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OS ISMOS TEOLÓGICOS

MORÉH: Pr. SANDRO G. G. NOGUEIRA Diretor Geral
Pastor da Igreja Batista Vida Abundante em Santa Maria DF. Mestrado em Teologia pela fatesp – São Paulo. Juiz Arbitral pelo TJAEM - Tribunal de Justiça Arbitral e Mediação dos Estados Brasileiros. Teólogo e Professor na FATADEB - Faculdade Teológica da Assembléia de Deus de Brasília. Professor na FAETEB - Faculdade de Educação Teológica de Brasília. Professor na FATEN - Faculdade Teológica Nacional de Luziânia - GO. Professor no STEMM - Seminário Teológico Evangélico de Missões Mundiais. Registrado no CFT - Conselho Federal de Teólogos do Brasil - N° 000.083/061. Registrado no COPEV - DF - Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal. Registrado na ORMIBAN -DF - Ordem dos Ministros Batistas do Distrito Federal. Registrado na C.B.N – Convenção Batista Nacional - DF Registrado no CFECH – DF - Conselho Federal Evangélico de Capelania Hospitalar do DF. Membro da Academia Nacional de Doutores, Mestres e Teólogos do Brasil. Contatos
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Ebionismo Ebionismo (do hebraico ‫ ,אביונים‬Evyonim, "pobres") é o nome de uma das ramificações do Cristianismo primitivo, que pregava que Jesus de Nazaré não teria vindo abolir a Torá como prega a doutrina paulina. Desta forma, pregavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da santa Torá, o que levou a um choque com outras ramificações do Cristianismo e do Judaísmo. As informações sobre os ebionitas ficaram registradas nos escritos dos pais da igreja. Pelas informações que constam nos escritos dos pais da igreja, vemos que os ebionitas diziam que é necessário obedecer a todos os mandamentos da Lei judaica, inclusive ao mandamento de fazer a circuncisão, e que os gentios que se convertem a Deus devem fazer a circuncisão, e devem obedecer a todos os mandamentos da Lei, e que Jesus Cristo é o Messias, mas não é Deus, e que Jesus Cristo não nasceu de uma virgem, mas sim foi gerado por José, e que Paulo de Tarso foi um apóstata da Lei e não foi um verdadeiro apóstolo de Jesus Cristo, e que as Escrituras Sagradas são somente o Antigo Testamento e um único evangelho (chamado de Evangelho dos Ebionitas), que era considerado como sendo o Evangelho segundo Mateus, e era escrito em hebraico, e era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego que é usado pelos católicos, pois os católicos o consideravam como sendo incompleto e truncado. Origens As origens do ebionismo ainda são obscuras. Crê-se no entanto que o ebionismo é o cristianismo original, ou uma das ramificações primitivas do cristianismo. Em oposição à doutrina paulina, o ebionismo deve ter surgido entre os seguidores de Jesus e Tiago, o Justo, que buscavam conciliar a crença messiânica com o cumprimento das leis da Torá. O choque entre os dois grupos : judaizantes e antijudaizantes já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre os dois grupos obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ), e em Atos 21:17-26, onde consta que havia na Terra de Israel dezenas de milhares de judeus que criam em Jesus Cristo e eram zelosos observadores da Lei (Atos 21:20), e que houve uma situação de confronto entre eles e Paulo, considerado por eles como apóstata, pois haviam sido informados de que Paulo pregava a desobediência aos mandamentos da Lei. Embora os judeus cristãos mencionados em Atos 15:1 e Atos 21:20 não fossem ainda chamados ebionitas, pois esta denominação somente começou a ser usada mais tarde, eles eram ebionitas, pois sua crença e prática era igual à dos ebionitas. O confronto entre os judaizantes e os antijudaizantes aparece também em Gálatas 2:11-21, onde consta que Cefas ( Pedro), seguindo orientação de Tiago, obrigava os gentios a judaizarem, e Paulo não concordava com isso. O movimento ebionita enfatizaria a natureza humana de Jesus, como filho carnal de Maria e José, que teria se tornado Filho de Deus quando de seu batismo, e sendo descendente de David, tornar-seia o rei do povo de Israel e seu último grande profeta. Desprezado por cristãos e judeus, o ebionismo constituiu uma ramificação separada e organizou sua própria literatura religiosa. Literatura ebionita Consta nos escritos dos pais da igreja que os ebionitas usavam somente um evangelho, o qual era escrito em hebraico, e era considerado como sendo o Evangelho segundo Mateus, mas era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego, que é usado pelos católicos, pois os católicos o
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consideravam como sendo incompleto e truncado, e que este evangelho era também chamado de "Evangelho segundo os Hebreus" (Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, 3:27[1], e Epifânio de Salamina, Panarion, 30:3:7 e 30:13:1-2). No entanto, é necessário distinguir entre o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos ebionitas e o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos, pois, embora ambos fossem considerados como sendo o Evangelho segundo Mateus em hebraico, o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos era uma versão expandida, que continha todos os trechos que são encontrados no Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos, e continha mais alguns trechos que não são encontrados no Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos, enquanto que o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos ebionitas, ao contrário, era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos (Epifânio, Panarion, 30:13:2). O Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos é citado várias vezes por Jerônimo. O Evangelho segundo Mateus contém a doutrina ebionita, principalmente em Mateus 5:17-19, onde consta que Jesus Cristo disse que não veio abolir a Lei nem os Profetas, mas sim cumprir, e que a Lei nunca será abolida, e que devemos obedecer a todos os mandamentos da Lei, e em Mateus 7:2123, onde consta que Jesus Cristo disse que nem todos os que crêem nele entrarão no Reino de Deus, mas sim somente aqueles que fazem a vontade de Deus, e que muitos que pregam o evangelho e fazem milagres em nome dele não entrarão no Reino de Deus, porque praticam a iniqüidade. Isto explica por que este evangelho era o único que era aceito pelos ebionitas. Os pais da igreja escreveram que Mateus escreveu o seu evangelho em hebraico, e que cada um o traduzia como podia (Eusébio, História Eclesiástica, 3:24:6 e Papias, citado por Eusébio, em História Eclesiástica, 3:39:16 e Ireneu, em Contra as Heresias, 3:1:1 e Orígenes, citado por Eusébio em História Eclesiástica 6:25:4 e Epifânio, em Panarion, 30:3:7 e Jerônimo, Epístolas, 20:5 e Comentários sobre Mateus 12:13 e Vidas de Homens Ilustres, capítulo 3). Ebionismo moderno Há atualmente diversos movimentos religiosos que em maior ou menor grau compartilham a visão ebionita. Dentre elas, podemos mencionar o movimento criado por Shemayah Phillips,que em 1985 fundou o movimento conhecido como a Ebionite Jewish Community. Esta comunidade, estritamente monoteísta, reconhece Jesus como um profeta justo, e defende uma interpretação judaica do Tanakh e que tal sirva como meio de união entre judeus e gentios para implantação de uma sociedade justa. Citações Os trechos dos livros dos Padres da Igreja que falam sobre os ebionitas são os seguintes: 1. Inácio de Antioquia, Epístola aos Filadélfos, capítulo VI 2. Ireneu, Contra Heresias:
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1:26:1-2 3:11:7 3:21:1 4:33:4 5:1:3

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3. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica 3:27 4. Tertuliano, Apêndice, Contra Todas as Heresias, capítulo III 5. Hipólito de Roma, Contra Heresias 7:22 6. Orígenes, Filocalia 1:24 7. Orígenes, Comentário sobre Mateus 11:12 8. Orígenes, Contra Celso:
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5:61 5:6

9. Jerónimo de Strídon, Carta para Agostinho:
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4:13 4:16

10. Agostinho de Hipona, Carta para Jerônimo, 3:16 11. Epifânio, Panarion:
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30:3:7 30:13:1,2

Judaísmo messiânico Judaísmo Messiânico é uma ramificação religiosa que segue as tradições religiosas judaicas, e que também acredita na figura de Yeshua (Jesus) como sendo o Messias esperado pela tradição profética judaica. Pode-se distinguir dois tipos de messianismo deste tipo: Sinagoga messiânica Baruch Hashem, Dallas, Texas

Nos primeiros séculos as seitas dos nazarenos e os ebionitas, que tratavam-se na maioria de judeus que aceitavam a crença em Jesus como Messias, e não compartilhavam da crença na divindade de Jesus. Criam que os gentios (não-judeus) que se convertessem deveriam aceitar as tradições religiosas judaicas. Porém, a entrada cada vez maior de prosélitos de origem não-judaica acabou por desencadear o processo que separaria de vez a seita dos nazarenos do Judaísmo, separação esta concretizada definitivamente com o Concílio de Niceia, no ano 326 EC. O Moderno Judaísmo Messiânico é um movimento surgido no século XX nos EUA, originado do Hebreu-Cristianismo nascido na Inglaterra no século XIX. A grande maioria dos modernos judeus messiânicos aceita as diversas tradições do Judaísmo, julgando-as, no entanto, incompletas em seu significado, de certa maneira. O significado completo, segundo eles, só pode ser obtido a partir do entendimento e aceitação de Jesus como sendo o Messias.

O Judaísmo em geral rejeita o Judaísmo Messiânico/Nazareno como sendo um ramo do Judaísmo, embora, em sua origem no século I EC, tenha sido considerado como tal. Ao mesmo tempo, a despeito de ser considerado apenas como uma ramificação cristã com o propósito de converter judeus aos cristianismo, como por exemplo a organização Judeus para Jesus, apenas uma pequena parte das denominações cristãs, geralmente protestantes, aceita o atual movimento judaicomessiânico, especialmente por conta de questões doutrinárias divergentes.
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História do Judaísmo Messiânico Origens do messianismo judaico Um conceito do Judaísmo, o Messias (do hebraico ‫ ,משיח‬Mashiach, Ungido) refere-se, principalmente, à crença do Judaísmo posterior da futura vinda de um descendente do Rei David que iria reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo, desta forma, a paz ao mundo. Ainda que a tradição religiosa judaico-cristã diga que o Messias já era uma profecia predita desde os tempos dos Patriarcas, este ensino veio a tomar mais forma após a destruição do Templo de Jerusalém. O retorno do Cativeiro, aliado a eventos históricos serviu para o aumento de um nacionalismo judaico, despertando uma esperança judaica pela reconstrução de sua nação e pelo governo de um rei levantado por D-us, que submeteria todos os povos à legislação da Torá. Esta esperança messiânica aumentou ainda mais com o Domínio Romano sobre a Judéia no primeiro século. As diversas ramificações judaicas, pacíficas ou revolucionárias (como os zelotes), pretendiam obter sua independência do domínio romano, e inspirados pelo ideal da independência, acabaram por desenvolver ainda mais a crença no Messias libertador. Os antigos nazarenos e o surgimento do Cristianismo De acordo com a tradição cristã geralmente aceita, Jesus de Nazaré seria o Messias esperado pela tradição profética judaica (Mateus 2:1-6, Lucas 2:1-32, baseando-se, entre outros, no texto de Miqueias 5:2). Teria sido crucificado, ressuscitado e elevado aos céus (Mateus 28:7, Atos 2:22-34, 4:10, 5:30). Inicialmente, seus seguidores foram de fato judeus que não abandonaram suas tradições religiosas judaicas, mas as praticavam acrescentando-lhes a crença em Jesus como Messias (Atos 20:7-8; 21:20). Estes eram chamados de notzrim (nazarenos), devido à cidade de origem de Jesus ou cristãos, pelo público não-judaico. No entanto, com o aumento da difusão dos ensinos de Jesus, muitos não-judeus passaram a aceitar e acreditar nestas doutrinas. Por este fato surgiu a primeira crise entre os seguidores de Jesus : os gentios que criam em Jesus deveriam ou não ser submetidos às normas do judaísmo ? O grupo judaizante acreditava que Jesus não teria vindo abolir a Torá. Desta forma, pregavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da Torá. Ainda não é possível determinar se este grupo judaico era uma variação dos ensinos de Jesus ou se era a doutrina original de Jesus. No entanto se acreditarmos no sucesso inicial do movimento de Jesus dentro da religião judaica, deve-se crer que o ensino original não tenha sido muito diferente disto. Já o grupo antijudaizante, cujo principal expoente era Paulo de Tarso, defendia que Jesus viera trazer salvação de Deus à humanidade, abolindo os preceitos da Torá, que seriam desnecessários para se obter a salvação.O choque entre os dois grupos : judaizantes e antijudaizantes já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre eles obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ). Os antijudaizantes cujo principal expoente era Paulo de Tarso conseguiram impôr sua visão contra os judaizantes, apoiados pelo apóstolo Pedro : aqueles que eram gentios não precisavam submeter-se aos dogmas do judaísmo e aqueles que eram judeus poderiam prosseguir com seu judaísmo desde que não impusessem seu modo de viver aos gentios: "...devemos escreverlhes [aos gentios] uma carta para informá-los de que se devem abster das coisas contaminadas por ídolos, da fornicação, do que foi estrangulado e do sangue. [Os judeus não necessitam disto] Porque, desde os tempos antigos, Moisés é anunciado em todas as cidades, e suas palavras são lidas nas sinagogas, a cada sábado" (Atos 15:20-21).[1] (comparar com as Leis de Noé).
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O sucesso da pregação paulina fez com que ambos os lados se afastassem. Ainda que tenham sido aceitos a príncipio pelo judaísmo como mais uma ramificação, os seguidores de Jesus acabaram com o tempo sendo identificados com o ensino de Paulo que causava controvérsias na comunidade judaica, a respeito da questão do Messias e principalmente da aceitação livre de não-judeus. Além disso, o sofrimento dos judeus sob domínio romano passou a ser imputado aos seguidores de Jesus e a isto somou-se a recusa por parte da maioria destes a ajudar na Revolta Judaica, que culminou na destruição do segundo Templo de Jerusalém, e à fuga dos cristãos para Pela. Após a destruição do Templo de Herodes e o início da Diáspora, os cristãos espalharam-se ainda mais pelo império, bem como os demais judeus. Entretanto, a entrada cada vez maior de gentios na comunidade cristã iniciou de vez o processo de rompimento de suas ligações com o Judaísmo, especialmente porque estes gentios passaram a assimilar-se cada vez menos às práticas da Torá, como proposto no Concílio de Jerusalém, e com isso mantinham algumas de suas práticas pagãs, misturando-as apenas às primeiras doutrinas dos então nazarenos. A invasão dessas práticas pagãs, aliada ao prestígio agora dado à seita pelo império, graças ao crescimento surpreendente da mesma, culminou no desenvolvimento e no surgimento dos princípios que originaram o chamado Cristianismo. Os choques entre cristãos e judeus serão mais ou menos leves até a adoção do Cristianismo como religião oficial do Império Romano. O Concílio de Niceia, realizado no ano 325 EC, tratou de separar definitivamente o agora Cristianismo do Judaísmo, estabelecendo definitivamente as doutrinas da Trindade e da divindade de Jesus, entre outras, que dão base ao Cristianismo até os dias atuais. E, com a posterior adoção do Cristianismo como a religião oficial do Império Romano no ano 380 EC, graças aos dogmas estabelecidos em Niceia, passou-se a tentar converter os judeus e a impor-lhes diversas sanções que dariam origem ao antissemitismo religioso da Idade Média. Este sentimento foi posteriormente compartilhado inclusive pelas diversas ramificações cristãs protestantes tradicionais, que viam nos judeus um povo retrógrado que teria matado seu Messias e que se recusava a converter-se ao Cristianismo. Os judaizantes acabaram sendo segregados tanto pelos cristãos como pelos judeus. Estes judaizantes foram reconhecidos como ebionitas (do hebraico evionim "pobres"), organizando sua própria literatura religiosa e com o passar do tempo foram virtualmente extintos. Mesmo assim encontra-se uma gama de relatos históricos desses pequenos grupos cristãos que datam aproximadamente do século XIV e XV. Há diversos movimentos religiosos que em maior ou menor grau compartilham a visão ebionita. Dentre elas ,podemos mencionar o movimento criado por Shemayah Phillips,que em 1985 fundou o movimento conhecido como a Ebionite Jewish Community. Esta comunidade, estritamente monoteísta, reconhece Jesus como um profeta justo, e defende uma interpretação judaica do Tanakh e que tal sirva como meio de união entre judeus e gentios para implantação de uma sociedade justa. Judaísmo Messiânico Moderno O Judaísmo Messiânico moderno ou Movimento Messiânico é um movimento recente iniciado no século XIX. Embora já em 1718 John Toland, em sua obra "Nazarenus", tenha feito a sugestão de que os "cristãos entre os judeus guardassem a Torá", somente no início do século XIX nasceu o Movimento Cristão-Hebreu na Inglaterra. E, em 1886, foi fundada em Chişinău, na atual Moldávia, a primeira Congregação Judaico-Messiânica moderna, por Ioseph Rabinovich. Na Inglaterra, o movimento conhecido como Hebreu-Cristianismo iniciou-se com o princípio básico de reunir cristãos de origem judaica, tendo em vista o propósito de conscientizá-los de sua identidade judaica e reavivá-la, tendo sido a Hebrew-Christian Alliance of Great Britain finalmente
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organizada em 1866. Nos Estados Unidos, uma organização similar foi fundada em 1915, a Hebrew-Christian Aliance of America, cujo nome foi mudado para Messianic Jewish American Alliance em 1976. Em 1925, uma organização internacional foi criada com o mesmo propósito, a International Hebrew-Christian Alliance, posteriormente chamada International Messianic Jewish Alliance. Em 1979 foi fundada a Union of the Messianic Jewish Congregations (UMJC). O moderno Judaísmo Messiânico, finalmente "estabelecido" a partir da década de 60, intitula-se como um movimento originalmente judaico, fundado por membros judeus e para judeus, embora não seja reconhecido como tal. É essencialmente diferente do movimento Judeus para Jesus (Jews for Jesus), movimento este reconhecidamente protestante e com a finalidade única da conversão dos judeus ao Cristianismo (e que teve, por esta razão, uma resposta por parte do Judaísmo através do movimento Jews for Judaism (Judeus para o Judaísmo). Estes grupos messiânicos são apoiados por igrejas evangélicas que atualmente tem promovido uma aceitação das tradições judaicas como o uso de músicas e orações em hebraico, adoção de festas religiosas judaicas, itens como kipá e tefilin, além de uso de nomenclatura e termos de origem judaica (como Rabino) mas negando muitas vezes outras tradições essenciais do judaísmo como a brit milá e outros mandamentos sob a visão de que estes mandamentos teriam sido abolidos por Jesus. O governo de Israel a partir de 2009 passou a reconhecer os judeus messiânicos como judeus, sendo que antes eram classificados pelo Ministério do Interior de Israel como cristãos. Teologia A teologia judaico-messiânica estuda a divindade e as Escrituras segundo uma perspectiva judaicomessiânica. Cânon Os judeus messiânicos comumente reconhecem o Antigo Testamento como sendo divinamente inspirado. O teólogo David H. Stern, em seu "Comentário do Novo Testamento Judaico", argumenta que Paulo é completamente coerente com o Judaísmo Messiânico, e que o Novo Testamento deve ser tomado pelos judeus messiânicos como sendo também a inspirada "Palavra de D-us". Entretanto, esta é apenas a principal visão dentro do movimento, pois, como em todas as religiões, há diversas correntes de pensamento. Alguns poucos judeus messiânicos não aceitam os escritos de Paulo, chegando a rejeitá-los completamente, ou então deixando-os "abaixo" dos Evangelhos. Frequentemente, a ênfase se dá na ideia de que o Antigo Testamento eram as únicas Escrituras de que os primeiros crentes em Jesus dispunham (e de fato a maioria dos estudiosos concorda que não havia um cânon estabelecido do Novo Testamento até o século IV), e que, exceto pelas palavras registradas de Jesus, o Novo Testamento se pretendia apenas como um comentário inspirado do Antigo Testamento. Desta forma, no entanto, o cânon judaico-messiânico difere do cânon judaico tradicional essencialmente pela inclusão dos livros do Novo Testamento (ou conhecido como Brit Chadashá). O cânon judaico-messiânico, em suas diferentes ramificações, geralmente contêm os seguintes livros: 1. Torá [‫" ,]הרות‬a Lei", "Instrução", ou "Ensino". Também chamada Chumash [‫" ,]שמוח‬os cinco", referência aos 5 livros de Moisés; o Pentateuco.

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2. Neviim [‫ ,]םיאיבנ‬os "Profetas". 3. Ketuvim [‫ ,]םיבותכ‬os "Escritos". 4. Besorot [‫ ,]תורושב‬os "Evangelhos". 5. Ma'ase Hashelichim [‫ ,]םיחילשה ישעמ‬os "Atos dos Apóstolos". 6. Igarot Shaul Hashaliach [‫ ,]חילשה לואש תורגא‬as "Epístolas de Paulo". 7. Igarot Hashelichim [."solotsópa sod salotsípE" sa ,[‫אגרות השליחים‬ 8. Chazon [‫ ,]ןוזח‬a "Revelação". Stern produziu recentemente uma versão Judaico-messiânica da Bíblia, chamada A Bíblia Judaica Completa. Talmude e comentários bíblicos Algumas comunidades judaico-messiânicas consideram os comentários rabínicos, como a Mishná, no Talmude como historicamente informativos e úteis no entendimento da tradição, embora não os considerem normativos, especialmente nas questões nas quais o Talmude diverge das escrituras messiânicas. Alguns outros grupos messiânicos, no entanto, consideram "perigosos" os comentários rabínicos do Talmude. Estes grupos defendem a ideia de que os que seguem as explicações e os comentários rabínicos e halaquicos não são crentes em Jesus como Messias. Além disso, negam a autoridade dos Fariseus, crendo que estes foram substituídos e contraditos pelo messianismo. Há um número grande de comentários messiânicos sobre diversos livros da Bíblia, tanto do Tanakh quanto do Novo Testamento. David H. Stern publicou em volume único seu Comentário Judaico do Novo Testamento, mas ele limita-se a apenas fornecer notas explanatórias de um ponto de vista judaico, deixando de lado muitas das questões sobre a composição, história, data e contexto dos livros do Novo Testamento. Outros comentaristas notáveis do Novo Testamento são Joseph Shulam, que escreveu comentários de Atos, Romanos e Gálatas, e Tim Hegg, que escreveu sobre Romanos, Gálatas e Hebreus, e atualmente está estudando o evangelho de Mateus. Doutrinas principais Nesta seção estão listadas algumas das principais crenças e doutrinas do Judaísmo Messiânico 1. Deus - Os judeus messiânicos crêem no Deus do Tanakh, Adonai, e que ele é todo-poderoso, onipresente, eterno, existente à parte da criação, e infinitamente importante e benevolente. Os judeus messiânicos creem no Shemá, que significa "ouve", oração fundamental do Judaísmo, do texto de Deuteronômio 6:4 - "Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D-us é Único D-us -, texto que mostra a unicidade do Deus de Israel, sendo ele único e infinito, e unicamente soberano. Quanto ao entendimento desta unicidade, porém, os grupos messiânicos divergem. Alguns refutam a ideia da Trindade, entendendo o Shemá como a declaração literal de que Deus é um, apenas, além de considerar textos do próprio Novo Testamento que eventualmente desmentem o conceito de uma entidade triúnica - portanto, relegam a Trindade a algo quase que idolátrico. Outros, porém, são abertos aos conceitos trinitarianos.
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2. Jesus como o Messias - Jesus (Yeshua) é, para os judeus messiânicos, o Messias judeu. O principal movimento messiânico crê em Jesus como sendo "a Torá (palavra) feita carne" (referência a João 1:14). Quanto à divindade de Jesus, no entanto, os grupos divergem. Alguns negam que Jesus seja Deus, refutando a Trindade (pelos motivos resumidamente expostos acima) e considerando o fato de que claramente não há referências no Tanakh de que o Messias seria o próprio Deus. Entretanto, consideram-no como um ser essencialmente divino, provindo de Deus e por ele munido de toda autoridade - mas não o próprio. Outros, porém, acreditam que Jesus de fato é o próprio Deus, sem qualquer ressalva ao conceito cristão tradicional. 3. A Torá escrita - Os judeus messiânicos, com algumas poucas exceções, tomam a Torá escrita (o Pentateuco) como sendo completamente válida (ao contrário da visão cristã), e portanto creem nela como uma aliança sagrada, perpétua e insubstituível, que deve ser observada tanto moral e ritualmente por aquelas que professam fidelidade a Deus. Eles acreditam que Jesus não somente ensinou como reafirmou a Torá (como no trecho do evangelho de Mateus 5:17-20), e não que ele a revogou. 4. Israel - Creem que as tribos de Israel foram, são, e continuarão a ser o povo escolhido do Deus de Jacó. Todos os messiânicos, judeus ou não, rejeitam a chamada "teologia da substituição", a visão de que a Igreja cristã substituiu Israel na mente e nos planos de Deus. 5. A Bíblia - O Tanakh e o Novo Testamento (chamado "Brit Chadashá") são geralmente considerados pelos messiânicos como as escrituras inspiradas por Deus. 6. Escatologia bíblica - A maioria dos judeus messiânicos detêm as crenças escatológicas do "fim dos tempos", da segunda vinda de Jesus, como Mashiach ben David, o descendente do rei Davi que restituirá Israel, da reconstrução do Templo de Jerusalém, da ressurreição dos mortos para o Juízo e do Shabat milenar, o período do reinado do Messias. 7. A Torá Oral - As opiniões dos judeus messiânicos a respeito da Torá oral, codificada no Talmude, são diversas e muitas vezes conflitantes inclusive entre as congregações. Algumas delas acreditam que aderir à "Lei oral", como abrangida no Talmude, é contrário aos ensinamentos messiânicos e, portanto, completamente perigoso. Outras congregações, porém, são seletivas nas aplicações das leis talmúdicas. Outras, ainda, encorajam a uma séria observância da halachá. Contudo, virtualmente todas as congregações e sinagogas judaico-messiânicas veem as tradições orais como sendo subservientes à Torá escrita, notando que Jesus observou algumas tradições orais (como a observância de Chanucá), e se opôs a outras. Arianismo O arianismo foi uma visão Cristológica sustentada pelos seguidores de Arius, bispo de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus, que os igualasse, fazendo do Cristo pré-existente uma criatura, embora a primeira e mais excelsa de todas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus, e não o próprio Deus. Segundo Ário só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo. Com esta linha de pensamento, o historiador H. M. Gwatkin afirmou, na obra "The Arian Controversy": "O Deus de Ário é um Deus desconhecido, cujo ser se acha oculto em eterno mistério"[1] História

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Por volta de 319 Ário começou a propagar que só existia um Deus verdadeiro, o "Pai Eterno", princípio de todos os seres. O Cristo-Logos havia sido criado por Ele antes do tempo como um instrumento para a criação, pois a divindade transcendente não poderia entrar em contato com a matéria. Cristo, inferior e limitado, não possuía o mesmo poder divino, situando-se entre o Pai e os homens. Não se confundia com nenhuma das naturezas por se constituir em um semi-deus. Ário afirmava ainda que o Filho era diferente do Pai em substância. Essa ideia ligava-se ainda ao antigo culto dos heróis gregos, dentre os quais para ele Cristo sobressaía com o maior, embora apenas possuísse uma divindade em sentido impróprio. Como meio de difusão mais abrangente de suas ideias, fê-lo sob a forma de canções populares. Um primeiro sínodo, em Alexandria, expulsou Ário da comunhão eclesiástica, mas dois outros concílios, fora do Egito, condenaram aquela decisão, reabilitando-o. Árius procurou o apoio de companheiros que, como ele, haviam sido discípulos de Luciano de Antióquia, em especial Eusébio, bispo de Nicomédia (atual İzmit). A luta que se seguiu chegou a ameaçar a unidade da Igreja e, ante o perigo de fragmentar também o império, levou o imperador Constantino a enviar Ósio, bispo de Córdoba, seu conselheiro particular, como mediador. O insucesso da missão levou-o a convocar, em 325, um concílio universal em Niceia (atual İznik).No Primeiro Concílio de Niceia (325) a maioria dos prelados, corroborada pelo próprio Constantino graças à influência de Santo Atanásio (criador do termo "homoousios", siginificando "de substância idêntica" – para descrever a relação de Cristo com o Pai), condenou as propostas arianas, e declarou-as heréticas, obrigando à queima dos livros que as continham e promulgando a pena de morte para quem os conservasse. Definiu ainda o chamado "Símbolo de Niceia".[2] As inúmeras dúvidas suscitadas pelo Sínodo de Niceia reacenderam as lutas, com os prelados acusando-se mutuamente de hereges. Várias fórmulas dogmáticas foram ensaiadas para complementar a de Niceia, acentuando ainda mais as divisões, num conflito que expôs cada vez mais as diferenças entre o Ocidente latino e o Oriente grego, envolvendo disputas de primazia hierárquica e de política. Desse modo, num novo sínodo geral, celebrado na fronteira dos dois impérios, os ocidentais se congregaram em torno do símbolo de Niceia e excomungaram os herejes. Os orientais, a seu apoiaram as ideias de Ário e excomungaram não apenas os bispos apoiantes de Niceia como também o próprio bispo de Roma. Ário retornou a Constantinopla em 334, a chamado de Constantino e, segundo a lenda, faleceu em 336 quando a caminho de receber a comunhão novamente. As ideias de Ário foram adotadas por Constâncio II (337-361) sem que, entretanto, se impusessem à Igreja. Difundiram-se entre os povos bárbaros do Norte da Europa, quando da evangelização dos Godos, pela ação de Ulfila, missionário enviado pelo imperador romano do Oriente. Os Ostrogodos e Visigodos chegaram à Europa ocidental já cristianizados, mas arianos. Uma carta de Auxentius, um bispo de Milão do século IV, referindo-se ao missionário Ulfila, apresentou uma descrição clara da teologia ariana sobre a Divindade: Deus, o Pai, nascido antes do tempo e Criador do mundo era separado de um Deus menor, o Logos, Filho único de Deus (Cristo) criado pelo Pai. Este, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho e, tal como o Filho, era subordinado do Pai. Segundo outros autores, para Ário o Espírito Santo seria uma criatura do Logos (Filho). A questão só seria debelada quando, em fins do reinado de Teodósio, ao tornar-se religião oficial do império, o cristianismo ortodoxo-romano afirmou-se em definitivo. Após o século V, graças às perseguições, o movimento desapareceu gradualmente.
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Séculos mais tarde, o nome "Arianos" foi usado na Polónia para referir uma seita Cristã Unitária, a irmandade polaca (Frater Polonorum). Eles inventaram teorias sociais radicais e foram precursores do Iluminismo. Paralelos modernos "Semi-arianismo" tem sido um nome aplicado a outros grupos não-trinitários, desde então como as Testemunhas de Jeová e a Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora. Por exemplo, muitas vezes tem-se dito que as Testemunhas de Jeová e a Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora, estariam seguindo uma forma de arianismo, visto que também não crêem na Trindade, e consideram Jesus como O Filho de Deus. Mas as Testemunhas de Jeová discordam deste ponto de vista, afirmando que suas crenças não se originam dos ensinamentos de Ário, e que, não adoram o “Deus desconhecido” de Ário.[3] A doutrina espírita também compreende em Jesus o ser humano mais iluminado, que serve de guia e modelo à humanidade, mas não o confunde com Deus. Na pergunta 17 do Livro dos Espíritos se afirma que "Deus não permite que tudo seja revelado ao homem neste mundo." Semi-Arianismo Semi-Arianismo é um nome frequentemente dado à posição trinitária da maior parte dos conservadores da Igreja cristã oriental no século IV dC, para distingui-la do arianismo propriamente dito. Mais precisamente, ele é reservada (como pode ser visto no capítulo 73 de Panarion, de Epifânio) para o partido reacionário liderado por Basílio de Ancira durante a controvérsia ariana, em 358 dC. História O arianismo foi o ponto de vista de Ário e seus seguidores - chamados arianos - de que o Filho (Jesus) teria uma posição subordinada ao Pai, sendo inclusive de uma substância (ousia) diferente. Os arianos contrariaram o ponto de vista ortodoxo de que as três partes da Trindade seriam da mesma substância. Após o Primeiro Concílio de Niceia ter condenado o arianismo como heresia, muitos cristãos adotaram posições intermediárias que lhes permitiram se manter em comunhão com os arianos sem que fosse necessário adotar o arianismo. Várias fórmulas diferentes foram propostas como alternativas intermediárias entre os ensinamentos de Ário (heteroousia) e a doutrina da consubstancialidade (homoousia) pregada pelo credo de Niceia. Após o concílio em Niceia em 325 dC ter derrotado o arianismo, a maior parte das igrejas orientais, que tinham concordado com a deposição de Atanásio de Alexandria no Concílio de Tiro em 335 dC e receberam os arianos em comunhão em Jerusalém quando eles se arrependeram, não eram arianos, ainda que estivessem bem longe de serem ortodoxos também. O Concílio de Antioquia em 341 dC propôs um credo que nada tinha de excepcional, exceto por sua omissão da fórmula niceana "da mesma substância que o Pai" (Génitum, non factum, consubstantiálem Patri). Mesmo alguns dos discípulos de Ário, como Jorge de Laodiceia (335 - 347 dC) e Eustátio de Sebaste (ca. 356 - 380 dC), se juntaram ao partido moderado (Homoiousianos), e, após a morte de Eusébio de Nicomedia, os líderes como Ursácio de Singidunum, Valente de Mursa e Germínio de Sirmium não se prenderam à nenhuma fórmula em especial (conhecidos como Homoianos), uma vez que o imperador Constâncio II odiava o arianismo, mas odiava Atanásio ainda mais. Quando Marcelo de Ancira foi deposto em 336 dC, ele foi sucedido por Basílio de Ancira. Marcelo foi depois reconduzido à função pelo Concílio de Sardica pelo Papa Júlio I em 343 dC. Em 350 dC, Basílio voltou ao cargo por ordem do imperador Constâncio, sobre quem ele tinha ganho considerável
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influência. Ele foi então o líder do Concílio de Sirmium em 351 dC, convocado para condenar Fotino, que tinha sido um diácono em Ancira, e os cânones deste sínodo começam condenando o arianismo, ainda que terminem sem concordar completamente com o padrão niceano. Basílio depois entrou em conflito com os anomoeanos liderados por Aécio de Antioquia. Após a derrota do usurpador Magnêncio em Mursa em 351 dC, Valente, bispo da cidade, se tornou o conselheiro espiritual de Constâncio. Em 355 dC, Valente e Ursácio conseguiram aprovar o exílio de alguns dos que professavam o ponto de vista ocidental (Eusébio, Lúcifer, Libério e, logo em seguida, de Hilário. Em 357 dC, eles propuseram o segundo credo de Sirmium, ou "Fórmula de Ósio", em que tanto o termo homoousios quanto homoiousios foram rejeitados. Eudóxio, um ariano fervoroso, tomou a sé de Antioquia e passou a apoiar tanto Aécio quanto seu discípulo, Eunômio de Cízico, também arianos. Na quaresma de 358 dC, Basílio, que celebrava a festa de dedicação de uma nova igreja que ele havia construído em Ancira juntamente com muitos outros bispos, recebeu uma carta de Jorge de Laodiceia relatando como Eudóxio havia aprovado Aécio e implorando à Macedônio I de Constantinopla, à Basílio e aos demais bispos reunidos que decretassem a expulsão de Eudóxio e seus seguidores de Antioquia, caso contrário a grande sé episcopal poderia ser considerada como perdida. Em consequência, o Concílio de Ancira publicou uma longa resposta endereçada à Jorge e os outros bispos da Fenícia, na qual eles recitam o credo de Antioquia (de 341 dC), complementando-o com explicações contra a "falta de similaridade" do Filho em relação ao Pai pregada pelos arianos e anomoeanos (de anomoios) e mostrando que o próprio nome do Pai implica um filho de "substância similar" (homoiousia, ou homoios kat ousian). Anátemas foram incluídos no final, onde o anomoeanismo foi explicitamente condenado, enquanto que a tese da "substância similar" foi considerada obrigatória. O décimo-nono destes cânones proíbe o uso também das formas homoousia e tautoousia, embora isto possa ser creditado a uma reflexão tardia devida à influência de Macedônio, uma vez que Basílio não parece ter insistido no assunto em discussões posteriores. Diversos legados foram despachados para o Concílio de Sirmium: Basílio, Eustátio de Sebaste (um asceta sem princípios dogmáticos), Elêusio de Cízico (seguidor de Macedônio) e o padre Leôncio, um dos capelães imperiais. Eles chegaram em cima da hora, pois o imperador havia dado ouvidos para um eudoxiano, antes de mudar de opinião e emitir uma carta[1] declarando que o Filho era de "substância similar" à do Pai e condenando os arianos em Antioquia. O relato dos autores patrísticos Na metade do século IV dC, Epifânio disse: “ Semi-arianos...mantém o verdadeiro ponto de vista ortodoxo sobre o Filho, que ele esteve sempre com o Pai...mas foi criado sem começo e fora do tempo... Mas todos eles blasfemam contra o Espírito Santo e não o contam na Divindade com o Pai e o Filho." — Panarion, Epifânio de Salamis[2] De acordo com Sozomeno, neste ponto o Papa Libério já havia sido liberado do exílio ao assinar três fórmulas combinadas por Basílio. Basílio persuadiu Constâncio a convocar um concílio geral, com propostas de sede em Ancira e, depois, Nicomedia (ambas na Ásia menor), mas como esta última acabou sendo destruída num terremoto, Basílio acabou novamente em Sirmium em 359 dC, onde os arianistas já tinham reconquistado seu espaço. Juntamente com Germínio, Jorge de Alexandria, Ursácio, Valente e um bispo (depois santo) Marcos de Aretusa, ele realizou a conferência, que se estendeu até à noite. Uma confissão de fé, ridicularizada sob o apelido de "credo obsoleto", foi proposta por Marcos em 22 de maio[3]. O arianismo foi rejeitado, mas a forma
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homoios kata ten ousian (substância similar) não foi admitida e a expressão kata panta homoios (similar em tudo) foi substituída. Basílio ficou desapontado e assinou a explicação de que as palavras "em tudo" significavam não apenas a vontade, mas também a existência e a realidade (kata ten hyparxin kai kata to einai). Ainda insatisfeito, Basílio, Jorge de Laodiceia e outros publicaram uma explicação conjunta[4] onde "em tudo" deveria incluir "substância". O partido contrário fez o possível para que dois concílios fossem convocados em Ariminum e em Selêucia. Em Selêucia, em 359 dC, os semi-arianos estavam em maioria, sendo apoiados por personalidades como Cirilo de Jerusalém, seu amigo Silvano de Tarso e até mesmo por Hilário de Poitiers, mas eles foram incapazes de atingir seus objetivos. Basílio, Silvano, Elêusio, portanto, compareceram como enviados à Constantinopla, onde um concílio se realizou em 360 dC, e que seguiu as diretrizes de Ariminum em condenar homoiousios juntamente com homoousios, permitindo apenas a forma homoios, sem nenhuma adição. Esta nova frase fora invenção de Acácio de Cesareia, que agora havia deposto e desterrado os arianos extremados e se tornado líder dos novos homoianos. Ele tentou exilar Macedônio, Elêusio, Basílio, Eustátio, Silvano, Cirilo e muitos outros. Constâncio morreu no final de 361 dC. Sob Juliano, o Apóstata, os exilados retornaram. Basílio provavelmente já tinha morrido. Macedônio organizou um partido que propunha que o filho seria kata panta homoios (em tudo similar) e que o Espírito Santo seria um ministro e servo do Pai, uma criatura. Elêusio se juntou a ele, assim como Eustátio por um tempo. Este grupo realizou sínodos em Zele e em outros lugares. A ascensão do imperador Joviano, um ortodoxo, estimulou o "versátil" Acácio, juntamente com Melécio de Antioquia e vinte e cinco outros bispos, a aceitar o credo de Niceia, adicionando uma explicação de que os "padres de Niceia" entendiam que o significado de homoousios apenas homoios kat ousian - Acácio havia adotado a fórmula original dos semi-arianos. Em 365 dC, Macedônio reuniu um concílio em Lampsacus sob a presidência de Elêusio e condenou os concílios de Ariminum e Antioquia (de 360 dC)., afirmando novamente a similaridade na substância. Mas as ameaças do imperador ariano Valente fizeram com que Elêusio assinasse um credo ariano em Nicomedia, em 366 dC. Ele retornou então para sua diocese cheio de remorso e implorou que outro bispo fosse eleito, o que foi negado por seus fiéis. Em 381 dC, o Primeiro Concílio de Constantinopla foi reunido para atentar lidar com os binitarianos, os semi-arianos de então. Porém, tão logo o trinitarismo foi sendo oficializado, os semi-arianos deixaram a discussão. "Semi-arianimos...Eles rejeitaram o ponto de vista ariano de que Cristo era uma critura e que tinha uma natureza diferente de Deus (anomoios dissimilar), mas eles também não aceitaram o credo de Niceia, que afirmava que Cristo era "da mesma substância [homoousios] que o Pai.". Os semi-arianos ensinavam que Cristo era similar (em grego homoios) ao Pai, ou de uma substância parecida (homoiousios), ainda que subordinada[5]. Crenças similares Atualmente, grupos como as Testemunhas de Jeová e os Adventistas do sétimo dia já foram - no exterior - chamados de "semi-arianos"[6]. Referências 1. ↑ Sozomeno. História Eclesiástica: Letter of the Emperor Constantius against Eudoxius and his Partisans. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 14, vol. IV. 2. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, livros II e III (seções 47 - 80) 3. ↑ Hilário, Fragmentos, XV 4. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, lxxiii, 12-22
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5. ↑ PFANDL, Gerhard. The Doctrine of the Trinity Among Adventists (em inglês). Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, June 1999. 6. ↑ Daniel Janosik. Arius is Alive: A Comparison between Arian and Jehovah-Witness Christology (em inglês). University of Columbia, International University. Página visitada em 26/11/2010.

"Semiarians and Semiarianism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. Antitrinitarismo

Antitrinitarismo, conjuntos de doutrinas de origem cristã que, de uma forma ou de outra, negam a validade do dogma da Trindade, que afirma a existencia de três pessoas distintas no Deus cristão, geralmente por terem sua base na bíblica ou por serem adeptos à razão. As congregações religiosas antitrinitarias não são consideradas como cristãs pelo Conselho Mundial das Igrejas trinitaristas, âmbito de diálogo entre protestantes e ortodoxos e ao que a Igreja Católica comparece como observadora, pois o credo mínimo que esta formulou inclui a crença em Jesus como Senhor e Salvador compartilhado com o Pai e o Espírito Santo. São doutrinas antitrinitárias o arianismo, o modalismo, o monarquianismo, o patripassianismo, o servetismo, o socinianismo, as Testemunhas de Jeová e o unitarismo (denominação que pode englobar por extensão as anteriores), entre outras. Monarquianismo Monarquianismo, ou Monarquismo como é algumas vezes chamado, é uma série de crenças que enfatizam a Unidade Absoluta de Deus. A crença conflita com a doutrina da Trindade, que vê em Deus uma unidade composta pelo Pai, Filho e Espírito Santo. Os modelos propostos pelo monarquianismo foram rejeitados como heréticos pela Igreja Católica. O Monarquianismo por si mesmo não é uma doutrina completa, mas um gênero do qual decorrem algumas espécies doutrinárias teológicas. Há basicamente dois modelos, contraditórios:

O Modalismo, ou Sabelianismo considera que Deus seja uma pessoa, manifestando-se e operando em diferentes "modos", como Pai, Filho e Espírito Santo. O proponente desta visão foi Sabélio. A crença foi rotulada Patripassianismo por seus oponentes, por subentender que Deus, o Pai, teria sofrido na cruz. O Adocionismo entende que Deus é um ser, superior a tudo e completamente indivisível, defendendo a idéia de que o Filho não foi co-eterno com o Pai, mas que foi revestido de Deus (adotado) para os seus planos. Diferente versões do Adocionismo divergem quanto à hora da adoção por Deus, como a hora do seu batismo, ou de sua ascensão. Um antigo expoente desta crença foi Teodósio de Bizâncio.

De acordo com a Enciclopédia Católica, Natálio foi um patripassionista primitivo. Ele foi um Antipapa (bispo rival de Roma), logo antes do Anti-papa Hipólito. De acordo com Eusébio, citando o Pequeno Labirinto de Hipólito, depois daquele ser "flagelado toda a noite pelos anjos santos", vestiu-se de sacos, e "após alguma dificuldade", ele submeteu-se à autoridade do Papa Zeferino Outro defensor do Monarquianismo foi Paulo de Samosata, que todavia não se fixou entre nenhum dos dois modelos.
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História e Evolução Monarquianismo era um ‗levante‘ da cristandade contra a Trindade. O pensamento trinitário predominava, segundo os escritos dos Patriarcas da Igreja, entretanto o dogma da Trindade ainda não estava escriturado em um credo. O Monarquianismo defende a existência de um só Monarca contra a divindade de Jesus, que segundo seus defensores não poderia ser também o Monarca. Inicialmente o monarquianismo foi contra a divindade de Jesus, entretanto surgiram monarquianos que aceitaram a divindade de Jesus, contudo não a divindade plena. O termo Monarquianismo foi inicialmente usado por Tertuliano quando os "defensores" de Deus (o Monarca) foram contra a unidade Trina (Pai, Filho e Espírito Santo). Eles aclamavam Monarchiam tenemus (temos monarquia). Considerando-se que o surgimento do termo deu-se com um escrito contra Praxeas, atribui-se a ele a introdução do monarquianismo em Roma. Contudo alguns acreditam que fora de Roma o pensamento era mais antigo por satisfazer o ebionismo. Dividia-se em monarquianismo dinâmico e o monarquianismo modalista. O modalista, no terceiro século tornou-se mais conhecido por sabelianismo, e concebia as três Pessoas da Trindade como os três modos pelos quais Deus se manifestava aos homens. Alguns afirmam que o ensino modalista teria sido levado para Roma e Cartago (África) por Noeto de Esmirna, dando origem ao patripassianismo que, querendo preservar a doutrina da salvação, chegou a promover a idéia de que o Pai é que teria morrido na cruz e não Jesus. O patripassianismo teria contribuído com o surgimento de um pensamento gnóstico que nada tinha com o modalismo. Os gnósticos teriam evoluído daí que Jesus sendo Deus, não poderia sofrer, portanto ali na cruz não se teria visto uma forma carnal e humana, contudo um ser espiritual. Era como se na cruz estivesse um fantasma de Deus, mas Deus não poderia sofrer ou morrer. Originalmente o modalismo teria surgido com o ensino do modalismo dual. Sabélio no século três evoluiu esse pensamento para o Espírito Santo, surgindo o modalismo trino, mas tal afirmação ainda aceita por muitos teólogos é controversa pela afirmação de Tertuliano contra Praxeas, no século dois, que disse: "Ele tinha expelido a profecia e introduzido a heresia, tinha exilado o Paracleto e crucificado o Pai". O modalismo é atribuído a Sabélio, porque o mesmo é que teria ‗desenvolvido‘, e não ‗criado‘, tal conceito trino. Seus ensinos se confundiam com a Trindade e muitos aderiram sem a negação do dogma. Sabelianismo tornou-se uma das mais conhecidas vertentes monarquianas. De Sabélio evoluiu a vertente para o monarquianismo moderno, devido a essa ambigüidade, onde os três modos que Deus se apresenta ao homem se confunde com o dogma da Trindade. Nessa vertente, numa tentativa de expurgar a idéia patripassianista, seus defensores aprimoraram o conceito. No caso o Pai não teria morrido na cruz, mas Jesus teria morrido na cruz, e Jesus seria o Pai quando na posição de monarca, e seria o Espírito quando se manifesta invisivelmente ao homem de hoje. Caminhando em sentido inverso, a explicação monarquiana moderna procede de Jesus. Jesus seria a encarnação de Deus, ou a manifestação de Deus. Jesus, ao se despir a corrupção da carne, resplandece a visão de quem ele realmente é: o próprio Deus. A grosso modo, essa idéia unicista (unicidade), quando posta no papel, é muito parecido com o dogma trinitário. A diferença é que os mesmos salientam em dizer que não são pessoas distintas. Os monarquianos da atualidade não aceitam de um modo geral serem denominados unitários, pois o termo tornou-se uma forma pejorativa de sincretismo religioso, assim os monarquianos modernos
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excluem-se das igrejas estabelecidas em qualquer variação histórica, seja Católica Romana, Católica Ortodoxa, ou Gnóstica. O monarquianismo dinâmico estava alinhado com o ebionismo, e mantinha a unidade de Deus. Criam que Jesus fora tomado pelo Logos de Deus, e merecedor de honras divinas, contudo inferior a Deus. Seu fundador, Teódoto de Bizâncio, erudito de cultura grega, foi excomungado em 190 d.C. Asclepiódoto e Teódoto o jovem, seus discípulos, nomearam um bispo chamado Natal, que fora o primeiro anti-papa, contudo, arrependido, retornara à igreja Romana. A derivação mais conhecida do monarquianismo dinâmico foi o adocionismo, onde Jesus teria sido adotado por Deus quando o Espírito de Deus sobre ele desceu na forma de uma "pomba" do céu, no batismo de João. Nesse momento teria se tornado o Cristo e fora revestido de poder (dynamis) para seu ministério, mas não era ainda inteiramente Deus, passando a ser com a ressurreição. Era uma tentativa de explicar as naturezas divina e humana de Cristo e sua relação entre si. Adocionismo Adocionismo, também chamado de adocianismo, é uma visão teológica do Cristianismo Primitivo, que professa que Jesus nasceu humano, tornando-se posteriormente divino por ocasião do seu batismo, ponto em que foi adotado como filho de Deus. Esta é uma das duas manifestações do monarquianismo; a outra é o modalismo, que trata o "Pai" e o "Filho" como dois modos do mesmo sujeito. O adocionismo entende que Cristo, como Deus, foi feito Filho de Deus pela geração e pela natureza, mas Cristo, como homem, é o Filho de Deus apenas pela adoção e graça, dispensada no momento de seu batismo. O adocionismo é próprio do pensamento cristão primitivo. Havia, ao menor, duas concepções mais ou menos semelhantes (não necessariamente opostas) as quais devem emanar do seguinte:

No pensamento judeu, o Messias é um ser humano eleito por Deus para levar adiante sua obra: tomar os hebreus (um povo até então derrotado várias vezes por inimigos poderosos) e elevá-los por sobre todas as nações em uma espetacular inversão da história. Neste sentido, o Messias não é um Filho de Dues. Na tradição grega existiam heróis elevados à condição divina depois de extraordinárias proezas ou façanhas, por meio da apoteose. O mais importante exemplo disto é Heracles, que depois de ser queimado vivo, é tomado por seu pai, Zeus, para governar ao seu lado. Devido ao predomínio do Império Romano, cuja orientação cultural era predominantemente grega na época dos primeiros cristão, é altamente provável que este exemplo estivera ao seu alcance.

Ao mesmo tempo, o adocionismo era psicologicamente interessante para os mesmos cristãos, já que estes eram uma comunidade pobre e atrasada, sendo fácil identificar-se com um herói como Jesus, ser humano qualquer que é eleito ("adotado") por Deus, e que dava esperanças de salvação aos próprios cristãos, tão humildes diante de Deus quanto seu herói máximo. Um dos adocionistas mais famosos foram Teódoto o Curtidor, habitante de Bizâncio, que levou a pregação desta doutrina a Roma no ano de 190. ambém durante o século II, Paulo de Samosata e os seguidores do Monarquianismo expressaram visões semelhantes. A crença foi declarada herética pelo Papa Vítor I. Uma segunda onda do adocionismo, chamada Hispanicus error, no final do século VIII, foi sustentada pelo Califato de Córdova e por Félix, bispo de Urgel, nas planícies dos Pirineus; Alcuin,
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líder intelectual da corte de Charlemagne foi chamado a refutar ambos os bispos. Contra Félix, ele escreveu: "Como o Nestorianismo impiedosamente dividiu Cristo em duas pessoas por causa das duas naturezas, o vosso desconhecimento temerariamente dividiu-O em dois filhos, um natural e um adotivo". O monge espanhol Beato de Liébana, junto o bispo de Osma, Etério, combateram o adocionismo, altamente defendido por Elipando. O credo foi condenado pelo segundo concílio ecumênico de Nicéia (em 787). Nos anos 794 e 799, os papas Adriano I e Leão III, condenaram o adocionismo como heresia nos sínodos de Frankfurt e Roma, respectivamente. Uma terceira onda se deu com o "Neo-adocionismo" de Abelardo, no século XII. Posteriormente, vários modificaram as teses adocionistas no século XIV. Duns Scotus (1300) e Durandus de SaintPourçain (1320) admitiram o termo Filius adoptivus, num sentido qualificado. Em mais recentes tempos, o Jesuíta Vasquez e os luternos G. Calixtus e Walch, defenderam os adocionistas como essencialmente ortodoxos. Sabelianismo No cristianismo, sabelianismo (também conhecido como modalismo, monarquianismo modalista ou monarquianismo modal) é a crença não-trinitária de que o Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo são diferentes "modos" ou "aspectos" de um Deus único percebido pelo crente ao invés de três pessoas distintas de Deus. O termo sabelianismo deriva de Sabélio, um padre e teólogo do século III d.C. e defensor da tese. Ele foi um discípulo de Noeto, motivo pelo qual os seguidores desta crença são chamados nas fontes patrísticas de Noecianos. Já Tertuliano batizou-a de Patripassianismo. Significado e origens O sabelianismo histórico ensinava que Deus Pai era a única existência verdadeira de Deus, uma crença conhecida como Monarquianismo. Um autor descreveu o ensinamento de Sabélio assim: A verdadeira questão, portanto, se torna esta, o que constitui o que chamamos de 'pessoa' na Divindade? É original, substancial, essencial à própria divindade? Ou é parte dos desenvolvimentos e formas de aparecer que a Divindade criou para si para suas criaturas? A primeira opção, Sabélio negava. Esta última ele admitia completamente.[1] Os modalistas afirmam que o único número atribuído a Deus na Bíblia é "Um" e que não existe nenhuma trindade inerente atribuída a Deus explicitamente nas Escrituras [2]. O número três nunca é mencionado na Bíblia com relação a Deus, e as duas únicas exceções possíveis são Mateus 28:1620 (chamado de "Grande Comissão), 2 Coríntios 13:14 e o Comma Johanneum, que muitos consideram como uma passagem espúria interpoolada em 1 João 5:7, conhecida principalmente pela tradução do rei James e em algumas versões do Textus Receptus e que não é incluída na maior parte das versões críticas modernas[3]. Eles acreditavam que Deus teria três "faces" ou "máscaras" (em grego: πρόζωπα - prosopa; latim personae)[4]. Já os trinitários acreditam que os três membros da Trindade estavam presentes como seres aparentemente distintos no batismo de Jesus e acreditam que há outras evidências nas escrituras para a crença trinitária (veja Trinitarismo). Modalismo tem sido principalmente associado com Sabélio, que ensinava uma forma dele em Roma no século III d.C. como um discípulo de Noeto e Práxeas[5].
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Hipólito de Roma conheceu Sabélio pessoalmente e o mencionou na Philosophumena e sabia que Sabélio não gostava da teologia trinitária, mas ainda assim atribuiu a heresia à Calisto e Noeto, mas não a Sabélio, que ele diz ter sido pervertido[6]. O sabelianismo foi adotado pelos cristãos da Cirenaica, a quem Demétrio, Patriarca de Alexandria escreveu cartas argumentando contra a crença [carece de fontes?] . Acredita-se também que o termo grego homoousia ou "consubstancial", que era o favorito de Atanásio de Alexandria na controvérsia ariana, foi de fato um termo proposto por Sabélio e, por isso, era utilizado com ressalvas pelos seguidores de Atanásio. A objeção ao termo era a de que ele não existe nas escrituras e tem uma "tendência sabeliana" [7]. Derivação da filosofia grega O Monarquianismo modal originou-se da influência filosofia grega pagã, incluindo as teses de Euclides e Aristóteles[8], que baseavam a sua lógica no Monismo e nos argumentos aristotélicos sobre o conceito da energeia (energia) chamada metafísica[9]. Como o conceito que a ontologia (também chamada de metafísica) podia ser reduzida ou para uma única substância detectável (chamada de teoria da substância) ou um único ser (o conceito do Absoluto)[10], a lógica aristotélica foi a forma com que, ontologicamente (via metafísica)[nota a], o filósofo helênico (pagão) Aristóteles pôde racionalizar para desconstruir a consciência humana, sua existência e o próprio ser para conseguir representar o seu ponto de vista da Mônade ou "unicidade" (unidade de todas as coisas), como unidade ou unicidade na "ideia" de Deus e a substância de Deus (ousia) como essência ou categoria universal acima do ser finito[11]. Modalismo é a ideia de Deus como esta única substância ou ser chamado em grego de ousia (São João Damasceno dá a seguinte definição do valor conceitual dos dois termos em sua dialética: Ousia é a coisa que existe por si própria e que não precisa de mais nada para sua consistência. Novamente, ousia é tudo que 'subsiste' por si e que não tem sua existência em outra coisa.)[4]:pg. 5155 . Esta ousia que então emana sequencialmente várias realidades infinitas (hypostasis) e nãocriadas. Sabélio foi um dos primeiros teólogos cristãos que aplicou este raciocínio metafísico pagão (lógica aristotélica) no Cristianismo. Ele tentou reduzir cada uma das hipóstases de Deus a simples "modos" da essência de Deus [4]:pg. 44-67, uma única essência ou ousia, removendo assim qualquer distinção entre as existências de deus e a essência de Deus[4]:pg. 44-67. Posteriormente, estas realidades foram novamente representadas pelos filósofos não cristãos após o aparecimento do Cristianismo, como o neo-platonismo que as representou como se amalgamando e fundindo uma na outra. Para Plotino, a Mônade ou Um (o dynamus, dunamis, potencial, potentia) e o Díade (criador, energeia, ato) ambos emanam a Tríade, Trindade (Espírito ou Anima Mundi). Plotino então reconciliando Aristóteles e Platão em suas obras, as Enéadas. Plotino ensina ainda que a energia ou ato tem que ter força ou potencial para emanar[12] (dunamis ou potential definido como uma vitalidade indeterminada de acordo com A. H. Armstrong[13]). Estas realidades se fundem em um mundo material (cosmos) ou Universo. Assim, Tomás de Aquino, em seu "Cinco Provas da Existência de Deus", inicia sua prova a partir de raciocínios de filósofos pagãos sobre a existência de um deus criador (demiurgo)[14] Críticas históricas ao Sabelianismo As nossas principais fontes para o monarquianismo inicial do tipo modal são Tertuliano (Adversus Praxean), Hipólito de Roma (Contra Noetum - fragmento) e a Philosophumena. Contra Noetum e a perdida Syntagma foram usadas por Epifânio de Salamina (Haer. 57 "Noecianos"), mas as fontes dele para o capítulo 62 (Sabelianos) são menos claras[15]. O maior crítico do sabelianismo foi
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Tertuliano, que o chamou de "Patripassianismo" em Adversus Praxeas (cap. I), das palavras latinas pater ("pai") e passio do verbo "sofrer", pois o movimento pregava que Deus Pai teria sofrido na cruz. É importante notar que as nossas únicas fontes que sobreviveram sobre o sabelianismo são de autoria de seus detratores. Acadêmicos hoje em dia não concordam sobre o quê exatamente Sabélio e Práxeas ensinaram. É fácil supor que Tertuliano e Hipólito tenham exagerado ou interpretado maliciosamente as opiniões de seus adversários[15]. Tertuliano parece afirmar que a maioria dos crentes naquele tempo favoreciam o ponto de vista sabeliano da unicidade de Deus[16]. Epifânio de Salamina (Adv Haeres 62), por volta de 375, relata que os aderentes do sabelianismo ainda podem ser encontrados em grande quantidade, tanto na Mesopotâmia e em Roma[1]. O primeiro Primeiro Concílio de Constantinopla (381), no cânone VII, e o Terceiro Concílio de Constantinopla (680), no cânone XCV, declararam que o batismo de Sabélio era inválido, o que indica que a crença ainda existia na época[1]. Outras

Em 225, Hipólito de Roma citou-os sob o nome de "Noecianos" em sua obra Refutação de todas as heresias: E alguns deles concordam com a heresia dos Noecianos e afirma que o próprio Pai é o Filho e que Ele é que foi gerado e sofreu e morreu. Sobre estes, eu voltarei para oferecer uma explicação de maneira mais exata, pois esta heresia deles já deu motivo para muitas maldades.[17]. Dionísio de Roma escreveu uma obra chamada "Contra os Sabelianos", na qual ele afirma:"Na verdade seria justo lutar contra aqueles que, ao dividir e rasgar a monarquia, que é o mais augusto dos anúncios da Igreja de Deus em, como se fossem três poderes e distintas substâncias (hipóstases) e três divindades, destruindo-a. Pois eu ouvi que alguns que pregam e ensinam a palavra de Deus entre vocês professam esta opinião, que de fato é, por assim dizer, diametralmente oposta à opinião de Sabélio. Pois ele blasfema ao dizer que o próprio Filho é o Pai e vice-versa."[18] Tertuliano também escreveu uma obra inteira contra os sabelianos, chamada "Contra Práxeas", onde ele defende ferozmente o trinitarismo, contrapondo suas ideias às de Práxeas, a quem ele faz a seguinte afirmação: "Não, mas você de fato blasfema, pois você alega não somente que o Pai morreu, msa que Ele morreu a morte na cruz. Pois amaldiçoados são os que são enforcados numa árvore - uma maldição que, seguindo a Lei, é compatível com o Filho (no sentido de que Cristo foi feito uma maldição para nós, mas certamente não o Pai); mas como, porém, você converte Cristo no Pai, você também é culpado de blasfêmia contra o Pai."[19]

Influências Tanto Michael Servetus quanto Emanuel Swedenborg tem sido interpretados como sendo proponentes do modalismo. Ambos descreveram deus como sendo "Uma Pessoa Divina", Jesus Cristo, que tem uma "Alma Divina de Amor", "Mente Divina de Verdade" e "Corpo Divino de Atividade". Jesus, por um processo de união de sua forma humana com o Divino, se tornou inteiramente um com sua alma divina do Pai a ponto de não haver mais distinção de personalidade[20].

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Pentecostais do Nome de Jesus Os Pentecostais do Nome de Jesus ensinam que o Pai (um ser divino) está unido com Jesus (um homem) como o Filho de Deus. Porém, há diferenças significativas com o modalismo sabeliano, pois eles rejeitam o sequencialismo modal e aceitam completamente a crença de que a humanidade do Filho foi criada (e não é eterna), que foi o homem Jesus que nasceu, foi crucificado e ressuscitou. Esta denominação cristã acredita portanto que Jesus foi "Filho" apenas quando se tornou humano na terra, mas que era o Pai antes de ser feito homem. Eles se referem ao Pai como "Espírito" e ao Filho como "Carne". Mas eles acreditam que Jesus e o Pai era essencialmente uma pessoa operando como diferentes "manifestações". Eles rejeitam ainda a doutrina da Trindade como sendo "pagã" e não prescrita na Bíblia e acreditam na "doutrina do Nome de Jesus" no que diz respeito aos batismos. Eles são frequentemente referidos como "modalistas" ou "sabelianos" ou "Só Jesus". Porém, não é certo que Sabélio tenha ensinado um modalismo dispensacional ou ensinado o que hoje é a doutrina do Pentecostalismo do Nome de Jesus uma vez que todas as suas obras se perderam. Referências 1. ↑ a b c Views of Sabellius (em inglês). The Biblical Repository and Classical Review, American Biblical Repository. Página visitada em 12/02/2011. 2. ↑ MOSS, C. B. The Christian Faith: An Introduction to Dogmatic Theology (em inglês). Londres: The Chaucer Press, 1943. 3. ↑ Veja por exemplo METZGER, Bruce M. A Textual Commentary on the Greek New Testament [TCGNT], 2nd Edition (em inglês). Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1994. 647-649 p. 4. ↑ a b c d Vladimir Lossky. [1] The Mystical Theology of the Eastern Church] (em inglês). [S.l.]: SVS Press, 1997. ISBN 0-913836-31-1:pg. 51-55. Também editora James Clarke & Co Ltd (1991), ISBN 0-227-67919-9. 5. ↑ LATOURETTE, Kenneth S. A History of Christianity: Revised Edition: Beginnings to 1500 (em inglês). [S.l.]: HarperCollins, 1975. 144-146 p. vol. Volume I. ISBN 0060649526, 9780060649524 6. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Conduct of Callistus and Zephyrinus in the Matter of Noetianism; Avowed Opinion of Zephyrinus Concerning Jesus Christ; Disapproval of Hippolytus; As a Contemporaneous Event, Hippolytus Competent to Explain It. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IX. 7. ↑ John Henry Cardinal Newmann. Select Treatises of St. Athanasius: In Controversy With the Arians (em inglês). [S.l.]: Longmans, Green, and Co., 1911. rodapé, p. 124 p. 8. ↑ Hipólito afirma que eles discutiram as escrituras de forma silogística. Euclides, Aristóteles e Teofrasto tinham a admiração deles, sendo que Galeno era por eles adorado. "Monarchians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 9. ↑ HASTINGS, James. Encyclopedia of Religion and Ethics (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 14, 535 p. ISBN 978-0-7661-3690-8 10. ↑ Aristotle's Logic (em inglês). Stanford Encyclopedia of Philosophy. Página visitada em 12/02/2011. 11. ↑ BRADSHAW, David. Aristotle East and West (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press, 2004. Capítulo: Epilogue, 263-277 p. ISBN 978-0-521-82865-9

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12. ↑ HANCOCK, Curtis L. Negative Theology in Gnosticism and Neoplatonism (em inglês). [S.l.: s.n.]. 13. ↑ MANCHESTER, Peter. The Noetic Triad in Plotinus, Marius Victorinus, and Augustine (em inglês). [S.l.: s.n.]. 14. ↑ Tomás de Aquino. Razões na Prova da Existência de Deus: Deus e suas criaturas (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 13,, onde ele diz "Nós iremos colocar priemiro as razões pelas quais Aristóteles procede em sua prova da existência de Deus pelas considerações que se seguem.". 15. ↑ a b "Monarchians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 16. ↑ Tertuliano. Contra Práxeas: Sundry Popular Fears and Prejudices. The Doctrine of the Trinity in Unity Rescued from These Misapprehensions (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, 17. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: The Montanists; Priscilla and Maximilla Their Prophetesses; Some of Them Noetians. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12, vol. VIII. 18. ↑ Dionísio de Roma. Contra os Sabelianos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: I.1, 19. ↑ Tertuliano. Contra Práxeas: It Was Christ that Died. The Father is Incapable of Suffering Either Solely or with Another. Blasphemous Conclusions Spring from Praxeas' Premises. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. I. 20. ↑ DIBB, Andrew M.T. Servetus, Swedenborg and the Nature of God (em inglês). Lanham, Maryland: University Press of America Inc, 2005. Unitarismo O unitarismo (ou unitarianismo) é uma corrente de pensamento teológico que afirma a unidade absoluta de Deus. Há dois ramos principais do unitarismo, os Unitários Bíblicos que consideram a Bíblia como única regra de fé e prática, assemelhando as demais religiões cristãs evangélicas, exceto, claro, pela concepção unitária de Deus, e os Unitários Universalistas, surgido recentemente nos Estados Unidos, que pregam a liberdade de cada ser humano para buscar a sua própria Verdade e a necessidade de cada um buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas e doutrinas. Os unitários não devem ser confundidos com os unicistas. Os primeiros entendem que Deus é um e único, o Pai de Jesus Cristo [1].Já os Unicistas entendem que o Pai, o Filho e o Espírito são apenas manifestações diferentes do mesmo Deus.[2] Apesar de sua origem em igrejas Cristãs, é geralmente identificado com as correntes de combate ao Trinitarianismo, teve diversas manifestações ao longo da História, com apoio por vezes parcial ou total com outros movimentos que compartilham seu comum desacordo com o dogma da Trindade, como o subordinacionismo, o arianismo, o serventismo ou o socianismo. Desde o século XIX, uma ala do unitarismo contemporâneo, conhecido atualmente nos Estados Unidos como unitarismo universalista, deixou de impor credos ou de fazer provas de doutrina como critério de participação, enquanto a ala mais antiga, conhecido como unitarismo bíblico ou restauracionista procura seguir os preceitos cristãos conforme ensinados na Bíblia Sagrada. História Antecedentes: O debate cristológico dos primeiros séculos e a controvérsia ariana Dado que a palavra e o conceito de Trindade, tal como se entende no sentido cristão, não constam no Novo Testamento, os unitários argumentam que o unitarismo teria seu início com o próprio Jesus, que, defendem, tinha consciência de ser simplesmente um homem enviado de Deus ao
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Mundo para transmitir Sua vontate, sem, todavia, ser divino, nem compartilhando da natureza do Pai. Ao longo dos três primeiros séculos do cristianismo aparecem diversos autores que afirmam a natureza "mais que humana" de Cristo e atribuem-lhe um caráter divino, ou semidivino, como filho de Deus. Os subordinacionistas afirmavam que o Filho estava subordinado ao Pai e submetido a sua vontade (essa era a linha era defendida por praticamente todos os primeiros cristãos),enquanto que outros pensadores cristãos começavam a trabalhar com a idéia do caráter divino de Jesus Cristo e sua identificação com a Divindade. Em outro extremo se situavam os que identificavam totalmente o Pai ao Filho, entendendo que o Pai também havia sofrido e morto na cruz (patripassianismo) e que Pai, Filho e Espírito Santo, não eram mais que modalidades ou manifestações de uma única realidade divina (Sabelianismo ou modalismo). O primeiro a utilizar a palavra "Trindade" foi Tertuliano. Ao chegar o século IV e o Edito de Milão, todas estas discussões teológicas vieram definitivamente à tona e começou-se a defendê-las adversamente. Constituíram-se dois grandes grupos: os que afirmavam que o Filho havia sido criado por Deus no princípio, e que, portanto, não podia identificar-se com Ele, que se agruparam ao redor de Ario e de Eusébio de Nicomédia, e os que afirmavam que o Filho era consubstancial (homoousios) com o Pai, liderados pelo Bispo Alexandre de Alexandria e especialmente por seu sucessor, São Atanásio. No Concílio de Nicéia (325) se aprovou oficialmente o dogma da Trindade e se condenou o arianismo como herético; uma decisão que, com os distintos caminhos dos anos seguintes, acabaria sendo confirmada pelo Concílio de Constantinopla (381). Não obstante, o Arianismo perduraria pelos reinos Godos que ocuparam o Império Romano do Ocidente, em meados do século VI. Miguel Servet e as primeiras igrejas unitárias Ao iniciar-se a Reforma Protestante no século XVI, numerosos intelectuais começaram a publicar seus próprios pontos de vista acerca da doutrina cristã, sem esperar o beneplácito de Roma, dentro do espírito protestante de livre exame da Bíblia. Um destes foi Miguel Servet, médico e teólogo espanhol. Em seus livros De Trinitatis Erroribus (1531), Dialogorum de Trinitate (1532) e Christianismi Restitutio' (1553), questionou a base bíblica e racional da doutrina trinitária. Suas opiniões heterodoxas e sua liberdade de espírito, fizeram-no ser perseguido como herege pela Inquisição. Em Genebra foi preso pelos seguidores de Calvino e condenado a morrer na fogueira por negar a Trindade e condenar o batismo infantil (27 de outubro de 1553); Servet influenciou vários de seus contemporâneos. O estudioso lituano Piotr de Goniadz admitiu a validade de seus argumentos e convenceu uma parte da nascente Igreja Calvinista da Polônia, que formou a chamada Igreja Reformada Menor, mais conhecida como Irmãos Poloneses sobre os postulador antitrinitários. De outra parte, o reformado liberal Sebastião Castellio reprovou duramente Calvino sua intolerância e seus fanatismo e proclamou a liberdade de consciência em assuntos de fé, um princípio que logo foi postulado pela tradição Unitária. Alguns anos depois, o reformador humanista italiano Fausto Socini (1539-1604) desenvolveu sua própria obra teológica, marcada pelo antitrinitarianismo e o uso da racionalidade. Para Sozzini, a religião evocava quesões que estavam "além da razão" (contra rationem), pelo que os credos deviam concordar com a razão humana. Sozzini encontrou refúgio na Polônia, onde foi recebido pelos Irmãos Poloneses, onde nunca chegou a ser membro oficial do grupo, por negar-se a ser batizado de novo. Na cidade de Racóvia, próximo à Cracóvia, os Irmãos Poloneses desenvolveram um grande centro de estudos que atraiu numerosos eruditos e intelectuais de diferentes países. Em 1605, um ano depois da morte de Sozzini, os sozzinianos da Igreja Menor publicaram o Catecismo Racoviano, resumo das doutrinas de seus mestre e que teve uma grande influência nos
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anos posteriores na Alemanha, nos Países Baixos e na Inglaterra. A Igreja Reformada Menor desapareceu em 1640 pela crescente intolerância na Polônia em decorrência do início da ContraReforma. Entretanto, o reformado húngaro Ferenc Dávid havia abandonado o Calvinismo para pregar o Cristianismo Unitário na Transilvânia (região que atualmente se encontra na Romênia), influenciado pelo médico italiano Giorgio Blandrata, seguidor das idéias de Servet. O rei João Sigmundo da Transilvânia aceitou o unitarismo e ditou o primeiro Edito de Tolerância religiosa da história moderna da Europa, em 1568, para permitir a livre prática religiosa em seu país, incluindo o Catolicismo. Este status especial perdurou, com dificuldades por conta da invasão da Transilvânia pela Áustria no século XVIII e o domínio mais ou menos efetivo do Império Austro-Húngaro e, posteriormente do Itália fascista, após a Primeira Guerra Mundial, hoje existe entre os magiares as Igreja Unitária Húngara e Igreja Unitária da Transilvânia na Romênia. O unitarismo na Inglaterra e nos Estados Unidos Na Inglaterra, o impulso religioso radical da Reforma premaneceu entre os Dissenters, nome que englobava às Igrejas Livre opostas à hegemonia da Igreja Anglicana. O pensador John Biddle foi muito influenciado pelo Socinianismo, e a filosofia de John Locke conjuntamente com os racionistas do Iluminismo ganharam muitos adeptos, tanto entre o clero anglicano quanto entre pensadores e cientistas ingleses da época. Por fim, o pastor anglicano Theophilus Lidsey fundou a primeira igreja unitária inglesa em Londres, com Joseph Priestley, cientista (descobriu o Oxigênio e outros gases) e político (apoiava abertamente a Revolução Francesa, o que lhe acarretou numerosas antipatias ao ponto de ter que emigrar para a América, após terem incendiado sua casa). Posteriormente, Priestley ajudou a fundar a primeira igreja unitária da Filadélfia, EUA, em 1796). Entre os protestantes puritanos que haviam emigrado às colônias da América do Norte, se produziu uma evolução similar à ocorrida na Inglaterra. Os pastores puritanos se cindiram em dois grupos, um conservador e evangélico, de convicções calvinistas, e outros liberal, racionalista e de idéias arminianas e arianas. No princípio do século XIX, os pastores liberais das igrejas da Nova Inglaterra reconheciam como seu líder a William Ellery Channing de Boston, cidade que se converteu no núcleo do Unitarismo norte-americano, até o ponto que se dizia que a fé dos unitários se baseava na unidade de Deus, na humanidade de Jesus e na vizinhança de Boston. Os cristãos unitários dos países anglo-saxões, que eram de orientação principalmente ariana, acabaram negando não só ao dogma da Trindade, como afirmando que Jesus Cristo não fosse nada mais que um homem, ainda que vendo nele ao profeta que havia sido eleito por Deus para transmitir sua revelação aos homens, como provavam seus numerosos milagres. Os milagres de Jesus eram, pois, a demonstração empírica de sua eleição divina como Salvador. Os unitários rejeitavam as manifestações espiritualistas ou emocionais de fervor religioso do Grande Avivamento que estava produzindo-se nas igrejas ortodoxas do Puritanismo anglo-saxão. Muitos deístas, como Thomas Jefferson, se manifestaram favoráveis à doutrina. R.W. Emerson e o transcedentalismo Em 15 de julho de 1838, Ralph Waldo Emerson, que havia sido ministro Unitário em Boston, pronunciou um discurso (The Divinity School Address) na Universidade de Harvard com resultado decisivo para a história do unitarismo norte-americano. Influenciado pelo Romantismo alemão e o hinduísmo, Emerson propôs uma via intuitiva a Deus, baseada na capacidade inata da consciência individual, sem a necessidade de milagre, hierarquias religiosas ou mediações. Esta filosofia espiritual recebeu o nome de Transcedentalismo. Apesar da ideologia liberal de Harvard, o
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incidente foi considerado um escândalo, mas, muitos pastores e teólogo unitários, particularmente os mais jovens, descobriram na via transcedentalista de Emerson uma forma de superar a rigidez intelectual imperante no unitarismo e desenvolver uma fé individualista e renovadora, além dos limites da revelação bíblica. Theodore Parker foi o grande renovador do unitarismo norteamericano, seguindo as linhas definidas por Emerson. O principal defensor do Unitarismo tradicional de base bíblica foi Andrews Norton. A divisão entre transcedentalista e unitários bíblicos se manteve até finais do século XIX. O unitarismo universalista Em 1933 divulgou-se nos Estados Unidos um documento chamado Manifesto Humanista, subscrito por um grande número de cientistas e intelectuais, entre esses vários líderes Unitários, que significou o início de uma nova maneira de entender a religião do tipo naturalista em que conceitos como "Deus" ou "vida depois da morte biológica" deixavam de ser centrais. Segundo os humanistas, a religião devia deixar de especular sobre realidades metafísicas e concentrar-se exclusivamente na trasformação do mundo e no aperfeiçoamento moral do ser humano. O humanismo teve um impacto notável nas Igrejas Unitárias do âmbito anglo-saxão, chegando inclusiva a tornar-se a corrente majoritária do unitarismo norte-americano. Todavia, o unitarismo cristão de base bíblica e o panteísmo transcedentalista mantiveram-se coexistindo com a nova doutrina. Assim, desde meados do Século XX, o unitarismo norte-americano foi deixando de ser uma igreja exclusivamente cristã e protestante para converter-se progressivamente em uma igreja liberal sem credo e cada vez mais multiconfessional, o que alguns atualmente chamam de unitarismo universalista. Recentemente, esta tendência se incrementou com a existência nas Igrejas Unitárias anglo-saxãs de pessoas que, além de unitárias, definem-se também como judeus, budistas, neopagãos ou de outras religiões. Os unitários norte-americano de fundiram com a Igreja Universalista da América para fundar em 1961 a Associação Unitária Universalista, cuja sede central encontra-se em Boston. Unitarismo contemporâneo Em 1995 constituiu-se o Conselho Internacional de Unitarios e Universalistas (ICUU) para coordenar as diversas igrejas e associações Unitárias e Universalistas no Mundo. Atualmente, calcula-se que existem cerca de 800.000 unitários em 25 países do mundo, principalmente nos Estados Unidos, Romênia, Hungria, Canadá, Grã-Bretanha e Irlanda e minoritariamente em outros países. Dentro das comunidadades unitario-universalistas há unitários cristãos, universalistas trinitários e pessoas de outras convicções religiosas. Também existe grupos unitários cristãos que não são ligados à Associação Unitária-Universalista e suas congêneres nacionais. O modelo de organização das congregações unitárias é democrático e participativo, tendo como base a autonomia de cada grupo local. Os membros da congregação se reúnem periodicamente em assembleia para discutir os assuntos da comunidade e eleger os cargos eletivos. Esta forma de organização deriva de suas origens protestantes. As associações nacionais estão baseadas na união federal das congregações locais. Os dignitários nacionais são eleitos por procedimentos democráticos pelos delegados das congregações e são renovados periodicamente. O presidente da associação nacional de congregações (que em Transilvânia e Hungria tem hierarquia de bispo) não tem autoridade doutrinária e costuma ser mais
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bem uma figura representativa que atua como porta-voz da Igreja perante a sociedade e os meios de comunicação. Algumas Igreja Unitárias têm clero e outras não, conforme a tradição histórica de cada país. Nos países onde há ministros cada congregação é livre para decidir se quer uma gestão totalmente laica ou se deseja ter um ministro, durante quanto tempo e quando decide substituí-lo por outro. Podem ser ministros tanto homens como mulheres sem importar seu sexo, estado civil nem orientação sexual. O trabalho de um ministro se centra em dirigir os serviços religiosos e as cerimônias públicas, prestar assistência pastoral aos membros da congregação que solicitem sua ajuda e conselho, e periodicamente deve prestar contas de sua gestão ao comitê diretivo da congregação. Outros Não-Trinitários contemporâneos Outras igrejas cristãs, também têm uma teologia antitrinitária, sem conexão história direta com o unitarismo histórico. Entre essas se destacam as Testemunhas de Jeová, a Mensagem de William Branham, os Cristadelfianos e os Unitários Bíblicos. Estas igrejas combinas o rechaço da doutrina da Trindade (com distintas variantes), com uma interpretação rigorista e, em certos casos, fundamentalista dos textos bíblicos, o que as distingue muito claramente das Igrejas Unitárias, que sempre têm se inclinado ao liberalismo teológico. Outros grupos liberais de inspiração cristã, como a Igreja da Unidade e outras correntes do Novo Pensamento também mostram uma inclinação às idéias unitaristas. Rituais e celebrações das igrejas unitárias universalistas As igrejas Unitárias têm sua origem na Reforma Protestante, pelo que muitas de suas tradições e celebrações refletem este legado cultural. Sem embargo, uma das características principais desta tradição religiosa é sua enorme variedade e sua tendência a experiências e inovações. Serviços de culto Os serviços de culto normais ocorrem tradicionalmente no domingo de manhã. Habitualmente são encontros semanais ainda que os grupos menores possam optar por reunirem-se quinzenalmente ou mensalmente. É o momento em que toda a congregação se reúne para celebrar sua fé em comunidade. Os serviços costumam iniciar com uma peça musical enquanto os assistentes tomam assento e centram seus pensamentos no ato que vão compartilhar. Desde os anos 1960 do século passado é cada vez mais freqüente que o ministro ou um membro da congregação acenda uma chama num cálice ou taça enquanto recita umas palavras relativas à fé que compartilham todos os assistentes (que são geralmente distintos em cada sessão, sem seguir nenhuma norma fixa). O Cálice Aceso se converteu no símbolo de identificação compartilhado pela maioria dos grupos Unitários de todo o mundo e costuma ser utilizado também como logotipo em suas páginas Web e em suas publicações. Após a leitura das comunicações das distintas comissões, grupos de discussão e meditação, ou outras atividades de estudo, fraternidade e recreação vinculadas à vida cotidiana da congregação, o serviço de culto continua com a leitura de textos religiosos ou filosóficos. Também costuma haver cânticos (geralmente da tradição cristã protestante, ainda que cada vez se publiquem mais hinos exclusivamente unitaristas). Também se costuma realizar atos para os mais pequenos, que em seguida são conduzidos por seus monitores às salas de aula onde se dá formação religiosa para crianças e jovens.
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O núcleo da celebração é, habitualmente, o sermão ou exposição oral do ministro ou do líder laico que dirige o serviço religioso. Ocasionalmente, principalmente se a congregação é pouco numerosa, se abre um espaço para o debate entre os assistentes sobre as idéias apresentadas pelo ministro em seu sermão. Ritos e cerimônias Nas igrejas Unitárias celebram-se habitualmente cerimônias de dar nome ou bênção às crianças (não se pode falar propriamente de batismo), bodas e funerais. Estes atos não são restritos aos membros da congregação, podendo ser solicitados, também, por outras pessoas. Em sociedades multi-culturais como os Estados Unidos e o Canadá, são muitos os casais de duas tradições religiosas distintas que decidem casar-se em uma igreja Unitária devido ao seu caráter ecumênico e pluralista. As igrejas unitárias celebram, também, regularmente e com normalidade, uniões matrimoniais entre pessoas do mesmo sexo. Celebrações experimentais As congregações Unitárias mais inovadoras são propensas a organizar em certas ocasiões celebrações pouco ortodoxas, nas quais se pode utilizar teatro, dança e outras expressões artísticas em substituição ao sermão habitual. As igrejas Unitárias desenvolveram, também, rituais originais próprios, como a Comunhão das Flores, criada pelo pastor Norbert Čapek, da República Tcheca. Essas novidades nas celebrações são sinal da progressiva diferença entre as igrejas Unitárias, com relação aos ofícios religiosos, e outras confissões de origem protestante. Também é relativamente freqüente a celebração de festividades específicas de outras religiões, como a Hanukkah judía, ceremônias budistas, Shinto, etc. Nos Estados Unidos se percebe, também, uma influência crescente do neopaganismo e das religiões nativas americanas. Essa pluralidade se percebe de forma ambivalente, em ocasiões, como riqueza na diversidade e, em outras ocasiões, como desvirtuação das essências do unitarismo. Assim, apareceram recentemente grupos que discordam do excesso de pluralismo e sincretismo que percebem no unitarismo moderno, geralmente reivindicando um regresso às suas raízes cristãs. Um exemplo é a Conferência Unitária Americana (AUC). Subordicionalismo O subordicionalismo era a crença cristã primitiva de que Jesus Cristo era subordinado a Deus, o Pai. Esta ideia não é aceita hoje pelas igrejas ortodoxas, pois ela contraria a doutrina da trindade. Dogmas A subordinação de cristo ao Pai no novo testamento Existem vários versículos no Novo Testamento que dão a ideia de subordinação de Cristo ao Pai e de superiodade do Pai (1 Coríntios 11:3; 15:24, 27, 28, João 14:28) O ensino da subordinação dos Pais da Igreja Na verdade de um modo ou de outro todos os teólogos da primitiva igreja ensinavam que o filho era subordinadado ao Pai. Apologistas (os pais da igreja) como Justino, Irineu, Clemete de Alexandria e
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outros, consideravam Jesus como servo subordinado a Deus, o Pai. eles jamais ensinaram a crença em um Deus trino, porque essa doutrina ainda não existia na igreja cristã. Para eles Deus era só a pessoa do Pai. A Didaque A idéia de Jesus ser subordinado a Deus se encontra também na Didaque que é uma primitiva catequese cristã, nela Jesus é chamado de servo do Pai. Rejeição a doutrina da Subordinação Foi somente no Primeiro Concílio de Niceia (325 D.C) que a doutrina da subordinação de Cristo ao Pai que era defendida pelo padre Ário, foi rejeitada pela Igreja em favor da ideia da igualdade entre o Pai e o filho que daria origem a doutrina da trindade que se tornaria mais tarde doutrina ortodoxa. Hoje as ideias subordinacionalistas são encontradas em Igrejas Cristãs como as Testemunhas de Jeová, Cristadelfianos e pelos Unitarios Bíblicos. Cristadelfianos Cristadelfianos (do grego Christou Adelphoi, "Irmãos de Cristo"[1][2] constituem uma denominação cristã unitária que se desenvolveu no Reino Unido e América do Norte no século XIX. Existem aproximadamente 50.000[3] cristadelfianos em muitos países do mundo[4] quer em grupos quer isolados (120 países[5]). Estimativas dos centros principais de população cristadelfiana são como se segue: Reino Unido (18000),[6] Austrália (9987),[7] Malawi (7000), Moçambique (5300), Estados Unidos (6500),[8] Canadá (3375),[9] Nova Zelândia (1782),[10] Quénia (1700), Índia (1300) e Tanzânia (1000).[11] Isto coloca o número de cristadelfianos acima dos 55.000. Crenças Os cristadelfianos afirmam basear as suas crenças inteiramente na Bíblia e não aceitam outros textos como sendo inspirados por Deus. Acreditam que Deus é o criador de todas as coisas e o Pai dos verdadeiros crentes. Deus e Jesus Cristo não são um ser, mas dois. Entendem que o Espírito Santo não é uma pessoa, mas sim o poder de Deus usado na criação e para a salvação, tendo sido concedido a certos crentes, para propósitos específicos, em algumas épocas da história. Crêem que Jesus é o prometido Messias, no qual as profecias e promessas do Antigo Testamento (particularmente aquelas feitas a Abraão e David) são cumpridas. Encaram-no como Filho do Homem, pois herdou a natureza de sua mãe, e também Filho de Deus por virtude da sua concepção milagrosa pelo poder de Deus, conforme referido na Bíblia. Embora tentado, não cometeu pecados, tornando-se um perfeito sacrifício representativo para trazer salvação à humanidade pecadora. Conforme entendem da Bíblia, Deus ressuscitou Jesus à imortalidade, tendo ascendido ao céu, à morada de Deus. Os cristadelfianos acreditam que Jesus irá voltar à Terra, em pessoa, para estabelecer o Reino de Deus, cumprindo assim as promessas feitas a Abraão e ao Rei David. Crêem que esse Reino estará centrado em Israel, mas que Jesus reinará sobre todas as nações da Terra sendo Jerusalém a sua capital. Os cristadelfianos ensinam que alguém só pode tornar-se discípulo de Cristo por crer nos seus ensinos, por meio do arrependimento e através de imersão total em água. Para eles, o batismo não deve ser administrado a bebés mas apenas aos que têm idade suficiente para perceber as suas
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acções. Embora salvos pela fé na graça de Deus, a fé verdadeira manifestar-se-á em obras, e assim espera-se que os crentes vivam uma vida consistente com o ensino da Bíblia. Crêem que, depois da morte, os crentes estão num estado de não-existência (também chamado de sono da alma), não tendo conhecimento de nada até à Ressurreição, quando Jesus voltar. Depois do Julgamento, os que forem aceites recebem o dom da imortalidade, e vivem com Cristo na Terra restaurada, ajudando-o a estabelecer o Reino de Deus e a reinar sobre a população mortal durante um período de mil anos, também conhecido por Milénio. Os cristadelfianos vêem o futuro Reino de Deus como o ponto fulcral do Evangelho ensinado por Jesus e pelos apóstolos. Apontam para as profecias da Bíblia que se cumpriram, particularmente aquelas relativas às nações, como prova de que se pode confiar nas Escrituras. Os cristadelfianos rejeitam um número de doutrinas tradicionalmente aceites pelas denominações Ortodoxas Cristãs, nomeadamente a imortalidade da alma, a Trindade, a preexistência de Cristo e a possessão dos dons do Espírito Santo nos nossos dias. Acreditam que, na Bíblia, onde aparecem as palavras "diabo" ou "Satanás", devem ser entendidas como o mal inerente na humanidade, ou pecado, e à inclinação dos seres humanos para desobedecerem ao Eterno Criador. Estes termos podem-se aplicar também a sistemas políticos ou a indivíduos em oposição ou conflito. O inferno é entendido como sendo simplesmente a sepultura para onde todos os homens vão, em vez de ser um lugar de tormento eterno. Os Cristadelfianos acreditam que as doutrinas que rejeitam foram introduzidas na Cristandade depois do primeiro século e que não podem ser demonstradas usando a Bíblia. Os cristadelfianos são objectores de consciência, mas não pacifistas. Abstêm-se do envolvimento na política, de prestar serviço militar, entrar nas forças policiais e outros grupos organizados, tais como sindicatos. Dão grande ênfase à leitura e estudo da Bíblia, à oração e à moralidade. A adoração da congregação, que geralmente acontece aos Domingos, centra-se na lembrança da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sendo que os presentes partilham o pão e vinho. História Houve pequenos grupos de crentes ao longo dos séculos, particularmente desde a Reforma Protestante, que mantinham pontos de vista não ortodoxos. Grupos como os anabaptistas, valdenses, socinianos, racovianos e a Irmandade Polaca partilharam algumas ou até muitas crenças que vieram a ser mantidas pelos Cristadelfianos. Enumeram personalidades como Isaac Newton, Joseph Priestley, John Locke, William Tyndale como tendo tido crenças similares às dos actuais cristadelfianos acerca da unidade de Deus, mortalidade do homem e o papel dos Judeus no propósito de Deus. A partir de meados do Século XIX, surgiram grupos em muitas partes do Reino Unido e Estados Unidos da América que possuíam crenças similares às acima descritas e que mantinham alguma forma de relacionamento uns com os outros. De importância significativa foi a publicação em 1849 da obra de John Thomas, intitulada "Elpis Israel", onde expôs o seu entendimento das principais doutrinas da Bíblia. Até à Guerra Civil Americana, grupos associados com ele reuniam-se sob variados nomes, incluindo Crentes, Crentes Baptizados, a Real Associação de Crentes Baptizados, Crentes no Reino de Deus e Ântipas. Nessa altura, para se obter o estatuto de objector de consciência era necessário estar afiliado a uma igreja. Assim, em 1865, John Thomas para efeitos de registo escolheu o nome "Cristadelfiano". Este nome é derivado do Grego para "Irmãos em (ou de) Cristo". No Século XIX, as igrejas cristadelfianas cresceram rapidamente no Reino Unido, na América do Norte e através do mundo, nos locais onde se falava a língua inglesa. Desde os primeiros dias dos
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cristadelfianos, muitos têm lido a Bíblia por conta própria e então entram em contacto com os Cristadelfianos, juntando-se a eles. Cismas Os Cristadelfianos sofreram quatro divisões no início da sua história quando quatro grupos separam-se do corpo principal.

Em 1873 um certo número separou-se seguindo Edward Turney de Nottingham, e vieram a ser conhecidos como Irmandade dos Nazarenos. Após a morte de Turney, em 1879, a maioria de seus seguidores voltou para o grupo principal.[12] Entre 1884 e 1885 surgiu uma disputa acerca da inspiração da Bíblia. Robert Ashcroft, um membro de vulto, escreveu um artigo onde desafiava a crença acerca da inspiração divina das Escrituras. Na controvérsia que se seguiu, a eclésia de Birmingham desassociou-se de Ashcroft. Alguns membros, embora não concordassem com o ponto de vista de Ashcroft acerca da inspiração, não aprovaram a forma como a aquela eclésia lidou com a situação. Este grupo veio a abandonar a eclésia de Birmingham e formou uma nova que veio a tornarse conhecida como a eclésia de Suffolk Street. As eclésias espalhadas pelo mundo que os apoiaram tornaram-se conhecidas como a Irmandade de Suffolk Street. A terceira divisão ocorreu em 1898 e centrou-se na doutrina do julgamento. Debatia-se se o julgamento se limitava aos crentes baptizados ou se era aplicado a todos os que ouviram a mensagem do Evangelho. A maioria, que aceitava que todos os que ouviram a mensagem do Evangelho eram responsáveis perante o Julgamento, emendaram a Declaração de Fé. Os que não aceitaram a emenda tornaram-se conhecidos como a Irmandade não emendada, do inglês Unamended Fellowship. O grupo proveniente das Irmandade de Suffolk Street e Unamended, das quais se separaram, tornou-se conhecido como Irmandade Temperance Hall. A quarta divisão ocorreu em 1923, motivado por questões relacionadas com o serviço militar e outros assuntos. Isto resultou na formação da Irmandade Cristadelfiana de Beréia. Em 1942 este grupo dividiu-se posteriormente devido a debates relacionados com o divórcio e o casar novamente, sendo que a maioria tornou-se conhecida como Cristadelfianos da Aurora, do inglês Dawn Christadelphians.

Na década de 1950 ocorreu uma série de reuniões na América do Norte, Inglaterra e Austrália:
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Em 1952 a maioria dos Bereanos na América do Norte voltaram à Irmandade Temperance Hall, embora nem todos os Bereanos tenham concordado. Em 1957 na Grã-Bretanha, e 1958 na Austrália, houve mais um grupo que voltou, a Irmandade de Suffolk Street que, por essa altura, já tinha incorporado muitos membros da Irmandade não emendada existentes fora da América do Norte. Este grupo, que agora incluía a maioria dos Cristadelfianos, tornou-se conhecido como Irmandade Central, nome adotado por causa da eclésia de Birmingham, que se designava "Central". Alguns Cristadelfianos não aceitaram esta reunião já que continuavam a crer nas razões que tinham levado aos cismas. Estes vieram a formar a Irmandade dos Velhos Caminhos, do inglês Old Paths Fellowship.

Na Irmandade Central existe alguma diversidade no que diz respeito ao estilo de adoração, procedimentos e alguns pontos doutrinários, sendo que alguns sub-grupos não confraternizam com outros. Para alguns Cristadelfianos isto parece incorrecto e é visto como desunião, enquanto outros vêm esta diversidade como um ponto forte ou, pelo menos, um beneficio. No entanto, a maioria dos

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Cristadelfianos afirmam que a Bíblia é o único padrão para a Verdade e assim, embora não em irmandade, aceitam que cada grupo individual actue segundo a sua consciência. Apesar de esforços periódicos para a união, a Irmandade Amended (tal como é conhecida a Irmandade Central nos Estados Unidos) e a Unamended da América do Norte ainda estão divididas. As Irmandades Beréia, Dawn e Old Paths também continuam a existir actualmente. Estimativas de números:
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Irmandade central = 55.000 (120 países)[13] Irmandade não emendada = 1.850 (sul e oeste do E.U.A.)[14] Igreja de Deus da fé de Abraão = 400 (Ohio, Flórida, E.U.A.)[15] Dawn (ou seja, Irmandade Aurora) = 670 (Reino Unido 200, África 200, Austrália 200, Canadá 50, Polónia e Rússia 20)[16] Old Paths (ou seja, Caminhos Antigos) = 400 (Reino Unido 250, Austrália e Nova Zelândia 150)[17] Irmandade Bereana = 330 (Texas, E.U.A. 200, Quênia 100, País de Gales 30)[18] Pioneiros-Maranatha = 40 (Austrália) Outros grupos muito pequenos = 150 ~ 200 total.[19]

Os Cristadelfianos de diferentes irmandades comunicam entre si sobre variados assuntos, usam algumas publicações uns dos outros e persistem continuadas tentativas para resolver as áreas em que então em desacordo. O nome Cristadelfianos é um título genérico descrevendo um grupo de pessoas que partilham origens similares, mas como a história revela, têm origens e percursos bem diferentes. Para mais informação acerca das irmandades, é recomendado aos leitores lerem as entradas relevantes na Wikipédia em Inglês. Organização Os cristadelfianos geralmente chamam às sua congregações "eclésias"(Salões alugados ou em casas particulares(como acontecia com os cristãos do primeiro século). Eclésias dizem vem directamente da palavra grega que é normalmente traduzida Igreja. Uma eclésia não é o edifício onde se congregam mas sim o conjunto dos crentes. Os Cristadelfianos resolveram usar a palavra Eclésia porque a palavra igreja veio a conotar um lugar físico e não os crentes ao contrário da palara quando usada no seu contexto Bíblico..) Não existe uma organização central ou hierarquia. As eclésias são autónomas até certo ponto e a cooperação entre elas é baseada numa comum aceitação da Declaração de Fé Emendada de Birmingham. A Irmandade Unamended usa a Declaração de Fé Não Emendada. Quem quer que seja que publicamente concorda com as doutrinas descritas nesta declaração e têm um bom relato da sua eclésia anterior é bem-vindo a participar nas actividades de qualquer outra eclésia dentro da própria irmandade. Os cristadelfianos não têm ministro pagos. A maioria dos membros masculinos podem ensinar e ter outras actividades normalmente distribuídas de forma rotativa, em vez de existir um pregador definido. O governo da eclésia tipicamente segue o modelo democrático, com um comité eleito para cada eclésia. Este comité, não remunerado, coordena o funcionamento diário da eclésia e é responsável perante os membros da dela.

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Os cristadelfianos, baseados no seu entendimento da Bíblia, fazem distinção entre o papel dos membros masculinos e femininos. Na maioria das eclésias, as mulheres não podem ensinar nas reuniões formais quando membros masculinos estão presentes e não têm lugar nas reuniões do comité de gestão da eclésia. No entanto, elas participam nos outros comités da eclésia e em comités inter-eclésias, como por exemplo, no trabalho com os jovens, evangelismo e bem-estar dos membros. As mulheres participam também nos debates, no ensino de crianças, tocam instrumentos musicais, votam e discutem assuntos sobre negócios, pregam, ensinam os não crentes e participam na maioria das actividades. As eclésias cristadelfianas pregam activamente aos seus vizinhos e cooperam a nível regional, nacional, e internacional na pregação. A Missão Bíblica cristadelfiana (CBM) na Inglaterra apoia a pregação na Europa e África - incluindo Portugal e na África lusófona. A Missão Bíblica Cristadelfiana das Américas (CBMA), na Califórnia, apóia atividades na América Latina.[20] Existem também os comités responsáveis pelo trabalho com a juventude e Escola Dominical, problemas com o serviço militar, cuidados com os idosos e trabalho humanitário. Estes comités não tem qualquer autoridade legislativa e estão dependentes do apoio da eclésia. Eclésias de uma mesma área podem regularmente ter actividades em conjunto, combinando grupos de jovens, fraternização, pregação, e estudo bíblico. Alguns países têm escolas cristadelfianas, embora sejam mais populares na Austrália. Centros Cristadelfianos para cuidar de idosos existem em vários países, fundados pelos próprios residentes e pela comunidade Cristadelfiana. Existem variadas revistas Cristadelfianas para membros espalhados pelo mundo incluindo "The Christadelphian",[21] "The Testimony",[22] "The Tidings"[23] e "Glad Tidings".[24] Trabalho com os jovens Somente os membros baptizados, que se tratam por irmãos e irmãs, são considerados membros das Eclésias Cristadelfianas. Tanto nas reuniões de crentes ao Domingo como em outras actividades para todas as idades, os Cristadelfianos mostram interesse especial nos filhos dos membros. Em muitas igrejas existem escolas dominicais, nas quais os professores, de ambos os sexos, são membros baptizados. Escolas Dominicais geralmente têm lugar no salão da eclésia, quer durante quer depois do serviço principal de Domingo, apesaer de algumas serem realizadas apenas depois do serviço principal. Muitas eclésias têm reuniões de grupos de juventude, uma vez por semana à noite. No Reino Unido estes grupos são chamados de CYC‘s (Christadelphian Youth Circles), embora o nome não seja igual em todo o mundo. A maioria dos grupos de jovens devotam algum tempo ao estudo da Bíblia e o resto do tempo à recreação. Quando a distância não é muita os grupos de jovens com regularidade juntam-se para competir no desporto, charadas, adivinhas, entre outras actividades. Em alguns países as eclésias têm dias ou fins-de-semana especiais para a juventude. Nestes dias um membro baptizado dá várias exortações bíblicas, especialmente aos jovens que vêm de diferentes eclésias para estarem juntos. Os jovens costumam ficar hospedados nas casas dos membros baptizados da eclésia que os convidou. Férias de grupos de jovens e Escola Dominical e fins-de-semana de estudo bíblico são também populares, reunindo jovens Cristadelfianos de todo o país. A diferença entre um fim-de-semana da juventude e férias de grupo de jovens ou semana de estudo bíblico é que o primeiro geralmente tem lugar na eclésia que acolhe o acontecimento e os últimos têm lugar em qualquer parte.

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Existem também algumas revistas cristadelfianas para jovens, incluindo "Give and Take", para idades compreendidas entre os sete e os onze anos, "The Word" e "Faith Alive". Adoração Os cristadelfianos são uma denominação não-litúrgica. As eclésias Cristadelfianas são autónomas e livres para adoptarem qualquer tipo de estilo de adoração que escolherem. No entanto, há uma tendência para grande unidade em assuntos como a ordem do serviço e cânticos. Isto é sem dúvida resultado da influência de um livrinho de Robert Roberts que foi escrito no inicio da história dos Cristadelfianos chamado "Um Guia para a Formação e Conduta das eclésias cristadelfianas" (A Guide to the Formation and Conduct of Christadelphian Ecclesias), editado em 1883, comummente chamado "O Guia Eclesial" (The Ecclesial Guide) que, entre outras coisas, sugeriu uma ordem para o serviço nas reuniões da eclésia. Este modelo foi adoptado por muitas eclésias e ainda é o modelo prevalecente. A ordem de serviço sugerida no Guia Eclesial incluía quatro cânticos, Leitura da Bíblia, tanto do Antigo como do Novo Testamento, orações, uma exortação ou Sermão, o Partir do Pão (Ceia), bem como anúncios do bem estar dos membros e das actividades da eclésia. Este modelo de adoração parece ter sido influenciado em certa medida pelas tradições das denominações de onde o cristadelfianismo obteve os seus membros. A adoração Cristadelfiana é assim muito similar a dos presbiterianos, baptistas, congregacionais, metodistas, Discípulos de Cristo, bem como aos dos adeptos das Igrejas de Cristo. Hinários e outras manifestações artísticas Os hinários cristadelfianos fazem uso considerável dos hinários das tradições Anglicana e Protestante, o que explica que mesmo nas eclésias da América do Norte os hinários são tipicamente mais Britânicos que Americanos. Em muitos hinários, a grande maioria de hinos são tirados do Saltério, possivelmente reflectindo as raízes Presbiterianas de John Thomas e Robert Roberts. O primeiro livro de hinos foi publicado especificamente para uso dos "baptizados crentes no Reino de Deus", o nome original dos cristadelfianos, por George Dowie, em Edinburgo, em 1864. Cinco anos mais tarde Robert Roberts, também escocês, publicou uma colecção de salmos escoceses e hinos chamado "A Harpa Dourada". A revista "The Christadelphian" e Associação de Publicações (antigamente chamada de "O gabinete cristadelfiano") publicou livros de hinos em 1884, 1932, 1964 e 2000. Enquanto alguns hinos nestes livros foram escritos por cristadelfianos, a maioria dos hinos são da autoria de religiosos Protestantes incluindo Isaac Watts, Charles Wesley, William Cowper e John Newton. O autor cristadelfiano com mais hino publicados foi David Brown com seis hinos na edição de 1964. Algumas irmandades cristadelfianas publicaram os seus próprios livros de hinos, como por exemplo o "The Berean Christadelphian Hymn Book", e algumas ainda usam a edição de 1932. As eclésias que continuam a usar as edições antigas do Livro de Hinos Cristadelfianos fazem-no mais por motivos doutrinais do que devido ao estilo musical. Mais recentemente tem havido um movimento em alguns círculos cristadelfianos para formas de adoração mais contemporâneas. A publicação e uso generalizado de Praise the Lord, publicado por Hoddesdon Christadelphians, em 1993, permitiu aos cristadelfianos ter acesso fácil a cânticos e hinos contemporâneos que estão de acordo com a teologia cristadelfiana. Isto facilitou também o uso mais frequente de instrumentos musicais para além de pianos e órgãos, e o envolvimento de mais músicos, vocalistas e líderes de adoração na adoração congregacional. Algumas agrupamentos musicais, tal como a banda cristadelfiana de folk rock Fisher‘s Tale também surgiu em anos recentes. Na Austrália, a instituição "Christadelphian Arts Trust" foi estabelecida em 1995 com o

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propósito de apoiar artes visuais, dramática, musicais e de representação assim como conduzir seminários sobre adoração e autoria de canções. Referências 1. ↑ Ver Colossenses 1:2 - "irmãos em Cristo". 2. ↑ Bíblia Aberta. Os Cristadelfianos (Irmãos em Cristo), introdução (em inglês) - Carter, John (Maio 1955). "Our name". The Christadelphian 92:181. 3. ↑ (em inglês) - "Christadelphians", The Columbia Encyclopedia. Disponível online 4. ↑ (em inglês) - Ecclesias Around the World Christadelphia World Wide 5. ↑ (em inglês) - CBM Worldwide Guide 2006, Christadelphian Bible Mission(Reino Unido), 2006. 6. ↑ (em inglês) - UK Christian Handbook 2004, as quoted in 'Focus on Christadelphian Community', Multicultural Matters, Outubro de 2004 (Londres: Building Bridges, 2004). Disponível online 7. ↑ (em inglês) - Religious Affiliation—Australia: 2001 and 1996 Census 8. ↑ (em inglês) - 'Christadelphians', The Columbia Encyclopedia. Disponível online 9. ↑ (em inglês) - 'Christadelphians', The Canadian Encyclopedia. Available online 10. ↑ (em inglês) - 2006 Census figures from Zealand Statistics 11. ↑ As Estatísticas para Malawi, Mozambique, Quénia, e Tanzânia: (em inglês) Christadelphian Bible Mission (UK); estatísticas da Índia: (em inglês) - CBM Worldwide Guide 2007, Christadelphian Bible Mission (UK), 2007 12. ↑ Este grupo ficou à beira da extinção durante a maior parte de sua existência, mas o nome foi revivido várias vezes por indivíduos que deixaram o grupo principal.(em inglês) Introdução (acedido a 09-02-2008) 13. ↑ Simplesmente identificada pelo nome Cristadelfianos na maioria dos países do mundo. Algumas vezes conhecida na América do Norte como "Irmandade emendada". 14. ↑ Algumas secções deste grupo está actualmente procurando a unidade com o grupo principal. 15. ↑ Actualmente procurando a unidade com o grupo principal. (em inglês) http://cotbh.org/belief.php http://www.abrahamicfaithinniles.org/belief.php 16. ↑ Se separaram dos Bereanos em 1942, tomando uma posição muito rigorosa a respeito do divórcio e novo casamento. 17. ↑ Principalmente descendentes dos conservadores no grupo central que deixaram o grupo principal como um protesto contra as reuniões no Reino Unido e na Austrália em 1957. 18. ↑ Principalmente, descendentes dos conservadores na Irmandade emendada que que não aceitaram a reunião na América do Norte em 1952 19. ↑ Principalmente cismas entre os Bereanos, Irmandade Aurora, ou Caminhos Antigos: Companion = 40 (Austrália), Remnant = 30 (Londres, Reino Unido), Eclésia de Cristo = 20 (Nottingham, Reino Unido). Também a Irmandade dos Nazarenos = 5 (Reino Unido 2, Austrália 3) 20. ↑ (em inglês)http://www.cbma.net/pages/activities.php 21. ↑ (em inglês) http://www.thechristadelphian.com 22. ↑ (em inglês)http://www.testimony-magazine.org/ 23. ↑ (em inglês) http://www.tidings.org 24. ↑ (em inglês) http://www.gladtidingsmagazine.com/ Bibliografia
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(em inglês) - Obras de John Thomas e de outros autores Cristadelfianos (em inglês) - Stephen Hill, The Life of Brother John Thomas – 1805 to 1871 (2006).
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    

(em inglês) - Peter Hemingray, John Thomas, His Friends and His Faith (2003: ISBN 817887-012-6). (em inglês) - Andrew R. Wilson, The History of the Christadelphians 1864-1885 The Emergence of a Denomination (Shalom Publications, 1997 ISBN 0-646-22355-0). (em inglês) - Charles H. Lippy, The Christadelphians in North America (Lewiston/Queenston: Edwin Mellen Press, 1989). (em inglês) - Harry Tennant, The Christadelphians: What they believe and preach (Birmingham, England: The Christadelphian, 1986 ISBN 0-85189-119-5). (em inglês) - Bryan R. Wilson, Sects and Society: A Sociological Study of the Elim Tabernacle, Christian Science and Christadelphians (London: Heinemann, 1961; Berkeley/Los Angeles: University of California Press, 1961). Os três (Deus Pai, Jesus Cristo e Espírito Santo) separados

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias também prega a separação de Deus que é pai, Jesus Cristo que é filho literal na carne e Espírito Santo que é o que testifica aos homens as coisas de Deus. Em consonância com a regra de fé (Primeira Regra de Fé) Joseph Smith Jr. o primeiro profeta da igreja teve uma visão em que viu Deus e Jesus Cristo lado a lado, no que é conhecido como a primeira visão. Existem outros que viram Deus e Jesus Cristo como seres separados, um exemplo bíblico é Estevão, no qual é dito (na tradução de João Ferreira de Almeida): "Mas ele, estando cheio de Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus." (Atos 7:55-56) A Igreja da Unificação (Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial) fundada pelo Reverendo Sun Myung Moon, também prega e crê na separação entre as pessoas de Deus, Jesus e o Espírito Santo. Segundo a Teologia Unificacionista, Deus, o Criador encerra em si mesmo as dualidades masculina e feminina, e que Jesus representa a masculinidade perfeita de Deus, enquanto que o Espírito Santo representa a femininidade perfeita de Deus. Se Jesus não tivesse sido rejeitado pelos seus contemporâneos, Ele constituiria a primeira família perfeita (livres do Pecado original), como Adão e eva restaurados e aperfeiçoados. Sua esposa seria a femininidade divina em substância assim como Ele é a masculinidade divina em substância refletindo a perfeita imagem de Deus na terra. Como ele morreu sem constituir uma família substancial, Jesus permaneceu como a substância da masculinidade divina em espírito somente e o Espírito Santo assumiu o papel da femininidade substancial em espírito somente, ficando a realização no plano físico por conta da Segunda vinda do Cristo. Portanto para os unificacionistas, não é errado a crença de que Jesus é Deus e o Espírito Santo é Deus, ou que ambos são Deus, já que isto pode ser dito de um casal que substancialize as características duais de Deus de forma substancial aqui na terra (que era o ideal de Deus para com Adão e Eva). Por isto Jesus era chamado o último adão, e também Ele dizia que ele mesmo era Deus, ao mesmo tempo que O chamava de Pai. Controvérsia ariana A Controvérsia ariana é um termo que agrupa um conjunto de controvérsias relacionadas ao Arianismo que dividiram a Igreja cristã desde um pouco antes do Concílio de Niceia até depois do Primeiro Concílio de Constantinopla em 381 dC. A mais importante destas controvérsias tem a ver com a relação entre Deus Pai e Deus Filho.

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História Primórdios em Alexandria A história inicial da controvérsia ariana pode ser recontada com base em aproximadamente 35 documentos encontrados em diversas fontes. O historiador Sócrates Escolástico conta que Ário iniciou a controvérsia sob o Patriarca de Alexandria Áquila de Alexandria, quando ele fez o seguinte silogismo: “ "Se o Pai gerou o Filho, ele que foi criado teve um início na sua existência. Daí é evidente que houve um tempo em que o Filho não existia. Segue necessariamente que sua substância veio do nada — Ário, Disputa com Alexandre de Alexandria O bispo Alexandre de Alexandria foi criticado por sua reação lenta contra Ário. Como seu predecessor, Dionísio de Alexandria, ele foi acusado de vacilar neste assunto. A questão que Ário levantou havia sido deixada em aberto duas gerações antes. Portanto, Alexandre permitiu que a controvérsia continuasse até que ele achou que ela tinha se tornado um perigo para a paz na Igreja. Ele convocou um concílio de bispos e procurou aconselhar-se com eles. Uma vez que eles decidiram contra Ário, Alexandre não demorou mais e depôs Ário de sua função e o excomungou, assim como a seus seguidores. O conflito entre as duas facções iniciou abruptamente quando Alexandre declarou a unidade da Trindade em um dos seus sermões. Ário respondeu imediatamente rotulando a afirmação de Alexandre de sabelianista, que já havia sido rejeitado naquele tempo. A controvérsia rapidamente escalou e Ário conseguiu aumentar constantemente o apoio para as suas posições, conseguindo o apoio de diversos diáconos e de pelo menos um presbítero. Ário continuou então a atrair ainda mais atenção e apoio, a ponto de Alexandre ter sido obrigado a convocar duas assembléias separadas de seus padres e diáconos para discutir o assunto. Nenhuma delas, porém, chegou à alguma conclusão ou ajudou a limitar a propagação das ideias de Ário[1]. Alexandre então convocou um sínodo da Igreja de Alexandria e da província vizinha de Mareótis em 320 dC, com a única intenção de decidir que ação seria tomada sobre o assunto cada vez mais complicado. No sínodo, trinta e seis presbíteros e quarenta e quatro diáconos - incluindo Atanásio concordaram em emitir uma crítica ao arianismo e assinar um documento formalizando-a. Ário continuou tendo sucesso em propagar a sua nova crença em outros lugares, principalmente Mareótis e na Líbia, onde Ário convenceu os bispos Segundo de Ptolemaida e Tomé de Marmarica a se juntarem a ele. O sucesso de Ário em dividir os líderes da igreja tornou a possibilidade de um cisma formal uma realidade[1]. Em 321 dC, Alexandre convocou um concílio geral de toda a igreja do país (Concílio de Alexandria). O concílio reuniu menos de cem participantes. Nele, Ário continuou a argumentar suas posições iniciais, de que o Filho não poderia ser co-eterno com o Pai, chegando a afirmar que o Filho não era similar ao Pai em substância. Esta última afirmação foi recebida com horror pela assembléia do concílio, que colocou Ário sob anátema até que ele se retratasse de suas posições[1].

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Ário partiu para a Palestina, onde ele recebou apoio de um grande número de bispos, que expressaram sua opinião sobre o assunto à Alexandre. Um destes, Eusébio de Nicomedia, tinha conexões muito próximas com a corte imperial em Bizâncio e ajudou a propagar as ideias de Ário para ainda mais longe. O crescimento amplo deste movimento e a reação a ele da igreja estabelecida, levaram próprio imperador a escrever uma carta às partes envolvidas clamando pelo retorno à unidade na igreja e o fim desta amarga disputa sobre o que ele chamou de argumentos mesquinhos sobre minúcias ininteligíveis[1]. Os seguidores de Ário em Alexandria passaram então a se dedicar à violência em defesa de suas crenças, o que estimulou Alexandre a escrever uma encíclica à todos os bispos do Cristianismo, na qual ele relatou a história do arianismo e sua opinião sobre as falhas no sistema ariano. Ao fazê-lo, ele foi obrigado a indicar-lhes as ações de Eusébio de Nicomedia, que tinha convocado um concílio provincial da igreja da Bitínia para discutir Ário. Este corpo reviu as ações de Alexandre e de seus antecessores e, baseados nesta revisão, formalmente admitiram Ário na comunidade cristã siríaca. Outras personalidades, incluindo Paulino de Tiro, Eusébio de Cesareia e Patrófilo de Citópolis também indicaram seu apoio à Ário, permitindo a seus seguidores se juntarem para o Ofício Divino da mesma forma que tinham feito antes em Alexandria[1]. Acredita-se que Ário tenha escrito sua Thalia por volta desta época, o que ajudou a angariar ainda mais apoio para sua causa. Este livro, combinado com as outras obras de Ário e as obras de Alexandre em oposição, exacerbaram a disputa entre os que apoiavam e os que criticavam Ário. Nesta atmosfera, aconselhado por Atanásio, Alexandre escreveu uma confissão de fé em defesa de sua própria posição. Ele enviou este tomo para todos os bispos do Cristianismo pedindo-lhes que endossassem a sua posição colocando a sua assinatura nas cópias. Ele recebeu de volta 250 assinaturas de sua obra, incluindo umas cem de sua própria diocese, além de 42 da Ásia, 37 da Panfília, 32 da Lícia, 15 da Capadócia e várias outras. Ele também mantinha correspondência com Alexandre de Constantinopla, protestando contra a violência dos arianos e contra a promulgação das visões de Ário sobre a influências das mulheres e muitos outros assuntos do arianismo. A disputa sobre o arianismos tinha se tornado um problema que já ameaçava danificar a paz e unidade da igreja e do império. Constantino, agora o único reclamante ao trono após a exececução de Licínio, escreveu uma carta "para Atanásio e Ário". Constantino escreveu da Nicomedia, de modo que alguns concluíram que Eusébio de Nicomedia, bispo da Nicomedia e apoiador de Ário, possa ter sido envolvido na composição da carta. Ela foi passada à Hósio de Córdoba, um respeitado e idoso bispo, para que fosse entregue aos competidores em Alexandria. Na carta, Constantino exige que Alexandre e Ário terminem sua disputa[1]. Logo após ter recebido a mensagem de Constantino, Alexandre convocou outro concílio geral de sua diocese, que parece ser confirmado sua concordância com a profissão de fé que Alexandre tinha circulado como sendo um acordo sobre o uso do termo teológico "consubstancialidade". Ele também reafirmou a excomunhão de Ário e dos seguidores de Melécio, o quê, é claro, enfureceu os arianos de Alexandria ainda mais. Ário pessoalmente reclamou ao imperador sobre o tratamento que Alexandre havia lhe dado. Na sua resposta, Constantino conclamou Ário a se defender perante um concílio ecumênico da Igreja que seria realizado em Niceia, na Bitínia, em 14 de junho de 325, o primeiro deste tipo na história[1]. O Concílio de Niceia (325 dC) Ariminum, Selêucia and Constantinopla (358-360 dC) Em 358 dC, o imperador Constâncio II solicitou dois concílios, um dos bispos ocidentais em Ariminum e um dos orientais em Nicomédia[2][3].
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Em 359 dC, o concílio ocidental se reuniu em Ariminum. Ursácio de Sindidunum e Valente de Mursa declararam que o Filho era como o Pai "de acordo com as Escrituras", seguindo um novo credo (Homoios - homoiano) esboçado em Sirmium (em 359 dC). Muitos dos mais ativos apoiadores do credo de Niceia deixaram o concílio, que acabou adotando o novo credo, inclusive com o apoio de alguns que antes defendiam o antigo [2][3]. Após o concílio, o Papa Libério condenou o credo de Rimini ao mesmo tempo que o seu riva, o Antipapa Félix II o apoiou[4]. Um terremoto atingiu a Nicomédia, matando o bispo Cecrópio de Nicomédia e, em 359 dC, o concílio oriental acabou mudando a sede e acabou se realizando em Selêucia. O concílio estava profundamente dividido, não tinha procedimentos regulares e os dois partidos acabaram se reunindo separadamente e chegando a decisões opostas. Basílio de Ancira e seu partido declararam que o Filho era de substância similar à substância do Pai, seguindo o credo de Antioquia de 341 dC (Homoiousia - homoiousiano) e depôs o partido opositor. Acácio de Cesareia declarou que o Filho era como o Pai, introduzindo um novo credo (Homoios - homoiano)[4][5] Dada a indefinição, Constâncio solicitou um terceiro concílio, em Constantinopla (359 dC), reunindo tanto os bispos ocidentais quanto os orientais, para resolver a divisão criada em Selêucia. Acácio desta vez declarou que o Filho seria igual ao Pai "de acordo com as Escrituras". Basílio de Ancira, Eustátio de Sebaste e seu partido declararam novamente que o Filho era de substância similar à do Pai, como na decisão majoritária de Selêucia. Máris de Calcedônia, Eudóxio de Antioquia e os diáconos Aécio e Eunômio declararam que o Filho era de uma substância diferente da do Pai (Anomoios - credo anomoeano ou heteroousiano)[6][7]. Os heteroousianos derrotaram os homoiousianos num debate inicial, mas Constâncio baniu Aécio[6]. Depois disso, o concílio, incluindo Máris e Eudóxio[7] concordaram como o credo homoiano de Ariminum com mínimas modificações[6][7]. Após o Concílio de Constantinopla (360), o bispo homoiano Acácio de Cesareia depôs e baniu diversos bispos homoiousianos, incluindo Macedônio I de Constantinopla, Basílio, Eustátio, Elêusio de Cízico, Dracôntio de Pérgamo, Neonas de Selêucia, Sofrônio de Pompeiópolis, Elpídio de Satala e Cirilo de Jerusalém[8][9]. Ao mesmo tempo, Acácio também depôs e baniu o diácono anomoeano Aécio [8]. Em 360 dC, Acácio indicou Eudóxio de Antioquia para substituir Macedônio e Atanásio de Ancira para o lugar de Basílio, assim como Onésimo de Nicomédia para o lugar de Cecrópio, que tinha morrido no terremoto[8]. A controvérsia na década de 360 Em 361 dC, Constâncio morreu e Juliano, o Apóstata se tornou o único imperador romano. Ele logo demandou que diversos templos pagãos que os cristãos tinham se apoderado ou destruído fossem restaurados[10]. De acordo com Filostórgio, os pagãos mataram Jorge de Laodiceia, bispo de Alexandria, permitindo que Atanásio de Alexandria retornasse para a sé episcopal[11]. O Concílio de Constantinopla de 381 dC Concílios envolvidos Partidos Homoousianos - os que prevaleceram
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Os homoousianos ensianvam que o Filho é da mesma substância que o Pai, ou seja, ambos são nãocriados. A forma sabeliana foi condenada já no século III dC. A forma atanasiana foi declarada ortodoxa no Concílio de Constantinopla de 383 dC e se tornou a base do trinitarismo moderno[12]. Os principais aderentes eram:
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Alexandre de Alexandria, bispo de Alexandria (313-326).[13] Ósio de Córdoba, bispo de Córdoba (?(359).[14] Eusébio de Cesareia, bispo de Cesareia (ca. 313-339).[15] Eustátio de Antioquia, (possivelmente sabeliano) bispo de Antioquia (ca. 325330)[16]. Dionísio de Alba, bispo de Alba, que apoiou Atanásio em Milão[17] Ciro de Beroe, (possivelmente sabeliano) bispo de Beroe (atual Stara Zagora)[16]. Atanásio de Alexandria, bispo de Alexandria (326-373), futuro rival dos arianos Gregório da Capadócia e Jorge de Laodiceia).[18] Paulo I de Constantinopla, bispo de Constantinopla (336-351), futuro rival de Eusébio de Nicomédia e de Macedônio I de Constantinopla[19].

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Papa Júlio I, bispo de Roma (337-352)[20]. Asclepas, bispo de Gaza[21]. Lúcio de Adrianopla, bispo de Adrianopla (?-351).[22]. Máximo II de Jerusalém, bispo de Jerusalém (333-350)[23]. Paulino, bispo de Treveris, que apoiou Atanásio em Milão[17]. Dionísio de Alba, bispo de Alba, que apoiou Atanásio em Milão[17]. Eusébio de Vercelli, bispo de Vercelli (340-371), que apoiou Atanásio em Milão[17]. Angelius, (Novaciano) bispo de Contantinopla.[24]

Marcelo de Ancira e Fotino de Sirmium De acordo com o historiador Sócrates Escolástico, Marcelo de Ancira e Fotino de Sirmium ensinaram "que Cristo era apenas um homem."[25]. Seus oponentes associaram os ensinamentos de Marcelo de Ancira e de Fotino de Sirmium com os de Sabélio e Paulo de Samósata, que já tinham sido amplamente rejeitados antes da controvérsia[26].
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Marcelo, bispo de Ancira (?-336 e ca. 343-c. 374) e crítico de Astério, o Sofista[27]. Fotino, bispo de Sirmium (?-351) e, no exílio, (351-376). De acordo com Sócrates e Sozomeno, Fotino foi um seguidor de Marcelo[28] Em 336 dC, um julgamento eclesiástico em Constantinopla depôs Marcelo e condenou suas doutrinas[29]. Papa Júlio I apoiou Marcelo e apelou por sua restauração[20]. Em 342 ou 343 dC, o majoritariamente ocidental Concílio de Sardica restaurou Marcelo ao mesmo tempo que o majoritariamente oriental Concílio de Filipópolis manteve sua deposição[30]. Sob pressão de seu co-imperador Constante, Constâncio II inicialmente apoiou a decisão de Sardica. Porém, após a morte de Constante, ele reverteu sua decisão[31]. Em 351 dC, um julgamento eclesiástico no Concílio de Sirmium depôs Fotino e condenou seus ensinamentos[32].

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Homoiousianos A escola homoiousiana ensinava que o Filho era de uma substância similar à do Pai [33][34]. Os principais expoentes desta corrente eram:
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Basílio de Ancira, bispo de Ancira (336-360)[35][36]. Macedônio I de Constantinopla, bispo de Constantinopla (342-346 e 351-360)[37][38]. Jorge de Laodiceia, bispo de Alexandria (356-361, rival de Atanásio de Alexandria)[35][39]. Eudóxio de Antioquia, bispo de Germanícia (?-358), Antioquia (358-359), e Constantinopla (360-370), que apoiou o Macrostich)[40][41]. Eustátio de Sebaste, bispo de Sebaste[35][42]. Sabino de Heracleia, bispo de Heracleia[43].

Homoianos Os homoianos ensinavam que o Filho era similar ao Pai, tanto "em todas as coisas" ou "de acordo com as escrituras", sem se jamais se referir à substância[34]. Diversos membros de outras escolas, como Ósio de Córdoba e Aécio, também aceitavam a fórmula homoiana[44]. Esta fórmula foi rascunhada no Concílio de Sirmium e efetivamente proposta no Concílio de Ariminum, ambos em 359 dC[1]. Os principais expoentes deste partido foram:

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Ursácio de Singidunum, inicialmente um homoiousiano e posteriormente um homoousiano e, finalmente, um homoiano, bispo de Singidunum (atual Belgrado), que foi um oponente de Atanásio[45]. Valente de Mursa, inicialmente um homoiousiano, depois um homoousiano e finalmente um homoiano bispo de Mursa, também oponente de Atanásio[45]. Germínio de Sirmium[3]. Auxêncio de Milão (m. 374), bispo de Mediolanum[3]. Demófilo de Constantinopla, bispo de Berae (?-370) e Constantinopla (370-380)[3][46]. Acácio de Cesareia, bispo de Cesareia (340-366).[47].

Heteroousianos Os heteroousianos ensinavam que o Filho é de uma substância diferente do Pai, ou seja, criado. Ário ensinava assim no início da controvérsia e Aécio ensinaria a forma final do Anomoeanismo[48][49]
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Ário, presbítero em Alexandria.[50][51]. Eusébio de Nicomedia, um dos mais fervorosos seguidores de Ário, morto no auge de seu poder em 342 dC. Teófilo, o indiano, que posteriormente apoiou Aécio[52][53]. Aécio de Antioquia, que fundou a tradição anomoeanista , posteriormente bispo (361?).[54][55]. Eunômio de Cízico, bispo (anomoeano) de Cízico (360-361) e bispo exilado (361c. 393).[55][56]. Teódolo, bispo (anomoeano) de Chaeretapa (? - ca. 363) e da Palestina
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  

Cândido, bispo (anomoeano) da Lídia, (ca. 363 - ?)[53]. Arriano, bispo (anomoeano) de Jonia, (ca. 363-?)[53]. Florêncio, bispo (anomoeano) de Constantinopla, (c. 363 - ?, contemporâneo de Eudóxio de Antioquia)[53]. Talus, bispo (anomoeano) de Lesbos, (ca. 363 - ?, contemporâneo de Eudóxio de Antioquia)[53]. Eufrônio, bispo (anomoeano) da Galácia, do Mar Negro e da Capadócia, (ca. 363 ?)[53].

(ca. 363-c. 379)[4][53][57]. Paemênio, bispo (anomoeano) Constantinopla, (ca. 363 contemporâneo de Eudóxio Antioquia[53].

de - ?, de

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Juliano, bispo (anomoeano) da Cilícia, (ca. 363 - ?)[53]. Serras, Estevão e Heliodoro, bispos (anomoeanos) do Egito, (ca. 363 - ?)[53]. Filostórgio, historiador.

Referências 1. ↑ a b c d e f g h ATIYA, Aziz S.. The Coptic Encyclopedia (em inglês). New York: Macmillan Publishing Company, 1991. ISBN 0-02-897025-X 2. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Bishops assembled at Antioch, on the Refusal of Eusebius of Emisa to accept the Bishopric of Alexandria, ordain Gregory, and change the Language of the Nicene Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 10, vol. II. 3. ↑ a b c d e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod at Ariminum, and the Creed there published. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 37, vol. II. 4. ↑ a b c Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Acacius, Bishop of Cæsarea, dictates a new Form of Creed in the Synod at Seleucia. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 40, vol. II. 5. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. IV. 6. ↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12, vol. IV. e Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V. 7. ↑ a b c Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Emperor's Return from the West, the Acacians assemble at Constantinople, and confirm the Creed of Ariminum, after making Some Additions to it. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 41, vol. II. 8. ↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V. 9. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Deposition of Macedonius, Eudoxius obtains the Bishopric of Constantinople. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 42, vol. II. 10. ↑ CHADWICK, Henry. History of the Early Church (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, 11. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. VII. 12. ↑ LOHSE, Bernhard. A Short History of Christian Doctrine (em inglês). [S.l.: s.n.]. 56-59 & 63 p. e Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century (em inglês). [S.l.: s.n.]. 127-128 p.. 13. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Dispute of Arius with Alexander, his Bishop & Division begins in the Church from this Controversy; and Alexander Bishop of Alexandria excommunicates Arius and his Adherents. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5&6, vol. I. 14. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor Constantine being grieved at the Disturbance of the Churches, sends Hosius the Spaniard to Alexandria, exhorting the Bishop and Ariusto Reconciliation and Unity. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 7, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Hosius, Bishop of Cordova. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 31, vol. II.. 15. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Defense of Eusebius Pamphilus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 31, vol. II. 16. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Presbyter who exerted himself for the Recall of Arius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 25, vol. I.. 17. ↑ a b c d Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod at Milan. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. II.. 18. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Diversos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, 27-32 & 34-35, vol. I. 19. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Diversos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 67, 12 & 16, vol. II.
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20. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius and Paul going to Rome, and having obtained Letters from Bishop Julius, recover their respective Dioceses. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 15, vol. II. 21. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. 22. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: After the Death of Constans, the Western Emperor, Paul and Athanasius are again ejected from their Sees: the Former on his Way into Exile is slain; but the Latter escapes by Flight. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 26, vol. II. 23. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius, passing through Jerusalem on his Return to Alexandria, is received into Communion by Maximus: and a Synod of Bishops, convened in that City, confirms the Nicene Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24, vol. II. & Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Cruelty of Macedonius, and Tumults raised by him. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 38, vol. II. 24. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Cruelty of Macedonius, and Tumults raised by him. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 38, vol. II. 25. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor of the West requests his Brother to send him Three Persons who could give an Account of the Deposition of Athanasius and Paul. Those who are sent publish Another Form of the Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. II.. No livro I, capítulo 36 de sua História Eclesiástica, Sócrates afirma que Marcelo "ousou afirmar, como os discípulos de Paulo de Samósata fizeram, que Cristo era apenas um homem" e no livro 2, capítulo 18, diz que "Fotino afirmou que o Filho de Deus era apenas um homem". 26. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II. 27. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Council at Sardica. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 20, vol. II. 28. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor of the West requests his Brother to send him Three Persons who could give an Account of the Deposition of Athanasius and Paul. Those who are sent publish Another Form of the Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II. Sozomeno. História Eclesiástica: Photinus, Bishop of Sirmium. His Heresy, and the Council convened at Sirmium in Opposition thereto. The Three Formularies of Faith. This Agitator of Empty Ideas was refuted by Basil of Ancyra. After his Deposition Photinus, although solicited, declined Reconciliation. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IV. 29. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sozomeno. História Eclesiástica: Marcellus Bishop of Ancyra; his Heresy and Deposition. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 33, vol. II. 30. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Council at Sardica. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 20, vol. II., Sozomeno. História Eclesiástica: The Long Formulary and the Enactments issued by the Synod of Sardica. Julius, Bishop of Rome, and Hosius, the Spanish Bishop, deposed by the Bishops of the East, because they held Communion with Athanasius and the Rest. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. III. e Sozomeno. História Eclesiástica: The Bishops of the Party of Julius and Hosius held another Session and
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deposed the Eastern High Priests, and also made a Formulary of Faith. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12, vol. III. 31. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: After the Death of Constans, the Western Emperor, Paul and Athanasius are again ejected from their Sees: the Former on his Way into Exile is slain; but the Latter escapes by Flight. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 26, vol. II. Sozomeno. História Eclesiástica: Constantius again ejects Athanasius, and banishes those who represented the Homoousian Doctrine. Death of Paul, Bishop of Constantinople. Macedonius: his Second Usurpation of the See, and his Evil Deeds. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. IV. 32. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Creeds published at Sirmium in Presence of the Emperor Constantius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 30, vol. II. Sozomeno. História Eclesiástica: Photinus, Bishop of Sirmium. His Heresy, and the Council convened at Sirmium in Opposition thereto. The Three Formularies of Faith. This Agitator of Empty Ideas was refuted by Basil of Ancyra. After his Deposition Photinus, although solicited, declined Reconciliation. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IV. 33. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, vol. IV. 34. ↑ a b Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century. [S.l.: s.n.]. 128 p., que lida principalmente com a controvérsia posterior. 35. ↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VIII. 36. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Deposition of Macedonius, Eudoxius obtains the Bishopric of Constantinople. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 42, vol. II. 37. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, vol. IV. e Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VIII. 38. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 16, 27, 38 & 42, vol. II. 39. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod held at Antioch, which deposed Eustathius, Bishop of Antioch, on whose account a Sedition broke out and almost ruined the City. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Funeral of the Emperor Constantine. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 40, vol. I. 40. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4 & 12, vol. II. 41. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, 37 & 40, vol. II. 42. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Heresy of Macedonius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 45, vol. II. 43. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod which was held at Nicæa in Bithynia, and the Creed there put forth. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius and Paul going to Rome, and having obtained Letters from Bishop Julius, recover their respective Dioceses. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 15, vol. II.. 44. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, vol. IV. para Ósio; Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. IV. para Aécio. 45. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Arius having returned to Alexandria with the Emperor's Consent, and not being received by Athanasius, the Partisans of Eusebius bring Many Charges against Athanasius before the Emperor. (em inglês). [S.l.:
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s.n.]. Capítulo: 27, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12 & 37, vol. I. 46. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, vol. IX. 47. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, 39 & 40, vol. II. 48. ↑ Filostórgio, em Fócio, Epítome da História Eclesiástica de Filostórgia, livro 3, capítulo 5; livro 4, capítulo 12 e livro 6, capítulo 5 se referem à "substância diferente"; livro 4, capítulo 12 se refere à "substâncias dissimilares" e livro 4, capítulos 4 & 12 e livro 5, capítulo 1 se referem à "diferentes em substância" ou "diferenças na substância." 49. ↑ Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century (em inglês). [S.l.: s.n.]. 127128 p.. Este último discute principalmente a parte final da controvérsia e menciona apenas o Anomoeanismo, sem utilizar o termo Heteroousiano. 50. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Dispute of Arius with Alexander, his Bishop. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5, vol. I. 51. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Division begins in the Church from this Controversy; and Alexander Bishop of Alexandria excommunicates Arius and his Adherents. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. I. 52. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5, vol. 3. 53. ↑ a b c d e f g h i j Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. VIII. 54. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. 7. 55. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Aëtius the Syrian, Teacher of Eunomius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 35, vol. II. 56. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, vol. 5. e Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1-3, vol. 6. 57. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. 9. Ligações externas

Documentos do início da controvérsia ariana (em inglês). fourthcentury.com. Página visitada em 18/10/2010..

Notas 1. ↑ The Arian Controversy in 2. ↑ Nele se afirmava que o Verbo era o verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai, possuindo em comum com Ele a natureza divina e as mesmas perfeições. 3. ↑ Despertai! 8 de fevereiro de 1985, página 17 Bibliografia

SPINELLI, Miguel. Helenização e Recriação de Sentidos. A Filosofia na Época da Expansão do Cristianismo – Séculos II, III e IV. Porto Alegre: Edipucrs, 2002 pp. 237 a 292 Docetismo

Docetismo (do grego δοκέω [dokeō], "para parecer") é o nome dado a uma doutrina cristã do século II, considerada herética pela Igreja primitiva. Antecedente do Gnosticismo, defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas aparente. Não existiam "docetas" enquanto seita ou religião específica, mas como uma corrente de pensamento que atravessou diversos estratos da Igreja.
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Esta doutrina é refutada pela Igreja Católica e pelos protestantes com base no Evangelho de São João, onde no primeiro capítulo se afirma que "o Verbo se fez carne". Autores cristãos posteriores, como Inácio de Antioquia e Ireneu de Lião deram os contributos teológicos mais importantes para a erradicação deste pensamento, em especial o último que, na sua obra Adversus Haereses defendeu as ideias principais que contrariavam o docetismo, ou seja, a teologia do Cristocentrismo, a recapitulação em Cristo do Homem caído em pecado e a união entre a Criação, o pecado e a Redenção. A origem do docetismo é geralmente atribuída a correntes gnósticas para quem o mundo material era mau e corrompido e que tentavam aliar, de forma racional, a Revelação disposta nas escrituras à filosofia grega. Esta doutrina viria a ser condenada como heresia no Concílio Ecumênico de Calcedônia. Bibliografia

PINHO, Arnaldo de. Docetismo in Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira da Cultura, Edição Século XXI, Volume IX, Editorial Verbo, Braga, Abril de 1999. Gnosticismo

Gnosticismo [1] - (do grego Γνωζηικιζμóς (gnostikismós); de Γνωζις (gnosis): 'conhecimento') é um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a mimetizar-se com o cristianismo nos primeiros séculos de nossa era, vindo a ser declarado como um pensamento herético após uma etapa em que conheceu prestígio entre os intelectuais cristãos.[2] De fato, pode falar-se em um gnosticismo pagão e em um gnosticismo cristão, ainda que o pensamento gnóstico mais significativo tenha sido alcançado como uma vertente heterodoxa do cristianismo primitivo. Alguns autores fazem uma distinção entre "Gnosis" e "gnosticismo". A gnose é, sem dúvida, uma experiência baseada não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração. Gnosticismo, por outro lado, é a visão de mundo baseada na experiência de Gnose, que tem por origem etimológica o termo grego gnosis, que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental; Sabedoria. É usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do coração. É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva. O movimento originou-se provavelmente na Ásia Menor, difundindo-se da região do Irã à Gália, exercendo a sua maior influência sobre o cristianismo entre os anos de 135 e 200. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas como os do Elêusis, do Zoroastrismo, do Hermetismo, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo. Num texto hermético lê-se que a gnosis da Mente é a "visão das coisas divinas". G.R.S.Mead acrescenta que "Gnosis não é conhecimento sobre alguma coisa, mas comunhão, conhecimento de Deus". Este é o grande objetivo, conhecer "Deus", a Realidade em nós. Não é a crença, a fé ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da Mente individual com a Mente universal, a capacidade do homem "transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina".

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A posse da Gnosis significa a habilidade para receber e compreender a revelação. O verdadeiro Gnóstico é aquele que conhece a revelação interior ou oculta desvelada e que também compreende a revelação exterior ou pública velada. Ele não é alguém que descobriu a verdade a seu respeito por meio de sua própria desamparada reflexão, mas alguém para quem as manifestações do mundo interior são mostradas e tornaram-se inteligíveis. O início da Perfeição é a Gnosis do Homem, porém a Gnosis de Deus é a Perfeição aperfeiçoada. "Aperfeiçoamento" é um termo técnico para o desenvolvimento na Gnosis, sendo o Gnóstico realizado conhecido como o "perfeito", "parfait". A entrada na senda da Gnosis é chamada 'voltar para casa'. Como vimos, é um retorno, um virar as costas ao mundo, um arrependimento de toda natureza: "Devemos nos voltar para o velho, velho caminho". "Somente o batismo não liberta mas sim, a gnosis, o conhecimento interior de quem somos, o que nos tornamos, onde estamos, para onde vamos. O que é nascimento, o que é renascimento". "Gnosis sobre quem éramos e no que nos tornamos; onde estávamos e onde viemos parar; para onde nos dirigimos e onde somos redimidos; o que é a geração, e o que é a regeneração". (Extratos de Theodotus) Ingressar na Gnosis é um despertar do sono e da ignorância de Deus, da embriaguez do mundo para a temperança virtuosa. "Pois o mal [ilusão] do não conhecimento está inundando toda a terra e trazendo total ruína à alma aprisionada dentro do corpo, impedindo-a de navegar para os portos da salvação." Doutrina Gnóstica O pré-requisito essencial da filosofia gnóstica é o postulado da existência de uma "entidade imortal", que não é parte deste mundo, que pode ser chamado de Deus interno, Centelha divina, Crístico, divina essência etc, que existe em todos os homens e é a sua única parte imortal. Os gnósticos consideram que o estado do homem neste mundo é "anti-natural", pois ele está submetido a todo tipo de sofrimentos. Para eles, é necessário que o homem se liberte deste sofrimento, e isto só pode ocorrer pelo conhecimento. Os gnósticos, de um modo geral, acreditam que o Universo manifestado principia com emanações do Absoluto, seres finitos chamados de Æons que se reúnem no Pleroma. No princípio tudo era Uno com o Absoluto, então em um determinado momento, emanaram do Absoluto estes æons (éons), formando o pleroma. O pleroma dos gnósticos é um plano arquetípico, abaixo do qual está o plano material, manifestado. Assim, o que antes era Uno e vivia no pleroma, se despedaça em partes. Este estado de infelicidade, pela descida no pleroma (e separação do Todo Uno), é o que ocasiona o sofrimento do homem neste mundo. Um dos éons (Sophia) deu à luz o Demiurgo (artesão em grego), que criou o mundo material "mau", juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Os gnósticos ensinavam que a salvação vem por meio de um desses éons, geralmente apresentado como o décimo terceiro éon (identificado com o Cristo), distinto dos doze éons que regem o mundo decaído. Segundo a doutrina, Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito à fraqueza e às emoções humanas, embora parecesse ser um homem, enquanto a principal linha de gnosticismo cristão, a Valentiniana defende a tese próxima do nestorianismo, doutrina cristã nascida no Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, sendo Cristos (o ungido) o éon
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celestial que a um tempo se une a Jesus. Alguns historiadores afirmam que o apóstolo João se refere a esse assunto quando enfatiza que "o Verbo se fez carne" (Jo l .14) e em sua primeira epístola que "todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus..." (l Jo 4.3). Os escritos joaninos são do final do primeiro século, quando nasceu o gnosticismo. No entanto, muitas comunidades gnósticas tinham o Evangelho de João em alta conta. Dualismo e monismo - Normalmente, os sistemas gnósticos são vagamente descritos como sendo "dualistas" em natureza, o que significa que tem a visão do mundo constituído ou explicável como duas entidades fundamentais. Hans Jonas escreve: "A característica central do pensamento gnóstico é o radical dualismo que rege a relação de Deus e o mundo e, correspondentemente, do homem e o mundo. " Dentro desta definição, que funcionam a gama do dualismo radical dos sistemas de maniqueísmo, do dualismo mitigado de alguns movimentos gnósticos; a evolução Valentiniana indiscutivelmente aborda uma forma de monismo, expresso em termos anteriormente utilizados de forma dualista. O dualismo radical - ou dualismo absoluto que postula duas forças divinas co-iguais. O Maniqueísmo concebe dois reinos anteriormente coexistente da luz e da escuridão que se envolveu em conflito, devido à caótica ações deste último. Posteriormente, alguns elementos da luz tornaramse aprisionados dentro da escuridão, o propósito da criação material é para decretar o lento processo de extração destes elementos individuais, a fim de que o reino de luz prevalece sobre as trevas. Esta mitologia dualista do zoroastrismo , no qual o espírito eterno Ahura Mazda é a oposição de sua antítese, Angra Mainyu, os dois estão envolvidos em uma luta cósmica, a conclusão de que será ver Ahura Mazda triunfante. A criação no mito Mandeano, emanações progressivas do Supremo Ser de Luz, com cada emanação provocando uma corrupção progressiva que resulta no aparecimento eventual de Ptahil, o deus das trevas, que teve uma mão na criação de regras e passam a constituir o reino material. Além disso, o pensamento gnóstico geral, comumente incluíam a crença de que o mundo material corresponde a algum tipo de intoxicação provocada pelo mal os poderes das trevas para manter elementos da luz aprisionada dentro dele, ou, literalmente, para mantê-los no escuro ", ou ignorantes, em um estado de distração bêbado. Dualismo mitigado - quando um dos dois princípios é, de alguma forma inferiores aos outros. Tais movimentos gnósticos clássicos como o Sethiniano concebeu o mundo material como sendo criado por uma divindade menor do que o verdadeiro Deus, que era o objeto de sua devoção. O mundo espiritual é concebido como sendo radicalmente diferente do mundo material, co-extensivo com o Deus verdadeiro, é a verdadeira casa de alguns membros iluminados da humanidade, portanto, estes sistemas foram expressivos de um sentimento agudo de alienação do mundo, e seu objetivo era permitir um resultado da alma, para escapar das limitações apresentadas pelo reino físico. Monismo Qualificado - Elementos das versões do mito gnóstico Valentiniano sugerem para alguns que a sua compreensão do universo podem ter sido monista. Elaine Pagels afirma que " gnosticismo Valentiniano difere essencialmente do dualismo, enquanto, de acordo com SCHOEDEL "um elemento básico na interpretação dos Valentinianos é o reconhecimento de que elas são fundamentalmente monistas. Nesses mitos, a malevolência do demiurgo é mitigada; sua criação de uma materialidade falha não é devido a qualquer falha moral da sua parte, mas devido a sua imperfeição em contraste com as entidades superiores de que ele desconhece. Como tal, os Valentinianos já tem menos motivos para tratar com desprezo a realidade física do que um gnóstico Sethiniano Para que o homem possa se libertar dos sofrimentos deste mundo, segundo os gnósticos, ele deve retornar ao Todo Uno, por ascensão ao pleroma, e isto só pode ser alcançado pelo Conhecimento
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Verdadeiro (representado pela Gnose). Este despertar só pode ocorrer se o homem se descobre, "conhecendo-se a si próprio". Para o Gnosticismo existem três níveis de realização. No nível mais elevado estão aqueles que eram chamados eleitos, ainda que sem um sentido elitista de exclusão. Entre os gnósticos, eles eram conhecidos como pneumáticos, que significa espirituais. O grupo seguinte, os intermediários, são os psíquicos ou religiosos. E, finalmente, os homens comuns, os muitos, na linguagem de Jesus, eram chamados pelos gnósticos, de ílicos ou materiais, pois aqueles que só estão voltados para os prazeres da vida material imediata, sem nenhum interesse pelo objetivo último da vida. Os textos gnósticos também tratam estes níveis como descendentes de Sete, Abel e Caim. Assim, o ensinamento do Mestre Jesus, o Cristo - Aeon da Salvação, foi estruturado para atender as necessidades desses três grupos de pessoas. Para o povo em geral, para aqueles que estão voltados exclusivamente para a vida neste mundo, a ênfase eram os ensinamentos sobre a ética e a vida diária. Para os homens intermediários, que os gnósticos chamavam de religiosos, eram ensinamentos mais abrangentes sobre a vida e a prática espiritual, sendo esses ensinamentos encontrados nas escrituras cristãs. E é interessante lembrar que esse grupo intermediário, eram aqueles que nesta vida, em função de suas decisões, determinações e postura de vida poderiam cair no grupo dos muitos, os materialistas, ou então, elevarem-se e entrar no grupo dos eleitos, daqueles que poderiam vir a ser salvos ou libertos. E, finalmente, para o grupo dos assim chamados espirituais, os poucos, a tradição oferece ensinamentos sobre o caminho acelerado. O caminho acelerado, com suas naturais exigências de purificação e dedicação, só está aberto a poucos. "As Escrituras Sagradas têm um sentido que é aparente à primeira vista, e um outro que a maioria dos homens não percebe. Porque são escritas em forma de certos Mistérios, e à imagem de coisas divinas. A respeito do que há uma opinião em toda a Igreja, que toda a Lei em verdade é espiritual, porém que o sentido espiritual da Lei não é conhecido a todos, mas apenas aqueles que receberam a graça do Espírito Santo na palavra de sabedoria e conhecimento". Orígenes " De Principiis" Assim, os primeiros cristãos sabiam que dois tipos de pessoas se achegariam ao cristianismo, um tipo sem o toque pneumático, e, portanto, incapaz de aproximar-se da salvação pelo conhecimento e pela sabedoria dos Mistérios, mas possuindo apenas capacidade de assimilar pela fé o lado superficial da Lei; o outro tipo, tocado pelo dom pneumático, pela centelha-espírito, que possuiria plena capacidade de assimilar os conhecimentos e a sabedoria dos Mistérios divinos e descer ao nível profundo e espiritual da Lei, podendo gozar de completa iluminação e redenção. Grandes escolas gnósticas e seus textos As escolas do Gnosticismo podem ser definidas de acordo com um dos sistemas de classificação como membros de duas grandes categorias. São elas as escolas "Orientais/Persas" e as escolas "Siríacas/Egípcias". As escolas da primeira categoria possuem tendências dualistas mais pronunciadas, refletindo a forte influência das crenças do Zorastrismo Zurvanista persa. Já as escolas síriaco-egípcias e os movimentos que elas deram origem têm tipicamente uma visão mais Monista. Notáveis exceções existem, incluindo movimentos relativamente modernos, que parecem ter incluído elementos de ambas as categorias, como os cátaros, os bogomilos e os carpocracianos.

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Gnosticismo persa As escolas persas, que apareceram na província da Babilônia e cujos escritos foram produzidos originalmente em dialetos aramaicos falados na região na época, representam o que se acredita serem as formas mais antigas do pensamento gnóstico. Estes movimentos são considerados pela maioria como religiões por si sós e não seitas emanadas do Cristianismo ou do Judaísmo.

Mandeísmo é ainda praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província iraniana do Khuzistão. O nome do grupo deriva do termo Mandā d-Heyyi, que significa "Conhecimento da Vida". Embora a origem exata deste movimento não seja conhecida, João Batista eventualmente se tornaria uma figura chave nesta religião, assim como ênfase no batismo se tornou parte do cerne de suas crenças. Assim como no Maniqueísmo, apesar de certos laços com o Cristianismo, os mandeanos não acreditam em Moisés, Jesus ou Maomé. Suas crenças e práticas também tem poucas sobreposições com as religiões fundadas por eles. Uma quantidade significativa das Escrituras originais Mandeanas sobreviveram até a era moderna. O texto principal é conhecido como Genzā Rabbā e tem trechos identificados pelos estudiosos como tendo sido copiados já no século II dC. Existe também o Qolastā, ou "Livro Canônico de Oração" e o sidra ḏ-iahia, o "Livro de João Batista". Maniqueísmo, que representa toda uma tradição religiosa e que agora está quase extinto, foi fundado pelo profeta Mani (216-276 dC). Embora acredite-se que a maior parte das Escrituras dos maniqueístas tenha se perdido, a descoberta de uma série de documentos originais ajudou a lançar alguma luz sobre o assunto. Preservados agora em Colônia, Alemanha, o Codex Manichaicus Coloniensis contém principalmente informações biográficas sobre o profeta e alguns detalhes sobre seus ensinamentos. Como disse Mani, "O Deus verdadeiro não tem nada a ver com o mundo material e o cosmos", e "É o Príncipe das Trevas que falou com Moisés, os judeus e seus sacerdotes. Portanto, cristãos, os judeus e os pagãos estão envolvidos no mesmo erro quando adora este Deus. Pois ele os leva para perdição através dos desejos que lhes ensinou".[3][4].

Gnosticismo siríaco-egípcio A escola siríaca-egípcia deriva muito de sua forma geral das influências platônicas. Tipicamente, ela apresenta a criação numa série de emanações de um fonte primal monádica, finalmente resultando na criação do universo material. Como consequência, há uma tendência nestas escolas em ver o "mal" (ou a maldade) como a matéria, inferior à bondade, sem inspiração espiritual e sem bondade, ao invés de retratá-lo como uma força igual. Podemos dizer que estas escolas gnósticas utilizar os termos "bem" e "mal" como sendo termos "relativos", pois se referem aos relativos apuros da existência humana, aprisionada entre estas realidades e confusa na sua orientação, com o "mal" indicando a distância extremada do princípio e fonte do "bem", sem necessariamente enfatizar uma negatividade inerente. Como pode ser visto abaixo, muitos destes movimentos incluíram fontes relacionadas ao Cristianismo, com alguns inclusive se identificando como cristãos (ainda que de forma distintamente diferente das chamadas formas ortodoxas ou católica romana). Escrituras siríaco-egípcias A maioria da literatura nesta categoria nos é conhecida ou foi confirmada pela descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi.

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Obras Setianas, assim chamadas em homenagem ao terceiro filho de Adão e Eva, Sete (ou Seth), que eles acreditavam possuir e ser o disseminador da gnosis. As obras tipicamente setianas são:
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O Apócrifo de João O Apocalipse de Adão A Hipóstase dos Arcontes, também conhecido por "A Realidade dos Regentes" Trovão, Mente Perfeita Protenóia trimórfica Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível também conhecido por "Evangelho Copta dos Egípcios" Zostrianos Alógenes As Três estelas de Sete O Evangelho de Judas

Obras Tomistas, assim chamadas por causa da escola de Tomé Apóstolo. Todos são pseudepígrafos. Os textos geralmente atribuídos a ela são:
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Hino da Pérola, também conhecido como "Hino de Tomé Apóstolo Dídimo no país dos Indianos" Atos de Tomé O Evangelho de Tomé Livro de Tomé o Adversário

Obras Valentianas são assim chamadas em referência ao Bispo e professor Valentim (ca. 153 dC). Ele desenvolveu uma complexa cosmologia fora da tradição setiana. Em certo ponto chegou a estar próximo de ser nomeado o Bispo de Roma, naquela que hoje é a Igreja Católica Romana. As obras geralmente atribuídas a eles estão listadas abaixo, sendo que os fragmentos que podem ser diretamente relacionadas a elas estão marcados com asterisco:
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A Divina Palavra presente na Criança (Fragmento A) * Sobre as Três Naturezas (Fragmento B) * A Habilidade de falar de Adão (Fragmento C) * Para Agathopous: O Sistema Digestivo de Jesus (Fragmento D) * Aniquilação do Reino da Morte (Fragmento F) * Sobre Amizade: A Fonte da Sabedoria Comum (Fragmento G) * Epístola sobre Conexões Sentimentais (Fragmento H) * Colheita de Verão * Evangelho da Verdade * A versão Ptolemaica do Mito Gnóstico Prece do apóstolo Paulo Epístola de Ptolomeu à Flora Tratado sobre a Ressurreição, ou Epístola a Reginus. Evangelho de Filipe

Obras Basilidianas, assim chamadas por causa do fundador da escola, Basilides (132–? dC). Quase todas as obras são conhecidas por nós principalmente através da crítica de um de seus oponentes, Ireneu de Lyon, no seu livro Adversus Haereses. Outros trechos são conhecidos através das obras de Clemente de Alexandria, principalmente a Stromata[5]:

O Octeto das Entidades Subsistentes (Fragmento A)
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A The Singularidade do Mundo (Fragmento B) Ser Eleito Naturalmente requer Fé e Virtude (Fragmento C) O Estado da Virtude (Fragmento D) Os Eleitos Trascendem o Mundo (Fragmento E) Reincarnação (Fragmento F) O Sofrimento Humano e a Bondade da Providência (Fragmento G) Pecados Perdoáveis (Fragmento H)

Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo

Outras escolas e movimentos relacionados; estão apresentado em ordem cronológica.

A cruz circular, harmônica era um emblema utilizado pelos cátaros, uma seita medieval relacionada ao Gnosticismo.

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Simão Mago e Marcião de Sinope: ambos tinham tendências gnósticas, mas as ideias que eles apresentaram estavam ainda em formação; por isso, eles podem ser descritos como pseudo- ou proto-gnósticos. Ambos desenvolveram um considerável conjunto de seguidores. O pupilo de Simão Mago, Menandro de Antióquia também pode ser incluído neste grupo. Marcião é popularmente identificado como gnóstico, porém a maior parte dos estudiosos não entende assim[6]. Cerinto (c. 100 dC), o fundador de uma escola herética com elementos gnósticos. Como gnóstico, Cerinto mostrou Cristo como um espírito celeste separado do homem Jesus e citou o Demiurgo como criador do mundo material. Porém, ao contrário dos gnósticos, Cerinto ensinava os cristãos a observar a lei judaica; seu demiurgo era sagrado e não inferior; e acreditava na Segunda vinda de Cristo. Sua gnosis era um ensinamento secreto atribuído a um apóstolo. Alguns estudiosos acreditam que a Primeira Epístola de João foi escrita em resposta a Cerinto[7]. Os Ofitas, assim chamados por reverenciarem a serpente do Gênesis como um fonte de conhecimento. Os Cainitas, que como o nome implica, veneravam Caim, assim como Esaú, Korah e os sodomitas. Há pouca evidência sobre a natureza deste grupo; porém, é possível inferir que eles acreditavam que indulgência no pecado era a chave para a salvação, pois dado que o corpo é intrinsecamente mau, é preciso denegri-lo com atitudes imorais (veja libertinismo). O nome 'cainita' não é utilizado aqui no sentido bíblico de "descendentes de Caim" (que segundo a Bíblia foram exterminados no Dilúvio). Os Carpocracianos, uma seita libertina que acreditava unicamente no Evangelho dos Hebreus. Os Borboritas, uma seita libertina gnóstica, que acredita-se ser uma derivação dos Nicolaítas Os Paulicianos, um grupo adocionista, também acusado por fontes medievais como sendo gnóstica e quasi-maniqueísta. Eles floresceram entre 650 e 872 na Armênia e nas províncias (ou temas) orientais do Império Bizantino. Os Bogomilos, a síntese (no sentido do sincretismo) entre o Paulicianismo Armênio e o movimento reformista da Igreja Ortodoxa Búlgara, que emergiu durante o Primeiro império búlgaro entre 927 e 970, e se espalhou pela Europa.
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Os Cátaros (Cathari, Albigenses ou Albigensianos) são tipicamente vistos como imitadores do Gnosticismo. Se os cátaros possuíam ou não uma influência histórica direta do antigo Gnosticismo ainda é tema disputado, embora alguns acreditem que numa transferência de conhecimento dos bogomilos[8]. Embora as concepções básicas da cosmologia gnóstica possam ser encontradas nas crenças cátaras (principalmente a noção de um deus criador inferior, satânico). Catarismo é a religião do Espírito (do Paracleto). Eles se separaram dos outros gnósticos deixando de lado os éons, os arcontes, os diagramas e os números cabalísticos [carece de fontes?].

Conceitos e termos importantes Note que o texto a seguir é formado por resumos das várias interpretações gnósticas existentes. Os papéis de alguns seres mais familiares, como Jesus Cristo, Sophia e o Demiurgo geralmente compartilham os temais centrais entre os vários sistemas, mas pode haver algumas diferentes funções ou identidades atribuídos a eles em cada uma. Æon Em muitos sistemas gnósticos, os aeons são várias emanações de um deus superior, que também é conhecido por nomes como Mônada, Aion teleos (grego: "O Perfeito Aeon"), Bythos (grego: Βσθος - 'profundidade') e muitos outros (veja o artigo principal). Deste ser inicial, também um Aeon, uma série de diferentes emanações ocorreram, começando em alguns textos gnósticos com o hermafrodita Barbelo[9][10][11] de quem sucessivos pares de Aeons emanam, frequentemente em pares masculino-feminino chamados de sizígias[12]; o número destes pares varia de texto para texto, embora alguns identifiquem seu número como sendo trinta[13]. Os Aeons como uma "totalidade" constituem o Pleroma, a "região de luz". As regiões mais baixas do Pleroma estão mais perto da escuridão, ou seja, do mundo material [carece de fontes?]. Dois dos Aeons mais frequentemente emparelhados são Jesus e Sophia (em grego: sabedoria). Ela se refere a Jesus como seu 'consorte' em Exposição Valentiana[14]. Sophia, emanando sem o seu parceiro resulta na criação do Demiurgo (em grego: "construtor público")[15] também chamado de Yaldabaoth (ou variações) em alguns textos[9]. Esta criatura está escondida fora do Pleroma [9], em isolamento, e acreditando-se sozinha, ela cria a matéria e uma horda de co-atores, referidos como Arcontes. O Demiurgo é reponsável pela criação da humanidade, pois assim ele pode aprisionar as fagulhas do Pleroma roubadas de Sophia em corpos humanos[9][16]. Em resposta, o Mônada emana dois Aeons salvadores, 'Cristo e o Espírito Santo; Cristo então se incorpora na forma de Jesus para poder ensinar aos homens como alcançar a gnosis, pela qual eles poderão retornar ao Pleroma[9]. Arconte No final da antiguidade, algumas variantes do Gnosticismo utilizaram o termo "Arconte" para se referir aos diversos servos do Demiurgo[16]. Neste contexto, eles podem ser entendidos como tendo o papel dos anjos e demônios do Antigo Testamento. De acordo com Contra Celso, de Orígenes, a seita dos Ofitas (veja acima Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo) propuseram a existência de sete arcontes, começando com o próprio Yaldabaoth, que criou os próximos seis: Iao, Sabaoth, Adonaios, Elaios, Astaphaios e Horaios[17][18]. Assim como o Chronos mitráico e o Narasimha védico (uma forma de Vishnu), Yaldabaoth tem a cabeça de um leão (embora tenha o corpo de uma serpente de acordo com o Apócrifo de João)[9][19][20].
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Abraxas / Abrasax

Gravura de uma pedra de Abraxas. Os gnósticos egípcios seguidores de Basilides se referiam frequentemente à uma figura chamada Abraxas, que estava no topo dos 265 seres espirituais (segundo Ireneu, Contra Heresias, I.24[21]); não está claro como interpretar o uso que Ireneu faz do termo 'Arconte', que pode significar apenas 'governante' neste contexto (veja Arconte). Nem o papel e nem o significado de Abraxas para esta seita estão claros. Textos encontrados na Biblioteca de Nag Hammadi, como o Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível, se referem a Abrasax como Aeon morando com Sophia e os outros Aeons na Totalidade Espiritual, sob a luz do luminar Eleleth[22]. Demiurgo

Uma divindade com face de leão encontrada numa gema gnóstica em L'antiquité expliquée et représentée en figures de Bernard de Montfaucon pode ser uma representação do Demiurgo; porém, veja também Chronos [23] O termo Demiurgo deriva da forma latinizada do termo grego dēmiourgos (δημιοσργός), significando literalmente "servidor público ou trabalhador habilidoso" e se refere à uma entidade responsável pela criação do universo e de todo o aspecto físico da humanidade. O termo dēmiourgos ocorre em diversas outras religiões e sistemas filosóficos, principalmente o Platonismo. Julgamentos morais sobre o demiurgo variam de grupo para grupo dentro da grande categoria do Gnosticismo - estes julgamentos geralmente correspondem ao julgamento de cada grupo sobre o
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status da materialidade como sendo intrinsecamente má, ou meramente falha e tão boa quanto a passiva matéria que a consitui permite. Como Platão faz, O Gnosticismo apresenta uma distinção entre uma realidade supranatural, incognoscível e a materialidade sensível, da qual o Demiurgo é o criador. Porém, em contraste com Platão, os diversos sistemas gnósticos apresentam o demiurgo como um antagonista do Deus Supremo: seu ato de criação, seja ele inconsciente e uma imitação fundamentalmente falha do modelo divino (veja o Mito da Caverna), ou formado com a intenção maligna de aprisionar aspectos do divino "na" materialidade. Portanto, nestes sistemas, o Demiurgo age como uma solução para o problema do mal. No Apócrifo de João, o Demiurgo - ali chamado de Yaldabaoth - se proclama como Deus: “ Agora o arconte que é fraco tem três nomes. O primeiro nome é Yaldabaoth, o segundo é Saclas e o terceiro é Samael. E ele é ímpio em sua arrogância, que está nele. Pois ele disse: 'Eu sou Deus e não há outro Deus além de mim', pois ele é ignorante de sua força, do lugar de onde veio. — Apócrifo de João[9], "Samael", na tradição judaico-cristã, se refere ao anjo mau da morte e corresponde ao demônio cristão de mesmo nome, atrás apenas de Satã[carece de fontes?]. Literalmente, pode significar "deuscego" ou "deus dos cegos" em aramaico (siríaco sæmʕa-ʔel); o outro título, Saclas, aramaico para "tolo" (siríaco sækla "o tolo"). No mito de Sophia, sua mãe, Sophia, também um aspecto parcial do Pleroma (ou "Totalidade"), desejava emanar de si algo sem a autoridade do Espírito Supremo. Neste ato abortivo e imperfeito, ela deu à luz ao monstruoso Demiurgo. Envergonhada com seu ato, ela o envolveu numa nuvem com um trono no meio para que os demais Aeons não percebessem. O Demiurgo então, isolado, sem ver sua mãe e ninguém mais, concluiu que era o único que existia e, ignorante, criou o mundo material, a humanidade e uma hierarquia de "poderes" (Arcontes) para governá-lo[9][16]. Os mitos gnósticos descrevendo estes eventos são cheios de nuances intrincadas retratando a declinação de aspectos do divino até a forma humana; este processo acontece através do trabalho do Demiurgo que, tendo roubado um pouco do poder de sua mãe, passa a trabalhar na criação de uma imitação inconsciente do reino superior do Pleroma (como sombras das imagens). Assim, o poder de Sophia (as "fagulhas" ou "sopro" divino) fica aprisionado dentro das formas materiais da humanidade, também presa dentro do mundo material: o objetivo de todos os movimentos gnósticos era tipicamente acordar esta fagulha, o que permitiria o retorno do indivíduo à realidade superior, não material onde estava a fonte primal[9][16] (veja Setianismo). Alguns filósofos gnósticos identificam o Demiurgo com Yahweh, o Deus do Antigo Testamento, em oposição e contraste ao Deus do Novo Testamento. Ainda outros o igualam com Satã. Os cátaros aparentemente herdaram sua idéia de Satã como o criador do mundo maligno diretamente ou indiretamente do Gnosticismo.

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Gnosis (ou Gnose) Gnosis vem da palavra grega para "conhecimento", gnosis (γνῶζις). Porém, gnosis em si se refere a uma forma muito especial de conhecimento, derivada tanto do significado exato do termo grego quanto seu uso na filosofia de Platão[24]. O grego antigo era capaz de discernir entre diversas formas diferentes de "conhecer". Essas formas podem ser descritas em língua portuguesa como sendo conhecimento proposicional, indicativo de um conhecimento adquirido "indiretamente" através de reportes de outros ou por inferência (como em "Eu sei que Lisboa está em Portugal"), e o conhecimento conhecimento empírico, adquirido através de "participação direta" (como em "Eu sei que Lisboa está em Portugal pois estive lá") [carece de fontes?] . Gnosis (γνῶζις) se refere ao conhecimento do segundo tipo. Portanto, em um contexto religioso, ser 'gnóstico' deve ser entendido como confiar não em conhecimento no sentido geral, mas como sendo especialmente receptivo às experiências místicas ou esotéricas de participação direta com o divino. De fato, na maior parte dos sistemas gnósticos, a causa suficiente para salvação é este "conhecimento do" ('ser familiar com') divino. Isto é geralmente identificado com o processo de conhecimento interno ou de auto-exploração, comparável com o que foi encorajado por Plotino. Porém, como se pode ver, o termo 'gnóstico' tem um uso precendente em diversas tradições filosóficas que precisa também ser levado em consideração para que seja possível entender as implicações sutis que este epíteto tem para diversos grupos religiosos antigos[24]. Mônada Em muitos sistemas gnósticos (e heresiológicos), o Ser Supremo é conhecido como Mônade, o Uno, o Absoluto Aiōn teleos (O Perfeito Aeon, αἰών ηέλεος), Bythos (Profundidade, Βσθός), Proarchē (Antes do Início, προαρτή, Hē Archē (O Início, ἡ ἀρτή) e Pai inefável. O Uno é a fonte primal do Pleroma, a região de luz. As várias emanações do Uno são chamados "Aeons" [carece de fontes?] . A cosmogonia setiana como está no famoso Apócrifo de João (ou Livro Secreto de João) descreve um deus desconhecido, muito similar à Teologia negativa ortodoxa, embora muito diferente dos ensinamentos do credo ortodoxo de que existe um deus assim que também seja o criador do céu e da terra. Teólogos ortodoxos, quando descrevendo a natureza do deus criador associado aos textos bíblicos, muitas vezes tentam defini-lo através de uma série de afirmações explícitas e positivas (cataphrasis), por si sós universais, e que associadas ao divino se tornam superlativas: ele é onisciente, onipotente e verdadeiramente benevolente. Já na concepção setiana do deus trascendente e escondido descrita no texto[9], ele é definido, por contraste, através da teologia negativa (apophasis)[25]: ele é imóvel, invisível, intangível e inefável[9]. Geralmente, 'ele' é visto como uma sendo hermafrodita[9], um símbolo potente para um ser, pois ele é o que 'tudo contém'. Uma abordagem apofásica na discussão da Divindade pode ser encontrada por todo o Gnosticismo, nos Vedas, nas teologias de Platão e Aristóteles e em algumas fontes judaicas . Pleroma Pleroma (em grego: πληρωμα geralmente se refere à totalidade dos poderes de deus. O termino significa "plenitude" e é usado em vários contextos teológicos cristãos: tanto gnósticos em geral, como também no cristianismo (como em «Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Colossenses 2:9)[26]).
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O Pleroma celeste é o centro da vida divina, uma região de luz "acima" (o termo não deve ser entendido espacialmente) do nosso mundo, ocupado por seres espirituais como os Aeons e, às vezes, por arcontes. Jesus é interpretado como sendo um aeon intermediário que foi enviado do Pleroma e cuja ajuda seria fundamental para que a humanidade recupere o conhecimento perdido (ou esquecido) das suas origens divinas. O termo é, portanto, central na cosmologia gnóstica[9][27]. Pleroma também é utilizado na língua grega comum e é utilizado pela Igreja Ortodoxa Grega na sua forma geral pois a palavra aparece em Colossenses. Proponentes da visão que Paulo seria na verdade gnóstico, como Elaine Pagels da Universidade de Princeton, enxergam a referência em Colossenses como algo a ser interpretado no sentido gnóstico[28]. Sophia Sophia (em grego: Σοθία) é aquilo que detém o "sábio" (em grego: ζοθός; "sofós"). Na tradição gnóstica, Sophia é uma figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus. Os gnósticos afirmam que ela é a sizígia de Jesus (veja a Noiva de Cristo) e o Espírito Santo da Trindade. Ocasionalmente é referenciada pelo equivalente hebreu Achamōth (em grego: Ἀταμώθ) e como Prouneikos (em grego: Προύνικος, "A Libidinosa"). Nos textos da Biblioteca de Nag Hammadi, Sophia é o mais baixo dos Aeons ou a expressão antrópica da emanação da luz de Deus[24]. Cristãos gnósticos Nos séculos I e II o gnosticismo produziu manifestações dentro da cristandade, sobretudo no Egito, onde se destacaram líderes como Carpócrates, Basílides, Isidoro e Valentim, este último fundador de uma importante escola em Roma. Os Cristãos Gnósticos constituíram, nos primeiros anos dessa nossa era, uma comunidade fechada, iniciática, que guardou os aspectos esotéricos dos evangelhos, principalmente das parábolas de Jesus, o Cristo, apresentando um cristianismo muito mais profundo e filosófico do que daqueles cristãos que ficaram conhecidos como a ortodoxia. Dentre os grupos mais ativos nos dois primeiros séculos de nossa era destacam-se os naassenos (palavra em aramaico com o mesmo significado de ofitas, de origem grega), setianos (de orientação judaica), docéticos (que propunham que a natureza exterior do Cristo era ilusória), carpocracianos, basilidianos e valentianos. Com o passar do tempo, os herdeiros da tradição gnóstica e maniqueísta foram mudando de nome e podemos indicar o aparecimento dos seguintes grupos:
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Entre os séculos III e IX: Euchites, Magistri Comacini, Artífices Dionisianos, Nestorianos e Eutiquianos; século X: Paulicianos e Bogomilos; século XI: Cátaros, Patarini, Cavaleiros de Rodes, Cavaleiros de Malta, Místicos Escolásticos; século XII: Albigenses, Cavaleiros Templários, Hermetistas; século XIII: a Fraternidade dos Winklers, os begardos e beguinas, os Irmãos do Livre Espírito, os Lolardos e os Trovadores; século XIV: os hesicastas, os Amigos de Deus, os Rosa-cruzes e os Fraticelli; século XV: os Fraters Lucis, a Academia Platônica, a Sociedade Alquímica, a Sociedade da Trolha e os Irmãos da Boêmia (Unitas Fratrum); século XVI: a Ordem de Cristo (derivada dos Templários), os Filósofos do Fogo, a Milicia Crucífera Evangélica e os Ministérios dos Mestres Herméticos;
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século XVII: os Irmãos Asiáticos (Irmãos Iniciados de São João Evangelista da Ásia), a Academia di Secreti e os Quietistas; século XVIII: os Martinistas; no século XIX: a Sociedade Teosófica.

Os Paulicianos formavam um grupo gnóstico ativo no Império Romano. Se declaravam contra todas hierarquias que exerciam seu poder para combater a iluminação interior. Até o século XI, os paulicianos foram mortos pela igreja romana, assim como o Maniqueísmo antes deles. Mas o gnosticismo sobreviveu, sua luz e força continuaram a irradiar com os bogomilos. A herança Gnóstica dos séculos XII e XIII, foram transmitidas aos Cátaros, que também foram perseguidos e mortos pela igreja romana. Na Idade Média, o gnosticismo manifestou-se na Ordem dos Templários, foi revivificada pela Rosa-cruz, pelas mãos de Johannes Valentinus Andreae, mantiveram ligações com a Maçonaria, com a Teosofia e com o Martinismo. Todos testemunhando o Cristianismo Interior, descrevendo o caminho de retorno a Deus, que foi aberto pelo seu Filho, Jesus, o Cristo. Fontes Pouco material chegou até os dias de hoje, a maioria dos personagens e suas doutrinas só puderam ser conhecidos por meio dos críticos do gnosticismo. A maior polêmica contra os gnósticos apareceu no período patrístico, com os escritos apologéticos de Ireneu(130-200), Tertuliano (160225) e Hipólito (170-236). Por isso a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi,em 1945, foi de suma importância, visto que seu conteúdo é eminentemente gnóstico. O achado impulsionou as pesquisas sobre o assunto na segunda metade do século XX. Estes manuscritos totalizavam cinquenta e dois textos, em treze códices de papiro, escritos em copta. Entre as obras aí guardadas encontravam-se diversos tratados gnósticos, três obras pertencentes ao Corpus Hermeticum e uma tradução parcial da República de Platão. Parte deles conhecidos também como Evangelhos gnósticos Os Manuscritos Pistis Sophia,"Piste Sophiea Cotice" ou "Códice Askew", atribuidos a Valentim foi adquirido do médico e colecionador de manuscritos antigos Dr. Askew pelo Museu Britânico em 1795 , datam de 250–300 AD, relatam os ensinamentos Gnósticos do Mestre Jesus, o Cristo transfigurado aos apóstolos. Até a descoberta da biblioteca de Nag Hammadi em 1945, o Códice Askew era um dos três códices que continha quase todos os escritos gnósticos que tinham sobrevivido, sendo os dois outros códices o Códice Bruce e o Códice de Berlim. Mais recentemente um outro documento gnóstico foi encontrado, gerando diferentes especulações sobre o verdadeiro relacionamento de Jesus Cristo com o seu discípulo Judas, este documento é o Evangelho de Judas que estava desaparecido por mais de 1700 anos, tendo sido encontrado finalmente no Egito.

Elaine Pagels professora de religião na Universidade de Princeton e Ph.D. da Universidade de Harvard.Em Harvard ela fez parte de um grupo que estudou os rolos de Nag Hammadi, dessa experiência resultou a base para o seu primeiro livro Os Evangelhos Gnósticos, Esse livro é uma introdução aos textos de Nag Hammadi para o público leigo e é, desde o seu lançamento, um best-seller. Nos EUA, ganhou os prêmios National Book Critics Circle Award e National Book Award e foi escolhido pela Modern Library como um dos 100 melhores livros do século XX. George Robert Stowe Mead (1863 - 1933).Com formação em línguas e filosofia por Oxford, estudioso altamente intuitivo e perspicaz, deve ser considerado como um pioneiro de
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primeira ordem no domínio dos escritos gnósticos e estudos herméticos, foi autor, editor, tradutor e um influente membro da Sociedade Theosophica. Seu maior mérito teria sido a sua capacidade de discernir o significado interior e espiritual dos dos escritos, capacidade esta reconhecida por C.G.Jung que fez uma viagem especial a Londres no último período de vida de Mead, para lhe agradecer por seu trabalho brilhante e pioneiro de traduzir e comentar as escrituras gnósticas.

Bentley Layton(1941) é Professor de Estudos Religiosos e Professor do Oriente Próximo Línguas e Civilizações (copta) na Universidade de Yale (desde 1983).Autoridade reconhecida internacionalmente, em literatura gnóstica. Membro do projeto da UNESCO, CAIRO, que publicou a Biblioteca de Nag Hammadi. Formado em Harvard, "Redescoberta tardia do gnosticismo", foi o título da conferência internacional que ele apresentou na Universidade de Yale em 1980. Seus interesses encontram-se na história do cristianismo desde suas origens até o surgimento do Islã, os estudos gnósticos e copta . Seu livro mais acessível é "As Escrituras Gnósticas", que apresenta parte da literatura gnóstica enigmáticos do cristianismo. Ele apresenta sua seleção de escrituras gnósticas, os escritos de Valentino e seus seguidores, e os escritos relacionados que exibem tendências gnósticas no contexto mais amplo de cristianismo primitivo e do judaísmo helenístico, com introduções generosas e anotações abundantes. Para os especialistas, a gramática copta de Layton é um texto padrão. Ele catalogou todos os manuscritos coptas na Biblioteca Britânica. Ele é membro do conselho da Harvard Theological Review eo Journal of Studies copta. James M. Robinson (nascido em 1924) é professor Emérito de religião, na Universidade de Claremont, Califórnia. É o mais proeminente erudito do século 20, da biblioteca de Nag Hammadi. Stephan A. Hoeller (1931 - ) Ph.D. em filosofia da religião da Universidade de Innsbruck em Áustria, escritor, erudito e líder religioso. Dr. Marvin Meyer (Ph.D., Claremont Graduate University, M. Div. Calvin Theological Seminary) é professor de Bíblia e Estudos Cristãos e co-presidente do Departamento de Estudos Religiosos, Chapman University. Ele também é diretor do o Albert Schweitzer Chapman University Institute.Ele é diretor do Projeto dos Textos Mágicos Coptas do Instituto de Antiguidade e Cristianismo, Claremont Graduate University, membro do Seminário Jesus, e um ex-presidente da Society of Biblical Literature (Pacific Coast). Dr. Meyer é o autor de numerosos livros e artigos sobre a civilização greco-romana e religião cristã na antiguidade e da antiguidade tardia, e no Albert Schweitzer é ética de reverência pela vida. Kurt Rudolph (03 de abril de 1929) Pesquisador do gnosticismo e Mandeismo.Nascido em Dresden Rudolph estudou teologia protestante, religião , história semitas nas universidades de Greifswald e de Leipzig.Posteriormente, durante seis anos, ele foi assistente de pesquisa , enquanto ele trabalhava em paralelo para o doutorado em teologia e, assim como a história religiosa. Em 1961 ele recebeu sua habilitação em história da religião e religião comparada.

Durante seu trabalho na Universidade de Leipzig , Chicago e Marburg e Santa Barbara(University of California), ele adquiriu uma reputação internacional como um conhecedor do gnosticismo e maniqueísmo.Além disso, ele também ocupou-se com o Islão e questões metodológicas em estudos religiosos.

Jakob Böhme ou Jacob Boehme, (Alt Seidenberg, 1575 — Görlitz, 17 de Novembro de 1624) foi filósofo e místico cristão alemão,as obras que escreveu são o maior monumento de
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conhecimentos teogônicos (concernentes ao surgimento dos primeiros princípios em Deus) e cosmogônicos (concernentes à criação do Universo e das criaturas) da história do cristianismo.

Platão Πλάηων, Plátōn. (Atenas, 428/427– Atenas, 348/347 a.C.) foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. Plotino(ca. 205 - 270) O pai do neoplatonismo, natural de Licopólis, Egito, foi discípulo de Amônio Sacas e mestre de Porfírio. A influência de Plotino e dos neoplatônicos sobre o pensamento cristão, islâmico e judaico, bem como sobre os pensadores de proa do Renascimento, foi enorme. Foram direta ou indiretamente influenciados por ele, Dionísio Pseudo-Areopagita, Alberto Magno, Dante Alighieri, Mestre Eckhart, João da Cruz, Marsílio Ficino, Pico de la Mirandola, Giordano Bruno, Avicena, Ibn Gabirol, Espinosa, Leibniz. Hermes Trismegistus; em grego Ερμης ο Τριζμεγιζηος, "Hermes, o três vezes grande" é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thoth, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas. Hermes era o autor de um conjunto de textos sagrados, "herméticos", contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia: O Corpus Hermeticum , datado entre o século I ao século III, representou a fonte de inspiração do pensamento hermético e neoplatônico renascentista. Na época acreditava-se que o texto remontasse à antiguidade egípcia, anterior a Moisés e que nele estivesse contido também o prenúncio do cristianismo. Autor também do Livro dos Mortos, e do mais famoso texto alquímico a "Tábua de Esmeralda". Huberto Rohden, São Ludgero, 31 de dezembro de 1893 foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo. escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização.Lecionou na Universidade de Princeton, American University, de Washington D.C.(EUA) Raul Branco Autor, tradutor é membro da Sociedade Teosófica, economista, mora em Brasília e dedica-se ao estudo da tradição cristã e do gnosticismo. Tradutor para o português de Pistis Sophia - G.R.S. Mead. Carl Gustav Jung, nasceu a 26 de julho de 1875, em Kresswil, Basiléia, na Suíça, no seio de uma família voltada para a religião. Seu pai e vários outros parentes eram pastores luteranos, o que explica, em parte, desde a mais tenra idade, o interesse do jovem Carl por filosofia e questões espirituais e o pelo papel da religião no processo de maturação psíquica das pessoas, povos e civilizações. Criança bastante sensível e introspectiva, desde cedo demonstrou uma inteligência e uma capacidade intelectual notável. Gnóstico assumido, ficou célebre a resposta que Jung deu, em 1959, a um entrevistador da BBC que lhe perguntou: "O senhor acredita em Deus?" A resposta foi: "Não tenho necessidade de crer em Deus. Eu o conheço" Escreveu o livro Os Sete Sermões aos Mortos, foi amigo, admirador e colaborador de G.R.S.Mead, tradutor dos Manuscritos da Nag Hammadi, particularmente do Códice Jung, trabalho patrocinado pela Fundação Jung.
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Fernando Pessoa, 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, gnóstico possuía ligações com a Tradição, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz, havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas, no Diário de Lisboa de 4 de fevereiro de 1935, contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz". Deixou escrito o Livro Rosa Cruz.

Paralelos com religiões orientais O gnosticismo tem alguns elementos em comum com o sufismo, o budismo, o helenismo, o hermetismo, o zoroastrismo e o hinduísmo. Gnosticismo e psicologia No século XX, Carl Gustav Jung pesquisou profundamente as doutrinas gnósticas, inclusive ajudando no trabalho de organização da Biblioteca de Nag Hammadi, e fez uma ligação entre os mitos gnósticos e os arquétipos do inconsciente coletivo. Escreveu o livro "Sete sermões aos mortos", sob o pseudônimo de Basilides de Alexandria, onde coloca a sua visão gnóstica em sete textos no formato dos evangelhos. Referências 1. ↑ (em inglês) Gnosis.org 2. ↑ (em português) Jones, Peter. Ameaça Pagã, A (Velhas heresias para uma nova era). Editora Cultura Cristã. ISBN 8586886386 3. ↑ Classical Texts: Acta Archelai (em inglês) pp. 76. Harvard.edu. Página visitada em 27/08/2010. 4. ↑ Alan G. Hefner. Dualism (em inglês). TheMystica.org. Página visitada em 27/08/2010. "Maniqueísmo, sendo uma seita gnóstica, ensinava uma doutrina similar de colocar Deus contra a matéria. Este ensinamento dualístico incorporava um mito cosmológico bastante elaborado, que incluía a derrota do homem primal pelos poderes das trevas que devoraram e aprisionaram as fagulhas de luz. Portanto, para Mani, o deus maligno que criou o mundo era o Jehovah judaico" 5. ↑ HILGENFELD, Die Clem. Recogn. und Hom. nach ihrem Ursprung und Inhalt. (em alemão). Jena: [s.n.], 1848. 123 ff. p. 6. ↑ (em inglês) Veja o artigo da 1911 Encyclopedia Britannica sobre Marcião: "Na visão de Marcião, portanto, o mito fundador de sua igreja - para o qual ele foi levado pela oposição se resume a uma reforma do Cristianismo pélo retorno a um Evangelho de Cristo e de Paulo; nada mais deve ser aceito além disso. Isso é suficiente para mostrar que é um erro listar Marcião entre os Gnósticos. Um dualista ele certamente era, mas não um gnóstico dependendo da visão particular de cada um sobre 'ser gnóstico'". 7. ↑ GONZÁLEZ, Justo L. A History of Christian Thought (em inglês). [S.l.]: Abingdon, 1970. 132-3 p. vol. I. 8. ↑ LAMBERT, Malcolm. The Cathars: The wise men from the east (em inglês). [S.l.]: Blackwell Publishing, 1998. 45 e seguintes p. ISBN 0-631-14343-2 9. ↑ a b c d e f g h i j k l m ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Apocryphon of John (Trad. por Frederik Wisse) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 10. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: Allogenes (Trad. por John D.Turner e Orval S. Wintermute) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2
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11. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: Trimorphic Protennoia (Trad. por John D. Turner) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06066929-2 12. ↑ David Brons (2003). The Pair (Syzygy) in Valentinian Thought (em inglês). Gnostic Society. 13. ↑ Fragments of a Faith Forgotten (em inglês). [S.l.]: Kessinger Publishing, 2005. ISBN 1417984139 14. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: A Valentinian Exposition (Trad. por John D. Turner) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 15. ↑ "Demiurge" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 16. ↑ a b c d ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Hypostasis of the Archons (Trad. por Bentley Layton) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 17. ↑ Orígenes. Contra Celsum: Chapter 31 (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 31, vol. VI. 18. ↑ Veja também ROBINSON, ED., James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: On the Origin of the World (Trad. de Hans-Gebhard Bethge e Bentley Layton) (em inglês). San Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 19. ↑ Franz Cumont (1903). Mithraic Art. Public-Domain-Content.com. Página visitada em 31/08/2010. 20. ↑ Narashimba. Manas: Indian Religions. Página visitada em 31/08/2010. 21. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Doctrines of Saturninus and Basilides (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24, vol. I. 22. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Gospel of the Egyptians (Trad. de Alexander Bohlig e Frederik Wisse) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 23. ↑ CAMPBELL, Joseph. Occidental Mythology (em inglês). [S.l.]: Penguin Arkana, 1991. 262 p. 24. ↑ a b c "Gnosticism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 25. ↑ Negative theology (em inglês). Catholic Culture.org. Página visitada em 01/09/2010.. 26. ↑ Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia 27. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Tripartite Tractate (Trad. por Harold W. Attridge e Dieter Mueller) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 28. ↑ PAGELS, Elaine. Gnostic Paul: Gnostic Exegesis of the Pauline Letters (em inglês). [S.l.]: Trinity Press International, 1992. ISBN 1563380390 Bibliografia Leituras introdutórias
    

Stephan A. Hoeller, Gnosticism: New Light on the Ancient Tradition of Inner Knowing (Quest Books, 2002) Stuart Holroyd, The Elements of Gnosticism, (Shaftesbury, Dorset, England and Rockport, MA: Element Books, 1994) Marvin Meyer, The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus (Harper San Francisco, 1992) Elaine Pagels, Beyond Belief: The Secret Gospel of Thomas (Random House, 2003) Elaine Pagels, The Gnostic Gospels (New York: Random House, 1978)
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    

Martin Seymor-Smith, Gnosticism: The Path of Inner Knowledge (Harper San Francisco, 1996) June Singer, A Gnostic Book of Hours: Keys to Inner Wisdom (Nicolas Hays, March 2003) Stephan a Hoeller, Gnosticismo, (Editora Nova Era) Marvin Meyer, O Evangelho de Tomé Elaine Pagels, Os Evangelhos Gnósticos

Leituras intermediárias
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Tobias Churton, The Gnostics (London: Weidenfeld and Nicolson, 1987) John Dart, The Laughing Saviour: The Discovery and Significance of the Nag Hammadi Gnostic Library (New York: Harper & Row, 1976) Jean Doresse, The Secret Books of the Egyptian Gnostic: An Introduction to the Gnostic Coptic Manuscripts Discovered at Chenoboskion (New York: Viking Press, 1960) Robert M. Grant, Gnosticism and Early Christianity (New York: Harper Torchbooks, 1966) Arthur Guirdham, The Great Heresy (Jersey, England: Nevill Spearman, 1977) Stephan A. Hoeller, Jung and the Lost Gospels: Insights into the Dead Sea Scrolls and the Nag Hammadi Library (Wheaton, IL: Quest Books, 1989) Hans Jonas, The Gnostic Religion (Boston: Beacon, 1963 and republished) Jaques Lacarriere, The Gnostics (New York: E. P. Dutton, 1977; republished by City Light Books) Dan Merkur, Gnosis: An Esoteric Tradition of Mystical Visions and Unions (Albany, NY: SUNY Press, 1993) Pheme Perkins, The Gnostic Dialogue: The Early Church and the Crisis of Gnosticism (New York: Paulist Press, 1980 Zoe Oldenbourg, Massacre at Montsegur: A History of the Albigensian Crusade (New York: Minerva Press, 1968) Kurt Rudolph, Gnosis: The Nature and History of Gnosticism (San Francisco, Harper & Row, 1983) June Singer, A Gnostic Book of Hours: Keys to Inner Wisdom (San Francisco: Harper, 1992) H. J. Spierenburg, ed., H. P. Blavatsky: On the Gnostics (San Diego, CA: Point Loma Publication, 1994)

Leituras avançadas
      

E. C. Blackman, Marcion and His Influence, (London: APGK, 1948; reprinted New York: Ames Press, 1978) Ioan P. Couliano, The Tree of Gnosis: Gnostic Mythology from Early Christianity to Modern Nihilism (San Francisco: Harper,1990) Giovanni Filoramo, A History of Gnosticism (Oxford and Cambridge, Mass.: Basil Blackwell, 1990) Iain Gardner, The Kephalaia of the Teacher: The Edited Coptic Manichaean Texts in Translation with Commentary Charles W. Hedrick and Robert Hodgson, ed., Nag Hammadi Gnosticism and Early Christianity (Peabody, Mass.: Hendrickson Publishers, 1986) Karen L. King, ed., Images of the Feminine in Gnosticism (Philadelphia, Penn.: Fortress Press, 1988 C. W. King, The Gnostics and Their Remains, Ancient and Medieval (reprinted San Diego: Wizards Bookshelf, 1982)
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          

Hans-Joachim Klimkeit, Gnosis on the Silk Road: Gnostic Texts from Central Asia (San Francisco: Harper, 1993) Samuel N. C. Lieu, Manichaeism in the Late Roman Empire and Medieval China (2 revised ed. Tubingen: J.C.B. Mohr, 1992) Samuel N. C. Lieu, Manichaeism in Mesopotamia & the Roman East (Leiden: E.J. Brill, 1994) Samuel N. C. Lieu, Manichaeism in Central Asia and China (Leiden: E.J. Brill, 1998) Elaine H. Pagels, The Johannine Gospel in Gnostic Exegesis: Heracleon's Commentary on John (Nashville and New York: Abingdon Press, 1973) Elaine H. Pagels, The Gnostic Paul: Gnostic Exegesis of the Pauline Letters (Philadelphia: Trinity Press International, 1975) Elaine H. Pagels, Adam, Eve, and the Serpent (New York: Random House, 1988) Simone Petrement, A Separate God: The Christian Origins of Gnosticism (San Francisco: Harper, 1990) Ray Summers, The Secret Teachings of the Living Jesus: Studies in the Coptic Gospel According to Thomas (Waco, Texas: Word Books, 1968) Richard T. Wallis and Jay Bergman, ed., Neoplatonism and Gnosticism (Albany, NY: SUNY Press, 1992) Yuri Stoyanov, The Other God: Dualist Religions from Antiquity to the Cathar Heresy (New Haven: Yale University Press, Rev. Ed. 2000

Edições das Escrituras gnósticas
        

    

The Gospel According to Thomas: with complimentary texts (Santa Barbara: Concord Grove Press, 1983) Iain Gardner, The Kephalaia of the Teacher: The Edited Coptic Manichaean Texts in Translation with Commentary (Leiden: E. J. Brill, 1995) Werner Foerster, ed., Gnosis, A Selection of Gnostic Texts: II. Coptic and Mandean Sources (Oxford: Clarendon Press, 1974) Duncan Greenlees, The Gospel of the Gnostics (Adyar, Madras, India: Theosophical Publishing House, 1958) Duncan Greenlees, The Gospel of the Prophet Mani (Adyar, Madras, India: Theosophical Publishing House, 1958) Hans-Joachim Klimkeit, Gnosis on the Silk Road: Gnostic Texts from Central Asia (San Francisco: Harper, 1993) Bentley Layton, The Gnostic Scriptures (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1987) Violet MacDermot, The Fall of Sophia: A Gnostic Text on the Redemption of Universal Consciousness G. R. S. Mead, Fragments of a Faith Forgotten: A Contribution to the Study of the Origins of Christianity (A reprint of the 1930 edition is currently available from Kessinger Publishing Company, P.O. Box 160, Kila, Montana, 59920) G. R. S. Mead, Pistis Sophia: A Gnostic Miscellany (A reprint edition is currently available from Garber Communications, Spiritual *Science Library, 5 Garber Road, Blautvelt, NY 10913) Marvin Meyer, The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus (Harper San Francisco, 1992) Marvin W. Meyer, The Secret Teachings of Jesus: Four Gnostic Gospels (New York: Random House, 1984) Robert J. Miller, ed, The Complete Gospels (San Francisco: Harper, 1994 James M. Robinson, ed, The Nag Hammadi Library in English (New York: Harper & Row, 1977; revised edition, San Francisco: Harper, 1988) Carl Schmidt, ed., Pistis Sophia (Leiden: E. J. Brill, 1978
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 

Carl Schmidt, ed., The Books of Jeu and the Untitled Text in the Bruce Codex (Leiden: E. J. Brill, 1978) Andrew Welburn, Mani, the Angel and the Column of Glory: An Anthology of Manichean Texts (Ediburgh, Floris Books, 1998)

Uma biblioteca básica gnóstica
       

Stephan A. Hoeller, Gnosticism: New Light on the Ancient Tradition of Inner Knowing (Quest Books, 2002) Elaine Pagels, The Gnostic Gospels (New York: Random House, 1978) Marvin Meyer, The Gospel of Thomas: The Hidden Sayings of Jesus (Harper San Francisco, 1992) June Singer, A Gnostic Book of Hours: Keys to Inner Wisdom (Nicolas Hays, March 2003) James M. Robinson, ed, The Nag Hammadi Library in English (New York: Harper & Row, 1977; revised edition, San Francisco: Harper, 1988) Bentley Layton, The Gnostic Scriptures (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1987) Kurt Rudolph, Gnosis: The Nature and History of Gnosticism (San Francisco, Harper & Row, 1983) Giovanni Filoramo, A History of Gnosticism (Oxford and Cambridge, Mass.: Basil Blackwell, 1990)

Gnosticismo Teólogos Apeles • Bardesanes • Basílides • Carpócrates • Cerdão • Cerinto • Dositeu • Marcião de Sinope • Marcus • Menandro • Monoimo • Ptolomeu • Saturnino • Simão Mago • Valentim

Bogomilismo • Borborismo • Cainismo • Carpocracianismos • Catarismo • Encratismo • Euquitismo • Mandeísmo • Maniqueísmo • Seitas e religiões Marcionismo • Naassenismo • Neognosticismo • Nicolaísmo • Paulicianismo • Setianismo • Simonianismo • Ofitismo • Valentianismo Conceitos básicos Æons • Arcontes • Emanação • Gnose • Pleroma • Ogdóade Divindades Abraxas • Barbēlō • Demiurgo • Mônade • Norea • Sophia Herméticos Ofitas Asclépio 21-29 • Prece de Ação de Graças Testemunho da verdade Alógenes • Apocalipse Copta de Paulo • Apocalipse de Adão • Apócrifo de João • Evangelho de Eva • Evangelho de Judas • Hipóstase dos Arcontes • Hypsiphrone • Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível (ou Evangelho Copta dos Egípcios) • Marsanes • O Trovão, Mente Perfeita • Pensamento de Norea • Protenóia trimórfica • Sobre a origem do mundo • Três Estelas de Sete • Zostrianos

Textos

Setianos

Tomé Apóstolo Atos de Tomé • Diálogo do Salvador • Evangelho
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de Tomé • Hino da Pérola • Livro de Tomé o Adversário Eugnostos, o abençoado • Evangelho da Verdade • Evangelho de Filipe • Pistis Sophia • Prece do apóstolo Paulo • Sophia de Jesus Cristo • Tratado sobre a Ressurreição Apocalipse Gnóstico de Pedro • Apócrifo de Tiago • Atos de Pedro e os 12 apóstolos • Carta de Pedro a Filipe •Ensinamentos de Silvano • Evangelho de Marcião • Evangelho de Maria • Evangelho dos Egípcios • Exegese da alma • Melquisedeque • Paráfrase de Sem • Primeiro Apocalipse de Tiago • Segundo Apocalipse de Tiago • Segundo tratado do grande Sete • Tratado tripartite

Valentianos

Outros

Fontes

Biblioteca de Nag Hammadi • Códice Askew • Códice Bruce • Códice Jung • Códice Tchacos • Códice de Berlim • Papiros Mágicos Gregos • Papiros de Oxirrinco

Apolinarianismo Apolinarianismo era o ponto de vista proposto por Apolinário de Laodicéia (310 - 390 d.C.), quem tentou criar um modo de explicar a natureza de Jesus, sua humanidade e divindade, segundo o qual Jesus Cristo teria um corpo humano, porém dotado de uma mente divina. Foi qualificado como heresia, em 381, pelo primeiro Concílio de Constantinopla, que definiu a posição ortodoxa de que Cristo seria totalmente homem e totalmente Deus. Fundador Apolinário ensinava que o homem era composto de corpo, alma e espírito, e que, em Jesus, o espírito do homem fora substituído pelo Logos, ou, pela segunda pessoa da Trindade. Assim afirmando, Apolinário negava a humanidade de Jesus, pois este estaria num corpo, de certa forma, emprestado. Nessa visão, Cristo não era totalmente humano, mas sim um espírito que se 'incorporava' nos homens. Repercussão Alguns pais da igreja, Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, e Gregório de Nanzianzo, foram formalmente contrários a este ensino e consideraram o apolinarismo uma heresia no Primeiro Concílio de Constantinopla em 381. A partir de então, sua influência passou a declinar até o seu quase completo desaparecimento.

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Nestorianismo

Padres nestorianos em procissão no Domingo Pintura de parede do século VII ou VIII em uma igreja nestoriana na China

de

ramos

Nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, Patriarca de Constantinopla (428 - 431 d.C.). A doutrina, que foi formada durante os estudos de Nestório sob Teodoro de Mopsuéstia na Escola de Antioquia, enfatiza a desunião entre as naturezas humana e divina de Jesus. Os ensinamentos de Nestório o colocaram em conflito com alguns dos mais proeminentes líderes da igreja antiga, principalmente Cirilo de Alexandria, que criticou-o particularmente por negar o título Theotokos ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria. Nestório e seus ensinamentos foram condenados como heréticos no Primeiro Concílio de Éfeso em 431 d.C. e no Concílio de Calcedônia em 451 d.C., o que acabou por provocar o cisma nestoriano, no qual as igrejas que apoiavam Nestório deixaram o corpo da Igreja[1]. Porém, o crescimento da Igreja do Oriente no século VII d.C. e nos seguintes espalhou o nestorianismo por toda a Ásia. Há que se distinguir porém que nem todas as igrejas afiliadas com a Igreja do Oriente parecem ter seguido a cristologia nestoriana. A Igreja Assíria do Oriente, por exemplo, que reverencia Nestório, não segue a doutrina nestoriana histórica. Doutrina e a Controvérsia Nestoriana Nestório desenvolveu a sua cristologia como uma tentantiva de racionalmente explicar e entender a encarnação do divino Logos, a segunda pessoa da Trindade, no homem Jesus Cristo. Ele estudou em Antioquia, onde seu mentor fora Teodoro de Mopsuéstia. Ele e outros teólogos da escola já vinham há muito tempo ensinando uma interpretação literal da Bíblia e enfatizavam a diferença entre as naturezas humana e divina de Jesus. Nestório levou consigo estas crenças quando foi apontado Patriarca de Constantinopla pelo imperador Teodósio II em 438 d.C. Os ensinamentos dele se tornaram então a raiz da controvérsia quando ele publicamente criticou o já tradicional título de Theotokos ("Mãe de Deus") para a Virgem Maria. Ele sugeriu que o título negava a humanidade plena de Cristo, argumentando que Jesus tinha duas naturezas vagamente relacionadas, a do divino Logos e a do humano Jesus. Assim, ele propôs o título Cristotokos ("Mãe de Cristo") como sendo mais adequado para Maria. Os oponentes de Nestório acharam que este ensinamento estava muito próximo da já condenada heresia do adocionismo - a ideia que Cristo teria nascido um homem que foi depois "adotado" (escolhido) como filho de Deus. Nestório foi especialmente criticado por Cirilo, Patriarca de
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Alexandria, que argumentou que os ensinamentos de Nestório minavam a unidade entre as naturezas divina e humana de Cristo na Encarnação. Nestório por sua vez sempre insistiu que a sua visão seria a ortodoxa, mesmo depois que ela já tinha sido considerada herética pelo Concílio de Éfeso em 431 d.C., levando ao cisma nestoriano. O Nestorianismo é uma forma de diofisismo e pode ser entendido como a antítese do monofisismo, que emergiu justamente como reação a ele. Enquanto o primeiro sustenta que Cristo teria duas naturezas vagamente unidas (divina e humana), o monofisismo contesta que ele teria apenas uma única natureza, a humana absorvida pela sua divindade. O monofisismo sobreviveu até hoje, transformado no Miafisismo das modernas igrejas do oriente. Primeiros anos e o cisma nestoriano Nestorianismo se tornou uma seita distinta logo após o cisma nestoriano, iniciado na década de 430 d.C. Nestório tinha caído sob o ataque dos teólogos ocidentais, principalmente Cirilo. Este tinha tanto motivos teológicos quanto políticos para atacar Nestório, uma vez que além de acreditar que ele estava incorreto em suas crenças, ele também queria enfraquecer o líder de um patriarcado competidor. Cirilo e Nestório pediram ao Papa Celestino I que interviesse no assunto e ele entendeu que o título Theotokos era ortodoxo, mas autorizou que ambos se desculpassem. Porém, Cirilo se utilizou esta opinião para atacar ainda mais Nestório, que acabou por solicitar ao imperador Teodósio II que convocasse um concílio para que todas as mágoas fossem endereçadas corretamente[1]. Em 431 d.C., Teodósio convocou o Primeiro Concílio de Éfeso. Porém, o concílio acabou finalmente ficando ao lado de Cirilo, defendendo que Cristo é uma substância e uma natureza, e que a Virgem Maria é a mãe de Deus. O concílio também acusou Nestório de heresia e o depôs. O nestorianismo foi então oficialmente anatemizado, uma decisão posteriormente reforçada em Calcedônia em 451 d.C. Porém, uma quantidade de igrejas, principalmente as associadas com a Escola de Edessa, apoiaram Nestório - ainda que não necessariamente a sua doutrina completa - e se separaram das igrejas do ocidente. Após o cisma, muitos dos que apoiavam Nestório se mudaram para o Império Sassânida (Pérsia), onde eles se afiliaram às igrejas locais, conhecidas coletivamente como Igreja do Oriente[2]. Cisma nestoriano O Cisma nestoriano foi um separação entre a Igreja Ortodoxa e as igrejas afiliadas ao nestorianismo no século V d.C. O cisma nasceu de uma disputa cristológica, cujas figuras principais foram Cirilo de Alexandria e Nestório. Este, em sua doutrina, enfatizava a distinção entre as naturezas humana e divina de Cristo, e foi condenado por isso nos concílios de Éfeso (431 d.C.) e de Calcedônia (451 d.C.). Neste período, as igrejas que apoiavam Nestório - e total ou parcialmente as suas crenças - se separaram do corpo da Igreja Ortodoxa, estabelecendo assim o nestorianismo como uma seita cristã distinta. As crenças de Nestório foram gradualmente sendo aceitas pelas Igrejas do Oriente, que representavam o Cristianismo na Pérsia sassânida, e que passou a ser conhecida como Igreja Nestoriana. História do cisma Após as condenações em Éfeso e Calcedônia, as igrejas que apoiavam Nestório - que giravam em torno da Escola de Edessa - se separaram do corpo da Igreja e se tornaram uma seita separada. Anatemizados no império romano, eles se mudaram para a Pérsia, então sob domínio sassânida,
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onde eles foram bem recebidos pelos cristãos persas que já tinham declarado sua independência de Constantinopla numa tentativa de evitar acusações de "pendores romanos". A Escola de Edesssa retornou então para a cidade de Nisibis (veja Escola de Nisibis), daí pra frente o centro do nestorianismo. Em 484 d.C., os sassânidas executaram o pró-bizantino catholicos Babowai e o substituíram pelo bispo nestoriano de Nisibis, Barsauma, efetivamente cortando o último laço da cristandade persa e o império romano. Daí pra frente, o Nestorianismo se espalhou velozmente por toda a Ásia, ganhando presença na Índia, nas estepes da Ásia central, nos territórios mongóis e na China. Nestorianismo e a Igreja do Oriente

A Estela nestoriana, que atesta a existência do cristianismo nestoriano na China no século VII d.C. Pérsia A Pérsia há muito já era refúgio de uma comunidade cristã que vinha sendo perseguida pela maioria zoroástrica, sob a acusação de ter "inclinações" romanas. Em 424 d.C., a igreja persa se declarou independente da igreja bizantina e de todas as outras igrejas, justamente para refutar estas acusações. Logo após o cisma, a Igreja da Pérsia cada vez mais se alinhou com os nestorianos, uma medida que foi encorajada pelas lideranças zoroástricas e que, com o passar dos anos, levou-a a se tornar mais e mais nestoriana, ampliando assim o cisma entre ela e igreja calcedoniana. Em 486 d.C., o metropolita de Nisibis, Barsauma, publicamente aceitou o mentor de Nestório, Teodoro de Mopsuéstia, como uma autoridade espiritual. Em 489 d.C., quando a Escola de Edessa (em Edessa, Mesopotâmia) foi fechada pelo imperador bizantino Zenão I por suas tendências nestorianas, ela se mudou para sua cidade original, Nisibis, e se tornou novamente a Escola de
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Nisibis, provocando uma onda de migração nestoriana para a Pérsia. O patriarca dali, Mar Babai I (497 - 502 d.C.), reiterou e expandiu a alta estima da igreja por Teodoro, solidificando então a adoção do nestorianismo[2]. Agora firmemente estabelecida na Pérsia, com centros em Nisibis, Ctesifonte, Gundeshapur e diversas sedes metropolitas, a Igreja Nestoriana Persa começou a se ramificar para fora do Império Sassânida. Contudo, durante todo o século VI d.C, a igreja foi frequentemente acometida por disputas internas e perseguições pelas mãos dos zoroástricos. A luta levou a um novo cisma, que durou de 521 até 539 d.C., quando os assuntos em disputa foram resolvidos. Porém, logo em seguida o conflito com os império bizantino levou à perseguição da igreja pelo rei sassânida Khosrau I, o que terminou em 545 d.C. A igreja sobreviveu a estas atribulações sob a liderança do patriarca Mar Abba I, que tinha se convertido do Zoroastrismo[2]. Expansão A igreja emergiu mais forte após este período de atribulações e ampliou para ainda mais longe os seus esforços missionários. Missionários estabeleceram dioceses na península arábica e no subcontinente indiano (os cristãos de São Tomé). Eles fizeram alguns avanços sobre o Egito, apesar da forte presença monofisista lá[3]. Missionários foram também até a Ásia central e tiveram significativos sucessos em converter as tribos tártaras. Eles também se firmaram na China durante a dinastia Tang (618 - 907 d.C.). Uma fonte chinesa, conhecida como Estela nestoriana, relata uma missão sob um pregador persa chamado Alopen como tendo sido a origem do cristianismo nestoriano na China em 635 d.C. Seguindo a conquista muçulmana da Pérsia, completada em 644 d.C., a Igreja Persa se tornou uma comunidade dhimmi, protegida sob o Califado Rashidun. A igreja e suas comunidades no exterior floresceram neste período. No século X d.C. ela já tinha quinze sedes metropolitas no território do califado e outras cinco em outros lugares, inclusive a Índia e a China[2]. Atualmente subsistem as igrejas nestorianas (conhecidas, de uma forma geral, como Igreja Assíria do Oriente) na Índia e no Iraque, Irã, China e nos Estados Unidos e em outros lugares onde haja migrado comunidades cristãs dos países citados. A Igreja Assíria do Oriente, que defende não ser totalmente nestoriana, teve um papel fundamental na conservação de antigos textos gregos que foram traduzidos para o siríaco (um ramo do arameu). Mais tarde foram traduzidos para o árabe e no século XIII para o latim. Além da Igreja Assíria do Oriente, existem actualmente várias denominações cristãs que são também fortemente influenciadas pelo nestorianismo. Exemplos destas denominações, que foram fundadas muito após a Igreja Assíria, são os anabatistas, os cristadelfianos e os rosacrucianos. Referências 1. ↑ a b Nestorius (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Página visitada em 11/12/2010. 2. ↑ a b c d Nestorians (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Página visitada em 11/12/2010. 3. ↑ Campbell. Christian Confessions (em inglês). [S.l.: s.n.]. 62 p.. Ligações externas

Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público.

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"Site não oficial da Igreja do Oriente" (em inglês). Nestorian.org. Página visitada em 11/12/2010. Lieu, Sam; Parry, Ken. Resquícios maniqueístas e cristãos (nestorianos) em Zayton (Quanzhou, Sul da China) (em inglês). Macquarie University. Página visitada em 11/12/2010. Dickens, Mark (1999). A Igreja do Oriente (em inglês). Oxus Communications. Página visitada em 11/12/2010. Eutiquianismo

Eutiques foi um monge de Constantinopla, que fundamentou a heresia do monofisismo. Eutiques negava que Cristo, após a encarnação, tinha duas naturezas perfeitas.[1] Nasceu no ano de 378, provavelmente em Constantinopla. Ingressou na vida monástica em um monastério da capital, onde teve como superior um abade de nome Máximo, ferrenho adversário do nestorianismo. Nascia assim, graças à sua formação religiosa, um repúdio intrasigente pelas doutrinas que versavam soibre a existência de duas naturezas em Cristo. Já como sacerdote, Eutiques começou a participar ativamente ativamente das questões doutrinárias. Pelos idos de 440, ele converteu-se numa figura de grande projeção no monofisismo em Constantinopla e, quando subiu ao poder, em 441, o eunuco Crisápio, responsável por seu seu batismo, Eutiques principiou uma campanha fulminante contra o nestorianismo, atacando a todos a quem julgava suspeitos. Assim ele denunciou a Teodoreto de Ciro, Ibas de Edessa, Domno II de Antioquia (442-449) e até Flaviano de Constantinopla fora denunciado em uma carta enviada por ele à sé romana. Em 8 de novembro de 448, num sínodo regional en Constantinopla presidido pelo patriarca Flaviano, Eusébio de Dorileia, um dos primeiros que haviam sido denunciados por ele como adepto ou simpatizante do nestorianismo, acusou-o de heresia. O sínodo, depois de uma turbulenta onda de acontecimentos políticos, concluiu pela condenação de Eutiques como herético. Torna-se muito difícil saber precisamente qual a base fundamental da doutrina cristológica defendida por Eutiques, seja porque nenhum de seus escritos sobreviveu até os tempos presentes ou mesmo pela imprecisão ou inconsistência da mesma. Pode-se considerá-lo entretanto como o criador ou inspirador do monofisismo ou seja, a consideração de uma única natureza em Cristo, que as duas naturezas se fundiram em uma única depois da reencarnação e que este não seria humano como nós os homens. O Monofisismo Eutiquiano Em 448, Flaviano de Constantinopla condenou a heresia de Eutiques, mas Eutiques reuniu como aliados, nas palavras de Alban Butler, todos os maus elementos da corte bizantina.[1] O patriarca de Alexandria Dióscoro I, tido como o primeiro monofisista, não contente com as decisões do Primeiro Concílio de Éfeso em 431, que havia condenado Eutiques, convoca outro (Éfeso II), também em Éfeso, no ano de 449, onde se concluiu pela reabilitação de Eutiques e pela condenação do Patriarca Flaviano. Presidido por Dióscuro, Eutiques entrou no Concílio cercado de soldados romanos.[1] Dióscoro recusou-se a ler a carta doutrinária do Papa Leão I, o Tomo ad Flavianus. Quando Flaviano apelou à Sé Romana, Diodoro esqueceu sua missão apostólica e recorreu à violência: Flaviano foi surrado,
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pisoteado e banido;[1] e morreu poucos dias depois. Este Concílio ficou conhecido como o Latrocínio de Éfeso ou "Sínodo de Ladrões".[1] Com a morte de Teodósio II (408-450), Pulquéria e Marciano (450-457), com o apoio de Leão I, convocaram um novo Concílio, este em Calcedônia (o 4º Ecumênico) que ocorreu entre os dias 08/10 a 01/11 de 451, com a participação de 350 bispos, e no qual de concluiu, entre outros assuntos, pela:
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Condenação da simonia, de casamentos mistos e ordenações absolutas. Deposição e Condenação de Eutiques de Constantinopla (criador do monofisismo) e Dióscoro I (444-451) de Alexandria.

O monofisismo Eutiquiano entretanto não morreria, ele dividiu e continuaria dividindo o mundo cristão. Referências 1. ↑ a b c d e Alban Butler, Vida dos Santos, 17 de Fevereiro, São Flaviano [em linha] (edição de 1894) O que é monergismo Monergismo (regeneração monergística) é uma benção redentora adquirida por Cristo para aqueles que o Pai lhe deu (1Pe 1.3; Jo 6.37-39). Ela comunica aquele poder na alma caída pela qual a pessoa que deve ser salva é eficazmente capacitada a responder ao chamado do evangelho (Jo 1.13). Ela é aquele poder sobrenatural de Deus somente pelo qual nos é concedida a capacidade espiritual para cumprir as condições do pacto da graça; isto é, para apreender o Redentor por uma fé viva, para se achegar aos termos da salvação, se arrepender dos ídolos e amar a Deus e o Mediador supremamente. O Espírito Santo, ao vivificar a alma, misericordiosamente capacita e inclina o eleito de Deus ao exercício espiritual da fé em Jesus Cristo. Este processo é o meio pelo qual o Espírito nos traz à viva união com Ele. Monergismo significa na teologia cristã a teoria de que o Espírito Santo sozinho pode atuar num ser humano e propiciar a conversão. Em uma manifestação simplificada o monergismo afirma que a salvação emana toda ela de Deus, opondo-se ao sinergismo, o qual afirma que Deus atua parcialmente e que a totalidade da salvação também depende da vontade de cada ser humano para completar a obra divina e com isso unir-se a Deus de maneira deliberada. Segundo o monergismo a um pecador é concedido o perdão quando da morte de Jesus e por isso estaria implícita a comunhão com o Cristo, e a fé em Jesus pelo Espírito Santo. Assim, para uns a santificação viria instantaneamente, ou para outros como algo progressivo. Mas segundo o monergismo a santificação advém inteiramente de Deus, dentro do conceito de graça irresistível. Monergismo (regeneração monergística) é uma benção redentora adquirida por Cristo para aqueles que o Pai lhe deu (1Pe 1.3; Jo 6.37-39). Ela comunica aquele poder na alma caída pela qual a pessoa que deve ser salva é eficazmente capacitada a responder ao chamado do evangelho (Jo 1.13). Ela é aquele poder sobrenatural de Deus somente pelo qual nos é concedida a capacidade espiritual para cumprir as condições do pacto da graça; isto é, para apreender o Redentor por uma fé viva, para se achegar aos termos da salvação, se arrepender dos ídolos e amar a Deus e o Mediador supremamente. O Espírito Santo, ao vivificar a alma, misericordiosamente capacita e inclina o
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eleito de Deus ao exercício espiritual da fé em Jesus Cristo. Este processo é o meio pelo qual o Espírito nos traz à viva união com Ele. Citações ―Se um homem conhece algo, ele deve conhecer a verdade que Deus conhece, pois Deus conhece toda verdade.‖ por Gordon Clark Sinergismo Sinergismo significa na teologia cristã a teoria de que o homem tem algum grau de participação na salvação, ou seja, é responsável pela sua salvação ou perdição. Os pais da igreja grega dos primeiros séculos do cristianismo e muitos dos teólogos católicos medievais eram sinergistas. Philip Melanchthon, companheiro de Lutero na reforma alemã, era sinergista, embora o próprio Lutero não fosse. O oposto do Sinergismo é o monergismo, que corresponde à teoria de que o homem não tem nenhuma responsabilidade em sua própria salvação, sendo salvo ou condenado exclusivamente pela decisão soberana de Deus. Os pensadores cristãos de diversas épocas desenvolveram diferentes formas de sinergismo, tais como o pelagianismo, o semipelagianismo e o sinergismo arminiano, entre outros.

Pelagianismo: forma de sinergismo atribuída a Pelágio da Bretanha, um contemporâneo de Santo Agostinho. O pelagianismo nega a existência do pecado original. Assim, se não há pecado original, não há total depravação e todos os homens poderiam chegar à salvação pela simples prática das boas obras. O pelagianismo foi amplamente condenado em diversos concílios, tais como os de Cartago, Milevis e o 2º Concílio de Orange, em 529DC. Semipelagianismo: forma de sinergismo ensinada pelos massilianos, principalmente João Cassiano (360-435). Mesmo com a vontade depravada, o homem ainda teria um poder residual para dar os primeiros passos em direção à salvação, mas não para completá-la. O semipelagianismo também foi condenado como heresia no 2º Concílio de Orange, em 529DC.

Sinergismo arminiano Ao contrário do semipelagianismo e do pelagianismo, o sinergismo arminiano afirma a total depravação do homem em seu estado natural. De fato, com relação à depravação total, não há diferença entre o calvinismo e o arminianismo. O homem é totalmente incapaz, até mesmo, de desejar se aproximar de Deus. Para Armínio, a salvação é pela graça somente e por meio da fé somente. Mesmo para dar os primeiros passos em direção a Deus o homem precisa da graça preveniente, que foi tornada disponível a todos os homens graças à obra redentora de Jesus Cristo. Portanto, a participação do homem em sua própria salvação consiste apenas em não resistir a Deus. Todavia, nenhum homem nasce com essa capacidade de não resistir à Deus, já que todos nascem totalmente depravados, com sua natureza corrompida devido ao pecado de Adão. É a graça preveniente, outorgada por Deus a todos os homens, que restaura neles essa capacidade de escolherem a Deus, se quiserem. Portanto, para Armínio e os chamados "arminianos do coração", entre os quais podem-se citar Simon Episcopius, John Wesley, John Miley, Richard Watson, William Burton Pope e Ray
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Dunning, nenhum homem nasce com o livre-arbítrio, ou seja, a livre capacidade de decidir aceitar a salvação oferecida por Deus. É exatamente neste ponto que o sinergismo arminiano clássico se diferencia do pelagianismo e do semipelagianismo. Ao contrário, para Armínio, é a graça preveniente que restaura em todos os homens essa capacidade. Portanto, a expressão "livrearbítrio", tão comumente associada à teologia de Armínio, deve ser entendida como "arbítrio liberto" ou "vontade liberta" pela graça preveniente, capacitante e cooperante. Alguns teólogos conhecidos como arminianos desviaram-se das idéias originais de Armínio e passaram a defender posições pelagianas e semipelagianas. São os "arminianos da cabeça", que seguiram as idéias do holandês Philip Limborch. Devido a esse fato, a teologia arminiana é comum e erroneamente associada ao pelagianismo e ao semipelagianismo. Pelagianismo Pelágio da Bretanha

Pelágio Pelágio da Bretanha (350 — 423) foi um monge ascético, nascido provavelmente na Britânia. Vida e obra Estabeleceu-se em Roma por volta de 405, depois viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça: Da natureza e Do livre-arbítrio. Suas opiniões foram criticadas violentamente por Agostinho e seu amigo Jerônimo, tradutor e comentarista bíblico, que morava em Belém na Palestina. Foi inocentado das acusações sobre heresia pelo Sínodo de Dióspolis na Palestina em 415, mas condenado como herege pelo bispo de Roma em 417 e 418, e pelo Concílio de Éfeso em 431. Não se sabe ao certo o ano e o motivo da sua morte, provavelmente foi por volta de 423. É possível que sua condenação pelo Concílio de Éfeso tenha sido após a sua morte.[1] O pelagianismo Suas ideias tornaram-se conhecidas como pelagianismo e foram consideradas heresias. Assim como acontecia com os hereges do cristianismo, pouco se sabe a respeito das suas ideias, pois o material produzido era queimado. Sua vida era cheia de mistérios e o que se conhece de seu pensamento é através das citações e alusões feitas em livros que se opõem a ele e o condenam.
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Os oponentes de Pelágio, liderados por Agostinho o acusaram de três heresias:
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Negar o pecado original; Negar que a graça de Deus é essencial para a salvação; Defender que o Homem possui a capacidade de decidir o seu futuro por livre-arbítrio, sem necessariamente depender da graça de Deus.

Sua doutrina a respeito da graça foi combatida por Agostinho de Hipona e considerada herética. O pelagianismo é uma teoria teológica cristã, atribuída a Pelágio da Bretanha. Sustenta basicamente que todo homem é totalmente responsável pela sua própria salvação e portanto, não necessita da graça divina. Segundo os pelagianos, todo homem nasce "moralmente neutro", sendo capaz, por si mesmo, sem qualquer influência divina, de salvar-se quando assim o desejar. Uma das grandes disputas durante a Reforma protestante versou sobre a natureza e a extensão do pecado original. No século V, Pelágio havia debatido ferozmente com Santo Agostinho sobre este assunto. Agostinho mantinha que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Por outro lado, Pelágio insistia que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazê-lo e embora considerasse Adão como "um mau exemplo" para a sua descendência, suas ações não teriam consequências para a mesma, sendo o papel de Jesus definido pelos pelagianos como "um bom exemplo fixo" para o resto da humanidade (contrariando assim o mau exemplo de Adão), bem como proporciona uma expiação pelos seus pecados, tendo a humanidade em suma, total controle pelas suas ações, posteriormente Pelágio reivindicou que a graça divina era desnecessária para a salvação, embora facilitasse a obediência. As sentenças pronunciadas contra a heresia foram confirmadas pelo Papa Inocêncio I. O Papa São Inocêncio I foi um papa eleito em 22 de dezembro de 401 e faleceu dia 12 de março de 417[1]. Foi durante o seu pontificado que São Jerônimo terminou a revisão da tradução latina da Bíblia conhecida como Vulgata Latina, em 404. Tendeu a unificar a Igreja ocidental em torno da "praxis romana", estabelecendo a observância dos ritos romanos no Ocidente, o catálogo do livros canônicos e as regras monásticas. Enfrentou a heresia de Pelágio, tendo ratificado a condenação deste e de Celestino; defendeu João Crisóstomo. Durante seu pontificado, Roma foi saqueada pelos visigodos de Alarico. Conseguiu que Honório proibisse as lutas de gladiadores. Semipelagianismo Semipelagianismo é uma teoria teológica cristã que trata principalmente sobre a salvação. Ensina basicamente que o ser humano é salvo exclusivamente por Deus mediante a graça, mas que a salvação partiria somente da inciativa da boa vontade no coração do homem para com Deus. Isto é, o homem precisa dar o primeiro passo em direção a Deus e então Deus irá completar o processo da salvação do homem. Esta teoria foi considerada herética pela igreja cristã no Concílio de Orange. O semipelagianismo deriva de outra teoria teológica cristã conhecida como pelagianismo, também considerada herética. No Concílio de Éfeso a igreja condenou a negação de Pelágio a respeito da necessidade e suficiência da graça sobrenatural, e também não decidiu a favor de Agostinho no tocante aos
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pensamentos monergistas. Portanto, mesmo o pelagianismo não sendo mais aceito pela igreja católica e ortodoxa, muitos teólogos migraram para uma posição intermediária entre o monergismo de Agostinho e as obras de justiça defendidas por Pelágio. A intenção era encontrar uma teoria soteriológica que fizesse justiça tanto a soberania da graça, quanto à livre decisão e atuação do homem. João Cassiano, monge de Marselha na França, foi o principal teólogo da controvérsia semipelagiana. Ele nasceu por volta do ano de 360 e ingressou ainda jovem no mosteiro de Belém, na Palestina. Visitou mosteiros no Egito e em outros lugares do Império Romano, depois fundou seu próprio mosteiro em Marselha, no ano de 410. Sua fama na história da igreja é mais como fundador do monasticismo ocidental, do que como teólogo do semipelagianismo. No mosteiro de Marselha estudaram vários teólogos relativamente brilhantes e o local se transformou no principal foco de oposição à teoria monergística, defendida por Agostinho. A controvérsia semipelagiana terminou no ano de 529 quando houve uma reunião de bispos ocidentais, conhecida como Sínodo de Orange, também chamada de Concílio de Orange. Importante observar que não consta na relação dos concílios ecumênicos, pois houve a participação apenas dos bispos ocidentais. Nesse concilio os bispos católicos condenaram os principais aspectos do semipelagianismo. Importante observar que ocorreram dois Concílios de Orange o primeiro no ano 441 e o segundo no ano de 529. Arminianismo Jacó Armínio (James Arminius, Jacob Harmenszoon; 10 de outubro de 1560 – 19 de outubro de 1609) foi um teólogo neerlandês que sistematizou a predestinação restrita. A partir de 1603 também foi professor de teologia na Universidade de Leiden. Armínio era um distinto pastor e professor holandês, cuja formação teólogica havia sido profundamente calvinista. De fato, boa parte de seus estudos ocorreram em Genebra, sob direção de Theodore Beza, o sucessor de João Calvino nessa cidade. Voltando aos Países Baixos, ocupou um importante púlpito em Amsterdão e logo sua fama se tornou grande. Devido a sua fama e ao seu prestígio como estudioso da Bíblia e da teologia, os dirigentes da igreja de Amsterdão lhe pediram que refutasse as opiniões do teólogo Dirck Koornhet, que havia atacado algumas das doutrinas calvinistas, particularmente, no que se referia à predestinação. Com o propósito de refutar Koornhert, Armínio estudou seus escritos e dedicou-se a compará-los com as escrituras, com a teologia dos primeiros séculos da igreja e com vários dos principais teólogos protestantes. Surge a predestinação restrita mais ocasionada pelo livre-arbítrio humano, do que ocasionada pela vontade soberana de Deus. Diverge, portanto, da predestinação incondicional (calvinista) que ensina que a salvação humana depende de uma "eleição absoluta e soberana" - que depende exclusivamente de Deus: a vontade do homem fica excluída. O Arminianismo é uma escola de pensamento soterológica de dentro do cristianismo protestante, baseada sobre idéias do teólogo reformado holandes Jacó Armínio (1560 - 1609)[1] e seus seguidores históricos, os Remonstrantes. A aceitação doutrinária se estende por boa parte do cristianismo desde os primeiros argumentos entre Atanásio e Orígenes, até a defesa de Agostinho de Hipona do "pecado original." Desde o século XVI, muitos cristãos incluindo os batistas (Ver A History of the Baptists terceira edição por Robert G. Torbet) tem sido influenciados pela visão arminiana. Também os metodistas, os congregacionalistas das primeiras colônias da Nova Inglaterra nos séculos XVII e XVIII, e os universalistas e unitários nos séculos XVIII e XIX.
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O arminianismo segue os seguintes princípios:
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Os seres humanos são naturalmente incapazes de fazer qualquer esforço para a salvação. (veja também graça preveniente) A salvação só é possível pela graça de Deus, a qual não pode ser merecida. Nenhuma obra de esforço humano pode causar ou contribuir para a salvação. A eleição divina é condicional a fé no sacrifício e Senhorio de Jesus Cristo. A expiação de Cristo foi feita em nome de todas as pessoas. Deus permite que sua graça seja resistida por aqueles que livremente rejeitam a Cristo. Os crentes são capazes de resistir ao pecado, mas não estão além da possibilidade de queda da graça através da persistência, sem o arrependimento do pecado.[2]

O termo arminianismo é usado para definir aqueles que afirmam as crenças originadas por Jacó Armínio, porém o termo também pode ser entendido de forma mais ampla para um agrupamento maior de idéias, incluindo as de Hugo Grotius, John Wesley e outros. Há duas perspectivas principais sobre como o sistema pode ser aplicado corretamente: arminianismo clássico, que vê em Armínio o seu representante; e arminianismo wesleyano, que vê em John Wesley o seu representante. O arminianismo wesleyano é por vezes sinônimo de metodismo. Além disso, o arminianismo é muitas vezes mal interpretado por alguns dos seus críticos que o incluem no semipelagianismo ou no pelagianismo, ainda que os defensores de ambas as perspectivas principais neguem veementemente essas alegações.[3] Dentro do vasto campo da história da teologia cristã, o arminianismo está intimamente relacionado com o calvinismo (ou teologia reformada), sendo que os dois sistemas compartilham a mesma história e muitas doutrinas. No entanto, eles são frequentemente vistos como rivais dentro do evangelicalismo por causa de suas divergências sobre os detalhes das doutrina da predestinação e da salvação.[4] História Embora tenha sido discípulo do notável calvinista Teodoro de Beza, Armínio defendeu uma forma evangélica de sinergismo (crença que a salvação do homem depende da cooperação entre Deus e o homem), que é contrário ao monergismo, do qual faz parte o calvinismo (crença de que a salvação é inteiramente determinada por Deus, sem nenhuma participação livre do homem). O sinergismo arminiano difere substancialmente de outras formas de sinergismo, tais como o pelagianismo e o semipelagianismo, como se demonstrará adiante. De modo análogo, também há variações entre as crenças monergistas, tais como o supra-lapsarianismo e o infra-lapsarianismo. Armínio não foi primeiro e nem o último sinergista na história da Igreja. De fato, há dúvidas quanto ao fato de que ele tenha introduzido algo de novo na teologia cristã. Os próprios arminianos costumavam afirmar que os pais da Igreja grega dos primeiros séculos da era cristã e muitos dos teólogos católicos medievais eram sinergistas, tais como o reformador católico Erasmo de Roterdã. Até mesmo Philipp Melanchthon (1497-1560), companheiro de Lutero na reforma alemã, era sinergista, embora o próprio Lutero não fosse. Armínio e seus seguidores divergiram do monergismo calvinista por entenderem que as crenças calvinistas na eleição incondicional (e especialmente na reprovação incondicional), na expiação limitada e na graça irresistível:
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seriam incompatíveis com o caráter de Deus, que é amoroso, compassivo, bom e deseja que todos se salvem. violariam o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem.
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levariam à conseqüência lógica inevitável de que Deus fosse o autor do mal e do pecado.

Contexto histórico Para se compreender os motivos que levaram à aguda controvérsia entre o calvinismo e o arminianismo, é preciso compreender o contexto histórico e político no qual se inseriam os Países Baixos à época. De acordo com historiadores, tais como Carl Bangs, autor de "Arminius: A Study in the Dutch Reformation (1985)", as igrejas reformadas da região eram protestantes, em sentido geral, e não rigidamente calvinistas. Embora aceitassem o catecismo de Heidelberg como declaração primária de fé, não exigiam que seus ministros ou teólogos aderissem aos princípios calvinistas, que vinham sendo desenvolvidos em Genebra, por Beza. Havia relativa tolerância entre os protestantes holandeses. De fato, havia tanto calvinistas quanto luteranos. Os seguidores do sinergismo de Melanchthon conviviam pacificamente com os que professavam o supralapsarianismo de Beza. O próprio Armínio, acostumado com tal "unidade na diversidade", mostrou-se estarrecido, em algumas ocasiões, com as exageradas reações calvinistas ao seu ensino. Essa convivência pacífica começou a ser destruída quando Franciscus Gomarus, colega de Armínio na Universidade de Leiden, passou a defender que os padrões doutrinários das igrejas e universidades holandesas fossem calvinistas. Então, lançou um ataque contra os moderados, incluindo Armínio. De início, a campanha para impor o calvinismo não foi bem sucedida. Tanto a igreja quanto o Estado não consideravam que a teologia de Armínio fosse heterodoxa. Isso mudou quando a política passou a interferir no processo. À época, os países baixos, liderados pelo príncipe Maurício de Nassau, calvinista, estavam em guerra contra a dominação da Espanha, católica. Alguns calvinistas passaram a convencer os governantes dos Países Baixos, e especialmente o príncipe Nassau, de que apenas a sua teologia proveria uma proteção segura contra a influência do catolicismo espanhol. De fato, caricaturas da época apresentavam Armínio como um jesuíta disfarçado. Nada disso foi jamais comprovado. Depois da morte de Armínio, o governo começou a interferir cada vez mais na controvérsia teológica sobre predestinação. O príncipe Nassau destituiu os arminianos dos cargos políticos que ocupavam. Um arminiano foi executado e outros foram presos. O conflito teológico atingiu tamanha proporção que levou a Igreja a convocar o Sínodo Nacional da Igreja Reformada, em Dort, mais conhecido como o Sínodo de Dort, onde os arminianos, conhecidos como "remonstrantes", tiveram a oportunidade de defender seus pontos de vista perante as autoridades, partidárias do calvinismo. As discussões ocorreram em 154 reuniões iniciadas em 13 de novembro 1618 e encerrada em 9 de maio de 1619, cujo o assunto era a predestinação incondicional defendida pelo calvinismo e a predestinação condicional defendida pelo arminianismo. Os arminianos acabaram sendo condenados como hereges, destituídos de seus cargos eclesiásticos e seculares, tiveram suas propriedades expropriadas e foram exilados. Logo que Maurício de Nassau morreu, os calvinistas perderam o seu poder na região e os arminianos puderam retornar ao país, onde fundaram igrejas e um seminário, o qual até hoje existe na Holanda (Remonstrants Seminarium). Em síntese, as igrejas protestantes holandesas continham diversidade teológica, à época de Armínio. Tanto monergistas quanto sinergistas eram ali representados e conviviam pacificamente. O que
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levou a visão monergista à supremacia foi o poder do Estado, representado pelo príncipe Maurício de Nassau, que perseguiu os sinergistas. Para Armínio e seus seguidores, sua teologia também era compatível com a reforma protestante. Em sua opinião, tanto o calvinismo quanto o arminianismo são duas correntes inseridas na reforma protestante, por serem, ambas, compatíveis com o lema dos reformados sola gratia, sola fide, sola scriptura.

Teologia A teologia arminiana geralmente cai em um dos dois grupos - Arminianismo Clássico, elaborado a partir do ensino de Jacó Armínio - e Arminianismo Wesleyano, com base principalmente de Wesley. Ambos os grupos se sobrepõem consideravelmente. Arminianismo Clássico O arminianismo clássico (às vezes chamado de arminianismo reformado) é o sistema teológico que foi apresentado por Jacó Armínio e mantido pelos Remonstrantes[5]; sua influência serve como base para todos os sistemas arminianos. A lista de crenças é dado abaixo:

A Depravação é total: Armínio declarou: "Neste estado [caído], o livre arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, dobrado, e enfraquecido, mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder nenhum exceto como está animado pela graça divina."[6] A Expiação destina-se para todos: Jesus foi para todas as pessoas, Jesus atrai todos a si mesmo, e todas as pessoas têm oportunidade para a salvação pela fé.[7] A morte de Jesus satisfaz a justiça de Deus: A penalidade pelos pecados dos eleitos é pago integralmente através da obra de Jesus na cruz. Assim, a expiação de Cristo é destinado a todos, mas requer fé para ser efetuada. Armíno declarou "Justificação, quando usado para o ato de um juiz, ou é meramente a imputação da justiça através da misericórdia ... ou que o homem é justificado diante de Deus ... de acordo com o rigor da justiça sem perdão."[8] Stephen Ashby esclarece "Armínio considera apenas duas maneiras possíveis em que o pecador pode ser justificado: (1) pela nossa adesão absoluta e perfeita à lei, ou (2) puramente pela imputação da justiça de Deus de Cristo."[9] A graça é resistível: Deus toma a iniciativa no processo de salvação e a sua graça vem a todas as pessoas. Esta graça (muitas vezes chamado de preveniente ou pré-graça regeneradora) age em todas as pessoas para convencê-los do Evangelho, desenhá-los fortemente para a salvação, e permitir a possibilidade de uma fé sincera. Picirilli declarou "Certamente esta graça está tão perto de regeneração que leva inevitavelmente a regeneração se finalmente resistiu." [10] A oferta de salvação pela graça de não agir irresistivelmente em um puramente de causa-efeito, o método determinístico, mas sim em uma de influência e moda resposta que tanto pode ser livremente aceita e livremente negada. [11] O homem tem livre arbítrio para responder ou resistir: O livre-arbítrio é limitado pela soberania de Deus, mas a soberania de Deus permite que todos os homens tenham a opção
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de aceitar o Evangelho de Jesus através da fé, simultaneamente, permite que todos os homens resistam.

A eleição é condicional: Armínio define eleição como "o decreto de Deus pelo qual, de Si mesmo, desde a eternidade, decretou justificar em Cristo, os crentes, e a aceitá-los para a vida eterna."[12] Só Deus determina quem será salvo e sua determinação é que todos os que crêem em Jesus através da fé sejam justificados. Segundo Armínio, "Deus respeita ninguém em Cristo a menos que sejam enxertados nele pela fé". [12] Deus predestina os eleitos, para um futuro glorioso: A predestinação não é a predeterminação de quem vai acreditar, mas sim a predeterminação da herança futura do crente. Os eleitos são, portanto, predestinados a filiação através da adoção, a glorificação, e a vida eterna. [13] A segurança eterna é também condicional: condicional Todos os crentes têm plena certeza da salvação com a condição de que eles permaneçam em Cristo. A salvação está condicionada à fé, perseverança, portanto, também está condicionada.[14] Apostasia (desvio de Cristo) só é cometida por uma deliberada e proposital rejeição de Jesus e renúncia da fé.[15]

Os Cinco Artigos da Remonstrancia que os seguidores de Armínio formularam em 1610 o estado acima de crenças relativas (I) eleição condicional, (II) expiação ilimitada, (III) depravação total, (IV) depravação total e a graça resistível, e (V) possibilidade de apostasia. Note, entretanto, que o artigo quinto não nega completamente a perseverança dos santos, Armínio mesmo, disse que "nunca me ensinaram que um verdadeiro crente pode cair ... longe da fé ... ainda não vou esconder que há passagens de Escritura que parecem-me usar este aspecto, e as respostas a elas que me foi permitido ver, não são como a gentileza de aprovar-se em todos os pontos para o meu entendimento ".[16] Além disso, o texto dos artigos da Remonstrancia diz que nenhum crente pode ser arrancado da mão de Cristo, e à questão da apostasia, "a perda da salvação" é necessário mais estudos antes que pudesse ser ensinada com plena certeza. As crenças básicas de Jacó Armínio e os Remonstrances estão resumidos como tal pelo teólogo Stephen Ashby: 1. Antes de ser chamado e capacitado, alguém é incapaz de crer... somente capaz de resistir. 2. Depois de ter sido chamado e capacitado, mas antes da regeneração, alguém é capaz de crer... também capaz de resistir. 3. Após alguém crer, Deus o regenera, alguém é capaz de continuar crendo... também capaz de resistir. 4. Após resistir ao ponto de descrer, alguém é incapaz de acreditar... só capaz de resistir.''[17] Interpretação dos Cinco Pontos O terceiro ponto sepulta qualquer pretensão de associar o arminianismo ao pelagianismo ou ao semipelagianismo. De fato, a doutrina de Armínio é perfeitamente compatível com a Depravação Total calvinista. Ou seja, em seu estado original o homem é herdeiro da natureza pecaminosa de Adão e totalmente incapaz, até mesmo, de desejar se aproximar de Deus. Nenhum homem nasce com o "livre-arbítrio", ou seja, com a capacidade de não resistir a Deus. O quarto ponto demonstra claramente que é a graça preveniente que restaura no homem a sua capacidade de não resistir à Deus. Portanto, para Armínio, a salvação é pela graça somente e por
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meio da fé somente. Nesse sentido, os arminianos do coração concordam com os calvinistas no sentido de que a capacitação, por meio da graça, precede a fé, e que até mesmo a fé salvadora seja um dom de Deus. A diferença está na compreensão da operação dessa graça. Para os calvinistas, a graça é concedida apenas aos eleitos, que a ela não podem resistir. Para os arminianos, a expiação por meio de Jesus Cristo é universal e comunica essa graça preveniente a todos os homens; mas ela pode ser resistida. Assim como o pecado entrou no mundo pelo primeiro Adão, a graça foi concedida ao mundo por meio de Cristo, o segundo Adão (conforme Romanos 5:18, João 1:9 etc.). Nesse sentido, os arminianos entendem que I Timóteo 4:10 aponta para duas salvações em Cristo: uma universal e uma especial para os que creem. A primeira corresponde à graça preveniente, concedida a todos os homens, que lhes restaura o arbítrio, ou seja, a capacidade de não resistir a Deus. Ela é distribuída a todos os homens porque Deus é amor (I João 4:8, João 3:16) e deseja que todos os homens se salvem (I Timóteo 2:4, II Pedro 3:9 etc.), conforme defendido no segundo ponto do arminianismo. A segunda é alcançada apenas pelos que não resistem à graça salvadora e creem em Cristo. Estes são os predestinados, segundo a visão arminiana de predestinação. Portanto, embora a expressão "livre-arbítrio" seja comumente associada ao arminianismo, ela deve ser entendida como "arbítrio liberto" ou "vontade liberta" pela graça preveniente, convencedora, iluminadora e capacitante que torna possíveis o arrependimento e a fé. Sem a atuação da graça, nenhum homem teria livre-arbítrio. Ao contrário dos calvinistas, os arminianos creem que essa graça preveniente, concedida a todos os homens, não é uma força irresistível, que leva o homem necessariamente à salvação. Para Armínio, tal graça irresistível violaria o caráter pessoal da relação entre Deus e o homem. Assim, todos os homens continuam a ter a capacidade de resistir à Deus, que já possuíam antes da operação da graça (conforme Atos 7:51, Lucas 7:30, Mateus 23:37 etc.). Portanto, a responsabilidade do homem em sua salvação consiste em não resistir ao Espírito Santo. Este é o coração do sinergismo arminiano, o qual difere radicalmente dos sinergismos pelagiano e semipelagiano. No que tange à perseverança dos santos, os remonstrantes não se posicionaram, já que deixaram a questão em aberto. Citações das obras de Armínio Os textos a seguir transcritos, escritos pelo próprio Armínio, são úteis para demonstrar algumas de suas idéias. …Mas em seu estado caído e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, pensar, desejar, ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser capacitado corretamente a entender, avaliar, considerar, desejar, e executar o que quer que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, visto que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e fazer aquilo que é bom, todavia não sem a ajuda contínua da Graça Divina. Com referência à Graça Divina, creio, (1.) É uma afeição imerecida pela qual Deus é amavelmente afetado em direção a um pecador miserável, e de acordo com a qual ele, em primeiro lugar, doa seu Filho, "para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna," e, depois, ele o justifica em Cristo Jesus e por sua causa, e o admite no direito de filhos, para salvação. (2.) É uma infusão (tanto no entendimento humano quanto na vontade e afeições,) de todos aqueles dons do Espírito Santo que pertencem à regeneração e renovação do homem - tais como a fé, a esperança, a caridade, etc.; pois, sem estes dons graciosos, o homem não é capaz de pensar, desejar, ou fazer
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qualquer coisa que seja boa. (3.) É aquela perpétua assistência e contínua ajuda do Espírito Santo, de acordo com a qual Ele age sobre o homem que já foi renovado e o excita ao bem, infundindo-lhe pensamentos salutares, inspirando-lhe com bons desejos, para que ele possa dessa forma verdadeiramente desejar tudo que seja bom; e de acordo com a qual Deus pode então desejar trabalhar junto com o homem, para que o homem possa executar o que ele deseja. Desta maneira, eu atribuo à graça O COMEÇO, A CONTINUIDADE E A CONSUMAÇÃO DE TODO BEM, e a tal ponto eu estendo sua influência, que um homem, embora regenerado, de forma nenhuma pode conceber, desejar, nem fazer qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação do mal, sem esta graça preveniente e excitante, seguinte e cooperante. Desta declaração claramente parecerá que de maneira nenhuma eu faço injustiça à graça, atribuindo, como é dito de mim, demais ao livre-arbítrio do homem. Pois toda a controvérsia se reduz à solução desta questão, "a graça de Deus é uma certa força irresistível"? Isto é, a controvérsia não diz respeito àquelas ações ou operações que possam ser atribuídas à graça, (pois eu reconheço e ensino muitas destas ações ou operações quanto qualquer um,) mas ela diz respeito unicamente ao modo de operação, se ela é irresistível ou não. A respeito da qual, creio, de acordo com as escrituras, que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida. Extraído de As Obras de James Arminius Vol. I Arminianismo Wesleyano John Wesley foi historicamente o advogado mais influente dos ensinos da soterologia arminiana. Wesley concordou com a vasta maioria daquilo que o próprio Armínio defendeu, mantendo doutrinas fortes, tais como as do pecado original, depravação total, eleição condicional, graça preveniente, expiação ilimitada e possibilidade de apostasia. Wesley, porém, afastou-se do Arminianismo Clássico em três questões:

Expiação – A expiação para Wesley é um híbrido da teoria da substituição penal e da teoria governamental de Hugo Grócio, advogado e um dos Remonstrantes. Steven Harper expõe: "Wesley não colocou o elemento substitucionário dentro de uma armação legal …Preferencialmente [sua doutrina busca] trazer para dentro do próprio relacionamento a 'justiça' entre o amor de Deus pelas pessoas e a aversão de Deus ao pecado …isso não é a satisfação de uma demanda legal por justiça; assim, muito disso é um ato de reconciliação imediato."[18] Possibilidade de apostasia – Wesley aceitou completamente a visão arminiana de que cristãos genuínos podem apostatar e perder sua salvação. Seu famoso sermão "A Call to Backsliders" demostra claramente isso. Harper resume da seuinte forma: "o ato de cometer pecado não é ele mesmo fundamento para perda da salvação … a perda da salvação está muito mais relacionada a experiências que são profundas e prolongadas. Wesley via dois caminhos principais que resultam em uma definitiva queda da graça: pecado não confessado e a atitude de apostasia."[19] Wesley discorda de Armínio, contudo, ao sustentar que tal apostasia não é final. Quando menciona aqueles que naufragaram em sua fé (1 Tim 1:19), Wesley argumenta que "não apenas um, ou cem, mas, estou convencido, muitos milhares … incontáveis são os exemplos … daqueles que tinham caído, mas que agora estão de pé"[20] Perfeição cristã – Conforme o ensino de Wesley, cristãos podem alcançar um estado de perfeição prática. Isso significa uma falta de todo pecado voluntário, mediante a capacitação do Espírito Santo em sua vida. Perfeição cristã (ou santificação inteira), conforme Wesley, é "pureza de intenção; toda vida dedicada a Deus" e "a mente que estava em Cristo, nos capacita a andar como Cristo andou." Isso é "amar a Deus de todo o seu coração, e os outros
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como você mesmo".[21] Isso é 'uma restauração não apenas para favor, mas também para a imagem de Deus," nosso ser "encheu-se com a plenitude de Deus".[22] Wesley esclareceu que a perfeição cristã não implica perfeição física ou em uma infabilidade de julgamento. Para ele, significa que não devemos violar a longanimidade da vontade de Deus, por permanecer em transgressões involuntárias. A perfeição cristã coloca o sujeito sob a tentação, e por isso há a necessidade contínua de oração pelo perdão e santidade. Isso não é uma perfeição absoluta mas uma perfeição em amor. Além disso, Wesley nunca ensinou um salvação pela perfeição, mas preferiu dizer que "santidade perfeita é aceitável a Deus somente através de Jesus Cristo."[21] Arminianismo e outras visões Para compreender o arminianismo é necessário ter compreensão das seguintes alternativas teológicas: pelagianismo, semipelagianismo e calvinismo. Arminianismo, como qualquer outro sistema de crença maior, é freqüentemente mal compreendido tanto pelos críticos quanto pelos futuros adeptos. Abaixo estão listados alguns equívocos comuns. Comparação com os protestantes Esta tabela resume as visões clássicas de três diferentes crenças protestantes sobre a salvação. [23] 'Tema' Arbítrio humano Luteranismo Calvinismo Arminianismo

Depravação total, Depravação total, A depravação não se sem o livre- sem o livreopõe ao livre-arbítrio arbítrio arbítrio Eleição Eleição condicional, Inconditional, incondicional para tendo em conta a eleição somente a salvação e previsão da fé ou para a salvação danação incredulidade

Eleição

Justificação é Justificação de Justificação é limitada para os todas os que possível para todos, eleitos para a mas só se completa Justificação creêm cocluída salvação, na morte de quando alguém concluída na Cristo. escolhe a fé. morte de Cristo. Através dos Sem meios, Envolverá o livre meios de graça, irresistível arbítrio e é resistível resistível

Conversão

Cair da graça é Perseverança dos Conservação sob a de mas santos, uma vez condição Preservação possível, sempre perseverar na fé com e apostasia Deus dá garantia salvo, a possibilidade de de preservação. salvo uma total e definitiva
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apostasia.

Equívocos Comuns

Arminianismo suporta salvação baseada em obras - Nenhum sistema conhecido de arminianismo nega a salvação "somente pela fé" e "pela fé do primeiro ao último". Este equívoco é muitas vezes dirigido contra a possibilidade de apostasia arminiana, que os críticos exigem manutenção contínua das boas obras para alcançar a salvação final. Para os arminianos, no entanto, tanto a salvação inicial e a segurança eterna são "apenas pela fé"; daí "pela fé do primeiro ao último". Crença que a fé é a condição para entrar no Reino de Deus; a incredulidade é a condição para sair do Reino de Deus - não a falta de boas obras.[24]
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Arminianismo é pelagiano (ou semipelagiano), nega o pecado original e a depravação total - Nenhum sistema de arminianismo fundado em Armínio ou Wesley nega o pecado original ou depravação total;[27] tanto Armínio quanto Wesley fortemente afirmaram que a condição básica do homem é tal que ele não pode ser justo, compreender a Deus, ou buscar a Deus.[28]

Muitos críticos do arminianismo, tanto no passado como no presente, afirmam que o arminianismo tolera ou mesmo explicitamente apoia o pelagianismo ou semipelagianismo. Armínio se refere ao pelagianismo como "a grande mentira" e afirmou que "Devo confessar que eu o detesto, do meu coração, as conseqüências [de tal teologia]."[29] David Pawson, um pastor inglês, denunciou a associação como "caluniosa", quando atribuída a doutrina de Armínio ou Wesley.[30] Na verdade a maioria dos arminianos rejeitam todas as acusações de pelagianismo; no entanto, devido principalmente aos adversários calvinistas,[31] [32] os dois termos permanecem entrelaçados no uso popular.

Arminianismo nega o pagamento substitutivo de Jesus pelos pecados - Tanto Armínio quanto Wesley acreditavam na necessidade e suficiência da expiação de Cristo por meio da substituição.[33] Armínio declarou que a justiça de Deus foi satisfeita individualmente[34] enquanto Hugo Grotius e muitos dos seguidores de Wesley ensinaram que Deus foi satisfeito governamentalmente.[35]

Comparação com o Calvinismo Desde sempre, Armínio e seus seguidores se revoltaram contra o calvinismo no início do século XVII, a soteriologia protestante tem sido amplamente dividida entre calvinismo e arminianismo. O extremo do calvinismo é o hipercalvinismo, que insiste que os sinais da eleição devem ser procurados antes de evangelização do inregenerado ocorrer e que os eternamente condenados não têm a obrigação de se arrepender e crer, e o extremo do arminianismo é o pelagianismo, que rejeita a doutrina do pecado original em razão da responsabilidade moral, mas a esmagadora maioria dos protestantes, pastores evangélicos e teólogos se prendem a um destes dois sistemas ou em algum lugar entre eles. Similaridades

Depravação total – arminianos concordam com os calvinistas sobre a doutrina da depravação total. As diferenças ficam na compreensão de como Deus medica a depravação humana.
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Efeito substitucionário da expiação – arminianos também afirmam como os calvinistas o efeito substitucionário da expiação de Cristo e que esse efeito está limitado somente ao eleito. Arminianos clássicos concordam com os calvinistas que esta substituição foi uma satisfação penal por todo o eleito, enquanto a maioria dos arminianos wesleyanos sustentam que a substituição foi em natureza governamental.

Diferenças

Natureza da eleição – arminianos defendem que a eleição para salvação eterna está ligada a condição da fé. A doutrina calvinista da eleição incondicional declara que a salvação não pode ser ganhada ou alcançada e, portanto, não depende de qualquer esforço humano, de modo que a fé não é uma condição de salvação, mas os meios divinos para isso. Em outras palavras, arminianos acreditam que devem sua eleição a sua fé, enquanto que os calvinistas acreditam que devem sua fé a sua eleição. Natureza da graça – arminianos acreditam que através da graça de Deus, é restaurado o livre-arbítrio concernente a salvação da toda a humanidade, e que cada indivíduo, portanto, é capaz de aceitar o chamado do Evangelho através da fé ou resistí-la através da incredulidade. Calvinistas defendem que a graça de Deus que permite a salvação é dada somente ao eleito e que irresistivelmente o conduz a salvação. Extensão da expiação – arminianos, juntamente com os quatro pontos calvinistas ou amiraldiano, defendem uma tiragem universal e extensão universal da expiação em vez da doutrina calvinista que a tiragem e expiação é limitado em extenção somente aos eleitos. Ambos os lados (com a exceção dos hipercalvinistas) acreditam que o convite do Evangelho é universal e que "deve ser apresentado a todo o mundo, [eles] podem ser alcançados sem qualquer distinção."[36] Perseverança na fé – arminianos acreditam que a salvação futura e a vida eterna está segura em Cristo e protegida de todas as forças externas, mas é condicional sobre permanecer em Cristo e pode ser perdida através da apostasia. Calvinistas tradicionais acreditam na doutrina da perseverança dos santos, que diz que porque Deus escolheu alguns para a salvação e efetivamente paga por seus pegados particulares, Ele os conserva da apostasia e que aquels que apostataram nunca foram verdadeiramente regenerados (que é, novo nascimento). Calvisnistas não tradicionais e outros evangelicais defendem uma similar, mas diferente doutrina de segurança eterna que ensina, se uma pessoa já foi salva, sua salvação nunca pode estar em perigo, mesmo se a pessoa abandone completamente a fé. Pedro de Bruys (Petrobrusianismo)

Pedro de Bruys (também conhecido como Pierre De Bruys ou Pedro Bruis, fl. 1117 - c.1131) foi um herege francês que pregava doutrinas contra as crenças da Igreja Católica . Uma multidão enfurecida ele matou por volta do ano 1131 . A informação disponível sobre Pedro de Bruys vem de duas fontes, o tratado de Pedro, o Venerável contra os seus seguidores e uma passagem escrita por Pedro Abelardo . Vida e Doutrina Algumas fontes sugerem que Pedro nasceu em Bruis , no sudeste França . Em sua infância nada se sabe, apenas que era um padre católico que foi destituído de seu trabalho para ensinar as doutrinas heterodoxas. começou pregação na Dauphine e Provence provavelmente entre 1117 e 1120. Os bispos da diocese vizinha Embrun , Die , e Gap proibido os seus ensinamentos em suas jurisdições. Apesar da repressão do governo, as doutrinas de Pedro ganhou adeptos em Narbonne , Toulouse e na Gasconha .
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Pedro de Bruys admitiu a autoridade dos Evangelhos em sua interpretação literal. O resto do Novo Testamento , parece ter sido considerado inútil, como Pedro duvidou sua origem apostólica. relegado a epístolas do Novo Testamento para um valor médio, eles não vêm de Jesus Cristo , mas os homens não são de origem divina . Ele rejeitou o Antigo Testamento , a autoridade dos Padres da Igreja Católica em si. O seu desprezo pela Igreja foi prorrogado para o clero. Bruys Pedro pregou o exercício da violência física contra os padres e monges, orações que foram respondidas pelos seus seguidores, conhecidos como Petrobrusians. O Petrobrusians também se opôs ao celibato do clero. Tratado de Pedro, o Venerável Pedro, o Venerável , também conhecido como Pedro de Montboissier, foi um abade que se tornou uma figura popular na igreja, um conhecido estudioso e internacionalmente conectada com muitos nacionais e líderes religiosos do seu dia. Ele foi também um escritor religioso popularidade. No prefácio de seu tratado contra Pedro de Bruys disse erros as cinco lições Petrobrusians considerado. O primeiro erro foi a rejeição das crianças, antes que eu soubesse, poderia ser salvo pelo batismo ... de acordo com o Petrobrusians, só a fé individual, juntamente com o batismo pode salvar a alma, pois Deus diz que aquele que crê e for batizado será salvo, mas quem não será condenado. Esta era contrária aos ensinamentos da igreja, onde o batismo infantil desempenhou um papel essencial na salvação. Esta crença deriva dos ensinamentos dos primeiros cristãos, com base nas palavras do Evangelho de João : "Em verdade, em verdade vos digo: que nasce da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. " O segundo erro foi que o Petrobrusians disse que não se deve construir templos ou igrejas, e também são creditados com o ensino que é supefluo construí-los com a igreja de Deus não está em uma infinidade de pedras unidas, mas a unidade dos crentes . Os pensadores ortodoxos acreditavam que as catedrais e igrejas glorificaram a Deus, por isso convinha que estes edifícios eram tão grandes e bonitas como a riqueza ea capacidade de crentes poderia tornar possível. O terceiro erro enumerados por Pedro, o Venerável, que foi Petrobrusians exortava os fiéis a "destruir e queimar a cruz , porque dessa forma ou instrumento pelo qual Cristo foi torturado cruelmente assassinado, não é digno de adoração, um culto ou súplica mas a vingança de seus tormentos e da morte e deve ser tratado com desonra, o corte com espadas e queimado no fogo. " Esta posição foi considerado extremo. O símbolo da cruz estava associada com o cristianismo desde os primeiros anos. O quarto erro, sempre de acordo com Pedro, o Venerável, foi que o Petrobrusians rejeitado a graça sacramental, incluindo a doutrina da transubstanciação . Bruys Pedro pregou que Cristo não nasceu da carne e nunca sofreram ou morreram. Por conseguinte, a Eucaristia não tinha sentido. "rejeitar não somente verdadeiro corpo e sangue do Senhor, oferecido diariamente e constantemente na igreja através do sacramento, mas também que não há nada de especial, e não deve oferecido a Deus. Eles dizem: "Ah, gente, não acreditam em bispos, sacerdotes ou clérigos que seduzi-lo, que, como em muitas coisas, tanto em seu escritório como o altar, eu trapacear quando eles falsamente professam o corpo de Cristo e declará-la dadas para salvar as vossas almas "." A crença na transubstanciação, o termo usado para descrever a mudança do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo, foi usado pela primeira Hildeberto de Lavardin redor 1079. A idéia foi rapidamente sendo aceita como doutrina ortodoxa em tempos de Pedro de Bruys. Em menos de dois séculos, em 1215, o IV Concílio de Latrão usou a palavra "transubstanciação" para falar sobre a mudança que ocorre na Eucaristia.
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O quinto erro foi que "ridicularizavam os sacrifícios, orações, esmolas e outras boas obras dos crentes mortos-vivos para os crentes, e dizer tais coisas não podem ajudar os mortos ou menos ... As boas obras da vida não pode beneficiar os mortos, pelos seus méritos nesta vida não pode ser aumentada ou diminuída, para além desta vida não há espaço para o mérito, apenas para pagar. Nem pode um homem esperar ninguém morreu enquanto vivia no mundo não é obtida. Então, essas coisas que fazem a vida para os mortos são em vão porque são mortais passar através da morte de toda a carne para o estado do mundo futuro, e levar com eles todos os seus méritos, que não pode acrescentar nada . Morte e legado Conforme relatado Pedro o Venerável, os cruzamentos foram o desprezo dos Petrobrusians. Pedro de Bruys disse que não só merece reverência, mas para ser queimado. Cerca de 1131, Peter queimados publicamente cruzes em St Gilles , perto de Nîmes . A população local, indignados com o sacrilégio, se inflamaram em sua própria pilha. Henrique de Lausanne , um ex-monge de Cluny , fez aulas de 1135 e espalhou Petrobrusians uma forma modificada da mesma depois de sua morte. Os ensinamentos de Pedro de Bruys seguido condenado pela Igreja Católica Romana. Menção especial merece a condenação do II Concílio de Latrão , em 1139. Os discípulos de Henrique de Lausanne foram chamados enricianos. Ambos começaram enricianos Petrobrusians como extinta em 1145, ano em que Bernardo de Claraval começou a pregar um retorno à ortodoxia romana no sul da França. Pouco depois de Henrique de Lausanne foi preso, levado perante o bispo de Toulouse e, provavelmente, condenados à prisão perpétua. Em uma carta ao povo de Toulouse, sem dúvida, escrito no final de 1146, Bernardo pediu que remover os últimos vestígios da heresia. No entanto, em 1151 havia ainda enricianos em Languedoc . Naquele ano, o monge beneditino e cronista Inglês Matthew Paris informou que uma jovem mulher que alegou ter recebido a inspiração da Virgem Maria tinha feito muitos discípulos de Henrique de Lausanne. Ambas as seitas desapareceram dos registros históricos após este data. Há evidências de que Pedro Waldo ou qualquer outra figura religiosa depois que eles foram diretamente influenciados por Pedro de Bruys. Suas opiniões radicais sobre o Velho Testamento e as epístolas do Novo impedir que ele seja um antecessor espiritual de figuras protestantes , como Martinho Lutero e John Smyth . Apesar disso, Pedro de Bruys é considerado um profeta da Reforma por alguns protestantes. Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. ↑ um b c d e f g h O Dicionário Oxford da Igreja Cristã, 3 ª edição. EUA: Oxford University Press. 13 de março de 1997. pp 1264. ISBN 0 a 19 211655-X . ↑ um b c d e f g h i " Petrobrusians . "Enciclopédia Católica. Robert Appleton Companhia (1911). Página visitada em 22/08/2007. ↑ " Pedro, o Venerável . "Enciclopédia Católica. Robert Appleton Companhia (1911). Página visitada em 22/08/2007. ↑ um b c d e Pedro de Cluny. Patrologia Latina, vol. 189: Tractatus Petrobrussianos Contra. -Paul Migne, Jacques. pp 720-850. ↑ pode. 849, CIC 1983 ↑ João 3:5 ↑ Swaan, Wim. Arte e Arquitetura da Idade Média tardia, Livros Omega, ISBN 0-90785335-8
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George Fox teve um importante papel na fundação da Sociedade Religiosa dos Amigos. Quaker (também denomidado quacre) é o nome dado a vários grupos religiosos, com origem comum num movimento protestante britânico do século XVII. Os quakers são chamados também de Sociedade Religiosa dos Amigos (em inglês: Religious Society of Friends), ou simplesmente Sociedade dos Amigos. Eles são conhecidos pela defesa do pacifismo e da simplicidade. Estima-se que haja 360.000 quakers no mundo, sendo a maior parte da África; o Quênia tem a maior comunidade quaker.[1] Criado em 1652, pelo inglês George Fox, o Movimento Quaker pretendeu ser a restauração da fé cristã original, após séculos de apostasia; eles se chamavam de "Santos", "Filhos da Luz" e "Amigos da Verdade" – donde surge, no século XVIII, o nome "Sociedade dos Amigos". A Sociedade dos Amigos reagiu contra o que considerava abusos da Igreja Anglicana, colocando-se como "sob a inspiração directa do Espírito Santo". Os membros desta sociedade, ridicularizados no século XVII com o nome de quakers (inglês para "tremedores"), que a maioria adota até hoje, rejeitam qualquer organização clerical, para viver no recolhimento, na pureza moral e na prática activa do pacifismo, da solidariedade e da filantropia. Perseguidos na Inglaterra por Carlos II, os quakers emigraram em massa para os Estados Unidos, onde, em 1681, criaram, sob a égide de William Penn, a colónia da Pensilvânia. Em 1947, os comités ingleses e americanos do Auxílio Quaker Internacional receberam o Prêmio Nobel da Paz. Crenças Os Quakers, apesar de rejeitarem um credo formal, crêem em:
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Sentir Deus – todo indivíduo é capaz de sentir Deus directamente, sem intermediário algum. Todos têm uma Luz Interior: o Espírito Santo, que guia o indivíduo quando este se converte e aceita essa voz. Bíblia – tradicionalmente os quakers aceitaram Cristo como a Palavra (Logos) Divina e a Bíblia seria o testemunho dessa Palavra. Alguns quakers têm-na como única influência. Simplicidade – os quakers adoptam modos de vidas simples: sem valorizar roupas caras, distinção de classe social, títulos honoríficos ou gastos desnecessários. Igualdade – existe um forte senso de igualitarismo, evitando discriminação baseada em sexo ou raça. (Os quakers foram notáveis abolicionistas e feministas). As mulheres tiveram direitos iguais e participação dos cultos quakers desde o século XVIII. Honestidade – recusam jurar, conduzir negócios obscuros, actividades anti éticas. Ação Social – organizações como o Greenpeace e a Amnistia Internacional foram fundadas pelos quakers e são influenciadas pela ideologia da Sociedade dos Amigos; Pacificismo – os quakers se recusam a usar armas e violência, mesmo em defesa alheia.

Culto Existem duas formas de culto nas Reuniões da Sociedade Religiosa dos Amigos: O Culto Programado, que se assemelha a qualquer outro culto protestante tradicional: conduzido por um ministro, com hinos, orações e leituras da Bíblia. A outra forma é o tradicional Culto Silencioso ou não-programado, em que os quakers se reúnem e esperam que alguém se sinta guiado pelo Espírito Santo para exortar, ler a Bíblia, dar um testemunho, orar, cantar. Às vezes um culto não-programado pode passar sem ter manifestação alguma, sendo uma hora de silêncio e meditação. Rejeitando qualquer forma exterior de religião, os quakers não praticam o batismo com águas nem a Santa Ceia, diferentemente da maioria das denominações cristãs. Crêem que o indivíduo seja batizado "com fogo" (pelo Espírito Santo), falando na consciência; e relembram a obra de Cristo dando graças em toda refeição. Os quakers surgiram na Inglaterra, em 1647, como uma dissidência da Igreja Anglicana. Inicialmente, a denominação escolhida pelo fundador do movimento, o sapateiro George Fox, foi Sociedade dos Amigos, inspirada no texto do Evangelho de João 15, 14: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando". Na prática, porém, os seguidores ficaram conhecidos como quakers: o termo é derivado do verbo 'to quake' - estremecer, em inglês -, em alusão ao que ocorria com os adeptos quando tocados pelo Espírito Santo em suas reuniões. Um dos pilares da fé dos quakers é a crença de que Cristo está presente sempre que os "amigos" se reúnem em silêncio. Como uma das conseqüências disso, dispensam a figura de líderes ou mediadores. "Os quakers notabilizaram-se por crer na manifestação de Deus por meio de uma voz interior. Assim, todos os crentes são considerados ministros em potencial", afirma o pesquisador Douglas Nassif Cardoso, da Universidade Metodista de São Paulo. "Representam uma posição completamente diferenciada, contrários tanto ao Catolicismo quanto ao Protestantismo. Era uma terceira linha que valorizava o contato direto com Deus." Rejeitando qualquer organização clerical, viviam em recolhimento e pregam a prática do pacifismo, da solidariedade e da filantropia. Com o objetivo de garantir sua pureza moral, também defendiam atitudes, digamos, nada moderadas: recusavam-se a pagar dízimos à igreja oficial, a prestar
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juramento diante dos magistrados nas cortes ou a homenagear autoridades, incluindo o rei. Negavam-se ainda a prestar o serviço militar e a tomar parte nas guerras. Devido a esse posicionamento radical, os quakers sofreram perseguições na Inglaterra e, no século 17, migraram paara a América do Norte, principalmente para os Estados Unidos. Inspirados na crença os quakers não têm da solidariedade de que Deus está presente no íntimo de cada um, líderes religiosos e pregam o recolhimento e a prática

Na então colônia inglesa, mantiveram sua postura extremada, que se refletia, também no modo de se vestir. Os fiéis, por exemplo, distinguiam-se por usar longos chapéus pretos em locais fechados ou na presença de autoridades, como um meio de mostrar que não reverenciavam ninguém além de Deus. Ao longo dos anos, porém, o uso da peça se perdeu e a figura tradicional do religioso quaker ficou apenas na história, ou nas embalagens dos alimentos da empresa americana Quaker, que se inspirou na imagem, apesar de não ter relação com a crença. "Valorizamos a simplicidade e, por isso, usamos roupas baratas, práticas e discretas. Mas participamos da cultura do século, e não há nada que chame a atenção na vestimenta de um quaker moderno em relação às outras pessoas", diz o americano Chel Avery, diretor interino do Centro de Informações Quaker, na Filadélfia. Atualmente, os quakers concentram-se nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra, mas há comunidades em todo o mundo. No Brasil, um grupo se formou na década de 90, mas não vingou. "Reuníamos em São Paulo, mas as pessoas se mudaram e o grupo acabou", conta a americana Linnis Cook, que há 16 anos vive no Brasil e é quaker desde a década de 70. "Mas, no exterior, o movimento continua forte, com tradição em militância social", afirma ela.

Personalidades históricas

William Penn foi um dos quakers deportados da Grã-Bretanha por perseguição religiosa.
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Elizabeth Margaret Chandler, feminista americana, escritora abolicionista. William Penn, empreendedor, filósofo e político americano.
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Frederick W. Taylor, engenheiro americano, teórico da Administração Científica. Thomas Paine, escritor e filósofo americano. Johns Hopkins, filantropo americano, fundador de Johns Hopkins Hospital, Johns Hopkins University e Johns Hopkins School of Medicine. Lucretia Mott feminista, abolicionista, lutou pela reforma presidiária e pela paz. Philip Noel-Baker, defensor do desarmamento, agraciado com o Prêmio Nobel da Paz de 1959. Richard Nixon, ex-presidente dos Estados Unidos. Arthur Stanley Eddington, astrofísico britânico famoso por seu trabalho com a Teoria da Relatividade de Albert Einstein. John Dalton, cientista, criador da Teoria Atômica de Dalton.

Referências 1. ↑ FWCC's map of quaker meetings and churches. Fwccworld.org. Página visitada em 201005-02. Huguenicismo ou Huguenotes Huguenote é a denominação dada aos protestantes franceses (quase sempre calvinistas) pelos seus inimigos nos séculos XVI e XVII. O antagonismo entre católicos e protestantes resultou nas guerras religiosas, que dilaceraram a França do século XVI. Etimologia A origem da palavra "huguenotes" não é clara. Há quem diga que deriva de Besançon Hugues, líder da revolta em Genebra. O biógrafo de João Calvino, Bernard Cottret, afirma que "huguenotes" vem de "confederados" (em francês "Eidguenot", derivado do Suíço-alemão Eidgenossen, ou confederados, expressão designando as cidades e cantões helvéticos partidários da Reforma). Na Genebra do século XVI havia uma rivalidade interna entre os "mamelucos", que eram conservadores e se orientavam favoravelmente à Savóia, e os "confederados" ou Eidguenotes, que eram mais progressivos e enveredaram pelo protestantismo.[1][2] Owen I.A. Roche, no seu livro The Days of the Upright, A History of the Huguenots (New York, 1942), escreveu que "Huguenot" é "uma combinação de flamengo e alemão. Na área flamenga da França, os estudantes que se reuniam em uma casa privada para estudar secretamente a Bíblia eram chamados Huis Genooten (colegas de casa) enquanto na zona alemã e suíça eram chamados Eid Genossen (colegas de juramento), que indicava as pessoas ligadas entre elas sobre juramento. Afrancesado em "Huguenot", muitas vezes usado com tom de desaprovação, a palavra virou, em dois e três seculos de triunfo e de terror, um símbolo de honra paciente e coragem". Outros afirmam que o termo derive do nome de um lugar no qual os protestantes franceses celebravam o próprio culto; esse lugar era chamado "Torre de Hugon" e se encontra em Tours.

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História

Gaspard de Coligny, líder huguenote. O Protestantismo francês iniciou-se com o reformador católico Jacques Lefevre, que iniciou suas pregações em 1514, portanto antes de Lutero. Depois que a Reforma tornou-se pública na Alemanha, atingiu também as massas francesas. Logo, os protestantes franceses passaram a seguir as orientações de João Calvino. O rei Francisco I de França iniciou uma dura perseguição, gerando guerras de religião. O édito de Orléans de 1561 interrompeu a perseguição por alguns anos, e em 17 de Janeiro de 1562, o édito de Saint-Germain reconheceu os seus direitos pela primeira vez. As guerras religiosas em França começaram com um massacre de 1000 Huguenotes em Vassy a 1 de Março de 1562. Em 1572, milhares de huguenotes foram mortos no massacre da noite de São Bartolomeu, e a amnistia foi concedida no ano seguinte. A quinta guerra santa contra os Huguenotes começou a 23 de Fevereiro de 1574 e a perseguição continuou periodicamente até 1598, quando o rei Henrique IV emitiu o édito de Nantes autorizando aos protestante a liberdade religiosa e direitos idênticos aos dos católicos. Huguenotes no Brasil No dia 7 de março de 1557 chegou à baía de Guanabara um grupo de Huguenotes, como parte do reforço pedido pelo católico Nicolas Durand de Villegagnon. Entre as causas apontadas para o fracasso deste estabelecimento francês aprontam-se as disputas religiosas, sendo os franceses derrotados por uma armada portuguesa em 1560. Perseguição e dispersão Luís XIV começou a perseguir os protestantes outra vez, levando muitos à fuga. Ele revogou o Édito de Nantes (supostamente irrevogável) em 1685, tornando o Protestantismo ilegal no Édito de Fontainebleau. Depois disto, muitos Huguenotes fugiram para os países protestantes vizinhos, especialmente para a Prússia, cujo rei Frederico Guilherme (Friedrich Wilhelm) era calvinista (foi educado na Holanda) e lhes deu boas-vindas, na esperança de reconstruir o seu país depauperado pela guerra, despovoado. Muitas das palavras de origem francesa no vocabulário alemão (por exemplo: Portemonaie - porta-moedas - ou Enquete - inquérito) foram introduzidas por estes novos elementos da sociedade da Prússia. Muitos destes novos compatriotas foram alojados em Berlim e nas proximidades. Em 31 de Dezembro de 1687, um grupo de Huguenotes velejou desde França em direcção ao Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, onde implantaram a cultura da uva e a produção do vinho. A África do Sul é hoje um dos principais produtores de vinho fora da Europa.
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Muitos fugiram para as treze colónias britânicas na América do Norte. Entre eles contava-se um artífice chamado Apollos Rivoire, que mudou o seu nome para Paul Revere e cujo filho, também chamado Paul Revere, foi um famoso líder da revolução americana. Shoreditch, uma zona de Londres, tornou-se a casa para muitos dos refugiados huguenotes em Inglaterra. Eles deram fomento à indústria da tecelagem na zona de Spitalfields. A fábrica de cerveja de Truman surgiu em 1724, apesar de ser então conhecida como Black Eagle Brewery nessa altura. Muitos Huguenotes fugiram da cidade francesa de Tours, o que acabou por significar a ruína das grandes fábricas de seda que eles tinham construído ali. Alguns deles trouxeram os seus talentos para benefício da Irlanda do Norte, onde foram responsáveis pela fundação da grande indústria do linho irlandesa. Le Chambon-sur-Lignon Durante a Segunda Guerra Mundial, a população de Le Chambon-sur-Lignon, no sul da França, na sua maioria constituída por huguenotes, forneceu abrigo e refúgio a entre 3000 e 5000 Judeus. O pastor Andre Trocme foi o líder da comunidade neste esforço. Trocme e trinta e quatro outros residentes da área foram reconhecidos pelo Museu Israelita Memorial do Holocausto Yad Vashem como "Íntegros entre as nações". Referências 1. ↑ Cottret, Bernard. Calvin: A Biography. Grand Rapids, Michigan: Wm. B. Eerdmans, 2000. 0-8028-3159-1 Traduzido para o inglês do original Calvin: Biographie, Edição de JeanClaude Lattès, 1995. 2. ↑ Ver João Calvino para mais pormenores. Nicolaísmo Nicolaísmo (ou Nicolacionismo ou Nicolaitismo) é uma heresia cristã cujos aderentes são chamados de Nicolaítas. A característica pela qual são mais lembrados é a sua posição em relação ao casamento. Segundo alguns autores, eles defendiam a poligamia (ou ter esposas em comum). Também é conhecido como Nicolaíta aquele que defende o casamento do clero. Etimologia Nico significa "conquistar" em grego e laíta significa "pessoas" (ou "povo"); daí, a palavra pode significar "conquistador de pessoas" ou "conquistador das pessoas". Todavia, "Nicolaíta" é , o nome dado aos seguidores do herético Nicolas (grego: Nikolaos) - o nome por si significando "vitorioso sobre as pessoas" (do grego "Nike" - vitória) ou "vitória das pessoas", que teria recebido ao nascer.[1] História A menção mais antiga aos Nicolaítas é no Apocalipse, no Novo Testamento. De acordo com Apocalipse 2:6-15, eles eram conhecidos nas cidades de Éfeso e Pérgamo. Neste trecho, a Igreja de Éfeso é enaltecida por "odiar os feitos dos Nicolaítas, que eu também odeio" e a Igreja de Pérgamo

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é acusada por "abrigar aqueles que tem as doutrinas deles [os Nicolaítas]". Não há nenhuma outra fonte primária para nos dar certeza sobre a natureza desta seita. Diversos pais da igreja, incluindo Ireneu de Lyon, Epifânio de Salamis e Teodoreto mencionam este grupo. Ireneu o discute, mas nada acrescenta ao Apocalipse exceto que "eles levam vidas de indulgências ilimitadas"[2]. Hipólito de Roma diz que o diácono "Nicolau" dos Sete diáconos (veja Atos 6:1) era o autor da heresia e líder da seita[3]. São Vitorino de Pettau (ou Victorinus) diz que eles comiam oferendas dos ídolos[4]. O venerável Beda afirma que Nicolas permitiu que muitos homens se casassem com sua esposa[5]. Eusébio diz que a seita teve vida curta[6]. Tomás de Aquino era da opinião que Nicolas incentivava ou a poligamia ou que os homens tivessem esposas em comum[7]. Interpretação A declaração comum, de que os Nicolaítas suportavam a heresia antinômica de Corinto, não parece ter sido provada. Outra opinião, preferida por alguns autores, é que, por causa do caráter alegórico do Apocalipse, as referências aos Nicolaítas são apenas uma forma simbólica de referência[8]. Nicolaísmo (também é frequentemente citado com referência ao casamento do clero, especialmente em áreas rurais da Inglaterra, onde era geralmente aceito até o século 11. Cyrus Scofield Cyrus Scofield, em seu Notas sobre a Bíblia, seguindo o pensamento dispensacionalista, sugere que os Sete Selos no Apocalipse prenunciam as várias eras da história Cristã e que "Nicolaítas" "referese à primeira forma da noção de ordem clerical, ou 'clero', que depois dividiu igualmente a irmandade entre 'padres' e 'leigos'"[9]. Albert Barnes Sobre os Nicolaítas citados no Apocalipse: Vitringa supõe que a palavra é derivada do grego νικος, vitória, e λαος, pessoas, e que portanto ela está relacionada ao nome "Balaão", como significando tanto "senhor das pessoas" ou "ele venceu as pessoas"; e que, o mesmo efeito foi produzido pelas suas doutrinas quanto pelas de Balaão, que as pessoas eram levadas a fornicar e a se juntarem à adoração de ídolos. Elas poderiam ser chamadas de Balamitas ou Nicolaítas - ou seja, corruptores das pessoas. Mas a isto, podemos contrapor: 1. que isso é forçado e só foi adotado para remover uma dificuldade; 2. de que há inúmeras razões para supor que a palavra aqui utilizada refere-se a uma classe de pessoas que detém este nome e que eram bem conhecidas nas duas igrejas citadas; 3. que, em «Assim tu tens igualmente aos que seguem o ensino dos nicolaítas» (Apocalipse 2:15)[10], eles são claramente diferenciados daqueles que suportam a doutrina de Balaão

— Albert Barnes[11]

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Nicolas O Nicolas de Atos 6:5 é um nativo de Antióquia, um proselitista e um judeu convertido ao Cristianismo. Quando a Igreja ainda estava confinada a Jerusalém, ele foi escolhido pelo conjunto dos discípulos para ser um dos primeiros dentre os Sete Diáconos e ele foi ordenado pelos apóstolos, em cerca 33 dC. Os Nicolaítas, pelo menos até o tempo de Ireneu, alegavam que ele era o fundador da seita. Em Epifânio Epifânio de Salamis, um impreciso autor, relata alguns detalhes da vida de Nicolas, o diácono, e o descreve gradualmente afundando na mais grotesca impureza. e se tornando o originador dos Nicolaítas e outras seitas gnósticas libertinas: “ [Nicolas] tem uma bela esposa e se absteve de relações sexuais imitando àqueles que ele acredita serem devotos de Deus. Ele persistiu nisto por um tempo, mas no fim não conseguiu suportar controlar sua incontinência....Mas por estar envergonhado da sua derrota e suspeitar que tenha sido descoberto, ele se aventurou em dizer "Não terá a vida eterna aquele que não copular todos os dias" [12] — Epifânio, Panarion (Haer., 25.1), Em Clemente de Alexandria Acreditam no relato anterio, pelo menos em parte, Jerônimo e outros escritores do século 4 dC. Porém ele é irreconciliável com a visão tradicionalista dada ao caráter de Nicolas por Clemente de Alexandria, um autor mais antigo e mais criteriosos que Epifânio. Ele diz que Nicolas levou uma vida casta e criou seus filhos na pureza; que numa certa ocasião, tendo sido severamente repreendido pelos apóstolos como um marido ciumento, ele respondeu à acusação oferecendo sua esposa como candidata à esposa de qualquer outro; e que ele tinha o hábito de repetir um ditado que era atribuído ao evangelista Mateus também: "É o nosso dever lugar contra a carne e abusar dela". Suas palavras foram perversamente interpretadas pelos Nicolaítas como dando respaldo às suas práticas imorais. Teodoreto, em seu relato sobre seita, repete o argumento de Clemente, e acusa os Nicolaítas de falsidade ao lidar com o uso do nome do diácono. Louis-Sébastien Le Nain de Tillemont (teólogo francês do século XVII) conclui portanto que, se não o verdadeiro fundador, faltou-lhe sorte pois deu motivo para fundação da seita. Já August Neander (teólogo alemão do século XIX) argumenta que o fundador foi outro Nicolas. Referências 1. ↑ Etymology of the name Nicholas: "masc. proper name, from Gk. Nikholaos, lit. "victorypeople," from nike "victory" + laos "people."" em inglês 2. ↑ Adversus Haereses, I, xxvi, 3; III, xi, 1. 3. ↑ Philosph., VII, xxvi. 4. ↑ St. Victorinus of Pettau, Commentary on the Apocalypse 2.1 5. ↑ Bede, Explanation of the Apocalypse 2.16 6. ↑ H. E., III, xxix. 7. ↑ SCG III.124
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8. ↑ Healy, P. (1911). Nicolaites. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved February 22, 2009 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/11067a.htm 9. ↑ Nicolaitanes 10. ↑ Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia 11. ↑ Barnes New Testament Notes 12. ↑ WILLIAMS, Frank. The Panarion of Epiphanius of Salamis. Leiden; New York; København; Köln: E.J. Brill, 1987. vol. Book I (Sects 1-46). Borborismo De acordo com o Panarion de Epifânio de Salamis (cap. 26) e de Haereticarum Fabularum Compendium Teodoreto, os Borboritas ou Borborianos (também Codianos ou Koddians; no Egito, Fibionitas; em outros países, Barbeliotas, Barbelitas, Secundianos, Socratitas) era uma seita gnóstica libertina que, acredita-se, é descendente dos nicolaítas. A palavra "Borborita" vem do grego Βορβορος, que significa "lama". Por isso, pode ser entendida também como "Os Imundos". Doutrina Eles possuíam alguns livros sagrados. Um deles é o apócrifo 'O Pensamento de Norea' (a lendária esposa de Noé), o Evangelho de Eva, Livros de Seth e o Apocalipse de Adão. Além disso, eles utilizavam tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, embora não acreditassem que o Deus (Sabaoth) do Antigo Testamento fosse a divindade suprema. Ensinavam que existiam oito céus (veja Sete céus, cada um dominado por um Arconte. No sétimo reinava Sabaoth, criador do céu e da terra, o Deus do judeus, represetado para alguns Borboritas na forma de um asno ou um porco. No oitavo céu reinava Barbēlō, a mãe de todos os viventes; o Pai de Tudo, o supremo Deus; e Cristo. Eles negavam que Cristo teria nascido de Maria ou tenha tido um corpo real (vide Docetismo); e também a ressurreição do corpo. Após a morte, a alma humana vaga pelos Sete Céus até que obtém descanso com Barbēlō. O Homem possui uma alma em comum com plantas e animais. De acordo com Santo Agostinho, eles ensinavam que a alma era derivada (emanada) da substância de Deus e, portanto, não poderia ser poluída pelo contato com a matéria. Sacramentalismo sexual Epifânio de Salamis conta que os Borboritas foram inspirados pelo Setianismo e tinham como uma característica particular nos seus rituais elementos de sacramentalismo sexual, incluíndo esfregar de mãos em líquidos corporais ( sangue menstrual e sêmen), e o consumo deles como uma variante à Eucaristia. Eles também eram acusados de extrair fetos de mulheres grávidas para consumi-los, particularmente se a mulher acidentalmente engravidou em relações sexuais relacionadas aos seus rituais. Epifânio de Salamis alega algum conhecimento de primeira mão da seita e ter fugido de algumas mulheres gnósticas, que o repreenderam assim: “ Nós não fomos capazes de salvar este jovem. Ao invés disso, o abandonamos às garras do regente!

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Epifânio de Salamis depois reporta o grupo aos bispos, resultando na expulsão de cerca de 80 pessoas da cidade de Alexandria. Como todas estas histórias sobre os Borboritas vêm de seus oponentes, não é possível saber se elas são verdadeiras ou exageradas. Stephen Gero acredita que são plausíveis e se conectam com mitos gnósticos anteriores[1]. Barbēlō É improvável que eles tenham nomeado a si próprios Borboritas, ainda que isso, seus nomes alternativos e a descrição de suas crenças revelam uma conexão com Barbēlō. Algumas escrituras gnósticas foram chamadas de "Barbeloítas" por causa de sua aparição nelas, como o Apócrifo de João e a Protenóia trimórfica. Este último parece ter passado por uma revisão Setiana. Embora similares, textos totalmente Setianos têm sua própria perspectiva particular - talvez sugerindo que alguns Setianos foram inspirados por escritos Barbeloítas. Estes tratados não mencionam nenhum ritual sexual, mas também nenhum código moral. Protenóia trimórfica descreve o divino como um ser sexual, mas sendo um tratado fortemente esotérico, deixa muito para a imaginação. Se os "Barbelo-gnósticos" fossem libertinos e estes são os seus escritos, então o relato hostil de Epifânio deve ser comparado com os elegantes escritos espirituais que eles produziram. Bibliografia
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Epifânio de Salamis. 'Panarion': Adversus Haereses. [S.l.: s.n.]. Capítulos 25 e 26 Teodoreto. 'Haereticarum Fabularum Compendium'. [S.l.: s.n.].

Ligações externas Este artigo usa texto de The Protestant Theological and Ecclesiastical Encyclopedia (1858) de John Henry Augustus Bomberger e Johann Jakob Herzog, uma publicação agora no domínio público. Referências 1. ↑ GERO, Stephen. Nag Hammadi, Gnosticism, and Early Christianity: With Walter Bauer on the Tigris: Encratite Orthodoxy and Libertine Heresy in Syro-Mesopotamian Christianity (em inglês). Peabody, Ma., USA: Hendrickson Publishers, 1986. Cainismo Os Cainitas eram um grupo gnóstico do século II. Eles reverenciavam a Caim como a primeira vítima do Demiurgo, tido pelos gnósticos como uma divindade intermediária, criador do mundo material, mas abaixo do Deus Todo-Poderoso, que o Cristo ensinou a amar. Para os cainitas, o Deus do Antigo Testamento não podia ser o mesmo Deus proclamado pelo Cristo, pois enquanto este é um Deus piedoso, benevolente, amoroso, aquele é um Deus vingativo e cruel. Recentemente, foi concluída a tradução de um texto atribuído aos cainitas, o Evangelho de Judas, no qual existe um relato conciso do relacionamento entre o Messias e Judas, a quem foi confiada a mais dura de todas as missões: Liberar o Cristo de sua envoltura humana. Encratismo

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Os Encratitas ("auto-controlados") eram uma seita cristão ascética do século II d.C. que proibia o casamento e que aconselhava a abstinência de carne. Eusébio afirma que Tatiano era o criador desta heresia[1]. Supõe-se que sejam estes os gnósticos encratitas que foram admoestados por Paulo em 1 Timóteo 4:1-4[a][2]. História A primeira menção de uma seita cristã com este nome ocorre em Ireneu[3]. Eles foram mencionados mais de uma vez por Clemente de Alexandria[4], que afirma que eles são assim chamados por sua "temperança". Hipólito se refere a eles como "reconhecendo o que é de Deus e de Cristo de maneira similar à Igreja. Porém, sobre seu estilo de vida, eles passam os dias inflados com orgulho."; "se abstendo de comida animal, bebendo apenas água e proibindo o casamento"; "estimados cínicos ao invés de cristãos". Baseando-se nestas afirmações, supõe-se que os encratitas fossem ortodoxos na doutrina e que eles erraram apenas na prática. Orígenes diz que eles não reconheciam as epístolas de Paulo[5]. Encratitas severianos Os Severianos foram uma subdivisão da seita gnóstica dos encratitas. Epifânio de Salamina propõe que o seu líder, Severus, é anterior à Tatiano (fundador do encratismo), mas Eusébio, Teodoreto e Jerônimo afirmam que ele foi sucessor de Tatiano. Os historiadores posteriores dão crédito aos últimos e o silêncio de Ireneu e Hipólito, autores anteriores, reforçam a tese da sucessão. Epifânio atribui ao grupo a crença no bem conhecido Arconte Yaldabaoth, que aparece no sistema ofita como a primeira criatura vinda do Bythos ("Profundidade") e da Ennoia (Sophia). Os severianos acreditavam que ele um grande governante e que dele teria se originado o Diabo que, uma vez lançado à terra na forma de uma serpente, produziu a vinha, cuja forma dos galhos seriam indicação de sua origem. E teria também criado a mulher e a metade de baixo do homem[1]. Um pouco depois desta época, a seita recebeu nova energia com a ascensão de um tal Severus[6], em cuja homenagem os encratitas muitas vezes são chamados de "severianos". Estes encratitas severianos aceitavam a Lei, os Profetas, os Evangelhos, mas rejeitavam os Atos dos Apóstolos e amaldiçoavam Paulo e suas epístolas. Porém, o relato dado por Epifânio sobre os severianos mostra uma tendência gnóstica siríaca ao invés de tendências judaicizantes. Em seu ódio ao casamento, eles chegaram a declarar que as mulheres seriam a obra de Satã, e por seu ódio aos intoxicantes, eles chamaram o vinho de "gotas de veneno da grande Serpente"[7]. Epifânio afirma ainda que estes encratitas eram muito numerosos na Ásia menor, em Pisídia, na Frígia, em Selêucia Isauria, em Panfília, Cilícia e na Galácia. Em Antioquia e no restante da província romana da Síria eles também eram encontrados de forma esparsa. Eles se dividiram em diversas pequenas seitas, das quais os apostolici se destacaram por sua condenação à propriedade privada e os aquarii, que substituíam o vinho pela água durante a Eucaristia. Num édito em 382, Teodósio declarou a sentença de morte para todos os que tomassem o nome de encratitas e aquarianos, e ordenou que Florus, o magister officiarum, realizasse extensivas buscar por estes heréticos, considerados maniqueístas disfarçados. Notas
[a] ^

«Mas o Espírito diz expressamente que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, atendendo a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, mediante a hipocrisia de homens mentirosos, que têm a consciência cauterizada, que proibem o casamento e ordenam a abstinência de alimentos, que Deus criou para serem usados com gratidão pelos
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que crêem e conhecem bem a verdade. Pois toda a criatura de Deus é boa, e nada deve ser rejeitado, se é recebido com gratidão;» (I Timóteo 4:1-4)[8] Referências 1. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: Musanus and His Writings. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 28, vol. IV. 2. ↑ Joseph Mitsuo Kitagawa, Frank E. Reynolds, Theodore M. Ludwig. Transitions and Transformations in the History of Religions (em inglês). [S.l.: s.n.]. 208 p. 3. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Doctrines of Tatian, the Encratites, and others. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 28, vol. I. 4. ↑ Clemente de Alexandria. Stromata: The Greek Philosophy in Great Part Derived from the Barbarians (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 15, vol. I. e Clemente de Alexandria. Stromata: The Tradition of the Church Prior to that of the Heresies (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VII.; Clemente de Alexandria. Paedagogus: On Drinking (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, 33, vol. II. 5. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 65, vol. V. 6. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: The Heresy of Tatian. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. IV. 7. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, 14 8. ↑ Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia Carpocracianismo Carpocraciano é a denominação dada aos seguidores de um movimento gnóstico do século II que professava as doutrinas de Carpócrates de Alexandria. Epífanes, filho de Carpócrates e sua mulher Marcelina, organizaram a seita em Roma sob o pontificado do papa Aniceto. Rejeitavam o Velho Testamento e sustentavam que José é o pai carnal de Jesus. Defendiam a pre-existência das almas para explicar as imperfeições do homem e diziam que nosso fim supremo era nos unir ao Divino. Irineu de Lyon os acusou de praticar magia e os repreendeu duramente. São considerados hereges pela Igreja cristã. Euquitas Os Euquitas ou Messalianos foram uma seita condenada como herética pela primeira vez em um sínodo realizado em 383 d.C. em Side, na Panfília, e cuja ata foi citada por Fócio[1]. O nome "messalianos" vem do siríaco mṣallyānā, que significa "aquele que reza"[2]. A tradução para o grego, εὐχίτης, euchitēs, significa o mesmo. História Originalmente na Mesopotâmia, eles se espalharam para a Ásia menor e a Trácia. O grupo continuou a existir por muitos séculos, influenciando os bogomilos da Bulgária, cujo nome parece ser uma tradução de "messalianos", e, a partir deles, a Igreja Bósnia, os paterenos e os cátaros[3].
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Pelo século XII d.C., a seita já tinha chegado à Boêmia e à Alemanha e, por uma resolução do concílio de Trier (1231 d.C.), foi novamente condenada como herética. Doutrina A condenação da seita por São João Damasceno e por Timóteo de Constantinopla expressou a visão de que a seita abraçava uma espécie de materialismo místico. Entre as crenças da seita estavam: 1. A substância (ousia) da Trindade poderia ser percebida pelos cinco sentidos. 2. O Deus triplo se transformou numa única hipóstase (existência) para que pudesse se unir com as almas dos perfeitos. 3. Deus tomou diferentes formas para poder se revelar aos sentidos. 4. Apenas estas revelações de Deus pelos sentidos conferem a perfeição aos cristãos. 5. O estado de perfeição, liberdade do mundo e paixão é, portanto, atingido apenas pela oração e não pela igreja, nem pelo batismo e nem por nenhum dos sacramentos, que não teriam efeito nas paixões e na influência do mal sobre a alma. Daí o nome da seita, "Aqueles que rezam". Os messalianos ensinaram que uma vez que a pessoa tenha experimentado a substância de Deus, ela estaria livre das obrigações morais e da disciplina eclesiástica[4][5]:p. 16-27. Eles tinham também mestres homens e mulheres, que eles honravam como sendo maiores que os clérigos, os perfecti. Eles foram mencionados nas obras de Fócio, dos patriarcas de Constantinopla Ático (406 - 425 d.C.) e Sisínio (426 - 427 d.C.) e Teodoro de Antioquia[5]:p. 20-23. Como era comum na época, seus detratores os acusaram de incesto, canibalismo e de debocharem da fé cristã (na Armênia, seu nome passou a significar "imundíce")[6], embora atualmente se considere as acusações exageradas[7]. Referências 1. ↑ Acts of the synod of Side against the Messalians (em inglês). Christian Classics Ethereal Library. Página visitada em 12/12/2010. 2. ↑ PAYNE SMITH, Jessie. A Compendious Syriac Dictionary (em inglês). [S.l.: s.n.]. 294, 478 p. 3. ↑ RUNCIMAN, S.. The Medieval Manichee: A Study of the Christian Dualist Heresy (em inglês). Cambridge: [s.n.], 1947. 4. ↑ LOSSKY, Vladimir. The Vision of God. [S.l.: s.n.]. 111-112 p. 5. ↑ a b PLESTED, Marcus. The Macarian Legacy: The Place of Macarius-Symeon in the Eastern Christian Tradition (em inglês). [S.l.]: Oxford Theological Monographs, 2004. 6. ↑ "Messalians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. 7. ↑ Henry Wace e William Smith. A Dictionary of Christian Biography, Literature, Sects and Doctrines (em inglês). [S.l.: s.n.], 1880. 258-261 p. Página visitada em 12/12/2010 Bibliografia
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Vladimir Lossky, The Vision of God, SVS Press, 1997. (ISBN 0-913836-19-2) Marcus Plested, The Macarian Legacy: The Place of Macarius-Symeon in the Eastern Christian Tradition (Oxford Theological Monographs 2004)(ISBN 0199267790) D. Obolensky, The Bogomils: A Study in Balkan Neo-Manichaeism (Cambridge, 1948), reprint New York, 1978

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S. Runciman, The Medieval Manichee: A Study of the Christian Dualist Heresy (Cambridge, 1947) Mandeísmo

Mandeísmo é uma religião pré-cristã classificada por estudiosos como gnóstica. Os mandeístas são assim classificados devido à etimologia da palavra manda em mandeu: conhecimento, que é a mesma palavra gnosis em grego. É considerada uma das religiões gnósticas remanescentes até os dias atuais, junto com o pseudo-gnosticismo de Samael Aun Weor (que alguns segmentos gnósticos não aceitam). Os mandeístas veneram João Baptista como o Messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100.000 adeptos em todo o mundo, principalmente no Iraque. A religião mandeísta tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos gnósticos. Ao invés de um grande pleroma, existe uma clara divisão entre luz e trevas. O senhor das trevas é chamado de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é conhecido como "a grande primeira Vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos". Quando esse ser emanou, outros seres espirituais se corromperam, e eles e seu senhor Ptahil criaram o nosso mundo. A escritura mandeísta mais importante é o Ginza Rba, juntamente com o Qolastā. A linguagem usada por eles é o mandeu, uma sub-espécie do aramaico. Marcionismo Marcião de Sínope (em grego: Μαρκίων Σινώπης, ca. 85 - 160 d.C.) foi um dos mais proeminentes heresiarcas durante o Cristianismo primitivo [1]. Sua teologia (chamada marcionismo), que propunha dois deuses distintos, um no Antigo Testamento e outro no Novo Testamento, foi denunciada pelos Pais da Igreja e ele foi excomungado. Sua rejeição de muitos livros que seus contemporâneos consideravam como parte das escrituras mostrou à Igreja antiga a urgência do desenvolvimento de um cânon bíblico. Vida Hipólito relata que Marcião era filho de um bispo na cidade de Sinope, na província romana do Ponto (atualmente na Turquia). Seu contemporâneo Tertuliano o descreve como um proprietário de barcos[2]. Marcião provavelmente foi consagrado bispo, provavelmente um assistente ou um sufragâneo de seu pai em Sinope[2] Quando encontrou-se com ele, Policarpo de Esmirna chamou-o de "primogênito de satanás" segundo Jerônimo[3]. Epifânio afirma que após um começo como um asceta, ele seduziu uma virgem e foi excomungado por seu pai, fazendo com que ele deixasse a sua cidade natal [4]. Este relato já foi contestado por estudiosos, que o consideraram como "fofoca maliciosa". Mais recentemente, Bart D. Ehrman sugeriu que esta "sedução de uma virgem" seria uma metáfora para a sua corrupção da Igreja cristã, sendo esta a virgem não deflorada [5]. Márcião viajou para Roma em 142-143 d.C.[6]. Nos anos seguintes, Marcião desenvolveu seu sistema teológico e atraiu um grande grupo de seguidores. Ele fez uma notável doação de 200.000 sestércios para a Igreja.
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Quando os conflitos com os bispos de Roma começaram, Marcião organizou seus seguidores em uma comunidade separada. Ele foi eventualmente excomungado pela Igreja de Roma e sua doação foi devolvida. Após sua excomunhão, ele retornou para a Ásia Menor, onde continuou a propalar o marcionismo. Ensinamentos Teologia O estudo das Escrituras judaicas juntamente com outros escritos que circulavam na época da igreja nascente (a maioria foi eventualmente incorporada no Cânone do Novo Testamento) levaram Marcião a concluir que muitos dos ensinamentos de Jesus Cristo eram incompatíveis com as ações de Deus no Antigo Testamento. A resposta dele para este paradoxo foi o desenvolvimento de um sistema dualista por volta do ano 144 d.C.[6]. Esta noção dual de Deus permitiu que Marcião reconciliasse as supostas contradições entre a teologia da Antiga Aliança e a mensagem de Boas Novas. Marcião afirmava que Jesus Cristo era o salvador enviado por Deus Pai, com Paulo como seu principal apóstolo. Ao contrário da nascente igreja, Marcião declarava que o Cristianismo era distinto e oposto ao Judaísmo. Marcião, contrário ao que muitos acreditam, não afirmou que a Bíblia e as escrituras judaicas eram falsas. Ele acreditava e argumentava que ela deveria ser lida de maneira absolutamente literal, provando assim que YHWH não era o mesmo Deus a quem Jesus se referia. Um exemplo: no Gênesis, quando YHWH está andando no jardim do Éden perguntando onde estava Adão, Marcião interpretava isso como se YHWH tivesse literalmente andando através do jardim em alguma forma de corpo físico e que literalmente não sabia onde estava Adão. Ele argumentava que isso provaria que YHWH poderia habitar um corpo físico (algo que o Pai jamais faria) e que YHWH também era capaz de ser ignorante, algo completamente diferente do Pai a quem Jesus se referia. O Deus do Antigo Testamento, o Demiurgo, a Divindade criadora do mundo material seria então uma divindade tribal invejosa dos judeus, cuja Lei representaria a justiça recíproca legalista e que pune a humanidade por seus pecados com sofrimento e morte. Já o Deus a quem Jesus se refere seria um ser completamente diferente, um Deus universal de compaixão e amor e que olha para a humanidade com compaixão e piedade. Marcião afirmava que Jesus era o filho do Deus Pai, mas entendia a encarnação de maneira docética, ou seja, de que o corpo de Cristo era apenas uma imitação de um corpo material. Ele acreditava Cristo na crucificação pagou a dívida de pecado que humanidade tinha, absolvendo-a e permitindo que ela então herdasse a vida eterna[7]. Obras Marcião propôs um cânon bíblico. Porém, seu cânon só tinha onze livros agrupados em duas seções, o Evangelho, uma versão do Evangelho de Lucas[8] e dez cartas do "apóstolo", ou seja, de Paulo, a quem ele considerava como o mais correto intérprete e transmissor da mensagem evangélica de Jesus. Ambas as seções também foram purgadas de elementos relacionados à infância de Jesus, a religião judaica e outros materiais que contestavam a sua teologia dualista. Marcião também produziu uma obra chamada Anthiteses, que contrastava o Demiurgo com o Deus Pai.
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Marcião e o Gnosticismo Marcião é às vezes chamado de o filósofo do Gnosticismo. Em alguns aspectos essenciais, ele propôs ideias que se alinham bem com o pensamento gnóstico. Assim como eles, Marcião argumentava que Jesus era essencialmente um espírito aparecendo aos homens e não totalmente humano.[7]. Porém, o marcionismo conceitualiza Deus de uma maneira que não é totalmente conciliável com o Gnosticismo. Para estes, todos os humanos nascem com uma pequena parte da alma divina alojada dentro de seu espírito (similar à noção da "fagulha divina")[7]. Deus está, portanto, intimamente conectado a uma parte de Sua criação. A salvação é alcançada ao abandonar o mundo físico (que os gnósticos afirmam que é uma ilusão para aprisionar esta parte de Deus) e abraçar estas qualidades divinas que estão dentro de cada pessoa[7]. Já Marcião, contrariamente, afirma que Deus Pai seria um Deus completamente fora do mundo material. Ele não participou da criação do mundo material (uma criação do Demiurgo) e nem tem conexão alguma com ele. Ele intervém para salvar a humanidade por compaixão apenas. Primeiro cânon bíblico Marcião figura entre os primeiros heréticos de renome na história da igreja nascente. Sua interpretação alternativa da vida e ministério de Jesus Cristo ajudou a inspirar a noção de que certas teologias deveriam ser sancionadas como "ortodoxas" e outras, como "heréticas" – um conceito até então desconhecido nos círculos eclesiásticos. Reagindo à popularidade da seita recém-fundada de Marcião, a igreja começou então a sistematizar um conjunto de crenças que seriam consideradas ortodoxas por todo o Cristianismo. Marcião foi o primeiro líder cristão a propor e delinear um cânon bíblico. Ao fazê-lo, ele estabeleceu uma maneira particular de avaliar os textos religiosos que persiste no pensamento cristão até hoje. Após Marcião, os cristãos passaram a dividir os textos entre os que se alinhavam bem com um "régua de medida" (em grego: kanōn) de pensamento teológico aceito, e os que promovem a heresia. Esta bifurcação essencial teve um papel essencial na finalização da estrutura da coleção de obras chamada "Bíblia", uma vez que o ímpeto inicial para finalizar o cânon surgiu justamente da oposição à proposta de Marcião. Legado A igreja que Marcião fundou se expandiu por todo o mundo conhecido na época durante a sua vida e foi uma séria rival para o Cristianismo. Seus aderentes eram fortes o suficiente em suas convicções para manter o extenso poder da igreja por mais de um século. Ela sobreviveu à controvérsia cristã e à desaprovação imperial por muitos séculos[9]. Algumas ideias similares às de Marcião reapareceram entre os bogomilos da Bulgária no século X e entre os cátaros do Languedoque, no sul da França, no século XIII. Referências 1. ↑ Tertuliano. Contra Marcião: Preface. Reason for a New Work. Pontus Lends Its Rough Character to the Heretic Marcion, a Native. His Heresy Characterized in a Brief Invective. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. I. 2. ↑ a b "Marcionites" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
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↑ "De Viris Illustribus - Polycarp the bishop", em inglês. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, XLII, ii. ↑ Bart D. Ehrman,Lost Christianities (em inglês) ↑ a b Tertuliano afirma que os ensinamentos de Marcião começaram 115 anos após a crucificação de Jesus, que ele também afirma ter ocorrido e 26-27 d.C. em Tertuliano. Contra Marcião: Jesus Christ, the Revealer of the Creator, Could Not Be the Same as Marcion's God, Who Was Only Made Known by the Heretic Some CXV. Years After Christ, and That, Too, on a Principle Utterly Unsuited to the Teaching of Jesus Christ, I.e., the Opposition Between the Law and the Gospels. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, vol. I.. 7. ↑ a b c d HARNACK, Adolph. Marcion: The Gospel of the Alien God (em inglês). [S.l.: s.n.], 1924. 8. ↑ TYSON, Joseph B.. Marcion and Luke-Acts: A Defining Struggle (em inglês). [S.l.: s.n.]. contradiz a visão majoritária de que o Evangelho de Marcião seria baseado em Lucas, opinando ao invés disso que o canônico Lucas pode ter sido uma resposta ao Evangelho de Marcião. 9. ↑ Tertuliano. In: Evans, Ernest. Contra Marcião: comments and translation (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press, 1972. ix p. 3. 4. 5. 6. Ligações externas Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público. - Marcião (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Página visitada em 15/01/2011.

Este artigo incorpora texto do verbete Marcion, a 2nd cent. heretic no "Dicionário de Biografias Cristãs e Literatura do final do século VI, com o relato das principais seitas e heresias" (em inglês) por Henry Wace (1911), uma publicação agora en domínio público. Marcionite Research Library (em inglês) Tertullian, De Carne Christi (Latin and English), 1956 (em inglês) EarlyChurch.org.uk on Marcion (em inglês) Versão marcionita de Gálatas (reconstruído) (em inglês) Joseph B. Tyson, Anti-Judaism in Marcion and his Opponents (em inglês)

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O Marcionismo foi uma seita religiosa cristã do século II. Foi uma das primeiras a ser acusada de heresia. História Foi estabelecida por Marcião de Sinope (110-160), filho de um bispo. Propagou-se na Ásia Menor e na antiga Roma, em comunidades que se multiplicaram e constituíram uma vasta rede na bacia do Mediterrâneo. Foi considerada herética e Marcião excomungado em 144.[editar] Características De características gnósticas, tinha base no cristianismo ligado à tradição paulina. Simplificou as cerimónias dos primeiros cristãos, praticando uma moral severa, com interdição ao casamento, jejuns rigorosos, preparação para o martírio e fraternidade austera. O seu corpo doutrinário partia da oposição entre Justiça e Amor, Lei e Evangelho. Rejeitava o Antigo Testamento como ultrapassado, anunciando um cristianismo autêntico baseado na contradição entre dois deuses:
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a Lei, como pregado nas escrituras judaicas; e o Amor, como revelado por Jesus Cristo.

O deus do Amor, compadecendo-se dos homens, resolve libertá-los do jugo da Lei, enviando Jesus ao mundo para morrer e redimir a humanidade. Seguindo o Salvador, os cristão deveriam sofrer as perseguições para merecer a libertação no fim dos tempos, quando o deus do Amor os libertaria eternamente da ferocidade da Lei e da Matéria. Alguns chegaram a julgar que os marcionistas eram Anti-Semitas. A palavra marcionismo é mesmo por vezes usada para referir as tendências anti-judaicas nas igrejas cristãs. A razão para este ressentimento contra os judeus tem a ver com o contexto em que surgiu. Em Roma, naquele tempo, os romanos lembravam-se ainda das guerras romano-judaicas - a primeira entre 66 e 73, que levou à queda do segundo Templo; a segunda sendo a revolta de Kitos (115-117) e a terceira (132-135) a de Simão bar Kokhba (ver Messias). Consequentemente, os judeus eram muito impopulares, muitos eram escravos no Império Romano e eram inclusivamente atirados aos leões no Coliseu de Roma.
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Naassenos Os Naassenos ou Naasseni (do hebraico ‫ נח‬naḥash ou naas, "serpente") eram os membros de uma seita gnóstica surgida por volta do ano 100 d.C. Os Naassenos alegavam que suas doutrinas lhes haviam sido passadas por Mariamne, uma discípula de Tiago, o Justo[1]. É possível que o nome seja um portmanteau de "Nasoreano" (Notzrim) e "Essênios"[2] e a retenção da forma hebraica mostra que suas crenças podem representar os primeiros estágios do Gnosticismo. Os naassenos, os setianos, os mandeanos, os peratas e os borboritas são considerados como seitas Ofitas. Porém, Hipólito os considera entre os primeiros a serem chamados simplesmente de "'gnósticos', alegando que somente eles teriam atingido as profundezas do conhecimento." [3]. A narrativa naassena Os naassenos tinham um ou mais livros a partir dos quais Hipólito de Roma cita em sua Philosophumena e que supostamente continham os discursos comunicados por Tiago, irmão de Jesus, à Mariamne. Eles continham tratados de natureza mística, filosófica, devocional e exegética, ao invés de uma exposição cosmológica. O autor (ou autores) é possivelmente grego. Ele de fato se utiliza das palavras hebraicas Naas e Caulacau, mas elas já tinham passado para o vocabulário comum gnóstico a ponto de já ser conhecida inclusive pelos que não sabiam hebraico. Ele mostra grande conhecimento das religiões de mistério das várias nações da época, algo que poderia ser realizado também em Roma, sem nunca deixar a cidade. Primeiro Homem Os naassenos estão em acordo com os outros Ofitas em chamar o primeiro princípio de "Primeiro Homem" e "Filho do Homem", chamando-o em seus hinos de Adamas (Adão):
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O Primeiro Homem (Protanthropos): o ser fundamental antes de sua diferenciação em indivíduos. O Filho do Homem: o mesmo ser após a individualização em coisas reais e, portanto, já afundado na matéria.

Ao invés de, porém, reter o princípio feminino dos ofitas da Síria (província romana), eles representaram o "Homem" como andrógino e, da[o, um dos hinos segue "De ti [vem] Pai e através de ti [vem] Mãe, dois nomes imortais, progenitores de Aeons, Ó habitante dos céus, Homem ilustre". Embora os mitos de um sistema ofita anterior quase não são citados, há um traço de conhecimento dele quando, por exemplo, o mito afirma que Adão surgiu da terra espontaneamente e ali ficou deitado sem respirar, sem se mover, como uma estátua, tendo sido feito à imagem do Primeiro Homem através da obra de diversos arcontes. Como forma de aprisionar o Primeiro Homem, uma alma foi dada à Adão e através dela a imagem do Primeiro Homem superior pôde então sofrer e ser disciplinada em servidão[1].

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Três classes Os Naassenos também ensinavam que este Primeiro Homem era, como Gerion, triplo, contendo em si as três naturezas to noeron ("racional"), to psychikon ("psíquica") e to choikon ("terrena", "mundana"). Declararam que "o princípio da Perfeição é a gnosis do Homem, mas a gnosis de Deus é a Perfeição absoluta"[3]. Que em Jesus as três naturezas se combinaram e através dele falaram às diversas classes de homens. E toda humanidade estava dividida entre os "eleitos", os "chamados" e os "cativos", cada qual ligado respectivamente à uma das naturezas, sendo que a mais alta era a ligada ao racional, o conhecimento, a gnosis[3]. Assim as três classe de homens (e as três igrejas correspondentes) eram:
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Material (os "Cativos") - os pagãos, cativos no domínio da matéria. Psíquica (os "Chamados") - os cristãos ordinários, não iniciados. Espiritual (os "Eleitos") - os membros da seita, familiares com o conhecimento secreto.

Relações sexuais Para os Naassenos, a relação sexual com uma mulher é algo terrivelmente maligno e uma prática desprezível. Segundo Hipólito: “ Isto, ele diz, é o oceano, geração de deuses e geração de homens sempre rondado pelos turbilhões da água, ora correndo para o alto, ora para baixo. Mas ele diz que a geração de homens ocorre quando o oceano corre para baixo, mas quando corre para cima, para a muralha e fortaleza e o penhasco de Luecas, uma geração de deuses ocorre. Isto, ele afirma, é que estava escrito: Eu disse, vocês são deuses e todos filhos do altíssimo; Se vocês se esforçam para fugir do Egito, através do Mar Vermelho em direção ao deserto, ou seja, da relação sexual terrena para a Jerusalém no alo, que é aão dos viventes. Se, porém, novamente você retorna para o Egito, ou seja, para a relação sexual terrena, irá morrer como homem. Pois mortal, ele diz, é toda geração que ocorre abaixo, mas o imortal é gerado acima, pois é nascido da água apenas, e do espírito, sendo espiritual e não carnal. Mas o que nasce abaixo é carnal, ou seja, diz ele, o que está escrito. Aquele que é nascido da carne, é carne, e o que nasceu do espírito é espírito (João 3:6). Isto, de acordo com eles [os naassenos], é a geração espiritual. Isto, ele diz, é o grande Jordão [de Josué 3:7-17] que, correndo (aqui) para baixo, impedindo assim os filhos de Israel de deixarem o Egito - as relações sexuais, pois o Egito é o corpo - Jesus inverteu e o fez correr para cima. — Philosophumena V, 2, Hipólito de Roma[1] Hipólito afirma ainda que os versos de Paulo em Romanos 1:27 contém a chave para todo o sistema naasseno. "Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, inflamaram-se em sua concupiscência uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza" - agora a expressão do que é "torpe" significa, segundo estes naassenos, a primeira e mais abençoada substância, sem forma, a causa de todas as formas das coisas que são moldadas em formatos - "..., e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu desvario"[1].
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É certamente possível que os naassenos percebessem a homossexualidade como um exemplo do conceito de androginia. Carl Jung afirmou: "... tal disposição não deve ser julgada como negativa em todas as circunstâncias, desde que ela preserve o arquétipo do Homem Original, que um ser com apenas um gênero sexual, até certo ponto, perdeu."[4]. Porém, como evidência de qualquer ato "torpe", Hipólito lamenta que, de toda forma, "...eles não foram emasculados e, ainda assim, eles agem como se tivessem sido"[5]. Exegese O autor se utiliza livremente do Novo Testamento. Ele parece ter usado todos os quatro Evangelhos, sendo que o mais utilizado foi o de João. Ele também cita as epístolas paulinas de Romanos, I Coríntios e II Coríntios, Gálatas e Efésios. O Antigo Testamento também é utilizado copiosamente, assim como o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho de Tomé, obras apócrifas. Porém, o que é mais característico é o uso abundante de escritos pagãos, uma vez que o método exegético do autor permite que ele encontre seu sistema em Homero com a mesma facilidade que ele o faz na Bíblia. A serpente Novamente citando Hipólito: “ E que para ela apenas - ou seja, Naas - é dedicado cada um dos templos, todos os ritos iniciatórios e todos os mistérios. E, em geral, que uma cerimônia religiosa não pode ser descoberta sob o céu em que um templo (Naos) não exista e que o templo em si é Naas, de quem ele recebeu a sua denominação de templo (Naos). E eles afirma que a serpente é uma substância úmida, como Tales também, o milesiano, [falou de água como um princípio originador,] e que nada do que existe, mortal ou imortal, animado ou inanimado, poderia existir sem ela. E que todas as coisas estão sujeitas a ela e que ela é boa e que ela tem todas as coisas em si, como no único chifre de um touro com um chifre só. Desta forma, ela atribui beleza e para tudo o que existe de acordo com sua natureza e peculiaridade, como se passando através de tudo, exatamente como [o rio] nascendo do Éden e se dividindo em quatro cabeças." — Philosophumena V, 2, Hipólito de Roma[5] Éden O Jardim do Éden no sistema naasseno é o cérebro e o Paraíso, a cabeça humana, com cada um dos quatro rios (veja Gênesis 2:10 em diante) tendo um significado especial[5]:
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Pisom = Olhos, pois por sua honra entre os demais orgãos e por suas cores, dá testemunho ao que é dito. Giom = Audição, pois é um rio tortuoso, lembrando uma espécie de labirinto. Tigre = Respiração e Olfato, empregando a veloz corrente do rio (como analogia do sentido). Mas ele corre contra o país dos assírios, pois em cada ato de respiração seguido de expiração, o folêgo capturado da atmosfera exterior entra com um movimento mais rápido e com mais força. Pois esta, ele diz, é a natureza da respiração. Eufrates = Boca, através da qual passa a oração para fora e, para dentro, a alimentação. A boca faz feliz, cultiva e forma o Homem Perfeito Espiritual.
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Ofitismo Ofitas (do grego ὄθιανοι > ὄθις = serpente) é um nome genérico para várias seitas gnósticas da Síria e do Egito que se desenvolveram por volta do ano 100 D.C. Estas seitas atribuiam grande importância à serpente mencionada no livro do Genesis como tentadora de Adão e Eva, considerando-a como portadora do conhecimento do Bem e do Mal e portanto como símbolo da gnose.

Fundamentos Segundo os teólogos patrísticos como Orígenes e Ireneu, a essência do doutrina ofita é a crença de que Jeová, o Deus do Antigo Testamento, é uma divindade misantrópica da qual a humanidade deveria ser libertada. Desta forma, a serpente e outros inimigos do Demiurgo se convertem em heróis para os ofitas. Os membros das seitas ofitas passavam por cerimônias de iniciação que incluíam símbolos de purificação, vida, espírito e fogo. O sistema completa da seita parecia combinar ainda elementos do culto à deusa egípcia Ísis, conceitos da mitologia oriental e aspectos da doutrina cristã. Seitas ofitas
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naassenos, do hebraico na'asch = serpente) que consideravam a serpente como o ser supremo setitas, para quem Sete era o patriarca dos espíritos peratas, do griego peras = penetrar cainitas, que viam em Caim seu líder espiritual encratitas, seita fundada por Tatiano; se distinguiam por praticar um ascetismo rigoroso e por opor-se ao matrimônio valentinianos, discípulos de Valentim Valentianismo Valentim (gnóstico)

Valentim (ou Valentino ou Valentinius) c.100 - c.160) foi por algum tempo o teólogo gnóstico do período do cristianismo primitivo de maior sucesso. De acordo com Tertuliano, Valentim foi candidato a bispo e iniciou o seu grupo quando outro candidato foi eleito[1]. Foi muito influente na comunidade Cristã, apesar de seus trabalhos e idéias terem sido considerados como apostasia por volta de 175, mas nunca foi considerado herético. Foi, até à sua morte, um membro respeitado na sua comunidade. Valentim produziu uma grande variedade de obras literárias, mas apenas fragmentos sobreviveram, a maioria na forma de citações nas obras de seus oponentes, mas não o suficiente para reconstruir seu sistema exceto em grandes linhas[2]. Além destes relatos, o pouco que se conhece da sua doutrina é conhecida de forma modificada e já desenvolvida nos trabalhos por seus discípulos[2]. Ele ensinou que existem três tipos de pessoas: as espirituais, as físicas e as materiais; e que apenas
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aquelas com a natureza espiritual (seus próprios seguidores) receberiam a gnosis (conhecimento) que os permitiria retornar ao divino Pleroma, enquanto aqueles com a natureza psíquica (os demais cristãos) obteriam uma forma inferior de salvação, enquanto os de natureza material (pagãos e judeus) estavam condenados a perecer[2][3]. O texto Tratado tripartite é um dos textos atribuídos aos seguidores de Valentim e que expõe essa divisão da humanidade[4]. Valentim tinha um grande grupo de seguidores, os Valentianos[2]. Posteriormente, eles se dividiram em dois ramos: um oriental e outro ocidental (ou italiano). Os marcosianos pertencem ao ramo ocidental[2]. Biografia Segundo Epifânio, Valentim nasceu em Frebonis, no delta do Nilo e foi educado em Alexandria, uma métropole importante no início do cristianismo[5]. É possível que lá ele tenha ouvido o filósofo cristão Basilides e certamente se tornou fluente na filosofia helenista médio platônica e na cultura dos judeus helenizados, como o grande alegorista e filósofo judeu de Alexandria Fílon. Clemente de Alexandria relata que os seguidores de Valentim alegavam que ele fora aluno de Teudas, um pupilo de Paulo[6]. Valentim dizia que Teudas o havia contado a sabedoria secreta que Paulo ensinara apenas ao seu círculo interno, referido publicamente quando ele falava sobre o seu encontro visionário com o Cristo ressucitado (veja Romanos 16:25, I Coríntios 2:7, II Coríntios 12:2-4 e Atos 9:9-10) em que ele teria recebido este conhecimento secreto diretamente Dele. Estes ensinamentos esotéricos estavam em declínio em Roma após a segunda metade do século II dC[carece de fontes?]. Valentim ensinou primeiro em Alexandria e foi para Roma por volta de 136 dC, durante o pontificado do Papa Higino e lá permanceu até o pontificado do Papa Aniceto. Em sua obra Contra os Valentianos, Tertuliano diz: “ Valentim esperava se tornar Bispo, pois ele era um homem habilidoso, tanto no intelecto quanto na eloquência. Indignado, porém, que um outro obteve a honra por causa de uma reivindicação que um confessor havia lhe feito, ele deixou a igreja da fé verdadeira. Assim como outros espíritos (incansáveis) que, quando atribulados pela ambição, são finalmente inflamados pelo desejo de vingança, ele se aplicou com todas as suas forças em exterminar a verdade; e encontrando a pista de uma certa opinião antiga, ele trilhou um caminho para si com a sutileza de uma serpente — Tertuliano, Contra os Valentianos]][1] De acordo com a tradição relatada no final do século IV dC por Epifânio, ele se retirou para Chipre, onde continou a ensinar e atrair seguidores. Ele morreu provavelmente por volta de 160 ou 161 dC[5]. Enquanto estava vivo, Valentim tinha muitos discípulos e seu sistema era o mais difundido entre todas as formas de Gnosticismo, embora, como Tertuliano indicou, ele se desenvolveu em diversas versões, nem todas reconhecendo a dependência dele ("eles fazem questão de repudiar seu nome"). Entre os mais proeminentes discípulos de Valentim, que, porém, não seguia cegamente todas as visões do mestre, estava Bardesanes, invariavelmente ligado à Valentim nas referências mais recentes, assim como Heracleon, Ptolomeu e Marcus[5]. Muitos dos escritos destes gnósticos e um grande número de trechos das obras de Valentim existiam apenas em citações nas obras de seus detratores, até que em 1945, um grande conjunto de obras descobertas na Biblioteca de Nag
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Hammadi revelaram uma versão copta do Evangelho da Verdade, que é o título do texto que, segundo Ireneu[7], era o mesmo que o "Evangelho de Valentim" mencionado por Tertuliano em Contra Todas as Heresias[8]. As idéias de Valentim A essência do pensamento Valentiniano é: A salvação está no auto-conhecimento (a gnose). Com influências, nitidamente, neoplatônicas, desenvolveu uma complexa cosmogonia onde Deus, neste caso, Pai Inefável, está acima do Deus inferior, chamado de Demiurgo, o Pai invisível. Este Inefável, segundo os Gnósticos, é apresentado como um ente amórfico sendo a combinação andrógina da Mente (ou Nous) e pensamento (ou Ennoia ou Epinoia) A Mente é o princípio masculino e o pensamento é o princípio feminino. Na versão Valentiana, o princípio masculino é chamado de Demiurgo e o feminino de Sophia. O Inefável delegou ao Demiurgo o poder criador para que pudesse separar a Luz das Trevas. Já Sophia tem a Gnosis, que o Demiurgo não possui. Em resumo, Demiurgo criou a matéria e Sophia o espírito. O Pleroma seria o grande palco desse jogo cósmico. O Demiurgo, com ciúme de Sophia, tenta subjugá-la e toma-lhe a Gnosis, mas Sophia cria o Pleroma e foge para lá. Na esperança de salvar os seus filhos (os espíritos) do julgo da matéria, envia uma parte da Gnosis, chamada Cristo. O Cristo, na visão gnóstica, é um ente que guia os seres para o abrigo da Pleroma, fugindo da escravidão da matéria através da reencarnação. Lembra um pouco a visão budista da libertação da matéria. Principais obras

O Evangelho da Verdade

Referências 1. ↑ a b Tertuliano. Contra os Valentianos: The Heresy Traceable to Valentinus, an Able But Restless Man. Many Schismatical Leaders of the School Mentioned. Only One of Them Shows Respect to the Man Whose Name Designates the Entire School (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, vol. I. 2. ↑ a b c d e CROSS, F. L., ed.. The Oxford Dictionary of the Christian Church: Artigo Valentinus. Nova Iorque: Oxford University Press, 2005. 3. ↑ Para uma fonte de um opositor, veja Ireneu. Adversus Haereses: The threefold kind of man feigned by these heretics: good works needless for them, though necessary to others: their abandoned morals. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. I. 4. ↑ ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Tripartition of Mankind (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 5. ↑ a b c "Valentinus and Valentinians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.. 6. ↑ Clemente de Alexandria. Stromata: The Tradition of the Church Prior to that of the Heresies (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VII. 7. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Proofs in continuation, extracted from St. John's Gospel. The Gospels are four in number, neither more nor less. Mystic reasons for this. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. III.
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8. ↑ Tertuliano. Contra Todas as Heresias: Valentinus, Ptolemy and Secundus, Heracleon (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, vol. I. O Valentianismo foi um movimento gnóstico, que foi fundado por Valentim no século II. O Valentianismo foi um dos principais movimentos gnósticos. Sua influência foi extremamente difundida, não apenas dentro de Roma, mas também no Egito através da Ásia Menor e Síria, a leste, e Noroeste da África [1]. Mais tarde na história do movimento que se quebrou em duas escolas, uma escola de oriental e uma escola ocidental. Discípulos de Valentino continuaram a ser ativos no século IV, após o Império Romano ser declarado cristão [2]. Valentino e o movimento gnóstico que leva seu nome foram considerados ameaças ao cristianismo por líderes religiosos e estudiosos cristãos, não só por causa de sua influência, mas também por causa de suas doutrinas, práticas e crenças. Gnósticos foram condenados como hereges, e os pais proeminentes da Igreja, como Irineu de Lyon e Hipólito de Roma escreveram contra o gnosticismo. A maioria das evidências para a teoria dos Valentinos vem de seus críticos e detratores, sobretudo Irineu, já que ele estava especialmente preocupado em a refutar o Valentianismo [3]. Referências 1. ↑ Green 1985, 244 2. ↑ Green 1985, 245 3. ↑ Wilson 1958, 133
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Wilson, R. McL. "Valentianism and the Gospel of Truth" in Layton, B., (ed.) The Rediscovery of Gnosticism, (Leiden 1980): 133-45. Thomassen, Einar. The Spiritual Seed: The Church of the Valentinians (Nag Hammadi and Manichaean Studies) (Brill Academic Publishers 2005) Bermejo, Fernando, La escisión imposible. Lectura del gnosticismo valentiniano, Publicaciones Universidad Pontificia, Salamanca, 1998

Livros
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O Fragmento Naasseno (citado por Hipólito como um sumário do sistema naasseno inteiro) O Evangelho da Perfeição O Evangelho de Eva As questões de Maria Sobre os filhos de Maria O Evangelho de Filipe (diferente do Evangelho de Filipe da Biblioteca de Nag Hammadi) O Evangelho de Tomé O Evangelho Grego dos Egípcios

Referências 1. ↑ a b c d Hipólito de Roma. Philosophumena: Naasseni Ascribe Their System, Through Mariamne, to James the Lord's Brother; Really Traceable to the Ancient Mysteries; Their Psychology as Given in the Gospel According to Thomas; Assyrian Theory of the Soul; The Systems of the Naasseni and the Assyrians Compared; Support Drawn by the Naasseni from the Phrygian and Egyptian Mysteries; The Mysteries of Isis; These Mysteries Allegorized by the Naasseni. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. V.
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2. ↑ Robert Eisenman groups them together as related baptismal sects. EISENMAN, Robert. The New Testament Code: The Cup of the Lord, the Damascus Convenant, and the Blood of Christ. [S.l.: s.n.], 2006. 3. ↑ a b c Hipólito de Roma. Philosophumena: Recapitulation; Characteristics of Heresy; Origin of the Name Naasseni; The System of the Naasseni. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V. 4. ↑ JUNG, C. G.. Concerning the Archetypes and the Anima Concept (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: CW 9i, 146 p. 5. ↑ a b c Hipólito de Roma. Philosophumena: Further Use Made of the System of the Phrygians; Mode of Celebrating the Mysteries; The Mystery of the Great Mother; These Mysteries Have a Joint Object of Worship with the Naasseni; The Naasseni Allegorize the Scriptural Account of the Garden of Eden; The Allegory Applied to the Life of Jesus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, vol. V. Ligações externas

Texto completo da Philosophumena de Hipólito de Roma tratando dos Naassenos. Hippolytus, Philosophumena, Livro V: Naasseni, em inglês.

Bibliografia

Este artigo incorpora texto do verbete Gnosticism no "Dicionário de Biografias Cristãs e Literatura do final do século VI, com o relato das principais seitas e heresias" (em inglês) por Henry Wace (1911), uma publicação agora en domínio público. KING, Charles William. The Gnostics and Their Remains. [S.l.: s.n.], 1887. MEAD, G.R.S. Fragments of a Faith Forgotten. [S.l.: s.n.], 1900. MEAD, G.R.S. Thrice Great Hermes: Studies in Hellenistic Theosophy and Gnosis, Volume I. [S.l.: s.n.], 1906 Setianismo

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O Setianismo foi um grupo de antigos gnósticos, que datam sua existência antes do cristianismo. São assim chamados devido à sua veneração à Sete, que teria sido o escolhido de Deus para a promessa de se organizar uma sociedade humana perfeita. Apesar de ter uma origem judaica, suas doutrinas tem uma forte influência do platonismo. No ingles é chamado de Sethianism. As vezes muitos confundem com Set, Deus egípcio, a sua veneração em ingles é chamada de Setianism. Existe um trecho de um texto gnóstico descoberto em 1945 em Nag-Hammadi, no Egito, nomeada "A Revelação de Adão", onde Adão é referido como pai de Seth e que passou todo o conhecimento secreto a ele: "Estas são as revelações que Adão desvelou ao seu filho Seth; e o seu filho ensinou a seus descendentes. Este é o conhecimento secreto que Adão entregou a Seth; é o santo de batismo daqueles que adquirem o conhecimento eterno..." Simonianismo Os Simonianos eram uma seita gnóstica do século II dC que considerava Simão Mago como seu fundador e cujas doutrinas, chamadas Simonianismo, eram também baseadas nos ensinamentos dele. A seita floresceu na Síria, em vários distritos da Ásia Menor e em Roma. No século terceiro,
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remanescentes da seita ainda existiam, como relatado por Orígenes na sua obra Contra Celso e sobreviveram até o século IV dC[1]. Segundo ele: “ Também Simão o samaritano, um mago, desejava roubar alguns [fiéis] com sua mágica. E naquele tempo ele de fato conseguiu com sua fraude, mas agora eu acredito que não seja possível encontrar 30 simonianos ao todo no mundo; e talvez eu tenha colocado um número muito mais alto do que realmente é. Mas na palestina há uns poucos, e nos resto do mundo, onde ele desejava espalhar sua própria glória, seu nome não é mais mencionado. E se é, só acontece por causa dos Atos dos Apóstolos. Sãos os cristãos que dizem o que é dito sobre ele e hoje é claro como a luz do dia que Simão não era nada divino — Orígenes, Contra Celso[2] Quando Justino Mártir escreveu em sua Primeira Apologia[3] em 152 dC, a seita dos simonianos parecia ser formidável, pois ele cita quatro vezes o seu fundador, Simão Mago. [4][5]. Os simonianos também foram mencionados por Hegesipo, reutilizado depois por Eusébio de Cesaréia[6]. Suas doutrinas foram citadas e contra-argumentadas por Ireneu em seu Adversus Haereses[7], por Hipólito em Philosophumena[8] e depois por Epifânio[9]. Orígenes também menciona que alguns da seita eram chamados de Heleniani[10]. A Grande Declaração (Apophasis) Em Philosophumena de Hipólito, a doutrina de Simão é relatada de acordo com sua obra A Grande Declaração e é evidente que o que nos chegou são as opiniões doutrinárias dos simonianos como elas haviam se desenvolvido no século II dC. Como o próprio Hipólito afirma em mais de um lugar[11], o simonianismo é uma forma mais primitiva do valentianismo, com alguns resquícios de aristotelismo e estoicismo. Linhas gerais O livro todo é uma mistura de influências helênicas e hebraicas no qual as mesmas alegorias são aplicadas a Homero, Hesíodo e Moisés. Começando com a afirmação de Moisés que «Pois Jeová teu Deus é um fogo consumidor...» (Deuteronômio 4:24)[12], Simão a combina com a filosofia de Heráclito onde o fogo é o primeiro princípio de tudo. Este primeiro princípio ele chamou de "Poder sem limites" e declarou que ele está dentro dos filhos dos homens, seres nascidos de carne e sangue. Mas o fogo não era tão simples como muitos imaginavam e Simão fez distinção entre suas propriedades escondidas e manifestas, mantendo que as primeiras era a causa das últimas. Como os Estóicos, ele concebeu este fogo como um ser inteligente. Deste ser não-gerado brotou o mundo como conhecemos, por meio do qual existiam seis raízes, cada uma com seus lados de dentro e de fora, organizadas em inglês Esta seis raízes, Mente, Voz, Razão, Reflexo, Nome e Pensamento são também chamadas "Seis Poderes". Misturado com elas estava o grande poder, o "Poder sem Limites". Este é o que "permaneceu, permanece e permanecerá" ("He who has stood, stands, and will stand" em inglês no diagrama). O sétimo poder ("Raíz") corresponde ao sétimo dia após os seis dias da criação. Este sétimo poder existia antes do mundo e é o "Espírito de Deus que pairava sobre as águas" («...mas o espírito de Deus pairava por cima das águas» (Gênesis 1:2)[12]). Ele existe potencialmente em cada um dos filhos dos homens e pode ser desenvolvido em cada um até sua própria imensidão. O
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pequeno pode se tornar grande, o ponto pode ser aumentado ao infinito[13]. Contudo, caberia a cada um desenvolve-lo e é sobre esta responsabilidade que estaria implícita nas palavras «...para não sermos condenados com o mundo» (I Coríntios 11:32)[12]. Pois se a imagem "Daquele que Permanece" não for atualizada em nós, ela não sobrevive à morte do corpo. "O machado", ele disse, "está perto das raízes da árvore: cada árvore que não produzir bons frutos é cortada e atirada ao fogo" (como «O machado já está posto à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, é cortada e lançada no fogo» (Mateus 3:10)[12]). Eden O livro tem também uma fascinante interpretação fisiológica do Jardim do Éden que evidencia um certo conhecimento anatômico por parte se Simão ou seus seguidores. Aqui o Paraíso é o útero e o rio que corre para fora do Éden, o cordão umbilical. “ O umbigo [o cordão umbilical], ele diz, é dividido em quatro canais, pois de cada lado do umbigo [cordão] estão colocados dois dutos de ar para levar a respiração e duas veias para levar o sangue. Mas, ele continua, o umbigo [cordão] saindo do Éden é conectado ao feto nas regiões epigástricas, no que é comumente chamado por todos de umbigo... e as duas veias por onde o sangue flui e é transportado da região Edênica através do que é chamado de portas do fígado [porta hepatis], que alimenta o feto. E os dutos de ar, que dissemos que eram canais para respiração, abraçando a bexiga em cada um dos lados da pelvis, são unidos por um grande duto que é chamado de aorta dorsal.... O todo (do feto) é embrulhando num envelope, chamado âmnio e é alimentado pelo umbigo e recebe a respiração do duto dorsal, como já disse — Simão Mago, A Grande Declaração Os cinco livros de Moisés são representados como os cinco sentidos: 1. 2. 3. 4. 5. Gênesis: Concepção e Visão Êxodo: Nascimento e Audição Levítico: Respiração e Olfato Números: Fala e Paladar Deuteronômio: Síntese e Tato

Fragmento Como o lado feminino do ser original aparece o "pensamento" ou "concepção" (Ennoia), que é "mãe" de todos os Aeons. Há uma passagem mística sobre a unidade de todas as coisas, que lembra o Tablete Esmeralda. “ A vocês, portanto, Eu digo o que eu digo e escrevo o que escrevo. E o que foi escrito é isto. Dos Aeons universais há dois ramos, sem começo e nem fim, brotando de uma única Raiz, que é o Poder invisível, inapreensível Silêncio. Destes ramos, um é manifestado de cima, que é o Grande Poder, a Mente Universal organizando todas as coisas, masculino, e o
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outro, de baixo, o Grande Pensamento, feminino, produzindo todas as coisas. Assim, emparelhando-se com o outro, eles se uniram e manifestaram a Distância do Meio, o Ar incompreensível, sem começo e nem fim. Nele está o Pai que sustenta todas as coisas e que nutre todas as coisas que tem começo e fim. Este é Aquele que permaneceu, permanece e permanecerá, um poder masculino-feminino como o pré-existente Poder sem Limites, que não tem começo e nem fim, existindo em unicidade. Pois é deste que o Pensamento na unicidade ocorreu e se tornou dois. Então ele era um; por ter tido ela em si, ele era um, não porém o primeiro, embora préexistindo, mas sendo manifestado de si para si, ele se tornou segundo. E ele não era chamado de Pai antes de (Pensamento) chamá-lo de Pai. Produzindo, portanto, a si próprio sozinho, ele manifestou para si seu próprio Pensamento, assim também o Pensamento que estava manifestado não fez o Pai, mas contemplando-o escondeu-o - o Poder - nela, e é masculino-feminino, Poder e Pensamento. Daí eles se emparelharam se tornando um, pois não há diferença entre Poder e Pensamento. Das coisas acima se descobriu o Poder, das de baixo, Pensamento. Da mesma maneira também aquele que foi manifestado a partir deles embora seja um é porém encontrado como dois, o masculino-feminino tendo o feminino dentro de si. Assim Mente está em Pensamento - coisas inseparáveis uma da outra que embora sejam um uma são porém duas — Simão Mago, A Grande Declaração[14]. Práticas Os simonianos foram acusados de usar mágica e teurgia, encantamentos e poções do amor; tratar a idolatria com indiferença, reputando-a nem como boa nem como má[15], proclamar que todo sexo era amor perfeito e, de maneira geral, de viver vidas muito desordenadas e imorais. Eusébio[16] afirma que os simonianos são a mais imoral e depravada seita do mundo. De modo geral, dizia-se que eles não acreditavam que nada em si era bom ou mau por natureza: não eram boas obras que faziam dos homens santos no próximo mundo, mas a graça impingida por Simão e Helena naqueles que os seguiam [17] Até o fim, acreditava-se que os simonianos veneravam Simão Mago sob a imagem de Zeus e Helena sob a de Atena. Porém, Hipólito adiciona que "Se algum, vendo as imagens de Simão ou Helena, os chamar por estes nomes, ele é retirado por mostrar ignorância nos mistérios". Daí fica evidente que os simonianos não permitiam que se adorassem diretamente os seus fundadores. Na texto Clementino Reconhecimentos, Helena é chamada de Luna[18], o que pode significar que as imagens seria representações do sol e da lua. Tudo isso, porém, são informações que nos chegaram por relatos de segunda mão dados por oponentes dos simonianos. É discutível se estes detratores iriam fielmente e acuradamente relatar a verdade sobre Simão e seus seguidores, ainda que eles tivessem informação suficiente pra isso.

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Testemunho da Verdade Fora destas fontes patrísticas, os simonianos foram brevemente mencionados no Testemunho da verdade(58,1-60,3)[19] da Biblioteca de Nag Hammadi, uma coleção de manuscritos gnósticos descobertos em 1945 no Egito. O autor aparentemente os incluiu numa longa lista de heréticos[20]: “ Eles [não] concordam entre si. Pois os Si[mo]nianos se casam e tem filhos, mas os ...anos se abstém de suas... natureza ... uma paixão ... as gotas de ... os unge ... que nós ... [Uma linha faltando] ... eles concordam entre si ... ele ... eles ... [Da linha 14 até o final da página, faltando] ... julgamento(s) ... para eles, por causa de ... eles ... os heréticos ... cisma(s) ... e os homens ... são homens ... eles irão pertencer ao mundo dos governantes-terrenos das trevas ... [Uma linha faltando] ... do mundo ... [Uma linha faltando] ... eles tem ... os arcontes ... poder ... [Uma linha faltando] ... julga[-los] ... Mas os ... palavra(s) de ... [Da linha 20 até o final da página, faltando] ” ... falar, enquanto eles ... se tornar ... em um [inapagável] fogo ... eles são punidos. — Testemunho da verdade[19], O tradutor Birger A. Pearson diz que esta passagem provavelmente lida com as práticas de seitas gnósticas libertinas, mas pelo estado fragmentário do texto é impossível saber a que grupos eles se referem. O ascético e decidido autor pode ter não ter tido nenhum outro problema com os simonianos exceto eles se casarem e terem filhos. Porém, Epifânio acusou os simonianos de "se entregarem aos mistérios da obscenidade e - argumentando mais seriamente - nos líquidos corporais (em latim: emissionum virorum, feminarum menstruorum) que deveriam ser coletados para uso em mistérios de uma forma imunda; e que esses seriam os mistérios da vida e a mais perfeita gnosis[21]. Legado Duas outras seitas tinham uma conexão muito próxima com os simonianos, os dositeanos e os menandrianos, provavelmente ramos do simonianismo. Seus nomes são heranças de seus fundadores, Dositeu e Menandro, respectivamente.
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Acredita-se que Dositeu, um samaritano, tenha originalmente sido professor e depois pupilo de Simão Mago. Até pelo menos o começo do século VII dC, Eulógio de Alexandria[22] se opôs aos dositeanos que consideravam Dositeu como o grande profeta previsto por Moisés. Dositeu morreu de inanição[23]. Assim como Simão, Menandro - seu pupilo e, após sua morte, seu mais importante sucessor também proclamou a si mesmo como sendo o enviado de Deus, o Messias. Da mesma forma, ele ensinou sobre a criação do mundo por anjos enviados pelaEnnoia (Sophia). Ele afirmava também que os homens receberam a imortalidade e a ressurreição pelo seu batismo e praticava as artes mágicas. A seita fundada por ele, os Menandrianos, continuaram a existir por um considerável período de tempo. Referências 1. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 57, vol. I. e Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. VI. 2. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 57, vol. I. 3. ↑ Justino Mártir. Primeira Apologia: Magicians not trusted by Christians (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 26, vol. I. 4. ↑ Dictionary of Christian Biography (em inglês). [S.l.: s.n.]. 682 p. vol. 4. 5. ↑ Hastings' Dictionary of the Apostolic Church (em inglês). [S.l.: s.n.]. 496 p. vol. 2. 6. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: Hegesippus and the Events which he mentions (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 22, vol. IV. 7. ↑ Ireneu. Adversus Haereses: Doctrines and practices of Simon Magus and Menander (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, vol. I. 8. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Capítulos sobre Simão Mago (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9-20, vol. VI. e Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Simon Magus (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. X. 9. ↑ Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, 22 10. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 62, vol. V. 11. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: The Hebdomadarii; System of the Arithmeticians; Pressed into the Service of Heresy; Instances Of, in Simon and Valentinus; The Nature of the Universe Deducible from the Physiology of the Brains (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 51, vol. IV. e Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Pythagoras' Cosmogony; Similar to that of Empedocles (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 20, vol. VI. 12. ↑ a b c d Segundo a Tradução Brasileira da Bíblia 13. ↑ Veja Hipólito em referências anteriores, iv. 51, v. 9, vi. 14 14. ↑ MEAD, G.R.S.. Simon Magus (em inglês). [S.l.: s.n.], 1892. 15. ↑ Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. VI. 16. ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: Simon Magus (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 13, vol. II. 17. ↑ Orígenes. De Principiis (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. IV. 18. ↑ Clemente de Roma. Reconhecimentos: Simon Magus: His History / Simon Magus: His Profession (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8 e 9, vol. II. 19. ↑ a b ROBINSON, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Testimony of Truth (Trad. por Søren Giversen e Birger A. Pearson) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2 20. ↑ MEYER, Marvin. The Nag Hammadi Scriptures: The Testimony of Truth (em inglês). [S.l.]: Harper Collins, 2007. 624 p. isbn 978-0060523787 21. ↑ Epif 58. 22. ↑ Em Fócio, "Bibliotheca cod.", 230
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23. ↑ Clemente de Roma. Reconhecimentos: Simon Magus, at the Head of the Sect of Dositheus (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. II.; Orígenes. Contra Celsum (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 57, vol. I.; Epif. XX. Ligações externas
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"Simonians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público. Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público. Encyclopedia Britannica (em inglês). Página visitada em 30/08/2010. The Testimony of Truth (em inglês). Página visitada em 30/08/2010. Schaff's History of the Christian Church, volume II, chapter XI (em inglês). Página visitada em 30/08/2010. Jewish Encyclopedia (em inglês). Página visitada em 30/08/2010.

Monofisismo Monofisismo (em grego monos - "um, único" - e physis - "natureza") é a posição cristólogica de que Cristo tinha apenas uma natureza, sua humanidade tendo sido absorvido pela divindade. É uma visão contrária à calcedoniana, que afirma que Cristo manteve suas duas naturezas. O monofisismo sempre foi considerado herético pela igreja ocidental e pela maior parte da oriental. História O monofisismo e sua antítese, o nestorianismo (uma forma de diofisismo), foram ambos fartamente discutidos e se tornaram fatores de divisão entre os crentes na tradição cristã ainda em amadurecimento na primeira metade do século V d.C., principalmente durante as tumultuadas últimas décadas do Império romano do ocidente, marcadas pelo deslocamento do poder político para o oriente - principalmente a Síria, o Levante e a Anatólia - onde o monofisismo era muito popular entre as pessoas. Há duas grandes doutrinas que podem indiscutivelmente serem chamadas de "monofisitas":

Eutiquianismo afirma que as naturezas humana e divina de Cristo se fundiram em uma única nova singular (mono) natureza: sua natureza humana "dissolveu como uma gota de mel no oceano". Apolinarismo afirma que Cristo tinha um corpo humano e um "princípio vivo" humano, mas que o Logos (Cristo) tinha tomado o lugar do nous, ou "princípio pensante", análogo, mas não idêntico, ao que poderia ser chamando de "mente" hoje em dia.

Após o Nestorianismo, ensinado por Nestório, arcebispo de Constantinopla, ter sido rejeitado no Primeiro Concílio de Éfeso, Eutiques, um arquimandrita em Constantinopla, emergiu com uma visão diametralmente oposta. A energia e imprudência com que ele afirmou suas opiniões causaram-lhe acusações de heresia em 448 d.C., levando à sua excomunhão. Em 449 d.C., no controverso Segundo Concílio de Éfeso (o "Concílio de Ladrões"), Eutiques foi reconduzido ao posto e seus principais oponentes, Eusébio de Dorileia, Domno II de Antioquia e o Flaviano de Constantinopla, depostos. O monofisismo e Eutiques foram novamente rejeitados no Concílio de Calcedônia, em 451 d.C.
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Posteriormente, o monotelismo se desenvolveu como uma alternativa para encerrar o cisma entre a posição monofisita e a calcedoniana, mas ele também foi rejeitada pelos membros de Calcedônia, apesar de ter tido, por vezes, o apoio do imperador bizantino e tendo escapado a condenação de um Papa de Roma, Honório I. O miafisismo, a cristologia da Ortodoxia oriental, é considerada pelas igrejas calcedonianas como uma variação do monofisismo. Porém, as próprias igrejas miafisitas entendem de modo diferente e anatemizaram o monofisismo e Eutiques[1][2]. Diofisismo Diofisismo (em grego: δσοθσζῖηαι), também Difisismo, é um termo teológico utilizado para identificar um particular ponto de vista cristológico sobre o entendimento de como as naturezas humana e divina se relacionam na pessoa de Jesus Cristo. O termo vem do grego e significa literalmente "duas naturezas". Nesta interpretação, se refere às duas naturezas distintas existindo em uma única pessoa, una e singular, de Jesus (união hipostática).

História Diofisismo foi inicialmente utilizado para descrever o nestorianismo, a doutrina de Nestório que afirmava que Cristo existiu como duas pessoas distintas: a humana, Jesus, e a divina, Logos (Cristo), condenada no Primeiro Concílio de Éfeso (431 d.C.). Depois do Concílio de Calcedônia, em 451 d.C., o uso do termo para descrever os que apoiavam a posição calcedoniana (que continua até hoje na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa) era o mesmo que chamá-las de nestorianas, que era exatamente o que acreditavam os opositores do Concílio (não calcedonianos). Os calcedonianos se defendem enfatizando a completa e perfeita unidade das duas naturezas em uma hipóstase. Para os eles, a união hipostática era a questão central para a "unidade" de Jesus (sua humanidade e divindade sendo descritas como "naturezas"), enquanto que para os não calcedonianos, a questão central eram a natureza como o ponto de unidade. Não calcedonianos O termo é utilizado para descrever a posição do Concílio de Calcedônia (451 d.C.), sendo inicialmente aplicado pelos que rejeitaram a posição do concílio e que, por isso, eram ou monofisitas ou miafisitas. São monofisitas os docetistas, que acreditam que Jesus só tinha a natureza humana, e os eutiquianistas, que afirmavam que a natureza humana se "diluiu" na natureza divina como um copo de vinagre no oceano. Já os miafisitas estão numa posição intermediária, afirmando que Jesus tem as duas naturezas, humana e divina, fundidas em uma só. As igrejas ortodoxas orientais, incluindo os coptas, consideram-se miafisitas. Miafisismo Miafisismo (também chamado de henofisitismo) é uma fórmula cristólogica das igrejas ortodoxas orientais e de várias outras igrejas que aderiram somente aos três primeiros concílios ecumênicos. O miafisismo afirma que na pessoa una de Jesus Cristo, Divindade e Humanidade estão unidas em uma única ou singular natureza ("physis"), as duas estão unidas sem separação, sem confusão e sem alteração[1].

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Historicamente, cristãos calcedonianos tem considerado o miafisismo em geral como "agradável" numa interpretação ortodoxa, mas eles, de toda forma, percebem o miafisismo dos não calcedonianos como uma forma de monofisismo. As Igrejas não calcedonianas (Ortodoxas orientais) rejeitam esta caracterização[2]. História O termo "miafisismo" surgiu como uma resposta ao nestorianismo. Como este tem as suas raízes na tradição antioqueana e era contraposta à tradição alexandrina, cristãos na Síria e Egito que queriam se distanciar dos extremos do nestorianismo e desejam manter íntegra a sua posição teológica adotaram este termo para expressar sua posição. A teologia do miafisismo é baseada no entendimento da natureza (em grego: θύζις - physis) de Cristo: divina e humana. Após navegar entre as doutrinas do docetismo (que afirmava que Cristo apenas "parecia ser" humano) e o adocionismo (que Cristo era um homem que foi escolhido por Deus), Igreja começou a explorar o mistério da natureza de Cristo com mais profundidade. Dois pontos de vista em particular causaram controvérsia:

Nestorianismo, que estressava a distinção entre o divino e o humano em Cristo de tal forma que parecia que era duas pessoas vivendo num mesmo corpo. Este ponto de vista foi condenado no Primeiro Concílio de Éfeso, provocando o cisma com a Igreja Assíria do Oriente. Eutiquianismo, que por sua vez estressava a unidade das naturezas de Cristo de tal forma que a divindade consumia completamente a sua humanidade, como um oceano consome um copo de vinagre. Esta visão foi condenada no Concílio de Calcedônia.

Em resposta ao eutiquianismo, este segundo concílio adotou o diafisismo, que claramente distingue entre "pessoa" e "natureza", afirmando que Cristo é uma pessoa em duas naturezas, mas enfatiza que as naturezas são "sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação". Os miafisitas rejeitaram esta definição como sendo quase nestoriana e, ao invés disso, aderiram à fórmula proposta por Cirilo de Alexandria, o principal opositor do nestorianismo, que tinha falado de "um [mia] natureza do Verbo de Deus encarnado" (μία θύζις ηοῦ θεοῦ λόγοσ ζεζαρκωμένη "mia physis tou theou logou sesarkōmenē")[3]. A distinção desta posição era de que o Cristo encarnado tinha uma natureza, mas uma natureza que é ainda tanto divina quanto humana, com todas as características de ambas. Embora os miafisitas terem condenado o eutiquianismo, ambos os grupos eram vistos como monofisitas por seus oponentes. O Concílio de Calcedônia (451) é geralmente visto como um divisor de águas para a cristologia entre os calcedonianos, pois nele foi adotado o diafisismo. Porém, conforme as Igrejas orientais, especialmente as coptas, no Egito, que mantinham o miafisismo, rejeitaram a decisão do concílio, a controvérsia se tornou um enorme problema sócio-político para o Império bizantino. Houve diversas tentativas de reconciliação entre os campos (incluindo o Henotikon, de 482 d.C.) e o poder mudou de lado várias vezes. Porém, a decisão de Calcedônia continua o ensinamento oficial da Igreja Ortodoxa, da Igreja Católica e dos protestantes tradicionais (como os luteranos). As Igrejas não calcedonianas ortodoxas são geralmente agrupados sob a Ortodoxia oriental. John Meyerdorff, um historiador deste período da história do cristianismo afirma que o ensinamento oficial da Igreja Ortodoxa não está expressado unicamente no credo calcedoniano, mas numa fórmula "Calcedônia + Cirilo" - ou seja, a posição diofisita expressada por Calcedônia somada à expressão miafisita de Cirilo citada acima em sua interpretação ortodoxa - com a primeira tentando
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expressar a impossibilidade de expressar de um lado (o diofisita) e a última, o mesmo pelo lado miafisita, ambas necessárias e nenhuma das duas suficientes. Outras posições Muito já foi dito sobre as dificuldades de entendimento dos termos técnicos gregos utilizados nestas controvérsias. As palavras principais são ousia (οὐζία - "substância"), physis (θύζις - "natureza"), hypostasis (ὑπόζηαζις - "hipóstase") e prosopon (πρόζωπον- "pessoa"). Mesmo em grego, seus significados se sobrepõem em alguma medida. Estas dificuldades se tornam ainda mais agudas quando estes termos técnicos são traduzidos para outras línguas. Em siríaco, physis foi traduzido como kyānâ (‫ )ܟܝܢܐ‬e hypostasis como qnômâ (‫ .)ܩܢܘܡ ܐ‬Porém, na Igreja Assíria do Oriente, qnoma é entendido como significando natureza, confundindo ainda mais o assunto.

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