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Câmara dos Deputados

Frente Parlamentar da Segurança Pública


Gabinete do Presidente

Ofício nº 863/2022 Brasília-DF, 02 de setembro de 2022.

Ao Excelentíssimo Senhor
Antônio Augusto Brandão de Aras
Procurador-Geral Eleitoral

Assunto: Porte de arma dos agentes de segurança pública no local das eleições.

Senhor Procurador-Geral Eleitoral,

O PRESIDENTE DA FRENTE PARLAMENTAR DA SEGURANÇA PÚBLICA,


instituída nos termos do Ato da Mesa de nº 69 de 2005, entidade que congrega mais de
trezentos Parlamentares Federais, comprometidos com a defesa dos direitos e garantias dos
profissionais de segurança pública, por este instrumento, vem à presença de Vossa
Excelência expor, com pesar e perplexidade, as graves consequências que poderão ser
causadas pelo julgamento proferido pelo Plenário do Tribunal Superior Eleitoral na CTA
0600522-03 e, ao mesmo solicitar, solicitar, diante da nobre missão exercida por Vossa
Excelência, as providências necessárias para corrigir e evitar os danos que podem ser
causados aos agentes de segurança pública e a toda sociedade.
Na última terça-feira (30), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta à
Consulta 0600522-03, proibiu o porte de armas nos locais de votação no dia da eleição. A
determinação também vale para as 48 horas antes e as 24 horas depois do pleito, no perímetro
de 100 metros das seções e de outras localidades eleitorais. Ao votar, o Ministro relator,
salientou que o porte de armamento só será permitido aos integrantes das forças de
segurança em serviço e quando autorizados ou convocados pela autoridade eleitoral
competente.

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Infelizmente, é espantosa a simplicidade com que são tolhidos os direitos e a


própria cidadania dos agentes de segurança pública.
O porte de arma a que tem direito esses profissionais, além de ser meio necessário
à proteção da própria vida diante da exposição aos criminosos, é instrumento de trabalho,
diante do dever de agir em defesa da ordem pública, ainda que não estejam de serviço.
Portanto, mesmo que o policial não esteja de serviço, o porte de arma não é um benefício ou
um privilégio, mas medida de absoluta necessidade para salvaguardar a sua vida e dos
demais cidadãos.
O agente de segurança pública, então, vai votar desarmado e enfrentar os riscos a
peito aberto?
Há outras questões importantíssimas que foram tangenciadas e precisam ser
esclarecidas, diante da lamentável singeleza com o que o assunto de tamanha importância foi
tratado:
1) os militares e policiais escalados na seção eleitoral de serviço, terão que ficar
a mais de 100m das seções?
2) quando os militares e policiais forem chamados terão que ir desarmados?
3) como fica a situação desses profissionais uniformizados ou fardados, com
suas armas, que trabalham na localidade e tiverem que votar? Terão que desarmar na unidade
ou teremos locais e pessoas autorizadas a guardar a arma com segurança na zona eleitoral;
4) como fica a situação do policial ou militar que for desarmado e se deparar
com um crime, não será obrigado a atender a ocorrência, estará isento de responsabilização?
Excelência, o Brasil conta com a segunda maior força militar das Américas, atrás
apenas dos Estados Unidos. Segundo a Global Firepower, o Brasil possui 360 mil militares
ativos nas forças armadas. Apenas no Exército, segundo dados apurados em 2022, são mais
de 200 mil homens.
Se consideramos as polícias militares estaduais, os números impressionam
ainda mais. Segundo pesquisa no Perfil das Instituições de Segurança Pública do Ministério
da Justiça e Segurança Pública, o efetivo é superior a 385 mil homens. Somados à Polícia
Federal (13.854 policiais), Polícia Rodoviária Federal (12.356 policiais) e polícias civis (94,4
mil policiais), a segurança pública brasileira alcança um número de profissionais próximo a
850 mil homens.
Portanto, a decisão do TSE pode trazer sérios prejuízos ao direito de voto de
milhares de policiais e militares, violando o seu direito fundamental de cidadania.
Tendo em vista o supracitado, solicito, encarecidamente, que Vossa Excelência
intervenha para solicitar esclarecimentos devidos ao TSE, a fim de que possa dizer como será

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garantida a segurança do armamento e do policial e militar de serviço, da ativa, escalado para


trabalhar garantindo a segurança da população e das urnas em zonas eleitorais e também no
momento de exercer o seu voto.
Certo da atenção de Vossa Excelência, conto com seu apoio na adoção dessas
medidas, com a urgência que o caso requer, tendo em vista a proximidade do pleito eleitoral.

CAPITÃO AUGUSTO
Deputado Federal – PL/SP
Vice-Presidente Nacional do Partido Liberal – PL
Presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública.

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