1 BILLIER, E.; ALMEIDA, G. Santo Tomás de Aquino: Justiça e Sinderese. In:_____. Curso de Filosofia do Direito. 8. ed.

São Paulo: Atlas, 2010. p. 247-267.

O texto apresentado diz respeito à filosofia tomista de Santo Tomás de Aquino, suas atividades, o justo e o injusto, suas concepções da lei divina, o regime das leis, das atividades dos juízes, das acepções, da definição, da prática e da teoria tomista de justiça. A filosofia tomista de Santo Tomás de Aquino (1225 – 1274) encontrasse estruturalmente ligada as Escrituras Sagradas e também ao pensamento Aristotélico, representando até certo ponto uma visão do pensamento filosófico até o século XIII. Sua doutrina convertesse em uma nova forma de conceber o conhecimento alienando fé e razão. A influência de Aristóteles dota as lições tomistas de clarividência particular, mesmo que os textos do Aquinotense se misturem nos temas metafísicos, teológicos, políticos e sociais, tudo é entendido, ligado, explicado, exposto detalhadamente, dividindo suas considerações com as de seus predecessores. O estudo do conceito de direito e justiça se volta para o conjunto de interesses do homem, com a influência de Aristóteles e da jurisprudência romana há o favorecimento do desenvolvimento do tema “justiça” em Santo Tomás de Aquino como problema ligado à ação humana, à virtude que sabe dar a cada um o que é seu. Justiça na teoria tomista é estudada sob três aspectos o termo Lex, no sentido humano, no sentido natural e no sentido divino, mas para seguir esse estudo, devesse primeiramente identificar na teoria tomista a preocupação com a razão prática e ética. Em Santo Tomás de Aquino o homem é composto de um corpo material, perecível e mortal, que colabora com o crescimento de sua outra parte a alma criada por Deus, incorruptível, imaterial, imortal, que preenche de vida todos os seres vivos, com graus, potências e faculdades diferenciadas. A alma dos vegetais executa apenas, tarefas fisiológicas das quais desconhecem a forma e o fim, já os animais possuem alma sensitiva, executam e aprendem a forma de agir, e a alma intelectual pertence ao homem, é capaz

2 de sobreviver.. O homem utiliza a razão em todas as questões a sua vida prática em função das suas experiências sensoriais. Assim é o conhecimento por meio da razão que diferencia a alma do homem dos demais seres vivos que o torna capaz de conhecer o fim de suas ações. comportamentos. a sinderese é o agente estabelecedor do fim da razão prática. é. a justa medida entre o excesso e a carência. assim. A teoria tomista da justiça tem sempre como base a razão prática dirigida ao fim de fazer o bem e evitar o mal. unindoas a noção de justiça romana. também livremente escolhidos por ele. o bem que guia a causa final. justo ou injusto. portanto. A ética nada mais é. . A liberdade se comprova através do livre arbítrio já que se tem a capacidade de conhecer e julgar o que é certo ou errado. por ignorância o causador do mal entendia que cometia um bem. familiar ou social. como uma vontade de dar a cada um o que é seu. a teoria do conhecimento tomista indica que o intelecto se constrói a partir da experiência sensível da interação com os objetos de conhecimento. Santo Tomás de Aquino comunga com as lições gregas. Nesse sentido é que a razão prática é o instrumento para o homem eleger os meios e alcançar os fins. Na teoria tomista Deus dá ao homem a vontade para que ele siga o caminho do bem. ou seja. um meio entre extremos opostos. para um convívio racional individual. podendo decidir os meios para realizálo. ou seja. uma virtude. A justiça nasce dos conceitos éticos. etc. que é o fim de toda ação. O homem acumula e servesse das três faculdades da alma à encontrada nos vegetais. do que a escolha e a execução do bem por vontade própria em todos os atos e comportamentos. Para Santo Tomás de Aquino o fim é que movimenta a atuação humana por atos. principalmente as Aristotélicas. condutas. executar atividades e ainda aprender a forma e o fim das suas ações. uma causa final só tem uma ação de maldade. quando é julgada equivocadamente. nos animais e no próprio homem. resumindo todo o conhecimento obtido pelo homem passou antes pelos sentidos.

porém dada por Deus aos homens através do conhecimento das Sagradas Escrituras. o que é justo? Qual a proporção devida ou merecida de cada um? Para Santo Tomás de Aquino a justiça é uma relação de igualdade entre pessoas e não entre coisas ou coisas e pessoas. mas comum somente aos homens. a maior das virtudes. ilegítimo. caso contrário positivará o que é injusto. Eterna é a lei de Deus que rege. na teoria tomista ela é uma participação racional na lei eterna. sendo que. na proporção em que cada um possui uma medida e onde nem todos são iguais materialmente. A justiça na teoria de Santo Tomás de Aquino é objeto do direito quando exteriorizada. a apreensão e as falhas ocasionais são naturais. já a lei das gentes é racional. A lei eterna é a expressão da razão divina que governa o universo e não deve ser confundida com a lei divina que é uma expressão da lei eterna. e lei humana é convencional e relativa deve procurar refletir o conteúdo das leis eterna e natural. porém o direito não é a justiça. eterna ou natural.3 Todavia. justiça é um hábito exteriorizado através da prática onde se dá a cada um o que é seu. O legislador deve positivar o que é fornecido pela natureza. mas busca a realização da justiça. para Santo Tomás de Aquino. por isso. Porém. o fato de uma lei positiva estar em desacordo com a natural não significa a desobediência ao que foi criado pelo homem. é uma virtude que ordena nossos atos em relação aos outros. A lei humana é a lei que só adquire força quando instituída pela vontade do legislador. não é o exercício da inteligência especulativa. A justiça e o justo se interrelacionam. Natural é a lei comum a todos os homens e animais. reflexiva. a desobediência só aparece quando a lei humana entra em conflito com a lei eterna. das gentes ou humana. deve ser positiva e retratar os preceitos da lei natural. . o direito visa poder estabelecer uma maneira plena de justiça. A lei natural está presente na natureza. extraída da natural. A natureza do homem é mutável. Santo Tomás de Aquino admite vários sentidos para lei. Justiça não se reduz a lei no sentido positivo é algo maior que advém da razão natural e divina. ordena e está presente em tudo o que existe. da qual a natureza está repleta.

Como a lei objetiva ordenar o homem para o convívio pacífico em sociedade. assim é mais fácil encontrar poucos mas bons legisladores do que muitos juízes que possam ser bons para o exercício do cargo. primeiro. o homem necessita de regras. Tanto na justiça comutativa que regula a relação entre particulares. A diferença entre a justiça comutativa é que nessa se utiliza o critério de igualdade através da média aritmética.4 No convívio social. Essa justiça depende do tipo de dever. isso em função da especificidade do que é devido a cada um. porque em uma grande sociedade se faz mister um grande número de juízes para a efetivação da justiça. essas leis positivadas tornam concreto o que existe na natureza. se estiver submisso a lei. A lei justa para o convívio social é produzida pelo legislador. Santo Tomás de Aquino reconhece as diversas acepções de justiça. aplica a lei de acordo com o seu fim. apenas a executará. as leis naturais adquiridas pela experiência natural. porque para cada condição pessoal relativa a um dever próprio. O objeto da justiça é o direito que é o efeito da lei. são insuficientes. leis positivadas. e acompanham as mudanças humanas. o juiz diante dos fatos pode envolverse subjetivamente deixando se levar pelas paixões. excetuando assim a objetividade para um julgamento justo. . suas imperfeições e as limitações do saber racional. Segundo Santo Tomás de Aquino é mais plausível estar sob um regime de leis. pois. e o julgamento é necessário para que haja justiça entre os homens. pratica a justiça legal que ordena os atos para o bem comum. A execução se efetiva por um ato de imperium. como na justiça distributiva que coordena o relacionamento da parte com o todo. O legislador intencionalmente especula o intelecto para escolher através da razão o meio mais adequado para alcançar a meta desejada. a justiça aparece como um meio de equilíbrio estabelecendo igualdade entre as partes. o juiz analisará no momento que for necessário. o critério de igualdade é a proporcionalidade. e na distributiva repartesse os bens segundo o merecimento de cada um. vivendo de acordo com a lei. o legislador ao legislar procura prever os casos acessíveis a capacidade humana antes da ocorrência dos fatos. obedecendo a atos que lhe confiram caráter vinculatório por ter força natural. é devido algo.

violando seus direitos. o legislador deve equilibrar uma distribuição equivalente entre os indivíduos para evitar grandes diferenças sociais. é preciso que a prática seja reiterada constantemente. sua punição deve estar contida na lei. pelo justo meio de acordo com a lei natural. o julgamento é o ato que determina o que é justo ou o que é direito. orientando as condutas para o bem. Podesse sofrer a injustiça voluntariamente. então. que tenha inclinação para a justiça e seja prudente. age por ignorância não pode ser considerado justo ou injusto. . O ato de julgar é ilícito. Para que um juiz proceda a um julgamento justo e restabeleça o equilíbrio rompido é necessário que esteja investido do poder de julgar. caso contrário sua conduta será considerada apenas uma rebeldia a lei dos homens. O condenado à morte pode rebelar-se sem cometer pecado se foi uma condenação injusta. A propriedade privada foi instituída pelo direito positivo. já que ninguém comete injustiças contra si próprio. caso essas sejam omissas. do contrário ela não seria eficaz. no pensamento tomista o ato de julgar é um ato de individualização da lei no julgamento. A prática da justiça tanto distributiva como comutativa depende da vontade do individuo que pratica o ato. decorrentes da experiência. então os benefícios serão da sociedade. se o ato é involuntário e quem o pratica não tem conhecimento e não pratica a justiça ou a injustiça. A atividade do juiz é a aplicação da justiça. deve o juiz buscar a justiça nos seus conhecimentos.5 Se o legislador ponderou as escolhas através da reta razão. quando os vícios afetam direta ou indiretamente a justiça. para aqueles que não são revestidos de poder para tanto. A sentença do juiz deve ter força coativa para obrigar as partes a lhe obedecerem. mas não se pode ser vitima e autor ao mesmo tempo. que seguira para o fim desejado o próprio bem. e se todos esses dados não forem suficientes absolve-se o julgado por insuficiência de provas. O julgamento justo tem por base as leis. A injustiça é maior quando despreza o bem comum. A justiça ou a injustiça não tornam o homem justo ou injusto por um único ato. portanto. em testemunhas e provas.

Que justiça é um hábito virtuoso pela prática de atos direcionados a um fim. Ao final do texto. unesse a mulher com o objetivo de constituir uma família. um maior esclarecimento sobre o mesmo. o autor conclui que a teoria tomista sobre a justiça é muito ampla. O apego e fundamento teológico para explicar o justo claramente delineado no pensamento tomista com o renascimento do iluminismo. Fica claro que a proposta de Santo Tomás de Aquino. que sua concepção transcende para a lei divina. em um primeiro momento o homem integra a família para daí passar ao convívio social. permitindo assim. porém com algumas palavras pouco conhecidas. o direito natural e o direito divino. deve adequar-se às prescrições que lhe são superiores a fontes de inspiração. a respeito das idéias de Santo Tomás de Aquino. e as idéias do Santo Tomás de Aquino. necessitandosse de dicionário e certo conhecimento da história da filosofia para compreensão. onde está a vontade de dar a cada um o que é seu. se um homem comete um pecado. Que todo o conteúdo do direito positivo. De acordo com os pensamentos de Santo Tomás de Aquino. A razão que distingue os seres humanos . da qual deriva tudo o que foi gerado por força da razão de Deus. para o bem da sociedade e do próprio individuo para que não volte a cometer o ato pecaminoso. a prisão legítima também pode ser efetuada se quem o faz tem poder para o ato. desde que provada a não intenção do ato. é que devemos cuidar para sermos sempre justos. o assunto foi abordado de forma clara. O tema divide-se em dez subitens. portanto. pois. que todas as classificações permitem explorar com clareza a teoria. e demonstrando seu vasto conhecimento. por necessidade vital se faz lícito também o roubo ou o furto. retribuição ilegal e má fé são inaceitáveis. o advogado que defender um culpado sem saber não comete pecado. o texto é bastante original e contribui para aperfeiçoar e esclarecer um pouco mais. existem outros conceitos para justiça. é licito ao estado amputar-lhe o membro como pena. para educar o pai ou o senhor podem cometer o ilícito do açoite. bem elaborados. Matar alguém é licito se for em legitima defesa. apesar do instinto animal. Em cada subitem o autor faz considerações sobre o tema em abordagem. sentido no qual o direito transcende a lei escrita.6 O casamento é parte do direito natural. concebidos pela razão prática.

o que lhe é devido. . e. da bondade. os valores morais e éticos da igualdade. ficando livres de praticar danos aos nossos semelhantes e vivendo de acordo coma razão maior que é Deus. de escolher o que é correto. praticamos o bem e desviamo-nos do mal.7 dando-lhes a capacidade de pensar. praticando essa justiça de dar a cada um. a razão da vida. dentro de si mesmos. Assim. de acordo com o conhecimento. nos é dada por Deus através dos sentimentos. da justiça. Indico o texto a todos aqueles que buscam saber e tentar entender. seremos éticos e justos.

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