UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS EXATAS DEPARTAMENTO DE DESENHO

ELEMENTOS DE GEOMETRIA
GEOMETRIA PLANA E ESPACIAL
2a edição

PROFA. DEISE MARIA BERTHOLDI COSTA PROF. JOSÉ LUIZ TEIXEIRA PROF. PAULO HENRIQUE SIQUEIRA A PROF . LUZIA VIDAL DE SOUZA ZAMBONI

UFPR Curitiba - 2000

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Capítulo I - Axiomática.......................................................................................................004 1.1. Introdução..................................................................................................... 004 1.2. Postulados do Desenho Geométrico..................................................................009 1.3. Axiomas de incidência......................................................................................010 1.4. Axiomas de ordem...........................................................................................011 1.5. Axiomas sobre medição de segmentos..............................................................012 1.6. Axiomas sobre medição de ângulos..................................................................014 1.7. Congruência de triângulos................................................................................018 1.8. Teorema do ângulo externo e suas consequências............................................027 1.9. O axioma das paralelas. Estudo do paralelogramo. Relações métricas nos quadriláteros.................................................................034 1.10. Semelhança de triângulos. Estudo do triângulo retângulo. Teorema de Pitágoras.............................................................................044 Capítulo II - Lugares geométricos e Segmentos proporcionais...............................................050 2.1. A circunferência como lugar geométrico........................................................050 2.2. A mediatriz como lugar geométrico...............................................................051 2.3. As paralelas como lugar geométrico..............................................................054 2.4. A bissetriz como lugar geométrico.................................................................056 2.5. Os ângulos e a circunferência...........................................................................061 2.6. Ângulo central.............................................................................................061 2.7. Ângulo inscrito.............................................................................................062 2.8. Ângulo de segmento....................................................................................063 2.9. Arco capaz..................................................................................................064 2.10. Ângulos excêntrico interior e exterior............................................................066 2.11. Ângulo circunscrito........................................................................................067 2.12. Proporcionalidade nos segmentos.................................................................071 2.13. Terceira e quarta proporcionais....................................................................073 2.14. Propriedades no triângulo retângulo. Aplicações da média geométrica....................................................................................074 2.15. Teorema das bissetrizes...............................................................................079 2.16. Circunferência de Apolônio...........................................................................081 2.17. Segmento áureo..........................................................................................083 2.18. Potência de ponto em relação a uma circunferência.......................................086 2.19. Propriedades dos quadriláteros.....................................................................089 Capítulo III - Relações métricas nos triângulos.....................................................................091 3.1. Pontos notáveis: circuncentro, baricentro, incentro e ortocentro. Os ex-incentros......................................................................099 3.2. Pontos da circunferência circunscrita.............................................................091 3.3. Reta de Simson...............................................................................................103

3.4. Reta de Euler..................................................................................................104 Capítulo IV - Relações métricas na circunferência.................................................................108 4.1. Retificação da circunferência............................................................................108 4.2. Desretifição da circunferência...........................................................................109 4.3. Retificação de arcos de circunferência...............................................................111 4.4. Desretificação de arcos de circunferência........................................................114 4.5. Divisão da circunferência em arcos iguais - Processos Exatos.............................115 4.6.Divisão da circunferência em arcos iguais - Processos Aproximados.....................121 4.7. Polígonos estrelados........................................................................................127 Capítulo V - Áreas ..............................................................................................................129 5.1. Axiomas..........................................................................................................129 5.2. Equivalência de áreas......................................................................................132 Capítulo VI - Geometria espacial de posição.........................................................................138 6.1. Conceitos primitivos e postulados.....................................................................138 6.2. Posição relativa de duas retas..........................................................................139 6.3. Determinação de um plano..............................................................................141 6.4. Posições relativas de reta e plano.....................................................................142 6.5. Posições relativas de dois planos......................................................................144 6.6. Posições relativas de três planos......................................................................146 6.7. Ângulo entre reta e plano................................................................................147 6.8. Ângulo entre dois planos..................................................................................150 6.9. ângulo diedro..................................................................................................151 6.10. Ângulos poliédricos........................................................................................156 6.11. Estudo dos poliedros. Soma dos ângulos da face de um poliedro. Poliedros de Platão. Poliedros regulares........................................................157 Capítulo VII - Geometria espacial métrica.............................................................................165 7.1. Estudo do prisma. Pricípio de Cavalieri..............................................................165 7.2. Estudo da pirâmide..........................................................................................172 7.3. Estudo do cilindro............................................................................................177 7.4. Estudo do cone...............................................................................................179 7.5. Estudo da esfera.............................................................................................183

Referências Bibliográficas...................................................................................................186

CAPÍTULO I AXIOMÁTICA

EXPERIÊNCIA X RACIOCÍNIO LÓGICO X INTUIÇÃO
Toda ciência tem origem experimental. O homem tem tendência à adivinhação. A intuição, no entanto, nem sempre é suficiente, podendo levar ao erro. Consideremos os seguintes exemplos: a) número de fios de cabelo dos habitantes de uma cidade; b) cinta envolvendo duas esferas de raios diferentes.

EDIFICAÇÃO RACIONAL DA GEOMETRIA
A Geometria foi organizada de forma dedutiva pelos gregos. Deduzir ou demonstrar uma verdade, é estabelecê-la como consequência de outras verdades anteriormente estabelecidas. No entanto, num caminho de retrocesso, chegaremos a um ponto de partida, a uma verdade impossível de se deduzir de outra mais simples.

AXIOMAS X TEOREMAS
Esta é a estrutura da Geometria, desde "Elementos" de Euclides, escrito no século III A.C., onde ele tentou definir os conceitos fundamentais. Atualmente, a Geometria aceita por normas: - Enunciar, sem definição, os conceitos fundamentais. - Admitir, sem demonstração, certas propriedades que relacionam estes conceitos, enunciando os axiomas correspondentes. - Deduzir logicamente as propriedades restantes. O que são os axiomas? São afirmações tantas vezes provadas na prática, que é muito pouco provável que alguém delas duvide. Deverão ser o menor número possível.

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SISTEMA DE AXIOMAS
Um sistema de axiomas deve satisfazer a três propriedades, que são: plenitude, independência e compatibilidade. O sistema deverá ser pleno ou completo, isto é, não podemos afastar afirmações nas quais forçosamente teremos que nos basear. Consideremos, para exemplificar, um sistema de equações do 1o grau com 3 incógnitas (bastante análogo a condições geométricas).Consideremos cada incógnita como um conceito sujeito a definição e cada equação um axioma. 2x

& y & 2z = 3

x + y + 4z = 6 O sistema não é completo. Não podemos estabelecer os valores das incógnitas, pois o número de equações é menor que o número de incógnitas. Logo, não ocorre a PLENITUDE. Vamos tentar corrigir, acrescentando outra equação: 2x & y & 2z = 3 x + y + 4z = 6 3x + 3y + 12z = 18 Ora, a terceira equação é consequência da segunda. Não há, portanto, INDEPENDÊNCIA. Tentemos novamente: 2x & y & 2z = 3 x + y + 4z = 6 3x + 3y + 12z = 15 Também não serve, pois a terceira equação, dividida por 3 resulta em x + y + 4z = 5 e a segunda diz que x + y + 4z = 6. Portanto, não há COMPATIBILIDADE. Finalmente, 2x & y & 2z = 3 x + y + 4z = 6 2x + y + 5z = 8 fornece os seguintes valores: x = 5, y = 13 e z = &3. O sistema é compatível, independente e completo.

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RELAÇÕES ENTRE AS PROPOSIÇÕES
As proposições (ou teoremas) podem ser escritas na forma p chamados de hipótese e tese respectivamente. Entre as proposições deduzidas (ou teoremas) podem ocorrer as seguintes relações: a) Recíproca: Um teorema se diz recíproco de um outro quando a sua hipótese e tese são, respectivamente, a tese e a hipótese do outro. Exemplos: >Direto: Se dois lados de um triângulo são desiguais, então ao maior lado opõe-se o maior ângulo. >Recíproco: Se dois ângulos de um triângulo são desiguais, então ao maior ângulo opõe-se o maior lado. Observação: Nem todos os teoremas recíprocos são verdadeiros. Assim, por exemplo: >Direto: Todos os ângulos retos são iguais. >Recíproco: Todos os ângulos iguais são retos. b) Teorema Contrário: É a proposição obtida pela negação da hipótese e tese de um teorema. Exemplos: >Teorema: Todo ponto da bissetriz de um ângulo é equidistante dos lados. >Teorema contrário: Todo ponto que não pertence à bissetriz de um ângulo não é equidistante dos lados. Observação: o teorema contrário nem sempre é verdadeiro. >Teorema: Dois ângulos opostos pelo vértice são iguais. >Teorema contrário: Dois ângulos que não são opostos pelo vértice não são iguais. c) Contra-positiva: A contra-positiva de um teorema tem por hipótese a negação da tese do teorema e tem como tese a negação da hipótese do teorema. Exemplo: >Teorema: Se um triângulo é isósceles, então os ângulos da base são iguais. >Contra-positiva: Se os ângulos da base de um triângulo não são iguais, então o triângulo não

Y q, onde p e q são

Exemplos: a) . DEMONSTRAÇÃO O que é uma demonstração? Consiste num sistema de silogismos. . e através de definições.Eu sou homem. chamada de hipótese. todos os corpos que. A Terra. em diferentes posições. (Argumentação x fatos x dedução) Verifica-se que. Para demonstrarmos proposições condicionais do tipo p Y q podemos usar: a) Forma Direta: Admitimos como verdade (ou válida) a proposição p.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 7 é isósceles com esta base. sou mortal. por meio dos quais a veracidade da afirmação é deduzida a partir dos axiomas e das verdades anteriormente demonstradas. O que é um silogismo? O silogismo é uma reunião de três proposições: a maior. TÉCNICAS DE DEMONSTRAÇÃO A demonstração de um teorema consiste em efetuar um conjunto de raciocínios dirigidos exclusivamente para provar que é verdadeiro o fato afirmado pela proposição. concluímos a validade da . etc. a menor e a conclusão. tem a forma esférica. projeta sobre a lua sombra redonda. . Consequentemente. b) A Terra é esférica. Observação: A contra-positiva de um teorema sempre é verdadeira.Todos os homens são mortais. a Terra tem a forma de uma esfera. propriedades. relações. durante os eclipses lunares. pré-estabelecidos.Logo. projetam sombra redonda.

. deduzir. raciocinar. para se compreender o que está "escrito". Ora. partimos da negação da tese para Y q) / p v ~q / F. b) Contra-positiva: Neste caso. ou de raciocínios lógicos (silogismos). Ou seja. Ou seja. ~(p Y q na forma equivalente ~q Y ~p e aplicamos a forma direta na contra-positiva. observação. chamada de tese. partimos da negação da tese e procuramos encontrar uma contradição com a hipótese. Observação: RAA é muito utilizado para provar unicidade. Isto é. PARA QUE A DEMONSTRAÇÃO? Princípio da Razão Suficiente: Todas as afirmações deverão ser fundamentadas. Báskara no livro "Lilaváti" apresenta a demonstração de um teorema apenas com uma figura e uma palavra: VÊ. Através da experiência. reescrevemos a proposição p concluirmos a negação da hipótese. c) Redução ao Absurdo (RAA): A redução ao absurdo consiste em provar que a negação do condicional p Y q é uma contradição. é necessário pensar.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 8 proposição q.

É proibido em Desenho Geométrico fazer contas com as medidas dos dados. que sejam evidentes? Exemplos: . . conhecidos 2 lados e um ângulo. são: a régua não graduada e os compassos comum e de pontas secas. desde que a resposta seja depois obtida graficamente obdecendo aos outros postulados. POSTULADOS DO DESENHO GEOMÉTRICO Assim como no estudo da Geometria se aceitam. a fim de conferi-la. borracha e prancheta.Folha de Moebius. certas noções primitivas e sem demonstrar certas proposições primitivas (ou postulados. A graduação da régua ou "escala" só pode ser usada para colocar no papel os dados de um problema ou eventualmente para medir a resposta.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 9 Será que existem afirmações suficientemente claras. papel. O que não é necessário DEMONSTRAR? A AXIOMÁTICA.Em Desenho Geométrico é proibido obter respostas "à mão livre". . bem como "por tentativas".Os únicos instrumentos permitidos no Desenho Geométrico. isto é. independente da opinião do estudante.Congruência de dois triângulos. 2o POSTULADO . todavia. considerações algébricas são permitidas na dedução (ou justificativa) de um problema. 3o POSTULADO . 1o POSTULADO . sem definir. no estudo do Desenho é necessário aceitar certos postulados que tornam a matéria objetiva. ou axiomas). além do lápis.

Nela um ponto é representado por uma pequena marca produzida pela ponta de um lápis. O desenho de parte de uma reta é feito com o auxílio de uma régua. Logo. Porém os desenhos devem ser considerados apenas como um instrumento de ajuda à nossa intuição. quando pressionada sobre o papel.GEOMETRIA PLANA As figuras geométricas elementares. Ao estudarmos geometria é comum fazermos o uso de desenhos. existe uma única reta que contém estes pontos. A interseção destas duas retas não pode conter dois (ou mais) pontos. existem pontos que pertencem à reta e pontos que não pertencem à reta. Pontos e retas do plano satisfazem a cinco grupos de axiomas que serão a seguir estudados. diz-se que elas se interceptam. OS AXIOMAS DE INCIDÊNCIA AXIOMA 1. Prova: Sejam m e n duas retas distintas. ou que concorrem ou que se cortam naquele ponto. AXIOMA 1. Observação: Nós imaginamos um plano como a superfície de uma folha de papel que se Duas retas distintas ou não se interceptam ou se interceptam em um único estende infinitamente em todas as direções. no plano. pelo Axioma 1. .2. Qualquer que seja a reta. Dados dois pontos distintos. pois.1. Quando duas retas têm um ponto em comum. PROPOSIÇÃO: ponto.2 elas coincidiriam.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 10 PARTE I . a interseção de m e n é vazia ou contém apenas um ponto. são os pontos e as retas. O plano é constituído de pontos e as retas são subconjuntos de pontos do plano.

que satisfaz aos axiomas apresentados a seguir...ELEMENTOS DE GEOMETRIA 11 Notação: Utilizaremos letras maiúsculas A. ou os pontos A e B estão separados pelo ponto C.. . e letras minúsculas a. b. A mais simples delas é o triângulo que é formado por três pontos que não pertencem a uma mesma reta e pelos três segmentos determinados por estes três pontos.. Dados três pontos de uma reta. B e C desta reta. B. . A noção de que um ponto localiza-se entre dois outros pontos é uma relação. C. Notação: Muitas figuras planas são construídas usando-se segmentos. O ponto C localiza-se entre A e B. um e apenas um deles localiza-se entre os outros dois. de lados do triângulo. para designar pontos. Os três pontos são chamados vértices do triângulo e os segmentos. entre pontos de uma mesma reta. . AXIOMA 2. c. Os pontos A e B são denominados extremos ou extremidades do segmento. OS AXIOMAS DE ORDEM A figura dada abaixo apresenta uma reta e três pontos A. para designar retas.1. DEFINIÇÃO: O conjunto constituído por dois pontos A e B e por todos os pontos que se encontram entre A e B é chamado de segmento AB.

Dois pontos A e B determinam duas semi-retas.1. contendo o ponto B. é chamado de semi-reta de origem A. que contém o segmento Dados dois pontos A e B. Observação: AXIOMA 2. O conjunto constituído pelos pontos de m e por todos os pontos B tais que A e B estão em um mesmo lado da reta m é chamado de semi-plano determinado por m. Este número é zero se e só se os pontos são coincidentes. . tais que B encontra-se entre A e C.3. DEFINIÇÃO: Sejam m uma reta e A um ponto que não pertence a m. (conceito de distância ou comprimento).2. o conjunto constituído pelos pontos do segmento AB e por todos os pontos C. cuja interseção é a reta m. tal que B está entre A e D. O ponto A é então denominado origem da semi-reta AB. DEFINIÇÃO: Um subconjunto do plano é convexo se o segmento ligando quaisquer dois de seus pontos está totalmente contido nele.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 12 DEFINIÇÃO: Se A e B são pontos distintos. OS AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE SEGMENTOS AXIOMA 3. AXIOMA 2. Uma reta m determina exatamente dois semi-planos distintos. Notação: AB. sempre existem: um ponto C entre A e B e um ponto 6 D. contendo A. A todo par de pontos corresponde um número maior ou igual a zero.

A circunferência de igualdade ocorre se e somente se o ponto C pertencer ao intervalo AB. considerarmos um segmento AC com 6 então o ponto C estará entre A e B.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 13 AXIOMA 3. Os pontos de uma reta podem ser sempre colocados em correspondência biunívoca com os números reais.3. (conceito de coordenada). então + = PROPOSIÇÃO: Prova: Se. Observação: às propriedades: 1) Para quaisquer dois pontos A e B do plano. de modo que a diferença entre estes números meça a distância entre os pontos correspondentes. tem-se = 0 se e somente se A / B. então C é externo à circunferência. Se. o ponto C está entre A e B. Se o ponto B estivesse entre A e C então pelo Axioma 3. Se o ponto C encontra-se entre A e B. B e C. Todo ponto C que satisfaz a desigualdade rência. teríamos + hipótese DEFINIÇÃO: = e. tais que = r. Mas esta desigualdade é contrária à Portanto. centro A e raio r é o conjunto constituído por todos os pontos B do plano. AXIOMA 3. Certamente o ponto A não pode estar entre B e C. Ela satisfaz > 0. 2) Para quaisquer dois pontos A e B tem-se = < + A 3) Para quaisquer três pontos do plano A. Além disso.2.3. Chamamos de ponto médio do segmento AB a um ponto C deste segmento. já que B e C estão na mesma semi-reta de origem A. < r é dito interno à circunfe- > r. . em uma semi-reta AB. como consequência. tem-se (Desigualdade Triangular) DEFINIÇÃO: Seja A um ponto do plano e r um número real positivo. ao invés. tal que = A noção de distância é uma das noções mais básicas da Geometria.

DEFINIÇÃO: reta.4. espaço angular. A medida de um ângulo é zero se e somente se ele é constituído por duas semi-retas coincidentes. Todo ângulo raso mede 180o.. vértice. DEFINIÇÃO: Diz-se que uma semi-reta n divide um semi-plano determinado por uma reta m se ela estiver contida no semi-plano e sua origem for um ponto da reta que o determina.. Ângulo raso é o ângulo formado por duas semi-retas distintas de uma mesma AXIOMA 3. Elementos: lados. Notação: AÔB. <AOB. Ô. . . b. Todo ângulo tem uma medida em graus maior ou igual a zero.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 14 OS AXIOMAS SOBRE MEDIÇÃO DE ÂNGULOS DEFINIÇÃO: origem. a. Chamamos de ângulo a figura formada por duas semi-retas com a mesma ËO.

em correspondência biunívoca. É possível colocar. OB e OC semi-retas de mesma origem.6.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 15 AXIOMA 3. DEFINIÇÃO: 6 6 6 6 6 interceptar OC.5. Se o segmento AXIOMA 3. de modo que a diferença entre estes números seja a medida do ângulo formado pelas semi-retas correspondentes. então AÔB = AÔC + CÔB. Se uma semi-reta OC divide um ângulo AÔB. 6 DEFINIÇÃO: EXERCÍCIO: 6 . os números reais entre zero e 180. diremos que OC divide o ângulo convexo AÔB. Traçar a bissetriz do ângulo AÔB dado abaixo. e as semi-retas de mesma origem que dividem um dado semi-plano. Quando AÔC = CÔB então a semi-reta OC é dita bissetriz de AÔB. Sejam OA.

DEFINIÇÃO: e BÔC. Logo. Exemplo: AÔB e CÔB. O suplemento de um ângulo é o ângulo adjacente ao ângulo dado. De fato.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 16 DEFINIÇÕES: Dois ângulos são: a) consecutivos: quando possuem o mesmo vértice e têm um lado comum. c) complementares: quando a soma de suas medidas é igual a 90o. AÔB + AÔD = 180o DÔC + AÔD = 180o Y AÔB = DÔC . formam-se quatro ângulos. Do mesmo modo o são os ângulos AÔD PROPOSIÇÃO: Prova: Ângulos opostos pelo vértice têm a mesma medida. Quando duas retas distintas se interceptam. Exemplo: AÔC e CÔB. obtido pelo prolongamento de um de seus lados. Os ângulos AÔB e DÔC são opostos pelo vértice. b) adjacentes: quando são também consecutivos e não têm pontos internos comuns. então eles têm o mesmo suplemento: AÔD. se AÔB e DÔC são ângulos opostos pelo vértice. d) suplementares: quando a soma de suas medidas é igual a 180o. e) replementares: quando a soma de suas medidas é igual a 360o.

Como n e n’ são perpendiculares a m. Neste caso diremos que as retas são perpendiculares. α = 0o e as retas n e n’ coincidem. ela é perpendicular a reta m. ângulos de 90o. Dada uma reta m e um ponto A sobre ela. devemos ter α + β + γ = 180o. existe uma cuja coordenada será o número 90. com as duas semi-retas determinadas pelo ponto A sobre a reta m. entre todas as semi-retas com origem A. Quando duas retas se interceptam. . então β = γ = 90o. Considere um dos semi-planos determinados pela reta m. TEOREMA: Prova: a) Existência. então todos os outros também o serão. formam outros dois ângulos β e γ com as semi-retas determinadas pelo ponto A na reta m. as duas semi-retas determinadas por A formam um ângulo raso. De acordo com o Axioma 3. Logo. AÔB = 180o & AÔD = DÔC. DEFINIÇÃO: Um ângulo cuja medida é 90o é chamado de ângulo reto. Por outro lado. se um dos quatro ângulos formados por elas for reto. O suplemento de um ângulo reto é também um ângulo reto.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 17 Portanto. Portanto. b) Unicidade. Por qualquer ponto de uma reta passa uma única perpendicular a esta reta. Suponha que existissem duas retas n e n’ passando pelo ponto A e perpendiculares a m. Esta semi-reta forma. que dividem o semi-plano fixado.5. As interseções das retas n e n’ com este semi-plano são semi-retas que formam um ângulo α e. Fixe um dos semi-planos determinados por m.

AXIOMA 4. Com esta definição. as propriedades da igualdade de números passam a valer para a congruência de segmentos e de ângulos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 18 CONGRUÊNCIA DE TRIÂNGULOS DEFINIÇÃO: Diz-se que dois segmentos e são congruentes quando = e que dois ângulos  e Observação: são congruentes quando têm a mesma medida. Dados dois triângulos ABC e EFG. então ∆ABC = ∆EFG. se = = e  = Ê. Logo. então são congruentes entre si. um segmento é sempre congruente a ele mesmo e se dois segmentos são congruentes a um terceiro. DEFINIÇÃO: Dois triângulos são congruentes se for possível estabelecer uma correspondên- cia biunívoca entre seus vértices de modo que lados e ângulos correspondentes sejam congruentes. . B em F e C em G. Observação: Quando escrevemos ∆ABC = ∆EFG significa que os triângulos ABC e EFG são congruentes e que a congruência leva A em E.

concluímos. Mas então o ponto D coincide com o ponto C e. portanto. Prova: Sejam ABC e EFG dois triângulos tais que ponto da semi-reta AC tal que = Â=Êe = Seja D um = = = Logo Considere o triângulo ABD e compare-o com o triângulo EFG. que ∆ABD = ∆EFG. e portanto. por hipótese. Como = = e  = Ê. coincidem os triângulos ABC e ABD. . ou seja: Se 9 = Â=Ê = Y 9  = Ê. pelo Axioma 4. de acordo com a definição de congruência de triângulos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 19 Este axioma é conhecido como o primeiro caso de congruência de triângulos: Lado-Ângulo-Lado (LAL). Como consequência. as semi-retas BD e BC coincidem. para verificarmos se dois triângulos são congruentes temos que verificar seis relações: congruência dos três pares de lados e congruência dos três pares de ângulos correspondentes. se = Â=Êe = então ∆ABC = ∆EFG. Como já provamos que ∆ABD = ∆EFG então ∆ABC = ∆EFG. tem-se que = Mas. Este é o segundo caso de congruência de triângulos: Ângulo-Lado-Ângulo (ALA). TEOREMA: Dados dois triângulos ABC e EFG. O axioma acima afirma que é suficiente verificar apenas três delas. Observação: Notemos que.

então os ângulos da base são iguais. Seja ABC um triângulo tal que = vamos provar que ele é isósceles. logo = PROPOSIÇÃO: Prova: Se num triângulo. Estes lados chamam-se laterais e o terceiro lado chama-se base. logo = Queremos provar que = Vamos comparar o triângulo ABC com ele mesmo. PROPOSIÇÃO: Prova: Se um triângulo é isósceles. Como consequência. lados e ângulos correspondentes são congruentes. Seja ABC um triângulo isósceles de base BC. os ângulos da base são iguais. B ] C e C ] B. = e Pela hipótese temos que = Como  = Â. ou seja.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 20 DEFINIÇÃO: Um triângulo é dito isósceles. fazendo corresponder os vértices da seguinte maneira: A ] A. segue-se pelo Axioma 4 que esta correspondência define a congruência dos triângulos ABC e ACB. quando tem dois lados congruentes. então o triângulo é isósceles. que .

O segmento AD chama-se altura do triângulo relativamente ao lado segmento for perpendicular a reta que contém os vértices B e C. DEFINIÇÃO: Sejam ABC um triângulo e D um ponto da reta que contém os vértices B e C. Logo. A Como = e = = ] A. Se D for o ponto médio de mente ao lado o segmento chama-se mediana do triângulo relativaO segmento chama-se bissetriz do ângulo  se a semi-reta se a reta que contém o AD separa o ângulo CÂB em dois ângulos iguais. e o triângulo é isósceles. consideremos os triângulos ABD e ACD. = segue-se que esta correspondên- por hipótese. e cia define uma congruência pelo caso ALA. se CÂD = DÂB. B ] C e C ] B. fazendo corresponder os vértices como na prova da proposição anterior. é a mediana relativa ao lado e = BÂD = DÂC e que = = (pois Para isto. Prova: Seja é Seja Em um triângulo isósceles a mediana relativa à base é também bissetriz e ABC um triângulo isósceles cuja base sua mediana relativa à base. lados e ângulos correspondentes são congruentes. isto é. ou seja. é mediana = é bissetriz BÂD = DÂC é altura z PROPOSIÇÃO: altura. Deve-se provar que é um ângulo reto. Como (pois o triângulo é isósceles de base (de acordo com a proposição anterior).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 21 = Vamos comparar o triângulo ABC com ele mesmo. então os triângulos são . isto é.

Logo. sendo a altura do triângulo ABC em relação à sua base. concluímos que ∆ABC = ∆EFG. = mas e = = construção). então = + = 180o. de base Segue-se que então.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 22 congruentes pelo critério LAL. = = e = Vamos Para isto. lados e ângulos correspondentes são congruentes. Como é = 90o. e ligue D a A. Prova: Sejam ABC e EFG dois triângulos tais que provar que ∆ABC = ∆EFG. um ângulo igual ao ângulo marque um ponto D tal que Como = (por = No lado deste ângulo que não contém o ponto A. trace Como = = pela hipótese. Logo lados e ângulos correspondentes são congruentes. Se dois triângulos têm três lados correspondentes congruentes então os triângulos são congruentes. Como já tínhamos provado que ∆ABD = ∆EFG. Portanto. BÂD = DÂC e que = Como já sabemos que perpendicular a TEOREMA: A primeira igualdade nos diz que é ângulo raso e = + = é bissetriz do ângulo BÂC. Este é o terceiro caso de congruência de triângulos: Lado-Lado-Lado (LLL). então ∆ABD = ∆EFG por LAL. ou seja. podemos concluir que ∆ABD = ∆ABC. Vamos agora mostrar que os triângulos ABD e ABC são congruentes. . pelo primeiro caso de congruência de triângulos. = = = e (por construção) e = = (por hipótese). Deste modo. Para isto então os triângulos ADC e BDC são = logo = Mas isósceles. construa a partir da semi-reta BA e no semi-plano oposto ao que contém o ponto C. Portanto então concluímos que e.

Prove que os triângulos ACB e ADB são 6 05. 02. e AB bissetriz de CÂD. A é o ponto médio dos segmentos ABD e ACE são congruentes. Prove que os triângulos . Sabe-se que a) ∆ACD = ∆ABE b) ∆BCD = ∆CBE e Mostre que: 04. Na figura dada abaixo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 23 EXERCÍCIOS 01. Mostre que as bissetrizes de um ângulo e do seu suplemento são perpendiculares. Os ângulos α e β são iguais. Considere congruentes. Mostre que 03.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 24 06. e o segmento corta no ponto médio B de 07. Mostre que 08. os triângulos ABD e BCD são isósceles. Na figura dada abaixo. Os ângulos  e Mostre que são retos. Na figura dada abaixo. Prove que os . com base ângulos são iguais. O ângulo é reto e M é o ponto médio de Mostre que 09. sabe-se que e BÔD = CÔA.

Mostre que num triângulo isósceles ABC. 11. Na figura dada abixo.  = DÊC e Mostre que os triângulos ADB 12. Na figura ao lado.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 25 10. com base a bissetriz do ângulo  é perpendicular à base (ou o que é o mesmo: é a altura) e é também mediana. A recíproca é verdadeira? Prove ou dê um contra-exemplo. Qualquer medida fora do lago é possível. então tem também os três ângulos congruentes. 13. ABD e BCD são triângulos isósceles com base Prove que e que AC é bissetriz do ângulo . 14. Na figura abaixo tem-se e EDC são congruentes. Mostre que. Descreva um processo pelo qual será possível medir a distância entre os pontos A e B. DEFINIÇÃO: Um triângulo que possui os três lados congruentes é chamado de triângulo equilátero. a região X representa um lago. se um triângulo tem os lados congruentes.

Na construção acima é realmente necessário que as circunferências tenham raio pode-se utilizar um raio r qualquer)? Justifique a resposta. 19. Justifique o seguinte procedimento para a determinação do ponto médio de um segmento. desenhe uma circunferência Descreva outra circunferência de mesmo raio e centro em B. Construir FÊG = BÂC. Justifique a construção. 17. se  = Ê. Demonstre ou dê um contra exemplo caso a sentença seja verdadeira ou falsa: Dados dois triângulos ABC e EFG.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 26 15. A interseção desta reta com o segmento 16. É um quarto caso (ALL) de congruência de triângulos? 20. Trace a reta ligando estes dois pontos. 18. Estas duas será o ponto médio de ". Justifique a construção. (ou circunferências se interceptam em dois pontos. Com um compasso centrado em A. então os triângulos são congruentes. Mostre que. na construção descrita no exercício 14. a reta que determina o ponto médio de é perpendicular a DEFINIÇÃO: A mediatriz de um segmento AB é uma reta perpendicular ao segmento e que passa pelo seu ponto médio. "Seja de raio um segmento. C + + A + B + E + F . Utilize a idéia da construção descrita no exercício 14 e proponha um método de construção de uma perpendicular a uma reta dada passando por um ponto desta reta.

Consequentemente. Â = < entre A e G. Â < > Na semi-reta AC marque um ponto G tal que C esteja Vamos provar que Como a semi-reta CD divide o ângulo . Devemos provar que > Âe > > Â.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 27 O TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO E SUAS CONSEQUÊNCIAS DEFINIÇÃO: Se ABC é um triângulo. Na semi-reta BC marque um ponto F tal que C esteja entre B e F. ou seja. Considere o ponto médio N do segmento Na semi-reta AN. Prova: Seja ABC um triângulo. são chamados de ângulos internos ou simplesmente de ângulos do triângulo. lados e ângulos correspon-dentes são congruentes. TEOREMA DO ÂNGULO EXTERNO: Todo ângulo externo de um triângulo é maior do que qualquer um dos ângulos internos a ele não adjacentes. Vamos inicialmente provar que Para isto. segue-se ∆BMA = ∆DMC (LAL). considere o ponto médio M do segmento D tal que é médio de (por construção) e Na semi-reta BM. formados pelos lados. Os suplementos destes ângulos são chamados de ângulos externos do triângulo. Compare os triângulos BMA e DMC. Como vértice). marque um ponto E Portanto. marque um ponto (pois M = (por serem opostos pelo então Trace CD. os seus ângulos e CÂB.

Portanto. lados e ângulos correspondentes ângulo são congruentes. PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABC um triângulo. Como (por serem opostos pelo vértice). são suplementares. o que é absurdo pelo corolário anterior. Logo. Portanto. Vamos mostrar que  + θ < 180o. n não se interceptam. (por serem < Como a semi-reta CE divide o então mas opostos pelo vértice). sua soma seria maior ou igual a 180o.  + COROLÁRIO: Prova: De fato. o que não pode ocorrer de acordo com a proposição anterior. segue-se ∆BNA = ∆CNE (LAL). Consequentemente. Se duas retas distintas m e n são perpendiculares a uma terceira. então Todo triângulo possui pelo menos dois ângulos internos agudos. o A soma das medidas de quaisquer dois ângulos internos de um triângulo é menor que 180o. se um triângulo possuísse dois ângulos não agudos. então m e <θ + = 180o. ou seja. . COROLÁRIO: Prova: Se m e n se interceptassem formar-se-ia um triângulo com dois ângulos retos. Pela proposição anterior temos que θ >Â. Como θ e θ + = 180 .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 28 tal que N é médio de ção) e Trace Compare os (pois (por constru- triângulos BNA e CNE. Considere θ o ângulo externo deste triângulo com vértice em C.

Seja m uma reta e A um ponto fora desta reta. O segmento AA’ é perpendicular à reta m. Caso contrário. no semi-plano que não contém A. Se existissem duas retas distintas passando pelo ponto A e sendo ambas perpendiculares a reta m.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 29 PROPOSIÇÃO: Prova: Por um ponto fora de uma reta passa uma e somente uma reta perpendicular à reta dada. Se AB já é perpendicular a m. o que é absurdo. formar-se-ia um triângulo com dois ângulos retos. então. SIMETRIA EM RELAÇÃO A UMA RETA DEFINIÇÃO: Um ponto P é simétrico de outro ponto Q em relação a uma reta r quando: e PQ é perpendicular a r. De fato. uma semi-reta com vértice B formando com a semi-reta BC um ângulo congruente a Nesta semi-reta tome um ponto A’ tal que BA’ = BA. terminamos a construção. é então BC é bissetriz do Segue-se. b) Unicidade. o triângulo Como ângulo ABA’ = é isósceles de base que BC AA’. perpendicular a AA’. Trace AB. a) Existência. considere. como BA = BA’. Tome sobre m dois pontos B e C distintos. (Simetria Axial) . pois todo triângulo possui pelo menos dois ângulos internos agudos. sendo que M pertence a reta r.

de maneira equivalente. (2) e (3) temos que: Analogamente. logo o triângulo ABC não é isósceles de base e portanto os ângulos da base não são iguais.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 30 Observação: Dado um ponto P e uma reta r. > > Como o triângulo CBD é isósceles de base que = Pelo teorema do ângulo externo temos que De (1). a perpendicular a r passando por P intercepta r em um ponto M chamado pé da perpendicular baixada do ponto P a reta r. que Da hipótese temos que … … Â. que o ângulo  é oposto ao lado BC. o segmento PA é dito oblíquo relativamente a r. a semi-reta temos . (por construção. = > CÂB. … Â. sobre a semi-reta CA. ou seja. O segmento AM é chamado de projeção do segmento PA sobre a reta r. Ou seja. Se A é qualquer outro ponto de r. > CÂB (3). PROPOSIÇÃO: Se dois lados de um triângulo não são congruentes então seus ângulos opostos não são iguais e o maior ângulo é oposto ao maior lado. É uma conseqüência da proposição seguinte que e que O número é chamado de distância do ponto P à reta r. Dado um triângulo ABC dizemos que o lado BC opõe-se ao ângulo  ou . como consequência. tal que então este ponto D pertence ao segmento Portanto tem-se que (2). Prova: Consideremos um triângulo ABC sendo … logo podemos supor que < é o maior Devemos mostrar que …  e que ângulo (pois este é oposto ao maior lado). portanto. marque. BD divide o ângulo (1). ao menor lado opõe-se o menor ângulo. a) Mostraremos inicialmente que os ângulos opostos não são iguais. um ponto D. = e. Como Para isto. b) Para mostrar que < é o maior ângulo. > Â. devemos mostrar que > Â.

consideremos um ponto D na semi-reta AB. Desta forma. deve ocorrer TEOREMA: Prova: Dado um triângulo ABC mostraremos que + > = (1). logo. se ocorresse Logo. existem três possibilidades que podem então. pela proposição anterior. a soma dos comprimentos de dois lados é maior do que o comprimento do terceiro lado. a) Mostraremos inicialmente que os lados e não são iguais. Para isto. vamos supor que > Â. … b) Para mostrar que Sabemos que ocorrer: Se ria a hipótese. deveríamos ter  > o que contrao que está em desacordo com a hipótese (provado no item a). então seus lados opostos não são iguais e o maior lado é oposto ao maior ângulo. to B está entre A e D e a semi-reta CB divide . ou seja. o triângulo ABC não é isósceles de base portanto os lados não são iguais. Consideremos um triângulo ABC sendo … Â. o triângulo BCD é isósceles de < = o triângulo seria isósceles e  = > > < é o maior lado. Podemos observar que. = Portanto. devemos mostrar que ou = < > Â. que Da hipótese temos que … e … Â. Como o ângulo = portanto. Do mesmo modo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 31 PROPOSIÇÃO: Prova: Se dois ângulos de um triângulo não são congruentes. + então o pon> (2). Devemos é o maior lado mostrar que … e que (pois este é oposto ao maior ângulo). de modo que base Logo. Em todo triângulo.

EXERCÍCIO: Um triângulo que possui um ângulo reto é chamado triângulo retângulo. O lado oposto ao ângulo reto é chamado hipotenusa. ou seja. pede-se: obter sobre r um ponto A. Responda as questões. a) Os triângulos ABC e DCB são congruentes? b) Qual o maior lado do triângulo ABC? c) Qual o menor lado do triângulo DBC? . Dados reta r. 02. no triângulo ACD. pontos P e Q. b) A hipotenusa é sempre maior que qualquer cateto. tal que PA + AQ seja mínimo. = + e portanto + > > > Mas pela proposição anterior Mas = + = DEFINIÇÃO: catetos. EXERCÍCIOS 01. e os outros dois lados são denominados Mostre que num triângulo retângulo: a) A hipotenusa é sempre menor que a soma dos catetos. Justifique a resolução. temos que ao maior ângulo opõe-se o maior lado. c) Os ângulos opostos aos catetos são agudos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 32 De (1) e (2) temos que. somente as medidas dos ângulos estão corretas. dando a justificativa. Na figura.

Justifique a construção da bissetriz de um ângulo dada no exercício da página 15. prove que: AÔb = bÔB). e Prove que se .(LAAO) 06. de base BC. os ângulos fossem os indicados abaixo. chamado de Lado-Ângulo-Ângulo Oposto . a altura relativa ao vértice A é também mediana e bissetriz. Se um triângulo ABC é equilátero e D é um ponto do segmento > 05. Este é o teorema de congruência de triângulos retângulos . quais seriam as respostas? 04.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 33 03. no problema anterior. (Ou seja. Demonstre que: dados dois triângulos ABC e EFG. AB = EF e triângulos são congruentes. mostre que = então os Este é o quarto caso de congruência de triângulos. 08. Prove que num triângulo isósceles ABC.(LLAr) 07. Sejam ABC e EFG dois triângulos retângulos cujos ângulo retos são AB = EF e BC = FG então os triângulos são congruentes. Se. se  = Ê.

Prova: Vamos supor que n1 seja paralela a n2. n1 e n2. já que a existência de reta paralela a m. o que contradiz a hipótese. m também corta n2. Como m não corta n2 então m e n2 são paralelas. m corta n1 mas não corta n2. Logo. então corta também a Se a reta m é paralela a duas outras retas n1 e n2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 34 O AXIOMA DAS PARALELAS AXIOMA 5: Por um ponto fora de uma reta m passa uma única reta paralela a reta m. O que contradiz o Axioma 5. n2 é paralela a m e a n1. PROPOSIÇÃO: e como na figura ao lado. Como n1 e n2 não coincidem e não são parale. Assim. então n1 e n2 são paralelas ou coincidentes. então pela proposição anterior segue que m e n1 são paralelas. Se = então as retas n1 e n2 são paralelas. . PROPOSIÇÃO: outra. (Unicidade) Devemos observar que este axioma prescreve a unicidade. Sejam m.las. PROPOSIÇÃO: Prova: Vamos supor que m seja paralela a n1 e a n2. n1. já era garantida. n1 e n2. então elas têm um ponto em comum P. n2. Mas pelo ponto P estão passando duas retas. n1 … n2. que são distintas e paralelas a uma mesma reta m. passando por um ponto dado. n1 … n2 e que n1 não seja paralela a n2. Se uma reta m corta uma de duas paralelas.

logo = + = 180o. elas se interceptam em algum ponto P.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 35 Prova: Vamos supor que = e que n1 e n2 não são paralelas. e e e e = 180o. n1 e n2 não se interceptam. Chamam-se ângulos: correspondentes: opostos pelo vértice: e e e e e e e e e e internos : entre as retas n1 e n2: externos : fora das retas n1 e n2: colaterais : aqueles que estão de um mesmo lado da transversal: colaterais internos: colaterais externos: e e e e alternos : aqueles que estão em semi-planos opostos em relação à transversal: alternos internos: alternos externos: PROPOSIÇÃO: Prova: Pela hipótese temos que então + = 180o. obtivermos + então as retas são paralelas. Pela proposição anterior temos que as retas são paralelas. mas os ângulos e são suplementares. ao cortarmos duas retas com uma transversal. Assim. pelo teorema do ângulo externo teríamos hipótese. Neste triângulo vice-versa. DEFINIÇÃO: Quando duas retas (não necessariamente paralelas) são cortadas por uma é ângulo externo e é ou um ângulo interno não adjacente ao ângulo … o que contradiz a nossa transversal formam-se oito ângulos como indicados na figura abaixo. Portanto. . Como as retas são distintas. Se. formando então um triângulo.

Portanto n e n1 também são paralelas e concorrem num mesmo ponto A. Considere os ângulos como indicados na figura ao lado. Mas + α + = 180o.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 36 PROPOSIÇÃO: Prova: Se duas retas paralelas são cortadas por uma transversal. COROLÁRIO: a) A soma das medidas dos ângulos agudos de um triângulo retângulo é 90o. Como as retas AB e AC são transversais às paralelas n1 e n2 então os ângulos alternos internos são iguais. Prova: (Exercício) TEOREMA: Prova: Seja ABC um triângulo. / n2 .ralela a BC A soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a 180o. logo n e n1 são coincidentes. De acordo com a 3a proposição da página 34. = βe = γ. Pelo vértice A traçar n1 pa. c) A medida de um ângulo externo de um triângulo é igual a soma das medidas . ou seja. b) Cada ângulo de um triângulo equilátero mede 60o. respectivamente. α + β + γ = Â + + = 180o. COROLÁRIO: Prova: (Exercício) COROLÁRIO: Se n1 // n2 então os ângulos alternos internos (ou externos) são congruentes. Sejam n1 e n2 retas paralelas cortadas pela transversal m nos pontos A e B. Se os ângulos alternos internos (ou externos) são congruentes. então os ângulos correspondentes são iguais. Consideremos uma reta n passando pelo ponto A e formando com a transversal quatro ângulos iguais aos ângulos correspondentes formados pela reta n2 com a mesma transversal. então n1 // n2. Mas pela hipótese temos que n1 e n2 são paralelas. n1 forma com a reta m ângulos iguais aos correspondentes formados por n2 com a reta m. portanto. Portanto. n e n2 são paralelas.

Consideremos a diagonal BD. e deles baixemos perpendiculares à reta n2. então . Vamos unir A e B’. então todos os pontos de n1 estão à mesma distância de n2. TEOREMA: Prova: Sejam n1 e n2 retas paralelas. respectivamente. Devemos provar que AA’ = BB’. Portanto. EXERCÍCIO: Refazer o exercício 5 da página 33 utilizando o fato de que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180o. Seja ABCD um paralelogramo. transversal AB’) e (pois são ângulos alternos internos relativos a (pois são ângulos complementares. PARALELOGRAMO DEFINIÇÃO: Um paralelogramo é um quadrilátero cujos lados opostos são paralelos. PROPOSIÇÃO: Prova: Em todo paralelogramo lados e ângulos opostos são congruentes. Como AB e DC são paralelas cortadas por BD. Sobre n1 consideremos dois pontos A e B. ou seja. Como AB’ é comum. lados e ângulos correspondentes são congruentes. AA’ = BB’ .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 37 dos ângulos internos que não lhe sejam adjacentes. então (ângulos alternos internos) e como AD e Como BC são paralelas cortadas por BD. Consideremos os triângulos AA’B’ e B’BA.(a recíproca é verdadeira) logo os triângulos AA’B’ e B’BA são congruentes pelo critério ALA. de Se n1 e n2 são paralelas. d) A soma dos ângulos internos de um quadrilátero é 360o. Sejam A’ e B’ respectivamente os pés destas perpendiculares.

. (hipótese) e (hipótese). logo lados e Logo. podemos concluir que os triângulos ADB e CBD são congruentes pelo critério ALA. seja M o ponto de interseção das mesmas. Consideremos as diagonais AC e BD. primeira igualdade garante que AB // DC e a segunda garante que BC // AD. Se os lados opostos de um quadrilátero são congruentes então o quadrilátero Mas como (lados de um paralelogramo) então os triângulos AMB e CMD são congruentes pelo critério ALA. Temos ainda que PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABCD um paralelogramo. ABCD é um o quadrilátero é um paralelogramo. logo os triângulos são congruentes pelo critério LLL. ou seja. Consideremos a diagonal BD do quadrilátero. ou seja. ou seja. Devemos provar que ABCD Se dois lados opostos de um quadrilátero são congruentes e paralelos. paralelogramo. As diagonais de um paralelogramo se interceptam em um ponto que é o ponto médio das duas diagonais. PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABCD um quadrilátero em que AD // BC e é um paralelogramo. que AB // CD e BC // AD. Devemos provar que Como AB é paralela a DC cortadas pelas transversais AC e BD então determinam ângulo alternos internos iguais. Nos triângulos ABD e CDB temos que BD é comum.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 38 DB é comum. logo e A lados e ângulos correspondentes são congruentes. Logo. PROPOSIÇÃO: Prova: Seja ABCD um quadrilátero em que ou seja. é um paralelogramo. lados e ângulos correspondentes são congruentes. então e Devemos provar que ABCD é um paralelogramo. Logo. ou seja. BÂM = ângulos correspondentes são congruentes.

DE é paralelo a BC e têm o mesmo comprimento. Esta corta as retas a e c nos pontos D e E. segue-se então que FBCE é um paralelogramo. marque na semi-reta ED um ponto F tal que médio de Como e Como e (E é ponto médio de AC). temos que Logo. b e c. Como D é ponto médio de FE então PROPOSIÇÃO: Prova: Consideremos pelo ponto B’ uma reta m’ paralela à reta m. se provarmos que paralelogramo. Devemos provar que DE é paralelo a BC e que Para isto. cortam as retas m e n nos pontos e Como (já que D é ponto (por serem opostos pelo tem-se que O segmento ligando os pontos médios de dois lados de um triângulo é paralelo Mas como (hipótese) e BD é comum então os triângulos ADB e CBD são congruentes pelo critério LAL. B’ e C’. Se AB = BC então A’B’ = B’C’. Consideremos a diagonal BD e os triângulos ADB e CBD. respectivamente. lados Pela proposição anterior. Suponha que três retas paralelas a. é um paralelogramo. . e ângulos correspondentes são congruentes. Portanto. ABCD então o quadrilátero será um ao terceiro lado e tem metade do seu comprimento. Designe por D o ponto médio de AB e por E o ponto médio de AB. Logo. TEOREMA: Prova: Seja ABC um triângulo. vértice). todo quadrilátero que possui dois lados opostos paralelos e congruentes é um paralelogramo. Como AD // BC cortadas pela transversal BD então os ângulos alternos internos são iguais. consequência A. FB e EC são paralelos (pois BFD e DEA são ângulos alternos internos congruentes) e têm o mesmo comprimento.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 39 De acordo com a proposição anterior. B e C e nos pontos A’. Como. ou seja. ou seja. então os triângulos ADE e FDB são congruentes.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 40 Como ABB’D e BCEB’ são paralelogramos (pois têm lados opostos paralelos) então DB’ = AB e B’E = BC. então concluímos que DB’ = B’E. . então A’1A’2.. .. ak cortam duas retas m e n nos pontos A1. Além disso. Se A1A2. E portanto.... são iguais (opostos pelo vértice) e também são iguais (por serem ângulos alternos internos determinados pela transversal DE e as retas Logo.. . A’k respectivamente. como AB = BC por hipótese.. . A’B’ = B’C’.. COROLÁRIO: Suponha que k retas paralelas a1. = A’k&1A’k. = Ak&1Ak. A’2.. a2. Ak e nos pontos A’1.. = A2A3 = . A2... Os ângulos paralelas a e c). os triângulos A’DB’ e C’EB’ são congruentes pelo critério ALA. = A’2A’3 = . Este corolário é uma generalização da proposição anterior..

. logo. DEFINIÇÃO: Um segmento ligando dois pontos de uma circunferência e passando por seu centro chama-se diâmetro. existem números p e q. . O e C são colineares. EXERCÍCIOS 01. Porém. e portanto. obtém-se B1B2/B3B4 = p/q. De modo análogo. A1A2/A3A4 = p/q. então a razão entre dois segmentos quaisquer de uma delas é igual à razão entre os segmentos respectivamente correspondentes noutra reta do mesmo feixe. em p e q partes de comprimento u’. s3. logo. s2. tais que A1A2 = pu e A3A4 = qu. . A1A2/A3B4 = B1B2/B3B4. o ponto O é o ponto médio de AD e então mostre que os triângulos ABO e DCO são congruentes. Prova: Consideremos que os segmentos A1A2 e A3A4 sejam comensuráveis.. tais que B1B2 = pu’ e B3B4 = qu’. os segmentos B1B2 e B3B4 são divididos. Na figura abaixo. Conduzindo retas s1 .pectivamente..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 41 TEOREMA DE TALES: Se um feixe impróprio de retas é interceptado por um feixe próprio de retas. quando duas quantidades são iguais a uma terceira.. pode-se demonstrar que A1A2/A3B4 = C1C2/C3C4 e generalizando podemos escrever A1A2/A3B4 = B1B2/B3B4 = C1C2/C3C4 = . Se B.. então existe um segmento u que é submúltiplo de ambos. pelos pontos de divisão dos segmentos A1A2 e A3A4. elas são iguais entre si. res.

DEFINIÇÃO: Um retângulo é um quadrilátero que tem todos os seus ângulos retos. Mostre que se as diagonais de um paralelogramo são congruentes. Mostre que todo retângulo é um paralelogramo. . então o paralelogramo é um retângulo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 42 02. Mostre que todo losango é um paralelogramo. 06. Mostre que um paralelogramo cujas diagonais são perpendiculares é um losango. então o quadrilátero é um paralelogramo. 10. Mostre que as diagonais de um losango cortam-se em ângulo reto e são bissetrizes dos seus ângulos. 04. Mostre que se as diagonais de um quadrilátero se interceptam em um ponto que é ponto médio de ambas. então o quadrilátero é um paralelogramo. Na figura abaixo. DEFINIÇÃO: Um losango (ou rombo) é um quadrilátero que tem todos os seus lados congruentes. 05. 08. 09. AB é um diâmetro e C é outro ponto da circunferência. Mostre que as diagonais de um retângulo são congruentes. 03. Mostre que β = 2α. Mostre que se os ângulos opostos de um quadrilátero são congruentes. 07. o ponto O é o centro da circunferência.

Os lados paralelos de um trapézio são chamados de bases e os outros dois são chamados de laterais. DEFINIÇÃO: Um trapézio é um quadrilátero em que dois lados opostos são paralelos. além disso. Prove que a soma dos ângulos internos de um polígono de n lados é (n − 2). . então o quadrilátero é um quadrado. Se. 16. Prove que um quadrado é um retângulo e que é também um losango. então o quadrilátero é um retângulo. Dica: Considere o ponto E como sendo a interseção das retas AB e DN. Considere também o triângulo DAE e o segmento MN. Mostre que as diagonais de um trapézio isósceles são congruentes. Se ele é isósceles. 13. prove que DNC= ENB (ALA). 12. 17. Um trapézio é dito trapézio isósceles se suas laterais são congruentes. Prove que os pontos médios dos lados de um quadrilátero qualquer são vértices de um paralelogramo. Um trapézio é dito trapézio escaleno se suas laterais não são congruentes. as diagonais são perpendiculares uma a outra. Um trapézio é dito trapézio retângulo (ou bi-retângulo) se tem dois ângulos retos. Seja ABCD um trapézio em que AB é uma base. Prove que o segmento ligando os pontos médios das laterais de um trapézio escaleno é paralelo às bases e que seu comprimento é a média aritmética dos comprimentos das bases. 15. Mostre que se as diagonais de um quadrilátero são congruentes e se cortam em um ponto que é ponto médio de ambas.180o. mostre que Â= e 14. 11.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 43 DEFINIÇÃO: Um quadrado é um quadrilátero que tem os quatro ângulos retos e os quatro lados congruentes.

se ABC e EFG são dois triângulos semelhantes e se A ] E. EXERCÍCIO: Dois triângulos congruentes são semelhantes.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 44 SEMELHANÇA DE TRIÂNGULOS DEFINIÇÃO: Dois triângulos são semelhantes se for possível estabelecer uma correspondên- cia biunívoca entre seus vértices de modo que ângulos correspondentes sejam iguais e lados correspondentes sejam proporcionais. PROPRIEDADES DA SEMELHANÇA DE DOIS TRIÂNGULOS: a) Reflexiva: ∆ABC ~ ∆ABC ] ∆EFG ~ ∆ABC c) Transitiva: ∆ABC ~ ∆EFG e ∆EFG ~ ∆HIJ Y ∆ABC ~ ∆HIJ b) Simétrica: ∆ABC ~ ∆EFG . Justifique a afirmação e indique a razão de proporcionalidade. então valem simultaneamente as seguintes ∆ABC ~∆EFG ] 9 Observação: O quociente comum entre as medidas dos lados correspondentes é chamado de razão de proporcionalidade entre os dois triângulos. B igualdades: ]FeC]Gé a correspondência que estabelece a semelhança. Ou seja.

em dois triângulos ABC e EFG tem-se  = Ê e então os triângulos são semelhantes. então Porém pela hipótese sabemos que . Este é o primeiro caso de semelhança de triângulos. se  = Ê e então os triângulos são semelhantes. Logo. Portanto. Prova: Construir um triângulo HIJ que tenha Logo pelo teorema anterior temos que ∆ABC ~ ∆HIJ. Para isto consideremos na semi-reta EF o ponto H de modo que triângulo EHI que é congruente ao triângulo ABC (já que  = Ê. Este é o segundo caso de semelhança de triângulos. os lados correspondentes são proporcionais mas portanto Portanto. então a igualdade dos ângulos  e Ê e dos ângulos acarreta na igualdade dos ângulos Resta provar que os lados Pelo ponto sendo e correspondentes são proporcionais.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 45 TEOREMA: Dados dois triângulos ABC e EFG. que esta última igualdade deve-se ao paralelismo de IH e GF). Prova: Como a soma dos ângulos de um triângulo é 180o. Esta corta a semi-reta EG num ponto I.LAL). e H tracemos uma reta paralela a FG. formando um Como HI é paralela a FG cortadas pelas retas EF e EG então determinam segmentos proporcionais. ou seja. Como e então substituindo na igualdade acima temos De maneira análoga demonstra-se que TEOREMA: Se. ∆EFG = ∆HIJ ( e .

Como ∆ABC ~ ∆HIJ temos que ∆ABC ~ ∆EFG. tal que y = . DEFINIÇÃO: Dados dois segmentos p e q. então Comparando esta última expressão com (1) temos que Logo. Prova: Consideremos um triângulo HIJ tal que Logo. lados correspondentes são proporcionais. a média aritmética entre eles é um segmento x tal que x = (p + q)/2 e a média geométrica (ou média proporcional) entre eles. Este é o terceiro caso de semelhança de triângulos. é um segmento y. Mas da hipótese temos que mas (por construção). segue-se da hipótese que = Â. que ∆ABC ~ ∆HIJ. provado acima e construção). ∆EFG = ∆HIJ ( construção. e como e = Â segue pelo teorema anterior (1). TEOREMA: Se. ou seja. Portanto.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 46 Como ∆ABC ~ ∆HIJ e ∆EFG = ∆HIJ segue que ∆ABC ~ ∆EFG. em dois triângulos ABC e EFG tem-se então os triângulos são semelhantes.

. AC = b. B ] BeC .n . então os triângulos HBA e HAC são retângulos.m ] H.n ] H. AH = h.∆ABC ~ ∆HBA A Y ]A Y Y Y Y Y c2 = a.∆ABC ~ ∆HAC A b2 = a. Trace a altura AH do vértice A ao lado BC.m e c2 = a. Como = 90o e + BÂH = 90o então BÂH = = 90o e + HÂC = 90o então = HÂC.∆HBA ~ ∆HAC H ] H. AB = c.a = a2. Devemos mostrar que a2 = b2 + c2.m + a. Somando membro a membro as duas expressões temos que b2 + c2 = a. Prova: Seja ABC um triângulo retângulo com ângulo reto no vértice A. Ou seja. podemos escrever as expressões que traduzem a proporcionalidade dos lados: . Logo. a2 = b2 + c2.n. E os catetos são médias geométricas entre a hipotenusa e as suas projeções sobre a hipotenusa. CH = m e BH = n. Denotaremos os segmentos da seguinte forma: BC = a. Na proposição anterior foi provado que ∆ABC ~ ∆HBA ~ ∆HAC e portanto que b2 = a. B ] C e A ] A TEOREMA DE PITÁGORAS: Em todo triângulo retângulo o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos. Como também Isto nos mostra pelo segundo caso de semelhança de triângulos que os triângulos HBA e HAC são semelhantes e também semelhantes ao triângulo ABC. B ] A e C ] C h2 = m.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 47 PROPOSIÇÃO: Em todo triângulo retângulo a altura relativa ao vértice do ângulo reto é média geométrica (ou proporcional) entre as projeções dos catetos sobre a hipotenusa. Prova: Consideremos um triângulo ABC retângulo em A.n = a(m + n) = a. Como AH é perpendicular a BC.

Na figura abaixo. então . D em B e A em C. D é o ponto médio do segmento AB e E é o ponto médio de AC. sendo a semelhança a que leva B em A. 05. Prove que as alturas (ou as medianas. se ABC é o triângulo e BD é a bissetriz do ângulo B sendo D um ponto do lado AC. 07. 04. Prove que se um triângulo retângulo tem ângulos agudos de 30o e 60o então seu menor cateto mede metade do comprimento da hipotenusa. Prove que a bissetriz de um ângulo de um triângulo divide o lado oposto em segmentos proporcionais aos outros dois lados.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 48 EXERCÍCIOS 01. 02. Isto é. 03. ou as bissetrizes) correspondentes em triângulos semelhantes estão na mesma razão que os lados correspondentes. Prove que o triângulo BDA é isósceles. Mostre que os triângulos ADE e ABC são semelhantes. Na figura abaixo tem-se que BDA e ABC são semelhantes. 06. Mostre que são semelhantes dois triângulos isósceles que têm iguais os ângulos opostos à base. Mostre que dois triângulos equiláteros são sempre semelhantes.

08. Prove que se dois triângulos tem lados correspondentes paralelos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 49 Dica: trace pelo ponto A uma reta paralela ao lado BD. . Esta intercepta a semi-reta CB num ponto E formando triângulos semelhantes. então eles são semelhantes.

CIRCUNFERÊNCIA LG 01: O lugar geométrico dos pontos do plano situados a uma distância constante r de um ponto fixo O é a CIRCUNFERÊNCIA de centro O e raio r.) em relação a uma determinada propriedade P quando satisfaz às seguintes condições: a) Todo ponto que pertence ao lugar geométrico possui a propriedade P. mas que satisfaça as condições impostas (ou propriedades). procuramos construir graficamente uma determi- nada figura. e para determinar um ponto basta obter o cruzamento entre duas linhas.G. Notação: CIRCUNF(O. O emprego de figuras que constituem lugares geométricos nas resoluções de problemas gráficos é chamado de Método dos Lugares Geométricos. estas condições impostas são lugares geométricos construtíveis com régua e compasso.r). . Geralmente. b) Todo ponto que possui a propriedade P pertence ao lugar geométrico.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 50 CAPÍTULO II LUGARES GEOMÉTRICOS E SEGMENTOS PROPORCIONAIS Os problemas em desenho geométrico resumem-se em encontrar pontos. LUGAR GEOMÉTRICO 1 . DEFINIÇÃO: Um conjunto de pontos do plano constitui um lugar geométrico (L. Observação: Na resolução de problemas.

No caso da circunferência. temos que: 1o) todo ponto da circunferência (de centro O e raio r) equidista do ponto O segundo uma distância r.MEDIATRIZ LG 02: O lugar geométrico dos pontos do plano eqüidistantes de dois pontos A e B dados é a MEDIATRIZ do segmento AB. É importante frisar a necessidade de demonstrar os dois teoremas. 2o) todo ponto que equidista de O segundo uma distância r pertence à circunferência(de centro O e raio r). pois um só deles não garante que a figura F seja um lugar geométrico. dados os três lados a. b e c. Para se provar que uma determinada figura F é um lugar geométrico dos pontos do plano que têm uma propriedade P. LUGAR GEOMÉTRICO 2 .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 51 EXERCÍCIO: Construir um triângulo ABC. 2o) todo ponto que tem a propriedade P pertence a F. temos que demonstrar dois teoremas: 1o) todo ponto de F tem a propriedade P. .

Y pertence à mediatriz . ∆XAM = = ∆XBM por LAL. passa pelo ponto médio do mesmo. que r passa pelo ponto médio de e Então. e por eles passa uma única reta m então veremos que m possuirá a mesma propriedade de P e Q. Prova: Nos triângulos XAM e XBM temos ponto médio pela hipótese). pela hipótese) e congruentes. ou seja. então Assim. logo. Portanto. r é a mediatriz de Logo. Traçamos por Y a reta r perpendicular a vamos provar que r é a mediatriz de seja M o ponto de interseção de r e Como é a altura relativa à base do triângulo isósceles YAB. isto é. a mediatriz é um lugar geométrico. = (M é (ambos são retos é equidistante de é lado comum.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 52 Consideremos dois pontos fixos A e B. Sejam P e Q dois pontos tais que Como P e Q possuem a mesma propriedade. M é o ponto médio de de Portanto. Vamos mostrar que a mediatriz é um lugar geométrico: 1a parte: Todo ponto da mediatriz de A e B. a reta r é perpendicular a isto é. lados e ângulos correspondentes são 2a parte: Todo ponto equidistante de A e B pertence à mediatriz de Prova: Seja Y um ponto eqüidistante de A e B. Observação: Lembremos que esta construção nos fornece a mediatriz de pois como então o quadrilátero APBQ é um losango e portanto as suas diagonais cortam-se em ângulo reto e no ponto médio das mesmas. é e também mediana. isto é.

B e C dados. 03. nas seguintes condições: 02. por um ponto P dado. a) P 0 r. b) P ó r. . Construir um ângulo reto.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 53 EXERCÍCIOS 01. Traçar a mediatriz do segmento dado abaixo. Traçar uma reta perpendicular a uma reta dada r. Traçar a circunferência que passe pelos pontos A. 04.

logo d(X. d(X. r) = d(s2. r) = d. r) = d(s1. d(Y. Vamos mostrar que é um lugar geométrico: Seja F = s1 Prova: c s2. r) e portanto. F = s1 c s2 é um lugar geométrico. 2a parte: Todos os pontos que distam d da reta r pertencem à F. r) = d. Seja X um ponto de F então X 0 s1 ou X 0 s2. r) = d. da distância de ponto à reta e as passagens podem ser detalhadas utilizando-se retângulos. ou seja. r) ou d(X. Y 0 F. r) ou d(Y. Prova: Seja Y um ponto que dista d da reta r. s2 // r e d(s2. r) = d(s2. r) = d(s1. Portanto.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 54 LUGAR GEOMÉTRICO 3 . Nas demonstrações das duas partes há a idéia das distâncias entre duas retas Observação: paralelas. r) = d. d(Y. onde s1 // r e d(s1. 1a parte: Todos os pontos de F distam d da reta r. Logo. logo. r) e assim Y 0 s1 ou Y 0 s2.PARALELAS LG 03: O lugar geométrico dos pontos do plano equidistantes de uma reta dada deste plano compõe-se de duas retas PARALELAS a reta dada e construídas a mesma distância d da reta considerada. .

em que a base será a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 55 EXERCÍCIOS 01. Traçar paralelas a distância d da reta r. Construir um triângulo MNP com a mesma área do triângulo ABC dado. Traçar pelo ponto P uma reta paralela a reta r dada de duas maneiras distintas. 02. . 03.

Prova: Seja X um ponto que pertence a F. XOA e XOB são triângulos congruentes.BISSETRIZ LG 04: O lugar geométrico dos pontos do plano equidistantes de duas retas concorrentes dadas. ou seja. X 0 b1 ou X 0 b2. = OÂX (são ângulos retos). 1a parte: Todo ponto de F equidista dos lados desse ângulo (rÔs). 1Ô3=3Ô2).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 56 LUGAR GEOMÉTRICO 4 . compõe-se de duas outras retas. XÔA = XÔB (por hipótese X pertence à bissetriz) e de r e s. Como as distâncias de X aos lados do ângulo são medidas segundo segmentos perpendiculares então = d(X. = ou seja. Assim. logo. Logo. Nos triângulos XOA e XOB temos que OX é lado comum. Vamos mostrar que é um lugar geométrico: Sejam r e s as retas concorrentes. Observação: As retas b1 e b2 assim construídas como mostra a figura acima são bissetrizes dos ângulos formados pelas retas dadas (pois. Portanto. lados e ângulos correspondentes são congruentes. Ob1 e Ob2 as bissetrizes dos ângulos formados por r e s. perpendiculares entre si e BISSETRIZES dos ângulos formados pelas retas dadas. r) e = d(X. . e F = Ob1 c Ob2. s). para b1 temos que os triângulos O13 e O23 são congruentes por LLL. X eqüidista pelo critério LAAo.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 57 2a parte: Todo ponto que é eqüidistante dos lados de um ângulo pertence à F. Y Então. 03. DEFINIÇÃO: A tangente a uma circunferência é a reta que intercepta a circunferência num único ponto. Logo. Obter um ponto P equidistante das retas r e s e que pertença à reta a. r) = d(Y. s) = e assim temos que é lado comum. 0 F. 02. O ponto comum é chamado ponto de tangência. d(Y. (por hipótese) (são ângulos retos). YÔC = YÔD e OY é bissetriz e Y portanto. e a semi-reta OY. Prova: Consideremos um ponto Y eqüidistante de r e s. ou seja. temos: e 0 Ob1 ou Y 0 Ob2 . Seja d(Y. Mostre que toda reta perpendicular a um raio na sua extremidade da circunferência é tangente à circunferência. pelo caso especial de congruência de triângulos retângulos (LLAr). nos triângulos YOC e YOD. . Vamos provar que OY é a bissetriz do ângulo formado pelas retas. s). Mostre que toda tangente a uma circunferência é perpendicular ao raio no ponto de tangência. EXERCÍCIOS 01. r) = d(Y. os triângulos YOC e YOD são congruentes. Assim. Como Y é eqüidistante de r e s.

05. Construir os ângulos notáveis: 90o. conhecendo o lado b e sabendo que o vértice A está na circunferência dada. 150o. 22o30'. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. São dados dois pontos B e C e uma circunf(D. tangentes as semi-retas Or e Os dadas. Traçar a bissetriz do ângulo formado pelas retas concorrentes r e s. 30o. sem usar o ponto de interseção das mesmas. . 60o.d). 11o15'. 120o. 45o. 06. 15o. Construir um triângulo ABC. Traçar circunferências de raio d.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 58 04.

Construir um triângulo ABC isósceles. 04. concorrentes duas a duas. sabendo-se que o vértice A pertence à circunferência dada. Construir um retângulo dados os lados = 5cm e = 3cm.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 59 02. p 03. b e c. Construir uma circunferência tangente às retas b e c. 05. sabendo que seu centro pertence a reta a. São dadas três retas a. . de base BC. São dados dois pontos A e B e uma distância r. Construir uma circunferência que passe A e B e que tenha raio igual a r.d). São dados dois pontos B e C e uma Circunf(D.

Construir circunferências de raio r dado. . Construir uma circunferência inscrita ao triângulo ABC dado. 07. tangentes às retas concorrentes a e b dadas.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 60 06.

central é correspondente a esse ângulo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 61 ÂNGULOS E CIRCUNFERÊNCIA Consideremos uma circunferência de centro O e raio r. AMB e ANB. A corda que une os extremos de um arco subtende o arco. Quando os arcos são designados com apenas duas letras fica convencionado: a) as duas letras são as que indicam os seus extremos.DIÂMETRO é qualquer corda que passa pelo centro de uma circunferência. considera-se o menor. { b) a representação vale somente para o menor arco.A medida angular de um arco de circunfeO arco interceptado por um ângulo rência é a medida do ângulo central correspondente. Quando não se especifica qual deles. Notação: AMB e ANB. .Dois pontos A e B de uma circunferência dividem-na em duas partes. Cada parte denomina-se ARCO CIRCULAR ou simplesmente ARCO e os { { pontos A e B são os extremos. Assim. ou ele é o arco que corresponde ao ângulo central. . Observação: .CORDA é qualquer segmento que tem as extremidades em dois pontos da circunferência. ÂNGULO CENTRAL DEFINIÇÃO: Ângulo central é todo o ângulo que possui o vértice no centro da circunferência e cada um de seus lados contém um raio da mesma. para representar o arco AMB (o { menor dos arcos da figura acima) escreve-se AB. Define-se: . .

B e P. AÔB = PÂB + = então este é um . sobre a mesma. Sendo PO e OA raios da circunferência então eles possuem a mesma medida r. A. logo o triângulo POA é isósceles de base PA e portanto. ele é chamado arco que o ângulo enxerga. { Devemos mostrar que = = 1o Caso: O ponto O pertence ao lado do ângulo inscrito Como O pertence ao segmento diâmetro da circunferência. Observação: . Todo ângulo inscrito mede a metade do ângulo central correspondente.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 62 ÂNGULO INSCRITO DEFINIÇÃO: Ângulo inscrito é todo ângulo que possui seu vértice sobre a circunferência e cada um de seus lados contém uma corda da mesma. possuem os ângulos da base congruentes.O arco interceptado por um ângulo inscrito é correspondente a esse ângulo ou. TEOREMA: Prova: Consideremos uma circunferência de centro O e três pontos. PÂO = Sabemos que a medida de um ângulo externo de um triângulo é igual a soma dos ângulos internos a ele não adjacente.Quando os lados de um ângulo inscrito e de um ângulo central cortam-se sobre os mesmos pontos sobre a mesma circunferência então eles são ditos ângulos correspondentes. ou seja. . mais freqüentemente.

conduzida O arco interceptado por um ângulo de segmento também é chamado arco correspondente a esse ângulo. Logo. = Mas pelo primeiro caso temos que quando um dos lados de um ângulo inscrito contém o centro da circunferência então a sua medida é metade do ângulo central correspondente. = Pelo caso anterior. = ½AÔC + ½CÔB = 3o Caso: O ponto O é externo ao ângulo inscrito Consideremos a semi-reta PO. esta corta a circunferência num ponto D.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 63 2o Caso: O ponto O é interno ao ângulo inscrito Consideremos a semi-reta PO. = = ½AÔC e + = ½CÔB. Logo. Logo. = = ½AÔD e = ½AÔD = ½DÔB. ½AÔB. esta corta a circunferência num ponto C. ½AÔB. . & ½BÔD = ÂNGULO DE SEGMENTO DEFINIÇÃO: Ângulo de segmento (ou ângulo semi-inscrito) é o ângulo formado por uma corda e a tangente à circunferência por uma das extremidades da Observação: corda. Assim. Assim. Logo. sabemos que quando um dos lados de um ângulo inscrito contém o centro da circunferência então a sua medida é metade do ângulo central correspondente.

assim como o ângulo inscrito. e portanto BÂC = AÔB/2.ARCO CAPAZ Consideremos uma Circunf(O. logo a medida do ângulo inscrito correspondente também não se altera. LUGAR GEOMÉTRICO 5 . (2). tem suas medidas iguais à metade do ângulo central correspondente. por serem raios de uma mesma circunferência. Sabemos que a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a 180o. Devemos provar que BÂC = AÔB/2 = AB/2. A e B da mesma. temos que a medida do ângulo central não se altera.r) e três pontos P. Prova: { Consideremos a figura anterior. temos que o triângulo e portanto OÂB = De (1) e (2) temos que OÂB + OÂB + AÔB = 180o . logo no triângulo AOB temos que OÂB + Como = AOB é isósceles de base + AÔB = 180o (1). ou OÂB = (180o & AÔB)/2 = 90o & AÔB/2 (3). de (3) e (4) temos que 90o & AÔB/2 = 90o & BÂC. Logo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 64 PROPOSIÇÃO: A medida de um ângulo de segmento é igual à metade da medida do ângulo central correspondente. Como a reta t é tangente à circunferência então OÂC = OÂB + BÂC = 90o ou OÂB = 90o & BÂC (4). LG 05: O lugar geométrico dos pontos do plano que enxergam um segmento AB segundo um ângulo de medida α constante é o par de ARCOS CAPAZES do ângulo α descrito sobre o segmento . Fazendo o ponto P percorrer o arco AB. Evidentemente pode-se dizer que o ângulo de segmento.

vamos tomar um ponto que não pertence a qualquer um dos arcos capazes e provar que ele não vê segundo o ângulo α. = α (para P interno a F) (ou com F. temos que Y 0 F então = α (provado na primeira Nos dois casos. temos que … α. 2a parte: Todo ponto que enxerga Prova: α pertence a um dos arcos capazes do ângulo α. = α. 1a parte: Todo ponto do arco capaz do ângulo α enxerga Prova: Se X pertence a F então logo = ou seja. ou seja. Consideremos Y o ponto de interseção de parte). no triângulo YBP (considerando os dois casos). Seja F = { ACB { c ADB. Seja um ponto P ó F (P pode ser externo ou interno a F). segundo o ângulo segundo o ângulo α. é ângulo inscrito. pelo teorema do ângulo externo temos: > ou < = α (para P externo a F) > α ou < α. Assim.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 65 Vamos mostrar que é um lugar geométrico: { { Consideremos o par de arcos ACB e ADB. o par de arcos capazes é o lugar geométrico. Portanto. ou seja. A demonstração será feita pela contra-positiva. .

a semi-soma dos arcos compreendidos entre os lados e seus prolongamentos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 66 EXERCÍCIO: dado α. (AB CD) O ângulo é um dos (1). Sendo  e { ângulos inscritos. que designa.remos simplesmente por Prolongando AP e BP obtemos os pontos C e D sobre a circunferência. Construir o par de arco capazes de um segmento AB dado segundo um ângulo ÂNGULO EXCÊNTRICO INTERIOR DEFINIÇÃO: TEOREMA: Ângulo excêntrico interior é o ângulo formado por duas cordas de uma O ângulo excêntrico interior tem por medida circunferência que se cortam no interior da circunferência. porém. Devemos provar que Tracemos o segmento = { + { / 2. fora do centro. Prova: Seja um ângulo excêntrico interior. logo. temos que:  = CÔD/2 = CD/2 (2) e { AB/2 (3). . = AÔB/2 = =  + ângulos externos do triângulo PAC.

um ângulo excêntrico interior que será indicado por ={ (AB Devemos mostrar que &{ / 2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 67 Logo. . substituindo (2) e (3) em (1) vem que: { { { = AB/2 +{ CD/2 = (AB + CD)/2. temos  = DÔC/2 = DC/2 (2) e que ={ AB/2 { = AB/2 (3). Sendo triângulo vem que Sendo  e = Â+ ou = &  (1). TEOREMA: Prova: Seja O ângulo excêntrico exterior tem por medida a semidiferença dos arcos compreendidos entre os seus lados. ÂNGULO EXCÊNTRICO EXTERIOR DEFINIÇÃO: Ângulo excêntrico exterior é o ângulo que possui o vértice fora da circunfe- rência e cujos lados são secantes à mesma. Substituindo (2) e (3) em (1) vem que &{ = { − DC)/2. DC/2 (AB { ÂNGULO CIRCUNSCRITO DEFINIÇÃO: Ângulo circunscrito é o ângulo cujo vértice é um ponto exterior à circunferência e cujos lados são formados por duas tangentes à circunferência. DC) um dos ângulos externos desse Unindo A e C temos um triângulo ACP. = AÔB/2 { ângulos inscritos.

45o. Logo. então do ângulo circunscrito B. & AÔB. . Prova: Parte a: Provar que Consideremos o triângulo APB. Poderíamos também provar o item a mostrando que os triângulos PAO e PBO Observação: são congruentes por LLAr. Como PA é tangente à circunferência no ponto A e é uma corda da circunferência e a medida é igual a 180o menos a medida do arco menor determinado por A e temos que BÂP é um ângulo de segmento e portanto BÂP = AÔB/2 = AB/2 (1). ou seja. de (1) e (2) temos que{ AB/2 = AÔB/2 = BÂP = é isósceles de base e assim os lados são congruentes. AB = 360o mas OÂP = = 90o então AÔB + = 180o Sendo AOBP um quadrilátero temos que a soma dos seus ângulos internos vale 360o. OÂP + AÔB + ou = 180o = 180o + &{ = 180o & AÔB. Analogamente. Construir os arcos capazes do segmento 135o e 120o. = 4cm segundo os ângulos de 60o. Sejam A e B os pontos de tangência dos lados do ângulo na circunferência. e temos que AB/2 (2). o triângulo APB é tangente à circunferência no ponto B e é um ângulo de segmento e portanto é uma corda da = AÔB/2 = { { Parte b: Provar que ou seja. EXERCÍCIOS 01.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 68 TEOREMA: Consideremos uma circunferência e um ângulo circunscrito de vértice P. circunferência. Ou seja.

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02. Considere a figura dada abaixo. Quanto vale α em função de β?

Observação: arco.

Se quisermos o arco capaz de 120o, basta construir o de 60o e tomar o outro

03. Uma semi-circunferência é um arco capaz de ____o, pois o ângulo central correspondente mede _____o. Construir o arco capaz de 90o de um segmento de construção. 04. Dados três pontos A, B e C encontrar um ponto P do qual possamos ver os segmentos e segundo ângulos constantes α e β respectivamente. Descreva o processo

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05. Traçar uma reta p perpendicular a uma reta r dada, e que passe por um ponto P, da reta r, dado.

06. Traçar uma perpendicular ao segmento

por um ponto P, sem prolongar o segmento.

07. Construir um triângulo ABC conhecendo:

= 5,5cm, ha = 4cm e  = 60o.

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DE

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. Prove que o diâmetro é a maior corda da circunferência. 02. Prove que o diâmetro perpendicular a uma corda divide-a ao meio. 03. Prove que o diâmetro que divide ao meio uma corda é perpendicular a essa corda.

RELAÇÕES MÉTRICAS NOS SEGMENTOS
PROPORCIONALIDADE NOS SEGMENTOS Consideremos um feixe de retas paralelas cortadas por um feixe de retas concorrentes.

TEOREMA DE TALES: Um feixe de retas paralelas divide um feixe de retas concorrentes segundo segmentos proporcionais.

EXERCÍCIOS
01. Dividir o segmento = 5cm em n partes iguais.

. a = 2. Dividir um segmento 3 e c = 1/2. Dividir um segmento = 5cm em partes proporcionais aos segmentos dados abaixo. = 6 cm em partes proporcionais a números dados. Dividir um segmento = 7 cm por um ponto P numa razão dada k = &7/2. 03.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 72 02. b = 04.

eles a seguinte proporção: EXERCÍCIO: Dados a. . = 7cm na razão dada k = 5/3. 06. Dividir um segmento = 7 cm por um ponto Q numa razão dada k = 7/2. na ordem dada. (terceiro QUARTA PROPORCIONAL A TRÊS SEGMENTOS (OU NÚMEROS) DADOS DEFINIÇÃO: Dados três segmentos (ou números) a. a quarta proporcional aos três segmentos é um segmento (ou número) x. b e c. Obter os conjugados harmônicos do segmento e quarto harmônicos). b e c obter a quarta proporcional nesta ordem. tal que.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 73 05.

a terceira proporcional aos dois segmentos é um segmento x. . nessa ordem. EXERCÍCIO: Construir um triângulo retângulo sendo dados a hipotenusa a e a projeção m do cateto b sobre a hipotenusa. eles formem a seguinte proporção : EXERCÍCIO: Obter a terceira proporcional aos segmentos a e b. PROPRIEDADES NO TRIÂNGULO RETÂNGULO EXERCÍCIO: Construir um triângulo retângulo sendo dados as projeções m e n dos catetos b e c. respectivamente.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 74 TERCEIRA PROPORCIONAL A DOIS SEGMENTOS (OU NÚMEROS) DADOS DEFINIÇÃO: Dados dois segmentos (ou números) a e b. tal que. na ordem dada.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 75 Recordando: h2 = m. tal que: EXERCÍCIOS 01. MÉDIA GEOMÉTRICA OU MÉDIA PROPORCIONAL DEFINIÇÃO: Dados dois segmentos p e q. PROPOSIÇÃO: Em todo triângulo retângulo os catetos são médias geométricas entre a hipote- nusa e as suas projeções sobre a hipotenusa.m c2 = a.n b2 = a. .q ou x = eles. é um segmento x.n PROPOSIÇÃO: Em todo triângulo retângulo a altura do vértice do ângulo reto é média geomé- trica (ou proporcional) entre as projeções dos catetos sobre a hipotenusa. Obter a média geométrica entre os segmentos p e q dados. a média geométrica (ou média proporcional) entre ou x2 = p.

. Dados p. q e r obter x tal que x2 = p2 + q2 & r2. q e r obter um segmento x tal que x2 = p2 + q2 + r2. 03. 04. Dados p. tal que x2 = p2 + q2. Dados p e q obter x. Dados p e q obter x. 05.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 76 02. tal que x2 = p2 & q2.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 77 06.3 cm. obter: a) x = b) y = c) z = d) t = e) w = . Dado o segmento p = 4.

Dado o segmento p (do exercício anterior). obter y tal que: 08. y. Dado o segmento p.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 78 07. x. obter t. z tais que .

Considerando o triângulo MBB’. Queremos mos a semi-reta AM e tracemos por B uma reta paralela à bissetriz bi (PM). a bissetriz de um ângulo divide o lado oposto em dois segmentos. Consideremos a bissetriz interna bi do triângulo relativa ao ângulo mostrar que Como bi é bissetriz interna do ângulo B’ sobre a semi-reta AM. ConsidereSeja P o ponto de interseção da reta bi com o lado do triângulo. obtendo um ponto Como PM e BB’ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB então determinam ângulos alternos internos congruentes. como temos dois ângulos internos congruentes (α1 = α2) então ele é isósceles de base BB’ e portanto (3). ou seja. mas de (3) temos que e . Seja um triângulo MAB.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 79 TEOREMA DAS BISSETRIZES TEOREMA DAS BISSETRIZES: Em um triângulo. Sejam os ângulos α1 = temos então que e α2 = = α. ou seja. Como temos as retas AB e AB’ concorrentes e cortadas pelas paralelas MP e BB’ então pelo teorema de Tales temos que portanto = ou = = b/a. Prova: Parte a: bissetriz interna. os quais são proporcionais aos outros dois lados. E como PM e BB’ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB’ então determinam ângulos correspondentes congruentes. α = α2 (2). De (1) e (2) temos que α = α1 = α2. α = α1 (1).

Queremos mostrar que Como be é bissetriz externa do ângulo os ângulos β1 = e β2 = temos que = = β. Considerando o triângulo MBB’ como temos dois ângulos congruentes (β1 = β2) então ele é isósceles de base BB’ e portanto pelo teorema de Tales temos que: portanto. Seja = b/a. Sejam Como BB’ e MQ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB então determinam ângulos alternos internos congruentes. (3). De (1) e (2) temos que β = β1 = β2. do triângulo MAB relativo ao vértice M. obtendo um ponto B’ sobre AM. . mas de (3) temos que e Como temos as retas AQ e AM concorrentes e cortadas pelas paralelas MQ e BB’ então Observações: a) As duas bissetrizes bi e be formam ângulo de 90o pois os ângulos interno e externo. = ou = = b/a. Seja be a bissetriz externa do triângulo relativa ao ângulo Q o ponto de interseção da reta be com a reta AB. β = β2 (2).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 80 Parte b: bissetriz externa. Seja um triângulo MAB. Tracemos por B uma reta paralela à bissetriz be. são suplementares. ou seja. Consideremos o prolongamento do lado AM e um ponto C tal que M esteja entre A e C. β = β1 (1). b) Como = b/a e = b/a temos que P e Q são os conjugados harmônicos de A e B na razão b/a. ou seja. E como BB’ e MQ são paralelas (por construção) cortadas pela transversal MB’ então determinam ângulos correspondentes congruentes.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 81 LUGAR GEOMÉTRICO 6 .CIRCUNFERÊNCIA DE APOLÔNIO Consideremos um segmento e uma razão k = b/a. = 3/1 pertence à . LG 06 : O lugar geométrico dos pontos do plano cuja razão das distâncias a dois pontos fixos A e B é constante e igual a k = b/a compõe-se de uma circunferência. obtendo sobre AB os pontos P e Q. Consideremos o triângulo ABM. consideremos k = 3/1. Vamos provar que: todo ponto M que satisfaz a relação circunferência de diâmetro Seja M um ponto que satisfaz = 3/1. Tracemos as bissetrizes interna e externa relativas ao vértice M do triângulo ABM. Vamos mostrar que é um lugar geométrico: Prova: Sem perda de generalidade. cujo diâmetro é o segmento PQ. onde P e Q são os conjugados harmônicos de A e B na razão k = b/a.

segundo segundo um Q.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 82 Pelo teorema das bissetrizes sabemos que as bissetrizes de um ângulo de um triângulo (interno e externo) dividem o lado oposto em dois segmentos. construir o lugar geométrico dos pontos M tais que = 7/2. pois pela hipótese um ângulo reto. e portanto também possuem a mesma propriedade que o ponto M. ou seja. = b/a = 3/1 e = b/a = 3/1. . e como neste caso o (dois arcos capazes EXERCÍCIOS 01. Assim. o Como essas bissetrizes são perpendiculares. os quais são proporcionais aos outros dois lados. M pertence à circunferência de diâmetro Também provamos que todo ponto M que pertence à circunferência de diâmetro satisfaz a relação = 3/1. Mas o lugar geométrico dos pontos M que enxergam um segmento ângulo é de 90o então o arco capaz é uma circunferência de diâmentro de 90 ). 02. são os conjugados harmônicos de A e B na razão 3/1. construir o lugar geométrico dos pontos M tais que = 3/5. Dados os pontos A e B. Isto nos mostra que P e = 3/1. concluímos que M enxerga ângulo constante é o arco capaz deste segmento segundo este ângulo. Dados os pontos A e B.

2cm e b/c = 3/5. dados a = 2.8cm.(a x2 = a2 & x) & a. Logo. Logo. ha = 2. = (a & x). como queremos a medida do segmento áureo de = x. o segmento o mesmo que Assim. dado um segmento queremos obter o seu segmento áureo é áureo do segmento dado quando ou é = Seja o segmento consideremos Como de medida a. = deve ser áureo de então deve satisfazer a seguinte relação: ou x2 = a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 83 03.x x2 + a. onde x é uma medida a ser determinada. Construir um triângulo ABC. SEGMENTO ÁUREO DE UM SEGMENTO DADO DEFINIÇÃO: Dado um segmento diz-se que se efetua uma divisão áurea de por meio de um ponto P quando esse ponto divide o segmento em duas partes desiguais.x & a2 = 0 . tal que a maior (esta é o segmento áureo) é média geométrica entre a menor e o segmento todo.

traçar uma reta perpendicular.transportar o segmento é áureo de Observações: a) Segundo Euclides é dividir um segmento em média e extrema razão. ˆ = = (pelo teorema de Pitágoras). a solução desta equação é: Y 9 Para e Basta observar que estas medidas são hipo- Consideremos destas duas raízes apenas x’ (por ter medida menor que a = determinarmos a medida do segmento áureo devemos obter um segmento com a medida x. tal que a maior seja .obter o ponto médio de . b) A existência de duas raízes indica que existem dois pontos P e P2 que dividem o segmento em duas partes desiguais.sobre a perpendicular obter o ponto C tal que .descrever uma circunferência de centro em C e raio a/2.Por uma das extremidades do segmento . ou seja.unir A e C = a/2. sobre tal que . obtendo sobre que & . obter os segmentos de medidas: tenusa e cateto de um triângulo retângulo de catetos a e EXERCÍCIO: Obter o segmento áureo de um segmento dado Procedimento: . um ponto P’ tal .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 84 Portanto.

Consideremos apenas a primeira raiz a’. onde a e Construção: . ou seja. somente o segmento AP é dito segmento áureo de AB.P2B. Portanto. Assim.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 85 média geométrica entre a menor e o segmento todo.PB e P2A2 = AB. Sendo então. Como seja x2 = a. x2 + a. porém. Dado um segmento obter do qual é áureo.(a deve ser áureo de então pela definição devemos ter: = ou & x). & a).x & x2 = 0. a2 & a. EXERCÍCIO: Considerações: Conhecemos agora a medida do segmento áureo então = (x fazendo = xe = a. a solução desta equação é: Y 9 basta são catetos e será a hipotenusa. AP2 = AB. o segmento P2A áureo de P2B. c) Veremos a seguir que o segmento AB é áureo do segmento AQ.x & a2 = 0. para obter a medida de construir um triângulo retângulo. Ou seja.

a relação: PA. ou = k. ou seja. ou seja. chamada potência do ponto P em relação à Circunf(O. para cada posição para P existe uma constante k. então os lados correspondentes são proporcionais. C e D. etc. Como (por serem ângulos opostos pelo vértice) e (pois B e D pertencem ao arco capaz da corda temos que os triângulos APD e CPB são semelhantes. Como = (pois é comum) e = (são ângulos inscritos numa mesma circunferência temos que os triângulos são semelhantes. e um ponto P.PB = PC. 2o Caso: P é interno à circunferência Consideremos duas secantes quaisquer passando por P e cortando a circunferência nos ponto A. então os ou = k..PD = PE. Denomina-se potência de ponto com relação a uma circunferência. Sejam os triângulos PAD e PCB. Prova: 1o Caso: P é externo à circunferência Consideremos duas secantes quaisquer passando por P e cortando a circunferência nos pontos A. B.r).PF = . E e F.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 86 POTÊNCIA DE UM PONTO EM RELAÇÃO A UMA CIRCUNFERÊNCIA Consideremos uma circunferência qualquer de centro O e raio r. C e D. = k. onde. B.. que enxergam uma mesma corda lados correspondentes são proporcionais. Por P podemos traçar infinitas retas cortando a circunferência nos pontos A e B. C e D. Sejam os triângulos APD e CPB. = = Observação: Se P é externo e uma das retas é tangente a circunferência num ponto T então .

dividir AB em partes inversamente proporcio- nais aos segmentos a e b. Observação: Na figura do 2o caso. podemos escrever: a. Ou seja. a e b. podemos obter os seus inversos. conhecidos segmentos. b’ e b são inversamente proporcionais com relação a uma constante k. os lados correspondentes são proporcionais. . PC = b e PD = b'. considerando uma reta tangente à circunferência num ponto T e uma secante à mesma. Se k=1 então a’ = 1/a. temos dois triângulos PTA e PBT. d) Para cada posição do ponto P a potência possui um valor k. Assim. os segmentos a’ e a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 87 De fato. ou Observações: a) Se P é externo à circunferência. ou seja. b) Se P é interno à circunferência. (ângulos de segmento e inscrito relativos a uma mesma corda portanto os triângulos ão semelhantes. a = 3cm e b =2cm. a potência k é positiva. EXERCÍCIO: Dados os segmentos AB. PB = a'. a potência k é negativa.b’ = k ou a’ = k/a e b’ = k/b.a’ = b. logo. Dados: AB = 6. onde (ângulo comum). chamando PA = a.5cm. c) Se P é ponto da circunferência então a potência k é nula.

Traçar tangentes à circunferência dada. Justificar a obtenção do segmento áureo utilizando o conceito de potência de ponto numa circunferência. 02. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 88 EXERCÍCIOS 01. sem usar o centro da mesma. que passem pelo ponto P dado.

ou seja.  + E como  + Um quadrilátero ABCD. seus vértices pertencem a uma mesma circunferência.  = α/2 (pois  é ângulo inscrito na circunferência relativo ao ângulo central BÔD = α). + = 180o. é inscritível quando  + = 180o. Sejam P. R e S os pontos de tangência de respectivamente. = 180o ou = (360o & α)/2 (pois = α/2 + (360o + + é ângulo inscrito na circunferência relativo ao ângulo central 360o & α). Pela potência do ponto A em relação à circunferência.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 89 PROPRIEDADES DOS QUADRILÁTEROS a) Quadrilátero inscritível PROPOSIÇÃO: + Prova: Seja um quadrilátero ABCD inscritível. = 360o então b) Quadrilátero circunscritível PROPOSIÇÃO: Um quadrilátero ABCD é circunscritível quando a soma dos lados opostos são iguais Prova: Seja ABCD um quadrilátero circunscrito a uma circunferência. + = + + + + = = + + + Y temos: = = Analogamente para os = e = . convexo. seus quatro lados são tangentes à circunferência. Temos que. & α)/2 = 180o. Q. Assim. temos: outros vértices (1). por (1). ou seja. Logo. Logo. Consideremos o ângulo central BÔD = α.

um dos segmentos da outra corda mede 2cm. Numa circunferência duas cordas se cortam. Justifique a resposta. Determine o valor de x e y. Calcular o outro segmento. 02.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 90 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. os segmentos de uma medem 3cm e 6cm respectivamente. .

Observação: Dependendo da posição do circuncentro podemos classificar os triângulos quanto aos ângulos. Seja O o ponto tal que {O} = mAB Assim. PROPRIEDADE: As mediatrizes de um triângulo interceptam-se num mesmo ponto O que está à igual distância dos vértices do triângulo. temos OB = OC. e com isto. ou seja. Logo. O pertence a mediatriz de BC. mBC e mAC. BC e AC do triângulo ABC. o ponto O é equidistante dos pontos B e C. B e C então ele é centro de uma circunferência que circunscreve o triângulo ABC. DEFINIÇÃO: O circuncentro de um triângulo é o ponto de encontro de suas mediatrizes. Como O é equidistante dos ponto A. {O} 0 mAB 1 mBC 1 mAC e OA = OB = OC. . mBC e mAC mediatrizes dos lados AB. 0 mAB Y OA = OB (pela propriedade de mediatriz) e O 0 mAC Y OA = OC (pela propriedade de mediatriz) 0 mBC. ou O Portanto.PONTOS NOTÁVEIS 1o) CIRCUNCENTRO: O Consideremos um triângulo ABC e as mediatrizes mAB. Prova: Sejam mAB. pela propriedade transitiva.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 91 CAPÍTULO III RELAÇÕES MÉTRICAS NOS TRIÂNGULOS I . temos que O 1 mAC.

GMc e AG = = 2. ou seja. CG = 2. temos que os ângulos alternos internos são congruentes. tais que. ou seja.GMb . por (1). mb e mc.YMa e CY=2. PROPRIEDADE: As três medianas de um triângulo interceptam-se num mesmo ponto G. temos que os lados correspondentes são proporcionais.GMa . os triângulos McYMa e CYA são semelhantes (possuem dois pares de ângulos congruentes). Comparando (2) e (4) temos que CX=2. temos que os lados correspondentes são proporcionais. Prova: Devemos provar que AMa 1 BMb 1 CMc = {G} e que BG = 2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 92 DEFINIÇÃO: Ceviana é um segmento que une um vértice dum triângulo a qualquer ponto do lado oposto. que é paralelo ao lado AC e mede a metade de AC (3).XMc e CY=2.XMb e CX = 2. MbX/XB = McX/GX = McMb/BC = 1/2.XMc (2). que é paralelo ao lado BC e mede a metade de BC (1). ou seja. Consideremos agora. Seja X o ponto tal que BMb intercepta CMc. ou CX/McX = 1/2 e CY/McY = = = e . 2o) BARICENTRO: G Consideremos um triângulo ABC e as medianas ma. por (3). então. a parte que contém o vértice é o dobro da outra. Assim. assim. ou seja. Consideremos o segmento McMb. o segmento McMa. temos que os ângulos alternos internos são congruentes. BX = 2.YMc (4). Seja Y o ponto tal que AMa intercepta CMc. AY=2. assim.YMc. = E portanto os triângulos McXMb e CXB são semelhantes (possuem dois pares de ângulos congruentes). que divide cada mediana em duas partes. MaY/YA = McY/YC = McMa/AC = 1/2. Assim. então. e = Portanto.

chamando este ponto X 2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 93 1/2. Construir o triângulo ABC. dados: a = 6cm.GMb. Construir o triângulo ABC. 02. CG=2. mb = 4cm e mc = 5cm. EXERCÍCIOS 01. dados em situação o baricentro G e os vértices B e C. logo X / Y. . DEFINIÇÃO: O baricentro de um triângulo é o ponto de interseção das suas medianas. / Y de G temos que AMa 1 BMb 1 CMc = {G} e BG = Assim.GMc e AG=2.GMa.

{I} = sa 1 sb 1 sc e d(I. ou seja. CA). I pertence a bissetriz de BÂC. ou I Portanto. sb e sc. BA) = d(I. b = 7cm e mc = 5cm. dados: a = 6cm. temos d(I. pela propriedade transitiva. 0 sb Y d(I. o ponto I é equidistante das retas BA e CA. Logo. Prova: Sejam sa. . 1 sc. AC).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 94 03. Seja I o ponto tal que {I} = sb Assim. CA) = d(I. BA) = d(I. bissetrizes dos ângulos Â. CB) (pela propriedade de bissetriz) 0 sa. e com isto. temos que I e do triângulo ABC. PROPRIEDADE: As três bissetrizes de um triângulo interceptam-se num mesmo ponto que está a igual distância dos lados do triângulo. BC) = d(I. BC) (pela propriedade de bissetriz) e I 0 sc Y d(I. Construir o triângulo ABC. 3o) INCENTRO: I Consideremos um triângulo ABC e as bissetrizes sa. AB) = d(I. sb e sc.

b) as bissetrizes externas de dois ângulos encontram-se com a bissetriz interna do ângulo oposto. d) os ex-incentros são centros de circunferências que tangenciam um lado do triângulo e os prolongamentos dos outros dois. Ib e Ic. . estes pontos de interseção. Ia.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 95 DEFINIÇÃO: O incentro de um triângulo é o ponto de encontro de suas bissetrizes. Observações: a) o incentro de um triângulo é o centro da circunferência inscrita a esse triângulo. são chamados de ex-incentros. c) os ex-incentros são equidistantes de um lado do triângulo e dos prolongamentos dos outros dois.

PROPRIEDADE: As três retas suportes das alturas de um triângulo interceptam-se nummesmo ponto H. o quadrilátero PACB também é um paralelogramo. Portanto o ponto H é único. então. Sejam Ha. que o quadrilátero ABCN é um paralelogramo. Hb e Hc os pés das alturas do triângulo. Analogamente. respectivamente. Considerando o triângulo MNP. pois o circuncentro é único. como AN = BC e PA = BC então AN = PA. hb e hc. Como PN é paralelo a BC e AHa é perpendicular a BC então AHa é perpendicular a PN. BHb e CHc dos lados do triângulo interceptam-se num mesmo ponto H.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 96 4o) ORTOCENTRO: H Consideremos um triângulo ABC e as alturas ha. logo AN = BC. Assim. obtendo os pontos M. as mediatrizes AHa. Da mesma forma. BHb e CHc são mediatrizes de PM e MN. Traçar pelos vértices do triângulo retas paralelas aos lados. logo PA = BC. N e P. Sendo A ponto médio de PN e PN perpendicular a AHa então AHa é mediatriz de PN. Temos. . Prova: Devemos mostrar que o ponto H é único.

sendo HC o diâmetro da circunferência circunferência. TEOREMA: Prova: As alturas do triângulo fundamental ABC são as bissetrizes do triângulo órtico HaHbHc. de (1) e (2) temos que circunscrita. Assim. = = γ = β (1) por serem ângulos inscritos de uma mesma circunferência que enxergam o mesmo arco HHb. Os pontos Ha e Hb enxergam HC segundo um ângulo de 90o. = = γ por serem ângulos inscritos de uma mesma circunferência que enxergam a mesma corda HcHb. determinando os pontos Ha. então HHaCHb é um quadrilátero inscritível (pois a soma de dois ângulos opostos é 180o). Devemos provar que Consideremos as alturas do triângulo ABC. então Hc e Hb pertencem à Circunf(Ma. Logo. Hb e Hc e = α e = β. Os pontos Hc e Ha vêem HB segundo um ângulo de 90o. Os pontos Hc e Hb enxergam BC segundo um ângulo de 90o. Considerar esta . então existe uma circunferência que passa pelos quatro pontos. Construir esta circunferência. O triângulo formado pelos pés das alturas chama-se triângulo órtico ou pedal.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 97 DEFINIÇÃO: O ponto de interseção das retas suportes das alturas de um triângulo é o ortocentro do triângulo. Assim. Considerar esta circunferência. Assim. = = γ = α (2) por serem ângulos inscritos de uma mesma circun= ou = ferência que enxergam uma mesma corda HHc. sendo HB o diâmentro da mesma. MaB).

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Observação:

É muito importante notar que todo triângulo não retângulo possui um único

triângulo órtico. Porém, um mesmo triângulo HaHbHc é órtico de quatro triângulos diferentes, entre os quais um é acutângulo e os outros três são obtusângulos. Somente o triângulo acutângulo é denominado triângulo fundamental do triângulo órtico.

EXERCÍCIOS
01. Construir o triângulo ABC (acutângulo), dados, em situação Ha, Hb e Hc.

02. Construir o triângulo ABC (obtuso em B), dados, em situação Ha, Hb e Hc.

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DE

GEOMETRIA

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II - PONTOS DA CIRCUNFERÊNCIA CIRCUNSCRITA
1O) TEOREMA: Os simétricos do ortocentro com relação aos lados do triângulo pertencem à

circunferência circunscrita ao triângulo.

Devemos provar que: A’ é simétrico de H em relação a BC. Como A’H é perpendicular a BC então falta provar que HHa = HaA’ (analogamente HHc = HcC’ e HHb = HbB’). Basta provar a congruência dos triângulos HCHa e CHa. Como temos = 90 e HaC comum, falta provarmos que sejam congruentes por (ALA). Temos que β = = BÂA< = γ pois são ângulos inscritos numa mesma circunferência relativos ao mesmo arco BA’. (1) Além disso, os pontos Hc e Ha enxergam AC segundo um ângulo reto, e portanto estão no arco capaz de 90o do segmento AC, logo o quadrilátero AHcHaC é inscritível na circunferência de diâmetro AC. Obter esta circunferência.
o

=

é congruente a

para que os triângulos

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100

Assim, HcÂHa = γ e = α. (2) De (1) e (2) temos que α =

= α são ângulos inscritos numa mesma circunferência

relativos ao mesmo arco HcHa. Portanto, são ângulos congruentes, ou seja, γ = HcÂHa = = = β.

Logo, os triângulos HCHa e A’CHa são congruentes, e portanto os lados e os ângulos correspondentes são congruentes, ou seja, HHa = HaA’ e como HHa z BC então A’ é simétrico de H em relação ao lado BC do triângulo. A demonstração é análoga para os outros lados do triângulo.

2o) SEIS PONTOS NOTÁVEIS DA CIRCUNFERÊNCIA CIRCUNSCRITA

Consideremos um triângulo ABC e a circunferência circunscrita ao mesmo. As mediatrizes do triângulo interceptam a circunferência circunscrita nos pontos S’a, S’b, S’c, S’’a, S’’b e S’’c; e também interceptam os lados nos seus pontos médios Ma, Mb e Mc. Considerar as bissetrizes do triângulo.

S’’aS’a é um diâmetro da circunferência circunscrita pois S’a e S’’a são pontos da mediatriz do lado BC. BS’’b e CS’’c são bissetrizes externas do triângulo ABC. ou seja.B e C enxergam IbIc segundo um ângulo reto. Assim a mediatriz divide o arco BC em duas partes iguais (1). ou seja. . S’b e S’c sobre a circunferência circunscrita. . como BÂS’a = S’aÂC = α (pois sa é a bissetriz de BÂC) temos que os ângulos centrais correspondentes são congruentes. Assim a bissetriz também divide o arco BC em duas partes iguais (2). Não é coincidência. b) AS’’a. de (1) e (2) temos que a bissetriz e a mediatriz encontram-se no mesmo ponto S’a. S’aÂS’’a = 90o. . Consideremos o ponto S’’a: . logo BÔS’a = S’aÔC e portanto os arcos BS’a e S’aC são congruentes. . c) S’’a. e como AS’a é bissetriz interna do ângulo  então AS’’a é bissetriz externa do ângulo Â.Logo. . traçando também BS’’b e CS’’c teremos as bissetrizes externas do triângulo que encontram-se nos respectivos ex-incentros. pois para S’a: .Portanto. S’’b e S’’c são pontos médios dos lados do triângulo IaIbIc.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 101 PROPRIEDADES: a) As mediatrizes e bissetrizes encontram-se nos pontos S’a.Logo. Consideremos a reta AS’’a. . então A está no arco capaz de 90o. BÔS’a = S’aÔC = 2α e portanto os arcos BS’a e S’aC são congruentes. ou seja o quadrilátero IcBCIb é inscritível.Como S’a pertence à mediatriz de BC então BS’a = CS’a.Podemos observar que BI z IcIa.A demonstração é análoga para os outros pontos. . . CI z IaIb e AI z IcIb. e como BO = S’aO = CO = r então os triângulos BOS’a e S’aOC são congruentes (LLL). AS’a z AS’’a.O ângulo S’aÂS’’a é inscrito na circunferência relativo ao diâmetro S’aS’’a. logo estão no arco capaz de 90o de IbIc. .O ponto A está no arco capaz da corda BC e.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 102 . . ou seja.Logo o centro da circunferência circunscrita pertence ao diâmetro IIa. B e C são os pés das alturas Aia. S’b e S’c são os pontos médios de Iia. e portanto IcS’’a = S’’aIb ou seja. S’’a é o ponto médio de IcIb. S’’b e S’’c são os pontos médios de IbIc. e portanto IaS’a = S’aI. Bib e Cic. Consideremos o ponto S’a: .B e C enxergam IIa segundo um ângulo reto. IaIc e IaIb. S’b e S’c são pontos médios dos segmentos formados pelos ex-incentros e pelo incentro. Observação: Esta circunferência é denominada CIRCUNFERÊNCIA DOS NOVE PONTOS ou DE EULER ou ainda DE FEUERBACH. d) S’a. logo S’’a é o centro desta circunferência. .Logo o centro da circunferência circunscrita pertence ao diâmetro IcIb. e S’’a. S’a. logo S’a é o centro desta circunferência.A demonstração é análoga para S’’b e S’’c. o quadrilátero IBIaC é inscritível. e deve pertencer a mediatriz de BC. . e deve pertencer à mediatriz de BC.A demonstração é análoga para S’b e S’c. logo estão no arco capaz de 90o de IIa . IIb e IIc. onde: A. .

Logo. . denominada reta de Simson. obtendo sobre as retas suportes dos lados os pontos T. pertencente à circunferência circunscrita ao triângulo e não coincidente com um dos vértices. Assim. ou seja. que o ângulo Como o ponto S pertence ao lado AC então = Como Vamos chamar = + α’ e = β e = β’. exceto um dos vértices do triângulo. basta mostrar que + α. Estes ângulos serão iguais somente se TSR for uma reta. S e R estão alinhados. β’ = α’ (1) pois são ângulos inscritos numa mesma circunferência relativos à mesma corda AR.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 103 III . determinam uma reta. Prova: Devemos mostrar que T. Traçar pelo ponto P perpendiculares aos lados do triângulo ABC. traçadas por um ponto P.RETA DE SIMSON. Arbitrar um ponto P sobre a circunferência. = 180o. Os pontos R e S enxergam PA segundo um ângulo reto. TEOREMA: Os pés das perpendiculares aos lados de um triângulo ABC. S e R. Consideremos um triângulo ABC e a circunferência circunscrita ao mesmo. = vale 180o. logo o quadrilátero ARSP é inscritível com diâmetro AP. então é suficiente mostrar que α = α’.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 104 Os pontos T e S enxergam PC segundo um ângulo reto. β = α (2) pois são ângulos inscritos numa mesma circunferência relativos à mesma corda TC. ou seja.RETA DE EULER TEOREMA: O circuncentro. = 180o. como = + β’ e =β+ De (3) e (4) temos que Portanto. = 180o & (4). + = 180o ou = 180o & + (3). de (1) e (2) temos que α = α’. o baricentro e o ortocentro de um mesmo triângulo pertencem a uma mesma reta. = 180o ou Os pontos T e R enxergam PB segundo ângulo reto. Logo. uma reta. = Mas. a soma dos ângulos opostos é igual a 180o. denominada reta de Euler. então β = β’. ou seja. os pontos T. Logo. . ou seja. O quadrilátero PABC é inscritível na circunferência de centro O. logo PTBR é inscritível com diâmetro PB. seja. então a soma dos ângulos opostos é igual a 180o. logo PSCT é inscritível com diâmetro PC. S e R estão alinhados e com isto TSR é IV . Desta forma.

GMa (propriedade do baricentro). Portanto. Vamos provar que AH z BC. e como z AC então BHb z AC. BHb é altura do triângulo ABC relativa ao De (1) e (2) temos que H é o ponto de interseção das alturas AHa e BHb.e OG/GH = 1/2. Traçar a reta AH obtendo Ha. AHa é altura do triângulo ABC relativa ao z AC.O. G e H estão sobre uma mesma reta. Traçar a reta BH obtendo Hb.GMb (propriedade do baricentro). Obter sobre esta reta o ponto H tal que GH = 2GO.GO (construção). A reta OG é a reta de Euler. Logo. devemos mostrar que H é o encontro das alturas do triângulo ABC. Observação: Conhecidas as posições de dois dos pontos O. α = β. Vamos provar que o ponto H é o ortocentro do triângulo. Mas OMb lado b (2). pois: . é possível obter a posição do outro. e como são z BC então AHa z BC. Mas OMa lado a (1). G e H. Obter o circuncentro O e o baricentro G. pois GH = 2. . = Os triângulos GHA e GOMa são semelhantes. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 105 Prova: Consideremos um triângulo ABC e as mediatrizes e medianas relativas aos lados a e b do triângulo.GO (construção). = Os triângulos GHB e GOMb são semelhantes. Portanto. (ângulos opostos pelo vértice) e BG = 2. Vamos provar que BH (ângulos opostos pelo vértice) e AG=2. Logo. logo H só pode ser o ortocentro do triângulo considerado. Logo. γ = δ. alternos internos então AHa é paralela a OMa. são alternos internos então BHb é paralela a OMb. pois GH = 2.

ortocentro e incentro. e em função dos ângulos e Â. 09. Construir um triângulo ABC sendo dados a medida do lado a. Obter cada um destes pontos num triângulo ABC escaleno. Determine as medidas dos três ângulos obtusos formados pelas mediatrizes de um triângulo equilátero. a altura e a mediana relativas a este lado. As três bissetrizes de um triângulo ABC se encontram num ponto I. Num triângulo ABC. Construir um triângulo ABC sendo dados a medida do lado a. 08. do . respectivamente.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 106 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. o ângulo B e o raio da circunferência inscrita ao mesmo. Construir um triângulo ABC sendo dados a medida do lado a. Definir: circuncentro. baricentro. 03. os ângulos  e medem respectivamente 86o e 34o. 05. Provar que cada um destes pontos é único. 04. responda: a) Quais os que podem ser externos ao triângulo? b) Qual o que pode ser ponto médio de um lado? c) Qual o que pode ser vértice do triângulo? 06. Determine as medidas dos ângulos triângulo. Em um triângulo ABC os ângulos  e medem respectivamente 70o e 60o. Considerando os quatro pontos notáveis de um triângulo. 02. o ângulo B e o raio da circunferência circunscrita ao mesmo. Determine a razão entre os dois maiores ângulos formados pelas interseções das três alturas. Determine o ângulo agudo formado pela mediatriz relativa ao lado BC e pela bissetriz do ângulo 07.

onde p é o semi-perímetro do triângulo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 107 10. 2p = a + b + c. e sejam P. Se AB = 7cm. 11. AC e AB tangenciam a circunferência inscrita. Q e R os pontos em que os lados BC. com o lado AB. quanto vale AP? 12. . BC = 6cm e AC = 8cm. Considere um triângulo ABC de lados AB = c. Prove que o ângulo que se opõe ao lado BC do triângulo ABC é o complemento da metade do ângulo  desse triângulo. Seja P o ponto de tangência da circunferência inscrita no triângulo ABC. BP = BR = p & b e CQ = CP = p & c. Provar que AR = AQ = p & a. AC = b e BC = a. ou seja. As bissetrizes externas de um triângulo ABC formam um triângulo IaIbIc.

Como as áreas devem ser iguais então devemos ter l2 = πr2. são insignificantes e desprezíveis na prática. Assim. logo. obter o comprimento C tal que C = 2πr.Lindemann (1852-1939) demonstrou que a quadratura do círculo é impossível utilizando apenas régua e compasso. PROBLEMA: Obter o lado l de um quadrado cuja área seja igual à de um círculo de raio r conhecido. utilizando apenas régua e compasso.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 108 CAPÍTULO IV RELAÇÕES MÉTRICAS NA CIRCUNFERÊNCIA I . a construção de um ângulo de 75o é teoricamente exata (75o = 60o + 15o).L. ou seja. l é média geométrica entre πr e r. que é impossível obter graficamente o valor πr. Ou seja. entretanto a execução dos traçados pode acarretar erros (tanto menores quanto maior for o capricho do desenhista). Um processo é chamado aproximado (ou aproximativo) quando existe nele um erro teórico. RESULTADOS APROXIMADOS EM PROBLEMAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS Ao desenharmos uma figura.F. vários matemáticos desenvolveram processos que dão valores bastante aproximados para a construção do segmento de medida πr. Um determinado processo é considerado conveniente quando o erro teórico é tão pequeno que pode ser considerado desprezível. Tais erros. já que a linha desenhada possui espessura. (Este é conhecido como o problema da quadratura do círculo). O erro teórico é dado pela seguinte expressão: Et = valor obtido & valor real . porém. Em 1882. C. cometemos erros gráficos.RETIFICAÇÃO DA CIRCUNFERÊNCIA Retificar uma circunferência consiste em obter o seu perímetro. por mais precisos que sejam os traços. Por exemplo.

22/7 excede π na ordem de um milésimo.. Esse valor aproxima-se de π. o valor aproximado para o perímetro de uma circunferência de raio r é: C’ = 2π’r = π’d = = 3d + Como Et = valor obtido & valor real = π’ & π = 22/7 & 3.001.141592. construir a circunferência com este semi-perímetro. – +0. Ele é exato até a segunda casa decimal.001. por excesso. o valor 22/7 para π acarreta um erro por excesso (sobra) em torno de 1mm.. isto é.. Logo. Só para termos uma idéia. . o erro é tão pequeno que não pode ser medido com a régua milimetrada. na ordem de 0.. 2o) PROCESSO INVERSO. EXERCÍCIO: Dado a medida AB. Arquimedes adotou para π o valor π’ = 22/7 = 3 1/7 3. para uma circunferência de 1m de diâmetro.1428571. Nas dimensões em que trabalhamos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 109 1O) PROCESSO DE ARQUIMEDES.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 110 3o) PROCESSO DE KOCHANSKY OU DA TANGENTE DE 30O.construir por O uma reta s que forme ângulo de 30o com AB.o segmento AD tem comprimento aproximadamente igual a πr. retângulo em B. pela extremidade B. isto é. Justificativa: consideremos r = 1 No triângulo ABD. Procedimento: . . como r = 1 então AD = π’.1415333. AD é a retificação da semicircunferência. O processo de Kochansky fornece o valor exato para π até a quarta casa decimal e somente na quinta casa aparece o erro. temos: AD2 = AB2 + BD2 AD2 = (2)2 + (3 AD2 = 4 + (3 & tg30o)2 & AD = 3. .traçar um diâmetro AB arbitrário e. A reta s intercepta t em um ponto C. CD = 3r. a partir de C. ..sobre a semi-reta CB marcar.. traçar a reta t tangente à circunferência. .

.14153.14159.00017.. o erro cometido é por falta e é da ordem de 0. Et = π’ = 2l4 + 2l3 . 4.00006.14159 = 3. onde l4 é o lado do quadrado pode ser obtido também através da inscrito na circunferência de diâmetro d. ou seja. II . 4o) OUTROS PROCESSOS..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 111 Et = π’ & π = 3..1) π’ = C’ = 2π’r = Os segmentos retângulos. Et = π’ &π=3 + & 3. 4.. Se pudéssemos aplicar o processo de Kochansky para retificar uma circunferência de 10m de diâmetro.2) π’ = 3 + C’ = 2π’r = 2r(3+ = 6r + = 3d + 1/5 l4 . = 3. Estudaremos a seguir processos aproximados para a retificação de arcos de circunferência. teríamos um erro por falta da ordem de seis décimos de milímetros.14159. & 3.00006. onde l4 é o lado do quadrado = inscrito na circunferência de raio r e l3 é o lado do triângulo inscrito na circunferência de raio r..14142 & 3. & 3..0046.14159.14626. O segmento construção de um triângulo retângulo.....RETIFICAÇÃO DE ARCOS DE CIRCUNFERÊNCIA Retificar um arco de circunferência consiste em construir um segmento de reta cujo comprimento seja igual ao comprimento do arco. – & 0. – +0. podem ser obtidos também através da construção de triângulos &π= & 3.14159 – &0.

construir por A a reta t perpendicular a reta OA.a reta conduzida por E e B intercepta a reta t no ponto F.consideremos o ângulo central AÔB= em radianos. . Seja AB um arco de medida não superior a 90o.traçar a reta AO. tal que EC seja igual a 3/4 do raio da circunferência.vamos determinar o comprimento do segmento AF = l’. A sua retificação é obtida da seguinte forma: . . .obter o ponto E sobre OA. Como Et = valor obtido & valor real = l’ & l. .traçar a semi-circunferência obtendo o ponto C sobre a semi-reta AO. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 112 1o) PROCESSO DE ARQUIMEDES. Verificação do erro teórico cometido Para justificar o processo de retificação de arcos devemos calcular o erro teórico cometido e mostrar que ele é desprezível. para verificar a diferença teórica entre . externamente à circunferência.o comprimento do arco AB é l = θr. . .o segmento AF é o arco retificado. . devemos obter o valor de l’.

.no triângulo OGB temos OG = r. Se r = 1cm então Et = 0.senθ.05847r 1.00600r 0.34906r 0.cosθ = r/4 (7 + 4.onde: FA = l’ BG = r. mas ainda assim podemos desprezá-lo.01128r 0. podemos então montar uma tabela de valores de l’ em função de alguns valores de θ.02mm.04719r 1.78539r 1.cosθ e GB = r.esta expressão permite calcular o comprimento l’ do segmento AF em função do ângulo θ.30899r 1. .57079r 5π/12 (75 ) (90 ) o A tabela mostra que para arcos de até 45o o erro é mínimo.34968r 0.os triângulos EBG e EFA são semelhantes (Ê = Ê e EA/EG (1). para 30o o erro é da ordem de 2 milésimos por excesso.79139r 1.00062r 0.002cm = 0.por B. afim de compará-los com o valor real l: l’ & l 0. à medida que o arco se aproxima de 90o. .cosθ) .senθ EA = 3/4 r + 2r = 11/4 r EG = 3/4 r + r + r. Por fim. . Por exemplo. Logo temos FA/BG = ou .00063r θ π/9 π/6 π/4 π/3 π/2 (20 ) (30o) (45 ) (60 ) o o o o l’ 0.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 113 ele e o comprimento do arco. obtendo G. para 75o o erro é da ordem de 1 centésimo. vem: = Â = 90o).01332r 0. Para 90o ele .00201r 0.52359r 0.57142r l 0. Por exemplo.52560r 0. traçar uma perpendicular a OA.32231r 1.substituindo as expressões acima em (1). o Et diminui novamente. Entre 45o e 75o o erro teórico aumenta.

Dividir o arco AB. 3o) RETIFICAÇÃO DE ARCOS MAIORES QUE 180O. Suponha que a circunferência que contém o arco AB role sem escorregar sobre a outra circunferência.5cm e α = 135o. 1 e 2. 03. sendo o raio de uma maior que o da outra. EXERCÍCIOS 01. em três partes iguais. Consideremos um ponto B sobre uma delas. Dividir o arco AB. com o seu centro seguindo o . de raio r e amplitude α. 2o) RETIFICAÇÃO DE ARCOS ENTRE 90O E 180O. a) r = 3.5cm e α = 120o.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 114 é da ordem de 6 décimos de milésimos. 04. de raio r e amplitude α em partes proporcionais a 3. a) r = 3cm e α = 75o.5cm de uma circunferência de raio r = 2cm. Desretificar um arco de comprimento l = 2. b) r = 3cm e α = 120o. 02. b) r = 3. Sejam duas circunferências tangentes num ponto A.

em graus. Para obter a divisão em 4. Isso porque os pontos que dividem uma circunferência num número n (n >2) qualquer de partes iguais são sempre vértices de um polígono regular inscrito na mesma. Medida de l4: considerando o triângulo . Numa circunferência de raio r qualquer. de um arco de 1rad.DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM ARCOS IGUAIS Dividir a circunferência em partes iguais é o mesmo que construir polígonos regulares. basta traçar um diâmetro. PROCESSOS EXATOS 1o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 2. traçamos bissetrizes.5cm de raio. bastando para isso traçar bissetrizes. 05. 06. Para dividir a circunferência em duas partes iguais. Estudaremos processo exatos e aproximados para a divisão da circunferência.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 115 sentido horário.. 16.. = 2. define-se um radiano (1rad) como sendo o arco cujo comprimento é igual ao raio r. 16. Sugestão: use r = 4cm.. . Determine graficamente a medida aproximada em graus de um arco de 2cm de comprimento em uma circunferência de 2.. O lado de um polígono regular de n lados é denotado por ln .2m PARTES. Se dividirmos uma circunferência em n partes iguais.. III . Determine graficamente a medida aproximada. 8.. m 0 ù. 4. teremos também a divisão da mesma em 2n partes. 8. Determine graficamente o ponto em que B toca pela primeira vez a circunferência fixa.

temos que a hipotenusa é o l4. deduzimos que o triângulo OAB é equilátero. Portanto l6 = r. logo. descrevemos sucessivamente os arcos: centro em um ponto A qualquer da circunferência obtendo B. o 2o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 3. Unindo os pontos A.. o comprimento da corda AB é igual ao raio da circunferência. com raio r igual ao da circunferência. Consideremos uma circunferência de centro O e raio r. centro em B obtendo C e assim por diante. O e D estão alinhados.2m PARTES. o ponto C pertence . C e E teremos um triângulo equilátero inscrito na circunferência. Logo. 12. estamos dividindo o ângulo central de 360 em n partes também iguais. isto é. Logo. 6.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 116 retângulo isósceles de cateto r. logo sua medida é n 2 4 8 16 ângulo cêntrico 180o 90o 45 o polígono 2 arcos capazes de 90o QUADRADO OCTÓGONO HEXADECÁGONO 22o30’ Dividindo a circunferência em n partes iguais. Medida de l3: Os pontos A. logo este medirá 60o. m 0 ù. o ângulo cêntrico (vértice no centro e lados passando por vértices consecutivos do polígono) correspondente à divisão da circunferência em n partes iguais medirá 360o/n. Medida de l6: consideremos AB um arco que seja a sexta parte da circunferência. pois AÔD = 180o.. Basta notar que o ângulo central correspondente a corda AC vale 120o = 360o/3. = 3. Assim. .

TEOREMA: O lado do decágono regular inscrito numa circunferência é o segmento áureo do raio. O triângulo AOB é isósceles (seus lados são raios da circunferência). logo o ângulo central correspondente é 36o = 360o/10. . logo. . Logo. l10 é áureo de r. OP = BP = l10 e portanto PA = r e como Ô = 36o então  + + Ô = 180o ou  = (180o & 36o)/2 & l10. Devemos mostrar que l102 = r (r & l10).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 117 ao arco capaz de 90o de AD. Como os triângulos OBA e BPA são semelhantes (pois tem dois ângulos congruentes) então os seus lados correspondentes são proporcionais. Portanto. o triângulo ACD é retângulo em C. o triângulo PBA é isósceles de base PA e com isto BP = BA = l10. r / l10 = l10 / (r & l10) ou l102 = r(r & l10) ou seja. aplicando o teorema de Pitágoras vem que: AD2 = AC2 + CD2 CD2 Y AC2 = AD2 & Y l32 = (2r)2 & r2 Y l32 = 4r2 & r2 Y l32 = 3r2 Y n 3 6 12 ângulo cêntrico 120o 60 30 o o l3 = polígono TRIÂNGULO HEXÁGONO DODECÁGONO 3o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 5. ou seja. m 0 ù. 10. logo os ângulos da base são iguais  = portanto  = 72o. Consideremos um arco AB. sendo AC = l3. cujo ângulo central seja de 36o. os ângulos da base são iguais. ou seja.2m PARTES.. No triângulo OPB. a corda AB tem a medida l10. Como = 36o e PÂB = 72o então = 72o.. = 5. Um decágono regular é um polígono com 10 lados. 20. Traçar a bissetriz de obtendo P sobre OA. CD = l6 = r e AD = 2r. logo ele é isósceles de base OB e seus lados são congruentes.

. AB e CD. o l5 é hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos são o l6 e o l10. Porém.como l10 = sobre AO. sem ter que dividir em 10 partes primeiro. a construção anterior nos fornece o l5. obtendo um ponto E & OM = Para dividir uma circunferência em 5 partes iguais. basta notar que o triângulo retângulo EOC tem os catetos medindo l6 = r e l10. . TEOREMA: Para uma mesma circunferência.logo.traçar dois diâmetros perpendiculares entre si.obter o ponto M médio de OA. l6 e l10. Medida de l10: Como l10 é o segmento áureo do raio. a construção seguinte se justifica. pois CM é hipotenusa de um triângulo retângulo de catetos r e r / 2. . basta dividí-la em 10 partes iguais e unir os vértices de 2 em 2. pois EO = EM Observação: então devemos descrever um arco de centro M e raio MC. .unindo C com M temos que CM = r / 2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 118 EXERCÍCIO: Esta proporção pode ser obtida também pelo teorema das bissetrizes. . Observação: Por esta propriedade. Procedimento e Justificativa: . então l10 = Assim. para dividir uma circunferência em 10 partes iguais. convém estudarmos uma propriedade que relaciona l5. EO = l10 é áureo de r. permitindo dividir diretamente em 5 partes.

Seja C um ponto da semi-reta AB tal que AC = r. devemos mostrar que o cateto DC é o l10. Medida de l5: Como l52 = l102 + l62 l52 = l52 = (5r2/4 l52 = (5r2 l52 = l52 = l5 = Y + r2 Y + r2/4) + r2 + r2 + 4r2)/4 & Y & (10r2 & r2(5 & Y Y Y . assim. então OC = l5 (basta notar que 72o = 360o/5 e que o raio desta última circunferência é r). como o ângulo central OÂC tem medida igual a 72o. seja AB uma corda com a medida l10. que DC é áureo de l6 = r. Logo pelo teorema anterior temos que CD = l10.CA. Considerando a circunferência de centro A e raio r. ou seja. logo CB = r = & l10 (1). temos CD2 = CB. a tangente CD à circunferência de centro O e raio r. De acordo com a potência do ponto C em relação à circunferência de centro O e raio r. onde o cateto OD = l6 = r e a hipotenusa OC = l5.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 119 Prova: Consideremos uma circunferência de centro O e raio r. temos um triângulo ODC. retângulo em D. Por (1) temos: CD2 = (r & l10)r. Conduzindo por C. sendo o triângulo AOB isósceles de base AB então OÂB = 72o. logo AÔB = 36o.

.2m PARTES. . m 0 ù. Consideremos uma circunferência de centro O e raio r. Temos então AÔB = 60o e BÔC = 36o. mas graficamente. Por esta razão. devido ao grande número de operações que ele exige. estudaremos mais adiante um processo aproximado para l15 que fornece resultados gráficos melhores.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 120 n 5 10 20 ângulo cêntrico 72 18 o polígono PENTÁGONO DECÁGONO ICOSÁGONO 36o o 4o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 15. = 15. Logo AC = l15. costuma-se obter resultados ruins.. n 15 30 ângulo cêntrico 24 o polígono PENTADECÁGONO 12o Observação: Teoricamente o problema é muito simples.. Obter as cordas AB = r (raio do hexágono regular inscrito) e BC = l10 (lado do decágono regular inscrito). logo AÔC = 60o & 36o = 24o que é o ângu-lo cêntrico de um polígono regular de 15 lados inscrito na circunferência. 30.

.2m PARTES. 10. temos um ângulo central correspondente a 360o/n. vamos inicialmente determinar o lado de um polígono regular de n lados em função do ângulo central correspondente. porém estas divisões são aproximadas. 15.. Procedimento: . o ângulo AÔB = 360o/n será divido em AÔM = α = 180o/n. Além disso. então AB z OM..Marcar sobre a circunferência um ponto M. 13. partes iguais.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 121 PROCESSOS APROXIMADOS Foram vistos processos para a divisão da circunferência em n partes iguais. Para determinar o erro teórico que se comete nas construções das cordas l7. = 7. 11. obtemos o ponto M médio de AB (pois o triângulo AOB é isósceles de base AB e a bissetriz relativa a base é também mediatriz). Consideremos uma circunferência dividida em n partes iguais. 4. Seja uma circunferência de centro O e raio r. 6. para n igual a 2. l13 e l15.. ou seja. No triângulo retângulo AOM temos que = ou 1o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 7.. Construindo a bissetriz do ângulo central AÔB = 2α. 14. Como a mediatriz é perpendicular ao lado do triângulo. Centro em . É possível dividir uma circunferência em 7. 3. Seja 2α o ângulo central correspondente ao lado ln = AB.. l9. l11. 5. 9.. m 0 ù. completando a primeira sequência. e a corda AB = ln um dos lados do polígono regular inscrito na circunferência. 8. 12. por exemplo. logo AM = ln/2. Para cada ln. o triângulo AOM é retângulo em M.. .

Traçar dois diâmetros AB e CD perpen- . determinando o ponto C sobre AB. o erro é por falta e da ordem de dois milésimos.7. .. o erro teórico é dado por Et = l7’ – 0.. . m 0 ù.0017 n 7 14 ângulo cêntrico 51.unir A e B. pois pertence à mediatriz deste segmento. .86776r e como l7’ = l3/2 = – & l7 = &0... Este ponto divide AB ao meio. isósceles de base AB. Desta forma. logo OC também é bissetriz e altura do triângulo AOB. 18.86602r. = 9..00174r – 0.. temos então que AB = l3 = circunferência. Procedimento: . Medida de l7’ e l7: Da fórmula geral temos: l7 = 2r sen(180o/7) 0.2m PARTES.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 122 M marcar MA = MB = r. o polígono HEPTÁGONO TETRADECÁGONO 2o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 9. sendo que A e B pertencem à . Seja uma circunferência de centro O e raio r. pois 0.002.unir O e M.l7' = AC = l3 / 2.o 25. Ou seja.4.

68216r Da fórmula geral temos: l9 = 2r sen(180o/9) – 0.rência. podemos concluir que o erro é por falta e da ordem de dois polígono ENEÁGONO OCTADECÁGONO Observação: BC = pois é diagonal de um quadrado de lado r. n 9 18 ângulo cêntrico 40 20 o o & l9 = &0.Centro em C obter E sobre a circunfe. basta medir Centro em F marcar G sobre BA BC e marcar F sobre a semi-reta BA pois OF = de modo que DF = GF.002. .l9’ = BG. Desta forma.. Seja uma circunferência de centro O e raio r. onde CD = 2r e CE = r. logo BG = l9’. Prolongar AB.0018 milésimos. o erro teórico é dado por Et = l9’ Como 0. Procedimento: . logo DE = Como DE = DF = FG então DF = FG = O triângulo ODF é retângulo em O então aplicando o teorema de Pitágoras vem que DF2 = DO2 + OF2 Y OF2 = DF2 & OD2 Y OF2 = Como GF = GO + OF ou GO = GF & r2 Y OF2 = 3r2 & r2 Y OF = & OF então GO = & Assim. tal que CE = CO = r. . Portanto.68404r. – 0. l9’ = BG = r & GO = r & & – 0. m 0 ù. = 11. . . transportar sobre BA obtendo o ponto G. 22.centro em D obter sobre a semi-reta BA o ponto F tal que DF = ED.2m PARTES. Medida de l9’ e l9: Cálculo do valor de l9’: O triângulo CED é retângulo em E (pois este está no arco capaz de 90o de CD) então pelo teorema de Pitágoras temos que CD2 = CE2 + DE2 ou DE2 = CD2 & CE2..com a mesma medida DF. . 3o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 11.00188r.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 123 diculares entre si. centro em F.

Seja uma circunferência de centro O e raio r. Medida de l11’ e l11: Cálculo do valor de l11’: O triângulo OMC é retângulo em O logo CM2 = CO2 + OM2 ou = 0. .2m PARTES.00445r Ou seja.56346r. o erro é por falta e da ordem de quatro milésimos. Procedimento: . o polígono UNDECÁGONO 16.7. logo OM = r/2... 26.. . .o 4o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 13.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 124 . . obtendo um segmento OE = r/4.55901r.3.Dividir um raio. Obter o ponto N médio de MC..Obter o ponto M médio de um dos raios. Da fórmula geral temos: l11’ = 2r sen(180o/11) teórico é dado por Et = l11’ então l11’ = CN = CM/2 = CM – – 0.Traçar dois diâmetros AB e CD perpendiculares entre si. Temos então que o erro & l11 = &0.l13’ = BF. .. . m 0 ù.Traçar dois diâmetros AB e CD perpendiculares entre si. por exemplo OC.Unir M com C. em quatro partes iguais.unir E e A obtendo um ponto F sobre a circunferência. . . n 11 22 ângulo cêntrico 32. por exemplo OA. = 13.l11’ = CN = NM..

ELEMENTOS

DE

GEOMETRIA

125

Medida de l13’ e l13: Cálculo do valor de l13’: Consideremos os triângulos retângulos AFB (pois F está no arco capaz de 90o de BA) e AOE, como o ângulo  é comum e semelhantes pelo critério AA. Desta semelhança temos que: ou mas AE2 = (r/4)2 + r2 ou seja, AE = ou substituindo na expressão acima temos que = 0,48507r = AÔE = 90o então eles são

Da fórmula geral temos: l13’ = 2r sen(180o/13) – 0,47863r. Assim, o erro teórico é dado por Et = l13’

& l13 = 0,00644r

Isto é, o erro é por excesso e da ordem de seis milésimos.

n 13 26

ângulo cêntrico 27,69...
o

polígono TRIDECÁGONO

13,84...o

5o) DIVISÃO DA CIRCUNFERÊNCIA EM n = 15, 30, ... = 15.2m PARTES; m 0 ù. Quando foi apresentada a construção do pentadecágono regular por um processo exato, foi feita uma observação de que o processo implica em muitos erros gráficos, e que existe uma construção aproximada deste polígono que nos dá resultados melhores, que será apresentada a seguir. Seja uma circunferência de centro O e raio r. Procedimento: - Traçar dois diâmetros AB e CD perpendiculares entre si;

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DE

GEOMETRIA

126

- Com centro em C e raio CA obter um ponto E sobre CD; - l15’ = OE. Medida de l15’ e l15: Cálculo do valor de l15’:

& CO = CA & CO = & r – 0,41421r. Da fórmula geral temos: l15 = 2r sen(180o/15) – 0,41582r. Assim, o erro teórico é dado
Como AC = então l15’ = CE por Et = l15’

& l15 = &0,00161r

Isto é, o erro é por falta e da ordem de aproximadamente dois milésimos. Observação: Podemos dividir a circunferência em n partes iguais retificando-a, obtendo o

seu perímetro e dividindo-o e n partes iguais (aplicando o teorema de Tales), e depois desretificando uma das n partes sobre a circunferência. Note que este processo é aproximado.

POLÍGONOS ESTRELADOS
DEFINIÇÃO: Polígono estrelado é um polígono cujos ângulos são alternadamente salientes e reentrantes, e cujos lados pertencem a uma linha poligonal fechada que é percorrida sempre no mesmo sentido. TEOREMA: Pode-se obter tantos polígonos estrelados de n vértices quantos números p há, exceto a unidade, menores que a metade de n e primos com n. De fato, basta considerar os números p menores que n/2, porque unir os pontos de p em p equivale a uni-los de (n & p) em (n

& p); devemos

excluir a unidade, porque unindo os pontos consecutivos, obtém-se o polígono convexo; sendo p e n primos entre si, são necessários n lados para voltar ao ponto de partida, e assim devem ser encontrados cada ponto de divisão.

ELEMENTOS

DE

GEOMETRIA

127

DEFINIÇÃO:

Polígono regular estrelado é aquele que se forma de cordas iguais e onde

há lados iguais e ângulos iguais. Logo, o polígono estrelado regular é formado por uma linha poligonal contínua e se obtém quando, partindo de um ponto de divisão qualquer da circunferência, volta-se ao mesmo ponto de partida após as uniões p a p, isto é, pulando p divisões. Processo Geral de Construção: Para obter um polígono regular estrelado de n vértices, devemos dividir a circunferência em n partes iguais, e unir os pontos de divisão de p em p, sendo que: p < n/2, p

… 1 e p e n primos entre si.

EXEMPLOS: a) Para n = 7 3;2;1 < 7/2 = 3,5 p = 3;2 b) Para n = 8 3;2;1 < 8/2 = 4 p = 3 c) Para n = 15 7;6;5;4;3;2;1 < 15/2 = 7,5 p = 7;4;2

EXERCÍCIOS
01. Dada uma circunferência de centro O e raio r = 5cm, construir os seguintes polígonos regulares estrelados: a) Pentágono (n = 5, p = 2); b) Octógono (n = 8, p = 3); c) Decágono (n = 10, p = 3). d) Eneágono (n = 9, p = 2). e) Eneágono (n = 9, p = 4). 02. Construir heptágono regular estrelado inscrito num circunferência de centro O e raio r = 6cm. 03. Quantos polígonos regulares estrelados distintos podem ser traçados quando uma circunferência está dividida em 20, 24, 30 e 36 partes iguais?

O conjunto de pontos de uma região triangular que não pertencem a sua fronteira é chamado de interior da região triangular. Dado um segmento AB.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 128 04. Uma região poligonal é a reunião de um número finito de regiões triangulatêm pontos interiores res que duas a duas não . Considere o pentágono regular ABCDE. CAPÍTULO V ÁREAS AXIOMAS DEFINIÇÃO: Uma região triangular é um conjunto de pontos do plano formado por todos os segmentos cujas extremidades estão sobre os lados de um triângu. Prove que o lado de um pentágono regular é o segmento áureo da diagonal do pentágono. Prove que as diagonais de um pentágono regular são congruentes. 06. construir o decágono regular estrelado. 05. Prove que o lado AB é paralelo à diagonal EC. DEFINIÇÃO: em comum. O triângulo é chamado de fronteira da região triangular. 07. Construir um pentágono regular dado o lado l5 = 4cm.lo. 08. lado de um decágono regular.

BC.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 129 AXIOMA 6. Se uma região poligonal é a união de duas ou mais regiões poligonais que duas a duas não tenham pontos interiores em comum. Prova: Consideremos AB como base do paralelogramo.4 Regiões triangulares limitadas por triângulos congruentes têm áreas iguais. PROPOSIÇÃO: A área de um paralelogramo é o produto do comprimento de um dos seus lados pelo comprimento da altura relativa a este lado. AXIOMA 6.2 A toda região poligonal corresponde um número maior do que zero.1 Observação: AXIOMA 6. Prolongar a reta AB e a partir dos . então sua área é a soma das áreas daquelas regiões. Este número é chamado de área da região.3 AXIOMA 6. Se ABCD é um retângulo então a sua área é dada pelo produto: AB.

SABCD = SABC + SCDA = 2. Duas figuras são equivalentes quando possuem áreas iguais. pois AD = BC (lados paralelos de um paralelogramo). Devemos mostrar que AB.h/2.SABC DEFINIÇÃO: Y SABCD = 2. têm áreas iguais.DE. . logo suas áreas são iguais e AE = BF. Obter um ponto D tal que DC = AB e AD = BC. Prova: Consideremos um triângulo ABC. Temos que SABCD = SADE + SBCDE = SBCF + SBCDE = SCDEF = EF. Logo.h (1).DE é a área do paralelogramo. Logo DE e CF representam a altura do paralelogramo relativa ao lado AB. PROPOSIÇÃO: A área de um triângulo é a metade do produto do comprimento de qualquer de seus lados pela altura relativa a este lado. Assim o polígono ABCD é um paralelogramo e SABCD = b. Como os triângulos ABC e CDA são congruentes (LLL). Os triângulos AED e BFC são congruentes.DE. Mas EF = EB + BF = EB + AE = AB. o ponto D estará numa circunferência de centro C e raio AB e numa circunferência de centro A e raio BC. ou seja.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 130 vértices C e D traçar perpendiculares à reta AB.h/2. seja BC = b sua base e AH = h a altura relativa ao lado BC. DE = CF(altura do paralelogramo) e = (ângulos correspondentes em relação às paralelas) e. devemos mostrar que SABC = b. obtendo os pontos E e F sobre a reta considerada. Portanto SABCD = AB. Notação: .SABC Y SABC = b.

ha / 2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 131 PROPRIEDADE FUNDAMENTAL DA EQUIVALÊNCIA: Considerar um triângulo ABC. Conduzir pelo vértice A uma reta r paralela ao lado BC. pertencentes à reta r. sabendo-se que BC/NP. = = . sabendo-se que NP/BC e  = 45o. A2.. De fato. Construir um triângulo ABC equivalente ao triângulo MNP dado. SABC = e nem da altura.A3. Considerar os pontos A1... Construir um triângulo ABC equivalente ao triângulo MNP dado.. M+ N+ +P 02. Os triângulos de base BC comum e vértices A1. A3. M+ . = a.. pois não foi alterado a medida da base EXERCÍCIOS 01. A2.. são todos equivalentes...

Construir um triângulo ABC equivalente a um polígono dado. Construir um triângulo ABC equivalente a um quadrilátero PQRS dado. Construir um triângulo ABC equivalente a um quadrilátero PQRS dado. sabendo -se que o ponto A pertence ao segmento PQ. sabendo-se que P/A. e AP = 3cm. sabendo-se que o ponto A pertence ao segmento PS. P+ +S Q+ +R 05. P+ +S Q+ +R 04. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 132 N+ +P 03.

Construir um triângulo ABC equivalente a um triângulo MNP dado. sendo A/P. P+ +T Q+ R+ +S 07. M+ .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 133 P+ +T Q+ R+ +S 06. Construir um triângulo ABC equivalente a um polígono dado. B/N e ha = 3cm (ha < hm). sabendo-se que: BC é colinear com NP.

Construir um triângulo ABC equivalente a um triângulo MNP dado.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 134 N+ +P 08. . sabendo-se que: BC é colinear com NP. M+ N+ +P A área de um trapézio é a metade do produto do comprimento de sua altura h(AB + CD) PROPOSIÇÃO: S= pela soma dos comprimentos de suas bases. B/N e ha = 6cm (ha > hm).

ln .. SABCD..ln = a. e AF. considerar a diagonal AC.p.(AB+CD) Apótema de um polígono regular é o segmento com uma extremidade no centro do polígono e a outra no ponto médio de um lado. Então teremos que CE = AF = h. a. Assim. . então SABCD. logo AB é paralelo a CD. que divide o trapézio em dois triângulos: ABC e ACD. Portanto. Prova: Consideremos um polígono regular de n lados e os segmentos de extremidades em O e que passam pelos vértices do polígono.. todos com a mesma altura a e a mesma base ln. onde p é o EXERCÍCIOS 01. Traçar as alturas: CE. = n semi-perímetro e a é o apótema do polígono.h)/2 + (CD. assim: SABCD = SABC + SACD = (AB.. a área de cada triângulo será: S = a. = SAOB + SBOC + SCOD + .ln é o a. Como a área do polígono será a soma das áreas destes triângulos. mas n.. do triângulo ABC relativa a base AB. PROPOSIÇÃO: A área de um polígono regular de n lados. inscrito numa circunferência de raio r é igual à metade do produto do comprimento do apótema pelo comprimento do perímetro. Mostre que a área de um losango é igual à metade do produto dos comprimentos de suas diagonais. o polígono ficou dividido em n triângulos equivalentes.h)/2 = DEFINIÇÃO: h.ln.2p = a. Logo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 135 Prova: Seja ABCD um trapézio cujas bases são AB e CD.. = n perímetro (2p) do polígono. do triângulo ACD relativa a base CD. já que os lados AB e CD são paralelos.

Considere dois triângulos ABC e EFG semelhantes segundo uma razão k. Identifique-os e prove a afirmação. 04. traçar duas retas paralelas aos lados. GAC e GBC são equivalentes. 05. então os triângulos GAB. a da área do triângulo . 03.SEFG. Prove que se G é o baricentro de um triângulo ABC. Prove que a área do quadrado inscrito em uma circunferência é igual à metade da área do quadrado circunscrito à mesma circunferência. Prove que a área de cada um dos três triângulos é dado. Por um ponto arbitrário da diagonal de um paralelogramo. Prove que SABC = k2. decompondo-o em 4 paralelogramos menores.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 136 02. Dois deles têm áreas iguais.

POSTULADOS DE DETERMINAÇÃO I .Três pontos não colineares determinam um único plano.Dois pontos distintos determinam uma única reta. .Um ponto pertence a um plano quando este pertence a uma reta do plano. II .Uma reta está contida num plano quando tem sobre o plano dois pontos.Numa reta e fora dela existem infinitos pontos. então eles têm uma única reta em comum que passa por esse ponto. POSTULADOS DA INCLUSÃO I . II .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 137 PARTE II: GEOMETRIA ESPACIAL CAPÍTULO VI GEOMETRIA ESPACIAL DE POSIÇÃO CONCEITOS PRIMITIVOS E POSTULADOS Adotaremos sem definir os conceitos primitivos de: ponto. POSTULADO DA INTERSEÇÃO I .Se dois planos distintos têm um ponto em comum. II . POSTULADOS DE EXISTÊNCIA I .Num plano e fora dele existem infinitos pontos. reta e plano.

inicialmente. então b) se A 0 I e B 0 I. I e II. Duas retas são concorrentes se e somente se possuem um único ponto .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 138 POSTULADO DA SEPARAÇÃO DO ESPAÇO I . que não contém α. algumas definições. POSIÇÕES RELATIVAS DE DUAS RETAS Recordemos. tais que: 0 I e B 0 II. DEFINIÇÃO: Semi-espaço é a figura geométrica formada pela união de um plano com uma das regiões do espaço por ele dividido.Um plano α divide o espaço em duas regiões. apresentadas na Geometria Plana: DEFINIÇÃO: comum. 1 α = i. então a) se A 1 α = {C}.

logo existe um plano α determinado por estes pontos. Vamos então acrescentar mais esta definição às anteriores: DEFINIÇÃO: Exemplos: Duas retas são reversas se e somente se não existe plano que as contenha. Tomemos P fora de α e a reta s. Consideremos a reta r definida pelos pontos A e B.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 139 DEFINIÇÃO: Duas retas são paralelas se e somente se elas são coplanares (isto é. CONSTRUÇÃO DE RETAS REVERSAS Sejam três pontos A. B e C não colineares. Logo. Lembremos também o seguinte axioma: AXIOMA 5 Por um ponto fora de uma reta existe uma única paralela à reta dada. determinada por P e C. . r e s são retas reversas. estão contidas no mesmo plano) e não possuem ponto comum.

ou seja. . Logo. Vamos considerar que r e s são coplanares (hipótese da RAA).paralelas . r e s não podem ser coplanares. então A. Esta forma de determinar um plano pode ser reduzida à anterior: para tanto. são reversas. Este é o postulado da determinação do plano. contradiz a construção. C e P são coplanares. B. P está em α. Também esta forma pode ser reduzida à primeira: basta tomar o ponto de interseção e um ponto de cada reta. isto é. ou seja. 2a) Por uma reta e um ponto fora dela. DETERMINAÇÃO DE UM PLANO Um plano pode ser determinado de quatro formas: 1a) Por três pontos não colineares. basta tomar dois pontos da reta e um ponto fora dela. há duas possibilidades a considerar: ou r e s são coplanares ou r e s são reversas.concorrentes ou secantes -reversas A COPLANARES NÃO COPLANARES Exemplo: consideremos um paralelepípedo retângulo. que toma P fora de α.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 140 De fato.coincidentes . 3a) Por duas retas concorrentes. Assim duas retas no espaço podem ser: .

O plano e a reta não têm ponto em comum: a reta é paralela ao plano.F.C. (Definição) .D} POSIÇÕES RELATIVAS DE RETA E PLANO Consideremos os seguintes casos: . Quantas retas passam por: a) um ponto? b) dois pontos distintos? c) três pontos distintos? 02.E} d) {A. (Postulado da inclusão) .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 141 4a) Por duas retas paralelas e distintas.E} c) {A. a) {A. O ponto de interseção da reta com o plano chama-se traço da reta com o plano.E.F} e) {B.D. (Definição) .D} b) {C.O plano e a reta têm um único ponto em comum: a reta e o plano são secantes ou a reta intercepta o plano. Considerando a figura.C.B.O plano e a reta têm dois pontos em comum: a reta está contida ao plano. EXERCÍCIOS 01. Esta forma de determinar um plano decorre da própria definição de retas paralelas. classifique os seguintes conjuntos de pontos como: (1) colineares. (2) não-colineares mas coplanares ou (3) não-coplanares.B.

ou seja. se r. Dadas as retas reversas r e s. conduzir por s um plano paralelo a r. EXERCÍCIO 01. não contida em α. então ela é paralela a esse plano. Como r e s não têm ponto comum e s é a interseção de α e β. então r não tem ponto comum com α. é paralela a s de a.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 142 PROPRIEDADE: Se uma reta não contida num plano é paralela a uma reta desse plano. então r e s são paralelas distintas e determinam o plano β. De fato. r é paralela a α. .

Assim. ambas paralelas a outro plano distinto.secantes (ou concorrentes). então eles têm uma única reta comum que passa por esse ponto.Se dois planos distintos têm um ponto comum. dois planos podem ser: . . . então esses planos são paralelos. PROPRIEDADE: Se um plano contém duas retas concorrentes. DEFINIÇÃO: Dois planos são paralelos se e somente se eles coincidem ou não possuem ponto comum.paralelos: coincidentes ou distintos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 143 POSIÇÕES RELATIVAS DE DOIS PLANOS POSTULADO DA INTERSEÇÃO (recordando) I . quanto as suas posições relativas.

i = α 1 β Y b // i. Logo. e a e b paralelas a um outro plano α. Os planos α e β são distintos. Consideremos que os planos α e β não são paralelos (hipótese da redução). temos então: para a reta a: . Provaremos que eles são paralelos.a // α. analogamente: . O fato de α e β serem concorrentes e ambas paralelas a i é um absurdo. b d β. para a reta b.b // α.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 144 Prova: Sejam a e b retas de β concorrentes num ponto O. logo. α e β não têm ponto comum e. existe uma reta i tal que i = α 1 β. pois contraria o axioma das paralelas (Postulado de Euclides). α // β. portanto. mas a // α. logo. devemos provar que α é paralelo a β. -a d β e i = α1β ˆ a e i são coplanares (ou seja. a // i pois se a concorresse com i num ponto P este ponto pertenceria a α. a concorre com i ou a // i. usando RAA. então não pode ter pontos em comum com α. .

− α 1 β = (αβ). β e γ. β1 γ= − α // β Y α1 β = i. distintos dois a dois. logo α 1 β 1 γ = i. α 1 γ = (αγ) e β 1 γ = (βγ) Y αγ // βγ. α 1 γ = (αγ) e β 1 γ = (βγ) Y (αβ) // (αγ) // (βγ). logo a posições relativas podem ser: − α // β // γ Y α 1 β = i. Caso Limite: α 1 β 1 γ … i − α 1 β = (αβ). α 1 γ = (αγ) e β 1 γ = (βγ) Y α 1 β 1 γ = {P}. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 145 POSIÇÃO RELATIVA DE TRÊS PLANOS Consideremos três planos α. logo α 1 β 1 γ = i. i e α1 γ= i Y α 1 β 1 γ = i.

. DEFINIÇÃO: Duas retas concorrentes são perpendiculares quando formam entre si quatro ângulos retos. ÂNGULO ENTRE RETA E PLANO DEFINIÇÃO: Uma reta é perpendicular a um plano se e somente se ela é secante ao plano e perpendicular a todas as retas do plano que passam por seu traço.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 146 ÂNGULOS ÂNGULOS DETERMINADOS POR DUAS RETAS Um ângulo pode ser determinado por retas concorrentes ou por retas reversas. DEFINIÇÃO: Os ângulos entre duas retas reversas são os ângulos formados por uma dessas retas e pela paralela à outra traçada por um dos pontos da primeira. DEFINIÇÃO: Duas retas reversas são ortogonais quando formam ângulos retos.

. Tomemos também A na reta a e B em b. AP = AQ (1) Analogamente. PÂB = QÂB (3) .Nos triângulos ABP e ABQ. distinto de A e de B. Uma reta perpendicular a um plano forma ângulo reto com todas as retas do plano. . temos BP = BQ (2). 2. BP = BQ (de (2)) e AB = AB (lado comum) então ABP = ABQ (LLL). a e b concorrem no ponto O e r é perpendicular às retas a e b.Tomemos P distinto de O em r e Q na semi-reta oposta a OP tal que OQ = OP. e X no segmento AB. TEOREMA: Se uma reta é perpendicular a duas retas concorrentes de um plano. PÂB=QÂB (de (3)) e / s. Hipótese: a e b são retas de α.Nos triângulos APX e AQX. temos: AP = AQ (de (1)). Portanto. temos: OP = OQ (por construção). para os triângulos BPO e BQO. ambos distintos de O.Nos triângulos APO e AQO.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 147 CONSEQUÊNCIAS: 1. Uma reta perpendicular a um plano é ortogonal a todas as retas do plano que não passam por seu traço. Portanto. então e é perpendicular ao plano. Prova: . Devemos mostrar que r é perpendicular a OX . AÔP=AÔQ (pois são retos) e OA = OA (lado comum) então APQ= AQO (LAL). Tese: r é perpendicular a α. temos: AP = AQ (de (1)).

. de uma reta oblíqua a ele é uma reta tal que cada um de seus pontos é projeção ortogonal de um ponto da reta dada sobre um plano. então ela é perpendicular a esse plano. . ou seja: r z OX. sobre um plano. PX = QX (4). DEFINIÇÃO: O ângulo formado entre um plano e uma reta oblíqua ao mesmo é o ângulo formado entre a reta oblíqua e a sua projeção ortogonal sobre o plano.Assim. Se uma reta forma ângulo reto com duas retas concorrentes de um plano. r) DEFINIÇÃO: A projeção ortogonal. Generalizando: r é perpendicular ao plano α. DEFINIÇÃO: A projeção ortogonal de um ponto sobre um plano é o traço da perpendicular ao plano traçada por esse ponto. Portanto. então ela é perpendicular a esse plano. AB = d(A.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 148 AX = AX (lado comum) então APX = AQX. PÔX = QÔX. 2.Finalmente. Se uma reta é ortogonal a duas retas concorrentes de um plano. e portanto estes ângulos são ambos retos (pois PÔX + QÔX = 180o). OP = OQ (por construção) e OX = OX (lado comum) então POX = QOX (LLL). . CONSEQUÊNCIAS: 1. nos triângulos POX e QOX temos que PX = QX (de (4)).

CD é perpendicular a r. α). . por s.obtemos em α a reta t por B. O ponto D é a interseção de t com s. AB = d(r. AB é perpendicular a α e r (temos a direção da perpendicular comum). . PQ é perpendicular comum às retas reversas r e s.dadas duas retas reversas. DEFINIÇÃO: Dadas duas retas reversas r e s. pois ABPQ é um retângulo. ÂNGULOS ENTRE DOIS PLANOS DEFINIÇÃO: Dois planos são perpendiculares entre si se e somente se um deles possui uma reta perpendicular ao outro. . o plano α paralelo a r. obtém-se. CONSTRUÇÃO DA PERPENDICULAR COMUM A DUAS RETAS REVERSAS . paralela à reta r.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 149 DEFINIÇÃO: A distância entre uma reta paralela a um plano e esse plano é a distância de um de seus pontos ao plano.traçamos CD perpendicular a α. a distância entre elas é a distância que vai de uma dessas retas até o plano paralelo a ela que passa pela outra reta.obtemos pelo ponto A (arbitrário) de r a perpendicular AB ao plano α. onde AB z α. Assim. .

Se um plano é perpendicular à interseção de dois planos então este plano é perpendicular a cada um desses planos. Conduzir um outro plano perpendicular à interseção dos primeiros. DEFINIÇÃO: O ângulo entre dois planos é o ângulo formado por duas retas. . SEÇÃO RETA DE UM ÂNGULO DIEDRO DEFINIÇÃO: Chama-se seção reta de um ângulo diedro à interseção do ângulo diedro com um plano perpendicular à sua aresta. uma de cada plano.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 150 CONSEQUÊNCIA: Consideremos dois planos quaisquer secantes. perpendiculares à interseção dos dois planos. ÂNGULO DIEDRO DEFINIÇÃO: Ângulo diedro é o ângulo formado por dois semi-planos com mesma origem (é a reta de interseção dos dois) e que não sejam coplanares.

Um diedro agudo tem medida entre 0o e 90o. um diedro obtuso. temos as seguintes classificações para diedro: 1. . Dois diedros são adjacentes quando determinam ângulos adjacentes em sua seção reta. Dois diedros são consecutivos quando determinam ângulos consecutivos em sua seção reta.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 151 Analogamente a Geometria Plana. 2. Observação: Chama-se diedro reto àquele cuja medida é 90o. entre 90o e 180o.

DEFINIÇÃO: Chama-se bissetor de um diedro o semi-plano que tem origem na aresta do diedro e que determina em sua seção reta a bissetriz de seu ângulo. sabendo-se que uma reta perpendicular a uma de suas faces forma com o bissetor desse diedro um ângulo de 20o.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 152 3. Sendo 100o a medida do diedro. De um ponto P. 03. interior a um diedro. . 02. Calcule o ângulo formado pelos diedros bissetores de dois diedros suplementares. são traçadas duas semi-retas perpendiculares às faces. Calcule a medida de um diedro. calcule a medida do ângulo formado pelas semi-retas. Dois diedros são opostos pela aresta quando suas seções retas determinam ângulos opostos pelo vértice. EXERCÍCIOS 01.

com origem no plano ab e contendo a semi-reta Pc. onde: E1. E3. Pb e Pc é a interseção dos semi-espaços E1. PROPRIEDADES 1a) Em todo triedro. com origem no plano ac e contendo a semi-reta Pb.c)= E1 1 E2 1 E3. Demonstração: Supondo que é a maior face do triedro < + um ânguP(a. e são as faces ou os ângulos das faces. Pb e Pc.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 153 TRIEDROS DEFINIÇÃO: Dadas três semi-retas Pa. Triedro determinado pelas semi-retas Pa. E2. não coplanares. vamos provar que lo = (1). Pb e Pc são as arestas. de mesma origem P. qualquer face é menor que a soma das outras duas. E2 e E3. ELEMENTOS: P é o vértice. as semi-retas Pa. Para isto.b.c). consideremos os semi-espaços E1. E2 e E3.b. com origem no plano bc e contendo a semi-reta Pa. Notação: P(a. construímos em Tomando-se um ponto B em b e um ponto B’ .

consideremos a semi-reta Pa’ oposta a Pa. considerando os triângulos B’PA e BPA (PA = PA. que < (2). somando as duas expressões. tais que PB = PB’ e considerando uma seção ABC como indica a figura ao lado. De AB’ < AB decorre.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 154 em b’. temos: + < + Y < + Sendo a maior face menor que a soma das outras duas. concluímos que qualquer face de um triedro é menor que a soma das outras duas. pela propriedade anterior. Os ângulos Então: o e + são adjacentes e = 180o e + < suplementares. vem que B’C = BC.c) é um triedro e. temos: + por (1) sabemos que + + + < 360o. temos: 1o) Da congruência dos triângulos B’PC e BPC. Demonstração: Sendo + + e < 360 . provemos que: Para isso. 2o) No triângulo ABC.c). < e + = 360o. Y AB’ + B’C < AB + BC Y AB’ < AB. o as medidas das faces de um triedro P(a. o mesmo ocorrendo com a = 180 . mas + temos + (1). AB’ < Somando membro a membro (2) e (1).b.b. . observemos que P(a’. temos AC < AB + BC AB) . PB = PB’. 2a) A soma das medidas em graus das faces de um triedro qualquer é menor que 360o.

de mesma origem P. Pan. .. En. P(a1. consideremos n semi-espaços E1... Pa3. E3. E2..an) = E1 1 E2 1 .. cada um deles com origem no plano de duas semi-retas consecutivas e contendo as restantes. Pan.. 90o e 100o 02.. En.. Pa2.. Pa2 e Pa3.. tais que o plano de duas consecutivas (Pa1 e Pa2... . Quais são os possíveis valores de x para que xo.. Verifique se existem os ângulos poliédricos cujas faces medem: a) 70o.. . 80o e 130o b) 90o. 80o. Pan e Pa1) deixa as demais num mesmo semi-espaço...1 En EXERCÍCIOS 01.. 70o e 90o sejam faces de um triedro? 03.. Qual é o número máximo de arestas de um ângulo poliédrico cujas faces são todas de 50o? . Se além das anteriores possuísse a condição: face x deve ser oposta ao maior diedro. . Ângulo poliédrico convexo determinado por Pa1. E2. Pa3.. E3... qual seria a resposta? 04.. 120o 150o c) 70o. a2. Pa2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 155 ÂNGULOS POLIÉDRICOS DEFINIÇÃO: Dado um número finito n (n > 2) de semi-retas Pa1. é a interseção dos semi-espaços E1.

tais que: a) dois polígonos não estão num mesmo plano. plana ou não. As superfícies poliédricas limitadas convexas que tem contorno são chamadas abertas. d) o plano de cada polígono deixa todos os outros polígonos num mesmo semi-espaço (condição de convexidade). os vértices são os vértices dos polígonos. os ângulos são os ângulos dos polígonos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 156 POLIEDROS CONVEXOS DEFINIÇÃO: Superfície poliédrica limitada convexa é a reunião de um número finito de polígonos planos e convexos (ou regiões poligonais convexas). As que não tem. as arestas são os lados dos polígonos. fechadas. b) cada lado de um polígono é comum a dois e apenas dois polígonos. ELEMENTOS: as faces são os polígonos. estes devem formar uma única poligonal fechada. EXEMPLOS: 1) 2) 3) 4) . chamada contorno. c) havendo lados de polígonos que estão em um só polígono.

Observação: EXEMPLOS: 1) 2) Para os poliedros abertos. 3) 4) .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 157 DEFINIÇÃO: Um ponto é interior a uma superfície poliédrica convexa fechada quando uma semi-reta com origem neste ponto intercepta esta SPCF em apenas um ponto. onde V é o número de vértices. RELAÇÃO DE EULER PROPRIEDADE: Para todo poliedro convexo. vale a relação Va − Aa + Fa = 1. ou para sua superfície. DEFINIÇÃO: Poliedro convexo é a união da superfície poliédrica convexa fechada (SPCF) com seus pontos internos. A é o número de arestas e F é o número de faces do poliedro. vale a relação V − A + F = 2.

nF o número de lados de cada uma das faces.180o S2 = (n2 − 2).. Portanto.+ nF − 2F).. S = (2A − 2F).360o. S = (V − 2)..180o ou S = (A − F). sendo V o número de vértices. Assim.+ nF é a soma de todos os lados das faces e é também o dobro do número de arestas. Todo poliedro convexo é Euleriano. . De acordo com o exercício 17 da página 43. temos: S1 = (n1 − 2).ELEMENTOS DE GEOMETRIA 158 POLIEDRO EULERIANO DEFINIÇÃO: Os poliedros para os quais é válida a relação de Euler são chamados de poliedros Eulerianos.180o S1 + S2 + . soma dos ângulos de todas as faces. mas nem todo poliedro Euleriano é convexo. e n1 + n2 + . + SF é S. e sendo n1.180o S1 + S2 + .. podemos calcular a soma dos ângulos de cada face.. . .360o Da relação de Euler: V − 2 = A − F.. já que cada aresta é lado de duas faces.. n2. De fato. SF = (nF − 2). + SF = (n1 + n2 + . SOMA DOS ÂNGULOS DAS FACES DE UM POLIEDRO CONVEXO PROPRIEDADE: A soma dos ângulos de todas as faces de um poliedro convexo de V vértices é dada por: S = (V − 2).360o.... .. A o número de arestas e F o número de faces de um poliedro convexo.180o .

b) todos os seus vértices são vértices de ângulos poliédri cos com o mesmo número (m) de arestas. cada uma com n lados (n > 2). obdece à relação de Euler: V − A + F = 2. e somente cinco. Um poliedro convexo de oito faces tem seis faces quadrangulares e duas hexagonais. Qual é o número de vértices de um poliedro convexo que tem 30 arestas e 12 faces? 02. (3) mV = 2A (pois cada vértice V tem m arestas e cada aresta tem dois vértices como extremidades). c) é euleriano. sendo que cada um dos ângulos poliédricos tem m arestas (m > 2) e A arestas. satisfaz as seguintes condições: a) todas as suas faces são polígonos com o mesmo número (n) de lados. Calcule o número de vértices. V vértices. (2) nF = 2A (pois cada uma das F faces tem n arestas e cada aresta está em duas faces). PROPRIEDADE: Existem cinco. Calcule a soma dos ângulos das faces de um poliedro convexo que possui 30 arestas e cujas faces são todas pentagonais. temos: (1) V − A + F = 2 (pois é euleriano). 03. Logo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 159 EXERCÍCIOS 01. classes de poliedros de Platão. se e somente se. ou seja. POLIEDROS DE PLATÃO OU PLATÔNICOS DEFINIÇÃO: Um poliedro é chamado poliedro de Platão. Substituindo (2) e (3) em (1) temos: . Prova: Seja um poliedro de Platão com: F faces.

devendo verificar as condições de que n >2 Como A é o número de arestas. obtemos m sempre menor que 3. d) Para n $ 6. ou 5 (pois m > 2 e inteiro) b) n = 4 Y faces quadrangulares Y assim m = 3 Y m < 4. c) n = 5 Y faces pentagonais Y assim m = 3 Y m< (– 3. portanto: Logo para cada n teremos valores para m. assim m = 3. devemos ter. a) n = 3 Y faces triangulares Y Y m < 6. o que contradiz a condição inicial.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 160 Dividindo por 2A temos: e m >2. 4. ou seja. são elas: .333). cinco classes de poliedros de Platão. Há portanto.

temos F = 4 e como m. temos V = 4.F = 2A. temos F = 8 e como m. SEGUNDA CLASSE: n = 4 e m = 3 Analogamente.F = 2A F = 6 e m. conhecidos como tetraedros ("quatro faces".V = 2A. conhecidos como octaedros ("oito faces"). temos V = 6. Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem quatro faces triangulares. .V = 2A. temos o que então substituindo n = 3 e implica em A = 12 . TERCEIRA CLASSE: n = 3 e m = 4 então A = 12.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 161 PRIMEIRA CLASSE: n = 3 e m = 3 Como m = 3 temos A = 6. n.V = 2A. Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem seis faces quadrangulares. em grego). ou seja. conhecidos como hexaedros ("seis faces"). Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem oito faces triangulares. e n. V = 8. Como n.F = 2A.

temos F = 20 e como m. conhecidos como icosaedros ("vinte faces"). .V = 2A temos V = 12. conhecidos como dodecaedros ("doze faces"). Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem vinte faces triangulares. Classe Primeira Segunda Terceira Quarta Quinta n 3 4 3 5 3 m 3 3 4 3 5 A 6 12 12 30 30 V 4 8 6 20 12 n 4 6 8 12 20 Nome Tetraedro Hexaedro Octaedro Dodecaedro Icosaedro POLIEDROS REGULARES DEFINIÇÃO: Um poliedro convexo é regular quando: a) suas faces são polígonos regulares e congruentes. QUINTA CLASSE: n = 3 e m = 5 então A = 30. Esta classe de poliedros de Platão inclui os poliedros que possuem doze faces pentagonais. Resumindo.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 162 QUARTA CLASSE: n = 5 e m = 3 então A = 30. b) seus ângulos poliédricos são congruentes.V = 2A temos V = 20. e n. e n.F = 2A. temos F = 12 e como m.F = 2A.

temos: a) suas faces são polígonos regulares e congruentes. hexaedro regular. existem cinco e somente cinco tipos de poliedros regulares: tetraedro regular. então todos têm o mesmo número de arestas. tipos de poliedros regulares. octaedro regular. e somente cinco. então todas têm o mesmo número de arestas. Prova: Usando as condições para um poliedro ser regular. Tetraedro Regular Hexaedro Regular Octaedro Regular Dodecaedro Regular Icosaedro Regular . dodecaedro regular e icosaedro regular. Por estas conclusões temos que os poliedros regulares são poliedros de Platão e portanto. b) seus ângulos poliédricos são congruentes.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 163 PROPRIEDADE: Existem cinco.

Bn são congruentes pois α // β e as retas A1B1. A1A2 é uma aresta da base do prisma.......// AnBn .. A2. B3.An.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 164 CAPÍTULO VII GEOMETRIA ESPACIAL MÉTRICA PRISMA DEFINIÇÃO: Dados os planos α e β distintos e paralelos.. B1.. ELEMENTOS: Os polígonos A1A2. A1B1 é uma aresta lateral do prisma. Observação: Os polígonos A1A2... Bn em β tal que A1B1 // A2B2 //... AnBn são paralelas.Bn são as bases do prisma. B2..An e B1B2.. o polígono A1A2. Bn são vértices de um poliedro denominado prisma.. .. SEÇÕES DEFINIÇÃO: A interseção de um prisma com um plano paralelo às bases determina uma seção transversal. . Os pontos A1. obtêm-se B2. A1B1B2A2 é uma face lateral do prisma.An e B1B2. ..An em α e o ponto B1 em β... .

Dn . . A área desta superfície é chamada área total e indicada por St. DEFINIÇÃO: A interseção de um prisma com um plano paralelo às aresta laterais determina uma seção longitudinal. A área desta superfície é chamada área lateral e indicada por SR.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 165 Exemplo: C1C2..Cn .. Exemplo: D1D2. O polígono determinado pela seção transversal é congruente as bases... SUPERFÍCIES DEFINIÇÃO: Superfície lateral é a reunião das faces laterais. DEFINIÇÃO: A interseção de um prisma com um plano perpendicular às arestas laterais determina uma seção reta (ou ortogonal). DEFINIÇÃO: Superfície total é a reunião da superfície lateral com as bases.

pentagonal. as faces laterais são retângulos. A altura h do prisma reto tem a medida do comprimento da aresta lateral.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 166 CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO: Um prisma é reto quando as arestas laterais são perpendiculares às bases. Um prisma é oblíquo quando não A altura de um prisma oblíquo relaciona-se com o comprimento l da aresta lateral e o ângulo α de inclinação do prisma. conforme sua base seja um triângulo. etc. hexagonal. quadrangular. um quadrado. NATUREZA DE UM PRISMA Um prisma será triangular. . que é o ângulo entre a aresta lateral e o plano da base. DEFINIÇÃO: Um prisma é regular quando as suas bases são polígonos regulares. etc. suas bases são seções retas. DEFINIÇÃO: for reto. ou seja. Num prisma reto.

A superfície total de um paralelepípedo é a reunião de seis paralelogramos. 4 de comprimento b e 4 de comprimento c. A superfície total de um paralelepípedo reto é a reunião de quatro retângulos (faces laterais) com dois paralelogramos (bases). b e c (comprimento. Como d é diagonal do paralelepípedo retângulo e AF é perpendicular a GF = b então d2 = e2 + b2 sendo e diagonal da face retangular.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 167 PARALELEPÍPEDO DEFINIÇÃO: Um paralelepípedo é um prisma cujas bases são paralelogramos. ou ortoedro é um prisma reto cujas bases são retângulos. DEFINIÇÃO: Um paralelepípedo reto é um prisma reto cujas bases são paralelogramos. largura e altura). então e2 = a2 + c2 logo d2 = a2 + b2 + c2 ou d = . DEFINIÇÃO: Um paralelepípedo reto-retângulo ou paralelepípedo retângulo. O mesmo possui 12 arestas. a) DIAGONAL O paralelepípedo retângulo possui quatro diagonais. DEFINIÇÃO: Um cubo é um paralelepípedo retângulo cujas arestas são congruentes. ele fica caracterizado por três medidas: a. sendo 4 de comprimento a. Assim. ESTUDO DO PARALELEPÍPEDO RETÂNGULO Consideremos um paralelepípedo retângulo. A superfície total de um paralelepípedo retângulo é a reunião de seis retângulos.

SABCD = SEFGH = ab. ou seja. b e c é V = abc. SADHE = SBCGF = bc. então o volume de S é a soma dos volumes de S1 com S2. EXERCÍCIO: Dado um cubo de aresta l. SABFE = SDCGH = ac.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 168 b) ÁREA DE UMA FACE A área de cada face é dada pelo produto de dois lados não paralelos. então os sólidos têm áreas iguais. ou seja. PRINCÍPIO DE CAVALIERI (OU POSTULADO DE CAVALIERI) Dados alguns sólidos e um plano. a área total e o volume do cubo. calcule em função de l a diagonal. SABCD + SEFGH + SABFE + SDCGH + SADHE + SBCGF = 2(ab+ac+bc) d) VOLUME O volume de um sólido é um número real positivo associado a ele tal que: 1) sólidos congruentes têm o mesmo volume. se todo plano paralelo ao plano dado que intercepta um dos sólidos interceptar também os outros e se as seções assim obtidas tiverem áreas iguais. ou seja. O volume de um paralelepípedo retângulo de arestas a. 2) se um sólido S é a reunião de dois sólidos S1 e S2 que não têm pontos interiores comuns. . c) ÁREA TOTAL É dada pela soma das áreas das faces. é dado pelo produto da área da base pela altura.

intercepta os dois sólidos em suas seções transversais.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 169 Quando as seções têm sempre a mesma área (seções equivalentes). as seções determinadas pelo plano β são equivalentes. Um plano β qualquer. Como o volume do paralelepípedo retângulo é dado pelo produto da área da base pela altura e a área da base do paralelepípedo é a mesma que a do prisma. São dados um paralelepípedo retângulo e um prisma tais que possuam bases equivalentes apoiadas num plano α e alturas iguais. ESTUDO DO PRISMA REGULAR Sabemos que um prisma é dito regular se e somente se ele é reto e sua base é um polígono regular. os sólidos são equivalentes. podemos calcular o volume de um prisma qualquer. paralelo ao plano α. então o volume do prisma é dado pelo produto da área da base pela altura. . VOLUME DE UM PRISMA QUALQUER Utilizando o princípio de Cavalieri. os sólidos têm sempre o mesmo volume (sólidos equivalentes). pelo princípio de Cavalieri. Assim. Como as seções transversais de um prisma são congruentes às suas bases e as bases dos dois prismas são equivalentes.

a c) VOLUME V = Sb.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 170 1) PRISMA REGULAR TRIANGULAR a) ÁREA DA BASE É a área do triângulo equilátero de lado b.altura)/2 Sb = b) ÁREA TOTAL St = SR + 2Sb St = 3(b. b2 = hf2 + (b/2)2 hf2 = b2 − b2/4 hf2 = (3b2)/4 hf = S = (base.a = (3b).h) + 2 c) VOLUME V = Sb.a = 3ba b) ÁREA TOTAL St = SR + 2St St = 6(bh) + 6b.h V = 3bah . Sb = p.h V=h 2) PRISMA REGULAR HEXAGONAL a) ÁREA DA BASE É a área do hexágono regular de lado b.

VA2.An e vértice V o obtido. 02. . a altura desse prisma tem a mesma medida do apótema da sua base. Calcular o volume de ar contido em um galpão cuja forma e dimensões são dadas pela figura abaixo. A aresta da base de um prisma regular hexagonal mede 4m.. Demonstre que as diagonais de um paralelepípedo retângulo são congruentes. Chama-se pirâmide de base A1A2.. obtemos VA1. 04... PIRÂMIDE DEFINIÇÃO: Consideremos um polígono convexo A1A2. poliedro de n faces triangulares e uma base p o l i g o n a l a s s i m . Calcular o volume de um prisma regular quadrangular cuja altura é o dobro da aresta da base e cuja área lateral mede 200cm2... 03... ELEMENTOS: .An em um plano α e um ponto V fora de α..A1A2 é uma aresta da base da pirâmide. VAn.An é a base da pirâmide.O polígono A1A2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 171 EXERCÍCIOS 01. . Calcular a área total e o volume do prisma.

... .. DEFINIÇÃO: Superfície total é a reunião da superfície lateral com a superfície da base da pirâmide.. . A área desta superfície é chamada área total e indicada por St.Bn são semelhantes..a distância h do ponto V ao plano α da base é a altura da pirâmide.VA1 é uma aresta lateral da pirâmide.. Exemplo: B1B2. e a razão de semelhança é: pois B1B2 // A1A2 Y ∆VB1B2 ~ ∆VA1A2. SEÇÃO TRANSVERSAL DEFINIÇÃO: A interseção de uma pirâmide com um plano paralelo à base determina uma seção transversal..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 172 . SUPERFÍCIES DEFINIÇÃO: Superfície lateral é a reunião das faces laterais da pirâmide. . RAZÃO DE SEMELHANÇA Os polígonos A1A2.. ∆VB2B3 ~ ∆VA2A3. A área desta superfície é chamada área lateral e indicada por SR.Bn .VA1A2 é uma face lateral da pirâmide.An e B1B2.

conforme sua base seja um triângulo. quadrangular. TETRAEDRO DEFINIÇÃO: DEFINIÇÃO: si. Pirâmide regular é uma pirâmide cuja base é um polígono regular e a projeção ortogonal do vértice sobre o plano da base é o centro da base.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 173 CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO: DEFINIÇÃO: Uma pirâmide é reta quando o vértice V é equidistante dos vértices da base. Tetraedro é uma pirâmide triangular. pentagonal. hexagonal. etc. NATUREZA DE UMA PIRÂMIDE Uma pirâmide será triangular. Numa pirâmide regular as arestas laterais são congruentes e as faces laterais são triângulos isósceles. DEFINIÇÃO: Chama-se apótema de uma pirâmide regular a altura de uma face lateral (relativa ao lado da base). etc. um quadrado. Chama-se apótema da base o apótema do polígono da base. Tetraedro regular é um tetraedro que possui as seis arestas congruentes entre .

V = Generalizando para qualquer pirâmide. 4o) considerar a outra pirâmide DEBC. sendo C o vértice. As duas pirâmides têm em comum a aresta DC. tem o mesmo volume. Portanto. as duas pirâmides têm a mesma base e mesma altura. portanto. o prisma ABCDEF ficou dividido em três pirâmides de volumes iguais. Logo. Estas duas pirâmides têm bases congruentes (∆ABD = ∆BED por LLL) e mesma altura. pela definição de prisma. . de vértice C. 3o) considerar novamente a pirâmide ABCD. 2o) considerar DEFC a segunda pirâmide. e ainda DA = FC = h. Este pode ser decomposto em três pirâmides triangulares: 1o) considerar o triângulo ABC a base e D o vértice otendo a pirâmide ABCD. temos o mesmo volume. Logo. Logo possuem o mesmo volume.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 174 VOLUME DE UMA PIRÂMIDE Consideremos inicialmente um prisma triangular ABCDEF. O volume de cada pirâmide é um terço do volume do prisma. de vértice C. A base ABC é congruente a DEF.

. Uma pirâmide quadrangular regular de altura 4cm possui a aresta da base igual a 6 cm. Obtemos assim uma pirâmide regular de vértice V e base B1B2. e) a área lateral SR.. ELEMENTOS: B1B2. f) a área total St.An é a base maior B. Calcular: a) o apótema a da base. Calcular a altura. A1A2. .Bn semelhante a primeira. g) o volume V.... d) a área da base Sb.. c) a aresta lateral f da pirâmide. TRONCO DE PIRÂMIDE DEFINIÇÃO: Dada uma pirâmide regular de vértice V.An e altura H..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 175 EXERCÍCIOS 01. tomemos a seção B1B2. b) o apótema m da pirâmide.. O sólido obtido pela eliminação da pirâmide de altura h é chamado tronco de pirâmide. 02. a área total e o volume de um tetraedro regular de aresta 6m.Bn paralela à base e à distância h do vértice V...Bn é a base menor b. base A1A2.

.Bn . suas bases são circunferências que estão contidas em planos paralelos. ou seja. a altura do cilindro é a distância dos planos das bases. CORPOS REDONDOS E SÓLIDOS DE REVOLUÇÃO CILINDRO DEFINIÇÃO: Cilindro circular é um prisma de base regular com o número de vértices das bases tendendo ao infinito. são trapézios... Uma definição análoga para cilindros é a seguinte: DEFINIÇÃO: a zero..An e V2 é o volume da pirâmide VB1B2. obtido através de uma seção transversal sobre uma pirâmide regular. SR = + Se o tronco de pirâmide for regular. tem-se o cilindro circular reto. a reta que contém os centros das circunferências é o eixo do cilindro. então a altura da face do tronco de pirâmide regular é chamada de apótema do tronco da pirâmide regular. ELEMENTOS: as arestas são denominadas geratrizes do cilindro..ELEMENTOS DE GEOMETRIA 176 as faces laterais B1A1A2B2. ou seja. Quando as arestas são perpendiculares às bases.. + .. a) ÁREA LATERAL É dada pela soma das áreas de cada face. Cilindro circular é um prisma de base regular com a medida da área de cada face lateral tendendo .. b) VOLUME V = V1 − V2 onde V1 é o volume da pirâmide VA1A2.

O cilindro circular oblíquo não é um cilindro de rotação. DEFINIÇÃO: Cilindro equilátero é o que possui como seção meridiana um quadrado. g = 2R. Uma definição para este tipo de cilindros é a seguinte: DEFINIÇÃO: Cilindro de rotação ou de revolução é o sólido gerado pela rotação de um retângulo em torno de um eixo que contém um de seus lados. A altura do cilindro circular reto é a geratriz do mesmo. DEFINIÇÃO: Seção longitudinal ou meridiana de um cilindro de rotação é um retângulo de lados g e 2R que contém o eixo do cilindro. No cilindro equilátero. O cilindro circular reto é um dos sólidos de revolução. .ELEMENTOS DE GEOMETRIA 177 R é o raio da base do cilindro. ÁREA TOTAL É dada pela soma da área lateral com a área das bases. SEÇÕES DO CILINDRO DE REVOLUÇÃO DEFINIÇÃO: Seção transversal de um cilindro de rotação é um círculo paralelo às bases e congruente a elas. Observação: Um cilindro circular é oblíquo quando a geratriz não é perpendicular ao círculo da base.

um cilindro é um prisma com o número de vértices da base tendendo ao infinito. o volume do cilindro é igual ao produto da área da base pela altura. V = πr2. Quando a pirâmide for reta. por definição. o volume do cilindro é calculado da mesma maneira do que o volume do prisma.πr2 = 2πr(h + r) VOLUME DO CILINDRO CIRCULAR Como.h EXERCÍCIO: Deduzir a área do cilindro utilizando o princípio de Cavalieri. CONE DEFINIÇÃO: Cone circular é a pirâmide de base regular cujo número de vértices da base tende ao infinito. . tem-se o cone circular reto.h e Sb = πr2.h + 2. Desta forma. assim St = SR + 2Sb = 2πr.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 178 SR = 2πr.

Da semelhança de triângulos: DEFINIÇÃO: Seção longitudinal ou meridiana de um cone de revolução é um triângulo isósceles de base 2R e lados g cuja altura é a altura do cone. . Uma definição para este cone circular é dada da seguinte forma: DEFINIÇÃO: Cone de rotação ou de revolução é o sólido gerado pela rotação de um triângulo retângulo em torno de um eixo que contém um de seus catetos.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 179 ELEMENTOS: as arestas da pirâmide são as geratrizes do cone. SEÇÕES DO CONE DE REVOLUÇÃO DEFINIÇÃO: Seção transversal de um cone de rotação é um círculo paralelo à base. h é a altura do cone. g2 = h2 + R2. Uma definição análoga para cones é a seguinte: DEFINIÇÃO: Cone circular é a pirâmide de base regular cuja medida da área de cada face lateral tende a zero. R é o raio da base do cone. sua base é uma circunferência. O cone circulare reto é um sólido de revolução. no cone circular reto.

g + πR2 = πR(g + R). o volume do cone é calculado do mesmo modo que o volume da pirâmide. No cone equilátero. um cone circular é uma pirâmide de base regular com o número de vértices da base tendendo ao infinito. g = 2R.R) e Sb = πR2. Por este motivo. VOLUME DO CONE CIRCULAR Por definição.g (área do setor circular de raio g e comprimento 2π. V = 1/3 (πR2). SR = πR. Deste modo. . h EXERCÍCIO: Deduzir o volume de um cone utilizando o princípio de Cavalieri. assim St = SR + Sb = πR. O cone circular oblíquo não é um cone de rotação. ÁREA TOTAL É dada pela soma da área lateral com a área da base. ou seja.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 180 Observação: Um cilindro circular é oblíquo quando o eixo não é perpendicular ao círculo da base. o volume de um cone é igual a um terço do produto da área da sua base por sua altura. DEFINIÇÃO: Cone equilátero é o que tem por seção meridiana um triângulo equilátero.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 181 TRONCO DE CONE DEFINIÇÃO: Dado um cone de revolução de vértice V. c) VOLUME O volume do tronco de cone é a diferença entre os volumes dos dois cones semelhantes. . Observação: Na figura temos triângulos semelhantes logo ou a) ÁREA LATERAL A área lateral do tronco de cone é a diferença entre as áreas laterais dos dois cones semelhantes. b) ÁREA TOTAL A área total do tronco de cone é a soma da área lateral com a área das bases. considere- mos a seção transversal à distância d da base. O sólido obtido pela eliminação do cone de altura h é chamado tronco de cone. este possui duas bases circulares de raios r e R e altura d. altura H e raio da base R. Obtemos assim um cone de revolução de vértice V. altura h = (H − d) e raio da base r.

ELEMENTOS DE GEOMETRIA 182 ESFERA DEFINIÇÃO: Esfera é o lugar geométrico dos pontos com distância menor ou igual do que uma constante R de um ponto fixo O. . O círculo máximo da esfera tem raio igual ao da esfera. Outras definições para esfera e superfície esférica são as seguintes: DEFINIÇÃO: Esfera é o sólido gerado pela rotação de um semi-círculo em torno de um eixo que contém o seu diâmetro. DEFINIÇÃO: Superfície esférica é a supereixo que fície gerada pela rotação de uma semicircunferência em torno de um contém o seu diâmetro. SEÇÕES A seção de uma esfera de raio R por um plano a uma distância d de seu centro é um círculo de raio r tal que R2 = d2 + r2. a distância constante R é o raio da esfera. pontos equidistantes de um ponto fixo O a uma distância A esfera é um sólido de revolução. DEFINIÇÃO: A superfície esférica é o lugar geométrico dos R. ELEMENTOS: o ponto fixo O é denominado centro da esfera.

A circunferência máxima da superfície esférica tem raio igual ao da superfície esférica. . O volume de um cunha esférica é proporcional ao ângulo θ da rotação que a gerou. CUNHA E FUSO DEFINIÇÃO: Cunha esférica é o sólido obtido de uma rotação incompleta de um semi-círculo em torno de um eixo que contém o seu diâmetro. rotação incompleta de torno de um eixo que A área do fuso esférico é proporcional ao ângulo θ da rotação que o gerou. VOLUME DA ESFERA O volume da esfera de raio R é dado por ÁREA DA SUPERFÍCIE ESFÉRICA A área de uma superfície esférica de raio R é dada por S = 4πR2.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 183 A seção de uma superfície esférica de raio R por um plano a uma distância d de seu centro O é um circunferência de raio r tal que R2 = d2 + r2. DEFINIÇÃO: Fuso esférico é a superfície obtida de uma uma semi-circunferência em contém o seu diâmetro.

composta por 12 gomos exatamente iguais. Uma laranja pode ser considerada uma esfera de raio R. 04.calcular a área lateral A da superfície cônica gerada pelos raios luminosos de comprimeto t que tangenciam a esfera. encontrar o valor de h em função dos dados. então a expressão do volume deste cone em função do raio da esfera é: 07. formando-se um cone mostrado na figura ao lado. Calcular a superfície total de cada gomo. Se numa esfera de raio R. . Se S é a área total de um cilindro circular reto de altura h. 06. Calcular o volume do tronco.calcular o volume V da esfera. Num tronco de cone reto. circunscrevemos um cone circular reto cuja geratriz é igual ao diâmetro da base. A posição da apulheta é invertida. Sabendo-se que o comprimento t do raio luminoso que tangencia a esfera é igual a cm: . (o cone B completamente cheio de areia). Uma amplulheta repousa numa mesa como mostra a figura abaixo. . e se m é a razão direta entre a área lateral e a soma das áreas das bases.calcular a área S da porção iluminada da esfera. Um ponto luminoso está situado a uma distância d de uma esfera cujo raio é o dobro de d. 05. cada cone contém a metade da areia.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 184 EXERCÍCIOS 01. onde R mede 3 cm. Considere o tetraedro regular inscrito em uma esfera de raio R. Calcular a soma das medidas de todas as arestas do tetraedro. . Neste instante. Qual é a altura deste cone? 02. os perímetros das bases são 16π cm e 8π cm e a geratriz mede 5 cm. 03.

09. Geometria. Oswaldo. Vols 9 e 10. 08. Scipione di e GÔES. 2 e 3. Geometria Euclidiana Plana. Sociedade Brasileira de Matemática. Editora Scipione. Livreiros Editores. PUTNOKI. 04. São Paulo.B. Carlos M. Matemática por Assunto. MARMO. Atual Editora LTDA. F. Editora do Brasil S. Osvaldo e POMPEO. Vol 6. Ignace. São Paulo. 07. 10. 05. Elementos de Geometria e Desenho Geométrico. 06. Poliedros. . João Lucas Marques. Companhia Editora Nacional. Pedro Puig. Manoel Jairo. Célia Contin.A. GONÇALVES Jr. PIERRO NETTO. José Carlos. Curso de Matemática. Briguiet e Cia. Elementos de Geometria. Fundamentos de Matemática Elementar. CHAPUT. Rio de Janeiro. 11. BEZERRA. 03. Editros. RANGEL. Editora Scipione. 02. DOLCE. Alcyr Pinheiro.Geometria Plana e Espacial. Geometria Métrica. José Nicolau. Oscar.ELEMENTOS DE GEOMETRIA 185 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 01. BARBOSA. Matemática na Escola Renovada. Vol 1. MARCONDES. ADAM. Curso de Desenho. 2 e 3. F. Vol 1.

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