UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul DeFEM - Departamento de Física, Estatística e Matemática Professor Regente

: Pedro Augusto Pereira Borges
A MODELAGEM MATEMÁTICA NA CONSTRUÇÃO DE TELHADOS COM DIFERENTES TIPOS DE TELHAS Acadêmicas do Curso de Matemática - Licenciatura Angéli Cervi - agelicervi@detec.unijui.tche.br Rosane Bins - rosane.bins@detec.unijui.tche.br Taila Deckert - taila.deckert@detec.unijui.tche.br 1. Introdução A Matemática é uma ciência onde se trabalha muito com abstração. Com a modelagem matemática, podemos aplicar muitos dos conhecimentos de Matemática adquiridos até o atual estágio do curso, em situações práticas vividas no dia-a-dia. A modelagem matemática é um método de investigação que utiliza a associação das estruturas matemáticas às variáveis e parâmetros de problemas dos quais necessita-se conhecer soluções com relativa precisão. Esses procedimentos de investigação da modelagem matemática podem, também, servir como uma possibilidade metodológica para o ensino de matemática, porém é necessário ter o cuidado para que isso não seja apenas uma atividade que procure firmar conceitos matemáticos, mas sim, que leve o aluno a aprender e a fazer modelos e também adquirir conhecimentos matemáticos. O tema escolhido para este estudo, foi à construção civil, que está presente no nosso cotidiano, e demanda de muitos cálculos, quer seja nos projetos estruturais, arquitetônicos, elétricos e hidráulicos, bem como nas previsões de quantidades de materiais e seus respectivos custos. Ao iniciarmos nossa pesquisa, vimos que o assunto é muito amplo e complexo, por isso decidimos pesquisar alguns aspectos sobre a construção do telhado, mais especificamente, as tesouras (treliças isostáticas) que servem para a sustentação da cobertura. Suas barras são dispostas de maneira a compor uma rede de triângulos, tornando o sistema estrutural indeslocável. O modelo de tesoura que mais se emprega no Brasil, para estruturas de madeira dos telhados residenciais é a tesoura inglesa ou howe, conforme vemos na figura 1. Esse modelo é indicado para casas de até 18,00 metros de vão, sendo que para casas com largura entre 10 e 18 metros, faz-se necessário confeccionar as tesouras com peças duplas. Além desta dimensão de vão, a estrutura passa a ser onerosa e alta, razão pela qual deve-se optar por outros modelos de estruturas.

utilizada em casas residenciais. com a utilização de telhas cerâmicas (francesa e colonial paulista) e chapas onduladas de cimento-amianto. faz-se necessário adequar o grau de inclinação do telhado. Descrição do Problema Com os modelos matemáticos que iremos desenvolver a seguir. foram praticamente banidas da nossa arquitetura. para casas de 6 a 10 metros de largura. cuja largura varia de 6 a 10 metros. de 100% a 25% de declividade. apresentam vantagem econômica. . As coberturas executadas em chapas onduladas de cimento-amianto. permitindo ainda maior distanciamento entre as terças.Figura 1 – modelo de tesoura inglesa ou howe A superfície de telhado pode ser formada por um ou mais planos (uma água. americana e romana respectivamente. Os modelos matemáticos deste trabalho foram baseados em um telhado plano em duas águas. cúpula ou arcos múltiplos). telhas de concreto (planas ou capa e canal) ou de chapas onduladas de cimento-amianto. aço zincado. além de dispensar o emprego de ripas e caibros. madeira aluminizada. A figura 2 mostra alguns modelos mais comuns de telhas cerâmicas. O ponto do telhado é a relação entre sua altura e a largura ou vão. que varia entre os limites de 1/2 a 1/8. 2. De acordo com o tipo de telhas empregado. ou seja. pois necessitam de menor inclinação do telhado. PVC e fiber-glass. As telhas de ardósia e chapas de cobre. duas águas. iremos nos ater apenas aos cálculos relativos às tesouras. quatro águas ou múltiplas águas) ou por uma ou mais superfície curvas (arco. e como já havíamos dito anteriormente. pois apóiam-se diretamente sobre as terças. procuramos saber qual a quantidade de madeira e o respectivo custo para a construção de uma tesoura simples. A cobertura pode ser de telhas cerâmicas. Figura 2: telhas: francesa. colonial paulista.

criamos um modelo de cálculo da altura da tesoura (H) em função da inclinação do telhado (I) e da largura da casa.a (1) onde: a = largura dividida por 2. já acrescida do beiral (L). altura I H largura (base) 1 a Aplicando a regra de três: H. com a simbologia utilizada no cálculo de sua altura.Figura 3 – tesoura howe. 3. criamos um modelo para cálculo do ângulo de inclinação do telhado ( ) Figura 4 – cálculo do ângulo de inclinação . Lembramos que a inclinação desejada varia de acordo com o tipo de telha a utilizar. ou seja: L/2 I = inclinação do telhado (em decimais) H = altura da tesoura Em seguida.a H=I. Resolução do Problema Em primeiro lugar.1=I.

Aplicando noções de trigonometria. (4) A seguir. passamos a calcular o comprimento das verticais e diagonais da tesoura. a O próximo passo é a criação de um modelo de cálculo do comprimento do banzo superior (B) da tesoura. temos: onde H = I . Figura 5 – cálculo do Banzo superior (3) onde: B = comprimento do banzo superior Feito isso. apresentamos um modelo de cálculo de um vão entre as verticais da tesoura somado à largura das verticais anterior e posterior ao vão (P1): . com a simbologia utilizada nos cálculos. procedendo da seguinte forma: Figura 6 – parte da tesoura.

um modelo de cálculo da largura do vão somada à largura da guia (P1 já encontrado). ao modelo do cálculo da altura da primeira vertical (v 1).com a utilização de conceitos de trigonometria: (5) Para que possamos calcular a segunda vertical. procuramos primeiramente. neste caso. também aplicando conceitos trigonométricos: (7) Na seqüência. multiplicado por 2 (P1): (6) Modelo de cálculo da altura da segunda vertical (v2).Passamos. agora. novamente o Teorema de Pitágoras . agora. Aplicamos. criamos um modelo de cálculo da primeira diagonal (d1) em relação à altura da primeira vertical (v1) e à largura do vão entre as verticais (P1).

em relação à altura da segunda vertical (v2) e à largura do vão entre as verticais (P1). = largura da guia. .(8) Necessitamos. o banzo superior. ainda. . para calcular a metragem total de madeira (M) necessária para a construção de uma tesoura. em um novo modelo matemático que engloba todos os outros já citados. obteremos o Custo da Madeira de uma tesoura (C). Multiplicando-se a metragem encontrada pelo preço do metro de guia (R). as verticais e as diagonais encontradas anteriormente: M = H + 2(a + B + v1 + v2 + d1 + d2) (10) Tentaremos. basta somar a base com a altura. resumir um pouco mais as fórmulas encontradas. sendo que L = largura da casa acrescida do beiral. também pelo Teorema de Pitágoras: (9) Enfim. de um modelo de cálculo para a segunda diagonal (d2). agora. onde: = inclinação (em decimais).

R (11) Para facilitar na simulação do modelo matemático.C=M. permitindo comparativos entre alguns tipos de telhas empregados nas construções residenciais. e para isso. e suas respectivas variações de inclinação. a partir de dados numéricos. criamos um organograma que apresentamos a seguir: . utilizamos o aplicativo MATLAB.

.

49 Cimento 19.91 83. o comportamento do custo em relação às inclinações dos telhados.27 25.32 114.24 97. a seguir. então. Tabela 1 – Comparativo dos valores quanto ao tipo de telha Largura da 6m 8m 10m Casa Tipo de Telha Metragem Custo Metragem Custo Metragem Custo Colonial 21.47 69. alguns dados obtidos.59 63. fizemos.40 91. . ainda.87 73.Figura 7 – Organograma para cálculo do modelo no aplicativo MATLAB. Simulamos. vimos que existem muitas discrepâncias.10 Francesa 22.73 35. Quanto à inclinação ideal para cada tipo de telha. Optamos em considerar em nossos cálculos. conforme gráfico abaixo.86 30.23 C 104. pois necessitam de menor inclinação. vimos que essa variação é praticamente linear.61 121. e. e que as telhas de cimento-amianto apresentam vantagem econômica.67 37.11 Amianto O gráfico abaixo. nos fornece uma visão de que o tipo de telha e a conseqüente inclinação do telhado têm influência no custo de fabricação de uma tesoura.69 32. Com o auxílio desse programa. especialmente nos dados fornecidos por fabricantes de telhas. e apresentamos. a inclinação mínima sugerida por Moliterno (1999). Gráfico 1 –comparativo dos valores quanto ao tipo de telha.36 28. algumas simulações.

em função de sua característica. Para que os cálculos com utilização dos modelos resultassem em uma aproximação confiável. usamos uma seqüência. Cada tipo de telha a ser escolhido. através de um tema comum como a construção civil. Já no programa que fizemos utilizando o MATLAB. pois nos deu uma idéia de como podemos explorar a aplicabilidade da matemática nas situações do dia-adia. inclusive. que as peças poderão ficar sobrepostas ao serem pregadas umas às outras. 4 – Conclusão Os modelos matemáticos foram criados de tal forma que. A partir dessa experiência. tem uma recomendação específica no que diz respeito à declividade da estrutura. bem como respectivo custo. Pelos resultados obtidos. tivemos a oportunidade de explorar um pouco mais os recursos tecnológicos que temos. trigonometria. que é a tesoura do telhado. temos mais uma ferramenta que pode ser . como por exemplo. radiciação. Esse trabalho foi de grande proveito para nós. podemos observar que a inclinação do telhado implica na quantidade de madeira a ser utilizada para a construção das tesouras. e outros mais. teorema de Pitágoras. geometria. para simplificar a digitação. onde cada fórmula utiliza resultados da anterior. como podemos ver na figura 6. as partes possam ser calculadas com os dados iniciais referentes ao comprimento da tesoura (a). podemos utilizar vários conhecimentos matemáticos. Por outro lado. como regra de três. e ainda mais.Gráfico 2 – custo de uma tesoura para casa com 10m de largura e sua variação quanto à inclinação do telhado. os softwares Matlab e Excel. com exceção das diagonais da tesoura (d1 e d2). considerando. utilizando apenas uma pequena parte da casa. consideramos nas medições sempre o lado extremo da peça a ser calculada. Foi fascinante ver como. a inclinação desejada (I) e a largura das guias ( ).

Outros pesquisadores poderão. onde poderíamos desenvolver outros modelos matemáticos que fossem úteis nas demais etapas da construção civil. Blumenau: FURB. Jan/Jun. 1999. 11. também. o qual requer diálogo constante com outras áreas do conhecimento. Jonêi Cerqeira. 5 – Referências Bibliográficas BARBOSA. e pode ser um caminho para despertar nos alunos o interesse por tópicos matemáticos que ainda desconhecem. pois ela leva em conta os interesses e necessidades práticas da comunidade. se aprofundar mais. Modelagem Matemática e Implicação no Ensino e Aprendizagem de Matemática. 1999. além de aprenderem à arte de modelar.134p. O que pensam os professores sobre a Modelagem Matemática? Zetetiké – CEMPEM – FE/UNICAMP. também. Maria Salett. matematicamente.utilizada como estratégia de ensino. n. Antonio. descobrindo novos modelos mais precisos para apuração dos valores. a um trabalho de natureza interdisciplinar. Entendemos que existe um campo muito amplo para ser explorado em relação a esse assunto. 1999. São Paulo: Edgard Blücher. 461p. MOLITERNO.. BIEMBENGUT. Seria importante podermos dar continuidade neste trabalho em outros momentos. Esse método conduz. Caderno de projetos de telhados em estruturas de madeira.7. v. . 2 ed.

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