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UNIVERSIDADE VALE DO RIO DOCE – UNIVALE


FACULDADE DE CIENCIAS, EDUCAÇÃO E LETRAS – FACE
CURSO PEDAGOGIA

SOLANGE FERREIRA DE ALMEIDA

A IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DO CURSO DE


PEDAGOGIA DA UNIVALE NA FORMAÇÃO DAS
EGRESSAS DA TURMA DE 2003

GOVERNADOR VALADARES
2009
2

SOLANGE FERREIRA DE ALMEIDA

A IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DO CURSO DE


PEDAGOGIA DA UNIVALE NA FORMAÇÃO DAS
EGRESSAS DA TURMA DE 2003

Monografia apresentada ao curso de


Pedagogia da Universidade Vale do Rio
Doce como requisito para obtenção do
título de Bacharel em Pedagogia.
Orientadora: Professora Ms. Maira
Alvarenga de Souza

GOVERNADOR VALADARES
2009
3

SOLANGE FERREIRA DE ALMEIDA

Monografia apresentada ao curso de


Pedagogia da Universidade Vale do Rio
Doce como requisito para obtenção do
título de Bacharel em Pedagogia.

Governador Valadares, 27 de maio de 2009.

Banca Examinadora

_____________________________________________________
Professora Ms. Maira Alvarenga de Souza: Orientadora

_____________________________________________________
Professora Dra. Maria Celeste Fernandes Reis de Souza

_____________________________________________________
Professora Ana Lídia Gonçalves Dias
4

Dedico esse trabalho a todos os pedagogos e


as pedagogas, amigos de luta, companheiros
na caminhada por um país melhor e por uma
educação de qualidade para todos.
5

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, que me deu a vida e todas as


oportunidades que alcancei até aqui.
Aos meus pais, que me apoiaram e acreditaram em mim, sempre.
Ao meu esposo Wanderson pelo apoio, incentivo e compreensão.
A todas as alunas do curso de pedagogia da UNIVALE formada em 2006,
da qual fiz parte, pelo apoio, respeito, pela forma carinhosa com a qual me
acolheram quando me transferi para a UNIVALE e pela disponibilidade em
responder a minha entrevista.
E a minha querida orientadora, Maira pelo auxílio, porque sem ela nada
disso teria sido possível.
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RESUMO

O tema desse trabalho é a Importância da Realização do Curso de Pedagogia da UNIVALE na


Formação das Egressas da Turma de 2003. T em como objetivo analisar como a turma observa
a contribuição do curso de graduação em pedagogia em sua formação, em especial, na
construção das concepções de educação apresentadas pelas alunas do curso de pedagogia
UNIVALE. Foram realizadas: pesquisa bibliográfica e de campo tipo qualitativa por ser uma
abordagem que pareceu mais coerente para responder à pergunta de pesquisa. Foram
analisados relatos das egressas a respeito do curso e sua apreciação das concepções de
educação que possuíam antes e após sua realização, à luz de reflexões a respeito do sentido da
pedagogia e as concepções de educação trabalhadas durante o curso, bem como, o projeto
político pedagógico vivenciado por essa turma no contexto da estruturação dos cursos de
pedagogia no Brasil. Não conseguimos responder a pergunta de pesquisa como queríamos
pela forma que pesquisa de campo teve que ser feita, descobrimos fatos importantes em
relação ao curso e as habilidades que alunas adquiriram com sua realização, mas não
investigamos a construção de suas concepções de educação a fundo, faltou tempo para
questionar mais o que cada uma considera como concepção de educação. Contudo a pesquisa
trouxe contribuições para conhecer melhor o curso de pedagogia e identificar a importância
do curso na vida das egressas. Para análise, nos valemos dos seguintes autores: Ghiraldelli
(1991), Pimenta (1998, 2000, 2001), Mazzotti (1998), Cortela (2000), Libâneo (1998, 2005),
Saviani (1991), Tomazi (1997), Berger e Berger (2002), Aranha (1989), Brandão (2001),
Freire (1989 e 2008), Hoebel e Frost (1999), Splitter e Sharp (1999), Mosquera e Stobaus
(2001), Chaves (2009), Silva (2008), Sheibe (2008). Foi utilizado também o Projeto Político
Pedagógico da UNIVALE 2002 e as Leis de Diretrizes da Educação Nacional. O Manual para
Elaboração de Trabalhos acadêmicos da UNIVALE (2008) e da Universidade Católica de
Brasília (2008) foram utilizados para a estruturação do trabalho.

PALAVRAS-CHAVE: Pedagogia. Identidade do Pedagogo. Formação do Pedagogo.


Concepção de Educação.
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 8

1 A PEDAGOGIA E A EDUCAÇÃO, SEU OBJETO DE ESTUDO ...........................11

1.1 SENTIDOS DA PEDAGOGIA .....................................................................................11

1.2 A EDUCAÇÃO: CONCEPÇÕES TRABALHADAS PELA TURMA DE 2003 NO


CURSO DE PEDAGOGIA .................................................................................................13

2 O CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVALE/ TURMA DE 2003 .............................20

2.1 ENTENDENDO A FORMAÇÃO PROPOSTA PARA O PEDAGOGO NO BRASI...20

2.2 ENTENDENDO A FORMAÇÃO PROPOSTA PARA O PEDAGOGO NO PROJETO


POLÍTICO-PEDAGÓGICO (2002-2003) ..........................................................................26

3 ANÁLISE DOS RELATOS: A RELAÇÃO ENTRE A FORMAÇÃO EM


PEDAGOGIA E SUA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO ..............................................31

3.1 ANÁLISE DOS RELATOS .......................................................................................... 31

CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................40

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................44

ANEXO ............................................................................................................................... 46
8

INTRODUÇÃO

Quando criança tive professoras que admirei: minha prima foi uma delas, levava -nos
para a escola e nos trazia de volta para casa. Ela foi minha professora na educação infantil e
eu gostava muito dela.
Sempre gostei muito de estudar e sempre morei longe da escola. Durante minha
infância, morei na Zona Rural, meus colegas e eu andávamos quatro quilômetros para ir e
quatro para voltar da escola, todos os dias, até o final da educação básica. Quando comecei o
ensino médio mudei de escola, mas tinha que andar o mesmo tanto até chegar à rodovia onde
passava o ônibus que ia até a escola. Tudo era muito difícil, meus pais nunca tiveram muitas
condições financeiras, mas, graças a Deus, sempre se esforçaram para que eu estudasse. Se
não fosse por eles, eu não estaria aqui hoje.
Assim, os anos foram se passando, eu cresci e me formei no ensino médio. Por
incentivo dos meus pais, prestei vestibular e escolhi fazer pedagogia. Em fevereiro de 2002,
iniciei o curso na Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC), hoje em dia conhecida como
UNEC, pela Faculdade de Filosofia, Ciências, Letras de Caratinga (FAFIC). No decorrer do
semestre fui me apaixonando pelo curso e me sentia muito feliz por ter a oportunidade de
ingressar no Ensino Superior. Meus pais pagavam a faculdade com muita dificuldade, eu
morava e trabalhava em Caratinga para ajudar nas despesas: pagava meu aluguel e minha
alimentação.
No início de 2005, fui convidada para ser gerente, em Governador Valadares, da filial
da empresa na qual trabalhava em Caratinga. Fiquei muito feli z com essa oportunidade, pois
me tornei independente financeiramente dos meus pais.
Depois de aceitar o emprego, a minha primeira ação foi solicitar minha transferência
na UNEC para a Universidade Vale do Rio Doce – UNIVALE. Continuei trabalhando nessa
empresa até me formar no curso. Por ser transferente e devido à diferença de currículo , tive
que fazer 6 dependências e 600 horas de estágio. Fazia as dependências, os estágios e
trabalhava o dia inteiro, mas valeu à pena.
Uma das coisas que percebo é que a realização do curso de pedagogia me
proporcionou construir uma concepção da educação que vem mudando minha visão de
mundo. Quando iniciei não tinha clareza de como é educar e do que realmente é a educação,
não tinha experiência nesse campo. Hoje descobri e aprendi tanta coisa importante sobre
educação que desconhecia leis, direitos e deveres etc. Para mim, tudo isso era novo. Mas o
conhecimento, a concepção de educação e o que é realmente a criança, eu devo ao curso
9

realizado na UNIVALE (não me lembro de qual autor dizia que nós adultos costumamos a
tratar as crianças como adultos, mas concordo com ele). Sem saber e sem perceber, nós
desestimulamos a vontade de saber da criança por não entender as suas necessidades e como
ela aprende.
De todos os autores que estudamos durante a realização do curso, o que mais me
motiva é com certeza Paulo Freire, principalmente, quando ele afirma que ensinar é um ato de
amor e que o ensino é uma relação sem fim, onde quem ensina, também aprende.
Hoje conheço, além de Paulo Freire, outros autores e outras bibliografias
indispensáveis na prática educacional graças aos nossos professores da UNIVALE, que nunca
se esqueceram de nos apresentar as bibliografias. Por menor que fossem os textos, sempre os
recebíamos com a devida referência bibliográfica (isso não ocorria na outra universidade que
freqüentava) e sempre nos davam bibliografias alternativas.
Outra coisa importante que aprendi foi em relação às áreas de atuação do pedagogo.
Muitos não sabem aonde podem atuar, no entanto são tantos os locais, inclusive nas empresas
aonde trabalhei, durante a realização do curso e continuo trabalhando.
E as outras egressas de mi nha turma? Será que o curso de pedagogia teve o mesmo
impacto sobre elas? Será que o curso modificou suas concepções de educação, suas visões de
mundo?
Estas indagações me levaram a propor esta pesquisa intitulada: “A Importância da
Realização do Curso de Pedagogia da U NIVALE na Formação das Egressas da Turma de
2003”.
O objetivo é analisar como as egressas observam a contribuição do curso de graduação
em pedagogia em sua formação, em especial, na construção de suas concepções de educação.
Para fins desta investigação, solicitamos às egressas: “escreva sobre a formação dada
pelo curso de pedagogia (proposta pedagógica, professores, disciplinas etc.), a concepção de
educação que tinha e a concepção de educação após o curso. Comente, ainda, se o curso e/ou
outros fatores influíram na concepção atual”. E este foi o ponto de partida para a elaboração
dos relatos por parte delas. Depois partimos dos relatos das egressas sobre suas vivências e
sua percepção sobre o curso, as concepções de educação que possuíam ao iniciarem o curso,
as transformações destas concepções e como ocorreram. Analisamos aspectos das vivências
ligados ao sentido da Pedagogia na vida das egressas e às concepções de educação trabalhadas
durante o curso, com base no Projeto Político Pedagógico vivenciado pela turma ingressante
em 2003.
10

Realizamos pesquisa bibliográfica e de campo tipo qualitativa por ser a abordagem


que nos pareceu mais coerente para respondermos à pergunta de pesquisa. De acordo com
Siqueira (2005), os estudos qualitativos têm uma natureza descritiva, um enfoque mais
subjetivo, descrevendo qualidades do objeto de estudo, pois captam dados mais sensíveis e
subjetivos.
Os relatos foram realizados a partir de uma solicitação de narrativa que permitisse uma maior
reflexão e análise por parte das egressas sobre o tema em questão. Foram coletados 10
depoimentos.
Acreditamos que a realização desta pesquisa poderá contribuir para conhecermos
melhor o curso de Pedagogia da UNIVALE a partir da perspectiva dos/as alunos/as, seus
impactos sobre suas vidas e sua formação. Entendemos que essa é uma importante
contribuição porque tais concepções estão relacionadas a aspectos fundamentais da prática
destas pedagogas, tais como: relação com o saber, como ensinar, como agir, como ler as leis
educacionais etc. Os resultados da pesquisa poderão, portanto, contribuir para uma avaliação
do curso de Pedagogia da Univale.
A exposição da pesquisa realizada está organizada, aqui, da seguinte forma:
No capítulo 1 apresentamos os sentidos da pedagogia e da educação a partir de
autores estudados durante o curso de pedagogia pela turma 2003. São eles: Ghiraldelli (1991),
Pimenta (1998), Mazzotti (1998), Cortela (2000), Libâneo (1998, 2005), Saviani (1991),
Tomazi (1997), Berger e Berger (2002), Aranha (1989), Brandão (2001), Freire (1989 e
2008), Hoebel e Frost (1999), Splitter e Sharp (1999), Mosquera e Stobaus (2001).
No capítulo 2 apresentamos como vem se constituindo os debates sobre a formação
proposta para o pedagogo no Brasil para contextualizarmos o PPP do curso de pedagogia da
UNIVALE vivenciado pela turma de 2003. Trata-se de um debate histórico a respeito das
definições quanto à organização do Curso de Pedagogia no Brasil, bem como da identidade
deste Curso, até o Decreto Presidencial nº. 3554, de 7 de agosto de 2000. É analisado também
o Parecer CFE 251/62, CFE 292/62, CFE 252/69, Projeto Político Pedagógico da UNIVALE
(2002) e as Leis de Diretrizes da Educação Nacional. Para analise desse capítulo utilizamos os
autores Libâneo (1998), Pimenta (2000), Chaves (2009), Silva (2008), Sheibe (2008).
O capítulo 3 apresenta os relatos das egressas e sua análise à luz das teorias e dos
documentos estudados. A partir deles, buscamos identificar como a realização do curso de
graduação em pedagogia contribuiu para sua formação, bem como nas concepções de
educação construídas durante o curso. A pesquisa de campo com os relatos das egressas, na
íntegra é apresentada em anexo.
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1 A PEDAGOGIA E A EDUCAÇÃO, SEU OBJETO DE ESTUDO

1.1 SENTIDOS DA PEDAGOGIA

A Pedagogia pode ser considerada uma das mais antigas profissões do mundo, assim
como a educação, ela também acompanha a evolução do homem. Segundo Ghiraldelli (1991),
a pedagogia tem significado de “condução da criança”. Na Grécia Antiga, o escravo tinha
atividade de conduzir as crianças aos locais de estudo, onde deveriam receber instrução. O
“escravo pedagogo” era o “condutor de crianças”. Cabia a ele levar o jovem até o local onde
adquirisse o conhecimento, mas não necessariamente era sua função instruir esse jovem. Essa
segunda etapa ficava por conta do preceptor. Mas quando Roma dominou a Grécia, os gregos
passaram a ser escravos, assim o escravo pedagogo passou a ser um condutor e o preceptor de
crianças.
De acordo com Ghiraldelli (1991), a pedagogia hoje está ligada à condução do saber,
vincula-se aos problemas metodológicos relativos ao como ensinar, o que ensinar e, também
ao quando e para quem ensinar. A pedagogia é a teoria, enquanto a educação é a prática.
Para Pimenta (1998), o estudo sistemático da educação e, consequentemente, da
prática educativa é denominado pedagogia. Ela tem a função de orientar, aperfeiçoar,
determinar os objetivos pedagógicos à práxis. “A pedagogia (ciência) e educação (prática)
estão em uma relação de interdependência recíproca, pois a educação depende de uma diretriz
pedagógica prévia e a pedagogia depende de uma práxis educacional anterior” (PIMENTA,
1998, p.55 e 56). Mas a pedagogia não muda sozinha a prática, ela é um instrumento para a
ação: são os homens, os educadores que agem. A pedagogia precisa revelar de modo crítico as
contradições culturais, é uma forma de humanização e auto -reflexão do homem e não um
alienante do mesmo.
Segundo Mazzotti (1998), a pedagogia investiga a prática educativa e a educação, e é
uma condição reflexiva sistemática das mesmas, examinando suas relações internas e externas
e estabelecendo as condições para a efetividade, a eficiência e a eficácia do fazer educativo. É
uma ciência da prática educativa distinta das outras ciências com primordial importância no
processo educativo.
12

Segundo Libâneo (1998) a pedagogia é a teoria, a reflexão sobre esse aspecto da


realidade em suas relações com outros aspectos, à investigação específica da prática
educativa, de modo geral.

A meu ver, a Pedagogia ocupa-se, de fato, dos processos educativos, métodos,


maneiras de ensinar, mas antes disso, ela tem um significado bem mais amplo, bem
mais globalizante. Ela é um campo de conhecimentos sobre a problemática
educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz
orientadora da ação educativa. O pedagógico refere-se a finalidades da ação
educativa, implicando objetivos sociopolíticos a partir dos quais se estabelecem
formas organizativas e metodológicas da ação educativa (LIBANEO, 2005, p.29 -30,
grifo do autor).

Libâneo (2005) considera que se existem muitas práticas educativas, em muitos


lugares e com várias modalidades então, consequentemente, existem várias pedagogias:
familiar, sindical, dos meios de comunicação, entre outras, e também a pedagogia escolar.

É quase unânime entre os estudiosos, hoje, o entendimento de que as práticas


educativas estendem-se as mais variadas instâncias da vida social não se
restringindo, portanto, a escola é muito menos a docência, embora estas devam ser a
referência da formação do pedagogo escolar. Sendo assim, o campo de atuação do
profissional formado em pedagogia é tão vasto quanto à prática educativa na
sociedade. Em todo lugar onde houver uma prática educativa com caráter de
intencionalidade, há aí uma pedagogia (LIBÂNEO, 1998, p. 116).

O pedagogo é um profissional que atua onde existe a prática educativa, onde existe
educação intencional. P ara Libâneo (1998, p. 116), “o pedagogo é um profissional que lida
com fatos, estruturas, contexto, situações referentes à prática educativa em suas várias
modalidades e manifestações”. Ele participa das situações onde é preciso definir objetivos
educacionais, nas implicações psicológicas, sociais, culturais no ensino, na detecção de
problemas de aprendizagem, na avaliação, no uso de técnicas e recursos de ensino.
Para Libâneo (2005), a pedagogia ocupa -se em investigar os fatores que contribuem
para a construção do ser humano como membro de uma sociedade, o processo e os meios
dessa formação. O pedagogo tem a função de integrar os enfoques parciais do fenômeno
educativo para analisá-lo em sua globalidade. Através dessa investigação orienta a ação
educativa, determina os princípios e formas de atuação dando um sentido à atividade
educativa. A pedagogia preocupa-se com os objetivos, as formas metodológicas e
organizativas de transmissão de saberes e os modos de ação em função da construção humana,
refere-se claramente a objetivos éticos e a projetos de gestão social.
13

A pedagogia ocupa -se das práticas educativas intencionais destinadas a favorecer o


desenvolvimento dos indivíduos no interior de sua cultura por meio de processos de
transmissão e assimilação ativa de experiências, saberes e modos de ação
culturalmente organizados (LIBANEO, 2005, p. 29-30).

Segundo Cortela (2000), o pedagogo deve identificar problemas sócio-culturais e


propor respostas críticas às questões da qualidade de ensino e medidas que visem superar a
exclusão social; apreender a dinâmica cultural a fim de atuar adequadamente em relação ao
conjunto de significados que a constituem; atuar com discernimento ético, distinguindo-se
pela responsabilidade social, profissional e pela compreensão do papel da educação na
sociedade; articular a atividade pedagógica nas diferentes formas de gestão educacional. Deve
também estabelecer diálogo entre a área educacional e as demais áreas de conhecimento,
dominar processos e meios de comunicação, desenvolver metodologias adequadas à utilização
de novas tecnologias nas práticas educativas, articular ensino e pesquisa, teoria e prática nas
ações pedagógicas, tratando as relações de aprendizagem como objeto de investigação.
A pedagogia e a educação estão interligadas, pois um a depende do outra, a pedagogia
são as formas de ensinar e a educação é o ensino, como vimos à pedagogia é ciência e a
educação é a pratica.
Educar é uma aprendizagem recíproca, onde quem ensina aprende com o aprendiz dia
após dia. A tarefa de educar é muito complexa, além transmitir ensinamentos básicos da
sociedade, o educador deve preocupar-se com o desenvolvimento integral do aprendiz,
trabalhando com o desenvolvimento entre outros de princípios éticos e políticos, autonomia,
responsabilidade, solidariedade, e respeito ao bem comum. Deve buscar a formação do
cidadão crítico e criativo e ainda preocupar -se em integrá -lo com as manifestações da cultura
e da arte.

1.2 A EDUCAÇÃO: CONCEPÇÕES TRABALHADAS PELA TURMA DE 2003 NO


CURSO DE PEDAGOGIA

Trabalharemos aqui nesse capítulo com os autores: Saviani (1991), Tomazi (1997),
Berger e Berger (2002), Aranha (1989), Brandão (2001), Libâneo (2005) e Freire (1989 e
2008), autores, que foram estudados no decorrer de nossa graduação, a partir de um conjunto
de disciplinas que formam fundamentos da educação como : História da Educação, Sociologia
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da Educação, Didática, Filosofia e outros. Estas disciplinas nos auxiliam a compreender o que
é educação, como ensinar e onde ela ocorre e construir nossa concepção de educação. Foram
usados também os autores Hoebel e Frost (1999), Splitter e Sharp (1999), Mosquera e Stobaus
(2001) que contribuíram muito para a realização de nossa pesquisa.
Educação. Que termo é esse que ouvimos constantemente em nosso dia -a-dia? Que
importância a Educação tem na vida dos seres humanos?
Nós não vivemos sozinhos. Não conseguimos viver sozinhos, somos dependente uns
dos outros no que vestimos, comemos e bebemos. Precisamos da companhia e do apoio, do
outro para desempenharmos bem nossas tarefas diárias. O outro está sempre presente nos
lugares que freqüentamos: casa, escola, clube, igreja, rua, trabalho, esporte, supermercado e
outros milhares de lugares e coisas que fazemos no nosso dia-a-dia.
O outro para nós é sempre um exemplo . À medida que vamos crescendo, através de
um intercâmbio de relações e idéias, evoluímos junto com a sociedade, num processo
permanente de interação que só tem fim quando morremos.
Vivemos em sociedade e mesmo que quiséssemos não poderíamos viver isolados.
Somos privilegiados por termos uns aos outros como irmãos, como amigos, como seres de
uma mesma espécie que interagem realizando diversas situações cotidianas, são nossos
exemplos, nos ensinam permanentemente, desde quando nascemos até a nossa morte.
De acordo com Saviani (1991), o homem não se faz homem naturalmente; ele não
nasce sabendo, ele aprende à medida que se relaciona com o mundo e com os homens a sua
volta.
Segundo Tomazi (1997) , quando nasce , à primeira relação da criança acontece com o
mundo físico ao seu redor e com seu próprio corpo e, logo em seguida, vai acontecer com as
pessoas que fazem parte de seu cotidiano. Assim, a primeira interação da criança acontece na
infância e é realizada na família. No decorrer do desenvolvimento físico e cognitivo, ela
percebe a existência de relações humanas e de regras que devem ser cumpridas, ou seja, as
normas e costumes da sociedade da qual está inserida. Este processo é chamado de
socialização.
Berger e Berger (2002) consideram que a sociedade não apenas impõe seus padrões de
comportamento à criança, mas também os faz incorporar como, por exemplo, ter a hora de
comer e a hora de dormir. Os adultos exercem influência sobre a maneira de pensar da
criança. Somente à medida que cresce, ela vai assimilando tudo que aprendeu, vai formando
sua própria identidade e toma conhecimento da relatividade dos padrões sociais. É o nosso
relacionamento com o outro que nos permite desenvolver a consciência e através dela nos
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descobrirmos. A identidade é algo do indivíduo, sempre construída por meio da interação com
outro.
O processo de socialização é um tema de extrema importância e nele há uma discussão
de educação. Brandão (2001), Berger, B. e Berger, P. (2002) e Tomazi (1997) dão as
seguintes definições de socialização:

Formas vivas de ensinar – e – aprender têm sido chamadas por vários nomes. Ao
processo global que tudo envolve, é comum que se dê o nome de socialização.
Através dela ao longo da vida cada um de nós passa por etapas sucessivas de
inoculação de tipos de categorias gerais, parciais ou especializadas de saber e
habilidades. Elas fazem em conjunto, o contorno da identidade, da ideologia e do
modo de vida de um grupo social. Elas fazem também, do ponto de vista de cada um
de nós, aquilo que aos poucos somos, sabemos, fazemos e amamos (BRANDÃO,
2001, p.23, grifo do autor).

A socialização é um processo de iniciação num mundo social, em suas formas de


interação e nos seus numerosos significados. [...] a socialização nunca chega ao fim
(BERGER, B. e BERGER, P., 2002, p.174 e 180).

A relação indivíduo – sociedade é o processo que denominamos socialização, ou


seja, o processo pelo qual as crianças são integradas em uma dada sociedade
(TOMAZI, 1997, p.32 e 33).

Para estes autores a socialização é uma interação de indivíduos. Do ponto de vista de


Berger e Berger (2002) ela nunca tem fim, porque nossas tradições são passadas de geração
para geração.
A socialização acontece em vários lugares (na rua, no parque, na igreja, na família, na
escola) e de várias maneiras, dependendo muito da forma e do meio social que a pessoa vive.
Ela torna o indivíduo presente em sua sociedade por meio de processos de (re) construção da
cultura. De acordo com Aranha (1989):

A cultura é [...] a transformação que o homem exerce sobre a natureza, mediante o


trabalho, os instrumentos e as idéias utilizadas nessa transformação, bem como os
produtos resultantes. E, mais ainda, nesse processo, o homem se autoproduz, se faz a
si mesmo um homem [...] o homem só se humaniza pela ação que a comunidade dos
homens exerce sobre ele [...] a condição humana [...] resulta da assimilação dos
modelos sociais. Podemos dizer, então, que o ser do homem se faz mediado pela
cultura (ARANHA, 1989, p. 4 e 5, grifo do autor).

Para Aranha (1989), a cultura ou o mundo cultural é um dos sistemas de significados


já estabelecidos e , ao nascer , a criança encontra um mundo de valores dados. Junto com as
pessoas mais velhas ela vai se situar vai aprender a falar, o tom de voz com que deve falar,
como se alimentar, o jeito de se sentar, andar, correr, brincar a se vestir entre outros.
16

Segundo Hoebel e Frost (1999) a cultura não é predeterminada geneticamente ela é


uma invenção social, é transmitida e aprendida através da comunicação e da transmissão de
experiências. A “cultura é um sistema integrado de padrões de comportamento aprendidos, os
quais são característicos dos membros de uma sociedade e não resultado de herança
biológica” (HOEBEL e FROST, 1999, p. 4).
O processo de socialização acontece através da reconstrução e construção cultural. A
linguagem, construção cultural é um dos principais instrumentos da socialização. De acordo
com Splitter e Sharp (1999):

é por meio da linguagem que as relações de interdependência, reciprocidade e


cooperação são estabelecidas em primeiro lugar é certamente por meio da linguagem
que elas são mantidas é por meio da linguagem que as crianças são capazes de
explorar as polaridades de sua experiência: similaridade e diferença, bem e mal,
certo e errado, presente e ausente, passado e futuro, real e imaginário. A linguagem
capacita as pessoas a engajarem-se tanto em reflexão, quanto em comunicação; faz a
mediação entre as pessoas e o mundo [e] a linguagem é vital à idéia de ser uma
pessoa no e em harmonia com o mundo (SPLITTER e SHARP p.51, 1999).

A linguagem, portanto, é fundamental à socialização e à transmissão da cultura, para a


interação com o mundo a nossa volta, pois, “a linguagem é veículo da socialização fazendo
com que a criança adquira a capacidade de pensar e refletir” (Berger e Berger, 2002, p.176).
A maneira como nos dirigimos a ela e , principalmente, os exemplos que damos têm
influência sobre o pensamento da criança. A comunicação, além de promover a socialização
faz com que o homem compartilhe conhecimentos significativos e tome consciência de seus
atos, forme suas opiniões e assim construa sua identidade.
Se por meio da socialização o homem vai construindo sua cultura, é preciso algo mais
para que essa transmissão ocorra de forma eficaz. É preciso que haja a educação. Porque a
socialização é um processo de interação de um individuo com outro ou com a sociedade, esse
processo pode ser espontâneo ou não e a educação é um processo onde as ações são
intencionais, os dois estão interligados, mas o tipo de educação interfere na forma de
socialização. Segundo Durkheim (1967, p.41 apud Libâneo, 2005, p.77):

A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se
encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e
desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais,
reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a
criança particularmente se destine.
17

Precisamos ser educados para estarmos na sociedade, por isso a educação é tão
importante, pois ela nós integra no ambiente em que vivemos nos relaciona com pessoas em
nossa volta e com as normas e padrões da sociedade que estamos inseridos.
É por isso também a educação é inevitável. Ela nos integra na sociedade e através do
convívio com outro nos vamos aprendendo com sua experiência, seus costumes, vamos
entendendo suas ações. A sociedade depende da formação de seus indivíduos e estes não se
desenvolvem fora das relações sociais que acontecem dentro da sociedade. Para Dewey
(1979, p.83 apud Libâneo 2005, p.75):

a educação não é a preparação para a vida, é a própria vida (...). A educação é uma
constante reconstrução ou organização da nossa experiência, que opera uma
transformação direta da qualidade da experiência, isto é, esclarece e aumenta o
sentido da experiência e, ao mesmo tempo, nossa aptidão para dirigirmos o curso
das experiências subseqüentes.

Segundo Libâneo (2005) “a educação é uma ação e um processo de formação pelo qual
os indivíduos podem integrar -se criativamente na cultura em que vivem”. (LIBANEO, 2005,
p. 162)
De acordo com Aranha (1989) a educação mantém viva a memória de um povo
garante e dá condições para sua sobrevivência. “A educação é, portanto, fundamental para a
humanização e socialização do homem. Podemos dizer que se trata de um processo que dura a
vida inteira e que não se restringe a mera continuidade, mas supõe a possibilidade de rupturas
pelas quais a cultura se renova e o homem faz a história.” (ARANHA, 1989, p. 11).
A educação não é uma simples transmissora de herança cultural, através dela é
possível romper com o velho e criar o novo. Não é apenas transmissora de valores é um
instrumento de crítica em relação aos valores herdados aos novos. De acordo com Freire
(1989), é uma forma de se libertar, de se individualizar, para ser consciente e racional, para
não se tornar um indivíduo alienado, para ser humanizado. A educação é um instrumento de
mudança e de busca por uma verdadeira democracia.
Pimenta (1998) afirma que a educação constitui e é constituída pelo homem. Pela
investigação o homem transforma a educação, e a educação transforma o homem e o processo
de investigação. A educação é móvel por ser uma prática social histórica, portanto inconclusa,
ela é transformada pela ação do homem em sociedade. Para Brandão (2001):

O que existe de fato são exigências sociais de formação de tipos concretos de


pessoas na e para a sociedade [...] não se trata de dizer que a educação tem também,
de modo abstrato e muito amplo, um compromisso com a “cultura” com a
18

“civilização” ou que ela tem um vago “fim social”. O que ocorre é que ela é
inevitavelmente uma prática social que por meio da inculcação [inculcar – indicar,
aconselhar] de tipos de saber, reproduz tipos de sujeitos sociais (BRANDÃO, p.71,
2001).

A educação e a prática educativa são fenômenos móveis, inconclusos e históricos por


isso, estão intimamente ligadas ao contexto histórico da sociedade, à medida que a sociedade
evolui, há necessidade na mudança e adequação a prática educativa.

Não podíamos compreender, numa sociedade dinamicamente em fase de


transmissão, uma educação que levasse o homem a posições quietistas ao invés
daquela que levasse à procura da verdade em comum [...] Só podíamos compreender
uma educação que fizesse do homem um ser cada vez mais consciente de sua
transitividade, que deve ser usada tanto quanto possível criticamente, ou com acento
cada vez maior de racionalidade (FREIRE, 1989, p.90).

Educar é um ato criterioso que deve levar em consideração vários fatores. “A


educação é um ato de amor, por isso um ato de coragem. Não pode temer o debate [...e ] A
análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa”
(FREIRE, 1989, p. 96).
Nós somos seres reais com emoções e consciência. Nós somos seres racionais com
condição de termos nossas próprias idéias. Nós recebemos informações sim, mas nós temos
condições de termos nossa própria opinião. Mosquera e Stobaus (2001) consideram que:

É impossível separar nossa vida afetiva da nossa vida intelectual e de nossas


manifestações afetivas. Por isso tem tanta importância conhecer os sentimentos das
outras pessoas, suas representações e ritmo individual. A personalidade humana é
algo inacabado, inconcluso, que nos prova que o que entendemos por
desenvolvimento é normal é uma concepção aceita em determinada cultura, podendo
não sê-lo em outro (MOSQUERA e STOBAUS, 2001, p. 94).

A aut êntica aprendizagem segundo Freire (2008), é aquela que educador e educando
aprendem simultaneamente. Ele considera que ensinar exige critérios como: rigorosidade,
criticidade, curiosidade, liberdade, autoridade, generosidade, humildade, alegria, esperança,
estética, ética, bom senso , pesquisa, comprometimento, segurança, competência profissional;
saber escutar e querer bem ao educando; ser tolerante e lutar em defesa dos seus direitos;
apreender a realidade; evidenciar o que se diz através do exemplo de seus atos; respeito aos
saberes e a autonomia do educando; arriscar-se, aceitar o novo e rejeitar qualquer
discriminação; refletir criticamente sobre a prática; assumir-se como ser social e cultural
pensante e transformador; saber-se inacabado e em constante transformação; saber que
podemos ser condicionados, por exemplo, por condições materiais, econômicas, sociais e
19

políticas, mas não determinados por elas ; ter a convicção de que a mudança é possível; ser
democrático, tomar decisões conscientes; ter disponibilidade para o diálogo e ter compreensão
de que a educação é uma forma de intervenção no mundo.
Nesse primeiro capítulo vimos o sentido da pedagogia, o que é pedagogia na nossa e
na visão de autores estudados durante o curso e sua relação com a educação , vimos também à
socialização que através da relação do homem com a sociedade e com o mundo a sua volta,
aprende e se desenvolve como ser humano e que através da socialização é difundida a cultura
de um povo, uma é interdependente da outra, pois a construção cultural é como vimos um dos
principais instrumentos da socialização. E ambas são responsáveis p ela educação de um ser e
de um povo.
A educação é uma ação intencional de educar e pode ocorrer em casa e na rua , mas
ela ocorre também em instituições de educação que podem ser não -escolares e escolares e
onde se torna burocraticamente um ato pedagógico e sujeito a leis, então veremos no segundo
capítulo a formação proposta para o pedagogo no Brasil e a proposta pedagógica do curso de
pedagogia da UNIVALE turma de 2003 para caracterizamos o curso.
20

2 O CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVALE/ TURMA DE 2003

1
2.1 ENTENDENDO A FORMAÇÃO PROPOSTA PARA O PEDAGOGO NO BRASIL

Esse capítulo foi construído com o objetivo de apresentarmos como vêm se


constituindo os debates históricos a respeito das definições quanto à formação proposta para o
pedagogo no Brasil, a organização do curso e sua identidade para contextualizarmos o Projeto
Político Pedagógico do curso de pedagogia da UNIVALE vivenciado pela turma de 2003.
Para analise desse capítulo utilizamos os autores Libâneo (1998), Pimenta (2000), Chaves
(2009), Silva (2008), Sheibe (2008).
Apresentamos também que 1939 houve a 1ª regulamentação do curso e eram cursos
distintos. E que em 1961 surge a LDB 4.024 e o Parecer CFE 251/62 para atender a essa lei e
mantém o bacharelado e o CFE 292/62 que regulamenta as licenciaturas. Mas em 19 69 surge
o Parecer CFE 252 que aboliu essa distinção tornando em único título. O surgimento da LDB
9.394/96 que esclarece a estruturação do curso, vejamos:
A questão da identidade do curso de pedagogia e do pedagogo é indefinida e frágil a
ao longo dos anos várias discussões e reformas aconteceram. Para compreender como se
processa a formação do pedagogo no Brasil é necessário considerar as diversas reformas
ocorridas nas últimas décadas, considerando que, o Curso de Pedagogia está sendo discutido
de forma ampla pelos vários segmentos da sociedade brasileira.
As discussões em torno da formação do pedagogo pelos cursos de pedagogia são
antigas no Brasil. Segundo Libâneo (1998), a primeira regulamentação do curso de pedagogia
no Brasil foi feita em 1939. Tal regulamentação prevê a formação do bacharel em pedagogia,
conhecido como “técnico em educação”, o considerado pedagogo stricto sensu que é um
profissional não necessariamente docente que lida com fatos, estruturas, processos, contextos,
situações, referentes à prática educativa em várias modalidades e manifestações.
Em 1961, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº. 4.024.
Em atendimento a essa lei surge o Parecer CFE 251/62 que mantém o curso de bacharelado
para a formação do pedagogo e o Parecer CFE 292/62 que regulamenta as licenciaturas. Mas
alguns anos depois foi criado outro parecer no mesmo espírito do CFE 251/62 o CFE 252/69

1
O texto apresentado neste item trata de um debate histórico a respeito das definições quanto à organização do
Curso de Pedagogia no Brasil, bem como da identidade deste Curso, até o Decreto Presidencial nº 3554, de 7 de
agosto de 2000, visto que o foco deste trabalho é fazer análise referente à turma de 2003.
21

que aboliu a distinção entre o Bacharel e o Licenciado em pedagogia. Tornando o título a ser
obtido é único - o de licenciado - para qualquer das habilitações, sob o argumento de que “os
portadores do diploma de pedagogia, em princípio, sempre deva m ser professores do ensino
normal”. Portanto, incluiu a Didática como matéria obrigatória do currículo, no Núcleo
Comum. “Com suporte na idéia de formar o especialista no professor , a legislação em vigor
estabelece que o formado no curso de pedagogia receba o título de licenciado” (LIBÂNEO,
1998, p. 110).
Silva (2008) afirma que em 1939 os cursos de licenciatura e bacharelado foram
instalados distintamente. Em 1962, tenta-se uma concomitância entre esses dois tipos de curso
e as duas funções são reunidas num único curso: a de formação pedagógica do magistério em
nível médio e a correspondente aos então denominados especialistas em educação. Em 1969,
opta-se por um só diploma: de licenciado, que se justifica na idéia de que o pedagogo não
precisa obter uma licença através da formação pedagógica, para efeito de ensino, pois na
verdade o pedagógico já constitui o próprio conteúdo do curso de pedagogia.
De acordo com Scheibe (2008), o curso de pedagogia foi estruturado nas últimas
décadas (até 2006) de acordo com o Parecer n. 252/69 e expandiu-se segundo a idéia de
versatilidade, um currículo composto por uma parte comum – de fundamentos da educação –
necessária a todo e qualquer profissional da área, e outra parte diversificada, para atender às
diversas habilitações específicas. O título – único – de licenciatura, por entender que todos os
formados neste currículo podem ser docentes do curso de formação de professores do ensino
médio.
De acordo com Libâneo (1998), depois destas regulamentações o debate e as
iniciativas de reformular o curso de pedagogia são intensificados na década de 70, mas se
destaca, a partir da década de 80 , a atuação do movimento de reformulação dos cursos de
formação do educador. E essa atividade perdura até hoje na ANFOPE – Associação Nacional
pela Formação dos Profissionais da Educação. O movimento de revalorização da educação da
década de 80 busca soluções para a crise da educação brasileira e tem um posicionamento
crítico em relação ao capitalismo. Esse movimento foi inicialmente sustentado pela ANDE –
Associação Nacional de Educação.
O movimento da ANFOPE ao longo dos anos exerceu efetiva influência na concepção
de formação do professor e na reformulação de currículos em algumas faculdades de
Educação. Ele manteve nas suas propostas o espírito do Parecer CFE 252/69 que não
diferenciou a formação do professor e do especialista, tendendo a esvaziar o prescrito nesse
Parecer quanto às habilitações do curso. Também reafirmou a idéia de que o curso de
22

pedagogia é uma licenciatura, contribuindo para descaracterizar a formação do pedagogo


stricto sensu.
Consequentemente, o Parecer 252/69 concede os seguintes direitos de exercício
profissional aos portadores do diploma: o exercício das atividades relativas às habilitações
registradas em cada caso; o exercício de magistério, no ensino normal, das disciplinas
correspondentes às habilitações específicas e à parte comum do curso, quando este for de
duração plena e observados os limites estabelecidos para efeito de registro profissional; o
exercício do magistério na escola primária, nas condições já descritas acima.
Segundo Chaves (2009) o Parecer 252/69 exige que para a obtenção do diploma de
pedagogia, para todas as habilitações será sempre obrigatória, sob a forma de estágio
supervisionado, a prática das atividades correspondentes às várias habilitações, abrangendo
pelo menos 5% (cinco por cento) da duração fixada para o curso em cada caso; para as três
habilitações mencionadas, será também exigida experiência de magistério.
Vejamos alguns aspectos básicos do Parecer 252/69: aplicaram à pedagogia a idéia de
um currículo com um Núcleo Comum, básico, e uma parte diversificada, correspondendo às
habilitações, mas reforçando a primeira com a formação pedagógica já cursada na
licenciatura; menciona a possibilidade de que a formação de especialistas seja feita em nível
de pós -graduação; ressalta a necessidade de experiência no magistério para a obtenção do
diploma, bem como a necessidade de estágio prático; a formação, a nível superior, do
professor para os anos iniciais de escolarização; criação da habilitação para Educação
Especial.
De acordo com Silva (2008) até 1983 não se tinha uma clareza das funções e da
estruturação geral do curso. Após a aprovação da nova Lei Federal LDB 9394 de 96, com o
risco do curso de pedagogia perder sua condição de licenciatura, o foco das atenções passou a
se dirigir para essa antiga questão de assumir a categoria de bacharelado e/ou de licenciatura.
Mas a partir dessa época esta questão se tornou mais visível e foi enfrentada de maneira mais
explícita, porque com a recuperação da proposta de manutenção do curso de pedagogia e da
discussão a respeito da identidade do pedagogo chegou-se no final desse período a alguma
convergência quanto às funções do curso.
Segundo Silva (2008), nesse período de regulamentações, a questão da identidade dos
cursos de Pedagogia, foi questionada e debatida com enfoques distintos que podem ser
localizados em quatro períodos:
O primeiro período da história do curso de pedagogia ocorreu de 1939 a 1972 e pode
ser denominado período das regulamentações, por que concentra as etapas de organização e
23

as reorganizações do curso em conformidade com a legislação então fixada, onde teve sua
identidade questionada.
O segundo período da história do curso de pedagogia ocorreu de 1973 a 1977 e pode
ser denominado período das indicações, que representa o conjunto de encaminhamentos
visando à reestruturação global dos cursos superiores de formação do magistério no Brasil.
Nesse período o curso de pedagogia teve sua identidade projetada. A partir da idéia de
“formar o especialista no professor”, o que se pretendia fazer era substituir o curso de
pedagogia por vários novos cursos e habilitações, atestando, mais uma vez, a fragilidade do
mesmo.
O terceiro período da história do curso de pedagogia ocorreu de 1978 até 5/12/99 e
pode ser denominado período das propostas, por indica a documentação gerada no processo
de revisão da formação do educador, onde teve sua identidade em discussão.
Observamos, nesta sequencia, um esforço no sentido de criar e tentar fortalecer a
identidade do curso e, consequentemente a do próprio pedagogo. Logo em seguida fazer um
projeto de como seria um novo curso de pedagogia e finalmente o período em que professores
e estudantes, instituições universitárias e os organismos governamentais interessados no
assunto se juntaram na retomada para garantir o futuro dos cursos de Pedagogia.
Em relação à LDB 9.394, os conteúdos de três artigos da nova lei contribuíram para
acirrar a discussão sobre a identidade do curso de pedagogia. Em relação a ele, o artigo 62
expressa:

A formação dos docentes para atuar na educação básica far -se-á em nível superior,
em curso de licenciatura de graduação plena, em universidades e institutos
superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do
magistério da educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental,
a oferecida em nível médio, na modalidade Normal (Brasil, 1996).

O artigo 63 que determina que os institutos superiores de educação mantenham:

cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal


superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as
primeiras séries do ensino fundamental; programas de formação pedagógica para
portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação
básica; programas de educação continuada para profissionais de educação dos
diversos níveis (Brasil, 1996).

O artigo 64 que determina que o nível de pós -graduação possa atuar educação básica
da seguinte forma:
24

A formação de profissionais de educação para administração, planejamento,


inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em
cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da
instituição de ensino garantida, nesta formação, a base comum nacional (Brasil,
1996).

Segundo Silva (2008) a função de preparação pedagógica do magistério em nível


médio ainda era admitida pelo artigo 62 da LDB 9394, como formação mínima para o
exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino
fundamental, mas aos poucos entraria em processo de desaparecimento. A função de
formação dos técnicos em educação e, posteriormente, especialistas da educação, estava
sujeita também ao desaparecimento gradativo, porque poderia se adotar o nível de pós-
graduação para se efetuar a formação dos profissionais de educação para administração,
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional.
Uma análise mais simplificada de Silva (2008), a respeito da LDB 9394 diz que o
artigo 62 introduz a figura dos institutos superiores de educação para responder, juntamente
com as universidades, pela formação de docentes para atuar na educação básica; o artigo 63 ,
em seu inciso I, institui, dentre os cursos a serem mantidos por esses novos institutos, o curso
normal superior destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras
séries do ensino fundamental; por fim, o artigo 64 fixa duas instâncias alternativas à formação
de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e
orientação educacional para a educação básica, quais sejam, os cursos de graduação em
pedagogia ou o nível de pós-graduação.
Para Silva (2008), no ano seguinte à aprovação da LDB 9394, as Instituições de
Ensino Superior (IES) passaram a se preocupar com a questão da elaboração das diretrizes
curriculares referentes aos diferentes cursos. A Secretaria de Educação Superior do MEC
(SESu/MEC), as convocaram para que elas apresentassem suas sugestões sobre o assunto. Foi
aí que surgiu a possibilidade das universidades, que mantinham o curso de pedagogia,
começarem a indicar suas propostas segundo suas próprias interpretações dos artigos 62 e 64
da LDB, uma vez que ainda nada constava do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre o
assunto.
De acordo com Silva (2008), Comissão de Especialistas de Ensino de Pedagogia e as
entidades nacionais do campo educacional envolvidas com o curso de pedagogia, elaboraram
uma proposta denominada Proposta de Diretrizes Curriculares que foi encaminhado ao
CNE. A comissão definiu o perfil comum do pedagogo em sua primeira página como um:
“profissional habilitado a atuar no ensino, na organização e gestão de sistemas, unidades e
25

projetos educacionais e na produção e difusão do conhecimento, em diversas áreas da


educação, tendo a docência como base obrigatória de sua formação e identidade profissional”
Com tais fatos, de acordo Silva (2008) em 6 de dezembro de 1999 inaugurou -se um
quarto período na história dos cursos de pedagogia e que poderia ser denominado período dos
Decretos por representar os documentos firmados no âmbito do poder executivo, no qual teve
sua identidade outorgada.
Para Silva (2008) até aquele momento eram dois os documentos que respondiam por
esta questão: o Decreto Presidencial n º 3.276, de 6 de dezembro de 1999 que trata da
formação em nível superior de professores para atuar na educação básica, determina, no § 2º
do artigo 3º, de que a formação destinada ao magistério na educação infantil e nos anos
iniciais do ensino fundamental far-se-ia exclusivamente em cursos normais superiores. E o
Decreto Presidencial n º 3.554, de 7 de agosto de 2000 que substituiu o termo exclusivamente
do decreto anterior por preferencialmente.
Ela ainda afirma que esse segundo decreto foi criado pelo Fórum em Defesa da
Formação de Professores que foi composto por grupos que se revoltaram com o primeiro
decreto, inicialmente eram: ANDES/SN, ANFOPE, ANPED, ANPAE, ABT, CEDES,
Comissão de Especialistas de Ensino de Pedagogia, Fórum de Diretores das
Faculdades/Centros de Educação das Universidades Públicas Brasileiras, Fórum Paulista de
Educação Infantil, Fórum Paulista de Pedagogia e Fórum Nacional em Defesa da Escola
Pública.
Tanto o Parecer CES 970/99 quanto o Decreto Presidencial nº. 3.276/99 criam uma
dicotomia entre ensino e pedagogia, caminhando, então, na contramão dos mais recentes
avanços a respeito da pedagogia enquanto ciência da prática. Esse retrocesso é lamentável
numa fase em que, o fortalecimento dos intercâmbios internacionais, têm -se favorecidas as
condições acadêmicas para o desenvolvimento das pesquisas a respeito do estatuto teórico da
Pedagogia, tornando mais fácil resolver as questões prático-institucionais.
Desse modo, Pimenta (2000) afirma que o curso de pedagogia foi perdendo
credibilidade e ocupando um lugar secundário no contexto dos demais cursos superiores, o
que tem evidenciado até hoje imprecisões quanto ao significado desse curso. A argumentação
é sobre as atribuições que foram conferidas ao curso desde a legislação federal de 1939, de
formar o técnico do ensino e educação. “Em nenhum momento, no âmbito da legislação,
estruturou-se um curso destinado especificamente a formar o investigador, o pensador das
questões da educação em geral e do ensino em particular” (PIMENTA, 2000, p.107 -108).
26

De acordo Silva (2008), pode -se considerar que a questão da identidade do curso de
pedagogia fica fortalecida por sua retomada histórica. No primeiro período, ela esteve
apoiada no debate do conteúdo próprio da pedagogia e conseqüentemente, nas posições a
respeito da manutenção ou extinção do curso; no final deste período foram sendo
estabelecidas as primeiras indicações de uma resposta favorável ao reconhecimento do campo
próprio do conhecimento pedagógico.
A partir destas análises, vimos que o campo da pedagogia vem se afirmando no que se
refere ao reconhecimento de sua especificidade e que avanços significativos vêm sendo
empreendidos quanto à definição de seu estatuto teórico. Espera-se que tal período de
dúvidas e incertezas possa ser encerrado o mais brevemente possível.
É neste contexto que se situa o Projeto Político Pedagógico do Curso de Pedagogia da
UNIVALE, referente à turma de 2003.

2.2 ENTENDENDO A FORMAÇÃO PROPOSTA PARA O PEDAGOGO NO PROJETO


POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPP) 2002-2003

Nesse capítulo veremos a formação proposta para o pedagogo de acordo com o Projeto
Político-Pedagógico referente às turmas de 2002 – 2003 2 da UNIVALE.
Como vimos no primeiro capítulo para Pimenta (1998), a pedagogia é o estudo
sistemático da educação e da prática educativa tendo como a função orientar, aperfeiçoar,
determinar os objetivos pedagógicos à práxis, ela afirma que a pedagogia é a ciência e a
educação é a prática e que ambas estão em relação de interdependência.
Vimos também no primeiro capítulo que de acordo com Mazzotti (1998), a pedagogia
investiga a prática educativa e a educação, examinando suas relações internas e externas e
estabelecendo as condições para a realização do fazer educativo, por isso à pedagogia é tão
importante no processo educativo. Dessa forma o curso de pedagogia (Teoria Geral da
Educação) da UNIVALE tem como finalidade o desenvolvimento da consciência nos alunos,
e fornecer instrumentos para que possam agir de forma coerente e eficaz.
Relatamos no segundo capítulo que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
nº. 9394/96, Art. 64 trata especificamente dos cursos de pedagogia, distinguindo -os daqueles
destinados à formação de professores, mas o parecer CFE 252/69 aboliu a distinção entre o

2
Para facilitar a leitura nós apenas o chamaremos de PPP.
27

Bacharel e o Licenciado em pedagogia, tornado o título a ser obtido em um único, o de


licenciado, para qualquer das habilitações, argumentando que os portadores do diploma de
pedagogia, em princípio, devam ser professores do ensino normal.
Como já vimos também no segundo capítulo o Parecer 252/69 concede direitos de
exercício profissional aos portadores do diploma: o exercício das atividades relativas às
habilitações registradas em cada caso, o exercício de magistério, no ensino normal, das
disciplinas correspondentes às habilitações específicas e à parte comum do curso, quando este
for de duração plena e observados os limites estabelecidos para efeito de registro profissional
e o exercício do magistério na escola primária.
Mas com a LDB 9394, que prevê a formação de professores no curso de Normal
Superior, a discussão sobre a formação de professores nos cursos de pedagogia volta a ser
questionada.
Para atender à legislação vigente, a UNIVALE, a partir de 2001, passa a oferecer o
curso de pedagogia, visando à formação de profissionais da educação que possam atuar em
diversos setores da sociedade tomando a docência como objeto de investigação.
As turmas de 2002 e 2003 teriam duas habilitações: Supervisão Escolar, com ênfase
em Coordenação Pedagógica e Administração Escolar, com ênfase em Gestão de
Organizações, ou seja, a formação de professores não entra como habilitação. E o aluno que
completasse essas duas habilitações poderia retornar ao curso, para complementar, outras
habilitações, reconhecidas pelo MEC, caso fossem oferecidas: Supervisão Escolar,
Administração Escolar, Inspeção Escolar, Orientação Educacional e Magistério das Matérias
Pedagógicas. Estas habilitações poderiam ser oferecidas conjuntamente ao curso de pedagogia
ou em cursos de pós-graduação lato sensu (especialização).
Dessa forma, de acordo com o PPP o curso de pedagogia se consagra à formulação do
pensamento educacional e a realização da pesquisa em educação e o curso é responsável pela
formação de Educadores com habilitações específicas em: administração escolar, inspeção
escolar, supervisor pedagógico, orientador educacional, além de possibilitar outras
especializações em áreas de planejamento e gestão.
Segundo o PPP os objetivos do curso pedagogia definem-se: pela formação de
profissionais habilitados a atuar no ensino, na organização e gestão de sistemas, unidades e
projetos educacionais escolares e não escolares, bem como, na produção e difusão do
conhecimento, em diversas áreas da educação. Propõe -se ainda a formar um pedagogo com
competências e habilidades para compreender e atuar em áreas específicas da educação, tais
28

como, educação especial, educação de jovens e adultos, educação indígena, educação


ambiental e outras áreas emergentes do campo educacional e empresarial.
O PPP foi criado a partir de reflexões e da análise dos professores do curso de
pedagogia através das experiências adquiridas, de debates realizados no curso desde 1998,
embasados em intensos estudos que buscam um diálogo interdisciplinar, da constatação das
necessidades da região do Vale do Rio Doce e das exigências do mercado profissional.
De acordo com nossa pesquisa realizada no primeiro capítulo o pedagogo é um
profissional que atua onde existe a prática educativa, onde existe educação intencional, como
já foi citado anteriormente, para Libâneo (1998), o pedagogo é um profissional que lida com a
prática educativa. Ele participa das situações onde é preciso definir objetivos educacionais,
nas implicações psicológicas, sociais, culturais no ensino, na detecção de problemas de
aprendizagem, na avaliação, no uso de técnicas e recursos de ensino.
Nesse sentido , a PPP identifica a educação como objeto de estudo da pedagogia e o
ensino como prática social viva, nos contextos sociais e institucionais nos quais ocorrem. Não
para delimitar territórios, mas para significar a atividade científica que se volta para a
educação, formando o pedagogo participante da construção de uma sociedade humana mais
justa e igualitária.
Ressaltamos Libâneo (1998), quando indica que a pedagogia é a teoria, a reflexão
sobre esse aspecto da realidade em suas relações com outros aspectos, à investigação
específica da prática educativa, de modo geral. Pedagogia preocupa -se com os objetivos, as
formas metodológicas e organizativas de transmissão de saberes e os modos de ação em
função da construção humana.
Segundo a UNIVALE (2002), o PPP , o curso de pedagogia visa amplia r seu campo de
atuação e capacitar seu profissional para: atuar na organização de sistemas e unidades
educacionais; elaboração e implementação de projetos e experiências escolares e não-
escolares; atuar na gestão de organizações; produzir conhecimentos científicos e tecnológicos
na área de educação; atuar em áreas específicas e emergentes da educação, que demandem um
conhecimento do contexto social e cultural.
Pontuamos no primeiro capítulo como Cortela (2000) descreve o perfil do
pedagogo, capaz de observar e identificar aspectos sócio -culturais e dar respostas críticas e
responsáveis, que busquem a equidade social, com ética e responsabilidade. Nesta mesma
linha de pensamento o Curso de Pedagogia da UNIVALE torna o aluno competente e hábil
para: identificar problemas sócio-culturais e educacionais propor soluções criativas e
críticas às questões da qualidade no ensino e medidas que visem superar a exclusão social;
29

apreender a dinâmica cultural e de atuar adequadamente em relação ao conjunto de


significados que a constituem; estabelecer diálogo entre a área educacional e as demais
áreas do conhecimento; dominar processos e meios de comunicação e desenvolver
metodologias adequadas à utilização de novas tecnologias nas práticas educativas; articular
ensino e pesquisa, teoria e prática nas suas ações pedagógicas, tratando as relações de
aprendizagem como objeto de investigação; atuar com discernimento ético, distinguindo -se
pela sua responsabilidade social, profissional e pela compreensão do papel da educação na
sociedade; capacidade de articular a atividade pedagógica nas diferentes formas de gestão
educacional.

De acordo com o Parecer n. 252/69 o currículo deve ser composto por uma parte
comum, de fundamentos da educação, necessária a todo e qualquer profissional da área, e
outra parte diversificada, para atender às diversas habilitações específicas e as demandas e
a realidade da região.

Segundo a UNIVALE (2002) o Projeto Pedagógico do curso de pedagogia está


estruturado para atender a formação do pedagogo, superando a visão de formação do
especialista, sem detrimento de uma ou outra habilitação. Assim, a ênfase nas habilitações se
dará na estruturação dos projetos comunitários, na prática pedagógica, no estágio
supervisionado e na oferta das disciplinas que fundamentam cada área. Portanto, para a oferta
de outras habilitações o currículo está flexibilizado no sentido de garantir a substituição das
disciplinas Gestão de Processos Organizacionais e/ou Fundamentos da Supervisão Escolar por
aquelas que, dentro de cada habilitação, são encaradas como as que dão o diferencial da
formação do pedagogo, sem nenhuma alteração de carga horária.
A licenciatura em pedagogia da UNIVALE, atendendo as prerrogativas da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96), artigo 64 e as diretrizes curriculares
nacionais, propõe um currículo estruturado a partir de duas categorias: formação básica e
diferenciada. A primeira, com conteúdos direcionados para a formação do pedagogo e a
segunda com conteúdos que contemplem aprofundamentos de estudos e formação para outras
áreas de atuação.
As disciplinas eram distribuídas por eixos: Teórico-Investigativo - disciplinas de
formação geral e de iniciação científica: Filosofia, Sociologia, Antropologia Cultural,
Psicologia Social, Educação e Trabalho, Metodologia da Pesquisa em Ciências da Educação I
e II.
30

Conhecimento Técnico-Pedagógico - o que caracteriza o curso e instrumentaliza o


graduando: Didática I e II, Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação, Políticas
Públicas em Educação, Currículo e Áreas do Conhecimento, Gestão Educacional, Leitura e
Produção de Textos, Fundamentos da Supervisão Escolar, Fundamentos da Educação
Especial, Fundamentos da Educação Infantil, Educação de Jovens e Adultos, Educação Não -
Escolar.
Epistemologias Específicas - áreas do conhecimento em seus relacionamentos com a
educação: Filosofia da Educação, Sociologia da Educação, História da Educação I e II,
Epistemologia e Educação, Bases Biopsicológicas da Educação I e II (abrangendo as
disciplinas: Biologia Aplicada à Educação e Psicologia da Educação). E 200 horas de
Atividades Acadêmico Científico-Culturais.
Inter-relação Teoria/Prática - articulação dos referenciais teóricos à realidade social:
Pesquisa e Prática Pedagógica, Prática Pedagógica I, II e III, Monografia/Projeto de Pesquisa
e Estágio Supervisionado composto 600 horas de divididos em 200 para Administração
Escolar, 200 em Docência e 200 em Supervisão.
Pimenta (2001) afirma que o estágio é uma atividade importante, que possibilita o
aluno conhecer a realidade do contexto escolar e pode auxiliá -lo a compreender e enfrentar o
mercado de trabalho contribui para a formação de sua consciência política e social, unindo
teoria e prática.

é uma atividade teórica de conhecimento da práxis dos professores que estão


atuando como profissionais nas escolas, assim como decorre , é determinada pela
práxis dos professores do curso de formação e pela práxis dos alunos enquanto
alunos que se preparam para exercer sua práxis enquanto professores (PIMENTA,
p.183, 2001).

O curso também oferecia de monitorias, viabilização de estágios informais e


curriculares, participação nos grupos de estudos e nas atividades de extensão e ação
comunitária, em eventos científicos e em pesquisas para aprofundar os temas e assuntos
referentes à área educacional, à prática pedagógica e à gestão.
Nesse capítulo vimos que o curso além de atender a legislação vigente e a necessidade
da região também se preocupa em cria r um pedagogo completo bom em teoria em prática já
que o pedagogo tem como a função orientar, aperfeiçoar, determinar os objetivos pedagógicos
da prática escolar.
Vejamos agora o que as alunas que realizaram o curso dizem a seu respeito, aos
professores, proposta pedagógica, a disciplina entre outros.
31

3 ANÁLISE DOS RELATOS: A RELAÇÃO ENTRE A FORMAÇÃO EM


PEDAGOGIA E SUA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO

Nesse terceiro e último capítulo, analisamos os relatos das egressas do curso de


pedagogia da turma de 2003. A partir deles, buscamos identificar como a realização do curso
de graduação em pedagogia contribuiu para sua formação, bem como nas concepções de
educação construídas durante o curso. A análise se assenta nas referências teóricas e na
proposta do curso apresentadas nos capítulos anteriores.
A coleta de dados foi feita do dia 28 de novembro ao dia 04 de dezembro de 2008.
Conseguimos localizar e receber depoimentos de 10 pessoas 3, por meio de telefonemas e da
internet. Inicialmente, tínhamos optado por realizar uma entrevista aberta, mas o fato de eu
estar morando no Rio de Janeiro acabou inviabilizando esta proposta. Mas consideramos que
esta situação não prejudica a qualidade das informações obtidas, mas não investiga a
construção de suas concepções de educação a fundo, pela de falta tempo para questionar mais
sobre esta questão.
Solicitamos às egressas: “escreva sobre a formação dada pelo curso de pedagogia
(proposta pedagógica, professores, disciplinas etc.), a concepção de educação que tinha e a
concepção de educação após o curso. Comente, ainda, se o curso e/ou outros fatores influíram
na concepção atual”. E este foi o ponto de partida para a elaboração dos relatos por parte
delas.
As alunas que responderam são identificadas por números. Optamos por apresentar em
anexo o relato das egressas na íntegra, com o grifo dos destaques utilizados na análise, para
observar a dimensão da pessoalidade por meio da fala.
Apresento a partir de agora as análises.

4
3.1 ANÁLISE DOS RELATOS

3
No total havia 19 egressas.
4
Analisamos todas as respostas, com exceção da Aluna 5, pelo fato de considerarmos que ela não respondeu à
questão
32

Ao analisarmos as entrevistas podemos perceber pela fala das entrevistadas que ao


iniciarem o curso de pedagogia a maioria (oito) delas ainda não tinha uma concepção de
educação formada. Vejamos o que diz a aluna 1 : “A concepção que eu tinha era meramente
leiga, superficial, pensava que a prática em sala diz tudo numa escola, hoje sei que não é bem
assim”.
Por essa resposta percebe-se que como dissemos no primeiro capítulo que a prática e a
teoria estão juntas e ambas são de total importância para a realização de um trabalho
educativo eficaz.
Pelo relato da Aluna 2 notamos que ela descobriu a importância do educar: “comecei o
curso sem nenhuma concepção de Educação até porque não tinha noção da importância do
EDUCAR”. Podemos resgatar, nesse sentido, a fala Paulo Freire (2008) do primeiro capítulo
quando ele nos diz que educar envolve além de muita responsabilidade, muito amor, porque
educação é muito importante na vida do ser sem ela uma pessoa não se encerre totalmente na
sociedade e muitas vezes não consegue uma boa classe social e um bom emprego.
Segundo a Aluna 3 o curso de pedagogia da UNIVALE formou sua concepção atual.
Vejamos: “Bom quando entrei no curso não tinha uma concepção formada, era nova e sem
maturidade, apenas queria ser professora e sabia que iria gostar disso. O curso formou a
concepção de educação que tenho hoje”.
No primeiro capítulo vimos que de acordo com Libâneo (1998) a pedagogia é a teoria,
é a reflexão, é a investigação da prática educativa , percebemos pelas falas das alunas 6, 7 e 8
que elas adquiriram habilidades semelhantes com a realização do curso desenvolveram a sua
teoria e sua prática e passaram a ver a educação de outra forma descobriram que educar é um
ato de reciprocidade como afirma Paulo Freire (2008), que a autêntica aprendizagem aquela
que educador e educando aprendem simultaneamente. Vejamos as respostas começando pela
aluna 6 que afirma que aprendeu a ver o aluno e o mundo de forma diferente:

Quanto ao fato do curso e/ou outros fatores terem influído na concepção atual,
acredito que sim, aprendemos tanto com aquilo que é positivo, quanto com o que é
negativo. A apropriação do conhecimento teórico me ajudou a desenvolver um senso
crítico em relação à prática pedagógica e com o mundo extra -escolar. Entendi a
importância de problematizar os fatos para saber transformar. Tudo isso, porque na
minha concepção de educação o aluno não é um simples personagem no processo de
ensino-aprendizagem, ele é a pessoa do ser humano, portador de virtudes erros e
necessidades. Com quem aprendemos e deixamos um pouco de nós mesmos.

Aluna 7 diz que aprendeu como é importante a troca experiência com o educando:
33

a visão da educação, muda de acordo com o desenvolvimento do curso. Minha


concepção da educação era bastante limitada, achava que educar baseava
simplesmente na transferência de conhecimento para o aluno. Mas com o tempo
percebi que a educação vai além, e o professor junto com o educando construí
conhecimentos, através de trocas de experiências, com uma forma de ensinar
participativa, desenvolvendo aspectos sociais, Formando personalidades com
sensibilidade, responsabilidade social, crítica e consciente do seu papel como
cidadão. Considerei de extrema responsabilidade o profissional da educação, pois
trabalha para a progressão humana.

Aluna 8 também aprendeu que ensinar e aprender são recíprocos na educação:

Minha concepção sobre educação antes de ingressar no curso, era básica, sabia que
educação, era necessário para sobrevivência em nosso mundo, perante nossa
sociedade, mas não percebia que ia muito, além disso, devido ainda ser leiga e não
conhecer a fundos a EDUCAÇÃO propriamente dita... A partir do momento que
comecei a freqüentar o curso de Pedagogia, percebi que era realmente uma
importante necessidade para o ser humano, um aprendizado a cada momento, as
descobertas que tínhamos em cada disciplina apresentada e estudada por nós, as
pesquisas de vários autores e teóricos da educação, agente começa a perceber que
tudo na vida, surge através da educação. É muito prazeroso saber que estudamos
para ensinar o outro a aprender, sabendo que durante essa transição, na verdade,
aprendemos e ensinamos juntos, é uma troca de aprendizados.

Segundo a aluna 9 o curso de pedagogia lhe forneceu uma visão nova e real do que é
criança e a fez descobrir e a gostar de novas coisas:

Tinha uma visão ultrapassada do que é ser criança, de como se aprende, como se
ensina, desconhecia pontos importantes da história da educação tanto no Brasil
quanto no mundo, aprendi a gostar de ler coisas pelas quais nunca tive interesse
(filosofia uma delas) e cresci muito com isso...Hoje como não poderia deixar de ser,
minha concepção de educação é outra e todos os fatores contribuíram para que eu
veja a criança, este ser único e maravilhoso, a educação no meu país e o meu papel
perante a ela, com outro olhos, olhos de amor de esperança mas também de
comprometimento, responsabilidade, conhecimento.

Aluna 10 afirma que além de uma concepção de educação ela pode entender melhor o
a função da escola e da educação:

Antes de entrar na faculdade e fazer o curso de pedagogia a minha visão era que a
educação era simplesmente uma instituição que tinha como objetivo ensinar aos
alunos os conteúdos de cada disciplina, hoje depois da minha formação como
pedagoga sei que na verdade as escolas, a educação em si não tem somente o dever
de passar conteúdos para os alunos e sim outras finalidades também, finalidades essa
que só obtive o conhecimento depois de ter entrado na faculdade.

Percebem-se pela fala das alunas que a realização do curso de pedagogia lhes abriu
novos horizontes e elas adquiriram novo e grande conhecimento.
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Algumas alunas que acreditam que sucesso do curso de pedagogia é graças a bo ns


professores, de como eles se esforçaram para que elas aprendessem qual é o verdadeiro
sentido da educação e influenciam a sua prática e sua concepção de educação. Vejamos o que
as alunas 1, 2 e 3, nos dizem sobre essa questão a partir da aluna 1:

o que faz a instituição são os professores e as disciplinas ministradas no curso. Se as


disciplinas são técnicas, logo sua formação será marcada pelo tradicionalismo,
explicações pragmáticas e sem fundamentação questionadora. Tivemos sorte, pois,
nós formandos de 2006 contamos com professores que tinham uma visão de mundo
muito interessante e filosófica... os professores como “Alberto Cirino, Maira, Lígia,
Diva e outros poucos”, contribuíram muito pra que eu entendesse que concepção
rege o resto da minha prática, é conseqüência, se penso em rever ações, em
questionar verdades em quebrar paradigmas logo minhas ações podem sofrer
influência desse meu modo de ver as coisas.

Aluna 2 afirma que o curso foi muito importante mas tem que se pesquisar sempre pra
não ficarmos perdidos no tempo:

Durante minha formação tive professores comprometidos que nos incentivavam a


sermos pesquisadores, aprendi que um bom educador nunca será dono de um saber
absoluto, mas donos de um conhecimento mutável, trabalhando sempre de forma
reflexiva e dinâmica em suas práticas ... Infelizmente tivemos alguns professores
que não estavam comprometidos com seus alunos, mas isso não foi motivo de
desânimo; entretanto concordo com a fala de uma professora, ela dizia que
toda graduação é muito superficial, não tem como o curso contemplar todas as
necessidades de uma grade curricular, sempre vai faltar alguma coisa, pois sempre
haverá novos desafios a serem enfrentados.

Aluna 3 acredita que a forma que o professor ensina faz a diferença na aprendizagem
do aluno:

Enquanto aos professores tive sorte, peguei alguns que foram pilares para
uma formação de qualidade a quem deve todo o respeito, mais também peguei
alguns que hoje eu daria aula melhor que elas rssrs, mais isso não vem ao caso ...
essa concepção de hoje devo aos bons professores que me formaram, os diálogos em
sala sobre as tendências pedagógicas, os estudos sobres os referenciais da educação,
do Eca e da Constituição Federal, dentre outros diálogos envolvendo grandes
teóricos da educação atual.

Acreditamos que a forma como o professor se relaciona e a forma com que ele
ministra sua disciplina é fundamental para a aprendizagem do aluno, resgatamos Paulo Freire
(2008, p. 22) do primeiro capítulo para res saltar que “ensinar não é transferir conhecimento,
mas criar possibilidades para sua produção ou a sua construção” e com certeza alguns
professores fizeram muito bem.
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Passemos agora para a análise sobre o que as alunas disseram a respeito das
disciplinas e a proposta pedagógica. As alunas tiveram respostas bastante diversificas sobre
disciplinas e a proposta pedagógica do curso de pedagogia da UNIVALE.
A aluna 1 destacou algumas disciplinas que considerou mais importante: “Disciplinas
como Filosofia, Epistemologia da educação, didática nos permitiram rever as outras de forma
mais crítica e sem máscaras”.
A aluna 4 também destacou a didática e a filosofia entre outros mas acredita que o
curso foca mais a teoria. “Todas as disciplinas foram importantes, porem algumas em relação
à “Prática” se destaca como a didática, isto é se tratando da atuação no campo de trabalho, e
claro”.
Algumas alunas como era esperado, pois cada uma tem uma percepção diferente
fizeram avaliações diferentes e negativas do curso de pedagogia, a respeito das disciplinas
pela resposta da aluna 6 é semelhante a da aluna 3 pela comparação das duas respostas
podemos perceber que podem ser feitas algumas melhorias nesse sentido. Observe o que diz
aluna 6:

Todas as disciplinas básicas para a formação do Pedagogo como: Alfabetização,


Leitura e Escrita, Educação Infantil, Educação de Jovens e Adultos, Gestão
Educacional, Coordenação Pedagógica, Licenciatura dos Anos Iniciais do Ensino
Fundamental, foram vistas de uma forma muito vaga.

A aluna 3 também considerou as disciplinas pouco práticas e que focam muito pouco
o universo da sala de aula. Vejamos :

Sobre a proposta pedagógica do curso de Pedagogia eu não gostei muito, pois ao


longo do curso percebi que tínhamos poucas aulas voltadas para a prática como
professor, pois penso que para ser um gestor ou supervisor, você precisa saber mais
sobre o universo da sala de aula, seja pela própria experiência e
principalmente orientada em uma disciplina no curso que dê parâmetro para saber
como agir em determinadas situações de sala e que talvez um supervisor ou gestor
sem experiência em sala ou teórica não saberia como orientar o professor, penso que
a Univale pecou nesse sentido... poderia ter focado mais a questão da sala de aula, de
artes, educação infantil.

Assim como a aluna 7:

acho que o curso de pedagogia falha em priorizar muito a teoria, o aluno necessita
de uma formação voltada para a prática dentro do ambiente escolar, sala de aula, por
exemplo, para que ao final do curso tenha alem da fundamentação teórica, uma
prática educativa mais aguçada.
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Aluna 6 concorda com as outras alunas nesse sentido:

Porém, no que se diz respeito ao preparo do profissional capaz de entender e


contribuir para a melhoria das condições em que se desenvolve a educação onde
atua, o curso não ofereceu suporte ... A realidade, fora do curso de Pedagogia é
extremamente outra.

Concordamos com elas quando dizem a respeito da sala de aula, mas como foi exposto
no segundo capítulo à turma que iniciou em 2003 teria duas habilitações: Supervisão
Escolar, com ênfase em Coordenação Pedagógica e Administração Escolar, com ênfase em
Gestão de Organizações. Então o foco da formação do curso não era a formação de
professores. Quem quis trabalhar com educação infantil e com as séries iniciais do ensino
fundamental fez uma complementação e outras fizeram cursos de pós -graduação na área que
desejaram.
Vimos também que o PPP, referente às turmas de 2003, foi criado a partir de reflexões
e análises dos professores do curso de Pedagogia, pela necessidade da região do Vale do Rio
Doce e pelas exigências do mercado profissional, por isso essa estruturação curricular.
Pudemos observar no segundo capítulo que as disciplinas eram distribuídas por eixos:
Teórico-Investigativo, Conhecimento Técnico-Pedagógico, Epistemologias Específicas e
Inter-relação Teoria e Prática, onde se encaixa e se justifica cada uma das disciplinas do
curso, a Didática como a aluna 4 citou é realmente muito importante e obrigatória.
O curso explorou as áreas de atuação do pedagogo, como vimos de acordo com a PPP
o curso de pedagogia é responsável pela formação de Educadores com habilitações
específicas em: administração escolar, inspeção escolar, supervisor pedagógico, orientador
educacional, além de possibilitar outras especializações em áreas de planejamento e gestão,
atuar no ensino, unidades e projetos educacionais escolares e não escolares, bem como, na
produção e difusão do conhecimento, em diversas áreas da educação. Propõe-se ainda a
formar um pedagogo com competências e habilidades para compreender e atuar em áreas
específicas da educação, tais como, educação especial, educação de jovens e adultos,
educação indígena, educação ambiental e outras áreas emergentes do campo educacional e
empresarial.
As alunas 2, 8 e 9 fizeram uma boa avaliação do curso: vejamos o que elas consideram
começando pela aluna 2: “o curso foi muito coerente com disciplinas voltadas para atender as
necessidades curriculares do curso de Pedagogia”.
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Como já citamos anteriormente no primeiro capítulo para Libâneo (1998), o pedagogo


que lida com fatos, estruturas, contexto, situações referentes a pratica educativa pela fala da
aluna 8 se percebe claramente que o curso de pedagogia alcançou esse objetivo. Vejamos:

O curso ofereceu uma proposta muito ampla, dentro da licenciatura apresentada,


professores experientes e competentes foram nos apresentados, com disciplinas que
nos fazia entender e compreender muito bem a Pedagogia, embora tivéssemos pouco
tempo para pesquisas, debates e relatos sobre tais assuntos em sala Preciso estar
sempre atenta com as mudanças, legislações, Parâmetros Curriculares, Decretos,
Estatutos, PPP atualizado, Regimento Escolar, Quadros Curriculares, Calendários e
outros. Percebo que, a teoria do curso, me ensinou a desenvolver todos esses
documentos que existem dentro das Instituições de Ensino e sei também que tudo
que aprendi valeu e muito para meu sucesso em minha escola, no ramo da educação,
o segredo é jamais parar, pois, a cada momento, mudanças acontecem e se paramos
no tempo, vem "outros" e nos passam.

Aluna 9: “Todas as matérias, toda a proposta do curso me vestiu como uma luva e o
porquê, as colegas já sabem tenho uma escola e lá faço de tudo um pouco, professora,
pedagoga, diretora e um pouco mais”.
Na fala da aluna 4 percebe - se a importância dos cursos de graduação: “Sem sombra
de duvida, não só o curso de pedagogia como qualquer outro, enriquece muito a formação de
qualquer acadêmico”. Essa citação pode ser completada pela citação da aluna 6 e da aluna 7
onde se ressaltam a importância de sempre buscar mais conhecimentos, como a aluna 6 disse
que o curso de pedagogia “me deu apenas uma direção sobre o processo educativo na
instituição escolar, no trabalho, nos movimentos sociais e grupos culturais através de algumas
poucas disciplinas”. O curso nos dá uma direção, nós temos que escolher e traçar os caminhos
e buscar fontes para realizar um trabalho consciente e eficaz e principalmente humanitário.
Vejamos o que diz a Aluna 7:

Acredito que a formação do curso de pedagogia possibilita uma visão mais ampla da
educação, orienta e desenvolve os caminhos e estratégias para uma boa gestão
escolar. Oportuniza o aluno na elaboração de documentos essenciais para a
administração de uma escola, como o Projeto Político Pedagógico, Regimento, etc.
Capacita os alunos com cursos e atividades educacionais... Finalizo afirmando que o
curso de pedagogia me ajudou bastante a chegar nessa concepção atual, mas pontuo
que as pessoas que escolhem trabalhar na educação precisam realmente querer atuar
nesta área, ter afinidade, dedicação, dando oportunidade para que o curso de
pedagogia modifique suas concepções e formem verdadeiros educadores que
acreditam que a educação é o 1º passo para o progresso do mundo

As alunas destacaram alguns pontos relevantes em relação ao curso de pedagogia.


Segundo a aluna 2:
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Considero minha graduação no curso de Pedagogia da Univale, muito boa


...Remetendo-nos sobre a importância da formação continuada, que é o que mais me
influenciou, o curso despertou esse desejo de sempre querer mais, lembrando
também de grandes mestres que me inspiram que são espelhos pra mim. Hoje busco
ser uma professora reflexiva, pesquisadora, sempre atenta às necessidades de meus
alunos; e é claro que sempre trabalhando com muito amor pela EDUCAÇÃO.

Aluna 9 diz que aprendeu a ser pesquisadora:

Para mim especialmente a formação dada pelo curso de pedagogia foi um marco, um
divisor de águas na minha vida pessoal e na minha vida profissional... Passei muitos
anos sem “estudar” desde a minha ultima formação. Com o curso tive a grata
oportunidade de aprender, reaprender, avaliar e adquirir novos conceitos. Tudo no
curso foi bom para mim, todas as disciplinas, as amizades das colegas e também a
grata surpresa com meus professores e professoras (inesquecíveis)... E conhecimento
este, enriquecimento e fundamentos de fontes sólidas e porque não dizer científicas
e que devemos buscar sempre, constantemente, diariamente...

A UNIVALE (2002) identifica a educação como objeto de estudo da pedagogia e o


ensino como prática social viva, por isso o curso de pedagogia tenta passar ao aluno a visão
de que o pedagogo é participante da construção de uma sociedade humana mais justa e
igualitária, mas o ser humano é um ser inacabado, em contínua transformação e é também um
ser individual com sua própria personalidade, sua opinião, costumes entre outras coisas.
É indispensável para a nossa análise ressaltar que a individualidade do ser é
influenciada por milhares de fatores internos e externos que fazem com que o indivíduo faça
ou não faça algo ou pense desse ou daquela forma, esses fatores afetam o indivíduo no seu
dia-a-dia.
A socialização é um desses exemplos, a forma, o local e a sociedade em que cada um
foi cresceu influencia seus hábitos, crenças, seu modo agir, de vestir, seu modo de pensar e
etc.
O que quereremos destacar aqui é que a forma como cada uma das 10 alunas
descreveu o curso de Pedagogia foi influenciada, por esses mesmos fatores citados acima e
muitos outros, além é claro das experiências anteriores que elas tiveram e da capacidade de
cada uma dialogar com cada disciplina e cada novo conhecimento. Algumas absorveram mais
os conteúdos estudados e outras menos, cada uma delas teve mais afinidade com uma
disciplina e com um professor, portanto suas opiniões diferentes. Percebemos pelos
depoimentos que as alunas donas de escolas, as diretoras e as que escolheram trabalhar com a
supervisão, se identificaram mais com o curso já que essa era habilitação.
Vimos no decorrer dessas análises que algumas alunas que realizaram o curso de
pedagogia da UNIVALE fizeram avaliações negativas por considerar que as disciplinas não
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são muito práticas, que priorizam muito a teoria e focam muito pouco o universo da sala de
aula.
Mas vimos também que elas aprenderam muito com o curso e desenvolveram muitas
habilidades e competências e modificaram sua concepção de educação atual.
Desenvolveram os caminhos e estratégias da gestão escolar. Aprenderam a aprender,
avaliar e adquiriram novos conceitos: as tendências pedagógicas, o Estatuto da Criança e do
Adolescente, a Constituição Federal, as legislações, os Parâmetros Curriculares, os Decretos,
Estatutos, o Projeto Político Pedagógico, o Regimento Escolar, os Quadros Curriculares, os
Calendários, conheceram pontos importantes da história da educação, entre outros.
Adquiriram uma visão do que é a criança, vê-la como um ser único, de como ela
aprende e como se ensina; adquiriram uma visão mais ampla da educação e da importância
dela, de problematizar os fatos para saber transformar.
Adquiriram também uma visão de que o educando não é um simples personagem no
processo de ensino-aprendizagem, que o educador não tem um saber absoluto, mas um
conhecimento mutável e que através de trocas de experiências, com uma forma de ensinar
participativa, ele aprende e deixa um pouco de si, entendendo assim que educar não é
transferir conhecimento é um ato de muito amor, esperança, comprometimento e
responsabilidade pela educação.
Obtiveram a visão do processo educativo na instituição escolar, de que a ela não é
simplesmente uma instituição que tem o objetivo ensinar os conteúdos de cada disciplina e
sim de desenvolver aspectos sociais, formando personalidades com sensibilidade,
responsabilidade social, crítica e consciente do seu papel como cidadão e que a educação é
realmente uma importante necessidade do ser humano obtendo assim uma visão de qual é o
verdadeiro sentido da educação e seu papel perante a ela.
Desenvolveram um senso crítico em relação à prática pedagógica e com o mundo
extra-escolar e tomaram a consciência de que o modo de ver as coisas influencia as ações.
Descobriram a importância da formação continuada e o desejo de sempre querer mais,
a importância de ser um profissional reflexivo, dinâmico, pesquisador, atento às necessidades
do educando.
É essa a concepção é a que temos também que educar é um ato de amor e que não é
transferir conhecimento, mas aprender junto e que a educação como o mundo em nossa volta
está em constante mudança, por isso não podemos parar no tempo, pois o tempo não para.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Iniciamos aqui uma proposta de analisar como a realização do curso de graduação em


pedagogia contribuiu na formação das egressas da turma de 2003 e, em especial, na
construção de suas concepções de educação.
Para fazermos essa análise colhemos depoimentos de 10 ex -alunas. Pelas análises das
entrevistas, pudemos perceber que essas egressas, quando iniciaram o curso , enunciam ainda
não ter uma concepção de educação definida e que este influiu na sua concepção atual.
Algumas alunas acreditam que o sucesso do curso de pedagogia se dá graças aos bons
professores, de como eles se esforçaram para que aprendêssemos qual um verdadeiro sentido
da educação e influenciaram -nos com a prática e a concepção de educação que possuíam.
Concordo com elas, como já havia ressaltado no terceiro capítulo a forma como o professor se
relaciona com os alunos e a forma com que ele passa sua disciplina é fundamental para a
aprendizagem do aluno, e que tivemos professores “pilares” de nossa formação. Acredito que
todo aluno, assim como eu, tem lembranças de professores bons e ruins, portanto farei o
possível para que meu trabalho seja repleto de boas lembranças. Com os professores do curso
de Pedagogia aprendi parte do que sei hoje sobre a educação.
Sobre as disciplinas e a proposta pedagógica do curso de pedagogia, pudemos analisar
que algumas alunas destacaram principalmente a Filosofia e Didática. Acredito que o curso
teve boas disciplinas, inclusive Tecnologia da Informação, eu, por exemplo, aprendia utilizar
o computador com essa disciplina o que me foi muito útil. Além das anteriores, destaco a
Epistemologia da Educação, a Educação de Jovens e Adultos, a Gestão Educacional, os
Fundamentos da Educação Infantil, a História da Educação, as Políticas Públicas, os
Currículos e as Áreas do Conhecimento e Psicologia dentre outras que nós estudamos durante
o curso.
Acredito que para uma melhoria do currículo do curso, as disciplinas que se
relacionam com a criança, por exemplo, Fundamentos da Educação Infantil, devam ser vistas
mais no início do curso e antes dos estágios de Supervisão e de Docência. E se devemos fazer
200 horas de estágio de docência e mais 200 horas de estágio de supervisão temos que saber
alguns princípios de como alfabetizar e a disciplina Educação de Jovens e Adultos nos dá uma
base para isso, mas só a vemos no 8º período quando já acabamos todos os estágios.
Precisamos saber estes princípios para realizar um bom estágio.
Concordo com as alunas que disseram que o curso foca muito pouco o universo da
sala de aula, mas o curso de pedagogia da UNIVALE tem boas disciplinas e devemos
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ressaltar que a formação da turma de 2003 era para bacharelado. As alunas que quiseram ser
licenciadas também fizeram uma complementação, então a questão da sala de aula ficou para
segundo plano, mas, como já afirmei acima, o supervisor deve ter uma noção desse universo.
Algumas alunas que consideraram as disciplinas pouco práticas, mas por outro lado
toda a faculdade é mais teórica e técnica elas nos dão uma base de como é a prática. O curso
de pedagogia prioriza também a prática, como aluna dessa universidade e como ex -aluna de
outra universidade posso afirmar isso: na UNIVALE fazemos 200 horas de estágios
supervisionado em supervisão, 200 em administração escolar e 200 em supervisão, muito
mais do que na outra faculdade que eram apenas 200 sendo 100 em docência e 100 em
supervisão ou administração, mas isso não vem ao caso, pois a habilitação era diferente.
Fazemos 600 horas de estágio supervisionado e é este estágio que possibilita dentro da
faculdade que o aluno adquira os conhecimentos práticos, como no meu caso: nunca trabalhei
com educação e esta foi à única forma. Foi possível observar que os estágios têm uma carga
horária suficiente para que o aluno tenha uma visão da prática escolar e para quem se
interessasse poderia fazer em espaços não escolares e em empresas, já que o curso tem
suporte para a atuação em empresas.
Acredito também que sejam necessários mais seminários porque eles nos dão uma
visão da prática. Tivemos um seminário ótimo na disciplina Gestão Educacional, pudemos
nos imaginar como pedagogas dando palestras e o que influenciou na qualidade desse
seminário foi à forma como a professora o conduziu.
Pelos depoimentos, vimos que as alunas percebem a importância dos cursos de
graduação que nos dão uma direção e da importância da formação continuada.
Como já descrevi na introdução, quando comecei o curso de pedagogia não tinha
clareza de como é educar e do que é realmente a educação, não tinha experiência, teoria e
prática nesse campo. Com a realização do curso de pedagogia, descobri e aprendi tanta coisa
importante sobre educação, sobre as leis que a regem, sobre quem é a criança e como ela
aprende, ampliei minha prática pedagógica.
Não posso afirmar que no início do curso de pedagogia, em fevereiro de 2002, não
tinha uma concepção de educação, mas essa concepção vinha das minhas experiências de
aluna, de lembranças de professores que tive: uns que realmente ensinaram e outros que
ensinaram pouco. Não vou dizer que esses não ensinaram nada, pois isso é incoerente. De
certa forma eles me mostram como não ensinar, não fazer preferências entre os alunos e
principalmente ser ético com os alunos e com o processo educativo e principalmente estudar,
pois o educador deve ter conhecimentos e argumentos para dialogar com o educando.
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Fomos formadas pela faculdade numa concepção, entre outras, de que educando deve
ser estimulado a aprender, a ser crítico e que o educador deve aproveitar o conhecimento
prévio do educando, porque se isso acontece o interesse é estimulado, o diálogo e o
aprendizado fluem mais. O educador e o educando constr oem conhecimentos significativos
através de trocas de experiências, o ensino acontece de forma participativa, o educando vai se
desenvolvendo integralmente em aspectos sociais, físicos, psíquicos e emocionais, com
sensibilidade, responsabilidade social, consciência. Pela experiência que tive é essa a
concepção que tenho. Com a realização do curso de pedagogia, portanto, minha concepção de
educação mudou.
Como também já pontuei, me identifico muito com Paulo Freire que “conheci” no
curso. Vou levar seus ensinamentos, de como ensinar é um ato recíproco e de amor, e que não
é transferir conhecimento, sempre comigo na minha prática educacional e inclusive na
educação de filhos que terei.
Como eu não tinha uma concepção clara quando iniciei o curso, tudo que sei hoje é
conseqüência do que aprendi com no decorrer do curso e com nossos professores, que são os
grandes responsáveis por nossa formação. Compreendi a relação do saber, o como ensinar, o
como agir. Aprendi que a prática e a teoria estão juntas e ambas são importantes para a
realização de um trabalho educativo eficaz. E que a pedagogia é a teoria, é a reflexão, é a
investigação da prática educativa.
Sempre gostei muito de ler, mas aprendi a gostar mais de textos informativos e
filosóficos, aprendi a buscar bibliografias alternativas, aprendi quais são as áreas de atuação
do pedagogo, muitas delas eu não conhecia, apliquei muito do que aprendi sobre a pedagogia
empresarial, a supervisão e administração no meu trabalho. Conheci as leis que regem
educação, inclusive a realização dessa monografia me proporcionou aprofundar mais sobre
essas leis e conhecer melhor as discussões que definem os cursos de pedagogia. Até aqui falei
de mim e as descobertas que fiz com a realização do curso de pedagogia. Agora retomemos a
conclusão da nossa pesquisa.
Quando iniciamos essa pesquisa intitulada: “A Importância da Realização do Curso de
Pedagogia da UNIVALE na Formação das Egressas da Turma de 2003”. Pelas indagações de
qual foi o impacto que curso de pedagogia causou nas alunas e se ele modificou as suas
concepções de educação e suas visões de mundo com o objetivo de analisar como as egressas
observam a contribuição do curso de graduação em pedagogia em sua formação, em especial,
na construção de suas concepções de educação. Não sabíamos como seria o desfecho dessa
pesquisa.
43

Vimos no decorrer de nossas análises que algumas alunas que realizaram o curso de
pedagogia da UNIVALE fizeram avaliações negativas por considerar que as disciplinas não
são muito práticas, mas vimos também que elas aprenderam muito com o curso e
desenvolveram muitas habilidades e competências e modificaram sua concepção de educação
atual principalmente sobre a função da educação e de como educar; adquiriram a visão do que
é a criança e descobriram a importância da formação continuada para a realização do seu
trabalho.
Não conseguimos responder a pergunta de pesquisa pela forma que pesquisa de campo
teve que ser feita, como já expus no terceiro capítulo conseguimos localizar por meio de
telefonemas e da internet as alunas , inicialmente tínhamos optado por realizar uma entrevista
aberta, mas o fato de eu estar morando no Rio de Janeiro acabou inviabilizando esta proposta.
Apesar de consideramos que esta situação não prejudicaria a qualidade das informações
obtidas acabamos por não conseguir a pergunta de pesquisa como queríamos, descobrimos
fatos importantes em relação ao curso e as habilidades que alunas adquiriram com sua
realização, mas não investigamos a construção de suas concepções de educação a fundo,
faltou tempo para questionar mais o que cada uma considera como concepção de educação.
Contudo a pesquisa trouxe contribuições para conhecer melhor o curso de pedagogia e
identificar a importância do curso na vida das egressas.
Acredito que a realização desta pesquisa poderá contribuir para a universidade fazer
uma melhoria no curso, inclusive gostaria de ressaltar que uma melhoria já foi instituída: a
formação de licenciados em pedagogia, aliando gestão e docência.
44

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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45

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______. Curso de Pedagogia. Projeto Político Pedagógico. Fevereiro de 2002.


46

ANEXO
47

RELATO DAS EGRESSAS

Aluna 1

Penso que muito do que sou profissionalmente vem das experiências vividas na universidade.
Percebi que o que faz a instituição são os professores e as disciplinas ministradas no curso. Se as
disciplinas são técnicas, logo sua formação será marcada pelo tradicionalismo, explicações
pragmáticas e sem fundamentação questionadora. Tivemos sorte, pois, nós formandos de 2006
contamos com professores que tinham uma visão de mundo muito interessante e filosófica. Disciplinas
como Filosofia, Epistemologia da educação, didática nos permitiram rever as outras de forma mais
crítica e sem máscaras. A concepção que eu tinha era meramente leiga, superficial, pensava que a
prática em sala diz tudo numa escola, hoje sei que não é bem assim; a universidade, ou melhor, os
professores como “Alberto Cirino, Maira, Lígia, Diva e outros poucos”, contribuíram muito pra que eu
entendesse que concepção rege o resto da minha prática, é conseqüência, se penso em rever ações, em
questionar verdades em quebrar paradigmas logo minhas ações podem sofrer influência desse meu
modo de ver as coisas . A minha experiência profissional também me ajudou muito, trabalho numa
escola que realmente se preocupa com o aluno e dentro do possível me permite utilizar as minhas
concepções dentro de sala.

Aluna 2

Considero minha graduação no curso de Pedagogia da Univale, muito boa, comecei o curso
sem nenhuma concepção de Educação até porque não tinha noção da importância do EDUCAR. No
decorrer do curso fui percebendo como é desafiador ser educadora, o curso foi muito coerente com
disciplinas voltadas para atender as necessidades curriculares do curso de Pedagogia.
Durante minha formação tive professores comprometidos que nos incentivavam a sermos
pesquisadores, aprendi que um bom educador nunca será dono de um saber absoluto, mas donos de um
conhecimento mutável, trabalhando sempre de forma reflexiva e dinâmica em suas práticas.
Infelizmente tivemos alguns professores que não estavam comprometidos com seus alunos,
mas isso não foi motivo de desânimo; entretanto concordo com a fala de uma professora, ela dizia que
toda graduação é muito superficial, não tem como o curso contemplar todas as necessidades de uma
grade curricular, sempre vai faltar alguma coisa, pois sempre haverá novos desafios a serem
enfrentados.
Remetendo-nos sobre a importância da formação continuada, que é o que mais me
influenciou, o curso despertou esse desejo de sempre querer mais, lembrando também de grandes
48

mestres que me inspiram que são espelhos pra mim. Hoje busco ser uma professora reflexiva,
pesquisadora, sempre atenta às necessidades de meus alunos; e é claro que sempre trabalhando com
muito amor pela EDUCAÇÃO.

Aluna 3

Bom quando entrei no curso não tinha uma concepção formada, era nova e sem maturidade,
apenas queria ser professora e sabia que iria gostar disso.
Sobre a proposta pedagógica do curso de Pedagogia eu não gostei muito, pois ao longo do
curso percebi que tínhamos poucas aulas voltadas para a prática como professor, pois penso que para
ser um gestor ou supervisor, você precisa saber mais sobre o universo da sala de aula, seja pela própria
experiência e principalmente orientada em uma disciplina no curso que dê parâmetro para saber como
agir em determinadas situações de sala e que talvez um supervisor ou gestor sem experiência em sala
ou teórica não saberia como orientar o professor, penso que a Univale pecou nesse sentido.
Enquanto aos professores tive sorte, peguei alguns que foram pilares para uma formação de qualidade
a quem deve todo o respeito, mais também peguei alguns que hoje eu daria aula melhor que elas rssrs,
mais isso não vem ao caso.
Sobre as disciplinas eu já disse, poderia ter focado mais a questão da sala de aula, de artes,
educação infantil, mais nem tudo é do jeito que a gente quer.
O curso formou a concepção de educação que tenho hoje , considerando que antes eu não tinha
nenhuma, e essa concepção devo aos bons professores que me formaram, os diálogos em sala sobre as
tendências pedagógicas, os estudos sobres os referenciais da educação, do Eca e da Constituição
Federal, dentre outros diálogos envolvendo grandes teóricos da educação atual.

Aluna 4

Sem sombra de duvida, não só o curso de pedagogia como qualquer outro, enriquece muito a
formação de qualquer acadêmico. Todas as disciplinas foram importantes, porem algumas em relação
à “Prática” se destaca como a didática , isto é se tratando da atuação no campo de trabalho, e claro os
estágios supervisionados, filosofia, sociologia, etc.
Os estágios em supervisão foram tão importantes que através deles, e claro da professora
Marlene Temponi foi o que decidi atuar no campo da supervisão, os demais foram muita teoria e
pouca pratica mesmo assim estou muito satisfeita com o curso oferecido pela Univale.
49

Aluna 5

Entrei no curso de Pedagogia, pois, sempre quis ser Pedagoga. Mas hoje mesmo formada
ainda me pergunto. O que é ser pedagogo? Onde o pedagogo atua? Será que é só na escola? Acredito
que não. Sempre achei que o campo da pedagogia vai além, muito além que a maioria dos nossos
professores nos mostraram. Penso que há um erro muito grande na formação dos profissionais de
educação. As coisas não são muito claras. O pedagogo pra mim é um gestor, um administrador, que
pode atuar em diversas áreas. Isto o curso da UNIVALE pouco explorou, aí acredito eu, vai o grande
erro do curso. Existe um enorme campo de trabalho para o pedagogo. Eu particularmente quero seguir
o campo da pedagogia empresarial na área de recursos humanos.

Aluna 6

Foi observando as constantes mudanças que ocorrem na nossa sociedade que me preocupei em
me preparar melhor para atender às necessidades do trabalho pedagógico tanto no espaço escolar ou
em qualquer outro lugar. Acredito que, por maior que seja a nossa experiência na área em que estamos
atuando é preciso que o profissional se aproprie de conhecimentos teóricos e desenvolva competências
técnicas que o garantam atuar profissionalmente, compreendendo as fases do desenvolvimento e como
ocorre a aprendizagem nas diferentes idades de cada indivíduo. Ressalto, aqui, então, a importância
do conhecimento teórico e das competências técnicas.
Considero-me uma pessoa ousada que sempre buscou desenvolver ações que, a meu modo,
pudessem transformar o ambiente de trabalho e as pessoas ao meu redor. O curso de Pedagogia me
deu apenas uma direção sobre o processo educativo na instituição escolar, no trabalho, nos
movimentos sociais e grupos culturais através de algumas poucas disciplinas. Porém, no que se diz
respeito ao preparo do profissional capaz de entender e contribuir para a melhoria das condições em
que se desenvolve a educação onde atua, o curso não ofereceu suporte. Todas as disciplinas básicas
para a formação do Pedagogo como: Alfabetização, Leitura e Escrita, Educação Infantil, Educação de
Jovens e Adultos, Gestão Educacional, Coordenação Pedagógica, Licenciatura dos Anos Iniciais do
Ensino Fundamental, foram vistas de uma forma muito vaga.
A realidade, fora do curso de Pedagogia é extremamente outra. Talvez seja por isso que os
educadores estão cada vez mais ansiosos em se tornarem críticos educacionais do que entender e ser
participante do que ocorre em sala de aula em contexto mais específico.
Quanto ao fato do curso e/ou outros fatores terem influído na concepção atual, acredito que
sim, aprendemos tanto com aquilo que é positivo, quanto com o que é negativo. A apropriação do
conhecimento teórico me ajudou a desenvolver um senso crítico em relação à prática pedagógica e
com o mundo extra -escolar. Entendi a importância de problematizar os fatos para saber transformar .
50

Tudo isso, porque na minha concepção de educação o aluno não é um simples personagem no
processo de ensino-aprendizagem, ele é a pessoa do ser humano, portador de virtudes erros e
necessidades. Com quem aprendemos e deixamos um pouco de nós mesmos.

Aluna 7

Acredito que a formação do curso de pedagogia possibilita uma visão mais ampla da
educação, orienta e desenvolve os caminhos e estratégias para uma boa gestão escolar. Oportuniza o
aluno na elaboração de documentos essenciais para a administração de uma escola, como o Projeto
Político Pedagógico, Regimento, etc. Capacita os alunos com cursos e atividades educacionais. Porém
acho que o curso de pedagogia falha em priorizar muito a teoria, o aluno necessita de uma formação
voltada para a prática dentro do ambiente escolar, sala de aula, por exemplo, para que ao final do curso
tenha alem da fundamentação teórica, uma prática educativa mais aguçada.
Como comentei acima a visão da educação, muda de acordo com o desenvolvimento do curso.
Minha concepção da educação era bastante limitada, achava que educar baseava simplesmente
na transferência de conhecimento para o aluno. Mas com o tempo percebi que a educação vai alem, e o
professor junto com o educando construí conhecimentos, através de tocas de experiências, com uma
forma de ensinar participativa, desenvolvendo aspectos sociais, formando personalidades com
sensibilidade, responsabilidade social, crítica e consciente do seu papel como cidadão. Considerei de
extrema responsabilidade o profissional da educação, pois trabalha para a progressão humana.
Finalizo afirmando que o curso de pedagogia me ajudou bastante a chegar nessa concepção
atual, mas pontuo que as pessoas que escolhem trabalhar na educação precisam realmente querer atuar
nesta área, ter afinidade, dedicação, dando oportunidade para que o curso de pedagogia modifique suas
concepções e formem verdadeiros educadores que acreditam que a educação é o 1º passo para o
progresso do mundo.

Aluna 8

O curso ofereceu uma proposta muito ampla, dentro da licenciatura apresentada, professores
experientes e competentes foram nos apresentados, com disciplinas que nos fazia entender e
compreender muito bem a Pedagogia, embora tivéssemos pouco tempo para pesquisas, debates e
relatos sobre tais assuntos em sala.
Minha concepção sobre educação antes de ingressar no curso, era básica, sabia que educação,
era necessário para sobrevivência em nosso mundo, perante nossa sociedade, mas não percebia que ia
muito, além disso, devido ainda ser leiga e não conhecer a fundos a EDUCAÇÃO propriamente dita.
51

A partir do momento que comecei a freqüentar o curso de Pedagogia, percebi que era
realmente uma importante necessidade para o ser humano, um aprendizado a cada momento, as
descobertas que tínhamos em cada disciplina apresentada e estudada por nós, as pesquisas de vários
autores e teóricos da educação, agente começa a perceber que tudo na vida, surge através da educação.
É muito prazeroso saber que estudamos para ensinar o outro a aprender, sabendo que durante essa
transição, na verdade, aprendemos e ensinamos juntos, é uma troca de aprendizados.
Com certeza, minha concepção hoje sobre a educação influencia e muito minhas atitudes e
meu modo de pensar, como sou diretora de uma escola particular de Creche ao Ensino Fundamental -
Anos Iniciais. Preciso estar sempre atenta com as mudanças, legislações, Parâmetros Curriculares,
Decretos, Estatutos, PPP atualizado, Regimento Escolar, Quadros Curriculares, Calendários e outros.
Percebo que, a teoria do curso, me ensinou a desenvolver todos esses documentos que existem dentro
das Instituições de Ensino e sei também que tudo que aprendi valeu e muito para meu sucesso em
minha escola, no ramo da educação, o segredo é jamais parar, pois, a cada momento, mudanças
acontecem e se paramos no tempo, vem "outros" e nos passam. Depois que terminei minha graduação,
fiz complementação em Anos Iniciais e fiz minha pós em Psicopedagogia Clínica e Institucional, onde
formo no fim desse mês. Estou muito feliz com minha escolha, hoje posso dizer que, estou totalmente
realizada como educadora e espero continuar por muito tempo atuando, tenho 05 anos de experiência,
estou começando a plantar minha árvore e a cada dia rego um pouquinho para que ela cresça forte,
saudável e viva por muito tempo.

Aluna 9

Para mim especialmente a formação dada pelo curso de pedagogia foi um marco, um divisor
de águas na minha vida pessoal e na minha vida profissional.
Todas as matérias, toda a proposta do curso me vestiu como uma luva e o porquê, as colegas já
sabem tenho uma escola e lá faço de tudo um pouco, professora, pedagoga, diretora e um pouco mais.
Passei muitos anos sem “estudar” desde a minha ultima formação. Com o curso tive a grata
oportunidade de aprender, reaprender, avaliar e adquirir novos conceitos.
Tudo no curso foi bom para mim, todas as disciplinas, as amizades das colegas e também a
grata surpresa com meus professores e professoras (inesquecíveis).
Tinha uma visão ultrapassada do que é ser criança, de como se aprende, como se ensina,
desconhecia pontos importantes da história da educação tanto no Brasil quanto no mundo, aprendi a
gostar de ler coisas pelas quais nunca tive interesse (filosofia uma delas) e cresci muito com isso.
Hoje como não poderia deixar de ser, minha concepção de educação é outra e todos os fatores
contribuíram para que eu veja a criança, este ser único e maravilhoso, a educação no meu país e o meu
papel perante a ela, com outro olhos, olhos de amor de esperança, mas também de comprometimento,
responsabilidade, conhecimento.
52

E conhecimento este, enriquecimento e fundamentos de fontes sólidas e porque não dizer


científicas e que devemos buscar sempre, constantemente, diariamente...

Aluna 10

Antes de entrar na faculdade e fazer o curso de pedagogia a minha visão era que a educação
era simplesmente uma instituição que tinha como objetivo ensinar aos alunos os conteúdos de cada
disciplina, hoje depois da minha formação como pedagoga sei que na verdade as escolas, a educação
em si não tem somente o dever de passar conteúdos para os alunos e sim outras finalidades também,
finalidades essa que só obtive o conhecimento depois de ter entrado na faculdade.
O pedagogo não é só aquele que ocupa um lugar na escola. A sua função é exercer liderança
na parte administrativa, pedagógica e assistencial desenvolvendo trabalho em equipe, delegando
autonomia a todos os segmentos escolares visando um ambiente de trabalho em que a confiança, a
amizade, o respeito e a interação entre todos sejam vivenciados.
Buscando a melhoria da qualidade do ensino, identificar as principais atividades através da
realização do trabalho coletivo, incentivar o senso critico e a criatividade, promover atividades sociais
e culturais, orientar, participar e dar assistência ao processo pedagógico da escola, e incentivar o
desenvolvimento de estudos pesquisas e atividades culturais.
A Escola tem como meta oportunizar aos alunos a capacidade de serem livres nas suas ações
participando com responsabilidade, com criatividade e com dialeticidade, dentro da comunidade em
que estão inseridos, transformando-a a si mesmo, pois uma educação de qualidade se faz com a
participação de todos, pois a escola é uma instituição.
A instituição é complexa, que exige não só do líder, mas de todos que estejam engajados no
processo, dinamismo e comprometimento, pois temos que planejar para mudar, organizar para atuar,
agir para transformar e avaliar para melhorar.

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