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GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


FICHA TÉCNICA

Direção Geral
Silvio Nobuyuki Akiyoshi

Diretor Comercial
Vagner Cauneto

Diretor Financeiro
Wilson Hara

Coordenação do Curso
Neir Moreira da Silva

Coordenação de Educação a Distância


Elizandra Jackiw

Revisão Editorial
Wanderlane Gurgel do Amaral
Jacqueline Morissugui Cardoso

Diagramação
Renata Ballarini Troiani Vicentini
Lucas Gomes

Catalogação na fonte da Biblioteca da Faculdade São Braz

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Indicações de ícones
Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem e facilitar a organi-
zação e a leitura hipertextual.

VOCABULÁRIO: indica a utilização de um termo, palavra ou expressão no texto.

SAIBA MAIS: Oferece novas informações que inriquecem o assunto,


ou “curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado.

ATENÇÃO: Indica pontos de maior relevância no texto.

MÍDIAS INTEGRADAS: indica o uso de diferentes mídias: vídeos, filmes,


jornais, ambiente de aprendizagem entre outras.

ATIVIDADE DE APRENDIZAGEM
1) Apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem
para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu domínio
do tema estudado.

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GUIA DA DISCIPLINA

Este guia da disciplina e as rotas de aprendizagem fornecem um direcionamento


para os seus estudos, por isso, podem ser acessados a qualquer momento do percurso
da disciplina. Lembramos que o tutor online é o seu primeiro ponto de apoio nesse
processo educacional, por isso, conte com ele sempre que desejar.

1- Título da Disciplina
Geografia e Arqueologia Bíblica
2- Carga Horária
2.1 Carga horária total: 80 horas
2.2 Carga horária presencial: encontros obrigatórios realizados uma vez por mês
na instituição. Esse momento é destinado à interação com o tutor presencial e colegas
de turma para a discussão e socialização das temáticas estudadas. Para integração
dos conhecimentos, serão propostas atividades em equipe, como: apresentações,
pesquisas, discussões e outros.
2.3 Carga horária a distância: horas de estudos com orientação dos tutores
online. Esses estudos incluem videoaula, participação em fóruns, chats e outras
atividades no ambiente virtual de aprendizagem.

3- Ementa
Estudo do contexto geográfico a partir dos relatos bíblicos, bem como a realidade
histórico-político-econômica dos povos bíblicos, tanto do Antigo quanto do Novo
Testamento. Compreensão arqueológica dos fatos bíblicos e das implicações na história
da teologia e da igreja.

4- Objetivos Geral
Compreender o contexto geográfico e arqueologia bíblico, tanto no Antigo como do
Novo Testamento.
4.2 Objetivos Específicos:
Conhecer a geografia, arqueologia bíblica e a cosmovisão do povo bíblico, na
Mesopotâmia. A peregrinação de Abrão, Isaque e Jacó.
Entender a trajetória do povo de Israel do Egito a Canaã.
Compreender a Ascenção e queda do Reino de Israel e sua divisão reino do Norte e
reino do Sul. Conhecer os reis Saul, Davi e Salomão.
Compreender da restauração de Judá a expansão do cristianismo.

5- Programa
1. Das origens ao Egito
1.1. Geografia e Arqueologia Bíblica
2. Do Egito à Colonização de Canaã

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2.1. O Egito
3. O Reino de Israel – ascensão e queda
3.1. Primórdios do reino unido
4. Da restauração de Judá à expansão do cristianismo
4.1. Período Persa

6- Metodologia
Você estará em contato com os colegas e com os tutores por meio de uma sala
de aula virtual de aprendizagem – (AVA), exclusiva para esta disciplina, disponibilizada
na Plataforma Moodle, que é um programa computacional conectado à Internet.
No AVA a disciplina está organizada em rotas de aprendizagem. A rota de
aprendizagem é um aprofundamento detalhado desse plano de ensino da disciplina.
Cada etapa das rotas de aprendizagem tem duração semanal e iniciam com atividades
de sensibilização e contextualização sobre as temáticas a serem estudadas disciplina.
Após a semana destinada à sensibilização e contextualização da temática,
você inicia a leitura do material didático (livro) e assistirá as vídeoaulas. É importante
observar os horários dos chats para a discussão e interação com os colegas do curso e
com o tutor online.
Nas rotas de aprendizagem também estão previstas atividades online. Você
poderá realizar as atividades sugeridas e, dialogar com os seus colegas de estudo e
tutores. A organização das rotas de aprendizagem prevê, por módulo, dois encontros
presenciais obrigatórios no polo de apoio. Durante os encontros presenciais com sua
turma, serão propostas atividades para você resolver, seja individualmente ou em
grupo, com a supervisão do tutor do seu polo.

7- Avaliação
A avaliação da aprendizagem se efetiva no percurso da disciplina, a partir das
atividades realizadas no ambiente virtual de aprendizagem, por meio dos registros das
análises críticas das leituras, participação nos fóruns, desenvolvimento de pesquisa,
produção de textos e outros.
Nos encontros presenciais, a partir das atividades desenvolvidas.
Avaliação escrita ao término da disciplina, na modalidade presencial e sem
consulta.
A média para a aprovação em cada disciplina deve ser igual ou superior a 7,0 e
é composta da seguinte maneira:

( Soma das atividades online) X 4 + (Nota prova presencial) X 6 : 10 = MÉDIA

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Caso não atinja essa média, você poderá realizar uma avaliação de exame final,
desde que tenha frequência mínima de 75% e média não inferior a quarenta (40). No
exame final será aprovado o aluno que obtiver grau numérico (nota) igual ou superior a
50 na média aritmética entre o grau do exame final e a média do conjunto das avaliações
realizadas. Alunos que não obtiverem a nota mínima de 50 estarão reprovados. A
frequência mínima de 75% compreende a presença nas atividades presenciais previstas
e as atividades descritas nas rotas de aprendizagem. A frequência das atividades
presenciais é apreciada e monitorada pelo tutor do polo via portal acadêmico (relatório
de chamada). Para as atividades a distância, a frequência é aferida através do sistema
acadêmico da FSB (sala de aula virtual Moodle, no qual é possível retirar relatórios a
respeito dos acessos dos estudantes, downloads realizados, mensagens enviadas e
recebidas, postagens nos fóruns e participação nos chats.

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Palavra do professor-autor

Olá Aluno, olá aluna!

Seja bem-vindo, seja bem-vinda, à disciplina Geografia e Arqueologia Bíblica.


Nela você conhecerá a geografia e a arqueologia bíblica e como se deu o encontro de
Deus com a humanidade. Conhecer a Geografia bíblica nos leva ao estudo sistêmico da
revelação divina e a influência dela na vida dos habitantes da terra prometida.
Considerada em suas relações históricas e geográficas, as Escrituras se veem
em sua verdadeira perspectiva e adquirem importância que não somente mostra sua
relação com a História Universal, mas também se reveste de novo significado, cor,
fragrância, até os menores detalhes das páginas sagradas (MONEY, 2005, p. 11).
Espero que os assuntos aqui abordados contribuam para seu crescimento
espiritual e sirvam para enriquecer sua ação diária como cristão.

Bons estudos!

Professor Sandro Pereira

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Sumário

AULA 1 – DAS ORIGENS AO EGITO 11

1. Introdução.......................................................................................................11
1.1 Geografia e Arqueologia Bíblica.......................................................................11
1.2 A Importância da geografia bíblica..................................................................13
1.3 Cosmovisão do povo da Bíblia.........................................................................14
1.3.1 Planeta Terra: o berço da vida.........................................................................14
1.3.2 O mapa-múndi como casa dos povos..............................................................15
1.4 Mesopotâmia...................................................................................................15
1.4.1 O Crescente Fértil.............................................................................................17
1.4.2 Breve esboço do Crescente Fértil.....................................................................17
1.5 Origem da escrita.............................................................................................18
1.5.1 Abrão, o migrante.............................................................................................19
1.5.2 A peregrinação de Isaque.................................................................................21
1.5.3 Peregrinação de Jacó.......................................................................................21

AULA 2 – DO EGITO Á COLONIZAÇÃO DE CANAÃ 24

2.1 O Egito.............................................................................................................24
2.1.1 A escravidão de Israel no Egito.........................................................................25
2.2 Midiã................................................................................................................27
2.2.1 A peregrinação no deserto - O Êxodo..............................................................28
2.3 Josué e a conquista da terra.............................................................................33
2.4 O período dos juízes de Israel..........................................................................38

AULA 3 – O REINO DE ISRAEL - ASCENSÃO E QUEDA 39

3.1 Primórdios do reino unido...............................................................................39


3.2 O reinado de Saul............................................................................................40
3.3 Império de Davi...............................................................................................41
3.4 Salomão alarga as fronteiras............................................................................42
3.4.1 A divisão do reino............................................................................................44
3.4.2 O Reino do Norte - Israel..................................................................................46

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3.5 Assíria...............................................................................................................46
3.5.1 O fim do Reino do Norte..................................................................................47
3.6 O Reino do Sul - Judá.......................................................................................49
3.7 Babilônia..........................................................................................................50
3.7.1 O fim do Reino do Sul - Judá........................................................................... 51

AULA 4 – DA RESTAURAÇÃO DE JUDÁ À EXPANSÃO DO CRISTIANISMO 53

4.1 Período Persa....................................................................................................53


4.2 A restauração dos muros de Israel...................................................................54
4.3 O Império Grego...............................................................................................55
4.4 Ptolomeus.........................................................................................................57
4.5 Selêucidas........................................................................................................58
4.6 Macabeus.........................................................................................................58
4.7 Herodes, o grande............................................................................................59
4.8 Palestina no período do Novo Testamento......................................................59
4.8.1 Judeia...............................................................................................................60
4.8.2 Samaria............................................................................................................60
4.8.3 Galileia..............................................................................................................61
4.8.4 Pereia................................................................................................................61
4.8.5 Decápolis..........................................................................................................61
4.8.6 A terra de Israel no tempo de Jesus.................................................................61
4.9.1 Inauguração do ministério de Jesus.................................................................62
4.9.2 Ministério na Judeia.........................................................................................62
4.9.3 Ministério na Galileia.......................................................................................63
4.9.4 Jerusalém, Nazaré e Cafarnaum.......................................................................63
4.9.5 Outras regiões mencionadas no ministério de Jesus.......................................63
4.10. Lugares relacionados às viagens de Filipe, Pedro e Paulo................................64
4.10.1 Lugares relacionados às viagens de Filipe........................................................64
4.10.2 Lugares relacionados às viagens de Pedro.......................................................65
4.10.3 Lugares relacionados às viagens de Paulo.......................................................65

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Aula 1
Das origens ao Egito

Olá! Seja bem-vindo, seja bem-vinda à disciplina Geografia e Arqueologia Bíblica.


Esta é a nossa primeira aula e nela você conhecerá o que é, e que importância tem a
arqueologia bíblica. Vamos lá?

1.1 Geografia e Arqueologia Bíblica

Ao estudarmos as terras bíblicas, podemos descobrir como se deu o encontro


de Deus com a humanidade. A região na qual viveu o povo da Bíblia e os lugares
importantes que aparecem, muitas vezes, nomeados e descritos nas suas narrativas,
estão bem situados no mapa-múndi. A Geografia e a Arqueologia Bíblica nos levam a
ver de perto as terras onde Deus se revelou ao povo como Um e como Libertador. Deus
foi acolhido pelo povo de Israel e mais tarde proclamado a toda humanidade. São as
terras onde a história da Bíblia foi vivida e depois escrita.
Antes, contudo, de iniciarmos nossa aproximação das terras bíblicas
propriamente ditas, vamos compreender o que vem a ser Geografia e Arqueologia
Bíblica, bem como a sua importância.
Em primeiro lugar, é importante definir o que vem a ser esta disciplina. Os
estudos mais recentes mostram que, durante séculos, a Geografia delimitou-se a
descrever a Terra. A partir do século XIX, no entanto, assumiu um caráter mais científico.
Nos dias atuais, a Geografia não se limita a descrever, na verdade ela procura ainda
explicar os fatos estudados e as suas diversas relações (ANDRADE, 2006, p. 8).
Observado do ponto de vista etimológico, o vocábulo geografia deriva-se de
dois outros vocábulos gregos: geo, terra, e graphein, descrever. Ou seja, a Geografia
pode ser definida como a ciência que tem como objeto de estudo a descrição
sistemática e ordenada da superfície da Terra. Atém-se ao estudo de seus acidentes
físicos, os diversos tipos de solos, de vegetações e de climas. Segundo a informação de
Andrade (2006, p. 9), a Geografia ocupa-se também da pesquisa das relações entre o
meio natural e os diversos agrupamentos humanos. Nesta definição, a Geografia está
sendo considerada do ponto de vista global, ou seja, da Geografia enquanto disciplina
geral. Money (2005), entretanto, define mais precisamente o que vem a ser “Geografia
A Geografia Bíblica ocupa-se do estudo sistemático do cenário da revelação
divina e da influência que teve o meio ambiente na vida de seus habitantes.
Considerada em suas relações históricas e geográficas, as Escrituras se veem

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em sua verdadeira perspectiva e adquirem um novo relevo que não somente
mostra sua relação com a História Universal, mas também se reveste de novo
significado, cor, fragrância, até os menores detalhes das Páginas Sagradas.
(MONEY, 2005, p. 11).

Dessa forma, se o objeto da Geografia é proporcionar a descrição e a


interpretação, de maneira precisa, ordenada e racional, do caráter variável da superfície
da Terra, podemos afirmar que, para nós, importa a interpretação das “terras do
mundo bíblico” (ANDRADE, 2006, p. 9). Percebemos, assim, que a Geografia pode ser
caracterizada como uma disciplina descritiva.
Como nosso foco recai sobre a Bíblia, concordamos com Andrade (2006, p.
13), quando diz que a Geografia Bíblica tem por objetivo o conhecimento das diferentes
áreas da Terra relacionadas com as Sagradas Escrituras, pois descreve e delimita as
narrativas bíblicas, dando-lhes mais consistência e autenticidade, auxiliando-nos na
interpretação e compreensão dos fatos bíblicos.
A Geografia Bíblica por vezes é definida como o “painel bíblico em que o Reino
de Deus teve o seu início e onde experimentou seus triunfos”. Ela é indispensável a todos
os estudiosos da Bíblia (ADAMS, apud ANDRADE, 2006, p. 14). Também nos convida
a uma fascinante viagem que, a partir da Mesopotâmia, nos conduz até a Europa.
O roteiro é, de fato, encontrado nas passagens da Bíblia. As diversas informações e
referências geográficas contidas na Bíblia reconstituem, de alguma forma, a topografia
e as divisões políticas do Antigo “Oriente Próximo”.
No que diz respeito à Arqueologia Bíblica, enfatizamos que esse assunto passou
a fazer parte do currículo das faculdades bíblicas e teológicas nos últimos quarenta
anos. É, portanto, uma disciplina nova. As primeiras pesquisas na Palestina ocorreram
há pouco mais de um século. Hoje, todavia, trata-se de um ramo vital da pesquisa bíblica
em geral, cujo progresso tem sido enorme nos últimos anos. A Arqueologia Bíblica possui
toda a fascinação da ciência da arqueologia, que busca desvendar a história das eras
passadas escavando seus remanescentes materiais. Contudo, a “nossa” Arqueologia
Bíblica acrescenta o interesse de que, mediante este estudo, podemos compreender e
interpretar melhor o nosso “manual de fé”, a Bíblia Sagrada (THOMPSON, 2007, p. 21).
Isso nos leva a pensar que este é

[...] um fato que nunca deixa de ser motivo de admiração, que o Criador
do Universo viesse a se interessar numa parcela tão insignificante de sua
Criação, como nosso planeta, porém aumenta milhares de vezes o assombro
do estudante ao dar-se conta de que os sucessos relacionados com o Povo
Escolhido e o Salvador do Mundo se desenvolveram dentro de um pequeno
retângulo da Ásia Ocidental, que não representa mais que a 234ª. parte da
superfície terrestre. (MONEY, 2005, p. 11)

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 12


Com isso, percebemos que, mesmo no estudo científico da Geografia e da
Arqueologia Bíblica, nos deparamos com algo de sobrenatural. Por fim, salientamos
que não é possível autenticar arqueologicamente tudo o que se encontra na Bíblia.
Muitas das suas declarações estão além da esfera da investigação arqueológica. Nenhum
escavador pode comentar, por exemplo, a simples declaração: “Abraão creu em Deus,
e isso lhe foi imputado para justiça”. Todavia, na esfera que lhe é peculiar, estas duas
ciências – a Geografia e a Arqueologia – contribuem muito para os estudiosos dos textos
sagrados.

1.2 A importância da geografia bíblica


Uma vez que o ser humano exige cada vez mais uma concepção temporal e
espacial, frequentemente indagand-se: Onde exatamente ocorreu tal fato? Onde foi
que tudo teve seu início? E o término? Podemos saber onde ocorrerá? Diante desses
questionamentos, a História, tendo em vista seu foco mais literário, nem sempre é
capaz de responder tais questionamentos com a precisão que o homem dos dia de hoje
almeja. É assim que, obrigamo-nos a recorrer à Geografia e Arqueologia.
Andrade (2006, p. 8) ressalta a importância desta realidade quando afirma que
uma vez situado cada drama em seu respectivo palco, localizando cada sítio arqueológico
e balizando as peregrinações de nossos antepassados, a Geografia nos oferece uma
ideia ampla e clara desse nosso habitat. Através da Geografia Bíblica percorremos os
caminhos de nossos primeiros pais.

Glossário
Habitat: é um termo utilizado na ecologia, que compreende o espaço e o
ecossistema onde os animais se desenvolvem, dentro de uma comunidade.
No caso de espécies vegetais e animais, quando se descreve o habitat, é
importante mencionar outros animais ou plantas que pertencem a essa
comunidade.

Além disso, é importante destacar que o estudo da nossa disciplina fornece


o pano de fundo para a história bíblica. Precisamos admitir que não é suficiente ler
apenas a Bíblia se quisermos apreciar o significado das suas narrativas, uma vez que os
homens da história bíblica viveram em um determinado ambiente. Ainda, que a Bíblia
não é de forma alguma um registro completo. Seria necessária uma biblioteca inteira
para poder recapitular todos os eventos necessários, com o intuito de apresentar um
relato abrangente das experiências do povo de Deus. Contudo, atualmente existe uma
grande quantidade de material extrabíblico disponível para suplementar as histórias
bíblicas.
Os inúmeros autores bíblicos selecionaram somente certos aspectos da
vida deste ou daquele homem/mulher específico(a), pois tinham a intenção de dar

13 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


um quadro completo, mas simplesmente escreveram o que era importante para seu
propósito e deixaram passar em silêncio muitas outras coisas. (THOMPSON, 2007, p.
22).

1.3 Cosmovisão do povo da Bíblia


Os textos encontrados nas Sagradas Escrituras descrevem a Terra conforme
aquilo que o povo de Israel, à semelhança dos povos vizinhos e de seus contemporâneos,
imaginavam e conseguiam observar, de acordo com as condições de sua época. Dessa
forma, a visão do povo de Israel, a Terra era como um disco plano na forma de um círculo
(BÍBLIA, A.T. ISAÍAS 40:22; PROVÉRBIOS 8:27; Jó 26:10). Ela se encontrava no centro do
Universo criado por Deus, rodeado pelas “águas inferiores” e “águas superiores” do
Firmamento (BÍBLIA, A.T. Gênesis 1:7; Jó 8:4). Para o povo de Israel bíblico, as águas
inferiores do Firmamento são formadas pelos oceanos, rios e fontes (BÍBLIA, A.T. SALMO
24:1-2) e as superiores são formadas por nuvens, chuva, orvalho, granizo e neve.
Tanto o Firmamento quanto a Terra são sustentados por sólidas colunas (BÍBLIA, A.T.
PROVÉRBIOS 8:29; MIQUÉIAS 6:2; ISAÍAS 24:18; 2 SAMUEL 22:8). No Firmamento, estão
pendurados o Sol, a Lua e as estrelas, quais luminares da Terra (BÍBLIA, A.T. GÊNESIS
1:16-17). Debaixo da superfície da Terra, encontra-se a morada dos mortos, conhecida
na Bíblia como Sheol (BÍBLIA, A.T. NÚMEROS 16:33; Deuteronômio 32:22; Jó 38:17).
Havia uma divisão que formava o primeiro, o segundo e o terceiro céu, sendo este
último, a morada de Deus, acima das águas superiores (AUTH, 2007, p. 14-16).

Glossário
Sheol: Sheol, Xeol ou Seol, (pronunciado “Sheh-ol”), em Hebraico
(She’ol), é o “túmulo”, ou “cova” ou “a sepultura”. Segundo o Judaísmo
She’ol é o local de purificação espiritual ou punição para os mortos, um
local o mais distante possível do céu.

1.3.1 Planeta Terra: o berço da vida

Figura 1.1: Planeta Terra


Fonte: © Tiago540 / Wikimédia Commons

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Se você observar no mapa-múndi, verá que o Planeta Terra é formado por
grandes oceanos e porções de solo denominadas continentes: a água ocupa em torno
de 75% do globo terrestre e a porção de terra, por conseguinte, corresponde a 25%,
formando cinco continentes – América, África, Ásia, Europa e Oceania. Ainda observando
o mapa-múndi, observaremos que a terra de Israel está situada geograficamente no
continente asiático, entre dois países e, assim, não está isolada do resto do mundo. Isso
significa que Deus sempre esteve perto de nós.

1.3.2 O mapa-múndi como casa dos povos


Através do mapa-múndi, podemos distinguir o hemisfério norte e o hemisfério
sul, além do Leste (Oriente) e o Oeste (Ocidente), conforme os quatro pontos cardeais.
No sentido horizontal, a linha do equador divide a Terra em dois hemisférios: hemisférios
sul, abaixo dessa linha, e hemisfério norte, acima da mesma linha. No sentido vertical,
a partir da visão europeia, costumou-se considerar como Oriente o conjunto de países
situados a leste, ou seja, à direita da Europa, e como Ocidente a própria Europa e o
conjunto de países situados a oeste dela, isto é, à esquerda. Ainda no sentido vertical, foi
estabelecido o meridiano de Greenwich, que divide a Terra em outros dois hemisférios,
para efeito de medidas de latitude (distâncias em ângulos, para leste ou oeste) e para
referência de fusos horários – positivos e negativos (AUTH, 2007, p. 18).
Diante de todas essas referências, podemos localizar com precisão a terra
de Israel, objeto de nosso estudo. Ela compreendia, no final do período dos juízes, o
território que hoje forma o estado de Israel, parte da Síria e da Jordânia. No tempo de
Jesus, estava reduzida ao pequeno território remanescente da Judeia e a um conjunto
de territórios, entre eles a Galiléia, a Ituréia, a Samaria e a Iduméia, sob a autoridade do
rei Herodes, o Grande, nomeado pelos romanos. Todos esses territórios encontram-se
no hemisfério norte, na parte oriental.
A seguir, falaremos sobre a Mesopotâmia.

1.4 Mesopotâmia
A Mesopotâmia faz parte do continente asiático e, como o nome indica,
compreende toda a região entre os rios Tigre e Eufrates, porém se limita a designar a
parte desta região ao norte da Babilônia. Antigamente toda esta planície era de uma
fertilidade exuberante e sustentava uma vasta população (MONEY, 2005, p. 13).

15 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


Figura 1.2: Mapa do Mundo Antigo.
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.° 1.

Desde o ano 3500 a.C., a região Sul, conhecida como Suméria, era ocupada pelos
sumérios, que viveram nas montanhas do Norte e se estabeleceram na região,
próximo ao Golfo Pérsico. Ur era a cidade mais importante, por ser um grande centro
administrativo, religioso, político e econômico. Por volta do ano 1850 a.C., os sumérios
foram dominados pelos acádicos, povo de língua semita (AUTH, 2007, p. 21), que
mudaram da capital de Ur, ao sul, para Acad, no centro da Mesopotâmia.
Este povo dominou grande parte da região, contudo, por pouco tempo, até
cederem novamente ao domínio dos sumérios. Estes, por sua vez, fundaram um novo
império, chamado sumério-acádico. Durante o período em que exerceram esse domínio,
surgiram as construções em forma de torres, que tinham no topo um templo dedicado
a uma divindade. Essas construções se chamavam zigurat. Talvez uma referência à
narrativa da torre de Babel (BÍBLIA, A.T. Gênesis 11:1-9). (AUTH, 2007, p. 21).

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 16


Glossário
Zigurat: eram construções com uma série de plataformas quadradas,
construídas umas sobre as outras. À medida que a construção se elevava, a
última plataforma ficava um pouco menor que a inferior.

1.4.1 O Crescente Fértil

O Crescente Fértil ou Meia-lua Fértil, na Ásia Ocidental, trata-se de uma porção


de terra limitada pelos paralelos de latitude 38º e 28º norte e os meridianos 30º e 50º
oeste de Greenwich. Encerra uma área de 2.184.000 Km2 aproximadamente, dentro
da qual encontramos uma região de terra fértil, o primeiro grande cenário do drama
bíblico.
Segundo Money (2005, p. 12), esta região se estende em forma semicircular
entre o Golfo Pérsico e o sul da Palestina, limitada por uma série de cordilheiras e
encerrando em seu interior o grande deserto da Arábia. Sua história pode ser resumida
numa série de lutas entre os habitantes das serranias e as tribos nômades do deserto
para a possessão da cobiçada Terra Fértil. Seu lado oriental foi o berço da vida e de
sua primeira civilização: em suas grandes curvas, levantaram-se os grandes impérios
dos amorreus, dos assírios, dos caldeus e dos persas; e finalmente foi em seu extremo
ocidental que nasceu Jesus de Nazaré, o Salvador de toda a humanidade.
Israel era um corredor muito disputado entre os grandes impérios do Egito e
da Mesopotâmia. A região recebeu o nome de Crescente Fértil por causa dos grandes
rios: Nilo, no Egito; Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia; e Jordão, em Israel. Esse é
menos favorecido, porque tem menor volume de água. Atualmente, o Crescente Fértil
se estende sobre o Iraque, a Síria, o Líbano, a Jordânia, o Egito e o estado de Israel.
Antes da ocupação do povo de Israel, conforme mencionado, foi o berço de grandes
civilizações e impérios (AUTH, 2007, p. 18).

1.4.2 Breve esboço do Crescente Fértil

A história do Crescente Fértil tem seu início com a história da humanidade. A


civilização teve sua origem nas planícies de Sinear, que se estende entre os rios Tigre
e Eufrates, desde o ponto onde mais se aproximam até as praias do Golfo Pérsico,
conhecido posteriormente como Babilônia. Todavia, os dados relativos ao período
antediluviano são bastante escassos e, basicamente, limita-se a duas fontes:

17 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


a) O livro do Gênesis (capítulo 4) relata que alguns homens começaram a
especializar-se em certas ocupações e ofícios, particularmente a criação de gado,
ferraria e manufatura de instrumentos musicais de sopro e corda; e
b) Sir Leonardo Woolley, em suas escavações realizadas de 1929 a 1933 em Ur-
naamu, descobriu numerosos restos da época antediluviana, como: sinetes de
marfim, cerâmica e estátuas, que não se distinguem em suas partes essenciais
dos produtos da época que sucedeu imediatamente ao Dilúvio (MONEY, 2005,
p. 21).

No período pós-diluviano, os filhos de Cam e Sem assentaram suas bases na


mesma planície, sendo Ninrode, neto de Cam, “o qual começou a ser poderoso na
terra” (BÍBLIA, A.T. GÊNESIS 10:8), ou seja, foi o primeiro a se destacar entre os demais.
O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinear. Assur, filho
de Sem, também saiu dessa terra para se estabelecer na região do Tigre, mais ao Norte,
e edificar as cidades de Nínive, Reobote, Resém e Calá (MONEY, 2005, p. 21).

1.5 Origem da escrita


A forma de escrita mais antiga de que se tem notícia surgiu com os sumérios,
cujo idioma não pertence à família camita. Acredita-se que corresponda ao idioma
universal empregado antes da confusão das línguas, associada à Torre de Babel.

Glossário
Camitas: Camitas é a denominação dada aos povos do norte da África que,
de acordo com o Gênesis, seriam descendentes de Cam, segundo filho de
Noé.

Money (2005, p. 21) afirma que os restos arqueológicos revelam que os


semitas, numa época remota, conquistaram Sinear e organizaram ali o Reino de Acade.
Sob a ardilosa direção de Sargão I, este reino estendeu seu domínio desde Elão pelo
Sul até o Mediterrâneo. Mais tarde, parece que os semitas se fundiram aos sumérios,
mudando sua capital para Ur, mais ao sul.

Cerca de 1050 a.C., os amorreus, outro povo semita estabelecido ao NO do


Fértil Crescente, subjugaram a metade oriental dessa Terra Fértil, e sob seu
grande rei Hamurabi (1949-1905 a.C.), contemporâneo de Abraão, fizeram
sentir sua autoridade e domínio desde Elão até ao Mediterrâneo. (MONEY,
2005, p. 23)

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 18


Auth (2007, p. 21) oferece as datas de 1792 a 1750 a.C. THOMPSON (2007, p.
38) concorda com 1792 a 1750 a.C. Em torno de 1900 a.C., ocorre o fim da grandeza de
Babilônia. A partir de então, acompanhamos os acontecimentos, tendo como ponto de
partida as narrativas bíblicas, alvo da Geografia e Arqueologia Bíblicas.

1.5.1 Abrão, o migrante


Uma rápida leitura do livro de Gênesis mostra que o escritor parece interessado
apenas em fazer algumas declarações gerais sobre a humanidade nos dez primeiros
capítulos e passar o mais rapidamente possível para a história de Abrão. Desde o
princípio, percebe-se a mão criadora de Deus por trás de todas as coisas materiais e
seres viventes, a universalidade da rebeldia humana e do juízo divino, o fato do desejo
de Deus de salvar os homens e o fato dos homens poderem ser salvos pela fé em Deus
e pela obediência a ele (THOMPSON, 2007, p. 31).
Depois da torre de Babel, e da resultante formação e dispersão das nações,
os caldeus, semitas, fundaram importantes cidades na região da Mesopotâmia, entre
os rios Tigre e Eufrates. A mais importante foi Ur, também chamada Ur dos Caldeus,
próximo ao Golfo Pérsico. Nesta cidade, nasceu Abrão, o primeiro patriarca de Israel
(CÉSAR, 2001, p. 61).
Dessa forma, segundo Thompson (2007, p. 35), a Bíblia estabelece o lar de Abrão
em Ur dos Caldeus e sugere dois estágios da sua migração para a Palestina: primeiro de
Ur para Harã e depois de Harã para Canaã. Os versículos finais de Gênesis 11 informam
que Terá, levando consigo toda a sua família, partiu de Ur dos Caldeus para a terra de
Canaã. Por alguma razão que não podemos afirmar, eles pararam e permaneceram em
Harã. Esta era uma cidade no alto do rio Eufrates, a 965 km a noroeste de Ur e ainda a
643 km a nordeste de Canaã. Terá morreu em Harã (BÍBLIA, A.T. Gênesis 11:31-32).
Os versículos iniciais do capítulo 12 de Gênesis dão a entender que Deus falou
com Abrão em Harã e que foi desta cidade que partiu para a terra de Canaã (BÍBLIA, A.T.
Gênesis 12:4-5). Money (2005, p. 89) informa que as recentes investigações identificam
Ur com Maughier, na margem ocidental do Eufrates, na Baixa Babilônia, região que mais
tarde veio a chamar-se Caldeia.
Seguindo a orientação divina, Abrão partiu de Harã rumo a Canaã, sem saber,
contudo, para onde ia exatamente. O texto bíblico informa que o patriarca seguiu direto
até Canaã. Determinado, atravessou o Líbano e o extremo norte de Canaã, até Siquém,
que era uma povoação rodeada de vinhedos e jardins, situada na entrada do vale entre
os montes Ebal e Gerizim. Ali Abrão construiu um altar ao Senhor e o adorou (MONEY,
2005, p. 89).
César (2001, p. 64) acrescenta que este foi o primeiro repouso de Abrão na
terra da promessa. Moré provavelmente era o dono cananeu de Siquém e o carvalho
assinalava a sua posse. Era o carvalho de Moré. A narrativa de Gênesis acrescenta um
detalhe: Nesse tempo, os cananeus habitavam essa terra. Canaã pertencia aos semitas,

19 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


mas, com o passar dos anos, os cananeus e outros descendentes de Cam apossaram-se
dela. Abrão era um estrangeiro, um peregrino em terra alheia.
Atualmente temos a informação arqueológica sobre várias cidades patriarcais
na região da atual Palestina, como Betel, Siquém, Jerusalém (Salem), Mamre, Gerar,
Berseba e Dotã (THOMPSON, 2007, p. 44).
Seguindo a narrativa bíblica, a próxima parada na peregrinação se dá em Betel,
situada a Oeste de Ai, na linha fronteiriça entre Benjamim e Efraim. Chamava-se Luz
pelos cananeus. Porém, Jacó mudou o nome para Betel, devido à visão que teve neste
lugar (MONEY, 2005, p. 89).
Havendo fome em Canaã, Abrão desceu ao Egito, via Neguebe, no sul da
Palestina. Parece que o patriarca empreendeu esta jornada por conta própria, sem
direção divina e se expôs a um grande perigo. Contudo, afirma César (2001, p. 65),
os propósitos de Deus se cumprem, apesar dos erros e desvios dos seus escolhidos.
Deus trouxe Abrão e todos os seus de volta a Canaã, até Betel, o lugar que estivera
anteriormente (BÍBLIA, A.T. Gênesis 13:1-4).
De acordo com o texto bíblico (Gênesis 13:18), a próxima parada na peregrinação
de Abrão é Hebrom, onde novamente armou sua tenda de campanha. Hebrom é uma
das cidades mais antigas do mundo, era famosa por suas vinhas e pastagens excelentes.
Esta seria a residência de Abrão até o final de sua vida, exceto durante um período de
tempo em que habitou em Gerar, na terra dos filisteus, e depois num lugar que ele
chamou de Berseba (CÉSAR, 2001, p. 67).

Figura 1.3: Jornadas de Abraão


Fonte: Bíblia On-line v. 3.00

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 20


Abraão, à procura de pastos para os seus rebanhos, deixou Hebrom por algum
tempo e foi parar em Gerar, uma cidade filisteia, 64 km a oeste de Hebrom. Money
(2005, p. 92) afirma que Gerar era a principal cidade dos filisteus no tempo de Abraão e
situava-se no limite meridional da Palestina (BÍBLIA, A.T. Gênesis 25:1). Uma vez tendo
deixado Gerar, Abraão foi habitar a fronteira meridional de Canaã, a uns 32 km de
Hebrom. Era este o lugar dos sete poços e Abraão, por isso, o chamou Berseba (BÍBLIA,
A.T. GÊNESIS 21: 25-34). Enquanto Abraão esteve em Berseba, nasceu Isaque, o filho da
promessa (BÍBLIA, A.T. Gênesis 21: 1-7). Abraão estava com cem anos, Sara com noventa
e Ismael com quatorze (CÉSAR, 2001, p. 71).
Berseba e Hebrom foram provavelmente os lugares onde Abraão residiu
durante os últimos anos de sua vida. Sara morreu em Hebrom, e finalmente o primeiro
patriarca foi sepultado no mesmo lugar na caverna de Macpela, ao lado de sua esposa
(MONEY, 2005, p. 91).
1.5.2 A peregrinação de Isaque
De acordo com o relato bíblico, Isaque viveu mais tempo que Abraão, seu pai.
Jacó, seu filho, viveu muito menos. Isaque passou a vida toda numa área muito pequena
ao sul da Palestina. Mesmo assim ele foi um grande patriarca. Abraão, Isaque e Jacó
são mencionados juntos em muitas passagens do Antigo e do Novo Testamento. Isaque
passou uma vida tranquila, armando seus acampamentos nos seguintes lugares:
Beer-Laai-Roi ou “Poço do Vivente que me vê”, entre Cades e Berede, no caminho
que conduz ao deserto de Sur (GÊNESIS 16:7, 14 e 24:62).
Gerar, cidade principal dos filisteus no tempo de Abraão, situada no limite
meridional da Palestina (Gênesis 25:1).
Reobote, provavelmente a Sudoeste de Berseba (Gênesis 26:22).
Berseba, tão cheia de recordações de família para os patriarcas, constituiu a cidade
residendial de Isaque durante muitos anos. Neste lugar, celebrou um tratado de
paz com os filisteus, e ali mesmo Jacó praticou os seus enganos (Gênesis 26:23-25).
Hebrom, lugar de encontro com Jacó e de sua sepultura (Gênesis 35:17). (MONEY,
2005, p. 92). (Grifos do original).

Ou seja, no que diz respeito às distâncias percorridas, Isaque, de fato, viajou


muito menos que seu pai Abraão e seu filho Jacó. Vejamos agora quais caminhos Jacó
percorreu em suas viagens.

1.5.3 Peregrinação de Jacó

Os gêmeos Esaú e Jacó, filhos de Isaque e Rebeca, nasceram em Beer-Laai-Roi,


no Neguebe, extremo sul de Canaã. Estavam ainda no ventre da mãe quando Deus disse
a Rebeca que o mais velho serviria ao mais moço. Esaú nasceu primeiro. Por conseguinte,
o direito de primogenitura e a bênção patriarcal seriam seus. Todavia, Deus escolheu
Jacó e o fez sucessor de Abraão e Isaque na linhagem patriarcal e messiânica. É por isso
que a história bíblica se detém mais em Jacó que em Esaú (CÉSAR, 2001, p. 99).

21 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


De acordo com o relato bíblico, parece que Esaú e Jacó ainda estavam morando
em Beer-Laai-Roi com seus pais, quando Jacó astutamente apossou-se do direito de
primogenitura de Esaú (BÍBLIA, A.T. GÊNESIS 25: 29-34). Quando Jacó rouba a bênção de
Esaú, a família patriarcal estava morando em Berseba. Instigado pela mãe, Jacó enganou
seu pai, que já estava em idade avançada e cego, fazendo-se passar por Esaú, que passa
a odiar a Jacó e esse, para não ser morto, foge para Harã (CÉSAR, 2001, p. 100).
Na fuga para Harã, Jacó parte de Berseba e passa por Betel. Durante a viagem
de regresso, Jacó parte rumo à Terra Prometida, sendo alcançado por seu tio Labão,
ao norte do Jaboque. Jacó prossegue sua viagem em direção a Maanaim, na linha
fronteiriça entre Gade e Manassés, onde foi consolado pelos anjos. Seu paradeiro foi o
seguinte:
Peniel, próximo ao Jaboque, no lado oriental do Jordão. Aqui ocorreu o célebre
encontro com o anjo e a reconciliação com Esaú. Continuando sua jornada chegou
em breve a:
Sucote, situada no vale do Jordão um pouco ao Norte do rio Jaboque, ponto em
que Jacó fez preparativos para estabelecer-se em Canaã, edificando uma casa
e ramadas para seu gado, porém a matança dos siquemitas por Simeão e Levi
obrigou-o a mudar sua morada para:
Betel, onde instalou sua tenda e renovou seu pacto com Deus. Mais ao Sul:
Efrata ou Belém, situada a 8 km ao sudoeste de Jerusalém, chegou a ser lugar
inolvidável para Jacó, pois ali descansaram os restos de sua amada Raquel.
Finalmente se encontrou com seu velho pai em:
Hebrom. Durante sua residência neste histórico lugar, José, seu filho preferido, foi
vendido em Dotã, que se encontrava 24 km ao Norte de Siquém e próximo à rota
das caravanas que costumavam ir da Síria ao Egito (MONEY, 2005, p. 93). (Grifos
do original).

César (2001, p. 108) acrescenta que, um tempo depois, sendo José uma espécie
de governador no Egito, e havendo fome na terra de Canaã, Jacó (chamado de Israel),
a convite de José, migrou para o Egito, com toda a família. O faraó, amigo de José, deu-
lhes a terra de Gósen, no delta do Nilo (BÍBLIA, A.T. Gênesis 45:9-10).

Curiosidade
O anjo perguntou seu nome e ele disse: Jacó. O anjo disse: “Não te chamarás mais Jacó,
mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste”
(GÊNESIS 32:28). E o abençoou ali. Jacó chamou aquele lugar Peniel e disse: “Tenho
visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (GÊNESIS 32:30).

Um pouco antes de morrer, Jacó pronuncia bênçãos proféticas sobre todos


os seus filhos, pais das futuras doze tribos de Israel (BÍBLIA, A. T. GÊNESIS 49:1-20). O
corpo de Jacó foi embalsamado por médicos egípcios. José e seus irmãos, com a ajuda
de faraó, providenciaram um pomposo funeral, em Canaã, onde foi sepultado na tumba
de Macpela, onde se encontravam os restos mortais de Sara e Abraão, Isaque, Rebeca e

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 22


Lia (BÍBLIA, A.T. GÊNESIS 50:1-13; 49:31-32). Os filhos de Israel (Jacó) regressam para o
Egito onde habitaram por longos anos na terra de Gósen.

Resumo

Nesta aula explicamos que, nos dias atuais, a Geografia não se limita a
descrever. Na verdade, procura ainda explicar os fatos estudados e as suas diversas
relações. Vimos qual é a importância da Geografia Bíblica; a cosmovisão do povo da
Bíblia; a geografia da Mesopotâmica e as jornadas de Abraão e de sua descendência. Na
próxima aula, você acompanhará novamente a trajetória percorrida pelo povo de Deus
do Egito à Colonização de Canaã. Até lá!

Atividade de aprendizagem
1. Faça uma linha do tempo indicando a jornada de Abraão, desde
que saiu de sua terra até sua morte.

23 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


Aula 2
DO EGITO À COLONIZAÇÃO DE CANAÃ

Concluímos a aula anterior falando sobre os filhos de Israel habitando a terra de Gósen
no delta do Nilo, no Egito. A partir daqui, daremos continuidade ao estudo da Geografia
e Arqueologia bíblica. Para isso, vamos acompanhar novamente a trajetória percorrida
pelo povo de Deus.

2.1 O Egito

O Egito situa-se no continente africano. É anterior e contemporâneo ao império


mesopotâmico. Já era habitado por volta de 5550 a.C. Tornou-se um dos impérios mais
famosos da época e o primeiro a dominar a região de Canaã. Sua história pode ser
dividida em três grandes períodos: Antigo, Médio e Novo Império (AUTH, 2007, p. 22).
Porém, nos deteremos aos dados geográficos e arqueológicos.
De acordo com Money (2005, p. 101), o nome atual “Egito” foi dado pelos
gregos e, conforme o Salmo 87:4, foi chamado por este nome pelos seus antigos
moradores Cam e Raabe. Anteriormente (no Antigo Testamento ) era denominado de
“Mizraim”, vocábulo plural que indica os reinos do Alto e do Baixo Egito.
O Egito está situado no ângulo noroeste da África e nas imediações da Ásia e é
banhado pelo Mediterrâneo. Ao noroeste e leste, é limitado pela Palestina Meridional,
pelo deserto Arábico e pelo Mar Vermelho. A Núbia constitui seu limítrofe meridional,
enquanto a oeste é rodeado pelo deserto. O antigo Egito compreendia a região do Delta
e a extensão regada pelo rio Nilo, que se estende somente a partir do Mediterrâneo até
a primeira catarata. Tem um comprimento de 880 km, oscilando sua largura entre 24 e
55 km, e compreende uma área de 24.489 km2 (MONEY, 2005, p. 104).
De muitas maneiras, a geografia do Egito é a mais peculiar das topografias
antigas. Com o Saara intransitável a oeste, o grande deserto a leste, as cataratas
do Nilo pelo sul e o Mar Mediterrâneo e o deserto do Sinai ao sul, o Egito estava
particularmente isolado. O estilo de vida egípcio e suas formas de pensamento eram
igualmente peculiares e a vida era possível exclusivamente por causa do Nilo. Esse
grande rio flui lentamente para o norte de Assuã até o Cairo, por mais ou menos mil
quilômetros (DOCKERY, 2001, p. 113). De acordo com as informações arqueológicas,
nos meses de julho a novembro, ele transbordava, depositando uma nova camada de
lodo rico. Parte de água da enchente era guardada em reservatórios e redistribuída
conforme a necessidade na estação de crescimento da plantação. A regularidade dessa
enchente fazia com que a lavoura fosse menos arriscada do que no resto do mundo
antigo. Mais tarde, o Egito seria o celeiro de grãos dos gregos e romanos.
Apesar de abençoados com alimento abundante e fronteiras seguras, faltavam

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 24


aos egípcios outros recursos importantes, essenciais para o bem-estar da nação. Para o
Egito ser uma grande potência, necessitava do cobre do Sinai a leste, do ouro da Núbia
no sul e da madeira da costa siro-fenícia. Sem controlar esses países, o Egito não podia
continuar a ser uma superpotência (DOCKERY, 2001, p. 114).
Escavações recentes deram origem ao sítio arqueológico Tell Daba/Ramessés,
no leste do delta do Nilo. O Tell Daba é provavelmente a Ramessés da Bíblia (BÍBLIA, A.
T. Êxodo 1:1), na região delta do Nilo. As escavações ali são importantes para relacionar
a cronologia egípcia com a antiga cronologia israelita, especialmente no Período Médio
e Posterior do Bronze, e pode influenciar as datas do êxodo de Israel e da conquista de
Canaã (DOCKERY, 2001, p. 96).
Segundo as inscrições feitas nos monumentos em pedra dos faraós Seti I (1304-
1290 a.C.) e Ramessés II (1290-1224 a.C.) encontrados em Betsã, os hebreus teriam
sido submetidos à escravidão para construírem as cidades de Pitom e Ramessés (AUTH,
2007, p. 24).

2.1.1 A escravidão de Israel no Egito

A narrativa que tem início a partir do livro do Êxodo ocupa quatro quintos
do Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia), ou mais de um sexto de todo o
Antigo Testamento. Excluindo-se os anos de escravidão dos hebreus no Egito, referidos
nos capítulos iniciais do Êxodo, os fatos narrados no restante deste livro e em Levítico,
Números e Deuteronômio ocorreram num período de aproximadamente cinquenta
anos. (CÉSAR, 2001, p. 129).

Glossário
Pentateuco: a coleção dos cinco primeiros livros do Velho Testamento
(Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).

As descobertas arqueológicas mais recentes mostram que um faraó chamado


Ramessés II reinou 66 anos. Durante este período, realizou vastos programas de
construção em todo o Egito. Um de seus primeiros atos foi proclamar a fundação de
uma nova capital, Pi-Ramsés (Domínio de Ramessés), em volta do palácio de verão do
pai, ao norte de Avaris. Este era o Ramessés descrito em Êxodo 1: 11; 12: 37 e Números
33: 3, 5. “Ela foi edificada em escala grandiosa, com grandes templos de pedra para os
deuses em cada um dos quatro pontos principais. O sítio arqueológico se encontra hoje
em completa ruína” (THOMPSON, 2007, p. 77). Para poder levar a cabo seu intento, foi
exigido um grande número de pessoas.
Atualmente temos informações valiosas sobre as condições de trabalho
no Egito durante a XIX Dinastia, embora fossem comparáveis em outros períodos. A

25 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


fabricação de tijolos de barro era um aspecto importante dessas grandes obras públicas.
As cenas egípcias mostram semitas ao lado de egípcios e outros executanto esta tarefa.
De acordo com Thompson (2007, p. 78):

Palha e refugo eram usados para unir barro ao serem fabricados os tijolos. A
narrativa em Êxodo 5, que mostra preocupação em manter a quota de tijolos,
se compara à dos papiros Anastasi de Mênfis, datados do século XIII a.C., onde é
feita referência a homens “fazendo sua quota diária de tijolos” (ÊXODO 5:8, 13,
14, 18-19).

Saiba mais
Se você tiver curiosidade e quiser saber um pouco mais sobre a XIX Dinastia, acesse o site:
<http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/dossie_egito_o_berco_dos_faraos.
html> e leia o artigo Dossiê Egito: O Berço dos Faraós. Precedida por uma dinastia que os
arqueólogos convencionaram denominar “Zero”, a história do Egito faraônico começa por
volta de 3150 a.C. com o rei Menés.

A tarefa de fabricar tijolos era entregue a oficiais, que tinham um grupo de


operários sob as suas ordens. Um oficial sediado num posto de fronteira queixou-se de
que “não havia homens para fazer tijolos nem palha no distrito”. A partir do quinto ano
de Ramessés II, existem relatórios registrados em couro, sobre tijolos. Um deles fala dos
quarenta “chefes de estrebaria”, cada um com uma quota-alvo de 2.000 tijolos, isto é,
80.000 ao todo. Estes deveriam corresponder aos “capatazes” mencionados em Êxodo
5: 6, 10, 13, 14 (THOMPSON, 2007, p. 78).
Além da necessidade de fabricar tijolos, o livro do Êxodo dá outro detalhe
sobre os filhos de Israel, quando diz que “Mas, os filhos de Israel foram fecundos, e
aumentaram muito, e se multiplicaram, e grandemente se fortaleceram, de maneira
que a terra se encheu deles” (BÍBLIA, A.T. Êxodo 1: 5-7). A narrativa bíblica prossegue e
lembra que “se levantou um novo rei sobre o Egito, que não conhecera José” (BÍBLIA,
A. T. Êxodo 1:8). Alguns apontam para Amosis I, outros permanecem com Ramsés II. Foi
assim que, com o duplo propósito de reduzir seu crescimento e explorar sua mão de
obra, os egípcios:
[...] puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com
suas cargas. E edificaram a Faraó cidades de tesouros, Pitom e Ramsés.
Mas, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais
cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel.
E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; assim, lhes
fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com
todo o trabalho no campo, com todo o seu serviço, em que os serviam
com dureza. E o rei do Egito falou às parteiras das hebreias (das quais
o nome de uma era Sifrá, e o nome da outra, Puá) e disse: Quando
ajudardes no parto as hebreias e as virdes sobre os assentos, se for filho,
matai-o; mas, se for filha, então, viva. (BÍBLIA, A.T. Êxodo 1:11-16).

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 26


Foi naqueles dias de grande perigo que nasceu Moisés, “pois, as parteiras,
porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera, antes
conservavam os meninos com vida” (Êxodo 1: 17). Podemos imaginar a aflição dos pais
de Moisés, Anrão, Joquebede e de sua irmã Miriã. Na ocasião o seu irmão Arão, era
ainda muito pequeno para entender os fatos. Os pais fizeram o possível para que o bebê
nem chorasse para não ser descoberto.
César (2001, p. 131) lembra que eles conseguiram esconder a criança por um
período de três meses. Em seguida, pondo-o em um cesto de junco impermeabilizado
com betume, lançaram-no à beira do rio. Moisés foi educado no palácio real pela filha
do faraó. Quando adulto, vendo seus irmãos em trabalhos penosos, matou um egípcio
e teve de fugir para a terra de Midiã (BÍBLIA, A. T. Êxodo 2:15). A seguir, falaremos sobre
esta cidade onde Moisés se refugiou e se casou.

Glossário
Betume: mistura escura e viscosa, de hidrocarbonetos pesados com
outros compostos oxigenados, nitrogenados e sulfurados; usado como
impermeabilizante, na pavimentação de estradas, na fabricação de
borrachas, tintas etc.; asfalto, pez mineral.

2.2 Midiã

Midiã ficava no extremo oriental da península do Sinai, junto ao Golfo de


Ácaba, um braço do Mar Vermelho. É interessante lembrar que a terra de Midiã era
também de descendentes de Abraão com Quetura, que foi sua concubina e deu à luz
Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá (BÍBLIA, A.T. Gênesis 25:1-2).
Havia um centro de culto em Midiã, cujo sacerdote desse culto era Reuel,
também chamado Jetro. Moisés foi morar na casa dele e se casou com sua filha Zípora.
De acordo com César (2001, p. 134), Moisés morou em Midiã quarenta anos, até que
Deus, no monte Horebe, vocacionou-o para libertar seu povo, ou, como diz a narrativa
bíblica:
[...] desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela
terra a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar
do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do ferezeu, e do heveu, e do
jebuseu. E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e
também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem
agora, pois, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos
de Israel, do Egito (BÍBLIA, A. T. Êxodo 3:8-10).

A partir desse ponto da história, Moisés regressa ao Egito e confronta o faraó


com as dez pragas e saindo em grande estilo, institui a Páscoa na noite em que deixam

27 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


o Egito e iniciam a peregrinação até a Terra Prometida. Como nosso interesse aqui é
geográfico e arqueológico, vamos ver como se deu a peregrinação.

Saiba mais
Para saber mais sobre a história de Moisés, leia Êxodo versículo 1:
1 a 6.

2.2.1 A peregrinação no deserto – O Êxodo

Sabemos que nos tempos de Moisés já havia uma estrada que ligava o Egito
a Palestina e a Mesopotâmia. Esta era a rota comum dos peregrinos, mercadores e
dos exércitos. Passava pela terra dos filisteus um povo guerreiro que habitava na parte
sudoeste da Palestina. Por este caminho, Israel chegaria a Canaã em menos de um mês.
Contudo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, pois disse: “Para que
porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e tornem ao Egito. Porém, Deus
fez o povo rodear pelo caminho do deserto perto do Mar Vermelho” (BÍBLIA, A.T. Êxodo
13: 17-18). Os egípcios usavam esta rota com frequência. No reinado de Seti I (1313-
1301 a.C.), ela era conhecida como o caminho de Horus, mas as Escrituras, como vemos
acima, a chamam caminho dos filisteus ou caminho do mar. (DOCKERY, 2001, p. 201).
Mesmo pelo caminho do deserto, através do Sinai, acampando demoradamente
em vários lugares, Israel poderia ter chegado a Canaã em alguns meses ou, no máximo,
em dois anos. Todavia, suas peregrinações do Egito a Canaã levaram quarenta anos
(CÉSAR, 2001, p. 147).
Grande parte dos estudiosos concordam que é impossível fixar com precisão os
muitos lugares onde os israelitas fizeram paradas no deserto da Arábia Pétrea, apesar
de todas as investigações feitas para informar com precisão seu roteiro. Isso se deve, em
parte, ao fato de a Bíblia, que não pretende ser um repertório histórico e, muito menos
geográfico e arqueológico e ao fato de que as mudanças que se operam numa região
rodeada de mar, em um período de três mil anos, são inumeráveis (MONEY, 2005, p.
113).

Glossário
Arábia Pétrea: Província Arábia ou simplesmente Arábia) era
uma província fronteiriça do Império Romano, incorporada no
início do Século II.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 28


Figura 2.1: Egito e Sinai
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.° 2.

Podemos dividir as peregrinações do Egito a Canaã em três etapas: de Ramessés


ao Sinai (BÍBLIA, A.T. Êxodo 12: 37 – cap. 40), do Sinai a Cades Barnéia (BÍBLIA, A. T.
Números 11 a 14) e, finalmente, de Cades Barnéia a Canaã (BÍBLIA, A. T. NÚMEROS 20:
22 – cap. 34). Para o intuito aqui, vamos fazer rápidas referências de cunho geográfico,
sem nos determos no tempo e no motivo de cada parada, uma vez que isso é tema da
disciplina História de Israel. Para tanto, traçaremos uma rota desde o Egito até Canaã.
A narrativa do Êxodo traça a primeira rota dos hebreus desde Ramessés até
Sucote (BÍBLIA, A.T. Êxodo 12:37). Ramessés, como já vimos, é uma cidade de Gósen,
lugar de reunião do povo. Sucote foi o lugar de acampamento a sudoeste de Ramessés,
onde o povo recebeu a prescrição da lei sobre a Páscoa e a primogenitura. Acredita-se
que Gósen e Sucote incluam o bem conhecido Wadi-Tumilate, até o lago do Crocrodilo,
o moderno Lago Tinsá, e o ramo Pelúsico ou Tânico no Nilo (MESQUISTA, 1995, p. 120).
Partindo de Sucote, acamparam-se em Etã (BÍBLIA, A. T. Êxodo 13:20; Números
33:6). Segundo o relato bíblico, Etã localizava-se “no fim do deserto”, provavelmente na

29 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


região conhecida como Atuma, um deserto que começa no lago Timsa e se estende para
o oeste. A partir de Etã, a narrativa bíblica nos relata que Deus os acompanha, durante
o dia, numa coluna de nuvem, e durante a noite, numa coluna de fogo. Podemos dizer
que essas colunas eram a sua bússsola e o seu comando (CÉSAR, 2001, p. 150). Assim,
eles chegam a Pi-Hairote (BÍBLIA, A. T. Êxodo 14:2), “entre Migdol e o mar, diante de
Baal Zefom”. Os egípcios os alcançaram nesse lugar. Alguns sugerem que o mar em
questão era o grande Lago Amargo (THOMPSON, 2007, 85, 86).
A discussão a respeito da passagem pelo Mar Vermelho tem sido palco de
grande conflito. Alguns estudiosos afirmam que a passagem pelo Mar Vermelho poderia
ter-se dado pelo Lago Tinsá ao norte. Segundo Mesquista (1995, p. 121) a parte sudeste
desse lago satisfaz, de um modo geral, às condições da narrativa. É estreita e abre para
uma vasta baía. Entre os dois pontos, o lago é raso e lodacento, contendo um quarto de
milha de largura, mais ou menos.

Você sabia?
uma milha oriental é o equivalente a 1.466 metros.

Glossário
Lodacento: que tem lodo. 2 enlameado, sujo.

A oeste do Lago Amargo, existe uma elevação conhecida como Jebel Abu
Hasan, dando para as águas rasas que ligam o Lago Amargo ao Golfo de Suez. Nesta
elevação, se encontram as ruínas de uma torre quadrada, na qual foram encontradas
inscrições de Seti I e Ramessés II. Uma torre assim foi descrita pelas letras egípcias mktl,
que se comparam com o Migdol hebraico. O sítio de Baal-Zefom não pode ser localizado
com exatidão, mas é conhecido por várias fontes como um templo para marinheiros,
localizado no braço de terra que circunda o Golfo de Serbonite (Sabkhat Bardwil),
segundo Thompson, 2007, p. 87.
Conforme Money (2005, p. 114) a travessia do Mar Vermelho se deu na parte
setentrional do estreito de Suez, onde a distância entre suas margens media mais ou
menos 1 km naquele tempo.

Vocabulário
Setentrional: 1 que habita do lado do Norte. 2 situado no Norte. s m+f
Pessoa que nasceu ou habita nas regiões do Norte.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 30


Após cruzarem o mar seguem para Mara e Elim, no deserto de Etã, na praia
oriental do Golfo de Suez. Ali ocorreu o saneamento das águas e a abundância das
palmeiras. Prosseguindo a viagem eles vão para o Deserto de Zim, pela praia oriental do
Canal de Suez, ao sul do deserto de Etã. Neste local ocorreu a murmuração do povo; a
provisão de codornizes e de maná; além disso institui-se o sábado, ou seja, um dia de
descanso.
Refidim é a próxima referência encontrada nas narrativas bíblicas. Hoje
sabemos que localizava-se entre o deserto de Zim e o monte Sinai, onde ocorreu a
erupção de água da rocha, a derrota dos amalequitas e a atenção de Moisés ao conselho
de seu sogro Jetro (MONEY, 2005, p. 114).
Os israelitas continuam a peregrinação e finalmente chegam ao Sinai, ao pé
do monte do mesmo nome. Sem qualquer dúvida, afirma Mesquita (1995, p. 123), o
Sinai tradicional fica no extremo sul da península de mesmo nome, e não em um lugar
qualquer do monte Seir, na terra de Edom, como pensam alguns.

Todas as narrativas indicam que o Sinai não ficava na terra de Edom.


O fato de que esta península estaria debaixo do governo egípcio e
que os israelitas evitariam tocar em território dominado por seus
antigos senhores, não basta para deslocar o eixo de todas as tradições,
que sempre apontaram para as montanhas de Horebe como o lugar
tradicional da outorga da Lei (MESQUITA,1995, p. 123).

Pelo que se sabe atualmente, havia no Sinai um famoso templo erigido a


Jeová, embelecido pela princesa egípcia que salvou Moisés. Todo o povo dessa região,
composto especialmente de mineiros ao serviço do Egito, era protegido pela casa real
egípcia. Na opinião de Mesquita (1995, p. 123), o templo seria o lugar de culto, em que
Jetro servia e seria mesmo o lugar contemplado na frase de Moisés ao Faraó: “Deixa-
nos ir caminho de três dias, adorar a Jeová”.
Após um período de catorze meses e vinte dias no Sinai, o povo partiu em
direção a Canaã, e tudo indica que pretendia, como era natural, entrar em Canaã pelo
sul, atravessando o País do Sul. A Bíblia indica que estava pronto para a entrada na terra
prometida, saindo de Cades-Barnéia (THOMPSON, 2007, p. 87). Esse lugar é referido
como cidade e também como distrito, achando-se a 80 km ao sul de Berseba e a oeste
do território idumeu.
Durante esse trajeto da peregrinação, o povo para em Taberá, a 48 km a
nordeste do Sinai, onde ocorrem murmurações e o pecado do descontentamento
e é castigados pelo fogo. Seguindo a viagem para em Quibrote-Taavá entre o Sinai
e Hazerote. Nesta localidade ocorre novamente a provisão de codornizes, o enterro
dos cobiçosos e a eleição dos 70 anciãos. Em Hazerote, a 64 km ao nordeste do Sinai,
acontece a conjuração contra Moisés, tramada por Miriã, e o castigo que lhe foi imposto
(MONEY, 2005, p. 116).

31 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


Dali mandou Moisés doze espias para verificarem as condições da terra
e a segurança das cidades. O relatório foi que a terra era boa e farta, e,
como prova, traziam um cacho de uvas carregado por dois homens, mas
as cidades eram muradas e os habitantes eram gigantes, de modo que
os espias eram como gafanhotos diante deles (MESQUITA, 1995, p. 127).

Queremos destacar alguns aspectos deste relatório. Os espias falaram a


respeito de cidades muradas, população mista e terra fértil. Cada um deles toma um
novo significado à luz da pesquisa moderna. Primeiramente é um fato que a Palestina
tinha grande número de fortalezas muradas na época. O sistema feudal requeria
pequenos centros fortificados. Os administradores locais tinham de pagar impostos à
autoridade egípcia uma vez por ano e permanecer leais ao faraó. Caso este mostrasse
sinais de fraqueza, a revolta era imediata. Isso ocorreu nos dias do faraó Akenaton
(cerca de 1370-1353 a.C. ou pouco mais tarde), um dos faraós da XVIII Dinastia. Este
governante estava mais interessado na reforma religiosa do que na preservação do seu
império asiático. Os administradores e príncipes locais que permaneceram fiéis ao Egito
escreveram cartas a Akenaton suplicando ajuda ao faraó, que mudara sua capital para
Amarna, um pouco mais acima no Nilo.
Em fins do século XIX d.C., uma camponesa, remexendo as ruínas de Amarna,
encontrou algumas dessas cartas escritas em tabletes de argila. Atualmente conhecidas
como Cartas de Amarna, elas dão uma boa ideia sobre a situação da Palestina cerca
de um século antes dos israelitas entrarem nela. As cartas falavam especificamente
sobre várias dessas cidades muradas e como os invasores estavam se apoderando delas
(THOMPSON, 2007, p. 88).
Até bem pouco tempo, afirmava-se que o quadro apresentado por elas era
um retrato da invasão israelita, mas novas informações hoje disponíveis mostram que
o evento era bem diferente. Os israelitas não atacaram as cidades de Canaã até mais
tarde, no século XIII a.C.
Os escritores egípcios anteriores a essa época já haviam descrito Canaã como
uma terra que “mana leite e mel”. Existem hoje duas descrições da terra na área geral
da Palestina e ambas apresentam um quadro cativante de pelo menos parte do seu
território. Thompson (2007, p. 88) faz referência à história de Sinue, o Viajante, datada
de cerca de 1900 a.C., e ao relato das campanhas do Faraó Pepi, cerca de 2350 a.C.
Diante do medo dos espias, fica claro que eles não consideraram um ponto
capital: a presença de Deus e a vitória assegurada por Ele. Como castigo, de continuar
peregrinos durante trinta e oito anos no deserto. Todos os maiores de vinte anos
morreram no deserto, e uma nova geração entraria na Terra Prometida. Nada se
sabe por onde o povo andou naqueles anos. Somos informados apenas de mais
alguns acontecimentos: A rebelião de Coré, que queria ocupar os direitos conferidos
divinamente a Arão; o ciúme de Miriã e sua morte; a morte de Arão, por causa da
sua transgressão; a rocha que Moisés feriu zangado, motivo por que, como punição,

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 32


também não pôde entrar na terra de Canaã (MESQUITA, 1995, p. 127).
Uma vez tendo ficado acampados em Cades, Moisés enviou embaixadores ao
rei de Edom, pedindo permissão para passar por seu território sem molestar o povo
e sem mesmo usar das águas. Os edomitas eram parentes dos hebreus, porque eram
descendentes de Esaú, Ismael e os filhos de Abraão com Quetura e por isso os israelitas
acreditavam que lhes permitir a passagem. Todavia, isso não aconteceu. Moisés e seu
povo tiveram de fazer um longo desvio uma vez mais pelo Arabá até Elate. Neste trajeto,
pararam no Monte Hor, na margem de Edom, onde o povo se deteve por pouco tempo.
Alí ocorreu o episódio das serpentes. Em seguida, acamparam em Elate, na cabeceira
do golfo de Acaba, na margem oriental do deserto de Parã. Nesse local, acontece a
cura dos feridos mediante a confecção de uma serpente de metal colocada numa haste
(MONEY, 2005, p. 117).
Uma vez tendo chegado a Edom meridional, o povo contornou o local para
dirigir-se uma vez mais para o norte, seguindo viagem pelo caminho do deserto de
Moabe. Cruzaram o rio Zerede e ainda, respeitando o território moabita, margearam
seu lado oriental, encontrando-se no local que Deus havia prometido a eles (BÍBLIA, A.T.
Deuteronômio 2:8-9). As últimas paradas são: Zarede, Arnom, que constituía a fronteira
setentrional de Moabe e, finalmente, a planície de Moabe (MONEY, 2005, p. 118).
Mesquita (1995, p. 131) lembra que a morte de Moisés levou Josué, o seu fiel
companheiro, ao supremo posto de comando. Coube-lhe uma tarefa não inferior à de
Moisés.

Você sabia?
Passagem bíblica conhecida como A serpente de bronze (Números.
21), quando o povo hebreu caminhava no deserto reclamando a
Moisés do alimento que Deus lhes enviava. Como punição, Deus
mandou cobras venenosas para atacar o povo. Moisés então faz
uma serpente de bronze para abrandar a ira de Deus e salvar seu
povo.

2.3 Josué e a conquista da terra

Embora o período da conquista no sentido mais restrito da palavra compreenda


somente os sete anos durante os quais os hebreus se apoderavam da Palestina,
a dominação israelita não se completou antes da captura de Jerusalém por Davi e a
subsequente destruição do poder filisteu. A maneira como foi feito o assentamento
na Palestina ocidental provoca muitas perguntas. Thompson (2007, p. 94) sugere que
a chegada na terra de Canaã pode ser datada com razoável certeza do fim do século
XIII a.C. Já em 1220 a.C., o faraó Merneptá falava de alguns povos chamados Israel.
As narrativas bíblicas descrevem campanhas militares ao sul (BÍBLIA, A. T. Josué 1-10)
e no norte da terra (BÍBLIA, A. T. Josué 11). O primeiro capítulo do livro de Juízes é

33 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


considerado, por diversos estudiosos, como indicador dessa atividade por grupos que
tinham vindo do sul e não do leste, atravessando a Transjordania.
O lugar provável da travessia do Jordão foi onde fica a estrada atual que passa
pelo sopé do Monte Nebo, atingindo o Jordão, e onde o Wadi Kefrein se dilata numa
imensa campina, em que ainda hoje crescem acácias e palmeiras, chamada Vale de
Sitim (acácias). Depois das primeiras águas da primavera, é possível atravessar o Jordão
em dois pontos: um onde o Wadi Kelt desemboca no Jordão, e outro, umas seis milhas
ao norte, perto do lugar onde o Wadi Ninrim atinge o Jordão, vindo das alturas de
Gileade. Provavelmente os hebreus o teriam atravessado neste último local, onde se
pode passar a pé (MESQUITA, 1995, p. 131).
Na história bíblica, encontramos registrada no livro de Josué 1:10 uma
descrição de cidades atacadas e destruídas, entre as quais estão Jericó, Ai, Láquis, Eglom
e Debir. Em cada uma delas, foram feitas escavações arqueológicas em anos recentes
(THOMPSON, 2007, p. 94-95). Em Jericó, no sítio arqueológico Tell es-Sultan, Kathleen
Kenyon escavou uma torre, uma parede e um fosso cortado na rocha da era neolítica
(cerca de 7000 a.C.). Ali, Josué e os hebreus mataram os habitantes, exceto Raabe e sua
família, e destruiram a cidade, quase no fim do século XIII a.C.
De acordo com evidências de pesquisas recentes, parece que houve
considerável destruição nessas cidades, cerca de 1250 a.C. A cidade de Ai apresenta um
problema peculiar, tendo em vista que o sítio identificado como Ai foi destruído cerca de
2350 a.C. e se encontrava em ruínas na época da conquista hebreia (THOMPSON, 2007,
p. 96). Na verdade, o próprio nome da cidade, Ai, significa “ruína”. Várias sugestões
foram dadas para esclarecer o fato da cidade ter sido conquistada por Josué. Uma delas
é que essa cidade não passava de um posto avançado de Betel, sob o controle de um
chefe militar, chamado de “rei” (a raiz hebraica desta palavra significa simplesmente
“governante”).
Da mesma forma, a cidade de Jericó faz levantar algumas questões. Escavações
consideráveis foram realizadas no local pelos escavadores alemães Sellin e Watzinger
(1907 – 1909), pelo professor John Garstang (1930 – 1936) e por Kathleen Kenyon (1952
– 1958). Conforme explica Thompson (2007, p. 96),
Escavações anteriores haviam identificado o nível superior de Jericó como
sendo as ruínas da cidade de Josué. Em data mais recente, foi descoberto
que o material identificado é do período anterior a 1550 a.C., isto é, do
final da Idade do Bronze Médio. As cidades do Bronze Recente foram em
grande parte desgastadas pela ação do tempo e estão marcadas apenas
por alguns restos e umas poucas tumbas. Em vista disso, temos muito
pouca evidência da cidade de Josué.
Láquis, por outro lado, foi destruída no final da Idade do Bronze Recente, talvez
cerca de 1250 a.C. Outros sítios destruídos, mais ou menos na mesma época, são: Tell
Beit Mirsim (que pode ser Debir), Betel e Hazor, ao norte da Galiléia (BÍBLIA, A.T. Josué
11:10, 11). A reconstrução dessas cidades, no nível da Idade do Ferro I, teve lugar logo

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 34


em seguida ou depois de um certo intervalo de tempo, em condições bem piores e
com técnicas de construção menos refinadas. Outras cidades de Canaã passaram por
distúrbios semelhantes. Por fim, uma linha de evidência apresenta o surgimento de
grande número de novos assentamentos nas regiões montanhosas da Palestina, no
início da Idade do Ferro I, a partir de cerca de 1200 a.C. O fato de a terra ter novos
ocupantes desde esse período e de haver continuidade na ocupação de alguns lugares
durante os séculos seguintes, liga essas mudanças com a emergência dos israelitas.
(THOMPSON, 2007, p. 96, 97).

Saiba mais
Láquis: era uma cidade tão importante que, ao voltar para Nínive, Senaqueribe
mandou colocar na parede do salão principal de seu imenso palácio um grande
painel em alto relevo comemorando essa conquista. Esse painel foi descoberto
por arqueólogos, em meados do Século XIX, ao desenterrarem o fantástico
palácio de Senaqueribe, que tinha nada menos que 80 grandes cômodos,
ocupando uma área de 200 metros de largura por 210 metros de comprimento!
Hoje, esse painel está exposto no Museu Britânico, em Londres.
Para saber mais sobre esta cidade, acesse o site: http://www.arqueologia.
criacionismo.com.br/2007/07/laquis-segunda-mais-importante.html>.

Money (2005, p. 119) oferece um esquema de conquista bastante didático.


Segundo a pesquisadora, a conquista se fez em três etapas:
1. Conquista da Palestina Oriental: abrange campanha contra Gileade, Basã e
Midiã;
2. Conquista da Palestina Ocidental: avançam pela Palestina central, meridional
e setentrional;
3. Campanhas Suplementares: apresentam as campanhas de Judá e Simeão,
Calebe e Otniel, e a campanha dos Danitas.
Após a conquista da Terra Prometida, Canaã foi repartida entre as tribos de
Israel. Money (2005, p. 127) alerta, contudo, que a divisão ocorreu de forma desigual.
A região da Transjordânia foi dada às tribos valentes e ricas em gado de Rúben e Gade,
juntamente com a meia tribo de Manassés. Entretanto, estas tiveram de prometer
ajuda aos compatriotas para desalojar os habitantes hostis da região ocidental do país.

35 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


Figura 2.3: Mapa da divisão das tribos
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.° 3.

Logo após o término das campanhas realizadas na Palestina Ocidental, foi a vez
das tribos de Judá e Efraim, além da meia tribo de Manassés, receberem sua herança.
Porém as tribos restantes demoraram muito em obter suas possessões. É interessante
destacar que, num dado momento da conquista, Josué manda três homens de cada uma
das tribos restantes para fazerem um gráfico do país. Ao retornarem, fazem a repartição
na sorte (BÍBLIA, A.T. JOSUÉ 18-19). Money (2005, p. 128-150) oferece a seguinte lista
de territórios e cidades para cada uma das tribos:
1. Tribos da Palestina Oriental:

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 36


a. Tribo de Rúben: Aroer, Bezer, Hesbom, Jaza e Lasa;
b. Tribo de Gade: Minite, Jazer, Maanaim, Peniel ou Penuel,
Sucote, Ramote em Gileade, Jabes-Gileade e Bete-Nimra;
c. Tribo de Manassés (oriental): Quenate, Edrei, Golã, Astarote,
Afeque e Salcá.

2. Tribos da Palestina Ocidental:


a. Tribo de Simeão: Berseba, Ziclaque, Sefate ou Hormá, Gerar e
Arade;
b. Tribo de Judá: Hebrom, Belém ou Efrata, Carmelo, Tecoa,
Bete-Semes, Azeca e Quiriate-Jearim;
c. Tribo de Benjamim: Jebus, Gilgal, Jericó, Ai, Betel, Ramá,
Anatote, Gibeá, Micmás, Gibeom e Mispa;
d. Tribo de Dã: Timna, Aijalom, Elteque, Zorá, Ecrom, Lida, Jope e
Estaol;
e. Tribo de Efraim: Timnate-Sera, Tirza, Siquém, Silo, Bete-
Horom, Gezer e Samaria;
f. Tribo de Manassés (ocidental): Orfa, Taanaque, Dotã, Ibleã,
Dor, En-Dor, Meguido, Bete-Seã;
g. Tribo de Issacar: En-Ganim, Suném, Jezreel;
h. Tribo de Aser: Misal e Abdom, Acsafe, Cabul, Reobe, Afeque e
Aco;
i. Tribo de Zebulom: Gate-Hefer, Quislote-Tabor, Catate, Quitrom
e Naalol,
j. Tribo de Nafatli: Quedes, Hamote-Dor e Cartã, Ijom, Hazor,
Migdal-El e Abel-Bete-Maaca.

Aos levitas não foi concedida uma herança como às demais tribos, mas cada
tribo teve que conceder-lhes cidades em seu respectivo território com seus campos
correspondentes, olivais e jardins, correspondendo a 48 cidades. Além disso, entre as
48 cidades destinadas aos levitas, 6 foram nomeadas como cidades de refúgio, três
pelo lado oriental do Jordão e três pelo lado ocidental. César (2001, p. 209) apresenta o
panorama para as cidades de refúgio no quadro 2.1:

37 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


2.4 O período dos juízes de Israel

A narrativa do período dos juízes na Bíblia consta no livro de mesmo nome
(Juízes). A história destes abrange um período de aproximadamente 330 anos, que se
inicia com a morte de Josué e prossegue até o começo da monarquia sob Saul.
As evidências arqueológicas confirmam que no fim da Idade do Bronze Recente
e no início da Idade do Ferro I ocorrem considerável desordem e mudança sociopolítica.
Diversas cidades foram destruídas e depois reconstruídas por pessoas cujas habilidades,
na área de construção, eram inferiores a dos antigos cananeus, enquanto outras cidades
foram construídas sobre alicerces de rocha firme. Em lugares como Láquis e Hazor,
vários templos da Idade do Bronze Recente foram destruídos e não mais reconstruídos,
sugerindo uma mudança de ocupantes (THOMPSON, 2007, p. 99).
Basicamente o período retrata uma luta constante entre a opressão e a
libertação, levada a cabo. Na verdade, os juízes é que enfrentavam as sublevações dos
antigos moradores do país, e as tribos estrangeiras que o invadiram. De acordo com a
narrativa bíblica, enquanto o povo oprimido estava sob a direção do juíz, submetia-se
a Deus. Porém, passado o perigo, prontamente seguia a corrente geral de apostasia
e paganismo. As emergências que chamaram à frente os libertadores ou juízes são
conhecidas como “opressões”. Estas podem ser classificadas como “Opressões Internas”
e “Opressões Externas”. As primeiras, internas, foram ocasionadas pelos filisteus,
cananeus e, novamente os filisteus. As “Opressões Externas” vieram dos moabitas,
midianitas e amonitas (MONEY, 2005, pp. 150 – 153).
No que diz respeito ao estudo da geografia, neste período, não ocorrem
modificações dignas de nota. A partir daqui, as maiores mudanças geográficas ocorrem
após o estabelecimento da Monarquia. Este é o assunto de nossa próxima aula.

Resumo

Nesta aula, vimos a escravidão de Israel no Egito e sua peregrinação no deserto


(Êxodo). Vimos a conquista da terra por Josué, a divisão das terras por tribos e o período
dos Juízes de Israel. Na próxima aula, veremos a ascensão e queda do Reino de Israel.
Até lá!

Atividade de aprendizagem
1. O povo de Israel passou por várias cidades, entre elas Edon,
habitada pelos descentes de Esaú, Ismael e os filhos de Abraão com
Quetura. Pesquise na Bíblia por que o Rei de Edon recusou que
o povo de Israel passasse por suas terras, mesmo Moisés tendo
apenas pedido passagem, sem molestar o povo e sem mesmo usar
das águas.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 38


Aula 3
O REINO DE ISRAEL - ASCENSÃO E QUEDA

Nesta aula, iniciaremos o estudo da geografia dos tempos monárquicos do


povo de Israel. Iniciando com a implantação da monarquia, passaremos pela divisão do
reino e veremos como se deu o fim do Reino do Norte e a queda do Reino de Judá, que
termina com o povo exilado na Babilônia.

3.1 Primórdios do reino unido

O livro de Juízes não registra a atuação do último juiz de Israel e não sabemos
quando ele começou seu juizado. Todavia, a partir da narrativa da história de uma
mulher agoniada (BÍBLIA, A.T. 1 Samuel 1:7), Ana, ficamos sabendo do nascimento de
Samuel. Ele basicamente entra em cena a partir da morte de Eli. Sendo Samuel, ainda
jovem, entrou no serviço do templo, como sacerdote e juiz. Mesquita (1995) menciona
um período de transição, a mais notável história dos juízes.

Samuel, “chamado de Deus”, estava capacitado para o serviço que o
destino e a providência lhe haviam imposto. Mal acabara de entrar no
seu ofício, voltaram os filisteus à carga contra Israel, justamente quando
o povo celebrava um grande culto a Deus, uma espécie de consagração
de Samuel como líder do povo. (MESQUISTA, 1995, p. 175)

Contudo, com Samuel, o período dos juízes estava chegando ao fim. Nos dias
de seu juizado, houve um acordo geral entre as tribos. A necessidade de um rei se
tornara clara na mente do povo e eles começaram a clamar por um rei “como o têm
todas as nações” (BÍBLIA, A.T. 1 Samuel 8:5). A princípio, Samuel não pareceu disposto
a concordar com o pedido deles, pois compreendia que o motivo do povo era errado.
Eles queriam um rei a todo custo. O que precisavam, na verdade, era um governante
que reconhecesse que Deus era seu Soberano e que qualquer outro seria apenas o vice-
regente (THOMPSON, 2007, p. 116).
Do ponto de vista puramente humano, um rei seria reconhecido como
necessidade nacional, devido a tantas batalhas perdidas, por causa de chefes
improvisados por causa das rivalidades, cada vez mais acentuadas entre as tribos, ou
porque a presença de um rei daria forma ao Estado (MESQUITA, 1995, p. 175).

39 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


3.2 O reinado de Saul

Durante o longo período de lutas, por mais de três séculos, o povo de Israel tinha
um impressionante exército, tendo à frente um rei. Foi assim que o povo apresentou um
pedido a Samuel, solicitando unanimemente um rei, no qual foi eleito Saul (BÍBLIA, A.T.
1 Samuel 8:19-20).
Money (2005, p. 154) salienta que os sucessos do reinado de Saul são tão
entretecidos com seus tratos com Samuel e Davi que convém esboçar seu reinado da
seguinte forma:
1. Eleição de Saul como rei;
2. Suas campanhas;
3. Saul persegue a Davi;
4. Morte de Saul.
Relacionados com a sua eleição, os capítulo 9 a 12 de 1 Samuel menciona os
seguintes lugares: Ramá, Mispa, Gibeá, Gilgal, Salisa, Saalim e Zufe.
No que tange às suas campanhas, podemos dividi-las em campanhas internas
e campanhas externas:

1. Campanhas internas: a primeira filistéia e segunda filisteia;


2. Campanhas externas: a amonita, moabita, edomita e amalequita.
3. Lugares relacionados com a perseguição a Davi: Gibeá, Ramá, novamente
Gibeá, Nobe, Gate, Caverna de Adulão, Mispa de Moabe, Herete, Queila, Zife,
Maom, En-Gedi e Hebrom.
4. No capítulo 31 de 1 Samuel encontramos o relato da morte de Saul. Antes de
travar seu último combate, seus soldados se acamparam junto à fonte de Jezreel,
manancial perene que flui da base de Gilboa, e os filisteus ficaram postados
em Suném, não distante de Gilboa. Em En-Dor, situada à noroeste do Pequeno
Hermom, Saul consulta uma médium na véspera da batalha e, no dia seguinte
perece ignominiosamente. (MONEY, 2005, pp. 155 – 160).

Glossário
Ignomínia: Afronta pública, desonra, opróbrio, vergonha.

É interessante observar que a geografia mais marcante da vida e do reinado de


Saul encontra-se relacionada com sua perseguição a Davi. Saul ocupou grande parte de
seu reinado e de suas viagens perseguindo aquele que viria a ser o maior rei de Israel,
sob cujo domínio Israel se tornou um reino unido.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 40


3.3 Império de Davi

Após a morte de Saul, Davi foi aclamado pelo povo e foi naturalmente escolhido
como rei pelas tribos do sul. A forma com que ele dispusera os despojos tomados dos
amalequitas indica que, mesmo antes da morte de Saul, ele contava com a lealdade dos
seus irmãos sulinos. Por isso, Davi foi feito rei em Hebrom (BÍBLIA, A.T. 2 Samuel 2:1-4),
que era, na ocasião, a principal cidade de Judá e do sul do país (MESQUITA, 1995, p.
189).
É unânime a opinião dos estudiosos de que uma das maiores realizações de
Davi foi o estabelecimento de Jerusalém como capital da nação. Entretanto, ela teve
de ser tomada dos jebuseus (BÍBLIA, A.T. 1 Samuel 5). Perceba que certamente havia
um propósito estratégico na escolha desse local, pois ficava fora das fronteiras de Judá
e, portanto, um membro da tribo de Judá não podia ser acusado de parcialidade na
escolha de um lugar para sua capital. Jerusalém ainda estava localizada estratégicamente
na região montanhosa central, bastante inacessível a um invasor inimigo. Com toda
probabilidade, também um lugar que possuía associações honrosas com Abraão
(THOMPSON, 2007, p. 120).
Mesquita (1995, p. 193) acrescenta que Jerusalém estava situada a meio
caminho entre o norte e o sul, isto é, servia aos interesses das tribos, quer nortistas, quer
sulistas. Conforme mencionado acima, a cidade localizava-se na região montanhosa. Na
verdade, ela estava bem na lombada da cordilheira ou platô que corre do norte para o
sul, cercada de vales. Situada a 2.200 pés acima do Mediterrâneo e 3.500 acima do Mar
Morto, cercada a leste, pelo vale de Josafá e pelo vale de Hinom a oeste e sul, unida ao
norte por uma estreita garganta, facilmente defendida, oferecia as melhores condições
a uma capital oriental.

Glossário
Um pé = 33 cm (2.200 x 33cm = 72.600 cm ou 726 M)

Após o estabelecimento da nova capital em Jerusalém e a transferência para lá


da Arca da Aliança, que estava agora em Quiriate-Jearim, as várias tribos hebraicas foram
levadas a uma união política e religiosa. O prestígio e tato, mais a política conciliatória
de Davi, muito contribuíram para realizar esta união.
A oeste e ao norte, o território de Israel tinha alcançado as fronteiras
naturais, ao mesmo tempo que os filisteus se mostravam decididos a
respeitar as barreiras levantadas entre a sua terra e a terra dos hebreus.
Os fenícios, a seu turno, eram, em virtude de sua posição geográfica,
um povo comercial sem ambições de conquistas territoriais. A leste e
ao sul, a terra de Israel estava limitada pelo deserto, com algumas fortes
nações, como os amonitas e moabitas nas imediações. (MESQUITA,
1995, p. 194).

41 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


Enquanto estes povos estivessem apenas separados dos hebreus por fronteiras
artificiais, não havia segurança e paz permanentes, e toda a história passada da Palestina
demonstra que Davi conhecia a situação e agia de acordo com ela (MESQUITA, 1995,
p. 194). Foi assim que ele procurou alargar as suas fronteiras. Algumas das maiores
cidades cananitas que resistiram aos israelitas nos dias dos juízes e de Saul (BÍBLIA, A.T.
Juízes 1:27-33) parecem ter sido conquistadas pelos israelitas nos dias de Davi. Bete-
Seã continuava nas mãos dos cananeus durante o século XI, embora os israelitas talvez
só a tiveram ocupado nos dias de Salomão. Quando isso aconteceu, prédios de boa
qualidade foram substituídos por construções malfeitas (THOMPSON, 2007, p. 124).
Ainda podemos relacionar a cidade de Tirza (Tell el-Far’ar) e a de Meguido que,
no final do século XI a.C. finalmente esta última foi ocupada pelos israelitas na época de
Davi. A construção relativamente casual das casas e a ausência de fortificações sugerem
que foi povoada pelos israelitas antes deles começarem o planejamento cuidadoso
das importantes cidades reais, que eram uma característica dos dias dos reis. A partir
de Davi e continuando até os dias de Salomão, Meguido foi reconstruída de maneira
grandiosa (THOMPSON, 2007, p. 124).

3.4 Salomão alarga as fronteiras

Era natural que a morte próxima de Davi agitasse a corte e que, diversos
pretendentes ao trono surgissem. Davi, tendo casado com diversas mulheres, tinha
também diversos herdeiros. Mesmo o pessoal de Davi estava dividido, ficando uma
parte com Adonias e outra com Salomão. Todavia, a mãe de Adonias e a de Salomão
concordaram com que o profeta Natã e o sacerdote Zadoque levassem a cabo seu
intento e fosse ungido Salomão.
Nenhum rei de Israel iniciou seu reinado com maiores vantagens do que
Salomão, pois o reino estava no apogeu de sua extensão territorial, prosperidade
material, moral e religiosa e prestígio militar. Salomão encontrou uma maravilhosa
herança que lhe foi deixada por Davi, seu pai. De fato, Davi havia conquistado grande
parte do território que Deus, no princípio, havia prometido a Abraão. Além disso, todas as
riquezas que Davi havia acumulado, junto com as reunidas por Salomão, lhe permitiram
manter uma corte de explendor e magnificência. Money (2005, p. 164) recorda que
Salomão reteve em seu gabinete os sábios e aguerridos chefes que ajudaram a Davi na
expansão e consolidação do império (BÍBLIA, A. T. 1 Reis 10:27).
No que diz respeito à moral e à religião, a transladação da Arca da Aliança para
Jerusalém e as reformas levadas a cabo por Davi avivaram grandemente o espírito e a
vida religiosa do povo. Tudo isso estava unido à paz e à tranquilidade que reinavam
em todo o país, num povo vinculado pelos laços de um verdadeiro afeto ao jovem rei,

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 42


que começou seu reinado com grandeza, fama e renome, que jamais seria igualado nos
reinados posteriores (MONEY, 2005, p. 164).
No tocante às obras públicas, podemos destacar o suntuoso templo no monte
Moriá, construção grandiosa que foi o ato culminante do reino de Salomão. As obras
públicas encontravam-se espalhadas pelo norte do prolongamento do monte de Ofel,
no ponto onde ele se eleva acima do lugar da antiga cidade jebuseia. A rocha calcárea,
um pouco acima desta cidade estendida para o norte, era, sem dúvida, a eira de Araúna,
o jebuseu, sobre a qual foi construído o famoso “Templo de Salomão”. A massa irreglar
de granito, com os seus cortes peculiares, que atualmente se veem na Mesquita de
Omar, representam, provavelmente, o grande altar dos sacrifícios, que ficava na entrada
do templo, do lado oriental. Esta sede de adoração tomou o lugar de Gibeom, onde
ainda se pode ver o altar cavado na rocha (MESQUITA, 1995, p. 205).

Figura 3.1: Mapa os Reinos de Saul, Davi e Salomão.


Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.°4.

Um estudo da descrição do templo e dos trabalhos artísticos usados nele em 1


Reis 6 e 7 demonstram notáveis semelhanças entre o trabalho dos fenícios e as obras de
arte do templo. O capítulo 6 faz uma referência especial ao uso da madeira que revestia
o templo. Era, em grande parte, cedro importado de Tiro (BÍBLIA, A.T. 1 Reis 5:10).
Salomão fez uso de grande quantidade deste cedro para construir a casa do Senhor.
Artesãos especializados em madeira entalharam querubins, palmeiras, flores abertas,
etc. (BÍBLIA, A.T. 1 Reis 6:29) nas tábuas de cedro. Da mesma forma, a descrição dos
trabalhos em metal é similar (BÍBLIA, A.T. 1 Reis 7). O bronze foi utilizado na moldagem

43 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


dos mesmos padrões. Os textos também se referem a querubins, leões, bois, palmeiras,
romãs, redes, lírios (BÍBLIA, A.T. 1 Reis 7:18, 26, 29, 36, etc.) (THOMPSON, 2007, p. 125).
Salomão edificou os muros de Jerusalém; as cidades fortes de Meguido, ao
sul de Esdraelom e Azor, perto do lago Merom; reedificou Gezer, na linha fronteiriça
efraimita e fez fortificações nas cidades de Bete-Horom, Hamate e Tadmor, e em Baalate,
cidade-armazém, perto de Gezer (BÍBLIA, A.T. 1 Reis 9:17-19).
Em se tratando da arquitetura de Salomão, há material interessante descoberto
em modernas escavações. O fato talvez mais surpreendente diz respeito ao templo, que
é muito parecido com o de outros templos do oriente na época. A ideia de duas partes
principais no templo, um lugar santo e um lugar santíssimo, embora siga o arranjo do
antigo tabernáculo no deserto, possui várias semelhanças. Até mesmo as duas grandes
colunas no “Templo de Salomão”, conhecidas como Jaquim e Boaz, têm seus paralelos
nos templos do oriente (THOMPSON, 2007, p. 126).

3.4.1 A divisão do reino

Infelizmente, o que teve um início promissor terminou de maneira trágica. Os


impostos implantados por Salomão foram muito pesados. O povo de Israel havia pago
para a construção do “Templo de Salomão” e para um palácio digno do rei. Todavia, a
continuação onerosa dos impostos para a realização dos ambiciosos planos do rei não
tardou em semear o descontentamento por toda parte. O povo exigiu de Roboão, filho
e sucessor de Salomão, que aliviasse a pesada carga que este lhe havia imposto, mas,
por não atender a essa reivindicação, houve uma revolta. Todas as tribos, exceto Judá e
parte da tribo de Benjamim, desconheceram a autoridade de Roboão e elegeram rei a
Jeroboão (MONEY, 2005, p. 165).
Roboão permaneceu rei de Jerusalém e das tribos que reconheceram sua
autoridade. Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para sua moradia e para sede
do governo do norte. A cidade ficava no coração da tribo de Efraim, a mais valente
e poderosa do norte e uma das mais belamente situadas em toda a Palestina. Ficava
no amplo vale, entre os montes Gerizim e Ebal, na região da futura Samaria, com os
outeiros ao lado salpicados de frondosos olivais, hortas e pomares. (MESQUITA, 1995,
p. 208).

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 44


Figura 3.2: Mapa dos reinos de Israel e Judá
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.° 5.

Entretanto, o então rei do Norte logo percebeu que além da sede do governo,
algo mais devia ser mudado. As tradições, mesmo que não fossem multisseculares,
deviam exercer certa influência entre o norte e o sul e, mesmo Jerusalém, a cidade
sagrada, seria um motivo de atração para as turbulentas tribos do norte. Havia latente
o perigo de uma nova união. Jeroboão compreendeu isso e tratou logo de, sem maiores
dificuldades, estabelecer outros dois lugares de culto, um em Betel, no extremo sul,
e outro em Dã, no extremo norte. Mesquita (1995, p. 208) diz que nestes centros de
culto, Jeroboão mandou erigir altares e, como elemento de adoração, mandou construir
bezerros de ouro e mandou que o povo adorasse a Jeová mediante os mesmos bezerros.
Além disso, o rei do norte criou o seu próprio sacerdócio e cercou o novo estado de
todos os meios de segurança e continuidade.

Glossário
Multissecular: que tem muitos séculos; muitas vezes secular;
plurissecular, polissecular.

45 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


3.4.2 O Reino do Norte – Israel

De acordo com as informações bíblicas, a Primeira Dinastia do Reino do Norte


começou pela casa de Jeboroão I (922-901 a.C.). Seu filho Nabade reinou depois dele
por apenas dois anos e foi assassinado por um certo Baasa (BÍBLIA, A.T. 1 Reis 15: 25s).
Esta foi apenas a primeira de muitas conspirações que removeram do trono os reis de
Israel.
A II Dinastia foi introduzida por Baasa, quando matou Nadabe, filho de
Jeroboão. Baasa e seu filho Elá governaram de 900 a 876 a.C. O final da II Dinastia
chegou com o assassinato de Elá, sendo que seu assassino, Zinri, não reinou mais que
uma semana (BÍBLIA, A.T. 1 Reis 16: 11-20).
Thompson (2007, pp. 147-163) aponta para a Dinastia de Onri como a Terceira
Dinastia, que, na verdade, compreendia quatro reis ao todo: Onri (867-869 a.C.) Acabe
(869-859 a.C.) e Jorão 849-842 a.C. A próxima vem a ser a Dinastia de Jeú. Esse rei deu
início a uma dinastia composta por cinco reis, que governaram de 842 a 745 a.C., quase
um século ao todo. Depois da morte de Zacarias, em 745 a.C., Israel teve somente mais
um quarto de século de independência. Durante esse período, houve cinco reis, dos
quais três foram assassinados, um foi levado cativo e só um teve morte natural.
Aqui fazemos apenas um relato sintético da história dos reis, uma vez que
nosso objetivo é a geografia e, quando possível, a arqueologia. No que diz respeito à
geografia, esta sofreu uma grande mudança com a queda de Samaria. Entretanto, antes
precisamos conhecer a Assíria, uma antiga civilização que tornou-se uma potência.

3.5 Assíria

Os assírios foram um dos povos mais cruéis e implacáveis de toda a antiguidade,


não tinham misericórdia; espalhavam o terror e a tirania. Cair em suas mãos significava
morte lenta e dolorosa. Os filhos de Assur, comenta Andrade (2006, p. 37), eram exímios
torturadores.

Figura 3.3: Mapa do Império Assírio


Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.° 6.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 46


Atraído pelas planícies de Sinear, o patriarca Assur, filho de Sem, filho de Noé
(BÍBLIA, A.T. Gênenis 10:11) estabeleceu-se na orla oriental do Tigre, e aí fundou uma
cidade que lhe preservaria o nome. De acordo com os registros históricos, os primeiros
habitantes da região, identificados como nômades semitas, começaram a fixar-se em
Assur, a partir do quarto milênio a.C.
No princípio, o território assírio era inexpressivo. Perdia-se entre
os países circundantes. Com o passar dos séculos, porém, foi se
estendendo e abarcando as nações vizinhas, até transformar-se
num grande e poderoso império. Dilatando-se continuamente,
suas fronteiras jamais puderam ser delimitadas com exatidão.
Variavam de conformidade com as vitórias e derrotas da coroa de
Assur. (ANDRADE, 2006, p. 38)

Andrade (2006, p. 38) também menciona que a Assíria estava localizada no


Norte da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. No auge de seu poder, este
império chegou a ocupar uma área que ia do Norte da atual Bagdá até as imediações dos
lagos Van e Urmia. Na linha leste-oeste, ia dos montes Zagros até o vale do Rio Habur.
Tendo em vista sua privilegiada posição geográfica, era alvo de constantes invasões dos
nômades e nativos oriundos do Norte e do Nordeste.
A Assíria teve seu apogeu entre a última parte do século VIII e VII a.C., período
este que abrange os reinados de Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal. Em 616
a.C. Nabopolassar, governador de Babilônia, subleva-se e declara a independência dos
territórios sob a sua jurisdição (ANDRADE, 2006, p. 40).

3.5.1 O fim do Reino do Norte

O ano 722 a.C. marca o fim do Reino do Norte e o começo do cativeiro israelita.
Também, conforme comentado, foi o auge do Império Assírio, que a este tempo
dominava grande parte do antigo Império Heteu, estendendo os seus domínios para
o sul, ameaçando a existência de Jerusalém, que mais tarde sucumbiu ao poder da
Babilônia (MESQUITA, 1995, p. 230).
O rei Oséias foi preso fora da cidade e deportado antes da queda de Samaria,
capital do reino do Norte (BÍBLIA, A.T. 2 Reis 17: 4). A cidade foi sitiada por um período
de quase três anos, mas em agosto ou setembro do ano de 722 a.C. a cidade caiu.
Salmaneser, monarca assírio, morreu em dezembro de 722 a.C., ou seja, depois da
queda de Samaria. Sargão I, seu filho e sucessor, reivindicou a captura final da cidade
e seus monumentos. Ele estava sem dúvidas, presente e no comando dos exércitos, de
modo que teve sua participação na queda. A Crônica Babilônica refere-se à destruição
de Samaria (Sa-ma-ra-‘i-in) como o evento mais destacado do reinado de Salmaneser.
É interessante notar que, em Esdras 4:10, Samaria, geralmente soletrada em hebraico

47 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


como Shomron, é soletrada Shamrayin, como na Crônica Babilônica.
Salmaneser V levou cativo os israelitas do Norte, exilando-os nas terras da
Assíria, como Guzana (Gozã) e Hara (BÍBLIA, A.T. 1 Crônicas 5: 26). Com o passar do
tempo, esses exilados chegaram às principais cidades de Ninrude (Calá) e Nínive, onde
nomes israelitas foram encontrados em registros escritos. Thompson (2007, p. 162)
afirma que os óstracos de Ninrude e Nínive contêm 22 nomes israelitas, tais como
Menaém e Oséias.
No registro de Sargão sobre a queda de Samaria, ele toma o crédito para si,
embora, como mencionado, foi seu pai Salmaneser V quem tomou a cidade. Todavia, os
anais de Sargão registram:

Sitiei e conquistei Samaria, levei como despojos 27.290 habitantes ...


Reconstruí a cidade melhor do que era antes e estabeleci nela povos
de outros países por mim conquistados. Coloquei um oficial meu como
governador sobre eles e impus tributo sobre eles, como é costume para
os cidadãos assírios. (THOMPSON, 2007, 162, 163)

Existem paralelos entre esta narrativa e a história contada na Bíblia em 2 Reis


17. Mesmo assim, salientamos que os israelitas não foram todos deportados. De fato:

Uma grande parte do povo de Israel foi deixada nas suas cidades e vilas,
mas o fim da política assíria era destruir a unidade racial dos povos
conquistados, e por isso os reis da Assíria trouxeram colonos de outras
partes da Babilônia, de Cuta, que é, provavelmente, a Catu dos assírios,
um pouco do nordeste da Babilônia, de Sipar, ao norte, enquanto outros
eram trazidos de Hamate, a capital do reino vencido dos mitânios.
(MESQUITA, 1995, p. 230)

Os colonos foram absorvidos pelos nativos israelitas, e dessa absorção nasceu a


mistura das raças conhecidas, na literatura bíblica, com o nome de samaritanos. Durante
o século seguinte, o Israel do Norte perdeu todo o seu sentido político e religioso,
tornando-se simplesmente uma colônia do grande Império Assírio. Em sua breve
história ficou demonstrada a grande verdade de que a prosperidade, oportunidade e
cultura não desenvolvem, necessariamente, um caráter nacional. Por outro lado, por
meio dos seus profetas, Deus deu ao mundo certas verdades a respeito da justiça de
Jeová e do seu amor, que se tornaram a pedra angular da fé entre a humanidade. A
destruição do reino de Israel foi a grande lição que Deus deu ao mundo. Enquanto o
povo se mantém fiel, há prosperidade e paz; quando o povo se esquece de Deus, tudo
desaparece. Esta tem sido a lição que a maioria dos povos não tem querido aprender.
(MESQUITA, 1995, p. 230)

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 48


Assim terminou o reino de Israel. A importância da arqueologia para a
ampliação do nosso conhecimento desses reis e confirmação de muitas das declarações
bíblicas é evidente. O aspecto talvez mais importante deste material acrescentado é
que ele nos possibilita colocar os reis de Israel numa perspectiva realmente histórica.
Sob esse prisma, os reis parecem ter politicamente muito mais significados do que
poderíamos imaginar. Quanto ao seu valor aos olhos de Deus, os escritores bíblicos
tiveram a perspectiva mais correta. Continua sendo um fato que o simples desempenho
físico não tem significado diante de Deus. (THOMPSON, 2007, p. 163)

3.6 O Reino do Sul – Judá

Israel, o Reino do Norte, deixou de existir como nação independente a partir


de 722 a.C. Contudo, Judá continuou até 586 a.C. Sabemos que fatores similares aos
que influenciaram Israel são encontrados no caso de Judá, por exemplo, a ameaça
contínua da Assíria, a possibilidade de conflito com seu estado irmão e o ministério dos
profetas. Podemos acrescentar a esses fatos, o conflito com Edom, que agiu como um
rival natural de Judá, da mesma forma que a Síria o fez com Israel.
O Reino de Judá perfaz a parte das tribos que sobraram ao sul de Israel,
governadas por Roboão (922 – 915 a.C.). A história relata que Roboão esteve envolvido
na campanha de Sisaque do Egito. A Bíblia faz referência apenas à invasão de Judá e,
de fato, em 1 Reis 14: 25, Judá parece ter sido o alvo principal de Sisaque (THOMPSON,
2007, p. 165).
No que diz respeito à sucessão do trono, o Reino do Sul (Judá) permaneceu fiel
à Dinastia Davídica até a queda em 586 a.C. A arqueologia nos mostra que já na época
de Roboão a importante cidade de Eziom-Geber, no Mar Vermelho, o porto de Salomão,
foi destruída pelo fogo. Isto significou uma grande perda para Judá. Mais tarde, nos dias
de Josafá, quando a ameaça egípcia havia passado, o povo de Judá pôde reconstruir o
porto.
No reinado de Asa (913 – 873 a.C.), temos vestígios da construção da fortaleza
de Gibeá. Graças às descobertas de Ras-Shamra, compreendemos mais claramente as
reformas de Asa. Josafá (873-840 a.C.) subiu ao trono na mesma época em que o rei
Onri de Israel.
Thompson (2007, p. 170) afirma que, quanto ao período de Ezequias (714-687
a.C.), os registros assírios são de grande ajuda. O rei Sargão da Assíria chegou às regiões
do sudoeste de Judá, onde o rei Asdode estava causando algumas perturbações. Asdode
tentara até obter a ajuda de Judá, porém não teve êxito. No ano de 712 a.C., Sargão
enviou suas tropas sobre Asdode. Na Bíblia, temos o registro desse fato em Isaías 20.
Em seus registros, Sargão fez referência à revolta de Asdode em 712 a.C, que dizem:

49 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


Azuri, rei de Asdode, planejara não entregar (mais) tributo e enviou
mensageiros aos reis na sua vizinhança, todos eles hostis contra a Assíria.
Por causa dos erros cometidos (então) por ele, aboli seu governo sobre
os habitantes do seu país e tornei Ahimiti, seu irmão mais moço, rei sobre
eles. Mas esses hititas, que estavam sempre planejando traição, odiaram
o seu reinado, e elevaram Iamani (ou Iadna) sobre eles; este, que não
tinha direito ao trono, não conhecia, assim como eles, respeito pela
autoridade. (Numa raiva súbita) marchei rapidamente – em meu carro
oficial e minha cavalaria, que nunca, mesmo em território amigo, deixa
o meu lado – contra Asdode, sua residência real, e sitiei e conquistei
as cidades de Asdode, Gate e Asdudimu [...] Reorganizei essas cidades
e coloquei um meu oficial como governador sobre eles, declarando-os
cidadãos assírios e tiveram de aceitar o meu jugo. (J. B. Pitchard, ANET,
p. 286, col. 1. Apud THOMPSON, 2007, p. 170)

Além dos registros anteriores, para os fatos registrados na Bíblia, a arqueologia


descobriu uma carta de Nimrud e os anais de Senaqueribe; sem contar os inúmeros
documentos dos povos contemporâneos que ratificam o relato.

Glossário
Ratificar: fazer a ratificação, a validação de (ato, declaração,
promessa, situação); confirmar, validar.

Um grupo de óstracos valiosos veio à luz no sul de Judá. No sítio de Arade, ao sul de
Judá, foram encontrados mais de 200 óstracos. Cerca de metade deles estava em
aramaico (ca. 400 a.C.), mas o resto em hebraico dos dias da monarquia. Alguns deles
parecem pertencer ao período que antecedeu à primeira campanha de Nabucodonosor
em 600 – 598 a.C.

Glossário
Óstraco ou óstracon (em grego: όστρακον, ostrakon, plural
όστρακα, ostraka) é um fragmento de cerâmica (ou pedra),
normalmente quebrado de um vaso.

3.7 Babilônia

Babilônia, nas Sagradas Escrituras, é sinônimo de poder e glória. A história


desse império é antiguíssima: trata-se de uma das primeiras civilizações da Terra. As
crônicas babilônicas estão intimamente associadas com as da Mesopotâmia, berço da
raça humana.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 50


A Babilônia antiga, entretanto, não deve ser confundida com a Babilônia
dos séculos VI e VII a.C., que foi uma renascença da cultura babilônica antiga. Como
indica o nome, era uma civilização semita. A cultura da Babilônia antiga dependia da
Suméria em sua literatura e religião. Sabe-se que as bem conhecidas epopeias religiosas
que tratavam da criação do mundo, Enuma Elish e o relato do dilúvio – a Epopeia
de Gilgamés – tornaram-se proeminentes nos tempos da Babilônia antiga. Ambas
dependem de formas anteriores. Mesmo os tipos de divindades cultuadas, das quais a
mais importante era o deus do sol, foram importadas da Suméria. (DOCKERY, 2001, p.
59).
A Nova Babilônia prevaleceu de 626 a 539 a.C. Essa civilização semita foi
construída sobre a estrutura de poder político. Deixada pelos assírios, se estendeu além
dela com menor grau de violência. Dockery (2001, p. 61) sustenta que os babilônios
eram muito mais intelectuais que os assírios: tinham profundo interesse pelo estudo de
corpos celestes. Também pesquisavam as ciências e a matemática, tendo desenvolvido
um sistema numérico baseado no número seis, diferente de nosso sistema decimal,
baseado no número dez. O rei babilônio Nabucodonosor é famoso por ter esmagado
Jerusalém e imposto um exílio severo a todos os líderes de Judá.

3.7.1 O fim do Reino do Sul – Judá

O rei Zedequias (597-586 a.C.), apesar das exortações de Jeremias (BÍBLIA, A.


T. Jeremias 37-39; 52), comandou a rebelião final contra os babilônios em 588 a.C. Após
um longo cerco e sobrevindo a consequente fome, Zedequias fugiu, mas foi capturado
e levado ao quartel-general de Nabucodonosor em Ribla. Dockery (2001, p. 304) lembra
que ali o rei Zedequias presenciou a execução de seus filhos, antes de lhe vazarem os
olhos e o levarem preso para a Babilônia (BIBLIA, A.T. 2 Reis 25: 1-7).
Foi assim que Judá chegou ao fim e a terra passou para o controle dos
babilônios. Thompson (2007, p. 182) alerta para o fato de que nem todos os judeus
foram levados para o cativeiro, só os mais pobres permaneceram para cuidar da terra
(BÍBLIA, A. T. 2 Reis 25:12).
Havia talvez 1.500 anos desde que Abraão deixara Ur dos caldeus em direção
à Palestina. Era estranho que, depois de tantos anos, alguns de seus descendentes
estivessem voltando para lá, não como homens livres, mas como prisioneiros. Entretanto,
eles aprenderam muitas lições deste cativeiro e depois de sua volta passaram por novas
experiências que os levariam à “plenitude dos tempos” quando o Messias viria.

51 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


Resumo

Nesta aula você conheceu um panorama das conquistas do povo de Israel.


Também viu a divisão do Reino, as batalhas, conquistas e derrotas. Na próxima aula
veremos a restauração de Judá e a expansão do cristianismo. Até lá!

Atividade de aprendizagem
Faça uma linha do tempo dos reis de Israel.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 52


Aula 4
DA RESTAURAÇÃO DE JUDÁ À EXPANSÃO DO CRISTIANISMO

Com aula chegamos ao final de nosso estudo sobre a geografia e a arqueologia bíblicas.
Aqui trataremos do período que vai da restauração até o advento e a expansão do
cristianismo. Começaremos falando do Período Persa, a volta dos cativos judaicos e a
reconstrução do templo.

4.1 Período Persa

O Persa, como geralmente se chama, é considerado, por alguns estudiosos,


como pertencente ao período interbíblico. Entretanto, parece que a sua ligação
com a restauração dos cativos judaicos não pode prescindir de sua apreciação com
a história anterior ao referido período. A volta dos cativos, a restauração da cidade,
a reconstrução do Templo e dos muros da cidade, tudo isso faz parte deste período
canônico. (MESQUITA, 1995, p. 268).
De acordo com as evidências arqueológicas, o Templo de Jerusalém foi
completado por volta de março de 515 a.C. Isso deu aos repatriados um foco em sua
vida como nação. Existe grande quantidade de material arqueológico referente a esses
dias, muito mais do que o existente para os séculos anteriores (THOMPSON, 2007, p.
231). O livro de Esdras inicia-se com o decreto de Ciro, que permitiu a volta dos exilados
para a sua terra (BÍBLIA, A.T. Esdras 1: 2-3). No mesmo livro, encontramos uma forma
alternativa deste decreto (BÍBLIA, A.T. Esdras 6: 3-5).
Thompson (2007, p. 234-5), diz que “a política do rei persa era claramente
permitir liberdade de culto. Embora Ciro não fosse um adorador dos deuses da Babilônia,
ele sabia como fazer uma demonstração de honra a eles para ganhar a aceitação do
povo da cidade”. Foram encontradas inscrições em escavações, em Urak, por exemplo,
como as de E. Heinrich, H. Lentzen e outros, que evidenciam que de fato Ciro restaurou
templos no seu reinado, por exemplo, o santuário de Istar foi reconstruído por Ciro. Ali
ficaram, nos tijolos, inscrições que reivindicam a autoria da reconstrução a ele. Também
em Ur, embora tijolos inscritos mostrem que alguma restauração foi feita pelo antigo rei
Nabonido, foi de especial interesse descobrir que o próprio Ciro autorizou e completou
uma grande obra de restauração nos santuários daquela cidade. Os tijolos inscritos, bem
como um cilindro importante de barro cozido, descoberto junto ao grande zigurate, se
referem a este fato.

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Figura 4.1: O cilindro de barro cozido da Babilônia
Fonte: Museu Britânico (THOMPSON, 2007, p. 235).

Curiosidade
O Cilindro de Ciro descreve a conquista da Babilônia pelo rei persa Ciro. Sem
necessidade de travar uma batalha, devolve os prisioneiros (inclusive os judeus)
aos seus próprios países e a restauração dos tesouros do templo ao qual
pertenciam. O cilindro de barro cozido da Babilônia, com 23 cm, apresenta
escrita cuneiforme e é datado de 536 a.C (Museu Britânico). (THOMPSON, 2007,
p. 235).

Documentos encontrados nas últimas décadas do século XX apontam para


a existência de duas Pérsias. A Grande Pérsia, localizada no Sudeste do Elã, e que
correspondia à área ocupada atualmente pelo Irã, e a Pequena Pérsia, que se limitava, ao
norte, com a Magna Média. Andrade (2006, p. 59) afirma que, num sentido mais amplo,
o território persa compreendia o planalto da região confinada pelo Golfo Pérsico, o vale
do Tigre, o mar Cáspio e os rios Oxus, Jaxartes e Indo. No tempo de Assuero, marido de
Ester, as possessões persas estendiam-se da Índia à Grécia, do Danúbio ao Mar Negro,
e do Monte Cáucaso ao Mar Cáspio ao norte, e atingia, ainda, o deserto da Arábia e a
Núbia.

4.2 A restauração dos muros de Israel

A data que Esdras atuou não está claramente especificada na Bíblia, que diz
simplesmente que isso ocorreu no sétimo ano do rei Artaxerxes (BÍBLIA, A.T. Esdras 7:
7-8). Assim, surge imediatamente a questão quanto a ser ele o primeiro ou o segundo rei
com este nome. Se foi o primeiro, a data seria 458 a.C., mas se foi o segundo, seria 397
a.C. A Bíblia dá a impressão de que Esdras precedeu Neemias. Uma possível indicação
disso vem de um importante documento egípcio que fala a respeito de uma pesquisa
da condição religiosa dos judeus, perto do final do século V a.C. (THOMPSON, 2007, p.
254).

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No texto bíblico descrito no livro de Neemias 2:14, lemos:“Passei à Porta
da Fonte e ao açude do rei; mas não havia lugar por onde passasse o animal que eu
montava”. Thompson (2007, p. 256) menciona que os muros que Neemias teve que
inspecionar se encontravam na encosta leste do estreito que se projeta ao sul da área
do templo. Segundo Thompson (2007), as escavações arqueológicas demonstram que
esta área foi ocupada no final do período pré-exílico. O ataque de Nabucodonosor
deslocou os muros de pedra dos terraços e casas e cobriu a vertente da montanha com
uma enorme quantidade de pedras. O Açúde do Rei, no texto de Neemias mencionado,
se identifica com o Tanque de Siloé ou Bierket el Hamra adjacente. Quando Neemias
veio reconstruir os muros, abandonou as áreas da cidade velha situadas na encosta
leste da montanha e construiu seu muro no cume comparativamente plano.
Thompson (2007, p. 257) informa que a Dra. Kathleen Kenyon conseguiu
encontrar uma parte do muro de Neemias, que, incidentalmente, permaneceu como
o muro de Jerusalém até a destruição da cidade por Tito, em 70 d.C., embora tivesse
sofrido reparos e reforços frequentes. De acordo com essas importantes escavações,
algumas obras mais antigas que tratam de Jerusalém teriam de ser modificadas em
alguns pontos, principalmente com referência ao muro de Neemias.
A narrativa bíblica registra o término do trabalho de reconstrução, de cuja
tarefa homens de vários lugares participaram. É possível que as cidades de Tecoa, Bete-
Zur, Queila, Zanoa, Jerusalém, Gibeom, Mispa, Jericó e Bete-Haquerém, deem o melhor
retrato que temos da extensão de Judá na época (THOMPSON, 2007, p. 257).
Enquanto o Império Persa resplandecia no Oriente, no Ocidente, a Grécia vinha
marcando forte presença na restauração das nações. Nessa época, o fim do imperialismo
persa já se anunciava. O Império Persa durou aproximadamente duzentos anos. Apesar
de parecer imortal, depois de dois séculos de domínio mundial, enfraqueceu e teve fim.
Como era tendência na História Antiga, os povos mais fortes dominavam os mais fracos.

4.3 O Império Grego

Um dos acontecimentos mais surpreendentes da civilização foi a ascensão da


Grécia até se tornar um gigante intelectual. A Grécia está localizada numa península
rochosa, desértica, no mar Egeu. Portanto, a geografia servia só para isolar os gregos
da maior parte do mundo no período mais remoto da sua história. Seus ancestrais são
desconhecidos, mas o período de 1100-800 a.C. é considerado sua era das trevas.

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Figura 4.2: Mapa do Império Babilônico, Persa e Grego
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.° 7.

Para compreendermos a terra da Grécia, precisamos pensar em montanhas


cercadas pelo mar: uma cadeia de montanhas central chamada Pindo, com picos de até
três mil metros de altitude, divide totalmente o país entre leste e oeste. As regiões se
formam ao longo de encostas que descem do centro. A região a noroeste é conhecida
como Épiro, e a do sudoeste, Etólia.
A leste do Pindo está a Macedônia no norte, com o monte Olimpo
dominando sua fronteira sul. A antiga Trácia está a leste da Macedônia.
Ao sul da Macedônia está a região chamada Tessália, que conta com a
maior planície de toda a Grécia. A região mais baixa está ao sul do Pindo
que é chamada de Peloponeso. (DOCKERY, 2001, p. 115)

Com tão pouca terra disponível para a lavoura (80% é montanhosa), o mar
trouxe a solução, pois foi fonte de alimento e rota de comércio e imigração pois havia
muito que a Grécia não conseguia sustentar sua população com seu solo. Com exceção
das maiores elevações, o clima é ameno. As regiões no lado oeste do Pindo recebem
bem mais a chuva do que no leste. Dockery (2001, p. 115) acredita que esses aspectos
topográficos parecem ter prejudicado a unificação política da Grécia no passado. A
região ocupada por Atenas, nessa época, era denominada Ática. A tudo o que já foi dito,
Andrade acrescenta que:
Toda recortada pelo mar, a Grécia era cercada por muitas ilhas e ilhotas. A
natureza prodigalizara a Hélade com numerosas montanhas e abruptos
declives. Negara-lhe, porém, rios caudalosos e planícies extensas. Por
causa de sua paupérrima hidrografia, os gregos só cultivavam sementes
que resistiam aos longos estios e às altas temperaturas. (ANDRADE,
2006, p. 67)

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A partir do século IV a.C., a história da Grécia mescla-se com a da Macedônia.
Por ocasião de seu regresso à Palestina, os judeus constituíram uma nação independente
dos persas, até à derrocada destes pelas invencíveis tropas de Alexandre Magno, que
tendo subjugado a Grécia, atravessou o Helesponto e venceu as tropas persas no
Granico, na Mísia, e em Iso, e nos confins da Síria.
De acordo com Money (2005, p. 188), depois de pouco tempo, Alexandre
Magno subjugou as cidades fenícias, incorporou o Egito e a Palestina ao seu império
(332 a.C.) e, a seguir, atravessando o Eufrates e o Tigre, venceu totalmente Dario na
grande batalha de Guagamela perto de Arbela, localidade da Assíria. Em seguida,
se apossou de todos os domínios da Pérsia até a Índia. Alexandre tratou os hebreus
com extraordinária generosidade, excluindo-os das obrigações tributárias nos anos
sabáticos, além de conceder-lhes inteira liberdade de culto e de governo.
A repentina e prematura morte de Alexandre, foi, sem dúvida, um acontecimento
desastroso para o novo mundo grego. Nenhum dos seus guerreiros tinha capacidade
para substituí-lo. Os seus familiares, um irmão com deficiência e um filho menor, não
poderiam sucedê-lo. Era natural, pois, que os seus generais quisessem o governo,
mas eram quatro, e um reino dividido assim, pecaria logo contra a sua unidade. De
fato isso é exatamente o que acaba ocorrendo. Todos os quatro ambicionando ser o
herdeiro, começaram a guerrear entre si, porém, venceu o bom senso: ao Egito coube a
Ptolomeu; a Síria, a Seleuco; a Macedônia, a Cassandro; e a Trácia, a Lisímaco. Era, pois,
um novo começo (MESQUITA, 1995, p. 293).

4.4 Ptolomeus

O reino dos Ptolomeus, no Egito, tinha como capital a cidade de Alexandria.


Ptolomeu Filadelfo II apossou-se do Egito, Cirene, Lícia, Chipre e Palestina. O Egito
e a Palestina formaram Laomedom, até que Ptolomeu se apossou delas. A condição
dos judeus sob o domínio dos Ptolomeus era tranquila e feliz, pois lhes foi dado livre
exercício de suas leis e culto. Muitos fixaram sua residência em Alexandria, cidade que
foi por muito tempo uma importante base de população judaica. O resultado mais
notável dessa colonização foi a tradução das Escrituras Hebraicas para o idioma grego,
versão que ficou conhecida até hoje como Septuaginta, ou dos Setenta (MONEY, 2005,
p. 189).

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4.5 Selêucidas

A capital do reino dos Selêucidas era Antioquia. Os domínios de Antíoco I


(280-262 a.C), excluindo a Ásia Menor setentrional e a Grécia, estenderam-se desde
a Trácia, na Europa, até as fronteiras da Índia. No ano 198 a.C., Antíoco III arrebatou a
Palestina dos Ptolomeus. Sob a dependência dessa potência, principalmente no reinado
de Antíoco IV, Epifânio seguiu com rigor a política da helenização. Epifânio foi um dos
mais terríveis agressores da religião dos judeus. No ano 167 a.C., por decreto real, a Lei
foi abolida, foi proibida a guarda do sábado, o Templo de Jerusalém foi parcialmente
destruído, e para piorar a situação, nele foram feitas celebrações a Júpiter. Além disso,
introduziu uma estátua de Zeus Olímpio no Templo de Jeová; instituiu a pena de morte a
quem praticasse qualquer forma de culto a Jeová. Todos os livros sagrados encontrados
em poder do povo foram destruídos, e a busca de casa em casa era rotina, até exterminar
de todos a posse das Escrituras Sagradas (MESQUITA, 1995, p. 299).

4.6 Macabeus

A série de rebeldia mais bem organizada e melhor exemplificada que se


conhece na História estava destinada a uma família. O termo Aesmônio vem de uma
família de sacerdotes de Modim, cujos feitos reúnem os principais eventos da história
dos judeus. O apelido Macabeu, segundo alguns historiadores, deriva-se de Êxodo
15:11, onde lemos: “Ó Senhor, quem é como tu, entre os deuses?” cujas palavras em
hebraico são: . Segundo Mesquita (1995,
p. 302), das iniciais, M C B I, teria se formado a palavra Macabi ou Macabeus, que
também significa “martelo”. Matatias era o ancião chefe da família e sumo sacerdote
nos dias da tremenda perseguição síria. Ele residia em Modim, a 25 km a Noroeste de
Jerusalém, que, com seus valentes filhos, se lançou à desesperada luta contra a audácia
dos opressores, para reconquistar o direito de adorar a Deus, conforme a Lei de Moisés
(MONEY, 2001, p. 189).
Quando Matatias morreu, seu filho Judas encabeçou o pequeno exército de
patriotas. Com sua tática de guerrilha, repeliu os adversários em Bete-Horom e Emaús.
No ano de 164 a.C., conduziu suas forças até Jerusalém. Conquistada a cidade, Judas
restaurou o templo e restituiu o ritual mosaico. (MONEY, 2001, p. 190).
Vestígios arqueológicos ajudam a compreender a vida agitada desses tempos.
No alto do talude de Bete-Zur, escavadores descobriram os fundamentos de uma
grande fortaleza, evidenciando três períodos de ocupação. A primeira, construída nos
dias dos ptolomeus, foi quase completamente destruída e depois reconstruída como
uma fortaleza muito maior. Esta pode ser atribuída a Judas Macabeus, que a construiu
entre 165 e 163 a.C. Dentro de pouco tempo ela foi capturada, destruída e reconstruída
segundo um plano helenista pelo general selêucida Báquides, cerca de 161 a.C. O
quadro arqueológico, segue de perto o quadro histórico. (THOMPSON, 2007, p. 302).

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4.7 Herodes, o grande

De acordo com registros históricos e arqueológicos, em 63 a.C., Pompeu


entrou na Palestina e a Terra Santa passou ao controle direto de Roma. Isso foi de
muitas formas uma vantagem, pois daria aos judeus, paz, estradas, aquedutos e
muitos prédios de arquitetura belíssima. A Judeia propriamente dita teve seu tamanho
reduzido e foi incluída na província romana da Síria, com um governador local e Hircano
como sumo sacerdote. Depois Scauro, procônsul romano da Síria, teve problemas com
os nabateus. Antípater, pai de Herodes, conseguiu persuadir os nabateus a pagarem
tributo, ganhando assim favor dos romanos (THOMPSON, 2007, p. 333).
Herodes foi um dos mais fervorosos construtores da antiguidade. Na Palestina,
podem ser vistas ainda hoje as ruínas de uma grande variedade de prédios datados do
reinado de Herodes. Esses remanescentes são de muito interesse para a arqueologia e
podem ser classificados em quatro grupos: o Templo de Jerusalém; outras construções
em Jerusalém; construções no restante do reino e construções em países estrangeiros
(THOMPSON, 2007, p. 336). De acordo com descobertas arqueológicas, Herodes fez
tudo isso de um tipo especial de alvenaria em seus prédios, a qual se tornou conhecida
como alvenaria herodiana. Thompson (2007, p. 337) afirma que um dos melhores
exemplos da alvenaria típica herodiana, pode ser vista no “Muro das Lamentações”,
onde os enormes blocos do muro mostram como os pedreiros de Herodes trabalharam.
Soares (2002, p. 32) salienta que a mais importante obra de Herodes, de fato,
foi a reconstrução do Templo de Jerusalém, que havia sido saqueado por Crasso em
54 a.C. Herodes iniciou a reconstrução por volta dos anos 20-19 a.C. As informações
registradas no Evangelho de João 2:20 dizem que as obras teriam levado 46 anos para
ficarem prontas. Isso situa sua conclusão somente em 26/27 d.C. Uma empreitada
como esta deve ter tido um custo tão elevado que, como de costume, levou o povo ao
pagamento de impostos também elevados.

4.8 Palestina no período do Novo Testamento

Antípater, o filho mais velho que Herodes teve com Doris, foi executado, em
4 a.C., porém, antes de morrer, escreveu um testamento em favor de seus outros
filhos: Arquelau e Herodes Antipas, filhosde Maltace, e Filipe II, nascido de Cleópatra.
Herodes morreu na residência de Jericó, em fins de março ou começo de abril do ano
4 a.C. No fim deste mesmo ano Augusto confirmou o testamento de Herodes, mas não
deu a Arquelau o título de rei. Ele tornou-se etnarca, ou seja, governador da Judéia,
da Iduméia e da Samaria, de 4 a.C. a 6 d.C. Seu irmão Herodes Antipas foi nomeado
tetrarca – governador de uma quarte parte da província – da Galiléia e da Peréia, a leste
do Jordão (4 a.C. - 39 d.C.). Filipe II, por sua vez, foi tetrarca da Gaulanítide, Batanéia,
Traconítide e Auranítide, bem como do distrito de Panéias (Ituréia), de 4 a.C. a 34 d.C.

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Antes de vermos as caminhadas de Jesus durante seu ministério, é interessante
verificarmos como esta distribuição de poder na Palestina ajuda a compreender a
geografia política.

4.8.1 Judeia

Maior província da Palestina, a Judeia compreendia o território que antigamente


correspondia às tribos de Judá, Simeão, Dã e Benjamim. Estendia-se desde Jope, na
costa do Mediterrâneo, até um ponto no Jordão, a 16 km ao norte do Mar Morto. A
linha meridional estendia-se desde Ascalom, a oeste, para incluir Edom ocidental a
sudeste (MONEY, 2001, p. 195).

4.8.2 Samaria

Província central da Palestina, situada entre a Judeia e a cordilheira do Carmelo.


Contrasta com a Judeia, em que seus montes estão agrupados separadamente, cobertos
de abundantes pastagens e vegetação, enquanto o terreno está cortado por formosas
e férteis planícies que antigamente produziam enormes colheitas de cereais e frutas. A
planície de Sarom era ocupada exclusivamente por gente pagã (MONEY, 2001, p. 196).

Figura 4.1: Mapa n.° 8.


Fonte: Bíblia de estudo Plenitude

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4.8.3 Galileia

Esta era a mais setentrional das províncias ocidentais. Compreendia todo o


território ao norte de Samaria até o Monte Líbano, estendendo-se de leste a oeste,
entre o Mar da Galileia e o Mar Mediterrâneo e Fenícia. Coincidia essa região com o
território que coube às tribos de Zebulom, Aser, Naftali e grande parte de Issacar. Era
atravessada por grandes rotas de caravanas (MONEY, 2001, p. 197).

4.8.4 Pereia

No Novo Testamento, é designada como “a outra banda do Jordão”. Aplica-se


à faixa de terra que se estendia ao longo do Jordão, desde um pouco ao sul de Pela
até ao Arnom. Segundo Joséfo, a região se inter-relacionava com Decápolis, pois ele
considerava Gadara como capital pereana e contava a Otopos, em lugar daquela, na
confederação das cidades gregas (MONEY, 2001, p. 199).
Entre as cidades da Galileia e Pereia, talvez uma cidade que precisa ser lembrada
seja Cafarnaum – literalmente “povoado de Naum”. Cidade bastante mencionada nos
evangelhos, pois foi ali que Jesus iniciou seu ministério depois do episódio da sua
tentação (BÍBLIA, N. T. Mateus 4:13-16).

4.8.5 Decápolis

No sentido mais limitado da palavra, decápolis refere-se a dez cidades


gregas sob a proteção do governador da Síria, cada uma delas constituindo um centro
administrativo da região circunvizinha. As cidades da confederação eram: Citópolis –
antiga Bete-Seã – a única situada a oeste do Jordão; Damasco, na Síria; Diom, Rafana
e Canata, na Tetrarquia de Filipe; Hipos, Gadara, Pela, Geresa e Filadélfia, situadas na
região que começa na metade do Mar da Galileia e se estende em direção sudeste até
o sul das cabeceiras do Jaboque (MONEY, 2001, p. 199).

4.8.6 A terra de Israel no tempo de Jesus

Na época do nascimento de Jesus, o povo finalmente tinha o conhecimento


do Deus verdadeiro e o esperava na Palestina. A língua grega era universal e se tornou
propícia para a divulgação do evangelho. Nos diversos caminhos construídos pelos
romanos, estacionavam guarnições de soldados imperiais, garantindo assim a vida
dos viajantes. As sinagogas estabelecidas constituíam ótimos pontos de partida para a
pregação das escrituras do Antigo Testamento.

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Figura 4.3: Mapa da Palestina nos Tempos de Jesus
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa n.° 10

4.9.1 Inauguração do ministério de Jesus

1. Betábara: lugar tradicional do batismo de Jesus, na margem oriental do Jordão;


2. Caná da Galileia: onde se realizou o primeiro milagre;
3. Cafarnaum: onde permaneceu somente alguns dias, pois quis voltar a
Jerusalém para participar da festa da Páscoa.

4.9.2 Ministério na Judeia


Durante o ministério na Judeia, destacam-se as seguintes localidades:
1. Sicar: povoação de Samaria, situada um pouco ao norte do poço de Jacó, onde
revelou à mulher samaritana que ele era o Messias;

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 62


2. Caná: foi honrada com sua presença quando, nessa ocasião curou o filho de
um nobre.

4.9.3 Ministério na Galileia

A Galileia foi o lugar onde Jesus exerceu seu ministério público depois do
primeiro ano. Ele concentrou sua esfera de atividade nesta região por um período de
18 meses, onde trabalhou entre os simples galileus. O Messias visitava os povoados
que rodeavam o Mar da Galileia, que tinha a forma semelhante a uma pera, chamado
antigamente de Quinerete ou Quinerote, e posteriormente o Lago de Genesaré, Galileia
ou Tiberiades. Essa expansão de águas mede uns 21 km de comprimento por uns 13 de
largura em sua maior extremidade para o norte. Está encerrada por colinas escarpadas,
salvo no lado norte e noroeste e no ponto onde o Jordão sai do lago pelo sul.

4.9.4 Jerusalém, Nazaré e Cafarnaum

Em Jerusalém, Jesus recebe a notícia do encarceramento de João, viajando em


seguida para a Galileia para começar seu ministério. A partir daí chega a:

1. Nazaré: ali os incrédulos levaram Jesus ao cume de um monte atrás da


povoação para o precipitarem, fato que o obrigou a fixar sua residência na cidade
marítima do Lago da Galileia;
2. Cafarnaum: situada sobre a orla noroeste do Mar de Genesaré, distante uns
poucos quilômetros do Jordão. O ponto exato de sua localização é desconhecido,
porém algumas autoridades a situam em Tel-Hum, povoado a 5 km a noroeste
do lago mencionado, que hoje conta com 10.000 habitantes. É em Cafarnaum
que se dá o chamamento dos quatro discípulos e a pesca milagrosa (BÍBLIA, N.T.
Lucas 5: 1-11); a pregação na sinagoga (BÍBLIA, N.T. Marcos 1: 21); e a cura do
endemoninhado e da sogra de Pedro (BÍBLIA, N.T. Marcos 1: 23-31). Durante
suas visitas às aldeias dos arredores, realizou a cura do leproso (BÍBLIA, N. T.
Marcos 1: 40-42) e regressou ao porto, centro de bastante atividade missionária
(BÍBLIA, N. T. Marcos 2: 1).

4.9.5 Outras regiões mencionadas no ministério de Jesus

Durante seu ministério, Jesus teve uma vida bem intensa: percorreu muitos
caminhos a fim de anunciar o Evangelho do Reino. Podemos mencionar:

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1. Naim: povoado murado, localizado ao lado noroeste do Pequeno Hermom, a
8 km a sudoeste de Nazaré;
2. Gerasa: situada na margem leste do lago Meron distante 8 km do ponto onde
o Jordão entra neste lago;
3. Betsaida: terra de Filipe, André e Pedro, situada na cabeceira noroeste do lago
4. Genesaré: em meio de uma planície semicurcular no litoral noroeste do lago;
5. Fenícia: cujo território nunca fora conquistado pelos hebreus;
6. Decápolis: onde curou o surdo-mudo (BÍBLIA, N.T. Marcos 7: 31-37);
7. Dalmanuta: sita na praia ocidental do Mar da Galileia, na vizinhança de
Magdala;
8. Cesareia de Filipe: cidade ao pé do monte Hermom, que antigamente se
chamava Paneias, por ser centro por longo tempo do culto a Pã, deus grego dos
pastos, rebanhos e bosques, muito aficionado à música.
9. Monte Hermom: cenário da transfiguração, depois que curou um lunático ao
pé do mesmo monte (BÍBLIA, N.T. Marcos 9: 2-19);
10. Samaria: lugar tradicional em que se deteve na ocasião em que era a antiga
En-Ganim, em cujas imediações se realizou a entrevista com o discípulo vacilante,
que disse a Jesus: “Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos
que estão em minha casa. (BÍBLIA, N.T. Lucas 9:61-62);
11. Pereia: fazia parte da missão de João Batista pregar o arrependimento em
todo o país, e a fim de preparar as aldeias dessa região para recebê-lo;
12. Betânia: de pitoresca situação no sopé oriental do Monte da Oliveira, em
meio a cerradas plantações de figueiras, oliveiras e amendoeiras. Ali Jesus
ressuscitou Lázaro (BÍBLIA, N.T. João 11:1-53);
13. Efraim: aldeia situada num cerro cônico a 8 km a nordeste de Betel;
14. Jericó: situada a 24 km a nordeste de Jerusalém e a 8 km do Jordão.
15. Jerusalém: onde perdoou a mulher apanhada em adultério (BÍBLIA N.T. João
8: 3-11).Na cidade foi morto, sepultado e, por fim, ressurgiu entre os mortos.

4.10 Lugares relacionados às viagens de Filipe, Pedro e Paulo

A marcha do Cristianismo para o Ocidente teve início com as viagens de Filipe


e Pedro. Contudo, o verdadeiro impulso é encontrado nas viagens de Paulo. (MONEY,
2001, pp. 226-253).

4.10.1 Lugares relacionados às viagens de Filipe

Filipe era um dos sete gregos eleitos para a distribuição de socorros a viúvas.
Ele esteve em:
1.Samaria: onde teve um notável êxito entre os samaritanos;

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 64


2. Azoto: ao norte de Gaza e a 4,5 km do mar;
3. Cesareia: onde morou por uns vinte anos.

4.10.2 Lugares relacionados às viagens de Pedro

Viagens curtas, porém, de primordial importância:

1. Lida: onde curou o paralítico, situada num formoso terreno a umas poucas
milhas a sudeste de Jope;
2. Jope: onde ressuscitou Dorcas;
3. Desareia: pregando na casa de Cornélio, centurião romano.

4.10.3 Lugares relacionados às viagens de Paulo

No Novo Testamento, há notícia que o apóstolo que expandiu a área de


pregação das “boas-novas” foi Paulo. Incluímos aqui a relação das principais regiões e
cidades por onde ele passou:

1. Tarso a Antioquia (BÍBLIA, N.T. Atos 11: 26-30);


a. Tarso: cidade da Cilícia e terra de Paulo;
b. Antioquia: onde a obra evangélica chegou a corresponder a seus
esforços. Essa cidade tornou-se o centro do movimento expansivo da
igreja, em lugar de Jerusalém. Situada na margem meridional do Orontes,
a uma distância de 25 km de sua desembocadura.

Figura 4.4: Mapa da Primeira viagem de Paulo


Bíblia de estudo Plenitude: Mapa N°11.

65 FACULDADE SÃO BRAZ GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA


2. Ásia via Chipre (BÍBLIA, N. T. Atos 13:4-14: 27);
a. Antioquia;
b. Selêucia: porto marítimo de Antioquia na foz do rio Orontes;
c. Chipre: atual possessão inglesa ao nordeste do Mar Mediterrâneo, distante
uns 64 km da costa da Cilícia;
d. Salamina: cidade marítima na costa oriental de Chipre e lugar residencial de
muitos judeus;
e. Pafos: capital e também residência do procônsul, título que se conferia ao
governador de província;
f. Perge: a 13 km do mar, cujos habitantes eram devotos do culto a deusa Diana;
g. Antioquia da Psídia: para distingui-la da Antioquia da Síria, era a capital da
província e grande centro comercial;
h. Icônio: a 96 km em direção leste de Antioquia;
i. Listra: colônia romana na parte oriental de Licaônica, a 35 km de Icônio;
j. Derbe: distante 32 km de Listra;

Figura 4.5: Mapa da segunda viagem de Paulo


Bíblia de estudo Plenitude: Mapa N°11a.

3. Viagem à Europa via Ásia Menor (BÍBLIA, N. T. Atos 15: 36-18: 22);
a. Antioquia, Síria, Cilícia, Derbe e Listra;
b. Frígia: um giro pela região evangelizada em sua viagem anterior;
c. Galácia: Ásia Proconsular;
d. Trôade: cidade marítima da Mísia, na costa do mar Egeu, a curta distância da
antiga Tróia.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 66


Figura 4.6: Mapa da terceira viagem de Paulo
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa N°12.

4. Itinerário na Europa (BÍBLIA, N. T. Atos 16:12-18:18);


a. Macedônia: província ao norte da Grécia, limitada a leste pela Trácia e o Mar
Egeu, ao norte pelos montes Balcânicos, e a oeste pela Cordilheira de Pindo;
b. Acaia: nome com que os romanos designavam a Grécia;
c. Samotrácia: onde ancorou o navio. Encontra-se na parte nordeste do Mar
Egeu e a 32 km ao sul da costa da Trácia;
d. Neápolis: cidade marítima da Macedônia, e primeiro paradeiro de Paulo na
Europa;
e. Filipos: ponto inicial de sua obra missionária na Europa. Localizada na
Macedônia oriental e perto da fronteira da Trácia;
f. Anfípolis: a 50 km a sudoeste de Filipos;
g. Tessalônica: onde Paulo fundou uma igreja composta, em sua maior parte, de
gentios;
h. Bereia: situada a 80 km a sudoeste de Tessalônica;
i. Atenas: capital de Ática, um dos estados gregos, situada no golfo de Salônica,
a uns 8 km distante do mar e a 74 km a leste de Corinto;
j. Corinto: distante uns 72 km de Atenas, situada na entrada do estreito istmo,
que unia a península do Peloponeso com o continente;
k. Cencreia: um dos portos de Corinto;
l. Éfeso: metrópole da Ásia Proconsular, na província de Lídia, perto da
desembocadura do Caíster, entre Mileto para o sul e Esmirna no norte;
m. Ainda podemos mencionar regiões menos expressivas: Assôs, Mitilene,
Quios, Samos, Trogílio, Mileto, Cós, Rodes, Pátara, Tiro e Ptolemaida.

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Figura 4.6: Mapa da terceira viagem de Paulo
Fonte: Bíblia de estudo Plenitude: Mapa N°12.

5. Viagem a Roma (BÍBLIA, N.T. Atos 23: 31-33 e 27-28:16).

Durante o percurso do apóstolo em sua viagem enquanto prisioneiro, podemos


mencionar: Antipátride, Cesareia, Sidom, Mirra, Bons Portos, Melita, Siracusa, Régio,
Potéoli, Praça de Ápio e Três Vendas até que, por fim, chega a Roma. Para se aprofundar
na geografia abrangida pelo ministério de Paulo, teríamos de concentrar em um material
totalmente dedicado a este tópico.
Ainda poderíamos incluir aqui as regiões mencionadas nas cartas às sete
igrejas da Ásia, que encontramos no livro de Apocalipse: Éfeso, Esmirna, Pérgamo,
Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.

GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA FACULDADE SÃO BRAZ 68


Nesta aula, você conheceu as terras por onde o povo de Israel peregrinou. Viu
ainda a queda do reinado e o domínio dos persas. Conheceu a tendência da História
Antiga: um povo mais forte dominar outros mais fracos. Viu ainda os reinados; a queda
e ascenção de vários reis e a reconstrução dos muros de Israel por Neemias. Também
viu que nem sempre o povo cativo podia adorar Jeová. Prosseguindo, conhecemos
as terras onde Jesus nasceu e iniciou seu ministério e terminamos com as viagens do
apóstolo Paulo. Esperamos que este livro tenha contribuido para aprofundar ainda mais
seus conhecimentos. Até breve!

Atividade de aprendizagem
Pesquise quais os reis permitiram ao povo de Israel adorar Jeová
e os que não permitiram. Faça uma lista das atitudes de cada um
deles.

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REFERÊNCIAS
A BÍBLIA SAGRADA. Português. Almeida. Revisada e Atualizada no Brasil. São Paulo:
SBB, 1993.
ANDRADE, Claudionor de. Geografia bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
AUTH, Romi. Terras bíblicas: encontro de Deus com a humanidade. São Paulo: Paulinas,
2007.
BÍBLIA ON-LINE Versão 3.00
BÍBLIA. Português. Bíblia de estudo plenitude. RC. São Paulo: Sociedade Bíblica do
Brasil, 1995.
CESAR, Eber M. Lenz. Historia e geografia bíblica. São Paulo: Editora Candeias, 2001.
DOCKERY, David S. Manual bíblico vida nova. São Paulo: Edições Vida Nova, 2001.
MESQUITA, Antônio Neves de. Povos e nações do mundo antigo: uma história do Velho
Testamento. 6.ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1995.
MONEY, Netta Kemp de. Geografia histórica do mundo bíblico. São Paulo: Editora Vida,
2005.
SOARES, Paulo Sérgio. Sabedoria na resistência: período romano (63 a.E.C. a 40 E.C.)
São Paulo: Paulinas, 2002.
THOMPSON, John Arthur. A bíblia e a arqueologia. São Paulo: Arte Editorial, 2007.

Currículo do professor-autor

Sandro Pereira é Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista do


Paraná (FTBP). Pós-graduado em Educação a Distância pela Faculdade de Administração,
Ciências, Educação e Letras (FACEL). Pós-graduado em Pedagogia Social pela Faculdade
de Administração, Ciências, Educação e Letras (FACEL). Mestre em Ciências da Religião
pela Universidade Metodista e São Paulo (UMESP). Membro do grupo de pesquisa
Oráculo do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da UMESP – São
Bernardo do Campo, São Paulo.

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