I - INTRODUÇÃO - TERMINOLOGIA E OBJETIVOS DO POVOAMENTO FLORESTAL 1.

Terminologia a) Silvicultura - é a ciência que trata do cultivo de árvores, referindo-se às práticas relativas à produção de mudas, plantio, manejo, exploração e regeneração dos povoamentos. b) Floresta - é uma associação predominante de árvores, acrescida de sub-bosque, ocupando considerável extensão de terra, capaz de desenvolver um clima local próprio. c) Mata - é uma floresta de pequena extensão. Diferencia-se do conceito de floresta apenas pela extensão de terra. d) Floresta pura (homogenia)- quando a frequência de uma espécie é de mais de 90%. g) Floresta mista - quando a floresta é formada por mais de uma espécie. d) Floresta nativa (natural) - quando formada sem a intervenção do homem. i) Floresta plantada (artificial) - quando plantada pelo homem. j) Floresta de alto fuste - sua origem e regeneração se fazem por semeadura. k) Floresta de talhadia - a regeneração se faz pela brotação da touça. l) Floresta primária - floresta que se formou ao longo dos estágios sucessionais, sem interrupção. m) Floresta secundária - formada naturalmente após a destruição da floresta primária (capoeira).

1

n) Fuste - é a parte da árvore que vai do colo às primeiras ramificações da copa (tronco). o) Campo - formação vegetal com apenas um estrato de cobertura, constituída principalmente de gramíneas e leguminosas. p) Cerrado - formação vegetal constituída de dois estratos, um de vegetação rasteira e outro com formas arbóreas que raramente ultrapassam 6 metros de altura, apresentando caules tortuosos, com espêssas cascas, folhas coriáceas e aparência xeromórfica. q) Cerradão - formação constituída de três estratos, sendo os dois primeiros semelhante ao cerrado, e o terceiro é formado por árvores de 6 até 20 metros de altura, com melhor forma, possível de se encontrar madeira dura. r) DAP - significa "diâmetro à altura do peito", e é o diâmetro da árvore medido a l,30 m do solo. 2. Objetivos do povoamento florestal (reflorestamento) Um reflorestamento, além dos benefícios econômico-financeiros (madeira, óleos, celulose, látex, resinas, lenha), produz outros considerados de ordem geral, porém não menos importantes: a) Controle à erosão i) Um povoamento florestal pode contribuir para o controle da erosão eólica e hídrica. ii) No caso da erosão eólica, esta ocorre principalmente nas regiões de solos arenosos, onde os ventos passam com alta velocidade, em topos de morros descobertos e em áreas litorâneas. As árvores poderão recobrir a área ou ter a função de quebra-ventos. iii) Para o caso da erosão hídrica, as árvores protegem o solo em três níveis: copa - primeira interceptação das gotas; superfície do solo - onde a manta orgânica amortece as gotas que passam ou caem das copas e ainda dificulta 2

o escorrimento superficial, dando mais tempo para infiltração; no interior do solo - onde o enriquecimento orgânico do solo provocado pela grande quantidade de material orgânico que cai constantemente, aumenta a porosidade, e por conseguinte a capacidade de retenção e absorção. b) Enriquecimento das camadas superficiais do solo As raízes profundas das árvores buscam os nutrientes no sub-solo, depositando-os na superfície quando da queda de folhas, ramos, galhos, flores, frutos, cascas e morte de indivíduos, num processo denominado ciclagem de nutrientes. c) Melhoria das propriedades físicas Os solos sob mata são em geral, bem estruturados, porosos, permeáveis e arejados. d) Ativação da flora e fauna do solo Devido à abundância de matéria orgânica e o arejamento dos solos florestais, nestes, o número de organismos é maior do que nos solos descobertos. e) Regularização da vazão dos cursos d'água e melhoria da qualidade da água As alterações nos cursos d'água que cortam florestas, tais como aumento ou diminuição na vazão, são menores ou mais lentas. A explicação para isso está na maior infiltração de água no solo, que é liberada gradativamente, não provocando inundações e melhorando a qualidade da água. f) Proteção da flora e fauna As matas servem de refúgio e local de alimentação a muitas espécies de animais. Algumas são exclusivamente arborícolas, como a preguiça e muitas espécies de macacos, não sobrevivendo em outras condições. Espécies vegetais, como muitas orquídeas, têm seu habitat nas copas de grandes árvores.

3

g) Influências sobre o clima O ambiente no interior das florestas e próximo a elas geralmente é mais ameno do que nas áreas descobertas, devido à maior umidade provocada pela alta transpiração, e à diminuição dos extremos de temperatura. Entre o dia e a noite as variações do clima são menores nas áreas florestadas. h) Turismo e recreação Em países mais desenvolvidos os parques nacionais, que são reservas de áreas virgens destinadas ao lazer, tem infra-estrutura para atender à população, que deseja se recuperar do desgaste da vida urbana, através dos passeios, pesca, caça, acampamentos. 3. Seleção das espécies para o povoamento florestal (reflorestamento) A seleção das espécies a serem plantas em um reflorestamento, vai depender da sua finalidade e utilização, podendo ser para fins econômicos e financeiros (comercial) ou para recuperação de áreas degradadas, ou de usos múltiplos (sustentável). 3.1. Fins comerciais (madeira, óleos, celulose, látex, resinas, lenha); Como grande parte das espécies com utilização para fins comerciais são largamente estudadas, torna-se mais fácil definir qual a espécie se adapta melhor as condições do local e ser implantado o reflorestamento, assim como ao sua utilização. Em uma análise pode ser optado por espécies nativas ou exóticas, dependendo de uma prévia análise econômica. Também, torna-se necessário analisar da maneira mais precisa possível, os objetivos para os quais deve-se considerar: a demanda, o tipo, quantidade e qualidade dos produtos e outros benefícios desejados; necessidade temporal na qual os diversos produtos serão necessários e aspectos paralelos ao plantio. 3.2. Recuperação de áreas degradadas Neste caso o indicado é a utilização de espécies nativas para uma maior interação com o ambiente, e desta forma maior facilidade para o povoamento florestal. Para tanto, é necessário estudos de inventários florestais para determinar as espécies existentes nos 4

remanescentes florestais, para assim determinar as espécies a serem utilizadas de acordo com seu grupo ecológico, na sucessão florestal. 3.2.1 Inventários florestais O Inventário Florestal é a base para o planejamento do uso dos recursos florestais, através dele é possível a caracterização de uma determinada área e o conhecimento quantitativo e qualitativo das espécies que a compõe. Os objetivos do Inventário são estabelecidos de acordo com a utilização da área, que pode ser área de recreação, reserva florestal, área de manutenção da vida silvestre, áreas de reflorestamento comercial, entre outros. No caso das florestas com fins madeireiros, por exemplo, o inventário florestal visa principalmente a determinação ou a estimativa de variáveis como peso, área basal, volume, qualidade do fuste, estado fitossanitário, classe de copa e potencial de crescimento da espécie florestal. a) Tipos de inventários florestais Inventários florestais de reconhecimento - fornecem informações generalizadas que permitem identificar e delimitar áreas de grande potencial madeireiro, detectar áreas que sejam passíveis de uso indireto (recreação, lazer), indicar áreas com vocação florestal, entre outros. Inventários florestais de Semidetalhe - Este tipo de levantamento é realizado com base nos resultados do inventário florestal de reconhecimento, sendo suas principais características: fornecer estimativas mais precisas relacionadas aos parâmetros da população florestal; ter escala compatível com o nível de informações que se quer obter (normalmente entre 1:50.000 e 1: 100.000); permitir a definição de áreas para exploração florestal através de talhões de tamanhos variáveis normalmente entre 10 e 100 há. Inventário Florestal de Pré-exploração Florestal - É também conhecido como inventário de 100% de intensidade ou de detalhe, sendo suas principais características: mensuração de todos os indivíduos existentes na área demarcada e os cuidados principais relacionados com os erros de medição. Normalmente o mapa dos talhões é confeccionado numa escala que permita estabelecer com precisão o plano de exploração florestal (por exemplo 1:5.000).

5

De um modo geral. 6 . constituída de indivíduos que apresentam características comuns que identificam a população a que pertencem. é importante o conhecimento dos seguintes conceitos: Amostra . Unidade Amostral . em fins de 1958 e início de 1960. em que se torna inviável a medição de toda a área. estes métodos foram introduzidos principalmente pelos técnicos da FAO através da formação dos primeiros engenheiros florestais a partir de 1964 e da primeira quantificação dos recursos florestais na Amazônia brasileira e sul do país. Em 1850 foi realizado um inventário na Birmânia. A teoria da amostragem aplicada em florestas tropicais. com as primeiras publicações a respeito de análises de variância e covariância. é mais fácil do que em florestas heterogêneas como é o caso das florestas nativas. numa área de floresta tropical.A unidade amostral é o espaço físico sobre o qual são observadas e medidas as características quantitativas e qualitativas da população. No Brasil. ela deve possuir as mesmas características básicas da população. tratando-se de uma ferramenta que permite avaliar uma porção representativa da área. Intensidade Amostral . pois neste caso os custos são mais elevados. uma vez que há necessidade de uma maior intensidade amostral. ou também pode ser expressa pela razão entre a área amostrada e a área total da população. É importante garantir que a amostra seja representativa da população.É a razão entre o número de unidades da amostra e o número total de unidades da população. a amostragem realizada em florestas homogêneas como é o caso de reflorestamentos. utilizando-se o procedimento de amostragem sistemática. As unidades amostrais podem ser constituídas por parcelas de área fixa. no que diz respeito à variável a ser estimada.b) Amostragem A amostragem é o processo mais eficiente e utilizado no Inventário Florestal.A amostra pode ser definida como uma parte da população. sendo utilizada em grandes áreas de florestas. As técnicas de amostragem aplicadas em inventário florestal tiveram grande impulso na década de 30. surgiu no século XIX no Sudeste Asiático. pontos amostrais ou árvores. Para facilitar a compreensão de amostragem.

essenciais para o desenvolvimento das espécies dos estágios posteriores de sucessão (Não Pioneiras). 3. com a cicatrização de locais perturbados ou clareiras que surgem a cada instante em diversos pontos da mata.método em que a seleção dos indivíduos é feita proporcionalmente à área da unidade e à freqüência dos indivíduos que nela ocorrem. o qual estabelece o método de seleção. Em uma regeneração natural ou reflorestamento são estas espécies que criam condições de sombreamento. 7 . que ocorre por meios naturais quando surgem clareiras na floresta tropical por queda ou morte de árvores. A não exigência de conhecimentos especializados para sua implantação no campo e o perfeito controle das informações obtidas parecem ser os maiores argumentos para a preferência deste método. germinam e se desenvolvem em pleno sol. A) Espécies Pioneiras (compreende também as espécies secundárias iniciais): de rápido crescimento. A seleção desta unidade amostral é feita de acordo com um critério probabilístico previamente definido.2 Grupo ecológico na sucessão florestal Conceito criado de acordo com o comportamento das espécies florestais nos processos de sucessão ecológica. Tal mecanismo é responsável pela autorenovação das florestas tropicais. É o mais antigo e conhecido método de amostragem. Existem vários métodos de amostragem.C) Métodos de amostragem Entende-se por método de amostragem a abordagem referente a uma unidade amostral. suas sementes germinam à sombra e em geral são tolerantes à sombra para se desenvolver. B) Espécies Não Pioneiras (compreende as espécies secundárias tardias e as espécies climáx): crescem mais lentamente do que as pioneiras. São características do dossel da floresta e aparecem em grande número de espécies sendo as principais responsáveis pela alta diversidade das florestas tropicais.2. destacando-se entre eles: Método da Área Fixa .

bordas secundárias.° reprodução (anos) prematura (1 a 5) prematura (5 a 10) Tempo de vida muito curto (anos) (menos de 10) curto (10 a 25) longo (25 a 100) Muito longo (mais de 20) Ocorrência florestas secundárias e florestas florestas secundárias em capoeiras. de clareiras e bordas de sucessão. restrita (gravidade) Tamanhos de frutos e sementes pequeno pequeno à médio grande e pesado mas sempre leve sem relativamente tardia (10 a 20) inata (imaturidade do embrião) tardia (mais de 20) Dormência das induzida (foto ou sem sementes termorregulada) Idade da 1. clareiras primárias. pelo vento. Características de espécies arbóreas nativas que compõem os diferentes grupos ecológicos. florestas clareiras médias clareiras clareiras. estágio avançado de de matas. pelo vento. ampla (zoocoria: poucas principalmente espécies de pelo vento animais). a grande distância médio ampla (zoocoria: grandes animais). Características Crescimento Madeira Tolerância à sombra Altura das árvores (m) Regeneração Climáticas lento ou muito lento mediamente dura dura e pesada tolerante no estágio juvenil 20 a 30 (alguns até 50) banco de plântulas tolerante 30 a 45 (alguns até 60) banco de plântulas muito intolerante intolerante 4 a 10 banco de sementes ampla (zoocoria: alta diversidade de animais). Grupo Ecológico Pioneiras muito rápido muito leve Secundárias Iniciais rápido leve Secundárias Tardias médio do Brasil. bordas primárias. dossel e sube grandes pequenas. a grande distância 20 banco de plântulas Dispersão de sementes restrita (gravidade). dossel pequenas bosque floresta e subbosque 8 .Tabela 1.

Em geral. Como o tamanho das sementes de certas espécies dificulta os trabalhos na formação de mudas. 1. Embora as diferenças no tamanho. As inúmeras espécies florestais apresentam sementes de tamanho variável. às vezes. para homogeneização da germinação e padronização das mudas. Entretanto. o que muitas vêzes é considerado um problema nos viveiros. Existem também. porém. Sementes O mercado interno de produção de sementes florestais é suficiente para suprir as necessidades de consumo. Isso diminui as perdas de viveiro. sem embrião. é interessante que se faça a separação das sementes por tamanho. desaparecendo com o passar do tempo no campo. o desenvolvimento do fruto e da semente ocorrem simultaneamente e de forma sincronizada. grandis por exemplo. pois após a fertilização. não consegue completar seu desenvolvimento. Para E. denominado peletização. De um modo geral. como a seleção na repicagem. e algumas muito diminutas como aquelas do gênero Eucalyptus. processo conhecido como partenocarpia. isso afeta o crescimento apenas na fase de viveiro. que não altera a porcentagem de germinação.Produção de mudas e viveiros florestais 1. Pomares de Sementes e Bancos Clonais. isto é. utiliza-se um processo de aumento do seu tamanho. frutos partenocárpicos que possuem óvulos maduros não fecundados. isto nem sempre ocorre. especialmente para espécies do gênero Pinus e Eucalyptus. as sementes maiores germinam e produzem mudas mais rapidamente.II . nem o tamanho da semente nem o da muda influenciaram no crescimento de campo. o embrião inicia seu crescimento.1 Dormência das sementes O desenvolvimento da semente é o resultado normal do processo de polinização. através de áreas de produção de Sementes. O crescimento do fruto 9 . Entretanto. Alguns frutos podem desenvolver sementes sem que a polinização e a fertilização tenham ocorrido. trabalhos tem verificado que em geral. com a adição de cola ou substância inerte. Isto pode estar relacionado com as condições fisiológicas que envolvem o endosperma.

para algumas espécies.envolve a divisão celular. representada pela emergência das plântulas em intervalos irregulares. que ocorre quando as sementes estão maduras e se as condições ambientais forem adequadas. a dormência embrionária é superada pela luz vermelha do espectro. compostos nitrogenados. Nas sementes polimórficas. aquelas espécies cujas sementes amadurecem durante o inverno e que produzirão plântulas somente na primavera. pois o inverno as exterminaria. a germinação é distribuída no tempo. a temperatura (20°C a 30ºC) e. A germinação. 10 . além de que muitas vezes. Em muitos casos. c) As sementes de muitas espécies entram em estado de dormência chamada de embrionária. a luz. é pobre em componentes do espectro vermelho. através da dependência de sua superação por fatores ambientais. aumentando a probabilidade de sobrevivência da espécie. da espessura do tegumento das sementes. culminando com o rompimento do tegumento da semente e o aparecimento de uma nova planta. como exemplo. pela distribuição da germinação ao longo do tempo. produzidas pelo ambiente. aumentando a probabilidade de alguns indivíduos sobreviverem. sais minerais e substâncias de crescimento. carboidratos. com o passar do tempo estas sementes vão superando-a vagarosamente. a semente fica localizada sob a cobertura morta do solo onde a luz não penetra. As condições básicas requeridas para a germinação das sementes são a água. fenômeno conhecido como polimorfismo ou heteromorfismo. e por causas genéticas. o oxigênio. elongação e diferenciação. O impedimento estabelecido pela dormência se constitui numa estratégia benéfica. que nas condições naturais da floresta. e requer água. b) A dormência também pode proporcionar a distribuição da germinação ao longo do tempo. através de três formas: a) As sementes são dispersas da planta matriz. Contudo. quando em presença de condições desfavoráveis para germinação. a incidência de luz que atinge o solo. A escassez de um ou mais desses elementos diminui a taxa de crescimento. podendo-se citar. Estas variações são caracterizadas morfologicamente através da cor. do tamanho. é o processo de reativação do crescimento do embrião. os quais se distribuem no tempo. uma vez. tais como altas ou baixas temperaturas. em diferentes estágios de dormência.

As sementes de várias espécies desenvolvem mecanismos complexos. a dormência é iniciada durante o desenvolvimento da semente. Contudo.2 Categorias de dormência a) Dormência tegumentar ou exógena As sementes viáveis de algumas espécies não germinam. e está relacionada com a impermeabilidade do tegumento ou do pericarpo à água e ao oxigênio. b) Dormência embrionária ou endógena Quando a remoção do tegumento de uma semente viável não permite que esta germine. nos quais partes do eixo embrionário diferem na intensidade da dormência. ou presença de mecanismo de inibição fisiológica que o impedem de desenvolver-se.1. a 11 . Neste caso. a dormência pode ser induzida quando as sementes já se encontram maduras. ou com a resistência mecânica do tegumento ou do pericarpo ao crescimento do embrião. Esta categoria de dormência é mais comum nas espécies florestais. citam se as sementes de Rapanea ferruginea (capororoca) e Ilex paraguariensis (erva-mate). caracteriza-se a dormência embrionária. Nestes casos. podendo ser devida à ocorrência de embrião imaturo. ou seja. Como exemplo. sendo conhecido como dormência imposta pelo tegumento. Porém. chamados de dormência epicotelial. especialmente nas da familia das Rosaseae. mesmo sob condições favoráveis. Em algumas outras espécies. a radícula se desenvolve e o epicótilo não.1. o embrião destas quando isolado. germina normalmente. As duas categorias de dormência podem ocorrer simultaneamente ou sucessivamente nas sementes de uma mesma espécie. nas condições da floresta. Mimosa regnellii (juquiri) e Mimosa bimucronata (maricá). podem-se citar as sementes de espécies leguminosas. As sementes são ditas com dormência quando são dispersadas da planta matriz em estado dormente. em muitos casos. com a presença de inibidores químicos no tegumento ou no pericarpo. Como exemplo. e isto ocorre quando são colocadas para germinar sob condições desfavoráveis de aeração. podem minimizar este tipo de dormência ao degradarem o tegumento das sementes. tais como a cumarina ou o ácido parasórbico. que é devida a causas que envolvem o embrião. temperatura ou luminosidade. como Mimosa scabrella (bracatinga). Esta é a mais comum das categorias de dormência. Os fungos e as bactérias presentes no solo. a semente é dormente porque os tecidos que a envolvem exercem um impedimento que não pode ser superado.

3 Causas da dormência a) Dormência tegumentar ou exógena A germinação das sementes é bloqueada pelos seguintes fatores: 1) Interferência na absorção de água: as sementes das famílias das Leguminosae. o contacto dos cotilédones com o substrato úmido proporciona a distribuição do inibidor químico para o meio. Convolvulaceae. contudo. 3) Interferência nas trocas gasosas: os tecidos impermeáveis que circundam o embrião limitam sua capacidade de trocas gasosas. bloqueando a germinação. necessitando se da lavagem das sementes para sua remoção e superação da dormência. localizados no tegumento e no embrião. inibindo toda a semente e mantendo-a dormente. superando a dormência. ao invés de se dispersarem no meio. 2) Impedimento mecânico: vários tecidos ao redor do embrião são extremamente resistentes. o que permitiu que o mesmo se desenvolvesse. o que representa o caso de dormência dupla.1. (Bewley & Black -1994). b) Dormência secundária ou embrionária Existem dois fatores envolvidos na dormência secundária: os cotilédones e as substâncias inibidoras da germinação. 4) Presença de inibidores: foram encontrados. que são retidos pela semente embebida. o tegumento parece ter efeito inibidor químico mais intenso do que mecânico. em alguns casos. Em alguns casos. o embrião produz a enzima mananase que enfraquece o tecido resistente. Malvaceae e Chenopodiaceae apresentam na testa camadas de um tecido chamado de osteosclereides. inibidores químicos de diferentes classes. Cannaceae. mantendo-a dormente. confirmando que os cotilédones aparentemente exercem algum efeito inibidor da germinação sobre o eixo embrionário. e se o embrião não consegue penetrá-los não germinará. Entretanto. Provavelmente. 1. 12 . impedindo a entrada do oxigênio.radícula apresenta alguma dormência. que impede a entrada de água e atrasa a germinação por vários anos. nas sementes de muitas espécies. A constatação disto foi feita através da amputação dos cotilédones do embrião dormente. porém em menor intensidade que a do epicótilo. limitante à germinação.

1. b) Dormência embrionária ou endógena 1) Estratificação a frio As sementes de algumas espécies florestais apresentam embrião imaturo. A simples imersão das sementes em água. Normalmente utiliza-se 13 . que normalmente é decorrente de longos períodos de armazenamento. pois sementes com impurezas comprometem a eficiência do tratamento.1.4 Métodos para a superação da dormência a) Dormência tegumentar ou exógena 1) Escarificação ácida As sementes são imersas em ácido sulfúrico. e que causa a secagem excessiva das sementes. 2) Escarificação mecânica Este método tem se mostrado bastante eficaz para a superação da dormência de algumas espécies florestais. O procedimento consiste. sem contudo estarem dormentes. Para a estratificação. em especial as leguminosas. de acordo com cada espécie. necessitando de estratificação para completar seu desenvolvimento. em submeter as sementes a abrasão. variável entre espécies. impedindo-as de absorver água e iniciar o processo germinativo. 2) Imersão em Água Imersão em água quente: a imersão em água quente constitui-se num eficiente meio para superação da dormência tegumentar das sementes de algumas espécies florestais. sendo então lavadas em água corrente e colocadas para germinar. como o tempo de exposição das sementes à escarificação e a pureza do lote. A água é aquecida até uma temperatura inicial. por um determinado tempo. onde as sementes são imersas e permanecem por um período de tempo também variável. o meio em que as sementes serão colocadas deve apresentar boa retenção de umidade e ser isento de fungos. elimina o problema. através de cilindros rotativos. à temperatura entre 19ºC e 25ºC. são necessárias algumas precauções. à temperatura ambiente (25ºC) por 24 horas. Imersão em água fria: sementes de algumas espécies apresentam dificuldades para germinar. Para que se obtenham resultados positivos na utlização do processo. que varia em função da espécie. proporcionando condições para que absorva água e inicie o processo germinativo. forrados internamente com lixa o que irá desgastar seu tegumento. que não germina em condições ambientais favoráveis. basicamente.

meio de crescimento. algumas germinam com extensa exposição à luz. O recipiente em que será colocado o meio. com temperaturas ambientais mais baixas. a germinação das sementes de algumas espécies é inibida pela luz.2 Fatores ambientais que influenciam a germinação Conhecer e controlar os fatores ambientais permite otimizar a quantidade. O período de estratificação varia de 15 dias para algumas espécies. alelopatia. As sementes são colocadas entre duas camadas de areia com 5 cm de espessura. Os principais fatores do ambiente que influem na germinação são: luz. pois se forem secas poderão ser induzidas à dormência secundária.0 mm de diâmetro (média) para facilitar a posterior separação das sementes por peneiragem. e temperaturas baixas (2ºC a 4ºC) por outro período. 1. c) Dormência combinada Algumas espécies apresentam sementes com dormência tegumentar e embrionária. as sementes devem ser semeadas imediatamente. temperatura.areia bem lavada que apresente grãos em torno de 2. A estratificação quente e fria visa reproduzir as condições ambientais ocorridas por ocasião da maturação dos frutos. enquanto que em outras a germinação é estimulada. até 6 meses para outras. água. submete-se a semente inicialmente ao tratamento de superação da dormência tegumentar. 2) Estratificação quente e fria A maturação dos frutos de algumas espécies ocorre no final do verão e início do outono. deve permitir boa drenagem evitando-se a acumulação de água no fundo o que causa o apodrecimento das sementes. outras com breve exposição e 14 . recipiente. A temperatura requerida para a estratificação a frio está entre 2oC e 4oC. apenas a estratificação a frio é suficiente para superação de ambas. nutrientes. para superar a dormência embrionária. fauna e micro-organismos. a) Luz Existe grande variação na resposta das sementes à luminosidade. Nestes casos. O procedimento é exatamente o mesmo descrito para a estratificação a frio. alterando-se temperaturas altas (25ºC por 16 horas e 15ºC por 8 horas) por um período. e a seguir. velocidade e uniformidade da germinação e produzir mudas vigorosas de baixo custo. Uma vez encerrado o período de estratificação. que pode ser obtida em uma geladeira ou câmara fria. Em alguns casos.

disponibilidade de água. A alternância de temperatura corresponde. A velocidade de germinação e uniformidade de emergência diminuem com temperaturas abaixo da ótima e temperaturas acima da ótima aumentam a velocidade de germinação. A germinação de cada espécie depende da temperatura e ocorre dentro de limites definidos (mínimo. (Nassif et al. consequentemente. com o número de poros distribuídos sobre a superfície do tegumento. c)Água A água é o fator de maior influência sobre o processo de germinação. esta.. Há espécies que respondem bem tanto à temperatura constante como à alternada. A temperatura ótima de germinação de espécies tropicais encontra se entre 15º C e 30ºC. temperatura. cuja hidratação é uma de suas primeiras conseqüências.outras se apresentam indiferentes à luminosidade. Por outro lado. ótimo e máximo). é um importante fator controlador da germinação. 15 . A velocidade de absorção de água varia com a espécie. algumas germinam somente no escuro. a germinação está relacionada também com a qualidade de luz.. O movimento da água para o interior da semente é devido tanto ao processo de capilaridade quanto de difusão e ocorre do sentido do maior para o menor potencial hídrico. 1998). (Nassif et al. que caracterizam sua distribuição geográfica. 1998). ocorre a reidratação dos tecidos e. outras necessitam de um longo ou curto fotoperíodo diário. 1998). o excesso de umidade pode provocar decréscimo na germinação. composição química e qualidade fisiológica da semente. Com a absorção de água. embora somente as sementes mais vigorosas consigam germinar. pois impede a penetração do oxigênio e reduz todo o processo metabólico resultante. que resultam com o fornecimento de energia e nutrientes necessários para a retomada de crescimento por parte do eixo embrionário. Geralmente os fatores luz e temperatura têm efeito interativo sobre a germinação de sementes fotossensíveis (Nassif et al. b) Temperatura A temperatura pode afetar as reações bioquímicas que determinam todo o processo germinativo. a intensificação da respiração e de todas as outras atividades metabólicas. por embebição.. provavelmente. forças intermoleculares. a máxima entre 35º C e 40º C e a mínima pode chegar 0º C. à uma adaptação às flutuações naturais do ambiente. área de contato semente/água. pressão hidrostática. durante a maturação da semente. A embebição é essencialmente um processo físico relacionado às características de permeabilidade do tegumento e das propriedades dos colóides que constituem as sementes.

pássaros. degradando o tegumento das sementes (Fowler e Bianchetti. ou mesmo levá-la à morte após a germinação. j) Micro-organismos Os fungos e as bactérias presentes no solo tanto podem impedir a conclusão da germinação. aeração das raízes. ou podem romper o tegumento impermeável e facilitar a germinação. mas as plantas lenhosas que crescem em terra firme necessitam de solo bem aerado com boa disponibilidade de oxigênio e muitas plantas que suportam períodos de submersão só germinam durante períodos mais secos (Kramer e Kozlowski. umidade. podem estar presentes no substrato e impedir a germinação. 1972).etc. Imersão em água fervente. luz e têm influência sobre a conformação do sistema radicular em desenvolvimento. seguida de repouso na mesma água. g) Nutrientes Influenciam diretamente o desenvolvimento da nova plântula.d) Gases Entre os gases que influenciam a germinação estão o O2 e o CO2. fora do aquecimento por 24 horas. Tabela 2. entre outras. herbívoros. roedores. de gases e de nutrientes e age sobre a temperatura. ou deformar a plântula. por 36 segundos 16 . como podem minimizar a dormência tegumentar. lagartas. Tratamentos para superar arbóreas Nome vulgar Espécie Acácia Acacia auriculiformis auriculiformis Acácia mangium Acacia mangium a dormência de sementes de algumas espécies Tratamento para superação da dormência Imersão em água a temperatura inicial de 80ºC. A necessidade de oxigênio para a germinação varia de espécie para espécie. retardar o crecimento. 2000). h) Inibidores bioquímicos Substâncias alelopáticas. podem danificar as sementes impedindo a germinação ou dificultando-a. e) Meio de crescimento (substrato) Têm influência sobre a disponibilidade de água. f) Recipiente Age principalmente sobre a temperatura. i) Fauna Formigas.

Imersão em água a 100 ºC e permanência fora do aquecimento por 24 horas. Imersão em água parada por 15:00 h Imersão em água à temperatura ambiente por 10 dias. Imersão em água parada por 4:00 h Escarificação mecânica.5 min Imersão em água à temperatura ambiente (25ºC) por 48 horas. Imersão em H2SO4 por 3 minutos seguido de lavagem em água corrente.12:00 h Escarificação mecânica por 2 segundos. Água . sorbilis Syagrus oleracea Aspidosperma ramiforum Ocotea porosa Zeyhera tuberculosa Hymenaea stilbocarpa Leucena leucocephala Cordia trichotoma Mimosa bimucronata . Água ( 80o C ) . ou Imersão em água por 96 horas. Imersão em água à temperatura inicial de 80ºC. Remoção da polpa e lavagem em água corrente. Imersão em água a 90ºC e permanência fora do aquecimento por 24 horas. Ácido Sulfúrico . ou estratificação.Ambiente . Imersão em água fervente e manutenção por 12 horas na mesma água. ou Escarificação mecânica por 4 segundos. Imersão em água.5 min Corte do tegumento na extremidade oposta ao eixo embrionário. Estratificação em areia úmida por 150 dias. Remoção da casca do fruto e lavagem em água corrente. Imersão em água a 80ºC por 1 minuto e 17 Acer Amendoim. seguida de repouso na mesma água fora do aquecimento por 24 horas. seguida da lavagem rápida das sementes. Acácia trinervis Acacia melanoxylon Acacia senegala Acacia podalyriaefolia Acacia mearnsii Escarificação mecânica com lixa. por 48 horas.Acácia trinervis Acácia-assisbrasil Acáciagomífera Acácia-mimosa Acácia-negra Acacia longifolia. Despolpar os frutos recém-colhidos.do campo Angelim da mata Aroeirapiriquita Boleira Canjarana Cerejeira Copaíba Erva-mate Flamboyant Goiaba Guaraná Guariroba Guatambu Imbuia Ipê-felpudo Jatobá Leucena Louro-pardo Maricá Acer negundo Pterogyne nitens Hymenolobium excelsum Schinus molle Joannesia princeps Cabralea canjerana Amburana cearensis Copaifera langsdorffii Ilex paraguariensis Delonix regia Psidium guajava Paulinia cupana var.20 min. por 2 minutos. Estratificação por 90 dias a 5ºC em areia úmida. Estratificação em areia por 15 dias. Corte do tegumento na extremidade do ponto de inserção na vagem. Trincagem do tegumento da semente. em lixa de óxido de aluminio nº 80. Ácido Sulfúrico .

2. necessitando-se para isso produzir mudas de rápido crescimento.1. Imersão em água por 24 horas.45 segundos Escarificação Mecânica Imersão em água à temperatura ambiente (25ºC) por 48 horas. Substrato Os tipos de substratos utilizados no enchimento das embalagens são variados: a) acículas de pinus b) areia c) bagaço de cana curtido ou carbonizado d) cama de frango e) casca de arroz carbonizada f) esterco de gado curtido g) folhas de eucalipto curtidas h) galhos de eucalipto carbonizados i) moinha de carvão vegetal j) serragem curtida k) terra argilosa l) terra de sub-solo m) terriço n) turfa palhosa ou argilosa 18 . Ácido Sulfúrico . e 50 dias de frio (0 a 5ºC). sadias e vigorosas. Escarificação mecânica por um minuto e germinação a 25ºC de temperatura.Palmeira-inajá Palmiteiro Pau ferro Pau marfim Pau-jacaré Pinus Maximiliana regia Euterpe edulis Caesalpinia leiostachya Balfourodendron riedelianum Piptadenia gonoacantha Pinus taeda permanência fora do aquecimento por 18 horas. 2. Despolpamento dos frutos. Sistema de produção de mudas em recipientes O sistema de produção de mudas tem o objetivo de garantir a sobrevivência das mudas no campo.

19 . O canteiro deve ser molhado duas horas antes. Sistema de repicagem Esse sistema só deve ser utilizado para espécies que suportem bem o trauma radicular.5 cm. sendo conveniente passar a terra em peneira com malha de no máximo 2 mm de diâmetro. É recomendável que se faça pulverização com fungicidas para evitar principalmente tombamento. que se possível deve ser desinfestada. Após a semeadura aplica-se fina camada de terra peneirada. deixados à sombra até a transferência para as embalagens. cerca de 10 a 15 dias após a germinação.2. Assim. Para os eucaliptos. nematóides e insetos. já se sabe que não pode ser aplicado para Araucaria angustifolia e Eucalyptus citriodora. a repicagem é feita quando as mudas atingem 3 a 5 cm de altura ou 2 pares de folhas.m -2 é o ideal. embora na primeira espécie seja possível realizar a repicagem se for feita quando a radícula tiver sido recém emitida. As mudas são estocadas em recipientes com água. Pode-se usar casca de arroz em camada de 0. ou de acordo com a necessidade. Consiste na semeadura em canteiros com posterior repicagem para embalagens individuais. a repicagem só é recomendada para lotes de sementes com germinação inferior a 75%. As irrigações são feitas em geral duas vezes ao dia.o) vermiculita 2 a 3 mm 2. Para eucalipto. e no ato do arrancamento faz-se a seleção e a poda de raízes. O substrato dos canteiros de semeadura podem ser resultado de mistura de terra com areia e argila para permitir boa drenagem e arejamento. e fazer controle de ervas daninhas. por aproveitar melhor o espaço e fechar rapidamente o canteiro. Para os pinheiros tropicais. podendo-se ainda fazer uma cobertura morta para manter a umidade e evitar alta temperatura. sendo esta última a mais aplicada. em geral 30 a 40 g de sementes. Estando o substrato nivelado e úmido procede-se a semeadura. ou dois pares de folhas. que pode ser em sulcos ou por distribuição uniforme.

. o objetivo é a redução da área transpirável). 20 . Em seguida vai-se molhando o canteiro e recobrindo. mantendo-se a muda mais vigorosa. distribuindo-se as sementes de eucalipto em número de 3 a 6 unidades por embalagem. Prepara-se os canteiros com as embalagens. A irrigação é feita sempre que necessário. aplica-se fina camada de terra e cobertura morta.3. Após esta operação. De preferência fazer a separação por tamanho. como: a aplicação de NaCl em água de irrigação. A irrigação deve suprir as necessidades. Entretanto. eliminar o ar. et al. pode-se fazer a sua repicagem para embalagem. O raleamento deve ser feito com o canteiro úmido. a poda da parte aérea com redução de 1/3 da porção superior. quando as mudas tiverem dois pares de folhas procede-se o raleamento.dia-1. e gradativamente os canteiros devem ser descobertos para rustificação e aclimatação. redução das folhas dos 2/3 inferiores das mudas (nestes dois últimos. no intuito de gerar nas mudas um potencial hídrico muito baixo. 2. que são os procedimentos menos onerosos e mais práticos. aplicação de antitranspirante a partir de 20 dias antes do plantio na proporção de 1:7 (GOMES. bracatinga. de modo a se evitar a incidência de fungos patogênicos e de sementes de plantas invasoras.Ao colocar a muda na embalagem deve-se ter a precaução de não deixar a raiz dobrada. na dosagem de 1 mg planta. favorecendo maior força de absorção a nível radicular. que podem ser enchidas com terra de sub-solo. como o pinus. No caso de haver mais de uma muda nessas condições. outras atitudes podem ser tomadas. Sistema de semeadura direta Este método vem sendo bastante utilizado. e não cobrir o colo. semeia-se 1 a 2 sementes por recipiente. Para a semeadura rega-se o canteiro previamente. araucária. Pulverizações periódicas para controle de fungos patogênicos devem ser feitas. pau-de-balsa e guapuruvú. com o acréscimo necessário de adubo para contrabalançar a baixa fertilidade natural deste substrato. 1996). De um modo geral para as espécies florestais. além da redução dos níveis de irrigação. sendo viável para muitas espécies. eucalipto. devendo ser utilizado para as espécies que não toleram trauma no sistema radicular. Para pinus. com ou sem aplicação de defensivos e adubos.

Enxertia . ou sofreram estresse. A enxertia constitui um dos processos de propagação que consiste em se fazer com que um fragmento de uma planta. 2. 21 . embora para este último haja muita incompatibilidade entre o enxerto e porta-enxerto. se solde a uma outra planta.Quando as mudas apresentarem 25 cm de altura estarão prontas para serem levadas ao campo. o conjunto constitua um único indivíduo vegetal em que ambas as partes que o compõem. e está sendo difundida rapidamente entre as empresas florestais que trabalham especialmente com eucalipto. A principal dificuldade da estaquia é a capacidade de regeneração dos tecidos e emissão de raízes. micropropagação. Apresenta a vantagem do uso de propágulos de árvores adultas selecionadas.Esta técnica permite formar povoamentos com características genéticas superiores num curto espaço de tempo. microestaquia e miniestaquia. facilitando o controle de polinização e colheita de sementes. Estaquia . constituindo um único indivíduo. a planta resultante reproduz toda a composição genética da progenitora. Para aquelas produzidas em embalagens. passem a viver em auxílios mútuos ou recíprocos. eliminando-se assim a parte enovelada das raízes. Sistema por propagação vegetativa Na propagação vegetativa.Este método é mais comum para a montagem de bancos e pomares clonais de pinus e eucalipto. Se as mudas foram muito movimentadas. o que é de grande importância nos programas de melhoramento. devem se recuperar por 4 a 5 dias antes de serem remetidas ao campo. Promove-se então a classificação por classes de altura. enxertia. o que possibilita a formação de árvores menores e copas abundantes. que varia entre e dentro de espécies e híbridos. capaz de se desenvolver em um rebento ou broto. Neste sistema encontram-se quatro técnicas: estaquia. em larga escala. podendo ser da mesma variedade ou de variedade e espécies diferentes. e que guardam entre si relativa interdependência. de modo que. A planta enxertada é portanto uma associação de duas plantas.4. em se desenvolvendo. faz-se o corte do fundo dos saquinhos.

pode auxiliar em programas de melhoramento. além da antecipação em décadas. possibilitando. dos resultados finais. g) facilidade de decomposição no solo. grande economia. É uma técnica que oferece excelentes possibilidades para a propagação comercial de plantas. e) permeabilidade às raízes. d) facilidade de acondicionamento para transporte. h) permitir o plantio mecanizável.5. Como técnica de clonagem comercial.Micropropagação ou cultura de tecidos . é de fundamental importância a escolha da embalagem. em curto espaço de tempo e em reduzida área de laboratório. Algumas características do recipiente devem ser observadas na sua escolha: a) resistência ao período de encanteiramento. 2. Recipientes Sendo que o tipo de recipiente influi diretamente na formação do sistema radicular da muda e nas respostas à luminosidade. possibilita a obtenção de grande número de plantas a partir de poucas matrizes. i) ter custo acessível.Técnica que utiliza alta tecnologia. c) facilidade de manuseio. b) facilidade do preenchimento com substrato. consiste em se produzir brotos e raízes por meio de células retiradas de órgãos de plantas. f) boa capacidade de retenção de umidade. como também. e tratadas em ambiente asséptico contendo meio com substâncias estimulantes. neste último caso. A taxa de multiplicação deste método é mais elevada do que nos outros sistemas de multiplicação. 22 .

sacos de polietileno (D). 23 . resultando em falhas pós-plantio. devido à necessidade de retirar o plástico.Tipos de recipientes para produção de mudas: paper-pot (a). pela facilidade de manuseio e disponibilidade em várias dimensões. Apesar disso. d) queda no rendimento da operação de plantio mecanizado. b) a quantidade de substrato utilizado dificulta o transporte e manuseio no campo. tubos de polietileno (c). bandejas de isopor (b). o que exige área de armazenamento para que não haja solução de continuidade em períodos chuvosos. As embalagens mais utilizadas na silvicultura brasileira são: a) Saco plástico É um recipiente ainda utilizado na produção de mudas de pinus e eucalipto. c) necessidade de que o substrato esteja seco para o enchimento.A B C D E Figura 1 . destacam-se algumas desvantagens: a) espiralamento do sistema radicular. fértil-pot (f).

devem ser no mínimo de 14 cm de altura por 5. outro recipiente de menor tamanho não teria nutriente necessário para manter o seu desenvolvimento. a embalagem deverá sempre ter maior comprimento do que largura. e desta forma. ressente-se mais cedo do crescimento em altura do que do crescimento em diâmetro. É importante lembrar que a muda colocada em embalagem plástica.1 cm de diâmetro. Para mudas de espécies nativas o saco plástico é bastante utilizado devido às mudas necessitarem de maior tempo de viveiro. 24 . chegaram a esta conclusão e determinaram que as dimensões das embalagens para produzir mudas de Tabebuia serratifolia (ipê-amarelo).Pedras irregulares Figura 2 – Preenchimento de recipiente “sacos plásticos” para produção de mudas. Hoje é utilizado para outras espécies. copaíba ou pau-d'óleo (Copaifera langsdorffii) e angicovermelho (Piptadenia peregrina) com 20 cm de altura aos 90 dias. GOMES et al. b) Tubos de polietileno Este tipo de embalagem foi inicialmente utilizado pela Aracruz Florestal no Espirito Santo. Portanto. e foi difundido com rapidez no Brasil para produzir mudas de eucalipto.

Muda produzidas em tubos de polietileno (tubetes). b) menores problemas com o enovelamento das raízes. e na ponta é perfurado para que as raízes não cresçam demais. de metal ou mesmo de polietileno. d) maior quantidade de mudas transportadas do viveiro para o campo por viagem. Apresenta arestas internas que evitam enovelamento. 25 . cada tubete tem em geral 127 mm de comprimento por 28 mm de diâmetro na parte superior e se afunila no sentido da parte inferior (56 cc). e) menor peso e maior facilidade de manuseio aumentando o rendimento das operações de plantio. c) possibilidade de mecanização no plantio. que tem como suporte bandejas de isopor. Estas medidas variam segundo os objetivos da produção das mudas. Para eucalipto. Esta embalagem apresenta as seguintes vantagens: a) possibilidade de mecanização da semeadura.Figura 3 . Consiste em um tubete individual.

de acordo com o tempo de duração da produção das mudas: permanentes .Figura 4 . com construções definitivas de casas. devese ter o cuidado no planejamento. e por isso possuem características próprias. galpões. como boa localização. Os viveiros podem ser separados em dois tipos. sendo esse seu principal objetivo. em área geralmente menor. com a rede viária e elétrica. irrigação com regadores ou aspersores se possuir conjunto mecanizado. além da facilidade de mão-deobra . Disponibilidade de água Devido ao alto consumo do viveiro. onde se concentram as operações na produção de mudas de essências florestais. depósitos. a produção será por tempo limitado. observar os seguintes aspectos: 3. canteiros e sistema de irrigação.Muda de pinus produzida em tubete.são aqueles destinados à produção de mudas permanentemente. utensílios e técnicas apropriadas.3. 3.2. devendo-se pois. suas instalações são rústicas. sendo instalados próximos às áreas de plantio para diminuir custos de transporte.temporários . Definição e tipos de viveiros Viveiro florestal é definido simplesmente. Solo O solo deve ter boas propriedades físicas e profundidade suficiente para permitir a drenagem adequada. de preferência com a fonte situada à montante.nesse caso. 3. com canteiros simplesmente elevados com relação ao solo. 3. Localização O local deve fornecer as facilidades necessárias ao sucesso dessa atividade.1. 26 . a água deve estar disponível em quantidade e qualidade. como sendo uma área delimitada de terreno contendo um conjunto de instalações.

27 . alem de ficarem pegajosos quando molhados e duros quando secos.6. 3. Neste caso. Observar este fator é relevante quando se utiliza o próprio solo do viveiro para preparação de mudas de raízes nuas. raízes e pedras. de modo a permitir a divisão da área. 3. as dificuldades podem ser superadas forrando-se o fundo dos canteiros e carreadores com materiais permeáveis como brita ou cascalho. sendo portanto os preferidos. o sistema de produção. há facilidade de escoamento de águas das chuvas. As mudas são susceptíveis a danos físicos provocados por ventos frios. Facilidade de acesso A retirada das mudas geralmente é feita na época chuvosa. dentre eles o programa anual de produção de mudas. sendo portanto necessário que haja boas estradas para saída e entrada de pessoal e material.4. Exposição de face do terreno No hemisfério sul deve ser evitada a face sul. por ser menos iluminada e mais sujeita aos ventos frios. Área A superfície a ser utilizada depende de vários fatores. Preparo do terreno Deve-se desmatar e retirar todos os resíduos. que podem provocar queimaduras em plântulas muito novas.7. 3.5. 3. locações e construções. 3. e outros. O terreno deve estar previamente limpo e desocupado. Declividade Nos terrenos levemente inclinados. Para mudas embaladas. recomendando-se um rigoroso controle de formigas dentro e fora da área.8.Aqueles solos chamados "pesados" (argilosos) devem ser evitados devido à dificuldade de cultivo e limpeza. Se a irrigação for por aspersão. a área deve ser subdividida em quadras de 15 a 16 m de largura. o transtorno focaliza-se apenas nos problemas com drenagem do excesso de água de irrigação no fundo dos canteiros e nas áreas de trânsito.

pelas seguintes razões: a) dispensa o preparo do terreno. é mais comum a aspersão. Apresenta no entanto alguns inconvenientes: a) elevado custo de instalação. caso contrário. 3. recomendando-se que sejam construídos no sentido perpendicular ao declive do terreno. d) diminui o risco de erosão. g) permite a irrigação noturna e a dosagem rigorosa de água. h) torna possível a fertirrigação. c) compactação do solo.Se estiver programado o sistema de produção de mudas de raízes nuas.11.9. f) menor utilização de mão-de-obra. 3.20 m de largura e comprimento variável. Drenagem Os viveiros são. No entanto. localizados em áreas com boa drenagem. 3. b) permite melhor distribuição de água.6 m onde passarão os canos de irrigação. há necessidade da construção de canais para escoamento da sobra de água. e as correções de solo necessárias. em geral. c) permite melhor aproveitamento do terreno. deve-se efetuar aração e gradagem.5 m entre si. b) distribuição irregular da água nos dias de ventos fortes. separados 0. Deve-se prever caminhos e viradas para a movimentação de veículos. ou 0. com 1 a 1. 28 . Locação dos canteiros A forma mais comum em canteiros florestais é a retangular. e) maior economia de água.10. no sistema de irrigação por aspersão o excesso de água é comum entre os canteiros. Se a drenagem natural não é suficiente. pode-se aplicar a irrigação por infiltração. Irrigação Quando a declividade permitir.

não impedindo totalmente a circulação do vento.12. crescimento rápido. apresentando as seguintes características: alta flexibilidade. contudo. alguns critérios básicos devem ser observados: 1) A altura deve ser a máxima possível. As raízes das árvores não devem fazer concorrência com o sistema radicial das mudas em produção. O recomendado é que sejam utilizadas espécies adequadas. copa bem formada e raízes bem profundas. afastadas dos viveiros. 2) A altura deve ser homogênea. Para tanto. uma vez que a área a ser protegida depende da altura da barreira. Devem. Quebra-ventos São cortinas que têm por finalidade a proteção das mudas contra a ação prejudicial dos ventos.Figura 5 – Esquema de vala de drenagem da água no viveiro. para evitar o afunilamento da corrente de ar. São constituídas por espécies que se adaptem às condições ecológicas do sítio. 29 . em toda sua extensão do quebra vento. Usualmente as espécies utilizadas são as mesmas que estão em produção no viveiro. permitir que haja circulação de ar. 3) As espécies que constituem o quebra-vento devem ser adaptadas às condições do sítio. Pedras irregulares 3. Para otimização dos efeitos favoráveis. distribuídas em diferentes estratos. folhagem perene. É importante salientar que as árvores que compõem os quebra-ventos não devem projetar suas sombras sobre o canteiro. 4) A permeabilidade deve ser média. devem ser. em distância conveniente. 5) Não devem existir falhas ao longo da barreira formada pelo quebra vento.

6) A disposição do quebra vento deve ser perpendicular à direção dominante do vento. deve-se considerar que esta é em geral de baixa fertilidade. recomenda-se a adubação parcelada (4 a 6 vezes) em irrigação após a germinação. para se evitar perdas por lixiviação. Quadro 1. Fertilização Quando se utiliza substrato retirado do sub-solo. exceto para micronutrientes.5 a 5 g de NPK (416-4 ou 5-14-3) por planta. pois o ambiente radicular das mudas propicia a toxicidade pela salinidade (elevação da pressão osmótica no solo). Efeitos da aplicação de alguns nutrientes sobre as plantas e o substrato. 4. Deve-se ter o cuidado de não exagerar na dose. No entanto. A adubação foliar não substitui a adubação radicular. A quantidade varia de 2. Nutriente Quantidade adequada Quantidade excessiva Nitrogênio a) favorece o crescimento das a) queima as raízes das mudas folhas e caules b) provoca desequilíbrio na proporção b) estimula a produção de clorofila raíz/parte aérea favorecendo a parte c) funciona como uma reserva de aérea alimentos c) reduz a resistência à seca d) aumenta a susceptibilidade às doenças e) fixa quantidades importantes de P2O5 Fósforo Potássio Cálcio a) estimula a germinação b) aumenta o desenvolvimento da raiz a) ajuda na formação de a) reduz a resistência à seca carboidratos b) impede o desenvolvimento de uma raíz pivotante a) aumenta a disponibilidade de a) reduz a disponibilidade de ferro fósforo resultando em clorose b) melhora as condições físicas do b) aumenta a ocorrência de solo tombamento c) estimula o crescimento em geral 30 . No Quadro 1. Nos viveiros. cada espécie tem suas próprias exigências que devem ser determinadas por experimentação. resume-se os efeitos de alguns nutrientes sobre o substrato e as plantas e no Quadro 2 as características de fertilidade para mudas de coníferas e folhosas.

5. com ocorrência de benefícios mútuos. Disponibilidade de nutrientes e condições ótimas para o desenvolvimento de micro organismos. de plantas superiores. cuidando para não serem introduzidas 31 . Micorrizas na produção de mudas Entende-se como micorriza a associação de simbiose entre certos fungos e raízes finas.ha-1) (kg. conforme observa-se no Quadro 3.5 31 70 150 a 175 Folhosas 6. na maioria fungos específicos para uma ou mais espécies. ocorrem maiores índices de sobrevivência após o plantio e o desenvolvimento das mudas. não lenhosas. Como conseqüência.5. há necessidade de se proceder a inoculação no solo previamente. este influi diretamente na disponibilidade de nutrientes no solo. onde há maior disponibilidade de nutrientes e não há efeitos tóxicos causados pelo excesso de alumínio e manganês. em função do pH do solo Elementos ou microorganismos pH baixo pH elevado Bactérias (nitratos de carbono) < atividade > atividade Actinomicetos (sulfatos) > atividade < atividade Cálcio < Magnésio < Fósforo < < Boro < < Zinco < < Alumínio > Tóxico Ferro > Tóxico < Manganês > Tóxico < Cobre < A faixa ideal de pH para o substrato está entre 5.5 e 6. há necessidade de presença de micorrizas. Características do substrato para o bom desenvolvimento de mudas de coníferas e folhosas Classe pH Nitrogênio disponível P2O5 disponível K2O disponível (kg. Quadro 3.Quadro 2. Em viveiros novos.0 45 150 250 Quanto ao pH do solo. Principalmente no caso de coníferas.ha-1) (kg.ha-1) Coníferas 5. especialmente em sítios em que fatores edáficos e climáticos são adversos.

etc. Conforme as características morfológicas e anatômicas. as raízes micorrízicas dividem-se em dois grupos: a) Ectomicorrizas: o fungo coloniza a superfície das raízes curtas. frutíferas. e Eucalyptus spp. não podendo ser identificadas a olho nu. da Floresta Atlântica e da Floresta com Araucária apresentam associação essencialmente endomicorrízica. Dentre as espécies que apresentam este tipo de associação. da Floresta Amazônica. formando um manto espesso ao seu redor. A inoculação poderá ser realizada utilizando-se solo de locais (reflorestamentos ou florestas naturais) onde ocorra a espécie a ser produzida. sendo o vento o principal meio de propagação. Podem ser vistas a olho nu. estão: Eucalyptus spp.bactérias. As espécies dos Cerrados. Os esporos das ectomicorrizas são transportados de formas diversas. especialmente de fósforo c) Aumento da longevidade de raízes infeccionadas d) Maior resistência a extremos valores ácidos de pH e) Maior proteção à infecção patogênica f) Maior resistência à seca das mudas e às altas temperaturas do substrato g) Maior poder de absorção de umidade Figura 6 – Associação simbiótica entre fungos e raíz da planta formando a Micorriza. pois muitas formações são brancas ou apresentam um colorido brilhante. 32 . Sua presença é detectada por técnicas de mudança de coloração de tecidos e exames microscópicos. e muitas espécies de culturas agronômicas. b) Endomicorrizas: não provocam diferenciação morfológica nas raízes. estão Pinus spp. outros fungos. insetos. forrageiras. Dentre as espécies que apresentam este tipo de associação.1 Vantagens do uso das Micorrizas a) Aumento da área de absorção das raízes b) Aumento da absorção de nutrientes. 5. ornamentais.

33 . sendo que a proporção inóculo/substrato deve ser de 1:10. incorporando-os ao solo antes da semeadura. no caso dos canteiros. que devem ser triturados e incorporados ao substrato. Outro tipo de inóculo natural são os corpos de frutificação dos fungos. mas ainda está em estudos no meio florestal. Seria um método ideal. As acículas podem também ser utilizadas como proteção ás plântulas e fonte de inóculo. a uma profundidade de 12 a 15 cm. b) Artificial Utiliza-se inóculo obtido em laboratório com culturas puras e específicas para cada espécie florestal.A inoculação de fungos micorrízicos pode ser: a) Natural Pode-se utilizar acículas de pinus ou material orgânico encontrados sob os povoamentos adultos.

médios ou grandes produtores. Sudeste e Sul do país. o processo é vantajoso principalmente quando as usinas de tratamento por pressão encontram-se muito afastadas. impõe cautela na exploração das espécies alternativas da região Norte. uma vez que permite a todos no campo. 34 . O agricultor poderá produzir mourões. Consiste em substituir a seiva da madeira ainda verde pela solução preservativa. como a de bracatinga. este trabalho também se destina aos engenheiros e extensionistas em suas atividades de campo. encarecendo o transporte. O método de substituição de seiva apresenta-se como uma das melhores opções para o tratamento de mourões por processo prático. é importante que o tratamento seja realizado no máximo 24 horas após o corte da árvore. Método de Substituição de Seiva para Preservação de Mourões No Brasil. principalmente em mourões de eucaliptos e de pinus.III. com estacas de bambu. Todavia. seja para a comercialização. uma opção bastante atraente é o uso de tratamento preservativo em madeira de espécies plantadas e de crescimento rápido. Preservação da Madeira 1. também. da madeira preservada. Assim. e as colocou sob risco de extinção na região Centro-Oeste. aliada ao custo de transporte. Este método já foi testado por diversos pesquisadores. sendo indicado especialmente quando se desejam pequenas quantidades de mourões tratados e não se dispõem dos mesmos na região. e. seja para suprir as próprias necessidades. No caso das grandes propriedades. Além de atender diretamente uma demanda importante dos produtores rurais. a consciência conservacionista. a exploração desenfreada das florestas nativas praticamente esgotou a disponibilidade dessas madeiras nas regiões nordeste. diversificarem e agregarem valor aos produtos oriundos dos recursos florestais. Esta tecnologia afigura-se como mais um instrumento que favorece a eqüidade social. O tratamento preservativo implica em aumento do custo inicial da madeira. Para as pequenas e médias propriedades. mas que ao longo do tempo de uso é diluído a ponto de ser mais vantajoso que a madeira não tratada. o método proposto será de grande valia principalmente quando houver espécies plantadas na área ou nas vizinhanças. mas pode ser empregado com outras madeiras que tenham o alburno permeável. Desta forma. pequenos. em pequena escala. Para suprir a demanda crescente por madeira resistente aos organismos xilófagos e diminuir a pressão sobre as florestas nativas. existem várias espécies produtoras de madeiras naturalmente resistentes à biodegradação por organismos xilófagos.

em virtude da reação de fixação ser lenta. umidade relativa do ar e velocidade dos ventos. permitindo um tempo maior para o tratamento prático. Assim. Os produtos devem ser utilizados nas dosagens recomendadas e os mourões devem ser verdes. influindo no tempo de serviço do mourão tratado.0 kg de produto) por m3 de madeira. 1986) para preservativos hidrossolúveis. abatidos no máximo 24 horas antes do início do tratamento. os mourões de eucalipto podem ter uma durabilidade de 10 a 15 anos. Este método pressupõe que se observem todas as normas de segurança. como temperatura. além de penetrar profundamente no alburno. impedindo a lixiviação do preservativo durante o uso dos mourões. Dependendo da região do Brasil e dos fatores climáticos. A proporção dos ingredientes ativos dos sais sugerida neste trabalho é baseada na norma brasileira (Associação Brasileira de Normas Técnicas. 35 . dependendo dos fatores climáticos.5 kg de ingrediente ativo (16. Logo no início do tratamento há uma mudança de coloração na parte externa do mourão sem que tenha ocorrido uma penetração superior a 1 cm dos ingredientes ativos. para manter a mistura de sais em completa solubilidade. A maioria das receitas e instruções para tratamento por substituição de seiva recomenda 7 dias com as pontas dos mourões imersas na solução preservativa. conforme as orientações aqui descritas. o tempo de imersão para um bom tratamento preservativo pode ultrapassar 40 dias. Devem. A solução de impregnação deve ser ácida. pH baixo. é garantir que os sais estejam totalmente solubilizados na solução preservativa e que a proporção dos ingredientes seja mantida. a quantidade de produto está de acordo com a norma brasileira para preservação de mourões. em torno de 6.Outro fator importante. ainda. Somente durante a secagem lenta dos mourões. é que a reação de fixação deverá ocorrer no interior da madeira. a mudança de cor dos mourões nem sempre é garantia da eficiência do tratamento. Quando tratados corretamente. deve também reagir com a madeira. Neste trabalho não se recomenda tal procedimento uma vez que. Nesta publicação. conhecida como CCB. é especialmente recomendada para este caso. esse tempo pode não ser suficiente. A quantidade de ingrediente ativo por volume de madeira é de fundamental importância na preservação. Durante a reação de fixação ocorre uma mudança do pH no interior da madeira e os produtos impregnados ficam insolúveis. Para um tratamento eficiente a solução aquosa preservativa. ser roliços e do mesmo comprimento. A mistura de sais recomendada neste trabalho. à sombra. atingindo-o todo.

Dica: algumas ligeiras pancadas com martelo ao longo da peça podem facilitar a remoção. Dicromato de potássio Ácido bórico Sulfato de cobre Ácido acético Óleo queimado Água 1000 gramas 650 gramas 880 gramas 25 mililitros 300 mililitros 100 litros Figura 7 .2.2.Suporte e recipiente com mourões durante tratamento ao abrigo de chuva em galpão. também. em peso. Podem-se. Preparo da solução Preparar uma solução a 2. raspa-se a base do mourão que estará imersa na solução preservante.1 Preparo dos mourões 1) Preparam-se os mourões no tamanho desejado. para facilitar a absorção.5 %.1. até cerca de 80 cm. 2) Removem-se as cascas dos mourões antes do tratamento.2. concreto ou similar. cortando suas extremidades (base e topo) em chanfro ou bisel. 1. com os ingredientes e quantidades descritos a seguir. As peças não devem ter mais que 2.2. 4) Medem-se os diâmetros da base para cálculo do volume de solução a ser absorvido durante o tratamento. construir pequenos recipientes em alvenaria. Podem-se usar tambores de 200 litros. inteiros ou divididos pela metade (Figura 1). para tal finalidade. 3) Com uma escova de aço. Metodologia 1. 36 .5 metros de comprimento e 16 cm de diâmetro.

5 14.3 19.1 11.5 9. Esse nível deverá ser mantido até o final do tratamento.1 14.3 12.8 7.0 8. Cálculo do volume de solução a ser absorvido pelos mourões Ao final do tratamento.5 6.8 7.6 11. procede-se ao tratamento da seguinte forma: 1) Coloca-se os mourões inclinados com as suas bases dentro do recipiente de tratamento e a parte superior apoiada em suportes (Figura 1).4 Condução do tratamento Uma vez preparados os mourões. Deixa-se os mourões absorvendo a solução por tempo suficiente até atingir. entre outras coisas.00 2. em litros.5 20. 3) Verifica-se o nível da solução no recipiente com os mourões. Volume de solução.0 6.1 23.80 2.5 10.0 13.7 15.0 15.7 9. pode-se virar os mourões de cabeça para baixo a fim de favorecer a penetração de solução no topo.6 8.3 6.1 21. o valor na Tabela 1. Os mourões devem ficar bem espaçados para permitir boa ventilação de todas as peças e o recipiente de tratamento deve ficar protegido da chuva. em média.6 13.4 6.0 9.0 kg por m3 de madeira.6 12. O tempo necessário para a absorção da solução dependerá.8 5.1 12.0 4.7 8. repondo-se diariamente o volume absorvido. a ser absorvido pelos mourões.0 10.5 8.9 8.6 18. calculado o volume a ser absorvido e preparada a solução.20 2.5 10.4 10.2 11.8 13. em centímetros 7.9 7.8 7. a quantidade de produtos impregnados nos mourões deverá ser da ordem de 16.6 10. Os cálculos são baseados na tabela a seguir: Tabela 1.0 6.9 11.0 14.4 5.3 4. Depois de se completar o volume ideal de absorção de solução.3. 37 .0 11.50 Diâmetros das bases dos mourões.9 18.1 16.4 9. da temperatura e umidade do ar.5 9.3 4.5 15. em Metros 1.2 6.2 6.4 6.7 11.1. dependendo da altura do recipiente. Comprimento dos Mourões.5 10.2.9 1. 2) Adiciona-se a solução preservante de forma que atinja uma altura entre 35 e 80 cm.0 17. Anotam-se os volumes repostos para controle do teor de produtos impregnados na madeira. podendo variar de 7 a 40 dias.2.5 9.5 11. assim como da ventilação dos mourões.9 5.9 15.7 8.

38 . assim como para minimizar as rachaduras. uma vez que poderão ficar expostas regiões internas da madeira que não foram atingidas pelo tratamento. Dependendo da severidade dessas rachaduras. os mourões apresentarão uma durabilidade menor. os mourões deverão ser empilhados à sombra e protegidos da chuva por pelo menos 40 dias.Na etapa seguinte. para a secagem e a fixação dos ingredientes ativos das soluções preservantes.

IV. Construção de estradas e aceiros Esta operação representa mais de 30% do custo da madeira posta na indústria. Implantação Florestal Entende-se por "implantação". e a cada 45 a 120 ha deve haver um aceiro de 10 m de largura. Preparo da área 1. Os aceiros das divisas devem ser de 15 m de largura. Ilustração a respeito da construção de estradas e aceiros encontra-se na Figura IV-1. sendo utilizados equipamentos agrícolas adaptados. com leito carroçável de 6 a 8 m. ainda não se tem equipamentos adequados para todas as suas fases. 39 . Dessa forma os talhões devem ter 300 m de largura. Embora a implantação seja uma fase de alta importância para o bom desenvolvimento da cultura. o posicionamento e dimensões dos talhões devem ser planejados de modo a facilitar e racionalizar a exploração. Estudos tem demonstrado que a distância máxima de arraste ou transporte do ponto de corte até os carreadores deve ser ao redor de 150 m. O maior comprimento dos talhões deve estar no sentido N-S. com leito carroçável de 4 a 5 m. podendo chegar a 1000 m de comprimento. ficando o restante da rotação por conta das operações de manejo e proteção florestal. o conjunto de operações que vai do preparo do solo até o momento no qual o povoamento possa se desenvolver sozinho. As operações de implantação consistem em: 1. Os talhões devem ser separados por aceiros de 4 a 5 m de largura. Portanto. sempre ligados a uma estrada de escoamento L-O de 15 m com leito carroçável cascalhado de pelo menos 6 m.1.

Com uma corrente pesada.2. Ilustração da construção de estradas e aceiros. 1. devido à extração manual e com animais. ou seja 1 km para cada 15 a 20 ha. para facilitar o 40 . sem pedras ou depressões. e novamente em arrepio. Desmatamento Para o desmatamento. que podem servir também como abrigo para animais. puxada por dois tratores de esteiras. Algumas empresas. Correntão É utilizado em áreas com vegetação mais fraca (diâmetro inferior a 45 cm). cortando o declive em faixas de 25 a 50 m. para melhor proteção contra incêndios. utilizam faixas de mata nativa dentro dos talhões.1.2. esta porcentagem será maior. pode-se utilizar basicamente três processos: 1. Já nas áreas inclinadas. Nas áreas planas ou levemente onduladas a porcentagem de vias de acesso não deve exceder 5% do total. onde a distância de arraste não deve ultrapassar 40 a 50 m. passa-se sobre a área. de declividade suave e densidade inferior a 2500 árvores ha-1.6a8 N 15 m S 4a 10 m Figura 8.

recomenda-se que seja feito em áreas com pelo menos 400 ha. Esquema de derrubada com o correntão.2. acoplada ao trator de esteiras (Figura 10) ou de pneus. onde seu rendimento atinge 2 a 4 ha. utilizam esse tipo de lâmina para desmatamento. destorcedores para evitar rupturas. Devido à necessidade de grandes distâncias para que esse trabalho torne-se econômico. Lâmina KG Para vegetação mais pesada. Em áreas leves de cerrado. a lâmina KG faz o corte das árvores a baixa altura.2. Deve ter de 30 em 30 m e no engate das máquinas. Figura 9. No entanto ela é preparada para terraplanagem. Lâmina "bulldozer" Empresas florestais e agrícolas com menos recursos. Depois faz-se o arrancamento dos tocos com o "stumper" e o enleiramento.trabalho de enleiramento (Figura IV-2).2. 1. A corrente deve ter um comprimento total de 90 a 150 m. 41 . O seu peso deve variar de 50 a 120 kg m-1.h-1.3. dois tratores de pneus com proteções nas rodas e pesos. levando-se em conta que o seu tamanho deve ser de 2 a 3 vezes a distância entre as máquinas. podem realizar um bom trabalho com correntes não muito longas. 1. o que ocasiona o acúmulo de material orgânico e parte do solo para as leiras.

5.4. mas não é aconselhável. 1. A terra nas leiras pode facilitar o aparecimento de formigas e dificultar a queima. Combate à formiga A formiga é a praga que causa os maiores prejuízos ao empreendimento florestal. pode ser incorporada na gradagem. e para não desperdiçar material.Figura 10. O restante da madeira deve ser aproveitada para lenha. 1. morre após o terceiro desfolhamento 42 . esta deve ser retirada antes da derrubada. queima e encoivaramento Após a derrubada e secagem do material.3. devido ao desperdício de matéria orgânica. podendo destruir florestas inteiras. Desdobramento e retirada da lenha Se houver na área a ser desmatada madeira para serraria. por exemplo. que se não for queimada. O eucalipto. Trator de esteiras equipados com lâminas tipo Bulldozer 1. Enleiramento. Para a operação de enleiramento deve-se dar preferência ao uso do ancinho enleirador que não leva a camada superficial do solo para as leiras. de modo a diminuir os custos de preparo de área. Algumas empresas fazem a queima antes do enleiramento. Procede-se à queima das leiras. ajuntamento e encoivara até eliminação completa dos restos. faz-se o enleiramento a distâncias de 40 a 120 m dependendo da quantidade de resíduos a ser empurrada.

produto e época de aplicação. e concluíram que este produto necessita de apenas 8 g m-2 para fazer o mesmo efeito do que aqueles compostos por dodecacloro (0. o mercado possui um substituto eficiente. Algumas culturas são mais exigentes no prepara do solo. cálculo da área do formigueiro.. tornando portanto a sulfluramida mais econômica. Seu formigueiro pode ser de difícil ou fácil localização. estes devem ser revolvidos e o veneno aplicado sobre as panelas. deve reduzir ao máximo a competição com ervas daninhas e melhorar a capacidade de retenção de umidade e propriedades físicas. justificando-se do ponto de vista técnico e econômico.O primeiro combate deve ser feito antes do revolvimento do solo.Chamadas "saúvas". embora tenha restrições. Não há dúvidas quanto à qualidade dos clorados para o combate à formiga. Atta spp . Para o controle químico com iscas deve-se observar a espécie. para facilitar a localização dos olheiros. 1. Existem dois gêneros de importância: Acromyrmex spp . Portanto. (1993) desenvolveram um trabalho.A chamada "quenquém". Para testar sua eficiência no controle de Atta bisphaerica. O controle cultural consiste de aração e/ou gradagem do solo. dependendo da espécie. tendo como formicida o Fenitrotion e o Clorpirifos (ARRIGONE. O controle químico é feito com isca ou qualquer inseticida ou formicida em pó.45%). 43 . Vale a pena um comentário sobre o produto formicida a ser usado. sendo viável economicamente apenas para grandes áreas e grandes formigueiros. 1991). A termonebulização é outro método utilizado no controle de saúvas. lançada no mercado com 3 g do princípio ativo por kg de isca. Para formigas. ver "Manual de Entomologia" de Gallo et al. 1991). o formigueiro tem uma construção de pequenos ramos secos. Em algumas.6. Revolvimento do solo O preparo do solo florestal é feito uma vez em cada rotação. como é o caso dos eucaliptos. ZANUNCIO et al. que é a sulfluramida. Trezentos formigueiros por ha podem levar à perda de 60% de cepas de eucalipto em brotação (PACHECO. Para detalhes de combate. Para o casos das formigas com ninhos superficiais.

o alinhamento do plantio. faz também a adubação.1. principalmente logo após o desmatamento. Preparo de área em dias chuvosos.047 kg com lastro. de 22" a 26". pois seus discos são voltados para dentro. visto que em alguns casos a camada de solo fértil é muito pequena.27 cm de espessura. e dependendo da adaptação. e uma gradagem profunda pode trazer subsolo infértil para a superfície. 2. para que se faça um bom preparo de solo. usa-se passar enxada rotativa numa faixa de 70 cm de largura por 15 cm de profundidade onde serão as linhas de plantio. Vem sendo utilizada freqüentemente na reforma de povoamentos. Um equipamento que vem sendo difundido é a grade "bedding". evitando o rebrotamento (se for o caso). pesando até 3. práticas de exploração. aplica-se o calcário se for o caso. deve ser bastante profunda (35 a 40 cm). faz-se um revolvimento com grade aradora pesada. sufocando-os com o camaleão. tratos culturais. onde o centro da grade passa sobre os tocos. qualidade da madeira. própria para atividades florestais. e no segundo. Escolha do espaçamento O espaçamento tem influência ecológica/silvicultural nos incrementos. Para fortes inclinações. além de forçar as máquinas. forma torrões e compactar mais o solo. A pesquisa e mapeamento dos solos da área deve ser feito. idade de corte. ao invés do revolvimento total. É tracionada por tratores de 140 HP. usa-se a abertura manual de covas com dimensões de 30 x 30 cm. A profundidade da gradagem pesada. práticas de manejo (desramas e desbastes). Possui 6 discos de 32" por 1. Já a gradagem leve é feita em torno de 15 cm. Na sua passagem. 44 . proporcionando uma largura de corte de 2.13 m. Nos terrenos de inclinação média. Plantio 2. Para o primeiro caso o diâmetro dos discos deve ser de 30" ou mais.Em solos leves e permeáveis. o camaleão. A grade "bedding" faz de uma só passada. o revolvimento. de esteiras ou pneus tração 4 x 4. custos de produção. forma um camaleão. e passa-se uma grade leve.

e conseqüente necessidade de recuperação com aplicação de quantidades maiores de fertilizantes. do que E. flores. Para minimizar o efeito da grande exportação de nutrientes nas florestas energéticas. Isso ocorre porque o corte é feito muito antes do povoamento entrar no processo de ciclagem de nutrientes.O espaçamento menor.500 árvores ha-1 apresenta maior percentagem de defeitos tais como "fox-tail". faz com que a competição ocorra mais cedo. em espaçamento 1. através da queda de folhas. quando então as plantas devolveriam ao solo. e que 50 a 65% encontravam-se nas folhas. hondurensis em densidade menor que 2. tem-se tentado reduzir o espaçamento dos eucaliptos para 1. parte dos elementos absorvidos. acelerando o ciclo de corte e os desbastes. e ainda espalhar a cinza que é rica em K. apenas 18% dos nutrientes totais do eucalipto estava no tronco. saligna. o que já é menor no E. saligna são intolerantes a alta densidade. pode levar à exaustão do solo. No entanto deve-se observar a espécie em uso. o Pinus caribaea var. bifurcações e árvores tortas. urophylla e E. No caso dos pinus. O Eucalyptus dunnii e E. Em trabalhos de pesquisa. Já o P. Ca. prejudicando o volume final.0 x 1. O passar da idade aumenta o número de árvores dominadas. deve-se levar em consideração que uma rotação extremamente curta (3 anos).0 x 1. 45 . Se há necessidade de cortar árvores muito jovens. a densidade deve ser maior. aumentando muito os custos.5 m. grandis. aumentando o número de dominadas e a mortalidade. pode-se estudar a possibilidade de deixar na área. enquanto que o Didymopanax morototoni tem um fuste de boa qualidade em quaisquer condições. verificou-se que aos 18 meses de idade. o que é intensificado nos espaçamentos mais apertados.000 árvores ha-1. Observou-se também que o E. grandis é mais eficiente na relação consumo de nutrientes/produção de biomassa. caribaea var. porém pode ser compensado pela maior produtividade em relação à floresta tradicional (3 x 2 m). A Gmelina arborea e Cordia goeldiana necessitam de espaçamentos mais apertados para produzirem fustes retos. Mg e outros elementos. caribaea pode ser plantado a 2. frutos e raízes mortas. as folhas e galhos. Isto pode aumentar o consumo de carvão em até 35%. Entretanto. galhos.5 m. Para florestas energéticas. ramos.

Para esse desenho. a não ser em condições extremas de pobreza. já que a competição torna-se maior. 100 g-1 de solo para Ca e Mg. onde o espaçamento é apertado entre as plantas destas. e verificar os elementos e a quantidade a ser aplicada no plantio. ou a lanço após a colheita.5 m.eq. aplicando-se 5 g de bórax (11% de B) na projeção da copa. e ao mesmo tempo. saligna. no final da estação chuvosa. provavelmente não virá uma recomendação precisa sobre a fórmula e doses a serem aplicadas em povoamentos florestais. se for E. aplica-se antes do corte em sulco. quando se aplica calcário e adubo fosfatado.5 m. Isso aumenta o número de plantas por ha. 100 g-1 de solo e menos de 0. proporciona espaço suficiente para o desenvolvimento das árvores. Quanto ao teor de Al do solo. aos 6 meses. junto com programas de melhoramento.2. 100 g-1 de solo. elliottii var. devem aplicar recursos na experimentação. Fertilização mineral Se for coletada uma amostra de solo e enviada a um laboratório. De um modo geral os pinus tropicais são menos exigentes em nutrientes do que os eucaliptos.eq. 46 . 100 g-1 de solo não afetou a sua capacidade produtiva.Para se diminuir o espaçamento. 2. hondurensis não parece ser afetado por teores de Al de quase 1 m.5 m. Entretanto. as árvores também são afetadas. quando os teores de Ca e Mg trocáveis não foram menores que 0. Isto ocorre devido ao pouco desenvolvimento de micorrizas em solos extremamente pobres. saligna as dimensões devem ser de 4 x 1 x 1 m. Já o P. Um sistema de plantio que tem sido utilizado é o de linhas duplas.eq. e maior entre estas. No entanto. deve-se considerar também a qualidade do sítio. pois as pesquisas ainda estão em andamento. Verificou-se para P. As empresas que vão se instalar por muito tempo em um determinado local.eq. No caso da rebrotação do eucalipto. a resposta das árvores não tem sido satisfatória para adubação em cobertura. não respondendo bem à adubação. o espaçamento mais usado para o eucalipto é de 3 x 1 x 1 m. A deficiência de boro provoca seca dos ponteiros. prejudicando o crescimento. embora em menor grau que culturas agrícolas. caribaea var. elliottii que uma concentração de Al maior que 0. exceto para o E.

os superfosfatos devem ser aplicados na cova ou no sulco do plantio. reduzindo as possibilidades de retenção pelo solo. Recomenda-se parcelar. 47 .4 m.5m na entrelinha e incorporados. em sítios bons (50 m3 ha-1 ano-1). pode-se diminuir a proporção de fósforo. devido à perda por lixiviação e o distanciamento raiz-adubo. campo = 40 ppm) mas deve estabilizar-se com o início da ciclagem entre 4 e 5 anos.0 m. onde a aplicação de 50 a 100 g de gesso por cova pode resultar em ganhos da ordem de 200% a 225 %.o E. 10-28-6. Segue algumas informações a respeito de alguns nutrientes: Boro (B) . Enxofre (S) . 5-30-6. um ganho de 1400% em volume (10 m3 ha-1 para 150 m3 ha-1). Se for para pinus. Tem-se conseguido bons resultados com a aplicação de 25 a 75 kg de N ha-1 (ganho médio de 17% a 28%).apresenta interação com o fósforo. Fósforo (P) .não se tem observado efeitos em aplicações em dose única. ou algum tempo depois do plantio em faixa de 1. No gênero Eucalyptus a calagem resulta em maior crescimento em diâmetro. elas são escolhidas mais em função do mercado do que de pesquisas. As outras espécies do gênero só respondem à aplicação em sulco. 10-30-10. iniciando algum tempo após o plantio.2m a 1. podendo-se estabelecer 0. Com a aplicação de 1 kg de fosfato de Araxá e 400 g de superfosfato triplo por cova já se conseguiu em experimentação. Deve ser usado preferencialmente o sulfato de amônio devido à presença de enxofre em sua fórmula e porque muitas espécies de eucalipto são mais eficientes na absorção de N nesta forma. podendo ser de 1.eq. saligna responde à aplicação de Bórax: 5 g na projeção da copa aos 6 meses de idade.a necessidade de potássio no eucalipto aumenta com a idade (mudas = 15 ppm. A calagem será usada para suprir Ca e Mg e não para corrigir acidez.eq. Nitrogênio (N) . Os fosfatos naturais devem ser aplicados a lanço ou em faixas ou sulcos antes do plantio e incorporados. para os eucaliptos. Em geral. no final da estação chuvosa. 5-30-10. maiores teores de matéria orgânica no solo diminuem o efeito do Al +3 pela formação de complexos matéria orgânica versus Alumínio. de Ca+2 + Mg+2 como mínimo para se aplicar Ca. especialmente em solos de textura média. Usa-se em geral 100 a 150 g de qualquer das fórmulas seguintes: 10-34-6. Potássio (K) .Em termos de formulações de NPK a serem utilizadas.

iniciando logo após o plantio. abrem-se sulcos de 20 a 25 cm de profundidade. podendo ser iniciado no viveiro como já foi discutido no capítulo sobre Viveiros. e normalmente é detectado na época da exploração. 2. 2. Prevenção a cupins Os cupins atacam o colo das plantas. acompanhando o nível do terreno. Nesta fase do controle de cupins encontrou-se substitutos à altura do Aldrin.4. 2. corroendo o cerne muitas vezes até 8 m de altura. que possam dificultar o trabalho de máquinas. O cupim do gênero Coptotermis spp. quando as estimativas de quantidade de material não mais condizem com a realidade. Entretanto. É operação comum em áreas de reforma e onde se usa a grade "bedding".utilizado em solos livres de tocos.utilizado em solos de topografia acidentada.A dose de 40 kg de K2O ha-1 (24 g de K2O por planta) é satisfatória.3. causa perda de volume e qualidade de madeira.3. O controle é preventivo. recomendando-se preliminarmente a dose de 5 g aplicada no fundo da cova. Após o revolvimento do solo. tornando-se portanto um potencial substituto deste clorado. com 0.3. com pedras ou tocos. raízes e pedras. RESENDE (1993) testou Carbossulfan 10G e Aldrin 5P em várias doses e formas de aplicação. 48 . tem atacado em áreas de cerrado nos Estados de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. e de topografia pouco acidentada. As covas têm as dimensões suficientes para o tamanho das mudas. É conhecido como cupim do cerne. Coveamento e sulcamento 2.1 Sulcamento .. aplicada em dose única para o solo argiloso ou parcelado (30 e 360 dias) no solo arenoso. Ficou demonstrado que as doses de 5 a 10 g foram mais eficientes na proteção de mudas de eucalipto do que o Aldrin. Raramente mata as árvores.6 a 2 mm de diâmetro. e instala-se na planta quando jovem ou adulta.2 Coveamento . O primeiro produto é formado por grânulos de matriz termoplástica de liberação controlada.

Plantio propriamente dito 2. Figura 11. Plantio semi-mecanizado É feito onde a topografia permite.2.5. permitindo a decida da muda. Em função disto este instrumento é mais recomendado para situações onde não há necessidade de incorporação de fertilizantes.1. que deve ter as linhas de orientação demarcadas previamente.2. coloca-se a muda no tubo. A muda é colocada no buraco. Faz-se a penetração do instrumento no solo. A marcação das covas pode ser feita manualmente. livre da embalagem e recoberta com o solo misturado com o adubo. que serão adubadas sobre os montículos da terra retirada. providenciando uma leve incorporação. e em seguida abrem-se as covas. através da máquina distribuidora de mudas. Uma alternativa à abertura de covas para o plantio das mudas é o uso do pottiputki (Figura 11). instrumento auxiliar no plantio manual. Pottiputki. Uma dificuldade deste sistema é a adubação. ou em alguns casos. 2. 49 . que possui marcas nas rodas que identificam o local. e com o pé pressiona-se a extremidade inferior que se abre. o produto podes ser depositado ao redor da cova. As linhas de plantio podem ser delimitadas concomitantemente ao se passar o sulcador. Em caso de necessidade. Plantio manual Providencia-se a marcação.5.5.

Plantio mecanizado Os equipamentos para esta tipo de plantio raramente são utilizados no Brasil. 2. e uma mais sofisticada. transportando as mudas com as tampas laterais abertas. e operários vão andando e colocando as mudas nos locas demarcados. (a) Figura IV-5 - Plantadeiras de mudas florestais por meio de tração animal (a) e mecanizada (b) (b) 50 . Há equipamentos um pouco mais sofisticados. Operários vêm atrás efetuando o plantio. com rodas de ferro e lugares para duas pessoas sentarem. tracionada por trator (b). Conforme o deslocamento. os operários soltam as mudas a cada marca das rodas.A distribuidora de mudas consta de uma carreta pequena e baixa. Na Figura 12 ilustra-se um plantadeira simples que pode ser tracionada até mesmo por animais (a). Quando se usa outro tipo de marcação de covas. que sulcam o terreno. é comum o uso de carreta convencional. aplicam fertilizante e inseticida anti-cupim.3. e distribuem as mudas em espaços determinados.5.

Em eucalipto. 3. conforme o período. em média. e para o eucalipto de 1 a 2 anos. O número de capinas varia de acordo com a taxa de crescimento das árvores. que varia com a espécie. tornando-se na maioria. 2. a experiência tem demonstrado que o replantio após 15 dias é improdutivo. fazer o replantio um pouco mais distante da cova afetada. às plantas daninhas. o que possibilita a continuidade da contratação de mão-de-obra e aumento da área plantada anualmente. O povoamento pode ser considerado formado a partir do momento que passa a suplantar a concorrência com outra vegetação. Se a causa da mortalidade for praga deve-se procurar controlá-la antes do replantio. Se for doença. para garantir a sobrevivência e bom pegamento. região. 2. dominadas. como os eucaliptos. Tratos culturais Algumas espécies. necessitando de tratos culturais até o estabelecimento da cultura. Entretanto. se a sobrevivência for inferior a 90%.6. algumas empresas estão plantando o ano todo. e uma capina no terceiro e quarto 51 . aplicação de inseticida e plantio. No entanto. o plantio só pode ser feito durante a estação chuvosa. para o pinus a formação se dá aos 4 anos. visto que estas plantas não conseguem mais acompanhar as do plantio. são sensíveis em sua fase inicial. Replantio O replantio é feito de 15 a 30 dias após o plantio. utilizando 3 l de água por cova. Para o pinus. espaçamento e tratos oferecidos às plantas.Estes implementos realizam concomitantemente as operações de abertura de cova. A irrigação é feita com carreta pipa tracionada por trator. do espaçamento e do sistema de preparo de solo. munida de mangueiras. do nível de infestação de ervas. condições de solo. adubação. e repetida de 1 a 3 vezes. em geral usa-se duas capinas no primeiro e segundo anos. Irrigação Sem irrigação.7.

Consiste em roçadas nas entrelinhas e coroamento. só para roçada. que fecha rapidamente as copas. Mecânico nas entrelinhas e manual nas linhas Os tratos mecânicos podem ser feitos com grades leves e semi-pesadas. (1990). será manual nas linhas.5 Espécies E. já que deve-se aproveitar o rápido crescimento em altura nessa fase.MACEDO et al. enquanto no eucalipto.2 1a3 1. Os tratos culturais são essenciais para se evitar o atraso no crescimento inicial por competição. 3. concorrerão para a diminuição dos tratos culturais.anos. Manual Só é usado em locais onde a declividade não permite outro tipo de ação. A mecanização pode ser feita nas entrelinhas e linhas se isso não prejudicar a conservação do solo e se o espaçamento permitir. particularmente nas regiões de déficit hídrico. fertilização. Esse trato só é viável se o herbicida for aplicado somente nas linhas de plantio e quando o custo de mão-de-obra para capinas manuais for inferior a 1. em face à rápida formação do povoamento. 3.2. Os tratos culturais podem ser: 3. 8. Pinus taeda E. saligna Fitotoxidade Morte Morte Leve 52 .6 Hh (horas homem-1 ha-1) .2 Linuron1 Dosagem kg ou litro *IA ha-1 3.1. grandis. Relação de alguns produtos herbicidas testados em reflorestamento e sua fitotoxidade Produtos Bromacil1 Glyphosate1. Caso contrário. com aplicação de herbicidas ao lado das plantas em linha contínua. Deve-se ter o cuidado com o corte das raízes. A união de um bom preparo do solo. seleção e padronização de mudas. gastando-se 10 homens dia -1 ha-1. uso de espécies e procedências adequadas. 3 homens dia-1 ha-1. devido ser oneroso e moroso. enxadas rotativas e roçadeiras. Quadro 4. evitando-se atraso nas capinas e diminuição no incremento das plantas.3. ou ainda.5 homens dia-1 ha-1 e só para coroamento. Químico É uma alternativa para regiões com dificuldade de mão-de-obra. saligna E. faz-se duas a três capinas apenas.

5 0. 1 Oryzalin1 Oxyfluorfen1 Oxyfluorfen3 1. Em Pinus caribaea var.48 Eucalyptus e Pinus Eucalyptus e Pinus Eucalyptus e Pinus P.75 a 1. 53 .4 kg IA ha-1) e oxyfluorfen (0.5 a 3 0.75 P. taeda Seletivo -1 O Oryzalin pode ser utilizado na dose de 2 a 3 kg de IA ha .M. hondurensis Severa Não Leve Seletivo Imazapyr 0. (1984) determinaram que dichlobenil (5.S.M. em pré-emergência. caribaea com 40 dias de idade. A limpeza das entrelinhas é feita com grade leve ou enxada rotativa. A diluição é feita em 200 a 400 l de água ha-1. com pulverizador de agitação constante.96 kg IA ha-1) aplicados em préemergência apresentaram bom controle geral de plantas daninhas sem causarem fitotoxidade às plantas. caribaea var. ZANATTO et al. em faixa de 1 m nas linhas de plantio.A.77 1.24 a 0.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful