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Holding Patrimonial ou Familiar: quais os benefícios possíveis?

De acordo com uma pesquisa elaborada pela Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), aproximadamente 69% da população brasileira
das classes A e B deixam de enriquecer todos os dias.

Segundo o relatório, essas pessoas, que detêm a maior concentração de renda no Brasil, não
buscam estratégias para manter ou aumentar o próprio patrimônio. Ou seja, ainda se mostram
passivas e não se protegem dos efeitos da inflação do país, que atualmente supera a taxa
anual de 11%.

Soma-se ainda a dificuldade que a população brasileira demonstra em relação ao


planejamento financeiro. Em pesquisa divulgada pela fintech de educação financeira Leve,
foi identificado que cerca de 52% dos cidadãos do país não conseguem estruturar ou aplicar
planos econômicos em suas vidas pessoais.

O estudo revelou ainda que 46% dos entrevistados se mostraram inseguros para criar metas
de longo prazo. A avaliação dos especialistas é de que a ausência de conhecimento da área e
as limitações de orçamento são os principais responsáveis pela dificuldade dos brasileiros em
planejar o futuro.

Como é possível observar, toda a população do país, independentemente da classe social,


enfrenta obstáculos para colocar a economia pessoal em perspectiva. Ainda que não atenda a
todas as camadas econômicas, cresce cada vez mais a busca por uma gestão de bens
profissional no Brasil.

Para reduzir a burocracia fiscal e otimizar a organização dos ativos, muitos têm encontrado na
estruturação de uma Holding a estratégia definitiva para melhor aproveitar o próprio
patrimônio.

O que é uma Holding?

As Holdings vem sendo cada vez mais utilizadas pelos brasileiros para a proteção de bens ou
multiplicação do capital. Podemos entender essa estrutura jurídica como a responsável pela
gestão de um determinado tipo de patrimônio, conjunto de bens de um indivíduo ou
grupo/família.

Apesar do início recente no Brasil (a oficialização data de 1976 pela Lei n.º 6.404/76), a
atuação das Holdings tem registros desde meados do século XVII na Europa. Ao longo dos
anos, o conceito evoluiu para uma empresa de participações ou sociedade controladora,
tornando-se referência no mundo dos negócios e influenciando toda a cultura empresarial
nacional e internacional.
A depender do objetivo, da principal atividade do negócio, classe de bens administrados e
público, o tipo de Holding a ser estruturada pode variar. Entre os modelos podemos citar:
Holding Pura; Holding Mista; Holding Patrimonial; Holding Familiar; Holding de Controle;
Holding de Participações; Holding Imobiliária; Holding Matrimonial; Holding Offshore;
Holding de Investimentos; e Holding Rural.

Na prática, o que diferencia a natureza da Holding são os bens, ativos e títulos que serão
integralizados. Por se tratar de uma estratégia a longo prazo, os detalhes devem ser analisados
de forma minuciosa, considerando todos os cenários possíveis com o objetivo de assegurar o
acesso a todas as vantagens.

Benefícios da Holding Patrimonial e/ou Familiar

A criação de uma Holding visa a economia de recursos, blindagem patrimonial total e


transmissão de 100% dos bens aos herdeiros. Além de atuar na redução de impostos, essa
estrutura jurídica também garante proteção fiscal, contábil e tributária. Assim, os dados
pessoais e financeiros ficam protegidos, evitando processos judiciais.

Com a gestão centralizada proporcionada por uma Holding Patrimonial e/ou Familiar, por
exemplo, a controladora realiza o papel de responsável máximo pelos bens, estruturando e
isolando todo o patrimônio de forma mais efetiva.

Além de impedir que informações vazadas prejudiquem a segurança familiar, as Holdings


também eliminam os impostos sobre o ganho de capital imobiliário, garantindo ainda a
imunidade de Inventário, ITCMD e ITBI. Dessa forma, a transferência de bens ocorre de
forma automática aos herdeiros.

Com a isonomia fiscal alcançada por uma Holding Patrimonial e/ou Familiar, a gestão dos
bens tende a se mostrar muito mais efetiva. Isto acontece pois a centralização simplifica todos
os processos fiscais, jurídicos e tributários. Assim, os riscos ao patrimônio são reduzidos de
forma significativa.

Por conta destes benefícios, a Holding permite um planejamento sucessório tranquilo e


harmonioso entre os entes queridos, já que a transmissão dos bens ocorre de forma
automática com regras estipuladas previamente. Os herdeiros têm acesso ao patrimônio em
até 30 dias, já que a transferência é feita diretamente na Junta Comercial.

Para ter acesso a essas vantagens, a estrutura controladora realiza o processo da sucessão
familiar a partir de três etapas: constituição da empresa; integralização dos bens; e o acordo
de acionistas.

Após a criação da estrutura, é feita a integralização de todos os bens. Durante o processo, é


necessário ter atenção à natureza de cada ativo, já que a ação segue procedimentos
específicos para cada categoria. Ou seja, imóveis, dinheiro ou automóveis seguem regras
distintas de integralização.

Por fim, as regras de sucessão são desenvolvidas através do acordo de acionistas, documento
responsável por oficializar todo o processo. Na declaração, cada regra e ordenamento são
especificados para evitar qualquer conflito entre os herdeiros.

Cuidados durante a estruturação

A estruturação de uma Holding é um procedimento complexo, exigindo conhecimento em


Direito Imobiliário, Tributário, Societário, além de demandar a compreensão de setores
contábeis. Nesse cenário, qualquer erro jurídico ou no regime tributário pode colocar em
risco toda a operação.

Todas as etapas de criação de uma Holding devem ser seguidas à risca, do planejamento à
execução, incluindo a manutenção da estrutura. Devido à complexidade do processo, é
fundamental contratar o serviço de uma empresa especializada para evitar imprecisões
durante a constituição.

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