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Teoria do Crime

Professora Tatiana Badaró


Professora Tatiana Badaró

Doutora e Mestre em Direito Penal pela UFMG

Bacharel em Direito pela UFMG

Professora de Direito e Processo Penal em


cursos de graduação e pós-graduação

Advogada criminalista
TEORIA DA NORMA PENAL

Karl Binding: Lei penal X norma penal

O crime não é violação da lei penal, mas da norma


que lhe serve de fundamento, a qual é derivada do
preceito legal.
TEORIA DA NORMA PENAL

Art. 121 CP. Matar alguém:


Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Classificação das normas penais

Normas penais incriminadoras

Proibição ou mandado

Preceito primário + preceito secundário


Classificação das normas penais

Art. 155 CP. Subtrair, para si ou para


outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e
multa.
Classificação das normas penais

Normas penais não incriminadoras

Regras gerais de aplicação e interpretação

Podem ser permissivas, explicativas ou


complementares
Classificação das normas penais

Art. 23 CP. Não há crime quando o agente


pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal
ou no exercício regular de direito.
LEIS PENAIS EM BRANCO

Leis penais em que a descrição da conduta


punível é lacunosa ou incompleta,
necessitando de ser complementada por
outras normas jurídicas, geralmente de
natureza extrapenal.
LEIS PENAIS EM BRANCO

Art. 34 da Lei nº 9.605/1998. Pescar em


período no qual a pesca seja proibida ou em
lugares interditados por órgão competente:
Pena - detenção de um ano a três anos ou
multa, ou ambas as penas cumulativamente.
LEIS PENAIS EM BRANCO

Art. 12 da Lei nº 10.826/2003. Possuir ou manter sob


sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de
uso permitido, em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, no interior de sua residência ou
dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho,
desde que seja o titular ou o responsável legal do
estabelecimento ou empresa: Pena – detenção, de 1
(um) a 3 (três) anos, e multa.
LEIS PENAIS EM BRANCO

Classificação de leis penais em branco

Homogênea ou imprópria x heterogênea ou


própria

Remissão interna x remissão externa

Remissão expressa x remissão implícita


CONCURSO DE LEIS PENAIS OU CONCURSO
APARENTE DE NOMAS PENAIS

O que fazer quando mais de uma norma penal


incriminadora parece ser aplicável a um mesmo
fato? A solução precisa respeitar o princípio do ne
bis in idem

Nem sempre prevalecerá a norma incriminadora


que comina a pena maior
CONCURSO DE LEIS PENAIS

Princípios que resolvem o concurso de leis penais

Princípio da especialidade

Princípio da subsidiariedade

Princípio da consunção
CONCURSO DE LEIS PENAIS

Caso 01

Minutos depois de dar a luz e estando sob o efeito


do estado puerperal, Maria mata o próprio filho
recém-nascido. Por qual crime Maria deve
responder?
CONCURSO DE LEIS PENAIS

Art. 121. Matar alguém: Art. 123 - Matar, sob a


Pena - reclusão, de seis influência do estado
a vinte anos. puerperal, o próprio filho,
durante o parto ou logo
após: Pena - detenção, de
dois a seis anos.
Princípio da especialidade

Lex specialis derogat legi generali: a lei especial


afasta a aplicação da lei geral

A norma especial contém os mesmos


elementos da norma geral e outros mais
Princípio da especialidade

O campo de incidência da norma geral é mais


amplo do que o da norma especial

É impossível violar a norma especial sem, ao


mesmo tempo, também violar a norma geral
Princípio da especialidade

Âmbitos de aplicação

Tipo penal básico X tipo penal derivado (crimes


qualificados e privilegiados)

Tipo penal geral X tipo penal previsto por lei


especial

Tipo penal simples X tipo penal complexo


Princípio da especialidade
Âmbitos de aplicação

Crime antecedente X crime subsequente


absolutamente indissociável (crime progressivo e
progressão criminosa)
Crime tentado e crime consumado
CONCURSO DE LEIS PENAIS

Caso 02

X pratica com Z ato libidinoso sem proteção,


sabendo que poderia transmitir a Z doença
venérea com a qual estava contaminado. Caso
ocorra a transmissão da doença, por qual crime
deve responder X?
CONCURSO DE LEIS PENAIS
Art. 130 - Expor alguém, Art. 129. Ofender a
por meio de relações integridade corporal ou a
sexuais ou qualquer ato saúde de outrem: Pena -
libidinoso, a contágio de detenção, de três meses a
moléstia venérea, de que um ano.
sabe ou deve saber que
está contaminado: Pena -
detenção, de três meses a
um ano, ou multa.
Princípio da subsidiariedade

Lex primaria derogat legi subsidiariae: o tipo penal


principal exclui a aplicação do tipo penal subsidiário

As normas penais em conflito punem fases


distintas de ofensa (ou graus distintos de
agressão) a um mesmo bem jurídico
Princípio da subsidiariedade

Âmbitos de aplicação

Subsidiariedade formal ou expressa

Tipos preparatórios

Tipo de passagem (tipos de menor perigo/lesão


em relação aos de maior perigo/lesão, desde
que não sejam absolutamente indissociáveis)
CONCURSO DE LEIS PENAIS

Caso 03

João, com o objetivo de matar José, dirige-se até a


residência desse último, portando ilegalmente
arma de fogo de uso restrito. Caso João dispare a
arma de fogo e mate José, por qual crime ele deve
responder?
CONCURSO DE LEIS PENAIS

Art. 16 da Lei 10.826/2003 - Art. 121. Matar alguém: Pena


(...), portar, (...) arma de - reclusão, de seis a vinte
fogo, (...), sem autorização anos.
e em desacordo com
determinação legal ou
regulamentar Pena -
detenção, de três meses a
um ano, ou multa.
Princípio da consunção

Lex consumens derogat legi consumptae ou major


absorbet minorem: a norma de proteção mais
abrangente absorve a norma de proteção parcial

A conduta secundária, geralmente, antecede,


acompanha ou sucede a conduta principal, mas
isso não é indispensável.
Princípio da consunção

Assim como na subsidiariedade, a conduta


principal não pressupõe necessariamente a
conduta secundária
Diferentemente do princípio da subsidiariedade,
esse princípio resolve, em regra, conflitos
aparentes entre normas que protegem bens
jurídicos diferentes
Princípio da consunção

Âmbitos de aplicação

Antefatos acompanhantes coapenados (ver


súmula 17 STJ)
Atos praticados paralelamente ao crime

Atos posteriores coapenados (o crime posterior


constitui a fase de exaurimento do crime anterior)
Princípio da consunção

Âmbitos de aplicação

Antefatos acompanhantes coapenados (ver


súmula 17 STJ)
Atos praticados paralelamente ao crime

Atos posteriores coapenados (o crime posterior


constitui a fase de exaurimento do crime anterior)
Até a próxima aula!

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