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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
FACULDADE DE METEOROLOGIA
DEPARTAMENTO DE METEOROLOGIA






DISCIPLINA: Agrometeorologia










Professora ministrante: Simone Vieira de Assis











Pelotas, RS.

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Unidade 1: INTRODUÇÃO

1.1 Objetivo da Agrometeorologia
A definição da Agrometeorologia segue diretamente daquela consideração fundamental
da biologia moderna, na qual o organismo e seu ambiente formam uma dialética.
A Agrometeorologia é a ciência que interage com as características físicas do ambiente
onde estão crescendo plantas e animais; é relacionada com o estudo dos processos físicos que
ocorrem neste ambiente e também com o aproveitamento e influência destes processos físicos na
agricultura. É uma combinação de ciências físicas e biológicas e existe uma valiosa ligação entre
elas. No seu sentido mais amplo, é aquele ramo da meteorologia aplicada que investiga as respostas
dos organismos vivos ao meio atmosférico.
Nas décadas recentes o uso da meteorologia na agricultura foi aumentando. Isto tem
sido devido, largamente, aos estudos de laboratório, casa de vegetação e de campo, nos quais as
respostas biológicas tem sido medidas sob condições controladas.
A Agrometeorologia inclui o estudo da energia solar, composição e intensidade da
radiação solar, métodos de medida da radiação solar recebida pelos cultivos agrícolas . Também
estuda a atmosfera, particularmente a camada em que as partes aéreas das plantas crescem e se
desenvolvem e, é de grande importância a questão do regime térmico, desta camada, e sua relação
com àquela da camada superficial ao solo. De igual importância são os movimentos verticais e
horizontais do ar nesta camada da atmosfera, bem como seu teor de umidade e formação de vários
hidrometeoros .
Não só auxilia ao estudo da camada da atmosfera mais próxima do solo (primeiros 2
metros), como também existe a preocupação em encontrar métodos que alterem alguns processos
físicos a fim de combater condições desfavoráveis do tempo como geadas, secas, ventos fortes e
outras.
O principal objetivo é melhorar a produção agrícola pela previsão mais precisa e pelo
controle do meio atmosférico. A previsão pode variar desde as estimativas dos rendimentos das
culturas e a sua qualidade, por um lado, até a estimativa da produção pecuária e os azares
climáticos, por outro, passando pelo controle das enchentes e a regulação da temperatura dos
estábulos e de outras instalações para animais. No sentido estrito, a Agrometeorologia pode ser
definida como o estudo dos processos físicos na atmosfera, que produzem o tempo bem como suas
relações com a produção agrícola. É uma ciência horizontal, a qual aplica a física do ar atmosférico
e do solo à agricultura. De fato, muitos investigadores neste campo acreditam que as investigações
sobre o microclima das plantas e animais, assim como as estatísticas dos elementos do tempo, são
propriamente assuntos da meteorologia agrícola. Entretanto, nós enfatizamos o estudo das respostas
dos organismos vivos ao meio atmosférico, porque esta é a ligação entre a meteorologia e a
agricultura, e é o aspecto fundamental do assunto.
Os organismos vivos estudados na meteorologia agrícola são restritos as plantas
cultivadas, ao gado e as aves domésticas, aos insetos e ao microorganismo de importância
econômica. Nesse caso, o objeto de estudo da meteorologia agrícola é relacionado, principalmente,
com as relações quantitativas entre o meio atmosférico e as respostas biológicas das espécies
vegetais cultivadas e animais domésticos.
Outra importante tarefa da Agrometeorologia é estudar o solo, considerando a aeração,
regime térmico, balanço de umidade da camada mais superficial em relação a sua composição,

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clima local e sua influência na formação do solo, e outros fatores. Uma interação com as medidas
agronômicas inclui a retenção de neve, uso de cobertura morta, uso de máquinas agrícolas para
lavrar a solo, irrigação e outras. Outros assuntos relacionados com a Agrometeorologia são:
desenvolvimento de zoneamento agrícola; exploração e uso racional do solo, incluindo solos
desnudos e plantados em regiões montanhosas e planas. A Agrometeorologia não deve ser
confundida com a Meteorologia Geral que estuda a atmosfera como um todo, sendo uma das suas
maiores tarefas, a previsão do tempo.
Existem diversas aplicações das técnicas meteorológicas às operações de campo.
Alguns exemplos importantes:
1. A previsão e proteção contra geadas;
2. Os avisos contra fogo nas florestas;
3. Planejamento da irrigação;
4. Os calendários de plantio e colheitas;
5. A seleção de lugares para as culturas;
6. Controle de insetos;
7. Controle de doenças;
8. Modificações microclimáticas, como a utilização da prática de quebra-ventos.

Grande número de experimentos tem sido feitos no campo aberto, numa tentativa de
melhorar a produção agrícola. Entretanto, esses experimentos são complicados devido a vários
fatores do ambiente físico. Novas teorias metodológicas e instrumentos necessitam ser
desenvolvidos, para sobrepujar as limitações da pesquisa no campo natural.

1.2 Importância do tempo e do clima para produção agrícola
A agricultura é o manejo dos recursos naturais visando a produção das plantas para
satisfazer as necessidades do homem. A produção das plantas pode ser usada diretamente para
alimentação como no caso de frutas e hortaliças, ou pode ser convertida através dos animais em
produtos como ovos, leite, carne, etc. ou usada para propósitos industriais como a juta.
A agricultura é dependente da interação de todos os atributos dos recursos da terra com
os atributos do homem. Os vários campos das ciências aplicadas que tem sido desenvolvidos pelo
homem para estudar as várias limitações impostas pelos recursos figuram na Tabela I.
A maioria dos problemas agrícolas requer os conhecimentos de mais de uma ciência
para obtenção da melhor resposta agrícola, e equipes de trabalho são necessárias para a ciência
agronômica. Como o crescimento das plantas é o centro de objetividade de agricultura, é o
agrônomo que comumente age como integrador dos vários cientistas.

Tabela 1. Recursos da Terra e os atributos do homem
Recursos da Terra Ciências aplicadas ao seu manejo na agricultura
Clima Agrometeorologia, agroclimatologia
Topografia Conservação do solo
Solo Fertilidade do solo, física do solo
Vegetação Agronomia (incluindo silvicultura) fitopatologia
Animais Entomologia, zootecnia
Água Hidrologia – irrigação, drenagem

RECURSOS HUMANOS

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Mão de obra Sociologia
Capital Economia
Tecnologia Engenharia
Os recursos naturais não são ilimitados. Anos atrás, sob condições de população
escassa e exploração industrial mínima, parecia que a Terra poderia ser o provedor inesgotável dos
recursos naturais. Entretanto, a população cresceu e a industrialização se expandiu, e cada vez
mais, nós estamos preocupados com as limitações da Terra. As florestas são destruídas, os solos
erosionados, os depósitos minerais exauridos e o ar e a água se tornam cada vez mais poluídos, e
caso não sejam tomadas providências eles se tornarão um ambiente impróprio à vida.
Se a produção mundial, em crescimento, deve ser alimentada em níveis mínimos
aceitáveis, a produção mundial de alimentos precisa ser aumentada, as perdas agrícolas e pastoris
minimizadas, e a eficiência da produção agrícola melhorada.
Não se pode mais aceitar , hoje em dia, que o homem explore os recursos naturais de
uma área ou região (solo, água, ar) e após mude-se para outra região para novos assaltos ao
ambiente. A empresa agrícola moderna não mais realiza esta prática; entretanto, os métodos
presentes de exploração agrícola estão começando a prejudicar o ambiente, o solo, a água, o ar, de
outras maneiras.
Para melhorar esta tecnologia moderna, que não pode ser abandonada, precisamos
conhecer cada vez melhor o ambiente que usamos (solo, clima, água).
As plantas dependem, para o seu crescimento e desenvolvimento, da sua constituição
genética e das condições ambientais do solo e do clima. Como um fator ecológico na agricultura, o
solo tem sido mais bem estudado e é melhor compreendido do que o clima. Em geral, os
agricultores conhecem mais sobre o manejo do solo do que como explorar corretamente os recursos
climáticos. Uma razão para o lento progresso da meteorologia agrícola é o pensamento
generalizado de que o conhecimento das relações entre o clima e as plantas são de pouco valor
prático. Embora o homem não seja ainda capaz de mudar o tempo e o clima, exceto em escala
muito reduzida, ele é capaz de ajustar as práticas agrícolas ao clima.
A climatologia pode contribuir para solucionar o problema de escolha dos lugares para
uma dada cultura ou de uma dada cultura para um lugar. Embora a localização de muitas regiões
agrícolas, e por exemplo o trigo no Planalto Gaúcho ou a região arrozeira no litoral do Rio Grande
do Sul, tenha sido selecionada pelos agricultores muito antes do desenvolvimento da moderna
ciência da climatologia, a falta de um conhecimento detalhado das relações das plantas com o clima
tem prejudicado o planejamento inteligente do uso da terra em uma escala maior. Até que a
interação do complexo climático com o processo físiológico da cultura seja entendido, a produção
desta cultura, adequada para condições climáticas locais, permanece no empirismo. A prática
comum de definir as chamadas analogias climáticas, primeiramente em termos de médias mensais
de temperatura e precipitação, tem provado ser inadequada como guia para a introdução de plantas
ou o planejamento do uso da terra. A radiação solar, a evapotranspiração, a amplitude diária de
temperatura, o balanço hídrico e outras variáveis meteorológicas precisam ser completamente
analisadas antes de estabelecermos um planejamento para obter o máximo retorno econômico em
função de determinado regime climático.
Desse modo, a agricultura torna-se dependente dos seguintes fatores do meio vegetal,
terrestre e atmosférico.

Climáticos
+ Radiação Comprimento de onda

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Intensidade
Fotoperíodo e outros ciclos

+ Temperatura do ar
Temperatura do solo

+ Vapor de água Quantidade

+ Evaporação e Transpiração

+ Nuvens

+ Precipitação Quantidade
Freqüência
+ Umidade do solo

+ Vento Freqüência
Velocidade
Direção

Edáficos
+ Solo
+ Propriedades químicas

Geográficos
+ Gravidade
+ Latitude
+ Longitude
+ Altitude

Topográficos e outros

Cada local na superfície da Terra possui sua combinação particular de recursos
naturais. Como as plantas são imóveis, a prática da agricultura, em dada propriedade agrícola,
depende do manejo do conjunto dos recursos naturais da propriedade. Isto envolve a integração de
todos os recursos para obtenção dos máximos rendimentos.
A distribuição atual das plantas cultivadas não é tão ligada com as condições de solo e
clima como poderia ser esperado. Fatores bióticos e o homem em particular tiveram um papel
muito importante nesta distribuição, e para atendê-la temos de conhecer a história econômica e
social de uma determinada cultura.
Finalmente devemos chamar a atenção para a grande importância da Ecologia na
Agricultura. Qualquer sistema agrícola que deva ser desenvolvido além da agricultura de
subsistência deve colocar sua ênfase na Economia para obter-se máximos retornos dos
investimentos em capital e mão-de-obra.

1.3 Crescimento e desenvolvimento de plantas cultivadas

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É necessário diferenciar “crescimento” de “desenvolvimento”.
Crescimento se refere a um aumento em peso ou volume de um certo órgão de uma
planta como um todo, dentro do intervalo de tempo de uma certa fase ou de toda a vida da planta.
Desenvolvimento é o aparecimento de uma fase ou de uma série de fases durante o
ciclo vital da planta. Por exemplo: o florescimento da planta é desenvolvimento, enquanto o
alongamento de um ramo é crescimento.
No que se refere às mudanças na composição química e física da planta, o crescimento
implica em mudanças quantitativas, mas não em profundas mudanças qualitativas. O
desenvolvimento, por outro lado, indica o progresso de uma série de mudanças qualitativas, através
de todos os estágios, até a morte.
Conclui-se que o crescimento pode ser medido pelo aumento de comprimento de um
ramo ou aumento de peso, etc. Entretanto, o desenvolvimento é usualmente observado pela data de
germinação, brotação, floração, frutificação, etc.
Em outras palavras, o estudo do desenvolvimento de uma planta, é morfológico e
fenológico (fenologia é o estudo dos acontecimentos periódicos da vida), mas o crescimento é
geralmente fisiológico e ecológico.
Os fisiologistas consideram o crescimento um fenômeno complexo, e de difícil
definição, porque o crescimento compreende aspectos como: a reprodução, o aumento em
dimensões, o ganho de peso, a multiplicação das células. Depende do órgão (da espécie do órgão),
que se toma como medida de crescimento.
Na prática agrícola, o descanso invernal das plantas, a quebra de dormência das
sementes e gemas, são problemas de desenvolvimento e não de crescimento. Uma vez que esses
são problemas essenciais em agricultura, a investigação das relações entre o meio e o
desenvolvimento, constituem importante trabalho de pesquisa.
Exemplo de fases visíveis e invisíveis: a maioria das fases e sub-fases de uma planta são
reconhecíveis morfologicamente, mas algumas não são aptas de serem vistas à olho nú. Entre as
visíveis temos a emergência, o empendoamento do milho a floração das ervilhas, etc. Entre as que
não podem ser vistas podemos citar o estágio formativo do milho, o estágio de rápido crescimento
da ervilha e a maturação da ervilha. Destas, algumas podem ser medidas com instrumentos, como
por exemplo, a maturação da ervilha pode ser medida com o tenderômetro, enquanto que o estágio
formativo do milho deve ser medido indiretamente pela contagem do número de folhas e altura das
plantas.
Ao examinar-se a curva de crescimento de um vegetal, observa-se um período inicial de
crescimento lento, seguido de um rápido aumento de tamanho, culminando, finalmente, com uma
parada no processo (Figura 1).
O crescimento inicial lento ocorre porque a planta depende das reservas da semente para
a produção de seus órgãos. Em seguida, após o desenvolvimento do sistema radicular e a
emergência das folhas, os processo anabólicos dependentes da fotossíntese se intensificam e
resultam num crescimento rápido e eficiente. Por último, ao atingir o tamanho definitivo, a planta
inicia a fase de senescência, que se reflete inicialmente na paralisação da produção de matéria
orgânica.
Essa curva de crescimento representa, para plantas anuais, todo o ciclo de vida. Para
plantas perenes, ela representa o crescimento durante uma época do ano (em regiões temperadas, a
primavera e o início do verão).




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Figura 1. Representação gráfica do crescimento de um vegetal.


1.4 Ecossistemas e cadeia nutritiva
As plantas, animais e outros organismos não vivem só na natureza. Constituem
comunidades bióticas.
A comunidade biótica é uma unidade funcional mantida unida por uma
interdependência entre seus membros. A dinâmica total da comunidade ecológica, formada pelo
habitat (condições físicas) e pelos organismos que ocupam, denomina-se ECOSSISTEMA ou
sistema ecológico. No ecossistema os organismos e o habitat estão interrelacionados.
O ecossistema tem dois componentes:

1. Componente abiótico – como componente abiótico tem-se os processos físico-químicos do
meio, por exemplo, fatores climático (luz, temperatura, pluviosidade, ventos, etc) e fatores
edáficos (solo, pH, nutrientes, capacidade de retenção de água, etc) e quantidade de alimento
disponível.
2. Componente biótico – é aquele em que há a participação de organismos vivos, ou seja, o
predatismo e o parasitismo. O tamanho de uma população pode variar dependendo da
quantidade de predador e parasita encontrados nessa população.

Desse modo, todo ecossistema consta de quatro elementos principais:
a) substâncias abióticas;
b) produtores de alimento;
c) consumidores;
d) desintegradores dos compostos complexos de protoplasmas mortos e que produzem
substâncias simples para os produtores.
Exemplos de ecossistemas: lagos, bosques tropicais chuvosos, uma cultura de milho,
etc.

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O homem pode interferir no funcionamento dos ecossistemas e conduzi-los à um futuro
magnífico ou a completa destruição. Por exemplo, o superpastoreio de campos de pastagens pode
destruí-los. É uma forma de má exploração dos recursos naturais que destrói o equilíbrio do
ecossistema natural. Prudentemente dirigidos, se pode obter a conservação e perpetuação de uma
grande quantidade de recursos naturais.

Cadeia nutritiva

Da energia luminosa absorvida pelas plantas verdes, somente uma pequena parte é
transformada em energia potencial, a maior parte é dispersada na forma de energia calorífica. Um
animal recebe energia química potencial (alimento e converte grande parte dela em calor), para
restabelecer outra pequena parte como energia química potencial de protoplasma novamente
formado. A transferência, passo à passo, de energia de um organismo para outro, faz com que uma
grande parte dela seja degradada na forma de calor.
Segundo o conceito do princípio da estabilidade, qualquer sistema natural fechado, com
energia flutuante através dele, tende a mudar, até que se estabeleça um estado estável pela ação dos
mecanismos autorreguladores. Neste princípios que se baseia o estudo dos problemas ecológicos
das cadeias nutritivas e do conceito de produtividade.
Cadeia nutritiva é a transferência da energia nutritiva desde sua origem, nas plantas
verdes, através da série de organismos que comem e são comidos repetidamente. Toda cadeia
alimentar começa com o produtor e termina com o decompositor (bactérias, fungos e outros). Entre
eles temos os consumidores que são classificados em primários secundários, etc, dependendo de
quem se alimenta.
Por causa das perdas de energia, o número de etapas das cadeias nutritivas, é
usualmente limitado a quatro ou cinco. Quanto mais curta a cadeia, mais eficiente ela é na
formação de peso vivo ou biomassa.
Reconhece-se a existência de 3 classes de cadeias nutritivas:
a) predadora: dos menores aos maiores animais;
b) parasita: dos maiores aos menores organismos;
c) saprófita: da matéria morta aos microorganismos.
Os organismos que obtém seus alimentos dos plantas mediante o mesmo número de
etapas, pertencem ao mesmo nível trófico; os carnívoros que comem herbívoros ao 3º nível; os
carnívoros secundários ao 4º nível.
As cadeias nutritivas nos são mais ou menos familiares, pois o homem ocupa uma
importante posição no final de várias delas.

Referências Bibliográficas
ARIZA, D. Ecologia objetiva. São Paulo: Nobel, 1985. 225p.

SAMPAIO, E. S. Fisiologia Vegetal: teorias e experimentos. Ponta Grossa: Editora UEPG,
1998.190p.

VITKEVICH, V. I. Agricultural Meteorology. Tradução: Israel Program for Scientific Translations.
Jerusalem: IPST Press, 1963. 312p.

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Unidade 3: Temperatura do ar e plantas cultivadas
3.1 Temperatura cardeal e Lei de Van’t Hoff

Temperaturas cardeais

Independentemente de quão favorável possam ser as condições de radiação solar, o
crescimento da planta pára quando a temperatura cai abaixo de um certo valor mínimo ou excede
um certo valor máximo.
Entre estes limites, existe um ótimo de temperatura no qual o crescimento se dá
com maior rapidez. Estes três valores são conhecidos como temperaturas cardeais.
Parker (1946) mostrou que a complexidade fisiológica da planta impede a
determinação precisa das temperaturas cardeais, porque diferentes processos exigem
diferentes temperaturas.
Entretanto, os valores aproximados das temperaturas cardeais são conhecidas para
a maioria das espécies vegetais.
Com culturas típicas de estação fria, como aveia, trigo, centeio e cevada, os
pontos são todos comparativamente baixos: mínimo de 0º a 5º C; ótimo 25º a 31º C e máximo
31º a 37º C.
Para plantas de verão, como melão e sorgo, as temperaturas são muito maiores:
mínima 15º a 18º C; ótimo 31º a 37º C e máxima 44º a 50º C.
As temperaturas cardeais também variam com o estágio de desenvolvimento.
Certas plantas exigem um período de baixas temperaturas durante a germinação e nos estágios
iniciais de plântula, para o crescimento ótimo. Muitas plantas bianuais devem receber
tratamento frio no fim do primeiro ano de crescimento para poder induzir-se a formação de
gemas florais e a subsequente floração durante o segundo ano. Aparentemente, algumas
substâncias destruídas por altas temperaturas se acumulam durante o período frio
atrapalhando o ciclo reprodutivo.

Lei de Van’t Hoff

Alguns investigadores acreditam que entre o mínimo e o ótimo de temperatura, a
formação de matéria seca segue a lei de Van’t Hoff. Isto é, para cada 10 º C de aumento da
temperatura, a razão de produção de matéria seca dobra, aproximadamente.

3.2 Temperatura do ar requerida durante o período vegetativo-reprodutivo

Como o desenvolvimento da cultura é muito afetado pela temperatura, a tabela abaixo
mostra algumas informações relacionadas com valores de temperatura.

Espécie vegetal Temperatura ótima Fotoperiodismo T
M
T
m

algodão entre 18 e 30º C sensível (adaptada a dias curtos) 40º C 14º C
amendoim entre 22 e28º C Não sensível 33º C 18º C
arroz Entre 22 e 30º C sensível 30º C 12º C
batata Entre 18 e 22º C Não sensível 30º C 15º C
cana de açúcar Entre 22 e 30º C sensível 30º C 20º C

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Continuação..... ...... ...... .... ....
feijão Entre 15 e 20º C -- 27º C 10º C
milho Entre 15 e 20º C -- 25º C 14º C
soja Entre 18 e 35º C sensível 35º C 10º C
Fonte: Klaus Reichardt – A água em sistemas agrícolas (1987)


3.3 Fotossíntese em relação à temperatura

As plantas são seres autótrofos. Graças à presença de clorofila em suas folhas, elas são
capazes de captar energia luminosa do sol e utilizá-la na síntese de moléculas orgânicas, que lhes
servirão de alimento. Esse processo é chamado de fotossíntese. Considerada a fonte primária de
energia, a fotossíntese é o processo pelo qual as plantas sintetizam, na presença de luz, compostos
orgânicos a partir de matéria inorgânica. Essencial para a manutenção de todas as formas de vida, a
fotossíntese produz compostos que possuem mais energia do que as matérias primas que utiliza.
Assim, graças à energia solar, os compostos pobres em energia, como o gás carbônico e a água, são
convertidos em compostos energéticos e oxigênio. Nos cloroplastos ocorre a reação da mais
fundamental importância para a vida das plantas e, indiretamente, para a vida dos animais, que é a
fotossíntese. Os cloroplastos são geralmente discoidais, sua cor é verde devido à presença de
clorofila.
A fotossíntese é dividida em duas fases: clara e escura. A fase clara, também chamada
de fotoquímica, consiste na incidência da luz solar sob a clorofila A. A molécula de clorofila
absorve energia luminosa.
A fase escura ocorre no estroma dos cloroplastos e é nesta fase que se forma a glicose,
pela reação inicial entre o gás carbônico atmosférico e um conjunto de cinco carbonos.
Equação geral da fotossíntese:


A estrutura da folha, o teor de clorofila e a quantidade de produtos acumulados podem
influenciar o rendimento fotossintético, são considerados como fatores internos. Como fatores
externos temos, a intensidade e a qualidade da luz, a concentração de CO
2
e a temperatura, todos
esses influenciam a atividade de fotossíntese.
Sob condições de concentração normal de CO
2
e saturação da intensidade luminosa, a
fotossíntese é afetada pela temperatura porque os processos químicos são limitados. Molga (1962)
apresentou informações que mostram na Figura 1 a relação entre a fotossíntese da batata, do tomate
e do pepino para diferentes temperatura das folhas. A taxa fotossintética aumenta com a
temperatura alcançando um máximo entre 30º C e 37º C, e então diminui para temperaturas mais
altas. Para muitas plantas de regiões temperadas e tropicais a temperatura ótima excede 25º C.
6CO
2
+ 12H
2
O C
6
H
12
O
6
+ 6H
2
O + 6O
2

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Embora a folha esteja completamente exposta à radiação solar, não apresenta eficiência
na utilização dessa energia para a fotossíntese. Intensidade de radiação extremamente baixa, a
eficiência pode alcançar 17 %; cai rapidamente para 8 % para a intensidade de 100 langleys/dia, e 3
% para 300 langleys/dia, como mostra a Figura 2.
A diminuição na eficiência da utilização da radiação solar com o aumento da
intensidade luminosa é causada pela resistência à difusão do dióxido de carbono, através da folhas,
pelo cloroplastos.


O menor índice fotossintético se verifica a 10º C, e a partir de 35º C as reações são
paralisadas pela desnaturação das enzimas envolvidas. A partir do ponto de saturação luminosa, a
intensidade de luz passa a limitar o processo (Figura 3A); na Figura 3B, tem-se a influência da

12
temperatura sobre a taxa de fotossíntese de uma planta exposta a alta intensidade e a baixa
intensidade luminosa.
Figura 3. Influência da intensidade luminosa e da temperatura na taxa fotossintética.




3.4 Estômatos

Os estômatos atuam como válvula regulando a principal passagem de água e CO
2
entre
a planta e a atmosfera. Em algumas plantas eles ocorrem nas superfícies superior e inferior das
folhas, em outras, somente na inferior; encontram-se também nas partes não espessadas do caule,
parte das flores e muitos frutos (banana, abacate, etc). Sua densidade varia de 50 a 500 por mm
2
,
atingindo, às vezes, até 1 300 por mm
2
. A Figura 4 mostra o movimento dos estômatos. A parte das
duas células-guardas voltada ao orifício, chamado ostíolo, tem as paredes mais grossas, portanto,
menos elásticas que as da parte restante. Quando as células estão túrgidas, a diferente elasticidade
das paredes produz deformações diferentes, abrindo o ostíolo. Quando as células perdem água,
tornam-se flácidas e o ostíolo se fecha. Através dos estômatos passam gás carbônico, oxigênio,
vapor d’água e, às vezes, gases poluentes existentes no ar.


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Figura 4. Estrutura da estômato.

As plantas que vivem em ambiente seco e sob condições de alta intensidade de luz,
tendem a ter estômatos menores e em maior quantidade do que aquelas que vivem em ambientes de
sombra e úmidos.
Alguns fatores afetam a abertura dos estômatos, tais como a intensidade luminosa,
potencial de água na planta, concentração de CO
2
, idade da folha, doenças, etc.
A concentração de gás carbônico no ar é um fator importante a afetar a abertura
estomatal. As plantas expostas ao ar, livre de CO
2
, abrem os estômatos mesmo no escuro. Por outro
lado, o aumento do gás carbônico, além do teor normal existente no ar atmosférico, produz o
fechamento dos estômatos, mesmo na presença da luz.
A abertura dos estômatos aumenta gradualmente com a temperatura até um ponto
determinado (32 a 38º C). O efeito indireto da temperatura interferindo na concentração de vapor
d’água pode afetar substancialmente a transpiração, ocasionando inclusive o fechamento dos
estômatos por déficit hídrico. Schulze et al (1972) mostraram que baixos teores de umidade do ar
podem causar fechamento dos estômatos independentemente do teor de água das folhas.
O efeito da temperatura na abertura dos estômatos também é balanceado pela
concentração de gás carbônico. Altas temperaturas aumentam as taxas de respiração, levando a um
aumento da concentração interna de CO
2
e, talvez, esta seja a causa do fechamento dos estômatos
em torno do meio dia.
Quando as plantas entram em desequilíbrio hídrico, isto é, perdem mais água do que
absorvem (Figura 5), as células-guardas tornam-se menos túrgidas e a abertura estomática decresce

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até fechar-se completamente. Além disso, a umidade relativa do ar decresce em torno do meio-dia,
podendo afetar significativamente o movimento dos estômatos, fechando-os.

3.5 Constante térmica

O conceito da relação entre temperatura e a taxa de desenvolvimento de uma planta é
bem conhecido, pois certas fases de desenvolvimento são antecipadas com aumentos progressivos
de temperatura, dentro de certos limites. Este fato originou a criação de métodos de cálculos de
Unidades Térmicas de Desenvolvimento (UTD), baseados no somatório de temperatura acumulada
durante o dia. Com elas pode-se determinar as exigências térmicas de uma cultura para atingir uma
determinada fase, tornando possível a previsão da época em que ela será atingida. Além disso,
permite prever, com razoável exatidão a maturação de plantas, adaptação às diversas zonas, como
também determinação de épocas de semeadura, de maneira a fazer coincidir os períodos críticos
com as melhores disponibilidades climáticas.
Reaumur, há uns 200 anos, chegou a seguinte conclusão: se desde o momento em
que se verifica a germinação somarmos a temperatura média de cada dia até o momento da
maturação, a soma total é sempre a mesma, para determinado cultivo, qualquer que tenha sido
a situação determinada do cultivo e o ano considerado. O trabalho de Reaumur ficou
conhecido como a constante de Reaumur de fenologia, pois foi precursor do conhecido
sistema de unidades térmicas ou graus-dia, usado atualmente para a previsão do ciclo
fenológico de vários vegetais. O conceito de graus-dia pressupõe a existência de uma
temperatura base, abaixo da qual a planta não se desenvolve, e se o fizer é a uma taxa muito
reduzida. A cada grau de temperatura, acima da temperatura base, corresponde um grau-dia.
De acordo com esse autor, a cevada requer, desde a germinação até a maturação, uma soma de
1700º C aproximadamente, o trigo 2000º C e o milho 2500º C. A estas somas, fixas para cada
vegetal, deu-se o nome de CONSTANTE TËRMICA.
O cálculo de graus-dia acumulado (GDA) pode ser feito utilizando-se o seguinte
método:

) (
1
B
n
i
i
T T GDA ÷ =
¯
=

(1)
sendo
2
mín máx
i
T T
T
+
=
(2)

em que T
i
- temperatura média diária do ar (º C);
T
máx
- temperatura máxima diária do ar (º C);
T
mín
- temperatura mínima diária do ar (º C);
T
b
- temperatura base da cultura
n - número de dias do período considerado.


Baseado neste princípio ficava explicada a diferente duração do ciclo vegetativo
das culturas. Assim, por exemplo, o milho necessita de 2500º C. Se o cultivo se efetua numa
localidade onde a temperatura média diária é de 31º C, a planta necessitará de 100 dias para

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alcançar a maturação; em troca, se a temperatura média da localidade for 21º C a planta
necessitará de 167 dias para amadurecer.
A constante térmica se calcula também, para qualquer subperíodo (ou fase) dos
vegetais. Por exemplo, para a amendoeira pode-se calcular a soma de temperatura que esta
requer desde a floração até a brotação.
Se tomarmos como exemplo uma variedade de trigo, veremos que em algumas
localidades, desde a germinação até a maturação, transcorrem 142 dias, em outras 155 dias ,
117 dias, etc.

3.6 Fatores ambientais que fazem variar a constante térmica

a) nível de fertilidade do solo
Altos teores de nitrogênio e, consequentemente um maior crescimento vegetativo
atrasam a maturação, ao passo que altos teores de fósforo tendem a acelerar.

b) população de plantas
Uma baixa população de plantas fará amadurecer mais cedo que uma população mais
densa, desde que ervas daninhas não mascarem a diferença.

c) tipo de solo
Os solos arenosos aquecem-se mais rapidamente do que os solos argilosos. Outras
variáveis tais como nível de fertilidade e características de umidade estão associados com o tipo de
solo.
d) temperaturas do solo
Durante o aquecimento de primavera, a temperatura do solo atrasa-se apreciavelmente
em relação à temperatura do ar. Portanto, unidades de calor acumuladas baseadas na temperatura do
ar podem ser altas demais. A temperatura do solo pode ser usada até a emergência.

e) umidade
Solos pobremente drenados são frios e também causam maior número de problemas de
nutrição. Seca durante o último período de vida da planta normalmente acelera a maturação.
A maturação será retardada se a umidade é escassa na época de semeadura ou durante o
período inicial de crescimento, embora as unidades de calor sejam acumuladas.

3.7 Termoperiodismo

A variação anual, diária e aperiódica da temperatura do ar tem um claro efeito no
desenvolvimento dos vegetais superiores.
Esta variação, num ciclo completo de um ano, um dia ou vários dias constitui um
termoperíodo anual, diário ou aperiódico, respectivamente e se caracteriza por apresentar dois
setores bem definidos: a termofase positiva e a termofase negativa.
A primeira termofase corresponde ao lapso mais quente e a segunda ao lapso mais frio
do termoperíodo.
A reação das plantas ao termoperíodo denomina-se termoperiodismo.
Distinguem-se três tipos de termoperiodismo: o anual, o diário e o aperiódico, segunde
se trate da resposta do vegetal à termoperiodicidade anual, diária ou aperiódica.

16
A importância da periodicidade anual da temperatura se manifesta na distribuição
geográfica das culturas. O êxito ou fracasso das introduções de espécies exóticas depende, em
grande parte, da semelhança ou não entre as condições termoperiódicas anuais das regiões de
origem e das regiões onde se pretenderá cultivá-las.
Burgos (1952) estabeleceu uma classificação das plantas, segundo a qual seu ciclo vital
coincide ou não com a variação anual da temperatura.

- Termocíclicas
Aquelas espécies que apresentam tecidos ativos à temperatura durante um ou mais
períodos anuais de variação da temperatura. Exemplos: plantas perenes (ameixeiras) e plantas
bianuais.

- Paratermocíclicas
As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura em uma parte das termofases
positiva e negativa. Exemplo: cereais de inverno (trigo, cevada, etc).

- Atermocíclicas
As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura somente na termofase positiva do
termoperiodismo anual. Exemplo: tomate, sorgo, milho, etc.


3.7.1 Termoperiodismo diário

Nas espécies termocíclicas a ação do termoperíodo diário deve considerar-se como de
interferência com o termoperíodo anual. Não acontece o mesmo nas espécies paratermocíclicas e
atermocíclicas, nas quais a termoperiodicidade diária tem uma ação importante na expressão do
desenvolvimento.
Em espécies paratermocíclicas como cereais de inverno, interessa destacar a ação
favorável da termofase negativa do termoperíodo diário, durante o estado juvenil para um normal
espigamento.

3.7.2 Termoperíodo aperiódico

A advecção irregular de massas de ar quente ou frio determina uma variação aperiódica
da temperatura do ar de notáveis conseqüências bioclimáticas.
Essa termoperiodicidade pode atuar por si só ou como sucede geralmente, interferindo
no termoperíodo anual e diário.
A influência do termoperíodo aperiódico se encontra exemplificada na adaptação
deficiente às condições climáticas de Buenos Aires da amendoeira e aveleira. Estas espécies exigem
uma termofase anual negativa de pouca intensidade e duração, e apresentam além disso um baixo
nível térmico de brotação. Em conseqüência, essas espécies de fruteiras raramente frutificam e se o
fazem são de baixa produtividade.
A ocorrência de um certo número de dias com temperaturas anormalmente elevadas traz
em consequência que o pessegueiro floresça prematuramente em plena época hibernal. Esta
floração é seguramente prejudicada pelas baixas temperaturas dos dias subsequentes.


17
3.8 Perfil da temperatura do ar acima do dossel
Durante a noite, a temperatura do solo e das superfícies vegetadas cai rapidamente por
causa do resfriamento radiativo, de modo que a superfície fica mais fria do que em outro local
acima da vegetação e do solo. Por conseguinte, desenvolve-se um inversão de temperatura,
mostrando que a camada mais baixa da atmosfera é estável.
Perfil da temperatura medido dentro do dossel vegetativo é diferente daquele medido
acima. Freqüentemente, durante o dia há uma temperatura máxima entre a metade e a porção
superior do dossel. Essa temperatura máxima ocorre próximo do nível de área foliar máxima e é
decorrente da radiação solar absorvida. Acima deste nível o perfil tem apresentação normal,
temperatura diminuindo com a altura. Abaixo deste nível, há uma inversão de temperatura porque o
dossel está mais quente do que o solo abaixo.
À noite, o perfil de temperatura no nível mais baixo do dossel está próximo de um
isotermia, uma vez que o topo do dossel aprisiona a radiação de onda longa emitida pelo solo. O
perfil de temperatura é invertido na parte superior porque a radiação de onda longa é transmitida
para o espaço. Naturalmente que alguns perfis podem ser diferentes devido a vários fatores, como
por exemplo a resistência estomatal que varia, fontes e sumidouros de calor sensível e calor latente
que sofre mudanças consideráveis.

Um exemplo de perfil de temperatura é apresentado a seguir, medido numa
cultivo de cacau. Quanto ao padrão médio da temperatura das folhas que compõem o terço
médio superior e inferior da copa do cacaueiro este é apresentada na Figura (6), para dois dias
com padrões diferenciados de nebulosidade. Através dela, se observa que, independentemente
da nebulosidade, a temperatura do estrato superior foi superior a do estrato inferior do dossel
onde os padrões horários de variação são menos acentuados. No entanto ao se examinar a
temperatura média diária do ar em relação a temperaturas superior e inferior do dossel, se
verifica que a temperaturas da camada superior e inferior do dossel, se mantiveram acima da
temperatura média diária do ar. Sob condições de céu parcialmente nublado, a temperatura
média das folhas do dossel superior mantiveram-se entorno de 30°C, durante grande parte do
dia, em níveis superiores da temperatura média diária do ar que foi de 29°C. Quanto as
temperaturas da camada inferior do dossel, estas se mantiveram em média entre 0° e 2°C
acima da temperatura média diária observada. Com relação ao ocorrido no dia ensolarado,
observou-se um concomitante aumento no perfil de variação das temperatura foliares nos dois
estratos logo no inicio da manhã até que uma brusca queda da temperatura média do estrato
superior foi observada em decorrência de período de nebulosidade.
Quanto as temperaturas médias do dossel inferior estas se mantiveram dentro de
um padrão de variação quase constante entre 11:00 e 17:00 (»33°C) e apresentando um desvio
positivo com relação a temperatura média diária de 32°C.
(Fonte: Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet, 1998)










18

Figura 6. Variação horária da temperatura do ar (T
ar
) e das temperaturas médias das camadas
superior e inferior do dossel exposto à padrões diferenciados de nebulosidade (Fonte:
Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet, 1998)


3.9 Vernalização

Em muitos países distinguem-se dois grandes grupos de trigo: os chamados hibernais e
os primaveris. Os trigos hibernais são semeados no outono, passam o inverno no campo (daí o seu
nome), continuam o seu desenvolvimento na primavera e são colhidos no verão.
Os trigos primaveris, por sua vez, são semeados na primavera e colhidos no verão ou
outono. É um fato bem conhecido que, quando um trigo do tipo hibernal é semeado na primavera,
espiga muito tardiamente e fornece em conseqüência um baixo rendimento. O mau comportamento
dos trigos hibernais quando semeados na primavera se deve, principalmente, a que requerem
durante seu estado jovem, um certo número de dias com baixas temperaturas (-2º a 10º C); esse frio
é conseguido quando os trigos hibernais são semeados no outono e não quando semeados na
primavera. Lysenko (1925), pesquisador russo, demonstrou que o frio requerido por uma variedade
durante a sua fase inicial pode ser fornecido à semente, antes da semeadura. Para tal preconiza o
seguinte método de trabalho:

1. Umedecer a semente com quantidade estritamente necessária de água (uns 55 litros para
cada 100 kg de sementes) para dar início à germinação. Como costuma apresentar certos
inconvenientes ao utilizar uma quantidade média de água, Mckinney e Sando (1933)

19
sugerem empapar as sementes com excesso de água dentro de um recipiente, durante
aproximadamente 18 horas. Transcorrido este período extrai-se todo o excesso de água.

2. Deixam-se as sementes umedecidas em um ambiente relativamente morno (10º a 15º C)
até que se observa que os embriões estão saindo das sementes.

3. Chegado este momento, as sementes devem ser mantidas em um ambiente escuro e frio
(4º a 5º C) durante um certo número de dias que depende, principalmente, da variedade,
porém, em geral oscila entre 20 e 25 dias para os trigos hibernais típicos.

Desde que, por meio deste tratamento, os trigos hibernais podem ser semeados se
dificuldade na época que corresponde aos trigos primaveris, Lysenko deu o nome russo de
“IAROVIZAÇÃO”, que traduzido corresponde à vernalização, palavra derivada de vernal que
significa pertencente à primavera.
O tratamento sugerido por Lysenko para o trigo pode ser aplicado, com certas variantes,
a outros cereais hibernais, tais como a aveia, centeio, etc.
A vernalização constitui definitivamente um processo de acumulação de baixas
temperaturas por parte da planta, desde o estágio de semente germinada até o momento da formação
do talo.
Foi demonstrado que o efeito da vernalização pode ser destruído pela ação de altas
temperaturas (20º C ou mais) durante vários dias posteriormente ao tratamento. Isto significa que o
processo é reversível. Com efeito, em plantas de aveia, demonstrou-se que temperatura de 20 a 25º
C inibem parcialmente, a ação das baixas temperaturas de vernalização do dia anterior e que este
efeito aumenta com a duração do período submetido a temperaturas elevadas.
Outra vantagem agronômica que se consegue, realizando a vernalização, é a utilização
de áreas geográficas inadequadas para uma cultura por falta total ou parcial de frio hibernal.


20
Unidade 4: Temperatura do solo
4.1 Importância da temperatura do solo para as culturas

Ao estudar alguns fenômenos que ocorrem no solo e que estão ligados a
sua fertilidade, tais como composição, atividade da flora microbiana, atividade de íons
que tomam parte numa reação de troca, energia livre de água no solo, decomposição da
matéria orgânica, germinação de sementes, e outros, verificou-se que eles dependem
muito da temperatura. Como exemplo, podemos citar que baixas temperaturas do solo
fazem com que a viscosidade da água diminua, diminuindo a velocidade de absorção
pelas raízes; por outro lado, altas temperaturas condicionam uma maior perda de água
dos poros do solo.
Temperaturas do solo extremamente elevadas tem efeito prejudicial sobre as
raízes e podem causar lesões destrutivas nos caules. Por outro lado, as temperaturas baixas
impedem a absorção de nutrientes minerais.
Devido a estes fatos, o conhecimento do comportamento da temperatura no perfil
do solo é um aspecto importante em uma agricultura bem orientada e artifícios como irrigação
e coberturas mortas tem sido utilizados para seu melhor controle.
Sabemos que ao atingir a superfície da Terra, parte da radiação solar é
refletida e parte interage com a superfície do solo, transformando-se em energia
térmica. A quantidade de energia absorvida pelo solo depende da duração da radiação
solar, da inclinação da superfície receptora e das características físicas do solo, tais
como: difusividade, condutividade térmica e capacidade térmica.
A temperatura do solo responde mais aos efeitos locais, à radiação solar, à
topografia e outros efeitos semelhantes, podendo diferir muito da temperatura do ar.
Muitas localidades nas áreas polares e em algumas montanhas ficariam certamente sem
vegetação se não fosse o fato da temperatura do solo ser muito mais alta do que a do ar,
especialmente durante o período de sol. A temperatura do solo é mais responsável do
que a do ar, pelo contraste entre as diferentes encostas e exposições que ocorrem nas
montanhas.
O significado ecológico da temperatura do solo é obviamente importante
para aqueles que trabalham na agricultura. Temperatura do solo desfavorável durante
a estação de crescimento pode retardar as colheitas. Os horticultores valorizam muito
um solo que se aquece rapidamente na primavera. Muito esforço tem sido feito pelos
agricultores para modificar a temperatura do solo.

4.2 Características térmicas dos diferentes tipos de solo

a) Calor específico (c)
É a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 grama de solo de 1º
C. O calor específico de todos os solos minerais varia, em média, de 0,18 a 2,0 cal/g. ºC. o solo
humoso tem calor específico aproximadamente igual a 0,45 cal/g. ºC.

b) Capacidade térmica ou capacidade volumétrica de calor (Cv)
Capacidade de calor de uma substância ou do solo é a quantidade de calor
necessária para elevar a temperatura de 1 cm
3
de solo de 1 ºC. A capacidade térmica de
um solo varia de acordo com seu conteúdo de umidade. Solos orgânicos secos tem

21
capacidade térmica mais baixa do que os solos minerais, devido a baixa densidade dos
primeiros. No campo, solos orgânicos e de textura fina, devido a sua alta capacidade de
retenção de água, tem maior capacidade térmica do que solos com textura mais grossa.
A capacidade térmica da maioria dos solos varia de 0,3 a 0,6 cal/cm
3
.ºC.

c) Condutividade térmica (k)
Indica a taxa de transferência de calor. Fisicamente representa a taxa em que o calor
flui, através de uma área unitária de determinada substância, quando existe um gradiente de 1º
C/cm. Unidade de medida cal/cm.seg.ºC.
Pode-se dizer também que é a quantidade de calor que flui por unidade de tempo
através de uma seção transversal de 1 cm
2
, responsável por um gradiente de
temperatura de 1 ºC.
A condutividade térmica depende sobretudo da porosidade, conteúdo de umidade
e matéria orgânica do solo. Para um determinado conteúdo de umidade, a condutividade
térmica decresce dos solos pesados para os mais leves, conforme a porosidade aumenta.
Em termos de tensão de umidade do solo, a condutividade é praticamente idêntica para
solos com texturas diferentes (a espessura da película de água que envolve as partículas
de solo é praticamente idêntica). A matéria orgânica não transfere o calor tão
rapidamente quanto um solo mineral. Exemplos: solo arenoso seco k = 0,00046
cal/cm.seg.ºC; solo fino humoso k = 0,00027 cal/cm.seg.ºC.

d) Difusibilidade térmica (K)
Indica a penetração de calor no solo e pode ser definida como sendo o quociente
entre a condutividade térmica (k) e a capacidade térmica (Cv), ou seja, D = k/Cv.
É a mudança, em graus Celsius que ocorre em um segundo, quando o gradiente de
temperatura aumenta 1 ºC/cm
3
. A difusividade térmica do solo aumenta com o aumento da umidade
atingindo um máximo, depois então decresce. Uma pequena quantidade de água no solo, entre as
partículas, reduz o efeito isolante do espaço poroso cheio de ar (aumenta o valor de K), mas um
aumento muito grande no conteúdo de água resulta num aumento acentuado da capacidade térmica,
diminuindo o aumento da temperatura produzido por uma determinada quantidade de calor, uma
vez que a capacidade térmica da água, que é alta, substitui a do ar que é quase negligenciável.
A matéria orgânica diminui a difusividade, devido ao aumento da porosidade, enquanto
que a compactação do solo a aumenta, porque diminui a porosidade. A difusividade térmica dos
solos está entre 10
-2
e 10
-3
cm
-2
.seg
-1
.

4.3 Condução de calor no solo
A transmissão de calor pode ser definida como sendo a transmissão de energia de uma
região para outra, devido a uma diferença de temperatura entre elas. No solo a transmissão de calor
se realiza, na maior parte , por condução e uma pequena parte por convecção, através de moléculas
de vapor d’água e ar que ocupam os espaços porosos do solo. Por outro lado, a perda de energia do
solo para a atmosfera dá-se por radiação.
O conhecimento do transporte de energia no solo é importante dentro do caráter de estímulo
às reações bioquímicas da germinação de sementes, decomposição de matéria orgânica, respiração e
crescimento do sistema radicular de uma planta qualquer, enfim, de toda a estrutura orgânica da
fauna e flora do solo, como também na energia livre da água no solo, troca de íons nos minerais,
etc.

22
A energia alcança a superfície do solo na forma de ondas eletromagnéticas e dependendo das
características da superfície elas podem ser mais ou menos absorvida. Em virtude disso, durante o
dia o fluxo de energia tem sentido descendente, caminhando da superfície em direção às maiores
profundidades, pois a superfície está recebendo energia desde o nascer até o pôr do sol, se
aquecendo e cedendo calor para as camadas inferiores. Durante a noite este sentido se inverte, uma
vez que a superfície em contato com o ar atmosférico é resfriada rapidamente e as camadas
inferiores começam a ceder calor para a superfície. Convencionalmente, a energia que vai em
direção à superfície é positiva e a que deixa a superfície é negativa.

4.4 Fluxo de calor no solo
Uma certa quantidade de calor no solo é requerida por todas as plantas, por exemplo, para
haver germinação de sementes de trigo e cevada, a temperatura mínima varia de 0 a 5º C e a
máxima de 31 a 37º C, e de melão de 15 a 18 e 44 a 50º C, respectivamente. As temperaturas do
solo ótimas para germinação do trigo variam de 25 a 31º C e para o melão de 31 a 37º C.
O desenvolvimento radicular sofre considerável influência da temperatura do solo; para
culturas de inverno, um bom desenvolvimento ocorre de 6 a 10º C. Decréscimos graduais na
temperatura do ar e do solo facilitam a sintetização do açúcar e o desenvolvimento de resistência ao
frio e até a seca. Decréscimos repentinos a menos de 0º C baixam as resistências.
A condução de calor se processa sempre no sentido contrário ao do gradiente de temperatura
e é proporcional ao valor desse gradiente. Considerando-se um volume de controle de um meio
homogêneo, limitado por arestas infinitesimais Ax, Ay, Az orientadas segundo as direções dos eixos
cartesianos. Se todo o meio está sendo aquecido uniformemente na sua face superior, então, a
temperatura, a uma determinada profundidade, é a mesma em qualquer ponto. Logo, as
componentes horizontais do gradiente de temperatura é nula,


0 =
c
c
+
c
c
j
y
T
i
x
T
 
1
Assim, o transporte de calor (Q) se efetua de cima para baixo e depende apenas da
componente vertical do gradiente de temperatura, logo,

k
dz
dT
k
z
T
 
÷
c
c
2

Como o fluxo vertical (F
z
) de calor é proporcional ao gradiente vertical de temperatura e
ocorre no sentido inverso, tem-se, em módulo:

y x
dz
dT
k
dt
dQ
F
z z
A A |
.
|

\
|
÷ = = 3

onde k
z
(cal.cm
-2
.s
-1
.K
-1
) é a constante de proporcionalidade, chamada de coeficiente de difusão de
calor ou condutividade calorífica do meio em questão.

23
A Figura 1 mostra a interferência da temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e sobre
a transpiração. Nota-se a sensibilidade da cultura do milho a temperaturas baixas próximas a 0º C.
O crescimento das plantas, a fotossíntese, a absorção de água, o metabolismo das raízes, o
suprimento de O
2
, a nutrição mineral e a morfologia das raízes são variáveis afetadas pela
temperatura do solo (Nielsen & Hunfries, 1966)
Figura 1. Efeito de temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e transpiração de uma cultura de milho
(Anderson & Macnaughton, 1973)

A temperatura do solo é continuamente alterada e os principais fatores atuantes estão relacionados
ao ciclo de radiação, que produz flutuações diárias significativas nos primeiros 30 cm abaixo da
superfície do solo nú; sob irrigação, a temperatura do solo aumenta mais rapidamente em solos de
textura grosseira que nos de textura fina (Fig. 2), decrescendo a curva de evaporação
proporcionalmente com o acréscimo da temperatura no solo; logo, quantidades significativas de
energia são convertidas em calor latente de vaporização (Klar, 1974).
Figura 2. Variação diária da temperatura de dois tipos de solo, com e sem irrigação numa cultura de cebola,
em condições de campo (Klar, 1974).
4.5 Inclinação e exposição de encostas
A exposição de uma encosta é de pequena importância nas baixas latitudes, mas é
importante fora dos trópicos. Nas médias e altas latitudes, no Hemisfério Sul, as encostas

24
norte recebem mais raios solares por unidade de área do que as que ficam expostas para
o sul. Para avaliar os raios solares pelas encostas devemos primeiramente separar a
radiação direta e a radiação difusa. Raios solares diretos são função da exposição e da
inclinação e a radiação difusa, sendo essencialmente uniforme em todos os azimutes, é
dependente apenas da inclinação.

Uma encosta com 10
0
de inclinação, exposta ao sul recebe igualmente tanta
radiação difusa como uma encosta com 10
0
de inclinação, exposta ao norte. Quanto
maior a proporção da radiação difusa em relação à radiação total, menor é a diferença
de energia pelas várias exposições de uma encosta. Em um dia totalmente nublado,
quando não há radiação solar direta, o efeito da exposição é minimizado.

Em geral, a proporção da radiação difusa com relação a radiação total é elevada
nas regiões polares devido a elevada nebulosidade e a baixa altitude do sol;
semelhantemente esta proporção é mais elevada no inverno do que no verão. Portanto, a
exposição nas médias latitudes é fator mais importante do que nas regiões polares e,
mais ainda no verão do que no inverno.

Na ausência de nuvens a encosta sudoeste é normalmente mais quente do que a
encosta sudeste. Isto porque os raios solares diretos incidem sobre a encosta sudeste depois de
prolongado resfriamento noturno e, além disso, a evaporação do orvalho pela manhã requer
energia.

As maiores diferenças de temperatura entre as encostas norte e sul ocorrem durante a primavera e verão. Na primavera, as
encostas norte esquentam rapidamente enquanto que as encostas sul permanecem frias e úmidas.

A diferença nas temperaturas mínimas entre as exposições sul e norte é menor do que
a diferença entre suas temperaturas máximas. A amplitude da temperatura diurna é
consequentemente maior nas encostas norte. Além do mais, a temperatura máxima na
exposição sul freqüentemente demora mais a ocorrer do que na encosta norte.

No inverno, a diferença de temperatura entre as encostas sul e norte é menor. Com o
avanço da estação, o maior aquecimento da encosta norte é feito gradualmente. As culturas e a
vegetação iniciam mais cedo o seu crescimento nas exposições norte do que nas exposições
sul. Paradoxalmente, para algumas frutíferas a demora na floração e a conseqüente redução do
perigo de geada é uma vantagem na encosta sul, relativamente fria. A declividade da encosta
determina a quantidade de calor recebida por unidade de área.

As diferenças de temperatura entre as exposições é geralmente acentuada pela
declividade. Fora dos trópicos, no Hemisfério Sul, uma encosta suave, com inclinação
norte, é mais quente do que uma área plana.
Uma declividade de 5
0
na exposição norte pode receber a mesma quantidade de
radiação solar que um área plana a 450 km mais ao norte. Por outro lado, áreas com 1
0
de declividade sul podem receber menor radiação do que uma área plana a 100 km ao
sul. A encosta mais quente é a estiver mais perpendicular aos raios solares.

4.6 Efeito do uso de diferentes coberturas na temperatura do solo

25
Já em 1914, Lehenbauer trabalhando com sementes de milho, em condições de
laboratório, verificou que o crescimento aumentou linearmente com a temperatura do
solo entre 10
0
C e 30
0
C; foi ótimo entre 30
0
C e 31,7
0
C; decresceu linearmente entre
32,2
0
C e 43,9
0
C; e foi paralisado abaixo de 10
0
C e acima de 43,9
0
C.
Weaver, 1926, verificou que para a maioria das plantas cultivadas, temperaturas
do solo inferiores a 4,4
0
C são prejudiciais, provocando paralisação em seu crescimento.
A partir daí, cada vez mais foi sendo provado que as condições térmicas que
envolvem um vegetal são essenciais ao seu desenvolvimento e que, um controle total do
microclima, em condições de campo, é praticamente impossível. Muitos esforços tem
sido realizados no sentido de variar a temperatura do solo, com o propósito de criar um
“habitat” favorável as plantas. Por isso, vários tipos de coberturas mortas (mulching)
tem sido utilizadas para aumentar, diminuir ou ainda para estabilizar a temperatura do
solo.
A cobertura morta do solo é uma técnica utilizada pelos agricultores há muitos
anos, com a finalidade de defender os cultivos e o solo da ação do agentes atmosféricos,
os quais, entre outros efeitos, provocam a compactação do terreno, diminuem a
quantidade dos frutos, esfriam a terra e causam a lixiviação dos elementos fertilizantes,
tão necessários para o desenvolvimento das plantas.
Para diminuir estes efeitos, os agricultores colocavam sobre a superfície do
terreno uma camada protetora formada por materiais de origem vegetal, como palha,
serragem, folhas de árvores, etc. Quando havia disponibilidade também era usada areia.
Esta camada de material atuava como barreira, isolando o solo do meio ambiente.
De acordo com as características desses materiais, era possível obter outras vantagens,
como a opacidade à luz que impedia, por falta de fotossíntese, o desenvolvimento das ervas
daninhas, e a absorção e armazenagem de calor para o período noturno, constituindo-se um
meio de defesa das plantas contra baixas temperaturas, influindo consideravelmente no
aumento da produção e maior precocidade na colheita dos frutos.
Há alguns anos foram feitos ensaios com diversos materiais, como papel parafinado,
lâmina de alumínio, etc, porém seu uso não se comprovou, tanto pelo alto custo como pela
dificuldade de aplicação.
A cobertura morta do solo passou a ser utilizada em grande escala com o
surgimento dos filmes plásticos, devido ao seu baixo custo, praticamente de aplicação e
sobretudo pelas evidentes vantagens que trazem aos cultivos. Esta técnica é hoje
consagrada em quase todos os países, na maior parte dos cultivos, nas mais sofisticadas
lavouras e nas terras dos mais modestos agricultores.
A cobertura morta de solo com filmes plásticos tem significantes vantagens sobre
os métodos comuns. As principais influências são:
- Umidade do solo;
- Temperatura do terreno;
- Estrutura do solo;
- Fertilidade da terra;
- Ervas daninhas;
- Proteção dos frutos;
- Época de colheita;
- Produção dos cultivos;
- Qualidade dos frutos.

26

4.7 Temperatura do solo e as diferentes fases do ciclo vegetativo das culturas

4.7.1 Germinação e emergência
Algumas espécies germinam assim que as condições externas como temperatura,
umidade, concentração de oxigênio sejam favoráveis.
Temperaturas frias entre 0
0
C e 10
0
C, durante algumas semanas ou meses tem
também efeito na quebra de dormência (macieira, pereira, pessegueiro).
Sachs determinou três pontos principais de atividade vital, que são:
- Uma temperatura mínima abaixo da qual não há atividade;
- Uma temperatura ótima onde ocorre o máximo de atividade;
- Uma temperatura máxima acima da qual a atividade pode ser nula.
Embora, em geral, os processos metabólicos dupliquem sua velocidade com o
aumento de 10
0
C de temperatura, o desenvolvimento expresso como germinação ou
elongação da haste mostra freqüentemente, dentro de certos limites, uma resposta linear
entre a temperatura mínima e ótima.
Uma unidade de calor (S) expressa em graus dias é suposta ser uma constante
para um estágio particular do desenvolvimento e pode ser calculada multiplicando-se a
temperatura ambiental (T) menos a temperatura mínima (T
mín
), em graus centígrados,
pelo período de emergência (t), em dias. Assim,

S = (T – T
mín
) . t 4

A relação entre T e o valor recíproco de t daria uma relação linear, na qual
valores desconhecidos de S e T
mín
podem ser calculados de acordo com a seguinte
expressão:

T = ( S / T ) + T
mín
5

Estes dois métodos de cálculo podem dar uma unidade de calor diferente quando
a temperatura média diária é menor do que a T
mín
.
A unidade de calor para a germinação depende muito da profundidade na qual
se mede a temperatura do solo, que varia amplamente na camada de 10 cm de
profundidade do solo. Nessa camada, a variação do conteúdo de umidade é grande
devido a evaporação e a precipitação, mas as medidas da umidade do solo, nessa
profundidade, são extremamente difíceis.
Desde que a germinação depende também amplamente das condições disponíveis
de umidade que cercam a semente, isto poderia influir na unidade de calor sob
condições de excesso de umidade (ocorrendo falta de oxigênio) ou condições secas (falta
de umidade).

4.7.2 Fases vegetativa e reprodutiva
Após a germinação, a temperatura do solo pode ainda influir no desenvolvimento
do índice de área foliar das plantas.

27
Gradualmente, a temperatura do ar e outros fatores climáticos, como radiação
solar, por exemplo, tornam-se de maior importância para a fase vegetativa e
reprodutiva.
Para temperaturas quase ótimas a absorção de água aumenta na ordem de 10 % para
cada grau de aumento de temperatura do solo. Por outro lado, a condução de água nos vaso do
xilema e nas folhas aumenta somente da ordem de 1 % para cada grau de incremento da
temperatura do solo. Este último aumento pode ser atribuído principalmente à mudança da
viscosidade.
A faixa acima da qual ocorrem temperaturas do solo quase ótimas, depende da
espécie, por exemplo: baixa para a alface (4
0
C – 10
0
C); moderada para tomate (10
0
C –
16
0
C) e elevada para o pepino (15
0
C – 19
0
C).
O cálculo da unidade de calor, entretanto, depende muito da profundidade do
solo em que foi feita a medida e as condições de umidade do solo.





28
Unidade 5: UMIDADE DO SOLO
5.1 Algumas características do solo

A palavra solo tem sentidos diferentes, dependendo dos objetivos. O engenheiro, por
exemplo, o considera um material que suporta fundações, estradas ou aeroportos; o
pedologista, como parte da crosta terrestre que proveio de desintegração de rochas por
processos físicos e químicos. O interesse deste profissional limita-se aos 2 – 3 metros de
profundidade; então o solo pode ser definido como um sistema poroso constituído por
partículas sólidas e volume de vazios, que podem ser ocupados pelo ar e pela água sendo,
portanto, um armazenador de nutrientes e água para as plantas. Para estes terem um bom
desenvolvimento, o solo deverá ser suficientemente macio e friável para permitir o
desenvolvimento das raízes, sem obstrução mecânica, equilibrado em distribuição e volume
de poros, para reter água facilmente disponível e assegurar condutibilidade adequada não só
da água como também do ar até as raízes das plantas.
O tipo de solo resulta da integração entre clima, topografia, vegetação, tempo e tipo
de rocha que lhe deu origem. Os solos tropicais são mais desenvolvidos por estarem sujeitos a
altas temperaturas e elevadas precipitações pluviométricas; à medida que se caminha para
regiões mais frias, são menos intemperizados. É algo mais que um complexo de partículas
provenientes de rochas minerais. As plantas o utilizam como suporte, fonte de nutrientes e
fornecem matéria orgânica necessária á alimentação dos microorganismos do solo e dos
animais, os quais a decompõem produzindo gás carbônico e água. Se isso não ocorresse,
haveria exaustão do gás carbônico da atmosfera pela fotossíntese em poucas décadas.
Ele é constituído de materiais sólidos, líquidos e gasosos. As partículas sólidas formam um
arranjo poroso tal que os espaços vazios, denominados poros, tem a capacidade de armazenar
líquidos e gases, se constitui de partículas classificadas de acordo com o tamanho médio dos grãos
em areia, limo (silte) e argila, cujas proporções determinam a textura do solo. O arranjo das diversas
partículas, juntamente com os efeitos cimentantes de materiais orgânicos e inorgânicos, determinam
a estrutura do solo. Os materiais orgânicos consistem de resíduos vegetais e animais (incluindo
fungos, bactérias, insetos e outros) parte dos quais são vivos e o restante se apresentando em
diversos estágios de decomposição, denominados húmus.
A parte líquida do solo constitui-se essencialmente de água, contendo minerais
dissolvidos e materiais orgânicos solúveis. Ocupa parte (ou quase todo) do espaço vazio entre
as partículas sólidas dependendo da umidade do solo. Esta água é absorvida pelas raízes das
plantas ou é drenada para camadas de solo mais profundas e, por isso, precisa ser
periodicamente reposta pela chuva ou pela irrigação, para garantir uma produção vegetal
adequada, Daí, a importância agrícola do conhecimento deste reservatório de água para as
plantas e dos princípios que governam seu funcionamento.
A parte gasosa ocupa os espaços vazios não ocupados pela água. Esta é uma fração
importante do sistema solo, pois a maioria das plantas exige certa aeração do sistema
radicular. Na prática da irrigação é importante manter-se certo balanço entre a porção dos
poros, ocupada pela água, e a ocupada pelo ar.

Tabela 1. Composição volumétrica (%) de alguns solos
Fração sólida
Solo
Mineral Orgânica

Água

Ar

29
“ideal” 45 5 30 20
Regossol 61 1 4 34
Latossol Roxo 35 7 32 26
Podzólico 50 2 24 24


5.1.1 Composição do solo
1) Textura
A textura do solo refere-se tão somente à distribuição das partículas em termos de
tamanho. A escala de tamanho varia enormemente, desde cascalhos de diâmetro da ordem de
centímetros, até partículas diminutas, como colóides que não podem ser vistos a olho nú. O
tamanho das partículas é de grande importância, pois ele determina o número de partículas por
unidade de volume ou de peso e a superfície que estas partículas expõem. De acordo com o
tamanho as partículas podem ser classificadas em areia, limo (ou silte) e argila e, suas proporções
determinam a textura do solo.

2) Estrutura do solo
A estrutura do solo refere-se ao arranjo das partículas e à adesão de partículas menores na
formação de maiores denominadas de agregados. Na proximidade da superfície, a estrutura do solo
é afetada pelo preparo do solo e, nos horizontes mais profundos, ela é típica para cada solo. Solo
sem estrutura é massivo, pesado para ser trabalhado, com problemas de penetração de água e de
raízes.
A estrutura do solo, ao contrário da textura, pode ser modificada. Ela pode ser
mantida ou mesmo melhorada com práticas agrícolas adequadas, tais como a rotação de
culturas, cultivo apropriado e incorporação de matéria orgânica (adubo verde ou esterco).
Ciclos de secamento e de molhamento melhoram a estrutura do solo. A umidade do solo no
momento de seu preparo (aração e gradagem) é importante, pois solos preparados quando
muito úmidos ou muito secos, perdem a estrutura.
O solo ocorre em camadas distintas. Um horizonte é qualquer camada que pode ser
distinguida visual ou texturalmente das camadas vizinhas acima e abaixo. Um perfil é um
conjunto de horizontes expostos normalmente para exame na parede vertical de uma
trincheira. O solo do topo é a zona de primeira importância para o horticultor, pois é nele que
as sementes são lançadas, as plantas transplantadas e as culturas estabelecidas . Depois do
estabelecimento, as raízes exploram também o subsolo que tende a ser menos rico em
nutrientes, mas, pelo menos, tão importante quanto o solo do topo pelo fornecimento de água.
Abaixo do subsolo, está a camada de rocha. A espessura dos diferentes horizontes varia
enormemente dentro e entre as diferentes séries de solo.
A propriedade da fase sólida do solo em formar unidades estruturais complexas a
partir de unidades menores chama-se “capacidade de agregação do solo”. A estrutura começa
a se formar através da fragmentação das rochas.
A estrutura dos solos pode agrupar-se em três tipos principais: grãos simples
(partículas completamente desunidas umas das outras), maciça (as partículas são unidas entre
si, formando grandes blocos), são comuns aos subsolos pesados encontrados em regiões
úmidas e a água se move muito lentamente, agregados (é um tipo intermediário entre os dois

30
anteriores) dentro dos blocos, as partículas são unidas de forma mais ou menos estável entre
si.
Solos argilosos ou de textura fina possuem teores elevados de argila coloidal, sendo
plásticos e coesos quando úmidos, tornando-se duros, com formação de torrões, quando secos.
Os solos arenosos são friáveis, desagregáveis, de boa drenagem, aeração adequada e
aração fácil, porém tem baixas capacidades de retenção e condução de água e nutrientes.
A compactação do solo está diretamente ligada à estrutura. Como o solo é um
material poroso, por compressão, a mesma massa de material sólido pode ocupar um volume
menor. Isto afeta a sua estrutura, o arranjo de poros, o volume de poros e as características de
retenção de água.

3) Peso específico do solo
O peso específico das partículas (ou peso específico real) do solo está em torno de
2,60 a 2,75 g.cm
-3
. Isto porque o quartzo, o feldspato e os silicatos coloidais compõem a
maior parte dos solos minerais. Matematicamente, o peso específico real ou das partículas (p
r
)
pode ser representado por:


s
s
r
V
m
= 
(1)

onde m
s
é o peso das partículas sólidas do solo e V
s
é o volume das partículas sólidas do solo.
O conhecimento do peso específico real é importante para os cálculos da velocidade de
sedimentação das partículas para efeito de determinação da densidade das suspensões na análise
mecânica; do teor de umidade do solo, através do método de pesagens.

O peso específico total ou aparente do solo (p
a
) é representado pela relação entre o peso
das partículas sólidas (m
s
) e o volume total do solo seco (V
t
). nesse caso, consideram-se os espaços
porosos (V
p
).

t
s
p s
s
a
V
m
V V
m
=
+
= 
(2)

Logo, quanto mais estruturado e maior o teor de matéria orgânica do solo menor será seu
peso específico aparente, que varia de 0,9 a 1,8 g.cm
-3
. Os solos arenosos, que são menos porosos e
mais pobres em matéria orgânica, são mais densos que os argilosos. O peso específico aparente é
afetado pela estrutura, grau de compactação e pelas características de contração e expansão do solo
que, por sua vez, são controladas pelo teor de umidade.
Em agronomia, o peso específico aparente é importante, entre outros objetivos, para a
determinação da quantidade de água e aplicar no solo projetos de irrigação.

4) Porosidade do solo
O volume total de poros do solo (V
p
) se chama de espaço poroso. O tamanho, a
forma e as combinações dos poros variam consideravelmente, pois são resultados de
partículas enormemente variáveis em tamanho, forma e características superficiais.

31
O volume total (V
t
) é igual ao volume de partículas (V
s
) adicionado do número de
vazios (V
p
), logo:

% V
p
= 100 - % V
s

(3)

logo, % V
p
= 100 -
t
r
a
V




÷ =1
p
V
r
a



(4)

Os valores de V
p
variam de 0,3 a 0,6. Solos de textura grosseira são menos porosos
que os de textura fina, sendo neste, a porosidade bastante variável, devido à estruturação,
contrariamente aos arenosos, que são mais estáveis, embora possuam poros individuais
maiores.
A profundidade do solo é negativamente correlacionada com os espaços porosos. O
cultivo e as culturas afetam o espaço poroso. Quanto maior a porosidade, maior a capacidade
do solo em armazenar água, daí os solos de textura fina terem maior capacidade de retenção e
disponibilidade de água às plantas do que os de textura grosseira.

5) Umidade do solo
A Umidade do solo pode ser expressa de duas maneiras:

a) em relação à massa de sólidos, geralmente chamada de “base em peso seco” (a).
Considera-se o solo seco, quando colocado em estufa a 105/110º C, até peso constante. O
valor do teor de umidade a pode variar de 0 a 60 %, dependendo do peso específico
aparente. Matematicamente pode expressá-lo como:
100 %
s
w
m
m
a =
(5)

ou seja, a% é a relação entre o peso de água (m
w
) e o peso de sólidos do solo (m
s
).

b) a umidade pode ser expressa com base em volume, ou teor volumétrico de água (u) e
baseado no volume total do solo. Pode ser representada por:


p s
w
t
w
V V
V
V
V
+
= = 
(6)
O uso de  torna-se mais adequado que a, no caso de computação9 de quantidades
de água adicionadas ao solo por irrigação ou chuva e retiradas por drenagem ou
evapotranspiração.

32

6) Ar do solo
O ar do solo é fonte de oxigênio para as raízes das plantas e para os microrganismos
aeróbicos. O ar encontra-se me três condições: livre, ocupando os solos livres de água;
adsorvido, concentrado na superfície das partículas e dissolvido na água do solo.
A composição do ar do solo não é constante, dependendo de sua quantidade e
mobilidade, dos processos bioquímicos e outros, diferindo marcadamente do ar atmosférico,
por exemplo, o ar atmosférico tem 0,03 % de CO
2
e o do solo tem 0,2 a 1%, em média na
camada superficial; o ar do solo não é contínuo, variando em composição de um local para
outro; tem teor de umidade mais elevado que o ar atmosférico, aproximando-se, geralmente
dos 100 % de umidade relativa,; o teor de oxigênio do ar atmosférico é cerca de 20 % e do
solo pode atingir 10 a 12 %.
A composição do ar do solo altera-se constantemente com as mudanças da atmosfera
em conexão às flutuações diárias de temperatura, velocidade do vento, infiltração de água, etc.
As relações solo-água afetam a composição do ar do solo, devido à constante
movimentação de água e, em solos de textura fina, poderá haver aeração deficiente; à medida
que o teor de água do solo decresce, há aumento do volume de ar e maior razão de troca entre
o ar do solo e as raízes, pois há diminuição na espessura do filme de água através da qual a
difusão ocorre.
Há plantas adaptadas ao déficit de ar, como o arroz, que possui grandes espaços
porosos internos. Outras adaptações que ocorrem são os sistemas de raízes rasos e a
respiração anaeróbica.

5.2 Movimentação da água no solo
A entrada de água no solo, proveniente de chuva , irrigação ou inundação é
governada pela taxa de infiltração ou taxa de percolação. Se a água chega sobre a superfície
do solo a uma taxa que excede a taxa de infiltração máxima, isso resulta em escoamento,
danos para a estrutura do solo, redução na taxa de infiltração e conseqüente aumento na taxa
de escoamento. Se a precipitação é na forma de grandes gotas com alta energia cinética, isso
também danifica a estrutura do solo e reduz a taxa de infiltração. Um exemplo extremo é
oferecido pelo estado da superfície do solo sob as copas de arbustos de baixo crescimento,
sujeita a repetidas batidas por gotejamento pesado da folhagem.
Durante o processo de infiltração e após ter cessado, a água continua distribuindo-se
dentro do solo.
Quando o fornecimento de água é localizado, como é o caso da irrigação por sulcos,
a infiltração (e redistribuição) dá-se em todas as direções, pois a água sempre procura regiões
de potencial mais negativo (Figura 1).

33
Figura 1. Irrigação por sulcos ou por gotejamento.

Durante o processo de infiltração, se o solo estiver relativamente seco, existe uma
diferença “visível” entre o solo molhado pela lâmina de água que avança e o solo seco. Este
plano é denominado de frente de molhamento (Figura 2).
Figura 2. Frente de molhamento.

O processo de infiltração ocorre porque a água da chuva ou da irrigação tem
potencial aproximadamente nulo e a água do solo tem potencial negativo, isto é, tanto mais
negativo quanto mais seco é o solo.
A água é retida no solo, isto é, em seus poros, devido a fenômenos de capilaridade e
adsorção. A capilaridade está ligada à afinidade entre as partículas sólidas do solo e a água,
havendo a necessidade de interfaces água-ar. Estas interfaces água-ar, chamadas de meniscos,
apresentam uma curvatura que é tanto maior quanto menor for o poro. A curvatura determina
o estado de energia da água e, por isso, diz-se que tanto menor o poro, tanto mais retida se
encontra a água. Assim, para esvaziar um poro grande precisa-se aplicar menos energia do
que para esvaziar um poro pequeno. Como o solo possui uma grande variedade imensa de
poros, em forma e diâmetro, quando se aplica uma dada energia ao solo (através de sucção),
esvaziam-se inicialmente os poros maiores. Aumentando-se a energia aplicada, esvaziam-se
cada vez poros menores.

34
A capilaridade atua na retenção de água dos solos na faixa úmida, quando os poros se
apresentam razoavelmente cheios de água. Quando um solo se seca, os poros vão se
esvaziando e filmes de água recobrem as partículas sólidas. Nestas condições , o fenômeno
de adsorção passa a dominar a retenção de água. A energia de retenção da água nestas
condições é muito maior ainda e, por isso, grandes quantidades de energia são exigidas para
se retirar esta água do solo.
Muitos fatores afetam a retenção da água em um solo. O principal deles é a textura,
pois ela diretamente determina a área de contato entre as partículas sólidas e a água e
determina as proporções de poros de diferentes tamanhos. A textura refere-se apenas ao
tamanho da partícula e, além do tamanho, também é de grande importância na retenção de
água a qualidade do material, principalmente das argilas. Existem argilas que, devido às suas
características cristalográficas, tem ótimas propriedades de retenção de água, como por
exemplo a montmorilonita, a vermiculita e a ilita. Outras argilas como a caulinita e a gibsita,
já não apresentam boas propriedades de retenção de água. A matéria orgânica também
apresenta boas propriedades de retenção de água, por isso, adições repetidas de esterco ou
matéria orgânica ao solo, podem aumentar suas propriedades de retenção de água.

5.3 Acumulação de sais no solo

A carga salina de uma fonte de água pode ser aumentada por irrigação excessiva de
culturas, com aplicações pesadas de fertilizantes rio acima, por evaporação dos reservatórios,
por reciclagem e re-uso de água e por poluição direta de resíduos industriais e depósitos de
materiais, como cinza de combustível pulverizado, escória e resíduos de carvão. Salinidade
em excesso é prejudicial para as culturas por causa da pressão osmótica na água do solo e
também da toxidade dos próprios sais. Além dos íons metálicos comuns, elementos como
boro, arsênico e selênio e os metais pesados podem estar presentes em concentrações tóxicas.
As culturas variam em sua sensibilidade aos elementos tóxicos e os solos variam em
sua habilidade de ocluir ou liberar materiais prejudiciais.
A água, normalmente se move para baixo através do solo, mas sob condições de alta
evaporação existe movimento lento para cima por capilaridade; a evaporação água da superfície do
solo pode então concentrar solutos a tal extensão que a alta pressão osmótica resultante pode
interferir na absorção de água e assim reduzir o crescimento vegetal independentemente de que
quaisquer elementos particulares estejam numa concentração fitotóxica.
Águas moderadamente salinas podem ser usadas para irrigação, contanto que seja
aplicada em excesso, em cada irrigação, de modo que exista drenagem e lixiviação dos sais
prejudiciais fora da zona das raízes. Isso não é uma prática de irrigação válida onde há água
de boa qualidade e disponível.
Em casas de vegetação, a concentração de cloro é mais prejudicial do que a
concentração salina total e onde culturas são regularmente supridas com fertilizante dissolvido
na água de irrigação, fertilizantes livres de cloro são comumente usados. O cloreto prejudica
as plantas enquanto o sódio danifica a estrutura do solo, especialmente de solos com alto teor
de argila, ou limosos e barro-limosos.
A Tabela 2 mostra a tolerância relativa ao íon cloreto, de plantas de diferentes
culturas; por proeminência entre estas estão a beterraba e outras plantas cultivadas, derivadas
de espécies da costa marítima. Concentrações tão baixas quanto 3 mm/l de cloreto (105 ppm
de Cl) na água de irrigação tem prejudicado citrus maduros, frutos com caroço e amêndoas.


35


Tabela 2. Tolerância de culturas típicas a concentração de íon cloreto no solo à capacidade de
campo.
Concentração de Cloreto
(g Cl
-
/ l)
Culturas que sofrem 10 % de redução
na produção
Taxa de sensibilidade
0,35 morango tulipa feijão trevo
maçã narciso ervilha
ameixa azaléa
framboesa gladíolo cebola milho

Muito sensível

0,75 rosa cenoura crista
de galo
alface prado
rabo-de-
raposa


Sensível
1,45 Uva crisântemo couve-flor trigo
cravo repolho aveia
clematite batata alfafa
centeio
beterraba beterraba
vermelha branca




Moderadamente tolerante
2,50 aspargo manga
espinafre couve
cevada

Tolerante

5.4 Armazenamento de água no solo
Os corpos, na natureza, possuem energia em diferentes formas e quantidades.
Considerando-se que a energia cinética da água no solo tem valores baixos, a de retenção
torna-se importante. As propriedades físicas do solo (textura, estrutura, etc) afetam a
capacidade de retenção. Solos de textura mais fina retém água em maior quantidade que os de
textura grosseira. Isto se deve à maior área superficial daqueles. Pode-se demonstrar isto
facilmente: duas provetas com dois solos, diferenciados texturalmente, recebem pequena e
igual quantidade de água; logo se percebe que a velocidade de movimentação é diferente em
ambos e que o argiloso retém aquela mesma quantidade de água num volume de solo menor.
Forças de atração bastante elevadas existem entre as partículas do solo e as
moléculas de água e são responsáveis pelo abaixamento da energia potencial da água do solo.
De acordo com Slatyer (1967) existem dois mecanismos principais pelos quais a água é retida
no solo, que são provenientes das interfaces ar-líquido e sólido-líquido. A tensão superficial é
a principal força atuante na interface ar-água e desenvolve interfaces curvas nas proximidades
das partículas (Figura 3). Se o solo não se trincar a partir da saturação enquanto a água estiver
sendo removida, a tensão, atuando nas interfaces curvas, consegue equilibrar-se com as forças
extrativas, constituindo-se no principal mecanismo de retenção da água.

36
A tensão superficial e a repulsão entre partículas freqüentemente atuam
simultaneamente, desde que a extração de água é geralmente acompanhada por algum
fendilhamento e alguma entrada de ar.
Figura 3. Retenção de água devido às forças desenvolvidas na interface água-
ar.

Solutos osmoticamente ativos abaixam a pressão relativa de vapor d’água do solo,
constituindo-se noutro fator de retenção, porém, não atuam contra uma pressão, a não ser que
a força aplicada o seja através de uma membrana impermeável aos solutos. No caso de raízes,
que são dotadas de camadas de células com diferentes permeabilidades à solução do solo, a
maior ou menor concentração de sais torna-se importante para a disponibilidade de água às
plantas, pois afetam a energia distendida por estas na absorção. Saliente-se que a interface
água-ar funciona como uma membrana semipermeável, portanto, age sobre a evaporação e a
difusão de vapor através do solo.

5.4.1 Limite inferior de água disponível (ponto de murchamento permanente)
As forças que retém a água no solo aumentam coma diminuição de umidade (Figura
4). Assim, existe uma sucção total a que a água não mais passará do solo para as raízes; então,
a perda por evaporação excede a entrada, e as folhas murcham. Para muitos solos isto
acontece em aproximadamente 15 bars e a umidade dos solos a 15 bars tem sido comumente
referida como “o ponto de murchamento permanente” (ou “percentagem”). O conceito é
aberto à discussão, porque ele sugere que todas as espécies se comportem similarmente em
diferentes solos.
Uma das espécies que mostra murchamento a diferentes sucções em dois solos é o
girassol, uma planta freqüentemente usada para a determinação biológica do ponto de
murchamento permanente.

Método do girassol para determinar o ponto de murcha permanente.
Girassol é crescida numa amostra de solo de aproximadamente 200 ml, contida numa
lata que não deixa vazar água. Quando se percebe que as raízes preencheram completamente a
amostra inteira, a superfície do solo é selada com uma capa impermeável ou com cera, e a
água não é mais aplicada. A planta é examinada diariamente e, quando se viu que o seu
primeiro par de folhas verdadeiro murchou, a cultura é colocada numa atmosfera saturada

37
(uma redoma contendo um recipiente com água). Se as folhas não retomam à turgidez, o solo
assume o ponto de murchamento permanente e sua umidade é determinada
gravimetricamente.
Para determinar o ponto de murcha no laboratório, uma amostra de solo é trazida ao
equilíbrio de umidade à 15 bars no aparelho de membrana de pressão e sua umidade
determinada gravimetricamente.
É, portanto, melhor se referir ao limite inferior de água disponível como a umidade a 15 bars, omitindo-se referência ao
comportamento da planta. Entretanto, a determinação física da umidade de equilíbrio de um solo, à pressão de 15 bars, requer aparelhos
muito mais complicados do que o teste biológico. Resultados do teste biológico são aceitáveis, contanto que sejam claramente definidos
como a condição de umidade a que uma planta específica, normalmente girassol, murchou e não recobrou a turgidez, mesmo quando
suas folhas foram colocadas numa atmosfera saturada.




Figura 4. Curva característica de perda de água, para um solo barro-arenoso e um solo
argiloso; metade da água no barro-arenoso é retida a uma sucção matricial abaixo
de 2 bars, mas, no argiloso, metade da água é retida acima de 4 bars ( hachuriado –
água retida a alta sucção; pontuado – água retida à baixa sucção).

5.4.2 Limite superior de água disponível (capacidade de campo)
O solo saturado se encontra em um estado instável; a água é puxada para baixo pela
gravidade aumentada pela sucção exercida pelas zonas não saturadas inferiores. A ação da
gravidade é constante, mas a ação das zonas não saturadas depende de sua condição de
umidade; quanto mais secas elas são, mais fina é a camada de água ao redor de cada partícula
de solo e, consequentemente, maior a tensão superficial ou sucção. A ação de uma zona não
saturada depende também de sua profundidade vertical abaixo, porque existe uma coluna

38
contínua de água ligando as partículas de solo e isso origina uma pressão hidrostática negativa
simples ou sucção. Quando essa coluna termina em um lençol freático onde existe água livre,
de potencial máximo ou sucção mínima, essa limitação de seu comprimento limita
obviamente a sucção total sobre o solo saturado acima; assim a sucção, a que um solo
saturado drenado livremente é sujeito, depende de muitos fatores. Não é certamente a mesma
para todos os solos e todas as condições.
O efeito desta sucção é drenar água para fora da zona saturada e substituí-la com ar
vindo da atmosfera. A taxa de drenagem depende da condutividade do solo a qual depende da
umidade; quanto mais baixa a umidade, mais fina a camada de água ao redor de cada partícula
do solo e mais altas as forças que lá a retém e lhe impedem o movimento.
Se o lençol freático está a dois metro, a sucção máxima possível é 0,2 bar. Em solos
com água disponível especialmente livre, a sucção correspondente à capacidade de campo é
não mais que 0,1 bar.
A determinação gravimétrica da umidade do solo é feita em amostras retiradas,
quando o solo parece, por observação, estar à capacidade de campo, por exemplo no início da
primavera no Reino Unido. Em outras estações, uma armação de madeira de
aproximadamente 1 metro quadrado e 0,1 metro de altura é colocada sobre o solo e cheia com
água, a qual é permitida percolar no solo. Uma cobertura impermeável evita a evaporação e
depois de 48 horas ou mais, quando a drenagem é considerada estar a uma taxa baixa,
amostras de solo são retiradas para determinação gravimétrica de sua umidade.
A capacidade de campo pode também ser medida no laboratório. As amostras são
trazidas ao equilíbrio de umidade a 0,1 bar sobre a mesa de tensão ou mesa de areia (Figura 5)
ou a 0,33 bar, usando-se o aparelho de membrana de pressão, qualquer que seja considerada
como equivalente à capacidade de campo para o solo particular. A umidade de equilíbrio é
então determinada gravimetricamente.

39
Figura 5. Mesa de tensão de areia. Para montagem, o sorvedouro é cheio com água e primeiro
areia grossa e então areia fina adicionada de maneira que se assentem sob a água; o
ar é removido por manipulação de torneiras. O dispositivo de sucção constante
“bebedouro de galinha” (à esquerda) é abaixado para produzir a tensão necessária
que é checada na superfície de areia pelo tensiômetro horizontal (à direita). As
amostras de solo em cilindros de metal sem fundo são colocadas sobre a superfície
de areia para atingirem o equilíbrio de umidade e então sua umidade é determinada
gravimetricamente.

5.4.3 Capacidade de água disponível
A partir das definições de capacidade de campo e ponto de murcha permanente, segue-se que a diferença entre esses dois
parâmetros representa a água que as plantas podem extrair do solo ou seja, a capacidade de água disponível no solo ou capacidade do
reservatório do solo. Quando o reservatório está cheio, o potencial de água do solo é alto e a ela está prontamente disponível para a
absorção das plantas. À medida que a quantidade de água do reservatório diminui, a sucção do solo aumenta e a absorção de água pelas
raízes se torna crescentemente difícil, até que, no ponto de murcha permanente, a sucção do solo excede a sucção que pode ser exercida
pela planta, e a absorção cessa. Tem sido mostrado que mesmo além do ponto de murcha permanente, uma quantidade muito pequena de
água continua a entrar na planta, mas esta é insuficiente para suportar o crescimento.
Na literatura isso é normalmente encontrado expresso na base de volume em
unidades de milímetros de água por cem milímetros de profundidade de solo, ou polegadas de
água por profundidade de um pé. Desse modo,


40

( )
100
o Compriment X DA X PMP CC
CAD
÷
=
(7)

onde, CAD - capacidade de água disponível;
CC - capacidade de campo;
PMP - ponto de murchamento permanente;
DA - densidade aparente.

O comprimento pode ser entendido como a profundidade desejada onde se quer
calcular a capacidade de água disponível.

5.5 Energia da água no sistema solo-planta-atmosfera
Depois da umidade, o estado de energia da água é, provavelmente, a característica
mais importante do solo. Energia, em termos bem simples, é capacidade de produzir trabalho.
A energia pode ser cinética, que é aquela que os corpos possuem em virtude de seu
movimento, quantitativamente dada por ½ mv
2
, sendo m a massa do corpo com velocidade
v. No solo e na planta, a velocidade da água é relativamente pequena e, por isso, sua energia
cinética é geralmente desprezada com segurança. A energia pode também ser potencial, que é
aquela que um corpo possui em virtude de sua posição em campos de força. Um exemplo de
campo de força é o campo gravitacional. Devido à sua existência constante, todos os corpos
da superfície da Terra são atraídos na direção de seu centro. Isto também acontece com a
água no solo. Em decorrência disso, aparece o peso dos corpos, que é uma força igual a mg,
sendo g a aceleração da gravidade. A energia potencial gravitacional é medida pela força
necessária para mover um corpo contra este campo de força gravitacional e é o produto da
força pela distância a que o corpo se moveu (na direção das linhas de força do campo). Se
uma pedra de massa m é elevada de uma altura z
1
para uma altura maior z
2
, é preciso ser feito
trabalho. Este trabalho é mg (z
2
- z
1
) e é energia adquirida pela pedra na nova posição z
2
. A
pedra, ao voltar de z
2
para z
1
, libera esta energia mg (z
2
– z
1
). A energia potencial
gravitacional na posição z
1
é mgz
1
e na posição z
2
é mgz
2
.
A energia gravitacional pode ser tanto positiva como negativa. Esta fato decorre da
escolha da superfície do solo como referência, o que é completamente arbitrário. Se
escolhêssemos como referência o topo do morro, todos os valores seriam negativos e se
escolhêssemos o fundo do poço, todos os valores seriam positivos. Considerando a água no
solo, o campo gravitacional de forças pode ainda afetar o estado de energia da água através
de uma pressão. Assim, por exemplo, a água em um ponto a 2 metros de profundidade em
uma piscina, está submetida a uma pressão hidrostática de uma coluna de água de 2 metros de
altura. Esta pressão é, na verdade, uma energia por volume, que é adicional à energia
gravitacional.
Para definir o estado de energia da água dentro do solo, é necessário considerar
vários campos de força, não só o gravitacional. Trata-se de campos de força que são
responsáveis pelos fenômenos de tensão superficial, capilaridade, adsorção, etc. Estes
fenômenos são o resultado da interação entre as partículas sólidas do solo, organizadas em
dada estrutura (também chamadas de matriz do solo) e a água. Como é difícil separar todos

41
estes fenômenos para fazer uma análise detalhada, eles todos são considerados em conjunto e
de sua atuação resulta a energia potencial, designada matricial.
Além dos fenômenos matriciais, a presença de solutos na água do solo também afeta
seu estado de energia. Como Os solutos se movem junto com a água, esta energia potencial
chamada de osmótica, geralmente não é importante. Ela é importante na presença de
membranas semipermeáveis, que permitem a passagem da água e não dos solutos.
A energia potencial total da água é a soma de todas as energias acima discutidas. Por
simplicidade, ela é chamada de potencial total e o símbolo mais freqüente é v.

5.5.1 Diferença de potencial
Se o potencial da água em dado ponto A no solo é v(A) e em outro ponto b é v(B),
logicamente a diferença de potencial entre A e B é:
Av = v
A
- v
B

(8)

Se v
A
é maior que v
B
, Av é positivo, o que significa que a água ao passar de A para
B o faz espontaneamente, liberando a energia Av. Ela procura espontaneamente o estado B,
mais estável, de menor energia. Se v
A
é menor que v
B
, Av é negativo, o que significa que
precisamos dar energia Av para a água, para que ela passe de A para B. Por exemplo, em
uma cultura agrícola, em pleno desenvolvimento, se o potencial de água no solo é da ordem
de –1 atm, na planta da ordem de - 5 atm e na atmosfera da ordem de –100 atm, a tendência
natural da água é passar do solo para a planta e da planta para a atmosfera. Desse movimento
resulta o fluxo de evapotranspiração.

5.5.2 Gradiente de potencial
O gradiente é uma grandeza física que mede o sentido no qual um campo potencial apresenta maior crescimento. Assim, se
a diferença de potencial Av = vA - vB (onde vA é maior que vB) for dividida pela distância Ax entre os pontos A e B, entre os quais Av
foi medido, obtemos o gradiente de potencial na direção A e B, ou grad v:

x
grad
A
A+
= + (9)

As unidades de gradiente potencial podem ser as mais variadas possíveis, dependendo das unidades de Av e de Ax. Assim,
podemos Ter atm/cm; cm H2O/cm, e se Av for medido em pascal e a distância em m, o resultado será o Newton. Lembrando ainda que
Av é medido em energia por volume, o gradiente de v sempre será força por unidade de volume de água. O gradiente potencial é, então,
igual à força responsável pelo movimento da água, porém, de sentido contrário.

5.5.3 Componentes do potencial da água
a) Componente gravitacional (vg)
Considerando apenas o campo gravitacional, a água tem uma energia potencial gravitacional, que depende da posição na
qual ela se encontra, em relação a um dado plano referencial. Esta é a componente gravitacional, que tem valor zero no plano de
referência, positiva acima dele e negativa abaixo dele. O plano de referência é o estado padrão para a gravidade e o plano mais
comumente escolhido é a superfície do solo. Desse modo,
dgz
V
mgz
g
= = + (10)

onde d – densidade da água (massa por unidade de volume) igual a 1 g.cm
-3



42
b) Componente de pressão (vp)
A pressão a qual a água pode estar submetida é, na verdade, energia por volume. Daí, quanto maior a pressão, maior o
estado de energia da água, e esta energia referente à pressão é denominada de componente de pressão vp. A componente de pressão é
medida em relação a uma condição padrão, tomada como sendo a da água submetida à pressão atmosférica local e, nestas condições,
assume-se vp = 0.
Imagine um solo inundado, com uma lâmina de 20 cm de água sobre sua superfície. No ponto A, teremos a pressão
atmosférica local e, portanto, vp = 0. No ponto B, além da pressão atmosférica, atua carga hidráulica de 20 cm, que é uma pressão
positiva, acima da atmosférica, que aumenta o estado de energia da água em relação ao ponto A. Da hidrostática sabemos que a pressão
em um ponto situado a uma profundidade h, em um líquido de densidade d, é dada por:

vp = dgh (11)

Assim, para o ponto B, teremos:
vp = (1g.cm
-3
) (981 cm.s
-2
) (20 cm) = 19,62 bária, ou 0,019 atm, ou 20 cm H2O ou 1,96 kPa.

c) Componente matricial (vm)
Esta componente se refere aos estados de energia da água devidos à sua interação com as partículas sólidas do solo,
também chamadas de matrizes do solo. Esta interação se refere a fenômenos de capilaridade e adsorção e eles conferem à água estados
de energia menores do que o estado da água “livre” à pressão atmosférica e, como para este último é atribuído o valor zero (estado
padrão), a componente matricial vm será sempre negativa. Por isso, muitos autores a denominam de componente de pressão negativa ou
mesmo tensão da água no solo.
Os fenômenos de capilaridade e de adsorção dependem principalmente do arranjo poroso, distribuição de poros segundo
seu diâmetro médio, tensão superficial da água, afinidade entre a água e as superfícies sólidas, superfície específica do solo, qualidade
das partículas sólidas, etc.
Para um solo saturado, no qual todos os poros estão cheios de água, não existem meniscos (interfaces água/ar) e a adsorção
também é nula. Nestas condições a componente matricial é nula (vm = 0). Com a saída de água, o solo vai se tornando não saturado e o
ar repõe a água inicialmente nos poros maiores. Aparecem meniscos e a capilaridade começa a atuar. Como conseqüência, a componente
matricial torna-se cada vez mais negativa. A água sempre vai ocupar os poros menores, nos quais a energia é mais negativa. Portanto,
quanto menor u, mais negativo vm. Na prática, vm é medido, não calculado.

d) Componente osmótica (vos)
Considerando os íons e outros solutos encontrados na água do solo, a água adquire uma energia potencial osmótica e esta é
a componente vos . Observa-se que quanto mais concentrada a solução, menor o estado de energia da água e, portanto, mais negativo o
valor de vos. Uma forma aproximada de calcular a componente osmótica é através da equação de van’t Hoff:

vos = - RTC (12)

onde R é a constante geral dos gases; T é a temperatura absoluta da solução, dada em
0
K e C a concentração de soluto.

e) Potencial total de água (v)
O potencial total de água é a soma de todas as componentes e é dado pela equação:

v = vg + vp + vm + vos (13)

No solo
- No solo saturado e imerso em água

v = vg + vp
Neste caso, vg é importantíssima, vp depende do valor da carga hidráulica que atua sobre o solo, vm = 0, pois não há
interfaces água/ar e vos não é considerado por não haver membrana semipermeável.


43
- Solo não saturado
v = vg + vm

Neste caso, vg é de grande importância na faixa úmida e vai perdendo importância com o decréscimo de umidade. Com
este decréscimo da umidade, vm vai ganhando importância até que, para o solo bem seco, v = vm. Como não existe água livre no
sistema, vp = 0 e vos não é considerado por não haver membrana semipermeável.

Passagem da água do solo para as raízes
- Solo inundado (por exemplo: arroz irrigado)

v = vg + vp + vos

- Solo não saturado (por exemplo: arroz de sequeiro)

v = vg + vm + vos

Na planta
- Em células de tecido tenro (por exemplo: folha)

v = vp + vos

Neste caso, vp é o turgor celular, uma pressão positiva que aparece em células túrgidas devido à entrada de água em um
volume celular limitado. Em casos extremos, a turgidez pode arrebentar a célula. Em caso de falta de água, vp tende para zero e a planta
entra em murcha. vos aparece devido à presença de solutos na água da planta.

- Tecido vegetal fibroso ou lenhoso

v = vm + vos

Aqui aparece a componente vm, porque as fibras de celulose e aglomerados de amido comportam-se como matriz sólida do
solo. Sementes e outros tecidos lenhosos em caules, raízes e tubérculos podem apresentar valores bem negativos de vm. Como vos também é
negativo, o valor final de v fica bem negativo. Por isso, sementes são ávidas por água e absorvem com rapidez, muitas vezes dobrando seu
volume.

Na atmosfera
v = vp

Na atmosfera a água encontra-se na fase de vapor e seu estado é definido pela pressão parcial de vapor e. vg é desprezado,
vm e vos não entram em consideração pelo fato de se tratar de vapor d’ água “dissolvido” em ar.

5.6 Absorção de água pelas plantas
Ao abordar o solo como um reservatório de água, mostrou-se que apenas parte da água que um solo pode reter fica
disponível para as plantas. Esta parte é comumente aceita como sendo a água retida entre a capacidade de campo e o ponto de murcha
permanente. Mostrou-se também que as forças responsáveis pelo movimento de água no sistema solo-planta-atmosfera são os gradientes
de potenciais gravitacionais, matricial, de pressão e osmótico, sendo o movimento de água um processo espontâneo à procura de um
potencial (ou estado de energia) mais baixo. A absorção de água não consome, portanto, energia metabólica da planta . É claro, porém,
que a atividade metabólica da planta é responsável pela composição da água da planta (sais minerais, açúcares, etc) e que esta determina
o potencial osmótico. O que se quer dizer é que no processo de absorção de água do solo pelas plantas, estas não despendem diretamente
energia.
Em plantas que se encontram transpirando água em taxas médias e altas, o potencial muito negativo da água da atmosfera é
o responsável pela grande perda de água pelas folhas e, em conseqüência, a água líquida nos terminais do xilema na folha assume

44
potenciais bem negativos. Esta grande diferença de potencial de água entre folhas e o solo é que causa o grande fluxo de água na planta,
isto é, da absorção de água. Esta absorção é geralmente denominada absorção passiva.
Já em plantas que se encontram a baixas taxas de transpiração, o que acontece em casos de: (1) atmosfera saturada (ou
perto da saturação); (2) pouca energia disponível para o processo de evaporação; (3) plantas em dormência (sem ou quase sem folhas), a
principal força responsável pelo fluxo de água é o gradiente de potencial osmótico. A água na planta assume pressão positiva,
geralmente denominada pressão de raiz. É o caso da gutação nas bordaduras das folhas, que acontece pela madrugada, quando
praticamente não há transpiração, e o caso da seiva que escorre de plantas dormentes recém-podadas. Esta absorção é denominada
absorção ativa.

5.6.1 Fatores que afetam a absorção d água pelas plantas
São inúmeros os fatores que afetam a absorção de água pelas plantas, sendo que a importância de cada um é relativa,
dependendo de cada caso em particular. Estes fatores, sem obedecer uma ordem preferencial, são:

A. Referentes à planta:
- extensão e profundidade do sistema radicular
- superfície de permeabilidade radicular
- idade da raiz
- atividade metabólica da planta

B. Referentes à atmosfera
- umidade relativa do ar
- disponibilidade de radiação solar
- vento
- temperatura do ar

C. Referentes ao solo
- umidade do solo
- capacidade de água disponível
- condutividade hidráulica do solo
- temperatura do solo
- aeração do solo
- salinidade da água do solo

A absorção de água por plantas em solo úmido, bem aerado, com temperatura ideal (25 a 30
0
C) é principalmente
controlada pela taxa de transpiração. Em condições de campo, a absorção de água é freqüentemente limitada pela extensão (e
profundidade) e eficiência dos sistemas radiculares, pelo decréscimo da umidade do solo, pelo aumento da concentração salina da água
do solo, por temperatura baixa (tanto do solo como do ar) e por aeração deficiente.
Os fatores do solo atuam variando o gradiente de potencial total da água e a condutividade hidráulica, determinando, desta
forma, o fluxo de água no solo (ou do solo para as raízes)
O aumento da concentração salina da água do solo diminui o gradiente de potencial entre o solo e a raiz, reduz o
crescimento radicular, reduz a permeabilidade radicular e sua acumulação no tecido vegetal inibe processos metabólicos.






45
Unidade 6: VENTO
6.1 Introdução
A camada superficial estende-se desde o solo até 50 ou 100 metros de altura e é
dominada por forte mistura ou movimentos turbulentos. A estrutura do vento, nesta camada, é
principalmente determinada pela natureza da superfície subjacente e pelo gradiente vertical de
temperatura do ar. Os efeitos da rotação da Terra, a força de Coriolis, é pequena e pode ser
negligenciada quando os efeitos do atrito da superfície dominam.
Na camada superficial, a camada de maior interesse em Micrometeorologia, o
movimento do ar é altamente irregular e é caracterizado por flutuações, vórtices ou turbilhões.
Pequenas flutuações associadas com altas freqüências são principalmente devido a turbulência
mecânica gerada pelos efeitos do atrito com a superfície. Grandes flutuações associadas com
baixas freqüências são resultantes da turbulência térmica gerada devido aos efeitos da
flutuação.

6.2 Perfil da velocidade do vento próximo ao solo
O conhecimento da forma do perfil do vento (variação da velocidade do vento
com a altura) é necessário, pelo menos, por duas razões. Da descrição do perfil, é possível
estimar a efetividade dos processos de troca vertical. Com o conhecimento da velocidade do
vento, num nível fixo ou de referência, é também possível estimar a velocidade do vento em
outros níveis para várias aplicações.
A forma típica do perfil do vento médio, sob condições de estabilidade
atmosférica neutra, sobre um local relativamente liso e aberto, pode ser descrita como uma
função logarítmica da elevação,
( )
o
z
z
k
u
z U ln
-
=
(1)

onde U(z) é a velocidade média do vento para a altura z; k é a constante de von Karman
(valor em torno de 0,4); u
*
é a velocidade de atrito e z
o
é o comprimento de rugosidade.
A superfície é considerada “rugosa” se ela é coberta com protuberâncias,
normalmente referenciada como elementos de rugosidade. Para perfis da velocidade média do
vento sobre superfícies rugosas, como por exemplo dosséis, o deslocamento do plano zero d é
introduzido e a equação (1) transforma-se em,

46
( )
o
z
d z
k
u
z U
÷
=
-
ln
(2)

A velocidade de atrito u
*
é dada por,


2 / 1
|
|
.
|

\
|
=
-
a
u



(3)

onde t é a tensão de cizalhamento, p
a
é a densidade do ar e u
*
representa a velocidade
característica do fluxo e diz respeito a efetividade da troca turbulenta sobre a superfície.
O comprimento de rugosidade ou parâmetro de rugosidade z
o
é uma medida da
rugosidade aerodinâmica da superfície sobre a qual o perfil da velocidade do vento está sendo
medido. z
o
é determinado pelas medidas extrapolantes de U(z) e ln z para o ponto onde U = 0.
No caso de cultivos e outras superfícies rugosas ln z é substituído por ln (z - d).
O parâmetro de rugosidade para cultivos está em torno de um ordem de
grandeza muito menor do que a altura do cultivo.
O deslocamento do plano zero, d, pode ser considerado como indicativo para
o nível médio no qual o momentum é absorvido pelos elementos individuais da comunidade
de plantas, que é, o nível de ação do arrasto do volume aerodinâmico da comunidade vegetal.
Em geral, d/h está no intervalo entre 0,5 e 0,8.
Por erros e tentativas, pode-se encontrar o valor de d, tal que a plotagem de U
(em escala linear) versus (z – d) (na escala logarítimica) torna-se uma linha reta. A interseção
do eixo (z – d) dá z
o
e o declive da linha reta é u
*
/ k.
As razões d/h e z
o
/h depende do espaçamento dos elementos de rugosidade e da
razão de área acumulada de cada elemento por unidade de área da superfície subjacente. O
problema da estimativa precisa de z
o
e d é aumentado devido ao fato de que os cultivos,
baixos ou altos, ajusta-se à força mecânica do vento. Algumas vezes ocorre o encurvamento,
como em cereais. Alguns cultivos tornam-se “projetados em forma aerodinâmica” devido a
força do vento.
Com o conhecimento de z
o
e d, o perfil completo do vento acima do dossel
pode ser obtido do valor de U num nível fixo ou de referência,

47

( )
( )
o
o
z d z
z d z
U
U
ln ln
ln ln
1
2
1
2
÷ ÷
÷ ÷
=
(4)

onde U
1
e U
2
são as velocidades médias para as elevações z
1
e z
2
, respectivamente (z
1
pode
ser considerado o nível de referência). É importante notar que a validade das equações do
perfil logarítimico do vento, equações (1) e (2), está sujeito a duas considerações importantes:
(1) a existência de estabilidade atmosférica neutra;
(2) d disponibilidade de ‘fetch” adequado.
6.2.1 Camada limite interna e fetch adequado
Cada campo ou característica da superfície ao variar a rugosidade ou altura das
protuberâncias, afeta o fluxo de ar que passa sobre ele. O movimento do vento após sofrer a
mudança da rugosidade da superfície começa a se ajustar às novas condições da superfície
limite (Figura 1). A camada de ar, afetada pela nova superfície subjacente, é chamada de
camada limite interna. A espessura o, da camada limite interna aumenta com o fetch ou
distância da borda, na direção do vento.
Figura 1. Desenvolvimento de uma camada limite interna quando o fluxo de ar passa de uma superfície lisa para uma rugosa, coberta
por vegetação.

Experimentos em túneis de vento e outros estudos micrometeorológicos
sugerem que somente os 10 % mais baixos da camada limite interna é totalmente ajustada,
isto é, fica em completo equilíbrio com as novas condições limites. A espessura desta camada
totalmente ajustada, o, medida acima do deslocamento do plano zero, pode ser obtida de
acordo com Munro e Oke (1975) por,

48
( )
5 / 1 5 / 4
1
1 , 0
o
z x x = 
(5)

onde x é a distância da borda, na direção do vento e z
o
é o comprimento de rugosidade da
nova superfície subjacente.

6.2.2 Velocidade do vento dentro do dossel vegetativo
São muitas as dificuldades envolvidas na descrição precisa do perfil da velocidade
do vento médio. A velocidade do vento dentro do dossel é ainda difícil de ser estabelecida.
Um bom exemplo da complexidade da estrutura do vento no dossel pode ser
visualizada na Figura 2, a qual mostra a forma de um perfil típico do vento. Campbell (1977)
considerou que o regime do fluxo dentro do dossel é dividido em 3 camadas.
1. O topo da camada (d<z<h) é a camada que exerce muito arrasto no vento acima do
cultivo. O vento nesta camada diminui exponencialmente com a distância abaixo do topo
do dossel e tem a mesma direção do vento médio acima do dossel.
2. A segunda camada (em torno de 0,1 h<z<d) está compreendida desde os galhos até a base
do cultivo. Lá, o vento pode não ter relação nem com a velocidade nem com a direção do
vento acima do dossel.
3. O perfil do vento na terceira camada (z>0,1 h) é idêntica àquela acima do dossel. O perfil

49
nesta camada é influenciado pelas rugosidades da superfície do solo ao invés das
rugosidades do cultivo.
Figura 2. Velocidade do vento acima e dentro de uma plantação. Allen,1968)

6.3 Quebra-ventos
O ambiente onde as plantas crescem nem sempre é o ideal ou ótimo para a
produtividade. Os agricultores ou horticultores, nos tempos primitivos, já tentavam encontrar
alguma forma de proteger suas planta da adversidade do ambiente natural.
Os problemas resultantes da velocidade do vento tem sido da maior
importância na determinação das características agrícolas em muitas regiões do mundo
Os quebra-ventos são também usados para outros objetivos mais específicos. O
consumo de calor em casas de vegetação é reduzido com quebra-ventos.
Pode-se observar que animais pastando procuram abrigar-se dos fortes ventos.
Isto é em resposta ao desconforto físico causado pelo resfriamento provocado pelo frio, pelo
ressecamento devido aos ventos quentes, ou simplesmente pela pressão mecânica sobre o
animal.
As plantas, também estão sujeitas ao prejuízo causado pelo resfriamento
excessivo, altas temperaturas, ressecamento e injúria mecânica.
Quebra-ventos (qualquer estrutura que reduz a velocidade do vento) e faixa ou
cinturão protetor (filas de árvores plantadas para proteção do vento) podem, por reduzir estes
estresses, ser profundamente benéficos ao crescimento de plantas.
Torna-se evidente que as árvores da faixa protetora compete com os cultivos
adjacentes nos nutrientes do solo e na água e que, os cinturões verdes podem sombrear os
cultivos próximos, o suficiente para reduzir sua produção.

6.3.1 Relações entre quebra-vento, conservação de umidade, crescimento de planta e
produção
Acredita-se que a maior influência dos quebra-ventos no crescimento das plantas,
particularmente sob condições de secas, é devido a re-distribuição e conservação de água no
solo. Nas altas latitudes o quebra-vento pode, se adequadamente planejado, ajudar a
uniformemente distribuir água e assim melhorando o suprimento de umidade do solo para os

50
cultivos. Por reduzir a velocidade do vento, a evaporação direta da umidade do solo também é
reduzida.
Atmômetros, tanques de evaporação e solo umedecido em recipiente isolado,
algumas vezes são usados para estudar a influência do quebra-vento na evaporação do solo.
Esses métodos e técnicas medem o potencial de evaporação que ocorre com a disponibilidade
irrestrita de água da superfície evaporante. Os resultados previstos são: menos vento, menos
evaporação.
Uma taxa de evaporação muito baixa, de um solo protegido, pode gerar uma
importante vantagem na manutenção de melhores condições para germinação de sementes. O
efeito do quebra-vento na evapotranspiração real é mais difícil de prever. Por exemplo,
sementes que germinam rapidamente, por causa do efeito benéfico do quebra-vento, geram
grandes plantas e ramificação de raízes mais rápida.
O aumento da área foliar diminui a importância relativa do quebra-vento na
evaporação direta do solo. Considerando que a transpiração é uma função somente da área
foliar, a água no solo numa área protegida do vento, poderia ser esgotada mais rapidamente e
a taxa de evaporação diminuiria em poucos dias. Isto pode conduzir a um desenvolvimento
mais rápido do estresse de umidade do solo, na área abrigada do vento. Assim, é possível
comparar o desenvolvimento de plantas protegidas contra o vento, com aquelas não
protegidas.
A proporção relativa da água transpirada com relação a evaporada deve
também aumentar. Tem sido discutido se há aumento da produção de matéria seca ou
produção da safra quando ocorre o aumento entre a razão de água transpirada e água
evaporada..

6.3.2 Velocidade do vento e turbulência nas áreas abrigadas do vento
O objetivo do quebra-vento é reduzir a força do vento na região protegida do
vento. Modelos do fluxo do vento em torno das barreiras são muito complexos e difíceis de
serem definidos com precisão. Plate (1971) distinguiu várias zonas, com diferentes
comportamentos aerodinâmicos na direção e contra o vento, de uma barreira em forma de
cunha.

51
Quebra-ventos variam na efetividade, dependendo de suas alturas, porosidade e
comprimento. Quebra-vento mais alto, maior será a distância da descida do vento, assim
como a subida do vento. O comprimento da zona protegida é normalmente descrita em termos
da variável h, altura da barreira.
Como mostrado na Figura 3, uma densa barreira pode proteger uma área em
torno de 10 - 15 h na direção do vento. Aumentando a porosidade, em cerca de 50 %, a
distância, na direção do vento, pode ser aumentada para 20 – 25 h (Figura 4). Este aumento da
porosidade permite a passagem do vento e previne o retorno turbulento do ar que tenha
ultrapassado a barreira.
Maior o quebra-vento, mais constante é a sua influência. Se a barreira é muito
baixa ou se tem grandes fendas nela, os efeitos dos esguichos do vento podem realmente
aumentar, mais do que reduzir a velocidade do vento e, consequentemente, o dano às plantas
será maior próximo às fendas. A efetividade do quebra-vento é também influenciada pela
estabilidade térmica: ar mais instável, maior a distância protegida na direção do vento.
Para reduzir melhor a velocidade do vento e tornar maior a influência na
direção do vento, o quebra-vento deve ser mais poroso próximo ao solo, onde a velocidade é
mais baixa. A densidade da barreira deve aumentar logaritimicamente com a altura, de acordo
com o perfil da velocidade do vento.
A redução da velocidade do vento e a redução da turbulência, por um quebra-
vento, não são relacionadas. Brown e Rosemberg (1971) descreveram modelos da velocidade
do vento e o grau da mistura turbulenta que ocorre na área abrigada.



52

Figura 3. Influência de um quebra-vento denso na razão da velocidade do vento no quebra-
vento (U
s
) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964).


53
Figura 4. Influência de um quebra-vento permeável na razão da velocidade do vento no
quebra-vento (U
s
) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964).
6.3.3 Microclima próximo ao quebra-vento
As mudanças na velocidade do vento e na turbulência que ocorrem como
resultado do quebra-vento, deve afetar o microclima da região abrigada.

1. Balanço de radiação
A radiação solar global (R
g
) e o saldo de radiação pode ser significantemente
reduzido nas áreas sombreadas por quebra-ventos. Este efeito não tem sido considerado como
importante nos sistemas de quebra-ventos orientados na direção norte-sul, uma vez que
somente pequenas áreas são sombreadas durante o dia, especialmente durante a estação de
crescimento, quando o sol está alto. Em determinadas horas do dia, a diferença no balanço de
radiação entre as áreas próximas e distantes da barreira pode ser totalmente negligenciada. Na
área leste do quebra-vento o sombreamento ocorre pela manhã, durante a tarde, o quebra-
vento refletirá alguma radiação.
Quebra-vento orientado na direção leste-oeste, por outro lado, pode ter um
efeito maior devido ao sombreamento. Áreas voltadas para o sul, principalmente durante as
estações em que o sol está mais baixo, será sombreada por longos períodos. Áreas voltadas
para o norte estarão sujeitas à reflexão do quebra-vento do começo ao fim do dia. O
sombreamento depende, certamente, da altura da barreira, da latitude, da estação e hora do
dia.

2. Temperatura do ar e umidade
É observado nos dias com céu claro que a temperatura do ar, durante o dia, é
maior próximo ao quebra-vento do que no campo aberto. Isto é devido, aparentemente, a
redução da mistura turbulenta e a consequente redução da remoção de calor sensível gerado
pela planta e pela superfície do solo. Se a evaporação é também suprimida, próximo ao
quebra-vento, a energia fica disponível para a geração de calor sensível. Quando a mistura
turbulenta é reduzida, a resistência aérea r
a
aumenta e o gradiente de temperatura é
intensificado.

54
Inversões de temperatura normalmente se desenvolvem à noite tanto no
quebra-vento, quanto na área protegida; então a planta e a superfície do solo tornam-se um
sumidouro, muito mais do que uma fonte de calor sensível. O vento mistura a camada de
inversão noturna. A redução do vento e a efetividade da mistura turbulenta, no quebra-vento,
significa que a inversão de temperatura será mais intensa próximo a ele. A não ser que
prevaleça uma calma total, o ar será mais frio à noite no quebra-vento do que no campo
aberto.
Kaminski (1968) notou que a incidência de geadas na Polônia, foi reduzida
próximo ao quebra-vento, em ambos os lados. Entre 4 e 16 horas, a incidência de geada
aumentava. O pesquisador não deu nenhuma explicação sobre este fato. A redução do
resfriamento próximo ao quebra-vento poder ter sido devido a troca radiativa com as árvores.
Possivelmente, o conteúdo de vapor d’água naquela região pode ter reduzido a taxa de
resfriamento radiativo.
Os gradientes de umidade e de vapor d’água também aumentaram no área
abrigada. O vapor d’água evaporado e transpirado não é totalmente transportado para longe
da fonte, ou seja da superfície evaporante, diferente do que ocorre no campo aberto. A pressão
de vapor permanece mais alta na área abrigada, por toda a noite, exceto durante períodos de
deposição de orvalho. Foi observado que tais gradientes de temperatura e pressão de vapor
são intensificados sob diferentes condições climáticas, com vários tipos de barreiras
vegetativas e não vegetativas, usadas para proteger diferentes tipos de cultivos.
Além do aumento de temperatura, a umidade relativa é geralmente maior
durante o dia, na área abrigada. A diferença na umidade relativa entre a área protegida e não
protegida, é maior à noite por causa da baixa temperatura do ar próximo ao abrigo.
É importante reconhecer que as diferenças microclimáticas que se
desenvolvem próximo ao abrigo, variam com a distância a partir do quebra-vento, com as
condições do tempo e com a hora do dia.

6.4 Efeito do vento no crescimento das plantas
O vento afeta o crescimento das plantas sob três aspectos: transpiração,
absorção de CO
2
e efeito mecânico sobre as folhas e ramos.

55
Experimentos controlados comprovam que a transpiração aumenta com a
velocidade do vento até um certo ponto, além do qual não se verificam modificações
significativas. O exato relacionamento entre o vento e a transpiração, entretanto, varia
grandemente com as espécies.
Em condições naturais, o efeito do vento sobre a transpiração pode variar de
acordo com a rugosidade, que é determinada pela superfície exposta. Geralmente o efeito é
maior em plantas altas e isoladas, diminuindo quando as plantas estão abrigadas umas pelas
outras e a superfície exposta é contínua e lisa.
O efeito do vento sobre a transpiração pode também variar com a temperatura e
a umidade do ar que incide sobre as plantas, podendo atingir cerca de 6 % da perda total de
água de uma cultura anual, porém com valores maiores, sob condições áridas, provocando
rápido secamento das plantas.
A fotossíntese aumenta com o suprimento de CO
2
, que por sua vez é
favorecido pela turbulência.
Altas velocidades são prejudiciais ao crescimento das plantas. A configuração
peculiar das árvores no litoral ou nas áreas montanhosas é conhecida. Folhas danificadas pelo
vento tem reduzida a sua capacidade de translocação e fotossíntese.
Em 1963, Hart, estudando cana-de-açúcar concluiu que:
- Quando somente a nervura central de uma folha foi quebrada, permanecendo o limbo
ileso, a translocação foi inibida em 34 a 38 %; a fotossíntese, medida com analisador
infravermelho, foi diminuída em 30 %.
- Quando porém, foram quebrados a nervura central e o limbo, a translocação foi reduzida
em 99 % a 100 % e a fotossíntese, acima da região quebrada, foi reduzida em 84 %. A
translocação foi medida 6 horas após a quebra da nervura e a fotossíntese no dia seguinte.
Determinações de umidade nas folhas mostraram que a inibição da fotossíntese
não foi devido a perda de água. Uma vez que as plantas não reagem da mesma maneira aos
ventos fortes, Whitehead (1957), classificou-as em três grupos:

a) as que escapam à ação do vento
São plantas comumente pequenas, cuja parte aérea não cresce acima de uma camada de
ar relativamente fina, próxima ao solo e, sendo assim, são menos afetadas pelos ventos fortes.

56

b) as que toleram os ventos
Plantas deste grupo (por exemplo, cevada) apresentaram uma marcada diminuição
da produção de matéria seca com o aumento da velocidade do vento, porém em menor
proporção do que as plantas do grupo a seguir.

c) as sensíveis ao vento
Plantas destas espécies são afetadas pelos ventos fortes de tal maneira que não
podem sobreviver. Tanto a altura da planta como a produção de matéria seca decresceram
rapidamente com o incremento da velocidade do vento.
Plantas que tenham crescido em condições de ventos fortes por um longo
período, podem desenvolver certas características fisiológicas, por exemplo, maior proporção
de raiz em comparação com a parte aérea, maior largura e espessura das folhas, etc.

57
Unidade 7: EVAPOTRANSPIRAÇÃO
7.1 Definições

a) Evaporação
É o fenômeno pelo qual uma substância passa da fase líquida para a fase gasosa
(vapor). A evaporação ocorre tanto numa massa contínua (mar, lago, rio, poça) como numa
superfície úmida (planta, solo). É um fenômeno que exige o suprimento de energia externa
sendo, portanto, um processo que utiliza essa energia externa ao sistema e a transforma em
calor latente.

b) Poder evaporante do ar
A atmosfera está em contínuo movimento, misturando e renovando o ar que
envolve uma superfície, seja esta coberta de água ou vegetação. Esta renovação dificulta que
o ar imediatamente acima da superfície se satura, mantendo o déficit de saturação e, por
conseqüência, a continuidade do processo evaporativo. Portanto, a movimentação atmosférica
mantém um poder evaporante, isto é, a capacidade de secamento da superfície. Esse
fenômeno é notado quando se estende roupa no varal e esta seca mesmo não havendo
incidência direta dos raios solares, apenas pelo efeito do vento.
Matematicamente, o poder evaporante do ar (Ea) é representado pela expressão

Ea = f(u) e A (1)

Em que f(u) representa uma função empírica da velocidade do vento (u). O déficit de
saturação ( e A = e
s
- e
a
) aumenta exponencialmente com a temperatura devido à relação entre
e
s
e T. Em condições meteorológicas normais o poder evaporante do ar aumenta durante o dia.
A função f(u) descreve uma relação positiva, geralmente linear, com a velocidade do vento.

c) Transpiração
Transpiração é a evaporação da água que foi utilizada nos diversos processos
metabólicos necessários ao crescimento e desenvolvimento das plantas. Essa evaporação se dá
através dos estômatos que são estruturas microscópicas (<50 µm) que ocorrem nas folhas (de
5 a 200 estômatos/mm
2
) e que permitem a comunicação entre a parte interna da planta e a
atmosfera. Através dos estômatos fluem gás carbônico, oxigênio e vapor d'água e que, na
maioria das plantas, permanecem abertos durante o dia fechados durante a noite e nas
condições de acentuado estresse hídrico. Estresse hídrico ocorre em duas situações:

1) quando o solo não contém água disponível às plantas;
2) quando o solo contém água disponível mas a planta não é capaz de absorvê-la em
velocidade e quantidade suficiente para atender à demanda atmosférica (poder evaporante
do ar).

A demanda atmosférica é elevada quando e A é grande e quando a velocidade do
vento também é grande. Nesse caso, e
s
é dado pela temperatura da folha, e existe uma
diferença de pressão parcial de vapor d'água entre a folha e o ar circundante. A transpiração
evita que as folhas sofram superaquecimento pela incidência direta da radiação solar, pois
parte da energia absorvida é utilizada na evaporação. No caso de deficiência hídrica, essa

58
energia não é dissipada havendo aumento da temperatura da folha com conseqüente
acréscimo em e A , daí a necessidade da planta controlar a perda d'água fechando os estômatos
para evitar secamento e morte da folha.

7.2 Efeito da advecção
Suponha uma extensa área vegetada, sem restrição de umidade no solo e
circundada por uma outra área seca (Figura 1). Sob as mesmas condições meteorológicas as
duas áreas apresentam balanço de energia distintos. Na área seca, a evapotranspiração é
limitada pelo solo e grande parte da radiação solar disponível é usada para aquecer o solo e o
ar (calor sensível). Na área vegetada a maior parte da energia é utilizada na evapotranspiração
resultando em menor aquecimento do ar. Essa situação induz o aparecimento de um gradiente
térmico entre as duas áreas. Havendo deslocamento do ar (vento)da área seca para a vegetada,
haverá transporte horizontal de calor sensível para a área úmida.

Figura 1. Efeito da advecção sobre a evapotranspiração. (Pereira et al, 1997)


Na condição suposta anteriormente, o balanço de energia vertical da superfície
vegetada é aumentado pela contribuição lateral de calor sensível da área seca adjacente. À
medida que o ar seco se desloca sobre a superfície vegetada ele vai umedecendo e resfriando,
pois há transferência de calor do ar para a superfície. Evidentemente, a contribuição lateral de
energia é maior na interface e decresce com a distância a sotavento. Na transição (área seca e
área úmida) ocorre o efeito varal, onde a evapotranspiração aumenta exageradamente. Dentro
da área úmida, à medida que se caminha na direção dos ventos predominantes, a
evapotranspiração diminui acentuadamente até um valor limite inferior que é resultante
apenas do balanço vertical local de energia. Denomina-se área tampão (área fetch, buffer
ou bordadura) à distância entre a região de transição e o ponto onde a evapotranspiração se
torna mínima (potencial). O tamanho da área tampão depende do clima da região e do porte

59
da vegetação. Vegetação mais alta e mais rugosa (arbustos e árvores) necessita de maior área
tampão.

7.3 Evapo(transpi)ração
Numa superfície vegetada ocorrem simultaneamente os processos de evaporação e
transpiração. Evapotranspiração é o termo que foi utilizado por Thornthwaite, no início da
década de 40, para expressar essa ocorrência simultânea. Anteriormente, utilizava-se o termo
uso consuntivo (Jensen, 1973), mas este considera a água retida na planta.
A evapotranspiração é controlada pela disponibilidade de energia, pela demanda
atmosférica e pelo suprimento de água do solo às plantas. A disponibilidade de energia
depende do local e da época do ano. O local é caracterizado pelas coordenadas geográficas
(latitude e altitude) e pela topografia da região. A latitude determina o total diário de radiação
solar potencialmente passivo de ser utilizado no processo evaporativo.
Quanto mais seco estiver o ar, maior será a demanda atmosférica. No entanto
existe interrelação entre a demanda pelo ar e o suprimento de água pelo solo. Resultados
experimentais de Denmead & Shaw (1962) mostram que o solo é um reservatório ativo que,
dentro de certos limites, controla a taxa de perda de água pelas plantas. Observa-se pela
Figura 2 que:
1) se a demanda atmosférica for baixa (tanque Classe A < 5 mm/d, curva A), a planta
consegue extrair água do solo até níveis bem baixo de água disponível
2) se a demanda for alta (curva C, >7,5 mm/d), mesmo com bastante umidade no solo, a
planta não consegue extraí-la numa taxa compatível com as necessidades, resultando em
fechamento temporário dos estômatos para evitar o secamento das folhas. Portanto, há
interrelação entre disponibilidade de radiação solar, demanda atmosférica e suprimento de
água pelo solo.


Figura 2. Relação entre evapotranspiração relativa (%) e água disponível no solo (%)
Adaptado de DENMEAD & SHAW (1962).

60
7.3.1 Evapotranspiração potencial
O conceito de evapotranspiração potencial (EP) foi introduzido por
Thornthwaite e aperfeiçoado em diversas oportunidades. EP corresponde à água utilizada por
uma extensa superfície vegetada, em crescimento ativo e cobrindo totalmente o terreno,
estando este em bem suprido de umidade, ou seja, em nenhum instante a demanda atmosférica
é restringida por falta de água no solo. Para Penman (1956), a vegetação deve ser baixa e de
altura uniforma. A grama foi prontamente tomada como padrão pois esta é a cobertura
utilizada nos postos meteorológicos. Assim definida a EP é um elemento climatológico
fundamental, que corresponde ao processo oposto da chuva (Thornthwaite, 1946) sendo
expressa na mesma unidade de medida (mm). A comparação entre chuva e a EP resulta no
balanço hídrico climatológico, indicando excessos e deficiências de umidade ao longo do ano
ou da estação de crescimento das culturas.
Condições realmente potenciais ocorrem 1 a 2 dias após uma chuva generalizada,
onde toda a região está umedecida e as contribuições advectivas são minimizadas,
independente do tamanho da área vegetada. Essa condição não ocorre em regiões áridas e
semi-áridas, e também nos meses de estiagem em regiões com chuvas sazonais.

7.3.2 Evapotranspiração real
Evapotranspiração real (ER) é aquela que ocorre numa superfície vegetada,
independente de sua área, de seu porte e das condições de umidade do solo. Portanto, ER é
aquela que ocorre em qualquer circunstância, sem imposição de qualquer condição de
contorno. Logo, ER pode assumir tanto valor potencial como o de oásis, ou outro qualquer. A
ER pode ser limitada tanto pela disponibilidade de radiação solar como pelo suprimento de
umidade pelo solo.

7.3.3 Evapotranspiração de oásis
O oásis é uma região vegetada em meio a um grande deserto, ou seja, é uma
pequena área com umidade disponível circundada por extensa área seca. No caso da
evapotranspiração, define-se a condição de oásis quando:
a) uma pequena área irrigada está rodeada por área seca;
b) a área tampão não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor
sensível.
A evapotranspiração, nessas condições, representa um valor exagerado pela
advecção de calor sensível e Villa Nova & Reichardt (1989) a denominaram de
evapotranspiração máxima (ETm).

7.3.4 Evapotranspiração da cultura e coeficiente de cultura
Desde o plantio até a colheita, uma cultura vai progressivamente crescendo e
ocupando a área disponível. Evidentemente, nessas condições ocorre a evapotranspiração real,
que na prática é denominada evapotranspiração da cultura (ETc). O conhecimento da ETc

61
é fundamental em projetos de irrigação, pois ela representa a quantidade de água que deve ser
reposta ao solo para manter o crescimento e a produção em condições ideais.
Sabe-se que para dar bons resultados, a irrigação deve ser bem quantificada. Caso
contrário, se as regas forem leves, insuficientes e freqüentes, repõem a água apenas nas
camadas superficiais do solo, não umedecendo toda a zona das raízes. Por isso elas se tornam
superficiais e incapazes de explorar o volume de solo disponível. Em conseqüência, diminui
consideravelmente a reserva hídrica útil do solo, prejudicando as plantas, desperdiçando
recursos valiosos e aumentando os custos da água aplicada. Irrigação em quantidades
insuficientes de água agrava os problemas de salinização do solo na zonas áridas e semi-
áridas, intensificados pelo emprego de água com alto teor de sais.
Regas excessivas também são contra indicadas, pois acarretam perdas de água e
de nutrientes, pela percolação abaixo da zona das raízes, além de favorecer a proliferação de
microorganismos patogênicos. Em casos de terrenos mal drenados, com impedimentos à
percolação, o solo ficará saturado prejudicando as raízes que poderão parecer por falta de
arejamento.
Para contornar essas dificuldades, utiliza-se estimativas da evapotranspiração
potencial (ou de referência) para gramado, corrigidas por um coeficiente de cultura (Kc).
Esse coeficiente de ajuste representa o quociente (Jensen, 1968),


ETo
ETc
Kc =

e varia com a cultura e com seu estádio de desenvolvimento, sendo apresentado em tabelas.
A evapotranspiração de referência (ETo ou ETr) é definida como o limite
superior ou a evapotranspiração máxima que ocorre numa cultura de alfafa (Medicago sativa
L.), com altura de 0,3 a 0,5 m, numa dada condição climática e com aproximadamente 100 m
de área tampão.

7.4 Determinação da evapotranspiração
Existem diversos métodos para obtenção da evapotranspiração:
a) métodos empíricos;
+ método do tanque classe A
+ método de Thornthwaite
+ método de Makking
+ método da radiação solar
+ método de Jensen-Haise
+ método de Linacre
+ método de Hargreaves-Samani
+ método de Blaney-Criddle

b) métodos aerodinâmicos;
c) métodos de balanço de energia;

d) métodos combinados que conjugam partes do balanço de energia e do transporte de
massa;
+ método de Penman

62
+ método de Slatyer e McIlroy
+ método de Penman simplificado
+ método de Penman-Monteith

e) método da correlação dos turbilhões;

7.5 Medidas da evapo(transpi)ração

a) Evaporação
+ tanque classe A
+ tanque GGI – 3000
+ tanque 20m
2


b) Evapotranspiração
+ balanço hídrico do solo
+ lisimetria

c) Poder evaporante do ar
+ Evaporímetro (ou atmômetro) de Piche

7.5.1 Lisímetros ou Evapotranspirômetros
São tanques com terra, enterrados no terreno para medir a percolação da água
através do solo e a evapotranspiração. Devem ser suficientemente grandes para ser reduzido o
efeito de borda e proporcionar bom desenvolvimento radicular, sem restrições.

a) Evapotranspirômetros de drenagem
Operam baseados no princípio do balanço de água, ou seja, mede-se a água
precipitada e a percolada; como é um processo demorado, ele é preciso para períodos mais
longos, que variam de acordo com o regime de chuva ou irrigação, a profundidade do
evapotranspirômetro e com o movimento da água. É constituído por um tanque contendo solo
tendo, na parte inferior, um filtro com 10 a 15 cm de espessura, formado de materiais com
diferentes granulações (Figura 3). Para a confecção desse filtro normalmente empregam-se, a
começar do fundo, camadas superpostas de brita, cascalhinho, areia grossa e areia fina. Na
parte inferior do tanque há um dreno, que possibilita medir a água escoada por infiltração.
Quando do início da operação, o solo do interior do evapotranspirômetro é abundantemente
regado, deixando-se escoar livremente o excesso de água pelo dreno. Isso assegura que o solo
ficou em capacidade de campo. Alguns dias depois, dependendo da rotina estabelecida, uma
lâmina de água (Ac) é colocada no tanque medindo-se lâmina correspondente ao excesso

63
percolado (Ap). A diferença (Ac-Ap) representa a lâmina de água necessária à recondução do
solo à capacidade de campo e, portanto, traduz o consumo total de água naquele período. Se
houve chuva, esta deve ser adicionada ao consumo. A evapotranspiração total (E) no período
será pois:

E = Ac – Ap + P

b) Evapotranspirômetros de lençol freático
O evapotranspirômetro de lençol freático regulável (Figura 4) é idêntico ao de
drenagem no que concerne ao tanque contendo o solo e a vegetação. A diferença fundamental
está na forma como é feito o suprimento hídrico, de maneira a manter, no fundo desse tanque,
um lençol freático à profundidade escolhida. Quando ocorre precipitação, o nível do lençol
freático torna-se superior ao previsto e o excesso de água acumulado precisa ser drenado. O
evapotranspirômetro de lençol freático regulável presta-se bem à determinação da
evapotranspiração em culturas, para o caso específico de plantas que tenham um sistema
radicular não muito profundo. O nível do lençol freático é rebaixado à medida que o sistema
radicular das plantas vai se desenvolvendo, de maneira a assegurar à vegetação pleno
abastecimento hídrico, durante todas as fases do ciclo evolutivo.

c) Evapotranspirômetros de flutuação
Nesse equipamento o tanque evapotranspirométrico, geralmente pequeno, é
flutuante e possui, em seu interior, um compartimento hermeticamente fechado que constitui
uma câmara de flutuação (Figura 5). Na porção inferior do tanque flutuante há um pesado
lastro, destinado a mantê-lo verticalmente aprumado. O tanque evapotranspirométrico fica
imerso em um cilindro com água, em cuja superfície põe-se uma fina camada de óleo, para
evitar a evaporação. A drenagem da água, que se acumula no fundo do tanque
evapotranspirométrico, é feita por uma bomba de sucção, através de um tubo, cuja
extremidade repousa na camada mais profunda do solo.

64
São mais baratos e simples que os de pesagem. Porém grandes espaços são
necessários para o líquido que mantém o tanque em flutuação. Esse equipamento consiste de
um volume de solo contido num reservatório que flutua num fluido de alta densidade, por
exemplo, o ZnCl
2
. A variação do nível do fluido num sistema de vasos comunicantes permite
determinar a variação da massa do sistema. Conhecendo-se a drenagem profunda, computa-
se a evapotranspiração




Figura 3. Esquema de um evapotranspirômetro de drenagem



65


Figura 4. Esquema de um evapotranspirômetro de lençol frático regulável.

Figura 5. Esquema de um evapotranspirômetro de flutuação.

66
Unidade 8: FENÔMENOS METEOROLÓGICOS
ADVERSOS
8.1 Geada
8.1.1 Tipos de geada
O Glossário de Meteorologia define geada como uma condição que existe quando
a temperatura da superfície terrestre e de outros objetos fica abaixo do ponto de congelamento
(0º C).
Geada de radiação ocorre nas noites claras (sem nebulosidade) e calmas, quando a
radiação terrestre emitida, perde-se no espaço, devido a ausência de nuvens e grande
concentração de vapor d’água.
Severidade da geada de radiação varia consideravelmente com as condições gerais
atmosféricas bem como diferenças locais da topografia e vegetação.
Geada branca é causada pela sublimação dos cristais de gelo sobre objetos tais
como ramos de árvores e outros, quando estes objetos estão a uma temperatura abaixo do
ponto de congelamento.
Geada negra ocorre quando a vegetação é congelada devido à redução da
temperatura do ar, que não contém umidade suficiente para a formação de gelo sobre a
superfície.
Biel (1961) diferenciou geada de radiação, que é um fenômeno essencialmente local,
da geada de advecção, que resulta do transporte de massa de ar de larga escala. A geada de
advecção é, frequentemente chamada de gelo severo.
O ar seco e frio advectado para uma região, inicia o estágio de desobstrução da fonte
de calor proveniente do solo e da planta. Similarmente, o processo radiativo contribui para a
troca de calor durante a geada de advecção.
Sob condições de geada de radiação, os ventos são normalmente suaves e, inversão
de temperatura se desenvolve quando o ar em contato com superfícies radiantes frias, tornam-
se resfriados e pesados. A geada de advecção frequentemente ocorre com ventos fortes,
inversão de temperatura não se desenvolve sob estas condições.

8.1.2 Climatologia da incidência de geada.
A extensão da estação de crescimento para qualquer tipo de cultivo é fixo (em
regiões sujeitas à geada), essencialmente pela ocorrência de geada na primavera e no outono
com temperaturas suficientemente baixas para matar o cultivo.
A data média da última temperatura mínima (0º C), na primavera e a primeira do
outono, frequentemente são usadas como medida razoável da ocorrência de geada e para
definir o comprimento da estação, livre de geada.
Em regiões montanhosas é muito difícil manter uma rede adequada de estações de
observação. Assim, longos registros de datas de geada não são disponíveis. A topografia
complica a interpretação dos limitados dados disponíveis, por causa das grandes diferenças do
desenvolvimento de temperaturas noturnas causadas por forte inversão.
Durante o mês de junho de 99, em Pelotas, foram registradas ocorrências de geada
fraca, com temperatura mínima em torno de 3,0º C; geada forte com temperatura mínima em
torno de 2,4º C e em torno de 1,2º C.

67

8.1.3 Métodos de proteção de geada
Em média, as geadas de advecção ocorrem mais cedo na primavera e mais tarde
no outono do que as geadas de radiação e a temperatura ambiente é, frequentemente, mais
baixa.
A maioria dos métodos de proteção está baseada no conhecimento das condições
que favorecem a ocorrência de geada de radiação, que são:
a) massa de ar estável e fria;
b) céu sem nuvens;
c) vento fraco ou calmaria que previne a mistura de ar próximo à superfície com o ar mais
quente acima;
d) temperatura do ponto de orvalho relativamente alta;
e) formas topográficas que favoreçam a drenagem do ar frio para as baixadas.

Dessa forma, os métodos de proteção de geada são baseados nos seguintes
princípios:

1. seleção do local;
- evitar plantio em declives, vales, etc
- proximidade de corpos de água é um importante fator por causa da brisa

2. interceptação da radiação;
- geração de nuvens artificiais injetando água no ar acima do campo, que oferecem a
possibilidade de fechar a janela atmosférica à radiação infravermelho
- formação de nuvens artificiais de fumaça

3. isolamento térmico;
- cobrir as plantas com determinado tipo de material; estas coberturas são colocadas sobre as pequenas plantas no fim da tarde e
removidas na manhã seguinte

4. mistura de ar;
- usando-se ventiladores ou helicópteros

5. aquecimento convectivo do ar;
- usando-se aquecedores (a base de óleo ou querosene) que promovem a formação de correntes convectivas, não permitindo a
formação de uma camada de inversão

6. manipulação do solo.
- usando-se cobertura morta como palha, restos vegetais, plástico agrícola e outros.

Todos os métodos citados são dispendiosos e necessitam de alguns cuidados ao serem usados ou aplicados. A seguir,
apresenta-se algumas informações com relação a situações de devem ser observadas quando for usado o sistema de aquecimento.
A utilização de vários aparelhos de aquecimento ou pequenas fogueiras tem grande aplicação por alguns agricultores. A
finalidade do método consiste na adição de calor suficiente às camadas mais baixas que se encontram abaixo da inversão, de maneira a
impedir a ocorrência de uma temperatura crítica. A Figura 1, ilustra a ocorrência de uma temperatura crítica que pode ocorrer desde 0ºC
até a temperaturas mais baixas, dependendo do tipo de cultura e do seu estágio de desenvolvimento. O aquecimento é muito eficiente
quando existem condições de uma forte inversão e de pequeno ou nenhum desvio do ar provocado pelo vento.

68


Figura 1. Área abaixo da inversão que precisa ser aquecida.

Se a combustão for bastante intensa ou de temperatura excessivamente elevada,
pode provocar a formação de um poderoso jato de ar quente que vai atravessar a inversão,
causando o efeito de uma chaminé, furando a inversão como mostra a Figura 2, determinando
a perda de calor e impulsionando ar frio para dentro da área.

69

Figura 2. Jato de ar quente atravessando uma inversão.

Na prática, o número de aquecedores é aumentado de maneira a formar mais calor
onde for necessário, tal como nas áreas mais baixas, onde houve acúmulo de ar frio. A
drenagem de ar frio (Figura 3) resulta do fato de o ar frio ser mais denso do que o ar quente
que vai, geralmente, se acumular nos lugares mais baixos. Daí a designação de “bolsões de
geada” para as áreas que permitem que o ar frio se escoe.


Figura 3. Drenagem do ar frio.

Deve ser lembrado que durante o aquecimento, sua finalidade não é aquecer todo
o ambiente, mas a área que fica abaixo da inversão, onde ocorrem as temperaturas críticas,
como mostra a Figura 4.

70

Figura 4. Temperaturas mais baixas na altura do pomar.

No caso do uso de aparelhos de aquecimento, os mesmos devem ser acesos no
momento em que a temperatura começa a diminuir, e à medida que continua a baixar, o
número de aparelhos deve ser aumentado, ou o aumento da intensidade do calor liberado.
Cada aparelho de aquecimento aquece convectivamente uma área (Figura 5).

71
Figura 5. Área aquecida por convecção.

Para impedir a ocorrência de um “efeito chaminé”, através do qual o calor se
perde para o espaço, como mostra a Figura 6, a velocidade térmica do ar aquecido pelo
aquecedor deve ser de tal ordem que o resfriamento adiabático, provocado pela expansão à
medida que o ar sobe, transfira à parcela de ar uma temperatura que se torne igual à do
ambiente, o que fará com que o ar páre antes de atingir a mais alta temperatura dentro da
inversão.

72
Figura 6. Efeito chaminé.

A emissão de um simples aquecedor deve combinar com as emissões dos outros
aquecedores de modo a produzir o desejado efeito de aquecimento.
8.2 Granizo
Dentro de todas as nuvens os processos de condensação e agregação produzem
partículas de tamanhos grandes. A precipitação ocorre quando parte destas partículas alcança
tal tamanho e se projetam para fora das nuvens e das correntes ascendentes que as sustentam.
Se as partículas são capazes de sobreviver a evaporação, que elas experimentam enquanto
caem através do ar insaturado abaixo das nuvens, a precipitação alcança o solo; caso
contrário, a precipitação restringe-se somente a parte mais próxima da nuvem, sendo
denominada de virga.
Algumas vezes a superfície do solo e outros objetos ficam cobertos por uma fina e
transparente camada de gelo, este fenômeno é chamado de “glaze” (cobertura por gelo).
Glaze forma-se quando gotas de chuva ou leve chuvisco são superresfriados; caindo
sobre os objetos eles imediatamente congelam e formam uma camada crescente de gelo. O
glaze pode ser depositado sobre a vegetação, superfície do solo, ramos de árvores, etc. O peso
do gelo pode quebrar ramos de árvores. Algumas vezes camada de gelo de considerável
espessura forma-se no solo. Na pastagem, a presença do glaze pode causar a morte do rebanho
devido ao fato de que os animais não serem capazes de triturar o gelo e alcançar a forragem.

8.3 Estiagem

73
A seca constitui um grave risco para a agricultura tanto nas regiões temperadas
quanto nas regiões tropicais. Apesar de haver várias definições do termo “seca”, concorda-se
geralmente que esta pode ocorrer sempre que o suprimento de umidade armazenada no solo
seja insuficiente para atender às necessidades hídricas das plantas. Quatro tipos de seca ou
estiagem podem ser identificados, a saber: permanente, sazonal, contigente e invisível.
Nas regiões áridas ocorre a seca permanente, onde nenhuma estação de precipitação
é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas das plantas. Em tais áreas a agricultura é
impossível sem a irrigação por toda a estação de plantio e crescimento.
A seca sazonal ocorre em áreas com estações seca e úmida bem definidas, como na
maior parte dos trópicos. Todos os anos a seca pode ser esperada, pois esta se deve às
variações sazonais nos padrões de circulação atmosférica. A agricultura praticada com maior
êxito durante a estação chuvosa ou com o uso de irrigação durante a estação seca.
A seca contingente e a invisível resultam da irregularidade e da variabilidade da
precipitação.
A seca contingente é característica de áreas sub-úmidas e úmidas e ocorre quando a
chuva deixa de cair num dado período de tempo. A seca contingente constitui um sério risco
para a agricultura devido a sua imprevisibilidade.
A seca invisível é diferente dos outros tipos porque é menos facilmente reconhecida.
Este tipo de seca ocorre sempre que o suprimento de água ou armazenamento de água no solo
deixe de ser igual às necessidades hídricas diárias das plantas. Disso resulta uma lenta
secagem do solo, impedindo um crescimento ótimo das plantações. A necessidade de planejar
a irrigação torna-se difícil porque os cultivos não murcham.
Outros tipos de seca são evidenciados pelo murchamento dos cultivos ou pela falta
de maior crescimento vegetativo.
Uma vez que a seca é uma condição na qual a necessidade de água é maior do que a
umidade disponível, os danos da seca aos cultivos em crescimento podem ser prevenidos do
seguinte modo:
- diminuindo-se as necessidades de água dos cultivos, e/ou
- aumentando-se o suprimento de água
Assim sendo, cultivos resistentes à seca, com pequenas necessidades de água para
seu crescimento e desenvolvimento, e os de curta estação devem ser plantados, evitando-se
cultivar culturas que exijam muita umidade ou longa estação de crescimento, para não
acontecer o conseqüente aumento da probabilidade de ocorrência de seca.
Certas práticas de cultivos ajudam a conservar a umidade do solo e devem ser
desenvolvidas em áreas sujeitas à seca. Por exemplo, os legumes e as gramíneas melhoram a
capacidade de retenção de água pelo solo, bem como o uso de matéria orgânica e de
fertilizantes. As ervas daninhas devem ser controladas, uma vez que aceleram a perda de água
pela transpiração, em detrimento das culturas.
Em ambientes sub-úmidos e semi-áridos a técnica de cultivo em áreas secas é
comumente praticada. Isso envolve o uso de dois ou três anos de precipitação para se realizar
o cultivo de um ano. Melhor explicando: durante os dois primeiros anos, deixa-se o campo em

74
pousio. Ele é somente cultivado para matar as ervas daninhas e criar uma estrutura
edafológica que permitirá tanta umidade quanto possível (Critchfield, 1974)
O método mais eficiente de combater a seca é através da adução de água
artificialmente ou pela irrigação. O estímulo artificial da precipitação é, no presente, um
método insignificante de combater a seca. Por outro lado, a irrigação é um método comum e
difundido com a finalidade de atender a todas as necessidades hídricas dos cultivos ou parte
dessas necessidades. Num meio árido a agricultura é possível somente com a irrigação. Em
áreas semi-áridas e sub-úmidas a irrigação aumenta a produtividade da lavoura e a duração da
estação de crescimento, tornando possível o cultivo de maior variedade de plantas. Em uma
região úmida, a irrigação ajuda a combater o efeito da seca e a aumentar a produtividade da
lavoura. Entretanto, a prática da irrigação apresenta problemas, sendo os maiores deles:
- a disponibilidade de água, superficial ou subterrânea;
- o custo da exploração e adução da água nos campos cultivados.
Há também necessidade de aplicação criteriosa da água de irrigação nas lavouras. As
necessidades hídricas das culturas em vários estágios de seu crescimento devem ser
cuidadosamente conhecidas. Enquanto a subutilização também o é, pois pode reduzir a
produtividade do cultivo e criar outros problemas. Dessa forma, a irrigação excessiva pode:
- reduzir a utilização de nutrientes pela planta por causa da diluição;
- causar a dispersão de nutrientes para fora da área de cultivo;
- supersaturar o solo com a umidade, de modo que a falta de oxigênio se torne um
problema.
Além de tudo, a irrigação é muitas vezes limitada a cara, de modo que a super-
utilização não faz sentido econômica e ecologicamente.

(Observação: texto sobre Estiagem (seca) tirado do livro Introdução à Climatologia para os
Trópicos; autor J. O. Ayoade - 5ª edição)



75
Unidade 9: FENOLOGIA
9.1 Generalidades

Os pesquisadores tentam determinar a provável duração das fases de
desenvolvimento das plantas, com o objetivo de classificá-las e distribuí-las em regiões
adequadas, na busca de maiores produções.
Os elementos do clima como radiação solar, vento, precipitação e temperatura tem
influência decisiva sobre o desenvolvimento e o crescimento das plantas. Com relação à
precipitação, sua falta pode ser suprida através da irrigação suplementar. Assim, é possível
ajustar as culturas aos locais e épocas adequadas ao seu desenvolvimento e a sua produção
econômica.
Para cada processo fisiológico e para cada tipo de planta há uma faixa térmica,
dentro da qual o processo atinge sua maior intensidade.
O estudo das inter-relações clima-planta não se baseia somente na determinação das
exigências térmicas; a disponibilidade de água no solo deve ser também considerada para que
as plantas apresentem bom desenvolvimento e tenham produtividade econômica satisfatória.
A deficiência hídrica pode não só afetar a duração do ciclo do vegetal, como também
ocasionar sensíveis danos à produtividade.
Assim, fenologia é a disciplina científica que relaciona o clima com os eventos
periódicos das plantas e animais, ou seja, é o estudo dos fenômenos periódicos da vida e suas
relações com o tempo e clima. A palavra fenologia vem do grego “fenos” (fenômeno) e
“logos” (estudo, tratado). Como consequência, temos o estudo dos fenômenos periódicos da
natureza em relação a variação anual dos elementos meteorológicos.
Estes fenômenos periódicos do ciclo vital podem ser detectáveis ou não. Os
detectáveis podem ser vistos diretamente por observação visual ou medidos por instrumentos.
Tomando como exemplo as plantas, teremos: brotação de ramos e folhas, floração, queda de
folhas e frutos, etc; nos animais teremos, a lactância, a migração, a hibernação, a queda ou
mudança do pelo, etc.
Fenômenos latentes ou fases não detectáveis diretamente por observação visual,
sendo obtidos somente por meio anatômico ou bioquímico, são considerados os seguintes: a
germinação das plântulas, desenvolvimento radicular, formação do promórdio floral,
crescimento vegetativo, etc. Na observação destes eventos se dá ênfase a data de ocorrência
dos seguintes: chegada de pássaros, data de brotação prematura ou floração, atraso na
maturação do cultivo, etc.
Desse modo, há uma fenologia dos animais, que é a zoofenologia; dos insetos é a
entomofenologia; das plantas, fitofenologia ou fenologia, como é comumente referida.

9.2 Crescimento e desenvolvimento

É necessário diferenciar crescimento de desenvolvimento. Durante seu ciclo
evolutivo, a planta sofre contínuas transformações do volume, peso, forma e estrutura, de
acordo com o momento do ciclo em que se encontre. O crescimento é verificado pelo
incremento do peso sólido ou seco do ser vivente. O desenvolvimento é caracterizado pelas
mudanças da forma, bem como pelo grau de diferenciação alcançado pelo organismo. Resulta
assim, que o crescimento é, em termos gerais, um processo quantitativo relacionado com o

76
aumento da massa do organismo, enquanto que o desenvolvimento é um processo qualitativo
e se refere às mudanças experimentadas pela planta.
Durante o crescimento dos vegetais a temperatura e a água adquirem importância
fundamental.
No desenvolvimento influem a temperatura, na acumulação de calor, as baixas
temperaturas e a duração do dia (fotoperíodo), e tudo mais, como uma interação do complexo
ambiental.
Em outras palavras, o estudo do desenvolvimento de uma planta é morfológico e
fenológico, enquanto que crescimento é geralmente fisiológico e ecológico.
Crescimento pode ser medido pelo aumento do comprimento de um ramo ou o
aumento de peso, ao passo que desenvolvimento é normalmente observado pela data de
germinação, brotação, floração, frutificação, etc.
Em geral, o ciclo de vida de uma planta anual, segundo a interpretação de alguns
autores (Azzi, 1956; White, 1966) pode ser dividido em 4 estágios e são similares para todas
as plantas anuais:

semente – vegetativo – florescimento – reprodutivo

É evidente que as exigências meteorológicas de um vegetal variam de forma
notável segundo o momento de sua evolução, por isso, torna-se imprescindível dividir sua
vida em várias etapas ou sub-períodos. As fases servem para dividir o período vegetativo em
sub-períodos.

9.3 Fenodatas

Fundamentalmente, a fenologia registra a data em que se produzem as fases e, do
mesmo modo que são traçadas as isotermas, isóbaras, isoietas, etc, na fenologia se traçam as
isofenas, que são linhas que unem pontos onde um fenômeno da natureza (fase) ocorre na mesma
data. A anotação da data em que se apresenta uma determinada fase denomina-se fenodata.
Comparando os vegetais em distintos lugares mediante as fenodatas, é possível
chegar a uma idéia do microclima do lugar, por exemplo, se em determinado lugar se produz
cacau, sem mencionar o clima, sabe-se, indiretamente que o clima é úmido e que ali não são
registradas temperaturas abaixo de 10º C; se em outro lugar crescem maçãs, deduzimos que o
inverno é muito frio.
Os vegetais reagem às mudanças climáticas do meio circundante mediante a
aparição, transformação ou desaparecimento de órgãos, brotos, flores, frutos, etc, o que se
denomina fase. Como, entre a sucessão de fenômenos meteorológicos e a sucessão das fases
nas espécies vegetais deve existir uma exata coincidência das condições climáticas, se diz que

77
as plantas, na fenologia, desempenham um papel análogo ao dos instrumentos registradores
em Meteorologia. A sensibilidade das plantas às mudanças climáticas é muito grande.
Todo valor que se afaste do valor médio correspondente a essa fase, constitui uma
anomalia fenológica. Na anomalia positiva, a fase se adianta e na negativa, ela se atrasa.
Por outro lado, a energia de fase é a força com que se produz a aparição de novos
órgãos e se mede pelo número de dias que duram desde o primeiro ao último órgão da fase.
Quanto maior a energia de fase, menor o número de dias para o desenvolvimento e vice-versa.
Na energia de floração, por exemplo, influi não somente o solo, mas também o comprimento
do dia e a umidade do solo. A seguir, é mostrado um exemplo de observação fenológica,
sendo cada fase dividida em subperíodos.

Tabela 1. Fenodatas da cultura de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.)
Estádio fenológico Data Dia do ano
Data do plantio 15/10/94 288
Emergência das plantas 22/10/94 295
Folhas primárias completamente expandidas 24/10/94 297
Primeira folha trifoliada completamente aberta 31/10/94 304
Terceira folha trifoliada completamente aberta 08/11/94 312
Aparecimento do primeiro botão floral 15/11/94 319
Aparecimento da primeira flor aberta 17/11/94 321
Aparecimento da primeira vagem 24/11/94 328
Desenvolvimento de sementes (vagem c/ comprimento
máximo)
12/12/94 346
Início da maturação (primeira vagem apresenta mudança de cor 22/12/94 356
Fonte: Souza, 1996

9.4 Observações fenológicas de plantas anuais.

Para os cultivos anuais uma ampla variedade de fatores bioclimáticos deve ser
levada em consideração: se os cultivos são de inverno, verão ou de estação intermediária;
sensibilidade à baixas temperaturas; quantidade de calor exigida; sensibilidade ao
comprimento do dia; quando irrigar e a quantidade de água a ser aplicada. Todas essas
informações são necessárias para tornar as observações mais detalhadas sobre as

78
características fenológicas particulares ou fases e órgãos que não são comuns a todas as
espécies.
Porém, a principal diferença está no fato de que as fases dos cultivos anuais
dependem da data de semeadura. Cada época diferente de semeadura capacita o cultivo a
reagir, aos vários elementos que compõem seu ambiente, de modo diferente e com diferentes
resultados os quais refletem numa sequência particular de fases, que deve ser analisada
diferentemente, de acordo com o cultivo em questão.
Uma vez plantado num determinado lugar, cultivos perenes não estão sujeitos as
variações da época de semeadura, porém reage ao ciclo do tempo de cada ano, que não varia
tão amplamente como os complexos atmosféricos, como os resultantes das diferentes épocas
de semeadura.
Nas observações fenológicas, prioridades devem ser dadas a extensão de critério
usado na interpretação da intensidade das fases. Isto, por causa da energia que cada processo
fenológico exige, quando medido pelo número de dias entre o início e complementação do
processo, indicando quando a planta tem suas exigências bioclimáticas satisfeitas.
Quanto menor o número de dias, mais satisfatoriamente a planta tem se ajustado com
as condições meteorológicas prevalecentes naquele momento. Isto pode ser chamado de
“energia de fase”, que é uma generalização do conceito de “energia de florescimento”,
introduzido por Ledesma em 1951, definida anteriormente.
Durante o ciclo da cultura do arroz (Oryza sativa L.), foram obtidos os seguintes
dados fenológicos:
a) data de plantio;
b) data de florescimento (quando 50 % das plantas se encontravam com as glumelas
das flores abertas e com os filetes e anteras expostos);
c) data da maturação (quando todas as espécies estavam com os grãos do 2/3
superiores na fase de massa dura e o restante na fase de massa semidura, ainda
“verdoengos”).

Rodrigues et al, 1999, avaliaram as características fenológicas do cultivo de arroz-
de-sequeiro, cultivar IAC 201, sob três regimes hídricos, sendo um deles o regime hídrico
natural e os outros dois, irrigação baseada no coeficiente da cultura. As características
fenológicas observadas foram florescimento pleno e ciclo da cultura. Com o aumento da
disponibilidade de água, por estádio de desenvolvimento da cultura, ocorreu uma diminuição
do número de dias para o florescimento e do ciclo da cultivar.
Houve uma diminuição do período de florescimento devido ao acréscimo da
quantidade de água fornecida à cultura do arroz. Isto mostra como as condições ambientais e
as não ambientais oferecidas as plantas alteram o seu comportamento, crescimento e
desenvolvimento.

9.5 Observações fenológicas de plantas perenes


79
Como exemplo de planta perene temos o cacaueiro (Theobroma cacao L.) que é
uma planta que atinge a altura de 4 a 8 metros de altura, apresentando tronco principal que
cresce até, aproximadamente, os 14 meses de idade. A partir dessa idade cessa o crescimento
da gema terminal, emergindo 3 a 5 ramas primárias, que dão origem às ramas secundárias.
A raiz primária pode atingir uma profundidade d 2 metros, se o solo for profundo e
bem arejado.
Em plantas perenes de crescimento intermitente, a queda de folhas geralmente segue
o ritmo de renovação foliar ocorrendo simultaneamente com o crescimento das folhas novas.
O lançamento de folhas novas é associado ao mecanismo termoperiódico. Aumenta a
amplitude térmica, aumenta o lançamento de folhas novas.
O cacaueiro se comporta como planta de floração contínua em regiões que não
apresentam diferenças sazonais de temperatura e de precipitação.
A passagem brusca de período seco para outro úmido provoca um estímulo externo
da floração do cacaueiro. A floração pode ser inibida durante épocas de deficiência hídrica no
solo, tornando-se intensificada após o reinício das chuvas.
Os frutos de cacau, que se desenvolvem nos meses mais quentes levam de 140 a 175
dias, desde a fecundação da flor até seu amadurecimento. Desse modo, os eventos fenológicos
do cacaueiro, planta perene, são os seguintes:
a) lançamento de folhas novas;
b) queda de folhas;
c) floração;
d) produção de frutos maduros;
e) incidência de pecos.

O peco do cacaueiro é caracterizado pelo amarelecimento dos frutos jovens que
murcham e adquirem coloração marrom. Dois tipos de pecos são identificados: o de origem
externa ou biótica, causada por ataque de fungos ou insetos; e o de origem interna ou
fisiológica, resultante de distúrbios metabólicos da própria planta. Provavelmente o peco
fisiológico do cacaueiro tem mecanismo semelhante ao da queda de frutos jovens de algumas
árvores frutíferas como a laranjeira, o abacateiro, a macieira, o coqueiro e outras.
De modo geral, o registro fenológico de plantas perenes consiste dos seguintes
passos:
a) florescimento e maturação dos frutos;
b) brotação e crescimento de ramos;
c) mudança da cor das folhas e dos frutos antes da maturação;
d) queda das folhas e dos frutos.

Em áreas de regime climático estável, onde os processos fenológicos seguem um
modelo ajustado às condições meteorológicas, somente momentos representativos das fases
serão observados, por exemplo: o início da brotação, do florescimento, clímax da maturação

80
do fruto, clímax da queda de folhas, etc, datas que são usadas para a compilação de boletins
fenológicos ou para a caracterização bioclimática das estações do ano por meio de plantas
especialmente selecionadas.
Naquelas com regime climático variável, onde o modelo fenológico e suas fases são
interrompidas por fenômenos do tempo, é essencial conduzir observações simultâneas do
estágio de desenvolvimento de todas as fases visíveis de uma planta individual.

9.6 Estação de crescimento

Várias variáveis meteorológicas são testadas para verificação da influência na
determinação do período de crescimento de um vegetal. Godoy (1960) testou cinco épocas de
plantio (com 10 variedades de arroz) e determinou parâmetros de crescimento e produção de
grãos. Utilizando variedades precoces e tardias, constatou que, para todos os cultivares, o
atraso na época de semeadura acarretava antecipação na época de florescimento, indicando
sensibilidade ao fotoperíodo. Isto porque o arroz é influenciado, de forma muito variada, pela
duração do dia. Algumas vezes pode ser relacionada à temperatura do ar, principalmente
aquelas abaixo de 15ºC durante quatro dias. Também pode ser considerada como
influenciável no crescimento de uma cultura a temperatura da água de irrigação, intensidade
da luz, umidade atmosférica, e outras.
Souza, 1989, determinou a estação de crescimento utilizando o método de Frére e
Popov, o qual estabelece que o início da estação acontece quando a precipitação atinge 50 %
da evapotranspiração potencial e não se registram períodos secos na semana seguinte.
Analogamente, o término da estação de crescimento é determinado como sendo a semana em
que a precipitação se reduz a metade da evapotranspiração potencial.










81


Bibliografia consultada.

RODRIGUES, R.A.F. et al. Características fenológicas, acamamento e produtividade da
cultura do arroz-de-sequeiro (Oryza sativa L.) conduzida sob diferentes regimes hídricos.
In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA, 11, 1999. Florianópolis.
Anais...Florianópolis: SBA, 1999.

SCERNE, R.M.C. Estudo agroclimático do cacaueiro (Theobroma cacao L.), em Belém, PA.
Viçosa, 1988. 64p. Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de
Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Viçosa.

SOUZA, A. Avaliação agroclimática para o manejo da cultura do arroz (Oryza sativa L.),
para as microrregiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Viçosa, 1989. 91p.
Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de Engenharia Agrícola,
Universidade Federal de Viçosa.

SOUZA, J.L. Saldo radiômetro com termopilha de filme fino e aplicação no balanço de
radiação e energia em cultivo de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.) com e sem
cobertura de polietileno. Botucatu, 1996. 172p. Tese (Doutorado/Energia na Agricultura) -
Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista.


82
Unidade 10: TÓPICOS ESPECIAIS
10.1 AMBIENTE PROTEGIDO
Ambiente protegido é aquele que propicia um microclima adequado ao
desenvolvimento vegetal. Ele pode ser coberto com vidro ou plástico e são comumente
chamado chamados de estufas ou casas de vegetação.
No início do século 19, foram feitos estudos sobre a forma ideal de um ambiente
protegido, cujo material de cobertura seria o vidro, e foi observado que uma cobertura
hemisférica proporcionaria transmissão máxima da radiação. A partir daí, vários estudos
relacionados com a estrutura, forma e material de cobertura forma desenvolvidos com o
objetivo de minimizar os custos e proporcionar condições próxima do ideal para as plantas.
As estufas variam no tamanho e no tipo, de modo a satisfazerem um grande número
de necessidades dos agricultores. Podem ser climatizadas ou não. As do primeiro tipo são
usadas em regiões de clima muito frio, onde as baixas temperaturas não permitem o
desenvolvimento das plantas, contando somente com o calor armazenado dentro delas devido
ao efeito estufa. É necessário o uso de equipamentos que controlem a temperatura, umidade
relativa do ar e ventilação. Normalmente, são utilizadas para culturas sensíveis, como flores,
quando requerem faixas mínimas de tolerância relativa ao ambiente.
Essas estufas climatizadas são desenvolvidas de tal forma a permitir um alto
percentual de automatização dos equipamentos, para que se consiga um grande controle
ambiental. Devido a todas as exigências que as cercam, são construções dispendiosas e por
isso só devem ser empregadas em situações especiais.
As estufas não climatizadas são construções simples, baratas e geralmente
construídas pelos próprios agricultores. Não dispõem de equipamentos de calefação. O
controle do ambiente é feito pelo manejo das aberturas e cortinas. O calor quando desejado é
obtido pelo efeito estufa. São utilizadas em clima quente e ameno e restringem-se à culturas
menos sensíveis, como hortaliças e outras, e alguns tipos de flores.
Dificilmente se consegue manter as condições do ambiente, durante todo o tempo,
dentro da faixa ideal exigida pela cultura.
Um efeito que ocorre no interior de um ambiente protegido é o chamado efeito
estufa. A radiação solar de onda curta consegue passar pela cobertura plástica ou pelo vidro, é
absorvida pelo solo contribuindo para elevar a sua temperatura. Qualquer superfície
aquecida, como o solo, emite radiação sob a forma de onda longa, que sob a forma de calor
vai aquecer a atmosfera adjacente ao solo. Esse calor, dentro do ambiente protegido, é
transferido para camadas mais superiores, não sendo totalmente perdido devido ao anteparo
que é a cobertura plástica, ou de vidro. Por esse motivo, tem-se um ambiente sempre quente,
algumas vezes com temperaturas elevadas.

10.2 MODELOS DE ESTUFAS
Sempre que se pretenda se adquirir uma estufa, deve-se ter em mente o espaço
disponível para sua construção e, o tamanho adequado à espécie vegetal que será plantada.
As estufas devem ser completamente revestidas com chapas de vidro e podem ser
construídas em tijolos até determinada altura. Se o cultivo da maioria for realizado em vasos,
é essencial a existência de bancadas, podendo então, a área destinada à colocação das
mesmas ser de qualquer material sólido e relativamente denso.

83
Os fatores de maior importância na escolha do modelo da estufa são a facilidade de
acesso e a transmissão da luz, bem como a estabilidade e a durabilidade.
Os diferentes modelos de estufas, surgiram ao longo do tempo, por diversos fatores,
cada qual aliado a uma série de exigências que podem ser entendidas pelas características da
cada um. Os modelos mais conhecidos são:

a) Capela – tem estrutura semelhante a um galpão ou aviário, com duas abas da cobertura
inclinadas, formando um triângulo.

b) Pampeana – é a evolução da estufa capela. A única diferença da estrutura é o telhado em forma de arco. Tem maior resistência ao
vento.

c) Belle Unión – esta estufa leva o nome da cidade onde se originou, que fica no Uruguai,
próxima à divisa com o Brasil. A parte correspondente ao telhado, lado norte, tem
inclinação quase perpendicular aos raios solares, cuja orientação é mais inclinada no
inverno.

d) Londrina – é construída basicamente de esteios e arames. A água da chuva penetra no interior da estufa, em locais determinados pela
própria origem do projeto.

e) Dente-de-serra – este modelo de estufa é muito adotado na Europa e nos Estados Unidos. O que diferencia esse modelo de estufas das
outras é o telhado, semelhante aos dentes de uma serra. Sua construção deve ser no sentido da direção dos ventos predominantes, com a

84
parte semelhante aos dentes de serra voltada para o lado contrário da incidência maior de vento. Sua utilização fica restrita aos cultivos
não exigentes a luz.

f) Arco – oferece grande resistência ao vento. O teto abaulado obtém um excelente
aproveitamento da luz solar.

g) Espanhola – a estufa espanhola se desenvolveu em grande escala na costa da Almeria, sul da Espanha. Como a precipitação da região é
muito baixa, a parte superior da estufa é plana. Pode ser construída com maior caimento para facilitar o escoamento da água da chuva.


10.3 ORIENTAÇÃO DE UMA ESTUFA
Ao se construir uma estufa, a recomendação é que deve-se observar a orientação
dos ventos predominantes, ou seja, a construção nunca deve ser perpendicular à direção do
vento, e sim, construída no sentido da sua direção (Figura 1). Mas, para se obter a máxima
vantagem da radiação solar, principalmente no inverno, a estufa deve ter seu eixo maior na
direção leste-oeste. Esta posição reduz a um mínimo o sombreamento das vigas da estrutura.
No final da década de 40, as pesquisas foram voltadas para verificar qual a melhor
orientação; e em 1957, foi evidenciado que estufas orientadas na direção leste-oeste eram
mais eficientes na transmissão da radiação solar, e até nos dias atuais, esta orientação tem sido
amplamente adotada (Harnett et al, 1979). É importante que o formato do teto e o material
usado para cobertura obstrua o mínimo possível a radiação solar global, no período de menor
incidência.

85
Os pesquisadores citados no parágrafo anterior, mediram a radiação solar global em
quatro tipos de estufas cobertas com vidro, sendo duas com múltiplos-vãos, orientadas nas
direções leste-oeste e norte-sul; outra no estilo convencional (chamada de Bella Unión, no
Brasil); e uma quarta estufa com teto no estilo água-furtada (com janelas no teto), sendo as
duas últimas orientadas na direção leste-oeste. As transmissões da radiação solar das estufas
foram comparadas e os resultados confirmaram que o alinhamento leste-oeste teve melhor
desempenho do que o norte-sul, tanto para estufas com múltiplos-vãos quanto para vão
simples. Além disso, houve vantagem, em termos de produção, do cultivo de tomate e de
pepino.


86
Figura 1. Orientação de uma estufa de acordo com os ventos predominantes.


10.4 MEDIDA E COMPORTAMENTO DAS VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS

 Transmissividade
Avaliação da transmissão da radiação solar em estufas com orientações diferentes
tem merecido destaque nos estudos sobre as complexidades da transmissão da radiação solar e
seu aproveitamento pelos cultivos.
Edwards, citado por Critten (1993), calculou a transmissividade da radiação solar, no
período de 1957 a 1961, em estufas com vãos simples e orientações diferentes. A transmissão
da radiação solar foi 48 % para a orientação norte-sul, e entre 55 % e 65 %, para a orientação
leste-oeste.
Para estudar a intensificação da transmissividade da radiação solar, Li et al (1995)
alteraram algumas partes de duas estufas. Na primeira, colocaram material transparente em
uma das paredes e no teto, e verificaram que a transmissividade aumentou 6,1%, no início do
inverno e 3,2 % a 12,6 %, na primavera e verão. Na segunda estufa, usaram um refletor
aluminizado, posicionado verticalmente, da cumeeira até o solo, e comprovaram a
contribuição da radiação refletida. Houve um aumento de 37 %, no início do inverno e 23 %,
no final.
A radiação solar incidente, medida a partir de julho de 91 a janeiro de 92 por
Buriol et al (1995) objetivou o cálculo da transmissividade em estufas de polietileno de baixa
densidade, com 100 um de espessura. A transmissividade variou de 56,2 %, no início da
manhã a 81,3 %, em torno do meio-dia.
Assis, 1998, concluiu que a transmissividade da radiação solar global dentro das
estufas variou na faixa de 55 % a 77% na orientação norte-sul e entre 66 % e 78 %, na leste-
oeste, sendo que durante 11 meses a orientação leste-oeste transmitiu acima de 70 % da
radiação global, como mostra a Figura 2.

87
Dez95 JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNov Dez96
50
55
60
65
70
75
80
85
90
95
100
ESTUFA LESTE-OESTE
ESTUFA NORTE-SUL
T
R
A
N
S
M
I
S
S
I
V
I
D
A
D
E

(
%
)

Figura 2. Transmissividade da radiação solar em estufas com orientação leste-oeste e norte-sul

 Radiação solar
De modo geral, as curvas se mantiveram distantes até setembro, após,
distanciaram-se novamente, devido à superioridade dos valores de energia da estufa leste-
oeste sobre a norte-sul, entre 4% e 15%. A média mensal da energia global variou entre 13,20
MJ.m
-2
e 20,48 MJ.m
-2;
; 9,84 MJ.m
-2
e 15,96 MJ.m
-2
; e 8,37 MJ.m
-2
e 14,89 MJ.m
-2
, para a
global externa, estufa leste-oeste e estufa norte-sul, respectivamente.
Na estufa leste-oeste, a energia foi superior a obtida na estufa norte-
sul, entre 3 % e 25 %. As diferenças maiores foram observadas entre os meses de março e
agosto, período em que o sol apresenta baixos ângulos de elevação solar e neste período, a
orientação leste-oeste apresentou-se mais vantajosa do que a norte-sul. A média anual da
estufa leste-oeste representa 74 % da energia externa, e a da norte-sul, 65 %.
Dez5 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez6
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
Gex EST.L.O EST.N.S
E
N
E
R
G
I
A

M
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N
A

E

E
X
T
E
R
N
A

(
M
J
/
m
2
)


88
Figura 3. Variação anual da energia solar global externa e interna

 Radiação difusa
As curvas representativas da variação anual da energia mensal difusa,
medida dentro e fora das estufas, seguem o mesmo comportamento da energia mensal global.
O valor mínimo externo ocorreu em julho e nas estufas, em junho. Na estufa leste-oeste,
durante este período, a energia difusa, em média, representou 96 % da difusa externa,
enquanto que na estufa norte-sul este percentual foi, aproximadamente 94 % da difusa
externa.

Dez/95Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out NovDez/96
2
3
4
5
6
7
8
9
10
DIF.EXT. DIF.LO DIF.NS
E
N
E
R
G
I
A

M
É
D
I
A

M
E
N
S
A
L


(

M
J
/
m
2
)

Figura 4. Variação anual da energia solar difusa externa e interna.



 Albedo
Na Figura 5, estão as curvas correspondentes ao albedo. No início do ciclo, o albedo
médio diário apresentou valores em torno de 0,16, 0,13 e 0,22 nas estufas leste-oeste, norte-
sul e externo, respectivamente. Entre os 5
0
e o 10
0
dias, houve um decréscimo do albedo
devido a ocorrência de precipitação (71,5 mm). Valores mais altos foram atingidos 15 dias
após o transplantio da alface, quando o solo já estava parcialmente coberto pela cultura, e no
decorrer do desenvolvimento houve um aumento gradativo. O albedo da estufa leste-oeste foi
maior do que o da norte-sul durante quase todo o ciclo.

89
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60
0,00
0,05
0,10
0,15
0,20
0,25
0,30
0,35
0,40
0,45
0,50
ALB.LO ALB.NS ALB.EXT.
A
L
B
E
D
O
DIAS DO CICLO

Figura 5. Variação do albedo durante o ciclo da cultura de alface, variedade Elisa.

 Saldo total de radiação
As curvas da Figura 6 representam o saldo entre as radiações de onda curta e de
onda longa. No período noturno não se observam diferenças entre os valores internos e o
externo; já durante o dia, as curvas representativas do saldo total externo e da estufa leste-
oeste confundem-se, ou seja, os valores são muito próximos.
Figura 6. Saldo total de radiação solar em estufas com orientação norte-sul e leste-oeste.



0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
Saldo total externo
Saldo total norte-sul
Saldo total leste-oeste
S
A
L
D
O

T
O
T
A
L


D
E

R
A
D
I
A
Ç
Ã
O

(
M
J
/
m
2
)
Tempo (h)

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Unidade 1: INTRODUÇÃO
1.1 Objetivo da Agrometeorologia A definição da Agrometeorologia segue diretamente daquela consideração fundamental da biologia moderna, na qual o organismo e seu ambiente formam uma dialética. A Agrometeorologia é a ciência que interage com as características físicas do ambiente onde estão crescendo plantas e animais; é relacionada com o estudo dos processos físicos que ocorrem neste ambiente e também com o aproveitamento e influência destes processos físicos na agricultura. É uma combinação de ciências físicas e biológicas e existe uma valiosa ligação entre elas. No seu sentido mais amplo, é aquele ramo da meteorologia aplicada que investiga as respostas dos organismos vivos ao meio atmosférico. Nas décadas recentes o uso da meteorologia na agricultura foi aumentando. Isto tem sido devido, largamente, aos estudos de laboratório, casa de vegetação e de campo, nos quais as respostas biológicas tem sido medidas sob condições controladas. A Agrometeorologia inclui o estudo da energia solar, composição e intensidade da radiação solar, métodos de medida da radiação solar recebida pelos cultivos agrícolas . Também estuda a atmosfera, particularmente a camada em que as partes aéreas das plantas crescem e se desenvolvem e, é de grande importância a questão do regime térmico, desta camada, e sua relação com àquela da camada superficial ao solo. De igual importância são os movimentos verticais e horizontais do ar nesta camada da atmosfera, bem como seu teor de umidade e formação de vários hidrometeoros . Não só auxilia ao estudo da camada da atmosfera mais próxima do solo (primeiros 2 metros), como também existe a preocupação em encontrar métodos que alterem alguns processos físicos a fim de combater condições desfavoráveis do tempo como geadas, secas, ventos fortes e outras. O principal objetivo é melhorar a produção agrícola pela previsão mais precisa e pelo controle do meio atmosférico. A previsão pode variar desde as estimativas dos rendimentos das culturas e a sua qualidade, por um lado, até a estimativa da produção pecuária e os azares climáticos, por outro, passando pelo controle das enchentes e a regulação da temperatura dos estábulos e de outras instalações para animais. No sentido estrito, a Agrometeorologia pode ser definida como o estudo dos processos físicos na atmosfera, que produzem o tempo bem como suas relações com a produção agrícola. É uma ciência horizontal, a qual aplica a física do ar atmosférico e do solo à agricultura. De fato, muitos investigadores neste campo acreditam que as investigações sobre o microclima das plantas e animais, assim como as estatísticas dos elementos do tempo, são propriamente assuntos da meteorologia agrícola. Entretanto, nós enfatizamos o estudo das respostas dos organismos vivos ao meio atmosférico, porque esta é a ligação entre a meteorologia e a agricultura, e é o aspecto fundamental do assunto. Os organismos vivos estudados na meteorologia agrícola são restritos as plantas cultivadas, ao gado e as aves domésticas, aos insetos e ao microorganismo de importância econômica. Nesse caso, o objeto de estudo da meteorologia agrícola é relacionado, principalmente, com as relações quantitativas entre o meio atmosférico e as respostas biológicas das espécies vegetais cultivadas e animais domésticos. Outra importante tarefa da Agrometeorologia é estudar o solo, considerando a aeração, regime térmico, balanço de umidade da camada mais superficial em relação a sua composição,

2

clima local e sua influência na formação do solo, e outros fatores. Uma interação com as medidas agronômicas inclui a retenção de neve, uso de cobertura morta, uso de máquinas agrícolas para lavrar a solo, irrigação e outras. Outros assuntos relacionados com a Agrometeorologia são: desenvolvimento de zoneamento agrícola; exploração e uso racional do solo, incluindo solos desnudos e plantados em regiões montanhosas e planas. A Agrometeorologia não deve ser confundida com a Meteorologia Geral que estuda a atmosfera como um todo, sendo uma das suas maiores tarefas, a previsão do tempo. Existem diversas aplicações das técnicas meteorológicas às operações de campo. Alguns exemplos importantes: 1. A previsão e proteção contra geadas; 2. Os avisos contra fogo nas florestas; 3. Planejamento da irrigação; 4. Os calendários de plantio e colheitas; 5. A seleção de lugares para as culturas; 6. Controle de insetos; 7. Controle de doenças; 8. Modificações microclimáticas, como a utilização da prática de quebra-ventos. Grande número de experimentos tem sido feitos no campo aberto, numa tentativa de melhorar a produção agrícola. Entretanto, esses experimentos são complicados devido a vários fatores do ambiente físico. Novas teorias metodológicas e instrumentos necessitam ser desenvolvidos, para sobrepujar as limitações da pesquisa no campo natural. 1.2 Importância do tempo e do clima para produção agrícola A agricultura é o manejo dos recursos naturais visando a produção das plantas para satisfazer as necessidades do homem. A produção das plantas pode ser usada diretamente para alimentação como no caso de frutas e hortaliças, ou pode ser convertida através dos animais em produtos como ovos, leite, carne, etc. ou usada para propósitos industriais como a juta. A agricultura é dependente da interação de todos os atributos dos recursos da terra com os atributos do homem. Os vários campos das ciências aplicadas que tem sido desenvolvidos pelo homem para estudar as várias limitações impostas pelos recursos figuram na Tabela I. A maioria dos problemas agrícolas requer os conhecimentos de mais de uma ciência para obtenção da melhor resposta agrícola, e equipes de trabalho são necessárias para a ciência agronômica. Como o crescimento das plantas é o centro de objetividade de agricultura, é o agrônomo que comumente age como integrador dos vários cientistas. Tabela 1. Recursos da Terra e os atributos do homem Recursos da Terra Ciências aplicadas ao seu manejo na agricultura Clima Agrometeorologia, agroclimatologia Topografia Conservação do solo Solo Fertilidade do solo, física do solo Vegetação Agronomia (incluindo silvicultura) fitopatologia Animais Entomologia, zootecnia Água Hidrologia – irrigação, drenagem RECURSOS HUMANOS

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parecia que a Terra poderia ser o provedor inesgotável dos recursos naturais. a produção desta cultura. A radiação solar. terrestre e atmosférico. Não se pode mais aceitar . o solo tem sido mais bem estudado e é melhor compreendido do que o clima. Entretanto. Para melhorar esta tecnologia moderna. deve ser alimentada em níveis mínimos aceitáveis. entretanto. os métodos presentes de exploração agrícola estão começando a prejudicar o ambiente. As florestas são destruídas. Se a produção mundial. a amplitude diária de temperatura. a produção mundial de alimentos precisa ser aumentada. tem provado ser inadequada como guia para a introdução de plantas ou o planejamento do uso da terra. adequada para condições climáticas locais. Até que a interação do complexo climático com o processo físiológico da cultura seja entendido. tenha sido selecionada pelos agricultores muito antes do desenvolvimento da moderna ciência da climatologia. Climáticos  Radiação Comprimento de onda 4 . que não pode ser abandonada. a população cresceu e a industrialização se expandiu. as perdas agrícolas e pastoris minimizadas. a falta de um conhecimento detalhado das relações das plantas com o clima tem prejudicado o planejamento inteligente do uso da terra em uma escala maior. exceto em escala muito reduzida. os solos erosionados. permanece no empirismo. o ar. os depósitos minerais exauridos e o ar e a água se tornam cada vez mais poluídos. o solo. Embora a localização de muitas regiões agrícolas. da sua constituição genética e das condições ambientais do solo e do clima. água). e a eficiência da produção agrícola melhorada. ar) e após mude-se para outra região para novos assaltos ao ambiente. e caso não sejam tomadas providências eles se tornarão um ambiente impróprio à vida. Uma razão para o lento progresso da meteorologia agrícola é o pensamento generalizado de que o conhecimento das relações entre o clima e as plantas são de pouco valor prático. a agricultura torna-se dependente dos seguintes fatores do meio vegetal. Embora o homem não seja ainda capaz de mudar o tempo e o clima. e por exemplo o trigo no Planalto Gaúcho ou a região arrozeira no litoral do Rio Grande do Sul. nós estamos preocupados com as limitações da Terra. A climatologia pode contribuir para solucionar o problema de escolha dos lugares para uma dada cultura ou de uma dada cultura para um lugar. a água. A prática comum de definir as chamadas analogias climáticas. clima. Em geral. para o seu crescimento e desenvolvimento. ele é capaz de ajustar as práticas agrícolas ao clima.Mão de obra Sociologia Capital Economia Tecnologia Engenharia Os recursos naturais não são ilimitados. água. e cada vez mais. de outras maneiras. hoje em dia. precisamos conhecer cada vez melhor o ambiente que usamos (solo. a evapotranspiração. que o homem explore os recursos naturais de uma área ou região (solo. primeiramente em termos de médias mensais de temperatura e precipitação. Desse modo. os agricultores conhecem mais sobre o manejo do solo do que como explorar corretamente os recursos climáticos. Anos atrás. As plantas dependem. A empresa agrícola moderna não mais realiza esta prática. sob condições de população escassa e exploração industrial mínima. Como um fator ecológico na agricultura. em crescimento. o balanço hídrico e outras variáveis meteorológicas precisam ser completamente analisadas antes de estabelecermos um planejamento para obter o máximo retorno econômico em função de determinado regime climático.

em dada propriedade agrícola. Como as plantas são imóveis. Isto envolve a integração de todos os recursos para obtenção dos máximos rendimentos. Fatores bióticos e o homem em particular tiveram um papel muito importante nesta distribuição.Intensidade Fotoperíodo e outros ciclos  Temperatura do ar Temperatura do solo  Vapor de água Quantidade  Evaporação e Transpiração  Nuvens  Precipitação  Umidade do solo  Vento Freqüência Velocidade Direção Quantidade Freqüência Edáficos  Solo  Propriedades químicas Geográficos  Gravidade  Latitude  Longitude  Altitude Topográficos e outros Cada local na superfície da Terra possui sua combinação particular de recursos naturais. 1. Qualquer sistema agrícola que deva ser desenvolvido além da agricultura de subsistência deve colocar sua ênfase na Economia para obter-se máximos retornos dos investimentos em capital e mão-de-obra. Finalmente devemos chamar a atenção para a grande importância da Ecologia na Agricultura. depende do manejo do conjunto dos recursos naturais da propriedade. a prática da agricultura.3 Crescimento e desenvolvimento de plantas cultivadas 5 . e para atendê-la temos de conhecer a história econômica e social de uma determinada cultura. A distribuição atual das plantas cultivadas não é tão ligada com as condições de solo e clima como poderia ser esperado.

frutificação. Entre as visíveis temos a emergência. Exemplo de fases visíveis e invisíveis: a maioria das fases e sub-fases de uma planta são reconhecíveis morfologicamente. o crescimento implica em mudanças quantitativas. o estudo do desenvolvimento de uma planta. por outro lado. o empendoamento do milho a floração das ervilhas. 6 . mas algumas não são aptas de serem vistas à olho nú. todo o ciclo de vida. são problemas de desenvolvimento e não de crescimento. Ao examinar-se a curva de crescimento de um vegetal. etc. observa-se um período inicial de crescimento lento. enquanto que o estágio formativo do milho deve ser medido indiretamente pela contagem do número de folhas e altura das plantas. o descanso invernal das plantas. O crescimento inicial lento ocorre porque a planta depende das reservas da semente para a produção de seus órgãos. dentro do intervalo de tempo de uma certa fase ou de toda a vida da planta. a primavera e o início do verão). como por exemplo. etc. indica o progresso de uma série de mudanças qualitativas. Entre as que não podem ser vistas podemos citar o estágio formativo do milho. Depende do órgão (da espécie do órgão). através de todos os estágios. o ganho de peso. e de difícil definição. até a morte. Os fisiologistas consideram o crescimento um fenômeno complexo. é morfológico e fenológico (fenologia é o estudo dos acontecimentos periódicos da vida). mas o crescimento é geralmente fisiológico e ecológico. Por exemplo: o florescimento da planta é desenvolvimento. a maturação da ervilha pode ser medida com o tenderômetro. a multiplicação das células. a quebra de dormência das sementes e gemas. seguido de um rápido aumento de tamanho. o aumento em dimensões. a investigação das relações entre o meio e o desenvolvimento. Por último. culminando. os processo anabólicos dependentes da fotossíntese se intensificam e resultam num crescimento rápido e eficiente. Essa curva de crescimento representa. com uma parada no processo (Figura 1). a planta inicia a fase de senescência. ela representa o crescimento durante uma época do ano (em regiões temperadas. No que se refere às mudanças na composição química e física da planta. etc. após o desenvolvimento do sistema radicular e a emergência das folhas. para plantas anuais. O desenvolvimento. Destas. que se toma como medida de crescimento. Para plantas perenes. floração. o desenvolvimento é usualmente observado pela data de germinação. porque o crescimento compreende aspectos como: a reprodução. ao atingir o tamanho definitivo. Crescimento se refere a um aumento em peso ou volume de um certo órgão de uma planta como um todo. Conclui-se que o crescimento pode ser medido pelo aumento de comprimento de um ramo ou aumento de peso. mas não em profundas mudanças qualitativas. Uma vez que esses são problemas essenciais em agricultura. Em seguida. constituem importante trabalho de pesquisa. que se reflete inicialmente na paralisação da produção de matéria orgânica. enquanto o alongamento de um ramo é crescimento. Entretanto. algumas podem ser medidas com instrumentos. Na prática agrícola. finalmente. brotação. Desenvolvimento é o aparecimento de uma fase ou de uma série de fases durante o ciclo vital da planta.É necessário diferenciar “crescimento” de “desenvolvimento”. Em outras palavras. o estágio de rápido crescimento da ervilha e a maturação da ervilha.

todo ecossistema consta de quatro elementos principais: a) substâncias abióticas. ou seja.4 Ecossistemas e cadeia nutritiva As plantas. denomina-se ECOSSISTEMA ou sistema ecológico. Constituem comunidades bióticas. nutrientes. formada pelo habitat (condições físicas) e pelos organismos que ocupam. etc) e quantidade de alimento disponível. 7 . animais e outros organismos não vivem só na natureza. O tamanho de uma população pode variar dependendo da quantidade de predador e parasita encontrados nessa população. A comunidade biótica é uma unidade funcional mantida unida por uma interdependência entre seus membros. capacidade de retenção de água. Exemplos de ecossistemas: lagos. Componente biótico – é aquele em que há a participação de organismos vivos. O ecossistema tem dois componentes: 1. A dinâmica total da comunidade ecológica. pH. b) produtores de alimento. c) consumidores.Figura 1. etc. Representação gráfica do crescimento de um vegetal. etc) e fatores edáficos (solo. Desse modo. No ecossistema os organismos e o habitat estão interrelacionados. pluviosidade. d) desintegradores dos compostos complexos de protoplasmas mortos e que produzem substâncias simples para os produtores. temperatura. o predatismo e o parasitismo. bosques tropicais chuvosos. fatores climático (luz. ventos. 2. 1. Componente abiótico – como componente abiótico tem-se os processos físico-químicos do meio. uma cultura de milho. por exemplo.

pertencem ao mesmo nível trófico. passo à passo. somente uma pequena parte é transformada em energia potencial. fungos e outros). faz com que uma grande parte dela seja degradada na forma de calor. Referências Bibliográficas ARIZA. os carnívoros secundários ao 4º nível. os carnívoros que comem herbívoros ao 3º nível. Por causa das perdas de energia. 312p. qualquer sistema natural fechado. Quanto mais curta a cadeia. Ecologia objetiva. para restabelecer outra pequena parte como energia química potencial de protoplasma novamente formado. Os organismos que obtém seus alimentos dos plantas mediante o mesmo número de etapas. 1985. 8 . c) saprófita: da matéria morta aos microorganismos. S.190p. Cadeia nutritiva é a transferência da energia nutritiva desde sua origem. Tradução: Israel Program for Scientific Translations. Toda cadeia alimentar começa com o produtor e termina com o decompositor (bactérias. 225p. E. São Paulo: Nobel. Prudentemente dirigidos. Neste princípios que se baseia o estudo dos problemas ecológicos das cadeias nutritivas e do conceito de produtividade. etc. VITKEVICH. A transferência. Um animal recebe energia química potencial (alimento e converte grande parte dela em calor). Agricultural Meteorology. através da série de organismos que comem e são comidos repetidamente. é usualmente limitado a quatro ou cinco. Fisiologia Vegetal: teorias e experimentos. É uma forma de má exploração dos recursos naturais que destrói o equilíbrio do ecossistema natural. 1998. pois o homem ocupa uma importante posição no final de várias delas. V. SAMPAIO. a maior parte é dispersada na forma de energia calorífica. se pode obter a conservação e perpetuação de uma grande quantidade de recursos naturais. As cadeias nutritivas nos são mais ou menos familiares. nas plantas verdes. até que se estabeleça um estado estável pela ação dos mecanismos autorreguladores. Segundo o conceito do princípio da estabilidade. Cadeia nutritiva Da energia luminosa absorvida pelas plantas verdes. o número de etapas das cadeias nutritivas. D.O homem pode interferir no funcionamento dos ecossistemas e conduzi-los à um futuro magnífico ou a completa destruição. Reconhece-se a existência de 3 classes de cadeias nutritivas: a) predadora: dos menores aos maiores animais. com energia flutuante através dele. mais eficiente ela é na formação de peso vivo ou biomassa. Ponta Grossa: Editora UEPG. I. Por exemplo. Entre eles temos os consumidores que são classificados em primários secundários. de energia de um organismo para outro. dependendo de quem se alimenta. 1963. Jerusalem: IPST Press. o superpastoreio de campos de pastagens pode destruí-los. b) parasita: dos maiores aos menores organismos. tende a mudar.

para o crescimento ótimo. Certas plantas exigem um período de baixas temperaturas durante a germinação e nos estágios iniciais de plântula.2 Temperatura do ar requerida durante o período vegetativo-reprodutivo Como o desenvolvimento da cultura é muito afetado pela temperatura. Para plantas de verão. Parker (1946) mostrou que a complexidade fisiológica da planta impede a determinação precisa das temperaturas cardeais.Unidade 3: Temperatura do ar e plantas cultivadas 3. trigo. algumas substâncias destruídas por altas temperaturas se acumulam durante o período frio atrapalhando o ciclo reprodutivo. a tabela abaixo mostra algumas informações relacionadas com valores de temperatura. porque diferentes processos exigem diferentes temperaturas. Espécie vegetal algodão amendoim arroz batata cana de açúcar Temperatura ótima entre 18 e 30º C entre 22 e28º C Entre 22 e 30º C Entre 18 e 22º C Entre 22 e 30º C Fotoperiodismo sensível (adaptada a dias curtos) Não sensível sensível Não sensível sensível TM 40º C 33º C 30º C 30º C 30º C Tm 14º C 18º C 12º C 15º C 20º C 9 . os pontos são todos comparativamente baixos: mínimo de 0º a 5º C. ótimo 31º a 37º C e máxima 44º a 50º C. Entre estes limites. para cada 10 º C de aumento da temperatura. a formação de matéria seca segue a lei de Van’t Hoff. a razão de produção de matéria seca dobra. os valores aproximados das temperaturas cardeais são conhecidas para a maioria das espécies vegetais. Entretanto. Aparentemente. Lei de Van’t Hoff Alguns investigadores acreditam que entre o mínimo e o ótimo de temperatura. como melão e sorgo. ótimo 25º a 31º C e máximo 31º a 37º C. o crescimento da planta pára quando a temperatura cai abaixo de um certo valor mínimo ou excede um certo valor máximo. as temperaturas são muito maiores: mínima 15º a 18º C. aproximadamente. 3. Isto é. Estes três valores são conhecidos como temperaturas cardeais. Com culturas típicas de estação fria. As temperaturas cardeais também variam com o estágio de desenvolvimento. centeio e cevada. existe um ótimo de temperatura no qual o crescimento se dá com maior rapidez. como aveia. Muitas plantas bianuais devem receber tratamento frio no fim do primeiro ano de crescimento para poder induzir-se a formação de gemas florais e a subsequente floração durante o segundo ano.1 Temperatura cardeal e Lei de Van’t Hoff Temperaturas cardeais Independentemente de quão favorável possam ser as condições de radiação solar.

. 27º C 25º C 35º C .3 Fotossíntese em relação à temperatura As plantas são seres autótrofos. Para muitas plantas de regiões temperadas e tropicais a temperatura ótima excede 25º C. a fotossíntese é o processo pelo qual as plantas sintetizam.. 10 . Sob condições de concentração normal de CO2 e saturação da intensidade luminosa.... para a vida dos animais. são considerados como fatores internos. são convertidos em compostos energéticos e oxigênio.. indiretamente. do tomate e do pepino para diferentes temperatura das folhas. Considerada a fonte primária de energia. . sua cor é verde devido à presença de clorofila. elas são capazes de captar energia luminosa do sol e utilizá-la na síntese de moléculas orgânicas. A molécula de clorofila absorve energia luminosa.. na presença de luz.. os compostos pobres em energia. a fotossíntese é afetada pela temperatura porque os processos químicos são limitados. que é a fotossíntese. Como fatores externos temos. Os cloroplastos são geralmente discoidais. todos esses influenciam a atividade de fotossíntese.. a fotossíntese produz compostos que possuem mais energia do que as matérias primas que utiliza... Assim. A fotossíntese é dividida em duas fases: clara e escura. pela reação inicial entre o gás carbônico atmosférico e um conjunto de cinco carbonos. A fase escura ocorre no estroma dos cloroplastos e é nesta fase que se forma a glicose. como o gás carbônico e a água.. e então diminui para temperaturas mais altas. Essencial para a manutenção de todas as formas de vida. A fase clara.. Equação geral da fotossíntese: 6CO2 + 12H2 O C6H12O6 + 6H2O + 6O2 A estrutura da folha... graças à energia solar. a concentração de CO2 e a temperatura. a intensidade e a qualidade da luz. Esse processo é chamado de fotossíntese. compostos orgânicos a partir de matéria inorgânica. que lhes servirão de alimento.. também chamada de fotoquímica. Graças à presença de clorofila em suas folhas. . consiste na incidência da luz solar sob a clorofila A. A taxa fotossintética aumenta com a temperatura alcançando um máximo entre 30º C e 37º C. Molga (1962) apresentou informações que mostram na Figura 1 a relação entre a fotossíntese da batata. o teor de clorofila e a quantidade de produtos acumulados podem influenciar o rendimento fotossintético. Nos cloroplastos ocorre a reação da mais fundamental importância para a vida das plantas e. feijão Entre 15 e 20º C -milho Entre 15 e 20º C -soja Entre 18 e 35º C sensível Fonte: Klaus Reichardt – A água em sistemas agrícolas (1987) .....Continuação. 10º C 14º C 10º C 3.

não apresenta eficiência na utilização dessa energia para a fotossíntese. Intensidade de radiação extremamente baixa. a intensidade de luz passa a limitar o processo (Figura 3A). na Figura 3B. cai rapidamente para 8 % para a intensidade de 100 langleys/dia. A partir do ponto de saturação luminosa. A diminuição na eficiência da utilização da radiação solar com o aumento da intensidade luminosa é causada pela resistência à difusão do dióxido de carbono. tem-se a influência da 11 .Embora a folha esteja completamente exposta à radiação solar. através da folhas. e a partir de 35º C as reações são paralisadas pela desnaturação das enzimas envolvidas. a eficiência pode alcançar 17 %. O menor índice fotossintético se verifica a 10º C. pelo cloroplastos. e 3 % para 300 langleys/dia. como mostra a Figura 2.

menos elásticas que as da parte restante. abrindo o ostíolo.temperatura sobre a taxa de fotossíntese de uma planta exposta a alta intensidade e a baixa intensidade luminosa. somente na inferior. chamado ostíolo. vapor d’água e. 12 . oxigênio. abacate. 3. parte das flores e muitos frutos (banana. Em algumas plantas eles ocorrem nas superfícies superior e inferior das folhas. A Figura 4 mostra o movimento dos estômatos. Quando as células perdem água. encontram-se também nas partes não espessadas do caule. A parte das duas células-guardas voltada ao orifício. Figura 3. etc). Influência da intensidade luminosa e da temperatura na taxa fotossintética. Sua densidade varia de 50 a 500 por mm2 . atingindo. às vezes. tem as paredes mais grossas. em outras. a diferente elasticidade das paredes produz deformações diferentes. gases poluentes existentes no ar. às vezes.4 Estômatos Os estômatos atuam como válvula regulando a principal passagem de água e CO2 entre a planta e a atmosfera. Quando as células estão túrgidas. Através dos estômatos passam gás carbônico. tornam-se flácidas e o ostíolo se fecha. portanto. até 1 300 por mm2 .

tais como a intensidade luminosa. O efeito da temperatura na abertura dos estômatos também é balanceado pela concentração de gás carbônico. Por outro lado. produz o fechamento dos estômatos. A concentração de gás carbônico no ar é um fator importante a afetar a abertura estomatal. livre de CO2. o aumento do gás carbônico. perdem mais água do que absorvem (Figura 5). mesmo na presença da luz. Altas temperaturas aumentam as taxas de respiração. A abertura dos estômatos aumenta gradualmente com a temperatura até um ponto determinado (32 a 38º C). O efeito indireto da temperatura interferindo na concentração de vapor d’água pode afetar substancialmente a transpiração. Schulze et al (1972) mostraram que baixos teores de umidade do ar podem causar fechamento dos estômatos independentemente do teor de água das folhas. Estrutura da estômato. abrem os estômatos mesmo no escuro. isto é. ocasionando inclusive o fechamento dos estômatos por déficit hídrico. Quando as plantas entram em desequilíbrio hídrico. Alguns fatores afetam a abertura dos estômatos. doenças. concentração de CO2. as células-guardas tornam-se menos túrgidas e a abertura estomática decresce 13 . talvez. etc. tendem a ter estômatos menores e em maior quantidade do que aquelas que vivem em ambientes de sombra e úmidos. As plantas expostas ao ar. idade da folha. As plantas que vivem em ambiente seco e sob condições de alta intensidade de luz.Figura 4. levando a um aumento da concentração interna de CO2 e. além do teor normal existente no ar atmosférico. potencial de água na planta. esta seja a causa do fechamento dos estômatos em torno do meio dia.

corresponde um grau-dia. permite prever. com razoável exatidão a maturação de plantas. deu-se o nome de CONSTANTE TËRMICA. Reaumur. a planta necessitará de 100 dias para 14 . Ti  Tmáx  Tmín 2 Baseado neste princípio ficava explicada a diferente duração do ciclo vegetativo das culturas. . chegou a seguinte conclusão: se desde o momento em que se verifica a germinação somarmos a temperatura média de cada dia até o momento da maturação. 3. baseados no somatório de temperatura acumulada durante o dia. De acordo com esse autor. e se o fizer é a uma taxa muito reduzida. acima da temperatura base. dentro de certos limites. O conceito de graus-dia pressupõe a existência de uma temperatura base. a soma total é sempre a mesma. para determinado cultivo. Se o cultivo se efetua numa localidade onde a temperatura média diária é de 31º C. há uns 200 anos.temperatura máxima diária do ar (º C). pois certas fases de desenvolvimento são antecipadas com aumentos progressivos de temperatura. fechando-os. abaixo da qual a planta não se desenvolve. O trabalho de Reaumur ficou conhecido como a constante de Reaumur de fenologia. por exemplo. como também determinação de épocas de semeadura. de maneira a fazer coincidir os períodos críticos com as melhores disponibilidades climáticas. fixas para cada vegetal.temperatura base da cultura . a cevada requer. o milho necessita de 2500º C. A cada grau de temperatura. podendo afetar significativamente o movimento dos estômatos. pois foi precursor do conhecido sistema de unidades térmicas ou graus-dia.temperatura mínima diária do ar (º C). o trigo 2000º C e o milho 2500º C. O cálculo de graus-dia acumulado (GDA) pode ser feito utilizando-se o seguinte método: n GDA   (Ti  TB ) i 1 (1) sendo (2) em que Ti Tmáx Tmín Tb n . desde a germinação até a maturação. . uma soma de 1700º C aproximadamente. Assim. Além disso.5 Constante térmica O conceito da relação entre temperatura e a taxa de desenvolvimento de uma planta é bem conhecido. tornando possível a previsão da época em que ela será atingida. Além disso. Este fato originou a criação de métodos de cálculos de Unidades Térmicas de Desenvolvimento (UTD).até fechar-se completamente. qualquer que tenha sido a situação determinada do cultivo e o ano considerado.número de dias do período considerado. A estas somas.temperatura média diária do ar (º C). Com elas pode-se determinar as exigências térmicas de uma cultura para atingir uma determinada fase. . adaptação às diversas zonas. usado atualmente para a previsão do ciclo fenológico de vários vegetais. a umidade relativa do ar decresce em torno do meio-dia.

A temperatura do solo pode ser usada até a emergência. o diário e o aperiódico. 117 dias. A primeira termofase corresponde ao lapso mais quente e a segunda ao lapso mais frio do termoperíodo. d) temperaturas do solo Durante o aquecimento de primavera.alcançar a maturação. transcorrem 142 dias. unidades de calor acumuladas baseadas na temperatura do ar podem ser altas demais. A maturação será retardada se a umidade é escassa na época de semeadura ou durante o período inicial de crescimento. Esta variação. A constante térmica se calcula também. Outras variáveis tais como nível de fertilidade e características de umidade estão associados com o tipo de solo. etc. c) tipo de solo Os solos arenosos aquecem-se mais rapidamente do que os solos argilosos. diária ou aperiódica. Distinguem-se três tipos de termoperiodismo: o anual. 15 . diário ou aperiódico. veremos que em algumas localidades. consequentemente um maior crescimento vegetativo atrasam a maturação. para a amendoeira pode-se calcular a soma de temperatura que esta requer desde a floração até a brotação.6 Fatores ambientais que fazem variar a constante térmica a) nível de fertilidade do solo Altos teores de nitrogênio e. desde a germinação até a maturação. segunde se trate da resposta do vegetal à termoperiodicidade anual. num ciclo completo de um ano. a temperatura do solo atrasa-se apreciavelmente em relação à temperatura do ar. e) umidade Solos pobremente drenados são frios e também causam maior número de problemas de nutrição. Se tomarmos como exemplo uma variedade de trigo. um dia ou vários dias constitui um termoperíodo anual. desde que ervas daninhas não mascarem a diferença. em outras 155 dias . diária e aperiódica da temperatura do ar tem um claro efeito no desenvolvimento dos vegetais superiores. b) população de plantas Uma baixa população de plantas fará amadurecer mais cedo que uma população mais densa. respectivamente e se caracteriza por apresentar dois setores bem definidos: a termofase positiva e a termofase negativa.7 Termoperiodismo A variação anual. se a temperatura média da localidade for 21º C a planta necessitará de 167 dias para amadurecer. Por exemplo. embora as unidades de calor sejam acumuladas. 3. 3. para qualquer subperíodo (ou fase) dos vegetais. em troca. Seca durante o último período de vida da planta normalmente acelera a maturação. ao passo que altos teores de fósforo tendem a acelerar. Portanto. A reação das plantas ao termoperíodo denomina-se termoperiodismo.

nas quais a termoperiodicidade diária tem uma ação importante na expressão do desenvolvimento. durante o estado juvenil para um normal espigamento. etc).A importância da periodicidade anual da temperatura se manifesta na distribuição geográfica das culturas. Esta floração é seguramente prejudicada pelas baixas temperaturas dos dias subsequentes. Estas espécies exigem uma termofase anual negativa de pouca intensidade e duração. Em espécies paratermocíclicas como cereais de inverno. A ocorrência de um certo número de dias com temperaturas anormalmente elevadas traz em consequência que o pessegueiro floresça prematuramente em plena época hibernal. Exemplos: plantas perenes (ameixeiras) e plantas bianuais. Não acontece o mesmo nas espécies paratermocíclicas e atermocíclicas. Essa termoperiodicidade pode atuar por si só ou como sucede geralmente.  Paratermocíclicas As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura em uma parte das termofases positiva e negativa. essas espécies de fruteiras raramente frutificam e se o fazem são de baixa produtividade. da semelhança ou não entre as condições termoperiódicas anuais das regiões de origem e das regiões onde se pretenderá cultivá-las. Exemplo: cereais de inverno (trigo.  Termocíclicas Aquelas espécies que apresentam tecidos ativos à temperatura durante um ou mais períodos anuais de variação da temperatura.  Atermocíclicas As espécies anuais com tecidos ativos à temperatura somente na termofase positiva do termoperiodismo anual. Burgos (1952) estabeleceu uma classificação das plantas. segundo a qual seu ciclo vital coincide ou não com a variação anual da temperatura. e apresentam além disso um baixo nível térmico de brotação. 16 . Exemplo: tomate.2 Termoperíodo aperiódico A advecção irregular de massas de ar quente ou frio determina uma variação aperiódica da temperatura do ar de notáveis conseqüências bioclimáticas. 3. cevada. milho. A influência do termoperíodo aperiódico se encontra exemplificada na adaptação deficiente às condições climáticas de Buenos Aires da amendoeira e aveleira. interessa destacar a ação favorável da termofase negativa do termoperíodo diário. Em conseqüência. O êxito ou fracasso das introduções de espécies exóticas depende. sorgo.7.1 Termoperiodismo diário Nas espécies termocíclicas a ação do termoperíodo diário deve considerar-se como de interferência com o termoperíodo anual. etc. em grande parte. interferindo no termoperíodo anual e diário.7. 3.

durante o dia há uma temperatura máxima entre a metade e a porção superior do dossel. independentemente da nebulosidade. Através dela. estas se mantiveram em média entre 0° e 2°C acima da temperatura média diária observada. Quanto ao padrão médio da temperatura das folhas que compõem o terço médio superior e inferior da copa do cacaueiro este é apresentada na Figura (6). Naturalmente que alguns perfis podem ser diferentes devido a vários fatores. se verifica que a temperaturas da camada superior e inferior do dossel. desenvolve-se um inversão de temperatura. para dois dias com padrões diferenciados de nebulosidade. a temperatura do estrato superior foi superior a do estrato inferior do dossel onde os padrões horários de variação são menos acentuados. À noite. Perfil da temperatura medido dentro do dossel vegetativo é diferente daquele medido acima. (Fonte: Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet. de modo que a superfície fica mais fria do que em outro local acima da vegetação e do solo. 1998) 17 . Essa temperatura máxima ocorre próximo do nível de área foliar máxima e é decorrente da radiação solar absorvida. a temperatura do solo e das superfícies vegetadas cai rapidamente por causa do resfriamento radiativo. Por conseguinte. Acima deste nível o perfil tem apresentação normal. se mantiveram acima da temperatura média diária do ar. Sob condições de céu parcialmente nublado. Com relação ao ocorrido no dia ensolarado. o perfil de temperatura no nível mais baixo do dossel está próximo de um isotermia. durante grande parte do dia. temperatura diminuindo com a altura. medido numa cultivo de cacau. Um exemplo de perfil de temperatura é apresentado a seguir. mostrando que a camada mais baixa da atmosfera é estável. se observa que.8 Perfil da temperatura do ar acima do dossel Durante a noite. como por exemplo a resistência estomatal que varia.3. Quanto as temperaturas médias do dossel inferior estas se mantiveram dentro de um padrão de variação quase constante entre 11:00 e 17:00 (»33°C) e apresentando um desvio positivo com relação a temperatura média diária de 32°C. Abaixo deste nível. observou-se um concomitante aumento no perfil de variação das temperatura foliares nos dois estratos logo no inicio da manhã até que uma brusca queda da temperatura média do estrato superior foi observada em decorrência de período de nebulosidade. fontes e sumidouros de calor sensível e calor latente que sofre mudanças consideráveis. em níveis superiores da temperatura média diária do ar que foi de 29°C. No entanto ao se examinar a temperatura média diária do ar em relação a temperaturas superior e inferior do dossel. há uma inversão de temperatura porque o dossel está mais quente do que o solo abaixo. O perfil de temperatura é invertido na parte superior porque a radiação de onda longa é transmitida para o espaço. Freqüentemente. uma vez que o topo do dossel aprisiona a radiação de onda longa emitida pelo solo. a temperatura média das folhas do dossel superior mantiveram-se entorno de 30°C. Quanto as temperaturas da camada inferior do dossel.

Umedecer a semente com quantidade estritamente necessária de água (uns 55 litros para cada 100 kg de sementes) para dar início à germinação. É um fato bem conhecido que. esse frio é conseguido quando os trigos hibernais são semeados no outono e não quando semeados na primavera. Lysenko (1925).9 Vernalização Em muitos países distinguem-se dois grandes grupos de trigo: os chamados hibernais e os primaveris. um certo número de dias com baixas temperaturas (-2º a 10º C). a que requerem durante seu estado jovem. antes da semeadura. 1998) 3. Mckinney e Sando (1933) 18 . O mau comportamento dos trigos hibernais quando semeados na primavera se deve. passam o inverno no campo (daí o seu nome). espiga muito tardiamente e fornece em conseqüência um baixo rendimento. continuam o seu desenvolvimento na primavera e são colhidos no verão. quando um trigo do tipo hibernal é semeado na primavera. pesquisador russo. são semeados na primavera e colhidos no verão ou outono. Os trigos hibernais são semeados no outono. Variação horária da temperatura do ar (Tar) e das temperaturas médias das camadas superior e inferior do dossel exposto à padrões diferenciados de nebulosidade (Fonte: Ricardo Augusto Calheiros de Miranda – X CBMet. por sua vez. demonstrou que o frio requerido por uma variedade durante a sua fase inicial pode ser fornecido à semente. Como costuma apresentar certos inconvenientes ao utilizar uma quantidade média de água. principalmente. Os trigos primaveris. Para tal preconiza o seguinte método de trabalho: 1.Figura 6.

Outra vantagem agronômica que se consegue. Isto significa que o processo é reversível. desde o estágio de semente germinada até o momento da formação do talo. as sementes devem ser mantidas em um ambiente escuro e frio (4º a 5º C) durante um certo número de dias que depende. 3. palavra derivada de vernal que significa pertencente à primavera. é a utilização de áreas geográficas inadequadas para uma cultura por falta total ou parcial de frio hibernal. com certas variantes. Foi demonstrado que o efeito da vernalização pode ser destruído pela ação de altas temperaturas (20º C ou mais) durante vários dias posteriormente ao tratamento. A vernalização constitui definitivamente um processo de acumulação de baixas temperaturas por parte da planta. Com efeito. Lysenko deu o nome russo de “IAROVIZAÇÃO”. Transcorrido este período extrai-se todo o excesso de água. 19 . a outros cereais hibernais.sugerem empapar as sementes com excesso de água dentro de um recipiente. porém. centeio. que traduzido corresponde à vernalização. principalmente. etc. Chegado este momento. em geral oscila entre 20 e 25 dias para os trigos hibernais típicos. os trigos hibernais podem ser semeados se dificuldade na época que corresponde aos trigos primaveris. O tratamento sugerido por Lysenko para o trigo pode ser aplicado. durante aproximadamente 18 horas. a ação das baixas temperaturas de vernalização do dia anterior e que este efeito aumenta com a duração do período submetido a temperaturas elevadas. realizando a vernalização. Deixam-se as sementes umedecidas em um ambiente relativamente morno (10º a 15º C) até que se observa que os embriões estão saindo das sementes. em plantas de aveia. da variedade. 2. Desde que. tais como a aveia. demonstrou-se que temperatura de 20 a 25º C inibem parcialmente. por meio deste tratamento.

podendo diferir muito da temperatura do ar. atividade da flora microbiana. pelo contraste entre as diferentes encostas e exposições que ocorrem nas montanhas. em média. A capacidade térmica de um solo varia de acordo com seu conteúdo de umidade.45 cal/g. O calor específico de todos os solos minerais varia. especialmente durante o período de sol. o solo humoso tem calor específico aproximadamente igual a 0. o conhecimento do comportamento da temperatura no perfil do solo é um aspecto importante em uma agricultura bem orientada e artifícios como irrigação e coberturas mortas tem sido utilizados para seu melhor controle. energia livre de água no solo. atividade de íons que tomam parte numa reação de troca. A temperatura do solo é mais responsável do que a do ar. verificou-se que eles dependem muito da temperatura. por outro lado. e outros. Os horticultores valorizam muito um solo que se aquece rapidamente na primavera.18 a 2. 4. A temperatura do solo responde mais aos efeitos locais. A quantidade de energia absorvida pelo solo depende da duração da radiação solar. diminuindo a velocidade de absorção pelas raízes. condutividade térmica e capacidade térmica. Por outro lado. decomposição da matéria orgânica.2 Características térmicas dos diferentes tipos de solo a) Calor específico (c) É a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 grama de solo de 1º C. Devido a estes fatos. Temperaturas do solo extremamente elevadas tem efeito prejudicial sobre as raízes e podem causar lesões destrutivas nos caules. as temperaturas baixas impedem a absorção de nutrientes minerais. Sabemos que ao atingir a superfície da Terra. altas temperaturas condicionam uma maior perda de água dos poros do solo. parte da radiação solar é refletida e parte interage com a superfície do solo. Temperatura do solo desfavorável durante a estação de crescimento pode retardar as colheitas.Unidade 4: Temperatura do solo 4. Solos orgânicos secos tem 20 . Muito esforço tem sido feito pelos agricultores para modificar a temperatura do solo. germinação de sementes.0 cal/g. podemos citar que baixas temperaturas do solo fazem com que a viscosidade da água diminua. O significado ecológico da temperatura do solo é obviamente importante para aqueles que trabalham na agricultura. de 0. à radiação solar. ºC. à topografia e outros efeitos semelhantes. tais como: difusividade. tais como composição. transformando-se em energia térmica. da inclinação da superfície receptora e das características físicas do solo.1 Importância da temperatura do solo para as culturas Ao estudar alguns fenômenos que ocorrem no solo e que estão ligados a sua fertilidade. Como exemplo. Muitas localidades nas áreas polares e em algumas montanhas ficariam certamente sem vegetação se não fosse o fato da temperatura do solo ser muito mais alta do que a do ar. b) Capacidade térmica ou capacidade volumétrica de calor (Cv) Capacidade de calor de uma substância ou do solo é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 cm3 de solo de 1 ºC. ºC.

ºC. enquanto que a compactação do solo a aumenta. a perda de energia do solo para a atmosfera dá-se por radiação. tem maior capacidade térmica do que solos com textura mais grossa. conteúdo de umidade e matéria orgânica do solo.ºC.6 cal/cm3. A matéria orgânica não transfere o calor tão rapidamente quanto um solo mineral. depois então decresce. quando existe um gradiente de 1º C/cm. responsável por um gradiente de temperatura de 1 ºC. A difusividade térmica dos solos está entre 10-2 e 10-3 cm-2. Exemplos: solo arenoso seco k = 0.00027 cal/cm. ou seja. Uma pequena quantidade de água no solo. 4. 21 . reduz o efeito isolante do espaço poroso cheio de ar (aumenta o valor de K). O conhecimento do transporte de energia no solo é importante dentro do caráter de estímulo às reações bioquímicas da germinação de sementes. substitui a do ar que é quase negligenciável. por condução e uma pequena parte por convecção. d) Difusibilidade térmica (K) Indica a penetração de calor no solo e pode ser definida como sendo o quociente entre a condutividade térmica (k) e a capacidade térmica (Cv). respiração e crescimento do sistema radicular de uma planta qualquer. enfim. de toda a estrutura orgânica da fauna e flora do solo. devido a uma diferença de temperatura entre elas. devido a baixa densidade dos primeiros.seg. devido ao aumento da porosidade. Pode-se dizer também que é a quantidade de calor que flui por unidade de tempo através de uma seção transversal de 1 cm2. entre as partículas. que é alta. troca de íons nos minerais. A condutividade térmica depende sobretudo da porosidade. A difusividade térmica do solo aumenta com o aumento da umidade atingindo um máximo. A capacidade térmica da maioria dos solos varia de 0. através de moléculas de vapor d’água e ar que ocupam os espaços porosos do solo. diminuindo o aumento da temperatura produzido por uma determinada quantidade de calor. conforme a porosidade aumenta. etc. decomposição de matéria orgânica. uma vez que a capacidade térmica da água. A matéria orgânica diminui a difusividade.00046 cal/cm. Unidade de medida cal/cm. a condutividade é praticamente idêntica para solos com texturas diferentes (a espessura da película de água que envolve as partículas de solo é praticamente idêntica). em graus Celsius que ocorre em um segundo. D = k/Cv.capacidade térmica mais baixa do que os solos minerais. a condutividade térmica decresce dos solos pesados para os mais leves. na maior parte . c) Condutividade térmica (k) Indica a taxa de transferência de calor. Fisicamente representa a taxa em que o calor flui. porque diminui a porosidade. Por outro lado. solos orgânicos e de textura fina.3 Condução de calor no solo A transmissão de calor pode ser definida como sendo a transmissão de energia de uma região para outra. É a mudança. No campo.seg.seg-1. solo fino humoso k = 0.seg. como também na energia livre da água no solo.ºC. quando o gradiente de temperatura aumenta 1 ºC/cm3.3 a 0. devido a sua alta capacidade de retenção de água.ºC. Em termos de tensão de umidade do solo. No solo a transmissão de calor se realiza. através de uma área unitária de determinada substância. Para um determinado conteúdo de umidade. mas um aumento muito grande no conteúdo de água resulta num aumento acentuado da capacidade térmica.

Decréscimos repentinos a menos de 0º C baixam as resistências.K-1) é a constante de proporcionalidade. T  T  i  j 0 x y 1 Assim. chamada de coeficiente de difusão de calor ou condutividade calorífica do meio em questão. a uma determinada profundidade. logo. pois a superfície está recebendo energia desde o nascer até o pôr do sol. a temperatura. Durante a noite este sentido se inverte. as componentes horizontais do gradiente de temperatura é nula.cm-2. a energia que vai em direção à superfície é positiva e a que deixa a superfície é negativa. e de melão de 15 a 18 e 44 a 50º C.s-1. é a mesma em qualquer ponto. z orientadas segundo as direções dos eixos cartesianos. em módulo: Fz  dQ  dT   k z   xy dt  dz  3 onde kz (cal. Considerando-se um volume de controle de um meio homogêneo. 4. A condução de calor se processa sempre no sentido contrário ao do gradiente de temperatura e é proporcional ao valor desse gradiente. 22 . As temperaturas do solo ótimas para germinação do trigo variam de 25 a 31º C e para o melão de 31 a 37º C. para haver germinação de sementes de trigo e cevada. por exemplo. Decréscimos graduais na temperatura do ar e do solo facilitam a sintetização do açúcar e o desenvolvimento de resistência ao frio e até a seca. caminhando da superfície em direção às maiores profundidades. o transporte de calor (Q) se efetua de cima para baixo e depende apenas da componente vertical do gradiente de temperatura. T  dT  k k z dz 2 Como o fluxo vertical (Fz) de calor é proporcional ao gradiente vertical de temperatura e ocorre no sentido inverso. uma vez que a superfície em contato com o ar atmosférico é resfriada rapidamente e as camadas inferiores começam a ceder calor para a superfície. Logo.4 Fluxo de calor no solo Uma certa quantidade de calor no solo é requerida por todas as plantas. se aquecendo e cedendo calor para as camadas inferiores. Se todo o meio está sendo aquecido uniformemente na sua face superior. O desenvolvimento radicular sofre considerável influência da temperatura do solo. respectivamente. então. durante o dia o fluxo de energia tem sentido descendente. y. tem-se. limitado por arestas infinitesimais x. a temperatura mínima varia de 0 a 5º C e a máxima de 31 a 37º C. um bom desenvolvimento ocorre de 6 a 10º C. Em virtude disso. Convencionalmente. para culturas de inverno.A energia alcança a superfície do solo na forma de ondas eletromagnéticas e dependendo das características da superfície elas podem ser mais ou menos absorvida.

sob irrigação. Nas médias e altas latitudes. Figura 2. a nutrição mineral e a morfologia das raízes são variáveis afetadas pela temperatura do solo (Nielsen & Hunfries. decrescendo a curva de evaporação proporcionalmente com o acréscimo da temperatura no solo.5 Inclinação e exposição de encostas A exposição de uma encosta é de pequena importância nas baixas latitudes. Efeito de temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e transpiração de uma cultura de milho (Anderson & Macnaughton. com e sem irrigação numa cultura de cebola. O crescimento das plantas.A Figura 1 mostra a interferência da temperatura do solo sobre a fotossíntese líquida e sobre a transpiração. quantidades significativas de energia são convertidas em calor latente de vaporização (Klar. logo. as encostas 23 . 1974). Variação diária da temperatura de dois tipos de solo. que produz flutuações diárias significativas nos primeiros 30 cm abaixo da superfície do solo nú. 4. o suprimento de O2. em condições de campo (Klar. a absorção de água. 1974). no Hemisfério Sul. 1966) Figura 1. Nota-se a sensibilidade da cultura do milho a temperaturas baixas próximas a 0º C. mas é importante fora dos trópicos. 1973) A temperatura do solo é continuamente alterada e os principais fatores atuantes estão relacionados ao ciclo de radiação. o metabolismo das raízes. a fotossíntese. 2). a temperatura do solo aumenta mais rapidamente em solos de textura grosseira que nos de textura fina (Fig.

Raios solares diretos são função da exposição e da inclinação e a radiação difusa. além disso. A amplitude da temperatura diurna é consequentemente maior nas encostas norte. No inverno. A declividade da encosta determina a quantidade de calor recebida por unidade de área. Paradoxalmente. Além do mais. a diferença de temperatura entre as encostas sul e norte é menor. Em geral. semelhantemente esta proporção é mais elevada no inverno do que no verão.norte recebem mais raios solares por unidade de área do que as que ficam expostas para o sul. exposta ao norte. uma encosta suave. a temperatura máxima na exposição sul freqüentemente demora mais a ocorrer do que na encosta norte. menor é a diferença de energia pelas várias exposições de uma encosta. As diferenças de temperatura entre as exposições é geralmente acentuada pela declividade. As maiores diferenças de temperatura entre as encostas norte e sul ocorrem durante a primavera e verão. quando não há radiação solar direta. Quanto maior a proporção da radiação difusa em relação à radiação total. 4.6 Efeito do uso de diferentes coberturas na temperatura do solo 24 . a exposição nas médias latitudes é fator mais importante do que nas regiões polares e. As culturas e a vegetação iniciam mais cedo o seu crescimento nas exposições norte do que nas exposições sul. Em um dia totalmente nublado. A encosta mais quente é a estiver mais perpendicular aos raios solares. sendo essencialmente uniforme em todos os azimutes. no Hemisfério Sul. Por outro lado. Com o avanço da estação. áreas com 1 0 de declividade sul podem receber menor radiação do que uma área plana a 100 km ao sul. Isto porque os raios solares diretos incidem sobre a encosta sudeste depois de prolongado resfriamento noturno e. Uma encosta com 100 de inclinação. é dependente apenas da inclinação. relativamente fria. com inclinação norte. a proporção da radiação difusa com relação a radiação total é elevada nas regiões polares devido a elevada nebulosidade e a baixa altitude do sol. Fora dos trópicos. as encostas norte esquentam rapidamente enquanto que as encostas sul permanecem frias e úmidas. para algumas frutíferas a demora na floração e a conseqüente redução do perigo de geada é uma vantagem na encosta sul. mais ainda no verão do que no inverno. Portanto. é mais quente do que uma área plana. a evaporação do orvalho pela manhã requer energia. Uma declividade de 50 na exposição norte pode receber a mesma quantidade de radiação solar que um área plana a 450 km mais ao norte. Para avaliar os raios solares pelas encostas devemos primeiramente separar a radiação direta e a radiação difusa. Na primavera. exposta ao sul recebe igualmente tanta radiação difusa como uma encosta com 100 de inclinação. Na ausência de nuvens a encosta sudoeste é normalmente mais quente do que a encosta sudeste. o maior aquecimento da encosta norte é feito gradualmente. o efeito da exposição é minimizado. A diferença nas temperaturas mínimas entre as exposições sul e norte é menor do que a diferença entre suas temperaturas máximas.

constituindo-se um meio de defesa das plantas contra baixas temperaturas.  Temperatura do terreno. Para diminuir estes efeitos. os quais. folhas de árvores. provocando paralisação em seu crescimento. e foi paralisado abaixo de 100C e acima de 43. Há alguns anos foram feitos ensaios com diversos materiais. em condições de laboratório. 25 . decresceu linearmente entre 32. etc. A cobertura morta do solo passou a ser utilizada em grande escala com o surgimento dos filmes plásticos. praticamente de aplicação e sobretudo pelas evidentes vantagens que trazem aos cultivos. verificou que para a maioria das plantas cultivadas. como papel parafinado. De acordo com as características desses materiais. nas mais sofisticadas lavouras e nas terras dos mais modestos agricultores. diminuem a quantidade dos frutos. tanto pelo alto custo como pela dificuldade de aplicação. lâmina de alumínio. isolando o solo do meio ambiente.  Proteção dos frutos. um controle total do microclima. A cobertura morta do solo é uma técnica utilizada pelos agricultores há muitos anos. Por isso. As principais influências são:  Umidade do solo.40C são prejudiciais. entre outros efeitos. como a opacidade à luz que impedia.  Produção dos cultivos.20C e 43.  Qualidade dos frutos. cada vez mais foi sendo provado que as condições térmicas que envolvem um vegetal são essenciais ao seu desenvolvimento e que. A cobertura morta de solo com filmes plásticos tem significantes vantagens sobre os métodos comuns. devido ao seu baixo custo. esfriam a terra e causam a lixiviação dos elementos fertilizantes. serragem. na maior parte dos cultivos. e a absorção e armazenagem de calor para o período noturno. verificou que o crescimento aumentou linearmente com a temperatura do solo entre 100C e 300C.Já em 1914. Quando havia disponibilidade também era usada areia. A partir daí. influindo consideravelmente no aumento da produção e maior precocidade na colheita dos frutos. Esta técnica é hoje consagrada em quase todos os países.90C. foi ótimo entre 300C e 31. Esta camada de material atuava como barreira.70C. com o propósito de criar um “habitat” favorável as plantas. Muitos esforços tem sido realizados no sentido de variar a temperatura do solo. vários tipos de coberturas mortas (mulching) tem sido utilizadas para aumentar.90C.  Época de colheita. Lehenbauer trabalhando com sementes de milho. por falta de fotossíntese. 1926.  Fertilidade da terra. tão necessários para o desenvolvimento das plantas. provocam a compactação do terreno.  Estrutura do solo. com a finalidade de defender os cultivos e o solo da ação do agentes atmosféricos. etc. como palha. o desenvolvimento das ervas daninhas. é praticamente impossível. Weaver. porém seu uso não se comprovou.  Ervas daninhas. diminuir ou ainda para estabilizar a temperatura do solo. temperaturas do solo inferiores a 4. era possível obter outras vantagens. os agricultores colocavam sobre a superfície do terreno uma camada protetora formada por materiais de origem vegetal. em condições de campo.

a temperatura do solo pode ainda influir no desenvolvimento do índice de área foliar das plantas. em dias.  Uma temperatura ótima onde ocorre o máximo de atividade. pessegueiro).2 Fases vegetativa e reprodutiva Após a germinação. os processos metabólicos dupliquem sua velocidade com o aumento de 100 C de temperatura.7. 26 . umidade. em geral. isto poderia influir na unidade de calor sob condições de excesso de umidade (ocorrendo falta de oxigênio) ou condições secas (falta de umidade). Assim. Sachs determinou três pontos principais de atividade vital. Embora.  Uma temperatura máxima acima da qual a atividade pode ser nula.1 Germinação e emergência Algumas espécies germinam assim que as condições externas como temperatura. dentro de certos limites. 4. pereira. pelo período de emergência (t). o desenvolvimento expresso como germinação ou elongação da haste mostra freqüentemente. uma resposta linear entre a temperatura mínima e ótima. mas as medidas da umidade do solo.4. que varia amplamente na camada de 10 cm de profundidade do solo.7 Temperatura do solo e as diferentes fases do ciclo vegetativo das culturas 4. A unidade de calor para a germinação depende muito da profundidade na qual se mede a temperatura do solo. na qual valores desconhecidos de S e Tmín podem ser calculados de acordo com a seguinte expressão: T = ( S / T ) + Tmín 5 Estes dois métodos de cálculo podem dar uma unidade de calor diferente quando a temperatura média diária é menor do que a Tmín. Temperaturas frias entre 00 C e 100 C. são extremamente difíceis. nessa profundidade. Nessa camada. concentração de oxigênio sejam favoráveis. em graus centígrados. a variação do conteúdo de umidade é grande devido a evaporação e a precipitação. que são:  Uma temperatura mínima abaixo da qual não há atividade. Uma unidade de calor (S) expressa em graus dias é suposta ser uma constante para um estágio particular do desenvolvimento e pode ser calculada multiplicando-se a temperatura ambiental (T) menos a temperatura mínima (Tmín). durante algumas semanas ou meses tem também efeito na quebra de dormência (macieira. t 4 A relação entre T e o valor recíproco de t daria uma relação linear.7. Desde que a germinação depende também amplamente das condições disponíveis de umidade que cercam a semente. S = (T – Tmín) .

por exemplo: baixa para a alface (40 C – 100 C). depende da espécie. A faixa acima da qual ocorrem temperaturas do solo quase ótimas. 27 . Para temperaturas quase ótimas a absorção de água aumenta na ordem de 10 % para cada grau de aumento de temperatura do solo. moderada para tomate (100 C – 160 C) e elevada para o pepino (150 C – 190 C). entretanto. por exemplo. Este último aumento pode ser atribuído principalmente à mudança da viscosidade. tornam-se de maior importância para a fase vegetativa e reprodutiva.Gradualmente. Por outro lado. como radiação solar. a condução de água nos vaso do xilema e nas folhas aumenta somente da ordem de 1 % para cada grau de incremento da temperatura do solo. O cálculo da unidade de calor. a temperatura do ar e outros fatores climáticos. depende muito da profundidade do solo em que foi feita a medida e as condições de umidade do solo.

A parte líquida do solo constitui-se essencialmente de água. os quais a decompõem produzindo gás carbônico e água. juntamente com os efeitos cimentantes de materiais orgânicos e inorgânicos. Ele é constituído de materiais sólidos. Os solos tropicais são mais desenvolvidos por estarem sujeitos a altas temperaturas e elevadas precipitações pluviométricas. denominados poros. As partículas sólidas formam um arranjo poroso tal que os espaços vazios. a importância agrícola do conhecimento deste reservatório de água para as plantas e dos princípios que governam seu funcionamento. à medida que se caminha para regiões mais frias. haveria exaustão do gás carbônico da atmosfera pela fotossíntese em poucas décadas. A parte gasosa ocupa os espaços vazios não ocupados pela água. bactérias. tem a capacidade de armazenar líquidos e gases. O arranjo das diversas partículas. Daí. Para estes terem um bom desenvolvimento. por isso. cujas proporções determinam a textura do solo. Tabela 1. As plantas o utilizam como suporte. vegetação. O tipo de solo resulta da integração entre clima. o pedologista. sem obstrução mecânica. pois a maioria das plantas exige certa aeração do sistema radicular. estradas ou aeroportos. o solo deverá ser suficientemente macio e friável para permitir o desenvolvimento das raízes. por exemplo. e a ocupada pelo ar. topografia. o considera um material que suporta fundações. tempo e tipo de rocha que lhe deu origem. Composição volumétrica (%) de alguns solos Fração sólida Solo Água Mineral Orgânica Ar 28 . portanto. Esta água é absorvida pelas raízes das plantas ou é drenada para camadas de solo mais profundas e. Ocupa parte (ou quase todo) do espaço vazio entre as partículas sólidas dependendo da umidade do solo.Unidade 5: UMIDADE DO SOLO 5. se constitui de partículas classificadas de acordo com o tamanho médio dos grãos em areia.1 Algumas características do solo A palavra solo tem sentidos diferentes. Na prática da irrigação é importante manter-se certo balanço entre a porção dos poros. insetos e outros) parte dos quais são vivos e o restante se apresentando em diversos estágios de decomposição. Esta é uma fração importante do sistema solo. para reter água facilmente disponível e assegurar condutibilidade adequada não só da água como também do ar até as raízes das plantas. que podem ser ocupados pelo ar e pela água sendo. equilibrado em distribuição e volume de poros. denominados húmus. então o solo pode ser definido como um sistema poroso constituído por partículas sólidas e volume de vazios. ocupada pela água. são menos intemperizados. fonte de nutrientes e fornecem matéria orgânica necessária á alimentação dos microorganismos do solo e dos animais. líquidos e gasosos. determinam a estrutura do solo. Se isso não ocorresse. limo (silte) e argila. como parte da crosta terrestre que proveio de desintegração de rochas por processos físicos e químicos. um armazenador de nutrientes e água para as plantas. É algo mais que um complexo de partículas provenientes de rochas minerais. contendo minerais dissolvidos e materiais orgânicos solúveis. Os materiais orgânicos consistem de resíduos vegetais e animais (incluindo fungos. O interesse deste profissional limita-se aos 2 – 3 metros de profundidade. precisa ser periodicamente reposta pela chuva ou pela irrigação. O engenheiro. dependendo dos objetivos. para garantir uma produção vegetal adequada.

A umidade do solo no momento de seu preparo (aração e gradagem) é importante. como colóides que não podem ser vistos a olho nú. Ela pode ser mantida ou mesmo melhorada com práticas agrícolas adequadas. ao contrário da textura. até partículas diminutas. pois solos preparados quando muito úmidos ou muito secos.“ideal” Regossol Latossol Roxo Podzólico 45 61 35 50 5 1 7 2 30 4 32 24 20 34 26 24 5. ela é típica para cada solo. Solo sem estrutura é massivo. A propriedade da fase sólida do solo em formar unidades estruturais complexas a partir de unidades menores chama-se “capacidade de agregação do solo”. cultivo apropriado e incorporação de matéria orgânica (adubo verde ou esterco). Na proximidade da superfície. Abaixo do subsolo. está a camada de rocha. são comuns aos subsolos pesados encontrados em regiões úmidas e a água se move muito lentamente. A estrutura do solo. pois é nele que as sementes são lançadas. O tamanho das partículas é de grande importância. pode ser modificada. pelo menos. suas proporções determinam a textura do solo. Um perfil é um conjunto de horizontes expostos normalmente para exame na parede vertical de uma trincheira.1.1 Composição do solo 1) Textura A textura do solo refere-se tão somente à distribuição das partículas em termos de tamanho. De acordo com o tamanho as partículas podem ser classificadas em areia. mas. pesado para ser trabalhado. O solo do topo é a zona de primeira importância para o horticultor. pois ele determina o número de partículas por unidade de volume ou de peso e a superfície que estas partículas expõem. limo (ou silte) e argila e. formando grandes blocos). perdem a estrutura. A escala de tamanho varia enormemente. A estrutura começa a se formar através da fragmentação das rochas. desde cascalhos de diâmetro da ordem de centímetros. Um horizonte é qualquer camada que pode ser distinguida visual ou texturalmente das camadas vizinhas acima e abaixo. tão importante quanto o solo do topo pelo fornecimento de água. A espessura dos diferentes horizontes varia enormemente dentro e entre as diferentes séries de solo. 2) Estrutura do solo A estrutura do solo refere-se ao arranjo das partículas e à adesão de partículas menores na formação de maiores denominadas de agregados. as raízes exploram também o subsolo que tende a ser menos rico em nutrientes. as plantas transplantadas e as culturas estabelecidas . com problemas de penetração de água e de raízes. tais como a rotação de culturas. A estrutura dos solos pode agrupar-se em três tipos principais: grãos simples (partículas completamente desunidas umas das outras). agregados (é um tipo intermediário entre os dois 29 . Ciclos de secamento e de molhamento melhoram a estrutura do solo. O solo ocorre em camadas distintas. a estrutura do solo é afetada pelo preparo do solo e. Depois do estabelecimento. nos horizontes mais profundos. maciça (as partículas são unidas entre si.

consideram-se os espaços porosos (Vp). o feldspato e os silicatos coloidais compõem a maior parte dos solos minerais. O peso específico total ou aparente do solo (a) é representado pela relação entre o peso das partículas sólidas (ms) e o volume total do solo seco (Vt).9 a 1. que varia de 0.75 g.cm-3. Solos argilosos ou de textura fina possuem teores elevados de argila coloidal. a mesma massa de material sólido pode ocupar um volume menor. o arranjo de poros. por sua vez. por compressão. porém tem baixas capacidades de retenção e condução de água e nutrientes. Isto porque o quartzo. o peso específico aparente é importante.60 a 2. para a determinação da quantidade de água e aplicar no solo projetos de irrigação. forma e características superficiais. O tamanho. o peso específico real ou das partículas (r) pode ser representado por: r  (1) ms Vs onde ms é o peso das partículas sólidas do solo e Vs é o volume das partículas sólidas do solo. tornando-se duros. Os solos arenosos são friáveis. Os solos arenosos. desagregáveis. entre outros objetivos. são controladas pelo teor de umidade. as partículas são unidas de forma mais ou menos estável entre si. Matematicamente.8 g. A compactação do solo está diretamente ligada à estrutura. O peso específico aparente é afetado pela estrutura. que são menos porosos e mais pobres em matéria orgânica. aeração adequada e aração fácil. grau de compactação e pelas características de contração e expansão do solo que. O conhecimento do peso específico real é importante para os cálculos da velocidade de sedimentação das partículas para efeito de determinação da densidade das suspensões na análise mecânica. a forma e as combinações dos poros variam consideravelmente. são mais densos que os argilosos. Como o solo é um material poroso.anteriores) dentro dos blocos. pois são resultados de partículas enormemente variáveis em tamanho. Isto afeta a sua estrutura. sendo plásticos e coesos quando úmidos. com formação de torrões. Em agronomia. através do método de pesagens. o volume de poros e as características de retenção de água. nesse caso.cm-3. 4) Porosidade do solo O volume total de poros do solo (Vp) se chama de espaço poroso. quanto mais estruturado e maior o teor de matéria orgânica do solo menor será seu peso específico aparente. 30 . do teor de umidade do solo. 3) Peso específico do solo O peso específico das partículas (ou peso específico real) do solo está em torno de 2. ms m a   s V s  V p Vt (2) Logo. de boa drenagem. quando secos.

31 . Quanto maior a porosidade. a% é a relação entre o peso de água (mw) e o peso de sólidos do solo (ms). % Vp = 100 Vp = 100 % Vs a Vt r Vp  1 a r (4) Os valores de Vp variam de 0. sendo neste.6. que são mais estáveis. devido à estruturação. b) a umidade pode ser expressa com base em volume. dependendo do peso específico aparente. Considera-se o solo seco. a porosidade bastante variável.O volume total (Vt) é igual ao volume de partículas (Vs) adicionado do número de vazios (Vp). O cultivo e as culturas afetam o espaço poroso. ou teor volumétrico de água () e baseado no volume total do solo. logo: % (3) logo. no caso de computação9 de quantidades de água adicionadas ao solo por irrigação ou chuva e retiradas por drenagem ou evapotranspiração. daí os solos de textura fina terem maior capacidade de retenção e disponibilidade de água às plantas do que os de textura grosseira. A profundidade do solo é negativamente correlacionada com os espaços porosos. Matematicamente pode expressá-lo como: m a%  w 100 ms (5) ou seja. embora possuam poros individuais maiores. O valor do teor de umidade a pode variar de 0 a 60 %. 5) Umidade do solo A Umidade do solo pode ser expressa de duas maneiras: a) em relação à massa de sólidos. quando colocado em estufa a 105/110º C. contrariamente aos arenosos. geralmente chamada de “base em peso seco” (a). até peso constante. maior a capacidade do solo em armazenar água.3 a 0. Solos de textura grosseira são menos porosos que os de textura fina. Pode ser representada por:  (6) Vw Vw  Vt V s  V p O uso de  torna-se mais adequado que a.

etc.2 Movimentação da água no solo A entrada de água no solo. Um exemplo extremo é oferecido pelo estado da superfície do solo sob as copas de arbustos de baixo crescimento. infiltração de água. Há plantas adaptadas ao déficit de ar. pois a água sempre procura regiões de potencial mais negativo (Figura 1). em solos de textura fina. devido à constante movimentação de água e. como é o caso da irrigação por sulcos. por exemplo. dos processos bioquímicos e outros. concentrado na superfície das partículas e dissolvido na água do solo. a infiltração (e redistribuição) dá-se em todas as direções. dependendo de sua quantidade e mobilidade. proveniente de chuva . isso resulta em escoamento. A composição do ar do solo altera-se constantemente com as mudanças da atmosfera em conexão às flutuações diárias de temperatura. danos para a estrutura do solo.03 % de CO2 e o do solo tem 0. em média na camada superficial. a água continua distribuindo-se dentro do solo.2 a 1%. variando em composição de um local para outro. poderá haver aeração deficiente. como o arroz. Outras adaptações que ocorrem são os sistemas de raízes rasos e a respiração anaeróbica. sujeita a repetidas batidas por gotejamento pesado da folhagem. Se a precipitação é na forma de grandes gotas com alta energia cinética. irrigação ou inundação é governada pela taxa de infiltração ou taxa de percolação. velocidade do vento. que possui grandes espaços porosos internos. O ar encontra-se me três condições: livre. pois há diminuição na espessura do filme de água através da qual a difusão ocorre. ocupando os solos livres de água.. 5. Durante o processo de infiltração e após ter cessado. Se a água chega sobre a superfície do solo a uma taxa que excede a taxa de infiltração máxima. tem teor de umidade mais elevado que o ar atmosférico. o ar atmosférico tem 0. adsorvido. As relações solo-água afetam a composição do ar do solo. A composição do ar do solo não é constante. há aumento do volume de ar e maior razão de troca entre o ar do solo e as raízes. aproximando-se. o teor de oxigênio do ar atmosférico é cerca de 20 % e do solo pode atingir 10 a 12 %. Quando o fornecimento de água é localizado. 32 . isso também danifica a estrutura do solo e reduz a taxa de infiltração. o ar do solo não é contínuo. redução na taxa de infiltração e conseqüente aumento na taxa de escoamento. diferindo marcadamente do ar atmosférico. à medida que o teor de água do solo decresce.6) Ar do solo O ar do solo é fonte de oxigênio para as raízes das plantas e para os microrganismos aeróbicos. geralmente dos 100 % de umidade relativa.

Figura 1. Irrigação por sulcos ou por gotejamento. Durante o processo de infiltração, se o solo estiver relativamente seco, existe uma diferença “visível” entre o solo molhado pela lâmina de água que avança e o solo seco. Este plano é denominado de frente de molhamento (Figura 2).

Figura 2. Frente de molhamento. O processo de infiltração ocorre porque a água da chuva ou da irrigação tem potencial aproximadamente nulo e a água do solo tem potencial negativo, isto é, tanto mais negativo quanto mais seco é o solo. A água é retida no solo, isto é, em seus poros, devido a fenômenos de capilaridade e adsorção. A capilaridade está ligada à afinidade entre as partículas sólidas do solo e a água, havendo a necessidade de interfaces água-ar. Estas interfaces água-ar, chamadas de meniscos, apresentam uma curvatura que é tanto maior quanto menor for o poro. A curvatura determina o estado de energia da água e, por isso, diz-se que tanto menor o poro, tanto mais retida se encontra a água. Assim, para esvaziar um poro grande precisa-se aplicar menos energia do que para esvaziar um poro pequeno. Como o solo possui uma grande variedade imensa de poros, em forma e diâmetro, quando se aplica uma dada energia ao solo (através de sucção), esvaziam-se inicialmente os poros maiores. Aumentando-se a energia aplicada, esvaziam-se cada vez poros menores.

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A capilaridade atua na retenção de água dos solos na faixa úmida, quando os poros se apresentam razoavelmente cheios de água. Quando um solo se seca, os poros vão se esvaziando e filmes de água recobrem as partículas sólidas. Nestas condições , o fenômeno de adsorção passa a dominar a retenção de água. A energia de retenção da água nestas condições é muito maior ainda e, por isso, grandes quantidades de energia são exigidas para se retirar esta água do solo. Muitos fatores afetam a retenção da água em um solo. O principal deles é a textura, pois ela diretamente determina a área de contato entre as partículas sólidas e a água e determina as proporções de poros de diferentes tamanhos. A textura refere-se apenas ao tamanho da partícula e, além do tamanho, também é de grande importância na retenção de água a qualidade do material, principalmente das argilas. Existem argilas que, devido às suas características cristalográficas, tem ótimas propriedades de retenção de água, como por exemplo a montmorilonita, a vermiculita e a ilita. Outras argilas como a caulinita e a gibsita, já não apresentam boas propriedades de retenção de água. A matéria orgânica também apresenta boas propriedades de retenção de água, por isso, adições repetidas de esterco ou matéria orgânica ao solo, podem aumentar suas propriedades de retenção de água. 5.3 Acumulação de sais no solo A carga salina de uma fonte de água pode ser aumentada por irrigação excessiva de culturas, com aplicações pesadas de fertilizantes rio acima, por evaporação dos reservatórios, por reciclagem e re-uso de água e por poluição direta de resíduos industriais e depósitos de materiais, como cinza de combustível pulverizado, escória e resíduos de carvão. Salinidade em excesso é prejudicial para as culturas por causa da pressão osmótica na água do solo e também da toxidade dos próprios sais. Além dos íons metálicos comuns, elementos como boro, arsênico e selênio e os metais pesados podem estar presentes em concentrações tóxicas. As culturas variam em sua sensibilidade aos elementos tóxicos e os solos variam em sua habilidade de ocluir ou liberar materiais prejudiciais. A água, normalmente se move para baixo através do solo, mas sob condições de alta evaporação existe movimento lento para cima por capilaridade; a evaporação água da superfície do solo pode então concentrar solutos a tal extensão que a alta pressão osmótica resultante pode interferir na absorção de água e assim reduzir o crescimento vegetal independentemente de que quaisquer elementos particulares estejam numa concentração fitotóxica. Águas moderadamente salinas podem ser usadas para irrigação, contanto que seja aplicada em excesso, em cada irrigação, de modo que exista drenagem e lixiviação dos sais prejudiciais fora da zona das raízes. Isso não é uma prática de irrigação válida onde há água de boa qualidade e disponível. Em casas de vegetação, a concentração de cloro é mais prejudicial do que a concentração salina total e onde culturas são regularmente supridas com fertilizante dissolvido na água de irrigação, fertilizantes livres de cloro são comumente usados. O cloreto prejudica as plantas enquanto o sódio danifica a estrutura do solo, especialmente de solos com alto teor de argila, ou limosos e barro-limosos. A Tabela 2 mostra a tolerância relativa ao íon cloreto, de plantas de diferentes culturas; por proeminência entre estas estão a beterraba e outras plantas cultivadas, derivadas de espécies da costa marítima. Concentrações tão baixas quanto 3 mm/l de cloreto (105 ppm de Cl) na água de irrigação tem prejudicado citrus maduros, frutos com caroço e amêndoas.

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Tabela 2. Tolerância de culturas típicas a concentração de íon cloreto no solo à capacidade de campo. Concentração de Cloreto (g Cl -/ l) 0,35 Culturas que sofrem 10 % de redução na produção morango tulipa feijão trevo maçã narciso ervilha ameixa azaléa framboesa gladíolo cebola milho rosa cenoura crista de galo alface prado rabo-deraposa Uva crisântemo couve-flor trigo cravo repolho aveia clematite batata alfafa centeio beterraba beterraba vermelha branca aspargo manga espinafre couve cevada Taxa de sensibilidade

Muito sensível

0,75

Sensível

1,45

Moderadamente tolerante

2,50

Tolerante

5.4 Armazenamento de água no solo Os corpos, na natureza, possuem energia em diferentes formas e quantidades. Considerando-se que a energia cinética da água no solo tem valores baixos, a de retenção torna-se importante. As propriedades físicas do solo (textura, estrutura, etc) afetam a capacidade de retenção. Solos de textura mais fina retém água em maior quantidade que os de textura grosseira. Isto se deve à maior área superficial daqueles. Pode-se demonstrar isto facilmente: duas provetas com dois solos, diferenciados texturalmente, recebem pequena e igual quantidade de água; logo se percebe que a velocidade de movimentação é diferente em ambos e que o argiloso retém aquela mesma quantidade de água num volume de solo menor. Forças de atração bastante elevadas existem entre as partículas do solo e as moléculas de água e são responsáveis pelo abaixamento da energia potencial da água do solo. De acordo com Slatyer (1967) existem dois mecanismos principais pelos quais a água é retida no solo, que são provenientes das interfaces ar-líquido e sólido-líquido. A tensão superficial é a principal força atuante na interface ar-água e desenvolve interfaces curvas nas proximidades das partículas (Figura 3). Se o solo não se trincar a partir da saturação enquanto a água estiver sendo removida, a tensão, atuando nas interfaces curvas, consegue equilibrar-se com as forças extrativas, constituindo-se no principal mecanismo de retenção da água.

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A tensão superficial e a repulsão entre partículas freqüentemente atuam simultaneamente, desde que a extração de água é geralmente acompanhada por algum fendilhamento e alguma entrada de ar.

Figura 3. Retenção de água devido às forças desenvolvidas na interface águaar.

Solutos osmoticamente ativos abaixam a pressão relativa de vapor d’água do solo, constituindo-se noutro fator de retenção, porém, não atuam contra uma pressão, a não ser que a força aplicada o seja através de uma membrana impermeável aos solutos. No caso de raízes, que são dotadas de camadas de células com diferentes permeabilidades à solução do solo, a maior ou menor concentração de sais torna-se importante para a disponibilidade de água às plantas, pois afetam a energia distendida por estas na absorção. Saliente-se que a interface água-ar funciona como uma membrana semipermeável, portanto, age sobre a evaporação e a difusão de vapor através do solo. 5.4.1 Limite inferior de água disponível (ponto de murchamento permanente) As forças que retém a água no solo aumentam coma diminuição de umidade (Figura 4). Assim, existe uma sucção total a que a água não mais passará do solo para as raízes; então, a perda por evaporação excede a entrada, e as folhas murcham. Para muitos solos isto acontece em aproximadamente 15 bars e a umidade dos solos a 15 bars tem sido comumente referida como “o ponto de murchamento permanente” (ou “percentagem”). O conceito é aberto à discussão, porque ele sugere que todas as espécies se comportem similarmente em diferentes solos. Uma das espécies que mostra murchamento a diferentes sucções em dois solos é o girassol, uma planta freqüentemente usada para a determinação biológica do ponto de murchamento permanente. Método do girassol para determinar o ponto de murcha permanente. Girassol é crescida numa amostra de solo de aproximadamente 200 ml, contida numa lata que não deixa vazar água. Quando se percebe que as raízes preencheram completamente a amostra inteira, a superfície do solo é selada com uma capa impermeável ou com cera, e a água não é mais aplicada. A planta é examinada diariamente e, quando se viu que o seu primeiro par de folhas verdadeiro murchou, a cultura é colocada numa atmosfera saturada

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(uma redoma contendo um recipiente com água). Se as folhas não retomam à turgidez, o solo assume o ponto de murchamento permanente e sua umidade é determinada gravimetricamente. Para determinar o ponto de murcha no laboratório, uma amostra de solo é trazida ao equilíbrio de umidade à 15 bars no aparelho de membrana de pressão e sua umidade determinada gravimetricamente.
É, portanto, melhor se referir ao limite inferior de água disponível como a umidade a 15 bars, omitindo-se referência ao comportamento da planta. Entretanto, a determinação física da umidade de equilíbrio de um solo, à pressão de 15 bars, requer aparelhos muito mais complicados do que o teste biológico. Resultados do teste biológico são aceitáveis, contanto que sejam claramente definidos como a condição de umidade a que uma planta específica, normalmente girassol, murchou e não recobrou a turgidez, mesmo quando suas folhas foram colocadas numa atmosfera saturada.

Figura 4. Curva característica de perda de água, para um solo barro-arenoso e um solo argiloso; metade da água no barro-arenoso é retida a uma sucção matricial abaixo de 2 bars, mas, no argiloso, metade da água é retida acima de 4 bars ( hachuriado – água retida a alta sucção; pontuado – água retida à baixa sucção). 5.4.2 Limite superior de água disponível (capacidade de campo) O solo saturado se encontra em um estado instável; a água é puxada para baixo pela gravidade aumentada pela sucção exercida pelas zonas não saturadas inferiores. A ação da gravidade é constante, mas a ação das zonas não saturadas depende de sua condição de umidade; quanto mais secas elas são, mais fina é a camada de água ao redor de cada partícula de solo e, consequentemente, maior a tensão superficial ou sucção. A ação de uma zona não saturada depende também de sua profundidade vertical abaixo, porque existe uma coluna

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38 . A umidade de equilíbrio é então determinada gravimetricamente. quando a drenagem é considerada estar a uma taxa baixa. por observação. Quando essa coluna termina em um lençol freático onde existe água livre.1 bar. Se o lençol freático está a dois metro. de potencial máximo ou sucção mínima. usando-se o aparelho de membrana de pressão.1 metro de altura é colocada sobre o solo e cheia com água. O efeito desta sucção é drenar água para fora da zona saturada e substituí-la com ar vindo da atmosfera. assim a sucção. quando o solo parece. depende de muitos fatores. a sucção máxima possível é 0. As amostras são trazidas ao equilíbrio de umidade a 0. por exemplo no início da primavera no Reino Unido. uma armação de madeira de aproximadamente 1 metro quadrado e 0. Em solos com água disponível especialmente livre. essa limitação de seu comprimento limita obviamente a sucção total sobre o solo saturado acima. a que um solo saturado drenado livremente é sujeito. Uma cobertura impermeável evita a evaporação e depois de 48 horas ou mais. amostras de solo são retiradas para determinação gravimétrica de sua umidade. Não é certamente a mesma para todos os solos e todas as condições.33 bar. estar à capacidade de campo. quanto mais baixa a umidade. A determinação gravimétrica da umidade do solo é feita em amostras retiradas. qualquer que seja considerada como equivalente à capacidade de campo para o solo particular. a qual é permitida percolar no solo. A capacidade de campo pode também ser medida no laboratório.2 bar.1 bar sobre a mesa de tensão ou mesa de areia (Figura 5) ou a 0. mais fina a camada de água ao redor de cada partícula do solo e mais altas as forças que lá a retém e lhe impedem o movimento. Em outras estações. A taxa de drenagem depende da condutividade do solo a qual depende da umidade.contínua de água ligando as partículas de solo e isso origina uma pressão hidrostática negativa simples ou sucção. a sucção correspondente à capacidade de campo é não mais que 0.

Na literatura isso é normalmente encontrado expresso na base de volume em unidades de milímetros de água por cem milímetros de profundidade de solo. e a absorção cessa. As amostras de solo em cilindros de metal sem fundo são colocadas sobre a superfície de areia para atingirem o equilíbrio de umidade e então sua umidade é determinada gravimetricamente. o sorvedouro é cheio com água e primeiro areia grossa e então areia fina adicionada de maneira que se assentem sob a água. a sucção do solo aumenta e a absorção de água pelas raízes se torna crescentemente difícil. 5. no ponto de murcha permanente. a capacidade de água disponível no solo ou capacidade do reservatório do solo. 39 . Para montagem. O dispositivo de sucção constante “bebedouro de galinha” (à esquerda) é abaixado para produzir a tensão necessária que é checada na superfície de areia pelo tensiômetro horizontal (à direita). Quando o reservatório está cheio. ou polegadas de água por profundidade de um pé. a sucção do solo excede a sucção que pode ser exercida pela planta.4. até que. segue-se que a diferença entre esses dois parâmetros representa a água que as plantas podem extrair do solo ou seja. mas esta é insuficiente para suportar o crescimento. o potencial de água do solo é alto e a ela está prontamente disponível para a absorção das plantas.3 Capacidade de água disponível A partir das definições de capacidade de campo e ponto de murcha permanente. Tem sido mostrado que mesmo além do ponto de murcha permanente. Desse modo. uma quantidade muito pequena de água continua a entrar na planta. À medida que a quantidade de água do reservatório diminui. o ar é removido por manipulação de torneiras.Figura 5. Mesa de tensão de areia.

Como é difícil separar todos 40 . que é aquela que um corpo possui em virtude de sua posição em campos de força. DA . é necessário considerar vários campos de força. A pedra. a água em um ponto a 2 metros de profundidade em uma piscina. que é aquela que os corpos possuem em virtude de seu movimento. Para definir o estado de energia da água dentro do solo.z1) e é energia adquirida pela pedra na nova posição z2. a característica mais importante do solo. sua energia cinética é geralmente desprezada com segurança. PMP . o que é completamente arbitrário. No solo e na planta. a velocidade da água é relativamente pequena e. é capacidade de produzir trabalho.capacidade de água disponível. Trata-se de campos de força que são responsáveis pelos fenômenos de tensão superficial. Energia. que é uma força igual a mg. Esta fato decorre da escolha da superfície do solo como referência. está submetida a uma pressão hidrostática de uma coluna de água de 2 metros de altura. Esta pressão é. sendo g a aceleração da gravidade. sendo m a massa do corpo com velocidade v. libera esta energia mg (z2 – z1). Em decorrência disso. CC . A energia pode ser cinética.ponto de murchamento permanente. quantitativamente dada por ½ mv2 . adsorção.5 Energia da água no sistema solo-planta-atmosfera Depois da umidade. A energia potencial gravitacional na posição z1 é mgz1 e na posição z2 é mgz2. todos os valores seriam positivos. todos os corpos da superfície da Terra são atraídos na direção de seu centro. aparece o peso dos corpos. ao voltar de z2 para z1 . Considerando a água no solo. por isso. etc. 5. Este trabalho é mg (z2 . em termos bem simples. Devido à sua existência constante. por exemplo. organizadas em dada estrutura (também chamadas de matriz do solo) e a água.densidade aparente. Se escolhêssemos como referência o topo do morro. capilaridade. Se uma pedra de massa m é elevada de uma altura z1 para uma altura maior z2. provavelmente. Um exemplo de campo de força é o campo gravitacional. Assim. todos os valores seriam negativos e se escolhêssemos o fundo do poço. A energia gravitacional pode ser tanto positiva como negativa. uma energia por volume. O comprimento pode ser entendido como a profundidade desejada onde se quer calcular a capacidade de água disponível. Estes fenômenos são o resultado da interação entre as partículas sólidas do solo. A energia pode também ser potencial. o campo gravitacional de forças pode ainda afetar o estado de energia da água através de uma pressão.capacidade de campo. o estado de energia da água é. CAD . A energia potencial gravitacional é medida pela força necessária para mover um corpo contra este campo de força gravitacional e é o produto da força pela distância a que o corpo se moveu (na direção das linhas de força do campo). Isto também acontece com a água no solo.CAD  CC  PMP  X DA X 100 Comprimento (7) onde. que é adicional à energia gravitacional. é preciso ser feito trabalho. não só o gravitacional. na verdade.

a tendência natural da água é passar do solo para a planta e da planta para a atmosfera.2 Gradiente de potencial O gradiente é uma grandeza física que mede o sentido no qual um campo potencial apresenta maior crescimento.5. logicamente a diferença de potencial entre A e B é:  = A B (8) Se A é maior que B. entre os quais  foi medido. em pleno desenvolvimento. o resultado será o Newton. 5. Ela procura espontaneamente o estado B. porém. o gradiente de  sempre será força por unidade de volume de água.3 Componentes do potencial da água a) Componente gravitacional ( g) Considerando apenas o campo gravitacional. a presença de solutos na água do solo também afeta seu estado de energia. ela é chamada de potencial total e o símbolo mais freqüente é . eles todos são considerados em conjunto e de sua atuação resulta a energia potencial. dependendo das unidades de  e de x.5. igual à força responsável pelo movimento da água. geralmente não é importante. que tem valor zero no plano de referência. então. positiva acima dele e negativa abaixo dele. Por simplicidade. obtemos o gradiente de potencial na direção A e B. g  mgz  dgz V (10) onde d – densidade da água (massa por unidade de volume) igual a 1 g. se a diferença de potencial  =  A . liberando a energia . Por exemplo. para que ela passe de A para B. Desse movimento resulta o fluxo de evapotranspiração. Ela é importante na presença de membranas semipermeáveis.5 atm e na atmosfera da ordem de –100 atm.cm-3 41 . Se A é menor que B. Assim. O gradiente potencial é. A energia potencial total da água é a soma de todas as energias acima discutidas. o que significa que precisamos dar energia  para a água. 5.  é positivo. mais estável. Além dos fenômenos matriciais. designada matricial. esta energia potencial chamada de osmótica. cm H2O/cm. que depende da posição na qual ela se encontra. Como Os solutos se movem junto com a água. de menor energia. o que significa que a água ao passar de A para B o faz espontaneamente. a água tem uma energia potencial gravitacional. em uma cultura agrícola. que permitem a passagem da água e não dos solutos. Lembrando ainda que  é medido em energia por volume. O plano de referência é o estado padrão para a gravidade e o plano mais comumente escolhido é a superfície do solo. na planta da ordem de . B (onde  A é maior que  B) for dividida pela distância x entre os pontos A e B.5.  é negativo.estes fenômenos para fazer uma análise detalhada.1 Diferença de potencial Se o potencial da água em dado ponto A no solo é (A) e em outro ponto b é (B). Desse modo. ou grad : grad   x (9) As unidades de gradiente potencial podem ser as mais variadas possíveis. de sentido contrário. 5. Esta é a componente gravitacional. e se  for medido em pascal e a distância em m. em relação a um dado plano referencial. Assim. se o potencial de água no solo é da ordem de –1 atm. podemos Ter atm/cm.

assume-se  p = 0. qualidade das partículas sólidas. Imagine um solo inundado. A componente de pressão é medida em relação a uma condição padrão. quanto maior a pressão. portanto.  g é importantíssima. que aumenta o estado de energia da água em relação ao ponto A. d) Componente osmótica ( os) Considerando os íons e outros solutos encontrados na água do solo. nos quais a energia é mais negativa. No ponto B. Esta interação se refere a fenômenos de capilaridade e adsorção e eles conferem à água estados de energia menores do que o estado da água “livre” à pressão atmosférica e. ou 0.  p depende do valor da carga hidráulica que atua sobre o solo. Como conseqüência. muitos autores a denominam de componente de pressão negativa ou mesmo tensão da água no solo. como para este último é atribuído o valor zero (estado padrão). também chamadas de matrizes do solo. tensão superficial da água. Aparecem meniscos e a capilaridade começa a atuar. menor o estado de energia da água e.  m é medido. mais negativo  m. nestas condições. distribuição de poros segundo seu diâmetro médio. dada em 0K e C a concentração de soluto.019 atm. Na prática. teremos a pressão atmosférica local e. energia por volume. Portanto. o solo vai se tornando não saturado e o ar repõe a água inicialmente nos poros maiores. portanto. ou 20 cm H 2O ou 1. tomada como sendo a da água submetida à pressão atmosférica local e.cm-3) (981 cm. em um líquido de densidade d. teremos:  p = (1g. No ponto A. Observa-se que quanto mais concentrada a solução. no qual todos os poros estão cheios de água. Daí.96 kPa. Uma forma aproximada de calcular a componente osmótica é através da equação de van’t Hoff:  os = . Com a saída de água. 42 . afinidade entre a água e as superfícies sólidas. não existem meniscos (interfaces água/ar) e a adsorção também é nula. Para um solo saturado. etc. superfície específica do solo. Os fenômenos de capilaridade e de adsorção dependem principalmente do arranjo poroso. que é uma pressão positiva. A água sempre vai ocupar os poros menores. atua carga hidráulica de 20 cm.RTC (12) onde R é a constante geral dos gases. Por isso.  m = 0. maior o estado de energia da água.b) Componente de pressão ( p) A pressão a qual a água pode estar submetida é. T é a temperatura absoluta da solução.62 bária. a componente matricial torna-se cada vez mais negativa. acima da atmosférica. Da hidrostática sabemos que a pressão em um ponto situado a uma profundidade h. para o ponto B. na verdade. mais negativo o valor de  os. Nestas condições a componente matricial é nula ( m = 0). quanto menor . e esta energia referente à pressão é denominada de componente de pressão  p. e) Potencial total de água () O potencial total de água é a soma de todas as componentes e é dado pela equação:  =  g +  p +  m +  os (13) No solo  No solo saturado e imerso em água  = g + p Neste caso.  p = 0. é dada por:  p = dgh (11) Assim.s-2) (20 cm) = 19. não calculado. além da pressão atmosférica. a água adquire uma energia potencial osmótica e esta é a componente  os . pois não há interfaces água/ar e  os não é considerado por não haver membrana semipermeável. a componente matricial  m será sempre negativa. com uma lâmina de 20 cm de água sobre sua superfície. c) Componente matricial ( m) Esta componente se refere aos estados de energia da água devidos à sua interação com as partículas sólidas do solo.

 m vai ganhando importância até que. porém. raízes e tubérculos podem apresentar valores bem negativos de  m.  p = 0 e  os não é considerado por não haver membrana semipermeável. em conseqüência.  p tende para zero e a planta entra em murcha. Como não existe água livre no sistema. portanto. o potencial muito negativo da água da atmosfera é o responsável pela grande perda de água pelas folhas e. Por isso. que a atividade metabólica da planta é responsável pela composição da água da planta (sais minerais. Em plantas que se encontram transpirando água em taxas médias e altas. a turgidez pode arrebentar a célula. 5. energia metabólica da planta . a água líquida nos terminais do xilema na folha assume 43 . Na atmosfera  = p Na atmosfera a água encontra-se na fase de vapor e seu estado é definido pela pressão parcial de vapor e.  Tecido vegetal fibroso ou lenhoso  =  m +  os Aqui aparece a componente  m. Esta parte é comumente aceita como sendo a água retida entre a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente.  =  m. estas não despendem diretamente energia.  os aparece devido à presença de solutos na água da planta. de pressão e osmótico. Em caso de falta de água.  m e  os não entram em consideração pelo fato de se tratar de vapor d’ água “dissolvido” em ar.  p é o turgor celular. sementes são ávidas por água e absorvem com rapidez. É claro. porque as fibras de celulose e aglomerados de amido comportam-se como matriz sólida do solo. Mostrou-se também que as forças responsáveis pelo movimento de água no sistema solo-planta-atmosfera são os gradientes de potenciais gravitacionais. Como  os também é negativo. O que se quer dizer é que no processo de absorção de água do solo pelas plantas. matricial. Com este decréscimo da umidade. mostrou-se que apenas parte da água que um solo pode reter fica disponível para as plantas. muitas vezes dobrando seu volume.6 Absorção de água pelas plantas Ao abordar o solo como um reservatório de água. para o solo bem seco. A absorção de água não consome. açúcares. uma pressão positiva que aparece em células túrgidas devido à entrada de água em um volume celular limitado. Solo não saturado  = g + m Neste caso. etc) e que esta determina o potencial osmótico.  g é de grande importância na faixa úmida e vai perdendo importância com o decréscimo de umidade. sendo o movimento de água um processo espontâneo à procura de um potencial (ou estado de energia) mais baixo. Sementes e outros tecidos lenhosos em caules. Em casos extremos. Passagem da água do solo para as raízes  Solo inundado (por exemplo: arroz irrigado)  =  g +  p +  os  Solo não saturado (por exemplo: arroz de sequeiro)  =  g +  m +  os Na planta  Em células de tecido tenro (por exemplo: folha)  =  p +  os Neste caso.  g é desprezado. o valor final de  fica bem negativo.

com temperatura ideal (25 a 300 C) é principalmente controlada pela taxa de transpiração. da absorção de água. sem obedecer uma ordem preferencial. Já em plantas que se encontram a baixas taxas de transpiração. (3) plantas em dormência (sem ou quase sem folhas). Referentes ao solo umidade do solo capacidade de água disponível condutividade hidráulica do solo temperatura do solo aeração do solo salinidade da água do solo A absorção de água por plantas em solo úmido. Esta absorção é geralmente denominada absorção passiva. e o caso da seiva que escorre de plantas dormentes recém-podadas. Referentes à planta: extensão e profundidade do sistema radicular superfície de permeabilidade radicular idade da raiz atividade metabólica da planta B. Em condições de campo. Estes fatores. bem aerado. Esta absorção é denominada absorção ativa.6. o que acontece em casos de: (1) atmosfera saturada (ou perto da saturação). pelo aumento da concentração salina da água do solo. reduz a permeabilidade radicular e sua acumulação no tecido vegetal inibe processos metabólicos. o fluxo de água no solo (ou do solo para as raízes) O aumento da concentração salina da água do solo diminui o gradiente de potencial entre o solo e a raiz. Referentes à atmosfera umidade relativa do ar disponibilidade de radiação solar vento temperatura do ar C. determinando. reduz o crescimento radicular. por temperatura baixa (tanto do solo como do ar) e por aeração deficiente.potenciais bem negativos. geralmente denominada pressão de raiz. a absorção de água é freqüentemente limitada pela extensão (e profundidade) e eficiência dos sistemas radiculares.1 Fatores que afetam a absorção d água pelas plantas São inúmeros os fatores que afetam a absorção de água pelas plantas. 44 . isto é. Os fatores do solo atuam variando o gradiente de potencial total da água e a condutividade hidráulica. (2) pouca energia disponível para o processo de evaporação. que acontece pela madrugada. desta forma. Esta grande diferença de potencial de água entre folhas e o solo é que causa o grande fluxo de água na planta. 5. É o caso da gutação nas bordaduras das folhas. sendo que a importância de cada um é relativa. pelo decréscimo da umidade do solo. dependendo de cada caso em particular. a principal força responsável pelo fluxo de água é o gradiente de potencial osmótico. quando praticamente não há transpiração. A água na planta assume pressão positiva. são: A.

Na camada superficial. A estrutura do vento. o deslocamento do plano zero d é introduzido e a equação (1) transforma-se em. U z   (1) u z ln k zo onde U(z) é a velocidade média do vento para a altura z. Da descrição do perfil. por duas razões. 6. é possível estimar a efetividade dos processos de troca vertical. sob condições de estabilidade atmosférica neutra. A forma típica do perfil do vento médio. pelo menos. é pequena e pode ser negligenciada quando os efeitos do atrito da superfície dominam. vórtices ou turbilhões. normalmente referenciada como elementos de rugosidade. o movimento do ar é altamente irregular e é caracterizado por flutuações. como por exemplo dosséis. Pequenas flutuações associadas com altas freqüências são principalmente devido a turbulência mecânica gerada pelos efeitos do atrito com a superfície. nesta camada. u* é a velocidade de atrito e zo é o comprimento de rugosidade. é também possível estimar a velocidade do vento em outros níveis para várias aplicações. num nível fixo ou de referência. Para perfis da velocidade média do vento sobre superfícies rugosas. A superfície é considerada “rugosa” se ela é coberta com protuberâncias.Unidade 6: VENTO 6. pode ser descrita como uma função logarítmica da elevação. sobre um local relativamente liso e aberto.1 Introdução A camada superficial estende-se desde o solo até 50 ou 100 metros de altura e é dominada por forte mistura ou movimentos turbulentos.2 Perfil da velocidade do vento próximo ao solo O conhecimento da forma do perfil do vento (variação da velocidade do vento com a altura) é necessário. Os efeitos da rotação da Terra. Com o conhecimento da velocidade do vento. é principalmente determinada pela natureza da superfície subjacente e pelo gradiente vertical de temperatura do ar. Grandes flutuações associadas com baixas freqüências são resultantes da turbulência térmica gerada devido aos efeitos da flutuação. a força de Coriolis. a camada de maior interesse em Micrometeorologia. 45 .4). k é a constante de von Karman (valor em torno de 0.

Algumas vezes ocorre o encurvamento. Com o conhecimento de zo e d.5 e 0.U z   (2) A velocidade de atrito u* é dada por. a é a densidade do ar e u* representa a velocidade característica do fluxo e diz respeito a efetividade da troca turbulenta sobre a superfície. d.8. O problema da estimativa precisa de zo e d é aumentado devido ao fato de que os cultivos. pode-se encontrar o valor de d.d). como em cereais. d/h está no intervalo entre 0. Por erros e tentativas. que é. As razões d/h e zo/h depende do espaçamento dos elementos de rugosidade e da razão de área acumulada de cada elemento por unidade de área da superfície subjacente. u z  d ln k zo   u     a (3)     1/ 2 onde  é a tensão de cizalhamento. o perfil completo do vento acima do dossel pode ser obtido do valor de U num nível fixo ou de referência. zo é determinado pelas medidas extrapolantes de U(z) e ln z para o ponto onde U = 0. A interseção do eixo (z – d) dá zo e o declive da linha reta é u* / k. pode ser considerado como indicativo para o nível médio no qual o momentum é absorvido pelos elementos individuais da comunidade de plantas. O comprimento de rugosidade ou parâmetro de rugosidade zo é uma medida da rugosidade aerodinâmica da superfície sobre a qual o perfil da velocidade do vento está sendo medido. Alguns cultivos tornam-se “projetados em forma aerodinâmica” devido a força do vento. O parâmetro de rugosidade para cultivos está em torno de um ordem de grandeza muito menor do que a altura do cultivo. ajusta-se à força mecânica do vento. 46 . baixos ou altos. Em geral. O deslocamento do plano zero. o nível de ação do arrasto do volume aerodinâmico da comunidade vegetal. No caso de cultivos e outras superfícies rugosas ln z é substituído por ln (z . tal que a plotagem de U (em escala linear) versus (z – d) (na escala logarítimica) torna-se uma linha reta.

fica em completo equilíbrio com as novas condições limites. Figura 1.2. respectivamente (z1 pode ser considerado o nível de referência). É importante notar que a validade das equações do perfil logarítimico do vento. Desenvolvimento de uma camada limite interna quando o fluxo de ar passa de uma superfície lisa para uma rugosa. está sujeito a duas considerações importantes: (1) a existência de estabilidade atmosférica neutra. é chamada de camada limite interna. equações (1) e (2). (2) d disponibilidade de ‘fetch” adequado. isto é.1 Camada limite interna e fetch adequado Cada campo ou característica da superfície ao variar a rugosidade ou altura das protuberâncias.U 2 ln  z 2  d   ln z o  U 1 ln  z1  d   ln z o (4) onde U1 e U2 são as velocidades médias para as elevações z1 e z2 . pode ser obtida de acordo com Munro e Oke (1975) por. medida acima do deslocamento do plano zero. 47 . A espessura . A espessura desta camada totalmente ajustada. da camada limite interna aumenta com o fetch ou distância da borda. afeta o fluxo de ar que passa sobre ele. . afetada pela nova superfície subjacente. A camada de ar. O movimento do vento após sofrer a mudança da rugosidade da superfície começa a se ajustar às novas condições da superfície limite (Figura 1). 6. na direção do vento. coberta por vegetação. Experimentos em túneis de vento e outros estudos micrometeorológicos sugerem que somente os 10 % mais baixos da camada limite interna é totalmente ajustada.

1 h) é idêntica àquela acima do dossel.2.2 Velocidade do vento dentro do dossel vegetativo São muitas as dificuldades envolvidas na descrição precisa do perfil da velocidade do vento médio. Um bom exemplo da complexidade da estrutura do vento no dossel pode ser visualizada na Figura 2. O topo da camada (d<z<h) é a camada que exerce muito arrasto no vento acima do cultivo.1 h<z<d) está compreendida desde os galhos até a base do cultivo. A velocidade do vento dentro do dossel é ainda difícil de ser estabelecida. Campbell (1977) considerou que o regime do fluxo dentro do dossel é dividido em 3 camadas. a qual mostra a forma de um perfil típico do vento. A segunda camada (em torno de 0. Lá. 2.1x 4 / 5 z 1 / 5 o (5) onde x é a distância da borda. O perfil do vento na terceira camada (z>0. 1. 1  x   0. 6. na direção do vento e zo é o comprimento de rugosidade da nova superfície subjacente. 3. O perfil 48 . O vento nesta camada diminui exponencialmente com a distância abaixo do topo do dossel e tem a mesma direção do vento médio acima do dossel. o vento pode não ter relação nem com a velocidade nem com a direção do vento acima do dossel.

já tentavam encontrar alguma forma de proteger suas planta da adversidade do ambiente natural. Velocidade do vento acima e dentro de uma plantação. por reduzir estes estresses.3. As plantas. os cinturões verdes podem sombrear os cultivos próximos. particularmente sob condições de secas. Torna-se evidente que as árvores da faixa protetora compete com os cultivos adjacentes nos nutrientes do solo e na água e que.nesta camada é influenciado pelas rugosidades da superfície do solo ao invés das rugosidades do cultivo.1968) 6. nos tempos primitivos. também estão sujeitas ao prejuízo causado pelo resfriamento excessivo. se adequadamente planejado. o suficiente para reduzir sua produção. Os agricultores ou horticultores.1 Relações entre quebra-vento. pelo ressecamento devido aos ventos quentes. O consumo de calor em casas de vegetação é reduzido com quebra-ventos. ajudar a uniformemente distribuir água e assim melhorando o suprimento de umidade do solo para os 49 . crescimento de planta e produção Acredita-se que a maior influência dos quebra-ventos no crescimento das plantas. ou simplesmente pela pressão mecânica sobre o animal. ser profundamente benéficos ao crescimento de plantas. 6. altas temperaturas. Allen. é devido a re-distribuição e conservação de água no solo. ressecamento e injúria mecânica.3 Quebra-ventos O ambiente onde as plantas crescem nem sempre é o ideal ou ótimo para a produtividade. Quebra-ventos (qualquer estrutura que reduz a velocidade do vento) e faixa ou cinturão protetor (filas de árvores plantadas para proteção do vento) podem. Figura 2. Os problemas resultantes da velocidade do vento tem sido da maior importância na determinação das características agrícolas em muitas regiões do mundo Os quebra-ventos são também usados para outros objetivos mais específicos. Isto é em resposta ao desconforto físico causado pelo resfriamento provocado pelo frio. Pode-se observar que animais pastando procuram abrigar-se dos fortes ventos. conservação de umidade. Nas altas latitudes o quebra-vento pode.

O aumento da área foliar diminui a importância relativa do quebra-vento na evaporação direta do solo.3. Isto pode conduzir a um desenvolvimento mais rápido do estresse de umidade do solo. 50 . menos evaporação. A proporção relativa da água transpirada com relação a evaporada deve também aumentar.cultivos. Tem sido discutido se há aumento da produção de matéria seca ou produção da safra quando ocorre o aumento entre a razão de água transpirada e água evaporada. na área abrigada do vento. pode gerar uma importante vantagem na manutenção de melhores condições para germinação de sementes. por causa do efeito benéfico do quebra-vento. tanques de evaporação e solo umedecido em recipiente isolado. Plate (1971) distinguiu várias zonas.2 Velocidade do vento e turbulência nas áreas abrigadas do vento O objetivo do quebra-vento é reduzir a força do vento na região protegida do vento. poderia ser esgotada mais rapidamente e a taxa de evaporação diminuiria em poucos dias. é possível comparar o desenvolvimento de plantas protegidas contra o vento. com diferentes comportamentos aerodinâmicos na direção e contra o vento.. Uma taxa de evaporação muito baixa. geram grandes plantas e ramificação de raízes mais rápida. Esses métodos e técnicas medem o potencial de evaporação que ocorre com a disponibilidade irrestrita de água da superfície evaporante. algumas vezes são usados para estudar a influência do quebra-vento na evaporação do solo. Os resultados previstos são: menos vento. Modelos do fluxo do vento em torno das barreiras são muito complexos e difíceis de serem definidos com precisão. de uma barreira em forma de cunha. Atmômetros. de um solo protegido. Por exemplo. com aquelas não protegidas. Por reduzir a velocidade do vento. a evaporação direta da umidade do solo também é reduzida. 6. a água no solo numa área protegida do vento. Considerando que a transpiração é uma função somente da área foliar. O efeito do quebra-vento na evapotranspiração real é mais difícil de prever. sementes que germinam rapidamente. Assim.

Quebra-vento mais alto. Como mostrado na Figura 3. consequentemente. Se a barreira é muito baixa ou se tem grandes fendas nela. altura da barreira. porosidade e comprimento. não são relacionadas. a distância. em cerca de 50 %. Maior o quebra-vento. onde a velocidade é mais baixa. mais do que reduzir a velocidade do vento e. Para reduzir melhor a velocidade do vento e tornar maior a influência na direção do vento. assim como a subida do vento. A redução da velocidade do vento e a redução da turbulência. dependendo de suas alturas. maior será a distância da descida do vento. o dano às plantas será maior próximo às fendas. mais constante é a sua influência. Este aumento da porosidade permite a passagem do vento e previne o retorno turbulento do ar que tenha ultrapassado a barreira.15 h na direção do vento.Quebra-ventos variam na efetividade. pode ser aumentada para 20 – 25 h (Figura 4). uma densa barreira pode proteger uma área em torno de 10 . 51 . O comprimento da zona protegida é normalmente descrita em termos da variável h. A densidade da barreira deve aumentar logaritimicamente com a altura. o quebra-vento deve ser mais poroso próximo ao solo. os efeitos dos esguichos do vento podem realmente aumentar. de acordo com o perfil da velocidade do vento. Aumentando a porosidade. por um quebravento. maior a distância protegida na direção do vento. Brown e Rosemberg (1971) descreveram modelos da velocidade do vento e o grau da mistura turbulenta que ocorre na área abrigada. na direção do vento. A efetividade do quebra-vento é também influenciada pela estabilidade térmica: ar mais instável.

Influência de um quebra-vento denso na razão da velocidade do vento no quebravento (Us) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964). 52 .Figura 3.

Se a evaporação é também suprimida. Na área leste do quebra-vento o sombreamento ocorre pela manhã. Balanço de radiação A radiação solar global (Rg) e o saldo de radiação pode ser significantemente reduzido nas áreas sombreadas por quebra-ventos. será sombreada por longos períodos. Áreas voltadas para o norte estarão sujeitas à reflexão do quebra-vento do começo ao fim do dia. quando o sol está alto. da altura da barreira. Em determinadas horas do dia. Quando a mistura turbulenta é reduzida. principalmente durante as estações em que o sol está mais baixo. deve afetar o microclima da região abrigada. é maior próximo ao quebra-vento do que no campo aberto. da latitude. Temperatura do ar e umidade É observado nos dias com céu claro que a temperatura do ar. Este efeito não tem sido considerado como importante nos sistemas de quebra-ventos orientados na direção norte-sul. 53 .3 Microclima próximo ao quebra-vento As mudanças na velocidade do vento e na turbulência que ocorrem como resultado do quebra-vento. durante o dia. o quebravento refletirá alguma radiação. Isto é devido. durante a tarde. uma vez que somente pequenas áreas são sombreadas durante o dia. 1. a diferença no balanço de radiação entre as áreas próximas e distantes da barreira pode ser totalmente negligenciada. 2. pode ter um efeito maior devido ao sombreamento. da estação e hora do dia. especialmente durante a estação de crescimento. a resistência aérea ra aumenta e o gradiente de temperatura é intensificado.Figura 4. a energia fica disponível para a geração de calor sensível. próximo ao quebra-vento. aparentemente. 6. por outro lado. Influência de um quebra-vento permeável na razão da velocidade do vento no quebra-vento (Us) e no campo aberto (U) (Eimern et al 1964). Áreas voltadas para o sul. O sombreamento depende. Quebra-vento orientado na direção leste-oeste. a redução da mistura turbulenta e a consequente redução da remoção de calor sensível gerado pela planta e pela superfície do solo. certamente.3.

Inversões de temperatura normalmente se desenvolvem à noite tanto no quebra-vento. diferente do que ocorre no campo aberto. o conteúdo de vapor d’água naquela região pode ter reduzido a taxa de resfriamento radiativo. O vento mistura a camada de inversão noturna. na área abrigada. a umidade relativa é geralmente maior durante o dia. ou seja da superfície evaporante. 54 . O vapor d’água evaporado e transpirado não é totalmente transportado para longe da fonte. com vários tipos de barreiras vegetativas e não vegetativas. 6. no quebra-vento. A redução do vento e a efetividade da mistura turbulenta. A redução do resfriamento próximo ao quebra-vento poder ter sido devido a troca radiativa com as árvores. significa que a inversão de temperatura será mais intensa próximo a ele. variam com a distância a partir do quebra-vento. O pesquisador não deu nenhuma explicação sobre este fato. foi reduzida próximo ao quebra-vento. A diferença na umidade relativa entre a área protegida e não protegida. a incidência de geada aumentava.4 Efeito do vento no crescimento das plantas O vento afeta o crescimento das plantas sob três aspectos: transpiração. com as condições do tempo e com a hora do dia. A pressão de vapor permanece mais alta na área abrigada. Entre 4 e 16 horas. usadas para proteger diferentes tipos de cultivos. A não ser que prevaleça uma calma total. Foi observado que tais gradientes de temperatura e pressão de vapor são intensificados sob diferentes condições climáticas. muito mais do que uma fonte de calor sensível. Kaminski (1968) notou que a incidência de geadas na Polônia. em ambos os lados. absorção de CO2 e efeito mecânico sobre as folhas e ramos. É importante reconhecer que as diferenças microclimáticas que se desenvolvem próximo ao abrigo. então a planta e a superfície do solo tornam-se um sumidouro. exceto durante períodos de deposição de orvalho. quanto na área protegida. Possivelmente. é maior à noite por causa da baixa temperatura do ar próximo ao abrigo. Além do aumento de temperatura. o ar será mais frio à noite no quebra-vento do que no campo aberto. por toda a noite. Os gradientes de umidade e de vapor d’água também aumentaram no área abrigada.

a fotossíntese. medida com analisador infravermelho. Folhas danificadas pelo vento tem reduzida a sua capacidade de translocação e fotossíntese. Whitehead (1957). A fotossíntese aumenta com o suprimento de CO2 . permanecendo o limbo ileso. classificou-as em três grupos: a) as que escapam à ação do vento São plantas comumente pequenas. sob condições áridas. que é determinada pela superfície exposta. Altas velocidades são prejudiciais ao crescimento das plantas. Uma vez que as plantas não reagem da mesma maneira aos ventos fortes. diminuindo quando as plantas estão abrigadas umas pelas outras e a superfície exposta é contínua e lisa. o efeito do vento sobre a transpiração pode variar de acordo com a rugosidade. estudando cana-de-açúcar concluiu que:  Quando somente a nervura central de uma folha foi quebrada. a translocação foi reduzida em 99 % a 100 % e a fotossíntese. Determinações de umidade nas folhas mostraram que a inibição da fotossíntese não foi devido a perda de água. foram quebrados a nervura central e o limbo. varia grandemente com as espécies. O efeito do vento sobre a transpiração pode também variar com a temperatura e a umidade do ar que incide sobre as plantas. Em condições naturais. 55 . A translocação foi medida 6 horas após a quebra da nervura e a fotossíntese no dia seguinte. sendo assim. Geralmente o efeito é maior em plantas altas e isoladas. Em 1963. próxima ao solo e. porém com valores maiores. são menos afetadas pelos ventos fortes. a translocação foi inibida em 34 a 38 %. O exato relacionamento entre o vento e a transpiração. Hart. além do qual não se verificam modificações significativas. foi reduzida em 84 %.  Quando porém. acima da região quebrada. podendo atingir cerca de 6 % da perda total de água de uma cultura anual. cuja parte aérea não cresce acima de uma camada de ar relativamente fina. A configuração peculiar das árvores no litoral ou nas áreas montanhosas é conhecida.Experimentos controlados comprovam que a transpiração aumenta com a velocidade do vento até um certo ponto. foi diminuída em 30 %. provocando rápido secamento das plantas. entretanto. que por sua vez é favorecido pela turbulência.

porém em menor proporção do que as plantas do grupo a seguir. podem desenvolver certas características fisiológicas. cevada) apresentaram uma marcada diminuição da produção de matéria seca com o aumento da velocidade do vento. Tanto a altura da planta como a produção de matéria seca decresceram rapidamente com o incremento da velocidade do vento. c) as sensíveis ao vento Plantas destas espécies são afetadas pelos ventos fortes de tal maneira que não podem sobreviver. 56 . por exemplo. maior proporção de raiz em comparação com a parte aérea.b) as que toleram os ventos Plantas deste grupo (por exemplo. maior largura e espessura das folhas. Plantas que tenham crescido em condições de ventos fortes por um longo período. etc.

geralmente linear. poça) como numa superfície úmida (planta. Esta renovação dificulta que o ar imediatamente acima da superfície se satura. apenas pelo efeito do vento. mantendo o déficit de saturação e. um processo que utiliza essa energia externa ao sistema e a transforma em calor latente. isto é. por conseqüência. Nesse caso. misturando e renovando o ar que envolve uma superfície. e existe uma diferença de pressão parcial de vapor d'água entre a folha e o ar circundante. permanecem abertos durante o dia fechados durante a noite e nas condições de acentuado estresse hídrico. O déficit de saturação ( e = es . c) Transpiração Transpiração é a evaporação da água que foi utilizada nos diversos processos metabólicos necessários ao crescimento e desenvolvimento das plantas. na maioria das plantas. a continuidade do processo evaporativo. solo). No caso de deficiência hídrica. com a velocidade do vento. Estresse hídrico ocorre em duas situações: 1) quando o solo não contém água disponível às plantas. o poder evaporante do ar (Ea) é representado pela expressão Ea = f(u) e (1) Em que f(u) representa uma função empírica da velocidade do vento (u). A demanda atmosférica é elevada quando e é grande e quando a velocidade do vento também é grande. Portanto. Através dos estômatos fluem gás carbônico. a movimentação atmosférica mantém um poder evaporante.ea) aumenta exponencialmente com a temperatura devido à relação entre es e T. rio. seja esta coberta de água ou vegetação. lago. Matematicamente.Unidade 7: EVAPOTRANSPIRAÇÃO 7. oxigênio e vapor d'água e que. Em condições meteorológicas normais o poder evaporante do ar aumenta durante o dia. a capacidade de secamento da superfície. A evaporação ocorre tanto numa massa contínua (mar. É um fenômeno que exige o suprimento de energia externa sendo. A função f(u) descreve uma relação positiva. Esse fenômeno é notado quando se estende roupa no varal e esta seca mesmo não havendo incidência direta dos raios solares. essa 57 . b) Poder evaporante do ar A atmosfera está em contínuo movimento. es é dado pela temperatura da folha. 2) quando o solo contém água disponível mas a planta não é capaz de absorvê-la em velocidade e quantidade suficiente para atender à demanda atmosférica (poder evaporante do ar).1 Definições a) Evaporação É o fenômeno pelo qual uma substância passa da fase líquida para a fase gasosa (vapor). portanto. pois parte da energia absorvida é utilizada na evaporação. A transpiração evita que as folhas sofram superaquecimento pela incidência direta da radiação solar. Essa evaporação se dá através dos estômatos que são estruturas microscópicas (<50 µm) que ocorrem nas folhas (de 5 a 200 estômatos/mm2) e que permitem a comunicação entre a parte interna da planta e a atmosfera.

a contribuição lateral de energia é maior na interface e decresce com a distância a sotavento. Na área vegetada a maior parte da energia é utilizada na evapotranspiração resultando em menor aquecimento do ar. haverá transporte horizontal de calor sensível para a área úmida. Denomina-se área tampão (área fetch. Havendo deslocamento do ar (vento)da área seca para a vegetada. Na área seca. a evapotranspiração é limitada pelo solo e grande parte da radiação solar disponível é usada para aquecer o solo e o ar (calor sensível). onde a evapotranspiração aumenta exageradamente. O tamanho da área tampão depende do clima da região e do porte 58 . pois há transferência de calor do ar para a superfície. Efeito da advecção sobre a evapotranspiração. buffer ou bordadura) à distância entre a região de transição e o ponto onde a evapotranspiração se torna mínima (potencial). daí a necessidade da planta controlar a perda d'água fechando os estômatos para evitar secamento e morte da folha. 7. Essa situação induz o aparecimento de um gradiente térmico entre as duas áreas.energia não é dissipada havendo aumento da temperatura da folha com conseqüente acréscimo em e . À medida que o ar seco se desloca sobre a superfície vegetada ele vai umedecendo e resfriando. Na transição (área seca e área úmida) ocorre o efeito varal.2 Efeito da advecção Suponha uma extensa área vegetada. Evidentemente. à medida que se caminha na direção dos ventos predominantes. Dentro da área úmida. Sob as mesmas condições meteorológicas as duas áreas apresentam balanço de energia distintos. a evapotranspiração diminui acentuadamente até um valor limite inferior que é resultante apenas do balanço vertical local de energia. Figura 1. sem restrição de umidade no solo e circundada por uma outra área seca (Figura 1). o balanço de energia vertical da superfície vegetada é aumentado pela contribuição lateral de calor sensível da área seca adjacente. (Pereira et al. 1997) Na condição suposta anteriormente.

mesmo com bastante umidade no solo. controla a taxa de perda de água pelas plantas. mas este considera a água retida na planta. 7. Figura 2. resultando em fechamento temporário dos estômatos para evitar o secamento das folhas. Portanto. Anteriormente.da vegetação. Observa-se pela Figura 2 que: 1) se a demanda atmosférica for baixa (tanque Classe A < 5 mm/d. Relação entre evapotranspiração relativa (%) e água disponível no solo (%) Adaptado de DENMEAD & SHAW (1962). 1973). demanda atmosférica e suprimento de água pelo solo. maior será a demanda atmosférica. Resultados experimentais de Denmead & Shaw (1962) mostram que o solo é um reservatório ativo que.5 mm/d). Vegetação mais alta e mais rugosa (arbustos e árvores) necessita de maior área tampão. no início da década de 40. curva A). O local é caracterizado pelas coordenadas geográficas (latitude e altitude) e pela topografia da região. Quanto mais seco estiver o ar. pela demanda atmosférica e pelo suprimento de água do solo às plantas. >7. dentro de certos limites.3 Evapo(transpi)ração Numa superfície vegetada ocorrem simultaneamente os processos de evaporação e transpiração. a planta consegue extrair água do solo até níveis bem baixo de água disponível 2) se a demanda for alta (curva C. 59 . a planta não consegue extraí-la numa taxa compatível com as necessidades. há interrelação entre disponibilidade de radiação solar. A evapotranspiração é controlada pela disponibilidade de energia. A disponibilidade de energia depende do local e da época do ano. Evapotranspiração é o termo que foi utilizado por Thornthwaite. A latitude determina o total diário de radiação solar potencialmente passivo de ser utilizado no processo evaporativo. No entanto existe interrelação entre a demanda pelo ar e o suprimento de água pelo solo. utilizava-se o termo uso consuntivo (Jensen. para expressar essa ocorrência simultânea.

define-se a condição de oásis quando: a) uma pequena área irrigada está rodeada por área seca.7. 7.3. representa um valor exagerado pela advecção de calor sensível e Villa Nova & Reichardt (1989) a denominaram de evapotranspiração máxima (ETm). EP corresponde à água utilizada por uma extensa superfície vegetada. ER pode assumir tanto valor potencial como o de oásis. b) a área tampão não é suficiente para eliminar os efeitos advectivos do calor sensível. O conhecimento da ETc 60 . em nenhum instante a demanda atmosférica é restringida por falta de água no solo. A evapotranspiração. Portanto. que na prática é denominada evapotranspiração da cultura (ETc).3 Evapotranspiração de oásis O oásis é uma região vegetada em meio a um grande deserto. ou seja.2 Evapotranspiração real Evapotranspiração real (ER) é aquela que ocorre numa superfície vegetada. uma cultura vai progressivamente crescendo e ocupando a área disponível. estando este em bem suprido de umidade. indicando excessos e deficiências de umidade ao longo do ano ou da estação de crescimento das culturas.3. ou outro qualquer. de seu porte e das condições de umidade do solo.4 Evapotranspiração da cultura e coeficiente de cultura Desde o plantio até a colheita. Condições realmente potenciais ocorrem 1 a 2 dias após uma chuva generalizada. nessas condições ocorre a evapotranspiração real. nessas condições. 1946) sendo expressa na mesma unidade de medida (mm). que corresponde ao processo oposto da chuva (Thornthwaite.3. A comparação entre chuva e a EP resulta no balanço hídrico climatológico. No caso da evapotranspiração. A grama foi prontamente tomada como padrão pois esta é a cobertura utilizada nos postos meteorológicos. Evidentemente. a vegetação deve ser baixa e de altura uniforma. Essa condição não ocorre em regiões áridas e semi-áridas. Logo. ou seja. e também nos meses de estiagem em regiões com chuvas sazonais. A ER pode ser limitada tanto pela disponibilidade de radiação solar como pelo suprimento de umidade pelo solo. independente de sua área. Para Penman (1956).1 Evapotranspiração potencial O conceito de evapotranspiração potencial (EP) foi introduzido por Thornthwaite e aperfeiçoado em diversas oportunidades. ER é aquela que ocorre em qualquer circunstância. 7. é uma pequena área com umidade disponível circundada por extensa área seca. sem imposição de qualquer condição de contorno.3. onde toda a região está umedecida e as contribuições advectivas são minimizadas. Assim definida a EP é um elemento climatológico fundamental. em crescimento ativo e cobrindo totalmente o terreno. 7. independente do tamanho da área vegetada.

pois ela representa a quantidade de água que deve ser reposta ao solo para manter o crescimento e a produção em condições ideais. diminui consideravelmente a reserva hídrica útil do solo. se as regas forem leves.3 a 0. Kc  ETc ETo e varia com a cultura e com seu estádio de desenvolvimento. com impedimentos à percolação. Sabe-se que para dar bons resultados.é fundamental em projetos de irrigação.  método de Penman 61 . Regas excessivas também são contra indicadas. Por isso elas se tornam superficiais e incapazes de explorar o volume de solo disponível. Para contornar essas dificuldades. numa dada condição climática e com aproximadamente 100 m de área tampão. d) métodos combinados que conjugam partes do balanço de energia e do transporte de massa. pela percolação abaixo da zona das raízes. Em conseqüência. prejudicando as plantas. com altura de 0. intensificados pelo emprego de água com alto teor de sais. além de favorecer a proliferação de microorganismos patogênicos. utiliza-se estimativas da evapotranspiração potencial (ou de referência) para gramado. desperdiçando recursos valiosos e aumentando os custos da água aplicada. pois acarretam perdas de água e de nutrientes. sendo apresentado em tabelas. A evapotranspiração de referência (ETo ou ETr) é definida como o limite superior ou a evapotranspiração máxima que ocorre numa cultura de alfafa (Medicago sativa L.4 Determinação da evapotranspiração Existem diversos métodos para obtenção da evapotranspiração: a) métodos empíricos. a irrigação deve ser bem quantificada. Esse coeficiente de ajuste representa o quociente (Jensen. Em casos de terrenos mal drenados.  método do tanque classe A  método de Thornthwaite  método de Makking  método da radiação solar  método de Jensen-Haise  método de Linacre  método de Hargreaves-Samani  método de Blaney-Criddle b) métodos aerodinâmicos. Irrigação em quantidades insuficientes de água agrava os problemas de salinização do solo na zonas áridas e semiáridas. repõem a água apenas nas camadas superficiais do solo. não umedecendo toda a zona das raízes. Caso contrário. o solo ficará saturado prejudicando as raízes que poderão parecer por falta de arejamento.). 1968).5 m. insuficientes e freqüentes. c) métodos de balanço de energia. 7. corrigidas por um coeficiente de cultura (Kc).

sem restrições. cascalhinho. método de Slatyer e McIlroy  método de Penman simplificado  método de Penman-Monteith e) método da correlação dos turbilhões. Devem ser suficientemente grandes para ser reduzido o efeito de borda e proporcionar bom desenvolvimento radicular. mede-se a água precipitada e a percolada. que variam de acordo com o regime de chuva ou irrigação.5. ele é preciso para períodos mais longos. dependendo da rotina estabelecida. como é um processo demorado. Alguns dias depois. É constituído por um tanque contendo solo tendo.5 Medidas da evapo(transpi)ração a) Evaporação  tanque classe A  tanque GGI – 3000  tanque 20m2 b) Evapotranspiração  balanço hídrico do solo  lisimetria c) Poder evaporante do ar  Evaporímetro (ou atmômetro) de Piche 7. uma lâmina de água (Ac) é colocada no tanque medindo-se lâmina correspondente ao excesso 62 . um filtro com 10 a 15 cm de espessura. ou seja. a começar do fundo. Para a confecção desse filtro normalmente empregam-se. Isso assegura que o solo ficou em capacidade de campo. o solo do interior do evapotranspirômetro é abundantemente regado.1 Lisímetros ou Evapotranspirômetros São tanques com terra. que possibilita medir a água escoada por infiltração. enterrados no terreno para medir a percolação da água através do solo e a evapotranspiração. na parte inferior. a) Evapotranspirômetros de drenagem Operam baseados no princípio do balanço de água. areia grossa e areia fina. Quando do início da operação. deixando-se escoar livremente o excesso de água pelo dreno. 7. a profundidade do evapotranspirômetro e com o movimento da água. camadas superpostas de brita. formado de materiais com diferentes granulações (Figura 3). Na parte inferior do tanque há um dreno.

percolado (Ap). A diferença fundamental está na forma como é feito o suprimento hídrico. de maneira a manter. um lençol freático à profundidade escolhida. 63 . durante todas as fases do ciclo evolutivo. Se houve chuva. O evapotranspirômetro de lençol freático regulável presta-se bem à determinação da evapotranspiração em culturas. que se acumula no fundo do tanque evapotranspirométrico. esta deve ser adicionada ao consumo. no fundo desse tanque. através de um tubo. traduz o consumo total de água naquele período. é flutuante e possui. o nível do lençol freático torna-se superior ao previsto e o excesso de água acumulado precisa ser drenado. portanto. em cuja superfície põe-se uma fina camada de óleo. destinado a mantê-lo verticalmente aprumado. Na porção inferior do tanque flutuante há um pesado lastro. é feita por uma bomba de sucção. A drenagem da água. cuja extremidade repousa na camada mais profunda do solo. para o caso específico de plantas que tenham um sistema radicular não muito profundo. para evitar a evaporação. c) Evapotranspirômetros de flutuação Nesse equipamento o tanque evapotranspirométrico. um compartimento hermeticamente fechado que constitui uma câmara de flutuação (Figura 5). Quando ocorre precipitação. O nível do lençol freático é rebaixado à medida que o sistema radicular das plantas vai se desenvolvendo. de maneira a assegurar à vegetação pleno abastecimento hídrico. A diferença (Ac-Ap) representa a lâmina de água necessária à recondução do solo à capacidade de campo e. A evapotranspiração total (E) no período será pois: E = Ac – Ap + P b) Evapotranspirômetros de lençol freático O evapotranspirômetro de lençol freático regulável (Figura 4) é idêntico ao de drenagem no que concerne ao tanque contendo o solo e a vegetação. geralmente pequeno. em seu interior. O tanque evapotranspirométrico fica imerso em um cilindro com água.

Conhecendo-se a drenagem profunda. Esse equipamento consiste de um volume de solo contido num reservatório que flutua num fluido de alta densidade. Porém grandes espaços são necessários para o líquido que mantém o tanque em flutuação. Esquema de um evapotranspirômetro de drenagem 64 . computase a evapotranspiração Figura 3. A variação do nível do fluido num sistema de vasos comunicantes permite determinar a variação da massa do sistema.São mais baratos e simples que os de pesagem. por exemplo. o ZnCl2.

Figura 4. Esquema de um evapotranspirômetro de lençol frático regulável. Figura 5. 65 . Esquema de um evapotranspirômetro de flutuação.

Durante o mês de junho de 99. livre de geada. Similarmente.2 Climatologia da incidência de geada.1 Tipos de geada O Glossário de Meteorologia define geada como uma condição que existe quando a temperatura da superfície terrestre e de outros objetos fica abaixo do ponto de congelamento (0º C). por causa das grandes diferenças do desenvolvimento de temperaturas noturnas causadas por forte inversão. inversão de temperatura não se desenvolve sob estas condições. Geada de radiação ocorre nas noites claras (sem nebulosidade) e calmas. 66 . frequentemente são usadas como medida razoável da ocorrência de geada e para definir o comprimento da estação. os ventos são normalmente suaves e. 8. frequentemente chamada de gelo severo. Sob condições de geada de radiação. Severidade da geada de radiação varia consideravelmente com as condições gerais atmosféricas bem como diferenças locais da topografia e vegetação. A topografia complica a interpretação dos limitados dados disponíveis. inversão de temperatura se desenvolve quando o ar em contato com superfícies radiantes frias. da geada de advecção. foram registradas ocorrências de geada fraca.4º C e em torno de 1. Geada branca é causada pela sublimação dos cristais de gelo sobre objetos tais como ramos de árvores e outros. na primavera e a primeira do outono. A geada de advecção frequentemente ocorre com ventos fortes.1. em Pelotas.0º C. Em regiões montanhosas é muito difícil manter uma rede adequada de estações de observação.Unidade 8: FENÔMENOS METEOROLÓGICOS ADVERSOS 8. A data média da última temperatura mínima (0º C).1.1 Geada 8. inicia o estágio de desobstrução da fonte de calor proveniente do solo e da planta. longos registros de datas de geada não são disponíveis. perde-se no espaço. tornamse resfriados e pesados. O ar seco e frio advectado para uma região. Biel (1961) diferenciou geada de radiação.2º C. com temperatura mínima em torno de 3. Geada negra ocorre quando a vegetação é congelada devido à redução da temperatura do ar. quando a radiação terrestre emitida. geada forte com temperatura mínima em torno de 2. quando estes objetos estão a uma temperatura abaixo do ponto de congelamento. que não contém umidade suficiente para a formação de gelo sobre a superfície. A extensão da estação de crescimento para qualquer tipo de cultivo é fixo (em regiões sujeitas à geada). que é um fenômeno essencialmente local. essencialmente pela ocorrência de geada na primavera e no outono com temperaturas suficientemente baixas para matar o cultivo. o processo radiativo contribui para a troca de calor durante a geada de advecção. A geada de advecção é. Assim. que resulta do transporte de massa de ar de larga escala. devido a ausência de nuvens e grande concentração de vapor d’água.

seleção do local. vales. A seguir. 67 .usando-se ventiladores ou helicópteros 5. Dessa forma. que são: a) massa de ar estável e fria.8. de maneira a impedir a ocorrência de uma temperatura crítica. c) vento fraco ou calmaria que previne a mistura de ar próximo à superfície com o ar mais quente acima. os métodos de proteção de geada são baseados nos seguintes princípios: 1.1. A maioria dos métodos de proteção está baseada no conhecimento das condições que favorecem a ocorrência de geada de radiação.geração de nuvens artificiais injetando água no ar acima do campo. as geadas de advecção ocorrem mais cedo na primavera e mais tarde no outono do que as geadas de radiação e a temperatura ambiente é. A finalidade do método consiste na adição de calor suficiente às camadas mais baixas que se encontram abaixo da inversão. aquecimento convectivo do ar. restos vegetais. d) temperatura do ponto de orvalho relativamente alta. estas coberturas são colocadas sobre as pequenas plantas no fim da tarde e removidas na manhã seguinte oferecem a 4. A utilização de vários aparelhos de aquecimento ou pequenas fogueiras tem grande aplicação por alguns agricultores. etc . manipulação do solo. plástico agrícola e outros. frequentemente. . dependendo do tipo de cultura e do seu estágio de desenvolvimento. que possibilidade de fechar a janela atmosférica à radiação infravermelho . .evitar plantio em declives. cobrir as plantas com determinado tipo de material. O aquecimento é muito eficiente quando existem condições de uma forte inversão e de pequeno ou nenhum desvio do ar provocado pelo vento. ilustra a ocorrência de uma temperatura crítica que pode ocorrer desde 0ºC até a temperaturas mais baixas. b) céu sem nuvens. mistura de ar. apresenta-se algumas informações com relação a situações de devem ser observadas quando for usado o sistema de aquecimento. não permitindo a formação de uma camada de inversão 6.formação de nuvens artificiais de fumaça 3. A Figura 1. mais baixa. .proximidade de corpos de água é um importante fator por causa da brisa 2. usando-se cobertura morta como palha. isolamento térmico. e) formas topográficas que favoreçam a drenagem do ar frio para as baixadas.3 Métodos de proteção de geada Em média. interceptação da radiação. Todos os métodos citados são dispendiosos e necessitam de alguns cuidados ao serem usados ou aplicados. usando-se aquecedores (a base de óleo ou querosene) que promovem a formação de correntes convectivas.

68 . determinando a perda de calor e impulsionando ar frio para dentro da área. causando o efeito de uma chaminé. furando a inversão como mostra a Figura 2.Figura 1. Área abaixo da inversão que precisa ser aquecida. pode provocar a formação de um poderoso jato de ar quente que vai atravessar a inversão. Se a combustão for bastante intensa ou de temperatura excessivamente elevada.

69 . o número de aquecedores é aumentado de maneira a formar mais calor onde for necessário. mas a área que fica abaixo da inversão. sua finalidade não é aquecer todo o ambiente. onde houve acúmulo de ar frio. geralmente. como mostra a Figura 4. Figura 3. Daí a designação de “bolsões de geada” para as áreas que permitem que o ar frio se escoe. Na prática. A drenagem de ar frio (Figura 3) resulta do fato de o ar frio ser mais denso do que o ar quente que vai. Jato de ar quente atravessando uma inversão. Deve ser lembrado que durante o aquecimento. se acumular nos lugares mais baixos. onde ocorrem as temperaturas críticas. Drenagem do ar frio. tal como nas áreas mais baixas.Figura 2.

ou o aumento da intensidade do calor liberado. No caso do uso de aparelhos de aquecimento. e à medida que continua a baixar. o número de aparelhos deve ser aumentado. 70 . Cada aparelho de aquecimento aquece convectivamente uma área (Figura 5). Temperaturas mais baixas na altura do pomar.Figura 4. os mesmos devem ser acesos no momento em que a temperatura começa a diminuir.

Área aquecida por convecção. através do qual o calor se perde para o espaço.Figura 5. Para impedir a ocorrência de um “efeito chaminé”. como mostra a Figura 6. provocado pela expansão à medida que o ar sobe. 71 . transfira à parcela de ar uma temperatura que se torne igual à do ambiente. o que fará com que o ar páre antes de atingir a mais alta temperatura dentro da inversão. a velocidade térmica do ar aquecido pelo aquecedor deve ser de tal ordem que o resfriamento adiabático.

O peso do gelo pode quebrar ramos de árvores. A precipitação ocorre quando parte destas partículas alcança tal tamanho e se projetam para fora das nuvens e das correntes ascendentes que as sustentam.3 Estiagem 72 .2 Granizo Dentro de todas as nuvens os processos de condensação e agregação produzem partículas de tamanhos grandes. etc. caso contrário. O glaze pode ser depositado sobre a vegetação. A emissão de um simples aquecedor deve combinar com as emissões dos outros aquecedores de modo a produzir o desejado efeito de aquecimento. Se as partículas são capazes de sobreviver a evaporação. a precipitação alcança o solo. este fenômeno é chamado de “glaze” (cobertura por gelo). 8. 8. sendo denominada de virga. Efeito chaminé. Algumas vezes a superfície do solo e outros objetos ficam cobertos por uma fina e transparente camada de gelo. caindo sobre os objetos eles imediatamente congelam e formam uma camada crescente de gelo. que elas experimentam enquanto caem através do ar insaturado abaixo das nuvens. Glaze forma-se quando gotas de chuva ou leve chuvisco são superresfriados.Figura 6. a precipitação restringe-se somente a parte mais próxima da nuvem. a presença do glaze pode causar a morte do rebanho devido ao fato de que os animais não serem capazes de triturar o gelo e alcançar a forragem. ramos de árvores. Algumas vezes camada de gelo de considerável espessura forma-se no solo. Na pastagem. superfície do solo.

Apesar de haver várias definições do termo “seca”. As ervas daninhas devem ser controladas. sazonal. bem como o uso de matéria orgânica e de fertilizantes. A agricultura praticada com maior êxito durante a estação chuvosa ou com o uso de irrigação durante a estação seca. deixa-se o campo em 73 . Por exemplo. Melhor explicando: durante os dois primeiros anos. a saber: permanente. Todos os anos a seca pode ser esperada. como na maior parte dos trópicos. Disso resulta uma lenta secagem do solo. pois esta se deve às variações sazonais nos padrões de circulação atmosférica. e/ou . em detrimento das culturas. onde nenhuma estação de precipitação é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas das plantas. uma vez que aceleram a perda de água pela transpiração. os legumes e as gramíneas melhoram a capacidade de retenção de água pelo solo. Isso envolve o uso de dois ou três anos de precipitação para se realizar o cultivo de um ano. A necessidade de planejar a irrigação torna-se difícil porque os cultivos não murcham. A seca contingente constitui um sério risco para a agricultura devido a sua imprevisibilidade. A seca contingente é característica de áreas sub-úmidas e úmidas e ocorre quando a chuva deixa de cair num dado período de tempo.aumentando-se o suprimento de água Assim sendo. A seca invisível é diferente dos outros tipos porque é menos facilmente reconhecida. para não acontecer o conseqüente aumento da probabilidade de ocorrência de seca. os danos da seca aos cultivos em crescimento podem ser prevenidos do seguinte modo: . evitando-se cultivar culturas que exijam muita umidade ou longa estação de crescimento. Em tais áreas a agricultura é impossível sem a irrigação por toda a estação de plantio e crescimento. cultivos resistentes à seca. contigente e invisível.diminuindo-se as necessidades de água dos cultivos. Quatro tipos de seca ou estiagem podem ser identificados. A seca contingente e a invisível resultam da irregularidade e da variabilidade da precipitação.A seca constitui um grave risco para a agricultura tanto nas regiões temperadas quanto nas regiões tropicais. concorda-se geralmente que esta pode ocorrer sempre que o suprimento de umidade armazenada no solo seja insuficiente para atender às necessidades hídricas das plantas. Uma vez que a seca é uma condição na qual a necessidade de água é maior do que a umidade disponível. Este tipo de seca ocorre sempre que o suprimento de água ou armazenamento de água no solo deixe de ser igual às necessidades hídricas diárias das plantas. Em ambientes sub-úmidos e semi-áridos a técnica de cultivo em áreas secas é comumente praticada. com pequenas necessidades de água para seu crescimento e desenvolvimento. Certas práticas de cultivos ajudam a conservar a umidade do solo e devem ser desenvolvidas em áreas sujeitas à seca. Outros tipos de seca são evidenciados pelo murchamento dos cultivos ou pela falta de maior crescimento vegetativo. A seca sazonal ocorre em áreas com estações seca e úmida bem definidas. e os de curta estação devem ser plantados. Nas regiões áridas ocorre a seca permanente. impedindo um crescimento ótimo das plantações.

superficial ou subterrânea.causar a dispersão de nutrientes para fora da área de cultivo.reduzir a utilização de nutrientes pela planta por causa da diluição. As necessidades hídricas das culturas em vários estágios de seu crescimento devem ser cuidadosamente conhecidas. Entretanto. (Observação: texto sobre Estiagem (seca) tirado do livro Introdução à Climatologia para os Trópicos. .5ª edição) 74 . um método insignificante de combater a seca. Ayoade . a irrigação é muitas vezes limitada a cara. pois pode reduzir a produtividade do cultivo e criar outros problemas. Dessa forma. no presente. a irrigação excessiva pode: . Em áreas semi-áridas e sub-úmidas a irrigação aumenta a produtividade da lavoura e a duração da estação de crescimento. Além de tudo. Por outro lado. . tornando possível o cultivo de maior variedade de plantas. Enquanto a subutilização também o é. sendo os maiores deles: . a irrigação ajuda a combater o efeito da seca e a aumentar a produtividade da lavoura.o custo da exploração e adução da água nos campos cultivados. Em uma região úmida. a irrigação é um método comum e difundido com a finalidade de atender a todas as necessidades hídricas dos cultivos ou parte dessas necessidades.pousio. a prática da irrigação apresenta problemas. O. 1974) O método mais eficiente de combater a seca é através da adução de água artificialmente ou pela irrigação. Ele é somente cultivado para matar as ervas daninhas e criar uma estrutura edafológica que permitirá tanta umidade quanto possível (Critchfield. de modo que a falta de oxigênio se torne um problema. O estímulo artificial da precipitação é.a disponibilidade de água. Num meio árido a agricultura é possível somente com a irrigação. de modo que a superutilização não faz sentido econômica e ecologicamente. autor J.supersaturar o solo com a umidade. . Há também necessidade de aplicação criteriosa da água de irrigação nas lavouras.

etc. data de brotação prematura ou floração. que o crescimento é. a hibernação. Desse modo. desenvolvimento radicular. 9. a disponibilidade de água no solo deve ser também considerada para que as plantas apresentem bom desenvolvimento e tenham produtividade econômica satisfatória. Os elementos do clima como radiação solar. crescimento vegetativo. sua falta pode ser suprida através da irrigação suplementar. tratado). é possível ajustar as culturas aos locais e épocas adequadas ao seu desenvolvimento e a sua produção econômica. A deficiência hídrica pode não só afetar a duração do ciclo do vegetal. bem como pelo grau de diferenciação alcançado pelo organismo. precipitação e temperatura tem influência decisiva sobre o desenvolvimento e o crescimento das plantas. ou seja. Os detectáveis podem ser vistos diretamente por observação visual ou medidos por instrumentos. forma e estrutura. de acordo com o momento do ciclo em que se encontre. teremos: brotação de ramos e folhas. nos animais teremos. em termos gerais. temos o estudo dos fenômenos periódicos da natureza em relação a variação anual dos elementos meteorológicos.1 Generalidades Os pesquisadores tentam determinar a provável duração das fases de desenvolvimento das plantas. como é comumente referida. há uma fenologia dos animais. na busca de maiores produções. sendo obtidos somente por meio anatômico ou bioquímico. dentro da qual o processo atinge sua maior intensidade. Tomando como exemplo as plantas. etc. etc.2 Crescimento e desenvolvimento É necessário diferenciar crescimento de desenvolvimento. A palavra fenologia vem do grego “fenos” (fenômeno) e “logos” (estudo. fitofenologia ou fenologia. são considerados os seguintes: a germinação das plântulas. Com relação à precipitação. Resulta assim. a queda ou mudança do pelo. floração. Como consequência. Para cada processo fisiológico e para cada tipo de planta há uma faixa térmica. que é a zoofenologia. O crescimento é verificado pelo incremento do peso sólido ou seco do ser vivente. das plantas. Assim. é o estudo dos fenômenos periódicos da vida e suas relações com o tempo e clima. O estudo das inter-relações clima-planta não se baseia somente na determinação das exigências térmicas. etc. O desenvolvimento é caracterizado pelas mudanças da forma. a lactância. um processo quantitativo relacionado com o 75 . queda de folhas e frutos. dos insetos é a entomofenologia. vento. a migração. Estes fenômenos periódicos do ciclo vital podem ser detectáveis ou não. Na observação destes eventos se dá ênfase a data de ocorrência dos seguintes: chegada de pássaros. a planta sofre contínuas transformações do volume.Unidade 9: FENOLOGIA 9. peso. Assim. Fenômenos latentes ou fases não detectáveis diretamente por observação visual. formação do promórdio floral. Durante seu ciclo evolutivo. fenologia é a disciplina científica que relaciona o clima com os eventos periódicos das plantas e animais. com o objetivo de classificá-las e distribuí-las em regiões adequadas. como também ocasionar sensíveis danos à produtividade. atraso na maturação do cultivo.

na fenologia se traçam as isofenas. As fases servem para dividir o período vegetativo em sub-períodos. se em outro lugar crescem maçãs. indiretamente que o clima é úmido e que ali não são registradas temperaturas abaixo de 10º C. brotação. enquanto que o desenvolvimento é um processo qualitativo e se refere às mudanças experimentadas pela planta. entre a sucessão de fenômenos meteorológicos e a sucessão das fases nas espécies vegetais deve existir uma exata coincidência das condições climáticas. sem mencionar o clima. 9. Crescimento pode ser medido pelo aumento do comprimento de um ramo ou o aumento de peso. 1966) pode ser dividido em 4 estágios e são similares para todas as plantas anuais: semente – vegetativo – florescimento – reprodutivo É evidente que as exigências meteorológicas de um vegetal variam de forma notável segundo o momento de sua evolução. torna-se imprescindível dividir sua vida em várias etapas ou sub-períodos. etc. 1956. A anotação da data em que se apresenta uma determinada fase denomina-se fenodata. floração. etc. o ciclo de vida de uma planta anual. Os vegetais reagem às mudanças climáticas do meio circundante mediante a aparição. etc.aumento da massa do organismo. Em outras palavras. e tudo mais. Como. brotos. transformação ou desaparecimento de órgãos. as baixas temperaturas e a duração do dia (fotoperíodo). na acumulação de calor. Comparando os vegetais em distintos lugares mediante as fenodatas. é possível chegar a uma idéia do microclima do lugar. por isso. se em determinado lugar se produz cacau. frutificação. a fenologia registra a data em que se produzem as fases e. se diz que 76 . No desenvolvimento influem a temperatura.3 Fenodatas Fundamentalmente. isoietas. o estudo do desenvolvimento de uma planta é morfológico e fenológico. enquanto que crescimento é geralmente fisiológico e ecológico. segundo a interpretação de alguns autores (Azzi. por exemplo. Em geral. o que se denomina fase. flores. ao passo que desenvolvimento é normalmente observado pela data de germinação. isóbaras. frutos. do mesmo modo que são traçadas as isotermas. Durante o crescimento dos vegetais a temperatura e a água adquirem importância fundamental. que são linhas que unem pontos onde um fenômeno da natureza (fase) ocorre na mesma data. sabe-se. White. como uma interação do complexo ambiental. deduzimos que o inverno é muito frio.

quando irrigar e a quantidade de água a ser aplicada. Tabela 1. influi não somente o solo. desempenham um papel análogo ao dos instrumentos registradores em Meteorologia. sensibilidade ao comprimento do dia.4 Observações fenológicas de plantas anuais. Todas essas informações são necessárias para tornar as observações mais detalhadas sobre as 77 . quantidade de calor exigida. a energia de fase é a força com que se produz a aparição de novos órgãos e se mede pelo número de dias que duram desde o primeiro ao último órgão da fase. a fase se adianta e na negativa. Na anomalia positiva.) Estádio fenológico Data do plantio Emergência das plantas Folhas primárias completamente expandidas Primeira folha trifoliada completamente aberta Terceira folha trifoliada completamente aberta Aparecimento do primeiro botão floral Aparecimento da primeira flor aberta Aparecimento da primeira vagem Data 15/10/94 22/10/94 24/10/94 31/10/94 08/11/94 15/11/94 17/11/94 24/11/94 Dia do ano 288 295 297 304 312 319 321 328 346 Desenvolvimento de sementes (vagem c/ comprimento 12/12/94 máximo) Início da maturação (primeira vagem apresenta mudança de cor Fonte: Souza. é mostrado um exemplo de observação fenológica. ela se atrasa. 22/12/94 356 Para os cultivos anuais uma ampla variedade de fatores bioclimáticos deve ser levada em consideração: se os cultivos são de inverno.as plantas. A sensibilidade das plantas às mudanças climáticas é muito grande. A seguir. Na energia de floração. sendo cada fase dividida em subperíodos. na fenologia. sensibilidade à baixas temperaturas. Quanto maior a energia de fase. verão ou de estação intermediária. Por outro lado. Todo valor que se afaste do valor médio correspondente a essa fase. Fenodatas da cultura de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L. mas também o comprimento do dia e a umidade do solo. por exemplo. 1996 9. constitui uma anomalia fenológica. menor o número de dias para o desenvolvimento e vice-versa.

b) data de florescimento (quando 50 % das plantas se encontravam com as glumelas das flores abertas e com os filetes e anteras expostos). de acordo com o cultivo em questão. Rodrigues et al. Durante o ciclo da cultura do arroz (Oryza sativa L. Houve uma diminuição do período de florescimento devido ao acréscimo da quantidade de água fornecida à cultura do arroz. cultivar IAC 201.5 Observações fenológicas de plantas perenes 78 . crescimento e desenvolvimento.características fenológicas particulares ou fases e órgãos que não são comuns a todas as espécies. irrigação baseada no coeficiente da cultura. indicando quando a planta tem suas exigências bioclimáticas satisfeitas. mais satisfatoriamente a planta tem se ajustado com as condições meteorológicas prevalecentes naquele momento. c) data da maturação (quando todas as espécies estavam com os grãos do 2/3 superiores na fase de massa dura e o restante na fase de massa semidura. As características fenológicas observadas foram florescimento pleno e ciclo da cultura. 9. porém reage ao ciclo do tempo de cada ano. Isto. aos vários elementos que compõem seu ambiente. por estádio de desenvolvimento da cultura. Nas observações fenológicas. sendo um deles o regime hídrico natural e os outros dois. 1999. Uma vez plantado num determinado lugar. prioridades devem ser dadas a extensão de critério usado na interpretação da intensidade das fases. Quanto menor o número de dias. que é uma generalização do conceito de “energia de florescimento”. Isto mostra como as condições ambientais e as não ambientais oferecidas as plantas alteram o seu comportamento. por causa da energia que cada processo fenológico exige. definida anteriormente. ainda “verdoengos”). sob três regimes hídricos. Porém. Com o aumento da disponibilidade de água.). foram obtidos os seguintes dados fenológicos: a) data de plantio. que não varia tão amplamente como os complexos atmosféricos. a principal diferença está no fato de que as fases dos cultivos anuais dependem da data de semeadura. Cada época diferente de semeadura capacita o cultivo a reagir. ocorreu uma diminuição do número de dias para o florescimento e do ciclo da cultivar. quando medido pelo número de dias entre o início e complementação do processo. que deve ser analisada diferentemente. como os resultantes das diferentes épocas de semeadura. avaliaram as características fenológicas do cultivo de arrozde-sequeiro. Isto pode ser chamado de “energia de fase”. introduzido por Ledesma em 1951. cultivos perenes não estão sujeitos as variações da época de semeadura. de modo diferente e com diferentes resultados os quais refletem numa sequência particular de fases.

O peco do cacaueiro é caracterizado pelo amarelecimento dos frutos jovens que murcham e adquirem coloração marrom. e) incidência de pecos. Em plantas perenes de crescimento intermitente. desde a fecundação da flor até seu amadurecimento. o abacateiro. A floração pode ser inibida durante épocas de deficiência hídrica no solo. resultante de distúrbios metabólicos da própria planta. aumenta o lançamento de folhas novas. De modo geral. o registro fenológico de plantas perenes consiste dos seguintes passos: a) b) c) d) florescimento e maturação dos frutos. que dão origem às ramas secundárias. A raiz primária pode atingir uma profundidade d 2 metros. o coqueiro e outras. que se desenvolvem nos meses mais quentes levam de 140 a 175 dias. a macieira. do florescimento. causada por ataque de fungos ou insetos. Em áreas de regime climático estável. Os frutos de cacau. aproximadamente. a queda de folhas geralmente segue o ritmo de renovação foliar ocorrendo simultaneamente com o crescimento das folhas novas. onde os processos fenológicos seguem um modelo ajustado às condições meteorológicas. O lançamento de folhas novas é associado ao mecanismo termoperiódico. c) floração. brotação e crescimento de ramos. planta perene. tornando-se intensificada após o reinício das chuvas. A partir dessa idade cessa o crescimento da gema terminal. b) queda de folhas. são os seguintes: a) lançamento de folhas novas. os 14 meses de idade. por exemplo: o início da brotação. A passagem brusca de período seco para outro úmido provoca um estímulo externo da floração do cacaueiro. O cacaueiro se comporta como planta de floração contínua em regiões que não apresentam diferenças sazonais de temperatura e de precipitação. clímax da maturação 79 . mudança da cor das folhas e dos frutos antes da maturação.Como exemplo de planta perene temos o cacaueiro (Theobroma cacao L. queda das folhas e dos frutos. se o solo for profundo e bem arejado. emergindo 3 a 5 ramas primárias. e o de origem interna ou fisiológica. Provavelmente o peco fisiológico do cacaueiro tem mecanismo semelhante ao da queda de frutos jovens de algumas árvores frutíferas como a laranjeira.) que é uma planta que atinge a altura de 4 a 8 metros de altura. apresentando tronco principal que cresce até. somente momentos representativos das fases serão observados. Dois tipos de pecos são identificados: o de origem externa ou biótica. Desse modo. Aumenta a amplitude térmica. os eventos fenológicos do cacaueiro. d) produção de frutos maduros.

principalmente aquelas abaixo de 15ºC durante quatro dias. 1989. Também pode ser considerada como influenciável no crescimento de uma cultura a temperatura da água de irrigação. para todos os cultivares. constatou que. etc. e outras. intensidade da luz. pela duração do dia. 9.do fruto. o atraso na época de semeadura acarretava antecipação na época de florescimento. é essencial conduzir observações simultâneas do estágio de desenvolvimento de todas as fases visíveis de uma planta individual. clímax da queda de folhas. indicando sensibilidade ao fotoperíodo. Naquelas com regime climático variável. o término da estação de crescimento é determinado como sendo a semana em que a precipitação se reduz a metade da evapotranspiração potencial. Isto porque o arroz é influenciado. de forma muito variada. o qual estabelece que o início da estação acontece quando a precipitação atinge 50 % da evapotranspiração potencial e não se registram períodos secos na semana seguinte. Godoy (1960) testou cinco épocas de plantio (com 10 variedades de arroz) e determinou parâmetros de crescimento e produção de grãos. 80 . Analogamente. datas que são usadas para a compilação de boletins fenológicos ou para a caracterização bioclimática das estações do ano por meio de plantas especialmente selecionadas. Souza.6 Estação de crescimento Várias variáveis meteorológicas são testadas para verificação da influência na determinação do período de crescimento de um vegetal. Algumas vezes pode ser relacionada à temperatura do ar. Utilizando variedades precoces e tardias. umidade atmosférica. determinou a estação de crescimento utilizando o método de Frére e Popov. onde o modelo fenológico e suas fases são interrompidas por fenômenos do tempo.

) com e sem cobertura de polietileno. 1996. Viçosa. Botucatu. Anais. SOUZA. A.L. SCERNE. Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de Engenharia Agrícola..) conduzida sob diferentes regimes hídricos. para as microrregiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Viçosa.F. R. 11. PA. Avaliação agroclimática para o manejo da cultura do arroz (Oryza sativa L. J. acamamento e produtividade da cultura do arroz-de-sequeiro (Oryza sativa L. 1999. Universidade Estadual Paulista. 81 .). 1988. 1999. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROMETEOROLOGIA. Tese (Doutorado/Energia na Agricultura) Faculdade de Ciências Agronômicas.. et al. 91p. 1989. 64p. Universidade Federal de Viçosa. RODRIGUES. Dissertação (Mestrado/Meteorologia Agrícola) – Departamento de Engenharia Agrícola. Estudo agroclimático do cacaueiro (Theobroma cacao L. SOUZA.C.Bibliografia consultada. R.M. em Belém. Saldo radiômetro com termopilha de filme fino e aplicação no balanço de radiação e energia em cultivo de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.Florianópolis: SBA.).A. Florianópolis. 172p. Universidade Federal de Viçosa. Características fenológicas.

As estufas variam no tamanho e no tipo. de modo a satisfazerem um grande número de necessidades dos agricultores. são construções dispendiosas e por isso só devem ser empregadas em situações especiais. cujo material de cobertura seria o vidro. para que se consiga um grande controle ambiental. onde as baixas temperaturas não permitem o desenvolvimento das plantas. é absorvida pelo solo contribuindo para elevar a sua temperatura. 10. São utilizadas em clima quente e ameno e restringem-se à culturas menos sensíveis. quando requerem faixas mínimas de tolerância relativa ao ambiente. durante todo o tempo. é essencial a existência de bancadas. baratas e geralmente construídas pelos próprios agricultores. Um efeito que ocorre no interior de um ambiente protegido é o chamado efeito estufa. Não dispõem de equipamentos de calefação. Essas estufas climatizadas são desenvolvidas de tal forma a permitir um alto percentual de automatização dos equipamentos. umidade relativa do ar e ventilação. É necessário o uso de equipamentos que controlem a temperatura. dentro do ambiente protegido. como hortaliças e outras. são utilizadas para culturas sensíveis. A radiação solar de onda curta consegue passar pela cobertura plástica ou pelo vidro.1 AMBIENTE PROTEGIDO Ambiente protegido é aquele que propicia um microclima adequado ao desenvolvimento vegetal. vários estudos relacionados com a estrutura. Dificilmente se consegue manter as condições do ambiente. que sob a forma de calor vai aquecer a atmosfera adjacente ao solo. O controle do ambiente é feito pelo manejo das aberturas e cortinas. a área destinada à colocação das mesmas ser de qualquer material sólido e relativamente denso. Esse calor. forma e material de cobertura forma desenvolvidos com o objetivo de minimizar os custos e proporcionar condições próxima do ideal para as plantas. dentro da faixa ideal exigida pela cultura. tem-se um ambiente sempre quente. Devido a todas as exigências que as cercam. e foi observado que uma cobertura hemisférica proporcionaria transmissão máxima da radiação. 82 . Normalmente.2 MODELOS DE ESTUFAS Sempre que se pretenda se adquirir uma estufa. As estufas devem ser completamente revestidas com chapas de vidro e podem ser construídas em tijolos até determinada altura. contando somente com o calor armazenado dentro delas devido ao efeito estufa. Qualquer superfície aquecida. não sendo totalmente perdido devido ao anteparo que é a cobertura plástica. como flores. Por esse motivo. Ele pode ser coberto com vidro ou plástico e são comumente chamado chamados de estufas ou casas de vegetação. ou de vidro. podendo então. As do primeiro tipo são usadas em regiões de clima muito frio. como o solo. o tamanho adequado à espécie vegetal que será plantada. deve-se ter em mente o espaço disponível para sua construção e. emite radiação sob a forma de onda longa. Podem ser climatizadas ou não. A partir daí. algumas vezes com temperaturas elevadas. No início do século 19. O calor quando desejado é obtido pelo efeito estufa.Unidade 10: TÓPICOS ESPECIAIS 10. foram feitos estudos sobre a forma ideal de um ambiente protegido. Se o cultivo da maioria for realizado em vasos. é transferido para camadas mais superiores. As estufas não climatizadas são construções simples. e alguns tipos de flores.

formando um triângulo. d) Londrina – é construída basicamente de esteios e arames. tem inclinação quase perpendicular aos raios solares. A parte correspondente ao telhado. Os diferentes modelos de estufas. com duas abas da cobertura inclinadas. A única diferença da estrutura é o telhado em forma de arco. A água da chuva penetra no interior da estufa. com a 83 . cada qual aliado a uma série de exigências que podem ser entendidas pelas características da cada um. cuja orientação é mais inclinada no inverno. semelhante aos dentes de uma serra. que fica no Uruguai. b) Pampeana – é a evolução da estufa capela. Os modelos mais conhecidos são: a) Capela – tem estrutura semelhante a um galpão ou aviário. c) Belle Unión – esta estufa leva o nome da cidade onde se originou. O que diferencia esse modelo de estufas das outras é o telhado.Os fatores de maior importância na escolha do modelo da estufa são a facilidade de acesso e a transmissão da luz. Tem maior resistência ao vento. próxima à divisa com o Brasil. e) Dente-de-serra – este modelo de estufa é muito adotado na Europa e nos Estados Unidos. lado norte. por diversos fatores. bem como a estabilidade e a durabilidade. Sua construção deve ser no sentido da direção dos ventos predominantes. surgiram ao longo do tempo. em locais determinados pela própria origem do projeto.

f) Arco – oferece grande resistência ao vento. para se obter a máxima vantagem da radiação solar. Sua utilização fica restrita aos cultivos não exigentes a luz. a parte superior da estufa é plana. a recomendação é que deve-se observar a orientação dos ventos predominantes. sul da Espanha. 84 . e até nos dias atuais. 1979). No final da década de 40. 10. as pesquisas foram voltadas para verificar qual a melhor orientação. Como a precipitação da região é muito baixa.parte semelhante aos dentes de serra voltada para o lado contrário da incidência maior de vento.3 ORIENTAÇÃO DE UMA ESTUFA Ao se construir uma estufa. foi evidenciado que estufas orientadas na direção leste-oeste eram mais eficientes na transmissão da radiação solar. Pode ser construída com maior caimento para facilitar o escoamento da água da chuva. Esta posição reduz a um mínimo o sombreamento das vigas da estrutura. esta orientação tem sido amplamente adotada (Harnett et al. g) Espanhola – a estufa espanhola se desenvolveu em grande escala na costa da Almeria. e em 1957. Mas. principalmente no inverno. a construção nunca deve ser perpendicular à direção do vento. a estufa deve ter seu eixo maior na direção leste-oeste. É importante que o formato do teto e o material usado para cobertura obstrua o mínimo possível a radiação solar global. O teto abaulado obtém um excelente aproveitamento da luz solar. construída no sentido da sua direção (Figura 1). no período de menor incidência. ou seja. e sim.

As transmissões da radiação solar das estufas foram comparadas e os resultados confirmaram que o alinhamento leste-oeste teve melhor desempenho do que o norte-sul. tanto para estufas com múltiplos-vãos quanto para vão simples. mediram a radiação solar global em quatro tipos de estufas cobertas com vidro. 85 . sendo duas com múltiplos-vãos. em termos de produção. houve vantagem. do cultivo de tomate e de pepino. e uma quarta estufa com teto no estilo água-furtada (com janelas no teto). Além disso.Os pesquisadores citados no parágrafo anterior. outra no estilo convencional (chamada de Bella Unión. sendo as duas últimas orientadas na direção leste-oeste. orientadas nas direções leste-oeste e norte-sul. no Brasil).

medida a partir de julho de 91 a janeiro de 92 por Buriol et al (1995) objetivou o cálculo da transmissividade em estufas de polietileno de baixa densidade.6 %. Orientação de uma estufa de acordo com os ventos predominantes. usaram um refletor aluminizado. calculou a transmissividade da radiação solar. Na primeira. concluiu que a transmissividade da radiação solar global dentro das estufas variou na faixa de 55 % a 77% na orientação norte-sul e entre 66 % e 78 %. na lesteoeste. para a orientação leste-oeste. Houve um aumento de 37 %. colocaram material transparente em uma das paredes e no teto. posicionado verticalmente. no início da manhã a 81. A transmissividade variou de 56. no início do inverno e 3. A transmissão da radiação solar foi 48 % para a orientação norte-sul.3 %.2 %. e verificaram que a transmissividade aumentou 6. no início do inverno e 23 %. em estufas com vãos simples e orientações diferentes. Edwards. em torno do meio-dia. da cumeeira até o solo. 10. como mostra a Figura 2. e entre 55 % e 65 %. A radiação solar incidente. Assis.2 % a 12. com 100 m de espessura.4 MEDIDA E COMPORTAMENTO DAS VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS  Transmissividade Avaliação da transmissão da radiação solar em estufas com orientações diferentes tem merecido destaque nos estudos sobre as complexidades da transmissão da radiação solar e seu aproveitamento pelos cultivos.1%. Li et al (1995) alteraram algumas partes de duas estufas. Na segunda estufa.Figura 1. e comprovaram a contribuição da radiação refletida. Para estudar a intensificação da transmissividade da radiação solar. citado por Critten (1993). na primavera e verão. no final. 86 . no período de 1957 a 1961. 1998. sendo que durante 11 meses a orientação leste-oeste transmitiu acima de 70 % da radiação global.

Na estufa leste-oeste.89 MJ. entre 4% e 15%. após.m-2.O EST. 22 ENERGIA MÉDIA MENSAL INTERNA E EXTERNA (MJ/m) 2 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Dez5 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez6 Gex EST. As diferenças maiores foram observadas entre os meses de março e agosto.L. A média mensal da energia global variou entre 13. e 8.48 MJ.m-2 . A média anual da estufa leste-oeste representa 74 % da energia externa.m-2 e 15.84 MJ.100 95 TRANSMISSIVIDADE (%) 90 85 80 75 70 65 60 55 50 Dez95 JanFevMarAbrMaiJun JulAgoSetOutNov Dez96 ESTUFA LESTE-OESTE ESTUFA NORTE-SUL Figura 2. devido à superioridade dos valores de energia da estufa lesteoeste sobre a norte-sul. . 65 %.20 MJ. para a global externa.N.96 MJ. respectivamente. 9. distanciaram-se novamente.S 87 . e a da norte-sul.m-2 e 20. a orientação leste-oeste apresentou-se mais vantajosa do que a norte-sul. as curvas se mantiveram distantes até setembro. estufa leste-oeste e estufa norte-sul. entre 3 % e 25 %. período em que o sol apresenta baixos ângulos de elevação solar e neste período.m-2.37 MJ. a energia foi superior a obtida na estufa nortesul. Transmissividade da radiação solar em estufas com orientação leste-oeste e norte-sul  Radiação solar De modo geral.m-2 e 14.

O albedo da estufa leste-oeste foi maior do que o da norte-sul durante quase todo o ciclo.NS Figura 4. DIF. 88 .LO DIF. 0.22 nas estufas leste-oeste. e no decorrer do desenvolvimento houve um aumento gradativo.13 e 0. No início do ciclo. nortesul e externo. 10 9 ENERGIA MÉDIA MENSAL ( MJ/m2) 8 7 6 5 4 3 2 Dez/95Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out NovDez/96 DIF. O valor mínimo externo ocorreu em julho e nas estufas. Entre os 5 0 e o 10 0 dias. seguem o mesmo comportamento da energia mensal global. quando o solo já estava parcialmente coberto pela cultura. a energia difusa. medida dentro e fora das estufas. estão as curvas correspondentes ao albedo. enquanto que na estufa norte-sul este percentual foi. Na estufa leste-oeste. durante este período.16. respectivamente. Valores mais altos foram atingidos 15 dias após o transplantio da alface.EXT. aproximadamente 94 % da difusa externa. houve um decréscimo do albedo devido a ocorrência de precipitação (71. representou 96 % da difusa externa. em média. Variação anual da energia solar global externa e interna  Radiação difusa As curvas representativas da variação anual da energia mensal difusa.5 mm). em junho.Figura 3. Variação anual da energia solar difusa externa e interna. o albedo médio diário apresentou valores em torno de 0.  Albedo Na Figura 5.

ou seja.05 0.35 0. as curvas representativas do saldo total externo e da estufa lesteoeste confundem-se. SALDO TOTAL DE RADIAÇÃO (MJ/m2) 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 2 4 6 Saldo total externo Saldo total norte-sul Saldo total leste-oeste 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Tempo (h) Figura 6.40 0.10 0. Variação do albedo durante o ciclo da cultura de alface.15 0. No período noturno não se observam diferenças entre os valores internos e o externo.25 0.50 0.45 0. Saldo total de radiação solar em estufas com orientação norte-sul e leste-oeste. Figura 5.EXT.0.20 0.NS ALB.30 ALBEDO 0.00 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 DIAS DO CICLO ALB. variedade Elisa.  Saldo total de radiação As curvas da Figura 6 representam o saldo entre as radiações de onda curta e de onda longa. os valores são muito próximos.LO ALB. 89 . já durante o dia.

90 .

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