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NOTA À IMPRENSA

A família do jovem diagnosticado com raiva humana, por meio de representante legal, comuni-
ca que, embora continue sendo noticiado que a vítima do vírus foi supostamente contaminada
por uma gata filhote adotada, esta, no entanto, não é a realidade dos fatos, cabendo, assim, a
presente nota para explicitar e pleitear a transparência na condução da apuração do caso.

A gata citada como vetor de transmissão do vírus permaneceu saudável por 24 dias após a
arranhadura que provocou no jovem em 15/05/2022, o que por si já torna descartada a hipótese
sustentada pelas autoridades sanitárias, visto que qualquer mamífero que transmite a raiva é
portador final do vírus, pois necessariamente morre entre 5 e 7 dias do adoecimento,
estabelecido por protocolos internacionais o prazo de segurança de 10 dias de observação de
um animal suspeito.

Além disso, ressalta-se que a gata foi encontrada saudável na vizinhança da casa da família e
permaneceu internada, por iniciativa dos familiares, sob os cuidados de equipe médica
veterinária que, a partir de exames e avaliação diária, atestou que desde a sua admissão a filhote
se encontra sadia, com comportamento normal, ativa e sem apresentar qualquer intercorrência
clínica, quadro que se mantém até a presente data.

Diante disso, as autoridades da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde – ZOONOSE


do GDF foram prontamente informadas pelos genitores acerca da rotina diária da vítima,
que não frequentava ambientes rurais ou silvestres. A única alteração em sua rotina foi o
ingresso no 1º semestre na Universidade de Brasília (UnB), em 06/06/2022, que coincidiu com
o retorno presencial das aulas após 2 anos e 3 meses de lockdown devido a pandemia do
COVID-19.

É notório que a universidade possui diversos animais errantes em suas dependências, entre eles
gatos e morcegos, situação que pode ter sido agravada pela pandemia e lockdown, pelo
abandono, ausência de vacinação, descontrole da população pela reprodução, além da ausência
de alimentos, antes fornecidos pelos alunos e frequentadores.

Destaca-se que a presença de bandos de morcegos foi favorecida pelos ambientes escuros,
úmidos, pouco ou quase não frequentados em razão da pandemia, o que demonstra que o vetor
de transmissão do vírus identificado no paciente (variante 3, originária de única espécie de
morcego hematófago) foi inserido no ciclo urbano, possibilitado o seu contato com os gatos
e outros animais presentes no local.

Há relatos de testemunhas que presenciaram que a vítima, apaixonada por gatos, tentou contato
com os animais que ficam espalhados pelo campus e, especificamente, em 08/06/2022, um gato,
cinza e branco, nas intermediações do ICC Central, com comportamentos estranhos chamou a
atenção do jovem, que o apelidou de “gato chapado”, pois possuía olhar vesgo, muito brilhante
e atento para o teto do local, era arisco e não se misturava com os demais, além do andar trôpego
e cambaleante.

O fato novo na rotina do jovem reúne todos os elementos para que a universidade seja
considerada como local provável de infecção (LPI) e todas as informações detalhadas foram
repassadas às autoridades sanitárias pela família, logo após o diagnóstico e o mapeamento
da rotina do jovem.

A família deseja saber quais foram as medidas sanitárias realizadas nas dependências da
universidade para receber o corpo docente, discente e funcionários antes da abertura do campus
e do retorno às aulas presenciais após o lockdown?

Foi apresentada notícia de fato ao Ministério Público pleiteando a devida apuração da execução
das ações e das estratégias de vigilância, prevenção e controle de zoonoses, pela Vigilância
Ambiental que, apesar da gravidade dos fatos, não atua com a transparência e com a
mobilização comunitária pela educação em saúde como foi executado e vinculado junto a mídia
a população do Grande Colorado, Sobradinho e Rota do Cavalo.

A família insiste em trazer à tona tais fatos solicitando o clamor das autoridades para que o
presente caso não seja banalizado e que ações de controle sejam tomadas para que não façam
mais vítimas fatais, como a do jovem de 18 anos que teve seus sonhos interrompidos de
maneira tão brusca.

A família questiona se não há outros casos de encefalite viral causada pela raiva humana no
Distrito Federal e região, que permaneceram sem diagnóstico, em razão do vírus ser tratado, até
então, com doença supostamente erradicada.

A ausência de publicidade quanto local provável de infecção (LPI) e a consequente falta de


mobilização comunitária quanto a educação em saúde, significa manter a população do Distrito
Federal desinformada quanto aos riscos de contaminação pelo vírus da raiva humana.

Diante disso, a família solicita respostas da Secretária de Saúde do Distrito Federal e pleiteia a
transparência do andamento dos protocolos epidemiológicos e sanitários pertinentes, com a
devida fiscalização do Ministério Público.

Brasília, 03 de agosto de 2022.

LUIZA SOUZA DE ARAÚJO


OAB/DF 62.913

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