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Lei 11.

340/2006 – Lei Maria da


Penha
Prof. Guilherme Fachinelli
INTRODUÇÃO
• Art. 1º - Lei 11.340/2006 – dispõe que a Lei cria mecanismos para
coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher,
coma finalidade de atender o seguinte:
1) § 8º do art. 226 da Constituição Federal (§ 8º O Estado assegurará a
assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram,
criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas
relações.);
2) Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência
contra a Mulher;
3) Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a
Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais
ratificados pela República Federativa do Brasil;
CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A LEI 11.340/06 (LEI MARIA DA PENHA)
• Lei Maria da Penha é uma especialização da violência;
• Não é uma lei que trata apenas sobre direito penal, tendo um caráter multidisciplinar, visto
que abrange questões atinentes ao direito do trabalho (suspensão do contrato de
trabalho), Direito à saúde (SUS) e etc.
OBS1:A partir de 1990 houve uma especialização das violências com o advento do ECA, LEI DE
CRIMES HEDIONDOS, LEI DE TORTURA e etc...
OBS2:Tem doutrina que usa a expressão “Espírito de especialização da violência”.
• Constitucionalidade da Lei 11.340/2006:
Argumento: Há dois sistemas de proteção, quais sejam:
SISTEMA DE PROTEÇÃO GERAL, que não pode ter destinatário certo. Se tiver destinatário
certo é inconstitucional. Exemplo: o homicídio não pode proteger somente a mulher, pois
proteção a vida humana está dentro do sistema de proteção geral.
Já o outro é conhecido como: SISTEMA DE PROTEÇÃO ESPECIAL, pode ter destinatário certo. A
Lei 11.340/06 está neste sistema, pois possui predicados de ação afirmativa, visto que possui
instrumentos para garantir ao destinatário certo a igualdade prevista em lei. A mulher
historicamente e, hodiernamente, não consegue ter a igualdade prevista em lei no dia a dia,
por isso que precisa de uma lei que lhe dê uma proteção especial.
CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A LEI 11.340/06 (LEI MARIA DA PENHA)
• STF definiu dia 09/02/2012, no bojo da ADC n.° 19 e ADI n.° 4.424, pontos muito importantes sobre a Lei
n.° 11.340/06, estabelecendo que:
1) Não há violação do princípio constitucional da igualdade no fato de a Lei n.° 11.340/06 ser voltada
apenas à proteção das mulheres, visto que historicamente e, hodiernamente, não consegue ter a
igualdade prevista em lei no dia a dia. O Min. Ayres Britto disse que a Lei está em consonância plena com
o que denominou de “constitucionalismo fraterno”, que seria a filosofia de remoção de preconceitos
contida na Constituição Federal de 1988.
2) Nos locais em que ainda não tiverem sido estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher, as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para as causas
decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher. Esta determinação, que consta no art. 33
da Lei, não ofende competência dos Estados para disciplinarem a organização judiciária local.
3) Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher não se aplica a Lei dos Juizados
Especiais (Lei n.° 9.099/95), mesmo que a pena seja menor que 2 anos.
4) Toda lesão corporal, ainda que de natureza leve ou culposa, praticada contra a mulher no âmbito das
relações domésticas é crime de ação penal pública INCONDICIONADA. Não são todos os crimes que
envolvem violência doméstica que serão de ação penal pública incondicionada como, por exemplo,
ameaça continua dependendo de representação.
5) A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos
humanos, conforme art. 6º.
O conceito de violência doméstica e familiar contra a mulher encontra-se no art. 5º da lei 11.340/06, o
qual estabelece:

Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar


contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe
cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou
patrimonial:
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de
convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as
esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por
indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais,
por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou
tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem
de orientação sexual.
Considerações sobre o art. 5º da lei 11.340/06:

1) Dispensa-se, para fins de aplicação da Lei Maria da Penha, a coabitação, desde que a
violência esteja relacionada a uma relação íntima de afeto. Ademais, a vulnerabilidade,
hipossuficiência ou fragilidade da mulher têm-se como presumidas (presunção relativa)
nas circunstâncias descritas na Lei n. 11.340/2006.
2) Não é necessário um vínculo familiar, basta que as pessoas compartilhem de um vínculo
permanente em um âmbito doméstico (Ex: Empregada doméstica – art. 5º, inciso I);
3) O STJ já aplicou a Lei Maria da Penha em caso envolvendo mãe e filha, desde que
verificado no caso concreto o estado de vulnerabilidade decorrente de uma relação de
poder e submissão. o sujeito ativo do crime pode ser tanto o homem como a mulher,
desde que esteja presente o estado de vulnerabilidade, caracterizado por uma relação de
poder e submissão. Precedentes citados: HC 175.816-RS, Quinta Turma, Die 28/6/2013; e
HC250,435-RJ Quinta Turma, 27/9/2013" HC 277.561-AL, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
6/11 /2014.
4) Em uma relação homoafetiva entre duas mulheres, é possível a aplicação da Lei Maria da
Penha, desde que presentes a vulnerabilidade: "A Lei Maria da Penha atribuiu às uniões
homoafetivas o caráter de entidade familiar ao prever, no seu artigo 5 t parágrafo único.
que as relações pessoais mencionadas naquele dispositivo independem de orientação
sexual. " RESP 1183378/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, Julgado
em 25/10/2011, DJE 01/02/2012.
O art. 7º descreve cinco formas de violência doméstica e familiar contra a
mulher:
1) Física;

2) Psicológica (dano emocional) - II - a violência psicológica, entendida como qualquer


conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações,
comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação,
manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto,
chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito
de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à
autodeterminação;

3) Sexual;

4) Patrimonial (subtração, retenção ou destruição total ou parcial de bens);

5) Moral (crimes contra a honra, calúnia, injúria e difamação);


Crime de Violência psicológica contra a mulher
– Art. 147-A, CP:
Violência psicológica contra a mulher – art. 7º, inciso II, Lei 11.340/06

Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e


perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a
controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante
ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento,
chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer
outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e
autodeterminação:

Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta


não constitui crime mais grave.”
Retratação da representação oferecida
pela vítima X art. 16 da Lei 11.340/2006
• Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que
trata esta Lei, só será admitida a renúncia (leia-se retratação) à representação perante o
juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento
da denúncia e ouvido o Ministério Público.
Conclusões:
1) Pode haver crime de ação penal pública condicionada a representação e ação penal
privada, que sofram incidência da Lei 11.340/2006;
2) O texto legal do artigo 16 não foi tecnicamente correto ao usar o termo “renúncia”,
uma vez que o termo tecnicamente adequado seria “retratação”.
3) Em regra, a vítima pode se retratar da representação ANTES DE OFERECIDA A
DENÚNCIA, conforme art. 25 do CPP. Sendo que esta retratação pode ocorrer sem
formalidades, pois a vítima pode procurar a delegacia ou MP e informar com seu
desejo de não continuar com a persecução penal. Contudo, em se tratando de casos de
incidência da Lei 11.340/2006, obrigatoriamente para haver RETRATAÇÃO precisa do
seguinte: 1) Juiz designar audiência especialmente para tal finalidade (verificar se a
vítima não está inserida, por exemplo, em um contexto cíclico de violência); 2) Deve
ser antes do recebimento da denúncia; e 3) Ouvir o Ministério Público
Do Atendimento pela Autoridade Policial – art. 10

• A lei 11.340/2006, ao prever os artigos 10, 11 e 12, teve por finalidade transformar a Delegacia de
Polícia, em especial as delegacias das mulheres, um porto seguro para mulher vítima de violência.
Assim, a partir disso temos as seguintes conclusões:
1) É direito da mulher em situação de violência doméstica e familiar o atendimento policial e
pericial especializado, ininterrupto e prestado por servidores - preferencialmente do sexo
feminino – previamente capacitados;
2) Proibição do Estado praticar VITIMIZAÇÃO SECUNDÁRIA (sofrimento causado a vítima em
razão da burocracia estatal, no sentido de se submeter, por exemplo, a várias oitivas sobre o
fato) no âmbito da violência doméstica. Nesse sentido, dispões o art. 10-A, §1º “A inquirição de
mulher em situação de violência doméstica e familiar ou de testemunha de violência doméstica, quando se tratar de crime
contra a mulher, obedecerá às seguintes diretrizes”
3) Previsão no art. 10-A, §2º, preferencialmente, caso seja necessário a utilização do
depoimento sem dano, o qual consiste na oitiva judicial da mulher que fora supostamente
vítima de crime envolvendo violência doméstica e familiar, por meio de um procedimento
especial, consistente em ouvir a mulher em uma sala/ambiente reservado, sendo o depoimento
colhido por um técnico (psicólogo ou assistente social) que faz as perguntas de forma indireta,
por meio de uma conversa em tom mais informal e gradual, a medida que vai se estabelecendo
uma relação de confiança entre ele e a vítima. O juiz, o Ministério Público, o réu e o
Advogado/Defensor Público acompanham, em tempo real, o depoimento em outra sala por
meio de um sistema audiovisual que está gravando a conversa do técnico com a vítima.
Do Atendimento pela Autoridade Policial
II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal;
Obrigação legal.

V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis, inclusive
os de assistência judiciária para o eventual ajuizamento perante o juízo competente da ação de
separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união
estável. (Redação dada pela Lei nº 13.894, de 2019)
Observação: A lei fala de Assistência judiciária, que se trata do serviço gratuito de
representação, em juízo, da parte que requer e tem deferida a citada assistência que é
DIFERENTE de Assistência jurídica, esta é ampla e gratuita, pois envolve não somente a
assistência judiciária, mas também a consultoria e a orientação jurídica.
Art. 12 dispõe: que deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes
procedimentos, sem prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal:
VI-A - verificar se o agressor possui registro de porte ou posse de arma de fogo e, na hipótese de
existência, juntar aos autos essa informação, bem como notificar a ocorrência à instituição
responsável pela concessão do registro ou da emissão do porte, nos termos da Lei nº 10.826, de
22 de dezembro de 2003 (Estatuto do Desarmamento); (Incluído pela Lei nº13.880, de
2019)
Medidas Protetivas de Urgência
Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a
requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.

§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato,


independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério
Público, devendo este ser prontamente comunicado.

§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente,


e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que
os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados.

§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida,


conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se
entender necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio,
ouvido o Ministério Público.
Medidas Protetivas de Urgência
• O delegado de polícia NÃO requerer medida protetiva. Delegado de polícia reduz a
termo o pedido da ofendida, tendo que nos termos do art. 12, inciso III - remeter, no prazo de 48
(quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de medidas protetivas
de urgência;
• Medidas Protetivas são requeridas pelo Ministério Público ou pela própria ofendida;
• As medidas protetivas são concedidas, segundo a regra rebus sic stantibus – alteradas
as circunstâncias fáticas, estas medidas podem ser a todo tempo revistas para se cumular
com medidas mais graves, ou para revogar as medidas impostas.
• As medidas protetivas, segundo o STF, são deferidas, nos casos em que não tenham
Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, pelas varas criminais, que
acumularão as competências cível e criminal para as causas decorrentes de violência
doméstica e familiar contra a mulher.
• Na hipótese de descumprimento da medida protetiva, o magistrado poderá aplicar outra
medida, mais gravosa, ou cumular mais de uma medida e, em último caso e desde que
presentes os requisitos legais, decretar a prisão preventiva (AgRg no HC 285844/RS –
STJ), quando se tratar de CRIME (art. 313, III, CPP), sendo proibido decretar preventiva
em caso de contravenção penal, mesmo em casos de violência doméstica, conforme STJ
no HC 437.535/SP (j. 26/06/2018).
A conduta de descumprir medida protetiva de urgência configura crime?
A questão deve ser analisada antes e depois da Lei no 13.641/2018.
• ANTES da Lei 13,641/2018: NÃO. Antes • DEPOIS da Lei 13,641/2018:
da alteração legislativa, o STJ entendia
que o descumprimento de medida SIM.
protetiva de urgência prevista na Lei
Maria da Penha (art. 22) não configurava
crime. Não era possível responder por
crime de desobediência (art. 330 do CP). • Atualmente, a Lei 11.340/06
• Conforme entendimento pacificado prevê no art. 24-A, que é crime
pelo STJ: "O descumprimento de
medida protetiva de urgência não Art. 24-A. Descumprir decisão
configura o crime de desobediência* judicial que defere medidas
em face da existência de outras
sanções previstas no ordenamento protetivas de urgência previstas
jurídico para a hipótese." AgRg no nesta Lei: Pena — detenção, de 3
HC 305448/RS, Rel. Ministro
ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Julgado (três) meses a 2 (dois) anos.
em 30/06/2015, DJE 03/08/2015.
Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas
protetivas de urgência previstas nesta Lei:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.
• Tipo especial de desobediência (art. 330 CP) – prevalece o princípio da especialidade, não se
aplica o artigo do Código Penal, e sim a Lei Maria da Penha.
• É um tipo em que se admite apenas a conduta dolosa.
• O agressor deve ter sido intimado da vigência da medida protetiva. Se não foi intimado não
incorrerá no tipo do art. 24-A.
• Trata-se de novatio legis in pejus (somente pode incidir aos descumprimentos de protetiva a
partir de 04/04/2018). Obs.: A jurisprudência entendia que não havia crime.
• Sujeito ativo: homem ou mulher
• Sujeito passivo: Estado (e não a vítima da violência doméstica).
• Possibilidade de participação; tentativa é admissível – o iter criminis pode ser fracionado.
• Ação ou omissão a depender do que impõe a medida protetiva.
• Decisão judicial em sentido amplo. Reserva de jurisdição na imposição de medidas
protetivas?????? Não pode afirmar isso.
• Ação penal pública incondicionada.
Art. 24-A.
(...)
§1ºA configuração do crime independe da competência civil ou criminal do juiz que deferiu as medidas (protetiva pode
ter sido deferida em processo cível ou criminal);
§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança.
§ 3º 0 disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis.

• Pela pena cominada em abstrato ao crime, nos termos do artigo 322,


do CPP, seria, em tese, possível a fixação de fiança pela autoridade
policial (autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena
privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos).
• Daí porque, o § 2º do artigo 24-A é uma exceção à regra do art. 322
do CPP. Isso porque o § 2º proíbe que o Delegado de Polícia conceda
fiança para o crime do art. 24-A a despeito desse delito ter pena
máxima de 2 anos.
• Permanece a possibilidade de decretação de preventiva ou cobrança
de multa eventualmente imposta.
Medida protetiva de afastamento do afastamento do lar concedida pelo Delegado de Polícia se o Município não for sede de
comarca ou até mesmo pelo policial caso também não haja Delegado de Polícia no momento. (Lei nº 13.827/2019), nos casos da
existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e
familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a
ofendida: (Redação dada pela Lei nº 14.188, de 2021)
QUEM CONCEDE AS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA DA LEI MARIA DA PENHA?
Regra: 1) só a autoridade judicial pode conceder medidas protetivas de urgência.
Exceção: a medida de afastamento do agressor do lar pode ser determinada pelo 2) Delegado se o
Município não for sede de comarca OU 3) não havendo delegado e não for comarca o município, o
policial militar ou civil.
Obs: se a medida for concedida por Delegado ou por policial (situações 2 e 3), o Juiz será comunicado no
prazo máximo de 24 horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida
aplicada, devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.
Obs2: as demais medidas protetivas deverão ser sempre concedidas pela autoridade judicial (não há
exceções).
Vedação à liberdade provisória
Não será concedida liberdade provisória (art. 12 – C, §2º, Lei 11.340/06):
• - ao autor de um crime praticado com violência doméstica e familiar contra mulher
• - caso esteja demonstrado que a soltura do agente acarretará
• - risco à integridade física da vítima ou
• - risco à efetividade da medida protetiva de urgência.
Jurisprudência sobre a Lei 11.340/06:
1) "E cabível a decretação de prisão preventiva para garantir a execução de medidas de urgência nas
hipóteses em que o delito envolver violência doméstica." AgRg no HC 285844/RS, Rel. Ministro FELIX
FISCHER, QUINTA TURMA, Julgado em 04/08/2015, DJE 12/08/2015.
2) "Não é possível a aplicação dos princípios da insignificância e da bagatela impropria nos delitos
praticados com violência ou grave ameaça no âmbito das relações domésticas e familiares. “ RESP
1537749/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Julgado em 30/06/2015, DJE 04/08/2015. Sendo
este também o entendimento do STF: RHC 133043/MTa rel. Min. Cármen Lúcia, 10.5.2016. (RHC-
133043)
3) A bagatela imprópria é aquela incidência que afasta a punibilidade do agente. O fato é típico, ilícito,
e o agente culpável. No entanto o estado entende desnecessária a punição. reconciliação do casal
não afasta a tipicidade material do crime, nem a pena aplicada, não sendo hipótese de aplicação do
princípio da bagatela imprópria.
4) Condenação por violência doméstica contra a mulher pode incluir dano moral mínimo mesmo sem
prova específica. Nos casos de violência contra a mulher ocorridos em contexto doméstico e familiar,
é possível a fixação de valor mínimo de indenização a título de dano moral, desde que haja pedido
expresso da acusação ou da parte ofendida, ainda que sem especificação do valor. Essa indenização
não depende de instrução probatória específica sobre a ocorrência do dano moral, pois se trata de
dano presumido (O dano, pois, é in re ipsa“). Tese foi fixada pela Terceira Seção do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) ao julgar recursos especiais repetitivos (Tema 983).
Súmulas do STJ sobre a Lei no 11.340/06
• Súmula 536 do STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não
se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
• Súmula 542 do STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de
violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.
• Súmula 588 do STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher
com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
• Súmula 589 do STJ: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou
contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações
domésticas.
• Súmula 600 do STJ: Para configuração da violência doméstica e familiar prevista
no artigo 5º da lei 11.340/2006, lei Maria da Penha, não se exige a coabitação
entre autor e vítima.

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