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O Problema 0 PROBLEMA

do T empo DO TEMPO
"No movimento da matéria se realiza a dialética
do linito e do infinito, dialética que aparece em
diversos
poral
aspectos- entre os
quais o

na unidade de suas facetas quantitativa


aspecto tem .F.Askin
e ualitativa, A interconexão dialética das cate-
orias do temporal e do eterno- separadas pela
Tilosofia idealista e pela teologia- encontra
su
plasmação no movimento do mundo real. O que
existe não é um eternidade petrificada, inóvel, e
ntransitória viaidade das vaidades": é um
processO inico do ser em permanente mudança e
em permanente preseça, unm processo do novi-
mento dia maléría, processo que realiza a autên-
ica eternidade do mundo"

MAIS IM 1AN;AMlENTO D P/AZ E 'TERRA Paz e Terra


UMA DITÓRA A SERVIO DOS uuMOS DA U1TURA
MODERNA
Problenma do Tempo

irraciona-
Combetendo as concepçies

tas de Bergson c as concepçóes neopo


tilösoto so-
nakantianos, o
istas dos
resolutanente na defesa dia
eico iste
obietinadade do tempo. apresen tan do-o
na-
como na torma de existëncia da

lado. combatendo a infiltra-


Por outro
do
çao detorsadora de algunas posições
autores tido
ateriahsmo ulgar em

Askin assimila criadora-


como arristas.
marx1ismo a con-
r à perspectiva do
correto entendimento
tribuiçio trazida ao

dialéico do tempo por Albert Einstein


e

relatividade.
peia teonia da
São dignas do maior interêsse a s id ias
epostas neste livro
sõbre a irreversibili-
dade do tempo. sõbre a essência e a infi-
nidade do tempo. sõbre a eternidade. sõ-
e
bre a relação e n t r e passado. presente
futuro.
O problerma do tempo tema do pre-
sente ensaio é. sem dúvida. um dos
problemas mais intensamente vividos pe-
los filósofos contempor neos. Na medida
em que a realidade do tempo destrói
avassaladoramente os dogmas e agita as
mentes e os corações na história que es-
tamos fazendo. na medida em que o nos-
so modo de viver o tempo se altera, o
tempo como categoria filosófica também
exige repensamento e compreens ão mais
aprofundada. Sobretudo para os marxis-
tas, que. pela perspectiva filosófica que
não podem mais pensar reali-
adotam. a

dade em têrmos independentes da histó-


ria, fazendo abstração da sua dimensão
temporal.

PAzE TERRA
O Problema do Tempo
SUA INTERPRETAÇo FlLOSÓFICA
Serie
RUMOS DA CULTURA MODERNA I. F. ASKIN
VWame 33

O Problema
do Tempo
SUA INTERPRETAÇÃO FILOSÓFICA

Tradução de
JOEL SILVEIRA

Paz e Terra
Esta fol traduzida da versão cm castelhano,
edição
publlcada iNDICE
S. A., Montevidéo, Uruguay.
pela Edtciones Pueblos Unidos,

Contrato flrmado com a


MEZHDUNARODNAJA KNIGA,
Moscou.

Montagem da capa:
EUNICE DUARTE PROLOGO9

Diagramação e supervisão gráf.ca: CAPÍTULOoI


ROBERTO PONTUAL

A LuTa FiLosóFICA AcÊrCA DA OsJETIviDADE Do TEMPo


E AS CIENCIAS NaTuRAIS CoNTEMPORÂNEAS 19

Distribuigção exclusiva:
EDITÓRA CIVILIZAÇÃo BRAsLEIRA S. A. 1. A concepção Kantiana do tempo e o desenvolvimento
Rua 7 de Setembro, 97 da ciência 21
RIO DE JANEIRO - GB BRASIL
2 Afisica 38moderna e a concepção positivista do
tempo
3. A objetividade do tempo e a filosofia bergsoniana 47
Direitos universais para a lingua portuguësa adquiridos pela
EDITÖRA Paz E TERRA S. A.
Av. Rio Branco, 156 129 andar - s/1222
CAPÍTULO II
RIO DE JANEIRO
que se reserva a propriedade desta tradução.
O TEMPO Como FORMA DE Ex1STËxCIA Da MATÉRIA 65

1969
CAPÍTULO m
Impresso no Brasil
Printed in Brazil SOBRE A Essência Do TeMPo 83
do futuro 84
e o processo intercondicionadas
I Otempo duas formas
o espaço,
2. O tempo e
110
do ser da matéria diversidade do mundo 126
a
A essência do tempo
e
3.
PRÓLOGo
CAPÍTULO Iv

DO TEMPO 141
IRREVERSIBILIDADE
A
do tempo 142
1. Criterios da irreversibilidade na física
inversão do tempo
Sobre o conceito de
atual 167
da repetição relativa
3. ritmo temporal como expressão
O matéria 174
do movimento da

CAPÍTULOv

O TEMPO INFINITO 189

ciência
1. A teoria do principio e do fim do mundo e a
natural contemporânea 190
2. O tempo e a eternidade 198

CoNCLUSÃo 213

CoM O progresso social e cientifico, o fator tempo vai


adquirindo importância cada vez maior nos mais diferentes
setores do conhecimento e da vida social. Tal fato desperta
crescente interêsse pela investigação do tempo como tal em
seus diversos aspectos, inclusive o filosófico.
A atenção que se dedica à categoria do tempo cons-
titui uma das particularidades características do atual sis-
tema de conhecimentos. Até bem pouco, as ciências não se
ocupavam do tempo de maneira especifica, como tema pró-
prio. O fato é compreensivel. O tempo só aparece em secu
significado quando se trata de estudar as coisas tomadas no
processo do seu movimento. No plano histórico, chegou-se
relativamente tarde a semelhante nível de investigação. Du-
rante longo periodo, o conceito do tempo como essência só

8 9
a particula- interèsse
tomado cm
mecânica, com
consideraçäo na
puramente
ficaçoes devidas à idade. Tudo isso oferece grande
cra
concebido como condiç o zootécnicos e oshorticultores, para especialistas
os
ridade que era cle à hipótese para os

Sömente quando, graças em citologiae para os mocrobiologistas como também é de


Cxterna do movimento, ciência a idéia dou-
a participar
da essencial import ncia para a medicina. Na fisiologia,
a

cosmogónica de Kant, passou todo o sistema solar


trina pavloviana sôbre os reflexos condicionados empresta
um modo geral,
de que a Terra c, de
nao são, de modo algum, algo
concebido para sempre, come
do
lugar de suma transcendencia ao fator temporal. Antes dos
nas ciências que tratam trabalhos de I. P. Pavlov, sômente eram submetidos a es-
abrir-se amplo campo tudo experimental), em filosofia, os reflexos inatos (não
sou a a concepção do tempo
estabelecendo-se
mundo inorgânico, ciëncias escola de
deve levar em conta. Nas condicionados,
ou seja, os reflexos estáveis; a
fator de tudo que se
introduzido mais
como
natureza viva, tal fator foi Pavlov centralizou sua atenção no estudo dos reflexos con-
estudam a foi
que da invariabilidade das espécies dicionados, isto é, nas conexões temporais.
tarde, quando a idéia foi a única que No estudo do tempo, a fisica desempenha papel de pri-
evolucionista de Darwin
superada. A teoria no quadro
da meirissima importância. Esta ciência, ao investigar as pro-
firmeza o fator tempo
incorporou com tôda leis do movimento da substância e do
natureza viva. priedades gerais e as

ciências sociais.
Embora a
campo, põe a descoberto, de forma ampla, as relações de es.
E análoga a situação nas e as proprieda-
paço e tempo, revela as leis de tais relações
sucessao
como uma
história humana tenha sempre aparecido fisica onde se
estudo des que Ihes são comuns. E precisamente na
durante um amplo período
o
de gerações no tempo,
da sociedade realizou-se também
na esfera do
imutável" formulam os conceitos de tempo no passado, através dos
morais e as leis da eco ensinamentos de Newton; em nosso século, através da teo-
e do "extra-temporal".
Os principios
ideais estéticos eram con- ria da relatividade de Albert Einstein que exercem uma
nomia, as normas do direito e os profunda influência sóbre outras ciências e sôbre as ma
à influência
siderados como dados imutáveis, não sujeitos
nifestações filosóficas do tempo. O parâmetro temporal é
do fator tempo.
Em nossos dias, categoria de tempo entra
a
inevitàvel-
objeto de estudo por parte dos investigadores dos mais di-
mente na investigação das leis básicas que regem
as diversas versos ramos do saber. Os problemas referentes ao
envelhe
cimento dos metais e, de outros materiais, em particular dos
formas do movimento da matéria. A ciencia, penetrando
nas

ciên-
profundidades dos processos de
desenvolvimento, mostra
elementos e s s e n
sintéticos, interessam a todos aquêles que cultivam as
cias técnicas. Por outro lado, o tempo, como fator do desen-
claramente que o tempo constitui um dos
ciais da concepção moderna do mundo. volvimento da produção material, atrai a atenção dos econo-
O homem defronta-se com o fator tempo em todos
os
mistas.
terrenos de vida prática e, paralelamente, nas esferas
sua
E na linguagem que o conhecimento adquirido pelo ho-
do conhecimento. Na astronomia, por exemplo, determinar mem sôbre as propriedades temporais do mundo encontra o
a idade das formações estelares passou a ser um dos seus seu meio de manifestar-se. Enquanto nas linguas
primitivas
problemas capitais. As ciências geológicas são simplesmente a categoria gramatical do tempo se expressava de maneira
inconcebíveis se não leva em conta o prazo da tormação bastante débil, nas línguas desenvolvidas essa categoria gra-
das diferentes camadas e suas partes componentes; a geo matical do tempo ocupa lugar muito mais importante,
logia atual penetra nas leis às quais obedecem as mudanças desempenhando um papel igualmente importante no regime
dos processos geológicos no tempo, A quimica investiga a gramatical. ainda que variem as formas em que se expres-
origem dos elementos químicos: a biologia, a evolução da sam as relações temporais.
matéria viva, a duração da existência das espécies animais As investigações das ciências naturais, assim como das
e vegetais, sua sucessão consecutiva, assim como as modi sociais, contribuem sensivelmente para o conhecimento do

10 11
extraordinària-

Igualmente, é sos dias, eo estudo de L. R. Heath O Conceito do


propriedadcs. da
tempo c de suas
da filosofia
na interpretação Tempo- igualmente dedicado à investigação de sua evo
o papel da filosofia Jução histórica e que constitui uma exposiçáo das concepções
singular valor
mente importante
Deve-se ao
categoria de tempo.
do problema do tempo
o fato
de tal pro-
do tema em questão na filosofia da Grécia Antiga, da lda-
de Média e na Moderna, chegando às idéias dos filóso fos
investigaçio do tempo
para a universal. O problema
caráter
blema possuir
um
atenção dos
filó- contemporâneos Alexander, Whitehead, Brigman e outros.
a atrair
cada vez mais a ini- Quanto à obra de F. Kümmel, Sóbre o conceito do tempo,"
c continua
atraiu problemas que,
da sorte de outros
sofos, compartilhando
da meditação
exclusivo
filosófica
trata ela da análise das concepções do tempo sustentadas
cialmente, eram objetivo como ra- por Santo Agostinho, Schelling. Bergson, Heidegger e al-
ciências especiticas
e, depois, quando
surgiram as tema de guns outros filósofos. O exame das diversas concepções do
convertendo-se em
do conhecimento, tempo ocupa grande parte do livro de W. Gent - O pro
mos especiais forma, o proble-
naturalistas. Dessa blema do tempo. Uma investigação histórica e sistemáti-
cstudo para os próprios cardiais da
sendo um dos problemas
ma do tempo continua filósofo, mas a ca, na qual o autor tenta também aclarar algumas questões
impõe ao
tilosofia, e não é a tradição que
o
traços relacionadas com o tempo e não apenas no plano histó-
à luz da teoria, os
viva necessidade de compreender, nós prô- r.co. O mesmo se pode dizer do trabalho de M. F. Cleugh.
desenvolvimento, do qual
essenciais do mundo O tempo e sua importância no pensamento moderno." gran-
em
sistema
reflexo no atual
prios tazemos parte,
e que tem seu de parte do qual é consagrada à análise da concepção do
de conhecimentos. tempo na filosofia moderna (a partir de Kant). A exposição
Não é intenção,
nossa no presente trabalho, apresentar dos vários pontos de vista que sôbre o tempo sustentaram fi-
desenvolvimento do conceito de
um ensaio sistemático do o obje-
lósofos, psicólogos e naturalistas, desde a Antiguidade, é o
histórico-filosófico. Esse não é
tempo no seu aspecto de ma- principal conteúdo da volumosa monografia de J. Sivadjian.
nos deteremos
tivo de nossa investigação , pelo que encontra o
El Tiempo7. Em todos êsses trabalhos que acabei de citar
em que hoje se
neira bastante breve no estado estão reunidas e sistematizadas as concepções de grande nú-
exame filosófico da categoria
de tempo.
mero de filósofos e naturalistas sôbre o tempo. No entanto
não soviéticas, en-
Entre as atuais publicações filosóficas a debilidade das concepções de seus autores, escravos do
contram-se várias monografias
söbre a categoria de tempo.

Pelo menos a metade de tais trabalhos


é inteiramente dedi- ecletismo, faz que em todos ëles se apresente insatisfatória
a análise das doutrinas
sôbre o tempo no expostas a respeito do tempo (na
cada à exposição histórica das concepções medida em que tal análise se verifica, o que ocorre em todos
terreno da filosofia e das
ciências naturais, Exemplos de
tais trabalhos são, principalmente o livro de Z. Zawirski -
Os
casos) e, com isso, o valor geral dos seus trabalhos.
A Evolução do conceito de tempo, no qual são expostas as segundo grupo das monografias filosóficas examina-
clássica aos nos-
dastratando do tempo- é constituido por trabalhos cujo
as teorias do tempo desde a antiguidade conteúdo principal não se apóia na investigação histórica,

análise do material histórico


1. Nas publicações soviéticas, a L. R. Heath, The Concent of Time,
a evoluço das representações do espaço e do 4 Chicago. 1936.
que caracteriza F. Kummel, Uber dem Begriff der Zeit,
Tubingen, 1962.
livros: M. B. Vilnitski: Con-
tempo pode ser encontrada nos 5. W. Gent. Das Problem der Zeit. Eine historsche und sys
à história do desenvolvimento das representaçQes sô-
tribuição 1955; V. I. tematische Untersuchung, Frankfurt. 1934.
bre o espaço e o tempo na fisica clássica, Kiev, 6. M. F. Cleugh, Time and its Importance in Modern Thought,
de espaço e
Sviderki, Importáncia filosófica das representações Londres, 1937.
tempo na fisica, Leningrado, 1956. 7 J. Sivadjian, Le temps. Etude phisolophique, psysiologique
2. Z. Zawirski, L'évolut:on de la notion du temps, Cracóvia, et psychologique, I-IV, Paris,
1936. 1938.
13
12
tal. Nesse gru.
cstudo do problema
do tempo como tados alguns livros escritos por naturalistas, como O tempo
mas no várias orientações, des-
trabalhos das mais c_o mundo fisico, de R. Schlegel. ' professor de fisica
da
po
encontram-se
monografia A
neotomistas, como
é o caso da Universidade de Michigan, e A Filosofia natural do tempo,
de posiçõcs da Universidade ca-
D. Nys, professor do cosmólogo ingls G. J. Whitrow , No primeiro dstes
noção do fempo, de cujo trabalho se
exami
da termodi-
tólica de Louvain (Bélgica).
em
assim como
livros, são analisados os resultados da fisica -

e suas propriedades, namica, da teoria da relatividade e da mecânica quäntica


nam a natureza do tempo sistemas fi-
principais de Whi-
São analisadas, de
mancira breve, os que tem relação com a categoria de tempo. O livro
apresenta de modo ordena- trow apresenta uma concepção mais ampla. Nële, à parte o
D. Nys
losóticos sôbre o tcmpo.neo-escolástico,
reduzindo a elucidação aspecto físico do problema, analisam-se seus aspectos psicoló
do o ponto de vista comentários, com dados
e gico, biológico matemático.
de todos os problemas à aplicação
e
a uma
de Santo Tomas de Aquino, e Ambos os autores adotam uma posição espontäneamen.
atuais, de citações tomista em rela-
defender a filosofia te materialista no exame das várias questões relationadas com
insistente tentativa de
autor no conseguiu o problema do tempo. Seus trabalhos- particularmente o li
Como é natural, o
são ao tempo. limites de um entoque pu- vro de Whitrow são úteis pela tendência em aproveitar al
sair dos -

nem sequer intentou


-

dogma teológico. guns dos últimos resultados que a ciência obteve ao investigar
ramente metafísico, conforme
o
francês de as propriedades temporais em esferas diversas da natureza.
Também no livro O Tempo," do professor
citada é tratada sob um cri- No entanto, a insuficiência da análise filosófica e a presença
filosofia J. Pucelle, a categoria determinados da- da filosofia idealista em vários pontos essenciais diminuem
livro
tério idealista. O autor recolheu
neste
as manifestações temporais o valor dos trabalhos em questão, nos quais, ao lado de consi-
dos concretos que caracterizam
da fisica, da história, da psicologia, derações válidas, encontram-se afirmações sem base, de ca
no campo da biologia,
sua exposição o propo- ráter puramente idealista, Nesses trabalhos, - para não citar
etc. Todavia, repercute em tõda a
sito de manter-se eqüidistante das conclusões ideológicas ma-
as monografias de filósofos a que nos referimos acima- o
Ma-
terialistas derivantes dos resultados obtidos pela
ciência.
não de-
defeito mais grave consiste em fazer caso omisso da filoso
fia materialista dialética, a única que pode constituir o funda
nifesta-se em Pucelle a sua posição espiritualista, e

autor em questão é conhecido como his- mento ideológico da investigação do problema do tempo na
vemos esquecer que o

t o r i a d o r - e admirador
- da filosolia subjetiva e irraciona- ciência dos nossos dias.
lista. No decorrer dos
critica de
de nossa exposição, voltaremos à análise
Partindo de outras posições filosóficas, embora igualmen- alguns citados trabalhos monogråficos a res
seu livro
te cientificas, foi que H. Reichenbach peito do tempo, assim como de outras obras filosóficas que
escreveu o

10
trabalho cujo objetivo foi de in- tratam do mesmo assunto.
A Direção do Tempo. o

do problema do tempo. Reichenbach Nas atuais publicações filosóficas marxistas, o


vestigar alguns aspectos material fático proble
utiliza, em sua pesquisa, um circunstanciado ma do tempo vem sendo examinado com
freqüência, dado
do campo da fisica,. Mas os principios positivistas que defen- que o tempo pertence ao número de categorias fundamen-
de o impedem de chegar à concepç o cientifica do tempo. tais do
materialismo dialético. A respeito de tais publicações
Entre as obras filosóficas sôbre o tempo podem ser ci- pelo menos tres circunstâncias chamam imediatamente a
nossa atenção.
8. D. Nys, La notion du temps, Paris, 1925.
9. J. Pucelle, Le temps, Paris, 1955. 11. R. Schlegel, Time and Physical World, Michigan, 1961
10. H. Reichenbach, The Direction of Time, Berkeley and Los 12. G. J. Whitrow, The Natural Philosophy of Time, Londres,
Angeles, 1956. 1961.

14 15
se rcalizou,
nclas o
Cxame do tempo
Em primciro lugar, amplo de "espaco soviéticos e várias investigaçöes nao soviéticas mostram
do problema mais da biologia, da geologia e de o u
regra gcral. no ponto
perlcitamente legitimo, e é possivel a importància dos dados
Tal exame é
no
ultimo periodo foram tras ciências na análise filosófica do problema do tempo.
e tempo. notáveis quc
trabalhos às monografias de Problemas relacionados com o tempo existem em diversas
citar alguns Relerimo-nos
tema, 1958) e de R. 1, de elucidação filosófica.
publicados sóbre
o
Tempo (Moscou, ciéncias,
Em
e necessitam
terceiro lugar, é preciso ter em conta que, na ilo-
V. I. Sviderski,
Espaço c
Moscou, 1 962).
Também rea-

Shteinman, Espaço e Tempo ( consagradas ao sotia atual, frente à concepção materialista dialética do
tilosóticas
investigações tempo existem numerosas tergiversações metafisicas idealis
lizaram
interessantes
O m c l i a n o v s k i , 1,
V. Kuznetsov,
tempo:
M. E. S. T. Meliujin tas, freqüentemente de caráter mistico, em relação à
referida
ao Naan,
Kuznetsov, G. I.
cspaço e
de dispomos, não se mostra
V. S. Gott. J. M.
resultados
aná-
essenciais sõbre a categoria. Nos trabalhos que
da definitiva, a análise da luta filosó-
tempo à luz exaustiva, muito
Alcançaram-se menos
outros. c
e de espaço
fica acèrca da categoria de tempo.
das categorias interpretação
lise filosófica Submeteu-se à
critica a
Em vista do que acima ficou exposto, é fácil antecipar
relatividade. e
teoria da relações de espaço
elucidaram-se as ao presente investi
autor da
desta teoria; causalidade e as as tarelas que se apresentam
idealista entre a
trabalhos jà
relação livro,. completando os
tempo do
micromundo; a
assim c o m o
os aspectos gação. No presente e

de espaço e tempo, am- publicados da União Soviética, procurar-se-á estabeleceer


propriedades investigou-se
e outro, e,
tinalmente,
uma caracterização monográfica do tempo como forma de
cosmológicos de um
categorias.
histórica destas existência da matéria; intentar-se-á, ainda, até certo ponto,
plamente a evolução tal estudo conjunto
levando em
conta
eliminar as lacunas indicadas, e isso na medida
em que o
Dessa maneira, estágio da presente deste trabalho.
meridiano que no
permitirem as limitadas dimensões
do espaço e tempo, é se perca
e também necesário, sem que O fato é que o problema do tempo adquire especial
ciencia é possível do tem-
fazer do problema importância na ciência natural dos nossos dias, a qual pro-
centre o tempo e o espaço, tanto mais
o nexo
especial, porciona rico material. possivel de esclarecer tudo o que diz
de investigação monográfica
po objeto vários trabalhos
existentes con-
respeito à referida categoria dentro de um amplo plano ideo-
evidente que, nos
quanto é de espaço que lógico; e, ao mesmo tempo, apresenta questões, surgidas no
a categoria
ao tempo, é
sagrados ao espaço e a do tempo
que decurso da investigação do tempo, que requerem uma análise
no centro
da atençãão, enquanto
6e encontra

relegada segundo plano.


um
ilosófica tendo como premissa as posições do materialismo
dialético. A
é
Em
a

segundo lugar, o
exame filosófico
do tempo efetuou- descoberta de novas etapas temporais do uni
verso permite resolver problemas filosóficos fundam:ntais
baseado em dados for-
se, em publicações, sobretudo
nossas
totalmente que se ligam à _essência do tempo e às suas propriedades
análise deste material é
necidos pela fisica. A basicas gerais. Limitamo-nos a examinar as manifestações
da fisica que guardem relação
com

obrigatória, e as teses do tempo na esfera da natureza e, conseqüentemente. no


constantemente exami-
problema do tempo
ter o que ser campo das ciências naturais; como aspecto especial do pro
o
materialismo dialético. To.
nadas a partir das posições
do blema, surge o exame do tempo no plano social. mas tal
constitui uma
conta que o tempo aspecto fica à margem do presente trabalho.
davia, é preciso ter em
da matéria, e no curso de sua
forma universal da existência
com dados de outras
análise filosófica é necessário operar
como se revela o tempo nas
ciências, dados que mostram
diferentes esferas da realidade. Os trabalhos
de naturalistas 13. A. E. Fersman, 0 tempo, Petrogrado, 1922.

16 17
A Luta Filosótica Acerca da
Objetividade do lempo e as Ciencia1
Naturais Contemporaneas

Ao PMPREENDE o erare da esenc. do tempo e


suas propriedades tundamentais torra-e neces sårio de: Kar
claro, antes de tudo, se o
tempo perte:ce ao campo da ob}e-
tivo ou se somente
permanece circunscrito à estera do sub-
jetivo: se está determinado por algum principio espiritua!
pela natureza do próprio mundo material. Nenh O
de raciocinio a respeito do
uma especie
tempo será satistatória nem const-
quente se, partindo-se de um princip o, não se apresentae
não se esclarece a questão tundamental da
tilosofia aphcad
ao tempo. se nao se
precisa o status ontológico da relerid
categoria.
O tempo e isto sabido há séculos caracteriza
a sequencia dos tenômenos sua duração e alternàrcia. sua

19
nas
unidades tem.
encontra
sua
expressao

etc.) e nas
rol
ela-
tcmpo século,
sucessäo:; o
(segundo, hora, palavras
como"de-
medida
de mediante
porais cisamente, prega-s
temporais
determináveis
precis 1. A CoNCEPÇÃo KaNTIANa Do TEMPo
soes
p o i s e " a n t e s " .
Em tal sentido, E nclusive
quando se a EO DEsENVOLVIMENTO DA CiËNCIA
linguagem.
na ou no sentido
palavra "tempo
atmosférico"

a
sentido de "tempo "tempos heróicos), faz-se
no
chuvoso filosofia,
emprega

de época
("tempo
determinado
duração que se se-
período de Na interpretação do tempo segundo a nova
cabe a Kant um lugar de real destaque. Alguns autores con-
a um convicção
de que o mundo exis-
série, A
referencia

base sôbre aual sideram que foi precisamente Kant, o fundador do idealismo
a
outros,
numa
constitui a a jual
gue
um
caráter objetivo,
materialista, como classico alemão, estabeleceu as primeiras bases da in-
quem
tem
tempo num sentido
tente

conceber o
a qual se apresenta terpretação do tempo, bases estas que encontramos em mui-
se pode do mundo, tos dos influentes filósofos idealistas de nossos dias. "Ainda
inerentes a êste último.
característica
determinada
limites das propriedades existência da rea-
que em suas explicações Kant não passe do primeiro estágio
dentro dos reconhecer a
respeito: "Ao
como in- das cogitações sõbre o tempo lemos em um dos trabalhos
Lenin dizia a
mat ria em movimento,
a que nos referimos cabe-lhe a honra de haver delineado
isto é, da
lidade objetiva, materialismo forçosamen

dependente de
nossa
consciëncia, o
a realidade objetiva
os limites dentro dos quais há-de apresentar-se o
problema
mesm0, moderno da temporalidade., problema que tende a transfor
te tem de reconhecer, por isso
mar-se em Heidegger, por exemplo no problema central
do tempo e do espaço.. transcorrer da sua história, da metafisica, ponto de partida para um desenvolvimento
materialista, no
A filosofia correspondente e
conhecimentos da época infinitamente rico.
baseando-se nos êxito o caráter objetivo
delendeu com Tenha-se em conta que Kant formulou com tôda preci
partindo da prática, com o mundo material, sua existência
do tempo, sua ligação A ciência
são o problema do tempo no plano da questão básica da
independente desta.
à margem da
consciência e filosofia. Kant examina três possiveis soluções para o pro-
argumentos em
tavor da inter-
moderna proporciona
novos blema concernente à natureza do espaço e do tempo. "Que
contirma sua objetividade e
materialista do tempo,
pretação referida categoria. Dai ser são o espaço e o tempo? pergunta.- São essências reais
refuta as teorias idealistas da ou são ùnicamente determinações ou relações das coisas,
dentro do possível, até
interessante a
tentativa de precisar, mesmo que por si mesmo seriam inerentes às coisas, inclusive
da ciência enriquece o
atual desenvolvimento se não fôssem, estas, objeto de contemplação? Ou, ao invés
que ponto o Também é
da objetividade do tempo,.
argumento em favor da própria
são determinações e relações inerentes apenas à forma de
sua vez, a evolução
preciso não esquecer, por da objetividade do contemplação e, conseqüentemente, à natureza subjetiva de
do problema
luta ideológica em tôrno nossa alma,
esclarecimento de tudo isso nos permitirá esboçar sem a qual os referidos predicados não pode
tempo. O filosófica do riam ser atribuidos a coisa alguma" , Vendo. pois, clara-
as posições básicas
de partida para a solução
problema do tempo. mente a
interpretação materialista e a interpretação idealista
do tempo e do espaço, Kant situa-se decididamente no ponto
de vista da resposta idealista subjetiva ao
problema que se
Jhe apresenta.

2. J. Havea, Kant et le problème du temps, Paris, 1946.


1. Lênin, Obras Completas, t. XVII, pág. 181. 3. Kant, Obras, tomo III, Moscou, 1964.

20 21
Passando-se ao exame critico da doutrina de Kant
Considera o tempo, assim como o cspaço, como forma
necessarin indicar, antes de mais
aprioristica da percepçào sensorial, A margem e independen- acérca do tempo, laz-se
tcmente do homem, näo cxiste o tcmpo das coisas cxistentes; nada, que, partindo de suas posiçóes subjet:vas, Kant não
das contra-
podia desenvolver logicamente e sem noperigo
o
o tempo só se nanifesta na cslera lenomenal, na csfera do
quc Kant denomina fenômenos, incluindo-a na zona do sub diçoes as idéias gue ële mesmo expunha tocante ao tempo.

jetino.. . "... Se tomamos os objetos tal como podem exis. Assim, relaciona o tempo com a causalidade, a
qual define
aprioristica, sem rela
observa o filósofo como o tempo como categoria
tir por si mesmos, o tempo não é nada
-

em si". Mas a verdade é aue


alemào, Bste possui significado objetivo ünicamente em ção c o m o mundo das coisas
relação com os fenômenos, pois os fenómenos são precisa- por outra parte, reconhece èle que as "coisas em si atuam
mente as coisas que tomamos como objetos de nossos sen- sóbre o homem, com o que reconhece, implicitamente, que

objetivo se "coisa em si é causa de nossas sensações, donde se con-


tidos, porém já não se mostra
fazemos abstração a

clui que a categoria de causalidade e, junto com ela, a do


da natureza sensorial de nossa contemplação, quer dizer, do
procedimento de representação que nos é próprio, e nos refe- tempo, podem aplicar-se ao mundo das "coisas em si".
Timos às coisas em geral.* Já não falamos de certas contradições nas próprias for
Neste parágrafo, chamam a atenção as palavras de mulações relerentes ao tempo, nem das variantes que se e n
do tempo. de contram nas diversas partes da Critica da razão pura, va-
Kant sôbre o "significado
nhum modo considerava o
objetivo
tempo
Kant
como uma icção, como
ne riantes assinaladas pelos comentaristas da referida obra
fruto arbitrário de nossa consciência, idéia defendida por (não fica claro. por exemplo, quantos modos de tempo exis
alguns idealistas atuais. Mas, ao falar da "objetividade", tem segundo Kant, se dois ou três; nem se a simultaneidade
da "realidade" do tempo, Kant refere-se apenas à signifi- pertence aos modos de tempo junto à duração e sucessão).
cação geral do tempo na esfera das representações senso- E bastante significativo que, ao se referirem às contradições
riais evidentes, nada mais. Não quer que se identifique sua desse tipo, os investigadores não marxistas da teoria kan-
posição com o reconhecimento do caráter ilusório do tempo, tiana do tempo não assinalem uma contradição ainda mais
e fala da realidade dêste último, mas de sua realidade como importante da reterida teoria: a contradição com a realidade,
uma forma de representação interior. . O tempo pode com o desenvolvimento da ciência, Ignoram a fonte dessa
ser considerado real esclarece Kant porém não comno contradiço, derivada da posição idealista subjetiva do filó
"
Em suma, Kant sofo, o qual em vão tentou conciliar seu idealismo na ma
objeto, mas como modo de representar.. .
afirma a "realidade subjetiva" do tempo."
Ao considerar o tempo como elemento inato apriorís-
neira de conceber o tempo com o reronhecimento do mundo
exterior, já que sem tal evidência Kant teria se inclinado
tico do sistema cognoscitivo, Kant fechava o caminho ao claramente para o solipsismo, a que ele próprio qualificou de
conhecimento experimental desta categoria, "Não é possível mistica sem qualquer fundamento cientifico.
Tal é uma das inevitá- Examinemos a argumentação de Kant para
perceber o tempo em si", escreve.'
veis conseqüências de reduzir o espaço e o tempo a meras o caráter aprioristico do tempo. Veremos. assim, demonstrar
o curso do
formas de nossa contemplação sensorial",* disse-o Kant em seu raciocínio na
exposição da teoria indicada e
mos de imediato a
mostrare
falta de consistência do seu ponto de
sua própria linguagem.

4. Tbidem, pág. 139. 9. Veja-se Plekanov, Seleções de obras filosójicas, em cinco


5. Ibidem, pág. 140. tomos, t. I, Moscou, 1956, påg. 408.
6. 1bidem. 10. Cleugh, Time nd
7. Tbidem, påg. 249. its Importance
in Modern
11. Kant, Obras, em seis tomos. t. IV,
Thought.
8. Ibidem, t. IV. parte 14, Moscou, 1965, pág. 101. parte 1*. pag. 110.

23
22
fins historiográticos, O cxa.
fazemos visando a
Ista Nao o dialética, que oBerece uma resposta cientifica à pergunta de
kantiana torna em grande parte supér.
me da argumentaçio como. partindo do conhecimento de um número limitado de
dos pontos sustentados por aquê
luaa etutaçio de vårios coisas, de uma indução incompleta,
do tenpo na novissi conseguimos obter co
kes que naoreconhecem a objetividade nhecimentos de caráter necessarioe universal. O decisivo.
ma flosofia idealista. nisso, é a penetraçao na esséncia dos
e do eCs fenômenos, caminho
Nant relacionacaråter aprioristico do tempo fechado por Kant devido à sua interpretação
o

conhecimento matemático, Explica


éle que a subjetivista.
rigorosamente tenomenológica, da experiência, devido, em
Pocom o
conhecimento sintético suma, ao seu agnosticismo. Na ciência da
matemåtica pura só é possivel cono lógica ficou claro
c no tempo, os quais éé que, para que interência de uma indução
uma
se baseia no cspaço
N T porque
verdadeira, é
incompleta seja
necessatio considcrar como aprioristicos precisamente para indispensável baseá-la não em quaisquer pro
CApiicar a possibilidade do conhecimento a priori. Para priedades, mas em propriedades necessárias e essenciais. Istc
tempo, o
es- é o que distingue a indução cientifica de
considerar a ciencia matemática, assim como o
outro tipo de indu-
algo aprioristico, que
existe çào incompleta. da indução através de
paçoesnas propriedades como
na qual não se encontram
simples enumeração,
ser resultado casos contraditórios.
antes da experiência, e para negar que possam
Além disso, a certeza de semelhante
da experiència, ant parte. em seu raciocinio, do seguinte: inferência, basea-
da numa indução
Quando nos referimos à matemática, tratamos
de uma incompleta, pressupõe a unidade da natu
reza. O valor
matéria que possui exatid o totalmente apoditica, ou seja, demonstrativo das conclusões indutivas se
acha condicionado pelo fato de
de necessidade absoluta. Do mesmo modo, o tempo se carac que a natureza não constitui
um acúmulo desordenado de
teriza por propriedades tais como a existência
de uma só objetos singulares, mas que nela
existem, além de tais objetos. classes de coisas. A existência
dimensão, e partindo-se do fato de que, segundo a expressão
de uma sujeição a leis, da
estruturalidade do mundo objetivo,
de Kant. os diversos tempos não existem simultâneamente, permite considerar como verdadeiras. na qualidade de leis.
mas de maneira sucessiva, tais propriedades possuem uma as inferências indutivas as
quais, quando obtidas, partindo-
rigorosa universalidade e uma exatidão apoditica, se de caracteres necessários e
essenciais de uma parte deter
estriba-se minada de objetos de certa classe, tornam-se extensivas
Oponto decisivo da demonstração kantiana a to-
na premissa de que a necessidade absoluta e a
universalidade dos os objetos dessa classe. É
preciso acrescentar que nesse
nao podem interir-se da experiência, dado que sòmente esta particular resulta de extraordinária importncia a dialética do
opera dentro de um circulo limitado de fenômenos. A certeza geral e do singular, o fato de que, em tudo o que é singular
se
apodítica. segundo Kant, não pode ser alcançada a posteriori. expressa o geral, o qual, por sua vez. não existe mais do
O julgamento que se origina da experiência, escreve, ja- que no singular. Em cada coisa
cer não apenas o
particular chega-se a conhe
mais poderá conter a necessidade nem a universalidade singular, mas também o geral que nela
está contido.
absoluta".13
No que diz respeito
O problema ao qual aqui se refere Kant constitui um especialmente à matemática. asin
dos mais importantes e, sem dúvida alguma, dos mais difí vestigações históricas a respeito da origem e desenvolvimen
to dessa ciência, em
ceis da teoria do conhecimento e da teoria da indução. No particular da aritmética, demonstra-
obstante, encontra ele solução na concepção materialista 14. Lógica, Moscou, págs. 176-178.
15. Kant relacionou o tempo
12. Ibidem, t. II. págs. 148-149. como ciência que trata dos
precisamente com a aritmética
13 Ibidem, påg. 147.
números, diferentemente do espaço,
no qual via o fundamento da
geometria.

24 25
se
cncontra a idéia de au se
verdade
da
distante
resulta da experiën
ram uio
ciência aprioristica quc
nao
um reflexo das propriedades temporais do mundo
trata de
uma
indiscutivel
por Kant e pelos seus
que existiam antes de tais conceitos,
objetivo,
considerada de Marburgo. que representações e sensa-
cia-idéia
seguidores.
ncokantianos
os
da escola
o apriorismo
cões c
independentemente
dêles. Não se
pode deixar de le
para tundamentar var em conta que Kant não
a
matemâtica
da aritmética, p a r .
negava a existência objetiva das
apelavam para conccitos basicos coisas à margem da consciencia
histórica dos humana nào negava
análise
A de
suas propriedades e o mundo exterior, mas
conceito geral de numero, supunha que o tempo, Como o espaço,
tindo do demonstra quão errôneas s o eram formas da
das operações aritméticas, da matemática.
percepção sensorial, não inerentes aos prÓ-
este
ideal1stas sobre capitulo prios objetos, e que não refletiam as propriedades das coisas
as concepçõcs pressao das necessidades em si.
Sob a
aritmética, que surgiu
A que se procurou satis.
em O acervo da ciencia moderna
homem e no instante proporciona material su-
práticas do e aperfeiçoou-se sob ficiente para refutar, com
necessidades, desenvolveu-se provas, tal concepção
fazer tais de retlexo abstrato subjetiva do tempo. As idealista-
a
influencia da prática
e
na qualidade
exterior. a
investigações
cabo pela escola de Pavlov sôbre osexperimentais
levadas
determinadas relações
do mundo reflexos condiciona
de
de Feuerbach, é costume, a o fazer-se dos ao tempo, nas quais foram
Já desde a época mão de dados ciência natural, demonstram a
empregados os métodos da

da concepção subjetivista. lançar-se


critica
realidade objetiva do tempoo
sõbre a origem, relativamente tardia, e põem a nu
a
que as formas temporais da psique constituem
fornecidos pela ciencia lerra e da natureza em um reflexo dos
existëncia da traços temporais do mundo material. O fato
do homem, sôbre
a
de que de que se formam reflexos
do homem, A propria circunst ncia condicionados ao tempo já foi
geral, anterior à uma longa evoluçao cujo ponto de investigado pormenorizadamente em töda uma série de tra-
o homem seja
produto de
o vivo surge do inerte. balhos, 1t a maioria relacionada com a
partida
momento
reside
em
no que formação de reflexos
dos sentidos, com tõda a sua com- salivares condicionados nos ces (trabalhos de I. P. Feok-
demonstra que os órgãos
seu
começo quer dizer, apa. tistova, M. M. Strükova, V. S. Deriabin e outros). A
plexidade, também tiveram o
a açao formadora das
me
todologia s2guida para formar reflexos condicionados ao tem-
receram tempo. Para elucidar
com o
do mundo objetivo sõbre
o sentido po era a habitual metodologia pavloviana, baseada no ato
propriedades temporais animais, de retorçar, mediante estímulo
e tambem nos organismos e um não condicionado, um es
do tempo no homem, materialista da ob- timulo condicionado, o qual, neste caso, atua durante certo
fundamentar, com isso. o principio
para extraordinária importância os lapso de tempo. A reação reflexa condicionada aparece. as-
jetividadedo tempo, são de
moderna. Examinemos, portanto, sim, relacionada com um determinado momento do tempo. I.
resultados da fisiologia P. Pavlov, ao caracterizar os estimulos condicionados na
mais minuciosamente
ësse aspecto do problema.
terir a tese da objetividade qualidade de "agentes da natureza e referindo-se ao tempo,
A questão está em que in insistia em que éste
do fato de que o mundo agente não é. de forma alguma, me
do tempo (e do espaço) partindo nos real que todos os outros
objetivo existia antes do
homem e existe independente dêle,. precedentes .
Os reflexos condicionados ao tempo. descobertos
constitui uma ilação bastante sutil. Desde logo, é básico quan
do mundo externo para c o n - do das experiências feitas com câes através da aplicação da
reconhecer a exist ncia objetiva
metodologia da secreção salivar, observam-se imediatamente
ceber o tempo espaço como existentes objetivamente:
e o

mas é necessário demonstrar tal existëncia, demonstrar que


I. P.
os conceitos temporais, a s representações e as sensações são 17. Frolov, A doutrina fisiológica de I. P. Pavlov sóbre o
tenpo como estimulo peculiar do sistema nervoso.

16. I. I. Depman, História da Aritmética, Moscou, 1959. 18. Pavlov, Conferências sôbre o trabalho dos grandes hemis-
férios cerebrais, Moscou, 1952, pág. 28.

26 27
mesmos dnimais em tornia de reBlexos motores con- Ainda yue espaço e tempo escreveu Lange
nesses nào
drcionados ao tempo, baseados em transtormaçõcs
do meta 6cjam formas preparadas que se vao enchendo de material
hsmo do organismo sob o intluxO de sinais que partem através de nossas relaçoes com as
coisas, podem ser, de to-
do mesmo (K. M. Bikov e scus
colaboradores), etc. Os re. dos os modos, formas que, em virtude de
condições orgáni-
texos condicionados ao tempo näo sòmente
toram estuda- cas-das quais talvez careçam
out ros séres derivam-se
d s nas cäes, como também cm
outros animais (entre èstes, de modo necessário de nosso mecanismo da
tartarugas. pombs, morcegos
e macacos). Também foram verdade, torna-se dificil, inclusive nesse sentidosensação. Em
mais estrei-
reaizadas investigaçðes a respeito do reflexo
condicionado tamente limitado, duvidar do caráter
e do tempo.
aprioristico do espaço
ao tempo no homem P. Frolov, A. S. Dmitriev e outros),
(I. . O sistema psicoisico graças ao qual nos
for- mos obrigados a
contemplar as coisas no espaço e no tempo ve
mvestigações que revelaram. em particular,. como, na
hação do referido reflexo no homenm, o segundo sistema de existe, em todo caso, antes que toda experiência". "
Sinais participa de maneira essencial. e como nela intlui de Intentava Lange, dësse modo, refutar,
segundo suas
modo essencial meio social
o próprias palavras, a ingenuidade primitiva da crença nos
Não se poderia exagerar o valor de semelhantes traba- sentidos, que figura na fundamentação do materialismo, o
lhos para a caracterização filosófica do problema do tempo. qual toma de maneira simples. por algo objetivo * o espaço
Ao falar dos trabalhos experimentais que explicam, não só e o tempo. Mas, na realidade, o
que é ingënuo são suas afir-
o fato em si, mas. além disso, o mecanismo da adaptação mações, tôdas clas refutáveis graças à fisiologia
do homem. e também dos outros organismos animais, nos tanto acêrca do caráter aprioristico do "sistema moderna
como acérca de que tal
psicofisico
parametros temporais do mundo circundante, cabe recordar "sistema a o qual se acha vin-
as palavras de Lenin com as quais condenou a concepçãão culada a torma temporal da percepção
não se dá em
subjetivista do tempo e do espaço: outros sêres". isto é, fora do homem
Se as sensações de tempo e de espaço podem dar ao ho- Mas a questão
não se resume apenas no fato de que os
n em uma orientação biològicamente útil, isso só pode acon- trabalhos sõbre reflexo condicionado ao tempo confirmam
o
tecer sob a condiço de que tais sensações reflitam a realidade a interpretação materialista desta categoria. A questo está
objetira exterior ao homem. 19 em que, como vemos, a idéia da objetividade do tempo é ati
va na ciencia natural. serve de eixo em tôrno do
Sob o aspecto filosófico, é de suma importância o fato qual se de-
senvolvem setores inteiros da ciencia e, em particular, da
de que a investigação e o descobrimento do reflexo ao tempo
se hajam efetuado em ces e outros animais. Constitui tal biologia- constatação que serve como ponto de partida
principal para novas e numerosas investigações
tato um rude golpe para o kantismo. já que êste vincula o Nesse sentido, é muito significativa a concepção de co
tempo exclusivamente ao sistema cognoscitivo do homem, dos mo reflete nas propriedades do organismo o parmetro
se
seres pensantes. F. A. Lange tentou defender a tese kan- temporal do mundo material. Esta concepção, desenvolvida
sõbre o caráter a priori do tempo e do espaço e o crité
tiana há relativamente pouco tempo por P. K. Anojinna fisio-
Tio de que estas categorias têm unicamente significado no logia da atividade nervosa superior, mostra-se de transcen-
que se refere à percepção humana. Procurou, ainda, Lange.
modernizar coisa nessa tese, estendendo-a à 20. F. A. Lange, História do materialismo e critica da impor-
alguma organi tancia que o possui na atualidade, t. I. são
materialismo
zação psicofisica exclusiva do homem. Petersburgo, 1883.
21. Tbidem.
19. Lenin, Obras completas, tomo XVIII, 185 Edições Po- 22. P. K. Anojin, Análises metodológica dos proble mas centrais
vOS Unidos, Montevidéo. do reflero condicionado, Moscou, 1963.

28 29
disuussan o s o t c a das questies
omts à n a para a Dponto de vista de Newton, o. mevimen'ni das eoms
dAsà ehdade to tems fenómens 1.eriiS so tet relag-io Cna mrade
de
que a estrutura e
Antonin parte da premissa
e r e r e um intuto formador
e m e a a eahdade objetiva e sias propriedade:
de tais Ou quars representa. pe:a eStensi
Pa aenas no ante à apariçan Entendia Newto ue o tenipo e o cspaço exisizm
s temrais onceitos alem. atitmando que a estru-
Vai dependentemente do homem. Nisso se mantestou a
ora moral dv mundo 1norgänY aprescnta se como fator ismo de Newton . stua manefa de corceber ta1s cate
condiona o nascimento c o desenvolvimento, orias, Mas o materi.ah sm desse centista no era co1ie
et e
transorrer da evolução de
determinados estágios da orga-
qucnte. solria de limitaç0 metaisica, Em sua con.epc.io.
ta o see cstágos que cncontram sua exprecssão no
vivo
admitia-se a possib1lidacde de que o espaço e o tempo pudes
Feo ondicionado. Partindo désse ponto de vista, o pró- sem existir, de forma geral, livres de toxda m.itera que os e
condioonado como tal aparece como rcsultado
nhe
reile xo mundo cxterior, como do
chia, Precisamente porque materia n.io está neressaritmen-
aa do temporal
parâmetro teem todas as pate:. Newton desiga.o espaço como "l
forma da sujeição a leis do biológico em geral. que detcrmi- titado meio sensorial de Deus.
areflexo da reahdade, ce é conseqüència da adaptaçio à A teora que, sobre o te:po eo esp.to, sustentaya
material.
ceturt temporal do mundo Newton ichava-se igada do nivel em que ento se encon
travam aS CIenCiIs isicas e matematicas. )
equivalente ma
tematico do espaço newtoniano era a geometria de u:ldes.
mais terreno sõbre o qual se O cspaço relacion.ava-se com a ex:stència do vácuo absoluto.
Para minar ainda o

assenta a interpretação kantiana do tempo, foi de grande por uma parte, e, por outra, do éter mecànico. Semelhante
dos conhecimentos fisicos. a evolu- representaçao nao só deixava de lado o intluxo da nateria e
portäncia o progresso
cio da teoria arèrca das propriedades fisicas do tempo do seu movimento söbre as propriedades do tempo e do es-
kantiana do temnpo demonstra clara paço, mas ia ao ponto de subestimar o proprio tator tem po
A analise da teoria
se encontram as pro- nos processos fisicos, Admitia-se, na tisica de Newtoa. a
mente que na base da referida teoria

priedides do tempo que encontraram expressão


na tcoria açio à distncia, isto é, a transmissão instant nea-sem
E levando em con- Ocupar nenhum lapso da ação de determinadas förças à
e w t o n i a n a do espaço e do tempo. mesmo
distâr
ta que Rant apresenta uma caracterização filosófica do tem- ia. Oprincipio da ação à distncia e o conceito de
defende se baseiam tempo absoluto se acham lògicamente concatenados entre si
po distinta da newtoniana. as teses que na premissa das idéias da
teoria fisica de Newton ex- ação à distncia residiria a impos-
a propriedades do tempo que a sibilidade de renunciar à representação, caracteristica das
Newton admitia o tempo espaço absolutos, a
e dura
o concepções newtonianas sôbre a simultaneidade
acontecimentos separados no espaço. Juntamente com o tem-
abso!uta de
extens o existentes com reciproca indepen-
çãoea puras, po e o espaço relativos, admitia Newton o tempoe o espaço
dència e sem relação alguma com alqo xterior, ou seja, com absolutos, e em sua mecnica diterenciava o movimento abso-
independencia absoluta, imutáveis, de constante posse, sem- luto e o movimento relativo. Pelo primeiro, entendia o mno-
e consti-
pre e e n tödas as partes, das mesmas propriedades, vimento no espaço e no tempo absolutos, isto é. aquele que
uindo sequndo expressão de Newton, uma espécie de re
se produzia sem relação alguma com qualquer corpo ou fe-
cipiente de si mes mos e de todo o existente" nomeno concreto. De mane.ra análoga, admitia-se o conceito

2 Newton, Principios matemáticos da filosofia natural. 24. Newton, ótica.

30 31
concepçôes de Newton renúncia às concepções newtoniana
de repouso absoluto.
Dësse modo as Como é natural, a
nao se achavamn desligadas de sóbre as propriedades do tempo assesta um golpe demolidor
sodre o temo c söbre o espaço newtoniana do tempo. A doutrina da fisica
tisicas. na caracterização
suas demais teorias substitui aquela impe-
doutrina
na sua Critica
da razão pura, critica
a
atual sóbre o tempo e o espaço, que
Kant, o na teoria da re-
Manifestando.se contra a objetividade do es rante na referida ciência,
encontra express
newtoniana. töda teoria das ciências natu.
do tempo c contra o
e
criterio de que espaço e tempo latividadc. Esta teoria, como
paço
total extensão, uma doutrina exaustiva
necessária da existência rais, não é, em sua
hao de ser forçosamente condição
inclusive se tôdas sôbre o tempo e o espaço, mas, preCisamente, é a respeito do
de tödas as coisas c deveriam
permanecer
fôssem aniquiladas. afirmau Kant que tempo-espaço, a teoria ica moderna. Hoje em dia, não
as coisas existentes
dèsse modo na dependência mais existe na fisica uma teoria do tempo e do espaço que
nossa própria evisténcia, posta

de semelhante absurdo como o de que o tempo possui


-
rea- generalize os resultados obtidos por tal ciência e que goze de
com o mesmo tempo, em sim- reconhecimento universal, embora se estejam realizando in-
converter-sc-ia,
hdade própria- vestigações com o objetivo de expor e fundamentar novas
ples aparència". A critica de Kant assinala, desde logo,
Newtoniana, que idéias a respeito do tempo e do espaço, relacionadas com a
c com razão, o ponto fraco da concepção
auséncia das coisas; mas natureza especifica dos microfenömenos, Tais investigações,
admite a cvistência do tempo na
na luta contra a objeti. como não podia deixar de ser, apresentam grande interêsse
todo o sentido dessa critica apóia-se
materialista. Quan- filosófico.
vidade do tempo, contra sua interpretação
to à idéia que tcm Newton
sôbre as propriedades do tempo
Albert Einstein, criador da teoria da relatividade, sabia
e seus traços caracteristicos, a teoria kantiana os repete em perfeitamente que seus trabalhos sóbre fisica eram funda
sua linguagem filosófico-idealista. mentais para a elaboração de uma imagem cientifica do mun.
Dessa forma, Kant considera que o tempo é uno, inclu- do. Falando, certa ocasião, sôbre a história da teoria da re
sive relere-se a ele como "um objeto o tempo fixa apenas latividade, quando caracterizou seu primeiro trabalho reali
invariável:
o de partida para as mudanças, mas é
ponto zado em 1905, disse: "A novidade, nesse trabalho, não era
muda, mas algo que se en- a idéia de que o significado das transformações de Lorentz
n ã o é o próprio tempo que
contra no tempo.
**
Na Critica da razão pura, à maneira to- corrige as equações de Maxwell e afeta a essência do espa-
talmente newtoniana com a correspondente tradução para
a so e do tempo". 30 A teoria da relatividade refutou as idéias
fenõmenos
linguagem kantiana, fala-se de que "todos os po- metafisicas a respeito do tempo e do espaço absolutos., ca-
dem desaparecer; o tempo. ao contrário (como condição ge-
pazes de existir independentemente das coisas e dos proces
ral da possibilidade dos fenômenos) não podee ser elimina- sos materiais, Nela, se concebem o
newtonia- tempo e o espaço em sua
do. Kant apresenta essa concepção puramente
na como argumento em favor do caráter a priori do tempo.
indissolúvel conexão com a matéria em movimento. Tal teo-
ria pôs fim ao reconhecimento do
mais uma vez em conson ncia com o espirito repouso absoluto, quer di
Considera zer, chegou à conclusão à qual a dialética
das representações newtonianas que, embora o tempo pos jå havia chegado
antes. Einstein, em seu trabalho Sôbre a
sa existir sem que hajam coisas externas, estas são necessá- eletrodinâmica dos
corpos em movimento, ao tirar conclusões das frustradas ten-
Tias para a medida do tempo. 2
tativas para descobrir os movimentos da Terra em
relação ao
éter mecânico, e referindo-se a êsse
25. Kant, Obras, em seis tomos, t. I, págs. 151-152. hipotético "meio condu-
26. Ibidem, påg. 136. tor da luz", escreveu: "Nem na mecânica e tanpouco na
27. Ibidem, pág. 143.
28. Ibidem, pág. 136. 30. Einstein, Carta a C. Seelig de 19 de Fevereiro de 1955.
29. Ibidem, págs. 287-288.

32 33
dos fenômenos
eletrodin mica existe qualquer propriedadeabsoluto". 3' A diminuição da marcha do relógio tem sido repetida-
conceito do repouso
que corresponda ao
posteriores
mente comprovada de maneira experimental, levando em con
de Einstein e os
As investigaçöcs teóricas ta que, para caracterizar o curso do tempo, pode servir de
demonstraram que as propriedades relógio qualquer processo periódico que transcorra em con
trabalhos experimentais
do espaço, não são as dições naturais, como, por exemplo, a desintegração dos ele-
do tempo, da mesma forma que
as

invariáveis e idënticas a si
mes.
mesmas em tödas as partes
mentos radioativos, o periodo de existëncia da particula in-
das parti-
mas. Ao contrårio,
são distintas, na dependência tra-atomica instável tomado como padro de determinada du
caracteri
materiais concretos, a que ração, etc. Assim, para uma particula elementar instável
cularidades dos objetos conceito
física que o
zam. Anteriormente,
considerava-se na
o méson-pi positivo em estado de repouco o periodo de
de dependência de alguma coisa) vida é, em têrmos médios, de 2,56.10s seg: a duração de
de relatividade (no sentido
do tempo como tal. Depois, investiga- vida dos mésons que se movem com uma velocidade aproxi.
era inaplicável ao curso
demonstraram que èsse não
é o caso.
ções mais profundas mada à velocidade da luz, eleva-se em dezenas e centenas
se movem com velo.
Nos sistemas referentes à inércia, que de vêzes em comparação com sua vida em estado de repouso.
curso do tempo (o
ritmo tem-
cidades diferentes. o próprio Dessa maneira, o tempo, no sistema de cômputo relaciona-
própria unidade de
poral) mostra-se diferente, modifica a do com o méson volante, flui mais lentamente se medido com
situado num sistema que se unidades estabelecidas no sistema de cômputo relacionado
medida do tempo. Um relógio
de outro sistema em
move a uma velocidade maior que
a com a partícula em repouso.
andará mais depressa que o do se O efeito da mudança da marcha do tempo mostra pers.
que existe outro relógio,
relatividade do tempo (e do espaço) pectivas reais de manifestar-se quando das viagens côsmi-
gundo sistema. A movimento
acha-se vinculada ao caråter relativo do próprio cas do futuro prôximo,
quando sero alcançadas enormes
da matéria. velocidades. Isto pode dar lugar a fenômenos extraordinària.
Ademais., no caso citado não se trata
de mudanças es mente interessantes, em particular no que diz respeito a uma
mas de uma relativa
pecificas rekerentes ao mecanismo dos relógios, prolongaço da vida do cosmonauta em comparação
tem lugar vida dos habitantes "terráqueos", ou mais claramente,
diminuição do ritmo de todos os processos que com a
no sistema material apresentado, do qual constituem expres pode levar a uma diminuição do processo de envelhecimen-
A teoria da to dos membros da tripulaço da nave cósmica.3
são as mudanças nas indicações dos relógios.
relatividade não afirma de maneira alguma, como assevera Por outro lado, a teoria da relatividade descobriu a
mu
vam, de inicio, os seus adversários,
entre êles A. K. Timi dança das caracteristicas espaciais em dependência dos cor
riazev, que o tempo é determinado pelo relögio no sistema pos materiais. Determinou-se a redução das medidas absolu-
cm que se encontra o observador,* o que significava de tamente firmes da longitude no sentido da direção do movi
clarar que "o materialista jamais poderá estar de acôrdo mento, coisa que antes se desconhecia. Tendo explicado o
com o relativista". * O relógio não determina o tempo, mas caráter móvel e variável das relações espaço-temporais, a teo
ria da relatividade refutou, com isto, as anteriores represen-
serve apenas como um dos indices do caráter que apresenta
o curso do tempo. tações a respeito de sua invariabilidade. Desde então, o tem
po nãoé mais concebido simplesmente como a quadra na
31. Os prineipios da relatividade. Coleção de trabalhos dos qual se produzem as mudanças. Ele próprio se modifica co-
clássicos do relativismo. Leningrado, 1935, pág. 134.
32. Timiriázev, A ciëncia natural e o materialismo dialético,
34 Quem indicou pela primeira vez esta poss+bilidade de apli-
Moscou, 1925, pág. 196.
33. Tbidem. car o
efeito relativista do tempo fol Langevin em seu artigo "A
evolução dos conceitos de espaço e tempo" (1911).

34
35
movimento dos corpos materiais e
do ca
mo dependència do dos resultados obtidos pela fisica moderna, põe abaixo a ve.
ráter dos processos igualmente materiais. lha interpretação idealista-subjetiva do tempo e do espaço
Ao expor, na teoria geral da relatividade, suas
idéias kantiano, da qual se utilizavam, como j vimos, as concepções
nova luz
sõbre a natureza da gravitação, Einstein lançou newtonianas. Descoberta a mobilidade das caracteristicas es-
sôbre ofato de que as propriedades do tempo e do espaço paço-temporais, introduzido o conceito de tempo próprio,
da idéia de
se
acham condicionados pela matéria. Partindo
igualdade entre as massas inertes e as massas de gravitação,
inerente a tal ou qual processo material, a representação das
propriedades do tempo e do espaço como propriedades inva-
a teoria geral da relatividade considera o movimento das riáveis, iguais para todos os fenõmenos, e a correspondente
massas que se atraem como um movimento condicionado pela
as
concepção do tempo e do espaço como formas inatas do sis-
estrutura (curvatura) do espaço-tempo. Em compensação, tema cognoscitivo do homem aparecem claramente inconsis
déste último sua estrutura, segundo a refe-
propriedades e tentes.
rida teoria, não são independentes, mas se acham condiciona- Evisivel a incompatibilidade da teoria fisica do tempo e
das pela distribuição das massas materiais que determinam
a
do espaço - teoria da relatividade - com a concepção kan-
determinada do universoe o
curvatura do
espaço na zona tiana das referidas categorias. O próprio Einstein expressou
ritmo dos processos que nela têm lugar. O curso do tempo
categòricamente sua atitude negativa em face da interpre
moditica-se no campo gravitacional. tação kantiana. "Estou convencido de que os filósofos- dis-
diver
Os aspectos especificos do curso do tempo nas se ele exerceram perniciosa influência sôbre o desenvol-
conceito relacionado com o
sas condições concretas e o vimento do pensamento cientifico ao trasladar alguns con-
de tempo próprio para cada
caráter dessa especificação num sistema
ceitos fundamentais da esfera do campo experimental on-
sistema de cômputo (isto é, de tempo medido de se encontram sob nosso contrôle - às inacessiveis altu-
de umn
concreto dado de cômputo) exigem que, ao passar
e ras do apriorismo... Tal aconteceu, sobretudo, no que se re
modikiquem-se não ape-
sistema físico de cômputo a outro,
fere aos conceitos de espaço e tempo. Sob a pressão dos fa-
nas as coordenadas especiais, mas, também, as temporais.
tos, os fisicos se viram obrigados a tirá-los do Olimpo do
Tais transformações se efetuam segundo leis semelhantes
a

de a priori para colocá-los em seu devido lugar e torná-los


partir de um ponto de vista de princípio (transformações aproveitáveis". 35
teoria
Lorenz). O conceito de tempo próprio, baseado na Devem-se a Kant, sem dúvida, alguns méritos em face
cientifico à elucidação
da relatividade, leva o pensamento
como se manifestam da doutrina do tempo, Em certa medida, êle contribuiu para
concreta, dentro da ciência natural, de
as propriedades do tempo nas diversas coisas e nos diferen- elaborá-la, assinalando claramente o grande valor do tempo
na descrição dos fenômenos ao mostrar que todo aconteci-
tes processos.
A teoria da relatividade, na pontos de vista
qual os mento deve ser examinado, necessåriamente, em relação com
sõbre o tempo e o espaço se acham também orgânicamente o tempo, e ao observar o caráter temporal do nexo dos fe-
enlaçados com as idéias atuais sõbre campo e substäncia, mo- nomenos, a respeito do qual apresentou o problema da rela-
vimento, sõbre a interconexão entre a massa e
a energia, e ção entre a simultaneidade e a sucessão. Kant chamou a
com outras representações fisicas fundamentais, mostrou cla- atenção sôbre o nexo do tempo com a causalidade; esboçou
indissolúvel entre o tempo e o espaço, e
ramente o nexo
o fato de que um e outro se acham condicionados pelo mo- embora não a tivesse compreendido cientificamente) a dia-
lética do infinito e do finito do mundo no tempo. Também é
vimento da matéria, e pela distribuição das massas, A de- importante o fato de que Kant tivesse apresentado com todo
pendência em que a estrutura espaço-temporal se acha em
relação à matéria, dependência que se torna evidente à luz 35. Einstein, A Essência da Teoria da Relatividade.

36 37
rigor o problema do valor filosófico universal do tempo. Tu po e de espaço, ass'm como as propriedades de um e de
do isso, no entanto, foi feito a partir de uma base idealista- outro, num sentido convencional, como simples acôrdos.
subjetiva, o que levou a excluir da teoria kantiana do temnpo A essência subjetiva e idealista do neopositivismo, e a
qualquer caráter cicntifico. A dialética da natureza descober. posição que éste sustenta ante a modernaciência natural.
ta na teoria da relatividade. juntamente com outros resul. tem sido objeto de análises nas publicações filosóficas sovie-
tados obtidos pcla ciencia natural moderna, assestou um ticas dos últimos anos (trabalhos de I. S. Narski, V. V.
golpe definitivo na teoria kantiana do tempo, minou detini-o Mshevenieradze, A. I. Kornéieva, A. S. Bogomolov e ou-
tivamente sua autoridade, e, com isso, contribuiu para tros). Limitar-nos-emos a examinar algumas questões dire-
progresso da concepção filosófica do tempo. tamente relacionadas com uma tarefa concreta: a de mostrar
que carecem de base os objetivos dos neopositivas para fun-
damentar, com dados tomados à física moderna, a concepção
Fis1ca MoDERNA CoNcEPÇÃO PosITvISTA subjetivista da natureza do tempo; adiante, teremos, ainda,
2. A E A
oportunidade de voltar a tratar da crítica ao neopositivismo,
DO TEMPO
cuja atenção fixa no problema do tempo é constante.
Necessário e importante é levar em conta que. no que
A teoria da relatividade, depois de destruir o caráter concerne à concepção da natureza do tempo, assim como em
metafisico da anterior teoria do tempo, apresentou novos pro- muitas outras questões, os neopositivistas seguem de manei-
fundamen-
blemas a respeito dêste último no plano da questão ra direta os caminhos dos seus predecessores filosóficos
tal da filosofia. O idealismo subjetivo, representado pelos po- Os machistas. Já com Mach, o positivismo se afastou da in-
não deixou de lado a oportunidade de apro- terpretação kantiana do tempo e a submeteu a severa cr.-
sitivistas atuais,
a elucidação filosófica tica, com a particularidade de que, para isso, utilizou-se dos
dificuldades que apresenta
veitar as

dos aludidos problemas. Os neopositivistas, sobretudo na pri- principios da nova teoria fisica do tempo. Assim. V. Ba-
meira etapa de sua atividade, fizeram da fisica teórica uma zárov, no artigo "O Espaço e o tempo à luz do principio da
esferas de aplicação de suas concepções. Con relatividade", escreveu: "O formalismo das categorias de es-
das principais filosófico e o físico, procuravam utilizar paço e tempo, elaborado com singular rigor na teoria kan-
fundindo o aspecto
a relatividade das caracteristicas
espaço-temporais que a nova tiana do conhecimento .. . acha-se na atualidade minado em
fundamentar uma variante Suas raizes... O tempo "puro" kantiano. o tempo "absolu-
teoria acabava de destruir, para
modernizada da interpretaço subjetivista do tempo. A re- to
e verdadeiro newtoniano cederam lugar ao tempo "pró-
núncia ao caráter absoluto do tempo
ao mesmo tempo que
prio do sistema s8. A critica a Kant estende-se à elucida-
ao movimento da ção dos problemas do tempo em trabalhos posteriores, já de
à independência dêste último em relação autoria dos neopositivistas, em particular Reichenbach.
matéria se converte, na interpretação dos neopositivistas.
em

repúdio ao tempo existe indepen-


reconhecimento de que o
Ora, tal critica se
efetua
do
no
ponto especifico da con-
dentemente do sujeito cognoscente. Os neopositivistas inter- cepcão idealista-subjetiva tempo. Ao criticar Kant. os
machistas se situam, sob vários aspectos, na mesma posição
descobrimentos as novas propriedades
pretam os que provam
do mestre criticado. O machista M. Schilick, dos prin-
temporais da realidade objetiva como negação da realidade um

objetiva do tempo. Procuram apresentar a redução dos


inter. cipais
que é
fundadores do positivismo moderno, diz sem rodeios
possivel admitir como justo o núcleo da doutrina
valos do tempo e as medidas de longitude não como feno
menos condicionados pelo ponto de vista, arbitråriamente 36. A teoria da relatividade de Einstein e sua interpretação
adotado, do observador. Além disso, tomam as leis do tem- 1ilosójica.

38 39
kantiana sóbre "a subjetividade do tempo e do espaço", se-
gundo a qual um e outro, como se sabe,
constituem tão-sò- c'onalismo, variante do neopositivismo, variante que sofreu
mente "formas" de nossa intuição e não podem incorporar-se
o intluxo das
idéias pragmáticas que se acha relacionada
e

às "coisas em si".37 Considera Schilick que o tempo kantia-


com o convencionalismo, o qual, mesmo tendo surgido an
tes. (H. Poincaré), teve no
no, intuitivo, psicológico, há-de completar-se
ainda com o operacionalismo sua premissa
último, chama êle de obje- lógica. Quem deu uma interpretação estritamente operaciona-
tempo n o intuitivo, fisico. A êste
tivo, mas entende essa objetividade não no sentido de "coi lista do tempo foi o fisico e filósofo americano C. W. Bri-
mas no mesmo sentido
dgman, que ao examinar com detalhe diversos conceitos da
sas em s i - as quais refuga
in- fisica, dedicou acurada atenção à análise do conceito de
kantiano de significação geral para "diversos sentidos e tempo e å exegese da teoria da relatividade.
s em absoluto o problema
dividuos. Aqui não se apresenta Bridgman parte da tese de que todo conceito é sinôni-
da objetividade como existência à margem da experiência.
mo de uma correspondente série de "Em
Além disso, pela sua origem, o "tempo físico é resultado do operações. geral
-escreve- mediante um conceito, qualquer que seja ële,
de dados intuitivos.
tempo psicológico. visto como conjunto não referimos mais que
nos a um determinado
Tal critério da concepção do tempo é comum a todo o conjunto de
modificar em parte a
operações; o conceito é sinónimo do correspondente conjun-
positivismo. O neopositivismo, após to de
operaçöes" .1 Baseado em tal afirmativa, nega o ca-
machista do tempo com alguns novos adendos,
interpretação ráter objetivo do tempo.
em particular depois de haver desenvolvido a interpretação
A diferença de todos os conceitos
e, em geral, das teo-
operacional do mesmo, conservou a explicação subjetivista. rias da ciência moderna em particular e antes de tudo
Assim, H. Margenau admite não apenas o tempo da per da teoria da relatividade a respeito dos conceitos e teo-
cepção psicológica consciência temporal, tempo na expe rias da ciência clássica. pode ser
riência direta") e "o tempo da teoria fisica determinado pe- percebida no càráter ope-
racional de uns outras. E levar
los axiomas da estrutura e pela escolha especial do relógio".
80 e
preciso em conta que, na
ciência moderna, uma série de conceitos, entre êles o do tem-
R. Carnap refere-se às questões ligadas ao tempo, ao lado po, adquiriram caráter mais concreto, uma
das que concernem aos números, ao espaço, às relações entre mais ampla, um fundamento
aplicação prática
experimental mais sólido. Mas
e o fisico, etc, englobando-as tõdas no número das
psiquico não é a isso que se refere
o
Bridgman.
que, segundo escreveu, "constituemsimples pseudo-questões Do seu ponto de vista, tudo
quanto se possa dizer a
sobre objetos, quer
os dizer, questões que, falsamente for- respeito do tempo, reduz-se à descrição das operações com
motivo consideradas como relativas aos que se o mede. "A nosso ver diz
muladas, são por êste
de tempo se acha determinado
-
Bridgman- o conceito
realidade dizem respeito às proposições,
objetos, quando na pelas operações com que ëste
aos enunciados, às teorias e, desse modo, pelo seu estilo, se
se mede" Partindo desse critério, Bridgman interpreta a
inserem, na verdade no rol das questões lógicas",
40 seu modo a teoria
especial da relatividade, cujo signikicado
Os positivistas dão sua interpretação do tempo segun- cientifico procura reduzir, indevidamente, ao método opera-
do a interpretação idealista - comum a todos êles da cional, sem discutir sequer o problema de quais são as no-
teoria da relatividade. Examinemos nesse sentido, o opera- Vas propriedades temporais do universo que a teoria de
Einstein contribuiu para descobrir.
37. M. Schilick, O tempo e o espaço na fisica moderna. Cabe dizer que Bridgman, em geral, não brilha pela ori
38. Ibidem. ginalidade ao examinar o conceito de tempo, assim como
39. H. Margenau, Can Time Flow Backwards?.
40. R. Carnap, The Logical Syntar of Language, Paterson, New 41. P.W. Bridman, The Log.c of Modern Physicas, N. Y. 1958.
Jersey, 1959. 42. Ibidem.

40 41
conccitos. Já Bogdánov insistia em

quando trata de outros


(rede espa. O operacionalismo como filosofia começa onde um pro-
cspaço-femporais
de coordenadas cedimento fisico análogo, sumamente corriqueiro, eleva-se ao
sistemas
que instrumen.
do tempo ) n a o Sao mais
as

cial" c "escada
de tipo c funçao
plenamente determina. papel de explicação filosófica, declarando-se que se constitui
tos dispositivos
ou o único procedimento possivel de definir o fenômeno apre-
dos", 4
falso sentado. Além disso, faz-se caso omisso de que as mesmas
Não é dificil perccber o caminho tortuoso e que

os partidarios do operacionalismo, caminho operações de medição não são arbitrárias. mas que se ba-
traçar seiam nas propriedades objetivas do objeto que se mede. Em
procuram suas posições à teoria da rela-
o qual pretendem ligar particular, o caráter relativo das operações de medição vin
teoria da relatividade, da mesma
com
cvidente que a
tividade. E tisica, inclui em si determinados
culadas com o tempo (relatividade das medidas em escala do
maneira que tõda teoria tempo se acha determinado pelo fato de que as proprieda-
relacionados com os processos de medição das
principios des deste último são relativas, e não o inverso. Os partidá
magnitudes estuda, entra elas a do temp0. Se
fisicas que rios do operacionalismo, que emprestam caráter absoluto a
trabalhos de Einstein, em particular sua pri-
examinamos os alguns aspectos do processo da investigação fisica (em par-
meira obra. fundamental,
a respeito da teoria da relativida. ticular, da medição), também examinam a partir desta posição
eletrodin mica dos corpos em movimento»
dade Sóbre a unilateral e, por conseguinte, errônea, a teoria da relativi-
néles uma detinição do tempo como tal.
não encontraremos dade, procedendo segundo a velha receita do pensamento
se introduz como fator de des-
Nas obras aludidas, o tempo idealista-metafísico, que consiste em dar vulto e prioridade a
de sua medição, Inicia Einstein a
crição dos procedimentos o que se deve
um dos aspectos do conhecimento.
do seu trabalho, explicando
parte cinemática Atuando em nome da teoria da relatividade e na quali-
ao que tigura na fisica pa-
entender por tempo, reterindo-se dade de seus admiradores, os partidários do operacionalis-
ra descrever o
movimento de um ponto material, qualquer mo (e do convencionalismo) na realidade extirpam o signi-
ésse problema em plano pura-
que seja. Após apresentar ficado cognoscitivo da referida teoria, revelando, a respeito
sua solução ao problema da simultaneida-
mente fisico, liga dessa teoria, vários importantissimos detalhes objetivos do
Einstein descobre seu
de. Investigando a simultaneidade, tempo e do espaço, que existem independentemente de to-
caráter relativo, e chega à seguinte definição: da sorte de convenções, axiomas e maneiras de medição.
"O tempo" de um acontecimento é a indicação, simultä- Faz-se necessário assinalar, além disso, que a teoria da r e
nea ao acontecimento, de um relógio que se encontra no lu- latividade não se encontra ligada aos métodos de medição,
gar do acontecimento
e que marcha sincronizadamente com novos do ponto de vista de um principio, dos segmentos tem-
um determinado relógio, com a particularidade de que êste poraise espaciais. Está condicionada por novos fatos que
terá de ser sempre o mesmo em tõdas as determinações do fizeram sentir a necessidade de modificar as representações
tempo". 44 F'sicas em seu conjunto, incluidas, em primeiro lugar, as re-
Cabe admitir que o texto podia limitar-se ao que se re presentações espaçco-temporais. Einstein de modo algum di-
fere do ponto de vista das tarefas fisicas concretas. Mas vinizava, ou considerava absolutos, os instrumentos ou as ope-
rações de medição, fato que pode ser provado através de sua
pretender ver nêle algum operacionalismo, é, evidentemente,
falso. conhecida polêmica com N. Bohr sôbre as questões da me
cânica quântica.
43. A. Bogdánov, O principio da relatividade do ponto de vis- Na verdade, conclui-se que os positivistas estendem a
ta organizativo,
44. O principio da relatividade. Coleção de trabalhos dos clás-
mão a todos aquêles que se inclinam a negar que a teoria da
relatividade tenha qualquer valor para a formação da nova
sicos do relativismo, págs. 137-138. concepção do tempo, considerando-a apenas na qualidade de

42 43
aplicada. Seme "inferir" da
tcoria rigorosamente de cômputo. puramente na teoria relatividade a
interpretação subjeti-
neotomistas, os quais decla-
lhante afirmação foi feita pelos vista do tempo.
levar em conta os resultados da Prova dessa inconsistencia pode ser encontrada no
Taram que é possivel não exa-
examinar as questões referentes à me do próprio conteúdo da teoria da relatividade e
teoria da relatividade a o de sua
pois, como e s c r e - aplicação. Ficou dito, acima, que essa teoria explica a de-
essencia do tempo c de suas propriedades,
essa tcoria não tra
Teu o neotomista D. Nys, "na realidade, t s pendencia em que se acha a estrutura
do movimento dos sistemas materiais espaço/tempo
O abade Moreux em face
ta do tempo cm si. mas
de sua medida. e à distribuição das
Einstein tudo fêz para re-
em cujo livro Para compreender
massas que gravitam, e não em face de
tentou demonstrar consciência alguma.
da relatividade A relatividade das caracteristicas
duzir a zero a teoria referida teoria continua válida a idéia espaço-temporais e a varia-
que também à 1z da bilidade das medidas temporais e
absoluto, vaz o e imóvel, pois o único
espaciais descobertas pela
teoria da relatividade possuem caráter
de que existe o tempo
sòmente a medição do tempo. Nou- dicionadas pelo movimento objetivo dos ontológico, esto con-
relativo, segundo ele, é corpos materiais e
ele de Einstein no esquema
teoria não dependem do arbitrio do indivíduo. O
traspalavras: inseriu a
conceito de obser-
newtoniano. Negando categòricamente que as idéias da teoria vador, que figura na exposição da teoria da
relatividade, cons-
ser valiosas
uma penetraç o mais titui, realmente, uma designação
da relatividade possam para
Moreux manifestou-se de
personificada de determi-
nado sistema de cômputo. quer dizer, de um sistema mate-
natureza das coisas,
profunda na
rial com o qual se acha relacionada e em
teoria desempenha ùnica
acordo em admitir que a relerida face do qual transS
artiticial de caráter convencio- corre o movimento que se examina. O efeito relativista
mente o papel de construção do
é possível efetuar determinados cálculos.
40
tempo se dá independentemente do fato de que o observador
nal, com a qual esteje ou não presente. Quando no sistema material de
atualmente os neotomistas costumam referir- cômpu-
E
certo que
afirmando que "na fisica mate- to formado por um méson
volante, o tempo se torna mais
se à teoria da relatividade
do principio lento, isso não acontece por ter sido introduzido na
matica, a teoria da relatividade e
a
formulação certo
particula
do indeterminismo destacaram o papel que o naturalista principio espiritual, mas em virtude das leis da própria
natureza. O mesmo ocorre com a mudança de ritmo no curso
desempenha formação
na de suas que se tor.
teorias, com o
do tempo em dependência de tal ou
nou evidente que estas são mais subjetivistas do que se acre qual distribuição das
massas.
ditava antes".47 Dessa maneira. procurando utilizar a teoria Para
da relatividade como segundo êles prova do caráter impugnar as pretensões
neopositivistas no sentido
de que sua concepção da natureza do tempo tem seu comë
subjetivista das teorias da ciência natural, os atuais seguido-
Tes do tomismo, por sua vez, estendem a mão aos neopositi-
fo na
teoria da relatividade de Einstein é essencial ressaltar
o seguinte: existe um fato histórico que, no nosso modo de
vistas. de que não é a teoria
ver, constitui uma prova
da relatividade dita
convincente
que aos positivistas sua interpretaçao
subjetivista do tempo, mas, ao contrário, são eles que impõem
Várias são as cireunstâncias que põem em evidencia até critério idealista em tal interpretação. O referido fato con-
que ponto é inconsistente o empenho dos neopositivistas de siste em que os partidários do positivismo, mesmo antes da
teoria da relatividade, sustentavam a doutrina idealista sub-
45. D. Nys, La notion du temps, pág. 73. jetiva sôbre a essência do tempo. Tal doutrina continha os
46. A. J. McNicholl, The Contemporary Challenge to the Tra- principios fundamentais de suas concepções anteriores
ditional Ideal of Science, principios que mais tarde os neopositivistas defenderiam,
47. Th. Moreau, Pour compendre Einstein, Paris, 1922. dando como fonte dos mesmos a teoria da relatividade.

44 45
Gramática da ciéncia, escri interpretação neopositivista da
Pearson, na sua
da cujo desenvolvimento refuta a
Assim, K. afasta-se con-

século passado, referida categoria. Neste ponto, é de singular importäncia


década do do tem.
(a na última inata e aprioristica
que existe entre
as leis da conservação
kantiana sôbre a
natureza
o tempo não explicar a ligação
as etapas fundamentais do
cepio o
recem-nascido,
movimento ma-
alirma que para acumulando as que caracterizam
po quando
vão terial e as propriedades do tempo e do espaço. Essa liga-
à medida que se desenvolve a me-
marcos da mecánica clássica
apenas
existe quc se
são, estabelecida como um dos
c e que
imediatas 4s
sensoriais
percepção". também na mecånica quan-
impressões categoria da Noether. 1918), confirma-se
o tempo
como
dos positivis.
(E.
mória, e
também
vista semelhante
ao tica e na teoria do campo. Os teoremas de Noether demons
ponto de tenmpo "concre. tram que a homogeneidade do tempo está
Pearson sustenta o relacionada com a
Também éle diterencia
do século XX, a particularidade lei da conservação da quantidade de energia, enquanto que
"ideal, abstrato, com
tas
tcmpo pelo primeiro en-
to, real" c o
do primeiro, Mas sua isotropia relaciona-se com a lei da conservação do mo-
infere o segundo com a percepção,
de que relacionada vimento da quantidade de movimento.
uma categoria
tende sòmente não esta nas coisas,
cons- O nexo orgânico com a lei fisica da conservação da
assinalando que o tempo
concreto 19

nosso
modo de
perceb -las". energia ficou indiscutivelmente estabelecida a objetividade
o
sóbre a filosofia do
da referida lei em diferentes setores do mundo
tituindo apenas

Tomemos respeito os Ensaios


a éste
de Mach, que apareceu
em
material
constitui sério argumento em favor da objetividade do tempo,
marxismo, obra
sob influencia
de Einstein só era argumento êste fornecido pela fisica moderna.
teoria da relatividade
1907, quando a bastante
reduzido de fisicos e, de No capitulo seguinte nos deteremos ainda no exame do
um circulo
conhecida por examinada sob o
era ainda
aspecto
caráter da ligação que se då entre a lei da conservação da
um modo geral, não claro o ponto de
citada, apresenta-se energia e o tempo.
filosófico. Na obra
precisamente na variante
vista subjetivista
sôbre o tempo,
A energética contemporânea
Assim, no artigo
positivista. P. luskévich es-
do ponto de vista do
empiro-simbolismo, 3. A OsjETIVIDADE Do TEMPo E A FiLosoFlA BErGs0-
entre as le's do tempo e do espaço e NIANA
tabelece uma analogia
considerando tanto uma como ou.
as leis do jôgo de xadrez, 0
simbólicas.
tras rigorosamente
conclui-se que não é possível O desenvolvimento das ciências naturais, ao destacar o
Do que ficou dito acima,
responsável pela que o tempo desempenha na atual visão cien-
considerar a teoria da
relatividade como

Pelo contrá
mportante papel
de tempo, do obriga
interpretação idealista
da categoria
resultados da ciência na-
titica mundo, a tratar-se o
problema do tempo con-
forme as mais diversas correntes da filosofia. A filosofia ir-
rio, tal categoria, ao lado de
outros

ao acervo de argumentos em favor das racionalista, sobretudo, procura utilizar de maneira bastante
tural, acrescenta-se
a natureza do tempo com que ativa a categoria do tempo, submetendo-a a seus fins. A in-
concepções materialistas sôbre
conta a ciência moderna. terpretação mistica desta categoria acha-se bastante difun-
dida na filosofia burguesa do nosso século. Mas os resul
O caráter objetivo do tempo fica demonstrado por todo tados que no terreno dos fatos obtêm as ciÁncias naturais,
o conjunto de descobrimentos e resultados da fisica atual, no seu continuo progresso, refutam tais concepções misticas
48. K. Pearsons, Gramática da ciência, São Petersburgo, 1911. que especulam com uma das noções fundamentais da ciën-
49. Ibidem. cia.
50 Veja-se Ensaios sóbre a filosofia do marrismo. Coleção Nesse sentido é tipica a teoria de Bergson, represen
filosófica, Moscou, 1910. tante francês da filosofia irracionalista, A interpretação que
46 47
têm influído na filoso-
Bergson dá do tempo é das que mais uma "duraçáo própria do mundo exterior únicamente para
conta que Bergson, em
ia burgucsa atual. Deve-se levar em declarar que é indemonstrável.
scus trabalhos, dedicou mais do que qualquer outro atenção Em tudo isso, falando em tërmos gerais, é impossivel
ao problema do tempo, Não obstante isso,
é inútil esforçar não descobrir idéias até certo ponto já conhecidas pela teo-
se por ver em suas obras um desejo
real de orientar-se ra- ria kantiana do tempo. Recordemos que Kant concebia o
do tem-
cionalmente cm face da esência e das propriedades tempo como forma de um sentido puramente interno, como
processo de clara representação intuitiva interna, em relação
po.
contra o tempo, da ma- ao qual fala da influëncia do tempo como mais universal.
Bergson ergueu-se decididamente
neira como éste se aprescnta na ciência. Qualitica o tempo mais ampla que a do espaço; ao tempo, diz Kant, acham-se
camuflado como tem- necessàriamente subordinados todos os fenômenos em ge-
de espacializado". chama-o de "espaço
tempo da ciencia na- ral", o tempo "é a condiç o imediata dos fenômenos internos
po, etc. Ao tempo espacializado
-

verdadei-
tural contrapõe o filósofo francês seu "tempo" (de nossa alma) e com isso, indiretamente, é condição dos
com a duração pura, que cons- fenômenos externos," Não percebemos aqui uma clara res-
ro. "real". Este se relaciona
titui a essência do tempo; ou mais
exatamente: o tempo sonância da nota que na filosofia de Bergson se transformou
desta
constitui a expressão da duração, pois o signiticado em forte melodia?

última, segundo Bergson, não se esgota


com o tato de ser Mas, segundo o filósofo francês, o tempo é chamado a
forma um dos traços ca- desempenhar outro papel: contrapõe-se a todas as demais
a essencia do tempo. A duração
racteristicos e, indiscutìvelmente, essenciais do tempo, categorias. No tempo vê Bergson a chave dos problemas
mas

na filosofia de Bergson sofre ela uma adulteração.


filosóficos mais importantes". Separando-se do idealismo
como continuidade da tradicional e, diga-se de passagem, do materialismo, declara
Bergson entende a duração pura
vida interior do homem. O indivíduo aparece, de fato, como que a realidade não é a matéria, nem a idéia como tal, mas
a duração. Para êle, a duração não é simplesmente real;
possuído da duração e, em conseqüëncia,
como o
o único
único portador do tempo. Por outro lado, o tempo
do mundo apresenta-se como encarnação da própria realidade, que se
exterior forma "certa participação sentida, vivida, do
mundo reduz àquela. Ora, como a duração. do ponto de vista de
material que nos rodeia, nesta duração eterna",
i
na dura- Bergson, é algo subjetivo, imanente à consciência, o resul-
em seu livro
tado de tôda a teoria consiste em subjetivizar a realidade.
ção de nossa vida interior, atirma Bergson Isto é o que deseja Bergson. "Queremos- diz - esta
idéias de suas
Duração e simultaneidade, onde resume as
belecer o principio de que é impossivel falar de uma realida-
obras anteriores. .. A natureza dessa participação-le
de que
mos mais adiante é desconhecida; poderia resultar de dura, sem nela introduzir a consciência". 56 Argu-
uma propriedade que teriam as coisas exteriores
de manifes- mentando que o conceito de tempo se acha necessàriamente
tar-se em nossa duração, sem perdurar elas mesmas, enquan- ligado à representação do que sucede "depois e"antes.
declara que é impossível representar-se a união entre o
to agem sóbre nós".52 Supondo, inclusive, que o mundo que
antes eo depois", ou imaginá-la. sem introduzir a memó
nos rodeia "dure", diz Bergson, não de ponto
dispomos de ria, ou seja, noutras palavras, sem um elemento de memória.
referência algum para poder penetrar no conhecimento de
tal duração, 3 Assim, pois, Bergson enuncia a conjectura de
e. por conseguinte, de consciência... Portanto, a duração
implica a consciência; e pomos consciência no fundo das

51. Bergson, Duração e simultaneidade. 54. Kant, Obras, em seis tomos, t. III, pág. 138.
52. Ibidem. 55. Bergson, Duração e simultaneidade, pág. 6.
53. Tbidem, 56. Tbidem, pág. 42.

48 49
elas atribuimos um fato que
coisas pclo lato nmesmo de que a seu próprio objeto formal a matéria metafisica, esta matéria
dura",3
só pode ser o tempo"."
Bergson a realidade subje- se
Ve-se portanto, quc em Semelhante afirmação é mais reveladora do que dez
Mas, por u t r a parte, aqui, a pró- censuras. Vimos o que valem os ataques de Bergson contra
tiviza, se espintualiza. mundo exterior, e o
ao fisica.
pria consciencia
objetiviza, passa
sc
do tempo, adquire um ca-
a
de
E evidente filósofo toma o tempo como base
que o
idealista
idealismo subjetivo, na concepção
lalsilica o tempo para, com
sua
filosofia precisamente porque tal categoria
éuma das mais importantes da ciência experimental e. por
ráter idealista objetivo. Bergson seu processo de de.
o mundo e o
sua ajuda, falsificar todo interpretar o tempo num sentido idealista, é possivel intro-
senvolimento.
aflora a hos- duzir o
idealismo filosófico no próprio âmago da ciência. Em
substituição a antiga filosofia idealista, que simplesmente
Através de tôda a concepção de Bergson,
contra a fisica.
natural, em particular
tilidade c o n t r a a ciencia
viu-se obrigado a falar dos "ataques
abstraía o tempo na esfera das verdades eternas absolutas
O neokantiano Rickert
fisicas e a convidá-lo, como
e disso deserve de exemplo bastante convincente o idealismo
de Bergson contra as ciências
da vida", a "interromper
a luta absoluto Hegel), Bergson cria uma filosofia idealista uti-
lizando o próprio tempo e lhe atribuindo valor absoluto. O
também a outros "filósofos da
teria de ciencia imperfeita tempo possui realmente um caráter tão universal como não
contra a fisica no que esta

Por outra parte,constitui traço caracteris- o possuem muitos outros conceitos da ciência experimental.
realidade.. ."58
fato de que êste, ao mesmo Foi esta circunstância que permitiu a Bergson tentar levar
tico da filosofia de Bergson
o

manikesta contra a ciëncia, contra a investi- a cabo, valendo-se do


tempo, sua irrupção idealista no cam-
tempo que se com os conceitos
fisico-matemática, procura especular po das verdades cientificas.
gação mesmos. E sumamente significativo que tal
fundamentais da ciencia, tergiversando com os
irrupção tivesse fra-
dos mais ardorosos cassado em particular devido à teoria da relatividade. Antes
Disso fala com bastante eloqüência
um

admiradores de Bergson, Jacques Maritain, do surgimento desta, o tempo como tal não era
objeto da
A metafisica. quer dizer, a
filosofia idealista, transcen- investigação pròpriamente fisica. Mas com Einstein, na ciên-
encontrou-se ante a ciência cia concreta conduziu a referida
dente ao tempo, afirma Maritain, investigação. donde ficou
ao seu método tísico-matemá- patente tôda a inconstância das elocubrações especulativas
que criou um saber- graças
relacionado sômente com a mensurável perceptibili-
de Bergson.
tico
dos fenômenos. Se a metafísica tem de con- Ao contrapor "seu" tempo ao
dade sensorial tempo da fisica, Bergson,
fenômenos, que formou sua doutrina nos últimos anos do século
tinuar autônoma em face à ciência que estudo os passado.
forçosamente receberá sério golpe da análise experimental partia das representações então predominantes na fisica a
e matemática da realidade. Não resta mais remédio senão respeito das propriedadas do tempo. Mesmo censurando
procurar fundamentar a metafisica não à margem
do mundo Kant, por haver considerado o tempo como um meio homo
sensorial matemático, mas na profundidade do mesmo, no gêneo (em consonância com as idéias de Newton), Berg-
son parte, êle
seio do conhecimento fisico-matemático da natureza. "A par prôprio e de maneira indiscutivel, da concep.
ção newtoniana do tempo no universo: um
ticularidade do gênio de Bergson escreve Maritain tempo homoge-
neo, de curso uniforme, invariável em tôdas as suas
consiste em ter visto que se a ciência que estuda os feno
dades. G. Politzer assinalou, com exatidão, proprie
menos desenvolve e guarda ela própria em sua ordem e em que Bergson tem
59. J. Maritain, De Bergson à Thomas d'Aquin, Paris, 1947,
57. Ibidem, págs. 42, 43. pag. 29.
58. H. Rickert, A filosofia da vida. 60. Bergson. Obras, t. II.

50 51
kantiano com
manifestando que náo compartilhava em absoluto de suas
combinação do principio
diante de si uma
flui unifor idéas acêrca do tempo.""
a qual o tempo
a concepção de Newton,
segundo costuma-
A atitude de Bergson em face da teoria da relatividade
inspira, como
se
ininitamente, concepPsão que c sua polêmica com Einstein deixara claro o caráter ant
do relógio de areia."
me c

va repetir Bergson,
na imagem
do tempo cientifico da doutrina bergsoniana sôbre o
tempo, e
provo-
incompativel a concepção cara uma reação negativa entre todos aqules que cultivä-
Com isso, resulta Compreendia-o
muito
teoria da
realidade.
proporcionada pela sua
vam as ciéncias naturais, Os fisicos não apoiaram Bergson
demonstra eloquentemente
bem o próprio filósofo.
e o
náo
repelindo seu ponto de vista: mais ainda, assinalaram que
claro, se

idéias de Einstein. Bergson, Bergson havia interpretado falsamente a teoria da relativi-


posição ante a s Procurava expli-
teoria einsteiniana. dade e havia tirado dela conclusöes inaceitáveis no plano
imitava a rechaçar a idealista. A
uma interpretaç o
cá-la a seu modo,
dando-lhe
simultancidade. A cientifico, Sua argumentação foi considerada "absolutamente
scu livro Duraç o e erronea e carente de importància. e sua solução "incompe
Isso consagrou o afirmava Bergson
da relatividadc
-

tente". Tal foi o critério unânime de vários fisicos, entre


esséncia da teoria visão real e as
visðcs
os quais figuravam Jean Becquerel, Louis de Broglie e ou
baseia-se em
mesmo
pôr num
a plano
Virtuais".
tros. Essa a sentença dos fisicos contra a doutrina idea
escreve: "Berg- lista do tempo. defendida por Bergson.
O bergoniano suíço Virieux-Reymond de
com a teoria da relatividade
son sentiu-se impressionado
teoria
de que se fala na
Einstein. Se os múltiplos tempos
realmente. fica destruida a
Os resultados obtidos pela ciência nos diversos setores
da relatividade se distinguem, de-
única e absoluta. Mas Bergson do conhecimento da natureza proporcionam provas convin-
concepçäo da duração
monstrou afirma mais adiante éste autor apologeta centes do caráter anticientifico das concepções idealistas de
observadores.
indicar os diversos Bergson a respeito do tempo. Cada vez se descobrem novos
que os tempos que podem transmissivel ape.
são, na realidade, um só e
único Tempo, e novos aspectos da objetividade do tempo como forma do
nas em diversos
sistemas de cômputo, que são ficticios.. ser da matéria em seus diversos niveis.
seme-
infundada e inadequada E tipico da filosofia de Bergson relacionar o tempo ex
Já falamos de como e r a relatividade. As elocubra
hante interpretação da teoria da clusivamente com a natureza viva e negar categòricamente
contradizem a tal ponto as sua existência na natureza inerte. O bergsoniano inglês. Carr.
ções metafisicas do bergsonismo
teoria, que se tornou
inevi-
conclusoes básicas da referida falando da "diferença entre coisa material e o ser vivo
Einstein, o que real-
tável o choque aberto entre Bergson insistia em que, do ponto de vista bergsoniano. "o tempo
e

Sociedade Francesa de Filosofia. não tem qualquer relação com a primeira e. em conseqüência.
mente a c o n t e c e u no seio da
ao expor na presença
do fun-
em abril de 1922,. Bergson.
para ela não existe, enquanto que para o segundo o tempo
conceito de duração. com- é tudo".6 E Carr acrescentava: "O tempo, tal como o com-
dador da teoria da relatividade, o
certo tempo universal, tentou preende a ciencia, não entra como elemento real na existn-
preendida em seu limite como
sustentar a idéia de que "não
existe antagonismo entre tal Cia das coisas mater'ais".67
Einstein, na
critério e concepção relativista do tempo".
a
64. Nordman, Einstein en Paris.
resposta, replicou breve,
mas enèrgicamente a Bergson.
sua 65. F. Heidsieck, Henri Bergson et la notion d'espace, Paris
1937.
61. G. Politzer Le bergsonisme. Une mystification philosophi- 66 H. W. Carr, A filosofia de Bergson em sua ezposição po-
que, Paris, 1947. pular.
62. Bergson, Duração e simultaneidade. 67. 1bidem.
nalure du temps.
63. A. Virieux-Raymond, Reflerion sur la

53
52
Mas nao è isso o que diz a ciéncia. Vejamos, cm rela e do tório. Mais tarde, alcançaria grande difusio ométodo
sao ao fato, alguns resultados da gcologia moderna, o pro- do potàssio-argón, com o qual se utiliza o acumulo do is6
blema da determinaçào do tempo geológico absoluto, como Ar", tormado por desintegração
topo radiogénico do argón
se denomina em geologia a idade das rochas e dos minerais
do isótopo radioativo do potássio K", Este método mais
e

das camadas geo-


quc as compðcm. Nos métodos cmpregados para calcular prático, já que permite determinar a idade
a idade gcologiea. fica patente que se parte da concepção iógicas mediante a análise dos minerais oriundos do potássio,
do tempo na qualidade de caracteristica objetiva da na natureza circundante com mais freqüên-
exis que se encontram
cia do que os minerais de uränio e tório. Na elaboração
tência dos objctos geológicos, da natureza inerte.
Aesséncia da questão cstriba-se no seguinte: Dado do método do potássI0-argón tiveram papel preponderante
que os clementos radioativos se
caracterizam por possuir uma alguns c1entistas soviéticos, sobretudo A. A. Bliakov e E. K
velocidade constante de desintegração (um determinado pe- Guerling.
riodo de semidesintegração ). já desde começos do século do c.entista
Até bem pouco tempo, graças aos trabalhos
atual começaram a ser vislumbradas (Pierre Curie. E. Rther- americano W, F. Libbey, elaborou-se o niétodo do carbono
ford. V. 1. Vernadski) as possibilidades potenciais da ra- baseado na utilização do elemento radioativo C'', de vida
relativamcnte breve. Tendo em conta que o carbono radioa-
dioatividade para o cálculo da idade
para classificar cronòlogicamente a formação das rochas que
dos objetos naturais tivo, depois da morte das plantas e dos animais que o con
constituem a crosta terrestre. Mas sömente nos decênios se- tém, nao volta a se acumular, desintegrando-se, coteja-se a
guintes, a partir dos anos quarenta do nosso século, é que concentração de radiocarbono da amostra que estå sendo
sC tornaram seguros entrando para ciencia, os métodos investigada com sua atividade esp2cilico no momento pre-
radioativos para determinar a idade geológica, o que permi- sente (com uma correção, que é feita pelo acréscimo com
tiu conhecer a idade das partes de que consta a crosta do plcmentar de C'", devida aos desperdicios da moderna produ-
nosso planêta. ção industrial). Existem, ainda, outros métodos radiogeocro
A geocronologia apóia-sc na análise dos elementos quí
nológicos.
micos radioativos que entram na composição dos minerais, A radiogeocronologia é de grande valor prático. Segun-
Utiliza o cálculo da correlação, nas amostras que são inves do expressão do geólogo americano R. W. Farbridge. ela
tigadas, entre os elementos principais e
seus compostos. en- permitiu "sistematizar e pontualizar o grande fator tempo
tre os isótopos radioativos e os radiogênicos. Levando em
na história da crosta terrestre"." Em substituição ao méto-
conta que o acúmulo do produto descendente dos elementos
do de sedimentaçäo, pouco efetivo. para determinar a idade
principais se efetua a uma velocidade que se pode determi- absoluta-método que se baseia no estudo das rochas sedi
nar pelo periodo de semidesintegração. calcula-se o tempo mentárias, levando-se em conta a velocidade de sua sedi-
transcorrido desde momento da cristalização dos minerais
o
mentação- e completando
de maneira essencial os métodos
que se investigam e entram na composição de determinadas para determinar a idade geológica relativa, em particular o
Tochas. até o momento em que as amostras foram recolhidas. método paleontológico, os exames radiológicos para deter
O resultado é o tempo da idade dos minerais e. correspon-
elas contêm.
minar a idade dos objetos geológicos permitem resolver os
dentemente. o daquilo que
das rochas e problemas relacionados com a descoberta e estimativa prévia
Para tais medições, empregam-se diversos métodos." Um das jazidas minerais, A criação. em 1960, da escala geocro
dos mais importantes é o método do chumbo. através do nológica da era absoluta, obra dos cientistas soviéticos. re-
qual se utiliza a formação do chumbo radiogênico do urânio
69. W. F. Libbey, O radiocarbon0, relógio alómico.
70. Questões de geocronologia, Moseou, 1963.
68. I. E. Starik. Geocronologia nuclear
54
conhecimento da No
presenta unm passo inportantissimo para
o mesmo plano, oferccem da mesma maneira grande
calcular a idade
natureza, Os métodos indicados, permitem interêsse filosófico alguns resultados da biologia. Bergson
mánima da Tera, o que é de
s u m a in1port ncia cmpenhou-se com afinco na utilização da ciência biológica.
1minima c a
método do
O
radiocarbono encontra am- Como já vimos, contrapunha ële a natureza viva à inerte,
a cosmogonia, idade dos irracional.
aquela portadora do impulso vital, do principio
para fixar a
e permite
pla aplicaçio n a arqucologia humanidade. portadora do tempo. Do ponto de vista bergsoniano, o tempo
cultura material da
e s t i g i o s da constitui todo o sentido da cxistência do ser vivo, é a pró
mencionada metodologia fisico-qui
a
parte, berg-
Por outra gcologia tem pria existëncia de sua vida. "A vida escreveu o

parânetro temporal
na
determinar o relacionar soniano Carr - como experiència real, como realidade inter
mica para
O fato de
Cxtraordin ria importància filosófica, da n a t u r e z a na e, ainda, como a mais real que conhecemos em seu autën-
imanentes aos corpos
o tempo com processos
moderna reconhece
sem
thco aspecto, não é outra coisa sen o o tempo.'" Além disso,
natural
ciencia
precisamente a o principio espiritual,
in-
inerte. prova que vincula
questão nao
se res- o tempo se
A
discutir o caråter objetivo do tempo. cronómetros, se
terno, que distingue de modo
radical, do ponto de vista
através de
apenas ao tato de que. dos elementos bergsoniano, o vivo do inerte.
tringe radioativo
união
utiliza o proresso
de transformação como uma multi- Não s e falou, nem se pode falar. de qualquer
geológic aparece
filosofia irracionalista de Berg-
quimicos, em que o corpo tempo
t r a n s c o r r i d o des-
auténtica entre e a
a biologia
relógios que
marcam o
que son. Na realidade, Bergson e n t r o u em contato a corren- com
plicidade de
mostrando
Vai além, n a biologia, c o r r e n t e que
foi relu-
de o momento de s u a formação. algo que cons- te vitalista, anticientifica,
se
como
mede é tomado
tada pelas atuais conquistas da biologia, ciëncia que penetrou
próprio tempo que geológicas,
lormações materiais da vida. As no-
o
orgânica das
característica homem. profundamente nos fundamentos
titui uma em relação a o vissimas investigações sôbre a
matéria viva colocaram em
é mais antigo não sòmente vida, mesmo a
misticas sõbre
algo que a toda forma de relêvo a total inconsistência das especulações
inclusive c m relaç+o um valor
mas
fabricados a do tempo. Tais investigações possuem
natureza
ais primitiva,
mecanismos de relojoaria filosófico essencial para fundamentar
a concepção materia-
Freqüentemente,
os habitual do dos objetivos dire-
que, na
representação
do lista do tempo, e isso independentemente
homem,
mecanismos
representação
relacionados c o m a critica da concepção bergsonia-
pelo constituem
uma
tamente
homem
contemporânco,

o tempo
como caracter stica na do mesmo.
impedem-nos
de imaginar Em semelhante re-
Reterindo-nos às investigações söbre a problemática que.
tempo.
de "os relógios biológicos".
os processos.
de todos aspecto denominou-se
radical e
interna
freqüência sob o
nos últimos anos,
tempo aparece
com
os aconte-
sob tal denominação, as investigações, desen-
presentação, o
de algo a respeito do qual Agrupam-se, nos últimos trinta
fenômeno
externo,
externa. Os fatos exa-
volvidas com especial intensidade sòmente
de de m a n e i r a têm os organismos
apresentam natureza do consagradas à faculdade que
cimentos se verdadeira anos, com ritmos diur-
avaliar no
a
animais para medir o tempo,
permitem e
minados nos
que acontecem plantas dos processos vitais.
processos
das estações e anualmente,
nos próprios todo
fenõmeno nos, quando soviéticos
T?

tempo plasmado Vemos mais c l a r a m e n t e que investigadores tanto


trabalhos dos
um re- Graças aos

mundo objetivo.
constituindo
marcha, em sua erposição p o
e registra
sua
p r o c e s s o s que W. Carr, A filosofia de Bergs0n
plasma o tempo geológico,
com os
radical dee
71. H.
lógio sui generis. O corpo
tcmpo sob
torma piular. mudanças periódicas das funções
Estudo erperimental das
a
no 72. sob a direçãc de
verificam, aparece a represen- Coleção publicada
néle se
se faz mais profunda Jisiológicas n o organismo.
com o que tempo com
Moscou, 1949.
sua
existência,
sôbre a relação do K. M. Bikov,
dialética
tação
materialista
57
movimento.

matéria em
a

56
loram descobertos numcrosos fatos
de outros paises ", foi observado inclusive nos primitivos organismos unicelu
como cni
determinado regime
ritmo dos processos blologicos lares. Em linhas gerais, os especialistas em relógiosbioló
sóbre o
abarcam os aspectos
As manitestaçoes temporais gicos expöem e examinam a tarela indicada como problema
de tempo. vital organismos, desde as
diversos da atividade dos que indaga se essa capacidade dos organismos para deter
1ntimas; periodicidade do
mais mais
ate as
partes
externas
minar o tempo é endógena, quer dizer: se se acha interior
das plantas, mudança periódica da
suas

das fôlhas mente condicionada, ou se é exógena, ou seja, se constitui


dos periodos de atividade
movimento
altern ncia ritmica
pigmentação, da quantidade de resultado da aço que os fatöres do meio externo exercem
aumento e reduçao ritmicos
de repouso, sõbre os organismos.
diminuição, num deter-
e
e
hormónios organismo. aumento
no Entre os partidários do caráter endógeno dos relógios
celulas de alguns órgãos,
minado tcmpo, das dimensões das biológicos, encontramos maneiras distintas de enfocar o pro-
de alimentaçaoe outros proces
sincronização dos processos no tempo blema, que têm relação com a luta entre as concepções ma-
com determinados prazOs, distribuição Alexis
terialista e idealista do tempo. O biólogo e médico
sos vitais
das células, ctc.
dos ritmos de respiração, divisão Carrel, que se ocupou intensamente em investigar as proprie-
descoberto nos organismos constitui um dos
O ritmo as
natural, quc, adaptando-se as
visto fun- dades temporais dos organismos, tentou, ao
interpretar
fatores da seleço referidas propriedades, contrapor o tempo em que vive o
determinados momentos do tempo, sin-
ções do organismo
a organismo ao tempo fisico. Bastante signiBicativa é, nesse
vital do organismo com as mudanças
cronizando a atividade sentido, a sua referência a Bergson, ainda que acompanha-
papel regulador de vital im-
do meio ambiente, desempenha as propriedades
da de uma ressalva na qual afirma que a duração inclui
portancia. Os rclógios biológicos controlam de suma importân-
todo o organismo e não apenas a psique. "Nossa duração
portanto,
fisiológicas dos organismos. E, afirma Carrel é independente do tempo fisico... Se o
existëncia de relógios biológicos dos corpos dos
cia levar em consideração
a

na medicina, Isso
é essencial para os fisio-
movimento celestes
diminuisse ou acelerasse simultneamente,
ou o
relógios da Terra
na agricultura e o
tempo tisiológico
se dedicam a experièncias com sofreria Carrel supunha que as manifesta-
logistas e os bioquimicos que
realizadas em dife-
não variações.4
organismos, dado que
tais experiëncias, Soes temporais dos organismos vivos constituem "o marco
do do dia, podem ofe. do tempo fisico, e não o inverso."" Partia da tese, no fundo,
rentes etapas do tempo, n o ano, mas

resultados. Este Bato em si concretiza e apro- bergsoniana, de que o tempo e a vida são uma mesma
Tecer diferentes
de ter coisa".6
funda o principio metodológico sõbre a importância
Os resultados que proporcionam as inves- Há quem pretenda interpretar o fenômeno dos
em conta o tempo. relógios
encontrar alta apli- biológicos partindo da atirmação kantiana do caráter aprio-
tigações dos relógios biológicos podem
cação na biologia, ristico e inato do tempo. O autor de semelhante tentativa,
exatidão organis.
os o cientista inglês Goodhart, retrocedendo até Kant. afirma
Os latos que revelam com quanta
que a medida que nos serve para apreciar a regularidade
mos vivos são capazes de determinar o tempo exigem a ta-
dos acontecimentos fisicos se estriba na concord ncia destes
refa de explicar esta particularidade da natureza viva como últimos com noso sentido do tempo, e no com
traço universal de tudo quanto possui vida, visto que real- alguma o u
tra coisa em nosso redor.
mente foram êles assinalados em tôda a escala da natureza Explica tais teses pela const ncia
da temperatura do nosso corpo ao
viva, desd: as plantas e os organismos animais mais simples longo da existência, c,
até os animais superiores e o homem, O "sentido do tempo" 74. Alexis Carrell, Physiological Time.
75. 1bidem.
73. E. Burning. Ritm0s dos processos fisiológicos, Moscou, 1961. 76. A. Carrell, Prejace.

58 59
baseado nisso, cstabelece uma separação de principio entre
internos correspondéncia da ativ.dade
asseguram a
dos óbr
animais de sangue quente e os la externos
sentido do tempo nos decurso dos acontecimentos
gaos internos c o m o
9artos, as ras, c outros animais de sangue frio. no tempo No homem, a açao désse meio
.
"
e x t e r n o no pla-

Mas cssas tentativas de basear-se nas concepçöes idea- manifesta-se. particularmente. na formação de
no indicado
nos no processo
listas do tempo para explicar as manifestações temporais um determinado ritmo do
estercot po dinåmico
buscar cién- de produção que
do trabalho sob o influxo das condições
outra parte, na
organismos vivos (e com isso, por

cia biológica argumentos em favor de tais concepções) cercam o individuo,
frontalmente o caráter inato
dos
são
possuem caráter especulativo, pelo que Por outra parte, não se pode ignorar
sucess o temporal das
impugnadas pelos dados reais. ciclos biológicos relacionados com
a

Nesse terreno, aprescnta-se, sem dúvida, de grande


va- como, por exemplo,
a variaçao
relacionadas com o re ases na vida do organismo,a procriação, o sono hibernal de
lor. o fato de se recorrer às idéias éste de de cor
contorme a estação,
"caráter inato"? Semn
lexo condicionado a o tempo, reflexo grande impor alguns animais, etc. Mas, que significa
trata da inatos sofrem a influencia
täncia tilosófica para o exame do problema que lembrar que os ciclos biológicos
no processo
idéias se alina a teoria ao tempo, formados
objetividade do tempo Com cssas
dos reflexos condicionados
temporais da
A. A. Ujtomski sôbre a assimilação das manifestações
do filósofo soviético da ontogénese. a origem condicionadaa
do ritmo, tcoria que descnvolve as
idéias de N. E. Vedenski atividade do organismo na filogënese
acha-se
vida e t r a n s c o r r e
sobre a debilidade fisiológica. pela qual
se entendia a velo pela açao do meio em que
se engendra a

figuram na base do Em èste particular, é útil, a


relação
a
cidade das reações fisico-quimicas que a evolução biológica.
mostrou que a debilidade de ver. unir tal problema
com a concepção da génese da
processo de excitação. Ujtomski
nosso
reflexo do parämetro
um órg o possui magnitude variável, já que o órgão, como ativ.dade reflexa condicionada como
de modificar o ritmo P. K.
todo o organismo, possui a faculdade temporal do mundo inorgânico, concepção proposta por
dos processos de excitaç o
sob o inlluxo do ritmo de esti- Anojin qual jå
e à fizemos referência.
Nesta interpretaço do caráter endógeno dos relógios
mulos cxógenos.
ritmicos diutnos biológicos, à qual se atém a maior parte dos especialistas.
o

O estudo cxperimental dos processos cabo fenômeno não avalia, de


no homem, levado a do
condicionamento endógeno se
periódicos no organismo vivo
e
e
Slonim outros cientis- modo algum, no sentido de que a referida propriedade pos-
Scherbakova, A. D. e
por O. P. absoluta-
Bikov
i8
revelaram de maneira sui caráter inato desde o primeiro instante.
por K. M.
um
tas orientados
se acham os "relógios bio0 mente aprioristico. O caráter interiormente condicionado dos
convincente a dependencia em que
intluxos do meio extern0, não deve ser compreendido como imanen-
lógiros do organismo em lace dos relógios biológicos
se encontra o caráter de sua te à matéria viva, sem qualquer relação com o meio tisico,
assim como a sujeição em que
sentido de que, havendo-se formado nle. no decuro
em face do influxo das
mudanças que sotrem as mas no
marcha
Nos trabalhos de Bikov, de- da interação entre o organismoe o meio, e possuindo um
propriedades temporais do meio.
córtex cerebral, levando em conta os
esti- determinado mecanismo interno, conserva-se durante certo
monstra-se que o

mulos que partem dos processos


ritmicos do mundo exterior tempo, sempre e quando não se produzam estimules produzi-
atividade dos órgãos in- dos por variações ritmicas das condições externas.
coordena. apoiando-se nessa base, a
Mas a verdade é que ainda não se descobriu com s e
ternos. claro
Ficou "as relações dirigidas até os órgãos
que funcionamento dos
gurança o mecanismo responsável pelo
As investigaçõcs realizadas a
Time. relógios biológiros internos.
77 C. B Goodhart, Biological
das mudanças per.ódicas das funções
78. Estudo erperimental 79. K. M. Bikov, Obras selecionadas.
fisiológicas no organismo.

61
60
respeito, permitem supor que tais relógios se acham relacio nas, e graças a isso se eletua no organismo, neste caso, o
**
nados com os processos periódicos, fisico-químicos, que se registro do tempo,
dão no organismo, com as propriedades ritmicas que se ma- Dessa naneira, mesmo levando-se em conta que o pró-
nifestam no interior das estruturas celulares, com a existên prio caráter da dependència em que se encontram os relógios
cia, no cérebro, do sistema oscilatório de freqüência cstável biológicos em relação ao meio ambicnte se conceba de ma-
(N Wiener, etc.). De qualquer maneira, tanto os cientis- neira diferente (temos, em particular, de uma parte a con-
tas soviéticos como os de outros paises reconhecem que o cepção de Bünning. e, de outra, a de Brown), é inegável
fenomeno dos relógios biológicos constitui o resultado do
desenvovimento evolutivo elaborado no curso da seleçio na-
o papel formador do meio externo, das propriedades tem.
porais da natureza inorgânica (dos seus paråmetros geof'si-
tural e que tem suas fontes no meio circundante. Um dos cos) em relação ao sentido do tempo" nos organismos vi
fundadores da teoria dos relógios biológicos endógenos, o vos. E isto é o que nega a tese bergsoniana acerca do
caràter
cientista alemão E. Büning. chegou a afirmar que o simpósio rigorosamente imanente das manifestações do tempo
matéria viva. O organismo se acha vinculado ao tempo
dedicado aos relógios b'ológicos poderia perfeitamente ch na
real e
mar-se de "adaptação dos organismos à rotação da Terra . como lorma objetiva
de sua existência e da existëncia
de todo o meio ambiente que o rodeia: tal é a conclusão a
muitos de-
Entre os especialistas em relógios biológicos, que levam os resultados das investigações sóbre os relógios
fendem um ponto de vista mais radical, que consiste
em
negar radicalmente a tese de que exista no organismo qual- biológicos. As investigações dos processos relacionados com
quer sistema autonomo para registrar o tempo.
e o tato de o ritmo temporal no organismo das plantas, dos animais e
considerado como o resultado da influên- dos homensuma das etapas experimenta's e teóricas mais
que isso aconteca é
das propriedades ritmi- importantes da biologia moderna em gerale da fisiologia em
Cia.
que se produ: no momento dado,
cas do meio externo. O norte-americano F. Brown.
pesquisador particular.- deixam claro, da maneira mais convincente,
todo o valor heuristico da idéia que afirma o caråter obje-
cm particular, é dos mais ardorosos defensores de tal
um

ponto de vista. Baseando-se cm suas investigações


sõbre o tivo do tempo. idéia que serve de premissa para propor e
in!luxo dos sinais luminosos e térmicos em relação aos "re resolver os problemas relacionados com a investigação cien
tifica do tempo.
lógicos vivos. e também acfrca da influência do campo ele-
trostático e maqnético da Terra sôbre os ritmos biológicos. É óbvio que a teoria irracionalista do tempo. defendida
por Bergsón, não pode constituir a base de uma investigação
Brown desenvolve a idéia de que os processos ritmicos que
cientifica do tempo, do exame cientifico do mesmo. E ver.
se verificam nos organismos vivos estão ligados às variações
dade que o filósofo francês destacou várias caracteristicas
ritmicas que condicionam os
referidos processos ca inerentes ao tempo (aliás, jå conhecidas antes dêle). como
os
racteristicos quas2 de cada tipo de meio fisico em que são a duração e a ireversibilidade. porém o fêz partindo de
organismos vivem, desde os átomos, onde os elétrons giram
uma base que não era cientilica. As frágeis manifestações
em tôrno do núcleo, até o sistema solar, no qual os planêtas de Bergson contra a investigação experimental do tempo só
giram em tôrno do Sol.
1
Brown defende também a idia poderiam desempenhar um papel negativo. "As particulari
de que nas denomidadas condicões permanentes, o organis- dades do tempo... não sòmente escapam de fato à observa
mo recebe do meio externo informação a respeito dos ci- _ão do físico, mas são também, de direito, inverificáve's".
clos geofisicos naturais que se transmitem por intermédio dizia ele. A filosofia do tempo, defendida por Bergson, sem
de doses de energia, mesmo que estas sejam bastante peque- conseguir refutar em absoluto a objetividade dêle. demonstrou
82. Ibidem.
0. E. Bünning, Relógtis biológicos. 83. Bergson, Duração e simultaneidade, påg. 150.
81. F. A. Brown, The Rhythmic Nature of Animals and Plants.
63
2
wspeito, permitem supor que tais rclógios se acham relacio- nas, c graças a i_so se eletua no
organismo, neste caso, o
nados com os processos periódicos, fisico-quinmicos, quc se registro do tenpo, *
dao no organismo, com as propricdades ritmicas que se ma- Dessa maneira, mesmo levando-se em conta que o
pró-
nifestam no interior das cstruturas celulares, com a ex istên- prio caráter da dependéncia em que se encontram os
cia, no cérebro, do sistema oscilatório de freqüencia estável relógios
biológicos relação ao meio ambiente se conceba de ma-
em

(N Wicner. ctc.), De qualqucr maneira, tanto os cientis- neira diferente (temos, em particular, de uma
patte a con
tas cono os de outros paises reconhecem que o
soviéticos cepção de Bünning, e, de outra, a de Brown). é inegável
fenomeno dos relógios biológicos constitui o resultado do o papel formador do meio externo, das
da natureza
propriedades tem
desenvolvimento cvolutivo claborado no curso da seleção na porais inorgánica
(dos seus paråmetros geof si-
tural e que tem suas fontes no meio circundante. Um dos cos) em relação ao sentido do tempo nos organismos v1-
undadores da teoria dos relógios biológicos endógenos, o vos. E isto é o que
nega a tese bergsOniana acèrca do
cientista alemao E. Büning. chegou a afirmar que o simpósio caráter rigorosamente imanente das manifestações do
tempo
dedicado aos relógios b'ológicos poderia perfeitamente cha na matéria viva, O
organismo se acha vinculado ao tempo
mar-se de "adaptação dos organismos à rotação da Terra". * como forma real e objetiva de sua existência e da existência

Entre os cspecialistas em relógios biológicos, muitos de de todo o meio ambiente que o rodeia: tal é a conclusão a
fendem um ponto de vista mais radical, que consiste em que levam os resultados das investigações sòbre os relógios
negar radicalmente a tese de que exista no organismo qual biológicos. As investigações dos processos relacionados com
quer sistema autônomo para registrar o tempo. e o fato de o ritmo temporal no organismo das plantas, dos animais e
que isso aconteca é considerado como o resultado da influên- dos homens uma da_ etapas experim2nta's e teóricas mais
cia. que se produz no momento dado, das propriedades ritmi da
cas do meio externo. O pesquisador norte-americano F. Brown.
importantes
particular
biologia moderna em geral e
deixam claro, da maneira mais convincente,
da fisiologia em

em particular, é um dos mais ardorosos defensores de tal todo o valor heuristico da idéia que afirma o caráter obje-
ponto de vista. Baseando-se em suas investigações sôbre o tivo do tempo, idéia que serve de premissa para propor e
influxo dos sinais luminosos e térmicos em relação aos re resolver os problemas relacionados com a investigação cien
da do camno ele- tifica do tempo.
lógicos vivos". e também arôrca influência
trostático e maqnético da Terra sôbre os ritmos biológicos, E 6bvio que a teoria irracionalista do tempo, defendida
Brown desenvolve a idéia de que os processos ritmicos que por Bergson, não pode constituir a base de uma investigação
se verificam nos organismos vivos estão ligados às variações cientitica do tempo, do exame cientifico do mesmo. E ver
dade que o filósofo francês destacou várias caracteristicas
ritmicas que condicionam os referidos processos- ca
racteristicos quase de cada tipo de meio físico em que os inerentes ao tempo (aliás, já conhecidas antes dele). como
são a duração e a irreversibilidade, porém o fêz partindo de
organismos vivem. desde os átomos, onde os elétrons giram
uma base que no era cientifica. As frágeis manikestações
em tôrno do núcleo, até o sistema solar, no qual os planêtas
de Bergson contra a investigação experimental do tempo só
81
giram em tôrno do Sol. Brown defende também a idéia poderiam desempenhar um papel negativo. "As particulari-
de que nas denomidadas condições permanentes, o organis- dades do tempo... não sòmente escapam de fato à observa
mo recebe do meio externo informação a respeito dos ci-
clos geofisicos naturais que se transmitem por intermédio
ção do isico, mas são também, de direito, inverificáveis". *
dizia êle. A filosofia do tempo, defendida por Bergson, sem
de doses de energia, mesmo que estas sejam bastante peque- conseguir refutar em absoluto a objetividade dele, demonstrou
82. Ibidem.
80. E. Bünning, Relógiis biológicos.
81. F. A. Brown, The Rhythmic Nature of Animals and Plants. 83. Bergson, Duração e simultaneidcde, påg. 150

62 63
apenas quc a lilosofia idealista nao está em condições de pro
porcionar uma verdadeira compreensão do tempo.
Alguns pesquisadores defendem, ainda, a opinião de que
Bergson é o homem graças, sobretudo, a quem o tempo e
os conceitos temporais passaram a ocupar no pensamento II
moderno um importante lugar". como se a ele se devesse o
fato de "a filosofia moderna ter despertado do seu sono
dogmático a respeito do tempo".
*i
Realmente, talvez Ber-
gson tenha sido o primeiro dos filósofos do nosso tempo a
emprestar ao tempo um caráter tão universal, mas, contorme
Vimos, não chegou a afirmá-lo claramente; pelo contrário,
tergiversou, tratandoo problema num sentido mistico. A O Tempo como Forma
atenção que hoje se dá ao problema do tempo não se expli-
ca pelo influxo das obras de Bergson, mas pelo nivel da
de Existência da Matéria
di-
Cienciaque investiga os processos de desenvolvimento, a

nâmica da natureza e da sociedade.


Pôr em relêvo as contradições entre a interpretação
bergsoniana do tempo e a ciência atual é de suma transcen-
dencia para formar-se um juízo da interpretação do tempo na
filosofia idealista do século XX, A concepção bergsoniana
não passou sem deixar profundas marcas em várias doutrinas
idealistas, exercendo notória influência sôbre as idéias de
Spengler, sôbre o sistema filosófico do neo-realista S. Ale-
xander, o qual tentou utilizar as idéias da teoria da relati- V AMoS, AGORA, nos deter de modo especial na tese de
vidade para interpretá-las num sentido idealista. Podem-se
gue o tempo constitui, precisamente, uma forma de existên-
ainda, descobrir traços da influência de Bergson na inter- da matéria. Fundamentar a idéia de que o tempo é uma
pretação que dão os existencialistas, Heidegger em particular cia
forma de ser da matéria exige um exame critico da con-
à categoria do tempo, em que pêsem as dikerenças existen- cepção do tempo na qualidade de substância especial. con-
tes entre suas teorias. Nos capítulos subseqüentes do presen-
cepção ligada à interpretação newtoniana.
te livro seremos, ainda, obrigados a submeter a uma análise
Da concepção newtoniana do tempo jå falamos anterior
critica várias teses das diferentes concepções do tempo, aqui mente. Newton considerava o tempo como algo que existe
mencionadas. por si mesmo, independentemente, no mundo objetivo. In-
O progresso do conhecimento humano, que permite es- terpretava-o como certa substância especial, como pura du-
tabelecer a realidade objetiva do tempo, abre caminho para ração, cuja exist ncia e propriedades são determinadas por
a elucidação de outras questões filosóficas concernentes à ela própria.
essência do tempo e às suas propriedades fundamentais. Considerava Newton que o tempo, da mesma forma que
o espaço, podem existir independentemente das coisas e dos
84. Cleugh, obra citada.

65
64
separado da matéria, interpretan
Newton acêrca do tempo,
fcnomenos. independentemente da matéria,
a qual, segundo
em tódas as partes. do-as num sentido idealista. newtoniana
o isico inglés, podia não se encontrar Na moderna filosofia idealista,
a concepção
espaço possuem existência utilizada com
Newton admitia que o tempo e o
do tempo como subst ncia especial tem sido
considerava como substâncias absoluto e adulte-
objetiva. mas o tato de quc os dando-lhe um caráter
séria lalha de sua concepção.
fins anticientificos,
especiais constituia uma
rando-a. Isto caracteriza, antes
de tudo, o esquema bergsonia
os ataques
Semelhante critério justifica, de uma parte, sõbre
no da "evolução
criadora". Chamamos, acima, atenção
cstimulava uma interpretação idea-
dos idealistas, c. de outra. dava ao tempo
à posição de Kant, que o idealismo da interpretação que Bergson
lista. Já nos referimos. a respeito, individuo mas tornava-se
vinculando-a à vida interior do
-

referindo-se à concepção newtoniana, söbre os


cscreveu, referido interpretação:
exis- necessário assinalar outro defeito da
absurdos (Undinge). eternos c infinitos, que possuenm caráter real, numa única es-
tencia independente: o espaço e o tempo. ..
O filósofo o substancialismo. Bergson dá
substäncia que se basta
concepções de fator do tempo como
idealista alemão utilizava a imperfeição das sencia. Vë o

objetividade do certo agente criador que atua espont.


Newton como argumento contra a própria por si mesma, como
criticava Kant da mes-
neamente, como demiurgo da
realidade.
tempo e do espaço. Por outra parte,
o Para Bergson, o tempo não é uma forma de desenvol
ma maneira os
naturalistas metatisicos que concebiam
como
espaço e tempo como
o relações objetivas (de contigüidade vimento -
éle próprio cria. Bergson considera o tempo
Kant manifestou-se se ma-
ou de sucessão) entre os fenômenos. a principal substäncia do mundo em que vivemos, e

contra Leibniz. que


considerava que o espaço e o tempo são nifesta categòricamente contra o ponto de vista que nega
ao

dinâmicas entre as coisas, e con- O


apenas formas das relações tempo a autentica ação e uma realidade própria".
sucessão dos fenômenos.
siderava o tempo como a ordem da bergsonismo, segundo expressão de Maritain, aceita o tem-
Leibniz continham, indis-
Nesse sentido. as concepções de po na qualidade de matéria metafisica" especial,
vê no
sc despojadas de seu idea.
cutivelmente. idéias interessantes, tempo o absoluto, que representa a inventiva e a criação".*
lismo. Semelhante interpretação do tempo possui caráter nitidamen-
Mas é verdade também que o próprio Kant tratou meta-
te mistico. Mesmo uma admiradora inglêsa de Bergson, co
como se os mesmos se
achas-
fisicamente o espaço tempo
e o
Via èle tempo e o mo Cleugh, que afirma acreditar no "seu ponto de vista so
incluidos na categoria de "forma.
o
sem
intuitiva e compreen- bre o tempo"," declara em seguida se ve obrigada a re-
espaço como formas da representação
puramente externo em face ao
con- ronhecer que o filósofo francês" foi demasiado longe com
dia tais formas como algo
o seu conceito de duração, dando-lhe uma lôrça criadora
algo suceptivel de existir
mesmo que
teúdo perceptivel. como

os fenomenos no ocorressem. Em Kant, a concepção do quase mistica.acrescentando que na A evolução criadora,


mas se êste úl- de Bergson, "o tempo se converte quase numa essência mis-
tempo era tão metafisica como em Newton;
existe inde- A substancialização
timo via o tempo como substância material que
na concepção kantiana
tica". do tempo. em Bergson, se trans-

pendentemente do mundo objetivo. forma em mistica.


esta forma existente anterior a todo conteúdo e indepen-
dentemente déle se interpretava num sentido idealista sub- 4. H. Bergson, Obras.
jetivo. Criticando Newton por seus "absurdos". o próprio 5. Maritain, De Bergson à Thomas d'Aquin.
das metafisicas de 5. Cleugh, Time and its Importance in Modern Thought. påg.
Kant permanecia dentro representações
124.
142.
1. Kant, Obras, em seis tomos, t. II. pág. 7. Ibidem, påg. 121
Ibidem, pág. 141.
2.3. Sobre a concepção leibniziana do espaço e do tempo.
8. 1btdem, pág. 126.

67
66
um conceito aná- De tal modo a filosofia do existeacialista Heidegger falseia
Em seguida a Bergson, Spengler expös
cspecial, Para èle. o
logo do tempo como subst ncia in-
o tempo, que chega ao ponto de destacar a "temporalidade"
entendido como expressão do princip.o como certo tempo inicial", e considerando-o, ao invés de
conceito do tempo,
"Na verdade, destino e tempo tempo subjetivo, como principal categoria inicial da existên-
terno, é sinônimo de destino.
à outra." escreveu
são palavras que se substituem uma

tempo é o portador da vida.


cia
(existencial)
cia. "A temporalidade
como encarnaço
escreve
do sentido da existên
"existe em si mesma e
Spengler. Segundo Spengler, o
do inevitável, do predeterminado. Não é possivel deixar de para si mesma". Com isto, a temporalidade, a qual Hei-
determinada conexão com a ma-
Ver, em tal ponto de vista, degger separa do "tempo , acaba sendo, em última instância.
neira de conceber o tempo dentro da ideologia religiosa: subjetiva, dado que a existëncia com a qual se relaciona na
principio todo-poderoso que encar- qualidade de existencial, possui, na interpretação dos exis-
Como certo signo, como

na a fatal predeterminação, tencialistas, caráter subjetivo. A substancialização do tem-


sentido
Na religião, a substancialização do tempo (no po, como vemos, não é um obstàculo para que seja interpre-
em que o reconhece como subst ncia especial, apresenta-se tada num sentido idealista.
o conceito
como um dos caminhos gnoseológicos para formar Oneo-realista S. Alexander trata o tempo na qualidade
dc divindade. Precisamente separado de todo conteúdo ma de fôrça criadora diretamente relacionada com a divindade.
terial, tempo, transformado numa
o
subst ncia especial in- Critica todos os que veem o tempo e o espaço simplesmente
o tem-
dependente, aparece como Deus. Na mitologia grega, como recipientes das coisas. Alexander considera
que o es-
sob o aspecto de Cronos. Os se-
po se achava divinizado paço e o tempo não são lormas da existëncia da matéria, mas
doutrinas religiosas difundidas na
guidores de uma das aquilo de que sáo compostos os objetos. Espaço c tempo,
órficos consideravam Cronos como
Grécia Antiga -
os de acôrdo com a sua afirmação, no necessitam de
dos principios do mundo, ao lado de Zeus e de
Gea. Na qualquer
um outra coisa para sua existência. A afirmativa básica de Ale-
elementos fundamentais
religião órfica, acreditava-se que os xander estriba-se em que o ser mais simples é o
fogo. ar e água eram obras de Cronos. próprio
Espaço-Tempo, e as coisas materiais não são mais que modi-
Referindo-se às raizes gnoseológicas da substancializa-
absolutismo metafisico
ficações do referido ser simples, complexos finais do Espa-
cão do tempo que se baseiam no ço-Tempo. 13
das propriedades temporais das coísas, que intenta separar
Considerando o espaço e o tempo - falseados e exclui-
as dos fenömenos
abstrações objetivos que as engendram e
dos de todo conteúdo real
substituir êstes por aquelas assinala Lênin que é pró-
-
qualidade de fundamento do
na

universo, substituindo por êles o conceito de matéria, Ale-


prio do homem a faculdade de tergiversar a respeito das xander fala do desenvolvimento criador do universo "até um
e torná-las inde
abstrações como o tempo e o espaço nivel mais elevado de existência", até novas
pendentes.
10
A interpretaço idealista do tempo, não acei- qualidades e
formas, das quais a suprema é Deus. E é o tempo, segundo
tá-lo como forma da existência das coisas materiais, conduz, Alexander, a fôrça, o csfórço (nisus) que leva a cabo o
em última análise, à sua divinização. Como ressaltava Lênin, senvolvimento criador do universo. Não vacilava o filósofo
de
o tempo fora das coisas temporais= Deus". 11 inglès em compará-lo nem mais, nem menos a um policial
O reconhecimento do tempo como substância especial, encarregado de controlar o movimento. "O tempo- escreve
encontra-se amplamente ditundido na filosofia não-soviética. -constitui um principio verdadeiramente constante da in-
constância, e é um criador real. Ora. se descendemos de fra-
9 Spengler, A Decadéncia do Ocidente.
10. Lénin, Obras completas, tomo XXIX, pág. 50.
12. Heidegger, Sein und Zeit.
11. Tbidem,
13. S. Alexander, Space, Time and Deity.

68
69
ses tão grandiloqüentes, deduz-se que é um singular policial qundo a variação dos
ritmos dos processos dependentes do
cósmico que torna impossivel a paralisação c, ao mesmo tem- movimento da matéria e da distribuição das massas
gravi-
tantes. Todo sistema
po, cria movimentos que tormam as coisas e as movem. Pas-
acha
material possui seu próprio tempo, o
sC, scnhores", aual se condicionado pelo lato de que èste não
A idéia da substancialização
do tempo encontra da mes- caráter independente e depende da matéria, O curso dopossui
tem-
po se faz mais lento nas grandes massas e se acelera nas
ma
forma reflexo nas concepções de alguns naturalistas. O massas menores. Sem massa, o tempo, assim como o
cosmólogo inglès G. Whitrow, nos seus trabalhos filosófi- espaço,
não pode de forma alguma existir. A teoria da relatividade.
cos consagrados ao tempo, mantém o ponto de vista substan-
cialista de que o tempo é com toda a förça demonstrativa da
algo pertencente à mesma ordem investigação cientifica.
da nature:a. Invocando Platão c Santo
Agostinho, afirma evidenciou o caráter do tempo como forma de existência da
ele que o tempo coexiste" com o mundo, 13
levantando a su matéria e não como certa substncia especial. Nas
posição de que, na mesma medida que o tempo é uma pro- da teoria da relatividade, descobre claramente o deduçôes
pricdade essencial do universo, "é o universo nexo interno que existe entre o
profundo
cssencial do tempo". c "cada um dêles inclui
propriedade de
espaço e o tempo como tor
em si o ou-
mas ser da matéria em movimento. A forma é condiciona2-
tro" 16
da pelo conteúdo:
verdade da dialética se acha plena-
esta
mente encarnada nos descobrimentos da fisica
moderna.
A luz dos
principios da teoria da relatividade. o tempo
A aparece como forma de ser da matéria no sentido profunda-
substancialização do tempo não passa de uma pro- mente dialético desta categoria. A forma
tunda tergiversação da sua verdadeira natureza. Constitui não é, aqui, um simples
espaço-temporal
um
exemplo tipico do pensamento metafisico, que acha for- recipiente externo dos corpos. mas
uma estrutura interna. um modo concreto de existëncia das
çoso vincular todo fenômeno a uma substância especial, co-
coisas e dos processo: materiais. Precisamente em
mo se tazia antigamente. digamos, com o calor, que era re- relação a
isto. manifestam-se as novas
lacionado com a existência de uma substância especial: o
de possibilidades investigação
do mundo material. posibilidades que a fisica moderna vem
calórico.
Semelhante interpretação substancialista da natureza do explorando com êxito, pois. utilizando as caracteristicas
es
tempo choca-se frontalmente com as modernas ciências na- paço-temporais. estuda as leis concernentes a uma série de
turais. O tempo não constitui uma substância importantissimas propriedades da matéria e do movimento
especial; é uma que encontram sua manifestação nas peculariedades do tem-
forma de existência da matéria, uma forma no sentido autên-
p e do espaço.
ticamente cientifico. dialético, derivada do conteúdo e
por Segundo as concepções de Einstein. o movim:nto de um
le condicionada. A inconsistência da substancialização me-
corpo submetido à gravitação deve ser internretado como mo-
tafisica do tempo foi demonstrada de maneira convincente vimento do corpo num espaço-tempo curvo. E n'sso resulta
e até à exaustão pela atual doutrina fisica sôbre pa
o tempo tente a influência de determinadas
e o
espaço, que em nosso século veio substituir
propriedades do espaço-
as concessões tempo, de sua métrica, sõbre o movimento dos rorpos, Aqui.
newtonianas. Como já demonstramos, a teoria da relativi- naturalmente. apresenta-se uma guestão: reconhecer a
dade evidenciou o caráter variável do curso do indicada influência da forma espaço-temporal. não
tempo se s'gnitica
render tributo à interpretação substancialista do tempo e do
14. 1bidem.
15 G. J. Whitrow, A
espaço, não constitui uma sobrevivencia da posição newto
filosofia nalural do
16. Whitrow, On the Nature Time.
tempo, pág. 47. niana, segundo a qual estas categorias são essênciais inde.
of pendentes? A tal pergunta, a resposta deve ser negativa.

70 71
Revonhecer a aludida ntluència náo signilica conceber o Anos atrås, P. M. Nikiforovski, " afirmava que exrste

certas substàncias independentes. um analisador especial e independente do tempo, que no Sis


tem e
o espaço como unicamente de que uns cor-
cuaradas à materia, Ttata-se tema nervoso existe um centro espeCial, distinto do tempo.
atuam söbre outros corpos materiais media- Demonstrou-se experimentaimente que tal atirmação carece
POS materiais
te relaçöcs cspaço-temporais por
iles cond1cionadas, Na tec- de base. O reflexo condicionado do tempo deve sua or gem
Tia da
clatividade, que a curvatura da métrica do
supðöe-se às propriedades temporais dos estimulos mais diversos, ac
continuo cspaço-temporal nao e imanente ao espaço-tempo influxo de sua duração, de sua seqüència. de seu ritmo sóbre
às
como tal nao e para cle um principio, mas surge devido os diferentes analisadores, que correspondem à natureza con-
particularidades da distribuiçao das massas gravitantes creta de tal ou qual estimulo. Viu-se o papel que na per
em

detcrminada parte do universo, cepção do tempo desempenham os analisadores cinestésico


Da mesma maneira, a teoria do retlexo condicionado ao motor). da pele e auditivo, a interocepção (sens.bilidade
constitui objeto separado orgånica) relacionada com os processos que tem lugar n
tempo demonstra que o tempo não
de uma substäncia especial, mas uma forma de ser da ma- meio interno do organismo. Com razão indica _o fisiólogo
P.
téria. inerente a todos os processos e fenomenos. Ademais, A. S. Dmitriev, referindo-se à conjectura de
kiforovski acêrca da monossensorialidade da percepção do
M.
temp. que atua como cstimulo, não pode ser visto comno
um objeto singular, como processo especial, mas como ca- tempo, que "Nikiforovski não ve o tempo como forma de
racteristica dos tenõmenos que se transtormam. A percepção existência da matéria, mas como uma das formas da matéria
do tempo. a oricntação temporal dos organismos segundo em movimento capaz de levar uma existência independente.
demonstram as investigações levadas a cabo em relação à Cumpre dizer que Pavlov não sustentava êste ponto de vis:a
defendido por Nikiforovski". *
anaise do reflexo condicionado ao
tempo. assim como,
num
estão O caráter e a metodologia do estudo cientifico do pro
plano mais amplo, ao estudar os relógios biológicos -

determinadas pelas variações dos fenômenos objetivos. blema do tempo em fisiologia mostra que, nesta questão,
Uma prova convincente de que o tempo não constitui trata-se de conhecer como se forma a orientação no tempo
em que o organismo tem de adaptar-se aos múluplos influ-
u processo especial, uma substncia singular, têmo-la no
caráter polissensorial de sua percepção, na falta de um ana- XOS do variável meio material. e no pensando numa reação
lisador espzcial do tempo. Tôda percepção do mundo exte- ao tempo como se se tratasse de um fator especial, que exis-
ior em seu movimento. variação e desenvolvimento inclui ta e atue independentemente do movimento material. Com
em si um reflexo do tempo, Tal reflexo não apresenta um isto, retuta-se a idia de que o tempo constitui determinada
caráter mono-sen sorial. mas o que realizam todos os anali- substância peculiar.
sadores, de que é propriedade comum. Os dados experimen Em nossa linguagem, empregam-se expressões como "o
tais e as observações clínicas permitem atirmá-lo com abso- tempo envelhece, "trabalho destruidor (ou criador) do tem-
luta certeza. "Em nós não se mostram analisadores especiais po. etc., mas tais palavras não podem ser interpretadas li
para refletir a duração, a sucessão e a rapidez dos fenôme- teralmente. Tomemos o tenómeno do envelhecimento, ds
os da realidade objetiva. Qualquer analisador que retlita mudanças relativas à idade. A ciência biológica ve o enve.
as diversas propriedades dos objetose processos reilete con- Ihecimento dos
s
organismos como um processo co7dicionad
sequentemente suas peculiaridades tempcra's.
19. P. M. Nikiforovski. Sóbre a filosofia do tempo.
17. Assinalaremos que, analogicamente, também influi o ritmo 20. Dmitriev, "Intervenção na Conferência de töda a URSS
teTnporal como organização do processo material no tempo. sobre os problemas filosóficos da tisiolgia da atiridase rer
12
D. G. Elkin, A percepção do tempo, Moscou, 1962, pág. 39 vosa superlor e da psicologia".

12 73
estudo aprcscnta proble-
pch ação de diversos latórcs, cujo teristicas dos acontecimentos noutros aspectos. Como ca0
tais fatôres são
Imas ainda
não plenamente resolvidos, mas mais simples cabe indicar duas partes da mecånica. A pri
análise de manitestações plenamente
investigados mediante sua atividade vital
meira delas - a cinemática examina apenas o desloca-
no processo d2
concretas do organismo mento dos corpos em dependència do tempo; a segunda-
discutir que o envelhecimento consti-
Não sc trata, pois, de a dinamica- toma em consideração as inter-reações dos
do tempo como se fôra uma
tui oresultado de uma açao corpos, inter-reações que produzem mudanças nos estados
substáncia A gcrontologia, doutrina sôbre o enve.
cspecial. dos referidos corpos
a ontotisiologia (lisiologia da ida- Encontram-se na ciencia formulações que inferem as pro
hecimento, assim como
de). a qual pertence a gerontologia, investigam determina- priedades da matéria partindo das propriedades do tempo
matcriais que sc veriticam nas células, cstudam
e do espaço tomados na qualidade de algo primârio e inicial.
dos processos
interior dos organismo e entre os
tecidos do Ora, para a compreensão filosófica de tais formulaçóss é pre
as relaçocs
no

reciprocas entre organismo e meio, etc., ciso ter presente a natureza especifica dos aspectos lógico
tecidos, as relaçõcs
dos organismos
para conhecer
os fatõres do desenvolvimento e ontológico do fenômeno caracterizado. No capitulo pre-
Tal tarela é executada me-
sob o ponto de vista da
idade. cedente já falamos do teorema de Noether, no qual se es-
diante o estudo completo
c integral das mudanças morfoló- tabcece a ligação entre as leis da conservação e as proprieda-
luncionais do organismo, "
e
gicas, quimicas, lisico-quimicas lenómeno do envelhecimento
des do tempo e do espaço, a saber: a ligação da homogenei-
Essa maneira de enlocar o dade do tempo com a lei da conservação da energia
em quimica, ao analisar-se o pro-
tem caráter geral, Assim, a ligação da homogeneidade do espaço com a lei da con-
envelhecimento dos polimetros, quer dizer, que sua servação da quantidade de movimento ca de sua isotropia
blema do
determinada destruição no
transcorrer do tempo, levam-se com a lei da conservação do momento da quantidade em
de agentes totalmente concretos, distintos
em conta as açõcs movimento.
de exploração, entre os quais se
conforme sejam as condições Costuma-se dizer em fisica, levando em conta a conexão
cncontram calor, luz, oxigénio,
o nitrogënio, os micro-orga- indicada, que as referidas leis sõbre a conservação são uma
désses agentes con-
nismos, Para neutralizar os ctcitos
etc. consegüencia da homogeneidade do tempo e do espaço e da
do
causadores envelhecimento, recorre-se a substân-
cretos,
uma intluência estabilizadora so- isotropia do espaço, ou que tais leis se derivam das corr2s-
cias que possam exercer
antienvelhecedores.
**
0 problema não pondentes propriedades do tempo e do espaço. No entanto,
bre os polimeros: os éimprescindivel observar a diferença entre a formulação
se o temp0 como tal, como
se apresenta em
absoluto como
fösse causa do envelhecimento. lógica, teórica, da conexão das leis da conservaço com as
agente singular, propriedades do tempo e do espaço, bem como o sentido
resultados da ação
Descrever os acontecimentos como
constitui um determinado recurso para fazer-se objetivo da referida conexão, Como acertadamente observou
do tempo N. F. Ovchinikov, * no processo do conhecimento é teo-
concretas que atuam e provocam os re-
abstração das causas
ricamente possivel inferir as leis da conservação partindo das
acontecimentos. Semelhante recurso é perfeitamente
feridos propriedades do tempo e do espaço, dado que estas propric-
que tang2 a determinado ponto, tendo em conta
legitimo no
dades já nos são conhecidas. Todavia, na realidade objetiva,
que uma descrição déste tipo completa-se com as caracte-
as leis da conservaçào, que expressam a natureza substan
21. A. V. Nagorni, V. N. Nikitin, I N.
Bulankin. O problema cial, indestrutivel e incriável da matéria e do novimento.
do envelhecimento e da longevidade, Moscou, 1963; B. Streler
1964.
O temp0, as células e o envelhecimento, Moscou,
estabilizaço dos polimeros, Moscou,
23. N. F. Ovchinikov, As leis da conservaçáo na fisica
e o ca-
22. 0 envelhecimento e a
ráter causalmente condicionado dos ferömenos da natureza.
1964.
75
74
do nada tem em comun com a representatao netatisica da
propricdades do espaço
e
delerminam as correspondcnte natureza do tempo (e do espaço) e, tono já se disse. en
cmpo,
da lei da conservação da
ener.
contra sua racional à luz da dialética dos a
explicacao
Eletivamente. A vigència
no lato de (q1uc, apesar de todas as transfor pectos lógico
clusive
ontol6gico. Nalgunas situaçies, é útl, e in-
e

inevitável, seguir, na investigaçao teórica, lógica, uma


i a s e cNpressa a quantidade
maçocs de uma forma de movimento em outra, direção inversa á que se dá na real1dade objetiva.
conservando-se, assim, a base para
de cnergin nio dominui,
Noutras palavras: tra.
as leis da natureza.
que se produzam Pelo seu sentido filosófico, o exame substancialista do
natureza, do seu caráter in-
ta-se da constância das leis da
deslocamentos no tempo. E a isto tempo, amplamente difundido na atual filosofia idealista,
variável cm relação aos
pode comparar-se até certo ponto com o energetismo
sôbre a homogeneidade do tempo,
responde a representacão tempo estriba-se,
Temos diante de nós numa situação na qual um dos atriuu:os
Apropricdade da homogeneidade do
precisamente, no ato de que as leis fisicas não mudam da matéria se substancializa,
Jiado como algo que substitui a matéria. A
separa-se da matéria e é
ava-
transteréncia da
de torma com o tIranscorrer do tempo (sempre
e quando exis-
reteridas
atividade criaaora da matéria ao tempo, pressupôe uma repre
claro, os objelos cm que se apliquem
as
tam. é sentação puramente metafisica da matéria como algo estrita
leis). Isto explica o fato, puramente derivado, de que como mente passivo, como simples "material. O reconnecimento
(como marco zero do eixo co
inicio do cômputo do tempo do tempo como substância implicaria, inevitàvelmente, reco-
momento do
ordenado temporal. possa ser tomado qualquer nhece-lo como substância universal, em virtude da universa
às proprie
tempo. A questão é análoga no que diz respeito lidade do tempo. Mas o fato é que, na concepção materia-
dades dc homogcneidade e isotropia do espaço. proprieda- lista do mundo, a substância universal já se apresenta sob
des quc respondem ao caráter invariável das leis no que o aspecto de matéria, E esta, precisamente, e náo o tempo,
deslocamentos no espaço e à mudança da dire o objeto de tödas as variações, segundo expressão de
respeita aos
de trasladar M a r x . 2* O tempo é uma forma da existëncia da matéria,
ção espacial, o que condiciona a possibilidade
do espaço, e uma forma objetiva, como a própria matéria.
o começo das coordenadas a qualquer ponto
o ânqulo dos eixos coordenados a qualquer ângulo. Não é cabivel admitir uma consideração do tempo, ou
Significa isto que o teorema de Noether, segundo o qual mesmo do espaço, na qualidade de algo que constitui ma-
as leis da conservação se derivam das propriedades
do tem- téria em si. Anos atrás, nas publicações filosóficas sovié-

Doe do cspaço, possa ser considerado como metafísico"? 2* ticas, criticou-se a concepç o erronea da matéria como sintese
Semelhante afirmação seria infundada. O referido teorema é do espaço e do tempo.** Reduzir a matéria às formas de
tão pouco metalísico como a posição relativista segundo a Sua existência, no passa de tergiversação da verdadeira
vários fenômenos fisicos se inferem das transforma- relação entre a matéria e o tempo. Utilizou-se éste critério
qual
das coordenadas. Deve-se levar em conta que o teorema para a geometrização idealista do mundo, tomando-se
cões
de Noether, nas diversas esferas da fisica, constitui um meio como base metodológica a redução do conteúdo à forma,
simples, universal e efetivo que permite situar as leis da assim como a interpretação idealista puramente abstrata, da
conservação e, com isso, obter-se informação valiosa sôbre mesma forma espaço-temporal. Tal ponto de vista constituia,
as propricdades fisicas do sistema, Tudo isto, no entanto, na realidade, uma reprodução da definiço hegeliana segundo
25. Marx e Engels, Obras, tomo II, pág. 143.
24. Assim, precisamente mostra-se, de fato, no trabalho de 26. B. M. Hessen, Idélas fundamentais da teoria da relativi-
V. N. Vesiólovski, Valor filosófico das leis da conservação da dade, Moscou-Leningrado, 1962, pág. 64.
1matéria e do movimento, Moscou, 1964.

77
76
matéria é sòmente unidade abstrata, mediata, do
a qual "a a
de inexistencia na qualidade de objeto separado) de maneira
tempo c espaço".27 alguma conduz à sua imaterialidade. tampouco a declará-lo
considerar o tempo como
Da mesma mancira, é errôneo como em absoluto inexistente.
signilicaria adotar as
uma das variedades da matéria, que o
Observemos que a conclusäo relativa à objetividade do
interpretação do tempo. Ob.
posições do substancialismo na
tempo, conclusão que parte do principio que afirma o mundo
Rutkévich, que são equivocos tanto
serva, com razão, M. N. como realidade objetiva e que tão importante é para a argu-
a reduç o- idcalista da matéria a espaço-tempo, como
-
mentaçao em favor da objetividade do tempo, tem pleno valor
do espaço-tempo
"a inclusão, mecanicista na sua esséncia, precisamente se se entende o tempo como caracteristica da
dos tipos de matéria".28 matéria em movimento, e não como essência
espec al. Se se
num
do tem po pode
A concepção metafisica, substancialista, considerasse o tempo como essência singular, a objetividade
isto deixe de
não ser forçosamente idealista, sem que por não poderia servir de base para extrair conclusões
ser um equivoco, Deve-se levar
isso em conta, tendo em vista do mundo
de qualquer espécie söbre o caráter objetivo do tempo. Ao
interpretações metafisicas sôbre a
quc. nos últimos anos, as
Contrário, se o tempo é uma forma de ser da matéria. tor
vëm encontrando certo eco na idéia do
natureza do tempo na-se possivel compreender mais claramente sua materiali-
Sem entrar no proble.
tempo proposta por N. A. Koziriov. dade, já que o mundo é material.
ma relativo ao em
grau já se confirmou experimental-
que A
existência de fôrças de cujo descobrimento interpretação substancialista do tempo sob o aspecto
nente a novas
N. A. Koziriov- impôe-se
de um processo fisico" singular, constitui, em essëncia, uma
nos corpos em revolução nos fala regressão à anterior concepção newtoniana. E não se justi-
dizer que metodològicamente carece de fundamento inter-
fica semelhante retrocesso a respeito da concepção materia
resultado da ação do tempo. No trabalho de
pretá-las como
N. A. Koziriov, o curso do tempo é considerado como " pro-
lista dialética, 3

0
afirma-se que "o tempo possui
cesso fisico real particular;
tempo pode realizar um trabalho" e que O tempo não é uma substância especial: constitui un
energia": que o

"a estrêla tira energia do curso do tempo". Encontramo-nos momento de existência da matéria, subordinado à matéria e
ante uma tipica interpretação substancialista do tempo, com que não pode existir independentemente dela. A circunstn-
a qual não é possível estar de acôrdo. Contra ela se voltam cia de que o tempo não existe como substância
os resultados obtidos na investigação acêrca do tempo rea independente
ou como processo especial, não oferece de maneira
lizada pelas clências naturais, assim como as considerações
alguma
um
argumento contrário á sua realidade, pois existe real-
filosóficas. mente na qualidade de forma de ser,
N. A. Koziriov concebe o tempo como algo material.
em qualidade de atr.-
buto da matéria em movimento.
Mas a materialidade baseia-se na existência objetiva, inde A ausência do tempo como "coisa" à parte pode ainda
pendente da consciëncia. E, precisamente, a materialidade menos servir de base para chegar a conclusões
que o tempo possui, cujo caráter não substancial (no sentido agnóst:cas
acêrca do mesmo. Para muito teólogos e filósofos idealistas
as palavras sôbre a "imperceptibilidade" converteram-se numa
27. Hege, Obras. de
28. M. M. Rutkévich, Malerialismo dialético. espécie acessórios inerentes às suas obras. Já um dos
29. N. A. Kozirlov, Mecânica causal ou não sinétrica na apro- "Padres da Igreja", Santo
rimação linear. Agostinho (354-430), escreveu que

30 N. A Koziriov. obra cltada.


31. Ibidem, pág. 42. 33. N. A. Koziriov admite uma separação direta do tempo e do
32. Tbtdem, pag. 1. espaço com respelto à matéria.

78 79
cnquanto nio Ihe perguntavam sõbre o tempo tinha uma O filósofo idealista
V. S. Soloviov afirma
ideia a respeito dele, mas quando Ihe pediam que explicasse "o tempo
0 que era o tempo, nada sabia a respcito," Tais palavras nio admite nem a explicação empirica de suaque
origem nem
a definição racional de sua
clas se eximem
Sao do gosto dos idealistas modernos, que com cscreveu: esséncia. Freqüentemente sio
de apresentar outras explicaçõcs. Spengler "Na encontradas definições semelhantes. O idealista norte-ame-
velha filosofia. só encontrci uma designação realmente pro. ricano Lippincott escreve que o mistério do
tempo, inviolável
Santo Agostinho,
""
Speng- durante séculos de análise, continua sendo coisa misteriosa
funda do tempo. Encontra-sc cm

ler contrapunha o "misterioso tempo ao espaço tosco e c escorregadia, estranhamente incompreensivel para nossas
mentes estreitas. E inacessivel ao
habitual.
. .

mistério do tempo, tudo se revela


entendimento. .. Ante
valor para a o
A elucidação do que o tempo é tem sumo
impotente: a capacidade
da razão, as lórmulas da lógica e os métodos da ciencia.
mais a atenção
ciencia, c o problema vem ocupando cada vez
O
dos naturalistas. Mas, estrito âmbito da ciência natural, tempo é algo que escapa ao conhecimento. Não
no
ve-lo, não podemos pensar néle de maneira podemos
Sem recorrer à filosofia, não existe maneira de dar uma defi- corrente, não
nição do tempo, o compreende. Nesse sentido, é bas-
que se
podemos sentir sua substncia nem
imaginarmos sua natu-
tante caracteristica a monografia do biofisico americano B reza... Nenhum pensador, em nenhum
século, pöd: com-
Streler. dedicada a questões de envelhecimento. No inicio do preender ëste grande mistério: o tempo. Para êste
seu trabalho, B. Streler trata de maneira perfeitamente lógica ainda não se encontrou uma proble-
solução verdadeira... " s
É bastante
a categoria do tempo, pois a éste se encontra ligado o enve.
Ihecimento, No entanto, não consegue dar uma definição
significativo
sibilidade de examinar o tempo seja
que precisamente a impos-
dele: "E curioso que um conceito tão habitual como o tempo
como
venha a colocar Lippincott num labirinto coisa à parte que
no qual ele não
se torne tão dificil de ser definido. Comumente, medimo-lo ve saida alguma. "Se o lôsse real
sem o definir, e inclusive é duvidosa a própria possibilidade ria estar
tempo escreve -
deve- -

quieto ou mover-se. Se estå quieto, o passado e o


de dar uma definição adequada à palavra tcmpo, pois os presente coexistem, o que é
conceitos que para isso são utilizados mudança, acelera- e
impossivel.
Se se move. de onde
para onde se move? Deveria deixar atrás um
são, velocidade, etc.- definem-se, por sua vez, através do vazio intem-
poral e deveria mover-se adiante num vazio
conceito de tempo".d Limitando-se a tais palavras, Streler Esta aplicação da lógica nos deixa numa dificilextratemporal.
passa imediatamente ao problema da mediço do tempo, á
Ora, lógica metafisica de
a situação".
determinação da seqüencia dos acontecimentos no tempo e ele, a real dade do tempo Lippincott é deficiente. Para

à direção do curso do tempo. último sob


liga-se apenas à representação dste
A dificuldade com que se choca o sábio biofisico é com-
o
aspecto de "coisa especial. Mas como o
não o é, tempo
preensivel. Delinir o tempo é problema da filosofia. Mas a Lippincott apressa-se em declará-lo irreal, misterioso
e, de uma modo
flosofia idealista prefere ignorar o problema, ou, então, de- geral, "questão incomprzensivel e espantosa."
Uma
clarar a essência do tempo inacessível ao entendimento (o argumentação
bastante curiosa, a mostrar que
caráter não substancial do
qual não é mais que um elemento da interpretação mistica tempo se torna um obstáculo in-
da referida categoria). superável para a mentalidade religiosa,
num dos sermões
pode encontrar-se
do seu tempo: "Não vemos nem o
tempo
34. W. Gent, Die Philosophie des Raunes und der Zeit, Bonn, 37. V. Soloviov, O tempo.
1926 38. H. H. Lippincot, Elernal
35. Spengler, A decadéncia do Ocidente, tomo I, pág. 129. Lije, Los Angeles, 1960.
36. B. Streler, Tempo, células e envelhecimento, pág. 14. 39. Ibidem, pág. 39.
40. Ibidem,
80
81
Se alguém atima que v i o temp0, que

m nar le a parece, e pode ser medido, quan-


qus st
anos, se
ceknet ns quantar toneladas ou quantos
iem.

Schi u duro liqundo ou gasoso, Numa palavra: o tempo


sNet vel de nvestigaçao. Nao podemos investigar
para no, natingivel
concluia o
Fpado III
As ahrmaçies de quc o tempo é incognoscivel porquc
tte uma torma e náo uma coisa parte porque nao
thxdemos pesd-lo cm toneladas, carecem de base, Sòmente
ante a impos.
n t e l o t o metatisico pode car no agnosticismo
na quali.
dtidadc real de descobrir na naturcza o tempo
substancial do
dade ie subståncia especial, O caráter não
tempo signitica auc sua cssénca, assim como suas proprieda-
Sobre a Essencia do Tempo
é analisado cm rela-
ds so se manilestam quando o tempo tendo
cão com próprio processo de ser material
do mundo e

conta os traços caracteristicos essenciais dèste último.


c dalética do tempo abre
omentea concepçio materialista c

cannhoà sua cssência.

CARATER objetivo do tempo, questão a que dedica-


mos o primeiro capitulo dêste livro, constitui um importante
elemento de sua descrição. Sem ele, é impossivel chegar a
compreender com precisão a essência do tempo. Ao mesmo
objetivo também visa o exame do problema do tempo como
forma de ser da matéria. O problema da essência do tempo
no entanto, não se esgota apenas com a demonstraço da
objetividade deste último e com a sua definição como forma
de ser da matéria, mas com a necessidade de assinalar o
que precisamente esta forma expressa. A essência do tempo
não pode ser elucidada se não é examinada a partir do ponto
1 N.F. Kudinov, Deus e amor, Moscou, 1927. de vista da dialética do processo de desenvolvimento

22 83
dida é o tempo comum. Precisamente assim o considerava
1. O TEMpo E o ProcEsso Do FuTURO
Newton. para quem a duração não passa de outra denomi-
nação do "tempo matemático, absoluto e verdadeiro, que flui
As recentes definições do tempo apresentam-no como de maneira unitorme por si mesmo, pela sua própria essência,
feno e cuja medida de duração
é o "tempo comumn acessivel aos
duração dos processos e como ordem de sucessão dos
sentidos. Na filosofia de Bergson o conceito é examinado
menos. Semelhante caracterização, formada ao longo dos
séculos e comumente admitida em nossas publicações (cla na qualidade de essência singular. Ai, a duração se acha
é bas- convertida no alfa e ómega do universo, na substância que
é encontrada em quase todos os manuais de filosotia) determina "o impulso vital" e forma a essência última, ini
tante justa. A sucessão e a duraço como duas determina-
cial, do tempo. Claro que tal maneira de entender a duração
ções temporais dos fenômenos aparecem, por exemplo,
na

dos conceitos de tempo geoló- se encontra inteiramente vinculada à interpretação substan-


geologia, quando esta trata

gico relativo e "tempo geológico absoluto". O prime.ro


dês- cialista do tempo, e o que ficou dito, acima, a respeito desta,
tes conceitos relaciona-se com a estimação do tempo através torna supérflua qualquer critica ao referido critério. Nem a

da sucessão das etapas do desenvolvimento geológico da


Terra; o segundo, caracteriza a duração dos objetos geoló-
filosofia materialista dialética, nem a
ciência natural
na podem contentar-se com uma simples referência à duração
moder-
gicos. Mas, mesmo sendo válida, a detinição do tempo
atra- entendida como substncia peculiar.
vés das categorias de duração e sucessão mostra-se insuti- Quanto à duração do tempo como expressão da ordem
ciente para definir a essência do tempo, Observa-sc, assim, sucessiva dos fenômenos e de sua ordenação, ainda que abor-
a explanação do problema sô- de o aspecto qualitativo do tempo, por si mesma não nos fala
que, mesmo que se concretize
isso
bre a natureza do tempo, não quer dizer que com se das particularidades especificas dèste último. O conceito da
esgote a questão. ordem sucessiva dos fenômenos não apenas pode ser utiliza-
Com efeito, a duraçãoexpressa algumas dimensões de do sob o aspecto temporal, mas também sob outros diversos
tais ou quais processos do tempo. Refere-se ao tempo como aspectos, como por exemplo o lógico, o espacial ou no sentido
uma caracteristica quantitativa que não traz em si proprie de sucessão numérica. Para que a ordem sucessória de que
dade alguma qu2 distingua a duração temporal de outras se trata seja realmente temporal, torna-se indispensável deter
durações por exemplo, a da ordem espacial. A diferença minar como se processa a seqüencia no caso dado, e conse-
terminológica que consiste em falar de duração
em um caso qüente diferença de tôda outra seqüência.
e de longitude, noutro, não é. por si, tão
se pode supor. Quando definimos a
profunda
quanto
duração de tal ou
qual
processo, dizendo que os mesmos se prolongaram durante A definição do tempo através da duraçãoe da ordenm
"tanto tempo", a questão do que é o tempo continua aberta.
sucessória dos fenômenos mostra que existem, corresponden-
É possível encontrar um ponto de vista análogo, por
temente, um aspecto qualitativo e um aspecto quantitativo do
exemplo, ao formulado por M. F. Shirókov segundo o
-

tempo. Uma explicação mais profunda da natureza dêste


qual o tempo constitui um conjunto de durações temporais".
último nos leva ainda mais longe, pelo caminho de sua co
Mas também é válido tentar definir de maneira mais concreta
nexão com o movimento.
o "tino especial" das durações temporais.
A conexão do tempo com o movimento já era conhecida
Para o pensamento metafisico. é corrente considerar a
nas épocas mais remotas. Então, o tempo aparecia diante
duração como uma esséncia peculiar cuja expressão e me-
2. Newton, Principios matemáticos da filosofia natural.
1. M. F. Shirokov, obra citada.

85
84
do homem como algo móvel, luentc. Assint, na lingua russa, tivas que se encontram cm trabalhos atuais, Entre éstes, in-
a palavra tempo" (vremia) deriva-se do russo antigo rere- cluimoso livro A rclocidade co univcrso rclativista no qual
mia, vocábulo cujo sentido inicial era o de giro, turbilhão".
Significativo é que, na inguagem, a categoria de tempo, de
um dos scus autores, Abélé, considerava (a cbra é de
1954) o tempo como independente do conceito de velocida-
correlaçáo temporal, se de apenas e prccisamente em conexão
Em alemão,
de, com a particularidade de que Abélé toma como veloc1dade
com o verbo, parte da oração que expressa ação. absoluta, máxina, a que ofere e a teoria da relatvidade: a
"verbo" se chama das Zcitwort, o qu:. iteralmente, significa velocidade da luz, ainda que a relacionada com certa quali
palavra temporal, dade supersensivel e deduzindo dos principios tomistas o
A respeito, é preciso assinalar a circunstancia de que
principio relerente à existência do måximo de velocidadec.
1a ciéncia o tempo é Ireqüentemente considerado como mag-
Inferir o tempo da velocidade da luz (inclusive dei
nitude variável independente, isto é, como magnitude da qual
Nando dc lado o invólucro tomista que Abélé dá a tal tese)
Slo tunção outras magnitudes variáveis. Desde logo, tal cir
nào passa de uma elocubração sem qualquer base. Para co
cunståncia não fala do caráter independente da mudança
meço. na teoria da rclatividade, a velocidade da luz como
do tempo como se se tratasse de uma substância separada,
constante lisica universal acrescenta-se às fórmulas que de.
inicial e singular, mas, ao contrário, constitui um indice pe terminam a interconcxão de tempo e espaço. Falando em
culiar c, em certo grau, um relexo do fato de que o tempo
termos gerais, a velocidade aparece aqui como conceito me-
expressa variação, de quc no transcurso do tempo se expressa
cânico, ligado ao passar do raio de luz (de ondas eletro-
o movimento; também. naturalmente, é um reflexO de queo
tempo pertence ao numero das caracteristicas essenciais do
magnéticas) por uma determinada distäncia espacial numa
unidade de tempo. Existe uma série de processos nos quais
desenvolvimento de todo fenõmeno. a distancia cspacial não é levada em consideração ao deter-
No uso corrente das palavras, identificamos constante-
mente o tempo com determinadas mudanças reais, fora das
minar-se a velocidade. Exemplo é a velocidade das reaçðes
quimicas, velocidade que caracteriza a mudança de concen-
quais o tempo não se dá. Quando dizemos: "Para você o
tração das substancias que participam nas reações em una
tempo não passou", queremos expressar a idéia de que o
ao qual nos dirigimos
unidade de tempo. Outro exemplo é a veloc.dade da forma-
individuo não soBreu qualquer mu- ção das conexões nervosas temporais, etc. Além disso, tem
dança através da idade. A conexão do tempo com o movi-
que se ter em conta que a velocidade só se relaciona com o
mento já fôra antes observada
por Aristóteles,
que investi
gou essa categoria na sua Fisica (livro V. capitulos 10-15). tempo como duração, Fica à margem a caracteristica de or
Mas o lato é que a elucidação do caráter désse nexo tem dem temporal em relação com o prôprio conceito de velo-
apresentado grandes dificuldades, tornando-se mesmo um cidade.
insuperável obstáculo. Inclusive se a velocidade é tomada em seu sentido mais
Constitui defeito essencial, que limita a conexão indi- genérico, aparece sempre como conceito derivado do tempo
cada, reduzir o movimento relativo ao tempo apenas a um (assim, por exemplo, a velocidade do ponto que se move no
ds
dos seus aspectos concretos. Assim, na Antigüidade. inclu-
sive até a Idade Média, o curso do tempo relacionava-se movimento de tempo . e pode considerar-se
freqüentemente apenas com o movimento visivel da abóbada dt
celeste. Análogas são, pelo seu caráter, algumas das tenta como expressão
distncia
da duração temporal em sua relação
espacial ou com o grau de tal ou qual processo
com a

3 A. G. Preobrazhenskl, Dicionário Etimológico da lingua (concentração de substncias que reagem, etc.). A categoria
TUSSa.
de velocidade é valiosa para compreender o tempo no senti-

86 S7
materialista dialética como certo cs
tndo de concepçao
do de que ésse conccito assinala o nexo do tempo com ob sua

todo do Universo,
vista dialético, entende-se
o movimentc
movimento.
Lobachevski tentativa de definir o Do ponto de
Deve-se a N. I. a
geral, e. não
além disso, como simples
movimento. como mudança em
conta sua conexão com o
tempo levando-se em como mudança que inclui em si
lugar,
deslocam2nto de
mas
mecânica, dizia éle: "O movi.
Em suas conferências sôbre desenvoivimento, tomo
intinitamente do m e s m o nodo, cha- a apariçio
do novo, como processo de
mento se
que prolonga substancial, como futuro. O futuro constitui uma
para tomado com- mudança
ma-se unilorme, e um dos tais movimentos dialét ca, um dos conceitos
da
demais, denomina-se tcmpo.' Tais palavras das categorias fundamcnta.
paraçao com os
a conccpção dialética do
desznvol-
materialista de dar essenciais que expressam
tem um grande inter sse como aspiração
conceito de movimento. Vimento. Não pode haver
tuturo onde a coisa permanece
uma deinição do tempo através do
ünicament: onde surge algo diferente
mostra-se limitada, já é; éle se dá
Mas, emn scu conjunto, e s a definição
como
converte-se em CX15-
unicamente com um tipo determinado algo novo, Algo que antes nao existia,
que relaciona o tempo
e destacado de movimento, precisamente
o movimento uni- tente.
do encobre, nesse caso,
O desenvolvimento, mundo inteiro efetua.
mudança do
torme. C aspecto da medida tempo a

se como processo de transformação


das coisas e fenomenos
a própria essencia déste último.
Relacionar o tempo apenas com um dos tipos de movi- singulares que constituem o mundo, como
desenvolvimento
de suas (a velo-
caracteristicas
de tais coisas e fenômenos. Cada uma dessas inumeráveis
mento concreto ou com uma do movimento exclusi- transformações. cada um desses processos de desenvolvi
cidade) reduz tudo, de fato, ao exame

de resto, estri-
vamente como medida do tempo. A questão, mento constitui uma transformação totalmente concreta, que
nao sóm2nte se mede com o se se faz abstração de todos
ba-se no fato de que o tempo possui traços especificos. Ora,
vinculado a cle feno-
movimento, senáo que, além disso, acha-se os traços especificos de tõdas as coisas e de todc3 os

natureza. Depreende-se esta con-


por sua própria e intima menos singulares, surge algo geral. inerente a todas essas
da rela-
clusão da descoberta fundamental, feita pela teoria mudanças, a todos êsses processos de desenvolvimento como
tividade, sôbre a mudança no curso do tempo em relação tais: precisamente o fato de que, em todos os casos
movimento de determinado sistema mate.
aludidos,
com a mudança de encontramo-nos com um futuro. com um processo de torma-
rial. Este efeito fisico mostra que o curso do tempo se acha ção. O futuro como mudança substanccial vinculada à apa-
geneticamente determinado pelo movimento. rição do qualitativamente növo, ao nascimento e desapare-
a gque movimentos.
Aqui, cstá claro. surge uma questo: cimento das coisas e seus estados, à sua translormação em
precisamente, nos leva o curso do tempo
outras coisas e estados, expressa-se na trans:ção entre o ser
e on o ser.
A idéia de futuro, das transições entre o ser e o não
Procuraríamos em vão encontrar algum movimento "tor
mado do tempo como tipo especial de movimento - e disso ser, acha-se organicamente relacionada com o conceito de
tempo. O tempo é inerente ao pro:esso de desernvolvimen:o"
já falamos acima. Só é possivel compreender o caráter do
tempo quando condicionado pelo movimento, se considerar- 5. Kant achava que o slmples deslocamento ainda não é uma
mos este último não da perspectiva do movimento mecânico
ou, em geral, de tipos particulares de movimento, mas par
mudança.
6. B. A. Grushin chama, acertadamente. a atenção söbre a
necessidade de diferenciar com töda exatidão a categoria de
4 N. I. Lobachevski, Duas conferências sóbre mecânica, Pro- "diferença" da categoria de "mudança". Ensaios sobre c lög
blemas da filosofia, 1951, N° 6, pág. 198. ca da investigaç o histórica, Moscou, 1961, pag. 55.

88 89
de existëncia, Precisamente sob o ülti-
U dos graves defeitos da concepção hegeliana do de-
senvolvir.ento reside no fato de que Hegel fala de desenvol.
respondec ao conceito

também do conceito correlativo


falar seu
mo aspecto cabe
vimento na eslera extratemporal, na estera do espirito abso conceito de não ser é ficticio se por ele
"não ser. O
uto, coma particularidade de quc ve o tempo apenas como mundo particular s.tuado num plano equi-
entendemos certo
momento singular do descnvolvimento.' Assinalando tal falha. O conceito de não ser, em sua interpreta-
valente ao do ser.
Feuerbach, cm seu tempo, reprovou a concepção idcalista do coexistente
são racional, não rellete qualquer mundo peculiar
desenvolvimento: "A filosotia especulativa converteu-se cm mundo do ser, mas caracteriza uma potência não
rea-
com o
forma, em atributo do absoluto, o descnvolvimento, separado
lizada do mundo material. O futuro destas potências,
seu

do tempo, Esta separação entre desenvolvimento e tempo


passo em direção
à realidade constitui um processo e desig-
constitui uma autentica obra-prima da arbitrariedadc esp materialista
na a transição do não ser ao ser no sentido
zlatura. . dialético. no m2smo sentido em que reiteradamente
Lênin
Mostrando que ünicamente o ser que se desenvolvee e
utiliza oconceito de "não ser"." A categoria de "não ser"
se revela no tempo é um ser verdadeiro, real, Feuerbach dialética
constitui um componente necessårio da concepção
observa:"0 desenvolvimento fora do tempo cquivale ao do desenvolvimento. Sem esta categoria. sem a unidade dia.
desenvolvimento sem desenvolvimento".
lética e oreciproco passo das contradições de ser e não ser,
A definição do tempo através da mudança serå insu- não há futuro. Tôdas as coisas existentes, precisamente por-
iciente enquanto não licar esclarecida a questão relativa ao
constituem uma unida-
caráter que tem a mudança que se expressa no decurso do que seu modus vivcndi é a mutação,
de de ser e não ser.
tcmpo. Esta é. precisamente,
a questão central para elucidar A transição entre o ser e o não ser se etetua no pro-
essência do tempo. O se acha
a mundo tempo no
nas porque naquele se produzem certas mudanças sob o as-
não ape cesso em que as coisas nascem e desaparecem. No primeiro
transição não ser ser; no segundo caso,
caso, tem lugar
-

a
pcto de deslocamentos entre o que ja existe, mas precisamen-
o tränsito ser - não ser. A transição ser s e r acha-s:
te porque nêle tem lugar o nascimento do nôvo, o processo de
acréscimo do que existe e destruição do que é velho, O
vinculada à transição da possibilidade à realidade, expres
sa o principio criador que caracteriza o porvir. A possibili
mundo não é simplesmente algo que está presente. Cria-se
dade realizada aparece como ser, A transição ser nao ser
sem cessar. e isso encontra expressão no curso do tempo.
Ao falar da mudança em relação com o problema da essência expressa o momento da negação no processo do desenvolvi-
do tempo, é de suma import ncia assinalar que se trata, pre mento. Os dois tipos indicados de transição se encontram
cisamente. da transição da não existência à existencia (e relacionados entre si, representam, no tundo, duas partes
de um processo: o nascimento de um está relacionado com
vice-versa).
Para compreender a essência do tempo são de extraordi o desaparecimento do outro: algo se transforma noutra coi-
nária transcendência as categorias de ser c não ser. O futu- sa, nova; interrompe sua existéncia em seu aspecto anterior.
ro, como processo de nascimento c desaparição, surge como A destruição da coisa A é o nascimento da coisa B. A reali
um passo constante entre o ser c o não
zação de uma possibilidade segue unida à liquidação da
ser. O têrmo "ser realidade anterior, de cujas entranhas surge a poss.bilidade.
pode rer utilizado nos mais diversos sentidos. Fala-se do
ser quando se o liga ao pensamento. Por outro lado, no implicando ao mesmo tempo o aparecimento de novas possi-
exemplo dado, utilizamos o têrmo "ser no sentido que cor bilidades. A dialética das categoriais de "possibilidade" e

7. K. Bakdradze, 0 sistema e o método da jilosofia de Hegel. 9. Lenin, Obras completas, tomo XXIX, pågs. 245, 252 e cu
8. L. Feuerbach, Seleção de obras filosóficas, tomo I, p. 123. tras.

90 91
inclusive absoluto
em éles.
fenomenos nelas contidos
sem
para a caracterização
"realidade" é de essencial imporlänca adiante, já
do tempo, Voltaremos
ao assunto mais Sem:lhante concepção do tempo era própria, como vimos.

da fisica pré-relativista,
newtoniana, Podia, com facilidade.
ser translormada
em misticismo, como, enm particular, de-
Se é uma substân-
monstrou a filosofia de Bergson.
o tempo
acabamos de expor, aparecem de
Em rclação com o que de consistir num deslo-
ordenm sucessória dos
fenómenos e cia particular, o curso do tempo tem
a
mancira mais concreta substância. Claro, ninguém diz, nem
do tempo, e torna possivel camento da referida
a duração como determinante modo tal Quanto a Bergson, não
uma caracterizaçäo
do conccito de curso do tempo e das pode dizer de que ocorre.

de passado, presente e luturo. Vere- foi ele além das alegorias literárias
categorias temporais de futuro consti. A teoria da relatividade demonstrou que o tempo nao
o apèlo ao processo
mos, além disso, que
se possa detinir
racionalmen- constitui uma substância peculiar, mas uma forma, um modo
tui o único caminho para que determinado de ser das coisas em movimento. De qualquer
encarnam o caráter especilico
te os referidos conceitos que Nes-
mancira. o ponto de vista relativista levou ao nihilismo.
do tempo. como ordem de suces se sentido, surgiram afirmações de que o curso do tempo
em
Examinemos a delfinição do tempo
a res- absoluto não existe, e de que a expressão curso do tempo
são dos fenômenos. A luz do que acima ticou exposto
sentido
entre o tempo e o processo
do tuturo, deve- não é mais que um mito, uma metáfora carente de
peito da ligação da existen- análise mais rigoro-
mos falar da sucessão temporal como sucess o real. uma ilusão que não resiste a uma
defendem filosóficos Smart
fenömenos. O tempo, como ordem de sa. Isto é pr2cisamente o os
que
cia das coisas e dos é, sem dúvida,
sucessão indica a correlaço
das posições no processo da e Black. "0 conceito de curso do tempo.
A precede no tempo o fe. uma ilusão", declara o filósofo australiano Smart, que passa
cxistëncia. Dizer qu2 o fenömeno
A existia quando B ainda não a lormular perguntas que, no seu entender. seriam demoli-
nomeno B signilica dizer que
doras para o referido conceito: "Quão distante vai o tempo
cxistia.
essencial do processo do ser en- no seu curso? Em que unidade de velocidade se pode medir
O futuro como marca

contra expressão no tempo como característica da sucessão esta corrente? Em segundos por. . . ? " - e ch2ga à seguin-
das coisas e dos fenômenos. A sucessão no tempo pode se te conclusão: "Falar do curso do tempo... constitui uma
substituem uns aos ou- perigosa metáfora", 10
dar sòmente entre lenõmenos qu2 se
Esta relação temporal se
tros no processo da existéncia, Posição análoga assume o filósofo positivista americano
estabelece sempre de manaira mediata através do processo Black. Rebatendo aquêles que concebem o tempo como algo
de exist ncia da própria coisa dada ( se se trata da relação que se move ou flui, Black escreve:
no tempo entre diversos estados
de uma coisa), através do
sistema geral em que as coisas dadas se acham insertas (se
Vejamos: se a afirmação de que o tempo sempre flui
tem um sentido literal, temos todo o direito de perguntar a
se trata de coisas diversas), através da inter-reação ativa velocidade o tempo corre. E se assim é, há-de haver um
que
entre a coisas (no caso da causalidade). supertempo para medir a marcha do curso do tempo comum.
Atentemos para o conceito de "curso do tempo". Che- A respeito dësse supertempo, imediatamente se apresenta
garemos à compreensão racional dëste conceito se evitamos
uma questão análoga... E assim sucessivamente, infinita-
os do's extremos que se dão em sua interpretação, 0 pri- mente". Como a questão relativa à velocidade do curso
meiro dêles relaciona-s2 com o enfoque substancialista do do
tempo carece de todo sentido, da mesma forma carece de todo
próprio tempo, com a concepção de tempo como certa du-
ração peculiar que existe independentemente das coisas e dos 10. J. J. Smart, The Temporal As5ymmetry of the World.

92 93
sentido da palarra como manifes
scntido declara Black acontecimentos no amplo
muda, 1t
-
- a afirnmação de que o tempo os
movimento da materia). Atos de porvir ("de reali.
tação do numa eterna cadzia
um ao Outro
Não é dificil perceber a inconsistência de semelhantes zação que se seguem
o curso do tempo.
èles a prova do resultado a que conduz a isto é o que expressa
argumentos.
de
São Nem a interpretação formalista e idealista de Kant. que
ncompreensão que o tempo não expressa um movimento supunha que o próprio tempo... mística ja contém as relações de
mecanico
susceptivel de ser caracterizado com
parâmetros e idealista de Ber-
sucessão," nem a interpretação
como a velocidade, mas um movimento no sentido filosófi- caracterizando o tempo, fala de "multiplicidade
Co da palavra: um processo de porvir. Os autores citados, ao gson, que,
sem separação permitem dis-
sem divisibilidade e sucessão
talarem do curso do tempo, partem na realidade de uma idéia "A duração bergsoniona é uma
do tempo como
substância particular, como "coisas" à part: tinguir o curso real do tempo.
c exigem que nële se dë tudo quanto se dá nas subst ncias duração que não dura", l"
indica o filósofo francês Pucelle.
e nisto é impossível não estar de acôrdo com êle.
particulares, que se dê nêle o que caracteriza o deslocamen-
materialista da sucessão temporal, tão in-
to das coisas singulares, Ora, como pretendem que o tempo A concepção
não é uma
substância especial, os referidos filósofos se portante para a apresentação e solução do problema quz
tiaga o traços caracteristicos do curso ddo mpo, contrapõe-
surpreendem de que não seja possível torná-lo extensivo a
se à concepção que da referida sucessão têm os positivistas.
tudo quanto é próprio das coisas singulares. E disso, preci-
Estes admitem o curso do como uma seqüència de
samente, inlerem que o curso do tempo não é real. Assim, tempo per
pois, os argumentos aduzidos pelos "nihilistas constituem cepções na experiència psicológica, e a sucessão como con
prova de que cles partem, em sua crítica, de representações dicionada pela estrutura da teoria cientifica,. E significativa
substancialistas do tempo, contra as quais se manitestam. a declaração de Bertrand Russel no sentido de que a fisica
Os filósofos que negam o curso do tempo veem de ma- atual separou-se da matéria, substituindo-a pela sucessão
neira mecanicista o próprio conceito de movimento. Smart dos acontecimentos. " Mas o caso é que a própria suces

nega a existência do movimento temporal já que por movi são dos acontecimentos constitui uma sucessão no desenvol-
mento" entende-se a mudança do espago com respeito ao vimento do mundo material, sem o qual perde o verdadeiro
tempo". 12 Já mostramos que semelhante limitada concepção
sentido, dado que os acontecimentos são manifestações do
do movimento não pode servir de base para resolver o
pro movimento da matéria, Basta explicar o sentido da sucessão
blema do tempo. temporal como expressão do movimento material objetivo
Mas que se há de entender, racionalmente ,pelo conceito para se ter a resposta à verdadeira situação das coisas. à
de curso do tempo"? Para responder a esta pergunta é autêntica essência do tempo; sòmente tal explicaço pode
preciso partir da concepção da essência do tempo como forma constituir a
premissa filosófica cientifica da investiqação do
de ser da matéria, como forma que expressa o processo do curso do tempo. de suas propriedades. O tempo não é sim-
futuro. O mundo tem sua história, os fenômenos não exis- plesmente uma duraço impessoal, um s'mples intervalo: "cem
tem num só todo, as coisas singulares têm principio de exis- anos". "duas horas". "10" segundos". O modo de conceber
tência e fim, E isto, precisamente, o que mostram a sucessão a sucessão temporal tal comoo expomos permite colocar o
ea duração temporais, Sob a concepção de "curso do tempo" problema do curso do tempo como determinada expresso do
temos que entender, racionalmente, a mudança sucessiva de 13. Kant, Obras,
acontecimentos do ponto de vista de sua existência (entendo em seis tomos.
t. III.
14. Bergson, Duração e silmultaneidade, p. 39.
15. J. Pucelle, Le temps, p. 51.
11. M. Black, The Direction of Time. 16. Bertrand Russell, O conhecimento humano, sua esfera e
12. J. J. Smart, Is Time Travel Possible? Seus limites.

94 95
de icsennolr.mento do m u n o
matcral, problema a mente passados), com a única diterença que um dos momen
pme
\oltaremos no capuulo scyuunte. tos se segue ao outrO. Aqui, em comparação com a relação
geal a id
de
Crso i tempo conmo sucessiv mudanga aconte. de entre introduz-se a idéia sôbre a direção da ordem
eistencka se encOntra relacionado dos
momentos do tempo, sôbre a seqüència: tn>ta. O especifico
mntos t0 prresso da
t uma deterninada csirutura temporal, com determinadas de ordem temporal como ordem que retlita a mudança, estri-
rehiies entre os momentos do tenmpo, Tais relaçòcs podem ba-se, precisamente, em constituir uma ordem dirigida. Rei-
irn1at-se cu diversos aspectos chenbach observa, acertadamente, que, no todo, ordem é
determinadas no aspecto quantitativo identico a uma "direção". " No caso do tempo, temos de
-

'adem cr
cste caso nio sC apresenta (pelo menos de torma patcnte)
dos momentos temporais do
tratar, precisamente, de uma
ordem dirigida ou orientada.
problema da he. erogeneidade Ora, semelhante detinição da ordem dirigida do tempo
Onto de \ ista da exist ncia, Semelhante represcntação da (tn>ta), constitui expresso puramente quantitativa da es-
ordem temporal é constantemente cncontrada. Acha-se ampla- trutura temporal.
ditundida na ciencia apresenta, por exemplo, cm A
mente
töda classe de tábuas, que
e se
mostram a cscala, em tal ou qual relaçãoentre os momentos do tempo e, por conse
guinte, a ordem temporal orientada, podem da mesma manei
estàgios em diterentes momentos do ra ser detinidos no aspecto qualitativo, em que se tem em
proso, de sucessivos
serve qual.
tempo. Para semelhante representação do tempo conta diversos momentos do ponto de vista de sua relaço
uer gratico que reflita a variaçao de algunas magnitudes no com o processo do futuro (porvir), o qual se expressa na
(independentemente da posição
tempo. o indicador do relógio existência de três "tipos de tempo: passado, presente e
dos ponteiros), qualquer tábua cronológica, o calendário, que futuro. Precisamente é êste aspecto qualitativo que engen-
mostra sucess o
a dos dias enumerados na ordem de incre- dra a relação em que os momentos do tempo se sucedem
mento da série natural dos números. uns a outros, e se encontra a expressão quantitativa na rela-
Assim considerada., a ordem temporal pode ser designada, ção de "depois" "antes"; é êle, exatamente, o que mostra
antes de tudo, através do conceito
de entre. Dizenmos: o as diterenças de principios da estrutura temporal em relação
A e C. Com isto também
momento B entre os momentos
à estrutura Enquanto que a sucessão espacial é uma
espacial.
caracterizamos uma determinada correlação dos momentos sucessão de fenômenos equivalentes do ponto de vista de
temporais apresentados. sua existëncia, a sucessão temporal é uma sucessão no pro-
De qualquer maneira, a definição da ordem dos momen- cesso da existência, inclusive as relações entre o que existe
tos do tempo através do conceito de entre ainda n o esgo- e o que existiu, entre o que existe e o que existia. Como
ta a caracterização quantitativa da estrutura temporal, pôs- observa, com razo, G. Whitrow, as
categorias de passado,
to que esta se acha vinculada à mudança. A referida caracte. presente e futuro são "os traços do tempo para os quais noo
rização tem de incluir as relações maior, menor, orgâ- existem análogos espaciais".18 Refletir sôbre o sentido destas
nicamente inerentes a tôda caracterização quantitativa, ao categorias é sem dúvida útil, é, no nosso modo de ver, in-
conceito de quantidade. Com respeito ao tempo, tais rela- dispensável para elucidar a conexão do tempo com o proces
relações de "depois "antes": o mo- so do futuro.
çoes aparecam como

mento B depois do momento A. s conceitos de "depois" e A definição das categorias de


passado, presente e tu-
"antes". como já foi indicado, têm o sentido de: existente turo parte, como é natural, do fato de que as reteridas cate
depois e existente antes. Estas são caracteristicas especifica- gorias caracterizam de tal modo a sucessão dos acontecimen-
mente temporais. Dêsse modo, a caracterização não se atasta tos que o passado constitui o que tem sido até o presente, e
das posições de homogeneidade dos momentos que se exami-
17. Reichenbach, A direção do tempo, págs. 43-44.
nam- éstes são vistos como igualmente presentes (ou igual- 18 G. Whitrow, A filosofia natural do tempo, pâg. 97.

96 97
que surgirà depois
do presente. " Em tal defini. tempo, ou, mais exatamente, a que
tuiuro o
das refe.
correspondem éstes últi.
não tica revelado o aspecto quantitativo mOs, o que constitui o seu cotrelato.
a ahàs, como clementos especi-
Fidas categorias, no que representam Certos resultados deverão ser obtidos se enfocamos o
de desenvolvimento:
ticos da estrutura temporal do processo
através das categorias
problema da diferenciação do passado, do presente e do fu-
ainda se definem de modo quantitativo turo utilizando a dialética da possibilidade e da realidade.
de depois antes . A diferença entre presente, passado e futuro é a
diferença
Faz-se cssencial introduzir aqui definição destas
uma
entre o que se está realizando, o que já se realizou e
futu-
presente
e o que o

categorias que correlacione o passado,


o
ainda no toi realizado. V emos assim, com tôda evidència,
ro com determinados estados do mundo objetivo, como tais que o aspecto temporal da mudança expressa, precisamente,
descnvolvimento, sem se limitar a ca.
ou quais aspectos do o
processo do porvir, O ato de porvir, de realizar-se. é o
sucessão de um a outro, Neste
racterizá-los no plano da estado eternamente em movimento e eternamente existente,
caso. o ponto é
de partida
a interpretação da essência do do mundo material, estado que se expressa atravs do concei-
existencia da matéria, torma que ex-
tempo conmo forma de to de presente temporal. O
presente é a transição entre o es-
reciprocas entre o ser o
pressa o processo das transições tado de existência e o de não existência, é o ato da realiza-
o luturo n o são estados
nao ser. O presente, o passado e
gão, o ato em que a possibilidade se converte em realidade.
de um processo espe-
do tempo como de certa coisa
ou
presente expressa por si mesmo uma estabilidade relativa
ao
cial. Considerá-lo assim implicaria passar, errõneamente, no processo da variação perdurável. Esta estabilidade relati
substancialista sôbre o tempo. Não é o pró- va não é simplesmente uma abstração; possui bases objetivas
ponto de vista
que se moveobjetivo singular. AS
como um
na natureza discreta do mundo material.
prio tempo o
seu surgimento,
coisas se movem no tempo, passando pelo O presente é relativo, mas sua própria relatividade pos-
menos do estado em que se sui caráter objetivo. O momento do tempo" unidade
variação e desaparição (pelo
noutra coisa, noutro estado, estrutural, que caracteriza a duração minima, do curso do
acham). por sua transformação
e isso é o que forma o curso do tempo, curso que constitui tempo não é algo que possui existência independente, sem
matéria, relação com os acontecimentos. Isto só torna mais concreto
a expressão deste movimento da
Não é possivel estar de acôrdo com o filósofo positivis- o conceito de unidade estrutural do tempo, porém não anula
considera que a divi- sua realidade objetiva
tanorte-americano A. Grünbaum, que
constitui exclusivamente Dai não ter razão Bertrand Russell quando, em sua ca-
são passado, presente e futuro
em

um aspecto da consciência e só depende da escolha do mo-


racterização do momento do tempo, declara: "Newton con-
designa con- siderava o momento uma realidade fisica, enquanto que o fi
mento do tempo pelo individuo ao qual com o

20 sico moderno não o considera assim". " A diferença entre


ceito de "agora".
A ordem de passado-presente-futuro caracteriza
as r e a posição da fisica moderna e a newtoniana não consiste em
de de- negar a realidade do momento do tempo, mas em negar sua
lações reais entre os estados do objeto processo
no

senvolvimento. Estas relações objetivas tormam a base da existência independente, fora dos acontecimentos, o que per-
do presente e do tuturo por parte mite compreender o presente com um critério racional.
percepção do passado,
deixar claro o que no próprio mo- presente sempre se acha relacionado com algum es-
da consciência. E preciso
tado, com algum acontecimento verificado agora, e a dura-
vimento da matéria corresponde a cada um dësses tipos de
ção de tal acontecimento, de tal estado, determina as di-
19. S. Meliujin, Sôbre a dialética dodesenvolvimento da na- mensões do presente, com a particularidade de que em cada
175.
tureza inorgnica, Moscou, 1960, pag.
20. A. Grünbaum, Philosophical Problems of Space and Time, 21. Bertrand Russell, O conhecimento humano, ete, pág. 303.

98 99
see completa de acontecimentos esta determinação é espe- nhas da própria realidade objetiva, Falamos do futuro, tendo
citca. A diferente duraçio do presente
constitui um dos et conta não alguma coisa em absoluto inexistente, mas co-
ver presente. O futuro se caracteriza
se manitesta a naturcza es- mo algo que esperamos
aspectos característicos cm quc
ésse pelo fato de que nêle se plasmam as possibilidades reais que
itica do tempo. O diapasão quantitativo é, a res.

peito. sumamente amplo.


Assim, a ci ncia considera como expressam as
tendências da_ regularidades objetivas, a orien-
de nosso plancta um periodo com
tação do processo de desenvolvimento. O salto da possibilida
presente gcológico uma

O presente biológico do de à realidade aparece como realização do processo do por


duração de setenta milhöes de anos.
homem é calculado cm dezenas de milênios, a contar da apa- vir,
No que diz respeito ao passado, aqui tampouco se trata
nção do homem de Cromagnon (aproximadamente há cin-
qüenta mil anos)." O presente, como determinado estado que de um"fantasma", de um espectro, como pareceu, por exem-
caracteriza a transtormaçáo do tóton no par elétron-positron plo, ao fisico neocriticista francês G. Bachelard, A nega-
se prolonga aprox imadamente 10-"seg. etc. A relatividade ção idealista da realidade do passado ignora os fundamentos
do presente também se acha definida na linguagem. O lin- materiais do curso do tempo. O tempo no é uma duração
guista dinamarqués O. Jespersen
observa que na prática o pura, atual ou que alguma vez teve existência. O tempo está
têrmo "agora designa, muitas vêzes, um lapso de sensível relacionado com determinados estados do mundo material. To
duração, que se moditica marcadamente segundo as circuns- dos os objetos, ao plasmar em si mesmos sua história, consti-
tancias. tuem, além do mais, um acúmulo de certo tempo. O tempo que
Seria inútil tentar determinar uma duração absoluta do flui para um fenômeno apresentado não desaparece, mas vai-
presente, dada de uma vez para sempre. Em todo caso,
mo se pretende que o conceito do tempo e, correspondente-
co- se "depositando" no referido fenômeno, Sâo conhecidos os
anéis que todos os anos nascem nos troncos das árvores. Tu-
mente, de presente, se acha vinculado a um determinado acon- do no mundo- desde a molécula e a pedra até o ser vivo
tecimento, e êste último tem uma duração não-zero (de ou. - tëm seus anéis anuais".
tro modo em absoluto existiria), o momento do tempo e, cor-
O constante movimento de matéria pressupõe uma co-
nexão entre o presente, o passado e o futuro, a transição en-
respondentemente o presente, não se podem considerar como
divisiveis ao infinito, nem se podem apresentar na
quali- tre o ser e o não ser. Esta conexão é essencial para o pro-
dade de pontos simplesmente limites na sucessão temporal en- cesso do desenvolvimento, inconcebivel fora dela. A investi
tre o passado e o futuro. gação especial da referida conexão vai gradativamente
Neste plano, o futuro corresponde às possibilidades, É ocupando um lugar central na ciência moderna, ao lado de
característico do idealismo apresentar o futuro na qualidade outros importantes problemas, como o da interpretação do
de ilusões. O filósofo inglês neo-realista, C. D. Broad escreve reflexo condicionado na qualidade de reflexo antecipado da
nada perfeito". 24 Mas
simplesmente realidade (P.K. Anojin). o da previsão nos sistemas auto
que "o futuro constitui o

o fato é que a categoria de futuro se acha intimamente rela- máticos de auto-regulação, etc.
cionada com a categoria de possibilidade, com a particularida-
de de que se trata de uma possibilidade real, formada pelas Passemos, agora, ao terreno da duração como uma das
potencialidades do ulterior desenvolvimento, ocultas nas entra- definições do tempo.
A constante mudança de uma coisa por outra pressu
22 A. P. Bistrov, Passado, presente e futuro do homem, Lenin-
grado, 1957.
põe ao mesmo tempo que há uma existência permanente, pois

23. O. Jespersen, Filosofia da gramática, Moscou, 1958.


24 C. D. Broad, Scientific Thought.
25. G. Bachelard, L'intuition de l'nstant, Paris, 1932.

101
100
scm essa permanência nâo existiria
aquilo que muda. Isso Santemente, naquilo que esta contem em si mesma de con-
taz com que a duração se revele como uma das determina- tradição entre continuar sendo o mesmo e "modificar-se". 2
oes do tempo. A duração aparece como continuidade da O tempo como torma de ser, forma que expressa a contradição
existéncia, expressa a conservação da existência. No fato do processo de desenvolvimento, serve também de medida da
conhecido, quc confirma experimentalmente o efeito relati- existência (duração do ser), e como caracteristica da transi-
vista do tempo, o aumento do
período de existência do méson ção entre o ser e o não ser, da transição da não existência à
volante se interpreta, com razão, como aumento da
duração, existência, e vice-versa, da substituição de uns acontecimento-
como "distensão" do
tempo. O tempo, como duração, consti- tos por outros (seqüência temporal).
tui importantissima característica da estabilidade dos siste-
Por outra parte, a duração, ao expressar a conservação
mas materiais, sem a
qual o próprio conceito de sistema ma- da existência de tal ou qual coisa, estado ou processo, ex-
terial careceria totalmente de sentido.
A menor ou maior duração dos pressa ao mesmo tempo a constante variabilidade do mundo.
processos desempenha Não se deve entender a estabilidade como elemento do ser,
papel essencial para seu decurso, o que lhe dá grande im-
expressa pela duração, no sentido de imutabilidade absoluta,
portância prática. Muitas vêzes, assim, torna-se muito útil
que a duração seja menor, por exemplo, no crescimento das tampouco se pode contrapor à variabilidade no tempo. A
estabilidade, a permanência, são, em certo sentido, uma for-
plantas, envidando-se esforços para a criação de espéci-
mens de rápido crescimento. Noutros
ma de manifestaço da variabilidade, da não permanência.
casos, é útil que a du-
Provam isso, em particular, as atuais representações a res
ração seja maior. Por exemplo: o trabalho para se obter uma
reação termonuclear dirigida. Estimou-se como êxito extraor- peito da estrutura das particulas elementares. A respeito da
dinário o resultado alcançado em 1963 no Instituto de Ener- estrutura destas partículas (precisamente dos núcleons). fa-
gia Atômica I. V. Kurchatóv, onde se conseguiu obter la-se no sentido de que na particula é possivel distinguir trës
plasma de elevada temperatura e cujo tempo de retenção zonas: um centro, uma atmosfera e uma estratosfera de
elevou-se até centésimos de segundo, com o que a duração mésons-pi, Mas o problema referente à estrutura de tõdas as
de sua existência aumentou, em
comparação com os resul- particulas elementares se apresenta da mesma forma num

tados anteriores, em vårias ordens. Sera útil dizer até plano mais amplo. A investigação experimental da estrutura
que das particulas elementares se efetiva aplicando-se o método
ponto é desejável prolongar as durações de tais processos
e aqui se tem em mira o
de sua colisão (borbardeio de umas particulas por outras).
problema do envelhecimento do or- Ao se chocarem, as partículas elementares, expulsas dos ace
ganismo humano. Tal envelhecimento é inevitável, mas é
possível prolongá-lo por um lapso sensivelmente maior que o leradores até energias de milhares de milhões de elétron-
volts, rompem-se. Além disso, sucede que como pedaços
existente na maior parte dos homens de
hoje, e, com isso, surgem de nôvo partículas elementares, com a particularida-
aumentar a idade do homem (já que o conceito de "idade"
de de que às vêzes são, inclusive, mais pesadas que as par-
ésinônimo do de "duração"). Igualmente,
é de utili- grande ticulas das quais se desprenderam. O fato nos revela que a
dade prática o problema da solidez, da longevidade dos ma-
partícula apresentada secompõe de outras particulas num
teriais, etc.
A duração esucessão como determinantes do
a
sentido não estático. Compõe-se de outras particulas e é um
tempo resultado estatistico de processos de nascimento e destrui
podem encontradas numa unidade dialética. Uma das
ser
ção de muitos pares de particulas e antiparticulas. Dai o fato
manifestações do caráter contraditório do desenvolvimento de que, na fisica moderna. a particula elementar estável seja
da natureza assenta-se em
que o mundo material é instável concebida como um conjunto de uma multiplicidade de pro-
e estável, em
que, segundo palavras de Engels, "a coisa con-
tinua sendo o que é e ao mesmo 26. Marx e Engels, Obras, t. XX, pág. 640.
tempo se transBorma inces-
102 103
cessos de surgimcnto e
desaparccimento, c a própria cstabi- convincentemente demonstrado graças às experiencias do
lidade se apresente como certo estado dinâmico.
O clo da conservação com a variabilidade mostra-se nas espeleólogo francês M. Chittre e seus colaboradores (1962
1965), no decorrer das quais estudou-se
proprias leis da conservação, cujo sentido apóia-se, precisa-
o impulso com que
mente, cem determinada magnitude (cnergía, impulso, carga
se manifestam, no sentido do tempo, as condições especifi
cas da longa permanncia do homem numa caverna, s?m
cletrica. ctc.) em diversos momentos do
tempo, e isso no qualquer contacto com o mundo
mundo cambiante, Estas lcis não exterior. As experiências
expressam simplesmente demonstraram que o homem, num meio subterrâneo unifor.
certa invariabilidade
morta, separada do processo de muta-
me, perde a justa
ão. de desenvolvimento, mas o invariável no processo de
em alto grau a
orientação do tempo e tende a subestimar
mudança. magnitude do tempo transcorrido (assim, em
60 dias, o êrro foi de 27 dias a
Encontramo-nos, com um mundo no qual a propriedade menos).
da conservação Da mesma maneira, a duração
aparece como momento, como facêta do pro- exprime o caráter tran-
cesso de desenvolvimento, de sitório das coisas e sua estabilidade. Se
transformação. Isso encontra alguma coisa fôsse
também expressäo na forma temporal de ser da matéria. A invariável, não haveria duração para a referida coisa, e ela
duração temporal não é algo situado no mesmo planoe coe se
encontraria completamente fora do tempo. Mas se algo,
ao surgir,
xistente com o tempo como variabilidade. Na qualidade de desaparecesse imediatamente, também neste caso
medida temporal de existência, é resultado da variabilidade, esse algo ficaria privado de duração.
pois tudo existe ünicamente na medida em que estå incluido Semelhante interdependência
dialética não é aceita pelo
no
processo do movimento material; a própria conservação espirito do neotomista D. Nys, filósofo
que supõe que "se
da acha-se sustentada pela mudança. A duração ria êrro manifesto entender a
existencia duração real da substäncia na
forma de uma incessante renovação da existência...
temporal é conseqüência da existência que se transforma sem a existência, como é Porque
sabido, determina o ser, a individualida-
cessar (e neste sentido se prolonga).
de e nos sêres pensantes- a personalidade. Semelhante
Ao falar da ligação orgânica entre a duração e a mudan- mudança teria,
a. não deixa de ser interessante fixar-se, em particular, nos como conseqüência inevitável. a renovação
dados relativos à percepção do tempo. Neste plano, é digno constante e radical de todos atributos das coisas. e tor-
os
de exame o fato de que ao sujeito perceptivo o tempo lhe naria desnecessário o
prolongamento real do ser das coisas
parece mais longo ou mais curto, dependendo do grau em apresentadas, cujo prolongamento constitui, no entanto, um
que se encontre êste acumulado de acontecimentos. Quanto fato indiscutivel" .28
mais intensos e variados são os acontecimentos, tanto mais Vemos que o neotomista metafisico confunde
o conceito
depressa transcorre o tempo para o individuo - mas, de de "conservação da existência da coisa
dada" com o de "re-
maneira inversa, o mesmo tempo parece mais longo. Ao con- novação da coisa dada", partindo da idéia de que só
conservar-se aquilo que no
pode
trário, quanto menos se produzam e quanto mais uniformes se transforma. Do seu
ponto de
sejam, tanto mais lentamente transcorre o tempo, se bem vista, depreende-se que o mutável no existe. Mas, em
que na lembrança pareça mais curto.*t sonância com a atual imagem cientifica do con
mundo. a maneira
A ligaço entre a percepço do tempo e o grau em que dialética de compreender a
em si, como
conservação da existência inclui
a vida do homem se acha repleta de acontecimentos, está condição indispensável desta última, a idéia de
renovaço. Tal se aplica à própria natureza da mudança
27. I. P. Frolov, A doutrina fisiológica de Pavlov sôbre o tem- temporal, de que falamos acima. O curso do tempo reflete
po cOmo estimulo peculiar do sistema nervoso. "Revista da ati-
vidade nervosa superior", 1951, t. I, caderno 6, p. 838. 28. D. Nys, La notion du temps.

104 105
a renovação, a destruição de uma coisa e a criação de outra. umas coisas substituem outras, e estados diversos de uma
Não sòmente a interrupção da existência (limitação da du- mesma coisa se sucedem uns aos outros. Relacionar o curso
ração) constitui um resultado das mudanças (por exemplo, do tempo com o processo do tuturo tem importância se se
a morte para um órgão), mas é também uma conseqüencia parte do ponto de vista de que isso permite tirar o problema
da variabilidade a manutenç o da existncia, a continuidade da determinação do tempo do círculo das designações pura-
da duração, A renovação constante é o que torna possivel mente lógicas.
a ulterior existência do mundo, o que assegura sua duração.
Ao falar da duraç o da existência e da sucessão no pro- Convém aqui insistir uma vez mais na inconsistência da
interpretação bergsoniana do tempo, interpretaço na qual a
cesso da existência como expressões da essência do tempo. duração temporal é concebida como algo privado de todo
laz-se necessário notar que a duração da existência de tal
caráter externo". Bergson define a duração como um "fluxo
ou qual coisa ou fenômeno se compõe de uma mudança de
que não implica coisa que flui, e passagem que não pressu.
estados, de acontecimentos que se vão sucedendo uns aos põe estados através dos qua's se passe." A concepção
outros no processo da existência.
bergsoniana da duraç o como não acumulada de mudanças
Assim, pois, da análise que fizemos, pode tirar-se a con- reais e, em consonância com isso, a concepção do curso do
clusão de que a duração e a sucessão, como dois atributos
temporais do processo de desenvolvimento da matéria, não tempo como mudança sem nada que mude. constitui uma
se encontram numa mesma relaç o em face da essência espe-
reprodução da idéia newtoniana sôbre a "duração pura"
trasladada do mundo objetivo (onde a situou Newton) às
cifica do tempo: o futuro, o porvir. A sucessão temporal
profundezas da consciência.
aparece como expressão próxima e
imediata do futuro: a
duração, por sua vez, expressa o futuro de maneira mais que afitma Bergson constitui tipico recurso da filo
sofia antimaterialista. Todo movimento material, todo mo
imediata. vimento dos corpos materiais se reduz à corrente do tempo.
sob aspecto diferente,
a
O que ficou exposto permite ver,
inconsistência e o caráter metafisico da concepção bergso
afirmativa que por si já é errônea, pois o tempo apenas
exprime um dos aspectos dëste processo, constituindo tão-
niana do tempo como duração, como "durar Não se trata somente uma das
formas da existëncia da matéria. Logo,
.

ùnicamente do fato de que o filósofo francês tivesse conce


sse mesmo do tempo se afasta dos processos materiais
bido a duração num sentido idealista e irracionalista. Tra-
curso
examinado
ta-se, além disso, de que não é possivel admitir que
o tempo
e
é como certa substânciaimpessoal, e, além do
mais, interpretada num sentido espiritualista.
antes
seja ünicamente duração, nem sequer que o tempo seja A idéia de futuro, das transições entre o ser e o nao
de mais nada,
de tudo duração. O tempo expressa, antes ser em sua interpretação materialista, se relaciona com a ori-
determinada ordenação no processo da existência das coisas, gem e o desaparecimento das coisas materiais que constituem
a sucessão do seu ser e, em conseqüência, a duraço. o
un'verso. O caráter do porvir como "coisa" permite enfo
car o problema da unidade dialética do descontinuo e do
continuo no curso do tempo. Bergson entendia tempo ape-
o

Os conceitos de ser, não e futuro como transição


ser nas como continuidade; declarava categòricamente que a
do não ser ao ser (e o processo inverso, vinculado à tran- tentativa de dividi-lo equivalia cortar uma chama com o
relacionam-se o aparecimento, fio de uma navalha, Separando a continuidade do
sição do ser ao não ser), com
movimen
de fenômenos reais, ma- to de sua descontinuidade tomando metafisicamente
existência e destruição das coisas e apenas
teriais. Quando relacionamos o curso do tempo com o futuro,
fazemo-lo dentro de um processo real, objetivo, no qual 29. Bergson, Duração e simultaneidade, pág. 39.

106 107
um
aspecto da contradição que na realidade existe,
conteria à continuidade certo matiz Bergson idéia de "quantilicar o tempo em vårios momentos. Esta
mistico e a aplicava ao idéia confirma a concepção materialista e dialética sôbre a
tempo isto, é lógico, partindo de sua
perspectiva idealista. natureza do tempo, söbre sua ligação com a natéria, e refuta
Não é menos lógico, do ponto de vista materialista, consi- as concepções idealistas e metatisicas sõbre o "tempo puro".
derar as propriedades da matéria em relação com as
pricdades da própria realidade material.
pro-
No exemplo de Bergson, vimos quão estranha se mostra essa
idéia idealista do tempo. Já antes, Kant ha-
da interpretaçãonem
via declarado: o tempo, nem o fenômeno no tem-
po se compõem de partes, que só poderiam ser as mais dimi-
Aidéia do atomismo aplicada nas
ticas aos processos do movimento,
representaçöes qun- nutas..." Contra o conceito de tempo quantilicado mani-
mostra de maneira irre festou-se
tutável a unidade entrc a descontinuidade e a o operacionalista Bridgman,
o qual declarou: "Não
não apenas na cstrutura da
continuídade, vejo como se pode falar da possibilidade de "quantificar o
matéria, mas, além disso, na
própria modilicação da mesma. Dai se segue que no é tempo".3 E dificil dar-se conta da legitimidade da hipótese
pos- relativa à quantificação do tempo se èste é concebido à
sivel considerar o curso do tempo únicamente como continuo. mar-
Porque o tempo é a expressão do futuro, e o luturo o é gem da matéria em movimento.
A concepção filosófica da
sempre de alguma coisa. é o futuro de determinadas
coisas firma
quantificação do tempo con-
idéia filosófica do futuro como conteúdo do curso
materiais finitas. O próprio futuro, como disso se a
discreto. O conceito de acontecimento como de um conclui, é do tempo. A inter-reação elementar não é
determi- outra coisa senão
nado ato de uma ação, constitui uma um ato de futuro, um
espécie de átomo (quan- ato em que surge um nõvo
eStado,
tum) do processo de porvir. Em relação com um ato de realização.
do tempo
isso, o curso
aparece como unidade contínua de atos de
porvir,
Reichenbach, argumentando contra a conexo do tempo
Os
quais, como j ficou dito, tëm de possuir um caráter com o futuro, dizia: "Se
dis- existe o futuro, o fisico deve
creto, atõmico, como se se tratasse de ticipar do par-
átomos. seu conhecimento."* E vemos
O fato de que o tempo e o espaço se acham condicio- posição de Reichenbach, a fisica moderna que, despeito da a

nados pelas no conhecimento realmente entra


propriedades dos objetos materiais e seus movi- do futuro. A
quantilicaço do
tempo como de um conjunto e detempo
mentos, aparece na física moderna fala do curso do nos
caráter atömico (quântico) do interpretada na idéia do cessão de atos de futuro, de uma su-
tempo e do espaço, A repre- atos de
realização, como de
sentação do espaço e do tempo descontinuos ou conjunto e uma sucessão de
um
vem exposta em quänticos,
vários trabalhos consagrados à teoria ção materialista do futuro acontecimentos, Aqui, a concep-
particulas elementares. Trata-se do das aparece na fisica, que é aplicada
quantum elementar do
ao
acontecimento concreto, o
tempo (10-s, 10"seg.) como tempo da titativamente os atos do futuro.qual permite descobrir quan
mentar.30 inter-reação ele Ao assinalar o
caráter descontiuo do
Tanto precaver-se contra a absolutizaçãotempo, necessårio
os se torna
aspectos físicos como os filosóficos da con- do referido as-
cepção quntica do tempo e do pecto do tempo. A êste
funda elaboração. No espaço requerem uma
pro- de Zenón, nas propósito, vale recordar as idéias
entanto, no nosso
entender, é possivel quais êle trata da descontinuidade
desde logo assinalar o tinuidade do tempo, em e da con-
importante signikicado filosófico da particular a "aporia da llecha". Nes
30. D. Aronov, Sóbre 31. Kant,
a
hipótese da Obras, em seis tomos
t.
e do tempo.
descontinuidade do espaço 32.
Bridgman, "The Nature
III pág. 273.
1936. of Physical Theory", Princeton,
33. Lenin, Obras completas,
108 t. XXIx, pág. 231.

109
ta
hipótese,
Zenón procurava
demont rar a impossibilidade Einstein e propôs não designar-se os acontecimentos me
do movimento, argumentando quc lecha espacial e sua caracter.stica tempo-
disparada, cm diante sua caracteristica
cada determinado momento do levando em conta unidade de uma
tempo encontra-se apenas no ral eparadamente, mas a

lugar em que se encontra, Quer dizer cm cada Semelhante proposição alcançou grande difusão
mormento e de outra.
do tempo a flecha está em
repouo e, por ilaçåo, globalmente na fisica moderna, Em seguida a Minkovski, começou-sea
està ela imóvel, Como é notório, o
fl6sofo, neste caso, con. caracterizar os acontecimentos por meio de quatro coorde.
s dera o
tempo ùnicamente como uma soma de momentos O tempo apresenta-se na qualidade de
descontinuos. Ora, o curso do tenpo não somcnte é
nadas coincidentes.
descon co0ordenada, indisoluvelmente ligada às très espaciais.
tinuo, como também é continuo. "O movimento é uma uni- quarta
Deste modo, introduz-se o conceito de espaço-tempo. Teria
dade de continuidade (do tempo e do cspaço) e de
unuidade (do tempo e do cspaço). O movimento é uma
descon podido ter algum sentido verdadeiro éste conceito antes da
con teoria da relatividade? Não, pois na fisica antiga, nenhuma
tradição, é uma unidade de contrários." Ter-se em conta das transformações de coordenadas que se efetuavam con
a unidade dialética entre a descontinuidade e a continuidade cerniam ao tempo; desta sorte, o tempo licava à margem. Já
essencial para a interpretação filosólica da idéia de descri-
çio das caracteristicas temporais e cspaciais da matér.a, depois da teoria da relatividade, ao passar de um sistema
decoordenadas (sistema de cômputos) a outro, não só mudam
as caracteristicas espaciais, mas, além disso, a temporal.
Pondo abaixo a separação entre tempo e espaço e
2 O TeMPo E o Espnco, Duas FoRMAS semelhante separação era patente nas representaçõs pré-re
INTLRCONDICIONADAS Do SEn DA MATÉRIA lativistas da isica - , "o mundo tetradimensional de Min
kovski" permite descrever os acontecimentos de tal modo
que é possivel descobrir, de maneira mais profunda e com-
Em relaçao que acabamos de expor, achamos
como pleta que antes, a estrutura espaço-temporal do mundo, Ao
possivel caracterizar
natureza especifica do tempo em com.
a mesmo tempo, ficou clara uma determinada circunstância. Se
paração con o cspaço,
partindo da interconexão dialética os intervalos espaciais e temporais entre os acontecimentos
que entre eles existe. Segundo a
definição materialista dia- tomados em particular resultam relativos e não se conservam
lética, o tempo e o cspaço são formas universais do ser da ao passar de um sistema de cômputo a outro, a magnitude
matéria, Esta definição, formulada no século um inter
da passado, parte que exprime a estrutura espaço-temporal única
premissa de que o temp0, em relação ao espaço, constitui valo da diversidade tetradimensional
uma forma do ser da matéria.
Pergunta-se: em lace das idéias
fisicas atuais sóbre o espaço co ds = V dx + dy + d# - (cdt)
da teoria da relatividade sôbre a
tempo e à luz dos principios dá uma descrição dos acontecimentos, descrigção que não va-
impossibildaide de separar
espaçoe o tempo, tal concepção é ainda válida? ria nos diversos sistemas de cômputo. Neste sentido, a carac
O teristica espaço-temporal dos acontecimentos, na diversidade
tempo e o espaço se encontram, lormando entre si
uma unidade
orgnica, Isso constitui uma das idéias capi- tetralimensional da teoria da relatividade, aparece como
tals da fisica moderna. H. absoluta.
Minkovski, partindo da premissa O contínuo espaço temporal de quatro dimensões cons
de que não pode haver
acontecimento no espaço sem que titui uma aplicação bastante fecunda da idéia de que o espa-
transcorra no
tempo e
vice-versa, desenvolveu as idéias de ço e o tempo se acham indissolüvelmente relacionados,
in-
troduzindo a referida idéia nas próprias entranhas da teoria
34 1
ulchenbach, A dtreçlo do lempo pág. 32. fsica,
110 111
A coneao cntre o
tempo eo cspaco é de extraordinårio co-temporais, utilizou a idéia relativista da unidade de tempo
valor para
do de tornar
compreender-sc o
tempo, principalmente no senti- c espaço ao elaborar o conceito de cronótopo, Este conceito
patente o caråter objetivo dêstc último. Não
é
Or acaso, portanto, que a filosofia constitui uma aplicação de ulterior desenvolvimento do prin-
nismo haja dedicado bergsoniana do intuicio-
tanto estórço a combater a
cipio da dominante ~ ou seja, do principio da atividade dos
zação do tempo, "cspaciali- centros nervosos, principio que partia da unidade
argumentando contra o neNO entre o tempo
o cspaço. O intuicionisnmo, separando estruturas espaciais do cérebro
entre as

por
e os processos de excitação
propde-se a demonstrar quc o completo
do espaço, o tempo
e inibição que, nas referidas estruturas, têm lugar de maneira
mente do tempo, diferente- ritmica, isto é, num determinado regime
tosco espaço material, possui natureza mporal. O prin-
peculiar. imaterial. Ao falar da "intima cipio da dominante manifesta-se no reconhecimento do foco
Bergson tenta separar êste último não "espacialização do
tempo, capital da elevada excitabilidade, foco que influi sôbre a ati-
tanto do espaço
to do
movimento da matéria, movimento quan- vidade da outros centros nervosos
tempo e espaço. que é o que une
A. A. Ujtomski salientou a grande significação, para o
O abade Moreux, critico desenvolvimento da fisiologia, das representações referentes
católico da teoria da relativi-
dade. manifesta-se contra o
no continuo nexo do tempo com o espaço
tetradimensional, sobretudo
unidadeemdeparticular
àtividade, tempo e espaço expostas pela teoria da rela-
no conceito de tempo-espaço de Min-
porque, no seu en-
tender, o espaço sòmente é aplicável às coisas kovski. Ao explicar o conceito de cronótopo
materiais, en- complexo
quanto que o tempo só o é ao mundo
tempo de Minkovski
espiritual.3" O espaço espaço-temporal que se forma como resultante da união de
-
escreve Moreux é uma construção percepções espaciais e temporais sôbre a base do principio
puramente artificial. Ainda posso admitir que dela cabe infe-
rir relações numéricas de certo
interêsse, tal como o tão pro-
da dominante- Ujtomski baseia-se na teoria da relativida-
de, em Einstein e Minkovski, 37 A teoria fisiológica de Uj-
clamado 'intervalo', mas nego em absoluto
que êsse procedi- tomski sõbre o cronótopo parte da idéia de que a orientação
mento nos possa ser mais ou menos útil para penetrar mais
dos organismos vivos no tempo e no espaço constitui resul-
profundamente na natureza das coisas".s tado do reflexo complexo que, originado das relações espa-
De qualquer maneira, como
já ticou assinalado acima, ço-temporais do meio ambiente, produz-se no sistema nervoso.
a unidade de
tempo e espaço, exposta claramente na teoria A fisiologia atual continua elaborando com êxito a idéia de
da relatividade e expressa, em
particular, no conceito de es- cronótopo,38
paço-temnpo, tem relação direta com a profunda penetração Do que ficou dito a respeito do conceito de espaço-
na natureza das coisas e com a
elucidação da essência do tempo único, não se deve concluir, no entanto, seja válida
tempo. a afirmação de
que "o mundo tetradimensional de Minkovs-
A teoria da relatividade, ao estabelecer a unidade
de ki" põe fim às
representações de tempo e espaço como duas
tempo e espaço, exerceu com isto determinada influência sô- formas específicas da existência da matéria, as
bre outros setores da ciência e contribuiu quais seriam
para o desenvolvi- substituídas, adiante, por uma só forma de espaç0-tempo.
mento da idéia de unidade
espaço-tempo no campo da fisio- Não existe qualquer base que possa sustentar semelhante
logia. A. A. Ujtomski, que dedicou acurada atenção à inves-
conclusão, proclamada pela primeira vez pelo próprio Mlin-
tigação do problema de como os órgãos dos sentidos e o
cérebro dos animais e dos homens refletem as
relações espa- 37. Merkulov, O principio da dominante e as representações
de A. A. Ujtomski sôbre o cronótopo
35 Moreux, Pour comprendre Einstein, pág. 205. 38. P.
O. Makaravo, o cronótopo, relaçóes espaço-temporcis
36. Tbidem, págs. 238-239. na neurodin mica do homem.

112 113
kovski na sua famosa comunicação Espaço e Tempo (1908), outros, situam esta dimen são no éter; naquilo que foi des-
eque desde então já foi repetida mais de uma vez. coberto experimentalmente, etc.
verda-
E preciso assinalar quc misticos e tcólogos de tód clas udo isso, é claro nada tem em comum com
a

deira situação das coisas. Mundo tetradimensional nao sig


j à tentaram teccr tergiversaçðes em tôrno do conceito de
cspaço tetradimensional, A teoria da relatividade, afirma- nitica tetradimensional no sentido corrente, fisico,
cspaço
ram alguns dëles, demonstrou que ao lado do espaço de três déste conceito. O único espaço fisico que possui existència
dimeasdcs, de existéncia real e no qual o homem vive, existe real é o espaço de três dimensões, enquanto que o "mundo
Ou seja, do tetradimensional" da teoria da relatividade constitui ape-
certo espaço tetradimensional que abarca o outro
o nosso cspaço de três dimensões, Utilizando alirmativas nas uma dos acontecimentos no espaço de tres di-
descrição
mensões, tomando-o indissolúvel unidade com sua carac-
de tal gènero, os espiritas, por exemplo,
os espiritos
que podem afirmar
säo capazes de pcnetrar num local, fechado teristica temporal,
em

deve-se conceito
do ponto de vista das tres dimensões, através da "quarta De maneira geral. ter em conta que o

dimensão do cspaço". Há teólogos que situam nesta quarta de espaço multidimensional constitui um conceito estritamen-
te matemático, algébrico em sua essência, não podendo
ser
dimensão o mundo de alénm-túmulo. Assim, o diretor de se-
ção de tcologia de um colégio inglês declarou que se a tetra
identikicado com o espaço fisico.
dimensão do mundo é legitima, "a diferença entre esta vida Em sua gênese, e desde logo, o conceito referido se
mortal c a outra vida" não uma dikerença no que diz res- acha relacionado com o espaço fisico de três dimensões:
caráter da vida. Trata-se apenas de uma mais exatamente: com a representação, mediante as coorde
peito ao próprio
só diterença na nossa representação, em nossa capacidade nadas, da situação de um corpo no espaço físico habitual, de
para ver a vida na Quando estamos limitados
sua totalidade. três dimensões. Não é raro, no entanto, encontrar objetos que
podem ser determinados n o com três números, mas com
por nossa compreensão tridimensional, possuimos a vida
mortal. Quando a percebemos em quatro dimensões, pos- uma quantidade de
para determinar
números bastante maior. Por exemplo,
esfera no espaço de três dimensões, são
Suimos a vida eterna".30
Infelizmente ainda existem naturalistas que se encon- necessårios quatro números: as três coordenadas no centro
tram sob a influência de interpretações
anticientílicas de tall de esfera e mais o seu raio. Assim, pois, um conjunto de
trabalho Sôbre esferas no espaço tridimensional acha-se relacionado com um
gênero. O cientista japonês T. Araki, no seu
sistema ordenado de quatro números. E assim sucesivamen-
Universo expansão
0
afirmou
a criação da matéria e o em
te. O conjunto de sistemas ordenados de n números, conjun-
da substância é um "processo de fluência",
que a criação
em virtude do qual a substância
flui de um espaço de medi- to no qual se introduzem operações de adição e multiplicaço
da mais elevada, de maior volume, ao espaço habitual de através do número, é o que se denomina em matemática es
paço vetorial de n dimensões, o qual constitui, portanto,
três dimensões. Muitas vêzes a noção de espaço-tempo tetra-
dimensional é interpretada no sentido de quelé o espaço fisico uma formação algébrica. Dessa forma, quando, mediante um
conhecidas as tentativas determinado sistema de coordenadas, estabelece-se num pla-
o que possui quatro dimensões. São
no uma correspondência recìprocamente univoca entre o
de alguns para explicar a gravitaçã0, considerando que a
conjunto de todos os pontos do plano e o conjunto de todos
fôrça de atração atua através da quarta dimensão do espaço;
os pares ordenados dos números correspondentes, o plano se

39. Citado segundo o livro de Ph. Frank, Einstein, sa vie et


denomina, neste sentido, espaço bidimensional e identifica-se
son temps, Paris, 1950.
com o conjunto de pares ordenados dos números reais. De
forma análoga, denomina-se espaço complexo bidimensional
40. Publications of the Astronomical Society of Japan, Tóquio,
ao conjunto de todos os pares ordenados dos números com-
1953.

114 115
plexos. De modo parecido é que se constróem, geralmente, e em face à coordenada na fórmula do intervalo es-
temporal
Os cspaços de n dimensdes (até um número infinito de di- paço-temporal prova que existem diferenças entre o tempo e
mensocs), O conceito matemático de espaços vetoriais mos- o espaço. Ainda que uma das características espaciais e a do
instrumento de investigação cientilica, mas, contenham fórmula geral, fato é que a ci-
tra-se poderoso tempo se numa o

toi dito, é necessário diferenciá-lo do conceito de cs-


como á
coordenada,
éncia não estabelece de maneira alguma,
entre elas,
uma re
paço lisico, O tempo, na qualidade de quarta lação de igualdade. Trata-se, apenas, de unidade
e interco-
introduz-se no mundo de Minkovski" no mesmo sentido emn nexão de formas especificas da existência da matéria.
matemática, é utilizado o referido têrmo. Por outra parte, não se pode reduzir a conexão de tem-
que, na
A luz do que ficou exposto, torna-se evidente até que teoria da relatividade
po e cspaço descobrta pela a mero
matemática atual,
ponto carece de base, do ponto de vista da procedimento, a uma teoria formal. sem se levar em conta

diterenciação kantiana quc relacionava o espaçO com a


a
aritmética ou doutrina dos núne-
as bases objetivas da referida conexão, ignorando-se
dade objetiva das duas formas de ser de matéria em movi-
a
uni-
gcometria e o tempo com a

ros. Isto porque, como considerava Kant, que


a operação mento. Reichenbach escreveu, acertadamente: "Mesmo que
do cålculo baseia-se na sucessão de momentos, E significativo
juntemos o tempo ao espaço como quarta dimensão, de modo
vinte do nosso século, ti-
que também Bogdánov, nos anos algum, por isso, poderemos deixar de lado o caráter especifico
vesse se referido ao espaço "geométrico e ao tempo arit do tempo como tal".43 Mas o fato é que Reichenbach concebe
submete os próprios
mético". A matemática dos nossos dias de maneira bastante limitada e formal a própria concepção
numeros a uma investigação geométrica, investigando
as re-
entre espaço e tempo. "Mediante a combinação de espaço e
numé-
lações especiais através de métodos rigorosamente tempo na diversidade tetradimensional- diz êle- expres-
ricos". samos melhor o fato de que os quatro números são in dispen-
Conclui-se, do que ficou dito, que ao unir tempo e o
o sáveis para determinar um acontecimento universal- trës
único, a ciência fisica moderna não números para a situação no espaço e um para o tempo".*
espaço num espaço-tempo
estas duas formas possuam suas características es-
nega que A questão, evidentemente. não se sustenta sòmente nis-
peciticas. Encontrando-se numa unidade dialética, o tempo to, nem sequer antes de tudo nisto, mas no fato de que o
espaço não se identificam, não
e o se reduzem um ao outro espaço e o tempo se encontram objetivamente relacionados
nem mesmo na essência da teoria da relatividade. MMuito me-
entre si como formas da existência da matéria em movimento.
nos, o tempo pode ser convertido numa quarta dimensão do que se completam uma na outra. É indispensável chamara
espaço na multiplicidade tetradimensional da teoria de Eins- atenção sôbre uma importante circunstância. Interpretar o
tein. Einstein chamou especialmente a atenção sõbre êste par- espaço e o tempo como uma forma, pode levar à falsa com-
ticular. "A indivisibilidade do contínuo tetradimensional dos preensão de suas relações com a matéria. Precisamente por-
acontecimentos - escreve não significa, de modo algum, que nenhuma coisa, nenhum acontecimento podem ser en-
que exista uma equivalência entre as coordenadas espaciais
e a coordenada temporal. Pelo contrário, devemos lembrar
contrados no tempo encontrando-se fora do espaço. e não
podem achar-se no tempo achando-se fora do tempo. o tem-
que a coordenada temporal se acha fisicamente determinada de po e o espaço estão indissolovelmente unidos entre si.
maneira totalmente distinta das coordenadas espaciais".2 A A redução do tempo e do espaço a uma forma permite
própria diferença de sinais em face às coordenadas do espaço excluir a
matria como a coisa geral que os relaciona e sugere
supor que a referida forma não necessita da matéria para exis-
41. Bogdánov, O princípio da relatividade do ponto de vista
organizador, pág. 104. The
42. Einstein, A essência da teoria da relatividade, pág. 31. 43. Reichenbach, Philosophy of Space and Time, N. Y. 1958.
44. Ibidem.

116 117
são abstrações do Espaço-Tempo".
Tempo
tir. Assim acontece em algumas tentativas de criar teorias do o Espaço e o

ele- Só tem existência real o indivisivel espaço-tempo, com a par-


campo uniticado visando a unir os campos gravitacional, de vista de
observação de A.Z. ticularidade de que espaço e tempo, do ponto
tromagnético e mesônico. Segundoa
Alexander consídera o
Alexander, incluem-se um no outro.
Petrov. nas teorias déstegênero esfuma-se, e, às vêzes, se qualifica êste últi-
torna simplesmente imperceptivel, o espaço-tempo isico de espaço como engendrado pelo tempo, pois
fonte do movimento.
o
mo de "Espirito do Espaço".
damatéria
quatro dimensões como forma de cxistencia O tempo não é uma abstração do espaço-tempo,
mas

Surge. então, a possibilidade de ignorar o fato de que, fa- muito menos, a mesma
uma parte desta unidade, não sendo,
lando do tempo e do espaço, com palavras de Engels, "estas suaépoca,
Engels já haviam denunciado,
em
46 coisa. Marx e
duas formas da existência da matéria, não so nada.. consiste em formar,
o procedimento, tipico do idealismo, que
Além disso, abre-se um vasto campo propicio a talsear a
maçs,
Dessa forma, o filósofo partindo dos objetos individuais, por exemplo peras, a
conexão entre o tempo e o espaço.
etc., o conceito de frutos em geral, dai partindo para ge
idealista inglës, de orientação religiosa, Stocks, apresentaa de e as maçs são formas individuais
neralização que as peras
referida conexão da seguinte maneira: Sublinha que o tempo semelhante passa
da existência do conceito "frutos". Algo se

é a razão do espaço e que o espaço é o corpo do tempo, já com a teoria de Alexander.


ou vida não há tem- do es-
que "sem a razão (principio espiritual) A interpretação do tempo como quarta dimens o
espaço"."Substituir elo filósofos idealistas a negar o tempo em geral,
po, como sem corpo não existe o
paço leva alguns
de tempo e espaço por sua reciproca identificação significa afirmando a extratemporalidade do mundo. E o que se pode
Schmidt.
prestar um flagrante serviço ao
exame materialista destas ler, por exemplo, no Dicionário filosófico de H.
do mundo diz êle na obra
"Chama-se extratemporalidade -

categorias. valor abso- à conclusão lògicamente se tira da atual


Valendo-se, precisamente, de que se dá um questão que
-
em

teoria do espaço, na qual o tempo aparece na qualidade de


luto à unidade de espaço e tempo- tôda absolutização cons-

quarto eixo de coordenadas. Segundo a referida teoria,


en-
titui uma fonte gnoseológica do idealismo- Sir Alexander
tre os acontecimentos de diversos sistemas em movimento não
criou sua teoria, com a qual reduz o mundo ao "Espaço-
pode haver simultaneidade alguma, pois no mundo material
Tempo existente como certa substäncia perene e indepen-
não existe nenhum tempo. Ao mundo material não é inerente
dente, a qual determina a evolução "emergente", que substitui
a matéria. Alexander afirma que seu conceito de Espaço- qualquer temporalidade".50
Tempo", elaborado mediante método metafisico, é insepará-
Uma "lógica" de tal gênero carece de toda base legitima.
vel "pelo menos na mente") do conceito formulado antes A refutação que a teoria da relatividade faz da simultaneida-
de absoluta, no sentido newtoniano, de forma alguma implica
por Minkovski com a ajuda de matemáticos, Con-
métodos a
negação do tempo. Ao contrário, reconhece-se a tempo-
siderando que tudo quanto existe se reduz a pontos-instan- ralidade como atributo de todo corpo em movimento. A ten
tes ou acontecimentos puros", afirma Alexander: "De modo tativa de inferir, das concepções fisicas modernas sôbre a
análogo, não existe nem simples Espaço nem simples Tempo, unidade do tempo e do espaço, a conclusão de que "no
mas apenas Espaço-Tempo ou Tempo-Espaço. Por si mesmos,
mundo
material não existe tempo", revela
uma interpretação estrita-
mente idealista da teoria da relatividade, interpretação cuja
45. A. Z. Petrov, Etapas fundamentais do desenvolvimento do inconsistencia já examinamos.
campo e gravitação.
46. Marx e Engels, Obras, t. XX, pág. 550.
47. J. L. Stocks, Time, Cause and Eternity, Londres, 1938. 49. Ibidem, pág. 48.
48. S. Alexander, Space, Time and Deity, vol. I, pág. 58. 50. Dicionário filosófico, Moseou, pág. 122.

118 119
o e tempo
ima dar dilerenças essenciais entre esjpaço o

de tuturoExistem tenta- tudo se considera existente de uma vez: o tuturo e o pre-


csta relaimada m m o onceito t e i O s que nos repor. sente
tivas de ynorar esta
diterença, c aqui
elas. Mas ir ao futuro não equivale a voar até o cosmos, até
maneina breve, a
tar embra ir
talar, às vezes, em relacän um corpo celeste que, se bem ainda näo se tenha alcançado
Sre utun o o s t a m a - s e ooordenada na diversidade ja existe. O conceito de futuro demonstra uma vez mais que
como quarta
com a hdesa do temp
da relatividade (linhas de uni- a dilerença essencial entre espaço e tempo surge precisa-
tetradimensinnal da teoria
No trabalho mente no aspecto da existência. O espaço já està inteira
verso do Universo de Minkovski ). seu E.
mente realizado". A sucessão dos momentos do tempo é uma
pae emn onde expós a idea, de cxtraordinária transcen
unidade de c tempo, H, Minkovski sucessão de existência de uma de
multiplicidade aconteci.
dencia. sódre o espaç mentos que se substituem aos outros e constituem momentos.
formak a eterida idéia mediante expresSsoes pouco preci.
sas Doclarou que o espaço e o tempo nao sao por si mesmos A existencia de um momento do tempo pressupõe a no exis-
mais que uma ticção e quc todo o mundo pode ser repre tencia dos demais momentos na série temporal apresentada.
sentado sob forma de um eterno caminho vital de pontos e a isso, precisamente, está ligada a unidimensionalidade
substanciais, ** como propriedade do tempo.
Ofuturo está determinado e seria possivel apresentar
Adogando tal interpretação, A. Eddington afirmava que a questão de modo que. ao se descrever o eterno caminho
realizado que
o futuro não cstå menos o presente. Dizía, mais, vital" de um objeto, pudéssemos nos referir, na parte em
que acontecimentos
os nao ocorrem, mas
nós é que tropeça- que a coordenada temporal se
encontra no futuro, ao futuro
mos nëles Semelhante interpretação do tetradimensional caminho do objeto, ao qual êste ainda nao
universo de Minkovski como extratemporal,
relacionada
tenha recorrido
mas recorrerá. De qualquer maneira, não temos direito a pro-
com a concepção "atualistica" das linhas de universo, foi uti- por isso, pois na
natureza a
necessidade se apresenta rela-
lizada depois para demonstrar que a única realidade são as cionada causalidades, que
com de forma de manifes
servem
percepçöes subjetivas.
rindo-se à interpretação do
"eritico
O A. Wenzl,
realista" refe tação e de complemento da necessidade, na qual introduzem
tetradimensional da teo-
continuo correções. Na filosofia da idéia das "linhas de universo" tam-
ria da relatividade. afirma: "O único acontecimento real são bém se faz necessário levar em conta a circunstância indicada.
as percepçoes do individuo do continuo transitório A interpretação acima exposta das linhas de
expert- universo ba-
seia-se no mecanismo, que apaga a diterença qualitativa en-
mentadas sucessivamente ("à margem da linha de universo tre o passado e o tuturo, sem levar em conta o caráter dialé-
do proprio corpo"). Mas para o mundo fisico, para o
objeto da percepção, já não é adequada nenhuma temporali- tico da manifestação das leis (da necessidade).
dade. nêle nada ocorre, êle simplesmente é" 53 Ignorar o sentido do futuro como característica apenas
de possibilidades reais entra em contradiço com a idéia de
Tal interpretação identifica a coordenada temporal com
coordenadas
desenvolvimento. Se se pretende que todo o ser é concebids
as espaciais. A eternidade apresenta-se como
subitamente, o desenvolvimento do mundo não passa de uma
algo acontecido, e o futuro não se diferencia mais do passado
ilusão. Dste modo, elimina-se o problema do futuro
do que a parte esquerda da direita. Sob êste
ponto de vista, (porvir).
priva-se o tempo do seu curso, e nega-se a objetividade do
processo de desenvolvimento. O desenvolvimento está rela-
51. O principio da relatividade. Coleção de trabalhos dos clás-
sicas do relativismo, págs. 181, 183.
54. Referimo-nos aqui ao espaço no
52. A. Eddington, Espaço, tempo e gravidade, Odessa, 1923. plano mais geral, como
53. A. Wenzl, Wissenschajt und Weltanschauung, conjunto de pontos. Surgem e desaparecem tais ou quais for
Leipzig, 1949. mas espaciais, mas o
espaço já existe todo nële.

120
121
curso do tempo, c
este,
sem as dilerencas
cionado com o
e tuturo, converte-se numa Ao talar que o tempo e o espaço constituem formas es-
qualitativas de passado, presente também indicar fatos
peciais da existência da matéria, cabe
ficyio. caráter cognoscitivo da questäo. De um
que deixam claro o

modo particular, a natureza especilica do tempo caracteriza


na fisiologia da atividade nervosa
su-
do futuro está relacionado a circunstância de que
Negar o estado especitico
perior se trata, como já sabemos, de reflexos especiais
ao
qualitativa entre o tempo e
onenosprê:o da diterença de P. K. Anojin,
com
tcoria da relatividade, que tornou tempo. Referimo-nos, acima, à investigação
cspaço. Na verdade, a
o
formas da existëncia da matéria. que tentou desmembrar o tempo
como fator independente.
claro a unidade destas duas
em certo sentido, da evolução biológica "".
mostramos, que as referidas tormas pos
nao nega, como já
a natureza especi.
suam caráter especitico. Pelo que, negar
de modo algum um componente
fica do futuro näo constitui Quando, ao analisar-se a categoria de tempo, condena-
relativista do temp0, mas significa
inseparável da concepção carater externo à teoria se a do tempo e espaço, torna-se necessário pre-
separação
dizcr esta natureza
que possui um outro extremo, no terreno
caver-se para que não se caia no
da relatividade.
Convém sublinhar que a concepção de "futuro realizado" da elucidação do tempo. A unidade de espaço e tempo é de
relatividade. 0 futuro como
essencial importância para a sua caracterização reciproca,
não surgiu devido à teoria da mas essa unidade ainda não esgota a essëncia das categorias
na idéia de "destino", idéia
e existente igura
algo preparado citadas, essência que se explica separadamente
em cada uma

que é alentada näo sòmente pela religião, mas, tambén, pela das categorias. Partindo do que ficou exposto na primeira
filosofia idealista. Esta é, particularmente, a interpretação que
até aqui
parte do presente capitulo e levando
em conta o
Heidegger då do futuro. Para Heidegger, existencialista, o enunciado, acreditamos ser possível aprofundar a descrição
tuturo, categoria temporal, tem um signilica decisivo, inter-
tatalista. No futuro escreve. com
das diferenças entre o tempo e o espaço, descrição impor
pretando-o num sentido
tante para esclarecer o sentido específico do tempo.
propriedade, H. Mende, crítico alemão do existencialismo. Como já ficou dito anteriormente, a caracteristica es
referindo-se a Heidegger - e l e não vë o tempo tuturo que
há de chegar, mas sim como algo já preparado que sencial do tempo reside no fato de estabelecerdeumtransforma-
elo entre
aproxi
ma à existência" 35, Também é de nenhum interêsse o fato
se
a forma tempo de ser da matéria e o processo
de que o próprio conceito de "linhas de universo" e a idéia são. Ainda que a passagem da não existência à existëncia
de espaço-tempo tetradimensional (em sua concepção pura- (e o contrário) encontre sua consolidação
ferida passagem, como tal, que disigna o curso do tempo.
espacial, é a re-

mente formal) tenham surgido antes da teoria da relatividade, do


no início dos anos oitenta do século XIX. Então, antes do O
espaço caracteriza a extensão e a
estrutura ser que
"universo de Minkovski", surgiram interpretações místicas do está presente; o tempo caracteriza a
duração e a
estrutura
mundo tetradimensional (como, por a exemplo, do filósofo do próprio "adição" constante do ser, de s u a
processo de
americano Hinton), e tentou-se utilizar a idéia de diversidade renovação, das transições entre o ser e o não ser. Além
espaço-temporal de quatro dimensões para "fundamentar" o disso, o processo indicado, como já vimos, consolida-se em
espiritismo e a ideologia religiosa 6, determinadas formações espaciais.

55. H. Mende, Ensaios söbre a jilosofia do ezistencialismo. das representações acêrca do espaço e do
desenvolvimento
Moscou, 1958. tempo.
56. M. A. Malikova, B. I. Spasski, Contribuição à história do
57. Lênin, Obras completas, t. XXIXX, pág. 231.

122 123
movimento, mudança de
Quando falamos do tempo não nos podemos limitar a exprime igualmente
uma reterência sôbre a conexão do tempo com as transfor- O espaço
de todo movimento, de tôda
matéria, Mas o aspecto espacial abstra-
maçoes, sem antes dar a cstas unma ulterior detinição que as temporal (no plano
variação, isolado do seu aspecto A parte
precisc. "O movimento é a essência do tempo e do espaço" 8, naquilo que se apresenta.
to), significa uma mudança abstrato, isolada da parte
Todo movimento possui aspecto espacial e aspecto temporal tomada no seu aspecto
temporal. desaparição de outra.
Em relação com o problema que estamos examinando, de uma coisa e
espacial, é a aparição de algo nóvo. O
consideramos necessário fazer uma observação critica ao li- uma mudança com aparição
quer dizer, é com o vir
vro de V. I. Sviderski Espaço c tcmpo no qual o autor, relacionado com a mudança
substancial,
tempo está
- -

de surgimento e de
ao definir o Precisamente porque êste processo
espaço e o tempo, afirma que êste se acha vin- a ser.
culado à mudança, enquanto que o espaço, diterentemente num vazio, mas no s e r pre-
saparecimento não tem lugar
do tempo, acha-se vinculado à coexistência. Escreve Sviders- tempo se acha indissolü-
sente, na realidade presente, é que o

ki: "A diferença qualitativa geral entre o As mudanças temporais encon-


espaço e o tempo velmente ligado ao espaço.
mudanças espaciais. Assim.
tem como base a
protunda a diterença qualitativa entre os as- tram sua consolidação nas
pectos de coexistência e mudança no ser da matéria em mo- jazida de diversos estratos geológicos
sucessão espacial numa
vimento. A coexistência, a situação num mesmo os referidos estratos
de plano corresponde à sucessão temporal em que
tenomenos e a transformação dos mesmos são estados irredu- formam. As rochas sedimentárias que
se tormaram antes
se
tiveis um em relação ao outro. Precisamente por isto, e no n u m a profundidade
de outras e que são mais antigas, jazem
gue pese a sua unidade orgânica, o espaço e o tempo tam- tal circunstância para
maior da crosta terrestre. Aproveita-se
pouco podem ser reduzidos um ao outro" 50. No estudo da ordem
se obter orientação no tempo geológico.
Ve-se. portanto, que aqui o tempo, diferentemente do com que se acomodam
as rochas sedimentárias é que se
espaço, relaciona-se com a mudança dos fenômenos. Pare- idade destas
baseia o método estratigráfico para calcular
a
ce-nos, contudo, que é inexato relacionar o tempo com a va- até elaboração
riação em geral, sem ressaltar o caráter de variação de que últimas, método que imperava n a geologia a

introdução dos métodos rádio-geocronológicos. Segundo


o
se trata e ver na variabilidade como tal a diferença entreo e

tempo e o espaço. Esta inexatidão aparece ao se comparar referido método, a idade relativa de u m a rocha pode ser

calculada tendo em conta o lugar que esta ocupa no sistema


o
parágrafo citado com outros trechos dêste livro, nos quais das relações espaciais reciprocas das rochas.
se indica que para o caso do espaço e do tempo, aspecto
de mudança tem de aparecer como mais essencial e impor Na maior parte dos conjuntos de objetos de um só tipo
tante que o aspecto da conservação . Ou, noutras palavras, (por exemplo, nas constelações; no bosque, como união de
o próprio autor se vè obrigado a reconhecer - e com razão um conjunto de árvores que crescem ao mesmo tempo num
- que o espaço também é variável. determinado território, etc.), existem exemplares que se en-
Dado que a mudança não se reflete no tempo, mas, além contram em diversos estágios de desenvolvimento, possuindo
disso, no espaço, faz-se evidente que a questão não se re- diferentes idades. A diferença de estágios de desenvolvimento
sume apenas em dizer que o tempo expressa a variabilidade manifesta-se também, entre outras coisas, na diferença de
da matéria, mas também em deixar claro que espécie de seus indices espaciais (por exemplo, dimensões das estrêlas.
variabilidade a matéria expressa. altura das árvores, etc.). Estes índices, que são um reflexo
da consolidação espacial dos resultados do processo de de-
58.
59.
V. I. sviderski,
Tbidem.
Espaço e tempo, Moscou, 1958. senvolvimento, podem ser usados para apreciar-se a caracte-
ristica temporal dos objetos apresentados.
60. Tbidem.

124 125
tempo acontece
indissolúvel uni-
dade do tempo. Merleau-Ponty supõe que
o
O espaço e o tempo, tomados cm sua
existencia do mundo ma- influência do indivi-
dade, caracterizan a plenitude de periódicamente nas coisas apenas por
não retido pela reali-
terial sob aspectos quc se complementam reciprocamente. duo, e Kojève considera "o tempo
nela como um momento*
dade , que apenas se prolonga
mas
ünicamente os homens.
3. A Ess£NCIA Do TEM PO E O ponto de vista segundo o qual
cultura, são sistemas não sömente
A DivErsiDADE DO MuNDo por terem relaço
com a
além disso, organizados n 0
organizados espacialmente, mas,
é também inerente à filosofia
tempo (the Time-Binders).
Para investigar a essência do tempo, torna-se necessário semanticistana exposiçãodo fundador da semântica geral,
discutir o problema referente à sua universalidade. Partindo, A. Korzybski. Segundo êle, a natureza compõe-se
apenas
Space-Binders). A
ademais, da explicação do nexo do tempo com o processo de sistemas organizados no espaço (the
do vir a ser, existe a possibilidade de examinar o caráter das numa hierarquia peculiar
situação dos animais e pessoas
vista de Korzybski, a di-
universal do tempo tendo em conta o lugar que êste ocupa no de conexões constitui, do ponto de
processo do desenvolvimento. ferença de principio entre êsses doistipos de sêres vivos ".
necessàriamen-
tempo implica,
Negar a universalidade do desenvolvimento.
O problema da universalidade do temposurge, natural
diversidade do mundo material. E universalidade do Os filósofos
mente, em relação com a o
te, negar a do precisamente
caráter universal tempo
tempo uma forma de ser de todo o mundo e de cada uma idealistas negam o

esferas da realidade, negam o movimento,


de suas partes ou, ao contrário, possui caráter local? A mo- porque, em muitas
lato da palavra.
derna ciência natural fornece dados suficientes para escla a mudança, o desenvolvimento no sentido
Considerando a natureza como algo inerte, o idealismo atri-
recer, dum ponto de vista de principio, estas questöes.
da
Filósofos idealistas de diferentes tendências já discutiram, bui desenvolvimento ùnicamente às "esferas superiores
e continuam discutindo, o caráter universal do tempo. Kant existência, à atividade espiritual. Também se nega o caráter
já afirmava: "Não podemos dizer que tôdas as coisas se universal do tempo naqueles casos em que se procura excluir
idealistas.
tempo da esfera substancial, como fazem alguns
tempo, porque no conceito de coisa em_geral o
encontram no
fazemos abstração de todos os tipos de contemplação da Quando falamos de variação temporal, não sòmente nos

coisa, enquanto que o contemplar constitui, precisamente. a referimos a certa variação no mundo dos fenõmenos, mas

condição em que o tempo entra na representação dos obje- ambém a uma mudança relacionada com transições recipro-
cas entre a existência e a não existência, entre o s e r e o não
tos" G1. Assim como Bergson relacionava a duração e, cor
ser, a uma mudança substancial. Quando nos referimos, e já
respondentemente, o tempo apenas com a Hei-
natureza viva, fizemos acima, ao caráter não substancial do tempo. repor
degger e outros existencialistas limitam a esfera do tempo o

apenas às manifestações da personalidade humana. ". .. O tamo-nos apenas ao fato de que o tempo não constitui umna
subst ncia particular, mas não se deve entender tal afir-
tempo se forma apenas como ser-aqui humano, histórico", afir-
ma Heidegger. , Os filósofos franceses A. Kojève e Mer- mativa, no sentido de que ela pretenda dizer que o tempo não
Teau-Ponty, que, interpretando a dialética hegeliana segundo pertence à esfera substancial.
o espirito de Heide9ger, vêem as coisas como projeção tran- Era isso precisamente o que em seu tempo afirmava
sitória do mundo interno do individuo, negam a universali- Kant, o qual supunha que o tempo só tem relação com as

61. Kant,Obras, em seis tomos, t. III, pág. 139. 63. A. I. Vladmirova, Contra a 1jalsificação idealista da dialé-
62 Heidegger, An Introducton to Metaphysics, University tica, "Problemas de filosojia", 1957.
64. G. M. Evica, Time's Arrow on the World's Order, 1963.
Press, 199.

126 127
aparencias (os fenmenos), e não com o mundo das essên- claramente
transformação dos cristais. Tudo isto mostra o

cias (nóumenos). "... Nele, por seu nóumeno, não sucede carter temporal do mundo material
nada, sem se verificar qualquer mudança que exija determi- Descobriu-se o caráter temporal da própria base fisica
nações temporais dinâmicas.. ." 5, escreveu Kant. Da mesma da matéria: o átomo. A radioatividade, que destruiu d repre-
forma, negam os tomistas, em particular o neo-escolástico sentação da absoluta estabilidade dos átomos e introduziu a

Nys, o qual liga o tempo sòmente ao mundo dos fenõmenos, coordenada temporal no número de caracteristicas e ssenciais
a relação do tempo com a esfera substancial. ®", Também os do átomo, mostrou ser um processo que inclusive pôde rer

atuais positivistas vêem o tempo do ponto de vista fenomeno- utilizado, como vimos acima, na qualidade de padrão do
lógico. tempo. A física moderna rechaçou o repouso absoluto. delen-
A dialética materialista, expressão dos resultados do co- dido pelas concepções newtonian as do espaço e do tempo ab
nhecimento cientifico, demonstra que o movimento, a variação, solutos.
o desenvolvimento, não constituem um estado
peculiar de de Constitui um dificil problema o computar as propriedad:s
terminadas coisas e determinados fenômenos em tödas as eta- espaço-temporais no microprocessos, dado que na mecânica
pas de sua existência - com a particularidade de que a
quantica as propriedades temporais são examinadas na quali-
mudança inclui as transições de tôdas as coisas entre o ser dade de uma das propriedades complementares (quer dizer.
eo não ser, inclui o processo do devir. Ainda que a estera da energia. O fato de que a
que se excluem reciprocamente)
dos fenômenos possua um caráter relativamente menos es fisica, ao aplicar os conceitos de tempo e espaço para des-
tável que a esfera das essências, também esta última, a esfera crever os microobjetos, choque-se com algumas dificuldades.
se acha sujeita à modificação, que aparece na
substancial,
zona dos fenômenos.
faz com que certos cientistas levantem
o problema de se o
exclusivamente de ca
tempo e o espaço não so fenõmenos
Que a forma temporal da existência da matéria possui ráter macroscópico, inaplicáveis ao micromundo. Não será
caráter universal, prova-se já pelo fato de que o tempo en- necessário descrever
contra-se indissolùvelmente ligado ao movimento, ao desen-
microparticulas e suas einter-relações
as

volvimento, e sem movimento, sem desenvolvimento, não exis-


sem
tais
conceituá-las dentro do tempo e do espaço, sem utilizar
conceitos? Disso falam. em particular, os autores polone-
te matéria. E preciso, ainda, levar em conta que o tempo se J. Plebanski,
acha indissolùvelmente ligado ao espaço como uma forma de
ses S. Bazanski e num artigo cujo objetivo con-
siste, segundo ressaltam os próprios autores, em indicar a ne
ser da matéria está ligada a outra torma, e a cessidade de resolver algumas questões de principio da fisica
onipresença
do espaço também é uma prova da onipresença do tempo. do micromundo antes de iniciar a elaboração de teorias mais
A ciência natural contemporânea já demonstrou, de ma formais.
neira convincente, até que ponto é válida a representação Analisando as dificuldades que apresenta o fato de
dialética do movimento da matéria em tôdas as esferas e em adaptar a teoria geral da relatividade à descrição quântica
todos os níveis da natureza. Em nosso tempo, a idéia de do micromundo. e após examinar, com tal objetivo. várias
desenvolvimento encontra figuração nas zonas mais diferentes questões, os autores chegam à idéia de que "no micromundo,
do saber, abarcando inclusive as esferas da ciência que tra- o próprio conceito de espaço-tempo se torna desnecessårio.
tam, como se dizia antigamente, com objetos "eternos". En- Neste caso, o fato de que no nível d2 macromundo nos en-
tre essas ciências, figuram a astrofisica, que hoje se tornou contremos com o espaço-tempo. pode explicar-se por certo
evolucionista, e a cristalografia, que descobriu as leis da mecanismo "termodinâmico , A questão de se o tempo e o

65. Kant. Obras, em seis tomos, t. III, pág. 23. 67. S. Bazanski e J. Plebanski, Czas preestrzen i garitcja a
66. Nys, La notion du temps, pág. 23. fyzyka mikroskopora.

128 129
espaço não são aplicáveis no micromundo e 1gualmente exa-
determi-
minada num artigo do fisico americano E. Limmerman, que truição de uma particula é um processo que ocupa
considera que o espaço e o tempo, pela Sua natureza, são nada duração, e não um ato instantâneo.
irseridos
O fato de que os microprocessos podem
conceitos puramente macroscópicOs, analogos a conceitos ser

como os de temperatura, pressão e Outros, e não devem ser nos macroprocessos já resolve suficientemente o pronelma
de que os primeiros se encontram no tempo e no espaço
utilizados para descrever os microobjetos. Esta idéia am-
bém pode ser encontrada em alguns
outros trabalhos. pelo que não podemos ignorar possibilidade de tal inser-
a

Não é possivel aceitar semelhante expulsão" do tempo ção. Sôbre a inconsistência de conseguir-se separar de ma-
e do espaço da esfera dos microBenõmenos. De início, pode neira absoluta os micro e macroprocessos, contra isso mani-
haver descrições de alguns aspectOs das micropartículas semn festou-se com muito acêrto um dos "pais da mecânica quan-

que se utilizem diretamente


os conceitos de espaço e tempo tica, M. Born, ao tratar do problema da realidade fisica *".
(por exemplo, nos conceitos de carga, de massa quântica E de grande importância a idéia de quanta elementares
etc.). Tais descrições, no entanto, nao podem ser tidas como de tempo e de longitude minima. Os positivistas, valendo-se
a última palavra. Assim como em todo microacontecimento, das particularidades da mecânica quântica e partindo de sua
como em qualquer outro acontecimento, o principio e o fimn concepção subjetivista, puramente empírica, do temp), ten-
taram negar a universalidade
não coincidem, e sua existência tem umaduração; assim como do tempo. Nos úlumos znus,
no entanto, entraram em contradição com o própric desen-
nos microprocessos os acontecimentos n 0 se produzem todos
ao mesmo tempo, existindo uma sucess o em sua existência- volvimento da ciência atual. Neste sentido, são bastante sig-
assim também se manifestam no micromundo as propriedades nificativos os trabalhos sôbre a quantificação do espaço e
temporais. Aquêles que consideram o tempo apenas macros. do tempo e, com êles, a renúncia às representaçies ine
cópio adotam, de fato, o ponto de vista da interpretação feno- rentes à teoria antiga- das particulas elementares comno
pontos geométricos carentes de volume. Tais trabalhos de-
menológica.
O tempo e o espaço são, antes de tudo, categorias onto- monstram uma vez mais a inconsistência das tentativas noo
lógicas, dai a necessidade de precaver-e para que o problema sentido de expulsar da esfera dos microprocessos as repre
de sua presença ou de sua ausência não seja resolvido em sentações espaço-temporais, tentativas estas levadas a cabo
função de considerações puramente gnoseológicas. Não po- por alguns filósofos. Emparticular, não tem fundamento a
dem nem devem ser interpretados ontològicamente no
afirmação de H. Reichenbach, que escreveu: "O tempo se
sentido de que o tempo, como espaço, é um "hóspede" epi- apresenta integramente
não atribui-lo
como
um fenômeno macroscópico
fenómeno do microcosmos" 70
e

sódicono mundo subatômico tais ou quais recursos de possivel


éVale notar que no
a um
foi outro, senão W. Heisenberg, umn
teorias que, por outra parte, pouco tëm de definitivas. Como
é o caso, digamos de fenômenos tais como o nascimento ou dos que apresentaram a idéia de que no micromundo existem
a destruição de uma particula, que na atual teoria quântica quanta espaciais e temporais elementares. Com isso, re-
futou sua anterior
são considerados como simples aparecimento ou desapareci- negação do tempo e do espaço, no que
dizia respeito à esfera das
mento da partícula, o que se consegue matemàticamente com particulas elementares. "Em es
a ajuda dos denominados operadores do nascimento e da des-
sencia, não é uma tormação material no tempo e no espaçO
havia êle escrito, em trabalhos anteriores, a
truição das partículas, os quais descrevem o tenômeno como
ticula elementar
respeito da par
mas tão só um símbolo
simples aumento (diminuição) do número de partículas por cuja introdução
unidade. E indubitável, contudo, que o nascimento ou a des-
69. M. Born, A fisica na vida da minha geração, Moscou,
1963.
68. Zimmerman, The Macroscepic Nature of Space-Time. 70. Reichenbach, A ireção do tempo, pág.
257
130 131
nature2a uma torma singularmente
confere às lcis da Sim

nosso modo de entender, deve considerar-se fundamen tad1


pies" 1 ser problemáticas fara a
Os resultados que Heisenberg obteve como tisico teórico na mesma medida que não podem
refutavam as suas proprias tescs tilosóticas. O fato as concepção cientifica do mundo, na etapa atual, as questóes
dos do mundo e a inseparabilidade da
tante significativo.As declaraçðes idealistas fisicosre referentes à materialidade
ao tempo e
sultam sempre, em última instäncia,
emreteréncias aos resul. matéria e movimento. A idéia filosófica referente
da matéria em tödas
tilosotia idealista exerce a0 espaço como tormas universais de
ser
tados da influência que a própria
dos cientistas, e nunca reterëncias aos resul as suas esBeras tem importante
valor heurístico, particular-
sobre o espirito
tados do avanço da ciéncia. mente quando se estuda o destino des concepções "pontuais
Por outra parte, a insistência em deserever os microfe- sobre as elementares, quando se formula uma nova
particulas
nomenos fora da sucessão temporal antes "depois", està teoria dos microprocessos, etc.

repleta de sérias conseqüëncias no sentido de que torna im- Neste particular, não podemos concordar com uma das
possivel o principio da causalidade que se acha orgânica- teses do artigo de I. A. Urmántserv e I. P. Trusov Sibre
mente ligado à sucessão no tempo. Em troca, a extensão do as propriedades do tempo. Os autores chamam a aterção para
o fato de que, quaisquer que sejam as transformações que
principio de casualidade à zona dos enómenos intra-atômicos
constitui uma tese rigorosamente demonstrada, com a qual sofra um objeto material concreto, ëste é sempre temporal.
se mostraram de acôrdo, inclusive ha poucos anos, alguns possui tal ou qual tempo individual. Tal fato é básico. pela
fisicos que antes a negavam (como, por exemplo, o falecido sua significação. podendo dar aos filósofos moti vo para alir
N. Bohr, em seus últimos trabalhos) marem que o tempo é a forma universal da existência da
A matéria, incluindo tõdas as suas propriedades, entre matéria. Mas para o naturalista, nunca foi objeto de inves-
elasa do reflexo, existe no tempo. Sem negar
o caráter idea> tigação especial, embora perfeitamente possível que por detrás
dos processos psiquicos, a ciencia moderna os relaciona com da universalidade do tempo se oculte sua indestrutibilidade
um substrato material e os examina na qualidade de uma fa e sua incriabilidade. Bastante dificil é subestimar o valor
cêta de processos materiais que possuem localização tanto dos resultados positivos ou negativos neste terreno. por falta
temporal, quanto espacial. de novos trabalhos de exploração. 7*
O reflexo condicionado, elemento básico do fundamento Em primeiro lugar, não é exato falar das coisas, Guais-
fisiológico da atividade psíquica, acha-se ligado às relações quer que sejam as transformações que experimentem. como
espaço-temporais. A ciëncia natural moderna deminstra o possuindo sempre tempo. Por acaso o tempo se acha fora
caráter absoluto do tempo e espaço, não porém no
do sen- dessas transformações das coisas, fora de suas mudanças?
tido metafísico, newtoniano, da palavra, mas no senlido da A temporalidade é determinada, precisamente, f2las
transtor
universalidade de tempo e espaço como formas fundamentais mações. pelas mudanças dos próprios objetos, enqu2rto que
do ser da matéria. as palavras citadas- temporalidade e mudança - contia-
põem-se uma a outra. Vamos além: que signikica "é perlei-
tamente possível" a indestrutibilidade e a incriabilidade do
A tese relativa à universalidade do movimento da ma- tempo? Não se trata de que sejam perfeitamente possiveis,
téria, implica, como já dissemos, como conseqüência inevi- mesmo torçosamente, no mesmo grau em que é indestrutivel
tável, a tese da universalidade do tempo. Esta última, no e incriavelo movimento da matéria? E como se rode erten-

71. W. Heisenberg, "Problemas filosóficos da fisica atómica 72. I. A. Urmánstserv, I. P. Trousov, Sôbr as propriedades do
Moscou, 1953. tempo.

132 133
admitam em princi.
isso, quc os autores
sucessão da existência
der. com rclação a
terreno7"" mente falso. Tanto a duração como a
a possibilidadc
de "resultados negativos neste são propriedades do
mundo objetivo cuja temporalidade ex-
o com não poucos problemas sóbre constituem propriedades que
A ciência se debate de acrescen pressam e,
correspondentemente,
e não hå neccssidadec tempo. Como já
conceito de
vimos

investigação do tempo, a incriabilidade e a entram no conteúdo do


A universalidade, vinculadas ao fato de que: a)
o
problemas supérfluos. anteriormente, acham-se
indestrutibilidade do tempo
sáo demonstradas de maneira ir. fenómenos não existem simul
incriabilidade e a indestrutibili. mundo possui história; nle os
co-
universalidadc, tem existëncia, com
refutável pela o taneamente; b) cada coisa singular
dade do movimento da matéria, ja que tempo, por sua es.
meço e im.
vinculado ao processo dc movimento, do notório, n o se achar ligadas
sência, se encontra As teses citadas, como é reflexo do
transtormar das coisas. no homem, o

universalidade às particularidades que apresenta.


Convém insistir em que, ao se
talar da caráter ontológico. Se se
de tais pro-
universalidade mundo circundante mas possuem tase,
do tempo, queremos
nos referir
à demonstra que estas duas
teses ontológicas c a r e c e i n de
a sucessão e a du.
realidade como
priedades temporais da forma sucessão e à duraç o como de:ermi-
uma de ser da matéria, forma que forçoso é renunciar à outra parte, lögicamente
ração. O tempo é nantes universais do temp0; mas, por
existëncia; não se vê olutamente não é universal, que o
mun-
sucessão na
teremos que admitir queo tempo
expressa a

categoria de tempo se renunciamos a êstes de- e na medida em qu:


as
em que fica a
do carece de temporalidade
no lugar
terminantes seus. inconsistentes.
de expor, impõe-se as- referidas teses tornam-se
Tendo em conta o que acabamos é impossivel demonstrar
Dessa forma, consideramos que
sinalar o seguinte: sabidoque, quando se amplia círculo das citadas teses sem pôr em dúvida
o o movi-
a falta de base
de objetos aos quais se aplica um
determinado
conceito, re mento da matéria.
se incluem na detinição do con-
duzem-se os caracteres gue
comprovou, de há muito, a
ceito apresentado. Assim ja
o

lei da lógica acêrca de relação inversa entre a extensão e o A questo não está em negar a universalidade do tempo
dos conceitos. O mesmo se atirma, embora de outra diversas es-
conteúdo seu caráter especitico na_
mas em deixar claro
forma. quando se diz que o desenvolvimento descobre o valor feras da realidade; isto é, deve-se destacar as particularidades
limitado, não universal e relativo de alguns caracteres do das propriedades temporais de tais ou quais
e fenômenos
na etapa anterior do
conceito considerados como universais do
tempo não é outra coi-
desenvolvimento da ciência. No entanto, é aconselhável cui- pois a expressão propriedades
uma breve tórmula qual se faz
com a referência às
dado quando se definem tais ou quais caracteres dêsse gê sa que
sem os quais o pró-
propriedades temporais dos objetos). O fato de que o tempo
nero, para que não se trunquem alguns não sòmente n o invalida o pro-
possua caráter universal
deixa de ter sentido.
prio conceito examinado blema referente à especificidade da manifestação do tempo,
Existe um ponto de vista segundo o qual, sem negar a mas, pelo contrário, permite validar tal questão. Se
a natu-
universalidade do tempo, nega-se o caráter universal de al- reza filosöticamente absoluta do tempo revela-se na sua uni
gumas de suas propriedades,
como a duraço e a sucessão. versalidade. a relatividade filosófica do tempo apresenta-se
As propriedades indicadas só se relacionam com o aspecto no que sua manifestação nas diversas esferas tem de especi-
em que o tempo é percebido pelo homem como reflexo da fica e também nos diferentes niveis da existência do
zona imediata que o rodeia, e não é válido considerá-las como mundo.
inerentes a todo o mundo. "3 Tal critério nos parece bàsica-

teoria geral da relatividade de Einstein e perspect.vas de sua


73. G. V. Chefranov, Elementos do materialismo ingênuo na superaçao.

134 135
tërmos gerais, possui cará.
das coisas. falando
em
(em particulaf. o tempo
O seja, até a estabilidade prática
ser
umas
coisas
se acham insertas ou
abstrato no sentido de que dos 10 anos, e o eletron v i v e m a i s
ter
Umas estão sujeitaas de vida do próton passa
circulo de condiçõcs, c outras
nao. as particulas elementares exciu-
num
de 107 anos). Tampouco
mais estáveis, etc.
outras
modificações c n alto grau. c a r á t e r especilico
sao
excluidas dos processos
A
gerais de mudança.
a
das pronrie sivas se vëem Fers-
Além disso. a s propriedades
de
dizia em seu tempo A. F.
que fazem é.
como

dades temporais dos objetos depende da


velocidade do s e u unica
cOIsa enormes periodos de suas iranstr-
os
m a s s a , constitundo tal tato u m a das c o n - nan, ocultar-nos
movimento c de s u a
da tcoria da relatividade. Reconhe maçoes" 74
clusões mais inportantes do tempo em fun No nivel atòmico e no molecular. o padrão das durações
propriedades
cer as particularidades das de existencia, e m comparação
com o nivel subatómico. tanto

tenómenos caracteriza as investiga-


são das dimensõcs dos limite inferior, como do limite superior.
que estas mais se atem a teoria das particulas ele diminui da parte do dimensões cósmicas -em par.
ções
reduzido nas
no
Também é mais
das galáxias é in-
tempo de existência das
mentares. estr las e
ticular, o
As particularidades das propriedades temporais repre-
10" Em geral, a duração na
nature:a inerte
t e m de especitico a s di.
terior aos anos.

sentam importante indice do que


um
é sensivelmente maior que na natureza viva. No nivel dos
z o n a s da
realidade, o s diversos processos
e fenômenos vida muito mais longa
versas
na dura- organismos vivos. vegetais
os possuem
A especificidade do tempo manitesta-se diterente dos s res vivos. a escala t a n -
existencia dos objetos em diversos niveis.
que o s a n i m a i s . No mundo
ção temporal da bém é ampla: encontram-se nela formas adultas de larvas
diferente e s t r u t u r a temporal interna: na dias, e crocodilos e tartarugas quee
assim c o m o e m s u a
sucessivos que constituem que vivem dois o u tres
diversa correlação dos
momentos da existència
vivematé trezentos a n o s . E diversa a duração
conta
as caracteristicas temporais Neste
sua existência. Têm-se em não apenas n o s individuos, m a s n a s espécies. terreno

classificam as plantas. levando-se


em consideracãão vai desde a s espécies de origem recente
quando se
cobrem estas determinadas etapas
a escala temporal
qual de
o tempo durante o
até aquelas que existiram h á mais de tre=entos milhões
das particulas elementares, o s
de desenvolvimento. Na isica anos.
processos de interação
s e
diferenciam levando em conta o Em cada zona da realidade existem critérios próprios
s u a duração média.
Para a s interações
determina que s e considera duração grande o u pe-
tempo que
s e chocam particulas de alta para estabelecero
fortes (entre núcleos, quando quena. Para um organismo vivo. vários dias con stituem um
é da ordem de 10-3 seg.. o
energia) o tempo característico
prazo de vida muito pequeno. enquanto que um décimo mi-
que constitui o
intervalo temporal indispensável para cobrir lionésimo de segundo é considerado um grande periodo para
o intervalo espacial que corresponde a o raio de ação das uma particula elementar. A relatividade do tempo é eXpres-

fôrças nucleares (10-13 cm.) c o m u m a velocidade máxima sa naexistência de unidades especi ficas de medição, desde o
possível. ou seja, a velocidade da luz. A duração dos pro- micro-segundo até o "darwin", unidade temporal para medir
cessos provocados por interações tracaS (transtormações es- a evoluçao.
dificil tentar descobrir alguma conexão à lei
pontâneas das diferentes particulas elementares) é maior em E
entre o grau de complexidade de um organismo e a
sujeita
muitas outras ordens. duração
tempo de existência dos
O objetos no nivel do micro- de sua existência, mas n o mundo dos animais. mais complexo
mundo se conta em ínfimas frações de segundo (por exem e de origem mais tardia que o mundo vegetal. a duração da
plo. o tempo de vida das particulas-resson ncia aproxima- existência é menor do que neste último. Também é necessário
assinalar que. a respeito da estrutura temporal. existe. pelo
se do tempo da interação forte: a duração média da existên-
cia do méson-pi neutro é igual a 10-10 seg.), até o "infinito" 74. A. E. Fersman, O átomo e o tempo.

136 137
ad-
objetividade
do tempo.
negarem
a da
VIsto, uma dcterminada dilerença a qual se bascia em que o ao o tempo
Os positivistas,
classes de tempo:
vimos, duas
m o s t r a m o s

periodo de formação é mais longo nos organismOs superiores. Já


niitiam, como já teoria
fisica.

Engels chamava a atenção para o lato de que, no pro psicológica e tempo da subjetivismo.
do seu
cesso da evolução biológica, os ritmos do desenvolvimento dos
percepçao
tal posição
em vista classes de tem-
era
das duas
organismos se aceleram. "No tocante a tõda história do de- quão nelasta reconhecimento
positivista influi nega-
Mas, do outra
conseqüencia que
senvolvimento dos organismos escreveu - temos que acei. ainda tempo
depreende-se Trata-se do pluralismo
po, naturalistas. do
tar a lei da aceleração como proporcional ao quadrado do söbre os em geral.
tivamente
do tempo e,
única
tempo a partir do ponto inicial. .. Quanto mais elevado seja eliminação da esséncia signiticativo
da esséncia. E
s u m a m e n t e

evi-
cle, tanto mais ràpidamente tem lugar o processo , O pro- desta Reichenbach.
próprio problema positivistas, e m particular
gresso se acha relacionado com a aceleração do desenvolvi. tato de que
os
relativa à
esséncia do tempo.
o
mento, e. desta sorte, com a diminuição do tempo que duram da questão se
tem o e x a m e especial
r e s o l v e n d o éste
problema é que
sòmente de
os ciclos de evolução. No desenvolvimento individual dos E a verdade é que de causa, a
resoluç o
ou-

organismos a evolução se rege por outra lei. Como demons- abordar, com fundamento
pode relacionados com o tempo.
sub-
trou o médico francés P. Le Comte de Noüy 7 em suas tros problemas o
num sentido
tempo
interpretando
observações sôbre a cicatrização das teridas, e como demons- Enquanto Kant, como uma "coisa (o que e r a um
tram outras investigações sóbre a fisiologia da idade, dimi. via-o c o m o algo, o tem po
jetivista, cai no o u t r o
extremo: tragmenta
nui com a idade a velocidade em que ocorrem os procesos fi. êrro), o positivismo tisicoe o tempo psicológico c o m o coisas
siológicos - e o seu tempo aumenta. contrapõe o tempo Como está escrito
num dos artigos
totalmente diferentes.
O estudo das particularidades dos diferentes objetos no órg o dos positivistas
america-

constitui um importante aspecto do conhecimento da natu- sôbre o tempo publicados descobre em seu presente
nos, o tempo que o psicólogo tisico
reza. No curso da investigação concreta, e em indefectível coisa que o "tempo que
o

imediato não é a
mesma

conexão com o estudo das leis do desenvolvimento de tais ou Além disso, o reco-
átomos vibratórios
mede com seus destas
quais coisas e fenômenos, vão-se descobrindo as particula- classes de tempo e apenas
nhecimento destas duas
ridades especificas da forma temporal de sua existência. maneira ao tato de se atirmar que
duas liga da mesma do campo
tôda manifestação do tempo fora
tempo fisico é
em tõdas as outras múltiplas
Concluindo, torna-se necessário repetir que o caráter es- psicológico, ou seja, o tempo
atividade.
de Com isso, é claro, fecha-se o caminho
zonas
pecifico que possui a manifestação da forma temporal da manifestaão do temn-
à investigaão do que tem de especitico a
existência da matéria nos diversos níveis da referida exis- da realidade.
nas diversas zonas
tência, de maneira alguma implica um "fracionamento" da po
Nesse sentido, é caracteristica a declaração de A. Ed-
própria essência do tempo. As propriedades temporais das
dington, naturalista que defendeu o positivismo no campo
isas são distintas, mas o tempo, em tôdas as coisas, em
da filosofia. "... Encontramo-nos com duas perguntas, n o
todos os modos de ser, por mais especiticos que sejam, ex-
fundo diferentes. Primeira: qual é a verdadeira natureza do
pressa uma só coisa. (Reterimo-nos à unidade da essência
tempo? Segunda: qualé a verdadeira natureza da magnitu-
do tempo, e não, evidentemente, à unidade do próprio tempo
de que, sob o especto de tempo, desempenha essencialissimo
no sentido newtoniano).
papel na fisica clássica?... Consideramos... mais importan-

75. Marx e Engels, Obras t. Xx, pág. 620.


76. P. Le Comte du Noüy, Le temps et la vie, Paris, 1936. 77. S. Skulsky, A Theory of Time.

138 139
cscreve Eddington
te segunda das questòes indicadas."
a
o
Desta maneira, como se vë, ele separa tempo em sua ver.
isica. Além disso.
dadeira natureza c o tempo na CIenca
sentido subjetivista.
concebe o tempo num
A palavra "tempo, na isica atirma, empiricamente
do Observatório real"Quanto à "ver.
designa o tempo
dadeira natureza do tempo. ele a entrelaça com a represen.
em noSsa IV
tação subjetiva do tempo, arraigada consciência,
Dessa forma, vemos, de uma pare, o empirismo, e de outra
o psicologismo na maneira de conceber o tempo; e, cm seguida.

a concepção de Bergson, contra as quais se manitestam os

próprios positivistas.
A inconsistência metodológica da concepçao da "multi.

plicidade
tal
dos tempos
concepção permite
mostra-se
sequer
com clareza no lato de que
arranhar as especulações teo-
A Irreversibilidade do Tempo
lógicas e idealistas de todo genero, permitindo que elas sub-
sistam ao lado das teorias cientitico-naturais. Assim, depois
de expor os dados que caracterizamo tempo tisico",. o fi-
lósofo francês J. Pucelle escreve: A lisica na0 é metafisica.
Deixa liberdade para as especulações a respeito do tempo no
nivel humano. E possível considerar, inclusive, que a questão
metafisica e teológica das relações com a eternidade fica intei
ramente de pé, já que é um problema de outra ordem", 80
Vemos, assim, que o tracionamento do tempo em "múl.

tiplos tempos isolados cmpirismo bastante estreito


serve de meio para reconciliar a religião com a ciência.
Faz-se necessário assinalar com töda nitidez a essência
única de tempo. A cssência do tempo não se acha determi.
nada por qualquer forma concreta de movimento, mas pelo Ao anALISAR as propriedades da sucessão temporal,
inerente inovimento da matéria em seu con- surge o problema da irreversibilidade do tempo. problema
que é geral e ao

junto: o processo da mudança, do devir, do que virá. No que que ocupa importante lugar na ciència contemporànea: Liga
diz respeito às tormas qualitativamente distin tas do movi-
do a uma série de questões surgidas com o desenvolvimento
mento da matéria, com ela, a matéria, está relacionado o que
a manifestação das propriedades temporais tem de especifico. da ciência natural. possui êle valor inestimável para a concep-
ção do mundo. No plano do nosso trabalho, torna-se indis-
pensável examinar alguns aspectos gerais da aludida proble
mática, Para isso, parece-nos essencial lançar mão da concep-
78. Eddington, A relatividade e os quanta. ção materialista dialética da natureza do tempo em relação
79. Tbidem,
80. J. Pucelle, Le temps, pág. 41. com a concepção dialética do desenvolvimento.

140 141
ele e s
1 CRITÉRIOS DA IRREVERSIBILIDADE DO TEMPo concordar com S.T. Meliujin quando
Não podemos acèrca de s u a
"unidimensionali-

referindo-se ao tempo,
creve,
irreversibilidade e sua
assimetria .
A irreversibilidade
do tempo é uma de, relacionada com sua
su-
racteriza o curso do propriedade que ca- de uma coisa no tempo aparece
como

tempo. e por "curso de tempo" entende- Omovimento


de estados da refe.
se, como
já ficou explicado em capitulo anterior, a sucessiva (não-simultaneidade) da existëncia
na
cesão existència
simult nea.
mudança de acontecimentos no isto se exclui a
processo da existència. A rida coisa. Já com
constituen a
mencionada

direção do curso do tempo é a ordem temporal. dos


elementos que

depois na sucessão dos


dirigida "antes série
unidimensionalidade do tempo
inclusive se mantém
acontecimentos. série. A também
O problema da irreversibilidade do tempo surge ao se admite a reversibilidade
termporal, dado que
se realiza-
determinar a direção temporal. A se
temporal do
acontecimento

questão se
seguinte maneira: existe informação sôbre dois apresenta
da neste caso a
caracterização
momentos do tempo
acontecimen- coordenada, e todos os
mediante uma
tos: A e B. E se de uma

A
possivel: a) estabelecer que o acontecimento podem representados de modo
ser
exaustivo por meio

e o acontecimento B introduzir nela direções posi


do tempo (ou, noutras
correspondem a distintos momentos linha geométrica (bastando
as

não coincida)?
palavras, que sua
ex isténcia objetiva tiva e negativa).
b)
determinar qual
dëstes acontecimentos no entr2 a irrever
tempo precede o outro (ou melhor: qual déles existe antes, H. Margenau estabelece uma diferença
única. Chama unidireção
objetivamente?). A primeira pergunta constitui o problema sibilidade do tempo e sua direção
da especificação dos momentos do ao fato de que a particula
não se pode achar em dois lugares
tempo. A segunda sô- -

é claro. pode
bre a univocidade da ordem "antes"-"depois", sôbre a uni- diferentes num só e mesmo tempo (enquan to,
achar-se no mesmo lugar em diversos momentos do tempo).
vocidade da direção temporal constitui o problema da ir-
-

reversibilidade do tempo em seu estrito sentido; mas a pró- Noutras palavras, se x e t são, correspondentemente, as co

pria apresen tação deste problema relaciona-se, naturalmente. ordenadas espacial e temporal, a particula não pode satis-
com a solução que se dé ao primeiro. Assim como a direção
fazer as condições t:= t. t 4 ti, X1 <X < X: em
do tempo é uma caracteristica da ordem da existência dos condições x: = x
acontecimentos (dos estados). a irreversibilidade do tempo é
bora possa satisfazer, desde logo
de
as

uma caracteristica da univocidade desta ordem.


X X1 t t t E supor que a propre se
dade indicada acompanha, precisamente. a natureza unidi-
Antes de prosseguirmos na exposição, torna-se necessá mensional do tempo. Quanto à direção única do tempo. já
rio examinar algumas questöes de terminologia. bserve-se mostramos acima que entendemos a irreversibilidade do tem-
que a unidimensionalidade do tempo (ou seja, a caracteriza- po como existência de uma ordem temporal univoca. isto é.
ção de um acontecimento no tempo mediante uma só coorde como unidade de direção única do tempo para a sucessão dos
nada, ou a possibilidade de esgotar a representação de todos acontecimentos. Observemos, a respeito. que os autores mais
oS momentos do tempo através de uma só linha
geométrica) diversos (independentemente do caráter das soluçöes que
mantém-se qualquer que seja a solução que se d ao pro-
propõem para o problema) identificam, e com acêrto, o con
blema da irreversibilidade-reversibilida de do tempo, já que,
de maneira geral, conserva-seo conceito de série temporal. 1. S. T.
cujos elementos existem "um a um", por turno. A isso, preci-
Meliujin, Em tôrno da estimativa filosófica das re-
presentações atuais sõbre as propriedades do espaço e do te-
samente, une-se a unidimensionalidade do tempo, e não à po no micTOm Undo.
sua irreversibilidade, que constitui um probelma especial. 2. H. Margenau, The Nature o N. Y. 1950.
Physica! Reclity.

142 143
egadas pela
representaçies
ceito de direção única do tempo com o da irreversíbilidade basta a si mesca,
tacria da reiatz
pecial, que se pela
temporal. E o caso. por exemplo. de A. Eddington, que a em particular
ciência atural moderna, c i e n t i i c a do
sucdo.

examinar a irteversibilidade do curso do tempo (mesmo con estranbas à


concepção sibrz a dreçao
dade. e sesebarte,
cebendo-a de forma errönea. no sentido de orte termodi especziativa G. a
Uma concepção faz = i t o . por
amica do mundo). fala da propriedade que tem o tempo foi formuiada, rio U r r o de
de possuir uma só direç o (one-wayj Tambén outros au do tempo. r a t u r e z a do tepo.
Acérca da Sa
ndicasos,
tores entendem a direção única do tempo no sentido de sua en seu artigo
nesta questão.
está c o z o já
Whitro. e va o tapo
irteversíbilidade. substancalista do t e p o ,
concepç o ndependent2 de alg
A tese losófica que. como premissa, proporcion.a uma das coisas,
certa base prinária co
base cientifica para resolver o problema de que nos ocupamos. furdanaz! e como coezistido
ainda nais Whitro tz
consiste em reconhecer o caráter objetivo da ordem temporal QQue
segundo suaprópria express~o. zevzla-se, e p a r
da objetividade
orientada. Por isso mesmo. o
recoahecimento cepção substanciaista do tempo, uiveTso
cicbco e u
tici-

da ordem do tempo não é idëntico ao reconhecimento da sua tenpo


fato de gue éle diferencia u Partindo da concapção
subs-
unidade. mas negar a objetividade da ordern temporal abre vé como independntes.
eice a
co. e os citado.
u amplo campo às especulzções arbitrårias Desta quesão. Werow, 2 o artigo
tancialista do te=po, coso a
Bridgman acreditz2 que tais propriedades do tempo, (a assineria) d o t e p o
direção unilateral ca qual de
como sua irreversibiidade. subentendem-se como contidas por naturesz do tenpo,
faceta da própria
não pode ser defendida
si mesmas nas operações". e. reíerindo-se irreversibilidade
à
esta uma concepção estéril. que
se querem dizer alço
c o s c e : o ac~rca do
do tempo, escreve: "Creioque se
se
descobrir-se-á
submete
esta
não
afirmação pelos seus partidários,

à análise operacional. que constitui de caráter da ordem tempo


conceito de curso do tenpo.
orma alguma un juizo söbre a natureza. mas, simplesnente.
A luz de nossa definição do
2 a afirmação sõbre as operações. Falar do 2ovinento do da esséncca c o tzpoo
definição que se origina da concepção
temp
como retrocesso carece de sentido jà que. por defini como forma que nao é u n a
substânda espeia de ser -

adiante é a direção em que o tempo flui. do t r a t a do caráter da


da matéria, a eluidação problema que
A questão. a despeito disto. não se apresenta de manei- direção do tempo. de sua ireversibilidade, acha-se ineritàrel
dos m o n e n t o s tanporais com as
ra tão formal como o fa: Bridgman ao
tratar da essència do Dente unida à correlaç o
tempo partindo das posições da interpretação convencionalis- fases, com as etapas dos processos de desenvoivinao, d a s
2-operacionalista. Se se aceita que a ordem antes" quais os referidos conentos são formas de eristinia. A
depois" está relacionada co o caráter mesmo do curso dob irreversibilidade do tempo só pode ser expressão ca izrever
tempo com o qual os momentos passados. precisamente sibilidade do deseavolvimento dos processos 2arerizis 2o t2
por serem passado. são sempre anteriores aos subseqkentes po. Não só se trata de algo condicionado. relacionado coma
irreversibilidade do tempo poderia parecer uma pro-
priedade especifica dëste útino, contida jå. a priori. na pró
designação. arbitràrianente introCuica,
coaceitos, mas de uma caracteristica essencial da ardem da
ais

pria representação do curso temporal. Semelhante conchusão natureza.


2ostra-se precipitada e inconsistente. E impossivel não se dar A ruptura do desenvoivimento das pro
conta de que. e essëncia. converge com as reprasentações
entre a tendência
cesos materiais e a direção do tempo, situa o problema da ir.
newtonianas acêrca do curso do tempo como substância es-
5. Whitrow, On the Nature of Time.
Eddington. The nature of Physical World, Londres, 1955
6. Tbidem.
P. W. Bridgman, The Logic of Modern Physics, råg. 79.
7. Tbidem.

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