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Tribunal Superior Eleitoral

Processo Judicial Eletrônico

O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0600912-70.2022.6.00.0000


em 02/09/2022 18:22:14 por WALBER DE MOURA AGRA
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- WALBER DE MOURA AGRA

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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) MINISTRO (A) RELATOR (A) DO EGRÉGIO
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL.

PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA – PDT, pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ sob o nº 00.719.575/0001-69, com sede na SAFS - Quadra 02 -
Lote 03 (atrás do anexo do Itamaraty), Plano Piloto - Brasília/DF, CEP: 70042-900, neste
ato representado por seu presidente nacional, CARLOS ROBERTO LUPI, brasileiro,
solteiro, administrador, portador da cédula de identidade nº: 036289023, expedida pelo
IFP/RJ, inscrito no CPF/MF sob nº 434.259.097-20, com endereço eletrônico:
clupi@uol.com.br, vem, respeitosamente, por seus advogados in fine assinados,
constituídos mediante instrumento procuratório que segue em anexo (doc. 01), perante
Vossa Excelência, com fundamento legal no art. 96 da Lei nº 9.504/1997, propor a
presente:

REPRESENTAÇÃO ELEITORAL COM PEDIDO DE MEDIDA LIMINAR DE


URGÊNCIA

em face de JAIR MESSIAS BOLSONARO, brasileiro, casado, portador(a) do documento


de identidade nº 3032827 – SSP/DF, CPF nº 453.178.287-91, com endereço no SHIS QI 15
Conjunto 11, casa 6, Brasília-DF, CEP: 71635-310, telefone (61) 99697-5722 Whatsapp,
correio eletrônico intimacoes@vcaa.adv.br e mauro.cio@presidencia.gov.br, e da
COLIGAÇÃO PELO BEM DO BRASIL (PL/PP/REPUBLICANOS), com endereço no
SHIS QI 15 Conjunto 11, casa 26, Brasília-DF, CEP: 71635-310, telefone (61) 99697-5722
Whatsapp, correio eletrônico intimacoes@vcaa.adv.br, o que faz com espeque nos pontos
de fato e de Direito doravante articulados:
I. DOS FATOS:

Trata-se de representação eleitoral proposta em face de propaganda eleitoral


irregular que está sendo veiculada no aplicativo telegram, desde o dia 31/08/2022, pelo
candidato ao cargo da Presidência da República, o Sr. Bolsonaro, em que alinhava ser
criador do sistema de pagamento instantâneo PIX. Ocorre que, ao contrário do propalado
na propaganda eleitoral do respectivo candidato, ora representado, observa-se a
desinformação veiculada, inclusive, já desmentida por diversas vezes pelos veículos
jornalísticos. Senão vejamos:

https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/bolsonaro-criou-pix/

Observa-se, ainda, que o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central


(SINAL), em nota, aponta que “o presidente, de certo modo, criou dificuldades para sua
implementação. A entidade ressalta o trabalho técnico dos servidores e critica o uso político, seja de
grupos de situação, seja da oposição”. Ou seja, o representado mesmo sabendo que não foi o
responsável pela criação do pagamento instantâneo (PIX), fez questão de reiterar agora
em sua propaganda eleitoral tais fatos sabidamente inverídicos:

https://t.me/jairbolsonarobrasil/4699
Inclusive, a reverberação deste conteúdo desinformativo também fora objeto de
publicização no horário de sua propaganda política veiculada através de inserção no
horário gratuito da TV, no dia 29/08/2022, senão vejamos:

https://www.youtube.com/watch?v=f-MVds_gjaw
Degravação:

Vamos falar sobre o PIX? Nós criamos em 2020. Você se lembra, né?
A dificuldade para você fazer uma transferência de recursos. Hoje, você faz de
casa, do teu celular. E o que é melhor, sem pagar taxas. E você sabia que hoje temos
mais de 100 milhões de pessoas usando o PIX? E grande parte dessas pessoas
viraram pequenos empresários?
Fala de D. Sebastiana Cristina “Foi a melhor coisa que o Bolsonaro já fez para o
nosso país foi o PIX. É o nosso governo inovando”.
Destarte, trata-se, em verdade, de nítido conteúdo estruturado com utilização de
artifícios ardis, haja vista que o teor da mídia possui conteúdo desinformativo e detém o
condão de ludibriar os eleitores, a partir da construção narrativa inexistente acerca da
criação do PIX. Como se vê, a veiculação de fatos sabidamente inverídicos e gravemente
descontextualizados substancia no fato de que o Senhor Bolsonaro tinha ciência de que
não foi o criador do sistema do pagamento instantâneo (PIX), mas mesmo assim insiste
na respectiva narrativa, senão vejamos os seguintes links, os quais ratificam que a
criação do sistema do PIX não foi do representado:

a) https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/bolsonaro-criou-pix/
b) https://extra.globo.com/economia-e-financas/servidor-publico/bolsonaro-
criou-pix-servidores-do-bc-criticam-uso-politico-do-meio-de-pagamento-no-jn-
25560330.html

Logo, o representado não respeitou a legislação eleitoral, vez que se utilizou de


propaganda eleitoral desinformativa em um de seus canais de comunicação, com grave
descontextualização para disseminar conteúdo fake news, estiolando às regras do jogo
alinhavadas na Resolução TSE nº 23.610/2019, em seu art. 9º. Hodiernamente, o vídeo
já conta com 165.8K e possui 1.381.184 de subscritores em seu canal, portanto, a dimensão
acerca da propagação do conteúdo desinformativo e gravemente descontextualizado é
desmesurado e merece o rechaço desta justiça especializada.

Desta forma, não se pode permitir que, sob as vestes da liberdade de manifestação,
se promovam acintes à democracia brasileira, com a veiculação de fatos sabidamente
inverídicos e gravemente descontextualizados e que tenham potencial lesivo para
degradar a higidez e lisura do pleito eleitoral de 2022, razão pela qual vale-se desta
Representação Eleitoral para que este Tribunal Superior Eleitoral resguarde as regras do
jogo.

II. DO DIREITO
II.I DA PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR (VEICULAÇÃO DE FATOS
SABIDAMENTE INVERÍDICOS E GRAVEMENTE DESCONTEXTUALIZADOS EM
INSERÇÃO):

Prima facie, convém delinear que não se desconhece a especial proteção dada à
liberdade de expressão na legislação pátria, sobretudo no âmbito constitucional. No
entanto, assim como outros direitos fundamentais, a liberdade de manifestação de
pensamento não constitui direito de caráter absoluto, pois encontra limites na própria
Constituição Federal, que assegura a inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas
(art. 5º, inciso X, da CF/88). 1 Até mesmo porque, conforme ensina Konrad Hesse, a
limitação de direitos fundamentais deve ser adequada para produzir a proteção do bem
jurídico, por cujo motivo ela é afetada. 2

Conforme já alinhavou a Ministra Maria Claudia, “assim, não se está diante de


hipótese de debate eleitoral, em fomento à livre mercancia de ideias, mas sim de
verdadeiro ilícito eleitoral. Isso porque, muito embora a maximização do espaço de livre
mercado de ideias políticas e a ampla liberdade discursiva no período de campanha

1 “A liberdade de manifestação do pensamento não constitui direito de caráter absoluto no ordenamento


jurídico pátrio, pois encontra limites na própria Constituição Federal, que assegura a inviolabilidade da
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas (art. 5º, X, da CF/88). Outrossim, o Código
Eleitoral, no art. 243, IX, dispõe que "não será tolerada propaganda que caluniar, difamar ou injuriar
quaisquer pessoas, bem como órgãos ou entidades que exerçam autoridade pública".5. As críticas
extrapolaram os limites constitucionais da liberdade de expressão, em ofensa à honra e à dignidade, em
contexto indissociável de disputa a pleito vindouro, o que se amolda ao disposto na referida norma.
Precedentes. (Recurso Especial Eleitoral nº 060010088, Acórdão, Relator(a) Min. Jorge Mussi, Publicação:
DJE - Diário da justiça eletrônica, Tomo 164, Data 26/08/2019)
2 HESSE, Konrad. Elementos de Direito Constitucional da República Federativa da Alemanha. Porto

Alegre: Sergio Antonio Fabris, 1998. p. 256.


qualifiquem-se como fatores que catalisam a competitividade da disputa, a difusão de
informações sabidamente inverídicas, configura prática desviante, que gera verdadeira
“falha no livre mercado de ideias políticas”, deliberadamente forjada para induzir o
eleitor em erro no momento de formação de sua escolha. Daí o motivo pelo qual Elder
Maia Goltzman afirma que “é preciso empoderar o cidadão para que possa tomar suas
decisões relativas à esfera pública de maneira consciente e ancorado em informação de
qualidade, não em narrativas fabricadas ou versões construídas e distribuídas para
ludibria-lo”.3 (Representação Eleitoral nº 0600845-08.2022.6.00.0000 , sob a relatoria da
Ministra Maria Cláudia Bucchianeri).4

Com efeito, é de bom alvitre sublinhar que, não se pode invocar o direito à
liberdade de manifestação para confortar o cometimento de condutas ilícitas, pois à
maneira do que arrematou a Ministra Cármen Lúcia (MS 38169 MC/DF), “os direitos e
garantias fundamentais, a todos assegurados e que têm de ser respeitados nos termos
constitucionalmente estabelecidos, não são biombos impeditivos da atuação legítima e necessária
do poder estatal, no desempenho de suas atividades legítimas, necessárias e exercidas nos limites
juridicamente definidos”.

Não por outra razão, o art. 9º- A da Resolução TSE nº 23.610/2019 estabelece ser
vedada a divulgação ou compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou
gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral,
inclusive os processos de votação, apuração e totalização de votos, devendo o juízo
eleitoral determinar a cessação do ilícito, sem prejuízo da apuração de responsabilidade
penal, abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.

3 GOLTZMAN, Elder Maia. Liberdade de expressão e desinformação em contextos eleitorais. Belo


Horizonte: Fórum, 2022, p. 54.
4 GOLTZMAN, Elder Maia. Liberdade de expressão e desinformação em contextos eleitorais. Belo

Horizonte: Fórum, 2022, p. 54.


A inclusão do dispositivo suso mencionado na Resolução TSE nº 23.610/2019, pela
Resolução TSE nº 23.671/2021, exsurgiu da preocupação da Justiça Eleitoral com a
proliferação de fake news, que estonteiam sobremodo a higidez e a normalidade dos
pleitos, sobretudo após a disseminação dessas práticas odiosas no contexto das Eleições
2018.

De acordo com o §1º do art. 27 da Resolução TSE nº 23.610/2019, a livre


manifestação de pensamento pode ser passível de limitação quando ofender a honra ou
a imagem de candidatas, candidatos, partidos, federações ou coligações, ou divulgar
fatos sabidamente inverídicos. É diante disso que o TSE soergueu entendimento no
sentido de que “as limitações impostas à propaganda eleitoral não afetam os direitos
constitucionais de livre manifestação do pensamento e de liberdade de informação”. 5

In casu, ressumbre iniludível que a conduta narrada em linhas anteriores se


configura como excessiva em face da liberdade de manifestação, especificamente porque
veicula conteúdo desinformativo e sabidamente inverídico, através da
descontextualização e já rechaçada pela mídia jornalística, por diversas vezes, mas agora
propagada novamente em suas redes sociais. Logo, o Representado transcendeu aos
limites da liberdade de expressão e ofendeu de sobremodo a higidez do prélio eleitoral.

Deste modo, uma vez constatadas violações às regras eleitorais e ofensas a direitos
de pessoas que participam do processo eleitoral, deve esta Justiça Eleitoral obstar os
caminhos para que o Representado veicule conteúdos propagandísticos deste jaez,
devido ao elevado grau de acinte aos bens jurídicos tutelados pela legislação eleitoral. Ou
seja, a propagação de desinformação a respeito da criação do pagamento instantâneo

5 (Recurso Especial Eleitoral nº 060337225, Acórdão, Relator(a) Min. Luis Felipe Salomão, Publicação: DJE
- Diário de justiça eletrônico, Tomo 56, Data 23/03/2020)
(PIX) é um acinte às regras do jogo, senão veja-se matéria que em outra oportunidade já
afastou esse tipo de narrativa do representado:

https://extra.globo.com/economia-e-financas/servidor-publico/bolsonaro-criou-pix-
servidores-do-bc-criticam-uso-politico-do-meio-de-pagamento-no-jn-25560330.html

No presente caso, observa-se que, a propaganda, ora objurgada, vem sendo


veiculada desde o dia 31/08/2022, o que implica, inexoravelmente, na propagação de
desinformação reiterada e desmedida pelo então representado, pois há nota do Sindicato
Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL) e matéria do Estadão que reforçam
o grau de notícia falsa acerca da criação do pagamento instantâneo (PIX).

Esse tipo de narrativa propagada nos meios objurgados é veementemente


rechaçado pela Justiça Eleitoral, senão vejamos o excerto abaixo:

ELEIÇÕES 2014. REPRESENTAÇÃO. RECURSO. PROPAGANDA ELEITORAL DIREITO DE


RESPOSTA. ART. 58 DA LEI DAS ELEICOES. FATO SABIDAMENTE INVERÍDICO. NÃO
CONFIGURAÇÃO. PRECEDENTES.
3. Conforme precedentes do TSE, "A mensagem, para ser qualificada como sabidamente
inverídica, deve conter inverdade flagrante que não apresente controvérsias" (R-Rp 2962-41, de
28.9.2010, Rel. Min. Henrique Neves da Silva, PSESS de 28.9.2010).
[...]
(TSE - RP: 12195420146000000 Brasília/DF 250662014, Relator: Min. Antonio Herman De
Vasconcellos E Benjamin, Data de Julgamento: 26/09/2014, Data de Publicação: MURAL -
Publicado no Mural - 27/09/2014 - Horário 12:00)

Como se vê, a veiculação de fatos sabidamente inverídicos e gravemente


descontextualizados substancia no fato de que o Senhor Bolsonaro tinha ciência de que
não foi o criador do sistema do pagamento instantâneo (PIX). Portanto, a propaganda
veiculada em mídia social pelo então representado é ilícito e deve ser suspensa a sua
divulgação, haja vista que está se valendo de propagação de notícias falsas em
desconformidade com as regras do art. 9º- A da Resolução TSE nº 23.610/2019.

Deste modo, uma vez constatadas violações às regras eleitorais e veiculação de


desinformação e de fatos sabidamente inverídicos e gravemente descontextualizados,
deve esta Justiça Eleitoral obstar os caminhos para que o Representado veicule conteúdo
propagandístico deste jaez, devido ao elevado grau de acinte aos bens jurídicos tutelados
pela legislação eleitoral.
III. DA TUTELA INIBITÓRIA COMO MEDIDA LIMINAR DE URGÊNCIA
(PROIBIÇÃO DE REPETIÇÃO DE CONDUTA SEMELHANTE):

A tutela inibitória no âmbito da Justiça Eleitoral adveio da demanda por técnicas


processuais que permitam a garantia da efetividade dos direitos dos cidadãos, que se
consubstancia, também, na prevenção de ilícitos. As garantias na seara eleitoral não são
passíveis de quantificação monetária, porquanto a tutela inibitória é dotada de notável
relevo na prestação jurisdicional eleitoral.

Cumpre salientar, nessa esteira, que a Magna Carta de 1988 positivou a


inafastabilidade do Poder Judiciário, ainda quando diante de situações de ameaça de
lesão aos direitos, justificando-se, portanto, o pleito no sentido de obrigação de abstenção
de fazer. Nesse sentido, Fernando Mateus da Silva, ensina que “a finalidade da ação
inibitória é prevenir a possibilidade de ilícito, seja sua repetição ou continuação, em nada
relacionada com o ressarcimento do dano, pouco importando, por isso, os elementos
subjetivos culpa ou dolo”. 6

A tutela inibitória pode ser requerida tanto enquanto provimento final em ação
com cognição exauriente, quanto pode ser pleiteada como tutela antecipatória. Quanto à
sua aplicação prática no Direito Eleitoral, tem-se que podem ser utilizadas diversas
formas ilícitas de convencimento do eleitor, porquanto justifica-se que, ainda antes de
restar configurado o abuso, há a faculdade de utilização de tutela inibitória para cessar o
ilícito, seja ele qual for prevenindo, portanto, que a higidez do pleito seja mitigada.

No campo do processo eleitoral, a tutela inibitória pode servir à finalidade de


determinação de cessação do ilícito, seja sob pena de multa quando reiterado o

6 TAVARES, André Ramos; AGRA, Walber de Moura; PEREIRA, Luiz Fernando (coord). O Direito
Eleitoral e o Novo Código de Processo Civil. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2006. p.228.
comportamento, seja via proibição de repetição de propaganda específica, por exemplo.
Assim, tem-se que a tutela inibitória tem utilização irrestrita para salvaguardar a higidez
do pleito eleitoral, devendo ser utilizada sempre que determinada conduta tiver qualquer
repercussão negativa contra a isonomia entre os candidatos no pleito eleitoral.

Com efeito, não há se falar em censura prévia no âmbito da aplicação da tutela


inibitória. Tanto é assim que o Código de Processo Civil versa, de maneira cristalina, que
a tutela inibitória, lastreada em seu art. 497, parágrafo único, não tem por fulcro perquirir
dano, mas tão somente o ilícito ou a sua possibilidade, desembocando, por conseguinte,
na possibilidade de sua utilização como instrumento de barreira a atos potencialmente
ilícitos. Assim, incumbe a esta justiça especializada o juízo de probabilidade razoável da
ocorrência do ilícito, quando da aplicação da tutela inibitória.

In casu, faz-se necessário deferir a tutela inibitória como medida liminar de


urgência, especificamente para determinar que o Representado seja impedido de
veicular fatos sabidamente inverídicos e inquinados de ilicitude, em detrimento da
criação do sistema de pagamento instantâneo (PIX), veiculado no dia 29/08/2022, em sua
propaganda eleitoral no horário eleitoral gratuito e em sua rede social telegram -
https://t.me/jairbolsonarobrasil/4699, desde o dia 31/08/2022, que já conta com 165.8K
e possui 1.381.184 de subscritores em seu canal, portanto, a dimensão acerca da
propagação do conteúdo desinformativo e gravemente descontextualizado é
desmesurado e merece o rechaço desta justiça especializada.

Isso porque esta Justiça Eleitoral deve valer-se do seu poder geral de cautela para
impedir a propagação de desinformações que maculam de forma assaz intensa a
higidez e a normalidade dos pleitos. Nesse passo, também deve-se resguardar, por seu
turno, a integridade moral dos candidatos dos expedientes odiosos de difusão de fake
news. Demonstrada a possibilidade de utilizar a tutela inibitória no campo do processo
eleitoral, bem como a potencialidade de nova lesão por conduta do Representado, é
exatamente nestas hipóteses que resta cristalina a necessidade da aplicação da tutela
inibitória em sede liminar a fim de coibir a veiculação de fake news.

Vale dizer, não se pode permitir a difusão, através da internet, de fatos


sabidamente inverídicos e que inevitavelmente ocasione a propagação de desinformação
e de grave descontextualização acerca da criação do sistema de pagamento instantâneo
(PIX), em contexto indissociável de disputa ao pleito vindouro.

IV. DOS PEDIDOS:

Pelo fio do exposto, requer a Vossa Excelência o seguinte:

a) Cautelarmente, em razão da manifesta contrariedade aos preceitos legais


vigentes apontados nessa peça exordial, que seja deferido o pedido no sentido
de inibir o Representado em praticar conduta semelhante à esposada,
consubstanciada na veiculação de propaganda contendo fato sabidamente
inverídico e gravemente descontextualizado acerca da criação do sistema de
pagamento instantâneo (PIX) com a remoção do link -
https://t.me/jairbolsonarobrasil/4699, sob pena de imputação em crime de
desobediência e multa a ser arbitrada por Vossa Excelência, dobrando-se a cada
reincidência;

b) A notificação do Representado para, querendo, apresentar defesa (art. 18 da


Resolução TSE nº 23.608/2019);
c) No mérito, seja confirmada a medida liminar, caso deferida, para que, em
caráter definitivo, o Representado se abstenha de veicular o conteúdo
propagandístico eleitoral – do link https://t.me/jairbolsonarobrasil/4699 –
que contenha fatos sabidamente inverídicos e gravemente
descontextualizados, em acinte ao 9º- A da Resolução TSE nº 23.610/2019;

d) Após, o envio dos autos ao Ministério Público Eleitoral.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitida,


notadamente pelas que instruem a presente Representação.

Nestes termos, pede deferimento.


Recife (PE), 02 de setembro de 2022.

WALBER DE MOURA AGRA EZIKELLY BARROS


OAB/PE 757-B OAB/DF 31.903

ALISSON LUCENA MARA HOFANS


OAB/PE 37.719 OAB/RJ 68.152

IAN RODRIGUES DIAS MARCOS RIBEIRO


OAB/DF 10.074 OAB/RJ 62.818

ANA CAROLINE LEITÃO


OAB/PE 49.456

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