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O voo 529 Uma história de terror Midu Gorini

O voo 529

Uma história de terror

Midu Gorini

midugorinibook

primeira edição

Midu Gorini
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O voo 529

Uma história de terror

Midu Gorini Midu Gorini O voo 529 Uma história de terror Primeira Edição 2011

Primeira Edição

2011

O voo 529 Uma história de terror Midu Gorini Epígrafe Indispensável ― Quem sabe respirar

O voo 529

Uma história de terror

Midu Gorini

Epígrafe Indispensável

― Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe

que é um ar da altitude, um forte ar. É preciso ser feito

para ele, senão o perigo de se resfriar não é pequeno. O

gelo está perto

das às coisas, a luz, com que liberdade se respira autentico livro do ar das alturas.

, o

, mas com que tranqüilidade está to-

Friedrich Nietzsche

Preâmbulo

― Um conto para adultos, que possui o ar forte da

altitude, o gelo esta ao lado, resta saber se você é feito para ele e sabe respirar o ar forte das alturas. Um ar com pouco oxigênio, baseado em fatos verídicos rega- dos a sangue frio, dominados por violenta emoção, boa leitura e boa sorte ♣.

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O voo 529 Uma história de terror.

Os fatos relatados a seguir podem ter ocorridos des- ta forma ou de forma muito semelhante a esta, com o tempo estes fatos transformam-se em lenda e cada um os relatam à sua maneira, contudo os dados gravados na caixa preta da aeronave, não mudam. De qualquer forma os trágicos fatos ocorreram uma década e meia, antes da chegada do segundo milênio.

*

Em 1990, o avião pressurizado de alta performance com bimotor turboélice mais veloz, moderno e char- moso do disputado mercado da aviação civil de passa- geiros, era sem dúvida alguma o Embraer EMB-120 Brasília. Uma aeronave fabricada com a mais alta tec- nologia da época pela empresa brasileira Embraer, pos- suía capacidade para transportar 30 passageiros mais 03 tripulantes, piloto, copiloto e aeromoça. Os seus dois motores turbopropulsores Pratt & Whitney, eram basicamente turbinas a jato acionando uma hélice qua- dripás Hamilton, gerando potência que proporcionava uma velocidade de cruzeiro próxima a 600 Km/h. O avião voava a uma altitude de 32 mil pés com al- cance de 1.500 km, portanto uma aeronave excelente para voos de curta distância, com essas características o Embraer Brasília se tornou um grande sucesso co- mercial. Sendo utilizado em larga escala para o trans-

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porte de passageiros das companhias aéreas regionais espalhadas pelo mundo, principalmente Europa e EUA. ** O avião brasileiro começou a voar nos Estados U- nidos pela companhia americana ASA - Atlantic Sou- theast Airlines, esta companhia em 1995 possuía 83 aviões turbopropulsores em sua frota para voos regio- nais de curta distância, a maioria deles Embraer Brasí- lia, aeronave confortável e confiável. Esta empresa também possuía pilotos e tripulação treinados e experi- entes com horas de voo a fio, além de um eficiente pro- tocolo de manutenção dos seus aviões. Onde a empresa seguia a risca as recomendações fornecidas pelos fa- bricantes dos componentes da aeronave e da própria Embraer no caso de seus aviões Brasília, a principal fonte de lucros da Atlantic Southeast Airlines. No entanto a robustez e segurança da aeronave, a- lém da eficiência da manutenção da Atlantic Southeast Airlines se perderam na ineficiência das boas práticas de engenharia e protocolos de inspeção, manutenção e reparação da Hamilton Standard, fabricante das hélices quadripás do Embraer EMB-120 Brasília. A empresa Hamilton Standard devido a uma inspe- ção de rotina ineficaz e infeliz, simplesmente não con- seguiu diagnosticar uma fadiga grave de material, ca- racterizada por pequenas rachaduras no interior de uma das quatro pás da hélice do motor esquerdo, do avião Brasília da Atlantic Southeast Airlines.

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*** Esta aeronave inspecionada de forma inadequada faria dias depois o infausto voo 529. Assim começou uma história repleta de dramaticidade, heroísmo, dor e superação, onde a devastação físico-emocional foi e- norme, a dor ultrapassou em muito os seus tênues limi- tes. Uma história onde a lei da gravidade foi desafiada ao extremo, nas suas medidas de forças e de pesos por praticamente dez agonizantes minutos, por dois exce- lentes pilotos.

*** * 21/09/1995, às 12h23min com tempo bom e céu parcialmente nublado, o voo 529 do Brasília da Atlan- tic Southeast Airlines decolou com meia hora de atraso para o seu segundo voo do dia, com 26 passageiros e 03 tripulantes a bordo, decolou do Hartsfield-Jackson Atlanta International Airport rumo à Gulfport. Um voo de 570 km com pouco mais de 01h de duração. O avião estava em boas mãos, era pilotado pelo experiente co- mandante Ed Gannaway, copilotado pelo não menos competente primeiro oficial Matt Warmerdam. Os pas- sageiros também estavam em boas mãos, à aeromoça Robin Fech cuidava da segurança e do conforto deles, a bordo do voo 529. A decolagem se deu de forma normal e rotineira, exceto talvez pelo desconforto sentido pelo copiloto Matt, ele achava o cockpit do Embraer Brasília peque- no demais para os seus quase dois metros de altura e

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alguns quilos a mais. Forçando o copiloto a criar al- guns “truques de pilotagem”, despertando nele uma relação de amor e ódio pela aeronave, mas nada que comprometesse a sua eficiente copilotagem do avião. Logo após a decolagem Matt dá as tradicionais boas

vindas aos passageiros pelo rádio “Boa tarde senhoras

e senhores, bem vindos a bordo do voo 529 de Atlanta,

Geórgia da Atlantic Southeast Airlines, com destino a

Gulfport, Mississipi, estamos voando a 12 mil pés

*** ** O voo seguia tranquilo, agora a 18 mil pés de alti- tude e com o piloto automático ligado, o comandante recebe instruções do controlador de voo em terra para subir até 24 mil pés. O avião não alcançará essa altitu- de, ouve-se um estrondo impressionante como se al- guém estivesse golpeando iradamente o Brasília com uma força gigantesca, grosseira, descomunal de forma

contínua, o microfone do cockpit capta o som das vá- rias pancadas, esses sons são gravados na caixa preta da aeronave ás 12h43min25s. Era uma das 04 pás da hélice esquerda se rompendo

e se soltando destruindo o motor que explodiu, danifi-

cando, deformando e arrancando parte da asa, provo- cando uma instabilidade grave no avião. A asa tem sua função de sustentação comprometida, fazendo o avião perder altitude, os restos do motor e da hélice geram uma força de arrasto aerodinâmico extraordinária, no entanto sem produzir o empuxo necessário para fazer o

”.

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avião ganhar altitude. Tudo isso agindo em conjunto tornava praticamente impossível estabilizar e pilotar a aeronave, o piloto automático se desliga, o comandante Ed assume os comandos. Alarmes do cockpit soam in- dicando perda da pressão de óleo e do motor esquerdo, o avião dá fortes quinadas para a esquerda e começa a perder altitude rapidamente. 30 m/s ou 1.600 m/min. O comandante diz ao primeiro oficial Matt “eu não consigo segurar esta coisa, ajude-me a segurá-la”. Matt ajuda Ed tentar estabilizar o avião de forma precária, durante esse procedimento ele se comunica com os controladores de voo “nós tivemos uma falha no mo- tor”, declarando em seguida “mayday” (emergência). Os passageiros começam a entrar em pânico, mas a aeromoça Robin controla a situação com maestria, a- calmando-os e elucidando a todos que o Embraer Bra- sília era desenhado para voar com um só motor. Con- tudo a visão dos passageiros pelas janelas esquerdas do avião era aterrorizadora, o motor completamente a mostra, sem carenagem com as suas peças retorcidas expelindo fluidos e óleo. Os restos da hélice mais des- locada ainda para a esquerda, totalmente destroçada, a trepidação dentro da aeronave dava a certeza que o fim estava próximo. Alguns passageiros rezam, outros escrevem mensa- gens, todos atônitos, porém sem pânico a aeromoça Robin dava tudo de si para dar uma luz de esperança mansa a eles. Entretanto a situação se agrava, soa o

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alarme de fogo no cockpit, a fumaça do motor explodi- do entra pelo sistema de ventilação do ar condicionado

e toma conta do interior da aeronave, a respiração se

torna difícil, os pilotos colocam as suas máscaras de

oxigênio. O comandante corta o combustível do tanque da asa esquerda, o fogo se apaga a fumaça se esvai, ele pede para o seu copiloto embandeirar a hélice esquerda, mudando assim o seu angulo e diminuindo a força ae- rodinâmica de arrasto, não funciona, o avião segue ins- tável quinando implacavelmente para a esquerda e per- dendo altitude, os pilotos lutam bravamente, evitam que o Embraer Brasília entre em uma espiral fatal ru- mo ao chão. Na medida em que a aeronave continuamente per- dia altitude, ganhava uma velocidade demasiadamente alta de aproximação à pista, anunciando um pouso mo- nomotor de emergência dificílimo. O comandante nes- te momento desliga os alarmes que soavam irritante- mente no cockpit, testa os comandos de pilotagem, um

a um, e com muita perícia consegue levantar o nariz do

avião e a velocidade se reduz até atingir os 300 Km/h, contudo a velocidade ideal para um pouso bimotor

normal seria de 210. Às 12h45mim32s, ou seja, 02min07s após a fratura total de uma das pás da hélice o improvável acontece. Os pilotos conseguem estabilizar a aeronave precaria- mente a 10.300 pés, em seguida eles se comunicam

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com a aeromoça Robin pelo interfone. O copiloto Matt reafirma o que todos já sabiam a gravidade da situação depois da explosão do motor esquerdo, informa que declararam emergência, estavam tentando conduzir o avião de volta para Atlanta e pede para ela preparar os passageiros para um pouso de emergência. Assim a aeromoça fez com voz firme de comando, dando as primeiras instruções para os passageiros, sem, no entanto gerar pânico entre eles, depois reafirmou a todos que a aeronave poderia voar e pousar com um só motor. Só então, o comandante teve tempo disponível para olhar pela janela da cabine e tem a real noção dos estragos devastadores, ele teme pelo pior, motor ex- plodido estava pendurado do lado de fora, justificando o enorme arrasto aerodinâmico. O avião se mantém precariamente estável, todavia continua a perder altitu- de em uma razão que torna impossível o regresso do voo 529 a Atlanta, distante a 90 km. O comandante Ed decide pousar o avião no aero- porto mais próximo e no menor tempo possível. Para dificultar em muito a sinistra situação surge mais um fator complicador, a aeronave começa a voar entre es- pessas camadas de nuvens, impossibilitando qualquer chance de voo visual dos pilotos. Eles não teriam como visualizar o aeroporto antes da aproximação final. *** *** Às 12h46min20s, 03mim05s após Brasília perder um motor, o controlador de voo em terra indica ao co-

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mandante, a alternativa mais próxima para um pouso de emergência. Distante a apenas 16 km do voo 529 estava o aeroporto West Geórgia Regional, em Carroll- ton, uma pista asfaltada com 1.524 m margeada a 300

m por bosques e algumas propriedades rurais. O comandante Ed decide pousar neste aeroporto, o voo 529 segue com a sua realidade rumo ao seu desti- no, será que o Brasília conseguirá alcançar a pista de pouso? Esta era a luta heroica dos pilotos, a aeronave passa pela espessa camada de nuvens e o comandante Ed não visualiza o pequeno aeroporto, o Brasília perde altitude rapidamente, a sua velocidade alta, 220 Km/h. O primeiro oficial diz “onde o danado está?” em seguida pede orientação ao controlador de voo, ele in- forma que o aeroporto está à esquerda a 10 km, uma pequena distância longa demais para este Embraer Brasília. A aeromoça desconsertada visualiza as copas

das árvores, sabe que a aeronave não chegará ao aero- porto, ela reforça sem pânico as instruções para o pou- so de emergência, “cabeça entre as pernas”, solicita mais uma vez para os passageiros se livrarem dos obje- tos pontiagudos ou cortantes. No cockpit, a batalha final dos pilotos, o comandan-

te Ed pede a ajuda do primeiro oficial na pilotagem do

avião, Matt indica uma clareira entre as árvores, Ed concorda resignado. Poucos segundos depois a caixa preta grava a última frase dita no cockpit, Matt diz “Amy, eu te amo”.

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Depois disso o som do trem de pouso baixando, som da fuselagem raspando nas copas de algumas ár- vores frondosas e por fim o do forte impacto a 220 km/h no solo, dividindo a fuselagem do avião em 04 partes, separando a cabine dos pilotos do restante da aeronave, que ficou dividida em 03 partes. Exatamente ás 12h52min46s, 9min20s depois de uma das pás da hélice estraçalhar o motor do avião, a heroica luta dos pilotos, Ed Gannaway e Matt Warmerdam, havia ter- minado com um saldo altamente positivo. Mais uma vez o improvável acontece de forma insofismável, ne- nhuma das 29 pessoas a bordo do Embraer EMB-120 Brasília no voo 529 da Atlantic Southeast Airlines es- tava morta ou gravemente ferida, exceto talvez pelas lesões sofridas pelo comandante, ele se encontrava no- cauteado em estado comatoso sobre o manche *** *** * Logo após a queda do voo 529 apenas o silêncio, um silêncio que pesava como chumbo, terrível e im- placável silêncio, que enchia os ouvidos e a alma alivi- ada de todos. Contudo o cheiro de combustível se to- nava cada vez mais insuportável, anunciava sem pie- dade a eminente explosão dos tanques de combustíveis, situados nas asas destruídas durante o acidente. Oito passageiros com ferimentos leves saem aterrorizados, desnorteados, desesperados da aeronave fugindo do fogo anunciado, entre eles um funcionário do ramo in- dustrial chamado David Mc Corkell.

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A aeromoça Robin Fech também poderia fazê-lo,

mas não o fez, ela tratou de socorrer os demais passa-

geiros que não conseguiram sair por seus próprios meios do avião, pois estavam com ferimentos de média

gravidade, fraturas ou presos entre os escombros. Ge- midos começam a ressoar pelo ar, prestativa a aeromo- ça se esforça para atender a todos. Um minuto após a queda do voo 529 da Atlantic Southeast Airlines a sorte de grande parte dos passa- geiros e da tripulação se acaba, o pior dos pesadelos se concretiza impiedosamente. O combustível que vazava copiosamente pelas asas entra em contato com as faís- cas da fiação elétrica arrebentada da aeronave, o avião arde em chamas que atingem mais de 10 m de altura.

A aeromoça Robin Fech se encontra encurralada

com vários passageiros entre a fuselagem dividida do avião e a implacável barreira de fogo e fumaça tóxica que se aproximava ameaçadoramente, se eles ficassem ali sem ação alguma o destino deles já estava selado. Portanto não havia escolha, a única saída era atra- vessar o mais rapidamente possível a terrível barreira de chamas e espessa fumaça que ardia em altíssima temperatura. E assim foi feito com o auxílio da heroica aeromoça, corpos incandescentes saiam um a um com os seus gritos aflitos da horrenda barreira, a pele se se- parava do rosto, do corpo queimado em sua maior par- te, alguns rolavam pela relva tentando se livrar das chamas, a situação só piora. Robin finalmente conse-

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gue sair dos escombros da fuselagem com queimaduras graves, lacerações pelo corpo e fratura no punho es- querdo, mesmo assim socorre os passageiros grave- mente queimados, exige a ajuda dos sobreviventes com ferimentos leves paralisados, em estado de choque com a terrível visão da fúria dos infernos infernais. Entretanto a aeromoça não consegue ver e nem es- cutar através das intensas labaredas misturadas com a espessa fumaça, os gritos de Dawn Dumm, presa den- tro de uma das 03 partes da fuselagem dividida do avi- ão, pendido ajuda para ela e sua mãe. *** *** ** Na outra parte dividida, o cockpit, às coisas também iam de mal a pior para os dois pilotos, Ed inconsciente aparentemente em coma profundo não recobrará jamais os seus sentidos, o fim para ele estava próximo, infe- lizmente o seu destino estava selado. Matt com o om- bro esquerdo deslocado vê a fumaça tomar conta, o copiloto luta desesperadamente com um pequeno ma- chado, especialmente feito para despedaçar o para- brisa da aeronave. Mas sem forças e sem espaço suficiente devido à grande deformação sofrida pelo cockpit, Matt não con- segue romper as camadas do resistente acrílico transpa- rente do para-brisa. Ele consegue fazer apenas um pe- queno buraco por onde busca desesperadamente o ar para respirar, um sopro de vida que lhe dá a chance de gritar incessantemente por socorro.

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David Mc Corkell, o funcionário que conseguiu sair com ferimentos leves do avião, estava com a sua vida salva, no entanto escuta a voz sofrida do copiloto e re- solve colocar a sua vida em risco. Poucos homens se aproximariam de um cockpit prestes a explodir em chamas como ele o fez, David pega o machadinho pelo pequeno buraco aberto no para-brisa e vê angustiado o cilindro de oxigênio atrás do copiloto se perfurar e se transformar em um maçarico sobre o corpo de Matt. O copiloto agoniza em dor, o corpo do piloto também arde completamente envolto nas chamas, no entanto felizmente para Ed, ele não sente mais a dor, o piloto já estava morto pela inalação da fumaça tóxica exalada. Então David começa a golpear freneticamente o pa- ra-brisa, uma labareda de fogo sai pelo buraco aberto queimando mais ainda o copiloto, ele é obrigado a se afastar. Contudo heroicamente David volta com o pe- queno machado em sua mão e golpeia alucinadamente aquele para-brisa em chamas, não se importando se queimava a sua mão. Neste exato momento chega para ajudar David, o policial Guy Pop, ele é um dos primei- ros socorristas a chegar ao local do acidente e retira o copiloto Matt do cockpit com 90% do corpo queimado, mas vivo e lúcido.

*** *** *** As equipes de socorro conseguem regatar com queimaduras graves pelo corpo, Dawn Dumm e sua mãe. Duas pessoas morreram na aeronave, um passa-

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geiro e o piloto, outra morreu logo após no hospital, outras sete morreram nos trinta dias seguintes ao aci- dente devido à gravidade de suas queimaduras. A dé- cima e última vitima do voo 529 da Atlantic Southeast Airlines, morreu de infarto fulminante do coração qua- tro meses após a queda do Embraer EMB-120 Brasília. Um simples e belo memorial foi erguido na Comu- nidade Burwell a 50 km de Atlanta. Este memorial está localizado atrás da Igreja Metodista Shiloh e relembra os nomes das dez vítimas fatais do voo 529. Muitos dos sobreviventes tiveram a síndrome do sobrevivente, onde entre outros sintomas o indivíduo se culpa por estar vivo e/ou de autocondenação por es- tar vivo sem tentar salvar os que morreram. Outros in- dicaram as ações da aeromoça Robin Fech como fator primordial para a salvação de suas vidas, por essas a- ções a aeromoça foi homenageada pelo Estado da Ge- órgia, ela nunca mais voltou a trabalhar como aeromo- ça.

O copiloto Matt Warmerdam, depois de 50 cirurgias plásticas e prolongada terapia, voltou a voar em 2002 pilotando os aviões da Atlantic Southeast Airlines. Em 2005 Matt ganhou o prêmio “Pacientes de Coragem – Triunfo sobre a adversidade”, oferecido a ele pela So- ciedade Americana de Cirurgiões Plásticos. A Organi- zação Fraternal Militar de Pilotos concedeu a Matt o seu Medalhão de Honra por sua ação durante os nove minutos e vinte segundos que precederam o acidente.

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*Nota do Autor: O conto literário "O voo 529 – Uma história de terror" foi baseado em fatos reais, on- de os nomes citados também são reais. © 2011

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