Você está na página 1de 19

1

Neuroarquitetura na prática projetual residencial


Roberta Lage Pereira – rlp_arq@yahoo.com.br
Master em Neuroarquitetura
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
Itabira, MG, 05 de março de 2022

Resumo
Este artigo apresenta um estudo da neurociência aplicada à arquitetura
(Neuroarquitetura) que teve seus primeiros estudos no Instituto Salk em La Jolla,
Califórnia (EUA). Busca-se aqui, traçar um perfil dessa matéria aplicada à ambientes
residenciais.Como funciona o cérebro humano e qual o seu comportamento nos
espaços arquitetônicos?A Neuroarquitetura poderá trazer benefícios aos usuários
dos ambientes de moradia? Podem os arquitetos projetar mais adequadamente e
trazer mais qualidade de vida para seus clientes unindo a arquitetura à
neurociência? Na tentativa de responder a esses questionamentos, utilizou-se uma
revisão bibliográfica com pesquisas em livros e artigos sobre o homem e o morar, o
cérebro, a neurociência e a neuroarquitetura residencial.Concluiu-se que o ambiente
influencia muito o usuário e a utilização da neurociência aplicada à arquitetura
residencial pode trazer benefícios aos moradores.

Palavras-chave: Arquitetura. Neurociência. Neuroarquitetura..

1. Introdução
As características de um ambiente são determinadas pela forma, proporção, textura,
luz e do som que delineiam o espaço. Mas, os espaços também são condicionados
às circunstâncias do homem que ali vive (BOLLNOW, 2019). Ao longo da história, a
arquitetura correspondeu às mais variadas exigências de diversas naturezas,
adequando-se às civilizações e estruturando-se dentro de um sistema histórico e
crítico (ZEVI, 1996),
A casa funciona como um guardião, como refúgio da mente e do corpo (BOTTON,
2007). O habitar é inerente à vida humana, e o modo como o homem vive em seu
lar, longe de ser uma característica arbitrária, define a forma como ele se relaciona
com o mundo. Portanto, habitar significa sentir-se em casa em um certo local, ter
pertinência. Dentro da casa, as perspectivas de espaço se alteram, os limites são
nítidos e os contornos que separam o externo são visíveis (BOLLNOW, 2019)
Em 2003, o neurocientista Fred Cage do Salk Institute (EUA) apresenta suas
descobertas sobre as mudanças que os espaços produzem no cérebro e
consequentemente no comportamento humano. A essa aproximação da
neurociência com arquitetura denominou-se neuroarquitetura. (GONÇALVES E
PAIVA, 2018)
A neuroarquitetura é um tema que vêm sendo bastante discutido e colocado em
questão na atualidade, pois, através de estudos, comprovou-se que seus efeitos e
influências afetam de maneira positiva os seres humanos. A neurociência aplicada à
arquitetura estuda como o espaço físico pode impactar o comportamento humano
olhando dessa maneira para o ato de projetar com um viés mais científico que nos
faz perceber os espaços através de um olhar mais profundo para o ser humano
possibilitando melhorar a construção dos ambientes para consequentemente
2

melhorar o bem-estar dos usuários (SARTORI; BENCKE, 2021).


Neste contexto, este trabalho de revisão objetiva compreender os conceitos acerca
da neurociência aplicada à arquitetura com foco em projetos residenciais. A
metodologia adotada consiste em uma pesquisa exploratória com revisão
bibliográfica. A aplicação dos estudos de neuroarquitetura é extremamente
importante para futuras práticas projetuais pois permite pensar nos projetos com
maior precisão e objetividade.

2. Desenvolvimento

2.1. O homem, o espaço, a arquitetura e o habitar

A existência do espaço se dá porque as pessoas são seres espaciais, ou seja, o


espaço é dependente do homem (BOLLNOW, 2019). Usa-se dele para se
locomover, ouvir os sons, perceber as formas e sentir os ventos e brisas. Sua
compreensão está ligada à interação visual dos elementos que o compõem e como
eles são interpretados e, quando o espaço começa a ser capturado, compreendido,
moldado, a arquitetura começa a existir. Um espaço arquitetônico se caracteriza por
múltiplas qualidades tais como forma, proporção, textura, luz e som. Estas
características por sua vez dependem das propriedades que delineiam o espaço.
(CHING, 2008).
A caverna, primeira casa para nossos ancestrais, era o espaço onde se protegiam
das ameaças externas, podiam relaxar e cuidar uns dos outros e se sentiam a salvo
do ataque de um predador ou das intempéries da natureza. Aos poucos o homem
foi personalizando sua habitação e, ao longo da história, a arquitetura correspondeu
a diversas exigências de variadas naturezas, adequando-se às civilizações e
estruturando-se dentro de um sistema histórico (ZEVI, 2008).
Habitar significa sentir-se em casa em um certo local e é inerente à vida humana e
o modo como o homem vive em seu lar define a forma como ele se relaciona com o
mundo. Dentro da casa, as perspectivas de espaço se alteram e os limites que
separam o externo são visíveis. O externo é onde é preciso enfrentar as
adversidades sendo o espaço do desabrigo. Na casa, o espaço interior, encontra-se
proteção e relaxamento (BOLLNOW, 2019). Esse espaço, portanto, funciona como
um guardião, como refúgio da mente e do corpo.(BOTTON, 2007).
Desde os seus primordios, a arquitetura trouxe para o homem a noção de solidez e
segurança. Por meio dela, traços de um povo passaram a ser definidos e a ser
reconhecidos, impérios se projetatram e deixaram suas marcas. Ao longo de toda
sua evolução histórica a arquitetura oferece seus serviços ao ser humano (CRIZEL,
2020).
Dessa forma, o homem criou alguns princípios para categorizar o sucesso de uma
obra como o conceito da arquitetura tríade, constituído há mais de dois mil anos por
Vitrúvio. Tal classificação compreende os elementos venustas (referente à parte
estética), firmitas (referente à dimensão da força estrutural) e utilitas (referente à
utilidade do edifício) (VOORDT & WEGEN, 2013). Ainda assim, segundo Zevi
(1996), mesmo estando tecnicamente completa uma obra pode não ter um resultado
satisfatório ou enriquecedor .
Sendo a arquitetura a esfera física da vida humana requer condições como
segurança, facilidade de orientação e ainda sociabilidade em suas obras. Sabe-se
3

ainda que, os projetos que têm proporção, simetria, equilíbrio e ritmo, geram uma
sensação de tranquilidade (HARROUK, 2020).
A arquitetura deve, além de integrar e acomodar, fundir o indivíduo ao mundo.
Proporciona-se significado e maior consistência a experiência existencial por meio
das superfícies e formas, conformadas com os sentidos e o contato dos olhos,
integrado as estruturas físicas e mentais (PALLASMAA, 2011)
Segundo Botton (2007) a admiração por uma obra arquitetônica vem a partir do uso
inteligente de vários elementos em harmonia, a monotonia incomoda e ambientes
que tenham traços de constância, geram um descanso mental. Ching (2008) relata
que a interação entre o mundo dos corpos e o mundo das habitações os corpos e o
movimento estão em constante diálogo com os edifícios.
Para Botton (2007) a ordem na arquitetura é benéfica quando trabalhada junto com
a complexidade; para Ching (2008) a ordem é atraente, funcionando como um modo
de defesa.
Dessa forma, vê-se que a arquitetura e o corpo são intrínsecos e o arquiteto deve
criar pensando na extensão dos sentidos, tendo os projetos o objetivo de ser
experimentados pelos indivíduos, trazendo além do essencial, o belo, a intimidade e
o privado (GONÇALVES, 2009).
A residência proporciona uma barreira de separação do que ocorre do lado de fora e
carrega a organização das atividades humanas. Além disso, tem uma função
simbólica, vinculada à filosofia ou à religião e uma função econômica, como
propriedade que pertence a alguém (VOORDT & WEGEN, 2013).
Mas, uma obra arquitetônica não se esgota em seu valor espacial, mas os edifícios
contém ainda valores sociais, técnicos, funcionais, artísticos, espaciais e decorativos
Assim, o fato da arquitetura incluir o homem a distingue das outras atividades
artísticas sendo o edifício uma grande escultura onde pode-se entrar e caminhar em
seu interior. Ao contrário da própria escultura, na qual o homem a olha por fora, na
arquitetura, adiciona-se a quarta dimensão: o vivenciar a obra, fator primordial para
compreensão do edifício (ZEVI, 1996).
A arquitetura tem inclusive a capacidade de gerar felicidade. Todavia, fatores como
a cultura, crenças religiosas, condutas, normas e nível educacional atuam na forma
como o homem se relaciona com o ambiente. A miséria, a falta de privacidade e o
desconforto impactam a percepção que se forma dos espaços. Reconhece-se que
um ambiente saudável no âmbito psíquico, torna possível a percepção de que a
relação homem-ambiente é complexa e muito importante (RHEINGANTZ, 2001).
Porém, num mundo altamente tecnológico e dos processos acelerados, alguns
valores da arquitetura têm se perdido ocorrendo consecutivas cisões culturais e
enfraquecimento das tradições. Isto, juntamente a uma sociedade que vive uma
crescente indiferença aos sentimentos e um mercado acelerado, impacta a forma
de projetar dos arquitetos (GONÇALVES, 2009).
A funcionalidade, tida por um bom tempo como sinônimo de bom projeto cria, como
resultado, um empilhamento de caixas em massa, vinculadas ao consumismo
fazendo com que as unidades residenciais se tornassem cada vez mais compactas.
(HARROUK, 2020).
Em meados da década de 1920, no contexto moderno de Le Corbusier, tendo como
base a expressão modernista racional e técnica “máquina de morar”, a habitação
perde uma carga arcaica e antropológica: à habitabilidade. Ora, o espaço que abriga
deveria prover o conforto e bem-estar, próprios da essência caseira, já que o
homem carece de se sentir bem nesse ambiente (BOLLNOW, 2019).
4

Dentre os fatores capazes de transmitirem a habitabilidade, um fator considerável é


o cuidado com o ambiente. Por meio do uso cuidadoso, uma parte da pessoa se
converte no espaço e, aos poucos, ambiente e pessoa se assimilam. Com o suceder
dos anos, a casa transmite e conta as histórias que nela foram construídas e suas
marcas e os danos remetem às suas lembranças (BOLLNOW, 2019).
Homem e ambiente convivem num processo de interdependência, criam uma
ligação íntima entre os processos psicológicos de percepção do espaço e os
processos de criação do mesmo. Os espaços são expressões culturais do homem
sendo também suportes espaciais para a construção de sua identidadee, por isso,
maneira pela qual o homem modifica o ambiente é um tema de muita importância.
(ZALESKI, 2006).

2.2. A Neurociência e o estudo do cérebro

A neurociência é uma área da biologia que estuda como funciona o sistema nervoso
utilizando estudos de outras subáreas que a compõe como a neurofisiologia, a
neurofarmacologia e o neuroimageamento (Kandel et al., 2000). Mas é, sobretudo, o
estudo do cérebro, onde a maioria da ação do sistema nervoso acontece (AMTHOR,
2017).
O sistema nervoso, é formado pelo SNC - sistema nervoso central (encéfalo e
a medula espinhal) e SNP - sistema nervoso periférico (basicamente formado por
nervos que conectam o restante do corpo ao sistema nervoso central, através do
encéfalo e da medula espinhal). Este pode ainda ser dividido em sistema nervoso
somático (regula as ações voluntárias) e sistema nervoso autônomo (lida com as
ações involuntárias tais como a respiração e digestão). O encéfalo, localizado no
SNC, é formado pelo cérebro, cerebelo e o tronco encefálico (AMTHOR, 2017).
Destes, o cérebro, essa pequena massa de menos de um quilo e meio,  é o órgão
mais complexo e importante do sistema nervoso, controlando todos os aspectos da
vida humana e sendo responsável pelos pensamentos, memórias e demais funções
ligadas aos sentidos e cognição humana (TIEPPO, 2019).
De acordo com biólogos evolucionistas, a vida unicelular procariótica (células sem
um núcleo celular) apareceu na Terra há, aproximadamente, 5,5 bilhões de anos e
levou mais um bilhão de anos para a vida eucariótica (células com núcleos)
aparecer. Mais um bilhão de anos depois, surgiu a vida multicelular levando mais
outro bilhão de anos para os humanos surgirem (há menos de um milhão de anos).
Na evolução dos mamíferos, um circuito específico do cérebro expandiu como uma
camada adicional no topo de todas as áreas cerebrais antigas: surgiu o Neocótex.
Região essencial do cérebro dos mamíferos relacionasse com funções importantes
como percepção sensorial, comandos motores, consciência e linguagem sendo
muito desenvolvida em humanos e outros primatas. Nos demais mamíferos, é um
pouco menor. Isso ocorreu apesar do fato de cérebros grandes serem caros
metabolicamente pois, mesmo representando apenas cerca de 5% do peso corporal,
o cérebro humano consome cerca de 20% do metabolismo do corpo ( AMTHOR,
2017)
Evidências sugerem que nossos ancestrais pré-históricos já compreendiam que o
encéfalo era vital para a vida. Crânios de hominídeos datando de um milhão de anos
atrás apresentam sinais de traumatismo craniano fatal, possivelmente causado por
outros hominídeos. Há aproximadamente 7 mil anos atrás, as pessoas já perfuravam
os crânios uns dos outros num processo denominado trepanação, com o objetivo de
curar (provavelmente para tratar cefaleias ou transtornos mentais). A quase 5 mil
5

anos atrás, escritos recuperados de médicos do Egito antigo indicam que eles
conheciam muitos dos sintomas de lesões encefálicas. Porém, para eles, o coração,
e não o encéfalo, era a sede do espírito e o repositório de memórias. Enquanto o
resto do corpo era preservado para a vida após a morte, o encéfalo do morto era
removido pelas narinas e jogado fora (RODRIGUES E CIASCA, 2010).
Até o século V a.C., na Grécia Antiga, acreditava-se que a mente humana estava
dividida em diferentes partes do corpo. Depois do século V a.C., o pensamento
grego se dividiu em duas correntes: uma que colocou a mente no coração e a outra
que a colocou no cérebro (encefalocentristas). Hipócrates fazia parte dessa vertente
e, além de afirmar que a mente se localizava no cérebro, também fez as primeiras
observações sobre a lateralização cerebral. Já Platão situou no cérebro as
sensações, as percepções e os pensamentos. No século IV A.C., Herófilo de
Calcedônia e Erasístrato de Chio descobrem o sistema nervoso, quando
perceberam fibras saíndo do crânio e da espinha e se espalhando por todo o corpo.
Com o nascimento de Jesus Cristo e a disseminação do Cristianismo há uma
estagnação no avanço da neurociênciacom a proibição da dissecação de cadáveres
(TIEPPO, 2019).
Para a medicina romana, a figura mais importante foi o médico dos gladiadores
Galeno (130-200 d.C.), que também estudava o cérebro através de dissecções de
animais. Galeno sugeriu que o cérebro deve receber sensações, enquanto o
cerebelo deve comandar os músculos. Ao abrir um encéfalo e observar que o seu
interior possuía ventrículos nos quais existia um fluido. Para ele, essa descoberta
confirmava a teoria de que o corpo funcionava de acordo com o equilíbrio entre
quatro fluidos vitais, os humores. Esta teoria permanece por quase 1.500 anos e
somente em 1537 Galeno começa a ser questionado (RODRIGUES E CIASCA,
2010).
Durante a Renascença, André Vesálio (1514-1564) percebe que o trabalho de
Galeno apresentava erros descobrindo cerca de 200 elementos na sua anatomia
humana que na verdade pertenciam a animais. Vesálio refaz por completo o trabalho
de Galeno através da dissecação de cadáveres humanos e publica um atlas de
anatomia, marco da neuroanatomia, descrevendo áreas que nunca haviam sido
descritas (TIEPPO, 2019).
Ainda assim, as teorias de Galeno persistiram até cerca de 1600 quando,aos
poucos, os desenhos de Vesálio foram sendo disseminados em universidades. No
Renascimento, há uma retomada das referências da Antiguidade Clássica e a
valorização do ser humano e do estudo do corpo. Muitos artistas, como Leonardo Da
Vinci e Michelangelo, dissecavam corpos para estudar a anatomia humana.
Especula-se ainda que alguns dos mestres deste período esconderam em suas
obras imagens do cérebro como em ”A Criação de Deus” (Figura 1) no teto da
capela Sistina de Michelangelo Buonarotti (TIEPPO, 2019).
Durante os séculos XVII e XVIII, os cientistas começaram a examinar a substância
encefálica e observaram dois tipos de tecido encefálico: a substância cinzenta e a
substância branca sendo esta indicada como contendo as fibras que levam e trazem
a informação para a substância cinzenta. No final do século XVIII, já sabia-se que o
sistema nervoso tinha uma divisão central e uma divisão periférica e que na
superfície do encéfalo de todos os indivíduos o mesmo padrão geral de elevações
(chamadas de giros) e depressões (chamadas de sulcos e fissuras) pode ser
identificado. Inicia-se a especulação de que funções diferentes estariam localizadas
nos diferentes giros do encéfalo (BEAR el all, 2017).
6

Figura 1 – A Criação de Deus, Capela Sistina


Fonte: TIEPPO, 2019

Dentre as teorias localizacionistas, Franz Gall (1758-1828) anatomista austríaco


criou a cranioscopia, posteriormente denominada frenologia. Pioneiro no estudo da
localização das funções mentais nas regiões do cérebro desenvolveu um método
equivocado para adivinhar a personalidade e o desenvolvimento de faculdades
mentais de uma pessoa de acordo como o formato de seu crânio, apalpando-o. Ao
contrário de Gall, destacam-se os estudos de Paul Broca e Karl Wernicke. Broca, em
1861, identificou que a função da linguagem estava localizada na região da parede
posterior do lobo frontal e Wernicke, por sua vez, que a interpretação da fala estaria
na área da parte posterior do lobo temporal (TIEPPO, 2019).
O histologista italiano Camilo Golgi (1843-1926) desenvolveu uma técnica de
tingimento de tecidos nervosos com nitrato de prata que possibilitou ver que cada
neurônio tinha um corpo celular, dentritos que se ramificavam em um lado e um
axônio no outro. O espanhol Ramón y Cajal, utilizando a técnica de Golgi
considerou que tecido nervoso é uma rede de células individuais e não é uma rede
contínua. Na década de 1920, o embriologista norte-americano Ross Harrison
mostrou que os dentritos e o axônio crescem a partir do corpo celular mesmo
quando cada neurônio está isolado dos outros, em uma cultura de tecidos
(KANDELL, 2014).
Com o desenvolvimento da neurociência no início do século XX e , sabendo-se que
o cérebro dos vivos não tem receptores de dor, avançam as cirurgias no mesmo e o
mapeamento de regiões dele em indivíduos vivos. Assim, Harvey Cushing (1869-
1939) mexia no cérebro e começou a fazer estimulações elétricas em várias áreas
do córtex cerebral relacionando estrutura e função mais facilmente (TIEPPO, 2019).
O neurologista e psiquiatra alemão Korbinian Brodmann (1868-1918), analisou o
córtex cerebral, verificando que áreas distintas tinham diferentes camadas e
constituições. Percebeu que em algumas partes a primeira camada era maior, em
outras menor, que o número de camadas variava e construiu seu chamado mapa
citoarquitetônico mostrando a arquitetura das células no tecido (KANDELL, 2014).
Com o avanço das pesquisas sobre o sistema nervoso, a complexidade do tema e a
dificuldade em estudá-lo o sistema nervoso exigiu a criação de uma ciência própria
que transcendesse questões biológicas e congregasse áreas bastante distintas
como a psicologia, as ciências sociais, eletroquímica... Desta maneira, surge a
neurociência, abrangente e interdisciplinar. Em 1970, surge a “Society for
Neuroscience” com o objetivo de alavancar as pesquisas e discussões sobre o
sistema nervoso. Ainda na década de 70, Paul MacLean (1913-2007) desenvolve o
conceito de cérebro trino dividindo-o em três partes: 1 - o cérebro reptiliano,
7

responsável pela sobrevivência e emoções primárias como fome e sede; 2- o


cérebro límbico responsável pelas emoções; 3 - o neocortex, responsável por tarefas
intelectuais que só os seres humanos dominam e que é a parte do cérebro capaz de
pensar abstratamente e produzir invenções (Figura 2). Na década de 80 iníciasse o
uso das neuroimagens revolucionárias para a compreensão do funcionamento do
cérebro, possibilitando uma visão mais dinâmica do sistema nervoso e o estudo do
funcionamento cerebral não só em plano cirúrgico mas do cérebro saudável e em
diferentes atividades. (TIEPPO, 2019).

Figura 2 – Cérebro trino


Fonte: TIEPPO, 2019

A década de 1990, considerada a “Década do Cérebro” deu grande impulso às


neurociências. Houve uma grande evolução do conhecimento sobre o
funcionamento do sistema nervoso com o avanço das neuroimagens como
ressonância magnética, tomografia funcional, pet scan, dentre outras que resultaram
em um aprofundamento bastante evidente dos conhecimentos sobre o cérebro.
Esses avanços, junto à eletrofisiologia, e os obtidos pela genética e pela
neurociência cognitiva possibilitaram o estudo das áreas cerebrais envolvidas em
funções cognitivas específicas e esclareceram muitos aspectos do funcionamento do
SN (Kandell et al., 2000).
Cada dia mais, há um crescimento das pesquisas da neurociência aplicada a
diversos ramos do conhecimento já que o cérebro é estimulado por tudo que
acontece na vida humana. A expansão dos estudos da neurociência confirma-se por
essa nova abordagem multidisciplinar, com o entendimento e exploração de
sensações frente a situações do cotidiano. Várias técnicas e equipamentos vêm
sendo utilizados em áreas nas quais se deseja investigar reações mentais de
usuários a partir de diferentes vivências tais como compras, educação, relações
interpessoais e nos ambientes (VILLAROUCO et all, 2021).

2.3. O Sistema Nervoso e a interação com o ambiente

O sistema nervoso é um sistema de processamento de informações feito para ler e


reagir ao ambiente. Através dele, o ser humano recebe informações sobre o
ambiente externo, (através da visão, audição, tato, olfato e gustação) e também do
ambiente interior (como dor, posição do corpo, pensamentos, informações das
vísceras) selecionando-as e combinando-as para produzir uma ação, um
8

movimento, um comportamento... O sistema nervoso subdivide-se em sistema


nervoso central (encéfalo e medula espinhal) (figura 3) e sistema nervoso periférico
(constituido principalmente de nervos, que percorrem todo o nosso corpo em feixes)
(TIEPPO, 2019).
O encéfalo se divide basicamente em três partes: o tronco encefálico, o cerebelo e o
cérebro, recebendo e processando informações sensoriais provenientes tanto da
região interna de todo o organismo quanto da região externa a ele, enviando
respostas como comando de reações, estímulos, movimentos musculares, secreção
de substâncias e comportamentos.Todo encéfalo é composto por um centro branco
medular revestido por uma fina camada de substância cinzenta denominada córtex
cerebral, centro do entendimento e da razão, responsável pela memória, percepção
e linguagem. É no córtex que chegam e são interpretados os impulsos produzidos
pelas vias da sensibilidade e de onde saem os impulsos nervosos que iniciam e
comandam os movimentos voluntários (SANTOS, 2002).
O encéfalo comanda todo o corpo humano, seus comportamentos e ações que
podem ocorrer de maneira mais ou menos prazerosa ou produtivadependendo do
contexto (Villarouco et all, 2021).
O cérebro processa bilhões de informações sendo a essência daquilo que define os
seres humanos. Por isso, é importante entender os seus componentes, seu
funcionamento e a sua estrutura. O cérebro saudável é um órgão complexo que
permite realizar as maravilhas da música, da arte, da ciência, da arquitetura, da
engenharia, das diversas atividades da humanidade sendo possível aumentar suas
capacidades pela aprendizagem e pelo trabalho produtivo (ANDREASEN, 2005).
Centro da inteligência, memória, consciência e linguagem, o cérebro é o ponto mais
alto da evolução e controla, junto a outras partes do encéfalo, as sensações e os
órgãos efetores. O cérebro é uma entidade material situada dentro do crânio
composto de substâncias químicas, enzimas e hormônios, cujo funcionamento
depende de neurônios, os quais consomem oxigênio, trocando substâncias químicas
através de suas membranas (SILVEIRA, 2004). Mais que isso, é o órgão de
controle central, responsável pela manutenção e regulação dos sistemas
fisiológicos humanos que asseguram a sobrevivência do organismo e
coordenação motora. O papel do cérebro humano vai além da sobrevivência pois
recebe e processa informação do meio interno e do meio externo avaliando,
comparando, armazenando ou descartando-as e dando respostas (PINTO,
2021).

Figura 3 – Encéfalo e Medula Espinhal


Fonte: TIEPPO, 2019
9

O sistema nervoso cria uma representação interna sobre os eventos externos (tão
fidedigna quanto possível) para produzir ações rápidas e eficientes. Tal
representação é a fonte de informações necessárias para que o ser humano execute
as respostas motoras adequadas para cada situação vivenciada o que implica em
monitoramento da temperatura ambiente, de possíveis ameaças, danos e ganhos.
Se as sensações são processadas de forma eficiente, respostas adaptativas são
geradas para que o indivíduo consiga lidar melhor com o ambiente. O encéfalo
organiza e gerencia as informações coordenando e organizando estímulos para que
produzam respostas adequadas a determinada situação(TIEPPO, 2019).
A ligação entre o ambiente externo e o cérebro acontece através dos sentidos, mas
essa percepção do espaço vai além dos estímulos visuais. Mais que isso, as
experiências sensoriais são dependentes do tecido cutâneo, sendo todas elas
variantes do tato e relacionadas a ele, inclusive a visão. O próprio corpo funciona
como um norteador, uma referência direcionada ao mundo (PALLASMAA, 2011).
A audição revela o espaço por meio da acústica. Já o olfato é um sentido muito forte
devido à sua ligação direta com o sistema límbico. Diferente dos outros sentidos que
são recebidos pelo tálamo para depois serem interpretados pelo cérebro, os
neurônios carregando informações sobre cheiros vão direto para a área a que se
destinam no cérebro e estimulam a busca de possíveis reprodutores, comidas e
ameaças e ativando as memórias de longo prazo. Através do tato é possível
perceber diferentes texturas não só através da visão, mas através do toque bem
como perceber as diferentes temperaturas. O paladar tem uma menor ligação na
interação do ser com o espaço mas, ainda assim, o ambiente construído tem forte
relação com a percepção de sabor (GONÇALVES E PAIVA, 2018).
Estudiosos têm alertado, já há algum tempo, sobre a importância dos conceitos da
neurociência na concepção de espaços com planejamento de direcionamentos,
informações e estímulos adequados para promover a segurança e bem-estar de
seus usuários (VILLAROUCO et all, 2021).
Segundo Tieppo (2019) é importante saber que nem todas as informações que o
cérebro recebe do ambiente ou do corpo são conscientes.

2.4. Neurociência aplicada à Arquitetura

Há um forte crescimento das pesquisas da neurociência aplicada a diversos ramos


do conhecimento. À medida que o homem se conscientiza do quanto coérebro é
estimulado por tudo que acontece ao seu redor. Tal expansão dos estudos da
neurociência é multidisciplinar, explorando sensações de satisfação ou de repúdio
nas situações do cotidiano. Técnicas e equipamentos muito aplicados no âmbito da
saúde, vem propiciando a possibilidade de utilização em áreas nas quais se deseja
investigar reações mentais de usuários, seja nas compras, na educação, nas
relações interpessoais e até mesmo nos ambientes que habitam (VILLAROUCO et
all, 2021).
O ambiente construído tem um impacto direto no cérebro humano e conhecer os
padrões de funcionamento do mesmo e como o espaço afeta as suas funções pode
ajudar os arquitetos a projetar edifícios que melhorem o comportamento, o
desempenho e o bem-estar do usuário (PAIVA, 2018). É preciso atribuir o devido
valor ao ambiente construído, pois, não existe ambiente “neutro”, ou ele está
ajudando ou prejudicando as pessoas (PEDERSEN, 2018).
10

Primeiramente, os impactos das sensações do entorno físico são percebidos pelos


sentidos humanos. As células receptoras do nariz, ouvidos, mãos, olhos e boca,
levam ao cérebro, por meio de neurotransmissores, informações percebidas no
entorno, e as estruturas cerebrais reagem provocando determinados
comportamentos (ATHAYDE, 2019).
Os cinco sentidos humanos (audição, visão, paladar, olfato e tato) determinam suas
sensações e, após captados, geram os impulsos nervosos. Para cada um dos
estímulos há um órgão que os recebe de forma singular (RHEINGANTZ, 2001).
Segundo Pallasmaa (2011) as experiências sensoriais são dependentes do tecido
cutâneo, sendo variantes do tato e relacionadas a ele.
Porém, 90% das captações sensoriais são inconscientes ou seja, a maior parte está
fora das percepções primárias do consciente (PEDERSEN, 2018). A iluminação,
proporção dos ambientes e texturas dos materiais emitem informações que
repercutem fisicamente nos seres humanos, gerando reações e conduzindo às
sensações. A que se considerar que os humanos passam boa parte de suas vidas
nos ambientes internos que por sua vez, terão um impacto direto na psique humana
(HARROUK, 2020).
Essa influência não é nova. Jonas Salk, criador da primeira vacina contra
Poliomielite na década de 50, atribui sua inspiração à arquitetura da Basílica de São
Francisco de Assis, construída em Roma no século 13 com estilo romanesco, local
onde se refugiava para refletir e sentia que suas capacidades mentais eram
aumentadas ou tinham maior fluência. Salk defendeu até o fim da vida que aquela
arquitetura teve papel em clarear seus pensamentos, removendo as obstruções e
permitindo que ele encontrasse a resposta que procurava. Em 1959, ao fundar a o
Instituto Salk (Figura 04), em La Jolla, Califórnia, ele pede ao arquiteto Louis Kahn
recriasse a aura de estímulo cerebral da basílica numa arquitetura totalmente
diferente. O resultado é um campus, inteiro de concreto, com abundância de luz
natural, vista para o oceano Pacífico e uma larga praça central, que ecoa a
tranquilidade monástica do templo em Assis (CASA VOGUE, 2012).

Figura 4 – Instituto Salk


Fonte: Casa Vogue, 2012
11

É lá que, em 2003, o neurocientista Fred Cage do Salk Institute (EUA) apresenta


suas descobertas sobre as mudanças que os espaços produzem no cérebro e
consequentemente no comportamento humano (GONÇALVES E PAIVA, 2018). A
essa aproximação da neurociência com arquitetura denominou-se neuroarquitetura.
Tema contemporâneo e de extrema relevância, visa estabelecer a conexão das
pessoas junto aos espaços edificados buscando identificar como esses ambientes
impactam diretamente os seres que os ocupam (CRIZEL, 2020).
Classificada como um campo multidisciplinar, a neuroarquitetura surge como uma
nova forma de projetar que olha para as atividades neurais em interação com o
ambiente construído (VILLAROUCO et all, 2021).
Também no ano de 2003, é criada a Academy of Neuroscience for Architecture
(ANFA), em San Diego (Califórnia), com o objetivo de promover e avançar o
conhecimento que vincula a pesquisa em Neurociência a uma crescente
compreensão das respostas humanas ao ambiente construído. A Academia de
Neurociência para Arquitetura (ANFA) acredita que o estudo do sistema nervoso
pode fazer a maior contribuição para o campo da construção desde os estudos de
física do século 19, que estabeleceram novos métodos estruturais, acústicos e de
iluminação (CASA VOGUE, 2012).
Segundo Paiva (2020), do ponto de vista prático, a NeuroArquitetura deve ser
utilizada para tornar a ação humana mais efetiva e para criar espaços mais
saudáveis. Assim, seu princípio maior seria eficiência com qualidade de vida e bem-
estar pessoal por meio da concepção e da utilização estratégica do espaço.
Hoje em dia, a intercessão da neurociência e da arquitetura é vista como uma
ferramenta positiva para avaliar o desempenho de um ambiente fornecendo
subsídios para decisões de projetos que melhorem a qualidade de vida dos seres
humanos. O relacionamento entre a vivência humana e o ambiente construído a
partir do entendimento da neurociência irá influenciar fortemente os estudos futuros,
mas também acentua o desafio de alinhar soluções projetuais a desejos e
preferências individuais de pessoas distintas que habitam o mesmo espaço
(VILLAROUCO et all, 2021).

2.5. O uso da Neuroarquitetura na prática da Arquitetura Residencial

Os espaços são expressões culturais do homem bem como suportes espaciais para
a construção de sua identidade. Homem e ambiente possuem uma interdependência
que cria uma ligação profunda entre os processos psicológicos de percepção do
espaço e os processos de criação desse espaço (ZALESKI, 2006).
Inicialmente morando em cavernas naturais, o homem foi pouco a pouco
personalizando sua habitação, decorando suas paredes e acumulando objetos.
Construção destinada à habitação humana, a casa é uma construção que deve estar
adequada às características climáticas da paisagem onde se insere e ao modo de
vida de seus moradores. A configuração da casa depende da situação e do modo de
vida de seus habitantes relacionando-se intimamente com eles que a transforma em
algo próprio e pessoal (GRUBITS, 2003).
Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, o ser humano quer mostrar quem é e
assim, a casa, além de refúgio físico, torna-se também refúgio psicológico, que
guarda a identidade de quem a habita representando sua essência (COSTA, 2015).
Aos ambientes físicos de uma residência liga-se o conceito de Identidade do lugar
criando-se vínculos emocionais e afetivos, representações concretas e simbólicas,
impondo ao espaço o sentido de lugar, baseado nas experiências e vivências de
12

seus usuários. O espaço físico convertido em espaço significativo para o usuário, é


um dos mais relevantes sentimentos no processo de interação das pessoas com o
ambiente. Importante ainda considerar a que se destina o ambiente, quais as
dimensões mínimas estabelecidas em legislações, associando a isso o aspecto
afetivo do habitante, e qual a emoção será causada pelo ambiente (VILLAROUCO et
all, 2021).
O Relatório GoodHome (2019) mostra que o quanto se está feliz com sua casa está
intimamente ligado ao quanto se está feliz com a vida. Neste estudo, explorou-se a
conexão emocional das pessoas com sua casa e como sua casa as faz sentir. Os
resultados mostram que 73% das pessoas que se sentem felizes com sua casa
também se sentem felizes em geral.
Tudo indica que para que alguém sinta-se feliz em casa, não é preciso ter uma
situação financeira privilegiada, mas que os ambientes respeitem as características
e particularidades de cada morador. Para promover isto, o foco da casa passa a ser
o indivíduo e não apenas conceitos abstratos de estética ou funcionalidade tendo
estudiosos procurado identificar os fatores que promovem bem-estar, sentimentos e
emoções positivas, sensações agradáveis e satisfação com o lar (SCARDUA, 2009).
E, para isso, é preciso conhecer o indivíduo, sua história, suas experiências e
vivência de mundo assim é construída sua identidade residencial e sua forma de
perceber e avaliar sua residência atual. Quando um espaço doméstico oferece a
sensação de proteção, conforto e reconhecimento, ele contribui para o bem-estar
físico e emocional, traz a sensação de segurança que ajuda no combate ao estresse
diário (DIETZ, 2021).
A moradia, diferencia-se então de uma simples habitação pelo vínculo afetivo e
territorial que carrega, onde imprime-se a identidade de seus moradores em
contraponto à simples estrutura física de uma edificação. Os conceitos de
territorialidade, espaço pessoal e privacidade são associados aos espaços da
moradia e tem reflexo em aspectos diversos envolvendo objetos, mobiliário e arranjo
espacial, revestimentos... A moradia envolve características psicossociais e
culturais, preferências e escolhas. O conhecimento das respostas humanas insere
diretamente usuário no contexto participativo da criação, propiciando ambientes
mais adequados (VILLAROUCO et all, 2021).
Glaucus Cianciardi (2021) em material de aulas de Neuroarquitetura Aplicada a
Ambientes Residenciais fala da importância do arquiteto identificar no seu cliente o
perfil geracional (de acordo com a data de nascimento), a tribo (pessoas que
compartilham interesses comuns)e o arquétipo (de imagens primordiais de
repetições progressivas de uma mesma experiência durante muitas gerações que
ficarão armazenadas no inconsciente coletivo) do mesmo. Salienta ainda que é
importante saber o cronotipo do cliente entre os três existentes. O cronotipo matutino
produz melatonina antes da meia-noite, dorme entre 22 horas e 6 horas da manhã
correspondendo a 25% da população. O cronotipo vespertino produz melatonina às
6 horas, dormem de 3:00 às 11 horas e também são 25% da população. Já o
cronotipo intermediário produz melatonina às 3 horas, dormindo de 00:00 às 8 horas
da manhã sendo a maioria (50% da população). Assim, o profissional conseguirá
projetar de acordo com a individualidade de seus clientes.
Através dos cinco sentidos humanos, a casa, e suas sensações, podem ser
exploradas. Projetar atento a isso observando é extremamente benéfico ao cérebro
e enriquecedor para o ambiente. O sistema olfativo tem conexões diretas com a
região relacionada a memória o que leva à reflexão sobre a influência dos aromas
nos ambientes e no bem-estar. As cores, percebidas pela visão, estimulam uma
13

parte específica do cérebro humano contribuindo para transmissão de sensações. O


tato é o primeiro sentido que é desenvolvido no ser humano e possui o maior órgão
sensorial de todos: a pele. O som afeta profundamente o conforto ambiental e pode
tanto ser um estímulo agradável quanto um ruído desagradável (CARBONI E
CARDOSO, 2020).
Dentro desta interação dos sentidos com o meio, torna-se importante citar o Design
Biofílico. O design biofílico surge em resposta à necessidade humana de se conectar
com a natureza, estendendo essa conexão com a natureza aos espaços humanos
construídos. De acordo com Wilson (1996), o homem evoluiu 99% de sua existência
em um mundo biocentrico, o que induz a crer que ao passo que o homem se afasta
da natureza ele perde a conexão inata com a natureza. A biofilia então, é um
conceito científico que vem ratificar a necessidade humana de estar mais próximo da
natureza.
Glaucus Cianciardi (2021) fala que a busca pela composição biofílica nos interiores
arquitetônicos é um processo natural de resgate da memória genética humana, pois
cabe lembrarmos que menos de 1% da existência do ser humano se deu fora das
florestas.
O Design Biofílico busca mais que apenas trazer elementos da natureza para dentro
dos edifícios através de plantas. Visa criar espaços que ajudem a promover o bem-
estar e a saúde mental e física dos usuários (CALABRESE & KELLERT, 2015)

Os estudos de Calabrese & Kellert (2015) descrevem que, para a aplicação bem-
sucedida do design biofílico, é preciso se utilizar 5 princípios básicos que devem ser
aplicados desde o início do processo criativo. São eles:
1. “Promover o envolvimento repetitivo e sustentado com a natureza”
2. “Adaptar a vida humana ao mundo natural, para aumentar a saúde,
condicionamento e bem-estar”
3. “Encorajar um apego emocional à ambientes e lugares especiais”
4. “Promover interações positivas entre pessoas e a natureza, que incentiva um
senso expandido de relacionamento e responsabilidade pela comunidade
humana e natural”
5. “Incentivar o fortalecimento mútuo, a interconexão e soluções de arquitetura
de forma integrada”
Além disso, a prática do design biofílico envolve a aplicação de estratégias
chamadas de experiências divididas em três tipos: experiência direta da natureza,
experiência indireta e experiência de espaço e lugar. A experiência direta da
natureza utiliza de luz natural, ar puro através da ventilação adequada e uso de
elementos da natureza como água, fogo e vegetação, presença de animais e a
percepção do clima e da paisagem através, principalmente, da vista que o ambiente
construído possui. A experiência indireta com a natureza pode ser utilizada quando o
ambiente construído não possui vista direta para a paisagem ou quando o
proprietário não deseja investir em paredes verdes, jardins internos ou espelhos
d’água. Pode-se utilizar imagens da natureza como pinturas ou fotografias e plantas
artificiais. Quando o ser humano está em meio a natureza, a experiência não se
resume a elementos naturais, mas sim ao conjunto de todos os elementos. Assim, a
experiência de espaço e lugar preconiza a combinação de espaços mais amplos de
perspectivas com espaços mais isolados e de refúgio, integração das partes com o
todo, complexidade sensorial organizada e conexão ecológica e cultural com o local
onde o projeto se insere (CALABRESE & KELLERT, 2015). Essas três experiências
são descritas detalhadamente na figura 05.
14

Imprescindível, na prática da Neuroarquitetura Residencial, identificar os espaços,


suas funções, características e sensações que se deseja transmitir para projetar
utilizando elementos adequados.
Na composição dos ambientes, cada espaço que compõe a casa possui um
significado psicológico. Assim, a sala faz a transição entre o interno e o externo e
fala das relações sociais e convivência. A sala de jantar é um local formal, onde se
busca a sociabilização dos convidados com os proprietários remetendo-os à imagem
da Távola Redonda. A cozinha, o “útero” da casa, onde se encontra a essência da
família, sendo a área do afeto e onde também se nutre a matéria. O quarto é
santuário, local de intimidade e sexualidade. No banheiro, o indivíduo encontra-se
consigo mesmo, as máscaras sociais se desfazem e o indivíduo torna-se mais
vulnerável (CIANCIARDI, 2022).
Ainda segundo Cianciardi (2022), o conceito de stimmung diz respeito a percepção
sensorial do espaço, a sensação que o espaço deixa registrado na alma das
pessoas que por ele passam, sendo o resultado da concepção espacial utilizando-se
das ferramentas como luz, cor, linha, volume e textura. O objetivo é que a
composição resulte em espaço equilibrado e harmônico satisfazendo seus aspectos
psicológicos, técnicos e os estéticos. Ao compor um espaço, o profissional cria uma
imagem que será decodificada por seus usuários transmitindo-lhes mensagens
subliminares, que aguçarão seus sentidos.

Figura 5 – Estratégias do Desig Biofílico


Fonte: Calabrese & Kellert, 2015. Adaptado pela autora
15

Iluminação integrativa é o termo oficial para a iluminação que tem como objetivo
integrar os efeitos visuais e não visuais, produzindo efeitos psicológicos e
fisiológicos nos seres humanos. Sem luz não existe a cor, linha, forma ou textura. É
ela que estipula o cerimonial, define as formas, projeta as sombras e cria os
contrastes. O uso da luz direta transmite higiene e alegria e jovialidade; já luz
indireta transmite introspecção, sofisticação e romantismo. Pode-se ampliar o
espaço aumentando a intensidade do sistema luminotécnico, e, ao contrário, sua
redução deixa o espaço mais aconchegante e menor (CIANCIARDI, 2022).
A iluminação integrativa busca acompanhar o ritmo circadiano do ser humano. Ritmo
circadiano é a mudança dos estados mentais e físicos que ocorrem em cerca de um
período de 24 horas, controlados por uma área do cérebro que é influenciada pela
luz. São estratégias da iluminação integrativa a utilização de fontes de luz natural,
especialmente nas primeiras horas do dia, uso de fontes de luz elétrica com baixos
níveis de azul no espectro, utilizar a direção da luz com atenção para ângulos de
incidência entre 0 e 45 graus, dimerização, utilizar luminárias inteligentes ou que
permitam ajuste de temperatura de cor e fluxo luminoso. Tornam-se inadequadas as
práticas e a legislação atual que preconizam atender tão-somente aos requisitos
visuais baseados na iluminância do ambiente e não nas respostas fisiológicas das
pessoas, baseadas na luz incidente nos olhos. (GOIS, 2021)
Um bom projeto residencial tendo como base a Neuroarquitetura, deve levar em
consideração o uso das cores e seus efeitos pois ada cor possui um significado, e
gera no espaço uma determinada sensação psíquica. No que diz respeito à cor, ela
está presente em tudo – fauna, flora e luz solar – e sua presença pode ser percebida
por toda a história da humanidade. A cor influencia direta e indiretamente o
cotidiano, e quando utilizada de maneira adequada, torna-se uma ferramenta
importante no equilíbrio de ambientes e seres, gerando bem-estar, preservando à
saúde, facilitando à comunicação entre as pessoas (DIETZ, 2021).
As cores quentes se adequam melhor a espaços mais sociais pois transmitem
sensações de calor, alegria e movimento. Já para as áreas íntimas pode-se utilizar
as cores frias por transmitirem frescor, intimidade e introspecção. Como exemplo de
cores quentes tem-se o vermelho, cor do domínio da agressividade e da
sexualidade, que acelera as batidas cardíacas e eleva a pressão arterial; o amarelo
transmite a transmitir a sensação de jovialidade, fartura e alegria; a mistura dos dois
gera o laranja que transmite energia, devendo ser utilizado com moderação por
propiciar a sensação de estafa visual. Representando as cores frias o azul transmite
repouso; podendo até induzir à melancolia; o verde é a cor da concentração; sob
influência da cor violeta o organismo humano aumenta a produção de leucócitos
brancos que combatem as infecções. As cores podem ainda podem contribuir para a
dissimulação espacial pois cores claras podem ampliar o ambiente enquanto as
escuras o reduzem. Para aumentar visualmente o pé-direito o forro pode ser pintado
de uma cor mais clara e para rebaixá-lo uma cor mais escura (CIANCIARDI, 2022).
As escolhas de elementos e materiais a serem utilizados na casa podem influenciar
diretamente no conforto acústico dos moradores. Ruídos externos como trânsito,
alarmes, máquinas e equipamentos industriais, vizinhos barulhentos, música alta, ou
mesmo uma conversa na sala do lado, podem ser grandes incômodos. O barulho
atrapalha a concentração, interfere na qualidade do sono e pode desencadear
quadros ainda mais graves, como perda da audição, zumbidos, ansiedade e
nervosismo. Além das questões de saúde, outro item de extrema importância e que
muitas vezes passa desapercebido em relação ao conforto acústico é a privacidade.
O avanço das tecnologias estruturais deixou as lajes mais delgadas e, com isso, as
16

construções mais suscetíveis à transmissão sonora. As mudanças nos costumes


quanto à escolha de acabamentos também tiveram grande impacto nesta questão,
quando o carpete foi substituído pelo piso frio ou laminado, favorecendo a
transmissão de ruídos de impacto entre pavimentos. Uma solução rápida para os
problemas de ruídos, pode ser a utilização de tapetes e cortinas, painéis, e móveis
estofados, como sofás e cabeceiras (DIETZ, 2021).
As texturas podem ser classificadas em visuais (que estimulam o sentido da visão,
mas não o tato) e as táteis (que estimulam o sentido da visão e do tacto
simultaneamente). Superfícies lisas e brilhantes refletem mais a luz e fazem com
que a cor pareça mais forte e viva. Já superfícies rugosas ou foscas absorvem mais
a luz e amenizam as cores utilizadas sobre elas. Texturas mais rugosas e porosas
melhoram a absorção do som e texturas lisas contribuem para dar ao espaço um ar
de assepsia e tecnologia (CIANCIARDI, 2022).
Os metais, dão um ar mais moderno aos ambientes, sensação de funcionalidade e
sendo menos aconchegantes. As pedras, promovem uma sensação rustica e fria,
porém, quando combinadas com outros tipos de materiais também promovem
aconchego, uma vez que dão um ar mais rústico a decoração. Já a madeira é um
dos materiais mais utilizados quando a intenção é promover aconchego e conforto.
Com características térmicas excelentes, visto que no calor, ela não costuma
aquecer, assim como no frio ela não esfria. Também promove essa sensação de
aconchego devido sua capacidade de absorver sons, que faz com que a acústica
dos espaços seja mais agradável (DIETZ, 2021).
O ambiente construído tem um impacto direto no cérebro humano e suas relações
sociais, cognição, criatividade, memória e bem-estar. Porém, os arquitetos precisam
considerar a função que cada espaço tem. A aplicação de neuroarquitetura vai além
de entender o cérebro para criar mais ambientes eficientes. É fundamental que os
arquitetos compreendam os usuários bem como a finalidade da edificação e cada
espaço dentro dela. Somente ao considerar esses três fatores juntos (conhecimento
do cérebro, propósito de construção e usuário) arquitetos poderão projetar de forma
a beneficiar o ser humano (PAIVA, 2018)

3. Conclusão
O bem-estar é um fator que deve estar vinculado às relações entre pessoa e
ambiente e, nesse sentido, a ambientação é primordial para que quem vá usufruir do
ambiente, sinta-se integrado e tenha sensações agradáveis e conforto no local. O
cérebro humano ao captar, consciente ou inconscientemente o seu entorno trará
sensações, e consequentemente emoções, que impactarão a vida do usuário.
Assim, pode-se concluir que todo ambiente precisa ser planejado pensando no todo
para que o principal objetivo seja bem-estar e saúde do usuário. Mas, é importante
que ao planejar o espaço, definir cores, texturas, materiais e iluminação deve-se
considerar as preferências e gostos do morador. Os espaços residenciais são
reflexos de quem os habita; e muito pode vir a contribuir para a felicidade e
infelicidade destes.
Pode-se concluir, ainda, a necessidade e importância da arquitetura para o dia a dia
físico e psicológico das pessoas pois é a partir das edificações que os sentimentos e
impressões são gerados às pessoas. Logo, é possível detectar que a
neuroarquitetura como estudo e aplicação é de fundamental importância sendo
capaz de impactar a vida das pessoas de maneira que elas se emocionem,
conectem e/ou tenham um desenvolvimento mental saudável.
17

Apesar de ser um tema que está crescendo ainda é difícil o acesso a livros como
embasamento teórico da Neuroarquitetura, pois trata-se de um assunto novo e sua
pesquisa está mais direcionada a artigos. Mas, vale ressaltar, que é um tema que
contribui diretamente para o conhecimento teórico da Arquitetura, trazendo a
possibilidade de entender, ainda mais, como os ambientes projetados contribuem
para o convívio saudável das pessoas que os frequentam, sendo esse um dos
objetivos principais da profissão.

4. Referências

AMTHOR, Frank. Neurociência Para Leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017

ANDREASEN, Nancy. Admirável cérebro novo: vencendo a doença mental na


era do genoma. Porto Alegre: Artmed, 2005

ATHAYDE, Têka. Neuroarquitetura: como os ambientes construídos impactam


o cérebro humano. Designer. 2019. Disponível em:
<https://www.tkdesigner.com.br/neuroarquitetura-ambientes-impactando-ocerebro/>.
Acesso em: 02 jan.2022..

BEAR, M F; Connors, BW; Paradiso, MA. Neurociências - Desvendando o Sistema


Nervoso. 4ª Edição, Artmed, 2017

BOLLNOW, Otto Friedrich. O homem e o espaço. Curitiba: Editora UFPR, 2019.

BOTTON, Allain de. A arquitetura da felicidade. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

CARBONI, Jéssica. CARDOSO, Paloma. Neuroarquitetura na sua casa: um olhar


diferente. E-book. 2020

CHING, Francis D. K. Arquitetura: forma, espaço e ordem. 2. ed. São Paulo: Martins
Fotes, 2008.

CIANCIARDI, G. Slides de Aula: Neuroarquitetura aplicada a Projetos Residenciais.


Pós Graduação Master em Neuroarquitetura, IPOG, Nov. 2021

CRIZEL, Lori. Neuroarquitetura, Neurodesign e Neuroiluminação. Lori Crizel. PR,


Cascavel, 2020

CIANCIARDI, G. O DESIGN DE INTERIORES NA CONSTRUÇÃO DO ÚTERO DA


arquitetura. Revista Intramuros. Ed. 05, jan 2022. Disponível em
https://revistaintramuros.com.br/o-design-de-interiores-na-construcao-do-utero-da-
arquitetura/ . Acesso em: 5 fev. 2022.

CUNHA, Macsuelber de Cássio Barros da. Vitrúvio e a escrita do De Architectura:


um preceituário para um bom construtor. Cercomp, 2014. Disponível em:
https://files.cercomp.ufg.br.pdf. Acesso em: 5 fev. 2022.
18

DIETZ, Karine Maria. A casa como instrumento para o bem-estar do usuário.


Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 06, Vol. 01,
pp. 66-80. Junho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso:
https://www.nucleodoconhecimento.com.br/arquitetura/bem-estar-do-usuario, DOI:
10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/arquitetura/bem-estar-do-usuario

GOIS, Alexandre. Slides de Aula: Neuroiluminação. Pós Graduação Master em


Neuroarquitetura, IPOG, Nov. 2021

GONÇALVES, José Manuel Campos Macedo. Peter Zumthor: um estado de graça


entre a tectónica e a poesia. Coimbra, Portugal: Faculdade de Arquitetura da
Universidade Técnica de Lisboa, 2009.

GONÇALVES, Robson; DE PAIVA, Andreia. Triuno – Neurobusiness e Qualidade de


Vida. 3º ed. Brasil: Clube de Autores, 2018.

GRUBITS, Sônia. A casa: cultura e sociedade na expressão do desenho infantil.


Psicol. estud., Maringá, v. 8, n. spe, p. 97-105, 2003. Disponível em: <
https://www.scielo.br/pdf/pe/v8nspe/v8nesa12.pdf >. Acesso em: 5 fev. 2022.

HARROUK, Christele. Psicologia do espaço: as implicações da arquitetura no


comportamento humano. Tradutor: Vinicius Libardoni. ArchDaily Brasil, 06 abr.
2020. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/936143/psicologia-do-
espaco-as-implicacoes-da-arquitetura-no-comportamento-humano>. Acesso em: 9
fev. 2022.

Kandel, E. R., Schwartz, J. H., Jessell, T. M. (2000). Principios da Neurociência,


New York, NY: McGraw-Hill.

KELLERT, S.; CALABRESE, E. The practice of Biophilic Design, 2015.

MENA, Isabela. Verbete Draft: O que é Neuroarquitetura. Projeto Draft. 2019.


Disponível em: <https://www.projetodraft.com/verbete-draft-o-que-
eneuroarquitetura/>.Acesso em: 19 jan. 2022

PALLASMAA, Juhani. Os olhos da pele: A arquitetura e os sentidos. Porto


Alegre: Bookman, 2011.

PAIVA, A., Neuroscience for architecture: how building design can influence
behaviors and performance. Journal of Civil Engineering and Architecture, 2018.

PAIVA, Andréa de. NeuroArquitetura e o papel das emoções. Neuroau. 2018.


Disponível em: https://www.neuroau.com/post/neuroarquitetura-e-o-papel-dasemo%
C3%A7%C3%B5es. Acesso em: 02 jan. 2022.

Pinto, P. (2021). Funcionamento do cérebro: aprendizagem e mudança. Revista da


UI_IPSantarém. Edição Temática: Ciências Sociais e Humanas. 9(2),
Disponível em .https://revistas.rcaap.pt/uiips/revistauiips@ipsantarem.pt. Acesso em
18 jan 2022
19

RODRIGUES, Sônia das Dores; CIASCA, Sylvia Maria. Aspectos da relação


cérebro-cooportamento: histórico e considerações neuropsicológicas. Rev.
psicopedag.,  São Paulo ,  v. 27, n. 82, p. 117-126,   2010 .   Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
84862010000100012&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  15  fev.  2022.

RHEINGANTZ, Paulo Afonso. Uma pequena digressão sobre conforto ambiental e


qualidade de vida nos centros urbanos. Cidade & Ambiente, Santa Maria, v.1, n.
22, p. 35-58, 2001. Disponível em: <https://docplayer.com.br/15569192-Uma-
pequena-digressao-sobre-conforto-ambiental-e-qualidade-de-vida-nos-centros-
urbanos-1-paulo-afonso-rheingantz.html>. Acesso em: 7 jan. 2021.

SARTORI, G; BENCKE, P. A trajetória da “neuroarquitetura”. Academia Brasileira


de Neurociência e Arquitetura, São Paulo, 20 abr. 2021.

SANTOS, ROCILENE O. Estrutura e Funções do Córtex Cerebral. Centro


Universitário de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, 2002

SCARDUA, Angelita. Psicologia do design de interiores: em busca de uma


arquitetura da felicidade. Disponível em: <
https://angelitascardua.wordpress.com/2009/05/22/psicologia-do-design-de-
interiores-em-busca-de-uma-arquitetura-da-felicidade/ > Acesso em: 19 jan 2021.

SILVEIRA, Mara Musa Soares. O Funcionamento do Cérebro no Processo de


Aprendizagem, 2004

VILLAROUCO, Vilma. FERRER , Nicole. PAIVA, Marie Monique. FONSECA, Julia.


GUEDES, Ana Paula. Neuroarquitetura: a neurociência no ambiente construído. Rio
de Janeiro: Rio Books, 2021

VOORDT, Theo J. M. Van Der; WEGEN, Herman B. R. van. Arquitetura sob o


olhar do usuário: programa de necessidades, projeto e avaliação de edificações.
São Paulo: Oficina de Textos, 2013.

ZALESKI, Caroline Bollmann. Materiais e conforto: Um estudo sobre a preferência


por alguns materiais de acabamento e sua relação com o conforto percebido em
interiores residenciais da classe média de Curitiba. Curitiba, PR: 2006.

ZEVI, Bruno. Saber ver a arquitetura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996

Pode a arquitetura alterar o cérebro? Disponível em


https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2012/12/arquitetura-cerebro-
neurociencia.html 2012 . Acesso em 22 jan 2022

Você também pode gostar