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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ARTES, CIÊNCIAS E HUMANIDADES


ACH5037 - ASSISTÊNCIA À MULHER NO PARTO

BRUNA FERNANDES- Nº USP: 10782113


JULIANA VITÓRIA- Nº USP: 10720958

MÉTODOS NÃO FARMACOLÓGICOS PARA ALÍVIO DA DOR: BASEADO EM


EVIDÊNCIAS

PROFª DRª MARLISE DE OLIVEIRA


PROFª DRª ROSELANE GONÇALVES

SÃO PAULO
2021
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO……………………………………………………………………….3
2. OS MÉTODOS NÃO FARMACOLÓGICOS NO ALÍVIO DA DOR
2.1. ACUPUNTURA………………………………………………………………....3
2.2. TENS…………………………………………………………………………….4
2.3. AUDIOANALGESIA/ MUSICOTERAPIA…………………………………….4
2.4. AROMATERAPIA……………………………………………………………....5
2.5. HIPNOSE………………………………………………………………………..5
2.6. MASSAGEM…………………………………………………………………….6
2.7. HIDROTERAPIA………………………………………………………………..6
2.8. SUPORTE/ APOIO CONTÍNUO……………………………………………...7
- ACOMPANHANTE
- DOULA
3. CONCLUSÃO………………………………………………………………………..8
4. REFERÊNCIA………………………………………………………………………..9
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1. INTRODUÇÃO
Sabe-se que a dor é uma experiência subjetiva, que envolve uma interação
complexa entre a fisiologia, o espírito e o ambiente, trata-se de uma experiência
emocional, sensitiva e desagradável associada à lesão tecidual. O processo de
gestar, trabalho de parto, parto e puerpério implica fenômenos fisiológicos normais
que podem provocar dor significativa, tratando-se de uma experiência individual com
respostas diferentes para cada gestante e parturiente, pois no trabalho de parto
ocorre a dilatação do colo uterino, componente importante que pode causar dor,
adicionado a outros fatores, como: “contração e distensão das fibras uterinas; tração
de anexos e peritônio; distensão do canal vaginal; pressão nas estruturas pélvicas,
na uretra, na bexiga e sobre as raízes do plexo lombo-sacro”. (SBED, 2014)
Em busca de estratégias para uma assistência menos intervencionista,
integral e humanizada, o Ministério da Saúde (MS) publicou em 2000, por meio da
Portaria/GM nº 569, o Programa de Humanização Pré-Natal e Nascimento (PHPN),
sendo um dos principais aspectos a utilização de práticas úteis para o
acompanhamento do parto e do nascimento, como o uso de técnicas não
farmacológicas para alívio da dor, evitando intervenções desnecessárias.

2. OS MNF

2.1. ACUPUNTURA
Acupuntura é uma técnica de tratamento não farmacológico com longa
história no continente asiático. A acupressão também está englobada na esfera da
método alternativo, sendo a acupuntura baseada no agulhamento em pontos
específicos do corpo e a acupressão no uso das mãos e dedos para estimular os
mesmos pontos corporais. As duas técnicas têm sido alvo de estudos e
questionamento em relação à eficácia para o manejo da dor do trabalho de parto.
O trabalho analisou ensaios clínicos randomizados (grau A de recomendação/
nível de evidência 1A) e contou com a revisão de 28 estudos e participação de 3960
mulheres em trabalho de parto espontâneo ou induzido. A acupuntura pode ser a
responsável por aumentar os níveis de satisfação com o alívio da dor e diminuir o
uso de analgésicos farmacológicos. Porém, cabe ressaltar que as pesquisas foram
realizadas em diferentes países, sendo assim, não é possível garantir que a mesma
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técnica foi aplicada em todos os partos analisados. A acupressão, por sua vez,
mostrou poder aliviar a sensação dolorosa do trabalho de parto de maneira não tão
significativa quanto a acupuntura.
Há o consenso de que os resultados não são verdadeiramente conclusivos
devido ao baixo nível de evidência científica relacionada ao tópico. Portanto, a
acupuntura e a acupressão podem ter pouco ou nenhum impacto significativo no
desfecho do parto vaginal.

2.2. TENS
A neuroestimulação elétrica transcutânea consiste na emissão de pulsos
elétricos de baixa tensão, variando frequência e intensidade. Análises têm sido
realizadas para saber se existe relação entre este método não farmacológico e
diminuição da dor no processo do trabalho de parto. A revisão sistemática de
ensaios randomizados (grau A de recomendação/ nível de evidência 1A) de 2009
contou com a participação de 1466 mulheres, estas foram separadas em grupo
experimental (possuíam auxílio do TENS) e grupo controle que possuía à disposição
os cuidados de rotina da atenção ao parto.
Como resultado observou-se que houve pouca diferença no relato de dor
entre grupo controle e experimental. Também não foi comprovado que o uso de
TENS teve qualquer impacto nas intervenções e resultados do trabalho de parto.
Porém, mesmo não apresentando evidências científicas satisfatórias, o método é
popular entre as mulheres e isso pode ser explicado pelo fato de as próprias
gestantes manipularem os dispositivos, aumentando a sensação de controle
durante o trabalho de parto.

2.3. AUDIOANALGESIA E MUSICOTERAPIA


O método audioanalgesia, ou musicoterapia, utiliza a estimulação auditiva,
como música, ruído branco ou sons ambientais para diminuir a percepção da dor.
Segundo estudos, antigos e atuais, este método produz efeitos benéficos ao nível de
três diferentes áreas: afetiva, cognitiva e psicomotora, durante o trabalho de parto o
som pode fornecer distração, relaxamento, conforto, calma e segurança, além de
autonomia e controle à mulher.
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O artigo “Relaxation techniques for pain management in labour”, atualização


de revisão literária realizada em 2018, apresentou um estudo feito com 2519
mulheres, em que a musicoterapia estava entre as intervenções examinadas,
concluiu-se que de apenas um resultado, não houve nenhuma evidência de
benefício na satisfação com o alívio da dor, ou seja, evidência de qualidade muito
baixa. Assim, observa-se a necessidade de mais estudos a respeito, pois até o
momento não existem evidências de alta qualidade suficientes.

2.4. AROMATERAPIA
Aromaterapia é uma técnica que utiliza o aroma liberado por óleos essenciais
com a intenção de gerar o equilíbrio por meio da estimulação de células nervosas.
Um estudo de revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados (grau A de
recomendação/ nível de evidência 1A), realizado em 2011, buscou comparar a ação
da aromaterapia em relação ao placebo no cenário dos métodos não farmacológicos
para o alívio da dor no trabalho de parto. Por meio dos estudos realizados na Nova
Zelândia e Itália, contando com a participação de 535 mulheres, os pesquisadores
não encontraram dados significativos em relação ao parto vaginal e cesariana.
Porém, mulheres nulíparas relataram redução da dor após a sessão de
aromaterapia.
Uma pesquisa realizada com o método scoping review entre agosto de 2008
e 2018, mostrou que os óleos mais utilizados para a diminuição da dor no trabalho
de parto foi o de lavanda, seguido pelo citrus aurantium e pelo rosa damascena. O
artigo faz ênfase à necessidade de mais estudos na área, porém também salienta a
utilização de óleos essenciais no parto como alternativa não agressiva e com efeito
adverso mínimo para o binômio.

2.5. HIPNOSE
De acordo com a Oxford, hipnose é um estado semelhante ao sono, gerado
por um processo de indução que resulta em estados alterados de consciência,
impedindo que experiências normalmente percebidas, como a dor, alcancem a
mente consciente.
Alguns estudos mostram que a hipnose e a auto-hipnose durante o trabalho
de parto e parto proporcionam bons resultados no alívio da dor, diminuindo o uso de
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métodos farmacológicos. Em 1977, foi desenvolvida uma técnica hipnótica comum


para alívio da dor, anestesia de luva, em que induz-se a parturiente colocar uma luva
e imaginar que esta é capaz de aliviar dores, assim a mulher imagina que sua mão
está dormente e que pode espalhar a dormência em outras áreas.
De acordo com o artigo “Hypnosis for pain management during labour and
childbirth”, houve alguma evidência de benefícios para mulheres no grupo de
hipnose em comparação com o grupo de controle para intensidade da dor, tempo de
trabalho de parto e internação materna, embora esses achados tenham sido
baseados em estudos únicos com um pequeno número de mulheres.
Em geral,os dados atualmente disponíveis sugerem que a hipnose é eficaz
como um analgésico adjuvante durante o trabalho de parto e está associada a uma
diminuição do uso de aumento ocitócico e um aumento na probabilidade de parto
vaginal espontâneo. Entretanto, apesar do método poder reduzir o uso geral de
analgesia durante o trabalho de parto, concluiu-se que o mesmo não ocorre com o
uso da peridural. Ainda há apenas um número relativamente pequeno de estudos
avaliando o uso da hipnose para trabalho de parto e parto, necessitando de mais
pesquisas de alta qualidade para avaliar a sua utilidade clínica no manejo da dor na
parturição.

2.6. MASSAGEM
Uma revisão literária (grau de recomendação B/ nível de evidência baixa)
realizada por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina e
Universidade de Campinas, mostrou que não existe consenso sobre os benefícios
ou malefícios da massagem durante o trabalho de parto. Porém, os autores afirmam
que a massagem reduz a ansiedade, o estresse, promove relaxamento muscular,
diminuição da fadiga muscular, promove aumento na consciência corporal, tem ação
analgésica e sedativa, além de produzir equilíbrio entre sistema simpático e
parassimpático.
Se a parturiente se sentir confortável, a massagem pode ser realizado em
todo o corpo e de diferentes formas, como massagem do tecido conjuntivo nas
zonas reflexas do baixo ventre e na região sacral, batidas leves com os dedos no
baixo ventre de um lado para o outro e deslizamento da região sacrococcígea até as
cristas ilíacas.
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2.7. HIDROTERAPIA
Segundo estudos, o banho de imersão durante o trabalho de parto e parto
proporciona relaxamento e alívio da dor como melhora do padrão respiratório,
cardíaco e também diminui o número de realização de episiotomia, já que o períneo
encontra-se relaxado.
De acordo com o artigo “Imersão em água durante o trabalho de parto e
parto”, há evidência de moderada a baixa qualidade que imersão em água no
período de dilatação tem pouco efeito no tipo de parto ou no trauma perineal, mas
pode reduzir o uso de analgesia regional, já no segundo segundo período do parto
não há diferença nos desfechos maternos ou neonatais relacionados ao cuidado
intensivo.
O artigo “Hidroterapia e bola suíça no trabalho de parto: ensaio clínico
randomizado”, combinou a hidroterapia com a bola suíça no trabalho de parto, foi
realizado em dois hospitais públicos no período de 2013 a 2014 com 128 mulheres
internadas para assistência ao parto. A randomização aleatória alocou 44
parturientes no Grupo Banho Quente, 45 no Grupo Bola Suíça e 39 no Grupo Banho
Quente e Bola Suíça associados. Assim, evidencia-se que o uso do banho quente e
exercícios perineais com bola suíça modificam a progressão do trabalho de parto, a
combinação destas intervenções mostrou efetivas modificações no progresso da
parturição, menor tempo do trabalho de parto e maior ocorrência do parto normal do
que o uso isolado dessas.

2.8. SUPORTE/ APOIO CONTÍNUO


ACOMPANHANTE
Estudo descritivo, qualitativo, (nível de evidência baixa) pesquisou a
contribuição do acompanhante para a humanização do parto e nascimento,
realizado em unidade de alojamento conjunto com a participação de 20 puérperas,
mostrou que a presença do acompanhante contribui para o alívio da dor e da
tensão, índices de Apgar aos 5 minutos maior do que 7, diminuição do tempo do
trabalho de parto, diminuição de complicações, número de cesarianas, analgesia e
ocitocina.
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O apoio de um acompanhante durante os diferentes períodos do parto


promove maior tranquilidade, além de diminuir a chance de desenvolvimento de
depressão pós-parto. A presença do acompanhante se configura como fator
importante para a minimização dos sentimentos de solidão e dor no processo de
parturição.
DOULA
São poucos os estudos realizados com o foco na influência de Doulas no
momento do trabalho de parto e parto, porém, sabe- se que seu papel possui um
cuidado humanizado e acolhedor.
Segundo o artigo “Comprehension on doula's work at a maternity in
Jequitinhonha Valley – MG”, estudo realizado em 2019 na maternidade do Vale do
Jequitinhonha- MG, a Doula é fundamental no cuidado humanizado prestado à
gestante em trabalho de parto, parto e puerpério, além de fornecer subsídios para
reflexão sobre seu trabalho. Sabe- se que a humanização vai além do conhecimento
científico e tecnológico, permeia o conhecimento empírico, bem como as
experiências profissionais, sociais, familiares e individuais, assim, é um
agrupamento de características humanas que irão influenciar positivamente na
qualidade da assistência prestada às famílias durante o processo de parto.

3. CONCLUSÃO
A dor durante o processo de parturição permeia todas as sociedades, porém
em meios tecnocráticos a supressão das dores ocorre muitas vezes por métodos
farmacológicos que podem acarretar efeitos deletérios para o binômio. A demanda
por métodos não farmacológicos para o alívio da dor reflete a ação do movimento de
humanização do parto e nascimento que ocorre em diferentes partes do mundo.
Sabe-se que a sensação dolorosa é subjetiva e de difícil mensuração, por ela
possuir essas características os métodos para o alívio precisam abarcar diferentes
técnicas e manejos com o objetivo de contemplar características individuais das
parturientes.
Atualmente grande parcela das opções de métodos não farmacológicos não
têm grande quantidade de estudos e poucos são conclusivos. Para que a prestação
do cuidado durante os períodos do parto seja eficiente, é necessário investir em
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mais pesquisas direcionadas para diferentes métodos alternativos para o auxílio que
é demandado no trabalho de parto.

4. REFERÊNCIA
● Smith CA, Collins CT, Levett KM, Armour M, Dahlen HG, Tan AL, Mesgarpour B.
Acupuncture or acupressure for pain management during labour. Cochrane Database
Syst Rev. 2020 Feb.
● Dowswell T, Bedwell C, Lavender T, Neilson JP. Transcutaneous electrical nerve
stimulation (TENS) for pain relief in labour. Cochrane Database Syst Rev. 2009 Apr
15.
● Smith CA, Collins CT, Crowther CA. Aromatherapy for pain management in labour.
Cochrane Database Syst Rev. 2011 Jul 6.
● Paviani B, Trigueiro T, Gessner R. O uso de óleos essenciais no trabalho de parto e
parto: revisão de escopo. Curitiba, Brasil. 24 de setembro de 2019.
● Bavaresco G, Souza R, Almeida B, Sabatino J, Dias M. O fisioterapeuta como
profissional de suporte à parturiente. Ciência & Saúde Coletiva. 2011
● Dodou H, Rodrigues D, Guerreiro E, Guedes M, Lago P, Mesquita N. A contribuição
do acompanhante para a humanização do parto e nascimento: percepções de
puérperas. Escola Anna Nery. 2014.
● Brasil. Sociedade Brasileira para estudo da dor (SBED).5º sinal vital: hospital sem
dor. 2014.
● Brasil. Ministério da Saúde (MS). Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC), 2º edição. 2015.
● Perdigão LKC. Musicoterapia e aromaterapia para alívio da dor em trabalho de parto:
uma intervenção do enfermeiro especialista. Dissertação. 4 de abril de 2019.
● Carvalho E. Fundamentação de um programa de musicoterapia- Pré- Natal. Lisboa,
Portugal. 10 de abril de 2018.
● Smith CA, Levett KM, Collins CT, Armor M, Dahlen HG, Suganuma M. Relaxation
techniques for pain management in labour. Revisão. 28 de março de 2018.
● Madden K, Middleton P, Cyna AM, Matthewson M, Jones L. Hypnosis for pain
management during labour and childbirth. Revisão. 19 de maio de 2016.
● Cluett ER, Burns E, Cuthbert. Immersion in water during labour and birth. Revisão.
16 de maio de 2018.
● Henrique AJ, Gabrielloni MC, et al. Hidroterapia e bola suíça no trabalho de parto:
ensaio clínico randomizado. 12 de dezembro de 2016.
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● Lima PO, Pinheiro MLP, Miranda JL, Guedes HM, Almeida HF. Comprehension on
doula's work at a maternity in Jequitinhonha Valley - MG. Setembro de 2019.

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