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Fitoterapia nos Ciclos Da Vida

Brasília-DF.
Elaboração

Juliane Costa Silva Zemdegs

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário

APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................. 5

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA..................................................................... 6

INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8

UNIDADE I
FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO............................................................................................. 11

CAPÍTULO 1
FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO................................................................................ 11

UNIDADE II
FITOTERAPIA NA INFÂNCIA.................................................................................................................... 26

Capítulo 1
FITOTERAPIA NA INFÂNCIA....................................................................................................... 26

UNIDADE III
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER...................................................................................................... 30

CAPÍTULO 1
SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL.................................................................................................... 30

CAPÍTULO 2
QUEIXAS CLIMATÉRIAS............................................................................................................. 36

CAPÍTULO 3
DISTÚRBIOS FUNCIONAIS DA MENSTRUAÇÃO: AMENORREIA E DISMENORREIA.......................... 43

CAPÍTULO 4
LEUCORREIA........................................................................................................................... 46

UNIDADE IV
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA......................................................................................................... 48

CAPÍTULO 1
DOENÇAS CARDIOVASCULARES –INSUFICIÊNCIA CARDÍACA................................................... 48

CAPÍTULO 2
DOENÇA DE ALZHEIMER......................................................................................................... 53

CAPÍTULO 3
DOENÇAS RENAIS, DAS VIAS URINÁRIAS E PRÓSTATA................................................................ 59
CAPÍTULO 4
DOENÇAS DAS VIAS RESPIRATÓRIAS........................................................................................ 68

CAPÍTULO 5
INSÔNIA, DEPRESSÃO E FADIGA.............................................................................................. 76

CAPÍTULO 6
FADIGA................................................................................................................................... 84

PARA (NÃO) FINALIZAR...................................................................................................................... 89

REFERÊNCIAS................................................................................................................................... 90
Apresentação

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se


entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da
Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos


conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos
da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional
que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-
tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo


a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

5
Organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em


capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de
Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Praticando

Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer


o processo de aprendizagem do aluno.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

6
Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Exercício de fixação

Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não
há registro de menção).

Avaliação Final

Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso,


que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber
se pode ou não receber a certificação.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem


ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

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Introdução
As plantas foram usadas como fonte de cura ao longo da história e continuam a
servir como base para muitos fármacos utilizados hoje em dia. Embora a indústria
farmacêutica moderna tenha nascido da medicina botânica, as abordagens sintéticas
para a descoberta de medicamentos tornaram-se padrão. No entanto, as plantas
continuam a ser uma fonte valiosa de compostos terapêuticos. A principal vantagem
dos medicamentos botânicos é a sua composição complexa que consiste em coleções
de compostos relacionados com múltiplas atividades que interagem para uma maior
atividade total.

Os suplementos dietéticos, em uma definição ampla, englobam uma variedade de


partes de plantas, vitaminas, minerais e outros nutrientes ou compostos bioativos. Este
termo será bastante utilizado no presente material e especial atenção será devotada
às plantas medicinais. Assim sendo, para pesquisar plantas fontes de nutrientes ou
compostos específicos, convido o leitor a conhecer o site do Dr. Duke – Bases de dados
fitoquímicos e etnobotânicos – um banco de dados para consultas específicas em
fitoquímica, promovido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos USDA
<http://www.ars-grin.gov/duke/index.html>.

Além disso, esse material não pretende ser uma descrição exaustiva dos estudos acerca
do uso de plantas medicinais. Muitas informações acerca da eficácia e da segurança
das plantas ainda não são conhecidas do ponto de vista científico. No entanto, a
comunidade científica é bem capacitada para encontrar os métodos adequados para o
estudo da medicina tradicional e, gradativamente, nossos conhecimentos estão sendo
amplificados. Neste sentido, convido igualmente o leitor a conhecer o aplicativo ESCOP
da European Scientific Cooperative on Phytotherapy que tem por objetivo ajudar a
avançar as pesquisas e conhecimento científico das plantas medicinais. O aplicativo
possui uma extensa lista progressivamente alimentada de plantas e seus respectivos
usos.

Apesar da ampla difusão do uso de plantas medicinais, tanto os médicos como outros
profissionais da saúde não costumam perguntar a seus pacientes acerca do uso de
plantas com efeito preventivo ou de tratamento de patologias. As informações contidas
nesse material ajudarão os profissionais da saúde a explicarem a seus pacientes as
evidências que apoiam ou não o uso de diferentes plantas medicinais. Em todos os
casos é preciso orientar o paciente que os fitoterápicos não são compostos mágicos que
podem neutralizar maus hábitos de vida. Portanto, os fitoterápicos e os suplementos

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dietéticos, de uma forma mais abrangente, constituem uma abordagem de estilo de
vida saudável que pressupõe alimentação balanceada, atividade física regular, controle
do estresse, do tabagismo, entre outros.

Objetivos
»» Analisar, refletir e formar sólido conhecimento a respeito da utilização de
plantas medicinais e fitoterápicos durante os diferentes estágios da vida.

»» Analisar e compreender as evidências científicas a respeito do uso


de fitoterápicos na gestação e lactação; infância; saúde da mulher e
gerontologia.

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FITOTERAPIA NA
GESTAÇÃO E UNIDADE I
LACTAÇÃO

CAPÍTULO 1
Fitoterapia na gestação e lactação

As mulheres são importantes consumidoras de produtos e tratamentos para o cuidado


da saúde, incluindo a utilização de medicina complementar e alternativa. Segundo
estudos, as razões pelas quais as mulheres utilizam suplementos dietéticos e, mais
especificamente, os fitoterápicos incluem o desejo de ter controle pessoal sobre a sua
saúde, a insatisfação com o tratamento convencional, bem como preocupações com
os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais. Essas preocupações podem
explicar, em parte, o fato de muitas mulheres usarem medicamentos à base de plantas
durante a gravidez. Evidências sugerem que a ansiedade em prejudicar o feto leva
algumas mulheres a evitar o tratamento farmacêutico convencional. Além disso, existe
a crença que estes possam ser substituídos por produtos à base de plantas, considerados
mais “naturais”. Uma vez que os medicamentos à base de plantas não são regulados
no mesmo grau que os medicamentos convencionais, é importante estar ciente
sobre a utilização de fitoterápicos particularmente durante a gestação, um período
potencialmente vulnerável para a mãe e o feto/bebê.

Embora seja verdade que muitas plantas tenham efeitos de tratamento e efeitos
colaterais suaves, dados relativos à segurança do seu uso durante a gravidez são muito
limitados. Assim, ao abordar a segurança de uma planta durante a gravidez, devemos
considerar a totalidade das evidências disponíveis. A grande maioria das plantas carece
de estudos sérios que garantam a segurança de utilização, principalmente durante o
primeiro trimestre de gestação. Sem essas provas, é difícil para os profissionais da saúde
prescreverem de maneira segura. Assim sendo, como regra geral, não se recomenda
nenhum fitoterápico durante a gestação.

Evidência de eficácia não é prova de segurança, pois estes dois termos não são sinônimos,
e seria irresponsável para profissionais de saúde perpetuar o mito de que, uma vez
que as plantas são medicamentos «naturais» seriam portanto «seguras» ou «mais

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UNIDADE I │ FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO

seguras» do que os medicamentos convencionais. Os medicamentos fitoterápicos agem


farmacologicamente. Eles contêm uma grande variedade de componentes com ações,
indicações, contraindicações, precauções e efeitos colaterais específicos e, portanto,
eles devem ser prescritos apropriadamente.

Muitas vezes, o medicamento natural é utilizado para condições não relacionadas à


gestação ou à lactação, tais como resfriado e dor de cabeça. No entanto, também são
utilizados para condições específicas da gestação e lactação. No quadro 2, estão listados
as plantas medicinais e suplementos dietéticos mais comumente recomendados para o
uso durante a gestação e a lactação, bem como as respectivas finalidades de uso.

Quadro 2. Plantas medicinais comumente recomendadas durante a gestação e lactação e

a condição relacionada.

Plantas medicinais Uso


Alfafa Estimular lactação
Black cohosh Induzir parto
Blessed thistle (cardo abençoado) Estimular lactação
Blue cohosh Induzir parto
Caraway (cominho) Estimular lactação
Castor oil (oleo de rícino) Induzir parto
Foeniculum vulgare (Erva-doce) Estimular lactação
Fenugreek (fenacho) Estimular lactação
Matricaria recutita L. (Camomila-alemã) Náuseas
Zingiber officinalis (Gengibre) Náuseas
Goat’s rue Estimular lactação
Motherwort Dores do parto
Vaccinium macrocarpon (Cranberry) Prevenção e tratamento de infecções do trato urinário
Rubus idaeus L (Raspberry leaf) Preparar colo do útero para o parto e facilitar o parto
Fonte: Holst et.al, 2011; Mengue et al., 2001.

Acredita-se que muitos produtos naturais melhoram as condições relacionadas


à gestação e à lactação, mas poucos possuem evidência de eficácia confiável. A
inclusão na lista não significa que estes produtos sejam eficazes e seguros.

Entre as plantas medicinais que mais apresentam estudos de segurança para seu
uso na gestação e lactação o gengibre ganha destaque. Em seu estudo de revisão, L.
Hols et. al (2011) relataram nove estudos clínicos e um estudo prospectivo que não
encontraram efeitos adversos de gengibre quando usado durante quatro dias até três
semanas numa dose diária de 1g. Outro estudo relatado não encontrou nenhuma
diferença significativa entre o efeitos do gengibre e da suplementação de vitamina B6

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FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO│ UNIDADE I

para náuseas (SRIPRAMOTEAND LEKHYANANDA, 2003). Além disso, outros estudos


encontraram melhor efeito do gengibre do que a vitamina B6 (SMITH et al, 2004;.
CHITTUMMA et al, 2007;. ENSIYEHAND SAKINEH, no prelo) e efeito tão eficaz como
o dimenidrinato (PONGROJPAWETAL, 2007) e significativamente superior ao placebo
(FISCHER-RASMUSSENETAL, 1990; VUTYAVANICHETAL, 2001;. WILLETTS et al,
2003). Comparado com dimenidrinato, o gengibre causou menos efeitos colaterais
(PONGROJPAWETAL, 2007).

Um estudo sobre os efeitos na prevenção de infecções do trato urinário (UTI) na


gravidez encontraram uma tendência não significativa para uma menor incidência de
UTI com o uso de múltiplas doses diárias de suco de cranberry e não houve diferença
entre os grupos em relação aos resultados obstétricos e neonatais (ASA et al., 2008).
Neste estudo, as formulações de suco de cranberry e placebo foram utilizados a partir
da semana 16, porém este estudo não é suficiente para documentar a segurança do
cranberry durante a gravidez. Além disso, cranberry não deve ser usado para auto-
tratamento de UTI devido a preocupações quanto à sua falta de eficácia.

Dois ensaios clínicos testaram o uso de folhas de framboesa, um com doses de 2,4 g/
dia a partir da 32 a semana de gestação e outro estudo retrospectivo com várias doses
e durações (PARSONSETAL, 1999;. SIMPSON et al, 2001.). Nenhum dos estudos
mostrou efeitos adversos do uso da folha de framboesa. Estes dois estudos não são
suficientes para documentar a segurança e a eficácia de folhas de framboesa na gravidez,
no entanto, se uma mulher quer usar o remédio de qualquer maneira, ele deve ser
utilizado apenas durante o último trimestre, devido aos possíveis efeitos sobre o útero
(BRADLEY, 2006). Um terço das usuários de folha framboesa neste estudo utilizou o
no primeiro ou segundo trimestres, porém, a segurança de seu uso no início da gravidez
necessita exploração.

Devido a uma falta de evidência de segurança, eficácia e para o risco de reações


alérgicas, a camomila geralmente não é recomendada durante a gravidez (SUBIZA et
al, 1989;. JENSEN-JAROLIMETAL, 1998.). No entanto, quando usado em chás em
uma dose que não exceda um a dois copos da infusão por dia, não há documentação que
indica qualquer risco fetal. Além da camomila, de acordo com o FDA, hortelã-pimenta
é seguro como aditivo alimentar (Food and Drug Administration, 2008), mas nenhuma
documentação para a segurança de doses utilizadas para fins medicinais e nenhuma
documentação de eficácia contra náuseas e vômitos durante a gravidez foi encontrado
e, portanto, o remédio deve ser evitado por mulheres grávidas.

Um estudo prospectivo do uso de equinácea durante a gravidez não apresentaram


diferenças significativas em abortos espontâneos e malformações entre usuários e

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UNIDADE I │ FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO

não-usuários (GALLO e KOREN, 2001). O remédio foi usado por um período de cinco
a sete dias em várias doses de 250 mg a 1000 mg na forma de comprimidos ou de
30 gotas como tintura. Este estudo não é suficiente para documentar a segurança do
medicamento durante a gravidez.

Uma outra preocupação em relação ao uso de plantas medicinais na gestação é a


sua interação com nutrientes. Por exemplo, quando o ferro e ervas contendo tanino
forem tomadas simultaneamente, os taninos podem interferir com a absorção de ferro
(MILLER, 1998; PHILP, 2004).

Enjôos matinais e hiperemese gravídica


Náuseas e vômitos são comumente relatados pelas mulheres no início da gravidez.
As taxas de prevalência são de 50 a 80% para as náuseas e 50% para os vômitos
(MILLER,2002; WOOLHOUSE,2006). Náuseas e vômitos na gravidez podem ter
efeitos adversos graves sobre a qualidade de vida da mulher, podendo afetar suas
funções ocupacionais, sociais e seu bem-estar geral.

A hiperemese gravídica é um quadro clínico grave e incapacitante, que afeta 0,3 a 3%


das gestantes e cujas complicações representam potencial risco de vida (ELIAKIM,
2000; JEWELL, 2003; MILLER, 2002). A hiperemese gravídica é caracterizada
por vômitos severos e persistentes. Uma definição amplamente utilizada descreve a
hiperemese gravídica como “vômito intratável associado à perda de peso de mais do
que 5% do peso pré-gestacional, desidratação e desequilíbrios eletrólitos que podem
levar à hospitalização” (MILLER, 2002).

É provável que a hiperemese gravídica possua uma etiologia multifatorial, o que


contribui para a dificuldade de tratamento. O tratamento é de suporte e inclui correção
da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos, tratamento antiemético, prevenção
e tratamento de complicações como encefalopatia de Wernicke, síndrome da
desmielinização osmótica, tromboembolismo e bom apoio psicológico.

Muitos remédios são sugeridos para náuseas e vômitos no início da gravidez, incluindo
invervenções farmacêuticas e não farmacêuticas. Tratamentos farmacêuticos incluem
anticolinérgicos, anti-histamínicos, antagonistas da dopamina, vitaminas (B6 e B12),
antagonistas H3 ou combinações destas substâncias (KOREN,2002; KOUSEN,1993;
MAGEE,2002; QUINLAN, 2003). Os efeitos teratogênicos (capacidade perturbar o
crescimento ou desenvolvimento do embrião ou feto) de medicamentos tais como a
talidomida, utlizados no passado para controlar estes sintomas,aumentaram a cautela
sobre a prescrição de medicamentos no primeiro trimestre de gestação.

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FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO│ UNIDADE I

O gengibre é comumente utilizado no tratamento de náuseas, incluindo enjoos pós-


quimioterapia e relacionados à gestação e é um dos medicamentos naturais mais
conhecidos e utilizados para náuseas e vômitos relacionados à gravidez. Acredita-se que
o gingerol seja o principal responsável pelo efeito antiemético do gengibre. Já o shogaol
e o galanolactone parecem atuar sobre os receptores de serotonina, notavelmente do
íleo. A parte significativa da planta usada na medicina herbal é a raiz fresca ou seca.
A quantidade de constituintes do gengibre varia entre as formas frescas, secas e
semissecas.

Cerca de seteestudos clínicos foram publicados sobre o uso do gengibre para o


tratamento de náuseas e vômitos durante a gravidez. Em geral, os estudos mostraram
diminuição das náuseas e vômitos com o uso de gengibre, sem efeitos adversos para a
gestante nem para o bebê. O risco de malformações em recém-nascidos de mulheres que
ingeriram suplementos de gengibre não parece ser maior do que a taxa de referência de
1% para 3%. As mulheres que sofrem de náuseas e vômitos durante a gestação podem
ter dificuldade para engolir cápsulas e o chá de gengibre também pode ajudar.

Gengibre é conhecido por ser um irritante para o estômago e causar azia. Assim,
qualquer mulher com azia coexistente deve evitar o gengibre. É possível que o gengibre
estimule a secreção de bile e é, portanto, contraindicado para pessoas com história de
cálculo biliar. A ação anticoagulante do gengibre é um fator importante a se considerar.
O gengibre possui efeito hipotensor e não é aconsehado para pessoas propensas a
tontura e em uso de medicação anti-hipertensiva. Além disso, é possível que o gengibre
cause arritmias cardíacas e deve ser evitado por pessoas com doença cardíaca. É melhor
evitar o gengibre na presença de doenças do trato intestinal inferior tais como síndrome
do intestino irritável ou úlcera duodenal. Há evidências de potencial interação entre o
gengibre e anticoagulates, barbitúricos, benzodiazepinas, beta-bloqueadores e outras
plantas, como o gingko biloba.

Também é comum, entre as gestantes, o uso de folhas de framboesa na forma de


chá, comprimido ou tintura. Estudos encontraram uma prevalência de uso durante a
gravidez que varia de 7 a 58%. As razões para o uso incluem aliviar náuseas, fortalecer
ou preparar o útero, suavizar ou preparar o colo do útero, induzir ou facilitar parto. As
conclusões dos estudos em animais e in vitro dos efeitos da folha de framboesa sobre
os tecidos do útero e outros tecidos do músculo liso são um pouco contraditórias. Os
primeiros estudos encontraram relaxamento, bem como contração do útero, enquanto
que estudos mais recentes observaram inibição das contrações e relaxamento do tecido
do útero e do músculo liso intestinal. Os diferentes métodos de extração podem explicar
em parte estes efeitos contraditórios. As evidências para a segurança e a eficácia da folha
de framboesa na gravidez são fracas. O fato de o produto ter sido usado por décadas

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UNIDADE I │ FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO

na medicina tradicional não constitui evidência e não é considerado garantia suficiente


para a segurança ou eficácia.

O mecanismo de ação da folha de framboesa vermelha ainda não foi elucidado. Os dados
em seres humanos mostram que ele tem efeitos estimuladores ou espasmolíticos sobre
o útero, possivelmente sendo dose e tecido dependente. Por exemplo, em doses baixas,
a folha de framboesa pode causar mais contração, enquanto doses mais elevadas podem
ter efeitos espasmolíticos e diminuir contração. A folha de framboesa pode diminuir
a contração dos tecidos tônicos e aumentar a contração dos tecidos relaxados. Não é
possível, no momento, propor com segurança o uso da folha de framboesa para náuseas
e vômitos matinais do início da gestação.

A piridoxina (vitamina B6) é comumente usada para as náuseas matinais da gestação.


O Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia – ACOG considera a piridoxinacomo
tratamento de primeira linha. Algumas pesquisas clínicas mostraram que 25 mg a cada
8 horas reduz significativamente as náuseas e vômitos relacionados à gravidez em
comparação ao placebo. Doses mais baixas também possuem efeitos contra as náuseas,
mas podem não funcionar tão bem para prevenir os vômitos.

A camomila-alemã e o dente-de-leão (Taraxacum officinales) também foram utilizados


contra as náuseas e vômitos matinais da gestação, mas não há nenhuma evidência
confiável de que sejam eficazes para este uso. O óleo ou chá de menta (Mentha piperita)
também são comumente utilzados contra as náuseas e os vômitos matinais da gestação.
Há evidências de que a hortelã possa ajudar a “acalmar” o trato digestório e diminuir
as dores de estômago. No entanto, não há nenhuma evidência confiável de que ele
funciona para náuseas e vômitos relacionados à gravidez. Também não há informações
confiáveis sobre a segurança da hortelã durante à gravidez.

Prevenção da pré-eclâmpsia
Estudos indicam que cerca de 10% das mulheres terão aumento da pressão arterial em
algum momento da gestação. As síndromes hipertensivas da gravidez correspondem a
um espectro de condições que são geralmente classificadas em quatro categorias:

»» a hipertensão gestacional: um aumento da pressão arterial durante a


segunda metade da gravidez;

»» a pré-eclâmpsia: geralmente hipertensão com proteinúria (proteína na


urina) durante a segunda metade da gravidez;

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FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO│ UNIDADE I

»» a hipertensão crônica: um aumento da pressão arterial antes da gravidez


ou antes de 20 semanas de gestação;

»» pré-eclampsia sobreposta à hipertensão crônica.

A pré-eclâmpsia é uma desordem que envolve diversos órgãos: fígado, rins, cérebro
e placenta e afeta 2 a 8% das gestantes (WHO, 1988) e está associada a um aumento
da morbidade e mortalidade tanto da gestante quanto do bebê. As complicações para
a mãe podem incluir eclâmpsia (convulsões), acidente vascular cerebral, insuficiência
hepática ou renal, coagulação anormal do sangue e problemas para o bebê, que incluem
fraco crescimento e parto prematuro.

A administração por via intramuscular ou intravenosa do sulfato de magnésio é


considerada o tratamento de escolha para gerenciar a pré-eclampsia. Evidências
epidemiológicas sugerem que o aumento da ingestão de magnésio está significativamente
associado a um menor risco de hipertensão arterial na população em geral. Ensaios
prospectivos de intervenção também demonstraram que a pressão arterial elevada pode
ser significativamente reduzida por intermédio de dieta rica em magnésio, potássio e cálcio.

O alho é utilizado há séculos por seus efeitos benéficos na promoção da saúde


cardiovascular.As utilizações medicinais do alho incluem a prevenção de infecções,
tratamento de resfriado, gripe, bronquite, tosse, gastroenterite, disenteria e problemas
de pele. O alho é também utilizado por seus efeitos anti-hipertensivos e anti-
hiperlipidêmicos. Há relatos de que o alho exerça efeitos antibacterianos, antivirais e
antifúngicos.Acredita-se que o principal constituinte ativo do alho seja a alicina, que
possui um forte odor de sulfureto. Quando os dentes de alho crus são triturados ou
mastigados, a alicina é formada a partir do principal composto de enxofre do alho,
o alliin, por ação da enzima alliinase. Apesar de outros constituintes do alho serem
biologicamente ativos, a importância dos seus diferentes constituintes para explicar
os benefícios do alho para a saúde permanece desconhecida. Estes compostos são
encontrados em concentrações variáveis no alho, na cebolinha, no alho-poró e nas
cebolas e a composição química varia consideravelmente de acordo com os métodos
de processamento, e, em geral são mais elevados no alho do que em outras plantas da
família. Acredita-se que o alho exerça seus efeitos anti-hipertensivos graças aos seus
efeitos no relaxamento do músculo liso e vasodilatação pela ativação da produção de
óxido nítrico.

Existem fundamentos teóricos razoáveis para sugerir que o alho possa ajudar a prevenir
a pré-eclâmpsia e suas complicações. Embora o alho esteja associado ao odor, outros
efeitos colaterais mais graves não foram relatados. No entanto, mais ensaios clínicos
randomizados são necessários, particularmente em partes do mundo onde a ingestão

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UNIDADE I │ FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO

de alho é comum. Pesquisas são necessárias para esclarecer se os potenciais benefícios


para a saúde são específicos de preparações particulares, constituintes ou doses.

O cálcio também parece desempenhar um papel contra o desenvolvimento da pré-


eclâmpsia. Pesquisas clínicas mostram que 1 a 2 gramas por dia de cálcio diminui o
risco de hipertensão associada à gravidez e pré-eclampsia,cerca de 50% em comparação
ao placebo. O efeito parece ser maior em mulheres de alto risco e mulheres com baixas
concentrações de cálcio. É fundamental aconselhar todas as mulheres grávidas e
lactantes a assegurar o consumo da quantidade recomendada de cálcio, que é de 1000
mg/dia, para mulheres 19 a 50 anos de idade, e de 1300 mg/dia para mulheres com
menos de 19 anos.

Existe uma teoria de que o estresse oxidativo possa desempenhar um papel no


desenvolvimento da pré-eclampsia. Como resultado, há grande interesse no uso de
suplementos antioxidantes para prevenir a pré-eclâmpsia. Uma combinação de vitamina
C e vitamina E tem sido utilizada em vários ensaios clínicos. Algumas pesquisas clínicas
mostram que esta combinação pode ajudar a prevenir a pré-eclâmpsia em pacientes
de alto risco. No entanto, outras pesquisas não foram positivas. Uma análise destes
estudos com antioxidantes mostrou que, em geral, a ingestão de vitamina C e vitamina
E não reduz significativamente o risco de desenvolvimento de pré-eclampsia.

Outras plantas com possíveis efeitos para diminuir risco de pré-eclâmpsia estão listadas
a seguir:

»» Borago officinalis – borragem;

»» Linum usutatissimo – linhaça;

»» Oenothera biennis L = prímula;

»» Sesamum indicum L – gergelim.

Nota: A inclusão nesta lista, não significa que estes produtos sejam eficazes e seguros.

Depressão pós-parto
A depressão pós-parto é uma condição médica que afeta muitas mulheres e o
desenvolvimento de seus filhos. Há falta de evidências para o tratamento e estratégias
de prevenção seguras para mães e bebês. Certas deficiências alimentares durante a
gestação ou período pós-natal foram associadas à depressão pós-parto e, ao se corrigir
essas deficiências, a depressão pós-parto pode ser evitada em algumas mulheres. Os

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FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO│ UNIDADE I

exemplos específicos de suplementos alimentares destinados a prevenir a depressão


pós-parto incluem: ácidos graxos ômega-3, ferro, ácido fólico, s-adenosil-L-metionina,
cobalamina, piridoxina, riboflavina, vitamina D e cálcio. No entanto, até o momento,
não há comprovações suficientes para recomendar qualquer suplemento dietético para
a prevenção da depressão pós-parto.

Existe um relato de caso publicado sobre o uso da erva-de-são-joão (Hypericum


perforatum – hipérico) durante a gestação. Trata-se de uma mulher de 38 anos que
começou a ingerir a erva-de-são-joão na 24a semana gestacional. Sua gravidez foi
normal, com exceção de início tardio de trombocitopenia, que o autor não atribuiu a
ela. O bebê nasceu saudável, teve um peso normal ao nascer, índice de Apgar, exame
físico e resultados laboratoriais normais. Avaliação comportamental da criança aos 4 e
a 23 dias estavam dentro dos limites de normalidade.

Em 2009, um estudo de corte prospectivo seguiu 54 mulheres grávidas expostas


à erva-de-são-joão o durante a gravidez, 54 mulheres grávidas sob medicamentos
anti-depressivos, e 54 mulheres grávidas com controles saudáveis, sem exposição
teratogênica durante a gravidez. Verificou-se que as taxas de más-formações foram
semelhantes entre os 3 grupos (de 5%, 4% e 0%), tendo em vista que a taxa de má-
formação na população em geral é de 3 a 5%.

Estudos realizados in vitro mostraram que o hipérico é mutagênico e tóxico para os


espermatozóides, o que suge que este não deva ser utilizado por mulheres que estão
tentando engravidar. O hipérico também interfere na ação de alguns anovulatórios orais
(pílulas anticoncepcionais) e não é recomendado para crianças, gestantes e lactantes.

Os ingredientes ativos do extrato de hipérico não são conhecidos. Comprovadamente,


o hipérico inibe a enzima catecol O-metiltransferase que degrada alguns
neurotransmissores como a dopamina. Além disso, ele inibe a recaptação de serotonina
e reduz a expressão de interleucina 6.

O hipérico é comercializado em várias formulações:chás, gotas, comprimidos e cápsulas.


O extratro padronizado de hipérico (300 a 900mg/dia) representa um fitoterápico
efetivo e relativamente seguro para pessoas com depressão leve e moderada, ansiedade
e transtorno afetivo sazonal.

Outras plantas com possíveis efeitos contra a depressão pós-parto estão listadas a
seguir.

»» Glycyrrhiza glaba – alcaçuz;

19
UNIDADE I │ FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO

»» Panax ginseng – ginseng asiático (propriedades energéticas e antiestresse,


propriedades adaptogênicas, isto é, potencializa a energia e ajuda no
combate ao estresse e na manutenção da calma);

»» Withania somnifera – ashwagandha – ginseng indiano (combate o


estresse e a fadiga, relaxante após eventos estressantes).

Nota: A inclusão nesta lista, não significa que esses produtos sejam eficazes e seguros.

Cãimbras nas pernas


As cãimbras nas pernas são um problema comum na segunda metade da gravidez,
experimentada por cerca de 50% das mulheres grávidas (SALVATORE, 1961) e podem
ser particularmente problemáticas durante a noite. O mecanismo pelo qual elas ocorrem
não está claro, mas cãimbras nas pernas também ocorrem em pessoas saudáveis, como
os atletas. Alguns possíveis mecanismos foram sugeridos: diminuição do retorno
venoso decorrente da pressão intra-abdominal elevada com a progesterona diminuindo
o tônus da musculatura venosa e deficiências nutricionais provocadas pelas exigências
do feto em crescimento. A dor parece ser causada por um acúmulo de ácido láctico e
ácido pirúvico que levam à contração involuntária dos músculos afetados, geralmente
nas pernas. Embora a cãibra não cause nenhum dano duradouro para o músculo, ela
pode ser muito dolorosa e, infelizmente, é muito mais comum durate à noite na cama.
O alongamento e a massagem do músculo afetado parece ser útil, possivelmente por
dispersar o acúmulo de ácidos.

Há evidências de que a suplementação de cálcio não seja eficaz no tratamento de


mulheres que sofrem cãimbras na gravidez. Por outro lado, um estudo recente
demonstrou que 300mg/dia de cálcio bisglicinato quelato melhorou a frequência
e intensidade das cãimbras durante a gestação. Outra pesquisa clínica preliminar
mostrou que a ingestão de 1g de cálcio duas vezes ao dia pode reduzir a ocorrência
de cãimbras nas pernas, no segundo e terceiro trimestres.

O cloreto de sódio, quando administrado em doses elevadas, parece ser útil; porém,
há uma alta taxa de recaída com a interrupção do tratamento e pode haver efeitos
adversos sobre a pressão sanguínea. É possível que um ou mais dos componentes dos
comprimidos multivitamínicos/minerais ajudem a prevenir a cãimbra, mas a evidência
não é forte o suficiente para recomendar o seu uso.

As cãimbras nas pernas podem ser um problema preocupante para muitas mulheres
grávidas. Uma das abordagens mais comuns para tratá-las é a ingestão de magnésio,

20
FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO│ UNIDADE I

mas as evidências são conflitantes. Algumas pesquisas clínicas mostram que 120 mg
de magnésio pela manhã e 240 mg à noite reduzem significativamente as cãimbras.
Outra pesquisa clínica relatou que 360 mg por dia de magnésio não é efetivo contra as
cãimbras.

Também não há nenhuma pesquisa confiável que confirma que a vitamina E seja eficaz
para as cãimbras nas pernas relacionadas à gravidez.

Ingurgitamento mamário
O ingurgitamento mamário é uma condição dolorosa e desagradável que afeta um grande
número de mulheres no ínicio do período pós-parto, o que pode ser particularmente
angustiante devido às demandas do bebê. O ingurgitamento mamário pode inibir o
desenvolvimento de uma amamentação bem-sucedida e conduzir à interrupção precoce
do aleitamento materno; além disso, está associado à doenças mais grave, incluindo a
infecção da mama.

Cerca de dois dias após dar à luz, as mamas da mulher enchem de leite, um processo
fisiológico. Como parte deste processo, as mamas ficam pesadas e inchadas, mas
em circunstâncias normais este processo não deve ser difícil nem doloroso. O
ingurgitamento mamário ocorre se o bebê retira menos leite do peito do que o volume
produzido pela mãe. O ingurgitamento primário ocorre nos primeiros dia pós-parto,
quando o corpo da lactante ainda está ajustando o volume de leite produzido às
demandas do bebê. O ingurgitamento secundário ocorre mais tarde, quando a lactante
não está amamentando na frequência habitual ou o bebê remove menos leite da mama.
Além do ingurgitamento mamário, o esvaziamento inadequado da mama pode resultar
em outros problemas, como a infecção da mama. Uma vez que o ingurgitamento
mamário ocorrer, a massagem suave, a alimentação frequente, o bom posicionamento
e compressas quentes parecem aliviar os sintomas, além da analgesia para aliviar a
dor. Além disso, vários métodos farmacológicos e nãofarmacológicos de tratamento
estão sendo investigados.Para ingurgitamento mamário, algumas mulheres utilizaram
folhas de repolho verde e estas promoveram alívio similar à aplicação de pacotes de gel.
Um creme contendo extrato de folhas de couve também foi utilizado em um estudo, no
entanto, não reduziu os sintomas mais do que o placebo.

21
UNIDADE I │ FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO

Plantas que estimulam a lactação e que


interferem na qualidade do leite materno
As glândulas mamárias iniciam o seu desenvolvimento geralmente entre a 16a e 22a
semana gestacional. Esse estágio de desenvolvimento é referido como a fase de iniciação
ou lactogênese I. A secreção de leite durante esta fase é inibida por altos níveis de
progesterona no soro. Imediatamente após o parto, o colostro é liberado. Este primeiro
leite é de fácil digestão, repleto de nutrientes e anticorpos. A produção de colostro dura
cerca de dois dias.

Cerca de 40 horas após um parto a termo, inicia-se a lactogênese II. Após a expulsão
da placenta, a concentração de progesterona diminue drasticamente permitindo o
aumento da concentração de prolactina, um hormônio peptídico liberado pela glândula
pituitária. A secreção de prolactina é também estimulada pela sucção de leite. Até ao
quinto dia após o parto, as mulheres podem produzir 500 a 750 mL de leite por dia,
com a produção atingindo um volume entre 700 e 1000 ml, após a segunda semana
pós-parto.

Durante todo o processo de lactação, o volume de leite varia com base em fatores
fisiológicos, tais como a sucção direta e os requerimentos diários de leite da criança. O
aleitamento também estimula a liberação de oxitocina, permitindo a descida do leite. O
fator inibidor de lactação – FIL, um hormônio de baixo peso molecular, é responsável
pelo efeito estimulante do processo de remoção de leite. Durante a síntese do leite, o
FIL acumula-se nos alvéolos, bloqueando progressivamente a secreção de prolactina,
inibindo a produção de leite. Quando o peito é esvaziado, o bloqueio é removido e a
produção de leite desinibida. A remoção frequente do leite materno é crítica para a
manutenção da fonte de leite, minimizando o FIL.

Este esvaziamento físico da mama e reenchimento devido à procura também


é conhecido como lactogênese III. Outros hormônios envolvidos no processo
de lactogênese incluem a insulina e os hormônios da tiroide, que proporciona
nutrientes para o processo de lactação e para a resposta mamária aos hormônios de
crescimento, respectivamente. Além da fisiologia da lactação, fatores psicológicos
e sociais desempenham um papel importante na produção de leite materno; a
percepção de inadequação e a ansiedade inibem a produção de leite. Além disso,
condições endócrinas, como hipotireoidismo, diabetes e síndrome do ovário
policístico, podem afetar a lactação.

Os galactagogos são medicamentos, alimentos ou suplementos dietéticos utilizados


para apoiar o início, a continuação ou o aumento da produção de leite materno. As
indicações de uso de galactogosos podem incluir a separação da mãe e da criança por

22
FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO│ UNIDADE I

um período de tempo, após a adoção (para induzir a lactação), imaturidade da criança


ou a restauração do fornecimento de leite após desmame.

Diversas plantas que estimulam a lactação foram identificadas na literatura com vários
graus de evidências científicas, principalmente anedóticas. O uso de cardo de leite
(Carduus marianus) e de feno-grego (Trigonella foenum-graecum L) foi relacionado
ao aumento da produção de leite. No entanto, evidências sobre os efeitos colaterais e
as propriedades farmacodinâmicas e farmacocinéticas permanecem escassas. O feno-
grego não deve ser usado durante a gravidez, pois pode estimular o útero. Altas doses de
feno-grego pode alterar o odor da mãe e do bebê. Apesar de muitas mulheres buscarem
plantas galactagogas no período pós-parto, poucas evidências clínicas justificam a sua
eficácia.

O Vitex agnus-castus L – vitex, agnocasto, é historicamente utilizado para promover a


lactação em mulheres com problemas para produzir leite. As lactantes com concentrações
elevadas de prolactina e supressão da função ovariana apresentam, com frequência,
sinais e sintomas associados a transtornos do desenvolvimento folicular e insuficiência
do corpo lúteo. Uma revisão da literatura enumerou diversas opiniões sobre o uso de
agnocasto durante a gestação e, de maneira geral, o uso é contraindicado. O uso durante
a lactação é igualmente controverso.

Quadro 2. São apresentadas informações de reações adversas sobre plantas galactogogas


comumente utilizadas

Planta galactogoga Mecanismo proposto Efeitos adversos documentados


Asparagous racemosus Não identificado Coriza, conjuntivite, dermatite de contato e tosse
Coleus amboinicus Lour Não identificado Hipoglicemia, hipertireoidismo e aumento do risco de hemorragia
Trigonella foenumgraecum Estimular a produção de suor (glândulas Rinite, desmaio, edema, diarréia, flatulência, exacerbação da
mamárias são consideradas glândulas asma e hipoglicemia
sudoríparas modificadas)
Silybum marianum Não identificado Nauseas, flatulência, diarréia e choque anafilático se houver
alergia
Foeniculum vulgare Não identificado Dermatite atópica, fotosensibilidade e aumento da motilidade
gastrointestinal
Cnicus benedictus Aumento do fluxo sanguine mamário Aumento do risco de hemorragias
Vitex agnuscastus Aumento dos níveis de prolactina Nauseas, flatulência, diarréia, azia, vômitos.
Fonte: Adapatado de Zapantis et al., 2012.

23
UNIDADE I │ FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO

Plantas contraindicadas na gestação e


lactação
Muitas plantas são contraindicadas durante a gestação por apresentarem risco de
aborto, potencial propriedade teratogênica, citotóxica, entre outros efeitos indesejáveis.
Algumas dessas plantas, cujos efeitos indesejáveis foram identificados quando utilizadas
durante a gestação e lactação, estão listadas a seguir.
Achillea millefolium (mil folhas) Allium sativum (alho) Aloe vera (aloe)
Anemopaegma (catuaba) Angelica archagelica (angélica européia) Angelica sinensis (dong quai)
Arctium lappa (bardana) Arctostaphylos uva-ursi (uva-ursi) Aristolochia (cipó mil homens)
Arnica montana (arnica) Artemisia ansithum (artemísia) Artemisia ansinthum (losna)
Asrtemisia vulgaris (artemisia) Astragalus lentiginosus (astragalos) Baccharis trimera (carqueja)
Berberis vulgaris (berberis) Brassica alba(mostarda) Calendula officinalis (calêndula)
Cassia angustifolia (sene) Chelidonium majus (celidônia) Chendodendron tomentosum (abutua)
Cinchona (quina) Cimifuga racemosa (cimifuga) Cinnamomum zeylanicum (canela)
Coix lacrima-joli (conta de lágrima) Colchicum autumnale (colchico) Coleus barbatus (boldo nacional)
Commiphora myrra (mirra) Conium maculatum (cicuta) Copaifera langsdorfii (óleo de copaiba)
Crataegus oxycantha (crataegus) Crocus sativus (açafrão verdadeiro) Crysanthemus vulgaris (crisantemo)
Curcuma longa (açafrão) Curcuma zedoaria (açafrão) Cymbopogus citratus (capim limão, capim cidreira)
Datura stramonium (trambeteira) Equisetum arvensis (cavalinha) Ephera sinica (mahuang)
Eupatorium spp (eupatório) Foeniculum vulgaris (funcho) Fuccus vestibulosus (fucus)
Glycine max(soja) Glycyrrhiza spp (alcaçuz) Gossypium herbaceum (algodoeiro)
Harpagophytum procubens (garra do diabo) Hedera helix (hera) Hibiscus rosa-sinensis (hibisco)
Hydrastis cannadensis (hidraste) Hypercum perforatum (erva de São João) Inula viscola
Laminaria kombu (alga) Leonorus cardiaca Leonorus sibiricus (erva macae)
Levisticu officinalis Linum usistatissimum Ligusticum chuanxiang
Lobelia inflata (lobélia) Mentha pulegium (poejo) Mikania glomerata (guaco)
Momordica charanthia Myristica fragans (noz moscada) Origanum vulgaris (orégano)
Phytolacca decandra (fitolaca) Pilocarpus jaborandi (jaborandi) Plantago spp (tanchagem)
Plumerica lancifolia (agoiada) Poligonum hidropiper (erva de bicho) Portulaca oleracea (beldoegra)
Prunus persica (pessego) Punica granatum (roma) Rauwolfia serpentaria
Rosmarinus officinais (alecrim) Ruta graveolens (arruda) Sassafras spp
Smilax spp (salsaparilha) Spondias mombin (cajazeira) Solanum paniculatum (jurubeba)
Sylibum marianum (cardo mariano) Symphytum officinalis (confrei) Tanacetum partheinum (tanaceto)
Tebebuia impetiginosa (ipê) Thuya occidentalis Thymus vulgaris (tomilho)
Urtiga dioca
Fonte: Mengue et al., 2001. Adaptado.

24
FITOTERAPIA NA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO│ UNIDADE I

Plantas contraindicadas durante a lactação

Muitas plantas são contraindicadas durante a lactação por diminuir a produção de leite,
alterar o sabor do leite, provocar cólicas no bebê. Algumas destas plantas, cujos efeitos
indesejáveis foram identificados quando utilizadas durante a lactação, estão listadas a
seguir.
Salvia officinalis (sálvia) Mentha piperita (hortelã) Cynara scolimus (alcachofra)
Achillea millefolium (mil folhas) Allium sativum (alho) Aloe vera
Anemopaegma (catuaba) Angelica archagelica (angélica européia) Angelica sinensis (dong quai)
Arctium lappa (bardana) Arctostaphylos uva-ursi Aristolochia (cipó mil homens)
Cinnamomun comphora L (cânfora) Jasminum L (jasmim) Maytenus ilicifolia (espinheira santa)
Vaccinium myrtillus L (mirtilho) Arnica montana(arnica) Artemisia vulgaris (artemisia)
Astragalus lentiginosus (astragalos) Phyllanthus niruri (quebra predra) Rhamus purshiana (cáscara sagrada)
Trheum palmatum (ruibarbo) Tanacetum vulgaris (catinga de mulata)
Fonte: Mengue et al., 2001. Adaptado.

A nossa compreensão sobre a segurança de medicamentos convencionais durante a


gravidez e o aleitamento é muito limitada devido à falta de pesquisas feitas nesta área.
Para os fitoterápicos, a quantidade de pesquisa é ainda menor. Como resultado, há uma
falta de informações confiáveis sobre os efeitos desses produtos em mulheres grávidas
ou lactantes.

Como foi possível perceber, com exceção para o gengibre, há poucos estudos sobre a
segurança e eficácia de fitoterápicos durante a gestação. Por este motivo, a prescrição de
fitoterápicos não é recomendada durante a gestação e a lactação. No entanto, algumas
plantas, como a camomila (Matricaria chamomilla), por exemplo, quando utilizadas
na forma de chás e não ultrapassando o uso domético de 1 a 2 xícaras por dia, não
apresentam documentação de risco fetal.

25
FITOTERAPIA NA UNIDADE II
INFÂNCIA

Capítulo 1
Fitoterapia na Infância

Muitos pacientes pediátricos e suas famílias fazem uso de suplementos alimentares,


fitoterapia e homeopatia, porém nem sempre divulgam essas informações a seus
profissionais de saúde. É importante que os profissionais de saúde estejam conscientes
acerca das pesquisas disponíveis nessa área e discutam o uso desses produtos
abertamente com seus pacientes. Como parte desse diálogo, os profissionais da saúde
precisam considerar se o nível de eficácia é aceitável para apoiar o uso desses produtos
por seus pacientes. Esta avaliação risco/benefício deve considerar a segurança, a
eficácia, a condição médica a ser tratada, as crenças pessoais e as preferências dos
pacientes e suas famílias.

A escolha pelo uso da fitoterapia em pediatria se relaciona a benefícios que vão além de
seus efeitos relacionados ao conteúdo de fitoquímicos. Segundo Fintelmann & Weiss
(2010):

“... a própria preparação do agente terapêutico, por exemplo, o chá, ou o tratamento


na forma de compressas ou banhos, os quais são aplicados utilizando-se as mãos – no
sentido literal -, reforça a relação entre adultos e crianças, uma vez que, durante a
preparação e aplicação, estabelece-se a comunicação humana. Para nenhuma outra
faixa etária a preparação farmacêutica dos chás é tão adequada quanto o é para
crianças pequenas. Por isso, eles devem ser sempre preferidos nas prescrições.”

As informações a respeito da segurança da fitoterapia são normalmente provenientes


de relatos de casos publicados na literatura médica. Há uma necessidade considerável
de melhor notificação acerca dos eventos adversos da fitoterapia em crianças. Sem
uma comunicação de qualidade, os relatos de eventos adversos não podem ser
interpretados de forma confiável e não contribuem de forma significativa para orientar
as recomendações de uso.

26
FITOTERAPIA NA INFÂNCIA│ UNIDADE II

Além disso, uma questão particularmente importante em pediatria é a dosagem. A


relação dose/efeito dos medicamentos são normalmente realizadas em adultos. As
principais formas farmacêuticas de fitoterápicos utilizadas na primeira infância, ou
seja, até quatro anos, são infusões e chás. Formas farmacêuticas contento álcool para
crianças menores de 4 anos devem ser prescritas apenas sob indicação muito restrita,
uma vez que o tempo de eliminação do álcool é maior em crianças.

Segundo Fintelmann & Weiss (2010):

“Em muitas doenças na infância, o médico deve prestar atenção principalmente a


procurar promover e estimular a resistência para a autocura do organismo, até mesmo
suavizando-a quando em intensidade excessiva, sem, no entanto, neutralizá-la. Isto
certamente é mais fácl de ser realizado com os fitoterápicos do que com a maioria dos
medicamentos sintéticos, especializados em efeitos isolados, para os quais existe um alto
potencial de efeitos indesejáveis. Todavia, também existem critérios para os fitoterápcios,
devido ao uso pediátrico destes medicamentos ser menos recomendado. Isto se aplica
principalmente a extratos alcoólicos, mas também ao uso interno e externo de óleos
essenciais, como, por exemplo, o mentol, que é constituinte de vários óleos essenciais. Em
aplicaçõe errôneas de medicamentos ricos em mentol, podem ocorrer desde depressões
respiratórias a, até mesmo, parada respiratória.”

Estabelecendo a posologia em pediatria


Estabelecer a dosagem e posologia para o uso de uma planta medicinal é um desafio para
o profissional prescritor, visto que muitos dados disponíveis na literatura de referência
não contemplam todas as formas farmacêuticas disponíveis no mercado e não existem
dados suficientes para todas as plantas.

Além disso, os dados disponíveis na literatura referente à dosagem são para indivíduos
adultos. São poucas as referências para o uso pediátrico de fitoterápicos. Portanto,
enquanto os dados de estudos clínicos pediátricos não são estabelecidos, cabe ao
profissional adaptar essa dose para o uso pediátrico. Segue uma tabela, com um cálculo
proposto pelo CONBRAFITO para conversão de doses para crianças com até 20kg.

Dose pediátrica (crianças até 20kg) = (50% da posologia sugerida/20) x peso da criança (kg)

Fonte: Panizza, 2012.

27
UNIDADE II │FITOTERAPIA NA INFÂNCIA

Doenças do trato digestório


Alterações no trato digestório são muito comuns na infância. Algumas plantas são
comumente utilizadas nesse caso, sem que efeitos adversos significativos tenham sido
relatados na literatura.

São fitoterápicos comumente utilizados em doenças digestórias infantis:

Indicação Nome cintífico Nome popular


Espasmos Matricaria chamomila Camomila
Mentha piperita Hortelã
Melissa officinalis Melissa
Antiemético Zingiber officinale Gengibre
Flatulência Ocimum basilicum e Origanum majorana L. Óleos essenciais de manjericão, manjerona
Matricaria chamomila Camomila
Mentha piperita Hortelã
Carvi Endro ou cominho
Foeniculum vulgare Funcho
Citrus aurantium Laranja amarga
Diarréia Vaccinium myrtilus Mirtilo
Cammelia sinensis Chá verde
Constipação Linum usitatissimum L Linhaça
Plantago psyllium Psillium
Inapetência Citrus aurantium Laranja amarga
Acorus calamus Cálamo
Angelica archangelica Angélica
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

OIllicium verum Hook f, anis estrelado, usado para o tratamento de cólias infantis,
possui efeito neurotóxico em crianças.

Doenças das vias respiratórias


Infecções das vias respiratórias ocorrem frequentemente em crianças. As infecções
graves devem ser tratadas com antibióticos; já as condições mais simples alcançam
bons resultados com fitoterápicos.

As plantas listadas abaixo são comumente utilizadas na forma de gargarejos, infusões,


sucos ou xaropes para tratar doenças das vias respiratórias em crianças.

28
FITOTERAPIA NA INFÂNCIA│ UNIDADE II

Quadro 3. Fitoterápicos comumente utilizados em doenças respiratórias infantis

Indicação Nome cintífico Nome popular


Dor de garganta Salvia officinalis Sálvia
Tosse Plantago lanceolata Tanchagem
Tosse seca (ação de mucilagem) Althaea officinalis L Raíz de alteia
Malva silvestris Malva
Verbascum densiflorum Verbasco
Tosse produtiva (ação de saponinas) Glycyrrhiza glabra L Alcaçuz
Primula veris Flores de prímula
Febre e resfriado Salix alba Casca de salgueiro
Tilia platyphyllos scop. Flores de tília
Matricaria chamomila Flores de camomila
Fonte: Fintelmann eWeiss, 2010; Barnes et al., 2012.

Nervosismo, agitação e distúrbios do sono


Como fitoterápico de primeira escolha no caso de crianças não se deve utilizar a
valeriana, como ocorre para os adultos, mas sim o maracujá e a erva-cidreira.

Quadro 4. Fitoterápicos comumente utilizados em distúrbios de nervosismo, agitação e do sonoinfantis

Indicação Nome cintífico Nome popular


Nervosismo, agitação e distúrbios do sono Passiflora incarnata Maracujá
Melissa officinalis Melissa, erva-cidreira
Lanvandula angustifolia Lavanda, alfazema
Enurese noturna Eschsholtzia californica Papoula da califórnia
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

Doenças dermatológicas

Quadro 5. Fitoterápicos comumente utilizados em doeças dermatológicas infantis

Indicação Nome cintífico Nome popular


Dermatites Calendula officinalis Calêndula
(dermatites purulentas
dermatites de fraldas)
Dermatites Matricaria recutita Camomila
(Fase de cicatrização)
Hematomas Arnica montana Arnica
Rosmarinus officinalis Alecrim
Queimaduras Hypericum perforatum Hipérico, erva-de-são-joão
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

29
FITOTERAPIA EM UNIDADE III
SAÚDE DA MULHER

CAPÍTULO 1
Síndrome pré-menstrual

O conjunto de sintomas conhecido com “síndrome pré-menstrual” – SPM recebeu


denominação oficial em 1931, mas seus sintomas têm sido reconhecidos desde a
antiguidade. Aproximadamente 85% das mulheres são afetadas pela SPM em diferentes
graus.

Para essa síndrome, mais de 150 sintomas foram associados à SPM, os quais são mais
comuns: irritabilidade, agitação, dor de cabeça, depressão, sensibilidade mamária,
retenção de líquidos e ganho de peso. Esses sintomas geralmente aparecem na segunda
metade do ciclo menstrual, cerca de 7-10 dias antes do início do período seguinte.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV),


um diagnóstico de SPM requer pelo menos 5 dos 11 sintomas listados a seguir e pelo
menos um destes sintomas deve ser grave: humor deprimido, tensão, alterações de
humor ou irritabilidade.

»» Diminuição do interesse em atividades usuais;

»» Humor deprimido;

»» Dificuldade de concentração;

»» Sentir-se sobrecarregado;

»» Insônia ou hipersonia;

»» Irritabilidade;

»» Falta de energia;

»» Mudança significativa no apetite;

30
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

»» Mudanças de humor;

»» Sintomas físicos, como inchaço e dores nas mamas;

»» Tensão.

A forma grave da SPM é chamada de transtorno disfórico pré-menstrual (PMDD) e


afeta cerca de 5 a 10% das mulheres. Os sintomas são mais graves do que os da SPM e
interferem significativamente nas atividades diárias da mulher.

Quadro 6. Fitoterápicos comumente utilizados na sindrome pré-mestrual

Ação Nome científico/popular


Analgésicos e anti-inflamatórios Óleo de Primula vulgaris/Primula
Gingko biloba/Gingko
Antidepressivos Hypericum perforatum/Erva de São João
Agentes hormonais Actaea racemosa/ Black cohosh
Vitex agnus-castus
Angelica sinensis/Dong quai
Trifolium pratense/Trevo vermelho
Diversos Crocus sativus/Açafrão
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

Acredita-se que muitos produtos naturais melhorem a síndrome pré-menstrual,


mas poucos possuem evidência de eficácia confiável. A inclusão na lista não
significa que estes produtos sejam eficazes para a síndrome pré-menstrual.

Os sintomas da SPM variam de mulher para mulher e podem ser difíceis de tratar.
O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas – ACOG recomenda a seguinte
abordagem geral para o tratamento da SPM:

»» Passo 1: terapia de suporte, dieta rica em carboidratos complexos,


exercício aeróbico, suplementos nutricionais (por exemplo, cálcio,
magnésio, vitamina E), espironolactona.

»» Passo 2: inibidor da recaptação de serotonina (fluoxetina ou sertralina


como escolha inicial) para as mulheres que não respondem, considerar
um ansiolítico para sintomas específicos.

»» Passo 3: a supressão hormonal da ovulação (contraceptivos orais ou


agonista de hormônio liberador de gonadotrofina – GnRH).

31
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER

O cálcio é um dos minerais mais estudados para tratar a SPM. Os pesquisadores


começaram a suspeitar de uma relação entre o cálcio e a SPM quando notaram que a
deficiência de cálcio e a SPM compartilham sintomas similares. Além disso, mulheres
que têm SPM tendem a ter concentrações anormalmente baixas de cálcio no momento
da ovulação, em comparação às mulheres sem SPM. Baixas concentrações de cácio
estimulam a produção de hormônio da paratireoide, que em excesso pode alterar o
humor, possivelmente via interação com a serotonina.

Algumas evidências sugerem que mulheres que consomem em média 1.283 mg/dia de
cálcio na dieta têm um risco de cerca de 30% menor de desenvolver sintomas da SPM,
em comparação às mulheres que consomem 529 mg/dia.Ensaios clínicos também
apresentam um forte argumento a favor dos benefícios do cálcio em mulheres com
SPM. Esses ensaios mostram que 1.000-1.200 mg de cálcio elementar por dia durante
alguns meses melhora significativamente o humor, diminui o inchaço, os desejos por
comida e as dores.

A deficiência de magnésio pode ser outro fator que contribue para os sintomas da
SPM. Mulheres com SPM tendem a ter concentrações mais baixas de magnésio do que
mulheres sem SPM. Mulheres com SPM que ingeriram 360 mg/dia de suplementos
de magnésio melhoraram o humor e diminuiram a retenção hídrica. O magnésio pode
também reduzir a enxaqueca pré-menstrual. Os mecanismos pelos quais o magnésio
pode melhora os sintomas da SPM não foram elucidados. No entanto, esse mineral está
envolvido na atividade da serotonina e de outros neurotransmissores e também tem
um papel importante na contração vascular e na estabilidade da membrana celular. Há
menos evidências da eficácia do magnésio do que do cálcio, mas é válido considerar a
suplementação de magnésio para mulheres com enxaqueca pré-menstrual, retenção de
líquidos e alteração de humor.

A vitamina E é muitas vezes recomendada para a SPM. Há alguma evidência de


que mulheres com SPM que ingeriram vitamina E, 400 UI/dia, durante três ciclos,
melhoraram o humor, a ansiedade e o desejo por alimentos. Os mecanismos pelos
quais a vitamina E podem melhorar os sintomas da SPM não são conhecidos.Porém,
a evidência não é forte o suficiente para recomendar vitamina E e doses iguais ou
superiores a 400 UI /dia aumentam o risco de mortalidade em mulheres com diabetes
ou doença cardíaca.

Há evidências preliminares de que o aumento da ingestão de vitamina D na dieta ou em


forma suplementos esteja associado a uma diminuição do risco de SPM ou diminuição
da severidade dos sintomas da SPM. Mulheres com uma ingestão média de vitamina D
de 706 UI/dia apresentaram cerca de 40% menos risco de desenvolver os sintomas da

32
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

SPM do que mulheres com uma ingestão média de vitamina D de 112 IU/dia. Oriente os
pacientes a garantirem as quantidades adequadas de vitamina D dietética, bem como
exposição solar.

A piridoxina (vitamina B6) é uma vitamina frequentemente recomendada para a


SPM. Existe uma teoria de que a SPM possa estar relacionada a baixas concentrações
de dopamina e a piridoxina é um cofator necessário para a produção de dopamina.
Outra teoria é que a piridoxina e outras vitaminas do complexo B poderiam prevenir
o acúmulo de lipídios no fígado, o que poderia melhorar o metabolismo do estrogênio
e, potencialmente, os sintomas da SPM. Não existem muitas evidências científicas que
apoiam estas teorias. No entanto, estudos clínicos demonstraram que a suplementação
de 100 mg/dia de piridoxina pode diminuir os sintomas gerais da SPM.

O manganês é um mineral menos estudado em relação aos sintomas da SPM. A baixa


ingestão dietética de manganês tem sido associada ao aumento dos sintomas da SPM.
Há alguma evidência de que ingerir manganês em combinação com o cálcio possa
melhorar os sintomas da SPM, tais como irritabilidade, humor deprimido, ansiedade,
tensão, agitação. Por enquanto, não há evidências de que o efeito seja do manganês e,
portanto, não se recomenda a suplementação.

A ingestão de 80 mg de extrato da folha de gingko biloba, duas vezes por dia, com início
no dia 16 do ciclo menstrual até o 5o dia do próximo ciclo, aliviou a retenção de líquidos
e suas consequências, tais como o inchaço e sensibilidade das mamas, dor pélvica e
inchaço das mãos e pés. Os mecanismos pelos quais o gingko apresenta tais efeitos
não foram elucidados. Postula-se que ele inibe o fator de agregação plaquetária (PAF)
que normalmente desencadeia a inflamação, levando à congestão vascular e edema.
Portanto, acredita-se que a ginkgo possa ter um efeito anti-inflamatório.

Em teoria, o óleo de prímula poderia aumentar as concentrações de ácido gama


linolênico GLA e diminuir a inflamação, possivelmente, aliviando alguns dos sintomas
da SPM. No entanto, vários estudos de pequena escala sugerem que o óleo de prímula
não alivia os sintomas da SPM.

A erva-de-são-joão é o antidepressivo mais estudado dentre os fitoterápicos. Numerosos


estudos mostram que esta erva pode ser benéfica para a depressão leve e moderada.
No entanto, só há uma evidência muito preliminar de que a erva-de-são-joão possa
melhorar os sintomas da SPM. Ela apresenta diversas interações medicamentosas e
é um potente indutor do citocromo P450 3A4, bem como pode diminuir a eficácia de
medicamentos tais como os inibidores da protease do HIV, os inibidores nãonucleósidos
da transcriptase reversa, os contraceptivos orais, a ciclosporina e algumas estatinas.

33
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER

O SAMe (S-adenosyl-L-methionine) é outro antidepressivo natural bastante estudado.


O SAMe é uma substância presente nas células do corpo. Ele é um metabólito direto
do aminoácido L-metionina. Seu papel bioquímico envolve a doação de um carbono
do grupo metila no processo de transmetilação. Estudos demonstraram que o SAMe
aumenta as concentrações de serotonina, noradrenalina e dopamina e possui efeitos
benéficos na depressão. No entanto, não há nenhuma evidência confiável de que ele
funcione para os sintomas da SPM.

Aconselhe os pacientes a evitarem suplementos contendo L-triptofano ou 5-HTP. Eles


são frequentemente comercializados para a depressão, a ansiedade e, por vezes, para
a SPM. Na verdade, há alguma evidência de que o L-triptofano possa melhorar alguns
sintomas da SPM, mas a segurança destes produtos é controversa. Anos atrás, esses
produtos foram relacionados a vários casos de síndrome de eosinofilia mialgia.

Muitas teorias sobre a SPM são baseadas em desequilíbrios hormonais. Alguns


pesquisadores atribuem a ansiedade e a depressão da SPM ao aumento das
concentrações de estrogênio e diminuição da progesterona. Acredita-se que os desejos
por comida, as dores de cabeça, a fadiga e as palpitações possam estar relacionados à
resistência à insulina, baixas concentrações de prostaglandina E1 anti-inflamatória e
altas concentrações de prostaglandinas 2 pró-inflamatória. Já a retenção hídrica foi
atribuída a concentrações elevadas de aldosterona.

O chasteberry (Vitex agnus-castus) parece melhorar os sintomas físicos da SPM, como


dores nas mamas, edema e constipação. Ele também parece melhorar a irritabilidade,
o humor e a enxaqueca. Em algumas mulheres, o chasteberry melhorou em até 50% os
sintomas da SPM. Há também algumas evidências de que chasteberry possa melhorar
os sintomas mais graves da PMDD.

Um estudo comparou o chasteberry à fluoxetina 20-40 mg/dia. Segundo este estudo,


ele foi mais eficaz para os sintomas físicos da SPM, enquanto que a fluoxetina foi mais
eficaz para os sintomas emocionais da SPM. Os mecanismos pelos quais ele age para
aliviar os sintomas da SPM não foram completamente elucidados. Estudos indicam que
o chasteberry pode afetar os receptores de dopamina, acetilcolina e opióides. Outros
estudos revelaram ainda que pode alterar a atividade do etrogênio e da progesterona.
O chasteberry parece promissor, porém os estudos disponíveis até o momento são
limitados pelo tamanho pequeno das amostras ou desenhos experimentais inadequados.

O black cohosh (Actaea racemosa), o trevo vermelho e a soja podem ser úteis para os
sintomas da menopausa, mas não há muita evidência de que eles aliviariam os sintomas
da SPM.

34
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

Por último, o açafrão também parece aliviar os sintomas da SPM e PMDD. Até agora,
os efeitos do açafrão foram avaliados apenas em pacientes com PMDD. A ingestão 15
mg de extrato de açafrão duas vezes por dia melhorou significativamente os sintomas
da PMDD após dois ciclos menstruais. Os mecanismos de ação do açafrão não foram
eluciados. Postula-se que este tenha um efeito antidepressivo. Outra pesquisa mostrou
que o açafrão pode ser tão eficaz quanto os antidepressivos tricíclicos em baixa dose ou
fluoxetina para sintomas da depressão maior.

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CAPÍTULO 2
Queixas climatérias

Há cem anos, não havia tão grande interesse e preocupação em relação à menopausa
como atualmente. Em 1900, as mulheres tipicamente viviam até cerca de 50 anos de
idade e a idade típica da menopausa é de 51 anos de idade. Hoje, a idade típica da
menopausa ainda é de 51, mas a expectativa de vida é de aproximadamente 80 anos.

Na década de 1990, a “terapia de reposição hormonal” de longo prazo era utilizada


por milhões de mulheres para evitar a osteoporose, a doença cardiovascular, a doença
de Alzheimer e outras complicações pós-menopausa. Este cenário mudou em 2000
quandograndes estudos epidemiológicos constataram que o estrogênio conjugado e
a medroxiprogesterona aumentam o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular
cerebral, tromboembolismo venoso e câncer de mama. Resultados adicionais
acrescentaram preocupações em relação ao aumento o risco de demência e incontinência
urinária.

A terapia com estrogênio/progesterona também não parece melhorar a qualidade


de vida em mulheres idosas pós-menopausa sem sintomas de menopausa. A terapia
com estrogênio/ progesterona também não é mais recomendada para a prevenção de
doenças a longo prazo. Atualmente esta terapia é recomendada apenas em curto prazo
para controlar os sintomas da menopausa. A maioria dos especialistas recomenda não
utilizá-la por mais de cinco anos.

A transição da menopausa é a transição entre a fertilidade e menopausa, quando


a menstruação se torna menos frequente, também muitas vezes chamada de
perimenopausa ou climatério. A menopausa é definida como a interrupção dos ciclos
menstruais durante 12 meses consecutivos. Ao contrário de outras glândulas endócrinas,
que funcionam ao longo da vida, os ovários são programados para funcionarem até
cerca de 50 anos de idade. A idade da menopausa natural varia entre 40 e 58 anos de
idade.

Os sintomas da menopausa podem persistir por semanas, meses ou anos. A gravidade


dos sintomas varia muito entre as mulheres. Os primeiros sinais são sangramento
menstrual irregular ou prolongado que pode se tornar grave. Como as concentrações
de estrogênio diminuem, os sintomas vasomotores, incluindo ondas de calor e suores
noturnos, também podem ocorrer. Isto pode criar um efeito dominó, os suores noturnos
interferem no sono, levando à exaustão, à irritabilidade e efeitos adversos sobre o
humor. Mais de 85% das mulheres apresentam ondas de calor com grande variação de

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FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

intensidade e frequência. Algumas mulheres relatam “gatilhos” que afetam a frequência


e/ou a gravidade das ondas de calor (Quadro 7).

A modificação do estilo de vida é o primeiro passo na gestão dos sintomas da menopausa.


As mulheres que estão acima do peso, com índice de massa corporal (IMC) superior a
30 kg/m2 são duas vezes mais propensas a experimentarem ondas de calor moderadas
a severas em comparação às mulheres com IMC menor que 25 kg/m2. O tabagismo
também aumenta a frequência e a gravidade das ondas de calor. Recomenda-se
a realização de atividade física, o consumo de dieta saudável com frutas e verduras
adequadas e abandonar o tabagismo. Estas mudanças de estilo de vida diminuem os
sintomas da menopausa, aumentam a sensação de bem-estar e reduzem o risco de
doenças cardiovasculares, de câncer de mama e de osteoporose.

O grupo de fitoterápicos mais comumente utilizado para os sintomas vasomotores são


os fitoestrógenos ou “estrógenos vegetais”. Os três principais tipos de fitoestrógenos
são as isoflavonas, as lignanas e os coumestans (Quadro 8).

As isoflavonas são os fitoestrógenos mais potentes e mais comuns na forma de


suplementos. Os fitoestrógenos são também encontrados em muitas fontes alimentares.
Os fitoestrógenos não são estruturalmente relacionados ao estrogênio, mas eles contêm
um anel fenólico que lhes permite ligar aos receptores de estrogênio. Os fitoestrógenos
são 100 a 10.000 vezes mais fracos do que o estrogênio endógeno. Dependendo do
tipo e da localização do tecido, os fitoestrógenos podem atuar como estrogênios ou
antiestrogênios. Na verdade, os fitoestrógenos têm atividade semelhante a moduladores
seletivos do receptor de estrogênio, tais como o tamoxifeno e raloxifeno. Por exemplo,
a atividade estrogênica da soja varia de acordo com as concentrações endógenas
de estrogênio. Em mulheres na pré-menopausa com concentrações de estrogênio
endógeno normal, os fitoestrógenos da soja têm um efeito antiestrogênico uma vez
que as isoflavonas da soja podem substituir o estrogênio endógeno na ligação com os
receptores. Em mulheres na pós-menopausa com concentrações baixas de estrogênios
endógenos, os fitoestrógenos da soja são mais propensos a agir como estrógenos fracos.

Uma vez que os fitoestrógenos têm efeitos estrogênicos, as mulheres muitas vezes se
perguntam se eles também aumentam o risco de câncer de mama ou possuem outros
efeitos adversos, semelhantes à prescrição de estrógeno. Há muito debate sobre os
potenciais riscos associados aos fitoestrógenos e os resultados das pesquisas são muito
conflitantes.

Evidências laboratoriais sugerem que os fitoestrógenos da soja podem estimular a


proliferação do tecido mamário humano saudável, sugerindo que os fitoestrógenos
poderiam aumentar o risco de câncer de mama. Estudos populacionais sugerem que

37
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER

consumo de fitoestrógenos, como a soja, na dieta, diminuem modestamente o risco de


câncer de mama, mas a maior parte dos estudos foi realizada em populações asiáticas.
Não há muitas evidências nas mulheres ocidentais. Alguns estudos sugerem o consumo
de soja não reduz o risco de câncer de mama em mulheres ocidentais. Outra pesquisa
sugere que os fitoestrógenos reduzem o risco de câncer de mama quando consumidos
por mulheres na pré-menopausa, mas não em mulheres na pós-menopausa.

Pacientes com câncer de mama, história de câncer de mama ou histórico familiar de


câncer de mama devem evitar ou usar fitoestrógenos com cautela. Os alimentos que
contêm fitoestrógenos são provavelmente seguros.

Algumas mulheres também questionam se os fitoestrógenos podem aumentar o


risco de câncer de endométrio, assim como os estrógenos convencionais. Não há
muito conhecimento sobre isso, mas algumas evidências sugerem que a ingestão
de fitoestrógenos da soja não estimula o crescimento endometrial. Evidências
epidemiológicas sugerem que as mulheres de países onde a dieta é rica em isoflavonas
apresentam menor incidência de câncer endometrial. O uso de suplementos contendo
isoflavona concentradas, proporcionando 120 mg/dia de isoflavonas durante 6 meses,
não estimulou o crescimento do endométrio. A ingestão de 150 mg/dia de isoflavonas
por 5 anos não aumentou o risco de hiperplasia do endométrio.

A soja e as isoflavonas da soja são os fitoestrógenos mais utilizados e mais estudados.


O consumo de 20-60 gramas/dia de proteína de soja, proporcionando 34-76 mg de
isoflavonas, parece diminuir modestamente a frequência e a severidade das ondas
de calor na menopausa. Extratos de soja em forma de comprimido, proporcionando
35-120 mg de isoflavonas por dia, também parecem ter efeitos benéficos. Algumas
evidências mostram que os extratos de soja são mais eficazes em mulheres que têm
maior frequência de ondas de calor.

Nem todas as pesquisas sobre a soja apresentaram resultados positivos. Vários estudos
não encontraram nenhum benefício do extrato de soja para as ondas de calor da
menopausa. A razão para estes resultados conflitantes não é clara, mas pode ser devido
a altas taxas de resposta ao placebo em alguns ensaios. Os resultados inconsistentes
também podem ser devido a diferenças na composição de isoflavonas dos extratos
de soja. Estudos utilizando produtos que fornecem pelo menos 15 mg de isoflavonas
genisteína por dia mostram resultados positivos de maneira consistente. Estudos
utilizando produtos que contêm uma concentração mais baixa de genisteína produziram
resultados inconsistentes.

38
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

Quadro 7. Fatores que predispõem às ondas de calor da menopausa.

Álcool
Cafeína
Bebidas quentes
Alimentos picantes e condimentados
Estresse
Ambientes quentes

Quadro 8. Sintomas não vaso-motores da menopausa.

Ansiedade
Depressão
Dificuldade de concentração
Dificuldade de tomada de decisão
Dificuldade de memória
Dores de cabeça
Insônia
Irritabilidade
Dores nas articulações
Perda de libido
Alteração de humor
Cansaço
Secura vaginal

Quadro 9. Fitoterápicos comumente utilizados para tratar os sintomas da menopausa.

Agentes de ação central Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)


Valeriana (Valeriana officinalis)
Hormonal Alfafa (Medicavo sativa)
Black cohosh (Actaea racemosa)
Chasteberry (Vitex agnus-castus)
Dong quai (Angelica sinensis)
Linhaça (Linum usitatissimum)
Lúpulo (Humulus lupulus)
Kudzu (Pueraria lobata)
Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)
Gineng (Panax ginseng)
Trevo vermelho (Trifolium pratense)
Sálvia (Salvia officinalis)
Inhame selvagem (Dioscorea villosa)
Diversos Óleo de prímula (Oenothera biennis)
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

39
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER

Acredita-se que muitos produtos naturais melhorem os sintomas da menopausa,


mas poucos possuem evidência de eficácia confiável. A inclusão na lista não
significa que estes produtos sejam eficazes.

Quadro 10. Fontes alimentares de fitoestrógenos.

Classe do fitoestrógeno Fonte alimentar


Isoflavonas Legumes (soja, grão de bico, lentiha, feijões).
Lignanas Linhaça, grãos integrais, feijões, frutas, vegetais.

Coumestans Semente de girassol, brotos.


Fonte: Sandra e Mura, 2010.

Sobreviventes de câncer de mama muitas vezes têm problemas com as ondas de calor.
Embora a soja parece ser útil para algumas mulheres com ondas de calor, ela não parece
ser eficaz para as mulheres que têm ondas de calor relacionadas ao tratamento do câncer
de mama. É importante lembrar que a soja pode reduzir a eficácia da varfarina.

O trevo vermelho é amplamente promovido e utilizado para as ondas de calor. Ele


contém isoflavonas semelhantes à da soja. No entanto, o extrato de trevo vermelho não
parece reduzir significativamente as ondas de calor em comparação ao placebo. Ele
contém cumarinas que podem ter efeitos anticoagulantes; altas doses podem ter efeitos
aditivos à varfarina e podem aumentar o risco de hemorragia.

A linhaça é uma rica fonte de lignanas, bem como de ácido graxo omega-3, ácido alfa-
linolénico e fibra. Algumas pesquisas sugerem que o consumo de linhaça na dieta de 40
gramas/dia melhora significativamente os sintomas leves da menopausa, tais como as
ondas de calor. Outras pesquisas mostraram que a linhaça não é mais eficaz do que o
placebo. Altas doses de linhaça podem diminuir a agregação plaquetária. Teoricamente,
a linhaça poderia aumentar o risco de hemorragia em pacientes que também tomam
varfarina.

O black cohosh está entre as ervas mais vendidas nos Estados Unidos. Seu principal
uso é para os sintomas da menopausa. Existe um longo debate se ele possui efeitos
estrogênicos ou se atuam por outros mecanismos. Não confunda black cohosh preto
com duas plantas não relacionadas, o blue cohosh azul e o white cohosh branco, que
possuem efeitos tóxicos. Em geral, algumas formulações de black cohosh preto parecem
proporcionar alívio modesto para algumas mulheres. Entretanto, ainda que essa erva
possa ajudar algumas mulheres com ondas de calor na menopausa, ela não parece ser
eficaz para aliviar as ondas de calor em sobreviventes de câncer de mama.

40
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

Há também preocupações persistentes sobre a segurança em longo prazo do black


cohosh. Com base em ensaios clínicos, eleparece ser seguro; no entanto, houve vários
relatos de lesão hepática, por vezes necessitando de transplante de fígado, em mulheres
queo utilizaram. Não está claro se essa erva foi a causa de problemas no fígado nesses
casos. Portanto, considera-se avaliar periodicamente a função hepática de mulheres
que utilizam black cohosh.

O dong quai é comumente usado na medicina tradicional chinesa geralmente em


combinação com outras ervas. Há evidências contraditórias se ele atua ou não via
efeitos estrogênicos. Há alguma evidência de que esta erva estimula o crescimento de
células de câncer de mama e que ele não é eficaz para aliviar as ondas de calor. Quanto
à sua segurança, o dong quai contém componentes considerados cancerígenos.

O chasteberry possui uma variedade de efeitos sobre os neurotransmissores, incluindo


a dopamina e a acetilcolina. Ele também parece ter atividade semelhante ao estrogênio
e a progesterona. Há algumas evidências de que ele possa melhorar os sintomas da
síndrome pré-menstrual, mas não há nenhuma evidência confiável de que ele contribua
para os sintomas da menopausa.O chasteberry parece estimular o crescimento das
células de câncer de mama.

Muitas outras ervas têm atividade estrogênica e são usados para tratar a menopausa,
tais como kudzu, alfafa, lúpulo e alcaçuz. Cada um possui diferentes graus de atividade
estrogênica, mas não há nenhuma evidência confiável de que sejam eficazes para os
sintomas da menopausa.

O panax ginseng, ou ginseng asiático, comumente chamado apenas de ginseng, às vezes


é usado para os sintomas vasomotores da menopausa. No entanto, não há concenso
sobre os possíveis efeitos estrogênicos deste fitoterápico. O ginseng parece estimular as
células do câncer de mama. Há evidências preliminares de que o ginseng pode ajudar a
melhorar alguns sintomas da menopausa, tais como fadiga, insônia e depressão.

A dehidroepiandrosterona (DHEA) é alardeada como um “hormônio do milagre” para


prevenir o envelhecimento. A DHEA é um precursor de esteróides sexuais, tais como
a testosterona e estrógeno. Baixas doses de DHEA aumentam as concentrações de
testosterona e podem muito ligeiramente aumentar as concentrações de estrógeno.
Há evidências contraditórias sobre os efeitos da DHEA em relação aos sintomas da
menopausa. Algumas evidências sugerem que ingerir DHEA por via oral 25 mg/dia
diminuia as ondas de calor, bem como os sintomas psicológicos da menopausa, mas
outras evidências sugerem nenhum benefício do DHEA 50 mg/dia sobre o humor,
fadiga, cognição ou sensação de bem-estar em mulheres na perimenopausa.

41
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER

Uma vez que a DHEA pode ser convertida em estrógeno, há também preocupações
do seu uso e o desenvolvimento de câncer de mama. De fato, estudos epidemiológicos
associam maiores concentrações séricas de DHEA ao aumento do risco de câncer
de mama em mulheres na pós-menopausa. A DHEA também pode ser convertida
em andrógenos, como a testosterona, o que por vezes pode causar efeitos colaterais
indesejados, tais como aumento de pelos faciais, acne e engrossamento da voz.

A sálvia também é comercializada para os sintomas da menopausa. Acredita-se que a


sálvia possue atividade estrogênica devido ao seu composto geraniol. Uma pesquisa
clínica preliminar observou que a ingestão de extrato de sálvia (280 mg/dia por 56 dias)
melhorou significativamente os sintomas da menopausa, principalmente as ondas de
calor que diminuiram em cerca de 40% e tiveram a intensidade rigualmente reduzida.

As mulheres também usam muitos produtos naturais de ação central, principalmente


para os sintomas não vasomotores da menopausa. A valeriana é muitas vezes usada
para a insônia. Apesar de a valeriana poder ser eficaz para a insônia, não há nenhuma
evidência confiável de que ela ajuda quando a insônia é associada à menopausa.

A erva-de-são-joão é frequentemente usada para a depressão relacionada à menopausa.


Há alguma pesquisa clínica mostrando que a combinação de erva-de-são-joão com o
black cohosh preto reduz alguns sintomas da menopausa. No entanto, não há nenhuma
evidência confiável de que a erva-de-são-joão, por si só, seja eficaz para reduzir os
sintomas da menopausa.

O mesmo acontece com o óleo de prímula, que é às vezes utilizado para aliviar as ondas
de calor, no entanto não há evidências de sua eficácia.

O inhame selvagem é muitas vezes promovido como uma fonte de “hormônios naturais”.
Ele é frequentemente utilizado como um creme aplicado topicamente para os sintomas
da menopausa. Os fabricantes afirmam que um componente de inhame selvagem, a
diosgenina, é convertido em progesterona e/ou em dehidroepiandrosterona (DHEA) no
organismo. No entanto, a diosgenina pode ser convertida em hormônios no laboratório,
mas não há evidências que o mesmo ocorra no corpo humano.

Também são recomendados suplementos de vitamina E para os sintomas da menopausa,


mas não há nenhuma evidência confiável de que a vitamina E ajude a mulheres na
menopausa.

42
CAPÍTULO 3
Distúrbios funcionais da menstruação:
amenorreia e dismenorreia

Os distúrbios menstruais são muito comuns na adolescência e podem ser a causa de


uma quantidade significativa de estresse tanto para as pacientes como para seus pais.
Variações do ciclo menstrual na adolescência são muito amplos e, principalmente,
relacionados à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário. A amenorreia (primária
ou secundária), o sangramento uterino anormal e a dismenorreia são condições que
exigem uma avaliação cuidadosa.

Amenorreia significa ausência de  menstruação. A amenorreia primária é quando a


menarca não ocorre, enquanto a secundária é a cessação da menstruação depois da
menarca. A ocorrência de sangramento uterino irregular, prolongado ou anormalmente
elevado são os problemas ginecológicos mais urgentes na adolescência e o diagnóstico
de sangramento uterino disfuncional deve ser usado somente quando todas as outras
causas estruturais do sangramento vaginal anormal foram descartadas.

A dismenorreia refere-se à menstruação dolorosa, também conhecida


como cólica menstrual, é uma dor pélvica que ocorre antes ou durante o período menstrual
e afeta cerca de 50% das mulheres em idade fértil. Caracteriza-se como primária na
ausência de uma doença orgânica subjacente e como secundária quando há evidência
de patologia pélvica. A dismenorreia primária é causada pelo aumento da produção de
prostaglandinas e vasopressina pelo útero, que provocam contrações uterinas dolorosas.
Já a dismenorreia secundária está relacionada a alterações do sistema reprodutivo,
que podem ser endometriose,  miomas uterinos, infecção, anormalidadesde origem
congênita na anatomia do útero ou da vagina. Outra causa da dismenorreia secundária
é o uso de dispositivo intrauterino (DIU) como método anticoncepcional. O tratamento
adequado e precoce é necessário para minimizar a possibilidade de complicações
futuras em relação à capacidade reprodutiva das mulheres.

Uma revisão da literatura encontrou evidências promissoras de estudos clínicos


randomizados para o uso de ervas chinesas na redução da dor menstrual associada
à dismenorreia primária. Todas as medidas de eficácia disponíveis confirmaram a
superioridade global das ervas chinesas em relação ao placebo, ao controle não tratado,
aos anti-inflamatórios não esteroidais, à acupuntura e à compressa quente. Não foram
identificados efeitos adversos significativos. No entanto, o pequeno número e a baixa

43
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER

qualidade estudos incluídos não permite qualquer conclusão definitiva para a sua
utilização na prática clínica.

As ervas avaliadas nesta revisão da literatura estão listadas aseguir. As doses variaram
entre os estudos, mas a maioria estava dentro dos limites normais definidos pela
farmacopeia tradicional chinesa (NUTCM, 2006).

»» Danggui (Angelicae sinensis radix, raiz de angélica chinesa);

»» Chuanxiong (Chuanxiong rhizoma; Szechuan Lovage raiz);

»» Chishao (Paeoniae radix rubra, raiz de peônia vermelha);

»» Baishao (Paeoniae radix alba, raiz de peônia branca);

»» Yimucao (Leonuri herba; motherwort chinês);

»» Puhuang (Typhae pólen; pólen de taboa);


»» Wulingzhi (Trogopterori fezes, voando fezes esquilo);

»» Niuxi (Achyranthis bidentatae radi, achyranthes root);

»» Danshen (Salviae miltiorrhizae radix; raiz sálvia);

»» Chaihu (Bupleuri radix; raiz thorowax chinês);

»» Xiangfu (Cyperi rhizoma, nut-grama rizoma);

»» Yanhusuo (Corydalis rhizoma, corydalis rizoma);

»» Aiye (Artemisiae argy folium, folha artemísia);

»» Wuzhuyu (Evodiae fructus; fruto evodia);

»» Huixiang (Foeniculi fructus, erva-doce de fruta);

»» Rougui (Cinnamomi cortex, casca de canela);


»» Dihuang (Rehmanniae radix, raiz rehmannia);

»» Gouqizi (Lycii fructus,lycium frutas);

»» Dangshen (Codonopsis radix; raiz codonopsis) ;

»» Atractylodes (Atractylodismacrocephalae rhizoma,atractylodes


rizoma);

»» Gancao (Glycyrrhizae radix, raiz de alcaçuz).

O óleo de peixe e os ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs) podem ser benéficos em


casos dismenorreia. Devido à sua propriedade anti-inflamatória, os ácidos graxos da

44
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

série ômega-3 podem reduzir as prostaglandinas pró-inflamatórias derivadas da série


ômega-6.

Em quatro estudos,os ácidos graxos ômega-3 reduziram os sintomas da dismenorreia.


Outro estudo revelou que uma dieta vegetariana de baixo teor de gordura e baixo teor
de ácidosgraxos ômega-6 diminuiu os sintomas da dismenorreia. Uma dieta com
relação ômega-3:ômega-6 elevada foi associada à diminuição da dor em mulheres
com dismenorreia. Outros efeitos positivos dos ácidos graxos poli-insaturandos inclui
a diminuição do uso de anti-inflamatórias não esteroidais durante a menstruação,
reduzindo assim o risco de úlceras e erosões gastroduodenais.

Os principais resultados de uma recente revisão da literatura sobre o efeito de nutrientes


e fitoterápicos no tratamento da dismenorreia está listado a seguir (VAN ADEL, et al.,
2014):

»» Magnésio: três pequenos ensaios foram incluídos na revisão. De maneira


geral, magnésio foi mais eficaz do que o placebo em aliviar as dores e
diminuiu o uso de outros medicamentos para dor.Não houve diferença
no número de efeitos adversos relatados.

»» Piridoxina, vitamina B6: um pequeno ensaio mostrou que a vitamina B6


foi mais eficaz na redução da dor do que placebo e uma combinação de
magnésio e vitamina B6.

»» Vitamina B1: um grande estudo mostrou que a vitamina B1 foi mais eficaz
do que o placebo na redução da dor.

»» Vitamina E: um pequeno estudo comparou a combinação de vitamina


E (ingestão diária) e ibuprofeno (administração durante a menstruação)
versus ibuprofeno (administração durante a menstruação) e não
encontrou diferença no alívio da dor entre os dois tratamentos.

»» Ácido graxos ômega-3: um pequeno estudo mostrou que o óleo de peixe


foi mais eficaz do que o placebo no alívio da dor.

»» Combinação de ervas japonesas: um pequeno estudo mostrou que a


combinação de ervas foi mais eficaz para o alívio da dor do que o placebo
e diminuiu o uso de medicação adicional para a dor. A combinação de
ervas japonesas era composta de seis ervas: Angelicae radix, Paeoniae
radix, Hoelen, Atractylodis lanceae rhizoha, Alismatis rhizoma e Cnidii
rhizoma.

45
CAPÍTULO 4
Leucorreia

A leucorreia, ou corrimento vaginal, também chamada de vaginite ou vulvovaginite,


é uma alteração caracterizada por um fluxo vaginal anormal, geralmente com volume
aumentado, podendo ou não ter odor desagradável, irritação, coceira ou ardência na
vagina ou na vulva e vontade de urinar frequentemente. É um dos problemas ginecológicos
mais comuns e uma das causas mais frequentes de consulta ao ginecologista.

A maioria dos estudos sugere que a candidíase vulvovaginal sem complicações afeta
75% das mulheres pelo menos uma vez na vida. A candidíase vulvovaginal recorrente
afeta cerca de 5% das mulheres na pré-menopausa. As mulheres com candidíase
vulvovaginal recorrente muitas vezes se tratam sozinhas e a irritação da vulva pode
ocorrer com o uso crônico de tratamento antifúngico. O diagnóstico acurado é essencial
nesta condição.

Existem mais de 100 espécies diferentes de cândida e mais de 200 estirpes. O organismo
causador mais comum da candidíase é a Candida albicans. Fatores que possivelmente
aumentam o risco de candidíase vulvovaginal incluem uso de antibióticos de amplo
espectro/ corticosteróides sistêmicos, alergias, especialmente a rinite alérgica, doses
elevadas de contraceptivos orais e cremes espermicidas.

A microbiota da vagina de mulheres saudáveis consiste tipicamente de uma diversidade


de microrganismos anaeróbios e aeróbios. Os lactobacilos são os microrganismos mais
presentes e muitas vezes numericamente dominantes e são relevantes como uma
barreira contra a infecção. A capacidade dos lactobacilos de aderir e competir por locais
de adesão no epitélio vaginal e sua capacidade de produzir compostos antimicrobianos
(peróxido de hidrogênio, ácido láctico, substâncias semelhantes a bacteriocinas),
são significativas na diminuição da colonização por patógenos. A administração de
probióticos que colonizam o trato vaginal pode ser importante na manutenção da saúde
urogenital e também para prevenir ou tratar infecções.

A recolonização da flora vaginal e restauração do seu pH ácido com Lactobacillus


acidophilus (via iogurte ou cápsulas) parece ser promissora para o tratamento
de vulvovaginite, seja ela causada por bactérias ou fungos. O ácido bórico pode ser
recomendado para mulheres com infecções vulvovaginais recorrentes que são
resistentes às terapias convencionais, mas pode ocasionalmente causar ardor vaginal.

46
FITOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER│ UNIDADE III

Segundo uma revisão recente da literatura, o carvacrol, 1,8-cineol, geranial,


germacreno D-, limoneno, linalol, mentol, terpinen-4-ol e timol apresentaram efeitos
anticandidíase vaginal. Uma concentração muito baixa de óleo de gerânio e geraniol
bloqueou o crescimento de bactérias, mas não o de leveduras. O tea tree oil, composto
de terpinen-4-ol, alfa-terpineno, gama-terpineno e alfa-terpineol,apresentou atividade
antibacteriana, antifúngica e antiprotozoária contra trichomonas. O Allium Hirtifolium
(cebola persa) apresentou atividade anti-trichomonas que foram relacionadas aos
componentes alicina, ajoene e outros organosulfidos. O tea tree oil e a cebola persa
apresentaram potencial in vitro para o tratamento da vaginite, mas a falta de estudos
in vivo impede a sua recomendação. A alicina, a forma ativa do alho, possui efeitos
antimicrobianos in vitro contra fungos. Os estudos in vitro demostraram que o alho tem
propriedades fungistáticas em temperaturas abaixo de 37°C e propriedades fungicidas
a 37°C.

Acredita-se que o consumo de leveduras possa promover o crescimento de candidíase


sistêmica, mas as evidências ainda são limitadas. Igualmente, acredita-se que o consumo
excessivo de açúcares não refinados esteja relacionado à vulvovaginite recorrente, mas
não há evidências sobre esta relação.

47
FITOTERAPIA EM UNIDADE IV
GERONTOLOGIA

CAPÍTULO 1
Doenças cardiovasculares –
insuficiência cardíaca

Os primeiros sintomas de insuficiência cardíaca são muitas vezes tão sutis que passam
despercebidos e no momento em que os sintomas são notados, um dano cardíaco
significativo já pode ter ocorrido. A insuficiência cardíaca deve ser investigada em
pacientes com hipertensão mal controlada ou de longa data, doença valvular ou doença
da arteria coronária.

A fisiopatologia da insuficiência cardíaca tem característica de efeito “bola de neve”.


Quando o coração começa a falhar, o corpo tenta compensar. Com a diminuição do
débito cardíaco, o sistema adrenérgico é estimuado e as concentrações de norepinefrina
aumentam. Em primeiro lugar, o aumento da estimulação adrenérgica ajuda a manter
o débito cardíaco. Ao longo do tempo, a estimulação adrenérgica começa a trabalhar
contra o coração. A norepinefrina aumenta a pressão arterial e o coração deve contrair
com mais força para superar o aumento da pressão arterial.

O aumento da norepinefrina também estimula a produção de renina no rim. A renina é


importante para a conversão do angiotensinogênio em angiotensina I. A angiotensina
I é convertida pela enzima conversora de angiotensina (ACE) em angiotensina II. A
angiotensina II aumenta ainda mais a pressão arterial e provoca alterações estruturais
no coração. As alterações estruturais são conhecidos como “remodelação cardíaca”.
Como consequência, esses efeitos aumentam a morte das células cardíacas. O objetivo
do tratamento consiste em retardar a progressão da doença.

48
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

Quadro 11. Fitoterápicos e nutrientes comumente utilizados para insuficiência cardíaca

Bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona Peptídeos de caseína


L-arginina
Pomegranate (Punica granatum)
Diuréticos Cabelo de milho (Zea mays)
Dandelion (Taraxacum officinale)
Stinging nettle (Urtica dioica)
Gicosídeos cardíacos Digitalis (Diigitalis purpurea)
Hawthorn (Crataegus monogyna)
Oleander (Nerium oleander)
Olhos de faisão (Adonis vernalis)
Sauill (Urainea indica)
Diversos Creatina
L-carnitina
Terminalia (Terminalia arjuna)
Coenzima Q-10
Óleo de peixe
L-arginina
Magnésio
Ribose
Taurina
Tiamina (Vitamina B1)
Vitamina D
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010.

Existem três classes de bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona:

1. Inibidores da enzima convertora de angiotensina.

2. Bloqueadores do receptor de angiotensina II.

3. Espironolactona e eplerenona.

Pacientes em uso de espironolactona e eplerenona devem ser acompanhados em relação


à hipercalemia, especialmente quando combinados com outras drogas que aumentam
o potássio.

A L-arginina é um dos medicamentos naturais mais conhecidos utilizados para a doença


cardiovascular. A explicação mais comum para os seus benefícios estão relacionado ao
óxido nítrico. A L-arginina é um substrato para a enzima óxido nítrico sintase (NOS).
A enzima converte a L- arginina em óxido nítrico. Isto leva a vasodilatação, melhora
da função endotelial coronariana e aumento do fluxo sanguíneo coronariano. Além de
aumentar a óxido nítrico, há alguma evidência de que a L-arginina diminua a atividade

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UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

da enzima de conversão da angiotensina. Apesar desses efeitos farmacológicos


promissores, os benefícios clínicos da L-arginina são limitados. Quando a ela é
adicionada ao tratamento convencional, os pacientes com insuficiência cardíaca
parecem ter melhora da função renal e aumento da eliminação de fluidos.

O suco de romã (pomegranate) e produtos a base de romã estão sendo promovidos


por ter muitos polifenóis que atuam como antioxidantes. Há mais destes polifenóis
saudáveis ​​no suco de romã do que no chá-verde, suco de laranja ou vinho tinto. Mas as
evidências de benefícios cardiovasculares em seres humanos ainda é escassa. Há uma
evidência preliminar de que a romã possa diminuir a atividade da enzima conversora da
angiotensina. Alguma evidência também sugere que beber suco de romã 50 ml/dia pode
ajudar a diminuir a pressão arterial em cerca de 5% em pacientes com hipertensão arterial.

Muitos pacientes com insuficiência cardíaca fazem uso de diuréticos para reduzir a
retenção de líquidos, tais como a furosemida (Lasix), hidroclorotiazida (Microzide) ,
metolazona (Zaroxolyn). Alguns pacientes também recorrem a medicamentos naturais
para ajudar a eliminar líquidos. O dandelion (Taraxacum officinale) é um dos diuréticos
à base de plantas mais comuns recomendadas para edema. Outros incluem o cabelo de
milho (Zea mays) e stinging nettle (Urtica dioica). Enquanto a tradição sugere que
estas ervas têm propriedades diuréticas, não há nenhuma evidência confiável de que
eles reduzem o edema em pacientes com insuficiência cardíaca.

Tiamina e magnésio às vezes são recomendados para pacientes com insuficiência


cardíaca que fazem uso de diuréticos convencionais, pois os diuréticos podem reduzir
as concentrações destes nutrientes . A deficiência de tiamina (vitamina B1) pode piorar
a insuficiência cardíaca. Por isso, considere a suplementação de tiamina para estes
pacientes.

A deficiência de magnésio é particularmente preocupante em pacientes com insuficiência


cardíaca, que também faz uso de digoxina. Baixas concentrações de magnésio podem
aumentar o risco de toxicidade da digoxina. Verifique as concentrações de magnésio em
pacientes idosos que fazem uso de diuréticos cronicamente e pacientes com insuficiência
cardíaca que tiveram arritmias.

A digoxina (Lanoxin) é um bom exemplo de um medicamento natural que não é mais


uma “medicina alternativa”. A digoxina é um glicosídeo cardíaco derivado da planta
Digitalis purpurea, também conhecida como dedaleira. A digoxina pode aumentar o
cálcio intracelular em células cardíacas. Isso aumenta a contratilidade e débito cardíaco.
Várias outras plantas contêm glicosídeos cardíacos que poderiam ajudar; no entanto,
não há ensaios clínicos sobre os efeitos no tratamento de insuficiência cardíaca.

50
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

O hawthorn (Crataegus monogyna) é uma erva com uma longa história de uso na
Europa. O hawthorncontém componentes que aumentam a contração do coração
e do fluxo sanguíneo coronariano e causar vasodilatação. Apesar de vários estudos
mostrarem benefícios, pesquisas clínicas mais recentes não foram positivas em retardar
a progressão da doença, número de hospitalização ou morte e algumas pesquisas
encontraram possíveis danos.

Há alguma evidência de que outra erva, a terminalia, também cohecida como arjuna,
pode melhorar a função cardíaca e diminuir sintomas sa insuficiência cardíaca.No
entanto, são necessárias mais provas sobre a segurança e eficácia a longo prazo.

Os ácidos graxos ômega-3 são objeto de muita atenção como um potencial prevenção
contra a insuficiência cardíaca. Um estudo clínico em grande escala (GISSI -HF)
mostrou que tomar óleo de peixe de 1 grama por dia (fornecendo 850-882 mg de ácido
eicosapentaenóico e docosahexaenóico na forma de ésteres etílicos em uma proporção
de 1:1,2 ) por cerca de 3,9 anos reduziu de forma significativa o risco de mortalidade
por todas as causas, mortalidade cardiovascular e hospitalização em pacientes com
insuficiência cardíaca. Embora os ácido graxos ômega-3 não devam substituir os
tratamentos convencionais, vale a pena considerar como terapêutica adjuvante para
pacientes com insuficiência cardíaca.

A coenzima Q-10 é um dos suplementos mais utilizados para insuficiência cardíaca.


A coenzima Q-10 é um cofator semelhante à vitamina,encontrado principalmente nas
mitocôndrias. A coenzima Q-10 tem um papel importante nos processos bioquímicos
que resultam na produção de trifosfato de adenosina (ATP). O ATP é utilizado pelas
células como combustível na produção de energia. A inibição da produção de ATP pode
causar morte celular e danos nos tecidos. Alguns pacientes com insuficiência cardíaca
possuem concentrações reduzidas de coenzima Q-10. Acredita-se que a coenzima Q-10
possa melhorar a produção de energia celular e prevenir a morte das células em pessoas
com insuficiência cardíaca. A coenzima Q-10 tem também efeitos antioxidantes e pode
impedir o dano oxidativo.

A taurina é um aminoácido que se apresenta em concentrações aumentadas no


ventrículo esquerdo de pacientes com insuficiência cardíaca. A função de taurina
neste tecido não é clara. Suplementos de taurina podem ajudar alguns pacientes.
A taurina pode melhorar o débito cardíaco e diminuir sintomas de insuficiência
cardíaca, quando utilizado por até um ano. É possível que a taurina ajude a regular o
movimento de cálcio nas células do músculo cardíaco. Há também evidências de que
ela pode ter efeitos antioxidantes, menor estimulação adrenérgica, e diminuir a pressão
arterial. A maioria dos estudos tem sido pequena e preliminar. A taurina pode se tornar

51
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

uma opção importante para pacientes com insuficiência cardíaca, mas, por enquanto,
não há evidências suficientes para recomendá-la.

A ribose é um açúcar que se encontra naturalmente no corpo que está envolvido no


processo bioquímico de geração de energia celular, o ATP. Devido ao papel da ribose na
geração de ATP e o papel de ATP na contratilidade cardíaca, tem havido interesse sobre
os efeitos da ribose em pacientes com insuficiência cardíaca. Até agora, a investigação
tem sido muito preliminares. A ribose parece promissora, mas muito mais evidências
são necessárias antes de recomendar ribose para pacientes com insuficiência cardíaca.

Estudos epidemiológicos sugerem que pessoas com níveis de vitamina D abaixo de 15


mg/ml têm um risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares,
incluindo insuficiência cardíaca. No entanto, em um ensaio clínico, a vitamina D
(colecalciferol) 2.000 UI por dia não diminuiu o risco de mortalidade em comparação ao
placebo em pacientes com insuficiência cardíaca. Por enquanto, aconselhe os pacientes
a obter uma quantidade adequada de vitamina D, mas não recomende especificamente
para o tratamento da insuficiência cardíaca.

52
CAPÍTULO 2
Doença de Alzheimer

Quadro12. Fitoterápicos e nutrientes comumente utilizados para a doença de Alzheimer

Agentes colinérgicos Inibidores da acetilcolisterinase: Huperzine A


Precursores da acetilcolina:
Acetil-L-carnitina
Alfa-GPC
Colina
DMAE (dimetilaminoetanol)
Lecitina
Fofastidilcolina
Fofastidilserina
Inibidores da NMDA Huperzine A
Antioxidantes Betacaroteno
Ginkgo biloba
Vitamina C
Vitamina E
Anti-inflamatórios Gingko biloba
Gotu kola
Óleo de prímula
Agentes hormonais DHEA (dehidroepiandrosterona)
Diversos Óleo de coco
Ácido fólico
Homotaurina
Ácidos graxos de cadeia média
Vinpocetina
Vitamina B6
Vitamina B12
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010.

Acredita-se que muitos produtos naturais melhorem condições relacionadas à


doença de Alzheimer, mas poucos possuem evidência de eficácia confiável. A
inclusão na lista não significa que estes produtos sejam eficazes.

As placas amiloides são depósitos insolúveis de proteína beta-amiloide e restos


neurais. Na doença de Alzheimer, as placas amiloides se desenvolvem primeiramente
nas áreas do encéfalo que controlam a memória e outras funções cognitivas. Ainda não
está claro se essas placas causam a doença de Alzheimer ou se são uma consequência
do processo da doença.

53
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

Emaranhados  neurofibrilares são encontrados dentro dos neurônios. Eles consistem


de filamentos de proteínas anormalmente torcidas. Esses emaranhados perturbam
o sistema de transporte intracelular e a capacidade de comunicação do neurônio,
levando à morte neuronal em grande escala, outra característica marcante da doença
de Alzheimer. Uma grande quantidade de pacientes com doença de Alzheimer têm
problemas comportamentais, tais como agitação, agressividade e delírios. O objetivo
do tratamento é, geralmente, diminuir os sintomas e retardar a progressão da doença.

Os pacientes com doença de Alzheimer têm uma deficiência significativa de colina-


acetiltransferase, enzima necessária para a síntese da acetilcolina. A maioria das
abordagens farmacológicas tem como alvo a acetilcolina e o fazem de três maneiras:

1. Inibição da degradação da acetilcolina endógena;

2. Suplementação de precursores da acetilcolina na alimentação;

3. Mimetiza a ação da acetilcolina nos receptores colinérgicos pós-sinápticos.

A Huperzine A é um alcaloide isolado de Huperzia (Chinês clube musgo) e age


exatamente como o os inibidores da acetilcolinesterase. Há evidências de que ela pode
realmente ser mais específica para a acetilcolinesterase e ter uma maior duração de
ação do que donepezil (Aricept) ou tacrina (Cognex). A HuperzineA também parece ser
antagonista do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA), porém com baixa afinidade e,
teoricamente, pode proteger os neurônios contra os níveis tóxicos de glutamato.

Evidências clínicas sugerem que a HuperzineA pode melhorar a função cognitiva e


comportamental de pacientes com doença de Alzheimer, no entanto até agora a maioria
das pesquisas foi realizada apenas na China. A maioria dos estudos incluiu apenas
um pequeno número de pacientes e com períodos de tratamento de curta duração.
Mais evidências de segurança e eficácia a longo prazo são necessárias antes de ser
recomendada.

A HuperzineA pode causar efeitos colaterais semelhantes aos medicamentos


convencionais acetilcolinesterase tais como náuseas, vômitos, diarreia, cólicas, sudorese,
visão turva, fasciculações musculares e hipersalivação. Doses elevadas podem causar
broncoespasmo, convulsões, bradicardia e arritmias. Em geral, esses medicamentos
devem ser usados com precaução em doentes com asma, Doença Pulmonar Obstrutiva
Crônica – DPOC, doenças cardiovasculares, obstrução do trato intestinal ou urogenital,
úlcera péptica ou convulsões. Os pacientes que já estão tomando um inibidor da
acetilcolinesterase convencional não devem tomar HuperzineA. A combinação de dois
inibidores da acetilcolinesterase pode aumentar a chance de toxicidade.

54
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

Até o momento, não existem medicamentos convencionais que são utilizados como
precursores da acetilcolina, mas muitas plantas possuem esta atividade.

A lecitina é um fosfolipídio e um precursor da acetilcolina, mas não parece ser


eficaz para a doença de Alzheimer. A lecitina é composta de vários esteres de
fosfatidil, principalmente fosfatidilcolina, fosfatidiletanolamina, fosfatidilserina,
fosfatidilinositol. Alguns destes compostos também são experimentados por pacientes
com doença de Alzheimer. A fosfatidilcolina fornece colina que é um precursor
da acetilcolina, mas, segundo estudos,esse suplemento não aumenta os níveis de
acetilcolina no encéfalo e não melhora os sintomas da doença.

O alfa-GPC é um produto da decomposição da fosfatidilcolina. Acredita-se que ele


aumente da produção de acetilcolina. Ele também pode melhorar o funcionamento
neuronal melhorando a fluidez da membrana neuronal. Investigação clínica preliminar
sugere que o alfa-GPC melhora significativamente a função cognitiva em pacientes com
doença de Alzheimer, após 3 e 6 meses de tratamento.

Alguns pesquisadores acreditam que a fosfatidilserina age protegendo os neurônios, uma


vez que é um fosfolipídio pode aumentar a integridade e fluido da membrana celular e
contribuir para a ação dos neurotransmissores. Há evidências de que a fosfatidilserina
pode também aumentar os níveis de acetilcolina e de outros neurotransmissores, tais
como a norepinefrina, a serotonina e a dopamina.

O dimetilaminoetanol (DMAE, deanol) é um precursor de colina e, portanto, pode


aumentar os níveis de acetilcolina. É encontrado naturalmente em frutos do mar como
sardinhas; mas segundo pesquisas clínicas, os suplementos de DMAE não parecem
melhorar os sintomas da doença de Alzheimer .

A acetil-L-carnitina é estruturalmente relacionada com a acetilcolina e pode atuar


como um análogo de acetilcolina em pacientes com doença de Alzheimer. As pessoas
tomam acetil-L-carnitina (por vezes encontrados nas prateleiras das lojas como a
L-acetilcarnitina ou LAC) ou o precursor, o aminoácido L-carnitina. A L-carnitina não
irá atravessar a barreira hemato-encefálica até ser convertida em acetil-L-carnitina.
Uma vez no interior do sistema nervoso central, a acetil-L-carnitina promove a
libertação de acetilcolina e aumenta a atividade da colina acetiltransferase. Alguns
estudos sugerem que a acetil-L-carnitina pode fornecer algum benefício para pacientes
com doença de Alzheimer, melhorando a memória, o desempenho comportamental,
eretardando a progressão da doença. A acetil-L-carnitina é geralmente bem tolerada,
mas em alguns casos pode causar náuseas, vômitos e agitação. Há também relatos de
depressão, mania, confusão e agressão.

55
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

Há cada vez mais evidências de que os radicais livres causam danos aos fosfolipídios,
hidratos de carbono, proteínas e DNA cerebral. Subprodutos do estresse oxidativo
foram encontrados nos emaranhados neurofibrilares e placas amiloides de pacientes
com doença de Alzheimer. A própria proteína beta-amiloide pode ser neurotóxica por
induzir resposta inflamatória. Em geral, o estresse oxidativo e a cascata inflamatória,
trabalhando em conjunto, são importantes na patogênese da doença de Alzheimer, o
que sugere que os esforços terapêuticos destinados a ambos os mecanismos podem ser
benéficos. Uma variedade de antioxidantes e sequestrantes de radicais livres, incluindo
a vitamina A, vitamina C, vitamina E, beta-caroteno, licopeno e luteína poderiam ser
utilizados na doença de Alzheimer.

A concentrações plasmáticas de vitamina C e beta-caroteno foram positivamente


correlacionadas ao desempenho da memória, no entanto, a suplementação destes
nutrientes não parece diminuir o risco de desenvolvimento de doença de Alzheimer.
Não há nenhuma evidência confiável de que a suplementação destes nutrientes pode
melhorar os sintomas existentes.

A vitamina E também não parece diminuir o risco de desenvolvimento da doença


de Alzheimer, apesar de evidências anteriores mostrarem alguns benefícios. A
suplementação de vitamina E por si só ou em combinação com selegilina (Eldepryl)
ajudou a retardar a progressão da doença de Alzheimer moderadamente grave.

Acredita-se que a proteína beta-amilóide induz a morte neuronal, uma importante


característica da doença de Alzheimer. O envelhecimento parece tornar o encéfalo mais
vulnerável a estes efeitos. Alguns pesquisadores estão tentando identificar agentes que
podem bloquear a formação ou o depósito de proteína beta-amiloide.

O componente principal das placas amiloides é o peptídeo beta-amiloide, que é formado


pela clivagem da proteína precursora de amilóide. Os peptídeos beta-amiloides variam
em comprimento e as formas mais comuns contêm 40 ou 42 aminoácidos. O beta-
amilóide de 42 minoácidos é a forma mais hidrofóbica e mais susceptível a se agregar
em olígomeros e fibrilas de amiloides insolúveis, que são precursores neurotóxicos para
a formação da placa amiloide. A formação da fibrila envolve a polimerização e uma
mudança de beta-amiloide a partir de rolos de conformação aleatórios a beta-folhas,
que é promovido pela glicosaminoglicanos sulfatados (GAGs). Estes GAGs também
protegem as proteínas fibrilares formados a partir proteolysis.

Gotu kola é o nome comum para a centela asiática, uma planta cultivada na Índia e na
África. Seu interesse como um agente antidoença de Alzheimer foi renovado quando um
relatório coreano identificou um efeito neuroprotetor em três componentes da planta.

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FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

O ácido asiático, o asiaticoside6, e o SM2 foram capazes de bloquear a morte celular


induzida pela beta-amiloide in vitro.

A homotaurina se liga aos peptídeos beta-amiloide solúveis, impedindo a ligação de


glicosaminoglicanos sulfatados GAGs, e, por conseguinte, a formação de fibrilas beta-
amiloides, a agregação de fibrilas e a formação da placa amiloide. Estudos em cultura de
células e em animais demonstraram que a homotaurina pode manter a beta-amiloide
numa forma não fibrila, diminuindo a morte celular induzida pela beta-amiloide 42. Em
animais, a homotaurina reduziu a formação de placas amiloides cerebrais, diminuiu as
concentrações de beta-amiloide 40 e 42. Tudo isso parece bastante promissor, mas o
efeito da homotaurina sobre a doença de Alzheimer em humanos ainda é incerto.

Os triglicerídeos de cadeia média (TCM) apresentam potencial efeito para o tratamento


da doença de Alzheimer. Algumas pesquisas sugerem uma diminuição do metabolismo
em algumas partes do encéfalo de pacientes com doença de Alzheimer. O encéfalo utiliza
principalmente glicose como fonte de energia, mas em períodos de jejum, pode utilizar
corpos cetônicos tais como o beta hidroxibutirato, o acetoacetato e a acetona. Teoriza-
se que os TCM possam melhorar o metabolismo energético do encéfalo e melhorar
os sintomas da doença. Os corpos cetônicos poduzidos pelo consumo de TCM pode
também inibir os danos da beta-amiloide no encéfalo. Pesquisas clínicas preliminares
relataram que o TCM pode melhorar a função cognitiva de pacientes com a variante do
gene APOE4.

O óleo de coco é uma fonte rica de TCM e por isso há um grande interesse no uso
de produtos que o contenham para a doença de Alzheimer. Não existe evidência
suficientemente confiável de que o TCM ou o óleo de coco na prevenção ou tratamento
da doença de Alzheimer.

Concentrações séricas elevadas de homocisteína foram associadas a um risco aumentado


de doença cardíaca. A homocisteína também pode ser um fator de risco para a doença
de Alzheimer. O perfil de vitamina B de pacientes com doença de Alzheimer também
apoia essa teoria.

O tratamento com vitamina B12 não apresentou efeitos positivos consistentes sobre os
resultados dos testes cognitivos em pacientes com doença de Alzheimer. Atualmente,
não há provas conclusivas de que a suplementação de ácido fólico melhore os défices
cognitivos associados à doença de Alzheimer ou previna a doença.

A dehidroepiandrosterona (DHEA) é secretada pelas glândulas suprarrenais e pode


afetar a neurotransmissão e as concentrações séricas de DHEA diminuem com a idade.
Como a DHEA é precursora dos esteroides sexuais, as concentrações de androgênios

57
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

e estrogênio também diminuem com a idade. Estudos in vitro sugerem que a DHEA
pode bloquear a quebra da proteína precursora de amiloide. No entanto, suplementos
de DHEA não parecem melhorar os sintomas da doença de Alzheimer ou prevenir a
doença.

Insuficiência no fluxo sanguíneo para o encéfalo pode desempenhar um papel em alguns


dos sintomas da doença de Alzheimer. O extrato de folhas de ginkgo parece melhorar o
fluxo sanguíneo encefálico. O ginkgo também pode ser útil na doença de Alzheimer por
se efeito antioxidante e anti-inflamatórios. Há evidências de que o extrato de folha de
ginkgo diminui a viscosidade do sangue e aumenta o fluxo microcirculatório, podendo
ajudar a proteger contra a isquemia enefálica.

Pesquisa clínicas mostraram que o extrato de ginkgo padronizado (por exemplo, EGb 761,
Tanakan ou LI 1370, Ginkai, entre outros) pode estabilizar ou melhorar modestamente
algumas medidas de função cognitiva e funcionamento social em pacientes com vários
tipos de demência, incluindo a doença de Alzheimer. A maioria dos estudos clínicos
não comparou o ginkgo com os fármacos convencionais, tais como os inibidores da
colinesterase. Comparações indiretas sugerem que ginkgo seja menos eficaz do que as
drogas convencionais inibidoras da colinesterase.

Um estudo epidemiológico relatou que o consumo de ginkgo não está associado


à redução do risco de desenvolver demência em pacientes idosos com prejuízo da
memória. Um ensaio clínico de grande escala também mostrou que ele não reduziu o
risco de desenvolver todas as causas de demência ou doença de Alzheimer em pacientes
idosos com função cognitiva normal ou naqueles com prejuizo cognitivo leve.

Tenha em mente que efeitos potencialmente benéficos do ginkgo sobre o aumento


da circulação também pode ter efeito negativo. Ele inibe a agregação plaquetária e
pode aumentar o risco de sangramento, se combinado com outros antiplaquetários ou
anticoagulantes, como a aspirina ou warfarina.

O vinpocetina é outro agente que pode ser útil para aumentar o fluxo sanguíneo cerebral.
Ele é um derivado sintético da apovincamine, um composto derivado da planta Vinca
minor. A vinpocetina é um potente vasodilatador que age diretamente sobre o músculo
liso vascular. Pode também diminuir a viscosidade do sangue e pode diminuir a agregação
de plaquetas. A vinpocetina, que parece ser promissora, aparenta ainda ter atividade
colinérgica e ser capaz de proteger os neurônios contra o estresse oxidativo. Há algumas
evidências de que ela pode melhorar modestamente a função cognitiva em pacientes
com doença de Alzheimer, mas os estudos realizados até o momento foram apenas de
curto prazo. Tenha em mente que a vinpocetina pode aumentar o risco de hematomas e
sangramento em pacientes que o tomam com outro antiagregante ou anticoagulante.

58
CAPÍTULO 3
Doenças renais, das vias urinárias e
próstata

As infecções do trato urinário são cerca de 50 vezes mais comuns em mulheres do que
em homens, principalmente devido às diferenças anatômicas: as mulheres têm uma
uretra mais curta e as bactérias têm uma distância menor para percorrer a fim de
se estabelecer na bexiga e a uretra da mulher fica mais perto do reto, o que facilita a
transferência de bactérias patogênicas da área retal para a área da uretra.

Quadro13. Condições que aumentam o risco de infecções do trato urinário

Segurar a urina por longos períodos de tempo

Incontinência

Infecção bacteriana recente

Atividade sexual

Uso de diafragma

Uso de espermicida

Fonte: Robbins e Cotran, 2010

Quadro14. Medicamentos naturais comumente utilizados para infecções do trato urinário

Antibióticos Alho (Allium sativum)


Goldenseal (Hydrastis canadensis)
Uva-ursi (Arctostaphylos uva ursi)
Imunomoduladores Bifidobactéria
Equinácia (Echinacea angustifolia)
Lactobacilos
Iogurte
Aspargo (Aspargus officinalis)
Goldenrod (Solidago virgaurea)
Java tea (Orthosiphon aristatus)
Lovage (Levisticum officinale)
Parsley (Petroselinum crispum)
Stinging nettle (Urtica dioica)
Diversos Mirtilo (Vaccinium angustifolium)
Cramberry (Vaccinium macrocarpon)
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010.

59
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

Acredita-se que muitos produtos naturais melhorem condições relacionadas à


infecção do trato urinário, mas poucos possuem evidência de eficácia confiável.
A inclusão na lista não significa que estes produtos sejam eficazes.

As infecções do trato urinário são raras em homens saudáveis​. Quando elas ocorrem em
um homem, é na maioria das vezes, resultado de uma doença subjacente, como a doença
da próstata, incontinência ou alguma outra condição. Em pacientes idosos, a incidência
de infecções do trato urinário é semelhante entre homens e mulheres. Nesses pacientes,
as infecções do trato urinário são geralmente causadas por esvaziamento incompleto da
bexiga ou incontinência.

A infecção do trato urinário inferior ou cistite, é a mais comum e é considerada simples.


Os sintomas costumam ter início rápido e geralmente incluem aumento da frequência
urinária, urgência e dor ao urinar. Já as infecções do trato urinário superior que atingem
o rim, ou pielonefrite, é considerada complicada. Na pielonefrite, os pacientes são mais
propensos a terem calafrios, febre e dor. Algumas pessoas também podem ter náuseas
e vômitos.

As infecções do trato urinário são geralmente causadas por Escherichia coli (E. coli),
espécies de Staphylococcus, Enterococcus, Proteus, Klebsiella e Serratia. Alguns
medicamentos naturais apresentam ações semelhantes aos antibióticos. Outros têm
mecanismos exclusivos como aumentar a função imunológica, bloquear a adesão
bacteriana na uretra, efeito diurético para eliminar as bactérias.

A uva-ursi contém arbutin, que tem atividade in vitro contra várias bactérias, incluindo
a E. coli e outros patógenos do trato urinário, mas não há muita evidência em seres
humanos. Um pequeno estudo preliminar sugere que as mulheres com infecção urinária
de repetição que tomam uva-ursi têm um risco menor de desenvolver outra infecção.
A segurança de uva-ursi, especialmente quando consumida por longos períodos, não é
conhecida. A uva-ursi é possivelmente insegura quando usada por períodos prolongados
por conter hidroquinona que pode ter efeitos mutagênicos e carcinogênicos.

O goldenseal é outro antibiótico à base de plantas. O goldenseal contém


berberina que tem atividade antibacteriana, mas a berberina de goldenseal tem
baixa biodisponibilidade. No entanto, apesar de pouca berberine ser absorvida
sistemicamente, acredita-se que ela atinja em concentrações mais elevadas na bexiga,
na qualsua presença se faz mais necessária.

O alho é também utilizado para infecções do trato urinário por seus efeitos
antimicrobianos. O alho fresco é ativo contra E. coli, Staphylococcus aureus e Candida
albicans.

60
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

Oriente os pacientes a não aplicarem o alho topicamente nas infecções do trato urinário
e especialmente a não fazerem uso intravaginal (sim, algumas pessoas realmente fazem
isso). O alho fresco aplicado topicamente pode causar queimaduras graves e ulcerações.

Algumas pessoas usam produtos naturais que estimulam o sistema imunológico para
tratar infecções do trato urinário, sendo a equinácia uma das ervas mais comuns para
este propósito. É a mais popular para o tratamento do resfriado comum e gripe. Mas
algumas pessoas também estão usando-a para tratar infecções bacterianas como
infecções do trato urinário. Há alguma evidência de que a equinácea pode aumentar
certas medidas da função imunológica, como atividade linfocitária e fagocitose. Há
alguma evidência de que a combinação de equinácea com econazole tópica (Spectazole)
pode reduzir a taxa de recorrência de infecções fúngicas vaginais. Mas até agora não
há nenhuma evidência confiável de que a equinácea funciona para infecções do trato
urinário.

Os antibióticos são utilizados para matar bactérias patogênicas indesejadas. Os


probióticos são destinados a substituir as bactérias que normalmente temos em nossos
corpos, a “flora normal”. Os probióticos estão disponíveis em cápsulas ou em alimentos
fermentados como iogurte.

Há um grande interesse no uso de probióticos para tratar e prevenir doenças que podem
ser causadas por alteração da flora normal. A flora normal desempenha um papel
importante na proteção do corpo contra a invasão de bactérias patogênicas. Quando a
flora normal está prejudicada, as bactérias patogênicas são mais propensas a colonizar
e causar doença. Os probióticos parecem trabalhar contra a infecção de três maneiras:

1. Inibição competitiva por sítios de ligação;

2. Efeitos bactericidas, produzindo bacteriocinas que inibem o crescimento


de algumas bactérias e fungos; produzindo ácido láctico que reduz o pH
e dificulta a colonização de bactérias patogênicas;

3. Estimulação do sistema imunológico,aumentando a produção de


anticorpos em resposta a patógenos, estimulando a produção de citocinas
e a atividade de linfócitos e macrófagos.

Alguns chás também são utilizados para tratar infecções do trato urinário, tais como
chás de raiz de aspargos, goldenrod, java, lovage , salsa e urtiga . Esses produtos são
utilizados quer como chás ou em combinação com o consumo de fluidos. No entanto,
não há nenhuma sustentação científica confiável para usar esses produtos.

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UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

O suco de cranberry é um dos remédios naturais mais conhecidos para infecções do


trato urinário. Ele é ácido e acreditava-se que o suco tornasse a urina ácida, impedindo
a replicação bacteriana. Entretanto, uma pesquisa mais recente mostrou que isso não é
verdade. Alguns constituintes do cramberry impedem a adesão bacteriana à mucosa e,
por conseguinte, evitam a colonização patogénica. Por exemplo, as proantocianidinas
do cranberry parecem envolver aE. coliimpedindo-a de se ligar às celulas epiteliais.

Uma pesquisa clínica mostrou que o consumo de suco de cranberry cocktail (Ocean
Spray), 300 ml por dia, fornecendo 26% de suco de cranberry, reduz significativamente
o risco de infecções recorrentes do trato urinário em mulheres idosas em comparação
ao placebo. Outros estudos também demostraram redução da bacteiúria assintomática.
Cápsulas contendo cramberry também foram eficazes contra o infecção recorrente do
trato urinário. Não há nehuma evidência de que ele seja eficaz para tratar a infecção
urinária aguda. De fato, algumas evidências sugerem que os constituintes de cranberry
não são capazes de remover as bactérias patogênicas que já estão aderidas à mucosa.

Mirtilo e extrato de mirtilo também são usados para ajudar a prevenir infecções do
trato urinário. O mirtilo contém proantocianidinas semelhantes aocranberry. Por
conseguinte, em teoria, o mirtilo pode também ajudar a prevenir a aderência de
bactérias. Contudo, não existe qualquer evidência clínica de que mirtilo seja eficaz para
prevenir infecção do trato urinário.

Não há nenhum substituto confiável para os antibióticos convencionais para o


tratamento de infecções agudas do trato urinário. Adiar o tratamento pode resultar em
uma infecção renal mais grave.

A hiperplasia prostática benigna (BPH) é um problema muito comum em homens idosos.


A chance de problemas de próstata aumenta dramaticamente com a idade ecerca de um
terço dos homens com mais de 50 anos desenvolvem sintomas devido ao alargamento
da próstata. Aos 60 anos, mais da metade dos homens tem algum aumento da próstata
e aos 70 anos, 90% têm o alargamento da próstata.

A próstata é uma glândula que produz o líquido seminal enormalmente tem o tamanho
de uma noz. Testosterona e estrogênio contribuem para o aumento dos níveis de
dihidrotestosterona (DHT). DHT aumenta a proliferação de células da próstata e o
tamanho glandular.

Enquanto os homens envelhecem, as concentrações de testosterona diminuem e as


de estrogênio aumentam. O estrogênio aumenta o número de receptores de DHT na
próstata e também inibe o metabolismo da DHT. Essas mudanças podem levar a um
novo alargamento da próstata.

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FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

A Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) envolve hiperplasia (aumento do número


de células), ao invés de hipertrofia (aumento do tamanho das células). Mas para fins
práticos, os termos são frequentemente usados ​​como sinônimos. Sintomas de BPH são
causados por um aumento no número de células do epitélio da próstata e os tecidos
circundantes. O aumento da próstata bloqueia a uretra, o que resulta em sintomas
urinários. Os sintomas da HBP podem ser muito preocupante para alguns homens:
a incontinência urinária pode ser socialmente debilitante; a noctúria pode diminuir a
qualidade do sono e afetar o desempenho durante o dia.

Quadro 15. Sintomas da hiperpasia benigna da próstata.

Sintomas da obstrução do esvaziamento Sintomas irritaivos do armazenameto


Dor abdominal Frequência
Diminuição da força da corrente urinária Noctúria
Esvaziamento incompleto Urgência
Intermitência da corrente urinária Incontinência de urgência
Micção prolongada

Fonte: Robbins e Cotran, 2010.

O tratamento para BPH tipicamente consiste de tratamento medicamentoso com alfa-


bloqueadores e/ou inibidores da 5-alfa redutase ou tratamento cirúrgico. As decisões de
tratamento baseiam-se na gravidade dos sintomas e o seu efeito na qualidade de vida.

Muitos homens se tratam com suplementos dietéticos. Aconselhe os homens a fazer um


exame urológico primeiro para excluir a possibilidade de condições mais graves, como
o câncer de próstata.

Quadro 16. Fitoterápicos, nutrientes e compostos bioativos comumente utilizados para a BPH

Inibidores da 5-Alfa redutase Saw Palmetto (Serenoa repens)


Antiproliferativos Batata selvagem Africana (Hypoxis hemerocallidea)
Beta-sitosterol
Licopeno
Semente de abóbora (Cucurbita pepo)
Pygeum (Prunus africana)
Trevo vermelho (Trifolium pratense)
Soja (Glycine max)
Stinging Root(dioica do Urtica)
Anti-inflamatórios Rye grass pollen (Secale cereale)

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UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

Nutrientes Selênio
Vitamina E
Zinco
Diversos Buchu (Agathosma betulina)
Arando (Vaccinium macrocarpon)
Fireweed (Epilobium angustifolium)
Óleo de linhaça (Linum usitatissimum)
Alho (Allium sativum)
Cacto de pera espinhosa (Opuntia ficus-indica)
Uva-Ursi (Arctostaphylos uva-ursi)
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010.

O Saw Palmetto é o suplemento mais conhecido e mais amplamente utilizado para a


BPH por suas propriedades antiandrogénicas, antiproliferativas e anti-inflamatórias.
Também parece ter alguns efeitos semelhantes à finasterida e dutasterida. Todos eles
inibem a 5-alfa redutase, que reduz o crescimento da próstata, prevenindo a conversão
de testosterona em dihidrotestosterona (DHT).

O Saw Palmetto também parece inibir as enzimas lipoxigenase e ciclo-oxigenase (COX)


que podem estar envolvidas na inflamação da próstata. Seu extrato reduziu marcadores
de inflamação da próstata , como o fator de necrose tumoral (TNF) – alfa e interleucina
(IL) – 1beta, mas não diminui os níveis de PSA .

Os resultados da investigação clínica com Saw Palmetto são conflitantes e contraditórios.


Durante anos, a maioria das pesquisas sugeriu que ele oferecesse melhora leve a
moderada em muitos sintomas de hiperplasia prostática benigna, incluindo frequência
da micção, dor ao urinar e urgência. Também parecia diminuir a noctúria e melhorar o
fluxo e volume de urina. Alguns estudos mostraram que o Saw Palmetto foi tão eficaz
como a finasterida e melhor tolerado.

Apesar destas evidências, o Saw Palmetto não tem se mostrado tão eficaz como os
bloqueadores alfa 1-adrenérgicos tais como prazosina ou alfa 1-bloqueadores seletivos
como alfuzosina (Uroxatral) e tansulosina (Flomax) para o alívio dos sintomas da
HBP e o Saw Palmetto não funciona tão rapidamente como os alfa 1-bloqueadores.
Dois estudos de qualidade Instituto Nacional de Saúde (NIH) mostram agora que Saw
Palmetto não é mais eficaz do que o placebo para redução dos sintomas da BPH.

A razão para estes resultados de pesquisa confusos e inconsistentes não é clara. As


diferenças podem ser devido a diferentes metodologias de estudo, os pacientes diferentes,
diferentes métodos de medição de sintomas e as diferenças em relação aos produtos
utilizados nos estudos. A pesquisa mostra variação significativa na composição química

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FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

dos extratos comercialmente disponíveis que podem explicar diferentes achados. O


Saw Palmetto é bem tolerado e causa poucos efeitos colaterais significativos. Tonturas
e queixas gastrointestinais como náuseas, vômitos, constipação e diarréia ocorrem
ocasionalmente.

O Pygeum, também conhecida como árvore de ameixa Africana, muitas vezes é utilizada
na HBP por seus possíveis efeitos antiproliferativos e anti-inflamatórios.

Há evidências preliminares de que pygeum suprime o fator de crescimento epitelial


(EGF) e também pode inibir outros fatores de crescimento, tais como fator de
crescimento básico de fibroblastos (bFGF) e fator de crescimento semelhante à insulina
(IGF). A inibição destes fatores de crescimento pode reduzir o crescimento do tecido
da próstata. O Pygeum também pode ter atividade anti-inflamatória, diminuindo a
produção de leucotrienos e outros metabólitos da lipoxigenase. Em estudos clínicos, o
pygeum diminuiu a noctúria, aumentou o fluxo de pico de urina e reduziu o volume de
urina residual em homens com BPH.

Raiz de urtiga tem uma longa história de uso no tratamento dos sintomas de hiperplasia
prostática benigna e é amplamente utilizada na Alemanha. Urtiga parece ter efeito
antiproliferativo em células prostáticas in vitro e pode também diminuir os efeitos
dos hormônios androgênicos. A maioria das pesquisas clínicas com urtiga avaliou os
produtos que contenham tanto urtiga e Saw Palmetto. Algumas evidências sugerem
que a combinação pode reduzir sintomas, mas, não se sabe se qualquer benefício é
devido à urtiga, ao Saw Palmetto, ou a ambos.

O Beta-sitosterol é o colesterol da planta. É encontrado em muitos alimentos e ervas


utilizadospara HBP. Acredita-se que o Beta-sitosterol possua efeitos antiproliferativos
sobre o tecido prostático. Vários estudos clínicos mostraram que ele melhora
significativamente os sintomas urinários. O beta-sitosterol é geralmente bem tolerado.
Em alguns pacientes, pode causar náusea, indigestão, gases, diarréia ou constipação.

Algumas evidências sugerem que um extrato de batata selvagem africana específico


(Harzol, Azuprostat) diminui os sintomas urinários e melhora a qualidade de vida em
homens com BPH. Há também algumas evidências de que um extrato de semente de
abóbora pode reduzir alguns sintomas da HBP.

A batata selvagem africana pode ter efeito hipoglicemiante e atenção deve ser dada ao
monitoramento da glicemia, principalmente, de pacientes diabéticos.

Mesmo quanto a soja, uma fonte de beta-sitosterol, até agora , não há nenhuma
evidência confiável de que extratos de soja sejam úteis para reduzir os sintomas da

65
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

HBP. Estudos preliminares sugerem que outro constituinte de soja, a genisteína, pode
inibir o crescimento de células da próstata. São necessárias mais provas antes de soja
deve ser recomendada para HBP.

Como a soja, o trevo vermelho contém isoflavonas. O trevo vermelho pode aliviar os
sintomas de BPH por um efeito antiandrogênico que parece aumentar a morte natural
das células da próstata, ao invés de diminuir a proliferação celular. Evidências clínicas
preliminares mostraram que o trevo vermelho pode diminuir a frequência urinária
noturna e melhorar a qualidade de vida de alguns homens com hiperplasia prostática
benigna. No entanto, as isoflavonas do trevo vermelho não parecem afetar a taxa de
fluxo de urina nem a concentração de PSA.

O licopeno é um pigmento carotenoide encontrado em vegetais vermelhos e é amplamente


promovido para a saúde da próstata. O licopeno parece reduzir a proliferação de células
epiteliais da próstata e pode diminuir o risco de câncer de próstata. No entanto, não
há provas credíveis de que suplementos de licopeno são benéficos para tratamento ou
prevenção de hiperplasia prostática benigna.

Estudos preliminares sugerem que a vitamina E pode ter um efeito antiproliferativo


na BPH, mas não há nenhuma evidência confiável de que suplementos de vitamina E
possam prevenir ou tratar os sintomas da HBP.

Há evidências clínicas preliminares de que o alho pode ser útil para melhorar o fluxo
urinário, diminuindo de frequência urinária e outros sintomas associados à HBP ou ao
câncer de próstata.

Uma variedade de ervas, incluindo cacto de pera espinhosa (prickly pear cactus),
fireweed, buchu, uva-ursi e óleo de prímula são usados na BPH, mas não há nenhuma
evidência confiável de que eles sejam eficazes.

Pesquisa clínica preliminar mostrou que o cranberry seco pode melhorar os sintomas
urinários e reduzir o antígeno prostático específico (PSA) em homens de 45 anos ou
mais velhos com níveis elevados de PSA.

Os produtos com efeitos simpaticomiméticos pode tornar a micção mais difícil.


Simpatomiméticos aumentam o tônus muscular do estroma prostático, aumentando a
contração da próstata em torno da uretra. Eles também podem causar a contração do
esfíncter interno da bexiga:

»» Laranja amarga.

»» Yohimbe.

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FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

Os produtos com efeitos anticolinérgicos também podem dificultar a micção.


Anticolinérgicos diminuem a capacidade de constrição do músculo detrusor da bexiga:

»» Henbane.

»» Erva Jimson.

»» Scopolia.

»» Alface selvagem.

Produtos com atividade hormonal pode acelerar o aumento da próstata:

»» Androstenediol.

»» Androstenedione.

»» Dehidroepiandrosterona (DHEA).

»» Pregnenolone.

67
CAPÍTULO 4
Doenças das vias respiratórias

Asma
A incidência de asma ao longo dos anos aumentou 75% em adultos e 160% em crianças
entre 1980-1994. A asma é aproximadamente 23% mais comum em mulheres do que
em homens ecerca de 40% das crianças que têm pais asmáticos também irá desenvolver
asma. A etnia também parece afetar o risco de desenvolver essa doença. A prevalência
dela é de cerca de 20% maior em afro-americanos em comparação aos caucasianos.
Pacientes com asma também são mais propensos a terem problemas alérgicos. Cerca
de 70% dos pacientes com asma também têm alergias a cerca de 30% das crianças com
alergia alimentar também têm asma.

O objetivo do tratamento de pacientes com asma é duplo:

1. Reduziros sintomas de asma, mantendo a função pulmonar normal;

2. Evitar exacerbações de asma que podem exigir cuidados de emergência


ou hospitalização.

Um dos primeiros passos na redução dos sintomas e prevenção de ataques de asma aguda
é minimizar a exposição a fatores ambientais que podem agravar a asma. Vários alérgenos
e outros fatores ambientais podem precipitar os sintomas da asma.

Alguns fatores podem exacerbar a asma, por exemplo:

»» Alérgenos (pêlos de animais, ácaros, pólen);

»» Prática de exercícios físicos;

»» Aditivos alimentares (corantes, conservantes);

»» Medicamentos (Aspirina, Beta-bloqueadores, Anti-inflamatórios não


esteroidais);

»» Estresse;

»» Exposição à fumaça do tabaco.

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FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

Tabela 18.Fitoterápicos, compostos ativos e nutrientes comumente utilizados para a asma

Estabilizadores dos mastócitos Incenso indiano (Boswellia serrata)


Picrorhiza (Picrorhiza kurroa)
Quercetina
Spirulina
Stinging (dioica do Urtica)
Modificadores de leucotrienos Carrapicho (Petasites hybridus)
Óleo de peixe
Incenso indiano (Boswellia serrata)
Perilla (Perilla frutescens)
Pycnogenol (Pinus pinaster)
Antioxidantes Grapefruit (Citris paradisi)
Kiwi (Actinidia chinensis)
Suco de noni (Morinda citrifolia)
Laranja doce (Citrus sinensis)
Vitamina C
Vitamina E
Diversos Colina
Eucalipto (Eucalyptus globulus)
Magnésio
Piridoxina (vitamina B6)
Soja (Glycine max)
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

Aproximadamente 89% dos pacientes com asma utilizam alguma forma de medicina
alternativa. Nenhum dos medicamentos naturais utilizados para a asma tem efeitos
farmacológicos semelhantes aos beta-agonistas de curta ou de longa ação.No entanto,
vários medicamentos naturais têm efeitos sobre os mediadores inflamatórios como os
modificadores de leucotrienos ou corticosteroides.

O carrapicho (Butterbur) é conhecido como um remédio para alergia, mas também


é promovido para a asma e muitas outras doenças respiratórias. O carrapicho parece
diminuir a síntese de leucotrienos in vitro.Ele também parece diminuir a iniciação de
mastócitos em resposta ao contato com alérgenos.

O carrapicho naturalmente contém alcaloides pirrolizidínicos insaturados (UPAs), que


são hepatotóxicos, cancerígenos, mutagénicos e podem causar a doença veno-oclusivas.
Ao fazer uso de carrapicho, obeservar que ele é livre de UPA.

Os ácidos graxos ômega-3 também parecem reduzir a síntese de leucotrienos,


competindo e inibindo a síntese de ácido araquidônico. Devido a esses efeitos anti-

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UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

inflamatórios, há interesse crescente no uso de suplementos deácidos graxos ômega-3


para o tratamento de asma.

Até o momento, as pesquisas clínicas sobre o uso de ácidos graxos ômega-3 são
inconsistentes. Ao invés dos suplementos, sugira a ingestão de 1a 2 porções de peixes
gordurosos (por exemplo, salmão) por semana, para aumentar o consumo de ômega
-3. Para aqueles pacientes que não podem ou não vão comer peixe, mas que ainda
precisem aumentar o consumo de omega-3, recomende um suplemento de óleo de
peixe que é verificado pela United States Pharmacopeia (USP). Esses produtos são de
alta qualidade e livres de contaminantes, tais como os pesticidas.

O incenso indiano, também conhecido como Boswellia, é vulgarmente utilizado na


medicina tradicional Indiana (Ayurveda) para uma variedade de condições inflamatórias,
incluindo a asma. Ele contém ácidos boswelicos que inibem a 5-lipoxigenase e da síntese
de leucotrienos. Pesquisa clínica preliminar mostra também que o incenso indiano
melhora o volume expiratório forçado, reduz o número de crises de asma e diminui
a dispneia e ronco. Evidência de maior qualidade é necessária sobre a segurança em
longo prazo e a eficácia antes de recomendar incenso indiano.

A perila é uma erva da família das mentas. Na maioria das vezes aparece como um
ingrediente em produtos naturais e é promovida para aliviar alergias e sintomas do
resfriado comum.

O óleo de semente de perila contém ácido alfa-linolénico que é convertido no organismo


a pequenas quantidades de ácidos graxos ómega-3 , EPA e DHA. Em pacientes com
asma, pesquisa preliminar mostra que tomar óleo de semente de perila reduz a produção
de leucotrienos e parece melhorar pico de fluxo expiratório, capacidade vital forçada e
volume expiratório forçado. No entanto, são necessárias mais provas sobre a segurança
e eficácia em longo prazo .

O Pycnogenol, também conhecido como extrato de casca de pinheiro marítimo francês,


é um medicamento natural muito popular usado para uma variedade de condições,
mas a evidência de sua utilização para a asma é preliminar. O Pycnogenol contém
flavonoides que possuem efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Em crianças com
asma, o Pycnogenol reduz a concentração urinária de leucotrienos, diminuir os sintomas
de asma, a necessidade e medicações em comparação ao placebo.

Estudos identificaram um aumento do risco de asma em pacientes com baixos níveis


séricos de antioxidantes tais como a vitamina C e vitamina E.Para pacientes com asma,
o consumo de alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas – laranja doce, uva
e kiwi –, pode ser benéfico. Explique aos pacientes com asma que o consumo de frutas

70
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

é benéfico para a saúde geral, no entanto, elas podem ou não melhorar os sintomas da
asma. Não há comprovações de que suplementos de antioxidantes sejam eficazes para
a prevenção ou o tratamento da asma.

O suco de Noni é, por vezes, promovido para a asma. Noni, também conhecido como
morinda , é uma pequena árvore das ilhas do Pacífico. O noni contém vitamina C,
potássio e outros compostos. Estudos preliminares sugerem que ele pode ter efeitos anti-
inflamatórios e imunomoduladores, mas não há nenhuma pesquisa clínica mostrando
que seja eficaz para a asma.

A colina é semelhante a uma vitamina B, mas não é tecnicamente uma vitamina porque
é sintetizada pelo corpo. A colina reduz os níveis de lipofosfatidilcolina no corpo e
parece ter efeitos anti-inflamatórios. Alguns estudos clínicos mostraram que a colina
diminui a severidade dos sintomas, número de dias sintomáticos e a necessidade de
utilizar broncodilatadores em pacientes com asma.

O óleo de eucalipto, que contém de 60% a 90% de eucaliptol parece ter propriedades
analgésicas, anti-inflamatórias e efeitos mucolíticos.Pesquisa preliminar mostrou que
o eucaliptol via oral reduz os sintomas da asma, porém, mais dados são necessários
sobre a segurança e eficácia emlongo prazo.

O magnésio é usado por via intravenosa para o tratamento de ataques agudos de asma.
Por isso, muitas pessoas acham que tomar um suplemento de magnésio também pode
ser eficaz. Mas pesquisa clínica mostrou que suplementos de magnésio não melhoraram
os sintomas ou reduzem a necessidade de medicação de resgate em pacientes com asma.

Os alimentos de soja podem ter um papel na asma, pois evidências preliminares sugerem
que as pessoas com asma que consomem alimentos de soja apresentam melhor função
pulmonar. Explique aos pacientes que a adição de soja à dieta pode ter alguns benefícios
para a saúde em geral, mas não há comprovação o suficiente em relação aos sintomas
de asma.

Gripe e resfriado
Mais de 200 vírus diferentes podem causar o resfriado comum. O rinovírus é o mais
comum, sendo responsável por 30% a 50% de todas as constipações. É transmitido
tanto por contato físico, como apertar as mãos e tocar maçanetas, quanto por meio da
transmissão por via aérea.

A gripe é causada por três tipos de vírus influenza: A, B e C que diferem em sua
severidade da doença.O vírus influenza A é responsável por pandemias, epidemias de

71
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

gripe que se espalham em todo o mundo. A gripe A provoca doenças graves e um número
significativo de mortes, mesmo em pessoas jovens. A “gripe suína”, ou H1N1, é uma
cepa do vírus da influenza A. O vírus da gripe B não causa pandemias, mas pode causar
doença grave em idosos e outros pacientes de alto risco. A gripe C provoca doença leve
sem variações sazonais.

Os resfriados geralmente começam com dor de garganta ou arranhado, espirros, corisa


e congestão nasal, otite e sinusite, por vezes, podem acompanhar um resfriado. A gripe
geralmente começa com uma dor de cabeça súbita, febre e mialgia.

Quadro 19. Fitoterápicos comumente utilzados para a gripe e resfriado

Antivirais Sabugueiro (Sambucus nigra)


Alho (Allium sativum)
Imunomoduladores Ginseng americano (Panax quinquefolius)
Andrographis (Andrographis paniculata)
Astragalus (Astragalus membranaceus)
Boneset (Eupatorium perfoliatum)
Echinacea (Echinacea angustifolia, Echinacea pallida, Echinacea purpurea)
Sabugueiro (Sambucus nigra)
Alho (Allium sativum)
Goldenseal (Hydrastis canadensis)
Larch arabinogalactana (Larix occidentalis)
Ginseng coreano (Panax ginseng)
Pau d’arco (Tabebuia impetiginosa) Ginseng siberiano (Eleutherococcus senticosus)
Indigo selvagem (Baptisia tinctoria)
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

O andrographis, também conhecido como “equinácea da Índia”, é usado para


prevenir gripes e resfriados. ACredita-se que o Andrographispossua propriedades
imunoestimuladoras.

O astrágalo é uma erva chinesa promovido a prevenir gripes e resfriados. Há alguma


evidência de que astrágalo pode estimular produção de linfócitos, mas não há nenhuma
evidência clínica de confiança de que previna gripe ou resfriado.

Echinacea é amplamente utilizado para prevenir infecções do trato respiratório superior,


incluindo gripes e resfriados. Pesquisas in vitro sugerem que a equinácea estimule o
sistema imunitário, estimulando os macrófagosa produzirem fator de necrose tumoral,
interleucina-1 e beta-interferon.

72
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

O alho pode ter atividade imunoestimuladora e antiviral. Há alguma evidência de que


tomar um suplemento de alho profilaticamente pode reduzir a chance de pegar um
resfriado.

O Panax ginseng, também conhecido como ginseng asiático, pode ter efeitos
imunoestimuladores . Algumas evidências sugerem que ele pode proteger contra
resfriados e melhorar a resposta davacina contra a gripe. Acredita-se que o Panax
ginseng pode aumentar a atividade das células “natural killer” e a resposta dos
anticorpos à vacina.

O Ginseng americano também pode ser benéfico para reduzir risco de gripes e resfriados.
Quando infecções respiratórias ocorrem, este extrato parece reduzir a gravidade e a
duração dos sintomas.

Algumas pesquisas sugerem que o leite fortificado com uma cepa específica de
probióticos, Lactobacillus rhamnosus GG (Culturelle Every Day Saúde) parece
reduzir modestamente a incidência de infecções respiratórias em crianças pequenas.
Os Lactobacillus GG parecem estimular algumas medidas de função imunológica.

Algumas pesquisas clínicas também mostram crianças de 3 a 5 anos que frequentam


creches têm significativamente menos sintomas respiratórios de gripe quando
administrado leite contendo uma combinação específica de Lactobacillus acidophilus
e Bifidobacterium animalis (HOWARU Proteger, Danisco). Crianças que tomam
este produto tiveram um risco 45% menor de febre, tosse ou coriza em comparação
ao placebo. A duração dos sintomas também foi mais curto em pacientes que tomam
esta combinação e esses pacientes também foram significativamente menos propensos
a usar um antibiótico. A evidência ainda é bastante preliminar, mas os probióticos
parecem promissores para a prevenção da gripe e resfriado e eles são seguros para a
maioria das pessoas.

Estudos preliminares também sugerem uma combinação de ácidos graxos essenciais,


ácido linoléico e ácido alfa-linolênico podem reduzir as infecções respiratórias em
crianças. Esses ácidos graxos podem ter um efeito benéfico sobre função imunológica,
mas esta evidência é muito preliminar para recomendar os ácidos graxos para prevenir
constipações ou gripe.

Há interesse em relação à vitamina E para a prevenção de infecções respiratórias em


idosos. Algumas evidências sugerem que a vitamina E pode aumentar a resposta de
anticorpos à vacinação. Mas tomar suplementos de vitamina E não parece diminuir o
risco de infecções respiratórias em idosos.

73
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

O zinco inibe a replicação do rinovírus in vitro, mas não há nenhuma evidência de que
isso acontece in vivo. Algumas evidências indicam que o zinco pode também aumentar
a resposta imune em pessoas idosas, mas também não há evidência confiável de que
tomar suplementos de zinco podem ajudar a evitar a gripe e resfriados.

Algumas evidências preliminares sugerem que uma combinação de zinco e selênio pode
melhorar a resposta de anticorpos à vacina contra a gripe e, possivelmente, reduzir a
chance de infecção respiratória em pacientes idosos com deficiência nutricional. Não
há nenhuma evidência confiável de que o zinco e o selênio ajudam pacientes saudáveis​​
com ingestão alimentar adequada.

A vitamina C tem sido promovida para gripes e resfriados e tem gerado muita
controvérsia ao longo dos anos. Vitamina C pode ajudar a função imunológica e parece
aumentar a atividade dos linfócitos T, a função dos fagócitos, a mobilidade de leucócitos,
e possivelmente a produção de anticorpos e interferon.

Algunas pesquisas clínicas mostram que um extrato de andrographis específico


contendo 4-5,6 mg/comprimido deseu componente ativo andrographolide, em
combinação com ginseng siberiano (Kan Jang, Instituto Herbal sueco) por via oral,
melhora significativamente os sintomas do resfriado comum , quando iniciada dentro
de 72 horas do início dos sintomas.

O Sabugueiro pode ser útil para o tratamento da gripe. Sabugueiro tem efeitos
antivirais e imunomoduladoras. Sabugueiro parece aumentar a produção de citoquinas
inflamatórias, tais como interleucinas e fator de necrose tumoral. O Sabugueiro é ativo
contra o influenza A e B.Nova pesquisa mostrou que um extrato da fruta de sabugueiro
também tem atividade in vitro contra a gripe suína H1N1.

A vitamina C é comumente utilizada para tratar resfriados, mas não há respostas sólidas
sobre sua eficácia para reduzir os sintomas ou duração . A maioria das evidências sugere
que tomar altas doses de vitamina C por via oral pode diminuir a duração dos sintomas
do resfriado por 1-1,5 dias em algum pacientes, mas alguns estudos não encontraram
nenhum efeito com doses até 3 gramas diariamente.

Algumas pesquisas sugerem que a vitamina C possa ser mais eficaz para o tratamento
de sintomas de resfriado em crianças do que em adultos. Altas doses utilizadas para
o tratamento do resfriado comum, 1-3 gramas por dia , podem aumentar o risco de
efeitos colaterais, como a diarréia.

Muitas pesquisas sugerem que a suplementação de zinco, fornecendo 9-24 mg de zinco


elementar por dose dentro de 24-48 horas após o início dos sintomas do resfriado,

74
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

reduz a gravidade e a duração, mas outras pesquisas não mostraram efeitos. O zinco
pode produzir uma sensação de secura ou adstringência na boca.

Muitos outros produtos naturais são julgados para tratar um resfriado ou uma gripe,
como goldenseal, pau d’arco, astrágalo, larício arabinogalactana, própolis de abelha,
boneset, índigo selvagem e ginseng siberiano. Estes produtos são frequentemente
comercializados como “estimuladores do sistema imunitário”. Eles são utilizados
isoladamente ou em combinação com outros produtos naturais, tais como a equinácea.
Mas não há nenhuma evidência clínica de confiança que eles aliviem os sintomas do
resfriado.

Os chás são muitas vezes promovidos para os sintomas de gripes e resfriados. Sabugueiro,
quadril, goldenseal, camomila, hortelã-pimenta, olmo, gengibre, chá Mórmon, flores
de tília, meadowsweet e outras ervas são usadas. O líquido quente pode ser calmante,
mas não há nenhuma evidência confiável para a eficácia.

75
CAPÍTULO 5
Insônia, depressão e fadiga

Para muitas pessoas, a insônia é mais do que um aborrecimento ocasional. A insônia


crônica pode umentar o risco ou agravar uma série de doenças incluindo depressão,
dores de cabeça, doenças cardíacas e abuso de substâncias em geral.

Os pacientes geralmente têm um dos quatro tipos de insônia:


1. Dificuldade em adormecer;
2. Dificuldade em manter o sono;
3. Dificuldade de despertar de manhã cedo; ou
4. Sono não revigorante.

Todos os tipos podem causar sonolência diurna e, potencialmente, diminuir a


produtividade e aumentar o risco de acidentes etc.

A insônia é muitas vezes um sintoma de outra doença subjacente ou situação. É


frequentemente situacional, causada por jet lag, trabalho por turnos ou estresse. Ela
também pode ser causada por maus hábitos de sono, o consumo de álcool ou pela
utilização de estimulantes, tais como a cafeína ou outras drogas. Certas condições
médicas também podem causar insônia (Quadro20).

Quadro 20. Causas comuns de insônia


Situações específicas Cochilos durante o dia
Comer ou exercitar antes de dormir
Jet lag
O trabalho por turnos
Estresse
Condições de saúde Angina
Ansiedade
Arritmia
Asma
Depressão
Refluxo gastrointestinal
Insuficiência cardíaca
Hipertireoidismo
Hipoglicemia
Vício em internet
Mania ou hipomania
Os sintomas da menopausa
Dor
Doença de Parkinson
Úlceras pépticas
Transtorno de movimentos repetidos dos membros
Gravidez
Síndrome das pernas inquietas
Apneia do sono

76
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

Uso de drogas Albuterol


Álcool
Antipsicóticos
Beta-bloqueadores
Bupropiona
Metilfenidato
Metissergida
Nicotina
Pemolina
Fenilefrina
Cafeína
Clonidina
Corticosteroides
Dextroanfetamina
Levodopa
Metildopa
Pseudoefedrina
Quinidina
Antidepressivos
Teofilina
Uso de suplementos e fitoterápicos Alfa-GPC
American ginseng
Laranja amarga
Chá-preto
Citicoline
Chá-verde
Guaraná
Companheiro
Panax ginseng
Pseudoginseng Panax
Fosfatidilserina
SAMe
Ginseng siberiano
Erva-de-são-joão
Fonte: Robbins e Cotran, 2012.

Os idosos muitas vezes se queixam de insônia ou estão preocupados que não estão
dormindo o suficiente. À medida que envelhecemos, temos a tendência a precisar
de menos sono do que quando éramos mais jovens. Explique aos pacientes idosos
que, enquanto eles se sentem revigorados quando se levantam pela manhã, eles
provavelmente estão dormindo o suficiente.Por outro lado, os idosos muitas vezes não
dormem bem à noite devido a uma condição médica subjacente ou medicamentos. Este
grupo tende a ter sonolência diurna e compensar com cochilos diurnos. Isso cria um
ciclo ou um condicionamento que reforça a falta de sono durante à noite.

Quadro 21. Medicamentos naturais comumente utilizados para a insônia

Sedativo Hipnótico Camomila alemã (Matricaria recutita)


Lúpulo (Humulus lupulus)
Kava (Piper methysticum)
Lavanda (Lavandula angustifolia)
Erva-cidreira (Melissa officinalis)
Maracujá (Passiflora incarnata)
Solidéu (Scutellaria lateriflora)
Valeriana (Valeriana officinalis)

77
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

Antidepressivos Erva-de-são-joão
S 5-HTP
Coenzima Q-10
L-triptofano
Melatonina
Cereja ácida
Fontes: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012.

Valeriana é um dos medicamentos naturais mais populares usados para a insônia


e é também um dos mais estudados. Valeriana parece ter efeitos semelhantes aos
benzodiazepínicos. O constituinte ácido valerênico pode aumentar a atividade do
neurotransmissor GABA no sistema nervoso central por meio da inibição de uma
enzima que metaboliza GABA.

Algumas pesquisas clínicas mostraram que o extrato de valeriana reduz o tempo


para o início do sono em muitos pacientes com insônia. A valeriana parece ser segura
quando usada em curto prazo e é geralmente bem tolerada. Existem alguns casos de
hepatotoxicidade em pacientes que tomaram valeriana. Considere recomendar testes
de função hepática.

Há muitas combinações de “fórmulas de sono” nas prateleiras das lojas. Muitos destes
combinam valeriana com uma variedade de outras ervas, como lúpulo, lavanda, erva-
cidreira. Muitos destes têm propriedades sedativas e existe alguma pesquisa clínica
preliminar para algumas dessas combinações melhorando a latência do sono. Estas
combinações parecem promissoras mas não há nenhuma evidência confiável de que
sejam mais eficazes do que a valeriana apenas.

Não há dúvidas de que a camomila alemã pode causar alguma sedação leve, sensação
de calma e relaxamento. Mas isso, não necessariamente se traduz em eficácia contra a
insônia. Até agora não há nenhuma evidência confiável de que seja eficaz para a insônia.

O maracujá é comercializado para tratar a insônia. Em 1978 ele foi retirado do mercado
dos EUA, devido à falta de dados de segurança e eficácia. Ele é atualmente comercializado
como um suplemento dietético e é geralmente utilizada como um chá. O maracujá
parece causar sedação, possivelmente afetando os recetores benzodiazepínicos.

A Kava é mais conhecida como um tratamento para a ansiedade, porém, também é


usado muitas vezes para a insônia. Ela tem propriedades sedativas e foi demonstrado
ser eficaz para ansiedade, assim como tem sido associada a mais de 60 casos de
hepatotoxicidade.

78
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

A erva-de-são-joão é o famoso antidepressivo à base de plantas. É provavelmente eficaz


para a depressão leve a moderada e há alguma evidência de que melhore a insônia em
pacientes depressivos.Pode ser estimulante para alguns pacientes, o que de fato, pode
causar como efeitos colaterais a insônia.

A melatonina é um hormônio natural produzido na glândula pineal e regula os ritmos


circadianos. A secreção desse hormônio parece ser estimulada pela escuridão, enquanto
a luz inibe.Precursores da melatonina também estão sendo usados como tratamento
para a insônia.

No organismo, o L-triptofano é convertido em 5-HTP, que é convertido para a serotonina


e, em seguida, a melatonina. Mas não há nenhuma evidência confiável de que estes
melhorem a insônia e que existem algumas preocupações não resolvidas sobre a sua
segurança.

A Ginja, ou cereja, também está sendo promovida para a insônia, pois ela contém
pequenas quantidades de melatonina. Pesquisa clínica preliminar mostra que o
consumo de um suco de cereja específico (Juice Cheribundi Tru cereja Tart Cherry,
CherryPharm, Inc., EUA), por dia durante 14 dias, melhora significativamente algumas
medidas de padrões de sono em comparação ao placebo em adultos com 65 anos anos
e com insônia crônica.

A coenzima Q-10 parece ajudar pessoas com insônia relacionada à insuficiência


cardíaca. Alguns pacientes com insuficiência cardíaca tem insônia relacionada à
dispneia noturna. O uso adjuvante de coenzima Q-10 pode diminuir a dispneia e outros
sintomas e, portanto, pode ajudar a melhorar o sono.

Depressão

Três importantes neurotransmissores desempenham um papel central na depressão:


noradrenalina, serotonina e dopamina. Norepinefrina afeta vigilância, motivação e
níveis de energia. Em conjunto com a serotonina, a norepinefrina afeta ansiedade e
irritabilidade. A serotonina parece controlar impulsividade. A serotonina, juntamente
com a dopamina, regula o apetite, o sexo e agressão.

A depressão maior pode ser subclassificada como leve, moderada ou grave. Esta divisão
é baseada na intensidade dos sintomas depressivos. A distimia é uma forma crônica,

79
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

menos grave de depressão. Distimia é definida por sintomas depressivos que persistem
por dois ou mais anos.

Quadro 22. Fitoterápicos e nutrientes comumente utilizados para a depressão

Moduladores de neurotransmissores Inositol


NADH (nicotinamida adenina hidrato)
SAMe (S-adenosil-L-metionina)
Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)
Precurssores de neurotransmissores »» 5-HTP (5-hidroxitriptofano)
»» Acetil-L-carnitina
»» L-triptofano
»» Fenilalanina
»» Phosphatidylserine Tirosina
Ácidos graxos essenciais »» DHA (ácido docosahexaenóico)
»» EPA (ácido eicosapentaenóico) óleo de peixe
Agentes hormonais DHEA (dehidroepiandrosterona)
»» Pregnenolone
PROGESTERONA
Vitaminas »» O ácido fólico
»» Vitamina C
»» Vitamina E
Diversos »» Damiana (Turnera diffusa)
»» Ginkgo (Ginkgo biloba)
»» Glutamina
»» Lavanda (Lavandula angustifolia)
»» Açafrão (Crocus sativus)
»» Cúrcuma (Curcuma longa)
»» Yohimbe (Pausinystalia YOHIMBE)
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012; Paschoal et al., 2012.

Erva-de-são-joão é o antidepressivo natural mais conhecido. Ele funciona de forma


semelhante aos antidepressivos convencionais. Ela inibe a recaptação de serotonina,
noradrenalina e dopamina e também parece afetar outros neurotransmissores como
o glutamato e o ácido gama-aminobutírico (GABA). Entretanto, há muita discussão e
controvérsia se a erva-de-são-joão é realmente eficaz para a depressão, principalmente
devido a alguns resultados de pesquisas conflitantes.

A grande maioria das evidências mostra que a erva-de-são-joão é eficaz para melhorar
o humor e reduzir a insônia e sintomas somáticos da depressão em pacientes com
depressão ligeira a moderadamente grave. Ela parece ser comparável aos antidepressivos

80
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

tricíclicos de baixa dosagem, bem como a fluoxetina ISRS (Prozac), sertralina (Zoloft)
e paroxetina (Paxil) .

Apesar de ela ser provavelmente eficaz, não é necessariamente a melhor escolha


para a terapia. A erva-de-são-joão não é mais eficaz do que a terapia medicamentosa
convencional com antidepressivos e provoca efeitos secundários semelhantes aos
antidepressivos convencionais. Não há nenhuma evidência confiável de que essa erva
seja melhor tolerada do que os antidepressivos convencionais.

Drogas que interagem com a erva-de-são-joão:

»» Clopidogrel (Plavix).

»» Ciclosporina Neoral, Sandimmune).

»» Digoxina.

»» A fexofenadina (Allegra).

»» Imatinib (Glivec).

»» Indinavir (Crixivan).

»» Irinotecano (Camptosar).

»» Nevirapina (Viramune).

»» A paroxetina (Paxil).

»» Sinvastatina (Zocor).

»» Tacrolimus (Prograf, Protopic).

»» Warfarina (Coumadin).

O SAMe (S-adenosil-L-metionina) é um derivado de aminoácido sintetizado no corpo.


SAMe também está disponível a partir de fontes alimentares de proteína, como a
carne e comumente é usado para depressão e osteoartrite. Acredita-se que ele haja
influenciando a fluidez da membrana neuronal que pode facilitar a transdução de sinal.
O SAMe é geralmente bem tolerado e tem sido utilizada de forma segura em estudos
inscrevendo muitos milhares de pacientes por até 24 meses.

O inositol é um isómero natural de glicose, às vezes é chamado de vitamina B8, mas


não é realmente uma vitamina. Inositol funciona de forma diferente do que outros
antidepressivos. Ao invés de aumentar os níveis de neurotransmissores, como a maioria

81
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

dos antidepressivos fazem, o inositol desempenha um papel de apoio à comunicação


celular. Evidências preliminares sugerem que o inositol pode ajudar na depressão, mas
os pacientes parecem recair rapidamente quando inositol é descontinuado.

A fenilalanina é um aminoácido precursor de tirosina que é um precursor para os


neurotransmissores dopamina e norepinefrina. Uma dieta livre de fenilalanina/
tirosina provoca sintomas de depressão em pacientes não deprimidos. Os resultados
dos estudos não são conclusivos e são necessárias mais provas antes de fenilalanina ser
recomendada.

A fenilalanina deve ser evitado em pessoas com certas condições: pessoas com doenças
hereditárias do metabolismo da fenilalanina, como fenilcetonúria;em pacientes com
esquizofrenia ou em uso de neurolépticos, a fenilallanina pode exacerbar a dicinesia
tardia;em pacientes com doença de Parkinson, a fenilalnina pode exacerbar o tremor e
a rigidez.

O L-triptofano e 5-HTP (5-hidroxitriptofano) são precursores de serotonina. Evidências


preliminares sugerem que tomar estes suplementos pode ajudar no tratamento da
depressão. Mas a pesquisa é preliminar e ainda há questões como a dose mais adequada
e eficácia emlongo prazo.

Algumas pesquisas sugerem que a fosfatidilserina e acetil-L-carnitina podem aliviar


os sintomas depressivos em paciente idosos. Pesquisa pré-clínica sugere que a
fosfatidilserina aumenta a noradrenalina e a dopamina, mas isso não parece ocorrer
em humanos. Investigação preliminar sugere que o acetil-L-carnitina pode aumentar
transmissão sináptica, mas é muito cedo para recomendar fosfatidilserina ou acetil-L-
carnitina para a depressão.

A depressão é muitas vezes atribuída à deficiência de vitaminas, mas não há muito


suporte para o uso de vitaminas para tratar a depressão.

Existe algum apoio científico para a suplementação de ácido fólico, que é necessário
para a produção de neurotransmissores, incluindo serotonina. Deficiência de ácido
fólico é comum em pacientes com depressão e as pessoas com baixo nível de ácido
fólico ou sua menor ingestão têm um risco maior de desenvolver depressão.

Algumas evidências sugerem que a ingestão de ácido fólico pode ser eficaz quando
usado em conjunto com antidepressivos convencionais, especialmente em mulheres;
mas o ele não parece ser eficaz como um substituto para a terapia convencional. Não há
nenhuma evidência de que a sua ingestão previna a depressão.

82
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

O açafrão tem recebido atenção como um possível tratamento para a depressão.


O mecanismo exato não é conhecido. Mas a pesquisa clínica mostra que tomar um
açafrão específico (Novin Zaferan Co, Irã), por via oral, parece melhorar os sintomas de
depressão maior após 6 semanas de tratmento. Há também algumas evidências de que
este extrato de açafrão pode ser tão eficaz quanto tomar o antidepressivo imipraminaou
fluoxetina. O açafrão parece promissor, mas tenha em mente que a evidência ainda é
preliminar.

Outros produtos naturais, tais como damiana, ginkgo, glutamina, lavanda, cúrcuma e
yohimbe, são por vezes recomendados para a depressão. Mas não há evidência confiável
sobre a eficácia destes produtos.

Os ácidos graxos ômega-3 DHA (ácido docosahexaenoico) e EPA (ácido


eicosapentaenoico) são considerados ácidos graxos poliinsaturados essenciais ou
PUFAs. Os pesquisadores teorizam que o ômega-3 pode normalizar a estrutura da
membrana no cérebro e a recaptação de neurotransmissores. Baixas concentrações de
ômega-3 no plasma e nas células vermelhas do sangue foram associadas à depressão.
Evidências preliminares sugerem que a suplementação destes ácidos graxos pode
melhorar a resposta ao tratamento com antidepressivos.

83
CAPÍTULO 6
Fadiga

A síndrome da fadiga crônica (SFC) é um dos mistérios da medicina moderna. Não é a


fadiga leve ocasional que todos nós experienciamos; é profunda, prolongada, debilitante.

Em 1988, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) finalmente confirmou


a existência da doença, mas essa síndrome ainda é um foco de controvérsia. Muitos
médicos são céticos e de acordo com uma pesquisa, apenas 50% dos clínicos gerais
praticante acreditam que a SFC realmente exista.

O diagnóstico da SFC é difícil porque não há resultado laboratorial ou teste de


diagnóstico para identificá-lo. Os sintomas são vagos: além de fadiga, sintomas não são
consistentes de paciente para paciente e também variam em intensidade e frequência:

1. Ter fadiga crônica grave por pelo menos 6 meses ou mais com outras
condições médicas conhecidas excluídos pelo diagnóstico clínico.

2. Simultaneamente ter 4 ou mais dos seguintes sintomas:

›› Dor de cabeça.

›› Memória ou concentração prejudicada.

›› Dor nas articulações sem vermelhidão ou inchaço.

›› Dor muscular.

›› Mal-estar pós-esforço.

›› Garganta inflamada.

›› Linfonodos cervicais ou axilares.

›› Sono não reparador.

Os sintomas da SFC também podem ser semelhantes a muitas outras doenças e


condições, que devem ser descartadas antes do seu diagnóstico.

»» Doença de Addison.

»» AIDS.

84
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

»» Anemia.

»» Doença autoimune.

»» Transtorno bipolar.

»» Depressão .

»» Diabetes mellitus.

»» O uso de drogas.

»» Fibromialgia.

»» Insuficiência cardíaca.

»» Hepatite.

»» Hipocalemia.

»» Hiponatremia.

»» Hipotireoidismo.

»» Hipovitaminose D.

»» Doença de Lyme.

»» Miastenia gravis.

»» Psicose.

»» Depressão psicótica.

»» Doença renal.

»» Esquizofrenia.

»» Lúpus eritematoso sistêmico.

»» Tuberculose.

85
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

Quadro 23. Fitoterápicos, compostos ativos e nutrientes relacionados à fadiga.

Antidepressivos SAMe (S-adenosilmetionina)


Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)
Combate ao estresse oxidativo Ácido alfa-lipóico
Beta-caroteno
Boldo (Vaccinium myrtillus)
Mirtilo (Vaccinium angustifolium)
Coenzima Q-10
Arando (Vaccinium macrocarpon)
Glutationa
Uva (Vitis vinifera)
N-acetilcisteína
Quercetina
Selênio
Vitamina C
Vitamina E
Antivirais Unha de Gato (Uncaria tomentosa)
Echinacea (Echinacea angustifolia, Echinacea pallida; Echinacea purpurea)
Sabugueiro (Sambucus nigra)
Alho (Allium sativum)
Cogumelo Reishi (Ganoderma lucidum)
Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)
Ansiiolíticos Kava ​​(Piper methysticum)
Valeriana (Valeriana officinalis)
Imunomoduladores Astragalus (Astragalus membranaceus)
Cianocobalamina (vitamina B12)
Dimethylglycine
Echinacea (Echinacea angustifolia, Echinacea pallida; Echinacea purpurea)
Ácido fólico
Glossy ligustro (Ligustrum lucidum)
Goldenseal (Hydrastis canadensis)
Panax ginseng
Ginseng siberiano (Eleutherococcus senticosus)
Extrato de Thymus
Agentes metabólicos Coenzima Q-10
L-carnitina
NADH (nicotinamida adenina dinucleotídeo hidrato)
Propionil-L-carnitina
Ribose
Agentes nootrópicos Cola porca (Cola acuminata)
Ginkgo (Ginkgo biloba)
Chá verde (Camellia sinensis)
Guaraná (Paullinia cupana)
Mate (Ilex paraguariensis)
Ginseng (Panax ginseng)
Vinpocetine
Vasopressores/Mineralocorticóides/ Laranja amarga (Citrus aurantium)
Estimulantes Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)
Panax ginseng
Fonte: Fintelmann e Weiss, 2010; Barnes et al., 2012; Paschoal et al., 2012.

86
FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA │ UNIDADE IV

Alguns investigadores especulam que uma infecção anterior – infecções virais,


bacterianas ou por protozoários – pode ter prejudicado o sistema imunológico em
pacientes com SFC. Há evidências de que algumas pessoas com SFC têm alguma
disfunção imunológica, mas estas alterações não são constantemente vistos em todos
os pacientes com SFC.

Alguns pacientes utilizam produtos naturais com possível atividade antiviral. No


entanto, não há nenhuma evidência confiável de que algum deles funcione contra a
fadiga.

Evidência in vitro sugere que a equinácea e Panax ginseng pode melhorar os marcadores
da função imunológica em pessoas com SFC, mas não há nenhuma evidência clínica de
confiança que estes produtos melhoram os sintomas da SFC.

Muitos pacientes com SFC têm uma doença psiquiátrica coexistente como depressão ou
transtorno de ansiedade, masela pode ocorrer em pacientes sem doença psiquiátrica.
Alguns pesquisadores acreditam que fatores psicológicos podem influenciar na
recuperação da SFC.

Os antidepressivos não são muito eficazes para o SFC, mas às vezes são prescritos para
tratar deressão subjacente. Muitos pacientes se automedicam com antidepressivos ou
ansiolíticos, como erva-de-são-joão, kava, SAMe (S-adenosilmetionina ), valeriana
e outros. A erva-de-são-joão pode ajudar para a depressão e kava e valeriana podem
ajudar para a ansiedade, mas não há nenhuma evidência confiável de que estes produtos
são eficazes para os sintomas da SFC.

Suplementos “nootrópicos”, como, por exemplo,Panax ginseng, ginkgo, vinpocetine


entre outros,são usados para melhorar a concentração eo estado de alerta.. Suplementos
contendo cafeína, como a noz de cola, chá-verde e guaraná também são utilizados.
Todavia, não há nenhuma evidência confiável de que qualquer um destes produtos seja
eficazes para os sintomas da SFC.

Uma disfunção do sistema nervoso autônomo pode produzir hipotensão vasovagal e


contribuir para alguns dos sintomas da SFC. Alguns pesquisadores já experimentaram
drogas mineralocorticoides, como a fludrocortisona (Florinef), que aumentam a
retenção de sódio e aumentar a pressão arterial, mas esta abordagem não foi eficiente.

O alcaçuz é uma alternativa aos mineralocorticoides devido ao seu componente


glicirrizina. Ela liga-se diretamente aos receptores de mineralocorticoides e pode
aumentar a retenção de sódio e pressão arterial. Assim como a fludrocortisona, não há
nenhuma prova de que estes produtos ajudem os pacientes com SFC.

87
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM GERONTOLOGIA

Produtos com efeitos simpaticomiméticos, tais como laranja amarga e produtos que
contêm cafeína,também são por vezes utiizados para tratar a fadiga. Diga aos pacientes
para evitar estes tratamentos numa tentativa de aumentar a pressão sanguínea. A
laranja amarga tem sido associada a vários relatórios de cardiotoxicidade.

Alguns pesquisadores acreditam que a SFC seja resultado de uma disfunção metabólica
provocada pela infeção, alergia, estresse ou outros fatores. Teoriza-se que os pacientes
com SFC se sentem cansados e com falta de energia, porque eles são incapazes de manter
a necessidade energética do corpo na forma de trifosfato de adenosina (ATP). Muitos
pacientes tentam suplementos que supostamente aumentam ou repõemos estoques de
energia celular.NADH (nicotinamida adenina dinucleótido hidrato), coenzima Q-10,
L-carnitina, propionil-L-carnitina. Estes produtos parecem promissores, mas até agora
a pesquisa é muito preliminar para recomendá-los para a maioria dos pacientes.

Algumas pesquisas sugerem que as pessoas com SFC têm dano oxidativo no tecido
muscular e também podem ter um aumento da atividade de sistemas de enzimas
antioxidantes, como a glutationa peroxidase. Por isso, alguns médicos estão
recomendando vitaminas e suplementos com atividade antioxidante.Não se sabe se
algum desses suplementos forneça qualquer benefício para os pacientes com SFC.

88
Para (não) Finalizar

O uso de medicamentos fitoterápicos continuam a aumentar e existe uma evidência


crescente de que esses medicamentos fitoterápicos são usados amplamente por todos
os grupos da sociedade, incluindo crianças, mulheres grávidas e lactantes, mulheres em
menopausa e idosos. Nos últimos anos, a importância das interações planta-fármaco
foi reconhecida e, com isso, compreendeu-se a necessidade de os profissionais de saúde
estarem cientes de que os pacientes podem estar usando medicamentos fitoterápicos,
bem como a necessidade de conhecer seus efeitos e potenciais problemas associados ao
uso.

O amplo uso tradicional de plantas medicinais permite que os produtos com sinais
agudos e óbvios de toxicidade sejam bem conhecidos e tenham seu uso evitado. Apesar
disso, o fato de que haja o uso tradicional de determinada planta por muitos anos
não determina que sa sua segurança seja necessariamente verdadeira. Formas sutis e
crônicas de toxicidades, como carcinogênese, mutagenese e hepatotoxicidade, podem
ter sido neglicenciadas pelas gerações anteriores, e é esse o tipo de toxicidade mais
preocupante na avaliação da segurança dos medicamentos fitoterápicos.

A fitoterapia é uma uma alternativa para os medicamentos convecionais em condições


em que não haja risco de vida para o indivíduo, porém, isso deve ser feito desde que
apresentem qualidade e segurança e sejam utilizados de forma adequada. A busca de
conhecimentos a cerca desse assunto deve ser incentivada entre os profissionais de
saúde desde a sua formação, para que possam orientar a melhor forma de utilização
desse medicamentos.

89
Referências

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(saffron) in the treatment of premenstrual syndrome: a double-blind,
randomised and placebo-controlled trial. BJOG,2008;115:515-9.

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