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SISTEMA CONSTITUCIONAL BRASILEIRO, SUAS REFORMAS E A

EFETIVIDADE DOS DIREITOS HUMANOS.

BRAZILIAN CONSTITUTIONAL SYSTEM, ITS REFORMS AND THE


EFFECTIVENESS OF HUMAN RIGHTS.

Natalia Ferreira Lehmkuhl Cenci1


Thaís Fernanda Silva2

Resumo: Diante da relevância e importância dos Direitos Humanos, que


possuem natureza de princípios e estão previstos na nossa Constituição Federal
possuindo grande importância dentro do plano formal, e também material,
necessário se faz a análise da efetivação destes direitos. Busca-se meios a todo
tempo para inserir estes direitos na sociedade, busca-se formas de garantir estes
direitos, primeiro em um panorama interno, para que possam tornar-se tangíveis
também a nível global, dentro do plano social. O estudo foi desenvolvido a partir
do método hipotético-dedutivo, por meio de pesquisa bibliográfica.

Palavras-chave: Direitos Humanos. Constituição Federal. Sistema


Constitucional. Reformas Constitucionais.

Abstract: Human rights. Federal Constitution. Constitutional System.


Constitutional Reforms.

Keywords: Given the relevance and importance of Human Rights, which have a
principled nature and are provided for in our Federal Constitution, having great
importance within the formal and also material plan, it is necessary to analyze the
effectiveness of these rights. Means are constantly being sought to insert these
rights in society, ways are being sought to guarantee these rights, first in an
internal panorama, so that they can also become tangible at a global level, within
the social plane. The study was developed from the hypothetical-deductive
method, through bibliographical research.

_______________
1 Bacharela em Direito pela Univesc, Lages/SC (2015); Pós-Graduada em Direito Processual
Penal e Legislação Penal pela Universidade Candido Mendes (2019); Mestranda em Direito pelo
Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Passo Fundo. Passo Fundo-RS.
Advogada; e-mail: nataliaferreira.advo@gmail.com.
2 Bacharela em Direito pela Univesc, Lages/SC (2015); Pós graduanda em Direito Civil e

Processo Civil pela universidade Legale. Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em


Direito da Universidade de Passo Fundo. Passo Fundo-RS. Advogada; e-mail:
thaisfernandasilva.adv@gmail.com.
Introdução

Certamente o que possibilita uma vida em sociedade digna e harmônica


são os direitos de cada cidadão. Os Direitos Fundamentais diferente dos Direitos
Humanos, são aqueles estabelecidos na Constituição de cada estado.
Quando as constituições preveem direitos fundamentais são normas
constitucionais originárias, e por isso ganham força de princípios e devem ser
aplicados com força de lei.
Muitos desses direitos fundamentais para serem efetivados, precisam de
uma norma complementar, e ações que regulem, por vezes através de políticas
públicas, tendo a participação do Poder Legislativo e Executivo, e até mesmo do
Poder Judiciário como co-autor.
Contudo diante da evolução da sociedade, necessário se faz também que
as normas positivadas, em especial neste estudo tratamos da Reforma
Constitucional, que respeite e garanta os direitos mínimos.
Tal preocupação é de extrema relevância, tendo em vista o avanço após a
transição do regime militar à redemocratização, onde a Constituição de 1988
preocupou-se por meio de seus instituintes, em assegurar a garantia dos direitos
mínimos, positivando os direitos fundamentais.
Assim, necessário ter um olhar especial para as reformas que surgem
através das possibilidades previstas dentro da própria Constituição, para que
estes direitos sejam de fato efetivados, e que não corram o risco de serem
esquecidos.
Assim, diante dos pontos aqui levantados, iremos discorrer de forma breve
sobre as questões que buscam a efetividade dos Direitos Humanos.
O presente trabalho foi construído tendo como base a vasta doutrina acerca
dos Direitos Fundamentais, bem como sobre o choque de conflitos, aplicando a
análise na crise sanitária ocasionada pela pandemia coronavírus.

Desenvolvimento
3 Direitos Fundamentais e a distinção dos Direitos Humanos.

Importante de início, que seja trazido à tona a diferença entre Direitos


Humanos e Direitos Fundamentais, muito embora ambos resguardem um
conjunto de direitos, a diferença está no aspecto espacial- como leciona Ingo
Wolfgang, vez que os Direitos Humanos está no âmbito global e os Direitos
Fundamentais no âmbito interno de cada estado.
Ingo Wolfgang Sarlet, identifica o aspecto espacial como o principal fator
de distinção, como:
O termo ‘direitos fundamentais’ se aplica para aqueles direitos
do ser humano reconhecidos e positivados na esfera do direito
constitucional positivo de determinado Estado, ao passo que a
expressão ‘direitos humanos’ guardaria relação com os
documentos de direito internacional.

No Brasil, com o advento da Constituição Federal de 1988, conhecida como


constituição cidadã, a mesma traz um patamar mínimo de direitos fundamentais
no âmbito interno, com intuito de garantir uma vida digna e sadia.
Neste compasso, muito embora haja uma classificação de direitos
humanos e dos direitos fundamentais, a doutrina brasileira majoritária entende
que tanto um quanto o outro possuem a mesma finalidade, pois objetivam a
promoção da dignidade da pessoa humana.
A própria Constituição Federal em seu art. 5º parágrafo 1º estabelece que
as normas definidoras de direitos fundamentais têm aplicação imediata
Quem deve garantir tais direitos são de responsabilidade e competência
dos três poderes que compõe nosso Estado, são: Executivo, Legislativo e
Judiciário, cada qual com sua competência, elencadas na Constituição Federal.

O Legislativo e o Executivo recebem atribuições


essencialmente políticas: o primeiro cria o direito positivo;
o segundo, no sistema presidencialista brasileiro, concentra
as funções de chefia de Estado e de chefia de Governo,
conduzindo as políticas interna e externa. Já, a atribuição
típica do Judiciário consiste na aplicação do Direito nos litígios
entre partes.3

A conjuntura em si, tem algo em comum, que é assegurar os Direitos que


a Constituição traz. Além é claro, das características que possuem de serem
independentes entre si, e sobretudo harmônicos, para que cumpram, cada um,
suas respectivas atribuições afim de efetivar tais direitos.
A maior ameaça aos direitos dos cidadãos, advém do próprio Estado, ou
melhor, da incapacidade do estado de assegurar e mais, de efetivar a garantia
dos direitos fundamentais.
Além disso, os Direitos Fundamentais ocupam papel importante frente ao
princípio da dignidade da pessoa humana, que é o princípio que possibilita uma
vida digna a todo ser humano.
Muitas vezes, para se ter esse direito garantido é necessário pedir socorro
ao judiciário, diante de uma colisão entre direitos, para que então, seja
viabilizado o acesso à ordem jurídica, efetiva, real e justa, e aplicado o direito.
E nesse sentido o Ministro do STJ – Carlos Alberto Menezes4, destaca duas
possibilidades de legitimação da justiça:

Isso quer dizer que duas possibilidades de legitimação maior da


Justiça devem ser imediatamente consideradas: 1ª) a séria
discussão sobre a reforma radical nas práticas processuais, ou
seja, uma revisão na organização geral do Poder Judiciário e nas
leis que garantem o acesso à Justiça; 2ª) a consciência de que
o julgamento não pode estar distanciado da realidade dos
intérpretes da Constituição, que não são apenas os formalmente
destinados a isso.

Contudo, mesmo sabendo das mazelas do judiciário, a luta diária é pela


efetivação dos Direitos Fundamentais, e por consequência os Direitos Humanos,
isso porque, para se ter a solução no macro, precisa-se “tratar” a micro, dentro
do ordenamento interno de cada Estado.

_______________
3 BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional contemporâneo: os conceitos
fundamentais e a construção do novo modelo. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 241.
4 MENEZES, Carlos Alberto. Efetividade dos Direitos Declarados. Revista da EMERJ, v.1, n.1,

1998.
1.1 Direitos Humanos à luz da Constituição de 1988.

Historicamente, a proteção dos Direitos humanos adveio de grandes


violações, tal como a tentativa de proteção dos direitos humanos pela Liga
das Nações, precedida pela Primeira Guerra Mundial, bem como o surgimento
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada após a Segunda
Guerra Mundial.
No Brasil, a proteção de Direitos Humanos, conforme se apresenta
atualmente, foi precedida por um regime de violação de Direitos humanos,
caracterizado pela ditadura militar ocorrida entre os anos de 1964 a 1985.
E de acordo esse histórico de violações, PIOVESAN, nos diz que nasceu a
necessidade de elaboração de um instrumento jurídico que transformasse
realmente o acordo político-social representando o novo momento que se
iniciava, de modo que, neste contexto, surgia a Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988.
E esclarece:

A carta de 1988 institucionaliza a instauração de um regime


político democrático no Brasil. Introduz também indiscutível
avanço na consolidação legislativa das garantias e direitos
fundamentais e na proteção de setores vulneráveis da
sociedade brasileira. A partir dela, os direitos humanos ganham
relevo extraordinário, situando-se a Carta de 1988 como o
documento mais abrangente e pormenorizado sobre os
direitos humanos jamais adotado no Brasil.

Através dos Direitos Fundamentais trazidos pela Constituição de 1988,


instaurou-se a partir de então um novo momento político no país, eis que garantiu
a democracia e reconquistou o Estado de Direito.
Contudo, ainda há uma problemática, que é apontada por LOEWENSTEIN,
que é a distância que separa o povo da sua constituição. Os cidadãos
dificilmente se colocam como legítimos participantes nas questões relegadas a
tal plano.
O sentimento constitucional não é derivado da pura e simples constituição
escrita, ele é resultante da sua conformação real. Não basta que um direito seja
um componente formal da constituição, tem que ser reconhecido como tal por
um sentimento coletivo advindo da sociedade nacional.
Os Direitos Humanos não podem surgir mediante imposições de ordem
politicas superiores, mas sim fazer parte de uma luta histórica, o que irá causar
o sentimento constitucional, fazendo com que a população se sinta pertencente.
Por tal motivo, é a Constituição instrumento importante de contenção do
poder soberano e deve evoluir de acordo com as necessidades, mas cumprindo
os parâmetros e não interferindo na base.

2 Introdução a Constituição Brasileira de 1988.

A década de 1980 foi marcada por inúmeras crises, que foram além de
problemas conjunturais.
Nossa Constituição é resultado de importantes transformações políticas e
sociais. As garantias de direitos sociais e individuais por meio da Constituição
Federal de 1988 se consolidaram, e se tornaram marco da redemocratização do
nosso país na década de 80.
E fora por meio desta transição democrática, e a pequenos passos, que se
conseguiu vencer o período de pouco mais de duas décadas de autoritarismo
militar, que se formou um controle civil sob as forças militares.
Assim, a Constituição Federal de 1988, nasceu da necessidade de se fazer
um código onde estabelecesse e refizesse o pacto político/social, que resultou
na promulgação de uma nova ordem constitucional.
Flavia Piovesan nos diz que, a Carta de 1988 pode ser concebida como o
marco jurídico da transição democrática e da institucionalização dos direitos
humanos no Brasil. Introduz indiscutível avanço na consolidação legislativa das
garantias e direitos fundamentais e na proteção de setores vulneráveis da
sociedade brasileira. A partir dela, os direitos humanos ganham relevo
extraordinário, situando-se a Carta de 1988 como o documento mais abrangente
e pormenorizado sobre os direitos humanos jamais adotado no Brasil.
Por ser assim, que a Constituição de 1988, deve ser compreendida como
uma unidade e como um sistema que privilegia determinados valores sociais,
elegendo em especial o valor da dignidade humana como essencial que lhe doa
unidade de sentido, uma característica particular.
Em analise a todo conjunto, se observa que a Constituição Federal de 1988
se caracteriza por ser amplamente democrática e liberal – no sentido de garantir
direitos aos cidadãos.
Canotilho5, fala que a tarefa da Constituição é: “em sempre como tarefa a
realidade: juridificar constitucionalmente essa tarefa ou abandoná-la à política, é
o grande desafio”.
Quanto à forma, ressalta-se que está se consubstancia a partir da
positivação constitucional dos direitos, cujas características, uma vez trazidas
ao sistema jurídico brasileiro se apresentam da seguinte maneira: 1) os
direitos fundamentais se encontram no topo do ordenamento, visto que integram
a Constituição Federal escrita, de modo que se mostram hierarquicamente
superior às normas restantes; 2) os direitos fundamentais são entendidos como
pétreos, sendo protegidos pelos limites trazidos pelo artigo 60 da Constituição
Federal, notadamente, no que tange à revisão e emenda constitucional; 3) os
direitos fundamentais possuem aplicabilidade imediata e vinculam os setores
públicos e privados.27
Já em relação a matéria, tem-se que está se traduz a partir da relação
existente entre os direitos fundamentais e os axiomas da Carta Magna,
principalmente os princípios elencados nos artigos 1º, 2º, 3º e 4º de tal diploma
e, em especial o princípio da dignidade da pessoa humana, princípios estes que
foram o resultado dos valores trazidos pelo constituinte a rigor da história que
antecedeu à promulgação da Constituição, ou seja, em virtude das
necessidades sociais mais importantes que clamavam por proteção do Estado,
no momento pós ditadura militar. 28
Nesse sentido, o texto de 1988 não apenas é instituto de proteção das
relações existentes, mas é Constituição de uma sociedade em devir. Surge o
problema da realidade como tarefa e do Direito como antecipador das mudanças

_______________
5
José Joaquim Gomes Canotilho, Direito constitucional, 6. ed. revista, Coimbra: Almedina, 1993, p. 578.
sociais, o que rompe com a função de "Direito-situação", conforme ensinamento
de Flavia Piovesan.
A opção da Constituição de 1988 é clara ao afirmar que os direitos sociais
são direitos fundamentais, sendo pois inconcebível separar os valores liberdade
(direitos civis e políticos) e igualdade (direitos sociais, econômicos e culturais).
Logo, a Constituição Brasileira de 1988 acolhe a concepção contemporânea de
direitos humanos, ao reforçar a universalidade e a indivisibilidade desses
direitos.

3 Sistema Constitucional Brasileiro e suas características.

De início, importante destacar que o sistema constitucional é um conjunto


organizado de elementos que influem no universo constitucional, os quais atuam
(ou devem atuar) de forma interligada om vistas a uma efetiva e adequada
aplicação dos preceitos constitucionais.
Na realidade do Brasil, a nossa Constituição de 1988, em decorrência das
peculiaridades características culturais, econômicas e políticas da nossa
sociedade, resultantes do forma de como se institucionalizou o poder, o nosso
sistema constitucional tem apresentado uma forte tendência às crises políticas,
à concentração do Poder e em especial, ao ponto que iremos tratar aqui, à
ineficácia da asseguração dos direitos e garantias trazidos no bojo da nossa
Constituição.
Traz-se de início uma problemática, relacionada ao presente ponto, qual
seja o de que, o verdadeiro sistema constitucional brasileiro é, assim, bem
diferente do modelo imaginado ou desejado, pela Constituição de 1988.
Isto porque, muito embora assegure os direitos fundamentais, não se
consegue realizar e/ou aplicar cotidianamente o que a Lei estabelece, seja por
meio da conduta de governantes e governados, o que acaba por esbarrar na
eficácia, para que possa ser válida e eficaz, garantindo a igualdade, a
democracia, a cidadania, a soberania e a transformação da realidade política,
econômica e social.
As normas contidas em nossa Constituição de 1988, é baseada por seus
elementos, mais conhecidos, especificamente como elementos das
constituições, que irá adequar as normas dentro de uma hierarquia.
Enumeramos abaixo estes elementos para compreender a forma em que
os direitos são dispostos na Constituição, por meio dos elementos:
Em primeiro lugar vem os elementos orgânicos que regulam a estrutura do
Estado e do poder presente nos Título III (Da Organização do Estado); Título IV
(Da Organização dos Poderes e do Sistema de Governo); Título V – Cap I e II
(Das forças armadas e Da Segurança Pública) e Título VI (Da Tributação
Orçamentária).
Os elementos limitativos, sendo o que mais nos interesse no presente
estudo, haja vista, ser este elemento que engloba os direitos e garantias
fundamentais, direitos individuais e suas garantias, direito de nacionalidade e
direitos políticos e democráticos, encontrados no Título II (Dos Direitos e
Garantias Fundamentais).
Já os elementos sócio ideológicos se adequam a normas que revelam o
caráter de compromisso entre o estado individualista e o estado social, como as
do Título II e VII (Da Ordem Econômica e Financeira) e Título VIII (Da Ordem
Social).
Os elementos de estabilização constitucional, irão assegurar a solução de
conflitos constitucionais, possuem a função de defender a constituição, o Estado
e as Instituições Democráticas, como aquelas previstas no art. 102 e no Título V
(Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas).
E, também os elementos formais de aplicabilidade, estes estabelecem
regras de aplicação das constituições, como o preambulo, dispositivo que
contem a clausula de promulgação e as disposições constitucionais transitórias,
estampadas no art. 1º, e também o art. 5º, pois as normas definidoras de direitos
fundamentais possuem aplicabilidade imediata.

4 A Reforma Constitucional
Muitas vezes, vemos a necessidade de nos adequar as transformações e
avanços da sociedade, o que impõe possíveis mudanças em textos de leis, para
que possam acompanhar a evolução social, econômica e cultural de uma nação.
Nesta toada, Moreira, salienta, que: “a mudança de uma Constituição, seja
ela rígida ou flexível, é inevitável. Se ela não se adapta às alterações que
permanentemente se processam nas relações dinâmicas da sociedade, ela
perde sua efetividade, seja pela ruptura revolucionária, seja pela caducidade ”.
Desta lição, concluímos que s Constituições não podem ser eternas e
precisam adaptar-se oportunamente ao momento vivido, ressaltando também
que a supremacia da Constituição não significa imutabilidade absoluta, já que,
fontes normativas, são suscetíveis de revisão (respeitando o núcleo essencial),
principalmente quando se trata de Constituição rígida, como é o caso do modelo
adotado no Brasil.
Karl Loewenstein nos ensina que: “a Constituição é um organismo vivo,
sempre em movimento como a vida mesma, e está submetido à dinâmica da
realidade que jamais pode ser captada através de fórmulas fixas” (apud
Zandonade, 2001, p. 208)
Neste passo, trazemos dois entendimentos diversos, para analise, sendo o
primeiro favorável, defendido por CARVALHO (2003), onde frisa que reformar
não significa mudar, substituir, ab-rogar toda a Constituição existente para então
estabelecer outra em seu lugar, mas “tão-somente alterar, modificar, fazer
adições ou supressões, mantendo a identidade e a continuidade da
Constituição”.
Diferente, é o entendimento de Gisela Maria Bester (2005) explica que
quando tratamos da reforma da Constituição:

Reformar uma Constituição é alterar seu texto vigente,


suprimindo ou acrescentando matéria ao texto original, com o
intuito principal de atualizá-la e, em muitos casos, aprimorá-la,
já que, sob o ângulo sociológico-jurídico, é imprevisível se
pretender que uma lei, pelo fato de ser a viga-mestra do
ordenamento jurídico estatal, consiga vencer o tempo e os novos
valores políticos e sócio-filosóficos, sem a eles se render.
Contudo, costuma ser, a reforma Constitucional, mais difícil do que a
criação de uma lei ordinária, ou de qualquer lei infra-constitucional.
E quando se estamos diante da necessidade de reforma, importante é
respeitar os requisitos, o qual está previsto na própria Constituição de 1988, em
seu art. 60, onde prevê a competência para a elaboração das emendas
constitucionais, processo corriqueiro no Brasil.
A possibilidade trazida pela Constituição de 1988, traz a oportunidade de
adaptar, atualizar e reconstruir parcialmente, contudo, não se pode dentro destas
possibilidades, mudar sua origem, sua base ou seus fundamentos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o presente estudo, buscou-se destacar a importância da efetividade


dos direitos humanos, no Brasil a partir da institucionalização da Constituição
Federal de 1988, viu-se a necessidade de se olhar para o povo, e através deste
instrumento, não retroagir cometendo os erros do passado diante de tantas
violações.

Os Direitos Fundamentais, em suma, são aqueles garantidores da base da


existência humana, manifestados pelo dever do Estado em proporcionar direitos
basilares como a vida, lazer, saúde, educação, trabalho e cultura. No entanto,
nem sempre é este efetivado, por inúmeras causas.

Os avanços que surgem ao longo das constituições, nos coloca de frente


com novos desafios e também necessidades de se pensar em formas de
complementar nossa Constituição.

No entanto, mais importante que isso, é um olhar sensível, para que não
esqueçamos dos direitos mínimos, bem como o zelo pelo Sistema Constitucional
de origem.
Assim, concluímos que não basta apenas a criação normativa que
priorizem a população, mas deve-se priorizar por meio de um caráter
intransponível, onde não venha a suplantar.

Isso porque, é a Constituição de 1988, um sistema inviolável, protetora dos


direitos fundamentais, não se pode dizer que é imutável, ao mesmo passo que
deve-se agir com cautela em reformas dado ao poder evolutivo do Direito.

Referências das fontes citadas

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