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Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

PJe - Processo Judicial Eletrônico

24/08/2022

Número: 0601425-43.2022.6.07.0000
Classe: REPRESENTAÇÃO
Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral
Órgão julgador: Juiz Auxiliar - DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI
Última distribuição : 22/08/2022
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Propaganda Política - Propaganda Eleitoral - Divulgação de Notícia Sabidamente Falsa
Objeto do processo: Trata-se de representação proposta pela UNIDOS PELO DF (15-MDB, 11-PP, 22-
PL, 36-AGIR, 77- SOLIDARIEDADE, 70-AVANTE, 90-PROS) em face de LEANDRO ANTÔNIO GRASS
PEIXOTO (candidato ao cargo de Governador do Distrito Federal), em razão de divulgação de fato
sabidamente inverídico, no dia 18/08/2022, com veiculação em redes sociais. Pedido de tutela de
urgência.
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
Unidos pelo DF 15-MDB / 11-PP / 22-PL / 90-PROS / 36-AGIR JOYCE TERU NOIA SATO (ADVOGADO)
/ 77-SOLIDARIEDADE / 70 - AVANTE (REPRESENTANTE) JOAO GABRIEL COSTA DOS SANTOS (ADVOGADO)
GABRIEL FREITAS VIEIRA (ADVOGADO)
LUIZ FERNANDO DE FREITAS CARDOSO (ADVOGADO)
JUAN VITOR BALDUINO NOGUEIRA (ADVOGADO)
TAYNARA TIEMI ONO (ADVOGADO)
WILLIAN GUIMARAES SANTOS DE CARVALHO
(ADVOGADO)
BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA (ADVOGADO)
MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO (ADVOGADO)
LEANDRO ANTONIO GRASS PEIXOTO (REPRESENTADO)
Ministério Público Eleitoral DF (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
25104 22/08/2022 19:45 Petição Inicial Petição Inicial
512
25104 22/08/2022 19:45 Representação fato sabidamente inverídico - Unidos Petição Inicial Anexa
513 pelo DF vs. Grass
25104 22/08/2022 19:45 Procuração e substabelecimento (3) Procuração
514
25104 23/08/2022 12:28 Certidão Certidão
987
25105 23/08/2022 19:31 Decisão Decisão
827
Segue anexa Petição Inicial acompanhada dos instrumentos de mandato.

Assinado eletronicamente por: MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO - 22/08/2022 19:44:01 Num. 25104512 - Pág. 1
https://pje.tre-df.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=22082219440109000000025098882
Número do documento: 22082219440109000000025098882
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DESEMBARGADOR(A) PRESIDENTE
DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO
FEDERAL – TRE/DF

UNIDOS PELO DF (15-MDB, 11-PP, 22-PL, 36-AGIR, 77-


SOLIDARIEDADE, 70-AVANTE, 90-PROS) com endereço SRTVS Quadra 701, Ed.
Assis Chateaubriand Torre II Salas 501/505, Conjunto L, Lote 38, Asa Sul, Brasília/DF,
CEP 70340906 vem, respeitosamente, à presença de V.Exa., com fundamento no art. 27, §
1º, da Resolução TSE nº 23.610/2019 e art. 323 da Lei nº 4.737/1965, propor

REPRESENTAÇÃO
com pedido de tutela de urgência
(por divulgação de fato sabidamente inverídico)

em face de LEANDRO ANTÔNIO GRASS PEIXOTO, brasileiro, casado, Deputado


Distrital e candidato a Governador do Distrito Federal, inscrito no CPF nº 000.143.601-52,
com endereço no SCN, Quadra 1, Bloco F, Sala 1403, Asa Norte, Brasília/DF, CEP nº
70.711-905, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.

I. Da divulgação de fato sabidamente inverídico

No dia 18/08/2022, o representado veiculou, em suas redes sociais, publicações


com o seguinte conteúdo: “Ibaneis é o pior governador da história do Distrito Federal. Mentiu em
2018, disse que ia resolver o problema da saúde pública. Criou o Iges, que é um ninho de
corrupção. Um fracasso, que tem matado as pessoas nos hospitais [...]”. Confira-se (disponíveis
em: <https://www.instagram.com/p/Cha5pPhglDX/>;
<https://fb.watch/f2pHhaidFO/>; acesso em: 21/08/2022):

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Número do documento: 22082219440159800000025098883
Desde logo se percebe que as postagens afrontam, de forma explícita, o art. 27 § 1º,
da Resolução TSE nº 23.610/2019, que veda a divulgação de fatos sabidamente inverídicos
sobre candidatas e candidatos; in verbis:

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Número do documento: 22082219440159800000025098883
Art. 27. É permitida a propaganda eleitoral na internet a partir do
dia 16 de agosto do ano da eleição (Lei nº 9.504/1997, art. 57- A).
§ 1º A livre manifestação do pensamento de pessoa eleitora
identificada ou identificável na internet somente é passível de
limitação quando ofender a honra ou a imagem de candidatas,
candidatos, partidos, federações ou coligações, ou divulgar
fatos sabidamente inverídicos, observado o disposto no art. 9º-A
desta Resolução.

Ao afirmar que o Governador Ibaneis Rocha “criou o IGES”, bem assim atrelar o
feito à existência de um “ninho de corrupção”, o representado incorre em flagrante violação
ao referido dispositivo, eis que, como bem se sabe, o IGES-DF foi criado em 2017 pelo
então Governador Rodrigo Rollemberg. Trata-se, portanto, de divulgação de fato
sabidamente inverídico, cuja inveracidade pode ser objetivamente detectável pela norma de
criação do instituto, Decreto nº 38.332, de 13 de julho de 20171, autorizado pela Lei nº
5.899, de 3 de julho de 20172; veja-se:

1
Disponível em: <http://www.tc.df.gov.br/sinj/BaixarArquivoDiario.aspx?id_file=f5f3efd2-f970-3a01-99bf-
871d1b0a4e8a>. Acesso em: 21/08/2022.
2
Disponível em: <http://www.sinj.df.gov.br/sinj/Diario/89b28e9a-b17a-32bc-a986-
3f45aff8af71/DODF%20126%2004-07-2017%20INTEGRA.pdf>. Acesso em: 21/08/2022.

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Dessa forma, o trecho destacado ultrapassa os limites da livre manifestação do
pensamento em propaganda eleitoral na internet e passa a incidir na proibição legal de não
divulgar fatos sabidamente inverídicos, os quais foram transmitidos mediante discurso de
ódio, que ofende a honra do atual Governador ao ligar os fatos a ele apontados à prática de
corrupção. Tal conduta configuraria, inclusive, o crime eleitoral previsto no art. 323 do
Código Eleitoral:

Art. 323. Divulgar, na propaganda eleitoral ou durante período de


campanha eleitoral, fatos que sabe inverídicos em relação a
partidos ou a candidatos e capazes de exercer influência perante o
eleitorado:

A jurisprudência deste Eg. Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal já


delineou as balizas para análise da divulgação de fatos sabidamente inverídicos, valendo
citar que:

ELEIÇÕES 2018. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL


NEGATIVA. VEICULAÇÃO DE FATO INVERÍDICO. CONFIGURAÇÃO.
DIREITO DE RESPOSTA. CABIMENTO.
[...] II - Na hipótese dos autos, caracterizada a veiculação de afirmação
sabidamente inverídica, consistente, consistente na fala de ter o Governo do
Distrito Federal devolvido ao Ministério da Saúde R$ 330.000.000,00 (trezentos e
trinta
milhões de reais), relativos a recursos federais, destinados à saúde pública, bem
assim, investido 17,6% (dezessete vírgula seis por cento) menos recursos em
segurança, em contraste com o próprio documento oficial em que se amparou tal
informação, impõe-se a suspensão da propaganda negativa e a consequente
concessão do direito de resposta. Precedente.
II - Recurso inominado desprovido. Decisão recorrida mantida.
(REPRESENTAÇÃO nº 060170298, Acórdão de, Relator(a) Des. ANTÔNIO
SOUZA PRUDENTE, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data
01/10/2018)

ELEIÇÕES 2018. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL


NEGATIVA. VEICULAÇÃO DE FATO INVERÍDICO. CONFIGURAÇÃO.
DIREITO DE RESPOSTA. CABIMENTO. PRELIMINARES DE
INADMISSIBILIDADE RECURSAL E DE ILEGITIMIDADE PASSIVA AD
CAUSAM. REJEIÇÃO.

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Número do documento: 22082219440159800000025098883
[...] IV - Na hipótese dos autos, caracterizada a veiculação de afirmação
sabidamente inverídica, consistente, consistente na fala de que “o atual governo
deixou de investir R$ 361 milhões da saúde só esse ano”, em contraste com o
próprio documento oficial em que se amparou tal informação, impõe-se a
suspensão da propaganda negativa e a consequente concessão do direito de
resposta.
V - Recurso inominado desprovido. Decisão recorrida mantida.
(REPRESENTAÇÃO nº 060168125, Acórdão de, Relator(a) Des. ANTÔNIO
SOUZA PRUDENTE, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data
24/09/2018)

Conforme se depreende da leitura do julgado, a atribuição de feito ao mandato de


determinado candidato, quando transmitida em caráter negativo, a fim de se atribuir a ele
responsabilidade por qualquer fato sabidamente inverídico, configura conduta vedada,
passível de punição.

Ademais, a veiculação, no caso em tela, de publicação que liga o atual Governador


à criação e instituto que, segundo narrado pelo representado, seria um “ninho de
corrupção” ofende a sua honra e tem o potencial de exercer influência negativa perante o
seu eleitorado com informações que, conforme evidenciado, podem ser objetivamente
identificadas como inverídicas.

Com efeito, as postagens realizadas no Instagram e no Facebook do representado vêm


repercutindo indevidamente, beneficiando o candidato, mediante infração legal, conduta
que deve cessar mediante a concessão de liminar, antes mesmo da oitiva da parte
contrária, sob pena de causar danos irreparáveis ou de difícil reparação, não apenas contra
o atual Governador, mas contra toda a coletividade tutelada pelas normas que proíbem a
disseminação de fatos sabidamente inverídicos em propaganda eleitoral e o discurso de
ódio.

Assim, está presente o perigo de dano irreparável ou de difícil reparação, bem


como a probabilidade de êxito na ação, tendo em vista o enquadramento específico da
postagem aos termos da jurisprudência do TSE, além da clara violação ao disposto nos arts.
27, § 1º, da Resolução TSE nº 23.610/2019.

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II. Da tutela de urgência

No presente caso, resta impositiva a concessão de tutela de urgência para que se


determine ao representado, liminarmente, a remoção imediata da mencionada
postagem.

Nos termos do art. 300 do CPC, “A tutela de urgência será concedida quando
houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco
ao resultado útil do processo.” Em primeiro lugar, salta aos olhos a alta probabilidade do
direito, tendo em vista todos os fundamentos aduzidos supra, já que restou evidenciada a
flagrante afronta ao art. 27, § 1º, da Resolução TSE nº 23.610/2019, bem como se
comprovou ser fato sabidamente inverídico que o Governador Ibaneis Rocha haveria
criado o IGES-DF, verificável por meio da simples leitura das normas supramencionadas.

Além da probabilidade do direito, é inequívoco o risco de dano gravíssimo, pois a


manutenção postagem, em rede social de grande alcance e acesso do público em geral, além
de manter grave ofensa à honra do Governador, consistirá em indevida desvantagem, o
que, através da divulgação de inverdades, o prejudicará no âmbito da campanha eleitoral.

Portanto, faz-se necessária a concessão de tutela de urgência, a fim de se garantir a


imediata remoção da postagem que atribuiu ao Governador Ibaneis Rocha a prática de ato
sabidamente inverídico.

Dos pedidos

Diante do exposto, requer-se:

a) Nos termos do art. 18, § 3º, da Resolução TSE nº 23.608/2019, a concessão de tutela
de urgência para determinar que o representado remova imediatamente, de suas
redes sociais, as postagens que veiculam informação sabidamente inverídica

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Número do documento: 22082219440159800000025098883
sobre o Governador Ibaneis Rocha, localizadas nos endereços
<https://www.instagram.com/p/Cha5pPhglDX/> e
<https://fb.watch/f2pHhaidFO/>;
b) A notificação do representado para, querendo, apresentar defesa;
c) No mérito, a procedência da presente representação para, confirmando o a tutela de
urgência, seja considerada irregular a divulgação do referido fato sabidamente
inverídico, com a determinação de que o representado se abstenha de veicular
novamente qualquer postagem que vincule o Governador Ibaneis Rocha à criação
do IGES-DF.

Pede deferimento.
Brasília, 22 de agosto de 2022

Bruno Rangel Willian Guimarães Matheus Pimenta de Freitas


OAB/DF 23.067 OAB/DF 59.920 OAB/DF 56.137

Taynara Tiemi Ono Juan Nogueira Joyce Sato


OAB/DF 48.454 OAB/DF 59.392 OAB/DF 64.466

Luiz Fernando Cardoso Gabriel Freitas Vieira João Gabriel Santos


OAB/DF 30.842 OAB/DF 65.076 OAB/DF 67.107

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SUBSTABELECIMENTO

Substabeleço, com reservas, os poderes que me foram outorgados por UNIDOS


PELO DF (15 – MDB, 11-PP, 22-PL, 36-AGIR, 77-SOLIDARIEDADE, 70-
AVANTE, 90-PROS) para atuação nos feitos perante a Justiça Eleitoral aos
advogados MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO, brasileiro,
advogado, inscrito na OAB/DF sob o n. 56.137, LUIZ FERNANDO DE
FREITAS CARDOSO, brasileiro, advogado, inscrito na OAB/DF sob o n.
30.842, GABRIEL FREITAS VIEIRA, brasileiro, advogado, inscrito na
OAB/DF sob o n. 65.076, JOÃO GABRIEL COSTA DOS SANTOS, brasileiro,
advogado, inscrito na OAB/DF sob o n. 67.107, e JOYCE TERU NÓIA SATO,
brasileira, advogada, inscrita na OAB/DF sob o n. 64466, com escritório
profissional situado na SHIS QL 12, conjunto 5, casa 16 – Brasília/DF – CEP
71.255-060.

Brasília, 19 de agosto de 2022.

Assinado digitalmente por BRUNO RANGEL AVELINO DA


BRUNO RANGEL SILVA
DN: C=BR, O=ICP-Brasil, OU=AC OAB,
OU=12621347000130, OU=Assinatura Tipo A3,
AVELINO DA OU=ADVOGADO, CN=BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA
Razão: Eu sou o autor deste documento
Localização: sua localização de assinatura aqui
SILVA Data: 2022-08-19 15:46:47
Foxit Reader Versão: 9.7.1

Bruno Rangel
OAB/DF 23.067

Assinado eletronicamente por: MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO - 22/08/2022 19:44:02 Num. 25104514 - Pág. 2
https://pje.tre-df.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=22082219440202000000025098884
Número do documento: 22082219440202000000025098884
PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL

SECRETARIA JUDICIÁRIA

CERTIDÃO DE AUTUAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO

CERTIFICO que o processo 0601425-43.2022.6.07.0000 foi autuado e distribuído


automaticamente ao(à) Exmo.(a) Relator(a) DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI. CERTIFICO,
ainda, que em pesquisa ao sistema eletrônico desta Justiça especializada (PJe), não foram
retornados processos com indicação de possível prevenção. CERTIFICO, por fim, que foi
realizada a atualização da autuação, para fins de inclusão/inserção dos advogados devidamente
constituídos pelo(a) representante, consoante objeto de procuração/substabelecimento carreados
(doc. ID 25104514). Nada mais há a certificar, lavrei e firmo a presente certidão.

Brasília-DF, 23 de agosto de 2022.

MANOEL ROSA MAGALHÃES


Seção de Processamento – SPROC

Assinado eletronicamente por: MANOEL ROSA MAGALHAES - 23/08/2022 12:28:06 Num. 25104987 - Pág. 1
https://pje.tre-df.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=22082312280615400000025099328
Número do documento: 22082312280615400000025099328
PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL

REPRESENTAÇÃO (11541) - Processo nº 0601425-43.2022.6.07.0000

RELATOR(A): DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI

REPRESENTANTE: UNIDOS PELO DF 15-MDB / 11-PP / 22-PL / 90-PROS / 36-AGIR / 77-SOLIDARIEDADE / 70 -


AVANTE

Advogados do(a) REPRESENTANTE: JOYCE TERU NOIA SATO - DF64466, JOAO GABRIEL COSTA DOS SANTOS -
DF67107, GABRIEL FREITAS VIEIRA - DF65076, LUIZ FERNANDO DE FREITAS CARDOSO - DF30842, JUAN
VITOR BALDUINO NOGUEIRA - DF5939200, TAYNARA TIEMI ONO - DF48454, WILLIAN GUIMARAES SANTOS DE
CARVALHO - PI2644, BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA - DF0023067, MATHEUS PIMENTA DE FREITAS
CARDOSO - DF56137

REPRESENTADO: LEANDRO ANTONIO GRASS PEIXOTO

DECISÃO

Trata-se de Representação, com pedido de tutela de urgência, ajuizada por UNIDOS PELO DF
(15-MDB / 11-PP / 22-PL / 90-PROS / 36-AGIR / 77-SOLIDARIEDADE / 70 – AVANTE) em
desfavor de LEANDRO ANTONIO GRASS PEIXOTO, em face de divulgação de matéria
veiculada pela internet (Instagram e Facebook), sobre fatos supostamente inverídicos.

De acordo com o Representante, no dia 18/08/2022, o Representado veiculou, em suas redes


sociais, publicações afirmando que “Ibaneis é o pior governador da história do Distrito Federal.
Mentiu em 2018, disse que ia resolver o problema da saúde pública. Criou o IGES, que é um
ninho de corrupção. Um fracasso, que tem matado as pessoas nos hospitais (...)”

Afirma que tal declaração viola o art. 27, § 1º, da Resolução 23.610/2019 do TSE, que veda
divulgação de fatos sabidamente inverídicos, uma vez que o IGES-DF foi criado em 2017, pelo
então Governador Rodrigo Rollemberg, mediante o Decreto nº 38.332, de 13 de julho de 2017,
autorizado pela Lei nº 5.899, de 3 de julho de 2017.

Assim, destaca que a conduta do Representado ultrapassa os limites da manifestação do


pensamento, em propaganda eleitoral na internet, e passa a incidir em proibição legal de não
divulgar fatos sabidamente inverídicos, destacando, inclusive, que tal conduta amolda-se ao crime
do art. 323 do Código Eleitoral.

Assinado eletronicamente por: DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI - 23/08/2022 19:31:52 Num. 25105827 - Pág. 1
https://pje.tre-df.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=22082319315237600000025100146
Número do documento: 22082319315237600000025100146
Assevera que, vincular a figura do Governador Ibaneis à criação do instituto que, segundo
narrado pelo Representado, seria um “ninho de corrupção”, ofende a sua honra e tem potencial
de exercer influência negativa perante o seu eleitorado.

Requer, ao final, o deferimento liminar da tutela de urgência, para determinar a imediata remoção
das postagens que veiculam informações sabidamente inverídicas sobre o Governador Ibaneis
Rocha. No mérito, pugna pela confirmação da tutela de urgência, considerando irregular a
divulgação do referido fato sabidamente inverídico, com a determinação de que o Representado
se abstenha de veicular novamente qualquer postagem que vincule o Governador Ibaneis Rocha
à criação do IGES-DF.

É, em síntese, o que consta.

Decido.

Consoante o disposto no artigo 300, caput, do Código de Processo Civil, a tutela de urgência
poderá ser concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

No caso, conforme consignado alhures, o Representante insurge-se contra a veiculação de


matéria pela internet (Instagram e Facebook), nas redes sociais do Representado, nas quais se
afirmou que o Governador Ibaneis Rocha teria criado o IGES-DF, sendo este órgão “um ninho de
corrupção. Um fracasso, que tem matado as pessoas nos hospitais públicos.”

Em consulta aos sítios do Instagram e Facebook do Representado, constantes do ID 25104513,


observa-se que realmente foi dito que o IGES-DF foi criado pelo Governador Ibaneis Rocha.

Pois bem, o Representante afirma que a criação do IGES-DF se deu em 2017, pelo então
Governador Rodrigo Rollemberg, por intermédio do Decreto 38.332, de 13 de julho de 2017,
autorizado pela Lei nº 5.899, de 3 de julho de 2017.

De início, cumpre destacar que referido Decreto faz referência à criação do Instituto Hospital de
Base do Distrito Federal SSA – IHBDF, não sendo tarde destacar que o referido Decreto não faz
qualquer referência à sigla IGES-DF.

De outro lado, em consulta ao site do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal
(IGES-DF), localizado no https://igesdf.org.br/institucional/sobre-o-igesdf/, observa-se o seguinte:

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF) é


um serviço social autônomo (SSA) criado pela Lei nº 6.270/19 para ampliar
o modelo do Instituto Hospital de Base (IHBDF). Atualmente, o IGESDF faz
a gestão do Hospital de Base e do Hospital Regional de Santa Maria, além
das unidades de pronto atendimento (UPAs) de Ceilândia, do Núcleo
Bandeirante, do Recanto das Emas, de Samambaia, de São Sebastião e de
Sobradinho.

Da leitura da referida Lei 6.270/19, de autoria do Poder Executivo, ou seja, do Governador Ibaneis
Rocha, observa-se que a sua finalidade foi alterar a nomenclatura do Instituto Hospital de Base
do Distrito Federal – IHBDF para Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal –
IGES-DF.

Portanto, ao veicular a criação do IGES-DF ao Governador Ibaneis Rocha, o Representado não


está veiculando uma informação totalmente inverídica ou conduzindo o eleitorado a uma
interpretação equivocada da realidade, uma vez que a alteração da nomenclatura se deu pelo
atual governo do Distrito Federal, ou seja, realmente o IGES-DF, enquanto com esta sigla de

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identificação, foi criado pelo Governador Ibaneis Rocha, que, juntamente com a alteração da
identificação, também alterou sua estrutura administrativa.

Por outro lado, observo que afirmar que o IGES-DF é “um ninho de corrupção”, além de não
atribuir a corrupção diretamente ao Governador Ibaneis Rocha, em princípio, está abarcado pela
liberdade de expressão e informação, não sendo tarde lembrar que, em se tratando de candidatos
a cargos eletivos, os direitos da personalidade devem ser relativizados em face dos direitos à
liberdade de expressão e à informação, na ponderação de eventual colisão destas garantias
constitucionais, não se descurando da análise concreta da vedação ao discurso de ódio, à
propagação de notícias falsas e do intuito de apenas humilhar, e não de informar e esclarecer
fatos.

Portanto, observo neste juízo prelibatório, que a concretude não indica inconteste afronta ao art.
27, § 1º, da Resolução 23.610/2019, carecendo melhor análise após a resposta do Representado
e a oitiva do Ministério Público.

Nessa linha, diante da ausência da probabilidade do direito e de risco de dano, uma vez que a
manutenção das referidas postagens não conduz o público em geral a uma vinculação
equivocada sobre a real autoria da criação IGES-DF, não há razão para limitar o direito de
expressão do candidato Representado, nessa fase ainda prematura, nem o direito à informação
ao eleitor.

Destarte, ausentes os requisitos indispensáveis para a concessão liminar, INDEFIRO a tutela de


urgência vindicada.

Cite-se o Representado, para que apresente defesa no prazo de 2 (dois) dias, nos termos do
artigo 18, caput, da Resolução TSE n. 23.608/2019.

Após, intime-se o d. representante do Ministério Público Eleitoral, nos termos do artigo 19 da


Resolução TSE n. 23.608/2019.

P. I.

Brasília-DF, 23 de agosto de 2022.

DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI

JUIZ AUXILIAR

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