão.

8 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

7. indicar a supressão do verbo (zeugma):

Nós preferimos café, e eles [preferem], chá.

Não se usa vírgula, no período simples, entre:

1. o sujeito e o predicado:

A subida até o mirante | deixou a criança fatigada


(sujeito) (predicado)

2. o verbo e seus complementos:

Os cientistas preocupam-se | com o efeito estufa


(verbo) (complemento)

3. o nome e seus adjuntos adnominais e complementos nominais:

A visão | do mar deixava-o absorto


(nome) (adjunto adnominal)

4. dois termos ligados por nem, ou e e:

Não esperou a mim nem a você


Escolha cerveja ou vinho

PORTUGUÊS
(B) Período composto: emprega-se a vírgula no período composto para:

1. separar orações coordenadas não ligadas pela conjunção aditiva e:

Viajou no fim de semana, foi visitar os pais (oração coordenada assindética)

2. separar orações coordenadas pela conjunção aditiva e, que apresentem sujeitos diferentes:

Desfiz as malas, e saímos juntos.

3. separar orações subordinadas adjetivas explicativas:

Suas opiniões, que eram brilhantes, interessavam a todos.

4. separar orações subordinadas adverbiais, sobretudo quanto antepostas à principal (e, de modo geral,
separar as orações subordinadas quando estão deslocadas ou interlocadas):

Embora vivesse no interior, conhecia a agitação dos centros urbanos.


(subordinada adverbial concessiva)

5. separar orações intercaladas ou interferentes:

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 9


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

As ofensas, disse ela, foram graves!

Não se usa vírgula, no período composto:

1. entre a oração principal e a oração subordinada substantiva:

A família decidiu que mudaria para o sul.

2. para separar a oração subordinada adjetiva restritiva intercalada na oração principal:

O estágio que fiz nessa empresa foi proveitoso.

Ponto e vírgula

Emprega-se o ponto e vírgula, que indica uma pausa mais longa que a da vírgula:

1. para separar, em um período de certa extensão, as partes que tenham orações já separadas por vír-
gulas:

Já tive muitas capas e infinitos guarda-chuvas, mas acabei me cansando de tê-los e perdê-los;
há anos vivo sem nenhum desses abrigos, e também, como toda gente, sem chapéu.

2. separar os itens em uma enumeração:


PORTUGUÊS

A prova constará de: a) um estudo de texto; b) cinco questões gramaticais contextualizadas;


c) uma redação sobre o tema abordado no texto.

Dois pontos

Emprega-se o sinal gráfico dois pontos para:

1. introduzir uma fala:

A comissária de voo aproximou-se:


— Os passageiros devem permanecer sentados até o pouso da aeronave.

2. introduzir uma citação:

Pois estava escrito em cima do jornal: em São Paulo a polícia proibira comícios na rua e passeatas;
embora se falasse vagamente em motins de tarde no Largo da Sé.

3. introduzir uma enumeração:

Procurei o motivo do apelido curioso, nada achei semelhante ao objeto da comparação:


um homem atento, grave, de rosto expressivo.

10 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

4. introduzir uma explicação, resumo ou consequência do que se disse antes:

Dez anos depois não passávamos disto: um bando de garotos zombadeiros.

Reticências

Empregam-se reticências:

1. para indicar suspensão do pensamento:

Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de...

2. para indicar dúvida, surpresa ou hesitação:

E as obras de Tormes? A igreja... já haverá igreja nova?

3. para indicar ironia:

O Torres virá mesmo desta vez? Até parece...

Interrogação

PORTUGUÊS
Emprega-se este sinal gráfico nas frases interrogativas diretas:

— Os homens de barco estão armados? Têm armas de fogo? — Perguntei.

Ponto de exclamação

É utilizado após uma interjeição ou frase exclamativa para expressar chamamento, emoções, ordem
ou pedido:

— Estéfano! — Trinculo gritou, reconhecendo o companheiro.


(chamamento)

— A outra boca me chamou! Valha-me Deus! Não é um monstro, é um demônio!


(frase exclamativa) (locução interjetiva) (emoção)

— Saia do meu quarto!


(ordem)

Ponto final

O ponto final indica a pausa máxima. É empregado no final de um período simples (oração absoluta) ou
de um período composto.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 11


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Corria o mês de março de 1603. Era portanto um ano antes do dia em que se abriu esta história.

Aspas

Empregam-se as aspas para:

1. indicar o início e o fim de uma citação:

Segundo Fernando Pessoa, "viver não é necessário, o necessário é criar".

2. destacar uma palavra ou expressão:

O verbo "ficar" vem adquirindo novos significados.

3. conferir outra conotação a determinada palavra:

Os "anjinhos" já estão prontos? o ônibus escolar chegou.

4. marcar o diálogo, em substituição ao travessão:


PORTUGUÊS

"Aquela moça da rua larga", perguntou Marialva.


"Aquela".

Parênteses

Empregam-se os parênteses para:

1. intercalar uma ideia ou uma oração acessória num texto:

Macabéa começou (explosão) a tremelicar toda por causa do lado penoso que há
na excessiva felicidade.

2. nas referências bibliográficas:

Mas quando olhar a mancha viva na minha camisa, talvez faça uma careta e me deixe passar.
(Chico Buarque de Holanda)

3. nas indicações cênicas (rubricas) das peças de teatro. Nas rubricas, marcam-se os movimentos, ges-
tos e expressões que o ator deve fazer:

TOMÁS — É meu, tenho dito.


SAMPAIO — Pois não é, não senhor... (Agarram ambos no leitão e puxam cada um para seu lado)

12 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Travessão

Emprega-se o travessão para:

1. indicar a fala (começo ou fim) e a mudança de interlocutor, nos diálogos:

— Você não precisa de pílulas?


— Que pílulas?
— Essas para acalmar.
— Eu sou calma, disse Luciana com um meio sorriso.

2. enfatizar expressões ou frases:

Impossível escrever o poema — uma linha que seja — de verdadeira poesia.

Pratique

01. Leia a tirinha a seguir: (C) Explique os dois-pontos no terceiro verso.

(D) Na segunda estrofe do primeiro verso, como se justi-


fica o uso dos parênteses.

03. Assinale as frases corretamente pontuadas:


(A) Os alunos angustiados esperam o resultado dos exa-
mes.
(B) Os alunos angustiados, esperam o resultado dos exa-
(A) De que forma o quadrinista produziu humor nesse mes.

PORTUGUÊS
trabalho? (C) Os alunos, esperam, angustiados, o resultado dos
exames.
(B) No primeiro quadrinho, por que se empregou vírgula (D) Os alunos esperam, angustiados, o resultado dos exa-
na frase dita por Helga? mes.
(E) Angustiados, os alunos esperam o resultado dos exa-
(C) Explique o sentido do ponto de exclamação no se- mes.
gundo quadrinho. (F) Os alunos esperam angustiados, o resultado dos exa-
mes.
(D) No último quadrinho, como se explica o emprego das
aspas? 04. Assinale a alternativa em que o período está corre-
tamente pontuado:
02. Leia o poema:
(A) Neste ponto viúva amiga, é natural que lhe pergun-
Carta tes, a propósito da Inglaterra como é que se explica, a
Há muito tempo, sim, que não te escrevo. vitória eleitoral de Gladstone.
Ficaram velhas todas as notícias. (B) Neste ponto, viúva amiga, é natural que lhe pergun-
Eu mesmo envelheci: Olha, em relevo, tes, a propósito da Inglaterra, como é que se explica a
estes sinais em mim, não das carícias vitória eleitoral de Gladstone.
(tão leves) que fazias no meu rosto: (C) Neste ponto, viúva amiga é natural que, lhe pergun-
são golpes, são espinhos, são lembranças tes a propósito da Inglaterra, como é que se explica a
da vida a teu menino, que ao sol-posto vitória eleitoral, de Gladstone.
perde a sabedoria das crianças. [...] (D) Neste ponto, viúva amiga, é natural, que lhe pergun-
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Poesia completa e prosa. Rio de tes a propósito da Inglaterra, como é que, se explica a
Janeiro: Aguilar, 1978.
vitória eleitoral de Gladstone.
(E) Neste ponto viúva amiga, é natural que lhe perguntes
(A) A quem você supõe que é endereçada essa carta em
a propósito da Inglaterra como é, que se explica a vitória
versos? Justifique-se.
eleitoral de Gladstone.
(B) No primeiro verso, por que há vírgulas separando a
palavra sim?

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 13


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Referências
CEREJA e MAGALHÃES, William Roberto e Thereza Cochar. Português: linguagens, volume 1 - ensino mé-
dio. 5.ed. São Paulo: Atual, 2005.
PASCHOALIN e SPADOTO, Maria Aparecida e Neusa Terezinha. Gramática: teoria e exercícios. Ed. renovada.
São Paulo: FTD, 2008.
DE NICOLA, José. Língua, literatura e produção de textos: volume 1 - ensino médio. São Paulo: Scipione,
2009.

Sessão ENEM

01. Escolha a alternativa em que o texto é apresentado com a imaginária de sucesso ou fracasso a partir de como lemos nos-
pontuação mais adequada: sas estatísticas do coraçãozinho vermelho.
No entanto, a empresa afirma que a estratégia, ainda em fase
(A) Depois que há algumas gerações, o arsênico deixou de ser de testes, tem o propósito de permitir que os seguidores se
vendido, em farmácias, não diminuíram os casos de suicídio, concentrem mais nos conteúdos do que em sua repercussão.
ou envenenamento criminoso, mas aumentou e — quanto… o Ora, como? Seria revolucionário mesmo se as curtidas sumis-
número de ratos. sem de vez. O que seria de nós ao postar uma foto e não ter
(B) Depois que há algumas gerações o arsênico, deixou de ser pistas sobre sua aprovação ou reprovação? Seríamos mais li-
vendido em farmácias, não diminuíram os casos de suicídio ou vres de autocensura? Talvez o eterno enigma sobre o que pen-
envenenamento criminoso, mas aumentou: e quanto! o número sam os outros nos tornasse mais criativos.
de ratos. A história fica ainda mais confusa quando acessamos os Stories
(C) Depois que, há algumas gerações, o arsênico deixou de ser e continua lá o desenho de um olhinho seguido pelo número
vendido em farmácias, não diminuíram os casos de suicídio ou de visualizadores de cada capítulo da nossa trama cotidiana.
envenenamento criminoso, mas aumentou — e quanto! — o nú- Acho tão perturbador quanto, por exemplo, o coração de um ex
mero de ratos. numa foto (ou a falta dele), saber quem se interessa minima-
(D) Depois que há algumas gerações o arsênico deixou de ser mente pela nossa vida (e por qual motivo) e, principalmente,
vendido em farmácias — não diminuíram os casos de suicídio, quem não dá a menor bola para o que comemos no almoço, o
ou envenenamento criminoso, mas aumentou; e quanto — o nú- novo corte de cabelo ou as fotos de férias.
mero de ratos. Seja qual for o cenário, seguimos enganchados pelo olhar
(E) Depois que, há algumas gerações o arsênico deixou de ser alheio, ao qual respondemos desde o nascer. As redes sociais
vendido em farmácias, não diminuíram os casos de suicídio ou só escancaram essa operação psíquica, e o Instagram, convém
envenenamento criminoso, mas aumentou; e quanto, o número lembrar, foi a plataforma que nasceu unicamente suportada
de ratos! pela imagem (mas quem passou dos 30, como eu, deve se lem-
brar do saudoso Fotolog).
Em psicanálise, especialmente a proposta por Jacques Lacan,
02. Assinale a alternativa que contém a pontuação cor- um dos fiéis leitores de Freud, o sujeito se constitui a partir de
reta do texto. um olhar externo. Uma linguagem alheia. Uma família anteci-
PORTUGUÊS

pa a chegada do bebê nas palavras que diz e no que imagina


(A) cinco sentidos do homem, ajudam-no a tomar conheci- sobre ele. Funda-se algo aí. Uma mãe ou um pai olham o re-
mento de tudo que, acontece à sua volta, seja um ruído, seja cém-nascido para compreender o que deseja o ser que ainda
uma lâmpada acesa, um odor; qualquer coisa pode atuar so- não fala. Ou seja, somos algo porque primeiro somos olhados e
bre ele como um estímulo capaz de provocar uma associação adivinhados por alguém. Não há escapatória. Estaremos neuro-
significativa. ticamente fadados a repetir essa dança durante toda a vida, de
(B) Os cinco sentidos do homem ajudam-no a tomar conhe- maneiras mais ou menos sintomáticas. Mais ou menos sofridas.
cimento de tudo que acontece à sua volta, seja um ruído, seja O Instagram é só mais um jeito de sermos olhados e, sobre-
uma lâmpada acesa, um odor. Qualquer coisa pode atuar so- tudo, de buscar esse olhar. Não é a rede que nos torna mais
bre ele como um estímulo capaz de provocar uma associação ansiosos, com autoestima em baixa, achando a vida pouco
significativa. colorida em comparação com as demais vidas da timeline. A
(C) Os cinco sentidos do homem ajudam-no a tomar conheci- imagem é nosso problema essencial, dentro ou fora da tela do
mento, de tudo que acontece à sua volta, seja um ruído, seja celular. É com ela que temos de lidar, mesmo que as curtidas
uma lâmpada acesa, um odor: qualquer coisa pode atuar so- estejam escondidas. A gente continua sempre sabendo onde o
bre ele, como um estímulo capaz de provocar uma associação calo aperta.
significativa. Fonte: Anna Carolina Lementy, O Globo, em 19.07.2019. Coluna “Celina”.
(D) Os cinco sentidos do homem, ajudam-no a tomar conhe-
cimento de tudo que acontece à sua volta seja um ruído seja No sexto parágrafo, há a utilização de parênteses. Assinale a
uma lâmpada acesa, um odor. Qualquer coisa pode atuar so- alternativa que descreve CORRETAMENTE tal utilização.
bre ele como um estímulo, capaz de provocar, uma associação
significativa. (A) Trazer uma informação complementar, mas que não altera
(E) Os cinco sentidos do homem ajudam-no a tomar conhe- o sentido contido no enunciado.
cimento de tudo que acontece à sua volta; seja um ruído; seja (B) Trazer uma informação complementar, contrária a que está
uma lâmpada acesa; um odor. Qualquer coisa pode atuar so- expressa fora dos parênteses.
bre ele como um estímulo capaz de provocar uma associação (C) Trazer uma informação complementar em forma de co-
significativa... mentário em que se pode observar a memória da autora.
(D) Trazer uma informação complementar para convencer os
leitores sobre a desumanidade contida nas redes sociais.
03. LIKES ESCONDIDOS NO INSTAGRAM NÃO VÃO AUMENTAR A (E) Trazer uma informação complementar que não melhora a
AUTOESTIMA DE NINGUÉM
argumentação contida no texto.
Descartando-se o sempre pulsante noticiário político, a prin-
cipal novidade da semana talvez tenha sido uma nova política
do Instagram, batizada manchetes afora de “fim dos likes” — ou
das curtidas. Não é bem verdade que os likes acabaram, eles
apenas estão escondidos dos nossos seguidores. Mas podemos,
a qualquer momento, descobrir o alcance de uma foto ou vídeo
postados por nós mesmos.
Primeiro problema, portanto: continuamos sabendo se bom-
bamos ou “flopamos”. E podemos continuar cultivando a ideia

14 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Praticando

01. Leia o texto a seguir. (E) Para garantir a correção gramatical, a oração “Pensa-
mentos terríveis têm essa utilidade:” (ref. 19) deveria ser
Dizer o que se pensa não é sempre uma qualidade escrita com a forma pronominal “esta”, assim: “Pensamen-
Suzana Herculano-Houzel tos terríveis têm esta utilidade:”, uma vez que se tem, aqui,
1
Donald Trump fala o que muitos pensam e não têm coragem uma relação catafórica.
de dizer, 2segundo seus eleitores.
Cheguei aos EUA em 2016 com Obama na Casa Branca e 3assisti 02. Assinale nas alternativas a seguir aquela em que os
4
boquiaberta, poucos meses depois, a uma parcela significati- vocábulos são acentuados graficamente por serem pa-
va da nação eleger uma figura no mínimo controversa. Trump
roxítonos.
parecia imune aos próprios atentados contra os valores ameri-
canos. A razão, louvada por tantos de seus eleitores? “Ele fala o
que muitos pensam e não têm coragem de dizer.” (A) casa, sapo, carro, mesa, relógio.
E ainda faz escola. Já ouvi o mesmo argumento de vários que
5 6
(B) júri, fóssil, hífen, abdômen, oásis.
apoiam presidenciáveis brasileiros. 7Como se dizer o que se (C) livro, fotografia, cachimbo, lápis, régua.
pensa fosse, de fato, sempre algo louvável. Mas não é.
Pensar besteira todo mundo faz, de chegar na mureta do mi- (D) amável, perpétuo, teodiceia, antologia, bênção.
rante e ponderar que “é 8só passar a perna por cima e me jo- (E) história, comentário, ímã, antigo, indústria.
gar” ou olhar para o vizinho e pensar que “se eu o empurrasse,
ele teria morte certa”. 9Evocar associações comuns, como mu- 03. A indústria tecnológica se desenvolveu muito nos úl-
reta e suicídio, é apenas natural para o cérebro, consequência
timos anos. Com isso, a quantidade e a qualidade dos
inevitável do seu aprendizado por repetição.
10
Da mesma forma, 11num 12ambiente em que racismo, homo- produtos eletrônicos surpreendem cada dia mais os
fobia e liberdades tomadas com a vida dos outros ainda impe- consumidores.
ram, 13onde se cresce ouvindo que negros e índios são isso, gays
são aquilo, e 14onde todo útero grávido é propriedade coletiva, Sabendo-se que as palavras em destaque receberam acen-
15
insultar é o impulso mental fácil, mesmo que por repetição, e
não por crença. tos gráficos por serem proparoxítonas, em qual alternativa
16
Pensamentos também são testes de ações mentais e suas há somente palavras cujos acentos foram empregados com
consequências possíveis. Mentalmente, todo mundo um dia base na mesma regra de acentuação?
xinga a mãe, esbofeteia o vizinho, esfaqueia o marido ou pro-
fere insultos racistas e homofóbicos.
(A) bêbado, pública, cáqui, trânsito.
17
Mas a grande maioria para no pensamento, 18horrorizada pela
consequência que suas ações mentais teriam na vida real se (B) mínimo, chapéu, cândida, biquíni.
executadas ou ditas. 19Pensamentos terríveis têm essa utilidade: (C) abadá, tricô, flácido, avô.
20
primatas que somos, com um córtex pré-frontal expressivo, (D) máxima, música, alfândega, obstáculo.
capaz de reconhecer 21más ideias e 22impedi-las de vir à tona, (E) tráfego, ímpeto, sábado, fênix.
não precisamos chegar às vias de fato para aprender a não fa-
zer besteira.

PORTUGUÊS
23
Dizer o que “todo mundo pensa mas não ousa dizer”, portan- 04. Assinale a alternativa cujo vocábulo só pode ser em-
to, não é sinal de coragem, nem de honestidade, mas apenas pregado com acento gráfico:
de falta de controle pré-frontal – ou de mau caráter mesmo.
(Herculano-Houzel, Suzana [bióloga e neurocientista da Universidade Vanderbilt
(EUA)]. Dizer o que se pensa não é sempre uma qualidade. Folha de São Paulo, (A) Diálogo. (B) Até. (C) Análogo.
14/08/2010. Adaptado. Disponível em: http://www.brasilagro.com.br/conteudo/di-
zer-o-que-se-pensa-nao-e-sempre-uma-qualidade.html. Acesso em 11 ago. 2018)
(D) É. (E) Música.

No que concerne a aspectos gramaticais do texto “Dizer o 05. Assinale a opção na qual a palavra em destaque está
que se pensa não é sempre uma qualidade”, é incorreto o acentuada conforme a regra ortográfica vigente:
que se afirma em:
(A) O marido estava com os pêlos do braço emaranhados
(A) A construção “assisti boquiaberta, poucos meses de- por esfregá-los na toalha.
pois, a uma parcela significativa da nação eleger uma figu- (B) Alegando estar com cefaléia, a mulher continuou em
ra no mínimo controversa” (ref. 3) seria, por muitas pesso- silêncio até o final do jantar.
as, escrita da seguinte forma: “assisti boquiaberta, poucos (C) O marido pediu ao garçom uma pêra flambada com
meses depois, uma parcela significativa da nação eleger calda de chocolate para dois.
uma figura no mínimo controversa”. Isso, no entanto, re- (D) A mulher não prestou atenção ao escarcéu que o mari-
presentaria um erro, uma vez que, nesse contexto, o verbo do fez por causa da Internet.
assistir é transitivo indireto. (E) De um pólo a outro, muitos abdicam de uma conversa
(B) No fragmento “Da mesma forma, num ambiente em que ao vivo para usar o WhatsApp.
racismo, homofobia e liberdades tomadas com a vida dos
outros ainda imperam” (ref. 10), a expressão “em que” po- 06. Marque, dentre as alternativas abaixo, aquela em que
deria ser substituída por “no qual” sem que o sentido do os vocábulos são acentuados graficamente por serem
texto e sua correção gramatical fossem prejudicados. oxítonos.
(C) Para garantir a correção gramatical, o fragmento “Mas
a grande maioria para no pensamento” (ref. 17) deveria ser (A) caí, aí, ímã, ipê, abricó.
escrito da seguinte forma: “Mas a grande maioria pára no (B) parabéns, vêm, hífen, saí, oásis.
pensamento”, uma vez que o acento agudo diferencial é (C) vovô, capilé, Paraná, lápis, régua.
necessário em razão de se tratar de uma palavra homó- (D) amém, amável, filó, porém, além.
grafa. (E) paletó, avô, pajé, café, jiló.
(D) No trecho “horrorizada pela consequência que suas
ações mentais teriam na vida real se executadas ou ditas” 07. Assinale a alternativa em que todos os vocábulos são
(ref. 18), há uma elipse de um verbo conjugado na terceira acentuados por se enquadrarem na mesma regra de
pessoa do plural do pretérito imperfeito do subjuntivo. tonicidade:

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 15


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Praticando

(A) Parâmetro, líquido, álbuns, ênfase, tórax. LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. 479 p.

(B) Biquíni, lágrima, fórum, ágil, íon.


(C) Ética, círculo, bíceps, órfão, picolés. Analise as afirmações a seguir conforme o Novo Acordo Or-
(D) Prótese, epígrafe, lápis, néctar, hábito. tográfico.
(E) Parabéns, camelôs, pavê, guaraná, ninguém.
I. A palavra “símbolo” já não possui o acento agudo pre-
08. O uso dos acentos é um recurso gráfico de que se dis- sente no texto.
põe para marcar a sílaba tônica de certas palavras. II. A expressão “pai da Criança” atualmente deve ser grafada
Sabe-se, no entanto, que nem todas as palavras rece- com hífen.
bem acento e que seu emprego depende de algumas III. O termo “histórico” manteve sua grafia anterior ao refe-
regras específicas, dentre elas, a posição da sílaba rido acordo.
tônica. IV. A palavra “auto-apagamento” já não possui o hífen pre-
sente no texto.
Com base nessas informações e nos seus conhecimentos V. O vocábulo “que” do último enunciado atualmente recebe
sobre as regras de acentuação gráfica na língua portugue- acento circunflexo.
sa, assinale a alternativa CORRETA:
Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) afirmação(ões)
(A) As palavras “húmus”, “processos” e “adubo” são paro-
xítonas. (A) II e V. (B) III e V. (C) IV. (D) I e II. (E) III e IV.
(B) Os vocábulos “há”, “você” e “já” são oxítonos.
(C) As palavras “química”, “compostável” e “orgânicos” re- 11. As palavras a seguir, encontradas no texto, foram
cebem acento gráfico porque são proparoxítonas. acentuadas pela mesma razão, exceto
(D) As palavras “além”, “papéis” e “disponível” são acentu-
adas porque são oxítonas. (A) pés. (B) é. (C) dê. (D) após. (E) já.
(E) As palavras “países”, “saúde”, “dióxido” e “água” são
acentuadas com base na mesma regra de acentuação grá- 12. De acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa,
fica. assinale a alternativa em que todas as palavras de-
vam ser acentuadas de acordo com a mesma regra de
09. Analise o cartaz a seguir: acentuação do vocábulo sublinhado na placa a seguir:
PORTUGUÊS

Quanto à acentuação gráfica das palavras em português (A) Facil/animo (substantivo)/apendice.


padrão, marque a alternativa que traz uma informação er- (B) Ingenuo/varzea/magoa (substantivo).
rada: (C) Virus/alcoolatra/unico.
(D) Alibi/antibiotico/monossilabica.
(A) Se assumir a forma substantiva, o adjetivo “compatível” (E) Album/maniaco/amidala.
deixa de ser uma paroxítona e perde o acento gráfico.
(B) Os vocábulos “dá” e “é” acentuam-se por serem monos- 13. Assinale a alternativa em que as palavras, que com-
sílabos tônicos em a e e, respectivamente. pletam a frase abaixo, estão acentuadas corretamen-
(C) As palavras “crespo”, “zero” e “cabelos” não são acen- te:
tuadas graficamente pela mesma razão.
(D) Caso a palavra “poderosa” estivesse no grau superlativo Os tabloides que eles __________, __________ man-
absoluto do adjetivo, perderia o acento tônico de paroxí- chetes curtas que todos __________.
tona e ganharia o acento gráfico que a identificaria como
proparoxítona. (A) leem – tem – veem.
(E) O til, em “atenção” e “volumão”, não é, a rigor, um (B) lêm – teem – vêm.
acento gráfico, mas um sinal indicador de que a letra sobre (C) leem – têm – veem.
a qual se põe tem som nasal. (D) leem – têm – vêm.
(E) lêm – tem – veem.
10. A HUMILDADE DE SÃO JOSÉ
14. Em que opção a acentuação do termo destacado está
São José é o símbolo da humildade. Ele sabia que não era correta?
o pai da Criança e cuidava da virgem grávida como se ele
a tivesse germinado. (A) A prática da leitura constrói cidadãos capazes de en-
São José é a bondade humana. É o auto-apagamento no tender criticamente a realidade.
grande momento histórico. Ele é o que vela pela humani- (B) De acordo com o texto, pessoas que lêem, desenvolvem
dade. o raciocínio e falam melhor.

16 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Praticando

(C) Quando o conferencista enfatizou a importância da lei- cravidão a ocorrência de fugas em massa de escravos das
tura, foi ovacionado pela platéia. fazendas, a ocupação de terras e a realização de rebeliões
(D) A ignorância prepotente deforma por estagnação, pois foram muito importantes para que a Lei Áurea fosse assi-
o indivíduo pára de questionar. nada. A abolição não representou também o fim dos pro-
(E) Se os livros são fundamentais na formação das pesso- blemas sociais para os escravos libertados.3O racismo e a
as, é bom que se averigúem as causas da diminuição da resistência à inclusão dos negros na sociedade brasileira
leitura. após a abolição foram 4também um motivo para se esco-
lher o 20 de Novembro como data para se lembrar dessa
15. No caminho de Montevideo, dirigindo pela rota beira- situação. 5A resistência dos afrodescendentes não se fez
-mar obrigatóriamente voce vai passar pelo porto de apenas no confronto direto contra os senhores e forças mi-
Montevideo, lá existe um mercado muito sofisticado litares, ela também ocorreu no aspecto religioso e cultural,
com ótimos restaurantes. Vale [à pena] uma parada como no candomblé, na capoeira e na música. Relembrar
para almoçar no El Palenque, um dos melhores res- essas características culturais é uma forma de mostrar a
taurantes do Uruguai para comer carnes, é incrivel lá importância dos africanos e de seus descendentes na for-
dentro! Paramos para conhecer, mas não almoçamos mação social do Brasil.
no El Palenque dessa vez, pois estavamos com o al- PINTO, Tales. 20 de Novembro – dia da Consciência Negra. Disponível em: http://
escolakids.uol.com.br/20-de-novembro-dia-da-consciência-negra. Acesso em:
moço marcado na Bodega Bousa e depois a visita a
02/09/2016
vinicola. Seguimos viagem pela rota 5 em direção a
Bodega Bousa (fique atento as placas, pois voce pode
No fragmento a seguir: “O racismo e a resistência à inclu-
passar despercebido por elas).
(http://cozinhachic.com/diario-de-viagemmontevideo-vinicolas-e-restaurantes).
são dos negros na sociedade brasileira após a abolição fo-
ram também um motivo para se escolher o 20 de Novembro
No texto há algumas palavras com erro de acentuação grá- como data para se lembrar dessa situação”. (ref. 3), a regra
fica. Assinale a alternativa que registra todas elas com os de acentuação presente na palavra em destaque é a mesma
erros corrigidos: presente em todas as palavras da alternativa:

(A) Obrigatoriamente, você, incrível, estávamos, vinícola, (A) história, território, consciência.
você. (B) escravidão, áurea, porém.
(B) Montevidéo, obrigatóriamente, você, pôrto, estávamos, (C) próprios, abolição, período.
você. (D) responsável, destruído, vários.
(C) Você, incrível, estávamos, você, pôrto. (E) após, ocorrência, também.
(D) Você, incrível, estávamos, vinícola, você.
17. Leia o poema “Meninos Carvoeiros” abaixo, de Manuel

PORTUGUÊS
(E) Montevidéo, obrigatoriamente, você, incrível, vinícola,
você. Bandeira, escrito em 1921, para responder à(s) ques-
tão(ões).
16. 20 de Novembro – dia da Consciência Negra Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
Em 20 de Novembro comemora-se no Brasil o Dia da Cons-
– Eh, carvoero!
ciência Negra. Foi nesse dia, no ano de 1695, que morreu
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Zumbi dos Palmares. Este foi a liderança mais conhecida
do chamado Quilombo dos Palmares, que se localizava
Os burros são magrinhos e velhos.
na Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. A fama e o
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
símbolo de resistência e força contra a escravidão mos-
A aniagem é toda remendada.
trados pelos palmarinos fizeram com que a data da morte
Os carvões caem.
de Zumbi fosse escolhida pelo movimento negro brasileiro
para representar o Dia da Consciência Negra. A data foi es-
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os
tabelecida pela Lei 12.519/2011. Outro motivo para a escolha
recolhe, dobrando-se com um gemido.)
dessa data foi o fato de que no Brasil o fim da escravidão
– Eh, carvoero!
é comemorado em 13 de maio. Nesse dia, no ano de 1888, a
Só mesmo estas crianças raquíticas
princesa Isabel assinou a Lei Áurea que abolia a escravidão
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
no Brasil. 1Porém, comemorar o fim da escravidão em uma
A madrugada ingênua parece feita para eles...
data em que uma pessoa branca e pertencente à família
Pequenina, ingênua miséria!
real portuguesa, a principal responsável pela escravidão no
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se
Brasil, assinou uma lei pondo fim ao cativeiro faz parecer
brincásseis!
que a abolição foi feita pelos próprios escravistas. Fez com
que a abolição fosse apresentada como um favor dos bran-
– Eh, carvoero!
cos aos negros. A escolha do dia 20 de Novembro serviu,
dessa forma, para manter viva a lembrança de que o fim
Quando voltam, vêm mordendo num pão
da escravidão foi conseguido pelos próprios escravos, que
encarvoado,
em nenhum momento durante o período colonial e impe-
Encarapitados nas alimárias,
rial deixaram de lutar contra a escravidão. Os quilombos
Apostando corrida,
não deixaram de existir 2quando Palmares foi destruído sob
Dançando, bamboleando nas cangalhas como
o comando do bandeirante paulista Domingos Jorge Ve-
espantalhos desamparados.
lho. Vários outros quilombos foram formados nos duzentos
anos após o fim de Palmares. Mesmo nos anos finais da es-

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 17


Formando o leitor e produtor de texto
Capítulo 1: Pontuação

Praticando

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e análise das principais fontes de açúcar na dieta dos brasileiros.
ECENGARGER, William. AIKINS, Mary S. Açúcar, o novo cigarro (adaptado). Revista
com a gramática normativa e tradicional, assinale a alter-
Seleções. Disponível em: <http://www.selecoes.com.br/acucar-o-novo-cigarro>.
nativa em que os vocábulos devam ser acentuados, respec- Acesso: 01 out. 2016.
tivamente, de acordo com a mesma regra de acentuação
dos vocábulos apresentados abaixo, transcritos do poema. No trecho “Os defensores da saúde pública defendem a ideia
de que duas abordagens bem-sucedidas na redução do hábito
Raquíticas – ingênua de fumar são necessárias no combate ao consumo excessivo
de açúcar: a educação do consumidor e a tributação”, as pala-
(A) Interim – inocuo. (B) Orexia – picole. vras destacadas foram escritas corretamente, de acordo com a
nova ortografia da Língua Portuguesa. Assinale a alternativa em
(C) Exangue – exegese. (D) Pandego – bifasico.
que todos os termos também estão grafados conforme prevê o
(E) Ritmista – vacuo.
Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa:

18. AÇÚCAR, O NOVO CIGARRO (A) Ceu e ciberespaço.


(B) Aneis e bem-vindo.
1. Há um setor que vende um produto que faz mal à saúde do (C) Paranóia e pseudociência.
homem. Uma geração atrás, esse era o setor fumageiro, e o (D) Assembleia e mal-criado.
produto era o cigarro. Hoje, é o setor alimentício e o produto é (E) Heroico e benfeitor.
o açúcar. O açúcar adicionado – não o açúcar natural que exis-
te em frutas e legumes – está em tudo. Uma das maiores fontes Nos atuais debates sobre a globalização, como nas discussões
são bebidas como refrigerantes, energéticos e sucos, mas um sobre a pós-modernidade, existe uma pressuposição-chave
passeio pelo supermercado mostra que há açúcar adicionado compartilhada pela maioria dos participantes: a do caráter
a pães, iogurtes, sopas, vinhos, salsichas – na verdade, a quase único da nossa época como a era par excellence da acelera-
todos os alimentos industrializados. ção da mudança cultural e social, da “compressão do tempo-
2. Esse “açúcar invisível” recebe muitos nomes. Nos Estados -espaço” seguindo uma revolução nas comunicações, de uma
Unidos e na Europa, por exemplo, o consumidor pode encontrar economia global dominada por corporações multinacionais, da
até 83 nomes diferentes para o açúcar adicionado. Sobre esse americanização ou até da “McDonaldização” do mundo e assim
assunto, Helen Bond, nutricionista da Associação Dietética Bri- por diante. Em alguns [5] aspectos, nossa época é realmente
tânica, diz: “É um marketing inteligente: palavras como ‘fruto- única, mas assim o foram outras gerações e outros séculos.
se’ fazem pensar que estamos reduzindo o açúcar adicionado, Estamos longe de ser as primeiras pessoas a ficarem preocu-
mas o fato é que estamos polvilhando açúcar branco sobre a padas ou excitadas pela ideia de que nossas experiências são
comida.” Outros especialistas afirmam, ainda, que esse açúcar muito diferentes daquelas das gerações passadas. De fato, se
a mais é completamente desnecessário, pois, ao contrário do definirmos globalização como um processo de contatos cada
que a indústria alimentícia quer que acreditemos, o organismo vez mais intensos – sejam econômicos, políticos ou culturais –
não precisa da energia de nenhum açúcar adicionado.
PORTUGUÊS

entre diferentes partes do mundo, então é necessário admitir


3. No Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saú- que esse processo vem se desenvolvendo há milhares de anos
de, o açúcar adicionado representa da ingestão total de açúcar – com interrupções relativamente menores em alguns lugares,
do brasileiro. Ainda segundo o Ministério, o excesso de açúcar como no Império Romano em declínio. Que esse processo [10]
na dieta é fator de risco para o desenvolvimento da obesidade, de interação entre diferentes partes do globo aumentou sensi-
embora o perigo para a saúde não seja só o desenvolvimento velmente em importância no século XIX, especialmente no fim
desse mal: há indícios que ligam o açúcar a doenças hepáticas, do período, é o tema de dois recentes estudos históricos, de um
diabetes tipo 2, cardiopatias e cáries. Ainda assim, o setor de escritor italiano e de outro, inglês. O primeiro apresenta dois
bebidas e alimentos continua a promover o açúcar, com mui- tipos de globalização: a econômica, relacionada ao surgimento
ta publicidade de seus produtos açucarados. Grandes quantias de um mercado mundial e suas consequências para a vida de
também são empregadas para se opor à rotulagem mais ex- milhões de pessoas; e a ascensão da cooperação internacional.
plícita dos produtos e combater o aumento da tributação de Já o escritor inglês se refere à importância do que chama de
alimentos e bebidas açucarados. “globalização arcaica”, ou seja, a crescente uniformidade nos
4. Os defensores da saúde pública levantam a ideia de que duas sistemas econômicos, sociais, políticos e culturais dominantes
abordagens bem-sucedidas na redução do hábito de fumar em diferentes partes [15] do globo num longo século XIX que
são necessárias no combate ao consumo excessivo de açúcar: vai de 1780 a 1914. Perto do fim do estudo, o inglês enfatiza a
a educação do consumidor e a tributação. Em janeiro de 2014, importância especial do fim do século XIX, ou mais exatamente
o México criou um imposto de sobre bebidas açucaradas, e do período 1890-1914, a época do que chama a “grande acele-
sua venda caiu no primeiro ano. Na França, um imposto sobre
ração” da mudança.
refrigerantes criado em 2012 resultou no declínio gradual do (Peter Burke. Quando foi a globalização? In: O historiador como colunista: ensaios
consumo. A Noruega tributa alimentos e bebidas açucarados e da Folha. RJ: Civilização Brasileira, 2009. Adaptado.)
divulga informações há muitos anos, com bons resultados. Em
março deste ano, o chanceler britânico George Osborne anun- Com relação ao emprego de aspas nas expressões “McDonal-
ciou a criação de um imposto sobre bebidas açucaradas a ser dização”, linha 4 do texto, e “grande aceleração”, linha 16, as-
cobrado de produtores e importadores de refrigerantes. sinale a alternativa que explicita o uso correto em cada uma.
5. Embora tenha havido algum sucesso com a tributação, o
setor de alimentos e bebidas continua a fazer pressão contra (A) As aspas foram usadas, respectivamente, para identificar
informar sobre o açúcar adicionado ao consumidor – mais nome próprio estrangeiro e designação de um conceito.
uma vez, exatamente como fizeram as empresas fumageiras ao (B) As aspas foram empregadas, em ambos os casos, para
combaterem as tentativas do governo de pôr nas embalagens marcar o ponto de vista do autor do texto.
de cigarros mensagens alertando para o perigo de fumar (me- (C) As aspas foram usadas, respectivamente, para indicar a ci-
dida adotada também no Brasil). Na esteira das preocupações tação de uma logomarca comercial e de um neologismo.
em relação ao açúcar, o Ministério da Saúde e a Associação (D) As aspas ressaltam, nos dois casos, o emprego de gírias e
Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) anunciaram de expressão coloquial em texto formal.
recentemente que estudam um acordo para reduzir a quanti- (E) As aspas marcam, respectivamente, um processo híbrido de
dade de açúcar nos alimentos processados, semelhante ao que formação de palavras e outro de concepção autoral.
é feito com o sal. A primeira etapa deve começar em 2017, com

18 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Argumentação
Capítulo
3

Argumentação no texto
dissertativo-argumentativo

Dissertando
FONTE: https://cdn1.unasp.br/blog/wp-content/uploads

Argumentar é persuadir. Persuadir é tentar oralidade será aceita se ela vier como um re- Sobre o texto e a
convencer. Convencer é vencer juntos. Ou curso estilístico. Além disso, a clareza é outra imagem de intro-
seja, para conseguir a adesão do leitor ao estratégia que deve ser perseguida pelo autor; dução
seu ponto de vista, sobre determinado tema, pois, se o texto proporcionar dificuldade de
o produtor textual produzirá um roteiro cogni- entendimento ao leitor, esteja certo que este • De acordo com o texto, o que é
tivo que talvez nem ele se dê conta, mas que não irá aderir à tese daquele. argumentar?
é imprescindível para alcançar o seu objetivo.
A argumentação em um texto deste gênero • Defina o texto dissertativo-ar-
O texto dissertativo-argumentativo é um gê- pode ser de diferentes tipos: autoridade (utili- gumentativo.
nero característico da área científica que tem za-se o pensamento de alguém com referên-
• Discuta em sala: além de
como objetivo modificar ou manter o pensa- cia no assunto); comparação (quando há um
conhecer o tema do qual se
mento do leitor em relação ao assunto, por confronto entre duas realidades diferentes); escreverá, quais são os outros
isso as estratégias argumentativas a serem evidência (pretendendo-se conquistar o leitor requisitos de um bom texto
utilizadas são fundamentais para que o autor por meio de provas) etc. dissertativo-argumentativo?
consiga o seu intento.
Para escrever um bom texto dissertativo-ar-
Essas estratégias argumentativas dizem res- gumentativo, antes de mais nada, você preci-
peito, também, à variante padrão e ao reper- sa conhecer muito bem o tema, o propósito e
tório linguísticos a serem utilizados pelo pro- o objetivo do seu texto.
dutor textual. Mas não se esqueça de que a
FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

Argumentar
PORTUGUÊS

Introdução
Por meio do raciocínio lógico e da articulação de conhecimentos de diversas áre-
as, o discurso argumentativo defende um ponto de vista, procurando levar o interlocutor
a concordar com a posição defendida. Ao longo da história, foram registrados discursos
argumentativos decisivos, como o proferido pelo filósofo grego Sócrates durante seu jul-
gamento, no século IV a.C., pouco antes de sua condenação à morte.
Argumentar é fundamental para o exercício da cidadania, por isso você vai entrar
Charge - Redução da maioridade penal. em contato com três gêneros centrados na argumentação: a dissertação escolar, que
FONTE: http://omega.segundoano.zip.net/
ajuda o estudante a se preparar para provas seletivas; a carta de reclamação, que é um
instrumento relevante de atuação social; e a mesa-redonda, que pode ampliar a capaci-
dade argumentativa na modalidade oral.

Dissertação escolar
Em linhas gerais a dissertação se constitui por uma composição escrita, criteriosamente organi-
zada à luz da norma culta, em que se fala sobre o tema apresentado e discute com argumentos, exemplos,
pesquisas, etc. Sua estrutura é comumente conhecida por três partes: a introdução – apresentação da ideia
principal de acordo com o tema; o desenvolvimento – a parte onde desenvolve-se o argumento (conjunto de

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declarações, proposições); e a conclusão – o resumo das ideias discutidas, o resultado final.
A dissertação escolar é um importante espaço para a expressão do pensamento crítico e a tomada
de posição sobre temas importantes para a sociedade.
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


A proposta de dissertação a seguir foi publicada em 2014 pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que teve como tema “Publicidade
infantil em questão no Brasil”. Leia os textos motivadores.

TEXTO I
A aprovação, em abril de 2014, de uma resolução que considera abusiva a publicidade infantil, emitida pelo Conselho Nacional de Direitos da
Criança e do Adolescente (Conanda), deu início a um verdadeiro cabo de guerra envolvendo ONGs de defesa dos direitos das crianças e setores
interessados na continuidade das propagandas dirigidas a esse público.
Elogiada por pais, ativistas e entidades, a resolução estabelece como abusiva toda propaganda dirigida à criança que tem “a intenção de
persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” e que utilize aspectos como desenhos animados, bonecos, linguagem infantil,
trilhas sonoras com temas infantis, oferta de prêmios, brindes ou artigos colecionáveis que tenham apelo às crianças.
Ainda há dúvidas, porém, sobre como será a aplicação prática da resolução. E associações de anunciantes, emissoras, revistas e de empre-
sas de licenciamento e fabricantes de produtos infantis criticam a medida e dizem não reconhecer a legitimidade constitucional do Conanda para
legislar sobre publicidade e para impor a resolução tanto às famílias quanto ao mercado publicitário. Além disso, defendem que a autorregula-
mentação pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) já seria uma forma de controlar e evitar abusos.
IDOETA, P. A.; BARBA, M. D. A publicidade infantil deve ser proibida? Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 23 maio 2014 (adaptado).

TEXTO II

34 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
TEXTO III
Precisamos preparar a criança, desde pequena, para receber as informações do mundo exterior, para compreender o que está por trás da
divulgação de produtos. Só assim ela se tornará o consumidor do futuro, aquele capaz de saber o que, como e por que comprar, ciente de suas
reais necessidades e consciente de suas responsabilidades consigo mesma e com o mundo.
SILVA, A. M. D.; VASCONCELOS, L. R. A criança e o marketing: informações essenciais para proteger as crianças dos apelos do marketing infantil. São Paulo: Summus, 2012 (adaptado).

01. Releia o primeiro texto motivador da proposta do ENEM 2014 e responda às questões a seguir.

a) Qual é o significado da sigla Conanda?


b) Qual é o significado da sigla Conar?
c) O que propõe a resolução do Conanda, aprovada em 2014?
d) Explique a polêmica em torno dessa resolução apresentada no trecho do TEXTO I?

02. Observe o infográfico presente na coleção de textos motivadores e responda aos itens a seguir.

a) O infográfico apresenta informações sobre que tipo de publicidade?


b) Quais são os critérios de comparação utilizados no infográfico?
c) Quais são os países mais rigorosos em relação ao tipo de publicidade tratado? E os menos rigorosos? Justifique.
d) De acordo com os TEXTOS I e II, há leis para esse tipo de publicidade no Brasil? Por quê?

03. Releia com atenção o terceiro trecho inserido na proposta do ENEM “Publicidade infantil em questão no Brasil” e responda às questões.
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a) Na sua opinião, por que uma criança desde pequena precisa “compreender o que está por trás da divulgação de produtos”?
b) Quem é o consumidor do futuro segundo o TEXTO III?
c) Na sua opinião, que medidas devem ser adotadas para que esse “consumidor do futuro” possa existir?

04. Antes dos textos motivadores, o ENEM apresenta um texto com a proposta de redação. Leia a proposta original de 2014.

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-
-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema Publicidade infantil em questão no Brasil, apresentando proposta de intervenção,
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

a) Que conhecimentos o candidato ao ENEM deve mobilizar para atender à proposta de redação?
b) Explique o que significa “proposta de intervenção” de acordo com a proposta de redação do ENEM.

O direito à literatura
Introdução: o autor do texto anuncia a
situação de produção, situa seu tema
O assunto que me foi confiado nesta série é aparentemente meio desligado dos problemas reais: em um contexto maior e justifica a
“Direitos humanos e literatura”. As maneiras de abordá-lo são muitas, mas não posso começar a falar abordagem escolhida.
sobre o tema específico sem fazer algumas reflexões prévias a respeito dos próprios direitos humanos. [...]
[...] pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos
indispensável para nós é também indispensável para o próximo. Esta me parece a essência do problema, 1ª fase do argumento: “premissa
inclusive no plano estritamente individual, pois é necessário um grande esforço de educação e autoeduca- maior” – afirmação geral, que liga um
ção a fim de reconhecermos sinceramente este postulado. Na verdade, a tendência mais funda é achar que conjunto de elementos.
os nossos direitos são mais urgentes que os do próximo.
[...] a literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os
tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em 2ª fase do argumento: “premissa me-
contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz nor” – afirmação particular.
de passar vinte e quadro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. [...]
Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia,
3ª fase do argumento: resultado ne-
a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal,
cessário das afirmações anteriores.
que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. [...]
Portanto, a luta pelos direitos humanos abrange a luta por um estado de coisas em que todos possam
ter acesso aos diferentes níveis da cultura. A distinção entre cultura popular e cultura erudita não deve
servir para justificar e manter uma separação iníqua, como se do ponto de vista cultural a sociedade fosse Conclusão final: a luta pelos direitos
humanos inclui a democratização da
dividida em esferas incomunicáveis, dando lugar a dois tipos incomunicáveis de fruidores. Uma sociedade
arte e da literatura.
justa pressupõe o respeito aos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalida-
des e em todos os níveis é um direito inalienável.
(Texto do sociólogo Antonio Candido – CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul; São
Paulo: Duas Cidades, 2004, p. 169, 172, 174-175, 191.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 35
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

Em “O direito à literatura”, Candido diz ter sido incumbido de tratar de um tema que ainda não se
PORTUGUÊS

encontrava problematizado: “Direitos humanos e literatura”. Podendo abordá-lo de muitas maneiras, o autor
preocupa-se em contextualizá-lo entre os “problemas reais” e mobiliza seus conhecimentos para definir uma
tese: a literatura é parte da luta pela defesa dos direitos humanos.
Definir uma tese significa posicionar-se em relação a uma questão controversa, que afeta a vida
das pessoas (no plano individual ou no plano coletivo) e cuja resposta pode ser formulada de mais de uma
maneira. Essa resposta não admite demonstração científica e, por isso, permanece no campo da opinião.
A postura crítica exige que argumentos sustentem um ponto de vista. Para defender sua tese,
Candido desenvolve seu texto em torno de uma único argumento lógico. Veja como ele pode ser expresso
por um silogismo.

01. Formule uma tese a respeito de cada um dos temas a seguir.

A. A escolha dos representantes políticos pelos brasileiros.


B. Cotas raciais e/ou sociais nas universidades.

02. Copie e complete as sequências argumentativas. Siga o exemplo.

Premissa maior Premissa menor Conclusão


O que impede uma relação direta com a realida- Imagens impedem uma relação direta com a

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Imagens podem legitimar regimes autoritários.
de pode legitimar regimes autoritários. realidade.
a) O que transmite juízo de valor pode influenciar
Imagens transmitem juízos de valor. ************************************
as pessoas
b) Aquilo que assegura a reprodução da ideolo- O cinema hollywoodiano sustentou a ideologia
************************************
gia dominante a sustenta. do “estilo de vida americano”.
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


O ser humano é capaz de se expressar por íco-
c) ********************************* O ser humano é capaz de imaginar.
nes.

Carta de reclamação
A carta de reclamação é um importante instrumento para o exercício da cidadania e do direito do
consumidor. É um gênero textual argumentativo, porque a reclamação deve ser justificada.

A carta de reclamação a seguir foi enviada por e-mail à empresa responsável pelo serviço em questão e depois reproduzida no blog do autor.
Rafael Donelli, morador de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, aparece na carta com seu nome real, assim como a Metroplan, órgão público
do governo estadual gaúcho que fiscaliza os serviços de transporte metropolitano. O nome da empresa foi trocado. Leia o texto e responda às
questões.

[E-mail enviado dia 29/9/2008, às 13:35]


Para: SAC Estelar Transportes <sac@estelartransportes.com.br>
Cc: SAC Metroplan <saac@metroplan.rs.gov.br>

Assunto: Linha: Canudos-Porto Alegre (Praia de Belas, seletivo metropolitano) – horário de saída 6:30

Venho reiterar a reclamação efetivada junto à Metroplan a respeito da Empresa Estelar Transportes, por não cumprir os horários e,
portanto, provocar meu atraso junto à empresa onde atuo (Conselho Regional de Contabilidade do RS).
Infelizmente é o quarto dia seguido que, por função da troca de motorista, estamos chegando atrasados. Como o horário de saída
é às 6:30 é inadmissível que, mesmo com o trânsito apresentado, cheguemos após as 8:30 no bairro Cidade Baixa, especificamente
junto ao Ipergs [Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul].
Esses reiterados atrasos estão me causando profundo constrangimento junto à coordenação e direção da organização onde traba-
lho, pois possuímos avaliação sistemática, na qual um dos indicadores de desempenho é a PONTUALIDADE!
Com o motorista anterior, o Sr. Luz, chegávamos a tempo de cumprir os horários. Infelizmente, segundo relatos de outros passagei-
ros, o motorista experiente na sua função parece ter sofrido alguma sanção disciplinar na qualidade de retirá-lo da linha.
Pois toda sanção disciplinar aplicada a um funcionário, se for esse o caso em questão, seja de que natureza for, NUNCA DEVERÁ
PREJUDICAR O CLIENTE.

36 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
Posto que me sinto profundamente prejudicado e não tenho mais explicações plausíveis para minha coordenação, aguardo de sua
parte um memorando pelo qual eu possa explicar os motivos de meu atraso junto à minha Direção.
Infelizmente hoje, mesmo após a troca do motorista, não somente chegamos atrasados, como também fomos ultrapassados e
chegamos posteriormente ao ônibus que faz o horário das 6:50, pelo motorista Dilamar.
É inadmissível que, saindo antes, pegando menos ou o mesmo trânsito, isso venha a ocorrer.
Logo, somente posso afirmar que uma sucessão de erros deve estar sendo cometida pela Estelar Transportes e que não somente
eu, mas vários passageiros, estão bastante descontentes.
Dessa forma, na minha humilde opinião, vários critérios operacionais devem ser revistos e, como não é de minha índole somente
reclamar, deixo as seguintes sugestões:

a) Acompanhamento dos procedimentos operacionais: até hoje NUNCA vi um fiscal ou analista de processos, devidamente identificado,
que esteja no ônibus acompanhando como funciona o processo de cobrança, tampouco controlando o fluxo de passageiros ou o tempo
dos processos. A saber, o Sr. David Neeleman, da Jetblue, empresa de aviação americana líder no seu mercado, sempre acompanha
pessoalmente alguns voos para saber o nível de satisfação dos CLIENTES, bem como avaliar seu próprio serviço. Fica a sugestão de
algum diretor da Estelar Transportes acompanhar pessoalmente uma de nossas viagens! Ficaria feliz em recebê-lo junto à parada em
frente à Fenac/NH [Novo Hamburgo], para acompanhá-lo e trocar algumas ideias!

b) Horários: como parece não haver controle sobre fluxo de passageiros, fica a sugestão de que seja feita uma análise sobre o número
de passageiros médios por parada, pois, quanto mais passageiros entram e descem, mais atrasado chegará o ônibus, levando-se em
consideração os tempos de resposta de aceleração e frenagem. Claro que a dupla função do motorista em dirigir e cobrar também é um
empecilho, atrasando ainda mais. Contudo esse segundo item deverá ser minimizado com a bilhetagem eletrônica, caso realmente seja
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adotada (em breve). Caso necessário, que seja efetivada a antecipação do horário de saída, pois a mim, como usuário, parece claro que
o número de passageiros vem aumentando, tanto em função da menor disponibilidade de bancos já na minha parada, como pela falta
de oportunidades de trabalho em NH e Vale, o que provoca uma migração para concursos e vagas supridas pela capital.

c) Restauração de motorista com experiência na linha: infelizmente tenho que dizer que gostaria muito de ver o Sr. Luz de volta à sua fun-
ção, não pela pessoa simpática e sorridente que sempre nos recebia (e isso é bom para a empresa), mas pela competência na função.

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

d) Processo de Tomada de Decisão: esse é um item controverso, pois como passageiros não temos conhecimento de como é o proces-
so de tomada de decisão do motorista em alterar o itinerário original. Por várias vezes nosso ônibus sofreu alterações no itinerário, não
somente na última semana, assim como também nos horários de final de tarde. Contudo, a decisão do motorista é baseada em que fato
analítico? Sorte? Pois várias vezes ficamos trancados no trânsito de uma via alternativa, quando a via principal parecia fluir com relativa
naturalidade. Assim, sugiro que a Estelar Transportes, junto aos demais órgãos metropolitanos, institua um sistema de monitoramento
de tráfego que possa, via rádio talvez, instruir os motoristas a tomar a melhor decisão baseada em fatos e não na “sorte”. Chamamos
isso de sistema de apoio à decisão.

Sem mais para o momento, aguardo por sua apreciação.

Rafael Donelli – Analista de sistemas


Rafael Donelli é bacharel em Informática, colabora com projetos de software livre e mantém o site <www.temperoverde.com.br>.
Disponível em: <http://www.temperoverde.com.br/old/transporte/index.html>. Acesso em: 8 jan. 2016

01. Que informações o cabeçalho do e-mail apresenta? Que outras informações poderiam ser encontradas no cabeçalho de uma carta?

02. Releia os quatro primeiros parágrafos do e-mail. Observe que o início do texto apresenta os motivos da reclamação.

a) Qual é a reclamação de Rafael Donelli?


b) Que detalhes relatados por Donelli reforçam o prejuízo pessoal sofrido por ele?
c) Segundo o autor do e-mail, o que deu origem à situação da qual ele reclama?

03. O autor da carta solicita da empresa uma atitude concreta para minimizar seu prejuízo individual.

a) Em qual parágrafo essa solicitação está localizada?


b) Explique com suas palavras em que consiste essa solicitação.

04. Esta não é a primeira vez que Rafael Donelli reclama da empresa de transportes.

a) Localize no primeiro parágrafo a palavra que comprova tal afirmação. Anote-a no caderno.
b) No terceiro parágrafo, Donelli utiliza um adjetivo, para se referir aos repetidos atrasos na chegada do ônibus, que pertence à mesma família da
palavra que você localizou no item anterior. Localize-o e registre-o no caderno.

05. Na expressão “tempos de resposta de aceleração e frenagem”, as palavras aceleração e frenagem estabelecem uma relação de antonímia,
Qual é, portanto, o significado desta última?

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 37
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

Ao construir seu discurso argumentativo, o autor da carta de reclamação selecionou dados que
PORTUGUÊS

comprovassem a legitimidade de sua queixa. Além disso, fez uma interpretação desses dados (nem sem-
pre de forma explícita). Finalmente, organizou-os de maneira a aumentar as chances de ter sua solicitação
atendida.
Com relação às causas do problema identificado, apresentou-as de duas formas distintas:

• Em forma de queixa, sustentada por argumentos (a substituição do motorista experiente foi o


motivo do atraso – antes, os atrasos não aconteciam);
• Em forma de sugestões (acompanhar procedimentos operacionais, controlar fluxo de passageiros,
instituir processo de tomada de decisão).

Quanto aos fatos apresentados pelo autor da carta, eles indicam uma interpretação que reforça a
gravidade da situação:

• O atraso ocorre há quatro dias seguidos – portanto, não se pode afirmar que o problema tenha
acontecido de forma isolada;
• A viagem de Novo Hamburgo a Porto Alegre tem levado duas horas – logo, não se pode dizer que
seja um atraso pequeno;
• O ônibus das 6h30 chegou ao seu destino depois do ônibus das 6h50 – portanto, não se pode
atribuir o atraso ao trânsito.

Finalmente, o autor apresenta duas consequências do problema relatado:

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• Prejuízo pessoal (na empresa em que trabalha, a pontualidade é indicador de desempenho);
• Descontentamento dos demais passageiros.
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


01. Observe no quadro a seguir as características do texto que você vai produzir.

Gênero textual Público Finalidade Meio Linguagem Evitar Incluir

Relatar os proble-
Formal e objetiva; Fatos e dados
mas ocorridos e
Carta de recla- empresa ou insti- primeira pessoa do Informações técnicos do pro-
argumentar em Carta ou e-mail
mação tuição reclamada discurso; fórmulas vagas; tom hostil blema; prazo para
favor de seus
textuais da carta solução
direitos

02. Defina os dados específicos: marca e modelo do produto, nome da empresa ou instituição, valores pagos, serviços que seriam realizados,
datas e locais dos acontecimentos.

03. O que aconteceu exatamente? Faça uma lista dos fatos que serão apresentados na carta.

04. Defina os argumentos que justificam a reclamação contra a empresa ou instituição.

05. Escolha as fórmulas textuais mais apropriadas para sua carta de reclamação.

Textos de jornal
Introdução
De modo geral, uma notícia de jornal é uma mini narrativa com pas-
sagens descritivas. E o poeta, ao criar um poema a partir de uma notícia de
jornal, conserva composições linguísticas que caracterizam as sequências
descritivas e as sequências narrativas.

Observe a manchete a seguir:

38 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
Poema tirado de uma notícia de jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da


[Babilônia num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira.

• No primeiro verso, observamos uma sequência descritiva, pois temos um período em que a
conjunção aditiva e une duas orações que não expõem uma sucessão temporal, mas, sim, a apre-
sentação do estado de um ser num determinado momento do tempo;

• Nos versos seguintes, observamos uma sequência narrativa, pois temos o quando (uma noite), o
onde (o bar Vinte de Novembro) e “um encadeamento de sequências constituídas de eventos tempo-
ralmente relacionados (evento temporal 1, evento temporal 2 etc.), unidos pela conjunção aditiva, de
modo que e = depois”. Como comenta o jornalista Nilson Lage: primeiro ele chegou no bar, depois
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bebeu, depois cantou, depois se atirou na Lagoa e depois morreu afogado. A sequência do poema
não apresenta a conjunção aditiva (subentendida, claro), lançando mão de orações assindéticas,
o que resulta num texto mais conciso; apenas o último evento aparece introduzido pela conjunção
aditiva. Destaque para a expressividade do advérbio depois introduzindo o último verso.

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

Mais uma detalhe: outra característica da narrativa é o clímax e o anticlímax; o primeiro é o instante
decisivo da ação e da intensidade emocional de uma narrativa; o segundo acontece quando o final contraria
a expectativa criada, como no poema.

Os textos jornalísticos
O jornal, como se sabe, é um meio de comunicação (um produto de consumo, um órgão informa-
tivo), com influência na formação da opinião pública e também passível de manipulação das notícias nele
veiculadas.
Dentre os tipos de texto jornalístico, os mais comuns são a notícia, o editorial e a crônica.

A notícia (ou texto informativo) é a base do jornal, tendo como função a transmissão de informa-
C
ções de fatos acontecidos, que estão acontecendo e/ou que irão acontecer. Ao observar seu estilo e estrutura Uma sequência textual é
textual, podemos destacar que: um conjunto de elementos
(palavras) que possibi-
lita que um texto tenha
• há uma velha fórmula para a notícia: Q – Q – Q – O – C – PQ. Ou seja: o quê, quem, quando, onde, características narrativas,
como, por quê. Não existe uma ordem predeterminada; ela é estabelecida pelas circunstâncias que descritivas, argumentati-
vas e/ou injuntivas. Desse
envolvem cada notícia. Para um determinado fato, o mais importante é quem; para outro, quando, modo, as sequências
e assim por diante. podem determinar se o
texto será predominante-
mente do tipo narrativo,
• a notícia trabalha fundamentalmente com informações e apresenta quase exclusivamente a função descritivo, argumentativo
referencial (ou informativa) da linguagem. A intenção é transmitir ao leitor dados da realidade de ou injuntivo.
uma forma direta e objetiva. Por isso, as notícias são escritas em terceira pessoa e o produtor do
texto não se revela, procurando não emitir – embora isso seja quase impossível de acontecer – juí-
zos de valor. Predominam os verbos no modo indicativo.

• geralmente predomina um de três tipos de sequências textuais (composições com determinadas


características linguísticas) mais comuns: sequência narrativa – quando a informação está centra-
da numa mini narrativa (narra-se um fato, em que há sucessão de ações, localizando-o no tempo e
no espaço), na qual o narrador (o jornalista produtor do texto noticiário) tenta passar despercebido
(não há posicionamento, nem comentários por parte dele, só a narração); sequência descritiva
– quando a informação está centrada na apresentação do estado do fato, seja um ser, uma coisa,
um lugar etc.; ou sequência explicativa – quando a informação está centrada na passagem de um
conhecimento específico.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 39
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação
PORTUGUÊS

Novo terremoto atinge a Indonésia

Mais um forte terremoto subaquático atingiu ontem a Indonésia, fazendo com que centenas de pessoas abandonassem suas casas
em pânico. O abalo, que mediu 6,8 graus na escala Richter, foi sentido com maior intensidade na cidade de Padang, no oeste da ilha de
Sumatra. Não houve registro de vítimas ou grandes estragos. Ondas de choque posteriores ao terremoto principal se seguiram. A mais
forte delas mediu 6,3 graus Richter.
Folha de S. Paulo, 11 abr. 2005. Mundo.

Qual é o nome científico? Terremoto, maremoto ou tsunami?

O evento geológico que ocorreu na Ásia, segundo os especialistas, foi um terremoto de 9 graus na escala Richter, cujo epicentro
estava localizado no leito do mar, a 10 quilômetros de profundidade na costa de Sumatra.
O maremoto ou tsunami – as palavras significam a mesma coisa – é o efeito causado por esse tremor na água do mar, que leva à
formação de ondas gigantes na superfície.
A crosta terrestre está dividida em placas tectônicas, que se movem em direções diferentes e travam um interminável jogo de em-
purra-empurra. Os terremotos ocorrem quando há um movimento mais brusco dessas placas, que podem escorregar para os lados, para
cima ou para baixo umas das outras.
Os maremotos ou tsunamis (palavra japonesa) ocorrem quando há um terremoto no leito marinho envolvendo movimento vertical de

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uma das placas. A terra empurra a água para cima, causando a formação de ondas na superfície.
O que matou a grande maioria das pessoas no domingo, portanto, foi um maremoto, ocasionado por um terremoto.
O Estado de S. Paulo, 29 dez. 2004. ou http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=24375.
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01. Identifique quais são os elementos da fórmula Q-Q-Q-O-C-PQ destacados no corpo de cada uma das notícias.
02. Considerando o caráter da informação trazida em cada uma das notícias e a composição textual:

a) identifique a sequência textual predominante em cada uma delas.


b) exemplifique a sua resposta anterior com características linguísticas encontradas nos textos analisados.

03. Manuel Bandeira criou um poema (página 43) a partir de uma notícia de jornal. Faça o trabalho contrário: a partir do poema, reconstrua a
notícia.

O editorial (ou texto argumentativo) é o texto que reflete a opinião do jornal. Por isso, não vem
assinado por um jornalista (todo texto não assinado é de responsabilidade da Redação do jornal). Caracteri-
za-se por ser um texto argumentativo (tem, portanto, sua força nos argumentos) no qual predomina a função
referencial da linguagem.
No Novo Manual de Redação, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, encontram-se as seguintes
orientações:

Editorial – texto que expressa a opinião de um jornal. Na Folha, seu estilo deve ser ao mesmo tempo enfático e equilibrado. Deve evitar
a ironia exagerada, a interrogação e a exclamação. Deve apresentar com concisão a questão de que vai tratar, desenvolver os argumentos
que o jornal defende, refutar as opiniões opostas e concluir condensando a posição adotada pela Folha. Nada impede que o jornal mude de
opinião sobre determinado assunto. Neste caso, deve dizê-lo com clareza. Os editoriais são publicados na segunda página do jornal e, em
casos excepcionais, na primeira. Não são assinados. Os editoriais não dirigem o noticiário, mas temas que neles aparecem com frequência
devem ser explorados pela reportagem. A Folha procura publicar artigos assinados que discordem das posições dos seus editoriais.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/manual–texto–e.htm.

No Manual de Redação e Estilo, publicado pelo jornal O Globo, observamos as seguintes conside-
rações sobre os textos de opinião:

40 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
Deve-se evitar, com exceção de momentos muito especiais, o comentário que apenas registra pasmo, admiração ou indignação. Esses
sentimentos, principalmente a indignação ante o interesse público defendido, são importantes, mas não bastam: precisam estar apoiados em
fatos e acompanhados de argumentos lógicos que conduzam a uma conclusão concreta. (...) O editorial realmente útil suplementa a notícia
com pesquisa e informação adicional. Sim isso, será difícil escapar de observações superficiais e conclusões padronizadas. A opinião pode
ser manifestada de forma leve, irônica ou séria, seca, mas lhe é proibido ser pomposa ou solene. Alguns textos do jornal parecem usar roupa
esporte, outros, vestem terno e gravata. O editorial está quase sempre no segundo caso, mas não usa fraque, beca ou toga.
GARCIA, Luiz. O Globo – Manual de Redação e Estilo. São Paulo: Globo, 2001.

Como você observa, as orientações para a redação de um editorial são as mesmas para a redação
de um texto argumentativo. Ao apresentar sucintamente uma questão, você está redigindo a introdução; ao
desenvolver seus argumentos e refutar possíveis argumentos contrários, estará estruturando a argumen-
tação; ao finalizar, expondo de modo condensado a sua posição, você montará a conclusão. A linguagem
deve ser sóbria e objetiva; a conotação, a linguagem figurada, a ironia, os eufemismos devem ser usados
com parcimônia.
Considerando as sequências textuais, podemos dizer que o editorial tem a predominância de se-
quências argumentativas, já que temos a apresentação de um posicionamento, na tentativa de conseguir
adesão por parte do leitor: não se trata apenas de passar uma informação, mas de manifestar uma opinião a
respeito de um assunto de maneira persuasiva e convincente.

Reproduzimos, para uma breve análise, o editorial do jornal O Liberal, edição de 12 de abril de 2005:
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Privilégios intoleráveis Eis um grande equívoco que precisa ser urgentemente re-

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movido. Práticas correntes, hábitos arraigados, costumes dis-


A posse de um filho seu como superintendente federal da seminados em vários espectros do corpo social, absolutamente
Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Pernambuco ofereceu- nada disso é suficiente para incorporar a legitimidade necessária
-se ao presidente da Câmara dos Deputados como uma nova a procedimentos intoleráveis seja do ponto de vista legal, seja do
oportunidade para que ele externasse, sem meias-palavras, sua ponto de vista ético.
convicção de que o nepotismo, ao contrário do que indica o sen- Não é porque o nepotismo assumiu há séculos, em vários
so geral, não é de todo repulsivo. âmbitos da Administração Pública brasileira, um contorno de
No seu caso, pelo menos, repetiu ordem moral ou ética em assustadora banalidade que todos deveremos admiti-lo como
brindar um deles com um cargo de confiança, que só deve ser prática saudável e legítima. Longe disso. Admitir tal possibilidade
entendimento pessoal de que criou bem os filhos e não vê qual- seria a mesma coisa que adotar o homicídio como algo abso-
quer embaraço de o destinado, conforme acentuou, justamente lutamente admissível só porque todos os dias, em todo o País,
a quem merece confiança. E mais: ressaltou que, se há algum centenas de pessoas têm a vida ceifada por bandidos.
Poder que deve dar bom exemplo sobre nepotismo, este é o Po- É duro reconhecer que o nepotismo não se combaterá ape-
der Judiciário. nas com mais leis. Só será banido da cena brasileira quando a
A discussão, travada por esse viés, guarda uma armadilha: a Administração Pública profissionalizar-se num nível que a faria
de que o privilegiamento de parentelas, em qualquer nível e esfera sempre pairar acima de poderes, de governos, humores e estilos,
de poder onde isso ocorra, seria eticamente aceitável porque é sejam quais forem. Se essa profissionalização não passa de uma
prática corrente tanto no Executivo, como no Legislativo e no utopia é porque a classe política prefere que tudo fique como está
Judiciário. para alegar, frequentemente, que o nepotismo é admissível só
porque todos o praticam.

O Liberal, Belém, Pará, 12 abr. 2005.

01. Releia as indicações dos manuais para a redação de um editorial não poluir o meio ambiente. Por outro lado, pelo menos US$ 16 bi-
e comente o texto acima, considerando suas características princi- lhões em novos investimentos estrangeiros no País estão parados
pais como gênero textual. por causa da burocracia e da lentidão da máquina governamental.
As licenças ambientais aparecem como maior freio à entrada desse
02. Leia o texto a seguir para responder ao que se pede: capital.
O Estado de S. Paulo, 18 out. 2004.

A tendência é inexorável. Em todo o mundo, principalmente nos Elabore uma dissertação argumentativa que apresente considera-
países desenvolvidos, a legislação contra a emissão de poluentes é ções acerca da dificuldade de expansão de novos investimentos em
cada vez mais rigorosa. As leis ambientais não darão trégua e vão função de leis ambientais.
apertar as montadoras, forçando-as a criar produtos adequados para

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 41
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

Já a crônica (ou texto narrativo) é um texto que traz relatos do tempo de hoje, ou seja, relatos de
PORTUGUÊS

fatos do cotidiano. A palavra crônica deriva do radical grego crono, que significa “tempo” – daí seu caráter
contemporâneo.
Nos primórdios da Literatura portuguesa e no Brasil Colônia, crônica designava a narração de fatos
históricos segundo a ordem cronológica ou relatos de viagens.

Desde o Romantismo (início do século XIX), com a consolidação da imprensa, a crônica se carac-
terizou por ser uma seção de jornal ou revista, escrita sempre numa linguagem leve, em que se comentam
acontecimentos do dia a dia. Na definição do jornalista Nilson Lage:

Crônica é um texto desenvolvido de forma livre e pessoal, a partir de acontecimentos de atualidade ou situações de permanente interesse
humano. É gênero literário que busca ultrapassar, pelo tratamento artístico, o que é racionalmente deduzido dos fatos.
LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 1993.

Na estrutura da crônica, destacamos a predominância de sequências narrativas, como no caso


das notícias. Porém a montagem do texto é muito diferente: a narrativa da crônica não tenta ser objetiva nem
forjar um distanciamento entre o fato narrado e o produtor do texto; ao contrário, na crônica, o fato narrado
traz marcas subjetivas do produtor do texto: no trabalho com a linguagem, na introdução de comentários, na
evidência do leitor em perguntas retóricas, no acréscimo de pitadas de ficção.

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No Brasil, desde meados do século XIX, tivemos cronistas importantes, como José de Alencar,
Machado de Assis e Olavo Bilac. Na segunda metade do século XX, a crônica conheceu o seu boom com
a adesão de escritores de primeira linha, como Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem
Braga, Paulo Mendes Campos, Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), Rachel de Queiroz, Luis Fernando
Verissimo, Lourenço Diaféria, entre outros.
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Para entender melhor o que vem a ser a crônica, vamos ler a seguir o que Drummond, Fernando
Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga escreveram na abertura do primeiro volume da coleção Para
gostar de ler (uma coletânea de crônicas). Na sequência, reproduzimos uma crônica de Rubem Braga:

Experimente abrir este livro em qualquer página onde começa uma crônica. Crônica é um escrito de jornal que procura contar ou co-
mentar histórias da vida de hoje. Histórias que podem ter acontecido com todo mundo: até com você mesmo, com pessoas de sua família
ou com seus amigos. Mas uma coisa é acontecer, outra coisa é escrever aquilo que aconteceu. Então você notará, ao ler a narração do fato,
como ele ganha um interesse especial, produzido pela escolha e arrumação das palavras. E aí começa a alegria da leitura, que vai longe. Ela
nos faz conferir, pensar, entender melhor o que se passa dentro e fora da gente. Daí por diante a leitura ficará sendo um hábito, e esse hábito
leva a novas descobertas. Uma curtição.
As crônicas serão apenas um começo. Há um infinito de coisas deliciosas que só a leitura oferece, e que você irá encontrar sozinho,
pela vida afora, na leitura de bons livros.
BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1977. v.1.

Recado ao senhor 903

Vizinho –
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra
o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – deveria ser meia noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda
teria ao seu lado a Leia e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando
há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois número empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito
a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é
o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos
fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar,
depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão; ao meu
número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar

42 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela
só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos.
Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho,
são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de
meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus
o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1977. v.1.

01. Como os cronistas definem a crônica? 06. Na verdade, o 1003 não está sozinho. Quem lhe é solidário?

02. “Uma coisa é acontecer, outra coisa é escrever aquilo que acon- 07. O 903 defende, no fundo, valores que não são apenas dele, e
teceu”. Segundo os cronistas, o que dá à narrativa um colorido es- sim da sociedade como um todo. Que passagem comprova essa
pecial? afirmação?
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03. Poderíamos dividir o primeiro texto em três partes: 1ª - definição 08. Poderíamos dividir a carta do 1003 em dois planos: o da rea-
de crônica; 2ª - características da narrativa; 3ª - leitura de suas con- lidade e o do sonho. Que palavra marca a passagem de um plano
sequências. Aceitando-se essa divisão, indique o início e o fim de para o outro?
cada uma das partes.
09. No plano da realidade, qual a atitude do 1003 diante das recla-
04. Uma das características da moderna sociedade industrial é a per- mações do 903?

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

da do elemento humano nas relações sociais. O homem é transfor-


mado em um simples número. Em que trecho de sua crônica Rubem 10. E no plano do sonho, quais são as atitudes do 1003?
Braga ironiza ao máximo essa característica do moderno sistema
industrial? Comente-o. 11. Um comportamento de “manso lago azul” se opõe ao compor-
tamento de quem?
05. Como se estabeleceu o primeiro contato entre o 903 e o 1003?
E o segundo? E o terceiro?

Referências bibliográficas
CEREJA e MAGALHÃES, William Roberto e Thereza Cochar. Português: linguagens, volume 1 - ensino
médio. 5.ed. São Paulo: Atual, 2005.
PASCHOALIN e SPADOTO, Maria Aparecida e Neusa Terezinha. Gramática: teoria e exercícios. Ed. renova-
da. São Paulo: FTD, 2008.
DE NICOLA, José. Língua, literatura e produção de textos: volume 1 - ensino médio. São Paulo: Scipione,
2009.
DE NICOLA, José. Língua, literatura e produção de textos: volume 2 - ensino médio. São Paulo: Scipione,
2009.
SACCONI, Luiz Antônio, et. al. Nossa gramática completa Sacconi. 29.ed. São Paulo: Nova Geração, 2008.
CEREJA, William Roberto. Português contemporâneo: diálogo, reflexão e uso, vol.1. 1.ed. São Paulo: Sarai-
va, 2016.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 43
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação
PORTUGUÊS

ARGUMENTAÇÃO

Argumentar

Argumentar é fundamental para o exercício da cidadania, por isso você vai entrar em contato com três gêneros
centrados na argumentação: a dissertação escolar, que ajuda o estudante a se preparar para provas seletivas;
a carta de reclamação, que é um instrumento relevante de atuação social; e a mesa-redonda, que pode ampliar
a capacidade argumentativa na modalidade oral.

Textos do jornal

Argumentar é fundamental para o exercício da cidadania, por isso você vai entrar em contato com três gêneros
centrados na argumentação: a dissertação escolar, que ajuda o estudante a se preparar para provas seletivas;

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
a carta de reclamação, que é um instrumento relevante de atuação social; e a mesa-redonda, que pode ampliar
a capacidade argumentativa na modalidade oral.
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44 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
01. REDAÇÃO Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.

TEXTO 1 O mundo como pode ser: uma outra globalização

Apenas reproduzimos nas redes sociais o que somos na vida off- Podemos pensar na construção de um outro mundo a partir de
-line. Mas hoje se convencionou que tudo é culpa da tecnologia. A uma globalização mais humana. As bases materiais do período
previsão é sempre de um futuro sombrio, em que as pessoas não atual são, entre outras, a unicidade da técnica, a convergência dos
se relacionam, não se falam, não se encontram. momentos e o conhecimento do planeta. É nessas bases técnicas
Falava-se a mesma coisa da TV. Para os pessimistas há sempre que o grande capital se apoia para construir uma globalização per-
uma praga tecnológica mais atual. Os saudosistas olham para o versa. Mas essas mesmas bases técnicas poderão servir a outros
passado e acham que a vida era mais vida lá atrás. objetivos, se forem postas a serviço de outros fundamentos so-
Não é melhor nem pior. É apenas diferente. Só temos que nos ciais e políticos. Parece que as condições históricas do fim do
adaptar. As redes sociais podem, sim, nos dar uma falsa impres- século XX apontavam para esta última possibilidade. Tais novas
são de convivência cumprida. Corremos o risco de viver as re- condições tanto se dão no plano empírico quanto no plano teórico.
lações de forma superficial. Sabemos da vida alheia, rimos das Considerando o que atualmente se verifica no plano empírico, po-
mesmas piadas, mandamos coraçõezinhos, distribuímos likes. E, demos, em primeiro lugar, reconhecer um certo número de fatos
então, voltamos para nossa vida ocupada. novos indicativos da emergência de uma nova história. O primeiro
Não dou conta de responder a todos os e-mails, inbox do Face- desses fenômenos é a enorme mistura de povos, raças, culturas,
book, mensagens de WhatsApp. Fico na intenção. Não é egoísmo. gostos, em todos os continentes. A isso se acrescente, graças ao
É falta de habilidade em ser onipresente em todas as plataformas. progresso da informação, a “mistura” de filosofia, em detrimento
Nunca estivemos tão em contato mesmo à distância. As redes do racionalismo europeu. Um outro dado de nossa era, indicativo
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sociais têm o poder de estreitar laços e desvendar afinidades até da possibilidade de mudanças, é a produção de uma população
com desconhecidos. aglomerada em áreas cada vez menores, o que permite um ain-
(Mariliz Pereira Jorge. “As redes sociais têm o poder de estreitar laços”. Folha de S.Paulo, da maior dinamismo àquela mistura entre pessoas e filosofias.
19.02.2015. Adaptado.) As massas, de que falava Ortega y Gasset na primeira metade
do século (A rebelião das massas, 1937), ganham uma nova
TEXTO 2 qualidade em virtude de sua aglomeração exponencial e de sua

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diversificação. Trata-se da existência de uma verdadeira sociodi-


Não podemos supor que as redes sociais tragam somente meras versidade, historicamente muito mais significativa que a própria
mudanças de costumes, porque seu peso, associado ao desen- biodiversidade. Junte-se a esses fatos a emergência de uma cul-
volvimento da informática, é semelhante à introdução da impren- tura popular que se serve dos meios técnicos antes exclusivos da
sa, da máquina a vapor ou da industrialização na dinâmica do cultura de massas, permitindo-lhe exercer sobre esta última uma
nosso mundo. As redes sociais provocam mudanças de fundo verdadeira revanche ou vingança. É sobre tais alicerces que se
no modo como as nossas relações ocorrem, intervindo significa- edifica o discurso da escassez, afinal descoberta pelas massas. A
tivamente no nosso comportamento social e político. Isso merece população, aglomerada em poucos pontos da superfície da Terra,
a nossa atenção, pois acredito que uma característica das redes constitui uma das bases de reconstrução e de sobrevivência das
sociais é, por mais contraditório que pareça, a implantação do relações locais, abrindo a possibilidade de utilização, ao serviço
isolamento como padrão para as relações humanas. dos homens, do sistema técnico atual. No plano teórico, o que
Ao participar das redes sociais acreditamos ter muitos amigos à verificamos é a possibilidade de produção de um novo discurso,
nossa volta, ser populares, estar ligados a todos os acontecimen- de uma nova metanarrativa, um grande relato. Esse novo discurso
tos e participando efetivamente de tudo. Isso é uma verdade, mas ganha relevância pelo fato de que, pela primeira vez na história
também uma ilusão, porque essas conexões são superficiais e do homem, se pode constatar a existência de uma universalidade
instáveis. Os contatos se formam e se desfazem com imensa ra- empírica. A universalidade deixa de ser apenas uma elaboração
pidez; os vínculos estabelecidos são voláteis e atrelados a interes- abstrata na mente dos filósofos para resultar da experiência or-
ses momentâneos. Além disso, as relações cultivadas nas redes dinária de cada pessoa. De tal modo, em mundo datado como o
sociais se baseiam na virtualidade, portanto, no distanciamento nosso, a explicação do acontecer pode ser feita a partir de cate-
físico entre as pessoas. gorias de uma história concreta. É isso, também, que permite co-
A opinião do outro é apenas a oportunidade para se expressar a nhecer as possibilidades existentes e escrever uma nova história.
sua própria. O outro parece importar, mas de fato não importa. Im- SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. 13. ed. São Paulo: Record, 2006. p. 20-21.
portam apenas a própria posição e a autoexposição. Daí a cons- (Adaptado).

tante informação sobre as viagens, os pensamentos, as emoções,


as atividades de alguém. É preciso estar em cena e sempre. Há 02. O processo argumentativo do texto é construído a partir do
nisso um evidente desenvolvimento do narcisismo e, consequen- seguinte procedimento:
temente, do reforço do distanciamento entre as pessoas.
(Dulce Critelli. “A ilusão das redes sociais”. www.cartaeducacao.com.br, 07.11.2013. (A) são expostas, de forma detalhada, duas consequências eco-
Adaptado.) nômicas de um determinado modelo de organização de produção.
(B) relata-se o conjunto de ações desenvolvidas por uma institui-
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conheci- ção pública como fundamento e justificativa de um projeto de lei.
mentos, escreva uma dissertação, empregando a norma-padrão (C) elabora-se um quadro comparativo, no qual se apresentam
da língua portuguesa, sobre o tema: a aproximação e os contrastes de dois tipos de pesquisa social.
(D) faz-se a explanação dos dados de um relatório técnico-cien-
AS REDES SOCIAIS ESTREITAM OS LAÇOS ENTRE AS PESSO- tífico de uma pesquisa desenvolvida por dois cientistas sociais.
AS OU AS TORNAM EGOÍSTAS? (E) são apresentadas, de forma paralela, duas dimensões teórico-
-conceituais como argumentos em defesa de uma tese.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 45
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação
PORTUGUÊS

03. Atente para a seguinte situação: resultados das potências esportivas que sediaram a Olimpíada
nos últimos 50 anos.
Mal o ônibus em que você viaja alcançou a estrada e uma velha Os números nacionais destoam dos indicadores econômicos e
senhora, sentada ao lado de um adolescente que usava o celular, sociais do país. O Brasil alcançou o 13º lugar na classificação
pediu a ele: − Gostaria muito de aprender a usar isso. Você não dos Jogos do Rio. Em renda per capita ou em desenvolvimento
quer me ensinar? social, a posição brasileira no ranking mundial anda perto do sep-
O rapaz ia tentar escapar da tarefa, mas um senhor de terno e uma tuagésimo lugar.
mocinha sentados perto, ouvindo o pedido da senhora, entraram Tais estatísticas, porém, nem de longe dizem tudo sobre as pers-
na conversa. pectivas em Olimpíadas. Além da qualidade de vida, o desem-
penho nos esportes de elite está ainda relacionado a tradições
Desenvolva uma narrativa a partir da situação acima. O narrador esportivas e a desejos de projetar a imagem do país.
é você, mas você pode ser também uma personagem que entra Isto posto, o que fazer da ansiedade nacional por se destacar no
na conversa. esporte de alto nível? Quais são o interesse, o custo e o benefício?
Apesar do resultado recorde no Rio, o governo investiu soma
04. REDAÇÃO consideravelmente maior nestes Jogos. Em cálculo rudimentar,
o custo por medalha aumentou. Em linhas gerais, no entanto, o
Pela 1ª vez, abelhas se tornam espécies ameaçadas de extinção desempenho não ficou muito longe da média recente em termos
de pódios.
Sete espécies das abelhas amarelas do Havaí são consideradas Desde a Olimpíada de Atlanta, em 1996, as equipes brasileiras
perigosamente ameaçadas pelo Serviço Americano de Pesca e vinham conquistando algo em torno de 1,5% das medalhas. Antes
Vida Selvagem de Atlanta, o esporte nacional ficava com um terço disso.

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Tornam-se cada vez mais altos os custos de alcançar resultados
Pela primeira vez, as abelhas entraram na lista de espécies ame- melhores apenas por meio do investimento em poucos atletas de
açadas de extinção dos Estados Unidos. Sete espécies da subfa- nível internacional. Parece não haver progresso substantivo de
mília Hylaeus, encontradas no Havaí, foram listadas pelo Serviço benefícios, em termos de medalhas, imagem e, mais importante,
Americano de Pesca e Vida Selvagem (U. S. Fish and Wildlife melhorias sociais gerais.
Service), após um detalhado estudo feito em conjunto com a So- Desde que o Brasil se dedicou mais a satisfazer seu desejo de
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ciedade Xerces, organização americana de conservação de inver- projeção esportiva, quando decidiu sediar a Olimpíada, não houve
tebrados. A informação foi anunciada na última sexta-feira pelo programa consistente de disseminação da cultura esportiva no
órgão americano. país: de práticas saudáveis, de educação esportiva e de competi-
Segundo as pesquisas, no começo do século passado, as abelhas ções de base, a começar pelas escolas.
listadas eram as mais abundantes da região. Em 2015, Matthew Tal programa teria o efeito de, a médio prazo, multiplicar o número
Shepherd, diretor de comunicações da Sociedade Xerces, havia de praticantes, facilitar a revelação de talentos e lançar mais luz
publicado no site da organização alguns motivos para a diminui- sobre a saúde de jovens e sobre a situação material das escolas.
ção dessas abelhas havaianas e apresentou petições pedindo a Um programa assim poderia satisfazer anseios nacionais de
proteção dos órgãos federais às espécies ameaçadas. “As abe- projetar a imagem do país de modo socialmente mais relevante:
lhas estão sumindo devido à perda de habitat, invasão de preda- criando uma massa de atletas, talvez futuros campeões, em vez
dores e mudanças climáticas da ilha”, afirmou. de se fiar apenas em gastos nas poucas figuras excepcionais que
Incêndios florestais, causados pela ação humana, e o apareci- ainda dominam o esporte olímpico brasileiro.
mento de espécies não nativas, como as “formigas aliens”, que (Folha de S. Paulo. 22/08/2016)

se alimentam das larvas das abelhas, também foram apontados


como responsáveis pela escassez dos insetos. 06. Leia os textos a seguir:
Segundo cientistas, as abelhas amarelas são essenciais para a
polinização do ecossistema no Havaí. “Elas são decisivas para a TEXTO 1
preservação de plantas e outros animais da ilha”, disse Gregory “No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem
Koob, do Serviço Americano de Pesca e Vida Selvagem (U. S. Fish mais do que a formação de classes sociais distintas por sua con-
and Wildlife Service). (...) dição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso país
http://veja.abril.com.br/ciencia/pela-1a-vez-abelhas-se-tornam-especies-ameacadas-de-ex- ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela
tincao/. Acesso em 06.10.2016 exclusão dos negros. Mais que uma simples herança de nosso
passado, essa problemática racial toca o nosso dia a dia de di-
O texto acima trata dos riscos de extinção das abelhas havaianas, ferentes formas.”
o que viria a comprometer o ecossistema da ilha. A partir da lei- SOUSA, Rainer Gonçalves. “Democracia Racial”; Brasil Escola. Disponível em <http://brasi-
tura, produza um texto argumentativo abordando o papel do ser lescola.uol.com.br/historia/democracia-racial.htm>. Acesso em 02 de setembro de 2016.

humano em relação ao meio ambiente.


TEXTO 2
05. Leia o editorial a seguir procurando apreender o tema nele “A carne mais barata do mercado é a carne negra
desenvolvido. Em seguida, elabore uma dissertação, na qual você
exporá, de modo claro e coerente, suas ideias acerca desse tema. Que vai de graça pro presídio
E para debaixo de plástico
A equipe brasileira teve o melhor desempenho da história dos Jo- Que vai de graça pro subemprego
gos Olímpicos. Superou sua melhor classificação na tabela em E pros hospitais psiquiátricos (...)”
(A carne - Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisse Cappelletti)
número de medalhas de ouro e também de pódios e esteve perto
da meta do Comitê Olímpico do Brasil (ficar entre os dez primei-
ros) em termos de total de láureas. Não chegou perto, porém, dos

46 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
Considerando-se os Textos 1 e 2, bem como seus conhecimen- Educadores e psicólogos avaliam que o monitoramento eletrônico
tos sobre o assunto, produza um texto dissertativo-argumentativo dos filhos reflete uma falta de confiança no outro e pode compro-
sobre o tema: meter a educação dos filhos na busca de autonomia. “Há aquela
ideia de que o outro é sempre uma ameaça”, diz a psicóloga Ro-
“O problema do racismo no Brasil” sely Sayão.
COLLUCCI, Claúdia. Disponível em: <http://www.itaboraiweblist.com.br/index.php/homek2/
item/1287-gera%C3%A7%C3%A3o-big-brother-%C3%A9-vigiada-do-ultrassom-ao-gps >.
07. Uma porta bateu na cozinha. Ela não se assustou. Passados
Acesso em: 2 de março de 2016 (fragmento).
alguns minutos, pensou que quem tivesse chegado demorava a
aparecer. É você, Filó?, gritou. Não houve resposta. Pediu que o
Com base no texto, faça o que se pede.
recém-chegado se aproximasse. Nada. Esperou mais um pouco.
Queria manter-se tranquila, mas o medo vinha chegando. A essa
(A) Transcreva uma sequência narrativa e uma sequência argu-
hora só podia ser mesmo a Filó. Mas por que não respondia?
mentativa. Justifique sua resposta.
Talvez não tivesse ouvido quando perguntou se era ela. Não ia
perguntar de novo. De que adiantaria? Sentou-se na cama para re-
(B) Redija um parágrafo, explicitando a temática do texto.
cuperar o fôlego, a respiração agora alterada. Parecia ouvir alguns
passos, mas podia ser só imaginação. Que angústia era aquela?
09. NARRAÇÃO
Não havia motivo pra tanto.
(Maria Tecoara, inédito)
Leia atentamente o texto seguinte:
É correto o seguinte comentário: no trecho narrativo,
Considere a situação narrada abaixo:
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(A) em que predomina a descrição de sentimentos, tem-se o nar-


rador, personagem não citada, mas subentendida, contando o que A festa em casa está animada, mas tem alguém tocando a cam-
ocorre no espaço da casa, metonimicamente mencionada por co- painha com tanta insistência que só pode ser reclamação. Quando
zinha e cama; ele narra o que vê, mas sobre o que pensa e sente vou ver o que é, meus pais já estão à porta, tentando dialogar com
a personagem ele só pode lançar hipóteses. o morador do apartamento ao lado, que veio acompanhado de
(B) em que se utilizam os tempos verbais pretéritos, próprios do Dona Carlota, a síndica do nosso prédio.

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relato, as frases interrogativas expressam indagações que a per-


sonagem se faz a si mesma, como se vê, por exemplo, em É você, Desenvolva essa narrativa, valendo-se das personagens indicadas
Filó?, Mas por que não respondia? e De que adiantaria?. e, se quiser, de outras que você julgar necessárias para contar sua
(C) segmentado pela oposição entre dois estados emocionais, o pequena história.
narrador, que não se faz presente por meio do “eu”, mostra co-
nhecer fatos e impressões que eles causam, tendo como fonte de 10. Agora me digam: como é que, com tio-avô modinheiro paren-
informação os próprios pensamentos, percepções e sentimentos te de Castro Alves, com quem notivagava na Bahia; pai curtidor
da personagem. de um sarau musical, tocando violão ele próprio e depositário de
(D) em que os fatos são apresentados em seu desenrolar pela voz canções que nunca mais ouvi cantadas, como “O leve batel”, lin-
do narrador-personagem, tem-se o detalhamento do espaço e do da, lancinante, lúdica e que mais palavras haja em “l’s” líquidos e
tempo à medida que a ação se desenvolve, ainda que, quanto ao palatais, com versos atribuídos a Bilac; avó materna e mãe pianis-
espaço, uma descrição minuciosa se apresente de modo isolado. tas, dedilhando aquelas valsas antigas que doem como uma crise
(E) relatado pelo autor, é claro seu posicionamento em relação às de angina no peito; dois tios seresteiros, como Henriquinho e tio
atitudes da personagem, avaliação expressa tanto pela análise dos Carlinhos, irmão de minha mãe, de dois metros de altura e um
pensamentos, quanto pelas críticas aos sentimentos dela, pois digitalismo espantosos, uma espécie de Canhoto (que também o
uns e outros são considerados devaneios de uma alma assustada. era) da Gávea; como é que, com toda essa progênie, poderia eu
deixar de ser também um compositor popular…
Vinicius de Moraes, Samba falado: (crônicas musicais).
08. A tecnologia tem permitido que filhos vivam sob permanente Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008. Adaptado.
monitoramento dos pais. Do ultrassom 3D do bebê no útero às
câmeras on-line nas maternidades e escolas infantis até a insta- Das características abaixo, frequentemente encontradas em crôni-
lação de GPS no celular e no carro de adolescentes, a vigilância cas, a única que NÃO se aplica ao texto é:
pode ser constante.
Em São Paulo, pais de crianças pequenas integraram mais um (A) emprego de neologismos.
item à cadeia de monitoramento eletrônico: estão instalando câ- (B) interação com o leitor.
meras em casa para vigiar seus filhos enquanto trabalham fora. (C) sintaxe com marcas de oralidade.
São verdadeiros “big brothers” domésticos. (D) frases sem verbo.
O monitoramento é condenado por psicólogos e pedagogos, que (E) uso de termos da linguagem informal.
veem prejuízo na relação de pais e filhos. “É uma loucura”, define
a psicóloga Ana Bahia Bock, professora da PUC. 11. “É comum, no Brasil, a prática de tortura contra presos. A
Já as empresas de segurança eletrônica comemoram. Algumas tortura é imoral e constitui crime.
registram aumento de 250% de instalações de câmeras no interior
de casas. Uma delas instalou 500 aparelhos em 2007, 300 a mais Embora não exista ainda na leis penais a definição do ‘crime de
do que em 2006. “Na maioria dos casos, os pais têm crianças pe- tortura’, torturar um preso ou detido é abuso de autoridade so-
quenas, instalam câmeras nos ambientes e avisam a babá sobre mado à agressão e lesões corporais, podendo qualificar-se como
o monitoramento”, diz Thiago Títero, dono da empresa. homicídio, quando a vítima da tortura vem a morrer. Como tem
sido denunciado com grande frequência, policiais incompeten-

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 47
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação
PORTUGUÊS

tes, incapazes de realizar uma investigação séria, usam a tortura comunicação avance no Congresso. “Se dependermos apenas do
para obrigar o preso a confessar um crime. Além de ser um pro- conservadorismo da Câmara e do Senado, será muito difícil avan-
cedimento covarde, que ofende a dignidade humana, essa prática çar”, discursou o deputado Ivan Valente. Ele destacou o fato de
é legalmente condenada. A confissão obtida mediante tortura não que existem parlamentares no Congresso que tem fortes vínculos
tem valor legal e o torturador comete crime, ficando sujeito a ou até mesmo são proprietários de meios de comunicação. “Até
severas punições.” os Estados Unidos, o país mais liberal do mundo, estabelece limi-
(Dalmo de Abreu Dallan) tes para evitar monopólios e define que quem tem rádio não pode
ter televisão, e vice-versa. Precisamos pautar-nos em propostas
Pode-se afirmar que esse trecho é uma dissertação: como essas”.

(Ricardo Carvalho. Regulação da mídia é pela liberdade de expressão. Carta capital. In:
(A) que apresenta, em todos os períodos, personagens individua-
http://www.cartacapital.com.br/politica/regulacao-da-midia-e-pela-liberdade-de-expressao)
lizadas, movimentando-se num espaço e num tempo terríveis, de-
nunciados pelo narrador, bem como a predominância de orações
(D) Para a presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, Ro-
subordinadas, que expressam sequência dos acontecimentos;
sane Nascimento, não é necessário que o Brasil lance mão de
(B) que apresenta, em todos os períodos, substantivos abstratos,
práticas baseadas no uso de agrotóxicos e mudanças genéticas
que representam as ideias discutidas, bem como a predominância
para alimentar a população. “Estamos cansados de saber que o
de orações subordinadas, que expressam o encadeamento lógico
Brasil produz alimento mais do que suficiente para alimentar a sua
da denúncia;
população e este tipo de artifício não é necessário. A lógica dessa
(C) que apresenta uma organização temporal em função do pre-
utilização é a do capital em detrimento do respeito ao cidadão e
térito, jogando os acontecimentos denunciados para longe do
do direito que ele tem de se alimentar com qualidade”, protesta.
momento em que fala, bem como a predominância de orações

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subordinadas, que expressam o prolongamento da ideias repu- (Raquel Júnia. Agronegócio não garante segurança alimentar. Caros Amigos. In: http://
diadas; carosamigos.terra.com.br/)

(D) que consegue fazer uma denúncia contundente, usando, entre


outros recursos, a ênfase, por meio da repetição de um substanti- (E) A leitura de jornais e revistas facilita a atualização sobre a dinâ-
vo abstrato em todos os períodos, bem como a predominância de mica dos acontecimentos e promove o enriquecimento do debate
orações coordenadas sindéticas, que expressam o prolongamen- sobre temas atuais. A rapidez com que a notícia é veiculada por
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to das ideias repudiadas; esses meios é clara, garantindo a complementaridade da constru-
(E) que consegue construir um protesto persuasivo com uma ção do conhecimento promovida pelas aulas e pelos livros didáti-
linguagem conotativa, construída sobre metáforas e metonímias cos. O apoio didático representado pelo uso de jornais e revistas
esparsas, bem como com a predominância de orações subor- aproxima os alunos do mundo que os cerca.
dinadas, próprias de uma linguagem formal, natural para esse
(Ana Regina Bastos - Revista Eletrônica UERG. Mundo vestibular. In: http://www.mundoves-
contexto. tibular.com.br/articles/4879/1/Como-se-preparar-para-o-vestibular-utilizando-jornais-e-re-
vistas/Paacutegina1.html)
12. Nos parágrafos a seguir, sublinhe a tese e coloque os argu-
mentos entre parênteses. 13. Leia o texto de Paul Horowitz, físico da Universidade de Har-
vard.
(A) As leis já existentes que limitam o direito de porte de arma
e punem sua posse ilegal são os instrumentos que efetivamen- Existe vida inteligente fora da terra? “No Universo? Garantido. Na
te concorrem para o desarmamento, e foram as responsáveis nossa galáxia? Extremamente provável. Por que não encontramos
pelo grande número de armas devolvidas por todos os cidadãos aliens ainda? Talvez nossos equipamentos não tenham sensibilidade
responsáveis e cumpridores da lei, independentemente de sua suficiente. Ou não sintonizamos o sinal de rádio correto”.
SUPERINTERESSANTE. São Paulo: Editora Abril, n. 224, mar. 2006, p. 42.
opinião a favor ou contra o ambíguo e obscuro movimento de-
nominado desarmamento. Os cidadãos de bem obedecem às
leis independentemente de resultados de plebiscito, enquanto os Tendo em vista os argumentos utilizados por Paul Horowitz, po-
desonestos e irresponsáveis só agem de acordo com seus inte- de-se inferir que ele:
resses desobedecendo a todos os princípios legais e sociais, e
somente podem ser contidos através da repressão. (A) garante a existência de aliens apoiando-se em comprovações
(Opinião, site o Globo. In: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/04/12/a-quem-interes- científicas.
sa-um-plebiscito-sobre-desarmamento-924221689.asp) (B) prova que nosso encontro com extraterrestre é apenas uma
questão de tempo.
(B) As ditaduras militares foram uma infeliz realidade na América (C) revela suas idéias em uma escala que varia em diferentes
do Sul dos anos 1960 e 1970. Em todas elas houve drástica re- graus de certeza.
pressão às oposições e dissidências, com a adoção da tortura e (D) sustenta seu ponto de vista com base em resultados verifica-
da perseguição como política de governo. Ao fim desses regimes dos por equipamentos adequados.
autoritários adotaram-se formas semelhantes de transição com a (E) reconhece a existência de vida alienígena em nossa galáxia.
aprovação das chamadas leis de impunidade, as quais incluem as
anistias a agentes públicos. 14. Leia o texto a seguir.

(Eugênia Augusta Gonzaga e Marlon Alberto Weichert, Carta capital. In: http://www.cartaca- Os tiranos e os autocratas sempre compreenderam que a capacida-
pital.com.br/sociedade/o-brasil-promovera-justica)
de de ler, o conhecimento, os livros e os jornais são potencialmente
perigosos. Podem insuflar idéias independentes e até rebeldes nas
(C) Todos os palestrantes concordaram que a participação da cabeças de seus súditos. O governador real britânico da colônia de
sociedade civil é fundamental para que qualquer debate sobre a Virgínia escreveu em 1671:

48 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação

PORTUGUÊS
Graças a Deus não há escolas, nem imprensa livre; e espero que não Essas mulheres são vítimas do machismo, da necessidade econômi-
[as] tenhamos nestes [próximos] cem anos; pois o conhecimento in- ca e do desejo de consumir. São flagradas nas portas dos presídios
troduziu no mundo a desobediência, a heresia e as seitas, e a impren- com drogas para os companheiros; são seduzidas por traficantes que
sa divulgou-as e publicou os libelos contra os melhores governos. se especializaram em abordar mulheres chefes de família com difi-
Que Deus nos guarde de ambos! culdades econômicas; também são vaidosas e, apesar de pobres,
Mas os colonizadores norte-americanos, compreendendo em que querem consumir o que a televisão ordena que é bom.
consiste a liberdade, não pensavam assim. Um tratamento ofensivo as afeta emocionalmente. A tristeza facil-
Em seus primeiros anos, os Estados Unidos se vangloriavam de ter mente se transforma em fúria. Muitas escondem de suas crianças
um dos índices mais elevados – talvez o mais elevado – de cidadãos que estão presas. Sentem vergonha da condição de presas. Na maio-
alfabetizados no mundo. ria dos casos, estão convencidas de que são culpadas e que mere-
Atualmente, os Estados Unidos não são o líder mundial em alfabe- cem o castigo recebido. Choram, gritam e se comovem. O cárcere
tização. Muitos dos que são alfabetizados não conseguem ler, nem é despreparado e pequeno demais para comportar a complexidade
compreender material muito simples – muito menos um livro da sexta das mulheres.
série, um manual de instruções, um horário de ônibus, o documento Apesar do aumento do número de mulheres presas no Brasil, espe-
de uma hipoteca ou um programa eleitoral. cialmente nas rotas do tráfico, o sistema penitenciário não se prepara
As rodas dentadas da pobreza, ignorância, falta de esperança e baixa nem para as receber, nem para as ressocializar. Faltam presídios Fe-
autoestima se engrenam para criar um tipo de máquina do fracasso mininos, assim como capacitação específica para servidores peniten-
perpétuo que esmigalha os sonhos de geração a geração. Nós todos ciários que trabalham com mulheres no cárcere.
pagamos o preço de mantê-la funcionando. O analfabetismo é a sua Falta estrutura que considere a maternidade e que garanta os direitos
cavilha. fundamentais das crianças.
Ainda que endureçamos os nossos corações diante da vergonha e Assim como na sociedade, no cárcere o espaço da mulher ainda é
da desgraça experimentadas pelas vítimas, o ônus do analfabetismo precário. O sistema é masculino na sua concepção e essência. Em
é muito alto para todos os demais – o custo de despesas médicas e cidades como Caicó, Rio Grande do Norte, não existe penitenciária
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hospitalização, o custo de crimes e prisões, o custo de programas de feminina. As mulheres presas são alojadas numa área improvisada
educação especial, o custo da produtividade perdida e de inteligên- dentro da unidade masculina. Em Mossoró, no mesmo Estado, mu-
cias potencialmente brilhantes que poderiam ajudar a solucionar os lheres presas, ainda sem sentença, aguardam julgamento numa área
dilemas que nos perseguem. minúscula dentro da cadeia pública masculina. A presença improvi-
Frederick Douglass ensinou que a alfabetização é o caminho da es- sada das mulheres cria problemas legais e acarreta insegurança para
cravidão para a liberdade. Há muitos tipos de escravidão e muitos servidores penitenciários quanto à garantia da segurança geral e da

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tipos de liberdade. Mas saber ler ainda é o caminho. integridade física das mulheres.
(Carl Sagan, O caminho para a liberdade. Em “O mundo assombrado pelos demônios: a
ciência vista como uma vela no escuro”. Adaptado) (Bárbara Santos é coordenadora nacional do projeto Teatro do Oprimido nas Prisões, desen-
volvido pelo Centro de Teatro do Oprimido, em parceria com o Departamento Penitenciário
Nacional, do Ministério da Justiça. http://www.ctorio.org.br). (Disponível em: http:// http://
É correto afirmar que Carl Sagan faz citação das idéias de um
www.carosamigos.terra.com.br. Acesso em: 07 ago. 2006.)
governador real britânico para:
15. Tendo em vista o sentido global do texto, o seu PRINCIPAL
(A) corroborar as idéias que defende no desenvolvimento do texto.
objetivo comunicativo é:
(B) ilustrar a tese com a qual inicia o texto e à qual se contrapõe
na sequência.
(A) discutir a precariedade do sistema penitenciário para receber
(C) comprovar a importância da colonização inglesa para o de-
mulheres presas.
senvolvimento americano.
(B) apontar as especificidades e complexidades da mulher no
(D) desmistificar a ideia de que liberdade de imprensa pode trazer
cárcere.
liberdade de ideias, como defende na conclusão.
(C) defender o direito das mães presas viverem com suas crian-
(E) ironizar idéias ultrapassadas, mostrando, no desenvolvimento
ças.
do texto, o descrédito de que gozaram em todos os tempos.
(D) apresentar exemplos positivos de presídios para mulheres.
(E) identificar os problemas das mulheres no cárcere.
O fragmento a seguir foi selecionado do texto “Mulheres no cár-
cere e a terapia do aplauso”, de Bárbara Santos. Leia-o para res-
16. Dentre os fatores a seguir, assinale o que NÃO foi mencionado
ponder às questões 15, 16 e 17.
por Bárbara Santos como problema que afeta a mulher no cárcere:

Mulheres no cárcere e a terapia do aplauso


(A) A falta de absorventes.
(por Bárbara Santos)
(B) A inexistência de creches.
(C) A estrutura precária.
Elas estão no cárcere. O cárcere não está preparado para elas. Ide-
alizado para o macho, o cárcere não leva em consideração as espe- (D) O excesso de proteção.
cificidades da fêmea. Faltam absorventes. Não existem creches. Ex- (E) A convivência com os filhos
cluem-se afetividades. Celas apertadas para mulheres que convivem
com a superposição de TPMs, ansiedades, alegrias e depressões. 17. “[…] querem consumir o que a televisão ordena que é bom.”
A distância da família e a falta de recursos fazem com que mulheres (§ 4). Das alternativas a seguir, assinale aquela que NÃO compro-
fiquem sem ver suas crianças. Crianças privadas do direito funda- va a assertiva feita pelo autor do texto:
mental de estar com suas mães. Crianças que perdem o contato com
as mães para não crescerem no cárcere. (A) A mídia televisiva é considerada hoje uma espécie de quarto
Uma presa, em Garanhuns, Pernambuco, luta para recuperar a guarda poder.
de sua criança, que foi encaminhada para adoção por ela não ter fa-
(B) A pressão do índice de audiência leva a televisão a impor cer-
miliares próximos. Uma criança com cerca de 2 anos de idade, em Te-
resina, Piauí, nasceu e vive no cárcere, não fala e pouco sorri, a mãe tos comportamentos à população.
tem pavor de perdê-la para a adoção, sua família é de Minas Gerais. (C) O peso da economia exerce influência sobre padrões especí-
ficos de conduta social.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 49
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 3: Argumentação
PORTUGUÊS

(D) As publicidades televisivas, por exemplo, instigam as pessoas Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida
a consumirem produtos e sonhos. hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma tí-
(E) A função da mídia televisiva é apenas informar a sociedade pica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que
dos acontecimentos em geral. esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na se-
cretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram
ontem. Estou nervoso. Estou zangado.
18. Crise e Ciência
CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).

Crise é fundamental em ciência; sem crise não há progresso, ape-


nas estagnação. Quando investigamos como a ciência progride na Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de vá-
prática, vemos que é aos trancos e barrancos: os cientistas não têm rias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma
sempre todas as respostas na ponta da língua. O processo criativo sobre outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da lin-
de um cientista pode ser bem dramático, muitas vezes envolvendo a guagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois
agonia da dúvida e, em alguns casos, o êxtase da descoberta. Vista
sob esse prisma, a ciência não está assim tão distante da arte. (A) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.
Na maioria das vezes, as crises nas ciências naturais são criadas por (B) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo
experiências realizadas em laboratórios ou por observações astronô-
dito.
micas que simplesmente não se encaixam nas descrições e teorias
(C) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da men-
da época: novas idéias são necessárias, idéias essas que, às vezes,
podem ser revolucionárias. Em geral, revolução em ciência implica sagem.
novas e inesperadas concepções da realidade, chocantes a ponto de (D) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos
intimidar os próprios cientistas. demais.
(GLEISER, Marcelo. Folha de São Paulo, 26/05/2002.) (E) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da

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comunicação.
Crise é fundamental em ciência; (linha 1). A tese do físico Marcelo
Gleiser é enunciada logo no início do primeiro parágrafo. Ele sus- 21. “Longarinas” rememora um belo cartão-postal de Fortaleza -
tenta essa tese, com fatos, no segundo parágrafo. a Praia de Iracema e a Ponte dos Ingleses, ou “Ponte Velha” - com
uma linda letra realçada por um maracatu romântico, acompanha-
Demonstre, elaborando uma frase completa, como esses fatos do por um solo de viola e uma orquestração densa, valorizando
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


sustentam a tese defendida pelo autor. a sonoridade dos violinos e lembrando os timbres populares das
canções árabes. Pesquisadores da música cearense como Gilmar
19. Leia o texto a seguir para responder à questão. de Carvalho, Mary Pimentel e Nelson Augusto compartilham da
opinião de que Ednardo e o artista desta geração que mais cantou
ENTREVISTA COM MICHAEL SERMER os nossos lugares de memória em suas canções.
(Diretor da ONG contra superstições) – Veja, n. 1733 CASTRO, Wagner. Ednardo. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2017. P.76-77. (Coleção Terra
Bárbara).

Repórter: Como o senhor justifica a vantagem do pensamento cien-


tífico sobre o obscurantismo? MS: A ciência é o único campo do co- É possível reconhecer no texto em questão que sua argumentação
nhecimento humano com característica progressista. Não digo isso e orientada no sentido de convencer o público-leitor que o objetivo
tomando o termo progresso como uma coisa boa, mas sim como um principal do texto e/são
fato. O mesmo não ocorre na arte, por exemplo. Os artistas não me-
lhoram o estilo de seus antecessores, eles simplesmente o mudam. (A) a beleza inusitada de pontos turísticos da capital cearense.
Na religião, padres, rabinos e pastores não pretendem melhorar as (B) os argumentos de autoridades sobre a cidade em questão.
pregações de seus mestres. Eles as imitam, interpretam e repetem (C) a influência árabe na atual música popular brasileira.
aos discípulos. Astrólogos, médiuns e místicos não corrigem os er-
(D) as características musicais que destacam um cantor.
ros de seus predecessores, eles os perpetuam. A ciência, não. Tem
(E) a importância da música cearense para o contexto nacional.
características de autocorreção que operam como a seleção natural.
Para avançar, a ciência se livra dos erros e teorias obsoletas com
enorme facilidade. Como a natureza, é capaz de preservar os ganhos
e erradicar os erros para continuar a existir.

Em termos argumentativos, pode-se dizer que:

(A) a argumentação apresentada por MS se apoia em testemu-


nhos de autoridade;
(B) a tese apresentada está explícita em “a ciência se livra dos
erros e teorias obsoletas com enorme facilidade”;
(C) o público-alvo a ser convencido é o conjunto de pessoas liga-
das, de uma maneira ou outra, ao obscurantismo;
(D) os argumentos apresentados na defesa da tese se fundamen-
tam ora na intimidação, ora na persuasão;
(E) por ser de caráter científico, a subjetividade do argumentador
é completamente desprezada na argumentação.

20. Desabafo

50 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Leitura e interação
Capítulo
2

Relação entre déficit de atenção


e os videogames

Game
FONTE: https://www.windowsteam.com.br

Muitos pais, professores e profissionais tera- mam ter dificuldades na transição entre as ta- Sobre o texto e a
pêuticos se questionam sobre o sistema de refas e, por causa disso, podem fazer pirraça imagem de intro-
jogos eletrônicos como Nintendo Switch ou quando o jogo deve acabar. É recomendável dução
Xbox One: é bom ter esses jogos eletrônicos nesses casos informar a criança sobre o li-
em casa? É bom para a família jogar? É bom mite do tempo e advertir que o jogo acabará • De acordo com o texto, por
para as crianças que possuem dificuldades num horário determinado. que crianças com TDAH podem
de aprendizagem? É bom para as crianças oferecer certa resistência na hora
que têm problemas de atenção? É importante dizer que o Nintendo Switch, por de parar de jogar?
exemplo, possui controle parental, fácil de
• A partir da leitura inicial,
Em primeiro lugar, é importante destacar que usar. Dessa maneira, os pais poderão super-
estabeleça a relação entre déficit
tanto Nintendo Switch como Xbox One são visionar o uso da internet. E o Xbox One pos- de atenção e videogames.
muito versáteis não só para as crianças, mas sui recursos de segurança para que os pais
também para que a família brinque junto. Con- possam também controlar o tipo de conteúdo
soles conectadas à televisão, é possível jogar que os filhos podem acessar.
de uma forma tradicional e divertida, organi- FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.
zando torneios, por exemplo.

Porém, há motivos para ficarmos atentos:


crianças que possuem TDAH (Transtorno do
Déficit de Atenção com Hiperatividade) costu-
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação

Leitura e interação
PORTUGUÊS

Introdução
Ler é um ato que consiste em interagir com o texto, ativando nosso conhecimento linguístico, nos-
so conhecimento de mundo, nossas leituras prévias, nossa reflexão. Pelo ato de ler, atribuímos sentido à
mensagem de um texto.
A hermenêutica, a área da filosofia que estuda o processo de interpretação, diz que é preciso seguir
três etapas para se obter uma leitura ou uma abordagem eficaz de um texto:

a) Pré-compreensão: toda leitura supõe que o leitor entre no texto já com conhecimen-
tos prévios sobre o assunto ou área específica.
No primeiro contato com o texto devemos analisar
os seguintes aspectos: b) Compreensão: já com a pré-compreensão ao entrar no texto, o leitor vai se deparar
com informações novas ou reconhecer as que já sabia. Por meio da pré-compreensão
• O objetivo da leitura (ler por prazer, leitura
científica, informacional, manual de procedimentos o leitor “prende” a informação nova com a dele e “agarra” (compreende) a intencio-
etc.); nalidade do texto. É costume dizer: “Eu entendi, mas não compreendi”. Isso significa
dizer que quem leu entendeu o significado das palavras, a explicação, mas não as
• Dialogar com o texto, entender o que o autor do
texto quer expressar. Criar expectativas e hipóte- justificativas ou o alcance social do texto.
ses a partir da observação do tipo de texto (receita,
bula, artigo de jornal, carta, charge ...); c) Interpretação: a interpretação é a resposta que você dará ao texto, depois de com-
• Identificar as características externas do texto preendê-lo (sim, é preciso “conversar” com o texto para haver a interpretação de fato).

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
(formato, veiculação, autor, época ...) e seu título. É formada então o que se chama “fusão de horizontes”: o do texto e o do leitor. A
interpretação supõe um novo texto. Significa abertura, o crescimento e a ampliação
para novos sentidos.
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


Estratégias de compreensão
Compreensão
• Conhecimentos prévios: levantamento de caracte-
rísticas do contexto de produção dos textos (deta-
Decodificação lhamento dos atores e papeis sociais que ocupam,
instituições etc.);

Semântica • Checagem de hipóteses: checagem de todas


as hipóteses levantadas, percepção de inferências
inadequadas;
Conhecimentos prévios Vocabulário
• Generalização: rever a lista de informações rele-
vantes e o resumo do texto, levantar as generalizações
que foram feitas;
Comparação de informações Características do texto
• Vocabulário: identificar as palavras que trazem con-
Checagem de hipóteses Generalizações ceitos no próprio texto e/ou palavras desconhecidas
para a composição do glossário;

• Comparação de informações: localizar e sublinhar informações relevantes;

• Características do texto: apontar o formato, o veículo, o autor, a época do referido texto.

É sabido que o ato de ler é um verdadeiro exercício/trabalho em decifrar sentimentos, intenções e/


ou pensamentos ocultos, guiando-se por indícios subjetivos e, também, objetivos para, a partir disso, con-
jecturar algo, formular hipóteses mediante dados objetivos que normalmente estão no texto analisado. Tal
atividade, exercício e/ou trabalho, como já observamos, necessita de processos, estratégias, mecanismos
que nos auxiliem na compreensão dos textos produzidos. Assim como na matemática precisamos de arti-
culações entre fórmulas para objetivar os melhores resultados, não é diferente na interpretação e interação
com quaisquer textos (sendo aqui a articulação entre elementos do próprio texto).
Portanto, seja uma receita, bula, artigo científico, carta, charge e/ou tirinhas, se faz necessário,
para o leitor, um método de estudos e de compreensão a fim de desenvolver a capacidade leitora e crítica.
Diante disso, apresentamos estratégias de compreensão, tais como: conhecimentos prévios, vocabulá-

20 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação

rio, comparação de informações, checagem de hipóteses, características do texto e generalizações,

PORTUGUÊS
que ajudarão a tornar-nos leitores e produtores aptos em discernir, produzir e criticar as produções textuais
que nos cercam.

01. Observe a imagem a seguir. (A) fazer refletir, nas penas do pavão, as cores do arco-íris.
(B) conseguir o maior número de tonalidades.
(C) fazer com que o pavão ostente suas cores.
PASSAGEM DE ÔNIBUS 65789
(D) fragmentar a luz nas bolhas d’água.
MCZ/REC (E) não há nenhuma conexão com o texto.
TERMINAL RODOVIÁRIO Nº 6 5 7 8 9
Maceió – AL
de: Maceió para: Recife 04. Leia a tira de Chico Bento e lembre-se de que a língua modifica-
pago -se por influência de vários fatores.
DATA AGENTE seguro
28/03/2017 José Alberto VIAÇÃO LUXOR
Prefixo 008954
POLTRONA HORÁRIO
KM 258,7
22 23h30 min
ÔNIBUS PREÇO Via do passageiro
LEITO R$ 96,70

ATENÇÃO, USUÁRIO
Mantenha sempre em seu poder esta passagem.
É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente

a) Explique os recursos utilizados pelo autor na produção do humor


O passageiro vai iniciar a viagem nessa tira.
b) Em relação à norma culta, como você caracterizaria o modo de
(A) à noite. (B) à tarde. (C) de madrugada. Chico Bento expressar-se?
(D) pela manhã. (E) ao amanhecer. c) Quais são as palavras que Chico Bento usa que não seguem a
norma padrão? Localize-as.

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

02. Observe a tira a seguir. d) Passe a frase de Chico Bento para a norma culta.

05. Leia o trecho a seguir.

Todo abacate é verde. O incrível Hulk é verde. O incrível Hulk é


um abacate. (l. 22)

Todo argumento pode se tornar um sofisma: um raciocínio errado


ou inadequado que nos leva a conclusões falsas ou improcedentes.
O último parágrafo do texto é um exemplo de sofisma, consideran-
No 1º quadrinho, a fala do personagem pode ser substituída por: do que, da constatação de que todo abacate é verde, não se pode
deduzir que só os abacates têm cor verde.
(A) “Quer namorar comigo?”.
(B) “Você é muito bonita para mim!”. Esse é o tipo de sofisma que adota o seguinte procedimento:
(C) “Você é muito simpática!”.
(D) “Você é muito humilde!”. (A) enumeração incorreta. (B) generalização indevida.
(E) “Quero ficar com você!”. (C) representação imprecisa. (D) exemplificação inconsistente.
(E) negação de tudo.
03. Leia o texto a seguir.
06. Leia o fragmento de texto a seguir.
O Pavão
E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de Segunda maior produtora mundial de embalagem longa vida,
suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri a SIG Combibloc, principal divisão do grupo suíço SIG, prepara a
que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há abertura de uma fábrica no Brasil. A empresa, responsável por 1
pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se bilhão do 1,5 bilhão de dólares de faturamento do grupo, chegou
fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. ao país há dois anos disposta 5 a brigar com a líder global, Tetra-
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o má- pak, que detém cerca de 80% dos negócios nesse mercado. Os
ximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz estudos para a implantação da fábrica foram recentemente con-
seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade. Considerei, cluídos e apontam para o Sul do país, pela facilidade logística junto
por fim, que assim é o amor, oh! Minha amada; de tudo que ele ao Mercosul. Entre os oito atuais clientes da Combibloc na região
suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas estão a Unilever, com a marca de atomatado Malloa, no Chile, e a
meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias 10 italiana Cirio, no Brasil.
e me faz magnífico. (Denise Brito, na Exame, dez./99)
(BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 120)

Segundo o texto, a SIG Combibloc:


No 2º parágrafo do texto, a expressão: atingir o máximo de mati-
zes, significa o artista: (A) produz menos embalagem que a Tetrapak.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 21
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação
PORTUGUÊS

(B) vai transferir suas fábricas brasileiras para o Sul. (C) uma empresa do ramo de programas para supermercados pro-
(C) possui oito clientes no Brasil. pôs um acordo vantajoso, em que a rede só entraria com as com-
(D) vai abrir mais uma fábrica no Brasil. pras e as entregas.
(E) possui cliente no Brasil há dois anos, embora não esteja insta- (D) mais da metade dos cariocas não esqueceram as Casas da
lada no país. Banha.
(E) a rede funcionará apenas virtualmente.
07. Leia o trecho a seguir.
09. Leia o texto a seguir.
Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre
fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. Os A civilização “pós-moderna” culminou em um progresso ine-
antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos gável, que não foi percebido antecipadamente, em sua inteireza.
colaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em deter- Ao mesmo tempo, sob o “mau uso” da ciência, da tecnologia e da
minados ofícios 5 mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se capacidade de invenção nos precipitou na miséria moral inexorável.
acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige Os que condenam a ciência, a tecnologia e a invenção criativa por
a exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para essa miséria ignoram os desafios que explodiram com o capitalis-
as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem mo monopolista de sua terceira fase.
regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.
(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes) Em páginas secas premonitórias, E. Mandel1 apontara tais
riscos. O “livre jogo do mercado” (que não é e nunca foi “livre”)
Segundo o autor, os antigos moradores da terra: rasgou o ventre das vítimas: milhões de seres humanos nos países
ricos e uma carrada maior de milhões nos países pobres. O centro

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
(A) foram o fator decisivo no desenvolvimento dos latifúndios co- acabou fabricando a sua periferia intrínseca e apossou-se, como
loniais. não sucedeu nem sob o regime colonial direto, das outras perife-
(B) colaboravam com má vontade na caça e na pesca. rias externas, que abrangem quase todo o “resto do mundo”.
(C) não gostavam de atividades rotineiras.
(D) não colaboraram com a indústria extrativa. 1: Ernest Ezra Mandel (1923-1995): economista e militante político belga.
(E) levavam uma vida sedentária.
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


O emprego de aspas em uma dada expressão pode servir, inclusive,
08. Leia o fragmento de texto a seguir. para indicar que ela

Você se lembra da Casas da Banha? Pois é, uma pesquisa I. foi utilizada pelo autor com algum tipo de restrição;
mostra que mais de 60% dos cariocas ainda se recordam daquela II. pertence ao jargão de uma determinada área do conhecimento;
que foi uma das maiores redes de supermercados do país, com III. contém sentido pejorativo, não assumido pelo autor.
224 lojas e 20.000 funcionários, desaparecida no início dos anos
90. Por isso, seus antigos 5 donos, a família Velloso, decidiram Considere as seguintes ocorrências de emprego de aspas presentes
ressuscitá-la. Desta vez, porém, apenas virtualmente. Os Velloso no texto:
fizeram um acordo com a GW.Commerce, de Belo Horizonte, em-
presa que desenvolve programas para supermercados virtuais. Em A. “pós-moderna” (l. 1);
troca de uma remuneração sobre o faturamento, A GW gerenciará B. “mau uso” (l. 3);
as vendas para a família Velloso. A família cuidará apenas das com- C. “livre jogo do mercado” (l.10);
pras e das entregas. D. “livre” (l. 11);
(José Maria Furtado, na Exame, dez./99) E. “resto do mundo” (l. 16).

Segundo o texto, a família Velloso resolveu ressuscitar as Casas da As modalidades I, II e III de uso de aspas, elencadas acima, verifi-
Banha porque: cam-se, respectivamente, em

(A) a rede teve 224 lojas e 20.000 funcionários. (A) A, C e E. (B) B, C e D. (C) A, B e E.
(B) a rede foi desativada no início dos anos 90. (D) A, B e E. (E) B, D e A.

A (re)estruturação do texto
Após as leituras necessárias, é importante montar “virtualmente” ou por escrito o esqueleto do
texto, para testar a compreensão efetiva dele. Algumas formas que podem ser utilizadas em separado ou na
sequência:

• Destacar o tema/assunto geral e identificar com subtítulos os temas de cada fragmento ou


parágrafo do texto;

• Hierarquizar as ideias contidas no texto, destacando as “palavras-chave”, as ideias principais e


as secundárias;

22 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação

• Parafrasear o texto, ou seja, dizê-lo com outras palavras e/ou de outra maneira: resumir; fazer

PORTUGUÊS
perguntas e responder; recontar; montar um esquema de conteúdos.

Vejamos isso na prática.

1. Tema/assunto geral:
O ESTADO DE S. PAULO
Caderno 2 A estreia polêmica do filme A paixão de Cristo

ANO XVIII NÚMERO 6.065 SEXTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2004 2. Hierarquia das ideias:

2.1. O filme retrata as últimas horas de vida de Cristo até sua ressurrei-
ção.

2.2. Estreia com críticas fortes:


2.2.1. Os críticos reclamam do excesso de violência;
2.2.2. A comunidade judaica, do antissemitismo do diretor;
2.2.3. Os homossexuais, da homofobia do diretor.

2.3. Estreia com muitas salas lotadas.


2.4. A polêmica está só começando.
2.5. O filme deve ser conferido.

3. Palavras-chave:
É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente

CRISTO CHEGA PARA DIVIDIR


Filme, estreia, polêmica, A paixão de Cristo, violência, antissemitismo,
Precedido de intensa polêmica, estreia hoje em mais de 500
homofobia, lotação esgotada.
cinemas de todo o país o filme A paixão de Cristo, de Mel
Gibson. Concentrando a ação nas últimas 12 horas da vida 4. Paráfrases:
de Jesus, o astro da série Máquina mortífera inicia seu filme

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

com o Cristo fragilizado (Jim Caviezel, na foto), que duvida Resumo do artigo – A paixão de Cristo, último filme de Mel Gibson, que
de si mesmo, no Jardim das Oliveiras, e prossegue com seu retrata as últimas horas de Cristo até a ressurreição, estreia no meio de
suplício físico, culminando nas brutais cenas da crucificação, muita polêmica, mas, apesar das críticas, deve ser assistido.
até chegar à ressurreição. Os críticos reclamam do excesso
de violência, a comunidade judaica acusa o diretor de antisse- 5. Perguntas a serem respondidas sobre o texto:
mitismo e os homossexuais lembram que Gibson não deixou
de ser o homófobo de sempre. A polêmica está apenas come- Qual é o sentido do título “Cristo chega para dividir”?
çando e A paixão de Cristo estreia com lotação esgotada em Qual é a polêmica em volta do filme?
muitas salas. Com A paixão de Cristo, não se trata de gostar De que trata o filme?
ou não gostar, mas ver esse filme é uma experiência intensa Há expectativas em relação a sua estreia?
que deve ser usufruída por quem leva o cinema a sério.
O autor do texto manifesta opinião sobre o filme?

A inferência
A ativação da inferência, isto é, a leitura do que não está explícito (as entrelinhas, o tom e a inten-
cionalidade do texto), acontece ao longo de todo o processo de leitura.
Vejamos isso na prática, com base na matéria sobre o filme A paixão de Cristo.

Podemos tentar ler algumas das entrelinhas do texto com a ajuda de perguntas como:

• Qual é a posição do autor em relação à polêmica e ao filme? Por quê?


• Qual é a intenção do artigo? Por quê?
• Quais os argumentos utilizados para persuadir o leitor?

E, no caso, concluir que:

A posição do autor em relação à polêmica é neutra, ele só cita os comentários de grupos específicos sem emitir sua opinião a respeito. Quanto
ao filme, é positiva, pois não faz nenhuma crítica negativa direta e ainda incentiva que seja visto. A intenção do artigo é chamar a atenção
para a estreia do filme, valendo-se da polêmica como chamariz, e incentivar que seja assistido. Um argumento forte é que o filme está além
da polêmica e que é “uma experiência intensa que deve ser usufruída por quem leva o cinema a sério”.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 23
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação

Após todo esse processo, é interessante que você leia o texto inteiro mais uma vez, e então per-
PORTUGUÊS

ceber que a leitura será um processo mais perceptível e, ao mesmo tempo, terá um olhar crítico, ou seja,
aprofundado.

01. Responda as perguntas a seguir com base na tirinha da Mafalda.

Inferências são adições


de informação que o leitor
faz ao texto. Sem elas, não
é possível compreender o
que se lê.

A geração de inferências é
um processo fundamental
para a leitura. Quem não
faz inferências não lê. Para
compreender um texto, é Disponível em: http://clubedamafalda.blogspot.com. Acesso em: 10 jun 2013.
preciso fazer inferências.
a) Que implícito pode-se retirar da fala de Mafalda, no último quadro?
b) Trata-se de um pressuposto ou subentendido?
c) Como esse implícito não vem marcado por um elemento linguístico, trata-se de algo que está subentendido.

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
c) De que maneira esse conteúdo implícito é necessário para a compreensão do texto?

02. Leia o texto a seguir.

Quixotes de Portinari voltam à luta


CASSIANO ELEK MACHADO DA REPORTAGEM LOCAL
| SISTEMA DINAMUS • ENSINO MÉDIO |

LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


De todas as mais de 5.000 obras que o prolífico Candido Portinari espalhou em telas, papeis e até em
murais no prédio das Nações Unidas, em Nova York, um conjunto de 21 desenhinhos elaborados com lápis de
cor desses que se compra na esquina ficam em seu pedestal particular.
As ilustrações que o artista de Brodósqui fez em 1956 inspirado no “Dom Quixote”, de Miguel de Cer-
vantes, eram suas obras mais queridas. A “confidência” foi feita à Folha pela viúva do artista, Maria Portinari,
em 1997.
A partir de hoje, qualquer um pode ter o conjunto completo dos “prediletos” do pintor modernista. Uma
dobradinha da Fundação Memorial da América Latina, que comemora 15 anos, e do Museu de Arte Contem-
porânea da USP, em parceria com a Imprensa Oficial de São Paulo, resultou no álbum “D. Quixote – Portinari”,
que será lançado hoje.
Evento que fecha as comemorações do centenário de Portinari (1903-1962), coordenadas pela fundação
que leva o nome do artista, o lançamento será feito em um cenário especial: o Salão de Atos Tiradentes do
Memorial, espaço projetado por Oscar Niemeyer, amigo de Portinari, onde fica o grandioso painel portinariano
“Tiradentes”, de 18 metros.
Feita em 1948, essa obra é oito anos mais jovem do que a série de desenhos apresentada no catálogo.
Feitos a pedido do editor José Olympio para ilustrar a segunda edição da primeira tradução brasileira de “Dom
Quixote”, os desenhos começaram a ser feitos em 1956 (motivo pelo qual Antonio Callado dizia: “No ano de
1956 Candido Portinari sagrou cavaleiro o lápis de cor”).
Os rabiscos ágeis e coloridos de Portinari só ganharam as livrarias no final de 1972, após a morte do ar-
tista. Foram lançados no álbum de luxo D. Quixote: Cervantes, Portinari, Drummond, acompanhados de textos
deste último, no dia em que o poeta mineiro completou 70 anos.
Como escreveu Drummond, sobre o “Quixote portinariano”, que “enche de felicidade os olhos que o
contemplam”, os desenhos foram feitos em um momento difícil do artista, quando ele não podia pintar. “Os
sais de chumbo das tintas envenenavam-no lentamente, e o médico lhe recomendou que parasse”, escreveu
Drummond em 73. “Portinari, que não fazia outra coisa senão pintar, refugiou-se no desenho”.
O Cavaleiro da Triste Figura, que o “pintor de lápis em riste” riscou, volta a sair do refúgio.
D. QUIXOTE DE PORTINARI. Lançamento do livro: hoje, às 19h30. Onde: Memorial da América Latina (av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, São Paulo,
tel. 0/xx/11/3823-4600). Grátis. Folha de S. Paulo, 28 abr. 2004. Ilustrada, p. E4.

Aponte a(s) alternativa(s) que apresenta(m) conhecimento de mundo que poderia ser útil para o leitor montar
hipóteses antecipadas sobre o conteúdo do texto a partir da leitura do título. Justifique.

a) Quixote é sinônimo de indivíduo ingênuo e sonhador.


b) Portinari é o nome de um pintor.
c) Existiu apenas um Quixote.
d) Portinari retratou passagens da maior obra de Cervantes.

24 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação

PORTUGUÊS
e) Quixote é personagem que vive aventuras de novelas de cavalaria.

03. Destaque as palavras que não são palavras-chave do texto.

ARTES CÊNICAS LUTA CANDIDO PORTINARI LITERATURA DOM QUIXOTE


EXPOSIÇÃO DESENHO CAVALARIA LANÇAMENTO NOVA YORK

04. Prolífico é sinônimo de prolífero. De acordo com o contexto em que a palavra está inserida no artigo, qual das acepções é a que melhor
esclarece seu significado? Justifique.

PROLÍFERO
[De proli- + -fero]
Adj.
1. Que faz prole.
2. Que tem a faculdade de gerar; fecundante.
3. Produtivo, fecundo (com relação a pessoas).

05. Qual é o intuito maior do artigo?


É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente

(A) Comentar os problemas de saúde que levaram o pintor brasileiro a trocar a pintura pelo desenho.
(B) Ressaltar que as ilustrações inspiradas em Dom Quixote eram as mais queridas do autor.
(C) Evidenciar a multiface do artista que se destacou na pintura, nos murais e nos desenhos.
(D) Salientar a comemoração do centenário de Portinari.
(E) Divulgar o lançamento do álbum D. Quixote – Cervantes, Portinari, Drummond.

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

06. Reescreva o artigo “Quixote de Portinari voltam à luta” à maneira de uma notícia breve. Observe as seguintes orientações:

a) acrescente um subtítulo ao artigo (lembre-se de que geralmente os subtítulos têm uma função explicativa e/ou especificativa);
b) limite seu artigo a dois parágrafos;
c) ele será publicado no boletim de uma livraria.

Referências bibliográficas
CEREJA e MAGALHÃES, William Roberto e Thereza Cochar. Português: linguagens, volume 1 - ensino
médio. 5.ed. São Paulo: Atual, 2005.
PASCHOALIN e SPADOTO, Maria Aparecida e Neusa Terezinha. Gramática: teoria e exercícios. Ed. renova-
da. São Paulo: FTD, 2008.
DE NICOLA, José. Língua, literatura e produção de textos: volume 1 - ensino médio. São Paulo: Scipione,
2009.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 29.ed. São Paulo: Nova Geração, 2008.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 25
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação
PORTUGUÊS

LEITURA E INTERAÇÃO

Introdução

O ato de ler é um processo no qual não basta uma mera decodificação apática de um texto. Ler consiste em
interagir com o texto, ativando nosso conhecimento linguístico, nosso conhecimento de mundo, nossas leituras
prévias, nossa reflexão. Pelo ato de ler, atribuímos sentido à mensagem de um texto.

A (re)estruturação do texto

Após as leituras necessárias, é importante montar “virtualmente” ou por escrito o esqueleto do texto, para testar
a compreensão efetiva dele. Algumas formas que podem ser utilizadas em separado ou na sequência:

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
• Destacar o tema/assunto geral e identificar com subtítulos os temas de cada fragmento ou parágrafo do
texto;

• Hierarquizar as ideias contidas no texto, destacando as “palavras-chave”, as ideias principais e as secun-


dárias;
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• Parafrasear o texto, ou seja, dizê-lo com outras palavras e/ou de outra maneira: resumir; fazer perguntas e

LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


responder; recontar; montar um esquema de conteúdos.

A inferência

A ativação da inferência, isto é, a leitura do que não está explícito (as entrelinhas, o tom e a intencionalidade do
texto), acontece ao longo de todo o processo de leitura.

26 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
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Capítulo 2: Leitura e interação

PORTUGUÊS
01. Leia a charge a seguir. (E) A tira denuncia a exclusão digital das mulheres modernas.

03. Na tira do Armandinho, a palavra “não” é usada em dois mo-


mentos distintos.

Marque a alternativa que melhor analisa a relação entre as duas


ocorrências:
Assinale a alternativa que exprime o teor crítico da charge:
(A) O segundo “não” contradiz o primeiro “não”, e eles indicam
(A) A pichação somente contribui para o aumento da poluição intenções distintas.
visual da cidade. (B) O segundo “não” confirma o primeiro “não”, e eles indicam
(B) É necessário investir efetivamente em educação para a cons- intenções semelhantes.
É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente

cientização ambiental. (C) O primeiro “não” reafirma o segundo “não”, pois ambos apre-
(C) Há incoerência entre a proibição governamental e sua efetiva sentam sentidos idênticos.
fiscalização. (D) O segundo “não” desfaz o primeiro “não”, pois este foi usado
(D) A pichação é uma forma ilegítima de protesto social e edu- com o intuito da manipulação.
cacional. (E) O primeiro “não” desfaz o segundo “não”, pois este foi usado
(E) Os pichadores demonstram total indiferença com o meio am- com o intuito da manipulação.

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

biente e a lei.
04. Examine a tira Hagar, o Horrível, do cartunista americano Dik
02. Leia a charge a seguir. Browne (1917-1989).

O ensinamento ministrado por Hagar a seu filho poderia ser ex-


presso do seguinte modo:

(A) “A fome é a companheira do homem ocioso.”


(B) “O estômago que raramente está vazio despreza alimentos
vulgares.”
(C) “Nada é mais útil ao homem do que uma sábia desconfiança.”
(D) “Muitos homens querem uma coisa, mas não suas conse-
quências.”
(E) “É impossível para um homem ser enganado por outra pessoa
que não seja ele mesmo.”

05. Leia a charge a seguir.


Da leitura do texto, é possível concluir:

(A) A evolução tecnológica permitiu uma mudança no papel da


mulher na sociedade.
(B) O texto mostra que as mulheres agora, além de terem que
aprender corte e costura, deverão também aprender a programar
computadores.
(C) Em relação às tarefas femininas, houve apenas uma mudança
tecnológica.
(D) Segundo o texto, falta às mulheres habilidade para manipular
os avanços tecnológicos.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 27
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação
PORTUGUÊS

A presença desse aviso em um hotel, além de informar sobre um


fato e evitar possíveis atos indesejados no local, tem como obje-
tivo implícito

(A) isentar o hotel de responsabilidade por danos causados aos


hóspedes.
(B) impedir a destruição das câmeras como meio de apagar evi-
dências.
(C) assegurar que o hotel resguardará a privacidade dos hóspe-
des.
(D) inibir as pessoas de circular em uma área específica do hotel.
(E) desestimular os hóspedes que requisitem as imagens grava-
Em sua conversa com o pai, Calvin busca persuadi-lo, recorrendo das.
à estratégia argumentativa de
08. Apesar de
(A) mostrar que um bom trabalho como pai implica a valorização
por parte do filho. Não lembro quem disse que a gente gosta de uma pessoa
(B) apelar para a necessidade que o pai demonstra de ser bem- não por causa de, mas apesar de. Gostar daquilo que é gostável
-visto pela família. é fácil: gentileza, bom humor, inteligência, simpatia, tudo isso a
(C) explorar a preocupação do pai com a própria imagem e po- gente tem em estoque na hora em que conhece uma pessoa e re-
pularidade. solve conquistá-la. Os defeitos ficam guardadinhos nos primeiros

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(D) atribuir seu ponto de vista a terceiros para respaldar suas in- dias e só então, com a convivência, vão saindo do esconderijo
tenções. e revelando-se no dia a dia. Você então descobre que ele não é
(E) gerar um conflito entre a solicitação da mãe e os interesses apenas gentil e doce, mas também um tremendo casca-grossa
do pai. quando trata os próprios funcionários. E ela não é apenas segura
e determinada, mas uma chorona que passa 20 dias por mês com
06. Leia o texto a seguir. TPM. E que ele ronca, e que ela diz palavrão demais, e que ele é
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supersticioso por bobagens, e que ela enjoa na estrada, e que ele
O bonde abre a viagem, não gosta de criança, e que ela não gosta de cachorro, e agora?
No banco ninguém, Agora, convoquem o amor para resolver essa encrenca.
Estou só, stou sem. MEDEIROS, M. Revista O Globo, n. 790, 12 jun. 2011 (adaptado).
Depois sobe um homem,
No banco sentou, Há elementos de coesão textual que retomam informações no tex-
Companheiro vou. to e outros que as antecipam. Nos trechos, o elemento de coesão
O bonde está cheio, sublinhado que antecipa uma informação do texto é
De novo porém
Não sou mais ninguém. (A) “Gostar daquilo que é gostável é fácil [...]”.
ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Vila Rica, 1993. (B) “[...] tudo isso a gente tem em estoque [...]”.
(C) “[...] na hora em que conhece uma pessoa [...]”.
O desenvolvimento das grandes cidades e a consequente con- (D) “[...] resolve conquistá-la.”
centração populacional nos centros urbanos geraram mudanças (E) “[...] para resolver essa encrenca.”
importantes no comportamento dos indivíduos em sociedade. No
poema de Mário de Andrade, publicado na década de 1940, a vida 09. Leia os textos a seguir.
na metrópole aparece representada pela contraposição entre
TEXTO I
(A) a solidão e a multidão. Mama África
(B) a carência e a satisfação. Mama África (a minha mãe)
(C) a mobilidade e a lentidão. é mãe solteira
(D) a amizade e a indiferença. e tem que fazer
(E) a mudança e a estagnação. mamadeira todo dia
além de trabalhar
07. Observe a imagem a seguir. como empacotadeira
nas Casas Bahia
Mama África tem tanto o que fazer
além de cuidar neném
além de fazer denguim
filhinho tem que entender
Mama África vai e vem
mas não se afasta de você
quando Mama sai de casa
seus filhos se olodunzam
rola o maior jazz
Mama tem calos nos pés

28 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação

PORTUGUÊS
Mama precisa de paz (D) as escolhas verbais associadas à imagem parecem contradi-
Mama não quer brincar mais tórias, pois constroem uma aparência incompatível com a de uma
filhinho dá um tempo jovem doente.
é tanto contratempo (E) a campanha explora a expressão da jovem a fim de gerar
no ritmo de vida de Mama comoção no leitor, levando-o a doar sangue para as pessoas com
CHICO CÉSAR. Mama África. São Paulo: MZA Music, 1995. leucemia.

TEXTO II Leia o texto a seguir e responda às questões 11 a 14.

A ARTE DE ENGANAR
Em seu livro Pernas pro ar, Eduardo Galeano recorda que,
na era vitoriana, era proibido mencionar “calças” na presença
de uma jovem. Hoje em dia, diz ele, não cai bem utilizar cer-
tas expressões perante a opinião pública: “O capitalismo exibe o
nome artístico de economia de mercado; imperialismo se chama
globalização; suas vítimas se chamam países em via de desen-
volvimento; oportunismo se chama pragmatismo; despedir sem
indenização nem explicação se chama flexibilização laboral” etc.
A lista é longa. Acrescento os inúmeros preconceitos que
carregamos: ladrão é sonegador; lobista é consultor; fracasso
é crise; especulação é derivativo; latifúndio é agronegócio; des-
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matamento é investimento rural; lavanderia de dinheiro escuso


A pesquisa, realizada pelo IBGE, evidencia características das fa- é paraíso fiscal; acumulação privada de riqueza é democracia;
mílias brasileiras, também tematizadas pela canção Mama África. socialização de bens é ditadura; governar a favor da maioria é po-
Ambos os textos destacam o(a) pulismo; tortura é constrangimento ilegal; invasão é intervenção;
peste é pandemia; magricela é anoréxica.
(A) preocupação das mulheres com o mercado de trabalho. Eufemismo é a arte de dizer uma coisa e acreditar que o

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(B) responsabilidade das mulheres no sustento das famílias. público escuta ou lê outra. É um jeitinho de escamotear significa-
(C) comprometimento das mulheres na reconstituição do casa- dos. De tentar encobrir verdades e realidades.
mento. Posso admitir que pertenço à terceira idade, embora esteja
(D) dedicação das mulheres no cuidado com os filhos. na cara: sou velho. Ora, poderia dizer que sou seminovo! Como
(E) importância das mulheres nas tarefas diárias. carros em revendedoras de veículos. Todos velhos! Mas o adjeti-
vo seminovo os torna mais vendáveis.
10. Observe a imagem a seguir. Coitadas das palavras! Elas são distorcidas para que a re-
alidade, escamoteada, permaneça como está. Não conseguem,
contudo, escapar da luta de classes: pobre é ladrão, rico é cor-
rupto. Pobre é viciado, rico é dependente químico.
Em suma, eufemismo é um truque semântico para tentar
amenizar os fatos.
Frei Betto. Adaptado de O Dia, 21/03/2015.

11. Em sua origem grega, o termo “eufemismo” significa “palavra


de bom agouro” ou “palavra que deseja o bem”. Como figura de
linguagem, indica um recurso que suaviza alguma ideia ou ex-
pressão mais chocante. Na crônica, o autor enfatiza o aspecto ne-
gativo dos eufemismos, que serviriam para distorcer a realidade.
De acordo com o autor, o eufemismo camufla a desigualdade so-
cial no seguinte exemplo:

(A) fracasso é crise (l. 8).


Na campanha publicitária, há uma tentativa de sensibilizar o públi- (B) peste é pandemia (l. 11).
co-alvo, visando levá-lo à doação de sangue. Analisando a estra- (C) magricela é anoréxica (l. 11).
tégia argumentativa utilizada, percebe-se que (D) rico é corrupto (l. 18).
(E) político é político (l. 20).
(A) a exposição de alguns dados sobre a jovem procura provocar
compaixão, visto que, em razão da doença, ela vive de maneira 12. Frei Betto inicia seu texto com uma citação do escritor uru-
diferente dos demais jovens de sua idade. guaio Eduardo Galeano, recorrendo a recurso comum de argu-
(B) a campanha defende a ideia de que, para doar, é preciso mentação. Esse recurso constitui um argumento de:
conhecer o doente, considerando que foi preciso apresentar a jo-
vem para gerar identificação. (A) comparação. (B) causalidade. (C) contestação.
(C) o questionamento seguido da resposta propõe reflexão por (D) autoridade. (E) submissão.
parte do público-alvo, visto que o texto critica a prática de esco-
lher para quem doar. 13. Na produção do humor, traço típico da crônica, o autor com-

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 29
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação
PORTUGUÊS

bina eufemismos com outros recursos ou figuras de linguagem. O (C) identifica ideias conhecidas.
exemplo em que o humor é produzido por meio da superposição (D) procura textos recomendados.
entre um eufemismo e uma comparação entre elementos distintos (E) narra sua vida.
é:
Leia o texto a seguir e responda às questões 18 e 19
(A) despedir sem indenização nem explicação se chama flexibili-
zação laboral (l. 5-6) Porque a realidade é inverossímil
(B) acumulação privada de riqueza é democracia; (l. 9-10). Escusando-me1 por repetir truísmo2 tão martelado, mas mo-
(C) Ora, poderia dizer que sou seminovo! (l. 14-15). vido pelo conhecimento de que os truísmos são parte inseparável
(D) são distorcidas para que a realidade, escamoteada, permane- da boa retórica narrativa, até porque a maior parte das pessoas
ça como está. (l. 17-18). não sabe ler e é no fundo muito ignorante, rol no qual incluo
(E) Em seu livro Pernas pro ar, Eduardo Galeano recorda (...) (l. arbitrariamente você, repito o que tantos já dizem e vivem repe-
1-2). tindo, como quem usa chupetas: a realidade é, sim, muitíssimo
mais inacreditável do que qualquer ficção, pois esta requer uma
14. No segundo parágrafo, o emprego de certa estrutura encami- certa arrumação falaciosa3, a que a maioria dá o nome de ve-
nha a reflexão do leitor para os disfarces que a linguagem permite. rossimilhança. Mas ocorre precisamente o oposto. Lê-se ficção
Essa estrutura é caracterizada principalmente por: para fortalecer a noção estúpida de que há sentido, lógica, causa
e efeito lineares e outros adereços que integrariam a vida. Lê-se
(A) modalização. (B) pressuposição. (C) exemplificação. ficção, ou mesmo livros de historiadores ou jornalistas, por inse-
(D) particularização. (E) modificação. gurança, porque o absurdo da vida é insuportável para a vastidão
dos desvalidos que povoa a Terra.

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15. Por meio de aspectos gráficos, o cartum sugere o caráter ge- João Ubaldo Ribeiro. Diário do Farol. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
neralizante que pode ter um preconceito. Um aspecto que aponta
para essa generalização é: 1
escusando-me − desculpando-me
2
truísmo − verdade trivial, lugar comum
3
falaciosa − enganosa, ilusória
(A) o traçado plano do cenário principal.
(B) a forma difusa das pessoas ao fundo.
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18. O título do texto soa contraditório, se a verossimilhança for
(C) o destaque dado ao letreiro do shopping.
tomada como uma semelhança com o mundo real, com aquilo
(D) a nitidez da representação dos dois guardas.
que se conhece e se compreende. Essa contradição se desfaz
(E) a valorização dos jovens.
porque, na interpretação do autor, a ficção organiza elementos da
vida, enquanto a realidade é considerada como:
16. Observe o cartum a seguir.
(A) linear. (B) absurda. (C) estúpida.
(D) falaciosa. (E) engraçada.

19. Para justificar a repetição de algo já conhecido, o autor se ba-


seia na relação que mantém com os leitores. Com base no texto, é
possível perceber que essa relação se caracteriza genericamente
pela:

(A) insegurança do autor. (B) imparcialidade do autor.


(C) intolerância dos leitores. (D) inferioridade dos leitores.
(E) valorização do autor.
No cartum, há uma alusão aos “rolezinhos”, manifestações em
20. Leia o diálogo a seguir.
que jovens, em geral oriundos de periferias, formam grandes gru-
pos para circular dentro de shoppings. Com base no diálogo entre Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?
os guardas e nos elementos visuais que compõem o cartum, é Cliente – Estou interessado em financiamento para compra de
possível inferir uma crítica do cartunista baseada no seguinte fato: veículo.
Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O se-
(A) os jovens se descontrolam em grupos muito numerosos.
nhor é nosso cliente?
(B) os guardas pertencem à mesma classe social dos jovens.
Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do
(C) os guardas hesitam no cumprimento de medida repressiva.
banco.
(D) os jovens ameaçam as atividades comerciais dos shoppings.
Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasí-
(E) os jovens estão passeando no centro de compras.
lia? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa
aqui pra gente conversar com calma.
17. “(..) os truísmos são parte inseparável da boa retórica nar- BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004
rativa, até porque a maior parte das pessoas não sabe ler” (l. (adaptado).
1-3). O narrador justifica a necessidade de truísmos pela dificul-
dade de leitura da maior parte das pessoas. Encontra-se implícita Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do
no argumento a noção de que o leitor iniciante lê melhor se: banco e o cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi
alterada de repente devido
(A) estuda autores clássicos.
(B) conhece técnicas literárias. (A) à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracte-

30 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação

PORTUGUÊS
rizada pela informalidade. (A) o entrevistado deseja convencer o jornalista a não publicar
(B) à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do um livro.
banco. (B) o principal objetivo do entrevistado é explicar o significado da
(C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Ge- palavra motivação.
rais). (C) são utilizados diversos recursos da linguagem literária, tais
(D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome com- como a metáfora e a metonímia.
pleto. (D) o entrevistado deseja informar de modo objetivo o jornalista
(E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio. sobre as etapas de produção de um livro.
(E) o principal objetivo do entrevistado é evidenciar seu sentimen-
21. Analise as seguintes avaliações de possíveis resultados de um to com relação ao processo de produção de um livro.
teste na Internet.
23. Leia o texto a seguir.

Para o Mano Caetano


1 O que fazer do ouro de tolo
Quando um doce bardo brada a toda brida,
Em velas pandas, suas esquisitas rimas?
4 Geografia de verdades, Guanabaras postiças
Saudades banguelas, tropicais preguiças?

A boca cheia de dentes


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7 De um implacável sorriso
Morre a cada instante
Que devora a voz do morto, e com isso,
10 Ressuscita vampira, sem o menor aviso
Depreende-se, a partir desse conjunto de informações, que o teste
que deu origem a esses resultados, além de estabelecer um perfil [...]

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para o usuário de sites de relacionamento, apresenta preocupação E eu soy lobo-bolo? lobo-bolo


com hábitos e propõe mudanças de comportamento direcionadas Tipo pra rimar com ouro de tolo?
13 Oh, Narciso Peixe Ornamental!
(A) ao adolescente que acessa sites de entretenimento. Tease me, tease me outra vez1
(B) ao profissional interessado em aperfeiçoamento tecnológico. Ou em banto baiano
(C) à pessoa que usa os sites de relacionamento para comple- 16 Ou em português de Portugal
mentar seu círculo de amizades. Se quiser, até mesmo em americano
(D) ao usuário que reserva mais tempo aos sites de relacionamen- De Natal
to do que ao convívio pessoal com os amigos. [...]
(E) ao leitor que se interessa em aprender sobre o funcionamento
1
Tease me (caçoe de mim, importune-me).
LOBÃO. Disponível em: http://vagalume.uol.com.br. Acesso em: 14 ago. 2009 (adaptado).
de diversos tipos de sites de relacionamento.

Na letra da canção apresentada, o compositor Lobão explora vá-


22. Observe a tirinha a seguir.
rios recursos da língua portuguesa, a fim de conseguir efeitos es-
téticos ou de sentido. Nessa letra, o autor explora o extrato sonoro
do idioma e o uso de termos coloquiais na seguinte passagem:

(A) “Quando um doce bardo brada a toda brida” (v. 2).


(B) “Em velas pandas, suas esquisitas rimas?” (v. 3).
(C) “Que devora a voz do morto” (v. 9).
(D) “lobo-bolo//Tipo pra rimar com ouro de tolo? (v. 11-12).
(E) “Tease me, tease me outra vez” (v. 14).

24. Gênero dramático é aquele em que o artista usa como inter-


mediária entre si e o público a representação. A palavra vem do
grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma
composição literária destinada à apresentação por atores em um
palco, atuando e dialogando entre si. O texto dramático é comple-
mentado pela atuação dos atores no espetáculo teatral e possui
uma estrutura específica, caracterizada: 1) pela presença de per-
sonagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e
à ação; 2) pela ação dramática (trama, enredo), que é o conjunto
de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens
encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta
Tendo em vista a segunda fala do personagem entrevistado, cons-
de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho; 3) pela
tata-se que
situação ou ambiente, que é o conjunto de circunstâncias físicas,
sociais, espirituais em que se situa a ação; 4) pelo tema, ou seja,

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 31
Formando o leitor e o produtor de texto
Capítulo 2: Leitura e interação
PORTUGUÊS

a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpreta- tância, em que não podemo confiar integralmente no que lemos.
ção real por meio da representação. Por ter como lema principal a escritura coletiva, seus textos
COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973 trazem informações que podem ser editadas e reeditadas por pes-
(adaptado).
soas do mundo inteiro. Ou seja, a relevância da informação não
é determinada pela tradição cultural, como nas antigas enciclopé-
Considerando o texto e analisando os elementos que constituem
dias, mas pela dinâmica da mídia.
um espetáculo teatral, conclui-se que
Assim, questiona-se a possibilidade de serem encontradas
(A) a criação do espetáculo teatral apresenta-se como um fenô-
informações corretas entre sabotagens deliberadas e contribui-
meno de ordem individual, pois não é possível sua concepção de
ções erradas.
forma coletiva. NÉO, A. et al. A Internet que você faz. In: Revista PENSE! Secretaria de Educação do Estado
(B) o cenário onde se desenrola a ação cênica é concebido e do Ceará. Ano 2, n°. 3, mar.-abr. 2010 (adaptado).
construído pelo cenógrafo de modo autônomo e independente do
tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores. As novas Tecnologias de Informação e Comunicação, como a Wi-
(C) o texto cênico pode originar-se dos mais variados gêneros kipédia, têm trazido inovações que impactaram significativamente
textuais, como contos, lendas, romances, poesias, crônicas, notí- a sociedade. A respeito desse assunto, o texto apresentado mos-
cias, imagens e fragmentos textuais, entre outros. tra que a falta de confiança na veracidade dos conteúdos regis-
(D) o corpo do ator na cena tem pouca importância na comuni- trados na Wikipédia
cação teatral, visto que o mais importante é a expressão verbal,
base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro até os (A) acontece pelo fato de sua construção coletiva possibilitar a
dias atuais. edição e reedição das informações por qualquer pessoa no mun-

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
(E) a iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do inteiro.
do processo de produção/recepção do espetáculo teatral, já que (B) limita a disseminação do saber, apesar do crescente número
se trata de linguagens artísticas diferentes, agregadas posterior- de acessos ao site que a abriga, por falta de legitimidade
mente à cena teatral. (C) ocorre pela facilidade de acesso à página, o que torna a infor-
mação vulnerável, ou seja, pela dinâmica da mídia.
25. Diferentemente do texto escrito, que em geral compele os lei- (D) ressalta a crescente busca das enciclopédias impressas para
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tores a lerem numa onda linear – da esquerda para a direita e de as pesquisas escolares.
cima para baixo, na página impressa – hipertextos encorajam os (E) revela o desconhecimento do usuário, impedindo-o de formar
leitores a moverem-se de um bloco de texto a outro, rapidamente um juízo de valor sobre as informações.
e não sequencialmente. Considerando que o hipertexto oferece
uma multiplicidade de caminhos a seguir, podendo ainda o leitor 27. Choque a 36 000 km/h
incorporar seus caminhos e suas decisões como novos cami- A faixa que vai de 160 quilômetros de altitude em volta da terra
nhos, inserindo informações novas, o leitor navegador passa a ter assemelha-se a uma avenida congestionada onde orbitam 3.000
um papel mais ativo e uma oportunidade diferente da de um leitor satélites ativos. Eles disputam espaço com 17.000 fragmentos de
de texto impresso. Dificilmente dois leitores de hipertextos farão artefatos lançados pela Terra e que se desmancharam – foguetes,
os mesmos caminhos e tomarão as mesmas decisões. satélites desativados e até ferramentas perdidas por astronautas.
MARCUSCHI, L. A. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio: Lucerna, 2007. Com um tráfego celeste tão intenso, era questão de tempo para
que acontecesse um acidente de grandes proporções, como o da
No que diz respeito à relação entre o hipertexto e o conhecimento semana passada. Na terça-feira, dois satélites em órbita desde os
por ele produzido, o texto apresentado deixa claro que o hipertexto anos 90 colidiram em um ponto 790 quilômetros acima da Sibé-
muda a noção tradicional de autoria, porque ria. A trombada dos satélites chama a atenção para os riscos que
oferece a montanha de lixo espacial em órbita. Como os objetos
(A) é o leitor que constrói a versão final do texto. viajam a grande velocidade, mesmo um pequeno fragmento de 10
(B) o autor detém o controle absoluto do que escreve. centímetros poderia causar estragos consideráveis no telescópio
(C) aclara os limites entre o leitor e o autor. Hubble ou na estação espacial Internacional — nesse caso pondo
(D) propicia um evento textual interativo em que apenas o autor em risco a vida dos astronautas que lá trabalham.
é ativo. Revista Veja. 18 set. 2009 (adaptado).
(E) só o autor conhece o que eletronicamente se dispõe para o
leitor. Levando-se em consideração os elementos constitutivos de um
texto jornalístico, infere-se que o autor teve como objetivo
26. Leia o texto a seguir.
(A) exaltar o emprego da linguagem figurada.
A Internet que você faz (B) criar suspense e despertar temor no leitor.
Uma pequena invenção, a Wikipédia, mudou o jeito de li- (C) influenciar a opinião dos leitores sobre o tema, com as mar-
darmos com informações na rede. Trata-se de uma enciclopédia cas argumentativas de seu posicionamento.
virtual colaborativa, que é feita e atualizada por qualquer inter- (D) induzir o leitor a pensar que os satélites artificiais representam
nauta que tenha algo a contribuir. Em resumo: é como se você um grande perigo para toda a humanidade.
imprimisse uma nova página para a publicação desatualizada que (E) exercitar a ironia ao empregar “avenida congestionada”; “trá-
encontrou na biblioteca. fego celeste tão intenso”; “montanha de lixo”.
Antigamente, quando precisávamos de alguma informação
confiável, tínhamos a enciclopédia, como fonte segura de pes-
quisa para trabalhos, estudos e pesquisa em geral. Contudo, a
novidade trazida pela Wikipédia nos coloca em uma nova circuns-

32 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Literatura
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Lei nº 9.610/98.
Este conteúdo pertence ao Dinamus Sistema de Ensino. Está vedada a cópia ou a reprodução não
autorizada previamente e por escrito. Todos os direitos reservados.
Violação de direito autoral cabe detenção de três meses a um ano, ou multa. Caracterização da
violação: reprodução por qualquer meio, de obra intelectual, no todo ou em parte.
Literatura: ensino médio, 1ª série. Alagoas: Dinamus
Sistema de Ensino, 2022.

Obra em 1 v.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO.


CNPJ: 11.582.953/0001-21
Rua Dr. Eurico Ayres, 53 - Tabuleiro do Martins
Maceió – AL.

Obra editada segundo a Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio, homo-
logado pela Portaria nº 1.570, publicada no D.O.U. de 2017.
1 Primeiras
manifestações
literárias nacionais

Capitania de Minas Gerais e a


produção literária nacional
A história do Brasil é marcada por entrelaçamentos da
construção histórica com o desenvolvimento econômico e
social, que influenciou a produção literária desde o estímu-
lo à consciência até reprodução do pensamento hegemôni-
co manifestado pela relação colônia e metrópole, ao mesmo
tempo que determinou a compreensão sobre nossa sociedade
pós século XVII.
Nesse sentido, nos chama atenção a Capitania de Minas
Gerais, caracterizada pela riqueza de suas minas de ouro e
diamante desde o século XVII, como a capitania mais rica do
Brasil que não se limitava aos aspectos econômico e geográ-
fico, sendo destaque também por sua riqueza cultural – em
certa medida, elitista.
Conhecida pelos centros de escolas avulsas, seminários
episcopais, colégios de jesuítas que contribuíram para o de-
senvolvimento do pensamento esclarecido aos olhos da so-
ciedade hegemônica, a capitania começa a despertar certo
espírito de autonomia e municipalismo de vida larga e luxu-
osa. Além disso, famílias abastadas enviavam seus filhos ao
mundo "iluminado" - aos países europeus, e os sustentavam
até concluírem seus estudos superiores. Essa visão deu para
a capitania de Minas Gerais no século XVIII, com número ex-
pressivo de doutores, leigos e eclesiásticos, clérigos etc., o
título de mais esclarecida dentre as capitanias.
Esse contexto esclarecido, localista e bairrista, oriundo
das condições físicas e morais do desenvolvimento da capi-
tania, começou a fortificar o chamado nacionalismo regional
aliado ao sentimento de liberdade e independência. Foi neste Figura 1. Vista panorâmica de Ouro
meio que produziu a floração de poetas que é a plêiade mi- Preto (MG).
neira, ou seja, literatos famosos, responsáveis pelos primeiros A cidade histórica de Ouro Preto,
fundada em 1711 com o nome de Vila
movimentos literários de cunho nacionalista. Rica, era uma das principais áreas de
Marcada por nativismo e patriotismo, estruturávamos a povoamento e exploração no chama-
produção literária brasileira que, somente a partir do sécu- do Ciclo do Ouro. Foi palco da Revolta
de Filipe dos Santos (1720).
lo XIX, com a Independência do Brasil, oficialmente em 1822,
podemos datar a existência de uma literatura brasileira. Fonte: https://upload.wikimedia.org/

Lei nº 9.610/98.
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Sumário
A literatura colonial_03
Primeiras manifestações literárias_04
Bento Teixeira e a Prosopopeia_05
o Barroco no Brasil_07
Gregório de Matos Guerra_08
Minas de ouro e a Inconfidência Mineira_11
Referências_19

Lit. _Contexto

01. As palavras-chave mais adequadas ao texto são:


(A) História do Brasil, mineração e lucro.
(B) Capitania de Minas Gerais, produção literária e nacionalismo regional.
(C) Capitania de Minas Gerais, autonomia e Independência do Brasil.
(D) História do Brasil, literatura brasileira, patriotismo.
(E) Pensamento hegemônico, metrópole e sociedade do século XVII.

02. O principal objetivo do texto é:


(A) informar sobre a construção da história do Brasil desde o período colonial.
(B) comunicar como aconteceu o processo de Independência do Brasil.
(C) relatar a construção histórica e literária do Brasil desde a capitania de Minas Gerais.
(D) compartilhar o sentimento nacionalista, indianista e nativista de Minas Gerais.
(E) refletir a construção dos literatos famosos e responsáveis pelos movimentos literários.

03. No trecho destacado do texto "Essa visão deu para a capitania de Minas Gerais no século XVIII, com
número expressivo de doutores, leigos e eclesiásticos, clérigos etc., o título de mais esclarecida
dentre as capitanias", se refere:

(A) ao potencial intelectual da sociedade mineira da época em relação as demais.


(B) ao contexto de influência europeia e instituições portuguesas no território mineiro.
(C) à construção da liberdade e independência da colônia em relação a metrópole portuguesa.
(D) ao contexto localista e bairrista, oriundo das condições físicas e morais da capitania.
(E) aos nativismo e patriotismo da capitania, sobretudo em suas produções literárias.

04. Segundo o texto, comente porque a capitania de Minas Gerais marcou a produção literária brasi-
leira.
Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Primeiras manifestações literárias nacionais


A literatura colonial
A nossa literatura colonial manteve aqui tão viva quanto lhe era possível a tradição literária portuguesa.
Submissa a esta e repetindo-lhe as manifestações, embora sem nenhuma excelência e antes inferiormente,
animou-a todavia desde o princípio o nativo sentimento de apego à terra e afeto às suas coisas.
Ainda sem propósito acabaria este sentimento (nacionalista) por determinar manifestações literárias
que em estilo diverso do da metrópole viessem a exprimir um gênio nacional que paulatinamente se dife-
renciava.
As duas únicas divisões que legitimamente se podem fazer no desenvolvimento da literatura
brasileira, são, pois, as mesmas da nossa história como povo: o período colonial e o período Nacionalismo
nacional. Entre os dois pode marcar-se um momento, um estágio de transição, ocupado pelos O nacionalismo é uma
tese ideológica, surgida
poetas da Plêiade Mineira (Santa Rita Durão, Cláudio Manuel da Costa, Basílio da Gama, Alva- após a Revolução Fran-
renga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga e Manuel Inácio da Silva Alvarenga). cesa. Em sentido estrito,
Considerada, porém, em conjunto a obra desses mesmos não se diversifica por tal modo da seria um sentimento de
poética portuguesa contemporânea, que force a invenção de uma categoria distinta para os pôr valorização marcado pela
nela. No primeiro período, o colonial, toda a divisão que não seja apenas didática ou meramente aproximação e identifica-
ção com uma nação. No
cronológica, isto é, toda a divisão sistemática, parece arbitrária. Nenhum fato literário autoriza, Brasil, o nacionalismo lite-
por exemplo, a descobrir nela mais que algum levíssimo indício de “desenvolvimento autonômi- rário começou na década
co”, insuficiente em todo caso para assentar uma divisão metódica. Ao contrário, ela é em todo de 1840 com as obras
esse período inteira e estritamente conjunta à portuguesa. Nas condições de evolução da socie- de José de Alencar, que
utilizou modelos literários
dade que aqui se formava, seria milagre que assim não fosse. franceses para descrever
De desenvolvimento e portanto de formação, pois que desenvolvimento implica formação e as regiões e os meios
vice-versa, é todo o período colonial da nossa literatura, porém, apenas de desenvolvimento em sociais do Brasil
quantidade e extensão, e não de atributos que a diferençassem.
Isso porque, conforme vimos na unidade 2, a literatura no Brasil conquistado (à época chama-
do Ilha – ou Terra – de Vera Cruz) necessariamente nasceu e se desenvolveu como um "filho" da
literatura portuguesa e seu reflexo. O período (colonial) de florescimento desta literatura nacional
não recebeu nenhuma outra influência que não a da Corte, e foi assim até quase acabar o século
XVIII.
Na segunda metade do século XVII e princípios do século XVIII, poetas brasileiros (não foram aliás mais
de três), ocasionalmente, sem intenção nem insistência, mostraram-se impressionados pela sua terra, can-
taram-lhe as excelências naturais com exagero de apreço e entusiasmo em que é lícito perceber o abrolhar
do sentimento nacional, começado a gerar-se com os sucessos da Guerra Luso-Holandesa (1595-1663).

LITERATURA

Figura 1. Armada Portuguesa vs. Companhias Holandesas.


Ilustra a conquista de Cochim (cidade portuária cobiçada na Índia) pela V.O.C. (sigla para Companhia Holandesa das Índias Orientais) aos portugueses em
1663. Atlas van der Hagen, 1682. Caracterizou-se principalmente pelas invasões das companhias holandesas aos territórios do império português nas Amé-
ricas, África, Índia e extremo oriente. Portugal foi envolvido no conflito por estar sob a coroa Espanhola dos Habsburgos, durante a chamada União Ibérica,
mas os confrontos ainda perduraram, mesmo vinte anos após o 1º de dezembro de 1640 da Restauração da Independência portuguesa.

Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/52/Overwinningh_van_de_Stadt_Cotchin_op_de_Kust_van_Mallabaer_-_Victory_over_Ko-
chi_on_the_coast_of_Malabar.jpg

Mas em vez de seguir e cavar esse veio que se lhes deparava, perseveraram na poética portuguesa sua
contemporânea, de modo que significaria forçar os fatos a acomodarem-se às nossas prevenções, enxergar
mostras de sentimento literário autonômico nessas singularíssimas exceções.
Nem por isso são elas desinteressantes. Testemunham a influência dos aludidos sucessos no espírito
dos brasileiros, onde criaram ou ativaram o sentimento nativista. Importam-nos ainda como as primeiras
manifestações do impulso de louvar a terra, impulso que se tornaria logo um vício literário nosso. A quase

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 3


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

dois séculos de distância o verificaria Casimiro de Abreu (1839-1860), nos seus sentidos e conhecidos versos
de Minha Terra:

Texto 1

Todos cantam sua terra


Também vou cantar a minha
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha.

Toma outra feição que a puramente portuguesa a nossa literatura no segundo período, o nacional. In-
dependente e constituído, desenvolvendo-se menos adstrito à exclusiva influência da Metrópole e ao seu
absorvente predomínio, entra o país a experimentar o influxo de outras e melhores culturas, sofre novos
contatos e reações, que são outros tantos estímulos da sua inteligência e capacidade literária.
O maior de todos, porém, não será externo, mas o mesmo sentimento nacional afinal consciente: o des-
vanecimento da sua independência, da sua maioridade de povo, das suas possibilidades de crescimento
com as suas promissoras esperanças de futuro. Por isso a literatura imediatamente posterior à Independên-
cia é ostensivamente, intencionalmente nacionalista e patriótica.
O germe nativista, do qual a Prosopopeia, de Bento Teixeira, é já o primeiro indício, e a Ilha de Maré, de
Botelho de Oliveira, um mais visível sinal, germe desenvolvido, podemos dizer nutrido e relevado nos poe-
tas do fim do século XVIII, completa-se com a primeira geração romântica a sua evolução. E resulta da índo-
le claramente nacionalista, mais ainda, patriótica, da literatura de após a Independência brasileira (1822).

Fixando conceitos

01. Como é possível afirmar que a literatura colonial manteve "tão viva quanto possível" a tradição literária portu-
guesa?
02. Quando surgiram os primeiros ares de uma literatura verdadeiramente brasileira, um determinado sentimento
permeou esta arte. Qual era ele? Explique-o.
03. Explique porque a literatura do segundo período literário (o nacional) tem outra feição com relação à do perío-
do anterior (o colonial).
LITERATURA

Primeiras manifestações literárias


Os versejadores

As literaturas começam sempre por um livro, que frequentemente não tem outro mérito que o da priori-
dade. Não importa que esse livro seja uma obra-prima ou sequer estimável; basta que tenha a intenção, o
feitio e o caráter do texto literário, e que se lhe possa descobrir, ou mesmo emprestar, uma representação
da sociedade ou da vida que o produziu. E mesmo o simples fato de ser o ponto de partida de uma literatura
lhe marca na história dela um lugar irrecusável.

Há várias e incertas notícias de uma crônica escrita em Pernambuco, talvez antes do século
Lembremos que o texto VII. Seria porventura o primeiro escrito feito no Brasil. Sobre se não saber nada a seu respeito,
literário é aquele que nem do seu autor, sequer se era brasileiro, é duvidoso tivesse essa obra alguma importância
tem uma função artística, para a história da nossa literatura. Mas independentemente da sua existência e qualificação
prezando pela estética e
pela subjetividade para literária, foi Pernambuco o lugar em que desabrochou a flor literária em nossa pátria.
construir narrativas ficcio- Para este resultado concorreu mais de um fator. Pernambuco desenvolveu-se regularmen-
nais com base em acon- te; Duarte Coelho (primeiro capitão-donatário da Capitania de Pernambuco e fundador de
tecimentos do cotidiano, Olinda), desde o desembarque e empossamento da terra, domou os índios, que nunca mais
memórias, reflexões,
abstrações e outras fontes
fizeram-lhe frente com bom êxito; os colonos viram logo remunerados os seus trabalhos; o
diversas de inspiração. solo era fértil; a vida fácil; a sociabilidade e o luxo consideráveis; a população branca em geral
de origem comum (Viana, em Portugal) apresentando menos elementos divergentes, mais de-
pressa tendia à unificação; o sentimento característico do século XVI (de desprezo e desgosto
pela terra brasileira, o transoceanismo), foi perdendo força em Pernambuco antes das demais
capitanias.
Acrescente-se a facilidade e frequência de viagens à Europa, por ser uma capitania litorânea, a conse-
quente abundância de comodidades, cuja ausência em algumas regiões tornava o país detestado e detes-
tável; o natural versar de livros históricos, como o de João de Barros (tido por primeiro grande historiador
português), em que resplandeciam os nomes de Jerônimo de Albuquerque e Duarte Coelho, bem como a
tendência literária dos capitães-mores de terra, que escreveram livros.
Esse escritos são considerados por muitos estudiosos da literatura brasileira como produções de baixo
valor literário, servindo apenas como provas de que aqui, já a partir do século VII, existiram produções es-
critas, e não somente tradições orais.

4 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Os autores dessas produções "pouco valiosas" ficaram conhecidos como versejadores (termo
que, numa tradução pejorativa, significa "poeta sem inspiração"). Em Literatura, uma oitava
O trabalho dos versejadores consistia, basicamente, em angariar a confiança e favores dos corresponde a uma estro-
fe (conjunto de versos que
soberanos e magnatas da época, através de seus trabalhos literários, que invariavelmente cele- compartilham relações de
bravam a família em cada um dos seus sucessos domésticos, nascimentos, casamentos, mortes, sentido e métrica entre si)
façanhas guerreiras, vantagens sociais obtidas, aniversários etc. de oito versos, cada um
Assim como havia destes poetas efetivos (privados, caseiros), havia também ocasionais, mas com onze sílabas (hende-
cassílabos).
não menos prontos ao louvor hiperbólico, à lisonja enfática, à bajulação, em troca da proteção
solicitada ou em pagamento de alguma graça obtida.
Na sociedade de então, o homem de letras, ainda sem público que o pudesse manter, e até for-
çado (e apenas muito limitadamente) a exercer a sua atividade, quase que só conseguiam sobre-
viver às custas desses nobres, que sem qualquer apreço à pessoa do escritor, muito valorizavam
as odes a eles dedicadas. Frequentemente eram estes que lhe mandavam imprimir as obras, que sem tais
patronos dificilmente achariam editores.
Tais costumes, explicáveis e porventura desculpáveis pelas condições do tempo, passaram naturalmente
do Reino à sua colônia da América, onde os vice-reis, governadores e capitães-generais e mores faziam-se
de reis pequenos, e os fazendeiros, senhores de engenho e outros magnatas locais arremedavam (imitavam)
os grãos-senhores da Metrópole.
Em 1601, saía em Lisboa, da imprensa de Antônio Alvarez (administrador colonial de Portugal no conti-
nente africano), um diminuto livro, de dezoito páginas, trazendo no alto da primeira linha do texto o título
Prosopopeia Dirigida a Jorge Dalbuquerque Coelho, Capitão, e Governador de Pernambuco, Nova Lusitana etc.
O nome do autor, Bento Teyxeyra, (assim escrito), vinha abaixo do Prólogo, no qual fazia ao seu herói o
oferecimento da obra.
É um poema de noventa e quatro oitavas, em verso hendecassílabo, sem divisão de cantos, nem nume-
ração de estrofes, cheio de reminiscências (retornos ao passado), imitações, arremedos (imitação precária)
e paródias dos Lusíadas, de Camões.
Não tem propriamente ação, e a prosopopeia de onde tira o nome está numa fala de Proteu (um persona-
gem da mitologia grega), profetizando tardiamente os feitos e a fortuna, exageradamente idealizados, dos
Albuquerques, particularmente de Jorge, o terceiro donatário de Pernambuco, ao qual é consagrado o livro.

Fixando conceitos

01. Porque se diz que "as literaturas começam sempre por um livro"?
02. Como é possível identificar um texto literário?

LITERATURA
03. Por que motivo(s) a capitania de Pernambuco despontou primeiro na produção literária?
04. O que são versejadores?

Bento Teixeira e a Prosopopeia


Biografia do autor

Primeira produção literária publicada de um brasileiro, a Prosopopeia foi


escrita por Bento Teixeira Pinto (1561-1618), nascido em Portugal (Porto).
De origem judaica, era filho de Manuel Álvares de Barros e Leonor Rodri-
gues, cristãos novos. Com os pais mudou-se para o Brasil colônia, em 1567,
instalando-se na Capitania do Espírito Santo. Recebeu de sua mãe a doutrina
judaica, mas estudou e se formou no Colégio da Bahia, uma instituição de
ensino com caráter jesuítico.
Trabalhou como professor e advogado. Uma questão criminal levou-o de
volta a Portugal (acusado pela mulher de ser judeu e de rejeitar as práticas
cristãs, Bento Teixeira passou a ser perseguido pela Inquisição), onde foi ab-
solvido pelo ouvidor da Vara Eclesiástica.
Em novembro de 1594, Bento Teixeira mata a esposa e se refugia no Mostei-
ro de São Bento, em Olinda. Durante uma tentativa de fuga, foi preso e enviado
para Lisboa em 1595. Na capital portuguesa, Bento Teixeira inicialmente negou, Figura 2. Bento Teixeira Pinto.
mas resolveu depois confessar sua crença e práticas judaicas. Fonte: https://s.ebiografia.com/assets/img/authors/be/nt/
bento-teixeira-l.jpg
Em 31 de janeiro de 1599, em auto-de-fé (ritual de penitência pública de
hereges e apóstatas), foi obrigado a renunciar solenemente a religião judaica.
Foi enquanto esteve na prisão em Lisboa que Bento Teixeira redigiu o longo poema Prosopopeia, publica-
do em 1601, que abriu as portas do barroco brasileiro. Bento Teixeira faleceu em julho de 1618.

Breve análise da Prosopopeia

Seguindo a estrutura camoniana, o autor apresenta o poema em oitavas-heroicas, com 94 estrofes, que
exaltam as glórias da família Albuquerque, sobretudo do seu protetor Jorge de Albuquerque Coelho, ter-

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 5


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

ceiro Donatário da Capitania de Pernambuco, onde prosperava a cultura da cana-de-açúcar.


Bento Teixeira conta a viagem de Jorge, o futuro donatário de Pernambuco, quando retornou a Lisboa,
em 1565, e os problemas enfrentados pelo navio em que viajava, quando foi atacado pelos corsários fran-
ceses e pelas fortes tempestades que enfrentou, levando a navegação à deriva, da falta de alimentos e de
água a bordo e por fim do socorro recebido e da chegada a Cascais.

No poema, Bento Teixeira procurou ressaltar o destemor e a solidariedade de


Jorge de Albuquerque Coelho para com os companheiros de viagem. Jorge voltou
a Pernambuco em 1573, a fim de governar a capitania.
Com maior valor histórico do que literário, Prosopopeia é um poema épico. O
poema épico é um gênero narrativo desenvolvido pelos poetas da Antiguidade e
do Classicismo para cantar a história de todo um povo, por meio dos atos do herói
que o representa.
Em Prosopopeia, em vez de um povo, louva-se o heroísmo de Albuquerque
Coelho, a partir do que se divulga no documento Naufrágio que passou Jorge
d’Albuquerque Coelho, feito pelo próprio Teixeira, no ano de 1565, e publicado ofi-
cialmente em 1584.
Jorge de Albuquerque Coelho, o motivo (senão o herói) deste poema, era filho
de Duarte Coelho, primeiro donatário de Pernambuco. Ele viveu uma série de idas
e vindas entre a Corte e a colônia.
Criou-se em Portugal, onde aos 14 anos se achava. Com 20 anos voltou a Per-
nambuco, mas retornou ao Reino, em 1555, aos 26 anos, após a sua brilhante
campanha contra os índios da capitania.
Nesta viagem para Portugal sofreu o naufrágio célebre da nau Santo Antônio
que o levava, cuja relação, escrita pelo piloto Afonso Luís e reformada por Antônio
de Castro, foi atribuída a Bento Teixeira. Em Portugal "foi de todos aplaudido de
cortesão, generoso, discreto, liberal, afável e modesto".
Prosopopeia inicia-se com a Proposição – apresentação, na voz do poeta, da
Figura 3. Busto de Jorge de Albuquerque Coelho.
Autor desconhecido. matéria a ser exaltada –, à qual segue a Invocação, em que o poeta afirma que
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6c/ não chamará as musas gregas, mas sim Deus; em seguida vem o Oferecimento,
Jorge_de_Albuquerque_Coelho.jpg
a Narração (dividida entre a descrição de um cenário mitológico pagão e a che-
gada de Proteu – divindade que reina sobre o mar e tem o dom da premonição);
a Descrição do Recife de Pernambuco e o Canto de Proteu, parte mais longa
do poema, na qual Proteu narra histórias da origem e dos feitos de Albuquerque
Coelho; e encerra com o Epílogo.
LITERATURA

Uma inovação vislumbrada no poema épico de Bento Teixeira é a menção feita ao Deus dos cristãos na
parte inicial (Invocação). Até este momento, os poemas épicos invocavam as divindades mitológicas e a
pessoa de seu herói (no caso da Prosopopeia, Jorge de Albuquerque Coelho).
Veja nos versos a seguir:

Texto 2

As Délficas irmãs chamar não quero,


Que tal invocação é vão estudo;
Aquêle chamo só, de quem espero
A vida que se espera em fim de tudo.
Êle fará meu Verso tão sincero,
Quanto fôra sem ele tosco e rudo,
Que per rezão negar não deve o menos
Quem deu o mais a míseros terrenos.

O autor dispensa os serviços das musas, assumindo que essa invocação resulta em “vão estudo”. Sua
proposta é oferecer a “verdade”, e não narrativas fabulosas e inverossímeis.
A energia poética da verdade, nesse sentido, superaria o fingimento ficcional dos antigos versos. Bento
Teixeira, por isso, requisita a ajuda de Deus, entidade suprema do cristianismo, que daria acesso às verda-
des históricas.
A interação entre dois elementos potencialmente contraditórios
não oferece aos versos, necessariamente, um teor conflituoso. Re-
Texto 3 cusar a autoridade das musas amplia a importância de Deus en-
quanto único ser detentor de todas as verdades.
Para a parte do sul onde a pequena A ação do poema é falada ou narrada. Proteu a diz de sobre o
Ursa, se vê de guardas rodeada, recife de Pernambuco. Seis estrofes o descrevem, de um modo raso,
Onde o Céu luminoso mais serena, pura e secamente topográfico:
Tem sua influição, e temperada. E assim por diante sem nada que lhe eleve o tom até à poesia.
Junto da nova Lusitânia ordena, Dali, por ordem de Netuno, profetiza Proteu, num largo canto em
A natureza, mãe, bem atentada, louvor dos Albuquerques e nomeadamente de Jorge, a quem se en-
Um porto tam quieto e tam seguro, dereça esta prosopopeia. Vê Proteu
Que pera as curvas naus serve de muro.

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Texto 4

A opulenta Olinda florescente


Chegar ao cume do supremo estado
Será de fera e belicosa gente
O seu largo distrito povoado
Por nome terá, Nova Lusitânia,
Das leis isenta da fatal insônia.

Esta Lusitânia será governada por Duarte Pacheco, “o grão Duarte”, que o poeta, pela voz de Proteu,
compara a importantes figuras da História Antiga. E tudo o que até então tinha passado com os Pachecos e
Albuquerques, já celebrados por Camões, ocorre a Proteu que o profetiza posteriormente desmedindo-se
no louvor e encarecimento.
O poema se encerra de modo pouco original, com as despedidas do poeta, repetindo a promessa de
voltar com um novo canto ("Por tal modo que cause ao mundo espanto.").
Poemas como a Prosopopeia de Bento Teixeira, que este herói motivou, endereçados a soberanos de Es-
tado e magnatas, armando-lhes à benevolência e proteção, eram muito frequentes e superabundavam na
bibliografia da época.

Fixando conceitos

01. Comente qual é a importância do trabalho de Bento Teixeira no contexto estudado.


02. Em Prosopopeia, Bento Teixeira age como qualquer versejador de sua época. Que atitude é esta?
03. Comente o pano de fundo da Prosopopeia de Bento Teixeira.
04. O que significa a dispensa das musas délficas por parte do autor em Prosopopeia?

O Barroco no Brasil
Introdução

LITERATURA
No século XVII, o Brasil era o grande celeiro da cana-de-açúcar para os portugueses. Os colonos que
vinham para cá estavam interessados na exploração deste gênero agrícola e no enriquecimento rápido.
Poucos entre eles sabiam ler e escrever.
Entretanto, aos poucos foi surgindo na colônia um gru-
po de pessoas cuja formação intelectual acontecia em
Portugal – geralmente advogados, religiosos ou homens
de letras –, na maioria filhos de comerciantes ricos ou de
fidalgos instalados no Brasil.
Essa elite foi responsável pelo nascimento de uma lite-
ratura enfim brasileira, inicialmente frágil, presa a modelos
lusitanos e sem um público consumidor ativo e influente.
A realidade brasileira era então muito diferente da por-
tuguesa. Tratava-se de um centro de comércio, de explo-
ração da cana-de-açúcar; de uma realidade de violência,
em que se escravizava o negro e se perseguia o índio, ao
mesmo tempo que os donatários das capitanias hereditá-
rias buscavam para si o luxo e a pompa da aristocracia
europeia, que, como público consumidor, apreciava e esti- Figura 4. Detalhe de escultura em estilo barroco.
mulava o refinamento da arte. Nas artes plásticas, o Barroco brasileiro teve em Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa)
o seu maior expoente. Obra icônica do período, Os doze Profetas de Aleijadinho orna-
Assim, os modelos literários portugueses chegaram ao mentam a faxada da Basílica de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo
Brasil, e o Barroco, cujas origens se confundem com as da (MG), e revelam o forte teor religioso da arte barroca no Brasil..
nossa própria literatura, deu seus primeiros passos.
Fonte: http://3.bp.blogspot.com.
O Barroco tem origem europeia, como a maioria das
escoas literárias.
No século XVI, o homem europeu ampliou os limites geográficos do mundo conhecido, acreditou em sua
capacidade de dominar e transformar a natureza por meio da razão, empenhou-se na descoberta de novos
conhecimentos científicos e resgatou a cultura clássica, modelo de inspiração.
Essa euforia antropocêntrica, contudo, sofre fortes abalos no século XVII, o século barroco, em virtude
das alterações do quadro político, econômico, social e religioso.
Do ponto de vista político, verifica-se a solidificação do Absolutismo, sistema político baseado na cen-
tralização absoluta do poder nas mãos do rei, o qual se considerava representante de Deus na Terra. Esse
sistema só foi possível graças à necessidade de superar a crise da Idade Média e graças às necessidades
da burguesia (classe de comerciantes em ascensão) de ter um governo centralizador, que unificasse e am-
pliasse as condições do mercado nacional.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 7


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Do ponto de vista econômico, vive-se a Revolução Comercial (ou Renascimento Comercial), cuja políti-
ca econômica, o mercantilismo, se baseava no metalismo, na balança de comércio favorável e no acúmulo
de capitais.
Quanto à estrutura da sociedade, esta é organizada em três camadas sociais impermeáveis: o clero, a
nobreza e o terceiro Estado – este formado pela burguesia, pelos artesãos e pelos camponeses. A burgue-
sia, classe social que detinha forte poder econômico, pressiona, por isso mesmo, politicamente a nobreza
e o rei, a fim de participar das decisões políticas do Estado absolutista.

Do ponto de vista espiritual, o século XVII é marcado pelos refle-


xos das crises religiosas verificadas no século anterior: a Reforma
(1517) e a Contrarreforma (1563).
Em linhas gerais, a Reforma representa a cisão da Igreja Cristã,
que dá origem ao protestantismo e a uma verdadeira revolução reli-
giosa na Europa. A Contrarreforma é uma reação da Igreja Católica,
que visa combater a expansão do protestantismo e recuperar as áre-
as de domínio protestante. Trata-se, portanto, de uma época em que
fermentam novas teorias religiosas e reveem-se dogmas e valores
antes inquestionáveis.
É nesse contexto de autoritarismo político, de expansão comercial
e econômica, de tensões sociais e crises religiosas que nasce a arte
barroca.
Um dos traços mais importantes que caracterizam o Barroco é o
gosto pelo conflito e pelas contradições violentas. Tal princípio pode
ser relacionado à realidade do homem barroco, uma realidade igual-
mente contraditória e em transformação.
Politicamente, o homem da época sentia-se oprimido; economi-
camente, contudo, sentia-se livre para enriquecer. Apesar da possi-
bilidade de ascensão econômica, a estrutura social do Antigo Regime
não lhe permitia a ascensão social.
No plano espiritual, igualmente se verificam novas contradições:
ao mesmo tempo que estão presentes as conquistas e os valores do
Renascimento e o mercantilismo possibilita a aquisição de bens e
prazeres materiais, a Contrarreforma procura restaurar a fé cristã
medieval e estimular a vida e os valores espirituais. Por esse con-
Figura 5. Impressão das 95 teses em uma igreja de Nuremberg.
Atualmente está disponível na Biblioteca Estadual de Berlim. Encabeçada junto de razões é que na linguagem barroca, tanto na forma quanto
LITERATURA

pelo monge Martinho lutero, a Reforma Religiosa tem como marco inicia no conteúdo, se verifica uma rejeição constante da visão racional e
la publicação das 95 teses contra a venda de indulgências.
ordenada das coisas.
Fonte: https://upload.wikimedia.org Os temas barrocos são aqueles que refletem os estados de tensão
da alma humana, tais como vida e morte, matéria e espírito, amor
platônico e amor carnal, pecado e perdão.
A forma barroca é aquela capaz de veicular esses conteúdos, acentuando-lhe ou ampliando-lhes o
sentido trágico. Daí o apoio nas sugestões de luz, cor e som e o emprego ostensivo de certas figuras de
linguagem que traduzem a inclinação fantasiosa e contraditória do homem barroco.
Fruto da síntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o homem do século XVII é um
ser contraditório, tal qual a arte pela qual se expressa.
No Brasil colônia, o barroco não experimentou, a princípio, um sentimento de grupo ou de coletividade:
a literatura produzida em meio ao espírito de aventura e de ganância da mentalidade colonialista foi fruto
de esforços individuais.
Uma parte daqueles que escreviam encontraram na literatura um instrumento para criticar e combater
essa mentalidade, para moralizar a população por meio dos princípios da religião ou, ainda, para dar vazão
a sentimentos pessoais profundos.
O Barroco no Brasil ganhou impulso entre 1720 e 1750, quando foram fundadas várias academias literá-
rias por todo o país. Nas artes plásticas, esse desenvolvimento só aconteceu no século XVIII, quando, em
decorrência da descoberta do ouro em Minas Gerais, construíram-se igrejas de estilo barroco no país.
A obra considerada tradicionalmente o marco inicial do Barroco brasileiro é Prosopopeia (1601), de Bento
Teixeira. Os escritores barrocos brasileiros que mais se destacaram, porém, foram:

• na poesia: Gregório de Matos Guerra, Botelho de Oliveira e Frei Caneca;


• na prosa: Pe. Antônio Vieira, Sebastião da Rocha Pita e Nuno Marques Pereira.

Gregório de Matos Guerra


Poesia satírica, religiosa e secular

Gregório de Matos Guerra (1633-1696) é o maior poeta barroco brasileiro e um dos fundadores da poesia
lírica e satírica em nosso país. Nasceu em Salvador, estudou no Colégio dos Jesuítas e depois em Coimbra,
Portugal, onde cursou Direito, tornou-se juiz e ensaiou seus primeiros poemas satíricos.
Retornando ao Brasil, em 1681, exerceu os cargos de tesoureiro mor e de vigário-geral, porém sempre se
recusou a vestir-se como clérigo.

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Devido às suas sátiras, foi perseguido pelo governador baiano Antônio de Souza
Menezes, o Braço de Prata. Depois de se casar com Maria dos Povos e exercer a
função de advogado, saiu pelo Recôncavo baiano como cantador itinerante, dedi-
cando-se às sátiras e aos poemas eróticos-irônicos, o que lhe causou alguns anos
de exílio em Angola. Voltou doente ao Brasil e, impedido de entrar na Bahia, morreu
em Recife.

Irreverência e esquecimento

Gregório de Matos primou pela irreverência. Foi irreverente como pessoa, ao


afrontar os valores e a falsa moral da sociedade baiana de seu tempo com com-
portamentos considerados indecorosos; como poeta lírico, ao seguir e ao mesmo
tempo quebrar os modelos barrocos europeus; como poeta satírico, ao denunciar
as contradições da sociedade baiana do século XVIII, criticando os mais diferentes
grupos sociais – governantes, fidalgos, escravos, mulatos etc. –, numa linguagem
que agrega ao código da língua portuguesa vocábulos indígenas e africanos, além
de palavras de baixo calão.
Pelo fato de não ter publicado nenhuma obra em vida, seus poemas foram trans-
mitidos oralmente, na Bahia, até meados do século XIX, quando então foram reuni- Figura 6. Caricatura de Gregório de Matos.
dos em livro por Francisco Adolfo de Varnhagen (1816 – 1878), um militar, diplomata Alcunhado "Boca do Inferno" ou "Boca de Brasa" em função de
seu linguajar característico (recorrendo a palavras de baixo
e historiador brasileiro do século XIX. calão e por sua ousadia em criticar a Igreja Católica, muitas
Antes disso, houve algumas compilações de valor discutível, pois os copistas nem vezes atacando padres e freiras), Gregório é considerado um
dos maiores poetas do barroco, tanto em Portugal quanto
sempre seguiam critérios científicos para realizar esse tipo de trabalho. Por isso, há
no Brasil, e o mais importante poeta satírico da literatura em
controvérsias sobre a autoria de alguns dos poemas atribuídos ao poeta baiano e língua portuguesa, no período colonial.
é comum os textos apresentarem algumas variações de vocabulário ou de sintaxe,
Fonte: http://1.bp.blogspot.com.
dependendo da edição consultada.
Apesar desses problemas, a obra de Gregório de Matos vem sendo reconhecida como aquela que, além
de ter iniciado uma tradição entre nós, superou os limites do próprio Barroco. Em pleno século XVII, o poeta
chegou a ser um dos precursores da poesia moderna do século XX. Veja, como exemplo desse pioneirismo,
a semelhança de procedimentos existente entre o seguinte poema de sua autoria e um poema de Manuel
Bandeira (poeta do século XX):

Dou Pruden nobre, huma afá ROSA TUMULTUADA

LITERATURA
to, te, no, vel, a
Re cien benig e aplausí t
Úni singular ra inflexí doro
te a
co, ro, vel
n
Magnífi precla incompará da
Do mun grave Ju inimitá
do is vel tu m ultu
Admira goza o aplauso crí ro sa
Po a trabalho tan et terrí n
is to ão vel i
Da pron execuç sempre incansá
Voss fa Senhor sej notór
a ma a ia (Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 2. ed.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1970. p. 279.
L no cli onde nunc chega o d
Ond de Ere só se tem memór
e bo ia
Para qu gar tal, tanta er
Po de tod est terr é gent
O “Boca do Inferno” (como ficou conhecido Gregório
is a a a
de Matos) é o primeiro poeta de verdade que se pode,
Da ma remot sej um sem hesitação, chamar brasileiro. Gregório de Matos é o
(Gregório de Matos. Poesias selecionadas. São primeiro poeta “popular” brasileiro, com audiência certa
Paulo: FTD, 1993. p. 56.)
não só entre os intelectuais como em todas as camadas
sociais, e consciente aproveitador de temas e de ritmos
da poesia e da música populares; o nosso primeiro poeta
“participante”, no sentido contemporâneo.

A lírica

Gregório de Matos cultivou três vertentes da poesia lírica: a amorosa, a filosófica e a religiosa. Como po-
eta lírico, adequou-se aos temas e aos procedimentos de linguagem frequentes no Barroco europeu.
A lírica amorosa é fortemente marcada pelo dualismo amoroso carne/espírito, que leva normalmente a
um sentimento de culpa no plano espiritual. A mulher, muitas vezes, é a personificação do próprio pecado,
da perdição espiritual. Observe estes sonetos:

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 9


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Texto 5

À mesma D. Ângela Se pois como Anjo sois dos meus altares


Fordes o meu Custódio, e a minha guarda,
Anjo no nome, Angélica na cara! Livrara eu de diabólicos azares
Isso é ser flor, e Anjo juntamente!
Ser Angélica flor, e Anjo florente, Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Em quem, senão em vós se uniformara? Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente;
FONTE: CEREJA e COCHAR. William e Thereza. Literatura
E quem um Anjo vira tão luzente brasileira em diálogo com outras literaturas e outras lingua-
Que por seu Deus, o não idolatrara? gens. 4ª ed. Atual, São Paulo, 2009. p. 128.

Texto 6

Solnetos a D. Ângeal de Sousa Paredes Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me,


Se esta a cousa não é, que encarecer-me
Não vira em minha vida a formosura, Sabia o mundo, e tanto exagerar-me:
Ouvia falar nela cada dia, Olhos meus, disse então por defender-me,
E ouvida me incitava, e me movia Se a beleza heis de ver para matar-me,
A querer ver tão bela arquitetura: Antes olhos cegueis, do que eu perder-me.

Ontem a vi por minha desventura1 Desventura: má sorte.


1

Na cara, no bom ar, na galhardia2 Galhardia: elegância.


2

De uma mulher, que em Anjo se mentia;


De um Sol, que se trajava em criatura: FONTE: CEREJA e COCHAR. William e Thereza. Literatura brasileira
em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. 4ª ed.
Atual, São Paulo, 2009. p. 128.

Em ambos os textos, a mulher é associada à figura de um “anjo”, que remete ao mundo espiritual e à
pureza angelical contida no próprio nome Ângela. Além disso, ela é associada, nos dois textos, a elementos
LITERATURA

materiais e naturais. No primeiro texto, à flor de nome angélica; no segundo texto, ao Sol, um ser superior,
dotado de grandezas absolutas e inacessíveis.

Mas, se o papel do anjo é proteger, o da mulher é bem outro. Nos dois sonetos, o
Escrito em latim, a expres- eu lírico, seduzido pela beleza da mulher, é levado ao desejo e, consequentemente, ao
são carpe diem significa, pecado. Por isso, no segundo texto, o eu lírico, num apelo dramático aos próprios olhos
literamlente aproveite o dia, (centro de percepção visual e origem do desejo), pede a eles que se ceguem, pois do
tendo sido utiilzada pela
primeira vez pelo poeta
contrário ele será conduzido à morte, isto é, à perdição espiritual.
romano Horácio, ainda no Eis o drama amoroso do Barroco: o apelo sensorial do corpo se contrapõe ao ideal
século I a.C. No Barroco, o religioso, gerando um sentimento de culpa.
conceito foi desenvolvido de Na lírica filosófica, destacam-se textos que se referem ao desconcerto do mundo
forma angustiada, pois era (lembrando diretamente Camões) e às funções humanas. E também poemas em que
uma tentativa de fundir os
opostos, de conciliar o que, predomina a consciência da transitoriedade da vida e do campo, marcados pelo carpe
no fundo, era inconciliável: diem.
a razão e a fé, a matéria e A lírica religiosa obedece aos princípios fundamentais do Barroco europeu, fazendo
o espírito, a vida carnal e a uso de temas como o amor a Deus, a culpa, o arrependimento, o pecado e o perdão,
vida espiritual.
além de constantes referências bíblicas. A língua empregada é culta e apresenta inver-
sões e figuras de linguagem abundantes.

A sátira

Conhecido também como “o Boca do Inferno”, em razão de suas sátiras, Gregório de Matos é um dos
principais e mais ferinos representantes da literatura satírica em língua portuguesa.
A exemplo de certos trovadores da Idade Média, o poeta não poupou na sua linguagem nem palavrões
nem críticas a todas as classes da sociedade baiana de seu tempo. Criticava o governador, o clero, os co-
merciantes, os negros, os mulatos etc.
Gregório de Matos é amplamente conhecido por suas críticas à situação econômica da Bahia, espe-
cialmente de Salvador, graças à expansão econômica, chegando a fazer, inclusive, uma crítica ao então
governador da Bahia, Antonio Luis da Camara Coutinho.
Observe, a seguir, na primeira e nas duas últimas partes do poema, a crítica do autor à situação política
e econômica da Bahia:

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Texto 7

Que falta nesta cidade? .................... Verdade cai na cama, o mal lhe cresce,
Que mais por sua desonra ............... Honra Baixou, subiu e morreu.
Falta mais que se lhe ponha ............. Vergonha.
A Câmara não acode? ................................. Não pode
O demo a viver se exponha, Pois não tem todo o poder? ......................... Não quer
por mais que a fama a exalta, É que o governo a convence? ...................... Não vence.
Verdade, Honra, Vergonha.
[...] Quem haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
O açúcar já se acabou? ................... Baixou por ver-se mísera, e pobre
E o dinheiro se extinguiu? ................ Subiu Não pode, não quer, não vence.
Logo já convalesceu? ...................... Morreu.
FONTE: CEREJA e COCHAR. William e Thereza. Literatura
brasileira em diálogo com outras literaturas e outras lingua-
À Bahia aconteceu
gens. 4ª ed. Atual, São Paulo, 2009. p. 130.
o que a um doente acontece,

A sátira constitui uma das partes mais originais da poesia de Gregório de Matos, pois foge aos padrões
preestabelecidos pelo Barroco português ou ibérico e se volta para a realidade baiana do século XVII.
Por isso, pode ser considerada poesia brasileira, não somente pelos temas escolhidos, mas também
pela percepção crítica da exploração colonialista empreendida pelos portugueses na colônia.
Além disso, Gregório emprega na sátira uma língua portuguesa diversificada, brasileira, repleta de ter-
mos indígenas e africanos (que refletem o bilinguismo ou o trilinguismo da época), de palavrões, gírias e
expressões locais.
Por essas razões é que a poesia de Gregório de Matos – ao abrir espaço para a paisagem e a língua do
povo – talvez seja a primeira manifestação nativista de nossa literatura e represente o início do longo pro-
cesso de despertar da consciência crítica nacional, que levaria ainda todo um século para abrir os olhos
com os primeiros gritos de revolta dos inconfidentes mineiros.

Fixando conceitos

01. Discorra sobre o contexto do Brasil colônia quando da chegada do Barroco.

LITERATURA
02. Como pode ser definido o Barroco enquanto escoa litlerária?
03. Quais elementos particulares de Gregório de Matos Guerra fazem dele um legítimo escritor brasileiro?

Minas de ouro e a Inconfidência Mineira


A capitania das Minas Gerais no século XVIII

Anteriormente à descoberta do ouro nas Minas Gerais, os maiores núcleos de povoação no Brasil colônia
estavam no litoral, já que era necessário integrar a colônia portuguesa à Divisão Internacional do Trabalho
(DIT) vigente na época, o que se fazia pela exploração da cana-de-açúcar nos solos férteis da costa bra-
sileira.
A partir das bandeiradas, porém, as terras do interior da colônia foram pouco a pouco descobertas e
povoadas, e para a surpresa da iniciativa privada (que encabeçou o movimento bandeirante) e da metró-
pole, a descoberta do ouro (metal precioso que, dentre outros elementos, motivava o expansão marítima
europeia) na região do atual estado de Minas Gerais trouxe grandes impactos às relações entre a colônia e
a metrópole, no período que se convencionou chamar Ciclo do Ouro.
Antes praticamente inexplorada, a região das Minas Gerais viu sua popuação (assim como a do restante
da colônia) triplicar em relativamente pouco tempo.
A descoberta do ouro coincidia com a crise da economia açucareira, provocada pela concorrência ho-
landesa nas Antilhas, pois os holandeses já haviam sido expulsos do Brasil por imposição de Felipe II, rei da
Espanha. A mineração passou rapidamente a ser a principal atividade econômica da colônia, iniciando-se
o “ciclo” da mineração.
A sociedade colonial brasileira da época da mineração tornou-se acentuadamente diferente da socieda-
de canavieira. Surgiu um patriarcalismo urbano, assentado nas cidades que nasceram – Vila Rica, Mariana,
Sabará, Congonhas do Campo, entre outras.
Foram também descobertos diamantes no Arraial do Tijuco, atual Diamantina, Minas Gerais, em 1729.
A camada alta dessa sociedade, formada por proprietários de terras e de escravos, tinha como modelo a
Europa (França, principalmente) e não a terra brasileira. Geralmente as famílias se reuniam nos requintados
salões das mansões para os saraus, onde bebiam vinho do Porto, ouvindo cantos líricos ou recitais poéticos.
Durante este período, alguns nomes importantes, do ponto de vista literário, devem ser considerados:
Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto.

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Cláudio ManueI da Costa: a consciência árcade

Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), também conhecido pelo pseudônimo pastoral de


Glauceste Satúrnio, nasceu em Mariana, Minas Gerais.
Depois de estudar no Brasil com os jesuítas, completou seus estudos em Coimbra, onde
se formou advogado. Em Portugal, tomou contato com as renovações da cultura portu-
guesa empreendidas por Antônio Verney e pelo Marquês de Pombal, e também com os
novos procedimentos literários adotados pela Arcádia Lusitana.
De volta ao Brasil, Cláudio Manuel da Costa trabalhou em Vila Rica como advogado e
administrador. Sua carreira de escritor teve início com a publicação de Obras poéticas. Em
1789, foi acusado de envolvimento na Inconfidência Mineira. Encontrado morto na prisão,
a alegação oficial para sua morte foi a de suicídio.
Com ampla formação cultural, Cláudio liderou o grupo de escritores árcades mineiros
e soube dar continuidade, apesar das limitações da colônia, à tradição de poetas clássi-
cos. Seus sonetos apresentam notável afinidade com a lírica de Camões.
Em virtude dessas ligações com a tradição clássica, sua obra é a que melhor se ajus-
tou aos padrões do Arcadismo europeu. Porém, ainda é possível observar influências do
Figura 7. Cláudio Manuel da Costa.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A1u- Barroco (ainda vigente no resto do Brasil) em alguns de seus textos. Observe:
dio_Manuel_da_Costa#/media/Ficheiro:Claudio_ma-
nuel_da_costa.png
Texto 8

Já rompe, Nise, a matutina aurora


O negro manto, com que a noite escura,
Sufocando do Sol a face pura,
Tinha escondido a chama brilhadora.

FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza. Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas e
outras linguagens. 4ª. ed. São Paulo Atual, 2009. p. 155.

Observe que o poema apresenta inversões (na ordem direta teríamos: Nise, a matutina aurora já rompe
o negro manto com que a noite escura tinha escondido a chama brilhosa, sufocando a face pura do Sol) e
figuração (“negro manto” para noite e “chama brilhadora” para Sol) tipicamente barrocas.
Esses traços demonstraram haver em alguns poemas de Cláudio Manuel da Costa resquícios do Barroco,
apesar de ele ser o introdutor do Arcadismo no Brasil.
LITERATURA

O Arcadismo no Brasil reflete a condição do intelectual brasileiro no século XVIII: de um lado, recebia as
influências da literatura e das ideias iluministas vindas da Europa; de outro, interessava-se pelas coisas da
terra e alimentava sonhos de liberdade política, dando forma e expressão a um sentimento nativista.
Cláudio Manuel da Costa cultivou a poesia lírica e a épica. Na lírica, tem destaque o tema da desilusão
amorosa. A situação mais comum observada em seus sonetos é Glauceste, o eu lírico pastor, lamentar-se
em razão de não ser correspondido por sua musa inspiradora, Nise, ou então por se encontrar num lugar de
grande beleza natural sem a companhia da mulher amada.
Nise é uma personagem fictícia incorpórea, presente apenas pela citação nominal. Não se manifesta na
relação amorosa, não é descrita fisicamente, nem dá nenhuma demonstração de correspondência às invo-
cações do eu lírico. Apenas representa o ideal da mulher amada inalcançável – nítido traço de reaproveita-
mento do neoplatonismo renascentista.
Na épica, Clúdio Manuel da Costa escreveu o poema Vila Rica, inspirado nas epopeias clássicas, que trata
da penetração bandeirante, da descoberta das minas, da fundação de Vila Rica e de revoltas locais.
Hoje, no conjunto da obra do autor, esse poema possui um valor menor do que a lírica, apesar de sua
importância histórica. Eis alguns de seus versos:

Texto 9

Enfim serás cantada, Vila Rica,


Teu nome alegre notícia, e já clamava;
Viva o senado! viva! repetia
Itamonte, que ao longo o eco ouvia.

FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza. Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens.
4ª. ed. São Paulo Atual, 2009. p. 156.

Texto 10 Têm espaço na poesia de Cláudio Manuel da Costa também ele-


mentos da paisagem local: o ribeirão do Carmo, rio que corta a re-
Destes penhascos fez a natureza gião; os vaqueiros, em lugar de pastores gregos; as montanhas e os
O berço, em que nasci: oh quem cuidara, vales; e as constantes referências às penhas, pedras que sugerem o
Que entre penhas tão duras se criara ambiente agreste e rústico de Minas Gerais.
Uma alma terna, um peito sem dureza. Observe ao lado.
FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza. Literatura bra-
sileira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens.
A seguir, leia o poema de Cláudio Manuel da Costa para responder
4ª. ed. São Paulo Atual, 2009. p. 156. as questões propostas:

12 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Texto 11

Quando cheios de gosto, e de alegria Esmalta o campo na melhor fragrância,


Estes campos diviso florescentes, Para dar uma ideia de ventura;
Então me vêm as lágrimas ardentes Como, ó céus, para os ver terei constância,
Com mais ânsia, mais dor, mais agonia. Se cada flor me lembra a formosura
Aquele mesmo objeto, que desvia Da bela causadora de minha ânsia.
Do humano peito as mágoas inclementes,
Esse mesmo em imagens diferentes FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza. Literatura brasi-
leira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. 4ª.
Toda a minha tristeza desafia.
ed. São Paulo Atual, 2009. p. 157.
Se das flores a bela contextura

Pratique

01. O soneto é construído a partir de relações de opo- (B) Implicitamente, são sugeridas semelhanças entre
sição entre as condições da paisagens bucólica e as flores e a mulher amada, identificada como “bela
as condições do eu lírico. Observando as duas pri- causadora de minha ânsia”. Quais poderiam ser essas
meiras estrofes, responda: semelhanças?

(A) Como é caracterizada a natureza? 03. Se a paisagem natural em que se encontra o eu


(B) Como se sente o eu lírico diante desse quadro? Jus- lírico é de alegria, harmonia e beleza, levante hi-
tifique sua resposta com um verso da 2ª estrofe. póteses: Por que o eu lírico não é feliz?
(C) Como, supostamente, o eu lírico deveria sentir-se?
04. O poema é inteiramente construído a partir de re-
02. Na 3ª estrofe, o eu lírico afirma que as flores, per- lações antitéticas. Essa característica torna-o bar-
fumando o campo, dão uma ideia do que seja a roco ou trata-se de um poema árcade? Justifique
felicidade. De acordo com a 4ª estrofe, responda: sua resposta apontando no poema características
da estética literária a que ele pertence.
(A) Por que as flores acentuam o sofrimento do eu lí-
rico?

LITERATURA
Tomás Antônio Gonzaga: a renovação árcade

Um pastor maduro e com algumas posses chamado Dirceu apaixona-se per-


didamente por uma jovem e rica pastora de nome Marília, mas ambos são im-
pedidos de viver esse amor com plenitude na perfeita Arcádia porque ele, por
razões políticas, é exilado em um país longínquo onde permanece triste e só.
Essa história – parte real, parte ficção –, digna de um romance romântico
ou quase um intertexto de Romeu e Julieta, de Shakespeare, constitui um dos
desencontros amorosos mais conhecidos da literatura brasileira e está ligado à
vida real do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga.
Nasceu na cidade do Porto (Portugal) e faleceu em Moçambique (África).
Passou a infância no Recife e na Bahia e se formou em Direito em Portugal.
Voltou ao Brasil para ocupar o cargo de ouvidor-geral na comarca de Vila Rica
(atual Ouro Preto). Nessa época, aos 40 anos, dedicava a Maria Doroteia Joa-
quim de Seixas, de 17 anos, poemas que viriam a fazer parte do livro Marília de
Dirceu.
Em 1789, foi acusado de participação na Inconfidência Mineira. Detido, foi en-
viado para a Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Condenado ao exílio em Mo-
çambique, casou-se com Juliana Souza Mascarenhas e teve dois filhos. Sob o
pseudônimo de Dirceu, escreveu poesias líricas típicas do Arcadismo, com temas
pastoris e de galanteio, as quais refletem sua trajetória: antes da prisão, apre- Figura 8. Retrato de Tomás Antônio Gonzaga.
Fonte: Dinamus Sistema de Ensino.
sentam a ventura do amor e a satisfação com o momento presente; depois, o
infortúnio, a injustiça e o destino.
Diferentemente de Cláudio Manuel da Costa, cuja poesia teve, inicialmente, influência cultista, Gonzaga
cultivou, desde o início, o “estilo árcade” da simplicidade. Não há no poeta uma só marca barroca.
Em sua poesia lírica, os versos de tom coloquial entram no lugar das metáforas complexas, do excesso
de referências mitológicas, das comparações.
Como era comum na poesia neoclássica, Tomás Antônio Gonzaga faz uso da delegação poética quando
se apresenta como o pastor Dirceu apaixonado pela bela Marília; contudo, muito do que o leitor testemu-
nha ao ler os poemas de amor dos pastores representa expressões de conflitos reais vividos por Gonzaga. A
contrariedade da família de Doroteia em aceitar a relação, a diferença de idade entre os amantes, os planos
incertos de futuro e a prisão do autor estão presentes nos versos que compõem Marília de Dirceu.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 13


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Em suas confissões poéticas, Gonzaga foge do artificialismo típico do Arcadismo propondo ao leitor uma
espécie de jogo de fingimento e realidade, máscara e rosto. É como se o poeta "fizesse uso dos versos para
organizar o seu caos", na expressão do crítico literário Antonio Candido.
Estabelecendo um paralelo entre a vida de Tomás Antônio Gonzaga e sua obra lírica, podemos diferen-
ciar três frases no processo amoroso apresentado em Marília de Dirceu: liras que abordam a intensa paixão
pela musa Marília logo que o poeta a conhece; liras compostas de versos que cantam o amor correspondi-
do por Marília e a possibilidade real do casamento, apesar da diferença social existente entre os amantes
(dado real); e liras sobre a dolorosa separação de Marília e Dirceu, motivada por um “ideal” de libertação da
“pátria adotiva” (Gonzaga era português), que levou o poeta à prisão na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro,
e depois ao desterro na África (dados reais).
Leia o texto que se segue, de Tomás Antônio Gonzaga, e responda às questões propostas:

Texto 12

Lira 77 romper a nuvem que os meus olhos cerra,


amar no céu a Jove e a ti na terra!
Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro Se não tivermos lãs e peles finas,
fui honrado pastor da tua aldeia; podem mui bem cobrir as carnes nossas
vestia finas lãs e tinha sempre as peles dos cordeiros mal curtidas,
a minha choça do preciso cheia. e os panos feitos com as lãs mais grossas.
Tiraram-me o casal e o manso gado, Mas ao menos será o teu vestido
nem tenho a que me encoste um só cajado. Por mão de amor, por minhas mãos cosido.
Para ter que te dar, é que eu queria Nas noites de serão nos sentaremos
de mor rebanho ainda ser o dono; cos filhos, se os tivermos, à fogueira;
prezava o teu semblante, os teus cabelos entre as falsas histórias, que contares,
ainda muito mais que um grande trono. lhes contarás a minha, verdadeira.
Agora que te oferte já não vejo, Pasmados te ouvirão; eu, entretanto,
além de um puro amor, de um são desejo. ainda o rosto banharei de pranto.
Se o rio levantado me causava, Quando passarmos juntos pela rua,
levando a sementeira, prejuízo, nos mostrarão co dedo os mais pastores,
eu alegre ficava, apenas via dizendo uns para os outros: –– Olha os nossos
na tua breve boca um ar de riso. exemplos de desgraça e são amores.
Tudo agora perdi; nem tenho o gosto Contentes viveremos desta sorte,
de ver-te ao menos compassivo o rosto. até que chegue a um dos dois a morte.
Ah! minha bela, se a fortuna volta,
LITERATURA

Se o bem, que já perdi, alcanço e provo FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza. Literatura brasi-
leira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens. 4ª.
por essas brancas mãos, por essas faces
ed. São Paulo Atual, 2009. p. 160.
te juro renascer um homem novo,

Pratique

01. O poema pode ser dividido em duas partes: a pri- lismo, pastoralismo, aurea mediocritas e elemen-
meira trata de uma experiência real, vivida no pas- tos da cultura greco-latina.
sado ou no presente; a segunda envolve os planos
para o futuro. 03. O movimento do Arcadismo veicula valores e ideias
da classe que o produz e o consome: a burguesia.
(A) Identifique as estrofes que compõem cada uma das
partes. (A) Destaque do poema os versos relativos a duas si-
(B) Que tipo de vida levava o eu lírico, na primeira par- tuações em que fica clara a preocupação econômica e
te? Como se sentia? material do pastor Dirceu, indício da ideologia burgue-
(C) Que tipo de vida idealiza, na segunda parte? sa.

02. O poema, apesar de apresentar traços diferentes (B) Destaque das duas últimas estrofes valores próprios
dos prescritos pela orientação árcade, está ligado da moral burguesa da época.
a essa tradição. Retire do texto exemplos de buco-

Além das liras dedicadas a Marília, é atribuída a Gonzaga uma série de versos satíricos denominados
Cartas chilenas. Esse longo poema, incompleto e anônimo, composto provavelmente em 1788-1789, é uma
crítica aos desmandos e às imoralidades administrativas de Luís da Cunha Meneses, governador da Capita-
nia das Minas de 1783 a 1788.
Nessas cartas, o autor faz uma caricatura impiedosa do governador e da aristocracia de Vila Rica. Saben-
do do risco que corria, numa época em que não havia liberdade de expressão, o autor das Cartas adota o
pseudônimo de Critilo; ao destinatário, chama de Doroteu, e ao governador Meneses, de Fanfarrão Minésio.
Chilenas é um disfarce literário para “mineiras”. Estudiosos atribuem às Cartas um valor mais histórico e
social do que propriamente literário.
14 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO
Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

_Contexto histórico do Brasil árcade

No século XVIII, o eixo político, econômico e cultural no Brasil deslocou-se do Nordeste para o Sudeste, isto
é, do plantio da cana de açúcar e do fábrico do açúcar para a mineração.
Em Minas Gerais, o enriquecimento proporcionado pela descoberta de ouro e pedras preciosas teve como
efeito a fundação de vilas e cidades. A sedo do governo foi transferida de Salvador para o Rio e Janeiro. Pelos
portos do Rio escoavam-se as riquezas brasileiras, mediante o pagamento dos altos impostos que o governo
português cobrava.
No período conhecido como ciclo do ouro, multiplicaram-se as vilas e as cidades, que passaram a abrigar
burgueses proprietários de terras ou funcionários da administração. Consolidou-se uma classe dominante re-
lativamente esclarecida, que tinha entre seus membros indivíduos diplomados em Lisboa e Coimbra.
Formou-se em Vila Rica (atual Ouro Preto) um grupo que passou para a História por sua atuação em dois
campos: a política e a literatura. A atuação política, questionando os tributos cobrados pelo governo português
e pregando a independência do Brasil, levou este grupo a participar da Inconfidência Mineira.
Sua atuação literária possibilitou uma produção poética nos moldes do Arcadismo que se desenvolvia na
Europa – com a publicação de Obras poéticas, em 1768, Cláudio Manuel da Costa tornou-se o primeiro árcade
brasileiro.
FONTE: PEREIRA, Helena Bonito. Toda literatura portuguesa e brasileira. Volume único. São Paulo, FTD, 2000. p. 131-132.

Os árcades e a Inconfidência Mineira

Os escritores árcades mineiros tiveram participação direta no movimento da Inconfidência Mineira. Che-
gados de Coimbra com ideias enciclopedistas e influenciados pela independência dos EUA, eles não apenas
se somaram aos revoltosos contra a exploração praticada pelo erário régio, que confiscava a maior parte do
ouro extraído na colônia, mas também ajudaram a divulgar os sonhos de um Brasil independente e contri-
buíram para a organização do grupo inconfidente.
Alvarenga Peixoto era um desses escritores. Do grupo dos inconfidentes, apenas um homem não tinha a
mesma formação intelectual dos demais nem era escritor: o alferes (designação de posto militar hoje cor-
respondente à de segundo-tenente) Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (alcunha que recebeu por
ser dentista prático), maçom e simpatizante dos ideais iluministas.
Com a traição de Joaquim Silvério dos Reis, que devia vultosas somas ao governo português, o grupo foi
preso. Todos, com exceção de Tiradentes, negaram ter participação no movimento. Cláudio Manuel da Costa,

LITERATURA
segundo versão oficial, teria se suicidado na prisão antes do julgamento.
No julgamento, vários inconfidentes, entre eles Tiradentes e Alvarenga Peixoto, foram condenados à mor-
te por enforcamento. Tomás Antônio Gonzaga e outros foram condenados ao exílio temporário ou perpétuo.
Tiradentes assumiu para si a responsabilidade da liderança do grupo.
No dia 20 de abril de 1792, foi comutada (substituída) a pena de todos os participantes do movimento,
menos a de Tiradentes, enforcado no dia seguinte. Seu corpo foi esquartejado, e as partes, expostas por
Vila Rica; seus bens, confiscados; sua família, amaldiçoada por quatro gerações; e o chão de sua casa foi
salgado para que nele nenhuma planta voltasse a nascer.

_Arcadismo na colônia: entre o local e o universal

Os escritores brasileiros do século XVIII comportavam-se em relação ao Arcadismo importado de Portugal


de forma peculiar. Por um lado, procuravam obedecer aos princípios estabelecidos pelas academias literárias
portuguesas ou se inspiravam em certos escritores clássicos consagrados, como Camões, Petrarca e Horácio,
ao mesmo tempo que, visando elevar a literatura da colônia ao nível das literaturas europeias e conferir a ela
maior universalidade, tentavam eliminar vestígios pessoais ou locais.
Por outro lado, porém, acabaram por apresentar em suas obras aspectos diferentes dos prescritos pelo
modelo importado. A natureza, por exemplo, aparece na poesia de Cláudio Manuel da Costa como mais bruta
e selvagem do que na poesia europeia; o mito do “homem natural” culminou, entre nós, na figura do índio,
presente nas obras de Basílio da Gama e Santa Rita Durão; a expressão dos sentimentos, em Tomás Antônio
Gonzaga e Silva Alvarenga, é mais espontânea e menos convencional. Esses aspectos característicos da poesia
árcade nacional foram mais tarde recuperados e aprofundados pelo Romantismo, movimento que buscou defi-
nir uma identidade nacional em nossa literatura.
Além dessa espécie de adaptação do modelo europeu a peculiaridades locais, não se pode esquecer a forte
influência barroca exercida no Brasil ainda durante o século XVIII. Muitas igrejas em Ouro Preto, por exemplo,
só tiveram sua construção concluída quando o Arcadismo já vigorava na literatura.

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Basílio da Gama: o nativismo indianista

Basílio da Gama (1741-1795) nasceu em Minas Gerais, na cidade hoje chamada Tiradentes. Estudou no
colégio jesuíta, no Rio de Janeiro, e tinha intenção de ingressar na carreira eclesiástica.
Completou seus estudos em Portugal e na Itália, no período em que os jesuítas foram expulsos dos do-
mínios portugueses. Na Itália, Basílio construiu uma carreira literária, tendo conseguido uma façanha única
entre os brasileiros da época: ingressar na Arcádia Romana, na qual assumiu o pseudônimo de Termindo
Sipílio.
Em 1767 voltou ao Rio de Janeiro, onde foi preso no ano seguinte, acusado de ter ligação com os jesuítas.
De acordo com um decreto então em vigor, qualquer pessoa que mantivesse comunicação com os jesuítas,
oral ou escrita, deveria ficar exilada por oito anos, em Angola.
Preso, Basílio da Gama foi levado a Lisboa. Lá, livrou-se da prisão por fazer um poema em homenagem à
filha do Conde de Oeiras, futuro Marquês de Pombal. Essa amizade lhe possibilitou ter novos contatos com
os árcades portugueses e lhe permitiu escrever sua obra máxima, O Uraguai.
Publicado em 1769, O Uraguai é considerado a melhor realização no gênero épico no Arcadismo brasileiro.
Seu tema é a luta de portugueses e espanhóis contra índios e jesuítas que, instalados nas missões jesuíticas
do atual Rio Grande do Sul, não queriam aceitar as decisões do Tratado de Madri.
A luta travada por portugueses e espanhóis contra índios e jesuítas é narrada por Basílio da Gama desde
os preparativos até sua conclusão. Os cantos apresentam esta sequência de fatos:

• Canto I: as tropas aliadas se reúnem para combater os índios e os jesuítas;

• Canto II: o exército avança e há uma tentativa de negociação com os chefes indígenas Sepé e Cacambo.
Sem acordo, trava-se a luta, que termina com a derrota e a retirada dos índios;

• Canto III: Cacambo ateia fogo à vegetação em volta do acampamento aliado e foge para sua aldeia. O
padre Balda, vilão da história, faz prender e matar Cacambo para que seu filho sacrílego Baldeta possa
casar-se com Lindoia, esposa de Cacambo, e tomar a posição do chefe indígena morto. Lindoia, em uma
visão, prevê o terremoto de Lisboa e a expulsão dos jesuítas por Pombal;

• Canto IV: o mais bonito dos cinco cantos, nele são retratados os preparativos do casamento de Baldeta
com Lindoia. Esta, chorando a morte do marido e não desejando casar-se, entra num bosque e deixa-se
picar por uma cobre venenosa. Chegam os brancos, que cercam a aldeia. Todos fogem; antes, porém, os
padres mandam queimar as casas e a igreja;
LITERATURA

• Canto V: o líder português Gomes Freire de Andrade prende os inimigos na aldeia próxima, e há referên-
cias ao domínio universal da Companhia de Jesus e a seus crimes.

Escrito em apenas cinco cantos, com a utilização de versos brancos (sem rima) e sem estrofação, O
Uraguai não segue a estrutura camoniana de Os lusíadas. Além disso, embora apresente as cinco partes
tradicionais das epopeias – proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo –, o poema já se inicia
com a ação em pleno desenvolvimento.
Leia a seguir:

Texto 13

Fumam ainda nas desertas praias


Lagos de sangue tépidos e impuros
Em que ondeiam cadáveres despidos,
Pasto de corvos. Dura inda nos vales
O rouco som da irada artilheira.

FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza. Literatura brasileira em diálogo com outras literaturas e outras linguagens.
4ª. ed. São Paulo Atual, 2009. p. 164.

O fato de o autor tratar de um episódio histórico recente (na época, ocorrido havia pouco mais de dez
anos) é outro aspecto que diferencia O Uraguai dos poemas épicos tradicionais.

Pelo fato de O Uraguai ser uma obra de intenções épicas, seria de esperar
Texto 14 que nela tivessem destaque os movimentos de guerra e os atos de heroísmo.
Contudo, não é o que se verifica. Ao contrário, a própria guerra chega a ser
Vinha logo de guardas rodeado, questionada como meio de atuação política, o que revela uma postura tipi-
Fonte de crimes, militar tesouro, camente iluminista da parte do autor, cujas ideias coincidem com as de seu
Por quem deixa no rego o curto arado amigo Marquês de Pombal.
O lavrador, que não conhece a glória; Observe ao lado.
E vendendo a vil preço o sangue e a vida O herói português Gomes Freire de Andrade, líder das tropas luso-es-
Move, e nem sabe por que move a guerra. panholas, também não mostra o entusiasmo dos heróis épicos tradicionais:

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Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Texto 15

... Descontente e triste


Marchava o General: não sofre o peito
Compadecido e generosa a vista
Daqueles frios e sangrentos corpos,
Vítimas da ambição de injusto império.

Apesar da postura de crítica à guerra manifestada pelo autor, o fato histórico narrado não é alterado, e
espanhóis e portugueses saem vencedores da batalha. Do lado inimigo, apenas os jesuítas são verdadei-
ramente tratados no poema como vilões – outro traço da obra que satisfaz os interesses do Marquês de
Pombal.
Os índios derrotados são vistos com simpatia. Talvez até se possa dizer que o autor enfoca os índios como
vítimas da ação jesuítica na região e dos conflitos que dela resultaram. Destacadas a força e a coragem
indígenas, fica claro que a derrota se dá apenas em virtude da desigualdade de armas. O índio seria uma
espécie de herói moral da luta, dadas suas qualidades de caráter, conforme mostram os versos a seguir:

Texto 16

Fez proezas Sepé naquele dia.


Conhecido de todos, no perigo
Mostrava descoberto o rosto e o peito
Forçando os seus co exemplos e coas palavras.

O poema não enfatiza a guerra em si, nem as ações dos vencedores, nem os vilões jesuítas – tratados
caricaturalmente. Ganham destaque, de fato, a descrição física e moral do índio, o choque de culturas e a
paisagem nacional. Além disso, o autor cria passagens de forte lirismo, como a do episódio da morte de
Lindoia. Observe a valorização da paisagem brasileira nestes versos:

Texto 17

Que alegre cena para os olhos! Podem


Daquela altura, por espaço imenso,

LITERATURA
Ver as longas campinas retalhadas
De trêmulos ribeiros, claras fontes,
E lagos cristalinos, onde molha
As leves asas o lascivo vento.
Engraçados outeiros, fundos vales,
Verde teatro, onde se admira o quanto
Produziu a supérflua Natureza.

A valorização do índio e da natureza selvagem do Brasil corresponde ao ideal de vida primitiva e natural
cultivado pelos iluministas e pelos árcades. Por outro lado, porém, esses aspectos, que podemos chamar de
nativistas, prenunciam as tendências da literatura do século XIX: o Romantismo.

Santa Rita Durão: apego ao modeo clássico

O frei Santa Rita Durão (1722-1784) nasceu na cidade de Mariana, em Minas Gerais. Como Basílio da
Gama, estudou no colégio dos jesuítas e completou seus estudos em Portugal. Lá ingressou na vida religiosa
e tornou-se professor de Teologia.
Afirmando que a razão do poema Caramuru era “o amor à pátria”, Santa Rita, embora tenha passado a
maior parte de sua vida em Portugal, confirma a tendência nativista de seu poema.
Caramuru foi publicado em 1781, portanto doze anos depois de O Uraguai. É provável que Santa Rita te-
nha sido estimulado pela publicação de Basílio da Gama, porém há diferenças fundamentais entre os dois
poemas.
Santa Rita, sendo religioso, não apresenta o antijesuitismo de seu colega. Ao contrário, valoriza a ação
catequética dos jesuítas sobre os índios, dando a ela um enfoque inteiramente cristão.
Do ponto de vista literário, as liberdades formais e líricas de que Basílio da Gama fez uso são ignoradas
por Santa Rita. O poema Caramuru segue rigidamente o modelo camoniano: apresenta dez cantos, estrofes
em oitava-rima, versos decassílabos e estrutura convencional. E, como em Camões, há nele a presença das
mitologias cristã e pagã, esta representada por deuses indígenas, em vez de deuses greco-latinos.
Santa Rita, apesar de distante do Brasil desde os 9 anos, procura retratar a natureza brasileira, descre-
vendo o clima, a fertilidade da terra, as riquezas naturais. Assim, alia-se à tradição dos cronistas e viajantes
que descreveram a colônia do século XVI.
Interessa-se particularmente pelo indígena, descreve seus costumes e instituições e ressalta sua cate-
quese. Contudo, percebe-se em seu poema certo artificialismo, próprio de quem leu sobre o país, mas não

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

vivenciou o que descreve. Por isso, Caramuru é considerado um poema inferior a O Uraguai e, de certa forma,
um retrocesso do ponto de vista temático e estilístico.

O poema Caramuru narra as aventuras – em parte, históricas;


em parte, lendárias –, do náufrago português Diogo Álvares Cor-
reia, o Caramuru. Ao naufragar na costa brasileira em 1510, foi
aprisionado pelos tupinambás.
Certa vez pegou num mosquete e atirou num pássaro, ma-
tando-o. Os índios, que não conheciam armas de fogo, ficaram
impressionados com a detonação e gritaram Caramuru! Caramu-
ru!, vocábulo que significa “homem de fogo” ou “dragão saído do
mar”.
Diogo viveu entre os índios tupinambás, na Bahia, no século
XVI, e desposou Paraguaçu, ambos personagens do poema Ca-
ramuru. De acordo com a lenda, confirmada pela versão de Santa
Rita, Diogo foi resgatado por uma nau francesa e, em companhia
Figura 9. Moema (1832), de Vítor Meireles. de Paraguaçu, levado à Corte francesa, de onde posteriormente
Pintura inspirada na personagem de Santa Rita Durão. partiu para Portugal.
Fonte: Dinamus Sistema de Ensino.
Em meio às aventuras do protagonista, o autor aproveita para
fazer uma longa descrição das qualidades da terra, como nestes
versos:

Texto 18

Não são menos que as outras saborosas


As várias frutas do Brasil campestres;
Com gala de ouro e púrpura vistosas
Brilha a mangaba e os mocujés silvestres.
ou dos costumes religiosos, enfocados pela ótica cristã:
Que horror da humanidade! ver tragada
Da própria espécie a carne já corruta!
Quando não deve a Europa abençoada
A fé do Redentor, que humilde escuta!
LITERATURA

Caramuru, como O Uraguai, apresenta, em meio à narrativa épica, momentos líricos e significativa beleza,
nos quais, ao lado de aspectos próprios da cultura indígena, aparece o tema universal da morte por amor.
Os textos que seguem são, respectivamente, de O Uraguai, de Basílio da Gama, e de Caramuru, de Santa
Rita Durão. Leia-os com atenção e responda às questões propostas.

Texto 19

Os índios já haviam perdido a guerra e, Melancólica sobra. Mais de perto Pelo dente sutil o brando peito.
reunidos na tribo, preparavam-se para Descobrem que se enrola no seu corpo
a cerimônia de casamento de Lindoia Verde serpente, e lhe passeia, e cinge Os olhos, em que Amor reinava, um dia,
com Baldeta (filho sacrílego do jesu- Pescoço e braços, e lhe lambe o seio. Cheios de morte; e muda aquela língua
íta Balda), que tem garantido o papel Porém o destro Caitutu, que treme Que ao surdo vento e aos ecos tantas
de chefe da tribo. Lindoia, contudo, não Do perigo da irmã, sem mais demora vezes
está interessada no casamento. Incon- Dobrou as pontas do arco, e quis três Contou a larga história de seus males.
formada com a morte de seu marido vezes Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,
Cacambo, ela se retira da tribo, des- Soltar o tiro, e vacilou três vezes E rompe em profundíssimos suspiros,
gostosa, e entra na floresta. Seu irmão Entre a ira e o temor. Enfim sacode Lendo na testa da fronteira gruta
Caitutu e outros índios vão procurá-la. O arco e faz voar a aguda seta, De sua mão já trêmula gravado
Que toca o peito de Lindoia, e fere O alheio crime e a voluntária morte.
Entram enfim na mais remota e interna A serpente na testa, e a boca e os den- E por todas as partes repetido
Parte de antigo bosque, escuro e negro, tes O suspirado nome de Cacambo.
Onde ao pé de uma lapa cavernosa Deixou cravados no vizinho tronco. Indo conserva o pálido semblante
Cobre uma rouca fonte, que murmura, Açouta o campo coa ligeira cauda Um não sei quê de magoado e triste,
Curva latada de jasmins e rosas. O irado monstro, e em tortuosos giros Que os corações mais duros enternece.
Este lugar delicioso e triste, Se enrosca no cipreste, e verte envolto Tanto era bela no seu rosto a morte!
Cansada de viver, tinha escolhido Em negro sangue o lívido veneno
Para morrer a mísera Lindoia. Leva nos braços a infeliz Lindoia FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza.
Literatura brasileira em diálogo com outras
Lá reclinada, como que dormia, O desgraçado irmão, que ao desper-
literaturas e outras linguagens. 4ª. ed. São Paulo
Na branda relva e nas mimosas flores, tá-la Atual, 2009. p. 166-167.
Tinha a face na mão e a mão no tronco Conhece, com que dor! no frio rosto
De um fúnebre cipreste, que espalhava Os sinais do veneno, e vê ferido

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Texto 20

Os chefes indígenas oferecem as filhas Como não consumis aquele infame? (Disse, vendo-o fugir) ah! Não te escon-
a Diogo Álvares para se honrarem com Mas pagar tanto amor com tédio e das
seu parentesco. O lusitano aceita o pa- asco... Dispara sobre mim teu cruel raio...”
rentesco, mas não as donzelas, por fi- Ah! que corisco és tu... raio... penhasco! E indo a dizer o mais, cai num desmaio.
delidade a Paraguaçu. Tomado por ................................................................. Perde o lume dos olhos, pasma e treme,
saudades da Europa, embarca numa Tão jura ingratidão menos sentira Pálida a cor, o aspecto moribundo;
nau francesa. Moema, uma índia apai- E esse fado cruel doce me fora. Com mão já sem vigor, soltando o leme,
xonada pelo português, desesperada Se o meu despeito triunfar não vira Entre as salsas escumas desce ao fun-
de o ver partir com Paraguaçu, tenta Essa indigna, essa infame, essa traidora. do.
acompanhá-lo, nadando. Por serva, por escrava, te seguira. Mas na onda do mar, que, irado, freme,
Se não temera de chamar senhora Tornando a aparecer desde o profundo,
–– “Bárbaro (a bela diz:) tigre e não ho- A vil Paraguaçu, que, sem que o creia, –– Ah! Diogo Cruel! –– disse com mágoa,
mem... Sobre ser-me inferior, é néscia e feia. –– e sem mais vista ser, sorveu-se na
Porém o tigre, por cruel que brame, Enfim, tens coração de ver-me aflita, água.
Acha forças amor, que enfim o domem; Flutuar, moribunda, entre estas ondas;
Só a ti não domou, por mais que eu te Nem o passado amor teu peito incita FONTE: CEREJA e COCHAR, William e Thereza.
Literatura brasileira em diálogo com outras
ame. A um ai somente, com que aos meus
literaturas e outras linguagens. 4ª. ed. São Paulo
Fúrias, raios, coriscos, que o ar conso- respondas. Atual, 2009. p. 1676-168.
mem, Bárbaro, se esta fé teu peito irrita,

Pratique

01. Que semelhança os textos apresentam quanto ao (B) Entre a fala do narrador e a fala de Moema não há
assunto? diferenças linguísticas. A que conclusão se pode chegar
a partir dessa constatação?
02. Em relação ao texto I:
04. Comparando os episódios relatados nos dois tex-
(A) Descreva o lugar que Lindoia escolheu para morrer. tos, indique, justificando:

(B) A paisagem descrita é árcade? Justifique. (A) o mais dramático;

LITERATURA
03. Em relação ao texto II: (B) aquele que mais enaltece o indígena e o mostra
mais integrado à natureza.
(B) Como Moema descreve Diogo Álvares e Paraguaçu?

Referências
CEREJA, William; COCHAR, Thereza. Literatura portuguesa em diálogo com outras literaturas de língua
portuguesa. Vol. único, 3ª ed., São Paulo: Saraiva, 2009.
CEREJA, William; COCHAR, Thereza. Literatura portuguesa em diálogo com outras literaturas e outras
linguagens. Vol. único, 4ª ed., São Paulo: Saraiva, 2009.
COTRIM, Gilberto. História global: Brasil e geral. Vol. único, 9ª ed., São Paulo: Saraiva, 2008.
COTRIM, Gilberto. História global: Brasil e geral. Vol. único, 8ª ed., São Paulo: Saraiva, 2005.

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Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Sessão ENEM

01. Ao lado de Cláudio Manoel da Costa, Silva Alvarenga (C) o Realismo é favorável à produção de romances
e Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga é um cheios de idealizações da mulher e do homem nativo,
dos nomes mais representativos do arcadismo bra- representado pelos povos indígenas.
sileiro. No entanto, além de poeta, Gonzaga escre- (D) a poesia do Parnasianismo, produzida no início do
veu um conjunto de sátiras ao Governador de Minas século XIX, tem como inspiração a literatura clássica,
Gerais, Luís da Cunha Menezes. Como se chamam mas cultua o sentimentalismo e a liberdade da forma
essas sátiras? peculiares ao Romantismo.
(E) o Modernismo convive com uma tendência de liber-
(A) As Minas de Prata. tação dos ideais estéticos europeus, embora ainda abor-
(B) Cartas Chilenas. de o amor platônico, a religiosidade, o individualismo, e
(C) Cartas sem arte. a supremacia do português de Portugal.
(D) O Alienígena.
(E) Carta aos Brasileiros. 04. O trecho “(...) filósofos gregos consideravam que
todo dia poderia ser o último de suas vidas, e isso
02. É com base no mito da Arcádia que erguem suas aumentava sua (...) apreciação pelos temas da vida”
doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os faz intertextualidade com o sentido evocado pela
árcades procuram realizar obra semelhante à dos expressão latina Carpe diem, experienciada pelos
clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos gre- poetas e escritores de que escola literária brasilei-
co-latinos ser a primeira característica a considerar ra?
na configuração da estética arcádica.
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.) (A) Romantismo.
(B) Barroco.
A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se (C) Arcadismo.
ao estilo (D) Simbolismo.
(E) Parnasianismo.
(A) renascentista.
(B) pré-romântico.
(C) neoclássico.
(D) barroco.
(E) medieval.

03. As criações literárias, como todo produto da lingua-


LITERATURA

gem, são contextualizadas. Assim, essas criações


transparecem marcas de seu tempo e da cultura dos
grupos que representam. Podem ser, desse modo,
indícios do que viveram os povos, em diferentes
momentos de sua história.

Não é por acaso, portanto, que:

(A) o Barroco é representativo dos conflitos da época, os


quais revelavam as tensões entre os valores mundanos e
aqueles espirituais. Sua expressão linguística é, em ge-
ral, marcada por antíteses e oposições.
(B) o Romantismo é testemunha de um movimento na-
cionalista, com a pretensão de exaltar a natureza e a au-
tonomia do homem brasileiro. Gonçalves Dias é um dos
romancistas de maior destaque na exaltação do india-
nismo.

20 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


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Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Praticando

01. Gregório de Matos, poeta baiano, que viveu no sé- IV. Os dois poemas são sonetos, forma fixa herdada do
culo XVI, produziu uma poesia em que satiriza a Classicismo, muito pouco utilizada pelo poeta baiano,
sociedade de seu tempo. Execrado no passado por que desprezou a métrica rígida e criou poesia em versos
seus conterrâneos, hoje é reconhecido como grande brancos e livres.
poeta, sendo, inclusive, sua poesia satírica fonte de V. Como poeta barroco, fez uso consciente dos recursos
pesquisa histórica. estéticos reveladores do conflito do homem da época,
como se faz presente na antítese que encerra o II poe-
Leia os poemas e analise as proposições a seguir: ma: “Horas de inferno, instantes de alegria”.

Poema I Estão CORRETAS apenas


Triste Bahia! Oh quão dessemelhante
Estás, e estou do nosso antigo estado! (A) I, II, III e V.
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, (B) I, II e IV.
Rica te vejo eu já, tu a mi abundante. (C) IV e V.
(D) I, III e IV.
A ti tocou-te a máquina mercante, (E) I, IV e V.
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado Para responder às questões a seguir, considere o texto
Tanto negócio, e tanto negociante. a seguir:

Deste em dar tanto açúcar excelente Personagem frequente dos carros alegóricos, d. Pedro
Pelas drogas inúteis, que abelhuda surgia, nos anos 1880, ora como Pedro Banana ou como
Simples aceitas do sagaz Brichote. Pedro Caju, numa alusão à sua falta de participação nos
últimos anos do Império. Mas é só com a queda da mo-
Oh se quisera Deus, que de repente narquia que se passa a eleger um rei do Carnaval. Com
Um dia amanheceras tão sisuda efeito, o rei Momo é uma invenção recente, datada de
Que fora de algodão o teu capote 1933. No século XIX ele não era rei, mas um deus gre-
(Gregório de Matos) go: zombeteiro, pândego e amante da galhofa. Nos anos
30 vira Rei Momo e logo depois cidadão. Novos tempos,
Poema II novos termos.
Horas contando, numerando instantes, (SCHWARCZ, Lilian Mortiz. As barbas do Imperador: Dom Pedro II, um
Os sentidos à dor, e à glória atentos, monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 281)
Cuidados cobro, acuso pensamentos,

LITERATURA
Ligeiros à esperança, ao mal constantes. 02. A crítica galhofeira a autoridades e a pessoas de
prestígio foi uma arma contundente de que se va-
Quem partes concordou tão dissonantes? leu:
Quem sustentou tão vários sentimentos?
Pois para a glória excedem de tormentos, (A) o poeta barroco Gregório de Matos, em sua poesia
Para martírio ao bem são semelhantes. satírica.
(B) Claúdio Manuel da Costa, nas cartas que escreveu ao
O prazer com a pena se embaraça; mandatário de Minas Gerais.
Porém quando um com outro mais porfia, (C) o poeta Carlos Drummond de Andrade, nos ácidos
O gosto corre, a dor apenas passa. versos de Claro enigma.
(D) Clarice Lispector, na prosa provocadora de A hora
Vai ao tempo alterando a fantasia, da estrela.
Mas sempre com vantagem na desgraça, (E) a geração de 45, reagindo contra os chamados “pa-
Horas de inferno, instantes de alegria. pas” do modernismo.
(Gregório de Matos)
Leia o poema e observe a pintura a seguir para respon-
I. Além de poeta satírico, o Boca do Inferno também cul- der à(s) questão(ões).
tivou a poesia lírica, composta por temas diversificados,
pois nos legou uma lírica amorosa, erótica e religiosa e Destes penhascos fez a natureza
até de reflexão sobre o sofrimento, a exemplo do poe- O berço, em que nasci: oh quem cuidara,
ma II. Que entre pedras tão duras se criara
II. Considerado tanto poeta cultista quanto conceptista, Uma alma terna, um peito sem dureza!
o autor baiano revela criatividade e capacidade de im-
provisar, segundo comprovam os versos do poema I, em Amor, que vence os tigres, por empresa
que realiza a crítica à situação econômica da Bahia, di- Tomou logo render-me ele declara
rigida, na época, por Antônio Luís da Câmara Coutinho. Centra o meu coração guerra tão rara,
III. Em Triste Bahia, poema I, musicado por Caetano Que não me foi bastante a fortaleza
Veloso, Gregório de Matos identifica-se com a cidade,
ao relacionar a situação de decadência em que se en- Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
contram tanto ele quanto a cidade onde vive. O poema A que dava ocasião minha brandura,
abandona o tom de zombaria, atenuando a sátira con- Nunca pude fugir ao cego engano:
tundente para tornar-se um quase lamento.
Vós, que ostentais a condição mais dura,

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 21


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Praticando

Temei, penhas, temei; que Amor tirano, Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Onde há mais resistência mais se apura Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
COSTA, Claudio Manuel da. Soneto XCVIII. Disponível em: <http://www. E mais as finas lãs, de que me visto.
bibvirt.futuro.usp.br>. Acesso em: 26 ago. 2015
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

(A) Vulgarização da figura da mulher; medievalismo;


egocentrismo.
(B) Denúncia social; exaltação da vida no campo; temas
urbanos.
(C) Exaltação da vida no campo; linguagem simples;
pastoralismo.
(D) Temas urbanos; linguagem simples; medievalismo.
(E) Egocentrismo; pastoralismo; denúncia social.

06. Leia as afirmativas abaixo, feitas a respeito do poe-


ma épico Prosopopeia, de Bento Teixeira:

I. O poema transgride a rígida estrutura camoniana, já


que, por exemplo, não começa com a proposição, mas
no meio da narrativa.
II. Um dos propósitos do poema é fazer a louvação de
Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de
Pernambuco.
III. Publicado em 1601, é por muitos historiadores consi-
derado o início do estilo barroco no Brasil.
03. Verifica-se que os versos e a pintura, em razão das IV. A parte em que fala das frutas da terra, intitulada
características que lhes são peculiares, pertencem
“Ilha de Maré”, é considerada como o primeiro docu-
respectivamente aos períodos:
mento nativista de nossa literatura.
(A) Árcade e Barroco.
Estão corretas:
(B) Romântico e Realista.
(C) Quinhentista e Naturalista.
LITERATURA

(A) apenas II e III


(D) Modernista e Vanguardista.
(B) I, II e IV
(E) Quinhentista e Modernista.
(C) I, III e IV
(D) apenas I e III
04. Tendo por base a comparação entre o poema e a (E) apenas II e IV
pintura apresentados, verifica-se que:

(A) o poema alude a questões de ordem social e políti-


07. No Brasil, o Barroco foi introduzido com o trabalho
de
ca, ao passo que a pintura faz referência a aspectos de
teor material.
(A) Padre Antônio Vieira.
(B) a pintura representa uma cena de teor espiritual, ao
(B) Gregório de Matos Guerra.
passo que o poema retrata elementos concretos de uma
(C) Bento Teixeira.
paisagem pedregosa.
(D) Santa Rita Durão.
(C) a pintura cristaliza um momento de louvor à força
(E) Camões.
humana, ao passo que o poema discute questões ati-
nentes à covardia do homem.
(D) o poema sugere uma correspondência entre dureza
08. Do século XVI até meados do século XVIII, duas
manifestações estéticas são de extrema relevância
da paisagem e dureza da alma, ao passo que a pintura
para a formação da literatura brasileira: o Barroco e
metaforiza questões mitológicas.
o Arcadismo. Para refletir sobre esses dois momen-
(E) ambos não guardam qualquer relação entre si, pois
tos e responder à questão, leia os textos a seguir.
são produções realizadas em tempos distintos.
Texto 1
05. Leia o poema de Tomás Antônio Gonzaga, transcri- Discreta, e formosíssima Maria,
to a seguir, e marque a alternativa que aponta três
Enquanto estamos vendo claramente
características do Arcadismo brasileiro que nele po-
Na vossa ardente vista o sol ardente,
dem ser observadas.
E na rosada face a Aurora fria.
Lira I
Enquanto pois produz, enquanto cria
Essa esfera gentil, mina excelente
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
No cabelo o metal mais reluzente,
Que viva de guardar alheio gado;
E na boca a mais fina pedraria.
De tosco trato, d’expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Gozai, gozai da flor da formosura,
Tenho próprio casal, e nele assisto;

22 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Praticando

Antes que o frio da madura idade Mas como dorme Sílvia, não vestia
Tronco deixe despido, o que é verdura. O céu seus horizontes de mil cores;
Dominava o silêncio entre as flores,
Que passado o zenith da mocidade, Calava o mar, e rio não se ouvia.
Sem a noite encontrar da sepultura,
É cada dia ocaso da beldade. Não dão o parabém à nova Aurora
(Gregório de Matos) Flores canoras, pássaros fragrantes,
Nem seu âmbar respira a rica Flora.
Texto 2
Brandas ribeiras, quanto estou contente Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
De ver-nos outra vez, se isto é verdade! Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
Quanto me alegra ouvir a suavidade, Aves cheirosas, flores ressonantes.
Com que Fílis entoa a voz cadente! Poemas escolhidos, 2010.

Os rebanhos, o gado, o campo, a gente, 09. No soneto, a seguinte expressão é empregada pelo
Tudo me está causando novidade: eu lírico em lugar de sua musa Sílvia:
Oh como é certo, que a cruel saudade
Faz tudo, do que foi, mui diferente! (A) “Flores canoras, pássaros fragrantes”.
(B) “À margem de uma fonte, que corria”.
Recebei (eu vos peço) um desgraçado, (C) “O céu seus horizontes de mil cores”.
Que andou té agora por incerto giro (D) “A bela ocasião das minhas dores”.
Correndo sempre atrás do seu cuidado: (E) “Aves cheirosas, flores ressonantes”.

Este pranto, estes ais, com que respiro, 10. A sinestesia consiste em transferir percepções de
Podendo comover o vosso agrado, um sentido para as de outro, resultando um cruza-
Façam digno de vós o meu suspiro. mento de sensações.
(Cláudio Manoel da Costa) Celso Cunha. Gramática essencial, 2013.

Sobre os textos 1 e 2 e seus respectivos autores, analise Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte ver-
as seguintes proposições. so:

I. Pode-se afirmar que uma das características do Bar- (A) “Flores canoras, pássaros fragrantes,” (3ª estrofe).
roco, presente no texto 1, é o tema da efemeridade da (B) “À margem de uma fonte, que corria,” (1ª estrofe).

LITERATURA
vida, como pode ser percebido no primeiro terceto. (C) “Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,” (4ª estro-
II. Gregório de Matos foi um repentista, que sabia im- fe).
provisar; um menestrel baiano que buscava inspiração (D) “Dominava o silêncio entre as flores,” (2ª estrofe).
no cotidiano, nas circunstâncias da vida, quer seja pelo (E) “O céu seus horizontes de mil cores;” (2ª estrofe).
êxtase religioso quer pelo afetivo.
III. O texto 1 é marcado pela temática do Carpe Diem, TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
característica notável também do Barroco.
IV. O texto 2 tem sua temática ligada ao pastoralismo, Ao 1valimento que tem o mentir
ao bucolismo e remete à mitologia grega.
V. Cláudio Manoel da Costa, cujo nome pastoral é Glau- Mau ofício é mentir, mas proveitoso...
ceste Satúrnio, tem forte influência dos padrões cul- Tanta mentira, tanta utilidade
tistas, elevada inventividade lírica e deseja exprimir a Traz consigo o mentir nesta cidade
realidade de seu país. Como o diz o mais triste mentiroso.

Estão CORRETAS, apenas: Eu, como um ignorante e um baboso,


(A) I, II, III e IV. Me pus a verdadeiro, por vaidade;
(B) II, III, IV e V. Todo o meu 2cabedal meti em verdade
(C) I, II e V. E saí do negócio 3perdidoso.
(D) III e IV.
(E) II e V. Perdi o principal, que eram verdades,
Perdi os interesses de estimar-me,
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Perdi-me a mim em tanta 4soledade;

Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fon- Deram os meus amigos em deixar-me,
te”, do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696), 5
Cobrei ódios e inimizades...
para responder à(s) questão(ões) a seguir: Eu me meto a mentir e a aproveitar-me.

À margem de uma fonte, que corria,


Lira doce dos pássaros cantores
A bela ocasião das minhas dores
Dormindo estava ao despertar do dia.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 23


Literatura colonial
Capítulo 1: Primeiras manifestações literárias nacionais

Praticando

GREGÓRIO DE MATOS. PIRES, M. L. G. (org.). Poetas do período barroco. 14. Que falta nesta cidade?... Verdade.
Lisboa: Comunicação, 1985.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.
1
valimento − validade
2
cabedal − conhecimento O demo a viver se exponha,
3
perdidoso − prejudicado Por mais que a fama a exalta,
4
soledade − solidão Numa cidade onde falta
5
cobrar − receber Verdade, honra, vergonha.
11. A primeira estrofe do poema apresenta inversões Os versos transcritos expõem a faceta __________
da ordem direta das orações. Esse recurso expres- da obra de Gregório de Matos, que é considerado o
sivo, chamado hipérbato, é frequente na estética maior poeta barroco brasileiro. Outras facetas impor-
barroca. Reescreva os versos 2 e 3 da primeira es- tantes, na produção do mesmo autor, são as da poesia
trofe na ordem direta, desfazendo o hipérbato. Em __________ e da poesia __________.
seguida, explique o efeito do hipérbato para a ca-
mada sonora dessa estrofe. (1418-1527). Assinale a alternativa cujas informações preenchem
corretamente as lacunas do enunciado.
12. O barroco apresenta duas vertentes: o cultismo,
caracterizado pela linguagem rebuscada e extra- (A) satírica – nacionalista – indianista.
vagante, pelos jogos de palavras; e o conceptismo, (B) moralista – bucólica – pastoril.
marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguin- (C) social – abolicionista – anticlerical.
do um raciocínio lógico. O poema de Gregório de (D) satírica – religiosa – amorosa.
Matos, exemplo da estética barroca, insere-se em (E) moralista – egotista – sentimental.
uma dessas vertentes. Identifique-a e justifique sua
resposta. 15. Leia o soneto a seguir, de Gregório de Matos Guerra,
para responder à questão.
13. O soneto “No fluxo e refluxo da maré encontra o po-
eta incentivo pra recordar seus males”, de Gregório Fábio: que pouco entendes de finezas:
de Matos, apresenta características marcantes do Quem faz só o que pode, a pouco se obriga
poeta e do período em que ele o escreveu: Quem contra os impossíveis se fatiga,
a esse cede o Amor em mil 1ternezas.
Seis horas enche e outras tantas vaza
A maré pelas margens do Oceano,
LITERATURA

Amor comete sempre altas empresas:


E não larga a tarefa um ponto no ano, Pouco amor, muita sede não mitiga:
Depois que o mar rodeia, o sol abrasa. Quem impossíveis vence, esse é que instiga
vencer por ele muitas estranhezas.
Desde a esfera primeira opaca, ou rasa
A Lua com impulso soberano As durezas da cera, o Sol abranda,
Engole o mar por um secreto cano, a da terra as branduras endurece:
E quando o mar vomita, o mundo arrasa. Atrás do que resiste, o raio é que anda.
Muda-se o tempo, e suas temperanças. Quem vence a resistência, se enobrece:
Até o céu se muda, a terra, os mares, Quem faz o que não pode, impera e manda:
E tudo está sujeito a mil mudanças. Quem faz mais do que pode, esse merece.
Só eu, que todo o fim de meus pesares ternezas: ternuras
1
Eram de algum minguante as esperanças, GUERRA, Gregório de Matos. A um namorado, que se presumia de obrar
Nunca o minguante vi de meus azares. finezas. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos Poetas Brasilei-
ros da Fase Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979. p.65-66.

De acordo com o poema, é correto afirmar:


A leitura atenta do texto permite afirmar que:
(A) A temática barroca do desconcerto do mundo está
representada no poema, uma vez que as coisas do mun- (A) se trata de soneto em versos decassílabos e que,
do estão em desarmonia entre si. portanto, escapa, em alguma medida, à forma e à te-
(B) A transitoriedade das coisas terrenas está em opo- mática do Barroco.
sição ao caráter imutável do sujeito, submetido a uma (B) a temática da mitologia clássica – Amor, ou Eros,
concepção fatalista do destino humano. presente nos dois primeiros quartetos – é o que carac-
(C) A concepção de um mundo às avessas está figurada teriza o soneto acima como Barroco.
no soneto através da clara oposição entre o mar que (C) a recorrência do pronome “quem”, ao longo dos dois
tudo move e a lua imutável. primeiros quartetos, que culmina na última estrofe, re-
(D) A clareza empregada para exposição do tema refor- vela as contradições típicas do Barroco.
ça o ideal de simplicidade e bucolismo da poesia bar- (D) o fato de o eu lírico dirigir-se a “Fábio” e de fazer-
roca, cujo lema fundamental era a aurea mediocritas. -lhe recomendações, na forma de soneto, assevera sua
(E) A sintonia entre a natureza e o eu poético embasa matriz contraditória e, portanto, barroca.
as personificações de objetos inanimados aliadas às hi- (E) a oposição entre fazer apenas o possível, de um
pérboles que descrevem o sujeito lado, e fazer o impossível, de outro, confere feição bar-
roca ao poema, pontilhando-o de antíteses.

24 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Capítulo 1: Medicina preventiva
Medicina preventiva e saúde 4
Introdução 4

Prevenção de doenças e promoção da saúde 5


Medicina preventiva do ponto de vista econômico 6
Medicina preventiva e saúde pública 6

Principais fatores de risco à saúde 7

Medicina preventiva e atividade física 10


A melhor prevenção 10

Referências bibliográficas 11

Grupo colaborativo formado pelos autores:

Prof. Weider Alberto Costa Santos, Administrador, especialista em Balanced Scorecard -


FGV, Marketing - FEJAL/CESMAC, Serviço Social - UFAL.

SANTOS, Weider Alberto Costa. Educação Física - Unidade 3. 6. ed. - Maceió-AL: Siste-
ma Dinamus de Ensino, 2022.

Editoração e ilustração:
w2advanced

Impressão e distribuição:
Editora Dinamus

© 2022 - SDE | SISTEMA DINAMUS DE ENSINO Ltda. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do detentor dos
direitos autorais. Esta obra é de caráter educativo e didático, prezando pelo teor científico. Dispondo de todas as referências bibliográficas e/ou webgráficas. Também
das fontes de pesquisas, cortes de reportagens e imagens. Creditadas e reservadas em nome do SISTEMA DINAMUS DE ENSINO Ltda.

A Verdade vos liber tará.


Medicina preventiva
Capítulo
1

Medicina preventiva
e saúde preventiva

Atividade física
FONTE: https://www.kurotel.com.br/

Além de atuar contra o sedentarismo e a obesida- Esse cuidado com a atividade física, porém, não se
de, a prática regular de exercícios físicos, de for- esgota com a chegada da fase adulta. Ao contrá- Sobre o texto e a
imagem de intro-
ma orientada, pode ajudar também com questões rio, o ideal é que o estilo de vida fisicamente ativo dução
como ansiedade e depressão. seja mantido até a chamada terceira idade (sob a
Uma população doente, além de não ter qualidade supervisão de profissional legalmente habilitado).
de vida, sobrecarrega o sistema de saúde, tanto A própria OMS (Organização Mundial de Saúde) • De acordo com o texto,
o público quanto o privado. Ou seja, é ruim tan- garante que quem pratica atividade física regu- qual importância tem a saúde
to para a saúde do indivíduo, como para a saúde larmente melhora sua saúde física e mental. No preventiva?
coletiva. longo prazo, isso significa dizer que o indivíduo
É preciso ter um olhar mais atento à medicina poderá viver menos propenso ao desenvolvimento • Comente de que forma a ocor-
rência de doenças crônicas pode
preventiva, intensificando ações de combate ao de doenças incapacitantes e, consequentemente,
comprometer todo o sistema de
sedentarismo e, consequentemente, ao sobrepeso aumentará a sua longevidade.
saúde de um país.
e à obesidade. E não é apenas tornar mais longevo o indivíduo:
Uma dessas ações necessárias é o fortalecimento com uma menor necessidade de intervenções te- • Cite exemplos de medidas que
do profissional de Educação Física. rapêuticas (remédios, exames, cirurgias etc.), esta podem ser tomadas de forma a
Estamos falando de uma classe que cuida da saú- longevidade vem acompanhada de uma melhor prevenir doenças.
de das pessoas de forma preventiva. qualidade de vida.
A saúde preventiva inicia já nos primeiros anos de
vida do indivíduo, quando na escola ele aprende, FONTE: Dinamus Sistema de Ensino.

por exemplo, que precisa participar das aulas de


Educação Física ou praticar algum esporte no ho-
rário oposto ao das suas aulas regulares.
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

Medicina preventiva e saúde


EDU. FÍSICA

Introdução
As condições de saúde e qualidade de vida têm melhorado de forma contínua e sustentada nas
últimas décadas. Estudos de diferentes autores e os relatórios sobre a saúde mundial e da região das Amé-
ricas são conclusivos a esse respeito. No Brasil, por exemplo, a expectativa de vida em 2018 era de 76,3
anos. De 1940 a 2018, o acréscimo foi de 30,8 anos. O aumento da expectativa de vida é um dos indícios
de melhora da qualidade de vida e da saúde geral da população.
Um cenário totalmente novo e inesperado foi introduzido com a pandemia de Covid-19: a queda da
expectativa de vida do brasileiro, em função do grande número de mortes que a doença causou. Entre março
O Conceito de Saúde,
segundo a OMS, diz que a de 2020 e dezembro de 2021, a expectativa de vida no Brasil diminuiu para 72,2 anos.
mesma é “um estado de Na atualidade, o conceito de saúde engloba ações no que diz respeito à promoção da saúde, à
completo bem-estar físico, prevenção das doenças e ao seu eventual tratamento, baseados nas condições de saúde. Estas condições
mental e social e não so-
mente ausência de afecções estão intimamente relacionadas com a qualidade de vida, alimentação, nutrição, educação, habitação, sa-
e enfermidades”. A saúde neamento, recreação e condições agradáveis no lar e no trabalho, estilo de vida responsável e um espectro
passou, então, a ser mais adequado de cuidados de saúde.
um valor da comunidade do
que do indivíduo. Quando se fala, então, em medicina preventiva, fala-se em uma medicina direcionada à prevenção
das doenças, visando estabelecer uma condição de vida saudável, ao invés de tratar as doenças que eventu-
almente acometeriam o indivíduo não saudável, evitando assim maiores prejuízos. Fazem parte da medicina
preventiva os programas de vacinação, projetos de atividade física ou emagrecimento, promoção de hábitos
de vida saudáveis, monitoramento periódico de colesterol, câncer ou diabetes, aconselhamento médico para

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
prevenir que doenças se instalem etc.
Em resumo, tudo o que se possa fazer em favor da saúde antes da ocorrência de qualquer enfer-
midade pode ser considerado como medicina preventiva e, por isso, o indivíduo tem um papel fundamental
nesse cenário, pois fazer check-ups regulares é uma das melhores ferramentas para manutenção da saúde
e prevenção de doenças.
| SISTEMA DINAMUS • ENSINO MÉDIO |

LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


Fazendo Check-up

A maioria das pessoas acredita que fazer um check-up é apenas se submeter a uma bateria de exames laboratoriais e de imagem. Por mais
sofisticados, caros e precisos que sejam, os exames fazem parte do check-up, mas não são o check-up em si. O check-up é uma avaliação
médica de rotina associada a exames específicos de acordo com idade, sexo e históricos pessoal e familiar. Tem como principais objetivos:​

• Ajudar a prevenir doenças por meio da informação e da realização de ações de prevenção. Essas ações incluem a vacinação, o esta-
belecimento de uma dieta equilibrada, orientações para parar de fumar, dar ferramentas para a criação de uma rotina de atividade física e
conscientizar sobre a necessidade de realizar determinados exames que realmente podem propiciar o diagnóstico precoce de doenças com
curso assintomático (como câncer), podendo levar a maiores índices de cura;

• Diagnosticar doenças já instaladas, porém ainda não manifestadas (colesterol alto, diabetes, hipertensão) cujo tratamento terá impacto
positivo na saúde e na qualidade de vida do indivíduo.

A partir dos 30 anos de idade, a maior parte das pessoas encontra-se num ciclo de vida diferente dos anteriores. Novas relações sociais,
novos interesses, novas ambições, trabalho, busca pela estabilidade. É também nessa fase que surgem, embora nem sempre perceptíveis,
sinais de desgaste e degeneração no organismo, que costumam ser agravados pelo estresse resultante das complexidades deste ciclo de vida.
Na ausência de problemas de saúde que exijam atenção médica periódica e específica, os 30 anos são a idade apontada como a mais razoável
para a realização do primeiro check-up. Para a mulher, caso haja o plano de engravidar, deve ser acrescentado o check-up prévio à gestação.

FONTE: Hospital Sírio Libanês. Acompanhamento da Saúde e Check-up.


Disponível em: <https://hospitalsiriolibanes.org.br>. Acesso em: 27 jan. 2017.

Uma das formas de colocarmos em prática a medicina preventiva (sim, ela pode ser empregada
individualmente, sem necessariamente exigir a presença de um profissional da saúde) além dos check-ups
regulares, é buscar evitar o estresse, por meio de técnicas como a meditação, a ginástica ou outra atividade
que implique em satisfação por parte de quem a pratica, obtendo resultados positivos contra depressão,
ansiedade e outras patologias que estão cada vez mais presentes na sociedade globalizada.
Existem quatro tipos de prática em medicina preventiva:

• prevenção primária: que evita o aparecimento da doença iniciando a prevenção logo numa fase
gestacional;

• prevenção secundária: que abarca métodos de diagnóstico e trata de doenças em estágios ini-
ciais antes de evoluir;

4 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

• prevenção terciária: que faz uso de métodos com vistas à dimi-

EDU. FÍSICA
nuição do impacto negativo da doença existente, diminuindo possí-
veis complicações;

• prevenção quaternária: que recorre a métodos que evitam ou mi-


nimizam resultados de intervenções desnecessárias ou excessivas
no sistema de saúde.

O profissional da saúde ligado ao serviço público atua a partir de


dados epidemiológicos na perspectiva de intervir nas doenças ou agravamen-
tos de maior frequência. Por meio da genética médica é possível intervir na
minimização das consequências da doença.
Depressão.
Considerada por muitos “o mal do século”, a depressão pode ser evitada com a medicina
As abordagens do profissional em medicina preventiva variam de preventiva.

acordo com o paciente, com a sua história médica e com o estilo de vida de FONTE: http://boaformaesaude.com.br.

cada um. Sem dúvida, os hábitos alimentares e a prática de exercício físico


ou exercícios de relaxamento são cada vez mais incontornáveis para evitar,
por um lado, o desenvolvimento de doenças de ordem cardiovascular e, por
outro lado, doenças de ordem psiquiátrica, como a depressão.
A medicina preventiva vem ganhando maior espaço nas ciências da saúde desde a década de 80 do
século passado, sendo hoje presente na maioria dos planos de saúde. Os profissionais da saúde do setor
privado que trabalham com a medicina preventiva realizam a identificação precoce de doenças por meio de
exames genéticos ou preventivos, possibilitando minimizar os danos, bem como a prática médica conhecida
É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente

como “medicina da família”, independentes dos programas de intervenção política e social.

| SISTEMA DINAMUS • ENSINO MÉDIO |


LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

01. Explique, com base na leitura feita até aqui, o que é medicina preventiva.
02. Como a medicina preventiva é empregada pelos profissionais da saúde?
03. Explique a relação entre o crescimento da medicina preventiva e a evolução das condições de saúde e qualidade de vida.

Prevenção de doenças e promoção


da saúde
Poucas doenças são inevitáveis para a humanidade – e sua incidência é irregular
(um problema que é comum em determinado lugar pode ser raro em outro). O câncer de
colo de útero, por exemplo, é vinte vezes mais comum na Colômbia do que em Israel. Não
há nenhuma razão biológica conhecida que justifique por que cada população não deva
ser tão saudável quanto a mais saudável de todas. Rudolf Virchow, o grande patologista
alemão dos séculos XIX-XX, escreveu:

“As epidemias aparecem e frequentemente desaparecem sem deixar traços quan-


do um novo período cultural se inicia; assim foi com a lepra e outras doenças
infecciosas. Dessa forma, a história das epidemias é a história do distúrbio da
cultura humana.” (Virchow, 1970).

Logo após Virchow escrever isso, a doença arterial coronariana surgiu da obs-
curidade para se tornar a causa mais comum de morte nos países ocidentais (apesar de Rudolf Virchow.
Virchow é considerado o pai da patologia moderna e da medicina so-
estar reduzindo, ainda é um problema grave no Brasil). Em cidades de expansão econômica cial, além de antropólogo e político liberal.
recente, como Hong Kong, o velho padrão histórico de enfermidade (a alta taxa de morta- FONTE: https://upload.wikimedia.org.
lidade infantil e dos adultos, que se devia principalmente às infecções) está agora dando
lugar a problemas de ataques cardíacos e úlcera duodenal.

A escala e o padrão de incidência de uma doença refletem o modo como as pessoas vivem e as suas
circunstâncias sociais, econômicas e ambientais, e tudo isso pode mudar rapidamente – o que implica, em
tese, que a maioria das doenças é passível de prevenção.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 5
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

Medicina preventiva do ponto de vista econômico


EDU. FÍSICA

Estudos realizados nos 34 países-membros da Organização para a Coope-


ração e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que para cada dólar investi-
do em prevenção de saúde economizam-se três.

Quando a economia do país não está no seu melhor cenário, as empresas


e a indústria buscam alternativas para gerar economia. Mas, dependendo do setor,
não é possível realizar cortes, como é o caso da saúde pública. Nesse caso, as
instituições públicas podem optar por programas de medicina preventiva. Além de
melhorarem a qualidade de vida da população, eles também ajudam na redução dos
Cartão Nacional de Saúde. custos assistenciais.
O Sistema Único de Saúde – SUS –, criado em 1990, tem o objetivo de oferecer
a todos os brasileiros acesso integral, universal e igualitário a ações e serviços de
promoção, proteção e recuperação da saúde.
De imediato, a prevenção de doenças e a realização de programas de medi-
FONTE: http://www.cartaodosus.org. cina preventiva exige um investimento de tempo e dinheiro. Contudo, para que seja
possível gerar de fato redução de custos, é preciso analisar a situação a longo prazo.

Vejamos um exemplo prático de comparação entre prevenção e tratamento: um indivíduo possui


casos de problemas cardíacos na família. Com isso, o ideal é que sejam feitos exames rotineiros (a fre-
quência depende de indicação médica) que previnam algumas complicações e façam o diagnóstico precoce.
Um eletrocardiograma convencional, por exemplo, que é feito em repouso e leva menos de um minuto, custa
entre R$50 e R$ 80. Em contrapartida, caso essa pessoa sofra um infarto e precise ser hospitalizada, uma
diária de UTI pode ultrapassar o valor R$ 1.000,00.

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
Quando o Brasil assumiu, com a Constituição de 1988, a responsabilidade de prover o acesso uni-
versal aos serviços de saúde, tornou-se o país mais populoso a fazê-lo. Certamente, o desfio não seria fácil.
Para tanto, as melhores alternativas devem sempre ser buscadas e a otimização dos serviços de saúde deve
ser um objetivo constantemente perseguido. Nesse contexto, a medicina preventiva desponta como uma
possibilidade real de promoção da saúde da população e concomitante desoneração da saúde pública. O
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, criado em 1990, conseguiu avanços importantes na saúde pública
brasileira por contemplar, dentre duas competências, programas de medicina preventiva.

Medicina preventiva e saúde pública


O Sistema Único de Saúde brasileiro lida com um problema crô-
nico de falta de verbas. Sobre o tema, a revista The Lancet publicou, em
2016, um artigo expondo muitas das mazelas que afligem o sistema de
saúde pública. Baseando-se na situação encontrada no estado do Rio de
Janeiro – falta de médicos, enfermeiros, leitos e condições mínimas de
trabalho em algumas localidades – o estudo traça um panorama pouco
otimista dos possíveis efeitos que a atual crise econômica traria à saúde
pública no país.

O Brasil gasta em saúde, anualmente, uma proporção do PIB


similar à de países desenvolvidos como Suécia ou Reino Unido. No en-
tanto, o investimento público corresponderia a apenas 46% desse total
Medicina preventiva e saúde pública. – destinado a atender aos três quartos da população que não possuem
FONTE: http://www.fsp.usp.br.
planos particulares de saúde e dependem do SUS – enquanto a maior
parte viriam através da iniciativa privada, sendo voltada ao restante da
população, coberta pelos convênios ou planos.

Para além disso, o Brasil convive com uma espécie de tripla carga da doença: doenças crônico-de-
generativas numa população que envelhece cada vez mais; doenças transmissíveis tidas como negligencia-
das, como tuberculose, hanseníase, doença de Chagas e as causadas pelo Aedes aegypti; e agravos prove-
nientes de causas externas, como violência urbana e acidentes de trânsito. Em outras palavras, a demanda
pelos serviços de saúde pública é elevada, e isso eleva, consequentemente, os custos do setor.
Equipamentos de alta tecnologia, a realização de exames sofisticados e o acesso a medicamentos
de alto custo são indispensáveis para a garantia do melhor atendimento médico, sem dúvida. Contudo, esses
recursos são altamente dispendiosos. Face aos problemas recorrentes de falta de verba no SUS, é impres-
cindível a busca também por outros caminhos, e os investimentos na medicina preventiva de viés público e
coletivo são relevantes nesse sentido.

6 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

EDU. FÍSICA
01. Explique de que forma a medicina preventiva proporciona redução de custos dos recursos públicos.
02. Quais problemas enfrentados pelo Brasil podem atrapalhar o desenvolvimento da medicina preventiva?
03. Levante hipóteses: por que a incidência de uma mesma doença pode variar (e varia) conforme o tempo e a localidade?

Principais fatores de risco


à saúde
São muitos os inimigos da saúde na atualidade. Aqui, utilizaremos,
para fins didáticos, os cinco principais fatores que comprometem a saúde
e, em consequência disso, inviabilizam as ações de medicina preventiva.
São eles: o sedentarismo, a alimentação inadequada, o uso e abuso de
drogas, os distúrbios do sono e o estresse.

• Sedentarismo: o sedentarismo é definido como “a falta ou a


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grande diminuição da atividade física”. Na realidade, o conceito


não é associado necessariamente à falta de uma atividade espor-
tiva. O indivíduo que tem atividades físicas regulares, como limpar Estilo de vida sedentário.
A inatividade física está em quinto lugar entre os principais fatores de risco de todas as mor-
a casa, caminhar para o trabalho ou realizar funções profissionais tes. À frente do sedentarismo estão pressão alta, tabagismo, poluição e glicose elevada no
sangue.
que requerem esforço físico, não é classificado como sedentário.

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

FONTE: http://www.revistamaismateria.com.br.

O sedentarismo é considerado por muitos estudiosos uma das doenças do milênio (junto à obe-
sidade, depressão etc.). Na verdade, o sedentarismo se caracteriza por um estilo de vida regado a hábitos
“preguiçosos”, decorrentes da contemporaneidade. Com a evolução da tecnologia e a tendência cada vez
maior de substituição das atividades ocupacionais que demandam gasto energético por facilidades automa-
tizadas, o ser humano adota cada vez mais a lei do menor esforço, reduzindo assim o consumo energético
de seu corpo.
A vida sedentária provoca literalmente o desuso dos sistemas funcionais. O aparelho locomotor
e os demais órgãos e sistemas solicitados durante as diferentes formas de atividade física entram em um
processo de regressão funcional, caracterizando, no caso dos músculos esqueléticos, um fenômeno asso-
ciado à atrofia das fibras musculares, à perda da flexibilidade articular, além do comprometimento funcional
de vários órgãos.

O sedentarismo é a principal causa do aumento da incidência de várias doenças, tais como a hiper-
tensão arterial, o diabetes, a obesidade, a ansiedade, o infarto do miocárdio etc., além de ser o principal fator
de risco para a morte súbita.

• Alimentação inadequada: a alimentação inadequada é um dos


maiores vilões da qualidade de vida, pois além de estar associada
à doenças orgânicas tradicionais (como o infarto, por exemplo), é
responsável por males como o estresse, por vários motivos. Um
deles é que ao comer de modo inadequado, podem faltar nutrientes
essenciais. Só para dar um exemplo, o aminoácido L-Triptofano,
que ingerimos na comida, entra na formação da serotonina (que
é um mediador químico cerebral muito importante nas emoções)
e da melatonina (que age de modo muito importante no sono re-
parador). Estudos já demonstraram que uma dieta pobre no L-Trip-
tofano pode desencadear depressão e outros transtornos emocio-
nais em pessoas predispostas. Portanto, fique atento: se você se
cansa facilmente, está sempre de mau humor e irrita-se por pouco, Alimentos que devem ser evitados.
pode ser falta de nutrientes essenciais. A falta de uma alimentação saudável juntamente com o sedentarismo pode ocasionar diversas
patologias, tais como gastrite, diabetes, hipertensão etc.

FONTE: http://www.maisequilibrio.com.br.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 7
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

Além de “comer errado”, comer muito também é prejudicial. Estudos nutricionais apontam que o
EDU. FÍSICA

excesso de alimentação (que causa a obesidade) está matando mais do que a falta de alimentação (desnutri-
ção). Um trabalho gigantesco, produzido por 500 cientistas de 300 instituições – que analisaram 187 países
ao longo das últimas quatro décadas, o Global Burden of Disease (“Peso Global das Doenças”), publicado
em 2016, e é o maior estudo já realizado sobre a saúde da humanidade.
Ele traz duas grandes conclusões: a boa é que a expectativa de vida aumentou em praticamente
todo o mundo, e as mortes relacionadas à subnutrição caíram de 3,4 milhões, em 1990, para 1,4 milhão em
2010, último ano analisado pelo estudo.
Em 1990, a subnutrição era a doença com maior “peso”, ou seja, aquela que mais tirava anos de
vida saudável da humanidade. Agora, ela despencou para oitavo lugar. Mas a obesidade, eis a má notícia, su-
biu de décimo para sexto – e a má alimentação, com uma dieta pobre em nutrientes, aparece em quinto lugar.

• Uso e abuso de drogas: as drogas (em seu sentido amplo) de abuso são aquelas que possuem
atividade sobre os sistemas de recompensa cerebrais (psicoatividade), e produzem os mais di-
versos efeitos (estimulação, relaxamento, euforia, alucinações etc.), que levam o indivíduo que as
utiliza a uma sensação momentânea de bem-estar. O uso continuado de uma droga, além de levar à
dependência, pode também determinar o aparecimento de tolerância.

A tolerância é resultante de uma adaptação do organismo exposto


continuamente àquela substância. Desta forma, o desenvolvimento de tole-
rância tem como consequência a necessidade de que o indivíduo utilize do-
ses cada vez maiores ao longo do tempo para a obtenção do mesmo efeito.

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
Assim, quando o indivíduo começa a utilizar continuamente uma
droga, instala-se a dependência e a tolerância. Entretanto, em muitos casos,
a retirada abrupta da droga pode determinar o aparecimento de sinais e sin-
tomas que dependem do tipo de droga envolvida e do nível de dependência
em que se encontra o indivíduo. Estes sinais e sintomas caracterizam a
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Síndrome de Abstinência.

Entre as drogas de abuso, estão aquelas que diminuem a atividade


psíquica (diazepam, por exemplo), drogas que aumentam a atividade psí-
Drogas de abuso.
“Droga de abuso” é toda e qualquer substância que age no cérebro, modificando o seu quica (anfetaminas), e drogas que induzem a estados psíquicos anormais,
funcionamento, alterando o humor ou o comportamento. Habitualmente não são utilizadas
na prática clínica, mas para efeito de prazer, exótico ou estimulante. tais como euforia, delírios e alucinações (álcool, cocaína, maconha, cola,
heroína e morfina). Sabe-se que o álcool e os opioides (morfina, heroína),
FONTE: http://lab-lamartine.pt.
estão entre as drogas que determinam maior intensidade de dependência e
sintomas mais graves na síndrome de abstinência.

Porém, uma vez instalada a dependência, seja qual for o tipo de droga, sinais de alterações com-
portamentais e fisiológicas serão evidentes. Assim, é importante que a dependência a qualquer droga seja
reconhecida e tratada o quanto antes, trazendo o indivíduo às suas condições normais de vida social e
afetiva, bem como à independência completa.

• Distúrbios do sono: quando a qualidade de vida está prejudicada, um dos sinais mais comuns é a
perturbação do sono, e este é um problema grave: quem tem estresse não dorme bem, e quem não
dorme bem, acaba tendo estresse.

Durante o sono, o organismo se recupera dos desgastes ocorridos


durante o dia. Mas, o sono não é uma atividade em que o corpo fica sem
fazer nada, não é um processo passivo. É um mecanismo ativo do cérebro.
Existem duas fases do sono: a fase Delta, quando a musculatura relaxa e se
recupera, e a fase REM, quando sonhamos e é de muita importância para a
nossa vida emocional.

Interessante que vários remédios podem interferir no sono e com


isso gerar desgaste do organismo. Um bebê passa a maior parte de seu
tempo dormindo. Um idoso passa a maior parte de seu tempo acordado.
Entre essas duas extremidades, cada um tem uma necessidade específica
de tempo de sono, não sendo de exatamente oito horas, como se diz co-
Insônia. mumente. E o melhor meio de se saber o número de horas necessárias, é
A insônia é um distúrbio do sono caracterizado pela dificuldade para adormecer ou para
permanecer dormindo. verificar o estado geral ao acordar.
FONTE: http://i.huffpost.com.

8 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

A pessoa não deve se sentir irritada ou cansada logo pela manhã, e nem ficar com sonolência du-

EDU. FÍSICA
rante o dia. Se isso ocorre, a pessoa precisará desenvolver novos hábitos e, em alguns casos, poderá tentar
ingerir algumas substâncias naturais, como o triptofano, que é uma substância encontrada em diversos
alimentos, como o leite e a soja, que participa de diversos processos bioquímicos do organismo, entre os
quais na produção da serotonina, substância muito importante no desencadear do sono.

A conclusão imediata é que o velho copo de leite quente antes de se deitar tem fundamento. O mes-
mo se pode afirmar da camomila, da hortelã e da erva cidreira, que possuem propriedades sedativas e são
excelentes opções naturais. Além disso, é preciso ter em mente que o excesso de determinadas substâncias,
como a cafeína, por exemplo, “tira” o sono. O limite diário para consumo de cafeína tolerável é de 400mg (ou
3 xícaras de 150ml), que deve ser evitado após as 17h.

Uso de smartphones antes de dormir pode atrapalhar o sono


e prejudicar a saúde

Hoje em dia é praticamente impossível deixar de ter um smartphone. Afinal,


o aparelho traz uma série de facilidades indispensáveis à vida moderna. Porém,
nem tudo é assim tão vantajoso. Com inúmeras possibilidades de comunicação
disponíveis, os usuários destes cobiçados aparelhos também têm adquirido hábitos
prejudiciais à saúde.
Smartphones podem prejudicar o sono.
Com inúmeras possibilidades de comunicação disponíveis, os usuários
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Um dos mais comuns é o de dormir cada vez mais tarde por causa das horas destes cobiçados aparelhos também têm adquirido hábitos prejudiciais à
de conversa na internet durante a noite ou de madrugada. “Antes dos celulares se- saúde.
rem tão avançados, era preciso utilizar um computador para acessar chats e salas
FONTE: http://www.jb.com.br.
de bate papo. Hoje, com os smartphones, é possível ter na palma da mão todas as
funções de um notebook, por exemplo. Esse conforto tem feito com que as pes-
soas, literalmente, levem a internet para cama consigo e, como resultado, tenham
noites de sono ruins e reduzidas”, diz o pneumologista do Serviço de Medicina do

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Sono do HCor – Hospital do Coração, Dr. Pedro Genta.

O Dr. Genta explica que mais do que simplesmente distrair as pessoas e fazê-las perder a noção do tempo, o uso de celulares – e também
de tablets –, antes de dormir, deixa o indivíduo constantemente atento, em função das buscas que realiza ou das novas mensagens que recebe, o
que o impede de relaxar completamente e dormir. O médico acrescenta que outro efeito nocivo provocado por esses dispositivos está relacionado
com a luminosidade que eles emitem. “Estudos recentes revelaram que a luz da tela dos smartphones, entre outros eletroeletrônicos, pode inibir
a produção de melatonina, cuja função é induzir o cérebro ao sono”, explica o médico.

“Isso ocorre porque o hormônio é produzido como uma reação do organismo à escuridão. Com a presença de luzes próximas à retina,
durante a noite, a produção de melatonina é inibida e o indivíduo pode acabar desenvolvendo insônia, cujos efeitos também podem dificultar o
adormecimento e afetar a qualidade do sono”, acrescenta o pneumologista do HCor.

O Dr. Genta alerta que dormir menos do que o necessário pode não só gerar sonolência, dificuldade de concentração, irritabilidade e au-
mento do apetite, mas também afetar o sistema cardiovascular. Afinal, essa condição favorece o surgimento de problemas como hipertensão,
diabetes e obesidade, cuja ocorrência está entre os principais fatores de risco para infartos e AVCs. “Enquanto estamos dormindo todo o nosso
organismo passa por um período de descanso e restabelecimento. Com o coração não é diferente. Durante o sono, tanto a frequência cardíaca,
quanto a pressão arterial são reduzidas”, explica o médico. “Portanto, é necessário que todo indivíduo tenha no mínimo sete horas de sono de
boa qualidade, por dia, para manter o coração saudável e viver bem de maneira geral”, recomenda.

FONTE: Jornal do Brasil. Uso de smartphones antes de dormir pode atrapalhar


o sono e prejudicar a saúde. Disponível em: <http://www.jb.com.br>. Acesso em: 15 Ago. 2017.

• Estresse: o estresse faz parte da trajetória da humanidade. Desde que o homem está na face da
Terra, ele vem enfrentando uma série de desafios. E só sobrevivia a esses desafios quem tinha um
sistema de vigilância muito apurado. Resultado: herdamos este sistema de vigilância sofisticado,
que garantiu a sobrevivência de nossos ancestrais.

Imagine as dificuldades do ser humano primitivo: enfrentar diariamente animais ferozes, falta de
comida, ameaça de terremotos, de incêndios, alagamentos. As dificuldades daquela época eram comple-
tamente diferentes das de hoje em dia, mas como a nossa civilização avançou em velocidade maior que as
mudanças no nosso organismo, possuímos um sistema de defesa extremamente eficiente para situações de
risco físico, como a ameaça de um atropelamento ou outra situação hostil, mas muito pouco ou nada eficien-
te nas dificuldades do nosso tempo, como nas constantes cobranças por sucesso, problemas no trabalho,
dificuldades de relacionamento, enfim, todas as situações que envolvem os perigos modernos.
A situação começa a se complicar, porque nós experimentamos as mesmas sensações que só de-
veriam existir em situações de risco físico. Nosso cérebro antigo simplesmente não sabe diferenciar o perigo
de uma situação concreta de risco de vida com uma dificuldade (mais sutil) da vida atual. Ele age exatamente

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 9
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

como nos nossos ancestrais. Cada vez que seu cérebro antigo “achar” que você está em perigo, imediata-
EDU. FÍSICA

mente, de maneira automática e instintiva, irá modificar seu corpo para “lutar ou fugir” do inimigo potencial.

Essa reação de luta ou fuga basicamente tentará fazer com que


seus músculos respondam prontamente, que sua atenção fique mais agu-
çada, que você tenha uma reserva extra de energia, enfim, que esteja pre-
parado para um combate. O resultado dessa alteração é o que chamamos
de estresse. Grande parte do que chamamos “inconsciente”, na realidade,
é a simples desarmonia entre uma parte do nosso cérebro bastante antiga,
mas muito presente e atuante, que foi preparada para um meio ambiente
que não mais existe, e a realidade que nos cerca, com desafios crescentes
que exigem estratégias muito mais sutis que lutar ou fugir.

Não é preciso ser um executivo, empresário, ou médico plantonista


para sentir (e sofrer com) o estresse, porque ele está aí para nos afetar
Estresse.
mesmo, positivamente ou negativamente. Sim, o estresse pode nos afetar
O estresse ocorre pelo modo como interpretamos o que acontece à nossa volta e as soluções de uma forma positiva na medida em que nosso organismo libera noradre-
que elaboramos (ou não) para os problemas; assim, tais acontecimentos nos afetarão em
maior ou menor intensidade. nalina, um neurotransmissor que nos dá força, energia e motivação para as
FONTE: https://cienciadocerebro.files.wordpress.com
coisas da vida cotidiana.

Mas pode e vai nos afetar negativamente, quando ao liberar noradrenalina, também produzir cortisol,
o hormônio do estresse, e desencadear uma série de reações invisíveis no nosso organismo, que a longo
prazo pode levar a doenças respiratórias, cardíacas, pressão alta, ansiedade, preocupações exageradas e

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evidentemente, levar até a morte por causas secundárias ao estresse.

Medicina preventiva e
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atividade física
A melhor prevenção
A atividade física é a medicina preventiva mais importante que exis-
te. A prática regular de exercícios garante o aumento de massa muscular,
além da preservação de elementos fundamentais, como a massa óssea e o
controle de glicemia e pressão. Fazer um check up de rotina é fundamental
para a detecção de enfermidades, mas a prevenção de fato só ocorre por
meio de exercícios e da boa alimentação (lembra que o sedentarismo está
entre os principais fatores de risco à saúde?).
Atividade física.
FONTE: https://arevolucaodoseubemestaar.files.wordpress.com.

Segundo estimativas da OMS, se a prática de atividade física aumentasse em 25%, mais de 1,3
milhão de mortes precoces poderiam ser evitadas a cada ano no mundo. Diante deste cenário, a instituição
recomenda fortemente a criação de políticas e programas destinados a promover a saúde incentivando a
prática regular de atividade física.
A medicina preventiva não trata somente de evitar que doenças novas surjam, mas também de evitar
que a saúde do paciente piore. Por exemplo, se uma pessoa é diagnosticada com hipertensão, ela precisa
controlar a sua pressão para impedir que um agravamento do quadro clínico, como um infarto. Nesses ca-
sos, indicar a prática de atividades físicas com supervisão e regularidade pode auxiliar nessa tarefa.

Para os mais preguiçosos, o melhor de tudo é que atividade física não é sinônimo de esporte ou
musculação: atividade física é qualquer movimento resultante de contração muscular esquelética capaz de
aumentar o gasto energético acima do repouso. Em outras palavras, é só botar o corpo para se mexer!
A atividade física é indicada para todas as faixas etárias, com diferentes objetivos. Para crianças e
adolescentes, um maior nível de atividade física contribui na melhora do perfil lipídico e metabólico e reduz
a incidência de obesidade. Criar esta consciência desde cedo entre os jovens significa estabelecer uma
base sólida para reduzir os índices de sedentarismo entre adultos. Para a terceira idade, a atividade física
traz benefícios como a prevenção da osteoporose e a manutenção da massa muscular, possibilitando mais
força, flexibilidade e equilíbrio para realizar tarefas do dia a dia, além de uma melhor autoestima e maior
consciência corporal.

10 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

EDU. FÍSICA
01. A partir da leitura realizada até aqui responda: como os principais fatores de risco à saúde podem inviabilizar a medicina preventiva?
02. Quais as consequências de um estilo de vida sedentário?
03. Levante hipóteses: qual medida seria considerada preventiva contra o estresse?
04. Explique por que a atividade física é considerada a melhor prevenção.

Áreas de atuação da Medicina

A Medicina é formalmente dividida em 3 áreas: a Medicina Curativa, esta que todos conhecemos e que é subdivida em 54 especialidades
atualmente reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (Cardiologia, Neurologia, Endocrinologia, Psiquiatria, Geriatria entre outros.); a
Medicina Normativa, que procura estabelecer uma ordem legal através do que existe na interface da Ciência e da Ética, do Direito e da Medicina,
sendo formada por médicos especializados em Medicina Legal, Perícia Médica e por Médicos com funções variadas nos Conselhos Regionais
e Federal de Medicina; e a Medicina Preventiva, que por sua vez responde através de medidas institucionais (Vacinações, Saneamento básico,
informações para a população sobre doenças e como evitá–las etc.) e medidas individuais com orientação médica (como para o abandono do
tabagismo e do álcool, do de sedentarismo, orientações dietéticas, controle do peso, atividade física regular e orientações na alimentação) a fim
de evitar o surgimento de moléstias e epidemias. Prevenir doenças, evitar que as já existentes se agravem e, desta forma, diminuir a demanda
em hospitais, são alguns dos objetivos da medicina preventiva, área que já é especialidade médica no Brasil, e no entanto, o assunto ainda é
novo para a maioria das pessoas.
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FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.

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Referências bibliográficas
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Unijuí, 2005.
ROSE, Geoffrey. Estratégias da Medicina Preventiva. Porto Alegre: ARTMED, 2010.
GONÇALVES, Maria Augusta Salim. Sentir, pensar, agir: corporeidade e educação. Campinas: Papirus, 1994.
LOVISOLO, H. Atividade Física, educação e saúde. Rio de Janeiro: Sprint, 2000.
MATSUDO, V. K.R. Programa Agita São Paulo. São Paulo: Celafics,1998.
NOBRE, Fernando. Medicina de Consultório: Prevenção, Diagnóstico, Tratamento e Gestão. São Paulo: Ma-
nole, 2009.
NOGUEIRA, L.; PALMA, A. Reflexões acerca das políticas de promoção de atividade física e saúde: uma
questão histórica. In: Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, maio/2003.

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 11
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva
EDU. FÍSICA

MEDICINA PREVENTIVA

Medicina preventiva e saúde

As condições de saúde e qualidade de vida têm melhorado de forma contínua e sustentada nas últimas décadas.
Estudos de diferentes autores e os relatórios sobre a saúde mundial e da região das Américas são conclusivos a esse
respeito. No Brasil, por exemplo, a expectativa de vida em 2015 era de 75,5 anos. De 1940 a 2015, o acréscimo foi
de 30 anos. O aumento da expectativa de vida é um dos indícios de melhora da qualidade de vida e da saúde geral da
população. Na atualidade, o conceito de saúde engloba ações no que diz respeito à promoção da saúde, à prevenção
das doenças e ao seu eventual tratamento, baseados nas condições de saúde. Estas condições estão intimamen-
te relacionadas com a qualidade de vida, alimentação, nutrição, educação, habitação, saneamento, recreação e
condições agradáveis no lar e no trabalho, estilo de vida responsável e um espectro adequado de cuidados de saúde.
Quando se fala, então, em medicina preventiva, fala-se em uma medicina direcionada à prevenção das doenças,
visando estabelecer uma condição de vida saudável, ao invés de tratar as doenças que eventualmente acometeriam
o indivíduo não saudável, evitando assim maiores prejuízos. Fazem parte da medicina preventiva os programas de
vacinação, projetos de atividade física ou emagrecimento, promoção de hábitos de vida saudáveis, monitoramento
periódico de colesterol, câncer ou diabetes, aconselhamento médico para prevenir que doenças se instalem etc.

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
Em resumo, tudo o que se possa fazer em favor da saúde antes da ocorrência de qualquer enfermidade pode ser
considerado como medicina preventiva e, por isso, o individuo tem um papel fundamental nesse cenário, pois fazer
check-ups regulares é uma das melhores ferramentas para manutenção da saúde e prevenção de doenças.
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Prevenção de doenças e promoção da saúde

Não há nenhuma razão biológica conhecida que justifique por que cada população tem um índice próprio de
vulnerabilidade/resistência a determinadas patologias. Segundo Rudolf Virchow, as epidemias aparecem e frequen-
temente desaparecem sem deixar traços quando um novo período cultural se inicia; assim foi com a lepra e outras
doenças infecciosas. Dessa forma, a história das epidemias é a história do distúrbio da cultura humana. Logo após
Virchow escrever isso, a doença arterial coronariana surgiu para se tornar a causa mais comum de morte nos países
ocidentais. Em cidades de expansão econômica recente, como Hong Kong, o velho padrão histórico de enfermidade
(a alta taxa de mortalidade infantil e dos adultos, que se devia principalmente às infecções) está agora dando lugar
a problemas de ataques cardíacos e úlcera duodenal. A escala e o padrão de incidência de uma doença refletem o
modo como as pessoas vivem e as suas circunstâncias sociais, econômicas e ambientais, e tudo isso pode mudar
rapidamente – o que implica, em tese, que a maioria das doenças é passível de prevenção.

Principais fatores de risco à saúde

São muitos os inimigos da saúde na atualidade. Os cinco principais fatores que comprometem a saúde e, em conse-
quência disso, inviabilizam as ações de medicina preventiva são: o sedentarismo, a alimentação inadequada, o uso
e abuso de drogas, os distúrbios do sono e o estresse. O sedentarismo é considerado por muitos estudiosos uma
das doenças do milênio (junto à obesidade, depressão etc.). Na verdade, o sedentarismo se caracteriza por um estilo
de vida regado a hábitos “preguiçosos”, decorrentes da contemporaneidade. Com a evolução da tecnologia e a ten-
dência cada vez maior de substituição das atividades ocupacionais que demandam gasto energético por facilidades
automatizadas, o ser humano adota cada vez mais a lei do menor esforço, reduzindo assim o consumo energético
de seu corpo. A alimentação inadequada é um dos maiores vilões da qualidade de vida, pois além de estar associada
à doenças orgânicas tradicionais (como o infarto, por exemplo), é responsável por males como o estresse e a obe-
sidade. O uso continuado de uma droga, além de levar à dependência, pode também determinar o aparecimento de
tolerância. A tolerância é resultante de uma adaptação do organismo exposto continuamente àquela substância. Desta
forma, o desenvolvimento de tolerância tem como consequência a necessidade de que o indivíduo utilize doses cada
vez maiores ao longo do tempo para a obtenção do mesmo efeito, dificultando assim a reabilitação. Os distúrbios
do sono (sendo a insônia o mais comum deles) são reflexo da má qualidade de vida e ao mesmo tempo causa dela:
quem não dorme bem, sofre de estresse; quem sofre de estresse, não dorme bem.

12 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva

EDU. FÍSICA
SUGESTÃO DE PESQUISA: O peso do brasileiro está longe do ideal e, em pouco tempo, po-
derá ganhar proporções ainda maiores se hábitos saudáveis não
Há muito tempo que a Medicina já reconhece os radicais livres entrarem, definitivamente, no cardápio das famílias. A Pesquisa
como verdadeiros vilões do nosso organismo. Eles são átomos do Orçamento Familiar (POF), divulgada ontem pelo Instituto Bra-
ou moléculas livres dotados de cargas elétricas, resultantes, mui- sileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o excesso
tas vezes, das próprias reações intracelulares, ou provenientes do de peso pode alcançar dois terços da população adulta no país
meio externo, que se mostram prejudiciais à saúde. São conse- em cerca de 10 anos e chegar a patamares semelhantes aos
quências do estresse, dos desvios alimentares, do fumo, das ati- dos Estados Unidos. Hoje, 49% dos brasileiros com 20 anos ou
vidades físicas exageradas e da poluição ambiental. Atualmente, mais têm sobrepeso. A projeção considerou os últimos seis anos,
estão sendo muito comentados, tendo em vista os avanços da período no qual a frequência de pessoas com problemas com a
Medicina Ortomolecular. balança aumentou em mais de um ponto percentual ao ano - foi
feito um comparativo entre a última POF, de 2002-2003, e a de
A partir do exposto, pesquise: 2008-2009.
(Jornal Estado de Minas, sábado 28 de agosto de 2010.)

01. De que maneira os radicais livres agem no organismo huma-


no? É possível evitá-los? Assinale, a seguir, a alternativa em que não se justificou corre-
tamente o grande aumento de peso da população brasileira, nos
02. Relacione exemplos de locais e formas de ação dos radicais últimos anos.
livres no organismo do homem.
(A) Está havendo uma tendência crescente de substituição de ali-
03. As condições de saúde e qualidade de vida têm melhorado mentos básicos e tradicionais na dieta brasileira - arroz, feijão e
É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente

de forma contínua e sustentada nas últimas décadas. Estudos hortaliças - por bebidas e alimentos industrializados, como refri-
de diferentes autores e os relatórios sobre a saúde mundial e da gerantes, biscoitos, carnes processadas e comida pronta.
região das Américas são conclusivos a esse respeito. No Brasil, (B) Houve melhora na distribuição de renda nos últimos anos, o
por exemplo, a expectativa de vida em 2015 era de 75,5 anos. De que possibilitou para as populações, antes menos favorecidas, o
1940 a 2015, o acréscimo foi de 30 anos. O aumento da expecta- acesso a alimentos mais calóricos, como refrigerantes, sorvetes
tiva de vida é um dos indícios de melhora da qualidade de vida e e guloseimas em geral.

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da saúde geral da população. (C) Com a maioria da população brasileira vivendo em cidades e
tendo que trabalhar fora, houve um aumento de refeições em lan-
Com base na leitura realizada até aqui e o trecho acima, discorra chonetes, à base de salgadinhos, refrigerantes e fast-food, aliado,
sobre medicina preventiva e saúde pública. também, à diminuição das atividades físicas.
(D) Houve um grande aumento nas campanhas de vacinação e
04. Muitas das atividades diárias realizadas pela humanidade grandes melhorias nas áreas da saúde e da educação, além das
como a caça e a pesca estão relacionadas às atividades físicas. obras de saneamento básico que diminuem a incidência de várias
Na sociedade contemporânea, ocorre a diminuição do esforço fí- doenças na população.
sico e o aumento do sedentarismo, fazendo com que a atividade (E) Com a modernidade, as pessoas passaram a permanecer
física tenha, cada vez mais, uma relação estreita com a saúde. muitas horas no ambiente de trabalho, quase sempre sentadas,
Essas atividades podem estar sendo estimuladas nas aulas de além de perderem muito tempo na deslocação para o trabalho, o
Educação Física, dando oportunidade para todos. Sendo assim, que as deixa com pouca disponibilidade até mesmo mental para
são efeitos benéficos da atividade física: fazer exercícios físicos.

(A) Diminuição da atividade física, diminuição da força muscular, 07. A obesidade já pode ser considerada uma epidemia no Brasil.
diminuição da frequência cardíaca em repouso, aumento no volu- Segundo dados do IBGE, em 2010, quase metade da população
me sistólico, melhora do autoconceito e da autoestima. brasileira acima dos 20 anos está com sobrepeso. Isso tem acar-
(B) Diminuição da gordura corporal, incremento da força muscu- retado uma série de problemas de saúde conhecida como síndro-
lar, aumento da frequência cardíaca em repouso, diminuição no me metabólica. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
volume sistólico, melhora do autoconceito e da autoestima.
(C) Diminuição no estilo de vida, incremento da força muscular, (A) Uma boa maneira de perder peso consiste em eliminar da dieta
diminuição da frequência cardíaca em repouso, aumento no volu- os carboidratos e praticar muita atividade física aeróbica.
me sistólico, melhora do autoconceito e da autoestima. (B) As proteínas têm sua digestão iniciada na boca, por ação da
(D) Diminuição da gordura corporal, incremento da força muscu- ptialina (amilase), dai a importância da mastigação.
lar, diminuição da frequência cardíaca em repouso, aumento no (C) O sedentarismo resulta em ganho de peso, devido ao aumento
volume sistólico, melhora do autoconceito e da autoestima. de massa muscular.
(E) Diminuição da gordura corporal, incremento da força muscu- (D) O açúcar ingerido em excesso é transformado em gordura
lar, diminuição da frequência cardíaca em repouso, diminuição no pelo fígado e se deposita sob a pele ou ao redor dos órgãos.
volume sistólico, melhora do autoconceito e da autoestima. (E) Como a quantidade de energia tende a aumentar ao longo da
cadeia alimentar, uma laranja tem menos calorias do que um filé.
05. Explique como a prática de atividade física pode auxiliar na
prevenção de doenças. 08. Você já pensou o que acontecerá com o seu corpo sem a
realização de atividades físicas? Segundo as informações do
06. BRASIL OBESO - UM PAÍS FORA DE FORMA IBGE, 80% da população brasileira vive nas cidades e mais de
60% dos adultos que vivem nessas áreas não praticam exercícios
físicos com a frequência adequada. Por esse motivo, é necessário

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 13
Saúde e atividade física
Capítulo 1: Medicina preventiva
EDU. FÍSICA

combater um problema que vem assumindo grande importância (A) à saúde física e mental.
em áreas urbanas, o sedentarismo. Pesquisas comprovam que (B) ao desempenho físico de alto nível.
o sedentarismo afeta aproximadamente 70% da população bra- (C) à performance de competição.
sileira, o que corresponde a uma porcentagem maior do que a (D) ao trinômio afetivo-cognitivo-psicomotor.
da obesidade, da hipertensão, do tabagismo, do diabetes e do (E) à competição diária pela vida.
colesterol alto; sendo assim, praticar atividades físicas é hoje uma
questão de saúde pública. Pensando nisso, pode-se afirmar que 12. Algumas características marcantes da modernidade, tais
uma consequência do sedentarismo é a: como alimentação industrializada com grande potencial engor-
dativo, meios de locomoção e máquinas que substituem o fazer
(A) ocorrência de acidentes vasculares que provocam a mistura humano, contribuem para o crescimento de doenças de origem
de sangue arterial e venoso nos ventrículos, resultando em defici- hipocinética. Esse fenômeno contemporâneo, já manifesto em
ência de oxigenação nos tecidos do corpo. crianças em idade escolar, é responsável por um estilo de vida:
(B) ocorrência constante de processos inflamatórios que resultam
no aumento de tamanho dos gânglios linfáticos, o que se conhece (A) mais sedentário e menos mórbido.
popularmente como cãibras. (B) mais mórbido e menos doentio.
(C) redução do volume de ar que cabe nos pulmões e da capaci- (C) menos ativo e mais sedentário.
dade de o coração bombear sangue para todo o corpo, o que afeta (D) mais moderno e menos ativo.
a oxigenação celular. (E) menos dinâmico e mais saudável.
(D) alteração do material genético ocasionando diminuição da mi-
neralização óssea, o que aumenta a osteoporose e os problemas 13. As horas excessivas perdidas para a televisão, o computa-
nas articulações. dor, as redes sociais etc. induzem a uma perigosa diminuição

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
(E) incidência de infarto agudo do miocárdio, devido ao aumento de atividades psicomotoras de muitas crianças e adolescentes.
da irrigação do músculo cardíaco pelo sangue contido no interior Esse contexto contribui para a geração de um estilo de vida ca-
do coração. racterizado pelo sedentarismo, pelo estresse e pela alimentação
inadequada, resultando num crescente aumento de doenças. O
09. A manutenção da estabilidade do ambiente fisiológico interno movimento é real e não virtual. A motricidade humana é a sensa-
de um organismo é exercida por diversos órgãos. Por exemplo, os ção, a emoção, a reflexão e:
| SISTEMA DINAMUS • ENSINO MÉDIO |

LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


rins são responsáveis, entre outras coisas, pela estabilidade dos
níveis de sais, água e açúcar do sangue. Assinale a opção que in- (A) a plenitude do prazer e o êxtase.
dica corretamente o nome do mecanismo referido anteriormente: (B) o sublime bem-estar e o hedonismo.
(C) a satisfação plena e acabada.
(A) Homeotermia. (D) a possibilidade de comunicação e satisfação.
(B) Homeostase. (E) a realização plena e conquista.
(C) Organogênese.
(D) Ontogenia. 14. Em que sentido você compreende a afirmação de que, para
(E) Etologia. muitos, a “preocupação para com a saúde futura é um item de
luxo”? Explique.
10. Suponha que uma pesquisa relacionada com a saúde ocupa-
cional esteja sendo desenvolvida em determinada empresa. Nessa 15. Comente a passagem: “Dizem que o mundo tem dois tipos de
situação hipotética, a sua equipe deve apresentar, em um relatório, doenças: enfermidades dos que comem de menos e as doenças
os resultados que justifiquem a implantação de um programa de dos que comem mais do que o necessário.”
prevenção do estresse. Neste caso, seria mais adequado e útil que
a pesquisa permitisse:

(A) analisar e alterar o conteúdo das tarefas consideradas críticas


pelo empregado em situação de estresse.
(B) avaliar o grau de satisfação dos trabalhadores e determinar
aumento nos índices salariais.
(C) analisar o perfil profissional dos empregados e homogeneizar
critérios de capacidade pessoal para o desempenho no cargo.
(D) avaliar o clima organizacional e intervir no fator de provocação
do estresse.
(E) investigar a cultura da organização e definir requisitos qualitati-
vos para novos padrões de comportamento organizacional.

11. A qualidade de vida, entendida como fenômeno que se in-


ter-relaciona com as diversas dimensões do ser humano, deverá
receber a devida atenção na Educação Física escolar. Sua com-
preensão inclui aspectos como condições materiais, infraestru-
tura das comunidades, condições sociais, meio ambiente e um
aspecto muito relevante ligado:

14 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Hist. da Arte
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

Lei nº 9.610/98.
Este conteúdo pertence ao Dinamus Sistema de Ensino. Está vedada a cópia ou a reprodução não
autorizada previamente e por escrito. Todos os direitos reservados.
Violação de direito autoral cabe detenção de três meses a um ano, ou multa. Caracterização da
violação: reprodução por qualquer meio, de obra intelectual, no todo ou em parte.
História da Arte: ensino médio, 1ª série. Alagoas: Dinamus
Sistema de Ensino, 2022.

Obra em 1 v.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO.


CNPJ: 11.582.953/0001-21
Rua Dr. Eurico Ayres, 53 - Tabuleiro do Martins
Maceió – AL.

Obra editada segundo a Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio, homo-
logado pela Portaria nº 1.570, publicada no D.O.U. de 2017.
1 Arte e o mito
da beleza ideal
na Grécia

A arte grega antiga


Apontada como o berço da civilização ocidental, a Grécia Antiga marcou
profundamente o modo como encaramos e reproduzimos a arte, a cultura e as
próprias relações humanas, sociais e políticas.
O seu legado é extremamente vasto e continua presente no nosso cotidiano,
tratando-se de uma influência riquíssima e atemporal que merece ser explo-
rada com atenção.
Entendemos a arte grega antiga como o conjunto de produções artísticas
que foram criadas pelo povo grego durante os períodos geométrico (900 a.C.
e 750 a.C.), arcaico (800 a.C. a 500 a.C.), clássico (500 a.C. e 338 a.C.) e hele-
nístico (323 a.C. e 146 a.C.). Importa reforçar que estes diferentes intervalos
temporais se traduziram em vários contextos e preceitos que se refletiram nas
próprias obras.
No centro da cultura grega estava o ser humano, as suas experiências e
também a sua busca pela verdade e pelo conhecimento. De fato, até os pró-
prios deuses exibiam condutas semelhantes às dos humanos, com suas qua-
lidades e defeitos.
A arte desta época é marcada pelo antropocentrismo e pelo racionalismo,
com o foco no presente e também naquilo que é natural, belo e harmonioso.
Estas manifestações foram múltiplas e se tornaram referências incontornáveis
na nossa cultura.
Em síntese, as produções artísticas da Grécia Antiga se caracterizavam por
valores como o equilíbrio, a simetria e a harmonia, buscando sempre aquilo
que era belo e perfeito.
Embora tivesse fortes ligações com a religião, as cerimônias e os rituais,
esta arte (como, de resto, a própria cultura grega) estava sempre ancorada no
ser humano, na sua figura e nas suas experiências.
Para um resumo detalhado sobre a arte na Grécia Antiga, acesse o link no
QR code estampado no topo desta página.

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ção da violação: reprodução por qualquer meio, de obra intelectual, no todo ou em parte.
Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

Sumário
Introdução_03
A arte na Grécia Antiga_03
O teatro clássico_06
O estádio grego_06
A literatura grega antiga_07
O mito da beleza ideal na Grécia_09
Referências_11

Arte _Contexto

01. De acordo com o texto inicial, em que estava centrada a arte grega antiga?
02. Quais eram as características principais da arte desenvolvida na Grécia do chamado Período Clás-
sico?
HIST. DA ARTE

03. Observe as imagens a seguir:

Com base nas gravuras, reflita a respeito da


Antiguidade Clássica e analise as afirmati-
vas a seguir.

I. A Civilização Grega não sofreu influência dos egípcios nem dos povos do Oriente Médio. Sua cultura
esgotou-se entre os gregos e sua originalidade foi reconhecida apenas com o Renascimento Cultural.
II. A arte do período clássico evidenciou o ideal grego de harmonia e equilíbrio, percebido tanto na re-
presentação da figura humana quanto no projeto de sociedade, a pólis.
III. A arte do período helenístico expressou uma dramaticidade que pode ser entendida como expressão
das tensões do mundo grego da época: a derrocada da pólis autônoma e independente e a formação
de grandes reinos.
IV. Ao conquistar e dominar as cidades gregas, o Império Romano manteve o seu projeto original (oriun-
do das culturas itálicas) e ignorou a cultura helênica.

Está(ão) correta(s)

(A) apenas I e II. (B) apenas II e III. (C) apenas I, II e III. (D) apenas III e IV. (E) apenas IV.

2 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

A arte na Antiguidade
Introdução

Na História da Arte, o termo Arte Antiga refere-se à arte desenvolvida pelas civilizações antigas após a
criação da escrita e que se estende até o paleocristão (cristianismo primitivo).
Quando adentramos o estudo da Antiguidade (ou Idade Antiga), é bastante comum ouvir dizer que esse
período histórico é marcado pelo surgimento das primeiras civilizações.
O surgimento das primeiras civilizações simplesmente demarca a existência de uma série de característi-
cas específicas. Em geral, uma civilização se forma quando apontamos a existência de instituições políticas
complexas, uma hierarquia social diversificada e de outros sistemas e convenções que se aplicam largamen-
te a uma comunidade.
Reportando-se ao Mundo Oriental, podemos assinalar o desenvolvimento das milenares civilizações chi-
nesa e indiana. Partindo mais a oeste, localizamos a formação da civilização egípcia e dos vários povos
que dominaram a região da Mesopotâmia, localizada nas proximidades dos rios Tigre e Eufrates. Também
conhecidas como civilizações hidráulicas, essas culturas agruparam largas populações que sobreviviam da
exploração das águas e terras férteis presentes na beira dos rios.
Na parte Ocidental do planeta, costuma-se dar amplo destaque ao surgimento da civilização greco-ro-
mana. O prestígio dado a gregos e romanos justifica-se pela forte e visível influência que estes povos tiveram
na formação dos vários conceitos, instituições e costumes que permeiam o Ocidente como um todo.
No continente americano, "descoberto" durante a Idade Moderna, damos destaque às chamadas civiliza-
ções pré-colombianas – maias, astecas, incas e olmecas –, que aqui habitavam muito antes da conquista
pelos europeus e, à sua maneira, também ofereceram imensa contribuição à humanidade.
Nesta unidade, nosso foco recai sobre a arte desenvolvida na chamada Antiguidade Clássica, isto é, a arte
grega antiga.

Antiguidade Clássica

A Antiguidade Clássica (Era Clássica, Período Clássico ou Idade Clássica) é


o período da história ocidental que vai do século VIII a.C. até o século V d.C., nele
compreendidas as civilizações entrelaçadas da Grécia Antiga e da Roma Antiga,
conhecidas como civilização antiga ocidental.

HIST. DA ARTE
É o período em que as sociedades greco-romanas floresceram e exerceram
grande influência em toda a Europa, norte da África e Ásia ocidental.
A cultura dos gregos antigos, juntamente com algumas influências do Oriente
Próximo, foi a base da arte, filosofia, sociedade e educação até o período imperial
romano. Os romanos preservaram, imitaram e espalharam sobre a Europa esses
ideais até que pudessem rivalizar competitivamente com a cultura grega, à medida
que a língua latina se difundia e o mundo clássico se tornava bilíngue – grego e
latim.
Esta fundação cultural greco-romana influenciou imensamente a língua, políti-
ca, o direito, os sistemas educacionais, a filosofia, ciência, guerra, poesia, historio- Figura 1. Homero (928-898 a.C.).
Representação idealizada feita no período helenístico.
grafia, ética, retórica, arte e arquitetura do mundo moderno. FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Homero#/me-
dia/Ficheiro:Homer_British_Museum.jpg
A Antiguidade Clássica tem seu marco inicial com a redação da Ilíada (c.800
a.C.), do poeta Homero, até o declínio do Império Romano Ocidental (c.500 d.C.).

A arte na Grécia Antiga


Antropocentrismo
Opondo-se à ideia do teo-
centrismo (que defendia que Os gregos foram o povo de produção cultural mais livre da antiguidade oci-
Deus seria o centro de todas dental, não se submetendo a sacerdotes ou reis, valorizando as ações humanas
as coisas), nasceu o antro-
pocentrismo, uma ideia que (pois consideravam o homem a criatura mais importante do universo - antropo-
advoga pela superioridade do cêntricos, portanto), e esse comportamento social fez com que o conhecimento
homem sobre todas as coisas, por meio da razão (faculdade humana) se colocasse acima da fé em divindades
colocando-o no centro do
universo (anthropos = homem; (ainda que os gregos antigos fossem politeístas).
kentron = centro). O antropo- A arte grega é antropocêntrica, ou seja, preocupada com o realismo/natu-
centrismo foi a principal ideia ralismo, que procura exaltar a beleza humana, destacando a perfeição de suas
do humanismo renascentista,
que retomava os ideais greco- formas. É ainda uma arte racionalista, refletindo em suas manifestações as ob-
-romanos de ciência, cultura, servações concretas dos elementos que envolvem o homem e sua vida.
beleza etc., afastando-se Na formação inicial do povo grego antigo, participaram os aqueus, jônios, dó-
radicalmente do teocentrismo
medieval. Os renascentistas rios e eólios, que depois foram reunindo-se em grupos mais ou menos organiza-
defensores do antropocen- dos, chamados polis (cidades-estado), das quais destacam-se Atenas e Esparta.
trismo “pregavam” a razão, o Do ponto de vista de sua produção artística, são relevantes os seguintes perí-
homem e a matéria.
odos históricos da Grécia Antiga:

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 3


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

• Período homérico: esse período é estudado principalmente com base em duas fontes escritas, a
Arte grega clássica Ilíada e a Odisseia, poemas épicos atribuídos a Homero, que narram a Guerra de Troia e o regresso
Na Idade Antiga, a arte do herói Odisseu (Ulisses) à sua terra natal, Ítaca. (776 a.C.);
grega ficou marcada por • Período arcaico: compreendido entre a formação das cidades-Estados – em meados do século VII
seu caráter extremamente
intelectual e idealis- a.C. –, até a época das Guerras greco-pérsicas, no século V a.C.;
ta. Acima das questões • Período clássico: vai das Guerras greco-pérsicas até o fim da Guerra do Pe-
religiosas, que também loponeso (século V a.C. a IV a.C.).;
eram consideradas, os
gregos antigos procura- • Período helenístico: do século III a.C. até o século II a.C.
vam o equilíbrio, o ritmo,
a harmonia da perfeição. Escultura grega antiga
Tanto a cultura grega
quanto a romana fazem
parte do período Clássico Diferentemente dos egípcios, que eram realistas/naturalistas ao es-
da História Ocidental. culpir, os gregos eram idealistas: achavam que a estátua representando
o homem deveria ser mais que semelhante, deveria ser um objeto belo
por si mesmo. Os gregos deram lugar ao movimento na escultura.
A arte grega é marcada pela sua escultura, muito explorada no final do século
VII a.C. No período arcaico, eles começaram a esculpir e mostrar a influência que
a escultura egípcia tinha sobre eles. As estátuas eram perfeitamente esculpidas
em mármore (cujo modelo de peça mais comum era o Kouros, que significa ho-
mem jovem). O escultor fazia com que a rocha esculpida se transformasse numa
estátua quase que idêntica à pessoa nela representada (havia certa des-
proporção entre as partes do corpo, sendo as mais valorizadas, maiores; e
as menos valorizadas, menores).
O escultor grego clássico valorizava a simetria natural, e assim como
os egípcios, e ele esculpia a figura numa posição frontal. Mas, a escultu-
ra grega possuía a cabeça mais levantada, como em pose; o corpo
descansava sobre uma das pernas e um quadril era um pouco
mais alto que o outro. Um exemplo é o Éfebo de Crítios.
Como o mármore se quebrava facilmente, por ser pesado,
foi aos poucos substituído pelo bronze, mais leve e que permi-
tia dar mais movimento à escultura. Um exemplo é a escultura
do Zeus Artemísio, em que braços e pernas traduzem
Figura 2. Kouros Kroisos.
HIST. DA ARTE

movimento; porém, seu tronco era imóvel. 500 a.C. O kouros designa um tipo de
estátua da Grécia Antiga, representando
O problema da imobilidade do tronco, já superado um jovem do sexo masculino. Este kouros
é, supostamente, um tributo a um jovem
na estátua Discóbolo de Miron, foi resolvido de vez a guerreiro (Kroisos), morto em alguma
partir de Policleto, em sua escultura Doríforo, mos- batalha grega.

trando um homem pronto a dar um passo. FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.

Arquitetura grega antiga

Os templos construídos para proteger as esculturas dos deuses são o


grande destaque arquitetônico dos gregos. Predomina nas constru-
Figura 3. Éfebo de Crítio.
ções uma forte noção de simetria.
Escultura de transição entre o período As colunas eram construídas segundo os modelos das or-
Arcaico e o período Clássico, considerada
uma peça fundamental no entendimento dens dórica (mais simples e maciça), jônica (mais ornamen-
da evolução do estilo de representação na-
turalista do corpo humano entre os gregos. tada, mais detalhada e com mais leveza), e no final do século
V a.C., foi criado o capitel coríntio.
FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.
Ao longo da evolução da arquitetura, os elementos que
compunham as colunas, junto com o entablamento, poderiam
variar, tanto é que foi criado um capitel coríntio para ser colocado no lugar de um
capitel da ordem jônica, para enriquecê-la.
Havia um espaço chamado frontal, um telhado grego ornamentado por escultu-
ras (tanto na parte da frente quanto atrás do templo). Outra decoração se encontra-
va nas métopas, que eram decoradas com relevos de esculturas, e também no friso.
A utilização de colunas de pedra é uma das características marcantes da arquite-
tura grega, sendo responsável pelo aspecto monumental das construções.

A princípio, as colunas obedeceram a dois estilos: o Dórico, mais simples e


“mais pesado”, e o Jônico, considerado “mais suave”. No século V surgiu o estilo
Coríntio, considerado mais ornamentado, refinado. Foi neste século V, também
conhecido como século de ouro ou ainda século de Péricles, que a arquite- Figura 4. Doríforo de Policleto.
FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.
tura conheceu seu maior desenvolvimento, tendo como grande exemplo o
Partenon de Atenas, do arquiteto Ictino.

4 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

_Capitel

O capitel é a extremidade superior de uma coluna, de um pilar ou de uma pilastra, cuja função mecânica
é transmitir os esforços para o encontro do capitel com a base do teto (fuste). Este capitel poderia ser ornado
conforme o estilo da época:

• Dórico: mais antigo, possuía linhas retas e simples. Esse tipo de ordem não possui base, tem o fuste canela-
do (estrias ou sulcos verticais nas colunas) e o capitel é suporte para um ábaco quadrado;
• Jônico: mais elegante, possui linhas curvas e delicadas. Seu capitel é ornado por duas volutas (espirais)
laterais, com acabamento frisado e base simples;
• Coríntio: uma variação mais rebuscada e floreada da ordem jônica, com precisão de detalhes voltados à
impressão de luxo e domínio.

Além disso, existia a possibilidade de se trabalhar com as chamadas cariátides (colunas que simulavam cor-
pos femininos).

Figura 5. Detalhes de capitéis gregos antigos.


Na sequência, estilo dórico, jônico, coríntio e cariátides.
FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.

Pintura grega antiga

A pintura grega foi utilizada para decorar a arquitetura, nas


métopas, substituindo as esculturas, e principalmente na cerâmi-

HIST. DA ARTE
ca. Havia um equilíbrio entre os vasos e a pintura.
As métopas eram elementos deco-
rativos típicos das construções em esti-
lo dórico. Consistiam em placas simples
ou decoradas, podendo narrar uma cena
ou história da mitologia grega. No caso
do Partenon, um dos mais emblemáticos
templos gregos, existiam 92 métopas ori-
ginalmente.
Além dos rituais religiosos, os vasos eram
usados para armazenar água, vinho, azeite e
mantimentos. As pinturas dos vasos represen-
tavam cenas cotidianas e da mitologia.
Pessoas e cenas mitológicas eram repre-
sentadas na pintura, com uma técnica em que
Figura 7. Hídria de figuras vermelhas.
o pintor fazia as imagens em preto e com um 360–350 a.C.
FONTE: https://upload.wikimedia.org.
instrumento pontiagudo.
Figura 6. Aquiles e Ajax jogando.
Vaso de cerâmica decorado com pintura grega
antiga (540-530 a.C.).
Figura 8. Uma das métopas no Partenon.
FONTE: http://www.christusrex.org. Todos as noventa e duas métopas do Partenon
foram esculpidos em alto relevo com cenas da
mitologia grega. O tema das métopas sobrevi-
ventes no lado sul é uma luta entre centauros e
O maior pintor da arte grega foi Exé- pessoas de Lapith, que deveriam viver no norte
da Grécia.
quias, que teve como uma das principais
e famosas obras Aquiles e Ajax jogando, FONTE: https://www.historiadasartes.com.

dispondo os personagens de forma harmo-


niosa.
No ano 530 a.C., um discípulo dele re-
volucionou a forma de pintar em vasos:
deixou o fundo negro e as figuras ficaram
vermelhas, na cor do barro cozido, dando
mais vivacidade às imagens.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 5


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

O teatro clássico

O teatro como o conhecemos hoje nasceu na Grécia Clássica,


como homenagem ao deus do vinho, das festas e da loucura, Dio-
nísio. Um dos primeiros textos teatrais foi Antígona, de Sófocles, que
narra a disputa entre os dois filhos de Édipo a fim de assumirem o
trono de Tebas.
Peças do gênero tragédia serviam como meio de ensino e rea-
firmavam a cultura do povo grego. Depois surgiu o gênero comédia,
que servia basicamente como distração para as massas.
Todos os teatros gregos eram construções ao ar livre. Os primeiros
teatros eram bastante simples − possuíam uma orquestra, em terra
batida, que ficava no ponto mais baixo; bancadas em madeira dis-
postas em semicírculos nas vertentes naturais do terreno onde eram
construídas (a cávea eram as bancadas simples para o público no
geral; por baixo desta, em frente à orquestra, encontravam-se os
bancos suntuosos dos magistrados e altos membros da sociedade
Figura 9. Teatro de Segesta, Sicília.
Construção do período arcaico (século V a.C.). O teatro grego nasceu no século VII grega); e um palco ou cena, espécie de estrado com uma tenda que
a.C., revestindo-se de grande importância entre os gregos de então. servia de cenário e camarim aos atores.
FONTE: https://upload.wikimedia.org.

O teatro se consolidou entre 550 a.C. e 220 a.C., sendo cultivado em especial em Atenas, e espalhou-se por
toda a área de influência grega – desde a Ásia Menor até a Magna Grécia e o norte da África.
Nas celebrações Dionisíacas, que duravam cerca de uma semana, as pessoas bebiam, cantavam e dança-
vam. Com o passar do tempo, as festividades foram evoluindo em termos de organização e elaboração, até
chegar ao que hoje conhecemos como o teatro, com enredo, atores, plateia, encenações etc.
Inúmeros festivais de teatro fizeram parte da Grécia Antiga e eram apresentados durante o dia todo (mui-
tos duravam vários dias).

As máscaras

As máscaras eram um instrumento essencial no figurino dos ato-


res. Como as mulheres não participavam das atuações (pois não eram
HIST. DA ARTE

consideradas cidadãs da pólis), as máscaras, antes utilizadas como


artefatos ritualísticos, podiam representar personagens de ambos os
sexos.
A máscara teatral era confeccionada de materiais como orgânicos,
como folhas, madeira, argila e couro. Eram feitas de modo que toda
a face do ator ficasse coberta, exceto os olhos e a boca. Suas funções
em cena eram variadas, mas principalmente davam ao ator traços ex-
pressivos acentuados, para que todo o público pudesse assimilar as
intenções e o caráter do personagem.
Os teatros eram a céu aberto e aglomeravam muita gente. O pú-
Figura 10. Máscaras teatrais gregas.
As máscaras de teatro representavam sentimentos e emoções exageradas, blico ficava longe do palco e por isso era necessário evidenciar as ca-
mas de reconhecimento universal. Na tragédia encenavam temas de natu-
reza humana e realçavam o controle que os deuses tinham sobre o destino
racterísticas dos personagens usando as máscaras, como espécie de
de todos. A comédia criticava a política e a sociedade de Atenas. amplificador das suas expressões. Os artefatos também possuíam um
FONTE: https://filosofiapopcom.files.wordpress.com/2019/10/mascarasgre- cone que se encaixava na boca, para aumentar o alcance das vozes.
gasparede.jpg?w=1100

O estádio grego

Os estádios gregos eram construções dedicadas à prática de jogos. A formação escolar grega incluía, além
do teatro, aprender a ler, escrever, contar, tocar instrumentos, cantar, recitar, dançar e praticar exercícios físi-
cos em ginásios, a fim de se prepararem para a guerra e também para os jogos.
Nesses jogos só podiam participar os cidadãos gregos que fossem membros da "boa sociedade" e tivessem
boa consciência para com os homens e para com os deuses; deste modo os atletas não eram profissionais.
Os melhores recebiam coroas de oliveira ou de loureiro e a admiração e estima dos seus compatriotas,
por terem conseguido ultrapassar os seus próprios limites na procura da excelência, atingindo o supremo
valor do pensamento grego. Além disso, eram imortalizados pelos poetas nos seus cantos de vitória e pelos
escultores nas suas estátuas.
Os chamados Jogos Olímpicos (receberam esse nome pela cidade que os sediava, Olímpia) têm origem
nessa sociedade grega antiga (surgiram no século VIII a.C.), que valorizava o físico e as capacidades huma-
nas, consistindo numa série de competições realizadas entre representantes de várias pólis. Na programação
predominavam os eventos atléticos, mas também havia os combates e as corridas de bigas.

6 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

A origem destes Jogos Olímpicos é (como tudo na Grécia anterior à


Filosofia) mitológica. Um dos mitos mais populares identifica Hércules e
Zeus, seu pai, como os progenitores dos Jogos.
Segundo a lenda, foi Hércules quem primeiro chamou os Jogos "Olím-
picos" e estabeleceu o costume de explorá-los a cada quatro anos. Após
Hércules ter completado seus doze trabalhos, ele construiu o Estádio
Olímpico como uma honraria a seu pai.
No século IV a.C., por inúmeras razões (sobretudo a religiosas), as
competições desportivas decaíram e os atletas passaram a ter formação
profissional. Em 393 a.C., o imperador romano Teodósio proibiu esses jo-
gos, considerando-os pagãos.
O interesse grego em reviver os Jogos Olímpicos começou com a
guerra de independência da Grécia contra o Império Otomano, em 1821. Figura 11. Estádio de Delphi, na Grécia.
FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.
Foi proposto pela primeira vez pelo poeta e editor de jornal Panagio-
tis Soutsos, em seu poema Diálogo dos Mortos, publicado em 1833.
Evangelis Zappas, um rico filantropo grego, escreveu pela primeira vez ao Rei Oto da Grécia, em 1856,
ofertando fundos para financiar o renascimento permanente dos Jogos Olímpicos. Zappas patrocinou os pri-
meiros Jogos Olímpicos em 1859, que foram realizados na cidade de Atenas. Participaram atletas da Grécia e
do Império Otomano. Zappas financiou a restauração do antigo Estádio Panathinaiko (ou Panatenaico) para
que pudesse acolher todos os futuros Jogos Olímpicos.

HIST. DA ARTE
Figura 12. Estádio Panatenaico (foto de 2004).
Também chamado Calimármaro, é um estádio de atletismo situado em Atenas, construído inteiramente em mármore branco do Monte Pentélico. É um dos
estádios mais antigos do mundo (construído em 566 a.C.).

FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%A1dio_Panatenaico#/media/Ficheiro:Kallimarmaron_stadium.JPG

O Estádio Panathinaiko sediou Jogos Olímpicos em 1870 e em 1875. Trinta mil espectadores lotaram o
estádio e seu entorno em 1870 (maior do que quase todo o público nos Jogos Olímpicos da era moderna de
1900 a 1920).
Em 1890, depois de assistir os Jogos Anuais da Sociedade Olímpica de Wenlock, o Barão Pierre de Cou-
bertin se inspirou em fundar o Comitê Olímpico Internacional (COI). Coubertin se baseou nas ideias e no
trabalho de Zappas com o objetivo de estabelecer rotação internacional aos Jogos Olímpicos, que ocorre-
riam a cada quatro anos.
Ele apresentou essas ideias durante o primeiro Congresso Olímpico do recém-criado Comitê Olímpico
Internacional. Esta reunião foi realizada de 16 a 23 junho de 1894, na Universidade Sorbonne, em Paris. No
último dia do congresso, foi decidido que os primeiros Jogos Olímpicos, a entrar sob os ditames do COI, teria
lugar dois anos mais tarde, em Atenas. O COI elegeu o escritor grego Dimítrios Vikélas como seu primeiro
presidente.

A literatura grega antiga

Precursora na Europa, a literatura grega lançou, no curso de sua evolução, os alicerces de quase todos os
gêneros literários.
Assimilados pelos romanos, os grandes escritores gregos da antiguidade, junto com os clássicos latinos,
passaram a ser considerados modelos universais, e deles provém certamente toda a tradição literária oci-
dental.
Distribuída em três grandes períodos – o da antiguidade, o bizantino e o moderno – a literatura grega
abordou, no teatro e na poesia, na filosofia e no texto religioso, todos os grandes mitos e temas cruciais da
humanidade.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 7


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

Antiguidade: Ilíada e Odisseia

A partir do emprego da escrita, por volta do século VIII a.C., começaram a germinar os primeiros textos
literários antigos. A chamada literatura antiga, período da maior importância para a história das letras oci-
dentais, divide-se nas épocas arcaica (até o fim do século VI a.C.), clássica (séculos V e IV a.C.), e helenística
e greco-romana (a partir do século III a.C.).
Antes mesmo de utilizarem a escrita para fins literários, os gregos já faziam poesia para ser cantada ou
recitada. Seus temas eram os mitos, em parte lendários, baseados na memória difusa de eventos históricos,
além de um pouco de folclore e de especulação religiosa primitiva. Os mitos, porém, não se vinculavam a
qualquer dogma religioso e, embora muitos fossem deuses ou grandes heróis mortais, não eram autoritários
e podiam ter seu perfil alterado por um poeta que desejasse expressar novos conceitos.
Assim, bem cedo o pensamento grego começou a progredir, na medida em que os poetas reelaboravam
suas fontes. A esse estágio inicial, denominado época arcaica, pertencem os épicos atribuídos a Homero, a
Ilíada e a Odisseia, que recontam histórias entremeadas de mitos da época micênica. A poesia didática de
Hesíodo (c. 700 a.C.), provavelmente posterior aos épicos de Homero, embora com diferentes temas e trata-
mentos, deu continuidade à tradição épica.
Livro fundador da literatura ocidental, a Ilíada narra a tragédia de Aquiles e a Guerra de Troia. A Ilíada
parece se tratar, pelo título, apenas de um breve incidente ocorrido no cerco dos gregos à cidade troiana de
Ílion, a crônica de aproximadamente cinquenta dias de uma guerra que durou dez anos.
No entanto, graças à maestria de seu autor, essa janela no tempo se abre para paisagens vastíssimas, re-
pletas de personagens e eventos que ficariam marcados para sempre no imaginário ocidental. É nesse épico
homérico que surgem figuras como Páris, Helena, Heitor, Ulisses, Aquiles e Agamêmnon, e em seus versos
somos transportados diretamente para a intimidade dos deuses, com suas relações familiares complexas e
às vezes cômicas.

Mas, acima de tudo, a Ilíada é a narrativa da tragédia de


Aquiles. Irritado com Agamêmnon, líder da coalizão grega,
por seus desmandos na guerra, o célebre semideus se retira
da batalha, e os troianos passam a impor grandes derrotas
aos gregos.
Inconformado com a reviravolta, seu escudeiro Pátro-
clo volta ao combate e acaba morto por Heitor. Cego pelo
HIST. DA ARTE

ódio, Aquiles retorna à carga sedento por vingança, apesar


de todas as previsões sinistras dos oráculos. Morre lutando
heroicamente, acertado em seu ponto fraco, o calcanhar.
O título Ilíada deriva de Ílion, palavra grega que nos re-
mete à cidade de Troia. O longo poema bélico, dividido em
24 cantos, narra os episódios do nono ano da guerra entre
gregos e troianos.
As batalhas iniciadas quando Helena, esposa do rei de
Esparta, é raptada por Páris, príncipe de Troia, desenca-
deiam também um duelo entre deuses e humanos.
A Ilíada influenciou fortemente a cultura clássica, sendo
Figura 13. A fúria de Aquiles, de Giovanni Battista Tiepolo. estudada e discutida na Grécia Antiga (onde era parte da
Aquiles é o único mortal a experimentar a ira devoradora; se sua raiva pode, por vezes,
hesitar, noutros momentos ela não pode ser resfriada. A humanização de Aquiles através educação básica) e, posteriormente, no Império Romano.
dos eventos da guerra é um importante tema da narrativa da obra.
Sua influência pode ser sentida nos autores clássicos, como
FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquiles#/media/Ficheiro:The_Rage_of_Achil- na Eneida, de Virgílio.
les_by_Giovanni_Battista_Tiepolo.jpeg

A Odisseia, por sua vez, é uma continuação à Ilíada, e narra a volta de Odisseu (ou Ulisses, como ficou co-
nhecido na tradução latina), herói da Guerra de Troia, a sua terra natal, Ítaca, depois de vinte anos.
A narrativa se divide em três tempos principais: a situação de Penélope e do filho Telêmaco em Ítaca e a
viagem de Telêmaco; a narração das suas aventuras passadas (cativo de Calipso, canto das sereias, ciclope e
passagem pelo reino dos mortos); regresso de Odisseu a Ítaca e morte dos pretendentes.
Odisseu é obrigado a ir à guerra de Troia e deixa para trás sua esposa, Penélope, e seu filho de um mês de
idade, Telêmaco. A guerra dura 10 anos, e seu regresso, mais 17. Após a guerra, inicia-se a volta de Odisseu e
seus companheiros para seu reino, em Ítaca.
A esposa Penélope, que acreditava na volta do seu rei e marido, estava sendo pressionada por um grupo
de pessoas que queria tomar o poder local. Esse grupo dizia que Odisseu estava morto e que ela deveria se
casar com um dos “pretendentes” ao cargo de rei.
Com tamanha pressão, Telêmaco sai à procura do pai com alguns companheiros e estes vão para Esparta
e outras cidades, em busca de notícias que pudessem ajudar a rastrear os passos de Odisseu. Este, por uma
série de peripécias que enfrenta pelo caminho, tem seu regresso muitas vezes retardado.
Enquanto isso, em Ítaca, a rainha Penélope continuava sofrendo forte pressão dos pretendentes, já que
Odisseu e seu filho Telêmaco não retornavam. Assim, ela prometeu cozer um tapete: se o rei não retornasse

8 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

antes do seu acabamento, ela escolheria um pretendente. Mas decerto em razão do convívio com seu ma-
rido, o astuto Odisseu, Penélope cosia o tapete durante o dia e à noite o descosia, para poder ganhar mais
tempo, na esperança de que o rei retornasse.

Figura 14. Odisseu e as sereias, por John William Waterhouse, 1891.


Uma das muitas aventuras enfrentadas por Odisseu em seu retorno a Ítaca foi a passagem pela ilha das sereias, cujo exuberante canto atraía e levava à morte
todos os marinheiros que passavam nas proximidades do tempestuoso mar local. Conhecendo o perigo da travessia, Odisseu ordenou que todos os marinhei-
ros tampassem os ouvidos com cera, ao passo que ele era amarrado ao mastro da nau, para que ouvisse o canto sem ser levado.

FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Odisseia#/media/Ficheiro:John_William_Waterhouse_-_Ulysses_and_the_Sirens_(1891).jpg

Depois de uma jornada com muitas aventuras e revezes, Odisseu encontra Telêmaco e seu grupo e juntos
retornam a Ítaca. Avisado pelo filho sobre os pretendentes, Odisseu encontra a deusa Atena, que lhe diz que
se ele retornasse, seria morto pelos pretendentes, que não o reconheceriam.
Assim, a deusa o transforma em mendigo, disfarçando-o para que pudesse adentrar ao palácio sem ser
visto. Quando deste episódio, a trama de Penélope é descoberta e exige-se que faça a escolha de um pre-
tendente. Ela, novamente astuta, diz que escolherá aquele que conseguir retesar o arco do seu marido – mas
ninguém obteve sucesso.

HIST. DA ARTE
Por fim, chega Odisseu disfarçado e consegue o feito. Ele é logo reconhecido por sua esposa, que o aceita
como pretendente, para a revolta dos outros, que promovem uma verdadeira rebelião. Mas, tendo seu arco
em mãos, Odisseu consegue reprimir a revolta e retomar o seu lugar de rei depois de longa jornada.
Assim, com o restabelecimento da ordem, desvendamos o significado principal da Odisseia: o ideal de
belo e bom guerreiro, antes atribuído a Aquiles, também tem como modelo Odisseu, por sua destreza, astú-
cia, esperteza, inteligência e habilidade, tanto na guerra quanto no governo, sendo capaz de ordenar.
As narrativas do gênero épico de Homero, apresentando protagonistas honoráveis, tinham como intenção
que esse modelo (de homem respeitável, digno, corajoso) fosse imitado pelo cidadão grego de seu tempo.

O mito da beleza ideal na Grécia

Introdução

Falar sobre beleza significa considerar padrões estéticos que são sempre cultu-
rais e mudam ao longo do tempo e conforme as sociedades.
Há, portanto, uma história da beleza que, ao contrário do senso comum, não
se refere, necessariamente, à mulher ideal e nem à aparência física perfeita. Ao
contrário, o belo foi, por séculos, um qualificativo associado ao homem e aos atri-
butos ditos masculinos, e não à mulher, de modo que uma história da beleza é,
em princípio e por muito tempo, uma história masculina.
As mulheres não representavam a si mesmas, mas eram representadas por
homens e, portanto, as imagens de mulher e da beleza feminina foram, desde a
Antiguidade, construções do imaginário masculino.
O termo grego mais próximo para beleza ou belo é Kalón: "aquilo que agrada",
"que suscita admiração", "que atrai o olhar".
Os gregos antigos, contudo, não tinham uma definição clara sobre o que era a Figura 15. Catedral de Santa Maria del Fiore.
beleza. Associavam a beleza a outros valores. Para Platão de Atenas, por exem- Desde o Renascimento, a harmonia, simetria e propor-
ções corretas são consideradas elementos essenciais da
plo, a beleza estava na sabedoria; para Aristóteles, ser belo era ser virtuoso; para beleza universal.

o Oráculo de Delfos, na justiça. Nem mesmo Homero, que cantou a irresistível FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Beleza#/media/
Ficheiro:Cupola_di_santa_maria_del_fiore_dal_cam-
beleza de Helena de Troia, definiu a beleza, mas usou-a como justificativa para a panile_di_giotto,_02.JPG
Guerra de Troia.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 9


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

Embora o estilo e a moda variem amplamente, pesquisas com diferentes culturas encontraram uma va-
riedade de pontos em comum na percepção das pessoas sobre a beleza.

A mais antiga teoria ocidental de beleza pode ser encontrada nas obras dos
Proporção Áurea primeiros filósofos gregos pré-socráticos, tais como Pitágoras de Samos. A escola
Proporção áurea, número de ouro, número
áureo, secção áurea ou proporção de ouro pitagórica viu uma forte conexão entre a matemática e a beleza. Em particular,
é uma constante real algébrica irracio- eles observaram que os objetos com medidas de acordo com a proporção áurea
nal denotada pela letra grega ø (PHI), pareciam mais atraentes.
em homenagem ao escultor Phideas (ou
Fídias), que a teria utilizado para conceber A filosofia clássica e esculturas de homens e mulheres produzidos de acordo com
o Parthenon, e com o valor arredondado os princípios desses filósofos de ideal da beleza humana foram redescobertos no
a três casas decimais de 1,618. Também é Renascimento europeu, levando a uma readoção do que ficou conhecido como um
chamada de secção áurea (do latim sectio
aurea), razão áurea, razão de ouro, média e "ideal clássico".
extrema razão (Euclides), divina propor- Em termos de beleza humana feminina, uma mulher cuja aparência está em
ção, divina seção (do latim sectio divina), conformidade com esses princípios ainda é chamada de "beleza clássica" ou diz-se
proporção em extrema razão, divisão de
extrema razão ou áurea excelência. O que possui uma "beleza clássica", enquanto que as bases estabelecidas por artistas
número de ouro é ainda frequentemen- gregos e romanos também forneceram o padrão para a beleza masculina na civi-
te chamado razão de Phidias. Desde a lização ocidental.
Antiguidade, a proporção áurea é usada
na arte. É frequente a sua utilização em Durante a era gótica, o cânone estético clássico da beleza foi rejeitado como
pinturas renascentistas, como as do mes- pecaminoso. Somente Deus é belo e perfeito, enquanto o homem é falho pelo pe-
tre Giotto di Bondone. Este número está cado original e não pode alcançar nenhuma beleza em sua vida se não for através
envolvido com a natureza do crescimento.
Phi (não confundir com o número Pi (π), de Deus.
como é chamado o número de ouro, pode Mais tarde, a Renascença e o Humanismo rejeitaram essa visão, e consideraram a
ser encontrado de forma aproximada no beleza como um produto da ordem racional e da harmonia das proporções. Artistas
homem (o tamanho das falanges, ossos dos
dedos, por exemplo), nas colmeias, entre e arquitetos da Renascença criticaram o período gótico por ser irracional e bárbaro.
inúmeros outros exemplos que envolvem a Este ponto de vista sobre a arte gótica durou até o Romantismo, no século XIX.
ordem de crescimento na natureza. Justa- A Idade da Razão (ou Iluminismo) viu um aumento do interesse no estudo da
mente por ser encontrado em estudos de
crescimento, o número de ouro ganhou um beleza como um assunto filosófico. Para os iluministas que se ocuparam do tema,
status de "ideal". beleza é "unidade na variedade e variedade na unidade". Os poetas românticos tam-
bém tornaram-se altamente preocupados com a natureza da beleza, com John Ke-
ats argumentando em Ode a uma urna grega, que "Beleza é verdade, verdadeira
beleza, - isso é tudo. Sabeis na terra, e vós todos precisam saber".
Edmund Burke apontou as diferenças entre a beleza em seu sentido clássico e o sublime. O conceito de
HIST. DA ARTE

sublime de Burke e Immanuel Kant nos permitiu compreender que, mesmo a arte gótica e a arquitetura não
sendo sempre "simétricas" ou aderentes ao padrão clássico de beleza como o outro estilo, não é possível
dizer que a arte gótica é "feia" ou irracional: é apenas uma outra categoria estética, a categoria sublime.
Viu-se, no século XX, uma rejeição cada vez maior da beleza por artistas e filósofos, que culminou na
antiestética do pós-modernismo. Embora a beleza fosse uma preocupação central da principal influência do
pós-modernismo, Friedrich Nietzsche, que defendeu que a vontade de poder era a vontade da beleza.

O mito da beleza ideal na Grécia Antiga

Foi no período de ascensão de Atenas, no século V a.C., que os gregos passaram a ter
uma percepção mais clara do belo estético. Ocorria, então, o desenvolvimento das artes,
especialmente da pintura e da escultura, cujas imagens representavam a Beleza ideal.
O corpo humano belo era aquele que mostrava harmonia e proporção entre as partes,
pelo que a beleza passou a ser identificada com a proporção. Nascia uma matemática
das proporções do corpo humano. Mais tarde, no século I a.C., Vitrúvio exprimiu as justas
proporções corporais em frações da figura inteira: a face devia ter 1/10 do comprimento
total, a cabeça, 1/8, o comprimento do tórax 1/4 etc.
E o que era belo? Segundo Richard Sennet, historiador norte-americano, para os gre-
gos antigos, a beleza não estava no corpo feminino. A beleza era qualidade do corpo
masculino, mais especialmente do homem rico, másculo e grego. Afinal, naquela socie-
dade, somente o homem tinha direito à cidadania, isto é, à vida política, e isso fazia parte
da atribuição do belo.
A beleza grega exaltava o corpo masculino que era exposto nu nos ginásios. Nestes
locais, os homens exercitavam-se para modelar o corpo, preparavam-se atletas para os
jogos olímpicos e treinavam-se soldados. O aprendizado de gramática, poesia, retórica e
Figura 16. Doríforo, de Policleto.
A tradição classicista grega, que adotava o
filosofia – necessárias para o exercício da vida política – completavam a educação mas-
homem como a medida do universo, trazia a culina e harmonizavam mente e corpo.
representação do corpo humano nas escul-
turas nuas a partir de uma estética que con- Já a mulher na Grécia Antiga não tinha direitos políticos e vivia confinada ao espaço
jugava valores idealistas e ditava um modelo
de vida harmonioso, do espírito de educação da casa. Não lhe era permitida a nudez (cobria o corpo com túnica até os joelhos quando
integral, baseado na cidadania e nos valores estava em casa, e até os tornozelos para sair à rua). Conta-se que foi encomendado a
cívicos, éticos, bem como estéticos.
Praxíteles, famoso escultor ático do séc. IV a.C., uma estátua de Afrodite e que ele criou
FONTE: Dinamus Sistema de Ensino.
duas versões: uma vestida e outra nua. A versão despida, uma novidade na época quando

10 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

só se esculpiam homens nus, chocou os cidadãos e foi rejeitada. Desprezada e considerada


de pouco valor, foi depois comprada por alguns cidadãos de Cnido e exposta em um templo
ao ar livre. A Afrodite vestida não sobreviveu, e a Afrodite de Cnido chegou até nós por uma
cópia romana.
Nas artes, o corpo feminino belo era representado próximo ao padrão masculino, com
poucas curvas, braços e pernas fortes, o rosto sereno ou mesmo inexpressivo. Pouco se sabe
como as mulheres gregas viam-se a si mesmas e se as esculturas femininas lhes serviam de
padrão de beleza a ser seguido.
Fechadas em casa, as mulheres gregas se ocupavam das rotinas domésticas e com rituais
diários de embelezamento. A parte da manhã era dedicada aos cuidados com o cabelo e o
corpo. Usavam loções, cosméticos e óleos perfumados.
Ter a pele branca e pálida era sinal de distinção social, da mulher recolhida em casa e
distante do trabalho sob o sol, como as escravas. Helena “de alvo braços” era como Homero
se referia à beleza da rainha espartana em seus poemas.
Esse conceito de estética se perdeu durante a Idade Média, quando o cânone estético
clássico da beleza foi rejeitado por ser considerado como pecaminoso. Mais tarde, esse prin-
cipio de beleza foi redescoberto no Renascimento, e com o pensamento humanista rejeitou-
-se a visão de belo da Idade Média, e a beleza foi considerada um produto da ordem racional
e da harmonia das proporções, levando o homem do ocidente a uma readoção do que ficou
conhecido como um “ideal clássico”.

Fixando conceitos

01. Defina a Arte Antiga, conforme você estudou até aqui.


02. Qual influência para o Ocidente a civilização greco-romana antiga trouxe?
03. Por que se diz que a arte grega é antropocêntrica?
Figura 17. Vênus de Milo, de Policleto.
Escultura provavelmente do século II a.C, atribuída a
Alexandre de Antioquia.

FONTE: Dinamus Sistema de Ensino.

Pratique

HIST. DA ARTE
01. Discorra sobre as características da arte grega antiga.
02. Explique como o mito da beleza ideal estava expresso nas produções literárias gregas.
03. Como era visto o conceito de beleza ideal pelos gregos antigos?

Referências

PROENÇA, Graça. História da Arte. 16ª edição, Ed. Ática. São Paulo, 1999.
GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1978.
BRONOWSKI, J. A Escalada do Homem. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
UTUARI, Solange et al. Por Toda Parte. Vol. único; 1ª ed.; São Paulo: FTD. 2013

Sessão ENEM

01. Na antiga Grécia, o teatro tratou de questões como destino, castigo e justiça. Muitos gregos sabiam de cor inúme-
ros versos das peças dos seus grandes autores. Na Inglaterra dos séculos XVI E XVII, Shakespeare reproduziu peças
nas quais temas como o amor, o poder, o bem e o mal foram tratados. Nessas peças, os grandes personagens
falavam em verso e os demais em prosa. No Brasil colonial, os índios aprenderam com os jesuítas a representar
peças de caráter religioso.

Esses fatos são exemplos de que, em diferentes tempos e situações, o teatro é uma forma

(A) de manipulação do povo pelo poder, que controla o teatro.


(B) de diversão e de expressão dos valores e problemas da sociedade.
(C) de entretenimento popular, que se esgota na sua função de distrair.
(D) de manipulação do povo pelos intelectuais que compõem as peças.
(E) de entretenimento, que foi superada e hoje é substituída pela televisão.

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 11


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

Praticando

01. Uma das manifestações culturais mais interessan- (D) Na sociedade espartana, a rigorosa disciplina e a
tes e influentes das cidades antigas foi o teatro. educação militarizada tinham claros objetivos políticos.
Surgiu na cidade de Atenas, no século V a.C.. (E) A exemplo do Coliseu, os anfiteatros romanos foram
Norberto Luiz Guarinello. A cidade na Antiguidade Clássica. cenários de festas e espetáculos, vulgarizados na práti-
São Paulo: Atual, 2006, p. 6.
ca do pão e circo.
É correto afirmar, a partir do texto e de seus conheci-
mentos, que o teatro na Grécia antiga,
05. “(...) Os homens comuns desaparecem com a mor-
te, no terrível esquecimento do Hades tornam-se
anônimos, sem-nome. Somente o indivíduo heroi-
(A) permitiu transpor as disputas políticos para o espa-
co, aceitando enfrentar a morte na flor de sua ju-
ço ficcional, uma vez que as peças tratavam apenas de
ventude, vê seu nome perpetuar-se gloriosamente
questões do presente.
de geração em geração. Sua figura singular fica
(B) surgiu como forma de homenagear deuses e incor-
para sempre inscrita na vida comum...”
porou temas e preocupações presentes na mitologia. (VERNANT, Jean Pierre. L’individu, la mort, l’amour: soi-mê-
(C) contribuía para integrar nobres e escravos, homens me et l’autre en Grèce ancienne. Paris: Gallimard, 1989. p. 217.)
e mulheres, uma vez que todos participavam das ence-
nações. Assinale a alternativa correta quanto à construção da
(D) demonstrava a valorização das atividades artísticas, imagem do guerreiro na Grécia Antiga:
uma vez que a dramatização era a principal disciplina
na formação das crianças. (A) As epopeias eram narrativas da vida de indivíduos
(E) era uma forma de trabalho exclusiva dos cidadãos, comuns durante o período homérico.
isto é, homens livres maiores de idade. (B) A Ilíada e a Odisseia foram as narrativas que conso-
lidaram o ideal de guerreiro.
02. “Uma das principais expressões da arte grega, o te- (C) A Ilíada é a narrativa que desconstruiu a idealiza-
atro, tem suas origens ligadas às Dionisíacas, festas ção do guerreiro.
em homenagem a Dioniso, deus do vinho.” (D) Para os gregos a imortalidade era conquistada
(Myriam Mota e Patrícia Braick, História das Cavernas ao através das ações cotidianas.’
Terceiro Milênio, 2002. p. 65.)
(E) A morte dos deuses do Olimpo era uma forma de
perpetuar a imagem dos guerreiros.
Dois gêneros clássicos do teatro grego originaram-se
destes festivais, são eles:
06. Observe e compare os monumentos.
(A) melodrama e tragédia.
HIST. DA ARTE

(B) drama e pantomima.


(C) tragédia e drama.
(D) vaudeville e comédia.
(E) tragédia e comédia.

03. Considerando a Grécia Antiga, podemos dizer que


os gregos constituíram uma cultura, mas não um
Estado. Isto se deve ao fato de:

(A) Possuírem a mesma língua e hábitos idênticos, cul-


tuarem os mesmos deuses e preservarem a monarquia
como forma de governo.
(B) Apesar de falarem a mesma língua e adorarem os
mesmos deuses, algumas cidades dedicavam-se ao mi-
litarismo enquanto outras se preocupavam com o inte-
lecto, caracterizando a autonomia das cidades-estado.
(C) Seu governo oscilar entre o militarismo ateniense e
a democracia espartana.
(D) O governo ter sido direto e não representativo.
O elemento comum às construções apresentadas
(E) Sua cultura ter se desenvolvido na Antiguidade.
constitui:
04. Na antiguidade clássica greco-romana, os cidadãos (A) um esforço de ostentação perdulária, de demons-
participavam ativamente da vida pública, social,
tração de hegemonia e de poder de grandes impérios
religiosa e militar, sempre exercendo as funções de
unificados.
comando e liderança. Em relação a esse fato, assi-
(B) uma expressão simbólica das concepções religio-
nale a alternativa incorreta:
sas da Antiguidade, que se estenderam até os dias atu-
ais.
(A) A era helenística marcou a transição da civilização
(C) um aspecto da arquitetura monumental que se
grega para a romana.
opõe à concepção do homem como medida de todas
(B) O cristianismo conseguiu se converter em religião
as coisas.
oficial do Estado somente no ano mil.
(D) um princípio arquitetônico estrutural modificado
(C) As olimpíadas foram criadas pelos gregos, como
ao longo da história por concepções religiosas, polí-
forma de homenagem à sua divindade suprema, Zeus.
ticas e artísticas.

12 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

Praticando

(E) uma comprovação do predomínio dos valores esté- na capacidade criadora do homem têm permanen-
ticos sobre os religiosos, políticos e sociais. te significado. Acerca do imenso e diversificado le-
gado cultural grego, é correto afirmar que:
07. Entre os legados dos gregos da Antiguidade Clás-
sica que se mantêm na vida contemporânea, po- (A) a importância dos jogos olímpicos limitava-se aos
demos citar: esportes.
(B) a democracia espartana era representativa.
(A) a concepção de democracia com a participação do (C) a escultura helênica, embora desligada da religião,
voto universal. valorizava o corpo humano.
(B) a promoção do espírito de confraternização por in- (D) os atenienses valorizavam o ócio e desprezavam os
termédio do esporte e de jogos. negócios.
(C) a idealização e a valorização do trabalho manual em (E) poemas, com narrações sobre aventuras épicas, são
todas suas dimensões. importantes para a compreensão do período homérico.
(D) os valores artísticos como expressão do mundo reli-
gioso e cristão. 11. Para a obra Doríforo, criada por Policleto em 450
(E) os planejamentos urbanísticos segundo padrões das a.C., foi adotada uma estética que, aliada à ciência,
cidades-acrópoles. obedecia a padrões de estrutura em que o corpo
humano era representado considerando-se a me-
08. O período helenístico foi marcado por grandes dida de sete vezes o tamanho da cabeça.
transformações na civilização grega. Entre suas
características, podemos destacar:

(A) O desenvolvimento de correntes filosóficas que,


diante do esvaziamento das atividades políticas das
cidades-Estado, faziam do problema ético o centro de
suas preocupações visando, principalmente, o aprimo-
ramento interior do ser humano.
(B) Um completo afastamento da cultura grega com re-
lação às tradições orientais, decorrente, sobretudo, das
rivalidades com os persas e da postura depreciativa que
considerava bárbaros todos os povos que não falavam
o seu idioma.

HIST. DA ARTE
(C) A manutenção da autonomia das cidades-Estado, a
essa altura articuladas primeiro na Liga de Delos, sob
o comando de Atenas e, posteriormente, sob a Liga do
Peloponeso, liderada por Esparta.
(D) A difusão da religião islâmica na região da Macedô-
nia, terra natal de Felipe II, conquistador das cidades-
-Estado gregas.
(E) O apogeu da cultura helênica representado, princi-
palmente, pelo florescimento da filosofia e do teatro e o
estabelecimento da democracia ateniense.

09. As artes foram um ponto de destaque na Grécia,


sobretudo a Arquitetura, em Atenas, em que se
destacaram estilos arquitetônicos gregos, repre-
sentados pelas figuras a seguir:

Com base na imagem e no texto fornecidos, verifica-se


que o método de construção explorado por Policleto
considerava a estrutura
Em qual das alternativas estão indicados os três estilos?
(A) cronológica.
(A) O dório, o jônio e o coríntio. (B) iconográfica.
(B) O sofista, o platônico e o socrático. (C) formal.
(C) O alexandrino, o maneirista e o barroco. (D) iconológica.
(D) O dório, o gótico e o alexandrino. (E) biográfica.
(E) O helênico, o romântico e o helenístico.
12. A foto a seguir integra a mais recente versão cine-
10. A civilização grega atingiu extraordinário desenvol- matográfica da lenda da Guerra de Tróia, que, se
vimento. Os ideais gregos de liberdade e a crença de fato aconteceu, deu-se no século XIII a.C. Essa

DINAMUS SISTEMA DE ENSINO 3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 13


Grécia Antiga
Capítulo 1: Arte e o mito da beleza ideal na Grécia

Praticando

forma de representar a luta entre gregos e troianos (B) romano imperial, quando a mitologia se sobrepôs ao
mostra seus guerreiros cobertos por elmos, coura- conhecimento empírico, inibindo a pouca expressivida-
ças, escudos e armados com lanças e espadas. de da cultura latina.
(C) medieval, que, através da filosofia tomista, buscava
exaltar a fé a partir de provas materiais da existência
de Deus.
(D) renascentista, momento em que a tradição e a he-
rança do passado são sistematicamente negados, em
prol de uma renovação da arte e da cultura.
(E) nazista, regime defensor da utilização da força como
mecanismo de sustentação da superioridade da cultura
hebraico-cristã, em relação aos afroindígenas.

14. A arte, na Grécia Antiga, era de fundamental im-


portância na sociedade e, por ter poder de desen-
volver a criatividade, promover discussões, apri-
morar habilidades e ainda permitir a comunicação
verbal em que os sentimentos e os conhecimentos
são expressos, é atemporal.

A partir da análise da figura, é possível afirmar: Através da arte, é possível que a sociedade

(A) A guerra tinha um lugar secundário na sociedade (A) transforme conceitos abstratos de forma concreta.
grega, tendo em vista a ênfase nas artes, na literatura (B) promova mudanças radicais capazes de eliminar a
e na filosofia. estratificação da sociedade capitalista.
(B) Os relatos heróicos geralmente ocultam o trabalho (C) introduza mudanças na sociedade e na organização
dos artesãos, dos ferreiros e dos construtores de navios. do espaço.
(C) O desenvolvimento da política sempre desconside- (D) seja a construtora de percepções lineares, em que a
rou a guerra como instrumento de dominação. interpretação é a mesma em qualquer cultura.
(D) A pólis grega, na sua composição política, privilegia (E) crie normas de conduta capazes de eliminar a ex-
lavradores e artesãos em detrimento dos guerreiros. cludência.
(E) A aristocracia grega menospreza a guerra e investia
HIST. DA ARTE

em outras formas de exercício do poder. 15. “Dos povos da Antiguidade, os que apresentaram
uma produção cultural mais livre foram os gregos.”
13. As manifestações culturais se expressam em um (PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo: Ática, 2007, p. 30).
contexto histórico que o refletem e que, dialetica-
mente, produzem esse próprio contexto. A análise Com base na afirmação acima, assinale a alternativa in-
da escultura representada a seguir e os conheci- correta em relação à arte da Grécia Antiga.
mentos sobre as manifestações da arte, nas várias
culturas, permitem inferir que essa escultura é re- (A) Na arquitetura grega do século V a. C., eram empre-
presentativa do período gadas duas ordens: a dórica e a jônica.
(B) A escultura grega, considerando os exemplares re-
manescentes, era autóctone, não tendo sofrido influên-
cia alguma de civilizações vizinhas.
(C) A influência da arte da Grécia Antiga no Mundo Oci-
dental perdurou por muitos séculos.
(D) Na construção dos templos, os arquitetos gregos não
utilizavam arcos, abóbadas e cúpulas.
(E) A escultura grega não produziu figuras humanas que
mostravam um ideal de beleza, optando por representar
seres humanos individualizados e específicos.

(A) grego clássico, em que a arte refletia a valorização


do homem e o racionalismo surgiu como instrumento
de análise epistemológica.

14 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE DINAMUS SISTEMA DE ENSINO


Obra editada segundo os
Parâmetros Curriculares
Nacionais para o Ensino
Médio - PCNEM 2000.
Capítulo 1: Domínios morfoclimáticos Capítulo 2: Hidrografia geral e do Brasil
Atmosfera e climas 4 Hidrografia 40
Introdução 4 Introdução 40
Atmosfera 4 Água 40
Tempo e clima 4 Oceanos e mares 42
Fenômenos atmosféricos 5 Bacias hidrográficas 45
Massas de ar e frentes 7 Bacias hidrográficas brasileiras 48
Fatores climáticos 7
Escalas e variações térmicas 9 Ciclos biogeoquímicos 53
Principais tipos de clima no mundo 10 Introdução 53
Ciclo da água 53
Domínios morfoclimáticos do Brasil 12 Ciclo do carbono 54
Introdução 12 Ciclo do oxigênio 55
Domínio Amazônico 12 Ciclo do nitrogênio 55
Domínio das caatingas 14
Domínio dos cerrados 15 Referências bibliográficas 56
Domínio dos mares de morros 16
Domínio das araucárias 17
Domínio das pradarias 18

Fenômenos climáticos 20
Introdução 20
El Niño 20
La Niña 20
Inversão Térmica 21
Efeito estufa 21
Redução da camada de ozônio 24
Chuva ácida 24
Ilhas de calor 25
Desertificação 25
Os impactos ambientais da poluição 25

Conferências para o meio ambiente 26


Introdução 26
Estocolmo (1972) 27
Rio 92 (Eco 92) 28
Cúpula mundial sobre desenvolvimento sustentável (Rio + 10) 28
Rio + 20 28

Referências bibliográficas 29

Grupo colaborativo formado pelos autores:

Prof. Weider Alberto Costa Santos, Administrador, especialista em Balanced Scorecard -


FGV, Marketing - FEJAL/CESMAC, Serviço Social - UFAL e MBA em Marketing pela FGV.

SANTOS, Weider Alberto Costa. Geografia - Unidade 3. 6. ed. - Maceió-AL: Sistema


Dinamus de Ensino, 2022.

Editoração e ilustração:
w2advanced

Impressão e distribuição:
Editora Dinamus

© 2022 - SDE | SISTEMA DINAMUS DE ENSINO Ltda. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do detentor dos
direitos autorais. Esta obra é de caráter educativo e didático, prezando pelo teor científico. Dispondo de todas as referências bibliográficas e/ou webgráficas. Também
das fontes de pesquisas, cortes de reportagens e imagens. Creditadas e reservadas em nome do SISTEMA DINAMUS DE ENSINO Ltda.

A Verdade vos liber tará.


Domínios morfoclimáticos
Capítulo
1

Os domínios morfoclimáticos brasileiros


segundo Aziz Ab’Saber

Serra da Mantiqueira (exemplo do domínio morfoclimático mar de morros)


FONTE: https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2020/08/serra-mantiqueira-1741749278.jpg

O conceito de domínio morfoclimático foi in- 1. Domínio Amazônico; Sobre o texto e a


troduzido pelo geógrafo e professor brasileiro 2. Domínio da Caatinga; imagem de intro-
Aziz Ab’Saber (1924-2012), na obra Os Do- 3. Domínio dos Mares de Morros; dução
mínios de Natureza no Brasil: Potencialidades 4. Domínio do Cerrado;
Paisagísticas. 5. Domínio das Araucárias; e •De acordo com a leitura
O autor define esse conceito como um con- 6. Domínio das Pradarias. introdutória, o que são domínios
junto espacial de certa ordem de grandeza morfoclimáticos?
territorial (de centenas de milhares a milhões Os domínios Amazônico, da Caatinga e do
• Comente de que forma o estu-
de quilômetros quadrados de área) onde haja Cerrado devem ser cuidadosamente diferen- do dos domínios morfoclimáticos
uma combinação característica de relevo, ti- ciados de suas vegetações típicas, que pos- pode ajudar a compreender a
pos de solos, formas de vegetação, hidrogra- suem os mesmos nomes. geografia do Brasil.

fia e condições climatológicas. Entre as áreas de domínios vizinhos há sem- • Pesquise e responda: quais
Foram reconhecidos seis grandes domínios pre um interespaço de transição, que apre- dos seis domínios morfoclimáti-
morfoclimáticos no Brasil. Quatro deles são senta uma combinação diferente de vegeta- cos se estendem para além das
terras brasileiras?
intertropicais e ocupam aproximadamente 7 ção, solos e formas de relevo, influenciada
milhões de quilômetros quadrados. Dois são pelos domínios ao redor. A somatória das fai-
subtropicais e constituem aproximadamente xas de transição equivale, de forma grosseira,
500 mil quilômetros quadrados em território a 1 milhão de quilômetros quadrados.
brasileiro, se estendendo a países vizinhos.
Os domínios são: FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.
Geografia física
Capítulo 1: Domínios morfoclimáticos

Atmosfera e climas
GEOGRAFIA

Introdução
Dentre os diversos tipos de clima e relevo existentes,
observamos que os mesmos mantêm grandes relações, sejam
elas de espaço, de vegetação, de solo, entre outras, caracteri-
zando vários ambientes ao longo do território. Para entendê-los,
é necessário distinguir uns dos outros isoladamente. Classifica-
remos aqui os ambientes chamados domínios morfoclimáticos.

Em cada um desses ambientes, são encontrados aspec-


tos, histórias, culturas e economias divergentes, desenvolvendo
singulares condições, como de conservação do ambiente natu-
ral e processos erosivos provocados pela ação antrópica. En-
tenderemos cada domínio morfoclimático, demonstrando sua
localização, área, povoamento, condições bio-hidro-climáticas,
Ilustração – pilha. preservação ambiental e economia local.
FONTE: Sistema Dinamus de Ensino.

Atmosfera

É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente
Na atmosfera está o ar que respiramos e sem o qual não viveríamos. Além de
partículas de poeira e vapor de água, essa camada contém os seguintes gases: nitrogê-
nio (78% do total), oxigênio (21%) e gás carbônico. Contém ainda gases raros, assim
chamados porque existem em quantidades muito pequenas no ar.
Com pouco mais de 800 km de altitude, a atmosfera é formada por várias ca-
| SISTEMA DINAMUS • ENSINO MÉDIO |

madas. Para o nosso estudo, as camadas mais importantes são a troposfera, a estra-

LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


tosfera e a ionosfera.

A troposfera atinge cerca de 12 a 18 km de altitude acima da superfície terres-


tre. Tem espessura menor na linha do equador e maior nos polos. É a mais importante,
porque todos os fenômenos meteorológicos que interferem na Terra – chuvas, umidade,
ventos, nuvens – ocorrem nessa camada. É aí também que se encontram mais de 80%
dos gases da atmosfera.
A estratosfera fica acima da troposfera. Com altitudes que vão de 12 até 60 ou
80 km acima da superfície terrestre, ela contém a camada de ozônio, que filtra os raios
ultravioleta emitidos pelo Sol. Se todos esses raios atingissem a Terra, aqui não haveria
vida, porque eles são letais (daí a importância da camada de ozônio).
A ionosfera estende-se mais ou menos de 80 a 320 km de altitude. Essa ca-
mada é importante porque reflete as ondas radiofônicas e devolve-as para a superfície,
garantindo, assim, a transmissão de rádio entre áreas muito distantes do planeta.

Até cerca de 80 km de altitude, a composição química da atmosfera é a mesma.


A partir daí, diminui consideravelmente a quantidade de nitrogênio e oxigênio. A maioria
dos gases concentra-se nas áreas mais baixas e eles vão diminuindo conforme aumenta
a altitude. Nas baixas camadas da atmosfera, principalmente na troposfera, a tempera-
tura do ar também diminui à medida que aumenta a altitude. Isso ocorre até por volta de
40 km acima da superfície terrestre, na estratosfera, onde se encontra a camada de ozô-
nio. Nessa altitude, a temperatura do ar é de 100 ºC negativos. Acima dessa camada a
temperatura sobe novamente, até atingir 150 ºC positivos, nas altitudes acima de 50 km.

Tempo e clima
As precipitações (chuvas, neve, geada, granizo), os ventos, as temperaturas, a
umidade e a pressão do ar são responsáveis por dois elementos fundamentais para a
Ilustração – a atmosfera. vida humana: o tempo e o clima.
FONTE: VESENTINI, p. 192.

O tempo é o estado da atmosfera de um lugar num determinado momento. Ele muda constantemen-
te. Por exemplo: num mesmo dia pode fazer calor, chover e esfriar com o pôr do sol. Ou seja, num mesmo
dia pode ocorrer vários tipos de tempo.

4 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Geografia física
Capítulo 1: Domínios morfoclimáticos

O clima é o conjunto de variações do tempo de determinado lugar da superfície terrestre. Ele é

GEOGRAFIA
classificado de acordo com a média do que se observou sobre o comportamento da atmosfera durante um
longo período.
O conhecimento do clima de qualquer lugar da Terra depende do estudo, durante anos seguidos – no
mínimo trinta –, das variações apresentadas pelos vários elementos que constituem o tempo.
As estações meteorológicas registram diariamente, em horários estabelecidos, as variações at-
mosféricas. Para acompanhar as alterações atmosféricas nas imensas porções oceânicas da Terra, existem
navios meteorológicos oceânicos.

A meteorologia – ciência que estuda o tempo atmosférico, com o objetivo de


conhecer e prever o tempo – é uma ciência muito importante para o desenvolvimento
da vida humana. Daí o interesse do ser humano em aprofundar seus conhecimentos O comportamento do clima é diversificado. Por
e aperfeiçoar cada vez mais a previsão do tempo. exemplo: temos climas áridos, polares, tropicais
úmidos e outros, que se caracterizam por diferen-
tes combinações dos fatores que compõem sua
estrutura e dinâmica: latitude, massas de ar, altitude,
Fenômenos atmosféricos continentalidade ou maritimidade, relevo e ação
humana – esta última interfere em seus mecanismos
naturais.
São fenômenos atmosféricos a temperatura do ar, a pressão atmosférica, o
vento, a umidade do ar, as nuvens e as precipitações. • Clima: corresponde ao tempo atmosférico, obser-
Vamos, a seguir, analisar cada um desses fenômenos. São eles que consti- vado cientificamente durante um período de tempo.
• Tempo: é a condição da atmosfera, em um deter-
tuem o tempo atmosférico e, consequentemente, os tipos de clima da Terra. minado lugar, naquele instante.

a) Temperatura do ar: de maneira geral, um corpo é quente ou frio.


É proibida a reprodução parcial e/ou integral deste módulo, de acordo com a legislação vigente

A temperatura, portanto, diz respeito ao maior ou menor calor dos


elementos da superfície terrestre.

A radiação solar, isto é, os raios emitidos pelo Sol, é a responsável pelas temperaturas
na superfície da Terra. Mas o ar atmosférico não absorve toda a radiação solar. Uma parte

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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998

atinge a superfície terrestre, sendo absorvida pelos continentes e oceanos; a outra é refletida
e retorna para a atmosfera.

A conservação do calor do Sol pela atmosfera diminui as variações de temperatura do dia e da noite.
A atmosfera funciona como uma verdadeira capa de proteção térmica. Sem ela os dias seriam bem mais
quentes e as noites bem mais frias. Por isso, a atmosfera exerce um papel muito importante para a vida
animal e vegetal.

Fatores que influenciam a temperatura

A latitude é um dos fatores que mais influem na temperatura de um lugar. Quanto mais próxima uma área estiver da linha do equador, maior
será a temperatura; quanto mais distante dessa linha estiver, menor será a temperatura. Assim, nas latitudes baixas (próximas do equador), a
temperatura é mais elevada e, nas latitudes altas (próximas dos polos), a temperatura é mais baixa.
A altitude, isto é, a altura de um lugar em relação ao nível do mar, é outro fator que influi na temperatura atmosférica. Assim, regiões de
latitude semelhante podem ter temperaturas bem diferentes.
Outro fator que influi bastante sobre as temperaturas é a continentalidade ou a maritimidade, o seu oposto. Ele se refere ao afastamento de
uma área em relação às grandes massas líquidas: mares e oceanos. Quanto mais afastado do mar for um local, maior será a sua continentalidade
e menor a sua maritimidade. E também o contrário: quanto mais próxima do mar for uma área ou cidade, maior a sua maritimidade e menor a
sua continentalidade.
A continentalidade aumenta a amplitude térmica (diária e anual) de um lugar. Isso significa que as áreas continentais, principalmente aquelas
situadas no interior dos continentes, longe dos oceanos, esquentam bem mais durante o dia e esfriam bem mais durante a noite. Ou seja, as
amplitudes térmicas diárias (diferença entre a máxima e a mínima) de um lugar com grande continentalidade são bem maiores que as de um lugar
mais próximo do mar, desde que ambos tenham latitudes e altitudes semelhantes.
O lugar mais próximo do oceano sofre a influência dessa massa líquida: não é tão quente durante o dia, nem tão frio à noite. O mesmo ocorre
durante o ano: os lugares mais afastados do mar registram um verão mais quente e um inverno mais frio que os lugares situados perto do oceano.

b) Pressão atmosférica: outro fenômeno atmosférico importante é a pressão atmosférica,


que se refere ao peso do ar.

Em geral, os lugares mais altos têm menor pressão atmosférica que as áreas baixas, e as regiões
frias sofrem maior pressão do ar que as regiões quentes. Dessa forma, a altitude interfere na pressão at-
mosférica. Nas áreas de elevada altitude, a pressão diminui; nas áreas de baixa altitude, a pressão aumenta,

3ª UNIDADE | 1ª SÉRIE 5
Geografia física
Capítulo 1: Domínios morfoclimáticos

porque aí o peso ou a força que o ar exerce é maior. Em outras palavras, podemos dizer que as áreas mais
GEOGRAFIA

baixas têm mais ar acima delas e, portanto, mais pressão atmosférica.

A temperatura também influi na pressão do ar. O ar quente está mais dilatado, e o ar frio, mais com-
primido. Os corpos em geral se dilatam ou se expandem com o calor e se contraem com o frio. Assim, nas
áreas mais frias do planeta, próximas dos polos, a pressão atmosférica é maior.

A pressão do ar dá origem aos ventos. Estes sempre se originam em áreas onde a pressão atmos-
férica é maior e vão até as regiões onde a pressão do ar é menor.

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c) Vento: o vento, isto é, o ar em movimento, é outro fenômeno atmosférico. Trata-se do
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LEI Nº. 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998


deslocamento contínuo do ar na superfície terrestre.

São as diferenças de pressão atmosférica que explicam esse movimento, que ocorre principalmente
na horizontal, isto é, de uma área para outra. Mas esse movimento também pode ser vertical, ou seja, da
superfície, onde o ar é mais aquecido, para as elevadas altitudes.
Como toda a atmosfera é interligada, o ar mais comprimido (com maior pressão) de uma área
desloca-se em direção às áreas onde o ar está menos comprimido (com menor pressão). Como a Terra está
em movimento constante e as temperaturas variam durante o dia e o ano, o ar se desloca constantemente.
À medida que a área que recebe os ventos vai ficando com mais ar, uma parte desse ar retorna para a área
de onde veio, normalmente por meio de ventos de maiores altitudes. Dessa forma é mantido o equilíbrio do
ar na Terra.

d) Umidade do ar: o ar possui também partículas de água: é a umidade do ar. A água, sob
a forma de vapor ou de gotículas, está sempre presente na atmosfera.

O ar tem capacidade para conter um limite de vapor de água. Quando esse limite é atingido, o ar fica
saturado, isto é, “cheio”. O ar quente consegue conter mais vapor de água do que o ar frio. Se a temperatura
do ar saturado diminuir, o excesso de vapor que esse ar contém se condensa, isto é, passa para o estado
líquido. A condensação do vapor de água dá origem às diferentes formas de precipitação: orvalho, neve,
granizo, geada e chuva.

e) Nuvens e nevoeiros: a condensação do vapor de água na atmosfera dá origem às nuvens


e aos nevoeiros, que são formados basicamente por gotículas de água mais leves que o
ar. Quando a condensação ocorre perto do solo, forma-se nevoeiro, também chamado de
neblina.

Tanto os nevoeiros como as nuvens, com o tempo, precipitam a água que contêm na superfície. Os
nevoeiros perdem água quando entram em contato com superfícies frias (folhas, vidros dos carros etc.). As
nuvens dão origem às precipitações quando as gotículas de água se juntam, ficam mais pesadas e caem
sobre a superfície da Terra.

f) Precipitações: a chuva, a neve, a geada, o orvalho e o granizo são formas de precipitação


atmosférica.

Todas resultam da condensação, fenômeno que ocorre quando há resfriamento ou excesso de vapor
de água em um determinado lugar da superfície terrestre.

6 1ª SÉRIE | 3ª UNIDADE
Geografia física
Capítulo 1: Domínios morfoclimáticos

Essas formas de precipitação também resultam do acúmulo de minúsculas gotas de água ou de gelo

GEOGRAFIA
das nuvens que, ao adquirirem maior peso, acabam caindo. Quando a precipitação ocorre na forma líquida,
temos as chuvas. Quando ocorre na forma sólida (pequenos cristais de gelo), temos a neve, o granizo ou a
geada.

Massas de ar e frentes
As variações do tempo atmosférico, que podem ser muito bruscas num único dia ou em períodos
mais longos, são causadas pelo deslocamento das massas de ar que existem na atmosfera.
Em cada porção do planeta, o ar tende a apresentar, em extensas áreas, as mesmas características
de temperatura, pressão e umidade. Essas extensas porções de atmosfera, semelhantes a enormes “bolhas
de ar”, são as chamadas massas de ar.
Conforme a latitude em que se localizam, as massas de ar podem ser frias (nos polos e nas zonas
temperadas) ou quentes (nas zonas equatoriais e tropicais). As massas de ar que se originam sobre áreas
continentais (massas de ar continentais) em geral são secas. As que se originam sobre superfícies oceâni-<