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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Educação e Ética em busca de uma aproximação

Malécia De Alfimina Deutronomio Benardo: 708204007

Licenciatura em Ensino de História


Ética Social
Abel Vasco
3º Ano
Turma: B

Milange, Julho de 2022


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 Capa 0.5
 Índice 0.5
Aspectos
 Introdução 0.5
Estrutura organizacionai
s  Discussão 0.5
 Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualizaçã
o (Indicação
1.0
clara do
problema)
 Descrição dos
Introdução 1.0
objectivos
 Metodologia
adequada ao
2.0
objecto do
trabalho
 Articulação e
domínio do
discurso
académico
Conteúdo 2.0
(expressão
escrita cuidada,
coerência /
Análise e coesão textual)
discussão  Revisão
bibliográfica
nacional e
2.
internacionais
relevantes na
área de estudo
 Exploração dos
2.0
dados
 Contributos
Conclusão  Teóricosprático 2.0
s
 Paginação, tipo
e tamanho de
Aspectosgerai
Formatação letra, paragrafo, 1.0
s
espaçamento
entre linhas
Normas APA  Rigor e
Referências 6ª edição em coerência das
4.0
Bibliográficas citações e citações/referêci
bibliografia as bibliográficas
Recomendações de melhorias

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Índice
1. Introdução............................................................................................................................3
1.1. Objectivos....................................................................................................................3
1.1.1. Objectivo Geral....................................................................................................3
1.1.1.1. Objectivos Específico.......................................................................................3
2. Conceito de Educação..........................................................................................................4
3. Educação e Ética em busca de uma aproximação.................................................................4
4. Escola e Sociedade...............................................................................................................6
5. Ética.....................................................................................................................................7
6. Compromisso Ético..............................................................................................................7
7. Ética da Acção Educação.....................................................................................................9
8. Educação, Ética e Labor.................................................................................................10
9. Educação, Ética e Trabalho................................................................................................11
10. Educação, Ética e Acção................................................................................................12
11. Ética da Esperança..........................................................................................................13
12. Conclusão.......................................................................................................................14
13. Referencia bibliografia...................................................................................................15

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1. Introdução

Os seres humanos não nascem com um conjunto preexistente de atitudes, estas


são adquiridas e moldadas através de interações com o meio em que vivem no decorrer
de suas vidas.Através das experiências sociais, são estabelecidos normas e valores que
definem as pessoas enquanto sujeitos com comportamentos éticos e morais. E a
educação faz parte deste meio.

Desde a infância somos educados pelos pais ou pelos responsáveis de nossa


criaçãopara agirmos de acordo com a educação que nos foi transmitida.Contudo toda
ação humana é baseada em determinados valores que estão atreladoscom as vivências e
experiências adquiridas através de normas e condutas advindas doconvívio com os
demais seres que os cercam. Tanto que a figura paterna e materna sãoessenciais para a
boa formação e modificação do caráter do individuo.

O presente trabalho debruça-se em torno da Educação e Ética em busca de uma


Aproximação, que serve de 2º trabalho da cadeira de Ética Social nocurso de
Licenciatura em ensino de História, 3º Ano, no Centro de recursos Distância de
Milange. Em concernente a elaboração domesmo, usaram-se vários artigos publicados
na internet, livros, e entre outros materiais, no queculminou a uma pesquisa
bibliográfica.

1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
 Analisar o impacto da Educação e Ética em busca de uma aproximação.
1.1.1.1. Objectivos Específico
 Conceituar a Educação;
 Conceituar a Ética;
 Descrever a questão da aproximação da educação com a ética;
 Descrever a escola e sociedade em busca de uma aproximação

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2. Conceito de Educação

Segundo Freire (2003, p. 8), enfatiza que “A educação é a ação que


desenvolvemos sobre aspessoas que formam a sociedade, com o fim decapacitá-las de
maneira integral, consciente, eficientee eficaz, que lhes permita formar um valor
dosconteúdos adquiridos, significando-os em vínculodireto com seu cotidiano, para
atuar consequentemente a partir do processo educativo assimilado”.

Freire (2003, p.10), conceitua a educação, “Como processo de conhecimento,


formação política, manifestação ética, procura da boniteza, capacitação científica e
técnica, é prática indispensável aos seres humanos e deles específicos na História
comomovimento, como luta.”

Brandão (1986, p. 124), diz que “educação é todo conhecimento adquirido com a
vivência em sociedade, seja ela qual for. Sendo assim, o ato educacional ocorre
no ônibus, em casa, na igreja, na família e todos nós fazemos parte deste processo”.

Libâneo  (2002, p.26), define a educação como “fenômeno plurifacetado,


ocorrendo em muitos lugares, institucionalizado ou não, sob várias modalidades”. O
autor identifica a prática pedagógica em seus variados meios de ocorrência.

3. Educação e Ética em busca de uma aproximação

Segundo Antunes (2002, p. 27), afirma que “Para explicitar o conceito de


educação que assumimos ao relacioná-la com a ética, começaremos por contextualizar a
existência humana, razão da emergência do fenômeno educativo e das exigências
éticas”.

Antunes (2002, p. 29), afirma que “A própria história só surge quando se


constituem as comunidades humanas que conferem um significado aos fatos e a todas as
realidades. Todos os seres existentes sóadquirem uma significação diante do ser
humano”.

“No começo do processo de hominização, encontramos um ser natural, que


ainda não produziu história, nem educação e nem ética. É um hominídeo, um ser
semelhante aos demais seres que habitam o planeta, como os inanimados, os vegetais e
os animais.Estes apenas repetem um programa predeterminado pela natureza” (Antunes,
2002)

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Nada têm que acrescentar para existirem. São movidos por impulsos e por
instintos. São seres completos em suas realidades, em seu universo e em seus níveis de
existência.

Antunes (2002, p. 32), afirma que “Na medida em que o processo de


hominização se completa e se inicia o processo de humanização, o ser humano passa a
se apresentar como um ser aberto e inconcluso. É o único ser deste planeta que não
recebe a vida pronta e acabada, diferentemente dos demais seres. Este recebe uma mera
possibilidade de existir”.

Antunes (2002), afirma que:

“O fenómeno educativo, porém, se presta a algumas ambiguidades e


incompreensões que precisam ser clarificadas. A educação sempre
implicará um processo amplo de transformação e desenvolvimento do
ser humano, em toda a sua pluridimensionalidade. A educação se dará
quando forem mobilizadas as potencialidades humanas de um ser bio-
psico-social. O ser humano haverá de ser tanto mais humanizado
quando puder avançar no desenvolvimento de suas potencialidades”

Muitas vezes a educação é entendida e exercida somente como um processo de


acumulação de informações, ou seja, como um processo de ensino. Um cabedal imenso
de informações pode não acrescentar valores maiores a um ser que, portanto, não haverá
de ser humanizar devidamente.

Antunes (2002), afirma “Sempre que aqui se falar em educação, estar-se-á


fazendo referência a um processo amplo, completo, profundo e altamente comprometido
com a mobilização de todas as potencialidades humanas. Teremos somente um ser
humano educado na medida em que ele crescer e for melhor sob todos os pontos de
vista”.

Isto quer dizer que a educação mobilizará sempre suas múltiplas dimensões de
um ser biológico, social, espiritual, intelectual, psicológico, material, estético, ético, etc.
Será neste sentido que se poderá falar em educação e ética e em uma aproximação
necessária entre ambas.

Antunes (2002, p. 34), diz “Contudo, para que o conceito de educação se


clarifique um pouco mais, é preciso inseri-lo no contexto em que ela se faz. A educação
aparece sempre como um fenômeno social e nunca como uma força isolada, razão pela

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qual passamos a refletir a sua contextualização atual. Portanto, buscar uma aproximação
entre educação e ética só será possível ou não se isto se fizer dentro de um contexto
societal”.

4. Escola e Sociedade

Bach (1985, p. 87), afirma “A busca de uma aproximação entre a educação e a


ética se depara com dificuldades e situações paradoxais de toda ordem, explicitadas nos
questionamentos que se apresentam logo a seguir”.

Segundo Bach (1985, p. 87), diz que Não obstante estas condições que
representam tantas dificuldades, é preciso pôr-se a caminho na busca desta
aproximação. Desde logo, tem-se claro que esta junção se fará de forma lenta e
imperfeita, num contínuo e constante processo de construção. Seria de todo desejável
podermos afirmar que não é possível haver educação sem ética”.

O conhecimento adequado ao paradigma tecnológico segue os valores


preconizados pelo Positivismo, marcado por uma racionalidade objetiva e quantitativa.
A prática educativa constituir-se-á na transmissão dos saberes predeterminados em que
se supervalorizam as ciências duras.

As ciências moles, em que predominam os aspectos da subjectividade,


simplesmente são consideradas de segunda categoria e os seus cursos, assim como
quem os procuram, como de status menor.

Bach (1985, p. 89), afirma que “Neste contexto, a escola passa a ser um lugar
pouco atraente para a grande maioria dos alunos. Os espaços de aprendizagem não
formais são mais atrativos do que ela. Professores com baixa auto-estima, pouco
valorizados e mal pagos, não conseguem entusiasmar os seus alunos”.

A escola está mal equipada para competir nesse terreno: por um lado, suas
rotinas mais elementares são particularmente tediosas e exigentes, em comparação com
a divertida e confortável trivialidade da televisão, videojogos e computadores; por
outro, suas penosas e áridas incursões na cultura, no sentido pleno do termo, nada
podem faze em face do acúmulo de oportunidades oferecido por um mundo globalizado.

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5. Ética

Segundo Baptista (2005, p. 9), afirma que “A meta deste estudo é buscar uma
aproximação entre a educação e a ética. Falar e fazer educação implica pensar e agir
eticamente, de acordo com a afirmação de Baptista”.

Segundo Batista (2005, p. 10), afirma que:

“Na grande obra da construção humana, a educação entra como uma


tarefa indispensável, atuando em um mundo e sobre seres marcados
por diversidades incontáveis. Diante deste universo de diferenças, de
complexidades e de paradoxos, a dimensão axiológica se impõe por se
tratar de uma ação de sujeitos sobre o contexto circundante e por se
dar em um espaço de vida de educandos e de educadores”.

As exigências do saber pedagógico como um saber teórico-prático, envolvem


posturas éticas e morais desde a clarificação das finalidades da educação até a sua
prática como um compromisso individual e coletivo.

Baptista (2005, p. 12), afirma que “Entretanto, é preciso ter claro que a busca de
uma educação marcada por aspectos éticos nunca se dará de uma forma absoluta e
completa, como já foi dito anteriormente. Estamos sempre tratando da condição humana
que, naturalmente, é marcada pela imperfectibilidade e pela incompletude”.

Baptista (2005), enfatiza que

“Contudo, isto sempre se dará de uma forma incompleta e imperfeita.


Por isso, haveremos de falar, não na impossibilidade absoluta de haver
uma educação sem ética, mas de uma busca de aproximação entre
ambas. Porém, sabe-se que a justa medida será sujeita a tantas
variáveis quantas são as relações humanas; isto quer dizer, serão
infinitas as interveniências na construção de uma educação ética”.

6. Compromisso Ético

Na busca de uma aproximação entre a educação e a ética, servimo-nos mais uma


vez dos argumentos de Imbert, que defenderá a ideia de um necessário engajamento
ético efectivo na prática educativa.

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Estes argumentos ultrapassam a afirmação da possibilidade de uma aproximação
entre a educação e a ética e colocam-na como necessidade ao afirmar que o
engajamento ético leva-nos a enfrentar a questão do sujeito; o reconhecimento de sua
essencial singularidade.

Assim como Baptista (2005), Imbert (2002) inicia seu questionamento sobre a
ética no campo educativo pela distinção entre ética e moral. Para ele, o engajamento
ético difere da simples obediência às regras morais.

Segundo Imbert (2002), afirma que “A moral é composta por leis e normas,
tendendo a ser lógica, previsível, repetitiva, calculista, conformista e controladora.
Assim, de acordo com a perspectiva moral, a educação tem como objectivo a aquisição
de hábitos virtuosos, o que pode ser entendido como treinamento ou condicionamento”.

Desta forma, é possível que alguém se submeta a uma norma de maneira


inconsciente, passiva e acrítica. Neste sentido, uma escola orientaria pedagogicamente
pela regularização e pela moralização da criança, rejeitando o seu modo de ser
espontâneo, inquieto e criativo.

Imbert (2002), afirma que “Deste jeito, esta criança estaria sendo informada e
treinada, tal como se condiciona um animal. Portanto, a moral tende a produzir sujeitos
passivos e que se submetem às normas. Isto se contrapõe ao verdadeiro sentido do
engajamento, que depende de um comprometimento consciente e efectivo”.

De outro modo, Imbert afirma (2002), afirma que “a ética rompe com este
objectivo de conformização. A ética substitui a perspectiva de uma fabricação de
hábitos que garantem a boa conduta através da conformidade às normas”.

“A ética desliga e desfaz os hábitos, visando à existência de uns sujeitos, fora


dos moldes e das marcas indeléveis. Este se expressa pela consciência de si, do seu
mundo e do profundo sentido de direcção que implica a sua existência” (Imbert, 2002).

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7. Ética da Acção Educação

A reflexão de Arendt (2007), afirma “se inicia com a referência à nova cosmo
visão resultante do início da conquista do universo pelos seres humanos. As viagens
espaciais deram à humanidade a certeza de que a terra se tornara muito pequena e de
que era preciso se libertar de seus limites. O início foi feito pela conquista do planeta
mais próximo”.

“De qualquer sorte, já foi possível olhar a terra de um outro ângulo e se assumir,
diante dela, uma nova posição de actuação e controle. Além disso, aqui mesmo, neste
planeta, o mandado bíblico de dominar a terra, cada vez mais, foi sendo executado à
exaustão”. (Aremdt, 2007)

A tecnologia se tornou, nas mãos humanas, um potencial inesgotável de acções


transformadoras. Os segredos da terra e do universo, gradativamente, vão sendo
desvendados em toda a sua profundidade.

Arendt (2007, p. 90), afirma que “As consequências destas conquistas da


humanidade vão assumindo implicações de toda ordem: económicas, políticas, éticas,
educacionais, etc. O primeiro aspecto se refere à hegemonia sobre o planeta”.

Quem chegou primeiro anunciou pretender ser o dono da terra e do céu. Assim,
durante décadas, os poderosos dividiram o mundo entre leste e oeste e se digladiaram
perigosamente para afirmar a sua supremacia sob a égide tecnológica e económica.

Até que, por fim, a história caminhou e eles perceberam que era melhor se
darem as mãos, no universo das conquistas espaciais. Isso já representou um avanço na
eticidade humana no que diz respeito à hegemonia planetária

Arendt (2007), afirma que “A vita activa e a forma como que o ser humano a
exercer será fruto de uma aprendizagem. Portanto, a educação implicará uma dimensão
ética a imprimir as suas condições de construção ou de destruição. O ser humano
aprenderá a prática do cuidado para com tudo e todos os que o rodeiam”.

Sempre de acordo com Arendt (2007), afirma que “a natalidade se constituirá no


valor predominante e não a mortalidade, em que pese ser esta última uma contingência
de finalização temporal. O fato primordial da natalidade haverá de se apresentar como
uma acolhida amorosa. O recém-chegado será recebido com as boas vindas de quem é
introduzido num mundo em que ele tudo terá que aprender”.
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Todas as tarefas necessárias para sua sobrevivência lhe serão ensinadas para que
sua travessia seja feliz e realizadora. Desde o labor até a acção contemplativa serão
frutos de sua aprendizagem.

8. Educação, Ética e Labor

Segundo Boff (2000, p. 67), afirma que “A vita activa tem, na sua primeira e
mais simples forma de realização, a actividade do labor. É a expressão do homo laboral.
É através do labutar quotidiano que o ser humano resolve as questões que dizem
respeito à sua sobrevivência”.

É a eterna repetição quotidiana de tarefas que visa sua sobrevivência biológica.


Ele as executa sozinho. Mesmo quando o labor é realizado em conjunto, nada mais é do
que uma justaposição de indivíduos que não necessariamente está relacionada entre si.

Boff (2000, p. 68), afirma que “Do ponto de vista da educação, um indivíduo
reduzido à condição do homo laborans é alguém que é excluído do processo educativo.
Assim, de acordo com o pensamento de Freire (1985), os mecanismos de opressão e de
dominação se perpetuam através de mecanismos plenamente justificados do ponto de
vista lega”.

Verifica-se que é difícil falar da aproximação entre educação e ética quando se


tem um sistema educacional em que a clientela proveniente do universo do labor dele
não tem acesso. E se consegue ser incluído, sobretudo em níveis básicos do sistema,
sucumbem pela necessidade de terem que sobreviver, evadindo-se para o mundo do
labor subalterno ou para a exclusão do desemprego.

Boff (2000, p. 69), afirma que “Assim se repete o círculo vicioso da dominação
e da reprodução de uma sociedade excludente. A educação, desprovida de sua
necessária eticidade, representa uma oportunidade somente para alguns. Tratam-se
assim de forma igual os desiguais. Nada mais equivocado eticamente do que se
desconsiderarem as diferenças e nada mais injusto”.

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9. Educação, Ética e Trabalho

Arendt (2007, p. 176), afirma que “Depois do labor, a actividade humana se


expressa através do trabalho. Enquanto o labor está relacionado às questões da
sobrevivência e seus resultados desaparecem tão rapidamente quanto levam para ser
produzidos, o trabalho se constitui na produção de coisas marcadas pela durabilidade,
mesmo que relativa”.

O homo faber, de acordo com a divisão das actividades humanas elaborada por
Arendt (2007), dedica-se à fabricação dos Objectos de uso, por ela denominados de
artifícios humanos. Através da fabricação, o homem assume o domínio da natureza e
assubmete, criando condições para nela se instalar com mais conforto.

Antes, através do labor, a natureza se apresentava ao homem como uma natura


obstans1. Agora, através do trabalho, o ser humano descobre os seus segredos, aprende
a conviver com ela e a transforma numa natura coadjuvas. Assim, diferentemente do
labor, a fabricação resulta de um objectivo planejado e de uma finalidade bem definida.

Arendt (2007) apresenta o trabalho através do qual são fabricados os artefactos


que, a princípio, são construídos para facilitar a vida humana, como uma actividade que
também apresenta ambiguidades de toda ordem. Apresenta, em primeiro lugar, a
obsolescência dos Artefactos construídos.

“Outro aspecto que se verifica no desvio dos fins a que se destinam, está o fato
de os Objectos fabricados assumirem outra significação que não sua original. Assim, de
um instrumento de facilitação, poderão se transformar em uma arma e se voltar contra o
próprio homem” (Arendt , 2007)

Além disso, verifica-se o perigo de que, em vez de os instrumentos se ajustarem


ao homem, é o homem que tem que se ajustar às máquinas, submetendo-se ao seu ritmo
e ao seu jeito de funcionar. A ergonomia é um campo de estudos muito recente e recém
agora passa a ser uma preocupação no universo do trabalho.

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10. Educação, Ética e Acção

Arendt (2007, p. 184), afirma que “Das três expressões da vita activa
apresentadas por Arendt (2007), é a acção humana a que se refere à actividade mais
completa do ser humano. Ela é fruto da pluralidade dos seres humanos e se faz sempre
dentro do universo das relações. É na acção, portanto, que se construirá a prática
educativa de forma mais ética possível”.

Desenvolver pessoas, convivendo com as diferenças, constituir-se-á numa tarefa


ética por excelência. Somente um profundo sentido de alteridade poderá criar as
condições necessárias para que se faça uma educação que atinja plenamente os seus
objectivos.

Para Arendt (2007, p. 189), não há vida humana sem acção e sem discurso. Com
a Palavra e a acção, nos inserimos na existência humana. Actuar significa tomar a
iniciativa e começar. Desde o seu nascimento, o ser humano é desafiado a agir. O
verdadeiro nascimento comporta fundamentalmente a novidade, a imprevisibilidade e a
irreversibilidade.

Arendt (2007, p. 190), enfatiza que:

“A verdadeira educação é acção quando rompe com o previsível e se


abre para a surpresa. Em um nascimento, que irrompe como um
verdadeiro milagre, com a avassaladora força do imprevisto e do
imprevisível, temos a melhor metáfora para um processo educativo
baseado na acção. Por esta capacidade radical de surpreender e de
inovar é que o ser humano se torna um ser insubstituível, único e
irrepetível”.

A acção, como novidade radical, está ligada ao discurso, ao relato, fundando o se


o carácter revelador. Sem a pergunta proporcionada pela narração e pelo relato, o ser
humano seria um robô e a educação um adestramento; é como se o educador fosse
reduzido a um funcionário que nada interroga, que só executa e repete mecanicamente
as tarefas que lhe são impostas pelo patrão.

A formação narrativa da identidade torna possível que o ser humano descubra o


que é e consiga tramar mais ou menos coerentemente o relato de sua existência.

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Para Arendt (2003, p. 223), a essência da educação é a natalidade. Nascer é a
expressão maior de todo e qualquer começo. O recém-nascido é a manifestação da mais
radical novidade”.

Todo nascimento interrompe e transtorna a tranquilidade de um mundo mais ou


menos organizado, constituindo-se em uma experiência que obriga a pensar e que exige
muita capacidade de compreensão. Um recém-nascido é um recém-chegado, isto é,
alguém que terá que ser iniciado e introduzido em tudo. Isto implica a ética da
hospitalidade e do acolhimento.

11. Ética da Esperança

Freire (2002, p. 34), afirma que “A aproximação entre a educação e a ética é


afirmada por Freire (2002) de forma explícita em sua obra Pedagogia da Autonomia, ao
dizer que a prática educativa tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência.
Esta afirmação se funda no próprio conceito de educação do autor, ao afirmar”:

A necessária promoção da ingenuidade à criticidade não pode ou não deve ser


feita à distância de uma rigorosa formação ética... (Freire, 2002, p. 36).

O conceito freiriano de educação inclui o processo de conscientização.

“Para ele, educar é ultrapassar os níveis de uma consciência


intransitiva, isto é, fechada em si mesma, sem pensar, sem ver, sem
ouvir e sem falar; de uma consciência transitiva ingénua, isto é, que
pensa, vê, ouve e até fala, mas que se acomoda; para constituir-se em
uma consciência transitiva crítica, que pensa, vê, ouve, fala e assume o
seu fazer quotidiano de libertação pessoal e colectiva. Esta prática será
uma tarefa essencialmente ética”.

Diz o autor: “Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes


de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso,
nos tornamos seres éticos. Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da
ética, quanto mais fora dela” (Freire, 2002, p. 36-37).

Aqui o autor distingue o educar do mero treinamento. Não se pode reduzir o


processo educativo à mera transmissão de informações e de aquisição de algumas
habilidades técnicas. Os conteúdos e exercícios práticos também serão importantes e
necessários. Eles fazem parte importante do processo de ensino e aprendizagem.

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12. Conclusão

No que tange ao termino do trabalho, conclui-se que A trilha na busca de uma


aproximação entre a educação e a ética vai se abrindo na medida em que nos
aprofundamos na reflexão sobre a realidade em que os seres humanos se movimentam
nos dias actuais. Os paradoxos do mundo em que vivemos e as ambiguidades e
contradições comportamentais se revelam constantemente em todos os momentos de
nosso quotidiano. Desta perda de pontos de referência éticos resulta uma perplexidade e
uma desorientação generalizadas no que diz respeito à quase todas as acções humanas.

A quebra de paradigmas tradicionais não significou uma clarificação ética ao


natural. Os valores que, no passado, davam segurança para gerir os comportamentos,
sofreram profundos questionamentos e resultaram em transformações radicais. Todavia,
nada se colocou em seus lugares e o vazio ético se aprofundou de tal maneira que o
relativismo lançou as pessoas numa desorientação preocupante.

Diante desta realidade, pensamos sobre a prática educativa como uma força
social que tem como escopo básico a formação de seres humanos e, por conseguinte, de
uma sociedade em que todos possam se realizar e serem felizes.

Tomamos como pressuposto de que a educação formal propositadamente não


inclui nesta reflexão a ampliação do conceito de educação para outros espaços
educativos que não o universo escolar tem como objectivo a construção de um ser
humano e de uma sociedade marcados por valores que os harmonizem sob todos os
pontos de vista, superando as contradições, ambivalências e paradoxos do mundo
contemporâneo

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13. Referencia bibliografia
1. Arendt, H. (2003). Entre o Passado e o Futuro. São Paulo
2. Antunes, C. (2002). As Inteligências Múltiplas e Seus Estímulos. Campinas:
3. Bach, J. M. (1985). Consciência e Identidade Moral. Petrópolis
4. Brandão, C. R. (1985).  O que é educação.  São Paulo
5. Boff, L. (2000). Ética da Vida. Brasília
6. Freire, P. (2003). A alfabetização de adultos: Rio de Janeiro
7. Imbert, F. (2002). A Questão da Ética no Campo Educativo. Metrópoles
8. Libâneo, J. C. (2002). Pedagogia e Pedagogos para quê?  São Paulo.

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