Você está na página 1de 18

PAI

Nosso
Gerência geral: Rafael Cobianchi
Coordenação Editorial: Thuâny Simões
Projeto Editorial: Rhayssa Siqueira
Preparação e revisão: Rochelle Lassarot
Projeto gráfico, diagramação e capa: Diego Rodrigues
Imagem de capa: Istock/RomoloTavani
Tradução: Rodrigo Luiz
 
 
Editora Canção Nova
Rua João Paulo II, s/n
Alto da Bela Vista
12.630-000
Cachoeira Paulista – SP
Tel.: [55] (12) 3186-2600
E-mail: editora@cancaonova.com
loja.cancaonova.com
Twitter: @editoracn
Instagram: @editoracancaonova
Todos os direitos reservados.
 
ISBN: 978-5-9463-044-5
 
© EDITORA CANÇÃO NOVA
Cachoeira Paulista, SP, Brasil, 2022
Padre Matteo Munari, OFM

 
 

PAI
Nosso
 
 
 
 
Sumário

Prefácio .............................................................. 7
Introdução..........................................................11
Pai nosso que estais nos Céus............................. 19
Santificado seja o vosso nome............................. 27
Venha o vosso Reino.......................................... 33
Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como
Céu.................................................................... 39
O pão nosso de cada dia nos dai hoje................. 43
Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós
perdoamos a quem nos tem ofendido.................49
E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos
do mal................................................................ 55
Conclusão.......................................................... 63
Prefácio

O segredo da vida é escrito dentro de


cada um, porque está na própria vida, na
maneira de lê-la, de enfrentá-la, de vivê-la, de
dar respostas aos tantos interrogativos que temos,
na busca de sentido, mesmo quando situações
e experiências colocam obstáculos e filtros no
modo de leitura e percepção que temos de nós
mesmos, e até mesmo da nossa relação com
Deus. Na vida de cada homem e mulher, há
um momento crucial em que é necessário parar,
fazer uma pausa de silêncio da vida caótica e
refletir sobre o significado de seu destino e seu
lugar na vida e no mundo. É o convite que nos
faz o confrade franciscano Frei Matteo Munari
OFM, na proposta deste opúsculo, que é um
convite a parar, a encontrar um momento para
ficar em silêncio e recuperar o sentido da oração
e da nossa relação com o Pai.

7
O autor que é biblista e professor do Stu-
dium Biblicum Franciscanum de Jerusalém e es-
creve diretamente da Terra Santa, nos trazendo,
em modo concreto, os ensinamentos do mestre
Jesus de Nazaré, que nos exorta a não multipli-
carmos palavras na oração e na relação com o
Pai. Em coerência, o texto proposto é sintético,
breve, realmente uma guia no entendimento
daquilo que estamos pedindo, e, apesar da bre-
vidade, não perde a sua profundidade. Contém
ensinamentos profundos, em um itinerário que
nos leva a rezar como filhos e filhas, na oração
que é um dom sem igual, o ponto mais alto
de encontro com Deus que se possa alcançar!
Que não decepciona e revela uma novidade
absoluta: a possibilidade de se voltar para Deus
chamando-o de “Pai”.
Neste itinerário, Frei Munari nos trans-
porta àquele clima de confiança e entusiasmo
dos discípulos de Jesus, que é um convite para
cada um de nós a rezarmos o Pai-Nosso não

8
como uma fórmula que se recita quase por há-
bito, mas uma exortação à oração interior, viva,
dinâmica e transformadora que envolve todo o
ser, corpo, alma, espírito, e que, quanto mais
se intensifica, mais ilumina a consciência, pro-
duzindo uma conversão do olhar, expandindo
a mente para perspectivas que vão muito além
de toda a lógica humana.
É o que desejo a todos os leitores (as) deste
livro, que traz em si a graça de ter sido escrito,
concebido aqui (hic) na Terra do quinto Evan-
gelho, que é a Terra Santa. Que possa incitar ao
silêncio, à oração interior, que conduza à cela
do coração, à solidão habitada onde demora o
nosso desejo de Deus, onde somente Ele pode
saciar aquela busca de plenitude que anseia o
íntimo de cada pessoa porque “só em Deus
repousa minha alma, só dele me vem a salvação”
(Salmo 61). Permanecer nessa presença amorosa
nos permite não fugir, mas aderir plenamente

9
aos acontecimentos do quotidiano da vida e ao
amadurecimento neles.
Enfim, que a graça desta leitura nos ajude
a rezar melhor e crescer na fé, permanecendo
no olhar de Deus, contemplando o seu amor,
e sem medo de dizer: “Pai Nosso” ou melhor:
“Papai”, Abbà!

Nazaré, 01 de agosto 2022


Frei Bruno Varriano OFM.
Guardião e Reitor da Basílica da
Anunciação
Docente do “Studium Theologicum
Jerosolymitanum”

10
Introdução

A s palavras que usamos quando rezamos


dizem muito sobre nossa percepção de
Deus e de nós mesmos. Na oração que Jesus
nos ensinou, aprendemos a pensar em Deus
como Pai e a nos ver mesmos como seus filhos.
A oração do pai-nosso é a oração daqueles que se
descobrem filhos de Deus diante do ensinamen-
to de Jesus, que o introduz com estas palavras:

Quando orardes, não useis de muitas pala-


vras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão
ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais
como eles, pois o vosso Pai sabe do que precisais,
antes de vós o pedirdes. Vós, portanto, orai assim:
Pai nosso que estais nos Céus […] (Mt 6,7-9).

Um dia eu li esse trecho do Evangelho


para um grupo de estudantes da Universidade
Hebraica de Jerusalém. Estávamos próximo do
rio Jordão, no lugar onde são lembrados três

11
eventos significativos na história da salvação: a
entrada do povo de Israel na terra prometida; a
ascensão do profeta Elias; e o batismo de Jesus
por obra de João Batista. Era uma tarde quente
de maio, as águas escassas do rio Jordão, carrega-
das de gloriosa memória, escorriam silenciosas e
acolhiam os peregrinos vindos de todas as partes
do mundo para se imergirem ali e pedirem a
Deus vida e bênção.
Ao oriente do rio alguns soldados da Jor-
dânia faziam a guarda; ao ocidente, duas jovens
soldados israelenses fiscalizavam aquela fronteira
que um dia o povo guiado por Josué a atraves-
sou (Js 3,14-17). Nas duas margens do rio, a
mesma vegetação alegrava um oásis no deserto.
Enquanto meu hábito de frade menor começava
a grudar sobre a pele suada e as moscas voavam
ao meu redor me causando movimentos desco-
ordenados, eu tentava agitadamente explicar as
palavras de Jesus e avaliá-las com os estudantes
se o pai-nosso seria uma oração somente cristã
ou se também os hebreus poderiam utilizá-la
sem contrariar a própria crença. Eu estava re-
petindo o que um tempo atrás Jesus disse aos
12
seus discípulos, e insistiam no fato de que os
pagãos creem receber o que pedem por meio
de rajada de palavras lançadas à divindade, na
esperança de que, pelo menos, uma dessas atinja
o alvo. Eu dizia — não importam a intenção e
a atenção ao destinatário, para um pagão o que
importa é dizer o maior número de palavras no
menor tempo possível. Uma estudante interrom-
peu o que eu estava dizendo — também nós
hebreus nas sinagogas às vezes rezamos como
os pagãos. Acrescentei — neste sentido, nós
cristãos nos sentimos muito próximos a vocês!
— Nos permitimos seguir em uma agradável
risada inter-religiosa, reconhecendo a seriedade
e a verdade das palavras de Jesus de Nazaré a
propósito da oração.
Na verdade, cada pessoa que reza, para além
da religião que professa, vive quotidianamente o
perigo da superficialidade: tantas palavras, dese-
jos de terminar rápido, ausência de coração. Às
vezes, corre-se o risco de viver o tempo da nossa
oração como um momento de apneia, perdemos
o respiro na expectativa de que ele retorne como
se o que realmente conta fosse em outro lugar,
13
como se a vida verdadeira fosse em um outro
tempo. Desse risco nem mesmo os conventos
e os mosteiros estão isentos, no sentido de que
no rosto daqueles que gostaríamos de considerar
“profissionais da contemplação” vemos pintadas
a tristeza e a amargura do ateísmo. Por quê?
Talvez por causa desse tipo de superficialidade
que torna ineficaz a nossa oração não nos sen-
timos ouvidos, e a frustração causada distancia
nosso coração de Deus. Jesus nos ensinou que
existe uma espécie de TFR (tratamento de fim
de relação) em nossa relação com o Pai. Os três
elementos que tornam ineficaz a nossa oração
podem ser recordados desse modo:
 
• T = Teatro. Se nos tornamos atores
(hipócritas) e recitamos no desejo de
sermos notados pelas pessoas enquanto
rezamos, não podemos esperar que Deus
nos escute porque já recebemos nossa
recompensa de qualquer outra pessoa
(Mt 6,5). Cada um de nós é chamado

14
a escolher: ou buscamos a atenção de
Deus ou a atenção dos homens.
• F = Futilidade. Se não percebemos que
estamos diante do Altíssimo e por isso
nos limitamos a pedir com muitas pa-
lavras coisas que não têm valor, não
podemos esperar que nossa oração seja
ouvida (Mt 6,7-8). Diante da imensidão
de Deus, deve-se apresentar pedindo
grandes coisas.
• R = Rancor. A nossa oração não será ou-
vida se antes não perdoarmos de coração
a nossos irmãos (Mt 6,14-15). Jesus não
nos propôs o perdão aos irmãos como
uma opção, mas como condição neces-
sária para sermos ouvidos.
 
Geralmente podemos dizer, portanto, que
o nosso Pai do Céu deseja nos ouvir; a nós,
pois, cabe a tarefa de eliminar o TFR de nos-
sa oração para depois vermos seus frutos em
nossa vida. Após rezarmos, é bom, de fato, nos
perguntarmos o que poderia acontecer caso

15
Deus nos escutasse e o que aconteceria caso
nos abstivéssemos de rezar. O que mudará em
nossa vida se o Pai celeste nos ouvir quando
dissermos “santificado seja o vosso nome” ou o
que mudará se nos abstivermos de dizer “o pão
nosso de cada dia nos dai hoje”? Você sabe o
que realmente está pedindo? Jesus nos ensinou
que tudo o que pedimos em oração, com fé, o
obtemos (Mt 21,22). Nossa fé cresce cada vez
que nos sentimos ouvidos por Deus, mas se
não sabemos o que estamos pedindo, como
perceberemos que estamos sendo ouvidos?
Muitas vezes não sabemos o que pedimos,
exatamente como a mulher e os filhos de Ze-
bedeu (Mt 20,20-23). Aceitamos que nosso
coração se preencha de ambição e nos conduza
a desejar o que Deus não deseja e a amar o que
Deus não ama. Graças a Deus, Ele não escuta
todas as orações. Aqui em Jerusalém sobem
incessantemente orações a Deus: de hebreus,
de cristãos e de muçulmanos. Neles, o desejo
da santificação do nome de Deus se mistura
ao desejo de destruir o outro, com o medo da
verdade ou com o desejo de apagar a memória
16
do passado. Graças a Deus, Ele não ouve todas
as orações! A oração só tem sentido se dizemos
com sinceridade: “seja feita a vossa vontade”.
Dessa reflexão nasceu o desejo de explicar
de maneira simples e breve o significado do que
pedimos na oração do pai-nosso. Aumentando
a consciência da oração, crescem também a
eficácia e, como consequência, a fé de quem
reza. Para alcançar esse objetivo, depois de um
breve comentário à invocação inicial, busquei
explicar de maneira concisa cada um dos seis
pedidos do pai-nosso. Desses conto seis, e não
sete, porque as palavras “livrai-nos do mal” são
uma espécie de interpretação do sexto pedido.
Trata-se, portanto, de dois grupos de três pedi-
dos: os primeiros se reza com os olhos voltados
para o Céu, e os segundos com os olhos volta-
dos à Terra; os primeiros ousam pedir a Deus
grandes coisas, e os outros invocam seu socorro
à nossa fragilidade; os primeiros são as espadas
para atacar, e os segundos, o escudo para se
defender no combate espiritual.
O livro que você está lendo é divulgativo,
sem referências bibliográficas e explicações cien-
17
tíficas. Você não encontrará nem mesmo um
confronto com a versão mais breve da oração
relatada em Lc 11,2-4. Não está lendo uma
introdução ao pai-nosso, mas simplesmente um
instrumento que poderá ajudá-lo a compreender
o que está rezando. A pesquisa é enorme, mas
nestas páginas estão apenas o fruto desse tra-
balho. Para as citações bíblicas, escolhi utilizar
a tradução da Conferência Episcopal Italiana
(CEI)1 de 2008 para favorecer quem está habi-
tuado a usá-la na oração; somente em alguns
casos particulares propus uma versão alternativa
para favorecer a compreensão.
Acesse o QRcode e descubra no que con-
siste a Oração do Pai Nosso:

1
Nesta versão, em português, utilizamos a tradu-
ção da CNBB.
18

Você também pode gostar