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Impulso Nervoso e

Transmissão Sináptica

Prof. Msc. Eduardo Reis


Introdução

-O sistema nervoso possui duas categorias de células: os


neurônios e a neuroglia. Seus nomes refletem o fato de
que os neurônios dão origem aos nervos, enquanto a
neuroglia é considerada como constituída por células que
simplesmente mantêm os neurônios unidos entre si.
-Os neurônios são especializados no processamento da
informação. Áreas de contato, denominadas sinapses,
medem os sinais transmitidos de um neurônio para outros
neurônios.
Introdução

-O sistema nervoso pode ser classificado em dois sistemas:


o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. O
sistema nervoso central (SNC) é composto pelo cérebro,
cerebelo, tronco encefálico e medula espinal. Trata-se da
unidade de processamento central de todo o sistema
nervoso.
-O sistema nervoso periférico (SNP) é constituído pelos
nervos, gânglios (espinais, cranianos, simpáticos
paravertebrais, colaterais e terminais) e por receptores
sensoriais.
Transmissão do Impulso
Nervoso
Transmissão do Impulso
Nervoso
-A função de um impulso nervoso é promover a liberação
de mensageiros químicos (neurotransmissores) que se
encontram em vesículas membranosas no interior do
citoplasma dos neurônios.
-Esta liberação, no entanto, é facilitada pela
desorganização da estrutura da membrana através da
rápida passagem de íons do meio extracelular para o
meio intracelular e vice-versa. É este fluxo de íons que, na
verdade, batizamos de impulso nervoso.
Transmissão do Impulso
Nervoso
-Para compreender as bases moleculares de um impulso
devemos lembrar que um neurônio, como toda célula do
corpo, é polarizado. Isso significa dizer que sua membrana
plasmática é positivamente carregada em sua face
extracelular e negativamente carregada na face
citoplasmática.
-A diferença de polarização é causada pela variação da
concentração de íons de sódio (Na+) e potássio (K+)
dentro e fora da célula.
Transmissão do Impulso
Nervoso
-Quando o neurônio é estimulado ocorre a sua
despolarização, já que o sódio (Na+) que estava em
maior quantidade do lado de fora da célula passa a
penetrar o citoplasma através da abertura de canais de
sódio.
-Este influxo de sódio aumenta a quantidade de cargas
positivas no interior da célula em relação ao seu lado
externo, invertendo os polos da membrana plasmática.
Transmissão do Impulso
Nervoso
-Este fenômeno de despolarização é, a própria
propagação de um impulso nervoso, uma vez que o
movimento rápido e intenso de íons através da
membrana a desestabiliza de forma que, ao chegar ao
final do axônio, favorece-se a liberação dos
neurotransmissores.
-Os canais de sódio, no entanto, permanecem abertos
por uma fração mínima de tempo. Conforme canais mais
próximos ao término do axônio vão se abrindo e aqueles
que ficaram para trás, vão se fechando. Isto impende que
novos íons de sódio entrem na célula.
Transmissão do Impulso
Nervoso
-Neste momento, abrem-se os canais de potássio,
promovendo o refluxo destes íons ao meio extracelular.
Assim, se antes o neurônio polarizado havia sido
despolarizado pela entrada de íons de sódio, agora ele é
repolarizado com a saída de íons de potássio que
objetivam o retorno ao seu estado de repouso.
-Os canais de potássio também permanecem abertos por
pouco tempo, sendo este tempo é suficiente para que as
cargas se reequilibrem, sendo a concentração de Na+
elevada na face extracelular da membrana e a
concentração de K+ elevada em sua face intracelular.
Transmissão do Impulso
Nervoso
Transmissão do Impulso
Nervoso
-Como um impulso nervoso depende da alteração das
cargas elétricas de um axônio, é possível medir a
diferença de potencial (DDP) existente entre suas faces
citoplasmática e extracelular. Esta DDP é da ordem de
milivolts (mV) e caracteriza um neurônio em estado de
repouso com aproximadamente -60 mV.
-Durante a abertura dos canais de sódio, despolarização
eleva essa DDP à aproximadamente +40 mV. Por fim, o
fechamento dos canais de sódio e abertura dos canais de
potássio repolariza o neurônio.
Transmissão do Impulso
Nervoso
Transmissão Sináptica
Transmissão Sináptica

-A sinapse é um local especial de contato, onde um


neurônio se comunica com outros.
-A transferência de sinais de um neurônio para outro por
meio de sinapses é denominada transmissão sináptica.
-A transmissão sináptica também ocorre entre neurônios
motores (somáticos, viscerais) e seus tecidos-alvo (músculo
esquelético, músculo cardíaco, músculo liso, glândulas).
Transmissão Sináptica

-Existem duas classes distintas de sinapses, elétrica e


química, porém a maior parte das sinapses encontradas
no sistema nervoso dos mamíferos consiste em sinapses
químicas.
-Com efeito, existe um espaço estreito, denominado
fenda sináptica, entre a membrana pré-sináptica e a
membrana pós-sináptica.
Transmissão Sináptica

-A transmissão sináptica envolve a liberação de um


neurotransmissor dos terminais pré-sinápticos e, em
seguida, a sua ligação a receptores pós-sinápticos.
-Os receptores, em resposta, abrem canais iônicos
específicos, que levam a mudanças no potencial de
membrana pós-sináptico.
Transmissão Sináptica
Transmissão Sináptica

-Os neurotransmissores presentes no sistema nervoso


periférico (SNP) são a acetilcolina (ACh), a norepinefrina e
a epinefrina.
-No sistema nervoso central (SNC), diversas substâncias
químicas atuam como neurotransmissores, incluindo ACh,
aminas, serotonina, dopamina, norepinefrina, epinefrina,
glutamato, aspartato, glicina, ácido γ-aminobutírico
(GABA), peptídios, ocitocina e óxido nítrico.
Transmissão Sináptica

Neurotransmissor Ação
Epinefrina Fuga, luta, aumento da frequência
cardíaca
Norepinefrina Ansiedade, concentração, humor
Serotonina Regula o sono, temperatura, agressividade
GABA Calmante, controle do tônus muscular
Acetilcolina Aprendizado, reduz frequência cardíaca
Dopamina Vasodilatador, sensação de prazer
Glutamato Memória, movimentos, sensações
Ocitocina Contração uterina, ejeção do leite
Transmissão Sináptica

-A acetilcolina é sintetizada a partir da colina e acetil


coenzima A (acetil- CoA) no terminal axônico. Os
neurônios que liberam ACh são denominados neurônios
colinérgicos. Os neurotransmissores aminérgicos (p. ex.,
dopamina, norepinefrina, epinefrina, serotonina,
histamina, tirosina) derivam de aminoácidos.
-Os neurônios que liberam norepinefrina e epinefrina são
denominados neurônios adrenérgicos. O glutamato e o
aspartato são os neurotransmissores excitatórios do SNC.
Os principais neurotransmissores inibitórios no SNC são o
GABA e a glicina.
Transmissão Sináptica
Transmissão Sináptica

-Os neurotransmissores liberados dos locais pré-sinápticos


ligam-se a receptores na membrana pós-sináptica. Os
receptores pós-sinápticos consistem em proteínas
especiais de reconhecimento de sinais.
-Sua ligação a um neurotransmissor modifica a
permeabilidade a íons selecionados através de seus
canais iônicos. Isso possibilita a distribuição dos íons
através da membrana neuronal, de acordo com seu
gradiente eletroquímico.
Transmissão Sináptica
Transmissão Sináptica

-Existem dois subtipos de receptores colinérgicos


(receptores que se ligam à ACh), os receptores nicotínicos
e os receptores muscarínicos. O nome indica
simplesmente que a nicotina é um agonista do receptor
nicotínico, enquanto a muscarina, encontrada em alguns
fungos, é um agonista do receptor muscarínico.
-Os receptores nicotínicos de acetilcolina (nAChRs) estão
presentes no músculo esquelético, bem como nos
sistemas nervosos central.
Transmissão Sináptica

-Os receptores muscarínicos de acetilcolina (mAChRs) são


encontrados no SNC e na divisão parassimpática do
sistema nervoso autônomo.
-A ação da ACh difere, dependendo dos subtipos de
receptores muscarínicos presentes no tecido. A ligação
de neurotransmissores a seus receptores leva à geração
de potenciais graduados pós-sinápticos excitatórios ou
inibitórios.
Sinapses químicas
Sinapses químicas

-As sinapses químicas começam no terminal do axônio da


célula pré-sináptica. Os neurotransmissores que estão
dentro de vesículas são liberados na fenda sináptica. Essas
vesículas são reconhecidas por proteínas específicas que
funcionam como receptores químicos e estão na
membrana pós-sináptica.
-As vesículas se fundem à membrana pós-sináptica e
liberam seu conteúdo, fazendo com que o
neurotransmissor e o receptor do neurônio seguinte se
liguem e transmitam os sinais elétricos.
Sinapses químicas

-As sinapses químicas podem ser excitatórias ou inibitórias.


Se o sinal que a membrana pós-sináptica produzir for de
uma despolarização que inicia o potencial de ação, a
sinapse é do tipo excitatória. Já se o sinal for de
hiperpolarização, o potencial de ação será inibido e esse
tipo de sinapse é inibitória.
-Nas sinapses elétricas, os neurotransmissores não
participam. O sinal elétrico é transferido diretamente de
célula a célula, por junções comunicantes, que são
canais que transportam íons e obtêm respostas rápidas.
Sinapses químicas
Sinapses químicas

-Os neurotransmissores são removidos rapidamente da


fenda sináptica após se desprender de seus receptores.
Isso envolve pelo menos dois processos: (i) inativação
enzimática na fenda sináptica e (ii) difusão para longe da
fenda sináptica.
-A inativação enzimática na fenda sináptica é seguida de
captação subsequente dos constituintes pelo terminal
pré-sináptico para a nova síntese de neurotransmissor.
Sinapses químicas

-Por exemplo, a ACh liberada na fenda sináptica liga-se a


receptores pós-sinápticos e desprende-se rapidamente
antes de ser degradada a colina e acetato pela
acetilcolinesterase (AChE) presente na membrana pós-
sináptica.
-O outro processo para a remoção de neurotransmissores
da fenda sináptica é a difusão. Isso possibilita a entrada
dos neurotransmissores na circulação ou o seu transporte
de volta ao neurônio ou para dentro de astrócitos.
Sinapses químicas

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