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PRIMEIRA PALESTRA

TEMA: OS TRÊS OFICIOS DE CRISTO E AS PRIORIDADES BÁSICAS DO


MINISTÉRIO PASTORAL

A profissionalização do ministério pastoral.

A Igreja moderna transformou-se num negócio, numa empresa, e o pastor num


executivo que luta para manter-se no mercado.

Somos agora executivos eclesiásticos, circulando com agendas eletrônicas,


telefones celulares, secretárias, auxiliares e assistentes, para atender a um
volume cada vez maior de reuniões, entrevistas, conferências,
aconselhamentos, etc.

Ser ocupado, tornou-se um símbolo de "status" e sucesso tanto no mundo


secular como no religioso. Ter uma agenda repleta de compromissos é sinal de
competência.

Nesta busca por sucesso e "status" não temos mais tempo para construirmos
amizades verdadeiras e profundas, nem tempo para caminharmos com nossos
amigos no caminho do discipulado. Não temos tempo para ouvir as histórias
dos velhos, os dramas dos mais novos e as crises da alma humana

Entre Domingos:

Hoje, existe certa distinção entre o que pastores fazem aos domingos e o que
fazem entre os domingos. O que fazem aos domingos não mudou ao longo dos
últimos séculos: pregar a Palavra, administrar os sacramentos e zelar pela
disciplina. No entanto, a tarefa entre domingos foi drasticamente alterada no
último século.
Antigamente, o trabalho pastoral entre domingos era parte do que era feito aos
domingos. Entre domingos, pastores estavam com indivíduos ou pequenos
grupos para estudar a Bíblia e orar com e por eles. O cenário mudava mas o
objetivo era o mesmo: descobrir o significado das Escrituras, desenvolver uma
vida de oração, guiando pessoas à maturidade.

Quais são as responsabilidades centrais do Ministério Pastoral?

João 10: Jesus é o bom pastor


I Pedro 5: Nós somos sub-pastores

Então podemos, seguindo o modelo de Jesus, desenvolvermos um ministério


segundo o coração de Deus.

O Breve Catecismo nos lembra que Cristo, como nosso mediador, executa os
ofícios de profeta, sacerdote e rei (BC 23).

Pergunta 23. Que funções exerce Cristo como nosso Redentor?


R. Cristo, como nosso Redentor, exerce as funções de profeta, sacerdote e rei, tanto no
seu estado de humilhação como no de exaltação. Ref. At 3.22; Hb 5.5-6; Sl 2.6; Jo 1.49.

1. P. 24: Como Profeta, ele nos revela a vontade e a pessoa de Deus.


2. P. 25: Como Sacerdote, ele é nosso mediador diante de Deus,
oferecendo a si mesmo, uma só vez, em sacrifício para satisfazer a
justiça divina e nos reconciliar com o Pai e vivendo sempre para
interceder por aqueles que se achegam a Deus.
3. P. 26: Como Rei, ele governa sobre o mundo, protege o seu povo e
conquista sobre seus inimigos.

Uma vez que os pastores são representantes de Cristo, servindo como sub
pastores do rebanho, é útil pensar em seu chamado em termos das mesmas
três categorias.

I. O PASTOR COMO PROFETA

Paulo instruiu Timóteo acerca de o pastor pregar a Palavra (2 Tm 4.2). Muitas


denominações se referem a seu pastor como ministro da palavra.

Bons sermões não são preparados apenas em algumas poucas horas, mas
são desenvolvidos em muitas horas de sério estudo e oração.

O pastor como profeta deve ser um estudioso: da Palavra, da cultura e dos


tempos em que ministra, de teologia. Isto requer tempo, extensivo tempo,
sozinho.

O trabalho profético do pastor pode consumir muito tempo; há muito para ser
feito. Alguns pastores sequer conseguem fazer muita coisa além disto. Mas
este é apenas um terço do caminho do que Deus quer que os pastores façam.

Há quase 50 anos atrás, Martyn Lloyd-Jones proferiu uma série de preleções


aos estudantes do Westminster Theological Seminary, na Filadélfia. Nessas
palestras, publicadas em 1971, com o título de Pregação e Pregadores, ele
enfatizou que a pregação é a “obra mais elevada, a maior e a mais gloriosa
vocação para a qual alguém pode ser convocado” 1 É a principal tarefa da
igreja e do ministro.
a) Pregar a verdade publicamente. (Atos 20.20; 2Timóteo 1.13-14;
2Timóteo 4.1-2)

Mateus 5.1,2: Jesus ao ver as multidões, começou a ensinar.

Mateus 7.28,29: As multidões se maravilhavam do seu ensino pois ele


ensinava como tem autoridade.

I Tm 3. “Apto para ensinar”

1
LLOYD-JONES, d. Martin. Pregação e Pregadores. São Paulo.SP: Editora Fiel, 1986. p.7
A função de ensinar a Palavra é nossa prioridade.

Atos 6: “Quanto a nós nos dedicaremos à oração e ao estudo da Palavra”.

Ao pregar o evangelho, precisamos ter o cuidado de pregar cada aspecto do


evangelho. Paulo nos exorta a “manter o padrão das sãs palavras” (2 Tm
1:13).

b) Pregar a Palavra de maneira privada. (Atos 2.20)

Visitas e outras formas de gastar tempo com a congregação são essenciais


para um pastor ser capaz de fazer seu trabalho efetivamente. Estas visitas e
tempo gasto com o povo de Deus não apenas ajudam os membros da igreja,
mas também ajudam o pastor a conhecer as necessidades de seu povo.

Richard Baxter ( 1641): Pastor em Kidderminster (Inglaterra) , Além de


pregar aos domingos e às quintas-feiras (uma hora cada vez!), Baxter iniciou
um incansável programa de visitação, aconselhamento pessoal, e ensino,
visitando casa por casa.

Dois dias da semana: visitava as 800 famílias da comunidade anualmente.


Estudando o Breve Catecismo.

Calvino tinha uma visão clara da finalidade da visita por parte dos pastores e
presbíteros. Para ele, a pregação pública deve ser suplementada com visitas
pastorais: “Não é suficiente que, do púlpito, um pastor ensine todas as
pessoas conjuntamente, pois ele não acrescenta instrução particular de acordo
com a necessidade e com as circunstâncias específicas de cada caso”.

c) Pregar a Palavra para proteger o rebanho dos erros teológicos.

Atos 20.28-30 – escrevendo

A grande preocupação de Paulo era com os “lobos vorazes” que vinham de


fora e de dentro.

Propósito: arrastar os discípulos atrás deles. Falsos ensinos.

Como pastor, Calvino também critica severamente seus oponentes teológicos e


freqüentemente afirmava que “o verdadeiro pastor tem duas vozes: uma para
chamar as ovelhas e outra para espantar os lobos devoradores”. [4]

d) Pregar a Palavra como evangelista.

Paulo ensina que o pastor deve fazer o trabalho de evangelista (2Tm 4.5), Com
isso vemos que o ministério pastoral possui um caráter evangelístico. 

Na prática: o pastor deve:


a) Orar diariamente pela conversão de algum descrente que ele conheça.

b) Estabelecer o alvo de falar de Cristo para, no mínimo, uma pessoa a


cada semana.
c) Esforçar-se por manter um círculo de amizades com pessoas não
crentes. Alguns ministros parecem limitar suas amizades intra muros
eclesiae. (ser amigo de publicanos e pecadores.)
d) Pregar evangelisticamente. Alguns pastores pensam que não se deve
pregar mensagens evangelísticas se o auditório consiste apenas de
pessoas crentes. Entretanto, é bem possível que se o ministro pregar
evangelisticamente os membros da igreja se sentirão mais encorajados
a convidar e trazer descrentes para ouvir a pregação. Logo, é sempre
recomendável pregar evangelisticamente, mesmo quando os
descrentes ainda não se encontram no auditório! Outra atitude do
envolvimento cooperativo do ministro com a evangelização é o ato
e) Desafiar os membros de sua igreja a pregar o evangelho. Muitos
cristãos se sentiriam mais motivados a pregar as boas novas se fossem
persuadidos biblicamente quanto à necessidade e urgência de fazê-lo.
f) Equipar a igreja para a tarefa evangelística.

II. O PASTOR COMO SACERDOTE

Como sacerdote, o pastor é chamado por Deus para interceder pelo seu povo.

Como ele desenvolve essa responsabilidade?

1) No aconselhamento pastoral. Os pastores precisam estar disponíveis


às ovelhas em tempos de stresse, doenças, lutas, conflitos.

Ele deve “admoestar os insubmissos, consolar os desanimados,


amparar os fracos e ser longânimo para com todos.” (1
Tessalonicenses 5:14).

2) No consolo daqueles que sofrem (1Tessalonicenses 4.18)

Diante da morte, um pastor deve chorar com os que sofrem e deve


sensivelmente lembrar a esperança e encorajamento do evangelho àqueles
que estão sofrendo. Isso envolve pregar mensagens centralizadas no
evangelho em cultos fúnebres e cerimonias de sepultamento.

3) No encorajamento dos membros fracos (1Tessalonicenses 5.14)

Embora seja tentador negligenciar as pessoas que são difíceis de serem


mudadas, Deus chama os pastores a serem modelos na paciência e
esperança perseverante ao trabalharem com aqueles que são difíceis,
desanimados e desafiadores.

4) Na confrontação do pecado (Mateus 18.15-17)


Os pastores precisam confrontar o pecado e conduzir a igreja no exercício
da disciplina, na esperança de arrependimento e restauração.

5) Na intercessão pelo rebanho do Senhor. (Tiago 5.13-18, Atos 6)

Um pastor deve ser um intercessor, trazendo as necessidades da sua igreja


diante de Deus e conduzindo a oração, tanto em público quanto em privado.

III. O PASTOR COMO REI

As funções de rei do pastor envolvem diversas áreas de trabalho.

Ao contrário do que muitos pensam, administração não é algo mal; ao


contrário, é parte vital do ministério bíblico.

Preparar boletins, supervisionar a equipe e os voluntários, participar da


Comissão de Finanças e orçamento, celebrar casamento religioso com efeito
civil, orientar e supervisionar a liturgia na Igreja de que é pastor. Orientar e
superintender as atividades da Igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual
do povo de Deus.

Conclusão: Há outras obrigações e serviços nas quais cada pastor deve estar
envolvido. Eu listei apenas as categorias principais.

1) Não há pastor extremamente capaz em todas as três áreas. A maioria


dos pastores tem seu ponto forte em uma ou talvez duas das três áreas.
Mas se o pastor se focar apenas em uma ou duas destas, seu ministério
sofrerá.
2) Quando pensamos nos ofícios de Cristo, reconhecemos que os três são
distintos, mas nenhum ofício pode ser entendido à parte dos outros dois.
Por exemplo, não podemos entender propriamente o ofício real de Cristo
à parte de sua obra como profeta e sacerdote. Os ofícios de Cristo se
intercalam e preenchem um ao outro.

De maneira semelhante, os papéis do pastor nunca podem ser divorciados um


do outro. Um ministério efetivo requer que o pastor bíblico dedique tempo e
atenção às três áreas.

Exemplo: Eu não posso pregar bem se não conheço minha congregação e


suas necessidades. Fora desse contexto, meus sermões se tornam palestras
teológicas. Se os ministérios de minha igreja (rei) forem prosperar e ser
efetivos, será porque estão atados ao ministério da palavra (profeta) e às
necessidades de meu povo (sacerdote). De outro modo, a obra da igreja fica
desconjuntada e desconectada das necessidades das pessoas.

Quando os ofícios profético, sacerdotal e real trabalham juntos, o ministério é


balanceado e bíblico.
O trabalho que o pastor faz geralmente lhe é satisfatório, e creio que a maioria
de nossos ministros não consideraria fazer nada além de servirem com
pastores. Mas o trabalho também pode ser extenuante. Nunca há uma semana
em que a lista de afazeres do pastor seja completa.

Ore por ele e encoraje seu pastor enquanto ele serve como o profeta,
sacerdote e rei de sua igreja.    

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