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UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA – UNOESC

ACADÊMICA: CLORETE MARLA SALVADEGO.


DISCIPLINA: FAMÍLIA, IDOSO, CRIANÇA E ADOLESCENTE – 6º PERÍODO

O Instituto da Família para Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Mario Sergio Cortella

Para compreender o significado de FAMÍLIA para Karnal, Pondé e Cortella, faz-


se essencial conhecer o meio em que cada um dos filósofos está inserido.
Inicialmente, Leandro Karnal (1963-) nasceu em uma família de classe média do
Rio Grande do Sul, teve quatro irmãos, estudou Filosofia e tornou-se ateu na
adolescência. Apesar de ter tido dois relacionamentos estáveis e longos, não teve filhos.
Segundo seus pensamentos, a família teve diferentes significados ao longo da
história: na Roma Antiga o casamento era puramente por interesse econômico e não por
amor. Com a ascensão da burguesia no século XIX matura-se a ideia de felicidade no
casamento, além da atenção para com os filhos. Ele demonstra que a família se tornou
tão importante que foram criadas datas comemorativas ao dia da criança, pai, mãe e
avôs. Outrossim, a sociedade reputa o bem-estar familiar como uma necessidade, tanto é
que na entrevista de emprego é obrigatório dizer que a família é “o seu tudo”. O ponto
mais relevante para Karnal seria que a instituição familiar nutriria a existência dos
consultórios psicológicos e psiquiátricos, pois as relações familiares são o tema central
de toda sessão, já que ninguém procura ajuda médica para dialogar sobre “a alta do
dólar”. Consoante seu discurso, o que torna uma família viável é o amor, não o modelo
em que ela é estruturada, assim poderia haver mais afeto em uma família alternativa do
que na tradicional, haja vista que as famílias sofrem com a essência e não com a
existência. Termina citando que o privado (família e autoajuda) entrou em ascensão em
detrimento do público. Deste modo, no Ocidente, o único motivo pelo qual as pessoas
morrem seria pela família e não pelo Estado ou religião.
Por outro lado, Luiz Felipe Pondé (1959-) é um pernambucano nascido em
Recife e filho de um militar católico e uma mãe judia. Não é seguidor de nenhuma
religião, no entanto, admira a figura do Deus bíblico. Assim como Karnal, Pondé
também estudou Filosofia. No mais, casou-se e teve dois filhos.
Em relação ao que pensa sobre a família, o filósofo racionaliza seu estudo na
teoria evolucionista de agregamento e proteção, na qual o vínculo entre os bandos foi
fundamental para a espécie humana. Isso justificaria a expectativa e obrigação que a
sociedade impõe de afeto familiar, fundada em obrigações de cuidado desde os tempos
primitivos. Pondé não acredita que os pais/filhos são OBRIGADOS a amar uns aos
outros, há alguns, segundo ele, que não merecem ser tão amados. Ele centra sua crítica
na constituição familiar, aduz que não haveria uma forma de família ideal, mas defende
ferrenhamente as estatísticas que comprovam que as crianças com estruturas familiares
sólidas, de pai e de mãe, se desenvolvem melhor socialmente. Ele acredita que a
emancipação da mulher trouxe um cariz negativo através da solidão, do esforço para
bater metas e o sofrimento de várias jornadas de trabalho (não significa que elas
devessem ficar na cozinha, e sim que não se está avançando no processo familiar). As
mudanças familiares contemporâneas teriam haver com narcisismo, competição, um
“egoísmo chique”, e que esse processo não significaria um efetivo avanço. Conclui
dizendo o seguinte: quanto mais opção, dinheiro e informação, menos filhos se quer ter.
A sociedade definiu de modo inconsciente ir paulatinamente desaparecendo, portanto,
haveria uma intolerância com os reais (crianças que choram, precisam de tempo e
dedicação, ensino e alimento) e uma busca de afeto por animais de estimação que os
amam incondicionalmente. Nas suas palavras: “Não é obrigação casar e ter filhos, mas,
[...] dizer que não quer ter filho porque tem criança demais no mundo, é uma
palhaçada”.
Paradoxalmente, Mario Sergio Cortella (1954-), é um londrinense, escritor e
filósofo muito reconhecido. Em relação à família, era filho de um bancário com uma
professora, teve dois irmãos, três filhos e uma neta.
Sua principal crítica é com a educação das crianças. Nisto faz uma distinção
entre o dever de educar e o dever de escolarizar, sendo esta última, papel da escola; já a
primeira, função da família. Cortella sabiamente fala que o mundo que vamos deixar
para os filhos, depende muito dos filhos que vamos deixar para o mundo. Sendo assim,
o trabalho de parto perdura no tempo, vai muito além da maternidade, por isso, a
decisão de ter filhos é muito importante. Reflete que a modernização do século XXI
dificultou a educação das crianças, uma vez que se tem menos contato entre os
membros do grupo familiar. Complementa ao falar que os pais estão sendo
subordinados pelos filhos, consequentemente a criança não possui uma autoridade sobre
ela e pode fazer o que bem entender. Um exemplo da falta de pulso firme é a frase
“sente-se” e da frase “onde você quer se sentar?”. Por fim, verbaliza sobre a moradia.
Segundo o filósofo, uma casa infeliz é aquela que está toda arrumada, pois está sem uso.
E, onde há vida, há também perturbação da ordem.

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