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AÇÕES INTEGRADAS DE INTELIGÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR E DO

MINISTÉRIO PÚBLICO NO ENFRENTAMENTO DAS ORGANIZAÇÕES


CRIMINOSAS DE BASE PRISIONAL

Everaldo Vicente de Souza1


Mauro Celso Monteiro2
RESUMO

Este artigo pretende explanar sinteticamente como a utilização da atividade de


inteligência policial militar e da inteligência do Ministério Público do Estado do
Paraná, de forma integrada, atuaria como um instrumento no combate a
organizações criminosas de base prisional no estado do Paraná. Faz-se,
inicialmente, uma conceituação sobre a Polícia Militar do Paraná, Ministério Público,
organizações criminosas de base prisional e os preceitos das atividades de
inteligência. Não se afasta a oportunidade de trabalhar o espectro de atuação da
Polícia Militar, demonstrando haver a incumbência legal de utilizar a inteligência
policial para cumprir a sua missão constitucional. Por fim, a elucidação é no sentido
de verificar as possibilidades legais para uma ação conjunta e integrada da Polícia
Militar e do Ministério Público no enfrentamento dessa modalidade criminosa.

Palavras-chave: Atividade de inteligência. Polícia Militar. Ministério Público.


Enfrentamento. Organizações criminosas de base prisional.

ABSTRACT

This article intends to explain, in an integrated manner, how the use of the Military
Police Intelligence Activity and the Intelligence of the Public Prosecutor of the State
of Paraná, would act as an instrument in the fight against criminal organizations
based in the state of Paraná. Initially, it will be made a conceptualization about the
Military Police of Paraná, Public Ministry, criminal organizations of prison base and
about the precepts of the activities of Intelligence. Inescapable is the opportunity to
work the spectrum of action of the Military Police, demonstrating that there is a legal

clarification will be to verify the legal possibilities for a joint and integrated action of
the Military Police and the Public Prosecution Service in facing this criminal modality.

Keywords: Intelligence activity. Military Police. Prosecutor s Office. Confrontation.


Prison-based criminal organizations.

1 Oficial Superior da Polícia Militar do Paraná no posto de Tenente-Coronel QOPM. Mestre em


Segurança Pública pela Academia Policial Militar do Guatupê (APMG). Coordenador do efetivo
policial militar junto ao Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado do Paraná
(GAECO). E-mail: everaldo@pm.pr.gov.br.
2 Coronel PM RR. Doutor em Segurança Pública pela Academia Policial Militar do Guatupê e Mestre

em Políticas Públicas, Universidade Estadual de Maringá.


2

1 INTRODUÇÃO

Existem várias organizações criminosas por todo o mundo, como, por


exemplo, a Máfia Italiana, a Máfia Russa, a Yakuza, a Tríade Chinesa, os cartéis
colombianos, assim como o cartel mexicano de drogas, grupo com base na Nigéria,
Panamá, Jamaica, Porto Rico e República Dominicana, além de ampla rede de
pedófilos, tráfico de pessoas e pirataria. No Brasil, há as organizações criminosas de
base prisional.
Em um contexto de desenvolvimento das organizações criminosas de base
prisional e dos prejuízos que tais organizações podem provocar para a estabilidade
institucional, algumas questões não podem ser desconsideradas, dentre as quais, o
papel da Atividade de Inteligência (AI) para fazer o enfrentamento do crime
organizado. A AI é de grande importância, tanto para a prevenção das ações
criminosas quanto para o fornecimento de dados úteis para a repressão aos delitos
e, sobretudo, para o estabelecimento de cenários e estratégias de atuação nas
áreas de segurança pública e institucional.
As organizações criminosas de base prisional, especialmente o Primeiro
Comando da Capital (PCC), disseminaram-se pelo país, comandando do interior de
presídios a atuação em várias frentes criminosas. Essa diversificação de atividades
e mercado do crime organizado representa ameaça à segurança pública, uma vez
que, além de enfraquecer economias, acaba por controlar territórios, mercados e
mesmo populações, além das proximidades e atuações de apoio recíproco entre as
organizações criminosas e o terrorismo, podendo valer-se ambos das mesmas redes
de influência, trânsito e corrupção.
O PCC tem alto poder econômico, a ponto de cooptar agentes públicos e se
inserir em organismos e atividades de governo, possuindo capacidade de articulação
e comunicação não rastreada (aplicativos de mensagens). Dito isso, a integração e a
atuação harmônica e colaborativa dos órgãos de inteligência fazem-se imperativas.
Nesse contexto, o uso sistemático da AI traz possibilidade de aumentar
exponencialmente os resultados obtidos no enfrentamento dessas atividades
delituosas.
As Polícias Militares dos estados e Distrito Federal fazem-se presentes quase
na totalidade dos municípios brasileiros no estado do Paraná, em seus 399
3

(trezentos e noventa e nove) municípios , de modo que seus sistemas de


inteligência possuem capilaridade e capacidade de obtenção de dados e
informações não comparáveis a nenhum outro órgão de Estado, federal, estadual ou
municipal.
Em relação ao Ministério Público (MP), a estrutura e a distribuição numérica
entre membros e servidores no território brasileiro são consideráveis, possuindo
atribuições que permitem investigar e coibir as organizações criminosas de base
prisional, conforme expõe o Supremo Tribunal Federal (STF, 2015a) ao confirmar o
poder de investigação criminal daquele órgão. Com a decisão, procuradores e
promotores podem continuar a conduzir investigações próprias na esfera penal e
auxiliar apurações feitas pela polícia:

O MP dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e por


prazo razoável, investigações de natureza penal, desde que respeitados os
direitos e garantias que assistem a qualquer indiciado e qualquer pessoa
sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as
hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as
prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em nosso país, os
advogados (lei 8906/94, artigo 7º, incisos I, II, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem
prejuízo da possibilidade sempre presente no Estado Democrático de
Direito - do permanente controle jurisdicional dos atos, necessariamente
documentados (súmula vinculante 14), praticados pelos membros dessa
instituição (STF, 2015a).

A AI desenvolvida pelo MP permite a formação de convicção, com vistas ao


assessoramento decisório no período que antecede a instauração do feito
investigatório, permitindo dispor esforços de maneira mais efetiva. Assim sendo, a
integração das AIs da Polícia Militar e do MP pode possibilitar diversas linhas de
atuação.

2 FUNDAMENTAÇÃO CONCEITUAL

2.1 POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ (PMPR)

A Polícia Militar tem por função primordial o policiamento ostensivo e a


preservação da ordem pública nos estados e Distrito Federal, sendo força auxiliar e
reserva do Exército Brasileiro (BRASIL, 1988) e integrando o Sistema de Segurança
4

Pública e Defesa Social do Brasil. Seus integrantes são denominados militares


estaduais, assim como os membros do Corpo de Bombeiros.
A PMPR está estruturada em órgãos de direção, apoio e execução, sendo
que os primeiros realizam o comando e a administração da Corporação, competindo-
lhes incumbir-se do planejamento em geral, visando à organização, às necessidades
em pessoal e em material e ao emprego da PMPR para o cumprimento de suas
missões (PARANÁ, 2010).
Dentre os órgãos de direção, está o Estado-Maior (EM/PMPR), que é
responsável, perante o Comandante-Geral pelo planejamento estratégico da
Corporação, cabendo-lhe a elaboração de diretrizes e ordens de acionamento dos
órgãos de direção setorial e de execução para o cumprimento de suas missões e
demais atribuições. O EM/PMPR é composto por seções, a exemplo da 2ª Seção de
Estado-Maior da PMPR (PM/2), que é o órgão central e tem a responsabilidade
pelas AIs na Corporação, bem como é o canal técnico com a comunidade de
inteligência.

2.2 MP

O MP é uma instituição que tem como função a defesa da ordem jurídica, do


regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (BRASIL,
1988). Cabe a ele atuar na proteção das liberdades civis e democráticas, buscando
com sua ação assegurar e efetivar os direitos individuais e sociais indisponíveis.
Embora faça parte do Sistema de Justiça, é uma instituição independente, que não
está subordinada a nenhum dos poderes da República (Executivo, Legislativo e
Judiciário), gozando de autonomia para o cumprimento de suas funções (MPPR,
2019).
Seus membros são chamados promotores (atuação no primeiro grau de
jurisdição) e procuradores de justiça (atuação no segundo grau de jurisdição). Além
deles, o MP conta com um quadro de servidores em funções de apoio.
Todos os municípios paranaenses fazem parte de uma comarca, na qual há
ao menos uma Promotoria de Justiça, responsável pela atuação do MP em cada
localidade do estado.
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2.3 CRIME ORGANIZADO

Crime organizado e organização criminosa são termos que caracterizam


grupos transnacionais, nacionais ou locais altamente centralizados e geridos por
criminosos, que pretendem se envolver em atividades ilegais, geralmente com o
objetivo de lucro monetário. Algumas ORCRIM, como as terroristas, são motivadas
politicamente. Às vezes, forçam as pessoas a estabelecer negócios com elas, como
quando uma quadrilha extorque dinheiro de comerciantes por proteção
(PINHEIRO, 1997).
Segundo Tilly (1985), há uma tendência de distinguir o crime organizado de
outras formas de crime, como crimes financeiros, políticos, de guerra,
governamentais, entre outros. Essa distinção nem sempre é evidente e ainda há
debate acadêmico sobre o assunto. Por exemplo, em Estados falidos, que não
podem mais realizar funções sociais básicas, como infraestrutura, educação e
segurança, geralmente devido a grupos rebeldes ou pobreza, o crime organizado, a
governança e a guerra são fatores complementares entre si.
Kostakos (apud ALIC, 2012) utiliza o termo mafiocracia parlamentar muitas
vezes atribuído a países democráticos cujas instituições políticas, sociais e
econômicas estão sob o controle de poucas famílias e/ou oligarquias empresariais.
Na atualidade brasileira, a maior ORCRIM de base prisional é o PCC, que atua
principalmente no estado de São Paulo (GODOY, 2013).
Uma das características das ORCRIM de base prisional é que esses grupos
sempre enfrentarão, além do combate das forças policiais de sua região de atuação,
a oposição de outras facções ilegais. Para manter suas ações ilícitas, seus membros
armam-se pesadamente; logo, pode-se dizer que as armas e os assassinatos são
sustentáculos do crime organizado. Entretanto, o maior instrumento das ORCRIM é
a ocultação de informações sobre suas atividades. Para tanto, contam com
destruição de provas, subornos, falhas nos sistemas de segurança, entre outros.
Por meio de seu estudo, Gomes e Cervini (1997, p. 99-100) apresentam uma
proposta de definição de organização criminosa que possibilita a inclusão das
seguintes características:

I - hierarquia estrutural; II - planejamento empresarial; III - uso de meios


tecnológicos avançados; IV - recrutamento de pessoas; V - divisão funcional
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das atividades; VI - conexão estrutural ou funcional com o poder público ou


com agente do poder público; VII - oferta de prestações sociais; VIII -
divisão territorial das atividades ilícitas; IX - alto poder de intimidação; X -
alta capacitação para a prática de fraude; XI - conexão local, regional,
nacional ou internacional com outra organização criminosa.

2.4 FACÇÕES CRIMINOSAS DE BASE PRISIONAL NO BRASIL

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) afirma não ter dados oficiais


e recentes sobre as facções criminosas no Brasil, suas origens, áreas de influência e
operação (BRASIL, 2017). Especialistas em segurança pública e violência urbana no
Brasil, no entanto, acreditam que pode haver no país cerca de 30 (trinta)
organizações criminosas mais poderosas, com atuação dentro e fora dos presídios.
A Deutsche Welle, com filial no país, a DW Brasil, levantou as facções citadas
em relatórios de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e em mapeamentos
mais recentes divulgados por estudiosos do tema, com base em cruzamento de
dados dos serviços de inteligência da Polícia Federal e Secretarias de Segurança
Pública estaduais. De acordo com esses dados, há pelo menos 83 (oitenta e três)
ORCRIM de base prisional no Brasil, a maioria com atuação estadual e local
(DELGADO, 2017). Apenas o PCC, que teve origem em São Paulo, tem atuação em
todas as 27 Unidades da Federação. Por sua vez, o Comando Vermelho (CV),
primeira grande facção criminosa a surgir no Brasil, atua, além do Rio de Janeiro, de
onde é originário, em outros 14 estados.
Agentes da Pastoral Carcerária afirmam que o número de facções é
subestimado pelas autoridades governamentais, sobretudo porque muitas delas têm
vida curta, surgindo e desaparecendo ao longo de meses ou até mesmo semanas.
Além disso, muitos desses grupos não necessariamente se organizam para a
promoção de crimes (CNBB, 2019).

2.5 TRATAMENTO LEGAL DO COMBATE AO CRIME ORGANIZADO NO BRASIL

Conforme Gomes (1997), a Lei nº 9.034/1995 (BRASIL, 1995) foi o primeiro


diploma normativo a tratar do tema organizações criminosas no Brasil. Veio para
definir e regular os meios de prova e procedimentos investigatórios que tratassem de
ilícitos decorrentes de ações praticadas por quadrilha, bando, organizações ou
associações criminosas de qualquer tipo.
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A organização criminosa, além do lucro monetário, não possui um objetivo


bem definido e, por esse motivo, surgiu recomendação do Conselho Nacional de
Justiça no sentido de adotar o conceito de crime organizado estabelecido na
Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, também
conhecida como Convenção de Palermo, assinada pelo Brasil, em 15 de dezembro
de 2000, aprovada pelo Decreto Legislativo nº 231/2003 e promulgada pelo Decreto
nº 5.015/2004, que transcreveu o conceito:

Um grupo estruturado de três ou mais pessoas, existente há algum tempo e


atuando concertadamente com o propósito de cometer uma ou mais
infrações graves ou enunciadas na Convenção, com a intenção de obter,
direta ou indiretamente, um benefício econômico ou outro benefício material
(BRASIL, 2004).

A aplicação de tal conceito foi aceita pelo Superior Tribunal de Justiça para
uso no direito penal interno brasileiro e tal posicionamento perdurou até junho de
2012, quando a matéria chegou ao STF, oportunidade em que o ministro Marco
Aurélio de Mello asseverou inexistir no ordenamento jurídico brasileiro definição do
crime de organização criminosa, que vem apenas definido na Convenção de
(STF, 2012).
É necessário frisar que essa posição foi reafirmada recentemente em decisão
do STF, em 25 de setembro de 2015. Para o relator ministro Celso de Mello,
justamente essa ausência de lei formal é que torna impossível a tipificação do delito
de organização criminosa. Constatou que tal delito surgiu de fato com o advento da
Lei nº 12.850/2013 (BRASIL, 2013), pois a Constituição Federal Brasileira (1988)
admite somente a lei interna como única fonte formal e direta de regras de direito
penal (STF, 2015b). Então, após 17 anos sem definição própria no ordenamento
jurídico, entrou em vigência a Lei nº 12.850/2013 (idem), trazendo novidades nos
campos penal e processual penal, enfim estabelecendo um conceito de organização
criminosa, útil para a composição de tipo penal incriminador e para medidas
cautelares de processo penal, entre outras novidades.
Em síntese, a referida lei não somente anuncia, como também explica os
meios de obtenção de prova, além de revogar expressamente a Lei nº 9.034/9595
(idem). Diante disso, embora lentamente, o direito brasileiro avançou no combate ao
crime organizado, mesmo estando sempre atrás deste, que se reveste de novos
meios para praticar crimes.
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2.6 AI

Segundo Filho (2013), a etimologia da palavra nteligência vem do latim,


estando associada a entendimento e conhecimento. O autor continua afirmando que
a evolução histórica da AI confunde-se com a própria humanidade, uma vez que a
busca pela segurança e sobrevivência é uma prioridade humana.
O conceito de inteligência é bastante divergente. Alguns autores enxergam-na
pela perspectiva do segredo, alguns priorizam evidenciá-la quanto à sua natureza ou
pela finalidade, enquanto outros, pelo tipo de informação que busca. Enfim, são
muitos os estudos quanto à sua conceituação.
A conceituação de Silvestre (2010, p. 19) destaca três abordagens de autores
anglo-saxões:

Sims (1995) afirma que seria toda informação coletada, organizada e


analisada para atender aos tomadores de decisão em suas atividades.
Shulsky (1991) restringe a área de atuação da inteligência e a vincula
necessariamente a competitividade entre nações, ao segredo e ao formato
das organizações. Em suas palavras a atividade é definida como coleção e
análise de informações relevantes para formulação e implementação da
política de segurança nacional.
Já Herman (1991) define inteligência como tudo aquilo que os órgãos
governamentais oficiais de inteligência produzem, restringindo-a a esfera
estatal.

Já Deus (2013, p. 85), com base em Cepik, apresenta o seguinte o conceito:

Serviço de inteligência são agências governamentais responsáveis pela


coleta, pela análise e pela disseminação de informações consideradas
relevantes para o processo de tomada de decisões e de implementação de
políticas públicas nas áreas de política externa, de defesa nacional e
provimento da ordem pública.

Conforme Gonçalves (2010a), José Manuel Ugarte, um dos maiores


especialistas latino-americanos em inteligência, buscou fundamentação teórica na
clássica definição de inteligência de Sherman Kent, primeiro autor a sistematizar,
sob a óptica acadêmica, o conhecimento de inteligência. Assim, descreve
inteligência sob três facetas:
conhecidos como produto, organização e processo . Continua explicando:

Inteligência como produto, conhecimento produzido: trata-se do resultado


do processo de produção de conhecimento e que tem como cliente o
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tomador de decisão em diferentes níveis. Assim o relatório/ documento


produzido com base em um processo que usa metodologia de inteligência
também é chamado de inteligência. Inteligência é, portanto, conhecimento
produzido.
Inteligência como organização: diz respeito às estruturas funcionais que têm
como missão primordial a obtenção de informações e produção de
conhecimento de inteligência. Em outras palavras, são as organizações que
atuam na busca do dado negado, na produção de inteligência e na
salvaguarda dessas informações, os serviços secretos.
Inteligência como atividade e processo: refere-se aos meios pelos quais
certos tipos de informação são requeridos, reunidos (por meio de coleta ou
busca), analisados e difundidos, e, ainda, os procedimentos para a
obtenção de determinados dados, em especial aqueles protegidos, também
chamados de dados negados. Esse processo segue metodologia própria,
a metodologia de produção de conhecimento, ensinada nas escolas de
inteligência por todo globo (GONÇALVES, 2010, p. 7-8).

Outro entendimento conceitual sobre inteligência está posto no ordenamento


jurídico nacional, fundamentado na Lei nº 9.883/1999 (Brasil, 1999), que instituiu o
Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e criou a Agência Brasileira de Inteligência
(Abin), tendo sido regulamentada pelo Decreto nº 4.376/2002, o qual dispõe sobre a
organização e o funcionamento do Sisbin. Em ambos os dispositivos legais, são
apresentados os conceitos de inteligência e contrainteligência conforme a seguir.
O instrumento legal de 1999 apresenta a conceituação nos §§ 2º e 3º de seu
art. 1º:

§ 2º Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-se como inteligência a


atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de
conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de
imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação
governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do
Estado.
§ 3º Entende-se como contra-inteligência a atividade que objetiva neutralizar
a inteligência adversa (BRASIL, 1999).

Seguindo para a área da segurança pública, na Doutrina Nacional de


Inteligência de Segurança Pública (DNISP) sobre a Atividade de Inteligência de
Segurança Pública (AISP), consta:

Como definição prevista na DNISP, temos que a AISP é o exercício


permanente e sistemático de ações especializadas para a identificação, o
acompanhamento e a avaliação de ameaças reais ou potenciais na esfera
de Segurança Pública. Tais ações são basicamente orientadas para a
produção e salvaguarda de conhecimentos necessários para subsidiar os
governos federal e estaduais na tomada de decisões, para o planejamento e
a execução de uma política de segurança pública e das ações para prever,
prevenir, neutralizar e reprimir atos criminosos de qualquer natureza ou
atentatórios à ordem pública (CASTELLO BRANCO, 2013, p. 80).
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Castello Branco (2013) ainda evidencia os pontos principais dessa


conceituação; inicia sua explanação destacando o caráter permanente e sistemático
da AI, assim como a especialidade necessária aos profissionais que atuam nessa
área, ou seja, profissionais treinados, especializados e conhecedores dos
procedimentos, técnicas e doutrina de inteligência.
Quanto ao termo, produção e salvaguarda de conhecimentos, o autor
esclarece que a preocupação da inteligência não é apenas com a produção do
conhecimento, mas também com a proteção do conhecimento produzido
(contrainteligência). Frisa ainda o que o profissional de inteligência busca em sua
análise e as metodologias a ser utilizadas para alcançar o conhecimento necessário.
Por fim, relata a finalidade de todo trabalho de inteligência, o qual se destina a
subsidiar os governos no processo decisório de nível estratégico, objetivando o
planejamento e execução da política de segurança pública (idem).
Fundamentado na conceituação apresentada por vários autores, pela
legislação e pela doutrina específica da área de inteligência, pode-se verificar,
apesar da diversificação, que os conceitos ganharam mais detalhes e
especificidades, destacando a inteligência como conhecimento, organização e
atividade, também conhecidos como produto, organização e processo.

2.7 POLÍTICA NACIONAL DE INTELIGÊNCIA (PNI)

O documento de mais alto nível de orientação da AI do país é a PNI, fixada


pelo Decreto nº 8.793/2016, que foi concebido em função dos valores e princípios
fundamentais consagrados pela Constituição Federal, das obrigações decorrentes
dos tratados, acordos e demais instrumentos internacionais de que o Brasil é parte,
das condições de inserção internacional do país e de sua organização social, política
e econômica. A PNI também reforçou a importância de fortalecer o Sisbin, ao
estabelecer como diretrizes, entre outros, o compartilhamento de dados e
conhecimentos e o incremento da confiabilidade dos produtos do sistema. O alerta é
para que os órgãos de inteligência evitem a atuação concorrente e possam valer-se
da disponibilidade sistêmica de conhecimentos. A norma deixa claro quais são as
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diferentes AIs que compõem o sistema, liberando a cada uma delas para empenhar-
se naquilo que é área própria, sem retrabalho e concorrência.
Atualmente, o Sisbin é um instrumento da PNI composto por 39 (trinta e nove)
órgãos (ABIN, 2017), que devem, no âmbito de suas competências, produzir
conhecimentos, em atendimento às prescrições dos planos e programas de
inteligência3; planejar e executar ações relativas à obtenção e integração de dados e
informações; intercambiar informações necessárias à produção de conhecimentos
relacionados com as AIs e contrainteligência; fornecer ao órgão central do sistema,
para fins de integração, informações e conhecimentos específicos relacionados com
a defesa das instituições e dos interesses nacionais; e estabelecer os respectivos
mecanismos e procedimentos particulares necessários às comunicações e ao
intercâmbio de informações e conhecimentos no âmbito do sistema, observando
medidas e procedimentos de segurança e sigilo, sob coordenação da Abin, com
base na legislação pertinente em vigor (BRASIL, 2002).
A PNI representa um divisor de águas para a AI. Sua orientação auxilia no
reconhecimento mais nítido do que se deve proteger e dos meios de fazê-lo, tão
variados quanto as ameaças. Ela não deixa dúvidas de que é endereçada aos
órgãos que integram o Sisbin, quando diz que as principais ameaças listadas têm

Sisbin nortear suas atividades no âmbito das orientações da PNI.

2.8 SUBSISTEMA DE INTELIGÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (SISP)

Em 21 de dezembro de 2000, foi criado o Sisp pelo Decreto nº 3.695, com a


finalidade de coordenar e integrar a AISP no Brasil, para suprir os governos federal,
distrital e estaduais com conhecimentos que subsidiem o processo decisório na área

3 São instrumentos essenciais da Inteligência nacional: I Plano Nacional de Inteligência; II


Doutrina Nacional de Inteligência; III diretivas e prioridades estabelecidas pelas autoridades
competentes; IV SISBIN e órgãos de Inteligência que o integram; V intercâmbio de dados e
conhecimentos no âmbito do SISBIN, nos termos da legislação em vigor; VI planejamento integrado
do regime de cooperação entre órgãos integrantes do SISBIN; VII capacitação, formação e
desenvolvimento de pessoas para a atividade de Inteligência; VIII pesquisa e desenvolvimento
tecnológico para as áreas de Inteligência e Contrainteligência; IX ajustes de cooperação mediante
instrumentos específicos entre órgãos ou entidades integrantes da Administração Pública Federal
(APF), das Unidades da Federação ou da iniciativa privada; X recursos financeiros necessários à
consecução das atividades de Inteligência; XI controle interno e externo da atividade de
Inteligência; e XII intercâmbio de Inteligência e cooperação técnica internacionais .
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afim. Integram o Sisp órgãos de inteligência dos Ministérios da Justiça, da Fazenda,


da Defesa e da Integração Nacional e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),
também podendo fazer parte os órgãos de AISP dos estados e do Distrito Federal,
mediante ajustes específicos e convênios, ouvido o competente órgão de controle
externo da AI.
O Decreto nº 3.695/2000, em seu art. 1º, § 3º, determina que, respeitadas
suas competências, os integrantes do Sisp devem identificar, acompanhar e avaliar
ameaças reais ou potenciais de segurança pública e produzir conhecimentos e
informações que subsidiem ações para neutralizar, coibir e reprimir atos criminosos
de qualquer natureza, em que os crimes cometidos pelas organizações criminosas
de base prisional se encaixam plenamente.
Pela Resolução nº 1/2009, o Sisp teve promulgada sua regulamentação,
atribuindo para si a responsabilidade de coordenação e integração da AISP nos
estados e Distrito Federal, sendo também decisor, mediante obtenção, estudo e
difusão da informação, da salvaguarda da informação contra tentativas de acessos
não autorizados.

2.9 AI POLICIAL

O art. 144 da Constituição Federal do Brasil (1988) atribui funções aos


diferentes órgãos de segurança pública, não sendo o rol de atribuições taxativo, mas
apenas evidenciando qual será a função principal de cada órgão. Utiliza as

limitar determinada função a um órgão específico. Senão, vejam-se os arts. 49, 51 e


129, I:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional [...].


[...]
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados [...].
[...]
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei [...]
(BRASIL, 1988).

O art. 144 da Carta Magna (idem) não segue o modelo dos artigos
supramencionados, não limitando atribuições exclusivas ou privativas a determinado
órgão:
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Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade


de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
[...]
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado
e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
[...]
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
[...]
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira,
incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia
judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da
ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições
definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil (BRASIL,
1988).

Ao determinar as funções de cada órgão, o constituinte atribuiu à Polícia


Federal e à Polícia Civil responsabilidades sobre as funções de polícia judiciária e
apuração de infrações penais. Depreende-se, portanto, que a investigação criminal
foi atribuída a elas, mas não com exclusividade. Embora a Polícia Militar possa
realizar a investigação criminal, de maneira subsidiária, se restringe à sua função
constitucional de polícia ostensiva e manutenção da ordem pública.
A inteligência policial se enquadra na função de manutenção da ordem
pública e, diferentemente da investigação criminal, atua na prevenção criminal,
subsidiando as ações governamentais. Enquanto a primeira alimenta de dados o
Poder Judiciário, a segunda repassa informações levantadas, em regra, para órgãos
do Poder Executivo. Vale ressaltar que muitas vezes, em decorrência da atuação
das Polícias Militares estaduais por meio da inteligência policial, várias informações
importantes são levantadas previamente e repassadas à polícia judiciária, que inicia
as investigações criminais que culminam em prisões e apreensões de grande
importância para o combate ao crime organizado.
Percebe-se que, em nenhum momento, a inteligência policial busca usurpar
as funções constitucionais da polícia judiciária; pelo contrário, ela é mais uma
ferramenta que, se utilizada de forma correta, fornece muitos subsídios para uma
investigação por parte da polícia judiciária muito mais direcionada e eficaz.
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2.10 DIFERENÇAS ENTRE INTELIGÊNCIA POLICIAL E INVESTIGAÇÃO


POLICIAL

A Lei nº 9.883/1999 (idem) assim conceitua a inteligência de Estado, pois não


existe um conceito de inteligência policial:

Art. 1º - [...]
§ 2º - Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-se como inteligência a
atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de
conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de
imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação
governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do
Estado (BRASIL, 1999).

Ferro (apud MAGALHÃES, 2008) complementa o conceito legal, indicando,


inclusive, os órgãos que a inteligência deve assessorar e o foco da sua atividade:

A inteligência policial é a atividade que objetiva a obtenção, análise e


produção de conhecimentos de interesse da segurança pública no território
nacional, sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência da
criminalidade, atuação de organizações criminosas, controle de delitos
sociais, assessorando as ações de polícia judiciária e ostensiva por
intermédio da análise, compartilhamento e difusão de informações.

A inteligência policial consiste em um conjunto de normas, valores, princípios


e pressupostos éticos que regem as AIs, principalmente no que se refere ao
comportamento de seus integrantes e à maneira como serão atingidos os objetivos
pretendidos. A importância é tamanha a ponto de estar relacionada com a incidência
de outros problemas. Rolim (2006, p. 45) afirma que,
existe onde são escassos os meios de investigação; onde, portanto, identifica-se
.
Não resta dúvida, então, de que uma inteligência policial apropriada para
preservar a ordem pública num Estado Democrático de Direito requer, para que seja
eficiente e eficaz, a aglutinação com o estudo da doutrina de inteligência policial.
Essa modalidade especial de inteligência deve estar inserida no planejamento
estratégico das Polícias Militares, bem como ser utilizada como uma ferramenta no
combate à criminalidade. Se assim não ocorrer, corre-se o risco de serem realizadas
inócuas tentativas de afrontar as muitas vezes audazes e bem elaboradas ações
criminosas, na maioria orquestradas na base prisional.
15

Portanto, a tarefa da Polícia Militar, ao atuar na inteligência policial, é


estratégica, visando a prevenir futuros eventos criminais, assessorando as ações
governamentais sobre a prevenção criminal, permitindo que sejam empregados
recursos logísticos e alocados recursos humanos com mais eficiência, com a
finalidade de preservar os bens jurídicos tutelados constitucionalmente pelo Estado.
Já o principal objetivo da investigação policial é dar continuidade à
persecução criminal, fornecendo ao MP subsídios para a denúncia e ao Poder
Judiciário informações e provas suficientes para a aplicação da pena. Seu momento
de atuação é posterior à prática delituosa, com caráter repressivo.
Tem-se, assim, que a primeira diferença entre inteligência policial e
investigação policial deve-se ao fato de aquela agir antes da ocorrência do crime, de
forma preventiva, e esta, após seu acontecimento, de forma repressiva. A
investigação compreende todo o rito para elucidação do crime, tendo como foco
provar a materialidade do fato, individualizar sua autoria e determinar as
circunstâncias em que ocorreu a atividade delituosa, além de formalizá-las por meio
do inquérito policial.
A segunda diferença é que a investigação policial dispõe de mais ferramentas
legais para atuar; inclusive, pode se valer da inteligência policial, tanto para a coleta
de dados quanto para catalogar fotos de criminosos para reconhecimento, dados
disponíveis nos sistemas utilizados pelas forças policiais, como também utilizar-se
de interceptações telefônicas, buscas e apreensões, dados bancários, entre outros.
Em suma, a inteligência policial é uma atividade proativa, que consiste na
busca incessante de elementos, dados e informações para fins de possibilitar ao
gestor público um embasamento mínimo nas suas decisões. Com base em dados
contextualizados, podem ser propostas ações concretas em termos de segurança
pública. O objetivo da inteligência policial é munir os órgãos de segurança pública
com a informação mais atualizada possível, para atuar com certa vantagem sobre a
criminalidade.
Por fim, constata-se que a inteligência policial utilizada pelas Polícias Militares
estaduais não fere a Constituição da República, além de ser considerada uma
ferramenta importante na preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas, missão afeta às Polícias Militares.
16

2.11 AI MINISTERIAL MP

Por se tratar de um assunto ainda bastante recente, não existe muita


bibliografia específica na área da inteligência ministerial, porém algumas obras
dedicadas à AI apresentam um capítulo específico ou trazem comentários sobre
esse tipo de especialidade profissional. Dantas Filho (2013), por exemplo, trata da
inteligência no MP em um capítulo à parte, abordando alguns tópicos relacionados à
investigação. Já Pacheco (2013) aborda o assunto com mais profundidade.
Uma vez que se pode adequar os conceitos de inteligência para o ramo
empresarial, pode-se também adaptá-los à seara da inteligência institucional. Como
explica Pacheco (2013, p. 269),

aplicarmos a inteligência no âmbito de outras instituições ou órgãos


públicos, abrangendo-se, desse modo, órgãos públicos em geral, inclusive
os Ministérios Públicos, não somente quanto a sua área criminal, mas
também quanto a todas as suas áreas.

O autor ainda afirma que a denominação inteligência ministerial refere-se à


AI institucional vinculada ao MP (PACHECO, 2013).
Devido ao princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da
Constituição de 1988 (idem), pode-se afirmar que o Sisbin, vinculado diretamente ao
Poder Executivo Federal, não pode se subordinar aos Poderes Legislativo e
Judiciário, muito menos ao MP. Da mesma forma, esse último, em razão da
independência funcional de seus membros e da autonomia administrativa e funcional
deferida ao órgão ministerial, não pode constar no rol das instituições subordinadas
ao Sisbin. Entretanto, essa impossibilidade de subordinação mútua não impede o
MP de possuir sistema de inteligência próprio, conforme relata Neto (2009).
Diariamente, os membros, em suas respectivas promotorias, procuradorias e
outros órgãos que compõem o MP, recebem uma grande quantidade de
informações, por meio de outros órgãos institucionais, sociedade civil, imprensa,
denúncias por parte da população etc. Essa grande massa de informações
relacionadas à atividade-fim ou à atividade administrativa necessita ser
eficientemente tratada. Pacheco (2013, p. 270) adiciona a esse ensinamento o
seguinte texto:
17

O Ministério Público, portanto, deve utilizar-se de métodos, técnicas e


ferramentas adequadas para lidar com as informações necessárias ao
desempenho de suas finalidades constitucionais, sejam aqueles
convencionalmente denominados atividade de inteligência, sejam, numa
visão mais gerencial, seus equivalentes dos sistemas de gestão da
informação e da inteligência competitiva. Diante da crescente complexidade
dos fatos com os quais lida o Ministério Público e a necessidade de sua
atuação sistêmica, seja na área cível (por exemplo, ações civis para defesa
de interesses difusos e coletivos), seja penal (por exemplo, programas de
prevenção e repressão à criminalidade), o certo é que o Ministério Público
deve utilizar algum sistema de gestão da informação, superando a fase
individualista e amadorística de muitos de seus membros, e alcançando a
racionalidade gerencial exigida pelo princípio constitucional da eficiência.

Essa AI pode, sim, ser adequada e utilizada na seara da investigação


criminal, objetivando a formação de convicção fundamentada e o auxílio à produção
probatória, como, por exemplo, sua utilização pela Polícia Federal. Isso gera maior
eficiência na execução das atividades exercidas pelo membro do MP nas
investigações cíveis e criminais mais complexas.
Pacheco (2013) entende as vantagens provenientes da AI no âmbito do MP,
detalhando a necessidade de estabelecer um vínculo de confiança com outros
órgãos de inteligência, intercambiando dados e informações, incluindo o parquet em
diversas redes de inteligência e, consequentemente, maximizando o potencial dos
conhecimentos adquiridos.
Em relação à regulamentação da AI desenvolvida pelo MP, o art. 3º da Lei nº
8.625/1993 (BRASIL, 1993) assegura ao órgão a autonomia funcional, administrativa
e financeira e, em razão dessa autonomia, a competência de estruturar e organizar
seus serviços administrativos conforme a necessidade institucional, ou seja, os
procuradores gerais possuem atribuição para criar Centros de Apoio Operacional
(CAOPs), grupos de atuação especial e comissões técnicas. Devido a essas
atribuições e pelo mesmo instrumento legal, o chefe de cada órgão ministerial pode
criar órgãos de inteligência.
18

3 INTEGRAÇÃO DA AISP

O Dicionário Michaelis (2018) define a palavra integração

de entendimento, para o Sisbin, significa cooperação e articulação, com vistas a uma


interoperabilidade sistêmica do conjunto da produção do conhecimento.
No nível estadual, cada órgão de inteligência tende a obter dados e produzir
conhecimento de maneira independente, não sendo raros os casos em que uma
instituição sonega informações à outra, por pura atitude de competição. Situações
semelhantes ocorrem no mundo todo. Um caso célebre refere-se à atuação das
agências de inteligência dos Estados Unidos em relação aos atentados de 11 de
setembro de 2001. Cada uma possuía frações de dados e informações que, se
tivessem sido integradas, poderiam ter gerado conhecimento capaz de evitar os
ataques. No tocante à AISP, a tendência natural é que os subsistemas de cada
instituição reproduzam essa cultura.
Ao falar em integração, é preciso também pensar na questão da integração
digital de bancos de dados e informações. Para isso, é necessário investimento em
soluções tecnológicas. A esse respeito, Paula (2011, p. 23) declara:

As tecnologias da informação e comunicação têm se mostrado como


excelentes ferramentas a serviço da atividade de inteligência policial e como
suporte (técnicas e métodos) de engenharia do conhecimento viabilizam a
integração de informações, a interoperabilidade dos sistemas e a eficiência
dos serviços de segurança pública.

Atualmente, uma das fortes características do fenômeno criminal é a atuação


de organizações criminosas de base prisional, como já visto, com ramificações por
várias unidades federativas e, até mesmo, diferentes países. Nesse contexto, é
comum cada agência de inteligência construir seu próprio banco de dados e
informações acerca do assunto. Mas, como preconiza o Plano Nacional de
Segurança Pública (PNSP), a integração das espécies deve ser sistematizada,
tornando-se uma realidade, pois só assim o fluxo de informações, a coleta de dados
e o conhecimento produzido terão maior credibilidade e agilidade no que se refere à
segurança pública:
19

Os objetivos do compromisso do PNSP dependem de três ações basilares


para sua implementação: integrar os órgãos de inteligência, nos âmbitos
federal e estadual; sistematizar um fluxo de informações que propiciem
cenários para atuação das instituições envolvidas; produzir os
conhecimentos necessários ao planejamento estratégico das políticas de
segurança pública e adoção de medidas para a manutenção desta
(BRASIL, 2018a).

Ações para desmonte de organizações criminosas e combate à corrupção e


crimes violentos no Brasil já estão sendo tratadas junto ao Ministério da Justiça e
Segurança Pública. Para o enfrentamento dos problemas, a pasta foi reestruturada
de forma a ampliar a troca de informações entre as forças policiais e órgãos
estratégicos de todo o país.
A criação da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) foi o primeiro passo
para a condução dessa nova política pública para a segurança. Uma das
principais funções do órgão é promover a integração da AISP, em consonância com
os órgãos federais, estaduais, municipais e distrital, dentro do que prevê o Sistema
Único de Segurança Pública (Susp), instituído pela Lei nº 13.675/2018 (BRASIL,
2018).
Uma dessas ferramentas de integração é o Centro Integrado de Comando
e Controle Nacional (CICCN). Também sob a responsabilidade da Seopi, está a rede
de Centros Integrados de Inteligência de Segurança Pública (CIISPs), responsáveis
por reunir dados de inteligência entre os órgãos estaduais, com o intuito de obter
informações sobre integrantes das organizações criminosas, bem como antecipar
investidas desses grupos de forma preventiva.
O CIISPR Sul já está instalado em Curitiba e integrar os estados do Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É uma das entregas da referida rede, que
contempla também o CIISP Nacional, inaugurado em Brasília e que é responsável
por nortear diretrizes e coordenar trabalhos de AISP, que serão estendidos às cinco
regiões do país, comunicando-se diariamente com os centros regionais. Além da
região Sul, está em operação o CIISP Nordeste, com sede em Fortaleza, que integra
a base de nove estados da região.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo, neste artigo, foi identificar possibilidades de integração da AISP


com a AI do MP do estado, para proporcionar mais uma ferramenta para o combate
20

ao crime organizado de base prisional, que assola diretamente a segurança pública


da nação.
Assim, buscou-se fundamentação teórica para a AI, teceram-se algumas
considerações sobre a Polícia Militar, o MP e o crime organizado de base prisional e
buscou-se a conceituação legal para o tema.
Sobre a AI, abordaram-se brevemente sua amplitude e abrangência em várias
esferas, apesar de não ser amplamente difundida. Verificou-se também que essa
atividade é uma excepcional ferramenta de assessoramento na tomada de decisão,
trazendo vantagens estratégicas, táticas e operacionais, por meio da organização
das ideias, na coleta e busca de dados e informações, que, após analisados e
estruturados sob preceitos de metodologia própria, geram novos conhecimentos a
ser difundidos e utilizados.
Com o processo de democratização e implementação da Constituição Federal
de 1988, foram evidenciados os direitos fundamentais, ocasionando uma adaptação
na seara da inteligência, particularmente visando a amparar-se no princípio da
legalidade. Não foi diferente nas Ais, cujo processo foi oficializado com a criação do
Sisbin e da Abin.
O Sisbin é um instrumento da PNI, composto por 39 trinta e nove) órgãos, que
tem o dever de produzir conhecimentos conforme os planos e programas de
inteligência, além de planejar e executar ações relativas à obtenção e integração de
dados e informações e ao intercâmbio dos conhecimentos produzidos relacionados
com as AIs e contrainteligência, com isso pondo ao alcance o conhecimento
produzido ao órgão central do sistema (Abin), para fins de integração e difusão de
conhecimentos específicos referentes à defesa das instituições e dos interesses
nacionais, entre eles, o combate ao crime organizado de base prisional.
Por sua vez, o MP vem, a exemplo das outras organizações, implementando
a inteligência em suas atividades, estruturando órgãos internos dedicados
exclusivamente a esse tipo de atividade. A partir desse novo cenário, surgiu o
seguinte questionamento: como integrar a AISP com a AI desenvolvida pelo MP para
o enfrentamento do crime organizado de base prisional, mediante essa poderosa
ferramenta?
Em resposta a essa questão, buscou-se o detalhamento nas normas legais
que tratam da integração das AIs, bem como nas ações propostas pelo Ministério da
21

Justiça e Segurança Pública do governo federal, chegando à conclusão de que a


PNI não deixa dúvidas de que é endereçada aos órgãos que integram o Sisbin. Uma
crítica à PNI é que sua abrangência é limitada e não poderia ser efetivamente
considerada nacional, porque seu alcance é o Sisbin, excluindo, portanto, níveis
estaduais e municipais, entidades do Judiciário e do MP, que são parceiros
essenciais para a AI.
No estado do Paraná, por meio dos Decretos Estaduais nº 10.296/2014 e nº
10.845/2018, foram criados o Grupo de Atuação Especial ao Combate do Crime
Organizado (GAECO) e a Assessoria Policial Militar, respectivamente, com o Poder
Executivo Estadual atuando em cooperação com o MP do Paraná.
O efetivo de militares estaduais dos GAECOs distribuídos em oito núcleos no
Paraná atua em ações conjuntas com o MP do Paraná e Polícia Civil no combate ao
crime organizado, porém não há tratativas em relação ao crime organizado de base
prisional, embora alguns dados obtidos e não tratados sejam compartilhados de
maneira informal com o Centro de Inteligência da PMPR.
Já dentro da estrutura da Assessoria Policial Militar, foi criado um Núcleo de
Inteligência (NIPM), integrante do Sistema de Inteligência da Polícia Militar (Sipom),
que atua diretamente com o Centro de Apoio Técnico à Execução (CAEx), coletando
e compartilhando dados relevantes ao tema e difundindo-os para a comunidade de
inteligência da PMPR. A obtenção desses dados, ainda que trabalhados e
difundidos, ocorre em forma de cooperação mútua, não atendendo a critérios e
canais técnicos entre ambas as instituições por falta de meio legal. Frise-se que o
MP do Paraná não tem um órgão de inteligência estruturado, por isso não há um
canal técnico regulamentar; todavia, o compartilhamento de conhecimentos ocorre
em respeito ao sigilo da informação e à necessidade de conhecer.
Caberia, dessa forma, aos integrantes do Sisbin nortear suas atividades no
âmbito das orientações da PNI,
construir inteligência na cooperação, interação e integração. Os modos de conseguir
isso ainda estão por ser criados, não existindo processos de unificação metodológica
nem de compartilhamento de bancos de dados, quer por conveniência, quer por
determinação legal.
Conclui-se que a AI impõe também a demanda de não agir somente diante do
dano ou da ameaça, sendo crescente a importância de projeção de tendências e
22

cenários, a fim de produzir conhecimento em tempo de permitir a tomada de decisão


hábil a, preventivamente, minimizar ameaças ou incrementar meios de
enfrentamento, afastando, assim, a vulnerabilidade. Portanto, a boa performance da
inteligência em um Estado Moderno dependerá das respostas que der a esses
desafios, que deverão ser objeto de aprofundamento e análises posteriores.

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altera a Lei Complementar nº 79, de 7 de janeiro de 1994, a Lei nº 10.201, de 14 de
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