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Aceitação para Riscos envolvendo grãos (rubricas: 020, 102, 103, 115, 132, 377, 403 e

500)

Pontos de risco que devem ser criteriosamente avaliados:

1 - Fermentação (com incêndio decorrente)

A decomposição de grãos pode gerar vapores inflamáveis. Se a umidade do grão for

superior a 20%, poderá gerar metanol, propanol ou butanol. Os gases metano e etano, também produzidos pela decomposição de grãos, são igualmente inflamáveis e podem gerar explosões. Para diminuir esse risco, deve-se evitar a solda e o fumo no interior e nas proximidades dos silos. A maior parte dos acidentes ocorre nas regiões em que a umidade relativa do ar atinge valores inferiores a 50%, e onde se armazenam produtos de risco como: trigo, milho e soja, ricos em óleos inflamáveis.

Conservação dos silos, principalmente quanto a possíveis vazamento por goteiras referente ao controle de umidade.

2 - Incêndio (geralmente nos silos-pulmão, posteriores aos secadores - nos casos de secadores com fogo direto)

A alta concentração de poeira gerada pela manipulação dos grãos é o principal

combustível para a ocorrência de sinistros. Nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia, onde também é intensa a atividade de manipulação de grãos, os riscos são ainda maiores em função da baixa umidade relativa do ar, transformando as unidades armazenadoras de grãos em verdadeiros barris de pólvora. A contabilização da incidência de incêndios e explosões nos silos brasileiros ainda é uma incógnita para os especialistas.

Riscos - A ameaça de incêndio e explosão nos silos que não contam com as adequadas medidas de segurança, acompanha praticamente todas as etapas do processo de

armazenamento de grãos. Desde a moega (local de recepção do grão), passando pelas correias, que transportam os grãos para as peneiras secadoras até os silos. O principal componente da fórmula para a combustão é a alta concentração de poeira orgânica no ar dos espaços confinados como elevadores, túneis subterrâneos, silos, etc.

A implantação de sistema de ventilação local exaustora para retirada da poeira nos pontos

de geração é uma das principais medidas de controle e prevenção dos sinistros.

A limpeza diária da poeira residual depositada nas máquinas, equipamentos e instalações

é uma exigência para o controle da concentração da poeira ambiental.

Outras medidas preventivas recomendam instalações elétricas nos silos à prova de explosões como enclausuramento de lâmpadas e tomadas; apurado controle da umidade relativa do ar (abaixo de 50%, caracteriza-se faixa crítica de risco); controle da eletricidade estática, através de sistema de aterramento dos silos; controle de chamas abertas com o uso de aparelhos de soldagem, fósforos e operações de esmirilhamento de metais, além

da instalação de pára-raios.

3 - Explosão de pó (normalmente nas canaletas das correias transportadoras e nas bases dos elevadores de caneca. Quantidades / concentrações de pó e farelo de soja em limites específicos são normalmente responsáveis por explosões de grandes dimensões.

Sistemas de supressão de explosões devem ser instalados para proteger os seguintes

anexos:

Toda a parte interna dos suportes dos elevadores. O sistema de supressão deve ser estendido através dos equipamentos anexos de interconecção, incluindo o topo e a base dos respectivos equipamentos, transportadores e armazenadores. Toda a parte interna do equipamento de manuseio de pó, incluindo os “ciclones”, sacos coletores, e dutos associados para ar saturado com pó, que não podem ser adequadamente conduzidos para o lado externo.

Nos locais onde as explosões ofereçam meios de escape, os sistemas de bloqueio de supressão de explosões minimizam as chances de uma propagação da explosão de uma área a outra. Os sistemas bloqueadores devem ser instalados nas bases, e junto à entrada, saída e topo da talha de todos os elevadores de caneca.

4 - Riscos de Incêndio / Proteções O tipo de incêndio mais destrutivo na estocagem de grãos e áreas de processo ocorrem nos edifícios que apresentam características combustíveis, como elevadores antigos de madeira. Esses tipos de incêndio são igualmente prevalecentes (caso a ocupação seja diferente de “grãos”), na hipótese de apresentar características combustíveis, e sem as devidas proteções. Combustões espontâneas na estocagem de grãos são provenientes da umidade excessiva nos mesmos, podendo tornar-se em incêndios de graves conseqüências. O calor em si gerado por essa combustão pode causar sérios danos aos grãos, antes mesmo que o incêndio tenha início. No caso de proteção para moinhos, que operam normalmente com velocidade de rotação bastante elevada, há riscos de um corpo estranho, como uma pedra, partes metálicas, ou um dano mecânico no sistema desencadear um violento processo com muitas faíscas; como melhoria no sistema de controle de proteções, podemos sugerir a instalação de detetores de faíscas, que reconhecem essa anomalia, e acionam os extintores, protegendo também as instalações acopladas ao moinho. Através do controle sistemático de faíscas (no caso, faíscas isoladas), as mesmas podem ser combatidas sem necessariamente desligar o sistema. Apenas quando o nível de segurança for ultrapassado, o sistema é imediatamente desligado e, por exemplo, inundado com água. No caso de temperaturas elevadas, como nos processos de secagem, são empregados detetores de fibra óptica. Para a transmissão dos dados infravermelhos são utilizadas fibras de vidro, ou em casos extremos, condutores de vidro maciço. A radiação infravermelha é transmitida através de fotocondutores de fibra de vidro separados, até o monitor de temperatura.

Ainda com relação à sistemas de proteção, podemos considerar para o evento de incêndio, que sprinklers automáticos devam ser instalados em todos os prédios onde haja processamento e estocagem de grãos, onde a construção ou equipamentos sejam de natureza combustível. Os sprinklers, embora desejáveis, podem ser omitidos nas áreas onde possuam características não combustíveis, ou que tenham uma resistência ao fogo, se apenas houver os grãos propriamente. Os sprinklers devem ser instalados no interior dos maiores equipamentos de processo, nas partes mais secas, como p/ex.: sacos coletores de pó, e suportes dos elevadores. No caso dos suportes dos elevadores, os sprinklers são necessários apenas no topo, a menos que seus anexos sejam combustíveis. Em todos os casos, não deixamos de levar em conta a proteção pelos meios convencionais de combate a incêndios, como extintores e hidrantes.

Como podemos verificar os riscos associados a esta atividade são grandes, e consequentemente a sua subscrição precisa ser cuidadosa. Sistemas de proteção e combate, bem como características operacionais precisam ser cogitados e considerados.

Abaixo alguns itens de proteção que deverão ser observados:

- sistema de termometria

- sistema de aeração

- controle permanente do TU (teor de umidade)

- controle das impurezas

- proteções contra incêndios (extintores / hidrantes)

- sistemas de exaustão de pó (canaletas / base dos Elevadores de Canecas)

- secadores (quando existirem) indiretos (sem contato de fagulhas)

- limpeza criteriosa - conservação e manutenção das edificações.