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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BARRA MANSA

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
CURSO DE PSICOLOGIA
DISCIPLINA PSICANALISE
PROFESSORA LAVÍNIA BRITO

PARADIGMAS LACANIANOS

Cintia Cristina dos Reis Teixeira – 20191000192


Fabiana Lima S. Moraes - 20192000577
Thaisa Tarouquela Pereira - 20191000954

Maio
2022
INTRODUÇÃO

O artigo que aqui se resenha, tem como objetivo central, trazer a nós leitores uma reflexão
critica e fundamentada sobre o paradigma Lacaniano, onde o autor Thomas Kuhn define que
as revoluções cientificas são episódios de desenvolvimento não cumulativos, ou seja para
Kuhn um paradigma mais antigo é total ou parcialmente substituído por um novo
incompatível com o anterior, autor nos convida a pensar sobre os novos paradigmas
psicanalíticos, onde Lacan nos traz uma versão nova e mais rígida da abordagem.

Começamos o texto, fazendo referência a Thomas Kuhn, pois para Jean Allouch, as
colocações de Kuhn serão importantes para compreendermos a relação Freud - Lacan, para
Allouch os cinco critérios nos mostram exatamente o trabalho realizado por Lacan.
A primeira critica feita por Lacan, nas doutrinas Freudianas foi na sua tese Da psicose
paranoica em suas relações com a personalidade, o caso “Aimee” Ali Lacan, ressalta que o
Narcisismo era um conceito pouco estudado e mal elaborado e a psicanalise precisava de um
aprofundamento na questão da psicose. Lacan não estava preocupado em ser reconhecido
como Freudiano, ele desejava apenas completar as falhas encontradas por ele na psicanalise.
Lacan chegou a ser acusado de ser um desviante da teoria Freudiana, por conta dos novos
paradigmas que surgiam, com seus estudos e pesquisas, alguns pontuados nessa resenha.

DESENVOLVIMENTO

Refletindo sobre a temática proposta, nos debruçamos sobre os novos rumos tomados pela
psicanalise através de Lacan, que lê e faz criticas a teorias freudianas, trazendo um novo
conceito, como a psicose sendo um distúrbio de personalidade, o que se torna sua tese
principal. Lacan também nos apresenta a fase do espelho, onde ele defende a ideia de um
momento do surgimento do “eu”, para Jaques Lacan o “eu” se constitui através da imagem do
corpo próprio, o que seria a tese central da concepção do imaginário.
Lacan, assim como Freud, reinventou a si próprio diversas vezes e ao contrário do que muitos
ainda pensam, ele se considerou freudiano, apesar de ter criado conceitos próprios e
principalmente ter modificado outros conceitos criados por Freud, mas ressaltamos que seu
objetivo era aprimorar as obras e não deixar a psicanalise freudiana se perder no meio de
tantas inovações que surgiram ao longo dos anos.

Ainda sobre as inovações, vamos citar o desejo, o desejo para Freud é um direcionamento
para uma vivência satisfatória que acalma uma necessidade anterior. Podemos citar
como exemplo, a fome do bebê e a vontade de sacia-la. Porém Lacan, aponta o desejo para
algo como anseio, incompletude, a falta, um desejar que estará sempre além, que nunca será
saciado. Como exemplo, podemos citar uma pessoa que deseja um carro novo, ela consegue o
carro, mas em seguida, a falta de algo continua, a falta não era o carro e ela passa a desejar
algo maior, que ela julga que irá sacia-la.

Outra modificação Lacaniana, que podemos citar é o tempo variável da sessão na pratica
clínica, para Lacan esse tempo não precisa ser algo estipulado pelo analista.

Lacan traz o conceito do inconsciente estruturado como linguagem. Para ele, ao contrário do
que se supõe, o inconsciente não está nas profundezas da mente, e sim na superfície, mas está
distorcido. Em sua clínica e teoria, Lacan vai prestigiar a estrutura no lugar dos fenômenos.
Ele vai dizer que o fenômeno é enganoso, pois ele não fala da raiz de um funcionamento, e
então propõe uma abordagem clínica para além do fenômeno, uma abordagem que enfatiza a
estrutura.

A estrutura se trata de um modo de funcionamento constante e que independe do fenômeno


que se apresenta – são elas a neurose, a psicose e a perversão. Para identificar as estruturas
clínicas, é necessário muita sutileza e tempo de escuta na análise.

CONCLUSÃO

A leitura provocou em nós, uma reflexão profunda sobre a importância das mudanças e
criticas realizadas por Lacan, a psicanalise teve muitos ganhos e como era de sua vontade,
permaneceu viva.
E considerando a fala de Rubens Alves, que defende que “As conclusões da ciência, no
entanto, são sempre provisórias e que ciência não deve ter dogmas”, não ousamos concluir,
mas finalizar de forma sublime o que foi proposto no artigo.
Os paradigmas lacanianos, foram muito importantes, tanto as críticas, quanto as modificações
trouxeram ganhos para a psicanalise. Lacan, chegou a ser expulso da IPA, por não ser
compreendido, por ter sessões que chegaram a ter apenas minuto, mas ainda assim, se
considerava um freudiano e manteve seus posicionamentos, que hoje contribuem muito para
nossos estudos na psicanalise. Além disso, Lacan queria que aqueles que tivessem um desejo
forte de aprender a psicanalise mais profundamente, se debruçassem sobre as suas palavras,
registradas nos livros seminários e escritos. Ele queria que essas pessoas fizessem um
investimento nos estudos, então, não era seu objetivo facilitar a leitura. Mostrando assim, que
ler as obras dele, não é algo fácil, porém, se tivermos desejo de entender mais a psicanalise,
vamos investir tempo e podemos ser bem-sucedidos, tendo assim um grande aprendizado.

 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 2. ed. São Paulo :
Loyola, 2000. 
 FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIV. Rio de
Janeiro, Imago, 1969.
JULIEN, Phillipe. Le retour à Freud de Jacques Lacan. Paris, Erés.
MEZAN, Renato. "Existem paradigmas na psicanálise"? In A sombra de Don Juan. São Paulo, Brasiliense,
1993.
KUHN, Thomas S. "Reconsiderações acerca dos paradigmas", in A tensão essencial. Lisboa, Edições 70,
1989.

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