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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

O percurso do pedagogo desde da Grécia Antiga até aos dias de hoje

José Mussi

708222421

Licenciatura em Ensino de Biologia


Práticas Pedagógicas I
1º Ano, Io Semestre, Turma: S

Nampula, Julho, 2022


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 Índice 0.5
 Introdução 0.5
Aspectos
Estrutura  Discussão 0.5
organizacionais
 Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(Indicação clara do 2.0
problema)
Introdução
 Descrição dos objectivos 1.0

 Metodologia adequada
2.0
ao objecto do trabalho
 Articulação e domínio do
discurso académico
Conteúdo (expressão escrita 3.0
cuidada, coerência /
Análise e coesão textual)
discussão  Revisão bibliográfica
nacional e internacional
2.0
relevante na área de
estudo
 Exploração dos dados 2.5
 Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
 Paginação, tipo e
Aspectos tamanho de letra,
Formatação 1.0
gerais paragrafo, espaçamento
entre linhas
Normas APA 6ª
 Rigor e coerência das
Referências edição em
citações/referências 2.0
Bibliográficas citações e
bibliográficas
bibliografia
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Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor

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Índice
Capítulo I: Introdução ................................................................................................................. 5
Capítulo II: O percurso do pedagogo desde da Grécia Antiga até aos dias de hoje ................... 6
2.1. Contextualização .............................................................................................................. 6
2.2. Conceito Pedagogia e Pedagogos .................................................................................... 6
2.3. Evolução do pedagogo desde da Grécia Antiga até aos dias de actuais .......................... 8
2.4. A importância do pedagogo na escola e na educação .................................................... 12
Capítulo III: Conclusão ............................................................................................................ 14
Referências Bibliográficas ........................................................................................................ 15
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Capítulo I: Introdução

O presente trabalho é da cadeira de Praticas Pedagógicas I, leccionada no curso de


licenciatura em Ensino de Biologia, na Universidade Católica de Moçambique. o trabalho
subordina-se ao tema: O percurso do pedagogo desde da Grécia Antiga até aos dias de hoje.
Pedagogo é um educador profissional da Pedagogia, tal como o pedagogista, capaz de actuar
em espaços escolares e em não-escolares, na implantação do ensino de sujeitos em diferentes
fases de desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo
apresentado pelo pedagogista.

Segundo Piletti (2004), Pedagogos era aquele que conduzia a criança, e que tinha de fazer
valer a sua autoridade quando necessária “os escravos”. Portanto, acção considerada de
prática educativa. Foi da palavra pedagogo que derivou, mais tarde, o termo pedagogia, e só
então começou a notabilizar, no seu dos filósofos.

Hoje, pedagogo é o especialista em assuntos educacionais, institucionais que lidam com


matéria do processo educativo.

Na abordagem deste tema seguir-se-á a seguinte sequência, em termos da estruturação do


mesmo: Introdução (Onde arrolar-se-ão os objectivos e metodologias a serem usadas),
Desenvolvimento, Conclusão (onde teremos as considerações finais daquilo que foi arrolado
no desenvolvimento) e Referências Bibliográficas.

O artigo tem como objectivos:

Objectivo geral

 Abordar sobre o percurso dos pedagogos desde a Grécia Antiga até aos dias de hoje

Objectivo especifico

 Dar conceito do pedagogo e da pedagogia;


 Descrever o percurso dos pedagogos desde a Grécia Antiga até aos dias de hoje.

Metodologia

 Para concretização deste trabalho, foi usada uma Pesquisa Bibliográfica que consiste
desenvolver o trabalho a partir de material já elaborado, constituído principalmente de
livros, manuais ou módulos da disciplina e artigos científicos.
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Capítulo II: O percurso do pedagogo desde da Grécia Antiga até aos dias de hoje

2.1. Contextualização
A Educação, do latim educationem que, por seu turno, deriva de educare e este último
de educere (levar, conduzir a), sempre fez parte da história da humanidade, desenvolvendo-se
de diferentes formas em cada tipo de sociedade.

Segundo Libânio (1999), nas sociedades tribal/primitiva, clássica e medieval, por exemplo, a
educação ocorria tanto de modo informal quanto não formal. Todavia, é somente na sociedade
moderna que, mesmo com a coexistência dessas duas modalidades de educação, surge a
escola propriamente dita, como instituição social e educativa responsável pela
socialização/democratização dos conhecimentos científicos historicamente construídos. Isso
significa dizer que é exclusivamente na escola, pois, que a educação formal se dá de modo
efectivo, concreto e legitimado.

Com base nesse entendimento, pode-se dizer que, originalmente, o termo Pedagogia está
associado à palavra Educação, o qual, de acordo com Bueno (1966), surgiu do
latim pedagogus, que provém da palavra grega paidagogos (pais), que é formada pelos
vocábulos paidós (criança) + agein ou agogos (preceptor, condutor, dirigente).

Daí, a Pedagogia como tecnologia, Filosofia Aplicada, rede de significações e enunciados


inferenciais sobre o fazer educativo (Mazzotti, 1996), “Ciência que tem a prática social da
educação como objecto de investigação e de exercício profissional – no qual se inclui a
docência, embora nele se incluam outras actividades de educar” (Libâneo e Pimenta, 2002,
p.21), campo científico, curso de graduação, teoria e prática da educação, “prática cultural e
forma de trabalho cultural que envolve uma dinâmica intencional de produção e
internalização de significados” (Libâneo, 2002, p.65) ser concebida como uma actividade
específica do pedagogo.

2.2. Conceito Pedagogia e Pedagogos


A existência da pedagogia é o facto de que esse campo ocupar-se do estudo sistemático das
práticas educativas que se realizam em sociedade como processos fundamentais da condição
humana. A pedagogia, segundo Libânio, serve para investigar a natureza, as finalidades e os
processos necessários às práticas educativas com o objectivo de propor a realização desses
processos nos vários contextos em que essas práticas ocorrem. Ela se constitui, sob esse
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entendimento, em um campo de conhecimento que possui objecto, problemáticas e métodos


próprios de investigação, configurando-se como "ciência da educação".

Pedagogo é o profissional que actua em várias instâncias da prática educativa, indirecta ou


directamente vinculadas à organização e aos processos de aquisição de saberes e modos de
acção, com base em objectivos de formação humana definidos em uma determinada
perspectiva. Dentre essas instâncias, o pedagogo pode actuar:

 nos sistemas macro, intermediário ou micro de ensino (gestores, supervisores,


administradores, planeadores de políticas educacionais, pesquisadores ou outros);
 nas escolas (professores, gestores, coordenadores pedagógicos, pesquisadores,
formadores etc.);
 nas instâncias educativas não escolares (formadores, consultores, técnicos,
orientadores que ocupam de actividades pedagógicas em empresas, órgãos públicos,
movimentos sociais, meios de comunicação;
 na produção de vídeos, filmes, brinquedos, nas editoras, na formação profissional
etc.).

Salientar que, a Pedagogia literalmente falando, tem o significado de “condução da criança”


devido ao fato de que, na Grécia Antiga, cabia ao escravo conduzir as crianças, de cerca de
sete anos de idade, aos locais de estudo para que as mesmas pudessem receber instruções de
seus preceptores. Ele tinha a tarefa de levar as crianças até os locais do conhecimento, mas
não necessariamente era sua função instruí-las. Essa segunda etapa ficava por conta do
preceptor. O escravo “pedagogo” era, pois, um mero “condutor de crianças”.

Portanto, no período da dominação romana sobre a Grécia, as coisas se modificaram


substancialmente: os escravos eram os próprios gregos. Nesse caso, os escravos eram
possuidores de uma cultura superior à dos seus dominadores. Deste modo, o escravo
“pedagogo”, conforme estudos desenvolvidos por Ghiraldelli Júnior (1991), não só continuou
a exercer sua actividade de “condutor de crianças”, mas assumiu também a função de
preceptor.

Dessa forma, o “pedagogo”, entre gregos, romanos e outros povos da Antiguidade, era o
escravo que conduzia as crianças de casa até a „escola‟, a fim de que as mesmas pudessem
conviver socialmente com outras crianças e aprender diferentes actividades (música,
ginástica, dança entre outras) que não podiam ser realizadas no lar por falta de companheiros
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em número suficiente; haja vista que, na Grécia antiga, a família era composta apenas pela
nucleação do casal com um ou dois filhos. Portanto, o escravo “pedagogo” configurava-se
como o mediador entre a família nuclear e a comunidade/sociedade. Por extensão, pode-se
dizer, assim, que a Pedagogia é arte de socializar as crianças, uma vez que tanto a palavra
“pedagogo” quanto “preceptor” (aquele que toma a dianteira) ou mestre (do latim magister =
professor, aquele que comanda, aquele que se dedica a ensinar) contêm, etimologicamente, a
noção de “conduzir para algum lugar ou até alguma pessoa”.

2.3. Evolução do pedagogo desde da Grécia Antiga até aos dias de actuais
Com base a informação acima referenciada, é possível de certa forma afirmar que a Pedagogia
está directamente relacionada ao ato de condução ao saber (científico). E, de facto, a
Pedagogia tem, até hoje, a preocupação com os meios de ensino (métodos e técnicas), as
formas de levar os estudantes ao conhecimento científico, os problemas didáctico-
metodológicos relativos ao como ensinar, o que ensinar, quando ensinar e para quem
ensinar. Portanto, a Pedagogia consubstancia-se no pólo teórico-prático da problemática
educacional, ou seja, na práxis pedagógica da actividade educativa. (Gadotti, 2001; Vásquez,
1977)

De mero escravo “condutor de crianças”, entre a casa e a „escola‟, o pedagogo propriamente


dito transforma-se, a partir da criação do curso de Pedagogia, no Brasil, através do Decreto-
Lei nº 1.190, de 4 de Abril de 1939, e de seus três períodos históricos de regulamentações –
identidade questionada (1939-1972), de indicações – identidade projectada (1973-1978) e de
propostas – identidade em discussão (1979-1998), em “especialista/técnico” em assuntos
educacionais (inspector escolar, planeador, administrador, supervisor ou orientador
educacional), docente, coordenador pedagógico, gestor escolar, educador (Silva, 1999);
enfim, em profissional da educação, sendo ainda pouco valorizado pela actual sociedade
capitalista e considerado, erroneamente, como um “burocrata da educação”, um “policial da
educação”.

Diante das inúmeras críticas sofridas pelo carácter „tecnicista‟ (fragmentação da formação
inicial do profissional pedagogo, divisão técnica do trabalho pedagógico na escola e separação
entre teoria e prática) e das reais necessidades da sociedade contemporânea, o curso de
Pedagogia adquire, no início da década de 1990, a denominação de “curso de licenciatura”
(Veiga et al, 1997); estando exclusivamente voltado à formação de pedagogos docentes e
gestores escolares.
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os cursos de Pedagogia, em Moçambique, deixaram de formar “pedagogos especialistas”


(pedagogos lato sensu) e passaram a se preocupar com a formação de “pedagogos
generalistas” (pedagogos stricto sensu), ou seja, com a formação de profissionais da educação
altamente qualificados. Segundo Libâneo (1999) para:

[...] actuar em vários campos educativos para atender demandas socioeducativas de


tipo formal, não formal e informal, decorrentes de novas realidades – novas
tecnologias, novos atores sociais, ampliação das formas de lazer, mudanças nos ritmos
de vida, presença dos meios de comunicação e informação, mudanças profissionais,
desenvolvimento sustentável, preservação ambiental etc. – não apenas na gestão,
supervisão e coordenação pedagógica de escolas, como também na pesquisa científica,
na administração dos sistemas de ensino, no planeamento educacional, na definição de
políticas educacionais, nos movimentos sociais (escolas do campo), nas empresas, nos
hospitais, na documentação escolar, na educação especial, nas várias instâncias de
educação de jovens e adultos, nos serviços de psicopedagogia (clínica e institucional)
e orientação educacional, nos programas sociais, na educação para a terceira idade,
nos serviços de lazer e animação sociocultural, na televisão, no rádio, na produção de
vídeos didácticos, filmes educativos, brinquedos, nas editoras, na requalificação
profissional entre outras. (, p.31)

Nesta perspectiva, pode-se assegurar que o “pedagogo generalista”, em Moçambique, em


pleno século XXI, configura-se como sendo o profissional da educação que se ocupa de todos
os domínios e problemas da prática educativa escolar e não escolar. É o profissional que lida
com factos, estruturas, contextos, espaços e situações referentes ao processo ensino-
aprendizagem em diferentes níveis e modalidades de ensino e formas de manifestações.
Pedagogo é, portanto, o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa,
directa ou indirectamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação
activa de conhecimentos científicos, saberes pedagógicos (Fabre, 2004; Pimenta, 2002;
Tardif, 2006) e modos de acção, tendo em vista objectivos de formação humana definidos em
sua contextualização histórica.

Acrescentando, o pedagogo é o profissional habilitado a actuar no ensino, na organização e


gestão de sistemas educacionais, nas unidades escolares e não escolares, no desenvolvimento
de projectos educacionais e na produção e difusão de conhecimentos científicos, em diversas
áreas da educação, tendo a docência como base obrigatória e essencial de sua formação inicial
e identidade profissional; identidade essa que não pode ser entendida simplesmente como um
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aspecto biológico, uma positividade ou um absoluto cuja definição encerra-se em si mesma.


Dizemos isso, porque a identidade profissional:

[...] é sempre uma relação: o que eu sou só se define pelo que não sou; a definição de
minha identidade é sempre dependente da identidade do Outro. Além disso, a
identidade não é uma coisa da natureza; ela é definida num processo de significação: é
preciso que, socialmente, lhe seja atribuído um significado. Como um ato social, essa
atribuição de significado está, fundamentalmente, sujeita ao poder. [...] Não existe
identidade sem significação. Não existe significação sem poder. (Silva, 2005, p.106;
grifos nossos)

Nesse contexto, é possível concluir que a identidade profissional do pedagogo se reconhece,


em suma, na identidade do campo de investigação científica e na sua actuação dentro da
variedade de actividades voltadas tanto para o pólo educacional quanto para o pólo educativo;
haja vista que:

O aspecto educacional diz respeito às actividades do sistema educacional, da política


educacional, da estrutura e gestão da educação em suas várias modalidades, das finalidades
mais amplas da educação e de suas relações com a totalidade da vida social. O aspecto
educativo, por sua vez, refere-se à actividade de educar propriamente dita, à relação educativa
entre os agentes escolares, envolvendo objectivos e meios de educação e instrução, em várias
modalidades de ensino e instâncias sociais. (Libâneo, 1999, P.47)

Não obstante, torna-se pertinente salientar acima de tudo que, se a Pedagogia pode ser
entendida, de acordo com Houssaye (2004), como uma abordagem específica da Educação,
isto é, a reunião mútua e dialéctica da teoria e da prática educativas pela mesma pessoa, em
uma mesma pessoa, o pedagogo é, antes de mais nada, um prático-teórico da acção educativa;
é aquele que procura conjugar a teoria e a prática a partir de sua própria acção. É, pois, nessa
produção específica da relação teoria-prática em educação que se origina, se cria, se inventa e
se renova a Pedagogia.

Desta feita, o pedagogo não pode ser um puro e simples prático nem um puro e simples
teórico da educação. Ele deve ficar entre os dois pólos, isto é, ser o entremeio. O prático, em
si mesmo, não é um pedagogo, pois na maioria das vezes é um usuário de elementos,
coerências ou sistemas pedagógicos. Mas o teórico da educação, como tal, também não pode
ser considerado um pedagogo, uma vez que não basta pensar o ato pedagógico. Portanto,
entendemos que somente pode ser pedagogo aquele profissional da educação que fizer surgir
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um plus na e pela articulação teoria-prática em educação. É esse, pois, o “caldeirão” da


fabricação pedagógica existente na sociedade pedagógica (Beillerot, 1985), capitalista e
globalizada do novo milénio.

O profissional pedagogo vive na ruptura, melhor dizendo, na ruptura paradigmática. O que o


pedagogo tenta elaborar em sua actividade pedagógica é exactamente um saber do saber-
fazer, um saber de como fazer saber. Nessa perspectiva, sua palavra de ordem deve ser a
mudança, a transformação, a emancipação da escola e dos agentes escolares. Por conseguinte,
seu lema pedagógico deve ser o de “mudar a escola para mudar a sociedade, mudar a
sociedade para mudar a escola”. Assim, o pedagogo, fazendo “prática social”, estará
exercendo seu papel específico na sociedade contemporânea, que é o de vincular o ato
educativo e o ato político, a teoria e a prática da transformação.

Grosso modo, pode-se dizer que a noção de pedagogo como mero “condutor de crianças” é
inadequada, obsoleta, esdrúxula a esses tempos novos que exigem dos pedagogos, em
particular, muito mais do que isso. Fazendo nossas as palavras de Gadotti (1978, p.6),
asseveramos que “conduzir as crianças, hoje, é papel do motorista de ônibus escolar e não do
professor, do pedagogo”. Dizemos isso, porque a sociedade dos dias atuais está pedindo ao
pedagogo que exerça outras funções, outros papéis (nas escolas, nas empresas, nos hospitais e
em outras instâncias sociais). Essa sociedade, pelo seu “grito” – já não é mais um “chamado”,
mas um “grito”, metaforicamente falando –, apresenta aos pedagogos seguidas questões
perguntando, sobretudo: para que, como, para quem e contra quem se está trabalhando?

Para que seja possível ouvir esse “grito” e assim responder às indagações que lhes são
apresentadas, faz-se urgente e imprescindível que os pedagogos se coloquem à sua escuta.
Exige, portanto, uma atenção especial às reais necessidades e inquietações da sociedade dos
novos tempos. Daí, a importância de o pedagogo repensar seu estatuto académico, sua
identidade profissional, suas práticas pedagógicas, suas funções na sociedade contemporânea
e sua formação inicial recebida no curso de licenciatura em Pedagogia e o próprio curso como
um todo.

Que os pedagogos do século XXI possam, efectivamente, repensar essas questões; pois, dessa
forma, estarão também repensando a sociedade. Não existe uma igualdade entre política e
educação, mas uma identidade. Se “a educação é sempre um ato político, a actividade
educacional é sempre um ato político” (Saviani, 1980, p.193), então pode-se afirmar que o ato
educativo é essencialmente político e, por consequência, o papel do pedagogo é um papel
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político. Sempre que o pedagogo deixou de “fazer política”, escondido atrás de uma
pseudoneutralidade da educação, estava fazendo, literalmente, com sua omissão, a política do
mais forte, isto é, a política da dominação, a política do colonizador.

Assim como Almeida e Soares (2010), não acreditamos numa educação neutra: ou fazemos
uma pedagogia do oprimido (Freire, 1977) ou fazemos uma pedagogia contra ele. Não se
pode “ficar em cima do muro”. Nesse sentido, faz-se necessário que o pedagogo, sendo
pedagogo (e não pedabobo!), exerça um papel eminentemente crítico-reflexivo, que consiste
em inquietar-se com as desigualdades sociais e as práticas educacionais que promovem a
“domesticação” alienante dos estudantes. Portanto, a função do pedagogo na sociedade dos
dias atuais é esta: à contradição (opressor-oprimido, por exemplo) inerente à sociedade e à
natureza, ele acrescenta a consciência da contradição; activando, assim, conflitos ideológicos
para a superação do estado de “escravidão/inércia ideológica” a que estão sujeitos muitos
professores, educadores e educandos.

Em suma, pedagogo é o profissional que trabalha com um conjunto de técnicas, princípios,


métodos e estratégias da educação e do ensino, relativas à administração das escolas e à
condução da temática educacional. Portanto, é a pedagogia que contempla estudos dos ideais
de educação, e dos processos e técnicas de realização deles, com objectivo de aperfeiçoar e
estimular capacidades.

2.4. A importância do pedagogo na escola e na educação


Ministrar as aulas desde a pré-escola é exercer uma grande responsabilidade em todo o
desenvolvimento do intelecto da criança. Daí que, a importância do pedagogo na escola deve
ser caracterizada maioritariamente por conta da alfabetização dos alunos, nos primeiros anos
como estudante e designam também outros pontos importantes na vida de uma pessoa em
sociedade, visto que é período em que ela passa pela socialização.

De acordo com a sociologia, a socialização do indivíduo se dá em duas etapas:

 Primeira socialização

A primeira etapa acontece em casa, visto que o primeiro contacto da criança com a sociedade
em geral, é por meio de sua família.
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Neste momento inicial, a criança ainda não deu início ao seu desenvolvimento estudantil, por
isso, ainda não vai à escola. Portanto, seu único círculo social é aquele que já está presente
desde o seu nascimento. É nesta fase que os valores, crenças e perspectivas iniciais sobre o
mundo começam a se formar.

 Segunda socialização

A segunda socialização, por sua vez, se expande a outros círculos sociais, sendo o principal
deles inserido em ambiente escolar.

Como o segundo local que a criança mais frequenta – além de sua casa – passa a ser a escola,
a segunda etapa desse processo tende a acontecer neste ambiente, e é designado por tudo o
que o indivíduo absorve, é ensinado, suas impressões sobre as pessoas e o modo que constrói
suas relações sociais.

Deste feita, a importância do pedagogo é caracterizada também pela socialização das crianças,
que passam a interagir com seus primeiros amigos – e com outros adultos, que no caso, são os
próprios pedagogos – na escola. Para além disso, os próprios gostos e interesses do aluno
também podem ser desenvolvidos nos primeiros anos de escola, principalmente na pré-escola
e nos dois primeiros anos do ensino fundamental.

Contudo, as actividades e a própria metodologia do pedagogo para realizar as suas aulas são
determinantes para a construção desses aspectos na criança. É na escola que ela passa a se
interessar por leitura, desenhos, arte, literatura, matemática e começa a dizer qual é a sua
“profissão quando crescer”.
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Capítulo III: Conclusão

A Pedagogia firmou-se da educação é a ciência do ensino. Entretanto, a prática educativa é


um facto social, cuja origem está ligada à da própria humanidade. A compreensão do
fenómeno educativo e sua intervenção intencional fez surgir um saber específico que
modernamente associa-se ao termo pedagogia.

Assim, a indissociabilidade entre a prática educativa e a sua teorização elevou o saber


pedagógico ao nível científico. Com este carácter, o pedagogo passa a ser, de facto e de
direito, investido de uma função reflexiva, investigativa e, portanto, científica do processo
educativo. Autoridade que não pode ser delegada a outro profissional, pois o seu campo de
estudos possui uma identidade e uma problemática própria.

Actualmente, denomina-se pedagogo o profissional cuja formação é a Pedagogia, que em


Moçambique é uma graduação e que, por parte do MINEDH – Ministério da Educação e
Desenvolvimento Humano, é um curso que cuida dos assuntos relacionados à Educação por
excelência, portanto se trata de um curso básico (10ª +1 ano) médio (10ª + 3 anos ou 12ª + 1
ano e licenciatura em uma determinada área da ciência, cuja grade horário-curricular actual
estipulada pelo MINEDH confere ao pedagogo, de uma só vez, as habilitações em educação
infantil (escolinhas), ensino fundamental (básico ou médio), educação de jovens e adultos,
coordenação educacional, gestão escolar, orientação pedagógica, pedagogia social e
supervisão educacional, sendo que o pedagogo também pode, em falta de professores,
leccionar as disciplinas que fazem parte do Ensino Fundamental e Médio, além se dedicar à
área técnica e científica da Educação, como por exemplo, prestar assessoria educacional.

Devido a sua abrangência, a Pedagogia engloba diversas disciplinas, que podem ser reunidas
em três (3) grupos básicos: disciplinas filosóficas, disciplinas científicas e disciplinas técnico-
pedagógicas.
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Referências Bibliográficas

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ser o curso de Pedagogia. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Pedagogia e
pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez, p.59-97, 2002.
3) ALMEIDA, C. M.; SOARES, K. C. D.(2010). Pedagogo escolar: as funções
supervisora e orientadora. Curitiba: Editora do IBPEX.
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5) BUENO, F. S. (1966). Dicionário filológico do Português. São Paulo, Brasil: Saraiva.
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7) FREIRE, P. R. N. (1977). Pedagogia do oprimido. 4.ed. Rio de Janeiro, Brasil: Paz e
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brasileira: introdução a uma pedagogia do conflito. In: Revista Educação &
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(Colecção Primeiros Passos – v.193).
10) HOUSSAYE, J. (2004). Pedagogia: justiça para uma causa perdida? In: ______ et
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11) LIBÂNEO, J. C. (1999). Pedagogia e pedagogos, para quê? 2.ed. São Paulo, Brasil:
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12) LIBÂNEO, J. C.; PIMENTA, S. G. (2002). Formação dos profissionais da educação:
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16) SILVA, C. S. B. (1999). Curso de pedagogia no Brasil: história e identidade.


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17) SILVA, T. T. (2005). Documentos de identidade: uma introdução às teorias do
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18) TARDIF, M. (2006). Saberes docentes e formação profissional. 6.ed. Petrópolis:
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