Você está na página 1de 197

Patologia das

Construções
Prof. Luis Urbano Durlo Tambara Júnior
Prof.ª Madeleing Taborda Barraza

Indaial – 2021
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2021

Elaboração:
Prof. Luis Urbano Durlo Tambara Júnior
Prof.ª Madeleing Taborda Barraza

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

T154p
Tambara Júnior, Luis Urbano Durlo
Patologia das construções. / Luis Urbano Durlo Tambara Júnior;
Madeleing Taborda Barraza. – Indaial: UNIASSELVI, 2021.
187 p.; il.
ISBN 978-65-5663-590-3
ISBN Digital 978-65-5663-589-7
1. Construção. - Brasil. I. Barraza, Madeleing Taborda. II. Centro
Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 620

Impresso por:
Apresentação
As manifestações patológicas que acontecem na construção civil são
produto de conjunto de fatores que vão desde os materiais até o ambiente
externo no que se localiza a estrutura. Desse modo, é muito comum o desen-
volvimento delas. Devemos levar em consideração que as intervenções de
reparação em uma estrutura ou as intervenções necessárias sejam as meno-
res possíveis, após colocação do serviço, ou seja, aplicá-las o mínimo, como
resposta à necessidade de uma manutenção.

Também existem situações adversas, que levam a estrutura a mani-


festar certos desajustes, situações nas quais nenhuma mão humana tem con-
trole, como os desastres naturais (enchentes, deslizamentos, assentamentos,
sismos e inclusive incêndio devido ao aumento de temperatura). Quando a
estrutura não chega ao colapso por algum desses motivos, deve-se aplicar
uma avaliação estrutural, para que possa ser indicada a necessidade de uma
“simples” substituição do componente que permita dar continuidade ao uso
local da estrutura, ou se serão necessárias medidas progressivas, com avali-
ção programada, que indicarão se finalmente será necessária uma reabilita-
ção estrutural ou descartar o uso total da estrutura.

Para que os conhecimentos sejam tratados de modo específico, cada


unidade abordará conteúdos consecutivos e tipificados, que finalmente leva-
rão ao entendimento da importância, e, ao mesmo tempo, à normalidade que
ocorrem certas manifestações patológicas.

Na Unidade 1, serão abordados os conceitos de riscos externos/inter-


nos à estrutura que podem comprometer a durabilidade dos componentes,
o significado da patologia na construção, a forma geral em que é tratada e as
principais manifestações patológicas em materiais cerâmicos e cimentícios
(como argamassas e concretos) sendo um dos mais comuns.

Posteriormente, na Unidade 2, estudaremos as manifestações patoló-


gicas que surgem na madeira, materiais metálicos os materiais poliméricos,
assim como as principais patologias presentes no concreto armado devido a
recalques, sobrecargas e degradações metálicas.

Finalmente, na Unidade 3, poderemos estruturar como é construído


um projeto de diagnóstico patológico através de avaliações estruturais das
patologias, os seus diagnósticos e as devidas soluções encontradas para a
manutenção do investimento.

Todos os conceitos, situações e métodos aqui representados sempre


devem ser complementados com artigos técnicos e científicos, pois o conhe-
cimento e as formas em que são abordados estão em constante atualização.
Os equipamentos utilizados são constantemente reconfigurados
e isso permite obter diferentes aplicações para os tipos de caracterizações.
Lembramos a você, acadêmico, que a aquisição de certos conhecimentos sem
sua devida aplicação resulta na carência de lógica para quem assume a res-
ponsabilidade de ser engenheiro. A prática está associada a um comporta-
mento ético e profissional cuja ausência pode acabar sendo paga, no pior dos
casos, com a vida do próximo. Assim, que seja feita a diferença!

Bons estudos e muito ânimo!

Prof. Luis Urbano Durlo Tambara Junior


Prof.ª Madeleing Taborda Barraza

NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novi-
dades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra-
mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilida-
de de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assun-
to em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!
LEMBRETE

Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela


um novo conhecimento.

Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro


que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você
terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen-
tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.

Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!


Sumário
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS........................................ 1

TÓPICO 1 — PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL............................................. 3


1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................................... 3
2 PATOLOGIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL ...................................................................................... 3
2.1 CAUSAS DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS.................................................................. 4
2.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA................................................................................................... 7
3 RISCOS E ESTIMATIVA DE CAUSAS............................................................................................ 8
3.1. LOCAIS DE RISCOS....................................................................................................................... 9
3.2 ELEMENTOS NÃO ESTRUTURAIS . ........................................................................................ 11
3.3 ELEMENTOS ESTRUTURAIS .................................................................................................... 12
4 DURABILIDADE .............................................................................................................................. 12
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 14
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 15

TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CERÂMICOS............. 17


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 17
2 DEFEITOS MICROESTRUTURAIS .............................................................................................. 17
3 DANOS CAUSADOS POR FISSURAS......................................................................................... 22
4 DANOS CAUSADOS POR INFILTRAÇÃO................................................................................. 25
5 DANOS CAUSADOS POR MOFO................................................................................................. 26
6 DANOS CAUSADOS POR EFLORESCÊNCIA........................................................................... 27
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 30
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 31

TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS


(ARGAMASSAS).......................................................................................................... 33
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 33
2 DANOS CAUSADOS POR MÁ QUALIDADE DOS MATERIAIS......................................... 33
3 DANOS CAUSADOS POR MÁ DOSIFICAÇÃO DO TRAÇO................................................ 38
4 DANOS CAUSADOS POR MÁ APLICAÇÃO............................................................................. 39
5 CAMADA FINAL - PINTURA......................................................................................................... 42
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................. 43
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 50
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 51

REFERÊNCIAS....................................................................................................................................... 53

UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS................................................... 57

TÓPICO 1 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MADEIRAS........................................ 59


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 59
2 A NATUREZA DA MADEIRA......................................................................................................... 59
2.1 PATOLOGIAS POR AGENTES BIÓTICOS................................................................................ 60
2.2 PATOLOGIAS POR AGENTES ABIÓTICOS............................................................................. 62
2.2.1 Danos causados por questões estruturais......................................................................... 64
2.2.2 Danos causados por infiltração........................................................................................... 65
2.2.3. Danos causados pelo intemperismo................................................................................. 65
3 OUTRAS MADEIRAS....................................................................................................................... 66
3.1 DEFEITOS NA MADEIRA RECONSTITUÍDA......................................................................... 66
4 TRATAMENTO DA MADEIRA ..................................................................................................... 68
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 69
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 70

TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS............................................... 73


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 73
2 ESTRUTURA, PROPRIEDADES E TIPOS DE METAIS ........................................................... 73
2.1 METAIS FERROSOS...................................................................................................................... 74
3 CORROSÃO........................................................................................................................................ 76
3.1 FATORES QUE FAVORECEM A CORROSÃO......................................................................... 79
4 PROTEÇÃO CONTRA CORROSÃO............................................................................................. 82
4.1 IMPEDIMENTO DE PARES GALVÂNICOS............................................................................. 82
4.2 REVESTIMENTOS PROTETORES.............................................................................................. 82
4.3 PROTEÇÃO GALVÂNICA.......................................................................................................... 83
4.4 AMBIENTE E DESIGN................................................................................................................. 83
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 85
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 86

TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS POLIMÉRICOS.............. 89


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 89
2 TIPOS DE DEGRADAÇÃO DOS POLÍMEROS.......................................................................... 89
3 MÉTODOS UTILIZADOS PARA ESTUDO DA DEGRADAÇÃO.......................................... 92
3.1 MÉTODOS AMBIENTAIS............................................................................................................ 92
3.2 MÉTODOS LABORATORIAIS.................................................................................................... 93
3.3 ENVELHECIMENTO ACELERADO.......................................................................................... 94
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 95
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 96

TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO................... 99


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 99
2 CLASSIFICAÇÃO DAS CAUSAS DE PATOLOGIAS EM CONCRETOS............................. 99
2.1 PATOLOGIAS DERIVADAS DOS COMPONENTES DO CONCRETO............................. 100
2.2 DANOS CAUSADOS POR FABRICAÇÃO E EXECUÇÃO DO CONCRETO................... 102
2.3 INFLUÊNCIA DO AMBIENTE................................................................................................. 104
2.4 DETERIORAÇÃO POR AGENTES EXTERNOS..................................................................... 105
2.5 EFEITO DA DETERIORAÇÃO DO AÇO................................................................................ 106
3 INVESTIGAÇÃO E DIAGNÓSTICO.......................................................................................... 107
4 TRATAMENTO DOS ELEMENTOS DO CONCRETO............................................................ 109
4.1 PROTEÇÃO SUPERFICIAL E MANUTENÇÃO DAS ESTRUTURAS DO CONCRETO........... 109
4.2 REPARAÇÃO DO CONCRETO................................................................................................ 110
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 111
RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 118
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 119

REFERÊNCIAS..................................................................................................................................... 121
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS
PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES........................................... 125

TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO ESTRUTURAL................................................................................... 127


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 127
2 CONSIDERAÇÕES DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS............................................ 127
2.1 OBTENÇÃO DE LAUDO ESTRUTURAL............................................................................... 130
2.1.1 Obtenção de dados............................................................................................................. 131
3 TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO......................................................................................................... 134
3.1 TÉCNICAS SENSORIAIS........................................................................................................... 134
3.2 ENSAIOS DESTRUTIVOS.......................................................................................................... 135
3.3 ENSAIOS NÃO-DESTRUTIVOS............................................................................................... 138
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 141
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 142

TÓPICO 2 — CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO................................................................... 145


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 145
2 METODOLOGIA DE ANÁLISE.................................................................................................... 145
2.1 ANÁLISE CAUSA-EFEITO........................................................................................................ 147
2.2 ANÁLISE MULTICRITÉRIO...................................................................................................... 149
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 155
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 156

TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO..................................................................... 159


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 159
2 MANUTENÇÃO............................................................................................................................... 159
2.1 INVESTIMENTO DA MANUTENÇÃO.................................................................................. 161
3 CASOS DE RECUPERAÇÃO......................................................................................................... 163
3.1 CASO Nº 1 – EXPOSIÇÃO DO AÇO DE REFORÇO EM ELEMENTOS
ESTRUTURAIS............................................................................................................................. 167
3.1.1 Reparação em viga de pavimento.................................................................................... 167
3.1.2 Reparação em pilar de edificação..................................................................................... 168
3.2 CASO Nº 2 – PROBLEMAS DE INFILTRAÇÃO . .................................................................. 170
3.2.1 Impermeabilização em reservatório torre de água ....................................................... 170
3.2.2 Impermeabilização em laje . ............................................................................................. 172
3.3 CASO Nº 3 RECUPERAÇÃO DE FACHADA......................................................................... 173
3.3.1 O caso do edifício A . ......................................................................................................... 173
3.4 CASOS DE RECUPERAÇÃO DE CONEXÕES....................................................................... 174
3.4.1 Métodos corretivos nos Aparelhos de Apoio Metálicos de pontes............................. 174
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 176
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 181
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 182

REFERÊNCIAS..................................................................................................................................... 184
UNIDADE 1 —

GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES
COMUNS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• identificar a presença de riscos externos/internos ao projeto de construção;

• aprender a caracterizar uma manifestação patológica;

• conhecer as manifestações patológicas comuns nos materiais cerâmicos;

• diferenciar as manifestações patológicas em materiais cimentícios.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade,
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

TÓPICO 2 – MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS


CERÂMICOS

TÓPICO 3 – MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS


CIMENTÍCIOS

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

1
2
TÓPICO 1 —
UNIDADE 1

PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

1 INTRODUÇÃO

As estruturas podem ser vistas como uma réplica da natureza para facilitar
a moradia dos seres humanos. Nesse sentido, uma edificação pode ser vista como
uma árvore: precisa de raízes (a fundação), possui um tronco (a supraestrutura) e
é ramificada em unidades menores que podem ser folhas, flores e frutos (subsiste-
mas que definem espaços menores e dão forma ao projeto de construção).

Nessa mesma linha de raciocínio podemos pensar que, a estrutura está


instalada em um ambiente onde tem sol, água, vento e terra, criando uma atmos-
fera que chamamos de intemperismo, que ocorre de modo involuntário e sem que
possa ser controlado. Até certo limite, o intemperismo atua em nosso projeto de
construção. Como resultado dessa interação é comum que o projeto reaja, regis-
trando internamente alguns danos estéticos ou severos quando nossa construção
não está “preparada” para tal condição (FIGUEIREDO, 2018).

As constantes situações de acidentes (como desprendimento de material


ou colapso parcial nas construções) têm influenciado as autoridades a insistir no
cumprimento de requisitos técnicos e legais, de modo que as empresas consigam
empregar sistemas de prevenção e atuar frente a possíveis riscos. A forma em que
a área tem modificado as normatividades nos últimos 30 anos procura “abrir os
olhos” dos construtores e projetistas à realização de boas práticas no gerenciamen-
to de projetos, porém, sempre fica nas mãos do representante local e do engenheiro
encarregado assumir os protocolos, aceitar materiais e aplicar técnicas construtivas
para dar forma ao projeto. Sendo quase uma responsabilidade jurídica resumida.

É por isso que com ajuda de indicadores de desempenho técnico é facilita-


da a avaliação posterior da entrega ou estado da estrutura, de modo que possam
ser tomadas decisões para reduzir o risco de danos. Por exemplo, a aplicação da
manutenção em uma ponte deve ser uma ferramenta para atingir o objetivo pelo
qual ela foi construída, sendo este uma via de mão dupla: segurança para quem
faz uso da estrutura e extensão da sua vida útil.

2 PATOLOGIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL


A patologia na construção civil pode ser definida como a área encarrega-
da de analisar os componentes de um projeto de construção que por algum moti-
vo passam a ter um desempenho insatisfatório. Abordando os possíveis defeitos

3
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

mediante “sintomas” ou manifestações patológicas, suas origens, causas, meca-


nismos de ocorrência e consequências (CREMONINI, 1988). O problema das ma-
nifestações patológicas é constituído em ser um aviso de que o componente está
“sofrendo” alguma anomalia, que se traduz em algum dano no desempenho a
curto ou longo prazo. Em função da extensão do dano, superficial ou profundo,
será necessária uma intervenção em vários sistemas que, se não forem reparados
pode levar ao deterioramento progressivo e geral da estrutura.

A Associação de Especialistas Europeus na Edificação e da Construção


(AEEBC,1994) indica atenção para três pontos principais de interesse, devida-
mente inter-relacionadas na patologia:

• identificação, pesquisa e diagnóstico dos defeitos existentes na edificação;


• prognóstico do defeito diagnosticado e recomendações das ações mais ade-
quadas, considerando a construção no futuro e os recursos disponíveis;
• concepção, especificação, implementação e supervisão dos programas ade-
quados de reparação, com o acompanhamento e avaliação das obras após re-
paração, isso em termos do seu desempenho funcional, técnico e econômico.

O conceito de patologia está intimamente relacionado ao conceito de de-


sempenho, pois se algo “não parece” estar funcionando bem, deve ser medido.
Lichtenstein (1985) aponta que um produto tem determinado desempenho quan-
do cumpre a totalidade ou parcialmente seu objetivo durante seu uso. De forma
geral, junto com o autor podemos afirmar que:

Existem dois tipos de situações-problemas em uma obra, a patologia, uma


anomalia real com sintomas já manifestados, e a inconformidade, um potencial
problema já instalado e ainda sem sintomas aparentes. Portanto, todo sistema ou
subsistema que não atende algum requisito de desempenho exigido por legisla-
ção, regulamentação ou normalização técnica tem grandes chances de apresentar
possível manifestação patológica no futuro (IBDA, 2013).

2.1 CAUSAS DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS


A realização dos projetos de construção é feita por métodos humanos
aplicados aos materiais, através do auxílio de diferentes técnicas. Assim, é neces-
sário manipularmos os materiais para que consigamos extrair seu melhor desem-
penho, seja em condições naturais ou através de certas técnicas que nos ajudam a
obter uma boa performance durante serviço.

Por exemplo, o concreto é constituído por cimento, areia, brita, água, aditi-
vos e materiais suplementares (como fílers ou pozolana). Cada um com tamanho,
propriedades de absorção, densidade e dureza diferentes. Quando misturados,
em proporções ótimas, obteremos um concreto com adequado desempenho para
aplicação, que também precisará ser bem conformado (bem colocado) e curado
(técnica utilizada para hidratar o cimento sem que haja evaporação da água de
amassamento e melhora na resistência mecânica).
4
TÓPICO 1 — PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

O concreto estará exposto a condições ambientais que, em função de caracte-


rísticas microestruturais, causarão maior ou menor degradação durante algum tem-
po de uso (FIGUEIREDO, 2018). Estas degradações que ocorrem de acordo com a
interação com o meio são chamadas de patologias naturais, como por exemplo, o
surgimento de manchas no concreto em áreas úmidas ou em contato da chuva, esta
manifestação está associada a propriedade de absorção que os concretos apresentam.

Outras patologias podem ocorrer devido a falhas construtivas ou de con-


cepção do projeto, as quais denominamos patologias aceleradas, uma vez que
o aparecimento de “doenças” no concreto acontecerá de maneira mais rápida.
Processos como a seleção dos materiais, aplicação de cura, conformação do con-
creto, podem causar as patologias aceleradas. Na Figura 1 vemos uma falha no
processo de conformação de vigotas de concreto, provavelmente devido a um
lapso no processo de execução de formas. Este grande abaulamento das vigotas
futuramente causará formação de fissuras na laje e na própria vigota.

FIGURA 1 – DEFICIÊNCIA NA QUALIDADE DAS VIGOTAS POR INADEQUADO PROCESSO


CONSTRUTIVO

FONTE: <https://bit.ly/34DuZd6>. Acesso em: 25 maio 2021.

A interação de variáveis que podem levar ao surgimento de manifestações


patológicas pode ser representada conforme ilustrada na Figura 2. Essas variáveis
estão constantemente influenciando o projeto de construção. A convergência positiva
delas permitirá a conservação da vida útil do componente, caso contrário (ações am-
bientais agressivas, materiais de má qualidade colocados de forma incorreta e supor-
tando sobrecarga) a queda do desempenho será evidente desde o início de serviço.

5
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

FIGURA 2 – VARIÁVEIS QUE ATUAM NA FORMAÇÃO DE MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS

FONTE: O autor

Por isso a manutenção é necessária como medida preventiva, para evitar a


propagação das manifestações patológicas ou para restauração das inconformidades.
Poderíamos representar a gravidade das manifestações patologias na construção ci-
vil conforme apresentado na Figura 3, que alertam sobre a intensidade do problema.

FIGURA 3 – GRAU DE IMPORTÂNCIA NA PREVENÇÃO E CORREÇÃO DE PATOLOGIAS

FONTE: O autor

Os problemas nas fundações devem ser atendidos com a maior urgência


possível porque dela depende a estabilidade dos demais sistemas. O caso da de-
terioração no sistema estrutural (concreto armado, aço ou alvenaria estrutural) é
produto de um desajuste de carga ou pela exposição direta do material (quando
não há outro material de revestimento). Cuja primeira manifestação resulta em
seu desprendimento. Já no caso das impermeabilizações, sendo estas bem locali-
zadas, darão lugar às infiltrações (BRANCO; BRITO, 2015).

6
TÓPICO 1 — PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

ATENCAO

A necessidade de algum tipo de reabilitação estrutural nas fundações, ou no


sistema estrutural, devido a causas de alteração geométrica, aumento das ações atuantes
ou aumento no nível de segurança, não obedece a um problema do tipo patológico, por
isso essas ações obrigam outras análises e considerações multidisciplinares.

2.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA


Durante a formulação, construção e uso da edificação, quando o enge-
nheiro é consciente da possibilidade de ocorrência de patologias, elas podem ser
evitadas. Dessa forma as anomalias poderão ser reduzidas, levando a menores
custos de intervenção em reparação, que por sua vez são precedidos por estudos
rigorosos que ditam um diagnóstico.

Conforme Gomide, Pujadas e Neto (2006) expõem, é comum no Brasil


que a manutenção seja aplicada durante o conserto, sem considerar a disponi-
bilização prévia de recursos para implementar um programa de atividades com
fundamentação no tempo de vida dos componentes, suas frequências de uso, o
funcionamento de máquinas e equipamentos, a operacionalidade e as possíveis
perdas de desempenho (investimento em manutenção).

E
IMPORTANT

Ainda que o desenvolvimento de técnicas para construção tenha registrado


muitos avanços comparados às obras antigas, a carência de uma mão de obra treinada fará
toda a diferença, a ocorrência de erros humanos é normal, porém deve ser minimizada.

Uma situação comum para aplicar a prevenção seria indicar aos operários
que o arame utilizado para amarrar as barras de aço deve ser finalizado por dentro
delas (a fim de evitar que as pontas fiquem do lado do recobrimento), de modo que
no momento em que o concreto é despejado não ocorra interferência das pontas da
armação na propagação de corrosão, que acabará desprendendo material das barras
de aço principais. O benefício da engenharia preventiva é muito grande, mas os de-
talhes ou pequenos procedimentos que levam até ela resultam em um efeito dominó.

7
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

NTE
INTERESSA

Para um momento de reflexão e divertimento: quando as coisas não são feitas


de maneira correta e o engenheiro está ciente da situação, só há uma forma de evitarmos
uma catástrofe, como observamos na figura a seguir.

FIGURA – “MEME” DE QUANDO ALGUMA COISA ESTÁ ERRADA NO PROCESSO DE


INSTALAÇÃO

FONTE: <https://bit.ly/3i9P5nk>. Acesso em: 25 maio 2021.

3 RISCOS E ESTIMATIVA DE CAUSAS


Tal como Sanches (2013) indica, o risco pode ser definido como a materia-
lização de um evento indesejado. Sendo que a ele está associada uma probabili-
dade (possibilidade numérica) de ocorrência de um evento, e pode ser uma ame-
aça quando prejudica uma situação, ou uma oportunidade quando ele melhora
certas condições. Contudo, quando ele não é evitado e é recorrente pode acabar
sendo fatal, por isso denominado perigo.

A probabilidade de ocorrência de riscos na construção civil é muito alta.


Muitos deles acontecem durante a construção do projeto de engenharia. Por isso,
visando que os riscos associados a acidentes na indústria da construção civil se-
jam reduzidos, são aplicadas medidas como as normas regulamentadoras de con-
dições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção NR-18 (BRASIL,
2020), segurança em instalações e serviços em eletricidade NR-10 (BRASIL, 2019)
e segurança no trabalho em máquinas e equipamentos NR-12 (BRASIL, 2010),
entre atividades de lógica comum como: manter a obra organizada, capacitar os
envolvidos e contar com uma comissão de prevenção de acidentes. Temos em
conta que esse tema não será contemplado neste livro, pois pretendemos abordar
problemas que são evidenciados nas estruturas durante o seu uso.

8
TÓPICO 1 — PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Se as manifestações patológicas existem, é porque não foram atendidos os


alertas de riscos para que essas manifestações não ocorressem, ou seja, são conse-
quências de falta de gerenciamento ou conscientização. Curiosamente, apesar de
existirem numerosos artigos que realçam a importância de realizar práticas efica-
zes na construção, existem comportamentos prejudiciais e recorrentes dentro dos
projetos de engenharia que afetam a eficiência do desempenho do gerenciamento
de riscos, dentre eles, os cronogramas apertados de entrega e o baixo investimen-
to na obra (EKUNG; ADU; LASHINDE, 2020).

Segundo Ramasesh e Browning (2014) o surgimento de patologias em es-


truturas construtivas está fortemente relacionado a incompatibilidades no proje-
to, conhecimento desarticulado nos processos construtivos e falta de uma cultura
organizacional (conjunto de complexo de valores e ações da empresa), que leva a
problemas nos componentes construtivos.

ATENCAO

Fora dos típicos riscos geológicos, como os sismos, que possuem uma categoriza-
ção a nível nacional, a maioria dos riscos patológicos pode ser evitada quando os projetos são exe-
cutados com estudos prévios, com as devidas licenças ambientais, empregando profissionais qua-
lificados, procedimentos corretos, com materiais de qualidade e com a aplicação da manutenção.

3.1. LOCAIS DE RISCOS


As estruturas possuem uma peculiaridade no que se refere aos materiais
e componentes que a protegem da influência incessante do clima externo, e que
permitem criar microclimas dentro delas. Tal como Watt (2008) resume, existem
vários requerimentos de desempenho que fazem do projeto de construção um su-
cesso e uma harmonização total dos microclimas, pois ele também é considerado
um produto que tem requisitos ou uma demanda a cumprir, que são:

• acessos e saídas;
• aparência;
• durabilidade;
• estabilidade dimensional;
• resistência e estabilidade;
• exclusão do clima;
• conforto acústico;
• conforto térmico;
• proteção contra o fogo;
• luz e ventilação;

9
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

• saneamento;
• segurança;
• custo.

Ainda que existam outras exigências por parte dos usuários, como espaço
de circulação, comunicabilidade, orientação etc., o mais importante é que a en-
volvente não seja comprometida, desse jeito a degradação tomará o curso natural
e não acelerado. Assim, quando esse limite é conservado em boas condições, sua
durabilidade é conservada e os requisitos dos usuários atingidos. Essas envolven-
tes e a interação com os usuários são representadas na Figura 4.

FIGURA 4 – ENVOLVENTE DA EDIFICAÇÃO E OUTROS REQUISITOS PARA CUMPRIMENTO DOS


OBJETIVOS

FONTE: Adaptado de Osbourn e Greeno (1997)

10
TÓPICO 1 — PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

São esses locais do limite da envolvente, onde há maior probabilidade de


ocorrência de manifestações patológicas, no Gráfico 1 é apresentada uma estimativa
das causas que levam ao surgimento de manifestações patológicas na construção ci-
vil, sendo que, a maioria delas ocorre por variações dimensionais. Fato que pode ser
resultado da ação de agentes físicos sobre os materiais com diferentes propriedades.

GRÁFICO 1 – ESTIMATIVA PERCENTUAL DE PRINCIPAIS CAUSAS DE EVENTOS PATOLÓGICOS


NA CONSTRUÇÃO CIVIL

FONTE: Adaptado de Do Carmo (2003, p. 6)

3.2 ELEMENTOS NÃO ESTRUTURAIS


A fachada é a principal barreira protetora contra os agentes atmosféricos
que atuam em uma edificação. Em muitas ocasiões, como resposta, ela começa a
registrar patologias que levam à perda de desempenho do revestimento exterior
da parede (BAUER et al., 2020). Seja placa cerâmica ou outro material a realidade
é que cada um deles está aderido a outro que tem outras propriedades (porosida-
de, transporte de água, fragilidade ou ductilidade) e funções.

Levando em consideração que as fachadas são a principal barreira prote-


tora, elas também são o primeiro componente externo a sofrer degradação, segui-
da das camadas que existem entre o substrato e a fachada. Já de modo interno,
quem começa a resistir a solicitações é o chão, com os possíveis revestimentos
nele presente, seguido das paredes e por último os marcos de janelas e portas,
sendo um indicador mais grave quando se presume uma origem geotécnica.

11
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

3.3 ELEMENTOS ESTRUTURAIS


Quando as irregularidades acontecem nos elementos estruturais o pro-
blema não é um simples reparo local, pois não sabemos o esforço que pode ter
sido produzido nos membros próximos à patologia. Os tipos de agentes atuantes
são mecânicos, nos quais ficam evidenciadas deformações, fissuras, rachaduras
ou desprendimentos de material. A extensão do estudo é maior, assim como o
custo de reparo. Quando a problemática da patologia surge nesses componentes
podemos falar dos níveis de riscos (Figura 5), o que levará a tomar medidas de
segurança para manter a integralidade da estrutura.

FIGURA 5 – POSSÍVEL INTENSIDADE DE RISCOS QUANDO AS PATOLOGIAS APARECEM EM


ELEMENTOS ESTRUTURAIS

FONTE: Adaptado de Cardona (2011)

4 DURABILIDADE
Todo o edifício tem um ciclo de vida útil, o qual pode variar dependendo
de fatores como a durabilidade dos materiais empregados na construção, das
condições de exposição, uso e a existência de uma manutenção periódica.

Segundo a NBR 15575-1 (ABNT, 2013), a vida útil é período de tempo em


que uma edificação ou algum dos seus componentes respondem às atividades
para o qual foi projetado, atendendo os níveis de desempenho. Esse conceito está
associado à durabilidade, e destaca-se que não é uma propriedade intrínseca dos
materiais, é produto de uma relação como aquela indicada nas variáveis que atu-

12
TÓPICO 1 — PATOLOGIA E RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

am na formação de manifestações patológicas (Figura 2). Por exemplo, não ha-


verá nenhuma durabilidade em usar um tijolo de resistência à compressão baixa
em uma parede de carga estrutural.

De acordo com Bauer, Castro e Antunes (2011), devem ainda ser identifica-
dos os mecanismos pelos quais esses fatores de degradação podem causar alterações
nas propriedades do material ou componente, e os possíveis efeitos da degradação
nas características de desempenho escolhidas para o material ou componente. Para
cada uma das características de desempenho selecionadas, deve optar-se por um mé-
todo de ensaio que permita identificar, estimar, quantificar, e monitorar de modo a
determinar relações entre a degradação do material e o efeito desses fatores.

13
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• A patologia é uma ciência que precisa de normatividade e muita prevenção


desde a concepção do projeto até seu uso.

• É normal o desenvolvimento de anomalias no projeto de construção, porém, a


manutenção oportuna é encarregada de conservar a vida útil dos componentes.

• A estabilidade, conforto e durabilidade de um projeto de construção depen-


dem de uma harmonia entre as etapas do processo construtivo e dos mate-
riais empregados nele.

• Agentes atmosféricos como a água livre, temperatura, umidade, radiação so-


lar, gases, vento e bactérias atuarão de modo natural na envolvente da edifi-
cação, por isso é normal que nela sejam manifestadas as primeiras patologias.

14
AUTOATIVIDADE

1 A seguinte figura correlaciona etapas do processo construtivo e uso da


construção civil, preencha os devidos espaços:

Etapas do processo construtivo na construção civil

FONTE: O autor

2 As estatísticas informam que, mundialmente, a origem da maioria das pa-


tologias na construção civil não está no uso do projeto, e sim nas outras
etapas. Com relação às porcentagens de origem das manifestações patoló-
gicas para o caso do Brasil, assinale a alternativa que apresenta a sequência
CORRETA, e em seguida justifique sua resposta:

a) ( ) Materiais, projeto, execução, falta de manutenção.


b) ( ) Execução, materiais, projeto, falta de manutenção.
c) ( ) Projeto, execução, materiais, falta de manutenção.
d) ( ) Falta de manutenção, projeto, execução, materiais.

3 Existem várias nomenclaturas dentro da patologia das construções conhecidas


como 4R (reparação, recuperação, reabilitação e restauração). Relacione as
definições com suas respectivas nomenclaturas, dispostas nas colunas a seguir:

1) Substituição de materiais deteriorados.


A) Restauração.
2) Aplicação de técnicas sobre um sistema.
B) Reabilitação.
3) Modificação de uma estrutura.
C) Recuperação.
4) Ajuste da aparência ou forma nas es- D) Reparação.
truturas antigas.

15
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

a) ( ) 1A, 2B, 3C, 4D.


b) ( ) 1D, 2C, 3B, 4A.
c) ( ) 1B, 2A, 3D, 4C.
d) ( ) 1C, 2D, 3A, 4B.

4 A etapa de inspeção patológica deve ser executada por profissionais ade-


quados e consiste na definição das manifestações patológicas encontradas
durante vistoria em uma determinada estrutura. Esta inspeção não é exclu-
siva do período de uso da estrutura, podem ser feitas inspeções durante o
recebimento de materiais ou execução da obra. Para que seja possível pro-
longar e/ou evitar o recorrente recursos de inspeções prediais, qual seria a
melhor forma de prevenir o surgimento de patologias na construção civil?

5 Durante a execução de uma obra em concreto armado, a Vida Útil de Proje-


to (VUP) mínima é igual ou superior a 50 anos, conforme norma de desem-
penho ABNT NBR 15575. Para que seja alcançado este objetivo é necessário
que o concreto atenda uma relação entre a durabilidade, vida útil e manu-
tenção, sendo que, mesmo que os componentes individuais da estrutura
podem ter durabilidades e manutenções diferentes com as devidas indica-
ções esse tempo pode ser atingido. Em suas próprias palavras, argumente
como um parâmetro influencia no outro para alcançar o tempo de vida útil
especificado anteriormente:

16
TÓPICO 2 —
UNIDADE 1

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS
EM MATERIAIS CERÂMICOS

1 INTRODUÇÃO
Os materiais cerâmicos são amplamente utilizados na construção civil, eles
são constituídos por tijolos, telhas, tubos e na forma de placas de revestimentos. A
cerâmica é o material artificial mais antigo produzido pela humanidade, fazendo uso
de argilas que, quando em contato com a água, pode ser moldada em peças e após
cozimento em altas temperaturas (aproximadamente 1000 °C) torna-se resistente. A
indústria no Brasil estima que existam cerca de 7 mil empresas associadas à produção
de cerâmica vermelha, produzida a partir de 10.300.000 de toneladas de argila por
mês o que representa 4,8% da indústria na construção civil (ANICER, c2020).

Essa indústria não contempla a fabricação de cerâmica para revestimento,


a qual é medida pela quantidade de metros quadrados produzidos anualmente.
Para o ano de 2018 foram fabricados 872 milhões de m2 de cerâmica destinada a
piso, parede, fachada e porcelanato (ANFACER, c2020), ou seja, não é pouca coisa
do que estamos avaliando, ao final o acadêmico poderá observar que os materiais
que frequentemente observamos nas fachadas da construção civil são cerâmicos.

Por mais que os produtos fabricados possuam uma marca de qualidade, ava-
liada em condições de laboratório, eles apresentam um mínimo de presença de defei-
tos, além de sofrerem também algum desgaste durante contato, transporte e colocação
na obra, além de sofrerem danos pelas repetitivas e inconstantes variações de umidade,
temperatura e carga durante a etapa construtiva e posterior. A tarefa do engenheiro é a
de revisar os contatos e assegurar que não existirão problemas que não sejam da natu-
reza própria do material, antes, durante e depois da instalação das peças.

2 DEFEITOS MICROESTRUTURAIS
Conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica
para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (ANFACER), o Brasil é um
dos principais países envolvidos com o setor cerâmico, ocupando a terceira posi-
ção em produção e segunda em consumo mundial (ANFACER, c2020).

É conhecido pelo acadêmico que a cerâmica resulta de uma mistura de ar-


gilas, em estado plástico é moldada, secada e posteriormente cozida em altas tem-
peraturas. Constituída basicamente de partículas de diâmetro inferior a 0,005 mm.
Estas partículas, com o devido tratamento, sofrem uma reconfiguração, entre elas,

17
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

na medida que são fabricadas: uma peça verde (em frio e mole, simplesmente com-
pactada), se transforma em uma peça rígida (sinterizada), como é esquematizado
na Figura 6, cujas partículas tem maior área de contato e criam uma rede predomi-
nantemente contínua, pois existem vazios que não podem ser mais reduzidos.

FIGURA 6 – RECONFIGURAÇÃO DAS PARTÍCULAS ANTES E DEPOIS DA COCÇÃO DA ARGILA


PARA CONFORMAÇÃO DE UMA PEÇA CERÂMICA

FONTE: Fonseca et al. (2016, p. 1346)

É essa existência de vazios ou poros que permite o ingresso de água e ca-


lor, que pode levar à dilatação da estrutura. Uma característica que não acontece
de modo uniforme. Os poros atuam como concentradores de tensão e são a prin-
cipal causa dos defeitos dos produtos cerâmicos, uma vez que facilitam o início
das trincas e com isso, uma possível fratura. A distribuição de tamanhos de poros
e a porosidade total alteram as propriedades das cerâmicas. Portanto, os vazios
atuam negativamente na resistência à fratura (FONSECA et al., 2016).

Na Figura 7 são apresentados os diferentes agentes que atuam na degradação


dos materiais cerâmicos. As degradações podem ser por variação dimensional, cau-
sada por agentes físicos (umidade e temperatura) e químicos (crescimento de cristais
através da penetração de sais) ou através de esforços mecânicos, como esforços de
compressão ou flexão superiores à resistência da peça ou devido ao impacto.

18
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CERÂMICOS

FIGURA 7 – TIPOS DE AGENTES QUE ATUAM NA DEGRADAÇÃO DOS MATERIAIS CERÂMICOS

FONTE: Adaptado de Figueiredo (2018, p. 385)

Com relação ao emprego dos tijolos, são apresentadas na Figura 8 os


diferentes tipos de formas em que podem ser empregados na construção civil.
Devemos considerar que sua forma influencia nas propriedades físicas (princi-
palmente em absorção) e mecânicas (resistências). Por exemplo, os tijolos típi-
cos utilizados para vedação (tijolo baiano) suportam cargas muito inferiores aos
blocos estruturais e podem fissurar se forem empregados com o fim de resistir a
esforços de compressão. A norma ABNT 15270 (ABNT, 2017) especifica os requi-
sitos dimensionais, propriedades físicas e mecânicas de blocos de tijolos cerâmi-
cos a serem utilizados em obras de alvenaria estrutural ou não, com o intuito de
evitar a presença de futuras patologias.

Dentre algumas das especificações para uma adequada aplicação são ne-
cessários alguns conhecimentos das peças (ABNT, 2017), divididos em aplicação
de vedação (VED) ou estrutural (EST):

• Para uso de vedação todas as larguras são aplicáveis, sendo admitidos blocos
e tijolos com largura de 70 mm somente para funções secundárias, como shafts
ou pequenos enchimentos. Para uso estrutural as larguras mínimas dos blo-
cos dependerão do tipo de construção, sendo as larguras mínimas de blocos
para um pavimento de 90 mm, até dois pavimentos de 115 mm e acima de
dois pavimentos de 140 mm.
• As resistências mínimas e absorção de água variam de acordo com a classe
de resistência do bloco ou tijolo, para vedação as classes de resistência variam
entre 1,5 MPa até 4 MPa e absorção de água entre 8 % a 25 %. Para blocos e
tijolos estruturais as resistências variam de 4 MPa a 20 Mpa e a absorção de
água entre 8 % a 21 %.
• Para aceitar a utilização de um lote de tijolos ou blocos, recomenda-se reali-
zar inspeção dos blocos por amostragem, sendo necessário o atendimento da
identificação de fabricação gravado no tijolo juntamente com informações do
fabricante, dimensões nominais e de rastreabilidade. Também se deve reali-
zar inspeção visual, na qual eles não podem apresentar defeitos sistemáticos,
como quebras, superfícies irregulares ou deformações. Para lotes entre 1.000
a 250.000 peças recomendam-se amostragem contendo 13 peças, e se deve
rejeitar o lote caso 5 unidades não estejam em conformidade.

19
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

FIGURA 8 – VARIAÇÕES DE FORMA DOS TIJOLOS

FONTE: <https://bit.ly/3un2nPD>. Acesso em: 25 maio 2021.

Com relação às anomalias em alvenarias de tijolos ou blocos cerâmicos, além


das características dos materiais, a execução e as ações de manutenção são os principais
fatores para um bom funcionamento da alvenaria ao longo do tempo de vida útil.

As principais causas de anomalias em alvenarias estão associadas à ação


da água e fissurações e podem ser divididas em três grandes grupos, conforme
apresentado no Quadro 1. Os fatores que causam esses problemas podem ser
associados a: excesso de peso, assentamento das fundações, sismos, variação de
temperatura, gelo/desgelo, absorção de água, poluição, raios UV, elevada presen-
ça de sais no solo, entre outros (BRANCO; BRITO, 2015).

QUADRO 1 – ANOMALIAS E CAUSAS EM ALVERNARIA CERÂMICA

Física / Mecânica Química Biológica


- Umidades
- Fissuração - Eflorescência e criptoflorescência
- Esmagamento - Empolamento - Presença de vegetação
- Desagregação - Manchas - Bolores e fungos
- Descasque - Perda de tonalidade - Outros agentes biológicos
- Erosão - Bolores e fungos
- Desintegração das juntas
FONTE: Adaptado de Branco e Brito (2015)

20
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CERÂMICOS

NOTA

• Criptoflorescência é a cristalização de sais no interior de elementos


construtivos como paredes e lajes. O crescimento dos cristais tem grande dimensão
e aderem o interior das paredes da cerâmica, aumentando o volume e as tensões
internas do material, causando sua degradação.
• Eflorescência, por sua vez, é o aparecimento de sais cristalizados na superfície do ma-
terial, através da migração de sais do interior para o exterior da amostra. A eflorescência,
ao contrário da criptoflorescência, não causa tensões internas, porém, pode causar
degradação caso não seja solucionada. Um exemplo pode ser visto na figura a seguir

FIGURA – REPRESENTAÇÃO DE EFLORESCÊNCIA

FONTE: <https://bit.ly/3wNWYTd>. Acesso em: 25 maio 2021.

Devemos estar atentos que o surgimento de patologias no revestimento


cerâmico está relacionado majoritariamente à falta de especificações durante a
execução do projeto, falhas no assentamento e na manutenção (MEDEIROS, 1999).
Entretanto, também existirão patologias relacionadas ao uso e a manutenção como
o desgaste do esmalte, formação de manchas (ataque químico e mancha d’água),
associados ao uso incorreto de produtos de limpeza para a classe correspondente
à placa cerâmica (REBELO, 2010).

21
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

FIGURA 9 – PRINCIPAIS MOTIVOS DO DESTACAMENTO DE PLACAS

FONTE: Adaptado de Atex (c2020)

Segundo Roscoe (2008) as situações mais comuns de descolamento costu-


mam ocorrer por volta de cinco anos de conclusão da obra. A ocorrência cíclica das
solicitações somada às perdas naturais de aderência dos materiais de fixação, em
situações de subdimensionamento do sistema, caracteriza falhas que costumam re-
sultar em problemas de desprendimento, conforme visto na Figura 9.

3 DANOS CAUSADOS POR FISSURAS


Conforme visto anteriormente, a fissuração das alvenarias está relaciona-
da à incapacidade de resistir aos esforços cortantes de flexão ou tração devido a
causas internas ou externas. As causas externas (Figura 10a) estão relacionadas a
deformações da estrutura, ações de carga, deformação ou umidade. Já as causas
internas (Figura 10b) estão relacionadas com dilatação térmica, oxidação de me-
tais, criptoflorescências, gelo e desgelo.

FIGURA 10 – FISSURAÇÃO DEVIDO A CAUSA INTERNA (A) E DEVIDO A CAUSA EXTERNA (B)

FONTE: O autor

22
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CERÂMICOS

Portanto, as fissuras em paredes devido à aplicação de cargas são causa-


das principalmente pela limitada capacidade da alvenaria de tijolos em absorver
cargas diretamente aplicadas. Na Figura 11, vemos duas ocorrências de fissura-
ção em paredes ou muros de tijolos. A situação em que a fissuração se propa-
ga pela argamassa (Figura 11a) ocorre devido a uma maior resistência do tijolo
(quando a construção é feita com tijolos maciços), a situação em que a fissuração
transpassa o tijolo (Figura 11b) ocorre devido a uma menor resistência do tijolo,
como exemplo, a aplicação de tijolos furados.

FIGURA 11 – MODALIDADE DE OCORRÊNCIA DE FISSURAS EM MUROS CONSTRUÍDOS COM


TIJOLOS

FONTE: Flores e Brito (2004, p. 28)

Em construções com estruturas de concreto, a fluência e retração dos ele-


mentos estruturais podem impor esforços na alvenaria de vedação, principal-
mente em locais mais cruciais como nas vergas e contravergas de janelas e portas.
A Figura 12 apresenta as localizações das principais fissuras vistas em alvenarias
devido à retração da parede, variação térmica, assentamento da fundação e defor-
mações por flexão dos pavimentos.

23
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

FIGURA 12 - FISSURAS FREQUENTES EM PAREDES E DIVISÓRIAS

FONTE: Adaptado de Thomaz (1989, p. 55)

Portanto, as principais causas de fissuras em paredes devido à aplicação de car-


ga, são por cargas verticais, concentradas, excêntricas entre outras. Para evitar estas pato-
logias é necessário em nível de projeto, impedir que as vigas descarreguem diretamente
sobre a parede de alvenaria, como exemplo a utilização de acessórios fixos às paredes.

ATENCAO

As mudanças de temperatura, sazonais e diárias, provocam variações dimensio-


nais de dilatação ou retração, dilatando as alvenarias e movimentando a estrutura. As principais
causas para que ocorram as fissuras, devido a essas variações de temperatura, são: diferentes
coeficientes de dilatação térmica dos materiais utilizados, grande amplitude e rapidez dos fenô-
menos térmicos, os graus de restrição da estrutura utilizada e a ausência de juntas de dilatação.
Essas fissuras são mais visíveis nas paredes externas, principalmente aquelas orientadas ao sul,
por existir maior gradiente térmico e por coberturas desprovidas de proteção, portanto é recor-
rente as paredes do último piso serem as mais afetadas por este problema (THOMAZ, 1989).

24
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CERÂMICOS

4 DANOS CAUSADOS POR INFILTRAÇÃO


A infiltração por umidade pode influenciar no desplacamento do revesti-
mento cerâmico em função de, por absorver umidade, sofrer uma expansão nas
suas dimensões. “A expansão por umidade (EPU) também chamada de dilatação
higroscópica, é o aumento de tamanho da placa cerâmica na presença de umidade”
(BAUER; RAGO, 2000) o que ocorre depois que as peças terminam o processo de
fabricação, tanto por temperatura ambiente, umidade, quanto por água líquida.

A Figura 13 apresenta fissuras do revestimento devido a problemas de infil-


tração de água nas juntas do revestimento cerâmico, causando expansão e tensões
entre as cerâmicas, ocasionando sua quebra. Portanto, os principais problemas que
observamos devido à infiltração em cerâmicas estão no desplacamento e na quebra
das peças cerâmicas utilizadas durante a execução da obra. Com relação à infiltração,
o Quadro 2 apresenta as situações-problemas e origens dos fenômenos causados.

QUADRO 2 - TIPOS DE RUPTURAS E CAUSAS

Tipo de ruptura Origem do fenômeno


Aplicação de cola que já tenha ultrapassado o
tempo de abertura real, ou utilização de cola
Ruptura adesiva placa-cola
que não é adequada para o grau de porosida-
de da cerâmica.
Utilização prematura do revestimento, antes
Ruptura coesiva da cola
da cola ter atingido o desempenho necessário.
Contágios do suporte por produtos cobertos
de pó, ou suporte muito quente ou seco no mo-
Ruptura adesiva da cola-suporte
mento da aplicação da cola, ou cola inadequa-
da para o grau de absorção de água do suporte.
Suporte que não apresenta a devida coesão,
Ruptura coesiva do suporte
sem condições para receber um revestimento.
FONTE: Adaptado de Bento (2010)

FIGURA 13 – APARÊNCIA DE UM REVESTIMENTO CERÂMICO NO CHÃO COM PROBLEMAS DE


INFILTRAÇÃO ENTRE JUNTAS

FONTE: O autor

25
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

A norma NBR 13754 (ABNT, 2016) indica aspectos para o assentamento


de placas cerâmicas para obter um bom estado de acabamento. Quando realiza-
dos a rigor é obtido um bom acabamento com redução dos riscos para formação
de anomalias. Dentre o que especifica a norma, é necessária a remoção das peças
da embalagem somente quando forem assentadas. Para sua aplicação devem-se
utilizar as peças em estado seco com seu tardoz sem o engobe ou qualquer tipo de
elemento pulverulento que vá prejudicar a sua aderência no substrato.

A NBR 13006 (ABNT, 2020) informa que as cerâmicas podem ser de ori-
gem esmaltada ou não esmaltada. A técnica de esmaltação é utilizada com o in-
tuito de se obter um produto com superfície lisa e cristalina, portanto reduz a sua
capacidade de absorção, reduzindo os riscos de formação de patologia em sua su-
perfície. Outras vantagens ao utilizar os produtos esmaltados são: alta resistência,
durabilidade, maior atrativo estético, fácil limpeza e maior isolamento acústico.

5 DANOS CAUSADOS POR MOFO


Flores e de Brito (2004) afirmam que as anomalias causadas por mofo são
ocorrências da presença de umidade e microrganismos em alvenarias ou reves-
timentos cerâmicos. A presença de água nessas peças pode ocorrer de diferentes
formas, sendo as mais comuns as umidades de construção, condensação (vapor
em áreas úmidas da obra), precipitação, ascendente (freático).

A umidade de construção é a presença de água durante o período da constru-


ção da obra e que tende a diminuir gradativamente com o tempo, até desaparecer. A
presença dessa água pode causar o aparecimento de manchas, fungos ou eflorescên-
cias que resultam na redução das propriedades de isolamento térmico da estrutura.

A umidade de condensação é decorrente da presença de vapor de água no


ambiente, proveniente do encontro de ar quente e úmido com uma zona fria. Essa
umidade penetra o interior dos elementos construtivos, comumente presente em áre-
as úmidas de um edifício e causa problemas de isolamento térmico e deficiência de
ventilação, também resulta na formação de manchas, eflorescências e fungos (FLO-
RES; DE BRITO, 2004). Já a umidade de precipitação é a umidade exterior resultante
das águas da chuva que se infiltra nos elementos cerâmicos devido a sua porosidade,
sendo as áreas de maior infiltração em alvenarias as juntas de assentamento, partes
inferiores das paredes, fissuras e ligações da alvenaria com a estrutura ou com vãos.

A Figura 14 apresenta a comum presença de microrganismos resultado da


umidade nas cerâmicas utilizadas para revestimento. Esses mofos são constituintes dos
ataques químicos em materiais porosos, úmidos e pouco ventilados. Como prevenção
deve-se utilizar em áreas úmidas revestimentos com baixa absorção e esmaltados.

26
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CERÂMICOS

FIGURA 14 – DANO SUPERFICIAL CAUSADO PELA PRESENÇA DE MOFO (BOLOR) NOS REVES-
TIMENTOS CERÂMICOS

FONTE: <https://bit.ly/3g555nR>. Acesso em: 25 maio 2021.

6 DANOS CAUSADOS POR EFLORESCÊNCIA


A eflorescência é a formação de um depósito salino na superfície do ob-
jeto cerâmico como resultado da exposição a intempéries e sua interação com os
álcalis presentes no elemento. Por se tratar de um fenômeno que se apoia na per-
meabilidade da amostra, na maioria dos casos é uma anomalia superficial, que
altera a aparência do elemento, ainda que, em certos casos, pode ser gerada uma
degradação profunda do elemento pela agressividade do sal (UEMOTO,1988).

As eflorescências podem ser manchas formadas por carbonatos ou sulfa-


tos que ficam depositados na superfície da cerâmica com elevado grau de poro-
sidade. Geralmente o processo de formação se dá através da reação do sal com
contato de gás carbônico (CO2) ou sulfatos (SO3) do meio. Apresentam-se sob a
forma de manchas esbranquiçadas, nas quais geralmente há presença de umida-
de na superfície do material (ver Figura 15). O Quadro 3 apresenta as principais
causas e consequências da presença de eflorescências na construção civil.

FIGURA 15 – APARÊNCIA DE TIJOLOS CERÂMICOS APÓS SURGIMENTO DE EFLORESCÊNCIA

FONTE: <https://bit.ly/3wNWYTd>. Acesso em: 25 maio 2021.

27
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

QUADRO 3 – TIPOS DE EFLORESCÊNCIA

Tipo Aspecto Natureza dos sais Origem


Sais alcalinos: Oxidação da pirita das argilas
NaSO durante a queima produz SO3, o
Depósitos superficiais KaSO qual reage com óxidos livres da
de sais brancos muito MgSO matéria-prima. Reações entre os
I solúveis. Surgem após CaSO componentes do cerâmico e do
saturação da alvenaria Carbonatos cimento formam sais alcalinos.
e posterior secagem. alcalinos:
KCO3 Consequências: sem perigo para
NaCO3 a construção: perda da estética.
Surgem quando:
a água circula lentamente nos
materiais porosos,
Cripto eflorescên- os sais são abundantes,
cia: presença de os cerâmicos são compactos e
CaSO
sais brancos muito têm baixa absorção de água,
NaSO
II solúveis. Arrebenta- cristalização dos sais perto da
MgSO
mento na superfície. superfície do cerâmico gerando
Destacamento de pe- pressões consideráveis.
lículas superficiais.
Consequências: degradação em
obra em função da localização
da cristalização.
A hidratação do cimento libera
Ca (OH) que migra para a su-
Depósitos brancos na perfície. Durante a evaporação,
forma de rasgos mui- transforma-se em um carbonato
to aderentes, pouco de cálcio na presença de CO2.
III CaCO3
solúveis, efervescen-
tes na presença de Consequências: sem perigo
ácido clorídrico. para a construção: perda da es-
tética. Sais difíceis de eliminar
da superfície na sua totalidade.
Cristalização do sulfato de cálcio
proveniente do cerâmico ou da re-
lação entre os sulfatos alcalinos do
Depósitos brancos do
cerâmico e cal livre de cimento.
tipo I acompanhados
IV CaCHO
de fissuração nas
Consequências: desastroso para
juntas da alvenaria
alvenaria: fissuração favorece a
penetração de água. Empenos
de alvenaria pouco carregada.

28
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CERÂMICOS

Libertação de sulfatos de ferro


do cerâmico que se transfor-
Rasgos de cor casta-
mam ao contato com o ar em hi-
nho e vermelha, tanto Fe (OH);
V dróxidos ferrosos.
nas paredes interiores FeO; FeSO
como exteriores. Fe...
Consequências: sem perigo para
a construção: perda da estética.
Sal encontrado em algumas argilas.
Rasgos de cor ama-
Sal de Vanádio
VI relo-verde, dispersos
VOSO Consequências: sem perigo para
em eflorescência tipo I
a construção: perda da estética.
Utilizado como corante na fabrica-
ção de alguns tijolos de face-a-vista,
para formar o sulfato de manganês
solúvel. Ao entrar em contato com
o cimento ocorre a precipitação do
Rasgos de cor casta- Oxido
VII hidróxido de manganês, que se
nho-preto de manganês
transforma em oxido ao entrar em
contato com o ar.

Consequências: sem perigo para


a construção: perda da estética.
FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/34DCbWA>. Acesso em: 25 maio 2021.

Na Figura 16 vemos a influência da formação de eflorescência que acar-


retou em cristoflorescência, gerando um aumento de volume interno entre arga-
massa e o revestimento cerâmico. Como solução para esses problemas em contato
com o solo indica-se a realização de drenagem de lençóis freáticos, instalação de
membranas que evitem o contato com águas salinas, utilização de adesivos hi-
drófobos para azulejos e outros revestimentos cerâmicos.

FIGURA 16 – CRESCIMENTO DE CRISTAIS SALINOS DEVIDOS À EFLORESCÊNCIA, GERANDO


AUMENTO DE VOLUME ENTRE SUBSTRATO E CERÂMICA

FONTE: <https://bit.ly/2SNmrxs>. Acesso em: 25 maio 2021.

29
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• É normal que certas peças, como os tijolos, registrem defeitos de fabricação


como irregularidades nas bordas ou fissuras leves, porém, elas não devem com-
prometer o encaixe nem a degradação da peça durante sua colocação em obra.

• Os materiais cerâmicos são instalados em obras como unidades individuais,


que constituem um todo geral, sendo assim, a sua reparação pode ser local,
sem o comprometimento da estrutura global.

• As manifestações patológicas típicas nos materiais cerâmicos são a eflorescên-


cia, a infiltração e o mofo, uma questão que pode ser de fácil manutenção sem
necessidade de reparação profunda.

30
AUTOATIVIDADE

1 A seguinte figura registra o surgimento da uma anomalia superficial no


revestimento ou pintura, qual seria o melhor procedimento para tentar
resolver a situação?

FONTE: O autor

a) ( ) Passar água com cloro e lavar, secar e, posteriormente, pintar de novo.


b) ( ) Raspar a superfície e substituir o revestimento de argamassa e colocar
um novo.
c) ( ) Passar pintura sem limpar a superfície.
d) ( ) Passar água com cloro e lavar, esperar secar, aplicar massa corrida entre
fissuras aparentemente visíveis, lixar e, posteriormente, pintar de novo.
e) ( ) Lavar com água sanitária e aplicar pintura na superfície seca.

2 As variações no teor de umidade provocam movimentações de dois tipos:


irreversíveis e reversíveis. As movimentações irreversíveis são aquelas que
ocorrem logo após fabricar o material e originam-se pela perda ou ganho
de água até que seja atingida a umidade higroscópica de equilíbrio. Sobre
as patologias que ocorrem em relação às variações no teor de umidade em
materiais da construção civil, assinale a afirmativa CORRETA:

a) ( ) As movimentações reversíveis ficam delimitadas a um certo intervalo


mesmo no caso de se saturar ou secar completamente o material.
b) ( ) As movimentações reversíveis ocorrem por irregularidades no teor de
umidade do material ao longo do tempo.
c) ( ) As movimentações reversíveis ficam delimitadas a um certo intervalo
mesmo no caso de se saturar ou fabricar completamente o material.
31
d) ( ) As movimentações irreversíveis ocorrem por irregularidades no teor de
umidade do material ao longo do tempo.
e) ( ) As movimentações irreversíveis ficam delimitadas a um certo intervalo
mesmo no caso de se saturar ou fabricar completamente o material.

3 Os profissionais que atuam na construção civil estão familiarizados com a


terminologia de “patologia de infiltrações”, que podem acontecer em qual-
quer tipo de edificações e, se não são rapidamente resolvidas, podem de-
sencadear inúmeros problemas construtivos. A seguir, assinale a alternati-
va que corresponde ao fator que contribui à formação de mofo ou bolor nos
materiais cerâmicos ou nas pinturas de uma edificação:

a) ( ) Variações de temperatura no ambiente.


b) ( ) Condensação do vapor de água.
c) ( ) Instalação de revestimento cerâmico.
d) ( ) Presença exclusiva de matéria orgânica entre as peças.
e) ( ) Espessura de argamassa de rejunte.

4 Eflorescências são depósitos cristalinos de cor branca que surgem na super-


fície do revestimento, como pisos, paredes e tetos, resultantes da migração
e posterior evaporação de soluções aquosas salinizadas. Como pode ser re-
parada uma seção com problemas de eflorescência?

5 Existem muitas normatividades, manuais para a fabricação e instalação de


revestimento cerâmico, sendo assim, porque acontecem tantas patologias
nesses revestimentos?

32
TÓPICO 3 —
UNIDADE 1

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS


CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

1 INTRODUÇÃO

O revestimento com argamassa resulta na parte mais trabalhosa de um


projeto de construção. É comum observarmos em obras de pequeno porte dife-
rentes espessuras de acabamento ao longo de uma parede, resultado de uma não
homogênea execução do operador.

Essa patologia é comum em muitas edificações e inclusive pode ser sistêmi-


ca, sem gravidade, quando o mesmo operador aplica o mesmo material em deze-
nas de unidades habitacionais. O problema pode estar limitado a várias camadas
e sua extensão pode ser muito grande, o que levará a um alto custo de reparação.
Ainda que possa ser decorrente de algum fator externo, para o material que possui
defeitos, os danos superficiais e estéticos levarão o usuário a certos desconfortos.

Neste tópico você ficará informado como certos parâmetros de controle


de material, dosagem e aplicação comprometem o desempenho dos revestimen-
tos de argamassa, compostos geralmente por cimento Portland, areia, aditivos,
cal e água. Realizar um controle tecnológico é o aspecto chave para um adequado
tempo de vida útil desses materiais.

2 DANOS CAUSADOS POR MÁ QUALIDADE DOS MATERIAIS


A parede, tal como é representada na Figura 17, é constituída de diferentes ma-
teriais que cumprem funções especificas, como você aprendeu em disciplinas passadas.

33
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

FIGURA 17 – CAMADAS NO REVESTIMENTO COM ARGAMASSA E CERÂMICO

FONTE: <https://bit.ly/3wPNYwU>. Acesso em: 25 maio 2021.

Os principais fatores que influenciam a degradação dos revestimentos de


argamassa são decorrentes dos processos físico-mecânicos, químicos e biológicos,
conforme visto na Figura 18. Observamos certa similaridade aos problemas apre-
sentados nas cerâmicas.

Os processos físico-mecânicos ocorrem devido a esforços internos de retração


plástica, causando fissuras do revestimento. Os processos químicos ocorrem devido à
hidratação retardada da cal ou à acelerada hidratação do cimento. Já os processos bio-
lógicos ocorrem devido ao crescimento de microrganismos nos poros da argamassa.

FIGURA 18 – FATORES QUE INFLUENCIAM NA DEGRADAÇÃO DO REVESTIMENTO DE ARGAMASSA

FONTE: Carasek (2010, p. 931)


34
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

A fase de empreendimento de um processo construtivo deve ser iniciada


através da escolha dos materiais utilizados. Os materiais devem ser especificados
durante a etapa de projeto e sua seleção deve ser realizada com base nas carac-
terísticas dos insumos necessários. O Quadro 4 apresenta as principais proprie-
dades que devem ser controladas para o emprego de materiais na fabricação de
argamassas na construção civil. Devemos levar em consideração que geralmente
o fabricante de cimento Portland e dos aditivos já fornece as principais informa-
ções do produto a ser utilizado.

QUADRO 4 – ASPECTOS DE CONTROLE DE MATERIAIS PARA FABRICAÇÃO DE ARGAMASSAS

Controlar O quê?
Aspectos físicos: resistência à compressão, finura, início e fim de
Cimento pega, expansibilidade, calor de hidratação entre outros.
Portland Aspectos químicos: composição, percentual de adição, perda ao
fogo, resíduo insolúvel, teores de C3A e de álcalis (Na2O, K2O).
Aspectos físicos: distribuição granulométrica, formato dos grãos,
Agregados material pulverulento.
Aspectos químicos: análise petrográfica, reatividade potencial.
Água Contaminação com cloretos, sulfatos, álcalis, teor de Ph.
Aditivos Contaminação com cloretos.
FONTE: Adaptado de Thomaz (1989)

NOTA

A análise petrográfica consiste na preparação de amostras em tamanho de


lâmina para observação microscópica, nas quais são realizadas descrições visuais do ma-
terial estudado. São associadas as suas características estruturais, mineralógicas e químicas.

Ao utilizarmos o cimento, devemos levar em consideração qual a aplicação


que queremos para a nossa argamassa, precisamos de um rápido ganho de resis-
tência? Precisamos de uma argamassa que apresente maior resistência após os 28
dias de hidratação? O meio em que aplicaremos apresenta um ambiente agressivo?
Para isso devemos selecionar o cimento Portland mais adequado para utilização,
conforme visto na Tabela 1 e Tabela 2 apresentadas na NBR 16697 (ABNT, 2018).

35
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

TABELA 1 – DESIGNAÇÃO NORMALIZADA, SIGLA E CLASSE DO CIMENTO PORTLAND

Classe de
Designação Subtipo Sigla Sufixo
resistência
Cimento Portland Sem adição CP I
comum Com adição CP I-S
Com escória granulada de
CP II-E
Cimento Portland alto forno
25, 32, 40
composto Com material carbonático CP II-F
RS ou BC
Com material pozolânico CP II-Z
Cimento Portland de alto-forno CP III
Cimento Portland pozolânico CP IV
Cimento Portland de alta resistência inicial CP V ARI
Cimento Portland Estrutural CP B 25, 32 40
branco Não estrutural CP B - -
RS = resistente a sulfatos; BC = baixo calor de hidratação. Classes 25, 32 e 40
representam valores mínimos de resistência aos 28 dias.
FONTE: NBR 16697 (ABNT, 2018, p. 4)

TABELA 2 – LIMITES DE COMPOSIÇÃO DO CIMENTO PORTLAND

Clínquer + Escória de Material Material


Sigla
sulfato cálcico alto-forno pozolânico carbonático
CP I 95 – 100 0–5
CP I-S 90 – 94 0 0 6 – 10
CP II-E 51 – 94 6 – 34 0 0 – 15
CP II-F 75 – 89 0 0 11 – 25
CP II-Z 71 – 94 0 6 – 14 0 – 15
CP III 25 – 65 35 – 75 0 0 – 10
CP IV 45 – 85 0 15 – 50 0 – 10
CP V 90 – 100 0 0 0 – 10
CP B 75 – 100 - - 0 – 25
CP B 50 – 74 - - 26 - 50
FONTE: ABNT; NBR 16697 (2018, P. 5)

Portanto, quando se busca um rápido tempo de ganho de resistência, de-


vem-se utilizar cimentos Portland compostos, com maior conteúdo de clínquer
e sulfato cálcico. Outro fator importante que devemos levar em consideração é o
seu teor de finura, uma vez que o tamanho de partículas é essencial para a acele-
ração de hidratação do cimento. Um cimento com elevada finura pode resultar na
fissuração devido à retração hidráulica – saída de água conservada no interior da
argamassa devido ao processo de secagem (Figura 19). A remoção da água nesse
processo causa variação de volume da argamassa, podendo resultar em fissuras
que futuramente ocasionarão patologias na peça (NEVILLE, 2015).

36
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

FIGURA 19 – FISSURAS DEVIDO À RETRAÇÃO POR SECAGEM EM ARGAMASSA

FONTE: O autor

A areia, que em muitas ocasiões é basicamente formada por quartzo (SiO2),


também pode apresentar um baixo teor de impurezas que pode ser prejudicial como
aglomerados argilosos, pirita, mica, matéria orgânica, sulfatos e óxido de ferro, for-
mando vesículas que são as partes mais escuras na peça (THOMAZ, 1989). A presen-
ça de mica reduz a aderência do revestimento à base ou entre duas camadas, já areia
muito fina pode causar aumento da retração em relação a areia mais grossa. Quando
falamos de uma areia de composição quartzosa sabemos que sua reatividade será
baixa e com baixa tendência à expansão, no entanto, caso haja dúvidas quanto à rea-
tividade física de um agregado é necessário realizar ensaios específicos.

Quando utilizamos cal devemos tomar cuidado para não adquirir uma cal
inadequada, resultado de um processo de fabricação com baixo controle de produ-
ção, ou mesmo de uma mistura rudimentar de cal com outros materiais. Ao utilizar-
mos a cal devemos observar que a hidratação pode ocorrer de maneira mais lenta até
após a aplicação, é possível o aumento de volume, formação de vesículas logo após
os primeiros meses, possível formação de carbonatação e descolamento do emboço, e
variação conforme submissão da parede a fontes de calor (NEVILLE, 2015).

Com relação à água, o principal problema está relacionado com a presença


de sais solúveis, que poderão gerar as eflorescências nos revestimentos e também
acelerar a pega da argamassa. Por outro lado, a presença de matéria orgânica pode
retardar a pega e o endurecimento da argamassa. Assim, não se pode empregar água
do mar e outras águas com alto teor de sais solúveis e outras substâncias nocivas.
Deve-se, portanto, utilizar a água potável da rede pública de abastecimento ou no
caso de utilização de água não tratada realizar testes para verificar a sua qualidade.

Os aditivos mais empregados para argamassas são os incorporadores de ar.


Trata-se de um produto que, adicionado em pequena quantidade à argamassa, é ca-
paz de formar microbolhas de ar, homogeneamente distribuídas na argamassa, con-
ferindo-lhe principalmente melhor trabalhabilidade e redução do consumo de água
de amassamento, o que pode ajudar a reduzir o risco de fissuração. No entanto, estes
aditivos devem ser empregados com cautela, pois, se o ar for incorporado em teores
muito elevados pode prejudicar a aderência da argamassa com o substrato ou mes-
mo gerar um revestimento com baixa resistência superficial, como visto na Figura 20.

37
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

FIGURA 20 – INFLUÊNCIA DO TEOR DE AR INCORPORADO NA RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA


DE REVESTIMENTOS DE ARGAMASSAS, ONDE HÁ PRESENÇA DE VAZIOS NA INTERFACE DA
ARGAMASSA COM O BLOCO

FONTE: Adaptado de Carasek (2010)

Geralmente, argamassas com teores de ar acima de 20%–25% podem re-


presentar problemas para os revestimentos; abaixo desse valor crítico, o ar incor-
porado até melhora a aderência, devido ao ganho na trabalhabilidade da arga-
massa, que permite “molhar” melhor a superfície do substrato, resultando em
um aumento na extensão da ligação (CARASEK, 2010).

3 DANOS CAUSADOS POR MÁ DOSIFICAÇÃO DO TRAÇO


Para a utilização de argamassas de cimento, as principais origens de pa-
tologias decorrente do traço da argamassa podem ser relacionadas a argamassas
com elevados teores de cimento na sua composição, levando a ocorrência de fis-
suras e descolamentos de argamassa.

Em espessuras maiores do que 2 cm esses problemas são potencializados.


Como correção para é indicado o uso de argamassas mais elásticas, inserindo cal
em sua composição.

Dentre as principais manifestações patológicas em argamassas de reves-


timento temos as vesículas, empolamentos que ocorrem na argamassa, com colo-
ração interna indicando a origem do problema. Os diferentes tipos de colorações
são apresentados no Quadro 5 (HELENE, 1992).

38
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

QUADRO 5 – CAUSAS DAS DIFERENTES COLORAÇÕES EM EMPOLAMENTO DE ARGAMASSAS

Coloração Causa provável Representação da patologia

Hidratação retardada de
Branca
óxido de cálcio da cal.

Presença de pirita ou de
Preta
matéria orgânica na areia.

Vermelho- Presença de concreções


acastanhado ferruginosas na areia.

Bolhas com
Aplicação prematura de
umidade no
tinta impermeável.
interior

FONTE: Adaptado de Helene (1992); Ferreira; Garcia (2016)

4 DANOS CAUSADOS POR MÁ APLICAÇÃO


Como má aplicação, temos situações de problemas de espessura do revestimen-
to, no qual as espessuras recomendadas de revestimento de argamassa externa para pin-
turas ≥ 25 mm e para revestimentos de argamassas interna para pintura ≥ 10 mm.

Na prática ocorrem execuções de revestimentos com espessuras exageradas,


superiores a 5 cm, e com elevados teores de cimento, o que não permite que o revesti-
mento acompanhe as movimentações da estrutura, trincando ou descolando.
39
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

Outros cuidados que devem ser tomados são o de garantir que tanto o em-
boço quanto o reboco trabalhem homogeneamente, pois se ocorrer retração no em-
boço pode gerar fissuras (como uma configuração mapeada) na camada superior.

Em camadas com elevado teor de cal, se houver desempeno excessivo, ha-


verá a formação de uma película carbonatada (nata da cal) na superfície que agirá
como uma barreira à penetração de CO2 nas partes mais internas do material
impedindo o seu endurecimento. Uso excessivo de desempenadeira traz água,
cimento e agregados finos para a superfície. Essa nata se retrai mais e tem menos
resistência do que a camada subjacente de argamassa (CARASEK, 2010).

A expansão da argamassa de assentamento ocorre devido às reações quí-


micas entre os constituintes da argamassa ou mesmo entre os componentes do
cimento e dos tijolos que compõem a alvenaria.

Como principais causas temos a utilização de agregados com argilo-mi-


nerais na fração fina, reação de sulfatos do meio ambiente ou do componente da
alvenaria com o cimento da argamassa e a hidratação retardada da cal da arga-
massa de assentamento. Na Figura 21 vemos a influência da umidade na expan-
são da argamassa na base de um muro.

FIGURA 21 – EXPANSÃO DIFERENCIADA POR UMIDADE

FONTE: O AUTOR

Já a expansão por retração em argamassa de reboco ocorre devido aos es-


forços de tração em consequência da perda prematura de água, resultando em fis-
suras mapeadas (conforme visto na Figura 22), como ação preventiva indica-se a
redução no consumo de cimento, cura adequada, controle de ventilação. Já como
ação corretiva, em caso de ser uma fissura “morta”, corrigir com uma camada de
argamassa e nova pintura. Em caso de fissura “viva”, investigar e tratar a causa.

40
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

FIGURA 22 – FISSURAÇÃO MAPEADA POR RETRAÇÃO DE ARGAMASSA DE REBOCO

FONTE: O autor

O descolamento com empolamento ocorre devido à perda de aderência da su-


perfície do reboco com o emboço. As principais causas para esta patologia ocorrem por
causa da entrada de umidade entre o emboço e o reboco e/ou a hidratação retardada do
óxido de magnésio da cal. A solução para este problema está na retirada da camada de
reboco, impermeabilização do ambiente e realização de uma nova pintura.

O descolamento com pulverulência está relacionado com o descolamento


da película que, ao soltar-se, leva consigo uma parte da argamassa de revestimen-
to. Dentre as principais causas temos: traço excessivamente rico em cal, revesti-
mento com camada muito espessa, excesso de finos no agregado, ausência de
carbonatação na cal, e traço pobre em aglomerante.

Os descolamentos em placas ocorrem devido ao problema já no estado


endurecido, por motivo de o substrato soltar e quebrar com facilidade (conforme
visto na Figura 23). As causas desta patologia são devido à realização de argamas-
sas muito ricas em cimento, substrato muito liso ou impregnado de hidrofulgan-
tes ou ausência de camada de chapisco, para melhorar a aderência do substrato.

FIGURA 23 – DESCOLAMENTO EM PLACA DE ARGAMASSAS

FONTE: O autor

41
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

5 CAMADA FINAL - PINTURA


Geralmente, sobre o revestimento de argamassa, é colocado revestimento
cerâmico ou pintura. Nesta última também podem ser gerados problemas, mesmo
que sua função seja a proteção do substrato ela também tem efeitos decorativos.

Tal como Uemoto (1988) comenta, qualquer superfície onde seja aplicada
pintura precisará de eventuais repinturas, pois ela não é permanente, tem uma
espessura de milímetros e torna-se seca com o tempo, além de eventualmente se
desprender por causa da umidade do substrato, detalhe que se torna um indica-
dor quando as anomalias começam a surgir. Na Figura 24 são brevemente nome-
adas as causas do desprendimento da tinta antes do tempo de vida útil.

FIGURA 24 – PRINCIPAIS CAUSAS QUE LEVAM AO DESPRENDIMENTO DA PINTURA

FONTE: Adaptado de Uemoto (1988)

Freire (c2021) cita algumas atividades ideais para evitar os surgimentos de


patologias (bolhas, enrugamentos, mofo, saponificação e descascamento) nas tintas:

• aplicar a pintura em boas condições climáticas;


• selecionar cuidadosamente o material – especificações do fabricante;
• preparar a superfície, livre de material pulverulento, bolor e um substrato
muito poroso;
• se a parede já está pintada, lixá-la previamente;
• não deixar a pintura sem tampa e sem mexer durante muito tempo, pois sen-
do um polímero podem surgir depósitos no fundo.

42
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

LEITURA COMPLEMENTAR

CAUSAS DA OCORRENCIA DE MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM


CONJUNTOS HABITACIONAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO

Julio Ricardo Fiess


Luciana Alves Oliveira
Alessandra C. Bianchi
Ercio Thomaz

RESUMO: O Brasil, em virtude de seu déficit habitacional de milhões de unidades,


vem buscando construir, em grande escala, edificações voltadas para classes de me-
nor poder aquisitivo. No entanto, tais construções têm exigido alto número de ações
de manutenção em razão das manifestações patológicas frequentemente encontra-
das. O conhecimento das causas da ocorrência de tais manifestações patológicas tem
como objetivo retroalimentar o processo das construções habitacionais. A equipe do
Agrupamento de Componentes e Sistemas Construtivos – ACSC – Divisão de Enge-
nharia Civil – DEC – do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT – em suas vistorias
em conjuntos habitacionais construídos nos últimos anos, têm encontrado diversas
manifestações patológicas, tanto em empreendimentos executados com sistemas
construtivos inovadores como nos ditos convencionais. Tais manifestações caracteri-
zam-se como um importante problema para a sociedade, pois em geral comprome-
tem a durabilidade das construções. Dessa forma apresenta-se neste artigo as princi-
pais manifestações patológicas encontradas e suas respectivas causas.

Palavras chaves: Habitação de interesse social. Manifestações patológicas. Quali-


dade e durabilidade de construções.

1 INTRODUÇÃO

Mesmo estando numa posição privilegiada no contexto mundial em re-


lação à execução de projetos e construções de grandes obras de engenharia como
barragens, hidroelétricas, pontes, metroviários e estradas, o Brasil ainda defron-
ta com sérios problemas de qualidade na produção de habitações destinadas às
classes de menor poder aquisitivo. Tal produção se dá num contexto condiciona-
do por dois fatores: construção em grande escala e ao menor custo possível.

As habitações assim produzidas são “vendidas” com prazos de pagamento


de até 25 anos, não sendo, portanto, a prestação a fonte de sustentação financeira do
sistema e nem elemento de pressão para a melhoria da qualidade. Assim, passando a
lidar e, momentaneamente, aceitar esses dois fatores, o setor passou a buscar outras
alternativas no que tange a melhoria da construção, propondo vários programas de
qualidade, que vêm sendo implantados, especialmente pelo Estado de São Paulo.

43
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

Esses programas buscam incrementar a qualidade dos projetos, dos mate-


riais e componentes dos sistemas construtivos e da execução, a fim de minimizar
o alto número de ações de manutenção e seus custos em razão das manifestações
patológicas frequentemente encontradas.

Dentro desses programas de qualidade, a equipe do Agrupamento de


Componentes e Sistemas Construtivos – ACSC – Divisão de Engenharia Civil –
DEC – do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT do Estado de São Paulo vêm
fazendo vistorias em obras buscando levantar as principais manifestações pato-
lógicas e apresentar suas respectivas soluções de reparo e ações corretivas, isso
visando o incremento da qualidade e durabilidade das edificações.

Um dos resultados dessas vistorias foi o levantamento qualitativo e quan-


titativo dos problemas (manifestações patológicas) encontrados nas inspeções
finais das construções. Então, a fim de mostrar parte desses resultados, este ar-
tigo apresenta o levantamento das manifestações patológicas e suas respectivas
causas, realizado em dez obras vistoriadas pela equipe do IPT nos anos de 2001,
2002 e 2003. As causas das manifestações patológicas foram classificadas quanto
às suas origens: provenientes de uso (pós-uso), da qualidade de projetos, de ma-
teriais e da qualidade de execução. O conhecimento da origem das falhas objeti-
va retroalimentar o processo das construções habitacionais e, consequentemente,
reduzir o custo de falhas, isto é, o custo que a manutenção e/ou reparo das falhas
representa no custo final de um empreendimento.

2 MÉTODO DO TRABALHO

Os dados desse artigo foram coletados em vistorias realizadas nos anos de


2001, 2002 e 2003 em 10 conjuntos habitacionais, cujos edifícios têm entre quatro e
cinco pavimentos, já entregues à população. Essas vistorias tiveram como premissa
a observação dos problemas de construção que causam algum tipo de mal-estar à
população, isto é, as falhas que prejudicam o desempenho das edificações, especial-
mente quanto à habitabilidade, segurança e estética. As vistorias foram baseadas em
listas de verificação especialmente desenvolvidas, as quais contemplam os serviços
acabados de telhados, estrutura, alvenaria, esquadrias, revestimento e pintura.

Geralmente, os conjuntos habitacionais, objeto dessas vistorias, compreen-


dem mais de trezentas unidades cada um, tornando-se impossível averiguar todas
as unidades em curto espaço de tempo. Portanto, considerou-se uma amostragem
aleatória das unidades habitacionais, adotando-se o seguinte critério de amostragem:
verificação das escadarias, telhados, fachadas e elementos das áreas comuns em pelo
menos dois edifícios; vistoria de 1% (um por cento) do total de apartamentos, com o
mínimo de 3 e máximo de 5 unidades. Salienta-se que esse critério foi adotado por ser
prática comum, consolidada nos projetos do Instituto e com bom resultado prático.

Durante a vistoria, fez-se uma lista dos principais problemas encontrados,


buscando por meio de conversas com moradores, análise de projetos e conversa com
construtores entender as possíveis causas das manifestações patológicas. Após o en-

44
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

tendimento das causas passam-se a analisar quais seriam as melhores soluções de re-
paro, elaborando-se uma proposta na qual geralmente consta uma ou duas opções de
reparo, buscando nessas soluções considerar duas questões primordiais: durabilida-
de e custo (não será abordada neste artigo a questão relativa às soluções de reparo).

3 LEVANTAMENTO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS

A tabela a seguir, ilustra de forma resumida os problemas (levantamento


das manifestações patológicas) coletados nas vistorias dos conjuntos habitacio-
nais, buscando classificá-los quanto as suas causas.

As causas das falhas foram classificadas, conforme o conceito de custos de


falhas externas proposto por Hammarlund, Y; Josephson, P.E (1992), como sendo
provenientes de projeto, de execução, de materiais e decorrentes do uso (pós-u-
so). Falhas de projeto compreendem operações de construção mal executadas por
falta de detalhamento, omissões ou equívocos de projeto, relativos aos materiais
e às técnicas construtivas (QUALIFORM, 1987).

Falhas de execução compreendem aqueles serviços que apresentam ma-


nifestações patológicas em razão da falta de controle dos serviços, omissão de
alguma especificação que conste em projeto e falta de cumprimento da normali-
zação técnica. Falhas decorrentes do uso dizem respeito àqueles elementos pre-
judicados pela falta das atividades necessárias à garantia do seu desempenho
satisfatório ao longo do tempo (SOUZA; RIPPER, 1998).

Falhas provenientes da qualidade dos materiais compreendem aqueles


elementos que independentemente da qualidade do seu projeto e ou execução
encontram-se deteriorados.

45
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

TABELA – LISTAGEM DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS E DA CLASSIFICAÇÃO QUANTO AS


SUAS POSSÍVEIS CAUSAS

46
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

Legenda: E – falhas provenientes da qualidade da execução.


P – falhas provenientes da qualidade de projetos.
U – falhas provenientes de uso e/ou manutenção.
M – falhas provenientes da qualidade dos materiais.

Das quarenta e duas manifestações patológicas listadas tem-se, conforme


ilustra o gráfico 1, o percentual de ocorrência das respectivas causas no total de obras
vistoriadas, isto é, quantas vezes a manifestações patológicas proveniente de falhas
de projeto, de execução, de uso ou de materiais ocorreram nas 10 obras vistoriadas.

47
UNIDADE 1 — GENERALIDADES E MANIFESTAÇÕES COMUNS

GRÁFICO 1 – PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS CAUSAS DAS PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES


PATOLÓGICAS ENCONTRADAS EM 10 CONJUNTOS HABITACIONAIS VISTORIADOS APÓS
ENTREGA À POPULAÇÃO

A partir da análise do gráfico anterior, conclui-se que a maior parte das


causas das manifestações patológicas verificadas nos 10 conjuntos vistoriados é
proveniente de falhas de execução e de projetos, a minoria é proveniente da falha
de uso/manutenção e/ou da qualidade dos materiais.

A maior parte das falhas provenientes de execução ocorre em razão da


falta de treinamento da mão-de obra e do controle insuficiente da construtora,
seja por má formação de seus profissionais, seja por displicência. Cabe mostrar,
conforme Gráfico 2, que as obras B, C, G, H, I e J foram as que mais apresentaram
manifestações patológicas decorrentes de falhas na execução, observando que as
obras G, H, I e J eram distantes da capital, com mão-de-obra terceirizada da região
e, muitas vezes, sem a presença constante de um técnico (engenheiro) na obra.

GRÁFICO 2 – PERCENTUAL DE OCORRÊNCIA DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM CADA


OBRA VISTORIADA

48
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS CIMENTÍCIOS (ARGAMASSAS)

4 CONCLUSÕES

A maior parte dos trabalhos que abordam quantitativamente as manifes-


tações patológicas das construções e suas respectivas causas apontam as falhas
provenientes de projeto como sendo o maior vilão dessas manifestações.

Como exemplo desses trabalhos cita-se um levantamento feito pela agên-


cia francesa Qualiform (1987) no qual aponta que 42% das manifestações pato-
lógicas são decorrentes de falhas de projeto; 24% dos processos de construção
(execução); 17% dos materiais:10% do uso indevido das obras; e 7%; de outras
(acidentes, erosão etc). Percentual de ocorrência das causas das manifestações pa-
tológicas por obra 0% 25% 50% 75% 100% ABCDEFGH I J Obra % projeto execu-
ção uso/manutenção materiais

Entretanto, o levantamento apresentado nesse artigo mostra que em al-


guns casos, especialmente aqueles que lidam com as construções de conjuntos
habitacionais voltados para população de baixo poder aquisitivo, o projeto ainda
continua sendo uma das causas significativas, mas a questão da qualidade de exe-
cução passa a ser tão significativa quanto à dos projetos. Isso pode ser explicado
em razão da construção ser em grande escala (cada conjunto habitacional chega
a ser composto por 1000 unidades habitacionais), o que dificulta o controle dos
serviços. E, concomitante com a construção em grande escala, tem-se a busca pela
velocidade da construção, isto é, os operários necessitam ter grande produtivida-
de, o que muitas vezes compromete a qualidade dos serviços. Conforme Thomaz
(1989), as conjunturas socioeconômicas de países em desenvolvimento, como o
Brasil, fizeram com que as obras fossem sendo conduzidas com velocidades cada
vez maiores, com poucos rigores nos controles dos materiais e dos serviços.

Por esses motivos, visando diminuir as manifestações patológicas encon-


tradas no pós-ocupação, vêm sendo criados programas que visam à qualidade
de execução dos empreendimentos. Tais programas buscam incrementar a qua-
lidade dos projetos e, especialmente, da execução, a qual depende do desenvol-
vimento de programas de treinamento para a mão-de-obra e da elaboração de
procedimentos executivos melhores detalhados. Portanto, a análise das causas
das manifestações patológicas é de grande importância para a retroalimentação
do processo de produção do setor da construção civil, especialmente para o sub-
setor de habitações de interesse social.
FONTE: <https://bit.ly/3wNvZr1>. Acesso em: 25 maio 2021.

49
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• O surgimento das manifestações patológicas típicas em materiais cimentícios


é devido aos processos físico-mecânicos, químicos e biológicos.

• Os processos de fissuras devido à retração por secagem podem ser evitados


através de um adequado mecanismos de cura e redução no consumo de ci-
mento Portland e agregados miúdos finos.

• Elevado conteúdo de ar incorporado nas argamassas são resultantes do uso


de aditivos incorporadores de ar, quando utilizados em excesso, podem cau-
sar problemas entre a interface da argamassa e do bloco, podendo causar o
desprendimento do bloco.

• A necessidade de ficar de olho em todos os cuidados da superfície que pre-


tendem receber a camada anterior serve para evitar não só contratempo como
também a perda de material.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

50
AUTOATIVIDADE

1 (FGV, 2018) Em um breve período após a aplicação de um revestimento, já


é possível observar a formação dos seguintes fenômenos patológicos: em-
polas, vesículas, descolamento, fissuras mapeadas, fissuras geométricas e
pulverulência. Com relação ao fenômeno patológico que pode ser associa-
do à retração da argamassa, ao excesso de finos no traço ou ao excesso de
desempenamento, assinale a alternativa CORRETA, em seguida justifique:
Disponível em: <https://bit.ly/3c9LFgo>. Acesso em: 25 maio 2021.

a) ( ) Fissura mapeada.
b) ( ) Fissura geométrica.
c) ( ) Vesícula.
d) ( ) Pulverulência.
e) ( ) Descolamento.

2 (INSTITUTO AOCP, 2019) Ao avaliar as condições de segurança em uma edifica-


ção, um Perito Criminal da Polícia Civil deve avaliar as patologias apresentadas
nos diversos subsistemas da construção. Em relação às patologias que podem se
manifestar no subsistema de alvenarias, assinale a alternativa CORRETA:
Disponível em: <https://bit.ly/34FOul4>. Acesso em: 25 maio 2021.

a) ( ) Movimentações higroscópicas e térmicas não influenciam na fissuração


e nas propriedades mecânicas das alvenarias.
b) ( ) As alvenarias apresentam bom comportamento à compressão, porém isto não
ocorre em relação às solicitações de tração, flexão e cisalhamento. Devido ao
grande esforço para resistir às forças de compressão, a quase totalidade dos
casos de fissuração em alvenaria é provocada por tensões de compressão.
c) ( ) A eflorescência pode alterar a superfície sobre a qual se deposita, po-
dendo, em determinados casos, seus sais constituintes serem agressivos
e deteriorarem profundamente as alvenarias.
d) ( ) A eflorescência é um depósito de sais acumulado sobre a superfície das
alvenarias, de composição e aspecto variáveis de acordo com o tipo de
sal depositado. A acumulação do sal na superfície dos componentes das
alvenarias ocorre pela solidificação da água da solução saturada de sal,
que percola através dos materiais.
e) ( ) A infiltração de água poderá acontecer pela própria argamassa, princi-
palmente quando ela tem espessura elevada. Nesses casos, não se veri-
ficam infiltrações pela interface argamassa-bloco.

3 Aditivos são utilizados para a composição de traços de argamassas. Devemos


tomar cuidado ao utilizá-los devido a sua composição e sua atuação na for-
mação microestrutural das argamassas. Dentre os aditivos utilizados, qual é
o responsável pela redução de aderência entre o substrato e a argamassa?

51
a) ( ) Aditivo superplastificante.
b) ( ) Aditivo redutor de viscosidade.
c) ( ) Aditivo incorporador de ar.
d) ( ) Aditivo acelerador de pega.

4 Para a realização de revestimentos em argamassas, são indicadas espessuras


inferiores a 25 mm no exterior e de 10 mm no interior das construções. Por qual
motivo não são indificadas espessuras superiores a estas limitadas em norma?

5 Por manifestações patológicas se entendem as degradações identificadas na


edificação, as quais podem ser geradas durante o período de execução da obra
(quer por emprego de métodos construtivos ou materiais inapropriados), ou
na própria elaboração do projeto ou, ainda, adquiridas ao longo do tempo pela
utilização da edificação. Quais são as principais causas de manifestação patoló-
gica de descolamento com pulverulentos em revestimentos com argamassas?

52
REFERÊNCIAS
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO
13006: Placas cerâmicas – Definições, classificação, características e marcação. Rio
de Janeiro: ABNT, 2020.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16697: Ci-


mento Portland - Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15270-1:


Componentes cerâmicos – Blocos e tijolos para alvenaria – parte 1: Requisitos. Rio
de Janeiro: ABNT, 2017.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13754: Re-


vestimentos de paredes internas com placas cerâmicas e com utilização de arga-
massa colante. Rio de Janeiro: ABNT, 2016.

AEEBC – THE ASSOCIATION OF EUROPEAN EXPERTS IN BUILDING AND CON-


STRUCTION. Academic guidelines: policy regarding degree validation: Association
d´Experts européens du Bâtiment et de la constrution, London and Brussels,1994.

ANICER – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DA INDÚTRIA CERÂMICA. Dados do


setor. ANICER, Rio de Janeiro, c2020. Disponível em: https://bit.ly/34ActlK. Aces-
so em: 25 maio 2021.

ANFACER – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE CERÂMICA


PARA REVESTIMENTOS, LOUÇAS SANITÁRIAS E CONGÊNERES. Números
do setor cerâmico. ANFACER, São Paulo, c2020. Disponível em: https://bit.ly/
34DPO84. Acesso em: 25 maio 2021.

ATEX. Patologias da cerâmica: principais problemas e soluções. Atex Brasil, [S.


l.], c2020. Disponível em: https://bit.ly/2ReDU1u. Acesso em: 25 maio 2021.

BAUER, E.; CASTRO, E. K.; ANTUNES, G. R. Processo de identificação das ma-


nifestações patológicas em fachadas com revestimento cerâmico. In: SIMPÓSIO
BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 9., 2011, Belo Horizonte.
Anais [...] Belo Horizonte: GT Argamassas, 2011. p. 1-12. Disponível em: https://
bit.ly/3vDntL0. Acesso em: 25 maio 2021.

BAUER, E.; PIAZZAROLLO, C. B.; DE SOUZA, J.S.; DOS SANTOS, D. G. Rela-


tive importance of pathologies in the severity of facade degradation. Journal of
Building Pathology and Rehabilitation, [S. l.], v. 5, n. 7, 2020.

53
BAUER, R. J. F; RAGO, F. Expansão por umidade de placas cerâmicas para re-
vestimento. Cerâmica Industrial, São Paulo, v.5, n. 3, p. 41-45, maio/jun. 2000.
Disponível em: https://bit.ly/3fUd1rK. Acesso em: 25 maio 2021.

BENTO, J. J. J. Patologias em revestimentos cerâmicos colocados em paredes


interiores de edifícios. 2010,164 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil)
– Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto, Porto. 2010. Disponível em:
https://bit.ly/3i9ZCyM. Acesso em: 25 maio 2021.

BRANCO, F; BRITO, J. Patologia e reabilitação da construção civil. Lisboa: Insti-


tuto Superior Técnico, 2015. (Notas de aula).

BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18: condições e meio ambiente de


trabalho na indústria da construção. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2020.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 10: segurança em instalações e


serviços em eletricidade. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2019.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 12: segurança no trabalho em


máquinas e equipamentos. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2010.

CARASEK, H. Argamassas. In: ISAIA, G. C. (org.). Materiais de construção civil e


princípios de ciência e engenharia de materiais. 2. ed. São Paulo: IBRACON, 2010.

CARDONA, C. Patologías en estructuras de concreto reforzado. Principios ba-


sicos para el reconocimiento de una patología estructural. 2011. Disponível em:
https://bit.ly/3pbhevp. Acesso em: 27 maio 2021.

CREMONINI, R. A. Incidência de manifestações patológicas em unidades es-


colares da maio região de Porto Alegre: recomendações para projeto, execução
e manutenção. 1988, 169 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Escola
de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1988.
Disponível em: https://bit.ly/3i9Vxug. Acesso em: 25 maio 2021.

DO CARMO, P. O. Patologia das construções. Programa de atualização profis-


sional – CREA – RS, Santa Maria, 2003.

EKUNG, S.; ADU, E.; LASHINDE, A. System pathogens inhibiting construction


project risk management performance: deliberate ignorance perspective. Journal
of Building Performance, [S. l.], v. 11, 2020.

FERREIRA, D.; GARCIA, G. Patologia de revestimentos históricos de argamas-


sa. 2016, 80 f. Monografia (Graduação em Engenharia Civil) – Escola de Engenha-
ria Civil e Ambiental, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2016.

FIGUEIREDO, E. P. Degradação dos materiais. In: IBRACON – INSTITUTO BRA-


SILEIRO DO CONCRETO (org.). Materiais de construção civil e princípios de
ciência e engenharia de materiais. São Paulo: Arte Interativa, 2018.
54
FLORES, I.; DE BRITO, J. Diagnóstico, patologia e reabilitação de elementos
não estruturais em construção em alvenaria de pedra. Apontamentos da cadei-
ra de reabilitação não-estrutural de edifícios. Lisboa: Instituto Superior Técnico,
2014. Disponível em: https://bit.ly/3uIqpoe. Acesso em: 25 maio 2021.

FONSECA, M. H. F.et al. Estudo da influência da porosidade em materiais ce-


râmicos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA E CIÊNCIA DOS
MATERIAIS, 22., 2016, Natal. Anais [...]. Natal: Metallum, 2016. p. 1341-1352.

FREIRE, A. de A. Patologias da pintura: saiba evitá-las. AECWeb, Revista, Mate-


riais e Soluções, São Paulo, c2021. Disponível em: https://bit.ly/3fCVhm2. Acesso
em: 25 maio 2021.

GOMIDE, T. L. F., PUJADAS, F. Z. A., NETO, J. C. P. F. Técnicas de inspeção e


manutenção predial: vistorias técnicas, check-up predial, normas comentadas, ma-
nutenção X valorização patrimonial, análise de risco. São Paulo: Editora PINI, 2006.

HELENE, P. Manual para reparo, reforço e proteção de estruturas de concreto.


São Paulo: Editora PINI, 1992, 216 p.

IBDA – INSTITUTO BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO DA ARQUITETU-


RA. Patologias frequentes em sistemas prediais hidráulicos sanitários e de gás com-
bustível decorrentes de falhas no processo. Fórum da Construção, Hidráulica, São
Paulo, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3g1WL8j. Acesso em: 25 maio 2021.

LICHTENSTEIN, N. B. Patologia das construções: procedimentos para formu-


lação do diagnóstico de falhas e definição de conduta adequada à recuperação
de edificações. 1985. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Construção Civil)
– Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1985.

MEDEIROS, J. S. Tecnologia e projeto de revestimentos cerâmicos de fachadas


de edifícios. 1999. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Escola Politécnica,
Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999.

NEVILLE, A. M. Propriedades do concreto. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015. 912 p.

OSBOURN, D.; GREENO, R. Mitchell´s introduction to building. 2. ed. Harlow:


Addinson Wesley Longman, 1997.

RAMASESH, R. V.; BROWNING, T. R. A Conceptual framework for tackling


knowable unknown unknowns in project management. Journal of Operational
Management, [S. l.], 2014.

REBELO, C. R. Projeto e execução de revestimento cerâmico – interno. 2010,55 f.


Monografia (Curso de Especialização em Construção Civil) – Escola de Engenha-
ria, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.

55
ROSCOE, M. T. Patologias em revestimento cerâmico de fachada. 2008, 76 f.
Monografia (Especialização em Construção Civil) – Escola de engenharia, Uni-
versidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008. Disponível em: https://
bit.ly/3yTizeN. Acesso em: 25 maio 2021.

SÁNCHEZ, L. H. Avaliação de impacto ambiental: Conceitos e métodos. 2. ed.


São Paulo: Oficina de Textos, 2013.

THOMAZ, E. Trincas em Edifícios – causas, prevenção e recuperação. São Pau-


lo: PINI, 1989, 194p.

UEMOTO, K. L. Patologia: danos causados por eflorescência. São Paulo. PINI,1988.

WATT, D. Building pathology: principles and practice. 2. ed. New Jersey: Blackwell 2008.

56
UNIDADE 2 —

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS
GERAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• reconhecer a possibilidade do surgimento de patologias em todo tipo de


materiais usados na construção civil;

• diferenciar as manifestações patológicas mais comuns nos materiais se-


gundo a sua natureza;

• identificar a problemática comum do concreto armado e sua importân-


cia de manutenção;

• identificar as patologias e métodos de manutenção em materiais metáli-


cos, poliméricos e em madeira.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da
unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o
conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS


MADEIRAS

TÓPICO 2 – MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS

TÓPICO 3 – MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS


POLIMÉRICOS

TÓPICO 4 – MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO


ARMADO

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

57
58
TÓPICO 1 —
UNIDADE 2

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MADEIRAS

1 INTRODUÇÃO

A madeira é um material de origem biológica, versátil, abundante e de fácil


manipulação com propriedades ortotrópicas devido ao crescimento diferenciado das
células que se dispõem nela de forma diferente nas dimensões espaciais (FIGUEIRE-
DO, 2017). A madeira faz parte da construção há muito tempo, e é comumente usada
de duas formas: a simples vista como elemento estrutural ou embebida com outros
materiais para construir muros ou dar forma a eles. Hoje em dia, o seu potencial é
explorado esteticamente, em ambientes internos e externos às edificações, indicando
uma alta durabilidade quando são aplicados os devidos tratamentos.

Mendes e Alves (1988) indicam que a sua utilização depende da origem


tropical e das condições de tratamento preservativo aplicados para estender a sua
vida útil, de modo que possa atender as exigências do mercado. Adicionalmente,
estes mesmos autores indicam que o avanço do tempo não é o causador da dete-
rioração no material. Cruz (2001) aponta que a deterioração tem lugar de modo
paulatino, alterando a suas propriedades.

Parma e Icimoto (2018) afirmam que o uso da madeira estrutural no Brasil


teve grandes proporções desde a época da colonização portuguesa que, clara-
mente, a usava para embarcações e moradia. Existindo uma ampla fonte de re-
cursos e espécies do material que permitem que seja explorado, e em qual estão
sendo aplicadas tecnologias mais sofisticadas e com maior reaproveitamento.

Neste capítulo iremos abordar a natureza da madeira utilizada para a


construção civil, os tipos de patologias mais comuns observadas em estruturas de
madeira e quais os principais tratamentos para aumentar o tempo de vida útil de
peças construídas em madeiras.

2 A NATUREZA DA MADEIRA
A madeira para fins estruturais é obtida de plantas lenhosas, contendo na sua
composição celulose, hemicelulose e lignina. Quando agentes biológicos diferentes a
estes entram na madeira acabam a destruindo ou descompondo de maneira acelerada.
Além de outros fatores que podem não estar relacionados com suas propriedades físicas.

Nas espécies de alta resistência natural, o cerne é rico em substâncias fe-


nólicas, tânicas ou de outro tipo, que repelam o ataque de fungos, atuando como
verdadeiro conservante natural. Os outros componentes, como a casca (interna e
59
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

externa), o câmbio e o alburno são suscetíveis, na ordem especificada, ao ataque


por microrganismos. A Figura 1 apresenta um esquema das subdivisões da ma-
deira a partir do seu interior.

FIGURA 1 – ESTRUTURA DA MADEIRA

FONTE: Klock (2012, p. 5)

A madeira é um material poroso, combustível, higroscópico e deformá-


vel pelas variações de umidade, sendo esta a propriedade mais importante. Em
função do teor de água, ela poderia sofrer inchaço. Inclusive por ter exsudado
da seiva quando não foi tratada corretamente e a variabilidade nas cores tam-
bém é uma característica associada à natureza do material (OJEDA et al., 2012).
A variabilidade superficial da madeira leva a ter um suporte instável, que exige
aplicação de tratamentos preservativos diferentes, porém a finalidade é a mesma:

• Estender a vida útil do material.


• Dispor de peças com formas específicas.
• Evitar as deformações volumétricas.

NOTA

Higroscópico quer dizer que pode absorver água na forma liquida ou vapor,
em função do meio ambiente no qual está inserido o material (nesse caso, madeira).

2.1 PATOLOGIAS POR AGENTES BIÓTICOS


A camada do alburno corresponde à seção com mais células vivas, no qual
os micro-organismos pretendem chegar, daí a importância de realizar um trata-
mento até esse ponto da madeira. Os agentes bióticos atuariam de várias formas:

• Pelo surgimento de fungos, que acontece pelo favorecimento de certos fatores


como a temperatura (desde 0 °C até 40 °C), o pH (entre 4,5 e 5,5) e a umidade
(>20%), sendo que atinge o ponto de saturação das fibras (FIGUEIREDO, 2017).
60
TÓPICO 1 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MADEIRAS

O processo de deterioração é dinâmico, envolve os micro-organismos


mencionados e o complexo ligno-celuloso – a madeira. A Figura 2 registra o ciclo
de degradação por parte dos fungos.

FIGURA 2 – CICLO DE ATAQUE POR FUNGOS NA MADEIRA

FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/3wOIN0d>. Acesso em: 26 maio. 2021.

Os fungos podem introduzir componentes orgânicos que alteram as ca-


deias poliméricas da celulose e podem levar a reações de hidrólise e oxidação
dos componentes da madeira. O que finalmente leva a sua degradação. Ainda
que nem todos os fungos consigam deteriorar as madeiras da mesma forma (ZI-
GLIO, 2010), por exemplo os fungos emboladores e os fungos manchadores não
representam um risco significativo para a perda de resistência, entretanto, levam
à higroscopicidade, o que potencializa o surgimento de fungos apodrecedores
(BOTELHO JR., 2006). Na Figura 3a vemos uma estrutura de deck atacada por
fungos e Figura 3b, uma viga atacada por cupins.

FIGURA 3 – MADEIRA DANIFICADA POR FUNGOS E CUPINS

FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/2ReGK6E>. Acesso em: 26 maio. 2021.

Ataque de insetos como cupins ou térmitas, brocas, formigas e inclusive abe-


lhas, podem acontecer diretamente na madeira, ocasionando ruínas parciais ou to-
tais quando encontram no elemento condições para viver, geralmente definidas pela
temperatura, saturação das fibras e pela quantidade de oxigênio presente. A Figura
4 apresenta o aspecto visual de um ataque por térmitas. Nesse tipo de ataque, não
acontecem reações químicas, mas a alteração das propriedades mecânicas é evidente.
61
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

FIGURA 4 – ATAQUE POR TÉRMITAS NA MADEIRA

FONTE: <https://bit.ly/3vK8DSZ>. Acesso em: 26 maio. 2021.

NTE
INTERESSA

Os antigos egípcios sabiam que se a madeira permanecesse seca ela não se


deterioraria, assim, os sarcófagos de sicômoro (Ficus sycomorus) foram achados comple-
tamente íntegros, com super durabilidade natural – 4000 anos após sua fabricação.

Zabel e Morrel (1992) identificam que a degradação da madeira dá uma


espécie de aviso, tendo estágios de intervenção: o primeiro estágio se chama in-
cipiente, caracterizado pela penetração superficial do microrganismo que libera
enzimas e coloniza os espaços. No segundo estágio, chamado intermediário, as va-
riações na coloração da peça e na sua textura tem lugar, mas a estrutura da mesma
se mantém. Finalmente, num estágio avançado, a madeira passa a se desestruturar.
A intervenção só pode ser possível até um estágio intermediário, de modo que o
núcleo da peça possa ser auxiliado para continuar realizando sua finalidade.

2.2 PATOLOGIAS POR AGENTES ABIÓTICOS


Os agentes abióticos, são aqueles associados à degradação física, química
ou desgaste mecânico, decorrente de problemas do tipo: anomalias congênitas,
ação de agentes atmosféricos, problemas estruturais, manutenções inadequadas,
danos causados por fogo ou danos causados por animais silvestres. Se inicialmente
a madeira foi tratada e foi bem projetada não deveriam existir esses tipos de proble-
mas, porém a realidade é que existem falhas desde a concepção até a manutenção
(BRITO, 2014). Este mesmo autor faz o resumo desses agentes no Quadro 1.

62
TÓPICO 1 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MADEIRAS

QUADRO 1 – RESUMO DE AGENTES ABIÓTICOS QUE INCIDEM SOBRE A MADEIRA E CAUSAM


DANOS

Patologias de origem estrutural


Instabilidade
Remoção de elementos estruturais
Fraturas incipientes
Movimentos de nós e distorções
Agentes físicos
Deformações, deslocamentos e flechas
Presença de defeitos naturais
Danos mecânicos
Danos por animais silvestres
Agentes
Danos por vandalismo
abióticos
Corrosão em ligantes
Agentes Químico
Efeito da corrosão na madeira
Ação de luz ultravioleta
Intemperismo
Agentes Atmosféricos ou Danos por inchamento e retração da ma-
Meteorológicos deira
Ações de vento nas estruturas
Raios atmosféricos
Danos devido ao fogo
FONTE: Brito (2014, p. 34)

Portanto, dentre os agentes abióticos temos quatro grandes áreas: agentes


físicos, químicos, atmosféricos ou meteorológicos e danos devido ao fogo. Entre os
agentes físicos temos a transformação da madeira devido a fatores que não variam
sua natureza, sendo os danos mecânicos as principais manifestações nesses agen-
tes. Para as alterações químicas, temos mudanças da natureza da madeira, princi-
palmente devido aos efeitos de corrosão na madeira. Os agentes atmosféricos ou
meteorológicos temos a influência do meio na madeira, seja por aumento de umi-
dade, incidência de luz e ações de ventos. Por fim, temos os efeitos de danos devido
os implicação do fogo na madeira. Na Figura 5, vemos uma seção transversal após
exposição ao fogo, na qual percebemos a diminuição da seção após o ataque.

FIGURA 5 – SEÇÃO TRANSVERSAL APÓS EXPOSIÇÃO AO FOGO

FONTE: Martins (2016, p. 165)

63
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

2.2.1 Danos causados por questões estruturais


Tal como Brito (2014) acrescenta, é provável o surgimento de patologias
por subdimensionamento das estruturas, que provocará deformações excessivas
nos elementos ou até a falha geral do sistema. A continuação é realizada através
de um listo de especificações que podem levar a problemas patológicos nas es-
truturas de madeira (CALIL JR. et al, 2006; MACHADO et al., 2009; BRITO, 2014):

• Problemas de instabilidade, cuja origem está em uma falha de concepção, de


análise, de construção ou utilização, ainda que esta possa ser percebida pelos des-
locamentos laterais excessivos na estrutura. Entretanto, uma rápida adição, ma-
tematicamente determinada, pode levar ao ajuste do sistema. O uso de softwares
especificados ou critérios normativos auxiliam a eliminação dessa instabilidade.
• Ausência de elementos: a remoção de peças pela justificativa de reformas ou
manutenções incorretas leva a uma redução da capacidade resistente.
• Fraturas incipientes, associadas a sobrecargas ou acidentes.
• Distorções ou deslocamento de ligações: a estrutura deve garantir uma continui-
dade em todos seus pontos, sem embargo as conexões podem registrar retrações,
fissuras e romper quando não são devidamente ajustadas e revisadas. Daí a impor-
tância de fazer seu detalhamento. A Figura 6 representa alguns desses problemas.

FIGURA 6 – DANOS EM LIGAÇÕES DE MADEIRA, A) RUPTURA NA EMENDA DO BRAÇO IN-


FERIOR E MÁ INSTALAÇÃO DO ELEMENTO DE REFORÇO. B) DESENCAIXE NA EMENDA DE
BRAÇO INFERIOR

FONTE: Arriaga et al. (2002), Machado et al (2009) apud Brito (2014, p. 120)

• Deformações e flechas: como produto do efeito da fadiga ou própria secagem


da peça e nos casos mais preocupantes excesso de carregamento.
• Defeitos naturais: mesmo que a madeira não seja homogênea não devem ser
aceitas peças que possam comprometer a integralidade do elemento, seja por
ações físicas ou até permitindo a biodegradação. As fissuras não devem ser
profundas nem de grande extensão. Assim como as deformações não devem
superar 3%. A Figura 7 resume esses defeitos.

64
TÓPICO 1 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MADEIRAS

FIGURA 7 – DEFEITOS NA MADEIRA: A) NÓ PROVOCANDO INCLINAÇÃO NAS FIBRAS, B) FEN-


DAS PERIFÉRICAS, C) GRETAS, D) ABAULAMENTO, E) ARQUEAMENTO, F) FIBRAS REVERSAS, G)
ESMAGAMENTO, H) EMPENAMENTO

FONTE: Pfeil (1989 apud LAROCA, 2002, p. 38)

Os defeitos vistos na Figura 7 podem ser decorrentes durante o crescimento


da árvore (como a presença de nós) ou no processo de preparação da madeira
(como no caso de erro no processo de secagem das peças).

2.2.2 DANOS CAUSADOS POR INFILTRAÇÃO


Como foi comentado anteriormente a madeira é naturalmente porosa, as-
sim sendo, quando na superfície (exatamente até a camada do câmbio) a molha-
gem e secagem é frequente (variação no teor de umidade), a lixiviação de subs-
tâncias naturais levará ao apodrecimento da peça. Portanto, no caso de chegar
até o cerne, a peça pode ir perdendo sua elasticidade e resistência. Ainda mais o
desenvolvimento de empenamentos e rachaduras acontecem. Entretanto, Cruz
(2001) afirma que, não obstante, esse processo pode ser reversível quando a ma-
deira volta ao teor de umidade original.

2.2.3. DANOS CAUSADOS PELO INTEMPERISMO


A ação de agentes atmosféricos, em conjunto com a luz solar e a variação
de umidade no ambiente pode provocar com o tempo, mudanças na coloração e
na textura da madeira, levando ao registro de uma aparência envelhecida, por-
tanto, o intemperismo como conjunto desses parâmetros, produz alterações ape-
nas estéticas (CRUZ, 2001).

Basicamente, a luz do sol degrada a lignina da superfície da madeira e


causa escurecimento em madeiras claras e clareamento em madeiras escuras.
Fato que não tem influência na resistência da madeira (CALIL JR. et al, 2006).

65
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Adicionalmente, a presença da água salina pode acelerar o processo de


corrosão em ligações metálicas que unem peças de madeira, que em caso de pe-
netrar na mesma, podem causar deformações de contorno.

3 OUTRAS MADEIRAS
Além de elementos estruturais de madeira, também existem elementos
não estruturais de madeiras, que ajudam na conformação de peças de concreto
ou são usados de modo decorativo. Uma dessas é a madeira reconstituída, que
pode ser feita de um conjunto de partículas, flocos ou fibras, definidas no forma-
to de painel e ligadas por uma resina sintética (geralmente ureia-formaldeído).
Sob ação de pressão e temperatura, a resina polimeriza, garantindo a coesão do
produto. Na Figura 8 são apresentados dois acabados desse tipo de madeira. Os
produtos comercias mais conhecidos são (COLIN, 2011):

• Aglomerado, feito no brasil, geralmente, de madeira pinus.


• MDF (Medium Density Fiberboard) – painel de fibras de média densidade.
• OBS (Oriented Strand Board) – painel de flocos orientados.
• Chapa de Fibra (Hardboard), chapas de fibra de alta densidade.

FIGURA 8 – MADEIRA COMPENSADA (LADO ESQUERDO) E MADEIRA RECONSTITUÍDA (LADO


DIREITO)

FONTE: <https://bit.ly/34D7YqC>. Acesso em: 26 maio. 2021.

3.1 DEFEITOS NA MADEIRA RECONSTITUÍDA


A utilização de madeira serrada para vedação é frequente e possui inúme-
ras desvantagens. O uso de painéis possibilita um melhor desempenho no sen-
tido de facilitar a montagem, reduzir desperdícios ou mesmo a possibilidade da
estandardização de elementos construtivos, garantindo a qualidade final do pro-
duto. Há no mercado alguns tipos de chapas como o compensado, OSB e painéis
de cimento-madeira, muito utilizados em várias partes do mundo, sendo que, no
Brasil não há nenhuma linha de produção.

Por ser fabricada a partir de peças menores de madeira (Eucatex, Duratex e


outros) possuem defeitos frequentemente geométricos. Ainda que, seu maior proble-
ma e sua degradação sejam por umidade e fadiga. Tendo que ser reforçadas em vãos

66
TÓPICO 1 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MADEIRAS

maiores quando são usadas para fins estruturais. Quando esse tipo de madeira é usado
para dar forma ao concreto, fica exposto à umidade, podendo até absorver parte dela
senão for usado algum tipo de desmoldante. Um exemplo comum é visto na Figura 9.

FIGURA 9 – USO DE MADEIRA COMPENSADA NA CONSTRUÇÃO CIVIL

FONTE: <https://bit.ly/3fKzf0O>. Acesso em: 26 maio. 2021.

Para estruturas de OSB (Oriented Standard Board), algumas características


devem ser determinadas para a escolha da espécie para a fabricação dos painéis. A
densidade da madeira é o fator mais importante, pois está diretamente relacionada
à densidade do painel, determinando inclusive suas propriedades mecânicas.

Madeiras de baixa densidade propiciam altas taxas de compressão, geran-


do maior superfície de contato entre as partículas, ao contrário das madeiras de
alta densidade. Madeiras de baixa densidade geram painéis com maior uniformi-
dade, os valores ideais variam de 0,25 a 0,45 g/cm3, as toras utilizadas devem ser
preferencialmente retas, com poucos nós, e o teor de umidade recomendada é o
ponto de saturação das fibras.

Na produção dos painéis é desejável espécies com baixo teor de extra-


tivos, madeiras com alto teor de extrativos podem gerar problemas durante a
prensagem. Os extrativos podem ainda interferir na cura da resina.

Para compósitos de cimento-madeira as principais vantagens são de re-


sistir a ataques de fogo, fungos e insetos. Sob o ponto de vista da utilização na
construção civil a sua maior vantagem é a possibilidade da concepção de um sis-
tema construtivo pré-fabricado. Há desvantagens desses painéis comparadas aos
blocos de concreto, sua estabilidade dimensional é menor, porém os compostos
de cimento-madeira são consideravelmente mais elásticos.

67
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

4 TRATAMENTO DA MADEIRA
O tratamento da madeira consiste na adição de substâncias repelentes
superficiais ou parcialmente profunda, em proporções adequadas, que visam
garantir a resistência a fatores abióticos e ao ataque por microrganismos e conse-
quentemente, incrementar sua durabilidade (LEPAGE; SALIS; GUEDES, 2017).

Existem vários preservantes classificados segundo a base oleosa, como: CCA-


-C-ÓXIDO (Cobre, cromo e arsênico), vendido por 90% do mercado. O CCB – ÓXIDO
E SALINO (Cobre, cromo e bromo), usado por, aproximadamente, 10% do mercado
(ICIMOTO, 2018). A escolha de um para outro é o tipo de madeira e o tipo de uso que
terá (sua exposição). A norma brasileira NBR 7190 (ABNT, 2011) recomenda um pro-
cedimento para definir um tratamento preservativo especifico visando obter melhor
resistência aos agentes biológicos. De modo geral, certos tratamentos aplicáveis em
madeiras para resistir ao ataque de microrganismos estão resumidos em:

• Tratamento por imersão: é destinado à proteção da madeira durante a seca-


gem, deve ser realizado logo após a saída das peças da serraria. A madeira
é imersa em um tanque parcialmente cheio com uma solução preservante.
Atualmente este tratamento é mais utilizado em peças de uso externo como
esquadrias de janelas e em material pouco espessor.
• Tratamentos sob vácuo-pressão: são processos de impregnação com pres-
sões superiores à atmosférica que conferem maior controle do preservante
absorvido, garantindo proteção efetiva e economia. A madeira é disposta em
vagonetas conduzidas até o interior da autoclave de tratamento, após o fecha-
mento da autoclave é feita a introdução do produto preservante e pressão,
essa pressão é mantida até o alcance da absorção pretendida.
• Tratamentos térmicos: este resulta da aplicação superficial de algum biocida,
que atinge uma penetração com ajuda de aplicação de temperatura e pressão,
porém, o cuidado com a manipulação em condições quentes deve ser reforça-
do (LEPAGE; SALIS; GUEDES (2017).

Lepage, Salis e Guedes (2017) apontam que existem três regras básicas
para manter a madeira em boas condições: manter a madeira seca, não deixar a
madeira absorver água e sempre manter fontes de água longe da madeira.

Inclusive, tem-se considerado a Lei nº 4.797, de 20 de outubro de 1965


(BRASIL, 1965) e a Instrução Normativa Conjunta Ibama e Anvisa nº 2, de 23 de
janeiro de 2006 (BRASIL, 2006), que visa buscar organizar o setor de Preservação
de Madeiras no Brasil, obrigam que o tratamento preservativo seja aplicado em
peças ou estruturas de madeira, tais como dormentes, estacas, vigas, pontes, pos-
tes, cruzetas, torres, escoras de minas e de taludes, ou quaisquer que estejam em
contato direto com o solo, de modo que possa ser estendida sua vida.

68
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• A madeira é um material comumente usado na construção civil e que requer


muito cuidado na aceitação do seu estado e na certificação de ter recebido
algum tipo de tratamento.

• Os agentes bióticos causam mais problemas na madeira do que os defeitos


geométricos que nela possam ser registrados.

• A definição do tipo de madeira, dimensionamento, definição de ligações me-


tálicas e uma correta instalação são fundamentais para evitar o surgimento de
patologias por danos estruturais.

69
AUTOATIVIDADE

1 (INSTITUTO AOCP, 2019) A madeira é um dos mais importantes materiais em-


pregados na construção civil, portanto o conhecimento de suas propriedades fí-
sicas é de fundamental importância para o Perito Criminal da Polícia Civil.
FONTE: <https://bit.ly/3iaHIf7>. Acesso em: 26 maio. 2021.

Sobre a madeira e suas características, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Devido à orientação das células, a madeira é um material anisotrópico,


apresentando três direções principais: longitudinal, radial e tangencial.
Essa anisotropia garante que as propriedades físicas serão as mesmas
para esse material independente de qual seja a direção.
b) ( ) A umidade da madeira tem pouca ou nenhuma importância sobre as
suas propriedades.
c) ( ) A madeira está sujeita à deterioração por diversas origens, dentre as
quais se destacam ataques biológicos e ação do fogo.
d) ( ) O coeficiente de dilatação linear das madeiras é o mesmo nas direções
longitudinal, tangencial e radial.

2 (Instituto FIP, 2018) Existem alguns termos que são normalmente utiliza-
dos para caracterizar propriedades da madeira. Especialmente em relação
ao teor de umidade, o termo "madeira seca ao ar" caracteriza a madeira
por uma umidade adquirida nas condições atmosféricas local, ou seja, é a
madeira que atingiu um ponto de equilíbrio com o meio ambiente, com um
teor de umidade considerado pela NBR 7190 de:
FONTE: <https://bit.ly/3vNrFb9>. Acesso em: 26 maio 2021.

a) ( ) 15%.
b) ( ) 9%.
c) ( ) 12%.
d) ( ) 10%.

3 (NUCEP/UESPI, 2011) A cobertura constitui um sistema frágil da edificação frente


ao número de patologias que nele ocorrem, como infiltração, rachadura, empenas
e cupins. A seguir, apresentam-se algumas causas de patologia, EXCETO:
FONTE: <https://bit.ly/3cb3Ty5>. Acesso em: 26 maio 2021.

a) ( ) Uso de madeira verde e sem tratamento.


b) ( ) A ausência de emboçamento das telhas do beiral.
c) ( ) Telhados com inclinação elevada, superior a 35%.
d) ( ) Não uso de rufo no encontro do telhado com a parede.
e) ( ) Excesso de argamassa nas cumeeiras e arremates.

70
4 A madeira se consolida como material de grande aposta no mercado atual e
futuro da construção civil. No entanto é necessário conhecer adequadamente o
comportamento frente a durabilidade desses materiais. Contextualize quais os
efeitos que agentes atmosféricos e biológicos causam em estruturas de madeiras:

5 Patologias em madeiras podem ser de origem estruturais e mecânicas, dentre


os defeitos mais comuns encontram-se problemas de secagem que reduzem a
resistência mecânica e causam retratilidade do material. Além desses problemas,
com relação à umidade em madeiras existe a possibilidade de fungos causarem
uma reação de oxidação na madeira, como isso poderia afetar a madeira?

71
72
TÓPICO 2 —
UNIDADE 2

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS

1 INTRODUÇÃO

O aço oferece uma combinação de alta resistência, baixo custo e facilidade


de fabricação. No entanto, uma das principais manifestações patológicas desse
material é a corrosão, que pode diminuir a sua vida útil. A corrosão de aços e
de outros materiais metálicos expostos a meios corrosivos, como água, concreto,
solo, produtos químicos e a própria atmosfera, ocorre devido à transferência de
espécies entre o metal e o meio.

As patologias em estruturas de aço, de modo geral, relacionam-se aos


processos de corrosão presentes em seus elementos estruturais constituintes. E,
mesmo quando identificadas de forma localizada, como em ligações soldadas e
parafusadas, são capazes de levar toda a estrutura ao colapso, resultando em in-
cidentes com prejuízo material ou até acidentes com perdas humanas. Portanto,
quanto mais cedo forem analisadas e sanadas, menores serão os custos de manu-
tenção e os riscos de acidentes no local.

Neste tópico estudaremos o complexo fenômeno de corrosão, um dos


principais problemas a considerar quando trabalhamos com materiais metálicos.
Serão analisados os fatores de degradação dos metais, os diagnósticos e inspeções
pertinentes para detectar as degradações e assim avaliarmos os tratamentos mais
apropriados para cada metal e circunstância.

2 ESTRUTURA, PROPRIEDADES E TIPOS DE METAIS


As propriedades físicas e químicas dos metais (consequência de sua es-
trutura atômica e molecular) somadas a sua manipulação e juntas por soldagem
resulta numa mais abrangente utilização no campo da construção civil. No en-
tanto, particularmente dentro do grupo dos metais ferrosos, certas características
químicas como a corrosão, são prejudiciais ao seu desempenho. Portanto, é indis-
pensável a escolha adequada dos metais em função de sua aplicação final.

Os metais apresentam uma estrutura cristalina, na qual cada grão consti-


tuí um cristal, formado a partir de um núcleo que cresce em todas as direções até
se encontrar com o limite dos grãos adjacentes. Essa unidade é constituída de íons
rodeados por elétrons de valência que podem se deslocar por toda a estrutura
metálica em grande velocidade.

73
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Em maiores temperaturas, mais rápido acontece esse deslocamento (GEN-


TIL, 2011). Esta propriedade justifica a alta condutividade térmica e elétrica, sua
ductilidade e a maleabilidade (qualidades que favorecem o deslizamento de uma
capa de íons sobre a outra, mantendo a mesma ordenação).

NOTA

De acordo com Rocha (2015), dentre as principais características que o metal


apresenta, temos:
• Alta condutividade térmica: habilidade dos materiais de conduzir energia térmica. Es-
truturas feitas com materiais de alta condutividade térmica conduzem energia térmica
de forma mais rápida e eficiente.
• Alta condutividade elétrica: condutividade elétrica é a medida da quantidade de corrente
elétrica que um material pode transportar ou de sua capacidade de transportar uma corrente.
• Ductibilidade: a ductilidade é a propriedade que representa o grau de deformação que
um material suporta até o momento de sua fratura. Um material dúctil é aquele que se
deforma sob tensão cisalhante. Ouro, cobre e alumínio são metais muito dúcteis.
• Maleabilidade: a maleabilidade é uma propriedade que, junto à ductilidade, apresenta
os corpos ao serem moldados por deformação. Particularidade de metais consegui-
rem ser reduzidos a finas lâminas.
• Dilatação térmica: dilatação térmica é o aumento do volume de um corpo ocasiona-
do pelo aumento de sua temperatura, o que causa o aumento no grau de agitação de
suas moléculas e consequentemente aumento na distância média entre as mesmas.
• Elevada resistência mecânica: para metais a principal resistência é obtida para tração axial.

2.1 METAIS FERROSOS


Os metais ferrosos são aqueles que possuem ferro em maior quantidade.
Em geral os metais ferrosos ordinários têm um custo menor que os ferrosos. A
produção de ferro cobre quase 90% do conjunto de metais e se trata do mate-
rial que introduziu as mudanças mais notáveis na construção civil. Apresentam
como principais características elevada ductilidade, tenacidade e maleabilidade,
com carência de elasticidade.

No estado puro, o ferro pode ser facilmente atacado por ácidos diluídos
e oxidar em contato com o ar e vapor de água. É ferromagnético e a porosidade
do hidróxido o faz muito vulnerável à corrosão. Em consequência, a baixa resis-
tência, baixa dureza e a facilidade com que adquire deformações plásticas, o faz
apto para a aplicação em construções. Todos os metais ferrosos utilizados contêm
carbono, que ao combinar com o ferro dá lugar ao carbureto de ferro (chamado
cementita), a qual apresenta características duras e frágeis.

74
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS

E
IMPORTANT

De acordo com Rocha (2015), em função da dureza do metal existem basica-


mente dois tipos de comportamento:
a) Caso dos aços doces (ferro com baixo teor de carbono, até 0,3 %) e metais moles:
• Conforme visto na Figura A, o comportamento de tensão X, deformação dos aços do-
ces, se dá em diferentes fases. A Zona I (fase 0-A) é o lugar onde as deformações são
diretamente proporcionais às tensões (comportamento linear). Isto significa que, até o
limite A (limite de proporcionalidade ou elasticidade), se a carga for retirada, ele voltará
para suas dimensões originais. Acima desta tensão as deformações são permanentes.
• Na fase C-D (zona II), ocorrem grandes deformações com carga quase constante,
as deformações se tornam permanentes e é definida a fase plástica de escoamento.
• Na fase D-E (zona III) ocorre um “revigoramento”, a linha se torna uniforme, mas en-
curvada até a tensão mais alta do ensaio (em E) chamada limite de resistência. Esta
fase é denominada fase plástica de encruamento.
• Na fase E-F (zona IV) a seção resistente diminui muito e a deformação plástica se lo-
caliza numa pequena zona da amostra que não é mais homogênea. A ruptura ocorre
para uma carga inferior à carga máxima: é a fase de estricção seguida pela ruptura.

b) Casos mais comuns (alumínio, aços com teor de carbono > 0,4 %):
• Diferentes comportamentos ocorrem para outros tipos de metais (Figura B), nestes
casos, não aparecem fase plástica de escoamento.

FIGURA – DIAGRAMA DE TENSÃO X DEFORMAÇÃO DE A) METAIS DUCTIS, B) OUTROS METAIS

FONTE: Broto (2006, p. 256)

75
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Em geral o aumento do conteúdo de carbono reduz a ductilidade e solda-


bilidade e aumenta sua dureza. A diferença entre o ferro bruto e o aço reside no
conteúdo de carbono e o limite entre ambos é de 1,7 %. Se seu conteúdo é maior
que 1,7 %, se trata de um ferro bruto, ou seja, quebradiço, não se pode forjar e
funde com rapidez quando aquecido (BROTO, 2006).

Ao descarbonizar abaixo de 1,7 % (processo de refino) se converte em aço


e adquire as propriedades opostas, ou seja, volta a ser forjado, menos quebradiço
e se amolece lentamente caso submetido ao calor. Em princípio, a obtenção do
ferro é simples e consiste na redução de minerais oxigenados de ferro mediante
o carvão de cocke em altos fornos que alcançam 1200 °C, temperatura em que o
ferro misturado com algo de carbono funde e goteja em forma líquida até o fundo
do forno, onde é levado a sua transformação em aço ou é colado em blocos de
ferro bruto (ROCHA, 2015).

Todos os metais ferrosos provêm do produto obtido nos altos-fornos, por


aquecimento a 2000 °C com possível adição de fundentes e outros produtos, e que se
conhecem como ferro ou fundição de primeira fusão. Com exceção do aço inoxidá-
vel, os metais mal protegidos podem sofrer uma série diminuição de suas capacida-
des mecânicas devido à corrosão, que pode expandir e gerar problemas de ruptura.

3 CORROSÃO
Conforme visto anteriormente, a corrosão é um mecanismo de deteriora-
ção dos materiais metálicos, ligas através da interação química ou eletroquími-
ca, aliadas ou não ao desgaste mecânico num meio agressivo ao qual o material
é submetido (ALVINO, 2003). Alguns autores classificam a corrosão como um
processo natural reverso, no qual a liga metálica retorna a sua forma original (mi-
nério) mediante liberação de energia (GENTIL, 2011). Existem diversos tipos de
classificação das formas de corrosão. A seguir, serão discutidas de maneira mais
detalhada alguns tipos apresentados na Figura 10.

76
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS

FIGURA 10 – CLASSIFICAÇÃO DO PROCESSO DE CORROSÃO SEGUNDO O TIPO DE ATAQUE

FONTE: Zimer (2009, p. 4)

• Corrosão uniforme: este tipo de corrosão consiste no ataque de toda superfí-


cie metálica em contato com o meio corrosivo com a consequente diminuição
de espessura. Este é o tipo de corrosão mais comum, e ocorre devido à micro-
pilhas de ação local, resultando uniformemente sobre a superfície metálica.
Para as corrosões uniformes, apresentam o desgaste de mais fácil acompa-
nhamento, diminuindo a espessura ao longo de toda superfície metálica. As
perdas de propriedades do material são significativas devidas ao desgaste,
levando facilmente a falhas de instalação ou do equipamento.
• Corrosão intergranular: o ataque se localiza nos limites dos grãos do material
metálico, em consequência, se perde a coerência entre grãos e o material é
reduzido aos valores de sua característica mecânica habitual. Esta corrosão é
frequente em aços inoxidáveis e lãs.
• Corrosão por pites: forma de corrosão localizada que consiste na formação de
cavidades de pequena extensão e razoável profundidade. Ocorre em determi-
nados pontos da superfície enquanto o restante pode permanecer praticamente
sem ataque. Este tipo de corrosão é de complexo acompanhamento, já que o con-
trole de perda de espessura ou massa não caracteriza o real dano do material.
Esta corrosão ocorre em materiais metálicos formadores de películas protetoras
(passiváveis) e resulta da atuação da ilha ativo-passiva nos pontos nos quais a ca-
mada passiva é rompida. A corrosão inicia em pontos de fragilidade da película
passivante (defeitos de deformação) e o pH no interior do pite se altera substan-
cialmente no sentido ácido, o que dificulta a restituição da passivação inicial.
O Corrosão seletiva: esta corrosão é aquela que se forma de um par galvânico
devido à grande diferença de nobreza entre dois elementos de uma liga
metálica. Os principais tipos de corrosão seletiva são a grafítica e a dezin-
cificação;Corrosão grafítica: processo corrosivo que ocorre nos ferros fun-
didos cinzentos e no ferro fundido nodular. O grafite é um mineral muito

77
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

mais catódico que o ferro, os veios ou nódulos de grafite do ferro fundido


agem como área catódica enquanto o ferro age como área anódica transfor-
mando-se em produto de corrosão;
O Dezincificação: é um processo de corrosão seletiva em ligas de latão com
mais de 15 % de zinco (material mais anódico). Essa corrosão consiste na
migração do zinco, ficando a liga reduzida a um material esponjoso, cons-
tituído de cobre quase puro e sem qualquer resistência mecânica.
• Corrosão intersticial: esta corrosão ocorre devido à formação de pilhas
de aeração diferencial, se apresentam em uniões, interstícios, zonas de
sobreposição e roscas, em geral, nas regiões mal aeradas ou nas em que a
renovação do meio corrosivo está condicionada por mecanismos de difusão.
Um exemplo deste tipo de corrosão é representado na Figura 11.

FIGURA 11 – CORROSÃO INSTERTICIAL

FONTE: O autor

Na Figura 12a vemos a representação do efeito da propagação da corrosão


em armaduras, neste caso do exemplo está relacionado à reação química direta
entre os íons do metal e do oxigênio atmosférico (caso de corrosão química).

FIGURA 12 – ESQUEMA A) PROPAGAÇÃO DA CORROSÃO EM ARMADURA E B) CORROSÃO DA


SUPERFÍCIE DO AÇO

FONTE: Broto (2006, p. 33)


78
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS

Já para na Figura 12b, vemos representada uma gota de água sobre


um metal, no qual temos a influência do meio aquoso na corrosão de um aço
(corrosão eletroquímica), através da troca de íons de ferro em contato com óxidos
e oxigênio presentes na água.

3.1 FATORES QUE FAVORECEM A CORROSÃO


Dependendo do meio corrosivo e do material, pode haver dois mecanismos
para os processos corrosivos (GENTIL, 2011):

• Mecanismo eletroquímico: onde ocorrem reações químicas que envolvem


transferência de carga ou elétrons através de uma interface ou eletrólito.
• Mecanismo químico: onde ocorrem reações químicas diretas entre o material metáli-
co ou não metálico com o meio corrosivo, não havendo geração de corrente elétrica.

Dentre os principais fatores que incidem na formação do processo de


corrosão em elementos metálicos, temos:

• Água: as águas duras (aquelas que contém elevado conteúdo de minerais)


podem ter mais de 50 mg/l de íons de cálcio e magnésio, inclusive as águas
limpas contêm impurezas minerais que podem facilitar a formação de corro-
são em metais. Por outro lado, as águas ácidas ou alcalinas com um elevado
conteúdo de cloretos provocam a dezincificação de alguns latões.
• Ácidos: podem provir da água de chuva contendo elevado conteúdo de gás car-
bônico, de alguns terrenos e de certos tipos de madeiras, algas e musgos. Águas
ácidas podem também perfurar metais muito duráveis como cobre e chumbo.
• Sais: os sais têm propriedade de ajudar na criação de uma capa protetora e
inibidora da corrosão. No entanto, a água de terrenos inundados com ácidos
orgânicos ou sais inorgânicos podem dissolver tubulações de cobre e chum-
bo. Para impedir a corrosão de barras de aço do concreto armado, as adições
ao cimento Portland de cloreto de cálcio, como acelerador do tempo de pega,
não deveriam ser superiores a 2 % em peso do cimento, para evitar corrosão.

NOTA

Tempo de pega é o período em que o concreto se encontra no estado fresco


(tempo que leva para o endurecimento do concreto).

79
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

• Álcalis: o hidróxido de sódio ou de potássio presentes no cimento Portland


são muito prejudiciais ao zinco, alumínio e o chumbo, porém não afetam o
cobre e protegem da corrosão os materiais ferrosos dentro de concretos ricos
em cimento. A cal aérea não carbonatada protege dos metais ferrosos, mas
pode atacar o alumínio e ser ligeiramente corrosiva para o chumbo e zinco.
• Terreno: o terreno é um meio muito heterogêneo quanto a sua composição quí-
mica, granulométrica, grau de umidade, pH, níveis de ar e resistividade elé-
trica. Todos estes fatores incidem no nível de corrosividade do terreno e no
grau de corrosão dos metais que entram em contato. O solo apresenta poros
microscópicos cheios de ar ou umidade. Sua granulometria pode ir desde par-
tículas grossas (entre 0,07 mm e 2 mm), que apresentam pouca agressividade,
até partículas finas (inferiores a 0,07 mm) como no caso de terrenos argilosos,
solos úmidos com grande potencial agressivo para corrosão. A influência do
tipo de terreno na corrosão de metais pode ser melhor observada no Quadro 2.

QUADRO 2 – TIPOS DE TERRENOS AGRESSIVOS

Tipo de terreno Efeito


Geralmente não agressivo, as areias salinas podem ser utili-
Arenoso
zadas para proteger tubos instalados em terrenos agressivos.
Cinzas e escombros Muito corrosivos para o aço, cobre e alumínio.
Corrosivas para metais ferrosos.
Argilas anaeróbicas
Corrosivas para o alumínio, aço galvanizado e o chumbo
salinas
se estiver em contato com o cobre.
Em condições anaeróbicas (ambiente ausente de gás oxigê-
Com sulfatos nio), convertem a fundição em sulfetos de ferro deixando
um depósito mole de grafito.
FONTE: Broto (2006, p. 44)

• Fatores de projeto, construção e solicitação: infelizmente, na fase do projeto de


uma construção é possível o esquecimento de proteção de alguma superfície
que favoreça o acúmulo de água e contaminantes atmosféricos para uma corro-
são prematura dos metais. É recomendado inclinar superfícies para facilitar o
transporte da água, distribuir e prever orifícios de drenagem, preparar e pintar
a superfície a fim de evitar uma aceleração do processo de corrosão nos metais.

NOTA

• A corrosão química é a reação direta entre o metal e o oxigênio atmos-


férico. Há vários mecanismos para o acúmulo de óxidos na superfície dos metais.
Além do oxigênio, nitrogênio e enxofre também podem causar oxidação.
• A corrosão eletroquímica é também denominada corrosão em meio aquoso devido à
necessidade de o eletrólito conter água líquida para formar a pilha ou célula de corro-
são, com a circulação de elétrons livres na superfície metálica.
80
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS

QUADRO – RESUMO DOS MECANISMOS DE CORROSÃO

corrosão de materiais metálicos em temperaturas elevadas, por


gases ou vapores e em ausência de umidade (corrosão seca);
Químico corrosão em solventes orgânicos isentos de água;
corrosão de materiais não metálicos (concreto, borracha,
entre outros).
corrosão em água ou soluções aquosas;
corrosão atmosférica;
Eletroquímico
corrosão no solo;
corrosão em sais fundidos.
FONTE: Gentil (2011, p. 47)

Os potenciais de eletrodos vão dizer qual metal se corrói quando entra


em contato com um outro e com um eletrólito: o de maior potencial (catódico)
tende a provocar a corrosão do metal de menor potencial (anódico). Na Figura 13
vemos o potencial de eletrodos para diferentes tipos de ligas.

FIGURA 13 – POTENCIAL DE ELETRODOS PARA DIFERENTES LIGAS

FONTE: Adaptado de Rocha (2015, p. 12)

Portanto, para sacrificar um elemento a fim de proteger um metal, o


mesmo deve ter potencial de redução menor que o metal protegido. Observando
os potencias de sacrifício na Figura 14, os metais mais anódicos podem ser
utilizados como metais de sacrifício.
81
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

AUTOATIVIDADE

1 Uma forma de proteger um metal contra corrosão é conectá-lo eletricamen-


te a um ânodo de sacrifício. Este deve ser:

a) ( ) Um metal mais facilmente oxidável do que o metal que se quer proteger.


b) ( ) Um metal menos facilmente oxidável do que o metal que se quer proteger.
c) ( ) O mesmo metal que se quer proteger.
d) ( ) Uma pintura.
e) ( ) Um metal com potencial de redução maior do que o do metal que se
quer proteger.

4 PROTEÇÃO CONTRA CORROSÃO


Só é possível eliminar a corrosão em metais se ausentarmos o eletrólito,
portanto é necessário extinguir a umidade. Para isso há algumas soluções possí-
veis que serão abordadas neste subtópico.

4.1 IMPEDIMENTO DE PARES GALVÂNICOS


Dentre possíveis soluções para impedir a corrosão de metais temos:

• limitar os projetos a utilização de somente um metal;


• isolar eletricamente metais de composições diferentes;
• utilizar aços inoxidáveis: baixo teor de carbono ou altos teores de cromo e níquel.

4.2 REVESTIMENTOS PROTETORES


Os revestimentos vão isolar o metal do eletrólito corrosivo através de:

• camada protetora com materiais orgânicos (óleos, tintas, PVC, entre outros).
A principal limitação deste tipo de proteção é o comportamento e a durabili-
dade desta camada em serviço;
• camada protetora com metais. Aplicada por imersão a quente ou por um pro-
cesso eletroquímico. Utilizando cobre, estanho, níquel;
• camada protetora com materiais cerâmicos. Utilizar capas com esmaltes vítre-
os, no entanto, deve-se considerar que são revestimentos muito frágeis;
• Passivação. Formação de uma camada protetora de óxido na superfície do metal.

82
TÓPICO 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM METAIS

4.3 PROTEÇÃO GALVÂNICA


Consiste no uso dos próprios mecanismos da corrosão com finalidades
protetoras pelo fornecimento de elétrons extras ao metal para torná-lo cátodo.
São consideradas dois tipos de proteção galvânica:

• Proteção por anodo de sacrifício (proteção catódica): criação de uma pilha


“ligando” o metal que deve ser protegido com um metal de potencial eletro-
químico inferior. Como exemplo, temos o aço galvanizado ou zincado, um
aço revestido por uma camada de zinco por imersão a quente (se a camada de
zinco é aplicada por um processo eletroquímico, chama-se de aço eletrogal-
vanizado). Além da proteção mecânica, a camada de zinco proporciona uma
proteção eletroquímica; em caso de arranhão ou falha na camada de zinco, o
zinco, que é um elemento “eletroquimicamente mais ativo” do que o ferro, vai
se corroer e o ferro (aço) será passivado. Além disso, os produtos de corrosão
do zinco vão se depositar nesta falha, aumentando a vida da proteção. Um
exemplo deste tipo de proteção é visto na Figura 15.

FIGURA 15 – PROTEÇÃO POR ANODO DE SACRIFÍCIO GALVÂNICO LIGADO AO CASCO DE


NAVIO PARA EVITAR CORROSÃO DO CASCO

FONTE: <https://bit.ly/3g4FsTX>. Acesso em: 26 maio 2021.

• Proteção por aplicação de uma tensão elétrica: fornecendo elétrons no metal


que se torna cátodo e então protegido.

4.4 AMBIENTE E DESIGN


O meio ambiente é responsável pela formação do eletrólito; antes de selecio-
nar um “grau de proteção” de um metal como, por exemplo, a espessura da camada
galvanizada, é necessário considerar o grau de agressividade ambiente de aplicação:

• Ambientes rurais e pouco agressivos (região pouca industrializada): o ferro


ao ar puro, mesmo úmido, terá uma baixa velocidade de corrosão.

83
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

• Ambientes poluídos (áreas urbanas e industrializadas): o anidrido sulfuroso (SO2),


os ácidos e álcalis, a poeira se dissolvem na água formando os íons do eletrólito.
• Ambientes marinhos: os sais dissolvidos são eletrólitos fortes (NaCl).

Um design adequado pode evitar a exposição das peças à umidade e (ou)


permitir que elas sequem rapidamente depois de molhadas. Como exemplos temos:

• Materiais porosos (retentores de água) não devem entrar em contato com os


metais.
• As juntas devem ser desenhadas para evitar a formação de canais retentivos
de água.

84
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• A corrosão é um processo de oxirredução, ou seja, um material (no caso, o


metal) sofre oxidação (perde elétrons), e o outro, redução (ganha elétrons).

• A corrosão eletroquímica é o tipo de corrosão mais comum, pois é a que ocor-


re com os metais, geralmente na presença de água.

• A corrosão química é o ataque de algum agente químico diretamente sobre de-


terminado material, que pode ou não ser um metal. Ela não precisa da presença
de água e não há transferência de elétrons como na corrosão eletroquímica.

• Para reduzir ou impedir a formação de corrosão em metais, alguns procedi-


mentos podem ser tomados, entre eles a utilização de revestimentos proteto-
res, proteção galvânica, ou estudos ambientais e de design para a utilização
de metais em projetos.

85
AUTOATIVIDADE

1 (CESGRANRIO, 2012) A corrosão de superfícies metálicas pode ser um


processo de oxidação indesejada do metal, já que ela promove diminuição
da vida útil de diversos materiais. Sobre a corrosão de superfícies metálicas,
analise as sentenças a seguir:
FONTE: Adaptada de <https://bit.ly/3fYkGWa>. Acesso em: 26 maio 2021.

I- Ferro presente em construções, como pontes e portões, tende a se reduzir espon-


taneamente formando sal de ferro, que comumente é chamado de ferrugem.
II- Água conduz melhor a eletricidade na presença de íons dissolvidos, logo,
em regiões litorâneas, o processo de corrosão é favorecido.
III- Presença de água favorece a formação de ferrugem, mas a ação do oxigê-
nio não interfere no processo de corrosão.
IV- Processo de corrosão se assemelha ao que ocorre numa pilha eletroquími-
ca, na qual estão envolvidas reações de oxirredução.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Somente a sentença I está correta.


b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
e) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.

2 A tendência do aço em reagir com o ambiente faz com que estruturas metáli-
cas, constituídas por essa liga, necessitem de sistemas de proteção contra oxi-
dação. Nas refinarias, óleos crus e derivados podem ser armazenados em tan-
ques de aço ao carbono e, após certo período, pode ocorrer uma separação de
fases dentro do tanque. A fase aquosa fica em contato com o fundo interno do
tanque, podendo ocasionar a oxidação desta superfície metálica. Como forma
de minimizar esse problema, podem ser fixadas, no fundo do tanque, barras
de alumínio formando uma célula eletroquímica. Com base nessa informação,
no processo de proteção contra a oxidação, a respeito do comportamento de
material, assinale a alternativa CORRETA, e em seguida justifique:
FONTE: <https://bit.ly/2SQoUai>. Acesso em: 26 maio 2021.

a) ( ) Aço apresenta maior potencial de oxidação e atuaria como anodo.


b) ( ) Aço apresenta maior potencial de redução e atuaria como anodo.
c) ( ) Alumínio apresentaria maior potencial de redução e atuaria como catodo.
d) ( ) Alumínio apresenta maior energia de ionização e atuaria com catodo.
e) ( ) Alumínio apresenta menor energia de ionização e maior potencial de
oxidação.

86
3 Processos corrosivos ocorrem pela tendência dos materiais a interagirem
com o meio, dessa forma, dentre os processos a seguir, qual deles NÃO
auxilia na proteção contra a corrosão em um meio aquoso?

a) ( ) Pintura.
b) ( ) Polimento.
c) ( ) Revestimento catódico.
d) ( ) Jateamento por granalhas.
e) ( ) Revestimento anódico.

4 Levando em consideração que um perfil de ferro que será utilizado para a


construção civil estará em contato direto com água. Qual dos seguintes pro-
cedimentos ajudaria a evitar a corrosão: diminuição de concentração de oxi-
gênio na água, pintura do perfil ou ambos? Qual dos seguintes elementos
pode agir como anodo de sacrifício para o ferro: cobre, zinco ou estanho?

5 A corrosão química é a reação direta entre o metal e o oxigênio atmosférico.


Há vários mecanismos para o acúmulo de óxidos na superfície dos metais.
Além do oxigênio, nitrogênio e enxofre também podem causar oxidação. Cite
algumas situações em que há ocorrência de corrosão química em metais:

87
88
TÓPICO 3 —
UNIDADE 2

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM
MATERIAIS POLIMÉRICOS

1 INTRODUÇÃO

“Um dos artefatos mais utilizados pela indústria para produção de bens de con-
sumo é o polímero. Utilizado para a confecção de roupas, meios de transporte, embala-
gem de alimentos, produção de tintas, eletroeletrônicos e sacolas plásticas, se tornando
indispensável para o ser humano” (DE PAOLI, 2008 apud FREITAS et al. 2019, p. 1).

Para os polímeros, chamamos de degradação qualquer reação química


que tenha ação destrutiva sobre eles. Pode ser causada por agentes físicos e/ou
por agentes químicos. A degradação causa uma modificação irreversível nas pro-
priedades dos materiais poliméricos e é evidenciada pela deterioração progressi-
va destas propriedades, incluindo visualmente.

Para alguns autores, o conceito de degradação é mais amplo e pode tam-


bém abranger efeitos físicos que conduzirão à perda de função do produto po-
limérico. Um exemplo desses efeitos físicos é a perda de plastificantes de um
sistema polimérico, por migração ou por evaporação.

Nessa situação, o polímero em si não sofre alteração, porém o conjunto


composto por polímero e plastificante perde funções importantes. Geralmente as
reações de degradação são indesejáveis. Procura-se alta durabilidade, ou vida útil
elevada, pela aplicação adequada de sistemas poliméricos. Para isso, se faz uso de
aditivos antidegradantes específicos.

As reações de degradação poderão ser benéficas para os casos de rejeitos


poliméricos não recicláveis e por contaminação ou por inviabilidade econômica
(como no caso de sacolas e embalagens de curta duração). Também são uteis das
reações induzidas de degradação que ocorrem nos processos mecanoquímicos de
mastigação da borracha natural.

2 TIPOS DE DEGRADAÇÃO DOS POLÍMEROS


Dentre as principais aplicações de polímeros na construção civil temos os
polímeros utilizados em instalações hidráulicas prediais de água, esgoto sanitário
e captação e condução de águas pluviais. As tubulações baseadas em PVC são
indicadas para aplicações em edificações residenciais, comerciais e industriais.
Também se utiliza polímeros em instalações elétricas.
89
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Dentre os componentes elétricos podem ser citados os eletrodutos para a


passagem de fios e cabos, internamente às paredes das construções; perfis para
instalações elétricas aparentes; fios e cabos com isolamento; e componentes termi-
nais da instalação (caixas, espelhos, tomadas, interruptores e outros).

Polímeros também são utilizados em fechamentos de fachadas, como


esquadrias e portas, fechamento de coberturas (telhas), pisos, revestimentos
e forros, como pisos vinílicos, que são materiais produzidos a partir do PVC e
apresentados no mercado através de placas, pisos semiflexíveis ou mantas, e
adaptados para aplicação em qualquer ambiente interno como residências. E por
fim, polímeros presentes em tintas e vernizes (HIPOLITO et al., 2013). Os tipos de
degradação são geralmente analisados pelos seguintes aspectos:

• Em relação à severidade da degradação, podem ser classificadas em:


O superficiais: alterando o aspecto visual do material polimérico e principal-
mente sua cor, para moldados em cores claras.
O estrutural; altera as propriedades mecânicas, térmicas, elétricas e compro-
metem o desempenho estrutural do material polimérico.
• Em relação aos mecanismos gerais das reações de degradação:
O degradação sem cisão da cadeia principal do polímero: em geral é uma
degradação de nível superficial que pode ocorrer formação de ligações
cruzadas, substituição ou eliminação de grupos laterais e reações entre
os próprios grupos laterais. Este tipo de degradação pode evoluir para
degradações mais graves.
O degradação com cisão da cadeia principal do polímero: é uma redução
drástica dos pesos moleculares das cadeias poliméricas, considerada uma
degradação de nível estrutural, acontece de forma aleatória ou de forma
inversa ao processo de polimerização (depolimerização).
• Em relação ao local de atuação dos agentes de degradação são considerados
três casos distintos:
O degradação causada pelo processamento do polímero;
O degradação em condições de serviço, isto é, durante o uso do material polimérico.
O degradação após o uso do material polimérico, caso ele tenha se transfor-
mado em resíduo não reciclável.
• Em relação aos agentes ou fatores causadores da degradação:
O agentes físicos: radiação solar e outras radiações, temperatura e atrito me-
cânico e intenso.
O agentes químicos: água, ácidos, bases, solventes, outros produtos quími-
cos, oxigênio, ozônio e outros poluentes atmosféricos.
O agentes biológicos: microrganismos, tais como fungos e bactérias, as prega-
ções ideológicas são de natureza química, sendo que os microorganismos
são os agentes desses ataques químicos.

A degradação de materiais poliméricos pode ser causada por um ou


mais desses agentes citados. Nas degradações com agentes combinados, nor-
malmente a análise é mais complexa. Essas solicitações são frequentemente
muito severas. Um destes casos ocorre quando a temperatura atua como fator
de aceleração nos processos fotodegradativos.
90
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS POLIMÉRICOS

Segundo o critério de relação aos agentes responsáveis pela degradação


dos polímeros (ver Figura 16), alguns aspectos de classificação das reações são
separados nas seguintes formas principais (VIANA; ANTUNES, 2006):

• degradação térmica;
• degradação mecânica;
• degradação química (incluindo oxidação);
• biodegradação;
• fotodegradação;
• degradação por radiações ionizantes;
• termo-oxidação;
• foto-oxidação;
• degradação termomecânica;
• degradação mecanoquímica; e
• fotobiodegradação.

FIGURA 16 – AGENTES CAUSADORES DE DEGRADAÇÃO NOS POLÍMEROS

FONTE: Adaptado de Viana e Antunes (2006, p. 11)

Dentre as principais propriedades dos polímeros na construção civil estão


as propriedades mecânicas, térmicas, ópticas e resistências à intempéries e ações
químicas, como oxidação, calor, umidade, ácidos, bases, solventes e reagentes
(HIPOLITO et al., 2013). A Figura 17 representa um tipo de degradação de tubos
poliméricos (PVC) devido excesso de esforços mecânicos, levando a sua ruptura.

91
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

FIGURA 17 – DEGRADAÇÃO DE TUBO DE PVC DEVIDO ESFORÇOS MECÂNICOS

FONTE: <https://www.plasticpipefailure.com/pvc-problems>. Acesso em: 26 maio 2021.

3 MÉTODOS UTILIZADOS PARA ESTUDO DA DEGRADAÇÃO


Alguns métodos experimentais são utilizados para avaliar e detectar a
degradação já ocorrida em materiais poliméricos. Algumas técnicas são utiliza-
das para simular ambientes e/ou situações de degradação em polímeros. Neste
subtópico serão abordados os métodos ambientais, métodos laboratoriais e de
envelhecimento rápido para estas análises.

3.1 MÉTODOS AMBIENTAIS


O envelhecimento ambiental também é conhecido como natural. Para sua
análise é necessário conhecer detalhadamente as condições geográficas e climáticas
em que será utilizado o material polimérico. Dentre uma das principais caracterís-
ticas a ser levada em conta temos a influência da luz solar. Os dados geográficos e
climáticos são relevantes, pois a partir deles teremos informações da incidência de
raios solares, que depende dos seguintes fatores (VIANA; ANTUNES, 2006):

• época do ano;
• latutide;
• altitude;
• hora do dia;
• ângulo de exposição;
• composição química da atmosfera e a influência dos poluentes;
• umidade;
• frequência de chuvas e suas intensidades.

O período de exposição para verificação dos métodos ambientais gerará


resultados geralmente acima do período de quatro anos. As amostragens devem
ser feitas a cada mês e caso as primeiras amostragens não apontem sinais de de-
gradação drástica, o espaço de amostragem pode ser aumentado.

92
TÓPICO 3 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM MATERIAIS POLIMÉRICOS

As amostras podem ser preparadas como filmes, corpos-de-prova para


ensaios mecânicos e peças no formato final de uso. Dentre as medidas utilizadas,
podem ser realizadas:

• avaliação visual;
• medida de cor superficial;
• avaliação de propriedades mecânicas;
• avaliação de alterações estruturais por métodos espectrométricos.

No entanto, devemos levar em consideração que o método de estudo de


envelhecimento natural é um dos mais demorados e trabalhosos para ser realiza-
do em materiais poliméricos. Além da avaliação das amostras também é necessá-
rio um acompanhamento das condições ambientes, como quantidade de chuvas,
quantidade de horas de insolação e temperatura diária e composição média da
atmosfera (VIANA; ANTUNES, 2006).

É necessário ressaltar que existem métodos para detectar a degradação


que já aconteceu num polímero e também existem métodos para simular ambien-
tes e/ou situações de degradação em polímeros, os quais são mais acessíveis e
mais rápidos do que os métodos ambientais.

3.2 MÉTODOS LABORATORIAIS


Os métodos laboratoriais são métodos muito mais rápidos para avaliar
a degradação de polímeros. Para este método são utilizadas condições compos-
tas e não isoladas (o que difere este método dos métodos acelerados). Dentre os
equipamentos e métodos utilizados para aviação laboratorial da degradação de
polímeros temos (VIANA; ANTUNES, 2006):

• Weather-o-meter: ensaio que utiliza câmara de luz com lâmpadas de xenônio


e spray de água pura ou de uma solução de sal.
• Câmara UV: uma câmara com lâmpadas UV-A e UV-B. Para este procedimen-
to são realizadas caracterizações similares as da câmara de Weather-o-meter.
• Calorimetria Diferencial de Varredura (DSC): neste ensaio são obtidas infor-
mações da absorção e liberação de energia da amostra.
• Análise termogravimétrica (TGA): neste procedimento são obtidas as perdas
e/ou ganhos de massa de uma amostra em diferentes atmosferas e com au-
mento de temperatura. A previsão do tempo de vida é realizada por aplicação
particular de análise termogravimétrica. As amostras são analisadas em dife-
rentes faixas de temperatura e em conjunto com equações que possibilitam
determinar o tempo de vida do composto nas condições ambientais.
• Métodos espectrométricos (FTIR e UV-Vis): são ensaios que mostram espec-
tros de bandas de absorção do polímero. Nestes procedimentos são prepara-
das diversas amostras em diferentes períodos de ensaio. São identificadas as
bandas obtidas para avaliar a formação ou consumo de produtos químicos.

93
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

3.3 ENVELHECIMENTO ACELERADO


Como visto anteriormente, os processos naturais são muito lentos, portan-
to, é possível realizar ensaios acelerados para obter a caracterização em maiores
idades dos materiais poliméricos através de métodos de envelhecimento acelerado.

Os fatores que causam a degradação devem ser simulados individual-


mente, levando em consideração:

• ação da luz UV em temperatura ambiente;


• aquecimento no escuro;
• muitos dos métodos acelerados são realizados em laboratório.

94
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• As manifestações patológicas químicas que ocorrem em materiais poliméri-


cos são denominadas degradação.

• Dentre os principais aspectos de degradação que um polímero apresenta te-


mos: degradação térmica, degradação mecânica, degradação química, biode-
gradação, fotodegradação entre outras.

• Três são os métodos para avaliação da degradação de materiais poliméricos: méto-


do ambiental (natural), método laboratorial e método de envelhecimento rápido.

95
AUTOATIVIDADE

1 Os polímeros são macromoléculas que podem ser obtidas sinteticamente e


estão presentes em diversos produtos do cotidiano, como tintas, brinquedos,
tecidos e diversos objetos plásticos. Para os polímeros, chamamos de degra-
dação qualquer reação química destrutiva dos mesmos. Com relação ao prin-
cipal agente de degradação biológico, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Temperatura.
b) ( ) Fungos.
c) ( ) Clima.
d) ( ) Produtos químicos.
e) ( ) Corrosão.

2 Alguns métodos experimentais são utilizados para avaliar e detectar a de-


gradação já ocorrida em materiais poliméricos. Algumas técnicas são utili-
zadas para simular ambientes e/ou situações de degradação em polímeros.
Sobre o método que utiliza o período de quatro anos, e que as amostragens
devem ser feitas a cada mês, e caso as primeiras amostragens não apontem
sinais de degradação drástica, o espaço de amostragem pode ser aumenta-
do, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Natural.
b) ( ) Laboratorial.
c) ( ) Acelerado.
d) ( ) Envelhecimento.
e) ( ) Artificial.

3 Os processos de métodos de deterioração naturais são muito lentos, por-


tanto, é possível realizar ensaios acelerados para obter a caracterização em
maiores idades dos materiais poliméricos através de métodos de envelheci-
mento acelerado. Assinale a alternativa que apresenta quais são os fatores
utilizados para envelhecimento acelerado:

a) ( ) Ação da luz UV e aquecimento no escuro.


b) ( ) Ação da luz UV e Amostragem por mês.
c) ( ) Amostragem por mês e aquecimento no escuro.
d) ( ) Amostragem por mês e FTIR.
e) ( ) FTIR e Ação da luz UV.

4 Dentre os métodos realizados em laboratório para identificação das degra-


dações de polímeros. No método de laboratório, qual ensaio usa de espec-
tros de bandas de absorção do polímero, nos quais são preparadas diversas
amostras em diferentes períodos de ensaio?

96
5 A degradação de materiais poliméricos pode ser causada por um ou mais
agentes. Nas degradações com agentes combinados, normalmente a análi-
se é mais complexa. Essas solicitações são frequentemente muito severas.
Quais são os agentes responsáveis pela degradação dos polímeros?

97
98
TÓPICO 4 —
UNIDADE 2

MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO
CONCRETO ARMADO

1 INTRODUÇÃO

O concreto é um dos materiais mais utilizados na construção civil e faz uso


de diversos constituintes: cimento, areia, brita, água, cal e aditivos (PIANCAS-
TELLI, 1997). Quando nele é inserido o aço passa a ser chamado concreto armado.

Por ser um material extremamente complexo, composto por diversos ti-


pos de materiais, as causas de alteração e das patologias podem ser geradas em
concretos armados por uma grande variedade de fatores. Portanto, conhecer to-
das as alterações possíveis no concreto são essenciais para um adequado desen-
volvimento de concretos.

O foco está em obter um concreto de adequada qualidade para garantir


sua durabilidade, para postergar o surgimento de manifestações patológicas no
mesmo. Portanto, é necessária a utilização de normativas e capacidade de estru-
turar um projeto capaz de resistir as influências previstas e definidas em conjunto
pelo autor do projeto e do contratante.

Durante a fase de construção é importante obter os conhecimentos das


causas e das alterações, determinadas tanto na execução como na eleição dos ma-
teriais corretos para sua dosificação. No entanto, para situações em que as pa-
tologias já se manifestaram é necessário a dedução e elaboração de um correto
diagnóstico e de sua consequente reparação. Para isso é necessário grande conhe-
cimento das possíveis origens e causas de alteração.

2 CLASSIFICAÇÃO DAS CAUSAS DE PATOLOGIAS EM


CONCRETOS
As primeiras falhas do concreto resultam na definição do traço e as adi-
ções necessárias para obter uma pasta homogênea. Quando a segregação tem lu-
gar, traz que esse processo de separação pode ser provocado, entre outras causas,
por: lançamento livre de grande altura; concentração de armadura que impede a
passagem da brita; vazamento da pasta de cimento através das formas; má dosa-
gem do concreto; uso inadequado de vibradores (PIANCASTELLI, 1997).

99
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Consideramos o concreto como um sistema homogêneo em sua composição ma-


croscópica, compacto e inerte com o meio em que se situa. No entanto, na realidade es-
tamos trabalhando com um sistema heterogêneo e poroso, que pode reagir ao ambiente.

Para concretos armados, além dos fatores de proteção do concreto, tam-


bém devemos considerar a correta proteção e passivação da armadura. Tendo em
vista as diversas manifestações de patologias nos concretos, é possível realizar
uma classificação das causas segundo sua origem:

• patologias derivadas dos componentes do concreto;


• patologias derivadas da fabricação e execução;
• influência do ambiente;
• deterioração do concreto por agentes externos: químicos ou físicos;
• patologias originadas pelo efeito de deterioração do aço.

2.1 PATOLOGIAS DERIVADAS DOS COMPONENTES DO


CONCRETO
O concreto é um produto composto por areia, pedra (brita), cimento, água
e aditivos, que, quando preparado e lançado corretamente, transforma-se em
uma mistura homogênea, na qual todas as pedras estão completamente envoltas
pela argamassa (areia, cimento e água).

Se ocorrer um erro de lançamento ou de adensamento, as pedras se sepa-


ram da argamassa, formando um concreto cheio de vazios, permeável, que per-
mite a passagem de água com facilidade. A adição do aço corresponde à necessi-
dade de incrementar a sua resistência à flexão, e sua ductibilidade, uma vez que
concretos comuns apresentam boa resistência somente a esforços de compressão
(MONTOYA; MORÁN; MESEGUER, 2000).

Uma grande parte dos defeitos em obras de concreto armado se deve à


baixa qualidade dos materiais utilizados nela, aos diferentes ambientes em que
se podem ser expostos ou ao uso indevido desses materiais. Os problemas com
concreto estão relacionados aos defeitos de seus componentes, portanto, cada
componente deve cumprir com um mínimo quesito para que se evite graves pro-
blemas patológicos a curto ou longo prazo.

O cimento é o material fundamental do concreto, provendo diretamente


a liga e resistência do material. Sua resistência e durabilidade é fundamental-
mente dependente da relação água/cimento utilizada para sua dosificação. Seu
conteúdo é fundamental para providenciar a proteção alcalina que as armaduras
incorporadas ao elemento de concreto armado necessitam.

Dentre os cimentos que podemos utilizar existe uma enorme variedade,


dependendo do tipo de aplicação que queremos (alta fluidez, maiores resistências
iniciais, maiores resistências finais, entre outros). Dentre os cimentos que podem

100
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

ser utilizados, o cimento Portland pozolanico é o mais utilizado para construções


comuns e o cimento Portland de alta resistência inicial é utilizado para obras que
necessitam de um rápido desmolde (MONTOYA; MORÁN; MESEGUER, 2000).

Os agregados utilizados na fabricação de concretos condicionam sua du-


rabilidade e resistência, uma vez que esses materiais representam, em proporção
volumétrica, cerca de 70 % a 80 % do volume total do concreto. Os aspectos fun-
damentais que devem ser tomados estão na qualidade e composição dos finos,
sua granulometria e na sua compacidade. Os áridos utilizados não devem reagir
com o cimento (inertes) e seu conteúdo de argilas, materiais orgânicos e outros
materiais nocivos devem ser limitados para que não reajam com o cimento e aca-
bem modificando seu endurecimento e tempo de pega.

Com relação a granulometria, os áridos devem tem uma adequada com-


posição entre areia e brita para que obtenhamos uma adequada compacidade do
concreto. Portanto, é objetivado a redução dos volumes de vazios do concreto,
através do uso de composições de areias e britas que aumentem a densidade do
material. Outra alternativa para solucionar incorretas granulometrias está na uti-
lização de maior energia de compactação do concreto fresco. Na Figura 18 vemos
um caso de deficiência granulométrica com baixo conteúdo de areais.

FIGURA 18 – DEFICIÊNCIA GRANULOMÉTRICA NO CONCRETO ARMADO

FONTE: Munró (2013, p. 11)

A água pode afetar negativamente de duas maneiras o concreto. A pri-


meira causa é a utilização de águas não potáveis que contenham impurezas que
o danifiquem a curto ou longo prazo. Essa água não afetará significativamente se
trabalharmos com concretos comuns, no entanto, ao utilizar concretos armados
pode acelerar a formação de corrosão nas armaduras (caso tenha presença de
cloretos na água). Para utilizar a água em concretos é recomendado que atinjam
as condições exigíveis de água, limitando seu pH e substâncias dissolvidas (con-
teúdo de sulfatos, íons de cloro, hidratos de carbono e substâncias solúveis).

Os aditivos são considerados essenciais para uma adequada dosagem de


concretos nos dias de hoje. Os aditivos tem como finalidade modificar certas pro-
priedades do concreto, tanto no estado fresco como endurecido. O emprego dos
aditivos deve ser feito tendo base de ensaios prévios realizados com as dosagens

101
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

recomendadas para que se saiba o comportamento que o concreto apresentará em


obra. Fazer uso desses aditivos pode evitar o aparecimento de patologias no con-
creto devido à deficiência na fabricação, emprego inadequado ou sobredosagem,
ou dosagens insuficientes.

2.2 DANOS CAUSADOS POR FABRICAÇÃO E EXECUÇÃO


DO CONCRETO
A execução de um concreto pode afetar diretamente sua qualidade quan-
to à durabilidade e segurança. Os problemas causados pela execução vão desde
diminuição de resistência do material como aspectos visuais e estruturais inade-
quados do concreto.

Os fatores que influenciam a variação das características do concreto de-


vido à execução são (MUNRÓ, 2013):

• Dosagem mal realizada, por deficiências no sistema e equipamentos de me-


dida. Por exemplo, utilizar maior quantidade de água necessária para a exe-
cução do concreto.
• Transporte e concretagem que produzem segregação não asseguram a ho-
mogeneidade da massa, produzindo zonas pouco compactas. Na Figura 19
vemos uma situação deficiente em conteúdo de argamassa e água para uma
concretagem que necessita preencher muita armadura.

FIGURA 19 – CONCRETAGEM SECA, DEFICIENTE EM CONTEÚDO DE ARGAMASSA E ÁGUA

FONTE: <https://bit.ly/3g7FpqN>. Acesso em: 26 maio 2021.

• Compactação deficiente que causa má compacidade do concreto. Elevadas


compactações podem levar à segregação dos áridos e baixa compactação
pode aumentar o conteúdo de vazios e reduzir sua resistência. Na Figura 20
vemos a patologia de compactação deficiente somada à falta de conteúdo de
argamassa na dosagem do concreto.

102
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

FIGURA 20 – CONCRETO COM COMPACTAÇÃO DEFICIENTE E FALTA DE ARGAMASSA NA DOSAGEM

FONTE: <https://bit.ly/2RcUpLm>. Acesso em: 26 maio 2021.

• A forma do molde e a disposição e separação das armaduras; deve-se levar em


conta a necessidade de haver espaçamento adequado na hora de realizar a arma-
dura do concreto e evitar que haja vazamento de concreto durante a moldagem.

Fissuras relacionadas com o conteúdo de umidade do material são devi-


das às ações de origem higrotérmicas. Dentre elas estão as fissuras de refração
hidráulica, fissuração em mapa, conforme visualizada na Figura 21 (devido re-
tração ou contração térmica), origens térmicas e toda as que se formam durante a
fase plástica do material.

FIGURA 21 – RETRAÇÃO HIDRÁULICA QUE CAUSA FISSURAS DO TIPO MAPA

FONTE: <https://bit.ly/2RcQeiC>. Acesso em: 26 maio 2021.

Dentre as fissuras formadas anteriormente à fase de endurecimento do


concreto, se distinguem dois tipos de fissuras com características distintas. As
chamadas fissuras de assentamento plástico (que ocorrem geralmente nas pri-
meiras 3 horas) e fissuras de retração plástica. A maior parte das fissuras de re-
tração plástica aparece em soleiras ou louças planas expostas a altos índices de
evaporação, mais frequentes em seções grossas (MUNRÓ, 2013).

103
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

ATENCAO

O fenômeno de exsudação (conforme visualizado na figura a seguir, ocorre a


separação da água do cimento e agregados) intervém na formação de ambos os tipos de
fissuras de assentamento plástico e fissuras de retração plástica. Uma vez que a ação da água
ascende até a superfície superior do concreto em pouco tempo após seu amassamento.

FIGURA – EXSUDAÇÃO DE CONCRETAGEM

FONTE: <https://bit.ly/34Enz9h>. Acesso em: 26 maio 2021.

Alguns fatores que produzem o fenômeno de exsudação são: altas rela-


ções água/cimento, quando a evaporação superficial é alta, a exsudação é maior
quanto maior for a espessura do elemento, utilização de uso de retardadores de
tempo de pega. As fissuras de assentamento plástico estão associadas aos seguin-
tes tipos: fissuras marcadas em cima das armaduras horizontais, fissuras hori-
zontais em elementos verticais, fissuras que coincidem com mudanças bruscas de
seção e fissuras que coincidem com seções finas de concreto.

As fissuras de origem térmica ocorrem geralmente em construções de


muros de contenção e são associadas à temperatura inicial dos materiais e tem-
peratura ambiente, às peças de grande espessura (uma vez que produzem maior
calor), à má cura de concreto (não regar o concreto com água após concretagem),
à maior quantidade de cimento, ao uso de agregados de calcário, ao uso de aditi-
vos aceleradores de pega, às desmoldagens muito cedo. As fissuras por retração
hidráulica estão associadas à perda de água por evaporação, à má execução de
cura, a maiores relações água/cimento, à maior superfície exterior da peça com
relação ao volume e combinação de agregados.

2.3 INFLUÊNCIA DO AMBIENTE


Os custos para intervir numa estrutura que necessita alcançar um certo
nível de durabilidade e proteção crescem progressivamente, quanto mais tarde se
faça a intervenção. A agressividade do entorno está relacionada a condições físi-

104
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

cas e químicas que atuam na estrutura de concreto, independentemente das ações


mecânicas, variações volumétricas e de retração previstas no dimensionamento
da estrutura de concreto.

Como primeira aproximação se deve fazer uma classificação dos diferen-


tes tipos de ambiente, segundo sua agressividade. Assim, temos ambientes clas-
sificados como pouco agressivos até muito agressivos.

Os ambientes de agressividade média são considerados obras em ambien-


te normal, em contato com água ou com solos não agressivos. Os ambientes de
agressividade forte são aqueles em contato com águas salinas, em contato com
ácido ou em contato com terrenos agressivos. Os ambientes quimicamente agres-
sivos são aqueles utilizados como tanques industriais, indústrias de celulose e
papel, indústrias químicas, entre outros.

À medida que se aumenta o nível de agressividade do ambiente, é con-


siderado utilizar concretos com maior resistência e mais duráveis. Para isso se
recomenda reduzir a relação água/cimento e assim se recorre à prática de uso de
aditivos plastificantes. Como exemplo de casos de ambientes agressivos temos os
ambientes marinhos e chuvas ácidas.

2.4 DETERIORAÇÃO POR AGENTES EXTERNOS


Os agentes físicos mais frequentes que causam efeitos negativos nos concre-
tos são a água, vento e variação de temperaturas. As baixas temperaturas podem
congelar a água do concreto fresco, impedindo sua hidratação e destruindo a mi-
croestrutura cristalina dos hidratos. Já as elevadas temperaturas aumentam a pos-
sibilidade de hidratação do concreto, no entanto uma temperatura muito elevada
(conjunto de calor gerado pela hidratação do concreto e do ambiente muito quente)
podem gerar dissecação da superfície exterior do concreto (MUNRÓ, 2013).

No caso de incêndio, o fogo afeta as características de resistência e de-


formação do concreto e do aço. São geradas tensões devido a dilatações que são
transmitidas na estrutura. O aumento da temperatura provoca diminuição de
resistência no concreto, aumentando sua deformação de ruptura e módulo de de-
formação. É recomendado evitar considerar o concreto como material estrutural
quando este sofre incêndio com temperaturas entre 500 °C e 700 °C.

Para o aço, a resistência ao fogo é determinada fundamentalmente devido à pro-


teção do aço contra um excessivo aumento de temperatura, portanto, quanto maior o
recobrimento, maior será o período de resistência. A temperatura crítica para o aço está
por volta de 550 °C para o suave e aproximadamente de 400 °C para o aço tensionado.

Com relação aos agentes químicos, o concreto pode ser atacado por subs-
tâncias que se encontram no meio ambiente ou nos elementos do concreto, quan-
do ele apresenta condições de umidade ambiental. Geralmente os ataques quí-

105
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

micos acontecem através da penetração de água através de contatos como o solo.


Portanto, quanto menor for a rede capilar e de poros nesses concretos, mais difícil
é o transporte de líquidos e gases (MUNRÓ, 2013).

Dentre os ataques químicos possíveis em concretos temos: ataque ácido,


relação álcali-agregado, ataque que acontece no interior do concreto devido à
presença de agregados com muito conteúdo de álcalis, a velocidade do ataque
dependerá da capacidade capilar e da quantidade de água no concreto, ataques
por sulfatos e cloretos, lixiviação e carbonatação (causando coloração escura,
redução do pH e corrosão na armadura).

2.5 EFEITO DA DETERIORAÇÃO DO AÇO


A combinação entre concreto e aço são extremamente favoráveis na utiliza-
ção da construção civil, uma vez que trazem benefícios tanto para esforços de com-
pressão (pelo concreto) como para tração (pelo aço). Além disso há maiores com-
patibilidades, apresentando similar módulo de dilatação térmica e de deformação
elástica e o pH alcalino do concreto funciona como capa protetora para corrosão
do aço (MUNRÓ, 2013). Dentre as patologias que podem ser obtidas no concreto
armado, são originadas pelo: defeito próprio do aço, corrosão da armadura dentro
do concreto (conforme visto na Figura 22) e deficiência de execução da armadura.

FIGURA 22 – PATOLOGIA EM CONCRETO ARMADO DEVIDO CORROSÃO DE ARMADURA

FONTE: <https://bit.ly/3fXpsmQ>. Acesso em: 26 maio 2021.

O aço pode apresentar como defeito: impurezas, defeitos superficiais e


corrosão superficial. Os dois primeiros defeitos são gerados durante o processo
de fabricação do aço. Já a corrosão superficial se produz devido à consequência
de um inadequado armazenamento ou pela exposição a um ambiente corrosivo.

A corrosão da armadura geralmente ocorre devido ao efeito da umidade.


Este fenômeno, conforme visto no capítulo de metais, se dá devido à formação
de óxido e pode ser do tipo químico e eletroquímico. Nos concretos armados a
corrosão ao expandir o volume do aço pode gerar uma ruptura do concreto, além
de afetar a resistência da armadura.
106
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

E
IMPORTANT

Na figura a seguir, vemos a influência de corrosão em barras de aço não gal-


vanizadas em concretos armados. Em um período curto podem ser produzidos danos
importantes ao aço e perdas de resistência. As armaduras galvanizadas não sofrem desse
tipo de corrosão e conservam intactas sua aderência ao concreto.

FIGURA – INFLUÊNCIA DA CORROSÃO EM CONCRETO ARMADO

FONTE: Munró (2013, p. 20)

3 INVESTIGAÇÃO E DIAGNÓSTICO
Antes de iniciar uma reparação é necessário identificar claramente a pos-
sível causa da patologia. Em certas ocasiões a identificação é óbvia, no entanto é
necessário investigar minuciosamente a origem do problema. Em geral, quanto
maior é o tempo da construção mais complexo fica seu diagnóstico. Após iden-
tificar a causa é definido o objetivo de reparação, buscando melhor segurança e
capacidade de carga para aumentar a durabilidade do material. Em toda obra
deve ser considerada a possibilidade de reparações temporárias ou permanentes
(MONTOYA; MORÁN; MESEGUER, 2000).

107
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Os motivos para realizar um diagnóstico de uma estrutura são: degrada-


ção, por falta de proteção contra condições do entorno, possível influência estru-
tural, por aparição de sintomas patológicos (fissuras, flechas excessivas), dúvidas
do estado atual da estrutura, após a estrutura ser submetida a condições extre-
mas (incêndios, terremotos, entre outros), previsão de um aumento das cargas
atuais, como consequência de uma mudança de uso da estrutura. São realizadas
no mínimo três etapas essenciais para o processo de diagnóstico da estrutura:
observação, estudos prévios e diagnósticos.

Durante a etapa de observação é necessário um conhecimento amplo da


estrutura a ser avaliada. Esta etapa consiste no reconhecimento inicial da obra, seus
componentes estruturais em concreto, identificar características fundamentais e de-
tectar a presença de sintomas. As observações visuais vão em busca dos seguintes
defeitos nos elementos estruturais: deformações excessivas, mudanças de aspecto
superficial, fissuras e rachaduras em elementos estruturais ou não estruturais.

Para a etapa de estudos prévios são recolhidas informações em todos os


aspectos que se considere necessário para chegar a conhecer profundamente a
estrutura avaliada. Em função das características da futura intervenção, o técnico
irá diagnosticar como orientar essa pesquisa de estudos. Conforme distintos ca-
sos, são exemplos de possíveis fontes de informação:

• Arquivos do próprio edifício: planos municipais, projetos técnicos antigos,


projeto de reforma, estudos geotécnicos.
• Informação verbal dos próprios usuários: conhecer o momento da aparição
da patologia, circunstâncias extraordinárias, acidentes envolvidos no edifício.
• Época de construção da estrutura: e normas utilizadas na época.
• Aspectos histórico-artísticos: se relevantes, a estrutura do próprio edifício
pode adquirir um papel importante para diagnóstico. Tipologias estruturais
singulares, entre outras informações.
• Agressividade ambiental do meio: é uma parte importante do estudo prévio,
para conhecer a durabilidade sobre o comportamento do material.

A partir das hipóteses definidas nas etapas anteriores, é pelo procedimento de


diagnóstico que serão fixados os critérios para a solução da patologia. Podemos enten-
der por diagnóstico, uma proposta de articular o estado em que se encontra a estrutura,
o resultado das análises e das medidas a tomar para que a estrutura siga em serviço.

Ao fazer o diagnóstico de uma estrutura se deve ter presente que sempre


há um certo nível de risco, em função da quantidade e qualidade da informação
recolhida, a capacidade de análise e interpretação do técnico que realiza o diag-
nóstico e do tipo de edifício de que se trata.

O técnico diagnosticador deve ser capaz de reconhecer suas limitações


ou as que impõem uma informação insuficiente, aos efeitos de não intervir sem
necessidade, o que pode resultar em ações muito custosas economicamente, e que
se não sofrerem adequações, podem vir a causar acidentes futuros.

108
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

4 TRATAMENTO DOS ELEMENTOS DO CONCRETO


Diversas manifestações patológicas com potencial de afetar a durabilidade
e desempenho de um concreto podem ser evitadas ao se ter cuidado de realizar
adequadas proteções do elemento estrutural. A realização de diversos tipos de tra-
tamentos e proteções podem prolongar o tempo de serviço do material empregado,
sem esquecer-se de realizar análises de ciclo de vida do concreto utilizado.

Neste tópico serão abordadas técnicas de proteção superficial e manuten-


ção das estruturas como forma de prevenção, além de algumas medidas de repa-
ração de estruturas de concreto utilizadas na construção civil que já apresentem
certos tipos de patologia.

4.1 PROTEÇÃO SUPERFICIAL E MANUTENÇÃO DAS


ESTRUTURAS DO CONCRETO
Os sistemas de proteção superficiais de concreto podem se classificar em
grupos (MONTOYA; MORÁN; MESEGUER, 2000):

• Revestimentos de elementos de grande espessura: são condições específi-


cas, de solicitações extremas de natureza mecânica e química. Tais situações
podem se dar quando o concreto está em contato contínuo com produtos quí-
micos, líquidos de baixa pressão ou vapores agressivos em circunstancias de
elevada abrasão ou impacto. As características mecânicas e químicas desses
compostos dependem fundamentalmente de sua formulação. Nesta classifi-
cação encontramos a proteção de base betuminosa, vinílica, asfáltica, neopre-
ne, cerâmica, ladrilhos anticorrosivos, entre outros.
• Pinturas de proteção: existem basicamente dois tipos de sistemas de pinturas
de proteção. Os revestimentos hidrófugos de poro aberto e os revestimentos
impermeabilizantes com formação de película. Além de prover a proteção ne-
cessária contra os principais agentes de degradação, todos os produtos devem
satisfazer as exigências de resistir a intempéries, evitar o desenvolvimento de
fungos e bactérias na superfície, resistir mecanicamente a pequenos impactos
e ranhuras, possuir resistência à fotodegradação e ser estável quimicamente.

A correta aplicação de pintura, para obter máxima vida útil, é tão impor-
tante como a preparação da superfície e a seleção correta do sistema a ser empre-
gado. Portanto, muitas vezes é necessário raspar o material aderido com o auxílio
de espátula e misturar corretamente.

Em alguns casos e dependendo da viscosidade do material, se faz necessá-


ria a utilização de misturadores mecânicos para conseguir uma boa homogeneiza-
ção. Dentre os cuidados que se deve ter para pintura são: pintar com temperatura
ambiente entre 10 °C a 50 °C, iniciar o trabalho imediatamente depois de preparado
o substrato, não pintar áreas externas em dias muito úmidos, o conteúdo de umida-
de superficial relativa do concreto a pintar não deve superar 5 % a 6 %.
109
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

4.2 REPARAÇÃO DO CONCRETO


A perda de alcalinidade ou contaminação de cloretos de concreto consti-
tui um problema que pode comportar complicações graves para o sistema estru-
tural e seu conjunto.

No entanto o contratempo mais delicado para concretos é relacionado à


armadura, que ao ficar desprotegida pode ser atacada quimicamente por íons de
cloreto, começando um processo de corrosão generalizado (MUNRÓ, 2013).

As etapas de intervenção para proceder a reparação de zonas danificadas


no concreto são: eliminar o concreto deteriorado, preparação do substrato e lim-
peza da superfície; proteção da armadura e de sua capacidade resistente; coloca-
ção de novo material de reparação.

O processo de eliminação de concreto e preparação do substrato se realiza


por meios mecânicos ou manuais e consiste na extração de todos os fragmentos
fraturados. As partes carbonatadas e com cloretos excessivos também devem ser
eliminadas, deixando a armadura acessível em todo seu perímetro.

O aço deve ser descoberto, inclusive na zona onde não apresentem os sin-
tomas de corrosão, para poder verificar efetivamente que a armadura não está
corroída além deste ponto. É necessário limpar o aço completamente antes da
colocação do material de corrosão.

Após limpeza, a proteção da armadura se dá por uma capa adesiva de


epóxi ou proteção com polímeros (conforme apresentado na Figura 23).

Em muitos casos, nessa mesma operação pode ser necessária uma nova
armadura devido à perda de espessura. Essa substituição se deve para perdas de
seções superiores a 15 %.

FIGURA 23 – LIMPEZA E PREPARAÇÃO DE AÇO DE UM PILAR DE CONCRETO ARMADO

FONTE: Escamilla (2001, p. 193)

110
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

LEITURA COMPLEMENTAR

BIOCONCRETO COMO SOLUÇÃO DE MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS


NA CONSTRUÇÃO CIVIL: ESTADO DE ARTE

Larissa Érika Frazão Bezerra


Raissa Gomes Paulo
Vitória Barros de Sá Magalhães

INTRODUÇÃO

Presente nos mais diversos tipos de construções, o concreto é amplamen-


te utilizado desde a estruturação de uma simples residência até grandes obras
como, por exemplo, uma usina hidrelétrica. De acordo com o Conselho Empre-
sarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, o concreto é o segundo ma-
terial mais consumido do mundo, ficando atrás apenas da água, sendo ainda o
material construtivo mais utilizado pelo homem. Quantitativamente, conforme a
Federación Iberoamericana de Hormigón Premesclado (FIHP), estima-se que é consu-
mido cerca de 1,9 tonelada de concreto por habitante por ano.

Quanto a sua composição, o concreto é uma mistura homogênea de ci-


mento, agregados miúdos e graúdos, com ou sem a incorporação de componen-
tes minoritários (aditivos químicos e adições), que desenvolve suas propriedades
pelo endurecimento da pasta de cimento (BATTAGIN, 2009).

Embora o concreto tradicional já tenha uma boa resistência e bons resulta-


dos, ainda apresenta defeitos nas edificações realizadas com ele. Em decorrência
de alguns déficits apresentados pelo material, frequentemente, o ramo da cons-
trução civil busca alternativas de aprimoramento, o que vem tornando-o cada vez
mais planejado. Entretanto, mesmo com todos os aperfeiçoamentos e técnicas já
utilizadas a longo prazo, ainda se encontram falhas decorrentes do concreto nas
mais diversas edificações, sendo um dos mais comuns: as fissuras.

Segundo a HealCon, estima-se um gasto anual de US $ 6,8 bilhões (mais


de R$ 22 bilhões) para reparar edifícios enfraquecidos, só na Europa. Na alterna-
tiva de solucionar de forma mais eficiente esses tipos de problema, visto que não
podem ser evitados, deu-se origem a um revolucionário estudo, realizado pelo
cientista Holandês Henk Jonker, resultando-se no Bioconcreto.

A inovação gerada por esse novo material deu-se pelo fato de apresentar a ca-
racterística de autorregeneração, procedimento desenvolvido na Universidade Téc-
nica de Delft, utilizando-se bactérias. Para obter-se tal propriedade, incluiu-se na mis-
tura do concreto tradicional a bactéria Bacillus pseudofirmus, além do lactato de cálcio,
alimento dessas bactérias, possibilitando-se assim, através de reações que acontecem
quando em contato com a água, que os edifícios reparem suas próprias fissuras.

111
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Como consequência do longo período que a bactéria é capaz de sobreviver,


juntamente com as características apresentadas pela mesma e os resultados quando
presente no concreto, tem-se uma edificação com seu período de vida útil prolongando,
além de se economizar com custos relacionados à restauração de reparos do concreto.

1 REFERENCIAL TEÓRICO

1.1 FATORES DE DETERIORAÇÃO DO CONCRETO

1.1.1 Trincas e fissuras

Afetando a durabilidade, a estética e os componentes estruturais de uma


edificação, as fissuras são patologias frequentes, tanto em construções de alvena-
ria quanto em estruturas de concreto, sendo essas disfunções originadas devido
às tensões. Quando há uma maior solicitação do que aquelas é que o material é
capaz de resistir, consequentemente, surgem fissuras no papel de amenizar as
tensões excessivas aplicadas. Dessa forma, a magnitude e intensidade da fissu-
ração é diretamente proporcional à fragilidade e a restrição imposta ao material.

O surgimento de trincas e fissuras podem indicar também um alerta relacio-


nado a problemas futuros. A displicência quanto ao surgimento dessas irregularida-
des na construção pode ocasionar um posterior agravamento, podendo-se evoluir de
trincas para fissuras ou rachaduras, chegando a condições mais graves, que podem,
inclusive, comprometer a estrutura. As formações de fissuras são relacionadas a con-
dições tanto internas, quanto externas. Podendo-se citar como causas principais:

• Erro na preparação: a preparação do concreto deve seguir proporções adequa-


das quanto aos traços dos materiais utilizados, bem como estar de acordo com
as necessidades de sua posterior função. Logo, erros quantitativos e qualitati-
vos podem ocasionar o aparecimento de fissuras, sendo mais comprometedor
quando ocorrem em estruturas de apoio como, por exemplo, pilares e bases.
• Infiltrações: vazamentos na edificação, principalmente os provocados na rede
hidráulica, ocasionam infiltrações no concreto, deixando-o mais suscetível ao
surgimento de patologias.
• Umidade excessiva e retração por secagem: acrescentar-se mais água do que
o necessário na manipulação do cimento, diminui a resistência do concreto,
facilitando-se assim, a expansão da superfície, provocando- posteriores pato-
logias. Além disso, a escassez de umidade também pode ser um problema,
visto que, causa a retração por secagem. Com isso, o concreto tende a se con-
trair- e, consequentemente, trincar, podendo ser resultado de cura inadequa-
da ou da ausência de água na preparação.
• Falhas na aplicação: caracterizando-se como uma das principais causas desse
problema, as falhas na aplicação do material favorecem o surgimento de patolo-
gias na construção. Podendo induzir a tais falhas, desde um planejamento inade-
quado da obra, o posicionamento inapropriado dos elementos de concreto, até o
uso de superfícies irregulares de solo não compactados ou muito úmidos.

112
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

• Excesso de Carregamento; prepara-se uma obra baseada na sua futura atu-


ação, bem como, nas condições na qual estará exposta, suportando-se assim
as cargas atuantes. Desse modo, forças inesperadas, podem provocar fissuras
no material e comprometer a segurança da obra. As áreas de concreto ficam
sujeitas, gerando-se forças de tração causadas pela atuação do carregamento
previamente calculado das lajes, somando-se ao peso dos elementos do pró-
prio concreto armado, revestimentos de pisos e paredes.
• Estresse ambiental: a ação de fenômenos naturais como, por exemplo, chu-
vas, tremores de terra e ação solar, podem facilitar o desgaste do cimento e
ocasionar o posterior aparecimento de rachaduras e fissuras. Reforçando-se,
dessa forma, a importância da manutenção do concreto, devido às deforma-
ções causadas pela fadiga.

1.2 CUSTOS COM REPARAÇÃO DE FISSURAS E RACHADURAS

O estudo das patologias em alvenarias e em estruturas de concreto têm


sido alvo crescente de pesquisas, demonstrando-se a relevância do tema, já que
essas manifestações patológicas decorrentes de deformações na estrutura podem
influenciar diretamente na vida útil da obra. Contudo, o mesmo nem sempre
acontece com os estudos relacionados aos custos que envolvem esse problema.

A recuperação de obras relaciona-se com a indispensabilidade do reestabe-


lecimento da integridade física da estrutura, almejando-se a restauração das suas
características originais, como, por exemplo, a sua geometria e resistência. O re-
paro, mais simples e importante, refere-se ao ato corretivo de um defeito pontual
encontrado na estrutura e aplica-se, fundamentalmente, à correção de fissuras e
ao tratamento de armaduras com focos de corrosão. Em virtude dos custos de re-
paro serem consideravelmente mais baratos que os de recuperação, muitas vezes
recorre-se a esse tipo de intervenção, preferindo-se a recuperação apenas para as
manifestações patológicas significativas. Na (Figura 1), por exemplo, tem-se um
gráfico que ilustra o aumento do custo com a manutenção com o passar do tempo.

FIGURA 1

FONTE: Alani et al. (2001)

113
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Os custos crescem em uma razão geométrica de ordem cinco (1, 5, 25, 125),
significando que gastaria 125 vezes mais em uma intervenção, na fase mais avan-
çada da corrosão, do que se medidas simples forem adotadas nas fases iniciais,
abordando os projetos e especificações adequadas, e boas práticas construtivas,
garantindo-se uma determinada vida útil.

1.3 BIOCONCRETO: ORIGEM, COMPOSIÇÃO, MECANISMO E FINALIDADE

O concreto é o material construtivo mais utilizado pelo homem, e o se-


gundo material mais utilizado do mundo, sendo o primeiro a água, fato que re-
mete a importância de tal na construção civil. Sua vasta utilização dá-se devido,
principalmente, as suas características de permitir a modelagem variada quanto
à forma e tamanho, possuindo resistência similar a das rochas naturais.

Os cuidados no momento do preparo do concreto devem ser recorrentes,


assim como se deve ter atenção com as manutenções mesmo depois de finalizada
a obra, visto que as edificações, geralmente, apresentam sinais quanto a proble-
mas presentes e futuros. Entretanto, mesmo que todos os devidos cuidados sejam
tomados, existem algumas patologias que, a curto ou longo prazo, não podem ser
evitadas, é o caso das fissuras e rachaduras, por exemplo.

Já que não podem ser evitadas, a solução é então repará-las, com essa
finalidade, desenvolveu-se por um cientista Holandês, Henk Jonker, uma nova
técnica de restauração do concreto, tendo como diferencial o fato de que se incor-
porou ao concreto a característica de autorregeneração, para isso, realizaram-se
estudos na Delft University of Technology. No projeto do inovador tipo de concreto,
teve-se como objetivo alcançar a auto regeneração do concreto, visando também
a aniquilação de trabalhos e preocupações frequentes com reparos, resultando-se,
consequentemente, em estruturas com vida útil mais elevada, e na aniquilação
em custos com restauração.

Iniciou-se então, em 2006, o estudo baseado na adição de bactéria na mis-


tura no concreto usual, visando-se alcançar a autocicatrização ou autorregene-
ração do concreto, originando-se assim, o Bio concreto, que quando finalizado
tem-se a característica indicada na (Figura 2).

FIGURA 2

FONTE: Webredactie (2016)

114
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

O mecanismo e procedimento utilizado para o resultado desejado deu-se


através da substituição do material agregado, a brita, por esferas preenchidas com
bactérias do tipo Bacilluspseudofirmus, e acrescentou-se ainda o alimento das bacté-
rias, o lactato de cálcio. A modificação na composição do concreto age a partir do mo-
mento em que surge a fissura, rachadura, ou algo similar, visto que, nesse momento,
a água entra em contato com os esporos das bactérias, ativando-as e estas começam
a alimentar-se do lactato de cálcio, preenchendo-se a patologia completamente com
carbonato de cálcio, selando-se o vazio. O processo está representado na (Figura 3).

Jonkers apud Moreira (2016) cita que esta reação é similar ao processo
pelo qual a fraturas ósseas, no corpo humano, são naturalmente curadas por os-
teoblastos que mineralizam para reconstituir o osso.

FIGURA 3

FONTE: Moreira (2016)

1.4 PROBLEMAS RELACIONADOS A FISSURAS E O BIOCONCRETO COMO


SOLUÇÃO

Com o tempo, o desgaste ocasionado nas estruturas, seja por motivos na-
turais, por causas externas, ou até mesmo devido a erros na construção, resulta
em problemas na edificação. O surgimento de fissuras, por exemplo, é um sinal
de que algo está errado, e, pode acarretar em outras consequências. Uma fissura
de momento fletor, por exemplo, pode dar origem à corrosão de armadura.

Embora o concreto seja o material de construção mais utilizado do mundo,


ele tem uma falha grave: ele pode facilmente quebrar quando estiver sob tensão.
Se essas fissuras se tornarem muito grandes, elas levarão à corrosão do reforço de
aço, o que não só resulta em uma aparência pouco atrativa, mas também compro-
mete as qualidades mecânicas da estrutura (WEBREDACTIE, 2016).

Tem-se ainda que problemas, como fissuras, não são esteticamente agra-
dáveis, além disso, dependendo do nível de alastramento pode vir a comprome-
ter a resistência da estrutura. Em todos esses casos, o Bioconcreto é atuante como
solução, visto que a presença da bactéria e sua atuação impedem que as estru-
turas de ferro e aço entrem em contato com água e ar, por exemplo, evitando-se
assim o problema de corrosão.

115
UNIDADE 2 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS GERAIS

Quanto aos demais problemas oriundos das fissuras, também é solução


viável, visto que o tempo máximo previsto para o fechamento total é de três se-
manas, ocorrendo a solução ainda em curto prazo.

1.5 BACILLUS PSEUDOFIRMUS

O diferencial do Bioconcreto tem como particularidade predominante sua


capacidade de autorregeneração, fenômeno possibilitado devido à presença da
bactéria, Bacillus pseudofirmus, em sua composição. No entanto, para o devido fun-
cionamento, adiciona-se ainda o lactato de cálcio, que é o alimento das bactérias.

A presença da bactéria, além de adicionar ao concreto a característica de


autorrecuperação, também apresenta outras vantagens. Em seu estado natural,
pode habitar ambientes tão hostis, como crateras de vulcões ativos. E, segundo
Jonkers, o surpreendente é que essas bactérias formam esporos e podem sobrevi-
ver por mais de 200 anos nos edifícios.

2 METODOLOGIA

Para o desenvolvimento deste estudo realizou-se uma revisão bibliográfi-


ca, a qual serviu como base para uma discussão a respeito do tema do Bioconcre-
to, sua necessidade, como surgiu, suas vantagens, entre outros pontos relevantes.
Posteriormente, esse levantamento de dados dos trabalhos existentes na área,
resultou em dados qualitativos e quantitativos, proporcionando uma ratificação
das características do Bioconcreto e a sua importância como um material que
pode tornar-se solução para problemas da construção civil.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Baseando-se na presente bibliografia, através de dados tanto qualitativos como


quantitativos, possibilitou-se a obtenção de alguns resultados. O primeiro e, provavel-
mente, mais relevante foi o fato de a adição, no concreto tradicional, da bactéria Bacillus
pseudofirmus juntamente com seu alimento, lactato de cálcio, resultar na formação da
calcita, quando em contato com a água, selando-se qualquer fissura ou orifício.

Os estudos a respeito do Bioconcreto iniciaram-se em 2006, na Universidade


de Tecnologia de Delft, na Holanda, pelo microbiologista e professor Henk Jonker,
e pelo engenheiro especialista em materiais de construção civil Eric Schlangen.

Apresentou-se na Tabela 1, produzida com informações já citadas no artigo,


alguns dados referentes ao Bioconcreto, permitindo assim realizarem-se comentários
a respeito da vantagem ou desvantagem de sua utilização. O fato de ser, aproximada-
mente, 40% mais caro do que o concreto convencional pode aparentar, inicialmente,
uma desvantagem, mas, analisando-se em longo prazo talvez não seja bem assim.

116
TÓPICO 4 — MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NO CONCRETO ARMADO

Verificou-se que, segundo Heal Con, estima-se um gasto anual de US $ 6,8


bilhões (mais de R$ 22 bilhões) para reparar edifícios enfraquecidos, só na Europa.
Tem-se ainda que, em relação à corrosão, os custos crescem em uma razão geométri-
ca de ordem cinco, o que resulta em um gasto 125 vezes maior em reparação a longo
prazo, do que se gastaria com precauções iniciais. Observa-se, com isso, que o gasto
inicial com a utilização do Bioconcreto seria, consideravelmente, menor do que os
gastos com reparos, podendo-se resultar em uma economia de até bilhões de reais.

Verifica-se ainda que o tempo de duração do fechamento dos orifícios é


relativamente curto, e rachaduras quilométricas não seriam problema para esse
tipo de concreto, visto que, não tem limites de extensão. Além disso, a bactéria
tem um longo prazo de vida útil, podendo sobreviver em lugares com condições
extremamente secas e alcalinas durante anos.

TABELA 1 – PROPRIEDADES DO BIOCONCRETO

FONTE: Geotesc (2017)

Assim como uma solução para rachaduras, trincas e fissuras, o material


pode atuar evitando-se a degradação das armaduras de aço presentes no interior
do concreto, pois impedirá que a água entre em contato com as mesmas. O mate-
rial ainda resulta em um aumento na vida útil da estrutura.

CONCLUSÕES

O estudo, desenvolvimento e posterior uso do Bioconcreto nas edifica-


ções, resulta em vantagens significativas no ramo da construção civil de modo
geral. Tendo em vista a diminuição do número de manutenções necessárias, custo
com reparos de patologias, resultando, dessa forma, em uma grande economia e
maior segurança na estrutura da edificação e daqueles que a desfrutam. Diante
do exposto, pode-se verificar que a utilização do Bioconcreto apresenta vantagens
estéticas, estruturais e financeiras. Além disso, vantagens ambientais, visto que,
com o aumento da vida útil da estrutura, reduz-se a necessidade da produção de
concreto, que, por sua vez, causa impactos ambientais.
FONTE: <https://bit.ly/3uJGE4L>. Acesso em: 26 maio 2021.

117
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:

• Existem diversas manifestações de patologia nos concretos, como: patologias


derivadas dos componentes do concreto, da fabricação e execução, influência
do ambiente, químicos ou físicos e pelo efeito de deterioração do aço.

• Os motivos para realizar o diagnóstico de uma estrutura são: degradação,


aparição de sintomas patológicos, dúvidas do estado atual da estrutura e pre-
visão de aumento das cargas atuais.

• Dentre os ataques químicos possíveis em concretos temos: ataque ácido, rela-


ção álcali-agregado, ataques por sulfatos e cloretos, lixiviação e carbonatação.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

118
AUTOATIVIDADE

1 (FCC, 2018) As estruturas de concreto armado que estiverem submetidas à


agressividade da atmosfera urbana e industrial, ficam suscetíveis ao apare-
cimento de manchas escuras com redução do pH e corrosão das armaduras.
Com relação à patologia que corresponde a essa natureza do processo de de-
gradação das armaduras do concreto armado, assinale a alternativa CORRETA
FONTE: Adaptada de <https://bit.ly/3pfyDTH>. Acesso em: 26 maio 2021.

a) ( ) segregação.
b) ( ) lixiviação.
c) ( ) Retração.
d) ( ) Carbonatação.
e) ( ) Concentração salina.

2 (TJ-SC, 2011) A corrosão das armaduras é uma das manifestações patológi-


cas mais severas e de maior custo de reparação que afetam as estruturas de
concreto armado e protendido. Com respeito à corrosão das armaduras nos
concretos armado e protendido, é CORRETO afirmar:
FONTE: <https://bit.ly/3g2NAV7>. Acesso em: 26 maio 2021.

a) ( ) As principais causas de corrosão das armaduras são a carbonatação,


que corresponde à diminuição do teor de hidróxido de cálcio no con-
creto em decorrência da lixiviação causada pelo contato com a água, e a
ação corrosiva dos cloretos no concreto, que enfraquecem a camada de
cobrimento; o período de tempo decorrido da construção até a despas-
sivação é chamado de período de iniciação da corrosão.
b) ( ) Para que haja corrosão das armaduras no concreto a carepa de lamina-
ção das barras de aço deve ser consumida pelos álcalis provenientes da
hidratação do cimento e, por esta razão, as regiões de emenda por solda
são as mais suscetíveis a apresentar corrosão.
c) ( ) As principais causas de despassivação das armaduras são a carbonata-
ção, que causa a diminuição do pH do concreto, e a presença de cloretos
num teor acima do crítico no entorno das armaduras; o período de tem-
po decorrido da construção até a despassivação é chamado de período
de iniciação da corrosão.
d) ( ) A corrosão da armadura no concreto é um processo eletroquímico e
a presença de água no concreto é essencial para que a taxa de corro-
são seja grande o suficiente para causar danos às estruturas; portanto,
a corrosão das armaduras é mais acentuada nas regiões submersas das
estruturas do que nas partes que não ficam em contato permanente com
a água, principalmente se for água do mar.

119
e) ( ) A despassivação das armaduras corresponde a uma manifestação pato-
lógica causada pela penetração de cloretos e sulfatos, íons que causam
a carbonatação e o ataque ácido às barras de aço; o período de tempo
decorrido da construção até a despassivação é chamado de período de
propagação da corrosão.

3 (FUNDATEC, 2020) No prédio de uma escola municipal, foi realizada uma


vistoria por um engenheiro civil na qual foram detectados alguns focos de
deterioração e má funcionalidade por falta de manutenção. Em um dos pi-
lares de sustentação, foi observado um problema de corrosão de armadu-
ras. Baseando-se nas recomendações de Oswald Cascudo, na obra Inspeção
e Controle da Corrosão da Armadura de Concreto, classifique V para as
sentenças verdadeiras e F para as falsas:
FONTE: Adaptada de <https://bit.ly/3pbYV9D>. Acesso em: 26 maio 2021.

( ) Identificar o agente causador do problema e corrigir, se possível.


( ) Analisar a possível redução de seção transversal das armaduras atingi-
das, com substituição de novos estribos e/ou novas armaduras longitudi-
nais, se necessário.
( ) Limpeza rigorosa e apicoamento de todo o concreto solto ou fissurado,
inclusive das camadas de óxidos/hidróxidos das superfícies das barras.
( ) Reconstrução do cobrimento das armaduras, de preferência com concreto
bem adensado.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

a) ( ) V – V – V – V.
b) ( ) F – F – F – F.
c) ( ) V – F – V – F.
d) ( ) F – V – V – F.
e) ( ) F – F – V – V.

4 A combinação entre concreto e aço são extremamente favoráveis na utiliza-


ção da construção civil, uma vez que trazem benefícios tanto para esforços
de compressão (pelo concreto) como para tração (pelo aço). Quais são as
origens das patologias obtidas no concreto armado?

5 A execução de um concreto pode afetar diretamente sua qualidade quanto


à durabilidade e à segurança. Os problemas causados pela execução vão
desde diminuição de resistência do material, como aspectos visuais e es-
truturais inadequados do concreto. Quais são os fatores que influenciam a
variação das características do concreto devido à execução?

120
REFERÊNCIAS
ALVINO, A. E. I. Avaliação dos riscos em dutovias para transmissão de petróleo
e/ou gás mediante o modelo Muhlbauer. 2003, 61 f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Mecânica) – Pontifícia Universidade Católica, Rio de Janeiro, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7190: Pro-


jeto de estruturas de madeira. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.

BOTELHO, JR. J. A. Avaliação não destrutiva da capacidade resistente de es-


truturas de madeiras em edifícios antigos. 2006, 208 f. Dissertação (Mestrado
em Reabilitação do Património Edificado) – Departamento de Engenharia Civil,
Universidade de Porto, Porto, 2006.

BRASIL. Instrução Normativa Conjunta SDA/ANVISA/IBAMA nº 2, de 23 de ja-


neiro de 2006. Estabelece procedimentos a serem adotados para efeito de registro
de agentes biológicos de controle. Brasilia, DF: Diário Oficial [da] União, 2006.

BRASIL. Lei nº 4.797, de 20 de outubro de 1965. Torna obrigatório, pelas empre-


sas concessionárias de serviços públicos, o emprego de madeiras preservadas e
dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial [da] União, 22 out. 1965.

BRITO, L. D. Patologia em estruturas de madeira: metodologia de inspeção e técnicas


de reabilitação. 2014, 502 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Estruturas) – Departa-
mento de Engenharia de Estruturas, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2014.

BROTO Enciclopedia de patologías de la construcción. São Paulo: Links, 2006.

CALIL JR, C.; DIAS, A. A.; GOÉS, J. L. N.; STAMATO, G. C.; PIGOZZO, J. C.; OKI-
MOTO, F. S.; LOGSDON, N. B.; BRAZOLIN, S.; LANA, E. L. Manual de projeto
e construção de pontes de madeira. São Carlos: Suprema, 2006. 252 p.

COLIN, S. A madeira em tempos de sustentabilidade – III. Coisas da Arquitetura,


[S. l.], 30 ago. 2011. Disponível em: https://bit.ly/3g3H6Ft. Acesso em: 26 maio. 2021.

CRUZ, H. Patologia, avaliação e conservação de estruturas de madeira II. In: CURSO


LIVRE, INTERNACIONAL DE PATRIMÔNIO, 2., 2001, Santarém. Anais [...]. Santa-
rém: Associação portuguesa dos municípios com centro histórico; Fórum UNESCO
Portugal, 2001. Disponível em: https://bit.ly/3uJMZx5. Acesso em: 26 maio. 2021.

ESCAMILLA, A. C. Corrosión de armaduras en estructuras de hormigón ar-


mado: causas y procedimientos de rehabilitación. 2001, 300 f. Tesis (Doctoral
de Ingeniería Industrial) – Escuela técnica de Ingenieros de caminhos, Canalisy
Puertos, Universidad Politécnica de Madri, Madrid. 2001.

121
FIGUEIREDO, E. P. Corrosão e degradação dos materiais. In: ISAIA G. C. (ed.),
Materiais de construção civil e princípios de ciência e engenharia dos materiais.
v. 1, 3. ed., São Paulo, IBRACON, 2017.

FREITAS, V. I. G. L. et al. Análise e avaliação comparativa da degradação das


sacolas tradicionais e oxibiodegradáveis. Revista Científica Doctum: multidisci-
plinar, Caratinga. v. 2, n. 3, p. 1-22, nov. 2019.

GENTIL, V. Corrosão. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC. 2011.

HIPOLITO, I. S.; HIPOLITO, R. S.; LOPES, G. A. Polímeros na construção civil. In:


SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 10., 2013, Rio de
Janeiro. Anais [...] Rio de Janeiro: AEDB, 2013.

KLOCK, U. Química da madeira. Curitiba: UFPR, 2012. (Apresentação de slides).


Disponível em: https://bit.ly/3g78cvm. Acesso em: 26 maio. 2021.

LAROCA, C. Habitação social em madeira: uma alternativa viável. 2002. Dissertação


(Especialização em Engenharia Florestal) – Setor de Ciências Agrárias, Programa de Pós-
-graduação em Engenharia Florestal, Universidade Federal de Paraná, Curitiba, 2002.

LEPAGE, E.; SALIS, A. G.; GUEDES, E. C. R. Tecnologia de proteção da madeira.


São Paulo: Montana Química, 2017.

MACHADO, J. S.; DIAS, A.; CRUZ, H.; CUSTODIO, L.; PALMA, P. Avaliação, con-
servação e reforço de estruturas de madeira, Portugal: Editora Verlag Dashofer, 2009.

MARTINS, G. C. A. Análise numérica e experimental de vigas de madeira la-


minada colada em situação de incêndio. 2016,199 f. Tese (Doutorado em Enge-
nharia de Estruturas) – Departamento de Engenharia de Estruturas, Escola de
Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2016.

MENDES, A. A.; ALVES, M. V. S. A degradação da madeira e sua preservação.


Brasíli: IBDF/DPq-LPF, 1988.

MONTOYA, J.; MORÁN, F.; MESEGUER, A. G. Hormigón Armado. Barcelona:


Gustavo Gilí. 2000.

MUNRÓ, M. C. M. Patologia das construções. Bagé: Unipampa. 2013. (Notas de aula).

OJEDA, C. I.; MANTERO, C.; RABINOVICH, M.; CECCHETTO, G.; CERDEIRAS, M.


P. Deterioro y preservación de madera. Revista digital Universitaria, [S. l.], v. 13, 2012.

PARMA, A. P.; ICIOMOT, F. H. Patologias em estruturas de madeira ocasionadas


por agentes bióticos e abióticos. Semana Acadêmica, Fortaleza, v. 1, ed. 141, p.
1-23, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3yUgVtB. Acesso em: 26 maio. 2021.

122
PIANCASTELLI, E. M. Patologia, Recuperação e Reforço de Estruturas de Con-
creto Armado. Apostila para Curso de Extensão, Ed. Depto. Estruturas da Escola
de Engenharia da UFRG, Belo Horizonte, 1997.

ROCHA, J. Materiais metálicos. Florianópolis: Universidade Federal de Santa


Catarina. 2015. (Notas de Aula).

VIANA, H. M.; ANTUNES, R. A. Degradação de polímeros: degradação de políme-


ros e corrosão. 2006. Disponível em: https://bit.ly/2SQGif4. Acesso em: 27 fev. 2021.

ZABEL, R. A.; MORRELL, J. J. Wood microbiology: decay and preservation. San


Diego: Academic Press, 1992.

ZIGLIO, A. C. Uso da capsaicina como preservante de madeira ao ataque de


fungo apodrecedor. 2010, 83 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Mate-
riais) – Universidade de são Paulo, São Carlos, 2010.

ZIMER, A. M. Estudo da corrosão do aço carbono em meio de sulfeto. 2009, 264


f. Tese (Doutorado em Ciências Exatas e da terra) – Universidade Federal de São
Carlos, São Carlos, 2009.

123
124
UNIDADE 3 —

PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO


DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E
OUTRAS CONSIDERAÇÕES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• identificar as normas que auxiliam na intervenção de patologias;

• diferenciar conceitos de vida útil, ciclo de vida, garantia e responsabili-


dade civil de um projeto;

• associar técnicas destrutivas e não destrutivas que auxiliam na constru-


ção do diagnóstico patológico;

• conhecer casos de problemas patológicos e a forma de serem resolvidos.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade,
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

TÓPICO 2 – CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO

TÓPICO 3 – MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

125
126
TÓPICO 1 —
UNIDADE 3

AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

1 INTRODUÇÃO

Como visto nas unidades anteriores, muitas são as manifestações pato-


lógicas que podem surgir nos materiais ou componentes de um projeto de cons-
trução ao longo de sua vida útil. Algumas dessas manifestações são decorrentes
do entorno ambiental e outras, de maior gravidade, devido a falhas durante o
planejamento, execução e/ou uso da estrutura. Reconhecer que, um bom geren-
ciamento na obra é supremamente importante, para que durante a sua execução
não tenhamos necessidade de avaliar o seu estado. Contudo, após um tempo de
uso, será necessário aplicar técnicas para avaliar o estado da estrutura, este pro-
cedimento é denominado avaliação estrutural.

Este procedimento permite identificar possíveis anomalias progressivas e


profundas, porém, ele não é exclusivo da deterioração da estrutura, e sim das modifi-
cações que aconteceram nela antes, durante ou depois de sua execução, de modo que
possam ser atendidos os requisitos de qualidade e conformidade normativa (ABECE,
2015). Para ser realizado, é necessário que os profissionais apliquem alguns protoco-
los, normas e ensaios, além de realizar certas comparações. Neste tópico você enten-
derá o que deve constar nesse relatório e como ele deve ser construído.

Além disso serão apresentadas várias ferramentas e técnicas utilizadas


em campo para indicar o estado da estrutura. Esses procedimentos têm como
objetivo avaliar os sistemas construtivos de maneira a definir a necessidade de
realização de manutenções e reparos da obra. Aplicando constantes esforços para
melhorar a qualidade das habitações brasileiras, otimizar o uso de recursos e con-
sequentemente valorizar o projeto (CBIC, 2013).

2 CONSIDERAÇÕES DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS


Existem certas manifestações patológicas que não representam perigo ao
usuário, como o início de formação de bolor e eflorescência, no entanto, podem
representar o início de um alerta para futuros problemas que necessitem de uma
intervenção de reparo. Conforme Souza e Ripper (1998) apontam, quando um ele-
mento apresenta desempenho insatisfatório não significa que esteja condenado. A
sua avaliação se torna um objetivo da patologia, de maneira que ainda seja possível
dar continuidade ao seu funcionamento, estendendo seu tempo de vida útil.

127
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Mesmo que não existam normas para a reparação de patologias, todas a


normas de especificação técnica e execução de materiais reúnem um determinado
número de requisitos que visam atribuir segurança e qualidade ao projeto, seja
através da utilização de estruturas de concreto pela norma NBR 6118 (ABNT,
2014), pela sua aplicação em pré-moldados através da NBR 14859 (ABNT, 2016)
ou pela utilização de estruturas metálicas ou mistas NBR 8800 (ABNT, 2008).

Desta maneira, a recuperação dos componentes se apoia em revisões de


desempenho, orientações e/ou manuais técnicos que devem oferecer opções téc-
nicas e econômicas para proceder na sua execução. A finalidade é nortear a recu-
peração do componente.

E
IMPORTANT

A resolução de problemas patológicos não deve se basear somente em intui-


ções pessoais, o responsável pela eficiência na resolução dos problemas deve ter a capa-
cidade de conceituar o método a ser empregado em todas suas etapas (SENA et al. 2020).

Na medida em que são realizadas intervenções nas estruturas consegui-


remos modificar sua vida útil e aumentar sua durabilidade, porém, existirá um
número máximo de intervenções para atingir o nível mínimo de desempenho
desejado, tal como o Gráfico 1 esquematiza.

O aumento do tempo de vida útil de uma estrutura está diretamente rela-


cionado à quantidade de ações de manutenções realizadas na obra.

128
TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

GRÁFICO 1 – VARIAÇÃO DO NÍVEL DE DESEMPENHO NAS ESTRUTURAS EM FUNÇÃO DO TEMPO

FONTE: Possan e Demoliner (2013, p. 7)

Realizar um procedimento de reparação não está vinculado ao ato de


simplesmente preencher uma fissura em uma parede ou repintar uma superfí-
cie manchada. Esse tipo de ação de reparo, sem conhecimento do motivo da
fissura ou da mancha, causará o retorno da patologia e em algumas situações,
de maneira mais grave. Este fato poderá causar um custo mais alto do que uma
intervenção na raiz do problema. Por isso é necessário a realização de avaliação
da estrutura por um inspetor habilitado.

Em algumas ocasiões esse inspetor deve ser contratado pelo proprietário,


entretanto, quando essas anomalias surgem em um curto espaço de tempo após a
finalização da obra, existe uma responsabilidade civil por parte do construtor ou
contratante da execução, que deve dar uma garantia mínima da sua obra.

Contudo, Cavalieri (2009) reporta que essa responsabilidade civil pode


ser anulada quando comprovado que os danos que surgiram na estrutura foram
produzidos por causas alheias ou estranhas ao produto entregue. Em qualquer
caso, será necessário contar com um laudo estrutural para proceder corretamente
com as intervenções na estrutura.

129
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

DICAS

Para saber mais a respeito da manutenção e a responsabilidade civil envolvida


nesse processo, leia a LEITURA COMPLEMENTAR, ao final do Tópico 3 desta unidade, ex-
traída do capítulo de responsabilidade civil do autor Pelacani (2010).

2.1 OBTENÇÃO DE LAUDO ESTRUTURAL


A avaliação estrutural tem um nome técnico: laudo estrutural, definido
como um documento consolidado de uma avaliação profissional, que indica as
modificações que devem ser realizadas em uma edificação para realizar algum
tipo de reforma (ampliação, mudança de utilização) ou quando surgirem proble-
mas como fissuras e infiltrações. Nesse documento são especificadas diretrizes
que com segurança, eficácia e rapidez darão solução ao problema do cliente.

Para a emissão de um laudo técnico estrutural, Sthai (2020) indica as se-


guintes etapas:

• uma inspeção visual geral do lugar (vistoria), de modo que possa ser constru-
ída a perícia técnica;
• a indicação de possíveis ensaios e suas respectivas análises;
• elaboração do laudo estrutural, com as especificações de trabalho;
• construção do relatório fotográfico;
• entrega do laudo e emissão da ART.

NOTA

A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é um documento amplamen-


te utilizado por profissionais da Engenharia, Agronomia, Geologia, Geografia e Meteorolo-
gia que queiram realizar contratos de execução de serviços ou obras.

O item de inspeção predial se baseia em uma inspeção visual. Parissenti


(2016) define a inspeção predial como o procedimento para identificar o estado
geral da edificação e seus subsistemas. Nela são avaliadas a conformidade e o
comportamento nos aspectos de segurança, desempenho, funcionalidade, con-
servação, manutenção e operação, visando as expectativas de uso pelos usuários.
Basicamente, neste item são examinadas as especificações dos produtos.

130
TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

2.1.1 Obtenção de dados


A inspeção predial segue um roteiro, além de requerer de informações
históricas, ou seja, de dados prévios que dão ao inspetor orientação de onde con-
tinuar pesquisando dentro da estrutura. Na continuação é apresentado um flu-
xograma que acompanha a coleta dos dados (Figura 1), esses dados podem ser
informações orais de pessoas que enxergaram ou fizeram certas coisas que deram
lugar ao surgimento de anomalias e que fazem uso da estrutura. Contudo, tam-
bém existem os dados formais que provém do contexto próprio do projeto.

FIGURA 1 – FLUXOGRAMA DE CONSIDERAÇÕES NO MOMENTO DA INSPEÇÃO PREDIAL

FONTE: Adaptado de Krug (2006)

Como pode ser observado em todos os passos é acompanhada uma pesquisa


bibliográfica que permite esclarecer dúvidas de como, porque e quando estariam sur-
gindo as anomalias com determinado mecanismo. Para isso é necessário obter infor-
mações detalhadas das condições da estrutura, e identificar todas as falhas possíveis.

Existem empresas que aplicam um checklist para identificar em quais com-


ponentes surgiram uma anomalia, definindo sua gravidade segundo uma tabela
de pontuação e dando características do que conseguiram visualizar. Dessa forma,
sistemicamente podem associar que outros elementos podem ter sido ou serão fu-
turamente comprometidos, esse registro é apresentado parcialmente no Quadro 1.

131
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

QUADRO 1 – SEÇÃO DE UM CHECKLIST PARA VISTORIA

FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/3x6gnyV>. Acesso em: 26 mar.2021.

Contudo, este tipo de checklist pode ser complementado com informações


descritivas do entorno da estrutura e registros conhecidos pelos moradores, o
Quadro 2 dá uma ideia da multiplicidade de fatores que atuam sobre e ao redor
da estrutura e podem se tornar fontes de desajustes.

132
TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

QUADRO 2 – SEÇÃO DE UMA LISTA DESCRITIVA DE SITUAÇÕES NO ENTORNO DA ESTRUTURA

FONTE: Cóias (2006, p. 57)

NTE
INTERESSA

No ano de 2020, entrou em vigência a NBR 16747 (ABNT, 2020), titulada Inspe-
ção Predial – Diretrizes, conceitos, terminologia e procedimento, que detalha como devem
ser feitos os relatórios de inspeção predial, tendo em vista que devem ser obrigatoriamente
realizados por profissionais habilitados e devidamente registrados nos Conselhos Regionais
de Engenharia e Agronomia (CREA) ou Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU).

133
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

3 TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO
Uma vez que o proprietário da obra identifica as falhas, deve ser chamada
uma pessoa responsável capaz de medir esses desajustes. Apontamos ao fato de
medir porque o que não pode ser medido não pode ser consertado. Assim, desde a
frequência, profundidade e localização de fissuras até a revisão física do estado das
fundações requer um profissional certificado para realizar as leituras e explorações.

Esses profissionais recorrem inicialmente a uma inspeção visual focaliza-


da, análises dos dados históricos e possíveis causas. Como medida complementar
são usadas técnicas “in situ”, que permitam medir parâmetros. Existem dois tipos
de técnicas de medição: as técnicas destrutivas, quando é necessário extrair do
lugar, parcialmente, alguma seção representativa para estudar possíveis danos
ou não-destrutivas, quando são usados equipamentos na obra para realizar leitu-
ras de resistência, permeabilidade ou resistividade.

Cada tipo de material permite o emprego de certas técnicas, cabe ressal-


tar que essas técnicas são associadas a elementos estruturais que não podem ser
extraídos por completo (vigas, pilares, lajes, muros), por outro lado componentes
não estruturais e arquitetônicos podem ser removidos e substituídos sem neces-
sidade de análise técnica (NETO et al. 2020).

E
IMPORTANT

A escolha de um tipo de ensaio depende da informação que quer ser adquirida


para construção do diagnóstico. Entretanto, o uso de um único ensaio pode não prover a
informação necessária caso não seja acompanhado de outras informações históricas ou
outros ensaios complementares.

3.1 TÉCNICAS SENSORIAIS


Durante a inspeção o responsável pode fazer uso das mãos para tocar
na superfície da estrutura, se ela está oca, se certas partes estão frágeis ou sofre
de desprendimento de material rapidamente, essas especificações podem indicar
modificações na sua superfície ou seu interior. Na Figura 2, são especificadas
variais técnicas in situ e os parâmetros que podem ajudar a medir.

134
TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

FIGURA 2 – TECNICAS IN SITU TIPO SENSORIAIS QUE PODEM SER APLICADAS NA INSPEÇÃO
PRELIMINAR

FONTE: Ferreira (2010, p. 46)

3.2 ENSAIOS DESTRUTIVOS


A resistência mecânica representa uma das variáveis mais importantes
das estruturas, pois é com essa propriedade que são calculadas as estruturas.
Qualquer anomalia ou falha que possa surgir nas estruturas deve evitar alterar a
sua estabilidade, por isso é necessário avaliar a resistência nas diferentes modifi-
cações que possa sofrer a estrutura em caso de patologia.

A forma convencional em que é avaliada a resistência durante a execução


da obra, é através da realização de corpos-de-prova utilizando do traço realizado
em determinado lote, levando para o laboratório para a realização dos testes de
ruptura até a idade de rompimento (28 dias após dosagem). No entanto, este mé-
todo padroniza moldagem e cura, o que não necessariamente replica as condições
em obra. Assim, progressivamente existirão certos fatores e condições que muda-
rão o valor da resistência (ESCOBAR; ANDREOTTI; FABRO, 2011).

A extração de testemunhos ou núcleos de concreto ocorre conforme a NBR


7680 (ABNT, 2015), e permite visualizar o estado de compactação, como é observa-
do na Figura 3, além de medir a resistência in situ da peça e o possível surgimento
de ataques por cloretos, sulfatos e carbonatação que justifiquem a degradação do
material. Para determinar outros tipos de degradação é necessário retirar pequenas
partes do material e avaliar seus componentes, mediante análise microscópica.

135
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

FIGURA 3 – EXTRAÇÃO DE TESTEMUNHO DE CONCRETO

FONTE: <https://bit.ly/3ze1OeI>. Acesso em: 13 mar. 2021.

A extração dos testemunhos ocorre por uma extratora (ver Figura 4), onde
se deve permitir a obtenção de amostras homogêneas e íntegras do concreto. Para
extrair testemunhos cilíndricos, utiliza-se um conjunto de extratora provido de
cálice e coroa diamantada, ou outro material abrasivo que possibilite realizar o
corte dos testemunhos com as dimensões necessárias sem danificar a estrutura.
O equipamento deve ser bem fixado na superfície para evitar ondulações na su-
perfície e a refrigeração deve ser feita com água no local do corte, para diminuir
vibrações na hora de executar o corte.

FIGURA 4 – EQUIPAMENTO DE EXTRAÇÃO

FONTE: Bungenstab (2015, p. 7)

Para o caso das análises microscópicas, o material, após ruptura do corpo-


de-prova, pode ser analisado tomando partes não só das bordas, mas também do
centro e a parte intermediária. O alcance desse tipo de análise é visto na Figura 5.

136
TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

FIGURA 5 – MICROGRAFIA DE UM CORPO-DE-PROVA DE CONCRETO, O QUAL FOI ATACADO


COM SULFATO

FONTE: Gomides; Carasek; Cascudo (2018, p. 9)

Entre outros ensaios destrutivos está a avalição da carbonatação do con-


creto, que também requer a extração de testemunhos. Neste ensaio é medida a
profundidade da carbonatação com ajuda de fenolftaleina, que tem a capacidade
de identificar se uma substância é básica ou ácida através da coloração, devido
mudança de pH. A fenolftaleína como indicador de pH em titulações tem como
resultado coloração incolor para pH inferior a 8, coloração rosa para pH entre
8 e 10 e magenta entre 10 e 12. Na Figura 6 temos um exemplo da influência da
coloração no concreto devido ao pH. É importante indicar que a carbonatação
produz a queda do pH do concreto, o que com o tempo penetra na estrutura até
ir de encontro ao aço, produzindo nele corrosão.

FIGURA 6 – IDENTIFICAÇÃO DA CARBONATAÇÃO COM AJUDA DA FENOLFTALEINA E SUA


PROFUNDIDADE DE PENETRAÇÃO

FONTE: <https://bit.ly/3g49toh>. Acesso em: 25 mar. 2021.

137
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

3.3 ENSAIOS NÃO-DESTRUTIVOS


Tal como Costa (2012) indica, a aplicação dos ensaios não destrutivos nas
estruturas metálicas, e inclusive no concreto, permite verificar a presença de de-
feitos em conexões ou em profundidade, determinando se há necessidade de ma-
nutenção. Esses ensaios são menos custosos e previnem o surgimento de riscos
ambientais ou na estrutura pela ausência de retirada de material nas suas partes.

No Quadro 3 são listados os ensaios não destrutivos mais usados em es-


truturas metálicas, sendo que alguns são aplicados também no concreto.

QUADRO 3 – PRINCIPAIS MÉTODOS NÃO DESTRUTIVOS EM ESTRUTURAS

FONTE: <https://bit.ly/3pwCCvi>. Acesso em: 12 mar. 2021.

Para o caso do ensaio de ultrassom, a Figura 7 indica o posicionamento


do equipamento sobre o componente sem necessidade de modificar o seu estado.

138
TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO ESTRUTURAL

FIGURA 7 – ENSAIO DE ULTRASOM APLICADO NO CONCRETO

FONTE: <https://bit.ly/3zbUxvT>. Acesso em: 25 mar. 2021.

Também teremos na Figura 8 o uso do esclerômetro para determinar a


resistência in situ. É o ensaio mais simples para obter a resistência à compressão
superficial do concreto. Os cuidados de aplicação e manipulação dos equipamentos
acontecem com empresas especializadas. Porque a análise não ocorre somente
através das leituras, também é considerada a distribuição de leituras ao longo do
componente e sua representatividade.

FIGURA 8 – ENSAIO DE ESCLEROMETRIA EM UM PILAR

FONTE: <https://bit.ly/3zehEWL>. Acesso em: 25 maio 2021.

O ensaio de esclerometria é um método indireto de determinação da resis-


tência à compressão do concreto. A resistência é determinada a partir da relação
de calibração entre o parâmetro de teste não destrutivo e a resistência do concre-
to. Para sua realização é necessário:

• realizar a calibração do esclerômetro;


• preparar a área ensaiada (polimento energético com pedra de debaste);
• utilizar no mínimo nove impactos em cada área individual.

139
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Como vantagens, esse ensaio apresenta um baixo custo, simplicidade de


execução e rapidez no ensaio. Já as desvantagens são a não recomendação de sua
utilização isolada para determinar a resistência do concreto e os resultados po-
dem ser influenciados por diversos fatores externos.

Outras técnicas empregadas são:

• Termografia infravermelha.
• Resistividade elétrica.
• Permeabilidade à água sob pressão.
• Dureza.
• Provas de carga em fundações.

Existe uma ampla gama de ensaios que variam na escala manométrica até a
macrométrica, o conhecimento do alcance de cada um deles permite ser objetivo no
momento da escolha de determinado ensaio, seja este destrutivo ou não destrutivo.
Em muitos casos é necessário aplicar delimitações para a escolha de dados.

140
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Um laudo técnico estrutural é necessário para proceder com confiança nas


reparações e certifica que o construtor entregou o projeto com as condições
mínimas de desempenho.

• As avaliações estruturais requerem aplicações de técnicas de medição como


os ensaios destrutivos e não destrutivos ou técnicas sensoriais.

• O inspetor deve ter um conhecimento prévio (formal) da edificação para não


chegar sem saber o que fazer no momento da vistoria.

141
AUTOATIVIDADE

1 O item de inspeção predial se baseia em uma inspeção visual. É definida


como um procedimento para identificar o estado geral da edificação e seus
subsistemas. Nela são avaliadas a conformidade e o comportamento em
alguns aspectos pré-definidos. Baseados no texto da NBR 16747 (ABNT,
2020), em relação à inspeção predial, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Conservação, sistemas, comportamento, segurança, durabilidade.


b) ( ) Resistência, sistemas, comportamento, riscos, custos.
c) ( ) Conservação, sistemas, concreto, riscos, custos.
d) ( ) Conservação, projetos, comportamento, segurança, durabilidade.
e) ( ) Conservação, projetos, concreto, riscos, custos.

2 (COMPERVE, 2017) Segundo o IBAPE/SP, a inspeção predial é a avaliação isola-


da ou combinada das condições técnicas, de uso e de manutenção da edificação.
FONTE: <https://bit.ly/2TT62YX>. Acesso Em: 25 maio 2021.

Em relação a essa inspeção, baseada no IBAPE/SP, é correto afirmar:

a) ( ) As anomalias das edificações são originárias de fatores endógenos ou


internos, exógenos ou externos, naturais e funcionais.
b) ( ) O Laudo de Inspeção Predial de Manutenção é o único documento uti-
lizado para finalidades judiciais.
c) ( ) O laudo de Inspeção Predial não se presta para avaliações de imóveis e
prêmios de seguros, exceto em alguns casos.
d) ( ) As falhas constatadas e o grau de risco de anomalias, identificados pela
Inspeção Predial, são classificados em A, B e C.

3 O seguinte quadro relaciona os conceitos de inspeção, manutenção, degradação


e vistoria que possuem diferenças significativas e tempos específicos de aplica-
ção, todos eles foram nomeados no Tópico 1, associe os itens correlacionados:

Termo Conceito
1. Exame rigoroso e descrição minuciosa de um imóvel, ob-
A) Inspeção
jetivando a elaboração de avaliação.
2. Avaliação do estado da edificação e de suas partes consti-
B) Manutenção
tuintes, realizada para orientar as atividades de manutenção.
3. Conjunto de atividades a serem realizadas para conservar
ou recuperar a capacidade funcional da edificação e de suas
C) Degradação
partes constituintes de atender as necessidades e segurança
dos seus usuários.
4. Desgaste dos componentes e sistemas das edificações em de-
D) Vistoria
corrência do efeito de intempéries, uso e interferências do meio.

142
Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) A4 – C3 – B2 – D1.
b) ( ) D4 – C3 – B2 – A1.
c) ( ) A1 – B2– C3 – D4.
d) ( ) A2 – B3 – C4 – D1.

4 Uma das técnicas não destrutivas empregadas na identificação de anomalias é a


termografia infravermelha. Você poderia indicar em que consiste esta técnica?

5 Um dos conceitos nomeados anteriormente foi a responsabilidade civil por


parte do construtor. Disserte sobre quais tipos de responsabilidade tem este
personagem:

143
144
TÓPICO 2 —
UNIDADE 3

CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO

1 INTRODUÇÃO

A definição do diagnóstico significa a compreensão total das manifesta-


ções patológicas e seus sintomas, construído a partir das origens e dos mecanis-
mos de formação. Da mesma forma define os procedimentos (terapia) e recomen-
dação para prevenir o progressivo deterioramento da estrutura (PEREZ, 1985).
Sendo assim possível planejar as atividades de recuperação.

Até a manutenção deve se apoiar no diagnóstico, em cada falha que re-


gistre, porque as falhas locais podem não ser generalizadas. Para você ter ideia,
no ano de 1983, uma pesquisa realizada pelo IPT levantou o diagnóstico de cinco
escolas na cidade de São Paulo e quantificou 290 falhas-tipo, fato que levou ao de-
senvolvimento de programas de manutenção em edifícios escolares (IPT, 1983).

Quando o diagnóstico é corretamente definido e as medidas são tomadas o


resultado é uma intervenção satisfatórias, porém quando ele é incorretamente for-
mulado e o tratamento, obviamente, não compensa as falhas, o deterioramento passa
a ser silencioso, o que sem dúvida é mais perigoso do que se pensa. A construção e
lançamento constantes de manuais, recomendações e documentos que registram es-
tudos de casos satisfatórios é para facilitar intervenção, porém eles podem vir de di-
ferentes diagnósticos, então, não é possível extrapolar simplesmente a informação de
um projeto para outro, porque cada estrutura tem um histórico próprio e exclusivo.

Portanto, neste tópico iremos discutir as metodologias de análise e as cau-


sas-efeitos que ocorrem em uma construção para que seja elaborado adequada-
mente um diagnóstico das manifestações patológicas que nela ocorrem.

2 METODOLOGIA DE ANÁLISE
Cremonini (1988) afirma que descobrir as principais causas dos problemas
não é uma tarefa fácil, isso porque devem ser considerados inúmeros processos apre-
sentados durante as diversas etapas construtivas. Por isso é uma questão criteriosa,
que deve ser fragmentada em passos específicos para tornar mais fácil de construir.

Apoiando essa consideração alguns autores definiram os parâmetros e a


sequência que deveria ser aplicada para construir um bom diagnóstico do proble-
ma, resumido na Figura 9.

145
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

FIGURA 9 – FLUXOGRAMA GENÉRICO PARA O DIAGNÓSTICO DE UMA ESTRUTURA CONVENCIONAL

FONTE: Adaptado de Souza e Ripper (1998)

Souza e Ripper (1998) indicam que, com ajuda dessas etapas, informações vão
surgindo e condensando mais a origem do problema. Assim, a inspeção da estrutura,
junto às condições do ambiente dão as primeiras ideias dos mecanismos de ação.

É muito importante considerar se devem ser instauradas medidas urgen-


tes, sendo estas os indicativos de que deve ser feita uma evacuação ou escoramen-
to. Quando não são necessárias essas medidas, o caminho a seguir é obter registro
de modificações, ampliações e configurações até o momento na estrutura. Identi-
ficar desde quando surgiram as anomalias e sua extensão, se for preciso criar um
mapa de localização dessas anomalias no plano que representa a estrutura.

A informação pode ser complementada com os ensaios in situ ou em la-


boratório, que teoricamente devem sustentar ou descartar as possíveis causas. E
caso estes não levem a nenhum ponto, deve ser feita uma nova coleta de dados,
que finalmente condensará uma análise e definirá um diagnóstico. O diagnóstico
pode ter conclusões diversas, em função de fatores econômicos, técnicos, de con-
forto e segurança. Sendo assim, podem ter três vias a percorrer para construir o
diagnóstico (APPLETON, 2002):

• Via empírica: baseado no conhecimento que deixa a experiência do responsável.

146
TÓPICO 2 — CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO

• Via científica: que recorre a modelações matemáticas e físicas, apoiada em


ensaios in situ e laboratório.
• Combinação: das duas vias anteriores como uma condensação e construção
de diagnóstico sustentado.

2.1 ANÁLISE CAUSA-EFEITO


Helene (2003) consolida as seguintes informações que resultam conve-
nientes para a construção do diagnóstico:

• Toda definição do estado atual deve estar indicada em um documento que,


apoiando-se nas diversas informações, deve apontar se o dano é leve ou grave.
• Todo diagnóstico pode ser baseado em hipóteses de causa que deve ter com-
provação, porém devem ser indicadas as conclusões e as recomendações para
a recuperação dos componentes com desempenho comprometido.
• Deve ser questionado se a informação para construção do diagnóstico é sufi-
ciente ou não, pois quando não existirem informações suficientes para asso-
ciar o efeito à causa pode ser aplicada a técnica de definição de diagnóstico
pelo comportamento da estrutura, o que faz uso de técnicas estatísticas de
multivariável, sendo estas as mais significativas, ainda que temporais.
• Empregar determinados instrumentos também condizem à resposta da estru-
tura, por isso devem ser especificados tipos e representatividade do seu uso.
• Quando não for possível aplicar uma pesquisa científica com precisão a causa
do problema, as decisões do responsável deverão ser tomadas como explíci-
tas, tendo em vista o dever ético do profissional para com o projeto.

Do Carmo (2003) define que uma relação causa e efeito, que permite asso-
ciar a origem através do seu efeito sem ter que avaliar no tempo, pois a introdu-
ção de variações levaria a considerar o diagnóstico como resultado de uma esta-
tística ou probabilístico, que em algum momento pode sofrer variação e impede
de aplicar um conhecimento técnico eficiente.

Já Krug (2006) lista perguntas de controle e etapas que auxiliam na formu-


lação do diagnóstico em diferentes etapas:

• Identificação do problema

O Quais fatores são responsáveis pelo surgimento de patologias na edificação


citada?
- Seja em termos de materiais, técnicas ou maneira de utilização da
edificação.

O Quais os mecanismos de ocorrência dessas patologias?


- Para se entender como esses fenômenos surgem e evoluem.

147
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

O Quais soluções possíveis?


- Buscando-se através do entendimento dos mecanismos de ocorrên-
cia, alternativas para solucionar os fenômenos encontrados.

• Pesquisa bibliográfica

Ocorre de forma paralela às atividades da pesquisa, pois é a etapa que ali-


menta seu desenvolvimento, e para a qual Vitorio (2003) acrescenta que devemos
considerar o comportamento da estrutura e seu histórico de construção.

• Estudo inicial

É a fase de estudo realizada para a obtenção de resultados, e quando se realiza o


levantamento de dados usando-se de fotografias, realizando localizações e descrições.

• Identificação das possíveis causas de manifestações patológicas

É a etapa do estudo em que se identifica os agentes causadores dos fenôme-


nos patológicos, sejam eles remotos ou imediatos. O agente remoto caracteriza-se
como aquela causa de um fenômeno patológico que por sua vez irá desencadear
outro, enquanto o agente imediato é aquele responsável diretamente pelo surgi-
mento de um fenômeno patológico. Nesta etapa, além da identificação dos agentes,
também se realiza a descrição dos mecanismos de ocorrência de cada fenômeno.

• Elaboração de conclusões

É a etapa final, na qual se sugere a execução de exames complementares com


maior precisão, analisa-se a situação no caso de não intervenção e, por fim, definem-
-se as soluções possíveis para os problemas. Entretanto, a interpretação dos dados
fotográficos será visual e amparada pela bibliografia disponível, na qual, para cada
situação de patologia, serão abordadas soluções específicas (MONTEIRO, 2005).

ATENCAO

São indicados, como mecanismos de formação, todos aqueles fenômenos


que surgem nos materiais, a causa da sua microestrutura, natureza e condições do entorno.

Uma forma de visualizar esse diagnóstico mediante a relação causa-efeito


é na associação direta das causas prováveis, que se tornam os mecanismos de
ocorrência para que a manifestação patológica surja, o Quadro 4 indica várias
causas conhecidas pelo acadêmico e o local onde possa se apresentar. Nesse
exemplo a estrutura era o Cine Teatro central em Minas Gerais.

148
TÓPICO 2 — CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO

QUADRO 4 – ANÁLISE CAUSA-EFEITO MEDIANTE OS MECANISMOS DE OCORRÊNCIA

Manifestação
Local
patológica Causas prováveis

Movimentações higrotérmicas entre com- Paredes e


ponentes distintos. fachadas
Paredes e
Fissuras Sobrecarga nas aberturas das janelas.
fachadas
Serviços de manutenção ausente ou
Pisos
inadequado.
Decorrente de vazamentos na rede de cap-
Fachadas e
Recalque tação e distribuição de água e/ou esgotos
pisos
da cidade.
Acúmulo de umidade decorrente de in-
Descolamento de ar-
tervenções mal executadas, incluindo ci-
gamassa de revesti-
mento inadequado de peitoris e erros de Fachadas
mento e presença de
projeto de execução nos serviços de manu-
microrganismos
tenção anteriores.
Falhas no sistema de impermeabilização
Fachadas/
da marquise e sacada/ deficiência no fun-
Infiltração de água Pisos/ Paredes/
cionamento dos ralos e calhas/ vazamen-
Tetos
tos hidráulicos
Ladrilhos hidráulicos
com alto índice de des- Ação dos usuários Pisos
gaste e danificados
Umidade acidental, sobrecarga nas aber-
Peças cerâmicas dani- Pisos/
turas (janelas), serviços manutenção mal
ficadas ou ausentes Paredes
executados.
Rejuntes deteriorados Manutenção ausente ou inadequada. Paredes
Rodapés deteriorados
Umidade e ação dos insetos (cupins). Pisos
ou ausentes
Ação de intempéries e/ou usuários, umi- Paredes /
Pinturas degradadas
dade acidental e/ou ascensional. Tetos
Corrosão de armadura Manutenção ausente ou inadequada. Marquise
FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/3xbTme9>. Acesso em: 28 mar. 2021.

2.2 ANÁLISE MULTICRITÉRIO


Existe uma análise multicritério que pode ser aplicada para estimar se
um diagnóstico de patologia na construção resulta conveniente, e está baseado
na aplicação de critérios de desempenho KPI (Key Performance Indicator’s). Esses
critérios procuram facilitar a seleção da terapia, atribuindo diversos parâmetros
definidos na Figura 10 uma valoração, que se graficamente concentra sua disper-
são no centro não é conveniente, mas caso se estende para as bordas é o contrário.

149
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Estes parâmetros são definidos como (EBENSPERGER; DONOSO, 2019):

• Confiabilidade: é a probabilidade de que a escolha seja adequada para seu


propósito durante a sua vida útil. É complemento da probabilidade de falha
estrutural.
• Disponibilidade: é a proporção de tempo que um sistema está em condições
de funcionar. Originando-se de intervenções de manutenção planificadas.
• Segurança: relacionada a minimizar ou suprimir o dano às pessoas durante a
vida útil do projeto.
• Economia: está relacionada com a minimização de custos em longo prazo e às
atividades de manutenção durante a vida útil. Sem incluir atrasos ou desvios.
• Meio ambiente: considera o menor impacto sobre o meio ambiente durante
e a vida útil do projeto.

FIGURA 10 – PARÂMETROS DE DESEMPENHO QUE DEVEM SER ATINGIDOS COM O DIAGNÓSTICO

FONTE: Adaptado de Ebensperger; Donoso (2019, p. 9)

Nesses parâmetros devem ser atribuídos valores de um até cinco, sendo que
valores mais baixos denotam resultados mais positivos ou a favor do diagnóstico.
Assim, por exemplo, mais segurança (1) para estrutura, incrementando a probabi-
lidade de risco em valores superiores, até ser declarado como um perigo iminente
quando no cinco. Estas atribuições permitiram priorizar ações para intervenções.

Como exemplo de análise multicritério é apresentada a seguinte árvore


de valor, que constitui outra forma de visualizar os objetivos e os critérios que
devem ser considerados para cumprir tal objetivo. Para este caso o objetivo é de-
terminar qual tipo de intervenção na estrutura é prioritária.

150
TÓPICO 2 — CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO

FIGURA 11 – CORRELAÇÃO ENTRE O OBJETIVO E OS CRITÉRIOS

FONTE: Barcelos (2019, p. 62)

Contudo, a construção de um mapa conceitual não será suficiente para conhecer


a interação dos critérios e seu objetivo, é necessário descrever as opções de desempenho
que ele pode atingir. Essas especificações se tornam mais complexas do que associar os
mecanismos de ocorrência e determinar por experiência, o que resulta mais conveniente.
O Quadro 5 permite vislumbrar o significado do critério e os níveis aceites nele.

151
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

QUADRO 5 – DESCRIÇÃO DE ALGUNS CRITÉRIOS NECESSÁRIOS PARA RESOLVER O PROBLEMA


DO AUTOR

Critério 1 (C1) – Durabilidade


Avalia a relevância que a intervenção pode ter na du-
rabilidade da estrutura de edifício.
C1 apresenta uma escala qualitativa que varia entre
Descrição “muito baixa”, correspondendo a um impacto da in-
tervenção na durabilidade da estrutura irrelevante, e
“muito elevada” quando se considera que o impacto da
intervenção na durabilidade de estrutura é muito alto.
Objetivo 1 Níveis de Qualitativa: Muito elevada, elevada, média, baixa,
Minimizar desempenho muito baixa.
o risco Critério 2 (C2) – Resistência mecânica
estrutural Avalia a relevância que a intervenção pode ter na re-
sistência mecânica da estrutura do edifício.
C2 apresenta uma escala qualitativa que varia entre
Descrição “muito baixa”, correspondendo a um impacto da inter-
venção na resistência mecânica da estrutura irrelevante,
e “muito elevada” quando se considera que o impacto da
intervenção na durabilidade da estrutura é muito alto.
Níveis de Qualitativa: Muito elevada, elevada, média, baixa,
desempenho muito baixa.
FONTE: Barcelos (2019, p. 63)

Como resultado dos diversos critérios e sua contribuição para atingir o obje-
tivo principal será obtida uma matriz, tal como o Quadro 6 condensa a informação.

152
TÓPICO 2 — CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO

QUADRO 6 – MATRIZ DE ALTERNATIVAS QUE ASSOCIA OS NÍVEIS DE DESEMPENHO A CADA


UM DOS CRITÉRIOS

FONTE: Barcelos (2019, p. 64)

Conforme Santucci (2015), quantificar os dados mediante modelos ma-


temáticos tornou-se mais viável pela tecnologia associada ao instrumento, ora o
método torna-se mais conhecido dentro do sistema acadêmico do que comercial.
A vantagem desse sistema é gerar diversos diagnósticos que podem trazer muitas
respostas e várias intervenções, a maioria delas podendo englobar atividades cru-
zadas. Nessa sequência progressiva de formatação e obtenção de dados, acompa-
nhados de registro fotográfico, o uso dos instrumentos deve auxiliar a delimitar
os defeitos, carregando com lupa graduada, nível, termômetros, fio de prumo e
até de hidrômetro durante a vistoria, passando pelos ensaios in situ ou laborató-
rio, até apoiar-se em memórias descritivas e relatórios de supervisão técnica.

Considerando que o diagnóstico é produto de uma análise dos dados,


pode ser lançada a Figura 12 como esquema para definir corretamente o proble-
ma patológico, seu diagnóstico e sua terapia e finalmente obter a preservação
geral da estrutura.

153
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

FIGURA 12 – FLUXOGRAMA DE ATUAÇÃO PARA RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS PATOLÓGICOS

FONTE: Adaptado de Lichtenstein (1986)

154
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• A construção do diagnóstico obedece à análise de todos os fatores que estão


causando o dano ou anomalia na estrutura, por isso, ainda que ele possa ser
definido através de uma inspeção visual, a responsabilidade do consultor é
total na emissão das justificativas e atividades de reparação.

• Aplicar um passo a passo detalhado para construir o diagnóstico facilita a


condensação de informação e refina a causa do problema.

• No diagnóstico como documento, devem estar contempladas as atividades


(terapia) que podem ser implementadas para recuperar a estrutura ou com-
ponente, porém, não é obrigatório indicar o custo de cada.

• No diagnóstico também deve ser indicado o que acontece se “não é feito


nada”, ou seja, um prognóstico da ausência na intervenção.

155
AUTOATIVIDADE

1 (NUCEPE, 2018) Sendo a patologia uma ciência formada por teorias que
explicam o mecanismo e a causa da ocorrência de manifestações patológi-
cas – resultado de mecanismo de degradação, pode-se afirmar:
FONTE: <https://bit.ly/3vo530O>. Acesso em: 25 maio 2021.

a) ( ) A fissura é uma manifestação patológica, oriunda, por exemplo, da de-


formação excessiva de uma estrutura (patologia).
b) ( ) Durante a vistoria a uma edificação detectam-se manifestações patoló-
gicas e não a patologia em si.
c) ( ) O diagnóstico de uma patologia é resultado do entendimento de suas
causas e origens, dentre as quais se destacam: reações químicas, varia-
ções de temperatura, erosão, vibrações e corrosão.
d) ( ) No processo de recuperação do elemento afetado por patologia pode
ser necessário, além da correção da manifestação, o reforço ou a recons-
trução do elemento.
e) ( ) O bolor é uma manifestação patológica, oriunda, por exemplo, da de-
formação excessiva de uma estrutura (patologia).

2 Na figura a seguir, foram colocadas várias manifestações patológicas e seus


causadores. Associados ao conceito de causa-efeito, reorganize a balança
considerando que não existe equilíbrio só pelo número de frases, pois vá-
rias causas podem ter um único efeito, ou uma única causa pode ter vários
efeitos, também as frases podem estar do lado errado.

FONTE: O autor

156
3 (IBADE, 2020) Sintomas patológicos são lesões, danos, efeitos ou manifes-
tações patológicas, podem ser descritos e classificados, orientando um pri-
meiro diagnóstico.
FONTE:<https://bit.ly/3w6ZeFp>. Acesso em: 25 maio 2021.

São sintomas:

a) ( ) Corrosão das armaduras, deslocamento de revestimento, flechas exces-


sivas, polimento do concreto, eflorescência.
b) ( ) Eflorescência, ninhos de concretagem, corrosão das armaduras, deslo-
camento de revestimento, flechas excessivas.
c) ( ) Flechas excessivas, polimento do concreto, eflorescência, ninhos de con-
cretagem, corrosão das armaduras.
d) ( ) Deslocamento de revestimento, flechas excessivas, portlandita, eflores-
cência, ninhos de concretagem.

4 Ichtenstein (1985) indica que na consolidação do diagnóstico de um proble-


ma patológico podem ser geradas várias hipóteses ou modelos a respeito de
suas causas. Marque a alternativa que justificaria o uso dessas hipóteses:
FONTE: LICHTENSTEIN, N. B. Patologia das Construções. Boletim Técnico 06/86: Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo: São Paulo, 1986.

a) ( ) A partir de dados reais, o profissional cria hipóteses que devem ser avalia-
das e comparadas com situações que criem a mesma sintomatologia. Na
lógica, aquela proposta que registre mais similaridade terá o mesmo de-
sempenho no momento da sua reparação. Sendo esta a mais conveniente.
b) ( ) A partir de dados reais, a avaliação da durabilidade do concreto frente
à corrosão da armadura em estruturas de concreto armado pode ser re-
alizada com o uso de técnicas de medição do cobrimento da armadura
e por meio do esclerômetro de reflexão.
c) ( ) A partir de dados reais, a carbonatação do concreto envolve a reação do
ácido carbônico com o silicato de cálcio hidratado presente na pasta de
cimento hidratada, provocando a despassivação da armadura.
d) ( ) A partir de dados bibliográficos, o profissional avalia seu sistema para
avaliar o desempenho e reparação da estrutura, sem necessidade de
avaliação no local da obra.
e) ( ) A partir de dados reais, o profissional faz as hipóteses e intervenção na
estrutura no momento em que identifica os prováveis diagnósticos.

5 (Adaptada de NUCEPE, 2018) Um engenheiro foi contratado para emissão


de um laudo técnico quanto à recuperação dos ambientes sanitários.
FONTE: <https://bit.ly/3zbkZFL>. Acesso em: 25 maio 2021.

157
Em vistoria realizada, verificaram-se:

I- formação de bolor no forro falso, que apresentavam, em algumas unida-


des, furos;
II- mal estado do tubo de ventilação em PVC, ramais em ferro galvanizado,
caixa sanfonada em cobre e tubo de queda em ferro fundido;
III- rejuntamento mal executado entre ralo e placas do piso (de grande dimensão).

Os projetos de instalações do primeiro pavimento não foram disponibilizados


durante o levantamento de dados, quando se observou o fenômeno de retorno
da espuma nas instalações na área de serviço e cozinha. Soube-se que outras
intervenções objetivando atuar nas tubulações de esgoto e água fria já haviam sido
realizadas. Como você poderia justificar a causa dessas manifestações patológicas?

158
TÓPICO 3 —
UNIDADE 3

MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

1 INTRODUÇÃO

A associação da engenharia civil é consciente de que com a definição do diag-


nóstico a parte mais complicada é a conduta a ser tomada frente aos problemas. Certos
questionamentos se fazem presentes, por exemplo: é necessário intervir de modo pro-
fundo na estrutura? Quanto será o custo da intervenção? Em caso de não haver inter-
venção qual é o pior cenário que pode acontecer? Nesse ponto podemos rapidamente
pensar que, se a manutenção fosse realizada, o nível de gravidade não seria tão alto.

É por isso que o chamado à manutenção é normativo e até jurídico, pois,


ninguém resulta ganhando com o investimento feito em recuperações, sejam na
modalidade de reabilitação, reparo, restauração ou reforço.

Após definição do diagnóstico é necessário escolher entre as alternativas de


intervenção para resolver o problema apresentado, ou seja, um possível ou possíveis
planos de ação ou a ausência de intervenção. Em qualquer das opções a ser utilizada
existirá consequências que serão obrigatoriamente avaliadas ao longo do tempo.

Neste tópico discutiremos a profundidade da manutenção que deve acon-


tecer nos projetos de construção e o risco que leva a sua falta. Serão explanados
alguns exemplos de quando a manutenção representa uma intervenção mediante
reparo, reabilitação, restauração ou reforço.

2 MANUTENÇÃO
Tomando a definição da norma NBR 15575 (ABNT, 2013 apud CBIC, 2013,
p. 34), a manutenção “refere-se ao conjunto de atividades a serem executadas a fim
de que se assegure a conservação ou mesmo a recuperação da capacidade funcio-
nal da edificação e dos sistemas que a compõem, de modo que sejam atendidas as
necessidades de segurança do usuário”. Nas palavras de Perez (1985), para uma
manutenção objetiva deve ser aplicada a equipamentos, elementos ou instalações
de tal forma que existam progressivamente condições de segurança, habitabilidade
e eficiência para o cumprimento das funções para o qual foram construídos.

Existem vários tipos de manutenção que variam segundo a sua aplicação


temporal sobre o estado da estrutura. No Quadro 7 são resumidos os principais tipos.

159
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

QUADRO 7 – TIPOS DE MANUTENÇÃO

FONTE: Adaptado de Neto et al. (2020)

Essas considerações devem ser realizadas com periodicidade, sendo que


a manutenção preventiva é a primeira a acontecer. As manutenções corretivas
acontecem quando algum problema começa a ser manifestado, focando em redu-
zir a sua propagação. Todas elas devem ser acompanhadas da devida operação e
definida pela consultoria ou construtora (CBIC, 2013).

Para enfatizar a importância da manutenção no desempenho das edifica-


ções, Correa (2013) sugere a implantação de um programa de manutenção que
conte com rotinas de inspeção e manutenção rigorosas, apoiado no registro pro-
fissional responsável, a fim de ter uma gestão eficiente. 

Costa (2012, p. 5) sintetiza que: “a durabilidade de um produto pode ser


descrita pela variação do desempenho ao longo do tempo, ou seja, a capacidade do
produto em atender às necessidades dos usuários varia ao longo de sua vida util.”
A existência de planos de manutenção nas edificações é fundamental para que se dis-
ponha do conhecimento atualizado das condições funcionais da estrutura de modo
que se possam programar antecipadamente as intervenções de conservação neces-
sárias para que essas estruturas mantenham os níveis de segurança adequados e de
desempenho durante seu tempo de vida, sem necessidade de grandes reparações.

Essas intervenções devem prever a implantação de sistema de manuten-


ção dos materiais verificando sua conformidade técnica, operacional e gestão,
conforme ilustrado na Figura 13.
160
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

FIGURA 13 – FRENTES ATINGIDAS PELA INSPEÇÃO PREDIAL DEVIDAMENTE ORIENTADA

FONTE: Costa (2012, p. 5)

Os planos de manutenção devem compreender inspeções rotineiras anu-


ais, que se baseiam numa observação visual e durante as quais podem ser efetua-
das operações simples de manutenção e limpeza; as inspeções principais com uso
de técnicas de inspeção mais específicas, com a aplicação de ensaios não destruti-
vos, que poderá variar entre anuais, de 3 (três) anos e de 5 (cinco) anos.

A durabilidade e os critérios de manutenção de uma estrutura não depen-


dem apenas das propriedades dos materiais específicos, porém são resultados da
interação entre o material e o ambiente que o cerca. A durabilidade das edifica-
ções depende, fundamentalmente:

• do ambiente em que ele está inserido;


• do projeto;
• da manutenção executada.

ATENCAO

“A vida útil é o período durante o qual um produto tem desempenho igual ou supe-
rior ao mínimo requerido, ou seja, em que as necessidades dos usuários são atendidas. A vida útil
é, portanto, uma quantificação da durabilidade em determinadas condições” (COSTA, 2012, p. 5).

2.1 INVESTIMENTO DA MANUTENÇÃO


Uma estrutura tem seu custo, assim como seu ciclo de vida. Então, é en-
tendível que exista um custo associado ao ciclo de vida: Custo de Ciclo de Vida
(CCV), que praticamente está ligada ao conceito de vida útil. Dessa forma as con-
dições decorrentes do planejamento, a execução e o uso, todos, terão um custo
associado, inclusive a manutenção.

161
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Portanto, o custo da edificação deve incorporar o custo de manutenção


desde o momento de sua fabricação. O que acontece é que muitos acreditam que
aquilo que já foi pago deve durar “eternamente” sem necessidade de manuten-
ção, um pensamento completamente equivocado. Devemos pensar numa edifi-
cação de maneira equivalente à de um carro comprado e retirado da loja, onde o
primeiro contato com a estrada começará a ter custo na medida em que a quilo-
metragem aumente. No entanto, o tempo de vida de uma estrutura obviamente
deverá ser maior do que o de um carro.

Com isso em mente, para edificações podem ser criadas curvas de desem-
penho e de custos ao longo do tempo, como aspecto de índices de performance
que determinada obra deve apresentar, conforme apresentado no Gráfico 2.

GRÁFICO 2 – ESTIMATIVA DO CUSTO DE UMA ESTRUTURA EM RELAÇÃO AO AJUSTE DO SEU


DESEMPENHO

FONTE: Possan; Demolier (2013, p. 12)

O comportamento do custo inicial mais alto no tempo inicial está justificado na


necessidade do investimento inicial, que pode atrair mais patrocinadores. Pense que
um projeto com altos investimentos iniciais indicarão a necessidade de custos de ma-
nutenção maiores no futuro. Portanto, se houver outras alternativas que levem a redu-
zir o custo de aquisição inicial, a manutenção e reparo será menor ao longo do tempo.

Da interação dessas duas curvas observadas no Gráfico 2, pode ser criada a


curva de CCV. Esta curva indica que seria conveniente investir custos médios na eta-
pa de aquisição para considerar custos de manutenção menores. Os Autores Possan
e Demolier (2013), ressaltam que a análise do CCV exige visão sistêmica e multidisci-
plinar, que vão além da engenharia de materiais e da engenharia estrutural.

No que se refere ao programa de manutenção, objetivando as operações


de reparo, limpeza e restauração própria da edificação, devem ser definidas eta-
pas operativas e administrativas, tais como: o cadastramento do edifício e de suas
162
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

partes, elaboração de manuais próprios contra incêndio e estabelecimento de ro-


tinas a serem consolidadas como projeto. Todas essas atividades de preparação e
administração vão somando cifras que atribuem valores agregados significativos
ao investimento. Se observarmos o Gráfico 3, esse “pequeno” investimento se
torna mais vantajoso ao longo do tempo.

Não é possível deixar de lado que a manutenção tem seu suporte normativo no
Brasil mediante a aplicação da NBR 5674:2012, porém a instauração de uma inspeção
obrigatória ainda não foi definida na sua totalidade a nível nacional. Têm certos estados
que a definiram como via de regra, mas podemos questionar, se deve ser instaurado
como lei uma atividade que se torna conveniente para a vida útil das estruturas.

GRÁFICO 3 – CORRELAÇÃO ENTRE TEMPO E ETAPA DE PROJETO

FONTE: <https://bit.ly/3v4U1g3>. Acesso em: 30 maio 2021.

E
IMPORTANT

Considerando a variação exponencial que pode ter a manutenção com o pas-


sar do tempo, deixamos para você a seguinte frase em consideração: “O custo da manu-
tenção corretiva é 125 vezes maior que o custo na etapa de planejamento”.

3 CASOS DE RECUPERAÇÃO
Do Carmo (2003) indica que, quando a coleta de dados finaliza, a modela-
gem de hipóteses em questão é efetiva e o diagnóstico é julgado adequado, o pró-
ximo passo é definir a terapia a ser adotada. Esta definição de conduta engloba
decisões técnicas especificadas, como por exemplo, o tipo de material a ser usado,
os equipamentos que devem ser utilizados e a sequência de intervenção.
163
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

ATENCAO

Também existirão casos em que surgirá a reincidência do problema, sendo


esta uma hipótese no prognóstico, devem ser analisadas várias alternativas de intervenção,
a fim de julgar aquela que tenha o melhor custo/benefício.

Adicionalmente, Helene (2003) especifica que tanto os materiais escolhi-


dos e as técnicas a serem empregadas dependem do diagnóstico, das caracterís-
ticas da região local e das exigências de desempenho do elemento. O plano de
intervenção, uma vez finalizado, deve determinar preliminarmente a função ou
funções que estas deverão cumprir.

Considerando que possa existir incerteza dos efeitos, podem ou não con-
tar com a disponibilidade das tecnologias que executarão os reparos e o seu cus-
to-benefício, existem cinco alternativas de intervenção, listadas a seguir, cada
uma com suas especificações de comportamento após instalação:

• Atuações emergenciais: Definidas como aquelas ações que terão de ser exe-
cutadas rapidamente, procurando para remediar temporalmente as lesões
consideradas perigosas durante o uso da edificação e que comprometem o
seu desempenho. Mesmo que o propósito seja manter a estrutura em fun-
cionamento, deve ser realizada a pesquisa e definição do diagnóstico para
obter um reparo definitivo. Na Figura 14 é observada a quantidade de escoras
estrategicamente posicionadas para ajudar a suportar a laje, enquanto o pilar
parece ter deixado de funcionar parcialmente.

FIGURA 14 – ESCORAMENTO DE PILAR QUE SOFREU SOBRECARGA

FONTE: <https://bit.ly/3514q1K>. Acesso em: 28 mar. 2021.

• Ações de prevenção e proteção: refere-se àquelas atividades que pretendem


desacelerar a degradação da estrutura, limitando-se a tratar um componente
em específico. Basicamente, isso é objetivado na manutenção e com o controle

164
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

periódico, dessa forma se evita que o elemento esteja trabalhando no estado


limite do seu desempenho. Na seguinte Figura 15 é vista a aplicação de tinta
galvânica sobre um perfil metálico.

FIGURA 15 – PROTEÇÃO COM TINTA GALVÂNICA EM PERFIL METÁLICO

FONTE: <https://bit.ly/2TcTGKY>. Acesso em: 29 mar. 2021.

• Reparo: quando o componente estrutural sofre uma deterioração local que


acaba modificando a sua aparência sem comprometer seu desempenho me-
cânico. De fato, esta atividade não pode ser substituída por uma atividade
de diagnóstico completo, que consequentemente terá outra intensidade de
intervenção. Um desses reparos comuns acontece nas fachadas de blocos resi-
denciais ou empresariais, tal como é observado na Figura 16.

FIGURA 16 – REPARAÇÃO DA FACHADA DE UM BLOCO DE RESIDÊNCIA

FONTE: <https://bit.ly/3v4V4wv>. Acesso em: 27 mar. 2021.

• Reforço: intervir na estrutura em um nível que modifica as dimensões ou es-


pecificações técnicas, inicialmente definidas as causas das modificações estru-
turais da edificação ou projeto de construção. Na Figura 17 foi incrementada
a área nominal do aço para a seção previamente construída. Essas atividades
165
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

visam atribuir melhorias significativas nos componentes, que claramente não


podem ser trocados nem deslocados, garantindo assim um aumento na capa-
cidade portante do elemento.

FIGURA 17 – REFORÇO COM BARRAS DE AÇO NUM PILAR EXISTENTE

FONTE: <https://bit.ly/3g61S8R>. Acesso em: 25 mar. 2021.

• Substituição da estrutura: esta alternativa é usada quando é inviável o uso


de reforços, e o componente estrutural já não supre o seu desempenho ini-
cialmente arbitrado, então, elimina-se fisicamente o componente estrutural
substituindo-o por outro elemento novo.

FIGURA 18 – SUBSTITUIÇÃO DE PAREDE POR VIGA METÁLICA A FIM DE AMPLIAR ESPAÇO

FONTE: <https://bit.ly/3uYESwE>. Acesso em: 26 mar. 2021.

166
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

Independente da conduta a ser escolhida e aplicada, deve ser registrado por


escrito as modificações realizadas, armazenar a informação e ter a especificação
do procedimento aplicado, a fim de que, sendo um sucesso de intervenção, outros
possam replicar ou considerar como alternativa de solução, ou seja, se tornar um
caso de estudo na engenharia.

3.1 CASO Nº 1 – EXPOSIÇÃO DO AÇO DE REFORÇO EM


ELEMENTOS ESTRUTURAIS
Certos componentes das estruturas podem se ver expostos quando existe um
deterioro na superfície que os recobre, esse é o caso típico do aço de reforço, a seguir vere-
mos algumas maneiras de como intervir na reparação dos elementos que o incorporam.

3.1.1 Reparação em viga de pavimento


As descrições das manifestações patológicas encontradas a seguir, por Ari-
vabene (2015), são apresentadas através do levantamento fotográfico das manifes-
tações patológicas indicando sua respectiva localização na edificação, bem como os
fenômenos por observação visual, e a indicação das prováveis causas, juntamente
com a descrição do mecanismo de ocorrência de cada patologia. A Figura 19 indica
a situação e imediatamente são apresentados os comentários do autor.

FIGURA 19 – DESPRENDIMENTO DO RECOBRIMENTO NA VIGA DA LAJE DO PAVIMENTO

FONTE: Arivabene (2018, p. 17)

• Descrição visual: a figura mostra uma qualidade muito ruim do


concreto, bem como a exposição da armadura da viga.
• Manifestação: nota-se que há o aparecimento de oxidação na arma-
dura, porém em conjunto com um concreto de baixa qualidade (do-
sagem dos componentes errada, fator água/cimento muito elevado,
granulometria dos agregados não ideal para concreto tornando o
concreto muito poroso e matérias orgânicas presente na mistura).

167
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

• Causas prováveis: o concreto a ser utilizado em elementos estrutu-


rais, deve ser dosado adequadamente, sendo o teor de água muito
bem controlado. No momento do lançamento e adensamento do
concreto nas formas, o mesmo deve ser feito com cuidado, não lan-
çando de grandes alturas e vibrando de forma que não haja separa-
ção dos componentes (segregação ou exsudação).
• Neste caso, as manifestações percebidas, são decorrentes da utili-
zação de formas de madeira bruta sem aplicação de um desmol-
dante, a qual tende a absorver parte da água do concreto, sendo
que, quando na retirada das formas, o concreto aderido à ela, se
desprende do elemento concretado. Isto aliado à má qualidade do
concreto, acaba por comprometer a resistência da peça e expor a
armadura à corrosão.
• De acordo com Ambrósio (2004), as estruturas de concreto armado
apresentam ocorrências de corrosão das armaduras, devido aos se-
guintes processos desencadeadores:
• cobrimento insuficiente da armadura;
• concreto poroso;
• existência de anomalias no concreto;
• utilização de adesivos a base de cloretos e outros agentes químicos;
• ataque externo de cloretos e outros agentes químicos;
• outros.
• Mecanismo de ocorrência: como apresentado até o momento, a oxi-
dação da armadura é decorrente de sua exposição a um meio agres-
sivo, e esta por sua vez pela utilização de materiais de construção
de má qualidade, associado a uma desatenção e/ou negligência dos
responsáveis pela fiscalização e controle na execução da obra.
• Solução: faz-se a limpeza do local, removendo o concreto que en-
volve a armadura, fazendo com que o aço fique totalmente desco-
berto em toda a área em que se apresenta oxidado. A melhor limpe-
za do aço faz-se por meio de jato de sílica, que é indispensável para
limpeza de ferrugem. Todo concreto removido deve ser substituído
por um material de consistência plástica, podendo este material ser
concreto convencional, argamassa ou outro tipo de material de re-
cuperação, desde que não seja um elastômero e que adquira resis-
tência compatível, tornando monolítico o elemento estrutural.
Segundo Souza e Ripper (1998), no caso de estruturas recém-constru-
ídas, os reparos devem ser feitos imediatamente após a retirada das
fôrmas, para diminuir a possibilidade de existirem grandes diferenças
entre as propriedades dos dois concretos.
O concreto de reposição deverá ter resistência no mínimo igual à do
concreto existente na estrutura, possuir granulometria e diâmetro má-
ximo dos agregados compatíveis com o serviço, além de apresentar
uma trabalhabilidade conveniente, a qual poderá ser melhorada com
o uso de aditivos fluidificantes (ARIVABENE, 2015, p. 17-18).

3.1.2 Reparação em pilar de edificação


Tal como o caso anterior, esse problema também conta com as especifi-
cações de causas prováveis, possíveis mecanismos de ocorrência e solução. Con-
siderando o estado do pilar na Figura 20, se fazem os seguintes levantamentos.

168
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

FIGURA 20 – APARÊNCIA DO PILAR NO SUBSOLO DA EDIFICAÇÃO

FONTE: Lotterman (2013, p. 54)

• Descrição visual: a Figura 20 mostra a segregação do concreto de


classe média na base do pilar;
• Manifestação: observa-se que a superfície do concreto está apresen-
tando imperfeições. Classifica-se como classe “risco médio”, devido
ao aparecimento dos agregados graúdos, porém sem o desprendi-
mento dos mesmos;
• Causas prováveis: a provável causa é o lançamento de concreto de
grande altura ou uso inadequado do vibrador;
• Mecanismo de ocorrência: quando o concreto é lançado de uma al-
tura considerada grande, há uma separação dos agregados graúdos
da pasta formando essas imperfeições. Outro mecanismo é a má
vibração do concreto, fazendo com que o concreto não fique homo-
gêneo em alguns locais, principalmente na base de pilares, devido a
dificuldade de acesso do vibrador.
• A NBR 14.931 (ABNT,2003) prescreve que o concreto não deve ser lança-
do de altura superior a 2 metros. Então, no caso de pilares ou paredes, o
concreto das primeiras 4 camadas deve ser lançado através de um tubo
de 100 ou 150 mm para que este não perca argamassa no caminho (ao
se chocar com a armadura) e não se desagregue pelo impacto no fundo.
A cada lançamento o tubo deve ser retirado, vibrado e, posterior-
mente recolocado o tubo repete-se a operação. Essa talvez seja a
recomendação mais importante de todas, onde a broca em pilar re-
sulta numa patologia gravíssima.
• Não adianta cobrir com uma “argamassa forte”, pois o resultado não é su-
ficiente. Esse tipo de patologia pode levar o edifício à ruína, ou seja, o pré-
dio pode cair em função de resistência insuficiente dos “pilares brocados”.
• Solução: primeiramente se faz a verificação do grau de comprome-
timento do concreto, para posteriormente escolher o método mais
adequado para solução. Para segregação de concreto, sempre fa-
lando genericamente, têm diversos tipos de soluções, sendo que o
preparo inicial deverá ser mantido em todas as opções de soluções,
conforme característica de cada obra.
O procedimento que antecede todas as soluções é a remoção de
todo material solto até chegar ao concreto são por meios mecâni-
cos ou manuais. Executando assim a limpeza do local afetado, e
sempre analisar a estabilidade do pilar durante o serviço. Algumas
soluções recomendadas foram:

169
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

• Aplicar na área, a modo de recomposição, com argamassa cimento/


areia, colada com epóxi;
• Na modalidade de recomposição com argamassa sintética (epóxi +
areia ou quartzo granulado);
• Recomposição com resina epóxi pastosa;
• Recomposição com argamassa tipo “DRY PACK” de fechamento, e
injeção de calda de cimento para preenchimento de vazios internos
(LOTTERMAN, 2013, p. 54-55).

3.2 CASO Nº 2 – PROBLEMAS DE INFILTRAÇÃO


O fluxo de água em lugares inapropriados se torna uma problemática
muito comum, aqui poderão ser observadas duas situações em que ela é armaze-
nada de modo permanente ou temporal quando a chuva acontece.

3.2.1 Impermeabilização em reservatório torre de água


Funcionários de uma loja de móveis, localizada em Florianópolis, re-
lataram ter identificado algumas manchas de infiltração e parte da ar-
madura exposta na parte interna do reservatório no mês de fevereiro.
Em uma visita técnica no local, a fim de se identificar as patologias,
ficou evidente que eram provenientes de deficiência da impermeabili-
zação da estrutura, causando manchas, infiltrações de água e corrosão
da armadura, a solução foi refazer toda a impermeabilização do reser-
vatório, para evitar futuros danos a estrutura, pois a infiltração estava
atingindo a armadura que já estava exposta (SIQUEIRA, 2018, p. 70).

Na seguinte figura pode ser vista o tamanho e o dano que tem lugar no
reservatório. A autora aponta que foi necessário aplicar as seguintes atividades
antes de realizar a impermeabilização:

• Evacuação da água,
• Limpeza do local,
• Tratamento das ferragens expostas,
• Retiro do concreto possivelmente contaminado pela oxidação da armadura,
• Limpeza das barras e aplicação de anticorrosivo

170
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

FIGURA 21 – GRANDEZA E O ESTADO DO FUNDO NA PARTE INTERNA DO RESERVATÓRIO

FONTE: Adaptada de Siqueira (2018, p. 70 - 71)

Uma vez reparado o concreto foi procedido com a impermeabilização to-


tal do local, pois isso evita que pequenas falhas não percebidas sejam asseguradas
pelo novo procedimento. O processo após intervenção é observado na Figura 22.

FIGURA 22 – RESERVATORIO APÓS INTERVENÇÃO

FONTE: Siqueira (2018, p. 73)

Para impermeabilização em qualquer tipo de reservatório não é acon-


selhado o uso de produtos à base de asfalto, pois o trabalho é realizado
em ambiente fechado. O sistema de impermeabilização deve seguir a
norma NBR 12170 (ABNT, 1992), “potabilidade da água aplicável em
sistemas de impermeabilização” (SIQUEIRA, 2018, p. 73).

171
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

3.2.2 Impermeabilização em laje


Em uma edificação é muito importante que se faça uma boa impermeabi-
lização na laje de cobertura, pois é o elemento do edifício que mais se en-
contra exposto a intempéries. É preciso impermeabilizar todos os locais que
entrarão em contato com a água para não ter infiltrações. Uma laje situada
no bairro de Barreiros em São José, na qual estava tendo infiltrações através
do rejunte e em fissuras existentes no piso (SIQUEIRA, 2018, p. 74).

Conforme observamos na Figura 23.

FIGURA 23 – A) PREPARAÇÃO DA SUPERFÍCIE PARA O RECIBIMENTO DO TRATAMENTO, B)


APLICAÇÃO DA EMULSÃO ASFÁLTICA

FONTE: Adaptado de Siqueira (2018, p. 76-77)

A solução a ser implementada também estabelece suas condições de efeti-


vidade, tal como é a transpassa de 20 cm entre mantas em contato.

FIGURA 24 – A) APLICAÇÃO DA TRANSPASSA NA MANTA, B) TESTE HIDROSTÁTICO NA MANTA


INSTALADA

FONTE: Adaptado de Siqueira (2018, p. 78)

172
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

3.3 CASO Nº 3 RECUPERAÇÃO DE FACHADA


A fachada é a envolvente que fica totalmente exposta a fatores ambientais,
por isso é muito comum ver reparações nela. Veja como certos autores trataram
com ela nos seguintes exemplos.

3.3.1 O caso do edifício A


Uma edificação revestida com cerâmica, que foi fixada com argamassa
colante industrializada registrou problemas de destacamento, em vá-
rias regiões da fachada, ainda que próximo de esquadrias e na parede
da zona norte era intenso. Desta estrutura foi conhecido:
• Localização: na área nobre da cidade de Piracicaba – SP, a data
da construção: 2002, as informações em relação à fundação não
foram possíveis obter, pois não houve acesso ao memorial do pro-
jeto, os dados limitaram-se às informações fornecidas pelo enge-
nheiro responsável pela recuperação da fachada do edifício.
• A estrutura da edificação: concreto com fechamento em alvenaria.
E o tipo de bloco de vedação utilizado: tijolo baiano.
• Revestimentos: placa cerâmica 10 × 10 e 10 × 15-Grupo BIIa.
• Argamassa colante: tipo ACII.
• Camada de emboço: espessura de aproximadamente 5 mm (PEZ-
ZATO; SICHIERI; PABLOS, 2010, p. 26).

Na Figura 25 podem-se observar vários pontos de destacamento do edifício A.

FIGURA 25 – ESTADO DA FACHADA COM DESTACAMENTOS LOCALIZADOS

FONTE: Pezzato; Sichieri; Pablos (2010, p. 2)

O processo de recuperação, segundo dados do engenheiro:


• Foram detectadas várias áreas com destacamento de revestimento
cerâmico em várias faces da fachada.
• A superfície da fachada, já “estufada”, recebe leves “batidas” com
martelo de borracha para a retirada de todas as placas na área ao
redor das placas que já estavam descoladas e que, portanto, pode-
riam estar se descolando também.
• Retirou-se o emboço existente através de raspagem.
• Utilizou-se uma mangueira para molhar a superfície.

173
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

• Refez-se o emboço preparado in loco composto de (areia + cimento


+ sica chapisco + EVA acrílico).
• Assentaram-se as mesmas placas, recuperadas com argamassa co-
lante tipo ACII.
• Faltou uma quantidade pequena de placas, que foram repostas.
Por serem de outro lote, possuíam outra tonalidade e calibre, por-
tanto, foram assentadas em uma área com menor visibilidade.
• Aplicou-se junta de movimentação em áreas com maior destaca-
mento, onde havia caído um grande painel de placas.
• Aplicou-se mastique (cica-flex) em volta das esquadrias, chamada
de “junta de contra-regra” pelo engenheiro responsável.
• Os assentadores receberam treinamento na própria obra.
A partir dos dados obtidos, pode-se concluir que o provável diagnóstico da
patologia encontrada neste caso foi a dificuldade de aderência da argamas-
sa colante com a superfície do emboço que tem uma espessura de 5 milí-
metros aproximadamente, medida inferior da recomendada por norma e a
falta de juntas de movimentação em todo o “pano” de revestimento.
Segundo a NBR 1374 (ABNT, 1996), recomenda-se que em revestimen-
tos externos, a camada de emboço seja produzida com espessura de
20 a 30 mm, mantenha-se aderida às camadas vizinhas, diminuindo o
efeito dos movimentos diferenciais entre as camadas (PEZZATO; SI-
CHIERI; PABLOS, 2010, p. 27).

3.4 CASOS DE RECUPERAÇÃO DE CONEXÕES


Detalhes menores, como é o caso das conexões, também é importante serem
reparados ou recuperados, pois garantem a continuidade das transmissões de cargas.

3.4.1 Métodos corretivos nos Aparelhos de Apoio


Metálicos de pontes
Estes autores indicam que a principal fonte de patologias nos aparelhos de
apoio metálicos é devido a causas extrínsecas, mais precisamente pela corrosão.
A corrosão oriunda da variação de umidade do meio ambiente e a interação com
os gases corrosivos, como gás carbônico, anidrido sulfuroso e outros. A aparência
do apoio pode ser vista na Figura 26.

FIGURA 26 - APARELHO DE APOIO METÁLICO DANIFICADO (CORROSÃO)

FONTE: Lourenço; Mendes (2009)


174
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

Além da corrosão, a idade avançada da estrutura e a falta de proteção,


também são outros fatores. Ainda se analisado um material cuja resistência à cor-
rosão for alta, assim mesmo está sujeito a tal condição, pois um material con-
siderado bastante resistente à corrosão pode ser deteriorado com um meio de
corrosão específico, dessa forma deve-se fazer um estudo específico do material
metálico, meio corrosivo e condições operacionais (GENTIL, 2003).

Este tipo de patologia ocasiona-se nos dois tipos de articulações metálicas,


tanto a móvel quanto a fixa, assim o método corretivo é valido para ambas. O tipo de
execução da ponte é fundamental para prevenção de corrosão nas articulações pois
poderá ser dimensionada a acessibilidade da manutenção durante seu funcionamen-
to. Dessa forma, se faz valer de algumas observações importantes (DNIT, 2006):

• Limpeza na modalidade de jateamento.


• Aplicação de epóxi primer anticorrosivo de zinco.
• Aplicação de duas camadas de revestimento com pintura epóxica de alta dureza.
• As superfícies deslizantes (articulação móvel) devem ser engraxadas com
graxa a base de silicone e as superfícies de contato com o concreto recebem a
pintura somente em sua periferia, obedecendo à largura mínima de 50 mm.

175
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

LEITURA COMPLEMENTAR

RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Valmir Luiz Pelacani

CAPITULO IV

DA ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE NA CONSTRUÇÃO

Existem causas que retiram a ilicitude da conduta e isentam o autor de


qualquer responsabilidade. Meirelles (1996) menciona que a lei declara que não
constituem atos ilícitos e não geram responsabilidade alguma, liberando o deve-
dor do cumprimento de suas obrigações, os praticados:

1 EM LEGÍTIMA DEFESA

Usando moderadamente dos meios necessários, causa lesão ao conten-


dor, no repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem
–CC/2002, art.180, I; CP, arts.23,II e 25;

2 EM ESTADO DE NECESSIDADE

Situação de perigo que obriga alguém a sacrificar bens alheios para evitar ou
livrar-se de um mal maior a fim de remover perigo iminente, caso não tenha concor-
rido com culpa para o evento perigoso – CC/2002, Art. 188, II e 929; CP, Art. 23, I e 24;

3 EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO RECONHECIDO

Prática normal de faculdade ou atividade concedida por lei, ainda que cau-
se dano a terceiros, salvo nos casos de responsabilidade objetiva – danos de cons-
trução a prédio vizinho – CC/2002, Art. 188,I, parte final e CP, Art. 23, III, parte final;

4 OCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO

Em fato da natureza ainda que cause danos a terceiros, por imprevisibi-


lidade e inevitabilidade – salvo se a região não é sujeita a fenômenos físicos de
intempéries – causas geológicas ou hídricas (CC/2002, Art. 393 e 625, II);

5 DE FORÇA MAIOR

Em ato humano e fato necessário (CC/2002, Art. 393 e 625, I) que, por sua
imprevisibilidade e inevitabilidade criem impossibilidade para o cumprimento de
obrigações – greve de transportes ou ato governamental que impeçam a importa-
ção de material ou matéria-prima necessários e insubstituíveis na construção;

176
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

6 DO FATO NECESSÁRIO À ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. NÃO


CONFUNDIR COM IMPREVISIBILIDADE

Um exemplo clássico, já ocorrido em outras épocas, foi o de determinada


marca de cimento que não mais se encontrava no mercado da cidade e, só existia
uma segunda com preço bem superior ao da primeira, não constitui caso de força
maior. Meirelles (1996) reforça e alia-se ao fato necessário, onde os efeitos não
foram possíveis serem evitados ou impedidos.

Caracteriza a imprevisibilidade, não devendo ser confundido com a im-


previsão do fato necessário, que em sendo de efeito contornável, mesmo que mais
onerosos, não constituindo motivo da liberação de obrigações. Em situação inevi-
tável, mas de efeitos contornáveis, mesmo que mais onerosos, também não cons-
titui motivo de força maior.

Como já vimos em tópico anterior, e, bem alertado por Meirelles (1996), da


responsabilidade contratual o construtor só se libera cumprindo fielmente o contrato
ou demonstrando que a sua inexecução total ou parcial, deveu-se a caso fortuito ou
força maior. Fora dessas hipóteses, sujeitar-se-á à indenização devida55, devendo co-
brir os prejuízos ocasionados à parte inocente – perdas e danos – lucro cessante – alu-
guéis e valorização do prédio – multa contratual - correção monetária – custas judi-
ciais – honorários de Perito e Advogado - CC/2002, Art .402, 403 e 404 e CPC, Art. 20.

6.1 DO DESGASTE NATURAL OU FALTA DE MANUTENÇÃO

Exceção, ainda, de isenção de responsabilidade deve ser mencionada,


quando o defeito ou vício construtivo ocorreu devido ao desgaste natural pelo
tempo ou por falta de manutenção do prédio.

Grandiski (2001) destaca conclusão em congresso (Painel 2 – 4º Congresso


Brasileiro de Direito do Consumidor, Gramado, 8 a 11.3.1998), publicadas na re-
vista “Direito do Consumidor”, n.º 26, abr./jun. 1998:
Conclusão 3 – “O prazo de garantia pela segurança da obra não é mais
de apenas 5 (cinco) anos, como previsto no Art. 618 do Código Civil,
mas sim por todo o período de durabilidade razoável da construção.
Nesse período, ocorrendo o acidente, o incorporador / construtor só
afastará o dever de indenizar se provar que a obra não tinha defeito,
ou seja, que o acidente decorreu do desgaste natural do tempo por
falta de conservação do prédio.

Tratado a definição por Aurélio, p. 883 e 368, onde evidencia a distinção


entre manutenção e conservação, respectivamente, a saber:

55
TJSP, 132:168: Responsabilidade civil – Proprietário de edifício em construção – Materiais empilhados
precariamente atirados por ventania sobre o telhado de residência vizinha – Ininvocabilidade de caso
fortuito ou força maior – Inclusão, ademais, das despesas com móveis que guarnecem a residência,
danificados por goteiras – Recurso provido.
177
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

• Manutenção: cuidados técnicos indispensáveis ao funcionamento regular.


Exemplos: troca de lâmpadas, vedantes de torneiras, recolocação de algumas
peçascerâmicas, re-pintura, limpeza inclusive de calhas;
• Conservação: cuidados técnicos para resguardar de dano, decadência, dete-
rioração, prejuízo. Exemplos: troca de esquadrias, torneiras, calhas, conduto-
res, fiação elétrica, disjuntores e repintura total.

Padaratz (2000) completa o assunto, tratando a manutenção como sendo


a combinação de ações destinadas a manter um edifício ou suas partes em con-
dições de uso. Do termo conservação, é tratado por “recuperação” e o subdivide
em outros, a saber, melhor visualizado, sob o aspecto da influência, no Gráfico 1:

• Preservação: Manter a estrutura nas suas condições atuais e evitar progresso


na sua deterioração – ver ainda nesta obra literária, Capítulo VII, Item 2.1/3;
• Reabilitação: Reparar ou modificar uma estrutura para um fim específico de
utilização;
• Reparo: Substituir ou corrigir materiais, componentes ou elementos deterio-
rados, danificados ou falhos;
• Restauração: Restabelecer os materiais, forma e aparência de uma estrutura
que existiam na estrutura numa determinada época;
• Reforço: Aumentar a capacidade de carga de uma estrutura ou parte dela.

GRÁFICO 1 – INFLUÊNCIA DA MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO NO DESEMPENHO DA


CONSTRUÇÃO CIVIL

FONTE: Padaratz (2000)

Maia Lima & Pacha (2005), em valiosa obra literária, relatam, que em re-
lação à recuperação dos problemas patológicos, Helene (1992) afirma que: “as
correções serão mais duráveis, mais efetiva, mais fáceis de executar e muito mais baratas
quanto mais cedo forem executadas”.

A demonstração mais expressiva dessa afirmação é a chamada “Lei de


Sitter” que mostra os custos crescendo segundo uma progressão geométrica. Di-
vidindo as etapas construtivas e de uso em quatro períodos correspondentes ao
178
TÓPICO 3 — MANUTENÇÃO E RECUPERAÇÃO

projeto, à execução propriamente dita, à manutenção preventiva efetuada antes


dos primeiros três anos e à manutenção corretiva efetuada após surgimento dos
problemas, a cada uma corresponderá um custo que segue uma progressão geo-
métrica de razão cinco, conforme indicado no Gráfico 2.

GRÁFICO 2 – LEI DE EVOLUÇÃO DE CUSTOS

FONTE: Maia Lima; Pacha (2005), Sitter apud Helene (1992)

Concluem ainda que, toda medida extraprojeto, tomada durante a execução,


incluindo nesse período a obra recém-construída, implica num custo cinco vezes su-
perior ao custo que teria sido acarretado se essa medida tivesse sido tomada a nível
de projeto, para obter-se o mesmo “grau” de proteção e durabilidade da estrutura.

Um exemplo típico é a decisão em obra de reduzir a relação A/C (água/


cimento) do concreto para aumentar a sua durabilidade e proteção à armadu-
ra. A mesma medida tomada durante o projeto permitiria o redimensionamento
automático da estrutura considerando um concreto de resistência à compressão
mais elevada, de menor módulo de deformação, de menor deformação lenta e de
maiores resistências à baixa idade.

Essas novas características do concreto acarretariam a redução das di-


mensões dos componentes estruturais, economia de formas, redução de taxa de
armadura, redução de volumes e peso próprio etc. Essa medida tomada em nível
de obra, apesar de eficaz e oportuna do ponto de vista da durabilidade, não mais
pode propiciar alteração para melhoria dos componentes estruturais que já foram
definidos anteriormente no projeto.

179
UNIDADE 3 — PROTOCOLOS PARA INTERVENÇÃO DE PROBLEMAS PATOLÓGICOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

6.2 PROVOCADO POR TERCEIROS

Outra situação aventada por Grandiski (2001) é de que se prove que a


origem do problema foi provocada por terceiros (outra obra ao lado, fazendo
rebaixamento de lençol freático, caminhão que derruba pilar de sustentação do
prédio, explosão de artefatos armazenados etc.)56.

Segue, apresentando em sua obra literária, que, se a culpa não for exclu-
siva do consumidor, pode-se concluir que teria havido culpa concorrente do for-
necedor e, neste caso, mesmo que essa culpa seja por simples omissão de adver-
tência (omissão de advertência no “Manual do Proprietário”, por exemplo), será
considerado culpado.

Exemplo típico desta hipótese é a do construtor que seria condenado pe-


los danos causados ao consumidor pela explosão de aquecedor de acumulação
de água, pelo acionamento de sua resistência elétrica, sem que ele esteja cheio de
água (na ligação inicial, ou logo após a falta de água, ou após eventual reforma).
Nesse caso, o ar acumulado no aquecedor se esquenta, aumentando de volume,
como numa panela de pressão. O consumidor deve ter advertido previamente
desta possibilidade no “Manual do Proprietário”; se não constar essa advertência,
haveria culpa concorrente do construtor, que seria condenado.
FONTE: <https://bit.ly/3gjyKtE>. Acesso em: 25 maio 2021.

56
STJ – Agravo 289278/MG (2000/0014221-2) em 05/05/2000, Ministro Waldemar Zveiter: Ementa:
Ação de Indenização. Responsabilidade objetiva do construtor. Relação de causa e efeito entre o dano e a
construção defeituosa. Prova. Imperiosidade. Imprescindível que se evidencie a relação de causa e efeito
entre o defeito de edificação e o dano sofrido pela parte, a teor do art. 12, caput, da Lei n.º 8078/90, sob
pena de se afastar a responsabilidade objetiva da construtora, nos termos do parágrafo 3º da referenciada
legislação, principalmente se não se apresentam, no caso concreto, os requisitos necessários a que se
estabeleça a inversão do ônus da prova, consoante as disposições do art. 6º, VIII, do referenciado texto
legal. Recurso adesivo provido, restando prejudicada a apreciação do apelo.
180
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• A manutenção é um processo fundamental para alcançar a vida útil dos com-


ponentes.

• A execução oportuna da manutenção repercute na diminuição de custos de


reparação ao longo prazo.

• Não existe um único procedimento sistêmico para resolver problemas patológi-


cos, porém existem considerações básicas que não podem ser deixados de lado.

• O estudo de casos de reparação de outras estruturas permite ter ideia de mé-


todos de reparação, porém, não indica que os mecanismos de ocorrência se-
jam os mesmo em estruturas diferentes.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

181
AUTOATIVIDADE

1 O seguinte parágrafo contém informação valiosa relacionada à degradação


das estruturas metálicas e à necessidade de conhecer certos conceitos para
garantir a funcionalidade do membro, qual seria a seguinte frase que com-
pletaria o sentido do parágrafo:

A degradação das estruturas provoca defeitos que podem comprometer o de-


sempenho de um elemento estrutural e, em casos mais graves, comprometer
a função e/ou segurança da estrutura. Assim, é necessário ter conhecimento
dos processos e mecanismos de deterioração das ligas ferrosas, e dos demais
materiais, em condições normais de funcionamento bem como, as suas causas
mais comuns e consequências, é essencial para se definir as corretas medidas
preventivas que garantam a durabilidade da edificação e o adequado ......

a) ( ) custo de inspeção.
b) ( ) funcionamento das conexões.
c) ( ) por parte dos usuários durante sua instalação.
d) ( ) desempenho das estruturas, durante o seu tempo de vida útil.
e) ( ) tempo de uso pela vida útil.

2 A seguinte imagem resume as melhores considerações de profilaxia nos proje-


tos de construção, com que outros conceitos devem ser preenchidos a figura?

FONTE: O autor

182
3 Uma estrutura tem seu custo, assim como seu ciclo de vida. Então, é en-
tendível que exista um custo associado ao ciclo de vida – Custo de Ciclo de
Vida (CCV) –, que praticamente está ligado ao conceito de vida útil. Dessa
forma, as condições decorrentes do planejamento, a execução e o uso todos
terão um custo associado, inclusive a manutenção. Sobre a verdadeira cor-
relação de conceitos, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) A realização do laudo permitirá a construção da Inspeção e finalmente


o proprietário procederá com a reparação.
b) ( ) A realização da reparação é produto da manutenção emitida mediante
inspeção.
c) ( ) A inspeção define o estado da estrutura, resumido no laudo, e o qual
define o tipo de reparação.
d) ( ) A manutenção requer um laudo emitido após execução de uma inspeção.

4 (FUNDATEC, 2018) De acordo com Vicente Souza, em Patologia: recupera-


ção e reforço de estruturas de concreto, a estratégia de manutenção de uma
estrutura deveria ser prevista na sua fase de concepção, evitando assim futu-
ras dificuldades que não só desmotivam os responsáveis para que estabele-
çam algum planejamento, como até mesmo inviabilizam as fases requeridas
para a manutenção. Analise as seguintes assertivas relacionadas ao assunto:
FONTE: <https://bit.ly/2RBrQr9>. Acesso em: 26 maio 2021.

I- A primeira etapa da manutenção de uma estrutura é efetuar seu cadastramento.


II- A inspeção a olho nu é suficiente para garantir a manutenção da vida útil.
III- Os custos de manutenção são crescentes à medida que ela não é feita, po-
dendo até resultar em inviável economicamente fazê-la.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Somente a sentença II está correta.


b) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Todas as sentenças estão corretas.

5 Nos laudos periciais de engenharia diagnóstica, na grande maioria dos ca-


sos, chegam-se a prováveis causas das manifestações patológicas, inicial-
mente, através da detecção de vícios. Em suas palavras, como pode ser de-
finido um vício. Existem tipos de vícios, e o que os diferencia?

183
REFERÊNCIAS
ABECE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENGENHARIA E CONSULTARIA
ESTRUTURAL. Recomendação ABECE 002:2015. Avaliação técnica do projeto
de estruturas de concreto. São Paulo: ABECE, 2015. Disponível em: https://bit.
ly/3v55EDx. Acesso em: 20 de março de 2021.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16747:


Inspeção predial - Diretrizes, conceitos, terminologia e procedimento. Rio de Ja-
neiro: ABNT, 2020.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14859: La-


jes pré-fabricadas de concreto – Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2016.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7680:


Concreto - Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de
concreto Parte 1: Resistência à compressão axial. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Pro-


jeto de estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5674: Ma-


nutenção de edificações – Requisitos para o sistema de gestão da manutenção.
Rio de Janeiro: ABNT, 2012.

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8800: Pro-


jeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios. Rio
de Janeiro: ABNT, 2008.

ANDRADE, E. B. B. Principais manifestações patológicas encontradas em edifi-


cação. Brasil Escola, [S. l.], 2016. Disponível em: https://bit.ly/2TOvvmd. Acesso
em: 20 mar.2021.

APPLETON, J. Estudos de diagnóstico em edifícios, da experiência à ciência: a inter-


venção no património – práticas de conservação e reabilitação. Porto: FEUP, 2002.

ARIVABENE, A.C. Patologias em estruturas de concreto armado: estudo de caso.


Revista On-Line Especialize, Vitória, v. 1, n. 10, p. 1-22, dez. 2015. Disponível
em: https://bit.ly/2TbNnHB. Acesso em: 26 maio 2021.

BARCELOS, J. F.B.S. Análise multicritério na reabilitação de edifícios: apoio à


decisão na intervenção num edifício público. 2019, 184 f. Dissertação (Mestrado
em Engenharia Civil) – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova
de Lisboa, Portugal, 2019.

184
BUNGENSTAB, F. C. ABNT NBR 7680:2015 Concreto – Extração, preparo, en-
saio e análise de testemunhos de estruturas de concreto – Parte 1: Resistência à
compressão. BRASCONTEC, Sinduscon, [S. l.], 2015. Disponível em: https://bit.
ly/2SdhjD7. Acesso em: 31 maio 2021.

CAVALIERI, S. F. Programa de responsabilidade civil. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

CBIC – CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO. Desem-


penho de edificações habitacionais: Guia orientativo para atendimento à norma
ABNT NBR 15575/2013. 2. ed., Brasília: Gadioli Cipolla Comunicação, 2013.

CÓIAS, V. Inspecções e ensaios na reabilitação de edifícios. Lisboa: IST PRESS, 2006.

CORREA, M.I.F. Implantação de programas de manutenção preventiva e correti-


va em estruturas de concreto armado. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE
PATOLOGIA E RECUPERAÇÃO DE ESTRUTURAS, 2013, João Pessoa. Anais
[...] João Pessoa: CINPAR, 2013.

COSTA, F. G. Manutenção das estruturas metálicas com utilização dos ensaios


não destrutivos. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DA CONSTRUÇÃO
METÁLICA, 2012, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: ConstruMetal, 2012. 11 p.

EBENSPERGER, L.; DONOSO, J.P. Metodología integral de diagnóstico de estructu-


ras de concreto reforzado. In: CONGRESO LATINO AMERICANO DE PATOLOGÍA
DE LA CONSTRUCCIÓN, 15., 2019, México. Anais […]. México: CONPAT 2019.

CREMONINI, R. A. Incidência de manifestações patológicas em unidades esco-


lares da região de Porto Alegre: recomendações para projeto, execução e manu-
tenção. 1988, 169 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Porto Alegre, 1988.

DO CARMO, P. O. Patologia das construções. Programa de atualização profis-


sional – CREA – RS, Santa Maria, [S. l.], 2003.

DNIT. DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANS-


PORTES. Norma DNIT 091-ES. Tratamento de aparelhos de apoio: concreto,
neoprene e metálicos. Rio de Janeiro: IPR – Instituto de Pesquisas Rodoviárias.
Diretoria de Planejamento e Pesquisa, 2006.

ESCOBAR, C. J.; ANDREOTTI, D.; FABRO, G. Avaliação de desempenho do en-


saio de esclerometria na determinação da resistência do concreto endurecido. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO. 50., Salvador, 2008. Anais [...]. Sal-
vador: Ibracon, 2008. p. 1-16.

FERREIRA, J. A.A. Técnicas de diagnóstico de patologias em edifícios. 2010,126


f. Dissertação (Mestrado e Engenharia Civil) – Universidade do porto, Faculdade
de engenharia, Portugal, 2010.

185
GENTIL, V. Corrosão. 3. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2003.

GOMIDES, M.H.; CARASEK, H.; CASCUDO, O. Ataque por sulfatos ao concreto


compactado com rolo (CCR). In: CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO.
44., 2002, belo Horizonte. Anais [...]. Belo Horizonte: Ibracon, 2002. 16 p. Disponí-
vel em: https://bit.ly/353ebMU. Acesso em: 22 mar. 2021.

HELENE, P. R. do L. Manual de reparo, proteção e reforço de estruturas de con-


creto. São Paulo: Red Rehabilitar, 2003.

IPT – INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAU-


LO. Programa de controle de qualidade das construções habitacionais (PRO-
CONTROL): Relatório Final. São Paulo: IPT, 1983. (Relatório Técnico 17.985).

KRUG, L.F. Manifestações patológicas em edificação construída na década de


30 – Um estudo de caso. 2006, 76 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação
em Engenharia Civil) – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio
Grande do Sul, departamento de Tecnologia, Ijuí, 2006.

LICHTENSTEIN, N. B. Patologia das construções. São Paulo: Escola Politécnica


da Universidade de São Paulo, 1986. (Boletim Técnico 06/86).

LOTTERMAN, A. F. Patologias em estruturas de concreto: estudo de caso.


2013,66 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em engenharia Civil) –
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Departa-
mento de Ciências Exatas e Engenharias, Ijuí, 2013. Disponível em: https://bit.
ly/3zcWAQ9. Acesso em: 26 maio 2021.

LOURENÇO, L. C.; MENDES, L. C. Verificação da corrosão e de outras patologias em


pontes metálicas. Teoria e Prática na Engenharia, n 14, p. 25-29, Rio de Janeiro: 2009.

MACHADO, R. N.; SARTORTI, A. L. Pontes: patologias dos aparelhos de apoio.


In: CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE PATOLOGIA Y RECUPERACIÓN
DE ESTRUCTURAS. 6., 2010, Córdoba. Anais [...]. Cordoba: UTN, 2010.

NETO, A. C. N.; RIBEIRO, A. P. A.; SENA, G.O.; PIRES, L.A.S.; NASCIMENTO,


M.L.M.; LIMA, N. M. V. Patologia das construções. Salvador: 2B educação, 2020.

PARISSENTI, R. A importância da obrigatoriedade da inspeção predial para que


se tenha edificações segura e com melhor desempenho. Revista On-Line IPOG
Especialize. Porto Alegre: IPOG, 2016.

PEREZ, A. R. Manutenção dos edifícios. Tecnologia de edificações. [S. l.], n. 2, p.


83-86, 1985.

PEZZATO, L. M.; SICHIERI, E.P.; PABLOS, J. M. Estudos de casos em fachadas


revestidas com cerâmica. Cerâmica industrial, [S. l.], v. 15, n. 5-6, 2010. Disponí-
vel em: https://bit.ly/3zdNkvj. Acesso em: 26 maio 2021.
186
POSSAN, E.; DEMOLINER, C. A. Desempenho, durabilidade e vida útil das edi-
ficações: abordagem geral. Revista tecno-cientifica do Crea-PR. 1. ed. 2013.

SANTUCCI, J. Patologia e desempenho das construções. Crea-RS – Conselho em


revista, Porto Alegre, n. 107, p. 26-31, 2015.

SENA, G. O.; NASCIMENTO, M. L. M.; NETO, A. C. N. Patologia das constru-


ções. Salvador: 2B Educação, 2020. 256 p.

SIQUEIRA, V. Impermeabilização em obras de construção civil: estudos de ca-


sos patologias e correções. 2018, 91f. Trabalho de Conclusão de Curso (Gradua-
ção em Engenharia Civil) – Universidade do Sul de Santa Catarina, Palhoça, 2018.
Disponível em: https://bit.ly/352KN9j. Acesso em: 26 maio 2021.

SOUZA, V. C. M.; RIPPER, T. Patologia, recuperação e reforço de estruturas de


concreto. São Paulo: Pini, 1998.

STHAI. Tudo o que você precisa saber sobre laudo técnico estrutural. Blog Sthai, Rio
de Janeiro, 20 jun. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3w782Lx. Acesso em: 21 mar.2021.

VITORIO, A. Fundamentos da patologia das estruturas nas perícias de engenharia.


Instituto pernambucano de avaliações e pericias de engenharia. Recife: [S. l.], 2003.

187

Você também pode gostar