A importância da lógica jurídica e da teoria da argumentação para o operador do direito.

Falar de Lógica Jurídica será falar de Teoria da Argumentação e da sua aplicabilidade no Direito uma vez que ambas se tornam imprescindíveis para a prática jurídica. A Lógica Jurídica surge como resposta à necessidade de estruturar o discurso e a linguagem normativas tão próprias do Direito, contudo, e uma vez que o conteúdo do direito é dinâmico, em constante transformação o raciocínio jurídico relativo à aplicação da norma não pode de forma alguma limitar-se à mera operação dedutiva. Assim, e segundo a maioria da doutrina, a Lógica Formal mostra-se insuficiente para o Direito uma vez que a argumentação jurídica racional opera com valores subjacentes num determinado t mpo e espaço. e Posto isto, surge a necessidade de, como resposta a situações consideradas urgentes pela Teoria Jurídica contemporânea, nomeadamente na tentativa de estabelecer um método que possa ser considerado, uma Teoria da Argumentação. Pode-se falar de Lógica desde os tempos mais remotos, contudo este conceito destacou-se com Aristóteles que lhe atribuiu princípios de tal forma sólidos e que até hoje são tidos como válidos e, como Santo Tomás de Aquino considerou, a Lógica é uma arte, é um método que permite bem-fazer uma obra segundo certas regras. A LÓGICA JURÍDICA Tendo em conta os institutos básicos da Lógica pode-se explicar a necessidade da existência de uma Lógica Jurídica que delineie formas ou estruturas de discurso ou de linguagem normativa próprias do direito´. Assim, a Lógica jurídica divide-se em 2 formas: as apofânticas e as deônticas. A forma deôntica refere-se a um dever-ser objectivo onde a norma traz uma estrutura lógica, cognoscente da conduta, formalizada e representativa da linguagem do direito positivo, que se expressa por meio de normas. Segundo esta perspectiva pode-se considerar que o Direito pretende responder às necessidades sociais de forma a permitir a convivência pacífica entre os homens, logo, compreender-se-á o seu conteúdo dinâmico e em constante transformação de forma a ultrapassar a estagnação da norma. No que diz respeito à forma aponfântica, ou seja, do ser, da prática, do concreto, do que efectivamente ocorre na realidade e que nem sempre corresponde ao que está previsto na forma deôntica uma vez que retrata uma mera possibilidade. Desta forma na formalização da norma, ocorrente pela sua estrutura deôntica, não se consegue abranger todo o conteúdo do Direito e acompanhar a sua evolução histórica, uma vez que esta vai mais além do que dita a norma. Direito é mais do que lei, mais do que regra, mais do que norma e é exactamente por isso que o intérprete não pode ficar adstrito a ela ignorando o grande mundo que é o sistema jurídico. A norma pretende trazer a segurança, mas isso não implica o alcance da justiça. Esta segurança é garantida pela forma deôntica, que cuida da estrutura da norma e que impõe um dever-ser. Logo o movimento do pensamento deve ser dedutivo, partindo do geral (norma) para o individual (regular as relações jurídicas) tratando os argumentos do ponto de vista da sua correcção formal. A estrutura deôntica é verificada, portanto, pela Lógica Formal. Poder-se-á assim afirmar que a lógica é jurídica sem deixar de ser formal porque está vinculada a uma região ou domínio de objectos, as normas jurídicas, e se apresenta como uma formalização da linguagem que serve de expressão aos significados que são as normas. Sendo uma formalização dessa linguagem, a lógica jurídica, por sua vez, é uma linguagem com referência geral ao domínio dos objectos jurídicos. Assim, podemos dizer que o apofântico é que permite a justiça e a equidade das decisões judiciais, por meio do movimento indutivo. Raciocínios jurídicos A prática do Direito consiste, de forma fundamental, em argumentar. O bom jurista é definido, na maioria das vezes, como aquele que tem capacidade de formular argumentos e manejá -los com habilidade. E a linguagem assume importante papel na elaboração dos raciocínios jurídicos. De acordo com a maioria da doutrina existem dois tipos de raciocínios no Direito: os lógico-dedutivos ou lógico-formais e o dialético que tratam de argumentação jurídica. Enquanto uma operação lógico-formal prevê uma demonstração de seus postulados, a argumentação é um mecanismo de pensamento prático. A insuficiência da Lógica Formal para o Direito Desde o positivismo jurídico, a justiça passou a ser uma qualidade do que é legal, baseada na representatividade, sendo formal, para garantir a segurança jurídica. A legitimidade e a legalidade se confundiam. Kelsen, formalista ao extremo, considerava a justiça como um ideal irracional, importando-se apenas com a lei posta, que se estruturava por meio de regras. O positivista, portanto, busca estabelecer uma separação rigorosa entre Moral e Direito, diferentemente do Direito natural que defende um padrão de validade baseado na moral que é superior ao do Direito positivo.
Para o positivismo, a actividade do juiz é meramente declarativa ou reprodutiva de um direito preexistente, isto é, de um conhecimento puramente passivo e contemplativo de um objecto já dado.

A interpretação do Direito não tem como excluir a ratio legis. são factores que determinam a conduta humana. um conflito. Concluímos. Assim há que delimitar uma racionalidade mínima para o valor justiça. mas argumentar. terá sempre uma pré-compreensão do Direito. E as interpretações. não pode ser realizado. Não adianta ao profissional do Direito saber tudo o que está previsto nas normas se não conseguir organizar suas ideias e efectivamente aplicá-las. de modo efectivo. fazem parte da vida do Direito. É impossível elaborar um conceito de justiça que seja aplicado em qualquer sociedade. Além disso. a ética e a responsabilidade do julgador. Pode-se asserir que a justiça sempre estará presente na essência do ser humano. é necessária uma teoria geral da argumentação que parta do paradigma da racionalidade prática. A segurança existe para alcançar a justiça. A realidade jurídica é um campo imensamente maior do que aquele coberto por uma legislação formalmente válida. por mais que se tente controlar racionalmente as decisões. por mais que ele não tenha conhecimento das normas. sem referência à sociedade que deve reger. temos a busca efetiva pela justiça. DIREITO.Não nos podemos afastar da ideia de que o positivismo jurídico encontra a sua base na Lógica Formal. E a argumentação jurídica racional opera com valores aceitos num determinado tempo e espaço. . assim. Por outro lado. que o estudo da Lógica Jurídica e da Teoria da Argumentação é fundamental para o operador do Direito. os fundamentos de nossas acções e de uma porção significativa dos nossos pensamentos constituem-se actos subjectivos e arbitrários´. Assim. ao argumento de que ³a expressão de um julgamento de valor. locais. ou seja. Toda justificação racional demanda uma argumentação racional porque justificar não é calcular. constituindo assim uma relação -se entre o racional e o irracional. podemos perceber que uma teoria da justiça só será aceitável quando levarmos suficientemente em conta os interesses e necessidades bem como a tradição e cultura de todos os implicados. sempre haverá uma margem de liberdade do juiz. O Direito tem uma função social a cumprir. culturas e tradições? Ela poderá ser justificada e controlada racionalmente. ou seja. aceitável. CONSIDERAÇÕES FINAIS A importância do desenvolvimento de uma teoria da argumentação no Direito para responder aos problemas urgentes expressos pela teoria jurídica contemporânea reside na tentativa de estabelecer um método de argumentação jurídica que possa ser considerado racional. Posto isto parece complexo reduzir o Direito a um aglomerado de leis. O conteúdo axiológico de uma regra é bem menor do que o teor de um princípio. para tentar resolver as incertezas acerca da justiça surgiu a Teoria do Discurso uma solução para o dilema. mas principalmente por princípios que contém e exprimem valores. o mais confuso de todos os val res uma vez que a o análise lógica da noção de justiça constitui um verdadeiro desafio. Assim. Pelo que se poderá deduzir que os raciocínios meramente dedutivos baseados na lógica formal serão insuficientes para atender ao Direito. por sua vez. o valor-mestre do qual emanam os demais. aceita em todos os povos. que é. as controvérsias na actividade de aplicação da lei são inevitáveis. só que de forma diversa. Segundo esta teoria podemos argumentar de modo racional sobre a justiça. e o papel do juiz é encontrar uma solução razoável. É um instrumento para o fim do Direito. por meio de uma argumentação motivada e também racional. Nos dias que correm a norma jurídica é formada não só por regras. a fim de evitar o arbítrio e a insegurança jurídica? Toda lide implica um desacordo. a justific ação de uma escolha ou decisão. mas também a norma-regra. Entram aqui. É exactamente por isso que existe a possibilidade de se recorrer ao Judiciário. já que. e não uma conclusão impessoal e impositiva a partir de premissas. podem variar em função do tempo. ela supõe a intervenção de uma vontade. pois uma lei necessariamente terá que ser interpretada para ser aplicada. Isso transforma a teoria do discurso em base de uma teoria da justiça. Diante disso e sendo a sentença uma decisão. já que os valores. mas que justiça é essa? Será possível uma justiça universal. inclusive a segurança. o que nos conduz para além da posição emotivista-subjetivista. nem arbitrária. seguindo os ditames clássicos. A estrutura fechada da regra não permite uma análise valorativa tão grande como ocorre com a estrutura aberta e abstracta dos princípios. vinculada a esta função social. Para que uma justificação racional da acção e do pensamento seja possível. ARGUMENTAÇÃO E DISCURSO A justiça é o objectivo maior do Direito. na busca da persuasão e do convencimento do seu público. nem subjectiva. Da mesma maneira. na medida em que oferece meios de estabelecer um raciocínio jurídico corre e cto verdadeiro. pelo fato de se constituir um ser axiológico. sem dúvidas. O uso prático da razão pretende fornecer regras e critérios que podemos submeter à adesão de todos. conclui-se que não só a norma-princípio emana valores.

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