TUTELA JURISDICIONAL

Júnior Fernando BELLATO1 Daniela Martins MADRID2 RESUMO: O presente trabalho tem a finalidade de estudar as diferentes espécies de tutelas jurisdicionais, em especial a Tutela Executiva. O estudo destas tutelas é de suma importância, porque como se sabe o Estado proibiu expressamente o exercício da autotutela, ou como outros preferem a expressão justiça de mão própria. Para tanto, foi necessário chamar para si, à solução de conflitos intersubjetivos como forma de pacificação social. O Brasil sendo um Estado Democrático de Direito onde visa principalmente à divisão de poderes e o princípio da legalidade, incumbiu ao Poder Judiciário, o poder de aplicação do direito objetivo para cada caso concreto, ou então pode ser dito que o Estado possui jurisdicionalidade para resolver conflitos intersubjetivos. Portanto, jurisdição é uma função do Estado que tem por finalidade resolver conflitos intersubjetivos das partes, que é exercida pelo Poder Judiciário. Portanto, dependendo o tipo de tutela jurisdicional invocado pelas partes, o Estado vai dar um tipo de pronunciamento judicial diferente. Palavras-chave: Tutela Jurisdicional. Espécies. Princípios da Tutela Executiva 1.1 Conceito e limitações

Antes de ser mencionar algumas considerações sobre a tutela jurisdicional é de suma importância conceituar o que é tutela jurisdicional? Pois
Discente do 1º ano do curso de Direito das Faculdades Integradas “Antonio Eufrásio de Toledo” de Presidente Prudente. e-mail@ jr.belato@yahoo.com.br Bolsista do Programa de Iniciação Científica. 2 Docente do curso de Direito das Faculdades Integradas “Antonio Eufrásio de Toledo” de Presidente Prudente. Especialista em Direito Civil e Processo Civil pelas Faculdades “Antonio Eufrásio de Toledo” de Presidente Prudente e-mail@....... Orientadora do trabalho.
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tem feito com que a sociedade se preocupe bem mais com o resultado obtido em um processo. somente uma das partes pode obter a tutela jurisdicional integralmente. no final da prestação da jurisdição em favor daquele que tem razão (isso é a regra. mesmo que esse provimento seja desfavorável. girando a idéia do processo civil de resultados. como o Direito integra as ciências humanas não há de se falar em um conceito único usado por todos doutrinadores. Outro conceito mais técnico do processualista Candido Rangel Dinamarco (2004. Em um processo. Destarte. O argumento utilizado entre elas é que para ter o direito de ação basta estar presentes os seus requisitos para obter o provimento jurisdicional. Nesse sentido. Ocorrerá a tutela parcial naquelas situações em que o juiz deferir o pedido parcialmente. Por fim. assim. 106) faz distinção entre tutela jurisdicional e garantia do direito da ação. pois este ostenta um direito. p. consiste que a tutela jurisdicional é concedida em favor do vencedor. na área das exatas. pois antigamente o processo não se preocupava com o resultado esperado pela sociedade. podendo ser o autor ou o réu. p. tutela jurisdicional é “o amparo que. um último conceito do ilustríssimo professor Flávio Luiz Yarshell (1999. A doutrina tradicional do professor Candido Rangel Dinamarco (2004. considerando no plano substancial do ordenamento. o Estado ministra a quem tem razão num litígio deduzido em um processo”. pois há também a chamada tutela antecipada). Diferentemente disto. p. o próprio conceito de tutela jurisdicional. 28). pois como se sabe neste tipo de ciência é raro encontrar um denominador comum como. 104). assevera Candido Rangel Dinamarco (2004. . caso isto ocorra será concedido à tutela jurisdicional ao seu adversário contrariando. 108). a tutela jurisdicional baseia-se na proteção que o Judiciário concede ao autor ou o réu. por obra dos juízes.bem. a doutrina moderna. tanto o réu como o autor receberão este tipo de tutela. p. neste caso as duas partes. por exemplo.

inerentes a jurisdição. ela está fundamentada constitucionalmente no artigo 5º. fundamentações das decisões judiciárias. Existem também outras limitações como. para que a tutela jurisdicional seja concedida é necessário observar uma série de regras para delimitar os poderes do juiz. inciso XXXV da CF). Outras garantias constitucionais como o do contraditório. Sendo a finalidade da tutela jurisdicional de pacificação social. ampla defesa. de competência. para que o juiz não conceda algo a mais do que foi pedido ou então para que o juiz não conceda algo diferente do que foi pedido. nem de conduzir à efetividade das vantagens que de se esperam. a mais extensa é do artigo 2º e 262 do Código de Processo Civil. Também é necessário que exista correlação entre a sentença e o que foi pedido pelo autor. . complementam o princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional (artigo 5º. parte legítima. no qual estabelece que em regra para que se instaure um processo é necessário que a parte tome iniciativa. a finalidade do direito de ação segundo Flávio Luiz Yarshell (1999. Sendo assim. Todas essas limitações têm como finalidade a um julgamento final mais justo e saber que o processo tenha atingido sua finalidade que é a pacificar pretensões insatisfeitas na sociedade. por exemplo. Dentro dessas regras. para alcançar um único objetivo que é a pacificação dos conflitos existentes na sociedade. Todas essas garantias fazem com que no final do processo surja uma decisão justa e efetiva a quem tenha direito a elas. Essas limitações estão fundamentadas na Constituição Federal e também no próprio Código de Processo Civil. dispondo que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. 57) é acionar a atividade jurisdicional e conseqüentemente invocar a tutela jurisdicional contido na jurisdição. Entretanto. em relação a outras ou em relação aos bens da vida – e a exagerada valorização da ação não é capaz de explicar essa vocação institucional do sistema processual. juiz natural.O processo vale pelos resultados que produz na vida das pessoas ou grupos. condições da ação e etc. inciso XXXV. p.

pois existe a possibilidade da parte vencida interpor o recurso. executiva e cautelar. é possível se fazer as classificações das tutelas jurisdicionais.1. confirmando neste sentido o conceito certo de sentença. dito também processo de sentença justamente porque tem a finalidade específica de produzir a tutela jurisdicional mediante o julgamento de pretensões”. tivesse colocado a menção “procedimento de primeiro grau de jurisdição” do que o processo. 14) seria melhor que o artigo 162. Com o advento da lei 11.232/2005. que era o ato que tinha a finalidade de encerrar o processo. o conceito de sentença estava fundamentado no artigo 162. p. Para o professor Cássio Scarpinella Bueno (2006.232/2005. encerrando. assim. parágrafo 1º do Código de Processo Civil. Diante desta consideração exposta toda petição tem que ter um pedido e. onde o processo se caminhará no segundo grau de jurisdição e assim sucessivamente. existem três tipos de tutelas.2 Considerações sobre a Sentença e Classificação da Tutela Jurisdicional Antes de mencionar algumas espécies de tutelas jurisdicionais é necessário tecer algumas considerações importantes para um melhor entendimento do objeto em estudo. a fase procedimental. com base neste. o conceito de sentença passou a ser como o ato que tem como conteúdo umas das hipóteses do artigo 267 e 269 do Código de Processo Civil. Ao classificar os tipos de tutelas é necessário analisar o tipo de provimento jurisdicional que foi solicitado pelo autor. Dentro da tutela de conhecimento são . parágrafo 1º do Código de Processo Civil. pois o processo não pode ser encerrado por causa da sentença. Para a doutrina tradicional. são sábios os ensinamentos do doutrinador Candido Rangel Dinamarco (2002. de conhecimento. p. Antes da lei 11. Esse conceito sempre foi muito criticado. 194) “a sentença de mérito é o momento culminante do processo de conhecimento. Sob esse prisma da sentença.

essas sentenças se caracterizam pela desnecessidade de outra ação (execução) para proteger o direito ameaçado. Destarte. segundo posicionamento do professor Luiz Guilherme Marioni (2005. Assim. para que seja satisfeito o direito do autor. permitem sua aplicação independentemente da autorização do réu. o meio ambiente) que precisam urgentemente de proteção sob o risco de perecer rapidamente. e também sem a necessidade de ser instaurada a ação de execução. de multa diária de dez mil reais. a proteção jurisdicional que o Estado concede a aquele que tem razão. constitutiva e condenatória). p. A doutrina moderna. não é necessário mudar a realidade. Nas sentenças mandamentais e executivas lato sensu o juiz “não pede ele manda”. precisando assim de uma tutela efetiva e tempestiva.compostas por três tipos de tutela. entende que dentro da tutela de conhecimento. por exemplo. ele está obrigado a . ou seja. além das três tipos de tutelas visto anteriormente. esses direitos de terceira geração. As tutelas que atuam no mundo do “direito e dos fatos” são aquelas que têm com conseqüência a mudança da realidade sensível. pois pode demorar anos para que o juiz conceda a sentença. pois principalmente no século XXI existem alguns direitos chamados de terceira geração (como por exemplo. as que atuam apenas no “mundo do direito”. sob pena. chamada de classificação tríplice ou também chamada de trinaria (declaratória. Estes tipos de tutelas. Existem dois tipos de tutelas. que são as tutelas declaratórias e também as constitutivas. não podem esperar que o processo prossiga seu curso normal para só no final deste conceder a proteção do direito que se quer tutelar. Nesta. 321) as sentenças mandamentais e executivas lato sensu. Portanto. no entanto. vez que conjugam elementos de cognição e satisfação. dispensa a alteração dos fatos. o chamado mundo do ser. Dentre as duas correntes adotar a classificação quinária é a mais adequada neste instante. ela também é composto por mais dois tipos de tutelas. chamada de tutela mandamental e a executiva em sentido lato (classificação quinária). o judiciário para conseguir resolver o conflito existente.

cada um com seus requisitos e peculiaridades próprias. que serão objetos de estudo a seguir. conforme de demonstrará a seguir. dependendo da corrente que for adotada). onde estas têm apenas como finalidade atuar no mundo do “direito”. com isso há pessoas que querem subordinar interesse de outra pessoa ao seu. Portanto. se faz necessário da atividade executiva. e não da atividade cognitiva. Dependendo do tipo de tutela jurisdicional que o autor desejar obter para si. como se faz nas tutelas declaratória e constitutiva. de mudar a realidade são: tutela condenatória. constitutivas. Destarte. há várias espécies de tutelas jurisdicionais (classificação trinária ou quinária.alterar a realidade sensível. Dentre os tipos de tutelas. temos as declaratórias. o que vai diferenciar cada espécie será o tipo de tutela jurisdicional desejada pelo autor. mandamental e executiva. ou seja.3 Espécies de Tutelas Jurisdicionais O direito é o instrumento utilizado para garantir a pacificação social. há uma tutela específica para cada pedido. para que a mudança da realidade seja completamente satisfeita. As tutelas que tem essa finalidade. 1. Portanto. mandamentais e executivas lato sensu. condenatórias. . nem sempre há coincidência de vontades dentro de uma mesma sociedade. Todavia. é importante mencionar que há várias espécies de tutelas jurisdicionais.

Destarte. p. a única exceção que a sentença declaratória não recai sobre afirmação da existência ou não da relação jurídica. ou seja. existindo litígio sobre a existência ou não da obrigação. quando a nega. p. Toda sentença que julga improcedente a demanda do autor é declaratória negativa. 3 Por fim. o juiz declara que a relação jurídica já existia ou que ela não existia.3. o único meio competente para solucionar tal crise é a sentença declaratória. A sentença meramente declaratória diz – se positiva quando afirma a existência de um direito e negativa. inciso I do Código de Processo Civil. menos a que julga improcedente a própria ação declaratória negativa. mas sim de fato. No Código de Processo Civil. inciso II do CPC.1. Em nenhuma hipótese a sentença que foi declarada positiva vai gerar título executivo judicial.1 Tutela Jurisdicional Declaratória A sentença declaratória tem por finalidade simplesmente de declarar se existe ou não existe a relação jurídica discutida em juízo. Os motivos desse efeito decorrem de ordem lógica. o efeito da sentença declaratória é “ex tunc”. 109) é na sentença que reconhece que “A” é pai de “B”. e que está fundamentada no artigo 4º. os efeitos da sentença que declarou que “A” é pai de “B” retroagem a partir do momento que nasceu. é uma dúvida sobre a existência ou inexistência da relação jurídica de direito ou obrigação. sempre vai declarar o fato pretérito já ocorrido. que é declaratória positiva. Sendo assim nas sentenças declaratórias sempre haverá uma crise na existência ou não da relação jurídica. Quanto à sentença declaratória mais uma vez buscar-se-á os ensinamentos do doutrinador Candido Rangel Dinamarco (2002. é quando a dúvida versar sobre a declaração de falsidade ou autenticidade de documentos. . 3 Artigo 4º. 220). ou seja. ou seja. tendo assim efeitos retroativos. O exemplo mais usado pelos doutrinadores como Candido Rangel Dinamarco (2004.

A doutrina de Candido Rangel Dinamarco. a tutela jurisdicional constitutiva. 1. p. a partir deste momento. poderá consequentemente criar uma situação jurídica nova onde não existe. .2 Tutela Jurisdicional Constitutiva Sobre o assunto escreve Luiz Rodrigues Wambier (2007. O efeito da sentença constitutiva começa a partir do trânsito em julgado da sentença. ou também pode reconstituir uma que existiu e que deixou de existir. ou por fim modificar a relação jurídica existente ou até mesmo extingui-la. O efeito da tutela constitutiva é “ex nunc”. A sentença constitutiva positiva é aquela que cria ou modifica direitos e obrigações e a sentença constitutiva negativa é aquela que extingue direitos e obrigações. cita o exemplo do vínculo matrimonial. neste tipo de sentença. No processo civil brasileiro tem duas espécies de sentenças constitutivas: a positiva e a negativa. Caso houver mudança na situação jurídica. a tutela jurisdicional condenatória possui outras finalidades. modificação e extinção de direitos e obrigações.3. 148) “Nas sentenças constitutivas não contém condenação. se distingui da declaratória através de outros elementos. tem-se uma crise na situação jurídica. Todavia. sendo somente dissolvida após a sentença de divórcio. conforme será demonstrado a seguir. ou seja.Contudo. que a partir desta sentença o vínculo não mais existe. mas declaração acompanhada da constituição. Resumidamente a sentença constitutiva tem como finalidade a criação. Portanto. modificação ou desconstituição de uma situação jurídica”.

Na sentença condenatória. leciona que a parte declaratória da sentença é que vai definir todos os elementos objetivos e subjetivos. o que vai complementar ela é o meio executivo. são aquelas em que o autor instaura o processo de conhecimento com dois objetivos. além da declaração. Uma vez reconhecido o direito do autor. 229). Por isso a tutela condenatória é apenas parcial. p.3 Tutela Jurisdicional Condenatória As tutelas condenatórias. Sob esta ótica ensina Candido Rangel Dinamarco (2002. Sendo assim a tutela condenatória vai mudar uma situação (onde esta é contrária à pretensão do autor) para conseguir a reparação de um dever ou uma obrigação. onde a sentença concedida pelo juiz vai gerar um título executivo judicial. Na tutela condenatória. consistente na criação de condições para que a execução passe a ser admissível no caso. p. o objeto e numerando os bens devidos. Na lição de Candido Rangel Dinamarco (2002. estabelecendo também a natureza do direito discutido em juízo. capaz de obrigar o devedor pela via adequada o cumprimento da obrigação. 231). para que como foi visto haja uma tutela condenatória plena. Como toda sentença de mérito. visa também a uma condenação do réu ao cumprimento de uma obrigação ativa ou omissiva. isto é. para que o credor possa obter uma tutela jurisdicional plena é necessário que o devedor cumpra o que foi estabelecido na sentença voluntariamente. dessa forma deixa claro quem é o credor e o devedor. para que ela venha a ser a via adequada para o titular do direito buscar sua satisfação. o que distingue das demais é o segundo momento lógico. a sentença condenatória cria condições para que a execução passe a ser admissível. é portadora de uma declaração. a sentença condenatória. .1.3. a crise de inadimplemento discutido em juízo sempre será o descumprimento de um dever ou uma obrigação.

não ficando sujeito o obrigado cumprir a obrigação da forma que ele quiser. que abre o caminho da execução forçada. Na sentença mandamental concedida pelo o juiz. chamado de sancionador.O efeito da sentença condenatória é “ex tunc”. ou seja. Por exemplo. Mas em determinado momento a lei vai determinar o alcance dessa retroatividade. incluindo os juros e correção monetária desde o momento da citação. se o juiz manda uma . Por sua vez. Exemplo disso é quando a sentença é julgada em favor do autor e o juiz estabelece que o réu pague a condenação. O critério usado para identificar o tipo de sentença é a crise de inadimplemento de uma obrigação ou violação de um dever. a tutela jurisdicional mandamental possui outros objetivos que será exposto no próximo tópico. tendo também um momento declaratório. um segundo momento. ou seja. a forma de cumprir a obrigação pelo obrigado sempre será específica. caracteriza desobediência à autoridade estatal passível de sanções.3. A diferença entre a sentença condenatória e a mandamental é o conteúdo. inclusive de caráter penal (artigo 330 do CP). cujo descumprimento. onde o juiz declara o reconhecimento do direito do autor e. 149): Tem por objetivo a obtenção de sentença em que o juiz emite uma ordem. As tutelas mandamentais têm a mesma estrutura das sentenças condenatórias. a crise de inadimplemento discutido em juízo sempre será o descumprimento de um dever ou uma obrigação. Aqui também. por quem a receba. caso o devedor não cumpra a obrigação espontaneamente.4 Tutela Jurisdicional Mandamental De acordo com Luiz Rodrigues Wambier (2007. p. este efeito retroage. Exemplo disso são as sentenças proferidas no mandado de segurança e na ação de nunciação de obra nova (artigo 938 do CPC). 1.

e essa ordem não necessita do processo de execução. como por exemplo.empresa parar de violar o meio ambiente. Após a condenação o juiz praticamente aconselha o vencido para que cumpra com sua obrigação. Esse tipo de tutela tem tamanha intensidade que o juiz ainda no próprio processo de conhecimento. A tutela mandamental é mais utilizada nas obrigações de fazer. . dada à conotação de ordem da qual se impregna. A recomposição da condenação é sempre feita de forma específica mediante uma coerção. Exemplo disso é o mandado de segurança. Sendo diferente o efeito. pois tem outra conotação. O núcleo da sentença mandamental é ordem de fazer mais a coerção (pressão). onde o juiz não só condena. como depositário infiel e devedor de alimentos com fundamento no artigo 5º da Constituição Federal e artigo 733 do Código de Processo Civil. Essa é a diferença da sentença condenatória. ela está obrigado a cessar essa conduta. Na sentença mandamental quem não cumprir a ordem do juiz. mas ele ordena que o vencido faça ou deixa de fazer alguma coisa. multa diária. pode se utilizar de meios coercitivos. Ele passou a sustentar que há situações diferentes de simples condenação. o tipo de provimento jurisdicional não é puramente condenatório. A medida coercitiva pessoal (prisão civil) é excepcionalíssima somente permitida nas hipóteses previstas expressamente na lei. Destarte. No direito brasileiro. e em outras situações o magistrado não se limita a apenas condenar. sem precisar da instauração de um processo de execução para garantir a satisfação do direito do vencedor. é pecuniária. a sentença tem que receber outro nome e Pontes de Miranda sugeriu “mandamental”. também pode responder por crime de desobediência. imposta pelo Poder Judiciário. a coerção em regra. mas também ele ordena. sob pena de uma imposição de uma medida coercitiva. pois ele manda que a parte faça ou deixa de fazer alguma coisa. e não simplesmente pagar em dinheiro os danos causados por ela.

. a emissão e o cumprimento da ordem são feitos no mesmo processo. a tutela jurisdicional é aquela concedida para aquele que tem razão. Através desse conceito. Para o doutrinador Vicente Greco Filho (2006. tem eficácia própria.3. aquela pessoa que está amparada pelo direito material. não há necessidade de dois processos. ou seja. No entanto. tem o instrumento adequado chamado de mandado de segurança e o artigo 461 do CPC usada nas condenações por obrigações de fazer ou não fazer. A sentença mandamental. aparentemente somente o exeqüente tem esse direito resguardado para si. independente da concordância do devedor ou não. para satisfazer o direito de uma pessoa à custa do patrimônio de outra pessoa. Na tutela mandamental. p. para que juiz tornar efetivo o direito do vencedor. 08) entende por execução “o conjunto de atividades atribuídas aos órgãos judiciários para a realização prática de uma vontade concreta da lei previamente consagrada num título”. 1. de tutela jurisdicional. Tudo é resolvido na mesma relação processual.Na lei brasileira. sem a necessidade de um processo de execução. por exemplo. portanto. tem que ser de um modo menos gravoso para o executado. Será visto que a tutela jurisdicional executivos há bastante semelhança com a tutela jurisdicional mandamental.5 – Tutela Jurisdicional Executiva A princípio. existem princípios que demonstram que o executado também é merecedor dessa tutela como. Tutela executiva consiste no conjunto de medidas. com exceção das medidas utilizadas pelo Judiciário para satisfazer a pretensão da parte que tem razão. quando o exeqüente vai executar seu crédito.

Para o doutrinador Araken de Assis (2000. Em alguns casos.3. como no caso da mandamental. A característica da tutela jurisdicional executiva é a expropriação de um bem. que não pode ser substituído por atos materiais praticados pelos órgãos jurisdicionais. os atos de sub-rogação são inadmissíveis. 1.Neste tipo de tutela a crise a ser discutida em juízo também vai ser a violação de um dever ou uma obrigação. a satisfação do direito depende exclusivamente da vontade do obrigado. Exemplo disso é quando o magistrado subroga-se e pratica os atos que o obrigado deveria ter feito e deixou de fazer. A tutela executiva também vai ter a mesma estrutura da tutela mandamental. como por exemplo. nesta o juiz para satisfazer o direito do vencedor usando medidas sub-rogatórias. em que somente a pessoa encarregada poderá prestá-la. o Judiciário usa seu poder de império praticando atos no lugar do réu. 109): . No Código de Processo Civil brasileiro tem duas espécies de tutelas executivas. a forma de cumprir a obrigação imposta ao vencedor sempre será específica. Nesta.5. tendo em primeiro momento chamado de “declaratório” e o segundo momento chamado de “sancionador”. Exemplo. o juiz penhora o carro do devedor para pagar a obrigação em face do credor. inicialmente do patrimônio disponível do devedor. Em algumas situações. p.1 Espécies de Tutela Executiva Espécies de execução são sinônimos de meios executórios. a expropriação. por causa da natureza da obrigação que não foi cumprida. mas na tutela executiva. a recomposição do dano é feita por sub-rogação. como por exemplo. nas obrigações personalíssimas. isto é.

Ex. Mediante elas o Estado – juiz procura persuadir o inadimplente. dentro do processo. ensina o doutrinador Candido Rangel Dinamarco (2004. Eles veiculam a força executiva. para no final entregar o dinheiro para “B”. para que cumpra. Nos meios sub-rogatório ou também chamado de execução tradicional. impondo-lhe situações tão onerosas e inconvenientes que em algum momento seja para ele mais vantajoso cumprir do que permanecer no inadimplemento. 147): As medidas de coerção consistem em pressões sobre a vontade do obrigado. por exemplo. ou ainda podem também atingir o patrimônio do obrigado como. p.Os meios executórios constituem a reunião de atos executivos endereçada. a mudança da realidade é feito pelo próprio Poder Judiciário e não pelo obrigado como no meio coercitivo. é sabia a distinção entre execução direta e indireta feito pelo doutrinador José Frederico Marques (1998. p. é sub-rogatório porque o Judiciário substitui o próprio devedor. pega um bem do “A” para vender no leilão judicial. Tem os chamados meios executórios de coerção e os meios executórios de sub-rogação. Diante disto. à obtenção do bem pretendido pelo exeqüente. Destarte. através do procedimento da penhora. . por exemplo. e não só naquelas que se originam do efeito executivo da sentença condenatória. presentes em todas as ações classificadas de executivas. Quanto à medida coercitiva. Os meios executivos utilizados para fazer a mudança da realidade são: os chamados meios coercitivos e também os sub-rogatórios. a limitação da liberdade como na execução alimentar. “A” foi condenado a pagar uma quantia para “B” e ele não o faz voluntariamente. a mudança da realidade é feito pelo próprio obrigado em função de uma ameaça realizada pelo próprio Poder Judiciário. Esses meios coercitivos podem recair sobre a própria pessoa como. nos meios coercitivos. ou seja. enquanto na execução específica esta opera sobre o próprio objeto da obrigação”. a multa. O Judiciário. 174) “na execução indireta há expropriação do bem ou bens do devedor.

alienação e também o usufruto.Neste sentido é a lição de José Frederico Marques (1998. e o credor adquire para ele os rendimentos cedido daquele bem. pega somente o dinheiro. É a execução de entregar a coisa certa e de direitos reais. expropriação. O meio de expropriação está ligado ao pagamento em quantia de dinheiro. p. Os meios sub-rogatórios podem ser exercidos por mais de uma maneira. Artigo 708. alienação. para posteriormente conseguir pegar o dinheiro através do leilão judicial. procede-se à execução mediante atos de apreensão e expropriatórios que vão da penhora até a entrega do produto da arrematação (ou do bem penhorado) ao exeqüente ou credor. 4 O artigo 634 do Código de Processo Civil mostra caminho utilizado para ocorrer à transformação. o meio de alienação na doutrina de Araken de Assis (2007. 4 5 Artigo 633 e 639 do CPC. Dentro da expropriação tem três modalidades: a adjudicação. . A execução genérica. quando lhe é apresentado o mandado executivo. O meio de adjudicação consiste em tomar um bem do devedor como forma de pagamento. 5 Por sua vez.172): Se o executado não paga a quantia líquida da prestação em dinheiro. O Judiciário invade seu patrimônio do devedor (através da penhora). As modalidades de sub-rogação são: desapossamento. transformação. O meio de transformação ocorre quando a esfera patrimonial é invadida para executar obrigações de fazer fungíveis ou direitos a ela equiparados. tem caráter expropriatório. como a penhora on-line. O meio de desapossamento consiste em uma atividade simples e imediata. 138) onde o judiciário providenciará por sua própria iniciativa a venda do bem penhorado em face do devedor. O meio de usufruto ocorre naqueles casos em que o bem penhorado é frutífero. inciso II do CPC. p. para posteriormente entregar o dinheiro da alienação para o credor. portanto. ou em alguns casos. usufruto. pega um bem dele. e dentro da expropriação temos a adjudicação.

vinculam. contém princípios que direcionam o operador do direito a aplicação dessas normas de forma mais humana e digna.1 Princípio da realidade da execução Toda execução é real no sentido de coisa. hoje é diferente. Os princípios jurídicos são também normas jurídicas.5. não expressos. 1. Sua finalidade é clarear o sentido real das normas jurídicas positivadas ao longo dos diplomas legais. que deixa dúvida quanto sua aplicação. pois quem respondia pela execução era a própria pessoa. ou seja. do artigo 733 do Código de Processo Civil.2 Princípios da Tutela Executiva Na tutela executiva. toda execução recai sobre uma coisa. Mesmo quando implícitos. a rigor. São os princípios que.2. a execução recai sobre o patrimônio da pessoa. 6 No ordenamento brasileiro há exceção a esta regra. . onde é permitida a prisão civil do devedor. impõem deveres. os princípios jurídicos também são obrigatórios. Esse princípio é uma conquista do direito romano. 1.5. tanto quanto qualquer regra jurídica.5. fazem com que exista um sistema. igualmente aos outros institutos. também objeto de estudo no próximo tópico. como não poderia ocorrer de outra forma.A tutela executiva.5. preleciona o doutrinador Luiz Rodrigues Wambier (2007 p. Neste mesmo sentido. 6 Artigo 591 do CPC. 68): Princípios são normas “fundantes” do sistema jurídico. eles entram em logo em cena. pois caso o operador do direito afrontar com uma norma obscura. os princípios são de grande valia. no caso de execução alimentar.

3. Somente os títulos executivos estabelecidos no artigo 475-N do Código de Processo Civil. .2.2 Princípio da adequação Segundo posicionamento do doutrinador Araken de Assis (2000.3 Princípio do menor sacrifício do executado. esse princípio “consiste no conjunto de atos para fazer com que a execução seja adequada com o objeto da prestação”.5. 106). preocupa-se com a total execução.5.5.5. p.1. Por um lado.2. o Judiciário preocupa-se em onerar da menor forma possível o devedor. em determinadas situações.5. o legislador permitiu a não aplicação do artigo 475-N. Porém.5. para que comecem ser praticados os atos executivos. Significa que “não há execução sem título executivo”. 7 8 Artigo 620 do CPC.4 Princípio da “nulla executio sine titulo8” Sobre essa perspectiva dos títulos judiciais. não precisa de nenhuma sentença. esse princípio sofre um abrandamento muito importante. 7 1. por outro.2. dão ensejo a prática de atos executivos. Exemplo disso é quando o juiz ordena que o próprio devedor fique como depositário sobre o bem penhorado. ou seja. exemplo disso é a tutela antecipada do artigo 273 do Código de Processo Civil.

Ele só não tem contraditório a respeito do montante devido já decidido. Recentemente. O mérito. este princípio é observado sob a ótica do devedor.5.1. Mas. por isso. onde existem limites à atividade executiva.2. há uma espécie de tutela jurisdicional. 2 CONCLUSÃO Portanto. A proibição que o Código de Defesa do Consumidor traz de exposição da pessoa do devedor é decorrência lógica deste princípio. No processo de execução pode-se discutir do título para frente (já feita à liquidação de sentença).6 Princípio do Contraditório Alguns doutrinadores acham que esse princípio não existe no processo de execução.5. o devedor era obrigado a concordar com os cálculos feitos pelo contador ou com o valor do bem vendido.5 Princípio da Dignidade da Pessoa Humana A dignidade da pessoa humana evidentemente tem que ser respeitada na execução.5. esse princípio também passou a ser analisado sob a ótica do próprio credor (por vezes a dignidade do credor é violada pela patente ineficácia da execução). Caso não houvesse contraditório. Cada espécie de tutela jurisdicional origina conseqüências diferentes. dependendo do tipo de pretensão insatisfeita do autor. ela é de grande importância para a pessoa .5. no processo de execução há a cognição e o contraditório. o valor do título não se pode discutir.2. Em um primeiro momento. 1. com peculiaridades próprias e.

2ª. São Paulo. Edição. Edição. 3. . para que a tutela jurisdicional seja justa. Edição. São Paulo: Editora Malheiros. WAMBIER. que ela seja concedida em um período razoável. Manual do Processo de Execução. José Frederico. Colaborado por Antonio Luiz de Toledo Pinto. Editora Revista dos Tribunais. Manual de Direito Processual Civil. DINAMARCO. para que atinge o ideal de justiça. Volume III. 6ª. Araken. BUENO. Candido Rangel. Flávio Luiz. São Paulo: Editora Atlas. Instituições de Direito Processual Civil. VADE MECUM. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSIS. Tutela Jurisdicional. São Paulo: Saraiva. Edição. Luiz Rodrigues. p. Por fim. São Paulo: Editora Malheiros. 2ª. é necessário além de sua procedência. Volume III. MARQUES. 2ª Edição. 2007. São Paulo: Editora Revistas dos Tribunais. Brasília: Senado. 2002. BRASIL. porque sempre será através dela que o prejudicado tentará reparar seu direito. Edição. 433. 2006. 1998. Campinas/SP: Editora Millennium. 1. 1988. 2ª. ed.que se sentir lesada. Instituições de Direito Processual Civil. Márcia Cristina Vaz dos Santos e Lívia Céspedes. Constituição (1988). São Paulo: Editora Saraiva. YARSHELL. V. DINAMARCO. Curso Avançado de Processo Civil. Candido Rangel. 2000. Constituição da República Federativa do Brasil. A nova Etapa da Reforma do Código de Processo Civil. Cássio Scarpinella. 2002. 2007. 1ª.

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