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Privados duplicam oferta de

residências universitárias em dois


anos
Apesar do aumento da oferta, o mercado das residências
para estudantes é ainda embrionário. A taxa de
cobertura é de 10%, e a média na Europa é de 18%

TEXTOS HELDER C. MARTINS

Cerca de 8 mil camas em residências privadas deverão entrar em operação até 2024
nas cidades de Lisboa e do Porto, revela um estudo realizado pela consultora Savills.
A confirmarem-se os projetos previstos, a nova oferta privada mais do que duplicará
as atuais cerca de 5500 camas em operação. Mas, apesar do aumento da oferta
registada nos últimos cinco anos — só entre 2020 e 2021 abriram dez unidades
privadas —, este segmento de mercado ainda é considerado “embrionário” pelas
consultoras.

Dos cerca de 412 mil estudantes matriculados no ano letivo 2020-21, 14% eram
estudantes internacionais, revela o estudo.

“A taxa de cobertura entre oferta e procura de camas por estudantes deslocados


ronda os 10% em Portugal, incluindo operadores públicos e privados e alojamento
informal, quando a média europeia se situa nos 18%”, afirma Horácio Blum, diretor
de Investimento da Savills. Em Lisboa, a oferta situa-se nos 4% e no Porto nos 7,5%,
num total de 126 residências e 10 mil camas nas duas cidades, segundo o estudo.

A restante procura é respondida pelos tradicionais “quartos” e pelo mercado de


arrendamento.

Lisboa tem 55% dos estudantes deslocados e o Porto 50%, com preços por cama
entre os €400 e os €1100 em Lisboa e entre os €380 e os €1000 no Porto. Blum
salienta que a pandemia veio trazer novas tendências de procura, como os WC
privados e áreas comuns com equipamentos que potenciem a interação.

“Nos próximos anos, mais de 4278 camas de operadores privados estão previstas
para Lisboa e mais de 3609 para o Porto”, lê-se no estudo (ver quadro). Destes
totais, a Smart Studio é responsável por mais 1200 camas, seguida pela Xior no
Lumiar (500) e pela The Student Hotel no Campus da Universidade Nova de
Carcavelos (435). No Porto, no Polo da Asprela, estão previstas já para 2022 a
abertura da residência da LIV Student, com 856 camas, seguida pela BigCity (241) e
a Odalys (211).

“O interesse dos investidores está também a estender-se a outras cidades


académicas, como Coimbra, Aveiro, Braga, Évora e Covilhã”, acrescenta Blum.

Do ponto de vista do investimento institucional, este segmento considerado


alternativo no imobiliário tem sido pontuado por grandes transações de carteiras. A
Smart Studios, um dos maiores operadores do mercado, anunciou recentemente que
tem o seu portefólio à venda por €200 milhões, por exemplo.

Novos operadores internacionais, como a Amro e a francesa Odalys, juntam-se a um


mercado onde as empresas estrangeiras dominam o grosso da oferta. Porém, há
ainda muito espaço para crescer, adianta Blum, dado que a oferta de qualidade e
dimensão é ainda insuficiente.

Potencial de crescimento

Na mesma linha, Nuno Nunes, diretor de Investimento da CBRE, salienta que há


grande apetite internacional e nacional porque o número de camas está ainda muito
abaixo da média europeia. “Portugal é ainda um mercado subdesenvolvido, as
residências para estudantes oferecem rendibilidades superiores a 5%, quando nos
escritórios prime são de 4%. E há também um interesse crescente de estudantes
estrangeiros por Portugal”, sintetiza.

André Vaz, responsável pelo Living e Alternativo da JLL, acrescenta que a dinâmica
do mercado levou já a que cerca de 40% da oferta prevista tenha sido já
transacionada em três ou quatro operações de investimento institucional.

Liam Odonnel, diretor-geral da Global Engineering, confirma que o mercado


português tem potencial para crescer.

“Temos em fase final de licenciamento uma residência na Amadora com 507


quartos, 27 mil metros quadrados de construção e que será feita em módulos de
betão. O investimento ronda os €25 milhões”, adianta.

Esta nova residência junta-se a outra com 52 quartos que está já a ser construída
com os módulos desenvolvidos pela portuguesa DDN Engenharia.

Oferta estabiliza preços

Todos os consultores veem com bons olhos a intenção do Governo de criar mais 15
mil camas até 2026 como forma de adequar a oferta aos estudantes com menores
rendimentos e a estabilizar os preços (ver texto ao lado).

“A médio prazo e a confirmar-se o crescimento da oferta privada e pública, a


tendência terá impacto no mercado residencial de arrendamento, permitindo
também estabilizar preços”, diz Nuno Nunes.

André Vaz, por seu turno, salienta a necessidade de maior celeridade nos
licenciamentos camarários, para reforçar a chegada de mais oferta ao mercado.

Salienta que não só há grande número de investidores interessados na promoção de


residências universitárias como quer a oferta pública quer a privada chegariam mais
rápido ao mercado. hmartins@expresso.impresa.pt

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