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Livro Terceiro

Capítulo Décimo Sétimo

“Não se deve ofender um cidadão e depois confiar-lhe uma função de importância”

Neste capítulo o autor demonstra porque não se deve dar uma função de estado a quem tenha sido ofendido.

Dá exemplo do cônsul Cláudio Nero que, tendo sido enganado por um general de nome Asdrúbal (irmão de Aníbal), ficou ressentido com as repreensões que levou em Roma. Em ocasião em que poderia novamente combatê-lo, largou um exército que combatia Aníbal, para ter novamente a chance de lutar contra Asdrúbal. Questionado sobre a arriscada manobra, ele disse que se perdesse teria se vingado dos detratores; ganhando teria a honra recuperada.

Capítulo Décimo Oitavo

“Nada é mais necessário para um general do que pressentir as intenções do inimigo”

Para demonstrar a afirmação, cita Epaminondas, o tebano, quem dissera ainda que, mais difícil que saber as reais intenções do inimigo, é sabê-lo de forma puramente especulativa.

Menciona a luta dos exércitos de Francisco I contra os suíços, nos quais esses últimos, sem ter notícias de alguns dos seus soldados (que estavam mortos) supuseram estar vencendo uma batalha e se atiraram à luta no dia seguinte, em grande desvantagem.

Menciona outros exemplos de batalhas em que a informação fora fundamental para a vitória. Em dois dos exemplos, os exércitos, exauridos, se preparavam para abandonar o campo de batalha, sem vencedores, quando em um último instante, um deles ficou sabendo da batida em retirada do outro, retornando então ao campo e terminando vitorioso.

Capítulo Décimo Nono

“Se a clemência é mais necessária do que o rigor para governar a multidão”

Cita o autor um exemplo de exército que não venceu devido ao temperamento rude e duro do general e outro exército que venceu pelo temperamento mais humano do seu general. Pelos exemplos pareceria que mais vale a humanidade que a soberba para governar a massa. Mas disso dá exemplo contrário ao citar Tácito, que afirmava que mais valeria o rigor do que os favores, para governar a multidão. Mas para Maquiavel, depende de quanto tempo se governa. Se é por tempo limitado, mas vale a humanidade, se for por tempo ilimitado, mais vale o rigor e a disciplina, sendo esses moderado para não se provocar o ódio. Para se evitar o ódio dos súditos deve-se respeitar o seu patrimônio.

Capítulo Vigésimo

“Um exemplo de conduta humanitária pôde mais sobre os faliscos do que toda a força das armas romanas.”

O autor demonstra a partir de vários exemplos, que muitas vezes, os atos nobres dos governantes são mais

eficazes do que atos de violência. Cita, por exemplo, o ato de humanidade que rendeu fama a Cipião por

ter devolvido uma mulher a seu esposo na Espanha; cita também um general romano que revelou a Pirro,

general inimigo de Roma, que seu médico havia oferecido-se para envenená-lo.

Capítulo Vigésimo Primeiro

“Por que razão Aníbal, conduzindo-se na Itália de modo oposto ao comportamento de Cipião na Espanha, alcançou os mesmos resultados.”

O general Aníbal chegou à Itália obtendo êxito com extrema violência e crueldade. As cidades se uniram

a Aníbal. O autor justifica o fato pela atração que a novidade causou àqueles ávidos por reformas de uma situação de que não gostavam e também ao temor que o general causou com sua crueldade. Segundo ele, muitas vezes o chefe que é temido consegue mais obediência do que aquele que é amado.

O extremo destes dois sentimentos igualmente pode trazer a ruína do príncipe. O que se esforça demais

para ser amado pode ser desprezado. O que é cruel demais pode ser odiado.

Capítulo Vigésimo Segundo

“Como a severidade de Mânlio Torquato e a humanidade de Valério Corvino fizeram com que ambos conquistassem a mesma glória”

O autor justifica as diferenças de tratamento de seus exércitos, por esses dois generais a partir das

diferenças existentes entre esses dois exércitos. Valério, não precisava ser severo com seus comandados, pois a disciplina já era uma regra institucionalizada no exército romano. Se havia um castigo, não era por

crueldade do general, mas pelas regras que todos conheciam. Já Mânlio era severo devido às suas inclinações naturais para o rigor.

Para o autor, no exército, a maneira humana de Valério não é tão desejável como as de Mânlio. A

primeira levantaria suspeita de favorecimento a algum soldado. Mas em se tratando de política de estado,

a maneira de Valério é mais desejável, pois melhor é o soberano que é obedecido e amado, que o que é

temido e odiado. Exemplifica mencionando uma revolta de marinheiros que só foi debelada quando à eles

se apresentou um antigo comandante que era muito respeitado e amado. Mas isso logo levantou suspeitas nos cidadãos e este comandante foi preso e executado, por temor de que o mesmo pudesse no futuro

sublevar os amotinados por outras causas. Conclui então que para um príncipe o modo de agir de Mânlio

é ruim, embora útil numa república ou num estado.

Capítulo Vigésimo Terceiro

“Os motivos pelos quais Camilo foi banido de Roma”

Ainda para demonstrar o exemplo do capítulo anterior, o autor menciona Camilo, que agia como Mânlio, mais do que como Valério. Seus soldados o admiravam e o odiavam ao mesmo tempo. Ele era mais rigoroso nas punições que liberal nas recompensas. Menciona diversos exemplos desse fato e aponta que

o fato que o tornava odioso era o de ter retirado vantagens que soldados seus já possuíam e que ser objeto

de ódio sem qualquer vantagem é agir com imprudência e temeridade.

Capítulo Vigésimo Quarto

A prorrogação dos comandos militares levou à escravização dos romanos

Aqui o autor analisa algumas das razões para a dissolução do império romano. Ele aponta que a lei agrária que alterava a distribuição dos despojos de guerra foi uma das causas, mas não a única. Importante também foi a prorrogação de mandatos militares. Naquela época, o general de um exército tinha um mandato, fim do qual ele devia ser substituído. Esse mandato passou a ser prorrogado indefinidamente. Para o autor, isso impediu que novos chefes militares fossem formados. Além disso, com o tempo, os soldados passaram a se afeiçoar e a confiar somente no chefe militar, tornando-se seguidores do mesmo, inclusive no sentido de oprimir a república.

Capítulo Vigésimo Quinto

A pobreza de Cincinato e de tantos outros cidadãos romanos

Segundo Maquiavel, uma regra de outro dos governos seria a de manter seus cidadãos na pobreza. Em Roma não era diferente. Conta ele sobre Cincinato, que, pobre, fora convocado para uma expedição que salvasse o cônsul Minúcio de um cerco. Cincinato lavrava a sua terra com as próprias mãos. Após salvar Minúcio, destituiu-o do cargo de cônsul. Essa possibilidade de valor e honras, segundo o autor, fazia com que as pessoas não perseguissem riqueza, mas sim honrarias. Para ele, a riqueza foi a causa da perdição de muitas repúblicas, reinos e religiões.

Capítulo Vigésimo Sexto

Como as mulheres podem arruinar um estado

Neste capítulo Maquiavel relata casos em que uma mulher foi de importância crucial para desencadear uma guerra ou para arruinar um governante ou um estado. Exemplos disso são o ultraje contra Lucrécia que derrubou os Tarquínios do trono. O ataque contra Virgínia que precipitou os decênviros do poder. Cita Aristóteles, que considerou os ultrajes cometidos contra as mulheres como uma das causas principais da ruína da maior parte dos tirarnos. Conclui que os monarcas absolutos e os magistrados das repúblicas não devem tratar esse tema com pouca atenção.

Capítulo Vigésimo Sétimo

O que se deve fazer para restaurar a unidade numa cidade dividida, e como é falso que para conservar o poder sobre ela seja preciso mantê-la dividida.

Para Maquiavel a forma de restabelecer a tranqüilidade numa cidade é exterminar os líderes da revolta, desfazendo-se sem piedade dos culpados, bani-los da cidade ou obrigá-los a fazer a paz, sendo que esse último método seria temerário. Um estado não deve ser mantido dividido em facções, pois para o governante é impossível manter a amizade das duas facções em disputa.

Capítulo Vigésimo Oitavo

É preciso fiscalizar com cuidado o comportamento dos cidadãos, pois ocorre com freqüência que uma ação virtuosa oculta as raízes da tirania.

Conta Maquiavel que certas ações virtuosas podem trazer conseqüências funestas. Houve uma época em que os alimentos não bastavam para a população de Roma e a população sofria com a fome. Um rico cidadão romano comprou alimento por sua conta e distribuiu gratuitamente à população. O senado achou que esse cidadão ganhara excessiva influência e mandou executá-lo. Para o autor, a reputação que é obtida pela ação privada é perigosa e nociva, mas não a ação que obtida com ações públicas, pelas quais se influi para a defesa do interesse comum.

Capítulo Vigésimo Nono

As falhas dos povos têm origem nos príncipes

Neste capítulo Maquiavel descreve fatos que o permite concluir que falhas dos povos são, muitas vezes, resultado da ação dos próprios governantes. Menciona então um príncipe que criou leis difíceis de serem seguidas apenas para arrecadar impostos. Isso causava desobediência e tumultos.

Capítulo Trigésimo

O cidadão que deseja empenhar sua reputação em alguma boa obra deve primeiro vencer a inveja geral; e como é necessário provar a defesa da cidade, quando o inimigo se aproxima.

Maquiavel conta como a inveja é abandonada pelos indivíduos, diante da necessidade da ocasião, em que se faz necessário reconhecer os indivíduos mais valorosos, para superar uma situação difícil. Nesse sentido ele menciona Camilo, que várias vezes foi convocado como ditador para resolver uma situação de grande perigo. Diz ele, que se preciso o governante sábio e valoroso deve se utilizar da violência eliminando os obstáculos para conseguir atingir o seu empreendimento. Cita Moisés, a quem coube matar muitos indivíduos movidos pela inveja, que se opunham aos seus desígnios.

Capítulo Trigésimo Primeiro

As repúblicas vigorosas e os homens de caráter forte mantêm a dignidade e a firmeza interiores em qualquer situação.

Maquiavel cita novamente Camilo para quem o exercício da ditadura não lhe aumentou a coragem, nem ela diminuiu no exílio. Homens valorosos seriam sábios na sorte e na adversidade, o que não seria o caso dos homens sem força de caráter. Essa mesma disposição de caráter de algumas pessoas teria paralelo na própria república. Roma nunca teria se abatido na adversidade. Nela sempre houve homens valorosos que, chamados ao dever, sempre se dispuseram a lutar pelo estado.

Quanto as venezianos, estes agiam embriagados pela sorte, agindo com soberba na vitória e de forma covarde diante de reveses militares.

Capítulo Trigésimo Segundo

As várias maneiras já utilizadas para perturbar a paz

Para Maquiavel, um povo que rejeite toda acomodação, deve então cometer alguma grave ofensa contra aquele com quem não se deseja conciliar. Para ele o afastamento da idéia de paz será tanto maior quanto mais se tema o castigo que o ultraje cometido poderá trazer. Conclui que a ira e a obstinação de quem se

rebela estará no máximo toda vez que a possibilidade de reconciliação for nula, devido ao temor do castigo que sobre eles poderá se abater.

Capítulo Trigésimo Terceiro

Para assegurar a vitória, é necessário que o exército tenha confiança em si mesmo e no seu comandante

Neste capítulo Maquiavel descreve as qualidades que um bom comandante pode ter para inspirar seus exércitos para alcançar a vitória, dentre as quais, ser inspirador e confiante. Não fatigar inutilmente os soldados. Mostrar aos soldados que a vitória pode ser fácil e ocultar-lhe o perigo. Conclui que a confiança conduz à vitória. Seriam as pequenas coisas que têm a força de manter a união e a confiança dos soldados que são a causa primeira de todas as vitórias. Diz ele A coragem genuína, a disciplina rigorosa, a segurança que dá o hábito da vitória não se deixam anular por incidentes de tão pouca importância; e um terror sem fundamento, uma desordem imprevista, não conseguirão abatê-las.

Capítulo Trigésimo Quarto

A fama e a opinião que fazem com que o povo prestigie um cidadão; e se o critério com que ele preenche as funções públicas é melhor que o do príncipe

Para Maquiavel, o cidadão que pretende conquistar os favores do povo deve merecê-los por gestos brilhantes, como os de Tito Mânlio. Quando se trata de eleger um cidadão ainda não conhecido, o povo parte de conjecturas ou da opinião que se origina na reputação de seus antepassados ou da conduta do próprio cidadão. Ao eleger magistrados, o povo se orienta pelas provas mais concretas que os homens possam dar da sua capacidade; e quando recebe conselhos prudentes, como acontece com os príncipes, arrisca-se ao erro bem menos do que estes.

Capítulo Trigésimo Quinto

A que perigos se expõem os que tomam a iniciativa de aconselhar uma decisão; perigos ainda mais graves quando a decisão proposta tem caráter extraordinário

A história oferece muitos exemplos de cidadãos que foram exilados por ter dado conselhos com resultados infelizes. Maquiavel dá muitos exemplos disso na história romana. Para ele, os homens só avaliam um conselho pelos resultados que pode trazer. Aquele que aconselha se arrisca pelos resultados que podem advir. Sugere então que aquele que aconselha não tome o conselho como coisa própria, defendendo-se com modéstia e sem excessos.

Capítulo Trigésimo Sexto

Por que os gauleses tiveram e têm ainda a reputação de ser excepcionais no início do combate, e mais fracos do que mulheres no prosseguimento da luta

Para Maquiavel, a excelência do exército romano residia na disciplina. Nada se fazia sem previsão numa regra. A boa ordem era garantia na sorte ou na adversidade. O contrário se passava com os exércitos desordenados, como o dos gauleses. Seu ímpeto não resistia ao combate. Já os romanos, confiantes na sua disciplina, mantinham-se incansáveis e atentos mesmo durante os rigores do combate.

Capítulo Trigésimo Sétimo

Se as escaramuças são necessárias, antes de uma batalha; e como fazer para avaliar um novo inimigo, se

se quer evitá-las.

Aconselhando sobre estratégias militares, Maquiavel diz que um general prudente, quando encontra um novo inimigo de boa reputação, deve primeiro experimentar sua força com escaramuças ligeiras, antes de

se engajar numa batalha; desta forma, seus soldados perderão o temor que lhes possa haver inspirado a

reputação de coragem dos adversários. O risco é o resultado contrário ao que se espera nessas escaramuças. Um general hábil, segundo ele, deve ter o maior cuidado para não provocar um incidente que desencoraje seus soldados.

Capítulo Trigésimo Oitavo

Quais são as qualidades necessárias a um general para que possa inspirar confiança a seus soldados

Para Maquiavel, o general deve inspirar em seus soldados e discipliná-los com lutas simuladas, para lhes compensar a eventual inexperiência.

Capítulo Trigésimo Nono

Todo comandante deve conhecer a região onde faz a guerra

Maquiavel ressalta a importância do conhecimento da geografia dos terrenos dos locais a conquistar. Esse é um conhecimento estratégico para seus exércitos.

Capítulo Quadragésimo

Na guerra, a fraude é uma conduta gloriosa

A fraude quando é astúcia e usada na guerra é louvável e não é quebra da palavra. Segundo ele: Embora

seja condenável empregar a fraude na vida ordinária, durante a guerra ela é louvável e gloriosa. E quem vence os inimigos usando a fraude não merece menos elogios do que quem triunfa pela força das armas.

Menciona vários exemplos.

Capítulo Quadragésimo Primeiro

A pátria deve ser defendida com glória ou infâmia; em qualquer caso será bem defendida

Quando é necessário deliberar sobre uma decisão da qual depende a salvação do Estado, não se deve deixar de agir por considerações de justiça ou injustiça, humanidade ou crueldade, glória ou ignomínia. Deve-se seguir o caminho que leva à salvação do Estado e à manutenção da sua liberdade, rejeitando-se tudo o mais.

Capítulo Quadragésimo Segundo

Não se deve cumprir as promessas extraídas pela força.

Para Maquiavel, não é vergonhoso deixar de cumprir as promessas impostas pela força; quando interessa à coisa pública, quebram-se promessas, sem que a vergonha recaia sobre quem as tenha rompido, desde que a força as impôs deixe de existir.

Capítulo Quadragésimo Terceiro

Os homens nascidos no mesmo país conservam quase sempre o mesmo caráter

Nesse capítulo Maquiavel aponta que características dos homens determinam o futuro da nação em que vivem. Para ele, é igualmente possível conhecer o futuro a partir do passado desta nação. Os homens de uma mesma nação, segundo ele, partilham de características que podem ser reconhecidas ao longo da história. Assim, ele aponta as características que foram determinantes em algum momento da história dos bárbaros, dos romanos, dos gauleses dentre outros.

Capítulo Quadragésimo Quarto

Com audácia e violência muitas vezes se consegue o que não conseguiu com meios ordinários

Maquiavel descreve uma passagem de Tito Lívio no qual descreve uma decisão tomada por um marques francês, diante da indecisão que poderia provocar as dificuldades em passar por um território fortificado, cheio de dificuldades. Tal decisão, por ter sido rápida recebeu o salvo conduto que precisava, coisa que não teria conseguido se fosse vacilante, demonstrando assim a proposição deste capítulo.

Capítulo Quadragésimo Quinto

Qual o método mais vantajoso numa batalha: sustentar o primeiro choque do inimigo para atacá-lo em seguida, ou lançar-se antes sobre ele, com todo ímpeto

Através do exemplo de duas batalhas, uma comandada por Fábio e outra por Décio, ele suporta a opinião de que sustentar o primeiro choque do inimigo para atacá-lo em seguida é uma atitude preferível à de lançar-se com todo o ímpeto. Justifica através o moral que se segue durante a batalha, que pode se esgotar no segundo caso, mas é ainda nova no primeiro.

Capítulo Quadragésimo Sexto

Por que certas famílias conservam por muito tempo os mesmos costumes

Para Maquiavel, não só o sangueé responsável por determinar os costumes das famílias e das nações, mas também a educação que se dá aos homens. Diferentes decisões e temperamentos ao longo da história de famílias eminentes na história de Roma podem demonstrar esse fato.

Capítulo Quadragésimo Sétimo

Por amor à pátria, o bom cidadão deve esquecer as ofensas particulares.

Maquiavel dá um exemplo de que o dever de Estado deve se sobrepor aos interesses particulares e nisso reside a virtude dos cidadãos.

Capítulo Quadragésimo Oitavo

Quando se vê o inimigo cometer um erro muito grande, deve-se crer que ele esconde alguma armadilha.

Um general não se pode deixar seduzir por um erro manifesto cometido pelo inimigo; deve suspeitar de alguma fraude, pois não é verossímil que os homens levem tão longe sua imprudência.

Capítulo Quadragésimo Nono

Para manter sua liberdade, uma república necessita, todo dia, de novas providências; e sobre os méritos pelos quais Quinto Fábio foi cognominado Máximo.

A generosidade com que os romanos concediam aos estrangeiros o direito de cidadania tinha introduzido em Roma um número tão elevado de imigrantes e sua influência sobre as eleições era grande que o governo começava a se modificar, afastando-se das instituições e dos estadistas que estava acostumado a seguir. Quinto Fábio percebeu o perigo que o Estado corria e reuniu essas famílias de imigrantes, fonte de desordens, em quatro tribos, impondo-lhes limites estreitos, para que não corrompessem toda Roma. Fábio avaliou bem o problema, e aplicou ao mal o remédio verdadeiro. A república ficou tão reconhecida que passou a chamá-lo de Máximo, isto é, o Grande.