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O PAPEL DA EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA NA CONSTRUÇÃO DE

NOVAS PERSPECTIVAS PARA O SEMIÁRIDO NORDESTINO

Monique Hellen de Souza Silva1


Djanní Martinho dos Santos Sobrinho 2

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos a percepção do Semiárido enquanto “região problema”, lugar


de miséria e subdesenvolvimento se consolidou no imaginário coletivo, mediante a
reprodução do “discurso da seca” por grupos políticos, midiáticos e intelectuais. Por
conseguinte, atribuiu-se aos aspectos naturais a justificativa para o atraso econômico,
político e social da região, ofuscando desse modo a sua possibilidade de modernização.
Entretanto a intensificação dos investimentos governamentais em infraestrutura
de base (eletricidade, abastecimento hídrico, comunicação e transportes), nas últimas
décadas do século XX, oportunizou a descentralização da produção industrial nacional,
bem como o surgimento de polos de agricultura irrigada no sertão nordestino.
Outra transformação importante residiu na instituição de políticas públicas
criadas por atores políticos e organizações não governamentais, como o Programa
Conviver: Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, lançado em 2003 pelo Governo
Federal e o Programa Um Milhão de Cisternas Rurais – P1MC, criado no ano 2000 pela
Articulação Semiárido Brasileiro–ASA. Essas iniciativas introduziram propostas
fundamentais para a convivência com o semiárido, através do desenvolvimento
sustentável, da inclusão social, da valorização da cultura e identidade sertaneja, todavia
o status de “região problema” permaneceu, mascarando a realidade atual.

1
Graduada em Geografia – licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
email; moniquehellen60@hotmail.com.
2
Mestre em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e docente da UFRN, email;
djannigeo@yahoo.com.br
Com base nestas premissas, o trabalho em questão aborda o papel da educação
contextualizada na construção de novas perspectivas para o Semiárido Nordestino. A
partir da designação de práticas educacionais contextualizadas com a realidade, que
enfatizam o novo dinamismo regional, bem como estimulam o convívio e a
sustentabilidade, esta pesquisa almeja contribuir para o desenvolvimento e a formação
de novos olhares para o Semiárido Nordestino, enxergando nesse espaço a possibilidade
de crescimento econômico e progresso social.

METODOLOGIA

A metodologia deste estudo se estruturou na revisão bibliográfica. Na concepção


de Tozoni-Reis (2009) a revisão bibliográfica é uma busca de conhecimentos sobre os
fenômenos investigados na bibliografia especializada. Considerando essa definição,
foram revisadas publicações como “A invenção do Nordeste e outras artes” de Durval
Muniz de Albuquerque Júnior (2011), e “Seca e determinismo: a gênese do discurso do
Semi-árido Nordestino” de Rafael Winter Ribeiro (1999), com o propósito de
compreender como foi construído o discurso determinista e o imaginário de região
problema atribuindo ao Semiárido Nordestino.
O artigo “Secas e políticas públicas no Semiárido: ideias, pensadores e períodos”
de José Nilson Bezerra (2014), e a tese “Entre o combate à seca e a convivência com o
Semi-árido: transições paradigmáticas e sustentabilidade do desenvolvimento” de
Roberto Marinho Alves da Silva (2006), foram analisados com objetivo de caracterizar
o processo de industrialização do Nordeste Semiárido, e a passagem das políticas de
combate para as políticas de convivência com a seca.
Por fim, buscando conceituar a educação contextualizada, seus impasses, formas
de implementação e sua relação com desenvolvimento do Semiárido, foram revisadas as
obras, “Educação contextualizada para a convivência com o Semiárido brasileiro:
debates atuais e estudos de caso (2014)” do Instituto Nacional do Semiárido – INSA, e
a tese “A contextualização dos conhecimentos e saberes escolares nos processos de
reorientação curricular das escolas do campo”, de Edmerson dos Santos Reis (2009),
entre outras.
RESULTADOS PRELIMINARES

Conforme a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE


(2017), o Semiárido Brasileiro, exibido na figura 1, compreende 1262 munícipios,
situados predominantemente no Nordeste do país, e parte no Maranhão e na área
setentrional de Minas Gerais. Segundo a Articulação Para o Semiárido – ASA (2017),
esta região abrange um quinto do território nacional e possui uma população de 26,62
milhões de pessoas. Entretanto o Semiárido contêm indicadores sociais muito baixos,
sendo um espaço marcado pela
desigualdade social em
diversas escalas, visto que
apresenta uma grande
concentração de terra, renda,
recursos hídricos, e
apresenta sérios problemas de
desemprego, educação e
saúde. Todos os seus municípios
possuem Índice de desenvolvimento Humano-IDH inferior ao do Brasil, que é de 0,727
(ASA, 2017).

Figura 1: Delimitação da região do Semiárido


brasileiro

Fonte: SUDENE, 2017.


Além disso, de acordo com o IBGE (2000) mais da metade da população local
não possui renda, ou tem como único rendimento os benefícios governamentais, sendo
que desse grupo, 59,5% são mulheres. Destarte a concentração de renda e a
desigualdade entre gêneros também é uma grande problemática deste território. Neste
contexto, as mulheres por vezes apresentam uma condição socioeconômica inferior a
dos homens, contundo há poucas políticas públicas que possam amenizar essa
diferenciação.
Outra questão preocupante reside no aumento da degradação ambiental na
região. A Caatinga com 45% de sua área desmatada, é o terceiro bioma mais degradado
do país (ASA, 2017). No entanto essa é o único bioma endêmico do Brasil e foi
reconhecido como uma das 37 grandes regiões naturais do planeta. Logo diversas
espécies de plantas e animais existem apenas na Caatinga, o que faz dessa vegetação um
patrimônio ambiental legitimo. O desmatamento tem como uma de suas principais
causas, a retirada de lenha para combustível, todavia esse processo ocasiona a
desertificação dos espaços e colabora para acentuar os efeitos da seca (SILVA, 2006).
Além da desertificação, a prática crescente da agriculta irrigada no sertão brasileiro sem
um planejamento ambiental adequado, tem promovido o aumento da salinização do
solo.
Apesar de todas esses impasses, o Semiárido brasileiro é o mais chuvoso do
planeta, apresentando uma média anual de precipitações em torno de 268 a 800mm, que
incidem de forma curta e irregular (AB’SABER, 2003). A irregularidade das chuvas é
um fator determinante para a ocorrência da estiagem, um fenômeno cíclico e natural da
região. A predominância do solo cristalino e da elevada taxa de evaporação de água,
3000mm por ano, dificultam ainda mais o acesso e o armazenamento dos recursos
hídricos pela população regional. (ASA, 2017).
No século XX como afirma Campos (2014), as políticas de expansão da
infraestrutura hídrica (rede de açudes) do Nordeste Semiárido, contribuíram de forma
considerável para amenizar as tragédias da seca. Ainda sim, o número de vitimas
provocado pela estiagem continuou elevado. Silva (2006) acredita que essa realidade
pode ser constatada em razão do contingente de 2 milhões de pessoas que foram
alistadas entre 1992 e 1993, nas frentes de emergência de combate a seca, criadas pelo
Governo Federal. A fome, a miséria e a falta d’agua permaneceram, não apenas como
consequência da falha da política de açudagem, e sim por um conjunto de problemas
estruturais.
Com o passar dos anos as ações governamentais direcionadas para o combate da
seca e a industrialização do Nordeste no século XX, passaram a beneficiar apenas o
grupo seleto das oligarquias políticas locais (ALBUQUERQUE JÚNIOR, 2011). Por
conseguinte os projetos voltados para melhorar o acesso à água, dinamizar a agricultura,
amenizar a fome e o diferencial da renda, promoveram uma “modernização
conservadora” ao beneficiar ainda mais essas elites, delimitando uma classe social
muito pobre e outra nitidamente mais rica.

Verifica-se que processo do século XX de modernização econômica na


Região não foi capaz de romper com as bases estruturais das desigualdades
no Semi-árido. A concentração da terra e da renda são também resultados dos
incentivos do Estado na Região, nos moldes em que foram realizados. Os
incentivos à pecuária, por exemplo, fortaleceram e modernizaram essa
atividade agravando a questão fundiária, provocando a redução da produção
de alimentos e a intensificação de emigração rural. O mesmo ocorreu nas
áreas de agricultura moderna, com a expulsão de agricultores familiares das
áreas mais férteis. SILVA (2006).

Outra questão que surge no contexto do processo de modernização, compreende


o desenvolvimento dos polos de agricultura irrigada a partir de 1960. Essa atividade,
constituída por um grande capital financeiro, tecnológico e informacional, direcionou os
olhares do mercado global para região. Áreas como o polo de Fruticultura do Vale do
Açu-RN e o polo de agricultura de Juazeiro-BA/Petrolina-PE, se instituíram como uma
possibilidade efetiva de desenvolvimento para o Semiárido, entretanto novamente os
únicos beneficiados por este empreendimento, foram as velhas oligarquias.
Todavia apesar do fracasso da política de infraestrutura hídrica e
socioeconômica, e das ações emergências de “combate à seca”, na superação da
desigualdade regional, o surgimento de novos atores e políticas de desenvolvimento
voltadas para o convívio sustentável com a região, vai caracterizar um quadro de
mudanças paradigmáticas no Semiárido Nordestino.
Esses atores são formados por instituições governamentais como a Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e a Empresa Brasileira de
Assistência Técnica e Extensão Rural (EMBRATER), além de importantes entidades da
sociedade civil como a Articulação Semiárido Brasileiro – ASA e a Rede de Educação
do Semiárido Brasileiro (RESAB). Ao definir os princípios da convivência com a região
do Semiárido, essas organizações estipulam como áreas de atuação o meio ambiente, a
economia, a política, educação e a cultura, para assegurar a qualidade de vida dos
habitantes locais. Dessa maneira projetos educacionais, tecnologias rurais, bem como
muitos outros programas de apoio aos moradores carentes são pensados e realizados a
partir dessas diretrizes.
Essa mobilização dos setores da sociedade tem marcado uma transição das
práticas de “combate às secas” e de “modernização conservadora”, para as propostas e
conivência com o Semiárido e soluções sustentáveis. Essas ações transformadoras vêm
ganhando cada vez mais apoio do Poder Público nacional (SILVA, 2006). Contudo a
pobreza na região ainda é uma questão eminente, assim como a representação do
discurso da seca no pensamento intelectual e nos meios de comunicação.
Tal realidade se justifica em razão da resistência do discurso regional que
constrói através da mídia, da literatura e outros campos do saber, um imaginário de
pobreza e atraso socioeconômico para o Semiárido, delimitado como “muito difícil de
ser superado”. Sobre esse tema muitos autores explicitam que é no final do século XIX
para o inicio do século XX que essa visão de determinismo geográfico é vulgarizada, e
o clima da região é apontado com o principal responsável pelo subdesenvolvimento
local (ALBUQUERQUE JÚNIOR, 2011; RIBEIRO, 1999).
Mesmo após o surgimento de estratégias que comprovam a possibilidade de uma
adaptação sustentável da população ao espaço sertanejo, esse imaginário de lugar
inóspito ainda se propaga de maneira expressiva nos dias atuais. Para Albuquerque
Júnior (2011) uma das causas dessa adversidade é o interesse da classe política do
Nordeste de obter junto à classe política do sul, recursos para a construção de obras,
cargos públicos entre outras vantagens.
Com base nesses argumentos é possível constatar que, apesar dos avanços das
políticas de conivência com o Semiárido, ainda há muito que ser feito para desconstruir
as visões reducionistas e superar a desigualdade nesta região. Para isso o modelo de
educação contextualizada, parte fundamental da estratégia de desenvolvimento
sustentável, se apresenta como uma ferramenta basilar na construção de novas
perspectivas para esse território.
O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu no século XX, quando a
Organização das Nações Unidas (ONU) buscava por novas alternativas de progresso
que considerassem a limitação dos recursos ambientais. Essa proposta se disseminou a
partir da Conferência de Estocolmo na Suécia em 1972 e no Simpósio de Cocoyok de
1974.
O desenvolvimento sustentável deve ser compreendido como a capacidade de
satisfazer as necessidades dos grupos sociais do tempo presente, sem
comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias
necessidades. ONU (2018).

Por meio dessas ideias foram constituídos os princípios que guiariam desse
momento em diante as ações governamentais a nível global. Por conseguinte as
iniciativas mais recentes de desenvolvimento do Semiárido, acentuadas na perspectiva
da convivência com a região, tomaram por base essas concepções.

Articulada às discussões sobre a emergência de um novo paradigma de


sustentabilidade, nos últimos anos, vem sendo construída a perspectiva da
convivência com qualidade de vida no Semiárido brasileiro. O Semiárido é
concebido enquanto um complexo de ecossistemas com os seus limites e as
suas potencialidades. Trata-se de um espaço onde é possível construir ou
resgatar relações de convivência entre os seres humanos e a natureza, com
base no tripé da sustentabilidade ambiental, da qualidade de vida das famílias
sertanejas e do incentivo às atividades econômicas apropriadas. SILVA
(2003, p. 375).

Outra vertente muito importante da ideia de coexistir com o espaço sertanejo é a


educação contextualizada, caracterizada por pensar um processo formativo pautado na
troca de saberes para compreender e valorizar o lugar do aluno, promovendo dessa
forma a autonomia sociocultural, política e econômica desse sujeito.

A educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido pode ser


concebida como uma práxis, um processo elaborativo de conhecimentos
teóricos e práticos que tem como princípio a convivência com o território dos
sujeitos, o respeito à condição de vida do indivíduo, à realidade local como
ponto de partida e de chegada dos conhecimentos diversos. SENA (2014,
p.18)
Logo essa prática de ensino almeja preservar a história e as tradições culturais do
lugar, além de priorizar a junção do conhecimento popular ao conhecimento científico,
com propósito de viabilizar uma relação harmônica entre a sociedade e o seu meio.
Dentre os temas abordados pela educação contextualizas estão assuntos como, a
segurança e a soberania alimentar, a busca pela água no sertão, agroecologia e as
questões de gênero e etnia. Uma forma de pôr em prática essa educação é por meio do
emprego da pedagogia da alternância.
A pedagogia da alternância seu originou na França no ano de 1930, quando os
Centros Familiares de Formação por Alternância –CEFFAS, construíram uma proposta
de ensino inovadora. Para Andrade (2016) essa pedagogia pode ser definida como a
mudança de tempo e espaço de formação, de uma situação escolar para outra sócio-
profissional, uma aprendizagem que relaciona teoria e prática simultaneamente. Neste
sentido o aluno aprende a teoria na escola e põe em prática no seu lugar, e depois
retorna para escola, para atestar ou reconstruir esse aprendizado.
Com base nessas considerações percebe-se que a pedagogia da alternância está
totalmente articulada como a educação contextualizada, apresentando-se como um
elemento complementar para viabilizar e fortalecer essa prática formativa. Contundo
para implementar esse processo de modo efetivo, também é necessário compreender os
pilares que o fundamentam.
Em suas reflexões muitos autores apontam como dimensões básicas para a
consolidação desse modelo educacional, a transformação do currículo, do livro didático,
da formação de professores e do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola.
(ANDRADE, 2016; SILVA, 2006; REIS, 2009). “Transformação” por que, muitos são
os impasses que impossibilitam a prática em larga escala da educação contextualizada
nos espaços educativos da região do Semiárido.
Iniciando pelo currículo, Reis (2009) afirma que uma educação voltada para o
contexto, não exige apenas a reorientaração dos conhecimentos e saberes trabalhados, é
preciso transformar as concepções de currículo, educação, gestão entre outros aspectos.
Na visão do autor o modelo de currículo vigente nos centros de ensino do Semiárido,
está estruturado em uma concepção universalista, que desconsidera os saberes locais e a
tradição popular. Essas características vão totalmente na contramão do que defende a
pedagogia da alternância e a educação contextualiza, todavia, como outrora já foi
mencionado, esse não é o único empecilho para oportunizar estes processos, o livro
didático também tem sido uma poderosa arma na promoção de um ensino distante do
lugar.
Ferreira e Passos (2014) destacam que ainda hoje os livros didáticos não
dialogam com a realidade local de forma condizente, pois frequentemente naturalizam a
miséria e a seca, e raramente abordam a possibilidade de convivência com esse
fenômeno. Os conteúdos vinculados nos livros didáticos, por vezes têm reforçado
estereótipos de que determinadas questões sociais, políticas e econômicas, “não podem
ser superadas ou transformadas”, como a realidade do Semiárido subdesenvolvido. No
entanto cabe ressaltar que esse material didático constantemente atua como um
instrumento de alienação, desarticulado do contexto de vida do público escolar.
Os problemas na infraestrutura das escolas rurais e a falta de preparo dos
professores, igualmente dificultam a promoção de uma educação contextualizada, que
ultrapasse iniciativas locais e desarticuladas em âmbito regional. Segundo Silva (2006)
a rede escolar nas áreas rurais é marcada pela péssima infraestrutura, a falta de materiais
didáticos adequados para possibilitar processos pedagógicos inovadores, a falta de água
durante os períodos de seca no Semiárido. Todos esses impasses contribuem para o
aumento da evasão de alunos, pois em determinados períodos durante a estiagem,
muitas escolas param de funcionar, assim como durante a época das colheitas agrícolas,
muitos jovens deixam de ir à escola para ajudar seus familiares.
Portanto é fundamental a constituição de um planejamento escolar que considere
tais realidades, no entanto, com revela Silva (2006) na maioria das escolas rurais o
percentual de professores com uma formação inadequada é elevado, além disso nas
escolas da zona urbana os projetos pedagógicos deixam muito a desejar. Dessa forma
torna-se muito difícil proporcionar uma educação que retrate de modo fidedigno o
contexto ambiental, sociocultural, urbano-rural, político e econômico da região do
Semiárido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Mediante as discussões aqui apresentadas é possível fazer algumas
considerações. Apesar das ações de modernização do Semiárido, e das propostas
inovadoras de desenvolvimento por meio do convívio com a região, as desigualdades
socioeconômicas, permanecem acentuadas. Todavia organizações como a ASA e
atividades econômicas como a fruticultura irrigada, demonstram sim, que é possível
haver dinamismo nesse espaço regional.
Neste sentido a educação contextualizada se institui enquanto uma estratégia de
importância comprovada, para descontruir os discursos e imaginários sociais enraizados
na mentalidade dos habitantes sertanejos. Discursos estes que disseminam e naturalizam
a concepção da região problema, improdutiva e incapaz de alcançar o progresso.
Contundo é necessário superar alguns obstáculos como o currículo e o livro
didático desarticulados do local, a falta de formação apropriada dos professores, a
carência de infraestrutura física, bem como a construção de um PPP nas escolas que
considerem os aspectos singulares da realidade local. Apenas dessa forma será
realmente possível consolidar um modelo de educação contextualizada que valorize e
colabore para o desenvolvimento do Semiárido Nordestino.

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