Centro de Tecnologia Mineral Ministério da Ciência e Tecnologia

INTRODUÇÃO AO TRATAMENTO DE MINÉRIOS
Capítulo 1

Adão Benvindo da Luz Eng. de Minas, DSc. Fernando A. Freitas Lins Eng. Metalúrgico, DSc.

Rio de Janeiro Dezembro/2004

CT2004-179-00 Comunicação Técnica elaborada para a 4a Edição do Livro de Tratramento de Minérios Pág. 3 a 16

idealmente. Como as operações de redução de tamanho são caras (consumo de energia. Para se obter a liberação do mineral. aproveitáveis como bens úteis. deve-se fragmentar só o estritamente necessário para a operação seguinte. As operações de concentração  separação seletiva de minerais  baseiam-se nas diferenças de propriedades entre o mineral-minério (o mineral de interesse) e os minerais de ganga. A aglomeração (sinterização e pelotização) de minérios finos. britagem e/ou moagem . Os termos beneficiamento e tratamento serão usados. também se requer a separação seletiva entre dois ou mais minerais de interesse. a concentração relativa das espécies minerais presentes ou a forma. nos circuitos de cominuição. revestimento etc. possíveis de serem aproveitados economicamente. uma única espécie mineralógica. suscetibilidade magnética. o minério é submetido a uma operação de redução de tamanho  cominuição. Esses minerais valiosos. faz-se uso de operações de separação por tamanho ou classificação (peneiramento. Isto implica que uma partícula deve apresentar. encontrado na crosta terrestre. um concentrado e um rejeito. forma etc. propriedades de química de superfície. resultantes de simples decomposição térmica ou mesmo de reações típicas geradas pela presença do calor. que pode variar de centímetros até micrometros. Para evitar uma cominuição excessiva. são chamados de minerais-minério. é necessário que os minerais estejam fisicamente liberados. radioatividade.). promovendo a liberação adequada dos seus minerais. sem contudo modificar a identidade química ou física dos minerais.Tratamento de Minérios 4a Edição – CETEM 3 CONCEITO DE TRATAMENTO DE MINÉRIOS Tratamento ou Beneficiamento de minérios consiste de operações  aplicadas aos bens minerais  visando modificar a granulometria. neste texto. Uma vez que o minério foi submetido à redução de tamanho. no entanto. ustulação e calcinação são consideradas. Em muitos casos. condutividade elétrica.). meio moedor. preferimos considerá-las como sendo operações pirometalúrgicas. dentro desse conceito. Entre estas propriedades se destacam: peso específico (ou densidade). estes podem ser submetidos à operação de separação das espécies minerais. Há. . ciclonagem etc. autores que defendem um conceito mais amplo para o tratamento. O mineral ou conjunto de minerais não aproveitados de um minério é denominado ganga. obtendo-se. Minério é toda rocha constituída de um mineral ou agregado de minerais contendo um ou mais minerais valiosos. nos procedimentos mais simples. cor. Mineral é todo corpo inorgânico de composição química e de propriedades físicas definidas. como tratamento de minérios. isto é. como sendo um processamento no qual os minerais podem sofrer até alterações de ordem química. Para um minério ser concentrado. indistintamente.

geralmente. Estas operações compreendem desaguamento (espessamento e filtragem) e secagem e. é necessário eliminar parte da água do concentrado.2 mostra. como exemplo real de beneficiamento. secagem: secador rotativo. classificador espiral). . secador de leito fluidizado. desaguamento: espessamento e filtragem. ou mesmo adequado para a indústria química ou para a obtenção do metal por métodos hidro-pirometalúrgicos (áreas da Metalurgia Extrativa). geralmente. spray dryer. concentração por flotação etc.CVRD. da Companhia Vale do Rio Doce . na ordem citada. por sua vez. magnética. as operações unitárias são assim classificadas: cominuição: britagem e moagem. Em um fluxograma típico de tratamento de minérios (Figura 1. um fluxograma da usina do minério de ferro de Carajás. A Figura 1. peneiramento (separação por tamanhos) e classificação (ciclonagem. A purificação. concentração gravítica. remover a maior parte da ganga. Na maioria das vezes. disposição de rejeito.4 Introdução ao Tratamento de Minérios O termo concentração significa. as operações de concentração são realizadas a úmido. eletrostática. Antes de se ter um produto para ser transportado. consiste em remover do minério (ou pré-concentrado) os minerais contaminantes que ocorrem em pequena proporção. presente em grande proporção no minério.1).

1 .Fluxograma típico de tratamento de minério.Tratamento de Minérios 4a Edição – CETEM 5 Minério Lavra Britagem Peneiramento Moagem Classificação Concentração Concentrado Rejeito Espessamento Espessamento água de processo Filtragem Disposição de Rejeito Secagem Enchimento Barragem de Rejeito Produto Final Cava a Céu Aberto Galerias Subterrâneas Figura 1. .

Pellet Feed PF FRD GR SF CARREGAMENTO DE TRENS PARA O PORTO DE PONTA MADEIRA Figura 1.Filtro Vertical GV .Peneira de Alta Freqüência PV .Classificador Espiral CF .Peneira Desaguadora PE .Caminhão Fora de Estrada CI .Água Recuperada BC .Espessador de Rejeitos ES .Grelha Vibratória MB .Britador Giratório BM .Filtro de Correia FV .Britador de Mandíbula CE .Escavadeira Elétrica FC .Torre de Amostragem ( ) .Granulado Mercado Interno (NPCJ) /2/ .6 Introdução ao Tratamento de Minérios CF ES ES CF BRITAGEM SEMI MÓVEL BRITAGEM PRIMÁRIA BM(2) GV(2) BG(1) GV(2) EE BRITAGEM SECUNDÁRIA PV(6) PE ROM EE DO(1) PENEIRAMENTO SECUNDÁRIO PV(12) EE PD(23) SINTERFEED Mn CI (10) CE(11) EE BC BRITAGEM (5) TERCIÁRIA PV(6) EE I2I MB (2) PENEIRAMENTO TERCIÁRIO PD(6) PE NP2 CE(2) CE(1) PF(4) PD(13) PD(1) PD(4) CIRCUITO DE FRD PD(2) EE PF(20) PE SF 2 FC(3) FRD CIRCUITO ALTERNATIVO GRANULADOS/FRD AR ER(2) AMOSTRAGEM ESPESSAMENTO FILTRAGEM LEGENDA AR .Granulado (NPCJ/NACJ) SF .Dosador EE .Fino para Redução Direta PFCJ .Peneira Vibratória RE .Britador Cônico BG .Rejeito TA .Chute Móvel ER .Sinter Feed FRD .Moinho de Barras PD .Granulado Exportação (NACJ) FV(5) RE TA TA PRODUTOS GR .Quantidade de Equipamentos /1/ .Pilha de Emergência PF .Fluxograma simplificado do beneficiamento de minério de ferro – Carajás.Ciclone DO .2 . Fonte : Usinas de Beneficiamento de Minérios do Brasil – CETEM/ 2001 .

Neste. houve um renovado interesse pela racionalização de seu uso. usando processos gravíticos. Os grandes desenvolvimentos na área de beneficiamento de minérios ocorreram no final do século XIX e início do século XX (Quadro 1. a inovação mais impactante.Tratamento de Minérios 4a Edição – CETEM 7 HISTÓRICO A história registra que. sendo a utilização industrial da flotação. mais ao desenvolvimento de design de equipamentos maiores e mais produtivos ou eficientes (anos 40-70). Mais recentemente. O primeiro texto que se constituiu em instrumento de referência sobre os bens minerais (De Re Metálica) foi publicado em 1556 por Georges Agrícola. com a invenção da máquina a vapor. na Austrália. ocorreram inovações mais significativas na área de tratamento de minérios. em 1864.1). à otimização de processos por meio de automação e computação (anos 70-90). houve relativamente poucos saltos tecnológicos como conseqüência deste esforço. Os avanços que se seguiram se orientaram. em 2001. e à racionalização do uso de energia nos anos 70. o emprego do tratamento de minérios se limitava praticamente àqueles de ouro. os egípcios já recuperavam ouro de depósitos aluvionares. concentração gravítica através de calha e concentração em leito pulsante obtido com o auxílio de peneira em forma de cesta (um jigue primitivo). . cobre nativo e chumbo. que se caracterizou como o início da revolução industrial. já há registro da utilização do moinho tipo pilão movido a água. do ponto de vista tecnológico. Pela metade do século XIX. com a crise de energia elétrica no Brasil. com a crise de aumento súbito dos preços de petróleo. A partir do século XVIII. em 1905. Apesar do grande esforço de pesquisa direcionado à melhor compreensão dos fenômenos atuantes nas operações de beneficiamento. verificando-se mais uma evolução incremental no desempenho dos processos. 400 anos antes da Era Cristã.

em 1905. Usado no Brasil. A partir de 1920 passou. . Espiral de Humphreys (1943). maior aplicação a partir de 1970. Moinho de rolos de alta pressão (“high pressure roll mill”) desenvolvido na Alemanha na década de 80. há alguns anos. na indústria de cimento e com minérios de ferro. introduzido nos Estados Unidos em 1832. ouro etc.8 Introdução ao Tratamento de Minérios Quadro 1. Primeira aplicação da separação eletrostática foi com esfarelita/pirita (1907). Cronologia das principais inovações ocorridas em tratamento de minérios (séculos XIX. Separador magnético de imã permanente de terras raras (anos 90). a substituir o britador de rolos.1. em 1989. Britador giratório inventado por Bruckner na Alemanha (1876). COMINUIÇÃO Moinho pilão descrito por Agrícola já no século XVI e operado por força hidráulica. Separador de meio denso Dynawhirlpool (DWP). XX e XXI). gradualmente.). primeiro uso com minérios. Separador magnético via úmida de alta intensidade (1960). Concentrador centrífugo (1980). Separação em meio denso estática (1930-1940). Ciclone de meio denso (1945). Britador de mandíbulas patenteado por Blake nos Estados Unidos (1858). SEPARAÇÃO MAGNÉTICA E SEPARAÇÃO ELETROSTÁTICA Separador de baixa intensidade. imã permanente: apatita/magnetita (1853). Separador magnético de alto gradiente (separador magnético criogênico). Moagem autógena período de desenvolvimento (1945-1955). Britador de rolos inventado na Inglaterra (1806). em 1960. Moinho de barras testado primeiramente no Canadá em 1914. SEPARAÇÃO POR TAMANHO E CLASSIFICAÇÃO classificação mecânica (1905) ciclone (1930) peneira DSM (1960) CONCENTRAÇÃO GRAVÍTICA Mesa Wilfley: patenteada em 1896. aplicado a minérios de ouro e depois a outros minérios. mecanizado no século XIX. inicialmente com máquina a vapor e posteriormente força elétrica. primeiro uso em 1861 e logo após introduzido na Europa. nos EUA. nos últimos anos seu uso tem se estendido aos minérios convencionais (ferro. aplicado inicialmente à indústria de cimento. em largo uso em 1900. a partir de 1980 deu-se ênfase à fabricação de grandes moinhos com diâmetros em torno de 40 pés.

1. Até 1924. Kitchener. Com isso. SP e de depósitos similares. Utilização de alcoois solúveis em água como espumantes (1908) para melhorar a estabilidade da espuma (mais tarde o óleo de pinho foi mais largamente usado). Cagliari – Itália/1975. caracterizando-se por tratamento de minerais não-sulfetados e pelo uso de reagentes surfatantes convencionais como coletores de flotação. Fontes: Arbiter. XX e XXI) (continuação).Tratamento de Minérios 4a Edição – CETEM 9 Quadro 1. Nos anos 70 ocorreu no Brasil uma contribuição muito significativa do Prof. com diversos aperfeiçoamentos desde então. Em vista disto. reduziu-se a quantidade de óleo de forma significativa. No período 1925-1950. É o início da flotação moderna. Em 1915 verificouse que a cal deprimia a pirita. Poucas inovações tecnológicas de maior impacto surgiram. Esses. Em 1912 a flotação deslanchava industrialmente na Austrália (recuperação de esfarelita de rejeitos gravíticos de concentração de galena) e nos EUA (finos de esfarelita). Neste ano também houve a descoberta em laboratório que os sulfetos de cobre também podiam ser flotados. Cronologia das principais inovações ocorridas em tratamento de minérios (séculos XIX. MODIFICAÇÃO DE MINERAIS As rochas e os minerais industriais são considerados os recursos minerais desse novo milênio. tais como Araxá – MG. reconhecido por seus pares no Congresso Internacional de Processamento Mineral. Guimarães e alguns acréscimos por parte dos autores deste trabalho. Destaca-se a flotação em coluna nos anos 60/70. com crescente aplicação industrial na última década. os xantatos foram patenteados como coletores. Era o início da flotação seletiva entre sulfetos. . Patente na Austrália do uso do sulfato de cobre como ativador da esfalerita (1912). provavelmente. No período 1902/1905 foram registradas patentes de aeração da polpa. vem se observando o desenvolvimento de processos para modificação físico-química dos minerais. Este processo original. permitiu o aproveitamento econômico do carbonato apatítico do Morro da Mina. Alguns anos depois foi descoberto o efeito do cianeto de sódio (1922) e do sulfeto de sódio. O período 1950-1990 caracterizou-se pelas pesquisas fundamental e aplicada direcionadas ao conhecimento e controle dos fenômenos da flotação. visando melhorar a sua funcionalidade e ampliar suas aplicações práticas. Catalão – GO/ etc. Na década de 90 foi desenvolvida na Austrália a célula Jamenson e na Alemanha a célula Ekof. Em 1925. são os pre-cursores da flotação por espuma. a flotação desenvolveu-se empiricamente. Paulo Abib Andery ao desenvolver o processo de separação de apatita de ganga carbonática. o coletor usado era óleo. Em 1926 foi a vez dos ditiofosfatos. Cajati. FLOTAÇÃO Conceitos iniciais pelos irmãos Bessel (1877) recuperando grafita com óleo (flotação oleosa). Fuerstenau.

que os disponibiliza para o público. salientamos: freqüência em que ocorrem esses minerais na crosta terrestre. complexidade na lavra e beneficiamento. Quando este apresenta condições tecnológicas e econômicas de ser aproveitado. realizarem a pesquisa mineral em áreas previamente selecionadas. da indústria química. tem-se finalmente uma jazida mineral. seja no campo da metalurgia. que vem a ser a alimentação da usina de beneficiamento. pois em dependência da conjuntura político-econômica um depósito pode passar a ser uma jazida ou vice-versa. MINERAIS E SEU USO Qualquer atividade agrícola ou industrial. porém. o vidro. essa missão está a cargo da CPRM . o minério lavrado. o consumo per capita de minerais industriais e materiais em geral nos países desenvolvidos é algumas vezes superior àquele de países em desenvolvimento. cada dia se necessita de maior quantidade de matéria-prima para atender às crescentes necessidades do ser humano. os metais e suas ligas. via de regra. o aspecto circunstancial. Entre outras.10 Introdução ao Tratamento de Minérios DEPÓSITOS E JAZIDAS MINERAIS Os minerais fazem parte dos recursos naturais de um país. Vale ressaltar. Os fertilizantes. com base nas informações gológicas básicas. Os estudos geológico e hidrológico básicos de um país ou região são realizados. sem o uso dos minerais. tem-se um depósito mineral. O produto da mina .Serviço Geológico do Brasil. O preço de mercado de um determinado bem mineral. é freqüentemente denominado ROM ("run-of-mine"). ao lado das terras para agricultura. . cabe às empresas de mineração. Feitas a quantificação e qualificação do corpo mineral (cubagem). o cimento. importante para a definição de uma jazida. são todos produzidos a partir de matérias-primas minerais. por seu serviço geológico ou entidade equivalente. Com o aumento das populações. da construção civil ou do cultivo da terra. Como as matérias-primas minerais possíveis de serem utilizadas diretamente ou transformadas pela indústria encontram-se distribuídas de maneira escassa na crosta terrestre. É difícil imaginar o nível material alcançado por nossa civilização. Com efeito. No Brasil. como o Brasil. biodiversidade etc. utiliza os minerais ou seus derivados. está condicionado a um elevado número de variáveis. a cerâmica. das águas (de superfície e subterrânea). É cada vez maior a influência dos minerais sobre a vida e desenvolvimento de um país. O minério é explotado da jazida por meio de operações de lavra (a céu aberto ou subterrânea) na mina. em busca de depósitos de potencial interesse econômico. distância da mina ao mercado consumidor etc.

calcita etc. caulim. quartzo. Minerais e rochas para a agricultura: fosfato. atapulgita. ouro.) e rochas e pedras ornamentais (granito. zeólitas. pirita . alumínio. quartzito. grafita etc. A segunda classe pode ser subdividida em rochas e minerais industriais. Minerais de metais preciosos: ouro. flogopita. Na indústria mineral. têm sua utilização (na sua forma . barita.). gemas. cromita. Materiais abrasivos: diamante.550 espécies minerais distintas. talco etc. coríndon etc. criolita etc. manganês. ou seja. gnaisse. dolomita. ardósia etc. Minerais de carga: talco. chumbo e estanho. cromo e níquel. mármore. Destas. irídio e paládio. Minerais fundentes: fluorita. gipsita. calcário. germânio. os minérios ou minerais são geralmente classificados em três grandes classes: metálicos. prata. enxofre. Minerais Metálicos Minerais de metais ferrosos são aqueles que têm uso intensivo na siderurgia e formam ligas importantes com o ferro: ferro. prata. magnesita.: barita . Os minerais industriais se aplicam diretamente. sais de potássio. feldspato. O restante dos minerais é constituído por compostos. agregados (brita e areia) e minerais para cimento (calcário. Minerais isolantes: amianto. Minerais de metais raros: nióbio. e águas minerais. diamante. ou se prestam como matéria-prima para a fabricação de uma grande variedade de produtos.materiais de alvenaria. mica etc.Tratamento de Minérios 4a Edição – CETEM 11 São conhecidas atualmente cerca de 1. Minerais Não-Metálicos Minerais estruturais ou para construção . calcário.FeS2 ). cerca de 20 são elementos químicos e encontram-se no estado nativo (cobre. sílica. com mais de um elemento químico (ex. platina. tais como se encontram ou após algum tratamento.). granada.). índio. escândio. zinco. cianita. Minerais de metais não-ferrosos: cobre. caulim. vermiculita. ósmio. grafita. zeólita etc. vermiculita etc. gálio etc. areia etc.BaSO4 . não-metálicos e energéticos. feldspato. Minerais de uso ambiental: às vezes denominados de minerais verdes (como bentonita. Minerais cerâmicos e refratários: argila.

que não sendo minerais no sentido técnico (não são cristalinos e nem de composição inorgânica) são estudados pela geologia e extraídos por mineração. Quando o aproveitamento de um bem mineral vai desde a concentração até a extração do metal.12 Introdução ao Tratamento de Minérios natural ou modificados) no tratamento de efluentes. até a obtenção de concentrados com cerca de 70% WO3 . NECESSIDADE DE BENEFICIAMENTO Freqüentemente. esmeralda. onde o seu aproveitamento só é viável partindo-se direto para a extração do metal por hidrometalurgia. Isto só é possível após concentração gravítica (jigue. Gemas ou pedras preciosas: diamante. como é o caso das lateritas niquelíferas de Goiás.35 WO3 não pode ser utilizado economicamente na metalurgia extrativa. um bem mineral não pode ser utilizado tal como é lavrado. mas a um produto intermediário. turfa. em vez de ao níquel metálico. Uma rota alternativa de processamento para as lateritas niquelíferas é o processo pirometalúrgico que leva ao ferroníquel. turmalina. com teor de 0. Minerais Energéticos Radioativos: urânio e tório. Por outro lado. mesa) ou por flotação. Outrossim. impedindo assim uma concentração. linhito. Combustíveis fósseis: petróleo. a primeira operação traz vantagens econômicas à metalurgia. águas marinhas etc. na adsorção de metais pesados e espécies orgânicas. carvão. nem sempre é possível concentrar o minério. safira. topázio. Este processo consiste numa calcinação seguida de redução em forno elétrico. além do mais. antracito. devido ao descarte de massa (rejeito). sem nenhuma preferência por determinado mineral. Isto é devido à distribuição do níquel na rede cristalina dos minerais de ganga e. ou como dessulfurantes de gases (calcário). alcançado na etapa de concentração. Exemplo: um minério de scheelita. . pode ser interessante economicamente não chegar ao elemento útil. Águas minerais e subterrâneas.

pois o maior lucro obtido. Como a obtenção de teores mais altos e melhores recuperações normalmente implica num aumento de custo do tratamento. o Estudo de Impacto Ambiental. Sabe-se. maiores são as perdas. para a obtenção de maiores lucros esses vários itens devem ser devidamente balanceados. Logo a seguir. o princípio da conservação dos recursos minerais. que quanto maior o teor dos concentrados. isso implica. ou seja. exigências mais rígidas para abertura de novas minas fizeram-se necessárias. obter uma separação completa dos constituintes minerais. em comparação com outras atividades industriais e com a agricultura. salvo em situações especiais (em caso de guerra. em menor prazo possível.EIA e o Relatório de Impacto Ambiental. MEIO AMBIENTE Hoje. que “minério só dá uma safra”. preservando-se o meio ambiente. com o surgimento dos movimentos ambientalistas. adotandose. Na década de setenta. no aproveitamento racional dos recursos naturais. em contraposição à agricultura. Há porém um conceito social que não pode ser desprezado. apesar de ser essencialmente técnico em suas aplicações práticas. por exemplo). O beneficiamento de minério. mais baixas são as recuperações. É impossível. por se tratar de bens não renováveis. Diz-se. como toda e qualquer atividade industrial.RIMA também para a mineração. a respeito. o aproveitamento dos recursos minerais deve estar comprometido com os requisitos do conceito de desenvolvimento sustentável (satisfazer as necessidades do presente sem prejudicar as futuras gerações). Devese sempre ter em mente que os custos decorrentes de uma etapa adicional de tratamento de um determinado bem mineral não devem ser maiores do que a agregação de valor ao produto assim obtido. . dificilmente estará subordinado aos interesses sociais.Tratamento de Minérios 4a Edição – CETEM 13 FINALIDADE ECONÔMICA E SOCIAL O tratamento de minérios. qual seja. não pode desprezar o conceito econômico. porém. vindo a se constituir em importante instrumento para se introduzir tecnologias de prevenção da poluição. O tratamento de minérios não chega a ser uma fonte de grande contaminação ambiental. é inegável que o descarte dos rejeitos das usinas de beneficiamento poderá eventualmente resultar num apreciável fator de poluição. então. entre outros fatores. como regra geral. surgiu o conceito de desativação de mina que passou a ser uma exigência já prevista no próprio projeto de lavra. está dirigido para o lucro. na prática. As reservas dos bens minerais conhecidos são limitadas e não se deve permitir o seu aproveitamento predatório.

ou variantes dessas. pela captação dos recursos hídricos. deverá acelerar a adoção de gestão mais racional dos recursos hídricos. sendo significativa a recuperação e reciclagem da água de processo nas grandes minerações. objeto dos demais capítulos deste livro. para preenchimentos de minas (back-fill). O início recente de cobrança da água aos usuários. sejam usados. A questão da água também é seriamente observada na maioria dos países. inclusive às minerações. .14 Introdução ao Tratamento de Minérios Há uma pressão crescente para que os rejeitos. visando a restauração das áreas mineradas. ou que sejam cuidadosamente dispostos. prática esta que tende a se intensificar no Brasil nas pequenas e médias empresas. Ou seja. para o processamento ou separação seletiva de quaisquer materiais. Vale ressaltar que a crescente tendência mundial de reciclagem de materiais e aproveitamento de resíduos industriais e urbanos tem sido feita com uso intensivo das tecnologias correntes de tratamentos de minérios. por exemplo. ao invés de danificarem os terrenos. a arte do tratamento de minérios dá importante contribuição.

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