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Contestação com Defesa por Exceção de Incompetência Relativa (Territorial)

CONTESTAÇÃO COM DEFESA POR EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA RELATIVA (TERRITORIAL)

Comarca do Porto                                                   Ex.mo Senhor Juiz do

Proc. nº ……                                                              Juizo Local  Cível da

Ação Comum                                                           MAIA – Juiz 1

   R ……., Réu nos autos de ação com processo comum acima identi cados que lhe move A……S.A.,

   vem apresentar a sua

CONTESTAÇÃO

   nos termos e pelos fundamentos seguintes:

DA (IN)COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL EM RAZÃO DO TERRITÓRIO

    Vem peticionada a condenação do Réu no pagamento, à A., da quantia de 7.500,00€, que esta alega
corresponder ao preço de um equipamento informático que diz ter fornecido ao Réu,

    Invocando ter procedido ao envio do mesmo por empresa de especialidade, que o terá entregue na
residência do Réu, sita em …., na cidade do Funchal, conforme indicado na douta p.i.,

   Sendo, aliás, o Réu citado para os termos da presente ação nessa morada,

    Destina-se, assim, a presente ação a exigir o cumprimento pelo Réu das (alegadas) obrigações
contratuais, concretamente a obrigação de pagamento do preço do referido equipamento.

   Sucede, porém que, como resulta evidente da douta p.i., o Réu tem domicílio na rua indicada na p.i., na
cidade do Funchal, que integra a área territorial de competência da Comarca da Madeira, nos termos do
Mapa III anexo ao Dec. Lei 49/2014 de 27 de Março,

   E não na comarca do Porto, em concreto no Juízo Local Cível da Maia, onde foi proposta.

    Nos termos do nº 1 do artigo 71º do CPC “a Ação destinada a exigir o cumprimento de obrigações, a
indemnização pelo não cumprimento ou pelo cumprimento defeituoso e a resolução do contrato por falta
de cumprimento é proposta no tribunal do domicílio do réu, podendo o credor optar pelo tribunal do
lugar em que a obrigação deveria ser cumprida, quando o réu seja pessoa coletiva ou quando, situando-
/
se o domicílio do credor na área metropolitana de Lisboa ou do Porto, o réu tenha domicílio na mesma
área metropolitana.”

    Pelo que a presente ação deveria ter sido proposta no Juízo Local Cível do Funchal, na Comarca da
Madeira, em que o Réu tem o seu domicílio e não neste Tribunal.

    Nos termos dos artigos 102º e 103º do CPC, “a infração das regras de competência fundadas … na
divisão judicial do território … determina a incompetência relativa do Tribunal”, o que deve ser arguido
[1] [2]
pelo réu no prazo xado para a contestação,

10º

    Devendo, ouvido o A., em 10 dias, nos termos do nº 1 do artigo 103º do CPC, ser declarada a
incompetência do Juízo Local Cível da Maia e ordenada a remessa dos autos ao Juízo Local Cível de
Funchal, por ser este o competente, nos termos das disposições conjugadas do nº 1 do artigo 71º do CPC,
do nº 1 do artigo 130º da Lei 62/2013 de 26 de Agosto e do Mapa III anexo ao DL 49/2014 de 27/3.

Sem prescindir

DO MÉRITO DA PRETENSÃO DA A.

11º

    Ao contrário do que alega na douta petição inicial, a A. não vendeu - e muito menos entregou – ao
Réu qualquer equipamento informático,

12º

   Pelo que, obviamente, não tem qualquer direito de cobrar (o que seria) o respetivo preço, do Réu.

   Na verdade,

13º

    Cerca de 3 meses antes da data agora alegada pela A. como data da “venda e entrega” do
equipamento  informático constante da factura junta com a p.i. (documento que o Réu viu, pela 1ª vez,
quando foi citado para os termos da presente ação) foi o Réu contactado no estabelecimento do ensino
que frequentava (e frequenta) por um individuo que se intitulou “promotor comercial”,

14º

    E que, de forma demorada mas pouco esclarecedora, procurou convencer o Réu dos atributos (e
vantagens) de um equipamento informático comercializado pela A., com um preço que, de facto, rondava
o valor agora peticionado ao Réu pela A..

15º

    Não tendo “interesse” (nem “fôlego” nanceiro) no equipamento em causa, o Réu de imediato
manifestou perante o dito promotor comercial, a sua intenção de não adquirir qualquer produto,

16º

   Tendo este, no entanto, solicitado ao Réu (e a outro Colega presente) que lhe desse os seus elementos
de identi cação (nome próprio e morada!) apenas para efeitos de relatório das suas (dele) atividades,

17º

   O que o Réu, sem qualquer receio (quem não deve, não teme!) lhe facultou!

18º

   O Réu não encomendou, assim, à A. qualquer equipamento informático nem, muito menos, o recebeu
em sua casa. Aliás,

19º

    Em nenhum momento, posterior ao encontro acima descrito, teve, o Réu, qualquer contato com o
referido promotor, ou com alguém que representasse a sociedade A..

20º
/
   Que, repete-se, nunca entregou ao Réu qualquer equipamento informático, que este também lhe não
encomendara.

21º

    Não tendo razões para duvidar dos propósitos sérios da A. – que considera não atuar de má-fé não
obstante a total falta de fundamento da sua pretensão – considera o Réu que a presente ação só poderá
car a dever-se a um erro dos serviços da A. quanto à identi cação do destinatário do referido
equipamento – ou quanto à circunstância de este ter sido entregue –

22º

    Rea rmando o Réu não ter recebido qualquer equipamento informático que, assim, não poderá ser
obrigado a pagar, devendo, o pedido formulado, improceder.

                                                          

Termos em que deve

a) Ser declarada a incompetência deste Tribunal, em razão de território e ordenada a remessa


dos autos ao Juízo Local Cível do Funchal, Comarca da Madeira, por ser este, nos termos da lei de
organização judiciária, o competente.

b) Ser, o pedido formulado julgado improcedente por não provado e o Réu

ABSOLVIDO!

   Requer seja a A. noti cada para juntar aos autos os originais dos documentos de expedição e entrega do
equipamento em causa, de modo a que se possa veri car onde, quando e a quem foi entregue tal
[3]
equipamento .

 
[4]
TESTEMUNHAS, cuja noti cação se requer,

1) M…., (pro ssão), residente em….

2) J….., (pro ssão), residente em….

VALOR: O sugerido pela A.[5]

JUNTA: Procuração e documento comprovativo da apresentação de pedido de concessão de benefício de


apoio judiciário, na modalidade de dispensa de prévio pagamento de taxas de justiça e encargos, sobre o
[6]
qual não foi, ainda, proferida decisão pelo Serviço competente da Segurança Social.

 
[7]
O(A) ADVOGADO(A)

(Nome pro ssional)

(Domicílio pro ssional)

(endereço de correio eletrónico)

 
/
 

[1]
 A decisão que aprecie a competência relativa do tribunal é suscetível de reclamação nos termos do nº 4
do artigo 105º do CPC. Tal reclamação, que tem efeito suspensivo, deverá ser apresentada no prazo de 10
dias, sendo dirigida ao Presidente da Relação respetiva (no caso seria o Tribunal da Relação do Porto) que
decide de nitivamente a questão.
[2]
 A decisão que julgue procedente a exceção de incompetência em razão do território implica a remessa
dos autos para o tribunal que for declarado competente, nos termos do nº 3 do artigo 105º do CPC. Este
meio de reação, por reclamação, a uma decisão que aprecie a competência relativa do tribunal foi
introduzido no CPC pela Lei 41/2013 de 26 de Junho. Recorde-se que o modo de impugnação destas
decisões, previsto no CPC revogado e na redação que lhe foi introduzida pelo Dec. Lei nº 303/2007 de 24
de Agosto era o recurso de apelação, sendo tal possibilidade expressamente prevista na alínea b) do nº 2
do artigo 691º do CPC revogado. A comparação entre a redação desta alínea e a da alínea b) do nº 2 do
artigo 644º do CPC aprovado pela Lei 41/2013 de 26 de Junho é elucidativa desta alteração.
[3]
 Este requerimento funda-se na disposição inserta no nº 1 do artigo 429º do CPC que prevê que
“quando se pretenda fazer uso de documento em poder da parte contrária, o interessado requer que ela
seja noti cada para apresentar o documento dentro do prazo que for designado; no requerimento, a
parte identi ca quanto possível o documento e especi ca os factos que com ele quer provar. Nos termos
das disposições conjugadas do artigo 430º e nº 2 do artigo 417º, ambos do CPC, o não cumprimento
reiterado deste dever de cooperação pela parte permite ao Tribunal apreciar livremente esse
comportamento para efeitos probatórios, sem prejuízo da inversão do ónus da prova decorrente do
preceituado no nº 2 do artigo 344º do Código Civil.
[4]
 Nos termos da alínea d) do artigo 572º do CPC, o réu deve, no nal da contestação, apresentar o rol de
testemunhas e indicar outros meios de prova. Na indicação de testemunhas devem ser tidas em conta as
disposições insertas no nº 1 do artigo 498º, no nº 2 do artigo 507º e no nº 1 do artigo 511º, todos do CPC.
Nos termos da primeira, “as testemunhas são indicadas no rol pelos seus nomes, pro ssões e moradas”,
quando estes elementos sejam su cientes para as identi car; da segunda disposição decorre que as
testemunhas serão apresentadas pelas partes, salvo se tiver sido requerida, pela parte que as indicou, a
sua noti cação; na terceira disposição prevê-se o limite de 10 testemunhas (ou 5 em ações de valor não
superior à alçada do tribunal de 1ª instância), considerando-se não escritas as que excederem aquele
limite. O nº 4 do artigo 511º do CPC estabelece a possibilidade de o Juiz, por decisão irrecorrível, admitir
número de testemunhas superior àqueles limites se a natureza e extensão dos temas de prova o
justi car.
[5]
Nos termos da alínea f) d0 nº 1 do artigo 552º do CPC, compete ao autor, na petição inicial, declarar o
valor da causa, podendo este valor ser impugnado pelo réu, na sua defesa, oferecendo outro valor em sua
substituição, (cfr. nº 1 do artigo 305º do CPC). Na hipótese de tal suceder, ter-se-á iniciado um incidente de
veri cação do valor, sumariamente regulado no artigo 308º do CPC. A aceitação pelo réu do valor sugerido
pelo autor, traduzida na expressão utilizada na minuta ou na simples não impugnação daquele valor, não
vincula o Juiz que, nos termos do nº 1 do artigo 306º do CPC, xa o valor da causa, sem prejuízo do dever
de indicação que impende sobre as partes. Prevê o nº 2 do artigo 306º do CPC que o valor da causa é
xado no despacho saneador, ou na sentença quando não haja lugar àquele, salvo nos processos de
liquidação ou noutros em que, analogamente, a utilidade económica do pedido só se de ne na sequência
da ação, tal como enunciado no nº 4 do artigo 299º do CPC.
[6]
 Nos termos do nº 1 do artigo 570º do CPC o réu é dispensado da autoliquidação prévia da taxa de
justiça devida se comprovar ter apresentado o respetivo pedido de concessão de benefício de apoio
judiciário e alegar que sobre o mesmo não foi, ainda, proferida decisão. Esta situação de aparente favor
em relação à exigência da petição inicial (cfr. nºs 3 e 5 do artigo 552º do CPC) deve-se à circunstância de a
contestação dever ser apresentada num prazo que, previsivelmente, não se compadece com o tempo
necessário para a tomada de decisão sobre esse pedido de concessão do benefício de apoio judiciário.
Deverá, o réu (tal como sucede com o autor, em idênticas circunstâncias), se o seu pedido for indeferido,
proceder ao pagamento da taxa de justiça devida pela apresentação da contestação, juntando aos autos o
comprovativo desse pagamento no prazo de dez dias após a noti cação da decisão da Segurança Social.
[7]
 Não integra o artigo 572º do CPC (Elementos da contestação) previsão semelhante à da alínea b) do
artigo 552º do CPC (Requisitos da petição inicial). Esta obrigação de identi cação do mandatário decorre
dos termos do nº 2 do artigo 221º do CPC, de acordo com o qual o mandatário judicial que assuma o
/
patrocínio na pendência do processo, comunica o seu domicílio pro ssional e endereço de correio
eletrónico ao mandatário judicial da contraparte.

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