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Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

PJe - Processo Judicial Eletrônico

03/09/2022

Número: 0601472-17.2022.6.07.0000
Classe: REPRESENTAÇÃO
Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral
Órgão julgador: Juiz Auxiliar - DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI
Última distribuição : 02/09/2022
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Direito de Resposta
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
IBANEIS ROCHA BARROS JUNIOR (REPRESENTANTE) GABRIEL FREITAS VIEIRA (ADVOGADO)
LUIZ FERNANDO DE FREITAS CARDOSO (ADVOGADO)
JOYCE TERU NOIA SATO (ADVOGADO)
JUAN VITOR BALDUINO NOGUEIRA (ADVOGADO)
TAYNARA TIEMI ONO (ADVOGADO)
MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO (ADVOGADO)
WILLIAN GUIMARAES SANTOS DE CARVALHO
(ADVOGADO)
BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA (ADVOGADO)
JOAO GABRIEL COSTA DOS SANTOS (ADVOGADO)
Unidos pelo DF 15-MDB / 11-PP / 22-PL / 90-PROS / 36-AGIR GABRIEL FREITAS VIEIRA (ADVOGADO)
/ 77-SOLIDARIEDADE / 70 - AVANTE (REPRESENTANTE) LUIZ FERNANDO DE FREITAS CARDOSO (ADVOGADO)
JOYCE TERU NOIA SATO (ADVOGADO)
JUAN VITOR BALDUINO NOGUEIRA (ADVOGADO)
TAYNARA TIEMI ONO (ADVOGADO)
MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO (ADVOGADO)
WILLIAN GUIMARAES SANTOS DE CARVALHO
(ADVOGADO)
BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA (ADVOGADO)
JOAO GABRIEL COSTA DOS SANTOS (ADVOGADO)
LEANDRO ANTONIO GRASS PEIXOTO (REPRESENTADO)
Ministério Público Eleitoral DF (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
25115 03/09/2022 21:45 Decisão Decisão
362
PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL

REPRESENTAÇÃO (11541) - Processo nº 0601472-17.2022.6.07.0000

RELATOR(A): DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI

REPRESENTANTE: IBANEIS ROCHA BARROS JUNIOR, UNIDOS PELO DF 15-MDB / 11-PP / 22-PL / 90-PROS /
36-AGIR / 77-SOLIDARIEDADE / 70 - AVANTE

Advogados do(a) REPRESENTANTE: GABRIEL FREITAS VIEIRA - DF65076, LUIZ FERNANDO DE FREITAS
CARDOSO - DF30842, JOYCE TERU NOIA SATO - DF64466, JUAN VITOR BALDUINO NOGUEIRA - DF5939200,
TAYNARA TIEMI ONO - DF48454, MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO - DF56137, WILLIAN GUIMARAES
SANTOS DE CARVALHO - PI2644, BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA - DF0023067, JOAO GABRIEL COSTA
DOS SANTOS - DF67107
Advogados do(a) REPRESENTANTE: GABRIEL FREITAS VIEIRA - DF65076, LUIZ FERNANDO DE FREITAS
CARDOSO - DF30842, JOYCE TERU NOIA SATO - DF64466, JUAN VITOR BALDUINO NOGUEIRA - DF5939200,
TAYNARA TIEMI ONO - DF48454, MATHEUS PIMENTA DE FREITAS CARDOSO - DF56137, WILLIAN GUIMARAES
SANTOS DE CARVALHO - PI2644, BRUNO RANGEL AVELINO DA SILVA - DF0023067, JOAO GABRIEL COSTA
DOS SANTOS - DF67107

REPRESENTADO: LEANDRO ANTONIO GRASS PEIXOTO

DECISÃO

Trata-se de Representação, com pedido de tutela de urgência, ajuizada por IBANEIS ROCHA
BARROS JÚNIOR e UNIDOS PELO DF (15-MDB / 11-PP / 22-PL / 90-PROS / 36-AGIR / 77-
SOLIDARIEDADE / 70 – AVANTE) em desfavor do candidato LEANDRO ANTÔNIO GRASS
PEIXOTO, em razão de veiculação de propaganda eleitoral irregular, por meio televisivo, em que
se propaga suposto conteúdo calunioso, no horário eleitoral gratuito, com o seguinte conteúdo:
“(...) Não é um passo grande demais. É um passo necessário. Porque a gente não aguenta mais
esse governo incompetente, corrupto e que não se preocupa com as pessoas. Eu me preocupo
(...)”

Afirma que se trata de veiculação de conteúdo calunioso e que a conduta do Representado viola
o art. 9º da Resolução do TSE nº 23.610/2019, especialmente porque, nos termos das certidões
juntadas ao RCand nº 0601098-98.2022.6.07.0000 (registro de candidatura de Ibaneis Rocha –

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doc. anexo), o candidato à reeleição, Ibaneis Rocha, não responde a nenhum processo judicial,
tampouco foi condenado pelo crime de corrupção.

Destaca a necessidade de suspensão liminar da propaganda e da concessão do direito de


resposta, com base no art. 58 da Lei 9.504/1997, art. 243, IV, do Código Eleitoral e art. 27, § 1º,
da Resolução 23.610/2019.

Assim, requer, liminarmente, a antecipação de tutela, para determinar ao Representado que se


abstenha de veicular, novamente, propaganda com a grave imputação de corrupção ao
Representante, sob pena de multa no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e, no mérito, a
confirmação da medida, bem como a concessão do direito de resposta.

É, em síntese, o que consta.

Decido.

Consoante o disposto no artigo 300, caput, do Código de Processo Civil, a tutela de urgência
poderá ser concedida liminarmente quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

No caso, a insurgência do Representante é contra a propaganda televisiva em que o candidato


Leandro Antônio Grass Peixoto, referindo-se ao candidato Ibaneis Rocha Barros Júnior, profere
as seguintes palavras:

“(...) Não é um passo grande demais. É um passo necessário. Porque a


gente não aguenta mais esse governo incompetente, corrupto e que
não se preocupa com as pessoas. Eu me preocupo (...)” N.g

Como cediço, a Constituição Federal assegura a todos o direito ao amplo acesso à informação,
manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma,
processo ou veículo, sem qualquer restrição, sendo vedada toda e qualquer censura de natureza
política, ideológica e artística (arts. 5º, XIV, e 220, §§1º e 2º).

Nessa linha de raciocínio, a liberdade de imprensa e o direito à informação são garantias


constitucionais inerentes ao próprio Estado Democrático de Direito, de forma que a interferência
da Justiça Eleitoral, nessa seara, deve ser a menor possível, limitando-se as questões
flagrantemente ilícitas, sob pena de interferir no debate democrático.

De fato, no Direito Eleitoral, “o caráter dialético imanente às disputas político-eleitorais exige


maior deferência às liberdades de expressão e de pensamento. Neste cenário, recomenda-se a
intervenção mínima do Judiciário nas manifestações próprias da vida democrática e do embate
eleitoral, sob pena de se tolher o conteúdo da liberdade de expressão.” (Agravo Regimental no
Agravo de Instrumento n. 9-24.2016.6.26.0242 – Classe 6 – Várzea Paulista – São Paulo,
Relator: Ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto).

Nesse raciocínio, observando o caso em concreto, nota-se que os direitos de opinar e de criticar
estão ultrapassando a mera liberdade de expressão, ao se afirmar que “o governo é corrupto”,
quando, contra este, não há qualquer condenação comprovada ou descrita.

Tal ação, especialmente voltada ao público leigo, pode gerar consequências nefastas e
desconexas com a realidade, uma vez que, ao se veicular, reiteradamente, em meio televisivo
voltado à população, que “o governo é corrupto”, acaba-se por incutir, na mente dos eleitores, que
tal mensagem tem um cunho de veracidade, quando, na realidade, não se tem notícia da

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existência de processo judicial que, efetivamente, impute ao governo atos de corrupção.

Portanto, as palavras incisivas, e potencialmente lesivas, perpetradas no presente caso são aptas
a ensejar o direito de resposta, uma vez que, “a partir da escolha de candidatos em convenção, é
assegurado o direito de resposta a candidato, partido ou coligação atingidos, ainda que de forma
indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente
inverídica, difundidos por qualquer veículo de comunicação social” (art. 58 da Lei 9.504/1997).

Nessa linha, a propaganda eleitoral em questão deve ser readequada, para se evitar a quebra da
igualdade de armas nas eleições, impingindo na coletividade uma imagem de candidato que não
condiz com a realidade.

Oportuno destacar que deixo de acolher a íntegra do pedido liminar de tutela de urgência, uma
vez que não se mostra possível cumular pedido de direito de resposta com aplicação de multa,
conforme inteligência do art. 4º da Resolução do TSE nº 23608/2019.

Assim, DEFIRO PARCIALMENTE os efeitos da tutela vindicada, para determinar ao


Representado que se abstenha de divulgar a propaganda eleitoral objeto dessa Representação,
com as palavras “governo corrupto”, promovendo a imediata adequação, no prazo máximo de
24 (vinte e quatro) horas, sob pena de serem tomadas medidas de remoção ou proibição de
nova divulgação de propaganda.

Cite-se o Representado, para que apresente defesa no prazo de 2 (dois) dias, nos termos do
artigo 18, caput, da Resolução TSE n. 23.608/2019.

Após, intime-se o d. representante do Ministério Público Eleitoral, nos termos do artigo 19 da


Resolução TSE n. 23.608/2019.

P. I.

Brasília-DF, 3 de setembro de 2022.

DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI

JUIZ AUXILIAR

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