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PM-CE

SUMÁRIO

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


Características básicas das organizações formais modernas: tipos de estrutura organizacional, natureza,
finalidades e critérios de departamentalização................................................................................................................... 13

Processo organizacional: planejamento, direção, comunicação, controle e avaliação......................................................25

Organização administrativa: centralização, descentralização, concentração e desconcentração; organização


administrativa da União; administração direta e indireta; agências executivas e reguladoras.........................................44

Gestão de processos............................................................................................................................................................... 3

Gestão de contratos.............................................................................................................................................................. 39

Planejamento estratégico..................................................................................................................................................... 25

Inovações introduzidas pela Constituição de 1988: agências executivas; serviços essencialmente públicos e
serviços de utilidade pública; delegação de serviços públicos a terceiros; agências reguladoras; convênios
e consórcios....................................................................................................................................................................44

Relações humanas no trabalho............................................................................................................................................ 34

Ética e cidadania................................................................................................................................................................... 36
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público
Carolina Rodrigues • Tatiani Carvalho • Luis Guilherme Gomes Winther Neves • Edgard Antônio Lemos Alves

GESTÃO POR PROCESSOS Gestão de Processos de Negócios – BPM

Uma visão inicial conceitua processos como um “conjunto Tido por autores como a “reengenharia da reengenharia”,
de recursos e atividades inter‑relacionadas ou interativas que a partir da virada do século surgiu a Gestão de Processos de
transformam insumos (entradas) em serviços/produtos (saí‑ Negócios, conhecido pelo termo BPM – Business Process
das), sendo realizado para agregar valor”. Também no âmbito Management – como solução para os desafios da integração
e de respostas rápidas às constantes mudanças no ambiente
do Programa GesPública, “um processo é um conjunto de
interno e externo das organizações.
decisões que transformam insumos em valores gerados ao
A filosofia BPM propõe uma abordagem de gestão natu‑
cliente/cidadão”. ral e sistêmica para os processos de negócio, que auxilia as
Uma definição de processo mais completa e atual é dada organizações a alcançar agilidade, flexibilidade, eficiência e
pela Secretaria de Gestão (SEGES): “conjunto integrado e sin‑ inovação, bem melhor do que as abordagens tradicionais de
crônico de insumos, infraestruturas, regras e transformações, administração são capazes de proporcionar.
que adiciona valor às pessoas que fazem uso dos produtos Um dos objetivos do BPM consiste em acompanhar como
e/ou serviços gerados”. os recursos da organização são direcionados e utilizados em
Essa visão reforça a ideia de que processos possuem o ações operacionais visando o alcance das metas previamente
compromisso de satisfazer as necessidades dos clientes/ definidas.
cidadãos, exigem sincronia, transformam elementos, seguem Os sistemas de BPM – Business Process Management
orientações e consomem recursos. Tal é a abordagem ado‑ exigem um profundo conhecimento do negócio como condi‑
tada pela Sociedade para a Ciência de Design e de Processos ção para garantir o sucesso na automação e gerenciamento
(SDPS, do inglês Society for Design and Process Science), de processos.
primeira instituição científica a ser criada no tema e com a Simplesmente, o modelo de gestão de processos BPM
qual o MP/SEGES possui cooperação em vigor desde 2009. é apresentado como um dos maiores paradigmas do novo
século, capaz de otimizar a tecnologia em prol de um modelo
gerencial apto a preparar as empresas para enfrentarem as
mudanças no ambiente, de forma mais rápida, inteligente

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


e eficaz.
O precursor do BPM foi o sistema de workflow oriundo
da década de 1980, que tinha foco na automação do fluxo
de trabalho. Os workflows compreendiam um conjunto de
softwares utilizados para gerenciar o desempenho (perfor‑
Uma característica importante dos processos é a inter- mance) da empresa, o que, naturalmente, envolvia os pro‑
funcionalidade. Embora existam processos realizados intei‑ cessos de trabalho. De maneira simples, o BPM acrescenta
ramente em uma unidade funcional, os principais processos aos antigos workflows a tecnologia de integração de sistemas
de uma instituição (sobretudo os processos de negócio) denominada EAI (Enterprise Application Integration), que
atravessam as fronteiras das áreas funcionais, sendo co‑ permite unir ao workflow o Mapeamento e o Controle dos
nhecidos como processos transversais, transorganizacionais Processos – além do foco no cliente e da melhoria contínua.
(cross‑organizational), interfuncionais, interdepartamentais Na década de 1990, foi a vez da Reengenharia de Pro-
ou horizontais. Tais processos são executados de forma trans‑ cessos de Negócios (Business Process Reengineering), que
apregoava uma mudança radical nos processos como forma
versal à estrutura “vertical”, típica das organizações estrutu‑
de obter um salto em ganhos. Houve também grande difusão
radas funcionalmente. Além disso, no caso da Administração
dos Sistemas Integrados de Gestão (ERP – Enterprise Resour-
Pública, deve ser dada importância especial aos processos ce Planning) utilizados para a automação dos processos de
que ultrapassam as fronteiras das instituições, como ocorre negócios. De maneira simples, a vantagem do BPM sobre o
na execução de políticas públicas. ERP está na simplificação das regras do processo (que podem
A estrutura horizontal dos processos é explorada por ser criadas pelas próprias áreas de gestão) e na possibilidade
abordagens de gestão organizacional baseadas no geren‑ de alteração dessas regras sem afetar a programação. Ou
ciamento de processos de negócio (BPM). Segundo o Guia seja, o BPM é capaz de redesenhar e otimizar os processos já
para o Gerenciamento de Processos de Negócio (CBOK), padronizados e automatizados de forma mais ágil e eficiente,
essa disciplina gerencial propõe uma abordagem orientada de modo a acompanhar às mudanças de mercado. Em me‑
para identificar, desenhar, executar, documentar, medir, nos de uma década, no entanto, a reengenharia perdeu seu
monitorar, controlar e melhorar processos de negócio au‑ encanto, pois falhou em seus propósitos e demonstrou falta
tomatizados ou não para alcançar os resultados pretendidos de agilidade e flexibilidade frente às mudanças.
consistentes e alinhados com as metas estratégicas de uma Na visão de Washington Grimas (2008), o  Business
organização. Process Manegement (BPM) é uma “filosofia de gestão su‑
O suporte ferramental no contexto de processos é indis‑ portada por plataformas tecnológicas, porque ele funciona
pensável, com destaque para os sistemas de automatização exclusivamente apoiado em outros processos de modo
da gestão de processos. A tendência é o tratamento de pro‑ a integrá‑los e representá‑los desde o seu estímulo até a
cessos como grandes redes complexas organizacionais que se entrega final do resultado ao cliente”.
estabelecem para atingir resultados comuns, o que aumenta Para Aalst et al (2003) apud Mozar Ramos (2011), o BPM
é definido como “o apoio aos processos de negócio usando
a demanda por tecnologias que permitam o compartilhamen‑
métodos, técnicas e sistemas computadorizados (softwa‑
to do conhecimento e a rápida tomada de decisão.

3
res) para projetar, executar, controlar e analisar processos Enfim, o BPM está muito na frente quando se trata de
operacionais envolvendo pessoas, organizações, aplicações, utilizar recursos de TI na gestão das empresas. O BPM vai
documentos e outras fontes de informação”. muito além de fornecer subsídios para a tomada de decisão.
Segundo Tadeu Cruz (2008), o BPM Ele utiliza uma visão mais abrangente da organização que
envolve um conjunto de aplicações e processos construídos
é um conjunto formado por metodologias e tec‑ de forma a otimizar a implementação das estratégias de
nologias cujo objetivo é possibilitar que processos negócio, com informações e alertas em tempo real, que
de negócios integrem, lógica e cronologicamente, permitem não só atuar no presente, mas olhar para o futuro
clientes, fornecedores, parceiros, influenciadores, de forma proativa com vistas a aproveitar oportunidades.
funcionários e todo e qualquer elemento com que Pode‑se até dizer que o BPM é quem conduz a organização.
eles possam, queiram ou tenham que interagir, dan‑ Uma boa solução de BPM deve suportar as atividades
do à organização visão completa e essencialmente básicas da gestão, que podem ser resumidas em: “definir uma
integrada do ambiente interno e externo das suas estratégia para conduzir a performance; traduzir a estratégia
operações e das atuações de cada participante em em objetivos, indicadores e metas; monitorar o progresso
todos os processos de negócio. em relação às metas; analisar os motivos em caso de metas
não atingidas; e selecionar e implementar ações corretivas”
De acordo com Mozar Ramos (2011) “diversas bibliogra‑ (Washington Grimas, 2008).
fias descrevem BPM como uma ferramenta, porém a BPMI Síntese dos benefícios obtidos com a implantação do BPM:
(Business Process Management Iniciative) o descreve como oferece segurança de que regras do negócio estão sendo
uma técnica gerencial, visto que envolve a descoberta, pro‑ realmente seguidas na prática; direciona automaticamente
jeto e entrega de processos de negócio, além do controle os problemas/exceções para os gerentes e responsáveis
executivo e administrativo dos mesmos”. pelos processos; monitora o status de todos os processos,
A implantação do BPM não é simples nem rápida; em aferindo se as atividades estão aderentes aos padrões, po‑
regra, deve existir uma equipe multidisciplinar (envolvendo líticas e procedimentos; facilita o gerenciamento da cadeia
executivos, profissionais de TI e o pessoal da execução) de suprimentos; oferece clara visão dos indicadores críticos
disponível para acompanhar todo o ciclo, para avaliar de‑ para o desempenho dos negócios; possibilita eliminação e/
senhos e redesenhos de processos, analisar e avaliar riscos, ou redução de tarefas manuais, automatizando‑as; possibilita
indicadores e resultados. eliminação de atividades que não agregam valor e/ou estão
De imediato é possível afirmar que o BPM vai além dos em duplicidade; possibilita a redução do tempo total dos
workflows1, transferindo informações para sistemas de exe‑ processos e o aumento da produtividade; possibilita visualizar
processos terceirizáveis; integra aplicativos, sistemas e outros
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cução de tarefas de forma automática, e ao mesmo tempo,


retornando com os resultados da execução, e ainda permi‑ fatores como pessoas, tecnologias, equipamentos; cria pontos
tindo que os usuários continuem com a transação, facilitando de contato simplificados para os processos, rastreando respon‑
a integração horizontal e vertical, operacional e gerencial. sabilidades; melhora os níveis de satisfação dos clientes em
O BPM possibilita a representação gráfica de todos os tipos relação a produtos/serviços; aumenta a vantagem competitiva
de trâmites, fluxos e desvios, permitindo que documentos da empresa e melhora a imagem da organização; aumenta
possam fluir em paralelos por canais diferentes. as vendas/faturamento, em face de clientes mais satisfeitos;
O BPM traz facilidades para seus usuários, como a de re‑ permite reduzir custos, face ao melhor fluxo das atividades e
ceber as tarefas a serem realizadas com as correspondentes eliminação de duplicidades; permite reação às mudanças e
instruções e links com informações necessárias à execução desenvolvimento de novos negócios de forma mais rápida;
dessas tarefas, economizando assim o tempo de busca dessas estimula a mentalidade das pessoas para a melhoria contínua;
informações, nem sempre disponíveis de imediato. possibilita alcançar os objetivos organizacionais estratégicos
O BPM permite a padronização de processos apontan‑ com maior transparência; identifica trilha de auditoria com‑
do para ganhos de eficiência e produtividade, oferecendo pleta para os processos da empresa.
soluções para analisar, medir e aperfeiçoar a gestão dos
processos e do próprio negócio da organização. Mesmo Gestão de Processos e Gestão por Processos2
padronizando e automatizando processos, o BPM é aberto
e permite modificações para atender as mudanças oriundas Ainda que não ocorra necessariamente antagonismo ou
das tendências de mercado. exclusão entre os dois conceitos, é preciso diferencia-los.
O BPM utiliza o modelo horizontal de gestão como forma Para facilitar a compreensão, podemos relacionar a gestão
de integrar fornecedores, clientes, gerência e funcionários de processos com o esforço de estabelecer sistemas de tra‑
com vistas a otimizar o processo de negócio, portanto, a in‑ balho submetidos a descrições, mensurações e controles das
atividades em função do que foi planejado. Gerir processos
tegração entre as aplicações informatizadas e as pessoas
é, portanto, monitorá-los para manter a conformidade e os
envolvidas na administração, monitoramento, análise e exe‑
resultados pretendidos. Esse monitoramento ocorre nas di‑
cução dos processos também são soluções oferecidas pelo
versas áreas que constituem uma organização de acordo com
BPM. Nesse modelo, há uma integração completa entre os
suas especificidades: a área de gestão de pessoas, a área de
processos operacionais e os sistemas analíticos.
suprimentos, a área de tecnologia e assim por diante. Todas
Outra aplicação dessa ferramenta (BPM) é na implemen‑
essas áreas têm os seus processos e eles precisam, obviamen‑
tação de estratégias e no acompanhamento e controle de
te, ser monitorados de forma eficiente. No entanto, quando
seus resultados. Também faz parte das soluções de BPM a
nos referimos à gestão por processos, a perspectiva é mais
integração de diferentes bases de TI como ERP, CRM, etc., de
global ou mais sistêmica: ela envolve o conjunto da organi‑
forma a permitir o acesso de forma simplificada a relatórios,
zação. A gestão por processo significa gerir a organização
consultas e análises.
considerando a interação entre os processos e entre esses
e o ambiente. Em outras palavras, a gestão de processos
1
Workflow é um termo inglês que significa “fluxo de trabalho”. O conceito do
workflow é de uma sequência de passos necessários para automatizar pro‑
cessos, de acordo com um conjunto de regras definidas, permitindo que estes 2
ENAP http://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2332/1/1.%20Apostila%20‑
possam ser transmitidos de uma pessoa para outra. -%20M%C3%B3dulo%203%20-%20Gest%C3%A3o%20de%20Processos.pdf

4
é uma abordagem administrativa e se apresenta com uma c) Subprocessos
abrangência muito reduzida em comparação com a gestão Os subprocessos são conjuntos de atividades necessárias
por processos, que é um estilo de gerenciamento da própria e suficientes para a execução dos processos. A quantidade de
organização (SORDI, 2008)3. Por ser uma perspectiva mais subprocessos depende da complexidade de cada processo.
estratégica, a gestão por processos exige que a organização Em um nível mais detalhado, as atividades de um subpro‑
atenda alguns requisitos: cesso são desmembradas em tarefas.
1. clareza de sua missão e objetivos (para que a organi‑
zação existe); Etapas para a execução de cada subprocesso:
2. identificação e definição dos processos críticos (aque‑ • Atividades
les que impactam sua razão de ser e objetivos estratégicos); As atividades são conjuntos de tarefas, com início e fim
3. definição dos serviços e/ou produtos que pretendem identificável, orientadas para a consecução dos objetivos de‑
oferecer em função de um público determinado (cliente ou finidos em cada etapa. O enfoque nesse caso é o que fazer
usuários); como condição necessária para se alcançar o objetivo. As
4. disponibilidade dos recursos necessários para gerar os atividades são classificadas em:
serviços ou produtos pretendidos; – Valor agregado: contribui para o resultado do proces‑
5. capacidade para gerenciar o fluxo de informações e as so, de forma positiva. Ex.: contatar o cliente dias depois
atividades necessárias para atingir os resultados pretendidos da manutenção do produto;
e a satisfação dos clientes ou usuários. – Handoff: realiza a transferência de controle do proces‑
so para outro departamento ou organização;
Fica claro, portanto, que os dois conceitos são distin‑ – Atividade transversal: executa várias especialidades
tos, porque envolvem perspectivas diferentes, mas não se em uma única operação para resolver problemas, não
excluem de forma intransponível. A organização orientada agrega valor e consome recursos;
por processos precisa, necessariamente, de processos bem – Atividades de controle: realiza um ponto de verificação
monitorados, caso contrário inviabiliza a possibilidade de especifico de validade de um processo, que permite
tê-los funcionando eficientemente em rede ou de forma sis‑ prevenir, corrigir e detectar situações indesejáveis,
têmica. Não obstante, é possível apontar algumas vantagens disparando processos de exceção, para assegurar que
da gestão por processos, sobretudo quando o contexto exige as metas sejam atingidas.
organizações mais versáteis e dinâmicas:
• a organização desenvolve-se além do seu desempenho • Tarefas
básico; Compreendem a sequência de passos para realizar uma
• direciona os esforços para resultados, por meio da me‑

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atividade. Os passos geralmente envolvem explicações deta‑
lhoria efetiva dos processos essenciais; lhadas sobre o como fazer, que fundamentam a construção
• mudança cultural (de visão por função para visão do ou definição de procedimentos.
todo); Segue a figura abaixo da decomposição de um processo4:
• facilita a gestão do conhecimento organizacional;
• permite a compreensão de como as coisas são feitas na
organização, revelando problemas, estrangulamento
e ineficiências;
• redução de custos (retrabalho e problemas logísticos,
por exemplo) e conflitos;
• aumento da satisfação dos clientes ou usuários (cida‑
dãos e colaboradores);
• concentra o foco no que realmente interessa;
• facilita a gestão das competências;
• proporciona flexibilidade organizacional (descentraliza‑
ção, organização em rede, alianças estratégicas entre
organizações).

Classificação de Processos

Por Níveis
a) Macroprocessos
Deve-se compreender por macroprocessos o conjunto de
processos fundamentais ou críticos para o cumprimento da
missão organizacional. Esses processos estão diretamente re‑
lacionados com fornecedores e clientes. Eles se voltam para
a obtenção de soluções integradas de produtos e serviços
capazes de satisfazer às necessidades dos clientes.

b) Processos
Os processos podem ser definidos, como já indicado an‑
teriormente, conjuntos de atividades inter-relacionadas ou
interativas que transformam insumos (entradas) em produtos
ou serviços (saídas) que têm valor para um grupo específico
de clientes ou usuários.

3
DE SORDI, José Osvaldo. Gestão por processos: uma abordagem da moderna 4
MARANHÃO, M. & MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: Mode‑
administração. 2º ed. São Paulo. Saraiva, 2008. lagem de processos de trabalho. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 2004.

5
Por Tipo 2. Análise;
a) Processos Finalísticos, Básicos ou Primários 3. Desenho e Modelagem;
Processos finalísticos são processos técnicos que com‑ 4. Implementação;
põem as atividades-fim da organização, diretamente en‑ 5. Monitoramento; e
volvidos no atendimento às necessidades dos clientes ou 6. Refinamento.
usuários. Eles se relacionam com a razão de ser ou com a
essência do funcionamento da organização. Os processos
enquadrados nesta categoria estão diretamente relacionados
com os fundamentos estratégicos da organização: missão,
visão de futuro e objetivos estratégicos.

b) Processos de Apoio ou de Suporte


Processos de apoio são aqueles que dão suporte às ativi‑
dades de natureza finalística da organização. Essa categoria
de processos está diretamente relacionada à gestão dos re‑
cursos internos da organização (atividades-meio). Exemplos
clássicos de processos de apoio são os que envolvem a ges‑
tão de pessoas, a gestão orçamentária e financeira, a gestão
de aquisições de bens e serviços ou o desenvolvimento de
tecnologias da informação. Eles também dizem respeito aos 1. Planejamento
processos gerenciais relacionados à definição de sistemas Nessa etapa são vistas as necessidades de alinhamento
de monitoramento e avaliação dos resultados alcançados estratégico dos processos. Segundo o Guia CBOK, deve‑se
pela organização. desenvolver um plano e uma estratégia dirigida a processos
para a organização, onde sejam analisadas suas estratégias e
c) Processos de Gerenciamento metas, fornecendo uma estrutura e o direcionamento para
Processos que coordenam as atividades de apoio e os gerenciamento contínuo de processos centrados no cliente.
processos finalísticos, assegurando que alcancem suas metas Além disso, são identificados papéis e responsabilidades
operacionais, financeiras, regulatórias e legais. São utilizados organizacionais associados ao gerenciamento de processos,
para medir, monitorar e controlar atividades de negócios. aspectos relacionados a patrocínio, metas, expectativas de
Não agregam diretamente valor aos clientes, mas são neces‑ desempenho e metodologias.
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sários para assegurar que a organização opere de maneira


efetiva e eficiente. 2. Análise
Michel Porter (1985)5 descreveu a cadeia de atividades De acordo com o CBOK, a análise tem por objetivo en‑
(processos), que fornecem valor ao cliente, e as atividades tender os atuais processos organizacionais no contexto das
que dão suporte as atividades finalísticas, no total de 9 ati‑ metas e objetivos desejados. Ela reúne informações oriun‑
vidades. As atividades primárias são: trazer materiais para das de planos estratégicos, modelos de processo, medições
dentro; transforma-los em produtos finais; expedir produ‑ de desempenho, mudanças no ambiente externo e outros
tos finais; comercializa-los; prestar assistência técnica. As fatores, a fim de compreender os processos no escopo da
atividades secundárias são: suprimentos, desenvolvimento organização como um todo. Durante essa etapa são vistos
tecnológico, recursos humanos, infraestrutura (custos da pontos como: objetivos da modelagem de negócio, ambien‑
administração geral, planejamento, finanças, contabilidade, te do negócio que será modelado, principais stakeholders6
jurídico, governo, alocados em todas as atividades primarias e escopo da modelagem (processos relacionados com o
e de apoio). objetivo geral).
Deve-se escolher o processo a ser analisado, estudar
o ambiente de negócio, a cadeia de valor, a análise SWOT
(ferramenta já vista em “Planejamento estratégico”), cultu‑
ra, handoffs, capacidades, gargalos (obstáculos no sistema
produtivo), custos, variações, envolvimento humano, análise
de causa raiz, dos riscos, análise da maturidade, e outros
fatores que interferem no processo.
Para uma análise de processos bem-sucedida, deve-se
considerar os fatores-chave de sucesso, que incluem lideran‑
ça executiva, uso de métricas, benchmarks7, interações com
clientes, usando técnicas como brainstorming (tempestade
cerebral ou tempestade de ideias), grupo focal (entrevis‑
tas com grupos, baseada na comunicação e na interação),
entrevistas, questionários, cenários, 5W2H (ferramenta da
Ciclo de Gerenciamento de Processos
6
Stakeholders é uma pessoa ou grupo que possui participação, investimento ou
De acordo com o guia CBOK, a prática de gerenciamento ações e que possui interesse em uma determinada organização ou negócio.
O inglês stake significa interesse, participação, risco. Enquanto holder significa
de processos de negócio pode ser caracterizada como um aquele que possui. Stakeholders também pode significar partes interessadas,
ciclo de vida contínuo (processo) de atividades integradas. sendo pessoas ou organizações que podem ser afetados pelos projetos e
processos de uma empresa.
Tal ciclo pode ser sumarizado por meio do seguinte conjunto 7
Benchmarking vem de palavra de origem inglesa que significa ‘referência’.
gradual e interativo de atividades: Ele nada mais é do que uma análise aprofundada das melhores práticas usa‑
1. Planejamento; das por empresas do mesmo setor. Essa prática já é usada há muito tempo
por indústrias de todos os tamanhos para analisar como seus produtos, seus
processos logísticos e de produção, por exemplo, estão desempenhando em
5
PORTER, Michel E. Vantagem competitiva. São Paulo: Campus, 1985. relação aos concorrentes.

6
qualidade já vista), simulações, mapeamento, considerações prevendo também a elaboração e execução de políticas e
culturais, entre outras. procedimentos novos ou revisados.

3. Desenho e Modelagem 5. Monitoramento/Gerenciamento de Desempenho


Segundo o Guia CBOK, o desenho de processo consiste na Segundo o Guia CBOK, é de suma importância a contínua
“criação de especificações para processos de negócio novos medição e monitoramento dos processos de negócio, forne‑
ou modificados dentro do contexto dos objetivos de negócio, cendo informações‑chave para os gestores de processo ajus‑
objetivos de desempenho de processo, fluxo de trabalho, tarem recursos a fim de atingir os objetivos dos processos.
aplicações de negócio, plataformas tecnológicas, recursos Dessa forma, a etapa de implementação avalia o de‑
de dados, controles financeiros e operacionais, e integração sempenho do processo através de métricas relacionadas às
com outros processos internos e externos”. metas e ao valor para a organização, podendo resultar em
Já a modelagem de processo é definida como “um con‑ atividades de melhoria, redesenho ou reengenharia.
junto de atividades envolvidas na criação de representações A etapa de gerenciamento de desempenho, também
de um processo de negócio existente ou proposto”, tendo pode ser chamada de “simulação e emulação”, sendo res‑
por objetivo “criar uma representação do processo em uma ponsável pela aferição e validação do processo, como forma
perspectiva ponta‑a‑ponta que o descreva de forma necessá‑ de garantir que o mesmo está representado conforme sua
ria e suficiente para a tarefa em questão”. Alternativamente realidade, bem como pelo estudo de diversos cenários, pos‑
chamada de fase de “identificação”, a modelagem pode ser sibilitando a análise de mudanças no processo. Essa etapa
também definida como “fase onde ocorre a representação do é uma aliada fundamental na redução de riscos quando da
processo presente exatamente como o mesmo se apresenta implementação do processo.
na realidade, buscando se ao máximo não recorrer a redução O Modelo de Governança e Gestão da Plataforma de
ou simplificação de qualquer tipo”. Processos – MGGPP apresenta um conjunto de indicadores
O Guia CBOK ressalta, no entanto, que a modelagem de atrelados à Governança e Gestão do ambiente de repositório
processos pode ser executada tanto para o mapeamento dos dos diagramas, da documentação, da capacitação e da satis‑
processos atuais como para o mapeamento de propostas de fação dos clientes/usuários da Plataforma com o objetivo de
melhoria. Além disso, segundo o Guia de Gestão de Processos monitora e analisar o desempenho dos processos de uma
do GesPública, ela requer a reflexão e definição do resultado perspectiva integrada.
esperado ao finalizar o processo, devendo buscar quais os
valores finais a serem gerados aos clientes/cidadãos. 6. Refinamento/Otimização
É importante obter respostas às seguintes questões: A etapa de refinamento ou transformação é, segundo o

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“por que é requerido tal resultado do trabalho?”, “que tipo Guia CBOK, responsável pela transformação dos processos,
de efeito o resultado irá gerar no todo?” e “qual a qualidade implementando o resultado da análise de desempenho. Ela
que o servidor imagina que seu resultado deve apresentar ainda trata de desafios associados à gestão de mudanças na
para ser útil ao processo?” As respostas geradas permitirão organização, à melhoria contínua e à otimização de processo.
uma modelagem mais completa, útil e consistente com a Alternativamente, é  chamada de “encenação”, revendo o
realidade. modelo de processo e implantando na prática as mudanças
De forma a complementar os diagramas de processo, propostas após o estudo de variados cenários.
deve‑se produzir uma documentação adicional durante a mo‑ O modelo SDPS, Society for Design and Process Science,
delagem, contendo as informações necessárias para atingir no entanto, considera as etapas de: Modelagem; Simula‑
os objetivos do processo. Essa atividade de documentação ção; Emulação; e Encenação. Nas empresas de consultoria,
pode ser também denominada “caracterização”, constituindo há quem prefira utilizar as seguintes etapas: estratégia de
uma forma de tornar ainda mais rica a representação dos processos; projeto de processos; implantação de processos;
processos. controle e monitoração de processos; e governança de
Por meio da Metodologia de Modelagem de Processos, processos. Qualquer que seja o ciclo de vida, ele se repete
é  possível obter orientações quanto ao uso da notação numa espécie de melhoria contínua.
BPMN8 (padrão definido pelo Governo Federal quanto à
modelagem de processos), bem como boas práticas de Melhoria de Processos e o Ciclo PDCA
modelagem de processos (ex. preparação do ambiente para
a modelagem, identificação dos processos, hierarquia de A análise e melhoria de processos são procedimentos
modelos, etc.). Associada à modelagem, a  documentação fundamentais para o desenvolvimento das organizações. Difi‑
dos processos também é contemplada pelo trabalho, que cilmente pode-se admitir a excelência gerencial sem atenção
fornece um guia indicando informações do processo e das direcionada para a melhoria dos processos organizacionais.
atividades do processo a serem especificadas e o modo A análise dos processos permite às organizações estruturar
como devem ser descritas – além de prover um modelo para adequadamente a sequência de suas atividades, simplificar
descrição de processos. processos, abordar de forma eficiente seus problemas e, so‑
bretudo, promover e garantir a qualidade de seus serviços e
4. Implementação produtos. Tanto na gestão de processos, quanto na gestão
A etapa de implementação é definida pelo Guia CBOK por processos, é necessário adotar um método de gerencia‑
como a fase que tem por objetivo realizar o desenho apro‑ mento que permita a melhoria contínua e o aperfeiçoamento
vado do processo de negócio na forma de procedimentos e incremental, bem como melhorias mais significativas a partir
fluxos de trabalho documentados, testados e operacionais; do aprendizado da organização. A mudança pode ser neces‑
sária em muitas circunstâncias para que se possa dar saltos
de qualidade e assegurar maior agregação de valor. Entre
8
BPMN – Business Process Model and Notation: notação que foi idealizada
primeiramente para melhorar a comunicação entre setores e pessoas, já que os métodos já consagrados e mais difundidos, encontra-se
estrutura e mostra o processo e suas fases. No entanto, permite também a o ciclo PDCA ou ciclo de Shewart, que constitui uma ferra‑
ilustração do processo de uma forma clara, especificando o processo de negócio menta simples e efetiva para uso gerencial, ferramenta essa
em um diagrama fácil de ler tanto para os usuários técnicos quanto para os
usuários de negócios. também abordada em Gestão da qualidade.

7
O ciclo PDCA ou ciclo de Shewart é um método geren‑ • identifique a pessoa, dentro do grupo;
cial de tomada de decisão que constitui elemento basilar do • verifique se há clientes indiretos;
sistema de gerenciamento pela qualidade. De acordo com • verifique a sequência do processo até chegar ao
essa perspectiva, todas as ações da organização deverão ter cliente final.
como orientação básica o cumprimento do referido ciclo. 3) Identificação dos requisitos do cliente:
O PDCA é um instrumento de gestão aplicável a qualquer • conscientize-se de que cada cliente pode ter neces‑
processo organizacional, do mais simples ao mais complexo. sidades diferentes;
A sigla PDCA é formada pelas iniciais das palavras em inglês • identifique os requisitos racionais do cliente;
Plan (planejar), Do (executar), Check (verificar) e Action (agir • identifique os requisitos afetivos do cliente.
corretivamente), que definem as suas fases ou etapas. Essas 4) Transformação dos requisitos do cliente em especifi‑
fases compreendem os seguintes procedimentos: cações:
• PLANEJAR (P): definir metas, horizontes, métodos e • verifique se as características desejadas podem ser
técnicas. Pode ser um planejamento estratégico, um medidas;
plano de ação, um conjunto de padrões ou cronogra‑
• analise os requisitos para verificar se não existem
ma.
contradições;
• EXECUTAR (D): executar as tarefas exatamente como
previstas na etapa de planejamento e coletar dados • verifique se todos os requisitos têm o mesmo peso;
para verificação do processo. Pode ser um programa de • analise se os requisitos do cliente são viáveis;
treinamento e educação seguido de ações operacionais • verifique o que pode ser negociado.
concretas, por processo. Nessa etapa são essenciais a
educação e o treinamento. Organização
• VERIFICAR (C): a partir dos dados coletados na execu‑ Na organização para a qualidade, as etapas a serem se‑
ção, comparar as metas definidas com os resultados guidas são:
obtidos. 1) Definição dos elementos do processo:
• CORRIGIR (A): eliminar as causas identificadas como • identifique os conhecimentos e as habilidades
geradoras de desvios (diferenças entre meta e resul‑ necessárias ao desenvolvimento do processo; •
tado), evitando-se a recorrência dessas causas. A ação procure conhecer a natureza dos materiais e das
corretiva pode acontecer em qualquer das etapas do informações que serão utilizados;
ciclo: durante o planejamento, a execução, a verifica‑ • faça um levantamento dos recursos e das instala‑
ção e dentro do próprio momento da correção. ções possíveis;
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

• oriente-se quanto aos métodos e aos procedimen‑


tos adequados;
• estabeleça padrões de desempenho.
2) Estabelecimento de medições necessárias. Identifi‑
que:
• o que medir;
• como medir;
• quando medir.
3) Determinação da capacidade do processo:
• verifique se o processo atende aos requisitos do
cliente, a um custo de não conformidade zero;
• assegure-se de que o processo escolhido seja efe‑
tivamente capaz de produzir o resultado desejado;
• avalie se as variações do processo permitem aten‑
der plenamente aos requisitos do cliente.

Controle
O controle da qualidade se verifica quando são executa‑
dos os seguintes passos:
Vejamos a seguir os procedimentos, ou o que deve ser 1) Avaliação dos resultados do processo:
feito, de forma mais detalhada em cada fase do PDCA. • compare o que foi efetivamente obtido com as es‑
pecificações acordadas com o cliente;
Planejamento • decida, após essa comparação, as ações que devem
As etapas a serem seguidas no planejamento para a qua‑ ser executadas a seguir.
lidade são as seguintes: 2) Reciclagem do processo:
1) Identificação do produto ou do serviço: • procure identificar as oportunidades de melhoria,
• identifique o resultado produzido, não a atividade; se nenhum problema for detectado;
• identifique o resultado específico, não o genérico; • adote a metodologia de análise e solução de pro‑
• diferencie os resultados intermediários dos resul‑ blemas, se a avaliação indicar a existência de um
tados finais; resultado indesejado do processo;
• identifique os resultados de acordo com o seu nível • ecicle o processo.
de responsabilidade.
2) Identificação do cliente:
Manutenção e Melhoria de Processos
• identifique o grupo que é o próximo a participar no
O gerente de processos tem pela frente sempre dois
processo de trabalho;
desafios. De um lado, a manutenção da rotina dos pro-

8
cessos nos padrões definidos e aceitos pela organização, • elaborar Procedimento Operacional Padrão (POP) para
garantindo a reprodução do sucesso já conquistado. Do atingir metas padrão;
outro, o gerenciamento da melhoria de processos, na busca • executar o POP;
contínua de adequação e readequação dos padrões do pro‑ • verificar a efetividade do POP;
cesso aos requisitos das partes interessadas, ou seja, a bus‑ • agir corretivamente, se necessário, removendo o sin‑
ca pelo estabelecimento de novos padrões. Estabelecidos toma e atuando na causa.
esses padrões, retoma-se o gerenciamento da manutenção,
garantindo-se dessa forma a atualidade e a continuidade 3) Melhoria da Qualidade: melhoria contínua dos pa‑
do processo. drões de trabalho (processo existentes) para satisfazer cada
Segundo Campos (1994), em uma organização que é vez mais as pessoas. Nesse caso, temos o gerenciamento das
administrada na filosofia do Controle da Qualidade, são melhorias, que envolve os seguintes procedimentos:
conduzidos três tipos de ação gerencial:
Gerenciando para Melhorar:
• identificar o problema;
1) Planejamento da qualidade: estabelecimento de no‑
• observar (reconhecimento das características do pro‑
vos padrões de trabalho (novos processos), baseados nas
blema);
necessidades (novos produtos) das pessoas (entre elas os
• analisar (descoberta das causas principais);
clientes internos e externos). • elaborar o plano de ação (contramedidas às causas
principais);
2) Manutenção da Qualidade: garantia do cumprimento • executar o plano de ação;
dos padrões de trabalho (processos existentes) para man‑ • verificar se a ação foi efetiva;
ter estáveis as características do produto/serviço, garan‑ • padronizar para eliminar definitivamente as causas;
tindo assim a satisfação das pessoas. Nesse caso, temos o • concluir (revisão das atividades e planejamento para
gerenciamento para manutenção, que envolve os seguintes trabalho futuro).
procedimentos:
A seguir são apresentados alguns diagramas para facilitar
Gerenciando para Manter: a compreensão dos dois tipos de gerenciamento: manuten-
• definir meta padrão; ção e melhoria.

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

9
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

10
Maturidade de Processos (visão do CBOK) controlando a variação, de forma que os resultados dos
processos sejam previstos ainda em estados intermediários.
A visão atualmente utilizada de Gestão de Processos de

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


Negócio define um ciclo de vida de um processo que parte • Nível 5 – Otimizado
de sua descoberta e segue até sua implementação. Ações de melhorias proativas e oportunistas buscam
De modo a tornar a instituição apta à implantação de inovações que possam fechar os gaps entre a capacidade
uma solução tecnológica de gerenciamento de processos, atual da organização e a capacidade requerida para alcançar
desenvolveu‑se um modelo de maturidade de processos de seus objetivos de negócio.
negócio, o Business Process Maturity Model. Cada um dos níveis de maturidade (2 a 5) é composto por
O modelo encontra‑se dividido em cinco níveis de matu‑ áreas de processos que habilitam a capacidade respectiva
ridade, assim como os demais modelos baseados no Process de cada nível. Dessa forma, a área de processo é estrutu‑
Maturity Framework. Cada um de seus estágios representa a rada para alcançar metas específicas na criação, suporte e
maneira como a organização é transformada na medida em sustentação do estado organizacional característico de cada
que seus processos e capacidades são aperfeiçoados. Abaixo nível. Cada uma dessas áreas é composta por uma coleção
apresentamos os níveis propostos: de melhores práticas integradas, as quais dizem o que deve
• Nível 1 – Inicial ser feito, mas não de que forma deve ser feito. As organi‑
Os processos são executados de maneira ad‑hoc, o geren‑ zações ficam, então, livres para estabelecer os métodos e
ciamento não é consistente e é difícil prever os resultados. abordagens que considerem mais adequados para satisfazer
as metas e objetivos de cada área de negócio.
• Nível 2 – Gerenciado
A gestão equilibra os esforços nas unidades de trabalho, Simplificação Administrativa dos Processos na Admi-
garantindo que sejam executados de modo que se possa nistração Pública
repetir o procedimento e satisfazer os compromissos pri‑
mários dos grupos de trabalho. No entanto, outras unidades O Guia “d” Simplificação Administrativa, no âmbito do
de trabalho que executam tarefas similares podem usar Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização
(GesPública), foi elaborado para auxiliar qualquer organi‑
diferentes procedimentos.
zação publica interessada em simplificar e melhorar seus
• Nível 3 – Padronizado
processos e normas, eliminando exigências de rotinas que
Os processos padrões são consolidados com base nas
geram fluxos desconexos na tramitação de documentos e
melhores práticas identificadas pelos grupos de trabalho,
que não agregam valor ao serviço prestado pela organização
e procedimentos de adaptação são oferecidos para suportar
e, por consequência, pelo Estado.
diferentes necessidades do negócio. Os  processos padro‑ De acordo com o Guia, todas as organizações desenvol‑
nizados propiciam uma economia de escala e base para o vem diversas atividades, que de forma integrada, formam
aprendizado através de meios comuns e experiências. processos, para promover a consecução dos objetivos da
organização, relacionados a sua missão.
• Nível 4 – Previsível Processo é um fluxo de trabalho, com início e fim deter‑
As capacidades habilitadas pelos processos padroniza‑ minados – com insumos e produtos/serviços, claramente
dos são exploradas e devolvidas às unidades de trabalho. definidos, e atividades que seguem uma sequência lógica,
O desempenho dos processos é gerenciado estatisticamen‑ que geram resultados para os clientes internos e usuários
te durante a execução de todo o workflow, entendendo e do serviço público (Guia “d” Simplificação).

11
O referido Guia, divide os processos em duas categorias: alinhados à missão e a visão, determinantes para o sucesso
• Processos finalísticos. das organizações.
• Processos de apoio. O documento está organizado em uma sequência lógica
de 10 passos, subdivididos em 4 grandes etapas: planeja-
Dentre os processos finalísticos e de apoio estão os pro‑ mento da simplificação, mapeamento do processo, analise
cessos críticos, que são aqueles de natureza estratégica, e melhoria dos processos, e implementação das melhorias.

A seguir, o detalhamento de cada uma dessas fases: causas do problema, analisa-se e prioriza-se a solução e
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

1. Planejamento da simplificação: esta etapa visa a mo‑ identifica-se os responsáveis e prazos.


delagem conceitual do processo, composta por duas fases: 3.2 Modelagem de processos: realiza-se a comparação
1.1 Preparar os pré-requisitos da simplificação, que in‑ do modelo, propondo melhorias (should be – como deveria
clui a composição, capacitação da equipe e mobilização da ser), de acordo com necessidades dos clientes/usuários e
organização. dos recursos, executando:
1.2 Elaborar o plano de trabalho, no qual há: • Análise PDCA (Plan, Do, Check, Act) – fazer simulações,
• Priorização da simplificação – escolha dos processos inovações e redesenhos.
críticos (técnica GUT9). • Análise de coesão (interdependência entre etapas) e
• Definição do escopo de atuação da simplificação. acoplamento (interdependência entre agrupamento de eta‑
• Elaboração do plano, com objetivos, justificativa, cro‑ pas ou subprocessos). A melhoria do novo processo requer a
nograma (responsáveis e prazos) e estimativa custo. máxima coesão entre as etapas e o mínimo de acoplamento
• Aprovação do plano, submentendo-o à alta adminis‑ entre os subprocessos.
tração. • (Re) Desenho do novo processo: criar novas especi‑
ficações, documentar, integrar com os demais processos,
2. Mapeamento do processo: nesta etapa, realiza-se a elaborando o mapa de processos de negócios, através de
análise do processo, que envolve entender e documentar o uma notação (fase To-Be – como será).
“estado atual” (fase As-Is – como está) e envolve: 3.3 Sistema de medição de desempenho: medição de
2.1 Levantamento das etapas e normas: preparação, eficiência, eficácia, economicidade e efetividade dos proces‑
identificação e agrupamento de etapas e normas – já se inicia sos, por meio da aplicação de indicadores.
a identificação de melhorias.
2.2 Identificação dos elementos do processo: utilização 4. Implantação das melhorias (redesenhar e inovar):
da matriz FEPSC – fornecedor, entrada, processamento, sa‑ nessa fase, realiza-se a proposta de simplificação e imple‑
ída, cliente -, também, denominada analise SIPOC, através mentação do novo processo.
de observações, entrevistas e outras técnicas. 4.1 Proposta de simplificação: síntese do desenho do pro‑
2.3 Desenho do fluxograma do processo: desenho gráfico cesso para apreciação da autoridade competente e aprovação.
com símbolos padronizados que mostra a sequência lógica 4.2 Implementação do novo processo: elaboração de
das etapas de um processo e os atores responsáveis. manual de procedimentos, capacitação dos envolvidos no
novo processo, ampla divulgação do novo funcionamento
3. Análise e melhoria do processo: nesta fase realiza-se e benefícios.
a análise, o desenho e modelagem (descrição) do processo.
Compõem-se das seguintes etapas: O controle e a monitoramento dos processos, apesar de
3.1 Elaborar a árvore de soluções: identifica-se os prin‑ ausentes na matriz de simplificação, fazem parte de qual‑
cipais problemas, analisa-se a causa e efeito, detalha-se as quer modelo de gestão. São responsáveis pela realização de
medições por meio de indicadores, métodos estatísticos e
Ferramenta de qualidade já mencionada. É uma ferramenta de auxílio na diagramas de causa-efeito, gerando informações de otimi‑
9

priorização de resolução de problemas (G - Gravidade, U - Urgência e T –


Tendência). zação e planejamento.

12
REFERÊNCIAS Caracteristicas Básicas das Organizações Formais
Modernas
Guia de Gestão de Processos do Governo. Maio 2011. http://
gestao.planejamento.gov.br/gespublica/sites/default/files/ Sob o ponto de vista formal, uma organização empresarial
documentos/guia_de_gestao_de_processos_de_governo_0. consiste em um conjunto de encargos funcionais e hierár‑
pdf quicos, orientados para o objetivo econômico de produzir
bens ou serviços. A estrutura orgânica deste conjunto de
http://c.ymcdn.com/sites/www.abpmp.org/resource/resm‑ encargos está condicionada à natureza do ramo de atividade,
gr/Docs/ABPMP_CBOK_Guide__Portuguese.pdf aos meios de trabalho, às circunstâncias socioeconômicas
da comunidade e à maneira de conceber a atividade orga‑
PALUDO, Augustinho Vicente. Administração Pública. 5. ed. – nizacional.
Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2016. As principais características da organização formal são:
1. Divisão do Trabalho;
ADMINISTRAÇÃO GERAL 2. Especialização;
3. Hierarquia;
“Vivemos em uma sociedade de organizações, na 4. Distribuição da autoridade e da responsabilidade;
qual tudo aquilo que precisamos é criado e produ‑ 5. Racionalismo.
zido por organizações. E para serem bem-sucedidas,
as organizações em geral e as empresas em parti‑ 1. Divisão do Trabalho
cular precisam ser administradas, assim como as O objetivo imediato e fundamental de todo e qualquer
nações”. Idalberto Chiavenato tipo de organização é a produção. Para ser eficiente, a pro‑
dução deve basear-se na divisão do trabalho, que nada mais
A Administração é uma das ciências mais novas em es‑ é do que a maneira pela qual um processo complexo pode
tudo pela humanidade, mas tem fundamental importância ser decomposto em uma série de pequenas tarefas. O pro‑
na história de todas as outras ciências, pois através dela que cedimento de divisão do trabalho começou a ser praticado
as outras ciências puderam disponibilizar a sociedade seus mais intensamente com o advento da Revolução Industrial,
produtos e serviços, frutos das suas invenções. provocando uma mudança radical no conceito de produção,
A Administração é uma das melhores soluções para os principalmente na fabricação maciça de grandes quantida‑
problemas atuais da humanidade, atuando no desenvolvi‑ des, através do uso da máquina substituindo o artesanato

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


mento econômico, passando pelas desigualdades sociais, e o uso do trabalho especializado na linha de montagem. O
pela melhoria contínua da qualidade de vida até chegar a importante era que cada pessoa pudesse produzir o máximo
sustentabilidade ecológica e a preocupação com o futuro de unidades dentro de um padrão aceitável. Esse objetivo
da humanidade. somente poderia ser atingido automatizando a atividade
A administração é uma ciência desenvolvida por e para humana ao repetir a mesma tarefa várias vezes. A divisão
as organizações, e essas se sobressaem entre as maravilhas do trabalho foi iniciada ao nível dos operários com a Admi‑
criadas pelo homem, sendo as organizações as mais comple‑ nistração Científica no começo deste século.
xas e valiosas formas de se trabalhar, criar, projetar, produzir
e distribuir bens e serviços. 2. Especialização
Vivemos em um mundo rodeado e gerido por organiza‑ A especialização do trabalho proposta pela Administração
ções. Essas atuam em três setores devidamente distintos de Científica constitui uma maneira de aumentar a eficiência
atuação, estes são: e diminuir os custos de produção. Simplificando as tarefas,
• Primeiro Setor: conhecidas como organizações gover‑ atribuindo a cada posto de trabalho tarefas simples e repeti‑
namentais (ministérios, secretarias, repartições públi‑ tivas que requeiram pouca experiência do executor e escas‑
cas e etc.). sos conhecimentos prévios, reduzindo assim os períodos de
• Segundo Setor: conhecido como mercado (indústria, aprendizagem, facilitando substituições de uns indivíduos por
bancos, comércio, energia, entretenimento, segurança, outros, permitindo melhorias de métodos de incentivos no
informação). trabalho e, consequentemente, aumentando o rendimento
• Terceiro Setor: conhecidas como organizações não de produção.
governamentais (ONGs) que são responsáveis por re‑
presentar a sociedade. 3. Hierarquia
Uma das consequências do princípio da divisão do tra‑
Independente de qual setor as organizações fazem parte, balho é a diversificação funcional dentro da organização.
elas vão se diferenciar em tamanho, podendo ser classifica‑ Porém, uma pluralidade de funções desarticuladas entre si
das em grandes, médias ou pequenas. E cada organização, não formam uma organização eficiente. Como decorrência
mesmo atuando no mesmo setor, vão ser únicas nas suas das funções especializadas surge inevitavelmente a de co‑
formas de gestão, daí surge a necessidade de ampliar os mando, a fim de dirigir e controlar todas as atividades para
nossos conhecimentos. que sejam cumpridas harmoniosamente. Portanto, a orga‑
O que estudaremos a seguir mostra como essa ciência se nização precisa além de uma estrutura de funções, de uma
desenvolveu e teremos uma noção geral do funcionamento estrutura hierárquica, cuja missão é dirigir as operações dos
das organizações. níveis que lhes estão subordinados. Em toda organização
Lembrando que nenhum dos assuntos que estudaremos formal existe uma hierarquia. Esta divide a organização
é mais ou menos importantes, mais ou menos atuais, na ver‑ em camadas, escalas ou níveis de autoridade, tendo os
dade, todos possuem uma grande importância e influência superiores autoridade sobre os inferiores. À medida que
na Administração moderna e nos princípios aplicados hoje se sobe na escala hierárquica, aumenta-se a autoridade do
em todas as áreas da gestão pública. ocupante do cargo.

13
membros. O princípio básico de conceber uma organização
é que, dentro de limites toleráveis, os seus membros se com‑
portarão racionalmente, isto é, de acordo com as normas
lógicas de comportamento prescritas para cada um deles.
Dito de outra forma, a formulação orgânica de um conjunto
lógico de encargos funcionais e hierárquicos está baseada no
princípio de que os homens vão funcionar efetivamente de
acordo com tal sistema racional. De qualquer forma, via de
regra, toda organização se estrutura a fim de atingir os seus
objetivos, procurando com a sua estrutura organizacional a
minimização de esforços e a maximização de rendimento.
Em outras palavras, o maior lucro, pelo menor custo, dentro
de um certo padrão de qualidade. A organização, portanto,
não é um fim, mas um meio de permitir à empresa atingir
adequadamente determinados objetivos.

Tipos de Autoridade
Distribuição da Autoridade e da Responsabilidade
1. Autoridade de Linha
A hierarquia na organização formal representa a autori‑
dade e a responsabilidade em cada nível da estrutura. Por Manifesta-se dos superiores para os subordinados atra‑
toda a organização existem pessoas cumprindo ordens de vés de ordens, sendo do maior para o menor. O chefe tem o
outras situadas em níveis mais elevados, o que denota suas direito de emitir ordens e espera obediência daquelas pes‑
posições relativas, bem como o grau de autoridade em re‑ soas que trabalham para ele.
lação às demais. A autoridade é o fundamento da responsa‑
bilidade dentro da organização formal e deve ser delimitada 2. Autoridade de Assessoria ou Staff
explicitamente.
De um modo geral, o direito de comandar diminui à me‑ Na organização linha-staff coexistem órgãos de linha
dida que se vai do alto para baixo na estrutura hierárquica. (execução) e de assessoria (consultoria) mantendo relações
Fayol dizia que “autoridade” é o direito de dar ordens e o simultâneas entre si. Os órgãos de linha caracterizam-se pela
poder de exigir obediência, conceituando-a, ao mesmo tem‑
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

autoridade linear e pelo princípio escalar, enquanto os órgãos


po, como poder formal e poder legitimado. Como condição de staff prestam assessoria e serviços especializados.
básica para a tarefa administrativa, a autoridade investe o Atualmente, esse estilo organizacional é o mais adotado
administrador do direito reconhecido para dirigir subordina‑ pelas empresas devido à alta competitividade do mercado
dos que desempenhem atividades dirigidas para a obtenção e aumento de complexidade das tarefas. As organizações
dos objetivos da empresa. A autoridade formal é um poder, buscam na especialização das atividades internas unir as
uma faculdade, concedida pela organização ao indivíduo que vantagens dos estilos organizacionais linear e funcional.
nela ocupe uma posição determinada em relação aos outros.

Racionalismo da Organização Formal 3. Autoridade Funcional

Uma das características básicas da organização formal é o Tem poder para determinar o que os outros devem fazer.
racionalismo. Uma organização é substancialmente um con‑ As mesmas funções geralmente exercem autoridade de li‑
junto de encargos funcionais e hierárquicos cujas prescrições nha e autoridade funcional, independente das relações entre
e normas de comportamento devem sujeitar todos os seus chefes e subordinados.

14
Origem e Finalidade das Organizações O “o quê?” é o foco – alvo de toda ação administrativa
desenvolvida no interior do artefato.
Antes de conceituar as organizações, é interessante en‑ O “por quê?” são os imperativos determinantes – fonte
tender porque elas existem. Para Coelho (2004) as organiza‑ da ação humana administrativa: apetites, sentimentos, inte‑
ções existem, porque todos precisamos de bens e serviços resses, atitudes, hábitos, cultura, crenças, valores, princípios.
para viver e são as organizações as responsáveis por produ‑ (MEIRELES, 2003, p. 46).
zir esses bens e serviços. Portanto as organizações existem
para atender às necessidades e desejos da sociedade e do CLASSIFICAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES
mercado.
Sobre a origem das Organizações Coelho (2004) diz que: Cury (2003), classifica as organizações segundo três cri‑
térios: flexibilidade, complexidade e evolução histórica. A
Na Antiguidade, roupas e víveres eram produzidos organização pode ser definida segundo sua capacidade de
na própria casa, para os seus moradores, apenas ser mais ou menos flexível. Organizações menos flexíveis
os excedentes eventuais eram trocados entre vizi‑ tendem ao estilo de organização burocrática. Organizações
nhos ou na praça.[...] Alguns povos da Antiguidade, mais flexíveis tendem ao estilo de organização adhocrática.
como os fenícios, destacaram-se intensificando as Os conceitos de Burocracia e Adhocracia foram desenvolvidos
trocas e, com isto, estimularam a produção de bens respectivamente por Max Weber e Alvin Toffler.
destinados especificamente à venda. Esta atividade Complexidade não significa necessariamente tamanho,
de fins econômicos, o comércio, expandiu-se com uma grande empresa pode ser menos complexa que uma
extraordinário vigor. (COELHO, 2004, p. 5) pequena empresa. Complexidade está ligada aos processos
internos da organização, sua estrutura e à forma com que
Nem sempre houve a necessidade de ser juntar pessoas ela age.
e recursos a fim de produzir bens ou serviços para atender a Cury (2003) divide as organizações em três tipos segundo
sociedade. Contudo, nos tempos contemporâneos, as orga‑ sua complexidade:
nizações ganharam complexidade e volume. As organizações • empresa de 1º tipo, isto é, organização tradicional, de
estão se expandindo e melhorando a cada dia, impulsionadas tecnologia simples, de produção rotineira, de ambien‑
pela alta competitividade e a exigência da sociedade. te estável, mecanicista, com ênfase em suas próprias
As organizações existem para servir às necessidades e atividades;
desejos das pessoas. Essas entidades são planejadas, organi‑ • empresa do 2º tipo, isto é, organização um pouco mais
zadas, dirigidas e controladas por administradores, por meio complexa, tanto no que diz respeito à tecnologia utili‑

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


da Administração e é na organização que o administrador zada quanto no que se refere ao cenário de produção,
nasce e se desenvolve. não tão programável, de ambiente com certa comple‑
xidade, com ênfase no indivíduo, procurando motivá-lo
CONCEITOS DE ORGANIZAÇÃO no trabalho;
• empresa do 3º tipo, isto é, organização de tecnologia
É importante destacar a diferença entre Organização e de ponta, às vezes nova, de ambiente de alta incerteza,
Estrutura Organizacional. A primeira é a união de pessoas, turbulento, de alta interdependência entre suas diversi‑
ideias, ideologias, e recursos para atingir objetivos. A segunda ficadas áreas, com ênfase grupal, buscando a mobiliza‑
é a forma como essa organização será racionalizada, seus ção da força de trabalho, induzindo a uma abordagem
métodos e estruturação para agir. adhocrática e contingencial, com estruturas predomi‑
Com tantos conceitos semelhantes de organização, dois nantemente temporárias. (CURY, 2003, p. 131)
conceitos foram escolhidos para se destacarem neste traba‑
lho. O primeiro é o conceito desenvolvido por Cury (2000) O mundo hoje requer organizações mais complexas, pois
a partir da união de conceitos de autores diversos: “[...] a elas devem acompanhar a sua alta complexidade e volatilida‑
organização é um sistema planejado de esforço cooperativo de, porém as organizações devem procurar a melhor maneira
no qual cada participante tem um papel definido a desem‑ de se organizar que lhe trará os melhores resultados, seja ela
penhar e deveres e tarefas a executar”. (CURY, 2000, p. 116). do 1º, 2º ou 3º tipo. Através da linha do tempo as organiza‑
O segundo conceito vem de Meireles e Paixão (2003). ções se estruturaram de maneiras diferentes, adequadas a
Relacionando a ideia de estrutura complexa de Gareth Mor‑ cada momento histórico que vivenciaram.
gan, a ideia de artefato de Herbert Simon, Meireles e Paixão Cury (2003) destaca três modelagens das organizações
chegaram ao seguinte conceito: [...] a organização é um ar‑ em busca de efetividade: tradicional, moderna e contem‑
tefato que pode ser abordado como um conjunto articulado porânea, é importante ressaltar que todos os momentos
de pessoas, métodos e recursos materiais, projetado para foram fundamentais para se entender e chegar ao estilo
um dado fim e balizado por um conjunto de imperativos mais adequado de cada empresa dentro de suas limitações
determinantes (crenças, valores, culturas etc.). (MEIRELES, e objetivos.
2003, p. 46). Cada momento foi imprescindível para que se aprendesse
com as falhas históricas e procurar os acertos, aprimorando
Meireles (2003) divide este artefato complexo em cinco através do tempo e desenvolvendo diferentes formas de se
questões básicas: Quem? Como? Com quê? O quê? Por quê? realizar a arte e ciência de administrar.
O “quem?” é o humanware – conjunto de pessoas re‑
queridas pelo artefato. ORGANIZAÇÃO FORMAL E INFORMAL
O “como?” é o software – tecnologia procedimental, a
maneira de fazer as coisas. 1. Organização Formal: dá-se o nome de organização
O “com quê?” é o hardware – conjunto de recursos ma‑ formal à estrutura de relações profissionais entre pessoas,
teriais (incluindo financeiros): equipamentos, máquinas, planejadas no sentido de facilitar a realização dos objetivos
valores escriturais, créditos e valores. globais da organização.

15
A organização formal é a organização oficialmente ado‑ soas que ocupam posições na organização formal. Em outras
tada e é geralmente caracterizada pelo organograma e pelos palavras, a organização informal compõe-se de sentimentos
manuais de organização. de afeição ou rejeição entre pessoas, de atitudes favoráveis
Os principais aspectos apresentados pela organização e desfavoráveis em relação as práticas administrativas, de
formal são: cooperação ou hostilidade entre grupos. Envolve uma com‑
• os órgãos, departamentos, divisões, seções, setores, etc; plicada trama de processos espontâneos relativos ao campo
• os cargos, de diretores, de gerentes, de supervisores, comportamental que surge, se desenvolve e predomina so‑
de funcionários, de operários etc; bre as relações que teoricamente são formais.
• a hierarquia de autoridade, como autoridade e res‑ As principais características da organização informal são:
ponsabilidade previamente definidas; • grupos informais que se desenvolvem de acordo com
• os objetivos e os planos definidos para alcançá-los os interesses comuns e a identificação entre as pesso‑
adequadamente; as. Podem ser blocos de interesses, círculos de amiza‑
• a tecnologia, que constitui o modo de realizar o traba‑ des, “panelas” etc;
lho dentro da organização. • atitudes e comportamentos que manifestam percep‑
ções favoráveis ou desfavoráveis as práticas adminis‑
A organização formal espelha a maneira lógica e racional trativas;
como a organização se estrutura a fim de coordenar e inte‑
• normas de trabalho que os diversos grupos estabe‑
grar os esforços de todos os membros.
lecem como padrão de desempenho aceitável nas
2. Organização Informal: as organizações, apesar de sua
suas atividades e que são impostas a todos os seus
natureza lógica e racional, não são entidades totalmente me‑
membros, independentemente das normas formais e
cânicas. Elas são dotadas de pessoas que, embora ocupem
posições dentro da organização formal e realizem o trabalho oficiais da organização;
através da tecnologia, desenvolvendo o que chamamos de • padrões de liderança que podem conferir autoridade
organização informal. Existem padrões de comportamentos e informal a certas pessoas, independentemente de sua
relacionamentos que não constam no organograma. Existem posição na organização formal.
amizades e antagonismos, indivíduos que se identificam com
outros, grupos que se afastam de outros e uma grande varie‑ O desafio para a administrador é conciliar e harmonizar
dade de relações no trabalho ou fora dele, que constituem as características desses dois fenômenos, ou seja, adequar o
a chamada organização informal. perfil da organização formal e da organização informal para
A organização informal é uma rede de relacionamentos e obter efeito de sinergia e eliminar qualquer tipo de disso‑
nância entre ambas.
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

interações que se desenvolve espontaneamente entre as pes‑

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Os autores da Teoria Contingencial estudaram quatro


empresas de diferentes ramos industriais, com ritmos va‑
DEPARTAMENTALIZAÇÃO riados de mudança ambiental. O estudo demonstrou que
as empresas que se encontravam em ambientes mais instá‑
Condicionantes da Estrutura Organizacional veis, adotavam estilos mais flexíveis e formas mais orgânicas;
as empresas que pertenciam a um ambiente de natureza
Ao final dos anos 1950, foram realizados estudos sobre mais estável, adotavam formas mais mecanicistas. (BURNS
fatores contingenciais determinantes da estrutura organiza‑ E STALKER, 1961)
cional. A teoria contingencial estabelece que não existe uma Posteriormente o estudo de Lawrence e Lorsch (1973)
melhor forma de organizar. A estrutura dependerá de fatores mostrou ser necessário variar os estilos de organização en‑
contingenciais como o ambiente, a tecnologia, o tamanho e tre as subunidades da empresa, em função dos respectivos
a estratégia. A empresa deve se ajustar a estes fatores para subambientes. Por exemplo: os departamentos de produção
atingir uma forma adequada. (DONALDSON, 1998) se caracterizam por ambientes mais propícios à divisão de

16
tarefas e com objetivos de curto prazo, por isso adotam for‑ pantes: empregados, investidores, fornecedores, distribui‑
mas mais burocráticas. Já os departamentos de pesquisa e dores e consumidores, todavia, está claro que nem todos os
desenvolvimento têm características menos formais e predo‑ participantes atuam dentro da organização, embora todos
minantemente de longo prazo, por isso adotam formas mais mantenham uma relação de reciprocidade com essa.
orgânicas. O estudo enfatizou que de acordo com a atividade, Os participantes podem ser identificados em termos de
algumas empresas necessitam ser mais orgânicas e o grau de contribuições e estímulos da seguinte maneira:
flexibilidade varia, também, dentro das subunidades. • Empregados: fornecem trabalho e recebem salários e
benefícios.
EQUILÍBRIO ORGANIZACIONAL • Investidores: fornecem capital e recebem lucros e di‑
videndos.
A obra de Herbert Simon é um marco na Administração, • Fornecedores: fornecem mercadorias/serviços e rece‑
pública ou privada, compreendendo várias faces da gestão bem pagamentos.
e da conformação das organizações como sistema, seja em • Distribuidores: fornecem meios para levar os bens ao
aspectos estruturais, seja em seus aspectos dinâmicos. Sua mercado e recebem pagamentos.
contribuição agrega valor não somente na explicação das • Consumidores: fornecem meios de realização finan‑
organizações como estruturas funcionais, mas também no ceira das mercadorias/demandas/receitas e recebem
sentido de entender os comportamentos dos agentes en‑ mercadorias/bens.
volvidos. Dentre suas principais contribuições, a teoria do
Organização
equilíbrio organizacional (desenvolvida com a participação
• Participantes, estímulos, contribuições.
de James March) é uma das mais importantes, pois alia a
• Empregados, salários, benefícios, trabalho.
análise de vários fatores da organização com a participação
• Investidores, lucros, dividendos, capital.
dos agentes e seu desempenho em termos de eficiência e
• Fornecedores, mercadorias, bens, pagamentos.
eficácia.
• Distribuidores, serviços, distribuição, disponibilização
São postulados básicos da teoria do equilíbrio organi‑
no mercado pagamentos.
zacional: • Consumidores, mercadorias, bens e serviços merca‑
• uma organização é um sistema de comportamentos dorias/demanda/receita.
sociais inter-relacionados de numerosas pessoas que
são os participantes da organização; Tais participantes influenciam direta e indiretamente na
• cada participante e cada grupo de participantes rece‑ dinâmica da organização, podendo seu comportamento e
be estímulos (incentivos, recompensas) em troca de desempenho serem mais ou menos funcionais ou até mesmo

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


contribuições à organização; disfuncionais para a manutenção e melhoria da organização.
• todo participante manter sua participação na organi‑ Para provar sua funcionalidade, a teoria deve estimar
zação enquanto os estímulos que lhe são oferecidos empiricamente:
forem iguais ou maiores do que as contribuições que • o comportamento dos participantes ao permanecer,
lhe são exigidas; ingressar ou sair da organização;
• as contribuições trazidas pelos vários grupos de parti‑ • o equilíbrio de estímulos e contribuições para cada
cipantes que constituem a fonte na qual a organização participante, medidos em termos de utilidade. Ainda,
se supre e se alimenta dos estímulos que oferece aos para estimar o equilíbrio entre estímulos e contribui‑
participantes; ções deve-se verificar a satisfação individual dos par‑
• a organização continuar existindo somente enquanto ticipantes, no sentido da seguinte suposição: quanto
as contribuições forem suficientes para proporcionar maior a diferença entre os estímulos e as contribuições,
estímulos e motivação para induzirem os participantes maior a satisfação individual.
à prestação de contribuições. (MARCH; SIMON, 1975,
p. 70)10. O “ponto zero” do equilíbrio estaria relacionado ao mo‑
mento em que o indivíduo é indiferente ao fato de deixar a
Assim, a teoria tem como conceitos fundamentais as organização, supondo ainda que, normalmente, pouquíssi‑
ideias de: mos que estão satisfeitos deixam a organização, mas alguns
Estímulos ou incentivos: são os “pagamentos” que a dos insatisfeitos a deixam, embora nem todos. Logo, a teoria
organização faz aos seus participantes (por exemplo: salá‑ afirma que convém medir a satisfação conforme o movimen‑
rios, benefícios, prêmios de produção, elogios, promoções, to dos indivíduos, ou seja, o desejo de mover-se considerada
reconhecimento etc.). a facilidade de movimento, ou seja, os obstáculos internos
Utilidade para estímulos: cada incentivo possui determi‑ e externos à mudança.
nado valor de utilidade que varia de um indivíduo para outro. As organizações solventes apresentariam um equilíbrio
Contribuições: são os “pagamentos” que cada participan‑ entre contribuições e estímulos, sendo que a melhoria do
te efetua à organização (por exemplo : trabalho, dedicação, desempenho da organização poderia ser medida em termos
esforço, assiduidade, pontualidade, lealdade, reconhecimen‑ do superávit de contribuições em relação aos estímulos for‑
to etc.). necidos. A análise de viabilidade da organização passaria
Utilidade das contribuições: é o valor que o esforço de pelas ações de: analisar entradas e saídas, taxa de conversão
cada indivíduo tem para a organização, a fim de que esteja de contribuições em estímulos; analisar estímulos financei‑
ao alcance de seus objetivos (MARCH; SIMON, 1975). ros necessários para obter as entradas (inputs) no montante
Os participantes da organização são todos aqueles que necessário, e para obter as contribuições financeiras que
dela recebem incentivos e que trazem contribuições para podem ser exigidas ou cobradas pelas saídas (outputs), isto
sua existência. Existem cinco classes essenciais de partici‑ é, os preços dos fatores de produção e dos produtos. Por
exemplo: salários em geral: analisa o valor do salário em com‑
paração com mercado e referente à quantidade/qualidade
10
MARCH, J.; SIMON, H. A teoria do equilíbrio da organização. In: ETZIONI, Amitai. (e intensidade) do trabalho; capital: analisa a quantidade de
Organizações complexas: um estudo das organizações em face dos problemas
sociais. São Paulo: Atlas, 1975. p. 70-79. investimento, oportunidade, risco, taxas de juro etc.

17
No caso específico dos empregados, por exemplo, funcio‑ necessárias e previsíveis, nem sequer se repetem conforme
nariam como critérios de participação: aceitação da autori‑ o mesmo ambiente e estímulos oferecidos, assim, a teoria
dade; condições de trabalho (ruins se não interessantes para do equilíbrio só se sustenta como explicação em termos de
ele ou desagradáveis) e recompensas por isso. O pagamento, tendências e possibilidades, talvez probabilidades, uma vez
obviamente, é condição básica para o trabalho e não critério que nada garante que os participantes vão reagir do mesmo
de participação. modo uma vez dado a mesma situação. A posta nos padrões
Assim, convém à organização, para otimizar seu desem‑ comportamentais é, por um lado, a pedra de sustentação da
penho e não se desgastar com conflitos improdutivos, deixar teoria, por outro, a fragilidade nos seus alicerces.
à discrição do empregado aspectos de pouco interesse para
o empregador e de muito para o empregado; bem como TIPOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO
sujeitar o empregado à autoridade em aspectos que forem
de muito interesse para o empregador e pouco para o em‑ Montar uma estrutura organizacional consiste em dividir
pregado. tarefas entre unidades de trabalho chamadas de departa‑
Já a medição da importância e quociente de participação, mentos. O desenho departamental refere-se à especialização
no caso dos empregados ainda, poder-se-ia dar pela: horizontal da organização e o seu desdobramento em unida‑
• quantidade de produção individual do empregado; des organizacionais que recebem o nome de departamentos
• ausência física do empregado; ou divisões. Departamentalização significa o agrupamento
• exclusão e substituição do empregado. de atividades em unidades organizacionais e o agrupamento
dessas unidades em uma organização total. A forma de dividir
Deste modo, por exemplo, em termos de mau desem‑ as tarefas entre os departamentos depende de princípios
penho e prejuízo funcional, vigeriam as seguintes ações e chamados critérios de departamentalização. Por exemplo:
consequências: baixa ausência de natureza voluntária (e ou pode-se atribuir a cada departamento a tarefa de atender a
produtividade) associada a um alto grau de mudança nos um tipo específico de cliente, ou de produzir um tipo específi‑
quadros: penalidades extremas são impostas à ausência, mas co de produto, ou de cuidar de determinada área geográfica.
é alto o afastamento do emprego; relação positiva entre au‑ Esses e outros critérios de departamentalização definem as
sência e mudança de pessoal, muitas faltas e mudanças: falta responsabilidades especializadas das unidades da estrutura
de motivação, insatisfação para com a relação estímulos‑ organizacional.
-contribuição; empregado prefere faltar ou sair, pois não tem Existem várias abordagens de departamentalização: fun-
motivação, isto se penalidades por ausência forem normais. cional, divisional, matricial, de equipes, processos, produtos
(MARCH; SIMON, 1975) e serviços, projetos e de redes.
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O equilíbrio organizacional se basearia na relação entre A abordagem funcional é a mais utilizada e constitui o
estímulos dados e contribuições recebidas, de modo propor‑ agrupamento de atividades baseado nas habilidades, conhe‑
cional e satisfatório tanto para os participantes quanto para cimentos e recursos similares.
a organização. Todavia, se ilustrarmos unilateralmente os A abordagem divisional ocorre quando os departamentos
lados da “balança”, tem-se que, do ponto de vista dos parti‑ são agrupados juntos em divisões com base nos resultados
cipantes, cabe maximizar os estímulos recebidos conforme as organizacionais. Cada divisão é autônoma e autossuficiente
contribuições (positivamente) dadas. Já do ponto de vista da para produzir um determinado produto ou serviço. A abor‑
organização, é essencial buscar maximizar as contribuições dagem divisional pode ter variações, como: estrutura base‑
em relação aos estímulos dados. ada em produtos/serviços, em localização geográfica, em
Entretanto, conforme o último postulado da teoria, a or‑ clientela ou em processos.
ganização continuará existindo somente enquanto as con‑ A abordagem matricial é a combinação de departamen‑
tribuições forem suficientes para proporcionar estímulos e talização funcional e a divisional na mesma estrutura orga‑
motivação para induzirem os participantes à prestação de nizacional. Funciona como uma grade ou matriz no sentido
contribuições. de promover bipolaridade de atuação e de comando para
• Situação 1, positiva: participantes colaboram: estímu‑ proporcionar inovação e agilidade.
los > ou = contribuições; A abordagem de equipes constitui uma maneira de fazer
• Situação 2, negativa: participantes não colaboram: o empoderamento ou empowerment, substituir os órgãos
estímulos < contribuições. definitivos por equipes e promover a horizontalização da
estrutura organizacional. Existem equipes multifuncionais
Assim, conforme o previsto, seria possível (embora Si‑ e equipes permanentes.
mon não explore tal caso) que os participantes, no curto A abordagem em redes significa que uma organização
prazo, estejam satisfeitos e motivados, embora a organização desagrega suas principais funções em companhias separadas
encaminhe-se para uma situação de disfuncionalidade ou que são interligadas por uma pequena organização central,
mesmo de insolvência. O caminho “natural” para o equilíbrio funcionando como uma teia de organizações.
seria a proporcional e adequada relação, no médio e longo Diante de tantas complexidades, as organizações geral‑
prazo, entre todos os elos da cadeia. mente utilizam esquemas híbridos de organização com di‑
A teoria do equilíbrio relaciona, assim, a solvência, a fun‑ ferentes tipos de departamentalização. Mais recentemente,
cionalidade e a otimização em termos de desempenho da estão surgindo as organizações virtuais ou não físicas pelo
organização aos investimentos em termos de recompensa fato de dispensarem escritórios convencionais, graças à tec‑
aos participantes que, por sua vez, motivados pelos bene‑ nologia da informação.
fícios recebidos, contribuem proporcionalmente (ou além) Para se efetuar a departamentalização, além da definição
para a organização, ou seja, está baseada numa noção com‑ dos critérios é necessário também decidir sobre a centrali‑
portamentalista de conduta dos indivíduos que, por sua vez, zação e a descentralização das áreas de apoio e estabelecer
funda-se na crença em padrões necessários e frequentes a amplitude de supervisão ou de controle.
que se repetem uma vez repetidas as mesmas condições O modo mais simples de departamentalização é o que se
e reforçados estímulos. Há de observar, no entanto, que as baseia no critério funcional, que tanto pode ser usado pelas
ações dos indivíduos não são completamente determinadas, organizações de grande, como de pequeno porte. A partir de

18
uma departamentalização funcional, a estrutura pode evoluir consiste em escolher modalidades para obter homogenei‑
para outras formas mais complexas, como os diversos tipos dade nas tarefas e atividades em cada órgão, agrupando os
de organização de projeto, que funcionam como departa‑ componentes da organização em unidades organizacionais
mentos temporários. Em geral, as organizações utilizam uma como departamentos, divisões ou equipes.
combinação de critérios de departamentalização. Existem cinco tipos de abordagens que definem o agru‑
Para suprir às exigências internas e externas, cada orga‑ pamento de departamentos e de subordinação ao longo da
nização desenvolve um tipo de desenho departamental. O hierarquia. Existem duas abordagens específicas que sur‑
desenho departamental constitui uma característica funda‑ giram para atender às necessidades das organizações em
mental da estrutura de uma organização, partindo do princi‑ um ambiente instável e altamente competitivo, que são as
pio da divisão do trabalho, na especialização horizontal, que abordagens de equipes e de redes.

TIPOS DE ABORDAGENS

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


• Abordagem Funcional;
• Abordagem Divisional;
• Abordagem Matricial;
• Abordagem de Equipe;
• Abordagem de Redes.

Cada abordagem departamental tem uma finalidade distinta para a organização, sendo que a diferença entre cada tipo
de abordagem é a maneira como as atividades são agrupadas e a quem as pessoas se subordinam.

Abordagem Funcional
É a organização que cria departamentos formados por pessoas especialistas em uma determinada função.

Departamentalização Funcional

19
Na departamentalização funcional os departamentos são autossuficientes para produzir um produto, serviço ou
criados são formados por pessoas que possuem habilidades parte dele, de acordo com os resultados organizacionais. A
e conhecimentos similares e que participam de atividades e estrutura divisional é a mais indicada em organizações que
tarefas comuns dentro do processo de trabalho. Dentro de produzem diferentes produtos ou serviços para diferentes
cada departamento, as pessoas são responsáveis por um mercados e clientes, pois cada divisão focaliza um mercado
processo específico de sua função especializada. ou cliente independente.
Como os departamentos são formados de acordo com Dentro de abordagem divisional existem variantes que
a principal função especializada, as principais áreas adota‑ servem para alcançar diferentes resultados esperados em
das são: produção, vendas e finanças, podendo também ser uma organização. Essas estruturas variantes se baseiam em:
acompanhado de outras áreas como o recursos humanos. • produtos ou serviços;
Este tipo de departamentalização é o mais comum nas or‑ • localização geográfica;
ganizações. • clientes;
A departamentalização funcional é mais indicada em ca‑ • fases dos processos;
sos de estabilidade e de poucas mudanças, que requeiram • projetos.
desempenho continuado em que as atividades das áreas se‑
jam bastante repetitivas e especializadas onde permaneçam Departamentalização por Produtos ou Serviços
inalterados por longo tempo.
A departamentalização funcional pode também ser de‑
nominada de departamentalização pelo uso de recursos
organizacionais ou estrutura funcional.

Vantagens
• Melhora a coordenação intradepartamental, que é a
facilidade de contatos e comunicações dentro de um
mesmo departamento, pois existe compartilhamento
de um mesmo conhecimento técnico.
• Incentiva à especialização técnica, pois estabelece
carreiras para os especialistas dentro de sua área de
especialização, supervisionando-os por meio de pes‑
soas de sua própria especialidade.
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

• Orienta as pessoas para uma específica atividade, con‑


centrando sua capacidade de maneira eficaz, garantin‑
do o máximo de utilização das habilidades técnicas,
simplificando o treinamento do pessoal.
• Ocorre uma redução de custos, devido ao trabalho em
um mesmo tipo de tarefa em conjunto. Este tipo de departamentalização faz uma abordagem
divisional que envolve a diferenciação e o agrupamento das
Desvantagens atividades e tarefas de acordo com os produtos ou serviços
• A cooperação e a comunicação interdepartamental, realizados, ou seja, os resultados esperados da empresa.
que é a contada e a comunicação entre diferentes de‑ A divisão do trabalho é feita por linhas de produtos ou
partamentos, é reduzida, em decorrência do isolamen‑ de serviços que se desempenham em todas as funções ne‑
to em relação aos outros departamentos, pois cada cessárias para a realização do produto ou serviço.
departamento funcional possui seus próprios objetivos Todos as principais atividades e tarefas, similares ou não,
e prioridades. Com isso, sob pressão, criam-se diversas relacionadas com um produto ou serviço são reunidos e alo‑
barreiras e conflitos entre os outros departamentos. cados em um específico departamento no sentido de coor‑
Também geram limitações de autoridade e tomadas denar as atividades requeridas para cada tipo de resultado.
de decisões dos administradores. A estrutura divisional por produtos ou serviços é mui‑
• Dificulta a adaptação e flexibilidade a mudanças ex‑ to encontrada em empresas de larga escala. Essa estrutura
ternas, pois a abordagem é interna e não visualiza o permite que a administração de topo delegue autoridade
que acontece no ambiente externo da organização ou sobre funções relacionadas a um determinado produto ou
de outro departamento. É inadequada quando a tec‑ serviço, dentro de um grau de responsabilidade para cada
nologia e as circunstâncias externas são mutáveis ou administrador.
imprevisíveis. A departamentalização por produtos ou serviços é in‑
• Devido à focalização interna de cada departamento e dicada para circunstâncias ambientais instáveis e mutáveis,
não sobre os objetivos globais da organização, existe pois induz à cooperação e coordenação entre especialistas,
uma carência de estruturas próprias de coordenação atividades e tarefas, para um melhor desempenho do pro‑
do andamento do trabalho, levando os problemas de duto ou serviço.
coordenação para os níveis mais elevados da organi‑
zação. Vantagens
• A estrutura funcional tende a ser muito burocratizada, • A responsabilidade é totalmente imposta ao nível de
o que requer uma estrutura administrativa mais elabo‑ cada divisão dos departamentos para cada produto ou
rada, com um número maior de níveis hierárquicos. serviço, ou seja, o administrador no cargo de chefia de
cada departamento é responsável pelo seu produto ou
Abordagem Divisional serviço.
• Facilita a coordenação interdepartamental, uma vez
É a organização que cria departamentos que são for‑ que a preocupação básica é o produto e as diversas
mados por um agrupamento de divisões separadas que atividades departamentais tornam-se secundárias.

20
• Melhorias na qualidade e facilidade de inovações, já Esta estrutura é mais indicada nas áreas de produção e
que a concentração é em um único produto ou serviço, vendas e as demais áreas da organização tornam-se secundá‑
cada departamento produz com melhor qualidade ou rias, a área financeira é pouco utilizada porque nem sempre
mais inovação comparado a um departamento que é permitida a descentralização.
produz diversos produtos.
• Permite a flexibilidade, pois as unidades de produção Vantagens
podem ser maiores ou menores, de acordo com as • Este tipo de estratégia é muito útil quando as situações
mudanças de condições,sem interferir na estrutura externas favorecem a organização, pois permite, sem
organizacional como um todo. O foco desse tipo de problemas, a adaptação às condições e necessidades
estrutura é predominante sobre os produtos e não da região em que está situada.
sobre a sua estrutura organizacional interna. • cada departamento opera em um território como se
• As tomadas de decisões são mais independentes e fosse uma organização independente, o administrador
podem responder melhor aos requisitos e necessida‑ de cada departamento pode tomar suas próprias de‑
des do cliente. A administração torna-se assim mais cisões de acordo com as diferenças territoriais.
ampla, gerando oportunidades de promoções dentro • A organização é mais voltada para o seu ambiente
da organização. territorial e para o seu mercado, do que para seus as‑
pectos internos, tendo em vista uma melhor avaliação
e percepção dos mercados e produtos e serviços para
Desvantagens
melhor atender cada área.
• Trazem elevados custos operacionais em situações
que existe estabilidade ambiental e em organizações
Desvantagens
com poucos produtos diferentes ou linhas reduzidas • O enfoque territorial tende a deixar para segundo plano
de produtos. a coordenação entre os departamentos, prejudicando
• Ocorre redução nas oportunidades de carreira, pois a de certa forma o comportamento global da empresa,
experiência profissional é limitada a uma única linha de em relação ao nível de autonomia e liberdade ofere‑
produção, causando limitação no mercado de trabalho. cido às filiais, o que pode levar a um desequilíbrio de
• Existe uma dificuldade na busca e/ou pedido de um poder dentro da organização, pois as áreas da empresa
determinado produto ou serviço, pois a distribuição é que forem geograficamente mais amplas, poderão ter
especializada em cada departamento. a seu favor um grande potencial para discutir certas
• Demora no reconhecimento de melhorias, modifi‑ decisões importantes.
cações ou eliminações de produtos ou serviços, pois

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


• Os sistemas internos precisam ser organizados de di‑
cada departamento é responsável pela defesa de seus ferentes maneiras para servir os diferentes segmentos
produtos e serviços e de seus próprios objetivos divi‑ territoriais de mercado, o que torna a administração
sionais. complexa.
• Cada departamento possui seus próprios recursos, com
Departamentalização por Localização Geográfica isso ocorre uma duplicidade de esforços e recursos
(pessoas, instalações e equipamentos), o que provoca
maiores investimentos e custos operacionais.

Departamentalização por Clientes

A departamentalização geográfica faz uma abordagem


divisional, que envolve a diferenciação e o agrupamento das
atividades de acordo com a localização geográfica onde o É a organização que faz uma abordagem divisional, envol‑
trabalho será desempenhado ou uma área de mercado a ve a diferenciação e o agrupamento das atividades de acordo
ser servida pela organização. com o tipo de cliente ou mercado para quem o produto ou
Este tipo de departamentalização é indicado para organi‑ serviço é realizado.
zações de larga escala, que geralmente é utiliza por que as or‑ As diferentes características e necessidades dos clientes,
ganizações cobrem grandes áreas geográficas e os mercados como idade, nível sócio-econômico e hábitos de compra,
são extensos, como por exemplo, as empresas transnacionais constituem a base para essa estrutura onde a ênfase é no
que empregam este tipo de estrutura para as suas operações consumidor do produto ou serviço oferecido pela organiza‑
fora do país onde estão sediadas. ção, para que este seja atendido da melhor forma possível. O

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produto ou serviço deve ser adaptado e ajustado ao cliente a isso, uma linha deficiente de determinado produto
e às suas necessidades. é facilmente percebida.

Vantagens Desvantagens
• O foco é exclusivamente no cliente, com isso as necessi‑ • Ocorre duplicidade de esforços e recursos, o que pro‑
dades de cada tipo de cliente são mais bem atendidas. voca maiores investimentos e custos operacionais.
• O foco externo na clientela torna a organização mais • Os sistemas internos precisam ser organizados de di‑
atenta para as mudanças das necessidades e prefe‑ ferentes maneiras para servir os diferentes segmentos
rências dos clientes, característica que não ocorre na de cliente, o que torna a administração mais complexa.
estrutura funcional. • As demais atividades e objetivos da organização, por
• As decisões internas são rapidamente tomadas atra‑ exemplo, produtividade e eficiência, podem tornar-se
vés do retorno proporcionado pelos clientes. Devido secundários, devido à preocupação exclusiva pelo cliente.

Departamentalização por Fases do Processo


Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

É a organização que faz uma abordagem divisional, envol‑ logia passa a ser o foco e ponto de referência para o
ve a diferenciação e o agrupamento das atividades de acordo agrupamento de unidades e posições.
com as etapas de execução de um processo. • Cada unidade organizacional é uma etapa no desenvol‑
O processo é um conjunto de atividades com uma or‑ vimento do produto, o foco e a sequência de processos
denação específica que resulta em um produto ou serviço facilita o trabalho do início ao fim.
especificado para satisfazer as necessidades e expectativas
do cliente ou mercado. O cliente do processo não é necessa‑ Desvantagens
riamente o cliente externo. Ele pode estar dentro da empresa • Quando a tecnologia utilizada sofre mudanças a ponto
(cliente interno). de alterar o processo, este tipo de departamentaliza‑
O desenvolvimento do processo utilizado pelas organi‑ ção não é aconselhado, pois possui absoluta falta de
zações está relacionado com a estrutura do produto, para flexibilidade e de adaptação.
que se obtenha da melhor maneira possível o aumento da • Por existir isolamento dos outros departamentos, po‑
eficiência e qualidade do produto. dem ocorrer dificuldades de desenvolver novas formas
A departamentalização por fases do processo ou proces‑
integradas de administrar.
samento ou ainda equipamento, é utilizada quase que restri‑
• Com o mesmo problema encontrado na estrutura fun‑
tamente a aplicações nos níveis mais baixos da estrutura or‑
ganizacional (nível operacional) das empresas industriais e de cional, ocorre a redução da cooperação e comunicação
serviços, principalmente nas áreas produtivas ou de operações. interdepartamental, devido ao isolamento em relação
A estrutura por fases do processo representa a influên‑ aos outros departamentos, pois cada departamento
cia da tecnologia utilizada pela empresa em sua estrutura tem seus próprios objetivos e prioridades, que sob
organizacional. O agrupamento na departamentalização por pressão criam diversas barreiras e conflitos. Também
processo é adequado quando tanto os produtos como a tec‑ são criadas limitações de autoridade e tomadas de
nologia aplicada, são estáveis e duradouros. decisões dos administradores.
• Cada administrador no departamento de processos é
Vantagens especialista em apenas uma parte do processo, não
• Extrai vantagens econômicas oferecidas pela própria sendo capaz de concluir um processo por inteiro, com
natureza do equipamento ou da tecnologia. A tecno‑ isso, torna-se difícil uma substituição de administrador,

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mesmo sendo de igual função, por um outro adminis‑ Estrutura Matricial
trador de um processo diferente.
A estrutura matricial é uma estrutura mista com a fina‑
Departamentalização por Projetos lidade de obter o máximo de rendimento da organização. A
organização mantém a estrutura funcional para as funções
É a organização que faz uma abordagem divisional, en‑ internas e agrega a estrutura divisional aos produtos ou ser‑
volvendo a diferenciação e o agrupamento das atividades de viços a serem realizados.
acordo com os resultados de um ou mais projetos executados Por ser constituída de dois tipos de departamentalização,
pela organização. Neste tipo de departamentalização a es‑ cria-se a duplicidade de comando onde os funcionários pas‑
trutura organizacional deve ser flexível e mutável, com capa‑ sam a serem subordinados de dois chefes, indo de encontro
cidade de adaptar-se às necessidades de cada projeto a ser ao princípio da unidade de comando. Devido à duplicidade
realizado, tendo alta coordenação entre os departamentos. de comando, os funcionários precisam saber resolver os con‑
É uma estrutura muito utilizada por organizações de flitos que podem ocorrer, com isso surge a necessidade de
grande porte que produzem produtos que envolvam grande um treinamento em relações humanas, para que aprendam
concentração de diferentes recursos (produtos e pessoas) por a lidar com esses problemas.
um longo período. Os projetos produzidos exigem tecnologia É a forma mais utilizada, principalmente nas grandes
sofisticada, que não dependa de outras atividades para o organizações, pois em cada parte da organização tem-se a
seu desempenho. É o tipo de departamentalização orienta‑ estrutura que melhor se adapta as tarefas a serem executa‑
do para resultados. Essa estrutura é adotada, por exemplo: das em cada departamento.
em estaleiros navais, obras de construção civil (edifícios) ou Constitui uma das maneiras mais humanas, participativas
industrial (fábricas e usinas hidroelétricas). O projeto é de‑ e flexíveis, pois depende intensamente da colaboração entre
finido pelo cliente e as pessoas encarregadas pelo projeto muitas pessoas diferentes. Enfatiza a interdependência entre
são especialistas em diversos campos de atividades, para que os departamentos, proporcionando oportunidades de dele‑
assim possa atender as necessidades do cliente. gação, maior contribuição pessoal e participação na tomada
Na departamentalização por projetos, as atividades e as de decisão nos níveis mais baixos da hierarquia.
pessoas recebem atribuições temporárias. Cada projeto tem Na estrutura matricial o administrador coordena os es‑
seu ciclo de vida específico. Terminado o projeto o pessoal forços do pessoal cedido pelas diversas áreas da empresa,
que temporariamente havia sido destinado a ele é designado algumas vezes com pouca autoridade formal. Seu papel den‑
para outros departamentos ou outros projetos. tro da organização de estrutura matricial é de integração,
O administrador possui habilidade orientada para pro‑ coordenação das tarefas para que se possa assim assegurar

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


jetos e é responsável pela realização de todo o projeto ou os serviços e recursos fornecidos pelo pessoal de suporte, os
de uma parte dele. quais tem pouca ou nenhuma autoridade formal.

Vantagens Vantagens
• Melhor cumprimento de prazos e melhor atendimento • Maior estabilidade tanto para a empresa, como para
ao cliente do projeto. os funcionários.
• Grande concentração de diferentes recursos, em uma • Maior segurança na execução das tarefas e no relacio‑
atividade complexa com produtos de grande porte. namento de pessoas.
• Especialização nas atividades desenvolvidas.
Desvantagens • Possibilidade de maior aprimoramento técnico de sua
• Quando termina um projeto a empresa pode ser obri‑ equipe de trabalho.
gada a dispensar pessoal ou paralisar máquinas e equi‑ • Coordenação de equipe de forma mais adequada e
pamentos se não houver outro projeto em vista. coerente.
• Devido à descontinuidade e limitações a departamen‑ • Permitir a integração e desenvolvimento entre funcio‑
talização por projeto pode provocar em muitas pessoas nários.
desânimo pela imprevisibilidade de um futuro no em‑ • Facilidade em conhecer os fatores e os problemas lo‑
prego. cais.
• Força-tarefa: é uma variante do agrupamento por pro‑ • Permitir para maior flexibilidade.
jetos que é formada por uma equipe de especialistas de • Propiciar condições favoráveis para a inovação e a cria‑
diferentes áreas, que são deslocados de suas funções tividade.
habituais para se dedicarem a uma tarefa específica e • Melhor atendimento ao cliente e cumprimento dos
complexa e que exija abordagem e foco diferentes. prazos.
• A força-tarefa é adotada para solucionar e controlar • Usar de forma adequada os vários recursos.
os problemas gerados pela alta mudança ambiental e • Facilidade na coordenação dos resultados.
tecnológica atual.
• Para cada membro são dados responsabilidade e poder Desvantagens
igualmente, cada qual dentro de sua especialidade em • Insegurança das pessoas, desde que a empresa tenha
relação ao problema a ser resolvido. grande crescimento e consequente aumento da com‑
• Tem por característica ser provisória e de curta dura‑ plexidade.
ção. Ao atingir os objetivos propostos, os membros • A comunicação deficiente, isso porque as decisões são
retornam às suas unidades e atividades de origem. normalmente centralizadas nos níveis mais elevados
da empresa.
ABORDAGEM MATRICIAL • Baixa adaptabilidade.
• Preocupação estritamente voltada para uma área dei‑
É a combinação simultânea de dois tipos de departa‑ xando de lado outras partes.
mentalização, a funcional e a divisional, na mesma estrutura • Pode provocar problemas humanos de temores e an‑
organizacional. siedades.

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• Pode propiciar o aumento dos custos pelas duplicida‑ de uma nova mentalidade das pessoas envolvidas. Essa
des de atividades e treinamento. mudança consome muito tempo e dinheiro, exigindo
• Pode existir dificuldades na coordenação de pessoal. novo treinamento, remuneração e avaliação de cargos
• Conflitos de interesse entre chefes funcionais e chefes até sistemas de inventários, contabilidade e informação.
divisionais, devido a dupla subordinação. • A estrutura por equipes funciona melhor quando cada
equipe possui todas as especializações necessárias e in‑
ABORDAGEM DE EQUIPES teração de habilidades para executar o processo. Neste
caso a organização deve manter alguns especialistas
É a organização que cria equipes multifuncionais ou per‑ funcionais para prestar assessoria adequada.
manentes para cumprir tarefas específicas e para coordenar • Na estrutura horizontal cada equipe deve ter um chefe
grandes departamentos. e, em muitos casos, os membros da equipe podem
vir de outros departamentos da organização, que é o
caso das equipes multifuncionais, dessa forma, esses
Estrutura Baseada em Equipes membros passam a ter dois chefes.
Dentro deste tipo de departamentalização existem dois
tipos de equipes, as multifuncionais e as permanentes. ABORDAGEM DE REDES
As equipes multifuncionais são formadas por pessoas de
vários departamentos funcionais que são agrupados, para É a organização que se torna um pequeno centro inter‑
cumprir tarefas específicas e temporárias e para resolver mediário, conectado eletronicamente e que desempenham
problemas mútuos. Esse tipo de equipe envolve pessoas funções vitais da organização. É o mais recente tipo de de‑
com diferentes habilidades e conhecimentos. Por terem a partamentalização.
participação em dois grupos, tem como consequência uma
duplicidade de comando. Estrutura em Rede
As equipes permanentes funcionam como um departa‑
mento formal, no qual os empregados trabalham juntos em É a desagregação das principais funções da organização
um mesmo local, para cumprir atividades e tarefas especí‑ em companhias separadas que são interligadas por uma
ficas. Esses empregados subordinam-se a apenas um chefe, pequena organização central. Os serviços de cada função
como designa a unidade de comando. da organização são conectados eletronicamente. Esse tipo
A estrutura de equipes torna a organização mais horizon‑ de estrutura impossibilita saber onde a organização está nos
tal em torno dos processos de trabalho (com poucos níveis termos tradicionais, pois cria uma nova forma de organização
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

hierárquicos), descentraliza a tomada de decisões, delegando através de contratos externos vindos de qualquer parte do
autoridade e transferindo responsabilidade para os níveis mundo, sendo coordenados eletronicamente. Seu organo‑
mais baixos. Devido uma rápida e constante mudança de grama é diferenciado em sua forma circular ou estrelado,
ambiente externo e interno das organizações, é exigida uma sendo a unidade central, no centro do organograma, inter‑
ligado às demais unidades.
maior necessidade de flexibilidade e/ou rapidez no andamen‑
to dos processos e tarefas para atender melhor os requisi‑
Vantagens
tos do cliente, desenvolver novos produtos ou implementar
• A abordagem em redes proporciona competitividade
campanhas de marketing, por isso as equipes não devem
em escala global. Mesmo em pequenas organizações,
adaptar-se a tarefas pré-definidas.
ela permite utilizar recursos em qualquer lugar e al‑
cançar melhor qualidade e preço, bem como distribuir
Vantagens
e vender os produtos e serviços no mundo todo.
• A focalização da organização é dirigida ao cliente. • Flexibilidade decorrente da capacidade de obter e
• Economia de tempo e dinheiro devido a pouca neces‑ contratar serviços quando necessário e mudá-los em
sidade de passar informações para cima e para baixo pouquíssimo tempo sem quaisquer restrições. Como
dentro da hierarquia e entre as unidades organizacio‑ a organização não possui bens fixos, como por exem‑
nais. plo, fábricas, equipamentos ou instalações, ela pode
• As equipes promovem o autogerenciamento pelos pró‑ continuamente redefinir-se e buscar novos produtos
prios funcionários, o que produz maior satisfação com e novas oportunidades de mercado. Para os funcio‑
o trabalho devido ao maior envolvimento das pessoas. nários que trabalham permanentemente na organi‑
• Cada grupo deve ter pessoas com diferentes conhe‑ zação, o desafio está na maior variedade do trabalho
cimentos e habilidades para trabalharem juntas e do‑ e a satisfação em executar uma atividade que muda
tarem a equipe de autossuficiência para realizarem incessantemente.
completamente o trabalho. Amplia as habilidades de • Os custos administrativos são baixos. Não requer hie‑
cada indivíduo. Capacitando-os a tratar sobre todos os rarquia, nem grandes equipes de administradores.
aspectos do trabalho. Podem ter apenas dois ou três níveis de hierarquia,
• Com a maior rapidez nas decisões os tempos de ciclos comparados aos dez ou mais níveis nas organizações
operacionais são reduzidos, o que proporciona pronta tradicionais.
resposta aos clientes.
• A estrutura por equipes tende a compactar a organi‑ Desvantagens
zação reduzindo o número de níveis hierárquicos e os • A administração não tem o controle de todas as ope‑
custos administrativos e exigindo menos mecanismos rações de imediato, pois dependem de contratos, ne‑
de coordenação e integração. gociações e mensagens eletrônicas para reunir todas
as partes.
Desvantagens • Existe a possibilidade de perder negócios se uma or‑
• A estrutura por equipes envolve uma grande transfor‑ ganização contratada falha ou deixa de entregar o tra‑
mação na organização, na cultura e exige a necessidade balho planejado.

24
• Existe elevada incerteza quanto aos serviços contrata‑ de computadores conectados à internet.Possui flexibilidade
dos de outras organizações que estão fora do controle e é simples e ágil. O campo de atuação pode ser facilmente
da empresa. e rapidamente alterado, pois não possui uma fronteira defi‑
• Os empregados podem imaginar que poderiam ser nida. Essas organizações podem também ser chamadas de
substituídos por novos contratos de serviços. A or‑ não-territoriais ou não-físicas.
ganização em redes precisa desenvolver uma cultura
corporativa coerente e obter o comprometimento das PROCESSO ORGANIZACIONAL ADMINIS-
pessoas.
• Como os produtos e mercados mudam, a organização
TRATIVO
precisa se atualizar e capacitar continuamente seus
A Teoria Neoclássica se assenta no processo administra‑
funcionários para adquirir as novas habilidades e ca‑
tivo para explicar como as funções administrativas devem
pacidades.
ser desenvolvidas nas organizações. Quando consideradas
em um todo integrado, as funções administrativas formam
ORGANIZAÇÕES HÍBRIDAS um processo administrativo cíclico, dinâmico e interativo.
Quando consideradas isoladamente, o planejamento, a
Nas grandes organizações, a adoção de um só tipo de direção, a organização e o controle constituem funções
departamentalização nem sempre é possível para todos os administrativas.
níveis hierárquicos. Por isso essas organizações adotam uma
mescla de diferentes tipos de departamentalização como a
funcional, divisional e matricial, em todos os níveis. Com esse
tipo de estrutura a organização é chamada de organização
híbrida. Essas organizações híbridas podem ter divisões ba‑
seadas em produtos, serviços, funções, clientes, equipes,
etc., em todos os níveis hierárquicos.

Organograma no Nível Intermediário


Divisões baseadas em:
• produtos/função /clientes.

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Organograma no Nível Institucional
Divisões baseadas em: Portanto, as quatro funções administrativas são:
• produtos/clientes. • Planejamento: é a função através da qual as atividades
a serem realizadas são desenhadas e os resultados a
ORGANIZAÇÕES VIRTUAIS serem obtidos são fixados.
• Organização: trata-se da função de estruturar os recur‑
As organizações virtuais foram criadas devido ao impacto sos disponíveis para que tudo aquilo que foi planejado
provocado pelo crescente desenvolvimento tecnológico e da possa ser executado.
moderna tecnologia da informação, que é um conjunto de • Direção: é a função de conduzir a execução dos traba‑
atividades e soluções fornecidas pelos recursos da compu‑ lhos que foram planejados, para que os objetivos da
tação. Nesse tipo de organização, não existe a necessidade organização possam ser atingidos.
de possuir escritórios, prédios ou instalações convencionais • Controle: trata-se da função administrativa na qual os
com funcionários. As pessoas trabalham em suas casas, inte‑ resultados obtidos pela organização/direção são ana‑
ragindo com o sistema de informação da organização através lisados em função daquilo que havia sido planejado.

25
PLANEJAMENTO • Plano: é o documento formal que consolida as infor‑
mações desenvolvidas do processo de planejamento,
As organizações não funcionam na base da pura improvi‑ sendo o limite da formalização do planejamento, uma
sação. A estratégia organizacional é basicamente uma ativi‑ visão estática, uma decisão sobre os caminhos a tomar
dade racional que envolve a identificação das oportunidades observando-se a relação custos/benefícios.
e das ameaças do ambiente onde opera a empresa, bem
como a avaliação das forças e fraquezas da empresa, sua ca‑ A estratégia constitui uma abordagem integrada, relacio‑
pacidade atual ou potencial em se antecipar às necessidades nando as vantagens da empresa com os desafios do ambien‑
e as demandas do mercado ou competir sob condições de te, no sentido de assegurar o alcance dos objetivos básicos
risco com os concorrentes. Assim, a estratégia deve ser capaz da empresa. Todavia, a estratégia se preocupa com o “o que
de combinar as oportunidades ambientais com a capacidade fazer” e não com “como fazer”. Em outros termos, a estra‑
empresarial em um nível de equilíbrio que alcance o que a tégia exige toda uma implementação dos meios necessários
empresa quer e o que ela realmente pode fazer. para a sua execução. Como esses meios envolvem a empresa
É importante não confundir planejamento com: como um todo, trata-se aqui de atribuir incumbências a todos
• Previsão: esta é o resultado de esforço para verificar quais os níveis (ou subsistemas) da empresa: o nível institucional,
eventos poderão ocorrer, com base no registro de uma o nível intermediário e o nível operacional. A implementação
série de probabilidades. Antigamente acreditava-se que exige planejamento. Isto é, a estratégia empresarial precisa
o planejamento poderia ser uma simples previsão, mas de um plano básico – o planejamento estratégico – para
o foco atual do planejamento está muito mais nas po‑ a empresa poder lidar com todas estas forças em conjun‑
tencialidades que a organização pode desenvolver em to. O planejamento estratégico precisa apoiar-se em uma
relação ao seu ambiente, de modo a ter sucesso. multiplicidade de planos situados carreira abaixo dentro da
• Projeção: que corresponde à situação em que o futuro estrutura da organização. Para levar adiante o planejamento
tende a ser igual ao passado em sua estrutura básica. estratégico requer planos táticos e cada um deles requer
• Predição: que é a situação futura que tende a ser di‑ planos operacionais, combinando esforços para obter efeitos
ferente do passado, mas sobre a qual não se pode sinergéticos.
exercer controle algum. Em outros termos, o planejamento estratégico é definido
• Resolução de problemas: que corresponde à aspectos no nível institucional da organização e exige a participação
imediatos que procuram tão somente a correção de cer‑ integrada dos demais níveis organizacionais: do nível inter‑
tas descontinuidades e desajustes entre a empresa e as mediário por meio dos planos táticos e do nível operacional
forças externas que lhe sejam potencialmente relevantes. por intermédio dos planos operacionais.
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Planejamento Tático geralmente no período de 1 a 3 anos mensurando ações para


um futuro mais próximo do que o visado no planejamento
Enquanto o planejamento estratégico se desdobra para estratégico, ou seja, médio prazo.
toda a organização, o planejamento tático tem um envolvi‑ Aqui os planos começam a ser mais detalhados, e pode‑
mento mais limitado, a nível departamental, envolvendo as -se dizer que o planejamento tático é a decomposição do
vezes apenas um processo de ponta a ponta. O planejamento planejamento estratégico, ele traduz e interpreta o plano
tático é o responsável por criar metas e condições para que estratégico para transformá-lo em planos concretos, onde
as ações estabelecidas no planejamento estratégico sejam irá desenvolver o plano de marketing, produção, pessoal, ou
atingidas. Por se tratar de um planejamento mais específico, seja, financeiro empresarial.
as decisões podem ser tomadas por pessoas que ocupam • Planos de produção: envolve métodos e tecnologias
cargos entre a alta direção e o operacional, como executivos necessárias para as pessoas em seu trabalho, arranjo
da diretoria e gerentes. Outra característica que diferencia o físico do trabalho e equipamentos como suportes para
planejamento tático é o tempo que as ações são aplicadas, as atividades e tarefas.

26
• Planos financeiros: envolve captação e aplicação do bilidades e conhecimentos em troca de salários e de
dinheiro necessário para suportar as várias operações outros incentivos que a organização proporciona.
da organização. • Investidores: são pessoas ou instituições que contri‑
• Planos de marketing: envolve os requisitos para venda buem com os investimentos financeiros e que pro‑
e distribuição bens e serviços no mercado e atendi‑ porcionam a estrutura de capital e os meios para o
mento ao cliente. financiamento das operações da empresa esperando
• Planos de recursos humanos: envolve recrutamento, um retorno para o seu investimento.
seleção e treinamento das pessoas nas várias ativida‑ • Fornecedores: são as pessoas ou instituições que con‑
des da organização. Recentemente, as organizações tribuem com recursos para a produção, sejam matérias
estão também se preocupando com a aquisição de primas, tecnologias, serviços (como consultorias, as‑
competências essenciais para o negócio através da sessoria, propaganda, manutenção etc.), energia elé‑
gestão do conhecimento corporativo. trica, componentes etc., em troca da remuneração de
seus produtos/serviços e condições de continuidade
Planejamento Operacional de suas operações.
• Distribuidores: são as pessoas ou instituições que ad‑
O planejamento operacional é de onde saem as ações quirem os produtos ou serviços produzidos pela or‑
ganização e os distribuem para o mercado de clientes
e metas traçadas pelo nível tático para atingir os objetivos
ou consumidores, em troca da remuneração de suas
das decisões estratégicas. Neste planejamento os envolvidos
atividades e continuidade de suas operações.
são aqueles que executam as ações que são aplicadas em
• Consumidores: são as pessoas ou instituições que ad‑
curto prazo, geralmente no período de 3 a 6 meses. Aqui,
quirem os produtos ou serviços produzidos pela orga‑
todos os níveis da organização estão envolvidos e cuidam
nização para utilizá-los e consumi-los na expectativa
do acompanhamento da rotina, garantindo que todas as
de satisfação de suas necessidades.
tarefas e operações sejam executadas, de acordo com os
procedimentos estabelecidos, preocupando-se em alcançar
os resultados específicos. CONTROLE
Chiavenato (2008) afirma que, apesar dos planos ope‑
racionais serem muito diversificados, eles podem ser clas‑ A função de controle está relacionada com as demais
sificados em: funções do processo administrativo. O planejamento, a orga‑
• Procedimentos: que são planos operacionais relacio‑ nização e a direção repercutem nas atividades de controle da

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


ação empresarial. Muitas vezes se torna necessário modificar
nados com métodos, como os fluxogramas e listas de
o planejamento, a organização ou a direção, para que os
verificação.
sistemas de controle possam ser mais eficazes.
• Orçamentos: que são os planos operacionais relacio‑
nados com dinheiro.
• Programas (ou Programações): que são os planos ope‑ Definição da Missão, da Visão e dos Valores
racionais relacionados com tempo. Inclui o cronogra‑
ma, o gráfico de Gantt, o PERT, entre outros. A missão e a visão de uma organização são muito impor‑
• Regulamentos: são os planos operacionais relaciona‑ tantes em um processo de planejamento estratégico, pois
dão um “norte” para todos os atores envolvidos nesse pro‑
dos com comportamentos das pessoas.
cesso.
A missão de uma organização é a sua razão de existir
É importante entender que um planejamento estratégico
desta. É o motivo pelo qual ela foi criada, o que ela veio con‑
não vai sair do papel se os planos do nível tático e operacional
tribuir ou resolver na sociedade. Dessa forma, a missão serve
não forem bem estabelecidos, pois é um processo integra‑
para deixar claro qual é a função maior daquela organização,
do e interdependente. Todos os níveis são necessários. O
para definir quais serão as necessidades atendidas e assim
estratégico para o orientar a visão; o tático para desdobrar
buscar o comprometimento dos colaboradores.
essa visão em planos de ação menores; e o operacional para Os valores fazem parte dos fundamentos estratégicos da
levar os planos a execução. Por isso, os planejamentos devem organização. São um conjunto de crenças e princípios que
envolver todos da empresa e é um incentivo para que as orientam as atividades,operações de uma organização e o
pessoas se comprometam com os resultados. comportamento geral dos seus membros. Os valores devem
espelhar tudo aquilo que é importante para a organização.
DIREÇÃO A visão projeta o futuro da organização, o que se espera
de resultados no futuro, com base na aplicação da missão
Após o planejamento e a organização da ação empresa‑ no presente.
rial, o próximo passo é a função de direção. As pessoas pre‑
cisam ser admitidas, aplicadas em seus cargos, doutrinadas FERRAMENTAS ADMINISTRATIVAS
e treinadas. Elas precisam conhecer aquilo que se espera
delas e como elas devem desempenhar seus cargos, precisam Análise SWOT
ser guiadas e motivadas para alcançarem os resultados que
delas se espera. Entre as fases do planejamento, uma das mais importan‑
tes é a fase do diagnóstico estratégico. Nessa fase, analisa-se
ORGANIZAÇÃO o ambiente externo e interno da empresa para que o gestor
saiba qual a real situação em que se encontra a organização
• Empregados: são pessoas que contribuem com seu e possa definir quais tipos de estratégia são mais adequados
tempo e esforço para a organização, fornecendo ha‑ no momento.

27
Uma das ferramentas mais utilizadas é a análise SWOT Uma marca desconhecida (ponto fraco) pode ser me‑
(aerônimo dos termos em inglês: Strengths = forças; Weak- lhorada com uma campanha eficiente de marketing. Uma
nesses = fraquezas; Opportunities = oportunidades; Threats empresa endividada (ponto fraco) pode renegociar suas dí‑
= ameaças). vidas ou conseguir parceiros que a financiem.
Diagnóstico Estratégico é, portanto, uma análise das Já as ameaças e oportunidades são variáveis externas e a
forças e fraquezas da organização (ambiente interno) e das princípio não controláveis. Se existe a possibilidade de que o
ameaças e oportunidades que ela pode ter de enfrentar governo lance uma nova legislação que possa prejudicar sua em‑
(ambiente externo). presa (ameaça), muitas vezes não está ao seu alcance evitar que
A principal diferença entre o ambiente interno e externo a legislação seja criada, somente adaptar-se aos seus efeitos.
para o gestor é que no primeiro caso (ambiente interno) Portanto, as ameaças são fatores externos (um novo con‑
as variáveis são controláveis, e no segundo caso (ambiente corrente no mercado, aumento nos impostos, aumento no
externo), não. câmbio etc.) que podem prejudicar a empresa. As oportuni‑
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

Pontos fracos são fatores internos que, de alguma forma, dades são fatores externos que podem beneficiar a empresa
deixam a empresa em desvantagem em relação aos seus (crescimento econômico do país, a quebra de uma empresa
concorrentes. Podem ser, por exemplo, uma marca desco‑ rival etc.).
nhecida no mercado, uma equipe desmotivada, produtos
desatualizados, alto endividamento da empresa etc. Matriz de prioridade (GUT)
Já os pontos fortes são o contrário, ou seja, fatores in‑
ternos que deixam a empresa em vantagem perante seus G = gravidade; U = urgência; T = tendência.
pares. Podem ser, por exemplo, clientes fiéis, profissionais
capacitados, uma logística eficiente, produtos inovadores, É uma ferramenta utilizada para selecionar os proble‑
custos baixos etc. mas ou causas que apresentam maior prioridade, diante das
Quando dizemos que os pontos fracos e fortes são variá­ condições próprias, customizadas e da especificidade do pro‑
veis controláveis, é porque esses fatores podem ser “traba‑ cesso. É utilizada na priorização das estratégias, tomadas de
lhados” mais facilmente pelos gestores. decisão e solução de problemas de organizações e projetos.

28
Diagrama de Causa e Efeito (de Ishikawa ou de Espinha- Ainda de acordo com esses autores, uma unidade organi‑
-de-Peixe) zacional será capaz de implantar o BSC no momento em que
ela possua uma missão, uma estratégia, clientes (internos e
Tem como objetivo identificar as possíveis causas de um externos) e processos internos que a deixem apta a realizar
problema e seus efeitos, através da relação entre o efeito e esses elementos do seu planejamento estratégico.
todas as possibilidades de causa que podem contribuir para Para melhor entendimento, Niven (2002)12 explica que o
esse efeito. BSC tem como input (entrada) a missão e a visão da empresa
para inspirar a mudança nos colaboradores para que a par‑
tir da transformação destas declarações os objetivos sejam
concretos a todos, fornecendo de forma eficiente a direção
e foco de seus trabalhos. É a partir deste desdobramento da
estratégia em objetivos e medidas de desempenho para cada
unidade de negócio que o BSC consegue proporcionar aos
gestores condições de criar um mix correto de competências
humanas e de processos para que se atinjam os objetivos
futuros da organização. Assim, conclui‑se que a estratégia
guia a construção do BSC.
Os objetivos e medidas passam a ser referência para os
Balanced Scorecard – BSC processos da organização, tornando‑se responsabilidade de
todos. Este sistema não somente mede, mas também esti‑
mula mudanças nas unidades, pois leva os colaboradores a
O Balanced Scorecard significa “Indicadores Balancea-
consciência dos impactos de suas atividades no sucesso da
dos de Desempenho” e foi proposto em 1992 pelos professo‑
estratégia da empresa, ajudando a pensar de forma estra‑
res da Harvard Business School, Kaplan e Norton, para suprir
tégica e a disseminar essa cultura por toda a organização
a necessidade das empresas em aliar informações históricas
(KAPLAN; NORTON, 1997).
e financeiras a medidas de desempenho futuras tanto de O BSC ainda se traduz num sistema de comunicação. Os
ativos tangíveis como intangíveis, em atividades criadoras autores consideram as quatro perspectivas como sendo um
de valor (KAPLAN; NORTON, 1997)11. “sistema de comunicação” utilizado para comunicar as estra‑
A formulação de uma boa estratégia competitiva não tégias da organização a todos os interessados, direta ou indi‑
assegurava bons resultados nos negócios, reconhecia‑se que retamente, em sua implementação e monitoração. São elas:
o sucesso estava associado, cada vez mais, a uma eficaz im‑ • Perspectiva financeira: nesta perspectiva as medidas

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


plantação da estratégia, que por sua vez, dependia do apren‑ financeiras são valiosas e demonstram as consequên‑
dizado, do conhecimento e das competências da equipe de cias econômicas das ações consumadas. Os acionis‑
colaboradores. Todos estes fatores associados, contribuíram tas terão uma clara percepção da gestão da empresa
para tornar o BSC uma das principais ferramentas de gestão através dos resultados obtidos. Os objetivos financei‑
da década de 90. ros devem estar vinculados à estratégia da empresa,
O BSC, de acordo com Kaplan e Norton (1997), procura no sentido de medir se a execução da estratégia está
responder as seguintes perguntas: proporcionando o lucro esperado. Os indicadores e
• Dadas à missão e visão de uma empresa, qual é a sua medidas financeiras utilizados para avaliar o compor‑
estratégica competitiva? tamento da organização podem ser: lucratividade,
• Tomando como base essa estratégica, que indicadores retorno sobre o investimento, fluxo de caixa etc.
de desempenho são os mais importantes? Observação! Na atividade privada, a perspectiva finan‑
• Como esses indicadores quantitativos e qualitativos se ceira é a mais importante.
relacionam entre si? • Perspectiva dos clientes: é analisado nessa perspec‑
• Que indicadores efetivamente demonstram o sucesso tiva como a organização é vista pelo cliente e como
do negócio em gerar valor a longo prazo? ela pode atendê‑lo da melhor maneira possível. As
empresas devem definir o mercado de atuação, de‑
De acordo com Kaplan e Norton (1997), a adoção do BSC vem identificar claramente quem são seus clientes e
propicia às organizações: em qual segmento devem concentrar sua atuação. Os
• esclarecer, obter consenso e comunicar a estratégia a indicadores devem mostrar se os produtos e serviços
toda empresa; estão de acordo com a missão da organização e se
• alinhar as metas departamentais e pessoas a estraté‑ atendem às necessidades dos clientes. Devem ainda
gia; indicar tendências de mercado, a fim de que a empresa
• associar objetivos estratégicos com metas e orçamen‑ desenvolva soluções que gerem valor para os clientes.
tos de longo prazo; Esses indicadores e medidas podem ser: satisfação do
• realizar revisões estratégicas sistematicamente; cliente, retenção de clientes, participação no mercado
• obter feedback para aprofundar o conhecimento da etc.
estratégia e aperfeiçoa‑la. • Perspectiva dos processos internos: refere‑se aos pro‑
cessos de negócios em que a organização precisa ter ex‑
O BSC é, portanto, um sistema de gestão que traduz a celência. É onde a estratégia é mais fortemente aplicada.
estratégia de uma organização compreendendo aqui sua São processos finalísticos ou de operações, com impac‑
visão, missão, objetivos e fatores críticos de sucesso, em tos diretos nos resultados financeiros e na satisfação dos
objetivos, medidas, metas e iniciativas de fácil entendimento clientes (produção de bens ou prestação de serviços aos
pelos participantes da organização. (KAPLAN; NORTON, 1997) clientes), e processos de suporte a realização das demais

11
KAPLAN, S R. NORTON P. D. A estratégia em ação: balanced scorecard. 4 ed. NIVEN, P. R. Balanced Scorecard step‑by‑step: maximizing performance and
12

Rio de Janeiro: Campus, 1997. maintaining results. New York: John Wiley, 2002.

29
atividades (aquisição de materiais, pagamento de pessoal, para melhorar continuamente e se preparar para obter
comunicação, etc). São os processos internos que criam sucesso no futuro. Essa perspectiva abarca os princi‑
valores para os clientes, que podem aumentar a produ‑ pais ativos intangíveis: pessoas, sistemas/informação
tividade e trazer melhores resultados para proprietários, e clima/motivação; as pessoas, sua capacidade de
acionistas e demais interessados. Os indicadores devem aprender, de se desenvolver e gerar crescimento para
mostrar se os processos estão alinhados, se possuem a organização; as informações/conhecimentos armaze‑
qualidade intrínseca, se estão gerando valor, e se estão nados a serem utilizados para inovações e melhorias;
direcionados à satisfação das necessidades dos clientes. o clima/motivação e a cultura, que devem refletir um
Os indicadores e medidas podem ser: qualidade, produ‑ ambiente organizacional adequado ao aprendizado e
tividade, inovação, logística, comunicação interna etc. ao crescimento. Os indicadores e medidas podem ser:
• Perspectiva do aprendizado e crescimento: é anali‑ treinamentos, competências, motivação, desenvolvi‑
sado nessa perspectiva a capacidade da organização mento de novos métodos etc.
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

Essas perspectivas utilizadas no BSC não são estanques, zado e crescimento e processos internos) e os de resultado
mas interrelacionadas, ou seja, há uma relação de causa e almejados (nas perspectivas dos clientes e financeira).
efeito entre elas, uma união de esforços para alcançar o resul‑ Os componentes do BSC são:
tado almejado. Essas relações de causa e efeito são essenciais • Temas estratégicos: refletem o foco de atuação, repre‑
para o entendimento das medidas apresentadas pelo BSC. As sentando o conjunto de objetivos estratégicos corre‑
relações devem ocorrer do geral (top-down) para o particular latos em cada uma das perspectivas.
e deve-se iniciar o processo com os resultados pretendidos • Objetivos (estratégicos): demonstram os alvos a serem
referentes aos clientes e de natureza financeira, passando alcançados, interligados, estabelecendo entre si relações
para os processos de negócio e para a infraestrutura, que são de causa e efeito. Criam valor para cada tema, através
os vetores de mudanças. É dessa relação “entre os vetores da tradução quantitativa e qualitativa da estratégia.
e os resultados desejados que se formam as hipóteses que • Indicadores: são medidas que representam ou quanti‑
definem a estratégia. ” (OGASSAWARA, 2009)13 ficam objetos, acontecimentos ou situações, de acordo
com regras. Apresentam uma relação de causa e efeito
Componentes do BSC entre indicadores financeiros e não financeiros. Para
cada objetivo deve ser criado, pelo menos um indica‑
O mapa estratégico, representação gráfica do BSC, de‑ dor que retrata ocorrências (resultados) e tendências
monstra as relações de causa e efeito entre os objetivos das (impulsionadores do desempenho).
quatro perspectivas e seus indicadores, comunicando a es‑ • Metas: são desdobramentos dos objetivos, quantifica‑
tratégia, alinhada aos níveis tático e operacional e demons‑ dos para um determinado período de tempo, marcos
trando a transformação dos ativos intangíveis em resultados ao longo do tempo.
tangíveis para a organização (da perspectiva aprendizagem • Iniciativas estratégicas ou ações/planos: são asso‑
e crescimento a financeira). ciadas as metas fixadas, formadas por um conjunto
O conceito de causalidade é indicado através das relações de projetos e programas de duração finita, fora das
entre os vetores de tendência (nas perspectivas do aprendi‑ atividades operacionais e rotineiras da organização,
destinadas ao alcance das metas, objetivos e temas.
13
OGASSAWARA, Christiane H.T. Balanced Scorecard e o modelo de excelência Deve-se atentar para a definição dos recursos, custos
da gestão da Fundação Nacional da Qualidade. 2009. Dissertação (Mestrado)
– UFPR, Curitiba. e tempo.

30
A seguir exemplos de mapa estratégico de uma instituição pública (TCDF) e de uma instituição privada:

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

31
Tipos de Indicadores do BSC

Há uma distinção entre os indicadores obtidos em cada


Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

perspectiva, para o alcance da estratégia organizacional.


• Nas perspectivas financeira e de clientes: medem-se os
objetivos e os resultados atingidos – Key Goal Indicators
(KGI) – com o olhar para o passado, após o fato ocorrido,
avaliando “o que” foi feito. Nesse caso, os indicadores
utilizados devem medir a eficácia do processo. A perspectiva financeira/orçamentária é deslocada para
• Nas perspectivas dos processos internos, aprendiza- a base do BSC, visto que no meio público ela é condição
gem e crescimento: medem-se o desempenho obtido indispensável e não resultado final. Mas ao mesmo tempo
– Key Performance Indicators (KPI) – do ponto de vista em que é deslocada, ela condicionará a atuação pública, pois
da eficiência do processo, avaliando “como fazer”, com o não se pode realizar nenhuma despesa que não se encontre
olhar para o futuro, pois os resultados desses processos aprovada no orçamento anual. Recursos orçamentários ade‑
levam a tendências, que poderão impactar no alcance quados contribuem para o alcance dos objetivos de todas as
dos objetivos, das perspectivas dos clientes e financeira. demais perspectivas. Assim, a perspectiva financeira se torna
um meio de obtenção dos recursos necessários ao cumpri‑
Adaptação do BSC às Instituições Públicas mento da função social de competência do ente público.
A perspectiva do cliente também é mais bem definida
A utilização do BSC no meio público insere-se tanto no como cliente-cidadão ou cidadão-cliente, visto que, no con‑
contexto da nova Administração Pública iniciada com a refor‑ texto público, o cidadão é o centro: como financiador, como
ma gerencial de 1995, quanto no contexto do planejamento usuário e como titular da coisa pública. Isso exige no mínimo
estratégico, amplamente utilizado pelos órgãos públicos no equidade no tratamento. Quanto aos processos internos, os
âmbito federal. conceitos são bastante semelhantes.
O BSC despertou particular atenção no meio público, haja No que concerne à perspectiva de aprendizado e cres‑
vista que na prestação de serviços os indicadores tradicionais cimento cabe ressaltar que existe maior dificuldade em se
de desempenho se mostraram insuficientes e ineficientes. tratar com as pessoas/servidores no meio público, haja vista a
A atribuição de responsabilidades e a cobrança por resul‑ existência de normas legais específicas que, por um lado, ga‑
tados (mediante a utilização de indicadores) inserem-se no rantem estabilidade ao servidor público, e por outro, acabam
bojo da reforma gerencial de 1995 – agora o BSC também por dificultar a flexibilidade necessária às inovações – além
permite avaliar redução de tempo, qualidade e satisfação da cultura existente no meio público, que em regra é refra‑
do cidadão-usuário. tária a mudanças. No entanto, são as pessoas que poderão
Independente da natureza e função social de cada ente tornar as organizações públicas excelentes ou não. Mariani
público a mudança radical aqui é em relação à perspectiva (2002) considera que a valorização do servidor é condição
mais importante. No meio público o cumprimento da mis‑ essencial nesse processo, e que a qualidade dos servidores
são institucional (prestar serviços à sociedade) é a principal e sua motivação são condições necessárias à realização dos
perspectiva, e deve estar no topo do BSC. Para os indica‑ objetivos das demais perspectivas. Portanto, o BSC pode e
dores, os termos mais adequados são orçamentários e não deve ser utilizado no meio público, desde que adaptado a
orçamentários. realidade pública.

32
Ciclo PDCA ou Ciclo Deming dos, desde o seu planejamento até a implementação de ações
corretivas. Esse método foi desenvolvido por Shewart a partir
É uma ferramenta na busca da melhoria contínua do da análise de que a maioria dos problemas em um processo,
kaizen. O objetivo da ferramenta é simplificar o processo de considerados como oportunidades de melhoria é causada pela
melhoria dos processos e a correção de problemas e fazer diferença entre as necessidades dos clientes e o desempenho
com que qualquer funcionário da organização possa participar do processo, ou seja, deveria existir uma melhoria contínua
desse processo e melhorar a qualidade da organização. Plan dos processos para que estes conseguissem “entregar” exata‑
(planejar recursos) / Do (executar o planejamento) / Check mente o produto ou serviço necessário ao cliente.
(verificar os resultados) / Act (ações corretivas); possibilita Assim sendo, seus passos principais são vistos na figura
o acompanhamento de todas as fases dos processos realiza‑ a seguir.

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


Plano 5w2h
What (O Que?) – Que ação será executada?
Who (Quem?) – Quem irá executar/participar da ação?
Where (Onde?) – Onde será executada a ação?
When (Quando?) – Quando a ação será executada?
Why (Por Quê?) – Por que a ação será executada?
How (Como?) – Como será executada a ação?
How much (Quanto custa?) – Quanto custa para executar a ação?

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RELAÇÕES HUMANAS, DESEMPENHO Importante destacar que desenvolver talentos e ampliar
habilidades é uma tarefa que não está restrita ao profissional
PROFISSIONAL, DESENVOLVIMENTO DE de rH, mas a todos os líderes de uma organização. o rH tem
EQUIPES DE TRABALHO sim papel fundamental no mapeamento de competências,
identificação de necessidades e levantamentos com técnicas
Conceitos e Diferenciação de Recursos Humanos específicas. Porém, não é o profissional dessa área que tem
e Gestão de Pessoas gerência direta em relação ao colaborador, portanto, não é
de sua responsabilidade motivá‑lo e capacitá‑lo.
Para conceituar a área que cuida do capital intelectual
de uma organização, ora utiliza‑se o termo Administração TRABALHO EM EQUIPE
de Recursos Humanos e ora utiliza‑se Gestão de Pessoas. É
muito comum que as empresas confundam esses dois termos Quando tratamos de trabalho em equipe, não podemos
e algumas integrem a duas áreas em um setor só. Primeira‑ deixar de falar a respeito dos grupos. Um grupo, na sua mais
mente, é preciso entender que pessoas não são recursos e, simplória descrição, é um aglomerado de pessoas. As ativi‑
portanto, não devem ser tratadas como tal. dades das pessoas de um grupo não são complementares,
Para o especialista Célio Pinto, um dos sócios da Search não apresentam, na maioria das vezes, um objetivo específico
Consultoria, a diferença entre as duas áreas pode ser percebi‑ em comum e não existe relação de interdependência entre
da da seguinte forma: enquanto a área de Recursos Humanos eles. Além disso, a comunicação compartilham informações
está associada ao “processo matemático”, aos benefícios, à apenas quando necessários, não apresentam sinergia e as
folha de pagamento e à legislação trabalhista, por exemplo, responsabilidades do grupo são individuais.
a Gestão de Pessoas trabalha com o lado mais humano. ou Uma equipe, por sua vez, não deixa de ser um grupo de
seja, a Gestão de Pessoas tem relação com o desenvolvi‑ pessoas. No entanto, para ser “promovido” a equipe, esse
mento, com a importância de cada um para a organização, grupo necessita apresentar alguns requisitos.
seus valores, comportamentos e alinhamento com a missão
da empresa – quesitos que nem sempre recebem a devida
atenção. “Em Gestão de Pessoas, devemos focar em indi‑
cadores de desempenho para possibilitar o crescimento e
a contribuição de cada um para o negócio”, conclui Pinto.
seguem abaixo alguns conceitos:
• Administração de Recursos Humanos (ARH) é o con‑
Noções de AdmiNistrAção PúblicA / ÉticA No serviço Público

junto de políticas e práticas necessárias para conduzir


os aspectos da posição gerencial relacionados com as
pessoas ou recursos humanos, incluindo recrutamen‑
to, seleção, treinamento, recompensas e avaliação do
desempenho.
• ArH é a função administrativa devotada à aquisição, Ou seja, uma equipe poderá ser considerada como tal,
treinamento, avaliação e remuneração dos emprega‑ se apresentar as seguintes características.
dos. Todos os gerentes são, em um certo sentido, ge‑ Atividades complementares: os membros da equipe
rentes de pessoas, porque todos eles estão envolvidos focam em um objetivo coletivo e o alcance deste objetivo
em atividades como recrutamento, entrevistas, seleção pressupões a convergência dos esforços, ou seja, é necessário
e treinamento. que exista sinergia positiva na equipe. Além disso, as tarefas
• ArH é o conjunto de decisões integradas sobre as desempenhadas não são, necessariamente, sequenciais, po‑
relações de emprego que influenciam a eficácia dos dendo ser agrupadas, recíprocas ou de equipe.
funcionários e das organizações. Objetivo específico comum a todos os membros: as me‑
• ARH é a função na organização que está relacionada tas devem ser conhecidas e realizadas por todos da equipe
com a provisão, treinamento, desenvolvimento, mo‑ e, enquanto no grupo as responsabilidades são individuais
tivação e manutenção dos empregados. e isoladas, na equipe as responsabilidades podem ser indi‑
• A Gestão de Pessoas é uma área extremamente contin‑ viduais, porém correlacionadas, ou são coletivas.
gencial e situacional, pois depende de vários aspectos, Relações de interação e interdependência dinâmicas e
como a cultura que existe em cada organização, da complexas: os membros da equipe necessitam um dos ou‑
estrutura organizacional adotada, das características tros. Essa dependência pode estar relacionada tanto à tarefa
do contexto ambiental, do negócio da organização, da (a atividade de um depende do outro) quanto ao resultado
tecnologia utilizada, dos processos internos, do estilo (o resultado de um depende do resultado do outro).
de gestão utilizado e de uma infinidade de outras va‑ Habilidades correlacionadas: enquanto as habilidades
riáveis importantes. dos membros do grupo são variadas e não são correlacio‑
• Gestão de Pessoas é o conjunto integrado de ativi‑ nadas, as habilidades de membros de uma equipe são cor‑
dades de especialistas e de gestores – como agregar, relacionados e complementares.
aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar Identificação como integrantes da equipe: os integrantes
pessoas – no sentido de proporcionar competências e da organização começam a identificar determinadas pessoas
competitividade à organização. como membros de uma equipe, construindo a sua identidade
• Gestão de Pessoas é a área que constrói talentos por e suas características.
meio de um conjunto integrado de processos e cuida Resumindo, se um grupo de pessoas apresentar as ca‑
do capital humano das organizações, o elemento fun‑ racterísticas acima, trata‑se de uma equipe e não apenas
damental do seu capital intelectual e a base do seu de um grupo! Segue abaixo um pequeno esquema sobre as
sucesso. diferenças entre Grupos e Equipes.

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Personalidade e Relacionamento mas que possuem objetivos e metas diferentes, bem como não
buscam o aprimoramento e crescimento dos outros.
A personalidade define o indivíduo. Cada um possui suas

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


próprias características e essas, por sua vez, exercem grande Eficácia no Comportamento Interpessoal
influência no desempenho das equipes, podendo ou não
serem positivas. Nenhum padrão de personalidade pode ser A eficácia no comportamento interpessoal está ligada
visto como certo ou errado, mas é possível que em determi‑ diretamente ao princípio de mesmo nome, que norteia o
nadas circustâncias algumas dessas características possam serviço público, a administração pública e demais atividades
gerar força ou fraqueza para o momento adequado. em que o interesse público é alvo ou cliente. Significa que o
É fato que as pessoas com personalidades distintas, se servidor não pode se interpor, em atitude de cunho pessoal,
sintam incomodadas diante às características de outros su‑ ante os interesses coletivos, sem risco de comprometer a efi‑
jeitos. Ao analisarmos as personalidades identificamos que cácia, a segurança da realização do serviço do atendimento,
tudo pode ser ajustado, todos os tipos de personalidade da prestação pública.
podem ser interligados e se movimentam em contrapontos Os funcionários públicos são treinados para atuarem se‑
e complementos. gundo o que hoje se chama etiqueta profissional, uma espé‑
Cada tipo de personalidade possui três aspectos, um deles cie de código de conduta convencional, nascido no próprio
predomina e vigora a maior parte do tempo, o outro vigora mercado, das relações modernas do mundo dos negócios
quando o indivíduo é colocado em ação e o terceiro surge e que permeou para a qualidade de atendimento e inter‑
em momentos onde o indivíduo não se sente seguro. Esses -relacionamentos no setor público.
O saber se comportar e a aparência são questões cada
tipos devem se integrar promovendo uma soma de qualidades.
vez mais exigidas para o funcionário público. As administra‑
Se o tipo empreendedor se integra com o sonhador, ele
ções desenvolvem cursos e treinamento para prepararem
pode passar a ter autoestima apurada e a saber levar a vida
seus funcionários.
sem dramas. Ficará mais otimista, espontâneo e criativo tam‑ Quem faz o curso aprende ainda:
bém. Não se prende a fazer coisas que não satisfazem seus • a criticar com resultados positivos;
desejos e os dos outros. Se o tipo individualista integra-se • transformar reclamações e lidar com colegas de tem‑
com o empreendedor, provavelmente ele poderá ser capaz peramento difícil;
de agir no presente e com objetividade, aceitando a realidade • apresentar ideias e projetos com eficiência;
e vivendo suas emoções como são, sem tentar ampliá-las. Já • conduzir reuniões e até mesmo contornar situações
se o sonhador integrar-se com o observador, sua capacidade mais graves, como o assédio sexual, por exemplo, den‑
de introspecção será imensa e saberá como ninguém apreciar tro de uma dinâmica atual, no setor público.
o silêncio e a reflexão.
Para o sucesso das equipes, se faz necessário que os seus Alguns critérios servem de orientação ao cliente na hora de
integrantes utilizem-se de empatia, coloquem-se no lugar dos avaliar a qualidade do serviço ou produto. Embora o nível de
outros, estejam receptivos ao processo de integração e, dessa importância de cada critério varie de acordo com as caracte‑
forma, permitam-se amoldar. Se não houver esse tipo de aber‑ rísticas de cada serviço, podem-se listar os principais critérios
tura, em que cada um dos elementos ceda, a equipe será com‑ de avaliação da qualidade do serviço utilizados pelo cliente:
posta de pessoas que competem entre si, o que traz o retrocesso • Aspectos tangíveis – refere-se à qualidade de qualquer
da equipe ao conceito simplista de grupo, ou seja, apenas um evidência física do serviço, bens facilitadores, equipa‑
agrupamento de indivíduos que dividem o mesmo espaço físico, mentos, instalações.

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• Consistência – é a ausência da variabilidade no resul‑ Com o atual cenário político‑social que vivemos, perce‑
tado ou no processo. be‑se que o estudo e aplicação de normas éticas se fazem
• Competência – refere-se à habilidade e ao conheci‑ cada vez mais frequentes e necessários ao desenvolvimento
mento para executar o serviço. do país.
• Velocidade de atendimento – critério importante para
maioria dos consumidores de serviços.
ÉTICA E MORAL
• Atendimento – refere-se à experiência que o cliente
tem durante o processo de atendimento a
• capacidade de agradar as expectativas, a capacidade Ética
de reconhecimento, o grau de cortesia criando o prazer
da participação do cliente no processo de produção do Ética é a parte da filosofia que se ocupa do estudo do
serviço. comportamento humano e investiga o sentido que o homem
• Comportamento Receptivo e Defensivo, Empatia e confere às suas ações para ser verdadeiramente feliz e alcan‑
Compreensão Mútua çar, como diriam os gregos, o “Bem viver”.
A ética faz parte do nosso dia a dia. Em todas as nossas
Receptivo relações e atos, em algum grau, utilizamos nossos valores
éticos para nos auxiliar.
Ser receptivo quer significa ter um comportamento na‑ Em um sentido mais amplo, a ética engloba um conjunto
turalmente aberto, solícito, prestativo, objetivo, claro, sem de regras e preceitos de ordem valorativa, que estão ligados
rodeios, indo direto ao ponto da necessidade do atendido. à prática do bem e da justiça, aprovando ou desaprovando a
ação dos homens de um grupo social ou de uma sociedade.
Defensivo A palavra ética deriva do grego ethos, e significa “com‑
portamento”. Heidegger, por sua vez, confere ao termo, o
Ser defensivo cria obstáculos e dificuldades para livrar-se significado de “morada do ser”.
do encargo, dificultando a qualidade. A ética pode ser dividida em duas partes: ética normativa
Empatia e metaética. A primeira propõe os princípios da conduta
correta, enquanto a segunda investiga o uso de conceitos
Empatia é a ação de se colocar no lugar de outra pessoa, de bem e mal, certo e errado etc.
buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou O estudo da ética demonstra que a consciência moral nos
agiria nas mesmas circunstâncias. Aptidão para se identificar
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

inclina para o caminho da virtude, que seria uma qualidade


com o outro, sentindo o que ele sente, desejando o que ele própria da natureza humana. Logo, um homem para ser ético
deseja, aprendendo da maneira como ele aprende etc. precisa necessariamente ser virtuoso, ou seja, praticar o bem
usando a liberdade com responsabilidade constantemente.
Compreensão Mútua Nesse aspecto, percebe‑se que “o agir” depende do ser.
O lápis deve escrever, é de sua natureza escrever; a lâmpada
O resultado da empatia é a compreensão mútua, que
deve iluminar, é de sua natureza iluminar e ela deve agir
certamente irá facilitar o atendimento e conclusão pela efi‑
dessa forma.
ciência.
Os preceitos éticos de uma sociedade são baseados em
seus valores, princípios, ideais e regras, os quais se consoli‑
ÉTICA E CIDADANIA dam durante a formação do caráter do ser humano em seu
convívio social. Essa formação de conceitos se baseia no sen‑
Atualmente, há um grande questionamento sobre o so comum, qual seja, uma unanimidade no modo de pensar
que é essencial e o que é secundário para o convívio social, da maioria das pessoas, sem base em nenhuma premissa
levando a sociedade, por diversas vezes, a uma inversão de filosófica. Em suma, É o pensamento “meramente comum”.
valores e sentimentos.
Para melhor entendimento do que é senso comum,
Embora esses questionamentos pareçam mais latentes
tomemos o seguinte: uma criança que adoece consegue
em nossa época, na verdade eles nasceram no momento em
explicar para os seus pais que está se sentindo mal, mesmo
que o homem passou a viver em sociedade e, para tanto,
que racionalmente não saiba o significado do termo “mal”.
começou a perceber a necessidade de “regras” que regula‑
Ela consegue dar a explicação porque tem a capacidade de
mentassem esse convívio.
Dentro desse mundo de normas e regras, para obter‑se “sentir” o que a palavra significa.
o bom relacionamento social, destaca‑se sobremaneira a Quando falamos em ética como algo presente no homem,
ética – objeto de nosso estudo. não quer dizer que ele já nasce com a consciên­cia plena do
A ética é uma ciência de estudo da filosofia e, durante que é bom ou mau. Essa consciência existe, mas se desen‑
toda a história, vários pensadores ocuparam-se de enten‑ volve mediante o relacionamento com o meio social e com
dê‑la, visando à melhoria nas relações sociais. As normas éti‑ o autodescobrimento.
cas revelam a melhor forma de o homem agir durante o seu Nas palavras do intelectual baiano Divaldo Franco, “a
relacionamento com a sociedade e em relação a si mesmo. consciência ética é a conquista da iluminação, da lucidez
Sócrates, considerado o pai da filosofia, relaciona o agir intelecto moral, do dever solidário e humano”.
moral com a sabedoria, afirmando que só quem tem conheci‑ Para uma vida plena, é necessário recorrer à ética, à co‑
mento pode ver com clareza o melhor modo de agir em cada ragem para decifrar‑se, à confiança na própria vida, ao amor
situação. Assim como a teoria socrática, várias outras foram como a maior manifestação do ser humano no grupo social,
formuladas por meio da história, contribuindo de alguma ao respeito por si e pelo outro e, principalmente, à verda‑
forma para a melhoria do agir humano e, consequentemente, de, estando acima de quaisquer interpretações, ideias ou
para o convívio social. opiniões.

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Moral Fazendo uma análise minuciosa desses conceitos,
percebe‑se que os princípios que regem a nossa conduta em
O termo moral deriva do latim – mos –, e significa “cos‑ sociedade são aqueles conceitos ou regras que aprendemos
tumes”. A moral é a “ferramenta” de trabalho da ética. Sem por meio do convívio, passados geração após geração.
os juízos de valor aplicados pela moral, seria impossível Esses conhecimentos se originaram, em algum momento,
determinar se a ação do homem é “boa ou má”. no grupo social em que estão inseridos, convencionando‑se
Moral é o conjunto de normas, livre e consciente, adota‑ que sua aplicação é boa, sendo aceita pelo grupo.
do, que visa organizar as relações das pessoas, tendo como Quando uma pessoa afirma que determinada ação fere
base o bem e o mal, com vistas aos costumes sociais. seus princípios, ela está se referindo a um conceito, ou regra,
Apesar de serem semelhantes, e por várias vezes se que foi originado em algum momento em sua vida ou na vida
confundirem, ética e moral são termos aplicados diferen‑ do grupo social em que está inserida.
temente. Enquanto o primeiro trata o comportamento hu‑
Valores
mano como objeto de estudo e normatização, pro­curando
torná‑lo o mais abrangente possível, o segundo se ocupa de
Nas mais diversas sociedades, independentemente do
atribuir um valor à ação. Esse valor tem como referências as
nível cultural, econômico ou social em que estejam inseridas,
normas e conceitos do que vem a ser bem e mal baseados os valores são fundamentais para se determinar quais são as
no senso comum. pessoas que agem tendo por finalidade o bem.
A cuja influência se estende a vários fatores, alterando, O caráter dos seres, pelo qual são mais ou menos deseja‑
assim, os conceitos morais de um grupo para outro. Esses dos ou estimados por uma pessoa ou grupo, é determinado
fatores podem ser sociais, históricos, geográficos etc. pelo valor de suas ações. Sua ação terá seu valor aumentado
Observa‑se, então, que a moral é dinâmica, ou seja, ela à medida em que for desejada e copiada por mais pessoas
pode mudar seus juízos de valor de acordo com o contexto do grupo.
em que esteja inserida. Todos os termos que servem para qualificar uma ação
Aristóteles, em seu livro A Política, descreve que “os ou o caráter de uma pessoa têm um peso “bom” e um peso
pais sempre parecerão antiquados para os seus filhos”. Essa “ruim”. Citam-se como exemplo os termos honesto e deso‑
afirmação demonstra que, na passagem de uma geração nesto, generoso e egoísta, verdadeiro e falso.
familiar para outra, os valores morais mudam radicalmente. Os valores dão “peso” à ação ou caráter de uma pessoa
Outro exemplo é o de que moradores de cidades praianas ou grupo. Esse peso pode ser bom ou ruim. Kant afirmava
achem perfeitamente normal e aceitável andar pelas ruas que toda ação considerada moralmente boa deveria ser

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


vestidos apenas com trajes de banho, ao passo que mora‑ necessariamente universal, ou seja, ser boa em qualquer
dores de cidades interioranas veem com estranheza esse lugar e em qualquer tempo. Infelizmente o ideal kantiano de
comportamento. Essa mudança de comportamento e juízo valor e moralidade está muito longe de ser alcançado, pois as
de valor é provocada por um agente externo. diversidades culturais e sociais fazem com que o valor dado
O ato moral tem em sua estrutura dois importantes a determinadas ações mude de acordo com o contexto em
aspectos: o normativo e o factual. que está inserido.
O ato normativo são as normas e imperativos que enun‑
ciam o “dever ser”. Ex.: cumpra suas obrigações, não minta, ÉTICA E DEMOCRACIA
não roube etc.
Os atos factuais são os atos humanos que se realizam O Brasil ainda caminha a passos lentos, no que diz respei‑
efetivamente, ou seja, é a aplicação da norma no dia a dia to à ética, principalmente no cenário político que se revela a
no convívio social. cada dia. Vários fatores contribuíram para a formação desse
O ato moral tem sua complexidade na medida em que quadro caótico. Entre eles, os principais são os golpes de
afeta não somente a pessoa que age, mas aqueles que a estados – Golpe de 1930 e Golpe de 1964.
cercam e a própria sociedade. Portanto, para que um ato seja Durante o período em que o país viveu uma ditadura mili‑
considerado moral, ou seja, bom, deve ser livre, consciente, tar e a democracia foi colocada de lado, tivemos a suspensão
intencional e solidário. do ensino de filosofia e, consequentemente, de ética, nas
Dessas características decorre a inserção da responsabili‑ escolas e universidades. Nesse ínterim, suspenderam-se os
dade, exigindo da pessoa que assuma as consequências por direitos políticos dos cidadãos; a liberdade de expressão foi
todos os seus atos, livre e conscientemente. cassada e o medo da repressão estendeu-se.
Por todos os aspectos que podem influenciar os valo‑ Como consequência dessa série de medidas arbitrárias
res do que vem a ser bom ou justo e, aliado a isso, devido e autoritárias, nossos valores morais e sociais foram se per‑
dendo, levando a sociedade a uma “apatia” social, mantendo,
à  diversificação de informações culturais que o mundo
assim, os valores que o Estado queria impor ao povo.
contemporâneo globalizado nos revela em uma velocidade
Atualmente, estamos presenciando uma “nova era” em
espantosa, faz-se relevante a sua aplicabilidade em todas as
nosso país no que tange à aplicabilidade das leis e da ética
conjunturas, sociais, econômicas, políticas, etc.
no poder: os crimes de corrupção e de desvio de dinheiro
estão sendo mais investigados e a polícia tem trabalhado
Ética: Princípios e Valores com mais liberdade de atuação em prol da moralidade e do
interesse público, o que tem levado os agentes públicos a
Princípios refletir mais sobre seus atos antes de cometê‑los.
Essa nova fase se deve principalmente à democracia im‑
Princípio é onde alguma coisa ou conhecimento se origi‑ plantada como regime político com a Constituição de 1988.
na. Também pode ser definido como conjunto de regras ou Etimologicamente, o termo democracia vem do grego
código de (boa) conduta pelos quais alguém governa a sua demokratía, em que demo significa povo e kratía, governo.
vida e as suas ações. Logo, a definição de democracia é “governo do povo”.

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A democracia confere ao povo o poder de influenciar na Um dos fundamentos que precisa ser compreendido é
administração do Estado. Por meio do voto, o povo é que o de que o padrão ético dos servidores públicos no exercí‑
determina quem vai ocupar os cargos de direção do Estado. cio de sua função pública advém de sua natureza, ou seja,
Logo, insere-se nesse contexto a responsabilidade tanto do do caráter público e de sua relação com o público.
povo, que escolhe seus dirigentes, quanto dos escolhidos, O servidor deve estar atento a esse padrão não apenas
que deverão prestar contas de seus atos no poder. no exercício de suas funções, mas 24 horas por dia durante
A ética tem papel fundamental em todo esse processo, toda a sua vida. O caráter público do seu serviço deve-se
regulamentando e exigindo dos governantes o comporta‑ incorporar à sua vida privada, a fim de que os valores morais
mento adequado à função pública que lhe foi confiada por e a boa-fé, amparados constitucionalmente como princípios
meio do voto, e conferindo ao povo as noções e os valores básicos e essenciais a uma vida equilibrada, se insiram e se‑
necessários para o exercício de seus deveres e cobrança dos jam uma constante em seu relacionamento com os colegas
seus direitos. e com os usuários do serviço.
É por meio dos valores éticos e morais – determinados Os princípios constitucionais devem ser observados para
pela sociedade – que podemos perceber se os atos cometidos que a função pública se integre de forma indissociável ao
pelos ocupantes de cargos públicos estão visando ao bem direito. Esses princípios são:
comum ou ao interesse público. • Legalidade: todo ato administrativo deve seguir fiel‑
mente os meandros da lei.
Exercício da Cidadania • Impessoalidade: aqui é aplicado como sinônimo de
igualdade: todos devem ser tratados de forma iguali‑
Todo cidadão tem direito a exercer a cidadania, isto é, tária e respeitando o que a lei prevê.
seus direitos de cidadão; direitos esses que são garantidos • Moralidade: respeito ao padrão moral para não com‑
prometer os bons costumes da sociedade.
constitucionalmente nos princípios fundamentais.
• Publicidade: refere-se à transparência de todo ato
Exercer os direitos de cidadão, implica no exercício deve‑
público, salvo os casos previstos em lei.
res de cidadão. Por exemplo, uma pessoa que deixa de votar
• Eficiência: ser o mais eficiente possível na utilização
não pode cobrar nada do governante que está no poder,
dos meios que são postos a sua disposição para a
afinal ela se omitiu do dever de participar do processo de
execução do seu mister.
escolha dessa pessoa, e com essa atitude abriu mão também
dos seus direitos.
Direitos e deveres coadunam-se no que tange ao exer‑ ÉTICA NO SETOR PÚBLICO
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

cício da cidadania. Não se pode conceber um direito sem


que antes este seja precedido de um dever a ser cumprido; Durante as últimas décadas, o setor público foi alvo,
é uma via de mão dupla, seus direitos aumentam na mesma por parte da mídia e de um senso comum vigente, de um
proporção de seus deveres perante a sociedade. processo deliberado de formação de uma caricatura, que
Constitucionalmente, os direitos garantidos, tanto indi‑ reduziu a sua imagem no estereótipo de um setor que não
viduais quanto coletivos, sociais ou políticos, são precedidos funciona, é muito burocrático e dispendioso à população.
de responsabilidades que o cidadão deve ter perante a O cidadão, mesmo bem atendido por um servidor pú‑
sociedade. Por exemplo, a Constituição garante o direito à blico, não consegue sustentar uma boa imagem do serviço
propriedade privada, mas exige‑se que o proprietário seja e do servidor, pois o que faz a imagem de uma empresa ou
responsável pelos tributos que o exercício desse direito gera, órgão parecer boa diante da população é o atendimento
como o pagamento do IPTU. de seus funcionários, e por mais que os servidores sérios e
Exercer a cidadania, por consequência, é também ser responsáveis se esforcem, existe uma minoria que consegue
facilmente acabar com todos os esforços levados a cabo pelos
probo, agir com ética assumindo a responsabilidade que
bons funcionários.
advém de seus deveres enquanto cidadão inserido no con‑
Aliados a isso, têm-se, em nosso cenário político atual,
vívio social.
constantes denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro,
uso inadequado da máquina pública e muitos outros fatores
ÉTICA E FUNÇÃO PÚBLICA que vêm a contribuir de forma destrutiva para a imagem do
servidor e do serviço públicos.
Função pública é a competência, atribuição ou encargo Esse conjunto caótico de fatores faz com que a opinião
para o exercício de determinada função. Ressalta-se que pública, por diversas vezes, se posicione contra o setor e
essa função não é livre, devendo, portanto, estar o seu os servidores públicos, levando em conta apenas aquilo
exercício sujeito ao interesse público, da coletividade ou da que, infelizmente, é divulgado nos jornais, revista e redes
Administração. Segundo Maria Sylvia Z. Di Pietro, função de televisão.
“é o conjunto de atribuições às quais não corresponde um Nesse ponto, a ética se insere de maneira determinante
cargo ou emprego”. para contribuir e melhorar a qualidade do atendimento, inse‑
No exercício das mais diversas funções públicas, os rindo no âmbito do poder público princípios e regras necessá‑
servidores, além das normatizações vigentes nos órgãos e rios ao bom andamento do serviço e ao respeito aos usuários.
entidades públicas que regulamentam e determinam a forma Os novos códigos de ética, além de regulamentarem a
de agir dos agentes públicos, devem respeitar os valores qualidade e o trato dispensados aos usuários e ao serviço
éticos e morais que a sociedade impõe para o convívio em público e de trazer punições para os que descumprem as suas
grupo. A não observação desses valores acarreta uma série normas, também têm a função de proteger a imagem e a
de erros e problemas no atendimento ao público e aos usu‑ honra do servidor que trabalha seguindo fielmente as regras
ários do serviço, o que contribui de forma significativa para neles contidos, contribuindo, assim, para uma melhoria na
uma imagem negativa do órgão e do serviço. imagem do servidor e do órgão perante a população.

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CONTRATOS ADMINISTRATIVOS Alteração Unilateral
LEI Nº 8.666/1993 Confere à Administração a prerrogativa de alterar uni‑
lateralmente o contrato visando a melhor adequação às
Contrato finalidades de interesse público, respeitados os direitos do
contratado (art. 65).
É todo acordo de vontades, firmado livremente pelas
partes, para criar obrigações e direitos recíprocos. Equação Financeira
Todo contrato – privado ou público – é dominado por dois
princípios: o da lei entre as partes (lex inter partes) e o da Refere‑se ao equilíbrio econômico‑financeiro do contra‑
observância do pactuado (pacta sunt servanda). O primeiro to, significa a proporção entre os encargos do contratado e
impede a alteração do que as partes convencionaram; o a sua remuneração (art. 65, III).
segundo obriga‑as a cumprir fielmente o que avençaram e
prometeram reciprocamente. Inoponibilidade de Exceção de Contrato não
Cumprido
Contrato Administrativo Significa que o contratado não pode invocar o descumpri‑
mento pela Administração de cláusulas contra­tuais (exceptio
É todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da non adimpleti contractus) para eximir‑se do cumprimento
Administração Pública e particulares em que haja um acordo de seus encargos. A justificativa dessa cláusula encontra‑se
de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de principalmente no princípio da continuidade dos serviços
obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada públicos que não podem parar. Porém a Lei contempla dois
(art. 2º, parágrafo único). casos em que o particular pode invocar a exceção de contrato
não cumprido (art. 78, XIV e XV). São elas:
Interpretação do Contrato Administrativo a) a suspensão de sua execução, por ordem escrita da
Administração, por prazo superior a 120 dias, salvo em caso
Os contratos administrativos regulam‑se pelas normas de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna
de Direito Público, suplementadas pelos princípios da Teoria ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões que totalizem
Geral dos Contratos e das disposições de Direito Privado o mesmo prazo;
(art. 54). b) o atraso de pagamentos, superior a 90 dias, pela
Administração, salvo em caso de calamidade pública, grave
Características dos Contratos Administra­tivos perturbação da ordem interna ou guerra.

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


Fiscalização
É sempre:
Além de direito, é dever da Administração fiscalizar e
Consensual Pois consubstancia um acordo de von‑ acompanhar a execução do contrato, por meio de represen‑
tades, portanto, bilateral. tante no local de execução, sendo permitida a contratação
de terceiros para assisti‑lo e subsidiá‑lo de informações
E em regra: pertinentes a essa atribuição (art. 67).

Imposição de Sanções
Formal Por escrito e com requisitos especiais.
Oneroso Remunerado da forma convencionada. A lei prevê a aplicação de sanções por atraso (art. 86) ou
inexecução total ou parcial do contrato (art. 87).
Comutativo Direitos e obrigações recíprocas entre
contratante e contratado. Ocupação Provisória
Intuito Personae Obriga o contratado a realizar pessoal­
mente o objeto do contrato, sem trans­ Nos casos de serviços essenciais, a Administração pode‑
ferência de responsabilidade ou sub‑ rá ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal
contratações não autorizadas (art. 72). e serviços vinculados ao objeto do contrato, a título de
cautela, para apurar faltas administrativas cometidas pelo
Podem ser de: contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato
administrativo (art. 58, V).
Colaboração É todo aquele em que o particular se obriga Retomada do Objeto
a prestar ou realizar algo para a Administra‑
ção, como ocorre nos contratos de obras, Pelo princípio da continuidade dos serviços públicos,
serviços ou fornecimentos. a Administração pode retomar o objeto do contrato, no
Atribuição É o que a Administração confere determi‑ estado e local em que se encontrar (art. 80, I).
nadas vantagens ou certos direitos ao parti‑
Rescisão Unilateral
cular, tal como os de uso de bens públicos.
Confere à Administração a prerrogativa de rescindi‑lo
Peculiaridades do Contrato Administrativo pelo descumprimento de cláusulas ou por razões de interesse
público, sempre com motivação (art. 58, II).
Constituem, genericamente, as chamadas cláusulas exor‑
bitantes, explícitas ou implícitas em todo contrato administra‑ Formalização do Contrato Administrativo
tivo. São as que excedem do Direito Comum para consignar
uma vantagem à Administração, colocando‑a em posição de Após a adjudicação do objeto ao licitante vencedor,
supremacia sobre o contratado. Eis algumas delas (art. 58): a Administração o convocará para assinar o futuro contrato,

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dentro do prazo e nas condições estabelecidas no instrumen‑ Carta‑contrato, Nota de Empenho, Autorização de
to convocatório (art. 64). Esse prazo pode ser prorrogado Compra, Ordem de Execução de Serviço
uma vez por igual período, quando solicitado pelo licitante São aplicáveis, conforme o caso, nas hipóteses em que
vencedor durante o seu transcurso e desde que ocorra mo‑ puderem ser substituídas pelo termo de contrato, e no caso
tivo justificado e aceito pela Administração (art. 64, § 1º). de compras, qualquer que seja o valor, das quais não resul‑
O local de sua formalização, em regra, é na repartição tem obrigações futuras, com a entrega imediata e integral
interessada, que deverá manter arquivo cronológico dos seus do bem adquirido, inclusive assistência técnica (art. 62, § 4º).
autógrafos e registro sistemático do seu extrato. Quando
tratar‑se de contratos de direitos reais sobre imóveis, a for‑ Cláusulas Essenciais
malização se efetuará necessariamente em cartório, por meio
de escritura pública (art. 60). São aquelas que não podem faltar, estão previstas nos
Se o licitante classificado em primeiro lugar não com‑ arts. 55 e 61. Entre outras, merecem destaque:
parecer para assinar o termo de contrato ou não aceitar ou • nome das partes e os seus representantes; sua finali‑
retirar o instrumento equivalente, decairá o seu direito à dade; o ato que autorizou a sua lavratura; o número do
contratação (art. 64). processo da licitação, da dispensa ou da inexigibilidade;
Se isso ocorrer, a Administração tem duas alternativas: a sujeição dos contratantes às normas desta Lei (ou
outras em casos omissos) e às cláusulas contratuais;
• o crédito pelo qual correrá a despesa;
1ª) Poderá convocar os licitantes remanescentes, na • o objeto e seus elementos característicos;
ordem de classificação, para fazê‑lo em igual prazo • as garantias oferecidas para assegurar sua plena exe‑
e nas mesmas condições da proposta vencedora, cução, se exigidas;
inclusive quanto aos preços atualizados, conforme • o regime de execução ou a forma de forneci­mento;
previsão no ato convocatório. • o preço e as condições de pagamento;
2ª) Revogar a licitação. • os prazos de início de etapas de execução, de con‑
clusão, de entrega, de observação e de recebimento
Cabe lembrar que, se decorridos 60 dias da data da en‑ definitivo;
trega das propostas, a Administração não convocar para a • a vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a
contratação, ficam os licitantes liberados dos compromissos dispensou ou a inexigiu, ao convite e à proposta do
assumidos (art. 64, § 3º). licitante vencedor;
• a obrigação do contratado de manter, durante toda
Penalidades Aplicáveis para quem Recusar a execução do contrato, em compatibilidade com as
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

Injustificadamente Assinar o Termo de Contrato, obrigações por ele assumidas, todas as condições de
Aceitar ou Retirar o Instrumento Equivalente habilitação e qualificação exigidas na licitação.

A recusa injustificada em assinar o termo de contrato, Garantias para a Execução do Contrato


aceitar ou retirar o instrumento equivalente, dentro do prazo
estabelecido pela Administração, caracteriza descumpri- A escolha da garantia, caso exigida pela Administração,
mento total da obrigação assumida (art. 81) e está sujeita fica a critério do contratado dentre as modalidades enume‑
às seguintes penalidades (art. 87): radas na lei (art. 56).
O seu valor não excederá a 5% do valor do contrato, e em
• multa; até 10% para obras, serviços e fornecimentos de grande vulto
• suspensão temporária de participação em lici­tação; envolvendo alta complexidade técnica e riscos financeiros
• impedimento de contratar com a Administração, consideráveis, que deverão ser demonstrados por meio de
por até 2 anos; parecer técnico aprovado pela autoridade competente. São
• declaração de inidoneidade. modalidades de garantia:

Forma dos Contratos Administrativos Caução


É toda garantia em dinheiro ou em títulos da dívida
pública; é uma reserva de numerário ou de valores que a
Exceção (art. 60, Administração pode usar sempre que o contratado faltar a
Regra geral
parágrafo único) seus compromissos.
Os contratos administra‑ Pequenas compras de pronto
tivos devem apresentar a pagamento, feitas em regime Seguro‑Garantia
forma escrita. de adiantamento, com valor É a garantia oferecida por uma companhia seguradora
máximo de até R$  8.800,00 para assegurar a plena execução do contrato, tais como
(Valor atualizado pelo Decreto seguro de bens e de pessoas, entre outros.
nº 9.412/2018). Qualquer outro
será nulo de pleno direito. Fiança Bancária
É a garantia fidejussória fornecida por um banco que se
Instrumento de Contrato responsabiliza perante a Administração pelo cumprimento
das obrigações do contratado.
Termo de Contrato A devolução da garantia é feita após a execução do con‑
É obrigatório nos casos de concorrência e de tomada trato (atualizada monetariamente) ou caso haja rescisão do
de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos contrato nas formas do art. 78, XII a XVII, e art. 80, III.
preços estejam compreendidos nos limites dessas duas
modalidades de licitação (art. 62), nas compras, qualquer Vigência dos Contratos Administrativos
que seja o valor, das quais resultem obrigações futuras, com
entrega futura ou parcelada do bem adquirido, inclusive A vigência do contrato tem início com a sua formalização
assistência técnica (art. 62, § 4º), e no pregão. (data e assinatura), salvo se outra for estipulada no contrato. Não

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necessariamente compreende o prazo de duração do contrato, Execução do Contrato Administrativo
pois a vigência pode se estender além desse prazo, quando, por
exemplo, existe cláusula de garantia técnica de equipamentos. Executar o contrato é cumprir fielmente as cláusulas acorda‑
das, conforme explícito no art. 66, caput, da Lei nº 8.666/1993.
Eficácia dos Contratos Administrativos
Direitos e Obrigações da Administração
Já a eficácia pode coincidir com a vigência, pois corres‑
ponde à possibilidade de produção de seus efeitos. O principal direito da Administração é o de exercer suas
prerrogativas, bem como obter o objeto do contrato. O dever
Prazo de Duração da Administração, em regra, resume‑se ao pagamento do
preço ajustado.
Em regra, coincide com a vigência do crédito orçamen‑
Direitos e Obrigações do Contratado
tário (art. 57), porém, como a Administração celebra vários
tipos de contratos, há casos em que a execução do objeto O principal direito do contratado é receber o preço
vai além da vigência do crédito orçamentário, cujo prazo, ajustado ou a prestação devida pela Administração. Entre
na Administração Direta, encerra‑se em 31 de dezembro de os deveres do contratado, destacamos:
cada ano (corresponde ao ano civil). Exceções:
Execução Pessoal
Projetos Contemplados no Plano Plurianual Em regra, todo contrato é firmado intuito personae, ou seja,
São aqueles cuja duração ultrapassa um exercício finan‑ deve ser executado pessoalmente pelo contratado, no entanto,
ceiro (art. 57, I). sem prejuízo das responsabilidades contratuais e legais, poderá
subcontratar partes da obra, serviço ou fornecimento, até o
Prestação de Serviços Contínuos limite admitido, em cada caso, pela Administração (art. 72).
O prazo de duração do contrato pode ser prorrogado por
até 60 meses, admitindo‑se, em caráter excepcional e desde Manutenção de Preposto
que devidamente justificado, o seu prolongamento por mais O contratado é obrigado a manter preposto credenciado
12 meses (art. 57, § 4º). pela Administração, no local da obra ou serviço (art. 68).

Aluguel de Equipamentos e Utilização de Programas Encargos da Execução


de Informática Independente de cláusula contratual, o contratado é res‑
ponsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


O prazo de duração desses contratos pode estender‑se
pelo prazo de até 48 meses após o início da vigência do e comerciais decorrentes da execução do contrato (art. 71).
contrato.
Recebimento do Objeto do Contrato
Alteração dos Contratos Administrativos
Constitui etapa final da execução do ajuste para a libe‑
ração do contratado (art. 73, I e II). Pode ser provisória ou
Os contratos administrativos podem ser alterados com as
definitiva:
devidas justificativas, nos seguintes casos (art. 65):
Unilateralmente pela Administração
• quando houver modificação do projeto ou das espe‑ Em se tratando de obras e Em se tratando de compras
cificações; serviços, pode ser feita: ou de locação de equipamen-
• quando necessária a modificação do valor contratual tos, pode ser feita:
em decorrência de acréscimo ou supressão quantita‑ Provisoriamente – será feito Provisoriamente – para efei‑
tiva de seu objeto (o contratado é obrigado a aceitar, pelo responsável por seu to de posterior verificação da
nas mesmas condições contratuais – art. 65, § 1º): acompanhamento e fiscali‑ conformidade do material
– para obras, serviços ou compras: até o limite de zação, mediante termo cir‑ com a especificação.
25%, do valor inicial do contrato (atualizado), para cunstanciado, assinado pelas
acréscimos ou supressões; partes por período
– para reforma de edifício ou equipamento: até o determinado (no máximo
limite de 50%, para seus acréscimos. 90 dias – art. 73, § 3º) para
a verificação da perfeição do
objeto do contrato.
Acordo entre as partes
• quando conveniente a substituição da garantia de Definitivamente – feito por Definitivamente – após a
execução; servidor ou comissão desig‑ verificação da qualidade e
• quando necessária a modificação do regime de exe‑ nada pela autoridade com‑ quantidade do material e
cução da obra ou serviço, bem como do modo de petente, mediante termo consequente aceitação.
circunstanciado, assinado
fornecimento;
pelas partes, após o decurso
• quando necessária a modificação da forma de paga‑
do prazo de observação e
mento; vistoria que comprove a ade‑
• para restabelecer o equilíbrio econômico‑financeiro quação do objeto aos termos
do contrato, nos casos de: contratuais.
– fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conse‑
quências incalculáveis, retardadores ou impeditivos Extinção dos Contratos Administrativos
da execução do ajustado;
– força maior; É a cessação do vínculo obrigacional entre as partes pelo
– caso fortuito; integral cumprimento de suas cláusulas ou pelo seu rompi‑
– fato do príncipe. mento, por meio de rescisão ou de anulação.

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Reajuste de Preços [...]
XIV – condições de pagamento, prevendo:
Em contratos com prazo de duração igual ou superior [...]
a um ano, é admitida cláusula com previsão de reajuste de c) critério de atualização financeira dos valores
preços ou correção monetária. a serem pagos, desde a data final do período de
O reajuste dos preços contratuais só pode ocorrer quan‑ adimplemento de cada parcela até a data do efetivo
do a vigência do contrato ultrapassar doze meses, contados pagamento;
a partir da data-limite para apresentação da proposta ou do ....................................................................
orçamento a que essa se referir. Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato
A Lei nº  10.192, de 14 de fevereiro de 2001, admite, as que estabeleçam:
para reajustar os contratos, a utilização de índices de preços I – o objeto e seus elementos característicos;
gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de II – o regime de execução ou a forma de forneci‑
produção ou dos insumos utilizados. Esses índices devem mento;
estar previamente estabelecidos no contrato. De acordo com III – o preço e as condições de pagamento, os crité‑
a citada lei, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes rios, data‑base e periodicidade do reajustamento de
que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos preços, os critérios de atualização monetária entre a
financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade data do adimplemento das obrigações e a do efetivo
inferior a anual. pagamento;

Reequilíbrio Econômico e Financeiro Inexecução do Contrato Administrativo


É possível à Administração, nas hipóteses expressamente É o descumprimento de suas cláusulas, no todo ou em
previstas em lei, mediante acordo com o contratado, res‑ parte. A inexecução pode ser:
tabelecer o equilíbrio econômico‑financeiro do contrato.
O equilíbrio econômico‑financeiro consiste na manutenção
das condições de pagamento estabelecidas inicialmente no Culposa É a que resulta de ação ou omissão da parte,
contrato, a fim de que se mantenha estável a relação entre as decorrente da negligência, imprudência ou
obrigações do contratado e a retribuição da Administração, imperícia no atendimento das cláusulas.
para a justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento. Sem Culpa É a que decorre de atos ou fatos estranhos à
O reequilíbrio econômico‑financeiro do contrato se jus‑ conduta da parte, retardando ou impedindo
tifica nas seguintes ocorrências: totalmente a execução do contrato.
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

• fato imprevisível, ou previsível porém de conse­quên­


cias incalculáveis, retardadores ou impeditivos da Teoria da Imprevisão
execução do que foi contratado;
• caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, Consiste no reconhecimento de que eventos novos,
configurando álea econômica (probabilidade de perda imprevistos, imprevisíveis e inevitáveis pelas partes, e a elas
concomitante à probabilidade de lucro) extraordinária não imputáveis, refletindo sobre a economia ou execução
e extracontratual. do contrato, autorizam sua revisão, de forma a ajustá‑lo às
circunstâncias supervenientes.
Para que possa ser autorizado e concedido o reequilíbrio
econômico e financeiro do contrato, normalmente pedido Causas Justificadoras da Inexecução
pelo contratado, a Administração tem que verificar:
• os custos dos itens constantes do proposto contratado Fato do Príncipe
com a planilha de custos que acompanha o pedido do É a medida de ordem geral não relacionada diretamente
reequilíbrio; com o contrato, mas que nele repercute, provocando o seu
• o contratado, ao encaminhar à Administração pedido desequilíbrio econômico‑financeiro.
de reequilíbrio, deve demonstrar quais os itens da
planilha de custos estão economicamente defasados, Fato da Administração
inclusive com a taxa de administração, e  que estão É toda ação ou omissão do Poder Público que, incidindo
ocasionando o desequilíbrio do contrato; direta e especificamente sobre o contrato, retarda ou impede
• a ocorrência de fato imprevisível, ou previsível porém a sua execução. É falta contratual cometida pela Administra‑
de consequências incalculáveis, que justifique as mo‑ ção (art. 78, XVI). Ex.: não desapropriação de terreno para
dificações do contrato para mais ou para menos. início da obra.

Da Correção Monetária Caso Fortuito


É o evento da natureza, inevitável e imprevisível, que
A correção monetária constitui cláusula obrigatória e impossibilita o cumprimento do contrato (art. 78, XVII). Ex.:
necessária em todos os contratos administrativos confor‑ inundação.
me art.  40, inciso XIV, alínea c, e art. 55, inciso III, da Lei
nº 8.666/1993 que assim dispõem: Força Maior
É o acontecimento humano, imprevisível e inevitável, que
Art.  40. O  edital conterá no preâmbulo o número impossibilita a execução do contrato (art. 78, XVII). Ex.: greve.
de ordem em série anual, o  nome da repartição
interessada e de seu setor, a modalidade, o regime Se ocorrer a rescisão, com base nesses motivos (sem
de execução e o tipo da licitação, a menção de que culpa), o contratado deverá ser ressarcido dos prejuízos
será regida por esta Lei, o local, dia e hora para re‑ regularmente comprovados, com direito a ter devolvido
cebimento da documentação e proposta, bem como o valor da garantia prestada (se for caso), os pagamentos
para início da abertura dos envelopes, e indicará, devidos pela execução do contrato até a data da rescisão
obrigatoriamente, o seguinte: e o pagamento do custo da desmobilização (art. 79, § 2º).

42
Consequências da Inexecução Principais Contratos Administrativos
Responsabilidade Civil Contrato de Obra Pública
É a que impõe a obrigação de reparar o dano patrimonial;
pode provir de lei, do ato ilícito e da inexecução do contrato É todo aquele cujo objeto é uma construção, uma refor‑
(art. 86). ma ou uma ampliação de imóvel público ou destinado a fins
públicos. Comete ao particular a execução da obra por sua
Responsabilidade Administrativa conta e risco, mediante remuneração previamente ajustada,
É a que resulta da infringência de norma da Adminis‑ mas sob controle e fiscalização da Administração. Admite
tração estabelecida em lei (art. 87) ou no próprio contrato, dois regimes de execução:
impondo um ônus ao contratado para com qualquer órgão
público. São elas: Empreitada
• advertência; A empreitada pode ser:
• multa; • Por preço global: é aquela em que se ajusta a exe­cução
• suspensão temporária de participação em licitação e por preço certo, embora reajustável, previamente
impedimento de contratar com a Administração por estabelecido para a totalidade da obra; o pagamento
prazo não superior a 2 anos; pode efetuar-se parceladamente nas datas prefixadas
• declaração de inidoneidade para licitar ou contratar ou na conclusão da obra ou de cada etapa.
com a administração pública enquanto perdurarem • Por preço unitário: é a em que se contrata a execução
os motivos determinantes da punição ou até que seja por preço certo de unidades determinadas.
promovida a reabilitação perante a própria autoridade • Integral: ocorre quando se contrata o empreendimento
que aplicou a penalidade. em sua integralidade, compreendendo todas as etapas
das obras, serviços e instalações necessárias, sob in‑
Rescisão do Contrato teira responsabilidade do contratado até sua entrega
ao contratante.
É o desfazimento do contrato durante sua execução por
inadimplência de uma das partes, pela superveniência de Tarefa
eventos que impeçam ou tornem inconveniente o prossegui‑ É aquele em que a execução de pequenas obras ou de
mento do ajuste ou pela ocorrência de fatos que acarretem parte de uma obra maior é ajustada por preço certo, com
seu rompimento de pleno direito. ou sem fornecimento de material. O pagamento também é
efetuado periodicamente, após a verificação pelo fiscal do

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


Pode ser: órgão contratante.
• Administrativa – É a efetivada por ato próprio e unilate‑
ral da Administração, precedida de autorização escrita Regime de execução – É o modo pelo qual nos contratos de
e fundamentada, por descumprimentos das cláusulas colaboração estabelecem as relações entre as partes, tendo
contratuais ou por interesse do serviço (art. 78); deve em vista a realização de seu objeto pelo contratado e a
ser precedida de autorização escrita e fundamentada respectiva contraprestação pecuniária pela Administração.
da autoridade competente, pois o contratante tem
direito a ampla defesa e ao contraditório (art.78, pa‑
rágrafo único), pois a rescisão não é discricionária, mas Contrato de Serviço
vinculada aos motivos ensejadores desse excepcional
distrato (art. 79, I). Opera efeitos a partir da data de sua É todo ajuste administrativo que tem por objeto uma
publicação ou ciência oficial ao interessado (ex nunc). atividade prestada à Administração, para atendimento de
• Amigável – É a que se realiza por mútuo acordo das suas necessidades ou de seus administrados, mediante
remuneração da própria Administração. São três os tipos
partes, desde que haja interesse para a Administração
de serviços:
(art. 79, II); também deve ser precedida de autorização
escrita e fundamentada da autoridade competente
Serviços Comuns
(art. 78, parágrafo único). Opera efeitos a partir da São todos aqueles que não exigem habilitação especial
data em que foi firmada (ex nunc). para sua execução. Ex.: limpeza. Devem ser contratados
• Judicial – É decretada pelo Poder Judiciário (art. 79, mediante prévia licitação.
III) em ação proposta pela parte que tiver direito à
extinção do contrato; a ação para rescindir o contrato Serviços Técnicos Profissionais
é de rito ordinário e admite pedidos cumulados de São os que exigem habilitação específica, mas não neces‑
indenização, retenção, compensação e demais efeitos sariamente especializada. Exige‑se apenas a formação supe‑
decorrentes das relações contratuais, processando‑se rior ou o registro nos órgãos de fiscalização da profissão. Ex.:
sempre no juízo privativo da Administração interessada um serviço de engenharia. Em regra, a licitação é obrigatória.
(art. 55). A declaração de nulidade do contrato admi‑
nistrativo opera retroativamente (ex tunc). A nulidade Serviços Técnicos Profissionais Especializados
não exonera a Administração do dever de indenizar São os que exigem habilitação específica e notória espe‑
o contratado pelo que este houver executado até a cialização. Ex.: estudos técnicos, planejamentos e projetos
data em que ela for declarada e por outros prejuízos básicos ou executivos; pareceres, perícias e avaliações em
regularmente comprovados, contanto que não lhe seja geral; assessorias ou consultorias técnicas e auditorias finan‑
imputável os motivos da rescisão (art. 59). ceiras ou tributárias; fiscalização, supervisão ou gerencia‑
• De pleno direito  – É a que se verifica independen‑ mento de obras ou serviços; patrocínio ou defesa de causas
temente de manifestação de vontade de qualquer judiciais ou administrativas; treinamento e aperfeiçoamento
das partes, diante da ocorrência de fato extintivo do de pessoal; restauração de obras de arte e bens de valor
contrato, previsto na lei, no regulamento ou no próprio histórico. A licitação é inexigível, quando considerados os
texto do ajuste. Ex.: morte do contratado, falência. atributos pessoais da pessoa ou da empresa (art. 25, II).

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Caso estes não sejam considerados, os contratos deverão, Concessões Especiais
preferencialmente, ser celebrados mediante a realização de Parcerias Público‑Privadas (Lei nº 11.079/2005)
concurso, com estipulação prévia de prêmios ou remunera‑ • Concessão patrocinada: constitui modalidade de
ção (art. 13, § 1º). concessão de serviço público ou de obra pública (Lei
nº 8.987/1995) quando envolver, adicionalmente à ta‑
Contrato de Gerenciamento rifa cobrada dos usuários, contraprestação pecuniária
do parceiro público (concedente) ao parceiro privado
Insere‑se dentro dos contratos de serviços técnicos (concessionário).
especializados, uma vez que tem por objeto auxiliar a • Concessão administrativa: tem por objeto a prestação
Administração na fiscalização e controle dos contratos por de serviço de que a Administração Pública seja a usuária
ela celebrados. Neste caso, a Administração comete ao direta ou indireta, podendo envolver a execução de obra
gerenciador a condução de um empreendimento, inclusive ou fornecimento e instalação de bens. A remuneração
auxiliando o contratado na execução do contrato, reservando básica é constituída por contraprestação feita pelo
para si a competência decisória final e responsabilizando‑se parceiro público ao parceiro privado (art. 2º, § 2º).
pelos encargos financeiros da execução das obras e serviços
projetados. Também pode haver a inexigibilidade de licitação,
desde que com profissional ou empresa de notória especia‑ ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DA
lização (art. 13, IV e art. 25, II). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA
Contrato de Fornecimento Noções Gerais
É o ajuste pelo qual a Administração adquire coisas mó‑ O Estado atua por meio de órgãos, agentes e pessoas jurí‑
veis e semoventes necessárias à realização de suas obras ou dicas, sua organização engloba três situações fundamentais:
à manutenção de seus serviços. Sujeitam‑se aos mesmos
princípios que disciplinam a formação e execução dos demais Centralização – Na centralização, o Estado executa suas
contratos administrativos. Admite três modalidades: tarefas diretamente por meio dos órgãos e agentes adminis‑
trativos que compõem sua estrutura funcional.
Integral A chamada centralização desconcentrada é a atribuição
A entrega da coisa é feita de uma só vez; em uma só administrativa cometida a uma única pessoa jurídica dividida
parcela. internamente em diversos órgãos.
Descentralização – Na descentralização, ele o faz indire‑
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

Parcelado tamente por meio de outras pessoas jurídicas. Pode ser por
O que se faz por partes. Exaure‑se com a entrega final meio de outorga ou delegação. Há outorga quando o Estado
da quantidade contratada. cria uma entidade e a ela transfere, por lei, a titularidade e
a execução de determinado serviço público. Há delegação,
Contínuo
quando o Estado transfere, por contrato (concessão ou con‑
A entrega é periódica, pois visa suprir as necessidades
sórcio público) ou ato unilateral (permissão ou autorização),
diárias da Administração Pública.
unicamente a execução do serviço, para que o ente delegado
Contrato de Concessão o preste à coletividade, em nome próprio e por sua conta e
risco, mas nas condições e sob o controle do Estado.
É o ajuste pelo qual a Administração delega ao particular Desconcentração – Na desconcentração temos uma
a execução remunerada de serviço ou de obra pública ou lhe distribuição de competências no âmbito interno da própria
cede o uso de um bem público, para que explore por sua con‑ entidade encarregada de executar um ou mais serviços.
ta e risco, mas sempre sob controle e fiscalização do Poder Com os conceitos expostos, podemos traçar o seguinte
Público delegante. Com o advento da Lei nº 11.079/2005, quadro:
será necessário dividir a concessão de serviço público em
duas categorias:

Concessões Comuns (Lei nº 8.987/1995)


• Contrato de concessão de serviço público: é o que tem
por objeto a transferência da execução de um serviço
do Poder Público ao particular, mediante licitação,
na modalidade concorrência, que se remunerará dos
gastos com o empreendimento, por sua conta e risco,
por meio de tarifa cobrada dos usuários (art. 175, CF
e Lei nº 8.987/1995).
• Contrato de concessão de obra pública: é o ajuste Administração Pública Desconcentrada
que tem por objeto a delegação a um particular da
execução e exploração de uma obra pública, mediante Centralizada Direta
licitação na modalidade concorrência, com remune‑
ração paga pelo beneficiário da obra, ou usuários dos É o conjunto de órgãos que integram as pessoas federati‑
serviços que ela proporciona, por meio de tarifa. (Lei vas, aos quais foi atribuída a competência para o exercício, de
nº 8.987/1995). Ex.: Pe­dágio. forma centralizada, das atividades administrativas do Estado.
• Contrato de concessão de uso de um bem público: Sua abrangência não se limita, somente, ao Executivo, ape‑
é o destinado a outorgar ao particular a faculdade de sar de ser o incumbido da função administrativa em geral,
utilizar um bem da Administração segundo a sua des‑ alcança também o Legislativo e o Judiciário, pois precisam
tinação específica, tal como um hotel, para fomentar se organizar no desempenho de suas atividades típicas –
o turismo. normativa e jurisdicional. É composta na esfera Federal pela

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Presidência da República e Ministérios. Na esfera Estadual, b) Quanto à Estrutura
pelo princípio da simetria, temos a Governadoria do Esta‑
do, os órgãos de Assessoria ao Governador e as Secretarias Simples
Estaduais com seus órgãos internos. E na esfera municipal, São constituídos por um único centro de competência.
temos as Prefeituras e seus órgãos de Assessoria ao Prefeito O órgão simples constitui uma única unidade. Ex.: Portaria,
e as Secretarias Municipais com seus órgãos internos. Agência da Secretaria da Receita.

Estruturação em Órgãos Compostos


São aqueles que reúnem, na sua estrutura, outros órgãos
Necessariamente, a Administração Pública centralizada menores, com função principal idêntica ou com funções
deve utilizar‑se de uma estrutura interna, em que se dividem auxiliares diversificadas. Ex.: Secretaria de Educação (esco‑
atribuições e poderes, de modo a permitir a efetiva prestação las – órgãos menores).
de serviços e a materialização de sua função. A tal estrutura
interna damos o nome de órgãos. c) Quanto à Atuação Funcional

Conceito de Órgãos Públicos Singulares


São aqueles que atuam e decidem por meio de um único
agente, que é seu chefe e representante. Pode ter vários
São centros de competência despersonificados, criados
auxiliares, mas só um representante. Ex.: Presidência da
por lei (art. 48, XI, da CF), instituídos para o desempenho
República (Presidente), Governadorias dos Estados, Prefei‑
de funções estatais, por meio de seus agentes, cuja atuação turas Municipais etc.
é imputada à pessoa jurídica a que pertencem (Teoria do
órgão). Colegiados
A principal característica da teoria do órgão consiste no São todos aqueles que atuam e decidem pela manifes‑
princípio da imputação volitiva, ou seja, a vontade do órgão tação conjunta e majoritária da vontade de seus membros.
público é imputada à pessoa jurídica que eles integram, en‑ Ex.: Tribunal.
tretanto, quando se tratar da chamada função de fato, se a
atividade provém de um órgão, é irrelevante que tenha sido Administração Pública Desconcentrada
praticado por um agente que não tenha competência, basta
Descentralizada Indireta
a aparência de investidura e o exercício pelo órgão para que

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


os efeitos da conduta sejam imputados à pessoa jurídica.
É o conjunto de entidades, criadas ou autorizadas por
lei, que, vinculadas à respectiva Administração Direta, têm
Classificação dos Órgãos Públicos o objetivo de desempenhar as atividades administrativas de
forma descentralizada. Em regra, abrange o Poder Executivo
a) Quanto à Posição Estatal Federal, Estadual e Municipal. De acordo com o Decreto‑Lei
nº 200/1967, compreende as seguintes entidades: Autar‑
Independentes quias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades
São os órgãos originários da Constituição, e represen‑ de Economia Mista.
tativos dos Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Ju‑
diciário). Não possuem qualquer subordinação hierárquica Autarquias
e seus agentes são denominados de Agentes Políticos. Ex.:
Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Presidência Conceito
da República etc. As Autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público,
integrantes da Administração Indireta, criadas por lei para
Autônomos desempenhar funções que, despidas de caráter econômico,
São os órgãos localizados na cúpula da administração; sejam próprias e típicas do Estado.
tem autonomia administrativa, financeira e técnica. Carac‑ As autarquias, pessoas administrativas que gozam de
terizam‑se como órgãos diretivos, com funções precípuas de liberdade administrativa nos limites da lei que as criou, só
planejamento, supervisão, coordenação e controle das ativi‑ podem ser extintas por lei.
dades que constituem sua área de competência. Ex.: Minis‑
térios, Secretarias de Estado, Advocacia Geral da União etc. Objeto
As Autarquias destinam‑se à execução de serviços pú‑
Superiores blicos de natureza administrativa. Por desempenharem ati‑
São os que detêm poder de direção, controle, decisão e vidades típicas do Estado, a descentralização administrativa
comando de assuntos de sua competência específica, mas ocorre por meio de outorga.
sempre sujeitos à subordinação e ao controle hierárquico
de uma chefia mais alta. Não gozam de autonomia adminis‑ Autoadminis­tra­ção
trativa nem financeira. Ex.: Gabinetes, Secretarias Gerais, As Autarquias não possuem autonomia política para
Coordenadorias, Departamentos etc. criar suas próprias normas, elas possuem apenas autonomia
administrativa, ou seja, auto‑organização.
Subalternos Controle
São órgãos subordinados hierarquicamente. Detêm reduzi‑ Institucional: não há subordinação hierárquica da autar‑
do poder decisório, pois se destinam basicamente à realização quia com o ente que a criou e sim vinculação, cabendo a este
de serviços de rotina e tem predominantemente atribuições apenas o controle finalístico (supervisão ministerial), que visa
de execução. Ex.: Portarias e seções de expediente. mantê‑la no estrito cumprimento de suas finalidades (tutela).

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Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja, Act (Lei de Procedimento Administrativo), estabelecendo‑se,
poder de rever seus próprios atos. assim, procedimentos uniformes a serem adotados por todas
Judicial: os atos praticados pelas Autarquias e por seus as agências, conferindo‑lhes maior legitimidade.
agentes são considerados atos administrativos, portanto, No Direito Administrativo brasileiro, diferentemente do
estão sujeitos ao controle pelo Poder Judiciário. modelo norte‑americano, as agências reguladoras tiveram
Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio forte e decisiva influência francesa e, consequentemente,
do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF). incorporaram as ideias de centralização administrativa e
forte hierarquia. No entanto, ao  adaptarmos as agências
Regime de Pessoal reguladoras ao Direito Administrativo brasileiro, devemos
Em regra, é o estatutário, da Lei nº 8.112/1990. levar em conta as diferentes características decorrentes de
cada ordenamento jurídico.
Patrimônio
As Autarquias possuem orçamento, patrimônio e receita Natureza
próprios. No Brasil, as  agências reguladoras foram constituí­das
O patrimônio das autarquias é formado inicialmente a como autarquias de regime especial integrantes da adminis‑
partir da transferência de bens móveis e imóveis do ente tração indireta, vinculadas (não é subordinada) ao Ministério
federado que as criou. competente para tratar da respectiva atividade. O regime
O patrimônio das autarquias goza dos mesmos privilégios especial vem definido nas respectivas leis instituidoras e diz
atribuídos aos bens públicos em geral, é imprescritível, não respeito, em regra, à maior autonomia em relação à Admi‑
podendo ser adquirido mediante usucapião, bem como não nistração Direta; à estabilidade de seus dirigentes, garantida
pode ser objeto de penhora a fim de garantir a execução pelo exercício de mandato fixo, que eles somente podem
judicial. perder nas hipóteses expressamente prevista, afastada a
possibilidade de exoneração ad nutum; ao caráter final das
Foro Competente suas decisões que, a princípio, não são passíveis de aprecia‑
Nos litígios comuns, sendo autoras, rés, assistentes ou ção por outros órgãos ou entidades da Administração, exceto
opoentes, o foro competente é a justiça federal, conforme no que se refere à legalidade.
determina o art. 109, I, da CF. Vistas por outro ângulo, foram criadas para realizar as tra‑
dicionais atribuições da Administração Direta, na qualidade
Responsabilidade Civil de Poder Público concedente, nas concessões, permissões
A Autarquia responde objetivamente pelos danos que e autorizações de serviços públicos. Derivam, pois da ideia
de descentralização administrativa (art.  10, Decreto‑Lei
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, asse‑


gurado o direito de regresso contra o responsável nos casos nº 200/1967) e têm como função a regulação das matérias
de dolo ou culpa (art. 37, § 6º, CF). afetas a sua área de atuação e a permanente missão de fis‑
calizar a eficiência na prestação dos serviços públicos pelos
Privilégios concessionários, permissionários e autorizados.
Imunidade tributária; prescrição quinquenal de suas Ou, ainda, em sentido amplo, agência reguladora no
dívidas; prazo em dobro para todas as suas manifestações Direito brasileiro seria qualquer órgão da Administração
processuais; impenhorabilidade e imprescritibilidade de Direta ou entidade da Administração Indireta com a função
bens; não estão sujeitas à falência. de regular matéria específica que lhe está afeta. Se for enti‑
dade da Administração indireta, está sujeita ao princípio da
Exemplos especialidade, significando que cada qual exerce e é espe‑
Bacen, INSS, CVM, Incra, Ibama, Detran. cializada na matéria que lhe foi atribuída por lei. A regulação
engloba toda forma de organização da atividade econômica
Obs.: Os Conselhos Profissionais, além de possuírem pelo Estado, seja a intervenção por meio da concessão de
personalidade jurídica própria, são autarquias. serviço público, seja pelo exercício do poder de polícia, ou
seja, o Estado está ordenando ou regulando a atividade eco‑
Agências Reguladoras nômica tanto quando concede ao particular a prestação de
As Agências Reguladoras surgiram na Inglaterra, a partir serviços públicos e regula sua utilização – impondo preços,
da criação pelo Parlamento, em 1834, de diversos órgãos quantidade produzida, qualidade – como quando edita regras
autônomos com a finalidade de aplicação e concretização no exercício do poder de polícia administrativo.
dos textos legais (MORAES, 2002, p. 22). Dentro dessa função regulatória, podemos considerar a
Posteriormente, em virtude da influência do direito existência de dois tipos de agências reguladoras no direito
anglo‑saxão, os Estados Unidos criaram, em 1887, a Inters- brasileiro:
tate Commerce Comission, órgão inicialmente destinado a • as que exercem, com base em lei, típico poder de po‑
regular o transporte ferroviário. lícia, com a imposição de limitações administrativas,
As agências reguladoras, porém, só passaram a intervir previstas em lei, fiscalização, repressão; é o caso, por
fortemente no Direito Administrativo norte‑americano após exemplo, da Anvisa, ANS e ANA;
a grande depressão (1929). No ápice da crise, já em 1933, • as que regulam e controlam atividades que constituem
o Presidente americano Franklin Delano Roosevelt aprovou objeto de concessão, permissão ou autorização de serviço
uma série de medidas político‑econômicas para restabelecer público (teleco­municações, energia elétrica, transportes
a economia e assistir os prejudicados. Essas medidas ficaram etc.) ou de concessão para exploração de bem público
conhecidas como New Deal (novo acordo). Como resultado (petróleo e outras riquezas minerais, rodovias etc.).
do New Deal, foram criadas, por meio de leis, várias agências As primeiras não são muito diferentes das autarquias
federais destinadas a regular os vários setores da economia, comuns que nós conhecemos, tais como o Banco Central,
cada qual com seus procedimentos decisórios. o Cade, o Conselho Monetário Nacional ou a Comissão
Diante disso, tornou‑se necessária a padronização desse de Valores Mobiliários. Já as segundas é que constituem
sistema e, em 1946, foi editado o Administrative Procedure

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novidade maior no Direito brasileiro, pelo papel que vêm de‑ de regular a própria atividade da agência por meio de
sempenhando, ao assumirem os poderes que, na concessão, normas de efeitos internos, e conceituar, interpretar ou
permissão ou autorização de serviços públicos, eram antes explicitar conceitos jurídicos indeterminados contidos
desempenhados pela própria Administração Pública Direta, na lei, sem inovar na ordem jurídica. Por conceito jurídi‑
na qualidade de poder concedente. co indeterminado entende‑se aquele que permite mais
de uma interpretação, ou seja, mutável em função da
As primeiras agências valoração que se proceda diante dos pressupostos da
Em 1995, as Emendas Constitucionais nºs 8 e 9 previram norma; geralmente seu sentido necessita de definição
a criação de um órgão regulador para o setor de teleco‑ por órgão técnico especializado.
municações (art.  21, XI) e outro para o setor de petróleo O grau de autonomia da agência reguladora depende
(art. 177, § 2º, III), o que foi implementado pelas Leis nºs dos instrumentos específicos que a respectiva lei ins­
9.472/1997 e 9.478/1997, as quais instituíram respectiva‑ tituidora estabeleça.
mente a Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel • Operam como instância administrativa final nos litígios
e a Agência Nacional do Petróleo – ANP. Porém a primeira sobre matérias de sua competência. Isso significa que,
agência reguladora brasileira tem origem infraconstitucional. em princípio, não cabe recurso hierárquico de suas
Trata‑se da Agência Nacional de Energia Elétrica, instituída decisões, exceto quanto ao controle de legalidade.
pela Lei nº 9.427/1996. • Possuírem direção colegiada, sendo os membros no‑
meados pelo Presidente da República, com aprovação
A desestatização do Estado do Senado Federal (Lei nº 9.986/2000, art. 5º).
Em 1997, foi instituído o Plano Nacional de desestati‑ • Seus dirigentes possuírem mandato com prazo de
zação (Lei nº 9.491), com o objetivo estratégico de, entre duração determinado (Lei nº 9.986/2000, art. 8º).
outros fins, reduzir o déficit público e sanear as finanças • Após cumprido o mandato, seus dirigentes ficarem im‑
públicas, transferindo para a iniciativa privada atividades pedidos, por um prazo certo e determinado (quarente‑
indevidamente exploradas pelo setor público e permitindo, na), de atuar no setor atribuído à agência, sob pena de
dessa forma, que a Administração Pública concentrasse seus incidirem em crime de advocacia administrativa, sem
esforços nas atividades em que a presença do Estado fosse prejuízo das demais sanções cabíveis, administrativas
fundamental para a consecução das prioridades nacionais. e civis (Lei nº 9.986/2000, art. 8º, § 4º).
Com o afastamento do Estado da execução dessas ati‑ • Especialização técnica: refere‑se à especialização de
vidades, seria necessário que se instituíssem mais órgãos cada agência em relação à sua atribuição técnica. Este
reguladores. A partir daí, diversos órgãos da mesma natureza grau de especialização técnica das agências, emprega‑

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


foram criados por lei infraconstitucionais como é o caso da do em suas decisões, fundamenta não só a criação da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, instituída própria agência, como também boa parte do poder
pela Lei nº 9.782/1999. Em 2000, as Leis nºs 9.661 e 9.984 normativo a ela conferido. Na verdade, as  impede
instituíram respectivamente a Agência Nacional de Saúde de exercer atividades diversas daquelas para as quais
Suplementar – ANS e a Agência Nacional de Águas – ANA. Em foram instituídas.
2001, a Lei nº 10.233 criou a Agência Nacional de Transportes • Sujeição a controle ou tutela: como nas autarquias
Terrestres – ANTT e a Agência Nacional de Transportes Aquá‑ comuns, o controle feito pelo Ministério é um controle
ticos – Antaq. No mesmo ano, a Medida Provisória nº 2.281 finalistico (supervisão ministerial), que visa mantê‑la
criou a Agência Nacional do Cinema – Ancine. Em 2005, a Lei
no estrito cumprimento de suas finalidades (tutela).
nº 11.182, criou a Agência Nacional de Aviação Civil – Anac.
É claro que sendo decorrentes de lei criadora, compatível
Características
com o ordenamento constitucional, as prerrogativas e auto‑
As agências reguladoras distinguem‑se das demais au‑
nomias podem variar de uma agência para outra. No entanto
tarquias porque suas leis instituidoras lhes outorgam certas
as suas atribuições encontram certo consenso na doutrina.
prerrogativas que não são encontráveis na maioria das enti‑
dades autárquicas comuns. Segundo alguns doutrinadores,
suas características podem envolver: Atribuições
• Serem criadas por lei; a criação por lei é exigência que As atribuições das agências, no que diz respeito à conces‑
vem desde o Decreto‑Lei nº 6.016/1943, repetindo‑se são, permissão e autorização de serviço público resumem‑se
no Decreto‑Lei nº  200/1967 e agora constando na ou deveriam resumir‑se às funções que o poder concedente
Constituição Federal, art. 37, XIX. exerce nesses tipos de contratos ou atos de delegação, ou seja:
• Serem dotadas de autonomia financeira, administrativa • regulamentar os serviços que constituem objeto da
e poderes normativos complementares à legislação delegação;
própria do setor. A autonomia financeira é assegurada • realizar o procedimento licitatório para escolha do
pela disponibilidade de recursos humanos e infraes‑ concessionário/ permissionário;
trutura material fixados em lei, além da previsão de • celebrar o contrato de concessão ou permissão ou
dotações consignadas no orçamento geral da União, praticar ato unilateral de outorga da autorização;
créditos especiais, transferências e repasses que lhe • definir o valor da tarifa e da sua revisão ou reajuste;
forem conferidos. A autonomia administrativa significa • controlar a execução dos serviços;
que, dada a personalidade jurídica própria, a autarquia • aplicar sanções;
contrata e administra em seu próprio nome, contrai • encampar;
obrigações e adquire direitos, mas dentro das regras do • decretar a caducidade;
ordenamento vigente; como exemplo, seus servidores • intervir;
devem ingressar no quadro funcional por meio de • fazer rescisão amigável;
concurso público. Com relação aos poderes normati‑ • fazer a reversão de bens ao término da concessão;
vos, não abrange o poder de regulamentar leis, suas • exercer o papel de ouvidor de denúncias e reclamações
normatizações deverão ser operacionais, no sentido dos usuários.

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Enfim, exercer todas as prerrogativas que a lei outorga para todas as suas manifestações processuais, prescrição
ao Poder Púbico na concessão, permissão e autorização. quinquenal, seus bens são considerados bens públicos, não
estão sujeitas à falência.
Regime de pessoal
O regime jurídico de pessoal é o da Lei nº 8.112/1990, Exemplos
assim determinado pela Lei nº  10.871/2004, que dispõe Ipea, IBGE, Fundação Nacional de Saúde, Funai, Enap,
sobre a criação de carreiras e organização de cargos efetivos Caje.
das autarquias especiais denominadas Agências Reguladoras.
Quadro Comparativo
Fundações Públicas
Conceito Autarquia Fundação Pública
Com propriedade, Di Pietro (2008) define a Fundação Criada por lei específica. Autorizada por lei específica.
instituída (autorização legislativa) pelo Poder Público como:
Pessoa Jurídica de Direito Pessoa Jurídica de Direito
o patrimônio, total ou parcialmente público, dotado Público (SEMPRE). Público ou Privado.
de personalidade jurídica, de direito público ou Exerce atividades típicas Exerce atividades atípicas.
privado, e destinado, por lei, ao desempenho de do Estado.
atividades do Estado na ordem social, com capaci‑ Possui natureza adminis- Possui natureza social (educa‑
dade de autoadministração e mediante o controle da trativa. tiva, recreativa e assistencial).
Administração Pública, nos limites da lei.
Obs.: As autarquias e as fundações públicas não são
Objeto consideradas entidades políticas.
As Fundações Públicas destinam‑se às atividades de cará‑
ter social, tais como, assistência social, assistência médica e Empresa Pública
hospitalar, educação e ensino, pesquisa e atividades culturais.
Conceito
Autoadministração As Empresas Públicas são pessoas jurídicas de Direito
As Fundações Públicas também não possuem autonomia
Privado, integrantes da Administração Indireta, criadas por
política para criar suas próprias normas, elas possuem apenas
autorização legal, sob qualquer forma (Ltda., S.A) e capital
autonomia administrativa, ou seja, auto‑organização.
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

exclusivamente público para que o Governo exerça atividades


gerais ou prestação de serviços públicos.
Controle
É admitida a participação de outras pessoas jurídicas de
Institucional: não há subordinação hierárquica da
Direito Público Interno, bem como de entidades da Admi‑
Fundação Pública com o ente que a criou e sim vinculação,
cabendo a este apenas o controle finalístico (supervisão nistração Indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal
ministerial), que visa mantê‑la no estrito cumprimento de e dos Municípios, desde que a maioria do capital votante
suas finalidades (tutela). permaneça de propriedade da União (art. 5º, Decreto‑Lei
Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja, nº 900/1969).
poder de rever seus próprios atos. A pessoa jurídica de direito privado criada por autoriza‑
Judicial: assim como nas Autar­quias, as Fundações Pú‑ ção legislativa específica, com capital formado unicamente
blicas, também, sofrem o controle de legalidade feito pelo por recursos de pessoas de direito público interno ou de
Poder Judiciário. pessoas de suas administrações indiretas, para realizar
Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio atividades econômicas ou serviços públicos de interesse da
do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF). administração instituidora, nos moldes da iniciativa particu‑
Obs.: O MP é curador das Fundações. lar, é denominada empresa pública.

Regime de Pessoal Objeto


Em regra, é o estatutário, da Lei nº 8.112/1990. As Empresas Públicas têm por objeto o desempenho
de atividades de caráter econômico ou de prestação de
Patrimônio serviços públicos.
As Fundações Públicas possuem orçamento, patrimônio
e receita próprios. Subsidiárias
A lei que autorizou a criação da Empresa Pública pode
Foro Competen­te prever, desde logo, a possibilidade de posterior instituição
O foro competente, assim como nas Autarquias, é a de subsidiárias. Caso contrário, será necessária nova lei au‑
Justiça Federal. torizando sua criação (art. 37, XX, CF). As subsidiárias serão
instituídas com o objetivo de se dedicar a um dos seguimen‑
Responsabilidade Civil tos da entidade primária, sendo a subsidiária controlada pela
As Fundações Públicas, também, respondem objeti‑ primária, e ambas pelo Estado.
vamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra Controle
o responsável nos casos de dolo ou culpa (art. 37, § 6º, CF). Institucional: as empresas públicas não possuem subor‑
dinação hierárquica com o ente que as criou e sim vinculação,
Privilégios cabendo a este apenas o controle finalístico (supervisão
As Fundações Públicas gozam dos mesmos privilégios que ministerial), que visa mantê‑la no estrito cumprimento de
as Autarquias, ou seja, imunidade tributária, prazo em dobro suas finalidades (tutela).

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Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja, de sua Administração indireta para atuar como delegatária
poder de rever seus próprios atos. de serviço público federal, tendo por objeto a exploração
Judicial: as empresas públicas sofrem o controle de comercial do Porto de São Sebastião. Optou pela criação de
legalidade feito pelo Poder Judiciário. uma sociedade de economia mista. Essa opção afigura-se
Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio correta, salvo se a delegação envolver, também, exercício de
do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF). poder normativo e sancionador, que não se coaduna com o
regime de direito privado da entidade.
Regime de Pessoal
Submetem‑se ao regime trabalhista comum, previsto no Objeto
Decreto nº 5.452/1943 (Consolidação das Leis do Trabalho). As Sociedades de Economia Mista têm por objeto o
desempenho de atividades de caráter econômico ou a pres‑
Patrimônio tação de serviços, assim como as Empresas Públicas.
As empresas públicas possuem orçamento, patrimônio
e receita próprios. Capital Social
O Capital social das Sociedades de Economia Mista é
Foro Competente formado pela composição de recursos públicos e privados,
O juízo competente nos litígios comuns é a Justiça Fe­ sendo que o controle acionário pertence ao Poder Público,
deral, conforme determina o art. 109, I, da CF. independentemente de serem exploradoras de atividades
econômicas ou prestadoras de serviços públicos.
Responsabilidade Civil
As empresas públicas que exercem atividade econômica Controle
estão isentas da responsabilidade civil decorrente do art. 37, Institucional: as Sociedades de Economia Mista não
§ 6º, da CF. Dessa forma, os prejuízos que seus empregados possuem subordinação hierárquica com o ente que as criou
causarem a terceiros deverão ser tratados pelo Código Civil. e sim vinculação, cabendo a este apenas o controle finalís‑
Se forem prestadoras de serviços públicos, responderão tico (supervisão ministerial), que visa mantê‑la no estrito
objetivamente por tais prejuízos. cumprimento de suas finalidades (tutela).
Administrativo: controle interno ou autotutelar, ou seja,
Privilégios poder de rever seus próprios atos.
As Empresas Públicas exploradoras de atividade econô‑ Judicial: as Sociedades de Economia Mista sofrem o
mica não dispõem de qualquer privilégio fiscal não extensivo controle de legalidade feito pelo Poder Judiciário.
Financeiro: é feito pelo Congresso Nacional com auxílio

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


ao setor privado (art. 173, § 2º, da CF).
do Tribunal de Contas da União (arts. 70 e 71 da CF).
Exemplos
Regime de Pessoal
ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos); CEF
Submetem‑se ao regime trabalhista comum, previsto no
(Caixa Econômica Federal); Embrapa (Empresa Brasileira de
Decreto nº 5.452/1943 (Consolidação das Leis do Trabalho).
Pesquisa Agropecuária); Emater‑DF (Empresa de Assistência
Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal); Caesb (Compa‑
Subsidiárias
nhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal). A lei que autorizou a criação da Sociedade de Economia
Mista, também, pode prever desde logo a possibilidade de
Sociedade de Economia Mista posterior instituição de subsidiárias.
Conceito
Patrimônio
Sociedades de Economia Mista são pessoas jurídicas
As Sociedades de Economia Mista possuem orçamento,
de Direito Privado, integrantes da Administração Indireta, patrimônio e receita próprios.
criadas por autorização legal, sob a forma de Sociedades Respeitados os requisitos e trâmites legais, é possível
Anônimas, cujo controle acionário pertença ao Poder Público, ao Estado-membro desapropriar, mediante prévia e justa
tendo por objetivo, como regra, a exploração de atividades indenização em dinheiro, imóvel não utilizado pertencente
de caráter econômico ou a prestação de serviços públicos, a sociedade de economia mista federal exploradora de ati‑
não exclusivos do Estado. vidade econômica em sentido estrito.
Após a autorização de sua criação, promoverão a apro‑
vação de seu estatuto, e o respectivo Registro, observando Foro Competente
o que determina a Lei das Sociedades por Ações. O juízo competente nos litígios comuns é a Justiça Estadual.
A título de exemplo, o Estado pretende descentralizar a
execução de atividade atualmente desempenhada no âmbito Súmula nº 517/STF: As Sociedades de Economia
da Administração direta, consistente nos serviços de ampliação Mista só têm foro na justiça federal, quando a União
e manutenção de hidrovia estadual, em face da especialidade intervém como assistente ou opoente.
de tais serviços. Estudos realizados indicaram que será possível
a cobrança de outorga pela concessão, a particulares, do uso Súmula nº 556/STF: É competente a justiça comum
de portos fluviais que serão instalados na referida hidrovia, para julgar as causas em que é parte Sociedade de
recursos esses que serão destinados a garantir a autossufi‑ Economia Mista.
ciência financeira da entidade a ser criada. Considerando os
objetivos almejados, poderá ser instituída sociedade de eco‑ Responsabilidade Civil
nomia mista, caracterizada como pessoa jurídica de direito As Sociedades de Economia Mista que exercem atividade
privado, submetida aos princípios aplicáveis à Administração econômica, também, estão isentas da responsabilidade civil
pública, e cuja criação é autorizada por lei. decorrente do art. 37, § 6º, da CF. Dessa forma, os prejuízos
Em face de convênio de delegação celebrado com a que seus empregados causarem a terceiros deverão ser
União, o Estado obrigou-se a constituir entidade integrante tratados pelo Código Civil.

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Se forem prestadoras de serviços públicos, responderão O termo contrato de gestão tem sido utilizado tanto para
objetivamente por tais prejuízos. designar acordos celebrados entre entidades públicas, como
entidades privadas que atuam paralelamente ao Estado, mais
Privilégios especificamente às organizações sociais.
As Sociedades de Economia Mista exploradoras de ativi‑ No âmbito da Administração Pública Federal foi criado
dade econômica não dispõem de qualquer privilégio fiscal como uma das formas de materializar o princípio constitucio‑
não extensivo ao setor privado (art. 173, § 2º, da CF). nal da eficiência (art. 37, § 8º, da CF), garantindo a amplia‑
ção da autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
Exemplos órgãos e entidades da Administração direta e indireta. Seu
Banco do Brasil; Banco da Amazônia; Petrobras; Banco objeto é a fixação de metas de desem­penho para os órgãos
de Brasília. e entidades. Nela, devem estar previstos, além das metas
a serem alcançadas, mecanismos de controle e critérios de
Quadro Comparativo avaliação (controle de resultados), o prazo de sua duração,
remuneração do pessoal, bem como direitos, obrigações e
Empresa Pública Sociedade de responsabilidades dos administradores.
Economia Mista No âmbito da Administração indireta ressalte-se que as
Pessoa jurídica de direito Pessoa jurídica de direito pri- autarquias e fundações que tenham um plano estratégico
privado. vado. de reestruturação e de desenvolvimento institucional em
Formação do capital social: Formação do capital social: andamento e que celebrem contrato de gestão com o respec‑
100% patrimônio público. capital social dividido entre o
tivo Ministério supervisor, serão qualificadas como Agências
poder público e particula­res
(privado); com maioria do ca‑ Executivas (art. 51 da Lei nº 9.649/1998).
pital votante (ações ordinárias) Fora do âmbito da Administração indireta, os contratos
em poder do Estado. de gestão estão previstos como modalidade de ajuste a ser
Forma de constituição: qual‑ Forma de constituição: somen- celebrado com instituições não governamentais passíveis de
quer forma. te S/A (Sociedade Anônima). serem qualificadas pelo Poder Executivo como Organizações
Tem seus feitos (processos) Tem seus feitos (processos) Sociais, para fins de fomento. As Organizações Sociais são
julgados pela Justiça Federal julgados pela Justiça Esta­dual, necessariamente pessoas jurídicas de direito privado, sem
(exceto trabalhistas / elei‑ mesmo se forem federais. finalidade lucrativa, cujas atividades estão dirigidas ao ensi‑
torais), no caso de Empresa no, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico,
Pública Federal.
à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

Bens não podem ser penho‑ Bens podem ser penhorados saúde, atendidos aos requisitos previstos no art. 2º da Lei
rados, se forem prestadoras ou executados (até o limite do
de serviços públicos. particular). nº 9.637/1998.
Prestação de serviços públi‑ Exploração de atividade econô‑
cos ou atividades econômicas mica de utilidade pública. Entidades Paraestatais (Terceiro Setor)
de interesse do Estado, ou
consideradas como conve‑ Integram o terceiro setor as pessoas jurídicas de direito
nientes à coletividade. privado, sem fins lucrativos, que exercem atividades de inter‑
esse público, não exclusivas de Estado, recebendo fomento
Obs.: o pessoal das empresas públicas e das sociedades do Poder Público.
de economia mista são considerados agentes públicos, para O terceiro setor coexiste com o primeiro setor, que é o
os fins de incidência das sanções previstas na Lei de Impro‑ próprio Estado e com o segundo setor, que é o mercado.
bidade Administrativa. É composto por particulares, portanto, pessoa jurídica
de direito privado, que não integram a estrutura da Admi‑
O regime jurídico das empresas públicas e sociedades nistração Pública, mas que com ela mantém, por razões
de economia mista que desempenham atividade econômica diversas e por meio de formas diferenciadas, parcerias com
em sentido estrito estabelece que a remuneração de seus o intuito de preservar o interesse público. São exemplos de
agentes não está sujeita ao teto constitucional, a menos que entidades paraestatais:
a entidade receba recursos orçamentários para pagamento
de despesa de pessoal ou de custeio em geral. Organizações Sociais
Nas empresas públicas e sociedades de economia mista,
os servidores ocupam empregos públicos, ao passo que, Após o Plano de desestatização do Estado em 1997,
na administração direta, há servidores titulares de cargos o Governo, com a necessidade de ampliar a descentraliza‑
efetivos e ocupantes de empregos públicos. ção de serviços públicos, instituiu o Programa Nacional de
Publicização – PNP (Lei nº 9.637/1998), por meio do qual o
Agências Executivas Poder Executivo poderia qualificar como organização social
As Agências Executivas, diferentemente das Agências pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas
Reguladoras, não têm por objetivo a regulamentação, atividades fossem dirigidas ao ensino, à pesquisa científica,
controle e fiscalização, mas sim a execução de atividades ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação
administrativas. do meio ambiente, à cultura e à saúde.
É apenas um qualificativo atribuído às autarquias e às A parceria é concretizada por meio de um contrato
fundações da Administração Pública Federal, por iniciativa de gestão, no qual constam discriminadas as atribuições,
do Ministério supervisor ao qual está vinculada, que tiverem responsabilidades e obrigações do Poder Público e da orga‑
com ele celebrado contrato de gestão e possuam plano nização social, bem como os incentivos que essas pessoas
estratégico de reestruturação e desenvolvimento institucional receberão do Estado para sua execução (recursos orça‑
voltado para a melhoria da qualidade de sua gestão e para mentários e bens públicos necessários ao cumprimento do
a redução de custos (art. 51 da Lei nº 9.649/1998).
contrato de gestão).

50
Na hipótese de decretação de indisponibilidade de bens EXERCÍCIOS
das Organizações Sociais ou de sequestro de bens dos diri‑
gentes, o poder público será o depositário e gestor desses 1. (2021/FGV/PC-RN) Em uma organização, uma fun‑
bens até o término da ação. cionária da área de RH foi recentemente promovida
e recebeu a responsabilidade de coordenar um novo
Serviços Sociais Autônomos projeto. Na última reunião da área, seu chefe perguntou
por que ela não havia respondido a um e-mail enviado
São todos aqueles instituídos por lei com personalidade para todos os colaboradores, sobre marcação de férias.
jurídica de direito privado (possuem CNPJ), para ministrar A funcionária respondeu: “Estou tão focada no novo
assistência ou ensino a certas categorias sociais ou grupos projeto que só tenho prestado atenção nas mensagens
profissionais, e que não tenham finalidade lucrativa; atu‑ sobre esse assunto; não percebi o prazo para envio da
am ao lado do Estado em caráter de cooperação, sendo resposta”. A barreira à comunicação que melhor explica
mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições o que pode ter havido é:
parafiscais. a) filtragem;
Exemplos: constituem basicamente o sistema S – Sesi, b) percepção seletiva;
Sesc, Senai, Senac, Sebrae. c) sobrecarga de informação;
d) ancoragem;
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público e) feedback inadequado.

É outro qualificativo atribuído às pessoas jurídicas de 2. (2021/FGV/PC-RN) A estrutura funcional – que re‑
direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais sulta do agrupamento das atividades com base na
tenham pelo menos uma das seguintes finalidades: pro‑ similaridade de tarefas, habilidades, uso de recursos
e conhecimentos necessários para o desempenho de
moção da assistência social; promoção da cultura, defesa
cada função – foi estudada por autores como Fayol e
e conservação do patrimônio histórico e artístico; promo‑
amplamente adotada pelas organizações, desde o fim
ção gratuita da educação; promoção gratuita da saúde;
do século XIX. A estrutura funcional tem desvantagens
promoção da segurança alimentar e nutricional; defesa,
conhecidas, como a dificuldade de coordenação entre
preservação e conservação do meio ambiente e promoção os departamentos funcionais. No entanto, essa estru‑
do desenvolvimento sustentável; promoção do volunta‑ tura apresenta vantagens, tais como:
riado; promoção do desenvolvimento econômico e social a) promover a descentralização da tomada de decisão;
e combate à pobreza; experimentação, não lucrativa, de

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


b) estimular uma visão ampla e sistêmica sobre os ob‑
novos modelos socioprodutivos e de sistemas alternativos jetivos organizacionais;
de produção, comércio, emprego e crédito; promoção de c) facilitar respostas rápidas às mudanças no ambiente;
direitos estabelecidos, construção de novos direitos e asses‑ d) favorecer a avaliação do desempenho e da contri‑
soria jurídica gratuita de interesse suplementar; promoção buição das diversas unidades para o negócio;
da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da e) facilitar a coordenação dentro das áreas funcionais.
democracia e de outros valores universais; estudos e pesqui‑
sas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção 3. (2021/FGV/IMBEL) Um administrador está buscando
e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e uma ferramenta de medição de desempenho que não
científicos que digam respeito às atividades mencionadas tenha, como foco exclusivo, indicadores financeiros.
acima (art. 3º da Lei nº 9.790/1999). Analisando outras perspectivas, é adequado o uso do
Para serem consideradas OSs ou OSCIPs, as instituições a) ebitda
não devem ter fins lucrativos, ou seja, não podem distribuir b) break even point
entre os seus sócios, conselheiros, diretores, empregados ou c) balanced scorecard
doadores, eventuais excedentes operacionais, dividendos, d) payback descontado
bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, e) margem de contribuição
auferidos mediante o exercício de suas atividades, os quais
devem ser aplicados integralmente na consecução de seu 4. (2021/FGV/IMBEL) O Diretor Financeiro da startup R2P2,
objeto social. após analisar os relatórios financeiros da empresa, per‑
Diferentemente das organizações sociais, a parceria é cebe que, provavelmente, a empresa terá que declarar
firmada por meio de termo de parceria, no qual deverão falência até o fim do ano. Ao relatar essa informação ao
estar formalizados, de modo detalhado, os direitos e as CEO, com medo da reação do chefe, decide, intencional‑
obrigações dos pactuantes. mente, amenizar a mensagem, informando que, embora
a situação não seja boa, tem certeza de que a R2P2 irá
se recuperar. Considerando as barreiras à comunicação,
Súmulas Aplicáveis evidencia-se, na situação, um exemplo de
a) filtragem.
Súmula nº 516/STF: “O Serviço Social da Indústria – Sesi – b) linguagem.
está sujeito à jurisdição da Justiça Estadual”. c) apreensão.
d) percepção seletiva.
Súmula nº 517/STF: “As Sociedades de Economia Mista e) excesso de informação.
só têm foro na justiça federal, quando a União intervém como
assistente ou opoente”. 5. (2021/FGV/IMBEL) Leia o fragmento a seguir retirado do
sítio eletrônico da IMBEL. “Ser reconhecida no mercado
Súmula nº  556/STF: “É competente a justiça comum nacional e internacional como uma empresa de exce-
para julgar as causas em que é parte Sociedade de Economia lência no desenvolvimento, fabricação e fornecimento
Mista.” de soluções de defesa e segurança.” O fragmento re‑

51
presenta uma importante ferramenta de planejamento 9. (2021/FGV/IMBEL) Considere os fatores a seguir, rela‑
estratégico, conhecida como cionadas às teorias motivacionais.
a) visão I. Salários;
b) missão II. Segurança;
c) valores. III. Relacionamentos interpessoais.
d) negócio Com base na Teoria de Herzberg, assinale a opção que
e) princípios. apresenta fatores higiênicos.
a) I, apenas.
6. (2021/FGV/IMBEL) Relacione os tipos de processo, lista‑ b) I e II, apenas.
dos a seguir, aos exemplos de suas aplicações no setor c) I e III, apenas.
industrial. 1. Processo de projeto. 2. Processo contínuo. d) II e III, apenas.
3. Processo de produção em massa. e) I, II, III.
( ) construção de um navio.
( ) produção de combustíveis em uma refinaria de pe‑ 10. (2021/FGV/IMBEL) Sobre as informações obtidas por
tróleo. meio da análise SWOT, assinale a opção que indica a
( ) produção de carros em uma fábrica de automóveis. considerada como elemento controlável.
a) A entrada de novo concorrente no mercado.
Assinale a opção que mostra a relação correta, segundo b) A falência de empresa concorrente.
a ordem apresentada. c) O início de nova guerra mundial.
a) 1 – 2 – 3. d) A força de trabalho qualificada.
b) 1 – 3 – 2. e) O aumento da tributação.
c) 2 – 1 – 3.
d) 2 – 3 – 1. 11. (2021/FGV/IMBEL) O Diretor Financeiro da startup
e) 3 – 2 – 1. R2P2, após analisar os relatórios financeiros da em‑
presa, percebeu que, provavelmente, a empresa terá
7. (2021/FGV/IMBEL) Na gestão de desempenho organi‑ que declarar falência até o fim do ano. Ao relatar essa
zacional, o Balanced Scorecard procura ligar o mape‑ informação ao CEO, com medo da reação do chefe,
amento estratégico da organização com um conjunto decide, intencionalmente, amenizar a mensagem, in‑
de medidores de desempenho, de forma a destacar formando que, embora a situação não seja boa, tem
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

as nuances e as interligações entre as diversas áreas certeza de que a R2P2 irá se recuperar. Considerando
dessa organização. Na implantação desse sistema, é as barreiras à comunicação, evidencia-se, na situação,
necessário considerar alguns elementos conceituais, à um exemplo de
exceção de um. Assinale-o. a) filtragem.
a) Objetivos estratégicos. b) linguagem.
b) Iniciativas estratégicas. c) apreensão.
c) Relações de causa e efeito. d) percepção seletiva.
d) Fatores críticos de sucesso.
e) excesso de informação.
e) Planejamento racional compreensivo.
12. (2020/FGV/IBGE) O processo de organização é pautado
8. (2021/FGV/IMBEL) Segundo a teoria da racionalidade
por alguns princípios ou elementos básicos, como pre‑
limitada, conceito associado às disfunções do processo
conizado por autores como Fayol e Urwick, entre outros.
decisório, assinale a afirmativa correta.
O grau em que as tarefas são divididas e padronizadas
a) As decisões são programadas conforme a ocorrência
para que possam ser aprendidas e realizadas de forma
dos problemas rotineiros enfrentados pelos gesto‑
relativamente rápida e eficiente é conhecido como:
res, que têm dificuldades em recorrer a soluções
a) especialização do trabalho;
elaboradas em contextos e situações emergentes.
b) Os entendimentos dos problemas são inibidos por b) delegação;
ancoragens psicológicas da gestão, criando situações c) coordenação;
de perda da capacidade de abstração e limitando o d) formalização;
gestor a se basear apenas em soluções programadas. e) amplitude de controle.
c) Os gestores tomam decisões sobre questões sobre
as quais possuem informações insuficientes, devido 13. (2020/FGV/IBGE) As funções administrativas são de‑
às restrições cognitivas, de tempo e de recursos para sempenhadas pelos administradores nos três níveis
a obtenção de dados mais completos. organizacionais: estratégico, tático e operacional. No
d) A racionalização exacerbada das situações reduz a entanto, os diferentes níveis organizacionais impõem
possibilidade de o gestor tomar uma decisão com atribuições distintas aos administradores, fazendo com
base nos objetivos finalísticos da organização e fo‑ que a intensidade com que essas funções são desem‑
que essencialmente em questões procedimentais do penhadas seja diferente em cada um deles. No nível
problema. estratégico predominam as funções de:
e) A capacidade de percepção dos gestores é afetada a) planejamento;
negativamente pela sazonalidade das mudanças de b) direção;
um mercado maduro, fato esse que limita a tomada c) controle;
de decisão como uma mera questão de perpetuação d) organização;
do status quo. e) coordenação.

52
14. (2020/FGV/IBGE) Ao retornar de férias, o funcionário 18. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) Sabe-se
de um órgão público encontrou 400 novas mensagens que a empresa C3PO, fabricante de naves espaciais,
em sua caixa de correio eletrônico, contendo comuni‑ divide suas operações de acordo com a semelhança
cações internas, informações de órgãos de controle, de atividades. Dessa forma, existe na C3PO os depar‑
além dos e-mails do seu chefe, dos membros de sua tamentos de produção, finanças, marketing e recursos
equipe e de outros clientes internos. Poucos dias de‑ humanos. Em relação ao tipo de modelo de departa‑
pois, seu chefe perguntou-lhe por que não havia res‑ mentalização utilizado pela C3PO, assinale a afirmativa
pondido a uma determinada mensagem, que continha correta.
informações sobre um novo e importante projeto. A a) Tem como vantagem a melhor utilização das habili‑
barreira à comunicação que melhor explica o que pode dades técnicas das pessoas.
ter havido é: b) Tem como vantagem a facilidade de adaptação às
a) filtragem; mudanças.
b) canal inadequado; c) Tem como vantagem a simplicidade de coordenação
c) percepção seletiva; entre os departamentos.
d) feedback inadequado; d) Tem como desvantagem a duplicação de recursos e
e) sobrecarga de informações. esforços.
e) Tem como desvantagem o baixo nível de conflitos
15. (2020/FGV/IBGE) Em todas as áreas funcionais de uma de interesses entre as áreas.
empresa, os administradores exercem as funções admi‑
nistrativas. São exemplos de desempenho das funções 19. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) Sabe-se
planejamento e controle na área de finanças, respec‑ que a empresa C3PO, fabricante de naves espaciais,
tivamente: divide suas operações de acordo com a semelhança
a) definição da estrutura de financiamento; aplicação de atividades. Dessa forma, existe na C3PO os depar‑
de recursos financeiros; tamentos de produção, finanças, marketing e recursos
b) aplicação de recursos financeiros; análise da renta‑ humanos. Em relação ao tipo de modelo de departa‑
bilidade da organização; mentalização utilizado pela C3PO, assinale a afirmativa
c) elaboração de orçamentos; remuneração dos fun‑ correta.
cionários com opções de ações; a) Tem como vantagem a melhor utilização das habili‑
d) elaboração de projetos de investimento; monitora‑ dades técnicas das pessoas.
mento do desempenho financeiro da organização; b) Tem como vantagem a facilidade de adaptação às
mudanças.

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


e) definição da estrutura de financiamento; implemen‑
tação de política de participação nos lucros. c) Tem como vantagem a simplicidade de coordenação
entre os departamentos.
16. (2020/FGV/IBGE) No processo de administração, a d) Tem como desvantagem a duplicação de recursos e
função organização faz a distribuição das tarefas e dos esforços.
e) Tem como desvantagem o baixo nível de conflitos
recursos entre os membros da organização. O resul‑
de interesses entre as áreas.
tado do processo de organização é a estrutura orga‑
nizacional. O desenho da estrutura é influenciado por
20. (2019/FGV/IBGE) O controle dos processos e atividades
fatores contingenciais — tais como ambiente, tamanho,
organizacionais é uma atribuição básica dos gestores. O
tecnologia de produção e estratégia — que devem ser
controle pode ser realizado em diferentes momentos:
considerados pelos administradores na busca por efi‑
antes, durante ou depois de as atividades organizacio‑
cácia organizacional. Assim, para uma organização que nais serem realizadas. O controle simultâneo consiste
atua em ambiente com grau de mudança baixo e adota no monitoramento contínuo das atividades enquanto
produção em massa, a estrutura mais eficaz é: são realizadas, corrigindo-se os problemas no momento
a) funcional; em que surgem. É um exemplo de controle simultâneo:
b) em rede; a) supervisão direta;
c) matricial; b) código de ética;
d) matricial por processo; c) avaliação de desempenho;
e) funcional por unidade. d) relatórios financeiros;
e) auditoria.
17. (2020/FGV/IBGE) Um candidato foi aprovado em um
concurso público e assumiu o cargo de diretor financei‑ 21. (2021/FGV/PC-RN) Em uma organização, uma fun‑
ro — um cargo de nível estratégico. Em um cargo desse cionária da área de RH foi recentemente promovida
nível, o funcionário necessitará, preponderantemente, e recebeu a responsabilidade de coordenar um novo
para seu bom desempenho, de habilidades relativas à: projeto. Na última reunião da área, seu chefe perguntou
a) capacidade de se relacionar, comunicar e compre‑ por que ela não havia respondido a um e-mail enviado
ender as atitudes e motivações das pessoas e liderar para todos os colaboradores, sobre marcação de férias.
grupos; A funcionária respondeu: “Estou tão focada no novo
b) visão da organização como um todo, trabalhando projeto que só tenho prestado atenção nas mensagens
ideias e conceitos, teorias e abstrações; sobre esse assunto; não percebi o prazo para envio da
c) capacidade de usar técnicas e conhecimentos espe‑ resposta”. A barreira à comunicação que melhor explica
cializados relativos à sua área de atuação; o que pode ter havido é:
d) comunicação com stakeholders externos e desem‑ a) filtragem;
penho de papéis decisórios; b) percepção seletiva;
e) capacidade de conseguir esforços coordenados dos c) sobrecarga de informação;
membros de sua equipe para alcance dos objetivos d) ancoragem;
e metas. e) feedback inadequado.

53
22. (2021/FGV/PC-RN) A estrutura funcional – que re‑ a) 1 – 2 – 3.
sulta do agrupamento das atividades com base na b) 1 – 3 – 2.
similaridade de tarefas, habilidades, uso de recursos c) 2 – 1 – 3.
e conhecimentos necessários para o desempenho de d) 2 – 3 – 1.
cada função – foi estudada por autores como Fayol e e) 3 – 2 – 1.
amplamente adotada pelas organizações, desde o fim
do século XIX. A estrutura funcional tem desvantagens 27. (2021/FGV/IMBEL) Na gestão de desempenho organi‑
conhecidas, como a dificuldade de coordenação entre zacional, o Balanced Scorecard procura ligar o mape‑
os departamentos funcionais. No entanto, essa estru‑ amento estratégico da organização com um conjunto
tura apresenta vantagens, tais como: de medidores de desempenho, de forma a destacar
a) promover a descentralização da tomada de decisão; as nuances e as interligações entre as diversas áreas
b) estimular uma visão ampla e sistêmica sobre os ob‑ dessa organização. Na implantação desse sistema, é
jetivos organizacionais; necessário considerar alguns elementos conceituais, à
c) facilitar respostas rápidas às mudanças no ambiente; exceção de um. Assinale-o.
d) favorecer a avaliação do desempenho e da contri‑ a) Objetivos estratégicos.
buição das diversas unidades para o negócio; b) Iniciativas estratégicas.
e) facilitar a coordenação dentro das áreas funcionais. c) Relações de causa e efeito.
d) Fatores críticos de sucesso.
23. (2021/FGV/IMBEL) Um administrador está buscando e) Planejamento racional compreensivo.
uma ferramenta de medição de desempenho que não
tenha, como foco exclusivo, indicadores financeiros. 28. (2021/FGV/IMBEL) Segundo a teoria da racionalidade
Analisando outras perspectivas, é adequado o uso do limitada, conceito associado às disfunções do processo
a) ebitda decisório, assinale a afirmativa correta.
b) break even point a) As decisões são programadas conforme a ocorrência
c) balanced scorecard dos problemas rotineiros enfrentados pelos gesto‑
d) payback descontado res, que têm dificuldades em recorrer a soluções
e) margem de contribuição elaboradas em contextos e situações emergentes.
b) Os entendimentos dos problemas são inibidos por
24. (2021/FGV/IMBEL) O Diretor Financeiro da startup R2P2, ancoragens psicológicas da gestão, criando situações
após analisar os relatórios financeiros da empresa, per‑ de perda da capacidade de abstração e limitando o
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

cebe que, provavelmente, a empresa terá que declarar gestor a se basear apenas em soluções programadas.
falência até o fim do ano. Ao relatar essa informação ao c) Os gestores tomam decisões sobre questões sobre
CEO, com medo da reação do chefe, decide, intencional‑ as quais possuem informações insuficientes, devido
mente, amenizar a mensagem, informando que, embora às restrições cognitivas, de tempo e de recursos para
a situação não seja boa, tem certeza de que a R2P2 irá a obtenção de dados mais completos.
se recuperar. Considerando as barreiras à comunicação, d) A racionalização exacerbada das situações reduz a
evidencia-se, na situação, um exemplo de possibilidade de o gestor tomar uma decisão com
a) filtragem. base nos objetivos finalísticos da organização e fo‑
b) linguagem. que essencialmente em questões procedimentais do
c) apreensão. problema.
d) percepção seletiva. e) A capacidade de percepção dos gestores é afetada
e) excesso de informação. negativamente pela sazonalidade das mudanças de
um mercado maduro, fato esse que limita a tomada
25. (2021/FGV/IMBEL) Leia o fragmento a seguir retirado do de decisão como uma mera questão de perpetuação
sítio eletrônico da IMBEL. “Ser reconhecida no mercado do status quo.
nacional e internacional como uma empresa de exce-
lência no desenvolvimento, fabricação e fornecimento 29. (2021/FGV/IMBEL) Considere os fatores a seguir, rela‑
de soluções de defesa e segurança.” O fragmento re‑ cionadas às teorias motivacionais.
presenta uma importante ferramenta de planejamento I. Salários;
estratégico, conhecida como II. Segurança;
a) visão III. Relacionamentos interpessoais.
b) missão Com base na Teoria de Herzberg, assinale a opção que
c) valores. apresenta fatores higiênicos.
d) negócio a) I, apenas.
e) princípios. b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
26. (2021/FGV/IMBEL) Relacione os tipos de processo, lista‑ d) II e III, apenas.
dos a seguir, aos exemplos de suas aplicações no setor e) I, II, III.
industrial. 1. Processo de projeto. 2. Processo contínuo.
3. Processo de produção em massa. 30. (2021/FGV/IMBEL) Sobre as informações obtidas por
( ) construção de um navio. meio da análise SWOT, assinale a opção que indica a
( ) produção de combustíveis em uma refinaria de pe‑ considerada como elemento controlável.
tróleo. a) A entrada de novo concorrente no mercado.
( ) produção de carros em uma fábrica de automóveis. b) A falência de empresa concorrente.
c) O início de nova guerra mundial.
Assinale a opção que mostra a relação correta, segundo d) A força de trabalho qualificada.
a ordem apresentada. e) O aumento da tributação.

54
31. (2021/FGV/IMBEL) O Diretor Financeiro da startup R2P2, c) elaboração de orçamentos; remuneração dos fun‑
após analisar os relatórios financeiros da empresa, per‑ cionários com opções de ações;
cebeu que, provavelmente, a empresa terá que declarar d) elaboração de projetos de investimento; monitora‑
falência até o fim do ano. Ao relatar essa informação ao mento do desempenho financeiro da organização;
CEO, com medo da reação do chefe, decide, intencional‑ e) definição da estrutura de financiamento; implemen‑
mente, amenizar a mensagem, informando que, embora tação de política de participação nos lucros.
a situação não seja boa, tem certeza de que a R2P2 irá
se recuperar. Considerando as barreiras à comunicação, 36. (2020/FGV/IBGE) No processo de administração, a
evidencia-se, na situação, um exemplo de função organização faz a distribuição das tarefas e dos
a) filtragem. recursos entre os membros da organização. O resul‑
b) linguagem. tado do processo de organização é a estrutura orga‑
c) apreensão. nizacional. O desenho da estrutura é influenciado por
d) percepção seletiva. fatores contingenciais — tais como ambiente, tamanho,
e) excesso de informação. tecnologia de produção e estratégia — que devem ser
considerados pelos administradores na busca por efi‑
32. (2020/FGV/IBGE) O processo de organização é pautado cácia organizacional. Assim, para uma organização que
por alguns princípios ou elementos básicos, como pre‑ atua em ambiente com grau de mudança baixo e adota
conizado por autores como Fayol e Urwick, entre outros. produção em massa, a estrutura mais eficaz é:
O grau em que as tarefas são divididas e padronizadas a) funcional;
para que possam ser aprendidas e realizadas de forma b) em rede;
relativamente rápida e eficiente é conhecido como: c) matricial;
a) especialização do trabalho; d) matricial por processo;
b) delegação; e) funcional por unidade.
c) coordenação;
d) formalização; 37. (2020/FGV/IBGE) Um candidato foi aprovado em um
e) amplitude de controle. concurso público e assumiu o cargo de diretor financei‑
ro — um cargo de nível estratégico. Em um cargo desse
33. (2020/FGV/IBGE) As funções administrativas são de‑ nível, o funcionário necessitará, preponderantemente,
sempenhadas pelos administradores nos três níveis para seu bom desempenho, de habilidades relativas à:
organizacionais: estratégico, tático e operacional. No a) capacidade de se relacionar, comunicar e compre‑

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


entanto, os diferentes níveis organizacionais impõem ender as atitudes e motivações das pessoas e liderar
atribuições distintas aos administradores, fazendo com grupos;
que a intensidade com que essas funções são desem‑ b) visão da organização como um todo, trabalhando
penhadas seja diferente em cada um deles. No nível ideias e conceitos, teorias e abstrações;
estratégico predominam as funções de: c) capacidade de usar técnicas e conhecimentos espe‑
a) planejamento; cializados relativos à sua área de atuação;
b) direção; d) comunicação com stakeholders externos e desem‑
c) controle; penho de papéis decisórios;
d) organização; e) capacidade de conseguir esforços coordenados dos
e) coordenação. membros de sua equipe para alcance dos objetivos
e metas.
34. (2020/FGV/IBGE) Ao retornar de férias, o funcionário
de um órgão público encontrou 400 novas mensagens 38. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) Sabe-se
em sua caixa de correio eletrônico, contendo comuni‑ que a empresa C3PO, fabricante de naves espaciais,
cações internas, informações de órgãos de controle, divide suas operações de acordo com a semelhança
além dos e-mails do seu chefe, dos membros de sua de atividades. Dessa forma, existe na C3PO os depar‑
equipe e de outros clientes internos. Poucos dias de‑ tamentos de produção, finanças, marketing e recursos
pois, seu chefe perguntou-lhe por que não havia res‑ humanos. Em relação ao tipo de modelo de departa‑
pondido a uma determinada mensagem, que continha mentalização utilizado pela C3PO, assinale a afirmativa
informações sobre um novo e importante projeto. A correta.
barreira à comunicação que melhor explica o que pode a) Tem como vantagem a melhor utilização das habili‑
ter havido é: dades técnicas das pessoas.
a) filtragem; b) Tem como vantagem a facilidade de adaptação às
b) canal inadequado; mudanças.
c) percepção seletiva; c) Tem como vantagem a simplicidade de coordenação
d) feedback inadequado; entre os departamentos.
e) sobrecarga de informações. d) Tem como desvantagem a duplicação de recursos e
esforços.
35. (2020/FGV/IBGE) Em todas as áreas funcionais de uma e) Tem como desvantagem o baixo nível de conflitos
empresa, os administradores exercem as funções admi‑ de interesses entre as áreas.
nistrativas. São exemplos de desempenho das funções
planejamento e controle na área de finanças, respec‑ 39. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) Sabe-se
tivamente: que a empresa C3PO, fabricante de naves espaciais,
a) definição da estrutura de financiamento; aplicação divide suas operações de acordo com a semelhança
de recursos financeiros; de atividades. Dessa forma, existe na C3PO os depar‑
b) aplicação de recursos financeiros; análise da renta‑ tamentos de produção, finanças, marketing e recursos
bilidade da organização; humanos. Em relação ao tipo de modelo de departa‑

55
mentalização utilizado pela C3PO, assinale a afirmativa c) A conduta ética obriga a escolher entre o honesto e
correta. o desonesto.
a) Tem como vantagem a melhor utilização das habili‑ d) Os princípios éticos nos liberam para agir segundo
dades técnicas das pessoas. os nossos interesses.
b) Tem como vantagem a facilidade de adaptação às e) A ética diz respeito aos valores que indicam o que é
mudanças. um bem coletivo.
c) Tem como vantagem a simplicidade de coordenação
entre os departamentos. 43. (2018/FGV/COMPESA) Relacione os conceitos funda‑
d) Tem como desvantagem a duplicação de recursos e mentais da ética com suas respectivas definições.
esforços. 1. Moralidade
e) Tem como desvantagem o baixo nível de conflitos 2. Subsidiaridade
de interesses entre as áreas. 3. Eticidade

40. (2019/FGV/IBGE) O controle dos processos e atividades ( ) Conjunto de valores institucionais, onde há identi‑
organizacionais é uma atribuição básica dos gestores. O dade da vontade universal e particular e uma coin‑
controle pode ser realizado em diferentes momentos: cidência entre deveres e direitos.
antes, durante ou depois de as atividades organizacio‑ ( ) Princípio que se volta ao respeito às relações entre
nais serem realizadas. O controle simultâneo consiste os níveis de concentração de poder e os interesses
no monitoramento contínuo das atividades enquanto sociais a serem satisfeitos.
são realizadas, corrigindo-se os problemas no momento ( ) Código de valores capaz de guiar a conduta do ho‑
em que surgem. É um exemplo de controle simultâneo: mem e suas respectivas escolhas e decisões.
a) supervisão direta;
b) código de ética; Assinale a opção que mostra a relação correta, segundo
c) avaliação de desempenho; a ordem apresentada.
d) relatórios financeiros; a) 1, 2 e 3
e) auditoria. b) 1, 3 e 2
c) 2, 1 e 3
41. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) João, ser‑ d) 3, 1 e 2
vidor público ocupante de cargo de provimento efetivo e) 3, 2 e 1
junto ao Poder Executivo do Município de Angra dos
44. (2018/FGV/Câmara de Salvador - BA) Código de va‑
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

Reis, foi alocado no setor de atendimento ao público da


unidade administrativa em que atuava. Em razão de sua lores que norteiam a conduta de um indivíduo, bem
formação, João utilizava muitas gírias em seu processo como suas decisões e escolhas, fazendo com que esse
de comunicação, era retraído, sorria pouco e passava indivíduo seja capaz de julgar o que é certo ou errado.
parte do dia atendendo ligações em seu telefone celular. Trata-se da definição de:
a) altruísmo;
Considerando a dinâmica das relações humanas e do
b) egoísmo;
atendimento ao público, João deve
c) consenso;
a) manter seus traços comportamentais durante o
d) participação;
atendimento, já que são projeção de sua personali‑
e) moralidade.
dade e não precisam ser alterados no ambiente de
trabalho.
45. (2017/FGV/Prefeitura de Salvador - BA) Sobressair-se
b) ajustar totalmente seu comportamento, eliminando devido às suas qualidades é muito mais interessante do
a linguagem popular, sendo simpático, antecipando‑ que assumir comportamentos antiéticos, como menos‑
-se aos problemas e não utilizando o telefone celular. prezar o trabalho de colegas, roubar ideias ou mentir.
c) ajustar parcialmente seu comportamento, evitando A esse respeito, analise as afirmativas a seguir.
atender ligações em seu telefone celular em quanti‑ I. A Ética pode ser entendida como um conjunto de
tativo muito elevado. princípios que fundamentam a conduta humana, com
d) ajustar parcialmente seu comportamento, anteci‑ base em valores individuais ou coletivos.
pando-se aos problemas e sorrindo muito nos mo‑ II. A conduta ética gera reflexos positivos, na medida
mentos em que tiver contato com o público. em que aumenta a produtividade, estimula a harmonia
e) ajustar o seu comportamento somente quando en‑ no ambiente de trabalho e ajuda no desenvolvimento
tenda relevante, à luz das peculiaridades do inter‑ profissional.
locutor, mas sem qualquer obrigação de preservar III. O Código de Ética é uma importante ferramenta de
um padrão. orientação quanto à moral e à conduta, sendo dever
do funcionário público agir segundo seus princípios.
42. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) Leia o Está correto o que se afirma em:
trecho a seguir. a) II, apenas.
Ética é o estudo dos princípios que orientam e discipli- b) I e II, apenas.
nam o comportamento humano, refletindo a respeito c) I e III, apenas.
às normas e aos valores vigentes em nossa sociedade d) II e III, apenas.
e no serviço público. e) I, II e III.
Assinale a afirmativa que não está de acordo com o
texto acima. 46. (2015/FGV/Prefeitura de Cuiabá - MT) Segundo os
a) Ética é o conjunto de regras a respeito dos valores princípios éticos e da cidadania, assinale a afirmativa
morais de uma sociedade. correta.
b) Os princípios éticos devem ser aplicados para gerar a) O servidor público deve proceder de forma diligente
o bem de todos. no exercício de sua função.

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b) O servidor público pode ausentar-se do serviço du‑ cor, idade, religião, cunho político e posição social. En‑
rante o expediente, sem prévia autorização. tretanto, caso necessário, pode forçar-se a causar-lhes
c) O servidor público pode recusar fé a documentos dano moral.
públicos. III. O profissional de segurança judiciária deve resis‑
d) O servidor público pode opor resistência injustificada tir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de
ao andamento de um documento. contratantes, interessados e outros que visem obter
e) O servidor público pode coagir os subordinados no quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas
sentido de filiarem-se a um partido político. em decorrência de ações morais, ilegais, ou aéticas e
denunciá-las.
47. (2015/FGV/Prefeitura de Cuiabá - MT) Segundo os Assinale
princípios éticos e da cidadania, assinale a afirmativa a) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
correta. b) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
a) O servidor público deve proceder de forma diligente c) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
no exercício de sua função. d) se todas as afirmativas estiverem corretas.
b) O servidor público pode ausentar-se do serviço du‑ e) se nenhuma afirmativa estiver correta.
rante o expediente, sem prévia autorização.
c) O servidor público pode recusar fé a documentos 51. (2010/FGV/FIOCRUZ) Com relação ao tema ética públi‑
públicos. ca, analise as afirmativas a seguir:
d) O servidor público pode opor resistência injustificada I. O servidor público deve resistir às pressões de superio‑
ao andamento de um documento. res hierárquicos que visem obter quaisquer favores ou
e) O servidor público pode coagir os subordinados no vantagens indevidas em decorrência de ações imorais,
sentido de filiarem-se a um partido político. ilegais ou aéticas.
II. O servidor público deve ter respeito e temor à hie‑
48. (2015/FGV/Prefeitura de Cuiabá - MT) Sobre os deveres rarquia, comunicando imediatamente aos seus supe‑
do servidor no exercício funcional, segundo princípios riores todo ato contrário ao interesse público, sem, no
éticos, analise as afirmativas a seguir. entanto, exigir as providências cabíveis.
I. Deve exercer com zelo e dedicação as atribuições do III. O servidor público deve omitir à pessoa interessada
cargo público. informações contrárias ao interesse da Administração
II. Deve ser leal às instituições a que servir. Pública.
III. Deve cumprir as ordens superiores, ainda que ma‑ Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


nifestamente ilegais.
Assinale: b) se somente a afirmativa II estiver correta.
a) se somente a afirmativa I estiver correta. c) se somente a afirmativa III estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 52. (2008/FGV/Senado Federal) O avanço tecnológico ve‑
rificado no final do século XVIII ganhou velocidade ao
longo do século XX e no início do XXI, de sorte que a
49. (2013/FGV/FBN) “Os princípios morais são primados
sociedade muda cada vez mais rapidamente. Embo‑
maiores que devem nortear o servidor público, seja no
ra se trate de fenômeno contínuo, tem sido costume
exercício do cargo ou função, ou fora deie, já que refle-
segmentar as mudanças das instituições econômicas
tirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.”
em “eras”, rotulando-se as que seguiram à feudal em
Alguns princípios éticos, que estruturam o desempenho
préindustrial, industrial e pósindustrial. Em cada uma
da função pública, estão relacionados nos itens a seguir. dessas “eras”, as normas, crenças e valores vigentes,
I. Dignidade, decoro e zelo. ou seja, os preceitos da cultura estão em sintonia com
II. Cortesia, eficácia e consciência. a situação, orientando comportamentos coletivos es‑
III. Eficiência, equidade e legitimidade. pecíficos denominados “éticas”. No que tange à era
Assinale: préindustrial, em que as pessoas eram dependentes,
a) se somente o item I estiver correto. havia poucas opções de modos de vida e o mundo era
b) se somente o item Il estiver correto. estável e com alto grau de certezas.
c) se somente o item III estiver correto. Nesse cenário, a ética na era pré-industrial estava dire‑
d) se somente os itens II e III estiverem corretos. cionada para:
a) a sobrevivência.
50. (2011/FGV/TRE-PA) Em relação ao comportamento b) a independência.
ético do profissional de segurança judiciária, analise c) o individualismo.
as afirmativas a seguir: d) a segurança.
I. O profissional de segurança judiciária não poderá ja‑ e) a fraternidade.
mais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim,
não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, 53. (2021/FGV/IMBEL) Leia o fragmento a seguir: Sociedade
o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o de economia mista é a entidade dotada de personalida-
oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o de jurídica de______________, com criação autoriza-
honesto e o desonesto. da por lei, sob a forma de_________________-, cujas
II. O profissional de segurança judiciária deve ser cortês, ações com direito a voto pertençam _______________
ter urbanidade. disponibilidade e atenção, respeitando à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios
a capacidade e as limitações individuais de todos os ou a entidade da administração indireta.
usuários do serviço público, sem qualquer espécie de Assinale a opção cujos itens completam, corretamente,
preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, as lacunas do fragmento acima.

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a) direito público - sociedade anônima - integralmente 58. (2019/FGV/MPE-RJ) Considerando a relevância das
b) direito público - sociedade limitada - integralmente atividades desenvolvidas em benefício da educação,
c) direito público - sociedade limitada - em sua maioria por determinada associação da sociedade civil sem
d) direito privado - sociedade limitada - exclusivamente fins lucrativos, que não remunerava seus dirigentes e
e) direito privado - sociedade anônima - em sua maioria que empregava no seu objeto social todos os recursos
que obtinha, o Município Alfa decidiu celebrar ajuste
54. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) As modi‑ com essa associação, sem a transferência de recursos
ficações ocorridas na sociedade eventualmente criam financeiros, para que pudessem desenvolver determi‑
a necessidade de uma reinvenção ou reengenharia do nado projeto em conjunto. Considerando que a referida
Estado. No caso do Brasil, com a redução do Estado associação não possuía qualquer qualificação fornecida
ocorrida no final do século passado, em meio a um pela legislação específica, o ajuste a ser celebrado é o:
processo de privatizações, ocorreu o surgimento de a) convênio;
pessoas jurídicas responsáveis pelo disciplinamento e b) termo de fomento;
c) contrato de gestão;
pela fiscalização de setores do mercado.
d) termo de colaboração;
Essas entidades são denominadas
e) acordo de cooperação.
a) Associações Públicas.
b) Agências Executivas. 59. (2019/FGV/MPE-RJ) Existem diversas estratégias para
c) Agências Reguladoras. flexibilização da ação estatal. A alternativa a seguir que
d) Organizações Sociais. indica a estratégia e o conceito correto é:
e) Sociedades de Economia Mista a) privatização é a transferência para organizações so‑
ciais de atividades não exclusivas do Estado;
55. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) Assinale a b) publicização é o processo de publicar e divulgar toda
opção que relaciona apenas entidades da administra- a ação estatal em mídia impressa de grande circula‑
ção indireta. ção;
a) Ministério do Trabalho e Polícia Militar. c) terceirização é a contratação de terceiros para a
b) Secretaria da Fazenda e Casa da Moeda. execução de serviços essenciais ou de apoio às ati‑
c) Correios e Tribunal de Contas da União. vidades estatais;
d) Petrobras e Caixa Econômica Federal. d) descentralização é a renúncia às funções estatais,
e) Cedae e Ministério Público. através da concessão para exploração de bens, ser‑
viços ou investimentos públicos;
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

56. (2019/FGV/Prefeitura de Angra dos Reis - RJ) Em uma e) desregulamentação é a eliminação de diplomas le‑
situação hipotética, o Município de Angra dos Reis, gais, normas, regulamentos e procedimentos buro‑
aproveitando o aumento de pessoal após a realização cráticos que inibem a atuação da iniciativa privada
ou restrinjam as liberdades dos cidadãos.
de um concurso público, decide criar um novo órgão
para aprimorar os serviços de saúde na região. Nesse
60. (2019/FGV/MPE-RJ) O Município Alfa decidiu estimular
contexto, foi utilizado pelo Município a técnica admi‑ a participação de organização da sociedade civil sem
nistrativa conhecida por fins lucrativos, que não contasse com qualquer quali‑
a) desconcentração. ficação obtida com base em legislação específica, em
b) concentração. projetos de interesse público e recíproco. Para tanto,
c) descentralização. lançou chamamento público para que os interessados
d) centralização. apresentassem os seus projetos, sendo celebrado ajuste
e) publicização. com a organização vencedora, que seria contemplada
com a transferência de recursos financeiros. À luz da
57. (2019/FGV/MPE-RJ) Em relação ao regime jurídico de sistemática vigente, o referido ajuste terá a forma de:
uma sociedade de economia mista estadual exclusiva‑ a) termo de parceria;
mente exploradora de atividade econômica, é correto b) contrato de gestão;
afirmar que: c) termo de interação;
a) ostenta personalidade jurídica de direito público, d) termo de colaboração;
seus servidores são estatutários e se submetem a e) acordo de cooperação.
concurso público, e são controladas pelo Tribunal
de Contas; 61. (2019/FGV/TJ-CE) De acordo com a doutrina de Direito
b) ostenta personalidade jurídica de direito privado, Administrativo, em matéria de regime jurídico, é correto
goza das prerrogativas processuais aplicadas à fazen‑ afirmar que uma autarquia estadual do Ceará:
da pública e seu pessoal não se submete a concurso a) não possui personalidade jurídica própria e autono‑
mia financeira, pois está vinculada ao ente federativo
público;
que a criou;
c) somente por lei específica é autorizada a sua insti‑
b) não está hierarquicamente subordinada ao ente
tuição e se submete às normas do direito privado federativo que a criou, mas se sujeita a controle fi‑
em matéria de responsabilidade civil; nalístico;
d) somente por lei específica é criada, se submete à c) não pode cobrar taxas e demais tributos para exer‑
responsabilidade civil objetiva e não incide o con‑ cício do poder de polícia ou prestação de serviços
trole finalístico pelo ente a que está vinculada; públicos inerentes às suas finalidades;
e) somente por lei complementar é criada, se submete d) tem seu pessoal regido pela consolidação das leis do
à responsabilidade civil subjetiva e incide o controle trabalho, e o ingresso no serviço público se dá por
finalístico pelo ente a que está vinculada. meio de concurso público;

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e) integra a administração pública indireta, possui per‑ e) As agências podem existir tanto em âmbito federal
sonalidade jurídica de direito privado e é criada por quanto estadual e municipal, desde que criadas por
delegação negocial do Chefe do Executivo estadual. lei.

62. (2019/FGV/TJ-CE) Para aumentar seu poder de controle 66. (2019/FGV/Prefeitura de Salvador - BA) O conceito de
e supervisão da Administração Indireta, certo gover‑ agência executiva foi criado com o objetivo precípuo de
nante resolveu centralizar várias atividades para seus otimizar recursos, reduzir custos e aperfeiçoar a pres‑
entes estatais. Assim, a Administração Direta passou a tação de serviços públicos. Essa noção tem sua origem
contar com mais órgãos. Um órgão da Administração em um modelo utilizado nos Estados Unidos e foi impor‑
Pública Direta brasileira é: tado pelo Brasil no período de reforma administrativa
a) FUNAI; do Estado, na década de 90.Considerando as Agências
b) INSS; Executivas, analise as afirmativas a seguir.
c) Casa Civil; I. É um tipo de qualificação dada à uma pessoa jurídica.
d) INMETRO; II. Garante maior autonomia ao ente público.
e) INPI. III. Altera a natureza jurídica da entidade.
Está correto o que se afirma em
63. (2019/FGV/TJ-CE) Com o escopo de fomentar a especia‑ a) I, apenas.
lização do órgão, com a consequente e posterior melhor b) II, apenas.
capacitação dos servidores lá lotados, determinado Tri‑ c) III, apenas.
bunal de Justiça, no exercício de função administrativa, d) I e II, apenas.
observadas as formalidades legais, subdividiu o então e) II e III, apenas.
Departamento de Engenharia e Licitações em dois
novos departamentos, um de Engenharia e outro de 67. (2019/FGV/Prefeitura de Salvador - BA) Sobre a descen‑
Licitações. tralização por colaboração, assinale a afirmativa correta.
De acordo com a doutrina de Direito Administrativo, a) Ocorre quando a Constituição atribui a um ente es‑
esse desmembramento de um órgão em dois, com o pecífico que exerça atribuições próprias de forma
objetivo de melhorar a prestação do serviço público e autônoma ao ente central.
assim atender ao princípio da eficiência, é a: b) Ocorre quando a Administração Pública transfere,
a) delegação administrativa; por contrato ou ato administrativo unilateral, a exe‑
b) centralização administrativa; cução de serviço público a uma pessoa jurídica de

Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público


c) concentração administrativa; direito privado.
d) desconcentração administrativa; c) Ocorre quando é outorgada a outros órgãos funções
e) descentralização administrativa. de determinada entidade administrativa, visando ao
aumento de eficiência.
64. (2019/FGV/Prefeitura de Salvador - BA) Até recente‑ d) Ocorre quando a Lei específica cede a titularidade
mente, havia o entendimento dos especialistas de que de serviço público a uma pessoa jurídica do direito
a sociedade poderia ser classificada em dois setores, público, sem que o cedente interfira nas atividades.
o primeiro sendo o Poder Público e o segundo o Mer‑ e) Ocorre quando as organizações paraestatais cele‑
cado. Com o crescente número de demandas sociais bram ajuste com a Administração Pública por termo
não atendidas pelo Estado, um terceiro setor começa cooperação e se tornam parte da administração in‑
se consolidar e ganhar importância no atendimento das direta.
demandas da sociedade.
Assinale a opção que indica uma organização do terceiro 68. (2019/FGV/Prefeitura de Salvador - BA) Determinado
setor. município baiano autoriza, por meio de lei, a instituição
a) Agência Executiva. de uma autarquia com a finalidade de gerir o trânsito e
b) Sociedade Anônima. os estacionamentos públicos da região. Para preencher
c) Fundação Autárquica. os cargos dessa autarquia, serão realizados concursos
d) Associação Pública. públicos, e os empossados serão regidos pelo regime
e) Entidade de Apoio. jurídico estatutário. Além disso, visando a contenção de
despesas, o Município irá convocar alguns empresários
65. (2019/FGV/Prefeitura de Salvador – BA) No que con‑ locais para participar do capital da autarquia, deixando
cerne às Agências Reguladoras, importantes entidades o Poder Público apenas com 51% do controle.
criadas para fiscalizar e regular serviços de determina‑ Em relação ao apresentado na situação, está de acordo
dos setores econômicos, assinale a afirmativa incorreta. com a legislação brasileira que dispõe sobre as autar‑
a) As agências devem ter necessariamente persona‑ quias:
lidade jurídica de direito público, dotadas de inde‑ a) A autorização da instituição da autarquia por lei,
pendência administrativa e autonomia financeira. o uso do regime jurídico único estatutário para o
b) Seus dirigentes devem possuir mandatos fixos, sendo pessoal e a participação da iniciativa privada em seu
estritamente vedada a possibilidade de exoneração capital.
ad nutum. b) A autorização da instituição por lei da autarquia e a
c) As agências são autarquias ou fundações públicas participação de empresários em seu capital.
que celebraram contrato de gestão com o Poder c) A autorização da instituição da autarquia por lei, o
Público.] uso do regime jurídico estatutário para o pessoal.
d) Seus atos não podem ser revistos ou alterados pelo d) O uso do regime jurídico estatutário para o pessoal
Poder Executivo, apenas pelo Judiciário, devendo, no e a participação da iniciativa privada em seu capital.
entanto, agir conforme suas finalidades específicas. e) O uso do regime jurídico estatutário para o pessoal.

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69. (2019/FGV/Prefeitura de Salvador - BA) O Prefeito do a) por ter natureza jurídica de cargo comissionado, os
Município Alfa solicitou orientações de sua assessoria cargos de dirigentes das agências reguladoras são
jurídica a respeito da sistemática de criação de uma caracterizados como de livre nomeação e exonera‑
autarquia, da natureza de sua personalidade jurídica ção;
e da possibilidade desse ente celebrar contrato, a ser b) embora a estabilidade, por tempo determinado, seja
firmado por seus administradores, com o poder público, a regra, a lei instituidora da agência pode prever
visando a ampliar a sua autonomia gerencial, orçamen‑ condições diferentes para a perda de cargo dos di‑
tária e financeira. rigentes;
À luz da sistemática constitucional, a assessoria respon‑ c) devido ao seu caráter político, o dirigente de agência
deu corretamente que as autarquias reguladora só poderá ser substituído após cumprido
a) são criadas por lei específica, possuindo personalida‑ integralmente seu mandato;
de jurídica de direito público e estando autorizadas d) em razão de a nomeação ser realizada por meio de
a celebrar os denominados contratos de gestão. processo seletivo simplificado, sua demissão será
b) têm sua instituição autorizada por lei, possuindo feita apenas pelo plenário do Congresso Federal;
personalidade jurídica de direito público e não es‑ e) com o objetivo de garantir a autonomia das agên‑
tando autorizadas a celebrar contratos com o Poder cias reguladoras no cumprimento de seus deveres
Público. funcionais, é assegurada a vitaliciedade aos seus
c) são criadas por ato administrativo negocial, possuin‑ dirigentes.
do personalidade jurídica de direito público e não
estão autorizadas a celebrar contratos com o Poder 72. (2019/FGV/DPE-RJ) Em relação às formas de descen‑
Público. tralização e desconcentração administrativa, analise os
d) são criadas por lei específica, possuindo personali‑ itens a seguir.
dade jurídica de direito privado e os seus contratos I. A descentralização por serviços institui uma entidade
são celebrados pelo Ministro responsável pela su‑ da administração indireta, contanto que seja criada por
pervisão. meio de lei específica.
e) têm sua instituição autorizada por lei específica, II. A descentralização por colaboração transfere a titu‑
possuindo personalidade jurídica de direito público laridade de execução da atividade da Administração
e os seus contratos são celebrados pelo Ministro Pública para a iniciativa privada, por meio de contrato
responsável pela supervisão. ou ato unilateral.
III. A desconcentração administrativa permite a criação
Noções de Administração Pública / Ética no Serviço Público

70. (2019/FGV/Prefeitura de Salvador - BA) No terceiro se‑ de órgão com personalidade jurídica de direito público,
tor da economia estão presentes as entidades privadas, mas sem capacidade processual.
chamadas pela doutrina de paraestatais, que atuam ao Está correto somente o que se afirma em:
lado da Administração Pública, sem finalidade lucrativa a) I;
e executam atividades de interesse social. b) II;
Dentre elas, destacam-se as qualificadas como Orga‑ c) III;
nizações Sociais (OS`s) que, como disposto na Lei nº d) I e II;
9.637/98, e) I e III.
a) possuem autonomia em seu órgão colegiado de
deliberação superior, vedada a participação de re‑ GABARITO
presentantes do Poder Público e de membros da
comunidade. 1. b 19. a 37. b 55. d
b) prestam serviços públicos não exclusivos do Estado, 2. e 20. a 38. a 56. a
como ensino, pesquisa científica, desenvolvimento 3. c 21. b 39. a 57. c
tecnológico, proteção e preservação do meio am‑ 4. a 22. e 40. a 58. e
biente, cultura e saúde. 5. a 23. c 41. b 59. e
c) dependem de prévia lei específica para serem cria‑ 6. a 24. a 42. d 60. d
das e promovem obrigatoriamente a distribuição 7. e 25. a 43. e 61. b
de bens e de parcela do patrimônio líquido a seus 8. c 26. a 44. e 62. c
acionistas. 9. e 27. e 45. e 63. d
d) integram a Administração Indireta e possuem em seu 10. d 28. c 46. a 64. e
estatuto objeto social relacionado com as atividades 11. a 29. e 47. a 65. c
que desempenharão após a celebração do convênio. 12. a 30. d 48. b 66. d
e) têm personalidade jurídica de direito público e es‑ 13. a 31. a 49. a 67. b
tão habilitadas, estatutariamente, a prestar serviços 14. e 32. a 50. b 68. e
públicos essenciais compatíveis com o termo de par‑ 15. d 33. a 51. a 69. a
ceria. 16. a 34. e 52. a 70. b
17. b 35. d 53. e 71. b
71. (2019/FGV/DPE-RJ) Hércules, diretor-executivo de uma 18. a 36. a 54. c 72. a
multinacional do setor de varejo, recebe um convite do
Presidente da República para assumir cargo de diretor‑
-geral de uma agência reguladora federal. Entusiasmado
com a oportunidade, mas com receio de abandonar seu
emprego seguro na multinacional, Hércules pergunta ao
seu amigo Aquiles, destacado jurista, sobre a possibili‑
dade de perda de mandato de dirigentes das agências
reguladoras. Aquiles informa, corretamente, que:

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