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PROCESSO DA GESTAÇÃO

PROFª. ENFª EMANOELLAR. TENÓRIO


FECUNDAÇÃO

Fecundação é quando o espermatozoide se une ao


ovócito e forma o zigoto. Essa formação ocorre no interior
das trompas, e o óvulo fecundado em seguida se encaminha
em direção do útero.
GAMETAS MASCULINO E FEMININO
PROCESSO DA FECUNDAÇÃO
PROCESSO DE GESTAÇÃO

A gravidez é um fenômeno reprodutivo que acontece em


decorrência de uma relação sexual durante o período fértil da mulher
(período da ovulação), ocasionando o encontro do espermatozoide
com o óvulo, e sua consequente penetração.
PROCESSO DE GESTAÇÃO
A ovulação decorre da ação de dois hormônios: folículo
estimulante (FSH) e luteinizante (LH). Com a liberação do óvulo,
surge no ovário o corpo lúteo, o qual produz a progesterona, o
hormônio responsável pelo preparo do endométrio, tornando-o mais
vascularizado e rico em nutrientes para o concepto. Ocorrendo a
nidação, inicia-se a diferenciação celular que dará origem ao embrião
e a placenta.
PROCESSO DE GESTAÇÃO

As células trofoblásticas, componentes iniciais da estrutura do


ovo, responsáveis pela formação placentária, produzem o hormônio
gonadotrofina coriônica humana (HCG), responsável pela
produção do hormônio progesterona, que mantém o endométrio,
evitando a menstruação.
PROCESSO DE GESTAÇÃO

A gestação normal tem duração aproximada de 280 dias ou 9 meses ou


40 semanas, podendo variar de 38 a 42 semanas gestacionais, período em
que ocorre todo o desenvolvimento embrionário e fetal - que pode ser
subdividido em três trimestres.
Cada trimestre, por sua vez, é formado por 12 a 14 semanas de gestação,
durante as quais ocorre à estruturação do novo ser, fundamental à sua condição
humana.
PROCESSO DE GESTAÇÃO

Tal fenômeno traz diversas modificações no


organismo e na vida da mulher. Assim ela pode
vivenciar situações das mais simples às mais complexas,
que repercutem tanto no seu bem estar como no de seu
concepto, podendo gerar, em função de medos e/ou
ansiedades, até o desencadeamento de risco gestacional.
PROCESSO DE GESTAÇÃO
DIAGNOSTICANDO A GRAVIDEZ

Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico de gravidez, mais fácil será o
acompanhamento do desenvolvimento do embrião/feto e das alterações que ocorrem
no organismo e na vida da mulher, possibilitando prevenir, identificar e tratar
eventuais situações de anormalidades que possam comprometer a saúde da
grávida e de sua criança (embrião ou feto), desde o período gestacional até o
puerpério.
PROCESSO DE GESTAÇÃO
DIAGNOSTICANDO A GRAVIDEZ
Este diagnóstico também pode ser feito tomando-se como ponto de partida
informações trazidas pela mulher. Para tanto, faz-se importante sabermos se ela tem
vida sexual ativa e se há referência de amenorreia (ausência de menstruação). A partir
desses dados e de um exame clínico são identificados os sinais e sintomas físicos e
psicológicos característicos, que também podem ser identificados por exames
laboratoriais que comprovem a presença do hormônio gonadotrofina coriônica (HCG)
e/ou exame de ultrassonografia.
SUSPEITA DE GRAVIDEZ

SINAIS E SINTOMAS DE GESTAÇÃO

Os sinais e sintomas da gestação dividem-se em três categorias que,


quando positivas, confirmam o diagnóstico. É importante lembrar que muitos
sinais e sintomas presentes na gestação podem também aparecer em outras
circunstâncias.
SUSPEITA DE GRAVIDEZ

SINAIS DE PRESUNÇÃO
❖ Amenorreia
❖ Náusea com ou sem vômitos
❖ Alterações mamárias
❖ Polaciúria
❖ Vibração ou tremor abdominal
SINAIS DE PRESUNÇÃO
• Amenorreia - é o primeiro sinal que alerta para uma possível gestação. É uma indicação valiosa para
a mulher que possui menstruação regular
• Náusea com ou sem vômitos - como sua ocorrência é mais frequente pela manhã, é denominada
“enjoou matinal”, mas pode ocorrer durante o restante do dia. Surge no início da gestação e,
normalmente, não persiste após 16 semanas.
• Alterações mamárias – caracterizam-se pelo aumento da sensibilidade, sensação de peso, dor leve
e latejante e aumento da pigmentação dos mamilos e aréola; a partir do segundo mês, as mamas
começam a aumentar de tamanho.
• Polaciúria – é o aumento da frequência urinária. Na gravidez, especialmente no primeiro e
terceiro trimestre, dá-se o preenchimento e o consequente crescimento do útero que, por sua vez,
pressiona a bexiga diminuindo o espaço necessário para realizar a função de reservatório.
• Vibração ou tremor abdominal – Primeiros movimentos do feto, pela mãe, os quais geralmente
surgem por volta da 20ª semana.
SUSPEITA DE GRAVIDEZ
SINAIS DE PROBABILIDADE
❖ Aumento uterino
❖ Mudança da coloração da região vulvar
❖ Colo amolecido
❖ Testes de gravidez
❖ Sinal de rebote
❖ Contrações de Braxton-Hicks
SINAIS DE PROBABILIDADE
• Aumento uterino – devido ao crescimento do feto, do útero e da placenta.
• Mudança da coloração da região vulvar – tanto a vulva como o canal vaginal se torna
bastante vascularizados, o que altera sua coloração de rosa avermelhado para azul escuro
ou vinhoso.
• Colo amolecido – devido ao aumento do aporte sanguíneo na região pélvica, o colo
uterino torna-se mais amolecido e embebido, assim como as paredes vaginais tornam-se
mais espessas, enrugados, amolecidos e embebidos.
• Testes de gravidez - inicialmente, o hormônio gonadotrofina coriônica é produzido
durante a implantação do ovo no endométrio; posteriormente, passa a ser produzido pela
placenta. Esse hormônio aparece na urina ou no sangue 10 a 12 dias após a
fecundação, podendo ser identificado mediante exame específico.
SINAIS DE PROBABILIDADE

• Sinal de rebote – é o movimento do feto contra os dedos do examinador, após ser


empurrado para cima, quando da realização de exame ginecológico (toque) ou abdominal.
• Contrações de Braxton-Hicks – são contrações uterinas indolores, que começam no
início da gestação, tornando-se mais notáveis à medida que esta avança, sentidas pela mulher
como um aperto no abdome. Ao final da gestação, tornam-se mais fortes, podendo ser
confundidas com as contrações do parto.
SUSPEITA DE GRAVIDEZ

SINAIS DE CERTEZA
❖ Batimento cardíaco fetal (BCF)
❖ Contornos fetais
❖ Movimentos fetais ativos
❖ Visualização do embrião ou feto pela ultrassonografia
SINAIS DE CERTEZA
• Batimento cardíaco fetal (BCF) - utilizando-se o estetoscópio de Pinard, pode ser
ouvido, frequentemente, por volta da 18ª semana de gestação; caso seja utilizado um
aparelho amplificador denominado sonar Doppler, a partir da 12ª semana. A
frequência cardíaca fetal é rápida e oscila de 120 a 160 batimentos por minuto.
• Contornos fetais – ao examinar a região abdominal, frequentemente após a 20ª semana
de gestação, identificamos algumas partes fetais (polo cefálico, pélvico, dorso fetal).
• Movimentos fetais ativos – Durante o exame, a atividade fetal pode ser percebida a
partir da 18ª/20ª semana de gestação.
• Visualização do embrião ou feto pela ultrassonografia – pode mostrar o produto da
concepção (embrião) com 4 semanas de gestação, além de mostrar a pulsação
cardíaca fetal nessa mesma época. Após a 12ª semana de gestação, a ultrassonografia
apresenta grande precisão diagnóstica.
INICIANDO A ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

ATENÇÃO!
Todas as mulheres têm o direito constitucional de ter acesso ao pré-natal e informações sobre o que
está ocorrendo com o seu corpo, como minimizar os desconfortos provenientes das alterações
gravídicas, conhecer os sinais de risco e aprender a lidar com os mesmos, quando a eles estiver exposta.

O conceito de humanização da assistência ao parto pressupõe a relação de respeito que os


profissionais de saúde estabelecem com as mulheres durante todo o processo gestacional, de parturição
e puerpério, mediante um conjunto de condutas, procedimentos e atitudes que permitem à mulher
expressar livremente seus sentimentos.
INICIANDO A ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

Durante todo esse período, o técnico de enfermagem pode minimizar-lhe a ansiedade e/ou
temores fazendo com que a mulher, seu companheiro e/ou família participem ativamente do processo, em
todos os momentos, desde o pré-natal até o pós-nascimento.

Cabe ao técnico de enfermagem:


➢ Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação;
➢ Verificar/realizar o cadastramento das gestantes no Sis-PreNatal;
➢ Conferir as informações preenchidas no Cartão da Gestante;
➢ Verificar o peso e a pressão arterial e anotar os dados no Cartão da Gestante;
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• Fornecer medicação mediante receita, assim como os medicamentos padronizados para o programa
de pré-natal (sulfato ferroso e ácido fólico);
• Aplicar vacinas antitetânica e contra hepatite B;
• Realizar atividades educativas, individuais e em grupos (deve-se utilizar a sala de espera);
• Informar o(a) enfermeiro(a) ou o(a) médico(a) de sua equipe, caso a gestante apresente algum sinal de
alarme, como os citados anteriormente;
• Identificar situações de risco e vulnerabilidade e encaminhar a gestante para consulta de enfermagem
ou médica, quando necessário;
• Orientar a gestante sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas;
• Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal, acompanhar o processo de
aleitamento, orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar.
INICIANDO A ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

IMPORTANTE!

Durante o pré-natal, os conteúdos educativos importantes para serem abordados, desde que adequados
às necessidades das gestantes, são:
➢ Pré-natal e Cartão da Gestante – apresentar a importância, objetivos e etapas, ouvindo as dúvidas e
ansiedades das mulheres.
➢ Desenvolvimento da gravidez – apresentar as alterações emocionais, orgânicas e da autoimagem;
hábitos saudáveis como alimentação e nutrição, higiene corporal e dentária, atividades físicas, sono e
repouso; vacinação; relacionamento afetivo e sexual; direitos da mulher grávida/direitos reprodutivos – no
Sistema de Saúde, no trabalho e na comunidade; identificação de mitos e preconceitos relacionados à
gestação, parto e maternidade – esclarecimentos respeitosos; vícios e hábitos que devem ser evitados
durante a gravidez; preparo para a amamentação.
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➢ Tipos de parto – aspectos facilitadores do preparo da mulher; exercícios para fortalecer o corpo na
gestação e para o parto; preparo psíquico e físico para o parto e maternidade; início do trabalho de
parto, etapas e cuidados.
➢ Participação do pai durante a gestação, parto, maternidade/paternidade – importância para
o desenvolvimento saudável da criança. Cuidados com a criança recém-nascida, acompanhamento do
crescimento e desenvolvimento e medidas preventivas e aleitamento materno.
➢ Anormalidades durante a gestação, trabalho de parto, parto e na amamentação – novas
condutas e encaminhamentos.
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O processo gravídico-puerperal é dividido em três grandes fases:

❖ Gestação
❖ Parto
❖ Puerpério
INICIANDO A ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

 Quando o parto não ocorre


 Segundo a Organização até a 41º semana, é
 As consultas deverão ser
Mundial da Saúde (OMS), o necessário encaminhar a
mensais até a 28ª semana,
número adequado de gestante para a avaliação do
quinzenais entre 28 e 36
consultas no pré-natal bem-estar fetal, incluindo
semanas e semanais no
seria igual ou superior a 6 avaliação do índice do líquido
termo.
(seis). amniótico e monitoramento
cardíaco fetal.
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Noções de cálculos (IG, DPP)
Um dos componentes da primeira consulta de pré-natal é o cálculo da DPP (Data Provável do
Parto).
Durante o processo gestacional os dois meios de acompanhar a idade gestacional e prever a
provável data do parto é a USG e este cálculo, a DPP.
Para calculá-la é necessário, outra informação importante a DUM, que se refere à (Data da Última
Menstruação) e consequentemente com essas informações pode-se obter a IG (Idade Gestacional) é o
cálculo da quantidade de semanas gestas até o dia em que se está.
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DATA PROVÁVEL DO PARTO – DPP
É imprescindível para calcular a DPP que se tenha um número inicial para esta contagem
que é a DUM. Sendo assim utiliza-se esta data em DIA / MÊS / ANO.
o Ao dia adicionaremos (soma) 07,
o Janeiro – Março soma +9
o Abril – Dezembro subtrai 3
o Ao ano, caso o mês da DUM for (jan, fev ou mar) não precisará ser alterado, mas se o mês da DUM
for de (abril a dezembro) soma-se (01) ao ano.
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DATA PROVÁVEL DO PARTO – DPP

Vamos para um exemplo prático:


DUM: 15 / 03 / 2020
+7 / +9 / 0 0
DPP = 22 / 12 / 2020

Exemplo 2:
DUM: 20 / 04 / 2020
+7 / -3 / +1
DPP = 27 / 01 / 2021
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DATA PROVÁVEL DO PARTO – DPP


É importante considerar um caso especial, quando o “dia” da menstruação é próximo ao final do mês. Por
exemplo, de a data da DUM for 30/ 01/2020, ao somar 7 no “dia” teremos (37) “nenhum mês tem 37 dias, sendo
assim deve-se somar (+01) um ao mês na conta.
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IMPORTANTE!
É importante frisar que nem sempre esta gestante se recorda da data exata da sua DUM, quando há
uma recordação aproximada sabendo o mês, a gestante aponta se a sua menstruação ocorreu no início,
meio ou fim do mês, se no início, considera-se para o cálculo dia (05), quando no meio, considere-se dia
(15), quando no fim considera-se dia (30).
No entanto, quando não há recordação alguma da DUM, a DPP e a IG, serão inicialmente
determinadas por aproximação, basicamente, pela medida da altura do fundo do útero e do toque vaginal,
além da informação sobre a data de início dos movimentos fetais, entre outros fatores.
INICIANDO A ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

Calculando a IG
O cálculo da IG também não será difícil. Para calcular a idade gestacional utilizaremos é claro, a data
de “hoje”, assim calcularemos quantas semanas de gestação esta gestante apresenta. Vamos usar a DUM e
vamos somar mês a mês.
INICIANDO A ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL

Por fim, acostume-se que profissionais da


saúde, lidam com a gestação em semanas,
embora culturalmente a população mensure
a gestação de forma mensal.
"NÃO HÁ COMO ATENDER UM PACIENTE DE MODO
HUMANIZADO SE NÃO NOS COLOCARMOS NO
LUGAR DELE.“ (CARDOSO, J.C.)

OBRIGADA!
REFERÊNCIA

SATA JULIANA, Centro de Ensino. Curso Técnico em Enfermagem. MANUAL SAÚDE DA MULHER, 2022.

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