MERITÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DA ____ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE (XXX) Autos nº.

(XXX)

DENUNCIADO, (Nacionalidade), (Profissão), (Estado Civil), portador da Carteira de Identidade nº (xxx), inscrito no CPF sob o nº (xxx), residente e domiciliado na Rua (xxx), nº (xxx), Bairro (xxx), Cidade (xxx), Cep. (xxx), no Estado de (xxx), por seu procurador infra-assinado, com escritório profissional situado à Rua (xxx), nº (xxx), Bairro (xxx), Cidade (xxx), Cep. (xxx), no Estado de (xxx), mandato anexo (doc.1), vem, respeitosamente, à presença de V. Exa., com fulcro no artigo 55 da Lei nº 11.343/06, oferecer DEFESA PRELIMINAR

com fulcro no artigo 55, da Lei n°. 11.343/2006, consoante as razões de fato e de Direito a seguir pormenorizadas: I – DA INÉPCIA DA DENÚNCIA A denúncia oferecida pela Douta Representante do Ministério Público encontra-se em desrespeito aos preceitos do nosso sistema processual penal, devendo pois, ser rejeitada, conforme o artigo 395, I, do Código de Processo Penal, por ser inepta. Tal afirmação se faz verdade porque na peça inaugural, o denunciado fora acusado por fato descrito genericamente, sem qualquer respaldo fático, o que inviabiliza a sua defesa, restringindo seu direito constitucionalmente garantido da ampla defesa. Diz a denúncia: “ o denunciado trazia consigo drogas, sem autorização ou em desacordo com a legislação em vigor, com o fim de entrega-las a consumo”. Ora, digníssima excelência, como se defender da imputação feita de forma tão ampla e genérica? Se o denunciado entregaria a droga a consumo, deveríamos, no mínimo, saber a consumo de quem, ou pelo menos, qual foi a conduta do denunciado que levou à conclusão de tal acusação.

. a obrigação de expor. . no modelo constitucional brasileiro. de modo preciso. ao Ministério Público. banida do domínio do direito penal da culpa.Não existe. EXCLUSIVAMENTE. no postulado essencial do direito penal da culpa e no princípio constitucional do "due process of law" (com todos os consectários que dele resultam) . ao contrário. a regra. em sua estrutura formal. DE DADOS PROBATÓRIOS MÍNIMOS QUE VINCULEM OS PACIENTES AO EVENTO DELITUOSO . não se registra. concretamente. .INÉPCIA DA DENÚNCIA. Precedentes. inviabilizando o direito que o acusado tem de se defender amplamente. sem a correspondente e objetiva descrição de determinado comportamento típico que o vincule. notadamente no denominado "reato societario". demonstrar a sua inocência.Não podemos permitir que imputações genéricas prosperem em nosso ordenamento processual. Essa narração. ao réu. Precedentes. Não compete. não constitui fator suficiente apto a legitimar a formulação de acusação estatal ou a autorizar a prolação de decreto judicial condenatório. . ilegitimamente. para o réu. 20. como princípio dominante do sistema normativo. PROCESSO PENAL ACUSATÓRIO . Já não mais prevalece. só por si. para autorizar qualquer presunção de culpa (inexistente em nosso sistema jurídicopenal) e. de forma inequívoca. o exercício. a obrigação de o acusado provar a sua própria inocência (Decreto-lei nº 88. sempre. em dado momento histórico do processo político brasileiro (Estado Novo). A QUEM ACUSA.INEXISTÊNCIA. criou. do direito de defesa. de 20/12/37. como efeito derivado dessa particular qualificação formal.O ordenamento positivo brasileiro . que.CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL RESPONSABILIDADE PENAL DOS CONTROLADORES E ADMINISTRADORES DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA . Em matéria de responsabilidade penal. Cabe. ainda que sucinta. art. Denúncia que deixa de estabelecer a necessária vinculação da conduta individual de cada agente aos eventos delituosos qualifica-se como denúncia inepta. de maneira concreta. em plenitude. para justificar. de caráter essencialmente democrático . DELITOS CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL PEÇA ACUSATÓRIA QUE NÃO DESCREVE. torna-se indispensável que o órgão da acusação descreva. na denúncia. para além de qualquer dúvida razoável. Precedentes. à prática criminosa. É o que diz a jurisprudência da Suprema Corte: "HABEAS CORPUS" .repudia as imputações criminais genéricas e não tolera. o dogma da responsabilidade com culpa ("nullum crimen sine culpa").DENÚNCIA QUE NÃO ATRIBUI COMPORTAMENTO ESPECÍFICO E INDIVIDUALIZADO AOS DIRETORES DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA . ao Ministério Público. CONCRETAMENTE. a possibilidade constitucional de incidência da responsabilidade penal objetiva. comprovar. . a participação de cada acusado na suposta prática delituosa. absolutamente incompatível com a velha concepção medieval do "versari in re illicita". sob pena de se devolver. de maneira precisa. ao réu. QUANTO AOS DIRETORES DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. o ônus (que sobre ele não incide) de provar que é inocente.Para o acusado exercer. ao réu. impõe-se ao acusador como exigência derivada do postulado constitucional que assegura.A circunstância objetiva de alguém meramente exercer cargo de direção ou de administração em instituição financeira não se revela suficiente. objetiva e individualizada. no ordenamento positivo brasileiro.O sistema jurídico vigente no Brasil tendo presente a natureza dialógica do processo penal acusatório.cujos fundamentos repousam. . n. a culpabilidade do acusado.impõe. Nenhuma acusação penal se presume provada.492/86 (ART. os elementos estruturais ("essentialia delicti") que compõem o tipo penal.PEDIDO DEFERIDO. descrito em toda a sua essência e narrado com todas as suas circunstâncias fundamentais. em sede criminal. porque ineptas. ainda que se trate de práticas configuradoras de macrodelinqüência ou caracterizadoras de delinqüência econômica. OUTROSSIM. A PESSOA SOB INVESTIGAÇÃO PENAL TEM O DIREITO DE NÃO SER ACUSADA COM BASE EM DENÚNCIA INEPTA. com a falta de pudor que caracteriza os regimes autoritários.INÉPCIA DA DENÚNCIA . .A denúncia deve conter a exposição do fato delituoso. AOS EVENTOS DELITUOSOS . em plenitude. a correspondente persecução criminal. Precedentes.LEI Nº 7. a conduta penal atribuída ao denunciado.17) . AS ACUSAÇÕES PENAIS NÃO SE PRESUMEM PROVADAS: O ÔNUS DA PROVA INCUMBE. hoje impregnado. Prevalece.OBRIGAÇÃO DE O MINISTÉRIO PÚBLICO FORMULAR DENÚNCIA JURIDICAMENTE APTA. . a garantia do contraditório. as acusações que não individualizam nem especificam. QUALQUER CONDUTA ESPECÍFICA QUE OS VINCULE. em nosso sistema de direito positivo. dentre outros expressivos vetores condicionantes da atividade de persecução estatal.A mera invocação da condição de diretor ou de administrador de instituição financeira. 5). menos ainda.

até então. nos termos do voto do Relator. Ausentes. Os princípios democráticos que informam o sistema jurídico nacional repelem qualquer ato estatal que transgrida o dogma de que não haverá culpa penal por presunção nem responsabilidade criminal por mera suspeita. (STF . a qual se identificou por (XXX).)”. reconhecer a culpa do réu. III – DO DIREITO Dos fatos supra narrados não se infere com a devida certeza que a droga encontrada no buraco do muro era de propriedade do denunciado e ainda que fosse. através da declaração médica das fls. os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Eros Grau.. a ressalva de que o denunciado. foram encontradas (XXX) pedras de substância com aparência de crack no buraco de um muro. cabe aqui. modificou seu comportamento drasticamente. neste julgamento. Fato este que o levou a construir uma história que se sentisse mais confortável durante a inédita situação por si vivenciada. O denunciado é pessoa psicologicamente desequilibrada. III e IV). desconhecida. a ponto de necessitar de tratamento médico.. sempre foi uma pessoa estudiosa. Diante dos fatos ocorridos no dia a dia familiar. Decisão A Turma. justificadamente. a duas porque a quantidade de drogas apreendida não era tão expressiva e finalmente. de fato.08.DOS FATOS No dia (XXX) de (XXX) de (XXX). a única imputação vislumbrada no caso é aquela prevista no artigo 28 da Lei 11. 25. bem como o receituário.343/06. tiver em depósito. Por essa razão. mostrando total desinteresse pelos estudos e pelo trabalho. Sendo a droga de propriedade do denunciado. II. (XXX). porque não se conseguiu demonstrar a conduta de comercialização na peça acusatória. drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: (. Segundo depoimentos da autoridade condutora e da pessoa que se encontrava com o denunciado. conforme demonstra a declaração médica. reservando-se no seu direito constitucionalmente garantido de manifestar-se somente em juízo. O denunciado. Por infelicidade do destino. o denunciado assumiu a propriedade da droga. para consumo pessoal. ou na denúncia. afirmando que a comercializaria. trabalhou na empresa (XXX) durante o período de (XXX) (doc. no Bairro (XXX). V). envolvido com drogas. a mãe do denunciado constatou que o mesmo estava. Portanto. deferiu o pedido de habeas corpus. conforme já foi dito e demonstrado nos documentos já presentes nos autos nas fls. a uma porque resta claro nos autos. como consta nos documentos em anexo (docs. guardar. acostados nos autos nas fls. não se vislumbra o intuito de mercancia da mesma por ele. quando diz: “Quem adquirir. transportar ou trouxer consigo. CELSO DE MELLO. comprovado está que a mesma era apenas para uso próprio. primário e de bons antecedentes. II. por simples presunção ou com fundamento em meras suspeitas.qualquer possibilidade de o Judiciário. Além do mais. na Rua (XXX). no ato do seu interrogatório na delegacia. é caso de desclassificação para o crime de uso próprio. de fatos que demonstrem que o agente praticava o tráfico de entorpecentes. 2ª Turma. Finalmente. nada disse.2009. (XXX). HC 84580 / SP). próximo ao local onde estava o denunciado e uma pessoa. pois inexiste prova no presente procedimento. dedicada e sonhadora com um futuro melhor. à unanimidade. (XXX) que o acusado era dependente químico. devido ao fato de fazer uso de substâncias entorpecentes. . Relator Min. fez cursos de aperfeiçoamento do seu conhecimento.

Apelação Criminal 1.É o que afirma a jurisprudência do Egrégio Tribunal de Justiça de Minas Gerais: APELAÇÃO . pois está calcado apenas em suposições. por meio de laudo pericial e termo de exibição e apreensão.POSSIBILIDADE. havendo dúvidas quanto à imputação a ser conferida à conduta.INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA SOBRE A PRÁTICA DO TRÁFICO .0188.0024. É esse o entendimento extraído da nossa moderna jurisprudência: TRÁFICO DE ENTORPECENTES.ART. "CAPUT". não existe. .206. O denunciado não carece provar inocência quanto à mercancia. 33. assim não agia no momento de sua prisão. a desclassificação do delito de tráfico para uso é medida que se impõe.ABSOLVIÇÃO POSSIBILIDADE. que o acusado trazia consigo a droga com o intuito diverso do mero consumo próprio.07. EM ATENÇÃO AO PRINCÍPIO "IN DUBIO PRO REO". NA AUSÊNCIA DE INDÍCIOS SÓLIDOS DE CULPABILIDADE. Apelação Criminal nº 00. é ilusório.343/06 . ABSOLVIÇÃO. a expedição do competente alvará de soltura. CONJUNTO PROBATÓRIO QUE NÃO AUTORIZA A CONDENAÇÃO.239883-5/001). . Apelação Criminal nº 1. (TJMG. determinando-se assim. O MELHOR É ABSOLVER. Herculano Rodrigues. Gudesteu Biber. Finalmente. Deve o juízo condenatório ser modificado quando não existir nos autos certeza da autoria quanto ao tráfico de drogas. b) caso a Vossa Excelência entenda pelo recebimento da peça acusatória. O Ministério Público enfrenta o ônus de comprovar a materialidade e a autoria delituosa no que concerne a mercancia. pois que. APELAÇÃO . cabe a aplicação do Princípio do in dúbio pro reo. .ARTIGO 12. PROVA QUE SE ANALISA SEGUNDO O PRINCÍPIO "IN DUBIO PRO REO". O máximo que se pode constatar. indícios e ilações duvidosas. Relator Des. DA LEI 6.057843-3/001). Em suma. Relator Des. pois que a certeza subjetiva que se tem está limitada aos depoimentos do policial e da testemunha que averiguaram a possível ocorrência de mercancia de entorpecentes não vai além do fato de terem apreendido a substância entorpecente. IV – DOS PEDIDOS Ante o exposto requer: a) a rejeição da denúncia por manifesta inépcia.6561/00). que permita concluir. RECURSO PROVIDO.. Não deve haver inversão do ônus probatório.08. O princípio da não-culpabilidade previsto na Constituição da República e o princípio da inocência estabelecido nas convenções internacionais conferem ao acusado segurança processual. Vieira de Brito. (TJMG. o contexto probatório desenhado no processo pela Ilustre representante do Ministério Público. não pode ser atribuída ao acusado a conduta de tráfico.QUANDO A PROVA SE APRESENTA FRÁGIL PARA EMBASAR UM DECRETO CONDENATÓRIO E. (TJMG. com segurança. Relator Des. não se deve permitir no direito penal que a liberdade do indivíduo possa ser restringida em acordo com meras presunções e.TRÁFICO .Recurso conhecido e parcialmente provido. DA LEI 11. que opine pela desclassificação do crime de tráfico de drogas para o de uso de entorpecentes.Se nos autos não se colhe nenhum elemento probatório concreto.DESCLASSIFICAÇÃO . é a materialidade do crime de uso de entorpecente.368/76 . e que determine a remessa dos autos ao Juizado Especial Criminal desta Comarca para que seja avaliada pelo Ministério Público a possibilidade de formulação de propostas de transação penal.

(xxx). residente e domiciliada à Rua (xxx). prova documental. inscrita no CPF sob o nº (xxx). Cep. Cidade (xxx). prova pericial e. (xxx). (xxx). inscrita no CPF sob o nº (xxx). residente e domiciliada à Rua (xxx). quais sejam: depoimento pessoal. Nome da Testemunha 2.c) protesta-se desde já. notadamente. Cidade (xxx). residente e domiciliada à Rua (xxx). Termos que. residente e domiciliada à Rua (xxx). inscrita no CPF sob o nº (xxx). Bairro (xxx). Cep. Cep. residente e domiciliada à Rua (xxx). Estado (xxx). Nome da Testemunha 4. por todos os meios de provas admitidas em direito. (profissão). inscrita no CPF sob o nº (xxx). Segue rol de testemunhas a serem intimadas para a comprovação do feito: Nome da Testemunha 1. (profissão). (xxx). Estado (xxx). (Nome e assinatura do advogado) . Cidade (xxx). (profissão). inscrita no CPF sob o nº (xxx). Estado (xxx). (profissão). Estado (xxx). Bairro (xxx). pede deferimento. Bairro (xxx). Nome da Testemunha 5. Cep. (profissão). Nome da Testemunha 3. Bairro (xxx). pela prova testemunhal. (Local. (xxx). Cidade (xxx). data e ano). Cidade (xxx). Estado (xxx). Cep. Bairro (xxx).

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