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Notas introdutórias ao Criticismo


Kantiano
Flávio Rocha de Deus

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A T EORIA DO CONHECIMENT O DE KANT : O IDE- ALISMO T RANSCENDENTAL


Morhamed Dias

ET HEL PANIT SA BELUZZI A EST ÉT ICA T RANSCENDENTAL CONT RA O EMPIRISMO: O GOLPE KANT IAN…
Et hel Panit sa Beluzzi

A PROPÓSIT O DA INT RODUÇÃO À CRÍT ICA DA RAZÃO PURA DE IMMANUEL KANT - Neilson da Silva
Rogerio Font elles
Notas introdutórias ao Criticismo Kantiano
Flávio Rocha de Deus (rocha.iflavio@gmail.com)
Universidade do Estado da Bahia

1. Criticismo Kantiano: o conhecimento se dá na sensibilidade e no entendimento

O que conhecemos como filosofia moderna, período este em que esteve Kant, a questão
central da filosofia circundava principalmente acerca das questões do conhecimento e
seus métodos. No período pré-critico, antes de Kant, duas correntes filosóficas distintas,
o racionalismo e o empirismo, se caracterizavam pela busca mais adequada do
conhecimento, porém, cada uma por métodos distintos. Enquanto o empirismo se
caracterizava pela eleição da experiência como verdadeiro ponto de partida para o
conhecimento, o racionalismo se mostrou adepto a crença da razão como fundamento
do adequado conhecer.

Comumente, adequam à Kant a ideia de simplesmente juntar as ideias dos racionalistas


e empiristas, porém, o mesmo, em sua teoria crítica, realiza uma revolução na filosofia
ao estabelecer a distinção de “Conhecer” de “Pensar”. Como nos elucida Silveira
(2002): a reflexão kantiana tentou mostrar que a dicotomia empirismo/racionalismo
requer uma solução intermediária já que pensamentos sem conteúdo são vazios e
intuições sem conceitos são cegas.

A teoria do conhecimento de Kant a filosofia transcendental ou idealismo


transcendental teve como objetivo justificar a possibilidade do conhecimento
científico do século XVIII. Ela partiu da constatação de que nem o
empirismo britânico, nem o racionalismo continental explicavam
satisfatoriamente a ciência. Kant mostrou que apesar de o conhecimento se
fundamentar na experiência, esta nunca se dá de maneira neutra, pois a ela
são impostas as formas a priori da sensibilidade e do entendimento,
características da cognição humana. (SILVEIRA, 2002, p. 30).

Na epistemologia kantiana, o conhecimento se origina na experiência, porém, existem


condições a priori1 para que as impressões se tornem conhecimento. Apesar da
dependência destas determinadas condições do a priori do raciocínio, não podemos nos

1
O termo “a priori” é facilmente atribuído a uma ideia equivocada de conhecimento ou fatos que ocorrem
cronologicamente antes da experiência, entretanto, devemos nos atentar a compreender o mesmo como
“independente da experiência”. Como nos mostra Deleuze (1994) o termo a priori “define-se como
independente da experiência, mas precisamente porque a experiência nunca nos «dá» nada que seja
universal e necessário”.
permitir cair em um viés estritamente racionalista, pois sem a experiência, apenas com
pensamentos provenientes da razão, tudo limita-se apenas a ilusão.

2. Os limites do conhecimento: nômeno, fenômeno.

Segundo Silveira (2002, p. 29), a filosofia kantiana conseguiu tamanha abrangência,


pois todos os seus interesses “tanto especulativos quanto práticos” foram esforços para
responder três perguntas “O que posso saber? O que devo fazer? O que me é dado
esperar?”. Então, nos perguntamos, o que podemos saber? Devemos para isto
compreender conceitos fundamentais da filosofia de Kant: nômeno e fenômeno.

Kant pensava que nunca conseguimos ter um quadro completo de como as coisas são.
Jamais aprenderemos algo diretamente a respeito do que chamamos de mundo
numênico, isto é, sobre o que quer que esteja por trás das aparências. A rigor, não
podemos saber absolutamente nada sobre o mundo numênico, ou ao menos não
conseguimos ter informações sobre ele de modo direto. No entanto, podemos conhecer
o mundo fenomênico, o mundo que nos cerca, o mundo que nós experienciamos através
dos sentidos.

O “mundo” numênico é o mundo metafísico das coisas-em-si, que não aparece de


nenhuma forma a percepção do sujeito cognoscente: nós. Elas não podem ser captadas
pelas intuições puras, que são o espaço e o tempo. Kant rompe com a tradição ao
estabelecer isto, pois, ao caracterizar o conhecer como a capacidade de raciocinar
através das impressões originárias, qualquer objeto metafísico, como não pode ser
experienciado pela sensibilidade, não pode ser conhecido.

3. As formas a priori da sensibilidade: espaço e tempo

De acordo com Kant, o espaço e o tempo não representavam propriedades do mundo


numênico, da coisa em si, pois, eram os únicos instrumentos a qual podemos conceber o
mundo fenomênico. Ou seja, tempo e espaço são formas a priori da sensibilidade,
condições necessárias e universais para todas as formas de percepção possíveis.

Kant amarra a fenomenalidade das coisas, seu manifestar-se, à estrutura


espaço-temporal: tudo aquilo que é espaço-temporal é fenômeno e todo
fenômeno é espaço-temporal. O aprisionamento das coisas em seu ser-em-si
reside, consequentemente, fora do espaço e do tempo. Na medida em que as
coisas se destacam no espaço e o tempo elas entram ipso facto na existência,
ou seja, ganham acessibilidade epistêmica. (KOCH, 2009, p. 61)

O espaço é um atributo a priori fundamental que subordina completamente as intuições


externas. Não é verossímil estabelecer uma representação em que não tenha espaço
nenhum ainda que se possa cogitar um espaço sem um único objetivo nele. Ele é
considerado a condição da possibilidade dos fenômenos e não depende deles. Kant
distingue dois elementos na sensibilidade: a matéria, ou seja, o conjunto das impressões
sensoriais que o sujeito recebe passivamente do exterior; e a forma, as intuições puras a
priori que vão organizar a realidade, composta pelo espaço e pelo tempo, as estruturas
através dos quais o sujeito se representa.

4. Os juízos analíticos e juízos sintéticos.

Os juízos analíticos são o que conhecemos como conhecimentos verdadeiros por


definição, ou seja, são conhecimentos a priori, informações na quais não se é necessário
recorrer a verificação sensível para confirmar sua validade. Por exemplo: todas as
mulheres são do gênero feminino. Sabemos que isto é um juízo verdadeiro por
definição. Isso significa que podemos saber que essa frase é verdadeira sem fazer
quaisquer observações de mulheres reais. Não precisamos verificar que são do sexo
feminino, pois não seriam mulheres se não fossem do sexo feminino. O conhecimento
sintético, ao contrário, requer a experiência ou a observação, por exemplo: todos os
cavalos possuem quatro patas.

5. Conclusão: Existe a possibilidade dos juízos sintéticos a priori?

Como nos elucida Pimenta (2006), é na Crítica da Razão Pura que “Kant afirma que
sua Lógica Transcendental tem como principal tarefa a solução do problema ‘como são
possíveis juízos sintéticos a priori?’”. Ao concluir a Estética Transcendental, Kant
apresenta a primeira etapa da solução de seu problema fundamental, mostrando que os
juízos sintéticos a priori são possíveis na Lógica, na Matemática e na Ciência da
Natureza.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

DELEUZE, Gilles. A filosofia crítica de Kant. Tradução: Germiniano Franco. Lisboa:


Edições 70, 1994.

KOCH, Anton Friedrich. Espaço e Tempo em Kant e Hegel. In: Revista Eletrônica
Estudos Hegelianos, nº11, p. 57-73, 2009.

PIMENTA, Olavo C. A distinção kantiana entre aparecimento e fenômeno. In: Kant e-


prints. Campinas, Série 2, v. 1, n.1, p. 119-126, jan.-jun. 2006.

SILVEIRA, Fernando Lang da. A teoria do conhecimento de Kant: o idealismo


transcendental. Caderno brasileiro de ensino de física, v. 19, p. 28-51, 2002.

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