Você está na página 1de 276

1

UFU – Universidade Federal de Uberlândia

Programa de Pós Graduação em Ciências Veterinárias

Anatomia dos ruminantes domésticos

Prof. Frederico Ozanan

2012
2

Sumário

1. Introdução ao estudo da anatomia...............................................................................6

2. Sistema esquelético.....................................................................................................9

3. Junturas..................................................................................................................... 35

4. Introdução ao estudo do sistema muscular............................................................... 46

5. Introdução ao estudo do sistema nervoso................................................................. 48

6. Introdução ao estudo do sistema vascular................................................................. 51

7. Roteiro para a dissecação e estudo do membro torácico.......................................... 55

8. Músculos do membro torácico.................................................................................. 62

9. Nervos do membro torácico...................................................................................... 74

10. Artérias do membro torácico.................................................................................... 78

11. Veias do membro torácico........................................................................................ 82

12. Linfáticos do membro torácico................................................................................. 83

13. Roteiro para dissecação e estudo da parede do tórax................................................ 84

14. Músculos da parede do tórax.................................................................................... 85

15. Nervos da parede do tórax........................................................................................ 88

16. Artérias da parede do tórax....................................................................................... 89

17. Veias da parede do tórax........................................................................................... 90

18. Linfáticos da parede do tórax.................................................................................... 90

19. Roteiro para dissecação e estudo da parede do abdome...........................................90

20. Músculos da parede do abdome................................................................................ 92

21. Nervos da parede do abdome.................................................................................... 94

22. Artérias da parede do abdome................................................................................... 95

23. Veias da parede do abdome...................................................................................... 95

24. Linfáticos da parede do abdome............................................................................... 95

25. Roteiro para dissecação e estudo do membro pelvino.............................................. 95

26. Músculos do membro pélvico................................................................................. 101


3

27. Nervos da pelve e do membro pélvico.................................................................... 109

28. Artérias do membro pélvico.................................................................................... 112

29. Veias do membro pélvico....................................................................................... 115

30. Linfáticos da pelve e do membro pélvico............................................................... 119

31. Roteiro para dissecação e estudo do sistema nervoso central (SNC)..................... 122

32. Roteiro para dissecação e estudo da cabeça............................................................ 139

33. Músculos da cabeça................................................................................................ 146

34. Nervos e gânglios da cabeça................................................................................... 150

35. Artérias da cabeça................................................................................................... 160

36. Veias da cabeça....................................................................................................... 165

37. Linfáticos da cabeça................................................................................................ 168

38. Bulbo do olho, pálpebras, túnica conjuntiva e aparelho lacrimal........................... 169

39. Ouvido (órgão vestibulococlear)............................................................................. 173

40. Cavidade da boca.................................................................................................... 181

41. Glândulas salivares................................................................................................. 189

42. Cavidade nasal e seios paranasais........................................................................... 191

43. Faringe.................................................................................................................... 194

44. Laringe.................................................................................................................... 195

45. Roteiro para dissecação e estudo do pescoço......................................................... 199

46. Músculos do pescoço.............................................................................................. 200

47. Nervos do pescoço.................................................................................................. 204

48. Artérias do pescoço................................................................................................. 205

49. Veias do pescoço..................................................................................................... 206

50. Linfáticos do pescoço............................................................................................. 207

51. Esôfago e traqueia................................................................................................... 208

52. Tireóidea, paratireóideas e timo.............................................................................. 210

53. Roteiro para dissecação e estudo da cavidade torácica........................................... 211


4

54. Pulmões e brônquios............................................................................................... 212

55. Pericárdio e coração................................................................................................ 214

56. Pleura e mediastino................................................................................................. 217

57. Nervos e gânglios da cavidade torácica.................................................................. 220

58. Artérias da cavidade torácica.................................................................................. 223

59. Veias da cavidade torácica...................................................................................... 226

60. Linfáticos da cavidade torácica............................................................................... 228

61. Roteiro para dissecação e estudo da cavidade abdominal...................................... 230

62. Estomago................................................................................................................. 232

63. Intestinos................................................................................................................. 235

64. Fígado, vias biliares, pâncreas e baço..................................................................... 237

65. Rins, ureteres e glândula suprarrenal...................................................................... 240

66. Peritônio.................................................................................................................. 242

67. Nervos e gânglios da cavidade abdominal.............................................................. 245

68. Artérias da cavidade abdominal.............................................................................. 247

69. Veias da cavidade abdominal.................................................................................. 249

70. Linfáticos da cavidade abdominal.......................................................................... 251

71. Roteiro para dissecação e estudo da cavidade pelvina, dos órgãos genitais externos e
do úbere.................................................................................................................... 255

72. Órgãos genitais femininos....................................................................................... 256

73. Úbere....................................................................................................................... 260

74. Órgãos genitais masculinos..................................................................................... 262

75. Bexiga e parte pelvina dos ureteres........................................................................ 269

76. Parte pelvica do peritônio....................................................................................... 270

77. Nervos e gânglios da cavidade pélvica................................................................... 271

78. Artérias da cavidade pélvica................................................................................... 273

79. Veias da cavidade pélvica....................................................................................... 275


5

80. Linfáticos da cavidade pélvica................................................................................ 275


6

1.Introdução ao estudo da anatomia

1.1.Considerações gerais

A Anatomia Veterinária constitui o ramo da Morfologia que se imcube do estudo da


conformação e da estrutura dos animais, especialmente daqueles que, pelo seu valor
econômico, cientifico ou afetivo, são criados pelo homem. Ela tem caráter comparativo
e, para facilitar o seu estudo, adota-se comumente ema espécie padrão, a partir da qual
são feitas comparações com as demais espécies. Na UFU, adota-se como animal padrão
o ruminante (bovino, ovino e caprino), devido, entre outros fatores, à sua importância
econômica.

O estudo da Anatomia pode ser divido em duas partes: Anatomia Sistêmica e


Anatomia Topográfica. Na Anatomia Sistêmica, o organismo animal é estudado através
de seus sistemas ou aparelhos, isto é, conjuntos de órgãos de origem e estrutura
semelhantes e associados para exercerem determinadas funções. Ela compreende, assim,
vários ramos, como a Osteologia (estudo do esqueleto), a Miologia (estudo dos
músculos), a Esplancnologia (estudo das vísceras, incluindo os sistemas digestivo,
respiratório e genito-urinário), a Angiologia (estudo dos vasos), etc. Já a Anatomia
Topográfica focaliza-se uma determinada parte ou região do corpo, estudando-se em
conjunto todos os órgãos ou estruturas dos diferentes sistemas que aí se encontram e se
inter-relacionam. O conhecimento desta parte da Anatomia e de outro importante ramo
dela derivado, a Anatomia Aplicada, constitui, assim, fator indispensável no exercício
das técnicas de semiologia, clínica e cirurgia veterinária.

1.2.Nomenclatura Anatômica Veterinária

A Anatomia Veterinária, como as demais áreas da Morfologia, tem sua


linguagem própria. Essa linguagem, compreendendo o conjunto de termos empregados
para designar as inúmeras partes do organismo animal, constitui a Nomenclatura
Anatômica Veterinária (N.A.V.). Esta nomenclatura foi elaborada por uma comissão
internacional de anatomistas veterinários tendo como objetivo primordial padronizar os
termos anatômicos veterinários. Ela se propõe, assim, a solucionar o problema criado
pelo uso conflitante de nomenclaturas diversas, restritas a determinados países e até
mesmo a determinados autores. Sua primeira edição, depois de muitos e progressivos
autores, foi publicada em 1968, em Viena, sob o patrocínio da Associação Mundial dos
Anatomistas Veterinários. Seus princípios básicos são os seguintes:

• Cada estrutura anatômica, com reduzido número de exceções, é designada por


um único termo;

• Os termos, na lista oficial, são escritos em Latim, mas os anatomistas de cada


país têm liberdade de traduzi-los para a sua respectiva língua;

• Cada termo deve ser o mais curto e simples possível;


7

• Os termos devem ser fáceis de lembrar e deve também, antes de tudo, possuir
valores instrutivo e descritivo;

• As estruturas intimamente relacionadas do ponto de vista topográfico devem


possuir nomes semelhantes. Ex: artéria femoral, veia femoral e nervo femoral;

• Os termos derivados de nomes próprios (epônimos) devem ser abolidos. Ex:


tendão calcanhar comum, em vez de tendão de Aquiles.

1.3.Divisão do Corpo

O corpo dos animais é dividido em cinco partes: cabeça, pescoço, tronco,


membros e cauda. O tronco, por sua vez, é constituído de três segmentos contínuos –
tórax, abdome e pelve – e os membros dividem-se em torácicos (anteriores) e pelvinos
(posteriores). Em cada membro distinguem-se uma raiz, que se prende ao tórax ou à
pelve, e uma parte livre. No membro torácico, a raiz é constituída pela cintura escapular
e a parte livre divide-se em braço, cotovelo, antebraço e mão. No membro pelvino, a
raiz é representada pelo quadril e a parte livre compreende coxa, joelho, perna e pé.

1.4. Posição Anatômica

Para se evitar o uso de termos diferentes ao se descrever o corpo animal,


considerando-se que a posição pode ser variável, achou-se conveniente adotar uma
posição padrão, para que os pontos de referência se mantenham constantes. Esta é a
posição fundamental de descrição anatômica, que nos animais quadrúpedes ficou
estabelecida da seguinte maneira: o animal está de pé, com os quatro membros
estendidos e firmemente apoiados no solo; o pescoço está encurvado para cima,
formando um ângulo de cerca de 145° com o dorso; a cabeça mantém-se mais ou menos
ereta num plano horizontal, de modo que as narinas estejam voltadas para a frente e os
olhos para o horizonte.

1.5. Planos e eixos do corpo

Na posição de descrição anatômica, o corpo do animal, excluídos os membros,


pode ser delimitado por seis planos tangentes à sua superfície, os quais formam, com
suas intersecções, um paralelepípedo imaginário. Estes planos são os seguintes:

• Dois planos horizontais, um tangente ao dorso – plano dorsal - e outro ao ventre


do animal – plano ventral. Todos os planos paralelos a estes dois e que cortam o
corpo do animal são chamados planos frontais; estes planos são poucos
utilizados em medicina Veterinária.

• Dois planos verticais, cada um tangente a um lado do animal. São planos laterais
direito e esquerdo. Todos os planos que cortam o corpo do animal paralelamente
aos planos laterais são chamados de planos sagitais. Um deles, o plano sagital
mediano, passa pelo meio do animal, dividindo-o em metades ou antímeros
direito e esquerdo.
8

• Dois planos verticais, um tangente à cabeça – plano cranial – e outro à cauda –


plano caudal. Todos os planos que seccionam o corpo do animal paralelamente
aos planos cranial e caudal são chamados planos transversais.

Pode-se considerar ainda o corpo do animal como sendo atravessado por linhas
imaginárias ou eixos. Assim, temos um eixo sagital, disposto verticalmente e unindo o
centro do plano dorsal ao centro do plano ventral; um eixo longitudinal, que se estende
horizontalmente do centro do plano cranial ao centro do plano caudal e um eixo
transversal ou látero-lateral, disposto também horizontalmente, mas unindo entre si os
centros dos planos laterais direito e esquerdo.

1.6. Termos indicativos de posição e direção

Para facilitar a descrição das diferentes estruturas anatômicas, foram


convencionados certos termos que indicam a posição e direção destas estruturas. Os
principais termos são os seguintes:

1.6.1. Lateral, medial, intermédio e mediano

Os termos lateral e medial são utilizados para designar as faces de um órgão que
estejam voltadas, respectivamente, para os planos lateral e sagital mediano. Mas a
situação e posição dos órgãos são também indicados em função destes planos. Assim,
temos que um órgão próximo ao plano mediano é medial ou situa-se medialmente em
relação a outro que lhe fica lateralmente, isto é, mais próximo do plano lateral direito ou
esquerdo. O termo intermédio serve para designar uma posição intermediária entre um
órgão que lhe é lateral e outro que lhe é medial. Já o termo mediano é empregado para
os órgãos que ficam ao nível do plano sagital mediano, como por exemplo, as vértebras.

1.6.2. Cranial e caudal

Uma face, ou estrutura, ou órgão, é cranial quando está voltado para ou está mais
próximo do plano cranial, em relação a outro que lhe é caudal, isto é, que está voltado
ou mais próximo do plano caudal. Na mão e no pé, o termo cranial é substituído por
dorsal e o termo caudal por palmar, na mão, e plantar, no pé.

1.6.3. Dorsal, ventral e médio

Os termos dorsal e ventral são utilizados para designar faces ou órgãos que
estejam voltados ou mais próximos, respectivamente, dos planos dorsal e ventral. A
posição intermediária entre dorsal e ventral é designada como média.

1.6.4.

Os adjetivos externo e interno, utilizados para órgãos cavitários, indicam as suas


faces que estejam voltadas, respectivamente, para o exterior ou para o interior das
cavidades.
9

1.6.5. Superficial e profundo

Os termos superficial e profundo indicam posições, em órgãos ou regiões, que


estejam mais próximos e mais afastados, respectivamente, da superfície considerada.

1.6.6. Proximal e distal

Para os membros e outros órgãos apendiculares (orelhas, cauda, etc.), utilizam-


se os termos proximal e distal, conforme a parte considerada se encontre mais próximo
ou mais distante de sua raiz. São também utilizados para os segmentos e ramificações
de vasos e nervos em relação ao coração e ao sistema nervoso central, respectivamente.
È claro que, como nos demais casos, estes termos indicam uma posição relativa. Assim,
por exemplo, o rádio é distal em relação ao úmero, mas ao mesmo tempo é proximal em
relação ao carpo.

1.6.7. Axial e abaxial

Estes termos são utilizados para aquelas espécies em que o eixo funcional do
membro passa entre os dedos III e IV, como acontece nos ruminantes. Nestes casos, a
face do dedo que está voltada para o eixo é chamada axial e a face oposta, isto é,
afastada do eixo, denomina-se abaxial.

1.6.8. Rostral, superior e inferior

O termo rostral é utilizado para designar a posição e direção de estruturas


localizadas na cabeça, em substituição ao termo cranial, que, neste caso, torna-se
inconveniente. Os termos superior e inferior, largamente empregados na Anatomia
Humana, foram mantidos em alguns casos na Anatomia Veterinária. Como exemplo,
temos a designação das pálpebras e dos lábios, que, mesmo nos animais, devem ser
designados como superior e inferior.

2. Sistema Esquelético

2.1. Introdução ao estudo dos ossos

2.1.1. Conceito

O sistema esquelético dos animais domésticos é formado por ossos e cartilagens.


Em zoologia, este termo é empregado em sentido mais amplo, incluindo as estruturas
rígidas que revestem externamente o corpo de animais invertebrados ou mesmo de
alguns vertebrados. Os ossos são órgãos constituídos de vários tipos de tecidos, dentre
os quais sobressai-se o tecido conjuntivo especial denominado ósseo. As cartilagens
associadas aos ossos são predominantemente dos tipos fibroso e hialino. Alguns órgãos
do sistema esquelético são constituídos exclusivamente de cartilagens. Pormenores
acerca da organização microscópica dos ossos e cartilagens são estudados na área de
histologia. O termo osteologia, comumente usado, deriva da palavra grega osteon, que
10

significa osso e logos, que se refere a uma determinada parte do conhecimento. Os


termos latinos para osso são os, ossis, dos quais o adjetivo ósseo é derivado.

2.1.2. Divisão do esqueleto

O esqueleto pode ser dividido em esqueleto axial, esqueleto apendicular e


esqueleto visceral. O esqueleto axial compreende os ossos da cabeça, do pescoço e do
tronco. O esqueleto apendicular inclui os ossos dos membros torácicos e pelvinos. O
esqueleto visceral é constituído por alguns ossos que desenvolvem em determinadas
vísceras, como, por exemplo, o osso do coração do boi e o osso do pênis do cão. A
união entre os esqueletos axial e apendicular é feita por meio de cinturas. A cintura
escapular une o membro torácico ao tronco e a cintura pelvina une o membro pelvino ao
tronco.

2.1.3. Número de ossos

O número de ossos de um animal varia de acordo com a idade. O feto e os


animais jovens têm número maior que os adultos, pois, nestes últimos, alguns ossos
tendem a se fundir e, por conseguinte, a diminuir seu número total. Nos adultos, o
número de ossos também pode variar. Assim, em algumas espécies, tal como o carneiro,
o número de vertebras lombares pode ser 6 ou 7. O número de vertebras coccígeas é
bastante variável. Variações acentuadas no número de ossos são verificadas entre
diferentes espécies domésticas.

2.1.4. Tipos de ossos

Comumente, os ossos são classificados, quanto à sua forma, em longos, curtos,


planos e irregulares.

2.1.4.1. Ossos longos: são aqueles em que o comprimento é maior que a largura e a
espessura. Estes ossos têm em geral, forma cilíndrica e ocorrem nos membros. Os ossos
longos do membro torácico são o úmero, o rádio, a ulna, o metacárpico III e IV e as
falanges proximal e média. No membro pelvino, os ossos fêmur, tíbia, metatársico III e
IV e as falanges proximal e média são classificados como ossos longos. Cada osso
longo possui um corpo ou diáfise e duas extremidades ou epífises. Nos animais adultos,
a diáfise dos ossos longos é contínua com as epífises. Porém, nos jovens, ela está
separada das epífises por uma camada de cartilagem, em forma de disco, denominada
cartilagem epifisal. As epífises de um osso jovem crescem longitudinalmente nesta
cartilagem. A região da diáfise adjacente à cartilagem epifisal é mais larga que o
restante da diáfise. Ela é constituída pela zona de crescimento e por osso recém-formado
e denomina-se metáfise.

A parede da diáfise é constituída por substância compacta que delimita a


cavidade medular. Esta cavidade contém medula óssea vermelha, medula óssea amarela
ou ambas. As metáfises e epífises são constituídas por uma rede de trabéculas ósseas
interligadas e orientadas segundo as linhas de força que passam pelo osso. Esta malha
óssea é denominada substância esponjosa. Seus espaços estão também ocupados por
11

medula óssea. As superfícies externas das epífises e metáfises são revestidas por
delgada camada de tecido ósseo compacto denominado substância cortical. As
superfícies articulares dos ossos longos são revestidas por cartilagem hialina.

2.1.4.2. Ossos curtos: São aqueles em que as principais dimensões têm valores
aproximadamente iguais. São os ossos do carpo e do tarso. Suas superfícies articulares
são também revestidas por cartilagem hialina.

Os ossos sesamóides, encontrados próximo á inserção de determinados


músculos, são também considerados curtos. Eles servem para modificar a direção dos
tendões de alguns destes músculos.

2.1.4.3. Ossos planos: Os ossos planos têm duas dimensões principais, largura e
comprimento. Eles são constituídos de duas camadas de substância compacta separadas
por uma de substância esponjosa e medula óssea. A substância esponjosa de ossos
planos do crânio recebe a denominação de díploe. A escápula, o esterno e muitos ossos
do crânio são do tipo plano. Alguns destes ossos são tão finos que apresentam apenas
uma camada de substância compacta. As superfícies articulares são revestidas por
cartilagem hialina e, como em certos ossos do crânio, por tecido conjuntivo fibroso.

2.1.4.4. Ossos irregulares: Como o nome indica, são ossos de forma tal que não se
enquadram nos tipos anteriores. O osso do quadril, as vértebras e alguns ossos do crânio
são deste tipo. Sua estrutura é variável. Podem ser constituídos por substância esponjosa
envolvida por substância compacta ou ainda, dependendo da parte do osso considerado,
por substância compacta apenas.

2.1.4.5. Ossos pneumáticos: Alguns ossos do crânio possuem cavidades contendo ar.
Por esta razão, são classificados como pneumáticos e suas cavidades são denominadas
seios.

2.1.5. Contornos e acidentes ósseos

A superfície dos ossos apresenta áreas irregulares, com saliências e depressões.


Estes acidentes são melhor vistos em ossos preparados, dos quais foram removidas as
estruturas moles que os envolvem. Os acidentes dos ossos servem, na maioria das vezes,
como superfície de articulação com ossos vizinhos, como ponto de inserção de tendões
e ligamentos ou ainda são impressões deixadas pelo contato com outros órgãos.

As saliências articulares proeminentes são denominadas côndilo, cabeça,


capítulo, tróclea ou dente. Saliências ósseas que se prestam á inserção de tendões ou
ligamentos recebem diferentes deniminações, tais como túber, tubérculo, tuberosidade,
maléolo, trocanter, processo e epicôndilo. As saliências lineares são denominadas linha,
crista, espinha e promontório. Áreas lisas e planas na superfície óssea, articulares ou
não, são conhecidas como asa, tábula, ramo ou lâmina. Depressões, articulares ou não,
são denominadas cavidades, fossas, fossetas ou fóveas. Fissuras, incisuras, sulco, colo,
arco e canal são termos que indicam os vários tipos de depressões não articulares
encontradas nos ossos.
12

Um buraco no osso é denominado forame e, geralmente, ele dá passagem a um


vaso sanguíneo.

2.1.6. Perióstio e endósteo

O perióstio é uma membrana conjuntiva que reveste os ossos, exceto nas


superfícies articulares. Ele é constituído por uma camada externa fibros e uma camada
interna mais celularizada, com capacidade osteogênica. Durante o crescimento do
animal, a camada interna é bastante desenvolvida. O endósteo é uma membrana
conjuntiva delgada que reveste a superfície interna da substância compacta. O periósteo
das extremidades das epífises continua-se com a cápsula articular. Ele se presta também
à inserção de tendões. O periósteo recebe abundante inervação sensitiva. Os impulsos aí
originados são principalmente dolorosos.

2.1.7. Vascularização e inervação

Ossos são órgãos muito vascularizados. Eles recebem sua nutrição por meio de
vasos periostais, vasos das articulações e vasos provenientes da medula óssea. Os vasos
do periósteo originam-se de artérias que correm próximas a ele. Eles distribuem-se tanto
no periósteo quanto na substância compacta. As epífises recebem nutrição
principalmente de vasos que suprem as articulações. A cavidade medular, especialmente
a dos ossos longos, recebe nutrição por meio da artéria nutrícia. Este vaso penetra no
forame nutrício do osso, localizado na diáfise, atravessa a substância compacta e
distribui-se na medula óssea e na própria substância compacta. Os nervos alcançam os
ossos acompanhando os vasos sanguíneos. Eles são sensitivos e vasomotores. Os
impulsos sensitivos são principalmente dolorosos.

2.2. Ossos do membro torácico

2.2.1. Introdução

Os ossos do membro torácico dos ruminantes domésticos estão localizados nos


seguintes segmentos: cintura escapular, braço, antebraço e mão. A cintura escapular está
reduzido a um só osso, a escápula. No homem, a cintura escapular apresenta a clavícula.
A união entre o tronco e o membro torácico é feita por intermédio de vários músculos.
O braço tem por base óssea o úmero. No antebraço estão localizados o rádio e a ulna. A
mão engloba os ossos do carpo, do metacarpo e dos dedos. Estes últimos são formados
pelas falanges e ossos sesamóides.

2.2.2. Escápula

A escápula é um osso plano, triangular, que está preso obliquamente à porção


cranial da parede torácica, por meio de diversos músculos. Distalmente ela articula-se
com o úmero.

A face lateral da escápula está dividida por uma saliência alongada, a espinha da
escápula, em fossas supra-espinhal e infra-espinhal. A fossa supra-espinhal situa-se
13

cranialmente à espinha da escápula. É pequena, estreita e estende-se, distalmente até a


metade do osso. Está ocupada pelo músculo supra-espinhal. A fossa infra-espinhal é a
mais longa e larga das duas; situa-se caudalmente à espinha da escápula e aloja o
músculo infra-espinhal. A espinha da escápula é bastante saliente nos ruminantes. Ela
dispõe-se paralelamente ao eixo longitudinal do osso e sua metade proximal é
encurvada para trás. A borda livre da espinha apresenta, em seu terço médio, uma
eminência rugosa denominada túber da espinha; sua extremidade distal, o acrômio, é
saliente e ponteaguda.

A face medial da escápula é ligeiramente côncava e está aplicada ao tórax. A


fossa subescapular ocupa quase toda a sua extensão, com exceção de uma área rugosa
na porção proximal, na qual se origina o músculo serrátil ventral. A fossa subescapular é
ocupada pelo músculo subescapular.

A extremidade distal da escápula constitui o ângulo ventral, o qual apresenta


uma superfície lisa, oval e côncava, a cavidade glenóide, para articulação com a cabeça
do úmero. O tubérculo supraglenoidal, de onde se origina o músculo bíceps, é uma
saliência rugosa situada cranialmente, um pouco acima da cavidade glenóide. Da porção
medial do tubérculo destaca-se o processo coracóide, do qual se origina o músculo
coracobraquial.

O forame nutrício da escápula situa-se mais comumente no terço distal da face


lateral, próximo à borda caudal. A cartilagem da escápula apresenta forma de meia-lua e
está unida à borda dorsal da escápula. Ela representa a porção cartilaginosa da escápula
fetal que não se ossificou.

2.2.3. Úmero

É o osso do braço. Articula-se, proximalmente, com a escápula e, distalmente,


com o rádio e a ulna. Ele é constituído de corpo e duas extremidades, proximal e distal.

A extremidade proximal é constituída por cabeça, colo, tubérculo maior,


tubérculo menor e sulco intertubercular. A cabeça tem a forma aproximada de uma
calota achatada, voltada para cima e para trás e se articula com a cavidade glenóide da
escápula. Nos bovinos, a cabeça está separada dos tubérculos e do sulco intertubercular
por uma área rugosa, na qual se situam pequenos forames. No cabrito e no carneiro, a
transição entre estas estruturas é feita suavemente, sem a presença de forames. O colo é
bem definido somente na face caudal. O tubérculo maior é uma grande massa óssea,
situada na borda lateral da extremidade proximal do úmero e constitui a parede lateral
do sulco intertubercular. O úmero dos bovinos apresenta, logo abaixo do tubérculo
maior, uma área circular, na qual se insere o tendão do musculo infra-espinhal,
denominada face do músculo infra-espinhal. Esta área no carneiro e no cabrito não está
bem delimitada. O tubérculo menor forma a parede medial do sulco intertubercular. O
sulco intertubercular aloja o tendão do músculo bíceps.
14

O corpo do úmero apresenta faces cranial, caudal, lateral e medial. A face lateral
é lisa e está ocupada quase totalmente por uma depressão larga e lisa, denominada sulco
do músculo braquial, no qual se aloja o musculo braquial. A face medial apresenta
próximo ao terço médio, uma área rugosa, irregular, a tuberosidade redonda maior, onde
se insere o músculo redondo maior. A face caudal do úmero é lisa e ocupada, em parte,
pelo sulco do músculo braquial. A crista do úmero corre distalmente no corpo do
úmero, no sentido lateromedial e termina na fossa radial. Em sua porção inicial, a crista
do úmero apresenta a tuberosidade deltoidea. Nesta tuberosidade insere-se o músculo
deltoide. A face cranial é curta, sem acidentes importantes.

A extremidade distal é representada pelo côndilo, que é formado por capítulo,


tróclea, fossa radial e fossa do olecrano. O capítulo e a tróclea formam a superfície
articular da extremidade distal do úmero. O capítulo é estreito e situa-se lateralmente à
tróclea. Na face cranial da extremidade distal e acima da tróclea existe uma depressão
rugosa, a fossa radial. Na face caudal encontra-se a fossa do olecrano, bem mais
profunda que a radial; aloja o olecrano, que é uma saliência da ulna. Os epicôndilos,
lateral e medial, são duas eminências não-articulares situadas a cada lado do côndilo. O
epicôndilo lateral é saliente e dá origem aos músculos extensores do carpo e dos dedos.
O epicôndilo medial é menor que o lateral e dá origem aos músculos flexores do carpo e
dos dedos. O forame nutrício do úmero está situado em seu terço médio.

2.2.4. Rádio e Ulna

O rádio é o mais volumoso e o mais cranial dos dois ossos do antebraço.


Articula-se proximalmente com o úmero, distalmente com o carpo e caudalmente com a
ulna. Nos bovinos ele está distalmente obliquamente, de modo que sua extremidade
proximal está mais afastada do plano mediano que a distal. O rádio é constituído de
cabeça, colo, corpo e tróclea.

A tuberosidade do rádio é uma eminência pouco saliente. Que se encontra na


porção craniomedial do colo. Nos pequenos ruminantes, ela é relativamente mais
evidente e localiza-se no corpo do rádio, um pouco abaixo do colo. A tuberosidade do
rádio dá inserção ao tendão do músculo bíceps. A face caudal da extremidade proximal
do rádio apresenta facetas para articulação com a ulna. No animal adulto, esta face
funde-se com a face adjacente da ulna.

O corpo tem faces cranial e caudal, separadas pelas bordas lateral e medial. Estas
bordas são lisas e não apresentam acidentes de importância. A face cranial é lisa e
plana. A face caudal apresenta-se, no bovino, percorrida por sulcos. Parte desta face está
aderida à ulna. Em duas áreas da face caudal não há contato entre o rádio e a ulna. Aí se
formam os espaços interósseos, proximal e distal.

O forame nutrício situa-se ao nível da borda lateral, no espaço interósseo


proximal e está voltado para a extremidade distal.
15

A extremidade distal ou tróclea do rádio é convexa. Sua porção lateral está


fundida à extremidade distal da ulna. A face articular cárpica da tróclea apresenta três
facetas dispostas obliquamente para a articulação com os ossos cárpicos. A face cranial
da tróclea, ligeiramente rugosa, apresenta dois sulcos rasos limitados por três cristas. O
sulco lateral dá passagem aos tendões dos músculos extensor do dedo III e extensor
comum dos dedos. O medial aloja o tendão do músculo extensor radial do carpo.

A ulna é um osso longo, com a extremidade proximal mais desenvolvida que o


restante. Ela apresenta duas extremidades e um corpo.

A extremidade proximal inclui o olecrano, a incisura troclear e a incisura radial.


O olecrano é a porção que se projeta para cima e para trás. Sua superfície é tuberculada
(túber do olecrano) e dá inserção ao músculo tríceps. A face cranial da extremidade
proximal apresenta a incisura troclear (a proximal) e a incisura radial (a distal). A
Incisura troclear tem forma semilunar e articula-se com a tróclea do úmero. A incisura
radial está em contato com a face caudal da extremidade proximal do rádio e,
geralmente, encontram-se fundidas. A incisura radial possui três facetas articulares para
articulações com o rádio. Somente a extremidade proximal da ulna possui cavidade
medular.

O corpo da ulna é alongado e está fundido ao rádio e apresenta o processo


estiloide, que se projeta distalmente, articulando-se com o osso ulnar do carpo. Nos
pequenos ruminantes, o processo estiloide articula-se também com o osso acessório do
carpo.

2.2.5. Carpo

O carpo é constituído de seis ossos curtos dispostos em duas fileiras, proximal e


distal. A fileira proximal articula-se com as extremidades distais do rádio e da ulna. A
fileira distal articula-se com a fileira proximal e com o osso metacárpico III e IV.

Quatro ossos compõem a fileira proximal e recebem, no sentido mediolateral,


respectivamente, a denominação de radial do carpo. Dois ossos apenas formam a fileira
distal e são, no mesmo sentido, o cárpico II e III e o cárpico IV. O cárpico I é
inexistente nos ruminantes.

Os ossos do carpo articulam entre si e apresentam, em consequência, várias


facetas articulares. No bovino, o acessório do carpo possui apenas uma faceta para
articulação com o ulnar do carpo. No carneiro e no cabrito, ele apresenta, além desta,
outra faceta para articulação com o processo estiloide da ulna. A superfície dorsal do
carpo é plana e a superfície palmar é ligeiramente côncava e irregular. A concavidade
constitui o sulco do carpo, que dá passagem aos tendões dos músculos flexores.

2.2.6. Metacarpo

Apenas um osso metacárpico completamente desenvolvido está presente nos


ruminantes domésticos. Este é o metacárpico III e IV, constituído pelos metacárpico III
16

e o metacárpico IV que se fundiram durante a vida fetal. Vestígios desta fusão são os
sulcos longitudinais, dorsal e palmar, existentes na superfície deste osso. Um outro
osso, o metacárpico V, é pequeno, rudimentar e estiloide. Nos bovinos é constante e se
apresenta articulado ao metacárpico III e IV. Nos pequenos ruminantes, o metacárpico
V pode apresentar-se como um pequeno e delgado osso, pode estar fundido ao
metacárpico III e IV, formando uma crista, ou pode ainda estar ausente. Nos bovinos, o
metacárpico II está fundido ao metacárpico III e IV, aparecendo em forma de crista. É
pouco constante nos pequenos ruminantes.

O metacárpico III e IV é um osso longo e apresenta base, corpo e cabeça. A base


ou extremidade proximal articula-se com a fileira distal dos ossos do carpo, por meio de
duas facetas articulares ligeiramente côncavas. Observa-se nos bovinos e, as vezes, nos
pequenos ruminantes, uma faceta para articulação com o metacárpico V na face palmar
do ângulo lateral da base. A porção dorso medial da base apresenta a tuberosidade
metacárpica, na qual se prende o tendão de inserção do músculo extensor radial do
carpo.

O corpo apresenta contorno elíptico. A face dorsal é convexa transversalmente e


possui o sulco longitudinal dorsal, que é pouco manifesto nos ovinos e caprinos. Este
sulco liga os canais proximal e distal do metacarpo, que dão passagem às artérias
perfurantes proximal e distal, respectivamente. O canal proximal é menos desenvolvido
que o distal e, às vezes, falta. A face palmar é plana na sua maior extensão, sendo
ligeiramente côncava no terço proximal. Tal como a face dorsal, apresenta um sulco
longitudinal palmar, porém bem mais discreto.

A extremidade distal, ou cabeça, articula-se com as primeiras falanges e com os


quatro ossos sesamóides proximais. Está dividida pela profunda incisura intertroclear
em duas trócleas, medial e lateral. Cada tróclea apresenta uma crista, bastante
proeminente no carneiro e no cabrito, que a divide em duas superfícies
aproximadamente iguais. A cavidade medular do metacárpico III e IV está dividida, por
um septo longitudinal, em duas partes. Nos adultos, este septo é geralmente incompleto
no terço médio do osso.

2.2.7. Falanges

Os ruminantes domésticos possuem quatro dedos. O terceiro e o quarto são


completamente desenvolvidos e possuem cada um, três falanges com três ossos
sesamóides. O segundo e o quinto, também denominados paradígitos, são rudimentares
e possuem um ou dois pequenos ossos que não se articulam com os ossos da mão e, por
isto, não são vistos nos esqueletos.

A falange proximal articula-se com o metacárpico III e IV, a falange distal


possui a extremidade distal livre a falange média situa-se entre as duas. As falanges
proximal e média possuem base, que está voltada para cima, corpo e cabeça.
17

A falange proximal é um osso longo, possuindo cavidade medular. A base é


mais larga do que a cabeça e apresenta duas facetas côncavas, separadas por um sulco
para articulação com a tróclea correspondente do metacárpico III e IV. Apresenta ainda,
caudalmente, duas pequenas facetas planas para articulação com os dois sesamóides
proximais e, logo abaixo daquelas, dois tubérculos separados por um largo sulco. O
corpo apresenta duas faces, dorsal e palmar. A cabeça é formada por uma tróclea, que se
articula com a base da falange média. Ela apresenta duas pequenas facetas e um sulco.

A falange média é um osso curto, cuja cavidade medular está bastante reduzida.
Sua base apresenta duas facetas côncavas para o tróclea da falange proximal. Na face
palmar apresentam dois tubérculos que, nos bovinos, são mais desenvolvidos que os da
falange proximal, especialmente os abaxiais. A cabeça é representada por uma tróclea
para articulação com a falange distal, semelhante aquela da falange proximal.

A falange distal difere das outras duas, apresentando quatro faces e três ângulos.
A face solear apoia-se no solo por meio do casco; é lisa, lanceolada, com a extremidade
aguda voltada para frente e ligeiramente para dentro. A face parietal, ou abaxial, é
convexa. Esta face apresenta inúmeros forames. Os dois maiores estão localizados nos
ângulos caudal e proximal, respectivamente, e conduzem a um canal no interior do osso.
A face axial é aquela voltada para o espaço interdigital. É ligeiramente côncava e possui
vários forames; os dois maiores têm localização variável e também se comunicam com
um canal dentro do osso. A face articular apresenta-se dividida em duas partes por meio
de uma crista e articula-se com a falange média. Uma faceta, situada caudalmente à face
articular, serve para articulação com o osso sesamóide distal.

2.2.8. Ossos sesamóides

São pequenos ossos ovoides relacionados com as faces palmares das articulações
metacarpofalângica distal. Nos ruminantes domésticos, existem quatro sesamóides
proximais, dois para cada dedo, articulados com a cabeça do metacárpico III e IV e com
a base da falange proximal. Em cada dedo existe um sesamóide distal, que é alongado
no sentido transversal e se articula com a cabeça da falange média e com a falange
distal.

2.3. Coluna vertebral, costelas, cartilagens costais e esterno

A coluna vertebral é constituída por uma cadeia de ossos ímpares, irregulares,


situados no plano mediano desde o crânio até a cauda e denominados vertebras. A
coluna vertebral é subdividida em cinco regiões, de acordo com a parte do corpo do
animal: cervical, torácica, lombar, sacral e caudal (coccígea). As vértebras são unidades
independentes, exceto na região sacral, onde se encontram fundidas para formar o osso
sacro. São articuladas às vizinhas por meio do disco intervertebral e possuem um
pequeno grau de movimento, o que confere à coluna vertebral certa mobilidade. O
número de vértebras é variável, com exceção da região cervical, onde é constante em
todos os mamíferos domésticos. A tabela abaixo indica o numero de vertebras de cada
região e suas variações nos animais domésticos.
18

Tabela 01: Número de vertebras dos animais domésticos, segundo a espécie


animal e as regiões da coluna.

Animal Cervical Torácica Lombar Sacral Coccígea

Boi..........................7.....................13.........................6......................4-5..................18-20

Cabrito...................7.....................13.........................6.......................4....................11-13

Carneiro................7.....................13........................6-7.....................4....................16-24

Cavalo...................7.....................18.........................6.......................5....................17-20

Porco.....................7..................14-15.....................6-7......................4....................20-23

Cão........................7......................13........................7........................3....................20-22

Gato......................7......................13........................7........................3.....................20-24

Coelho..................7......................12........................7........................4.....................14-16

2.3.1. Características gerais das vertebras

Uma vértebra típica consiste de corpo, arco vertebral e vários processos para
inserções musculares e ligamentos. O corpo é a parte da vértebra que dá resistência à
coluna vertebral; é mais ou menos cilíndrico e nele se prendem outras partes da
vértebra. Os corpos de vertebras vizinhas são unidos pelo disco intervertebral. A cabeça
constitui a extremidade cranial do corpo, enquanto a extremidade caudal apresenta uma
depressão, a fossa da vértebra. A face dorsal do corpo é plana e forma o assoalho do
forame vertebral. A face ventral é lisa, relaciona-se com músculos e outras estruturas e
apresenta, medianamente, uma crista ventral.

Dorsalmente ao corpo está o arco, o qual constitui as paredes dorsolaterais do


forame vertebral. O conjunto de forames vertebrais constitui o canal vertebral, que aloja
e protege a medula espinhal. Embriologicamente, o arco vertebral é formado de duas
metades, as quais são constituídas por pedículo e lâmina. Cada pedículo forma a parede
lateral do arco e está unido ao corpo da vértebra. A lâmina se une com a do lado oposto,
completando dorsalmente o arco vertebral. O espaço limitado dorsalmente pelos arcos
de duas vértebras adjacentes é denominado espaço interarcual. Nas transições occípito-
atlântica, lombos-sacral e sacrococcígea, este espaço é amplo e utilizado para
introdução de agulhas dentro do canal vertebral.

O arco apresenta, nas bordas cranial e caudal dos pedículos, duas reentrâncias, as
incisuras vertebrais cranial e caudal, respectivamente. As incisuras de duas vértebras
adjacentes delimitam uma abertura, o forame intervertebral, para passagem de nervos e
19

vasos espinhais. Em alguns casos forames completos em lugar de incisuras, como por
exemplo, nas vértebras lombares.

De cada arco vertebral projeta-se dorsalmente o processo espinhoso, que varia


conforme a região e atinge grande desenvolvimento nas vértebras torácicas. Nos
processos espinhosos inserem-se músculos e ligamentos. De cada lado do corpo da
vértebra originam-se os processos transversais, os quais se projetam lateralmente. Na
região cervical, quase todos os processos transversais estão perfurados em sua base pelo
forame transversal, que aloja a artéria e nervos vertebrais. Na região torácica, eles
apresentam superfícies articulares, as fóveas costais transversais, para articulação com
as costelas. Nas bordas cranial e caudal do arco vertebral encontram-se superfícies lisas
denominados processos articulares. Eles articulam-se com seus correspondentes de
vértebras adjacentes.

2.3.2. Vértebras cervicais

2.3.2.1. Atlas – O atlas é a primeira vértebra cervical. É uma vértebra atípica,


desprovida de corpo e processo espinhosos. No lugar do corpo aparecem duas massas
laterais unidas por dois arcos, um dorsal e outro ventral.

O arco dorsal é delgado e apresenta medianamente o tubérculo dorsal. Está


escavado por uma larga incisura em sua borda cranial e uma incisura menor em sua
borda caudal. O arco ventral é mais espesso e apresenta ventralmente, o tubérculo
ventral. A face dorsal deste arco forma o assoalho do forame vertebral e, próximo à sua
borda caudal, aparecem duas áreas lisas, as quais constituem a fóvea do dente, para
articulação com o dente do áxis. Cranialmente a esta fóvea, observa-se uma fossa
rugosa, que presta inserção ao ligamento do dente do áxis.

As massas laterais apresentam cranialmente, duas concavidades, as fóveas


articulares craniais, que se articulam com os côndilos do occipital. Caudalmente, as
massas laterais apresentam as fóveas articulares caudais para articulação com o áxis.
Estas são planas e lisas e continuam-se para dentro do canal com a fóvea do dente.

No atlas, os processos transversais estão representados por duas asas, lâminas


ósseas que se projetam lateralmente das massas laterais. Na face dorsal da asa, próximo
à sua borda cranial, observa-se uma fosseta, na qual se abrem: medialmente, o forame
vertebral lateral, que dá passagem ao primeiro nervo cervical; lateralmente abre-se o
forame alar. Este último conduz vasos à medula e à vértebra. Na face ventral da asa,
observa-se uma depressão, a fossa do atlas, na qual se abre o forame alar. Os ruminantes
não possuem forame transversal na asa do atlas, ao contrário do que ocorre em outras
espécies domésticas.

2.3.2.2. Áxis – O áxis é a mais longa das vertebras cervicais. Caracteriza-se por
apresentar o dente, que se projeta cranialmente do corpo. O dente tem a forma
aproximada de um hemicilindro. Ele articula-se com o arco ventral e com a face interna
das massas laterais do atlas. A face dorsal do dente é rugosa para inserção do ligamento
20

do dente. Os processos articulares craniais estão bastante modificados e estendem-se


lateralmente ao dente. Articula-se com as fóveas articulares caudais das massas laterais
do atlas. A extremidade caudal é idêntica à da vértebra típica. Possui a fossa vertebral
para articulação com a cabeça da 3ª vértebra cervical. Os processos articulares caudais
são bastante desenvolvidos. A face ventral é semelhante à das demais vértebras da
região e apresenta a crista ventral bem manifesta, com um tubérculo proeminente na sua
extremidade caudal. O processo espinhoso é uma lâmina espessa e perpendicular ao
corpo. Caudalmente é mais alto e apresenta um tubérculo rugoso. Os processos
transversais são pontiagudos, dirigem-se para trás, para cima e para fora. O forame
vertebral lateral é desenvolvido, situado próximo à borda cranial do pedículo e dá
passagem ao 2º nervo cervical. O forame transversal abre-se ventralmente ao forame
vertebral lateral e pode faltar em alguns casos.

2.3.2.3. Terceira à sétima vértebras cervicais- As cinco últimas vértebras cervicais


apresentam aproximadamente os mesmos caracteres morfológicos. A sexta e a sétima
vértebras possuem particularidades próprias, sem, contudo fugir do padrão da região. A
terceira, quarta e quinta vértebras são cuboides e seus corpos diminuem de comprimento
à medida que se distanciam na coluna. A crista ventral é menos cortante e termina
sempre em um tubérculo que se projeta caudalmente. O arco é largo, forte e bastante
regular. As incisuras vertebrais são bem marcadas. O processo espinhoso é proeminente,
dirige-se cranialmente, é bífido na 3ª e 4ª vértebras e pontiagudo na 5ª. Uma lâmina
óssea une o pedículo do arco ao processo transversal, delimitando o forame transversal,
que é de diâmetro muito amplo. O processo transversal é robusto, dirige-se para trás,
para o lado e para cima. Projetando-se do corpo para frente e para baixo, observa-se na
3ª, 4ª e 5ª o processo costal.

A sexta cervical é mais curta que as procedentes. O arco é mais largo que o das
anteriores devido à intumescência da medula espinhal neste ponto. Os processos
articulares de um mesmo lado estão unidos por uma crista óssea muitas vezes
incompleta. O processo espinhoso é muito desenvolvido, pontiagudo e dirigido
cranialmente. Os processos costais estão representados por largas lâminas ósseas. A
sétima vértebra cervical caracteriza-se por apresentar a fóvea costal para articulação
com a cabeça da primeira costela. O processo espinhoso é mais longo que o da vértebra
precedente. A fóvea para articulação com cabeça da 1ª costela situa-se a cada lado do
extremo caudal do corpo. Nos bovinos, o processo transversal desta vértebra assemelha-
se ao da sexta vértebra e o processo costal falta. Nos pequenos ruminantes, o processo
transversal projeta-se dorsocaudalmente e o processo costal é pouco desenvolvido. O
forame transversal falta em todos os ruminantes nesta vértebra.

2.3.3. Vértebras torácicas

Existem 13 vértebras torácicas nos ruminantes domésticos. Em casos raros,


pode-se encontrar 12 ou 14. As vértebras torácicas caracterizam-se por possuir fóveas
para articulação com as costelas e processos espinhosos bastante desenvolvidos. O
corpo das vértebras torácicas é relativamente longo, principalmente nos bovinos. A cada
21

lado das extremidades do corpo, encontram-se as fóveas costais craniais e costais


caudais. As fóveas costais de vértebras adjacentes formam, juntamente com o disco
intervertebral, uma cavidade articular para a cabeça das costelas. A última vértebra
torácica não possui as fóveas costais caudais. Os processos articulares estão reduzidos a
simples facetas articulares em quase todas as vértebras torácicas.

Os processos transversais são curtos e grossos. A extremidade livre do processo


transversal apresenta uma superfície articular para o tubérculo da costela, a fóvea costal
transversal.

Os processos espinhosos são bastante desenvolvidos. Os da 3ª e 4ª vértebras são,


geralmente, os mais altos e os subsequentes decrescem sucessivamente. São dirigidos
no sentido caudal; o processo espinhoso da ultima vértebra torácica dos bovinos e da
penúltima dos pequenos ruminantes é dirigido verticalmente. Alguns autores dão a esta
vértebra o nome de anticlinal. Nos bovinos jovens, as extremidades livres dos processos
espinhosos das primeiras vértebras torácicas são cartilaginosas.

Nos bovinos, as incisuras vertebrais caudais são fechadas, constituindo um


forame vertebral lateral, que dá passagem a uma veia. Os forames intervertebrais dão
passagem aos nervos espinhais torácicos.

Os espaços interarcuais torácicos nos bovinos não existem, devido à


superposição dos arcos vertebrais. Nos pequenos ruminantes, os dois últimos espaços
interarcuais são presentes.

2.3.4. Vértebras lombares

As vértebras lombares são em número de seis, contando-se sete em 50% dos


ovinos. Caracterizam-se pelo seu processo transversal muito desenvolvido. Apresentam
ainda os seguintes caracteres: o corpo é longo, arqueado ventralmente e mais largo nas
extremidades.

O arco das vértebras lombares aumenta progressivamente em altura e largura à


medida que se distancia na região. Isto se explica pelo fato de a medula espinhal
apresentar, neste ponto, outra intumescência. As incisuras vertebrais são profundas,
notadamente as caudais, onde muitas vezes, nas duas ou três primeiras vértebras, um
septo ósseo chega a convertê-las em forames vertebrais laterais.

Os processos articulares craniais são tuberosos e suas facetas são muito


côncavas, estando voltadas para o plano mediano. Projetando-se da face lateral de cada
processo articular cranial, nota-se uma pequena saliência ponteaguda, o processo
mamilar. O processo mamilar dirige-se craniolateralmente e decresce de tamanho da
primeira para a última vértebra. Os processos articulares caudais emergem da base do
arco. Suas facetas articulares são convexas ventralmente e côncavas dorsalmente, de
maneira a apresentar o perfil em “S”.
22

Os processos transversais estendem-se lateralmente a partir do pedículo do arco.


São lâminas horizontais dirigidas ligeiramente para frente. Seu comprimento aumenta
até a 5ª. Os da 6ª vértebra são menores, mais espessos, ponteagudos e mais encurvados
cranialmente. O processo espinhoso é laminar e quadrilátero.

2.3.5. Sacro

O sacro é formado por vértebras fundidas, em número de 4 ou 5 nos bovinos e 4


nos ovinos e caprinos. Variações destes números podem ser encontradas. O sacro
articula-se cranialmente com a última vértebra lombar, caudalmente com a 1ª coccígea e
lateralmente com o osso do quadril.

Sua face dorsal é bastante irregular. Os processos espinhosos estão fundidos e


constituem a crista sacral mediana. A crista sacral intermédia resulta da união dos
processos articulares; é saliente e corre dorsalmente aos forames sacrais dorsais. Estes
são 4 pares e variam de tamanho. No entanto, o último é sempre o maior deles. Os
forames sacrais dorsais dão passagem aos ramos dorsais dos nervos sacrais. A crista
sacral lateral é formada pelas extremidades livres soldadas dos processos transversais.

O canal vertebral percorre longitudinalmente o sacro com o nome de canal


sacral. Seu contorno é triangular, sendo mais amplo cranialmente. Comunica-se com os
forames sacrais dorsais e com os sacrais pelvinos através dos forames intervertebrais.

A face ventral ou pelvina é lisa. É cruzada por linhas transversais que indicam os
limites dos corpos vertebrais. Lateralmente, apresenta os 4 pares de forames sacrais
pelvinos, que são maiores que seus correspondentes da face dorsal e dão passagem aos
ramos ventrais dos nervos sacrais.

A base ou extremidade cranial é larga e apresenta, na parte central, a cabeça do


primeiro segmento. O promontório sacral é a saliência constituída pelas faces ventrais
da extremidade caudal da última vértebra lombar, do disco intervertebral e da
extremidade cranial do sacro.

2.3.6. Vértebras coccígeas ou vértebras caudais

As vértebras coccígeas diminuem progressivamente de tamanho devido à


redução de seus processos espinhosos e transversais. As 5 ou 6 primeiras possuem arco
completo e da face ventral de seus corpos projetam-se os processos hemais. Estes
delimitam o arco hemal, pelo qual passam vasos sanguíneos. As últimas vértebras
coccígeas tem a forma de cilindro.

2.3.7. Costelas e cartilagens costais

Os ruminantes domésticos apresentam 13 pares de costelas; entretanto, pode-se,


em alguns casos, encontrar 14 pares. As costelas são ossos alongados que formam o
arcabouço da parede torácica e dão proteção aos órgãos da cavidade torácica e parte dos
órgãos abdominais. Articulam-se dorsalmente com as vértebras correspondentes e
23

ventralmente com as cartilagens costais. As 6ª, 7º e 8ª costelas destacam-se por sua


maior largura. As três primeiras costelas dos bovinos são aproximadamente retas,
enquanto que as restantes são ligeiramente curvas. As costelas dos pequenos ruminantes
são, em geral, mais curvas do que as dos bovinos.

As 8 primeiras costelas unem-se ao esterno por meio de respectivas cartilagens


costais. São denominadas, por isto, costelas verdadeiras ou esternais. As restantes são
chamadas falsas ou asternais, porque não se prendem ao esterno. Nos ovinos, a 13ª
costela apresenta uma pequena cartilagem costal, que possui sua extremidade distal
livre.

As costelas são constituídas de cabeça, colo, tubérculo e corpo. A cabeça das


costelas apresenta-se como uma saliência arredondada, que se prende ao corpo por um
colo bastante nítido. Ela possui uma face articular convexa, dividida por um sulco e
articula-se com as fóveas costal caudal e costal canial de vértebras adjacentes. A cabeça
e o colo formam com o corpo um ângulo reto, nas primeiras 7 costelas dos bovinos e
nas 3 primeiras dos pequenos ruminantes Nas costelas restantes, este ângulo aumenta
gradativamente, até que, na ultima costela, a cabeça e colo continuam-se com o corpo,
sem limite nítido de separação. As costelas apresentam, ao nível da união entre o colo e
o corpo, uma eminência denominada tubérculo da costela. Os tubérculos são
desenvolvidos nas primeiras costelas, diminuindo de tamanho em sentido caudal. Os
tubérculos apresentam uma faceta que se articula com as fóveas costais transversais das
vértebras correspondentes. O corpo constitui a maior parte da costela. A face lateral do
corpo é lisa e convexa. A face medial é lisa, côncavas e apresenta um sulco próximo á
borda caudal. Este sulco aloja artéria, veia e nervo intercostais e apresenta um ou dois
forames nutrícios, próximo ao tubérculo costal. No bovino, a extremidade distal da 2ª à
11ª costelas possui uma cavidade articular côncava para a respectiva cartilagem costal.

As cartilagens costais são segmentos de cartilagem hialina, que estão ligados à


extremidade distal das costelas e, no caso das costelas esternais, ao esterno. Nas costelas
asternais as cartilagens costais terminam em ponta e estão coladas às vizinhas,
constituindo o arco costal. As cartilagens costais ossificam-se nos animais adultos. As
extremidades distais das cartilagens costais das costelas esternais apresentam facetas
articulares para articulação com o esterno.

2.3.8. Esterno

O esterno é um osso plano, que constitui a parede óssea ventral do tórax. Ele é
formado por 7 segmentos ósseos denominados esternébras, as quais estão unidas por
cartilagens interesternebrais.

O manúbrio constitui a esternébra mais cranial, estando unido ao restante do


esterno por uma juntura sinovial. Nos pequenos ruminantes, esta articulação, em muitos
casos, reduz-se a uma sincondrose, que pode permanecer mesmo nos indivíduos idosos.
Sua extremidade cranial é arredondada e recoberta por uma camada de cartilagem
hialina, a cartilagem do manúbrio, que às vezes, pode faltar. O manúbrio apresenta uma
24

incisura para articulação com a primeira cartilagem costal. Nos ovinos, esta incisura é
dupla.

O corpo do esterno é a maior porção deste osso. Apresenta 5 estérnebras


bastante largas e achatadas no sentido dorsoventral. A primeira esternébra do corpo
possui forma mais ou menos piramidal, cuja face articula-se com o manúbrio. As
esternébras restantes do corpo alargam-se no sentido caudal, de modo que ele apresenta,
no seu conjunto, uma forma mais ou menos triangular. As esternébras unem-se às
vizinhas por meio de uma lâmina de cartilagem hialina. Estas sincondroses esternais
tendem a ossificar-se no adulto, tornando o corpo uma peça óssea única. O corpo
apresenta, de cada lado, 7 incisuras costasi.

A última esternébra constitui o processo xifoide, no qual se prende a cartilagem


xifóidea. O processo xifoide é achatado e de forma mais ou menos triangular. Sua base
une-se á última esternébra do corpo. O ápice é dirigido caudalmente e presta-se à
inserção da cartilagem xifóidea. Esta última é bastante desenvolvida nos ruminantes; é
laminar e de forma aproximadamente ovóide.

2.4. Ossos do membro pelvino

2.4.1. Introdução

O membro pelvino dos ruminantes domésticos é constituído de quatro


segmentos: cintura pelvina, coxa, perna e pé. A cintura pelvina compreende o osso do
quadril. A coxa é constituída de apenas um osso, o fêmur. A perna tem como base óssea
a tíbia, além da fíbula, que é rudimentar nos ruminantes. O pé compreende o tarso, o
metatarso e os dedos.

2.4.2. Osso do quadril

O osso do quadril está formado por três ossos: ílio, ísquio e pube. No animal
adulto, apresentam-se fundidos e formam de cada lado, uma peça única colocada entre
membro pelvino ventralmente, e a porção sacral da coluna vertebral, dorsalmente.

2.4.2.1. Ílio – é o maior e o mais cranial dos três ossos do quadril. É irregularmente
triangular e apresenta, para estudo, uma asa com duas faces, e o corpo.

A porção mais larga do ílio é chamada asa e as suas faces são denominadas
glútea e sacropelvina. A face glútea é côncava e está voltada dorsolateralmente. No
bovino, apresenta discreta rugosidade, disposta longitudinalmente, denominada linha
glútea. Nos pequenos ruminantes, esta linha não é rugosa e atravessa toda a face como
um relevo retilíneo. A face sacropelvina é convexa, voltada para baixo e para frente.
Possui uma área rugosa para articulação com o sacro.

O eixo maior da asa do ílio orienta-se transversalmente e termina em duas


extremidades angulares, denominadas túber sacral, situado medialmente, e túber coxal,
25

lateralmente. Unindo os dois túberes encontra-se a crista ilíaca. O túber sacral continu-
ase caudalmente com a incisura isquiática maior, que se estende até a espinha isquiática.

O corpo do ílio é estreito e termina caudalmente fundindo-se ao pube e ao


ísquio. Neste ponto de união, os três ossos formam a cavidade articular para o fêmur,
denominada acetábulo. A face medial do corpo apresenta discreta e descontínua
elevação linear, chamada linha arqueada. Esta linha dirige-se ventralmente em direção
ao pube e é interrompida no terço médio por uma elevação rugosa, o tubérculo do
músculo psoas menor. A linha arqueada termina na eminência iliopúbida, do pube.

2.4.2.2. Pube – O pube é o menor dos três ossos e forma a porção cranial do assoalho
do quadril. Ele é constituído de ramo cranial, ramo caudal e corpo. O ramo cranial
dirige-se para frente e para fora e termina no acetábulo. O ramo caudal é menor e mais
delgado que o cranial e continua-se com o ísquio. Os dois pubes unem-se no plano
mediano, constituindo parte da sínfese pélvica. Entre esta sínfise e o acetábulo, o ramo
cranial do pube apresenta a discreta eminência iliopúbica. O corpo é a área de união
entre os dois ramos.

2.4.2.3. Ísquio – O ísquio constitui, juntamente com o do lado oposto, a porção caudal
do assoalho da pelve. É um osso irregularmente achatado e apresenta para descrição:
ramo, corpo, tábula, túber e incisura.

O ramo é a porção mais medial do osso e une-se com o lado oposto, constituindo
a parte caudal da sínfise pélvica. O corpo está unido, sem limites nítidos, com o ramo e
estende-se até o acetábulo. A tábula é a porção mais larga do ísquio. Nos ruminates
domésticos, especialmente nos bovinos, o túber é bastante desenvolvido, podendo ser
facilmente palpável no animal vivo. A incisura isquiática menor é a reentrância do
ísquio que se estende da espinha isquiática ao túber isquiático. As bordas caudais dos
dois ísquios formam em conjunto, o arco isquiático.

2.4.2.4. Acetábulo – O acetábulo é a cavidade que aloja a cabeça do fêmur. A superfície


da cavidade acetabular apresenta uma área rugosa, não articular, a fossa do acetábulo,
destinada à inserção do ligamento da cabeça do fêmur.

Nos ruminantes, a cavidade acetabular está voltada para baixo e para fora. A
borda do acetábulo é irregularmente espessada e descontínua devido à presença de duas
incisuras: uma caudal (incisura do acetábulo) e outra cranial. A incisura cranial só está
presente nos bovinos.

2.4.2.5. Forame obturado – É o espaço circunscrito pelo pube e ísquio. O forame


apresenta algumas características ligadas ao sexo. Na fêmea, ele é mais largo e quase
circular. No macho, é mais estreito e ovóide. A designação “obturado” é dada em razão
da existência de músculos e outras estruturas que ocluem seu lume.

2.4.2.6. Pelve óssea - A pelve é a parte do tronco situada caudalmente ao abdome. Seu
esqueleto é constituído pelos ossos do quadril, sacro e as três primeiras vértebras
coccígeas.
26

A pelve é alongada e cilindroide, comprida lateralmente (principalmente nos


machos). Os ossos, com as partes moles que os recobrem, formam uma cavidade,
denominada cavidade pelvina. Esta cavidade tem duas aberturas, uma cranial e outra
caudal. A primeira é mais ampla e é delimitada pelo promontório sacral, pelos ílios e
pubes. A abertura cranial da pelve tem conformação variável com o sexo, indo de
ovóide a quase circular na fêmea, permanecendo ovóide nos machos. A cavidade
pelvina tem um teto ou abóbada formada pelo sacro, e um assoalho, representado pelo
pube e ísquio dos dois lados. O forame obturado interrompe a continuidade óssea do
assoalho pelvino. As paredes laterais são completadas por ligamentos e músculos. A
abertura caudal da pelve é menor que a cranial. Ela tem como contorno ventral o arco
isquiático, que é mais aberto nas fêmeas. A porção laterodorsal desta abertura está
formada predominantemente por estruturas moles, destacando-se o ligamento
sacrotuberal, e tendo as vértebras coccígeas como elemento esquelético. Devido às
múltiplas e importantes funções da cavidade pelvina, é necessário conhecer seus
diâmetros.

Diâmetro conjugado verdadeiro: é representado por uma linha vertical que une o
promontório sacral ao extremo cranial da sínfise pelvina.

Diâmetros transversais: existem cinco diâmetros transversais. Três deles são


delineados na abertura cranial da pelve e tem como referencia a margem ventral da
articulação sacro-ilíaca, o tubérculo do músculo psoas menor e a eminência ílio-púbica,
respectivamente. Os outros dois são representados pelas linhas que unem entre si os
pontos mais altos das espinhas isquiáticas e os ângulos dorsais dos túberes isquiáticos,
respectivamente.

2.4.3. Fêmur

O fêmur é osso da coxa. É relativamente mais curto nos ruminantes que nas
outras espécies domésticas. O fêmur é constituído de corpo e duas extremidades.

A extremidade proximal consiste de cabeça, colo e trocânteres maior e menor. A


cabeça é uma proeminência arredondada, mais extensa dorsal que ventralmente. Está
dirigida medialmente, com sua face articular voltada para dentro, para cima e
ligeiramente para trás. Articula-se com o acetábulo. A cartilagem hialina cobre toda a
face articular, exceto numa depressão central, a fóvea da cabeça do fêmur, onde se
insere o ligamento da cabeça do fêmur.

O colo é o segmento ósseo que prende a cabeça ao corpo. Seu limite com a
cabeça é bem demarcado medialmente. Lateralmente, a face articular da cabeça
prolonga-se sobre ele, e, principalmente nos bovinos, seus limites são poucos nítidos.

O trocânter maior é a protuberância que se destaca da face lateral da extremidade


proximal do osso e se projeta para cima. Sua borda livre é romba, rugosa e arqueada.
Sua face lateral é rugosa e convexa. Sua face medial é côncava, perfurada por inúmeros
forames e delimita a fossa trocantérica. O trocânter menor situa-se na face caudal da
27

extremidade proximal. É uma saliência rugosa, de aspecto arredondado nos pequenos


ruminantes, que dá inserção ao músculo iliopsoas. A crista intertrocantérica liga o
trocânter maior ao trocânter menor.

O corpo é cilíndrico e proporcionalmente maior nos pequenos ruminantes. É


retilíneo nos bovinos e ligeiramente encurvado nos pequenos ruminantes. Ao nível da
porção distal da face lateral encontra-se a fossa supracondilar, que é bastante rasa,
principalmente nos pequenos ruminantes. Aí se origina o músculo flexor superficial dos
dedos. A face caudal (face áspera) apresenta rugosidades bem evidenciadas, que correm
longitudinalmente. Geralmente, o forame nutrício localiza-se nesta face.

A extremidade distal é formada pela tróclea e pelos côndilos. A tróclea situa-se


obliquamente na porção cranial da extremidade distal. É constituída por duas arestas,
separadas por um sulco, que se dirigem para baixo e para trás. Nos bovinos, a aresta
medial é arredondada, mais desenvolvida que a lateral e sua extremidade proximal
alarga-se consideravelmente. Nos pequenos ruminantes, as arestas têm,
aproximadamente, o mesmo tamanho.

Os dois côndilos, lateral e medial, situam-se caudalmente à tróclea. A fossa


intercondilar separa os dois côndilos. A face medial do côndilo medial é rugosa e
apresenta o epicôndilo medial. O epicôndilo lateral é uma saliência situada na face
lateral do côndilo lateral e é menos desenvolvido que o medial. Abaixo e um pouco
atrás do epicôndilo lateral encontram-se duas pequenas fossas, das quais a mais distal é
a do músculo poplíteo. Entre o côndilo lateral e a tróclea, encontra-se a fossa dos
extensores.

2.4.4. Patela

A patela (antigamente conhecida como rótula) é um sesamóide articulado à


tróclea do fêmur. Tem forma aproximadamente triangular, com vértice voltado para
baixo. Sua face caudal apresenta duas faces articulares para a tróclea do fêmur. A
cartilagem da patela prende-se no ângulo medial do osso. Nos pequenos ruminantes a
patela á mais longa e mais estreita.

2.4.5. Tíbia e fíbula

A tíbia é o osso longo da perna. É, nos bovinos, um pouco mais curta que o
fêmur; nos pequenos ruminantes é mais longa. No esqueleto está colocada obliquamente
e sua extremidade distal aproxima-se do plano mediano.

A extremidade proximal da tíbia é larga e aproximadamente triangular.


Apresenta os côndilos medial e lateral, para articulação com os correspondentes
côndilos do fêmur. Seu ângulo cranial constitui a tuberosidade da tíbia. Entre os dois
côndilos e, aproximadamente no centro da extremidade proximal, projeta-se a
eminência intercondilar. As faces articulares dos côndilos são amplas e convexas. Estão
separadas cranialmente pela área intercondilar cranial e caudalmente pela área
intercondilar caudal. Nestas áreas intercondilares inserem-se os ligamentos da
28

articulação femorotibial. A incisura poplítea separa caudalmente, os côndilos. A


tuberosidade da tíbia tem contorno triangular, é bastante larga e rugosa nos bovinos e
estreita e lisa nos pequenos ruminantes. Está separada do côndilo lateral pelo sulco
extensor.

O corpo é inicialmente largo, de contorno triangular e, nos bovinos, torna-se


amis delgado e quadrangular nos terços médio e distal. Seu eixo está encurvado
lateralmente. Apresenta três faces: medial, lateral e caudal, e três bordas: cranial, medial
e lateral ou interóssea. A face medial é larga e rugosa até a metade do osso e pode ser
percebida através da pele. A face lateral é lisa e ligeiramente retorcida. A face caudal é
plana e está atravessada obliquamente por linhas musculares mais ou menos paralelas.
O forame nutrício abre-se nesta face, próximo à borda lateral. A borda cranial é
proeminente no terço proximal do osso. Ela vai se desfazendo gradativamente até
constituir apenas uma linha rugosa. A borda medial é convexa longitudinalmente. A
borda lateral ou interóssea, na metade proximal do osso, é côncava e forma com a fíbula
o espaço interósseo da perna.

A extremidade distal é bem menor que a extremidade proximal, porém, mais


larga que o corpo. Apresenta a face articular para articulação com ossos do tarso e com
o osso maleolar. A superfície par articulação com o osso tálus do tarso é denominada
cóclea da tíbia. Está formada por dois sulcos, um lateral, largo e pouco profundo, e um
medial, mais profundo e estreito. Estes sulcos estão separados por uma crista, que pode
apresentar uma fossa sinovial. O maléolo medial constitui a parede medial da cóclea. A
parede lateral da cóclea é completada pelo osso maleolar, pertencente à fíbula.

A fíbula é o outro osso da perna e situa-se lateralmente à tíbia. Seu esboço


cartilaginoso é completo. Na ossificação, porém, fica reduzido a duas extremidades, a
proximal ou cabeça e a distal ou osso maleolar, e a uma corada fibrosa que as une. A
cabeça da fíbula está fundida ao côndilo lateral da tíbia, podendo também ocorrer
articulada. Consta de pequena massa óssea que se projeta alguns centímetros
distalmente e termina em ponta livre. No carneiro está constantemente fundida à tíbia e
aparece com uma proeminência do côndilo lateral. No cabrito pode faltar
completamente.

O osso maleolar é constante em todos os ruminantes domésticos. Visto


lateralmente, apresenta contorno aproximadamente quadrangular. A extremidade
proximal apresenta duas facetas articulares separadas por um processo pontiagudo. A
face medial se articula com o tálus. A face lateral é irregular. A face distal se articula
com o calcâneo.

2.4.6. Tarso

O tarso dos ruminantes é constituído de cinco ossos, dispostos em duas fileiras.


A fileira proximal compõe-se do tálus e do calcâneo. A fileira distal é formada pelos
ossos centroquarto, társico II , III e társico I.
29

O tálus articula-se com a cóclea da tíbia por meio da tróclea proximal. Sal face
distal apresenta a tróclea distal, que se articula com o osso centroquarto.

O calcâneo relaciona-se com a face lateroplantar do tálus, com o qual se articula.


O espaço limitado pela face lateral do tálus e a face medial do calcâneo é denominado
seio do tarso. Do corpo do calcâneo destaca-se o túber do calcâneo, que dá inserção ao
tendão calcanear comum. O corpo do calcâneo apresenta medialmente uma projeção
óssea para articulação com o tálus, que é denominado sustentáculo talar. A face plantar
do sustentáculo talar forma com o corpo do calcâneo o sulco do calcâneo, por onde
corre o tendão do músculo flexor profundo dos dedos. A face dorsal do calcâneo
articula-se com o osso maleolar. Distalmente o calcâneo articula-se com o osso
centroquarto.

O osso centroquarto é o mais desenvolvido da fileira distal. É formado pela


fusão do osso central do tarso com o társico IV. É um osso largo que se estende de um
lado ao outro e se articula com todos os ossos do tarso. O osso társico II e III resulta da
fusão do társico II e társico III. O osso társico I é pequeno e articula-se com o
centroquarto e metatársico III e IV.

2.4.7. Metatarso

No metatarso dos ruminantes, como no metacarpo, apenas um osso está


completamente desenvolvido – o metatársico III e IV. O metatársico III e IV resulta da
fusão do metatársico III com o metatársico IV, ainda na fase fetal. Os sulcos
longitudinais dorsal e plantar, e a subdivisão do canal medular por um septo óssea, nos
animais jovens, comprovam esta fusão. Os outros ossos, o metatársico II e o metatársico
V estão, segundo a maioria dos autores, fundidos em forma de crista às bordas
plantomedial e plantolateral, respectivamente, do metatársico III e IV. O osso pequeno e
discoide que se articula com a face plantar da base do metatársico III e IV é um
sesamóide típico dos artiodáctilos e denomina-se osso sesamóide do metatarso.

O metatársico III e IV é bastante semelhante ao metacárpico III e IV, sendo


porém um pouco mais longo que este. A base ou extremidade articular proximal é larga
e articula-se com a fileira distal dos ossos do tarso. Nos bovinos, um canal comunica o
centro da base do osso com a sua face plantar e dá passagem a vasos. A tuberosidade do
osso metatársico III e IV ocupa uma posição dorsomedial na base do osso.

O corpo é de contorno aproximadamente quadrangular e mais largo na epífises.


A face dorsal é percorrida longitudinalmente pelo sulco longitudinal dorsal, bastante
profundo nos bovinos. Nos pequenos ruminantes, este sulco só é evidente próximo às
duas extremidades do osso. A face plantar é percorrida pelo sulco longitudinal plantar.
O canal distal do metatarso é constante e bem desenvolvido. O canal proximal do
metatarso falta frequentemente. A extremidade distal é semelhante àquela do
metacárpico III e IV.
30

2.4.8. Falanges e ossos sesamóides

As falanges e ossos sesamóides do membro pelvino são semelhantes ao do


membro torácico. A nomenclatura é adaptada à do membro pelvino, quando necessário.

2.5. Ossos do crânio e osso hióide

2.5.1. Introdução

O crânio é formado por vários ossos unidos, em sua maioria, por junturas
fibrosas. No adulto, quase todas elas estão ossificadas (sinostose). O crânio do feto tem
maior mobilidade devido ao fato de que os arcabouços ósseos não estão ainda
completamente ossificados. Isto facilita sua passagem pela cavidade pelvina durante o
parto.

O crânio constitui invólucro para o encéfalo, forma cavidades que alojam os


órgãos dos diversos sistemas sensoriais da cabeça e dão passagem às vísceras dos
sistemas digestivo e respiratório. Os ossos do crânio são constituídos por duas laminas
de substância compacta, lâminas externa e interna, separadas pelo díploe, que é uma
camada de substância esponjosa. O periósteo que reveste os ossos do crânio recebe os
nomes de pericrânio e endocrânio, quando recobrem as lâminas externa e interna,
respectivamente. O endocrânio está unido à dura mater.

O crânio pode ainda ser dividido em neurocrânio e esplancnocrânio. O primeiro


compreende os ossos que envolvem o encéfalo e o segundo os ossos que protegem as
partes cefálicas dos sistemas digestivo e respiratório.

Estudaremos os ossos do crânio em conjunto, mencionando apenas os acidentes


considerados mais importantes. Para descrição pormenorizada acerca de cada osso
deve-se consultar um tratado de anatomia veterinária. Para se ter ideia da complexidade
do estudo destes ossos, basta mencionar que a N.A.V. registra acima de 500 termos no
capítulo de crânio.

2.5.2. Vista dorsal do crânio

Quando se observa a face dorsal do crânio, verifica-se que ele possui forma
aproximadamente triangular, com o vértice dirigido em sentido rostral. Esta
conformação é mais acentuada nos pequenos ruminantes. A face dorsal do crânio é
formada por dois pares de ossos: nasais e frontais.

Os ossos nasais são alongados, formam parte da parede dorsal da cavidade nasal
e a extremidade rostral destes ossos apresenta-se dividida em dois ramos pontiagudos.
Estão unidos na linha mediana por meio de uma sutura plana. Lateralmente, cada nasal
está unido aos ossos maxilar e lacrimal e caudalmente articula-se com o osso frontal.

O osso frontal é o maior dos ossos do crânio e forma, com seu homólogo do lado
oposto, a parede dorsal da cavidade craniana. O perfil dos frontais varia de acordo com
a raça, a idade e o sexo. Assim, nas raças europeias ele é mais ou menos reto, ao passo
31

que em algumas raças zebuínas ele é caracteristicamente convexo. Do ângulo


caudolateral de cada frontal projeta-se o processo cornual, que constitui a base óssea do
chifre (ou corno). Os processos cornuais desenvolvem-se com a idade e modificam a
forma do osso frontal. Algumas raças não possuem processo cornual, sendo esse fato
um caráter hereditário dominante. O frontal constitui as paredes dorsal e medial da
órbita óssea. De sua borda lateral destaca-se uma projeção laminar, o processo
zigomático, que se dirige cranioventralmente para se unir ao processo frontal do
zigomático. Os dois processos unidos formam a parte óssea da parede caudal da órbita.
A face dorsal de cada frontal é percorrida longitudinalmente pelo sulco supra-orbital, o
qual termina caudalmente no forame supra-orbital. Este último continua-se no interior
do osso como canal supra-orbital, que finalmente se abre na parede dorsal da órbita
óssea. O canal supra-orbital dá passagem à veia do mesmo nome.

O interior do osso frontal é oco e a cavidade formada entre as suas lâminas


externa e interna constitui o extenso seio frontal, o qual se prolonga para dentro do
processo cornual.

2.5.3. Vista caudal do crânio

A face caudal do crânio é formada pelos ossos occipital, parietal, temporais e


frontais. Nos animais adultos, as suturas entre estes ossos apresentam-se pouco nítidas e
os limites entre eles imprecisos. Esta face é plana nos bovinos, mas alongada e convexa
nos pequenos ruminantes. Apresenta, mais ou menos em seu centro, uma saliência
rugosa, a protuberância occipital externa, onde se insere o ligamento da nuca. Nos
bovinos, esta protuberância encontra-se no osso parietal. Ventralmente, a face caudal
apresenta uma larga abertura, o forame magno, por onde sai a medula espinhal. A cada
lado do forame magno encontram-se os côndilos do occipital. Os côndilos articulam-se
com as massas laterais do atlas. Lateralmente aos côndilos encontram-se os processos
jugulares, duas saliências pontiagudas dirigidas ventralmente.

2.5.4. Vista lateral do crânio

Na face lateral do crânio, consideram-se os ossos da face, da órbita e da parede


lateral da cavidade craniana.

2.5.4.1. Ossos da face – a face dos ruminantes está formada pelos seguintes ossos:
maxila (osso maxilar), incisivo, zigomático, lacrimal, mandíbula e nasal, este último já
descrito.

• Maxila: É o osso mais desenvolvido da face, apresentando contorno


quadrangular. Está unido dorsalmente aos ossos nasal, lacrimal e zigomático;
rostralmente une-se ao incisivo. Apresenta em sua porção média uma elevação
linear, a crista facial, a qual termina rostralmente em uma saliência rugosa, o
túber facial, situado ao nível do 3º pré-molar. Rostralmente ao túber facial, ao
nível do 1º pré-molar, encontra-se o forame infra-orbital, através do qual
emergem a artéria, a veia e o nervo infra-orbitais. Na borda ventral da maxila
32

encontra-se os alvéolos para os dentes pré-molares e molares. O interior da


maxila é ocupado por uma escavação – o seio maxilar.

• Incisivo: Situa-se rostralmente à maxila, formando a base óssea do extremo


rostral do palato. Não apresenta, como nas demais espécies, alvéolos para os
dentes incisivos superiores, já que estes faltam nos ruminantes.

• Zigomático: Situa-se caudodorsalmente à maxila, formando parte da parede


ventral da órbita óssea. De sua porção caudal destacam-se dois processos:
processo frontal, que se dirige dorsalmente para se unir ao processo zigomático
do osso frontal e formar o contorno caudal da órbita óssea; processo temporal,
que se dirige caudalmente e se une ao processo zigomático do osso temporal
para formar o arco zigomático.

• Lacrimal: É um pequeno osso intercalado entre os ossos nasal e frontal,


dorsalmente, e maxila e zigomático, ventralmente. Forma parte da parede da
órbita óssea, onde apresenta um orifício, o forame lacrimal, que é o inicio do
canal nasolacrimal. Este canal percorre o interior dos ossos lacrimal e maxilar e
abre-se na cavidade nasal.

• Mandíbula: As mandíbulas, uma de cada lado, estão unidas rostralmente por


uma sincondrose (sincondrose mandibular), ao nível do palno mediano. Cada
mandíbula é formada por corpo, ângulo e ramo. O corpo é a porção rostral,
disposta longitudinalmente. Apresenta uma face externa, voltada para os lábios e
bochechas e uma face interna, voltada para a língua. A face externa é lisa e
apresenta próximo à extremidade rostral, um ou dois forames mentuais, por onde
emergem os vasos e nervos mentuais. A face interna também é lisa. Na borda
dorsal do corpo da mandíbula situam-se os alvéolos para os dentes da arcada
inferior. Rostralmente encontram-se os alvéolos para os dentes incisivos, quatro
de cada lado. Caudalmente situam-se os alvéolos para os dentes pré-molares e
molares. O trecho sem alvéolos, entre os incisivos e os pré-molares, denomina-
se borda interalveolar. O ramo da mandíbula projeta-se dorsalmente a partir do
ângulo. Sua extremidade dorsal, livre, apresenta-se dividida pela incisura
mandibular, em dois processos: processo coronóide na frente, e processo
condilar, atrás. No processo coronóide insere-se o músculo temporal. O processo
condilar é formado por uma superfície articular, a cabeça, que se articula com o
osso temporal, e, abaixo dela, uma porção estreita, o colo. A superfície lateral do
ramo é plana, apresentando rugosidades para inserção do músculo masseter. A
superfície medial do ramo apresenta um orifício, o forame da mandíbula, onde
se inicia o canal da mandíbula, por onde passam os vasos e nervos alveolares
mandibulares. Próximo do forame da mandíbula parte um sulco, sulco milo-
hióideo, que se dirige obliquamente em sentido rostro-ventral. Este sulco aloja o
nervo milo-hióideo.
33

2.5.4.2. Órbita óssea: as órbitas ósseas são duas cavidades que contêm os bulbos
oculares, músculos, vasos, nervos e parte do aparelho lacrimal, incluindo a glândula
lacrimal.

Cada órbita tem a forma de um cone regular, em cujo ápice situa-se o forame
orbitorredondo e cuja base ou ádito está voltada para fora, para frente e para cima.

A parede medial da órbita é lisa e nela são encontrados os seguintes forames: a)


forame orbitorredondo, que é uma larga abertura situada no ápice da órbita, por onde
emergem os nervos oftálmico e maxilar e passam vasos sanguíneos; b) forame óptico,
situado próximo ao forame orbitorredondo, um pouco acima e à frente deste, e que dá
passagem ao nervo óptico; c) forame etmoidal, que se encontra na posição média da
parede medial, acima do forame óptico; d) forame lacrimal, situado próximo à borda
medial da órbita.

A parede dorsal da órbita é côncava e nela se encontra uma ligeira depressão, a


fossa da glândula lacrimal, onde se aloja esta glândula. No limite entre as paredes
medial e dorsal encontra-se a abertura orbital do canal supra-orbital.

A parede ventral ou assoalho da órbita é incompleto. Rostralmente, é formado


pela bula lacrimal, uma expansão globosa e ôca, formada à custa dos ossos maxilar e
lacrimal; por detrás, está constituída apenas por uma membrana conjuntiva, a periórbita.

A parede lateral também é incompleta, sendo formada apenas numa pequena


extensão pelos processos frontal e zigomático dos ossos zigomático e frontal,
respectivamente. O restante é formado pela periórbita.

2.5.4.3. Parede lateral da cavidade craniana: a parede lateral da cavidade craniana é


formada pelos ossos temporal, parietal e frontal.

Temporal: o osso temporal pode ser dividido em três partes: escamosa,


timpânica e petrosa.

A parte escamosa é a porção mais dorsal do temporal. Ela forma a parede


ventromedial de uma extensa depressão da face lateral do crânio, fossa temporal, na
qual se aloja o músculo de mesmo nome. De sua borda lateral destaca-se uma lâmina
óssea achatada dorsoventralmente, o processo zigomático do temporal, o qual se
encurva rostralmente e se une ao processo temporal do zigomático para formar o arco
zigomático. Na face ventral da raiz do processo zigomático encontra-se uma área
convexa, ovóide e lisa, o tubérculo articular, o qual se articula com o processo condilar
da mandíbula. Caudalmente ao tubérculo articular encontra-se uma depressão
transversal, a fossa mandibular e logo atrás desta, um orifício, o forame retro-articular.
Através deste forame emerge uma das veias emissárias do encéfalo.

A parte timpânica do temporal situa-se ventralmente à parte escamosa, interposta


entre esta última e a parte basilar do occipital. Nela estão situados o meato acústico
externo e a bula timpânica. O meato acústico externo é um canal cilíndrico, situado atrás
34

do forame retro-articular. Sua abertura externa denomina-se poro acústico externo;


internamente, limita-se com a cavidade do tímpano, a qual forma a base óssea do ouvido
médio. A bula timpânica é uma saliência ôca situada à frente do processo jugular do
occipital e unida à face ventral do meato acústico externo por uma crista, às vezes
também ôca, denominada bainha do processo estiloide. Da borda rostral da bula
timpânica destaca-se o processo muscular, pontiagudo e dirigido rostralmente.

A parte petrosa é a menor e mais medial das três porções do temporal, sendo
melhor vista na face interna cavidade craniana. Externamente, ela forma dois processos:
processo mastoide e processo estiloide. O processo mastoide, discreto nos ruminantes
domésticos, é a pequena área interposta entre o meato acústico externo e a raiz do
processo jugular do occipital. O processo estiloide é uma projeção cilindroide, situada
no fundo de uma cavidade delimitada caudalmente pela bula timpânica e rostralmente
pela bainha do processo estiloide. Nele se prende o osso hióide. Logo atrás e
lateralmente ao processo estiloide, situa-se o forame estilomastóideo, o qual representa
a abertura externa do canal facial; por este forame, o nervo facial emerge da cavidade
craniana.

Os ossos parietal e frontal formam a metade dorsal da parede da fossa temporal,


já descrita.

2.5.5. Vista ventral do crânio

A face ventral do crânio apresenta-se dividida em duas porções bem distintas:


rostral e caudal.

A porção rostral apresenta-se como uma superfície bastante uniforme, onde se


destacam o palato ósseo e os dentes. O palato ósseo apresenta-se ligeiramente côncavo e
com um contorno aproximadamente retangular. Sua extremidade rostral é formada pelos
corpos dos ossos incisivos que, como já foi mencionado, não apresentam alvéolos
dentários. A fissura interincisiva é uma pequena fenda mediana situada entre os corpos
dos incisivos; por ela passa o ducto incisivo, que comunica a cavidade nasal com a
cavidade da boca. Dos corpos dos incisivos destacam-se d as delgadas lâminas ósseas,
os processos palatinos dos incisivos, que se dirigem caudalmente e delimitam,
juntamente com a maxila de cada lado, duas fendas alongadas, as fissuras palatinas,
dispostas longitudinalmente. O restante do palato ósseo é formado pelos processos
palatinos das maxilas, rostralmente, e pelas lâminas horizontais dos palatinos,
caudalmente. Os forames palatinos maiores são dois orifícios situados na parte caudal
do palato óssea. Nos bovinos, eles situam-se nas lâminas horizontais dos palatinos; nos
pequenos ruminantes, na sutura entre estes últimos e os processos palatinos das maxilas.
Eles se continuam rostralmente com duas depressões longitudinais discretas, os sulcos
palatinos maiores, por onde correm os vasos e nervos de mesmo nome.

A porção caudal da face ventral do crânio, ao contrário da rostral, é bastante


irregular, apresentando inúmeras depressões, saliências e forames. Alguns destes já
foram descritos nas faces lateral e caudal do crânio. Logo atrás do palato ósseo
35

encontram-se duas lâminas ósseas, mais ou menos paralelas e dispostas


perpendicularmente. O espaço entre as duas lâminas constitui a parte caudal da maxila
do lado correspondente forma-se uma depressão, a fossa pterigopalatina, na qual se
encontram três forames: forame esfenopalatino, o maior e mais dorsal; forame maxilar,
estreito e meio oculto pela bula lacrimal e forame palatino caudal, situado próximo à
lâmina horizontal do palatino.

O assoalho da cavidade craniana é formado no sentido caudorrostral, pelos


seguintes ossos: parte basilar do occipital, basi-esfenóide e pré-esfenóide. Nos limites
entre a parte basilar do occipital e o basi-esfenóide encontram-se duas saliências, os
tubérculos musculares, bem desenvolvidos nos bovinos. Lateralmente a estes e na frente
da bula timpânica encontra-se o forame oval, por onde emerge o nervo mandibular.
Entre a bula timpânica e a parte basilar do occipital permanece uma fenda, a fissura
petro-occipital. No fundo desta fissura encontra-se uma ampla abertura, o forame
jugular, pelo qual emergem os nervos glossofaríngeo, vago e acessório. Logo atrás da
fissura petro-occipital e lateralmente ao côndilo do occipital situa-se uma depressão, na
qual se encontram um ou dois orifícios, os canais do nervo hipoglosso.

Rostralmente, o assoalho da cavidade craniana é formado pelos ossos basi-


esfenóide e pré-esfenóide. Estes dois ossos são unidos por cartilagem que se ossifica
nos animais mais velhos. O pré-esfenóide, visto ventralmente, apresenta-se em sua
maior parte encoberto pelo vômer, que participa da formação do septo nasal.

2.5.6. Osso hióide

O osso hióide é um osso que se encontra entre a cabeça e o pescoço e se articula


dorsalmente com o processo estiloide do temporal. Ao hióide estão presas a língua e a
laringe. Um grande número de músculos insere-se neste osso.

O osso hióide é constituído dos seguintes segmentos: basi-hióide, tireo-hióides,


cerato-hiódes, epi-hióides e estilo-hióides. O basi-hióide dispõe-se transversalmente e
de sua borda rostral projeta-se o processo lingual. Os tireo-hióides projetam-se do basi-
hióide e dirigem-se caudalmente para se articular com a cartilagem tireóidea da laringe.
Cada cerato-hióide é uma projeção óssea dorsal que se articula com o epi-hióide. Este é
um pequeno segmento ósseo do hióide. É uma lamina óssea alongada que se dirige
dorsocaudalmente para se prender no processo estiloide do temporal.

3. Junturas

3.1. Introdução ao estudo das junturas

3.1.1. Conceito

Junturas são os meios pelos quais as partes rígidas do animal (ossos e, em alguns
casos, cartilagens) se unem para formar o esqueleto. Além de sua função de união, um
tipo especial de juntura – a juntura sinovial ou articulação propriamente dita – é
constituída de modo a permitir o movimento de um segmento em relação a outro.
36

3.1.2. Classificação das junturas

De acordo com a natureza do meio de união entre as superfícies articulares, as


junturas são classificadas em três tipos: fibrosa, cartilaginosas e sinoviais.

3.1.2.1. Junturas fibrosas – são aquelas nas quais a união entre dois ossos contíguos é
constituída por tecido conjuntivo fibroso. Três tipos de junturas fibrosas são
reconhecidos:

• Suturas: são as junturas fibrosas que ocorrem entre ossos do crânio. De acordo
com a morfologia das bordas articulares, as suturas classificam-se em planas
(bordas articulares mais ou menos retilíneas, como na sutura internasal),
escamosas (bordas articulares encaixando-se em bisel, como na sutura entre a
parte escamosa do temporal e o parietal) e serreadas (bordas articulares unindo-
se em linha denteada, como na sutura interfrontal). No feto, a quantidade de
tecido conjuntivo fibroso entre as bordas articulares é maior, o que confere aos
ossos do crânio fetal certo grau de mobilidade. Após o nascimento, com a idade,
ocorre um processo de ossificação progressiva das suturas – sinostose – com
perda da mobilidade dos ossos e, em muitos casos, dos seus limites.

• Sindesmoses: são junturas fibrosas que ocorrem entre outros ossos que não os
do crânio. Como exemplo, citam-se as uniões fibrosas que ocorrem entre
cartilagens costais adjacentes. Com a idade, estas junturas também se ossificam.

• Gonfose: é um termo especial utilizado para designar a juntura fibrosa entre a


raiz do dente e seu alvéolo. Para alguns autores, não se trata de uma verdadeira
juntura, já que os dentes não fazem parte do esqueleto.

3.1.2.2. Junturas cartilaginosas - são aquelas em que o meio de união entre as


superfícies articulares é constituído por tecido cartilaginoso. Segundo a natureza
histológica da cartilagem de união, classificam-se em dois tipos:

• Sincondrose: juntura cartilaginosa em que o meio de união é constituído por


cartilagem hialina. Exemplos: sincondrose mandibular, nos bovinos; sincondrose
esfeno-occipital. Com a idade, as sincondroses frequentemente ossificam-se.

• Sínfise: juntura cartilaginosa em que os ossos estão unidos por cartilagem


fibrosa. Como exemplos, citam-se a sínfise pélvica e a união entre os corpos das
vértebras (disco intervertebral). Como as sincondroses, as sínfises podem
ossificar-se com a idade, reduzindo progressivamente a mobilidade entre os
ossos unidos.

3.1.2.3. Junturas sinoviais: são aquelas nas quais o meio interposto entre as superfícies
articulares é um fluido especial – o liquido sinovial. Constituem as articulações
propriamente ditas, junturas que têm a função de, além de unir dois ou mais elementos
37

ósseos, possibilitar o deslocamento de um em relação a outro, resultando em movimento


dos segmentos corporais.

As junturas sinoviais são caracterizadas pela presença de cápsula articular. Esta


é uma estrutura membranosa que envolve, à semelhança de um manguito, as
extremidades dos ossos envolvidos. Assim, a cápsula articular delimita uma cavidade –
cavidade articular – na qual está contido o líquido sinovial. A cápsula articular é
constituída por duas túnicas: uma externa, membrana fibrosa e outra interna, membrana
sinovial. A membrana fibrosa é resistente, formada por tecido conjuntivo denso; em
alguns pontos, ela pode ser reforçada por faixas fibrosas mais espessas, os ligamentos
capsulares. A membrana sinovial é lisa, brilhante e reveste internamente toda a cápsula
articular. Em determinados pontos, ela forma expansões, as pregas e vilos sinoviais, que
se projetam no interior da cavidade articular. É bastante inervada e vascularizada. O
líquido sinovial, produzido pela membrana sinovial, é um fluído claro, transparente e
dotado de viscosidade, devido à presença de mucinas; contém também albumina, sais,
gotículas lipídicas e resíduos celulares. Sua função primordial é lubrificar as superfícies
articulares, de modo a reduzir o atrito e desgaste entre elas. Admite-se também que
desempenha função no transporte de nutrientes para as cartilagens articulares, que são
avasculares, bem como na remoção de seus catabólicos.

As cartilagens articulares são de natureza hialina e revestem toda a superfície de


contato de um osso com outro. Elas são desprovidas de vascularização e de inervação.

Na grande maioria das articulações, a função de união da capsula articular é


reforçada pela presença de faixas resistentes de tecido conjuntivo fibroso, os
ligamentos. Além dos já mencionados ligamentos capsulares, situados na espessura da
própria cápsula articular, existem ligamentos extracapsulares e ligamentos intra-
articulares. Os ligamentos extracapsulares, como o nome indica, situam-se externamente
à cápsula articular. Os ligamentos intra-articulares situam-se no interior da cavidade
articular.

Em algumas articulações encontram-se, interpostas entre as superfícies


articulares, estruturas fibrocartilaginosas, os discos e os meniscos intra-articulares. Para
eles, admitem-se duas funções: (a) amortecer as pressões sobre a articulação; (b)
possibilitar melhor adaptação ou congruência de uma superfície articular à outra,
facilitando o deslizamento. Meniscos são encontrados na articulação do joelho,
enquanto disco intra-articular ocorre na articulação temporomandibular.

Também no interior da cavidade articular podem ser encontrados


acúmulos de tecido adiposo, revestidos por membrana sinovial, formando coxins mais
ou menos desenvolvidos, como, por exemplo, o coxim adiposo infrapatelar da
articulação do joelho.

Em algumas articulações, a borda da superfície articular côncava é guarnecida


por um anel de fibrocartilagem, formando o chamado lábio glenoidal, na cavidade
38

glenóide da escápula e lábio acetabular, no acetábulo do quadril. Os lábios aumentam a


profundidade da superfície articular e tendem a evitar fraturas de sua borda.

3.2.3. Principais movimentos executados nas junturas sinoviais

Em uma articulação, o movimento faz-se em torno de um eixo, que é sempre


perpendicular ao plano no qual os segmentos ósseos envolvidos se movimentam. Os
principais movimentos executados nas articulações são os seguintes:

• Movimentos angulares: nestes movimentos ocorre diminuição ou aumento do


ângulo entre o segmento que se desloca e aquele que se mantém fixo. No
primeiro caso, ocorre flexão e no segundo, extensão. Quando o segmento móvel
se aproxima do plano mediano, ocorre adução e quando se afasta do mesmo
plano ocorre abdução.

• Rotação: é o movimento no qual o segmento gira em torno de seu próprio eixo


longitudinal. Distinguem-se rotação no sentido do plano mediano ou pronação e
rotação em sentido oposto ou supinação. Estes movimentos são muito limitados
nos animais domésticos, mas rotação típica ocorre na articulação entre atlas e
áxis.

• Circundução: é o movimento complexo, resultante da combinação dos


movimentos de adução, extensão, abdução, flexão e rotação. O extremo distal
do segmento que se desloca descreve um círculo e o corpo do segmento um
cone, cujo vértice é a própria articulação. Nas grandes espécies domésticas,
como o boi e o cavalo, este movimento é bastante limitado.

3.1.4. Classificação funcional das junturas sinoviais

De acordo com o número de eixos em torno dos quais se realizam os


movimentos, as articulações classificam-se em três tipos:

• Mono-axiais: quando os movimentos se realizam em torno de um único eixo e


em um único plano. Permitem apenas flexão e extensão, ocorrendo na grande
maioria das articulações entre ossos dos membros;

• Bi-axiais: quando os movimentos podem se realizar em torno de dois eixos e,


portanto, em dois planos, permitindo flexão e extensão, adução e abdução. Um
exemplo típico é a articulação temporomandibular;

• Tri-axiais: quando os movimentos podem se executar em torno de três eixos,


permitindo flexão, extensão, adução, abdução, rotação e, resultando da
combinação de todos, circundução. Como exemplo, cita-se a articulação do
quadril.
39

3.1.5. Classificação morfológica das junturas sinoviais

De acordo com a forma das superfícies articulares, as articulações classificam-se


nos seguintes tipos:

• Plana: articulação em que as superfícies articulares são planas ou ligeiramente


curvas, permitindo apenas deslizamento de uma sobre a outra em qualquer
direção. Exemplo: articulação entre os ossos do carpo;

• Gínglimo: articulação que permite apenas movimentos angulares de flexão e


extensão, à maneira de dobradiça. O nome, no caso, não se refere à morfologia
das superfícies articulares, mas à aparência do movimento executado. Exemplo:
articulação do cotovelo;

• Cilindróide: articulação em que as superfícies articulares são segmentos de


cilindro, permitindo, portanto, movimentos de rotação. Exemplo: articulação
entre o atlas e o dente do áxis;

• Condilar: articulação em que uma superfície articular ovóide, o côndilo, se aloja


em uma cavidade elíptica. É do tipo bi-axial, permitindo flexão e extensão,
adução e abdução. Exemplo: articulação temporomandibular;

• Esferóide: articulação em que uma das superfícies articulares é um segmento de


esfera e oposta é uma concavidades na qual a primeira se encaixa. É do tipo tri-
axial, permitindo movimentos de flexão, extensão, adução, abdução, rotação e
circundução. Exemplos: articulação entre a cavidade glenóide e a cabeça de
escápula e a cabeça do úmero (ombro) e entre o acetábulo e a cabeça do fêmur
(quadril).

3.2. Articulações do membro torácico

3.2.1. Articulação do ombro

É a articulação entre a cavidade glenóide da escápula e a cabeça do úmero. é do


tipo esferoide e tri-axial, permitindo movimentos de flexão, extensão, adução, abdução,
rotação e circundução. Os quatro últimos movimentos são, no entanto, bastante
limitados pela massa muscular adjacente. Nesta articulação, a união entre as
extremidades ósseas é mantida apenas pela cápsula articular e pelos músculos e tendões
que a cruzam, não existindo ligamentos. A borda da cavidade glenóide é guarnecida por
um anel de fibrocartilagem, o lábio glenoidal.

3.2.2. Articulação do cotovelo

Esta articulação composta envolve a tróclea e capitulo do úmero, as duas


superfícies articulares da cabeça do rádio e a incisura troclear do olecrano. É do tipo
gínglimo e uni-axial, permitindo apenas movimentos de flexão e extensão. Além da
cápsula articular, as extremidades do úmero e do rádio são mantidas unidas por dois
ligamentos, intimamente aderidos à capsula: ligamento colateral lateral, que se estende
40

do epicôndilo lateral do úmero a uma pequena elevação na face lateral da cabeça do


rádio e o ligamento colateral medial, que une o epicôndilo medial do úmero à face
meiddal da cabeça do rádio. A cabeça e colo do rádio estão, por sua vez, unidos à ulna
pelos ligamentos rádio-ulnares lateral e medial, pouco desenvolvidos. No bovino, os
ligamentos rádio-ulnares comumente ossificam-se no adulto.

3.2.3. Articulação do carpo

É uma articulação composta complexa, podendo ser subdividida em três


porções: articulação rádio-ulno-cárpica, entre os extremos distais do rádio e ulna e a
fileira proximal dos ossos do carpo; articulação intercárpica, entre a fileira proximal e a
fileira distal dos ossos do carpo e articulação carpometacárpica, entre a fileira distal dos
ossos cárpicos e a extremidade proximal dos ossos metacárpicos. As três porções estão
envolvidas por uma cápsula articular comum, que se prende proximalmente na
extremidade distal do rádio e distalmente na extremidade na extremidade proximal do
metacarpo. Dois ligamentos extracapsulares estão presentes: ligamento colateral lateral
e ligamento colateral medial. O ligamento colateral lateral do carpo estende-se do
processo estiloide da ulna à face lateral da extremidade proximal do metacarpo. O
ligamento colateral medial do carpo, mais largo que o lateral, une a face medial do
extremo distal do rádio à face medial do extremo proximal do metacarpo. Ambos os
ligamentos colaterais estão intimamente aderidos à cápsula articular. Além destes,
inúmeros ligamentos intra-articulares estão presentes na articulação do carpo. Assim, na
face dorsal encontram-se os ligamentos intercárpicos dorsais, unindo entre si os ossos
do carpo, e os ligamentos carpometacárpicos dorsais, que ligam os ossos da fileira distal
do carpo aos ossos do metacarpo. Correspondentemente, na face palmar do carpo
existem ligamentos intercárpicos palmares e ligamentos carpometacárpicos palmares,
difíceis de serem individualizados devido à grande espessura da cápsula articular nesta
área. Finalmente, existem vários ligamentos intercárpicos interósseos, que unem entre si
as faces de contacto dos ossos do carpo.

Considerada como um todo. A articulação do carpo funciona como um gínglimo


e é uni-axial, permitindo apenas flexão e extensão. Entre os ossos cárpicos e o
metacarpo, no entanto, as articulações são planas, permitindo ligeiro deslizamento de
uma superfície sobre outra.

3.2.4. Articulação metacarpofalângica

É também uma articulação composta do tipo gínglimo, formada entre as duas


trócleas do metacárpico III e IV, as superfícies articulares proximais das falanges
proximais e os quatro sesamóides proximais. É do tipo uni-axial, permitindo apenas
flexão e extensão.

Nesta articulação participam inúmeros ligamentos, além do músculo interósseo


III e IV, que, nos ruminantes, é quase que exclusivamente tendíneo e funciona como
ligamento, fazendo parte do sistema passivo de suporte do corpo do animal. Os
principais ligamentos a serem identificados são os seguintes: ligamentos colaterais
41

abaxiais, unindo, a cada lado, o extremo distal do metacarpo à face abaxial de cada
falange proximal; ligamentos sesamóides colaterais, que unem cada sesamóide abaxial á
face abaxial de cada falange proximal; ligamentos intersesamóideos, que unem entre si
os quatro sesamóides proximais; ligamento sesamóideos oblíquos, que unem o
tubérculo axial de cada falange proximal ao sesamóide axial do lado oposto; ligamento
interdigital proximal, que une as faces axiais das falanges proximais entre si, impedindo
divergência excessiva entre os dois dedos principais. O músculo interósseo III e IV será
descrito no capítulo referente a músculos do membro torácico.

3.2.5. Articulação interfalângica proximal

É a articulação entre as falanges proximal e média; é do tipo gínglimo e uni-


axial, permitindo movimentos de flexão e extensão. Seus principais ligamentos são o
colateral abaxial, que une as faces dorso-abaxiais das falanges proximal e média;
colateral axial, que se prende nas faces axiais das falanges proximal e média; palmar
axial, que une as faces palmares das falanges proximal e média. Ligando entre si as
falanges médias dos dedos principais encontra-se o ligamento interdigital distal ou
cruzado; proximalmente ele se prende no tubérculo abaxial e, distalmente, no sesamóide
distal e na face axial da falange média do lado oposto.

3.2.6. Articulação interfalângica distal

É formada pela extremidade distal da falange média, pela extremidade proximal


da falange distal e pelo osso sesamóide distal, estando parcialmente contida dentro do
casco. É do tipo gínglimo, uni-axial, mas seus movimentos de flexão e extensão são
limitados pela presença do casco. Seus principais ligamentos são o colateral abaxial, que
se prende proximalmente na face abaxial da falange média e distalmente na face parietal
da falange distal e no sesamóide distal; colateral axial, que une as faces axiais das
falanges média e distal; ungulosesamóide axial, que une a face axial do sesamóide distal
à face axial da falange distal.

3.3. Articulações do membro pélvico

3.3.1. Articulação sacro-ilíaca

É a articulação entre a face sacropélvica da asa do ílio e a base do sacro. É do


tipo plano, mas no adulto suas superfícies articulares não são lisas e sua mobilidade é
muito reduzida. A cápsula articular é reforçada, na maior parte do seu contorno, por
feixes fibrosos que formam o ligamento sacro-ilíaco ventral.

O osso do quadril está também unido ao sacro e às primeiras vértebras coccígeas


pelo ligamento sacrotuberal. Este é uma extensa e resistente lâmina conjuntiva que se
prende dorsalmente na crista sacral lateral e nos processos transversais das primeiras
vértebras coccígeas e ventralmente na espinha e túber isquiáticos. Constitui grande parte
da parede lateral da cavidade pélvica, mas interrompe-se ao nível das incisuras
isquiáticas maior e menor, de modo a formar com estas os forames isquiáticos maior e
menor.
42

Os pubes e ísquios de lados opostos estão unidos no plano mediano por uma
lâmina de fibrocartilagem, constituindo esta união a sínfise pélvica. Com a idade, esta
sínfise ossifica-se progressivamente.

3.3.2. Articulação do quadril

É formada pelo acetábulo e pela cabeça do fêmur. Como a articulação do ombro,


é do tipo esferoide e tri-axial; seus movimentos incluem flexão, extensão, adução,
abdução, rotação e circundução. Sua cápsula articular prende-se proximalmente na
borda do acetábulo e distalmente no colo do fêmur. A borda do acetábulo é guarnecida
por um espesso anel de fibrocartilagem, o lábio acetabular; este ao nível da incisura
acetabular cranial recebe o nome de ligamento transverso do acetábulo. No interior da
cavidade articular encontra-se o ligamento da cabeça do fêmur, que se prende na fossa
acetabular e na fóvea da cabeça do fêmur.

3.3.3. Articulação do joelho

É uma articulação composta. Considerada como um todo é do tipo gínglimo e


uni-axial, permitindo quase que exclusivamente flexão e extensão. Pode ser dividida em
duas porções: articulação femoropatelar e articulação femorotibial.

A articulação femorapatelar faz-se entre a tróclea do fêmur e a superfície


articular da patela. A patela está presa ao fêmur por dois ligamentos: ligamento
femoropatelar lateral, que se estende da borda lateral da patela até o epicôndilo lateral
do fêmur, e ligamento femoropatelar medial, que une a cartilagem da patela a uma área
acima do epicôndilo medial do fêmur. Distalmente, a patela prende-se à tuberosidade da
tíbia por três potentes faixas fibrosas, os ligamentos patelares lateral, intermédio e
medial.

A articulação femorotibial é aquela entre os côndilos do fêmur e os côndilos da


tíbia. Entre as duas superfícies articulares interpõem-se os meniscos lateral e medial,
constituídos por fibrocartilagem e unidos à tíbia e ao fêmur por vários ligamentos. Dois
ligamentos extracapsulares unem o fêmur à tíbia: ligamento colateral lateral, que se
estende do epicôndilo lateral do fêmur à face lateral da cabeça da tíbia, na área de fusão
com a cabeça da fíbula; ligamento colateral medial, que une o epicôndilo medial do
fêmur à face medial da cabeça da tíbia. Os ligamentos intra-articulares são os seguintes:
ligamento meniscofemoral, que se estende da face caudal do menisco lateral ao côndilo
medial do fêmur; ligamento cruzado cranial, que se estende da área intercondilar cranial
da tíbia à face medial do côndilo lateral do fêmur; ligamento cruzado caudal, que cruza
com o anterior, estendendo-se da incisura poplítea da tíbia à fossa intercondilar do
fêmur; ligamentos craniais dos meniscos, que unem, de cada lado, as faces craniais dos
meniscos lateral e medial à eminência intercondilar da tíbia; ligamentocaudal do
menisco lateral, que liga a face caudal do menisco lateral à incisura poplítea e ligamento
caudal do menisco medial, da face caudal deste menisco à área intercondilar caudal.
43

O corpo adiposo infrapatelar situa-se distalmente à patela, profundamente aos


ligamentos patelares; nas peças preparadas, ele é retirado para visualização dos
ligamentos intra-articulares.

3.3.4. Articulação do tarso

É também uma articulação composta. Funciona, em conjunto, como gínglimo,


sendo os seus movimentos apenas flexão e extensão. Entre os ossos do tarso e estes e o
metatarso, no entanto, as articulações são planas, permitindo certo grau de
deslizamento. Como no carpo, a articulação do tarso pode ser dividida em três porções:
tibiotársica, entre a cóclea da tíbia, o tálus e o calcâneo; intertársica, entre a fileira
proximal e a fileira distal dos ossos do tarso e tarsometatársica, entre os ossos da fileira
distal do tarso e a base do metatarso.

As três porções são envolvidas por uma na extremidade distal da tíbia e


distalmente na base do metatarso. A cada lado da articulação do tarso dispõem-se dois
ligamentos colaterais, longo e curto. O ligamento colateral lateral longo estende-se da
face lateral da extremidade distal da tíbia e osso maleolar à base do metatarso; o
ligamento colateral lateral curto passa profundamente ao primeiro e suas fibras dirigem-
se para trás, indo inserir-se no calcâneo. Os ligamentos colaterais mediais, longo e
curto, originam-se no maléolo medial. O longo insere-se no osso centroquarto e o curto
no tálus e calcâneo. Além destes, uma espessa faixa fibrosa, o ligamento plantar do
tarso, estende-se desde a face plantar do calcâneo até a face palntar da base do
metatarso, reforçando por detrás a articulação.

Os ligamentos intra-articulares são numerosos, unindo entre si os ossos do tarso


e estes ao metatarso.

3.3.5. Articulações metatarsofalângica e interfalângicas

São semelhantes às correspondentes do membro torácico

3.4. Articulações da cabeça

A única juntura sinovial encontrada na cabeça é a articulação


temporomandibular, entre a parte escamosa do temporal (tubérculo articular e fossa
mandibular) e a cabeça da mandíbula. Entre as duas superfícies articulares dispõe-se
uma estrutura fibrocartilaginosa, o disco articular, cuja borda está aderida cápsula
articular. É uma articulação do tipo condilar, bi-axial, permitindo movimentos de
flexão, extensão e lateralidade. É bastante móvel e em grande importância no
mecanismo de mastigação. As mandíbulas movimentam-se num plano vertical, em
torno de um eixo que passa pelas duas articulações temporomandibulares, aproximando-
se ou afastando-se da maxila. Os movimentos de lateralidade, importantes na trituração
do alimento, resultam de uma ligeira rotação das cabeças das mandíbulas em torno de
um eixo vertical.
44

As demais junturas entre ossos do crânio são, em sua maioria, suturas. Estas são
de vários tipos (plana, escamosa, serreada) e recebem seus nomes de acordo com os dois
ossos unidos: sutura frontonasal, sutura internasal, sutura temporoparietal, etc.
sincondroses são encontradas entre os corpos das mandíbulas (sincondrose mandibular),
entre a parte basilar do occipital e o basi-esfenóide (sincondrose esfeno-occipital), entre
o basi-esfenóide e o pré-esfenóide (sincondrose interesfenoidal). Tanto as suturas como
as sincondroses frequentemente ossificam-se com a idade.

3.5. Articulações da coluna vertebral

Ao longo da coluna vertebral, os corpos das vértebras estão unidos entre si por
estruturas fibrocartilaginosas denominadas discos intervertebrais. Cada disco
intervertebral apresenta um anel fibroso periférico e uma área central de consistência
mole, o núcleo pulposo. Este último é um remanescente da notocorda, sendo a
fibrocartilagem aí substituída por tecido conjuntivo do tipo mucoso. Além dos discos
intervertebrais, os corpos vertebrais estão unidos pelos ligamentos longitudinais dorsal e
ventral. O ligamento longitudinal dorsal dispõe-se ao longo das faces dorsais dos corpos
das vértebras e dos discos intervertebrais, estendendo-se do áxis até o sacro. O
ligamento longitudinal ventral une as superfícies ventrais dos corpos vertebrais e dos
discos intervertebrais, estendendo-se da região torácica ao sacro; é particularmente bem
desenvolvido ao nível das vértebras lombares.

Os arcos vertebrais articulam-se entre si por meio de junturas sinoviais entre os


processos articulares craniais e caudais de vértebras adjacentes.

Os processos espinhosos das vértebras estão unidos pelos ligamentos supra-


espinhoso e interespinhosos. O ligamentosupra-espinhoso une os ápices dos processos
espinhosos, estendendo-se ao longo de toda a acoluna. Os ligamentos interespinhosos
são lâminas fibro-elásticas que unem cada processo espinhoso ao subsequente, ocluindo
os espaços entre eles.

O ligamento da nuca é um potente ligamento fibro-elástico, que se prende


cranialmente na protuberância occipital externa e nos processos espinhosos das
vértebras cervicais e caudalmente nos processos espinhosos das vértebras torácicas. Sua
principal função é auxiliar na manutenção da cabeça e pescoço erectos. Ele é dividido
em duas porções: parte funicular e parte laminar. A parte funicular é um cordão espesso
que se estende longitudinalmente da protuberância occipital externa até os processos
espinhosos das vértebras torácicas; ao nível das vértebras lombares, ele desaparece
fundindo-se com o ligamento supra-espinhoso. A parte laminar é achatada verticalmente
e une os processos espinhosos das vértebras cervicais, exceto o atlas, à parte funicular;
dispõe-se longitudinalmente, separando os lados direito e esquerdo da musculatura
dorsal do pescoço.

As junturas intervertebrais permitem movimentos de flexão dorsal, flexão


ventral, flexão lateral e rotação. Entre uma vértebra e outra estes movimentos são
pequenos, mas de sua soma resultam movimentos consideráveis de um segmento da
45

coluna em relação a outro. As vértebras cervicais e coccígeas são as que se


movimentam mais livremente.

A articulação atlanto-occipital é formada pelos côndilos do occipital e as fóveas


articulares craniais do atlas. Morfologicamente, é do tipo condilar, mas na realidade
funciona como um gínglimo, permitindo quase que só flexão e extensão da cabeça;
pequeno movimento de lateralidade pode, no entanto, ocorrer. As duas cápsulas
articulares são reforçadas pela presença das membranas atlanto-occipital dorsal e
ventral, que unem, respectivamente, as bordas dorsal e ventral do forame magno as
arcos dorsal e ventral do atlas. Além destas, há os ligamentos laterais, que se prendem
cranialmente nos processos jugulares do occipital e caudalmente nas bordas das asas do
atlas.

A articulação atlanto-axial envolve, de um lado, as fóveas articulares caudais e a


fóvea do dente no atlas e, de outro, os processos articulares craniais e o dente do áxis. É
uma típica articulação cilindroide, funcionando o dente do áxis como o eixo de rotação
do atlas e, por consequência, da cabeça. Além da cápsula articular, as superfícies
articulares são mantidas unidas pelos seguintes ligamentos: ligamento interespinhoso,
que se estende do tubérculo dorsal do atlas ao processo espinhoso do áxis; ligamento do
dente do áxis, que, une a face dorsal do dente à uma área rugosa na face interna do arco
ventral do atlas.

3.6. Articulações costovertebrais

Compreendem duas articulações separadas: articulação da cabeça da costela e


articulação costotransversal. São ambas junturas sinoviais, dotadas de cápsula articular e
ligamentos. Na articulação da cabeça da costela existem dois ligamentos: radiado e
intra-articular. O radiado estende-se ventralmente do colo da costela aos corpos de duas
vértebras adjacentes e ao disco intervertebral. O intra-articular, situado dentro da
cápsula articular, une a cabeça da costela à face dorsal do corpo da vértebra
correspondente. Na articulação costotransversal, o processo transverso de cada vértebra
está unida á parte não-articular do tubérculo da costela pelo ligamento costotransversal,
bem evidente.

Nas articulações costovertebrais, o movimento executado, quando as costelas se


expandem na inspiração, é o de rotação em torno de um eixo que passa pelo centro da
cabeça e pelo tubérculo da costela.

3.7. Articulações costocondrais, esternocostais e interesternebrais

As costelas estão unidas às respectivas cartilagens costais por junturas fibrosas;


no bovino, no entanto, as junturas costocondrais da 2ª à 11ª costelas são sinoviais. Entre
as cartilagens costais e o esterno, as junturas são também sinoviais, de modo a permitir
rotação das cartilagens quando as costelas se expandem. As últimas cartilagens costais
estão unidas entre si por tecido fibro-elástico, formando o arco costal.
46

As esternébras estão unidas uma à outra pelas sincondroses interesternebrais,


que tendem a se ossificar no adulto. Entre o manúbrio e o corpo do esterno, no entanto,
a juntura é do tipo sinovial.

4. Introdução ao estudo do sistema muscular

4.1.Conceito

Os músculos são órgãos responsáveis pelo movimento que os animais são


capazes de realizar. O movimento deve-se à contração executada pelas células ou fibras
musculares de determinado músculo.

O tecido muscular e, consequentemente, os músculos, são classificados, sob os


pontos de vista morfológico e fisiológico, em três categorias: liso, cardíaco e
esquelético. O músculo liso constitui uma das túnicas da maioria das vísceras ôcas e dos
vasos sanguíneos. Suas células são fusiformes e não possuem estriações. O movimento
resultante da contração das fibras musculares lisas é lento e escapa ao controle
voluntário do animal. O músculo cardíaco é um tipo especial. Ele é constituído por
células alongadas e ramificadas, que se anastomosam com as vizinhas e possuem
estriações transversais. O movimento resultante é rítmico, vigoroso e involuntário. O
músculo esquelético é constituído por fibras estriadas esqueléticas, que são
caracteristicamente longas e com estriações transversais. A contração do músculo
esquelético é rápida, vigorosa e está sob a vontade do indivídua (voluntária).

O vocábulo latino musculus significa pequeno rato (mus). O efeito da contração


muscular sob a pele aparenta-se com o correr de um ratinho e esta é, provavelmente, a
razão de sua denominação. O termo miosite significa inflamação do músculo.

4.2. Componentes estruturais do músculo esquelético

Os músculos esqueléticos são encontrados em situações diversas. A maioria


deles apresenta-se individualizada, dispõe-se ao longo do esqueleto e cruza uma ou mais
articulações. A contração destes músculos provoca o movimento dos segmentos ósseos
interessados. Outros músculos não se encontram diretamente presos ao esqueleto. Neste
caso, eles podem ser superficiais, de modo tal que estão ligados à pele. A sua contração
provoca o movimento da própria pele. Eles são denominados músculos cutâneos. Há
ainda outros músculos esqueléticos que se encontram relacionados com vísceras, nas
quais eles guardam seus orifícios naturais; são denominados esfíncteres.

Cada fibra muscular é envolvida por uma tênue película de tecido conjuntivo
denominada endomísio. Por sua vez, a fibras são agrupadas em feixes pelo perimísio, de
composição morfológica semelhante à do endomísio. O epimísio envolve externamente
todos os feixes de fibras de um determinado músculo. Os feixes musculares constituem
a parte carnosa ou ventre de um músculo esquelético típico e, geralmente, situam-se na
parte média deste músculo. As extremidades servem para fixação do músculo e são
denominadas tendões ou aponeuroses. Os tendões têm forma aproximadamente
cilíndrica ao passo que as aponeuroses são largas e finas. Como já foi apontado, alguns
47

músculos deixam de se prender em ossos para assim o fazerem na pele, cartilagens,


cápsulas articulares ou em outro músculo. Em muitos músculos, seus tendões são tão
curtos que dão a impressão de estarem se prendendo no osso por meio de suas fibras
musculares.

4.3. Origem e inserção

Toda vez que o músculo se contrai, uma de suas extremidades permanece fixa
enquanto a outra se desloca. A extremidade que permanece fixa durante a contração
denomina-se origem ou cabeça e a que se desloca constitui a inserção ou cauda do
músculo. Todavia, como estes termos são convencionais, existem muitas situações em
que se torna difícil reconhecer a origem e a inserção de um músculo. Nos membros
torácicos e pélvicos, a origem é sempre proximal em relação à inserção.

4.4. Bainhas Sinoviais

Em determinados locais, os tendões correm em contato com extensas superfícies


ósseas. Aí, estes tendões são envolvidos por dupla membrana conjuntivo-sinovial,
interligadas pelo mesotendão. A cavidade limitada pelas membranas é preenchida por
líquido semelhante ao líquido sinovial das cavidades articulares. Este sistema facilita o
deslocamento do tendão pela diminuição de seu atrito com as partes duras. Estas
membranas são altamente vascularizadas e podem, ocasionalmente, inflamar-se,
ocasionando graves afecções. A inflamação das bainhas sinoviais é denominada
tendovaginite.

4.5. Bolsas sinoviais

As bolsas sinoviais são sacos de tecido conjuntivo revestidos internamente por


membrana sinovial e preenchidos por líquido viscoso semelhante ao sinovial. As bolsas
sinoviais aparecem em pontos de atrito entre tendões e ossos e entre a pele e ossos. Tal
como as bainhas, elas também auxiliam o movimento pela diminuição do atrito entre ar
partes em contato. Algumas bolsas inflamam-se (bursites) com certa facilidade.

4.6. Fáscias

As fáscias são lâminas de tecido conjuntivo que envolvem os músculos e, por


conseguinte, separam-nos uns dos outros. Elas funcionam como uma bainha elástica
para os músculos, tornando assim mais eficiente a ação muscular. A separação entre os
músculos é feita por septos intermusculares que partem profundamente da fáscia e que
podem se prender nos ossos. As fáscias proporcionam espaço para que nervos e vasos
atinjam os músculos.

4.7. Nomenclatura dos músculos

Os músculos são denominados de acordo com sua posição no esqueleto (ex:


intercostal, peitoral, parótido-auricular, nasal), forma (ex: trapézio, romboide, serrátil,
48

deltoide, grácil, piriforme), direção de suas fibras (ex: reto, oblíquo, transverso) ou
ainda de acordo com a ação que executa (ex: flexor, extensor, abdutor, tensor).

4.8. Classificação dos músculos

Os músculos podem ser classificados segundo vários critérios. Abaixo estão


algumas classificações mais comumente utilizadas.

4.8.1. Quanto à disposição das fibras musculares

As fibras dos músculos esqueléticos estão paralela ou obliquamente dispostas


em relação ao eixo de contração do músculo. Fibras paralelas são encontradas nos
músculos longos e nos largos. Nos músculos longos dos membros, as fibras tendem a
convergir para os tendões, conferindo aspecto fusiforme ao músculo. Músculos que
possuem fibras oblíquas em relação aos tendões são denominados peniformes (em
forma de pena). Quando as fibras se prendem numa só borda do tendão, o músculo é do
tipo unipenado; quando as fibras se prendem em duas bordas, ele é bipenado e quando
elas se prendem em dois ou mais tendões, ele é classificado como multipenado.

4.8.2. Quanto á origem

A maioria dos músculos apresenta apenas um tendão de origem. Os músculos


que se originam por dois, três ou quatro tendões são denominados bíceps, tríceps ou
quadríceps, respectivamente. Cada um destes tendões de origem é denominado cabeça,
daí a razão da denominação destes músculos.

4.8.3. Quanto ao ventre muscular

A maioria dos músculos esqueléticos possui apenas um ventre. Entretanto,


alguns apresentam dois ou mais ventres. Os músculos com dois ventres são
denominados digástricos. Músculos poligástricos são aqueles que possuem mais de dois
ventres.

4.8.4. Quanto à inserção

De modo geral, os músculos inserem-se por meio de um tendão. No entanto,


alguns músculos inserem-se por dois tendões. Estes são denominados bicaudados.
Músculos policaudados são aqueles que se inserem por mais de dois tendões.

5. Introdução ao estudo do sistema nervoso

5.1. Considerações gerais

Todo o organismo vivo é capaz de exercer funções básicas denominadas


vegetativas, tais como reprodução, digestão, contractilidade e irritabilidade. Nos
vertebrados superiores, as células são especializadas para exercerem uma ou mais destas
funções. Por exemplo, a célula muscular é essencialmente contrátil, enquanto que o
neurônio possui estrutura que lhe permite conduzir impulsos nervosos, daí dizer-se que
o neurônio é caracteristicamente irritável.
49

O estudo filogenético e ontogenético d sistema nervoso auxilia o entendimento


deste complexo sistema. À medida que sua complexidade aumenta na escala zoológica,
permanecem padrões que podem ser reconhecidos nos níveis inferiores da evolução.

5.2. Sistema nervoso difuso

Exemplo de sistema nervoso é observado, pela primeira vz na filogênese, em


celenterados, como a hidra. Entre as camadas epiteliais que revestem externamente o
corpo e internamente o tubo digestivo destes animais, encontram-se células nervosas
constituindo redes por todo o seu corpo. Estas células nervosas estabelecem conexões
com células sensitivas do ectoderma e com células musculares da camada interna. O
estímulo proveniente do exterior distribui-se de maneira difusa por todo o organismo,
com impulsos correndo na célula nervosa em qualquer direção.

5.3. Centralização do sistema nervoso

A partir dos plantelmintos e anelídeos, os animais tendem à centralização do


sitema nervoso. Nestes animais, o sistema nervoso central é carcterizado pela presença
de um órgão cerebral primitivo, situado na extremidade rostral do animal. O
comportamento destes animais é mais complexo que o dos celenterados. Dois feixes de
fibras nervosas partem daquele órgão cerebral e distribuem-se nos tecidos do animal.
Nos anelídeos, de corpo segmentado, os dois feixes apresentam dilatações denominadas
gânglios em cada segmento. Cada gânglio age como centro coordenador, que recebe os
impulsos provenientes do segmento próprio. Para a locomoção do indivíduo, h entre os
diversos segmentos. Os neurônios que conduzem os impulsos da periferia para o
gânglio são denominados neurônios aferentes ou sensitivos. Do gânglio partem
impulsos para os órgãos efetuadores (músculos e glândulas) por meio dos neurônios
eferentes ou motores. Neurônios de associação são aqueles que estabelecem
comunicação entre os diversos segmentos corporais e servem para auxiliar na
coordenação do sistema nervoso.

5.4. Arco reflexo

Ao se estimular adequadamente a superfície corporal do anelídeo, aparece


imediatamente a contração do segmento envolvido. O arco reflexo simples consite na
possibilidade de se responder, segmentar e involuntariamente, a um estímulo
apropriado. Os elementos envolvidos no arco reflexo simples são o receptor, o neurônio
sensitivo, o gânglio (centro modulador onde ocorre a sinapse), o neurônio motor e o
órgão efetuador (músculo). Como a contração se efetua apenas num segmento, este
reflexo é conhecido como intra-segmentar. Quando o reflexo envolve mais de um
segmento, ele recebe o nome de intersegmentar e o neurônio de associação é o
responsável pela difusão do impulso para os diversos segmentos envolvidos.
50

5.5. Organização geral do sistema nervoso

5.5.1. Divisão anatômica do sistema nervoso

Vimos que, durante a filogênese, o sistema nervoso passa de difuso a


centralizado. Com isto, os estímulos do ambiente, tanto interno quanto externo, têm que
ser levados da periferia para o centro coordenador e daí para os órgãos efetuadores.
Assim, podemos dividir o sistema nervoso dos animais em sistema nervoso central
(SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O primeiro está alojado na cavidade craniana
e no canal vertebral. O segundo localiza-se por fora deste esqueleto axial. Como esta
divisão tem interesse principalmente didático, ela não é absoluta, pois os dois sistemas
estão intimamente ligados, tanto morfológica quanto funcionalmente. O SNC é
composto do encéfalo, que está localizado no crânio, e da medula espinhal, situada
dentro do canal vertebral. O encéfalo pode ser ainda subdividido em cérebro, cerebelo e
tronco encefálico. O tronco encefálico é formado pelo istmo (mesencéfalo), ponte e
bulbo.

O SNP é constituído de nervos (espinhais e cranianos), gânglios e terminações


nervosas. Os nervos são cordões esbranquiçados, formados por fibras nervosas, que
unem o sistema nervoso central aos órgãos periféricos. Os nervos espinhais estão
ligados à medula espinhal, enquanto que os nervos cranianos ligam-se ao encéfalo. O
número de nervos espinhais é variável nas espécies domésticas e está relacionado com o
número de vértebras. Os nervos cranianos, por outro lado, têm o mesmo número em
todos os animais domésticos. Os gânglios podem ser sensitivos ou motores viscerais.
Estes últimos pertencem ao sistema nervoso autônomo. As terminações nervosas são
encontradas nas extremidades distais das fibras nervosas e podem ser sensitivas ou
motoras.

5.5.2. Divisão segmentar ou metamérica do sistema nervoso

O sistema nervoso central está ligado ao sistema nervoso periférico pelos nervos.
A conexão entre estas partes se faz de uma maneira ordenada e por segmentos. Daí
podemos dividir o SN em segmentar e supra-segmentar. O primeiro engloba o sistema
nervoso periférico e as partes do sistema nervoso central que estão ligadas aos nervos,
isto é, a medula espinhal e o tronco encefálico. O segundo é constituído pelo cérebro e
cerebelo. Estruturalmente, as partes que compõem cada um destes sistemas são
semelhantes. No segmentar, a substância branca recobre a cinzenta, enquanto que na
supra-segmentar a substância branca é envolvida pela cinzenta. O supra-segmentar
controla todas as atividades do segmentar.

5.5.3. Divisão funcional do sistema nervoso

Funcionalmente, o sistema nervoso pode ser dividido em sistema nervoso da


vida de relação e sistema nervoso visceral.

O sistema nervoso da vida de relação ou somático tem a função de integrar o


animal no ambiente que o cerca. Assim, ele possui uma parte aferente, que conduz os
51

estímulos captados na superfície corporal e proveniente do ambiente. A parte eferente


transporta impulsos adequados para os músculos estriados esqueléticos, responsáveis
pela locomoção do animal e pela sua integração no ambiente.

O sistema nervoso visceral, também denominado vegetativo ou autônomo, está


relacionado com a inervação das vísceras. O controle visceral por este sistema é um
mecanismo importante na manutenção da hemostasia (constância do meio interno). Ele
possui também uma parte aferente e outra eferente. O componente aferente conduz
impulsos originados ao nível das vísceras, em visceroreceptores, para o sistema nervoso
central. A parte eferente é constituída por fibras que conduzem impulsos originados no
SNC até as vísceras, onde terminam em músculo liso, em músculo cardíaco ou em
glândulas. A parte eferente é considerada como sistema nervoso autônomo
propriamente dito e pode ser dividida em simpático e parassimpático.

5.5.4. Organização e funcionamentos gerais do sistema nervoso

Os impulsos originados de estímulos provenientes do exterior (ex: pele) ou do


interior do animal (músculos, tendões, articulações e vísceras) percorrem fibras
nervosas de neurônios sensitivos, cujos corpos estão situados em gânglios sensitivos.
Destes neurônios partem outras fibras que penetram no SNC (na medula ou no tronco
encefálico). Estas fibras podem ir direta ou indiretamente a neurônios motores, cujos
corpos situam-se dentro do SNC. Destes neurônios partem fibras eferentes que irão
estimular músculos ou glândulas. Está formado assim o arco reflexo (intra ou
intersegmentar). É o que acontece quando o animal toma uma picada de agulha e
imediatamente afasta o membro envolvido. Quando o animal toma “consciência” do
ocorrido, significa que os neurônios sensitivos que levaram o impulso, ligaram-se a
neurônios de associação situados no cérebro (córtex cerebral), onde ele se torna
“consciente” e o animal interpreta-o como sensibilidade dolorosa. O animal pode então
tomar outras atitudes, tais como afastar-se imediatamente da fonte de estímulo. Para tal,
o cérebro “comanda” seus neurônios motores e a ordem segue por meio de impulsos
que correm nas fibras destes neurônios até o SN segmentar. Aí, elas terminam em
neurônios que irão levar os estímulos até os órgãos efetuadores, no caso os músculos
estriados esqueléticos. O cerebelo é o órgão que coordena as ações motoras dos
músculos.

6. Introdução ao estudo do sistema vascular

6.1. Conceito

Os vasos sanguíneos arranjaram-se em extensa rede tubular fechada, cujos


componentes possuem composição estrutural e diâmetro variáveis. Como o nome
indica, no interior desta rede circula um dos humores mais importantes do organismo
animal, o sangue. A manutenção da circulação sanguínea, de sua pressão, dos
mecanismos de trocas entre o sangue e os tecidos e a composição do sangue constituem
objeto de outras disciplinas e, por esta razão, não são aqui abordados.
52

O coração é o órgão central do sistema, sendo encarregado de bombear o sangue


para todas as partes do corpo. Ele também participa ativamente na função de retorno do
sangue destas mesmas partes.

6.2. Tipos de vasos sanguíneos

Existem vários tipos de vasos sanguíneos. Estes são classificados de acordo com
a constituição de sua parede, diâmetro e sentido do fluxo do sangue em relação ao
coração. Deste modo, podem-se reconhecer as artérias, os capilares e as veias.

6.2.1. Artérias

São órgãos tubulares nos quais o sangue circula centrifugamente em relação ao


coração. No animal vivo, as artérias têm cor amarela ou amarelada, apresentam
pulsação característica e, quando são seccionadas, o sangue sai em esguichos. No
cadáver, têm cor esbranquiçada, estão vazias e o lume mantém-se patente. De acordo
com o calibre, elas podem ser classificadas em artérias de grande, médio e pequeno
calibres e arteríolas. Nas artérias de grande calibre predomina o tecido elástico e, por
isto, são denominadas artérias elásticas. A aorta, o tronco braquiocefálico e o tronco
pulmonar são artérias deste tipo. A constituição morfológica destas artérias confere-lhes
capacidade de dilatação. Assim, a aorta armazena um volume apreciável de sangue e é
capaz de transformar o fluxo sanguíneo intermitente, ao nível da saída do coração, em
fluxo contínuo, porém pulsátil.

As artérias de médio e pequeno calibres são conhecidos como musculares em


razão do grande contingente de fibras musculares lisas que participam na constituição
de suas paredes. O tecido elástico, embora reduzido, ainda continua presente. A
proporção entre fibras musculares lisas e tecido elástico nestas artérias é variável. As
artérias do encéfalo, por exemplo, contêm poucas fibras musculares em suas paredes.
As artérias de médio e pequeno calibres são as mais numerosas artérias do corpo. São,
portanto, as artérias que distribuem o sangue pelo organismo animal (artérias
distribuidoras).

As arteríolas são as últimas divisões das artérias. Em geral, elas ocorrem no


interior dos órgãos. Suas paredes são constituídas predominantemente de fibras
musculares lisas. As arteríolas oferecem grande resistência ao fluxo sanguíneo,
diminuindo a pressão do sangue antes de circular nos capilares.

Durante seu percurso, as artérias dividem-se em novos ramos, à semelhança dos


galhos de uma árvore. Consideram-se como ramos terminais aqueles que partem de um
tronco principal e estes então deixa de existir como tal. Ramos colaterais, por sua vez,
são aqueles emitidos ao longo do percurso de um tronco principal, sem que este perca
sua identidade. Geralmente, os ramos colaterais são emitidos do tronco principal em
ângulo agudo. Quando a emissão é um ângulo obtuso, o fluxo de sangue no ramo
colateral tem sentido inverso ao tronco principal. Por isto, este ramo colateral recebe o
nome especial de recorrente.
53

6.2.2. Capilares

Os capilares formam extensas redes de vasos sanguíneos microscópicos situados


no interior dos órgãos e nas quais desembocam as arteríolas. Suas paredes são
membranas semi-permeáveis. Elas deixam passar para o tecido o oxigênio e outros
nutrientes e recebem dele CO2 e resíduos do metabolismo tissular. A densidade de
capilares varia de um órgão para outro, sendo mais abundante nos órgãos mais ativos.
Alguns órgãos, como epiderme, córnea, lente e cartilagens hialinas não possuem
capilares.

6.2.3. Veias

As veias formam a parte da rede de vasos sanguíneos que transporta o sangue


dos tecidos para o coração. O sentido da corrente sanguínea nas veias é, portanto,
contrário daquele nas artérias. Os pequenos vasos que recolhem o sangue dos plexos
capilares constituem as Vênulas. Estas confluem para veias que se tornam cada vez mais
calibrosas à medida que se aproximam do coração. A estrutura da parede das veias é
semelhante à das artérias. No entanto, a parede é mais delgada que a das artérias
correspondentes. Por outro lado, seu diâmetro é geralmente maior que das artérias
correspondentes. Sua túnica média tem poucas fibras musculares lisas e pouco tecido
elástico. As veias apresentam, caracteristicamente, pregas na superfície interna da
parede, denominadas válvulas. As válvulas estão presentes na maioria das veias, exceto
nas veias do cérebro e nas veias cavas; servem para auxiliar o retorno do sangue ao
coração.

6.3. Anastomoses

A união entre dois ramos arteriais ou entre duas veias é denominada anastomose.
Anastomoses arteriais são encontradas nos membros, em vísceras e na base do encéfalo.
Em caso de obstrução de um dos ramos anastomóticos, a circulação pode ser mantida
por meio do outro ramo que participa da anastomose. Este mecanismo de manutenção
do fluxo adequado de sangue, denominado circulação colateral, pode ser feito também à
custa da rede capilar do órgão em tela.

Existe um tipo de anastomose que se faz diretamente entre uma arteríola e uma
vênula, em situação pré-capilar. Este tipo especial de anastomose é encontrado na pele
de certas regiões do corpo animal, bem como no intestino. É um mecanismo de desvio
de sangue da rede capilar e acionado quando há necessidade de conservar energia. O
segmento de união entre os dois vasos anastomóticos possui uma parede de estrutura
bastante complexa, na qual se destaca uma espessa camada muscular.

6.4. Redes admiráveis

Certas artérias, num determinado ponto de seu curso, dividem-se em dezenas de


ramúsculos de pequeno comprimento e calibre, os quais, logo após, reúnem-se
novamente para reconstruir o tronco arterial. Estes arranjos arteriais são encontrados nos
ruminantes e porco (ex: rede admirável oftálmica e rede admirável epidural rostral).
54

6.5. Seios venosos

São estruturas revestidas internamente por endotélio, de cavidade ampla, repletas


de sangue venoso e que se dispõem no curso de determinados sistemas venosos. Alguns
seios podem conter artérias ou mesmo redes admiráveis. É possível que este último
arranjo sirva a mecanismos temorreguladores.

6.6. Tipos de circulação sanguínea

6.6.1. Circulação sistêmica

É a circulação que se inicia no ventrículo esquerdo do coração com o sangue


oxigenado. Este abandona o ventrículo esquerdo através da aorta e por meio de suas
artérias distribuidoras alcança os diferentes órgãos. Após suprir os tecidos, o sangue
retorna ao coração desaguando no átrio direito, através das veias cava cranial e caudal.

6.6.2. Circulação pulmonar

É a circulação que tem início no ventrículo direito do coração e atinge a rede


capilar do pulmão, correndo inicialmente no tronco pulmonar e depois nas artérias
pulmonares. Após sofrer a hematose, o sangue oxigenado abandona os pulmões por
meio das veias pulmonares e chega ao átrio esquerdo.

6.6.3. Circulação portal

Nesta circulação, um tronco venoso está interposto entre duas redes capilares. Os
exemplos de circulação portal são os sistemas porta-hepático e o sistema porta-
hipofisário. A veia porta está situada entre capilares do intestino e do fígado.

6.7. Sistema linfático

O sistema linfático auxilia o sistema vascular sanguíneo na drenagem dos


líquidos tissulares. Ele é constituído de vasos linfáticos, tecido linfático ou linfoide e de
linfa. O tecido linfático encontra-se difuso em alguns órgãos ou organiza-se em
estruturas isoladas denominadas linfonodos. As grandes moléculas de proteínas dos
líquidos tissulares que não atravessam as paredes dos capilares sanguíneos são
absorvidas pelo sistema linfático. Além disto, o sistema produz os linfócitos que são
lançados na corrente sanguínea. Um linfonodo ou um grupo de linfonodos que recebem
vasos linfáticos aferentes de uma região do corpo animal pode ser denominado
linfocentro.

6.7.1. Vasos linfáticos

Os vasos linfáticos são formados inicialmente por uma rede capilar linfática. Os
capilares desta rede têm diâmetro irregular e são mais amplos que os capilares
sanguíneos. A linha aí formada então para vasos linfáticos maiores, visíveis
macroscopicamente. Em suas paredes aparecem constrições regulares, lhes conferem o
aspecto de rosário. Estas constrições correspondem, internamente, à inserção de
55

válvulas, abundantes nestes vasos e que estão dispostas de modo a não permitir o
refluxo da linfa. Os vasos linfáticos correm em grupos e, geralmente, estão intercalados
com linfonodos. Os vasos linfáticos acabam por desembocar em troncos linfáticos.
Estes são em número reduzido e, portanto, coletam a linfa de extensas regiões corporais.
O ducto torácico é o mais calibroso dos vasos linfáticos. A maioria dos troncos
linfáticos desemboca neste ducto. Os capilares linfáticos estão presentes em todos os
tecidos que apresentam capilares sanguíneos, exceto no SNC e medula óssea.

7. Roteiro para dissecação e estudo do membro torácico

7.1. Faces laterais do ombro e do braço

7.1.1. A dissecação começa com a retirada da pele, que deve ser demonstrada pelo
instrutor. A remoção da pele deve ser feita cuidadosamente, a fim de se evitar cortar
estruturas mais profundas. Faça uma incisão na pele sobre a linha mediana ventral,
desde o terço médio do pescoço até a cicatriz umbilical. Em seguida, faça três incisões
perpendiculares àquela. Uma, a partir do ponto de origem da primeira incisão até a linha
mediana dorsal, cruzando a região lateral do pescoço. Outra, da linha mediana ventral
até a face medial da articulação do cotovelo, atravessando a axila. A terceira começa na
cicatriz umbilical e passa sobre a região abdominal lateral até a linha mediana dorsal.
Remova a pele desde a linha mediana ventral até a linha mediana dorsal. Na altura do
cotovelo, faça uma incisão contornando esta articulação. A pele do antebraço e da mão
não será removida nesta fase.

7.1.2. Identifique, logo abaixo da pele, o músculo cutâneo do tronco. Este é um músculo
de forma laminar que se estende da face lateral do ombro até as faces laterais da pelve e
da coxa, cobrindo o tórax e o abdome.

7.1.3. Identifique agora os músculos peitorais. Estes músculos ocupam o espaço entre o
esterno e a face medial do braço. De acordo com o sentido de suas fibras, podemos
reconhecer o músculo peitoral superficial e o músculo peitoral profundo. Como o nome
indica, o músculo peitoral superficial cobre parcialmente o peitoral profundo. Em
algumas peças, é necessário remover o tecido conjuntivo, predominantemente adiposo,
que recobre estes músculos.

7.1.4. Neste ítem, deverão ser identificados, no sentido craniocaudal, os músculos


braquiocefálico, omotransversal, trapézio e grande dorsal. Este último está encoberto
pelo músculo cutâneo do tronco. Estes músculos servem para prender o membro
torácico ao pescoço e ao tronco. Se necessário, remova o conjuntivo que os recobre.
Rebata ventralmente o cutâneo do tronco para visualizar o grande dorsal.

7.1.5. Identifique a veia cefálica, que corre sobre o músculo braquiocefálico, vindo da
face medial cranial do antebraço em direção ao pescoço.

7.1.6. Localize a espinha da escápula. Cranialmente a ela e sob a aponeurose do


trapézio, identifique o músculo supra-espinhal, que se aloja na fossa supra-espinhal da
escápula. Caudalmente à espinha, identifique o músculo infra-espinhal, que ocupa a
56

fossa de mesmo nome da escápula. Identifique agora o músculo deltoide. Ele é


constituído de duas partes. A parte cranial é denominada, acromial e a caudal é
denominada escapular. As suas aponeuroses recobrem parcialmente o músculo infra-
espinhal e fundem-se à fáscia que recobre este músculo.

7.1.7. Identifique os músculos tríceps e tensor da fáscia do antebraço. Eles ocupam o


ângulo caudal formado pela escápula e pelo úmero. O tríceps é o mais cranial e, nesta
face, aparecem duas de suas cabeças: cabeça lateral e a cabeça longa. A cabeça lateral é
a menor e a mais cranial. Localize o limite entre as duas cabeças do tríceps. O músculo
tensor da fáscia do antebraço é alongado, estreito e situa-se caudalmente à cabeça longa
do tríceps.

7.1.8. Isole com cuidado a cabeça lateral do tríceps e seccione-a transversalmente ao


nível de seu terço médio. Afaste os cotos (ou segmentos) do músculo e identifique,
inicialmente, o nervo radial. Disseque-o distalmente até sua divisão em ramo superficial
e ramo profundo. Cranialmente ao nervo radial localize o músculo braquial.
Caudalmente àquele nervo localize o músculo ancôneo, que se dirige para o olecrano.

7.1.9. Determine os limites das partes acromial e escapular do deltoide. Em cada uma
delas, faça uma secção transversal ao nível de seu terço médio. Afaste os cotos da parte
escapular e identifique profundamente o nervo axilar, que se ramifica nesta área.
Localize aí, também, profundamente à parte recém-exposta do músculo infra-espinhal, o
pequeno músculo redondo menor. Finalmente, afaste os cotos da parte acromial do
deltoide e identifique o ramo do nervo axilar para o músculo braquiocefálico.

7.1.10. Faça uma revisão do estudo dos principais acidentes da escápula, úmero, rádio e
ulna. Reveja também, em peças isoladas, as articulações do ombro e do cotovelo.

7.1.11. Estudem, no capítulo de músculos do membro torácico, os músculos até agora


identificados. Com relação ao nervo radial, seu estudo será feito em conjunto com os
outros nervos do plexo braquial.

7.2. Axila

7.2.1. Para dissecar a axila, é necessário seccionar os músculos que prendem o membro
torácico ao pescoço e ao tronco. Trace um arco de 20-25 cm de raio, centrado no
acrômio e seccione, no sentido craniocaudal, os músculos braquiocefálico,
omotransversal, trapézio, cutâneo do tronco e grande dorsal.

7.2.2. Delimite as bordas cranial e caudal do músculo peitoral superficial e seccione-o


transversalmente em seu terço médio. Rebata os cotos do músculo peitoral superficial e
delimite o músculo peitoral profundo. Seccione também este último em seu terço médio
e rebata seus cotos.

7.2.3. Com o braço ligeiramente abduzido, disseque ao nível da articulação do ombro e


medialmente ao músculo braquiocefálico, o delgado músculo subclávio e a artéria
cervical superficial. Estas estruturas situam-se dorsalmente à veia cefálica.
57

7.2.4. Remova com cuidado os tecidos conjuntivo e adiposo da região axilar. À medida
que estes tecidos são removidos, aparecem os nervos componentes do plexo braquial e a
artéria e veia axilares. Neste item, a tarefa consiste apenas em isolar estas estruturas,
sem a preocupação de dar-lhes nome.

7.2.5. Agora, seccione, no sentido craniocaudal, o músculo subclávio, a artéria cervical


superficial, a veia cefálica, os nervos do plexo braquial e a artéria e veia axilares. Esta
secção deve ser feita rente ao pescoço e à parede do tórax.

7.2.6. Identifique o músculo serrátil ventral, que recobre a parede lateral do tórax e a
parte caudal do pescoço, indo prender-se na face medial da escápula. Seccione
transversalmente este músculo, junto à escápula.

7.2.7. Após estas manobras, o membro está preso ao tronco apenas pelo músculo
romboide. Este está situado profundamente ao trapézio. Seccione transversalmente,
liberando o membro torácico.

7.2.8. Identifique, na face medial da escápula, no sentido craniocaudal, os músculos


supra-espinhal, subescapular e redondo maior. Como se pode notar, o músculo supra-
espinhal aloja-se na fossa supra-espinhal e cobre a borda cranial da escápula. O músculo
subescapular é constituído por 3 fascículos que convergem distalmente, fundindo-se
num ventre único ao nível do ângulo distal da escápula. O músculo redondo maior situa-
se ao longo da borda caudal da escápula, unido parcialmente ao subescapular. Sua
extremidade distal separa-se deste último para se prender no úmero. Relaciona-se
lateralmente com o músculo grande dorsal.

7.2.9. Neste item, serão dissecados os nervos do plexo braquial. Antes de iniciar esta
dissecação, identifique os linfonodos axilares, em número de 1 ou 2; eles são estruturas
ovoides ou arredondadas, com 0,5 a 1,0 cm de diâmetro.

O plexo braquial é formado por feixes nervosos provenientes dos ramos ventrais
dos três últimos nervos espinhais cervicais e do primeiro nervo espinhal torácico. Cada
nervo espinhal emerge do forame intervertebral respectivo. Do plexo braquial originam-
se os nervos para o membro torácico. Identifique, no sentido craniocaudal, o tronco
comum dos nervos supra-escapular e subescapular cranial, o tronco comum dos nervos
subescapular caudal, toracodorsal, axilar e radial e o tronco comum dos nervos ulnar,
mediano e musculocutâneo.

7.2.10. Disseque o nervo supra-escapular até sua penetração no espaço entre os


músculos supra-espinhal e subescapular. Siga o nervo subescapular cranial até sua
penetração no músculo subescapular. Passe a dissecar agora os nervos do segundo
tronco. Acompanhe o nervo subescapular caudal até sua ramificação na parte caudal do
músculo subescapular. Disseque o nervo toracodorsal até alcançar a face profunda do
músculo grande dorsal. Verifique a penetração do nervo axilar no espaço entre os
músculos subescapular e redondo maior. Disseque o nervo radial até seu limite com o
músculo peitoral profundo. Disseque também o terceiro tronco até este mesmo limite.
58

7.2.11. Disseque a artéria axilar até sua bifurcação em artérias subescapular e braquial.
A artéria braquial corre distalmente e sua dissecação será feita na face medial do braço.
A artéria subescapular dirige-se proximalmente, no espaço entre os músculos
subescapular e redondo maior. Ela emite ramos para musculatura do ombro e do braço.
O estudo destes ramos poderá ser feito no capítulo referente a artérias do membro
torácico. Verifique que as artérias axilar, braquial e subescapular são acompanhadas por
veias satélites homônimas.

7.2.12. Disseque o linfonodo cervical superficial na face profunda do músculo


braquiocefálico, cranialmente ao músculo supra-espinhal. Geralmente, este linfonodo
está recoberto por tecido conjuntivo adiposo, que deverá ser removido. Verifique
também, adjacente ao referido linfonodo, a distribuição da artéria cervical superficial, já
identificada (item 7.2.3).

7.2.13. Estude os músculos identificados nesta região.

7.3. Face medial do braço

7.3.1. Separe o coto braquial do músculo peitoral superficial do coto braquial do


músculo peitoral profundo. Rebata ambos os cotos cranialmente, de modo a expor a
face medial do braço.

7.3.2. Retire com cuidado a fáscia que recobre esta região. Identifiquem, no sentido
craniocaudal, os músculos bíceps do braço, coracobraquial, tríceps e tensor da fáscia do
antebraço. O bíceps do braço estende-se ao longo da face cranial do úmero.
Caudalmente ao bíceps encontra-se o coracobraquial, que se estende do processo
coracóide da escápula até o terço médio do corpo do úmero. O tríceps e o tensor da
fáscia do antebraço já são conhecidos. Nesta face, pode-se identificar, além da cabeça
longa, a cabeça medial do tríceps. Esta última situa-se entre o corpo do úmero e a
cabeça longa.

7.3.3. Retome a dissecação do nervo radial. Note seus ramos musculares para o tríceps e
disseque-os até sua penetração entre as cabeças medial e longa deste músculo. Daí, ele
passa à face lateral do braço, onde já foi dissecado.

7.3.4. Retome a dissecação do tronco comum dos nervos mediano, musculocutâneo e


ulnar. Disseque, inicialmente, o nervo ulnar, que se destaca do tronco ao nível do terço
proximal do braço e corre em direção ao olecrano, ao longo da borda cranial da parte
longa do tríceps. Verifique o nervo cutâneo do antebraço, que se destaca do ulnar nesta
região. Interrompa a dissecação do nervo ulnar ao nível do cotovelo.

7.3.5. Disseque agora o ramo muscular proximal do nervo musculocutâneo, que se


destaca da porção inicial do tronco, dirige-se cranialmente, atravessa o terço médio do
músculo coracobraquial e termina no bíceps do braço.

7.3.6. Disseque distalmente, acompanhando a artéria braquial, o nervo mediano e o


nervo musculocutâneo, que se encontram fundidos num único tronco. Verifique que, no
59

terço distal do braço, o nervo musculocutâneo separa-se do mediano e penetra no espaço


entre o úmero e o bíceps do braço, para ramificar-se no músculo braquial. Siga o nervo
mediano até o nível do cotovelo.

7.3.7. Finalmente, disseque a artéria braquial até o cotovelo e note seus vários ramos
musculares na face medial do braço.

7.3.8. Estude os músculos, vasos e nervos dissecados nesta região.

7.4. Antebraço e mão

7.4.1. Faça uma incisão vertical na pele da face medial do antebraço e da mão, até o
casco. Faça outra incisão perpendicular à primeira, na face medial do carpo. Remova a
pele, rebatendo-a nos sentidos cranial e caudal, até contornar completamente os
segmentos que serão dissecados.

7.4.2. Disseque, na tela subcutânea da face cranial do antebraço, a veia cefálica e o ramo
superficial do nervo radial.

7.4.3. Para a dissecação das veias tributárias da veia cefálica e dos nervos originados do
ramo superficial do radial, consulte suas descrições nos capítulos de veias e de nervos
do membro torácico. Faça o mesmo para a dissecação dos nervos cutâneo cranial
(debaixo do deltoide), cutâneo lateral (debaixo do nervo radial), cutâneo medial e
cutâneo caudal do antebraço (vem do nervo ulnar).

7.4.4. Seccione longitudinalmente a fáscia do antebraço ao longo da borda medial do


rádio. Rebata esta fáscia cranial e caudalmente e libere as inserções do peitoral
superficial e do braquiocefálico.

7.4.5. Identifique cranialmente ao rádio, o músculo extensor radial do carpo e a inserção


dos músculos bíceps e braquial. O extensor radial do carpo situa-se ao longo da face
cranial do rádio. O bíceps e o braquial inserem-se no terço proximal do rádio.

7.4.6. Identifique cruzando a face medial da articulação do cotovelo, uma estreita fita
fibrosa, que corresponde ao músculo pronador redondo. Caudalmente a este músculo e
ao rádio identifique os músculos flexor radial do carpo e flexor ulnar do carpo; destes, o
flexor ulnar do carpo é o mais caudal.

7.4.7. Observe a artéria braquial e o nervo mediano cruzando a face profunda do


músculo pronador redondo. Para prosseguir sua dissecação, seccione os músculos
pronador redondo e flexor radial do carpo em seus terços médios. Afaste os cotos destes
músculos e disseque os ramos musculares do nervo mediano e da artéria braquial.
Disseque a origem da artéria interróssea comum, que é o último ramo da artéria braquial
e que se dirige para o espaço interósseo proximal. Após a emissão da artéria interóssea
comum, a artéria braquial passa a chamar-se artéria mediana, acompanhando o nervo
mediano.
60

7.4.8. Continue agora a dissecar distalmente a artéria e nervos medianos. No terço


médio do antebraço, a artéria mediana emite a delgada artéria radial. Acompanhe nervo
mediano e as artérias mediana e radial até o nível do carpo.

7.4.9. Retome a dissecação do nervo ulnar a partir do cotovelo. Note que ele passa
profundamente á origem ulnar do flexor ulnar do carpo, onde emite vários ramos
musculares. Acompanhe-o distalmente na face caudal do antebraço, sob a borda caudal
do músculo flexor ulnar do carpo. Próximo ao carpo verifique sua bifurcação em ramo
dorsal e ramo palmar.

7.4.10. Estude agora os músculos flexor superficial dedos e flexor profundo dos dedos.
Seus ventres situam-se profundamente aos músculos flexor radial do carpo e flexor
ulnar do carpo e seus tendões correm na face palmar do metacárpico III e IV,
estendendo-se até a face palmar dos dedos III e IV. Seccione o flexor ulnar do carpo em
seu terço médio e note que ele cobre o ventre do flexor superficial dos dedos. Observe
que o ventre deste último divide-se, no terço distal do antebraço, em partes superficial e
profunda. Afaste os músculos flexor superficial dos dedos e flexor radial do carpo e
identifique as várias cabeças do músculo flexor profundo dos dedos.

7.4.11. Disseque, no canal cárpico, os tendões dos músculos flexor superficial e flexor
profundo dos dedos, as artérias mediana e radial e o nervo mediano. Note que a parte
profunda do flexor superficial dos dedos está presa ao tendão do flexor profundo dos
dedos por duas estruturas. Destas duas, a proximal é curta e tendínea, correspondendo
ao músculo interflexor proximal. A distal é mais extensa e carnosa e constitui o músculo
interflexor distal.

7.4.12. Prossiga, na face palmar do metacarpo, a dissecação das artérias mediana e


radial e do nervo mediano. Verifique, no terço médio ou distal do metacarpo, a
anastomose da artéria radial com a artéria mediana. Prossiga, distalmente, a dissecação
da artéria mediana até o nível da articulação metacarpofalângica, onde ela passa a
chamar-se artéria digital palmar comum III. Disseque esta última no espaço interdigital
e verifique sua bifurcação final em artérias palmares próprias dos dedos III e IV.

7.4.13. Retome a dissecação do nervo ulnar no ponto em que ele se divide em ramos
dorsal e palmar. O ramo dorsal será estudado na face lateral da mão. Disseque o ramo
palmar na face palmar do metacarpo e note, a este nível, sua união com o ramo
comunicante do nervo mediano. Consulte agora o capítulo referente a nervos do
membro torácico para estabelecer a distribuição do ramo palmar do nervo ulnar. Faça o
mesmo em relação aos ramos teminais do nervo mediano.

7.4.14. Neste item serão estudados os tendões dos músculos flexor superficial dos
dedos, flexor profundo dos dedos e interósseo III e IV. Observe no terço médio do
metacarpo, a fusão dos tendões das partes superficial e profunda do flexor superficial
dos dedos num único tendão. Note que o tendão do flexor superficial dos dedos bifurca-
se ao nível da articulação metacarpofalângica, formando um tendão para cada dedo
principal.
61

Identifique profundamente ao tendão do flexor superficial dos dedos, o tendão


do flexor profundo dos dedos e, profundamente a este, o músculo interósseo III e IV.
Este último músculo está constituído, nos ruminantes, exclusivamente de tecido fibroso
e forma cintas ligamentosas que envolvem a articulação metacarpofalângica.

Tal como ocorre com o flexor superficial dos dedos, o tendão do músculo flexor
profundo dos dedos também se divide, ao nível da articulação metacarpofalângica, num
tendão para cada dedo principal. Cada um destes tendões corre no interior de um canal
formado pela fusão do tendão do flexor superficial dos dedos com parte do músculo
interósseo III e IV. Para verificar esta situação, faça uma secção longitudinal na parede
deste canal. Finalmente, note as inserções dos músculos flexores superficial e profundo
dos dedos nas falanges média e distal, respectivamente.

7.4.15. Localize o ramo dorsal do nervo ulnar e disseque-o distalmente na face lateral
do carpo e metacarpo. Estude a distribuição de seus ramos terminais descrita no capítulo
de nervos do membro torácico.

7.4.16. Remova a fáscia que recobre os músculos da face lateral do antebraço.


Identifique o músculo extensor radial do carpo. Este é um potente músculo que ocupa a
face cranial do antebraço e cujo tendão se insere na extremidade proximal do
metacárpico III e IV. Observe, ao nível do terço distal do rádio, o pequeno músculo
abdutor longo do polegar cujo tendão cruza obliquamente, nos sentidos lateromedial e
proximodistal, o tendão do músculo extensor radial do carpo.

Os demais músculos da face lateral do antebraço situam-se caudalmente ao


extensor radial do carpo e são, no sentido craniocaudal, os seguintes: extensor do dedo
III, extensor comum dos dedos, extensor do dedo IV e ulnar lateral. Para identifica-los
com segurança, é necessário dissecar seus tendões distalmente até suas inserções. Note
que o tendão do extensor comum dos dedos bifurca-se ao nível da articulação
metacarpofalângica, enviando um tendão para cada dedo principal. Finalmente, observe
que o tendão do ulnar lateral insere-se no carpo.

7.4.17. Retome a dissecação do ramo profundo do nervo radial. Verifique sua


penetração no espaço entre os músculos braquial e extensor radial do carpo. Estude a
distribuição deste ramo no capítulo referente a nervos do membro torácico.

7.4.18. Estude os músculos, vasos e nervos dissecados.

7.5. Revisão geral do membro torácico

7.5.1. Reconheça, tanto em esqueletos como em peças dissecadas, os segmentos do


membro torácico.

7.5.2. Faça revisão dos termos indicativos de posição e direção utilizados no membro
torácico, com seus significados e exemplos.
62

7.5.3. Estude os ossos do membro torácico, com ênfase nas saliências ósseas articulares
e nas que servem para origem e inserção musculares.

7.5.4. Estude as articulações do membro torácico, com ênfase nas superfícies articulares
envolvidas, nos ligamentos, presentes e nos movimentos executados.

7.5.5. Estude os músculos do membro torácico. Para cada um deles, verifique, nas peças
dissecadas e em peças especiais, sua origem, inserção e inervação. A ação dos músculos
é, na maioria das vezes, complexa. Num dado movimento executado pelo animal, vários
grupos musculares estão envolvidos, tornando difícil individualizar a ação de cada um
deles. Agrupe os músculos de determinada região por sua ação e inervação.

7.5.6. Estude os principais troncos arteriais dissecados e determine suas áreas de


distribuição.

7.5.7. Estude as veias e linfonodos dissecados, determinando suas respectivas áreas de


drenagem.

7.5.8. Estude os nervos do plexo braquial para o membro torácico. Determine seu
trajeto, áreas cutâneas por eles supridas e grupos musculares por eles inervados.

8. Músculos do membro torácico

8.1. Músculos da cintura escapular

Estes músculos mantêm o membro torácico preso ao tronco.

8.1.1. Cutâneo do tronco

É um extenso músculo de forma laminar que recobre o tronco, desde o ombro


até a pelve, situando-se na tela subcutânea. Suas fibras dirigem-se principalmente em
sentido craniocaudal. A contração destas fibras provoca movimento brusco da pele
adjacente. É inervado por ramos cutâneos de nervos intercostais, lombares e sacrais e
pelo nervo torácico lateral.

8.1.2. Peitoral superficial

Está situado na porção ventrocranial do tórax e é constituído de duas porções


distintas; músculo peitoral descendente e músculo peitoral transverso. O músculo
peitoral descendente é o mais espesso. Origina-se no manúbrio do esterno por uma rafe
fibrosa comum aos músculos dos dois lados. É constituído de dois ventres: um
superficial, que se prende na fáscia do braço e na cabeça e colo do rádio e um profundo,
que se prende apenas nas fáscias do braço. O músculo peitoral descendente relaciona-se
superficialmente com a pele, lateralmente com o músculo braquiocefálico e
profundamente com os músculos esternocefálico e peitoral profundo. O músculo
peitoral transverso é uma lâmina muscular larga, bastante delgada e de coloração mais
clara. Originando-se ventralmente no esterno, desde a primeira até a sexta cartilagem
costal, cruza a axila e a face medial da articulação do cotovelo e insere-se na fáscia do
63

antebraço. Relaciona-se superficialmente com a pele e profundamente com o músculo


peitoral profundo.

O músculo peitoral superficial é irrigado por ramos das artérias torácica externa
e torácica interna.

Ação e inervação: é adutor do membro e, de acordo com a posição do tronco,


leva o membro para frente ou para trás. Quando o membro está fixo, puxa o tronco para
o lado. É inervado pelos nervos peitoral cranial, peitoral caudal e intercostal V.

8.1.3. Peitoral profundo

É um músculo bastante largo, delgado e de contorno triangular, que ocupa quase


toda a área lateroventral do tórax. Origina-se por uma rafe fibrosa na face ventral do
esterno, nas cartilagens costais das costelas esternais (nos bovinos, a partir da costela II
e nos pequenos ruminantes, a partir da V) e na túnica flava do abdome. Insere-se nos
tubérculos maior e menor do úmero e no processo coracóide da escápula, por meio do
tendão de origem do músculo coracobraquial. Uma pequena porção projeta-se
dorsalmente e confunde-se com o músculo supra-espinhal. Relaciona-se,
superficialmente, com o músculo peitoral superficial e a pele; dorsolateralmente, com o
músculo cutâneo do tronco; lateralmente, com os músculos da face medial do braço e,
profundamente, com os músculos serrátil ventral, reto do tórax, intercostais externos e o
tendão de origem do músculo reto do abdome, e ainda com a face externa das costelas e
do esterno.

O músculo peitoral profundo é irrigado por ramos das artérias torácica externa,
intercostais, torácica interna e transversa da escápula.

Ação e inervação: é adutor do membro e, de acordo com a posição do tronco,


leva o membro para frente ou para trás. Quando o membro está fixo, puxa o tronco para
o lado. É inervado pelos nervos peitoral cranial, peitoral caudal e intercostal V.

8.1.4. Braquiocefálico

É longo e delgado, ocupando a porção cranial do braço e lateral do pescoço.


Uma cinta fibrosa denominada intersecção clavicular, que corresponde à clavícula,
atravessa a estrutura do músculo ao nível da articulação do ombro e o divide em duas
porções, cleidobraquial e cleidocefálica. A intersecção clavicular está ausente nos
pequenos ruminantes. Nestes animais, a articulação do ombro é usada como ponto de
referência para a divisão do músculo.

Nos bovinos, o músculo cleidobraquial insere-se na borda cranial do úmero, logo


abaixo da tuberosidade deltoidea. Nos pequenos ruminantes, ele estende-se mais
distalmente, inserindo-se na face medial da cabeça e colo do rádio, juntamente com a
porção superficial do músculo peitoral descendente. Relaciona-se, profundamente, com
o músculo peitoral profundo e, superficialmente, com a pele, fáscia braquial e veia
64

cefálica, que o cruza obliquamente, próximo ao seu terço distal. Sua inserção está
coberta pela proção profunda do músculo peitoral descendente.

O músculo cleidocefálico está constituído de duas porções: cleido-occipital e


cleidomastóidea. Nos bovinos, elas estão separadas cranialmente. Nos pequenos
ruminantes, elas se acham fundidas. A porção cleido-occipital insere-se no osso
occipital e a cleidomastóidea no processo mastoide do osso temporal. Superficialmente,
o músculo cleidocefálico relaciona-se com a pele e fáscia da região cervical lateral.
Profundamente, com o músculo omotransversal, a porção cervical do serrátil ventral, o
linfonodo cervical superficial e o nervo acessório.

As artérias torácica externa e interna cervical superficial irrigam o músculo


braquiocefálico.

Ação e inervação: quando o braço está apoiado no solo, a cabeça e o pescoço são
inclinados lateralmente. Quando estes permanecem imóveis, o membro é deslocado
cranialmente. O músculo cleidobraquial é inervado por um ramo do nervo axilar; o
músculo cleidocefálico é inervado por ramos dos nervos cervicais.

8.1.5. Omotransversal

É um músculo longo, estreito e delgado, que se origina na asa do atlas e,


algumas vezes, no processo transversal do áxis. Ocupa a face lateral do pescoço,
profundamente ao músculo braquiocefálico, ao qual está parcialmente fundido. Seu
terço distal está entre o braquiocefálico, ventralmente, e a porção cervical do trapézio,
dorsalmente, e insere-se na espinha da escápula. Relaciona-se profundamente, em seu
terço distal, com o linfonodo cervical superficial.

A irrigação do músculo omotransversal é feita por ramos das artérias vertebral e


cervical superficial.

Ação e inervação: puxa o membro para a frente. Com o membro fixo, inclina a
cabeça e o pescoço par ao lado. É inervado por ramos dos nervos cervicais.

8.1.6. Trapézio

É um músculo superficial, triangular, que prende a escápula ao tórax e pescoço.


Embora não se observe nenhuma linha nítida de divisão em sua estrutura, é estudado
como possuindo duas partes:

• Cervical: é delgada, plana e triangular. Origina-se por uma rafe fibrosa na linha
mediana dorsal. Nos bovinos, estende-se, até o terço médio do pescoço. Insere-
se na espinha da escápula por curta aponeurose.

• Torácica: é também plana e triangular. Nos bovinos é menos extensa que a


porção cervical, porém mais espessa. Nos pequenos ruminantes, é mais extensa
que a cervical. Origina-se, nos bovinos, no ligamento supra-espinhal, ao nível
das seis ou sete primeiras torácicas. Nos ovinos e caprinos, sua origem vai da
65

segunda à decima-segunda torácica. Sua inserção é no túber da espinha da


escápula.

O músculo trapézio é irrigado por ramos superficiais das artérias intercostais e


cervical superficial.

Ação e inervação: o músculo, como um todo, age como elevador da escápula. A


porção cervical puxa a escápula para cima e para frente. A porção torácica leva a
escápula para cima e para trás. A sua inervação é feita pelo nervo acessório. (XI par
craniano).

8.1.7. Rombóide cervical e romboide torácico

Originam-se no ligamento da nuca, desde o terço médio do pescoço até o nível


dos seis primeiros processos espinhosos das vértebras torácicas. Ambos inserem-se na
face medial da cartilagem da escápula.

São irrigados por ramos da artéria subescapular.

Ação e inervação: o romboide cervical eleva cranialmente a escápula ou inclina


a cabeça e o pescoço lateralmente. O romboide torácico auxilia na elevação da escápula
e fixação do membro no tronco. São inervados pelos ramos dorsais dos nervos cervicais
VI e VII.

8.1.8. Grande dorsal

É um músculo de forma triangular, delgado, situado obliquamente no tórax e que


se estende até a face medial do braço. Suas fibras musculares são bem evidentes e
correm, a princípio, paralelas uma às outras, para depois convergirem à medida que
atingem o braço. Sua origem estende-se do terço médio das costelas IX a XII e, por
meio de uma aponeurose, até a fáscia toracolombar. Insere-se por meio de curto tendão
na tuberosidade redonda maior, juntamente com o músculo redondo maior. Relaciona-
se, superficialmente, com o músculo cutâneo do tronco, que o recobre quase totalmente
e ainda com a parte torácica do trapézio, tríceps e tensor da fáscia do antebraço.

É irrigado pela artéria toracodorsal.

Ação e inervação: o membro estando livre puxa-o para trás e para cima,
auxiliando ainda na sua adução. Com o membro fixo, auxilia no deslocamento cranial
do tronco. É inervado por ramos do nervo toracodorsal.

8.1.9. Serrátil ventral

É um largo músculo em forma de leque que prende a escápula ao tórax e ao


pescoço. Seu nome deve-se à forma serreada de sua borda ventral. Sua porção cervical
insere-se nos processos costais das vértebras cervicais III a VI e no processo transverso
da vértebra cervical VI. No tórax, suas digitações prendem-se na face externa das 9
primeiras costelas, descrevendo um arco de concavidade dorsal. O limite entre as
66

porções torácica e cervical é bem nítido ao nível de sua borda ventral. Neste pontoas
duas porções estão separadas, dando passagem aos ramos ventrais dos 2 últimos nervos
e do primeiro nervo torácico. No bovino, também o segundo nervo torácico passa por
este espaço. O músculo serrátil ventral origina-se na face medial da escápula.

É irrigado por ramos das artérias cervical profunda, intercostais e escapular


dorsal.

Ação e inervação: auxilia na sustentação do tronco, quando considerado em


conjunto com o do lado oposto. A contração simultânea dos dois eleva o tronco, a
porção cervical auxilia na elevação do pescoço e a porção torácica participa na
inspiração. É inervado por ramos dos nervos cervicais, torácico longo, intercostais e
torácico lateral.

8.1.10. Subclávio

É uma estreita faixa muscular, situada cranialmente à articulação escápulo-


umeral, em meio a quantidade variável de tecido adiposo. Origina-se na cartilagem
costal I, na região peitoral e insere-se na face profunda do músculo braquiocefálico.

É irrigado por ramos da artéria cervical superficial, com a qual está intimamente
relacionada.

Ação e inervação: sua ação é reduzida e parece atuar mantendo o músculo


braquiocefálico junto à face lateral do pescoço. É inervado por ramos dos nervos
peitorais craniais.

8.2. Músculos da face lateral da escápula

8.2.1. Deltóide

O músculo deltoide apresenta forma triangular. Situa-se na face lateral da


articulação do ombro. Compreende duas partes: uma cranial, acromial e outra caudal,
escapular. A parte acromial tem origem no acrômio e na espinha da escápula e insere-se
na tuberosidade deltoidea do úmero. A parte escapular tem origem na espinha da
escápula, por meio de uma aponeurose que cobre o músculo infra-espinhal, e no terço
proximal da borda caudal da escápula. Insere-se na fáscia braquial, superficialmente à
cabeça lateral do tríceps. Relaciona-se superficialmente com a pele, fáscia omobraquial
e a borda caudal do músculo cleidobraquial; profundamente, com as cabeças lateral e
longa do tríceps, redondo menor e infra-espinhal.

Entre as duas partes do músculo deltoide emergem ramos da artéria e veia


circunflexas caudais do úmero, pelos quais é irrigado.

Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro e abduz o braço. É inervado


por ramos do nervo axilar.
67

8.2.2. Supra-espinhal

O músculo supra-espinhal ocupa a fossa supra-espinhal. Originando-se na fossa


supra-espinhal e na espinha da escápula e insere-se, por meio de dois tendões,
respectivamente nos tubérculos maior e menor do úmero. Relaciona-se superficialmente
com os músculos trapézio e omotransversal. Sua inserção no tubérculo menor do úmero
está coberta pela porção cranial do músculo peitoral profundo.

O músculo supra-espinhal é irrigado por ramos da artéria cervical superficial.

Ação e inervação: estende a articulação do ombro. É inervado por ramos do


nervo supra-escapular.

8.2.3. Infra-espinhal

Ocupa a fossa infra-espinhal. Origina-se nesta e na cartilagem e na espinha da


escápula. Insere-se na porção caudal do tubérculo maior do úmero e numa área
imediatamente abaixo desta. Sob seu tendão de inserção, observa-se uma bolsa sinovial
bastante desenvolvida. Relaciona-se superficialmente, em sua metade proximal, com a
parte torácica do trapézio e o grande dorsal, e em sua metade distal, com o deltoide.
Profundamente, sua borda caudal relaciona-se com a cabeça longa do tríceps e o
redondo menor.

É irrigado por ramos das artérias cervical superficial e subescapular.

Ação e inervação: estende a articulação do ombro. É inervado por ramos do


nervo supra-escapular.

8.2.4. Redondo menor

É um músculo pequeno, situado na borda caudal da escápula, entre os músculos


infra-espinhal e deltoide, superficialmente, e a cabeça longa do tríceps, profundamente.
Origina-se na metade distal da borda caudal da escápula. Insere-se na face lateral da
extremidade proximal do úmero, numa área situada logo abaixo da inserção do infra-
espinhal. Recebe irrigação de ramos das artérias subescapular e circunflexa caudal do
úmero.

Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro. É inervado por ramos do


nervo axilar.

8.3. Músculos da face medial da escápula

8.3.1. Subescapular

Ocupa toda a extensão da fossa subescapular, com exceção das áreas adjacentes
aos ângulos cranial e caudal da escápula. Relaciona-se cranialmente com o supra-
espinhal e caudalmente com o redondo maior. Origina-se na fossa subescapular e
insere-se no tubérculo menor do úmero e área adjacente.
68

É irrigado por ramos da artéria subescapular.

Ação e inervação: sua ação é de adução do braço. É inervado pelos nervos


subescapulares cranial e caudal, e por ramos dos nervos axilar e toracodorsal.

8.3.2. Redondo maior

É um músculo alongado, de contorno triangular, situado na face medial do


ombro e do braço, caudalmente à articulação do ombro. Relaciona-se lateralmente com
os músculos grande dorsal e cabeça longa do tríceps; cranialmente, com o subescapular,
artéria e veias subescapulares e nervo axilar; medialmente, com o serrátil ventral.
Origina-se na borda caudal da escápula e insere-se na tuberosidade redonda do úmero.

É irrigado por ramos da artéria subescapular.

Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro. É inervado pelos nervos


axilar e toracodorsal.

8.4. Músculos do braço

8.4.1. Bíceps do braço

Situa-se na porção cranial do braço e está coberto pelos músculos peitorais.


Origina-se por forte tendão no tubérculo supra-glenoidal da escápula. Este tendão está
coberto pela extremidade distal do músculo supra-espinhal e corre no sulco
intertubercular, onde existe uma bolsa sinovial desenvolvida. Insere-se por curto tendão
na tuberosidade do rádio. Relaciona-se cranial e medialmente com os músculos
peitorais; caudalmente com o corpo do úmero e o músculo coracobraquial e
lateralmente com o músculo braquial. É irrigado por ramos da artéria braquial.

Ação e inervação: sua ação é estender o ombro e flexionar o cotovelo. É


inervado pelo nervo musculocutâneo.

8.4.2. Coracobraquial

É um músculo situado na face medial da articulação do ombro. Origina-se no


processo coracóide da escápula e insere-se na face medial do colo e em grande extensão
na face craniomedial do úmero. Sua irrigação é feita por ramos da artéria braquial.

Ação e inervação: é adutor do braço e estende a articulação do ombro. É


inervado pelo nervo musculocutâneo.

8.4.3. Braquial

É um músculo volumoso que ocupa o sulco do músculo braquial do úmero.


Origina-se na borda cranial do úmero e na metade proximal do sulco. Sua inserção se dá
na borda medial e na face caudal do rádio, um pouco abaixo da tuberosidade do rádio e
ainda na borda medial da extremidade proximal da ulna. Relaciona-se lateralmente, com
69

o nervo radial e com a cabeça lateral do tríceps e, cranialmente, com o terço distal do
músculo cleidobraquial.

Ação e inervação: flexiona a articulação do cotovelo. Sua inervação é feita pelos


nervos musculocutâneo e mediano.

8.4.4. Tríceps do braço

É o maior músculo do braço. Possui três cabeças principais e uma acessória. A


cabeça longa é mais volumosa. Origina-se na borda caudal da escápula. Ocupa o ângulo
formado pela escápula e o úmero e insere-se no olecrano e na fáscia do antebraço. A
cabeça lateral está parcialmente coberta pelo músculo deltoide. Origina-se acima da
tuberosidade deltoide, numa área rugosa lateral, adjacente ao colo do úmero. Insere-se
no olecrano, em sua face lateral. A cabeça medial origina-se, juntamente com a
acessória, na face medial do úmero, logo abaixo da cabeça e do tubérculo menor.
Insere-se na face medial do olecrano. São várias as relações do músculo tríceps.
Lateralmente, relaciona-se com a pele e as duas partes do deltoide. A cabeça lateral
relaciona-se profundamente com os músculos braquial e ancôneo, nervo radial e origem
do músculo extensor radial do carpo. A cabeça longa relaciona-se medialmente com os
músculos peitorais, coracobraquial, redondo maior e grande dorsal. O nervo radial passa
entre as cabeças lateral, longa e medial do músculo.

É irrigado por ramos das artérias subescapular e braquial.

Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro e estende o cotovelo, sendo


esta sua ação mais efetiva. Sua inervação é feita pelo nervo radial.

8.4.5. Tensor da fáscia do antebraço

É um estreito músculo situado na face caudal do braço e que se estende do terço


proximal da borda caudal da escápula à face medial do olecrano, juntamente com o
tríceps. Este músculo não possui conexões com a fáscia do antebraço, ao contrário do
que seu nome sugere.

É irrigado por ramos da artéria subescapular.

Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro e estende a articulação do


cotovelo. É inervado pelo nervo radial.

8.4.6. Ancôneo

É um músculo pequeno, alongado, situado profundamente na face lateral do


braço e coberto pela cabeça lateral do tríceps. Origina-se na face caudal e na borda
lateral da metade distal do úmero e insere-se na face lateral do olecrano. É irrigado por
ramos da artéria subescapular.

Ação e inervação: sua ação é estender a articulação do cotovelo. É inervado pelo


nervo radial.
70

8.5. Músculos do antebraço e da mão

8.5.1. Pronador redondo

É um músculo pequeno e rudimentar, constituído quase que exclusivamente de


fibras tendíneas. Estende-se obliquamente na face medial da articulação do cotovelo.
Origina-se no epicôndilo medial do úmero e insere-se no terço proximal da borda
medial do rádio. Relaciona-se medialmente com a artéria braquial, o nervo mediano e a
inserção dos músculos bíceps e braquial. Nos pequenos ruminantes, está coberto no seu
terço proximal pela inserção comum dos músculos peitoral superficial e
braquiocefálico. Caudalmente relaciona-se com o músculo flexor radial do carpo. É
irrigado pela artéria braquial.

Ação e inervação: por ser rudimentar, sua ação muscular é bastante reduzida.
Auxilia o ligamento colateral medial da articulação do cotovelo. É inervado pelo nervo
mediano.

8.5.2. Flexor radial do carpo

É um músculo longo e estreito, de ventre muscular reduzido, situado na face


medial do antebraço, caudalmente à borda medial do rádio. Originando-se no epicôndilo
medial do úmero e insere-se na face palmar da base do osso metacárpico III e IV. Situa-
se entre os músculos pronador redondo e flexor ulnar do carpo. Relaciona-se,
superficialmente, com a fáscia do antebraço e pele e, profundamente, com a artéria e
nervo mediano e o músculo flexor superficial dos dedos. Seu tendão corre na face
medial do carpo. É irrigado por ramos da artéria mediana.

Ação e irrigação: flexiona a articulação do carpo. É inervado pelo nervo


mediano.

8.5.3. Flexor ulnar do carpo

É um músculo largo e delgado, situado superficialmente na porção caudal da


face medial do antebraço. Está coberto pela fáscia do antebraço e relaciona-se,
profundamente, com o músculo flexor superficial dos dedos. Origina-se no epicôndilo
medial do úmero. Insere-se no osso acessório do carpo. É irrigado por ramos da artéria
mediana.

Ação e inervação: flexiona a articulação do carpo. É inervado pelo nervo


mediano.

8.5.4. Flexor superficial dos dedos

É um músculo fusiforme, cujo ventre está dividido em partes superficial e


profunda. Situa-se no antebraço profundamente ao músculo flexor ulnar do carpo. Sua
origem está parcialmente fundida à do flexor ulnar do carpo e prende-se no epicôndilo
medial do úmero. Ao nível do carpo, a parte profunda está unida ao tendão do músculo
flexor profundo dos dedos por um forte tendão (músculo interflexor proximal). O
71

músculo flexor superficial possui dois tendões que correm na face palmar do carpo e do
metacarpo. O tendão da parte superficial passa no interior do ligamento anular do carpo,
enquanto que o tendão da parte profunda passa pelo canal do carpo, onde está unido ao
tendão do músculo flexor profundo dos dedos pelo músculo interflexor distal. No terço
distal do metacarpo, os tendões do músculo flexor superficial dos dedos fundem-se num
curto tendão comum. Após pequeno trajeto, este se divide num ramo para cada dedo
principal. Ao nível dos sesamóides proximais, cada ramo une-se à parte superficial do
músculo interósseo III e IV, constituindo um canal fibroso para o tendão do músculo
flexor profundo dos dedos. Logo abaixo dos sesamóides proximais, cada ramo divide-se
em partes axial, intermédia e abaxial. A parte intermédia é a mais forte e insere-se no
sesamóide distal. As partes axial e abaxial são mais delgadas e inserem-se nos
tubérculos da face palmar da base da falange média.

O músculo flexor superficial dos dedos é irrigado por ramos da artéria braquial.

Ação e inervação: flexiona as articulações metacarpofalângica e interfalângica


proximal. Auxilia na sustentação do corpo do animal. É inervado por ramos dos nervos
ulnar e mediano.

8.5.5. Flexor profundo dos dedos

É bastante desenvolvido nos ruminantes. Situa-se na face caudal do rádio,


parcialmente coberto pelos músculos flexores radial do carpo, ulnar do carpo e
superficial dos dedos. Possui de quatro a cinco cabeças: uma radial, duas ou três
umerais e uma ulnar. Estas cabeças unem-se na face palmar do carpo num tendão
comum que se estende até a extremidade distal da face palmar do metacárpico III e IV,
onde se divide em dois ramos, um para cada dedo principal. Cada ramo passa no canal
fibroso formado pelos músculos flexor superficial dos dedos e interósseo III e IV e vai
inserir-se na falange distal correspondente.

A cabeça radial é pequena e triangular. Origina-se n face caudal do terço


proximal do rádio. Seu ventre está aderido à face caudal do rádio e continua-se por
delgado tendão, que se une aos tendões das outras porções na altura do carpo. Nos
pequenos ruminantes, a cabeça radial é relativamente mais alongada. Nos ovinos, seu
tendão insere-se na porção medial da face palmar do metacárpico III e IV. As cabeças
umerais são as mais volumosas e variam em número, de duas a três. Usualmente, elas
são duas. Originam-se numa área da extremidade distal do úmero, caudal ao epicôndilo
medial. Ao nível da face palmar do carpo unem-se num tendão comum. A cabeça ulnar
é também triangular e está situada na borda caudal do antebraço, coberta parcialmente
pelo músculo flexor ulnar do carpo. Nos bovinos, ela está coberta pelo músculo flexor
ulnar do carpo apenas na face medial do antebraço. Origina-se na face medial, borda
caudal e face lateral da ulna, logo abaixo do olecrano. Seu longo tendão corre
distalmente no antebraço entre as cabeças umerais e o músculo ulnar lateral, unindo-se
ao tendão comum ao nível da face palmar do carpo.
72

O músculo flexor profundo dos dedos é irrigado por ramos das artérias braquial
e interóssea comum. As cabeças ulnar e umerais recebem ainda ramos da artéria
colateral ulnar.

Ação e inervação: flexiona as falanges e, ligeiramente, o carpo. A cabeça radial


é inervada por filetes do nervo mediano, a cabeça ulnar pelo nervo ulnar e as cabeças
umerais pelos nervos mediano e ulnar.

8.5.6. Interflexores

Descritos com o músculo flexor superficial dos dedos.

8.5.7. Ulnar lateral (extensor ulnar do carpo)

Situa-se na face laterolateral do antebraço, relacionando-se cranialmente com o


músculo extensor do dedo IV, caudomedialmente com o músculo flexor do carpo e
profundamente com as cabeças umerais e ulnar do músculo flexor profundo dos dedos.
Origina-se numa área da face lateral da extremidade distal do úmero, caudalmente ao
epicôndilo lateral. Sua porção carnosa é achatada e continua-se por dois tendões que se
inserem no osso acessório do carpo e na base do metacárpico III e IV. Nos bovinos,
insere-se ainda no metacárpico V. é irrigado por ramos da artéria interóssea comum e da
artéria braquial.

Ação e inervação; flexiona a articulação do carpo e estende a articulação do


cotovelo. É inervado pelo ramo profundo do nervo radial.

8.5.8. Extensor radial do carpo

Ocupa a porção craniolateral do antebraço. Origina-se na parede lateral da fossa


do olecrano e na fossa radial do úmero. Seu tendão de inserção passa no sulco medial da
extremidade distal do rádio e na face dorsal da articulação do carpo e insere-se na
tuberosidade do metacárpico III e IV. Relaciona-se, superficialmente, com a fáscia do
antebraço e, profundamente, com a face craniomedial do rádio. É irrigado por ramos da
artéria circunflexa caudal do úmero.

Ação e inervação: estende a articulação do carpo e flexiona a do cotovelo. É


inervado pelo ramo profundo do nervo radial.

8.5.9. Abdutor longo do polegar

É um músculo que ocupa a face lateral da extremidade distal do antebraço,


possuindo uma porção carnosa triangular, achatada e um tendão que cruza obliquamente
o tendão do músculo extensor radial do carpo e a articulação do carpo. Origina-se na
metade distal da face lateral do corpo da ulna e do rádio. Insere-se na borda medial da
base do metacárpico III e IV. É irrigado por ramos da artéria interóssea comum.

Ação e inervação: estende a articulação do carpo. É inervado pelo ramo


profundo do nervo radial.
73

8.5.10. Extensor do dedo III

Situa-se na face lateral do antebraço e estende-se obliquamente na face dorsal do


metacarpo. Relaciona-se superficialmente com a fáscia do antebraço, caudalmente com
o músculo extensor comum dos dedos e, profundamente, com a borda lateral do rádio e
ventre do músculo abdutor longo do polegar. Sua porção carnosa é estreita e alongada,
originando-se no epicôndilo lateral do úmero. Seu tendão começa no terço distal do
antebraço, passa no sulco lateral da extremidade distal do rádio e na face dorsolateral do
carpo. Depois, cruza obliquamente a face dorsal do metacarpo para correr na face dorsal
do dedo III, onde se insere. Alguns autores o consideram como parte do músculo
extensor comum dos dedos. É irrigado por ramos da artéria interóssea comum.

Ação e inervação: estende as articulações interfalângicas, metacarpofalângicas e


do carpo. Atua ainda na abdução do dedo III. É inervado pelo ramo profundo do nervo
radial.

8.5.11. Extensor comum dos dedos

É um músculo longo, situado na face lateral do antebraço e estende-se do


cotovelo às falanges distais dos dedos principais. É constituído de duas partes. A parte
umeral é a maior e origina-se no epicôndilo lateral do úmero, em companhia dos
músculos extensor do dedo III e extensor do dedo IV. A parte ulnar situa-se
profundamente à umeral e origina-se na face lateral da metade proximal do corpo da
ulna. Seu delgado tendão une-se ao da parte umeral ao nível do terço distal do
antebraço. O tendão do músculo extensor comum dos dedos corre caudalmente ao do
músculo extensor do dedo III, acompanhando-o no carpo e metacarpo. Ao nível da
articulação metacarpofalângica, ele divide-se em dois ramos. Cada um destes ramos
corre na face dorsal do respectivo dedo e insere-se na falange distal.

O músculo extensor comum dos dedos é irrigado por ramos da artéria interóssea
comum.

Ação e inervação: atua na extensão do carpo e dos dedos. É inervado pelo ramo
profundo do nervo radial.

8.5.12. Extensor do dedo IV

É um músculo alongado, de contorno triangular, situado na face lateral do


antebraço. Origina-se lateralmente na cabeça do rádio, no ligamento colateral lateral da
articulação do cotovelo e no corpo da ulna. Nos pequenos ruminantes, este músculo
origina-se também no epicôndilo lateral do úmero e sua origem ulnar estende-se
somente até a metade do corpo da ulna. Seu tendão corre distalmente na face lateral do
carpo e do metacarpo. Ao nível da extremidade distal do metacarpo, ele passa para a
face dorsal do dedo IV, onde se insere. O músculo extensor do dedo IV relaciona-se
cranialmente com a parte umeral do músculo extensor comum dos dedos e caudalmente
com o músculo ulnar lateral.
74

O músculo extensor do dedo IV é irrigado por ramos da artéria interóssea


comum.

Ação e inervação: estende as articulações do dedo IV e abduz o mesmo. É


inervado pelo ramo profundo do nervo radial.

8.5.13. Interósseo III e IV

É um músculo único que, nos adultos, está constituído principalmente de tecido


conjuntivo fibroso. Situa-se na face palmar do osso metacárpico III e IV e envia
prolongamentos à face dorsal dos dedos. Nos ovinos, origina-se também no metacárpico
V.

Está constituído de partes superficial e profunda. A parte superficial é delgada e


constituída quase que exclusivamente de tecido conjuntivo fibroso. Na extremidade
distal do metacárpico III e IV, a parte superficial do interósseo III e IV para cada dedo
forma, juntamente com os ramos do tendão do músculo flexor superficial dos dedos, os
canais que dão passagem aos tendões do músculo flexor profundo dos dedos. A parte
profunda divide-se, ao nível da extremidade distal do metacárpico III e IV, em partes
lateral, intermédia e medial. As partes lateral e medial são menores que a intermédia e
dirigem-se para as faces abaxiais dos dedos principais, onde elas inserem-se nos
sesamóides proximais abaxiais. Além disto, elas se continuam dorsodistalmente e vão se
fundir com os tendões dos músculos extensores do dedo IV e do dedo III,
respectivamente. A parte intermédia corre distalmente na face palmar do metacárpico III
e IV, envia fibras aos sesamóides axiais proximais e atinge o espaço interdigital. Aqui, a
parte intermédia volta-se dorsalmente e bifurca-se, terminando na face dorsal de cada
dedo unindo-se aos tendões dos músculos extensor do dedo III e extensor do dedo IV. É
irrigado por ramo da artéria radial.

Ação e inervação: filogeneticamente, o músculo corresponde aos músculos


flexores da articulação metacarpofalângica. Durante a evolução, eles sofreram
adaptação funcional e passaram a exercer o papel de ligamento. O músculo interósseo
III e IV é considerado como parte do sistema passivo de suporte do animal. É inervado
pelo ramo profundo do nervo ulnar.

9. Nervos do membro torácico

9.1. Nervos da axila, do ombro e do braço


Os nervos para o membro torácico originam-se do plexo braquial. Nos caprinos
e ovinos, o plexo braquial é formado pelas uniões dos ramos ventrais dos nervos
espinhais cervicais VI, VII e VIII e torácico I. No bovino, além destes ramos, o torácico
II também participa na formação do plexo braquial. Os nervos periféricos que se
originam do plexo braquial serão descritos a seguir.
75

9.1.1. Supra-escapular
O nervo supra-escapular, cujas fibras derivam dos nervos cervicais VI e VII,
passa entre os músculos supra-espinhal e subescapular. Ele inerva estes dois músculos e
o infra-espinhal.

9.1.2. Subescapulares
Os nervos subescapulares contêm fibras dos nervos cervicais VI e VII. O nervo
subescapular cranial deixa o plexo braquial em companhia do nervo supra-escapular e
penetra na parte cranial do músculo subescapular. O nervo subescapular caudal
acompanha o nervo toracodorsal ou axilar, ou ambos e finalmente penetra na parte
caudal do músculo subescapular.

9.1.3. Peitorais
Os nervos peitorais originam-se principalmente dos nervos cervicais VII e VIII.
Apesar de haver variações de origem e trajeto, os nervos peitorais podem ser divididos
em craniais e caudais. Alças destes nervos envolvendo a artéria braquial são observadas
no caprino e bovino. Os nervos peitorais craniais inervam as partes craniais do peitoral
superficial e peitoral profundo. Os nervos peitorais caudais inervam a parte caudal do
peitoral profundo e, algumas vezes, a parte caudal do peitoral superficial.

9.1.4. Musculocutâneo
O nervo muscultcutâneo origina-se dos nervos cervical VI e VII, nos caprinos e
ovinos e dos VI, VII e VIII, nos bovinos. Ele cruza a face lateral da artéria axilar e une-
se ao nervo mediano, constituindo a alça axilar. O nervo musculocutâneo inerva os
músculos coracobraquial e bíceps, por meio de seu ramo muscular proximal e continua-
se distalmente no braço unido ao nervo meidano. Ao nível do terço distal do braço, ele
separa-se do nervo mediano, emite o ramo muscular dista para o músculo braquial e
continua-se como ramo cutâneo medial do antebraço que supre a pele da face medial do
antebraço.

9.1.5. Mediano
O nervo mediano é formado por fibras do nervo cervical VII (e do torácico I, no
bovino). Ele cruza a face medial da artéria axilar e forma a alça axilar com o nervo
musculocutâneo. Ele corre distalmente na face medial do braço e caudalmente aos
músculos coracobraquial e bíceps.

9.1.6. Ulnar
O nervo ulnar tem a mesma origem do mediano. Na axila, ele corre junto à
artéria axilar, em companhia do nervo mediano. Ao nível do terço médio do braço,
inclina-se caudalmente e cruza a artéria braquial. Na face medial da cabeça longa do
tríceps, emite o nervo cutâneo caudal do antebraço.
76

9.1.7. Radial
O nervo radial deriva suas fibras dos nervos cervicais VII e VIII e torácico I.
relaciona-se, lateralmente, com as artérias subescapular e toracodorsal e, medialmente,
com suas veias satélites. Ao atingir o espaço compreendido entre o músculo redondo
maior e as cabeças medial e longa do tríceps, ele fornece um grande contingente de
fibras àquelas cabeças e ao músculo tensor da fáscia do antebraço. O nervo radial
continua correndo distolateralmente, passando entre as cabeças medial e acessória do
tríceps, para alcançar o sulco do músculo braquial. Neste percurso, ele situa-se entre o
músculo braquial e cabeça lateral do tríceps. Emite ramos para a cabeça lateral do
tríceps e para o músculo ancôneo. Nos bovinos, o nervo radial também pode enviar
ramo ao músculo braquial. Num ponto variável, acima da articulação do cotovelo, ele
divide-se em ramos superficial e profundo.

9.1.8. Axilar
O nervo axilar é formado por fibras dos nervos cervicais VI e VII, no caprino e
ovino e dos cervicais VII e VIII, no bovino. Ele corre lateralmente no espaço entre os
músculos subescapular, redondo maior e cabeça longa do tríceps, passando caudalmente
à articulação do ombro. O nervo axilar envia ramos aos músculos flexores do ombro
(extremidade distal do subescapular, redondo maior, redondo menor e deltoide). Um
ramo do nervo axilar passa entre a parte acromial do deltoide e o tubérculo maior do
úmero para penetrar na face profunda do músculo cleidobraquial. O nervo cutâneo
cranial do antebraço emerge entre as duas partes do músculo deltoide, cruza a
extremidade distal do músculo cleidobraquial, passa profundamente à veia cefálica e
inerva fáscia e pele da face cranial do braço e do antebraço.

9.1.9. Toracodorsal
O nervo toracodorsal é constituído por fibras do nervo cervical VIII e do
torácico I, no caprino e ovino. No bovino, o torácico II também participa de sua
formação. Distribui-se principalmente no músculo grande dorsal, podendo, no entanto,
enviar fibras ao redondo maior e peitoral profundo.

9.2. Nervos do antebraço e da mão


9.2.1. Radial
Num ponto pouco acima da articulação do cotovelo, o nervo radial divide-se em
ramos superficial e profundo.
O ramo superficial corre distalmente, cruza a face lateral do terço distal do
músculo braquial e atinge a face cranial do antebraço. Aqui, ele corre na fáscia
antebraquial. Relaciona-se inicialmente com a veia cefálica. Na extremidade proximal
do antebraço, emite o nervo cutâneo lateral do antebraço. Nos bovinos, este último
pode, em alguns casos, unir-se com o ramo dorsal do nervo ulnar, na face lateral do
carpo. Na metade distal do antebraço, o ramo superficial do nervo radial está associado
à veia cefálica acessória. No carpo, ele corre lateralmente à veia digital dorsal comum
III. Na face dorsal do metacarpo, o ramo superficial divide-se em nervo digital dorsal
comum II e nervo dorsal comum III. O ponto de divisão é variável: ele pode ocorrer no
77

carpo, no metacarpo ou ao nível da articulação metacarpofalângica. O nervo digital


dorsal comum II constitui a divisão medial do ramo superficial do nervo radial. Após
curto trajeto, ele envia pequeno ramo – o nervo digital dorsal próprio II ao dedo II, e
continua-se na face dorsal do dedo III como nervo digital dorsal próprio III abaxial. O
nervo digital dorsal comum III divide-se em nervo digital dorsal próprio III axial e
nervo digital dorsal próprio IV axial, ao nível da articulação metacarpofalângica. O
ramo superficial do nervo radial envia ramos à pele e fáscia durante seu trajeto no
antebraço e mão.
O ramo profundo do nervo radial passa distalmente entre os músculos braquial e
extensor radial do carpo, onde envia ramos para o último. Em alguns casos, podem-se
observar pequenos ramos também para o músculo braquial. O ramo profundo continua
seu trajeto passando entre o músculo extensor radial do carpo do rádio. Finalmente,
envia ramificações aos músculos extensores do dedo III, comum dos dedos e do dedo
IV e ao abdutor longo do polegar. Inerva também o músculo ulnar lateral.

9.2.2. Mediano
Ao nível da face medial da articulação do cotovelo, o nervo mediano,
juntamente com a artéria braquial, corre profundamente às inserções comuns do
músculo braquiocefálico e do músculo peitoral descendente. Aqui, emite forte ramo
que, após curto trajeto, ramifica-se na face profunda dos músculos pronador redondo,
flexor radial do carpo, flexor superficial dos dedos e nas cabeças umerais do flexor
profundo dos dedos.
Na extremidade proximal do antebraço, o nervo mediano passa profundamente
ao músculo pronador redondo, em companhia da artéria braquial, onde fornece o nervo
interósseo do antebraço. Este dirige-se lateralmente na face caudal do rádio, envia
ramos à cabeça radial do músculo flexor profundo dos dedos e termina ramificando-se
na membrana interóssea, que oblitera o espaço interósseo proximal. O nervo mediano
prossegue distalmente o seu curso na face medial do antebraço, profundamente ao
músculo flexor radial do carpo, junto à artéria mediana. Na metade distal do antebraço,
o nervo e a artéria tronam-se superficiais, passando entre os tendões dos músculos
flexores radial do carpo e superficial dos dedos. O nervo mediano passa na face palmar
do carpo, próximo ao osso acessório do carpo e, num ponto variável do metacarpo,
emite os nervos digital palmar comum II, digital palmar III axial e o digital palmar IV
axial. O nervo digital palmar comum II, ao nível da articulação metacarpofalângica,
emite o nervo digital palmar próprio II (para o dedo II) e se continua como nervo digital
palmar próprio III abaxial. O nervo digital palmar próprio III abaxial ramifica-se nas
faces palmar e abaxial do dedo III. O nervo digital palmar III axial corre obliquamente
na face medial do terço distal do metacarpo, passa profundamente entre os dedos II e V
para correr e ramificar-se na face axial do dedo III. O nervo digital palmar IV axial
emite o ramo comunicante com o ramo palmar do nervo ulnar, passa entre os dedos II e
V e ramifica-se na face axial do dedo IV.
Durante seu trajeto, o nervo mediano envia ramos para os músculos
interflexores.
9.2.3. Ulnar
78

Na face medial do braço, o nervo ulnar emite o nervo cutâneo caudal do


antebraço. Este cruza a face medial da articulação do cotovelo e distribui-se na pele e na
fáscia da face medial do antebraço, atingindo a face medial do carpo.
Ao nível da articulação do cotovelo, o nervo ulnar passa profundamente entre as
origens umeral e ulnar do músculo flexor ulnar do carpo, onde envia ramos para este
músculo, para o músculo flexor superficial dos dedos e para as cabeças umerais e ulnar
do músculo flexor profundo dos dedos.
O nervo ulnar continua seu trajeto distal correndo na borda caudal do antebraço
entre os músculos ulnar lateral e flexor do carpo. Ao nível do terço distal do antebraço
divide-se em ramos palmar e dorsal. O ramo palmar aprofunda-se entre os tendões dos
músculos flexor ulnar do carpo e ulnar lateral e passa n face medial do osso acessório do
carpo, abaixo do qual fornece o ramo profundo para o músculo interósseo III e IV. O
ramo palmar continua descendo n
Face palmar do metacarpo e, ao nível do terço distal deste, une-se ao ramo
comunicante do nervo mediano. O tronco formado por esta união constitui o nervo
digital palmar comum IV. Este envia um ramo ao dedo V (nervo digital palmar próprio
V) e continua-se como nervo digital palmar próprio IV abaxial.

O ramo dorsal do nervo ulnar cruza o tendão do músculo ulnar lateral para correr
na face lateral do metacarpo, como nervo digital dorsal comum IV. Envia ramos à pele e
fáscia desta região e, ao nível da articulação metacarpofalângica, fornece o nervo digital
dorsal próprio V para o dedo V e continua-se como nervo digital dorsal próprio IV
abaxial.

10. Artérias do membro torácico

10.1. Artérias da axila, do ombro e do braço

A principal artéria que leva o sangue ao membro torácico é a artéria axilar. Ela é
a continuação da artéria subclávia. O membro torácico é também irrigado em parte,
especialmente no ombro, pela artéria cervical superficial, originária da artéria subclávia.

10.1.1. Cervical superficial

Origina-se da artéria subclávia ao nível da entrada do tórax e passa dorsalmente


ao longo da borda cranial do músculo supra-espinhal, correndo profundamente aos
músculos braquiocefálico, omotransversal e trapézio, ramifica-se na face profunda do
músculo trapézio. Além de fornecer ramos musculares aos músculos acima citados, ao
músculo subclávio e ao linfonodo cervical superficial, ela emite a artéria supra-
escapular (ramo supra-escapular, nos bovinos). Esta é relativamente calibrosae dirige-se
para a borda cranial do músculo supra-espinhal, onde se divide em ramos lateral e
medial. O ramo lateral penetra na face craniolateral do músculo supra-espinhal, dirige-
se dorsalmente e aparece novamente na superfície do músculo, ramificando-se na fáscia
e na pele próximas do ângulo cranial da cartilagem escapular. O ramo medial envia
pequenos ramos ao músculo peitoral profundo, ao músculo subescapular e a face medial
da articulação do ombro.
79

10.1.2. Axilar

A artéria axilar começa ao nível da borda cranial da costela I. Daí, ela corre
lateralmente, passa sobre o músculo peitoral profundo e termina bifurcando-se em
artérias subescapular e braquial. A artéria axilar emite os seguintes ramos:

• Artéria torácica externa: nasce próximo à costela I, corre ventralmente e emite


ramos para os músculos braquiocefálico, omotransversal, peitoral superficial,
peitoral profundo e subclávio.

• Pequenos ramos musculares, que se originam próximo à terminação da artéria


axilar e irrigam os músculos coracobraquial e deltoide.

• Nos bovinos, ela emite a artéria supra-escapular, que acompanha o nervo de


mesmo nome.

10.1.3. Subescapular

A artéria subescapular dirige-se dorsalmente entre os músculos subescapular e


redondo maior e termina na área adjacente ao ângulo caudal da escápula. Durante seu
trajeto, emite as artérias circunflexa caudal do úmero, toracodorsal e circunflexa da
escápula.

A artéria circunflexa caudal do úmero penetra, juntamente com o nervo axilar,


no espaço compreendido entre os músculos redondo maior, tríceps (cabeça longa) e
subescapular, passando caudalmente à articulação do ombro. Aqui ela emite a artéria
colateral radial e passa entre as cabeças longa e lateral do tríceps e, ao chegar à face
profunda do deltoide, divide-se em vários ramos delgados que vascularizam as cabeças
longa e lateral do tríceps e os músculos deltoide, redondo menor e infra-espinhal. A
artéria colateral radial corre distalmente no braço entre as cabeças lateral e longa do
tríceps. Acompanhando o nervo radial, ela distribui-se naquelas cabeças, bem como no
músculo ancôneo e na extremidade proximal do músculo extensor radial do carpo. Dá
origem à artéria nutrícia do úmero. Sua continuação no antebraço recebe o nome de
artéria antebraquial superficial cranial. No metacarpo, ela divide-se nas artérias digitais
dorsais comuns II e III, que vão suprir a face dorsal dos dedos. Estas são de pequeno
calibre e de pouca importância funcional.

A artéria toracodorsal segue ao longo das faces mediais dos músculos redondo
maior e grande dorsal. Distribui-se, juntamente com o nervo toracodorsal, na face
profunda do músculo grande dorsal. Emite também ramos para o músculo redondo
maior e para os linfonodos axilares.

A artéria circunflexa da escápula dirige-se cranialmente entre os músculos


subescapular e cabeça longa do tríceps. Divide-se em dois ramos, medial e lateral. O
ramo medial irriga principalmente o músculo subescapular. O ramo lateral dá origem à
artéria nutrícia da escápula e ramifica-se no músculo infra-espinhal.
80

10.1.4. Braquial

A artéria braquial origina-se da bifurcação da artéria axilar. Ela percorre


distalmente, trajeto retilíneo no braço, passando primeiro entre os músculos
coracobraquial e cabeça medial do tríceps e depois entre esta e o bíceps. Medialmente,
está coberta pelos músculos peitorais e relaciona-se com os nervos musculocutâneo,
mediano e ulnar. No cotovelo, a artéria braquial é cruzada medialmente pelo músculo
pronador redondo. Um pouco abaixo da articulação do cotovelo, ela emite a artéria
interóssea comum e continua-se como artéria mediana. No braço, ela dá origem aos
seguintes ramos:

• Artéria circunflexa cranial do úmero: é um pequeno ramo que se origina da face


cranial da artéria braquial e corre juntamente com o ramo muscular proximal do
nervo musculocutâneo, através do músculo coracobraquial. Ela irriga este
músculo e termina penetrando no terço proximal do músculo bíceps. Em alguns
casos, ela pode originar-se da artéria subescapular ou da artéria circunflexa
caudal do úmero.

• Artéria profunda do braço: é um curto ramo que emerge da face caudal da artéria
braquial e distribui-se nas cabeças medial e longa do tríceps.

• Artéria colateral ulnar: origina-se da face caudal da artéria braquial, ao nível do


terço distal do braço. Ela tem trajeto caudodistal, fornece pequenos ramos para a
cabeça longa do tríceps e para o peitoral superficial e ramifica-se na fáscia e na
pele da face medial da articulação do cotovelo.

• Artéria transversa do cotovelo: emerge da face lateral da artéria braquial,


passando entre o músculo bíceps e a face cranial da articulação do cotovelo.
Aqui ela se divide em ramos proximal e distal. O ramo proximal atinge a face
profunda da cabeça lateral do músculo tríceps, passando entre o úmero e o
músculo braquial. Ele fornece ramos para o braquial, cabeça lateral do tríceps e
extensor radial do carpo e anastomosa-se com a artéria colateral radial. O ramo
distal emerge sobre a origem do músculo radial do carpo. Ele irriga este músculo
e divide-se em dois ramos. Um destes continua distalmente no antebraço e
ramifica-se nos músculos extensor radial do carpo e extensor comum dos dedos
e se anastomosa com a artéria recorrente interóssea. O outro desce ao longo do
tendão de inserção do músculo braquial, anastomosa-se com um ramo da artéria
interóssea comum e finalmente termina no músculo extensor radial do carpo.

10.2. Artérias do antebraço e da mão

10.2.1. Braquial

Após emitir a artéria transversa do cotovelo, a artéria braquial passa


profundamente à inserção comum dos músculos braquiocefálico e peitoral descendente.
Na extremidade proximal do antebraço, ela passa profundamente ao músculo pronador
81

redondo, emite um forte ramo muscular e a artéria interóssea comum e continua-se


como artéria mediana.

O ramo muscular dirige-se caudalmente e distribui-se nos músculos pronador


redondo, flexor radial do carpo, flexor ulnar do carpo, flexor superficial dos dedos e nas
cabeças umerais e ulnar do músculo flexor profundo dos dedos. O ramo muscular pode,
em alguns casos, originar-se da artéria interóssea comum.

A artéria interóssea comum é o último ramo da artéria braquial. Logo após sua
origem, emite a artéria interóssea caudal, que corre ao longo das cabeças umerais do
músculo flexor profundo dos dedos e se distribui nos músculos flexor radial do carpo,
flexor superficial dos dedos e cabeças umerais do músculo flexor profundo dos dedos.
Próximo à face palmar do carpo, ela anastomosa-se com o ramo palmar da artéria
interóssea cranial. A artéria interóssea comum dirige-se para o espaço interósseo
proximal, onde emite as artérias nutrícias do rádio e da ulna e se continua como artéria
interóssea cranial. Esta atravessa o espaço interósseo proximal e atinge a face lateral do
rádio. Daí corre distalmente no sulco longitudinal que une o espaço interósseo proximal
ao distal. Próximo ao meio do antebraço emite um forte ramo muscular, que se ramifica
nos músculos extensor comum dos dedos, extensor radial do carpo e abdutor longo do
polegar. Na metade distal do antebraço, ela está coberta pelo músculo abdutor longo do
polegar. Ao nível do espaço interósseo distal, bifurca-se nos ramos dorsal e palmar, o
ramo dorsal corre na face dorsolateral do carpo, onde se distribui enviando ramos à
cápsula articular e à rede dorsal do carpo. Desta, origina-se a artéria meatacárpica dorsal
III, que corre distalmente no sulco longitudinal dorsal do metacárpico III e IV. Durante
seu curso na região metacárpica, ela recebe o ramo perfurante proximal e envia
pequenos ramos aos tendões, bainhas tendinosas e periósteo. Próximo à articulação
metacarpofalângica, a artéria metacárpica dorsal III une-se com o ramo perfurante
distal, que se origina do arco palmar profundo. Depois, ela desce sobre o dorso da
articulação metacarpofalângica como artéria digital dorsal comum III. Ao nível do terço
médio da falange proximal, esta emite as artérias digitais dorsais próprias III e IV, que
correm no espaço interdigital e se anastomosam com ramos da artéria digital palmar
comum III.

O ramo palmar da artéria interóssea cranial corre espaço interósseo distal e


divide-se em ramos superficial e profundo. O ramo superficial envia ramos para a
articulação do carpo, para os músculos ulnar lateral, flexor ulnar do carpo e flexor
superficial dos dedos. Envia ramos ainda para o arco palmar proximal. O ramo profundo
irriga a face palmar do carpo e anastomosa-se com pequenos ramos da artéria radial,
formando a rede palmar do carpo situada no canal cárpico.

10.2.2. Mediana

A artéria mediana corre distalmante no antebraço, entre o músculo flexor radial


do carpo e a borda medial do rádio, acompanhando o nervo mediano. No terço médio do
antebraço, ela gradualmente cruza a face profunda do músculo flexor radial do carpo e
continua-se no canal cárpico, profundamente ao retináculo flexor. Próximo à articulação
82

metacarpofalângica, ela une-se ao ramo anastomótico que emerge ao arco palmar


profundo e continua-se como artéria digital palmar comum III.

A artéria mediana fornece os seguintes ramos:

• Ramos musculares: são alguns ramúsculos que se distribuem nos músculos


bíceps braquial, pronador redondo, extensor radial do carpo e que finalmente
ramificam-se na fáscia e pele da face medial do antebraço.

• Artéria radial: emerge da artéria mediana ao nível do terço médio do antebraço.


Ela corre distalmente no aspecto mediopalmar do carpo, situando-se
cranialmente à artéria mediana. Ao nível do terço proximal do metacarpo, ela
emite a artéria metacárpica palmar II, que se comunica com a artéria
metacárpica palmar III. Ao nível do terço proximal do metacarpo, ela
desemboca na artéria mediana.

10.2.3. Artéria digital palmar comum III

É a mais calibrosa e, por conseguinte, a mais importante artéria da mão dos


ruminantes. Ela corre distalmente entre os paradígitos (dedos II e V). Ao nível do terço
médio das falanges proximais, emite os ramos comunicantes. Estes correm
transversalmente na face palmar das falanges proximais, sob os tendões flexores e
unem-se às artérias digitais palmares próprias III e IV abaxiais. A artéria digital palmar
comum III continua correndo distalmente no espaço interdigital. Neste ponto,
comunica-se com a artéria digital dorsal comum III emite um ramo para o coxim
interdigital e, depois de curto trajeto, divide-se em artérias digitais palmares próprias III
e IV axiais. Cada uma destas emite o ramo palmar, que supre a face palmar e o cório da
falange distal. Além deste, envia também pequenos ramos à face axial do respectivo
dedo e emite a artéria coronal, que corre dorsalmente na falange média e se distribui na
face dorsal do dedo. As artérias digitais palmares III e IV axiais, finalmente, penetram
na falange distal, onde formam o arco terminal, do qual partem inúmeros ramúsculos
para o cório.

As delgadas artérias digitais palmares comuns II e IV emergem do arco palmar


superficial e, próximo aos paradígitos, dividem-se em artérias digitais palmares própria
II e própria III abaxial e artérias digitais palmares própria V e própria IV abaxial,
respectivamente.

11. Veias do membro torácico

A drenagem venosa do membro torácico é feita por meio de um sistema


superficial e um sistema profundo. O sistema superficial é constituído pela veia cefálica
e suas tributárias, ao passo que o sistema profundo é representado pela veia axilar e suas
tributárias. Somente as veias do sistema profundo seguem as artérias correspondentes.
Os dois sistemas comunicam entre si por meio de ramos anastomóticos.

11.1. Veias superficiais


83

11.1.1. Cefálica

A veia cefálica origina-se da veia radial, um pouco acima do carpo. Ela corre
proximalmente na face cranial do antebraço, onde recebe a veia cefálica acessória.
Acima do cotovelo, ela passa em frente ao músculo braquiocefálico. Dirige-se para o
sulco jugular e, depois de passar cranialmente ao músculo subclávio, desemboca na veia
jugular externa.

11.1.2. Radial

A veia radial origina-se ao nível do terço distal do metacarpo, da união dos


ramos palmares superficial e profundo. Ela então sobe no metacarpo, ao longo da borda
medial do músculo interósseo III e IV. Depois de perfurar a fáscia profunda do
antebraço, ela desemboca na veia mediana.

11.1.3. Cefálica acessória

Representa a continuação da veia digital dorsal comum III, acima do carpo. Esta
se origina ao nível do espaço interdigital e é formada pela união das veias digitais
dorsais próprias III e IV, que provêm dos plexos da face dorsal das falanges distais.

11.1.4. Digital dorsal comum III

A veia digital dorsal comum III assim formada corre proximalmente em direção
à articulação metacarpofalângica. Após cruzar superficialmente a face dorsal desta
articulação, a veia inclina-se medialmente sobre os tendões extensores, em direção ao
carpo.

11.2. Veias profundas

11.2.1. Axilar

É formada pela união das veias subescapulares e braquial. Ela corre na região
axilar em direção ao tórax e se continua, ao nível da costela I, como veia subclávia.
Durante seu trajeto, recebe as veias das regiões axilar e escapular.

11.2.2. Braquial

É a continuação da veia mediana, podendo ser dupla. Ela corre proximalmente


no braço com a artéria braquial e nervos mediano e ulnar. Na porção proximal do braço,
a veia está em relação com nervo radial. Durante o seu percurso no braço, a veia
braquial recebe vários afluentes.

11.2.3. Mediana
84

Nos ruminantes domésticos, ela tem a mesma situação e disposição da artéria


mediana. No terço distal do metacarpo, ela recebe o ramo medial proveniente do arco
venoso palmar superficial. Abaixo deste nível, a veia mediana recebe a denominação de
veia digital palmar comum III.

12. Linfáticos do membro torácico

Os vasos linfáticos do membro torácico são tributários de dois linfocentros:


cervical superficial (a ser descrito no pescoço) e axilar. O linfocentro compõe-se de
linfonodos pequenos (0,5 – 1,0 cm, nos pequenos ruminantes e 2,0 – 3,0 cm, nos
bovinos), ovoides ou arredondados, às vezes achatados, situados na região axilar, em
estreita relação com os componentes do plexo braquial e artéria e veia axilares. Há,
comumente, dois linfonodos mais craniais, situados ao nível do extremo ventral da
costela I, ventralmente à origem da artéria axilar, e outro situado mais caudalamente,
junto ao extremo distal do músculo redondo maior, em relação com a artéria e veia
toracodorsais. Os primeiros são chamados linfonodos axilares da costela I e o último
linfonodo axilar próprio.

Nos ovinos pode haver ainda, fazendo parte do linfocentro axilar, um ou mais
linfonodos cubitais (do cotovelo), situados no terço distal da face medial do braço, junto
à artéria e veia braquiais e nervo mediano.

Área de drenagem: para os linfonodos axilares convergem vasos linfáticos


provenientes da face medial da escápula, braço e antebraço e da porção cranial da região
costal. Seus vasos eferentes desembocam geralmente nos linfonodos cervicais
profundos caudais, mas podem também ir diretamente aos troncos traqueais ou ainda ao
ducto torácico.

13. Roteiro para dissecação e estudo da parede do tórax

13.1. Rebata ventralmente os cotos esternais dos músculos peitoral superficial e peitoral
profundo até a linha mediana ventral.

13.2. Localize e disseque as raízes do plexo braquial no limite entre as partes cervical e
torácica do músculo serrátil, já estudado.

13.3. Identifique e disseque os nervos frênico, torácico longo e torácico lateral. O nervo
frênico supre o músculo diafragma; neste item, será dissecado apenas seu trajeto
cervical. Verifique sua origem dos ramos ventrais dos nervos cervicais V e VI e note
que ele corre caudoventralmente até penetrar na cavidade do tórax. O nervo torácico
longo origina-se do plexo braquial e corre caudalmente sobre o músculo serrátil ventral,
onde se distribui. O nervo torácico lateral também se origina do plexo braquial, corre
caudalmente na parede do tórax, ventralmente ao nervo torácico longo. Ele distribui-se
numa ampla área do tórax e do abdome. Seu curso e distribuição deverão ser vistos em
peças especiais.

13.4. Disseque ventralmente ao plexo braquial, os cotos da artéria e veia axilares.


85

13.5. Identifique agora o músculo reto do tórax, que se estende obliquamente do terço
ventral da costela I até as cartilagens costais III e IV. Este músculo pode estar ausente
em alguns animais. Sua aponeurose cruza superficialmente a aponeurose do músculo
reto do abdome. Identifique este último músculo. Ele se estende do esterno até o pube.
No tórax, ele está constituído apenas por uma delgada aponeurose, que recobre a face
ventral do esterno.

13.6. Libere no sentido caudocranial, as inserções costais do músculo serrátil ventral,


até a costela III.

13.7. Note os espaços intercostais, cada um deles preenchido por um músculo


intercostal externo. Localize o espaço intercostal V remova seu músculo intercostal
externo. Para isto, faça inicialmente uma incisão vertical neste músculo ao longo da
borda caudal da costela V. A incisão deve ser feita com cuidado, pois este músculo é
bastante delgado e, profundamente a ele, localiza-se outro delgado músculo, o
intercostal interno. Para completar a remoção do intercostal externo, libere-o de sua
inserção na borda cranial da costela VI. Note que as fibras do músculo intercostal
interno têm direção contrária às do intercostal externo.

13.8. Identifique os músculos serrátil dorsal cranial, serrátil dorsal caudal, iliocostal e
longíssimo. Os dois primeiros são formados por delgados fascículos que se prendem de
modo oblíquo no terço dorsal das costelas III a VI e das costelas X a XIII,
respectivamente. Os músculos iliocostal e longíssimo formam a massa muscular que
preenche o espaço entre os ângulos das costelas e os processos espinhosos das vértebras
torácicas; dos dois, o longíssimo é o mais dorsal e volumoso. Ele estende-se do ílio e do
sacro até a cabeça; no tórax ele recebe a denominação de longíssimo torácico.

13.9. Passe a estudar agora a face interna da parede do tórax. Observe que esta face é
revestida por uma membrana serosa e brilhante, a pleura costal. Note, por transparência,
a artéria, a veia e o nervo intercostais, que correm verticalmente ao longo da borda
caudal de cada costela. Remova a pleura do espaço intercostal V. Observe que ela está
presa ao músculo intercostal interno e ao periósteo das costelas por uma delicada trama
conjuntiva, a fáscia endotorácica. Disseque a artéria, a veia e o nervo intercostais deste
espaço.

13.10. Identifique o músculo transverso do tórax, que recobre a face interna do esterno.
Verifique, penetrando entre este músculo e o esterno, a artéria e veia torácica internas.

13.11. Verifique a inserção do músculo diafragma na parede do tórax. Este músculo


separa a cavidade torácica da cavidade abdominal e será visto novamente no estudo da
cavidade torácica.

13.12. Faça uma revisão dos ossos que compõem a parede torácica. Estude os músculos,
vasos e nervos identificados neste capítulo.

13.13. O estudo das artérias, veias e linfáticos da parede do tórax será completado
quando da dissecação da cavidade torácica.
86

14. Músculos da parede do tórax

14.1. Peitoral superficial, peitoral profundo e serrátil ventral

Estes músculos estão descritos no item 8.1.

14.2. Reto do tórax

É um músculo situado próximo á abertura cranial do tórax. Origina-se por um


curto tendão na borda lateral da costela e insere-se, através de uma aponeurose, nas
cartilagens costais II a V. É irrigado por ramos das primeiras artérias intercostais. Ele
pode faltar em alguns animais.

Ação e inervação: auxilia na inspiração, puxando as cartilagens costais e costelas


para frente e para fora. É inervado por ramos dos nervos intercostais.

14.3. Intercostais externo e interno

Os músculos intercostais preenchem os espaços intercostais. Considerando a


direção das fibras, podem-se identificar dois grupos musculares. Os músculos
intercostais externos originam-se na borda caudal de cada costela, dirigem-se
caudoventralmente e inserem-se na borda cranial da costela seguinte. Os intercostais
internos, por outro lado, originam-se na borda cranial de cada costela, correm
cranioventralmente e inserem-se na borda caudal da costela precedente. Os músculos
intercostais internos estão separados da pleura costal pela tênue fáscia endotorácica. São
irrigados por ramos das artérias intercostais.

Ação e inervação: os intercostais externos puxam as costelas para frente e para


fora, auxiliando na inspiração. Os intercostais internos, de ação discutível, parecem
puxar as costelas pra trás e para fora. São inervados pelos nervos intercostais.

14.4. Serrátil dorsal cranial

É constituído por quatro ou cinco fascículos, situados ao nível dos ângulos


costais das costelas III a VI, sobre os músculos iliocostal e longíssimo torácico. Origina-
se por uma aponeurose na porção profunda da fáscia cervicotorácica. Suas fibras
dirigem-se para baixo e para trás e inserem-se nos terços dorsais das costelas III a VI. É
irrigado por ramos das artérias intercostais.

Ação e inervação: auxilia na inspiração e é inervado por ramos dos nervos


intercostais.

14.5. Serrátil dorsal caudal

É um músculo constituído por quatro fascículos, situados ao nível do ângulo


costal das quatro últimas costelas. Está coberto, em parte, pelo músculo grande dorsal.
Origina-se na lâmina profunda da fáscia toracolombar e insere-se no terço dorsal das
quatro últimas costelas. É irrigado por ramos das artérias intercostais.
87

Ação e inervação: auxilia na expiração, puxando as costelas para trás. É


inervado por ramos dos nervos intercostais.

14.6. Retrator da costela

Este músculo ocupa o ângulo formado pela última costela e a coluna vertebral.
Situa-se caudalmente ao músculo serrátil dorsal caudal, do qual não está nitidamente
separado. Origina-se na lâmina profunda da fáscia toracolombar e insere-se no terço
dorsal da borda caudal da última costela. É irrigado por ramos da artéria costo-
abdominal e das primeiras lombares.

Ação e inervação: puxa para trás a última costela, na expiração. É inervado por
ramos do nervo costo-abdominal e do lombar I.

14.7. Transverso do tórax

É um músculo largo e delgado que ocupa a face interna do esterno e as faces


internas das cartilagens costais II a VII. Possui poucas fibras tendíneas. Suas fibras têm
trajeto transversal, originam-se no ligamento do esterno e inserem-se na face interna das
articulações costocondrais. Nos pequenos ruminates, os músculos de ambos antímeros
unem-se no plano mediano, enquanto que nos bovinos suas fibras não atingem aquele
plano. Relaciona-se dorsalmente com a fáscia endotorácica, pleura parietal e pericárdio
e ventralmente com o esterno, vasos torácicos internos e músculos intercostais. O
músculo transverso do tórax é irrigado por ramos da artéria torácica interna.

Ação e inervação: atua na expiração, puxando as cartilagens costais e respectivas


costelas para dentro e para trás. É inervado pelos nervos intercostais correspondentes.

14.8. Diafragma

O diafragma é uma lâmina musculotendínea que separa as cavidades torácica e


abdominal. É formado por uma parte carnosa periférica e uma parte central tendínea
(centro tendíneo). Apresenta duas faces: uma torácica, convexa e uma abdominal,
côncava. A porção carnosa do diafragma é dividida em 3 partes: lombar,costal e
esternal. A parte lombar consiste dos pilares, direito e esquerdo. O pilar direito insere-se
no ligamento longitudinal ventral da coluna vertebral e, por meio deste, no corpo das 4
primeiras vértebras lombares. O pilar esquerdo é menor e também se insere nas duas
primeiras vértebras lombares por meio do ligamento longitudinal ventral. O pilar direito
é alargado e ultrapassa o plano mediano. Ele é fendido para dar passagem ao esôfago,
constituindo esta fenda o hiato esofágico. Um outro hiato, denominado hiato aórtico,
situa-se entre os dois pilares e dá passagem à artéria aorta, ao ducto torácico e à porção
inicial da veia ázigos esquerda. A parte costal insere-se nas costelas e na cartilagem
costal VIII. A linha de inserção costal do diafragma inicia-se ao nível do terço proximal
da última costela e dirige-se para a frente e para baixo, quase em linha reta, até alcançar
a extremidade distal da costela VIII e da respectiva cartilagem costal. A parte esternal
do diafragma insere-se na face dorsal da cartilagem xifóidea do esterno. O centro
tendíneo é a porção central, não muscular, do diafragma, de forma mais ou menos
88

triangular, apresentando o forame para a passagem da veia cava caudal. O diafragma é


irrigado pelas artérias frênica caudal e musculofrênica.

Ação e inervação: o diafragma é o principal músculo da inspiração. Sua


contração faz reduzir a convexidade de sua face torácica, provocando aumento do
volume da cavidade do tórax. É suprido pelo nervo frênico.

14.9. Longíssimo e iliocostal

Estes dois músculos pertencem ao longo e potente grupo muscular denominado


eretor da espinha, que se estende desde a pelve até o crânio, ocupando, a cada lado, o
espaço entre os processos transversais e os processos espinhosos das vértebras. São
constituídos por fascículos que se dispõem em série, ao longo da coluna vertebral.

O iliocostal é o mais lateral deles. Seus fascículos originam-se nos processos


transversais das primeiras vértebras lombares e inserem-se no terço proximal das
costelas, até o processo transversal da última vértebra cervical.

O longíssimo origina-se na crista ilíaca, na crista sacral mediana e no ligamento


supra-espinhal. Seus fascículos inserem-se nos processos transversais das vértebras
lombares, torácicos e quatro últimas cervicais, bem como na extremidade proximal das
costelas. Este músculo recebe as denominações de longíssimo lombar, longíssimo
torácico e longíssimo cervical, conforme a região da coluna vertebral com o qual se
relaciona.

Ambos os músculos são irrigados por ramos das artérias lombares, intercostais
dorsais e cervical profunda.

O músculo espinhal, que também pertence ao complexo músculo eretor da


espinha, é descrito de modo conflitante pelos anatomistas veterinários e, em razão de
sua pouca importância prática, não será aqui considerado.

Ação e inervação: os componentes do músculo eretor da espinha atuam na


flexão da coluna vertebral. Eles são supridos por ramos dorsais dos nervos espinhais.

15. Nervos da parede do tórax

15.1. Nervos intercostais

Os nervos intercostais são os ramos ventrais dos nervos espinhais torácicos. Nos
ruminantes, são em número de 13 pares, designados como T1, T2,....T13 , de acordo com
o segmento da medula espinhal de onde se originam.

Cada nervo espinhal torácico, logo após emergir do forame intervertebral,


divide-se em ramos dorsal e ventral. O ramo dorsal dirige-se dorsolateralmente e divide-
se em ramos medial e lateral. O ramo medial inerva a musculatura da região (músculos
longíssimo e iliocostal). O ramo lateral emerge entre os músculos longíssimo e
89

iliocostal, corre sobre a fáscia toracolombar e divide-se em ramos cutâneos dorsais


lateral e medial, que inervam a fáscia e pele realtivas. O ramo ventral é bem mais
desenvolvido que o dorsal e constitui o nervo intercostal. Está unido ao tronco
simpático por meio dos ramos comunicantes. Nos bovinos, os ramos ventrais de T1 e T2
participam na formação do plexo braquial. Já nos caprinos e ovinos, apenas o de T1
encontra na formação do plexo.

Cada nervo intercostal corre em sentido ventral no espaço intercostal. Associado


à artéria e veia intercostais, dispondo-se o feixe vasculonervoso junto à borda caudal de
cada costela. Em seu terço proximal, cada nervo inyercostal corre entre os músculos
intercostais externo e interno, passando a ocupar depois uma posição
predominantemente justapleural. Os nervos intercostais inervam os músculos
intercostais, peitorais e transverso do tórax. Os mais caudais inervam também a parte
cranial dos músculos abdominais (reto, oblíquos e transverso do abdome). Além dos
ramos musculares, emitem ainda ramos cutâneos, dispostos em duas séries: ramos
cutâneos laterais e ramos cutâneos ventrais. Os ramos cutâneos laterais perfuram os
músculos intercostais externos, serrátil ventral e oblíquo externo do abdome, emergindo
em série ao nível do terço médio da parede lateral do tórax. Eles inervam o músculo
cutâneo do tronco, fáscia e pele relativas. Os ramos cutâneos ventrais alinham-se no
terço ventral da parede lateral do tórax, emergindo ao nível dos espaços intercostais.
Enviam ramos aos músculos peitorais e porção cranioventral dos músculos abdominais
e terminam ramificando-se na pele da região. Alguns deles, os mais craniais, unem-se
com ramos colaterais do nervo torácico lateral. Da união do ramo cutâneo ventral de T3
com um ramo colateral do nervo torácico lateral resulta a formação do nervo
intercostobraquial, que se distribui na face caudolateral da axila e do braço.

O ramo ventral do último nervo espinhal torácico constitui o nervo costo-


abdominal, que corre na borda caudal da última costela e inerva os músculos oblíquos,
transverso e reto do abdome, além de emitir ramos cutâneos semelhantes aos dos
intercostais.

15.2. Nervo torácico

O nervo torácico longo deriva suas fibras dos nervos cervicais VII e VIII e corre
em sentido caudal entre os músculos escalenos. Distribui-se na parte torácica do
músculo serrátil ventral. No caprino, inerva a parte cervical deste músculo.

15.3. Nervo torácico lateral

O nervo torácico lateral tem a mesma origem que a do toracodorsal. Corre


caudalmente na parede torácica e apresenta conexões com os ramos cutâneos dos nervos
intercostais. Inerva a pele da parede torácica lateral, da parede abdominal ventral e do
flanco, como também o músculo cutâneo do tronco.

16. Artérias da parede do tórax

16.1. Torácica externa: descrita no item 10.1


90

16.2. Tronco costocervical: descrito no item 58.2.2.2

16.3. Torácica interna: descrita no item 58.2.2.2

16.4. Intercostais dorsais: descritas no item 58.2.4

16.5. Costo-abdominal: descrita no item 58.2.5

17. Veias da parede do tórax

17.1. Ázigos esquerda: descrita no item 59.3

17.2. Costocervical: descrita no item 59.4.1

17.3. Torácica interna: descrita no item 59.4.2

17.4. Ázigos direita: descrita no item 59.4.3

18. Linfáticos da parede do tórax

18.1. Linfocentro axilar: descrito no item 12

18.2. Linfocentro torácico dorsal: descrito no item 60.1

18.3. Linfocentro torácico ventral: descrito no item 60.3

19. Roteiro para dissecação e estudo da parede do abdome

19.1. Faça uma incisão vertical na pele do abdome, desde a linha mediana ventral até a
linha mediana dorsal, passando em frente à coxa. Contorne o prepúcio ou a mama e
rebata a pele dorsalmente, terminando por removê-la.

19.2. Rebata caudalmente o músculo cutâneo do tronco e observe a origem do músculo


grande dorsal nas ultimas costelas e na fáscia toracolombar.

19.3. Identifique e disseque, na porção ventral da parede do abdome, a artéria e veia


epigástricas caudais superficiais, que correm próximo ao prepúcio ou à mama,
paralelamente à linha mediana ventral. Fêmeas em lactação apresentam a veia
epigástrica caudal superficial com calibre bastante aumentado e trajeto
caracteristicamente sinuoso.

19.4. Observe, em machos, os músculos prepuciais cranial e caudal, que são fascículos
carnosos derivados do músculo cutâneo do ronco e que se dirigem para o óstio
prepucial.

19.5. Neste item, serão dissecados os músculos que compõem a parede do abdome, ou
seja: oblíquo externo do abdome, oblíquo interno do abdome, reto do abdome e
transverso do abdome. O oblíquo externo e o reto do abdome são os mais superficiais. O
primeiro está constituído por uma parte carnosa e uma parte aponeurótica. A parte
carnosa do oblíquo externo do abdome cobre o terço distal das últimas costelas, nas
91

quais se origina. Esta origem tem contorno serreado e relaciona-se, á maneira de


engrenagem, com o músculo serrátil ventral. Verifique que a parte carnosa do oblíquo
externo está coberta por uma fáscia contendo tecido elástico, que não deve ser
removida. A parte aponeurótica estende-se até a linha mediana ventral e recobre quase
totalmente o músculo reto do abdome, que pode ser visto por transparência. Note que o
músculo reto do abdome é poligástrico, estando seus vários ventres separados por faixas
conjuntivas transversais paralelas, as intersecções tendíneas.

19.6. Libere no sentido carniocaudal, a origem costal do músculo oblíquo externo do


abdome. Após liberá-lo da última costela, seccione-o da fáscia toracolombar. Agora,
rebata-o ventralmente, seccionando sua aponeurose no sentido vertical, ao longo da
borda cranial da coxa, até o terço médio da parede abdominal.

19.7. Identifique profundamente ao oblíquo externo, o músculo oblíquo interno do


abdome. Este também é constituído de partes carnosa e aponeurótica. Note que as fibras
da parte carnosa têm direção inversa às do obliquo externo e se estendem da fáscia
toracolombar e túber coxal em direção cranioventral. Verifique que a parte aponeurótica
do oblíquo interno se funde ventralmente com a parte aponeurótica do oblíquo externo.
Estas duas partes aponeuróticas fundidas constituem uma lâmina especial, denominada
túnica flava do abdome. Este nome deve-se a seu aspecto amarelado, em virtude da
presença de grande quantidade de fibras elásticas, que conferem a característica
distensibilidade da parede abdominal. As intersecções tendíneas do músculo reto do
abdome estão aderidas à túnica flava.

19.8. Seccione o músculo oblíquo interno do abdome próximo a suas origens e rebata-o
ventralmente. Identifique profundamente a ele, o músculo transverso do abdome e
observe que este é também constituído de partes carnosa e aponeurótica. As fibras de
sua parte carnosa têm direção vertical. Sua parte aponeurótica está principalmente
fundida com a parte aponeurótica do músculo oblíquo interno do abdome e situa-se
profundamente ao músculo reto do abdome.

19.9. Identifique os ramos craniais da artéria e veia circunflexas profundas do ílio, que
aparecem sobre o músculo transverso do abdome, próximo ao túber coxal. Identifique,
correndo verticalmente sobre o músculo transverso do abdome os ramos ventrais dos
últimos nervos espinais torácicos (nervos intercostais) e dos primeiros nervos espinais
lombares. Identifique, correndo na face profunda do terço cranial do músculo reto do
abdome, as artérias e veia epigástricas craniais superficiais. Note que elas perfuram o
músculo reto do abdome e a aponeurose do oblíquo externo do abdome para se
distribuírem na parede ventral do abdome, sobre o músculo cutâneo do tronco.

19.10. Note que as aponeuroses dos músculos abdominais unem-se com as do lado
oposto na linha mediana ventral. Esta união constitui a linha alba, que é avascular e um
dos sítios de eleição para incisões na parede do abdome. A linha alba prende-se ao pube
por um espessamento fibroso denominado tendão prepúbico.
92

19.11. Identifique, revestindo internamente a parede do abdome, a lâmina parietal do


peritônio.

19.12. Identifique e estude o canal inguinal; note suas diferenças entre macho e fêmea.

19.13. Estude agora os músculos, vasos e nervos da parede do abdome e o canal


inguinal.

20. Músculos da parede do abdome

20.1. Oblíquo externo do abdome

É o mais superficial dos músculos da parede abdominal. É largo, delgado e cobre


a parede abdominal e a parte da parede torácica. Apresenta uma parte carnosa, que se
estende desde as sete últimas costelas, fáscia toracolombar e túber coxal até a metade da
parede abdominal. Suas fibras mais ventrais correm obliquamente no sentido
dorsoventral e craniocaudal. Na porção dorsal do músculo, as fibras são ligeiramente
oblíquas e dirigem-se no sentido craniocaudal.

Sua parte aponeurótica é delgada, porém resistente, cobre superficialmente o


músculo reto do abdome, prende-se firmemente às intersecções tendíneas deste último e
termina na linha alba e no tendão prepúbico com o másciaúsculo do lado oposto. Na
metade caudal da parede abdominal, está fundida à aponeurose do músculo oblíquo
interno do abdome.

O músculo oblíquo externo do abdome origina-se na face externa das sete


últimas costelas por meio de digitações que se engrenam com as do músculo serrátil
ventral. Ele é irrigado pelas últimas artérias intercostais e pelo ramo cranial da artéria
circunflexa profunda do ílio.

Inervação: é inervado por ramos dos cinco últimos nervos intercostais, nervo
costo-abdominal e dois primeiros nervos lombares.

20.2. Obliquo interno do abdome

É largo e constitui a segunda camada muscular da parede abdominal. Origina-se


no túber coxal e na porção profunda da fáscia toracolombar. Insere-se na linha alba e no
tendão prepúbico. Sua parte carnosa tem forma aproximada de um leque e estende-se
até o nível do meio da parede lateral do abdome. Suas fibras têm sentido dorsoventral e
craniocaudal. Nos pequenos ruminantes, parte do músculo destaca-se do restante e
insere-se na borda caudal da última costela. As fibras musculares continuam-se por uma
parte aponeurótica, que é delgada, mas bastante potente, sendo constituída por duas
lâminas na porção mais cranial do músculo. A lâmina superficial da parte aponeurótica
abrange toda a extensão do músculo e prende-se na linha alba, após fundir-se com a
aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome. Sua metade caudal funde-se
também com a aponeurose do músculo transverso do abdome e as aponeuroses dos três
93

músculos, assim fundidas, relacionam-se profundamente com o músculo reto do


abdome e inserem-se no tendão prepúbico. A lâmina profunda é bastante delgada.
Apresenta-se mais desenvolvida na metade cranial do músculo e, após curto trajeto,
funde-se à aponeurose do músculo transverso do abdome. Sua borda cranial confunde-
se com o tecido conjuntivo frouxo situado entre o arco costal e o músculo oblíquo
externo do abdome.

O músculo oblíquo interno do abdome é irrigado por ramos da artéria costo-


abdominal, da artéria circunflexa profunda do ílio e da epigástrica caudal superficial.

Inervação: nervo costo-abdominal e dois primeiros nervos lombares.

20.3. Transverso do abdome

É um músculo largo e delgado que constitui a camada muscular mais profunda


da parede abdominal. É constituída de partes carnosa e aponeurótica. Origina-se nos
processos transversais das vértebras lombares e na face interna do arco costal. As
fibrasda parte carnosa tem sentido dorsoventral e são perpendiculares às do músculo
reto do abdome. A parte aponeurótica é delgada na porção caudal do músculo, mais
espessa na porção cranial e está separada internamente do peritônio parietal por uma
lâmina conjuntiva, a fáscia transversal. A metade cranial do músculo situa-se
profundamente ao músculo reto do abdome e sua aponeurose insere-se na linha alba,
constituindo a bainha interna para o músculo reto do abdome. A aponeurose da metade
caudal, por outro lado, funde-se à do músculo oblíquo interno do abdome e corre
superficialmente ao músculo reto do abdome, constituindo sua bainha externa. O limite
entre as partes carnosa e aponeurótica situa-se ao nível de uma linha curva de
concavidade cranial que se estende, aproximadamente, desde a cartilagem xifóidea até o
túber coxal.

O músculo transverso do abdome é irrigado por ramos das artérias circunflexa


profunda do ílio e epigástrica.

Inervação: últimos nervos intercostais, nervo costoabdominal e dois primeiros


nervos lombares.

20.4. Reto do abdome

É um músculo longo e delgado que se estende desde o esterno até o pube. Está
situado no assoalho da parede abdominal e suas fibras têm sentido craniocaudal. O
músculo reto do abdome do antímero direito está separado do esquerdo por um espaço
de cerca de 5 a 8cm, ocupado pelas aponeuroses dos músculos oblíquos. O músculo reto
do abdome apresenta cinco intersecções tendíneas, dispostas transversalmente e
separadas umas das outras por espaços regulares. São constituídas de tecido conjuntivo
e dão inserção às aponeuroses dos músculos oblíquos. O segmento muscular
compreendido entre as intersecções tendíneas II e III é atravessado pela veia epigástrica
cranial superficial. O músculo relaciona-se superficialmente com as aponeuroses dos
94

músculos oblíquos do abdome e com o músculo peitoral profundo. Profundamente, está


relacionado com o músculo transverso do abdome.

É irrigado por ramos das artérias epigástricas superficiais.

Inervação: últimos nervos intercostais, nervo costo-abdominal e três primeiros


nervos lombares.

20.5. Ação dos músculos abdominais

Os músculos abdominais compõem a parede do abdome e suas contrações fazem


pressão sobre as vísceras da cavidade abdominal durante a micção, a defecação, o parto
e a expiração forçada. Os músculos retos do abdome, em conjunto, flexionam a
articulação lombosacral, arqueando o dorso do animal.

20.6. Canal inguinal

O canal inguinal é uma passagem virtual situada dorso-lateralmente ao tendão


prépubico, na porção caudal da parede abdominal. Está presente em ambos os sexos. O
canal é considerado mais potencial que real e estende-se entre os músculos oblíquos do
abdome. Os ânulos inguinais constituem os limites do canal e têm forma de fenda. A
parede medial do canal é representada pela borda caudal do músculo oblíquo interno do
abdome. A parede lateral, por sua vez, está formado pela aponeurose do músculo
oblíquo externo do abdome. O ligamento inguinal é a porção da aponeurose do músculo
oblíquo externo do abdome relacionada com o canal inguinal. O ânulo inguinal
profundo é formado cranialmente pelo músculo oblíquo interno do abdome e
caudalmente pela borda dorsal do ligamento inguinal. O ânulo inguinal superficial está
situado na aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome. O comprimento do canal
inguinal, medido entre os ânulos inguinais, é variável. O canal é atravessado pela artéria
e veia pudendas externas, nervos e vasos linfáticos, comuns a ambos os sexos. Nos
machos, é atravessado ainda pelo funículo espermático, túnica vaginal e músculo
cremáster.

21. Nervos da parede do abdome

21.1. Ílio-hipogástrico

O ramo vntral de L1 emite pequenos ramos para os músculos psoas maior, psoas
menor e quadrado lombar e continua-se como nervo ílio-hipogástrico. Este passa entre
os músculos quadrado lombar e psoas maior e divide-se em ramos superficial e
profundo. O ramo superficial atravessa os músculos da parede abdominal, envia filetes
aos músculos transverso do abdome e oblíquo externo do abdome e distribui-se na pele
da região do flanco como ramo cutâneo lateral. O ramo profundo dirige-se
caudoventralmente entre o peritônio e o músculo transverso do abdome, passa próximo
ao ânulo inguinal interno, envia ramos para os músculos transverso e oblíquo interno do
abdome e distribui-se na porção caudal do músculo reto do abdome. Envia ainda o ramo
cutâneo ventral para a pele da região do prepúcio e escroto, no macho e da mama, na
95

fêmea. Nos animais com sete vértebras lombares, os ramos ventrais de L1 a L2 são os
nervos ílio-hipogástricos cranial e caudal, respectivamente. Nestes animais o ramo
ventral de L3 corresponde ao nervo ílio-inguinal.

21.2. Ílio-inguinal

O ramo ventral de L2 envia ramúsculos aos músculos psoas e quadrado lombar.


Ele continua-se como nervo ílio-inguinal e recebe, em alguns casos, um ramo
comunicante do ramo ventral de L1. Envia ainda ramo comunicante a L3. O nervo ílio-
inguinal comporta-se semelhante ao nervo ílio-hipogástrico, correndo paralela e
caudalmente a ele. Seu ramo superficial distribui-se também na face lateral da coxa.

21.3. Genitofemoral

O ramo ventral de L3 inerva os músculos psoas e quadrado lombar. Está em


comunicação com L3 e L4. Sua participação na formação do nervo genitofemoral
depende se este se apresenta único ou duplo. O nervo genitofemoral geralmente origina-
se de L3, porém pode receber também fibras de L2 e L4. Dirige-se caudoventralmente e
fornece um ramo para o músculo oblíquo interno do abdome. Em seu curso em direção
ao canal inguinal, ele cruza o nervo cutâneo lateral da coxa e a artéria e veia
circunflexas profundas do ílio. Ele acompanha a artéria pudenda externa e divide-se em
dois ramos. Um deles distribui-se na pele do prepúcio e escroto. No macho e na pele da
mama, na fêmea. O outro, além de inervar estas estruturas, distribui-se também no
músculo cremáster e na túnica vaginal.

21.4. Costo-abdominal: descrito no ítem 15.1.

21.5. Torácico lateral: descrito no ítem 15.3.

22. Artérias da parede do abdome

22.1. Epigástrica cranial superficial: descrita no ítem 58.2.2.2.

22.2. Epigástrica caudal superficial: descrita no ítem 28.1.2.

22.3. Circunflexa profunda do ílio: descrita no ítem 28.1.1.

22.4. Costo-abdominal: descrita no ítem 58.2.5.

23. Veias da parede do abdome

23.1. Epigástrica cranial superficial: descrita no ítem 59.4.2.

23.2. Epigástrica caudal superficial: descrita no ítem 29.2.1.

24. Linfáticos da parede do abdome

24.1. Linfocentro inguinofemoral: descrito no ítem 30.3

25. Roteiro para dissecação e estudo do membro pélvico


96

25.1. Face lateral da pelve

25.1.1. Faça uma incisão circular na pele do terço médio da perna. Em seguida, faça
uma incisão vertical na pele da face medial da coxa, desde a raiz do membro até
alcançar a incisão da perna. Rebata todas as peles dorsalmente, contornando a raiz da
cauda, o ânus e os órgãos genitais externos.

25.1.2. Observe a parte pélvica do músculo cutâneo do tronco e, correndo sobre ele, os
ramos cutâneos dos últimos nervos lombares e dos nervos sacrais.

25.1.3. Localize, entre o túber isquiático e a raiz da cauda, o ramo cutâneo do nervo
pudendo. Disseque-o distalmente na face caudal da coxa.

25.1.4. Remova a fáscia da face lateral da pelve e identifique, no sentido craniocaudal,


os músculos tensor da fáscia lata, glúteo superficial. O tensor da fáscia lata em contorno
triangular e estende-se verticalmente do túber coxal à borda cranial da coxa. O glúteo
médio é o músculo volumoso que ocupa a face glútea do ílio. Sua parte caudal está
parcialmente coberta pelo glúteo superficial. Este último continua-se distalmente, na
face lateral da coxa, com o músculo bíceps femoral, constituindo os dois uma única
massa muscular.

25.1.5. Seccione transversalmente o músculo glúteo superficial ao nível do trocanter


maior do fêmur e rebata-o dorsalmente. Isole o músculo glúteo médio e seccione-o
transversalmente em seu terço médio. Afaste, ao máximo, os cotos do músculo glúteo
médio e note, profundamente a ele, o músculo glúteo acessório, ao qual está
parcialmente fundido.

25.1.6.Identifique, profundamente aos músculos glúteos, o ligamento sacrotuberal, que


é uma lâmina fibrosa e brilhante que se estende do sacro ao osso do quadril. Disseque,
sobre o ligamento sacrotuberal, o nervo isquiádico, a artéria e veia glúteas caudais e o
linfonodo isquiádico. O nervo isquiádico é largo e delgado e emerge da cavidade
pélvica através do forame isquiádico maior. Disseque seus ramos para os músculos
glúteos e para o músculo tensor da fáscia lata. Verifique que o ramo para o tensor da
fáscia lata, antes de alcançá-lo, atravessa o músculo glúteo acessório. Os vasos glúteos
caudais e o linfonodo isquiádico situam-se sob o músculo glúteo superficial, próximo ao
túber isquiádico.

25.1.7. Identifique os músculos glúteo profundo, gêmeo e quadrado femoral, sobre os


quais corre o nervo isquiádico.

25.1.8. Estude os músculos, nervos, vasos e linfonodos até agora dissecados.

25.2. Face lateral da coxa

25.2.1. Identifique a fáscia lata, que é uma lâmina fibrosa e brilhante na qual se
prendem os músculos tensor da fáscia lata e bíceps femoral. Remova a fáscia superficial
da face lateral da coxa, tendo-se o cuidado de preservar a fáscia lata.
97

25.2.2.Identifique, caudalmente à fáscia lata, o músculo bíceps femoral. Verifique que


ele apresenta uma parte cranial, mais larga e cujas fibras dirigem-se obliquamente no
sentido caudocranial, e uma parte caudal, mais estreita e com fibras dirigidas
verticalmente.

25.2.3. Identifique, constituindo a borda caudal da coxa, os músculos semitendíneo e


semimembranáceo. O semitendíneo é o mais lateral dos dois.

25.2.4. Libere a borda cranial do bíceps de sua inserção na fáscia lata. Rebata esta
última cranialmente e observe, sob ela, o músculo vasto lateral.

25.2.5. Seccione transversalmente o bíceps femoral, ao nível do joelho. Rebata-o


caudalamente e verifique, correndo profundamente a ele, o nervo isquiádico. Disseque,
ao nível do terço proximal da coxa, os ramos deste nervo para os músculos bíceps
femoral, semitendíneo e semimembranáceo. Na extremidade distal da coxa, verifique a
bifurcação do nervo isquiádico em nervos fibular comum e tibial. O nervo fibular
comum é o mais lateral dos dois. Disseque a origem do nervo cutâneo lateral da sura.
Este é um delgado ramo que se pode originar do nervo isquiádico, do nervo fibular
comum ou, mais raramente, do nervo tibial.

25.2.6. Identifique a veia safena lateral, no ponto onde ela penetra no espaço entre os
músculos bíceps femoral e semitendíneo. Verifique que ela é acompanhada pelo nervo
cutâneo lateral da sura. Disseque-a proximalmente até sua união com ramos musculares
provenientes dos músculos bíceps femoral, semitendíneo e semimembranáceo. A partir
daí, a veia safena lateral passa a chamar-se veia femoral profunda. Junto a esta ,
disseque os ramos musculares da artéria femoral profunda, cujo tronco será dissecado
na face medial da coxa.

Disseque, junto à veia safena lateral e a terminação do nervo isquiádico, o


linfonodo poplíteo, que pode estar envolvido em quantidade variável de tecido adiposo.

25.2.7. Retome a dissecação do músculo vasto lateral. Este músculo faz parte do grupo
muscular denominado quadríceps femoral. Seccione transversalmente o vasto lateral,
em seu terço médio. Rebata seus cotos e identifique profundamente a ele, os músculos
reto femoral e vasto intermédio, que são dois outros componentes do quadríceps
femoral. O reto femoral é o mais cranial dos dois. O quarto componente do quadríceps é
o músculo vasto medial, que será visto na face medial da coxa.

25.2.8. Identifique o músculo adutor, situado entre o vasto intermédio, cranialmente e o


semimembranáceo, caudalmente. Verifique que seu ventre é perfurado, no terço médio,
pela veia femoral profunda e pelos ramos musculares da artéria femoral profunda.

25.2.9. Estude os músculos, nervos, vasos e linfonodos até agora dissecados.

25.3. Face medial da coxa


98

25.3.1. Localize o músculo tensor da fáscia lata e verifique que esta fáscia estende-se
também na face medial da coxa, recobrindo o músculo reto femoral. Disseque, correndo
verticalmente na face medial do tensor da fáscia lata, o ramo caudal da artéria
circunflexa profunda do ílio e o nervo cutâneo lateral da coxa.

25.3.2. Identifique o linfonodo subilíaco, situado cranialmente ao músculo tensor da


fáscia lata e envolvido em quantidade variável de tecido adiposo.

25.3.3. Remova, com cuidado, a fáscia que recobre os músculos superficiais da face
medial da coxa. Estes são, no sentido craniocaudal, os músculos tensor da fáscia lata,
vasto medial, sartório e grácil. O vasto medial, pertencente ao grupo quadríceps, recobre
parcialmente o reto femoral e está preso à fáscia lata. O sartório é um músculo estreito,
delgado e sua extremidade proximal apresenta-se dividida em cabeças cranial e caudal.
O grácil é largo, delgado e recobre o semimembranáceo.

25.3.4. Disseque a artéria, veia e nervo femorais emergindo da cavidade abdominal e


passando, na raiz do membro, entre as duas cabeças do sartório. Seccione a cabeça
caudal do sartório e rebata-a cranialmente. Verifique que a maior parte do nervo femoral
penetra no músculo quadríceps femoral. O restante deste nervo corre distalmente junto à
artéria e veia femorais e constitui o nervo safeno. Disseque os vasos femorais e o nervo
safeno distalmente até o ponto em que a artéria femoral emite no terço médio da coxa, a
artéria safena. Verifique que a artéria e o nervo safenos passam a correr juntos
distalmente na face medial da coxa, emergindo da borda caudal do sartório.

25.3.5. Seccione transversalmente os músculos grácil e sartório em seu terço médio e


rebata seus cotos proximal e distal. Ao rebater o coto proximal do grácil, verifique,
chegando à sua face profunda, ramos do nervo obturatório e da artéria femoral
profunda. Identifique caudalmente ao sartório, os músculos pectíneo, adutor e
semimembranáceo. Os músculos adutor e semimembranáceo já foram estudados na face
lateral da coxa; reconheça-os agora na face medial. O músculo pectíneo é pequeno,
triangular e está situado entre o sartório e o adutor.

25.3.6.Disseque, prenetrando sob o músculo pectíneo, a artéria e veia femorais


profundas, que emergem da cavidade abdominal e correm caudalmente junto à raiz do
membro, ao longo do corpo do ílio.

25.3.7. Rebata cranialmente, ao máximo, os cotos distais dos músculos sartório e grácil,
de modo a visualizar a inserção do semimembranáceo. Retome a dissecação da artéria e
veia femorais, até sua penetração sob a porção distal do semimembranáceo. Isole o
semimembranáceo dos músculos semitendíneo e adutor. Seccione-o próximo à sua
inserção, no sentido do trajeto femoral. Identifique, profundamente ao
semimembranáceo, a cabeça medial do músculo gastrocnêmio. Disseque a artéria
femoral até sua penetração neste músculo. A este nível, ela emite a artéria do fêmur, que
se dirige caudodistalmente, penetrando no gastrocnêmio. A artéria caudal do fêmur é o
último ramo da artéria femoral. Após sua origem, a artéria femoral passa a chamar-se
artéria poplítea.
99

25.4. Perna e pé

25.4.1. Faça uma incisão longitudinal na pele da face medial da perna e do pé até o
casco. Contorne este último e remova cuidadosamente toda a pele do membro.

25.4.2. Na face lateral da perna, continue a dissecação distal da veia safena lateral e do
nervo cutâneo lateral da sura até o tarso. Verifique que a veia safena lateral é formada,
ao nível do terço médio da perna, pela união de dois ramos, cranial e caudal.

25.4.3. Rebata cranialmente o coto distal do bíceps femoral, juntamente com sua
aponeurose. Disseque o nervo fibular comum, correndo obliquamente sobre os
músculos da face lateral da perna, até sua penetração entre estes.

25.4.4. Identifique, inicialmente, a cabeça lateral do músculo gastrocnêmio. Este é o


músculo mais caudal da perna e insere-se no calcâneo através de um potente tendão,
denominado tendão calcanear comum. Em seguida, identifique o músculo sóleo; este é
uma estreita cinta muscular que se origina na face lateral da articulação do joelho e se
funde caudalmente com o gastrocnêmio. Cranialmente ao sóleo e ao tendão calcanear
comum,identifique o músculo flexor profundo dos dedos, cujo tendão corre na face
caudal da tíbia (o músculo flexor superficial dos dedos está envolvido pelas cabeças do
gastrocnêmio e será visto na face medial da perna). Verifique agora o músculo extensor
do dedo IV, situado na face lateral da tíbia, cranialmente ao flexor profundo dos dedos.

25.4.5. Passe a dissecar os músculos da face cranial da perna. Este grupo muscular está
separado do músculo extensor do dedo IV pelo nervo fibular comum. Identifique,
inicialmente, o músculo fibular longo, cujo ventre é triangular e situa-se imediatamente
à frente do nervo fibular comum; seu tendão insere-se na face lateral do osso társico I.
Identifique agora os músculos fibular terceiro, extensor do dedo III e extensor longo dos
dedos. Os ventres dos músculos extensor do dedo III e extensor longo dos dedos estão
recobertos pelo fibular terceiro, o qual constitui a borda cranial da perna. Verifique que
os tendões destes três músculos estão contidos, na face cranial da extremidade distal da
perna e do tarso, por uma cinta fibrosa transversal, o retináculo dos extensores. Seccione
este retináculo e identifique, no sentido mediolateral, os tendões do fibular terceiro, do
extensor do dedo III e do extensor longo dos dedos. Este último corresponde ao
músculo extensor comum dos dedos dos membros torácico. Identifique, finalmente, o
músculo tibial cranial, cujo ventre situa-se na face lateral da tíbia, craniomedialmente ao
músculo fibular terceiro.

25.4.6. Disseque o nervo fibular comum penetrando entre os músculos fibular longo e
extensor do dedo IV. Verifique seus ramos para os músculos da face lateral da perna e
sua divisão final em nervos fibular superficial e fibular profundo, que correm
distalmente na perna. Acompanhe, inicialmente, o nervo fibular superficial. Ele é o mais
lateral dos dois. Ao nível do tarso, ele corre medialmente ao ramo cranial da veia safena
lateral.
100

25.4.7. Para dissecação e estudo do nervo fibular superficial ao nível do pé, consulte sua
descrição no capítulo de nervos do membro pélvico. O nervo fibular profundo será
dissecado mais tarde.

24.4.8. Passe a estudar as estruturas da face medial da perna. Identifique inicialmente,


nesta face, os músculos fibular terceiro, tibial cranial e flexor profundo dos dedos, já
vistos na face lateral da perna. Caudalmente ao flexor profundo dos dedos, identifique a
cabeça medial do gastrocnêmio. Verfique que o músculo flexor profundo dos dedos é
composto de três partes, que são denominadas, no sentido craniocaudal, de músculos
flexor longo dos dedos, flexor longo do hálux e tibial caudal.

25.4.9. Seccione a cabeça medial do gastrocnêmio junto à sua origem e afaste seus
cotos, de modo a visualizar o nervo tibial e a artéria poplítea. Disseque o nervo tibial,
verificando seus ramos para a musculatura caudal da perna. Prossiga sua dissecação até
o nível do tarso e verifique aí sua bifurcação em nervos plantar lateral e plantar medial.
O nervo plantar medial é o mais cranial dos dois.

25.4.10. Para prosseguir na dissecação e estudo dos nervos plantares ao nível do pé,
consulte o capítulo referente a nervos do membro pélvico.

25.4.11. Identifique o músculo flexor superficial dos dedos, cujo ventre é envolvido
pelas cabeças lateral e medial do gastrocnêmio. Seu tendão, juntamente com o tendão
do gastrocnêmio, participa na formação do tendão calcanear comum.

25.4.12. Disseque a artéria poplítea na face caudal do joelho. Seu trajeto é curto e ela
logo se divide em artérias tibial cranial e tibial caudal. Identifique o músculo poplíteo,
que ocupa a face caudal da extremidade proximal da tíbia, situando-se proximalmente
aos ventres do músculo flexor profundo dos dedos. Observe que a artéria tibial caudal é
a menor das duas e corre sobre a face caudal do músculo poplíteo. A artéria tibial
cranial é a continuação direta da artéria poplítea e penetra sob o músculo de mesmo
nome. Interrompa, neste nível, sua dissecação.

25.4.13. Volte à face lateral da perna e disseque, correndo sobre a face cranial da tíbia, a
artéria tibial cranial e o nervo fibular profundo. Acompanhe-os distalmente e verifique
que ambos passam sob o retináculo dos extensores. Neste ponto, a artéria tibial cranial
passa a chamar-se artéria dorsal do pé.

25.4.14. Para continuar a dissecação do nervo fibular profundo e da artéria dorsal do pé,
consulte suas descrições nos capítulos de nervos e de vasos do membro pélvico,
respectivamente.

25.4.15.Identifique, na face dorsal do pé, os tendões dos músculos extensor do dedo IV,
extensor longo dos dedos e extensor do dedo III. Observe, no terço proximal do
metatarso, profundamente ao tendão do extensor longo dos dedos, o pequeno músculo
extensor curto dos dedos. Note, ao nível da articulação metatarsofalângica, a bifurcação
do tendão do extensor longo dos dedos, originando um ramo para cada dedo principal.
101

25.4.16. Disseque na face plantar do pé, os tendões dos músculos flexor superficial dos
dedos, flexor profundo dos dedos e interósseo III e IV. Observe que a disposição destes
tendões é semelhante à de seus homônimos do membro torácico. Disseque estes tendões
seguindo as mesmas manobras utilizadas no membro torácico.

25.4.17. Estude os músculos, vasos e nervos até agora dissecados.

25.5. Revisão geral do membro pélvico.

Faça revisão do membro pélvico, utilizando a mesma sequencia empregada para


revisão do membro torácico (ítem 7.5)

26. Músculos do membro pélvico

26.1. Músculos da face lateral da pelve

Os músculos da face lateral da pelve são o glúteo superficial, o glúteo médio, o


glúteo acessório, o glúteo profundo, o gêmeo e o tensor da fáscia lata. O músculo bíceps
femoral, por originar-se na crista sacral mediana, atravessa esta região. Porém, como
está localizado quase que totalmente na coxa, será descrito com os músculos da face
lateral da coxa.

26.1.1. Glúteo superficial

Nos ruminantes, ele está fundido ao músculo bíceps femoral. Nos pequenos
ruminantes, ele se une ao músculo bíceps femoral apenas em parte, podendo ser
identificável.

26.1.2. Glúteo médio

É um músculo potente que ocupa a face lateral da pelve. Origina-se na


aponeurose do músculo longíssimo lombar, nos túberes sacral e coxal e no ligamento
sacrotuberal. Insere-se no trocânter maior do fêmur. Sua porção profunda é mais ou
menos separável e recebe o nome de músculo glúteo acessório. Este se origina no túber
coxal e na face dorsal do corpo do ílio. Insere-se também no trocânter maior. São
irrigados por ramos das artérias glúteas cranial e caudal.

Ação e inervação: o músculo glúteo médio estende a articulação do quadril e,


quando atua em conjunto com o músculo glúteo acessório, produz rotação lateral do
membro. Quando o membro está fixo ao solo, estes dois músculos auxiliam na elevação
do tronco. São inervados pelos nervos glúteos cranial e caudal.

26.1.3. Glúteo profundo

É um músculo de forma aproximadamente triangular, que se origina na espinha


isquiática e no ligamento sacrotuberal e insere-se no trocanter maior. É irrigado por
ramos da artéria glútea caudal.
102

Ação e inervação: auxilia na flexão e abdução da articulação do quadril. É


inervado por ramos do nervo glúteo caudal.

26.1.4. Gêmeo

É um músculo único dos ruminantes domésticos. Sua origem está intimamente


unida à borda caudal do músculo glúteo profundo. Origina-se na face lateral do ísquio e
insere-se na fossa trocantérica, juntamente com os músculos obturadores. É irrigado por
ramos da artéria glútea caudal.

Ação e inervação: estende a articulação do quadril e auxilia na rotação lateral do


fêmur. É inervado por ramos do nervo glúteo caudal.

26.1.5. Tensor da fáscia lata

É um músculo triangular que se origina no túber coxal e insere-se na fáscia lata


e, por meio desta, na patela. É irrigado por ramos da artéria circunflexa profunda do ílio.

Ação e inervação: flexiona a articulação do quadril e estende a do joelho. É


inervado por um ramo do nervo isquiádico.

26.2. Músculos da face lateral da coxa

26.2.1. Bíceps femoral

É um músculo longo e espesso, cuja porção carnosa estende-se desde a face


lateral da pelve até a face lateral da coxa e joelho. A porção glútea do músculo bíceps
femoral dos ruminantes domésticos está fundida ao músculo glúteo superficial. Nos
pequenos ruminantes podemos notar o limite entre estas duas partes. Alguns autores
denominam o conjunto destes dois músculos de músculo glúteobíceps. Origina-se na
crista sacral mediana, no ligamento sacrotuberal e no túber isquiádico. Insere-se na
fáscia lata e, por meio de uma larga aponeurose, na patela, no ligamento patelar lateral,
na crista da tíbia e no túber do calcâneo (por meio do tendão calcanear comum).
Relaciona-se superficialmente com a fáscia lateral da coxa. Sua porção glútea cobre
parcialmente o músculo glúteo médio, o nervo isquiádico e o músculo glúteo profundo.
Na coxa, o músculo situa-se cranialmente ao músculo semitendíneo, ao qual está
parcialmente fundido. Relaciona-se profundamente com o nervo isquiádico e com o
músculo adutor e, em parte, com o músculo vasto lateral. Na perna, ele cobre o nervo
fibular comum e os músculos extensores da perna e do pé. É irrigado por ramos das
artérias glútea caudal, femoral profunda e caudal do fêmur.

Ação e inervação: Quando o membro está apoiado no solo, ele estende as


articulações do quadril, do joelho e do tarso. Com o membro livre, flexiona as
articulações do quadril e do joelho. É inervado por ramos do nervo isquiádico.

26.2.2. Semitendíneo
103

É um músculo longo que se origina no túber isquiádico. Dirige-se distalmente na


face caudal da coxa, entre os músculos bíceps femoral e semimembranáceo. No terço
proximal da coxa, inclina-se medialmente, situando-se profundamente ao músculo
bíceps femoral. Insere-se na tuberosidade da tíbia e, por uma aponeurose, no tendão
calcanear comum. É irrigado por ramos da artéria femoral profunda.

Ação e inervação: estende as articulações do quadril, do joelho e do tarso


quando o membro está fixo no solo, puxando, por conseguinte, o tronco para frente.
Com o membro livre, flexiona o joelho, produz rotação medial da perna e puxa o
membro para trás. É inervado por ramos do nervo isquiádico.

26.3. Músculos da face cranial da coxa

26.3.1. Quadríceps femoral (vasto lateral, vasto intermédio, reto femoral e vasto
medial)

Os músculos da face cranial da coxa constituem um potente grupo muscular


representado pelo músculo quadríceps femoral. Ele inclui o vasto lateral, o vasto
intermédio, o reto femoral e o vasto medial. Os músculos vasto lateral e reto femoral
encontram-se fundidos, exceto em suas origens. O músculo vasto intermédio está
aderido à face cranial do fêmur, profundamente ao vasto lateral e ao reto femoral. O
vasto medial situa-se na face medial da coxa. O reto femoral origina-se no ílio, enquanto
que os outros se originam no fêmur. Todos inserem-se na patela. O vasto lateral é o
maior deles. Origina-se por curto tendão trocânter maior do fêmur. Relaciona-se
superficialmente com a fáscia lata. Seu tendão de origem cruza lateralmente o do
músculo glúteo acessório. O reto femoral é também um músculo bastante desenvolvido,
que se origina no corpo do ílio, sob o músculo glúteo profundo. Seus dois tendões se
combinam num ventre único, que corre distalmente entre os ventres dos músculos vasto
lateral e vasto medial. O vasto intermédio situa-se na face cranial do fêmur e é o mais
medial destes músculos. Sua borda caudal está parcialmente fundida ao músculo
pectíneo. O músculo quadríceps femoral é irrigado por ramos da artéria femoral.

Ação e inervação: estende o joelho e flexiona a articulação do quadril. É


inervado por ramos do nervo femoral.

26.4. Músculos da face medial da coxa

Os músculos da face medial da coxa são: tensor da fáscia lata, reto femoral,
vasto medial, sartório, ilíaco, psoas maior, pectíneo, grácil, adutor, semimembranáceo,
quadrado femoral, obturador externo e obturador interno. O tensor da fáscia lata, reto
femoral e vasto medial já foram descritos. O ilíaco e o psoas maior, topograficamente,
pertencem também à região sublombar, porém serão descritos juntamente com os
músculos da face medial da coxa.

26.4.1. Sartório
104

É um delgado músculo que se origina por duas cabeças. A cabeça cranial


origina-se na fáscia que recobre o músculo iliopsoas. A cabeça caudal origina-se no
corpo do ílio, logo acima do acetábulo. Insere-se, juntamente com o grácil, na fáscia
medial da perna. Relaciona-se superficialmente com a tela subcutânea e pele da face
medial da coxa e, profundamente, com os vasos femorais e o nervo safeno. É irrigado
por ramos da artéria femoral.

Ação e inervação: flexiona a articulação do quadril e estende a do joelho. É


inervado por ramos do nervo safeno.

26.4.2. Ilíaco e psoas maior

O músculo ilíaco origina-se na face sacropelvica da asa e na face ventral do


corpo do ílio e insere-se, juntamente com o músculo psoas maior, no trocânter menor do
fêmur. O músculo psoas maior origina-se na face interna da extremidade dorsal das duas
últimas costelas e nos processos transversais das vertebras lombares. Devido às suas
inserções comuns no trocânter menor, são considerados como um único músculo.
Denomindado iliopsoas. O músculo iliopsoas relaciona-se lateralmente com os
músculos transverso e oblíquo interno do abdome e ventralmente é cruzado pela artéria,
veia e nervo femorais. Relaciona-se ainda ventralmente com o músculo sartório. A
artéria e a veia ilíaca externas correm medialmente ao músculo psoas maior. O músculo
iliopsoas é irrigado por ramos das artérias circunflexa profunda do ílio e femoral.

Ação e inervação: flexiona a articulação do quadril. É inervado por ramos dos


nervos lombares e pelo nervo femoral.

26.4.3. Pectíneo

É um músculo bem desenvolvido nos ruminantes domésticos, de forma


aproximadamente triangular. Origina-se na borda cranial do pube, na eminência
iliopúbica e no tendão prépubico. Insere-se na face caudal do corpo do fêmur. O
músculo pectíneo está parcialmente fundido aos músculos vasto medial, adutor e grácil.
É irrigado por ramos da artéria femoral profunda.

Ação e inervação: auxilia na adução do membro. Flexiona a articulação do


quadril. É inervado por ramos do nervo obturatório.

26.4.4. Semimembranáceo

É um músculo potente situado na face caudomedial da coxa. Origina-se na face


ventral do ísquio, no arco isquiádico e no túber isquiádico. Insere-se no epicôndilo e no
côndilo medial do fêmur e no côndilo medial da tíbia. É irrigado por ramos da artéria
femoral profunda.

Ação e inervação: com o membro fixo, estende as articulações do quadril e do


joelho, levando, consequentemente, o tronco para frente. Com o membro livre, flexiona
as articulações do quadril e do joelho. É inervado por ramos do nervo isquiádico.
105

26.4.5. Quadrado femoral

É um pequeno músculo que se origina na face ventral do túber isquiádico. Situa-


se entre o músculo gêmeo, dorsalmente e o músculo obturador externo, ventralmente.
Insere-se no trocânter menor do fêmur. É coberto pelo músculo bíceps femoral. É
irrigado por ramos das artérias glútea caudal e femoral profunda.

Ação e inervação: estende a articulação do quadril, levando o membro para trás.


É inervado por ramos do nervo obturatório.

26.4.6. Obturador externo

É um músculo que se origina na face ventral da pelve e insere-se na fossa


trocantérica. Relaciona-se ventromedialmente com os músculos pectíneo e adutor e,
caudalmente, com o músculo quadrado femoral. Dorsalmente, está associado, em parte
e sem limite nítido de demarcação, o músculo obturador interno. É irrigado por ramos
da artéria femoral profunda.

Ação e inervação: supina e aduz o membro. É inervado por ramos do nervo


obturatório.

26.4.7. Obturador interno

Ocupa quase todo o assoalho da pelve. Suas fibras dirigem-se para fora através
do forame obturado e associam-se com as do músculo externo, para inserirem-se juntos
na fossa trocantérica. É irrigado por ramos da artéria obturatória.

Ação e inervação; tem a mesma ação e inervação do músculo obturador externo.

26.4.8. Adutor

É um músculo de forma aproximadamente triangular, situado entre os músculos


pectíneo e semimembranáceo. Origina-se na face ventral do ísquio e do pube e insere-
se, juntamente com o músculo pectíneo, na face caudal do fêmur. É irrigado por ramos
da artéria femoral profunda.

Ação e inervação: aduz o membro quando este está fixo e leva o tronco para
frente e para o lado. É inervado por ramos do nervo obturatório.

26.4.9. Grácil

É um músculo largo e laminar que recobre quase toda a face medial da coxa.
Origina-se na sínfese pélvica e, juntamente com o músculo pectíneo, no tendão
prépubico. Insere-se, juntamente com o músculo sartório, na fáscia medial da perna.
Relaciona-se profundamente com o músculo semimembranáceo e cranialmente com o
músculo pectíneo. Superficialmente, é cruzado pelos vasos e nervo safenos e é recoberto
pela pele. É irrigado por ramos da artéria femoral profunda.
106

Ação e inervação: auxilia na adução do membro e é extensor da articulação do


joelho. Quando o membro está fixo, ele leva o tronco para o lado. É inervado por ramos
do nervo obturatório.

26.5. Músculos da face craniolateral da perna

Os músculos craniolaterais da perna são: tibial cranial, fibular terceiro, extensor


do dedo III, extensor longo dos dedos, fibular longo e extensor do dedo IV. Todos estes
músculos são inervados por ramos do nervo fibular comum e irrigados pela artéria tibial
cranial.

26.5.1. Tibial cranial

É um músculo que ocupa a face lateral da tíbia, estando coberto pelos músculos
fibular terceiro, extensor longo dos dedos e extensor do dedo III. Origina-se na
tuberosidade e no côndilo lateral da tíbia. Sua porção carnosa constitui apenas o terço
proximal do músculo. O restante é formado por um longo e delgado tendão, que passa
pelo retináculo proximal dos extensores. Profundamente ao retináculo, ele desvia-se
medialmente, perfura o tendão de inserção do músculo fibular terceiro e insere-se na
extremidade proximal do osso metatársico III e IV.

Ação: flexiona o tarso.

26.5.2. Fibular terceiro

É o mais superficial dos músculos da face cranial da perna. É bastante


desenvolvido nos ruminantes domésticos. Sua origem está fundida às dos músculos
extensores longo dos dedos e do dedo III. Origina-se por longo tendão na fossa dos
extensores do fêmur. Este tendão aloja-se no sulco extensor da tíbia e corre entre os
músculos tibial cranial, profundamente, e fibular longo, cranialmente. Seu tendão de
inserção é também longo e potente. Está preso à face cranial da extremidade distal da
tíbia pelo retináculo proximal dos extensores e insere-se na extremidade proximal do
osso metatársico III e IV, cranialmente ao tendão do músculo tibial cranial.

Ação: flexiona o tarso.

26.5.3. Extensor do dedo III

Está coberto pelo músculo fibular terceiro e sua porção carnosa está quase que
totalmente fundida a ele. Origina-se por um tendão comum na fossa dos extensores do
fêmur. Ao nível do terço médio da tíbia, seu ventre destaca-se do músculo tibial cranial
e continua-se por um tendão bem individualizado. Este passa pelo retináculo proximal
dos extensores, corre na face dorsal do osso metatársico III e IV, onde se relaciona
lateralmente com o tendão do músculo extensor longo dos dedos. Finalmente, insere-se
na face dorsal das falanges proximal e média do dedo III.

Ação: estende o dedo III.


107

26.5.4. Extensor longo dos dedos

Este músculo corresponde ao músculo extensor comum dos dedos do membro


torácico. Seu ventre também está unido ao músculo fibular terceiro. Seu tendão torna-se
individualizado do terço distal da perna e passa pelo retináculo proximal dos extensores.
Ao nível da extremidade distal do metatarso, bifurca-se num tendão para cada dedo,
indo inserir-se cada tendão na falange distal do dedo III e do dedo IV.

Ação: estende os dedos III e IV.

26.5.5. Fibular longo

É um músculo situado superficialmente na face lateral da perna. Sua porção


carnosa é de forma triangular e origina-se na tuberosidade e no côndilo lateral da tíbia.
Ela se continua distalmente por um tendão que ocorre na face lateral da perna. O tendão
cruza superficialmente o tendão do músculo extensor do dedo IV e, ao nível da
extremidade distal da tíbia, curva-se distocaudalmente, passando na face lateral do tarso.
A este nível, o tendão relaciona-se profundamente com o ligamento colateral lateral da
articulação tarsometatársica, alojando-se no sulco do osso centroquarto. O tendão corre
então transversalmente na face plantar do tarso, entre o centroquarto e o metatársico III
e IV, para inserir-se no osso társico I.

Ação: flexiona o tarso e atua na pronação do pé.

26.5.6. Extensor do dedo IV

É um forte músculo que se origina no ligamento colateral lateral da articulação


do joelho, na cabeça da fíbula e no côndilo lateral da tíbia. Situa-se entre os músculos
fibular longo e flexor profundo dos dedos, com o qual está intimamente fundido. Seu
tendão ocupa um sulco na face lateral da extremidade distal da tíbia, percorre a face
dorsolateral do metatársico III e IV e insere-se na face dorsal das falanges proximal e
média do dedo IV.

Ação: estende o dedo IV.

26.5.7. Extensor curto dos dedos

É um músculo pequeno, que se origina na face dorsal do osso tálus e insere-se


no tendão do músculo extensor longo dos dedos.

É irrigado pela artéria metatársica dorsal III.

Ação e inervação: auxilia o músculo extensor longo dos dedos. É inervado pelo
nervo fibular profundo.

26.6. Músculos da face caudal da perna

Os músculos da face caudal da perna são: gastrocnêmio, sóleo, flexor superficial


dos dedos, flexor profundo dos dedos e poplíteo. São inervados pelo nervo tibial.
108

26.6.1. Gastrocnêmio

É o maior dos músculos da perna. Origina-se por duas cabeças. A cabeça medial
origina-se no epicôndilo medial do fêmur e área adjacente. A lateral origina-se no
epicôndilo lateral do fêmur e área adjacente. As duas cabeças fundem-se numa única
massa muscular, próximo ás suas origens. O ventre do músculo gastrocnêmio envolve o
músculo flexor superficial dos dedos. Seu tendão é único e dirige-se distalmente em
torno do tendão do músculo flexor superficial dos dedos. Insere-se no túber do calcâneo.
O tendão do músculo gastrocnêmio, juntamente com o do músculo flexor superficial
dos dedos e as aponeuroses dos músculos bíceps femoral e semitendíneo, constituem o
tendão calcanear comum (conhecido no homem também como tendão de Aquiles). O
músculo gastrocnêmio é irrigado por ramos da artéria caudal do fêmur.

Ação: estende o tarso e flexiona o joelho.

26.6.2. Flexor superficial dos dedos

É um músculo bastante desenvolvido, que se origina na fossa suprocondilar do


fêmur. Seu tendão participa na formação do tendão calcanear comum e cobre o túber do
calcâneo, no qual se prende lateralmente. Está separado do túber do calcâneo pela
extensa bolsa sinovial calcanear. Suas inserções, bem como suas relações com os
músculos flexor profundo dos dedos e interósseo III e IV, são semelhantes às do
membro torácico. É irrigado por ramos da artéria caudal do fêmur.

Ação: flexiona o joelho, estende o tarso e flexiona os dedos principais.

26.6.3. Sóleo

É um delgado músculo situado na face do terço proximal da perna. Cruza


obliquamente as origens dos músculos extensor do dedo IV e flexor longo do hálux e
penetra sob a porção lateral do gastrocnêmio. Origina-se no côndilo lateral da tíbia e na
cabeça da fíbula. Insere-se na porção lateral do músculo gastrocnêmio. É irrigado por
um pequeno ramo da artéria tibial caudal.

O grupo muscular formado pelo sóleo juntamente com as cabeças lateral e


medial do gastrocnêmio recebe o nome de músculo tríceps sural.

Ação: auxilia o músculo gastrocnêmio na extensão do tarso.

26.6.4. Flexor profundo dos dedos

O músculo flexor profundo dos dedos está constituído de três porções: tibial
caudal, flexor longo do hálux(digital lateral) e flexor longo dos dedos(digital medial). O
tibial caudal é a mais caudal das três porções, o flexor longo dos dedos é a porção mais
cranial e o flexor longo do hálux é a porção maior e se coloca entre as duas. Todas estas
três porções originam-se no côndilo lateral da tíbia e na cabeça da fíbula. O flexor longo
do hálux origina-se ainda na face caudal da tíbia não ocupada pelo músculo poplíteo. O
músculo flexor longo dos dedos também se origina na metade proximal da face caudal
109

da tíbia. Os tendões do tibial caudal e do flexor longo do hálux fundem-se na altura do


tarso e correm no sulco do calcâneo. O tendão do músculo flexor longo dos dedos passa
pelo sulco maleolar, curva-se distocaudalmente e une-se, na face plantar do tarso, ao
tendão comum dos dois primeiros. O tendão comum do músculo flexor profundo dos
dedos comporta-se, ao nível do metatarso e das falanges, da mesma maneira que o
flexor profundo dos dedos do membro torácico. É irrigado pela artéria tibial caudal.

Ação: flexiona as falanges e, indiretamente, estende a articulação do tarso.

26.6.5. Poplíteo

É um músculo triangular que ocupa a face caudal da tíbia. Origina-se por um


tendão na fossa do poplíteo do fêmur e insere-se na metade proximal da face caudal do
corpo da tíbia, dispondo-se suas fibras obliquamente no sentido lateromedial.
Relaciona-se superficialmente com os músculos gastrocnêmio e flexor superficial dos
dedos e distalmente com os ventres do músculo flexor profundo dos dedos. É irrigado
por ramos das artérias tibial cranial e tibial caudal.

Ação e inervação: auxilia na flexão da articulação do joelho. É inervado pelo


nervo tibial.

27. Nervos da pelve e do membro pélvico

27.1. Nervos da pelve e da coxa (Plexo lombossacral)

O Plexo lombossacral é constituído pelos ramos ventrais dos nervos lombares e


sacrais. Os ramos dorsais dos nervos lombares e sacrais dispõem-se como nos outros
nervos espinhais.

27.1.1. Cutâneo lateral da coxa

O ramo ventral de L4 inerva os músculos psoas e quadrado lombar, como


também o músculo ilíaco. Sua continuação representa o nervo cutâneo lateral da coxa,
que também pode receber fibras de L3 e L5. O nervo cutâneo lateral da coxa corre
lateralmente sobre o músculo iliopsoas, depois passa medialmente ao músculo tensor da
fáscia lata, para então se distribuir na face cranial da coxa até a região do joelho.

27.1.2. Femoral

O ramo ventral de L5, que geralmente está em comunicação com L4 e L5, fornece
filetes para o músculo iliopsoas e continua-se como nervo femoral. Participa ainda na
formação do nervo obturatório. O nervo femoral passa sob o músculo psoas maior e
acompanha os vasos femorais. O nervo femoral corre ventralmente em direção ao
membro pélvico e, ao nível do pube, envia ramos ao músculo quadríceps femoral e
continua-se como nervo safeno. Este último segue os vasos femorais, coberto pelo
músculo sartório. Envia ramos aos músculos sartório e pectíneo e prossegue
distalmente, juntamente com a artéria safena, para se distribuir na pele da face medial da
perna.
110

27.1.3. Obturatório

Os ramos ventrais de L5 e L6 fornecem ramos que irão constituir o nervo


obturatório. Este corre na face medial do corpo do ílio, em direção à borda cranial do
forame obturado. Após atravessar este forame, ele envia ramos para os músculos
obturadores, adutor, pectíneo e grácil.

27.1.4. Glúteo cranial

É constituído principalmente por fibras de L6. Imediatamente após a sua origem,


divide-se em vários ramos que se distribuem nos músculos glúteos.

27.1.5. Isquiádico

É o maior dos nervos do plexo lombossacral. Os ramos ventrais de L6, S1 e S2


dirigem-se caudalmente e reúnem-se para formar o nervo isquiádico, ao nível do forame
isquiádico maior. Após deixar a cavidade pélvica através deste forame, o nervo
isquiádico corre profundamente na face lateral da pelve, onde passa primeiro sobre o
ligamento sacrotuberal e depois sobre os músculos glúteo profundo e gêmeo. Neste
ponto, o nervo isquiádico é bastante largo, achatado e está coberto pelos músculos
glúteo acessório, glúteo médio e bíceps femoral. Após passar sobre o músculo gêmeo,
ele dirige-se distalmente na coxa, onde se relaciona superficialmente com o músculo
bíceps femoral e profundamente com os músculos quadrado femoral, adutor,
semitendíneo e semimembranáceo. Na face lateral da pelve, o nervo isquiádico fornece
ramos para os músculos tensor da fáscia lata, gêmeo, quadrado femoral e obturador
interno. Um grande ramo muscular emerge da borda caudal do nervo isquiádico, ao
nível da articulação do quadril, e distribui-se nos músculos bíceps femoral,
semitendíneo e semimembranáceo.

Na coxa, o nervo isquiádico pode emitir o nervo cutâneo lateral da sura, que
corre juntamente com a veia safena lateral e distribui-se na pele da face lateral do tarso.
Um pouco abaixo da origem deste último, o nervo isquiádico divide-se em nervos
fibular comum e tibial.

27.1.6. Glúteo caudal

Origina-se principalmente de S2. Ele divide-se imediatamente em vários


ramúsculos que inervam os músculos glúteo médio e bíceps femoral.

27.1.7. Cutâneo caudal da coxa

É pequeno e origina-se da borda dorsal do nervo isquiádico. Ele corre


caudalmente na face lateral do ligamento sacrotuberal. Ao nível do forame isquiádico
menor, ele divide-se em dois ramos. O ramo medial passa pelo forame e une-se ao
pudendo. O ramo lateral pode unir-se ao ramo cutâneo proximal do nervo pudendo ou
pode penetrar no músculo bíceps e inervar a pele próximo à área do ramo cutâneo
proximal do nervo pudendo.
111

27.1.8. Pudendo

Origina-se principalmente de S3, recebendo ainda contribuições de S2 e S4. Este


nervo está descrito no capítulo de nervos da cavidade pélvica.

27.2. Nervos da perna e do pé

27.2.1. Fibular comum

O nervo fibular comum corre distalmente sob a porção distal do músculo bíceps
femoral e relaciona-se profundamente com a cabeça do músculo gastrocnêmio. Próximo
ao côndilo lateral do fêmur, ele fornece um longo e delgado filete, que inerva o músculo
fibular longo. O nervo fibular comum então penetra entre os músculos fibular longo e
extensor longo dos dedos e divide-se em nervos fibular superficial e fibular profundo. A
este nível, ele envia diversos filetes para os músculos fibular longo, tibial cranial,
fibular terceiro, extensor longo dos dedos, extensor do dedo III e extensor do dedo IV.

27.2.1.1. Fibular superficial: é a maior das duas divisões do nervo fibular comum. Ele
corre distalmente e, cerca do meio da perna, cruza gradualmente a face profunda do
músculo fibular longo e aparece superficialmente no sulco formado pelo músculo
fibular terceiro, cranialmente e fibular longo e extensor do dedo III, caudalmente. Ao
nível do tarso, ele corre medialmente à veia safena lateral. No metatarso, ele fornece o
nervo digital dorsal comum IV. Este emite o nervo digital dorsal próprio V e se
continua na face dorsal do dedo IV como nervo digital dorsal próprio IV abaxial. O
nervo fibular superficial prossegue distalmente, correndo junto com os tendões dos
músculos extensores e emite vários filetes para a fáscia e pele da face dorsal do
metatarso. Próximo ao terço médio desta região, ele fornece o nervo digital dorsal
comum II e se continua como nervo digital dorsal comum III. O nervo digital dorsal
comum II envia o nervo digital dorsal próprio II e se continua na face dorsal do dedo III
como nervo digital dorsal próprio III abaxial. O nervo digital dorsal comum III recebe o
nervo metatársico dorsal III e divide-se em nervos digitais dorsais próprios III e IV
axiais.

27.2.1.2. Fibular profundo: ele corre profundamente no sulco formado pelos músculos
fibular longo e extensor do dedo IV. Depois, ele se continua ao longo do extensor longo
dos dedos e passa sob o retináculo proximal dos extensores. Na face dorsal do tarso, ele
libera um filete para o músculo extensor curto dos dedos. Ao nível do metatarso, ele
denomina-se nervo metatársico dorsal III. Um pouco abaixo da articulação
metatarsofalângica, emerge entre os tendões do músculo extensor longo dos dedos e
une-se ao nervo digital dorsal comum III.

27.2.2. Tibial

Após sua separação do nervo fibular comum, o nervo tibial emite ramúsculos
que inervam a cabeça lateral do músculo gastrocnêmio e o músculo flexor superficial
112

dos dedos. Ele então penetra entre as duas cabeças do músculo gastrocnêmio e ramifica-
se nos músculos poplíteo, sóleo e flexor profundo dos dedos. No terço distal da perna,
ele situa-se cranialmente ao tendão calcanear comum. Ao nível do túber do calcâneo,
divide-se em nervo plantar medial e nervo plantar lateral.

27.2.2.1. Plantar medial: ele corre distalmente ao longo do aspecto medioplantar do


tarso, sendo parcialmente coberto pela borda do ligamento plantar da articulação do
tarso. Próximo à articulação metatarsofalângica emite o nervo digital plantar comum II
e se continua como nervo digital plantar comum III. O nervo digital plantar comum II
emite o nervo digital plantar próprio II e continua-se como nervo digital plantar próprio
III abaxial. O nervo digital plantar comum III passa entre os dedos II e V e divide-se em
nervos digitais plantares próprios III e IV axiais. Estes recebem ramos comunicantes do
nervo metatársico dorsal III.

27.2.2.2. Plantar lateral: após separar-se do nervo plantar medial, corre em direção à
borda lateral do pé, profundamente ao ligamento plantar da articulação do tarso. Ele
desce inicialmente ao longo da borda lateral do ligamento plantar e depois no sulco
formado pelos tendões dos músculos flexores e o músculo interósseo III e IV. Ao nível
da extremidade proximal do metatarso. Ele emite o ramo profundo para o músculo
interósseo III e IV e continua-se como nervo digital plantar comum IV. Ao nível da
extremidade distal do metatarso, emite o nervo digital plantar próprio V e se continua
como nervo digital plantar próprio IV abaxial.

28. Artérias do membro pélvico

28.1. Ilíaca externa

A artéria ilíaca externa origina-se da artéria aorta abdominal, ventralmente ao


corpo da vértebra lombar V. ela corre ventrocaudalmente ao longo das faces mediais
dos músculos psoas maior e ilíaco e, após emitir a artéria femoral profunda, continua-se
como artéria femoral. A artéria ilíaca externa emite os seguintes ramos:

28.1.1. Circunflexa profunda do ílio

Logo após sua origem da ilíaca externa, divide-se em ramos cranial e caudal. O
ramo cranial passa cranialmente ao corpo do ílio e divide-se em vários ramos que
irrigam os músculos sublombares, longíssimo lombar, glúteo médio, tensor da fáscia
lata e a pele adjacente. Continua-se cranialmente entre os músculos oblíquo interno e
transverso do abdome. Irriga-os, como também o músculo oblíquo externo do abdome.
O ramo caudal dirige-se ventralmente, emitindo ramos para os músculos oblíquos e
transverso do abdome. Atravessa a parede abdominal entre os músculos ilíaco e obliquo
interno do abdome e acompanha o nervo cutâneo lateral da coxa. Ele irriga os músculos
tensor da fáscia lata e cutâneo do tronco e a pele da porção craniomedial da coxa.

28.1.2. Femoral profunda


113

Origina-se da ilíaca externa ao nível da raiz do membro. Dirige-se caudalmente,


sob o pube, entre os músculos obturador externo, iliopsoas e pectínio e atinge a face
cranial do músculo adutor. Ela emite o tronco pudendo-epigástrico.

O tronco pudendo-epigástrico corre por um curto trajeto e divide-se em artérias


epigástrica caudal e pudenda externa. Nos bovinos e ovinos, o tronco pudendo-
epigástrico emite um pequeno ramo, a artéria abdominal caudal, que se distribui na
parede abdominal. O músculo cremáster, nos bovinos e caprinos, é suprido por um
pequeno ramo (artéria cremastérica). A artéria epigástrica caudal passa entre os
músculos oblíquo interno e transverso do abdome fornece alguns ramos para o último e
finalmente penetra no músculo reto do abdome. A artéria pudenda externa abandona a
cavidade abdominal através do ânulo inguinal interno. Após emergir no ânulo inguinal
externo, fornece um ramo para os linfonodos inguinais, ramos para as mamas caudais na
fêmea e para o escroto, no macho, e se continua como artéria epigástrica caudal
superficial. Esta última fornece ramos para as mamas craniais ou para o escroto e
prepúcio. Finalmente ela termina ramificando-se na parede abdominal caudal.

A artéria femoral profunda, após emitir o tronco pudendo-epigástrico, distribui-


se nos músculos adutor, semitendíneo e bíceps femoral. Além disto, fornece vários
ramúsculos para o linfonodo poplíteo. Ela emite o ramo obturatório, que irriga o
músculo obturador interno, e finalmente anastomosa-se com a artéria, um ramo da
artéria pudenda interna. Segundo a NAV (1973), o segmento da artéria femoral
profunda após a emissão do tronco pudendo epigástrico constitui a artéria circunflexa
medial do fêmur.

28.2. Femoral

É a continuação da artéria ilíaca externa após a emissão da artéria femoral


profunda. Ao atingir a inserção do músculo pectíneo, ela gradualmente se dirige
distolateralmente em torno da face caudal do fêmur. Ao penetrar entre as duas cabeças
do músculo gastrocnêmio, continua-se como artéria poplítea. Emite os seguintes ramos:

28.2.1. Ramos para o músculo iliopsoas

28.2.2. Artéria circunflexa lateral do fêmur

Esta artéria dirige-se distocranialmente e penetra no músculo quadríceps


femoral, acompanhando o nervo femoral.

28.2.3. Ramos musculares para os músculos sartório, vasto medial, pectíneo e


semimembranáceo

28.2.4. Artéria safena

Origina-se da artéria femoral próximo ao meio da coxa e corre distalmente,


acompanhando o nervo safeno. Na região da perna, ela gradualmente atinge o seu
aspecto caudal. Um pouco abaixo do túber do calcâneo, ela divide-se em artérias plantar
114

lateral e plantar medial. Durante seu curso, emite ramos para os músculos pectíneo,
grácil, semimembranáceo e sartório e também ramos para a pele e fáscia da região da
perna.

28.2.4.1. Artéria plantar lateral: é a menor das duas e ramifica-se na fáscia e pele da
face lateral do tarso. Contribui para a formação do arco plantar profundo.

28.2.4.2. Artéria plantar medial: representa a continuação da artéria safena. Ao nível


do metatarso, ela emite um ramo calibroso, a artéria digital plantar comum III, que
irriga a face plantar dos dedos III e IV.

28.2.5. Artéria descendente do joelho

É uma artéria relativamente calibrosa que emite pequenos ramos para os


músculos sartório, vasto medial, semimembranáceo e vasto intermédio. Ramifica-se na
face medial da articulação do joelho.

28.2.6. Artéria nutrícia do fêmur

Origina-se da artéria femoral, um pouco acima do epicôndilo medial do fêmur e


penetra no forame nutrício deste osso.

28.2.7. Artéria caudal do fêmur

É um forte vaso que supre os músculos da face caudal da coxa e da perna,


destacando-se da borda caudal da artéria femoral, ao nível da face caudal da articulação
do joelho. É o último ramo da artéria femoral.

28.3. Poplítea

É a continuação direta da artéria femoral, após a emissão da artéria caudal do


fêmur. Ela constitui um curto tronco, dentro da fossa intercondilar do fêmur, onde se
divide em dois ramos, as artérias tibial cranial e tibial caudal.

28.3.1. Tibial caudal

É a menor das duas, corre entre os côndilos do fêmur e continua-se ao longo do


aspecto caudal do músculo poplíteo, para finalmente ramificar-se nas porções do
músculo flexor profundo dos dedos. Durante seu curso, fornece ramos para os músculos
poplíteo e flexor superficial dos dedos.

28.3.2. Tibial cranial

É a continuação direta da artéria poplítea. Passa profundamente ao músculo


poplíteo, onde fornece ramos para este músculo, como também para o músculo flexor
profundo dos dedos. Gradualmente, ela atinge a borda caudolateral da tíbia, perfura a
membrana interóssea da perna e aparece na face lateral da tíbia. Próximo ao espaço
interósseo proximal, ela emite um forte ramo que supre os músculos tibial cranial,
fibular longo, fibular terceiro, extensor longo dos dedos e extensor do dedo III.
115

A artéria tibial cranial prossegue distalmente na face dorsal do tarso, sob o


retináculo proximal dos extensores e aí passa a denominar-se artéria dorsal do pé.
Fornece ramos para a rede társica dorsal, bem como para a cápsula da articulação do
tarso. Ao nível da articulação intertársica, ela emite a artéria társica perfurante, a qual
atravessa a articulação tarsometatársica e se abre no arco plantar profundo. Após emitir
a artéria társica perfurante, a artéria dorsal do pé continua-se como artéria metatársica
dorsal III. No metatarso, esta fornece alguns ramúsculos para o músculo extensor curto
dos dedos. Um pouco acima da articulação metatarsofalângica, recebe o ramo
perfurante distal, proveniente do arco plantar profundo. A artéria metatársica dorsal III
continua-se então como artéria digital dorsal comum III. Ao nível do espaço interdigital,
ela une-se à artéria digital plantar comum III e finalmente divide-se em artérias digitais
dorsais próprias III e IV.

A artéria tibial cranial emite ramos superficiais que vão constituir as artérias
digitais dorsais comuns II e IV, as quais não tem importância prática em virtude do
reduzido calibre.

29. Veias do membro pélvico

Como no membro torácico, a drenagem venosa do membro pélvico é feita por


meio de veias superficiais e veias profundas, interligadas por ramos anastomóticos.

29.1. Veias superficiais

29.1.1. Safena lateral

É o mais calibroso dos troncos venosos superficiais do membro pélvico e sua


posição subcutânea faz com que seja um dos sítios de eleição para punções e injeções
endovenosas, nos animais domésticos de pequeno porte. Resulta da união de dois ramos
– ramo cranial e ramo caudal – ao nível do terço distal da face lateral da perna, no
espaço entre o músculo flexor profundo dos dedos e o tendão calcanear comum. Corre
obliquamente em direção à face caudal da perna e, acompanhando a borda caudal do
músculo gastrocnêmio, penetra entre os músculos bíceps e semitendíneo. Passa a correr,
então, profundamente na face lateral da coxa, relacionando-se com o linfonodo poplíteo,
os nervos tibial, fibular comum e cutâneo lateral da sua sura e os músculos bíceps
femoral, semitendíneo e adutor, dos quais recebe vários e calibrosos ramos. Ao nível do
terço médio da coxa, mergulha entre os músculos adutor e semimembranáceo,
acompanhando os ramos terminais da artéria femoral profunda. Passa, a partir deste
ponto, a denominar-se veia femoral profunda, como satélite da artéria homônima.

O ramo cranial da veia safena lateral é formado, ao nível do terço distal do


metatarso, pela união das veias digitais dorsais comuns III e IV. Corre proximalmente
em direção ao tarso, acompanhando o nervo fibular superficial, lateralmente aos tendões
dos músculos extensores dos dedos. Ao nível da face dorsal do tarso, recebe um
calibroso ramo anastomótico da veia dorsal do pé, além de ramos da rede társica dorsal.
Um pouco mais acima, anastomosa-se ainda com o ramo superficial da veia tibial
116

cranial, bem desenvolvido nos bovinos e inconstante nos pequenos ruminantes.


Ultrapassando proximalmente o tarso, o ramo cranial dirige-se obliquamente para trás,
para unir-se ao ramo caudal. A veia digital dorsal comum III forma-se no espaço
interdigital, pela união das veias digitais dorsais próprias III e IV axiais. Corre
proximalmente no espaço interdigital, onde se anastomosa com a veia interdigital
(proveniente da veia digital plantar comum III) e, um pouco mais acima, com a veia
metatársica dorsal III. Atingindo o terço distal do metatarso, une-se à veia digital dorsal
comum IV. As veias digitais dorsais próprias III e IV axiais representam a continuação
proximal das veias coronais dos referidos dedos. A veia digital dorsal comum IV
origina-se do arco plantar profundo distal, situado profundamente ao músculo interósseo
III e IV, na face caudal do extremo distal do metatarso. Comumente, apresenta-se como
uma continuação direta da veia digital plantar comum IV, oriunda do mesmo arco. Após
curto trajeto em direção a face dorsal do metatarso, anastomosa-se com a veia digital
dorsal comum III.

O ramo caudal da veia safena lateral origina-se ao nível do aspecto plantolateral


da extremidade proximal do metatarso, a partir do arco plantar profundo, situado
profundamente ao músculo interósseo III e IV. Aparece, porém, tanto nos bovinos como
nos pequenos ruminantes, como uma continuação da veia metatársica plantar IV,
tributária do referido arco. Corre inicialmente na face lateral do calcâneo e, em seguida,
junto à face caudal da extremidade distal da tíbia e ao tendão do flexor profundo dos
dedos. A este nível, emite o ramo anastomótico com a veia safena medial, bem
desenvolvida nos bovinos, mas pouco evidente nos pequenos ruminantes. Um pouco
mais acima, termina unindo-se ao ramo cranial e formando a veia safena lateral.

29.1.2. Veia safena medial

Dispõe-se subcutaneamente na face medial da perna e da coxa, juntamente com


a artéria e nervo safenos. É formada pela união das veias plantar lateral e plantar medial,
ao nível da depressão existente entre a túber do calcâneo e o tendão do músculo flexor
profundo dos dedos. Segue proximalmente na face medial da perna, entre o tendão
calcanear comum e a borda caudal do músculo flexor profundo dos dedos e atingindo a
face medial da coxa, passa a correr sobre a aponeurose do músculo grácil. Ao nível do
terço médio da coxa, aprofunda-se entre o músculo grácil e o músculo sartório, indo
desembocar na veia femoral.

A veia plantar medial corre na face caudomedial do tarso, sobre o sustentáculo


do tálus, juntamente com o nervo plantar medial, sendo formada pela união de dois
ramos: profundo e superficial. O ramo profundo provém do arco plantar profundo,
emergindo cranialmente ao extremo proximal do músculo interósseo III e IV. O ramo
superficial origina-se do arco plantar profundo distal e corre proximalmente, junto com
o nervo plantar medial, entre o músculo interósseo III e IV e os tendões dos músculos
flexores dos dedos. A veia plantar lateral origina-se do arco plantar profundo,
juntamente com o ramo caudal da veia safena lateral. Corre na face caudal do tarso,
associada ao nervo plantar lateral.
117

29.2. Veias profundas

29.2.1. Femoral profunda

Apresenta-se como a continuação direta da veia safena lateral, nos planos


profundos da coxa. Corre inicialmente entre as fibras do músculo adutor, passando em
seguida, com artéria homônima, entre os músculos pectíneo e iliopsoas. Prossegue em
direção cranial sobre a face medial do músculo iliopsoas, indo desembocar na veia ilíaca
externa, ao nível da região inguinal. Em seu trajeto, a veia femoral profunda recebe
várias tributárias.

29.2.2. Femoral

Situa-se na face medial da coxa, ao lado da artéria homônima. Origina-se, como


continuação direta da veia poplítea, ao nível da face caudal da extremidade distal do
fêmur. Corre proximalmente, passando no sulco formado pelos músculos vasto medial,
adutor e pectíneo e coberta pelo músculo sartório. Após curto trajeto sobre a face medial
do músculo iliopsoas, desemboca na veia ilíaca externa. São suas tributárias as
seguintes veias, todas elas satélites dos ramos da artéria femoral: circunflexa lateral do
fêmur, safena medial, descendente do joelho e caudais do fêmur.

29.2.3. Poplítea

Localiza-se, junto com a artéria homônima, na fossa poplítea, caudalmente à


articulação do joelho, sendo formada pela união das veias tibial cranial e tibial caudal.
Após receber as veias do joelho (provenientes da articulação do joelho), segue
proximalmente por curto trajeto até a junção com as veias caudais do fêmur, quando
então passa chamar-se veia femoral.

29.2.4. Tibiais

A veia tibial caudal, como a artéria homônima, é pouco desenvolvida e corre na


face caudal do músculo poplíteo. A veia tibial cranial, geralmente dupla, acompanha a
artéria tibial cranial e o nervo fibular profundo, ao longo da face craniolateral da tíbia,
profundamente aos músculos extensores dos dedos. Nos bovinos, emite, ao nível do
terço distal da perna, um ramo superficial, que se anastomosa com o ramo cranial da
veia safena lateral. Atingindo a extremidade proximal do corpo da tíbia, desvia-se para a
face caudal da mesma, onde corre profundamente ao músculo poplíteo. Emergindo
deste, une-se à veia tibial caudal, formando a veia poplítea.

29.2.5. Dorsal do pé

É um curto tronco venoso, restrito à face dorsal do tarso, profundamente aos


tendões dos músculos extensores dos dedos. Continua-se proximalmente como veia
tibial cranial e distalmente como veia metatársica dorsal III. Emite um ramo
anastomótico, bem desenvolvido, para o ramo cranial da veia safena lateral e comunica-
se com o arco plantar profundo por meio da veia társica perfurante.
118

29.2.6. Metatársica dorsal III

Representa a continuação distal da veia dorsal do pé, após a emissão da veia


társica perfurante. Usualmente dupla, corre na face dorsal do osso metatársico III e IV,
profundamente aos tendões dos músculos extensores dos dedos. Após a emissão do
ramo perfurante distal, que atravessa o canal distal do metatarso e termina no arco
plantar profundo distal, a veia metatársica dorsal III anastomosa-se, no espaço
interdigital, com a veia digital dorsal comum III.

29.2.7. Arco plantar profundo

É formado, nos ruminantes domésticos, pela anastomose entre a veia plantar


lateral e o ramo profundo da veia plantar medial. Dispõe-se transversalmente na
extremidade proximal da face plantar do osso metatársico III e IV, profundamente ao
músculo interósseo III e IV. Para o arco plantar profundo confluem as veias
metatársicas plantares II, III e IV e a veia társica perfurante, esta proveniente da veia
dorsal do pé.

As veias metatársicas plantares II, III e IV originam-se do arco plantar profundo


distal e seguem paralelamente na face plantar do osso metatársico III e IV,
profundamente ao músculo interósseo III e Iv, até desembocarem no arco plantar
profundo. Das três veias, a medial (II) e a lateral (IV) são bem desenvolvidas, enquanto
a intermédia (III) apresenta-se bastante reduzida.

29.2.8. Arco plantar profundo distal

Está situado na extremidade distal da face plantar do osso metatársico III e IV,
profundamente ao músculo interósseo III e IV. Dá origem às veias metatársicas
plantares II, III e IV e ao ramo superficial da veia plantar medial, os quais seguem
proximalmente no metatarso. Recebe, por outro lado, as veias digitais palntares comuns
II, III e IV, provenientes dos dedos e o ramo perfurante distal, oriundo da veia
metatársica dorsal III.

29.2.9. Digitais plantares comuns

A veia digital plantar comum II corre na face abaxial do dedo III, sendo formada
pela união das veias digital plantar própria III abaxial e digital dorsal própria III abaxial.
Recebe ainda, antes de desembocar no arco plantar profundo distal, as veias digital
plantar própria II e digital dorsal própria II. A veia digital plantar comum III corre no
espaço interdigital, sendo formada pela união das veias digitais plantares próprias III e
IV axiais. Antes de desembocar no arco plantar profundo distal,comunica-se com a veia
digital dorsal comum III por meio da veia interdigital. A veia digital plantar comum IV
é formada pela união das veias digitais plantar própria IV abaxial e dorsal própria IV
abaxial. Corre na face abaxial do dedo IV, desembocando no arco plantar profundo
distal. Antes de sua desembocadura, recebe ainda as veias digitais dorsal própria V e
plantar própria V. As veias digitais plantares comunicam-se com as veias digitais
119

dorsais por vários ramos anastomóticos, que correm transversalmente na face plantar
das falanges proximal e média.

30. Linfáticos da pelve e do membro pélvico

A linfa da pelve e do membro pélvico é drenada para linfonodos que podem ser
agrupados nos seguintes linfocentros: iliossacral, iliofemoral, inguinofemoral,
isquiádico e poplíteo.

30.1. Linfocentro iliossacral

Compreende os linfonodos agrupados em torno da terminação da artéria aorta e


da origem da veia cava caudal, e os situados ao longo de seus ramos principais: ilíaca
externa, ilíaca interna, sacral mediana e circunflexa profunda do ílio.

30.1.1. Linfonodos ilíacos mediais

Localiza-se junto à porção terminal da aorta e inicial da veia cava caudal, em


relação com a origem das artérias ilíacas externa e interna. Ocorrem em número variável
(3 a 5 nos pequenos ruminantes e 6 a 8 nos bovinos) e apresentam-se geralmente
alongados, podendo seu comprimento atingir até 5 cm nos bovinos e 3 cm nos pequenos
ruminantes. Seus vasos aferentes provêm da região sublombar, dos rins, da suprarrenal,
da parede pélvica e das vísceras da cavidade pélvica. Para eles confluem também os
linfáticos do testículo e epidídimo (através do funículo espermático) e, principalmente,
os vasos eferentes dos demais linfonodos da pelve e do membro pélvico. Os linfonodos
ilíacos mediais funcionam, assim, como um centro de convergência, direta ou indireta,
da linfa de quase toda a metade caudal do corpo do animal. Seus vasos eferentes
confluem para formar o tronco lombar, descrito no ítem 70.5.1.

30.1.2. Linfonodos ilíacos laterais

Ocorrem, em número de um ou dois, ao nível da bifurcação da artéria


circunflexa profunda do ílio, na face ventral do músculo psoas maior e medialmente à
origem do músculo tensor da fáscia lata. São pouco desenvolvidos nos bovinos,
medindo o maior deles cerca de 1,5 – 2,5 cm de diâmetro. Nos pequenos ruminantes,
normalmente não existem. Sua área de drenagem abrange a porção caudodorsal da
parede abdominal, o peritônio, a face medial da coxa e planos profundos da região
glútea. Para eles confluem também os vasos linfáticos provenientes dos linfonodos
subilíaco e coxal. Seus vasos eferentes desembocam, em parte, nos linfonodos ilíacos
mediais e, em parte, no tronco lombar.

30.1.3. Linfonodos hipogástricos


120

Situam-se na parede lateral da cavidade pélvica, ao longo do trajeto da artéria


ilíaca interna e seus ramos, na face medial do ligamento sacrotuberal. São pequenos,
achatados e seu número é muito variável, sendo de 1 a 8 nos bovinos e, geralmente, 2
ou 3 nos pequenos ruminantes. Em alguns casos, podem estar ausentes. Recebem
linfáticos provenientes da parede pélvica, dos órgãos genitais internos masculinos e
femininos, bexiga, vulva, cauda e ainda dos linfonodos isquiádicos e poplíteo. Seus
vasos eferentes drenam para os linfonodos ilíacos mediais.

30.1.4. Linfonodos sacrais

Constituem um grupo ímpar de linfonodos situados junto à origem da artéria


sacral mediana, em estreita relação com os linfonodos ilíacos mediais, com os quais
podem se confundir. Seus vasos aferentes provêm da parede dorsal da cavidade pélvica
e seus eferentes drenam para os linfonodos ilíacos mediais.

Ao linfocentro iliossacral pertencem também os linfonodos anorretais,


localizados lateral e dorsalmente à porção terminal do reto, em situação retroperitoneal.
São pequenos e pouco numerosos, podendo faltar nos pequenos ruminantes. Drenam o
reto e ânus e seus vasos eferentes convergem para os linfonodos ilíacos mediais.

30.2. Linfocentro iliofemoral

Compreende os linfonodos iliofemorais, situados na região inguinal, ao longo do


trajeto das artérias ilíaca externa e femoral. Nos bovinos, estão comumente reduzidos a
apenas um, bem desenvolvido (5-6 cm de comprimento) e situado junto à artéria ilíaca
externa, caudalmente ao ponto de origem da artéria circunflexa profunda do ílio. Nos
pequenos ruminantes, sua presença é inconstante. Para os linfonodos iliofemorais
confluem vasos linfáticos dos planos profundos do membro pélvico, diretamente ou por
intermédio do linfonodo poplíteo. Seus vasos eferentes vão em parte aos linfonodos
ilíacos mediais e em parte diretamente ao tronco lombar.

Nos bovinos, o linfocentro iliofemoral inclui também o linfonodo epigástrico.


Situado ao longo do trajeto da artéria epigástrica caudal, entre o peritônio e o tendão
pré-púbico. É pequeno, inconstante e, quando presente, drena a linfa da parede ventral
da cavidade abdominal, inclusive o peritôneo. Seus vasos eferentes dirigem-se para o
linfonodo iliofemoral.

30.3. Linfocentro inguinofemoral

Neste linfocentro, também conhecido como linfocentro inguinal superficial,


estão incluídos o linfonodo subilíaco e os linfonodos mamários ou escrotais,
responsáveis pela drenagem linfática de grande parte da parede abdominal, membro
pélvico, períneo e órgãos genitais externos.

30.3.1. Linfonodo subilíaco


121

Está situado lateralmente à aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome,


imediatamente cranial ao músculo tensor da fáscia lata. È bem desenvolvido nos
ruminantes domésticos e, devido à sua localização superficial, facilmente palpável
externamente. Sua forma é alongada, medindo cerca de 3-4 cm de comprimento nos
pequenos ruminantes e 6-12 cm nos bovinos. Sua área de drenagem é muito ampla,
abrangendo a porção caudal da parede torácica, paredes lateral e ventral do abdome,
regiões glútea e lateral da coxa, faces cranial e lateral da perna, prepúcio. Seus vasos
eferentes correm na face medial do músculo tensor da fáscia lata, junto ao ramo caudal
da artéria circunflexa profunda do ílio, e penetram na cavidade abdominal, onde
desembocam, em sua maioria, nos linfonodos ilíacos mediais.

30.3.2. Linfonodos mamários ou escrotais

Estes linfonodos, também chamados genericamente de inguinais superficiais,


estão, conforme seu nome indica, em estreita relação com a mama, na fêmea e com o
escroto, no macho.

30.3.2.1. Linfonodos mamários: estão situados, nos ruminantes, junto ao ângulo


dorsocaudal do corpo da mama, sob o extremo ventral do períneo e em relação com os
ramos mamários da artéria pudenda externa. São comumente em número de 2 a cada
lado, de forma arredondada ou discoide e relativamente bem desenvolvidos, alcançando
o maior deles cerca de 1,5 – 2,0 cm de diâmetro nos pequenos ruminantes e 4 – 6 cm
nos bovinos.seus vasos aferentes provêm principalmente da mama, vulva, períneo e face
medial da coxa. Seus eferentes, reunidos em 2 ou 3 troncos, drenam, na maioria dos
casos, para os linfonodos ilíacos mediais.

30.3.2.2. Linfonodos escrotais: são os correspondentes dos linfonodos mamários, no


macho. Situam-se dorsolateralmente à flexura sigmoidea do pênis, caudalmente ao
funículo espermático e em relação com os ramos escrotais da artéria pudenda externa.
Ocorrem geralmente em número de 2 a cada lado do pênis, tendo uma forma alongada
ou ovóide nos pequenos ruminantes e ovóide ou reniforme nos bovinos. Suas dimensões
são variáveis, alcançando o maior deles cerca de 3-6 cm nos bovinos e 2,0 – 2,5 nos
pequenos ruminantes.

Sua área de drenagem abrange o pênis, escroto, prepúcio, períneo e face medial
da coxa e perna. Seus vasos eferentes penetram na cavidade abdominal através do canal
inguinal e vão desembocar nos linfonodos ilíacos mediais.

O linfocentro inguinofemoral compreende ainda, nos bovinos, alguns pequenos


linfonodos de pouca importância ou inconstantes, como os linfonodos coxal, coxal
acessório e da fossa paralombar. O linfonodo coxal situa-se na face profunda domúsculo
tensor da fáscia lata, entre este e a extremidade proximal do músculo quadríceps. Drena
os músculos tensor da fáscia lata e quadríceps e seus vasos eferentes vão aos linfonodos
ilíacos mediais. O linfonodo coxal acessório é inconstante e, quando presente, situa-se
na face lateral do músculo tensor da fáscia lata. Drena a pele adjacente e seus vasos
eferentes confluem para o linfonodo subilíaco. O linfonodo da fossa paralombar, como
122

indica o nome, localiza-se subcutâneamente na fossa paralombar, caudalmente à última


costela. Seus vasos aferentes provêm da pele da porção caudal do tórax e da fossa
paralombar; seus eferentes vão, em sua maioria, ao linfonodo subilíaco.

30.4. Linfocentro isquiádico

Compreende os linfonodos isquiádicos, tuberal e glúteo, situados nos planos


profundos da face lateral da pelve.

30.4.1. Linfonodos isquiádicos

Ocorrem em numero de 1 ou 2, situando-se entre a face profunda do músculo


gluteobíceps e a face lateral do ligamento sacrotuberal, relacionando-se com os ramos
da artéria glútea caudal. Apresentam-se arredondados ou ovoides, achatados, com
diâmetro de 2 - 3 cm nos bovinos e 1 – 1,5 cm nos pequenos ruminantes. Para eles
confluem linfáticos provenientes do reto e ânus, vulva, raiz do pênis, glândula bulbo-
uretral, próstata, pele e musculatura da cauda, região glútea e face lateral da coxa, como
também do linfonodo poplíteo. Seus vasos eferentes confluem para os linfonodos
hipogástricos

30.4.2. Linfonodo tuberal

É pouco desenvolvido e inconstante. Quando presente, localiza-se medialmente


ao túber isquiádico, em meio a tecido adiposo e em posição relativamente superficial.
Seus vasos aferentes próvêm da cauda, reto, ânus, vulva e região perineal; seus eferentes
drenam para os linfonodos hipogástricos.

30.4.3. Linfonodo glúteo

Ocorre apenas nos bovinos, na face lateral do ligamento sacrotuberal, nas


imediações do forame isquiádico maior e do nervo isquiádico. Recebe linfáticos da
musculatura glútea e seus eferentes vão aos linfonodos hipogástricos e ilíacos mediais.

30.5. Linfocentro poplíteo

É constituído, nos ruminantes domésticos, por um único e bem desenvolvido


linfonodo – linfonodo poplíteo – situado no extremo distal da face lateral da coxa, entre
a parte caudal do músculo bíceps femoral e o músculo semitendíneo, em estreita relação
com a veia safena lateral e os nervos tibial, fibular comum e cutâneo lateral da sura.
Apresenta-se geralmente arredondado ou ovóide, com um comprimento de 3,0 – 4,5 cm
nos bovinos e 2,0 – 2,5 cm nos pequenos ruminantes. Sua área de drenagem
compreende as regiões lateral e caudal da perna e, principalmente, o tarso, o metatarso e
os dedos. Seus vasos eferentes confluem tanto para os linfonodos ilíacos mediais como
para os linfonodos isquiádicos.

31. Roteiro para dissecação e estudo do sistema nervoso central (SNC)

31.1. Medula espinhal


123

A medula espinhal é a parte do SNC que está alojada no canal vertebral.


Apresenta-se como espesso cordão de tecido nervoso, que se estende desde a transição
occípito-atlântica até o nível das vértebras L6, S1 ou S2. Rostralmente continua-se com o
bulbo. Seu comprimento total está na dependência do tamanho do animal e do número
de vértebras.

O estudo da medula deverá ser feito em fragmentos e em peças preparadas de


modo a exibir a medula em toda a sua extensão. Nas peças para estudo, a medula e as
demais partes do SNC sofreram ação de soluções embalsamadoras e, por isso,
apresentam-se como estruturas mais ou menos rígidas. Deve ser lembrado, no entanto,
que no vivente o SNC encontra-se em estado semigelatinoso e é bastante frágil.

Estude inicialmente a medula inteira, verificando sua extensão, suas relações


com a coluna vertebral e seus envoltórios (meninges). Verifique que a medula não tem
contorno uniforme em sua extensão; assim, nas regiões cervical e torácica, ela é
cilíndrica, de contorno quase circular, tornando-se achatada dorsoventralmente na
região lombar. Ao nível da transição cervicotorácica e da região lombar, ela apresenta
duas discretas dilatações, as intumescências cervical e lombar, de onde se originam as
raízes dos nervos espinhais que vão inervar os membros torácico e pélvico,
respectivamente. Próximo à sua extremidade caudal, a medula afila-se gradualmente,
recebendo esta porção o nome de cone medular. Do ápice do cone parte um cordão
formado pela pia-máter, o filamento terminal, que vai se prender, juntamente com os
outros envoltórios da medula, nas primeiras vértebras coccígeas.

Identifique e estude os envoltórios da medula: dura-máter, aracnoide e pia-


máter. A dura-máter é a membrana externa,resistente, que envolve toda a medula,
formando um saco tubular, o saco dural. O espaço entre a dura-máter e a parede do
canal vertebral constitui o espaço epidural, preenchido por tecido adiposo e plexos
venosos. A aracnóide é a túnica média, sendo formada por uma lâmina acolada à dura-
máter e por uma rede de trabéculas muito delicadas, que vão se prender na pia-máter.
Entre a dura-máter e a aracnoide permanece um espaço virtual, o espaço subdural,
preenchido por fina película de líquido. Abaixo da arcnóide, entre esta e a pia-máter,
encontra-se o espaço subaracnóideo, onde circula o líquor. A pia-máter é a membrana
interna, delgada e em estreito contacto com o tecido nervoso. Ela forma ao longo das
faces laterais da medula uma série de pequenas projeções triangulares que vão se
prender na aracnoide e que formam, em conjunto, o ligamento denticulado.

Depois de estudar os envoltórios medulares, passe a estudar a superfície da


medula espinhal, tanto nos fragmentos como nas peças inteiras. Verifique que a medula
é percorrida longitudinalmente por vários sulcos, tanto na face dorsal como na face
ventral. Identifique, na face dorsal da medula, o sulco mediano dorsal. A cada lado
deste, no contorno dorsolateral da medula, encontra-se o sulco lateral dorsal. Verifique
que neste último prende-se uma série de pequenos filamentos, os filamentos radiculares,
que se reúnem para formar a raiz dorsal de cada nervo espinhal. Identifique, na raiz
dorsal, imediatamente antes da união desta com a raiz ventral, uma pequena dilatação
124

maciça – o gânglio espinhal, situado próximo ao forame intervertebral. Na face dorsal


da porção cervical da medula aparece um terceiro sulco, o sulco intermédio dorsal,
pouco nítido e disposto entre os sulcos mediano dorsal e lateral dorsal.

A face ventral da medula é percorrida medianamente por uma fenda, a fissura


mediana ventral. A cada lado desta, identifique o sulco lateral ventral, menos evidente
que o lateral dorsal. Verifique, prendendo-se no sulco lateral ventral, os filamentos
radiculares da raiz ventral. Acompanhe a raiz ventral até sua união com a raiz dorsal
para formar cada nervo espinhal. Verifique a emergência dos nervos espinhais através
dos forames intervertebrais. O 1º par de nervos cervicais (C1) atravessa o forame
vertebral lateral do atlas. De C2 a C7, a emergência se faz pelo forame intervertebral
situado cranialmente à vértebra de número correspondente. O C8 emerge entre as
vértebras C7 e T1. Os nervos seguintes têm seu ponto de emergência situado
caudalmente à vertebra de número correspondente. O número de pares dos nervos
espinhais varia de acordo com o número de vértebras do animal. Aproveite a
oportunidade e recorde o número de vértebras, por região, das várias espécies
domésticas.

A presença das raízes dos nervos espinhais confere à medula uma aparente
segmentação externa. Cada segmento medular é conceituado como a porção da medula
espinhal na qual se prende um par de nervos. Assim, existem tantos segmentos quantos
os pares de nervos espinhais. Durante o desenvolvimento fetal, cada segmento
corresponde, aproximadamente, à respectiva vértebra, com o nervo espinhal
atravessando o forame intervertebral situado nas imediações. O maior crescimento da
coluna vertebral em relação à medula no período pós-fetal provoca aparente tração
cranial de toda a medula, mais acentuada nos segmentos lombares, sacrais e coccígeos.
Com isto, os pares de nervos destas regiões adquirem raízes cada vez maiores, as quais
têm que correr por extensão razoável no canal vertebral até atingir o forame
intervertebral respectivo. Este feixe de raízes, juntamente com o filamento terminal,
assemelha-se à cauda de cavalo e o conjunto formado recebe, por isto, o nome de cauda
equina. No adulto, as porções lombar e sacral cranial do canal vertebral contêm todos os
segmentos lombares, sacrais e coccígeos da medula espinhal.

Passe a estudar agora a estrutura macroscópica da medula espinhal, utilizando


para isto fragmentos seccionados transversalmente. Verifique que a medula espinhal é
formada por um manto de substância envolvendo um núcleo de substância cinzenta. A
cor esbranquiçada da substância branca é devida à presença de numerosas fibras
mielínicas organizadas em cordões. Observe, no entanto, que em peças formolizadas
mais antigas a substancia branca pode apresentar-se escurecida e a substância cinzenta
um pouco mais clara.

Estude inicialmente a substância cinzenta. Ela é constituída de corpos de


neurônio, fibras amielínicas e numerosos vasos sanguíneos. Verifique que, num corte
transversal, ela se apresenta com o formato aproximado de um H. o braço dorsal do H
constitui, a cada lado, o corno dorsal da medula; o braço ventral constitui o corno
125

ventral. Unindo os cornos dorsal e ventral de um lado aos mesmos do lado oposto
encontra-se uma barra transversal, a comissura cinzenta, no centro da qual se encontra o
canal central da medula. Ao nível das porções torácica e lombar cranial da medula
aparece, no limite entre os cornos dorsal e ventral, uma pequena expansão lateral de
substância cinzenta, o corno lateral, pouco evidente.

Quanto à substancia branca, verifique que seu contorno é marcado pelos sulcos
que percorrem longitudinalmente a medula. Observe que o sulco mediano dorsal
continua-se, em sua estrutura, com o delgado septo mediano dorsal, que se aprofunda
até alcançar a comissura cinzenta. Ventralmente, a fissura mediana ventral também se
aprofunda na substancia branca sem, contudo, alcançar a comissura cinzenta. Entre esta
ultima e o fundo da fissura mediana ventral permanece uma delgada camada de
substância branca – a comissura branca. A substancia branca pode ser dividida, a cada
lado da medula, em três porções denominadas funículos: dorsal, lateral e ventral. Num
corte transversal, o funículo dorsal aparece como a área de substancia branca disposta
entre o septo mediano dorsal e o ponto de emergência dos filamentos radiculares da raiz
dorsal. O funículo lateral é a área de substancia branca situada, a cada lado, entre os
pontos de emergência das raízes dorsal e ventral. Finalmente, o funículo ventral situa-se
entre a emergência dos filamentos radiculares da raiz ventral e a fissura mediana
ventral.

31.2. Encéfalo

O encéfalo é a porção do sistema nervoso central contida na cavidade craniana.


O estudo de sua morfologia será iniciado pelo bulbo, que é sua parte mais caudal.

31.2.1. Bulbo

O bulbo apresenta-se como continuação direta do extremo cranial da medula


espinhal, sendo o limite entre eles representado por um plano imaginário que passa
imediatamente em frente ao filamento radicular mais cranial do 1º nervo cervical.
Rostralmente, o bulbo limita-se com a ponte, estando separado desta por uma depressão
transversal pouco profunda. Sua forma geral assemelha-se à de um cone truncado,
achatado dorsoventralmente e com base voltada para a ponte. O bulbo repousa sobre a
parte basilar do occipital e sua face dorsal apresenta-se quase que inteiramente coberta
pelo cerebelo. O canal central da medula prolonga-se rostralmente no interior do bulbo
por cerca de 1/3 de seu comprimento até se abrir, em sua face dorsal, na fossa romboide.

Inicie o estudo do bulbo pela face ventral. Observe que ela é convexa
transversalmente e apresenta-se percorrida longitudinalmente por uma depressão
mediana, a fissura mediana ventral, que é a continuação da mesma na medula espinhal.
Identifique a cada lado da fissura mediana ventral, uma elevação longitudinal, que se
denomina pirâmide. As pirâmides contêm fibras nervosas descendentes. Na transição
com a medula espinhal, parte das fibras nervosas das pirâmides cruza para o lado
oposto, provocando uma interrupção mais ou menos acentuada da fissura mediana
ventral. Este entrecruzamento de fibras é denominado decussação das pirâmides.
126

Lateralmente a cada pirâmide encontra-se uma elevação denominada oliva, que é


bastante desenvolvida no homem, mas muito discreta nos animais domésticos. A cada
lado do extremo rostral das pirâmides, encontra-se discreta elevação disposta
transversalmente, o corpo trapezoide.

Passe a identificar agora os nervos cranianos que se originam na face ventral do


bulbo. Identifique inicialmente o nervo abducente (V.......), cujas fibras emergem nos
limites entre a extremidade medial do corpo trapezoide, a ponte e o extremo rostral da
pirâmide. Ao nível da extremidade lateral do corpo trapezoide encontra-se a origem do
nervo facial (VII par) e, imediatamente lateral a este, o nervo vestibulococlear (VIII
par), mais volumoso que o primeiro. Na borda lateral do bulbo, identifique no sentido
rostrocaudal, a partir da raiz do nervo vestibulococlear, as radículas dos nervos
glossofaríngeo (IX par), vago (X par) e acessório (XI par). Estas radículas emergem em
série, sem limites nítidos de demarcação entre elas. Procure finalmente as delicadas
radículas do nervo hipoglosso (XII par), que se originam em série lateralmente ao terço
caudal de cada pirâmide.

Para estudar a face dorsal do bulbo, é necessário remover o cerebelo. Para isto,
seccione cuidadosamente os pedúnculos cerebelares, que são fortes colunas de
substância branca que unem o cerebelo ao bulbo, à ponte e ao mesencéfalo. Identifique
inicialmente, no terço caudal do bulbo, o sulco mediano dorsal, contínuo com o da
medula. A cada lado deste sulco encontra-se o fascículo grácil e, lateralmente a este, o
fascículo cuneiforme, ambos provenientes da medula. Rostralmente, os fascículos grácil
e cuneiforme terminam em duas discretas elevações, os tubérculos dos núcleos grácil e
cuneiformes. Rostralmente, estes tubérculos continuam-se com uma forte coluna,
denominada corpo restiforme. Os corpos restiformes, um de cada lado, constituem os
pedúnculos cerebelares caudais e formam também as paredes laterais da metade caudal
da fossa romboide.

31.2.2. Ponte

A ponte, vista ventralmente, apresenta-se como uma larga cinta disposta


transversalmente adiante do bulbo e caudalmente ao mesencéfalo. Suas extremidades
laterais dirigem-se dorsalmente e penetram no cerebelo, constituindo os pedúnculos
cerebelares médios ou braços da ponte. As fibras nervosas transversais que constituem
grande parte da estrutura da ponte formam a via que une os hemisférios cerebrais aos
hemisférios cerebelares. O desenvolvimento da ponte é, portanto, proporcional ao dos
hemisférios cerebrais e cerebelares. Por esta razão, nos animais domésticos, ao contrário
do homem, a ponte alcança desenvolvimento apenas razoável.

Identifique, na face ventral da ponte, o sulco basilar, na mesma direção da


fissura mediana ventral do bulbo. Este sulco é percorrido pela artéria basilar. Procure
próximo às extremidades laterais da ponte, a origem do nervo trigêmeo (V par), um
volumoso conjunto de fibras que emerge no limite entre o bulbo e a ponte, rostralmente
às origens do facial e vestibulococlear.
127

A face dorsal da ponte constitui a porção rostral do assoalho do 4º ventrículo,


que será visto adiante.

31.2.3. Quarto ventrículo

O 4º ventrículo é uma cavidade, cujo assoalho é representado pela fossa


romboide, uma larga depressão escavada na face dorsal do bulbo e da ponte. Estude a
fossa romboide, tendo-se previamente retirado o cerebelo. Verifique que ela é
percorrida longitudinalmente pelo sulco mediano e por dois sulcos situados lateralmente
a este, os sulcos limitantes. Aproveite agora para reidentificar os pedúnculos
cerebelares, seccionados transversalmente quando se retirou o cerebelo. Atenção para as
suas posições em corte transversal: o pedúnculo cerebelar médio (braço da ponte) é o
mais rostral e lateral, o pedúnculo cerebelar rostral (proveniente do mesencéfalo) é o
mais medial e o pedúnculo cerebelar caudal situa-se caudalmente aos dois primeiros. A
fossa romboide continua-se rostralmente, no interior do mesencéfalo, com o aqueduto
cerebral.

O teto do 4º ventrículo é formado pelos véus medulares rostral e caudal. O véu


medular rostral é uma delgada lâmina de substancia branca que se estende da face
ventral do cerebelo à face dorsal do mesencéfalo. Com a retirada do cerebelo, ele foi
rompido. Abaixo dele situa-se a abertura caudal do aqueduto cerebral. O véu medular
caudal une a face ventral do cerebelo à face dorsal do bulbo. Ele é praticamente
constituído pela tela corióide do 4º ventrículo, revestida externamente pela pia-máter. A
partir da tela corióide originam-se tufos vasculares revestidos de epitélio ependimário,
que se invaginam na cavidade do 4º ventrículo, constituindo os plexos corióides. Estes
são reconhecidos macroscopicamente pela sua coloração escura e seu aspecto
esponjoso.

O 4º ventrículo comunica-se com o espaço subaracnóideo por meio de três


aberturas situadas ao nível do véu medular caudal. Estas são a abertura mediana e as
aberturas laterais do 4º ventrículo, difíceis de serem identificadas macroscopicamente.

31.2.4. Cerebelo

O cerebelo está situado sobre a face dorsal do mesencéfalo, da ponte e do bulbo,


aos quais está ligado pelos pedúnculos cerebelares rostral, médio e caudal,
respectivamente. Ocupa a fossa caudal da cavidade craniana e está separado dos
hemisférios cerebrais por uma prega transversal de dura-máter, o tentório do cerebelo.

Estude inicialmente a morfologia externa do cerebelo. Verifique que ele é


formado por uma porção mediana, denominada vérmis, à qual se prendem duas massas
laterais, os hemisférios cerebelares. Observe que a superfície tanto do vérmis como dos
hemisférios apresenta-se marcada por inúmeros sulcos, que delimitam pequenas
elevações alongadas, denominadas folhas do cerebelo. Estas folhas reúnem-se em
grupos, separados por sulcos mais profundos ou fissuras, constituindo cada grupo um
lóbulo do cerebelo.
128

Seccione sagitalmente o cerebelo e estude a sua morfologia interna, bastante


simplificada. Verifique que ele é formado por um centro de substância branca, o corpo
medular do cerebelo, revestido por um manto de substância cinzenta, o córtex do
cerebelo. Observe o pregueamento do córtex, formando as folhas do cerebelo. Estas se
dispõem ao longo de faixas, as lâminas brancas, que se irradiam a partir do corpo
medular.

31.2.5. Mesencéfalo

O mesencéfalo situa-se rostralmente à ponte, formando com esta e o bulbo o


conjunto denominado tronco encefálico. É constituído por uma parte dorsal, o teto, e
uma parte ventral, representada pelos pedúnculos cerebrais. É percorrido internamente
pelo aqueduto cerebral, que une o 4º ao 3º ventrículos.

Identifique, na face ventral do mesencéfalo, os pedúnculos cerebrais, duas


espessas colunas ligeiramente convergentes em sentido caudal, limitadas rostralmente
pelos tractos ópticos e caudalmente pela ponte. Entre os dois pedúnculos permanece
uma depressão, a fossa interpenducular. Localize, a este nível, as raízes de cada nervo
oculomotor (III par).

Passe a estudar agora a face dorsal do mesencéfalo. Localize aí os colículos, que


são quatro eminências arredondadas dispostas num par rostral e noutro par caudal. Os
colículos rostrais são os mais desenvolvidos e estão separados entre si por um pequeno
sulco longitudinal. Os colículos caudais estão separados entre si por uma larga
depressão central. De cada um deles origina-se, lateralmente, um discreto
prolongamento, o braço do colículo caudal. Este termina numa pequena elevação
ovóide, o corpo geniculado medial, pertencente ao tálamo. Identifique, logo atrás dos
colículos caudais, as raízes do nervo troclear (IV par); este é o único nervo craniano que
se origina na face dorsal do tronco encefálico.

31.2.6. Diencéfalo

O diencéfalo é a porção do encéfalo situada sob os hemisférios cerebrais,


apresentando-se como continuação direta, em sentido rostral, do mesencéfalo. No
diencéfalo estão compreendidos o tálamo, o hipotálamo e o epitálamo, além de uma
área de delimitação difícil, o subtálamo, situado nos limites com o mesencéfalo.

Para estudar o diencéfalo, é necessário seccionar, ao nível do plano mediano,


todo o encéfalo. A secção deverá ser feita cuidadosamente, para permitir o estudo nas
duas metades.

31.2.6.1. Tálamo: os tálamos são duas grandes massas de substancia cinzenta, de forma
ovóide, colocadas obliquamente logo acima da extremidade rostral dos pedúnculos
cerebrais e adiante dos colículos rostrais. Eles estão unidos ao nível do plano mediano,
constituindo esta união a aderência intertalâmica. Em secção sagital, a aderência
intertalâmica aparece como uma área mais clara de contorno aproximadamente circular,
129

situada ao nível do terço médio do diencéfalo, em torno da aderência permanece uma


cavidade anular, que constitui o 3º ventrículo.

A face dorsal do tálamo é lisa, ligeiramente convexa e está parcialmente coberta


pela tela corióide do 3º ventrículo. Afaste dorsalmente, com cuidado, as estruturas
situadas acima do tálamo e observe que, lateralmente, sua face dorsal está separada de
uma massa arredondada, o núcleo caudado, por uma depressão linear, o sulco
talamocaudado.

A face lateral do tálamo é ocultada e está intimamente relacionada com a cápsula


interna, um grande conjunto de fibras nervosas que une os hemisférios cerebrais aos
centros segmentares. A cápsula interna será vista em cortes transversais do encéfalo. A
face ventral do tálamo também é oculta e está em contato com o hipotálamo e o
mesencéfalo.

31.2.6.2. Hipotálamo- o hipotálamo é a porção do diencéfalo situada ventralmente ao


tálamo. Ele forma o assoalho e a parte ventral da parede lateral do 3º ventrículo. Nele
estão compreendidos o corpo mamilar, o túber cinéreo, o quiasma óptico e os tratos
ópticos. Estas estruturas são vistas externamente na face ventral do diencéfalo, logo
adiante dos pedúnculos cerebrais. O corpo mamilar é uma pequena saliência
arredondada situada no extremo rostral da fossa interpenducular. O túber cinéreo é uma
discreta elevação situada imediatamente à frente do corpo mamilar e nele se prende uma
pequena haste, o infundíbulo da neuro-hipófise. Com a retirada do encéfalo da cavidade
craniana, o infundíbulo é geralmente seccionado; com isto, pode-se observar no centro
do túber cinéreo um orifício, que corresponde ao recesso hipofisário do 3º ventrículo.
Rostralmente ao túber cinéreo encontra-se o quiasma óptico, ponto de convergência dos
dois nervos ópticos. Do quiasma se originam os tractos ópticos, duas faixas divergentes
de substância branca que se dirigem caudolateralmente, terminando cada uma delas ao
nível do corpo geniculado lateral do lado correspondente. O quiasma e os tractos
ópticos assinalam externamente o limite entre o diencéfalo e o rinencéfalo, este último
uma das partes do telencéfalo.

31.2.6.3. Epitálamo – o epitálamo compreende o corpo pineal e estruturas adjacentes.


O corpo pineal apresenta-se como uma estrutura ovóide, de coloração frequentemente
escura, alojada numa depressão formada entre os tálamos e os colículos rostrais. Está
preso ao restante do diencéfalo por meio de um curto pedículo. O 3º ventrículo
invagina-se por uma pequena extensão no interior do corpo pineal, formando uma
pequena cavidade, o recesso pineal. Identifique também, logo abaixo do corpo pineal,
uma pequena área de substância branca, de contorno ovóide, a comissura caudal. Esta é
formada por um feixe de fibras que unem os dois hemisférios cerebrais, apresentando-se
aqui seccionada transversalmente.

31.2.6.4. Terceiro ventrículo – o 3º ventrículo é a estreita cavidade de forma anular


que circunda a aderência intertalâmica. Suas paredes são formadas por estruturas
componentes do diencéfalo, exceto a parede rostral, que é formada por estruturas
pertencentes ao telencéfalo.
130

A parede ventral, ou assoalho do 3º ventrículo, é formada, no sentido


rostrocaudal, pelo quiasma óptico, túber cinéreo, corpo mamilar e extremo rostral do
mesencéfalo. Ao nível do quiasma óptico e do túber cinéreo, o 3º ventrículo invagina-se
e forma duas pequenas expansões, o recesso óptico e o recesso hipofisário. Este último,
como o nome indica, prolonga-se ventralmente no interior do infundíbulo da neuro-
hipófise.

As paredes laterais do 3º ventrículo são formadas, a cada lado, dorsalmente pelo


tálamo e ventralmente pelo hipotálamo. O limite entre estes dois é representado pelo
sulco hipotalâmico, disposto longitudinalmente na parede lateral do 3º ventrículo e
pouco evidente nos animais domésticos.

O limite rostral do 3º ventrículo é formado pela comissura rostral e lâmina


terminal, estruturas pertencentes ao telencéfalo, mas que serão vistas agora. A
comissura rostral é uma pequena área de substância branca, de contorno ovoide, situada
acima do quiasma óptico. A lâmina terminal é uma fina lâmina de substância cinzenta
que une os dois hemisférios cerebrais, estendendo-se do quiasma óptico à comissura
rostral. Esta última, tal como a comissura caudal, é um feixe de fibras nervosas que
cruza o plano mediano para interligar os dois hemisférios cerebrais.

O teto do 3º ventrículo é muito estreito, sendo constituído apenas pela tela


corióide do 3º ventrículo, com seus respectivos plexos corióides. Identifique a este
nível, afastando cuidadosamente a tela corióidea, o forame interventricular, que
comunica o 3º ventrículo com cada ventrículo lateral. Caudalmente, o 3º ventrículo está
em comunicação com o aqueduto cerebral.

31.2.7. Telencéfalo

O telencéfalo compreende duas grandes massas irregularmente ovoides, os


hemisférios cerebrais, situadas dorsal e rostralmente ao diencéfalo, com o qual estão
intimamente relacionados. Os dois hemisférios estão incompletamente separados, ao
nível do plano mediano, por profunda depressão, a fissura longitudinal do cérebro. Esta
fissura é ocupada por extensa prega de dura-máter, a foice do cérebro, que, no entanto
não atinge o seu fundo. Este, por sua vez, é formado por espessa camada de fibras
nervosas dispostas transversalmente, o corpo caloso, que constitui importante meio de
união entre os hemisférios. Caudalmente, os hemisférios cerebrais estão separados do
cerebelo pela fissura transversa do cérebro, na qual se aloja outra prega da dura-máter, o
tentório do cerebelo.

Cada hemisfério apresenta, para descrição, três faces: dorsolateral, medial e


basilar. A face dorsolateral é convexa e adapta-se à face interna da cavidade craniana. A
face medial é plana e forma a parede da fissura longitudinal do cérebro. A face basilar é
bastante irregular e está voltada para o assoalho da cavidade craniana. As faces
dorsolateral e medial estão separadas pela borda dorsal. Podem-se distinguir, nos
hemisférios cerebrais, dois polos: frontal ou rostral e occipital ou caudal. O polo frontal
tem contorno aproximadamente triangular e seu ápice está dirigido rostralmente. O polo
131

caudal situa-se no extremo oposto e apresenta contorno arredondado ou


aproximadamente quadrangular.

Como no cerebelo, cada hemisfério cerebral é formado por um núcleo de


substância branca, denominado centro semi-oval, envolvido por uma camada de
substância cinzenta – o córtex cerebral. A superfície do córtex apresenta-se
caracteristicamente marcada por grande número de depressões, os sulcos, os quais
delimitam elevações sinuosas que se denominam giros. O número e desenvolvimento
destes sulcos e giros variam entre as espécies domésticas, devendo ser lembrado que as
aves não possuem. A formação de sulcos e giros pelo córtex cerebral determina grande
aumento em sua área, levando-o a uma maior complexidade de suas funções.

31.2.7.1. Rinencéfalo – o rinencéfalo engloba o conjunto de estruturas situadas na face


basilar do hemisfério, dispostas rostral e lateralmente ao diencéfalo. Este termo não é
inteiramente satisfatório, pois atualmente sabe-se que esta porção do telencéfalo não
está relacionada somente com a olfação; entretanto, o uso tradicional do termo o
manteve. O rinencéfalo está separado do restante do hemisfério pelo sulco rinal lateral.
O sulco rinal lateral delimita lateralmente o rinencéfalo, estendendo-se
longitudinalmente desde o polo rostral até o polo caudal do hemisfério.

Identifique no extremo rostral do rinencéfalo, o bulbo olfatório. Este é uma


estrutura de forma ovóide, achatada dorsoventralmente, que se aloja na fossa etmoidal.
Sua face ventral é convexa e a ela chegam as fibras do nervo olfatório ( I par). Estas se
originam na mucosa olfatória da cavidade nasal e atingem o bulbo olfatório depois de
atravessarem a lâmina crivosa do etmoide. Elas são muito delicadas e, ao se retirar o
encéfalo, ficam retidas na fossa etmoidal.

O bulbo olfatório está unido ao restante do hemisfério por uma coluna de


substância branca, o pedúnculo olfatório. Este é curto e logo se divide, caudalmente, em
duas faixas divergentes, os tractos olfatórios lateral e medial. O tracto olfatório lateral é
bem desenvolvido e dirige-se caudolateralmente, estando separado do polo frontal do
hemisfério pela parte rostral do sulco rinal lateral. Caudalmente, ele se continua com o
lobo piriforme. O tracto olfatório medial é menor e dirige-se caudomedialmente. Os
dois tractos olfatórios delimitam uma área triangular, ligeiramente elevada, denominada
trígono olfatório, cujo limite caudal é representado pelo tracto óptico.

O lobo piriforme é uma saliência volumosa, de ápice arredondado, situada


lateralmente a cada tracto óptico, do qual está separado por uma profunda fissura.
Rostralmente, ele é contínuo com o tracto olfatório lateral; caudalmente continua-se
com os giros do polo occipital do hemisfério. Seu limite lateral é representado pela parte
caudal do sulco rinal lateral. O lobo piriforme contém dois ou mais giros, separados por
sulcos de número e extensão variáveis.

31.2.7.2. Sulcos e giros dos hemisférios cerebrais – a superfíciedos hemisférios


cerebrais, como já foi referido, apresenta-se marcada por inúmeros sulcos, os quais
delimitam os giros. O número e grau de desenvolvimento destes sulcos e giros variam
132

entre as espécies domésticas. Apresentamos aqui uma descrição sumária dos sulcos e
giros mais importantes, levando-se em conta seu desenvolvimento e sua frequência nas
várias espécies.

Na face dorsolateral encontram-se a fissura lateral ou silviana e os sulcos supra-


silviano e central, além de outros menos importantes.

A fissura lateral ou silviana é uma depressão profunda, disposta mais ou menos


verticalmente no terço médio do hemisfério, estendendo-se em sentido dorsal a partir do
sulco rinal lateral. Ela representa, superficialmente, o limite entre os polos frontal e
occipital e marca também a divisão do sulco rinal lateral em partes rostral e caudal. Seu
trajeto é algo irregular e frequentemente ela apresenta-se, após curto percurso, dividida
em três ramos. A artéria média do cérebro, que é a mais calibrosa das artérias que supre
cada hemisfério, corre por est fissura.

O sulco supra-silviano dispõe-se longitudinalmente na face dorsolateral do


hemisfério, situando-se logo acima da fissura lateral. Seu trajeto é longo, estendendo-se
irregularmente desde o polo frontal até o polo occipital.

O sulco central é um pequeno sulco transverso que cruza a borda dorsal do


hemisfério, ao nível do polo frontal, prolongando-se por uma pequena extensão na face
medial.

Os principais giros situados na face dorsolateral do cérebro são os seguintes:

• Giro Silviano rostral – é o giro situado logo à frente da fissura lateral ou


silviana.

• Giro Silviano caudal – situa-se imediatamente caudal à fissura silviana.

• Giros pré-central e pós-central – situam-se, respectivamente, rostral e


caudalmente ao sulco central.

A face medial do hemisfério cerebral é percorrida longitudinalmente por um


longo sulco, o qual é dividido em três porções: sulco genual, sulco esplenial e sulco
calcarino. O sulco genual é a porção rostral, situada no polo frontal, adiante do joelho
do corpo caloso. O sulco esplenial é a porção média, situada acima da parte caudal
(esplênio) do corpo caloso. O sulco calcarino é a porção mais caudal, encurvada em
direção ventral, ao nível do polo occipital.

Os principais giros encontrados na face medial do hemisfério são:

• Giro do cíngulo – é longo e delimitado ventralmente pelo corpo caloso e


dorsalmente pelos sulcos genual, esplenial e calcarino.

• Giro occipital – é a área do córtex situada caudalmente ao sulco calcarino, no


polo occipital.
133

31.2.7.3. Núcleos da base, corpo caloso e fórnix – os núcleos da base são massas de
substância cinzenta situadas no interior de cada hemisfério cerebral, ventralmente ao
centro semi-oval do cérebro. Eles são em número de quatro: caudado, lentiforme,
claustro e amigdaloide. O núcleo caudado é o mais desenvolvido dos quatro e situa-se
dorsolateralmente ao tálamo, do qual está separado pelo sulco talamocaudado. Ele se
apresenta como uma elevação ovóide na parede ventrolateral do ventrículo lateral,
rostralmente ao hipocampo. Este último é um giro, pertencente ao rinencéfalo, que se
invagina para o interior do hemisfério, formando uma eminência também ovóide na
porção caudal do ventrículo lateral. Os demais núcleos da base somente são visíveis em
cortes transversais dos hemisférios. Identifique, num corte transversal feito logo adiante
do tálamo, o núcleo caudado, que forma o contorno ventrolateral do ventrículo lateral.
Lateralmente ao núcleo caudado encontra-se uma espessa faixa de substância branca, a
cápsula interna, formada por fibras que unem o córtex cerebral ao tronco encefálico e
medula. O núcleo lentiforme situa-se ventrolateralmente à capsula interna e seu limite
lateral é representado pela cápsula externa, uma delgada faixa de substância branca. O
claustro é o mais lateral dos núcleos da base, apresentando-se como uma pequena fita
vertical de substância cinzenta, separada do lentiforme pela cápsula externa. O núcleo
amigdaloide, funcionalmente incluído no rinencéfalo, situa-se na extremidade caudal,
afilada, do núcleo caudado, no interior do lobo piriforme. Ele não precisa ser
identificado.

O corpo caloso é uma larga cinta de fibras transversais que une os dois
hemisférios cerebrais, constituindo o fundo da fissura longitudinal do cérebro. Em corte
sagital mediano, ele apresenta-se como uma faixa de substancia branca estendida
longitudinalmente, dispondo-se em forma de “C” com a concavidade em sentido
ventral. Sua extremidade rostral denomina-se joelho e curva-se ventralmente em direção
à comissura rostral. A porção média do corpo caloso é denominada tronco e a
extremidade caudal constitui o esplênio. O corpo caloso forma o teto dos ventrículos
laterais. O fórnix é uma estrutura constituída de substância branca disposta
obliquamente sobre o tálamo e o 3º ventrículo e ventralmente ao corpo caloso. É
formado de três porções: colunas, corpo e crura (pernas). As colunas constituem a
porção rostral do fórnix; elas estão curvadas ventral e caudalmente em direção ao corpo
mamilar. O corpo é a porção média do fórnix. As crura são os prolongamentos caudais
do corpo, terminando ao nível do hipocampo. O fórnix está unido ao corpo caloso por
uma fina lâmina de tecido nervoso, o septo pelúcido.

31.2.7.4. Ventrículos laterais – são as cavidades existentes no interior dos hemisférios


cerebrais. Cada ventrículo é formado por uma área central, da qual se originam duas
expansões: o corno rostral e o corno ventral. O corno rostral situa-se à frente do forame
interventricular e está em comunicação com a cavidade do bulbo olfatório por meio de
estreito canal. O corno ventral está voltado ventrocaudalmente, em direção ao lobo
piriforme. Os dois ventrículos estão separados entre si, ao nível do plano mediano, pelo
septo pelúcido, já descrito. Em seu interior encontram-se os plexos corióides dos
ventrículos laterais, semelhantes aos dos demais ventrículos.
134

31.3. Meninges encefálicas

Estude as meninges encefálicas em peças isoladas. Tal como a medula, o


encéfalo está envolvido por três meninges, denominadas, de fora para dentro, dura-
máter, aracnoide e pia-máter. Elas possuem estrutura peculiar que as tornam distintas
umas das outras. A pia-máter e a aracnoide são conhecidas coletivamente como
leptomeninge e a dura-máter, por ser espessa e muito mais resistente, é denominada
paquimeninge.

A dura-máter é uma membrana constituída predominantemente de fibras


colágenas e está disposta em duas lâminas. A lâmina externa é o próprio endósteo dos
ossos eu formam a cavidade craniana. A lâmina interna ou meníngea é contínua com a
dura-máter espinhal. As lâminas externa e interna estão intimamente unidas entre si,
exceto em alguns pontos, onde elas delimitam cavidades cheias de sangue, denominadas
seios da dura-máter (vide ítem 31.6). A superfície interna da dura-máter forma pregas
dentro da cavidade craniana. Destas pregas, a mais desenvolvida é a foice do cérebro,
que se dispõe longitudinalmente no plano mediano, ocupando a fissura longitudinal do
cérebro. O tentório do cerebelo é uma prega disposta transversalmente em relação à
foice do cérebro, separando parcialmente os hemisférios cerebrais do cerebelo. Ao nível
da sela túrcica (depressão na face interna do basi-esfenóide, que contêm a hipófise), a
lâmina interna da dura-máter separa-se da lâmina externa e constitui o diafragma da sela
túrcica. Este diafragma separa a hipófise da face ventral do diencéfalo, sendo perfurado
no centro pelo infundíbulo da neuro-hipófise. A dura-máter é inervada por ramos
sensitivos provenientes do nervo trigêmeo e vascularizada pelas artérias meníngeas.

A aracnoide encefálica dispõe-se à semelhança da aracnoide espinhal. Os


espaços subdural e subaracnóideo também estão presentes. Em relação ao espaço
subaracnóideo, ele forma, em determinados pontos da superfície do encéfalo, dilatações
conhecidas como cisternas subaracnóideas. A maior delas é a cisterna cerebelomedular
ou magna, que se localiza entre a face caudal do cerebelo e a face dorsal do bulbo.
Outras cisternas menores estão presentes na face ventral do encéfalo, tal como a
quiasmática e a interpenduncular. As cisternas subaracnóideas estão repletas de líquor.

A pia-máter está intimamente aderida ao encéfalo. Ela aprofunda-se nas


cavidades dos ventrículos encefálicos, constituindo os plexos corióides.

31.4. Irrigação do encéfalo

O suprimento sanguíneo do encéfalo nos animais domésticos é feito por três


artérias: carótida interna, occipital e vertebral. Há, no entanto, algumas diferenças entre
as espécies no que se refere ao trajeto e contribuição destas artérias à circulação
cerebral.

O cavalo e o cão apresentam a artéria carótida interna bem desenvolvida, sendo


esta a principal responsável pela irrigação da maior parte do encéfalo. Já nos
ruminantes, a artéria carótida interna só existe no feto; no adulto, seu segmento
135

extracraniano está reduzido a um cordão fibroso. Nestas espécies (bovino, caprino e


ovino, a artéria carótida interna é substituída por ramos da artéria maxilar, os quais
penetram na cavidade craniana e formam em torno da hipófise uma intrincada rede
arterial, a rede admirável epidural rostral. Desta rede partem dois troncos, que
correspondem às artérias carótidas internas em seu segmento intracraniano.

Quanto às artérias occipital e vertebral, sua participação na circulação cerebral é


também mais efetiva no cavalo e cão. Elas se anastomosam na base do crânio para
formar a artéria basilar, responsável pela irrigação da porção caudal do encéfalo (parte
do cerebelo, bulbo e ponte). Por outro lado, nos ruminantes a participação das artérias
vertebral e occipital na irrigação do encéfalo é pequena ou ausente. Nos bovinos elas
formam, na base do osso occipital, uma rede admirável epidural caudal, da qual partem
ramos que se anastomosam com a rede rostral. Nos caprinos e ovinos, embora as
artérias vertebral e occipital se anastomosem, não formam a rede admirável epidural
caudal e não se comunicam com a rede rostral. Portanto, enquanto nos bovinos as
artérias vertebral e occipital contribuem em pequena escala para a irrigação do encéfalo,
nos pequenos ruminantes esta contribuição não existe.

Ao atingir a base do cérebro, as duas artérias carótidas internas dividem-se, cada


uma delas, em dois ramos divergentes. Um destes dirige-se rostralmente e constitui a
artéria rostral do cérebro. Desta origina-se, rostrolateralmente ao quiasma óptico, a
artéria média do cérebro, que se dirige dorsolateralmente para correr na fissura silviana
e distribuir-se na superfície dorsolateral do hemisfério cerebral. Após a emissão da
artéria média do cérebro, a artéria rostral do cérebro curva-se medialmente e prossegue
ao longo da borda medial do pedúnculo olfatório. Une-se com a do lado oposto por
meio da artéria comunicante rostral e curva-se dorsalmente, penetrando na fissura
longitudinal do cérebro. Distribui-se na porção rostral e superfície medial do hemisfério.

O outro ramo resultante da bifurcação da artéria carótida interna corre


caudalmente e denomina-se artéria comunicante caudal. Desta origina-se as artérias
caudal do cérebro e rostral do cerebelo. A artéria caudal do cérebro dirige-se
dorsocaudalmente e penetra sob o lobo piriforme para distribuir-se na porção caudal do
hemisfério. A artéria rostral do cerebelo origina-se logo atrás da caudal do cérebro, ao
nível dos pedúnculos cerebrais, e dirige-se para a superfície rostral do cerebelo, onde se
distribui.

Após a emissão da artéria rostral do cerebelo, a artéria comunicante caudal une-


se com a do lado oposto para formar a artéria basilar. Esta estende-se caudalmente,
passando no sulco basilar da ponte e na fissura mediana ventral do bulbo. Termina
anastomosando-se caudalmente com a artéria espinhal ventral, que corre na face ventral
da medula. Há, entre as espécies domésticas, uma diferença quanto ao sentido do fluxo
sanguíneo na artéria basilar. No cavalo e cão, nos quais a artéria basilar é formada pelas
artérias vertebral e occipital, o fluxo é em sentido caudorrostral. Nos ruminantes, por
outro lado, a artéria basilar resulta da união das artérias comunicantes caudais e o fluxo
136

é no sentido rostrocaudal. Da artéria basilar origina-se a artéria caudal do cerebelo, que


se distribui na superfície caudodorsal deste órgão.

As artérias comunicantes rostral e caudal determinam a formação, na base do


cérebro, de um circuito arterial fechado, que recebe o nome de círculo arterial do
cérebro. Apesar da formação deste circuito, demonstrou-se que não há mistura do
sangue proveniente de uma artéria carótida interna com o sangue procedente da
homônima do lado oposto. Como exemplo, citam-se casos de abcessos cutâneos, de
onde são levados focos bacterianos por meio do sistema arterial até o encéfalo. Aí se
reproduzem lesões mais comumente do mesmo lado onde ocorre o abcesso cutâneo.

31.5. Drenagem venosa do encéfalo

As veias que drenam as diversas partes do encéfalo convergem para os seios da


dura-máter, cavidades revestidas de endotélio situadas entre as lâminas externa e interna
da dura-máter encefálica. Estes seios, por sua vez, comunicam-se, através de veias
denominadas emissárias, com as veias extracranianas, tributárias da veia jugular
externa.

31.5.1. Veias encefálicas

As veias do encéfalo caracterizam-se por serem desprovidas de musculatura lisa,


por suas paredes delgadas, pela ausência de válvulas e por não acompanharem o trajeto
das artérias encefálicas. De acordo com sua topografia e área de drenagem, são
divididas nos seguintes grupos:

31.5.1.1. Veias dorsais do cérebro – drenam as faces dorsolateral e medial dos


hemisférios cerebrais e desembocam, em sua maioria, no seio sagital dorsal. Ocorrem
em número variável, geralmente 5-6 3m cada hemisfério, podendo ser divididas em
rostrais, médias e caudais.

31.5.1.2. Veias ventrais do cérebro – drenam a face ventral dos hemisférios cerebrais,
rinencéfalo, diencéfalo, mesencéfalo e ponte. Correm em sentido caudal, reunindo-se
geralmente num tronco comum, que passa lateralmente ao lobo piriforme e penetra no
tentório do cerebelo, indo desembocar no seio transverso.

31.5.1.3. Veia magna do cérebro – é a responsável pela drenagem venosa das partes
profundas do telencéfalo e diencéfalo, principalmente dos núcleos da base, tálamo,
plexos corióides, septo pelúcido e corpo caloso. Resulta da união, ventralmente ao
fórnix e dorsalmente ao tálamo, das veias internas do cérebro. Dirige-se
dorsocaudalmente, passando logo atrás do esplênio do corpo caloso, onde recebe a veia
do corpo caloso. Penetra no extremo caudal da foice do cérebro, continuando-se na
espessura desta como seio reto.

31.5.1.4. Veias do cerebelo – as veias do cerebelo são dorsais e ventrais. As veias


dorsais correm nas superfícies dorsal e lateral do cerebelo e drenam, em sua maior parte,
137

para o seio transverso. As ventrais drenam a face ventral do cerebelo, recebendo ainda
tributárias do bulbo e ponte. Confluem geralmente para o seio basilar.

31.6. Seios da dura-máter

São cavidades revestidas internamente por endotélio, existentes entre as lâminas


externo e interna da dura-máter encefálica e para as quais é drenado o sangue venoso do
encéfalo. Além das veias encefálicas, os seios da dura-máter recebem também veias
meníngeas, provenientes da própria dura-máter, e veias diplóicas, oriundas do díploe
dos ossos do crânio. Deles originam-se veias emissárias, cuja função é comunica-los
com as veias extracranianas. Distinguem-se nos ruminantes, como nas demais espécies
domésticas, um sistema dorsal e outro ventral, intercomunicantes.

31.6.1. Sistema dorsal

Compreende os seios sagital dorsal, reto, transverso, temporal e sigmoide. Os


seios sagital ventral e petroso dorsal, presentes em várias espécies, não ocorrem nos
ruminantes domésticos.

31.6.1.1. Seio sagital dorsal – dispõe-se longitudinalmente na foice do cérebro, ao


longo da inserção desta na crista sagital interna do crânio. Estende-se desde as
proximidades da crista galli até a junção da foice com o tentório do cerebelo, onde
encontra o seio reto e os seios transversos, formando a dilatação denominada confluente
dos seios. Para o seio sagital dorsal conflui a maior parte das veias dorsais do cérebro.

31.6.1.2. Seio reto – forma-se, no extremo caudal da foice do cérebro, como uma
continuação direta da veia magna do cérebro. Corre obliquamente na espessura da foice,
em direção caudodorsal e, após curto trajeto, desemboca na confluente dos seios.

31.6.1.3. Seios transversos – originam-se de cada lado da confluente dos seios e


dispõem-se transversalmente, ao longo da inserção do tentório do cerebelo na crista
occipital interna. Para os seios transversos confluem as veias ventrais do cérebro e as
veias dorsais do cerebelo. Ventralmente, próximo ao canal temporal, cada seio
transverso bifurca-se dando origem aos seios temporal e sigmoide.

31.6.1.4. Seio temporal – corre cranioventralmente e penetra no canal temporal, do


qual emerge através do forame retro-articular, com o nome de veia emissária do forame
retro-articular. Esta, por sua vez, desemboca na veia temporal superficial, tributária da
veia maxilar.

31.6.1.5. Seio sigmoide – dirige-se caudoventralmente e penetra no canal condilar do


occipital, onde dá origem à veia emissária do canal hipoglosso. Esta atravessa o referido
canal e termina ncorporando-se ao seio basilar e plexo vertebral.

31.6.2. Sistema ventral ou basilar

Compreende-se seios situados no assoalho da cavidade craniana: basilar, petroso


ventral e cavernosos.
138

31.6.2.1. Seio basilar – situa-se na espessura da dura-máter que reveste a parte basilar
do occipital. Tem aspecto plexiforme, apresentando-se como uma continuação rostral do
plexo vertebral. Rostralmente, o seio basilar é contínuo com os seios cavernosos e
petroso ventral. Comunica-se ainda, através da veia emissária do canal do hipoglosso,
com o seio sigmoide.

31.6.2.2. Seio petroso ventral – localiza-se entre a parte petrosa do temporal e a borda
lateral da porção basilar do occipital (fissura petrobasilar). É pouco desenvolvido nos
ruminantes domésticos, confundindo-se rostralmente com o seio cavernoso e
caudalmente com o seio basilar.

31.6.2.3. Seios cavernosos – situam-se sobre o corpo do basi-esfenóide e sob o


diafragma da sela túrcica. Neles está contida a rede admirável epidural rostral, formada
por ramos da artéria maxilar. Unindo os seios cavernosos direito e esquerdo há, nos
bovinos, dois seios intercavernosos, um situado rostral e outro caudalmente à hipófise.
Nos pequenos ruminantes, ocorre apenas o seio intercavernoso caudal. Os seios
cavernosos estão em ampla comunicação, caudalmente, com o seio basilar e o seio
petroso ventral. Comunicam-se ainda com o sistema venoso extracraniano, através de
duas emissárias: veia emissária do forame orbitorredondo, que desemboca na veia
oftálmica externa e veia emissária do forame oval, tributária da veia maxilar.

31.7. Líquor

O líquido cérebro-espinhal, ou simplesmente líquor, é o fluido que ocupa o


espaço subaracnóideo, os ventrículos encefálicos e o canal central da medula espinhal.
A maior parte do líquor é produzida ao nível dos plexos corióides e o restante pelo
próprio tecido nervoso, pelas paredes ventriculares e pela superfície subaracnóidea da
pia-máter. Os plexos corióides, localizados no interior dos ventrículos cerebrais, são
constituídos de um eixo conjuntivo altamente vascularizado, revestido por epitélio
simples cuboidal. O mecanismo de formação do líquor é ainda objeto de discussões,
sendo que simples filtração ou secreção ativa são os processos comumente citados. O
líquor, produzido nos plexos corióides dos ventrículos laterais e do terceiro ventrículo,
passa ao quarto ventrículo e daí alcança o espaço subaracnóideo através,
principalmente, das aberturas laterais. Uma pequena quantidade penetra no canal central
da medula. Ao alcançar o espaço subaracnóideo, o líquor distribui-se em suas partes
encefálica e medular. Finalmente, ele é absorvido ao nível das granulações aracnóideas,
que são expansões globosas da aracnoide para o interior do lume dos seios da dura-
máter. As granulações aracnoides são encontradas, sobretudo no seio sagital dorsal. Nos
ruminantes domésticos elas não estão desenvolvidas como em outras espécies, como o
homem, no qual podem ser observadas macroscopicamente. A proporção de líquor nos
diversos compartimentos do eixo cérebro-espinhal depende do ciclo cardíaco. Durante a
sístole, o líquor é forçado para dentro dos ventrículos encefálicos e do canal da medula
e, ao contrário, na diástole ele é dirigido para o espaço subaracnóideo. A despeito deste
movimento de ida e volta o líquor prece circular no sentido dos ventrículos para o
139

espaço subaracnóideo. Neste caso, a propulsão do líquor é devido à pulsação dos plexos
corióides e à “vis a tergo” do líquor recém-formado.

O líquor pode ser retirado, para exame, ao nível da cisterna magna e do espaço
interarcual lombossacral. Modificações em sua composição química ou a presença de
elementos celulares estranhos são indícios de alterações do sistema nervoso central.

32. Roteiro para dissecação e estudo da cabeça

32.1. Face

32.1.1. O estudo da face deve ser feito em uma hemicabeça, de preferencia


acompanhada da metade cranial do pescoço. Remova toda a pele do pescoço, da face e
do crânio, contornando a base da orelha, os chifres, a órbita, os lábios e a narina.

32.1.2. Identifique, logo abaixo da pele, o músculo cutâneo da face, cujas fibras
dispõem-se no sentido caudorrostral. Ele é delgado, transparente e está, em alguns
pontos, intimamente aderido à pele. Identifique o músculo parótido-auricular, que é uma
delgada cinta muscular cujas fibras dispõem-se verticalmente a partir da base da orelha
e recobrem a glândula parótida.

32.1.3. Rebata rostrodorsalmente, evitando atingir estruturas mais profundas, os


músculos cutâneo da face e parótido-auricular. Observe, profundamente ao músculo
parótido-auricular, a glândula parótida e delimite o contorno desta glândula. Identifique,
na borda rostral da parótida e ás vezes parcialmente coberto por ela, o linfonodo
parotídico.

32.1.4. Separe os músculos parótido-auricular e cutâneo da face e rebata este último


rostralmente até sua inserção nos lábios. Identifique o potente músculo masseter, que
ocupa a superfície lateral do ramo da mandíbula e a face lateral da maxila, rostralmente
à glândula parótida.

32.1.5. Identifique, emergindo da borda cranial da parótida e correndo em sentido


rostral sobre o músculo masseter, as seguintes estruturas: artéria e veia transversas da
face, ramo bucal dorsal do nervo facial, ducto parotídico e ramo bucal ventral do nervo
facial. Estes dois últimos correm com pequenas variações, próximo à borda ventral do
masseter. Identifique, cruzando obliquamente a borda ventral do corpo da mandíbula, no
sentido rostroventral, a veia facial. A artéria facial ocorre somente nos bovinos; nestes
animais, ela tem o mesmo percurso da veia facial.

32.1.6. Identifique agora os músculos elevador nasolabial, malar, zigomático, bucinador


e depressor do lábio inferior. O elevador nasolabial é delgado e suas fibras dispõem-se
obliquamente em sentido dorsoventral na região lateral do nariz. O malar é também
delgado, situa-se caudalmente ao elevador nasolabial, dispondo-se suas fibras mais ou
menos verticalmente a partir da pálpebra inferior. O zigomático é uma cinta muscular
140

delgada e estreita, que se estende caudorrostralmente do osso zigomático às imediações


dos lábios. O bucinador situa-se imediatamente à frente do masseter; suas fibras,
dispostas verticalmente, entram na formação da parede da bochecha. O depressor do
lábio inferior situa-se ventralmente ao bucinador; suas fibras dirigem-se
longitudinalmente para o lábio inferior, mas caudalmente confundem-se com as do
bucinador. Note, em caprinos, a inserção, no osso zigomático, do músculo
esternozigomático que constitui uma das partes do músculo esternocefálico.

32.1.7. Seccione, em seus terços médios, os músculos elevador nasolabial e zigomático


e rebata seus cotos. Profundamente ao músculo elevador nasolabial, identifique os
músculos elevador do lábio superior, canino e depressor do lábio superior. Note suas
origens comuns, próximo ao túber facial, e a disposição em leque de seus ventres. O
elevador do lábio superior é o mais dorsal e seu tendão de inserção une-se com o do
lado oposto. O depressor do lábio superior é o mais ventral e o canino posição média.

32.1.8. Disseque rostralmente a veia facial. Observe que ela recebe, logo acima do lábio
superior, a veia lateral do nariz. Um pouco mais acima, verifique que a veia facial é
formada pela união das veias angular do olho e dorsais do nariz.

32.1.9. Disseque rostralmente o ramo bucal dorsal do nervo facial. Verifique que ele
passa sob o músculo zigomático, onde frequentemente forma uma alça em torno da veia
facial. Termine sua dissecação nos músculos da região lateral do nariz e lábio superior.

32.1.10. Disseque agora o ramo bucal ventral do nervo facial até sua penetração no
músculo depressor do lábio inferior. Note que, próximo à borda rostral do masseter, ele
emite um ramo que se dirige dorsalmente para unir-se ao ramo bucal dorsal.

32.1.11.Seccione, próximo à origem, os músculos elevador do lábio superior, canino e


depressor do lábio superior. Disseque, profundamente a eles, o nervo e a artéria infra-
orbitais, que emergem do forame infra-orbital e se distribuem na região lateral do nariz,
lábio superior e vestíbulo nasal.

32.1.12. Disseque rostralmente a artéria transversa da face nos pequenos ruminantes e a


artéria facial nos bovinos. Verifique, próximo à borda rostral do masseter, sua divisão
em artérias labial superior e labial inferior.

32.1.13. Disseque o ducto parotídico a partir do ângulo rostroventral da parótida,


acompanhando-o junto à borda rostral do masseter, até o ponto em que ele perfura o
músculo bucinador.

32.1.14. Identifique as glândulas bucais dorsais e bucais ventrais. As primeiras situam-


se sob o músculo zigomático e as segundas estão parcialmente encobertas pelo músculo
bucinador.

32.1.15. Disseque o nervo auriculopalpebral. Tal como os ramos bucal dorsal e bucal
ventral, ele origina-se do nervo facial no interior da glândula parótida. Siga os ramos
bucais dorsal e ventral caudalmente na estrutura desta glândula, até encontrar a origem
141

do nervo auriculopalpebral. No carneiro, este nervo origina-se diretamente do nervo


facial, enquanto no boi e no caprino ele origina-se do nervo facial por um tronco comum
com o ramo bucal dorsal. Prossiga a dissecação do nervo auriculopalpebral dorsalmente.
Note que ele passa profundamente aos músculos rostrais da orelha, aos quais emite
ramos. Seccione estes músculos e continue a dissecação do nervo auriculopalpebral,
verificando que ele é acompanhado pela artéria temporal superficial. Ao nível do arco
zigomático, o nervo auriculopalpebral passa a chamar-se ramo zigomático. Disseque
este último até sua terminação nas pálpebras.

32.1.16. Os ramos cutâneos do nervo auriculotemporal que se distribuem na face, bem


como os ramos profundos do nervo facial, não precisam ser dissecados.

32.1.17. Verifique, sob a borda ventral da mandíbula ou do masseter, a união da veia


facial com a veia lingual, formando a veia linguofacial. Disseque esta última
caudalmente até sua união com a veia maxilar, a qual emerge da borda ventral da
parótida. Da união das veias linguofacial e maxilar resulta a veia jugular externa, que
corre caudalmente no pescoço.

31.1.18. Identifique, no ângulo entre as veias linguofacial e jugular externa, a glândula


mandibular e os linfonodos mandibulares.

32.1.19. Estude os músculos, vasos, nervos, glândulas e linfonodos até agora


dissecados.

32.2. Região retrofaríngea

32.2.1. A dissecação desta região é feita na face medial da hemicabeça. Inicialmente,


identifique o occipital, o atlas, o áxis, o esôfago, a traquéia. A laringe e a faringe. A
região retrofaríngica compreende o espaço situado entre a faringe, a base do crânio e a
face ventral do atlas.

32.2.2. Remova o músculo longo do pescoço, que se situa ao longo da face ventral das
vértebras cervicais. Identifique a glândula mandibular e o linfonodo retrofaríngico
medial; este último pode estar envolvido em quantidade variável de tecido adiposo.

32.2.3. Identifique, correndo sobre o esôfago, o feixe vasculo-nervoso formado pelo


tronco vagossimpático e a artéria carótida comum. Disseque em sentido cranial o tronco
vagossimpático. Note o ponto em que o tronco simpático separa-se do nervo vago. O
tronco simpático é o mais delgado e ventral dos dois. Continue a dissecação em sentido
cranial do tronco simpático e, próximo à base do crânio, identifique o gânglio cervical
cranial. As fibras que partem da extremidade cranial do gânglio constituem o nervo
carótido interno. Elas penetram no forame jugular.

32.2.4. Retome a dissecação, em sentido cranial, do nervo vago, até sua emergência no
forame jugular. Note que o vago emite, na região retrofaríngica, o nervo laríngico
cranial e o ramo faríngico, os quais correm na estrutura da glândula mandibular e
distribuem-se na parede da laringe, da faringe e do esôfago. O ramo faríngico é o mais
142

cranial dos dois. Siga-o distalmente até visualizar sua distribuição na musculatura da
faringe e da porção cranial do esôfago. Note sua união com o ramo faríngico do nervo
glossofaríngico, na face dorsal da faringe, formando o plexo faríngico. Disseque agora o
nervo laríngico cranial até sua penetração na face lateral da laringe, em companhia da
artéria laríngica cranial, pouco desenvolvida.

32.2.5.Identifique, cranialmente ao gânglio cervical cranial, o delgado nervo


glossofarìngico, que corre em direção à parede dorsal da faringe.

32.2.6. Identifique e disseque os nervos acessório e hipoglosso, que, ao emergirem do


crânio, estão intimamente associados ao vago. Verifique que o nervo acessório corre
caudodorsalmente em direção à face lateral do pescoço. Já o nervo hipoglosso encurva-
se cranioventralmente, passando lateralmente ao vago e a artéria carótida comum, em
direção à base da língua.

32.2.7. Disseque, na extremidade cranial do pescoço, a artéria carótida comum.


Verifique que ela emite nesta região, as artérias tireóidea cranial e laríngica cranial, que
se dirigem, respectivamente, para a glândula tireóidea e a laringe. Ao nível da região
retrofaríngica, note que a artéria carótida comum termina dividindo-se nos seguintes
ramos: tronco linguofacial (nos bovinos) ou artéria lingual (nos pequenos ruminantes),
artéria occipital e artéria carótida externa. O tronco linguofacial (ou artéria lingual)
dirige-se rostroventralmente. A artéria occipital dirige-se dorsalmente para a base do
crânio. A artéria carótida externa é a mais calibrosa das três e dirige-se
dorsorrostralmente, como continuação da artéria carótida comum.

32.2.8. Estude os nervos, vasos e linfonodos da região dissecada.

32.3. Região intermandibular

32.3.1. A dissecação desta região requer a remoção da mandíbula. Para isto, este osso
deve ser liberado de seu periósteo, juntamente com as estruturas que se prendem tanto
em sua face lateral como em sua face medial, desde o lábio inferior até o nível da base
da orelha. Serre o ramo da mandíbula, o mais dorsalmente possível, e termine sua
remoção.

32.3.2. Identifique, na face medial da mandíbula, o nervo e as artérias alveolares


mandibulares pentrando no forame da mandíbula. Na face lateral, observe a emergência
do nervo e das artérias mentuais ao nível do forame mentual. O nervo e a artéria
mentual foram seccionados ao se remover o osso, o mesmo acontecendo com o nervo e
as artérias alveolares mandibulares.

32.3.3. Separe o músculo masseter do músculo bucinador e rebata o primeiro


dorsalmente. Identifique, profundamente ao masseter, as glândulas bucais dorsais, a veia
profunda da face e o nervo bucal. A veia profunda da face desemboca na veia facial.
Disseque rostralmente o nervo bucal, até sua penetração no bucinador; este nervo é
sensitivo e distribui-se na mucosa da bochecha.
143

32.3.4. Identifique, na região intermandibular, o músculo milo-hióideo e o ventre rostral


do músculo digástrico, cujas inserções na mandíbula foram seccionadas. O músculo
milo-hióideo é laminar, suas fibras dispõem-se transversalmente e compõem, com as
fibras do músculo homônimo do lado oposto, a camada muscular mais superficial da
região intermandibular. O ventre rostral do músculo digástrico é alongado e insere-se na
face medial do corpo da mandíbula, cruzando lateralmente as fibras do músculo milo-
hióideo.

32.3.5. Identifique o potente músculo pterigoideo medial, cujas fibras dirigem-se


obliquamente no sentido ventrocaudal, para inserir-se na face medial da mandíbula.
Com a retirada desta última, sua inserção foi seccionada.

32.3.6. Observe, cruzando obliquamente a face lateral do músculo pterigoideo medial, o


delgado nervo milo-hióideo.Disseque-o proximalmente até sua origem do nervo
alveolar mandibular. Note que este último está seccionado; sua penetração no forame da
mandíbula já foi vista.

32.3.7.Disseque, rostralmente, o nervo milo-hióideo. Observe seus ramos para o ventre


rostral do músculo digástrico e para o músculo milo-hióideo.

32.3.8. Identifique agora o nervo lingual. Para isto, seccione o nervo milo-hióideo e
afaste lateralmente a inserção mandibular do músculo milo-hióideo. Disseque o nervo
lingual rostralmente. Verifique que ele emite o nervo sublingual e penetra na base da
língua. O nervo sublingual corre rostralmente, em direção à mucosa do assoalho da
boca.

32.3.9. Identifique a glândula mandibular e seu ducto excretor. Este último corre em
sentido rostral, acompanhando inicialmente o nervo lingual e depois o nervo sublingual.
Este ducto desemboca na carúncula sublingual, que será vista no estudo da cavidade da
boca.

32.3.10. Identifique a glândula sublingual, situada ao longo da face lateral da língua,


medialmente ao nervo sublingual e ao ducto mandibular. A sua divisão em partes
monostomática e polistomática, tal como descrita no capítulo de glândulas salivares, é
difícil de ser observada.

32.3.11. Observe, originando-se da borda ventral do nervo lingual, delgados ramos que
vão aos pequenos gânglios mandibulares. Estes são em número variável, pertencem à
parte parassimpática do sistema nervoso autônomo e estão situados no espaço entre o
nervo lingual e o ducto mandibular. Destes gânglios partem fibras que vão inervar as
glândulas mandibular e sublingual.

32.3.12. Rebata dorsalmente o músculo pterigoideo medial. Identifique, profundamente


a ele, o osso estilo-hióide do hióide, o tendão do músculo digástrico e o ventre caudal
deste último.
144

32.3.13. Disseque o nervo hipoglosso e a artéria lingual, que correm em sentido rostral,
profundamente ao ventre caudal do músculo digástrico, até penetrarem na base da
língua.

32.4. Região infratemporal

32.4.1. Esta região situa-se caudalmente à maxila e ventralmente ao arco zigomático.


Inicialmente, remova o tecido conjuntivo que recobre as estruturas desta região.
Remova também o segmento remanescente da mandíbula, juntamente com a inserção do
músculo temporal.

32.4.2. Identifique a origem da artéria carótida externa, a apartir da artéria carótida


comum, ambas já vistas na região retrofaríngica. Disseque a artéria carótida externa,
profundamente à glândula parótida. Verifique que, nesta região, ela emite a artéria
auricular caudal, o ramo massetérico e a artéria temporal superficial. A primeira dirige-
se para a face caudal da orelha. O ramo massetérico foi seccionado quando se retirou a
mandíbula. A artéria temporal superficial dirige-se dorsalmente, acompanhando o nervo
auriculopalpebral, já identificado na dissecação da face.

32.4.3. Identifique, correndo dorsalmente na região infratemporal; a artéria maxilar, que


é a continuação da artéria carótida externa após a emissão da artéria temporal
superficial. Note, originando-se da artéria maxilar, a artéria alveolar mandibular, que foi
seccionada ao se retirar a mandíbula.

32.4.4. Identifique, cruzando profundamente a artéria maxilar, o nervo mandibular.


Disseque seus ramos: nervos bucal, lingual, alveolar mandibular e auriculotemporal. Os
três primeiros já foram identificados. O nervo auriculotemporal origina-se da borda
caudal do nervo mandibular e dirige-se para a pele da face.

32.4.5. Observe que o nervo mandibular, ao emergir do forame oval, é envolvido pelo
gânglio ótico, que aparece como uma dilatação discreta.

32.5. Região da órbita

32.5.1. A dissecação da órbita deve ser precedida da revisão da órbita óssea. Feito isso,
remova da cavidade craniana o encéfalo e a dura-máter. Preserve, no entanto, a saída
dos nervos cranianos.

32.5.2. Afaste lateralmente a orelha e remova as estruturas moles que revestem dorsal e
lateralmente a face externa do crânio. Faça uma incisão oblíqua na parede dorsolateral
do crânio, à face da parte petrosa do osso temporal. Faça uma segunda incisão óssea
segundo um plano transversal que passe pela fossa etmoidal, até a borda dorsal da órbita
óssea, atravessando o seio frontal. Seccione o processo frontal do zigomático. Libere as
inserções das pálpebras em todo o contorno da borda da órbita. Finalmente, remova a
parede óssea até a base do crânio.
145

32.5.3. Identifique, inicialmente, a glândula lacrimal, que tem forma discoide e situa-se
dorsolateralmente na órbita. Seus ductos excretores são numerosos e difíceis de serem
identificados.

32.5.4. Verifique que, na região desprovida de osso, a órbita é delimitada por uma
membrana fibrosa, a periórbita.

32.5.5. Observe o ramo zigomáticotemporal do nervo oftálmico, que é uma das divisões
principais do nervo trigêmeo. Este ramo provém do interior da órbita, perfura
dorsolateralmente a periórbita e corre caudalmente em direção à base do chifre, onde se
divide em vários ramos, denominados ramos cornuais.

32.5.6. Remova cuidadosamente a periórbita. Identifique o nervo troclear, que provém


do vértice da órbita e corre rostralmente em direção ao músculo oblíquo dorsal, no qual
penetra. Este músculo é o mais medial dos músculos dorsais do bulbo do olho; próximo
à borda da órbita, ele encurva-se em sentido lateral, passando sobre uma pequena
cartilagem denominada tróclea.

32.5.7. Os ramos superficiais do nervo oftálmico que são vistos nesta fase da
dissecação, com exceção do ramo zigomáticotemporal, não necessitam ser dissecados.
A seguir, identifique os músculos reto dorsal e elevador da pálpebra superior. Eles
situam-se lateralmente ao músculo oblíquo dorsal, na face dorsal da órbita. O elevador
da pálpebra superior é estreito, situa-se sobre o reto dorsal e, como o nome indica,
insere-se na pálpebra superior. Seccione no terço médio estes dois músculos. Note,
penetrando em suas faces profundas e próximo às suas origens, o ramo dorsal do nervo
oculomotor.

32.5.8. Identifique a artéria oftálmica externa, que é a principal artéria da órbita e


provém da artéria maxilar. Note que ela forma, na órbita, a rede admirável oftálmica.

32.5.9. Remova, com cuidado, o tecido adiposo da região e descubra, profundamente, o


músculo retrator do bulbo.

32.5.10. Identifique medialmente à artéria oftálmica externa, o nervo nasociliar. Este


nervo é o mais medial e o maior dos ramos do nervo oftálmico. Disseque-o e note sua
divisão em nervos etmoidal e infratroclear. O nervo etmoidal penetra no forame do
mesmo nome, enquanto o infratroclear é a continuação do nasociliar em direção à base
da órbita.

32.5.11. Afaste lateralmente o bulbo do olho e identifique predendo-se em seu contorno


medial, o músculo reto medial. Descubra os ramos do nervo oculomotor que chegam em
sua face lateral.

32.5.12. Verifique a glândula e a cartilagem da terceira pálpebra, situadas entre o


músculo reto medial e a parede medial da órbita.
146

32.5.13. Passe a dissecar agora as faces lateral e ventral da órbita. Os ramos do nervo
maxilar que se dirigem para esta última não precisam ser dissecados. Identifique os
músculos oblíquo ventral, reto lateral e reto ventral. O músculo oblíquo ventral dispõe-
se obliquamente na face ventral da órbita, indo inserir-se na face lateral do bulbo. Os
músculos reto lateral e reto ventral dispõem-se, respectivamente, nos contornos lateral e
ventral do bulbo do olho.

32.5.14. Identifique o ramo ventral do nervo oculomotor, que corrre rostralmente em


direção à base da órbita, entre os músculos reto e reto ventral. Siga-o até sua penetração
no músculo oblíquo ventral.

32.5.15. Seccione o músculo reto lateral em seu terço médio. Afaste seus cotos
lateralmente e identifique o gânglio ciliar, que se apresenta como um pequeno nódulo
aderido ao ramo ventral do nervo oculomotor. Disseque os delgados nervos ciliares
curtos, que partem do gânglio e penetram no bulbo do olho.

32.5.16. Verifique a penetração do nervo abducente na face medial do músculo reto


lateral, próximo à origem deste, e no músculo retrator do bulbo. Identifique finalmente,
envolvido pelo músculo retrator do bulbo e em meio a tecido adiposo, o nervo óptico.

33. Músculos da cabeça

33.1. Músculos da face

33.1.1. Cutâneo da face

O músculo cutâneo da face é um dos componentes do músculo platisma. Nos


ruminantes, o músculo cutâneo do pescoço, que constitui a outra porção do paltisma,
não é desenvolvido como em outras espécies domésticas. O músculo cutâneo da face é
uma delgada lâmina de fibras musculares que se originam da fáscia superficial da região
ventral do pescoço, próximo à origem do músculo omo-hióideo. Suas fibras dirigem-se
rostralmente e a maioria delas vai se inserir, juntamente com as fibras do músculo
orbicular da boca, na comissura labial. Algumas de suas fibras correm dorsalmente para
se prenderem na fáscia superficial da face. Neste ponto, as fibras do músculo parótido-
auricular associam-se ao platisma, tornando difícil a separação entre os dois. O músculo
cutâneo da face é irrigado pela artéria transversa da face. A ação do platisma é reduzida
e manifesta-se nos movimentos da pele relativa.

33.1.2. Masséter

É um músculo potente, de forma aproximadamente quadrangular, que se


encontra coberto pelo músculo cutâneo da face e ocupa uma grande extensão da região
da face, desde a crista facial e arco zigomático até a borda ventral do corpo da
mandíbula. O aspecto metálico de sua superfície é dado pela disposição de sua parte
tendínea.
147

O masseter pode ser dividido em porções superficial e profunda, embora


intimamente fundidas. A porção superficial tem origem por um forte tendão no túber
facial, estendendo-se por toda a crista facial. Suas fibras dirigem-se rostroventralmente
e vão prender-se na face lateral do corpo e borda ventral da mandíbula. A ação da
porção superficial faz-se principalmente na retração da mandíbula, que representa uma
das fases da mastigação. A parte profunda é constituída por fibras que se originam do
arco zigomático até o nível da articulação temporomandibular e vão inserir-se
principalmente no ramo da mandíbula.

Relaciona-se superficialmente com os músculos malar, zigomático e cutâneo da


face. Parte da glândula parótida repousa sobre sua borda caudal, bem como o linfonodo
parotídico. Sua face superficial é percorrida pelos ramos bucais do nervo facial e pela
artéria transversa da face nos pequenos ruminantes. Próximo ou junto à sua borda
ventral, correm o ducto parotídico, a veia facial e, nos bovinos, a artéria facial. É
irrigado pela artéria transversa da face e, nos bovinos, pela artéria facial. Além destas,
recebe ainda ramos massetéricos provenientes da artéria maxilar.

Ação e inervação: elevar a mandíbula, bem como auxiliar na sua retração,


voltando-a à posição primitiva. O músculo masseter recebe inervação por sua face
profunda. O nervo é o massetérico, um dos ramos do nervo mandibular.

33.1.3. Zigomático

É uma cinta muscular que se origina da fáscia massetérica, próximo ao arco


zigomático, e insere-se na comissura labial, dorsalmente à inserção do músculo cutâneo
da face. É irrigado pelas artérias transversa da face e malar. Auxilia na retração e
elevação da comissura labial.

33.1.4. Depressor do lábio inferior

Este músculo encontra-se associado ao músculo bucinador, especialmente em


sua origem. Suas fibras dispõem-se longitudinalmente próximo à borda ventral da
mandíbula e estão fundidas, em sua origem, às fibras do músculo bucinador. Sua
inserção dá-se ao nível do mento. Sua ação provoca o abaixamento do lábio inferior,
principalmente a extremidade rostral do lábio.

33.1.5. Bucinador

O músculo bucinador constitui a principal estrutura da parede da bochecha.


Ocupa os dois treços caudais do espaço entre a maxila e a mandíbula. É composto de
partes superficial e profunda. A parte superficial nos ruminantes é formada por delgada
camada de fibras que se dispõem em semicírculo de concavidade cranial e que estão
misturadas com as fibras do depressor do lábio inferior e orbicular da boca. A parte
profunda constitui a principal porção do músculo e tem suas fibras organizadas
longitudinalmente sobre a mucosa da bochecha. Cranialmente, suas fibras vão se
prender na comissura labial e caudalmente no ramo e no processo coronóide da
mandíbula.
148

A ação do bucinador deve-se principalmente à sua parte profunda, cuja


contração promove a retração da comissura labial e ajuda manter tensa a parede da
bochecha durante a mastigação. A paralisia do músculo bucinador, provocada por lesão
do nervo facial, produz um quadro clínico típico, caracterizado por acúmulo de alimento
no vestíbulo da cavidade da boca correspondente ao lado da lesão.

33.1.6. Orbicular da boca

Este músculo é esfíncter que contorna a rima da boca. É pouco desenvolvido nos
animais domésticos. Suas fibras derivam principalmente da parte profunda do
bucinador.

33.1.7. Elevador nasolabial

É um músculo bastante delgado, subcutâneo, que se estende obliquamente na


parede lateral do nariz. Origina-se na pele e na fáscia da região e prende-se lateralmente
à narina e ao lábio superior. Sua ação está indicada pelo nome.

33.1.8. Elevador do lábio superior, canino e depressor do lábio superior

Estes três músculos ocupam a região do nariz e originam-se em comum numa


área situada cranialmente ao túber facial. O elevador do lábio superior insere-se por
vários tendões no plano nasolabial (bovinos) ou no plano nasal (ovinos e caprinos). O
canino insere-se por vários tendões na parede ventral da narina. O depressor do lábio
superior insere-se no lábio superior. O músculo canino atua na dilatação da narina e os
outros dois tem a função indicada por seus nomes.

33.1.9. Inervação dos músculos da face

Todos os músculos da face, exceto o masseter, são inervados por ramos do nervo
facial.

33.2. Músculos palpebrais

Entre os músculos palpebrais estão incluídos o orbicular do olho, frontal, malar e


elevador da pálpebra superior. O músculo corrugador do supercílio, que é encontrado
em outras espécies, não aparece como um músculo distinto nos ruminantes.

33.2.1.Orbicular do olho

É um músculo esfíncter, cujas fibras prendem-se na pele das pálpebras e atuam


no seu fechamento.

33.2.2. Frontal

É um músculo delgado, porém bastante extenso nos ruminantes e que ocupa a


face dorsal do osso frntal, em cujo epicrânio ele se insere. Atua elevando a pálpebra
superior.
149

33.2.3. Malar

Origina-se no osso zigomático, próximo à sua borda orbitária e dirige-se


ventralmente para associar-se com as fibras da porção superficial do músculo bucinador.
Uma porção de suas fibras prende-se na pálpebra inferior.

33.2.4. Elevador da pálpebra superior

Situa-se dentro da cavidade da órbita e é descrito nesta seção (item 38.1.1).

33.2.5. Inervação dos músculos palpebrais

Todos os músculos palpebrais citados são inervados pelo facial, exceto o


elevador da pálpebra superior, que recebe inervação do oculomotor.

33.3. Músculos auriculares

São os responsáveis pela mobilidade da orelha nos ruminantes. De acordo com


sua posição topográfica, estão divididos em auriculares rostrais, caudais, dorsais e
ventrais. O estudo particularizado de cada grupo muscular está contido no ítem 39.1.1.1.

33.4. Músculos das regiões intermandibular e infratemporal

33.4.1. Temporal

É um dos músculos da mastigação. Ele é bastante volumoso e ocupa toda a fossa


temporal. Suas fibras dirigem-se rostroventralmente para se prenderem no processo
coronóide e na borda rostral do ramo da mandíbula. É irrigado pela artéria temporal
profunda.

Ação e inervação: eleva a mandíbula e auxilia em sua retração. É inervado pelo


nervo temporal profundo, que é ramodo mandibular.

33.4.2. Pterigóideo medial

Encontra-se na face medial da mandíbula. Origina-se por meio de suas porções,


que estão separadas entre si pelo músculo pterigoideo lateral. A porção rostral origina-
se na lâmina perpendicular do osso palatino e o caudal na asa do pré-esfenóide, próximo
ao forame oval. As duas porções unem-se para se inserir na face medial do ramo e de
parte do corpo da mandíbula. É irrigado pelos ramos pterigoideos da artéria maxilar.

Inervação: nervo pterigoideo medial (ramo do mandibular).

33.4.3. Pterigóideo lateral


150

É menor que o precedente e origina-se na asa do pré-esfenóide. Suas fibras


dirigem-se caudalmente e vão se inserir na face medial do processo condilar da
mandíbula e no disco da articulação temporomandibular.

Inervação: nervo pterigoideo lateral.

33.4.3.1. Ação dos músculos pterigoideos – o músculo pterigoideo medial atua na


elevação da mandíbula; agindo de um só lado, produz movimento de lateralidade da
mandíbula. O músculo pterigoideo lateral atua na protação da mandíbula.

33.4.4. Digástrico

Como o indica o nome, este músculo possui dois ventres, rostral e caudal,
ligados por um forte tendão intermédio. O ventre rostral é o maior e insere-se na borda
ventral do corpo da mandíbula. O ventre caudal origina-se no processo jugular do
occipital.

Ação e inervação: o músculo digástrico atua na depressão da mandíbula. Este


músculo recebe uma dupla inervação, devido à origem embriológica diferente dos dois
ventres. O ventre rostral é inervado pelo nervo milo-hióideo, que é ramo do nervo
mandibular, ao passo que o ventre caudal é inervado pelo nervo facial.

34. Nervos e gânglios da cabeça

34.1. Generalidades sobre nervos cranianos

Existem doze pares de nervos cranianos nos animais domésticos. Eles originam-
se ao nível do encéfalo e são numerados na seguinte ordem, no sentido rostrocaudal:

• I – Olfatório

• II – Óptico

• III – Oculomotor

• IV – Troclear

• V – Trigêmeo

• VI – Abducente

• VII – Facial

• VIII – Vestibulococlear

• IX – Glossofaríngeo

• X – Vago

• XI – Acessório
151

• XII – Hipoglosso

O nervo terminal, descoberto após esta numeração ter-se tornado clássica, foi
denominado par zero por alguns autores, por estar situado rostralmente ao 1º par.

O local de emergência dos nervos cranianos da cavidade do crânio foi durante


muito tempo um dos pontos principais para a sua classificação. Hoje, entretanto, outros
critérios morfológicos são também considerados, tais como a origem real (núcleos de
substância cinzenta do encéfalo), a origem aparente (na superfície do encéfalo) e as
características funcionais e embriológicas das estruturas inervadas. Alguns nervos
cranianos, como o óptico e o olfatório, são puramente sensitivos e outros, como o
abducente e o hipoglosso, são puramente motores; já os nervos mistos, como o trigêmeo
e o facial, contêm fibras sensitivas e motoras.

Os nervos cranianos são responsáveis pela inervação das estruturas da cabeça,


mas alguns deles setendem-se até o pescoço, como o nervo acessório, e às vísceras do
tórax e abdome, como o nervo vago.

34.2. Nervos da face

34.2.1. Facial

É o responsável pela inervação dos músculos da face. Após emergir do forame


estilomastóideo, emite os seguintes ramos:

34.2.1.1. Auricular caudal – este nervo origina-se da borda dorsal do facial e dirige-se
dorsalmente, coberto pela parótida. Distribui-se nos músculos auriculares caudais. Nos
caprinos, ele pode receber um ramo comunicante do nervo auriculopalpebral.

34.2.1.2. Ramo auricular interno – logo após sua origem do facial, divide-se em dois
ou três ramos. Estes correm dorsalmente, penetram na cartilagem da orelha e
distribuem-se na pele de sua face interna.

34.2.1.3. Ramos digástrico e estilo-hióideo – nos caprinos e ovinos, cada ramo emerge
separadamente do nervo facial. Nos bovinos, no entanto, emergem por um tronco
comum. Eles inervam, respectivamente, o ventre caudal do digástrico e o estilo-hióideo.
O ramo digástrico, nos bovinos, corre na face lateral do músculo occipito-hióideo, antes
de penetrar no ventre caudal do digástrico. Nos caprinos, ele corre na intimidade do
occipito-hióideo. Nos ovinos, seu trajeto é variável, podendo correr tanto na face lateral
quanto por dentro do músculo occipito-hióideo. O ramo estilo-hióideo corre na face
caudal da artéria auricular caudal e penetra no músculo estilo-hióideo.

Os ruminantes não possuem o ramo cervical do nervo facial, encontrado em


outras espécies domésticas.

O nervo facial emite seus ramos terminais dentro da glândula parótida. O modo
de terminação é variável entre as espécies. Nos caprinos e bovinos, o facial emite o
ramo bucal ventral e depois se divide em nervo auriculopalpebral e ramo bucal dorsal.
152

Pode-se encontrar, em alguns casos, a trifurcação do nervo facial. Nos ovinos, ele emite
o nervo auriculopalpebral e depois se divide em ramos bucais dorsal e ventral. A
trifurcação do nervo facial também é encontrada nos ovinos.

34.2.1.4. Auriculopalpebral – ele corre dorsalmente sob a parótida, onde se relaciona


com o linfonodo parotídico. Fornece de um a quatro ramos auriculares rsotrais para a
musculatura rostral da orelha e continua-se como ramo zigomático. O nervo
auriculopalpebral pode receber um ramo comunicante do nervo auriculotemporal. O
ramo zigomático dirige-se para o ângulo lateral do olho, envia um ramo que se une com
ramúsculos do ramo zigomáticotemporal e distribui-se na porção lateral da base do
chifre. O ramo zigomático ramifica-se nos músculos frontal e orbicular do olho.

34.1.2.5. Ramo bucal dorsal – o ramo bucal dorsal tem a mesma disposição nas três
espécies. Apenas suas relações com o linfonodo parotídico são variáveis, passando em
sua face lateral ou borda ventral. Após passar pelo linfonodo, ele aparece na borda
rostral da parótida e cruza a face lateral do masseter. Aqui recebe alguns ramúsculos do
ramo transverso da face. Próximo à borda rostral do masseter, ele recebe o ramo
comunicante do ramo bucal ventral e alguns ramos do nervo bucal, formando um plexo.
Deste partem filetes que irão inervar os músculos cutâneo da face, zigomático e
bucinador. O ramo bucal dorsal deixa o plexo, cruza o ducto parotídico e veia facial e
curva-se em direção rostral, passando profundamente ao músculo zigomático, onde
fornece ramos para este músculo e para o malar. Finalmente, atinge a região nasal
lateral e distribui-se nos músculos orbicular da boca, depressor do lábio superior,
canino, elevador do lábio superior e elevador nasolabial.

34.2.1.6. Ramo bucal ventral – é menor nos bovinos que nos ovinos e caprinos. Nos
caprinos e bovinos, ele corre ao longo da borda ventral do masseter. Nos caprinos, ele se
relaciona lateral ou medialmente com o músculo esternozigomático. Na face, o ramo
bucal ventral corre rostralmente, passando sobre a veia facial e o ducto parotídico. Neste
ponto, ele recebe um delgado ramo do nervo milo-hióideo, que é mais frequente nos
caprinos. Emite o ramo comunicante com o ramo bucal dorsal e continua-se ao longo do
músculo depressor do lábio inferior, no qual se ramifica. Envia também ramos ao
bucinador.

34.2.2. Auriculopalpebral

A inervação sensitiva da face é feita por ramos do nervo auriculotemporal, que


será descrito com o nervo mandibular.

34.3. Nervos da região retrofaríngia

34.3.1. Glossofaríngico

Este nervo é sensitivo para a língua e faringe e motor para o músculo


estilofaríngico caudal e glândula parótida. Ele abandona a cavidade craniana através do
forame jugular em companhia do vago e acessório e passa a correr na face medial da
bula timpânica. O nervo glossofaríngico possui dois gânglios, proximal e distal, os quais
153

contêm os corpos celulares de suas fibras sensitivas. O gânglio proximal localiza-se por
fora da dura-máter enquanto o distal aparece como uma dilatação do tronco do nervo ao
nível da parede da bula timpânica. Do gânglio distal origina-se o nervo timpânico,
constituído de fibras pré-ganglionares parassimpáticas e que corre em direção ao ouvido
médio, passando num canalículo entre as partes timpânica e petrosa do temporal. Na
cavidade timpânica ele se une ao nervo caroticotimpânico do carótico interno, formando
o plexo carótico. Deste emerge o nervo petroso menor que, depois de complicado
percurso, atinge o gânglio ótico.

Na borda ventral da bula timpânica, o nervo glossofaríngico passa lateralmente


ao nervo carótico interno e emite os ramos faríngicos e do seio carótico.
Frequentemente, o ramo do seio carótico é o primeiro a abandonar o tronco do
glossofaríngico; ele distribui-se na origem da artéria occipital. O ramo faríngico une-se
com seu homônimo do nervo vago e fibras simpáticas do gânglio cervical cranial para
constituir o plexo faríngico. Do plexo partem fibras que inervam a musculatura e
mucosa da faringe e palato mole, exceto o músculo tensor do véu palatino. O
glossofaríngico emite ainda um pequeno ramo para o músculo estilofaríngico caudal e,
depois de curto trajeto, penetra na parede da faringe. Aqui ele apresenta uma suave
dilatação que corresponde ao gânglio laterofaríngico. Emite ramúsculos para a mucosa
da faringe e tonsila palatina e penetra na língua. Ela se distribui no 1/3 caudal da língua,
fornecendo fibras sensitivas para as papilas valadas da região.

34.3.2. Vago

O nervo vago é constituído de fibras aferentes somáticas e viscerais, bem como


de fibras pré-ganglionares parassimpáticas. Ele distribui-se numa grande área da cabeça,
pescoço, tórax e abdome. Ele deixa a cavidade craniana através do forame jugular,
juntamente com o IX e XI pares. No forame jugular, ele apresenta o gânglio proximal,
cujos corpos celulares pertencem às fibras sensitivas. Ele prossegue correndo na face
medial da bula timpânica e se une ao tronco simpático na região retrofaríngica,
constituindo o tronco vagossimpático. O trajeto subsequente, bem como seus ramos e
distribuição, são descritos nos capítulos de tórax e abdome. Os ramos do vago na cabeça
e região retrofaríngica são:

34.3.2.1. Ramo auricular – origina-se do gânglio proximal e une-se ao facial no canal


facial. Suas fibras são sensitivas e constituem a maior parte do ramo auricular interno do
facial.

34.3.2.2. Ramo faríngico – é o principal nervo motor da faringe e palato mole. Ele
divide-se em dois ramos. O primeiro une-se com o ramo faríngico do nervo
glossofaríngico para constituir o plexo faríngico. O segundo recebe o nome de ramo
esofágico. Ele corre caudalmente na face lateral da faringe e supre numerosos
ramúsculos para os músculos tireofaríngico e cricofaríngico. na Maioria dos casos, seus
ramos unem-se ao nervo laríngico caudal, próximo aos dois primeiros anéis traqueais.
Na parede da faringe, ele apresenta conexões com ramos do nervo laríngico cranial. Nos
bovinos, algumas de suas fibras terminam na glândula tireóidea.
154

34.3.2.3. Laríngico cranial – este nervo emerge do vago ao nível do atlas e, antes de
atingir a laringe, divide-se em ramos externo e interno. O ramo externo inerva os
músculos cricotireóideo e tireofaríngico. O ramo interno corre para a laringe juntamente
cm a artéria laríngica cranial. Ele penetra na fissura tireóidea e dirige-se para trás,
medialmente à lâmina tireóidea e sobre o músculo crico-aritenóideo dorsal. Distribui-se
na mucosa da laringe e, frequentemente, comunica-se com ramos do nervo laríngico
caudal. O nervo laríngico cranial origina-se do vago num ponto onde, em outros
animais, existe o gânglio distal. Nos ruminantes, no entanto, este gânglio não se
apresenta visível macroscopicamente.

34.3.2.4. Laríngico caudal – este nervo representa a continuação do nervo laríngico


recorrente. Sua origem no tórax e trajeto no pescoço são descritos com as regiões
respectivas. Ele penetra na laringe ao longo da face medial da lâmina tireóidea e inerva
os músculos da laringe, exceto o cricotireóideo.

34.3.3. Acessório

O nervo acessório (XI par craniano) emerge do crânio através do forame jugular,
juntamente com o vago e o glossofaríngico. Corre caudalmente na região retrofaríngica,
junto à face lateral do vago, passando ambos logo atrás do gânglio cervical cranial. O
nervo acessório passa em seguida medialmente à artéria occipital e divide-se em dois
ramos: interno e externo. O ramo interno incorpora-se ao nervo vago e o ramo externo,
que é o mais desenvolvido, continua caudalmente cruzando o músculo occipito-hióideo.
Ao nível do atlas, o ramo externo passa lateralmente ao músculo reto ventral da cabeça
e segue, acompanhando o ramo da artéria occipital, para o músculo esternomastóideo.
Troca fibras com o ramo ventral do segundo nervo cervical e logo se divide em dois
ramos: dorsal e ventral. O ramo dorsal dirige-se caudodorsalmente, passando entre os
músculos cleidocefálico e omotransversal e atinge a face profunda do músculo trapézio,
no qual se distribui. O ramo ventral corre obliquamente em direção caudoventral,
distribuindo-se nos músculos esternocefálico e cleidocefálico.

34.3.4. Hipoglosso

O hipoglosso é o nervo motor da musculatura da língua. Emerge da cavidade do


crânio através do canal do hipoglosso e corre caudalmente, seguindo os nervos vago e
acessório. Ao nível da separação destes dois nervos, o hipoglosso curva-se rostralmente
e passa entre eles. Ele então corre, com a artéria lingual, medialmente ao ventre caudal
do digástrico e estilo-hióideo. Torna-se subcutâneo, próximo ao linfonodo mandibular.
A seguir, penetra entre os músculos milo-hióideo e hioglosso, onde se situa abaixo do
ducto mandibular, e dirige-se para a base da língua. Ele atinge a língua passando entre
os músculos estiloglosso e genioglosso.

Durante seu percurso o nervo hipoglosso emite ramos para o tíreo-hióideo,


estiloglosso e gênio-hióideo. Ao atingira língua ele termina em ramos linguais que vão
suprir a musculatura intrínseca daquele órgão.
155

34.4. Nervos e gânglios das regiões intermandibular e infratemporal

34.4.1. Mandibular

O nervo mandibular emerge do crânio através do forame oval. Após curto


trajeto, ele é envolvido pelo gânglio ótico e emite os seguintes ramos:

34.4.1.1. Bucal – é o nervo sensitivo para a mucosa das bochechas. Ele emerge do
nervo mandibular, recebe ramos do gânglio ótico e passa através do músculo
pterigoideo lateral. Após fornecer um ramo para o músculo temporal, ele corre sob a
artéria maxilar e passa entre os músculos temporal, lateralmente, e os pterigoideos,
medialmente. Aqui, ele envia alguns delgados ramos que terminam nas glândulas e
mucosa da região da bochecha. O nervo bucal aparece na face lateral do bucinador,
acompanhado da artéria e veia bucais e cruza medialmente o ducto parotídico, para o
qual fornece um feixe de fibras. Estas seguem retrogradamente o ducto e terminam na
parótida. Finalmente, o nervo bucal atravessa o bucinador e distribui-se na mucosa da
bochecha.

34.4.1.2. Massetérico – é o nervo motor para o masseter. Ele atinge a face profunda do
masseter depois de atravessar a incisura mandibular. Logo após sua origem, emite o
nervo temporal profundo para o músculo temporal.

O nervo mandibular continua seu trajeto no sentido rostroventral, emite ramos


para os músculos pterigoideos lateral e medial, tensor do véu palatino e tensor do
tímpano, o nervo auriculotemporal e finalmente divide-se em nervos lingual e alveolar
mandibular. A divisão terminal do nervo mandibular ocorre ao nível da borda caudal do
pterigoideo medial, coberta pelo pterigoideo lateral. O nervo para o pterigoideo lateral
origina-se próximo ao nervo bucal e penetra no músculo após um curto trajeto. O nervo
para o pterigoideo medial atravessa o gânglio ótico e penetra na borda caudal do
músculo. O nervo para o tensor do tímpano é um pequeno ramo que se origina na borda
caudal do mandibular, atravessa o gânglio ótico e corre caudalmente na face lateral da
tuba auditiva. Ele penetra no ouvido médio e termina no músculo tensor do tímpano. O
nervo para o tensor do véu palatino origina-se do nervo para o tensor do tímpano.

34.4.1.3. Auriculotemporal – origina-se do mandibular e contorna a borda caudal do


ramo da mandíbula. Ao atingir a face profunda da parótida, ele emite alguns ramos que
penetram na glândula e divide-se em ramo transverso da face e nervos auriculares
rostrais. O primeiro emerge entre a parótida e o masseter e divide-se em dois ou três
ramos que correm junto a artéria transversa da face e inervam a pele desta região.
Alguns destes ramos unem-se ao ramo bucal dorsal do facial. Os nervos auriculares
rostrais correm dorsalmente na face profunda da parótida. Um deles une-se ao nervo
auriculopalpebral; os outros se distribuem na pele da região temporal.

34.4.1.4. Lingual – este nervo corre inicialmente entre os músculos temporal e


pterigoideo medial. Depois, ele passa este e a mandíbula. A corda do tímpano une-se ao
nervo lingual neste nível. Na borda ventral do pterigoideo medial, o nervo lingual
156

curva-se ventralmente e passa entre os músculos milo-hióideo e hioglosso. Aqui ele dá


ramos comunicantes para os gânglios mandibulares e o nervo sublingual. Este último
corre rostralmente na face lateral da glândula sublingual e distribui-se na mucosa do
assoalho da cavidade bucal.

Ao nível da glândula sublingual, o nervo lingual divide-se em vários ramos que


passam entre os músculos estiloglosso e genioglosso para penetrar na musculatura
intrínseca da língua e distribuir-se na mucosa dos 2/3 rostrais da língua.

34.4.1.5. Alveolar mandibular – próximo à sua origem, o nervo alveolar mandibular


emite o nervo milo-hióideo e corre em direção ventral, acompanhando a artéria alveolar
mandibular. O nervo e a artéria penetram no forame mandibular. No canal mandibular,
ele emite os ramos alveolares mandibulares caudais e médio, para os dentes molares.
Antes de deixar o canal mandibular, ele fornece o ramo alveolar mandibular rostral, que
corre no canal alveolar e inerva os dentes incisivos. O nervo alveolar mandibular
finalmente emerge no forame mentual como nervo mentual e distribui-se na pele desta
região.

O nervo milo-hióideo corre no sulco milo-hióideo da mandíbula e relaciona-se


medialmente com a porção tandínea do músculo temporal e depois com o pterigoideo
medial. Ao nível da borda rostral deste último, ele envia ramos para o ventre rostral do
digástrico e para o músculo milo-hióideo. Nos caprinos, ele fornece ainda um ramo que
passa lateralmente para unir-se ao ramo ventral do facial. Depois, o nervo milo-hióideo
corre rostralmente entre o digástrico e o milo-hióideo, atravessa este último e termina na
pele da região intermandibular.

34.4.2. Gânglio ótico

É uma estrutura bastante desenvolvida nos ruminantes domésticos. Situa-se na


face rotromedial do nervo mandibular, próximo à sua emergência do forame oval. Ele é
achatado, irregular e está unido à origem do nervo bucal por dois ramos relativamente
grossos. O gânglio ótico une-se também ao nervo mandibular por meio de ramos
delgados bastante numerosos. O gânglio ótico pertence ao parassimpático e recebe
fibras pré-ganglionares do nervo petroso menor, proveniente do nervo glossofaríngico.
As fibras pós-ganglionares passam para os nervos auriculotemporal e bucal. Daí elas
alcançam a glândula parótida.

34.4.3. Gânglios mandibulares

São pequenas estruturas, em número de 1 a 6, localizados numa área limitada


dorsalmente pelo nervo lingual, caudalmente pelo músculo ptrigóideo medial e
ventralmente pelo ducto mandibular. Em alguns animais, os gânglios aparecem
fundidos entre si, constituindo uma estrutura ganglionar relativamente grande. A
maioria dos gânglios está ligada ao nervo lingual por meio de ramos comunicantes.
Estes são formados de fibras pré-ganglionares provenientes do nervo corda do tímpano.
Vários ramos glandulares, constituídos de fibras pós-ganglionares, deixam os gânglios e
157

correm ao longo do ducto mandibular para penetrar nas glândulas sublingual e


mandibular.

34.4.4. Maxilar

O nervo maxilar é formado por fibras que partem da porção ventral do gânglio
trigeminal e abandona a cavidade do crânio pelo forame orbitorredondo. Ele cruza a
fossa pterigopalatina, onde se relaciona dorsalmente com o músculo pterigoideo lateral
e a porção rostral do pterigoideo medial, antes de pentrar no canal infra-orbital. Na fossa
pterigopalatina, ele emite os seguintes ramos:

34.4.4.1. Ramo zigomaticofacial – origina-se do tronco do maxilar próximo ao forame


orbitorredondo e corre para a órbita, onde aparece ao lado do ramo zigomaticotemporal.
Depois de cruzar obliquamente o músculo reto lateral, ele atinge a borda ventral da
órbita e depois se ramifica na pálpebra inferior.

34.4.4.2. Ramo zigomaticofacial acessório – emerge rostralmente ao zigomaticofacial


e corre paralelamente a ele na órbita para distribuir-se também na pálpebra inferior.

34.4.4.3. Ramo comunicante – o nervo maxilar envia um ramo comunicante ao nervo


oculomotor. Este ramo é bastante desenvolvido nos ovinos. Algumas de suas fibras
chegam a alcançar o gânglio ciliar.

34.4.4.4. Ramo malar – é um delgado ramo que se origina do nervo maxilar um pouco
antes deste penetrar no canal infra-orbital. Ele acompanha a artéria malar e distribui-se
no músculo oblíquo ventral e na área adjacente ao canto medial do olho.

34.4.4.5. Pterigopalatino – após sua origem do nervo maxilar, ele corre na fossa
pterigopalatina, medialmente à artéria maxilar. Ele divide-se em nervos nasal caudal e
palatino maior, ao nível do músculo pterigoide medial. O nervo nasal caudal penetra no
forame esfenopalatino e, ao atingir a cavidade nasal, divide-se em três ou quatro ramos
que se distribuem na mucosa das conchas etmoidais, na concha ventral e no septo nasal.
Um de seus ramos corre no assoalho da cavidade nasal, onde se distribui. O nervo
palatino maior corre ventralmente e, ao nível do túber maxilar, emite o nervo palatino
menor, que se distribui no palato mole. O nervo palatino maior penetra no forame
palatino caudal e aparece na face ventral do palato ósseo. Aqui, ele corre no sulco
palatino maior com a artéria palatina maior. Envia ramos para a mucosa do palato e
gengivas e termina no pulvino dental.

34.4.4.6. Infra-orbital – o nervo maxilar passa a denominar-se nervo infra-orbital após


penetrar no canal infra-orbital. Aqui ele fornece os ramos alveolares maxilares caudais e
médios. Os ramos alveolares maxilares rostrais não existem nos ruminantes, em virtude
da ausência de dentes incisivos maxilares nestas espécies. Na região nasal lateral, o
nervo infra-orbital divide-se em ramos nasais externos, internos e nasolabiais para a
pele e mucosa da região.
158

34.4.5. Gânglios pterigopalatinos

São em número de quatro a oito pequenos gânglios situados na fossa


pterigopalatina, entre a periórbita e o nervo nasal caudal. Eles estão unidos aos nervos
maxilar e nasal caudal por inúmeros ramúsculos. Enviam também fibras para a
periórbita. Pertencem ao parassimpático e recebem fibras pré-ganglionares através do
nervo do canal pterigoideo. Estas fibras são derivadas do nervo facial. As fibras pós-
ganglionares passam à glândula lacrimal.

34.5. Nervos e gânglios da órbita

34.5.1. Óptico

As fibras do nervo óptico originam-se na retina e atravessam a área crivosa da


esclera, situada no quadrante inferolateral do bulbo ocular. Elas são então envolvidas
por prolongamentos das meninges encefálicas. A porção orbital do nervo óptico dirige-
se caudalmente em direção ao vértice da órbita. Neste ponto, é envolvido pelo músculo
retrator do bulbo do olho, do qual está separado por abundante tecido adiposo. Em seu
percurso na órbita, o nervo apresenta-se sinuoso e, antes de penetrar no canal óptico, ele
passa entre os músculos retrator do bulbo do olho e reto medial. Após percorrer o canal
óptico, ele encontra-se com o do lado oposto para formar o quiasma óptico.

34.5.2. Oculomotor

O nervo oculomotor deixa a cavidade do crânio através da parte dorsal do


forame orbitorredondo. Neste nível, ele divide-se em ramos dorsal e ventral. O ramo
dorsal é menor e penetra no músculo reto dorsal. Alguns ramúsculos perfuram o reto
dorsal para se ramificar no elevador da pálpebra superior.

O ramo ventral passa entre o músculo retrator do bulbo e o reto dorsal e curva-se
ventralmente entre o nervo óptico e o músculo retrator do bulbo. O ramo ventral aparece
então profundamente ao reto ventral, onde emite vários ramúsculos para este músculo e
um forte ramo para o reto medial. Neste ponto, o ramo ventral está associado ao gânglio
ciliar. O ramo ventral corre então para fora e recebe o ramo comunicante do nervo
maxilar ao nível da borda lateral do músculo reto ventral e termina no músculo oblíquo
ventral.

34.5.2.1. Gânglio ciliar – o gânglio ciliar está intimamente unido ao ramo ventral do
nervo oculomotor de modo que, na maioria dos casos, seus limites são difíceis de
determinar. Em alguns ovinos, no entanto, ele pode ser encontrado separado do ramo
ventral. As fibras pré-ganglionares chegam a ele por meio do nervo oculomotor. Os
nervos ciliares curtos, em número variável, deixam o gânglio e penetram na esclera após
159

correr ao longo do nervo óptico. Eles são constituídos de fibras pós-ganglionares para
os músculos ciliar e esfíncter da pupila.

34.5.3. Troclear

O nervo troclear emerge na porção dorsal do forame orbitorredondo. Ao nível do


vértice da órbita, ele cruza dorsalmente o nervo oculomotor e a inserção dos músculos
reto dorsal e elevador da pálpebra superior. Alguns filetes do nervo oftálmico juntam-se
a ele antes de sua penetração no músculo oblíquo dorsal. O nervo troclear inerva
somente este músculo.

34.5.4. Abducente

Este nervo atinge a órbita depois de atravessar o forame orbitorredondo pela


parte medial. No vértice da órbita, ele passa entre os nervos oftálmico e maxilar, sob a
rede oftálmica. Aí se divide em dois ramos que inervam o retrator do bulbo e o reto
lateral.

34.5.5 Oftálmico

O nervo oftálmico é o nervo sensitivo que supre o bulbo do olho, a conjuntiva, a


mucosa nasal, o seio frontal, a pálpebra superior, a pele das regiões frontal e temporal e
os chifres. Ele origina-se do gânglio trigeminal por um tronco comum como o nervo
maxilar. Emerge da cavidade craniana pelo forame orbitorredondo e imediatamente
divide-se nos seguintes ramos:

34.5.5.1. Ramo zigomaticotemporal – é o mais lateral dos ramos do oftálmico,


podendo apresentar-se constituído de dois fascículos, principalmente em bovinos e
caprinos. Ele corre na face dorsolateral da órbita, onde passa sobre a artéria oftálmica
externa. Próximo à glândula lacrimal, ele encurva-se para fora e para trás em companhia
da veia oftálmica externa dorsal e perfura a periórbita. Então, ele atravessa o corpo
adiposo extraorbital para correr sob o músculo fronto-escular, de onde emite ramúsculos
para a pele da região temporal e termina distribuindo-se nas partes lateral e caudal da
base do chifre (ramos cornuais).

34.5.5.2. Lacrimal – origina-se do ramo zicomaticotemporal, na maioria dos casos,


antes deste atravessar a periórbita. Ele distribui-se na glândula lacrimal em companhia
da artéria lacrimal. Alguns ramos atingem a pele da pálpebra superior.

34.5.5.3. Frontal – sua origem é variável. No entanto, origina-se mais frequentemente


do tronco do oftálmico. Ele corre na órbita sobre a musculatura do bulbo para distribuir-
se na pele da pálpebra superior.
160

34.5.5.4. Ramo do seio frontal - é um delgado ramo que corre em cima do músculo
reto dorsal para depois penetrar num pequeno forame da parede medial da órbita, por
onde alcança o seio frontal.

34.5.5.5. Ramos musculares – o nervo oftálmico emite vários ramos para a


musculatura do bulbo e cujas fibras são, provavelmente, proprioceptivas.

34.5.5.6. Nasociliar – é o componente mais medial do nervo oftálmico. Ele penetra


entre os músculos retrator do bulbo e reto dorsal, para depois passar entre o oblíquo
dorsal e o reto medial. Neste ponto, emite dois ou três nervos ciliares longos, que
conduzem sensibilidade do bulbo (córnea, esclera e corióide) e fibras simpáticas pós-
ganglionares para o músculo dilatador da pupila. O nervo nasociliar termina dividindo-
se em nervos etmoidal e infratroclear. O primeiro penetra no forame etmoidal
juntamente com a artéria de mesmo nome e entra na fossa etmoidal. Depois de
atravessar a lâmina crivosa, ele atinge a cavidade nasal, distribuindo-se na sua porção
dorsal, inclusive na concha dorsal.

34.5.5.7. Infratroclear – representa a continuação do nervo nasociliar. Ele dirige-se


para cima na parede medial da órbita. Antes de abandonar a órbita, ele divide-se em
vários ramos, alguns dos quais se distribuem na pálpebra superior. A maioria dos ramos,
no entanto, curva-se caudalmente na margem da órbita e distribui-se na pele da região
frontal bem como na base dos chifres.

35. Artérias da cabeça

A artéria carótida comum termina ao nível da borda caudal do músculo


digástrico. Neste ponto, ela emite o tronco linguofacial nos bovinos ou a artéria lingual
nos pequenos ruminantes e a artéria occipital e continua-se como artéria carótida
externa.

35.1. Tronco linguofacial

Origina-se da face ventral da artéria carótida comum e dirige-se


rostroventralmente, passando medialmente ao ventre caudal do músculo digástrico.
Divide-se em dois ramos: artéria lingual e facial. Estas duas artérias podem originar-se
separadamente. Neste caso, a artéria lingual origina-se da artéria carótida comum e a
facial da artéria carótida externa. Nos caprinos e ovinos não existe a artéria facial, sendo
sua área de irrigação suprida pela artéria transversa da face. Nestas espécies, portanto,
não se forma também o tronco linguofacial e a artéria lingual origina-se da artéria
carótida comum.

35.1.1. Lingual

Corre em sentido rostroventral, passando junto à borda ventral do osso estilo-


hióide, e acompanha o nervo hipoglosso em direção à base da língua. Emite ramos para
a glândula mandibular (ramos glandulares), os pequenos ramos dorsais da língua e a
artéria sublingual, que corre ventralmente à glândula sublingual e irriga, além desta
161

glândula, os músculos da região intermandibular (milo-hióideo, gênio-hióideo e


genioglosso). Após emitir a artéria sublingual, a artéria lingual continua-se como artéria
profunda da língua, penetrando juntamente com o nervo hipoglosso na musculatura
intrínseca do órgão, onde se distribui.

35.1.2. Facial

Dirige-se rostroventralmente, passando inicialmente entre o tendão intermédio


do músculo digástrico e a face medial do músculo pterigoideo medial e depois entre a
face medial do ventre rostral do músculo digástrico e a glândula mandibular, para a qual
emite um ramo. Em seguida, a artéria facial contorna a borda ventral da mandíbula,
próximo ao ângulo desta, para associar-se ao ramo bucal ventral do nervo facial, à veia
facial e ao ducto parotídico. Ao contornar a borda ventral da mandíbula, a artéria facial
dá origem à artéria submentual, que se dirige rostralmente para suprir o músculo milo-
hióideo e a pele da região intermandibular. Atingindo a face lateral da mandíbula, a
artéria facial emite a artéria labial inferior superficial, que corre junto à borda ventral do
músculo depressor do lábio inferior em companhia do ramo bucal ventral do facial. Em
seguida, a artéria facial curva-se em direção dorsorrostral, correndo num sulco limitado
caudalmente pela borda rostral do músculo masseter e rostralmente pelo músculo
bucinador. A este nível, ela dá origem à artéria labial inferior profunda, que penetra no
músculo bucinador e corre rostralmente até atingir o lábio inferior, onde se distribui.
Juntamente com sua veia satélite e o ramo bucal dorsal, a artéria facial prossegue
rostralmente, acompanhando a borda dorsal do músculo bucinador e coberta pelo
músculo zigomático. Emite a artéria labial superior e continua-se como artéria lateral
rostral do nariz. A artéria labial superior dirige-se rostroventralmente, penetrando entre
os músculos depressor do lábio superior e orbicular da boca. Em seu percurso emite um
pequeno ramo, a artéria angular da boca, que corre profundamente à porção rostral do
músculo bucinador para se distribuir, como o nome indica, no ângulo da boca.

A artéria lateral rostral do nariz é pouco desenvolvida, corre sobre o músculo


depressor do lábio superior e emite vários ramos, que se distribuem na parte rostral da
face lateral do nariz. Emite ainda um pequeno ramo que se dirige para a face profunda
do músculo depressor do lábio superior e termina anastomosando-se com um ramo da
artéria infra-orbital.

35.2. Occipital

A artéria occipital origina-se da face dorsomedial da artéria carótida comum.


Logo após sua origem, ela emite, nos bovinos, a delgada artéria palatina ascendente, que
se distribui na faringe e no palato mole. Nos caprinos e ovinos, esta artéria origina-se da
artéria carótida comum. Em seguida, a artéria occipital dá origem a uma delgada artéria
carótida interna, que nos ruminantes adultos converte-se num cordão fibroso. A artéria
occipital prossegue em sentido dorsocaudal, emitindo um ramo muscular relativamente
calibroso. É cruzada medialmente pelo nervo hipoglosso e lateralmente pelo nervo
acessório; a este nível, ela emite um delgado ramo descendente, que atravessa o forame
alar do atlas e anastomosa-se com ramos da artéria vertebral.
162

A artéria occipital corre medialmente ao músculo occipito-hióideo e ao processo


jugular do occipital. Neste ponto, ela emite o ramo occipital e a artéria meníngea média
e continua-se como artéria condilar. O ramo occipital dirige-se dorsalmente, contorna
caudalmente o processo jugular e a base da orelha, para se distribuir na musculatura da
nuca e auricular caudal. A artéria meníngea média dirige-se medialmente e penetra na
cavidade craniana através do forame jugular. Finalmente, a artéria condilar atravessa o
canal condilar do occipital e penetra na cavidade craniana, onde se anastomosa com um
ramo da artéria vertebral para formar a rede admirável epidural caudal. Esta rede forma-
se apenas nos bovinos.

35.2.1. Seio carótico

O seio carótico é uma pequena dilatação existente ao nível da terminação da


artéria carótida comum ou, como é mais frequente, na origem da artéria occipital. Nele
está contido o glômus carótico, quimiorreceptor que atua na regulação da pressão
arterial. Nos caprinos e ovinos, o glômus carótico é de dimensões microscópicas. Nos
bovinos, ele é mais desenvolvido, medindo cercade 3mm, em média. Sua inervação é
dada pelo ramo do seio carótico, constituído por fibras originadas dos nervos
glossofaríngico, vago e do gânglio cervical cranial.

35.3. Carótida externa

A artéria carótida externa representa a continuação da artéria carótida comum


após a emissão do tronco linguofacial e da artéria occipital. Ela dirige-se dorsalmente,
passando entre o ventre caudal do músculo digástrico e o extremo caudal do osso estilo-
hióideo. Em seguida, curva-se rostralmente e atinge a região infratemporal, onde se
continua, após a emissão da artéria temporal superficial, como artéria maxilar.

Em seu trajeto a artéria carótida externa emite os seguintes ramos:

35.3.1. Auricular caudal

Origina-se da face caudal da artéria carótida externa, ao nível do ângulo estilo-


hióide. Dirige-se caudalmente, correndo profundamente à glândula parótida. Emite
vários ramos parotídicos, a artéria estilomastóidea e atinge a face caudal da orelha, onde
se distribui.

35.3.2. Ramo massetérico

Origina-se nos bovinos, da face lateral da artéria carótida externa e penetra na


porção caudal do masseter, onde se distribui.

35.3.3. Temporal superficial


163

Origina-se da face da artéria carótida externa, sendo o último ramo emitido por
esta. Dirige-se dorsalmente, correndo profundamente à glândula parótida e linfonodo
parotídico. A este nível, emite ramos glandulares, a artéria transversa da face e a artéria
auricular rostral.

35.3.3.1. Transversa da face – a artéria transversa da face emerge da borda rostral da


artéria temporal superficial e atinge a face lateral do músculo masseter, juntamente com
o ramo bucal dorsal do nervo facial. Nos bovinos, ela é reduzida, restringindo-se o seu
percurso à porção caudal do referido músculo. Já nos caprinos e ovinos a artéria
transversa da face é bastante desenvolvida, distribuindo-se na área que, nos bovinos, é
suprida pela artéria facial. Corre rostralmente na face lateral do músculo masseter, emite
vários pequenos ramos para este e termina dividindo-se, ao nível da borda rostral do
masseter, nas artérias labial inferior e labial superior, cujo percurso e distribuição são
semelhantes aos de suas homônimas nos bovinos.

35.3.3.2. Auricular rostral – a artéria auricular rostral origina-se da face caudal da


artéria temporal superficial e corre em sentido dorsocaudal, profundamente à glândula
parótida e linfonodo parotídico. Nos bovinos emite, a este nível, o ramo meníngico, que
penetra na cavidade craniana através do canal temporal e distribui-se nas meninges.
Emergindo do extremo dorsal da glândula parótida, a artéria auricular rostral a tinge a
base da orelha, dando origem a ramos que suprem os músculos auriculares rostrais e ao
ramo auricular medial.

Após emitir a artéria auricular rostral, a artéria temporal superficial prossegue


dorsorrostralmente, ainda coberta pela glândula parótida. Emergindo desta, passa a
correr, juntamente com o nervo auriculopalpebral e veia satélite, na face profunda do
músculo zigomático-auricular. Cruza o arco zigomático, emitindo a este nível um
pequeno ramo para o músculo temporal. Termina em seguida dando origem aos
seguintes ramos:

35.3.3.3. Palpebral lateral superior e palpebral lateral inferior – estas artérias correm
rostralmente, distribuindo-se na porção lateral das regiões palpebrais superior e inferior,
respectivamente.

35.3.3.4. Ramo lacrimal – dirige-se medialmente, penetra na cavidade orbital e atinge a


glândula lacrimal, onde se distribui.

35.3.3.5. Cornual – corre dorsocaudalmente, acompanhada dos nervos cornuais, e


alcança a base do chifre, distribuindo-se neste e nas áreas adjacentes.

35.3.4. Maxilar

A artéria maxilar representa a continuação da artéria carótida externa depois da


emissão da artéria temporal superficial. Dirigi-se rostrodorsalmente e penetra na fossa
pterigopalatina, situando-se medialmente ao ramo da mandíbula e lateralmente aos
músculos pterigoideos lateral e medial. A este nível, é cruzada medialmente pelos
nervos alveolar mandibular, lingual, bucal e milo-hióideo. Próximo ao forame
164

orbitorredondo, a artéria maxilar curva-se em sentido rostral e, acompanhada do nervo


homônimo, atinge o recesso maxilar. Aí termina, dividindo-se nas artérias palatina
descendente e infra-orbital.

Em seu percurso, a artéria maxilar emite os seguintes ramos:

35.3.4.1. Ramos pterigoideos – são pequenos ramos, geralmente em número de dois,


que se originam da face ventral da artéria maxilar e se distribuem nos músculos
pterigoideos medial e lateral.

35.3.4.2. Alveolar mandibular – é um ramo mais calibroso que se origina da face


ventral da artéria maxilar e corre rostroventralmente na face lateral do músculo
pterigoideo medial. Penetra, juntamente com o nervo homônimo e veia satélite, no
forame mandibular. Percorre todo o canal mandibular, emitindo ao nível dos alvéolos os
ramos dentais. Próximo ao extremo rsotral da mandíbula emite artéria mentual, que
emerge lateralmente através do forame de mesmo nome e distribui-se nas estruturas do
lábio inferior.

35.3.4.3. Temporal profunda – origina-se da face dorsal da artéria maxilar e corre


dorsalmente para penetrar no músculo temporal, onde se distribui. Emite ainda um
pequeno ramo para o músculo ptrigóideo medial.

35.3.4.4. Bucal – emerge da borda ventral da artéria maxilar e corre rostralmente,


acompanhando o nervo bucal. Emite vários ramos para os músculos pterigoideos e
atinge a face lateral da maxila, correndo profundamente ao músculo masseter.
Disttribui-se neste, na porção caudal do músculo bucinador e nas glândulas bucais
dorsais.

35.3.4.5. Ramo caudal à rede admirável epidural rostral – nos bovinos origina-se da
face dorsal da artéria maxilar, ao nível da origem bucal, e corre dorsocaudalmente em
direção à base do crânio. Penetra no forame oval e atinge a fossa hipofisária, onde se
ramifica profusamente para formar a rede. Nos caprinos e ovinos seu trajeto é
semelhante ao dos bovinos, mas sua origem da artéria maxilar situa-se mais
caudalmente, ao nível da emissão da artéria alveolar mandibular.

35.3.4.6. Ramos rostrais à rede admirável epidural rostral – originam-se, tanto nos
bovinos como nos pequenos ruminantes, da face medial da artéria maxilar, próximo ao
forame orbitorredondo. Dirigem-se dorsocaudalmente, atravessam o referido forame e
atingem a fossa hipofisária, onde se integram à rede.

35.3.4.7. Oftálmica externa – emerge da face dorsal da artéria maxilar, ao nível do


forame orbitorredondo. Dirige-se dorsalmente e, depois de um curto trajeto, penetra no
vértice da periórbita juntamente com o nervo oftálmico. Passa entre os músculos reto e
retrator do bulbo do olho e, a este nível, ramifica-se, formando a rede admirável
oftálmica, que é pouco desenvolvida e está envolvida por um seio venoso. Da rede
admirável oftálmica partem vários ramos. Um destes é o ramo lacrimal, que corre
rostralmente sobre o músculo reto dorsal e atinge a glândula lacrimal, onde se distribui.
165

Vários pequenos ramos que se originam da rece admirável oftálmica suprem os


músculos do bulbo do olho. A artéria supra-orbital representa a continuação da artéria
oftálmica externa depois da rede admirável oftálmica. Corre medialmente, passando
entre os músculos reto dorsal e retrator do bulbo do olho. Seu principal ramo é a artéria
etmoidal externa, que corre ventromedialmente, passando entre os músculos oblíquo
dorsal e retrator do bulbo do olho; penetra na cavidade craniana através do forame
etmoidal e distribui-se nas conchas etmoidais. Após a emissão da artéria etmoidal
externa, a artéria supra-orbital prossegue em sentido dorsal, penetrando na abertura
orbital do canal supra-orbital. Dá origem a diversos ramos, que suprem a mucosa do
seio frontal e a pele da região supra-orbital. Da artéria supra-orbital origina-se também
as artérias conjuntivais, que, como o nome indica, suprem a conjuntiva do bulbo do
olho.

35.3.4.8. Infra-orbital – é o ramo dorsal resultante da bifurcação da artéria maxilar ao


nível do recesso maxilar. Dirige-se rostrodorsalmente e logo penetra no forame maxilar,
emitindo antes a artéria malar. Prossegue rostralmente no interior do canal infra-orbital,
emitindo ao nível dos alvéolos os ramos dentais. Emerge na face através do forame
infra-orbital, correndo profundamente aos músculos elevador do lábio superior, canino e
depressor do lábio superior. Ela distribui-se nestes músculos e na face lateral das
narinas.

A artéria malar, que pode também se originar diretamente da artéria maxilar,


dirige-se dorsalmente e penetra na cavidade orbital, correndo firmemente aderida à sua
parede ventromedial. Emite ramos para a terceira pálpebra e músculo oblíquo ventral e
alcança o canto medial do olho, onde se divide nos seguintes ramos:

Bovinos: artérias angular do olho, palpebral medial inferior, dorsal do nariz e


lateral caudal do nariz.

Caprinos: artérias palpebrais mediais superior e inferior e artéria lateral caudal


do nariz.

Ovinos: artérias palpebrais mediais superior e inferior, lateral do nariz e dorsal


do nariz.

Estas artérias oriundas da artéria malar distribuem-se, como os nomes indicam,


na porção medial das pálpebras e nas faces dorsal e lateral da região nasal.

35.3.4.9. Palatina descendente – é o ramo ventral resultante da bifurcação da artéria


maxilar. Dirige-se rostroventralmente e, após um pequeno percurso, divide-se nas
artérias esfenopalatina e palatina maior. A esfenopalatina é a mais calibrosa das duas,
curva-se medialmente e penetra na cavidade nasal através do forame esfenopalatino. Na
cavidade nasal divide-se em vários ramos, que suprem principalmente a parte caudal da
concha ventral e o septo nasal. A artéria palatina maior dirige-se rostralmente e, após
emitir a artéria palatina menor, penetra no forame palatino caudal. Prossegue
rostralmente no interior do canal palatino maior e, saindo deste, no sulco homônimo da
166

lâmina horizontal do osso palatino. Atingindo a parte rostral da fissura palatina, penetra
na cavidade nasal. A artéria palatina maior irriga a mucosa do palato duro, o pulvino
dental e a mucosa do assoalho da cavidade nasal. A artéria palatina menor é um
pequeno ramo que se destaca da face ventral da artéria palatina maior, antes da
penetração desta no forame palatino caudal, e dirige-se para a porção lateral do palato
mole, onde se distribui.

36. Veias da cabeça

36.1. Linguofacial

É formada pela união das veias lingual e facial, ao nível do terço caudal da borda
ventral da mandíbula. Corre caudalmente numa pequena extensão, passando entre o
músculo digástrico e a glândula e o linfonodo mandibu lares, até o ângulo da
mandíbula, onde se une à veia maxilar para formar a jugular externa. Em seu percurso a
veia linguofacial recebe pequenas veias glandulares e, nos ovinos, a veia laríngica
cranial.

36.1.1. Lingual

Corre ao longo da borda ventral do músculo estiloglosso, medialmente ao


músculo milo-hióideo. Próximo ao ângulo da mandíbula, curva-se dorsolateralmente par
ase unir à veia facial. Suas principais tributárias são a veia profunda da língua, que
drena a musculatura intrínseca deste órgão, e a veia sublingual, que acompanha a artéria
de mesmo nome.

36.1.2. Facial

É formada pela união das veias angular do olho e dorsais do nariz, ao nível do
terço médio da face dorsolateral do nariz. Dirige-se caudoventralmente, associando-se
ao ducto parotídico e, nos bovinos, à artéria facial. É cruzada obliquamente pelo ramo
dorsal do nervo facial, que pode formar em torno dela uma alça. Ao contornar a borda
ventral da mandíbula, une-se à veia lingual. A veia facial recebe as seguintes tributárias:

36.1.2.1. Angular do olho – corre obliquamente na face dorsolateral do nariz,


anstomosando-se dorsalmente com a veia supra-orbital, que emerge através do forame
supra-orbital. Para ela convergem as veias palpebrais superior medial e inferior medial.

36.1.2.2. Dorsais do nariz – são geralmente em número de duas e correm caudalmente


na porção craniodorsal do nariz, unindo-se à veia angular do olho para formar a facial.

36.1.2.3. Lateral do nariz – é uma pequena veia que corre caudalmente na face lateral do
nariz e alcança a veia facial um pouco acima do túber facial. Em alguns casos, pode ser
dupla.

36.1.2.4. Labiais superiores – drenam o lábio superior, acompanhando a artéria de


mesmo nome.
167

36.1.2.5. Profunda da face – é uma calibrosa veia que corre na face profunda do
músculo masseter, acompanhando o nervo bucal. Origina-se na face caudal da veia
facial e termina unindo-se à veia maxilar na fossa pterigopalatina. Suas principais
tributárias são as veias infra-orbital e palatina descendente, satélites das artérias
homônimas.

36.1.2.6. Labiais inferiores – acompanham a artéria de mesmo nome, chegando à face


cranial da veia facial.

36.1.2.7. Submentual – satélite da artéria homônima, ocorrendo apenas nos bovinos.

36.2. Maxilar

Forma-se na fossa pterigopalatina, como continuação da veia profunda da face.


Corre junto à artéria maxilar, recebendo em seu percurso as seguintes tributárias:

36.2.1. Pterigóideas

São pequenas veias, geralmente em número de duas, que drenam os músculos


pterigoideos lateral e medial.

36.2.2. Massetérica

Satélite da artéria homônima drena o músculo masseter.

36.2.3. Temporal profunda

Origina-se no músculo temporal, desembocando na veia maxilar próximo à


terminação desta. Anastomosa-se com um ramo da veia supra-orbital e recebe também
ramos da glândula lacrimal.

36.2.4. Alveolar mandibular

É satélite da artéria homônima, desembocando na borda ventral da veia maxilar.

36.2.5. Palatinas

Drenam o palato, onde forma um extenso plexo, o plexo palatino, semelhante a


um corpo cavernoso.

36.2.6. Temporal superficial

Corre junto à artéria homônima, desembocando na borda dorsocaudal da veia


maxilar, profundamente à glândula parótida e linfonodo parotídico.

A veia temporal superficial apresenta-se como continuação da veia oftálmica


externa dorsal, que emerge da face dorsolateral da órbita. A veia oftálmica externa
dorsal origina-se do plexo venoso oftálmico, onde desembocam as veias que drenam as
diversas estruturas da órbita (veias vorticosas, ciliares, conjuntivais e lacrimal). Para o
plexo oftálmico confluem também as veias malar, etmoidal externa e supra-orbital,
168

satélites das artérias homônimas. A veia supra-orbital anastomosa-se com a veia angular
do olho.

Em seu percurso, a veia temporal superficial recebe ainda as veias cornual,


palpebrais laterais superior e inferior, transversa da face e auricular rostral, todas
satélites das artéria homônimas.

36.2.7. Auricular caudal

É a última tributária da veia maxilar antes desta unir-se à veia linguofacial para
formar a veia jugular externa. Além de drenar as estruturas da face caudal da orelha, ela
recebe ainda a veia estilomastóidea e vários ramos da glândula parótida.

37. Linfáticos da cabeça

Os vasos linfáticos da cabeça drenam para linfonodos que se agrupam em três


linfocentros: parotídico, mandibular e retrofaríngico.

37.1. Linfocentro parotídico

É formado, nos ruminantes, por um único e bem desenvolvido linfonodo – o


linfonodo paraotídico, situado logo atrás do músculo masseter e parcialmente coberto
pela glândula parotídica. Tem forma alongada ou ovóide, apresenatando caudalmente
uma reentrância ou hilo. Mede, nos pequenos ruminantes, cerca de 2,0cm de
comprimento e 1,2 – 1,5 cm de largura; nos bovinos, seu comprimento alcança 8,0 cm e
sua largura 2,0 – 3,0 cm. Relaciona-se profundamente com a artéria transversa da face
(que pode inclusive perfurá-lo), com o ramo dorsal do nervo facial e com a artéria
temporal superficial.

Área de drenagem: para o linfonodo parotídico convergem linfáticos


provenientes da região lateral da face, dorso e face lateral do nariz, plano nasolabial,
cavidade nasal, lábios, orelha, pálpebras, glândula lacrimal, glândula parotídica, base
dos chifres. Seus vasos eferentes drenam para os linfonodos retrofaríngicos laterais.

37.2. Linfocentro mandibular

Formado pelos linfonodos mandibulares, geralmente dois a cada lado, situados


caudoventralmente ao ângulo da mandíbula, em estreita relação com a glândula
mandibular e o tronco e veia linguofaciais. São alongados ou ovoides, medindo o maior
deles 1, 5-2, 0 x 0,8-1, 0 cm nos pequenos ruminantes e cerca de 4,0 x 3,0 cm nos
bovinos. Hemolinfonodos são comumente encontrados ao seu redor.

Área de drenagem: lábios, plano nasolabial, bochechas, cavidade nasal, cavidade


da boca, região intermandibular, glândulas parótida, mandibular e sublingual. Os vasos
169

linfáticos eferentes dos linfonodos mandibulares dirigem-se para os linfonodos


retrofaríngicos laterais.

37.3. Linfocentro retrofaríngico

Compreende os linfonodos retrofaríngicos laterais e mediais.

37.3.1. Linfonodos retrofaríngicos laterais

Ocorrem em número de dois ou três, sendo um deles bastante desenvolvido (2,0


cm nos pequenos ruminantes e 4,5 cm nos bovinos). Localizam-se caudalmente à
expansão dorsal da glândula mandibular e ventralmente ao processo jugular do
occipital, asa do atlas e tendão de inserção do músculo cleidomastóideo.

Área de drenagem: glândulas parótida e mandibular, extremo cranial da face


lateral do pescoço, nuca, parte cervical do timo, língua. para os linfonodos
retrofaríngicos laterais confluem ainda os vasos linfáticos provenientes dos linfonodos
parotídico, mandibulares e retrofaríngicos mediais. Polarizam, assim, a drenagem
linfática de toda a cabeça. Seus vasos eferentes confluem para formar, a cada lado, o
tronco traqueal.

37.3.2. Linfonodos retrofaríngicos mediais

São geralmente em número de dois (um em cada lado) e situam-se


dorsocaudalmente à musculatura da faringe, imersos em quantidade variável de tecido
adiposo. Relacionam-se lateralmente com o extremo caudal do osso estilo-hióide e a
carótida externa, e caudalmente com o gânglio cervical cranial e o tronco
vagossimpático. Têm forma ovóide e seu comprimento médio é de 2,0 – 2,5 cm nos
pequenos ruminantes e 5,0 – 7,0 cm nos bovinos.

Área de drenagem: faringe, glândulas salivares, assoalho da cavidade da boca,


parte caudal da cavidade nasal, seios maxilar e palatino, palatos duro e mole. Seus vasos
eferentes confluem para os linfonodos retrofaríngicos laterais.

38. Bulbo do olho, pálpebras, túnica conjuntiva e aparelho lacrimal

38.1. Bulbo do olho

O estudo macroscópico do bulbo do olho deve ser feito em peças isoladas.


Verifique inicialmente a forma do bulbo, delimitando seu equador e seus polos anterior
e posterior. Identifique a túnica fibrosa, que é a camada mais externa do bulbo,
apresentando-se constituída de duas porções: esclera e córnea. A esclera é aporção
opaca, esbranquecida, constituída por tecido conjuntivo fibroso denso e que forma a
maior parte do contorno do bulbo do olho. A córnea é a porção transparente, constituída
por tecido conjuntivo modificado, avascular, e situada no polo anterior do bulbo. A
transição entre esclera e córnea é marcada por uma zona mais escura, o limbo da córnea.
A esclera tem como função dar firmeza ao bulbo do olho, prestando inserção aos
inúmeros músculos que o movimentam. A córnea, por sua vez, constitui um dos meios
170

dióptricos do olho. Observe que ela, em peças embalsamadas, perde a transparência que
a caracteriza no vivente.

Verifique, no polo posterior do bulbo do olho, a saída do nervo óptico. Seccione


o bulbo transversalmente, ao nível de seu equador; se possível, seccione também um
outro em sentido longitudinal. Observe que o interior do bulbo é preenchido por uma
massa gelatinosa transparente, o corpo vítreo. Retire com cuidado este último e passe a
estudar as estruturas internas do olho. Identifique, no hemisfério anterior do bulbo, a
lente e o corpo ciliar. A lente (cristalino) é um disco biconvexo transparente, de
consistência firme, que está preso perifericamente ao corpo ciliar por meio de fibras
muito delicadas, denominadas em conjunto zônula ciliar. O corpo ciliar constitui parte
da túnica média ou vascular do bulbo do olho. Apresenta-se como uma prega circular
intensamente pigmentada e formada por grande número de elevações dispostas de
maneira radiada, os processos ciliares, nos quais se prendem as fibras da zônula ciliar.

Destaque a lente do corpo ciliar. Localize, imediatamente anterior ao corpo


ciliar, a íris. Esta é também parte da túnica vascular do olho, apresentando-se como uma
prega lisa intensamente pigmentada. A íris delimita uma abertura, a pupila, que nos
ruminantes tem contorno ovóide no sentido transversal. Através de contração muscular,
a íris controla a entrada de luz, aumentando ou diminuindo a abertura da pupila.

Localize as câmaras anterior e posterior do bulbo do olho. A câmara anterior é o


espaço delimitado anteriormente pela córnea e posteriormente pela íris e lente. A
câmara posterior é reduzido espaço entre a face posterior da íris, a lente e o corpo ciliar.
Nas duas câmaras circula um fluido claro e transparente, denominado humor aquoso,
secretado ao nível do cospo ciliar.

Estude agora a retina, que constitui a túnica interna ou nervosa do bulbo do olho.
Ela reveste não só a superfície interna do bulbo, como também a face posterior do corpo
ciliar. É na retina que se localizam os cones e bastonetes, que são os receptores da via
óptica. No cadáver, ela apresenta-se de coloração cinza-esbranquiçada, sendo facilmente
destacável da parede do bulbo. Identifique, na superfície da retina, uma pequena área
circular, bem delimitada. Esta área é o disco óptico ou ponto cego e representa o ponto
de saída das fibras que compõem o nervo óptico, não havendo aí receptores visuais.

Afaste cuidadosamente a retina e identifique, sob ela, a corióide. Esta constitui a


maior parte da túnica média ou vascular do bulbo do olho, apresentando-se, como a íris
e o corpo ciliar, intensamente pigmentada. Verifique, na superfície da corióide, a
presença de uma área mais brilhante e de aspecto metálico – o tapetum lucidum. Este
tapetum reflete a luz que incide no fundo do olho, dando a este, á noite, uma
característica luminosidade.

38.1.1. Músculos do bulbo do olho


171

Estes músculos são estriados esqueléticos e são os responsáveis pela


movimentação do bulbo do olho. Existem quatro músculos retos, dois oblíquos e o
retrator do bulbo.

De acordo com sua posição topográfica, os retos denominam-se dorsal, ventral,


lateral e medial. Eles originam-se no vértice da órbita óssea, próximo aos forames
orbitorredondo e óptico e inserem-se no hemisfério anterior do bulbo, atrás do limbo da
córnea.

O músculo oblíquo dorsal origina-se próximo ao reto medial, corre em direção à


base da órbita e, ao nível da tróclea, curva-se lateralmente para inserir-se no contorno
dorsal do bulbo. A tróclea é uma cartilagem em forma de polia, que se presta ao desvio
do referido músculo. Deste modo, as fibras de inserção do oblíquo dorsal são
perpendiculares às dos retos.

O músculo oblíquo ventral é o único dos músculos bulbares que não se origina
no ápice da órbita. Sua origem ocorre em uma suave depressão na face ventromedial da
órbita, medialmente ao forame lacrimal. Insere-se no contorno lateral do bulbo do olho,
cruzando o músculo reto ventral. Ao contrário do oblíquo dorsal, suas fibras são
retilíneas em todo o seu trajeto.

O músculo retrator do bulbo é um feixe muscular divergente que se origina no


ápice da órbita e insere-se no equador do bulbo, envolvendo o nervo óptico.

Os músculos do bulbo do olho são irrigados por ramos da artéria oftálmica


externa.

Ação e inervação: os músculos do bulbo exercem complexos movimentos, para


cuja execução são envolvidos vários músculos simultaneamente. Os músculos retos
deslocam o bulbo em sentidos dorsal, ventral, medial e lateral, respectivamente. O
oblíquo dorsal produz rotação medial e o oblíquo ventral rotação lateral do bulbo. O
retrator do bulbo serve para mantê-lo em sua posição. Todos os músculos do bulbo são
inervados pelo nervo oculomotor, exceto o oblíquo dorsal, que é inervado pelo nervo
troclear, e o reto lateral e retrator do bulbo, que são inervados pelo nervo abducente.

Além destes músculos, encontra-se também na órbita o músculo elevador da


pálpebra superior. Este é uma faixa muscular estreita e delgada, disposta sobre a face
dorsal do músculo reto dorsal. Rostralmente, passa sob a glândula lacrimal e vai se
prender na pálpebra superior. É inervado pelo nervo oculomotor e sua ação está
indicada pelo próprio nome.

38.2. Pálpebras

As pálpebras são duas pregas musculofibrosas, revestidas externamente pela


pele e situadas na frente de cada órbita. Sua função principal é proteger o bulbo do olho.
A pálpebra superior é maior e mais móvel que a inferior, de modo que quando está
abaixada, cobre quase inteiramente a córnea.
172

Cada pálpebra apresenta uma face anterior, convexa e outra posterior, côncava.
As duas pálpebras estão unidas lateral e medialmente ao nível das comissuras palpebrais
lateral e medial, respectivamente. As bordas livres das pálpebras delimitam uma fenda
horizontal, a rima palpebral. A borda livre de cada pálpebra apresenta-se mais espessada
e resistente, sendo geralmente mais pigmentada que o restante. Nela implanta-se uma
série de pelos denominados cílios, mais longos na porção intermédia das pálpebras.
Posteriormente à implantação dos cílios, encontra-se uma fileira de pequenos orifícios,
que correspondem às aberturas dos ductos das glândulas társicas. Estas glândulas, mais
abundantes na pálpebra superior, são sebáceas e sua secreção lubrifica a pálpebra,
impedindo que as lágrimas derramem-separa fora da cavidade. Elas podem ser vistas
por transparências na face posterior da pálpebra.

Próximo à comissura palpebral medial, encontra-se, na borda livre de cada


pálpebra, um pequeno orifício em forma de fenda, denominado ponto lacrimal. Em cada
ponto inicia-se um canalículo lacrimal.

38.3. Túnica conjuntiva

A túnica conjuntiva é a mucosa que reveste a face posterior da pálpebra (túnica


conjuntiva da pálpebra) e, ao nível do fórnix superior e do fórnix inferior, reflete-se para
revestir o bulbo do olho (túnica conjuntiva do bulbo). O saco da conjuntiva é o espaço
delimitado pelas conjuntivas das pálpebras e do bulbo do olho. A conjuntiva das
pálpebras é muito vascularizada, sendo por isto examinada em caso de suspeita de
anemia. A conjuntiva do bulbo é transparente, o que permite observar a esclera,
esbranquiçada. Em certas inflamações ou irritações, ela pode tornar-se avermelhada.

A carúncula lacrimal é uma pequena elevação arredondada situada na transição


entre pele e conjuntiva, na comissura palpebral medial. É considerada como estrutura
modificada da pele, possuindo pequenos pelos e glândulas sebáceas.

A terceira pálpebra (prega semilunar da conjuntiva) é uma prega da conjuntiva,


apoiada em uma lâmina de cartilagem hialina, situada no ângulo medial do olho.
Aparece normalmente na frente do olho, sem cobrir, contudo, a córnea. Em algumas
doenças, como o tétano, ela pode projetar-se mais lateralmente. A cartilagem da terceira
pálpebra tem forma alongada e ligeiramente triangular. Sua porção livre está recoberta
pela conjuntiva e salienta-se no ângulo medial do olho. O restante da cartilagem está
envolvido por uma glândula, denominada glândula da 3ª pálpebra, situada
profundamente nda face medial da órbita.

38.4. Aparelho lacrimal

O aparelho lacrimal compreende a glândula lacrimal com seus ductos excretores


e as vias lacrimais (canalículos lacrimais, saco lacrimal e ducto nasolacrimal).
173

A glândula lacrimal situa-se dorsolaterlamente na órbita, repousando sobre os


músculos elevador da pálpebra superior, reto dorsal e reto lateral. Tem cor rósea, forma
elíptica e achatada. As lágrimas, que constituem a secreção da glândula lacrimal, são
lançadas no fórnix superior da conjuntiva por meio de inúmeros e minúsculos ductos
excretores. As lágrimas mantêm úmida a frente dos olhos, evitando assim o
ressecamento da córnea. A glândula é inervada por fibras pós-ganglionares
parassimpáticas que provém do gânglio pterigopalatino. O excesso de lágrima que não
se evaporou é drenado para os canalículos lacrimais, que se iniciam nos pontos
lacrimais, um em cada pálpebra. Os canalículos dirigem-se medialmente e juntam-se no
saco lacrimal, que se aloja no forame lacrimal. O saco lacrimal nos animais domésticos
não se apresenta como uma estrutura sacular característica. Ele corresponde, na
realidade, apenas à porção inicial do ducto nasolacrimal. Este é um ducto membranáceo,
de comprimento variável com a espécie, que percorre inicialmente um canal ósseo e
termina desembocando na cavidade nasal. Antes de sua desembocadura, o ducto se
alarga, especialmente nos pequenos ruminantes.

As vias lacrimais são sítios de afecções que podem diminuir ou mesmo impedir
o fluxo normal de lágrimas. Nestes casos, a integridade do lume das vias lacrimais pode
ser constatada por meio de injeções de substâncias rádio-opacas seguidas de radiografia
(dacricistografia). Medicamentos ou corantes podem ser introduzidos nos pontos
lacrimais ou na abertura nasal do ducto nasolacrimal.

39. Ouvido (órgão vestibulococlear)

O ouvido compreende um conjunto de estruturas cuja função está relacionada


com a audição e o equilíbrio. Ele é dividido em 3 partes: ouvido externo, ouvido médio
e ouvido interno.

39.1. Ouvido externo

É constituído pela orelha ou pavilhão auditivo e pelo meato acústico externo.

39.1.1. Orelha

Destaca-se da face lateral da cabeça, sendo formada por uma lâmina cartilagínea
– a cartilagem da orelha, recoberta por pele e parcialmente enrolada à maneira de funil.
Nela inserem-se numerosos músculos, cuja contração lhe dá, nos animais domésticos,
uma grande mobilidade. Seu tamanho e forma são variáveis nos ruminantes domésticos,
dependendo da espécie e mesmo da raça. Assim, nos bovinos de raças europeias, a
orelha é relativamente curta e lanceolada, mantendo-se parcialmente erecta num plano
aproximadamente transversal. Em algumas raças zebuínas (Gir, Indubrasil), por outro
lado, ela é caracteristicamente longa, larga e pendente sobre a face lateral do pescoço e
face. Nos ovinos e caprinos, sua conformação está também sujeita a variações raciais.

Para fins de descrição anatômica, adota-se para a orelha uma posição erecta,
com seu eixo maior disposto verticalmente. Ela apresenta uma base, um ápice, duas
bordas (rostral e caudal) e duas faces (externa e interna). A base é a porção proximal
174

afunilada da orelha, parcialmente oculta pela inserção dos músculos auriculares e por
tecido adiposo. O ápice é a extremidade distal, afilada. As duas bordas, rostral e caudal,
recebem em conjunto a denominação de hélix. A face externa da orelha é convexa,
voltada medialmente e constitui o dorso da orelha. Nela insere-se a maioria dos
músculos auriculares. A face interna é côncava e está voltada lateralmente, podendo ser
dividida em duas partes: escafa e concha. A escafa é a porção distal, mais larga e plana,
estando percorrida por elevações longitudinais – as pregas da escafa, geralmente em
número de três. A concha é a porção proximal, afunilada, situada na base da orelha. A
cavidade da concha continua-se, medialmente, com o meato acústico externo
cartilagíneo.

A cartilagem da orelha apresenta-se perfurada por inúmeros forames, dispostos


principalmente na escafa e ao longo da borda caudal; estes forames são atravessados por
vasos oriundos do dorso da orelha.

A pele que recobre a orelha está firmemente aderida à cartilagem pela tela
subcutânea, na qual correm, na face externa ou medial do pavilhão, as artérias e veias
auriculares. Ao nível das bordas e das pregas da escafa, a pele apresenta-se coberta de
pelos espessos e longos, mais abundantes próximo à base da orelha.

Associada à cartilagem da orelha encontra-se a cartilagem escutiforme, bem


desenvolvida nos ruminantes domésticos. Ela apresenta-se como uma placa cartilagínea
irregularmente quadrangular, situada dorsal e medialmente à base da cartilagem da
orelha, sobre o músculo temporal e o corpo adiposo da orelha. Nela inserem-se vários
músculos originados do crânio e originam-se outros que vão inserir-se na cartilagem da
orelha.

39.1.1.1. Músculos auriculares – os músculos da orelha dividem-se em extrínsecos e


intrínsecos. Os músculos extrínsecos são os mais importantes, pois a eles se deve a
grande mobilidade da orelha nos animais domésticos. Eles podem ser divididos em
quatro grupos: rostrais, dorsais, caudais e ventrais.

• Músculos auriculares rostrais:

• Músculo zigomático-auricular – origina-se no arco zigomático e insere-


se na base da cartilagem da orelha, juntamente com o músculo parótido-
auricular.

• Músculo fronto-escutular – origina-se no arco zigomático e na linha


temporal do osso frontal. Suas fibras convergem, à maneira de leque, e
vão inserir-se na cartilagem escutiforme.

• Músculo interescutular – origina-se no osso frontal e na base do


processo cornual; suas fibras confundem-se rostralmente com as do
músculo fronto-escutular. Insere-se na cartilagem escutiforme.
175

• Músculos escútulo-auriculares superficiais – compreendem vários feixes


musculares entrecruzados que se originam na cartilagem escutiforme e
vão inserir-se no dorso da orelha, próximo à sua borda rostral.

• Músculos escútulo-auriculares profundos – originam-se na face


profunda da cartilagem escutiforme e dirigem-se ventrocauldalmente,
indo inserir-se na base da cartilagem da orelha, rostralmente à concha.
Parte de suas fibras, no entanto, insere-se na porção da crista temporal
situada acima do poro acústico externo.

• Músculos auriculares dorsais:

• Músculo parieto-escutular – origina-se na face nucal do osso frontal,


caudalmente ao processo cornual, e insere-se na cartilagem escutiforme.
Suas fibras se confundem caudalmente com as do músculo cérvico-
escutular.

• Músculo parieto-auricular – origina-se na face nucal do osso frontal,


parte adjacente do parietal e ligamento da nuca, estando em sua porção
inicial fundido ao músculo cérvico-auricular médio. Dirige-se
ventrolateralmente para inserir-se no dorso da orelha, caudal e
profundamente à inserção do músculo cérvico-auricular superficial.

• Músculos auriculares caudais:

• Músculo cérvico-escutular – origina-se, juntamente com o músculo


cérvico-auricular superficial, no ligamento da nuca e insere-se na
cartilagem escutiforme, caudalmente à inserção do músculo parieto-
escutular, com o qual se confunde.

• Músculo cérvico-auricular superficial – origina-se no ligamento na nuca,


fundido ao músculo cérvico-escutular. Suas fibras passam caudalmente
à cartilagem escutiforme e vão inserir-se no dorso da orelha, juntamente
com um dos feixes musculares do músculo escútulo-auricular
superficial.

• Músculo cérvico-auricular médio – é um potente músculo que se origina


no ligamento da nuca e dirige-se ventrocaudolateralmente, sob os
músculos cérvico-escutular e cérvico-auricular superficial. Insere-se, à
maneira de leque, na base da cartilagem da orelha.

• Músculo cérvico-auricular profundo – compreende duas porções: uma


lateral, alargada e curta, originando-se da cartilagem escutiforme e
cruzando profundamente os músculos cérvico-auriculares superficial e
médio; outra medial, delgada e longa, originando-se da fáscia que
recobre a nuca, sob os músculos cérvico-auricular médio e parieto-
auricular. As duas porções contornam o aspecto caudoventral da base da
176

cartilagem da orelha e inserem-se juntas numa área ventral à eminência


da concha.

• Músculos auriculares ventrais:

• Músculo parótido-auricular – origina-se da fáscia que recobre a glândula


parótida (fáscia parotídica) e dirige-se dorsalmente, indo inserir-se na
base da cartilagem da orelha, juntamente com o músculo zigomático-
auricular.

• Músculo estilo-auricular – origina-se no extremo caudal do arco


zigomático, logo acima da articulação temporomandibular. Dirige-se
caudalmente, indo inserir-se na face medial da base da cartilagem da
orelha.

39.1.1.2. Ação dos músculos da orelha – os músculos rostrais, atuando em conjunto,


abduzem a orelha, mantendo-a com a abertura voltada rostralmente. Os auriculares
dorsais atuam na elevação da orelha, ao mesmo tempo em que fixam a cartilagem
escutiforme. Os auriculares caudais tracionam a orelha caudal e medialmente, girando-a
em torno de seu eixo maior, de modo que sua face interna se volte ventralmente. Os
auriculares ventrais tracionam a cartilagem da orelha em sentido ventral, aduzindo-a.

39.1.1.3. Inervação e irrigação da orelha – os músculos da orelha são inervados por


ramos do nervo facial (ramos auriculares rostrais do nervo auriculopalpebral, nervo
auricular caudal) e ramos do 1º e 2º nervos cervicais. A inervação sensitiva da pele da
face interna da orelha está a cargo do ramo auricular interno do nervo facial, no qual
grande parte das fibras provêm do nervo vago.

A orelha é irrigada por ramos das artérias auricular caudal e auricular rostral. A
artéria auricular caudal dá origem aos ramos auriculares lateral e intermédio, que
correm longitudinalmente na face externa ou dorso da orelha, e à artéria auricular
profunda, que perfura a base da cartilagem auricular e se distribui na face interna desta.
Da artéria auricular rostral origina-se o ramo auricular medial, que corre também no
dorso da orelha.

39.1.2. Meato acústico externo

É um canal cilíndrico que se estende medialmente desde a cavidade da concha,


na base da orelha, até a membrana do tímpano. É formado por uma porção cartilagínea
– o meato acústico externo cartilagíneo – o qual se continua com o meato acústico
externo ósseo, escavado na parte timpânica do osso temporal.

O meato acústico externo cartilagíneo é constituído pela cartilagem anular,


parcialmente envolvida pela porção basal afunilada da cartilagem da orelha. A
cartilagem anular ou cartilagem do meato acústico externo é uma lâmina quadrangular
de cartilagem, enrolada de modo a formar um cilindro incompleto em torno do poro
acústico externo, ao qual está fixado por tecido fibro-elástico.
177

A porção óssea do meato acústico externo aprofunda-se medialmente na parte


timpânica do temporal, diminuindo gradualmente de calibre. Sua extensão é de 3 - 5 cm
nos bovinos e 1,5 – 2 cm nos pequenos ruminantes. Está separada do ouvido médio pela
membrana do tímpano.

A pele que reveste o meato acústico externo é dotada de pêlos finos e esparsos,
possuindo também glândulas que secretam o material ceruminoso característico do
ouvido. Tanto pêlos como glândulas são mais abundantes na porção cartilagínea do
meato; na porção óssea eles são raros ou mesmo ausentes.

39.2. Ouvido médio

No ouvido médio estão compreendidos a cavidade do tímpano, os ossículos do


ouvido e a tuba auditiva.

39.2.1. Cavidade do tímpano

É o espaço interposto entre a membrana do tímpano e o ouvido interno, no


interior das partes timpânicas e petrosa do osso temporal. Comunica-se com a
nasofaringe por meio da tuba auditiva e aloja a cadeia de ossículos do ouvido.

A cavidade do tímpano é delimitada por seis paredes: membranácea, labiríntica,


tegmentar, mastoidea, carótida e jugular. A parede membranácea ou lateral é constituída
pela membrana do tímpano, que separa o ouvido médio do meato acústico externo. A
membrana é formada por uma delgada lâmina conjuntiva, revestida externamente pela
pele que recobre o meato acústico externo e internamente pela mucosa do ouvido
médio. Em sua face interna insere-se o manúbrio ou cabo do martelo, o mais lateral dos
ossículos do ouvido. A vibração da membrana do tímpano, provocada pelas ondas
sonoras, transmite-se assim à cadeia de ossículos e, através destes, ao ouvido interno. A
parede labiríntica constitui o limite medial da cavidade do tímpano. Nela situa-se a
janela do vestíbulo ou janela oval, na qual se encaixa a base do estribo, o mais medial
dos ossículos do ouvido. Ventralmente à janela do vestíbulo encontram-se uma abertura
menor, a janela da cóclea ou janela redonda, ocluída pela delgada membrana secundária
do tímpano. A parede tegmentar forma o teto da cavidade do tímpano. Nela estão
alojados a cabeça do martelo e o corpo da bigorna. O nervo facial cruza a parede
tegmentar, sendo revestido a este nível, pela membrana mucosa da cavidade do
tímpano. A parede jugular, reduzida, forma o assoalho da cavidade do tímpano.
Caudalmente, a cavidade do tímpano é limitada pela parede mastoidea. Nesta situa-se a
abertura timpânica do canalículo do nervo corda do tímpano. Ventralmente, a cavidade
do tímpano comunica-se com as células timpânicas, espaços aeríferos situados no
interior da bula timpânica, bem desenvolvida nos ruminantes domésticos. A parede
carótida constitui o limite rostral da cavidade do tímpano. Nela situa-se o óstio
timpânico da tuba auditiva e, acima dele, o semicanal do músculo tensor do tímpano.
178

39.2.2. Ossículos do ouvido

São em número de três – martelo, bigorna e estribo – formando uma cadeia que
se estende da membrana do tímpano à janela vestibular do ouvido interno.

39.2.2.1. Martelo – é o maior e mais lateral dos ossículos do ouvido. Tem forma
alongada, sendo formado de cabeça, colo e manúbrio. A cabeça é a porção dilatada que
se articula com o corpo da bigorna. O colo é a porção intermediária entre a cabeça e o
manúbrio. O manúbrio ou cabo é a porção alongada e fina que se projeta ventralmente
do colo e se prende na face interna na membrana do tímpano. O martelo tem, nos
bovinos, um comprimento de cerca de 1cm.

39.2.2.2. Bigorna – é formada por um corpo e dois ramos, longo e curto. O corpo
articula-se com a cabeça do martelo. O ramo longo projeta-se ventral e medialmente e
apresenta em sua extremidade um minúsculo nódulo ósseo – o osso lenticular – o qual
se articula com o estribo. O ramo curto dirige-se caudalmente, prendendo-se por um
ligamento à parede tegmentar.

39.2.2.3. Estribo – é o menor e mais medial dos ossículos do ouvido. É formado por
cabeça e base, interligadas por dois ramos, rostral e caudal. A cabeça está voltada
lateralmente, articulando-se com o osso lenticular do ramo longo da bigorna. Os ramos
rostral e caudal originam-se do corpo e dirigem-se medialmente, unindo-se a cada
extremo da base. O espaço entre eles é preenchido pela membrana do estribo. A base é a
parte mais medial do estribo; está encaixada na janela do vestíbulo, prendendo-se à
borda desta por meio do ligamento anular do estribo.

39.2.2.4. Músculos dos ossículos do ouvido – são em número de dois: tensor do


tímpano e estapédio. O músculo tensor do tímpano origina-se na parede carótida ou
rostral da cavidade do tímpano, logo acima do óstio timpânico da tuba auditiva,
inserindo-se no martelo. É inervado por um ramúsculo da divisão mandibular do nervo
trigêmeo. Sua contração traciona o manúbrio do martelo medialmente, aumentando a
tensão da membrana do tímpano. O músculo estapédio é o menor dos músculos
esqueléticos do organismo. Origina-se na parede mastoidea ou caudal da cavidade do
tímpano, em estreita relação com o nervo facial e insere-se na transição entre a cabeça e
os ramos do estribo. É inervado pelo ramo estapédico do nervo facial e sua ação é
tracionar caudolateralmente o extremo dorsal da base do estribo.

39.2.3. Tuba auditiva

É um canal membranáceo que comunica a cavidade do tímpano com a


nasofaringe. Sua função é cnduzir ar ao ouvido médio, de modo a igualar as pressões
nas superfícies externa e interna da membrana do tímpano. Sua abertura timpânica
situa-se na parede carótida ou rostral da cavidade do tímpano. Tem uma extensão de
cerca de 5 – 6 cm mos bovinos, dirigindo-se em sentido rostral, ventral e medial até
alcançar a parede lateral na nasofaringe, onde se abre. O óstio faríngico da tuba auditiva
179

apresenta-se como uma fenda em forma de meia-lua, com a concavidade voltada


rostralmente.

A cavidade do tímpano é revestida por membrana mucosa, contínua com a tuba


auditiva. Esta membrana está intimamente unida ao periósteo e recobre todas as
estruturas contidas na cavidade: ossículos e músculos do ouvido, nervo corda do
tímpano, nervo facial, face interna da membrana do tímpano, etc.

39.3. Ouvido interno

O ouvido interno compreende um sistema complexo de canais e dilatações


escavados na parte petrosa do osso temporal – o labirinto ósseo – o qual contêm um
sistema semelhante de formações tubulares e saculares – o labirinto membranáceo. Pode
ser dividido em três porções: a) rostral, a cóclea, na qual se encontram as terminações
nervosas do nervo coclear, responsável pela recepção dos estímulos auditivos; b)
caudal, formada pelos canais semicirculares, nos quais se localizam os receptores do
nervo vestibular, relacionado com o equilíbrio; c) média, o vestíbulo, que interliga as
duas primeiras.

No espaço entre o labirinto ósseo e o labirinto membranáceo circula um líquido


– a perilinfa. O labirinto membranáceo, por sua vez, contém outro líquido – a endolinfa,
diferente do primeiro.

39.3.1. Labirinto ósseo

Está situado no interior da parte petrosa do temporal, medialmente à cavidade do


tímpano. É incompletamente dividido em três partes: cóclea, vestíbulo e canais
semicirculares.

39.3.1.1. Cóclea – é a porção rostral do labirinto ósseo. É formada por um canal – o


canal espiral da cóclea, enrolado em torno de um eixo central, o modíolo, à maneira de
um caracol. Sua parte mais larga, a base da cóclea, está situada no fundo do meato
acústico interno e seu ápice, denominado cúpula da cóclea, está dirigido
rostroventrolateralmente. O canal espiral da cóclea dá cerca de 3 ½ voltas em torno do
modíolo, nos bovinos, e 1 ¼ voltas nos pequenos ruminantes, terminando em fundo
cego ao nível da cúpula. O modíolo diminui progressivamente de diâmetro da base para
o ápice da cóclea e dele se projeta, à maneira dos passos de um parafuso, uma delgada
lâmina – a lâmina espiral óssea. Esta divide parcialmente a luz do canal espiral da
cóclea em duas porções: escala do vestíbulo e escala do tímpano. A divisão das duas
escalas é completada pela lâmina basilar do labirinto membranáceo, mas elas continuam
comunicando entre si através de uma passagem, a helicotrema, situada na cúpula da
cóclea. A escala do vestíbulo abre-se no vestíbulo e a escala do tímpano comunica-se
com a cavidade do tímpano através da janela redonda, mas esta é ocluída pela
membrana secundária do tímpano. No interior do modíolo situam-se os canais
longitudinais e o canal espiral do modíolo, os quais contêm vasos sanguíneos, o gânglio
espiral e fibras do nervo coclear. Junto ao início da escala do tímpano abre-se o
180

canalículo da cóclea, no qual se aloja o ducto perilinfático. Este comunica o espaço


subaracnóideo com a escala do tímpano.

39.3.1.2. Vestíbulo – é a porção média do labirinto ósseo, estando em comunicação


rostralmente com a cóclea e caudalmente com os canais semicirculares ósseos. É uma
pequena cavidade de forma aproximadamente ovóide, com cerca de 5mm de
comprimento. Em sua parede lateral está situada a janela do vestíbulo ou janela oval,
que se abre na cavidade do tímpano, mas está ocluída pela base do estribo e seu
respectivo ligamento anular; sua parede medial situa-se no fundo do meato acústico
interno. A parede medial do vestíbulo apresenta uma elevação, a crista do vestíbulo,
separando dois recessos: recesso esférico e recesso elíptico, os quais alojam,
respectivamente, o sáculo e o utrículo do labirinto membranáceo. Na parede rostral
situa-se a abertura para a escala do vestíbulo e na parede caudal os orifícios dos canais
semicirculares ósseos. No vestíbulo desemboca também, em sua parede medial, o
aqueduto vestibular, canalículo no qual está alojado o ducto endolinfático.

39.3.1.3. Canais semicirculares ósseos – são em número de três: anterior, posterior e


lateral, dispostos dorsocaudalmente ao vestíbulo e formando entre si ângulos
aproximadamente retos. Cada canal descreve cerca de dois terços de círculo e
desemboca no vestíbulo através de dois ramos ou pernas ósseas. O canal semicircular
anterior situa-se num plano aproximadamente vertical. O canal semicircular posterior
dispõe-se também mais ou menos verticalmente. O canal semicircular lateral situa-se
lateralmente aos dois anteriores, num plano aproximadamente horizontal.

39.3.2. Labirinto membranáceo

Compreende um sistema fechado de ductos e sacos de estrutura membranácea,


alojados nos diversos compartimentos do labirinto ósseo. Sua conformação é
semelhante à deste último, mas não o preenche totalmente, de modo que fica entre a
parte óssea e a parte totalmente, de modo que fica entre a parte óssea e a parte
membranácea um espaço – o espaço perilinfático, no qual circula um líquido – a
perilinfa.

O labirinto membranáceo pode ser dividido nos seguintes compartimentos,


intercomunicantes: ducto coclear, utrículo, sáculo e ductos semicirculares, no interior
dos quais circula a endolinfa.

39.3.2.1. Ducto coclear – situa-se no interior do canal espiral da cóclea, acompanhando


a forma deste. Seu extremo basal – cécum vestibular - comunica-se com o sáculo por
meio de um estreito tubo, o ducto reuniens, enquanto o extremo apical - cécum cupular
– está preso à cúpula da cóclea. Na parede do ducto coclear está situado o órgão espiral
ou de Corti, no qual se situam os receptores da via auditiva.

39.3.2.2. Utrículo sáculo – são duas dilatações que ocupam o vestíbulo do labirinto
ósseo. O utrículo é a maior e mais caudal delas, alojando-se no recesso elíptico do
vestíbulo. Nele abrem-se os ductos semicirculares e dele origina-se o ducto utrículo-
181

sacular, o qual se une ao ducto endolinfático. O sáculo situa-se ventrorrostralmente ao


utrículo, alojando-se no recesso esférico. Comunica-se com o ducto coclear por meio do
ducto reuniens. Dele origina-se também o ducto endolinfático. Na parede do utrículo e
do sáculo existem espessamentos epiteliais – as máculas – nos quais situam-se os
receptores do nervo vestibular, relacionados com o equilíbrio.

O ducto endolinfático origina-se no sáculo e depois recebe o ducto utrículo-


sacular, passando a correr no aqueduto vestibular. Termina em fundo cego, formando
uma dilatação, o saco endolinfático, situado sob a dura-máter, na face interna da parte
petrosa do temporal.

39.3.2.3. Ductos semicirculares – estão alojados nos canais semicirculares ósseos,


acompanhando a forma destes e recebendo seus respectivos nomes: anterior, posterior e
lateral. Formam dilatações ao desembocarem no utrículo, as ampolas membranáceas
anterior, posterior e lateral, na parede das quais existem elevações – as cristas ampulares
– dotadas de neuroepitélio relacionado também com o equilíbrio.

Irrigação do ouvido interno: o ouvido interno é irrigado pela artéria do labirinto,


a qual emite ramos vestibulares e um ramo coclear. Ela se origina da artéria basilar e
atinge o labirinto através do meato acústico interno.

40. Cavidade da boca

A cavidade da boca é a porção inicial do sistema digestivo, estendendo-se desde


os lábios até a faringe. Ela está dividida pelos dentes e genvivas em dois
compartimentos: vestíbulo da boca e cavidade da boca propriamente dita.

40.1. Vestíbulo da boca

O vestíbulo da boca é delimitado externamente pelos lábios e bochechas e


internamente pelos dentes e genvivas. Quando a boca está fechada, o vestíbulo
comunica-se com a cavidade da boca propriamente dita pelo espaço situado entre os
dentes incisivos e os dentes pré-molares e ainda por um espaço situado caudalmente aos
dentes molares. O assoalho e o teto do vestíbulo são constituídos pela reflexão da
mucosa dos lábios e das bochechas para as gengivas. Ao nível do plano mediano, a
mucosa forma, em cada lábio, uma pequena prega sagital, o frênulo do lábio, pouco
desenvolvido nos ruminantes domésticos. A mucosa do vestíbulo forma, na face interna
das bochechas, inúmeras papilas cônicas corneificadas, denominadas papilas bucais,
dirigidas caudalmente e cuja função é auxiliar na apreensão e mastigação de alimentos
fibrosos. O ducto parotídico desemboca no vestíbulo da boca em uma pequena projeção
da mucosa, a papila parotídica, situada acima dos dentes molares superiores. Nos
pequenos ruminantes, a papila está localizada acima do primeiro molar e, nos bovinos,
acima do segundo molar.

40.2. Lábios
182

São duas pregas musculoconjuntivas que delimitam a entrada ou rima da boca. A


cada lado, o lábio superior está unido ao lábio inferior nos ângulos da boca.
Externamente, os lábios são revestidos pela pele, que se continua, ao nível da borda
labial, com a mucosa da cavidade da boca. No carneiro e no cabrito, o lábio superior
apresenta externamente, ao nível do plano mediano, uma fenda disposta verticalmente, o
filtro. Os bovinos não possuem filtro: pelo contrário, a face externa do lábio superior é
plana e funde-se dorsalmente com o rostro do nariz, formando uma área denominada
plano nasolabial. O plano nasolabial é, em geral, intensamente pigmentado e desprovido
de pelos. Sua superfície é dividida por pequenas depressões ou sulcos em inúmeras
áreas irregularmente poligonais. O mapeamento destas áreas difere de indivíduo para
indivíduo, e alguns autores acreditam que possa servir como meio de identificação do
animal. No animal sadio, o plano nasolabial apresenta-se coberto de gotículas
provenientes da secreção serosa de duas glândulas.

40.3. Bochechas

Constituem as paredes laterais do vestíbulo da boca. Sua estrutura assemelha-se


à do lábio, entrando em sua formação os músculos bucinador, zigomático, depressor e
elevador do lábio superior e canino. As bochechas auxiliam na apreensão e mastigação
dos alimentos. A paralisia daqueles músculos, causada por lesão do sistema nervoso
central ou, como ocorre mais frequentemente, por lesão do nervo facial, provoca um
acúmulo característico de alimento no vestíbulo do lado lesado.

40.4. Cavidade da boca propriamente dita

É limitada rostral e lateralmente pelos dentes e gengivas. O teto da cavidade é


representado pelo palato duro e oassoalho é ocupado principalmente pela língua, que é
sustentada por músculos da região intermandibular. A cavidade da boca propriamente
dita continua-se caudalmente com a orofaringe, estando o limite entre as duas,
representado pelo arco palatoglosso, uma discreta elevação abaulada que une, a cada
lado, o palato à base da língua.

40.5. Palato

Constitui a parede dorsal (teto) da cavidade da boca e da orofaringe, separando-


as, respectivamente, da cavidade nasal e da nasofaringe. Compreende uma porção
rostral, o palato duro, que repousa sobre o palato ósseo, e uma porção caudal,
musculomembranácea, o palato mole.

40.5.1. Palato duro

O palato duro é constituído por uma base óssea (processos palatinos dos ossos
incisivos e das maxilas e porções horizontais dos ossos palatinos), recoberta pela
mucosa. Entre a mucosa e a base óssea encontra-se uma rede venosa, mais desenvolvida
na porção rostral, denominada plexo palatino. Medianamente, o palato duro apresenta
uma linha longitudinal, denominada rafe palatina. No extremo rostral da rafe, localiza-
se uma pequena saliência arredondada, a papila incisiva, sob a qual desemboca o ducto
183

incisivo, proveniente da cavidade nasal. A cada lado da rafe, encontra-se uma série de
cristas transversais, mais ou menos arqueadas, com a borda livre denteada, denominadas
rugas palatinas. O número médio de rugas palatinas é de quinze a vinte nos bovinos,
quatorze na ovelha e doze na cabra. A extremidade rostral do palato não apresenta, nos
ruminantes domésticos, dentes incisivos. Nesta área desenvolve-se uma elevação
abaulada, revestida por um espessamento epitelial corneificado, denominada pulvino
dental, situado logo à frente da papila incisiva.

40.5.2. Palato mole (véu palatino)

O palato mole representa a continuação caudal do palato duro. É uma prega


musculomembranácea, disposta transversalmente de modo a dividir a faringe num
compartimento dorsal, nasofaringe, e outro ventral, orofaringe. Sua borda livre, voltada
caudalmente, é côncava e continua-se a cada lado, na parede da faringe, por uma prega
discreta denominada arco palatofaríngico. Ventralmente, o palato mole está unido à
base da língua por uma elevação também discreta, o arco palatoglosso.

40.5.3. Músculos do palato

40.5.3.1. Elevador do véu palatino – origina-se no processo muscular do temporal e


dispõe-se obliquamente no sentido crânio-ventral, na parede lateral da nasofaringe.
Atingindo o palato mole, une-se com o do lado oposto ao nível do plano mediano. Sua
função é elevar o palato mole, durante a deglutição.

40.5.3.2. Tensor do véu palatino – origina-se também no processo muscular do


temporal, passando lateralmente ao elevador do véu palatino. Suas fibras dirigem-se
cranioventralmente e terminam no palato mole, misturando-se às do músculo palatino.
Sua função, conforme o nome indica, é manter tenso o véu palatino, previamente
elevado.

40.5.3.3. Palatino – compreende um conjunto de feixes musculares que se dispõem


longitudinalmente na estrutura do palato mole, estendendo-se da borda caudal do palato
ósseo à borda livre do véu palatino. Sua ação consiste em encurtar o véu palatino,
contribuindo também para mantê-lo tenso.

40.5.3.4. Palatofaríngico – origina-se no palto mole e suas fibras dirigem-se


dorsocaudalmente para inserirem-se na parede dorsal da faringe. Atua na constrição da
faringe.

40.6. Língua

É um órgão musculomembranáceo alongado, situado no assoalho da boca. Está


fixada por músculos ao osso hióide, à mandíbula e à faringe. Nos ruminantes, ela tem
importante função na apreensão de alimentos, além das funções de gustação, tato,
184

mastigação, deglutição e sucção. É constituída por potente massa muscular, revestida


por mucosa bastante desenvolvida. Apresenta ápice, corpo e base ou raiz. O ápice da
língua é sua extremidade rsotral livre; é delgado e arredondado, situando-se, na posição
de repouso, por detrás dos dentes incisivos. O corpo é a porção média da língua,
disposto entre os dentes molares. É espesso, suas bordas laterais são abauladas e sua
face ventral está presa por meio de músculos à mandíbula. A raiz da língua corresponde
à sua porção mais caudal e situa-se já na orofaringe. É a porção mais fixa da língua e
está presa principalmente ao osso hióide. O dorso da língua é a superfície desta que está
voltada para o palato. A mucosa do dorso é espessa e bastante corneificada. Em seu
terço médio o dorso apresenta uma depressão transversal, mais profunda nos bovinos,
denominada fossa lingual e, caudalmente a esta, encontra-se uma saliência abaulada, o
toro lingual. O dorso da língua está também coberto por uma série de pequenas
projeções da mucosa, denominadas papilas linguais. Os principais tipos de papilas
encontradas nos ruminantes são:

• Papilas filiformes – são as mais numerosas, estando espalhadas em toda a


extensão do dorso da língua, principalmente em sua metade rostral. São as
responsáveis pela aspereza do dorso da língua.

• Papilas fungiformes – são papilas pequenas, arredondadas, geralmente


esbranquiçadas, distribuídas esparsamente no dorso, principalmente ao longo de
suas bordas.

• Papilas lenticulares – são papilas maiores, bastante corneificadas, arredondadas,


algumas apresentando um curto ápice e que estão concentradas principalmente
no toro lingual.

• Papilas valadas - estão situadas no extremo caudal do dorso, junto à raiz da


língua. Aparecem em número de 15 a 25 nos ruminantes domésticos.
Apresentam-se como elevações arredondadas, circundadas por uma depressão,
donde o nome de valadas.

As papilas filiformes e lenticulares exercem função apenas mecânica, ao passo


que as fungiformes e valadas possuem botões gustativos.

A face ventral da língua é livre apenas no terço rostral. Da sua porção mediana
destaca-se o frênulo da língua, uma prega vertical que se prende ventralmente na
mucosa que reveste a porção incisiva da mandíbula. A cada lado do frênulo da
língua encontra-se, no assoalho da boca, uma pequena prega de mucosa, a carúncula
sublingual, a qual contém o orifício de abertura dos ductos excretores da glândula
sublingual monostomática e da glândula mandibular.

O assoalho da cavidade da boca prolonga-se caudalmente a cada lado da língua e


nesta região encontram-se uma ou mais fileiras de papilas cônicas, semelhantes às
encontradas na face interna das bochechas. Os numerosos ductos da glândula
sublingual polistomática abrem-se também nesta área do assoalho da boca.
185

40.6.1. Músculos da língua

40.6.1.1. Músculo próprio da língua – compreende os feixes musculares que


compõem a estrutura interna da língua. Estes se dispõem de modo a formar 3
sistemas entrecruzados de fibras: fibras longitudinais superficiais, situadas logo
abaixo da mucosa, fibras transversais e fibras perpendiculares. A contração destes
feixes musculares é que determina as modificações no formato da língua. Todos eles
são inervados pelo nervo hipoglosso.

40.6.1.2. Genioglosso – origina-se no corpo da mandíbula, próximo à sincondrose


mandibular. Suas fibras dirigem-se caudodorsalmente e penetram de maneira
radiada na estrutura da língua, onde se confundem as fibras do músculo próprio. É
inervado pelo hipoglosso e sua contração determina um rebaixamento do corpo da
língua; as fibras que se inserem na raiz da língua auxiliam também na sua protusão.

40.6.1.3. Hioglosso – origina-se no basi-hióide e no tireo-hióide e suas fibras


dirigem-se rostrodorsalmente, penetrando no corpo da língua numa posição medial
às fibras do estiloglosso. É inervado pelo nervo hipoglosso e, ao se contrair, traciona
a língua em direção à faringe.

40.6.1.4. Estiloglosso – origina-se na face lateral da porção rostral do estilo-hióide.


Estende-se rostralmente, formando uma faixa muscular alongada e fina, que cruza
lateralmente as fibras do genioglosso e termina penetrando na estrutura da língua.
Sua ação consiste em tracionar a língua caudalmente; quando apenas um deles se
contrai, a língua é deslocada para o lado correspondente. Como os demais músculos
da língua, é inervado pelo nervo hipoglosso.

40.7. Dentes

Os dentes são estruturas esbranquiçadas, duras, constituídas principalmente de


tecidos mineralizados e que têm a função de preender, cortar e triturar os alimentos.
Estão parcialmente implantados nos alvéolos dentários dos ossos incisivos (exceto
nos ruminantes), maxila e mandíbula.

40.7.1. Partes do dente

O dente é dividido em três partes: coroa, colo e raiz. A coroa é a parte do dente
que está exposta na cavidade da boca, a raiz fica alojada no alvéolo e o colo é uma
área mais estreitada, nem sempre distinta, que separa a coroa da raiz. A forma e
constituição das coroas e raízes variam segundo o tipo de dente e a espécie animal.

40.7.1.1. Coroa – apresenta, para descrição duas faces de contato (mesial e distal),
uma face vestibular, uma face lingual e uma face oclusal. As faces de contato de
uma coroa são as faces contíguas de dentes adjacentes. Nos dentes rostrais
(incisivos), a face mesial é aquela voltada para o plano mediano e a face distal está
voltada lateralmente. Nos dentes caudais, (caninos, pré-molares e molares), a face
mesial está dirigida para os dentes incisivos e a face distal é, consequentemente, a
186

oposta. A face vestibular está voltada para os lábios, nos dentes incisivos, e para as
bochechas, nos dentes pré-molares e molares. A face lingual de todos os dentes está
voltada para a língua. As faces vestibular e lingual podem ser lisas, como nos dentes
incisivos, ou apresentar pregas verticais, como nos pré-molares e molares.

A face oclusal é aquela que entra em contato com os dentes do arco dental
oposto, durante a mastigação. Ela apresenta formas muito variáveis, especialmente
nos dentes posteriores. A face oclusal dos dentes incisivos pode estar reduzida a
uma simples borda cortante, como nos carnívoros e ruminantes jovens, ou ser larga
e apresentar uma escavação central, o infundíbulo do dente, como nos equinos. Nos
dentes posteriores (pré-molares e molares) existem acentuadas diferenças na face
oclusal, que estão relacionadas com o tipo de alimentação. Assim, nos carnívoros a
face oclusal destes dentes apresenta elevações pontiagudas, as cúspides do dente,
dispostas de maneira a se encaixarem reciprocamente com as do arco oposto. Os
herbívoros, por outro lado, não apresentam cúspides; em seu lugar aparecem as
cristas de esmalte, elevações irregulares e sinuosas que delimitam depressões. Nos
suínos, as faces oclusais dos dentes posteriores apresentam tubérculos numerosos e
extremamente irregulares.

40.7.1.2. Raiz – os dentes podem ter um ou mais raízes. De um modo geral, as


raízes tornam-se afiladas em sua extremidade livre recebendo esta extremidade o
nome de ápice. O número de raízes é mais ou menos constante para cada tipo de
dente. As raízes estão presas aos alvéolos dentais por meio de um tecido conjuntivo
denso, que recebe o nome d periodonto. Esta juntura fibrosa entre o alvéolo e a raiz
recebe a denominação especial de gonfose. O termo gonfíase indica frouxidão ou
mobilidade dos dentes. Os dentes incisivos dos bovinos apresentam uma discreta
gonfíase normal.

40.7.2. Cavidade do dente

Os dentes possuem em seu interior uma cavidade, que é preenchida pela polpa
dentária. A cavidade do dente é dividida em duas partes: cavidade coronal e canal da
raiz. A cavidade coronal, como o nome indica, está situada no interior da coroa do
dente. O canal da raiz estende-se no interior desta e abre-se num forame situado no
ápice. Por esse forame passam os vasos e nervos que suprem o dente.

40.7.3. Estrutura do dente

Cada dente é constituído de uma polpa, revestida por três tipos de tecido
mineralizado: dentina, esmalte e cemento.

40.7.3.1. Polpa – a polpa do dente é um tecido conjuntivo frouxo, de origem


mesenquimal e do qual se origina a dentina. Ela preenche a cavidade do dente,
sendo bastante rica em vasos e nervos.

40.7.3.2. Dentina - a dentina é um tecido mineralizado de origem mesodérmica, de


cor branco-amarelada e constitui a maior parte da estrutura do dente. É constituída
187

por fibras colágenas e sais de cálcio e possui inúmeros canalículos, nos quais
situam-se prolongamentos citoplasmáticos dos odontoblastos. Estes últimos formam
uma camada celular simples no limite com a cavidade do dente. A dentina desgasta-
se com o uso. Sua formação pode continuar, entretanto, durante a vida do animal, a
partir de sua fase interna ou pulpar (dentina secundária).

40.7.3.3. Esmalte – o esmalte é um tecido mineralizado, esbranquiçado e brilhante,


de origem ectodérmica, que recobre a dentina ao nível da coroa. Com a idade, a
coroa torna-se gradativamente exposta, aumentando sua área sem revestimento de
esmalte. Na face oclusal, o esmalte é mais espesso e reveste os tubérculos e cristas
que aí se formam. Nos dentes que ainda não participaram do processo da
mastigação, o esmalte é revestido por uma fina camada de uma substância amorfa, a
cutícula do dente. Ao contrário da dentina, o esmalte não se forma continuamente
durante a vida do animal e sua regeneração também não se faz. Como resultado do
desgaste, há uma perda gradual do esmalte nas faces oclusais.

40.7.3.4. Cemento – o cemento é um tecido mineralizado de origem mesodérmica,


que recobre a raiz e a região da coroa desprovida de esmalte. Assemelha-se ao osso
e serve como meio de inserção das fibras que fixam o dente ao alvéolo.

40.7.4. Tipos de dentes segundo a forma e posição no arco dental

Os dentes podem ser classificados segundo sua forma, posição no arco dental e
época de aparecimento. Quanto à forma e posição, os dentes podem ser classificados
em incisivos, caninos, pré-molares e molares.

40.7.4.1. Incisivos – os dentes incisivos estão implantados nos alvéolos do arco


alveolar da mandíbula e, em não-ruminantes, do osso incisivo. Eles apresentam
coroa e raiz simples. Todos os animais domésticos têm 3 incisivos em cada hemi-
arco dental, exceto nos ruminantes. Estes possuem 4 incisivos em cada hemi-arco
inferior e não possuem incisivos superiores. Os dentes incisivos denominam-se, no
sentido mediolateral, de incisivo medial (I1 ou pinça), incisivo intermédio (I2 ou
médio) e incisivo lateral (I3 ou canto). Nos ruminantes existem dois incisivos
intermédios, que são respectivamente o incisivo intermédiomedial (ou I2) e incisivo
intermédiolateral (ou I3); o incisivo lateral, nestas espécies, é o I4.

Nos ruminantes, a coroa dos dentes incisivos virgens é inteiramente revestida


pelo esmalte e apresenta borda cortante. Com o uso, o esmalte desgasta-se, a dentina
torna-se exposta e a face oclusal do dente alarga-se. Nos equinos, a coroa dos dentes
incisivos apresenta uma escavação central – o infundíbulo do dente. O desgaste
sofrido pelo dente modifica a forma de seu contorno, bem como o aspecto da face
oclusal. No dente virgem, a face oclusal é elíptica e revestida pelo esmalte, com o
infundíbulo no centro. Com o uso, o contorno da coroa passa a triangular, o
infundíbulo vai se tornando mais raso e a cavidade coronal é atingida. Esta última
apresenta-se, entretanto, preenchida por dentina secundária, constituindo a chamada
“estrela” do dente. Finalmente, o fundo do infundíbulo desaparece da face oclusal,
188

permanecendo apenas a “estrela” do dente, que ocupa uma posição central. No cão e
no gato, os incisivos apresentam coroa com duas ou três pequenas cúspides
cortantes. No porco, eles possuem coroa estreita e sua raiz é longa e afilada.

40.7.4.2. Caninos – os dentes caninos estão implantados em alvéolos situados na


borda interalveolar da mandíbula e da maxila. Têm coroa e raiz simples, como os
incisivos. Nos ruminantes, os dentes caninos superiores estão ausentes e, na
mandíbula, eles deslocaram-se rostralmente incorporaram-se aos incisivos como I4.
Na égua, são pequenos e muitas vezes não chegam a se exteriorizar, ou ainda podem
faltar totalmente. Os caninos do porco são muito desenvolvidos e projetam-se para
fora da cavidade da boca. Sua coroa é cônica, ôca e está curvada para fora e para
trás. São de crescimento contínuo e não são considerados como possuindo uma raiz,
no sentido restrito do termo. Nas fêmeas, os caninos são menos desenvolvidos. No
cão e no gato, os dentes caninos são grandes, ponteagudos e curvos, e sua raiz mede
de 2 a 3 cm de comprimento.

40.7.4.3. Pré-molares e molares - os dentes pré-molares e molares inserem-se nos


alvéolos da borda alveolar da mandíbula e da maxila. Sua coroa tem forma
complexa e varia segundo a espécie animal. Apresentam duas ou mais raízes. O
número de dentes pré-molares e molares varia de acordo com a espécie e com o arco
dental (veja quadro de fórmulas dentárias).

Nos equinos, o primeiro pré-molar superior denomina-se dente lupino. É


pequeno, rudimentar e representa o vestígio de um dente desenvolvido nos
ancestrais do cavalo. Ele nasce durante os seis meses iniciais de vida, podendo cair
ou persistir. Na mandíbula existe um dente análogo ao lupino e que raramente chega
a exteriorizar-se. Nos ruminantes e equinos, os dentes pré-molares e molares
superiores têm geralmente três raízes, enquanto os inferiores têm duas, exceto o
último molar inferior dos equinos, que tem três. Estes dentes são caracterizados pela
presença, na face oclusal da coroa, de cristas de esmalte. Nos equinos, suas raízes
são longas e geralmente mantêm-se unidas por certa extensão a partir do colo,
separando-se somente próximo aos ápices. Nos ruminantes, as raízes já se separam e
divergem mais próximo ao colo. Pode, no entanto, haver variações no
comportamento das raízes, tanto nos equinos como nos ruminantes.

Os pré-molares e molares do porco apresentam coroa com inúmeros tubérculos


de forma e tamanho irregulares. O primeiro pré-molar de cada arco é pequeno e
simples e situa-se próximo aos caninos. O primeiro pré-molar tem duas raízes e os
outros, três ou quatro. Os molares tem quatro raízes, podendo o par rostral das raízes
estar fundido. No cão, o número de dentes molares e pré-molares varia de acordo
com a raça. Geralmente são 6 superiores e 7 inferiores em cada antímero. As raças
braquicéfalas há redução de 1 ou 2 dentes molares. O 4º pré-molar superior e o
primeiro molar inferior são dentes bem desenvolvidos, com cúspides maiores que as
dos restantes e são denominados dentes sectórios (ou carniceiros). Os pré-molares
189

possuem uma ou duas raízes. Os molares inferiores possuem 2 e os molares


superiores, 3 raízes.

40.7.5. Tipos de dentes segundo a época de erupção

Segundo a época de erupção, os dentes são classificados em decíduos e


permanentes. Os dentes decíduos ou de leite são os primeiros dentes dos animais
jovens e caem numa época determinada. Os dentes permanentes substituem os
decíduos e são definitivos.

Época de erupção dos dentes: Tanto os dentes decíduos como os permanentes


exteriorizam-se em épocas mais ou menos determinadas. Este fato é utilizado como
elemento para a determinação da idade dos animais domésticos, apesar de haver
variações quanto a raças e ao sistema de criação. A literatura nacional e estrangeira
sobre a época da erupção dos dentes é grande e deverá ser consultada para
informações mais pormenorizadas, nas disciplinas de Zootecnia.

40.7.6. Fórmulas dentárias dos animais domésticos*

* As fórmulas indicam o número de dentes em cada hemi-arco dental. O número


total de dentes é o dobro do indicado.
190

** Os caninos decíduos do cavalo aparecem como pequenas lâminas e, por serem de


tamanho reduzido, não foram incluídos.

*** O 0 indica a ausência deste dente na fêmea.

**** A variação indicada refere-se à presença ou ausência do dente lupino.

41. Glândulas salivares

Os ruminantes possuem glândulas salivares bem desenvolvidas. Além dos três


pares de glândulas salivares maiores (parótida, mandibular e sublingual), existem
ainda pequenas glândulas salivares distribuídas pelas paredes da cavidade da boca
(glândulas bucais dorsais e ventrais), dos lábios, palato e língua. O conjunto das
secreções de todas as glândulas salivares é denominado saliva. A produção diária de
saliva nos ruminantes é muito grande e alguns autores assinalam que os bovinos ela
pode alcançar acima de 100 litros. Nos pequenos ruminantes ela é cerca de 1/10 dos
bovinos.

41.1. Parótida

É uma das três glândulas salivares maiores, situando-se entre a mandíbula e a


base da orelha. Nos bovinos, ela tem forma alongada, com as extremidades dorsal e
ventral afiladas e a porção média alargada. A extremidade dorsal situa-se um pouco
abaixo do arco zigomático e a ventral atinge o ângulo da mandíbula. Nos pequenos
ruminantes a glândula parótida é mais arredondada. No animal vivo, ela tem
coloração amarelada e consistência dura. A superfície da parótida apresenta-se
demarcada por pequenos lóbulos agrupados compactamente, limitados por reduzida
quantidade de tecido conjuntivo. A glândula parótida é envolvida fáscia parotídica e
está coberta pelos músculos cutâneo da face e parótido-auricular. Grande parte de
sua borda rostral relaciona-se com o linfonodo parotídicoe a restante apoia-se no
músculo masseter. Profundamente, a glândula relaciona-se com um grande número
de estruturas, principalmente com a artéria e veia maxilares, o músculo occipito-
hióide e parte da glândula mandibular. O nervo facial penetra em sua face profunda,
onde se divide em seus ramos terminais. O nervo auriculotemporal também percorre
parte da estrutura da glândula. Processos patológicos da glândula podem interferir
na função destes nervos, com sintomatologia que está na dependência do grau de
afecção.

O ducto parotídico é formado pela confluência de vários ductos coletores e


emerge da glândula ao nível de sua borda rostral, próximo à extremidade ventral.
Acompanhe o ramo bucal ventral do nervo facial ao longo das bordas ventral e
rostral do masseter. Ao nível desta última, é acompanhado, nos bovinos, pela artéria
e veia faciais. O ducto perfura o músculo bucinador e abre-se na cavidade da boca
ao nível da papila parotídica. A papila parotídica nos ruminantes domésticos tem
forma variável e situa-se normalmente ao nível d 2º molar superior nos bovinos e 1º
molar superior nos pequenos ruminantes.
191

Inervação: a inervação parassimpática da parótida é feita por fibras pós-


ganglionares que se originam do gânglio ótico e correm juntamente com o nervo
bucal. Ao nível da borda cranial do masseter as fibras deixam aquele nervo e
associam-se à parede do ducto parotídico para atingir a glândula. A inervação
simpática provém do gânglio cervical cranial e atinge o órgão juntamente com os
ramos arteriais. Irrigação: ramos glandulares da artéria maxilar.

41.2. Mandibular

É a maior das glândulas salivares dos ruminantes domésticos. Tem forma


alongada, acompanhando a curvatura da borda ventral da mandíbula. Estende-se
desde o nível do atlas, onde se situa entre este e a mandíbula e encoberta pela
parótida, da qual está separada pela veia maxilar, até a região intermandibular. Aqui,
ela situa-se entre a mandíbula e os músculos digástrico e pterigoideo medial,
lateralmente, e a laringe, medialmente. Na região intermandibualr, a glândula é
subcutânea e relaciona-se com os linfonodos mandibulares. Alguns hemolinfonodos
são também encontrados junto à glândula. A superfície da glândula apresenta-se
lobulada, como na parótida, porém os lóbulos são pouco maiores e mais separadas
uns dos outros por tecido conjuntivo frouxo.

O ducto mandibular emerge da face lateral da glândula e corre rostralmente por


grande extensão na região intermandibular, até alcançar o assoalho da cavidade da
boca, onde se abre na carúncula sublingual. Durante seu trajeto, o ducto mandibular
associa-se ao nervo lingual, passando entre os músculos milo-hióideo e estiloglosso.
Antes de alcançar o assoalho da cavidade da boca, corre junto à borda ventral da
glândula sublingual.

Inervação: a glândula mandibular é inervada por fibras pós-ganglionares


parassimpáticas provenientes dos gânglios mandibulares. Alguns destes últimos são
encontrados ao longo da parede do ducto bem como no interior da glândula. A
inervação simpática provém do gânglio cervical cranial, cujas fibras alcançam o
órgão por meio dos vasos arteriais. Irrigação: artéria facial.

41.3. Sublingual

A glândula sublingual é a menor das três glândulas salivares principais e


estende-se na região intermandibular entre o corpo da língua e o músculo milo-
hióideo. Cada glândula sublingual pode ser dividida em duas porções, denominadas
sublingual polistomática e sublingual monostomática. A primeira é a mais dorsal e
situa-se próximo ao assoalho da cavidade da boca, onde se abrem seus numerosos
ductos excretores. A segunda situa-se ventrocranialmente à primeira e seu único
ducto excretor corre paralelamente ao ducto mandibular para se abrir juntamente
com este na carúncula sublingual.
192

Inervação: a inervação parassimpática da glândula sublingual é feita por fibras


de neurônios situados nos gânglios mandibulares, como na glândula mandibular. As
fibras simpáticas provêm do gânglio cervical cranial. Irrigação: artéria sublingual.

42. Cavidade nasal e seios paranasais

42.1. Cavidade nasal

A cavidade nasal é o primeiro segmento do sistema respiratório. Ela tem forma


aproximadamente cilíndrica e estende-se desde as narinas, que são suas aberturas
para o exterior, até as coanas, que representam seu limite caudoventral com a
nasofaringe. A cavidade nasal está protegida por um arcabouço formado
dorsalmente pelos ossos nasais, lateralmente pelas maxilas, lacrimais e incisivos, e
ventralmente pelos processos palatinos dos incisivos e maxilas e pelos ossos
palatinos. Está dividida em metades direita e esquerda por uma parede
osteocartilagomembranácea denominada septo nasal.

Conceitua-se como nariz o conjunto formado pela cavidade nasal e o nariz


externo. No homem, o nariz externo. No homem, o nariz externo é visível e faz
saliência na face. Ele apresenta uma extremidade rostral livre ou ápice e se une à
fronte pela raiz. O dorso é representado pela borda abaulada colocada entre o ápice e
a raiz. Nos ruminantes domésticos, o nariz externo não é saliente; pelo contrário, ele
continua-se com a face sem apresentar limites nítidos de demarcação. Pode-se
apenas distinguir a extremidade rostral do nariz, o rostro, onde se situam as narinas.
O dorso é delimitado tendo como base os ossos nasais. Nos bovinos, o rostro do
nariz continua-se ventralmente com o lábio superior, constituindo o plano
nasolabial, já descrito. Nos ovinos e caprinos, o lábio superior encontra-se
completamente separado do nariz por um sulco pouco profundo e a área do rostro
entre as narinas, nestes animais, é conhecida como plano nasal. Sua estrutura é
semelhante à do plano nasolabial dos bovinos.

As narinas têm forma de fendas e dispõem-se obliquamente no rostro, de modo


que suas extremidades ventrais estão mais próximas uma da outra que as
extremidades dorsais. A extremidade dorsal de cada narina continua-se com uma
discreta depressão alongada, dirigida dorsolateralmente, denominada sulco alar. As
narinas são mantidas abertas por meio de um grupo de cartilagens hialinas, que se
dispõem ao seu redor e são auxiliadas pela cartilagem do septo nasal.

A cada narina segue-se o vestíbulo nasal, que nos ruminantes é de extensão


reduzida. O vestíbulo nasal é revestido pela pele, que se invagina na cavidade. Ele
termina ao nível da transição entre pele e mucosa da cavidade nasal.

A cavidade nasal é dividida pelo septo nasal em metades direita e esquerda.


Cada metade possui teto, assoalho e paredes lateral, medial e caudodorsal. O teto é
muito estreito e está constituído, no sentido rostrocaudal, por cartilagens e pelos
ossos nasal e frontal. O assoalho, como o teto, é também estreito e separa a cavidade
193

nasal da cavidade da boca. Em sua extremidade rostral encontra-se um estreito


orifício, a abertura nasal do ducto incisivo. Este último é um curto canal que une a
cavidade nasal à cavidade da boca. O órgão vomeronasal é uma estrutura tubular de
natureza cartilagínea, revestida internamente por uma membrana mucosa e situada
no assoalho da cavidade nasal, lateralmente à base do septo nasal. A extremidade
caudal do órgão vomeronasal termina em fundo cego, ao nível dos dentes molares.
Sua extremidade rostral comunica-se com o ducto incisivo. Admite-se que no órgão
vomeronasal existam receptores olfativos para partículas captadas ao nível da
cavidade da boca.

A parede lateral é côncava internamente, sendo formada pelos ossos nasal,


lacrimal, maxila e incisivo. Em sua superfície interna prendem-se elevações
alongadas longitudinalmente, as conchas nasais dorsal e ventral. Estas são formadas
por delgadas lâminas ósseas, perfuradas por inúmeros orifícios, enroladas em espiral
e revestidas pela mucosa da cavidade nasal. A concha nasal dorsal situa-se próximo
ao teto e prolonga-se desde a extremidade caudal da cavidade até próximo ao
vestíbulo nasal. É mais larga em seu terço médio e, ao se aproximar do vestíbulo,
continua-se com uma elevação estreita, a prega reta. A concha nasal ventral é mais
larga e volumosa que a dorsal, sendo constituída por duas lâminas espirais enroladas
em direções opostas. Rostralmente, próximo ao vestíbulo, ela continua-se com uma
elevação dilatada, a prega alar. As pregas reta e alar são saliências da parede lateral
da cavidade nasal produzidas pelas cartilagens nasais. A prega alar é contínua
caudoventralmente com uma elevação discreta, a prega basal, situada no assoalho da
cavidade nasal. O orifício nasal do ducto nasocrimal é uma pequena abertura, em
forma de fenda, situada no terço ventral da prega alar, próximo à junção com a
prega basal. No extremo caudal da cavidade nasal situam-se as conchas etmoidais,
que têm como base óssea pequenas lâminas que se destacam da lâmina crivosa do
etmoide em direção à cavidade nasal. A maior das conchas etmoidais situa-se entre
as porções caudais das conchas dorsal e ventral e é denominada concha nasal média.
As conchas etmoidais são revestidas pela mucosa olfatória, dotada de células
especializadas na recepção de estímulos olfativos.

A presença das conchas nasais determina a divisão da cavidade em quatro


estreitos espaços, denominados meatos nasais. O meato nasal dorsal situa-se entre o
teto e a concha nasal dorsal. O meato nasal médio encontra-se entre as conchas
nasais dorsal e ventral; nele encontram-se os orifícios de abertura dos seios frontal,
palatino e maxilar, ocultos pela concha dorsal. O meato nasal ventral situa-se entre a
concha nasal ventral e o assoalho. Os três meatos comunicam-se com o meato nasal
comum, que é o espaço situado entre as conchas e o septo nasal.

A parede medial da cavidade é representadapelo septo nasal. Este é constituído


de uma parte óssea, formada pelos ossos vômer e etmoide (lâmina perpendicular),
completada por cartilagem hialina. Caudalmente, o septo nasal continua-se por uma
parte membranácea, constituída por uma mucosa que recobre uma lâmina conjuntiva
bastante vascularizada.
194

As coanas são os orifícios nasais caudais, situadas no assoalho e que comunicam


a cavidade nasal com a nasofaringe.

42.2. Seios paranasais

Os seios paranasais são cavidades localizadas no interior de ossos do crânio,


revestidas de mucosa e que se comunicam com a cavidade nasal e por isso todos
eles abrem-se direta ou indiretamente na cavidade. Sua função ainda é discutível,
mas parece que exercem pelo menos as seguintes funções: a) acondicionamento e
purificação do ar inspirado; b) servem para aumentar a superfície externa do crânio,
sem, contudo aumentar o peso da cabeça, dando maior superfície de inserção aos
músculos; c) aumentar a resistência da cabeça contra pressões externas; d) proteção
do encéfalo, constituindo uma caixa isolante com finalidades termorreguladoras.

Os seios paranasais são estruturas pares, de formas irregulares e que podem se


apresentar desenvolvidas assimetricamente. Suas capacidades desenvolvem-se com
a idade, havendo muitas variações individuais.

Seio frontal: é o maior dos seios paranasais dos ruminantes domésticos. Nos
bovinos, está situado no interior dos ossos frontal, parietal, occipital e temporal.
Pelo número de ossos envolvidos, pode-se avaliar a sua extensão, que cobre toda a
abóbada craniana, com prolongamentos para o interior dos processos cornuais e
alcançando quase a base do osso occipital. As cavidades dos seios frontais direito e
esquerdo estão separadas por meio de uma parede óssea mediana. Nos bovinos e
caprinos, o seio frontal estende-se somente no osso frontal.

Os seios frontais abrem-se rostralmente na cavidade nasal, ao nível do extremo


caudal do meato nasal médio.

Seio maxilar: o seio maxilar desenvolve-se no interior dos ossos maxila,


lacrimal e zigomático. Caudalmente, ele se continua no interior da bulba lacrimal,
cuja cavidade constitui o seio lacrimal. Durante o desenvolvimento do animal até a
idade adulta, a cavidade do seio maxilar sofre variações em sua forma, devido aos
dentes molares caducos e permanentes, que durante certa época de seu
desenvolvimento preenchem parcialmente a cavidade. O seio maxilar comunica-se
com o meato nasal médio por meio de uma abertura comum com o seio palatino.

Seio palatino: ocupa, em cada lado, o osso palatino e o processo palatino da


maxila. Um seio palatino está separado do outro pelo septo interpalatino. Como o
osso que forma o teto do seio palatino é incompleto, em algumas áreas este seio
acha-se separado da cavidade nasal apenas pela mucosa que a reveste nestas áreas.
O seio palatino, nos ovinos e caprinos, é reduzido. A comunicação do seio palatino
com a cavidade nasal já foi mencionada.

Seio esfenoidal: o seio esfenoidal ocupa, nos bovinos, o corpo e parte das asas
do pré-esfenóide. É um seio ímpar e ocorre, nos bovinos, em apenas 50% dos casos.
Nos pequenos ruminantes está ausente.
195

As lâminas espiraladas das conchas nasais delimitam espaços que são também
denominados seios (seios das conchas dorsal, média e ventral)

43. Faringe

A faringe é a parte do sistema digestório situada caudalmente às cavidades da


boca e nasal e que se continua com o esôfago e a laringe. Sua forma tubular serve
tanto à deglutição como à respiração. Em virtude das posições do esôfago e da
laringe, há um entrecruzamento das vias digestiva e respiratória ao nível da faringe.
Uma prega musculomembranácea horizontal, o palato mole, divide o tubo faríngico
parcialmente em dois condutos que facilitam as funções do órgão. A parte situada
dorsalmente ao palato mole constitui a nasofaringe e a parte situada ventralmente ao
mesmo é a orofaringe, também denominada istmo da garganta ou istmo das fauces.
Finalmente, a porção da faringe situada caudalmente ao palato mole constitui a
laringofaringe. Esta última é, na realidade, a parte da faringe comum aos sistemas
digestivo e respiratório.

A nasofaringe é a maior das três partes da faringe e está relacionada diretamente


com a via respiratória. Rostrodorsalmente comunica-se com a cavidade nasal através
das coanas e caudalmente está separada da laringofaringe pelo arco palatofaríngico,
que é um prolongamento da borda livre do palato mole. O arco palatofaríngico,
juntamente com a borda livre do palato mole, delimita uma passagem denominada
óstio intrafaríngico. Nos pequenos ruminantes, está demonstrado que este óstio se
fecha durante a eructação, devido principalmente à elevação do palato mole no
sentido dorsocaudal. O fechamento do óstio intrafaríngico impede a expulsão de
gases através da nasofaringe. A cavidade da nasofaringe é parcialmente dividida no
plano mediano pelo septo faríngico, que é uma continuação da parte membranácea
do septo nasal. A mucosa da parede lateral de cada metade da nasofaringe repousa
sobre a lâmina perpendicular do osso palatino. A parede dorsal da nasofaringe é
estreita e constitui o fórnix da faringe. Caudalmente, o fórnix termina numa
reentrância mais ou menos profunda, em fundo de saco, denominada recesso
faríngico. Na parede lateral da nasofaringe, próximo ao recesso faríngico, encontra-
se uma fenda em forma de meia lua, de concavidade voltada rostralmente, o óstio
faríngico da tuba auditiva. A parede ventral está formada pela extremidade caudal
do palato duro e pelo palato mole. A parede vertebral ou caudal da nasofaringe
repousa sobre os músculos da faringe. No limite entre as paredes lateral e vertebral,
junto ao recesso faríngico, encontram-se numerosas depressões e elevações mais ou
menos desenvolvidas, contendo tecido linfoide e que constituem em conjunto a
tonsila faríngica.

A orofaringe é a continuação caudoventral da cavidade da boca, servindo


exclusivamente ao sistema digestivo. Seu limite rostral encontra-se ao nível do arco
palatoglosso, que é uma discreta elevação abaulada ligando a base da língua ao
palato mole; caudalmente a orofaringe estende-se até a base da epiglote. Nas
paredes laterais da orofaringe, denominadas fauces, está localizada a tonsila
196

palatina. Esta se apresenta, nos ruminantes domésticos, como uma depressão mais
ou menos profunda, que se denomina seio tonsilar e representa vestígio da 2ª bolsa
faríngica.

A laringofaringe é a menor das três porções da faringe e nela se cruzam as vias


alimentar e aérea. Seu assoalho está constituído pelas cartilagens da laringe. Ela
continua-se dorsalmente à laringe numa pequena extensão em direção ao esôfago,
constituindo o vestíbulo esofágico.

44. Laringe

A laringe é um órgão do sistema respiratório, constituída por cartilagens e


músculos que delimitam uma cavidade. Ela atua como válvula que se fecha durante
a deglutição e ruminação e permanece aberta nos processos de respiração e
eructação. Suas cartilagens dispõem-se de modo a manter a cavidade
permanentemente aberta, exceto nas ocasiões já citadas. Ela é também o principal
órgão da fonação.

A laringe está situada em parte na região intermandibular e em parte na região


ventral do pescoço. Relaciona-se dorsalmente com o esôfago e lateralmente com a
artéria carótida comum, o tronco vagossimpático e o músculo omo-hióideo. Com
relação à coluna vertebral, ela situa-se ao nível do atlas e áxis. Ventralmente, a
laringe é superficial, podendo ser palpada no animal vivo.

44.1. Cartilagens da laringe

As cartilagens da laringe são estruturas mais ou menos rígidas, que dão forma
geral ao órgão e mantêm a comunicação entre faringe e traquéia. São em número de
cinco: tireóide, cricóide, aritenóides (par) e epiglote. As duas primeiras são de
natureza hialina e a última é elástica; já as aritenóides são em parte hialinas e em
partes elásticas.

44.1.1. Tireóide

Tem forma de escudo, daí o seu nome, sendo a maior e mais ventral das
cartilagens da laringe. É constituída por duas lâminas, direita e esquerda, que se
encontram fundidas ventralmente e cujas bordas livres dorsais são divergentes, de
modo a formar uma calha. Esta calha aloja as cartilagens epiglote e aritenóides e,
juntamente com outras estruturas, delimita a cavidade da laringe. Na borda formada
pela união ventral das duas lâminas tireóideas encontram-se, nos extremos rostral e
caudal, duas reentrâncias, as incisuras tireóideas rostral e caudal (proeminência
laríngica), respectivamente. Nos ruminantes, a incisura tireóidea caudal não é
comumente formada e em seu lugar aparece uma saliência arredondada, dirigida
caudoventralmente, denominada proeminência laríngica. Os cornos rostral e caudal
são projeções que se destacam das extremidades rostral e caudal da borda dorsal de
cada lâmina tireóidea. O corno rostral articula-se com o osso tíreo-hióide. O corno
caudal articula-se com a lâmina da cartilagem cricóide. Ventralmente ao corno
197

rostral encontra-se uma reentrância, a fissura tireóidea, que se transforma num


forame tireóideo pela presença de uma lâmina conjuntiva que oblitera parcialmente
a fissura. O ramo interno do nervo laríngico cranial e a artéria laríngica cranial
penetram através deste forame.

44.1.2. Cricóide

É a mais caudal das cartilagens da laringe e tem forma de um círculo, alargado


em sua parte dorsal, dando-lhe aspecto de anel de sinete. A parte dorsal alargada da
cartilagem cricóide é denominada lâmina e a porção estreitada ventral constitui o
arco. A lâmina apresenta uma crista mediana dorsal e, na transição com o arco,
encontram-se as faces articuladas tireóideas. A borda cranial da lâmina é espessa e
nela situam-se as faces articulares aritenóideas, para articulação com as cartilagens
de mesmo nome. A borda caudal da lâmina é delgada. O arco não apresenta acidente
de importância. O ligamento cricotraqueal une a cartilagem cricóide à primeira
cartilagem traqueal e o ligamento cricotireóideo une o contorno ventral da
cartilagem cricóide à proeminência laríngica.

44.1.3. Aritenóides

Constituem um par de cartilagens hialinas que se articulam com a lâmina da


cartilagem cricóide. Elas têm forma triangular, com a base dirigida para trás, para
articular-se com a cricóide. Seu ápice dirige-se para frente e para cima, formando, a
cada lado, os processos corniculados, constituídos de cartilagem elástica. As faces
mediais são lisas e estão recobertas pela mucosa da cavidade laríngica. Da base
destaca-se o processo vocal. Que se dirige ventralmente, fazendo saliência no
interior da cavidade. Da face lateral destaca-se o processo muscular, que dá inserção
aos músculos crico-aritenóideos.

44.1.4. Epiglote

A epiglote é uma lâmina de cartilagem elástica, em forma de folha, cuja base se


prende na porção mediana das faces internas das lâminas tireóideas, estando o seu
ápice voltado para cima e para frente. Apresenta duas faces, lingual e laríngica,
revestidas por mucosas próprias das cavidades da boca e laríngica, respectivamente.

44.2. Músculos da laringe

44.2.1. Cricotireóideo

É um pequeno músculo cujas fibras se originam do arco da cartilagem cricóide e


se dirigem para frente e para cima, para se prenderem na borda caudal e face lateral
da lâmina da cartilagem tireóide. Sua ação se faz sobre a articulação cricotireóidea,
aproximando a cricóide da tireóide. Com isto, as pregas vocais tornam-se tensas.
198

44.2.2. Crico-aritenóideo dorsal

Situa-se na face dorsal da lâmina da cartilagem cricóide e, juntamente com o do


lado oposto, recobre-a quase inteiramente. Suas fibras inserem-se rostralmente no
processo muscular da cartilagem aritenóide. Ação: produz rotação lateral da
aritenóide, dilatando a abertura da glote e tornando tensa a prega vocal.

44.2.3. Crico-aritenóideo lateral

Origina-se na borda cranial do arco da cartilagem cricóide e prende-se no


processo muscular da aritenóide. Ação: aduz os processos vocais das aritenóides,
auxiliando no estreitamento da rima da glote.

44.2.4. Aritenóideo transverso

É um pequeno músculo que ocupa a face dorsal das cartilagens aritenóides. Sua
fibras prendem-se lateralmente no processo muscular e, ao nível do plano mediano,
unem-se com as do músculo correspondente do lado oposto, formando uma rafe
fibrosa. Ação: aproxima as aritenóides do plano mediano, diminuindo a abertura da
glote.

44.2.5. Hio-epiglótico

É um pequeno músculo que se estende do osso basi-hióide à face lingual da


epiglote. Ação: traciona a epiglote em direção a base da língua.

44.2.6. Tíreo-aritenóideo

Este músculo é comumente dividido em duas partes: músculo ventricular e


músculo vocal. Nos ruminantes, no entanto, ele apresenta-se como massa muscular
única, delgada, em forma de leque. Estende-se desde a face interna da lâmina da
tireóide e base da epiglote até o processo muscular da aritenóide. Ação: produz
rotação medial da cartilagem aritenóide, estreitando a glote e relaxando a prega
vocal.

44.3. Cavidade da laringe

A cavidade da laringe é uma passagem estreita e curta que une a cavidade


faríngica à traqueia. Está dividida, no sentido rostrocaudal, em três segmentos:
vestíbulo, glote e cavidade infraglótica.

O vestíbulo da laringe é o segmento inicial da cavidade laríngica, compreendido


entre a entrada ou ádito da laringe e as pregas vocais. O ádito constitui o limite
rostral da cavidade laríngica, estando delimitado lateralmente pelas pregas ari-
epiglóticas, as quais se estendem, a cada lado, dos tubérculos corniculados das
aritenóides até a base da epiglote. Os tubérculos corniculados correspondem aos
processos corniculados das aritenóides revestidos pela mucosa da laringe.
199

A glote é o segmento médio da cavidade laríngica, estando formada dorsalmente


pelos processos vocais das aritenóides e ventralmente pelas pregas vocais. Os
processos e pregas vocais de ambos os lados delimitam uma estreita fenda mediana,
a rima da glote. A porção dorsal da rima da glote, situada entre os processos vocais
das aritenóides, é denominada parte intercartilagínea e aquela situada mais abaixo,
entre as pregas vocais, constitui a parte intermembranácea. A largura da rima da
glote está sujeita às modificações de posição sofridas pelas aritenóides. Assim,
durante a inspiração ela é mais larga que na expiração. Cada prega vocal é uma
dobra de mucosa disposta mais ou menos verticalmente na porção ventral da parede
da laringe, revestindo o músculo vocal. Este, como já foi visto, e uma parte do
músculo tíreo-aritenóideo. As pregas vocais atingem maior desenvolvimento no
homem, onde constituem importante estrutura no mecanismo da vocalização. Os
ruminantes não possuem a prega vestibular nem o ventrículo da laringe, encontrados
em outros animais domésticos.

A cavidade infraglótica é o segmento mais caudal da cavidade da laringe,


estendendo-se da rima da glote à primeira cartilagem traqueal.

44.4. Inervação e irrigação da laringe

Todos os músculos da laringe são inervados pelo nervo laríngico caudal, exceto
o cricotireóideo, cuja inervação é fornecida pelo ramo externo do nervo laríngico
cranial. A mucosa da laringe recebe inervação sensitiva oriunda do ramo interno do
nervo laríngico cranial. Irrigação da laringe: artérias laríngica cranial e tireóidea
cranial.

45. Roteiro para dissecação e estudo do pescoço

45.1. A pele do pescoço já foi removida juntamente com a pele da cabeça

45.2. Identifique, inicialmente, os músculos superficiais da face lateral do pescoço:


cleidocefálico, que é a parte cervical do braquiocefálico, omotransversal e a parte
cervical do trapézio. Estes músculos já foram estudados quando da dissecação do
membro torácico. Observe que o omotransversal passa profundamente ao
cleidocefálico, com o qual está parcialmente fundido.

45.3. Os músculos profundos da face lateral do pescoço não têm relevância em


Medicina Veterinária e por isto não serão aqui dissecados. Afaste estes músculos
lateralmente e observe o ligamento da nuca, situado no plano mediano.

45.4. Identifique, na face ventral do pescoço, ventralmente ao cleidocefálico, o


músculo esternocefálico, que, como o nome indica, se estende do esterno à cabeça.
200

45.5. Identifique a veia jugular externa, que corre caudalmente no sulco jugular,
formado entre os músculos cleidocefálico, dorsalmente, e esternocefálico,
ventralmente.

45.6. Identifique, na face ventral do pescoço, a laringe e a traqueia. Verifique ao


longo da face ventrolateral da traqueia, os músculos esternotireóideo (mais lateral e
mais grosso) e o esterno-hióideo. Eles são delgados feixes musculares que se
estendem desde o esterno até a cartilagem tireóide da laringe e o osso basi-hióide,
respectivamente. Identifique também o músculo omo-hióideo, que se estende
obliquamente da porção cranial da face lateral do pescoço até o basi-hióide,
passando profundamente à veia jugular externa.

45.7. Identifique, na porção cranial da face lateral da traqueia, caudalmente á


laringe, a glândula tireóidea. As glândulas paratireóideas são pequenas e difíceis de
serem localizadas.

45.8. Identifique e disseque, profundamente ao músculo esterno-cefálico, as


seguintes estruturas: artéria carótida comum, tronco vagossimpático, esôfago e
nervo laríngico caudal. Este último corre na face dorsolateral da traqueia e penetra
na laringe.

45.9. Observe, na face lateral do esôfago, hemolinfonodos de tamanho variável.

45.10. Ventralmente à traqueia pode-se observar, em alguns espécimes, o timo. Seu


tamanho é variável de acordo com a idade.

46. Músculos do pescoço

46.1. Músculos da face lateral

46.1.1. Cleidocefálico, omotransversal, trapézio e romboide: já descritos (ítem


8.1)

46.1.2. Esplênio

É um músculo largo e laminar, que constitui a terceira camada muscular da face


lateral do pescoço. Relaciona-se superficialmente com os músculos trapézio (parte
cervical), romboide cervical, cleidocefálico e omotransversal; profundamente, com
os músculos semispinhal da cabeça, longíssimo da cabeça e serrátil ventral (porção
cervical). Origina-se na parte funicular do ligamento da nuca por meio de curta
aponeurose. Sua extremidade caudal origina-se da porção profunda da fáscia da
nuca. Insere-se no osso occipital juntamente com o músculo cleido-occipital, no
processo mastoide do osso temporal com o músculo longíssimo da cabeça e nos
processos transversais das vértebras cervicais II, III e IV. É irrigado por ramos da
artéria cervical profunda.
201

Ação e inervação: inclina a cabeça e o pescoço para o lado. A contração


simultânea dos músculos esplênios direito e esquerdo produz extensão do pescoço e
da cabeça. É inervado pelos ramos dorsais dos nervos cervicais, exceto o C1 e C2.

46.1.3. Longíssimo da cabeça e do atlas

Este músculo consiste de duas porções que são mais ou menos diferenciadas nos
ruminantes domésticos. A porção lateral é menor, insere-se na asa do atlas e é
denominada, por alguns autores, músculo longíssimo do atlas. A porção medial é
delgada e insere-se por um longo tendão no processo mastoide na crista temporal.
As duas porções originam-se nos processos transversais das duas primeiras
vértebras torácicas e nos processos articulares das quatro ou cinco últimas vértebras
cervicais. Ele relaciona-se superficialmente com os músculos serrátil ventral (porção
cervical) e esplênio, profundamente com o músculo semispinhal da cabeça e
ventralmente com a inserção do músculo longíssimo do pescoço. É irrigado por
ramos das artérias cervical profunda e vertebral.

Ação e inervação: sua ação é semelhante à do músculo esplênio. É inervado


pelos ramos dorsais dos últimos nervos cervicais e primeiro torácico.

46.1.4. Semispinhal da cabeça

É o maior dos músculos cervicais laterais e constitui a camada muscular mais


profunda do pescoço. Origina-se nos processos transversais das 8 primeiras (bovino)
e 6 primeiras (pequenos ruminantes) vértebras torácicas e nos processos articulares
das 5 últimas vértebras cervicais. Alguns de seus fascículos têm origem no
ligamento da nuca. Insere-se no osso occipital. Relaciona-se superficialmente com
os músculos esplênio e longíssimo da cabeça e profundamente com a parte laminar
do ligamento da nuca e com os músculos multífido, reto dorsal maior e oblíquo
caudal da cabeça. É irrigado por ramos das artérias cervical profunda e vertebral.

Ação e inervação: atua de modo semelhante ao músculo esplênio. É inervado


pelos ramos dorsais dos 4 últimos nervos cervicais e primeiros nervos torácicos.

46.1.5. Reto dorsal maior da cabeça

É um músculo pequeno, que se estende desde o processo espinhoso do áxis até o


osso occipital. Relaciona-se superficialmente com o músculo semispinhal da cabeça
e profundamente com o músculo reto dorsal menor da cabeça. É irrigado por ramos
da artéria occipital.

Ação e inervação: auxilia na elevação da cabeça. É inervado pelo ramo dorsal de


C1 .

46.1.6. Reto dorsal menor da cabeça


202

Este músculo situa-se profundamente ao precedente, estando parcialmente


fundido a ele, nos bovinos. Origina-se no arco dorsal do atlas e insere-se no osso
occipital. É irrigado por ramos da artéria occipital.

Ação e inervação: as mesmas do músculo reto dorsal maior da cabeça.

46.1.7. Oblíquo caudal da cabeça

É um músculo bastante desenvolvido, que ocupa as faces dorsais do atlas e do


áxis. É inteiramente carnoso e suas fibras dirigem-se craniolateralmente. Está
coberto pelos músculos semispinhal e longíssimo da cabeça. Origina-se no processo
espinhoso e no processo articular caudal do áxis e insere-se na face dorsal da asa do
atlas. É irrigado por ramos das artérias vertebral e occipital.

Ação e inervação: produz rotação do atlas sobre o áxis, atuando na rotação da


cabeça. É inervado pelos ramos dorsais de C1 e C2.

46.2. Músculos da face ventral

46.2.1. Esternocefálico

É um músculo longo e estreito que, nos bovinos e caprinos, é constituído de duas


porções: músculo esternomastóideo e músculo esternomandibular. Nos caprinos este
último insere-se no osso zigomático, sendo por isto denominado esternozigomático.
Nos ovinos somente o músculo esternomastóideo está presente.

O músculo esternomandibular origina-se no manúbrio do esterno e insere-se na


fáscia que cobre o músculo masseter e, por meio de uma aponeurose, na mandíbula.
Relaciona-se superficialmente com a pele e a fáscia cervical superficial;
profundamente, com os músculos esternomastóideo, esterno-hióideo e com a
glândula mandibular.

O músculo esternomastóideo origina-se também no manúbrio do esterno e


insere-se, juntamente com o músculo longo da cabeça, no tubérculo muscular da
base do crânio. Relaciona-se superficialmente com a veia jugular externa, para a
qual forma parte do sulco jugular, e profundamente com a traqueia. Relaciona-se
também com o timo, com a artéria carótida comum e com o tronco vagossimpático.

Os dois músculos são irrigados por ramos da artéria carótida comum.

Ação e inervação: inclinam a cabeça e o pescoço para baixo e para o lado


correspondente: quando os músculos dos dois antímeros atuam simultaneamente,
flexionam a cabeça e o pescoço. É inervado pelo ramo ventral do nervo acessório.

46.2.2. Esternotireóideo e esterno-hióideo

Constituem uma estreita fita muscular que se estende do esterno à região


laríngica. Ao nível do terço médio do pescoço, divide-se em dois músculos distintos.
O músculo esteno-hióideo é delgado, corre ventralmente à traqueia e laringe e
203

insere-se no osso basi-hióide somente até o terço cranial do pescoço. O músculo


esternotireóideo cruza a face lateral da metade cranial da traqueia, para se inserir na
cartilagem tireóide da laringe. São irrigados por ramos da artéria carótida comum.

Ação e inervação: retraem o osso hióide, a língua e a laringe. São inervados por
ramos ventrais dos nervos cervicais.

46.2.3. Escalenos

Os músculos escalenos são o escaleno dorsal, o escaleno médio e o escaleno


ventral. O músculo escaleno dorsal é delgado e corre distalmente sobre a face lateral
do músculo serrátil ventral. Origina-se no processo transversal da sexta vértebra
cervical e insere-se por curta aponeurose na face superficial do músculo serrátil
ventral, ao nível das costelas III e IV. Este músculo falta nos ovinos. O músculo
escaleno ventral é bastante volumoso nos ruminantes domésticos. Origina-se nos
processos transversais da 3ª à 6ª vértebras cervicais e insere-se na borda cranial do
terço distal da costela I.

O músculo escaleno médio é um pequeno músculo fusiforme que vai do


processo transversal da vértebra cervical VII à metade da borda cranial da costela I.
Situa-se profundamente ao músculo escaleno dorsal e está separado do escaleno
ventral pelo plexo braquial. Os músculos escalenos são irrigados por ramos da
artéria vertebral e pelos primeiros ramos das artérias intercostais.

Ação e inervação: são músculos da respiração, agindo na inspiração. Auxiliam


na inclinação do pescoço lateralmente. São inervados por ramos ventrais dos
últimos nervos cervicais.

46.2.4. Intertransversais do pescoço

Os músculos intertransversais do pescoço são pequenos fascículos musculares


que se prendem nos processos transversais e costais das vértebras cervicais.
Distingue-se uma grande porção no pescoço, o músculo intertransversal longo. Este
se origina nos processos costais da sexta à terceira vértebras cervicais e insere-se na
borda caudal da asa do atlas. Situa-se entre o músculo longo da cabeça,
ventralmente, e o músculo escaleno ventral, dorsalmente. São irrigados por ramos
da artéria vertebral.

Ação e inervação: inclinam a cabeça e o pescoço lateralmente. São inervados por


ramos ventrais dos nervos cervicais.

46.2.5. Longo da cabeça

Origina-se dos processos costais da 6ª à 3ª vértebras cervicais. O músculo dirige-


se cranialmente e relaciona-se ventralmente com o músculo intertransversal longo.
Ao nível da asa do atlas, seu tendão funde-se com o do músculo esternomastóideo e
204

insere-se no tubérculo muscular da base do crânio. Relaciona-se ventralmente com a


laringe. É irrigado por ramos da artéria carótida comum.

Ação e inervação: flexiona a cabeça e o pescoço. É inervado pelos ramos


ventrais dos seis primeiros nervos cervicais.

46.2.6. Longo do pescoço

É constituído de vários fascículos carnosos, que se estendem desde a 6ª vértebra


torácica até o atlas. Sua porção torácica consta de feixes mais ou menos isolados que
se originam da face ventrolateral dos corpos vertebrais e se inserem nos processos
transversais da 6ª e 7ª vértebras cervicais. Os fascículos da porção cervical não são
tão distintos: originam-se nos corpos e processos transversais das vértebras cervicais
e terminam na crista ventral da vértebra precedente. Os últimos fascículos são
tendíneos e inserem-se no tubérculo ventral do atlas. O músculo longo do pescoço
relaciona-se, na porção cervical, com o esôfago e a traqueia. É irrigado por ramos da
artéria carótida comum.

Ação e inervação: flexiona o pescoço e, consequentemente, a cabeça. É inervado


pelo ramo ventral do 7º nervo cervical.

46.2.7. Omo-hióideo

É reduzido nos ruminantes domésticos, principalmente nos bovinos. Situa-se


obliquamente na extremidade cranial do pescoço. Origina-se, nos bovinos, nos
processos transversais da 2ª e 3ª vértebras cervicais por meio de curta aponeurose.
Dirige-se para baixo e para frente, passando profundamente ao músculo
esternomastóideo e à veia jugular externa, lateralmente à artéria carótida comum. Na
face lateral da traqueia, inclina-se bruscamente para frente e para dentro, para
inserir-se no osso basi-hióideo. Juntamente com o músculo esterno-hióideo. Nos
pequenos ruminantes, é bastante delgado e origina-se nos processos transversais da
3ª e 4ª vértebras cervicais; seu curso é aproximadamente retilíneo e, na face lateral
da laringe, associa-se ao músculo esterno-hióideo, com o qual se insere no osso
basi-hióideo. É irrigado por ramos da artéria tireóidea cranial.

Ação e inervação: auxilia os músculos hioideos na retração da língua. É inervado


pelo ramo ventral de C1.

47. Nervos do pescoço

47.1. Nervos espinhais cervicais

Existem oito pares de nervos cervicais. Após atravessarem os respectivos


forames da coluna vertebral, cada nervo divide-se em ramos dorsal e ventral. Os
ramos dorsais dividem-se ainda em ramo medial e ramo lateral, os quais inervam os
205

músculos e pele da região dorsal do pescoço. Os ramos ventrais distribuem-se nos


músculos e na pele das regiões lateral e ventral do pescoço.

O primeiro nervo cervical geralmente não possui ramos cutâneos. O ramo dorsal
atravessa o forame vertebral lateral do atlas e inerva os músculos retos e oblíquos da
cabeça e a pele adjacente da região. O ramo ventral dirige-se ventralmente e passa
pelo forame alar do atlas. Ele recebe um ramo comunicante do gânglio cervical
cranial e termina ramificando-se nos músculos esterno-hióideo, esternotireóideo e
omo-hióideo. Antes de dividir-se em ramos musculares, o ramo ventral de C1 emite
um delgado ramo que se une com um ramo do nervo hipoglosso, constituindo a alça
cervical.

O segundo nervo cervical é bem maior que o primeiro. Após atravessar o forame
vertebral lateral do áxis, divide-se em ramos dorsal e ventral. Seu ramo dorsal inerva
o músculo oblíquo caudal da cabeça e a pele da região. O ramo ventral é o maior dos
dois, comunica-se com o nervo acessório e distribui-se na pele da região. Um de
seus ramos cutâneos, o nervo auricular magno, dirige-se cranialmente para a pele da
face caudal da orelha, na qual se distribui.

O terceiro, quarto e quinto nervos cervicais não apresentam característica


especial.

Os ramos ventrais de C6, C7 e C8 participam na formação do plexo braquial.

Os nervos C5 e C6 emitem as raízes dos nervos frênico, responsável pela


inervação do músculo diafragma.

47.2. Tronco vagossimpático

No pescoço, o nervo vago está unido ao tronco simpático, constituindo o tronco


vagossimpático, que corre associado à artéria carótida comum. Descrição
pormenorizada destes nervos encontra-se nos itens referentes a nervos da região
retrofaríngica e da cavidade torácica.

48. Artérias do pescoço

48.1. Carótida comum

As duas artérias carótidas comuns são, nos ruminantes domésticos, as


responsáveis pela irrigação da cabeça e de grande parte do pescoço. Elas resultam da
bifurcação do tronco bicarótico logo após a origem destedo tronco braquiocefálico,
ao nível da entrada do tórax.

Cada artéria carótida comum corre na face ventral do pecosço, lateralmente à


traqueia e em íntima associação com o tronco vagossimpático. Está separada da veia
jugular externa pela borda dorsal do músculo esternomastóideo.
206

Em seu trajeto pelo pescoço, a artéria carótida comum fornece os seguintes


ramos:

48.1.1. Ramos musculares

Além dos músculos da região cervical ventral, estes ramos suprem a traqueia, o
timo e o esôfago.

48.1.2. Tireóidea caudal

Ocorre nos ovinos, sendo inconstante nos caprinos e bovinos. Penetra na


glândula tireóidea, irrigando-a.

48.1.3. Tireóidea cranial

Origina-se da face ventral da artéria carótida comum, ao nível da glândula


tireóidea. Distribui-se na glândula tireóidea e na parte caudal da laringe (ramo
laríngico caudal) e da faringe (ramo faríngico).

48.1.4. Laríngica cranial

Origina-se da face medial da artéria carótida comum, ao nível da trifurcação


desta. É pouco desenvolvida e acompanha o nervo laríngico cranial, distribuindo-se
na mucosa do vestíbulo laríngico.

48.1.5. Faríngica ascendente

Origina-se muito próximo da artéria laríngica cranial, às vezes formando um


tronco comum com esta. Dirige-se medialmente e distribui-se na parede da faringe,
emitindo, nos bovinos, ramos tonsilares e ramos palatinos. Ela pode originar-se
também da artéria occipital.

48.2. Vertebral

A artéria vertebral apresenta-se bem desenvolvida nos ruminantes domésticos,


mas sua participação no suprimento sanguíneo da cabeça é bastante reduzido. Ela
representa a continuação direta do tronco costocervical, após a emissão da artéria
cervical profunda. Corre em sentido cranial, acompanhada de sua veia satélite e do
nervo vertebral, passando através dos forames transversais da 6ª até a 3ª vértebras
cervicais. Em seu percurso, emite numerosos ramos para os músculos da região
cervical lateral e os ramos espinhais, que penetram nos forames intervertebrais para
formar as artérias espinhais dorsal e ventral, que suprem a medula espinhal. Ao
nível do forame intervertebral entre a 3ª vértebra cervical e o áxis, emite um ramo
muscular calibroso e curva-se medialmente, penetrando no canal vertebral.
Prossexgue cranialmente no assoalho do canal vertebral, anastomosando-se com
ramos de sua correspondente do lado oposto. Ao nível do atlas emite um ramo
relativamente desenvolvido, o ramo descendente, que emerge através do forame
207

vertebral lateral e se anastomosa com um ramo da artéria occipital, distribuindo-se


nos músculos oblíquo caudal da cabeça, retos dorsais, semispinhal da cabeça e
esplênio.

Nos bovinos, após a emissão do ramo descendente, a artéria vertebral


anastomosa-se com a artéria condilar (ramo da occipital) para formar, sobre a parte
basilar do occipital, a rede admirável epidural caudal. Desta rede partem finos ramos
que se dirigem rostralmente e se comunicam com a rede admirável epidural rostral.
Nos caprinos e ovinos, embora a artéria vertebral se anastomose com ramos da
artéria occipital, não forma a rede admirável epidural caudal nem se comunica com
a rede rostral.

48.3. Escapular dorsal e cervical profunda: descritas no item 58.2.2.2

48.4. Cervical superficial: descrita no item 10.1.1

49. Veias do pescoço

A drenagem venosa da cabeça e do pescoço é feita pelas veias jugulares interna


e externa e pela veia vertebral.

49.1. Jugular interna

A veia jugular interna ocorre em cerca de 75% dos casos nos bovinos e falta,
geralmente, nos caprinos e ovinos. Corre na face ventral do pescoço, junto à artéria
carótida comum. Une-se à veia jugular interna confluem as veias tireóidea cranial,
occipital e laríngicas cranial e caudal. Recebe ainda numerosos pequenos ramos do
esôfago, da traqueia, do timo e dos músculos cervicais ventrais. Nos casos em que a
veia jugular interna está ausente, suas tributárias vão diretamente à veia jugular
externa, desembocando nesta à altura da junção laringotraqueal.

49.2. Jugular externa

Constitui a principal veia responsável pela drenagem venosa da cabeça. É


formada pela união das veias linguofacial e maxilar, próximo ao ângulo da
mandíbula. Corre caudalmente no sulco jugular e é subcutânea. Está separada da
artéria carótida comum e do tronco vagossimpático pela borda dorsal do músculo
esterno-mastóideo. Em seu trajeto pelo pescoço, a veia jugular externa recebe um
número variável de pequenos ramos provenientes dos músculos cervicais, da
traqueia e do esôfago. Próximo à entrada do tórax, recebe as veias jugular interna
(quando presente), cefálica e cervical superficial. Termina unindo-se com a do lado
oposto para formar o tronco bijugular, que desemboca na veia cava cranial.

49.3. Vertebral

É satélite da artéria homônima, correndo caudalmente no pescoço, através dos


forames transversais da segunda até a sexta vértebras cervicais. Recebe como
tributárias, ao longo de seu curso no pescoço, as veias intervertebrais, as quais se
208

comunicam, através dos forames intervertebrais, com os plexos vertebrais externo e


interno. A veia vertebral recebe, nos limites entre o pescoço e o tórax, a veia
cervical profunda e logo em seguida se une às veias intercostal suprema e escapular
dorsal para formar a veia costocervical.

50. Linfáticos do pescoço

Os vasos linfáticos do pescoço convergem para dois linfocentros: cervical


profundo e cervical superficial.

50.1. Linfocentro cervical profundo

Compreende uma série de pequenos linfonodos, dispostos ao longo da face


lateral da traqueia, em seu trajeto cervical. De acordo com sua posição topográfica,
dividem-se em 3 grupos: linfonodos cervicais profundos craniais, situados ao nível
da junção laringotraqueal, linfonodos cervicais profundos médios, no terço médio
do pescoço e linfonodos cervicais profundos caudais, próximo à entrada do tórax.
Seu número é muito variável e, nos pequenos ruminantes, comumente encontram-se
apenas os caudais.

Área de drenagem: laringe, traqueia, esôfago, timo, tireóidea, paratireóideas,


músculos ventrais do pescoço. Seus vasos eferentes abrem-se diretamente no tronco
traqueal.

50.2. Linfocentro cervical superficial

É formado pelo linfonodo cervical superficial, bastante desenvolvido nos


ruminantes domésticos. Está situado no extremo caudal da face lateral do pescoço,
em frente à borda cranial da escápula e coberto pelos músculos braquiocefálico e
omotransversal. Apresenta-se envolto em quantidade apreciável de tecido adiposo e
intimamente relacionado com a artéria e as veias cervicais superficiais, das quais
recebe ramos. Sua forma é alongada e seu eixo maior dispõe-se dorsoventralmente;
nos pequenos ruminantes, mede cerca de 4,5 cm de comprimento por 2,0 cm de
largura e nos bovinos 10,0 – 12,0 x 3,0 cm.

A área de drenagem do linfonodo cervical superficial é muito ampla, abrangendo


a maior parte da face lateral do pescoço, a região do ombro, parte das regiões lateral
e ventral do tórax e todo o membro torácico, exceto a face medial da escápula, do
braço e do antebraço. Seus vasos eferentes cruzam obliquamente os músculos
escalenos para desembocar, do lado direito, no tronco traqueal (formando o ducto
linfático direito) e, do lado esquerdo, na porção terminal do ducto torácico.

50.3. Tronco traqueal

Os troncos traqueais, direito e esquerdo, constituem os grandes coletores


linfáticos da cabeça e do pescoço. São formados, a cada lado, pela confluência dos
vasos eferentes oriundos dos linfonodos retrofaríngicos laterais. Correm
209

caudalmente no pescoço, acolados à face dorsolateral da traqueia e em relação com


a artéria carótida comum, tronco vagossimpático, esôfago e timo. Recebe, em seu
percurso, vasos eferentes dos linfonodos cervicais profundos.

O tronco traqueal direito geralmente une-se, próximo à entrada do tórax, aos


vasos eferentes dos linfonodos cervical superficial e cervicais profundos caudais,
formando um vaso mais calibroso – o ducto linfático direito – que logo desemboca
na porção terminal da veia jugular externa direita ou no ducto torácico. O tronco
traqueal esquerdo, por sua vez, abre-se geralmente no ducto torácico.

51. Esôfago e traqueia

51.1. Esôfago

É um tubo de paredes musculares, revestido internamente por mucosa e


externamente por adventícia, que se estende do vestíbulo esofágico até o óstio
cárdico do rume. Pode ser dividido em partes cervical, torácica e abdominal.

A parte cervical dispõe-se, no início, dorsalmente à laringe e à traqueia e


ventralmente ao músculo longo do pescoço. A medida que desce na região cervical,
desvia-se para a esquerda, de modo que no terço distal do pescoço ele está
dorsolateralmente à esquerda da traqueia. A parte cervical do esôfago relaciona-se
ainda com o tronco vagossimpático, a artéria carótida comum, o nervo laríngico
caudal, o ducto traqueal e, nos animais jovens, o timo.

A parte torácica do esôfago corre em sentido caudal e assume gradualmente


posição dorsal em relação à traqueia, de modo que, ao nível da bifurcação desta, ele
já se encontra inteiramente em sua face dorsal. Daí, ele passa entre a aorta torácica e
o pulmão direito, para depois alcançar o diafragma, atravessando este último ao
nível do hiato esofágico. No tórax, o esôfago relaciona-se ainda com o linfonodo
mediastinal caudal, a veia ázigos esquerda e os troncos vagais dorsal e ventral.

A parte abdominal é curta, medindo cerca de 3 cm nos bovinos, e logo alcança o


rume ao nível do óstio cárdico.

O diâmetro do esôfago nos ruminantes domésticos é mais ou menos uniforme,


embora possa dilatar-se consideravelmente por ocasião da deglutição e da
ruminação. A porção mais estreita do esôfago ocorre ao nível da abertura cranial do
tórax. A parte cervical é um pouco mais larga que as partes torácica e abdominal e
sua circunferência interna pode medir cerca de 16 cm nos bovinos. Sendo o esôfago
um conduto de passagem do bolo alimentar, ela pode sofrer obstruções por ingestão
de corpos estranhos ou alimentos inadequados. Geralmente, estas obstruções
ocorrem ao nível da abertura cranial do tórax, devido ao menor diâmetro do esôfago
neste ponto e à presença do primeiro par de costelas, que impedem a progressão do
material obliterante. As obstruções crônicas ocorrem, por exemplo, devido a
tumores no mediastino dorsal ou em casos de tuberculose afetando o linfonodo
mediastinal caudal.
210

51.2. Traqueia

A traqueia é um órgão tubular cartilagíneo que se situa ao nível do plano


mediano, iniciando-se na laringe e estendendo-se por todo o pescoço até o terço
cranial do tórax, onde termina se bifurcando nos brônquios principais direito e
esquerdo. É formada por uma série de cartilagens traqueais em forma de anéis
incompletos, unidas umas às outras pelos ligamentos anulares da traqueia. Estes
últimos contêm fibras elásticas, o que confere ao órgão uma relativa mobilidade.
Nos bovinos, a traqueia mede cerca de 60 cm de comprimento e é constituída de 50
a 60 cartilagens traqueais. Nos pequenos ruminantes, seu comprimento é de cerca de
25 cm e há cerca de 60 cartilagens traqueais.

Cada cartilagem traqueal é de natureza hialina, de forma mais ou menos circular


e suas extremidades livres estão próximas uma de outra e dirigidas
dorsolateralmente para a direita. Cada músculo traqueal prende-se, em toda a
extensão da traqueia, nas faces internas das extremidades das cartilagens traqueais.
A forma da última cartilagem traqueal difere das restantes porque é mais larga e
apresenta internamente uma crista mediana, denominada carina da traqueia. Esta
crista separa as origens dos brônquios principais direito e esquerdo. Um pouco antes
de sua bifurcação, a traqueia dá origem ao brônquio traqueal, para o lobo cranial do
pulmão direito. Este brônquio somente é encontrado nos ruminantes e nos suínos.

A parte cervical da traqueia inicialmente é subcutânea e depois está coberta


pelos músculos esternocefálico, esternotireóideo e esterno-hióideo. No pescoço, ela
pode ser palpada em quase toda a sua extensão. A parte torácica relaciona-se à
direita com o pulmão direito e à esquerda com o tronco braquiocefálico e a aorta
torácica.

52. Glândula tireóidea, glândulas paratireóideas e timo

52.1. Glândula tireóidea

A glândula tireóidea é constituída por duas massas laterais, os lobos, unidas por
um cordão glandular transversal, o istmo. Nos bovinos, cada lobo tem forma
aproximada de um triângulo e está situado a cada lado na transição entre laringe e
traqueia. A base do lobo está em contato com o esôfago e a artéria carótida comum.
O ângulo cranial alcança o músculo cricofaríngeo, enquanto o ângulo caudal atinge
a quinta cartilagem traqueal. No ângulo ventral de cada lobo prende-se o istmo
glandular. Este é uma fita glandular transversal, com cerca de 1 cm de largura, e que
recobre 1 ou 2 cartilagens traqueais. Nos pequenos ruminantes, os lobos têm forma
ovóide ou alongada, o istmo prende-se em suas extremidades caudais e sua
coloração é mais escura.

Nos ruminantes, principalmente nos bovinos, aparecem, em alguns animais,


fibras musculares provenientes da musculatura da laringe e que penetram no
parênquima da glândula. Alguns autores dão ao conjunto destas fibras musculares o
211

nome de músculo levantador da glândula tireóidea. Pequenos nódulos glandulares


(glândulas tireóideas acessórias) podem ser vistos em diversas áreas do pescoço.
Eles representam vestígios do ducto tireoglosso.

52.2. Glândulas paratireóideas

Existem geralmente duas glândulas paratireóideas em cada antímero. A glândula


paratireóidea III (externa) está situada cranialmente à glândula tireóidea, próximo ou
ao longo da artéria carótida comum. Em alguns animais ela pode estar bastante
deslocada cranialmente. Nestes casos ela relaciona-se com a glândula mandibular ou
com a extremidade cranial do timo. A glândula paratireóidea IV (interna) é a menor
das duas e situa-se ao longo da base do lobo da tireóidea, em relação com a laringe
ou as primeiras cartilagens traqueais. A numeração das glândulas paratireóideas
refere-se ao número das bolsas faríngicas de onde se originaram.

52.3. Timo

O timo, nos ruminantes domésticos, é muito desenvolvido, estendendo-se, nos


animais jovens, desde a parte cranial do tórax até a região laríngica, podendo mesmo
alcançar a região retrofaríngica. A parte torácica do timo é uma massa lobular
compacta, situada no mediastino cranial. No pescoço, o timo forma duas massas
alongadas, situadas lateroventralmente à traqueia. Nos animais adultos, o timo é
encontrado sob a forma de rudimentos de forma e tamanho variáveis.

53. Roteiro para dissecação e estudo da cavidade torácica

53.1. Para o estudo do conteúdo da cavidade torácica, é necessário remover as


costelas. Para tal, seccione as articulações costocondrais no sentido craniocaudal,
acompanhando a linha de inserção do diafragma, tendo-se o cuidado de não cortá-lo.
Seccione o extremo dorsal de cada costela, ao nível do ângulo costal. Rebata
dorsalmente a parede costal, de modo a expor a cavidade torácica. As manobras para
remoção da parede do tórax só se aplicam aos grupos que receberam cadáveres
inteiros.

53.2. Identifique, inicialmente, o pulmão, o coração e o músculo diafragma.

53.3.Estude, no cadáver e em peças isoladas, os pulmões direito e esquerdo, com


seus respectivos brônquios.

53.4. Estude, no cadáver e em peças isoladas, o pericárdio e o coração.

53.5. Remova o pulmão que está exposto. Para isto, seccione os vasos e brônquios
de seu hilo e, no caso de o pulmão exposto ser o direito, também o brônquio
traqueal.

53.6. Estude o músculo diafragma, as pleuras e a cavidade pleural.


212

53.7. Retome a dissecação, no pescoço, do tronco vagossimpático. Verifique sua


divisão, ao nível da entrada do tórax, em tronco simpático (fino) e nervo vago. O
tronco simpático é o mais delgado e dirige-se dorsocaudalmente.

53.8. Prossiga a dissecação do nervo vago em sentido caudal. Verifique que ele
emite o nervo laríngico recorrente, o qual se origina, no lado direito, ao nível da
artéria subclávia direita e, no lado esquerdo, ao nível do arco da aorta. Note que o
nervo laríngico recorrente contorna estas artérias e dirige-se cranialmente para o
pescoço, onde já foi dissecado. Identifique também os ramos cardíacos do vago,
que, como o nome indica dorogem-se para a base do coração. Continue a dissecação
do vago e verifique sua bifurcação, ao longo do esôfago, em ramo dorsal e ramo
ventral. Note que os ramos dorsal e ventral de cada lado se unem com os
correspondentes do lado oposto, constituindo os troncos vagais dorsal e ventral.
Disseque estes troncos até o hiato esofágico do diafragma.

53.9. Disseque agora o tronco simpático. Identifique o gânglio cervical médio, que é
pequeno e está situado ao nível da entrada do tórax. A partir deste gânglio, disseque
a alça subclávia, que se compõe de ramos cranial e caudal. Estes dois ramos unem o
gânglio cervical médio ao gânglio cervicotorácico, contornando a artéria subclávia.
O gânglio cervicotorácico situa-se medilalmente ao extremo dorsal da primeira
costela.

53.10. Complete a dissecação do gânglio cervicotorácico. Identifique o nervo


vertebral, que se origina do extremo cranial do gânglio cervicotorácico e se dirige
para o pescoço, penetrando no forame transversal da sexta vértebra cervical,
juntamente com a artéria vertebral. O gânglio envia também ramos comunicantes
para os nervos espinhais C8 e T1, bem como nervos cardíacos, que se dirigem para a
base do coração.

53.11. Prossiga a dissecação do tronco simpático ao longo dos corpos das vértebras
torácicas, desde o gânglio cervicotorácico até a transição toracolombar. Note os
ramos comunicantes que partem de seus gânglios para se unirem aos nervos
espinhais torácicos.

53.12. No lado esquerdo, observe o ducto torácico, um calibroso vaso linfático que
corre obliquamente na face lateral do esôfago para desembocar cranialmente na veia
jugular externa. Preserve-o.

53.13. Disseque, no lado esquerdo, a aorta torácica e seus ramos.

53.14. No lado direito, disseque a veia cava cranial e suas tributárias. Identifique
também a veia cava caudal e as veias frênicas (corre no diafragma).

53.15. Estude o esôfago e a traqueia, em seu trajeto pela cavidade torácica.

53.16. Identifique o timo, situado cranialmente ao coração. Identifique o volumoso


linfonodo mediastinal caudal, localizado entre a aorta torácica e o esôfago,
213

caudalmente ao coração. Os demais linfonodos da cavidade torácica não precisam


ser identificados.

54. Pulmões e brônquios

54.1. Pulmões

Os pulmões são os órgãos do sistema respiratório onde se efetuam as trocas


gasosas do processo da hematose. São órgãos pares e ocupam quase totalmente a
cavidade pleural. No indivíduo normal, os pulmões sempre contêm ar e crepitam
quando comprimidos. Quando colocados na água, eles flutuam, a não ser que
estejam acometidos de alguma afecção. No feto e no recém-nascido antes de
respirar, os pulmões não crepitam comprimidos e sua estrutura é mais ou menos
compacta. São de cor rósea clara, no vivente. Em alguns animais, especialmente
cães que vivem em grandes cidades, a superfície do pulmão apresenta áreas de cor
acinzentada, devido à inspiração de ar poluído.

O tamanho dos pulmões varia de acordo com seu estado funcional, dilatando-se
na inspiração e retraindo-se na expiração. Após a morte ou depois de se abrirem as
cavidades pleurais, eles também reduzem de tamanho. Todavia, o pulmão esquerdo
é sempre menor que o direito e o peso em conjunto dos dois pulmões não ultrapassa
1,5% do peso corporal.

Os pulmões são mantidos na cavidade torácica por meio dos brônquios e dos
vasos que nele penetram ou dele saem, e por uma prega da pleura denominada
ligamento pulmonar. Os brônquios e vasos que vão a cada pulmão constituem o
conjunto denominado raiz do pulmão. O hilo pulmonar é a área do pulmão por onde
estas estruturas penetram.

Os pulmões removidos de cadáveres embalsamados apresentam impressões das


estruturas adjacentes. As costelas, por exemplo, deixam suas marcas na superfície
pulmonar, a qual no animal vivo apresenta-se lisa.

Cada pulmão apresenta grosseiramente a forma de um cone partido


longitudinalmente, apresentando, para descrição, um ápice e três faces (costal,
medial e diafragmática).

O ápice do pulmão está voltado cranialmente e situa-se ao nível da entrada do


tórax, podendo, em alguns casos, até ultrapassá-la cranialmente. A face
diafragmática, voltada caudalmente, corresponde à base do pulmão; está relaciona-
se com a superfície torácica do músculo diafragma. A face costal, voltada
lateralmente, é convexa e adapta-se á parte torácica formada pelas costelas. A face
medial de cada pulmão está voltada para a correspondente do pulmão oposto e é
formada por uma parte vertebral e uma parte mediastinal. A parte vertebral
relaciona-se com os corpos das vértebras torácicas e a parte mediastinal com o
mediastino e as estruturas nele contidas. Na face medial situa-se uma ampla
concavidade, a impressão cardíaca, devida ao coração. Caudodorsalmente à
214

impressão cardíaca encontra-se o hilo pulmonar. No pulmão direito encontram-se,


na face medial, os sulcos das veias cavas cranial e caudal, as impressões da veia
ázigos direita e da veia costocervical, a impressão do linfonodo mediastinal caudal e
a impressão esofágica. Na face medial do pulmão esquerdo encontra-se, além da
impressão esofágica e da impressão aórtica, a impressão da veia ázigos esquerda. A
aorta às vezes não provoca impressão na face medial do pulmão esquerdo, devido à
interposição da veia ázigos esquerda.

Cada pulmão apresenta uma borda dorsal ou obtusa, uma borda ventral e uma
borda basal. A borda ventral de cada pulmão apresenta uma reentrância, a incisura
cardíaca. A incisura cardíaca do pulmão esquerdo é mais extensa que a do pulmão
direito.

A superfície dos pulmões está marcada por profundas fendas, denominadas


fissuras interlobares, que os dividem externamente em lobos. O critério usado para
denominação dos lobos baseia-se na divisão dos brônquios; desta maneira é possível
estabelecer-se homologia entre as espécies domésticas. Todos os mamíferos
domésticos possuem um lobo cranial e um lobo caudal nos dois pulmões. Todos eles
possuem também um lobo acessório no pulmão direito. Todos eles, com exceção do
cavalo, apresentam ainda um lobo médio no pulmão direito. Assim, temos que, nos
ruminantes, o pulmão direito apresenta quatro lobos (cranial, médio, caudal e
acessório) e duas fissuras interlobares (cranial e caudal); o pulmão esquerdo
compõe-se apenas de dois lobos (cranial e caudal) e uma única fissura interlobar.
Ainda, nos ruminantes, os lobos craniais dos pulmões direito e esquerdo estão
divididos por uma fissura pouco profunda em partes cranial e caudal.

54.2. Brônquios

Cada brônquio principal origina-se da bifurcação da traqueia e atinge o hilo do


pulmão, por onde penetra no órgão. O brônquio principal direito está quase em linha
reta com a traqueia. O esquerdo dirige-se lateralmente, passando ventralmente à
aorta e à veia ázigos esquerda antes de alcançar o hilo do pulmão respectivo.

De cada brônquio principal originam-se os brônquios lobares, um para cada lobo


do pulmão. Assim, o brônquio principal direito dá origem aos brônquios lobares
médio, caudal e acessório, que se dirigem para os respectivos lobos do pulmão
direito. Nos ruminantes, como já foi dito, o lobo cranial do pulmão direito é
ventilado pelo brônquio traqueal. Do brônquio principal esquerdo originam-se dois
brônquios lobares, cranial e caudal, destinados aos lobos cranial e caudal do pulmão
esquerdo, respectivamente. Tanto o brônquio traqueal como o brônquio cranial
esquerdo dividem-se em dois ramos, destinados às duas partes (cranial e caudal) dos
lobos craniais direito e esquerdo, respectivamente. Tanto no pulmão direito como no
esquerdo o brônquio lobar para o lobo caudal é o mais desenvolvido, apresentando-
se como continuação direta de cada brônquio principal.
215

De cada brônquio lobar originam-se os brônquios segmentares, cada um destes


ventilando um segmento broncopulmonar.

55. Pericárdio e coração

55.1. Pericárdio

O pericárdio forma um saco fibroseroso no qual está contido o coração e a raiz


dos grandes vasos. Sua forma acompanha a do coração, isto é, cônica e com o ápice
voltado para o esterno. É composto de duas lâminas: pericárdio fibroso e pericárdio
seroso.

Pericárdio fibroso: é o envoltório mais externo, fibroso e resistente, do coração.


É revestido externamente pela pleura mediastinal, que a este nível passa a chamar-se
pleura pericárdica, e cruzado pelos nervos frênicos. Está preso à face dorsal do
esterno por uma condensação fibrosa, o ligamento esternopericárdíaco. A face
interna do pericárdio fibroso é revestida pela lâmina parietal do pericárdio seroso.

Pericárdio seroso: é uma membrana serosa de dupla parede que envolve o


coração, internamente ao pericárdio fibroso. Compõe-se de duas lâminas: parietal e
visceral. A lâmina parietal constitui o revestimento seroso, brilhante, da face interna
do pericárdio fibroso. A lâmina visceral, também conhecida como epicárdio, é uma
delgada película que reveste a superfície externa do coração, estando em íntimo
contacto com o miocárdio. O estreito espaço situado entre as lâminas parietal e
visceral constitui a cavidade pericárdíaca. Esta cavidade é preenchida por um
líquido – líquido pericardíaco – secretado pelo próprio pericárdio. Este líquido pode
estar aumentado nos casos de inflamação do pericárdio (pericardite).

55.2. Coração

O coração é o órgão central do sistema circulatório, funcionando como uma


bomba aspirante e premente, destinada a manter constante o fluxo sanguíneo nos
vasos. Ocupa a região do mediastino médio e está sustentado pelos vasos e demais
estruturas que a ele chegam.

Tem forma de um cone irregular, com a base voltada dorsalmente e o ápice


ventralmente. Apresenta duas faces, face auricular ou esquerda e face atrial ou
direita; e duas bordas, borda ventricular direita, voltada cranialmente, e borda
ventricular esquerda, voltada caudalmente. As faces do coração são percorridas por
dois sulcos perpendiculares à base: sulco interventricular paraconal ou esquerdo e
sulco interventricular subsinuoso ou direito. Estes sulcos marcam externamente a
divisão das cavidades ventriculares pelo septo interventricular. O sulco
interventricular paraconal é o mais desenvolvido, dispõe-se obliquamente na face
auricular (esquerda) e termina ao nível do terço ventral da borda ventricular direita.
O sulco interventricular subsinuoso é pouco profundo, corre verticalmente na face
atrial (direita) e quase alcança o ápice do coração. Próximo à base, o coração é
circundado quase que inteiramente por um sulco transversal paralelo à base, o sulco
216

coronário, que representa externamente o limite entre os átrios e ventrículos; este


sulco é interrompido apenas ao nível da saída do tronco pulmonar.

O coração é dividido internamente em quatro compartimentos: átrio direito,


ventrículo direito, átrio esquerdo e ventrículo esquerdo.

Átrio direito: é formado por uma cavidade central, a qual se prolonga em um


divertículo em fundo cego, a aurícula do átrio direito, cujo ápice está voltado para a
face auricular ou esquerda do coração, relacionando-se com a origem do tronco
pulmonar. Externamente, a borda ventral da aurícula apresenta-se pregueada; este
pregueamento corresponde internamente a cristas musculares, denominadas
músculos pectíneos, que também são encontrados na face interna da parede lateral
do átrio. O restante da parede lateral do átrio direito é lisa. O átrio direito apresenta
os seguintes orifícios:

Óstio da veia cava cranial: esta veia, antes de desembocar na parede dorsal do
átrio direito, corre numa pequena extensão sobre a parede dorsal da aurícula direita,
formando com esta um ângulo fechado, que é denominado sulco terminal.
Internamente, o sulco terminal corresponde a uma elevação, a crista terminal, que
marca o limite entre a cavidade do átrio e a cavidade da aurícula.

Óstio da veia cava caudal: situa-se caudalmente ao óstio da veia cava cranial, do
qual está separado por uma elevação vertical, o tubérculo (crista) intervenoso(a).

Óstio do seio coronário: situa-se ventralmente ao óstio da veia cava caudal. Ao


nível dele pode-se encontrar uma pequena válvula, a válvula do seio coronário,
rudimentar.

Forames das veias cardíacas mínimas: são pequenos, de número variável e


difíceis de se identificarem macroscopicamente.

Óstio atrioventricular direito: é uma ampla abertura circular que comunica


ventralmente o átrio direito com o ventrículo direito.

O átrio direito está separado do átrio esquerdo pelo septo interatrial. No feto,
este septo é perfurado pelo forame oval. No adulto este forame está ocluído.
Encontrando-se em seu lugar uma depressão ovóide pouco profunda, a fossa oval.

Ventrículo direito: situa-se ventralmente ao átrio direito, formando a maior parte


do contorno cranial do coração. Está separado do ventrículo esquerdo pelo septo
interventricular. Sua parede é mais delgada e sua cavidade mais ampla que a do
ventrículo esquerdo. Ele se prolonga dorsocaudalmente na face auricular (esquerda),
formando uma expansão alongada, o cone arterial, que termina ao nível do óstio do
tronco pulmonar. Sua face interna apresenta rugosidade e saliências, as trabéculas
cárneas, mais desenvolvidas nos limites com o septo interventricular. Unindo a
parede ao septo são encontradas uma ou mais pontes musculares, as trabéculas
septomarginais, das quais uma é particularmente bem desenvolvida.
217

O óstio atrioventricular direito é circundado por um anel fibroso, que mantém


sua circunferência aproximadamente constante durante as contrações cardíacas. Sua
borda é guarnecida pela valva atrioventricular direita ou tricúspede, constituída por três
válvulas ou cúspides, formadas por pregas do endocárdio. As cúspides têm forma mais
ou menos triangular e prendem-se ventralmente, por meio das cordas tendíneas, em
elevações abauladas denominadas músculos papilares, situados na parede do ventrículo
e no septo interventricular. Existem no ventrículo direito três músculos papilares, dois
situados no septo interventricular e o terceiro na parede; em cada músculo papilar
inserem-se cordas tendíneas de duas cúspides. O óstio atrioventricular direito está
separado do óstio do tronco pulmonar por potente crista muscular, denominada crista
supra-ventricular, que auxilia na expulsão do sangue pelo cone arterial.

O óstio do tronco pulmonar é guarnecido pela valva do tronco pulmonar,


constituída por três válvulas semilunares.

Átrio esquerdo: apresenta, como o direito, uma cavidade central e uma expansão
em fundo cego, a aurícula do átrio esquerdo. Esta é geralmente menor que a do átrio
direito e seu fundo cego está situado caudalmente ao tronco pulmonar. A superfície
interna da aurícula esquerda também apresenta-se forrada por músculos pectíneos.
No átrio esquerdo abrem-se os óstios das veias pulmonares, que são em número de
quatro a seis nos ruminantes. Ventralmente, o átrio esquerdo comunica-se com o
ventrículo esquerdo através do óstio atrioventricular esquerdo.

Ventrículo esquerdo: possui parede mais espessa que a do ventrículo direito e,


no cadáver, sua cavidade apresenta-se bastante reduzida devido à contração
muscular. As trabéculas septomarginais, semelhantes às do ventrículo direito,
variam em número e forma.

No ventrículo esquerdo abrem-se o óstio atrioventricular esquerdo e o óstio da


aorta. O óstio atrioventricular esquerdo, tal como o direito, está também guarnecido
por um anel fibroso e a valva atrioventricular esquerda compõe-se de duas cúspides
ou válvulas, que se inserem por meio de cordas tendíneas em dois músculos
papilares situados na parede do ventrículo. O óstio da aorta, situado cranialmente ao
óstio atrioventricular esquerdo, é guarnecido pela valva da aorta, composta de três
vávulas semilunares. Nos ruminantes adultos pode-se encontrar o osso do coração
envolvendo o óstio da aorta.

55.2.1. Sistema de condução do coração

As fibras musculares cardíacas possuem a capacidade de se contraírem


ritmicamente. O ritmo de contração intrínseco do músculo cardíaco é dado por um
conjunto de fibras musculares modificadas, denominado sistema de condução do
coração. Este, por sua vez, está sob o controle do sistema nervoso autônomo. O
sistema de condução é constituído pelo nó sinu-atrial, nó atrioventricular e fascículo
atrioventricular.
218

O nó sinu-atrial, que pode ser identificado macroscopicamente, situa-se sob o


epicárdio do sulco terminal, na junção da veia cava cranial com o átrio direito. As
fibras do nó sinu-atrial são envolvidas por abundante tecido conjuntivo. Ele é
irrigado pela conspícua artéria do nó sinu-atrial, que é ramo da artéria coronária
esquerda.

O nó atrioventricular é menor e mais difícil de ser identificado que o nó sinu-


atrial. Ele situa-se sob o endocárdio da parede interatrial do átrio direito,
cranialmente ao óstio do seio coronário. As fibras que o constituem têm as mesmas
características do nó sinu-atrial. As fibras do nó atrioventricular continuam-se
ventralmente no septo interventricular, constituindo o fascículo atrioventricular. Este
se divide em dois ramos, direito e esquerdo, que correm sob o endocárdio das faces
direita e esquerda do septo interventricular, estendendo-se inclusive nos músculos
papilares e trabéculas septomarginais.

56. Pleura e mediastino

56.1. Pleura

A pleura é uma membrana serosa que reveste internamente a cavidade do tórax,


formando dois compartimentos fechados – as cavidades pleurais direita e esquerda,
separadas ao nível do plano mediano por uma área denominada mediastino, no qual
estão contidos vários órgãos como o coração, a traqueia, o esôfago, dentre outros.
Embora a pleura forme um revestimento contínuo da parede e dos órgãos torácicos,
ela é dividida em pleura parietal e pleura pulmonar.

A pleura parietal é a porção da pleura que reveste internamente a parede da


cavidade do tórax, podendo ser dividida em:

Pleura costal: reveste internamente a parede lateral do tórax, ou seja, as costelas


e os músculos intercostais, aos quais está unida por meio de uma tênue lâmina de
tecido conjuntivo frouxo denominada fáscia endotorácica. Forma a parede lateral de
cada cavidade pleural.

Pleura diafragmática: recobre a superfície torácica, convexa, do músculo


diafragma, formando a parede caudal das cavidades pleurais.

Pleura mediastinal: é a porção da pleura parietal que reveste os órgãos situados


no mediastino, constituindo a parede medial de cada cavidade pleural. A parte da
pleura mediastinal que reveste, a cada lado, o pericárdio fibroso é denominada
pleura pericardíaca.

A pleura pulmonar, também chamada de pleura visceral, reveste a superfície


externa do pulmão, ao qual está firmemente aderida por tecido elástico. Ela é
contínua, ao nível do hilo pulmonar, com a pleura mediastinal.
219

Cavidade pleural: no vivente, os pulmões ocupam praticamente todo o espaço da


cavidade do tórax, a cada lado do mediastino, de modo que cada cavidade pleural é
reduzida a um espaço capilar entre as pleuras parietal e pulmonar. Este espaço é
preenchido por um fluído seroso – o líquido pleural, o qual funciona como
lubrificante das duas pleuras, reduzindo o atrito entre elas durante os movimentos
respiratórios. Este líquido está aumentado nos casos de processo inflamatórios da
pleura (pleurites). A extremidade cranial de cada cavidade pleural denomina-se
cúpula da pleura. Esta se situa ao nível da abertura cranial do tórax, medialmente à
1ª costela. A cúpula pleural direita é mais ampla e, nos bovinos, projeta-se cerca de
4-5 cm à frente da 1ª costela, revestindo a face do músculo escaleno ventral. Nos
pequenos ruminantes, ela ultrapassa a 1ª costela em cerca de 1 cm. Já a cúpula
pleural esquerda, tanto nos bovinos como nos pequenos ruminantes, é menos
desenvolvida, não ultrapassando geralmente a borda cranial da 1ª costela. Nas
cúpulas pleurais alojam-se os ápices dos pulmões.

Reflexões da pleura: recessos, pregas e ligamentos pleurais.

A pleura, como foi dito, reveste a cavidade e os órgãos torácicos de uma maneira
contínua, refletindo-se da parede costal para o diafragma e para o mediastino, e
deste último para os pulmões. Dorsalmente, ao longo do músculo longo do pescoço
e dos corpos das vértebras torácicas, a pleura costal reflete-se em sentido ventral,
continuando-se com a pleura mediastinal. Na parte ventral do tórax, a pleura costal
reflete-se do esterno e continua-se dorslamente com a pleura mediastinal. No ângulo
de reflexão forma-se uma escavação linear na cavidade pleural, constituindo o
recesso costomediastinal. Caudalmente, a pleura reflete-se da parede costal para o
diafragma. Esta linha diafragmática de reflexão pleural é um importante ponto de
referência na delimitação externa entre as cavidades torácica e abdominal. Nos
bovinos, a linha inicia-se ao nível da 7ª articulação costocondral e estende-se
obliquamente em direção caudodorsal, até alcançar o extremo dorsal da 12ª costela,
próximo à articulação desta com a respectiva vértebra. Nos pequenos ruminantes,
ela estende-se mais caudalmente, alcançando o extremo dorsal da última costela. Ao
longo desta reflexão forma-se, na cavidade pleural, uma concavidade linear
denominada recesso costodiafragmático. A pleura mediastinal, ao nível do hilo
pulmonar, reflete-se e passa a recobrir a superfície externa dos pulmões,
constituindo a pleura visceral ou pulmonar. Desta reflexão resulta, caudalmente à
raiz do pulmão, uma prega serosa de parede dupla – o ligamento pulmonar – bem
desenvolvido nos ruminantes domésticos. No lado direito, a pleura mediastinal
envolve a veia cava caudal, formando uma prega – a prega da veia cava – que se
estende do pericárdio até o diafragma e delimita uma escavação – o recesso do
mediastino -no qual está contido o lobo acessório do pulmão direito.

Irrigação e inervação da pleura:


220

Irrigação: a pleura parietal é irrigada por ramos das artérias pericardiacofrênica,


intercostais, bronco-esofágica e torácica interna. A pleura visceral recebe ramos
principalmente da artéria bronco-esofágica.

Inervação: a pleura parietal é inervada sensitivamente por fibras aferentes


viscerais gerais, que correm nos nervos frênicos, tronco simpático, nervos vagos e
nervos intercostais.

56.2. Mediastino

É os espaço compreendido entre as duas cavidades pleurais, isto é, interposto


entre as pleuras mediastinais direita e esquerda. Nele estão contidos os órgãos da
cavidade torácica, exceto os pulmões, a veia cava caudal e o nervo frênico direito. O
mediastino pode ser dividido nas seguintes porções:

Mediastino cranial: siatua-se cranialmente ao coração. Nele sbraquiocefálico,


artérias subclávias, veia cava cranial, porção terminal do ducto torácico, linfonodos
nçammediastinais craniais, traqueia, esôfago, timo, nervo vago e nervos cardíacos.

Mediastino médio: é a porção do mediastino onde estão contidos o coração,


com os vasos da base, e o pericárdio, além do esôfago, porção final da traquéia e
origem dos brônquios principais, linfonodos mediastinais médios e ducto torácico.

Mediastino caudal: situa-se caudalmente ao coração. Contém o esôfago, aorta


torácica, veias ázigos direita e esquerda, nervos vagos, nervo frênico esquerdo,
ducto torácico e linfonodo mediastinais caudais.

Os órgãos contidos no mediastino estão unidos por tecido conjuntivo, no qual se


encontra quantidade variável de tecido adiposo.

57. Nervos e gânglios da cavidade torácica

57.1. Tronco simpático

Os troncos simpáticos são duas séries de gânglios, unidos por ramos


interganglionares, que se estendem desde a região retrofaríngica até a região
coccígea. Os gânglios dos troncos simpáticos estão colocados a cada lado da coluna
vertebral e, por isso, são conhecidos genericamente como gânglios paravertebrais.
As fibras pré-ganglionares simpáticas que se originam dos segmentos medulares
compreendidos entre T1 e L2 atingem o tronco simpático por meio dos ramos
comunicantes brancos dos nervos espinhais correspondentes. As fibras pós-
ganglionares têm seu corpo celular situado nos gânglios paravertebrais e alcançam
as vísceras por meio dos nervos simpáticos; as estruturas da pele inervadas pelo
simpático recebem sua inervação por meio dos ramos comunicantes cinzentos dos
nervos espinhais. Além das fibras pré e pós-ganglionares, o tronco simpático contém
ainda fibras sensitivas provenientes das vísceras torácicas e abdominais e dos vasos
sanguíneos.
221

Para fins didáticos, a parte cervical do tronco simpático será descrita juntamente
com sua parte torácica.

57.1.1. Parte cervical do tronco simpático

A parte cervical do tronco simpático é constituída por um reduzido número de


gânglios e um longo ramo interganglionar.

O mais cranial dos gânglios do tronco simpático é o gânglio cervical cranial.


Além deste, os ruminantes possuem os gânglios cervical médio e cervicotorácico.

O gânglio cervical cranial está situado na região retrofaríngica. No bovino, mede


aproximadamente 12mm de comprimento por 8mm de largura. Nos pequenos
ruminantes, ele mede de 6 a 8mm de comprimento por 6mm de largura. Ele emite os
seguintes nervos: carótico interno, jugular, carótico externo e ramos
laringofaríngicos.

O nervo carótico interno é o maior deles; largo e achatado, prolonga-se da


extremidade cranial do gânglio cervical cranial. Corre na parede medial da bula
timpânica, atravessa o forame jugular e, na base do ouvido interno, forma o plexo
carótico interno. Do plexo originam-se os ramos caroticotimpânico para o nervo
timpânico do glossofaríngico e um ou dois ramos para o nervo petroso maior do
facial. O nervo petroso maior origina-se do facial ao nível do ouvido interno. Este
nervo, juntamente com ramos do plexo carótico interno, forma o nervo do canal
pterigoideo. O plexo carótico interno fornece ainda ramos que se irão unir ao
gânglio trigemial, ao nervo abducente e aos vasos sanguíneos que vão para a
hipófise. O nervo jugular, nos ruminantes, origina-se principalmente do nervo
carótico interno e termina unindo-se ao nervo hipoglosso. O nervo carótico externo
distribui-se nas artérias carótida comum e carótida externa. Os ramos
laringofaríngicos entram na formação do plexo faríngico e associam-se ao ramo
esofágico.

O gânglio cervical cranial emite um ramo comunicante para o 1º nervo cervical.


Este é o único ramo comunicante para os nervos cervicais que se origina do gânglio
cervical cranial nos animais domésticos.

O gânglio cervical médio localiza-se ao nível do terço distal do pescoço,


próximo à origem da artéria vertebral, no ponto em que o tronco simpático se
bifurca para formar os ramos cranial e caudal da alça subclávia.

O gânglio cervicotorácico resulta da fusão do gânglio cervical caudal com os


dois primeiros gânglios torácicos. Ele está descrito na parte torácica do tronco
simpático.

O gânglio cervical médio está unido ao gânglio cervical por um longo ramo
interganglionar. Nos animais domésticos, este ramo corre associado ao nervo vago,
constituindo o tronco vagossimpático.
222

A alça subclávia consiste de dois ramos interganglionares, cranial e caudal, que


unem o gânglio cervical médio ao gânglio cervicotorácico, contornando a artéria
subclávia.

No homem e em outras espécies animais, como o coelho, são vistos nervos


cardíacos craniais originando-se dos gânglios cervicais cranial e médio.

57.1.2. Parte torácica do tronco simpático

A parte torácica do tronco simpático é composta de inúmeros gânglios, unidos


entre si por curtos ramos interganglionares.

Existem, geralmente, 10 gânglios torácicos em cada tronco. Cada gânglio situa-


se ao lado do corpo da vértebra e ao nível de cada espaço intercostal. O primeiro e
segundo gânglios torácicos encontram-se normalmente fundidos ao gânglio cervical
caudal para construírem o gânglio cervicotorácico. Este é o maior gânglio do tronco
simpático, situa-se entre a primeira e a segunda costelas e relacionam-se
medialmente com o músculo longo do pescoço. Os gânglios torácicos restantes são
menores e apresentam forma aproximadamente triangular. Dois de seus ângulos
continua-se com os ramos interganglionares; no outro ângulo prendem-se os ramos
comunicantes, brancos e cinzentos. Estes ramos são variáveis em número para cada
gânglio e sua distinção macroscópica é difícil.

O gânglio cervicotorácico envia ramos comunicantes para os nervos C8, T1 e T2.


O nervo vertebral é um longo ramo comunicante que parte do gânglio
cervicotorácico, acompanha a artéria vertebral no pescoço e envia ramos para C7 até
C2 .

Da parte torácica do tronco simpático originam-se nervos cardíacos. Estes


nervos partem do gânglio cervicotorácico e dos gânglios torácicos de T3 a T7. No
lado esquerdo, os nervos cardíacos que se originam do gânglio cervicotorácico
passam lateralmente ao tronco braquiocefálico e dirigem-se para o coração, onde se
distribuem. Alguns nervos cardíacos do gânglio cervicotorácico reúnem-se aos de T3
a T7, passam lateralmente à aorta e veia ázigos esquerda antes de atingirem o
coração. No lado direito, os nervos cardíacos do gânglio cervicotorácico alcançam a
veia cava cranial para atingirem o coração. Os nervos cardíacos formam um plexo
cardíaco bastante desenvolvido, na base do coração. Ramos pulmonares destacam-se
diretamente dos gânglios ou dos nervos cardíacos e, ao nível do hilo pulmonar,
constituem o plexo pulmonar, do qual partem fibras que suprem o órgão.

O tronco simpático entra na cavidade abdominal passando entre a borda medial


do músculo psoas menor e a coluna vertebral. Aqui, ele corre lateralmente a cada
pilar do diafragma.

57.2. Nervo vago


223

Na extremidade caudal do pescoço, próximo à entrada do tórax, o nervo vago


separa-se do tronco simpático. No tórax, cada nervo vago mantém diferentes
relações com os órgãos torácicos e, por isto, são descritos separadamente. O vago
direito corre caudalmente no tórax ao nível do mediastino, onde se relaciona com a
veia cava cranial, e cruza a traqueia. Ao alcançar a aorta, ele divide-se em ramos
dorsal e ventral, que se continuam caudalmente ao longo das bordas dorsal e ventral
do esôfago, respectivamente. O vago esquerdo relaciona-se com o tronco
braquiocefálico, cruza o lado esquerdo da aorta e, acima da artéria pulmonar, divide-
se tal como o vago direito. Os ramos dorsais dos dois vagos são maiores e unem-se
para formar o tronco vagal dorsal. Os ramos ventrais unem-se também, constituindo
o tronco vagal ventral. Estes dois troncos correm ao longo do esôfago e alcançam a
cavidade abdominal através do hiato esofágico do diafragma. Os troncos vagais
geralmente estão unidos entre si por meio de ramos comunicantes, situados no lado
esquerdo do esôfago. No tórax, o vago emite os seguintes ramos:

Ramos cardíacos: são ramos que se destacam de cada nervo vago e que podem
unir-se aos nervos cardíacos do simpático para distribuírem no coração.

Ramos bronquiais: são ramos que partem dos nervos vagos e atingem o plexo
pulmonar, situado no hilo do pulmão. Eles inervam os brônquios e o parênquima
pulmonar.

Nervos laríngicos recorrentes: os nervos laríngicos recorrentes originam-se dos


vasos direito e esquerdo, no tórax. O nervo laríngico recorrente direito parte do vago
direito quando este passa ventralmente à artéria subclávia direita. Corre em torno desta
artéria, passando por detrás dela, e então se dirige cranialmente para o pescoço. Aí ele
se relaciona com a face ventral da traqueia. O nervo laríngico recorrente esquerdo
origina-se do vago esquerdo quando este cruza a aorta. Contorna esta e segue em
direção ao pescoço, onde corre na face ventral do esôfago. Cada nervo laríngico
recorrente envia ramos à traqueia e ao esôfago e penetra na laringe como nervo
laríngico caudal. Este inerva todos os músculos intrínsecos da laringe, exceto o
cricotireóideo.

57.3. Nervo frênico

Cada nervo frênico origina-se do plexo braquial, sendo formado por duas raízes
que partem de C5 e C6. Penetra no tórax e corre caudalmente entre a pleura mediastinal
e o pericárdio, para se distribuir em cada metade do diafragma. O nervo frênico direito,
antes de alcançar este músculo, corre junto à veia cava caudal.

58. Artérias da cavidade torácica

58.1. Tronco pulmonar

A irrigação funcional dos pulmões é feita por meio do tronco pulmonar e seus
ramos (artérias pulmonares direita e esquerda). O tronco pulmonar é conceituado como
sendo uma artéria, embora conduza sangue venoso. Isto se deve ao fato de que ele tem
224

uma estrutura elástica semelhante à da aorta e conduz o sangue centrifugamente em


relação ao coração. O tronco pulmonar origina-se do cone arterial do ventrículo direito e
situa-se ventralmente ao arco da aorta. Divide-se, após curto trajeto, nas artérias
pulmonares direita e esquerda. A artéria pulmonar direita é mais calibrosa que a
esquerda; cruza o plano mediano sob o arco da aorta e ramifica-se nos lobos cranial,
médio, caudal e acessório do pulmão direito. A artéria pulmonar esquerda ramifica-se
nos lobos cranial e caudal do pulmão esquerdo.

58.2. Aorta

A aorta é a principal artéria sistêmica. É um vaso de parede bastante espessa e


cuja túnica média é constituída por lâminas de fibras elásticas, que lhe conferem a
elasticidade suficiente para suportar as pressões sistólicas originárias do coração. Sua
parede é nutrida por vasa vasorum, que se originam de seus diversos ramos, e contém
pressoceptores, que informam, via nervo vago, os centros bulbares acerca da pressão
aórtica. Topograficamente, a aorta pode ser dividida em três segmentos contínuos, que
denominam, a partir da origem no coração, aorta ascendente, arco da aorta e aorta
descendente. Esta última, por sua vez, compreende dois segmentos, aorta torácica e
aorta abdominal.

A aorta ascendente origina-se do ventrículo esquerdo. Sua origem dilatada


denomina-se bulbo da aorta e corresponde a dilatação de seu lume na área onde se
inserem as válvulas semilunares aórticas. Em sua origem, a aorta ascendente relaciona-
se à esquerda com o tronco pulmonar e cranialmente e à direita com o átrio direito. As
artérias coronárias originam-se da aorta ascendente.

O arco da aorta é a continuação imediata da aorta ascendente. Como o nome


indica a aorta forma, neste ponto, um arco de convexidade cranial, para continuar-se
caudalmente com a aorta descendente. O arco da aorta relaciona-se à esquerda com o
pulmão esquerdo e à direita com a traqueia. O tronco braquiocefálico origina-se do arco
da aorta. O limite entre o arco da aorta e sua porção descendente é, ao contrário do que
ocorre no homem, pouco evidenciado, porque o arco descrito é bastante aberto, sem
mudança brusca de direção.

A aorta descendente (torácica) dirige-se caudalmente na cavidade torácica, onde


corre sob os corpos das vértebras torácicas. Sua porção inicial relaciona-se à direita com
o esôfago e ducto torácico e à esquerda com a veia ázigos esquerda e lobo cranial do
pulmão esquerdo, onde deixa sua impressão. Caudalmente ao diafragma continua-se
como aorta abdominal, após atravessar o hiato aórtico.

Em seu percurso na cavidade torácica, a aorta emite os seguintes ramos:

58.2.1. Coronárias

O coração é irrigado pelas artérias coronárias direita e esquerda, que são os


primeiros ramos da aorta.
225

A artéria coronária direita emerge da aorta entre o tronco pulmonar e a aurícula


do átrio direito. Após pequeno curso, divide-se em vários ramos para o átrio e
ventrículo direitos. A porção caudal do septo interventricular é também irrigada por
ramos da artéria coronária direita.

A artéria coronária esquerda é a maior das duas e, consequentemente,


vascularizada maior parte do coração, nos ruminantes domésticos. Emerge da aorta na
face esquerda do coração, entre o tronco pulmonar e o átrio esquerdo, e divide-se em
dois ramos: ramo interventricular paraconal e ramo circunflexo. O ramo interventricular
paraconal corre ventralmente no sulco interventricular paraconal e, durante seu
percurso, fornece ramos para os ventrículos direito e esquerdo e para o septo
interventricular. Ao nível do ápice do coração, seus ramos anastomosam-se com ramos
do ramo interventricular subsinuoso e ramos da artéria coronária direita. O ramo
circunflexo dirige-se caudalmente, correndo no sulco coronário. Emite ramos para o
ventrículo e átrio esquerdos e, ao nível do sulco interventricular subsinuoso, emite o
ramo de mesmo nome (ramo interventricular subsinuoso) e termina anastomosando-se
com a artéria coronária direita. O ramo interventricular subsinuoso corre no sulco
homônimo e envia ramos para os ventrículos direito e esquerdo.

58.2.2. Tronco braquiocefálico

Origina-se do arco da aorta e corre cranialmente em direção à entrada do tórax,


relacionando-se dorsalmente com a traqueia e à direita com a veia cava cranial. O nervo
vago esquerdo cruza seu contorno esquerdo. Ao atingir a entrada do tórax, ele emite a
artéria subclávia esquerda para em seguida terminar dividindo-se em tronco bicarótico e
artéria subclávia direita.

58.2.2.1. Tronco bicarótico – o tronco bicarótico, após correr por uma pequena
distância na face ventral da traqueia, bifurca-se, dando origem às artérias carótidas
comuns direita e esquerda.

58.2.2.2. Subclávia – cada artéria subclávia dirige-se lateralmente e emite o tronco


costocervical, a artéria cervical superficial e a artéria torácica interna, para se continuar
como artéria axilar ao nível da borda cranial da primeira costela.

O tronco costocervical origina-se da borda dorsal da artéria subclávia e dirige-se


dorsocranialmente, passando medialmente à 1ª costela e cruzando lateralmente a
traqueia e o esôfago. Ele é acompanhado, dos dois lados por sua veia satélite e dá
origem aos seguintes ramos, no sentido caudocranial:

a) Intercostal suprema: é um pequeno vaso que corre em direção caudal,


acompanhando o tronco simpático, e dá origem às artérias intercostais dorsais I e
II e, algumas vezes, III.
b) Escapular dorsal: dirige-se dorsalmente, passando entre as raízes do plexo
braquial, para se distribuir no músculo serrátil ventral.
226

c) Cervical profunda: origina-se um pouco adiante da escapular dorsal e dirige-se


também dorsalmente, para se distribuir na face lateral do pescoço.
d) Vertebral: é a continuação direta do tronco costocervical, após a emissão da
artéria cervical profunda. Já descrita no item de artérias do pescoço (item 48.2).

A artéria cervical superficial já foi descrita no item de artérias do membro


torácico (item 10.1.1).

A artéria torácica interna origina-se da borda caudal da subclávia e dirige-se


caudoventralmente, correndo na face dorsal do esterno, coberta pelo músculo transverso
do tórax. Ela emite ramos mediastinais, ramos tímicos, ramos intercostais ventrais,
ramos para o músculo diafragma, e, ultrapassando este último, continua-se como artéria
epigástrica cranial na parede ventral do abdome.

58.2.3. Bronco-esofágica

Origina-se da borda ventral da aorta torácica, nas imediações do hilo do pulmão.


Divide-se em dois ramos: ramo esofágico e ramo bronquial. O ramo esofágico distribui-
se no terço médio do esôfago, emitindo ramos também para o linfonodo mediastinal
caudal. O ramo bronquial, ao alcançar a bifurcação da traqueia, ramifica-se e seus ramos
acompanham os brônquios primários, distribuindo-se com estes no interior dos
pulmões. A artéria bronco-esofágica pode originar-se também de uma das artérias
intercostais dorsais (IV e VI). Pode ser par ou ímpar e seus ramos bronquial e esofágico
podem originar-se separadamente.

58.2.4. Intercostais dorsais

A aorta torácica fornece as oito ou nove últimas artérias intercostais dorsais.


Estas correm ventralmente nos espaços intercostais, acompanhando os nervos
homônimos. Emitem ramos que suprem o canal vertebral e a medula espinhal, além de
irrigar as estruturas e a pele relativa dos espaços intercostais.

58.2.5. Costo-abdominal dorsal

Origina-se da aorta e corre caudalmente à ultima costela. Sua distribuição é


semelhante à das últimas intercostais.

59. Veias da cavidade torácica

59.1. Veias pulmonares

Estas veias recolhem o sangue oxigenado dos pulmões e o conduzem até o átrio
esquerdo. O número de veias pulmonares pode variar de quatro a seis.

59.2. Seio coronário e veias cardíacas

O seio coronário é um vaso de grande calibre, desprovido de válvulas, formado


pela união da veia cardíaca magna com a veia ázigos esquerda e que se abre no átrio
direito, ventralmente à desembocadura da veia cava caudal. O seio coronário recebe
227

pequenas veias tanto do átrio direito como do ventrículo esquerdo. Nele também pode
desembocar a veia cardíaca média.

A veia cardíaca magna sobe pelo sulco interventricular paraconal e corre depois
no sulco coronário, encoberta pelo átrio esquerdo, até encontrar a veia ázigos esquerda
para formar o seio coronário. Drena parte dos ventrículos direito e esquerdo e átrio
esquerdo.

A veia cardíaca média sobe no sulco interventricular subsinuoso, drena parte dos
ventrículos direito e esquerdo e desemboca no átrio direito ou no seio coronário.

As veias cardíacas mínimas abrem-se no átrio direito e drenam o sangue da


parede do ventrículo e átrio direitos.

59.3. Veia ázigos esquerda

É a principal veia responsável pela drenagem da parede do tórax e do canal


vertebral na região. É formada pela união das duas primeiras veias lombares direita e
esquerda e corre cranialmente ao longo dos corpos das vértebras torácicas, à esquerda
da aorta. Durante seu percurso, ela recebe as veias costo-abdominais dorsais e as veias
intercostais dorsais. Estas últimas estão ligadas aos plexos venosos vertebrais interno e
externo. A veia ázigos esquerda recebe também as veias bronquiais e esofágicas. Ao
nível do quinto espaço intercostal, ela curva-se ventralmente e cruza a aorta, passando
entre esta e o pulmão esquerdo. Perfura o pericárdio e une-se à veia cardíaca magna
para constituir o seio coronário.

59.4. Veia cava cranial

Ao nível da entrada do tórax, as duas veias jugulares externas unem-se e formam


o tronco bijugular. Um pouco antes da união, cada jugular externa recebe as veias
cefálica e cervical superficial, do lado correspondente. O tronco bijugular é muito curto
e logo se junta às veias subclávias direita e esquerda, formando a veia cava cranial. Esta,
ao percorrer o mediastino cranial, recebe as seguintes veias:

59.4.1. Costocervical

Corre junto ao tronco costocervical, drenando o sangue das áreas


correspondentes irrigadas por este tronco.

59.4.2. Torácica interna

É satélite da artéria homônima. Drena o sangue da porção ventral da parede


torácica, do diafragma e representa a continuação no tórax da veia epigástrica cranial.

59.4.3. Ázigos direita


228

Drena o sangue de uma área da parede torácica direita semelhante à drenada pela
veia ázigos esquerda.

59.5. Veia cava caudal

Tem curto percurso na cavidade torácica. Logo depois de atravessar o forame da


veia cava, no centro tendíneo do diafragma, corre cranialmente na cavidade torácica,
ventralmente ao esôfago e à direita do plano mediano. Passa entre os lobos caudal e
acessório do pulmão direito e desemboca finalmente no átrio direito. Ao ultrapassar o
forame da veia cava, recebe as veias frênicas, que correm no centro tendíneo do
diafragma, drenando este músculo.

60. Linfáticos da cavidade torácica

A linfa da parede e dos órgãos da cavidade torácica é drenada para os seguintes


linfocentros: torácico dorsal, mediastinal, torácico ventral e bronquial.

60.1. Linfocentro torácico dorsal

Compreende uma série de pequenos linfonodos situados na parede dorsal da


cavidade torácica e divididos em dois grupos:

60.1.1. Linfonodos torácicos aórticos

Situam-se entre os corpos das vértebras torácicas e a face dorsal da artéria aorta,
junto aos pontos de origem das artérias intercostais. Apresentam-se envoltos em
quantidade variável de tecido adiposo e associados a hemolinfonodos.

60.1.2. Linfonodos intercostais

Localizam-se nos espaços intercostais, ao longo do trajeto da artéria e veia


intercostais e aos poucos centímetros dos linfonodos torácicos aórticos. Nos pequenos
ruminantes seu número é variável, podendo estar ausentes.

Área de drenagem: para os linfonodos intercostais e torácicos aórticos confluem


vasos linfáticos provenientes dos músculos da parede torácica, costelas, pleuras costal e
mediastinal, diafragma, mediastino e peritônio. Seus vasos eferentes desembocam nos
linfonodos mediastinais ou diretamente no ducto torácico.

60.2. Linfocentro mediastinal

É formado por um conjunto de linfonodos de número e tamanho muito variáveis,


situados no mediastino, em estreita relação com a traqueia, esôfago, timo, nervo vago e
grandes vasos do tórax. De acordo com sua posição no mediastino, dividem-se em 3
grupos: craniais, médios e caudais.

60.2.1. Linfonodos mediastinais craniais


229

Situam-se na parte cranial do mediastino, em torno do tronco braquiocefálico e


da origem das artérias subclávias direita e esquerda. São pequenos, ocorrendo
geralmente em número de 2 ou 3 a cada lado. Para eles convergem linfáticos
provenientes da porção torácica do esôfago, traqueia e timo, coração e pericárdio, pleura
mediastinal e ainda dos linfonodos intercostais craniais. Seus vasos eferentes
desembocam geralmente no ducto torácico ou no linfonodo costocervical.

60.2.2. Linfonodos mediastinais médios

Situam-se próximo à base do coração no espaço entre o arco da aorta e o tronco


braquiocefálico. São pequenos e de número variável; nos pequenos ruminantes podem
estar ausentes. Para eles convergem linfáticos do coração e pericárdio, pleura
mediastinal, pulmões e dos linfonodos traqueobronquiais. Seus vasos eferentes
desembocam geralmente no ducto torácico.

60.2.3. Linfonodos mediastinais caudais

Localizam-se caudalmente ao arco da aorta, dispondo-se entre a aorta torácica e


a face dorsal do esôfago. Têm forma alongada e seu número e dimensões são variáveis.
O mais caudal deles é particularmente bem desenvolvido e longo, medindo cerca de 10
– 12 cm nos pequenos ruminantes e 20 cm ou mais nos bovinos, estendendo-se do 7º ao
11º espaços intercostais. Seus vasos aferentes provêm do esôfago, pulmões, pericárdio,
mediastino, grande parte do diafragma, peritônio, fígado e baço. Os eferentes
geralmente reúnem-se num tronco comum, que desemboca no ducto torácico.

60.3. Linfocentro torácico ventral

Compreende os linfonodos esternais, situados na parede ventral do tórax, ao


longo do trajeto da artéria e veia torácicas internas e cobertos pelo músculo transverso
do tórax. O grupo mais cranial – linfonodos esternais craniais – situa-se próximo à
entrada do tórax, junto à origem da artéria torácica interna e cranialmente ao músculo
transverso do tórax. Os mais caudais – linfonodos esternais caudais – estão situados ao
nível do 6º espaço intercondral, próximo ao ponto de inserção esternal do diafragma.

Área de drenagem: para os linfonodos esternais confluem linfáticos da porção


ventral do diafragma, músculos da parede lateral e ventral do tórax, músculos
abdominais, pleuras costal e diafragmática, pericárdio, peritônio e fígado. Seus vasos
eferentes, partindo dos linfonodos esternais craniais, atingem os linfonodos mediastinais
craniais, ou ducto traqueal direito ou o ducto torácico.

60.4. Linfocentro bronquial

É formado pelos linfonodos situados ao nível do hilo pulmonar, associados ao


extremo distal da traqueia e à origem dos brônquios principais direito e esquerdo e do
230

brônquio traqueal. São, por isso mesmo, denominados linfonodos traqueobronquiais ou


linfonodos de bifurcação. São pequenos, de forma irregular e divididos em 4 grupos:

Linfonodos traqueobronquiais direitos: situados no ângulo entre a traqueia e o


brônquio principal direito.

Linfonodos traqueobronquiais esquerdos: situados entre a traqueia e o brônquio


principal esquerdo.

Linfonodos traqueobronquiais médios: localizados no ângulo entre os brônquios


principais direito e esquerdo.

Linfonodos traqueobronquiais craniais: situados junto à origem do brônquio


traqueal.

Área de drenagem: para os linfonodos traqueobronquiais convergem os vasos


linfáticos do parênquima pulmonar, da pleura pulmonar, dos linfonodos pulmonares e
ainda do esôfago e coração. Seus vasos eferentes confluem para os coletores dos
linfonodos mediastinais.

Os linfonodos pulmonares situam-se no interior dos pulmões, ao longo do trajeto


dos brônquios maiores. São insconstantes e de forma e tamanho variáveis. Recolhem a
linfa do parênquima pulmonar e seus eferentes vão ter aos linfonodos
traqueobronquiais.

60.5. Linfonodos frênicos

Nos bovinos, são também encontrados na cavidade torácica os linfonodos


frênicos, pequenos, de número variável e situados na superfície torácica do diafragma,
em torno do forame da veia cava. Recebem linfáticos do diafragma e mediastino e seus
eferentes drenam para os linfonodos mediastinais caudais.

60.6. Ducto torácico

É o mais calibroso dos coletores linfáticos, medindo cerca de 7 – 10 mm de


diâmetro nos bovinos e 3 – 5 mm nos pequenos ruminantes. Logo após originar-se da
cisterna do quilo, penetra na cavidade torácica através do hiato aórtico. Dirige-se
cranialmente, dispondo-se ao longo do aspecto dorsolateral direito da aorta torácica,
onde se apresenta em estreita associação com os linfonodos torácicos aórticos e em
meio a quantidade variável de tecido adiposo. Ao nível da 6ª vértebra torácica,
abandona a aorta e passa a correr, obliquamente, junto à face lateral esquerda do
esôfago, em direção à entrada do tórax. Ultrapassando a 1ª costela, dispõe-se
medialmente ao tronco e veia costocervicais, relacionando-se com o tronco simpático.
Em seguida, curva-se ventralmente para desembocar na veia jugular externa esquerda,
próximo ou na junção desta com a direita para formar o tronco bijugular. Em sua
terminação, o ducto torácico apresenta-se dilatado formando uma espécie de ampola.
Em alguns casos, ele pode dividir-se, próximo a seu término, em dois ductos que
231

desembocam separadamente na veia jugular externa. Em seu trajeto pela cavidade


torácica, o ducto torácico recebe linfáticos oriundos principalmente dos linfonodos
torácicos aórticos e mediastinais. Próximo à sua desembocadura recebe ainda o tronco
traqueal esquerdo e, em alguns casos, o ducto linfático direito.

61. Roteiro para dissecação e estudo da cavidade abdominal

61.1. Faça uma incisão longitudinal na parede do abdome, ao longo da linha mediana
ventral, desde a cartilagem xifoide até o pube, contornando o prepúcio nos machos e a
mama nas fêmeas. Faça uma incisão ao longo do arco costal, desde a cartilagem
xifóidea, até a extremidade dorsal da última costela. Uma terceira e última incisão é
feita perpendicularmente à primeira, desde a região púbica até o processo transverso da
última vértebra lombar. Feito isto, rebata dorsalmente a parede do abdome e passe a
estudar os órgãos contidos na cavidade. As manobras para remoção da parede do
abdome, só se aplicam aos grupos que receberam animais inteiros.

61.2. Estude, no cadáver e em peças isoladas, o estômago, os intestinos, o fígado e vias


biliares, o pâncreas, o baço, os rins, os ureteres e as glândulas suprarrenais.

61.3. Estude, no cadáver ou em peças especiais já preparadas, o peritônio.

61.4. Completado o estudo pormenorizado dos órgãos abdominais, passe a dissecar os


nervos e gânglios da cavidade abdominal. Retome a dissecação do tronco simpático no
tórax e continue dissecando-o caudalmente na cavidade abdominal, até o nível do
promontório sacral. Observe que, próximo à glândula adrenal(suprarrenal), o tronco
simpático se desloca ventralmente para se associar ao plexo celiacomesentérico, que é
um conjunto de fibras nervosas, gânglios e tecido conjuntivo situado em torno do tronco
celiacomesentérico (celíaco+mesentérico cranial) (tronco arterial originado da aorta).
Do plexo celiacomesentérico partem numerosas fibras, que se acolam à parede dos
vasos e se dirigem para as vísceras. Observe a íntima relação entre o plexo
celiacomesentérico e a glândula suprarrenal. Note que, próximo à entrada da pelve,
partem dos últimos gânglios lombares do tronco simpático, filetes nervosos, os nervos
esplâncnicos lombares, que se dirigem para o plexo mesentérico caudal, situado em
torno da artéria e da veia de mesmo nome. Disseque os nervos hipogástricos, que se
originam do plexo mesentérico caudal e se dirigem caudalmente para a cavidade
pélvica.

61.5. Localize, ao nível do hiato esofágico, os troncos vagais dorsal e ventral. Disseque
seus ramos para a parede do estômago e para o plexo celiacomesentérico.

61.6. Passe a dissecar agora a aorta abdominal e seus ramos. Localize, logo atrás do
hiato aórtico do diafragma, a emergência do tronco celiacomesentérico da aorta.
Existem casos em que o tronco não se forma e as suas duas artérias componentes,
celíaca e mesentérica cranial, originam-se isoladamente da aorta.
232

61.7. Disseque a artéria celíaca e seus ramos para o baço (lienal), estômago (ruminais
direita e esquerda e gástrica esquerda), para o fígado (hepática) e para o pâncreas
(ramos pancreáticos).

61.8. Disseque, no mesentério, a artéria mesentérica cranial e seus ramos para o


pâncreas e para os intestinos delgado e grosso (ramos jejunais e artéria ileocólica).

61.9. Localize a origem das artérias renais direita e esquerda e disseque-as até sua
penetração no hilo do rim correspondente. Note as artérias lombares, que se originam
em série da aorta e se dirigem dorsalmente para a região epiaxial.

61.10. Observe próximo à entrada da pelve, a origem da artéria mesentérica caudal e das
artérias testiculares ou ováricas. Disseque a artéria mesentérica caudal até sua
bifurcação em artérias sigmóidea e retal cranial. As artérias testiculares ou ováricas são
delgadas e originam-se da aorta a cada lado da artéria mesentérica caudal.

61.11. Disseque a terminação da aorta abdominal na entrada da cavidade pélvica.


Identifique as artérias ilíaca externa, circunflexa profunda do ílio, ilíaca interna e sacral
mediana.

61.12. Identifique, correndo à direita da aorta abdominal, a veia cava caudal. Note sua
origem, ao nível da entrada da pelve, pela união das veias ilíacas comuns. Disseque a
veia cava caudal cranialmente. Identificando suas tributárias: veias testiculares ou
ováricas e veias renais. Num fígado isolado, note o trajeto hepático da veia cava caudal.
Seccione longitudinalmente este segmento hepático da veia cava caudal e observe os
vários óstios de desembocadura das veias hepáticas que nele se abrem.

61.13. Passe a estudar a veia porta. Identifique o ponto de sua penetração na face
visceral do fígado. Disseque distalmente as veias que se reúnem para formar a veia
porta: veia mesentérica cranial, proveniente dos intestinos e veia lienal, procedente do
baço e do estômago.

61.14. Estude os nervos, as artérias, as veias e os linfonodos da cavidade abdominal.

62. Estômago

O estômago dos ruminantes compreende uma parte aglandular, denominada


proventrículo, e uma parte glandular, que corresponde ao estômago dos demais animais
domésticos. O proventrículo é dividido em três compartimentos – rúmen, retículo e
omaso, que funcionam basicamente como câmaras de digestão microbiana da celulose.
A parte glandular é representada pelo abomaso, e aí se processa a digestão química, à
custa do suco gástrico.

62.1. Rúmen

O rúmen é a maior das três porções do proventrículo. Ocupa quase


completamente o antímero esquerdo da cavidade abdominal e estende-se desde o
diafragma até a entrada da pelve. Medialmente, o rúmen ultrapassa o plano mediano,
233

especialmente sua metade ventral, em certos estados de repleção. Sua forma geral é
aproximadamente ovóidea, comprimida latero-lateralmente. Apresenta duas faces,
parietal e visceral, duas curvaturas, dorsal e ventral, e duas extremidades, cranial e
caudal. Sua face parietal é convexa e relaciona-se com a porção costal do diafragma, o
baço e a parede esquerda do abdome. A face visceral é de contorno irregular e está
voltada para a cavidade abdominal, onde se relaciona com o retículo, omaso, abomaso,
intestinos, fígado, rim esquerdo, adrenal esquerda e pâncreas. A curvatura dorsal é lisa e
relaciona-se com o diafragma e seus pilares e com os músculos sublombares, aos quais
está unida por peritônio e tecido conjuntivo frouxo. Esta relação estende-se até a 4ª
vértebra lombar, sendo que a porção caudal da curvatura dorsal é livre. A curvatura
ventral repousa cranialmente sobre a parede ventral do abdome e caudalmente sobre as
alças do intestino delgado.

As extremidades cranial e caudal do rúmen estão marcadas por dois sulcos:


sulco cranial e sulco caudal, os quais se continuam nas faces parietal e visceral como
sulcos longitudinais esquerdo e direito, respectivamente. Estes sulcos dividem
parcialmente o rúmen em dois compartimentos: saco dorsal e saco ventral. A
extremidade cranial do saco dorsal constitui o átrio do rúmen e aí se abre o esôfago. As
extremidades caudais do saco dorsal e do saco ventral são denominados de sacos cegos
caudodorsal e caudoventral, respectivamente. Estes últimos são delimitados
cranialmente por sulcos verticais, denominadas sulcos coronários dorsal e ventral. Os
sulcos coronários partem, a cada lado, do sulco longitudinal e dirigem-se dorsal e
ventralmente, terminando ao nível das curvaturas dorsal e ventral, sem, no entanto se
unirem com os do lado oposto. Os sulcos coronários dorsais são pequenos e bem menos
nítidos que os ventrais.

Os sulcos da parede do rúmen contêm os grandes ramos vasculares que suprem o


órgão e estão cobertos por quantidade variável de tecido adiposo. Neles encontram-se
também pequenos linfonodos.

O sulco ruminorreticular é uma depressão vertical que marca o limite externo


entre o rúmen e o retículo.

A cavidade do rúmen está parcialmente dividida nos sacos dorsal e ventral por
meio de cristas musculares potentes, denominadas pilares, que correspondem
externamente aos sulcos. Assim, distinguem-se, na face interna do rúmen, os pilares
cranial e caudal, longitudinais direito e esquerdo e coronários dorsal e ventral. Os
pilares cranial e caudal são particularmente bem desenvolvidos. Do pilar cranial partem
os pilares longitudinais, dos quais o mais desenvolvido é o direito. Os pilares coronários
dorsal e ventral partem do pilar caudal e dirigem-se dorsal e ventralmente, apagando-se
antes de atingirem as respectivas curvaturas. A prega ruminorreticular, que corresponde
externamente ao sulco ruminorreticular, constitui a borda do óstio ruminorreticular. Este
é amplo e comunica a cavidade do rúmen com a do retículo.

A mucosa do rúmen apresenta cor marrom escura e é dotada de numerosas


papilas corneificadas de tamanho e forma variadas. As papilas do rúmen são mais
234

longas e numerosas nos bovinos que nos pequenos ruminantes. Elas estão concentradas
principalmente no saco ventral, tornando-se mais esparsas no saco dorsal. Os pilares
também são desprovidos de papilas.

62.2. Retículo

O retículo é o segundo compartimento que compõe o proventrículo e encontra-se


em íntima relação, tanto morfológica como funcional, com o rúmen, constituindo
mesmo, para alguns autores, uma unidade morfofuncional denominada ruminorretículo.
O retículo é a menor (nos bovinos) e a mais cranial das quatro porções do estômago dos
ruminantes. Tem forma de hemi-esfera nos pequenos ruminantes e apresenta-se mais ou
menos pririforme nos bovinos. Sua extremidade ventral está apoiada sobre o processo
xifoide do esterno. Apresenta uma face parietal ou diafragmática e uma face visceral. A
face diafragmática é convexa e relaciona-se com o diafragma e, numa pequena
extensão, com o lobo esquerdo do fígado. O conhecimento destas duas relações
anatômicas é de grande importância na clínica de ruminantes, porque corpos estranhos
pontiagudos deglutidos pelo animal podem alojar-se no retículo e, devido às contrações
do órgão, perfurar sua parede e atingir o fígado ou diafragma. Frequentemente, podem
perfurar também o diafragma e alcançar o pericárdio e mesmo o pulmão. As lesões
provocadas nestes órgãos (por exemplo, hepatite traumática, pericardite traumática)
podem ter consequências graves. A face visceral do retículo relaciona-se com o rúmen,
do qual está separado pelo sulco ruminorreticular, já visto. Sua borda esquerda é
denominada curvatura maior. Esta termina no fundo do retículo, que é uma expansão
arredondada, em fundo de saco. O fundo do retículo nos pequenos ruminantes está
voltado para o esterno, enquanto nos bovinos desvia-se para a direita. A borda direita,
denominada curvatura menor do retículo, é côncava e continua-se com o omaso.

A mucosa do retículo apresenta-se caracteristicamente pregueada à maneira dos


favos de uma colmeia. As pregas são denominadas cristas do retículo e delimitam
espaços tetra, penta ou hexagonais, os quais recebem o nome de células do retículo. As
células são subdivididas por pequenas pregas e seu fundo é revestido por papilas
corneificadas. Nos pequenos ruminantes, a borda livre das cristas apresenta-se serreada,
devido à presença de numerosas e pequenas papilas corneificadas.

O sulco do retículo, também conhecido como goteira esofágica, é uma depressão


da mucosa, em forma de calha, que se inicia no óstio cárdico (do esôfago), corre
ventralmente na parede medial do átrio do rúmen e na curvatura menor do retículo e vai
terminar no óstio retículo-omásico. As duas bordas do sulco são espessadas e
constituem os chamados lábios do sulco do retículo. O sulco dispõe-se de modo
espiralado, de maneira que ao nível do átrio do rúmen ele está voltado para trás, depois
se vira para a esquerda e finalmente para frente. O óstio retículo-omásico é pequeno e
situa-se na curvatura menor do retículo.

62.3. Omaso
235

O omaso é o terceiro compartimento do proventrículo. Tem forma arredondada


nos bovinos e ovóide nos pequenos ruminantes, estando um pouco achatado
lateralmente. Situa-se à direita do plano mediano. Apresenta uma face visceral e uma
face parietal. Sua face visceral (esquerda) relaciona-se com o retículo e o rúmen. Sua
face parietal relaciona-se principalmente com o fígado e o diafragma. Externamente,
está preso ao retículo por um estreitamento, o colo do omaso. Ventralmente ao colo
encontra-se uma depressão transversal, que corresponde internamente a uma bem
desenvolvida prega transversal, o pilar do omaso. A base do omaso é parte deste que se
une ao abomaso e se situa caudoventralmente ao colo.

A mucosa do omaso forma inúmeras pregas longitudinais delgadas,


denominadas lâminas do omaso, que se dispõem como as folhas de um livro. Estas
lâminas têm altura variada e entre elas permanecem espaços, que se denominam
recessos interlaminares. As lâminas inserem-se em toda a parede do omaso, exceto na
área do sulco do omaso, o qual é uma continuação do sulco do retículo. As faces das
lâminas estão cobertas por projeções papilares córneas. Na mucosa do sulco do omaso
encontram-se papilas que se assemelham a pequenas garras, recebendo por isso o nome
de papilas unguiculiformes. O óstio omaso-abomásico é amplo.

62.4. Abomaso

O abomaso corresponde ao estômago dos demais mamíferos domésticos. Tem


forma de um saco alongado e repousa sobre o assoalho da cavidade abdominal, à direita
do plano mediano. Sua porção dilatada cranial encontra-se na região xifóidea e é
denominada fundo do abomaso. O fundo do abomaso continua-se caudalmente com o
corpo do abomaso. A porção terminal do abomaso inclina-se dorsalmente e constitui a
parte pilórica. O abomaso termina ao nível do piloro, onde se continua com o duodeno.
Apresenta uma face parietal e uma face visceral. A face parietal relaciona-se com a
parede abdominal e a face visceral com o omaso e o rúmen. As duas faces encontram-se
nas curvaturas maior e menor do abomaso. A curvatura maior é ventral e convexa e a
curvatura menor é dorsal e côncava.

A mucosa do abomaso é lisa, aveludada e apresenta pregas dispostas


longitudinalmente, denominadas pregas espirais. A camada circular de fibras
musculares do abomaso, ao nível do óstio pilórico, está bastante desenvolvida.
Formando uma saliência arredondada denominada tórus pilórico. O óstio pilórico
comunica o abomaso com o duodeno.

63. Intestinos

63.1. Intestino delgado

O intestino delgado é um tubo musculomembranáceo que se estende desde o


óstio pilórico até o óstio ileal, este último situado na junção com o intestino grosso. Seu
comprimento está sujeito a grandes variações raciais e individuais, variando nos
bovinos de 30 a 50 metros e nos pequenos ruminantes de 20 a 40 metros. Estes dados
236

mostram que o intestino delgado do caprino e do ovino é proporcionalmente maior que


o dos bovinos. Seu diâmetro é de cerca de 3 cm nos bovinos e um pouco menor nos
pequenos ruminantes. O intestino delgado consta de três porções: duodeno, jejuno e
íleo.

63.1.1. Duodeno

É o primeiro segmento do instestino delgado, podendo ser dividido


sucessivamente em três partes – cranial, descendente e ascendente, separadas por duas
flexuras – cranial e caudal. A parte cranial é a menor das três partes do duodeno e
apresenta-se mais ou menos flexuosa. Inicia-se no piloro e dirige-se em sentido
dorsocaudal, relacionando-se à esquerda inicialmente com o omaso e depois com as
alças do jejuno e do intestino grosso; à direita, relaciona-se principalmente com a face
visceral do fígado, à qual está ligada pelo omento menor. No cadáver embalsamado,
observa-se uma coloração esverdeada na parte cranial, devido a extravasamento e
difusão post-mortem de bile da vesícula biliar. A parte descendente inicia-se na flexura
cranial, situada ao nível da borda direita do fígado. Dirige-se caudalmente na região
sublombar e termina na flexura caudal, situada ao nível da 5ª ou 6ª vértebras lombares.
A parte ascendente, queé a porção terminal do duodeno, corre em sentido cranial,
paralela à parte descendente. Relaciona-se dorsalmente com o rim direito e à esquerda
com o cólon descendente e o rim esquerdo, sendo esta última relação encontrada apenas
nos bovinos, devido ao deslocamento do referido rim pelo rúmen para a direita do plano
mediano. A flexura duodenojejunal marca o final da parte ascendente do duodeno e o
início do jejuno. Marca também o início do mesentério.

A mucosa do duodeno apresenta vilosidades, linfonódulos solitários e


linfonódulos agregados, além das glândulas intestinais e duodenais. Os linfonódulos
agregados são também conhecidos como placas de Peyer; localizam-se, de preferência,
no lado antimesentérico do intestino e são maiores ao nível da porção terminal do
intestino delgado. Os linfonódulos agregados podem alcançar, nos ruminantes, até três
metros de comprimento, continuando-se na mucosa do intestino grosso. Na mucosa do
duodeno encontram-se, nos bovinos, duas pequenas elevações, as papilas maior e menor
do duodeno. A papila maior do duodeno situa-se ao nível do terço distal da parte cranial
e nele desemboca o ducto colédoco. A papila menor situa-se no terço proximal da parte
descendente e nela desemboca o ducto pancreático acessório. Nos pequenos ruminantes
existe somente a papila maior do duodeno, que se localiza no final da parte cranial ou
no início da parte descendente; nela desemboca o ducto colédoco, que recebe antes o
ducto pancreático.

63.1.2. Jejuno e íleo

São as duas porções finais do intestino delgado. Nos ruminantes, o limite entre
estas duas partes não é claramente identificável. Em conjunto, possuem um
comprimento de 26 a 48 metros nos bovinos e 17 a 34 metros nos pequenos ruminantes.
Eles formam inúmeras alças, que estão presas pelo mesentério à parede dorsal da
237

cavidade abdominal e ocupam quase toda a metade direita desta cavidade. As alças do
jejuno e íleo recobrem o intestino grosso e são envolvidas pelo omento maior.

A porção terminal do íleo desemboca no intestino grosso, em um ponto que


marca o limite entre o cécum e o cólon. O orifício de desembocadura denomina-se óstio
ileal. Um reduzido dispositivo muscular forma-se em torno do óstio ileal, determinando
o aparecimento de uma pequena elevação da mucosa, denominada papila ileal.

63.2. Intestino grosso

O intestino grosso compõe-se de três partes: cécum, cólon e reto.

63.2.1. Cécum

É um órgão tubular de fundo cego, mais ou menos cilíndrico e de superfície lisa,


apenso à porção inicial do cólon. Mede cerca de 50 cm de comprimento nos bovinos e
25 – 40 cm nos pequenos ruminantes. Situa-se na metade direita da cavidade abdominal
e sua extremidade cega aproxima-se da abertura cranial da pelve.

63.2.2. Cólon

O cólon dos ruminantes é muito desenvolvido e compõe-se de quatro partes:


cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente e cólon sigmoide.

Destas, a primeira parte – cólon ascendente – destaca-se pelo seu grande


desenvolvimento e por sua conformação relativamente complicada. É formado por três
alças – proximal, espiral e distal, e situa-se à direita do plano mediano.

A alça proximal tem origem ao nível do óstio ileal. Seu calibre inicialmente
assemelha-se ao do cécum, mas diminui gradativamente até a alça espiral, quando então
se mantêm com diâmetro mais ou menos uniforme. A alça proximal corre inicialmente
em sentido cranial, depois curva-se caudalmente para em seguida curvar-se outra vez
em sentido cranial, continuando-se com a alça espiral.

A alça espiral é constituída por um conjunto de giros centrípetos e giros


centrífugos, presos no mesentério. Os giros centrípetos são alças que dirigem de modo
aproximadamente circular para o centro da espiral, executando cerca de três voltas. Ao
nível da flexura central, voltam em sentido contrário, constituindo os giros centrífugos.
Estes executam cerca de duas voltas e meia em direção à periferia, onde se continuam
com a alça distal.

A alça distal corre inicialmente em sentido caudal, acompanhando as alças do


jejuno no mesentério. Em seguida, executa uma curvatura fechada e dirige-se
cranialmente. Próximo ao pâncreas curva-se para a esquerda, contornando a porção
inicial da artéria mesentérica cranial. Este curto trajeto da direita para a esquerda
constitui o cólon transverso, o qual logo em seguida curva-se caudalmente,
continuando-se como cólon descendente.
238

O cólon descendente é dotado de um meso bem evidente e, próximo à cavidade


pélvica, converte-se no cólon sigmoide. Este não apresenta a sinuosidade encontrada em
outras espécies e continua-se, sem limites nítidos, com o reto, já na cavidade pélvica.

O cólon, incluindo o reto, mede 6 a 13 metros nos bovinos e 3 a 7 metros nos


pequenos ruminantes.

63.2.3. Reto

É a porção final do intestino grosso, situando-se ventralmente ao sacro e às


primeiras vértebras coccígeas. É muito dilatável e seu comprimento varia de 20 a 30 cm
nos bovinos e 10 a 15 cm nos pequenos ruminantes. Apenas a metade cranial do reto é
coberta por peritônio. Sua porção caudal, retroperitoneal, é revestida por tecido
conjuntivo frouxo e tecido adiposo e está presa às vértebras coccígeas pelo músculo
retococcígeo.

63.3. Ânus

O tubo digestivo termina no ânus, orifício revestido internamente pela mucosa


anal e externamente pela pele. Na constituição de sua parede entram os músculos
esfíncter externo do ânus e esfíncter interno do ânus, os quais mantêm fechado o orifício
anal. O músculo esfíncter interno é formado por fibras musculares lisas, dispostas
circularmente sob a mucosa anal. O músculo esfíncter externo envolve o interno, é
formado por fibras estriadas esqueléticas e situa-se sob a pele.

64. Fígado, vias biliares, pâncreas e baço

64.1. Fígado

O fígado constitui a maior glândula existente no organismo animal, estando


anexo ao canal alimentar. No animal vivo, ele tem consistência mole e apresenta-se
macio ao tato. Nos animais lactentes, sua coloração é marrom-amarelada, devido à
grande quantidade de gordura nele depositada. Nos animais adultos, torna-se mais
avermelhado, em virtude do grande afluxo de sangue em seu parênquima. O peso do
fígado é influenciado pela raça, sexo, idade, estado de nutrição, etc. Nos animais velhos,
é proporcionalmente mais leve que nos jovens. É mais pesado nos machos que nas
fêmeas. Nos bovinos adultos, chega a alcançar até 6 kg, o que corresponde a cerca de
1% do peso corporal. Nos pequenos ruminantes, pode alcançar até 1 kg.

Nos ruminantes, o fígado está situado quase que inteiramente na região


hipocondríaca direita. Sua forma é aproximadamente quadrangular, com o eixo maior
dirigido dorsoventralmente, e ligeiramente inclinado da direita para a esquerda. Sua
superfície é revestida pelo peritônio e, sob este, o parênquima hepático está contido por
uma túnica fibrosa. Apresenta, para descrição, duas faces – diafragmática e visceral, e
quatro bordas – dorsal, ventral, direita e esquerda.
239

A face diafragmática é convexa, lisa e está em contato com o diafragma.


Próximo à borda direita, a face diafragmática está intimamente unida por tecido
conjuntivo ao diafragma, ficando uma pequena área do fígado desprovida de
revestimento peritoneal, a chamada área nua. No animal embalsamado, a face
diafragmática apresenta impressões das últimas costelas.

A posição do fígado dos ruminantes difere das dos outros animais domésticos
em razão da presença do rúmen, que o desloca para a direita. Ele sofre ainda uma
rotação no sentido anti-horário. Desta maneira, as bordas dorsal e ventral, na realidade,
estão dispostas verticalmente, à esquerda e à direita, respectivamente.

A borda dorsal do fígado é abaulada e está percorrida longitudinalmente pela


veia(sulco) cava caudal. Esta, em alguns casos, encontra-se interamente embebida no
tecido hepático.

A borda ventral é delgada, de contorno irregular e apresenta, em seu terço


médio, uma depressão profunda, a fissura do ligamento redondo. Este ligamento, nem
sempre presente, representa o remanescente da veia umbilical do feto. A fissura do
ligamento redondo é mais profunda nos pequenos ruminantes e aparece tanto na face
visceral como na face diafragmática.

A face visceral do fígado é côncava. Nela encontram-se a porta do fígado (veias


e artérias), a fossa da vesícula biliar e várias impressões provocadas por vísceras
adjacentes. Dela destaca-se ainda o lobo caudado, com seus processos papilar e
caudado.

A porta do fígado é uma área irregular, situada no terço médio da face visceral e
na qual penetram a veia porta, os ramos da artéria hepática e os nervos hepáticos, e
saem os vasos linfáticos e o ducto hepático comum. Alguns pequenos linfonodos
hepáticos ou portais são também aí encontrados. Todas as estruturas da porta do fígado
estão envolvidas por tecido conjuntivo.

A vesícula biliar está parcialmente alojada numa depressão da face visceral do


fígado, a fossa da vesícula biliar. O ducto cístico deixa o colo da vesícula e corre
dorsalmente, deixando uma impressão em forma de sulco na face visceral (impressão
cística).

Das impressões encontradas na face visceral do fígado, as mais pronunciadas são


a impressão reticular, situada próximo à borda esquerda e mais extensa nos pequenos
ruminantes; e a impressão omásica, que é a maior, sendo bastante desenvolvida nos
bovinos, e situa-se à direita da impressão reticular.

A borda direita do fígado está voltada dorsocaudalmente. Nela situa-se uma


escavação, a impressão renal, onde se aloja o rim direito. A borda esquerda é delgada e
arredondada, estando voltada cranioventralmente.
240

O fígado dos ruminantes, como nas outras espécies domésticas, está dividido em
lobos. Porém, os lobos hepáticos dos ruminantes apresentam-se pouco individualizados
na superfície, ao contrário dos de outras espécies, tais como o cão e o porco, em que
eles (os lobos) são bem delimitados por fissuras interlobares. pode-se dividir o fígado
dos ruminantes por meio de três planos fissurais interlobares: plano fissural esquerdo,
que corta o fígado passando pela fissura do ligamento redondo; plano fissural direito,
que passa ao nível da fossa da vesícula biliar e plano fissural dorsal, que corta o fígado
passando pela fissura entre o processo caudado e os restante do órgão, paralelamente às
faces diafragmática e visceral. Os planos fissurais direito e esquerdo dividem
transversalmente o fígado em três lobos: direito, quadrado e esquerdo. O lobo direito
situa-se à direita do plano fissural direito. O lobo quadrado situa-se entre os planos
fissurais direito e esquerdo. O lobo esquerdo é aquele situado à esquerda do plano
fissural esquerdo. O lobo caudado, por sua vez, está separado do lobo quadrado pela
porta do fígado e do lobo direito pelo plano fissural dorsal. Ele possui dois processos,
que se salientam na face visceral do fígado: processo caudado, bem desenvolvido e
dirigido dorsocaudalmente, participando na formação da impressão renal; processo
papilar, pequeno, arredondado e situado imediatamente acima da porta do fígado. Os
lobos hepáticos são determinados baseando-se na distribuição intra-hepática da veia
porta, da artéria hepática e das vias biliares.

64.2. Vias biliares

As vias biliares extra-hepáticas compreendem os ductos hepáticos direito e


esquerdo, que emergem das metades direita e esquerda do fígado e reúnem-se na porta,
para formar o ducto hepático comum. Este é o padrão encontrado nos bovinos. Nos
pequenos ruminantes, o ducto hepático direito geralmente desemboca no ducto cístico,
sendo o ducto colédoco formado pela união do ducto cístico com o ducto hepático
esquerdo. O ducto hepático comum, nos bovinos, após um pequeno trajeto, une-se com
o ducto cístico para constituir o ducto colédoco. O ducto colédoco corre em direção ao
intestino delgado, desembocando geralmente no terço distal da parte cranial do
duodeno, ao nível da papila duodenal maior. Nos pequenos ruminantes, o ducto
colédoco recebe o ducto pancreático antes de desembocar no duodeno. As vias biliares
contêm pouca ou nenhuma musculatura lisa em suas paredes; por isso, podem se dilatar
com facilidade, mas não são capazes de se contrair.

A vesícula biliar é uma bolsa piriforme, alojada numa depressão da face visceral
do fígado e na qual a bile é armazenada e concentrada. Situa-se ao nível da 10ª costela
ou 10º espaço intercostal. É constituída de fundo, corpo e colo, continuando-se este
último com o ducto cístico.

64.3. Pâncreas

O pâncreas dos ruminantes tem conformação aproximada de um “L”, sendo


formado por um corpo e dois lobos, direito e esquerdo. O lobo esquerdo dispõe-se mais
ou menos transversalmente entre o rúmen e a parede dorsal da cavidade do abdome e
seu ápice relaciona-se à esquerda com o baço e o tronco celiacomesentérico. O lobo
241

direito tem disposição aproximadamente longitudinal, relacionando-se com a face


visceral do fígado e a parte cranial do duodeno. O corpo é representado pelo ângulo de
união entre os dois lobos e apresenta uma incisura, a incisura pancreática, por onde
passa a veia porta em direção ao fígado. Nos bovinos, existe apenas o ducto pancreático
acessório, que percorre internamente o pâncreas e emerge na superfície do órgão ao
nível da extremidade cranial do lobo direito, para ir desembocar no terço proximal da
parte descendente do duodeno, na papila duodenal menor. Nos pequenos ruminantes,
existe apenas o ducto pancreático principal, o qual desemboca no ducto pancreático
principal, o qual desemboca no ducto colédoco, antes deste último alcançar o duodeno.

64.4. Baço

O baço, que é um órgão do sistema hemocitopoiético, situa-se na região


hipocondríaca esquerda, estando preso à curvatura dorsal e à face parietal do rúmen.
Relaciona-se também com o diafragma. Nos bovinos tem forma alongada, enquanto que
nos pequenos ruminantes é pequeno e de contorno mais ou menos ovóide. Em sua face
visceral, voltada para o rúmen, situa-se o hilo, no qual penetram a artéria lienal e nervos
do plexo lienal e saem a veia e os linfáticos lienais.

65. Rins, ureteres e glândula suprarrenal

65.1. Rins

Os rins são órgãos pares, situados na região sublombar. Nos pequenos


ruminantes, eles têm forma de grão de feijão, apresentando superfície lisa. Nos bovinos,
os rins são alongados e sua superfície é marcada por sulcos, que delimitam os lobos
renais. O rim direito situa-se em posição mais cranial que o esquerdo, estando ao nível
da última costela e dos processos transversos das duas primeiras vértebras lombares. O
rim esquerdo situa-se ao nível da 3ª ou 4ª vértebras lombares e apresenta-se deslocado
para o plano mediano, podendo ultrapassá-lo à direita, devido à pressão exercida pelo
rúmen. Os rins encontram-se envolvidos por uma cápsula fibrosa e, externamente a esta,
desenvolve-se uma camada de tecido adiposo, a cápsula adiposa, que auxilia na
manutenção de sua posição mais ou menos fixa.

Cada rim apresenta extremidades cranial e caudal, faces dorsal e ventral e bordas
lateral e medial. Na borda medial situa-se uma depressão longitudinal, o hilo renal, o
qual se aprofunda no órgão, formando uma escavação, o seio renal, geralmente
preenchido por tecido adiposo. Pelo hilo penetram os ramos da artéria renal e os nervos
do plexo renal, e saem a veia renal, linfáticos e o ureter. A pelve renal, que é a
extremidade cranial e dilatada do ureter, está alojada no seio renal, envolvida pelo
tecido adiposo que preenche o seio. Nos bovinos, o hilo do rim esquerdo está voltado
um pouco dorsalmente.

Os rins são órgãos retroperitoniais, estando revestidos de peritônio apenas em


sua face ventral. O rim direito está parcialmente encaixado na impressão renal do
fígado; sua face dorsal relaciona-se com os músculos sublombares, a face ventral com
242

alças intestinais, a borda medial com a veia cava caudal e sua extremidade cranial está
em contato com a glândula suprarrenal direita. O rim esquerdo relaciona-se lateralmente
com o rúmen, dorsalmente com a artéria aorta e a veia cava caudal e medialmente com
alças intestinais; a glândula suprarrenal esquerda encontra-se um pouco adiante da
extremidade cranial deste rim.

Estrutura macroscópica interna do rim:

O estudo macroscópico de um corte do rim de pequeno ruminante mostra que ele


é formado por uma parte periférica, o córtex renal, coberta por uma delgada e resistente
cápsula fibrosa, e uma parte central, a medula renal. No córtex encontram-se
corpúsculos renais e parte dos túbulos renais; a medula contêm principalmente túbulos
coletores. As pirâmides renais, encontradas bem individualizadas em outros animais
domésticos, apresentam-se fundidas nos pequenos ruminantes, de modo que se pode
considerar a medula como constituída por uma única grande pirâmide, cujo ápice forma
uma borda, voltada para a pelve e que se denomina crista renal. A superfície da crista
renal apresenta-se perfurada pelos orifícios dos inúmeros túbulos coletores que aí
terminam; estes orifícios são difíceis de serem identificados macroscopicamente.

O exame macroscópico de um corte longitudinal do rim de bovino mostra cada


lobo renal bastante individualizado e constituído de córtex e medula. A medula forma,
em cada lobo, uma pirâmide, cujo ápice arredondado constitui a papila renal, na qual
desembocam os túbulos coletores. Cada papila está em relação com um cálice renal
menor.

Nos pequenos ruminantes, a pelve renal é a extremidade proximal, dilatada, do


ureter, situada no seio renal e que abraça a crista renal. O termo grego “pielos” significa
bacia e refere-se à pelve renal, daí a origem de certos termos, como pielite, que é
inflamação da pelve.

Nos bovinos, a extremidade do ureter contida no seio renal apresenta acentuadas


diferenças morfológicas em relação aos pequenos ruminantes. Assim, esta extremidade
não é dilatada e, portanto, não há formação da pelve renal. Em seu lugar aparecem duas
estruturas tubulares membranáceas, que percorrem o rim no sentido das extremidades
para o hilo, onde se reúnem para formar o ureter. Estes tubos membranáceos constituem
os cálices renais maiores. Nos cálices renais maiores desembocam, em conjunto ou
separadamente, os cálices renais menores, estruturas membranáceas afuniladas, nas
quais as papilas renais se apoiam.

65.2. Ureteres

Os ureteres são tubos musculomembranáceos, de comprimento variável nos


ruminantes domésticos, que unem cada rim à bexiga urinária. Cada ureter apresenta uma
parte abdominal e uma parte pélvica. Eles dirigem-se caudalmente, ao longo da região
sublombar. Mantêm-se fixos por uma prega de peritônio, que é comum à artéria
243

testicular no macho e a artéria ovárica na fêmea. A parte pélvica do ureter será vista
quando se estudarem os órgãos da cavidade pélvica.

65.3. Glândulas suprarrenais (adrenal)

São glândulas endócrinas pares, situadas na cavidade abdominal, próximas aos


rins. Apesar de as glândulas não estarem dorsalmente aos rins, como o nome sugere, o
termo suprarrenal foi mantido na N.A.V., em concordância com a terminologia humana.

A glândula suprarrenal direita tem forma aproximadamente triangular, com a


base apoiada na veia cava caudal, situando-se entre esta e o polo cranial do rim direito.
A glândula suprarrenal esquerda situa-se ao longo da face ventral da aorta abdominal,
entre o rim esquerdo e o tronco celiacomesentérico. É maior que a direita e sua forma é
alongada. As glândulas suprarrenais são constituídas por córtex e medula. O córtex é
mais claro e envolve a medula, que tem coloração mais escura.

As glândulas suprarrenais são irrigadas por ramos das artérias frênica caudal,
celíaca e renal. A medula da suprarrenal recebe fibras pré-ganglionares do tronco
simpático.

66. Peritônio

O peritônio é uma membrana serosa, semelhante á pleura, que reveste a cavidade


abdominal e parte da cavidade pélvica. Compõe-se, como a pleura, de uma lâmina
parietal, que reveste as paredes das cavidades abdominal e pélvica e uma lâmina
visceral, que envolve as vísceras abdominais e pélvicas. Entre as duas lâminas
permanece um espaço, a cavidade peritoneal, a qual contêm um líquido seroso secretado
pelo próprio peritônio e que funciona como lubrificante. Nos machos, a cavidade
peritoneal é completamente fechada, ao passo que nas fêmeas há uma comunicação com
o exterior através dos óstios abdominais das tubas uterinas.

O peritônio é uma membrana contínua e, ao saltar da parede do abdome para as


vísceras ou de uma víscera para outra, forma pregas mais ou menos desenvolvidas, que
constituem os ligamentos, omentos e mesos.

Alguns órgãos, tanto abdominais como pélvicos, permanecem em contato direto


com as paredes das cavidades do abdome e da pelve, sendo revestido apenas
parcialmente pelo peritônio ou não apresentando revestimento peritoneal algum. Tais
órgãos são denominados retroperitoneais e o espaço que os contém, rico em tecido
conjuntivo mais ou menos invadido por tecido adiposo, denomina-se espaço
retroperitoneal. Como exemplo de órgãos retroperitoneais, temos, nos ruminantes, o rim
direito, a uretra pélvica, a vagina e o reto (em parte).

66.1. Reflexões peritoneais

66.1.1. Ligamentos
244

O peritônio parietal que reveste a face abdominal do diafragma, ao saltar para o


fígado, forma três ligamentos: coronário, falciforme e triangular direito. O ligamento
coronário do fígado une o diafragma à borda dorsal do fígado, ao longo do trajeto da
veia cava caudal; deixa na superfície do fígado uma área sem revestimento peritoneal –
a área nua. O ligamento falciforme do fígado salta do diafragma para a face parietal do
fígado, dispondo-se mais ou menos perpendicularmente ao coronário; é reduzido nos
ruminantes domésticos, podendo estar mesmo ausente. O ligamento triangular direito,
também pouco desenvolvido, une a borda direita do fígado ao diafragma e a região
sublombar. Não há, como nos equinos, o ligamento triangular esquerdo.

Do diafragma, o peritônio salta ainda para a curvatura dorsal do rúmen,


formando o ligamento gastrofrênico, e para a face parietal do baço, constituindo o
ligamento frenicolienal. O baço está também firmemente unido à face parietal do rúmen
através do ligamento gastrolienal. A borda direita do fígado está unida ao rim direito por
uma condensação peritoneal, o ligamento hepatorrenal.

66.1.2. Omentos

Os omentos são pregas peritoneais características, que unem o estômago a outras


vísceras abdominais. São constituídos por duas lâminas de peritônio justapostas e
contêm quantidade variável de tecido adiposo, além de vasos sanguíneos e linfáticos. Os
elementos vasculares e adiposos agrupam-se de modo a dividir os omentos em áreas
irregularmente poligonais, conferindo-lhes aspecto reticulado. Distinguem-se nos
ruminantes, como nas demais espécies domésticas, o omento menor e o omento maior.

Omento menor: une a porta do fígado ao estômago e ao duodeno, podendo ser


dividido em duas porções contínuas: ligamento hepatogástrico e ligamento
hepatoduodenal. O ligamento hepatogástrico prende-se na curvatura menor do abomaso
e na face parietal do omaso, enquanto o ligamento hepatoduodenal insere-se na parte
cranial do duodeno, terminando ao nível da flexura cranial do mesmo. O omento menor
delimita, juntamente com a face visceral do fígado e o estômago, um espaço
denominado vestíbulo da bolsa omental. Este espaço comunica-se com a cavidade
peritoneal propriamente dita através do forame epiplóico, uma abertura de contorno
irregular delimitada pela veia porta, veia cava caudal, pâncreas e lobo caudado do
fígado.

Omento maior: o omento maior estende-se do estômago ao duodeno e cólon


ascendente. É formado por duas paredes, superficial e profunda, as quais delimitam uma
cavidade, a bolsa omental. A bolsa omental comunica-se cranialmente com o vestíbulo
da bolsa omental e caudalmente termina formando uma expansão em fundo cego, o
recesso omental caudal, cujo ápice situa-se junto à flexura caudal do duodeno. A parede
superficial do omento maior origina-se no sulco longitudinal esquerdo do rúmen e na
curvatura maior do abomaso e estende-se caudalmente, indo prender-se nas partes
cranial e descendente do duodeno. A parede profunda origina-se no sulco longitudinal
direito do rúmen e vai prender-se caudalmente na alça distal do cólon, junto à flexura
245

caudal do duodeno. As duas paredes continuam-se uma com a outra ao nível do sulco
caudal do rúmen e do ápice do recesso omental caudal.

Os omentos auxiliam na fixação e contenção das alças intestinais, funcionando


ainda como órgãos armazenadores de gordura. Têm ainda importância nos processos
inflamatórios da cavidade peritoneal, já que comumente aderem aos focos de
inflamação, auxiliando a impedir sua disseminação. O omento maior é irrigado por
ramos da artéria lienal e das artérias gastro-epiplóicas direita e esquerda.

66.1.3. Mesos

Os mesos são pregas peritoneais que prendem as diferentes partes dos intestinos
à parede dorsal da cavidade abdominal. São formados por duas lâminas justapostas de
peritônio, unidas por tecido conjuntivo frouxo. Neste conjuntivo correm as artérias,
nervos, veias e linfáticos que suprem ou drenam as alças intestinais.
Embriologicamente, os mesos formaram-se como uma prega peritoneal única e contínua
– o mesentério dorsal comum – que se prendia á alça intestinal primitiva, muito
simplificada. Esta alça posteriormente se complicou, dando origem às diferentes partes
dos intestinos delgado e grosso, e isto foi acompanhado por um correspondente
desenvolvimento do mesentério dorsal comum e uma divisão deste em vários
segmentos. Estes segmentos ou mesos denominam-se de acordo com a parte do
intestino onde se prendem: mesoduodeno, mesentério e mesocólon transverso,
mesocólon descendente, mesocólon sigmoide e mesorreto.

Mesoduodeno: é pouco desenvolvido nos ruminantes domésticos e une a parte


descendente do duodeno à parede dorsal da cavidade abdominal.

Mesentério: o termo mesentério é comumente utilizado para denominar o


conjunto de mesos derivados do mesentério dorsal comum, mas é empregado aqui para
designar apenas a parte que une o jejuno-íleo à parede abdominal dorsal. Sua inserção
nesta parede denomina-se raiz do mesentério e contêm a origem da artéria mesentérica
cranial. A partir da raiz, o mesentério abre-se em leque para prender-se nas alças do
jejuno-íleo, às quais confere grande liberdade de movimento. No mesentério correm a
artéria e veia mesentéricas craniais e seus ramos para o jejuno-íleo e cólon, além de
nervos, linfáticos e os bem desenvolvidos linfonodos jejunais. Apresenta também,
dependendo do estado de nutrição do animal, acúmulos de tecido adiposo.

Mesocólon: é contínuo com o mesentério, unindo a parede dorsal da cavidade


abdominal às diversas partes do cólon. O mesocólon ascendente é a porção mais
desenvolvida e está preso às alças proximal, espiral e distal do cólon ascendente,
unindo-se entre si e ao mesentério adjacente. Forma, entre o cécum e a porção final do
íleo, a prega ileocecal, bem desenvolvida nos ruminantes domésticos. Os mesocólons
transverso e descendente são nítidos e continuam-se caudalmente com o mesocólon
sigmoide. Este prende a porção final do cólon (cólon sigmoide, pouco distinto nos
ruminantes) à parede dorsal da porção caudal da cavidade abdominal e início da
cavidade pélvica. O mesorreto é a continuação caudal do mesocólon sigmoide e une a
246

face dorsal da porção inicial do reto à parede dorsal da cavidade pélvica. O restante do
reto fica em situação retroperitoneal, imerso em tecido adiposo.

67. Nervos e gânglios da cavidade abdominal

67.1. Parte abdominal do tronco simpático

Na cavidade abdominal, os troncos simpáticos correm no espaço entre a aorta e


os músculos sublombares, situando-se próximos um do outro nos três primeiros
segmentos lombares e apresentando-se mais afastados nos segmentos restantes. Os
ramos interganglionares entre os primeiros gânglios lombares (de L1 a L4) podem se
apresentar duplicados e, mais raramente, triplicados.

Os gânglios simpáticos lombares são fusiformes e encontram-se em cada


segmento lombar. Em alguns casos, o 5º e o 6º gânglios lombares podem estar fundidos.
Uniões entre os troncos simpáticos são também observados. Os ramos comunicantes
para cada nervo lombar encontram-se divididos em vários ramúsculos, que correm junto
aos vasos lombares.

No homem, os gânglios mais caudais da parte torácica do tronco simpático estão


unidos aos gânglios celíaco e mesentérico cranial por meio de longos cordões nervosos,
denominados nervos esplâncnicos maior e menor. Nos ruminantes domésticos, estes
nervos não estão presentes. Nestas espécies, o tronco simpático, na transição entre as
partes torácicas e abdominal, desloca-se da região sublombar em direção à origem das
artérias celíaca e mesentérica cranial, juntando-se ao plexo celiacomesentérico.
Distalmente a este plexo, o tronco simpático continua a correr na região sublombar. Ao
nível do 4º e 5º gânglios simpáticos lombares originam-se os nervos esplâncnicos
lombares, que se dirigem para o gânglio mesentérico caudal.

67.2. Gânglios e plexos viscerais

Os plexos da cavidade abdominal são formados por fibras provenientes dos


troncos simpáticos, dos troncos vagais e por gânglios pré-vertebrais. Estas estruturas são
envolvidas por tecido conjuntivo denso, formando uma rede espessa em torno da aorta e
de seus grandes ramos. Os plexos abdominais contêm fibras pré e pós-ganglionares do
simpático e parassimpático e também fibras sensitivas viscerais. A distinção dos
diversos plexos é feita tendo em vista sua relação com o tronco arterial. Todos eles,
porém, estão mais ou menos interligados. Dos plexos partem nervos que acompanham
os vasos e, por meio destes, alcançam as vísceras. Os principais plexos são os seguintes:

Plexo suprarrenal: é uma densa rede nervosa situada entre a glândula suprarrenal
e o pilar do diafragma. Ele recebe fibras do tronco simpático e do plexo
celiacomesentérico.

Plexo e gânglio celiacomesentéricos: constituem uma densa massa fibrosa que


envolve a origem das artérias celíaca e mesentérica cranial. No lado esquerdo, os
247

gânglios celíaco e mesentérico cranial encontram-se mais fundidos que no lado direito.
Este plexo recebe contribuições do tronco simpático e do tronco vagal dorsal.

Plexo e gânglios mesentéricos caudais: situam-se ao nível da última vértebra


lombar, junto à origem das artérias mesentérica caudal e testicular (ou ovárica). Para
eles convergem principalmente os nervos esplâncnicos lombares. Os plexos
celiacomesentérico e mesentérico caudal são unidos pelo plexo intermesentérico, que se
dispõe ao longo da aorta abdominal. Os nervos hipogástricos, direito e esquerdo, ligam
o plexo mesentérico caudal ao plexo pélvico, situado na cavidade pélvica.

Os demais plexos e gânglios autônomos da cavidade abdominal situam-se


próximo ou dentro das vísceras, recebendo seu nome de acordo com aqueles: plexo
hepático, plexo lienal, plexos ruminais, plexo reticular, plexo pancreático, plexo e
gânglios renais, gânglios aorticorrenais, plexos testicular ou ovárico e plexos entéricos.

67.3. Troncos vagais

Nos animais com estômago simples, os troncos vagais alcançam o estômago


após atravessarem o hiato esofágico; o tronco vagal dorsal distribui-se na face visceral
do estômago e o tronco vagal ventral na face parietal. Nos ruminantes, apesar do
estômago ser complexo, esta distribuição é mais ou menos semelhante. Assim, como o
estômago dos ruminantes adquiriu maior complexidade na região inervada pelo tronco
vagal dorsal, este distribui-se numa área mais extensa e, por isto, é mais desenvolvido
que o tronco vagal ventral. O nervo vago exerce importante função no mecanismo de
contração das paredes do estômago, na ruminação, eructação e no fechamento do sulco
reticular do lactente. A secção do vago provoca paralisia gástrica e consequente
instalação de timpanismo.

O tronco vagal dorsal, ao atingir o átrio do rúmen, envia ramos para esta área e
distribui-se principalmente na face visceral do rúmen, enviando ainda ramos para o
retículo, o omaso e o abomaso. Emite também um ou mais ramos para o plexo
celiacomesentérico; daí suas fibras atingem os intestinos via ramos da artéria
mesentérica cranial. O tronco vagal ventral emite um ou mais ramos para o átrio do
rúmen e distribui-se principalmente no retículo, omaso e abomaso.

68. Artérias da cavidade abdominal

68.1. Tronco celiacomesentérico

Nos ruminantes, as artérias celíaca e mesentérica cranial frequentemente


originam-se por um tronco comum, que recebe o nome de tronco celiacomesentérico.
Este tronco destaca-se da aorta abdominal ao nível da primeira vértebra lombar e dirige-
se ventralmente, passando lateralmente ao pilar esquerdo do diafragma.

68.1.1. Celíaca
248

É a resultante cranial da bifurcação do tronco celiacomesentérico. A artéria


celíaca tem um curto trajeto e dá origem, de maneira variável, aos seguintes ramos:

68.1.1.1. Artéria frênica caudal – compreende um ou dois pequenos ramos que correm
cranialmente para se distribuírem na face abdominal do diafragma.

68.1.1.2. Ramos suprarrenais craniais – são pequenos ramos que correm caudalmente
em direção à glândula suprarrenal, onde penetram.

68.1.1.3. Lienal – emerge da artéria celíaca e dirige-se craniodorsalmente. Emite


pequenos ramos pancreáticos, as artérias ruminal direita e ruminal esquerda e
finalmente alcança o hilo do baço, onde penetra após ter-se dividido geralmente em dois
ramos. A artéria ruminal direita corre caudalmente no sulco longitudinal direito,
distribuindo-se por toda a extensão da face visceral do rúmen. Um de seus ramos
alcança inicialmente o sulco caudal e depois corre no sulco coronário ventral,
distribuindo-se na face parietal do saco ventral. A artéria ruminal esquerda corre
inicialmente na face visceral do rúmen, contorna o sulco cranial e atinge o sulco
longitudinal esquerdo, distribuindo-se na face parietal do órgão. Ela emite a pequena
artéria reticular, que, como o nome indica, distribui-se na parede do retículo.

68.1.1.4. Hepática

Esta artéria supre o fígado e parte do duodeno, do pâncreas e do abomaso. Corre


em sentido cranial e para a direita, passando dorsalmente ao pâncreas. Ao nível da porta
do fígado, ela divide-se nos ramos direito e esquerdo, podendo emitir antes ramos para
o pâncreas.

O ramo direito da artéria hepática é curto e logo se distribui nos lobos direito e
caudado, emitindo antes a pequena artéria cística, que corre junto ao ducto cístico e se
distribui na parede da vesícula biliar.

O ramo esquerdo da artéria hepática é mais longo e corre na porta do fígado, á


esquerda da veia porta. Vasculariza os lobos restantes do fígado. Ele emite, em seu
percurso, as artérias gástrica direita e gastroduodenal. A artéria gástrica direita corre no
omento menor e atinge a curvatura menor do abomaso, onde se anstomosa com a artéria
gástrica esquerda. A artéria gastroduodenal alcança a parte cranial do duodeno, onde se
divide em dois ramos: artéria gastro-epiplóica direita e artéria pancreaticoduodenal
cranial. A primeira corre em direção cranial e atinge a curvatura maior do abomaso,
onde se une com a artéria gastro-epiplóica esquerda. A segunda distribui-se nas
primeiras porções do duodeno, emitindo ainda ramos pancreáticos.

68.1.1.5. Gástrica esquerda – após originar-se da celíaca, dirige-se cranioventralmente


e alcança a curvatura dorsal do omaso, correndo em toda a extensão desta para em
seguida atingir a curvatura menor do abomaso, onde se distribui e se anastomosa com a
artéria gástrica direita. Antes de atingir a curvatura dorsal do omaso, a artéria gástrica
esquerda emite a artéria reticular acessória, que se dirige para a parede do retináculo, e a
249

artéria gastro-epiplóica esquerda, que atinge a curvatura maior do abomaso e se


anastomosa com a artéria gastro-epiplóica direita.

68.1.2. Mesentérica cranial

É a resultante caudal da bifurcação do tronco celiacomesentérico, vascularizando


todo o intestino delgado e grande parte do intestino grosso. Sua origem é envolvida pelo
cólon transverso e, a este nível, ela emite ramos para esta porção do intestino grosso e
ainda a pequena artéria pancreaticoduodenal caudal. Continuando em seu curso no
mesentério, a artéria mesentérica cranial emite uma numerosa série de arérias jejunais,
destinadas ao jejuno e íleo. Um ramo mais calibroso, a artéria ileocólica, destaca-se de
sua porção inicial e dirige-se para a alça espiral do cólon, vascularizando-a e emitindo
ramos também para o cécum e porção terminal do íleo.

68.2. Renais

Originam-se da aorta abdominal caudalmente à origem do tronco


celiacomesentérico e dirigem-se cada uma para o rim respectivo. Ao atingir o hilo renal,
divide-se num número variável de artérias segmentares. De cada artéria renal originam-
se ainda pequenos ramos para a glândula suprarrenal (ramos suprarrenais caudais) e um
ramo para o ureter.

68.3. Testiculares e ováricas

As artérias testiculares originam-se da aorta abdominal próximo à terminação


desta, na entrada da pelve. Têm calibre relativamente pequeno e seu trajeto se faz ao
longo da parede do abdome até abandonarem a cavidade abdominal, através do canal
inguinal, juntamente com outras estruturas do funículo espermático. No funículo
espermático, cada artéria testicular torna-se bastante enovelada e está envolvida pelo
plexo pampiniforme (formado pelas veias testiculares). Estas duas estruturas formam
um cone vascular cuja base repousa sobre a extremidade capitada do testículo. A íntima
relação entre a porção enovelada da artéria testicular e o plexo pampiniforme favorece o
estabelecimento de trocas caloríficas: o sangue arterial, ao passar no cone, é resfriado
cerca de 5 a 6°C pelo sangue venoso e chega ao testículo com uma temperatura
adequada às funções do órgão. Ao atingir a extremidade capitada do testículo, a artéria
testicular a correr na estrutura da albugínea e, ao nível da extremidade caudada,
ramifica-se para então penetrar no parênquima testicular. Os ramos penetrantes da
artéria testicular são considerados do tipo terminal.

O epidídimo é vascularizado por ramos epididimais, que partem da porção


enovelada da artéria testicular, e seu suprimento sanguíneo é independente do testículo.

As artérias ováricas, homólogas das artérias testiculares, apresentam-se também


bastante enoveladas. Correm junto, as veias ováricas, mas, devido à posição do ovário,
são de trajeto mais curto. Além de irrigarem o ovário, emitem um ramo para a tuba
uterina (ramo tubário) e outro para o corno uterino (ramo uterino).
250

68.4. Mesentérica caudal

É uma pequena artéria ímpar que se origina da face ventral da aorta, próximo à
sua terminação. Após curto trajeto no mesocólon divide-se em artérias sigmóidea e retal
cranial, que se dirigem para a porção final do cólon e para o reto, respectivamente.

68.5.Lombares

São artérias pares que se originam da face dorsal da aorta e se distribuem nos
músculos sublombares, no canal vertebral e na musculatura epiaxial da região lombar.

69. Veias da cavidade abdominal

69.1. Porta

É parte do sistema porta-hepático, formado pelas veias encarregadas da


drenagem do sangue do baço, estômago, intestino delgado, pâncreas e grande parte do
intestino grosso. O sangue venoso dos capilares destes órgãos é drenado por veias cuja
confluência dá origem à veia porta. No fígado, a veia porta ramifica-se até a formação
de novos capilares e daí o sangue alcança a veia cava caudal por meio das veias
hepáticas.

A veia porta é formada, próximo ao corpo do pâncreas, pela união das veias
mesentérica cranial e lienal. A veia mesentérica cranial é formada pela confluência das
veias procedentes do jejuno-íleo (veias jejunais), duodeno e pâncreas (veia
pancreaticoduodenal caudal), cólon e cécum (veia ileocólica).

A veia lienal drena o sangue não só do baço, como também do rúmen (veias
ruminais direita e esquerda), retículo (veia reticular), omaso e abomaso (veia gástrica
esquerda).

Ao atingir a porta do fígado, a veia porta divide-se em ramos direito e esquerdo.


O ramo esquerdo percorre quase todo o hilo e após curvar-se ventralmente, termina
próximo do fundo da fissura do ligamento redondo. Ele emite ramos que se distribuem
no lobo esquerdo e no lobo quadrado. O ramo direito é menor que o esquerdo e, após
curto trajeto, divide-se em ramos para o lobo direito e caudado.

Cada um dos ramos principais da veia porta distribui-se numa área independente
do fígado, constituindo os segmentos hepáticos portais.

69.2. Cava caudal

A veia cava caudal é um grande segmento venoso desprovido de válvulas, que


recebe o sangue dos membros pélvicos e de parte da parede do abdome e dorso, e ainda
de vísceras do abdome e da pelve. É formada, ao nível das últimas vértebras lombares,
pela união das duas veias ilíacas comuns.

Inicialmente, a veia cava caudal repousa sobre a porção terminal da aorta,


correndo depois à direita desta. Passa à direita dos dois rins (o rim esquerdo está
251

deslocada para a direita do plano mediano) e é cruzada por cima pela artéria renal
direita e por baixo pela artéria renal esquerda. Alcança a borda dorsal do fígado, onde
corre embebida parcialmente em tecido hepático, perfura o diafragma ao nível do centro
tendíneo e passa à cavidade do tórax, desembocando finalmente no átrio direito. Em
alguns casos, o tecido hepático envolve a veia cava caudal por exemplo.

As tributárias da veia cava caudal são as seguintes:

69.2.1. Ilíacas comuns

São formadas, a cada lado, pela união das veias ilíacas externa e interna. O
sangue do membro pélvico e da pelve é drenado em grande parte por estas veias.

69.2.2. Testiculares e ováricas

Estas veias drenam, como o nome indica, o sangue das gônadas masculina e
feminina, respectivamente.

Cada veia testicular nasce do respectivo plexo pampiniforme, situado no


funículo espermático. O plexo pampiniforme é uma rede de numerosas vênulas que se
anastomosam abundantemente e envolvem a porção enovelada da artéria testicular. O
plexo origina-se dos sistemas superficial e profundo de veias que drenam o testículo, e
ainda de ramos epidimais. Sua função na termoregulação testicular já foi abordada.

As veias ováricas são homólogas, na fêmea, das veias testiculares. Elas drenam o
ovário e por meio de seus ramos uterinos, parte dos cornos do útero. Não formam plexo
pampiniforme, porém estão associadas às artérias ováricas.

As veias testicular e ovárica direitas desembocam na veia cava caudal, próximo


à origem desta última. Por outro lado, a desembocadura das suas correspondentes no
lado esquerdo é variável segundo o sexo e a espécie, como indica a tabela a seguir.

Local de desembocadura das veias ovárica e testicular esquerda

______________________________________________________________________

Veia ovárica esquerda Veia testicular esquerda

Bovino Veia ilíaca comum Veia ilíaca comum

Ovino Veia cava caudal Veia ilíaca comum

Caprino Veia ilíaca comum Veia cava caudal


252

69.2.3. Renais e suprarrenais

As veias renais direita e esquerda drenam, cada uma, o rim respectivo. Devido à
localização do rim esquerdo, sua veia correspondente é mais longa que a direita.

69.2.4. Hepáticas

São veias avalvulares que se originam no parênquima do fígado e desembocam


na veia cava caudal, quando esta passa pela borda dorsal do órgão. Por isto, elas são
curtas e visíveis apenas quando se abre a veia cava caudal. Existem geralmente duas ou
três veias hepáticas principais.

69.2.5. Lombares

São seis ou sete pares de veias que drenam a região epiaxial lombar, possuindo
comunicações com os plexos vertebrais e com as veias ázigos.

70. Linfáticos da cavidade abdominal

Os linfonodos da cavidade abdominal encontram-se tanto na parede (linfonodos


parietais) como junto às vísceras (linfonodos viscerais). Os linfonodos parietais formam
em conjunto o linfocentro lombar, enquanto os viscerais agrupam-se nos linfocentros
celíaco, mesentérico cranial e mesentérico caudal.

70.1. Linfocentro lombar

Compreende os linfonodos situados junto à parede dorsal da cavidade


abdominal, podendo ser divididos em dois grupos: lombares aórticos e renais.

70.1.1. Linfonodos Lombares aórticos

São pequenos, de forma alongada ou ovóide e formam uma cadeia irregular ao


longo da aorta abdominal e da veia cava caudal, ventralmente aos músculos
sublombares. Apresentam-se comumente associados a hemolinfonodos. Recebem
linfáticos da musculatura epiaxial, sublombar, fáscia toracolombar, rins glândulas
suprarrenais e peritônio. Seus vasos eferentes desembocam no tronco lombar ou vão
diretamente à cisterna do quilo.

70.1.2. Linfonodos renais

Situados em torno da origem e do trajeto da artéria e veia renais, apresentando


tamanho e forma variáveis. Drenam a linfa dos rins e suprarrenais e seus vasos eferentes
confluem para a cisterna do quilo.

70.2. Linfocentro celíaco

Neste linfocentro estão agrupados todos os linfonodos situados ao longo do


trajeto da artéria celíaca e de seus ramos para o estômago, baço, fígado e duodeno. De
acordo com sua posição, estes linfonodos recebem denominações diferentes.
253

70.2.1. Linfonodos celíacos

Situados em torno do tronco celíaco, em relação com o lobo esquerdo do


pâncreas, veia cava caudal e face parietal do rúmen. Seu número e tamanho são
variáveis, existindo comumente dois ou três. Para eles convergem linfáticos
provenientes do baço e seus vasos eferentes confluem geralmente para o tronco gástrico.

70.2.2. Linfonodos gástricos

São todos os linfonodos situados nas paredes do estômago, ao longo dos vasos
que o irrigam, podendo ser divididos nos seguintes grupos principais, de acordo com
sua posição e respectiva área de drenagem:

70.2.2.1. Linfonodos atriais – ocorrem, em número de dois ou três, na face visceral do


átrio do rúmen.

70.2.2.2. Linfonodos ruminais direitos – formam uma cadeia no sulco longitudinal


direito do rúmen, ao longo do trajeto da artéria ruminal direita. Nos pequenos
ruminantes são escassos, existindo comumente dois ou três junto à porção inicial da
referida artéria.

70.2.2.3. Linfonodos ruminais esquerdos – situam-se no sulco longitudinal esquerdo,


no trajeto da artéria ruminal esquerda. São inconstantes em bovinos e, normalmente,
não existem nos pequenos ruminantes.

70.2.2.4. Linfonodos reticulares – situadas na curvatura menor do retículo, cranial e


dorsalmente à sua junção com o omaso, e ao longo da artéria reticular acessória.

70.2.2.5. Linfonodos omasais – dispostos na curvatura dorsal do omaso, ao longo do


trajeto da artéria gástrica esquerda. Ocorrem em número de 6 a 12 nos bovinos; nos
pequenos ruminantes são poucos (1 ou 2), podendo estar mesmo ausentes.

70.2.2.6. Linfonodos abomasais dorsais – situados na curvatura menor do abomaso, ao


longo da artéria gástrica esquerda e da inserção do omento menor. São bem
desenvolvidos, ocorrendo em número de 3 a 6 nos bovinos e de 2 a 3 nos pequenos
ruminantes.

70.2.2.7. Linfonodos abomasais ventrais – situam-se na curvatura maior do abomaso,


ao nível de sua parte pilórica, ou então no omento maior, próximo à inserção deste no
abomaso. Nos bovinos, são pequenos e pouco numerosos (1 a 4); nos pequenos
ruminantes sua presença é inconstante.

70.2.2.8. Tronco gástrico – a drenagem linfática das paredes do estômago dos


ruminantes é polarizada pelos linfonodos atriais, para os quais confluem, direta ou
indiretamente os vasos eferentes dos demais linfonodos gástricos, exceto dos linfonodos
abomasais ventrais, que drenam para os linfonodos hepáticos. Os eferentes dos
linfonodos atriais confluem para formar um vaso mais calibroso – o tronco gástrico.
Este corre dorsocaudalmente, acompanhando o percurso da artéria celíaca, recebe os
254

eferentes dos celíacos e alcança a borda ventral da aorta ou da veia cava caudal, onde se
reúne ao tronco hepático.

70.2.3. Linfonodos hepáticos

Situam-se próximo ou na porta do fígado, em estreita relação com a veia porta e


seus ramos direito e esquerdo, artéria hepática e ductos hepáticos. Seu número, forma e
dimensões são muito variáveis. Nos pequenos ruminantes ocorrem em número de 3 a 5,
são globosos e medem 1,0 e 2,5 cm de diâmetro. Nos bovinos, além dos linfonodos
situados na porta do fígado, existem ainda os linfonodos hepáticos acessórios,
localizados na borda dorsal do órgão, ao longo da veia cava caudal. Nesta espécie, o
número de linfonodos hepáticos varia de 6 a 15, com dimensões entre 1,0 e 7,0 cm de
comprimento. Para os linfonodos hepáticos confluem linfáticos do fígado, pâncreas,
duodeno, omentos e ainda os provenientes dos linfonodos abomasais ventrais, quando
presentes. Seus vasos eferentes confluem para formar o tronco hepático, o qual corre
inicialmente ao longo da veia porta e depois, seguindo o curso de veia lienal, atinge a
borda ventral da aorta, onde se une ao tronco gástrico.

70.2.4. Linfonodos pancreaticoduodenais

São pequenos linfonodos situados junto à parte cranial do duodeno, em relação


com o lobo direito do pâncreas. Seus vasos eferentes drenam para os linfonodos
hepáticos.

70.3. Linfocentro mesentérico cranial

Inclui os linfonodos situados em torno da artéria mesentérica cranial e ao longo


de seus ramos, na espessura do mesentério. Estes linfonodos recolhem a linfa do
pâncreas, do intestino delgado e da maior parte do intestino grosso. Segundo sua
localização, podem ser divididos nos seguintes grupos:

70.3.1. Linfonodos mesentéricos craniais

Situados em torno da origem e do trajeto inicial da artéria mesentérica cranial,


em relação com o lobo esquerdo do pâncreas. Frequentemente, formam um grupo com
os linfonodos celíacos.

70.3.2. Linfonodos jejunais

São bastante desenvolvidos e dispõe-se em cadeia mesentérica, ao longo do


tronco comum das artérias jejunais, a pouca distância das alças do jejuno-íleo. Nos
bovinos, apresentam-se ovoides ou alongados, com comprimento de 0,5 a 120 cm. Nos
pequenos ruminantes comumente se fundem, constituindo-se num órgão único,
alongado, que pode alcançar 30 cm ou mais de comprimento. Seus vasos eferentes
reúnem-se num tronco comum – o tronco jejunal – o qual se une, no mesentério, com o
tronco cólico para formar o tronco intestinal.

70.3.3. Linfonodos cecais


255

Ocorrem junto à borda mesentérica do cécum, próximo à junção ileocecocólica.


Estão ausentes nos caprinos e ovinos. Drenam a linfa do cécum e da porção final do
íleo. Seus vasos eferentes vão aos linfonodos cólicos ou diretamente ao tronco
intestinal.

70.3.4. Linfonodos cólicos

De número e dimensões muito variáveis, localizam-se ao longo dos ramos da


artéria ileocólica, junto aos giros da alça espiral. Sua área de drenagem abrange as alças
proximal e espiral do cólon, o cécum e a porção terminal do íleo. Seus eferentes
confluem para formar o tronco cólico, que segue cranialmente e se une ao tronco
jejunal, formando o tronco intestinal.

O tronco intestinal, assim formado, acompanha a artéria mesentérica cranial e


atinge a borda ventral da aorta, onde se reúne aos troncos gástrico e hepático. Da
confluência destes 3 troncos resulta o tronco visceral, responsável pela drenagem
linfática da maior parte das vísceras abdominais.

70.4. Linfocentro mesentérico caudal

Compreende os linfonodos mesentéricos caudais, situados no mesocólon


sigmoide, associados à artéria mesentérica caudal e a seus dois ramos, artérias
sigmóidea e retal cranial. São pequenos e pouco numerosos, ocorrendo nos pequenos
ruminantes em número de dois ou três. Drenam a linfa do reto e da porção terminal do
cólon; seus eferentes dirigem-se para os linfonodos ilíacos mediais.

70.5. Tronco lombar, tronco visceral e cisterna do quilo

70.5.1. Tronco lombar

O tronco lombar é formado pela confluência dos vasos eferentes dos linfonodos
ilíacos mediais, situados junto à terminação da aorta abdominal e raízes da veia cava
caudal. Dirige-se cranialmente, ao longo do trajeto da veia cava caudal, apresentando-
se, em alguns casos, dividido em dois ou mais vasos. É particularmente bem
desenvolvido nos bovinos, onde seu diâmetro pode alcançar até 12 mm. Ao nível da 1ª
ou 2ª vértebra lombar une-se ao tronco visceral para formar a cisterna do quilo.

70.5.2. Tronco visceral

O tronco visceral, como já foi referido, resulta da união, na borda ventral da


aorta, dos troncos gástrico, intestinal e hepático. Corre inicialmente em sentido caudal,
ainda na borda ventral da aorta e ao nível da 1ª ou 2ª vértebra lombar, curva-se
cranialmente e reúne-se ao tronco lombar, formando a cisterna do quilo.

70.5.3. Cisterna do quilo

A cisterna do quilo, nos ruminantes domésticos, apresenta-se como uma


dilatação alongada, de paredes finas e irregulares, situada ao nível da 1ª vértebra
256

lombar, entre a face dorsolateralmente direita da aorta e o pilar direito do diafragma.


Nos bovinos, seu diâmetro está em torno de 1,5 – 2,0 cm; nos pequenos ruminantes ela
é pouco distinta, com um diâmetro de 0,5 cm, em média.

Da cisterna do quilo origina-se o ducto torácico, que segue cranialmente,


penetrando na cavidade torácica através do hiato aórtico. Há comumente apenas um
ducto torácico, que corre na face dorsolateral direita da aorta. Não é muito raro, no
entanto, originar-se também da cisterna do quilo um ducto torácico, que segue
cranialmente paralelo ao direito, porém na face dorsolateral esquerda da aorta. Nestes
casos, os dois ductos geralmente unem-se antes de desembocarem na porção terminal da
veia jugular externa esquerda.

71. Roteiro para dissecação e estudo da cavidade pélvica, dos órgãos genitais externos e
do úbere

71.1. Remova, inicialmente, o membro pélvico, desarticulando-o ao nível da articulação


do quadril. Remova toda a musculatura da face lateral da pelve, deixando intacto o
ligamento sacrotuberal. Seccione transversalmente, próximo à asa, o corpo do ílio.
Seccione longitudinalmente o assoalho da pelve, de preferência ao nível da sínfise
pélvica. Isto feito rebata dorsalmente a porção da pelve liberada, juntamente com o
ligamento sacrotuberal. Este item só se aplica aos grupos que receberam animais
inteiros.

71.2. Estude, no cadáver e em peças isoladas, a bexiga e a porção terminal dos ureteres.

71.3.Estude, no cadáver e em peças isoladas, os órgãos genitais femininos e o úbere.

71.4. Os componentes da placenta devem ser estudados em peças isoladas.

71.5.Estude, no cadáver e em peças isoladas, os órgãos genitais masculinos

71.6. Os grupos que receberam animais machos devem dissecar o escroto e as túnicas
do testículo e do funículo espermático. Para isto, faça uma incisão vertical na face
lateral do escroto e das túnicas, isolando-as umas das outras. Estude os testículos e os
epidídimos in situ. Em seguida, estude os componentes do funículo espermático.
Disseque agora o pênis, desde sua raiz até a extremidade livre; para expor esta última,
deve-se seccionar longitudinalmente a parede do prepúcio. Identifique os músculos
bulbo-esponjoso, isquiocavernoso e retrator do pênis. Identifique também o ligamento
suspensor do pênis, a flexura sigmóidea e a artéria, a veia e o nervo dorsais do pênis.

71.7. Estude a parte pélvica do peritônio

71.8. Passe a dissecar agora os nervos da cavidade pélvica. Identifique e disseque,


inicialmente, os nervos oriundos do plexo lombossacral, que correm ventrocaudalmente
na face interna da parede pélvica. Eles são os seguintes, no sentido craniocaudal;
obturatório, isquiádico, pudendo e retais. Disseque os nervos pélvicos (nervos
erigentes), cujas raízes emergem do canal sacral juntamente com as raízes ventrais de
257

S2, S3 e S4. Ele dirige-se para as vísceras da cavidade pélvica, incorporando-se ao plexo
pélvico. O nervo pélvico constitui o componente periférico da parte sacral do
parassimpático.

71.9. Localize e disseque a parte pélvica do tronco simpático, ao longo da parede dorsal
da cavidade pélvica. Termine a dissecação dos nervos hipogástricos no plexo pélvico.

7.10. Passe a dissecar, correndo na face interna da cavidade pélvica, a artéria ilíaca
interna. Disseque também seus ramos principais: artérias iliolombar, glútea cranial,
umbilical, prostática ou vaginal, glútea caudal e pudenda interna. Verifique que nas
fêmeas gestantes, a artéria uterina, ramo da umbilical, está bastante aumentada de
calibre.

72. Órgãos genitais femininos

72.1. Ovários

Os ovários são dois órgãos nodulares situados ao nível da entrada da pelve, a


cada lado dos cornos do útero. Estão relacionados com a face dorsal do ligamento largo
do útero (mesométrio), ao qual se prendem atrvés do mescovário e do ligamento próprio
do ovário.

Os ovários são homólogos aos testículos e possuem, como estes, funções


exócrina e endócrina. A função exócrina dos ovários consiste na elaboração dos óvulos,
desde a ovogênese até sua liberação na ovulação. A função endócrina compreende a
secreção de hormônios estrogênicos e de progesterona, que atuam no desenvolvimento
dos caracteres sexuaissecundários, regulam o ciclo estral e agem durante a gestação.

Ao contrário dos testículos, os ovários permanecem na cavidade abdominal, não


sendo o descenso a que se submetem tão elaborado quanto o dos testículos.

A forma e localização dos ovários são variáveis segundo a espécie e o estado


funcional do indivíduo. Nas fêmeas uníparas ou bíparas, isto é, aquelas que usualmente
procriam um ou dois filhotes de cada vez, o ovário tem forma elipsoidal, comprimido
lateralmente. Apresenta para descrição duas faces, lateral e medial, duas bordas, borda
livre e borda mesovárica, e duas extremidades, extremidade tubárica e extremidade
uterina. A borda livre dirige-se dorsal ou, algumas vezes, caudalmente. A borda
mesovárica dá inserção ao mesovário, que é uma prega peritoneal contínua com o
ligamento largo do útero. A extremidade tubárica relaciona-se com o infundíbulo da
tuba uterina e a extremidade uterina prende-se ao corpo do útero por meio do ligamento
próprio do ovário.

A superfície livre do ovário é de cor branco-amarelada, lisa nas fêmeas jovens e


irregular nas adultas. Nestas últimas, ela apresenta um ou mais folículos ováricos
vesiculares, além de inúmeras pequenas áreas de aspecto cicatricial, que correspondem
a folículos atrésicos. Os folículos ováricos vesiculosos aparecem na superfície ovárica
sob a forma de saliências arredondadas, translúcidas, de diversos tamanhos. Em certas
258

fases do ciclo estral e da gestação, parte do corpo lúteo aparece na superfície do ovário,
modificando, às vezes de maneira acentuada, o contorno do órgão. Muitos autores dão a
esta parte do corpo lúteo que faz saliência no ovário o nome de coroa do corpo lúteo.
Nas fêmeas idosas, os ovários estão diminuídos de tamanho e sua superfície torna-se
ainda mais irregular, devido à presença de grande número de corpos brancos (corpos
lúteos que regrediram).

Nos ruminantes adultos, o ovário direito é geralmente um pouco maior que o


esquerdo, refletindo possivelmente sua maior atividade funcional. Nos bovinos, os
ovários medem de 3 a 4 cm de comprimento por 2 ou 3 de largura. Nos pequenos
ruminantes, o ovário possui de 1 a 1,5 cm de diâmetro.

Em fêmeas multíparas, como por exemplo a porca, o ovário assemelha-se a uma


amora, devido à grande quantidade de folículos vesiculosos em desenvolvimento que
aparecem na sua superfície. O ovário da égua tem uma forma característica de grão de
feijão e apresenta em sua superfície uma depressão profunda, denominada fossa ovárica.
É apenas ao nível desta fossa que se dá a liberação de óvulos.

72.2. Tubas uterinas

As tubas uterinas são dois condutos sinuosos que unem cada ovário corno
uterino correspondente. As tubas transportam o óvulo liberado na superfície do ovário
até a cavidade uterina. Elas dão passagem também aos espermatozoides, que progridem
na tuba no sentido útero-ovárico. A fecundação ocorre normalmente no terço médio da
tuba uterina. O termo salpinx significa, em grego, trompa ou tuba; daí a origem de
vários termos, como salpingite (inflamação da tuba uterina), mesossalpinge,
hidrossalpinge, etc.

Cada tuba mede aproximadamente 20 cm na vaca e 15 cm nos pequenos


ruminantes. Pode ser dividida em três partes: infundíbulo, ampola e istmo. As tubas são
envolvidas por uma prega peritoneal derivada do ligamento largo do útero, denominada
mesossalpinge. Esta última forma um saco peritoneal denominado bolsa ovárica, situada
craniolateralmente ao ovário. O infundíbulo é a extremidade ovárica da tuba,
correspondente à sua porção mais dilatada. Tem forma afunilada e apresenta no centro
um orifício, o óstio abdominal da tuba uterina. Na face interna do infundíbulo
encontram-se pequenas pregas dispostas de modo radiado; estas pregas correspondem ás
fímbrias da tuba. O óstio abdominal da tuba uterina abre-se diretamente na cavidade
peritoneal. Portanto, nas fêmeas, ao contrário do que ocorre nos machos, a cavidade
peritoneal está em comunicação direta com o exterior. Este fato permite, em algumas
espécies como a cadela, a insuflação de ar no sistema genital com a finalidade de se
detectarem possíveis obstruções tubárias. Em casos normais, isto é, quando a tuba está
desobestruída, o ar passa à cavidade abdominal, onde pode ser detectado
radiologicamente. O óvulo, ao ser expulso do ovário, é captado pelo infundíbulo. Daí,
ele passa à ampola e ao istmo, o qual constitui, na realidade, a maior parte da tuba
uterina. O diâmetro da ampola é um pouco maior que o do istmo e este se continua
diretamente com o corno uterino, ao nível do óstio uterino da tuba.
259

72.3. Útero

O útero é o órgão no qual o ovo fecundado se implanta e onde se desenvolvem o


embrião e o feto, até o nascimento. Hystera é o termo grego para útero e do qual
derivam vários termos, como histerectomia (extirpação do útero), histeropexia (fixação
do útero).

A forma, tamanho e posição do útero variam de acordo com alguns fatores,


como idade e gestação. Assim, nas nulíparas, o útero é pequeno, de paredes espessas e
musculosas, e situa-se inteiramente na cavidade pélvica, relacionando-se com o reto,
dorsalmente, e com a bexiga ventralmente. Nas multíparas, por outro lado, ele é maior e
situa-se parte na cavidade abdominal e parte na cavidade pélvica. Além disto, suas
paredes são mais finas. Nas fêmeas gestantes, o útero está completamente alojado na
cavidade abdominal.

O útero é dividido em três porções: cornos, corpo e cérvix. Os cornos uterinos


são em número de dois (útero bicórnio) e é neles que se desenvolve o embrião. Tem a
forma de cones enrolados sobre si mesmos e cujas bases continuam-se com o corpo e os
ápices com as tubas uterinas. As espirais descritas pelos cornos são divergentes e
dirigem-se, a partir da base, para frente e um pouco para fora, depois curvam-se
bruscamente, para baixo e para trás. A porção final dirige-se para cima, onde se
continua com a tuba uterina. Nos pequenos ruminantes, a espiral é mais acentuada que
nos bovinos. Externamente, os dois cornos estão unidos medianamente por uma prega
peritoneal, o ligamento intercornual, que mascara a divisão interna entre eles. Na
realidade, o exame da cavidade dos cornos revela que suas paredes mediais estão
fundidas, constituindo o septo intercornual, o qual mantém a separação entre os dois
cornos por uma distância caudal bem maior do que se apresenta exteriormente. Cada
corno apresenta uma borda livre, que se estende do ápice até o ligamento intercornual e
uma borda mesométrica, na qual se prende o ligamento largo do útero. O corpo do
útero, nos ruminantes, é muito reduzido. Seu comprimento é de cerca de 2 cm na vaca e
1 cm nos pequenos ruminantes. Nele abrem-se os dois cornos. A mucosa do corpo e dos
cornos uterinos apresenta saliências arredondadas, denominadas carúnculas do útero,
que são áreas desprovidas de glândulas e que se expandem grandemente durante a
gestação. As carúnculas constituem a parte materna da placenta e unem-se aos
cotilédones da placenta fetal. O conjunto formado pela carúncula e o cotilédone
correspondente denomina-se placentomo. A cérvix ou colo é um estreito canal, de
paredes musculares bastante espessas, lilitado cranialmente pelo óstio interno e
caudalmente pelo óstio externo do útero. O óstio interno comunica o canal da cérvix
com o corpo do útero e o óstio externo com a vagina. A cérvix projeta-se dentro da
cavidade vaginal por cerca de 1 a 2 cm, constituindo esta parte a porção vaginal da
cérvix. A parede do canal da cérvix forma de 4 a 6 pregas circulares, que se encaixam
uma na outra, ajudando a manter fechada a cavidade do útero. A mucosa da cérvix
secreta um material viscoso que oclui o canal cervical durante a gestação.

72.4. Vagina
260

A vagina é um órgão tubular situado longitudinalmente na cavidade pélvica,


estendendo-se desde a porção vaginal da cérvix até o vestíbulo vaginal. A vagina
constitui o órgão copulador feminino. Apresenta grande capacidade de dilatação,
limitada apenas pela parede óssea da pelve. Em estado normal, as paredes dorsal e
ventral da vagina estão colabadas, ficando a cavidade vaginal reduzida a uma fenda
transversal. O fundo de saco formado entre a parede da vagina e a porção vaginal da
cérvix constitui o fórnix vaginal. Embora o fórnix seja contínuo em torno da porção
vaginal da cérvix, pode-se reconhecer nele as porções dorsal, ventral e laterais. A
porção dorsal é a mais profunda, dando a impressão de estar a porção vaginal da cérvix
repousando sobre a parede ventral da vagina. No limite da vagina com o vestíbulo
encontra-se uma prega mucosa, o hímen. Nas fêmeas jovens, o hímen apresenta-se mais
desenvolvido; naquelas que já procriaram ele encontra-se reduzido a pequenas projeções
ou carúnculas (carúnculas himenais). O hímen está ausente na cabra. A mucosa da
vagina apresenta-se percorrida por pregueações longitudinais, que se denominam rugas
da vagina.

72.5. Vestíbulo da vagina

Nos animais domésticos, o vestíbulo da vagina é longo e situado internamente,


ao contrário do vestíbulo humano, que é curto e constitui uma das partes do pudendo
feminino. O vestíbulo da vagina continua-se caudalmente com a vulva. Em sua parede
ventral encontra-se um orifício, o óstio externo da uretra. Nos ruminantes este óstio
forma, ventralmente à porção final da uretra feminina, uma depressão em fundo de saco,
o divertículo suburetral, com cerca de 3 a 4 cm de profundidade nos bovinos. Na ovelha
e na cabra, o divertículo está também presente, porém menos acentuado que nos
bovinos. A mucosa do vestíbulo é também pregueada e apresenta numerosos nódulos
linfáticos, além das glândulas vestibulares. As glândulas vestibulares maiores
encontram-se a cada lado na parede lateral do vestíbulo, onde desembocam seus ductos
excretores. As glândulas vestibulares menores estão situadas ventralmente e dispõem-se
ordenadamente em série, abrindo-se por meio de numerosos ductos no assoalho do
vestíbulo. A cada lado da desembocadura da uretra pode-se encontrar a desembocadura
dos ductos de Gartner, que são os ductos primitivos do rim. Eles são denominados, no
adulto, de ductos epoóforos longitudinais e são bastante desenvolvidos nos ruminantes
domésticos.

72.6. Vulva

A vulva ou pudendo feminino é constituída por dois lábios vulvares bastante


desenvolvidos, que se unem dorsal e ventralmente nas comissuras vulvares dorsal e
ventral. Os lábios delimitam uma abertura em forma de fenda, disposta
dorsoventralmente, denominada rima da vulva.

72.7. Clitóris

O clitóris é o órgão erétil da fêmea, homólogo ao pênis. Situa-se no assoalho do


vestíbulo, próximo à comissura ventral da vulva. A porção saliente do clitóris constitui a
261

glande do clitóris, que está protegida por uma prega mucosa, denominda prepúcio do
clitóris. A glande está presa ao corpo do clitóris, o qual é formado pela união de dois
pequenos ramos. Estes últimos prendem-se no ísquio.

73. Úbere

O termo úbere designa o conjunto das mamas dos ruminantes. Existem quatro
mamas na vaca e duas na cabra e na ovelha. Na vaca, as mamas estão agrupadas em
duas para cada antímero, e na cabra e na ovelha existe uma para cada antímero. O úbere
situa-se na região púbica. O sulco intermamário situa-se ao nível do plano mediano e
separa as mamas de cada antímero. Na vaca existe um sulco transverso, que separa as
mamas craniais das caudais. Numa vista lateral, o úbere da vaca apresenta-se mais ou
menos arredondado. Frequentemente, as mamas craniais estão melhor delimitadas na
parede abdominal que as caudais. As mamas craniais e caudais de ambos os antímeros
estão intimamente unidas, de modo que o sulco transverso muitas vezes apresenta-se
como uma discreta linha demarcatória. O tamanho do úbere é uma das características
exteriores importantes no julgamento de uma vaca leiteira. Entretanto, isto não significa
que toca vaca possuidora de úbere volumoso seja necessariamente grande produtora de
leite.

Cada mama compõe-se de uma papila (teto ou teta) e um corpo. Num corte
longitudinal que passa pela papila e pelo corpo, as seguintes estruturas podem ser
observadas: o corpo é constituído principalmente pela glândula mamária, dividida por
septos conjuntivos em lobos, que, por sua vez, se dividem em lóbulos e por um sistema
de ductos excretores. Estes últimos, à medida que correm em direção à papila, reúnem-
se em ductos maiores – ductos lactíferos – para finalmente abrirem-se numa grande
cavidade denominada seio lactífero. O seio lactífero constitui-se de uma parte glandular,
situada no corpo da mama, e uma parte papilar, também conhecida como cisterna do
teto, que se estende como o nome indica, na papila mamária. A parte papilar do seio
lactífero comunica-se com o exterior por meio de um estreito canal, o ducto papilar.

As papilas mamárias têm forma cilíndrica e sua extremidade livre é afilada. As


papilas craniais são geralmente mais longas que as caudais. As papilas de vacas zebus
são geralmente maiores que as de vacas de raças europeias. Nas raças europeias, o
comprimento das papilas varia de 6 a 8 cm e o diâmetro está em torno de 3 cm. Papilas
acessórias ou supranuméricas (politelia) são relativamente frequentes e encontradas em
diversos graus de desenvolvimento, que vão desde pequena elevação na pele, sem
presença de ducto papilar e seio lactífero, até uma estrutura com todos os componentes
de mama normal (polimastia).

O ducto papilar é uma estreita passagem situada na extremidade livre da papila


mamária, com cerca de 8 a 14 mm de comprimento. Sua mucosa apresenta pregas
longitudinais, o que torna seu lume bastante reduzido. O epitélio é do tipo estratificado
pavimentoso. O ducto papilar apresenta um aparelho muscular constituído de fibras
longitudinais profundas, que se agrupam formando pequenos feixes. As fibras
longitudinais estão envolvidas por uma camada circular, que constitui o músculo
262

esfíncter da papila. Esta musculatura mantém o ducto papilar fechado, impedindo que o
leite acumulado no seio lactífero alcance o exterior. A parte papilar do seio lactífero
ocupa a maior porção da papila. É uma cavidade ampla, limitada pela delgada parede da
papila. A mucosa desta parede é amarelada e seu epitélio é reduzido a apenas duas
camadas celulares. Nos animais idosos, aparecem áreas de epitélio estratificado
pavimentoso, semelhante ao ducto papilar. Os elementos musculares da parede da
papila consistem inicialmente de uma camada longitudinal profunda, que se continua
com a do ducto papilar. Dorsalmente, ela desaparece gradativamente. A camada circular
é constituída apenas por esparsas fibras musculares. Entre as fibras musculares
encontra-se grande quantidade de fibras elásticas. A pele da papila apresenta como
caracterísitica principal a ausência de pelos e de glândulas sebáceas e sudoríparas.
Vasos sanguíneos são abundantes na parede da papila, principalmente ao nível de seu
terço médio. Alguns autores denominam esta área de corpo cavernoso da papila. Esta
rede vascular apresenta-se desenvolvida apenas nos bovinos.

O úbere dos pequenos ruminantes localiza-se na região púbica, como nos


bovinos. Consiste de duas mamas, com uma glândula mamária em cada uma. O
comprimento das papilas varia grandemente de tamanho e forma. Pelos finos são
encontrados tanto no corpo como na papila. O ducto papilar tem uma estrutura
semelhante à dos bovinos. O seio lactífero é proporcionalmente maior que nos bovinos.
A parede da papila possui menor quantidade de vasos sanguíneos. O ducto papilar é
maior na ovelha que na cabra e na vaca. Externamente, laterodorsalmente a cada mama,
encontra-se, na ovelha, uma depressão cutânea, o seio inguinal, que é característico da
espécie ovina. A estrutura do corpo da mama nos pequenos ruminantes assemelha-se à
dos bovinos.

Além da pele, o úbere está mantido em sua posição por meio de dois potentes
conjuntos de lâminas conjuntivas. O primeiro é formado pelas lâminas laterais. Estas
partem do tendão prepúbico, têm aproximadamente de 10 a 15 cm de largura e
estendem-se ventralmente pelas bordas laterais do úbere. Da face profunda destas
lâminas partem feixes conjuntivos, denominados lamelas suspensoras, que se
incorporam ao tecido conjuntivo interlobar. As lâminas laterais são mais desenvolvidas
em animais idosos. As lâminas mediais constituem outro conjunto de sustentação do
úbere e alguns autores acreditam ser o mais importante dos dois. Elas são constituídas
por dois feixes de tecido conjuntivo, no qual predominam fibras elásticas, que partem da
túnica flava do abdome e dirigem-se ventralmente, passando entre as metades direita e
esquerda do úbere. Das lâminas mediais também partem lamelas suspensoras, que
auxiliam na fixação do úbere. O conjunto de lâminas mediais é também conhecido
como ligamento suspensor do úbere.

74. Órgãos genitais masculinos

74.1. Escroto

O escroto é uma evaginação da pele da parede abdominal, em forma de bolsa,


que contém os dois testículos. Situa-se na região púbica e nos ruminantes sua forma é
263

caracteristicamente pendular, com a porção mais dilatada presa à parede abdominal por
um pedículo de comprimento variável.

O escroto é dividido por um septo mediano em duas cavidades independentes,


cada uma contendo um testículo. Externamente, o septo do escroto aparece como uma
depressão longitudinal mediana, a rafe do escroto, que em alguns animais apresenta-se
bastante profunda, principalmente ao nível da extremidade livre do escroto. Nos
bovinos, o escroto está recoberto por pelos curtos e finos e sua parede é delgada, macia
ao tato e geralmente um pouco mais fria que no restante do corpo. Aliás, a temperatura
escrotal é alguns graus centígrados mais baixa que a temperatura retal. Nos pequenos
ruminantes o escroto está também recoberto de pelos, que aparecem, no entanto, em
maior quantidade que nos bovinos.

A parede do escroto é formada de pele e túnica dartos. A pele é relativamente


fina e contém abundante quantidade de glândulas sebáceas e sudoríparas. A túnica
dartos situa-se profundamente à pele, à qual está unida por tecido conjuntivo frouxo. É
formada por feixes de fibras musculares lisas, dispostas em direções variadas, porém
predominantemente em direção dorsoventral, algumas fibras elásticas e tecido
conjuntivo frouxo. Contém pouco ou nenhum tecido adiposo. A túnica dartos tem
função importante na termorregulação testicular. A contração de suas fibras musculares
lisas provoca um pregueamento da pele do escroto, diminuindo a superfície exposta à
temperatura ambiente, quando esta está mais baixa.

74.2. Túnicas do funículo espermático, do testículo e do epidídimo

O funículo espermático, também conhecido como cordão espermático, é


formado por diversas estruturas. Assim, fazem parte do funículo o ducto deferente, o
músculo cremáster, os vasos sanguíneos que suprem e drenam o testículo e o epidídimo
(artéria testicular e plexo pampiniforme), vasos linfáticos e os nervos que vão para estes
mesmos órgãos. Estas estruturas, situadas no pedículo do escroto, estão envolvidas por
diversas túnicas. As túnicas que envolvem o funículo espermático, o testículo e o
epidídimo são derivadas das diversas camadas da parede abdominal, conforme indica a
tabela abaixo:

Túnicas e suas origens

Túnica (pele, túnica dartos) Parede abdominal

Fáscia espermática externa Fáscia do músculo oblíquo externo do


abdome
Fáscia cremastérica Fáscia do músculo oblíquo interno do
abdome
Músculo cremáster Músculo oblíquo interno do abdome

Fáscia espermática interna Fáscia transversal

Lâmina parietal da túnica vaginal Peritônio parietal


264

(cavidade vaginal)
Lâmina visceral da túnica vaginal (túnica Peritônio visceral
albugínea, parênquima testicular)

Estas túnicas não são facilmente destacáveis umas das outras. A fáscia
espermática externa situa-se profundamente à túnica dartos, à qual está presa por
trabéculas de tecidos conjuntivo. É formada de tecido conjuntivo, no qual se encontra
quantidade razoável de tecido adiposo, especialmente ao nível do funículo espermático.
O músculo cremáster é potente nos ruminantes; apesar de ser estriado esquelético, ele é
de controle involuntário. Participa da termoregulação testicular; sua contração processa-
se quando a temperatura ambiente se abaixa. Está recoberto pela tênue fáscia
cremastérica e firmemente aderida à fáscia espermática interna. A fáscia espermática
interna é constituída por tecido conjuntivo fibroso e denso. É fina e está intimamente
aderida à lâmina parietal da túnica vaginal. A túnica vaginal é uma serosa de dupla
parede. Suas lâminas parietal e visceral delimitam uma cavidade, a cavidade vaginal,
que circunda os testículos, o epidídimo e a parte do ducto deferente. A cavidade vaginal
comunica-se com a cavidade peritoneal através do canal vaginal, que envolve o funículo
espermático. A abertura do canal vaginal na cavidade peritoneal denomina-se ânulo
vaginal.

Durante a fase pré-natal, o testículo, que se forma na região sublombar da


cavidade abdominal, começa a progredir em direção ao escroto (descenso do testículo).
A época do nascimento, os testículos já se encontram no escroto. Durante seu descenso,
os testículos arrastam, além do epidídimo, vasos, nervos e o peritônio. Desta maneira
forma-se, como uma evaginação do peritônio dentro do escroto, a túnica vaginal, com
suas duas lâminas, parietal e visceral. A lâmina visceral reveste firmemente o testículo,
o epidídimo, o ducto deferente e o funículo espermático. Caudalmente, ela reflete-se do
testículo, epidídimo e funículo espermático para continuar-se com a lâmina parietal.
Desta reflexão resultam pregas, que são denominadas conforme o nível em que
ocorrem. Assim, ao nível do testículo forma-se o mesórquio, ao nível do epidídimo o
mesepidídimo e ao nível do funículo espermático o mesofunículo. O mesoducto
deferente pode ser considerado como uma prega secundária que parte do mesórquio e
do mesofunículo para envolver o ducto deferente. O epitélio da túnica vaginal secreta
um líquido seroso, que lubrifica as paredes da cavidade vaginal e auxilia no
deslizamento do testículo dentro desta cavidade. O acúmulo exagerado de líquido na
cavidade vaginal denomina-se hidrocele.

74.3. Testículos

Os testículos são órgãos pares, situados no escroto. Estão funcionalmente


inativos até a puberdade, época em que iniciam a produção de espermatozoides e a
secreção de um hormônio responsável pelos caracteres sexuais secundários masculinos.
A puberdade inicia-se nos bovinos de raças europeias em torno de 10 a 12 meses de
idade; os machos podem então ser utilizados na reprodução logo após terem atingido os
12 meses. No zebu, por outro lado, a puberdade instala-se mais tardiamente, iniciando-
265

se nunca antes dos 16 meses. O animal atinge sua maturidade sexual completa somente
entre 22 e 24 meses. Não existem ainda dados conclusivos sobre a puberdade de ovinos
e caprinos, em nossos rebanhos. Nestas espécies há uma variação que depende da raça,
época do nascimento e tipo de exploração zootécnica. Dados obtidos em outros países
indicam que a puberdade nos pequenos ruminantes ocorre entre 3 e 4 meses de idade. O
termo grego para testículos é orchis, dele derivando vários termos como orquite
(inflamação do testículo) e orquiectomia (ablação do testículo).

A posição do escroto e dos testículos varia de acordo com a espécie animal. Nos
ruminantes, os testículos tem seu eixo maior situado dorsoventralmente, perpendicular
ao eixo longitudinal do corpo do animal. A forma dos testículos nos ruminantes
domésticos é ovóide, sendo nos bovinos um pouco mais alongada. Seu comprimento é,
em média, de 15 cm nos bovinos, 6 a 8 cm nos ovinos e 4 a 6 cm nos caprinos. Os
testículos de bovinos europeus são relativamente maiores que os de bovinos zebus. Há
também variações raciais quanto ao tamanho dos testículos. O conhecimento do
tamanho normal dos testículos é um dado importante na clínica veterinária. A
hipoplasia, isto é, desenvolvimento subnormal dos testículos, é uma ocorrência
relativamente frequente no Brasil. Os testículos hipoplásicos, além de terem tamanho
menor que o normal, apresentam graves distúrbios em sua fisiologia.

Cada testículo apresenta duas extremidades: extremidade capitata e extremidade


caudata; duas faces: face lateral e face medial e duas bordas: borda livre e borda
epididimal. As duas extremidades são também conhecidas como polos e recebem os
nomes de capitata e caudata devido a se relacionarem, respectivamente, com a cabeça e
a cauda do epidídimo. Nos ruminantes, a extremidade capitata é dorsal e a extremidade
caudata é ventral. As faces lateral e medial são convexas, porém a medial tem
convexidade menos acentuada que a lateral. A borda epididimal situa-se caudalmente e
nela prende-se o corpo do epidídimo. A borda livre é convexa e está voltada
cranialmente.

Como já foi mencionado, cada testículo é revestido pela lâmina visceral da


túnica vaginal. Profundamente a esta lâmina e firmemente aderida a ela encontra-se a
túnica albugínea. Esta é formada de tecido conjuntivo denso, bastante resistente, de cor
esbranquiçada (daí sua denominação) e recobre inteiramente o testículo. A área do
testículo que está em contato com a cabeça do epidídimo é recoberta por uma camada
mais delgada da túnica albugínea, porque grande parte desta túnica salta do testículo
para o epidídimo, envolvendo as duas estruturas. Ao nível da extremidade caudata, a
albugínea salta para a cauda do epidídimo, formando o ligamento próprio do testículo.
Os ramos da artéria testicular correm na estrutura da túnica albugínea antes de
penetrarem no parênquima testicular.

O exame macroscópico de um corte feito longitudinalmente no testículo fixado


mostra um parênquima de aspecto esponjoso, representando os poros os milhares de
túbulos seminíferos seccionados em vários sentidos. Cortes feitos em testículos recém-
colhidos produzem protusão do parênquima testicular. Isto indica que no vivente o
266

parênquima está contido sob pressão pela albugínea. Esta pressão é devido em parte ao
sistema vascular e em parte à própria produção de espermatozoides. Séptulos
conjuntivos em forma de trabéculas partem da face interna da albugínea e penetram no
parênquima, dividindo-o incompletamente em lóbulos. Os ramos penetrantes da artéria
testicular, oriundos da albugínea, correm no parênquima ao longo dos séptulos. Os
séptulos reúnem-se numa área do testículo situado próximo à borda epididimal,
denominada mediastino testicular. Este apresenta uma disposição longitudinal, em
forma de cordão, iniciando-se um pouco abaixo do meio do testículo e dirigindo-se para
a extremidade capitata, em cuja superfície termina. A rede do testículo, formada pela
união dos túbulos seminíferos retos, situa-se no mediastino testicular. Os dúctulos
eferentes do testículo, em número de 10 a 15, abandonam a rede do testículo e penetram
no epidídimo, onde irão constituir o ducto do epidídimo. A maioria dos ramos
penetrantes da artéria testicular alcança o mediastino, de onde volta para distribuir-se no
parênquima.

74.3.1. Descenso dos testículos

Os testículos formam-se no interior da cavidade abdominal, não a região


sublombar, mas experimentam posteriormente um processo de deslocamento para se
alojarem definitivamente no escroto. Neste processo de deslocamento, conhecido como
descenso dos testículos, têm importância as diferenças de crescimento entre as regiões
lombar e inguinal, como também a tração exercida pelo chamado gubernáculo do
testículo. Este gubernáculo é constituído por um ligamento que prende o polo caudal do
testículo à parede do escroto em desenvolvimento. À medida que o escroto se
desenvolve, o gubernáculo sofre um processo de encurtamento e o testículo é tracionado
para o interior da bolsa escrotal. O testículo, ao se deslocar para o escroto, arrasta
consigo uma evaginação do peritônio, o processo vaginal, que se converterá mais tarde
na túnica vaginal. O gubernáculo, por sua vez, persistirá no adulto como ligamento
próprio do testículo.

A permanência dos testículos dentro da cavidade abdominal, isto é, a não


ocorrência do processo de descenso, é chamada criptorquidia e pode ser uni ou bilateral.
A criptorquidia afeta a espermatogênese, mas não a produção dos hormônios
androgênicos.

Nos animais domésticos, a época do descenso dos testículos varia bastante entre
as espécies. Assim, no cavalo e no porco ele se indica na época do nascimento; já nos
ruminantes o processo é mais precoce, iniciando-se bem antes do nascimento e no cão,
pelo contrário, o descenso se dá bem depois do nascimento.

74.4. Epidídimo

O epidídimo é um órgão bem desenvolvido nos ruminantes, especialmente nos


ovinos e caprinos. Sua forma geral assemelha-se a um “C”, aplicado à borda epididimal
do testículo, desde a extremidade capitata até a extremidade caudata, onde se continua
267

com o ducto deferente. No epidídimo, os espermatozoides são armazenados e


completam o seu desenvolvimento.

O epidídimo consta de três partes: cabeça, corpo e cauda. A cabeça está aplicada
à extremidade capitata do testículo, apresentando contorno aproximadamente triangular.
Os dúctulos eferentes do testículo alcançam a cabeça do epidídimo e aí tornam-se muito
tortuosos. Cada dúctulo eferente enovelado organiza-se em forma de cone, separado dos
vizinhos por septos conjuntivos. Estes novelos recebem o nome de lóbulos ou cones do
epidídimo e são melhor evidenciados em peças não embalsamadas. Existem cerca de 10
a 20 lóbulos na cabeça do epidídimo. Os dúctulos eferentes, ao nível da base dos cones,
abrem-se num ducto único, o ducto do epidídimo. Este é bastante enovelado e constitui
o principal conteúdo do corpo e da cauda do epidídimo. O corpo é a parte mais estreita
do epidídimo, dispondo-se ao longo da borda epididimal do testículo. A cauda do
epidídimo está apenas à extremidade caudata do testículo. Tem forma globosa e é bem
desenvolvida, sendo facilmente perceptível pelo tato, exteriormente. A cabeça e o corpo
são também palpáveis, porém apresentam dificuldade maior para serem reconhecidas
externamente. O ducto do epidídimo mede cerca de 40 a 50 cm nos ruminantes.

74.5. Ducto deferente

O ducto deferente é a continuação do ducto do epidídimo em direção à cavidade


pélvica, indo desembocar na uretra prostática. É um tubo de parede muscular espessa,
que lhe dá grande resistência e dureza ao tato. Sua porção inicial corre medialmente ao
corpo do epidídimo e apresenta-se contorcida. Ao nível do funículo espermático
apresenta-se retilíneo e sobe medialmente ao plexo pampiniforme, do qual está separado
por uma prega do mesofunículo, denominada mesoducto deferente. Alcança a cavidade
abdominal através do canal vaginal. Na cavidade abdominal, afasta-se das outras
estruturas do funículo espermático e curva-se caudalmente, em direção à uretra. Na
cavidade abdominal é envolvido pelo peritônio e relaciona-se com os vasos ilíacos
externos. Cruza medialmente o ureter para correr juntamente com este na prega
urogenital, onde cada ducto deferente se se dilata e suas paredes se espessam para
constituir a ampola do ducto deferente. Esta mede cerca de 8 a 10 cm de comprimento
por 1 cm de largura nos bovinos e 5 cm x 0,5 cm nos pequenos ruminantes. O lume da
ampola é bastante irregular, devido à existência de inúmeras pregas da mucosa, as quais
delimitam pequenas concavidades, os divertículos da ampola. Aí também se localizam
inúmeras glândulas. O ducto deferente desemboca no colículo seminal através de uma
abertura comum com o ducto excretor da glândula vesicular, o óstio ejaculatório.

74.6. Uretra masculina

A uretra masculina é um órgão tubular, comum aos sistemas genital e urinário,


que se estende desde o colo da bexiga (óstio interno da uretra) até o exterior (óstio
externo da uretra). Corre no assoalho da cavidade pélvica, onde recebe os ductos
excretores das glândulas genitais acessórias e os ductos deferentes e, em seguida, na
porção ventral do pênis. Divide-se em duas partes: pélvica e esponjosa (peniana).
268

A parte pélvica da uretra tem como limite cranial o óstio interno da uretra e
como limite caudal o ponto em que ultrapassa o arco isquiádico para se continuar no
bulbo do pênis. Sua parede é bastante espessa, estando constituída por túnica muscular,
representada pelo músculo uretral, estrato cavernoso e túnica mucosa. O músculo uretral
é mais desenvolvido na parte ventral da parede e estende-se dorsalmente como uma
delgada cinta muscular que recobre a parte disseminada da próstata. Entre a túnica
muscular e a túnica mucosa encontra-se o estrato cavernoso da uretra. A mucosa da
parede dorsal é percorrida longitudinalmente por uma elevação, a crista uretral. Próximo
ao colo da bexiga, a crista uretral forma uma dilatação ovóide, o colículo seminal, no
qual se situam os óstios ejaculatórios. Estes se apresentam como duas fendas paralelas
dispostas longitudinalmente no colículo. A cada lado do colículo encontra-se uma
cavidade, o seio prostático, no qual se abrem numerosos ductos excretores da parte
disseminada da próstata.

Estruturas conhecidas genericamente como útero masculino são encontradas


associadas à uretra masculina. Elas são remanescentes dos ductos paramesonéfricos do
embrião. Nos bovinos, elas apresentam-se sob a forma de pequenas vesículas incluídas
geralmente na prega urogenital, isoladas ou em comunicação com a uretra pélvica
através de estreito canal que se abre no colículo seminal.

74.7. Glândulas genitais acessórias

74.7.1. Glândula vesicular

As glândulas vesiculares são duas grandes massas, alongadas nos bovinos e


ovoides nos pequenos ruminantes, que se prendem a cada lado do colo da bexiga e parte
inicial da uretra pélvica. Nos bovinos, elas estendem-se dorsolateralmente à bexiga.
Estão incluídas na prega urogenital e relacionam-se medialmente com as ampolas dos
ductos deferentes. Sua superfície é irregular, apresentando inúmeras eminências
arredondadas, que dão à glândula aspecto lobular. Seu ducto excretor abre-se no óstio
ejaculatório, juntamente com o ducto deferente.

74.7.2. Próstata

A próstata é uma glândula bem desenvolvida nos ruminantes, especialmente nos


bovinos. É formada por um corpo e uma parte disseminada. O corpo está presente
apenas nos bovinos e apresenta-se como uma pequena massa alongada ou ovóide
disposta transversalmente sobre a face dorsal da uretra, imediatamente caudal às
ampolas.

A parte disseminada forma uma camada glandular relativamente espessa na


parede dorsal da uretra, logo abaixo do músculo uretral.

74.7.3. Glândula bulbo-uretral


269

As glândulas bulbo-uretrais são dois pequenos órgãos ovoides, situados na face


dorsal da extremidade distal da uretra pélvica, imediatamente à frente do músculo
bulbo-esponjoso, o qual envia alguns feixes que recobrem o contorno dorsal da
glândula. Possuem um largo ducto excretor, que, após atravessar o bulbo do pênis,
desemboca na parede dorsal da uretra.

74.8. Pênis

O pênis é o órgão masculino da cópula. Seu contorno é mais ou menos cilíndrico


e seu comprimento varia de 60 a 80 cm nos bovinos, medindo cerca de 30 cm nos
pequenos ruminantes. É constituído de raiz e corpo. A raiz do pênis compõem-se de
dois ramos e do bulbo do pênis. Cada ramo fixa-se à face ventral do ísquio, próximo ao
arco isquiádico. Os ramos são curtos e constituídos de tecido erétil, recoberto por uma
túnica albugínea de tecido conjuntivo denso lamelar. Cada ramo está coberto pelo
músculo isquiocavernoso e, após curto trajeto, os dois ramos se fundem, formando o
corpo cavernoso do pênis. O bulbo do pênis está localizado entre os dois ramos, ao nível
da abertura caudal da pelve. É reduzido e está constituído por tecido erétil no qual a
uretra prossegue seu curso. O estrato cavernoso da uretra funde-se com o tecido erétil
do bulbo. O bulbo é coberto pelo músculo bulbo-esponjoso, do qual está separado por
uma forte cápsula conjuntiva. O bulbo estende-se distalmente como corpo esponjoso do
pênis.

O corpo do pênis constitui a sua maior porção e, nos ruminantes domésticos,


apresenta característica flexura sigmóidea, formada por dupla curvatura em forma de S,
sendo a primeira curvatura de convexidade cranial e a segunda de convexidade caudal.
Após a flexura sigmóidea, o corpo do pênis apresenta-se mais ou menos retilíneo no
sentido cranial. O corpo do pênis apresenta em sua extremidade cranial uma parte livre,
medindo aproximadamente 8 a 10 cm nos bovinos e 5 cm nos pequenos ruminantes. Ela
está revestida por uma mucosa que se continua com a lâmina interna do prepúcio. O
corpo apresenta dorso, faces laterais e face uretral. Do dorso originam-se, próximo à
raiz do pênis, duas cintas conjuntivas resistentes que se pendem à sínfise isquiádica e
são denominadas, em conjunto, ligamento suspensor do pênis. Entre as duas cintas do
ligamento suspensor passam os vasos e nervos dorsais do pênis. O dorso do pênis é
escavado, constituindo o sulco dorsal, por onde correm os vasos e nervos acima
referidos. As duas faces laterais são ligeiramente convexas, percorridas pelos músculos
retratores do pênis, que aí se inserem. A face uretral está voltada ventralmente e
apresenta o sulco uretral, por onde passa a uretra. Os corpos cavernosos e o corpo
esponjoso constituem a massa do corpo do pênis. Os corpos cavernosos são os
prolongamentos dos ramos. São formados principalmente por tecido conjuntivo muito
denso, cujas trabéculas estão organizadas principalmente no sentido dorsoventral, e
percorridos pelas artérias do corpo cavernoso. Na realidade, há apenas um corpo
cavernoso, sendo difícil a localização do limite entre ambos. O corpo cavernoso assim
constituído está envolvido por uma túnica albugínea própria, que o separa do corpo
esponjoso. As fibras conjuntivas desta túnica estão dispostas de maneira
predominantemente circular. O corpo esponjoso do pênis ocupa a porção ventral deste e
270

envolve a uretra. Ele também possui uma túnica albugínea, que o torna bem
individualizado. Todo o corpo do pênis está envolvido por uma túnica albugínea
comum, mais espessada em torno do corpo esponjoso e cujas fibras se dispõem
principalmente no sentido longitudinal.

A extremidade livre do pênis é afilada nos bovinos e apresenta, no ápice, uma


discreta dilatação, mais evidente nos pequenos ruminantes, que pode ser denominada
também de glande do pênis. Deve-se salientar, porém, que a glande dos ruminantes não
corresponde estruturalmente àquela do homem e de outros animais. A extremidade livre
do pênis é ligeiramente torcida para a direita, de maneira que o sulco uretral aparece
lateralmente. Esta torção é devida ao arranjo das fibras longitudinais da albugínea. Nos
pequenos ruminantes, a uretra avança além do ápice da extremidade livre por 2 ou 3 cm,
constituindo uma expansão afilada, o processo uretral, no ápice do qual situa-se o óstio
externo da uretra. Nos bovinos, o processo uretral é reduzido. O tubérculo esponjoso é
uma eminência arredondada do corpo esponjoso, situada na extremidade livre, entre a
glande e a origem do processo uretral. Ocorre nos pequenos ruminantes.

74.9. Prepúcio

O prepúcio é uma bolsa cutânea de forma tubular, na qual está alojada a parte
livre do pênis. Sua parede é formada por uma lâmina externa, revestida de pelos e
contínua com a pele do abdome e uma lâmina interna, com aspecto de mucosa e
contínua com o revestimento epidérmico da parte livre do pênis. A cavidade do
prepúcio comunica-se com o exterior por meio do óstio prepucial, através do qual o
pênis se exterioriza durante a micção e a ereção. Em algumas raças zebus, o prepúcio é
caracteristicamente alongado e pendente.

75. Bexiga e parte pélvica dos ureteres

A bexiga é um saco musculomembranáceo que funciona como reservatório


temporário de urina. Sua forma e posição variam de acordo com a quantidade de urina
que contém. Suas relações variam também de acordo com o sexo. A bexiga vaziaé
piriforme e localiza-se em sua maior parte na cavidade pélvica. Quando está cheia,
situa-se quase inteiramente na cavidade abdominal. Na bexiga distinguem-se três
porções: ápice, corpo e colo. O ápice é a porção mais cranial, em fundo de saco. Em
alguns animais, pode-se observar no ápice um pequeno divertículo, que corresponde à
porção inicial do úraco, conduto que, no feto, unia a bexiga à atlantóide. O corpo é a
porção mais dilatada da bexiga, apresentando duas faces: dorsal e ventral. A face ventral
relaciona-se com a parede ventral das cavidades pélvica e abdominal. A face dorsal
relaciona-se nas fêmeas com o útero e nos machos com o reto e as glândulas
vesiculares. O colo da bexiga é a porção caudal, estreitada, que se continua com a uretra
ao nível do óstio interno da uretra. Neste ponto, as fibras musculares da parede da
bexiga agrupam-se de maneira circular, constituindo o músculo esfíncter vesical.

Os ureteres chegam à face dorsal da bexiga, próximo ao colo. Antes de


desembocarem na bexiga através dos óstios uretéricos, correm por uma pequena
271

extensão na parede vesical, produzindo na mucosa, duas elevações lineares que


denominam colunas uretéricas. A pequena área situada entre as duas colunas constitui o
trígono vesical.

A bexiga está recoberta por peritônio em toda a sua extensão, exceto numa
pequena área correspondente ao colo. Lateralmente, o peritônio forma uma prega, o
ligamento lateral da bexiga, que se prende na parede lateral da cavidade pélvica. A
formação deste ligamento foi provocada pela passagem das artérias umbilicais, no feto,
próximo à bexiga, em seu curso para o funículo umbilical. Com a obliteração, após o
nascimento, das artérias umbilicais, estas se transformam nos ligamentos redondos da
bexiga. Da face ventral da bexiga destaca-se o ligamento mediano, uma prega peritoneal
provocada pelo úraco e que vai se prender na parede ventral das cavidades pélvica e
abdominal.

76. Parte pélvica do peritônio

O peritônio estende-se caudalmente na cavidade pélvica, revestindo suas paredes


e os órgãos nela contidos. Este revestimento não é, no entanto, completo, ficando a parte
caudal da cavidade em situação retroperitoneal.

A cavidade pélvica é dividida por uma prega horizontal do peritônio – a prega


urogenital – em dois compartimentos, um dorsal, no qual se situa o reto, e um ventral,
no qual está alojada a bexiga urinária. A prega urogenital origina-se nas paredes laterais
da cavidade pélvica e estende-se medialmente para envolver estruturas que diferem no
macho e na fêmea. No macho, a prega urogenital contém a porção final dos ductos
deferentes e suas ampolas, as glândulas vesiculares e a porção final dos ureteres. Na
fêmea, ela inclui o útero e a porção inicial da vagina, formando um bem desenvolvido
ligamento – o ligamento largo do útero, do qual se originam expansões para o ovário – o
mesovário – e parte para a tuba uterina – o mesossalpinge. A parte do ligamento largo
do útero na qual se prendem o corpo e os cornos do útero é denominada mesométrio.

Dorsalmente à prega urogenital encontra-se, como já foi indicado, o reto e


ventralmente, a bexiga urinária. O reto está preso, em sua porção proximal, à parede
dorsal da cavidade pélvica através do mesorreto, já referido. Entre a face ventral do reto
e a face dorsal da prega urogenital (ou do útero, no caso das fêmeas), o peritônio forma
um fundo de saco, a escavação retogenital.

A bexiga está presa às paredes da cavidade pélvica por três pregas peritoneais: o
ligamento mediano e os ligamentos laterais da bexiga. O ligamento mediano une a face
ventral da bexiga ao assoalho da cavidade pélvica. Os ligamentos laterais originam-se a
cada lado da bexiga para se prenderem nas paredes laterais da cavidade; neles estão
incluídos os ligamentos redondos da bexiga, remanescentes da porção obliterada das
artérias umbilicais. Entre a bexiga e a face ventral da prega urogenital (ou do útero, nas
fêmeas), forma-se outro fundo de saco peritoneal – a escavação pubovesical – situa-se
entre a bexiga e o assoalho da cavidade pélvica.
272

Dos três fundos de saco formados pelo peritônio na cavidade pélvica, o mais
profundo é a escavação retogenital, que se estende caudalmente até o nível da transição
sacrococcígea, aproximadamente.

Os testículos desenvolvem-se, na vida fetal, dentro da cavidade abdominal, na


região sublombar. Com o descenso dos testículos, estes arrastam consigo, para o
escroto, o peritônio que os envolve. Forma-se, assim, a cada lado, uma expansão
escrotal do peritônio – o processo vaginal, o qual dá origem às lâminas parietal e
visceral da túnica vaginal, as quais envolvem os testículos. A túnica vaginal está
descrita com os demais envoltórios testiculares no capítulo de sistema genital
masculino.

77. Nervos e gânglios da cavidade pélvica

77.1. Plexo lombossacral: descrito no item 27.1

77.1.1. Cutâneo lateral da coxa: descrito no item 27.1.1

77.1.2. Femoral: descrito no item 27.1.2

77.1.3. Obturatório: descrito no item 27.1.3

77.1.4. Isquiádico: descrito no item 27.1.5

77.1.5. Pudendo

É formado por fibras oriundas de S2, S3 e S4, sendo S3 o seu principal


componente. Após a união das três raízes, o tronco do nervo pudendo corre
caudoventralmente na face interna do ligamento sacrotuberal, juntando com a artéria
pudenda interna. Ultrapassando o arco isquiádico, continua-se, nos machos, como nervo
dorsal do pênis e, nas fêmeas, como nervo dorsal do clitóris. Ao longo de seu percurso,
emite os seguintes ramos:

77.1.5.1. Ramo cutâneo – corre na fossa isquiorretal e, ao nível do túber isquiádico,


curva-se ventralmente para suprir a pele sobre o músculo semimembranáceo. Emite
ramos também para a face caudal do escroto, nos machos, e do úbere, nas fêmeas.

77.1.5.2. Perineal profundo – origina-se do pudendo caudalmente à origem do ramo


cutâneo. Inerva, nos machos, os músculos uretral, isquiocavernoso, bulbo-esponjoso e
esfíncter externo do ânus. Nas fêmeas, distribui-se na vagina, uretra, vestíbulo e ânus.

77.1.5.3. Ramo prepucial e escrotal ou ramo mamário – origina-se do pudendo logo


após este ter ultrapassado o arco isquiádico. Nos machos, distribui-se na face cranial do
escroto e no prepúcio. Nas fêmeas, inerva a superfície caudal do úbere.

77.1.5.4. Dorsal do pênis ou dorsal do clitóris – representa a continuação distal do


nervo pudendo, após a emissão do ramo prepucial e escrotal. Corre na face dorsal do
pênis, juntamente com a artéria e veia homônimas. Ele inerva sensitivamente o pênis,
mas emite também ramos para o músculo retrator do pênis. O nervo dorsal do clitóris é
273

o homólogo do nervo dorsal do pênis, nas fêmeas. Distribui-se no clitóris e estruturas


adjacentes.

77.1.6. Retais caudais

Originam-se caudalmente à origem do nervo pudendo, pela união de fibras


provenientes de S4 e S5. Podem ocorrer em número de um ou dois. Correm
obliquamente na face lateral do reto e distribuem-se na porção final deste, no ânus e no
períneo. Inervam também a parte proximal do músculo retrator do pênis.

77.2. Parte pélvica do tronco simpático

Os troncos simpáticos continuam-se caudalmente na cavidade pélvica, dispondo-


se, a cada lado, na face ventral do sacro, medialmente aos forames sacrais pélvicos.
Cada tronco é formado por uma série de gânglios sacrais, interligados por ramos
interganglionares. O número de gânglios sacrais é geralmente de cinco em cada tronco,
mas este número pode diminuir pela fusão de dois gânglios vizinhos. O tamanho dos
gânglios diminui progressivamente em sentido caudal, ao mesmo tempo que os dois
troncos tornam-se cada vez mais próximos um do outro. Ao nível da região coccígea, os
dois troncos unem-se no plano mediano, formando-se um gânglio único, denominado
gânglio ímpar. Nos bovinos, o gânglio ímpar situa-se ao nível da 3ª ou 4ª vértebra
coccígea; nos ovinos, ele se forma mais cranialmente, ao nível da 1ª vértebra coccígea.

De cada gânglio sacral origina-se um curto ramo comunicante, que se une ao


nervo espinhal correspondente, quando este emerge do forame sacral pélvico.

77.3. Parte pélvica do parassimpático (nervos pélvicos)

Os nervos pélvicos (nervos erigentes) são formados por fibras pré-ganglionares


do parassimpático, originadas principalmente de S3 e S4. Estas fibras reúnem-se em dois
feixes, os quais emergem dos forames sacrais pélvicos juntamente com as raízes S3 e S4
do nervo pudendo. Os dois feixes logo se separam destas raízes e se reúnem para formar
os nervos pélvicos. Estes se dirigem ventralmente e incorporam-se ao plexo pélvico.

77.4. Plexo pélvico

O plexo pélvico é um emaranhado de fibras nervosas do sistema nervoso


autônomo, intimamente associado às vísceras da cavidade pélvica. Ele é formado tanto
por fibras parassimpáticas dos nervos pélvicos como também por fibras simpáticas dos
nervos hipogástricos, oriundos do plexo mesentérico caudal. Entre as fibras do plexo
encontram-se células ganglionares, que se reúnem em pequenos grupos, formando os
gânglios pélvicos, de difícil identificação macroscópica.

O plexo pélvico inerva as vísceras da cavidade pélvica, formando junto a cada


víscera um plexo secundário: plexo prostático, plexo deferencial, plexo uterovaginal e
plexo vesical.
274

78. Artérias da cavidade pélvica

78.1. Ilíaca interna

A cavidade e os órgãos pélvicos são irrigados pela artéria ilíaca interna, que é
um dos ramos terminais da aorta abdominal. Ela origina-se logo atrás da origem da
artéria ilíaca externa e corre distalmente na face interna do ílio e do ligamento
sacrotuberal. Emite, em seu percurso, ramos para as vísceras e para a parede da pelve.
Ela termina dividindo-se em artérias glútea caudal e pudenda interna.

78.1.1. Umbilical

É o primeiro ramo da artéria ilíaca interna. Seu tronco principal é curto, já que
após a emissão da artéria uterina (na fêmea) ou artéria do ducto deferente ( no macho),
ela apresenta-se obliterada e convertida no ligamento redondo da bexiga. Este último é
um cordão fibroso e resistente, incluído na borda livre do ligamento lateral da bexiga.
Em seu percurso, a artéria umbilical emite os seguintes ramos:

78.1.1.1. Uterina ou do ducto deferente – é o principal vaso que nutre o útero,


correspondente à artéria uterina média da nomenclatura antiga. Seu calibre aumenta
progressivamente durante a gestação, sendo a sua palpação via retal um dos meios
auxiliares no diagnóstico de gestação. Ela corre na espessura do ligamento largo do
útero e atinge a borda mesométrica do corno uterino, emitindo aí numerosos ramos. A
artéria do ducto deferente é homóloga nos machos da artéria uterina. É de calibre
reduzido e corre ventralmente na túnica adventícia do ducto deferente, anastomosando-
se distalmente com ramos epididimários.

78.1.1.2. Ramo uretérico – é um minúsculo ramo que se dirige para a parede do ureter,
onde se distribui.

78.1.1.3. Vesicais craniais – são um ou mais pequenos ramos que se originam da


artéria umbilical e se dirigem para a porção cranial da bexiga, correndo ao longo do
ligamento redondo.

78.1.2. Iliolombar

É o primeiro ramo parietal da artéria ilíaca interna. Origina-se ao nível da borda


cranial do ílio e distribui-se na musculatura adjacente.

78.1.3. Glútea cranial

Origina-se junto à face interna do ílio e, depois de atravessar o forame isquiádico


maior juntamente com o nervo isquiádico, distribui-se na musculatura glútea.

78.1.4. Obturatória
275

É um pequeno vaso que se origina da ilíaca interna e corre ventralmente em


direção ao forame obturado, acompanhando o nervo obturatório. Pode estar ausente.

78.1.5. Vaginal ou prostática

É o segundo ramo visceral da artéria ilíaca interna, originando-se de sua face


ventral, imediatamente antes da bifurcação final daquela. Dirige-se ventralmente para
distribuir-se na porção caudal do útero (ramo uterino), bexiga (artéria vesical caudal),
uretra, vagina, porção final do reto (artéria retal média e, apenas na vaca, artéria retal
caudal) e períneo. A artéria prostática é a correspondente da artéria vaginal no macho,
distribuindo-se na porção caudal da bexiga (artéria vesical caudal), na uretra pélvica e
nas glândulas genitais acessórias.

78.1.6. Glútea caudal

É a resultante dorsal da bifurcação final da ilíaca interna. Atravessa o forame


isquiádico menor e vasculariza os músculos da região glútea e da face caudal da coxa.

78.1.7. Pudenda interna

É a resultante ventral e mais calibrosa da bifurcação final da artéria ilíaca


interna, apresentando-se quase como uma continuação direta desta. Corre
caudoventralmente na face interna do ligamento sacrotuberal, acompanhada pelo nervo
pudendo. Emite ramos para a uretra e a artéria perineal ventral. Esta última distribui-se
no períneo e emite, exceto nos bovinos, a artéria retal caudal.

Após a emissão da artéria perineal ventral, a artéria pudenda interna continua-se


como artéria do pênis, no macho, e artéria do clitóris, na fêmea. A artéria do pênis
fornece a artéria do bulbo do pênis e a artéria profunda do pênis, para continuar-se
finalmente como artéria dorsal do pênis. Na fêmea, a artéria do clitóris emite a artéria
do bulbo do vestíbulo e a artéria profunda do clitóris e termina como artéria dorsal do
clitóris. Ramos para a glândula mamária são também frequentemente fornecidos pela
artéria pudenda interna, na vaca.

78.2. Sacral mediana

É um vaso ímpar que se origina na terminação da aorta abdominal, entre as


origens das duas ilíacas internas. Corre distalmente na face ventral do sacro, emitindo
ramos para o canal vertebral, e continua-se na cauda como artéria coccígea mediana.

79. Veias da cavidade pélvica

A drenagem venosa da cavidade pélvica está a cargo das veias ilíacas internas,
satélites das artérias homônimas. Cada veia ilíaca interna une-se à veia ilíaca externa do
276

mesmo lado e forma um curto tronco venoso, a veia ilíaca comum. Da união das veias
ilíacas comuns resulta a veia cava caudal.

79.1. Ilíaca interna

Corre na face interna do ílio e do ligamento sacrotuberal, ao lado da artéria ilíaca


interna. Em seu percurso, recebe as seguintes tributárias, todas elas satélites das artérias
homônimas: veia uterina, veia iliolombar, veia glútea cranial, veia prostática ou vaginal,
veia glútea caudal e veia pudenda interna. Todas estas veias drenam as áreas supridas
pelas correspondentes artérias.

80. Linfáticos da cavidade pélvica

80.1. Linfocentro iliossacral: descrito no item 30.1