UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE LETRAS E ARTES FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DHT - DPUR HISTÓRIA DA ARTE E ARQUITETURA

1 HISTÓRIA DA CIDADE E URBANISMO 1

A REFORMA PEREIRA PASSOS

GRUPO (TURMA): BERNARDO NOUVEL (A), FABIANO ARARUNA (A), JOÃO PEDRO (D), LEANDRO NASCIMENTO (A), THOMAS RIBEIRO(A).

RIO DE JANEIRO NOVEMBRO 2008 CLÁUDIA NÓBREGA JÚLIO C. RODRIGUES

em 1860. visou o saneamento. possuía quase um milhão de habitantes carentes de transporte. atualmente distrito de Rio Claro. Foi colega de turma de Benjamin Constant. conferindo à cidade fama internacional de porto sujo ou cidade da Morte. o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sociais. posto em prática na administração de Passos como prefeito. Até os catorze anos foi criado na Fazenda do Bálsamo. construção de grandes avenidas. Integrou a comissão que iria apresentar o plano geral de reformulação urbana da capital. abastecimento e escoamento de água. de seu crescimento rápido e desordenado. 2. para executar o prolongamento da estrada de ferro da serra de Petrópolis. Na ocasião em que Pereira Passos assume a Prefeitura da cidade. em São João Marcos. Em sua volta ao Brasil. decorrentes. 29 de agosto de 1836 — 12 de março de 1913) foi um engenheiro brasileiro e prefeito da cidade do Rio de Janeiro entre 1902 e 1906. em larga medida. o Rio de Janeiro.1. barão de Mangaratiba. Com o declínio do trabalho escravo. período conhecido como “Bota-abaixo”. no estado do Rio de Janeiro. Estudou na França de 1857 ao final de 1860. nomeado pelo presidente Rodrigues Alves. a que subia o Monte Righi com inclinações de até 20%. canalizações de rios entre outras medidas urbanas e sanitárias.A situação do Rio no início do século XX No início do século XX. e de Clara Oliveira. em grande parte de seu rápido e desordenado crescimento. o Rio de Janeiro passava por graves problemas sociais. como se tornara conhecida. programas de saúde e segurança. a Estrada de Ferro Corcovado. atual Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro .Biografia Francisco Pereira Passos (Piraí. Foi nomeado engenheiro do Ministério do Império em 1874. estudou os sistemas ferroviários europeus e se inspirou na estrada de ferro suíça. decorrentes. o urbanismo e o embelezamento. O levantamento realizado de 1875 a 1876 seria a base do futuro plano diretor da cidade. alavancado pela imigração européia e pela transição do trabalho escravo para o trabalho livre. com sua estrutura de cidade colonial. a fim de atrair capital estrangeiro e dar ao Rio de Janeiro ares de cidade moderna e cosmopolita.antiga Universidade do Brasil onde se formou em 1856 como Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas o que lhe dava o Diploma de Engenheiro Civil. coléra. Voltou à Europa em 1871. Na Europa. cabendo a Pereira Passos acompanhar todas as obras do governo imperial. Pereira Passos dedica-se à construção e expansão da malha ferroviária brasileira. na companhia do Barão de Mauá. A estada em Paris exerceu profunda influência em Passos. incluindo o alargamento de ruas. onde assistiu a reforma urbana de Paris promovida por Haussmann. a cidade passara a receber grandes contingentes . Em março de 1852 ingressou na então Escola Militar. A reforma urbana de Pereira Passos. como inspetor do Governo Imperial. que iria dedicar-se à engenharia ferroviária e ao urbanismo. Sistema que seria ainda usado posteriormente na primeira estrada turística do Brasil. Filho de Antônio Pereira Passos. sob a demanda da economia cafeeira. No centro do Rio de janeiro – a Cidade Velha e adjacências – eclodiam habitações coletivas insalubres (cortiços). varíola. epidemias de febre amarela. No alvorecer do século XX.

Avenida Central. dignos de representar a capital federal. À esquerda o Teatro Municipal e à direita a Escola Nacional de Belas Artes. a reforma urbana sustentou-se no tripé saneamento – abertura de ruas – embelezamento. . Rodrigues Alves. O incremento populacional e. Não por acaso. Ruas mais largas estimulariam igualmente a adoção de um padrão arquitetônico mais digno de uma cidade-capital. Inspirado nas reformas de Haussmann. sobrevieram grandes boulevares.Incumbências como Prefeito Nomeado prefeito pelo presidente Rodrigues Alves. promover. mas uma ação concreta nesse sentido levaria cerca de três décadas para se realizar. para isso. com o objetivo de transformá-la numa capital nos moldes franceses. com imponentes edifícios. O primeiro plano urbanístico para o Rio de Janeiro foi elaborado entre duas epidemias muito violentas (1873 e 1876). agravaram a crise habitacional. passando de 274 mil para 522 mil habitantes. em quatro anos Pereira Passos transformou a aparência da cidade: aos cortiços (locais serviam de moradia àqueles que não seriam bem quistos na "cidade higienizada") e ruas estreitas e escuras. traço constante da vida urbana no Rio desde meados do século XIX. o ambicioso programa de renovação urbana da capital. ventilar e iluminar melhor os prédios. 3. Tratada como questão nacional. as ruas deveriam ser necessariamente mais largas. criando condições para arejar. a duras penas alcançada no governo Campos Sales (1898-1902). ao lado de Lauro Müller. os higienistas foram os primeiros a formular um discurso articulado sobre as condições de vida na cidade. particularmente o aumento da pobreza. entre 1903 e 1906. sua população duplicou. Paulo de Frontin e Francisco Bicalho. Foi a estabilidade político-econômica. propondo intervenções mais ou menos drásticas para restaurar o equilíbrio daquele "organismo" doente. Entre 1872 e 1890. Era preciso sanear a cidade e. que permitiu ao seu sucessor. tendo por finalidade última atrair capitais estrangeiros para o país. promoveu uma grande reforma urbanística na cidade. atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado. Foto de Marc Ferrez (1909).de imigrantes europeus e de ex-escravos.

Esta ligaria o centro da cidade até o Morro da Viúva. Foram abaixo todos os prédios paralelos aos Arcos da Lapa e o Morro do Senado. A avenida foi uma forma eficiente de ligar as extremidades da cidade. sendo esta ligação reforçada posteriormente pela abertura de túneis.Inauguração do Jardim do Alto da Boa Vista 1903 . foi demolido o Largo de São Domingos.Inauguração do Pavilhão da Praça XV 1903 . esta passou a abrigar as melhores lojas do início do século.800 metros de comprimento e 33 metros de largura.Alargamento da Rua do Catete . com 1. Para a abertura da Avenida Passos. um dos mais importantes logradouros da cidade ainda hoje. foram inspecionadas pessoalmente. • • • • • • • • • • • 1903 . 4 . Foi também em sua administração que ocorreram as obras de abertura das avenidas Beira-Mar e Atlântica. além do alargamento da Rua da Carioca. Pereira Passos demoliu casarões.Inauguração da nova estrada da Tijuca 1905 . a atual Avenida Rio Branco. Avenida Central Pereira Passos idealizou e realizou a Avenida Central. O alargamento das ruas permitiu o arejamento. Avenida Beira Mar As obras da Avenida Beira Mar.Alargamento e prolongamento da Rua Marechal Floriano até o Largo de Santa Rita 1905 .Obras na Rua 13 de Maio 1905 . Sete de Setembro. A demolição do casario do centro antigo.Demolições do Morro do Castelo 1903 a 1904 .Construção do Aquário do Passeio Público 1904 .Alargamento da antiga Rua da Prainha (atual Rua do Acre) 1904 . abriu diversas ruas e alargou outras.a modernização do porto. que custou a demolição de todo o casario de um dos lados da rua. dentre outras obras. a abertura das avenidas Central e do Mangue – e o saneamento foram assumidas pelo governo federal.Prolongamento da Rua do Sacramento (atual Avenida Passos) até a Rua Marechal Floriano 1903 .Início da Construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (inaugurado em 1909) 1905 . ventilação e melhor iluminação do centro e ainda a adoção de uma arquitetura de padrão superior. a fim de liberar passagem para a Avenida Mem de Sá.Alargamento e abertura de ruas Com a finalidade de saneamento e ordenação da malha de circulação viária. Após a conclusão alargamento da Rua da Vala (atual Rua Uruguaiana) em 1906. É considerada um dos marcos de sua administração. a abertura e o alargamento de diversas ruas e o embelezamento de logradouros públicos foram atribuídos à prefeitura da capital.Obras importantes As obras de maior vulto . a exercer o papel de centro econômico e administrativo. iniciadas logo que assumiu.

em Botafogo • 1906 . uma vez que insuficientes habitações populares foram construídas em substituição às que foram demolidas.600 velhos prédios residenciais foram demolidos. essas áreas não constituíam alternativa de moradia para os que . em suas franjas e fendas deterioradas. • • 5. A reforma promoveu uma grande valorização do solo na área central. pois. em Copacabana • 1905 .Decreto para a construção da Avenida Atlântica.Reforma do Largo da Carioca • 1906 .Inauguração da Escola-Modelo Tiradentes • 1905 .Inauguração da fonte do Jardim da Glória • 1906 . Outros feitos • Foi presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.Alargamento e prolongamento da Rua Uruguaiana 1905 . Santo Antonio.Alargamento da Rua da Carioca • 1906 .Providência.Inauguração da Avenida Beira-Mar • 1906 . Parte considerável da imensa população atingida pela remodelação permanece na região e os morros situados no centro da cidade .Conclusão das obras de melhoramento do porto do Rio de Janeiro e do Canal do Mangue • 1906 . Vários prédios residenciais. sofrem uma rápida ocupação.Melhorias no abastecimento de água da cidade. • Construção da Estrada de Ferro do Corcovado (a primeira estrada de ferro turística do Brasil). com construção de jardins.Inauguração do alargamento da Rua 7 de Setembro. beleza e regeneração física e moral. entre outros .Inauguração das obras de melhoramento e embelezamento do Campo de São Cristóvão • 1906 . • 1906 . Apoiada nas idéias de civilização. atingindo como um cataclisma a população de baixa renda que ali se concentrava. a reforma promoveu uma intensa valorização do solo urbano da área central. alavancando uma forma de habitação popular que marcaria a configuração da cidade até os dias de hoje: a favela.outrora pouco habitados. no Centro • 1906 .1905 .Construção do Restaurante Mourisco.As conseqüências da Reforma Apesar das melhorias sanitárias e urbanísticas. entre as avenidas Central e Primeiro de Março • 1906 .Construção do Pavilhão Mourisco. com o início das formações de favela na cidade.Inauguração da nova Fortaleza na Ilha de Lag • 1906 . Parte considerável da imensa massa atingida pela remodelação permaneceria no centro. o plano de Pereira Passos implicou em alto custo social.Inauguração da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco). A partir destas demolições a população pobre do centro da cidade se viu obrigada a morar com outras famílias. próximo à estação das barcas. e construções coloniais foram demolidos.Inauguração do palácio da exposição permanente de São Luiz (futuro Palácio Monroe) • 1906 . Cerca de 1. apesar do rápido crescimento da zona norte e dos subúrbios. a pagar altos aluguéis ou a mover-se para os subúrbios.Aterramento das praias do Flamengo e Botafogo.Abertura da Rua Gomes Freire de Andrade • 1905 .Abertura da Avenida Maracanã • 1906 . ainda ocupada parcialmente pela população de baixa renda. marco de sua administração • 1905 .

O relatório da mesma comissão fazia referência ao Morro da Favela (atual Providência) – "pujante aldeia de casebres e choças. construção ou aluguel de uma casa. A Cidade Maravilhosa Após as obras de Pereira Passos e o trabalho do sanitarista Oswaldo Cruz o Rio de Janeiro perdeu o apelido de Cidade da Morte e ganhou o título de Cidade Maravilhosa e realizou a Exposição Nacional de 1908. no coração mesmo da capital da República. sem dúvida. moderna. aquisição de terreno. do século XX. a dois passos da Grande Avenida" – que emprestaria seu nome ao. mais destacado ícone da segregação social no espaço urbano da cidade. que tinha como parâmetros as metrópoles européias. o Rio – remodelado e saneado – já era apresentado como "a cidade mais linda do mundo". o que é pior. uma ruptura no processo de urbanização do Rio de Janeiro. uma comissão nomeada pelo governo federal para examinar o problema das habitações populares constatou que as demolições de prédios iam muito além de todas as expectativas. uma nova modalidade de habitação popular: a favela. forçando a população a "ter a vida errante dos vagabundos e. . Gamboa e Cidade Nova). A reforma da capital constituiu. Em novembro de 1906. Nesse contexto aflorou na paisagem do Rio. Serviam apenas aos que possuíam remuneração estável e suficiente para as despesas de transporte. a ser tida como tal". um ponto de inflexão no qual a "cidade colonial" cedeu lugar. a "cidade maravilhosa". ao lado das tradicionais habitações coletivas que se disseminaram nas áreas adjacentes ao centro (Saúde. de forma definitiva à "cidade burguesa". Em fins de 1905.sobreviviam de biscates ou recebiam diárias irrisórias. até hoje. quando Rodrigues Alves Passou a faixa presidencial a Afonso Pena. idealizada pelo presidente Afonso Pena para festejar o Centenário da abertura dos portos.

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