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1 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, j ulho de 2007. ISSN 1980-6116

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Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas

CONCESSÃO DE CRÉDITO PARA MICRO E PEQUENA EMPRESA

RESUMO

João Paulo Zolet 1 Jeferson Lozeckyi 2

Aprovado em 22 de setembro de 2006

A presente pesquisa tem por finalidade esclarecer assuntos relacionados com a concessão de crédito para as micros e pequenas empresas, disponibilizando ao empresário um material de consulta claro e objetivo. Para isso, são abordados vários temas em relação à concessão de crédito, sendo, também, realizada uma pesquisa de campo com algumas das principais instituições financeiras que detém linhas de crédito para essas empresas, onde foram levantados pontos fundamentais que devem ser observados pelos empresários, para a aquisição de um empréstimo ou financiamento. Constatou-se, nesta pesquisa, entre outras informações, que a linha mais solicitada por essas categorias empresariais é a voltada ao capital de giro, que alcançou 41% sobre as demais linhas, ou seja, desconto de cheques e duplicatas, investimento e cheque especial. Isso comprova o motivo pelo qual quase 50% dessas empresas encerram suas atividades, antes de completar dois anos de existência, pois a tomada de capitais de terceiros a custos elevados leva a empresa a sérios problemas financeiros e, conseqüente, ao encerramento das atividades. Palavras-chaves: Concessão de crédito. Micro e pequena empresa.

ABSTRACT

The present research has for purpose to clearly clarify subjects related with the concession of credit for the microns and small companies, availability to the entrepreneur a material of consultation and objective. For this, some subjects in relation to the concession of credit are boarded, being also, carried through a research of field with some of the main financial institutions that withhold credit facilities for these companies, where had been raised basic points that must be observed by the entrepreneurs for the acquisition of a loan or financing. It was evidenced in this research, among others information, that the line most requested for these enterprise categories is the come back one to the turn

1 Pós-Graduando do curso de Especialização (Pós-Graduação lato sensu) em Gestão e Auditoria de Negócios. UNICENTRO. 2006.

2 Professor Orientador. Mestre em Ciências Sociais Aplicadas - Contabilidade. Departamento de Ciências Contábeis. UNICENTRO.

ZOLET, J. P.; LOZECKYI, J. - Concessão de Crédito para Micro e Pequena Empresa

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capital, where reached 41% on the too much lines, or either, discounting of checks and duplicates, investment and guaranteed check. This proves the reason for which almost 50% of these companies locks up its activities before completing two years of existence, therefore the taking of capitals of third a high costs takes the company the serious financial problems and consequent closing of the activities. Key Words: Concession of credit. Micron and small companie.

1. INTRODUÇÃO

Não é raro as empresas necessitarem de capitais de terceiros, seja para capital de giro ou investimentos em estoques ou imobilizado. Porém sabe-se que os gestores da maioria das micros e pequenas empresas brasileiras, não sabem por onde começar a analisar as diversas variáveis, em relação ao mercado financeiro em que estão inseridos tomando empréstimos onerosos à empresa, podendo levá-la a dificuldades financeiras ainda maiores. Este trabalho está focado na análise das variáveis que contornam a concessão de crédito para as micros e pequenas empresas, visando a elaboração de um trabalho prático, para auxiliar o tomador de decisão na opção pela melhor forma de financiamento do mercado. Além de auxiliar na montagem do processo burocrático, o leitor terá a oportunidade de conhecer métodos e técnicas para a análise de seus balanços e, ainda, ter uma idéia de quais bancos são mais acessíveis à categoria, em relação a linhas de crédito especiais e taxas de juros que não prejudiquem a sustentabilidade financeira da empresa. Segundo o Relatório de Pesquisa realizado pelo SEBRAE (2004, p.19):

A taxa de mortalidade empresarial no Brasil, apurada para as empresas constituídas e registradas nas Juntas Comerciais dos Estados nos anos de 2000, 2001 e 2002, revela que 49,4% encerraram as atividades com até 02 (dois) anos de existência, 56,4% com até 03 (três) anos e 59,9% não sobrevivem além dos 04 (quatro) anos.

Tendo em vista que o principal causador da mortalidade das micros e pequenas empresas é o capital de giro, os empresários, na tentativa de suprir essas insuficiências, utilizam-se de empréstimos com custos elevados. O gestor, muitas vezes, tem consciência da inviabilidade do custo financeiro dos financiamentos que adquirem para capital de giro, porém tenta ganhar tempo, esperando uma melhora posterior nas condições de mercado da empresa que permita pagar o capital de terceiros. Todavia, quando a recuperação das vendas

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acontece, a empresa já acumulou um estoque de dívidas cujo pagamento poderá ser impraticável. Sendo assim, esse estudo justifica-se através da análise da atual conjuntura econômica brasileira, que apresenta uma das mais altas taxas de juros do mundo. Com isso, as empresas encontram problemas para conseguir crédito e gerar empregos. As micros e pequenas empresas, mais penalizadas por esse sistema, encontram sérias dificuldades financeiras para gerir os seus negócios. Como se já não bastassem as taxas de juros, outro complicador decisivo está na burocracia e no conhecimento leigo do gestor, sobre como conseguir um empréstimo com juros que não comprometam a rentabilidade da empresa. É nesse sentido que esta pesquisa foi direcionada, a fim de mostrar aos gestores das micros e pequenas empresas, tomadas de créditos mais plausíveis para a saúde financeira de suas empresas e orientando os empresários a optarem pelas melhores linhas de empréstimo que o mercado oferece.

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Função do Crédito

A atividade de crédito faz parte de um grande cenário onde se encontra a intermediação financeira, ou seja, as capacidades ativas ou passivas dos bancos em captar ou emprestar dinheiro a terceiros. Segundo Silva (1998, p.63) a palavra crédito, depende do contexto do qual se esteja tratando, tem vários significados. Num sentido restrito e específico, Crédito consiste na entrega de um valor presente mediante uma promessa de pagamento. Com isso, o crédito cumpre importante papel econômico e social, possibilitando às empresas aumento de seu nível de atividade, bem como, influenciando na demanda para estimular o consumo. Além disso, auxilia na execução de projetos de empresas que não possuem recursos próprios para implantá-los. Tendo em vista, que o crédito pode tornar complicada a situação financeira de uma empresa ou pessoa, deixando-as ainda mais endividadas. Nesse contexto, é necessário que a empresa defina qual é seu negócio e seu segmento de mercado, pois assim terá que propiciar a seus colaboradores o entendimento claro de seus objetivos. Com isso, a política de crédito deve ser realista no que se refere ao mercado, mutável ao longo do tempo e auxiliadora da concretização dos negócios.

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2.2. Configuração Atual da Micro e Pequena Empresa

Constata-se que no Brasil, encontram-se diferentes enquadramentos para as microempresas e empresas de pequeno porte. Na esfera federal, existe um enquadramento de acordo com a Lei 9.317. Porém a legislação do Estado do Paraná trata do mesmo assunto, mas com limites de faturamento diferentes baseados no Decreto 5.141 de 12/12/2001 e o último Decreto 5.932/2005 que atualizou os valores, assim como a versão adotada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE.

Segundo o SEBRAE, no Brasil, as micro e pequenas empresas dispõem de tratamento diferenciado, de acordo com o Artigo 179 da Constituição Federal.

O conceito de micro e pequena empresas é amplo e diversificado, varia

de região, estado ou município, depende de seu porte econômico-financeiro, do

ramo de atividade e da forma jurídica. Com o advento da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, passou a vigorar o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES, que estipulou valores máximos de receita bruta acumulada, para

permanecer como microempresa e empresa de pequeno porte, além de outros fatores impeditivos como objeto social, natureza jurídica, composição societária

e outros aspectos legais.

O tratamento jurídico simplificado, estabelecido nessa Lei, visa facilitar a

constituição e o funcionamento da microempresa e da empresa de pequeno porte, de modo a assegurar o fortalecimento de sua participação no processo de desenvolvimento econômico e social. Segundo essa Lei, a definição formal de micro e pequena empresa foi estabelecido considerando-se:

I. Microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); II. Empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996).

Conforme matéria divulgada pela Secretaria da Receita Estadual do

Paraná (https://www.fazenda.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=254)

a classificação adotada pelo Estado é parecida com a classificação federal do SIMPLES, pois o Governo do Paraná estabeleceu o regime fiscal das microempresas e das empresas de pequeno porte. Esse regime diferenciado

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possibilita a aplicação do princípio de progressividade, uma vez que a graduação da carga tributária ocorre em função do faturamento das empresas. Atualmente, por meio do decreto nº 5932/2005, as faixas para cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, foram atualizadas e estão configuradas da seguinte forma:

Tabela I - Cálculo do ICMS

Faturamento Tributável (R$/mês)

Alíquota

Valor a deduzir (R$/mês)

Até 25.000,00

Isento

-

Até 66.000,00

2%

500,00

Até 166.000,00

3%

1.160,00

Acima de 166.000,00

4%

2.820,00

Fonte: Secretaria da Receita Estadual do Paraná.

Já a classificação do SEBRAE, é baseada no porte das empresas, uma vez que esse órgão não dispõe de fontes oficiais, ou base de dados que forneçam informações de faturamento dessas empresas. Assim, são consideradas microempresas os estabelecimentos formais, ou seja, estabelecimentos que possuem registro junto aos órgãos oficiais credenciados do Ministério do Trabalho e Emprego, atuantes nos grandes setores de atividade econômica, como a indústria, comércio, serviços e agropecuária, que tenham até 19 empregados, se atuantes na indústria, até 09 empregados, se atuantes em comércio ou serviços; e pequenas empresas, aquelas que tenham de 20 a 99 empregados, se atuantes na indústria e de 10 a 49 se atuantes em comércio ou serviços.

2.3 Principais Linhas de Crédito Existentes para as Micro e Pequenas Empresas As linhas de créditos são, muitas vezes, oferecidas durante um determinado tempo, principalmente, quando há ajuda dos governos. Devido a esse fator importante, o gestor deve estar sempre atendo a tais oportunidades. Porém todas as instituições financeiras oferecem algum tipo de empréstimo aos seus clientes, basta identificar então, se é viável ou não à saúde financeira da empresa. Schrickel (1998, p. 145) relata que uma boa proposta de crédito é a que cobre três áreas específicas:

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a) quando o limite de crédito é compatível com a estrutura

econômico-financeira da empresa ou do tomador, sendo pois um

risco (quantificado) aceitável; b) o limite de crédito é compatível com os valores identificados como aprovados pela concorrência, ou outros emprestadores; e

c) o limite de crédito está estruturado em linhas de créditos

compatíveis com as reais necessidades do cliente e potencialidades de concretização pela instituição.

Com uma boa análise dessas áreas, a concessão de crédito poderá

tornar-se mais confiável e a entidade financeira que empresta o capital poderá optar pela linha de crédito mais adequada para o tipo ou ramo da empresa tomadora. Tendo em vista que, no mercado financeiro, existem várias formas de emprestar dinheiro, em que o empresário pode necessitar de uma das seguintes linhas de crédito e financiamento, pode-se destacar:

Capital para Investimento: recursos para montar ou melhorar um negócio, ou ainda investir em novos equipamentos;

Capital de Giro: recursos para suprir as defasagens de caixa da empresa, objetivando atender às necessidades operacionais, como compra de matéria-prima, pagamento de impostos e salários, ou seja, o principal vilão da mortalidade das micro e pequenas empresas em nosso País;

Investimento Misto: capital para suprir as duas situações anteriores:

suprir as necessidades com investimento e capital de giro associado, como a compra de matéria-prima para operar o equipamento adquirido, por exemplo;

Desconto de duplicatas: operação realizada pelos bancos que recebem por um preço menor as duplicatas emitidas por uma empresa contra seus clientes;

Desconto de cheque: operações realizadas pelas instituições financeiras que recebem por um preço menor os cheques pré-datados recebidos pela empresas dos seus clientes;

Operação de factoring: mecanismo de fomento mercantil, que possibilita à empresa vender seus créditos gerados por vendas a prazo, a uma empresa de factoring, resultando no recebimento imediato desses créditos;

Aquisição de máquinas e equipamentos: linhas de financiamento destinadas à aquisição de máquinas e equipamentos, com o objetivo de proporcionar um incremento na produção da empresa;

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Implantação, ampliação, melhoria das instalações: linhas de financiamento destinadas à instalação de empresas ou benfeitorias nas instalações de empresas já existentes;

Financiamento à exportação/importação: Programa de Financiamento às

Exportações (Proex). Ressalta-se, porém, que em qualquer das modalidades descritas acima,

a empresa tomadora do empréstimo terá que passar por uma criteriosa análise por parte da instituição financeira cedente. Segundo Schrickel (1998, p. 98), Uma análise de crédito deve ser, portanto, um conjunto de informações que façam sentido em seu conjunto (consistentes) e que conduzam a uma decisão (relevantes). Visto isso, as informações devem ter credibilidade e serem precisas para

que levem a um convencimento, tanto para quem divulga a informação, ou seja,

o tomador; como também para quem permite a viabilização do empréstimo ao final do processamento.

2.4 Principais Instituições Financeiras que Oferecem Crédito para as Micro e Pequenas Empresas Micros e pequenos empresários podem contar com várias instituições de crédito, como: bancos, factorings, cooperativas de crédito, financeiras, ONGs de crédito ou sociedades de crédito ao microempreendedor. A seguir encontra-se alguns exemplos dessas instituições:

Bancos Governamentais: que atuam como repassadores de recursos, tais como do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), possuem linhas de crédito específicas para atender às micros e pequenas empresas. Pode- se destacar: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Agência de Fomento do Paraná (Banco Social);

Factorings: compra de títulos (duplicatas, notas promissórias e até cheques pré-datados) de outras empresas ou de pessoas físicas. Essa compra é feita com um desconto (10% ou 20%, por exemplo). Na prática, as factorings pagam adiantado o valor das duplicatas ou dos cheques pré-datados, de modo a dar às empresas que detinham esses documentos disponibilidade imediata de dinheiro. É uma boa opção para micro e pequenas empresas, dependendo da taxa de juros cobrada. Os bancos já enquadraram essa modalidade em suas linhas de crédito.

Cooperativas de Crédito: quando se é um cooperado ou tem condições de tornar-se um, as cooperativas de crédito, embora sujeitas à legislação diferenciada, efetuam a maioria das operações de crédito disponíveis nos bancos.

Financeiras: para empresas que possuem um bom cadastro e um excelente avalista, ou alguns cheques pré-datados de clientes com bom

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cadastro, que possam garantir a operação de financiamento que se deseja fazer. ONGs de Crédito: concedido quando o empresário pode comprovar que

seu negócio, formal ou informal, funciona regularmente, há mais de seis meses, é capaz de obter o "nada consta" no SERASA e SPC e tem documentos, como identidade, cadastro de pessoas físicas - CPF e comprovante de residência. Também deve ter uma garantia, que pode ser: fiador com bom cadastro e renda mínima três vezes o valor do empréstimo que pretende pleitear, fundo de aval ou estar disposto a participar de um grupo de aval solidário. Sociedades de Crédito ao Microempreendedor: instituições autorizadas a funcionar pelo Conselho Monetário Nacional e regulamentadas pelo Banco Central que atuam com linhas de créditos e procedimentos semelhantes as ONGs de crédito. Estudar todas essas opções que o empresário possui, para contrair um empréstimo junto a essas instituições foge da alçada deste trabalho, porém, enfatiza-se este estudo na popularidade em que se encontram as micros e pequenas empresas, dando ênfase àquelas linhas de crédito que estão ao alcance do microempresário, junto aos bancos e instituições mais populares como: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Agência de Fomento do Paraná S/A, Banco Cooperativo Sicredi S/A, Cooperativa de Crédito dos Empresários de Guarapuava – SICOOB e Banco Itaú S/A.

2.5 Incentivos Governamentais para a Concessão de Crédito

Conforme publicação no site da presidência, no artigo “A Mudança já Começou” relata-se o seguinte:

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem intensificado suas linhas para as pequenas empresas e aumenta em 40% os empréstimos a este segmento em relação a 2002. O Banco do Brasil atua no apoio à exportação por pequenas firmas. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, além de investir fortemente no microcrédito, ampliou seus financiamentos em habitação e saneamento. No Banco Postal o mesmo movimento foi verificado, as novas normas legais deram segurança aos credores, autorizando o desconto no contracheque do pagamento das dívidas contraídas e viabilizaram cidadania aos trabalhadores. Com menos risco de inadimplência, os juros caem significativamente.”

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A política de incentivo ao microcrédito, patrocinada pelo governo, recebeu a adesão dos bancos públicos e dos bancos privados. Juntamente com

o recurso vem a cidadania, pois, só na Caixa Econômica Federal, mais de um

milhão e meio de cidadãos, antes excluídos dos serviços bancários, puderam

abrir suas contas e, por intermédio de créditos, investiram em pequenos negócios que vão gerar renda e ajudar a impulsionar a economia.

2.6 Principais Análises Financeiras Usadas no Auxílio à Concessão de Crédito Existem muitos índices para avaliação de empresas, como por exemplo, a análise vertical e horizontal, os índices financeiros, o fluxo de caixa da empresa e os modelos de previsão de insolvência. Estes formam um importante conjunto de ferramentas para a compreensão da solidez e liquidez de qualquer empresa. Com as demonstrações financeiras padronizadas, é possível

desenvolver as análises utilizando as diversas metodologias, como por exemplo,

o processamento de dados, onde poderão ser obtidas informações rápidas e precisas. Conforme argumenta Schrickel (1998, p.175):

“As demonstrações são basicamente um substituto para o conhecimento detalhado do cotidiano de uma empresa, suas operações e seu gerenciamento, constituindo-se, em realidade, nos instrumentos de maior utilidade prática para os emprestadores para a análise de crédito.”

Torna-se muito importante, numa análise de crédito, saber qual é o problema da empresa que está tomando o crédito, as suas causas e conseqüências, pois se deve ponderar adequadamente em face das linhas e limites de crédito almejados. Muitas pessoas confundem análise financeira com análise de balanço e alegam que os balanços não correspondem à realidade das empresas. A existência de demonstrações financeiras irreais e enganosas não traz benefício algum à empresa tomadora do empréstimo, pois, um profissional bem treinado poderá descobrir a verdade entre os números e cancelar o financiamento, causando danos ainda maiores à empresa. Silva (1998, p. 207) conceitua a análise financeira como sendo:

“O exame das informações obtidas por meio das demonstrações financeiras, com intuito de compreender e avaliar aspectos como:

(1) a capacidade de pagamento da empresa por intermédio da geração de caixa, (2) capacidade de remunerar os investidores gerando lucro em níveis compatíveis com suas expectativas, (3)

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nível de endividamento, motivo e qualidade do endividamento, (4) políticas operacionais e seus impactos na necessidade de capital de giro da empresa, e (5) diversos outros fatores que atendam ao propósito do objetivo da análise.”

Tendo em vista o objetivo deste trabalho, foi realizado um estudo dos principais aspectos financeiros que envolvem a análise da concessão de crédito para as empresas:

Análise vertical e horizontal;

Análise por meio dos índices financeiros;

Análise da lucratividade;

Análise da estrutura; e

Análise da liquidez.

2.6.1 Análise Vertical Uma das grandes utilidades da Análise Vertical concentra-se na verificação da estrutura de composição dos itens das demonstrações e a sua evolução no tempo, com enfoque especial, também, ao estudo de tendências. Silva (1998, p. 208) diz que o primeiro propósito da análise vertical (AV) é mostrar a participação relativa de cada item de uma demonstração financeira em relação a determinado referencial. Na análise vertical (AV), para se calcular os percentuais da coluna, divide-se o valor da conta que se quer calcular pelo valor base e multiplica-se por cem. O valor base no Balanço Patrimonial é o ativo total e na Demonstração do Resultado é a receita líquida de vendas. A simples verificação de um item em um determinado período não dá ao analista a certeza da tendência da conta ou grupo de contas, mas sim, a verificação, em vários exercícios contínuos, pode revelar a real tendência da conta analisada. Numa análise vertical, é necessário ter em mente a grandeza absoluta da conta analisada, para saber dar mais ou menos importância a determinada conta, como também, analisar os dados obtidos com dados de outras empresas do mesmo segmento para saber se os mesmos estão compatíveis com a realidade da empresa. Portanto, a grande utilidade da análise vertical não está em tão somente verificar os acréscimos ou decréscimos, isto é, o desempenho dos itens e as áreas de problemas, mas também em descobrir quais foram as verdadeiras causas para as correções que se fizerem necessárias, bem como identificar no que essas variações podem interferir nas decisões a serem tomadas pela empresa.

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2.6.2. Análise Horizontal Silva (1998, p. 212) relata que o propósito da análise horizontal (AH) é

permitir o exame da evolução histórica de uma série de valores. Assim, a análise horizontal dedica-se a elucidar como está ocorrendo a evolução de cada item, ou conjunto de itens constantes das demonstrações no decorrer dos tempos. É chamada de horizontal por duas razões:

1. estabelece o primeiro ano ou o ano-base para a análise e, a partir deste, verifica qual foi a evolução nos anos seguintes;

2. preocupa-se com o crescimento ou decrescimento de itens ou conjunto

de itens específicos, ou seja, não compara um item com outro no mesmo período e, sim, o mesmo item a cada período. É, portanto, fundamental para o estudo de tendências, ainda que esse tipo de análise, assim como a vertical, possua uma utilização bastante restrita, principalmente em função do trabalho na montagem do grande número de quocientes, Matarazzo (1998, p.26) ressalta um aspecto importante, dizendo que pesquisas efetuadas recentemente com insolvência de pequenas e médias empresas têm ressaltado a utilidade da Análise Vertical e Horizontal como instrumento de análise.

2.6.3. Análise por Meio dos Índices Financeiros

Silva (1998, p. 214) relata que os índices financeiros são relações entre contas ou grupos de contas das demonstrações financeiras, que têm por objetivo fornecer-nos informações que não são fáceis de serem visualizadas de forma direta nas demonstrações financeiras. Visto isso, os índices são relações que se estabelecem entre duas grandezas e se justificam quando se deseja analisar a situação econômico- financeira de uma entidade, pelo fato de que a observação e apreciação de certas relações ou percentuais é mais significativa do que a apreciação de todos os itens contidos nas demonstrações. Para a realização de uma boa análise, é necessário selecionar um grupo de índices de boa representatividade que permitam à empresa análises precisas, do que se submeter ao cálculo de uma série de quocientes, muitas vezes sem validade alguma. Não obstante, a análise, através de índices, assim como as demais análises, deve servir ao fim a que se destinam; portanto, antes de se proceder a ela, é necessário responder ao que se pretende com os cálculos e índices que serão encontrados. Confirmando isso, Matarazzo (1998, p.154) alerta: "O importante não é o cálculo de grande número de índices, mas de um conjunto de índices que permita conhecer a situação da empresa, segundo o grau de profundidade desejada na análise".

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Enfim, a prática tem feito sentir que a grande contribuição desse tipo de análise está em fornecer avaliações genéricas sobre diferentes aspectos das empresas. Uma especial importância tem sido dada a essa análise, quando da tarefa de previsão de insolvência. Por essas razões os índices têm sido a técnica de análise mais empregada no universo econômico e financeiro das empresas.

2.6.4 Análise da Lucratividade Certamente, a análise da lucratividade da empresa é a que mais satisfaz

o empresário do ponto de vista financeiro. Numa análise bancária para a

concessão de crédito, ela se apresenta como um dos principais pontos que devem ser analisados criteriosamente. Sendo assim, trataremos desse assunto com bastante atenção, pois é de fundamental importância a sua compreensão. Afirmamos juntamente com Silva (1998, p.215) que, o lucro é o principal estímulo do empresário e uma das formas de avaliação do êxito de um empreendimento.

Visto isso, para saber qual o retorno que a empresa está propiciando, deve-se analisar os chamados índices de retorno, também conhecidos como índices de lucratividade ou mesmo de rentabilidade. Por meio da análise das demonstrações financeiras, podem-se obter os indicadores de retorno sobre as vendas, sobre os investimentos, retorno sobre capital próprio e outros.

Giro do Ativo (GA)

Para Brigham, Gapenski e Ehrhardt (2001, p. 101) “o índice de giro dos ativos totais mede o giro de todos os ativos da empresa; ele é calculado dividindo-se as vendas pelos ativos totais”. Um fato que deve ser levado em consideração, nesse cálculo, é a

questão da inflação, pois uma empresa que adquiriu suas máquinas ou instalações anos atrás, teria um giro de ativos fixos maior do que uma empresa recente que adquiriu suas máquinas ou instalações a preços correntes. Visto isso, o empresário precisa tomar cuidado com esse índice na hora de compará-

lo com os de outras empresas, pois tal índice pode não refletir a realidade de sua

empresa.

O investimento indiscriminado em ativos não-operacionais, como realizam muitas empresas, pode comprometer a geração de lucros da empresa. Concordando assim, com Schrickel (1998, p. 234) que “a rotação dos

ativos será tanto melhor quanto mais lúcidas forem as decisões da empresa A interpretação isolada do índice de giro do ativo é no sentido de quanto maior, melhor. Indicando o nível de eficiência com que são utilizados os investimentos na empresa, isto é, o ativo total.

”.

Retorno sobre as vendas ou margem líquida

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Essa é uma das preocupações básicas iniciais de qualquer empreendimento empresarial, considerando que qualquer empresa que produza bens e serviços necessita vendê-los almejando algum lucro. O retorno é altamente dependente da estrutura de custos diretamente relacionados ao

processo produtivo, bem como de eventuais despesas. Para Silva (1998, p. 217) “O índice de retorno sobre as vendas compara o lucro líquido em relação às vendas líquidas do período, fornecendo percentual de lucro que a empresa está obtendo em relação ao seu faturamento”. Portanto, a interpretação do índice de retorno sobre as vendas é no sentido de que quanto maior, melhor.

Sistema DU PONT - Rentabilidade do ativo De acordo com Silva (1998, p. 215), o chamado Sistema Du Pont de

análise consiste na decomposição do retorno sobre o ativo total (lucro líquido dividido pelo ativo total). O retorno sobre o ativo indica a lucratividade que a empresa propicia em relação aos investimentos totais. Entendemos que a rentabilidade do ativo é o produto do giro do ativo (VL/AT) pelo retorno sobre as vendas (LL/VL). Sua interpretação é no sentido de que quanto maior, melhor.

A rentabilidade do ativo é uma medida potencial de geração de lucro da

parte da empresa. Não é exatamente uma medida de rentabilidade do capital,

mas uma medida de capacidade da empresa em gerar lucro líquido e assim poder capitalizar-se.

Rentabilidade do patrimônio líquido

Segundo Matarazzo (1998, p. 187)

O papel do Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido é

mostrar qual a taxa de rendimento do capital próprio. Essa taxa pode ser comparada com a de outros rendimentos alternativos no mercado, como caderneta de Poupança, CDBs, Letras de Câmbio, Ações, Aluguéis, Fundos de Investimentos, etc. Com isso

se pode avaliar se a empresa oferece rentabilidade superior ou

inferior a essas opções.

A verificação pura e simples do valor do lucro líquido de qualquer empresa não é confiável, é necessário comparar esse valor com o capital próprio investido. Muitas vezes, o empresário não calcula, muitas vezes por desconhecimento, deixa de analisar esse importante índice que esclarece o quanto ele está ganhando por manter a empresa funcionando.

A interpretação simplista desse índice é no sentido de quanto maior,

melhor.

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A seguir, encontra-se o resumo dos índices de rentabilidade para uma melhor visualização do leitor.

Tabela II – Índices de Rentabilidade

Índice

Giro do Ativo

Margem Líquida

Rentabilidade do

Rentabilidade

 

Ativo

do Patrimônio

 

Líquido

Fórmula

Vendas

Lucro Líquido *

Lucro Líquido *

Lucro Líquido *

Líquidas

Vendas Líquidas

Ativo Total

P.L. médio

Ativo Total

Análise

Quanto a empresa vendeu para cada $ 1 de investimento total

Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 vendidos

Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 de investimento total

Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 de capital próprio investido, em média, no exercício.

Interpretaç

Quanto maior,

Quanto maior,

Quanto maior,

Quanto maior,

ão

melhor.

melhor.

melhor.

melhor.

* o resultado encontrado deve ser multiplicado por 100. Fonte: Adaptado de MATARAZZO (1998).

2.6.5. Estrutura de capital Serão considerados como índices de estrutura aqueles que relacionam à composição de capitais próprios e de terceiros, que medem os níveis de imobilização de recursos e que buscam diversas relações na estrutura das dívidas da empresa. Sendo assim, esses índices estão ligados às decisões financeiras de investimentos e financiamentos da organização. Para ter uma noção da importância da análise desses índices e como

eles funcionam, serão abordados os Índices de Participação de Capitais de Terceiros, a Composição do Endividamento, Imobilização do Patrimônio Liquido e Endividamento Financeiro sobre o Ativo Total:

Participação de capitais de terceiros

Para Silva (1998, p. 219) “O índice de participação de capitais de terceiros indica o percentual de capital de terceiros em relação ao patrimônio líquido, retratando a dependência da empresa em relação aos recursos externos”. Esse índice relaciona as duas grandes fontes de recursos da empresa, ou seja, capitais próprios e capitais de terceiros e, ainda, é um indicador que revela a dependência da empresa para com terceiros.

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Para Matarazzo (1998), do ponto de vista da obtenção de lucro, será vantajoso para a empresa trabalhar com capitais de terceiros se a remuneração paga por esses recursos for menor que o lucro obtido com sua aplicação no negócio. Portanto, quando se aborda o índice de participação de capitais de

terceiros, leva-se em conta o ponto de vista financeiro, ou seja, o risco de insolvência e não a questão de lucro ou prejuízo da empresa. Observando esse índice, na área de concessão de crédito, pode-se afirmar que para o analista financeiro, cujo objetivo é avaliar o risco da empresa, sua interpretação decorre no sentido de que quanto maior, pior, ou seja, quanto maior o índice maior o endividamento da empresa.

Composição do endividamento

Após o conhecimento da participação de terceiros na dívida da empresa, torna-se necessário saber qual a composição dessas dívidas, se elas são a curto prazo ou a longo prazo. Sabe-se, portanto, que dívidas a curto prazo são mais prejudiciais a saúde financeira da empresa que acaba usando o capital de giro para a amortização dessas contas. Por outro lado, os financiamentos a longo prazo deixam a empresa respirar financeiramente ocasionando um maior prazo para a sua quitação. Conforme Braga (1989, p.155):

A Composição do Endividamento mostrará se existe ou não excesso de dívidas a curto prazo sobre as exigibilidades totais. Subtraindo esse índice de 100% (ou de 1,0), encontra-se a participação das dívidas de longo prazo. Uma participação muito elevada de dívidas a curto prazo pode indicar iminente aperto financeiro.

Observa-se assim, a importância do cálculo desse índice, numa análise financeira baseada na concessão de crédito. Desse ponto de vista a sua interpretação se dará da forma de que quanto maior, pior, mantidos constantes os demais fatores.

Imobilização do patrimônio líquido

De acordo com Silva (1998, p. 220) O índice de imobilização do patrimônio líquido indica quanto do patrimônio líquido da empresa está aplicado no ativo permanente. Necessariamente, as aplicações do patrimônio líquido são dirigidas ao ativo permanente e ativo circulante. Ocorre, muitas vezes, que esses recursos são alocados com maior intensidade no ativo permanente, ocasionando uma maior dependência financeira do ativo circulante sobre os capitais de terceiros. Conforme Matarazzo (1998, p. 164) o ideal em termos financeiros é a empresa dispor de Patrimônio Líquido suficiente para cobrir o Ativo Permanente

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e ainda sobrar uma parcela – CCP = Capital Circulante Próprio – suficiente para financiar o Ativo Circulante. Na interpretação desse índice, revela-se que quanto maior, pior será para

a empresa, mantidos constantes os demais fatores. Cabe destacar que o índice

de imobilização envolve importantes decisões estratégicas da empresa, quanto à expansão, compra, aluguel ou leasing de equipamentos, pois são os investimentos que caracterizam o risco da atividade empresarial.

Endividamento financeiro sobre o ativo total

Esse índice indica a participação do passivo financeiro no financiamento do ativo da empresa, mostrando a sua dependência junto a instituições

financeiras. O ativo total representa a totalidade dos recursos aplicados na empresa, enquanto que a dívida financeira representa os recursos provenientes de bancos ou outras fontes financeiras.

A interpretação da relação da dívida financeira, em relação ao ativo total,

é no sentido de quanto maior, pior, indicando que quanto menos a empresa depender de recursos remunerados para financiar seu ativo, melhor será a

qualidade de sua estrutura de capitais.

A seguir, encontra-se um resumo dos índices de estrutura de capitais

para melhor compreensão.

Tabela III – Índices de Estrutura de Capital

Índice

Participação de

Composição do

Imobilização do

Endividamento

Capital de

Endividamento

Patrimônio

Financeiro s/

Terceiros

Líquido

Ativo Total

(Endividamento)

Fórmula

Capital de

Passivo Circulante

Ativo Permanente

Capital de

Terceiros

Capital Terceiros

Patrimônio Líquido

Terceiros

Patrimônio Líquido

Ativo Total

Análise

Quanto a empresa tomou de capital de terceiros para cada $ 100 de capital próprio

Qual o percentual de obrigações a curto prazo em relação às obrigações totais

Quantos $ se aplicou no Ativo Permanente para cada $ 100 de Patrimônio Líquido

Quanto de patrimônio líquido da empresa está aplicado no ativo permanente.

Interpretaç

Quanto menor,

Quanto menor,

Quanto menor,

Quanto menor,

ão

melhor

melhor

melhor

melhor

Obs: todos os resultados encontrados devem ser multiplicados por 100. Fonte: Adaptado de MATARAZZO (1998).

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2.6.6 Análise da Liquidez Esses índices, assim como os de estrutura de capital, evidenciam a base da situação financeira da empresa. Os índices de liquidez possuem como fundamental preocupação a de

revelar como está a situação da empresa em determinado período, para fazer frente às suas obrigações. O índice de liquidez geral poderia satisfazer todo esse grupo de índices. No entanto, é de suma importância para as empresas verificarem a temporalidade em que os recursos estarão disponíveis, bem como

a temporalidade em que as obrigações terão que ser pagas. Convém lembrar,

que em vista do tipo de informação que a organização precisa obter é que se vai

selecionar qual índice extrair. Concordando com Matarazzo (1998, p. 170) que afirma que uma empresa com bons índices de liquidez tem condições de ter boa capacidade de pagar suas dívidas, mas não estará, obrigatoriamente, pagando suas dívidas em dia em função de outras variáveis como prazo, renovação de dívidas etc. Dessa forma, ainda que exista uma série de outros índices de liquidez,

consideram-se os de liquidez geral, corrente e seca como os mais utilizados, por essa razão, esses serão discutidos com mais propriedade.

Liquidez Geral Esse quociente se destina a retratar como anda a saúde financeira de

longo prazo (global) da empresa, ou seja, objetiva-se responder se a empresa conseguirá fazer frente a todas as suas obrigações. Sua análise indicará quanto

a empresa possui no Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo, para cada R$

1,00 de dívida total para com terceiros. Há que se recomendar cuidados nesse momento da análise, tendo em vista que, quando se fala em longo prazo, nem sempre é possível identificar, pelas demonstrações contábeis, exatamente quando estarão vencendo as obrigações e quando os recursos do ativo poderão ser convertidos em numerários, isto é, o índice não revela sincronização entre recebimentos e pagamentos. Via de regra, a facilidade de realização ou liquidação do ativo é algo mais problemático do que a necessidade de pagar as dívidas. Conforme Silva (1998), a análise do Índice de Liquidez Geral revela, em

última instância, quanto de dinheiro o empreendimento possui para cada R$ 1,00 de dívida geral, ou seja, se um cálculo resultar em 1,22, significa dizer que a empresa consegue, a longo prazo, pagar todas as suas dívidas e ainda lhe sobram R$ 0,22 de folga, a cada R$ 1,00 pago. A interpretação do índice de liquidez geral é no sentido de quanto maior, melhor.

Liquidez Corrente

Esse quociente relaciona todos os ativos de curto prazo (dinheiro prontamente disponível e recursos rapidamente realizáveis) com os passivos de

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curto prazo da organização, representando o quanto de recursos está disponível no curto prazo para se liquidarem as dívidas também de curto prazo. MATARAZZO (1998, p.178) acrescenta: “Eis aí o significado do índice de Liquidez Corrente: a margem de folga para manobras de prazos visa equilibrar as entradas e as saídas de caixa. Quanto maiores os recursos, maior essa margem, maior a segurança da empresa, melhor a situação financeira”. Caso os passivos circulantes estejam crescendo mais rapidamente do que os ativos circulantes, o índice de liquidez corrente cairá, significando problema para a empresa. Concordando com Silva (1998, p. 225) que relata:

Ressalta-se que o índice de liquidez corrente é certamente o mais famoso dos índices, sendo utilizado por algumas pessoas como medidor da saúde financeira das empresas. Alguns autores mencionam que o índice tem de ser maior que 1 (um), outros consideram que acima de 1,5 (um e meio) já é muito bom. Nosso entendimento é de que o índice de liquidez corrente tem sua validade como instrumento comparativo entre empresas do mesmo porte, da mesma atividade e da mesma região geográfica, porém como medida isolada, não se pode afirmar que a liquidez corrente é boa ou ruim, acima ou abaixo de 1 ou 1,5; tudo dependerá do tipo de atividade da empresa, especialmente de seu ciclo financeiro que deve considerar os prazos de vencimentos das dívidas e os prazos de recebimento dos ativos.

Lembrando que essa média do setor não é um número mágico que todas as empresas deveriam tentar manter de fato, algumas empresas muito bem

administradas estarão acima da média enquanto, outras boas empresas estarão abaixo. Entretanto, caso os índices de uma empresa estejam muito longe da média de seu setor, significa problemas, e os analistas deverão estar preocupados a respeito do motivo por que essa variância ocorre. A interpretação do índice de liquidez corrente é no sentido de que quanto maior, melhor.

Liquidez seca

O índice de liquidez seca assemelha-se ao de liquidez corrente, diferenciando-se apenas no fato de se excluírem os estoques, a fim de se reduzir um fator de incerteza, tendo em vista que, ainda que este faça parte do ativo

circulante, não se tem plena certeza do tempo da sua realização, também porque o passivo circulante é líquido e certo. Em empresas em que os prazos médios de contas a receber e a pagar sejam assemelhados, o índice de liquidez seca torna-se um dos quocientes mais significativos para se elucidar a posição da empresa, isso porque evidencia

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quanto a empresa possui de ativo líquido (circulante – estoques) para cada R$ 1,00 de dívidas de curto prazo. Por essas características, é possível identificar esse quociente como a prova de força da empresa, já que ele vai identificar, verdadeiramente, o grau de excelência da situação financeira. Conforme Silva (1998, p. 226):

Os três índices de liquidez (geral, corrente e seca) complementam-se entre si e permitem ao analista certo aprofundamento no exame do risco da empresa. São parâmetros cuja observação é necessária, mas não suficiente para conclusão acerca da robustez financeira da empresa.

A Tabela IV mostra o resumo dos índices de liquidez.

Tabela IV – Índices de Liquidez

Índice

Liquidez Geral

Liquidez Corrente

Liquidez Seca

Fórmula

Ativo Circulante + Realizável

Ativo Circulante

Ativo Circulante -

LP Passivo Circulante + Exigível LP

Passivo Circulante

Estoques Passivo Circulante

Análise

Quanto a empresa possui de ativo circulante mais realizável a L.P. para cada R$ 1 de dívida total

Quanto a empresa possui de ativo circulante para cada R$ 1 de dívida de curto prazo

Quanto a empresa possui de ativo circulante, para cada R$ 1 de dívida de curto prazo, sem comprometer os estoques.

Interpretação Quanto maior, melhor

Quanto maior, melhor

Quanto maior, melhor

Fonte: Adaptado de MATARAZZO (1998)

Portanto, a analise de índices é útil, porém, os analistas devem tomar cuidado com alguns fatores que necessitem de ajustes quando necessário. A análise de índices conduzida de forma mecânica e impensada é perigosa, mas utilizada de maneira inteligente e com bom julgamento, proporciona informações úteis sobre as operações de uma empresa.

2.7 Garantias nas Operações de Concessão de Crédito Numa análise de crédito, existem muitos fatores que devem ser analisados e um deles é referente às garantias pessoais e reais que a empresa ou sócio deverá prestar à instituição financeira na aquisição do empréstimo. Essas garantias se fazem necessário com maior rigor nos empréstimos a longo prazo, em que, a empresa terá que se apoiar em alguma garantia

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consolidada para não incorrer num grau de risco alto, inviabilizando o crédito por parte da instituição financeira. Entretanto, mesmo a empresa merecendo uma ótima classificação de risco, em se tratando de financiamento de um projeto de longo prazo, a tendência é de que o banco solicite garantias, dada a incerteza em relação ao futuro. Silva (1998, p. 319), relata que alguns fatores são relevantes na definição da garantia:

(a) o risco representado pela empresa e pela operação; (b) a praticidade na sua constituição; (c) os custos incorridos para sua constituição; (d) o valor da garantia em relação ao valor da dívida, isto é, deve ser suficiente para cobrir o principal, encargos e despesas eventuais; (e) a depreciabilidade; (f) o controle do credor sobre a própria garantia; e (g) a liquidez, ou seja, a facilidade com que a garantia pode ser convertida em dinheiro para liquidar a dívida.

Visto isso, vê-se que as instituições financeiras levam em consideração vários critérios na análise do risco da empresa, então, é de fundamental importância que o empresário torne-se conhecedor desses critérios, para não acabar comprometendo a sua empresa ou seu projeto pela falta de capital. Sendo assim, as garantias classificam-se em pessoais e reais, dentre as pessoais, destaca-se o aval e a fiança e dentre as reais compreendem a hipoteca, o penhor, a anticrese e a alienação fiduciária.

2.7.1 Garantias pessoais As garantias pessoais ou fidejussórias são garantias nas quais pessoas físicas ou jurídicas assumem, como avalistas ou fiadores, a obrigação de honrar os compromissos referentes à operação de crédito, caso o cliente não o faça. Os avalistas e fiadores devem passar pela mesma análise creditícia que o proponente, pois caso o cliente não honre seus compromissos o avalista ou fiador terá que fazê-lo, portanto é necessário que ele tenha condições

econômica e financeira para isso. Quando o aval ou fiança for dado por pessoa jurídica, deverá ser verificado no contrato ou estatuto social da empresa se existe esta possibilidade expressa no contrato, pois se não houver, o aval ou a fiança não terá validade jurídica. Cabe destacar que, na garantia real, fica um bem associado à dívida, enquanto que na pessoal associa-se todo o patrimônio do devedor ou do garantidor da dívida.

Aval

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Segundo Silva (1998, p. 320) “O aval é uma garantia pessoal em que o avalista assume a mesma posição jurídica do avalizado, tornando-se solidário pela liquidação da dívida”. Visto isso, o aval é uma garantia pessoal e deve ser aceita, desde que se

possa constatar sua capacidade econômica e financeira e sua idoneidade moral, além da sua capacidade. Ele também, não pode ser limitado nem condicionado, pois responde pelo título como um todo. Lembrando que o aval prestado por pessoas casadas compromete o patrimônio do casal até o limite da meação do cônjuge, que é a metade do patrimônio do casal. Portanto é recomendável que se tome também o aval do outro cônjuge.

Fiança

Para Silva (1998, p. 320) “A fiança é um tipo de garantia pessoal, em que o fiador promete satisfazer a obrigação de um terceiro para maior segurança do credor”. Na fiança é obrigatória a concordância do cônjuge, ao contrário do que acontece no aval. E, em se tratando de empresa, é necessário tomar cuidado para que aquelas pessoas que concordaram com o ato possuam poderes para isso descrito no estatuto constitutivo da empresa. Evidenciando a obrigatoriedade do fiador, conforme relata Silva (1998, p. 321 apud Código Comercial Art. 262):

O fiador fica desonerado da fiança, quando o credor, sem o seu consentimento ou sem lhe ter exigido o pagamento, concede ao devedor alguma prorrogação de termo, ou faz com ele novação do contrato (art. 438); e pode desonerar-se da fiança que tiver assinado sem limitação de tempo, sempre que lhe convier, ficando, todavia, obrigado por todos os efeitos da fiança anteriores ao ato amigável ou sentença por que for desonerado.

Portando, a fiança é uma garantia contratual e não cambial, o que significa que é uma garantia sempre dada em contratos.

2.7.2 Garantias Reais De acordo com Silva (1998, p. 321) “As garantias ocorrem quando, além da promessa de pagamento, o devedor confere ao credor o direito especial de garantia sobre uma coisa ou uma universalidade de coisas móveis e imóveis”. Vale lembrar, que a escolha do tipo de garantia real deve ser feita de acordo com as características da operação de crédito, como: tipo de operação, prazo, valor etc. A escolha da garantia também deverá ser voltada para os bens

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e direitos de maior grau de liquidez e que deverão ser observados os preceitos de sua formalização. Abordaremos neste trabalho alguns tipos de garantias reais, como:

Penhor, hipoteca, anticrese e a alienação fiduciária.

Penhor

Silva (1998, p. 321) conceitua o penhor como sendo “um tipo de garantia real que recai sobre bens móveis corpóreos ou incorpóreos, cuja posse deverá ser transferida ao credor, que pode efetuar a venda judicial do bem para liquidar

a dívida, da qual o penhor é acessório”. Com isso, o penhor é uma forma de garantia que permite ao devedor

oferecer um bem para honrar o pagamento da dívida. Porém, o credor não poderá usar esse bem, mesmo com sua posse. Em caso de falência de empresa com bens penhorados, permite-se que os credores sejam pagos preferencialmente em relação aos outros credores. Lembrando que, uma vez quitada a dívida cessa também o penhor. Existem quatro modalidades de penhor, sendo:

Penhor comum - o devedor entrega ao credor bem móvel como garantia;

Penhor especial – compreende o penhor agrícola e o industrial;

Penhor mercantil – respalda uma obrigação comercial. Há a necessidade de uma das partes contratantes ser comerciante; e.

Penhor de direito – trata-se de bens incorpóreos, inclui-se também na espécie de caução de títulos. O direito se cumpre através da transferência de créditos, como na cessão, mediante notificação ao devedor e na caução dos títulos de crédito ao portador por sua entrega ao credor.

Hipoteca

Essa garantia é baseada no direito real sobre bens imóveis, embarcações ou aeronaves, de forma a assegurar o pagamento da dívida, sem que exista a transferência da posse do bem ao credor. Após a liquidação da dívida, a hipoteca será liberada e deve ocorrer o cancelamento junto ao cartório. A hipoteca é uma garantia normalmente utilizada para operações de longo prazo, tendo como objetivo dar segurança à instituição ou para a empresa, ao ter bens imóveis garantindo a operação de crédito. Visto que a segurança que procuramos ao obter a hipoteca de um imóvel como garantia, só será conseguida se tivermos certos cuidados com a formalização desta. Devendo ela estar registrada em cartório de registro de imóveis, em primeiro grau e sem concorrência de terceiros. Se não houve o registro, não existe a hipoteca. Lembrando que, os credores hipotecários tem preferência sobre outros credores, sendo que aquele que registrou primeiro a hipoteca é privilegiado. Porém, não há preferência sobre créditos fiscais ou trabalhistas. A

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hipoteca como garantia, pode ser dada pelo próprio devedor ou por terceiros intervenientes, que serão solidariamente responsáveis pela dívida. Sendo que os direitos reais constituídos por meio de hipoteca continuarão a existir, caso o devedor transfira o bem a outra pessoa, o chamado Direito de

Seqüela. Se a dívida hipotecária não for paga, o credor hipotecário tem o direito de executar a garantia, mesmo que essa não seja mais propriedade do devedor.

Anticrese

Silva (1998, p. 324) afirma que “A Anticrese é um tipo específico de garantia real em que a posse do bem imóvel é transferida ao credor, o qual fica com os rendimentos decorrentes da coisa em garantia, até que a dívida seja paga”.

A anticrese possui certa semelhança com o penhor e a hipoteca, porém, difere do penhor em razão de recair sobre coisa móvel, ainda não permite que seja efetuada a venda judicial do bem, ao contrário do penhor. Em relação a hipoteca, diferencia-se no que diz respeito a entrega da posse do bem. Enquanto na anticrese o devedor entrega o bem ao credor, na hipoteca o devedor continua com a posse do bem. Lembrando que o credor anticrético pode ser ao mesmo tempo credor hipotecário, já que a lei permite a combinação dessas garantias reais.

Assim, como nos demais casos, quando o devedor quita a dívida, extingue-se a obrigação da anticrese.

Alienação fiduciária

Para Silva (1998, p. 325) a alienação fiduciária “tem por objeto bens móveis e identificáveis e se opera com a transferência da posse indireta do bem para o credor, ficando o devedor apenas com a posse direta, isto é, o devedor alienante não é proprietário do bem alienado, tão-somente faz uso dele”. A principal característica desse tipo de garantia, é que a instituição financeira passa a ter o domínio e a posse indireta do bem alienado fiduciariamente, enquanto que o cliente mantém a posse direta, porém não podendo se desfazer dos bens. Outra característica importante é o fato de possibilitar a execução rápida, por meio de ação de busca e apreensão. Portanto, as garantias de crédito são importantes fatores para a minimização de riscos e assegurar maior possibilidade para o pagamento dos empréstimos. Porém, sua simples existência não assegura a devolução de um empréstimo. Pois, se levadas judicialmente, existem modalidades de garantias com liquidez alta e custo baixo, por exemplo: caução de duplicata; e outras modalidades com maiores graus de dificuldades de liquidez e maiores custos, como é o caso das hipotecas em geral.

empréstimo

baseado, inicial e principalmente, nas garantias, é um mau empréstimo de

início”.

Confirmando isso, Schrickel (1998, p. 46) afirma que: “

um

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2.8 Os Cs de Crédito Alguns aspectos ou condições devem ser considerados numa análise de crédito, esses critérios são conhecidos como os Cs da Análise de Crédito:

caráter, capacidade, capital, colateral e condições. O levantamento de informações sobre esses fatores habilita o analista de crédito a emitir um julgamento sobre o solicitante e sobre a operação. Note-se que essas informações possibilitam uma análise preponderantemente subjetiva, pois algumas dessas condições podem ser consideradas satisfatórias para alguns analistas de crédito, mas não para outros. Ou seja, os critérios de avaliação, que levam ao julgamento, possuem fortes características pessoais dos analistas, em virtude das experiências passadas, da formação técnica, dos valores e das prioridades de cada um. Concordando com as palavras de Schrickel (1998, p. 47) que relata o seguinte:

A habilidade de pagar é de suma importância, pois é ela que oferece elementos objetivos e quantificados de convencimento que ajudam a construir a decisão de emprestar. Mas não é tudo. É preciso ir mais fundo na questão de emprestar ou não. É preciso apelar para certa dose de subjetivismo, aquilo que se convencionou chamar de feeling. Seja o que for, é preciso avaliar a honesta intenção do devedor em pagar.

Vemos, assim, que há uma necessidade de maior objetividade e claridade nas informações prestadas pelo solicitante para a diminuição do fator condicionante da subjetividade nos processos de concessão de crédito. Portanto, os Cs do crédito são divididos em dois grupos, no primeiro são os aspectos pessoais, ou seja, caráter e capacidade; e no segundo, são os aspectos financeiros, ou seja, capital, condições e colateral.

Caráter Este é o mais crítico dos Cs de crédito numa análise de concessão

crédito.

De acordo com Schrickel (1998, p. 48) “O caráter, relacionado aos empréstimos em geral, refere-se, portanto, à determinação de pagar do tomador”. O emprestador deve fazer uma minuciosa consulta a todos os antecedentes da pessoa do tomador do empréstimo, a fim de detectar com segurança a honestidade do indivíduo ou empresa que está requerendo o crédito.

Schrickel (1998, p. 50), diz que “O caráter é o “C” insubstituível e nunca negligenciável”.

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Portanto, falhas na análise do caráter do tomador de empréstimos, pode levar a perdas irreparáveis para o emprestador.

Capacidade

Enquanto que o caráter refere-se à vontade de pagamento, a capacidade refere-se à habilidade de pagamento. Segundo Schrickel (1998, p. 50) “Esta capacidade é apreendida e desenvolvida pelo indivíduo através de seu processo de aculturamento (conhecimentos gerais e técnico-específicos) desde os tempos dos bancos escolares até sua profissionalização”. Muitas vezes, pode acontecer que o tomador tem vontade de quitar a

dívida, porém não consegue. Isso indica que se sua habilidade de pagamento for considerada anormal, sua vontade perde algo de seu valor, ou seja, seu caráter perde credibilidade. Por outro lado, se o indivíduo revela capacidade para administrar seu negócio, fazendo-o prosperar e ter sucesso, sua capacidade de honrar seus compromissos é muito mais confiável.

Capital

Conforme Silva (1998, p. 87) “No estudo dos Cs do crédito, o Capital refere-se à situação econômico-financeira da empresa, no que diz respeito aos seus bens e recursos possuídos para saldar seus débitos”.

Através da análise detalhada das demonstrações financeiras, consegue- se informações importantes acerca da solidez de determinada empresa,

tornando-se uma importante ferramenta para o analista de crédito. Portanto, o C de capital de crédito é muito mais amplo que apenas a conta capital da contabilidade, pois envolve enúmeras variáveis em relação à vida financeira da empresa.

Condições

Para Schrickel (1998, p. 53) “as Condições dizem respeito ao micro e macrocenário em que o tomador de empréstimos está inserido. No caso de empresas, tal cenário é o ramo de atividade e a economia como um todo”. É tendência dos emprestadores diminuírem o fluxo de empréstimos, quando a economia vai mal ou está em recessão, ocorrendo o contrário, quando

se verifica uma recuperação da economia e quando as empresas demonstram estar em fase de franca recuperação. Sendo assim, esse C do crédito representa uma análise ambiental dos negócios do tomador, tornando-se também uma valiosa ferramenta para o gestor de crédito.

Colateral

Para Silva (1998, p. 96) “O colateral refere-se à capacidade do cliente em oferecer garantias complementares. A garantia é uma espécie de segurança

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adicional e, em alguns casos, a concessão de crédito precisará dela para compensar as fraquezas decorrentes dos outros fatores de risco”. Visto isso, o colateral é mais uma garantia do emprestador para não perder o capital emprestado. Esse C do crédito serve para contrabalançar eventuais impactos negativos decorrentes do enfraquecimento de um dos demais Cs do crédito. Portanto, não se deve tomar decisões com base em apenas um C do crédito, pois, todos eles devem ser analisados em conjunto, para que se possa ter uma análise confiável e realista do tomador de empréstimos.

3. METODOLOGIA

O método utilizado para escolha da amostra das instituições financeiras

estudadas nesta pesquisa foi o método estatístico da amostragem probabilística

casual simples ou aleatória. Saber descrever corretamente os dados da amostra e dominar as

técnicas estatísticas, não indica a capacidade de uma pessoa em elaborar, com êxito, um trabalho estatístico completo. Faz-se necessário obter a amostra ou amostras, através de processos adequados. Se ocorrer erros no momento de selecionar os elementos da amostra, todo o trabalho ficará comprometido. Para Costa Neto (2002, p. 37) “O que é necessário garantir, em suma, é que a amostra seja representativa da população”.

A obtenção de soluções adequadas para o problema de amostragem,

exige muito bom-senso e experiência. É conveniente, que o trabalho do estatístico seja complementado por um especialista no assunto em questão. Segundo Costa Neto (2002), distingue-se dois tipos de amostragem: a probabilística e a não-probabilística. Na amostragem probabilística, todos os elementos da população, devem ter probabilidade conhecida e diferente de zero de pertencer à amostra. Divide-se em cinco métodos, ou seja, amostragem casual simples, sistemática, por conglomerados, estratificada e amostragem múltipla. E a não-probabilística, é quando nem todos os elementos da população têm probabilidade conhecida de pertencer à amostra. Divide-se também em cinco métodos, inacessibilidade a toda a população, amostragem a esmo ou sem norma, população formada por material contínuo, amostragens intencionais e amostragem por voluntários. A vantagem do uso da amostragem probabilística é que ela permite o cálculo do erro amostral, o que não acontece com a não- probabilística. Tendo em vista, os questionários elaborados para obtenção de informações referente à concessão de crédito para as micros e pequenas empresas, aplicou-se numa população de seis instituições financeiras. Para a determinação da população, foram levados em consideração alguns fatores que

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ajudam essas instituições a disseminar os seus financiamentos, por exemplo:

maior acessibilidade dos gestores das micros e pequenas empresas, taxas de juros mais atrativas, propaganda em meios de comunicação em massa. Portanto, optou-se por um método estatístico da amostragem probabilística casual simples ou aleatória. Esse método é aquele onde todos os elementos da população têm igual probabilidade de pertencer à amostra. Como a população é pequena, optou-se em estudar cem por cento dela. Caso contrário, essa técnica é equivalente a um sorteio lotérico, ou seja, enumera-se a população de 1 a N, sorteando, a seguir, por meio de dispositivo aleatório qualquer, k elementos dessa seqüência, os quais corresponderão aos elementos da amostra (n). A probabilidade que cada elemento tem de pertencer a amostra é n/N (chamada de fração amostral). Quando a amostragem for feita com reposição, o número de amostras possíveis é dado por Nn, enquanto que, para a amostragem sem reposição o número é dado por CnN. Uma maneira utilizada para fazer o sorteio dos elementos que compõe a amostra é o uso de uma tabela de números aleatórios. Essa tabela consiste de inúmeros dígitos, obtidos por um processo equivalente a um sorteio equiprovável. Sendo assim, foi realizada uma pesquisa de campo, junto a seis instituições financeiras, sendo: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Agência de Fomento do Paraná S/A, Banco Cooperativo Sicredi, Cooperativa de Crédito dos Empresários de Guarapuava – SICOOB e Banco Itaú. Onde profissionais da área de concessão de crédito se prontificaram a responder ao questionário.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Não esquecendo o objetivo deste trabalho que é a análise dos diversos fatores em relação à concessão de crédito para auxiliar o tomador de decisão, o questionário foi desenvolvido visando a pontos chaves para o alcance desse objetivo, visando sempre a captura de informações que venham a subsidiar o embasamento teórico deste trabalho, como também particularidades de cada instituição. Constatou-se na pesquisa, conforme gráfico I, que as principais linhas de crédito voltadas para as micros e pequenas empresas são: capital de giro, desconto de cheques e duplicatas, cheque especial, investimento, proger e finame.

Gráfico II – Principais Linhas de Crédito Ofertadas

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Principais linhas ofertadas 38 40 35 30 23 25 16 20 15 15 8 10
Principais linhas ofertadas
38
40
35
30
23
25
16
20
15
15
8
10
5
0
Capitalde giro
Desc.Ch.e Dpl.
Investimento
Cheque especial
P roger/Finame
% alcançad

Fonte: Relatório de pesquisa.

Verificou-se também, de acordo com o gráfico II, que o ranking das quatro linhas mais solicitadas ficou entre: capital de giro, desconto de cheques e duplicatas, investimento e cheque especial. Corroborando assim, com as premissas citadas no início deste trabalho, sobre a carência de capital de giro das micro e pequenas empresas. Sendo que o segundo colocado, desconto de cheques e duplicatas juntamente com cheque especial, nada mais é do que uma conseqüência de falta de dinheiro em caixa, tendo a empresa que optar pelo desconto adiantado desses títulos para o financiamento do caixa da empresa. Gráfico II – As Quatro Linhas de Crédito mais Solicitadas

Cheque especial 9% Investimento Capital de giro 17% 41% Desc. Ch. e Dpl. 33%
Cheque
especial
9%
Investimento
Capital de giro
17%
41%
Desc. Ch. e
Dpl.
33%

Fonte: Relatório de pesquisa.

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Tudo isso vem comprovar a carência financeira dessas empresas, onde que, comprovadamente, esses fatores são responsáveis segundo o Relatório de Pesquisa realizado pelo SEBRAE (2004), onde que o principal motivo da mortalidade das empresas, segundo os administradores, concentra-se na falta de capital de giro, indicando desequilíbrio nas entradas e saídas de recursos da empresa. Outro ponto importante levantado na pesquisa foi a questão dos incentivos à concessão de crédito para as micros e pequenas empresas. Sendo que, o Banco Itaú oferece o microcrédito a taxas subsidiadas pelo governo federal. Já a Caixa Econômica Federal oferece o capital de giro a taxas subsidiadas. O Banco Cooperativo Sicredi S/A oferece isenção de Imposto sobre Operações Financeiras – IOF, assim como distribuição de lucros para seus associados ao final de cada exercício. O SICOOB oferece taxas atrativas aos seus cooperados e ressalta a questão de que toda a operação que o cliente fizer junto à cooperativa, o resultado retorna para ele mesmo. O Banco do Brasil ressalta que oferece prazo e taxas competitivos com o mercado. E a Agência de Fomento do Paraná ressalta que suas taxas de juros são baixas, existindo apenas para a manutenção e continuidade do fundo. De acordo com a pesquisa, o limite máximo que uma micro ou pequena empresa pode financiar é estabelecido de acordo com a capacidade de pagamento da empresa e de seu faturamento. No entanto, para o SICOOB, a linhas chegam até R$ 40.000,00, para a Caixa Econômica Federal varia de R$ 1.000,00 a R$ 1.000.000,00, e para a Agência de Fomento pode chegar até R$ 5.000,00 para a linha dos investimentos fixos. Quanto à documentação que as instituições exigem para a concessão do crédito estão: contrato social e alterações, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, relação de faturamento, relação de endividamento, declaração de imposto de renda da pessoa jurídica, três últimos balanços, balancete, demonstração do resultado do exercício, documentos pessoais dos sócios e declaração de imposto de renda pessoa física e ficha cadastral aprovada, assim como para a Agência de Fomento, três orçamentos. Conforme análise do questionário, constatou-se que todas as instituições pesquisadas optam por algum tipo de garantia para a concessão de crédito, tanto pessoais como reais. Sendo que as mais usadas são: avalista, alienação dos bens, penhor, fiança e a hipoteca. Para algumas instituições, a garantia varia de acordo com a linha, montante e bem pretendido pela empresa. Pois se for o caso de financiamento de algum bem para o ativo imobilizado, usa-se muitas vezes a garantia da alienação. Já para a aquisição de capital de giro, é necessário a garantia do avalista. Em se tratando de bens imóveis, é usado a garantia da hipoteca, penhor, entre outros.

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Constatou-se que as instituições avaliam com muito cuidado uma série de fatores antes de disponibilizar ao cliente o dinheiro, conforme o gráfico III. Alguns desses fatores são: restrições da empresa, capacidade de pagamento, liquidez, os 5 Cs do crédito e destinação do crédito, entre outros.

Gráfico III – Principais Fatores Analisados na Concessão de Crédito

– Principais Fatores Analisados na Concessão de Crédito Principais fatores analisados 35 Restrições 30 25 Cap.

Principais fatores analisados

na Concessão de Crédito Principais fatores analisados 35 Restrições 30 25 Cap. de pgto. 20 Liquidez
na Concessão de Crédito Principais fatores analisados 35 Restrições 30 25 Cap. de pgto. 20 Liquidez
na Concessão de Crédito Principais fatores analisados 35 Restrições 30 25 Cap. de pgto. 20 Liquidez
35 Restrições 30 25 Cap. de pgto. 20 Liquidez 15 5 Cs do crédito R
35
Restrições
30
25
Cap. de pgto.
20
Liquidez
15
5 Cs do crédito
R
estrições
Administração
Cap.de pgto.
Função Ramo Ativ.
10
Liquidez
Destinação
5 Cs do crédito
5
Destinação
Função
0
R
amo Ativ.
Administração
% alcança

Fonte: Relatório de pesquisa.

Outro ponto importante levantado na pesquisa foi em relação ao conjunto de índices financeiros mais usados na concessão de crédito, o que se pode observar no gráfico IV, que a análise da liquidez é a mais utilizada numa análise de crédito. Isso se comprova, pois nesse conjunto de índices, é calculado a liquidez geral, corrente e seca. O analista de crédito amparado por esses índices poderá tomar a decisão mais correta na hora da avaliação do tomador de crédito.

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Gráfico IV – Conjunto de Índices Financeiros mais Utilizados

Conjunto de índices financeiros Estrutura Liquidez 25% Liquidez Lucratividade 42% Estrutura Lucratividade 33%
Conjunto de índices financeiros
Estrutura
Liquidez
25%
Liquidez
Lucratividade
42%
Estrutura
Lucratividade
33%

Fonte: Relatório de pesquisa.

Lembrando que o conjunto de índices da análise da lucratividade também

é muito utilizado para a concessão de crédito, pois engloba os índices do giro do ativo, margem líquida, rentabilidade do ativo e rentabilidade do patrimônio. Portanto, a pesquisa de campo trouxe bons resultados, pois abordou pontos chave do trabalho, mostrando as dificuldades que o micro e pequeno empresário enfrenta na hora de contratar um empréstimo ou financiamento. Com a análise desses resultados, foi possível responder a algumas questões até então não respondidas no decorrer deste trabalho, como por exemplo: qual a linha mais procurada pelos micros e pequenos empresários? Assim como várias outras indagações que se desabrocharam com a análise das informações obtidas através do questionário de pesquisa.

5. CONCLUSÕES

A concessão de crédito para as micros e pequenas empresas no Brasil vem crescendo muito nos últimos anos, visto que elas são a maioria das empresas brasileiras. É notável, também, que grande parte desses empréstimos ou financiamentos tomados por essas empresas são voltados para a área de investimentos em expansão, porém, a maioria desses empréstimos captados acabam sendo voltados para suprir necessidades emergentes de caixa.

Nesse sentido, o que leva uma empresa a optar por um empréstimo, muitas vezes, de curto prazo, é justamente a falta de capital de giro. Isso aliado

a um conhecimento leigo na área financeira, por parte do gestor, pode acarretar em sérios problemas financeiros para a empresa em um curto período de tempo.

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Então, este trabalho procurou demonstrar alguns caminhos menos onerosos para que o tomador de decisão da empresa não venha a cair em armadilhas postas pelo mercado financeiro do nosso país. Sendo que, através da pesquisa realizada levantou-se várias linhas de empréstimos acessíveis ao microempresário, assim como os principais empréstimos mais solicitados por esse segmento. Lembrando que foram abordados pontos fundamentais em relação à concessão de crédito, sendo importante que o gestor da empresa que deseja adquirir qualquer empréstimo ou financiamento tome conhecimento dos mesmos, para que não ponha em risco a saúde financeira da empresa. Assim, os resultados apresentados revelam que o objetivo geral desse trabalho foi alcançado, que consistiu em verificar as variáveis que contornam a concessão de crédito para as micros e pequenas empresas, visando à elaboração de um trabalho prático, para auxiliar o tomador de decisão na opção pela melhor forma de financiamento do mercado. Portanto, recomenda-se este trabalho aos administradores de empresas, em especial aos responsáveis pelas áreas financeiras, bem como à comunidade científica em geral. Lembrando, que os esforços de pesquisa nessa área são vastos, e proporciona muitas possibilidades de novas pesquisas sobre o assunto.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira: São Paulo: Atlas, 1989.

BRIGHAM, Eugene F.; GAPENSKI, Lois C.; EHRHARDT, Michael C. Administração financeira: teoria e prática. Tradução Alexandre Loureiro Guimarães Alcântara, José Nicolas Albuja Salazar; revisão técnica José Calos Guimarães Alcântara. São Paulo: Atlas, 2001.

COSTA NETO, Pedro Luiz de Oliveira. Estatística. 2. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2002.

Lei Federal nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996.

MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1998.

SEBRAE. Relatório de pesquisa: fatores condicionantes e taxa de mortalidade de empresas no Brasil. Brasília 2004.

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SILVA, José Pereira da. Gestão e análise de risco de crédito. 2.ed. São Paulo:

Atlas, 1998.

SCHRICKEL, Wolfgang Kurt. Análise de crédito: concessão e gerência de empréstimos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1998.

Acesso dia 17/05/2006.

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