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PROFESSOR-PESQUISADOR E O ENSINO HÍBRIDO: LER, PESQUISAR,

ESCREVER NA NOVA ESCOLA

A construção de conhecimento coletivo e a pesquisa escolar, tem relação intrínseca


quando se pensa a educação nos dias de hoje. A escola deixou de ser um espaço de
transmissão de conhecimento, para ser um lugar onde se socializam as diferentes
perspectivas de saberes. Não há quem saiba mais, ou quem saiba menos; existem,
porém, aqueles que compartilham saberes construídos ao longo de suas vidas. Não há
mna escola de hoje, lugar para arrogância do saber. Não há alguém imaculado (a),
porque tem um arcabouço cultural mais refinado, ou em contrapartida, popular. Não
se valoriza na escola, esta ou aquela perspectiva teórica como a melhor. Na nova
escola, dentro de um discurso democrático, há lugar para diferentes entendimentos
que vão desde concepções políticas, religiosas, econômicas, filosóficas, artísticas,
culturais.
Na escola de hoje, a construção coletiva de conhecimento se dá entre os pares. São
professores, educadores responsáveis por sua missão, que refletem sobre sua prática
pedagógica. Refletem, pois entendem que através da reflexão ampliam a dimensão
ética de sua profissão. Entendem que a reflexão melhora seu saber, sua relação com o
outro, e também o ajudam a entender melhor a complexidade do processo
educacional.
A construção coletiva de conhecimento, só é possível quando o professor também se
dedica à pesquisa. Não se trata de existir setores/disciplinas de pesquisa dentro de
uma escola, mas, a constituição da escola como um lócus de pesquisa. É sempre bom
lembrar que a pesquisa nasce de uma inquietação, um problema, uma reflexão. A
escola que favorece o ambiente inquieto, problematizador e reflexivo é, por
excelência, uma escola de pesquisadores.
Professores-pesquisadores são aqueles que estão inquietos diante de seu trabalho, que
problematizam-o, que refletem sobre seus saberes, suas práticas de ensino e
aprendizagem, e também as avaliativas. Professores-pesquisadores não se reduzem a
um currículo positivista, ou seja, onde os conhecimentos são vistos como verdades a
serem transmitidas. Professores-pesquisadores, estão sempre em constante movimento
de troca com seus pares, pois entendem que a experiência de educação, só faz sentido
quando compartilhada.
Assim, na escola de hoje, a pesquisa e a produção coletiva andam juntas. Além de
inquietar-se, problematizar e refletir sobre seus saberes e práticas pedagógicas, sobre
o seu cotidiano concreto, os professores-pesquisadores também escrevem. Eles
entendem que a escrita é um exercício de imortalidade ou, se for o caso, de
eternidade. Pesquisar, ler e escrever, fazem parte de um roteiro dialético - que coloca
em movimento crítico - as palavras do mundo e o mundo das palavras.
Para ampliar ainda mais a leitura, a escrita e a pesquisa, a escola de hoje oferece o
ensino híbrido, possibilidade de levar para o estudante a experiência e o exemplo
educativo do professor-pesquisador. O ensino híbrido possibilita autonomia do
estudante, sem perder de foco a orientação e mediação do professor. Ensino híbrido,
ao contrário de transmissões de aulas presenciais (ensino remoto), amplia a dimensão
de autonomia e protagonismo do estudante, bem como a função democrática do
ensino. A dimensão da Autonomia e do protagonismo, são desenvolvidas quando o
estudante inquieto pelas problematizações da mediação docente, busca em espaços
virtuais diferentes entendimentos para complementar, ampliar e complexificar o saber
fragmentado da sala de aula. Na sala de aula, a função democrática do ensino se
potencializa quando se dialogam os diferentes entendimentos da pesquisa com saberes
curriculares, realizando profícuas reflexões.
Por fim, na escola de hoje, ler, pesquisar, escrever individualmente ou em espaços
coletivos, juntamente com as metodologias ativas do ensino híbrido, constituem um
novo ensinar e aprender. Resta a pergunta: De que somos capazes em nossas escolas?
E a resposta - de tudo isso, e muito mais!
Boa leitura! Excelentes reflexões!

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